9873 – Qual é o estado físico do vidro?


Os cientistas classificam o vidro como um sólido amorfo, sem forma – algo como um sólido quase líquido, um meio-termo entre esses dois estados físicos. É a mesma categoria do plástico, por exemplo. A diferença principal entre a solidez de um pote de vidro e a dos chamados sólidos perfeitos é a organização das moléculas que compõem cada um desses objetos. Em uma barra de ferro ou um pedaço de madeira, as moléculas aparecem impecavelmente ordenadas. Para visualizar isso, imagine-se em um metrô lotado. Ao entrar no vagão, todo mundo acaba apertado na mesma posição durante a viagem inteira, e a quantidade de passageiros em cada metro quadrado é semelhante. Com as moléculas acontece a mesma coisa. Se elas estão juntinhas e a força que as une é grande, elas acabam se ordenando da forma mais regular possível, em um tipo de arranjo que os físicos chamam de cristalino.

Não fazem parte desse clube o vidro e outros sólidos amorfos, já que suas moléculas não têm uma estrutura tão bem definida. Nesse caso, é como se você entrasse num vagão mais vazio: a distribuição dos passageiros é irregular, e cada metro quadrado do vagão vai ter um número diferente de pessoas. Na verdade, essa estrutura bagunçada é semelhante à organização das moléculas dos líquidos, mas o vidro não pertence a essa família porque uma substância realmente líquida precisa reunir uma série de propriedades específicas – uma delas é tomar a forma do seu recipiente. Se você colocar água dentro de uma jarra, ela vai se adequar ao formato do objeto sem a menor resistência, coisa que não acontece com o vidro.
O vidro tem moléculas mais distantes e ligadas de maneira bagunçada. É uma estrutura semelhante à dos líquidos, com a diferença que o vidro não reúne propriedades essenciais para ser considerado um deles, como ganhar a forma do recipiente em que é colocado, por exemplo.
Em um objeto sólido perfeito, como uma colher de metal, as moléculas estão bem próximas umas das outras e aparecem perfeitamente ordenadas. A força que as une é grande e as ligações entre elas constituem arranjos que sempre têm a mesma forma geométrica.

9872 – Amassou, já era…Por que o papel não volta à forma original depois de dobrado?


Porque as ligações que mantêm o papel em sua forma original são rompidas com as dobras. O papel é formado de fibras de celulose entrelaçadas e unidas por átomos de hidrogênio, em uma ligação química chamada “ponte de hidrogênio”. O papel começa a ser feito com as fibras de celulose misturadas com água, que depois é extraída do papel durante o processo industrial. O problema é que, quando as pontes são rompidas a seco, no papel já pronto, elas não podem ser refeitas. A únia maneira de tentar deixar a folha inteira de novo é jogando-a na água.
Apesar de fina, uma folha pode aguentar o peso até de blocos de concreto. Na natureza, a lignina é a “cola” entre as moléculas de celulose. Durante o refino, uma das etapas da produção, ela é substituída pelas pontes de hidrogênio, uma das ligações intermoleculares mais fortes da natureza. Isso aproxima as fibras de celulose umas das outras e forma vários pontos de união.
A facilidade do rasgamento do papel depende do sentido em que a força é aplicada. Também durante o refino, as fibras de celulose são quebradas e rearranjadas. É como se a folha fosse penteada em uma direção, e nesse sentido há mais ligações entre as fibras e mais resistência. Assim fica mais difícil rasgar a folha, mas, no sentido inverso, com mais espaços vazios de celulose, fica fácil rasgá-la.
Todo papel pode ter até 20% de compostos minerais, como cálcio ou dióxido de titânio, que ajudam a deixá-lo mais branco, liso ou macio. Só que esses compostos também são abrasivos e, dependendo da combinação entre a espessura do papel, a umidade da folha e o formato das moléculas utilizadas na fabricação, eles podem mesmo cortar a mão.
Alguns tipos de papel podem ser reciclados no máximo cinco vezes. De tanto as fibras de celulose serem trituradas no início da reciclagem, elas não conseguem mais se ligar umas às outras e acabam se rompendo. O papel fica quebradiço e não tem mais resistência para se transformar em uma folha. É o fim do ciclo para ele.

9871 – Botânica – Como uma semente evolui até virar árvore?


A semente – óvulo maduro e fecundado da planta – inicia o crescimento absorvendo água do solo e consumindo reservas próprias de nutrientes. Quando as primeiras folhas aparecem, a planta passa a gerar nutrientes pela fotossíntese, absorvendo água, luz e gás carbônico do ambiente. Árvore é o nome dado a vegetações lenhosas de grande porte, com mais de 3 metros de altura e formadas por raiz, caule, ramos e folhas. Elas são classificadas em angiospermas (quando dão flores e as sementes são protegidas por um fruto) e gimnospermas (plantas sem frutos e cujas sementes não têm proteção). Estima-se que existam cerca de 100 mil espécies de árvores, o que representa 25% de todos os organismos vegetais do planeta, atualmente.
Evaporação de água pelas folhas estimula a subida de minerais capturados pela raiz
A árvore começa a “nascer” quando ocorre a germinação e as três partes principais da semente entram em ação:

O tegumento protege o conteúdo interno;
O embrião é formado por microestruturas,como a radícula (ou raiz embrionária) e os cotilédones, que darão origem às primeiras folhas;

O endosperma é um tecido de reserva nutricional
Sob condições favoráveis de água, temperatura e luz, o embrião deixa o estado de latência e começa a se desenvolver. A semente absorve água do solo e aumenta de volume. Esse crescimento faz a casca se romper e a radícula, estrutura que dá origem à raiz, alonga-se em direção ao solo.
O passo seguinte é o desenvolvimento da plântula, nome dado pelos botânicos à planta jovem, ainda incapaz de fazer fotossíntese. Nessa etapa, a raiz se alonga e se ramifica terra adentro para fixar a árvore ao solo.
Quase ao mesmo tempo, desenvolvem-se as partes aéreas como o caule e os cotilédones. Também chamados de “primeiras folhas”, eles são ricos em nutrientes e alimentam a plântula na fase inicial de crescimento, quando ela ainda não tem folhas verdadeiras, capazes de realizar a fotossíntese.

Na fotossíntese,a luz solar é absorvida pelos cloroplastos – microestruturas que armazenam clorofila, substância que dá cor verde às folhas. A clorofila e a energia solar transformam, por meio de reações químicas, a água captada pela raiz e o gás carbônico (CO2) retirado da atmosfera em glicose e outros nutrientes.
Pequenos poros das folhas se abrem para capturar CO2 e perdem água por evaporação. Para compensar a desidratação, a água absorvida pela raiz, rica em sais minerais como potássio, fósforo e nitrogênio, viaja até o alto da planta por um conjunto de tecidos e vasos chamado xilema.
Enquanto o xilema leva água e minerais para as folhas, o floema distribui a seiva que “alimenta” toda a planta. A seiva é um líquido formado por açúcares, aminoácidos e ácidos orgânicos resultantes da fotossíntese.
O engrossamento do tronco e dos galhos ocorre quando as células do câmbio vascular se multiplicam, gerando o xilema e o floema. As células mortas do xilema formam as fibras do cerne – tecido que sustenta a planta. A clorofila se acumula nos tecidos mais internos e o caule deixa de ser verde.

9870 – Física – Qual é o estado físico do fogo?


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Como o fogo não é formado por matéria, ele não pode ser encaixado em nenhum estado físico. Apesar de vermos e sentirmos a chama, ela é só energia. O fogo pega na madeira, por exemplo, quando ela ultrapassa os 260 °C. Nessa temperatura, as moléculas da madeira se quebram em átomos, que se unem ao oxigênio do ar e formam moléculas de água.

O nascimento do H2O aparece para nós em forma de chamas. Isso porque a energia que cabe nas moléculas de água é menor que a liberada pela madeira. Então, o que sobra da reação vira luz e calor – ou melhor, fogo. Existe um certo folclore em relação ao suposto estado físico das chamas. Livros não-científicos já apontaram que o fogo pertence ao quarto estado da matéria, o plasma. Não é verdade. “Esse estado ocorre quando um gás se torna uma nuvem de núcleos atômicos e elétrons, separados uns dos outros”. Como essas partículas (núcleos e elétrons) sempre aparecem juntas em gases, sólidos e líquidos, o plasma é considerado um estado à parte. Em geral, ele ocorre em estrelas, a temperaturas de milhões de graus Celsius.

9869 – O que é combustão humana continuada?


