13.418 – Dinossauro ‘Frankstein’ pode ser chave para entender evolução da espécie


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Chilesaurus, que foi descoberto em 2015, apresenta características que o colocam entre os grupos do animais carnívoros e herbívoros. Pelo menos é o que aponta um novo estudo dos fósseis encontrados no Chile, da Universidade de Cambridge e do Museu de História Natural do Reino Unido.
“Sua estranha mistura de características o coloca em uma posição-chave na evolução dos dinossauros e ajuda a mostrar como algumas das grandes divisões entre os principais grupos podem ter surgido”, afirma Paul Barrett, um dos pesquisadores, em comunicado oficial.
Acredita-se que o animal tenha tido um crânio pequeno, pescoço longo e corpo com cerca de 3 metros. Supõe-se que ele tenha vivido há cerca de145 milhões de anos, durante o Período Jurásico. Enquanto sua cabeça se assemelhava à de um carnívoro, o Chilesaurus tinha dentes planos mais adequados para comer plantas, o que o torna um mistério.
“Houve uma divisão na árvore genealógica dos dinossauros, e os dois ramos tomaram diferentes direções evolutivas”, afirma Matthew Baron, da Universidade de Cambridge. “Isso parece ter acontecido por causa da mudança na dieta para Chilesaurus. Parece que se tornou mais vantajoso para alguns animais que comiam carne começar a comer plantas, possivelmente até por necessidade”.
Se essa espécie for do grupo Ornitópode em vez do Terópoda, como se acreditava antes, a explicação para a evolução dos dinossauros ficará muito mais clara, pois mostrará que esses animais estão mais próximos do que era imaginado antes. Ou seja, o Chilesaurus será a prova disso.

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13.258 – Os estranhos animais híbridos criados pela mudança climática


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O aquecimento global pode levar espécies inteiras à extinção!
Pesquisadores do departamento de ecologia da Universidade de Tuscia, na Itália, acreditam que a mudança climática fará com que sejam cada vez mais frequentes os casos de hibridização entre diferentes espécies animais.
Na Europa, por exemplo, estão sendo registrados vários cruzamentos entre sapos-europeus (bufo bufo), uma espécie presente em quase todo o continente, e sapos-baleares (bufotes balearicus), naturais do sul da Itália. Os dois animais, inclusive, sincronizaram seus ciclos reprodutivos – apesar de os girinos resultantes da união apresentarem problemas genéticos e não serem capazes de completar o ciclo da metamorfose.
Embora a reprodução entre espécies com semelhanças genômicas tenha sido fundamental na história da evolução natural, o aquecimento global está acelerando o processo e provocando, muitas vezes, a extinção de espécies inteiras.
Os cientistas acreditam que é essencial entender a diferença entre o processo natural de cruzamento entre as espécies e a hibridização causada pela atividade humana, sendo essa última uma séria ameaça para os ecossistemas.

13.243 – Universidade Mackenzie de SP abre centro que questiona a evolução


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A Universidade Presbiteriana Mackenzie, uma das mais tradicionais de São Paulo, acaba de inaugurar um núcleo de ciência, fé e sociedade que tem como um de seus objetivos a realização de pesquisas sobre a chamada teoria do DI (Design Inteligente).
Os defensores do DI, cujas ideias são rejeitadas pela maioria da comunidade científica, argumentam que os seres vivos são tão complexos que ao menos parte de suas estruturas só poderia ter sido projetada deliberadamente por algum tipo de inteligência.
O novo centro recebeu o nome de Núcleo Discovery-Mackenzie por causa da parceria entre a universidade brasileira e o Discovery Institute, nos EUA.
A instituição americana está entre os principais promotores da causa do DI e já sofreu derrotas judiciais em seu país por defender que a ideia fosse ensinada em escolas públicas em paralelo com a teoria da evolução, hoje a explicação mais consolidada sobre a diversidade da vida.
Tribunais dos EUA consideraram que o DI seria, na essência, muito semelhante ao criacionismo bíblico (a ideia de que Deus criou diretamente o homem e os demais seres vivos) e, portanto, seu ensino violaria a separação legal entre religião e Estado no país.
“É importante destacar que não é um núcleo de DI, e sim um núcleo de fé, ciência e sociedade”, declarou à Folha o teólogo e pastor presbiteriano Davi Charles Gomes, chanceler da universidade. “Nossa instituição é confessional, o que significa que ela tem uma visão segundo a qual o mundo tem um significado transcendente. E não existe ciência que, no fundo, não reflita também sobre coisas transcendentes.”

DE BACTÉRIAS AO TRÂNSITO
Segundo Gomes, o contato com o Discovery Institute já acontece desde a década passada, quando a universidade começou a organizar o ciclo de simpósios Darwinismo Hoje, trazendo biólogos defensores da teoria da evolução e palestrantes que questionam o consenso científico.
Para especialistas, o projeto tem sabor de fracasso. “É triste e extremamente preocupante”, diz o paleontólogo Mario Alberto Cozzuol, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). “As premissas do DI foram derrubadas e expostas já faz muito tempo. Seus proponentes não têm aportado nenhuma novidade para a discussão. O único motivo pelo qual isso continua atraindo gente é a falta de educação em ciências.”

argumento pro

argumento contra

13.231 – Biologia – Como a evolução transformou os gatos em animais solitários


gato x rato
A vida em grupo é comum na natureza. Pássaros formam bandos e peixes, cardumes. Predadores frequentemente caçam juntos. Até mesmo o leão, parente do gato doméstico, vive em grupo.
Para as espécies que são caçadas por outras, obviamente há uma estratégia de maior segurança em um bando. “Chama-se efeito de diluição”, diz o biólogo Craig Packer, da Universidade de Minnesota (EUA).
“Um predador só consegue matar um, e se há cem da mesma espécie isso reduz as chances de cada um deles ser pego para 1%. Mas se você estiver sozinho você será escolhido 100% das vezes.”
Animais em bando também se beneficiam do efeito “muitos olhos atentos”: quanto maior o grupo, é mais provável que alguém perceba um predador se aproximando. “E quanto mais cedo você detectar o predador, mais tempo tem para iniciar a fuga”, diz Jens Krause, da Universidade de Humboldt em Berlim, Alemanha.
Essa vigilância coletiva traz outras vantagens. Cada um pode gastar mais tempo e energia procurando por comida. E não se trata apenas de evitar predadores. Animais que socializam em grupos não precisam perambular em busca de companheiros, o que é um problema para espécies solitárias que vivem em territórios amplos.
Uma vez que se reproduzem, muitos animais que vivem em grupo adotam a máxima “é necessária uma aldeia inteira para criar uma criança”, com os adultos trabalhando em equipe para proteger ou alimentar os mais novos.
Em várias espécies de pássaros, como a zaragateiro-árabe de Israel, os pequenos permanecem em grupos de familiares até que eles estejam prontos para procriar. Eles dançam em grupo, tomam banho juntos e até trocam presentes entre si.
Viver em grupo também poupa energia. Os pássaros que migram juntos ou os peixes que vivem em cardumes se movimentam com mais eficiência do que os mais solitários.
É o mesmo princípio que os ciclistas da Volta da França utilizam quando formam um pelotão. “Os que estão mais atrás não precisam investir tanta energia para atingir a mesma velocidade de locomoção”, diz Krause.
Como pinguins e morcegos podem atestar, a vida pode ser mais calorosa quando se vive cercado de amigos.
Com tantos benefícios, pode parecer surpreendente que qualquer animal rejeite seus companheiros. Mas, como os gatos domésticos demonstram, a vida em grupo não é para todos. Para alguns animais, os benefícios da coletividade não compensam ter que dividir comida.
Um fator-chave para essa decisão é ter alimentação suficiente, o que depende de quanta comida cada animal precisa. E os gatos têm um gosto caro. Por exemplo, um leopardo come cerca de 23 kg de carne em poucos dias. Para gatos selvagens, a competição por alimentos é cruel, e por isso leopardos vivem e caçam sozinhos.
Há uma exceção à regra de felinos solitários: leões. Para eles, é uma questão territorial, diz Packer, que passou 50 anos de sua vida estudando os leões africanos. Alguns locais da savana têm emboscadas perfeitas para a caça, então controlar esse lugar resulta em uma vantagem significativa em termos de sobrevivência.
O que torna essa vida em grupo possível é que a presa de um único leão –um gnu ou uma zebra– é grande o bastante para alimentar várias fêmeas de uma vez só. “O tamanho da caça permite que eles vivam em grupos mas é a geografia o que realmente os leva a viver em grupos”, diz Packer.
Não é a mesma situação dos gatos domésticos, já que eles caçam animais pequenos. “Eles vão comê-lo inteiro”, diz Packer. “Não há comida o suficiente para dividir.”
Essa lógica econômica está tão integrada ao comportamento dos gatos que parece improvável que até mesmo a domesticação tenha alterado essa preferência fundamental por solidão.
Isso é duplamente verdade quando você leva em consideração o fato de que os humanos não domesticaram os gatos. Em vez disso, em seu próprio estilo, os gatos domesticaram a si mesmos.
Todos os gatos domésticos são descendentes dos gatos selvagens do Oriente Médio (Felis silvestris), o “gato-do-mato”. Os humanos não coagiram esses gatos a deixar as florestas: eles mesmos se convidaram a entrar nos alojamentos de humanos, onde havia uma quantidade ilimitada de ratos ao seu dispor.
A invasão a essa festa de ratos foi o início de uma relação simbiótica. Os gatos adoraram a abundância de ratos nos alojamentos e depósitos e os humanos gostaram do controle grátis da infestação de ratos.
Os gatos domésticos não são completamente antissociais. Mas sua sociabilidade –em relação a outro humano ou entre eles– é determinada inteiramente por eles, em seus próprios termos.
Aliás, mesmo diante de um grande perigo, quando eles se unem para se defender, é pouco provável que os gatos colaborem entre si. “Não é que algo que eles tipicamente façam quando se sentem ameaçados”, diz Monique Udell, bióloga da Universidade de Oregon (EUA).
É preciso dizer que os gatos domésticos trilharam um longo caminho a partir de seus ancestrais até aqui em termos de tolerar a companhia um do outro. Mesmo que gatos morando em galpões formem laços frouxos, eles ainda demonstram um nível impressionante de aceitação da presença do outro nesses espaços confinados.
Em Roma, cerca de 200 gatos vivem lado a lado no Coliseu, enquanto na ilha de Aoshima, no Japão, o número de gatos supera o de pessoas em uma proporção de seis para um. Essas colônias podem não ter tanta cooperação, mas estão bem avançadas em relação ao passado solitário dos gatos domésticos.
Enquanto isso, pode ser mais fácil para pesquisadores encontrar os gatos “no meio do caminho” ao realizar seus experimentos, fazendo certas concessões.
Quando Udell fez suas primeiras experiências com gatos, enfrentou uma série de dificuldades ao tentar motivar suas cobaias a participar de certa atividade. Ela já havia trabalhado com cachorros, que estariam dispostos a fazer qualquer coisa em troca de um petisco.
Os gatos, contudo, eram mais exigentes. Com o passar do tempo, Udell percebeu que teria mais sucesso se desse aos gatos a opção de escolher sua recompensa.