É a teoria científica mais aceita para explicar os casos, rejeitando a “espontaneidade” do fenômeno. “Não existe combustão espontânea, sempre haverá uma causa”, diz o perito americano John DeHaan, especialista em cenários incendiados. Para ele, o que ocorre é que uma fonte de calor queima a pele de cinco a dez minutos, com a pessoa já morta. A queimadura abre uma fenda no corpo, por meio da qual a gordura subcutânea, que é inflamável, vaza. Essa gordura atua como combustível para o fogo e o corpo vira cinzas.
Em pelo menos metade dos casos, o fogo parte de um fósforo ou de um cigarro aceso. Mas mesmo quando há outra origem ela não existe mais quando a pessoa é encontrada. “A origem do fogo vira cinzas, assim como o corpo”.
O fogo nunca é a causa da morte. A pessoa morre um pouco antes, devido a um histórico de problemas de saúde, como doenças cardíacas, ou de algo súbito. “Essas causas são mais comuns com o passar da idade”, afirma Marcos Cintra, médico legista da Unifesp.
“A gordura subcutânea é inflamável e faz parte do mecanismo que contribui para a combustão”, diz Cintra. Essa gordura se concentra no peito e no abdômen. Nas mulheres, também nos seios. “Sem essa gordura, o fogo não continua”.
O cenário é encontrado intacto porque o fogo é baixo e localizado, embora seja longo e contínuo. “Demora de seis a sete horas para que o corpo se transforme em cinzas”, declara DeHaan. “É por isso também que, em geral, ninguém vê que a pessoa está pegando fogo.

Curiosidade
Na série de TVMysterious Universe,o escritor americano Arthur C. Clarke afirma que alguns casos de combustão humana espontânea parecem desafiar a ciência.

9868 – Astrofísica – O que é matéria escura?


É uma parte do Universo que os astrônomos sabem que existe, mas ainda não sabem exatamente o que seja. É matéria, porque se consegue medir sua existência por meio da força gravitacional que ela exerce. E é escura, porque não emite nenhuma luz. Essa segunda propriedade é justamente o que dificulta seu estudo. Todas as observações de corpos no espaço são feitas a partir da luz ou de outro tipo de radiação eletromagnética emitida ou refletida pelos astros. Como a matéria escura não faz nenhuma dessas coisas, é “invisível”. Ainda assim, sabe-se que ela está lá. Na década de 1930, o astrônomo Fritz Zwicky, um húngaro radicado nos Estados Unidos, calculou a massa de algumas galáxias e percebeu que ela era 400 vezes maior do que sugeriam as estrelas observadas! A diferença está justamente na massa de matéria escura. E quanta diferença! Pelas contas do professor Fritz, você deve ter percebido que ela não é apenas um detalhe na composição do Universo, e, sim, seu principal ingrediente. Hoje em dia, calcula-se que el corresponda a mais ou menos 95% do Universo. É como se todas as galáxias que conhecemos atualmente fossem apenas alguns pedacinhos de chocolate encravados no grande bolo do Universo. Existem várias teorias sobre o que seria a tal massa escura. O mais provável é que ela seja feita de partículas subatômicas, menores que nêutrons, prótons e elétrons e ainda indetectáveis pelos atuais instrumentos de medição dos cientistas. Para terminar, vale um esclarecimento: apesar da semelhança no nome, matéria escura não tem nada a ver com buraco negro. “A massa escura é um componente do Universo, sem luz, enquanto o buraco negro é um objeto astrofísico com um campo gravitacional tão forte que não deixa nem mesmo a luz escapar”.

9867 – Como é calculada a sensação térmica?


O cálculo da sensação térmica, que é a temperatura que realmente sentimos em uma determinada situação, deve levar em conta dois fatores: velocidade do vento e umidade relativa do ar. A tabela disponibilizada no site do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) calcula que a sensação térmica diminui aproximadamente 1ºC a cada vez que os ventos chegam a 7 km/h – quanto maior a velocidade do vento, maior o calor retirado da superfície da pele, e, portanto, maior a sensação de frio.
Por exemplo, em um local com temperatura ambiente de 10ºC e ventos de 7 km/h, a sensação térmica é de 9 ºC. Para ter uma idéia, um vento de 7 km/h está longe de ser um furacão, que tem ventos de no mínimo 118 km/h de velocidade. O problema é que as fórmulas usadas pelos institutos de meteorologia no Brasil consideram apenas a velocidade do vento, e não levam em conta a umidade do ar. “Numa temperatura xis, com ar seco, sentimos um certo frio. Já, se ocorrer a mesma temperatura com chuva, a tendência é sentirmos ainda mais frio. O frio seco é menos sentido que o frio úmido”.

9866 – Acidente Aéreo – O que acontece se a porta de um avião se abre durante o voo?


Depende da altura em que está o avião. Quanto mais alto, maior é a diferença de pressão e temperatura dentro e fora do avião, porque a cabine tem um mecanismo de pressurização, que mantém a temperatura estabilizada em 22 ºC e a pressão do ar semelhante à do nível do solo. Portanto, quanto mais longe do chão, piores podem ser as conseqüências para os passageiros e tripulantes. A sorte de quem estava no avião da TAM que perdeu a porta dianteira durante o vôo no dia 8 de agosto foi justamente que ele ainda estava decolando – portanto, estava a apenas um quinto da altura que costuma atingir durante o vôo. A temperatura do ar que tomou conta da cabine era de 20 ºC e a pressão não era baixa o suficiente para causar problemas graves. Mesmo assim, alguns passageiros sofreram problemas de pressão sanguínea, e uma aeromoça que estava perto da porta teve que se segurar em uma poltrona para não ser arrastada para fora do avião. Na mesma hora o piloto deu meia-volta e retornou ao aeroporto, evitando problemas maiores. Mas a coisa podia ter ficado feia se a aeronave estivesse no seu teto de vôo (a altura máxima que atinge).

Velocidade entre 800 e 1 000 km/h, temperatura externa de 34 ºC negativos e a pressão do ar equivalente a um quarto da do nível do solo. A abertura da porta faz as pessoas sentirem muito frio e extrema dificuldade para respirar. Enquanto o ar externo entra na cabine, o interno, com a pressão bem mais alta, sai de uma só vez – como quando estouramos uma bexiga -, “cuspindo” pessoas e objetos para fora do avião

O QUE O PILOTO FAZ? – Desce o máximo possível. As máscaras mantêm as pessoas respirando por 15 a 20 minutos

1 800 metros

O avião da TAM estava nessa altitude,a 350 km/h, a temperatura do lado de fora era apenas 2 ºC menor do que a da cabine e a pressão interna era parecida com a pressão externa. Com a abertura da porta, a cabine é tomada pelo ar de fora, mas só a partir de 3 mil metros a pressão dele é baixa o suficiente para causar rompimento dos tímpanos, náusea e dor de cabeça

O QUE O PILOTO FAZ? – Prossegue para o aeroporto mais próximo

No chão

Mesmo que o avião atinja 240 km/h, a velocidade máxima antes de sair do chão, nada de grave pode acontecer. No máximo, o vento faz voar objetos leves próximos da porta. Afinal, no solo, a temperatura e a pressão dentro e fora do avião são iguais – no nível do mar, a pressão é de 1 quilograma-força por cm2 e é um pouquinho menor em cidades mais altas

O QUE O PILOTO FAZ? – Interrompe a decolagem

9865 – Física – Quando um raio cai no mar, até onde vai a eletricidade?


Estima-se que uma descarga de 50 mil ampères, por exemplo, já seja inofensiva a um banhista a 125 m do ponto de incidência. A intensidade da corrente diminui segundo o inverso do quadrado da distância. Logo, com o dobro da distância, cai para 1/4. Com o triplo, baixa para 1/9. E assim por diante. Por isso que, quando um raio cai em Copacabana, alguém em Ipanema não morre eletrocutado. O raio se comporta da mesma maneira no mar ou na terra. A diferença é que, como a corrente sempre procura se concentrar no meio mais condutor, no mar aberto ela se divide igualmente entre o nosso corpo e a água. Já em terra firme, ela sempre se concentra no nosso corpo – e aí os danos são maiores.

Uma pessoa nadando a até 50 m do ponto de incidência da descarga elétrica sofreria um choque de mais de 300 mA (miliampère). Resultado: um ataque cardíaco fulminante
Entre 50 m e 85 m, a descarga elétrica diminui, podendo variar entre 300 e 100 mA. O nadador sofreria queimaduras, asfixia e, em alguns casos, uma parada cardíaca, mas poderia se salvar.
Entre 85 m e 125 m, a intensidade fica entre 100 e 50 mA. Não é suficiente para matar ninguém, mas apenas porque a descarga elétrica de um raio dura pouco – cerca de um milésimo de segundo. Uma descarga mais duradoura nessa mesma intensidade, como no choque de um chuveiro, poderia, sim, matar.
Acima dos 125 m de onde o raio caiu, uma pessoa no mar receberia uma descarga elétrica de menos de 50 mA. Ela sentiria o formigamento típico, mas sem riscos.

ATENÇÃO!

Esses valores são só representativos. A ME aconselha: durante uma chuva com raios, sempre saia da água e procure um local seguro.

• Raio é a descarga elétrica atmosférica. Relâmpago é a luz e trovão é o som causados pela ionização do ar e o choque com as cargas elétricas das nuvens.

9864 – Química – Qual é o ácido mais forte do mundo?