12.993 – Evolução – Mutação em gene pode ter ajudado cérebro humano a ficar gigantesco


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Uma mutação aparentemente insignificante no DNA dos ancestrais da humanidade pode ter contribuído para que nosso cérebro alcançasse o tamanho descomunal que tem hoje (três vezes maior que o dos grandes macacos).
Bastou inserir o gene que contém essa mutação em fetos de camundongo para que dobrasse o número de células que dão origem aos neurônios do córtex, a área cerebral mais “nobre”.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Max Planck (Alemanha), é um dos primeiros frutos da tentativa de usar o genoma para entender como a evolução humana se desenrolou. Por enquanto, isso não tem sido fácil –tanto que o gene analisado pelos pesquisadores no novo estudo, designado pela indigesta sigla ARHGAP11B, é o único específico da linhagem humana a ser associado com a proliferação das tais células do córtex cerebral.
Desde quando esse fenômeno acontece no cérebro dos membros da linhagem humana? “A mutação deve ter acontecido antes de 500 mil anos atrás”, diz Huttner –isso porque ela não é exclusiva do DNA dos seres humanos modernos.
Os colegas do pesquisador Max Planck estão entre os responsáveis por resgatar o genoma de dois parentes extintos da nossa espécie, os neandertais e os denisovanos. Ao desvendar o DNA completo de ambas as espécies, os cientistas identificaram o gene ARHGAP11B –mas nada de encontrá-lo em outros primatas ou mamíferos.
Segundo o pesquisador alemão, uma possibilidade é que essa mutação tenha acontecido no DNA do Homo erectus, primeiro ancestral do homem a ter passado por um grande aumento de sua capacidade cerebral. O estudo saiu na revista especializada “Science Advances”.

SE MACACOS FALASSEM
Na mesma edição da revista, outro estudo pode ter resolvido uma polêmica antiga: será que macacos são capazes de falar?
Por incrível que pareça, a resposta é sim –ao menos quando se examina o aparato vocal dos bichos, ou seja, as pregas vocais, a língua e o formato da boca.
Até hoje, ninguém conseguiu fazer com que chimpanzés ou outros primatas dominassem os rudimentos da linguagem falada humana (embora alguns desses macacos tenham aprendido elementos da linguagem de sinais).
O debate que havia em torno do assunto era o seguinte: essa incapacidade se deve à falta de flexibilidade do aparato vocal das criaturas ou aos seus cérebros mais rudimentares que os nossos, que não lhes permitem controlar a emissão de sons de forma tão sofisticada quanto o homem?

12.969 – Biologia e Evolução – O voo das aves


aves
A capacidade de voar das aves é totalmente dependente de uma série de adaptações que permitiram a conquista do ambiente aéreo. No sistema respiratório pulmões alveolares são combinados com sacos aéreos que não participam das trocas gasosas, mas criam um fluxo de ar contínuo e em uma única direção nos pulmões. Esses sacos aéreos possuem aproximadamente nove vezes o volume dos pulmões, ocupam a maior parte da cavidade dorsal do corpo e se estendem por cavidades internas dos ossos, formando os ossos pneumáticos que são leves e resistentes. Além disso, o fluxo de ar de sentido único maximiza a eficiência das trocas gasosas, permitindo o voo em altas altitudes, e dissipam o calor produzido pelos altos níveis de atividade muscular durante o voo através dos fluxos de corrente cruzada de ar e sangue nos pulmões.
Além dos ossos pneumáticos, algumas características dos órgãos internos das aves também reduzem sua massa corpórea. Elas não têm bexiga urinária e a maioria das espécies tem somente um ovário. As gônadas, tanto de machos quanto de fêmeas, são geralmente pequenas e regridem ainda mais quando a época de reprodução termina. Por outro lado, os corações são grandes e a velocidade de fluxo sanguíneo é alta para garantir a demanda de oxigênio durante o voo.
As penas também são estruturas protagonistas do voo, em especial as rêmiges (penas da asa) e as rectrizes (penas da cauda). Ao contrário de um avião, nas aves as asas não só promovem estabilidade durante o voo, mas também fazem a propulsão do animal. As rêmiges primárias, inseridas nos ossos da mão, são responsáveis pela maior parte da propulsão quando a ave bate suas asas, e as secundárias, inseridas no antebraço, fornecem a força de ascensão. Com a mudança da forma e da área das asas, assim como sua disposição em relação ao corpo, a ave consegue controlar a velocidade e a força de ascensão, o que permite a realização de manobras, mudança de direção, aterrissagem e decolagem. Aves que levantam vôo rapidamente têm asas largas e arredondadas, que lhes dão aceleração. Já as aves que voam por um longo período têm asas longas. Aquelas que voam em alta velocidade (aves de rapina, por exemplo) possuem asas longas e curvas com extremidades pontiagudas, para reduzir o atrito com o ar, e as aves que realizam muitas manobras de mudança de direção terão, por sua vez, caudas profundamente bifurcadas.
Obviamente, a capacidade de voo desenvolvida pelas aves é muito vantajosa evolutivamente, pois se mantém até hoje. Porém, como toda atividade desenvolvida por qualquer organismo vivo, gera um custo energético, o qual neste caso é muito alto. Por esse motivo, é tão comum vermos as aves que voam longas distâncias voarem em grupos, geralmente em uma formação específica. Pelicanos, por exemplo, quando voam em formação, alternam entre si o batimento das asas e planeio em uma sucessão regular. Dessa forma, esses animais aumentam seu tempo planando e, consequentemente, diminuem sua frequência cardíaca e seu gasto energético em comparação com o voo individual.