É o fluorantimônico, cuja acidez supera a mais alta encontrada na natureza:o ácido sulfúrico a 100%. A mistura do fluorídrico com pentafluoreto de antimônio é considerada a mais forte entre os superácidos e foi criada para reagir com materiais que outros não dão conta. A concentração de um ácido é medida por meio da quantidade de íons do tipo H+, que iniciam as reações químicas com outras substâncias. O fluorantimônico tem 20 quintilhões de vezes mais íons que o sulfúrico, porém, apesar desse “poder”, ele não é capaz de corroer tudo – já que a corrosão não depende da força, mas da interação química das substâncias. Uma coisa, porém, é certa: quando a corrosão ocorre, os danos são irreversíveis.

Ácido fluorídrico (Hf)

Como reage com vidro e metal, tem que ser armazenado em parafina ou em polímeros, como o teflon.

PET: Ataca o plástico, que ganha umaspecto aquoso.

AÇO: Quanto mais diluído, mais forte é a reação. Transforma o aço em gás e líquido.

VIDRO: Concentrado, pode superar 100ºC e ferver o vidro derretido.

CORPO HUMANO: Causa queimaduras.Diluído, pode penetrar na pele, dissolvendo os ossos.

Ácido Sulfúrico (H2So4)

O mais popular dos ácidos é usado na indústria e na produção de fertilizantes.

PET: A venda é controlada pela Polícia Federal. Concentrado acima de 40%, derrete o plástico.

AÇO: Forma uma camada de ferrugem que impede que a corrosão continue.

VIDRO: Não reage.

CORPO HUMANO: Concentrado acima de15%, causa queimaduras graves e a desidratação dos tecidos.

Ácido Nítrico (HNo3)

Ataca boa parte dos metais, menos os preciosos. Misturado à glicerina e ao ácido sulfúrico, forma o explosivo nitroglicerina.

PET: Aquecido à 90ºC, faz o material virar líquido.

AÇO: O material fica diluído na solução aquosa do ácido.

VIDRO: Não reage.

CORPO HUMANO: Causa queimaduras e pode reagir com a pele – formando uma mancha amarela.

9863 – O que é cateterismo?


cateterismo

Trata-se de um exame invasivo para examinar vasos sanguíneos e o interior do coração. O acesso ao interior do coração é feito através de um tubo longo, fino e flexível, chamado cateter, geralmente com cerca de 2,5 milímetros de diâmetro e 1 metro de comprimento, colocado por um vaso sanguíneo periférico do braço, da coxa ou do pescoço. Tem como objetivo corrigir problemas em veias e artérias,como obstruções.
Algumas vezes um pigmento especial é colocado no cateter para fazer com que o interior do coração e vasos sanguíneos apareçam no raio-x. O pigmento pode mostrar se placas ateroscleróticas estreitaram ou bloquearam as artérias coronárias. A aterosclerose é uma placa de gordura no interior de um vaso sanguíneo que estreitam a passagem no interior das artérias, podendo bloquear o fluxo de sangue ao coração. Bloqueios nas artérias também podem ser vistos usando ultrassom durante o cateterismo cardíaco. Ultrassom usa ondas sonoras para criar imagens detalhadas dos vasos sanguíneos do coração.

Os médicos podem tomar amostras de sangue e músculo cardíaco durante o cateterismo, assim como realizar pequena cirurgia cardíaca. Cardiologistas geralmente fazem o cateterismo no hospital com a pessoa acordada durante o procedimento. Há pouca ou nenhuma dor durante o cateterismo, porém a pessoa pode sentir dor no vaso sanguíneo onde o médico inseriu o cateter. O cateterismo cardíaco raramente causa complicações sérias.
Em geral, dura entre 30 e 60 minutos, conforme o procedimento realizado.
Geralmente é feito em uma sala específica para procedimentos invasivos do hospital com o paciente acordado (anestesia local), deitado sob um aparelho de raio-X. Em criança pode ser usado anestesia geral para evitar agitação.
Após o exame o paciente deve ficar em repouso absoluto por 4 a 6 horas enquanto seus sinais vitais são analisados para prevenir complicações e tratar imprevistos.

O cateterismo cardíaco é usado para diagnóstico e tratamento de várias condições cardíacas. A razão mais comum é para avaliar dor no peito, a qual pode ser sintoma de doença da artéria coronária. Nesse caso, o cateterismo cardíaco pode mostrar se a placa está estreitando ou bloqueando as artérias cardíacas.

É indicado para:
Mostrar obstruções das artérias que irrigam a musculatura do coração (artérias coronárias);
Avaliar alterações do funcionamento das válvulas e do músculo cardíacos;
Esclarecer as suspeitas de alterações anatômicas não confirmadas por outros exames;
Mostrar em detalhes uma malformação congênita;
Desobstruir artérias e válvulas.

9862 – Medicina – O Transplante de Rim


MEDICINA simbolo

Os rins recebem sangue através das artérias renais, ramos da aorta que vem diretamente do coração. Depois que circulou pelo grande número de vasos existentes nesses órgãos, livre das toxinas, o sangue sai pelas veias renais rumo ao coração e a urina desce pelos ureteres até cair na bexiga.
É função dos rins filtrar o sangue para eliminar substâncias nocivas ao organismo, como a amônia, a ureia e o ácido úrico. Mas eles não funcionam apenas como simples filtro, que prende em suas malhas os produtos que não interessam ao organismo. Eles também agem ativamente, secretando substâncias importantes para nossa saúde.
Quando as inúmeras unidades que compõem os rins ficam comprometidas, a pessoa entra num processo chamado de insuficiência renal que pode tornar-se crônico e que, ao atingir determinados limites, exige diálise ou transplante de rim como solução terapêutica.
Transplante de rim é uma alternativa bastante eficaz para o tratamento da insuficiência renal crônica. Quando ele se faz necessário, o paciente recebe um rim novo, uma artéria para nutri-lo, uma veia que serve de escape para o sangue venoso e um ureter para excretar a urina.
Para se fazer um transplante renal, necessita-se de um doador, que pode ser uma pessoa viva – um parente, um irmão ou o pai – que doe o órgão para a pessoa que dele precisa. Nesse caso, as cirurgias do doador e do receptor são feitas ao mesmo tempo. Uma equipe cirúrgica retira o rim do doador com parte de uma artéria, de uma veia e um ureter numa sala, enquanto em outra sala a equipe de transplante prepara o receptor para receber esse rim tão logo ele seja extraído. A seguir, emendam-se a artéria e a veia do doador na artéria e na veia do receptor e o ureter em sua bexiga. Feito isso, está terminado o transplante.
Os transplantes de rim de doadores vivos com compatibilidade HLA são mais bem-sucedidos do que aqueles de doadores falecidos.
O rim transplantado é colocado na fossa ilíaca do paciente e o ureter é fixado à bexiga ou anastomosado ao ureter do receptor. A artéria e a veia renais são unidas à artéria e à veia ilíacas externas, respectivamente.
Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que pessoas doam um dos rins vivem tanto quanto aquelas que possuem os dois rins.
Segundo estudo publicado na Nature, cerca de 27 mil transplantes renais são feitos anualmente no mundo, sendo 39% do total de transplantes. Estados Unidos, Brasil, Irã, México e Japão de um grupo 69 países registram o maior volume desse tipo de transplante.
A OMS estima que cerca de 10% dos transplantes realizados no mundo sejam ilegais.

9861- Medicina – Transplante de Córnea


transplante de córnea

Trata-se de um procedimento cirúrgico no qual uma córnea lesionada ou com doença é substituída por outra de um doador.
Em uma pesquisa que usa células-tronco realizada pelo oftalmologista brasileiro Francisco Figueiredo na Universidade de Newcastle, pode ser uma alternativa em alguns casos de necessidade de transplante.
A córnea é uma estrutura transparente e curva, que reveste a superfície do olho. Assim como o cristalino, é uma lente natural que nos auxilia a focar os objetos. Em estado saudável, ela é totalmente transparente. Se há perda de sua integridade, ela torna-se embaçada, desfocada e a luz passa a não alcançar a retina, prejudicando sensivelmente a visão e provocando diversos transtornos que irão debilitar o paciente no desenvolvimento das suas atividades diárias e podendo até mesmo ocasionar a perda por completo da visão.
Isto pode acontecer por diferentes motivos, seja por alguma doença adquirida, por um defeito de nascimento ou por um ferimento. Em tais situações, a visão fica bastante afetada e quando não é possível recuperá-la através do uso de óculos ou de lentes de contato e quando o tratamento clinico já não obtém resposta, somente a troca da córnea doente por outra sadia e transparente pode restabelecer a qualidade da visão.
Atualmente, graças aos avanços da medicina e mais precisamente do instrumental cirúrgico, o transplante de córnea é um procedimento com alto índice de sucesso e com a menor taxa de rejeição entre os transplantes de tecidos. Esta é realizada sob anestesia local e sem a necessidade de internação, exceto em crianças e pacientes pouco cooperativos.
O transplante é uma cirurgia que troca a porção central da córnea doente por uma córnea sadia doada. A incisão é realizada através de um bisturi circular, chamado de Trépanos, que possibilita ao cirurgião a execução de cortes perfeitos, melhorando consideravelmente os resultados e ampliando a qualidade da acuidade visual e a capacidade funcional da visão. A nova córnea é fixada por um fio especial mais fino que um fio de cabelo e com o auxílio de um microscópio cirúrgico.
A recuperação definitiva da visão geralmente é lenta, mas após um mês o paciente já pode retomar a maioria das suas atividades diárias sem incômodos. Somente após seis meses desde a cirurgia, caso seja necessário e geralmente o é, o paciente poderá iniciar o tratamento para a correção visual, seja através de lentes de contato, óculos ou cirurgia refrativa.