12.870 – Dinossauros não cantavam como pássaros


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Apesar de dinossauros serem considerados os antepassados diretos dos pássaros modernos, segundo novas pesquisas, eles tinham uma grande diferença dos bichos voadores de hoje em dia: eles não cantavam. A descoberta foi feita a partir da análise de fósseis – mais precisamente da procura por siringes, o órgão responsável pelo canto em aves. Ele nunca foi encontrado em animais que viveram antes de 66 milhões de anos – e mesmo nessa ocasião já existiu em um parente dos gansos. Tudo indica que dinossauros, portanto, não teriam as ferramentas para se arriscar na cantoria.
A descoberta indica que a capacidade de cantar tenha se desenvolvido em um ponto mais avançado da evolução dos pássaros, quando eles já estavam se diferenciando dos dinossauros. “Esse é um passo importante para descobrir qual é o barulho que os dinossauros faziam, além de dar pistas sobre a evolução das aves”, disse Julia Clarke, paleontóloga e autora da pesquisa.
A siringe mais antiga do mundo, datada do mesozóico, foi encontrado na espécie Vegavis igaai, que viveu onde hoje é a Antartica. A ave era uma espécie de tataravô dos gansos e já voava. Arqueólogos acreditam que ele soltava ganidos parecidos com uma buzina graças a uma siringe especialmente assimétrica. A descoberta foi feita comparando o órgão a 12 pássaros vivos.
Geralmente, siringes não fossilizam bem, pois são compostos por anéis de cartilagem. Esses anéis servem de suporte para um tecido mole que vibra com a passagem do ar, isto é, com a cantoria. Há esperanças, portanto, de que o órgão seja encontrado em espécies mais antigas também – embora isso nunca tenha acontecido até agora.

12.778 – Vida na Terra se originou 220 milhões de anos antes do que se pensava


fósseis
Nas águas rasas do oceano primordial que cobria a Terra há 3,7 bilhões de anos, comunidades de micro-organismos já faziam o que alguns de seus parentes modernos continuam fazendo até hoje: construíam estruturas vagamente parecidas com cones ou morrinhos, grudando grãos de sedimento marinho uns nos outros conforme cresciam.
Essas estruturas, conhecidas como estromatólitos, são os mais antigos fósseis do planeta, argumentam pesquisadores australianos e britânicos em artigo na revista científica “Nature”. Embora já houvesse algumas indicações geoquímicas da presença de seres vivos mais ou menos na mesma época, a presença dos estromatólitos em rochas do sudoeste da Groenlândia seria uma evidência bem mais sólida sobre as origens da vida na Terra. As estruturas descritas no novo estudo são cerca de 200 milhões de anos mais velhas que os estromatólitos mais antigos conhecidos até então.
A equipe liderada por Allen Nutman, da Universidade de Wollongong (Nova Gales do Sul, Austrália), foi bastante sortuda ao identificar as estruturas porque, em rochas tão idosas, sempre há a ação de forças geológicas que modificam profundamente as características do material original. Apesar disso, os pesquisadores conseguiram identificar um trecho das camadas rochosas com a distribuição de camadas típica dos estromatólitos.
Tais estruturas surgem conforme micróbios que dependem da luz do Sol vão crescendo em camadas, deixando embaixo de si os restos de seus ancestrais e os sedimentos marinhos que capturaram ao se reproduzir (veja infográfico). Com o tempo, formam-se elevações que podem lembrar mesas, cogumelos ou cones.
Além da estrutura laminar característica, a composição química também sugeriu aos pesquisadores que estavam diante de objetos de origem biológica: os minerais dentro dos estromatólitos tinham uma “receita” diferente da que existia nas camadas de rocha circundantes, o que parece indicar a ação dos micro-organismos interagindo de forma específica com o ambiente marinho. Tais detalhes de composição química também foram essenciais para comprovar que o ambiente original das estruturas era o mar. Rochas vulcânicas achadas nas vizinhanças dos estromatólitos permitiram a datação relativamente precisa do surgimento deles.
Em Marte, por exemplo, já está claro que havia água no estado líquido na superfície do planeta durante as primeiras centenas de milhões de anos de sua existência. Teria sido suficiente para que micróbios simples surgissem? Ainda não é possível sanar essa dúvida. Mas, se estromatólitos já estavam se formando na Terra há 3,7 bilhões de anos, aumenta a probabilidade de que a resposta seja sim.
Isso porque, até 4 bilhões de anos atrás, a jovem superfície terrestre estava debaixo de chumbo grosso, sendo bombardeada constantemente por gigantescas sobras rochosas da formação do Sistema Solar. Esse primeiro período da história da Terra foi tão violento que ganhou o apelido de éon Hadeano (nome derivado de Hades, o reino dos mortos na mitologia grega).
A idade dos estromatólitos groenlandeses sugere que a vida se estabeleceu de modo relativamente rápido em meio aos escombros ainda fumegantes do Hadeano – até porque provavelmente seriam necessárias várias fases intermediárias de evolução de moléculas orgânicas e protocélulas antes que surgissem bactérias capazes de produzir estromatólitos.

12.738 – Biologia – Peixes não Existem (?)