9860 – O que são as UPPs?


Unidade de Polícia Pacificadora, conhecida também pela sigla UPP, é um projeto da Secretaria Estadual de Segurança do Rio de Janeiro que pretende instituir polícias comunitárias em favelas, principalmente na capital do estado, como forma de desarticular quadrilhas que, antes, controlavam estes territórios como estados paralelos. Antes do projeto, inaugurado em 2008, apenas a favela Tavares Bastos, entre as mais de 500 existentes na cidade, não possuía crime organizado (tráfico de drogas ou milícia).
A primeira UPP foi instalada na Favela Santa Marta em 20 de novembro de 2008. Posteriormente, outras unidades foram instaladas na Cidade de Deus, no Batan, Pavão-Pavãozinho, Morro dos Macacos, entre outras favelas. O programa tem sido bem avaliado por especialistas. No entanto, sofreu críticas no início devido ao fato de que as comunidades que mais rapidamente têm recebido este serviço seriam aquelas situadas próximas à Zona Sul, a mais rica da cidade, sendo uma forma de, portanto, reduzir a criminalidade nos bairros mais ricos e não naqueles mais violentos, como seria de se esperar. A essas críticas, respondem as autoridades que a iniciativa de iniciar na Zona Sul do Rio essa operação, onde se situam favelas menores, é consequência da necessidade de maior efetivo policial para ocupar as favelas maiores, como o Complexo do Alemão.
O projeto é tão bem-sucedido que inspirou projetos semelhantes em outros estados brasileiros: o governo do estado da Bahia criou as Bases Comunitárias de Segurança (BCSs) para atender às comunidades de Salvador; o governo do Paraná criou as Unidades Paraná Segura (UPSs) para atender às comunidades de Curitiba; o governo do Maranhão criou as Unidades de Segurança Comunitária (USCs) para atender às comunidades de São Luís; e o governo do Rio Grande do Sul criou os Territórios da Paz (TP). O governo do Rio também lançou o projeto das Companhia Integrada de Segurança Pública (Cisp), que atendem a alguns morros e favelas da cidade, com formato idêntico às UPPs. As comunidades pacificadas possuem câmeras de segurança instaladas em pontos estratégicos para ajudar no monitoramento das favelas.

9859 – Rivalidade na Ciência


Além da briga feia de Isaac Newton com o matemático alemão Gottfried Leibniz pela autoria da invenção do cálculo diferencial e integral, a fornalha de vaidades inclui a queda-de-braço entre o francês Luc Montagnier e o americano Robert Gallo pela descoberta do vírus da Aids e a acirrada disputa entre os paleontólogos Donald Johanson e Richard Leakey sobre as espécies que deram origem ao Homo sapiens. Essa última, embora nunca tenha perdido a elegância, já se espalhou por discípulos e seguidores dos mestres.
Nenhum cientista pode ter a pretensão de defender a verdade absoluta. Mas na crônica da ciência não faltam gênios convencidos de que a resposta mais correta está em seu próprio umbigo.
Um dos maiores gênios científicos de todos os tempos, o cientista inglês Isaac Newton (1642-1727), descobridor das três leis do movimento (as chamadas leis de Newton) e da lei da gravidade, entre outras, construiu também a mais poderosa ferramenta matemática já pensada, o cálculo diferencial e integral. Mas não foi o único a realizar a proeza. O cientista e filósofo Gottfried Leibniz (1646-1716) também fez a mesma descoberta por si só, na Alemanha.
Newton fez o cálculo em 1665, dez anos antes do alemão, mas divulgou sua descoberta apenas entre cientistas. Leibniz a desconhecia quando divulgou o seu trabalho, em 1684. Vinte anos antes, portanto.
Na época, a autoria da importante descoberta dividiu os cientistas. Houve ferrenhos defensores de ambos os lados; os ingleses tomaram o partido de Newton e a maioria dos matemáticos dos demais países europeus, o de Leibniz. Só que o gênio inglês passava por cima de qualquer um que ousasse competir com ele, sem cerimônia. Escorado no poder de presidente da mais respeitada instituição científica da época, a Royal Society of London, articulou uma pesada campanha contra o alemão.
Newton decidiu que sua instituição deveria formar uma comissão para investigar a descoberta do cálculo. Mas, quando o relatório foi terminado, simplesmente se apoderou dele e reescreveu-o, em seu benefício, sem que ninguém ousasse criticá-lo. Os colegas tinham tanto medo dele que, desde sua eleição como presidente da Royal Society, em 1703, até sua morte, em 1727, Newton foi sempre reeleito sem enfrentar competidor. Seu poder também era político: foi diretor da Casa da Moeda da Grã-Bretanha (cargo que também ocupou até a morte) e o primeiro cientista a ser ordenado cavaleiro do reino.

Leibniz cometeu o erro tático de xingar de desonesto seu adversário todo-poderoso, em uma carta de 1711 dirigida ao secretário da Royal Society, na qual requeria a paternidade da invenção do cálculo. Newton enfureceu-se a ponto de rechear todos os textos que escreveu sobre o assunto, até a morte de Leibniz, com insultos ao opositor. Também incitou colegas a escrever e publicar textos injuriosos contra ele. E publicou artigos ofensivos ao alemão sob pseudônimo.
Mas não parou aí. Em 1714, o príncipe inglês George I, originário da casa de Brusnwick, na Alemanha, virou rei da Grã-Bretanha. Leibniz era conselheiro e historiador da corte dos Brunswick, em Hannover. Por meio de George I, Newton conseguiu demitir o rival. Na miséria e no ostracismo, o alemão morreu dois anos depois. Só seu ex-secretário compareceu ao enterro.
Em contraste, onze anos depois Newton foi enterrado com honras de chefe de estado na Abadia de Westminster. Pode-se dizer que ganhou a disputa. Mas, aos poucos, a notação criada por Leibniz para o cálculo diferencial e integral provou-se mais ágil.
Acabou vingando e hoje é usada para mandar foguetes ao espaço e criar carros cada vez mas seguros.

Trapaça na descoberta do vírus da Aids?
Em 1983, o cientista francês Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, mandou para os Estados Unidos amostras de um novo vírus para o colega americano Robert Gallo, do Instituto Nacional de Saúde americano. No ano seguinte, Gallo anunciou ter descoberto o vírus da Aids. Só não contou a ninguém que a amostra do HIV havia sido cedida por Montagnier.
Durante seis anos o americano sustentou, apesar dos protestos do francês, que sua equipe descobrira o HIV. Mas, depois de muito escândalo e da intromissão dos governos dos Estados Unidos e da França, fez uma retratação pública na revista Nature, em 1991. Disse, aí, ter concluído que o vírus isolado por ele, em 1984, era o mesmo isolado por Montagnier em Paris no ano anterior. E admitiu que suas amostras de sangue tinham sido contaminadas “acidentalmente” pelo vírus de Montagnier.
“Gallo usou o vírus francês”.Disse que sua amostra foi contaminada acidentalmente, mas nunca saberemos a verdade. Mas o detalhe importante é que Gallo recebeu vírus de vários laboratórios. Ele tinha o único capaz de provar que aquele era a causa da doença – e o fez. Montagnier tinha dúvida de que o vírus enviado por ele era capaz de causar a Aids sozinho. Na Nature o americano afirmou: “Não há dúvidas de que foi Montagnier quem primeiro descreveu o HIV. Mas nós fomos os primeiros a provar que se tratava do vírus da Aids”.
Montagnier, entretanto, rechaça a versão. Ele sempre disse que também provou que o HIV era o vírus da Aids. Em 1990, declarou à revista Veja: “Nossa equipe isolou um tipo novo e bem diferente de vírus daquele que Robert Gallo descrevera em trabalhos anteriores. Depois, estabelecemos que ele era a verdadeira causa da Aids por meio de testes em pacientes doentes, e desenvolvemos, pela primeira vez, o Teste Elisa” – usado até hoje para detectar a doença. Quando saiu a retratação na Nature, Montagnier foi duro: “Por que a mentira de Gallo foi sustentada durante tanto tempo?”