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Existe um grupo de cientistas, apelidados de cladistas, que garantem que peixes não existem. Eles acreditam que a mera ideia de um grupo chamado “peixes” vai contra aquilo que sabemos sobre a evolução das espécies.
Para visualizar a história evolutiva do nosso planeta, os cientistas distribuem as espécies em árvores filogenéticas – Árvores da Vida -, que mostram como os seres se desenvolveram a partir de antepassados comuns. Um grupo de espécies que deriva de um mesmo antepassado forma um clado.
Essas bolinhas aqui em cima indicam antepassados comuns. Assim, mamíferos e répteis formam um clado pequeno a partir da bolinha à direita. Mas os clados podem ser ainda maiores, começando em qualquer uma dessas bolinhas. O problema é que os quatro primeiros grupos dessa imagem são todos chamados de “peixes”. Cada um deles pode ser considerado um clado separadamente. Mas se você tentar juntar todos em um grupo evolutivo só? Tem que apelar para o “mínimo múltiplo comum”, o antepassado mais antigo de todos eles.
Só que, nesse caso, o clado acaba incluindo também mamíferos, anfíbios e formas de vida radicalmente diferentes entre si. É como tentar encontrar semelhanças físicas entre primos com 5 graus de distância.
A conclusão dos cladistas é que então, segundo a classificação evolutiva, ou os peixes não existem, ou todos nós somos peixes.
Essa afirmação soa absurda, mas na realidade reflete uma disputa entre duas formas de classificar os seres vivos: o sistema taxonômico de Lineu (aquele que divide os seres em espécies, gêneros, famílias, ordens, classes e reinos) e o filogenético. Antes do desenvolvimento da Teoria da Evolução, a forma de estudar e classificar as espécies era muito mais visual: os cientistas examinavam ser a ser, então colocavam os mais parecidos (interna e externamente) nos mesmos “rankings” de classificação – que em geral, são os que aprendemos na escola.
Já a evolução acabou colocando em cheque a relação taxonômica entre seres que se parecem, mas estão em posições bastante diferentes na árvore filogenética da evolução. O peixe pulmonado, por exemplo, é pouco discernível de um bacalhau, mas tem um antepassado evolutivo comum mais recente com a vaca do que com o salmão. Assim, na taxonomia evolutiva, os dois peixes acabam separados. É o que os cladistas chamam de debate de “instinto versus ciência”.
Pode parecer um mero detalhe, mas classificações filogenéticas rigorosas ajudam os cientistas a entender – e a explicar – fatos bizarros, como a relação importante entre dinossauros e galinhas. Da próxima vez que for ao aquário, além de procurar o Nemo, vale se perguntar se aqueles peixinhos nadando lado a lado são “irmãos” darwinianos ou primos separados por milhares de anos de pressão evolutiva.

12.664 – Evolução – Macacos brasileiros entraram na Idade da Pedra há 700 anos


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A humanidade não é mais a única espécie na Terra a entrar na Idade da Pedra.
Novos indícios indicam que, por volta de 700 anos atrás, macacos-prego no Brasil já usavam ferramentas para quebrar castanhas de caju e extrair a parte comestível.
“É o primeiro relato de ferramentas de macacos-prego no registro arqueológico”, disse o biólogo Tiago Falótico, pesquisador de pós-doutorado do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) à agência FAPESP.
Falótico realizou a pesquisa com Eduardo Ottoni. Ambos estudam o comportamento de macacos-prego e, especificamente, o uso de ferramentas por primatas da espécie Sapajus libidinosus. Nos últimos três anos, eles aprofundaram os estudos em uma em parceria com o arqueólogo Michael Haslam, da Universidade de Oxford, na Inglaterra.
O grupo fez escavações em uma área no Parque Nacional da Serra da Capivara e descobriu que os mesmos tipos de ferramentas observadas hoje aparecem em camadas correspondentes a um período que remonta ao século XIII, de acordo com artigo publicado no dia em 11 de julho na revista Current Biology.
Até agora, 69 ferramentas foram escavadas. As mais antigas datam de 600 a 700 anos de idade, o que significa que 100 gerações de macacas-prego, pelo menos, já usam ferramentas de pedra. Os pesquisadores acreditam que é uma questão de tempo até que ferramentas mais antigas sejam encontradas.
“É possível”, observa Haslam, “que os primeiros humanos a chegar aqui tenham aprendido sobre este alimento desconhecido após terem visto como era o processo dos macacos com o caju.” Então, neste caso, teriam sido os humanos que imitaram os primatas, e não o contrário.

12.443 – Biologia – Ecolocalização de morcegos e golfinhos evoluiu por uma mesma mutação


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Golfinhos e morcegos não têm muito em comum, mas eles compartilham um super poder: ambos caçam suas presas, emitindo sons de alta frequência e ouvindo os ecos. Agora, um estudo mostra que esta capacidade surgiu de forma independente, em cada grupo a partir das mesmas mutações genéticas.
Este trabalho sugere que a evolução dessas novas características seguiu uma mesma sequência de passos, mesmo em animais muito diferentes.
A pesquisa também indica que esta evolução convergente é comum e oculta nos genomas, potencialmente complicando a tarefa de decifrar algumas relações evolutivas entre os organismos.
A natureza é cheia de exemplos de evolução convergente, onde organismos muito distantes possuem habilidades e características semelhantes: pássaros, morcegos e insetos todos têm asas, por exemplo. Os biólogos assumiram que estas novidades foram concebidas, em um nível genético, de forma fundamentalmente diferente. Esse também foi o caso de duas espécies de morcegos e baleias dentadas, um grupo que inclui golfinhos e algumas baleias, que convergiram em uma estratégia de caça especializada chamada ecolocalização. Até recentemente, os biólogos pensavam que genes diferentes dirigiam cada instância de ecolocalização e que as proteínas relevantes poderiam mudar de inúmeras maneiras para assumir novas funções.
Mas em 2010, Stephen Rossiter, um biólogo evolucionista da Queen Mary, Universidade de Londres, e seus colegas determinaram que os dois tipos de morcegos usando ecolocação, bem como golfinhos, tinham as mesmas mutações em uma proteína especial chamada prestina, que afeta a sensibilidade do ouvir . Olhando para outros genes conhecidos envolvidos na audição, eles e outros pesquisadores descobriram vários outros cujas proteínas foram igualmente alteradas nesses mamíferos.
Agora, a equipe de Rossiter ampliou a busca por essa chamada convergência molecular de todo o genoma. Eles sequenciaram o genoma de quatro espécies de vários ramos da árvore genealógica do morcego, dois que usam a ecolocalização e duas que não. Eles acrescentaram nas seqüências genômicas existentes do grande “raposa-voadora” e do pequeno morcego marrom, outro ecolocalizador. O biólogo evolucionista Joe Parker, também do Queen Mary, Universidade de Londres, comparou as seqüências genéticas de morcegos para mais de uma dúzia de outros mamíferos, incluindo o golfinho. Ele se concentrou sobre os 2.300 genes que existem em cópias simples em todos os morcegos, golfinho, e pelo menos cinco outros mamíferos.
Ele avaliou como cada gene foi semelhante com os seus homólogos em vários morcegos e os golfinhos. A análise revelou que 200 genes haviam mudado independentemente da mesma forma, Parker, Rossiter e seus colegas relataram esta pesquisa na Nature. Vários dos genes estão envolvidos na audição, mas os outros não têm nenhuma ligação clara com a ecolocalização, até agora, alguns genes com alterações comuns são importantes para a visão, mas a maioria tem funções que são desconhecidas.

“A maior surpresa”, diz Frédéric Delsuc, um filogeneticista molecular na Universidade de Montpellier, na França, “é provavelmente a medida em que a evolução molecular convergente parece ser generalizada no genoma.”
O genomicista Todd Castoe da Universidade do Texas, Arlington, também está impressionado: “Estou muito convencido de que eles estão encontrando algo real, e é realmente emocionante e muito importante.” No entanto, ele é crítico sobre a forma como a análise foi feita, sugerindo que a abordagem encontraram apenas uma evidência indireta de convergência molecular.
A descoberta de que a convergência molecular pode ser generalizada em um genoma é “agridoce”, acrescenta Castoe. Os biólogos que estão construindo árvores genealógicas provavelmente estão sendo levados a sugerir que alguns organismos estão intimamente relacionados porque os genes e as proteínas são semelhantes devido à convergência, e não porque os organismos tiveram um ancestral comum recente. Há árvores genealógicas totalmente protegidas contra estes efeitos enganosos, Castoe diz. “E nós temos atualmente nenhuma maneira de lidar com isso.” (Fonte: Science).