Em 1987, os governos americano e francês colocaram panos quentes na disputa dividindo formalmente a paternidade da descoberta e os royalties dos testes anti-Aids. Mas, em 1992, o Departamento de Integridade Científica do Serviço de Saúde Pública, órgão responsável pela apuração da má conduta ética dos cientistas nos Estados Unidos, abriu um processo contra o pesquisador tcheco Mikulas Popovic, um dos colaboradores de Gallo. Popovic foi o autor principal de um artigo publicado na revista Science, co-assinado por Gallo, anunciando a descoberta do HIV. Usou os dados de Montaigner mas não deu crédito. Após três anos de investigação, foi inocentado. Segundo o Departamento, não havia provas que comprovassem a intenção deliberada de utilizar informações fornecidas pelo francês sem citá-lo. Com isso, o processo contra Popovic foi arquivado e decidiu-se não julgar o caso de Gallo também por falta de provas. Ou seja, legalmente o americano foi absolvido.
Foi uma solução diplomática. Uma acomodação. A ética ganhou mais uma cicatriz. A postura de Gallo não foi idônea. Nesse caso, Montagnier acabou com as honras. O americano foi inocentado de fraude, mas sua frase à revista Time quando soube do arquivamento do caso foi sugestiva: “Sinto-me perdoado”.

Como o HIV foi isolado
Luc Montagnier descobriu o vírus da Aids em 1983.
O material pesquisado foi um glânglio de um paciente infectado com uma doença que atingia os homossexuais.

1. Montagnier separou do tecido contaminado vários linfócitos, as células de defesa.

2. Misturou linfócitos com proteína para se multiplicarem. Sabia que dentro deles havia um retrovírus, um vírus que se reproduz com material da célula que invade. Conheciam-se apenas dois retrovírus: um infectava camundongos e o outro, o HTLV, provocava um tipo raro de Leucemia. Ele desconfiava da existência de um terceiro.

3. A amostra foi misturada com manganês, fundamental para a replicação do vírus do camundongo. Nada aconteceu. Depois usou-se magnésio, indispensável para o HTLV. Resultado: ele proliferou.

4. O cientista, então, adicionou anticorpos ao HTLV. Se duelassem, tratava-se do mesmo vírus. Isso não aconteceu, confirmando que era um organismo novo: o HIV.

O Davi americano contra o Golias inglês
Muitos vêem assim a briga dos paleontólogos Donald Johanson e Richard Leakey. Afinal, Johanson disputa contra uma família inteira. Louis (1903-1972) e Mary (1913-1996) Leakey, pais de Richard, foram dois paleontólogos extraordinários. O casal descobriu duas espécies de ancestrais do homem, o Australopithecus boisei e o Homo habilis, que viveram há 1,8 milhão de anos na atual Tanzânia, na África. Agregaram novas peças ao quebra-cabeça da evolução.
A polêmica de Johanson com os Leakey começou em 1974 com a descoberta do fóssil Lucy, na Etiópia, pelo americano. Após a datação, descobriu-se que ela havia vivido há 3,2 milhões de anos. Johanson afirmou que Lucy pertencia a uma nova espécie, a Australopithecus afarensis. Até aqui tudo bem, mas quando propôs uma nova teoria da evolução, estabelecendo seu achado como o ancestral humano mais antigo e sustentando que o Homo sapiens evoluíra a partir do afarensis, Richard pôs a boca no mundo.
Nessa altura de sua vida, Leakey já era mais famoso do que os pais por suas pesquisas na África. Ele foi o paleontólogo que mais descobriu fósseis humanos, entre eles o crânio completo de um Australopithecus boisei, no Lago Turkana, no Quênia, em 1969. Em artigos, conferências e entrevistas, o cientista passou ao ataque, desqualificando a hipótese do adversário. Em 1979, a discussão chegou à primeira página do jornal The New York Times, com Johanson advogando sua tese e Leakey defendendo a sua. Contudo, apesar da paixão, a polêmica nunca descambou para a baixaria. Jamais extrapolou os limites éticos de uma controvérsia entre cientistas civilizados.
A divergência principal é que, para o inglês, as espécies de homens e chimpanzés se separaram ao mesmo tempo do tronco dos primatas, há 7 milhões de anos. Para Johanson, entretanto, os homens não são tão antigos, já que evoluíram do ramo do afarensis, uma mistura de homem com chimpanzé.

Quando o homem se divorciou do chimpanzé?
Os palentólogos Richard Leakey e Donald Johanson estabeleceram linhagens genealógicas diferentes para a evolução da espécie humana.

Homo sp
Segundo Leakey o ancestral do homem surgiu há 7 milhões de anos. Mas seu fóssil nunca foi achado. Ele é identificado genéricamente como Homo sp.

Australopithecus afarensis
Johanson considera-o o primeiro homem. Período: 3,9 a 3 milhões de anos atrás. Altura: entre 1,07 e 1,52 metro. Crânio entre 375 e 550 centímetros cúbicos.

Rivalidade na Ciência
Além da briga feia de Isaac Newton com o matemático alemão Gottfried Leibniz pela autoria da invenção do cálculo diferencial e integral, a fornalha de vaidades inclui a queda-de-braço entre o francês Luc Montagnier e o americano Robert Gallo pela descoberta do vírus da Aids e a acirrada disputa entre os paleontólogos Donald Johanson e Richard Leakey sobre as espécies que deram origem ao Homo sapiens. Essa última, embora nunca tenha perdido a elegância, já se espalhou por discípulos e seguidores dos mestres.
Nenhum cientista pode ter a pretensão de defender a verdade absoluta. Mas na crônica da ciência não faltam gênios convencidos de que a resposta mais correta está em seu próprio umbigo.
Um dos maiores gênios científicos de todos os tempos, o cientista inglês Isaac Newton (1642-1727), descobridor das três leis do movimento (as chamadas leis de Newton) e da lei da gravidade, entre outras, construiu também a mais poderosa ferramenta matemática já pensada, o cálculo diferencial e integral. Mas não foi o único a realizar a proeza. O cientista e filósofo Gottfried Leibniz (1646-1716) também fez a mesma descoberta por si só, na Alemanha.
Newton fez o cálculo em 1665, dez anos antes do alemão, mas divulgou sua descoberta apenas entre cientistas. Leibniz a desconhecia quando divulgou o seu trabalho, em 1684. Vinte anos antes, portanto.
Na época, a autoria da importante descoberta dividiu os cientistas. Houve ferrenhos defensores de ambos os lados; os ingleses tomaram o partido de Newton e a maioria dos matemáticos dos demais países europeus, o de Leibniz. Só que o gênio inglês passava por cima de qualquer um que ousasse competir com ele, sem cerimônia. Escorado no poder de presidente da mais respeitada instituição científica da época, a Royal Society of London, articulou uma pesada campanha contra o alemão.
Newton decidiu que sua instituição deveria formar uma comissão para investigar a descoberta do cálculo. Mas, quando o relatório foi terminado, simplesmente se apoderou dele e reescreveu-o, em seu benefício, sem que ninguém ousasse criticá-lo. Os colegas tinham tanto medo dele que, desde sua eleição como presidente da Royal Society, em 1703, até sua morte, em 1727, Newton foi sempre reeleito sem enfrentar competidor. Seu poder também era político: foi diretor da Casa da Moeda da Grã-Bretanha (cargo que também ocupou até a morte) e o primeiro cientista a ser ordenado cavaleiro do reino.

Leibniz cometeu o erro tático de xingar de desonesto seu adversário todo-poderoso, em uma carta de 1711 dirigida ao secretário da Royal Society, na qual requeria a paternidade da invenção do cálculo. Newton enfureceu-se a ponto de rechear todos os textos que escreveu sobre o assunto, até a morte de Leibniz, com insultos ao opositor. Também incitou colegas a escrever e publicar textos injuriosos contra ele. E publicou artigos ofensivos ao alemão sob pseudônimo.
Mas não parou aí. Em 1714, o príncipe inglês George I, originário da casa de Brusnwick, na Alemanha, virou rei da Grã-Bretanha. Leibniz era conselheiro e historiador da corte dos Brunswick, em Hannover. Por meio de George I, Newton conseguiu demitir o rival. Na miséria e no ostracismo, o alemão morreu dois anos depois. Só seu ex-secretário compareceu ao enterro.
Em contraste, onze anos depois Newton foi enterrado com honras de chefe de estado na Abadia de Westminster. Pode-se dizer que ganhou a disputa. Mas, aos poucos, a notação criada por Leibniz para o cálculo diferencial e integral provou-se mais ágil.
Acabou vingando e hoje é usada para mandar foguetes ao espaço e criar carros cada vez mas seguros.

Trapaça na descoberta do vírus da Aids?
Em 1983, o cientista francês Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, mandou para os Estados Unidos amostras de um novo vírus para o colega americano Robert Gallo, do Instituto Nacional de Saúde americano. No ano seguinte, Gallo anunciou ter descoberto o vírus da Aids. Só não contou a ninguém que a amostra do HIV havia sido cedida por Montagnier.
Durante seis anos o americano sustentou, apesar dos protestos do francês, que sua equipe descobrira o HIV. Mas, depois de muito escândalo e da intromissão dos governos dos Estados Unidos e da França, fez uma retratação pública na revista Nature, em 1991. Disse, aí, ter concluído que o vírus isolado por ele, em 1984, era o mesmo isolado por Montagnier em Paris no ano anterior. E admitiu que suas amostras de sangue tinham sido contaminadas “acidentalmente” pelo vírus de Montagnier.
“Gallo usou o vírus francês”.Disse que sua amostra foi contaminada acidentalmente, mas nunca saberemos a verdade. Mas o detalhe importante é que Gallo recebeu vírus de vários laboratórios. Ele tinha o único capaz de provar que aquele era a causa da doença – e o fez. Montagnier tinha dúvida de que o vírus enviado por ele era capaz de causar a Aids sozinho. Na Nature o americano afirmou: “Não há dúvidas de que foi Montagnier quem primeiro descreveu o HIV. Mas nós fomos os primeiros a provar que se tratava do vírus da Aids”.
Montagnier, entretanto, rechaça a versão. Ele sempre disse que também provou que o HIV era o vírus da Aids. Em 1990, declarou à revista Veja: “Nossa equipe isolou um tipo novo e bem diferente de vírus daquele que Robert Gallo descrevera em trabalhos anteriores. Depois, estabelecemos que ele era a verdadeira causa da Aids por meio de testes em pacientes doentes, e desenvolvemos, pela primeira vez, o Teste Elisa” – usado até hoje para detectar a doença. Quando saiu a retratação na Nature, Montagnier foi duro: “Por que a mentira de Gallo foi sustentada durante tanto tempo?”

Em 1987, os governos americano e francês colocaram panos quentes na disputa dividindo formalmente a paternidade da descoberta e os royalties dos testes anti-Aids. Mas, em 1992, o Departamento de Integridade Científica do Serviço de Saúde Pública, órgão responsável pela apuração da má conduta ética dos cientistas nos Estados Unidos, abriu um processo contra o pesquisador tcheco Mikulas Popovic, um dos colaboradores de Gallo. Popovic foi o autor principal de um artigo publicado na revista Science, co-assinado por Gallo, anunciando a descoberta do HIV. Usou os dados de Montaigner mas não deu crédito. Após três anos de investigação, foi inocentado. Segundo o Departamento, não havia provas que comprovassem a intenção deliberada de utilizar informações fornecidas pelo francês sem citá-lo. Com isso, o processo contra Popovic foi arquivado e decidiu-se não julgar o caso de Gallo também por falta de provas. Ou seja, legalmente o americano foi absolvido.
Foi uma solução diplomática. Uma acomodação. A ética ganhou mais uma cicatriz. A postura de Gallo não foi idônea. Nesse caso, Montagnier acabou com as honras. O americano foi inocentado de fraude, mas sua frase à revista Time quando soube do arquivamento do caso foi sugestiva: “Sinto-me perdoado”.

Como o HIV foi isolado
Luc Montagnier descobriu o vírus da Aids em 1983.
O material pesquisado foi um glânglio de um paciente infectado com uma doença que atingia os homossexuais.

1. Montagnier separou do tecido contaminado vários linfócitos, as células de defesa.

2. Misturou linfócitos com proteína para se multiplicarem. Sabia que dentro deles havia um retrovírus, um vírus que se reproduz com material da célula que invade. Conheciam-se apenas dois retrovírus: um infectava camundongos e o outro, o HTLV, provocava um tipo raro de Leucemia. Ele desconfiava da existência de um terceiro.

3. A amostra foi misturada com manganês, fundamental para a replicação do vírus do camundongo. Nada aconteceu. Depois usou-se magnésio, indispensável para o HTLV. Resultado: ele proliferou.

4. O cientista, então, adicionou anticorpos ao HTLV. Se duelassem, tratava-se do mesmo vírus. Isso não aconteceu, confirmando que era um organismo novo: o HIV.

O Davi americano contra o Golias inglês
Muitos vêem assim a briga dos paleontólogos Donald Johanson e Richard Leakey. Afinal, Johanson disputa contra uma família inteira. Louis (1903-1972) e Mary (1913-1996) Leakey, pais de Richard, foram dois paleontólogos extraordinários. O casal descobriu duas espécies de ancestrais do homem, o Australopithecus boisei e o Homo habilis, que viveram há 1,8 milhão de anos na atual Tanzânia, na África. Agregaram novas peças ao quebra-cabeça da evolução.
A polêmica de Johanson com os Leakey começou em 1974 com a descoberta do fóssil Lucy, na Etiópia, pelo americano. Após a datação, descobriu-se que ela havia vivido há 3,2 milhões de anos. Johanson afirmou que Lucy pertencia a uma nova espécie, a Australopithecus afarensis. Até aqui tudo bem, mas quando propôs uma nova teoria da evolução, estabelecendo seu achado como o ancestral humano mais antigo e sustentando que o Homo sapiens evoluíra a partir do afarensis, Richard pôs a boca no mundo.
Nessa altura de sua vida, Leakey já era mais famoso do que os pais por suas pesquisas na África. Ele foi o paleontólogo que mais descobriu fósseis humanos, entre eles o crânio completo de um Australopithecus boisei, no Lago Turkana, no Quênia, em 1969. Em artigos, conferências e entrevistas, o cientista passou ao ataque, desqualificando a hipótese do adversário. Em 1979, a discussão chegou à primeira página do jornal The New York Times, com Johanson advogando sua tese e Leakey defendendo a sua. Contudo, apesar da paixão, a polêmica nunca descambou para a baixaria. Jamais extrapolou os limites éticos de uma controvérsia entre cientistas civilizados.
A divergência principal é que, para o inglês, as espécies de homens e chimpanzés se separaram ao mesmo tempo do tronco dos primatas, há 7 milhões de anos. Para Johanson, entretanto, os homens não são tão antigos, já que evoluíram do ramo do afarensis, uma mistura de homem com chimpanzé.

Quando o homem se divorciou do chimpanzé?
Os palentólogos Richard Leakey e Donald Johanson estabeleceram linhagens genealógicas diferentes para a evolução da espécie humana.

Homo sp
Segundo Leakey o ancestral do homem surgiu há 7 milhões de anos. Mas seu fóssil nunca foi achado. Ele é identificado genéricamente como Homo sp.

Australopithecus afarensis
Johanson considera-o o primeiro homem. Período: 3,9 a 3 milhões de anos atrás. Altura: entre 1,07 e 1,52 metro. Crânio entre 375 e 550 centímetros cúbicos.

Australopithecus africanus
Período: 3 a 2 milhões de anos atrás. Altura: centímetros mais alto que o afarensis. Crânio entre 420 e 500 centímetros cúbicos.

Homo habilis
Período: 2,4 a 1,5 milhões de anos atrás. Altura média: 1,27 metro. Crânio entre 500 e 800 centímetros cúbicos. Usava ferramentas.

Homo erectus
Período: 1,8 milhões a 300 000 anos atrás. Altura: mais de 1,52 metro. Crânio de 750 a 1 225 centímetros cúbicos. Usava ferramentas e fogo.

Homo sapiens
Período: 120 000 anos atrás. Altura: até 1,80 metro. Crânio com 1 350 centímetros cúbicos. Fazia ferramentas, pinturas e instrumentos musicais.

9858 – Planeta Terra – Aquecimento ou novo período glacial?


gla01

Temperaturas médias amenas como nos últimos 10 mil anos, com direito a banho de sol na praia e até um mergulho no mar morninho de vez em quando, foram raríssimas na história do planeta. Em 90% do tempo, a Terra esteve sob uma frigidez mortal, assolada por glaciações.
Tais fenômenos vêm e vão em grandes ciclos, duram 100 000 anos e transformam o planeta num freezer. Nesse período, um quarto do hemisfério norte fica sob uma capa de gelo de milhares de metros de espessura. Boa parte dos oceanos vira um vasto rinque de patinação. Segue-se um curto instante de alívio, de alguns milhares de anos de calor, chamado período interglacial, e depois o longo inverno retorna. É dose para pinguim.
Até este ano, era consenso que estaríamos entrando na etapa final de um desses breves intervalos ensolarados. Os cientistas sustentavam a afirmação pelo fato de que a Terra gira meio tombada no espaço. Entenda o raciocínio: a inclinação faz com que os pólos fiquem voltados para o Sol, durante o verão, e percam a neve que cai no inverno. Só que a inclinação da Terra varia com o tempo: há dez milênios, ela era maior do que hoje e os verões, mais fortes. Foi isso que fez o frio recuar, naquela época, imaginavam os cientistas. Então, como agora a inclinação está menor, eles deduziam que o gelo deveria estar de volta.
Mas não é o que pensa o paleoceanógrafo David Hodell, da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Para ele, a inclinação não é tão decisiva quanto se pensava, pois a distância entre a Terra e o Sol também pode mudar. Hoje, estamos relativamente perto do calor, o que tende a afastar a oscilação congelante.
Foi assim há 400 000 anos, quando o planeta estava em condições astronômicas parecidas com as atuais e a fase aquecida durou 30 000 anos. A partir daí, Hodell lançou o desafio: “Acho que o frio ainda demora 20 milênios para chegar”. Se ele estiver certo, teremos tempo de sobra para nos esbaldar na praia. Antes de guardar os biquínis e os calções por uns 1 000 séculos.
Na inclinação máxima da Terra, de 24,5 graus, chega mais luz ao pólo e o gelo não se amontoa. Hoje, o ângulo é de 23,5 graus e está diminuindo. A diferença é ínfima, mas ao longo de milênios a menor inclinação pode trazer uma nova era glacial.
Alguns cientistas acham que a glaciação não virá tão cedo. Eles alegam que só haveria risco imediato se a inclinação estivesse no seu valor mínimo, de 22,5 graus. Nessa posição, o pólo recebe pouca energia e a tendência a armazenar neve é grande.
Um dos desafios dos climatologistas é destrinchar os movimentos astronômicos da Terra que empurram o nível dos termômetros para baixo. O primeiro é o que altera a inclinação do planeta: quanto mais ele tomba, mais luz solar chega aos pólos e menos gelo se acumula por lá. Há 10 000 anos, a inclinação era maior que hoje. De lá para cá, a variação foi pequena, de apenas 1 grau. Mas, com o tempo, ela teve um efeito no clima.
Vinha daí o palpite de que a Terra iria para a geladeira nos próximos séculos. Só que a rotação do planeta em torno do Sol também mexe com a temperatura. Como hoje percorremos uma elipse bem arredondada no espaço, nunca nos afastamos muito da fornalha solar (ficamos no máximo a 151 milhões de quilômetros dela, o equivalente a quase 4 000 voltas na Terra). Em comparação, há 100 000 anos a órbita era mais alongada e a distância chegava até 152 milhões de quilômetros. O resultado foram verões apenas mornos, sem força para derreter as nevascas dos invernos, e aos poucos instalou-se um clima glacial.
Agora, a proximidade do Sol pode atrasar a chegada da glaciação que se previa estar no início. Para o climatologista James Kasting, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, o homem também está interferindo nas glaciações. Ele se refere ao aquecimento da atmosfera causado pelo gás carbônico que sai dos carros, das fábricas e da queima das florestas. O gás armazena a energia solar e faz o termômetro subir. É mais um motivo para adiar o congelamento por um bom tempo.
O estudo da glaciação mais recente, que só terminou 10 000 anos atrás, mostra que a temperatura média da Terra ficou uns 9 pontos abaixo dos 15 graus Celsius atuais. O efeito foi a formação de um iceberg monstruoso, com 4 quilômetros de espessura, que ocupou, primeiro, todo o Oceano Ártico. Depois avançou sobre terra firme, engolindo metade da Europa e da América do Norte e um décimo da Ásia. Plantas e bichos, entre eles os Homo sapiens, fugiram para regiões mais ao sul, para o que sobrou de cada continente.
O resto do mundo não congelou, mas sofreu com a estiagem. Com o frio, até o vapor do ar condensou e virou neve. A atmosfera ficou sem umidade. “O planeta inteiro ressecou”, conta um geólogo da Universidade de São Paulo. A secura transformou boa parte das florestas em vegetação rasteira.
O planeta, às vezes, pode dar voltas mais alongadas em torno do Sol. Com isso, ele passa pelo menos uma parte do ano distante do fogo solar, o que ajuda a esfriar. Daqui a 10 000 anos os rodopios vão ser bem redondos. Estaremos perto do calor o ano todo.
A órbita, hoje, já está bem circular e o planeta, aquecido. Apesar disso, seu eixo está ficando menos inclinado. Assim, a energia que chega aos pólos é pouca para derreter o gelo. Entre as duas tendências, os cientistas dizem que o resfriamento pode até vir, mas só daqui a uns 20 000 anos.
Há uns 100 000 anos, a órbita era um pouco mais alongada que hoje e o eixo estava bem de pé. O resultado foi uma glaciação demorada, que só terminou, por completo, 10 milênios atrás.
Nos últimos 400 000 anos, houve apenas cinco períodos quentes. O primeiro 1 estendeu-se por 30 milênios. O segundo 2, o terceiro 3 e o quarto 4 duraram cerca de 20 000 anos. O quinto 5 é aquele que estamos atravessando agora. Prevê-se que ele terá a mesma duração do primeiro.
O hemisfério norte foi mais afetado porque o sul contém muita água. Os oceanos retêm mais calor que a terra e sua temperatura não varia tanto. Assim, a parte de baixo do equador não congelou.

As regiões onde hoje estão Nova York e Chicago ficaram submersas pela montanha de neve endurecida.
Os grandes lagos americanos se formaram com a água derretida no final do período.
O frio ressecou a atmosfera e encolheu as florestas.
Acima do equador, o frio foi suficiente para criar um manto gelado sobre o mar e uma parte dos continentes.
O nível dos oceanos baixou porque sua água virou neve e tomou a forma de geleiras.
Com o nível da água mais baixo, o leito do oceano virou terra firme, na costa do Rio de Janeiro. Se a cidade existisse, não teria praia. Estaria a 100 quilômetros da orla marítima.

Uma camada de gelo com 4 quilômetros de espessura cresceu sobre o Ártico, a Europa, a Ásia e a América do Norte.
Sobre a Suécia, o peso do gelo era tanto que deformou as rochas. O solo ficava dezenas de metros abaixo do nível atual. Depois do degelo, as rochas retomaram a forma original.
Os territórios da Holanda, da Alemanha e dos países escandinavos ficaram totalmente cobertos pela muralha gélida.
Mamutes, raposas árticas e renas, típicos da região ártica, viviam até no sul da França, que hoje não tem nem traço do clima polar.
Com a seca, o Deserto do Saara ficou enorme. A área amarela no mapa mostra seu tamanho há 20 000 anos. A linha verde é seu limite atual.
Na época, havia tigres-de-dente-de-sabre na América do Norte, adaptados aos campos. Quando as matas do sul viraram mato baixo, eles migraram para cá e dizimaram espécies daqui, como a preguiça gigante.

9857 – Antropologia – As Origens do Homem


Discutidas há séculos, tais teorias, até hoje, não há um consenso sobre a questão. Alguns crêem no criacionismo, outros acreditam na evolução das espécies, já outros buscam as respostas em seres de outros planetas, entre outras teorias.
A teoria criacionista foi feita a partir de conceitos judaico-cristãos que se encontram na Bíblia. “No princípio, Deus criou o céu e a terra (…)” – trecho retirado da Bíblia de Jerusalém. De religião em religião, todas acreditam que seu Deus tenha criado a tudo e a todos. Na bíblia, há um trecho que diz que nossa criação foi feita à “imagem de Deus”, dando a entender que Deus não é alguma coisa ou alguma força, mas alguém como nós. Para os que acreditam no criacionismo, os seres humanos são diferentes das demais criaturas por terem sentimentos, vontade, inteligência, moral, etc.
Já a teoria evolucionista baseia-se nos estudos do cientista inglês Charles Darwin, que propôs o evolucionismo em um de seus livros, “A Origem das Espécies”. De acordo com Darwin, todos os seres vivos tiveram sua evolução a partir um ancestral comum. As mudanças ocorridas e as diferenças entre as espécies deram-se pelo processo de seleção natural, no qual os indivíduos que melhor se adaptam ao meio ambiente sobrevivem, deixando descendentes, que por sua vez também sofrem alterações em seu mecanismo biológico e deixam novos descendentes formando um círculo vicioso.
Estudiosos e defensores da teoria evolucionista pregam que, em dado momento da evolução, os seres humanos e os macacos tiveram um ancestral em comum. Deste ancestral evoluíram dois grupos diferentes: um deles gerou o macaco e o outro gerou os seres humanos.
Esta tese teve forte impacto na sociedade cristã do século XIX. Duramente criticado pelos religiosos, Darwin continuou suas pesquisas. Dentre os aspectos explorados por ele constam:
O processo de evolução das espécies é gradual e contínuo.
Todos os seres vivos descendem, em última estância, de um ancestral comum.
O mecanismo pelo qual os seres vivos mudam e evoluem é a seleção natural: os indivíduos mais adaptados ao meio ambiente conseguem melhores resultados na luta pela sobrevivência.

9856 – Plutão, planeta ou asteroide?


Sonda não tripulada passa por Plutão em 2015
Sonda não tripulada passa por Plutão em 2015

Essa bola de terra e gelo não oferece nenhum atrativo para o surgimento de atividade biológica. O último planeta do Sistema Solar, recentemente rebaixado a categoria de asteroide,parece um núcleo de cometa, que em vez de mergulhar em direção ao centro do sistema,se equilibrou numa órbita estável a quase 6 bilhões de km do Sol. a luz que chega até ele é 1000 vezes mais fraca do que a que alcança a Terra. Não existe atmosfera e a temperatura média é de -200°C.

Essa bola de terra e gelo não oferece nenhum atrativo para o surgimento de atividade biológica. O último planeta do Sistema Solar, recentemente rebaixado a categoria de asteroide,parece um núcleo de cometa, que em vez de mergulhar em direção ao centro do sistema,se equilibrou numa órbita estável a quase 6 bilhões de km do Sol. a luz que chega até ele é 1000 vezes mais fraca do que a que alcança a Terra. Não existe atmosfera e a temperatura média é de -200°C.

Por que Plutão não é mais considerado um planeta?
Desde sua descoberta, em 1930, Plutão tem sido um enigma:
ele é menor do que qualquer outro planeta – menor até do que a lua da Terra;
é denso e rochoso, como os planetas terrestres (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte). Seus vizinhos mais próximos, no entanto, são os planetas jovianos gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno). Por essa razão, muitos cientistas acreditam que Plutão se originou em outro lugar do espaço e ficou preso na gravidade do Sol. Alguns astrônomos desenvolveram a teoria de que Plutão costumava ser uma das luas de Netuno;
a órbita de Plutão é irregular. Todos os planetas em nosso sistema solar orbitam ao redor do Sol em uma trajetória relativamente horizontal. Plutão, no entanto, orbita ao redor do Sol em um ângulo de 17º em relação a essa trajetória. Além disso, sua órbita é excepcionalmente plana e atravessa a de Netuno;
uma de suas luas, Caronte, tem cerca da metade do tamanho de Plutão. Alguns astrônomos sugeriram que os dois objetos fossem tratados como um sistema binário em vez de como um planeta e seu satélite.
Esses fatos contribuíram em um duradouro debate para decidir se Plutão deve ser considerado um planeta. No dia 24 de agosto de 2006, a União Astronômica Internacional (UAI), uma organização de astrônomos profissionais, transmitiu duas resoluções que coletivamente revogaram o status de planeta de Plutão. A primeira delas é a Resolução 5A, que define a palavra “planeta”. Embora muitas pessoas acreditem conhecer a definição de “planeta”, o campo de astronomia nunca havia definido claramente o que é ou não um planeta.

Aqui está como a Resolução 5A define um planeta:
Um planeta é um corpo celeste que (a) está em órbita ao redor do Sol, (b) tem massa suficiente para que sua própria gravidade supere as forças de corpo rígido de maneira que assuma um formato de equilíbrio hidrostático (quase esférico) e (c) tenha limpado a região ao redor de sua órbita [ref – em inglês].
Plutão é relativamente esférico e orbita ao redor do Sol, mas não está de acordo com os critérios porque sua órbita atravessa a de Netuno. As pessoas que criticam a resolução argumentam que outros planetas no sistema solar, inclusive a Terra, não limparam a região ao redor de suas órbitas. A Terra, por exemplo, regularmente encontra asteroides dentro e perto de sua órbita.
A Resolução 5A também estabelece duas novas categorias de objetos em órbita ao redor do Sol: planetas anões e pequenos corpos do sistema solar. De acordo com a resolução, um planeta anão é:
Um planeta é um corpo celeste que (a) está em órbita ao redor do Sol, (b) tem massa suficiente para que sua própria gravidade supere as forças de corpo rígido de maneira que assuma um formato de equilíbrio hidrostático (quase esférico), (c) não tenha limpado a região ao redor de sua órbita e (d) não seja um satélite [ref – em inglês].
Pequenos corpos do sistema solar são objetos que orbitam ao redor do Sol, mas não são planetas ou planetas anões. Outra resolução, a 6A, também se refere especificamente a Plutão, chamando-o de planeta anão.
Nem todos os astrônomos concordam com as Resoluções 5A e 6A. Os críticos indicaram que o uso da expressão “planeta anão” para descrever objetos que não são planetas por definição é confuso e até mesmo enganoso. Alguns astrônomos também questionaram a validade das resoluções, já que relativamente poucos astrônomos profissionais tiveram a habilidade ou a oportunidade de votar.

Aqui está como as duas resoluções classificam os objetos que estão em órbita ao redor do Sol:

Planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno.
Planetas anões: Plutão, Ceres (um objeto no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter), 2003 UB313 (um objeto mais longe do Sol que Plutão).
Pequenos corpos do sistema solar: todo o restante, inclusive asteroides e cometas.

https://www.youtube.com/watch?v=TvAOcMgQxRk

9855 – Combatendo a enxaqueca sem remédio


A enxaqueca — dor de cabeça que pode vir acompanhada de uma série de sintomas, como náusea, vômito e sensibilidade à luz — atinge entre 2% e 3% da população brasileira. Entre essas pessoas, uma em cada dez sofre com a forma crônica do problema: crises em pelo menos metade dos dias de um mês. A enxaqueca é uma dor de cabeça primária, o que significa que ela não acusa uma doença séria de saúde, mas pode ser incapacitante ou prejudicial ao cotidiano das pessoas.
Não existe cura para a enxaqueca, como explica o neurologista Antônio Galvão, coordenador do departamento de dores da Academia Brasileira de Neurologia. “A única coisa que parece curá-la é a idade. Ainda não se sabe o motivo, mas, na maioria das vezes, as pessoas deixam de apresentar o problema conforme envelhecem, especialmente após os 60 anos”.
Existem, porém, formas de diminuir a prevalência de crises e de atenuar as dores.

Os motivos que desencadeiam a enxaqueca variam de acordo com a pessoa. Mas os mais comuns, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, são stress, jejum, má qualidade do sono, fatores genéticos e hormonais (como estar próximo à data da mestruação), excesso de cafeína ou analgésicos, sedentarismo, chocolate, álcool, além de alimentos gelados e gordurosos. “Isso não quer dizer que pessoas com enxaqueca terão crises devido a todos esses fatores”, diz o neurologista Antônio Galvão, coordenador do departamento de dor da Academia Brasileira de Neurologia.
A dor e o stress envolvem mecanismos cerebrais semelhantes e estão relacionados aos mesmos neurotransmissores, como a serotonina, que influencia o humor, o sono e o apetite. Por isso, processos cerebrais causados por uma situações de stress podem levar à enxaqueca.
Além de ajudar a acalmar os nervos, praticar atividade física contribui para uma melhor vascularização no crânio, o que ajuda a evitar episódios de enxaqueca e atenuar as dores durante uma crise.
Dormir, deitar no escuro ou tomar qualquer outra medida para relaxar ajuda a atenuar as crises de enxaqueca, já que reduz o stress e, assim, interrompe ações do cérebro que desencadeiam a dor.
A cafeína tem efeito vasoconstritor, isto é, ajuda a contrair os vasos. Esse efeito atenua as dores da enxaqueca, pois, durante uma crise, os vasos sanguíneos do crânio se dilatam. “O excesso de cafeína, no entanto, pode desencadear um quadro de tolerância e dependência: os vasos se habituam à cafeína e, sem ela, se dilatam e provocam dores. Nesse caso, a pessoa precisa ingerir cada vez mais cafeína para compensar a dilatação”, diz o neurologista Antônio Galvão. Segundo o médico, o ideal é não extrapolar o equivalente a três xícaras de café por dia.
O gelo, assim como a cafeína, tem efeito vasoconstritor. Por isso, colocar gelo ou compressas de água gelada na cabeça durante uma crise de enxaqueca ajuda a atenuar as dores.
Nem sempre é possível evitar ou controlar uma crise de enxaqueca – principalmente se as dores forem muito fortes ou se o problema for crônico (mais de quinze crises por mês). Nesses casos, a medicação é essencial tanto para diminuir o número de crises quanto para minimizar a dor. Segundo o neurologista Antônio Galvão, uma pessoa deve procurar um médico quanto apresenta pelo menos quatro crises de enxaqueca por mês.

9854 – Novo remédio contra a aids chega ao SUS em março


O medicamento que associa tenofovir e lamivudina, combinação de duas drogas usadas para tratamento de pacientes com aids, deverá começar a ser distribuído pelo governo no próximo mês. Este é o tempo estimado para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conceda o registro de produção para Farmanguinhos, laboratório público que, ao lado da empresa Blanver, vai fabricar o remédio no país.
Combinações de medicamentos para aids são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para melhorar a adesão ao tratamento e garantir melhor qualidade de vida para pacientes. Terapias para soropositivos são feitas a partir da indicação de várias drogas, prática que no passado ganhou o apelido de “coquetel”. Pacientes podem ingerir até mais de dez comprimidos diferentes por vez.
A chegada do medicamento combinado no SUS é aguardada há tempos. Atualmente, dos 310 000 soropositivos em tratamento na rede pública de saúde, 73 000 usam em seu esquema terapêutico tenofovir e lamivudina.
Divulgada em 2012, a parceria para desenvolvimento da droga previa a oferta do produto no segundo semestre do ano passado. De acordo com o presidente da Blanver, Sergio Frangioni, a empresa fez o pedido de registro do medicamento na Anvisa em outubro de 2012. A autorização foi concedida em dezembro.
“Já há condições para produção e entrega da droga para o Ministério da Saúde. Mas não recebemos por enquanto nenhuma sinalização”. Para que isso seja feito, é preciso que Farmanguinhos também seja liberada pela Anvisa para a execução do projeto. “Entendemos a expectativa. Mas o desejo empresarial não pode se sobrepor à segurança e à certeza de eficácia do medicamento”, afirma Carlos Gadelha, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.
O laboratório Blanver foi responsável por desenvolver a combinação. No acordo de transferência de tecnologia, a empresa fica encarregada de, progressivamente, repassar a técnica de produção para Farmanguinhos. Em troca, a Blanver tem a garantia que, ao longo de cinco anos, será o único a vender ao governo. A associação dos medicamentos foi anunciada como uma promessa de economia. A estimativa era de que o preço fosse 20% inferior ao que é pago pelo governo na aquisição de tenofovir e lamivudina, separadamente.