12.430 – Biologia – Sementes salvaram ancestrais das aves de extinção


aves
Águias, gaviões, flamingos, sabiás, andorinhas, periquitos; a enorme variedade de espécies de aves hoje existentes tornou-se possível porque os ancestrais delas conseguiram sobreviver comendo sementes depois de um evento catastrófico de extinção, 66 milhões de anos atrás, indica um estudo publicado na revista “Current Biology”.
Aves são os únicos dinossauros que sobreviveram ao letal meteoro que criou a cratera de Chicxulub na península de Iucatã, México.
Apesar do nome “dinossauro” ter sido criado a partir do grego, significando algo como “lagarto terrível”, ou melhor, “assustadoramente grande lagarto”, os dinos não eram lagartos. Eles eram bem diversificados, e incluíam um grupo de animais emplumados, os ancestrais das aves modernas.
Segundo os autores do estudo liderado pelo paleontólogo canadense Derek Larson, logo depois do impacto do meteoro que marca o fim do período geológico Cretáceo, as cadeias alimentares terrestres que contavam com a fotossíntese das plantas teriam entrado em colapso.
Sem plantas, não sobrevivem os herbívoros que as comem; sem herbívoros, não há comida para os carnívoros.
Os dinossauros aviários incluíam carnívoros com dentes nos bicos, que terminaram extintos também por conta da massiva mudança ecológica. Já seus colegas sem dentes foram capazes de sobreviver comendo sementes.
O estudo de Larson incluiu a análise de 3.104 dentes de dinossauros da clade chamada Maniraptora, que inclui tanto as aves como outros dinos não aviários. Os dentes pertencem a animais que viveram nos últimos 18 anos do Cretáceo.
Os cientistas concluíram que a extinção dos Maniraptora com dentes e a sobrevivência dos outros foi obra da capacidade destes de utilizar melhor a única comida abundante disponível, sementes.
“Os pequenos dinossauros semelhantes a pássaros do Cretáceo, os maniraptoranos, não são um grupo bem conhecido. Eles são alguns dos parentes mais próximos das aves modernas, e no final do Cretáceo, muitos foram extintos”, diz Larson.
Sobreviver ao impacto do meteoro não foi fácil. Houve um grande pulso inicial de calor, literalmente cozinhando muitos animais e plantas, além de incêndios posteriores; chuva ácida, escuridão e inverno causado pelo bloqueio da luz solar ajudaram a extinguir ainda mais espécies.
Mas os pássaros comedores de sementes resistiram. Hoje se sabe que sementes em florestas temperadas modernas podem permanecer viáveis por mais de 50 anos. E em casos de incêndios em habitats, os pássaros “granívoros” –comedores de sementes– estão entre os primeiros a reocupar o local.
Os mais de três mil dentes foram analisados em busca de padrões de diversidade. Se a variação ao longo do tempo diminuísse seria um sinal de que a perda de diversidade indicaria que o ecossistema estava em declínio. Mas se os dentes permanecessem diferentes durante o período seria a indicação de que o ecossistema esteve estável durante milhões de anos.
Ou seja, os dinossauros aviários com dentes estavam vivendo bem até receberem o abrupto golpe do meteoro.
Os pesquisadores também estudaram pássaros atuais para ajudar e entender seu passado comum. E concluíram que o ancestral comum de todos –mesmo aqueles cuja dieta é de carne, ou de peixes, insetos ou plantas– era um discreto comedor de sementes com um bico desdentado.

12.427 – Evolução – Da Bactéria ao Homem


arvore genealogica
Desde que Darwin elaborou a Teoria da Evolução, cientistas têm tentado encontrar o modelo ideial para mostrar toda a história da evolução. A árvore da vida se tornou um dos desenhos mais simbólicos e interessantes para esse propósito: partindo de um tronco único, a origem da vida, surgem galhos cheios de ramificações, que mostram como as espécies se diversificaram ao longo do tempo.
O modelo mais exato de uma árvore genealógica da vida até hoje era o chamado “Hillis Plot”: um diagrama que mostra toda a evolução biológica desde o surgimento da vida, há 3,5 bilhões de anos. E vai dos primeiros seres unicelulares até os humanos, felinos, insetos, conchas e esponjas modernas que dividem o planeta com a gente – todos filhos de um ancestral comum, a primeira forma de vida da Terra.
A ciência já classificou 1,7 milhão de espécies, e imagina que existam mais ou menos 9 milhões no planeta – a imensa maioria espécies distintas de bactérias.
O Hillis Plot, porém, é só uma simplificação. Ele foi feito a partir da análise do material genético de 3 mil espécies, e desenhado de acordo com a semelhança genética entre eles. Essa árvore clássica, porém, subestimou o papel das bactérias no desenvolvimento evolutivo.
Agora, um grupo de mais de 15 cientistas de universidades dos EUA e do Japão apresentou uma nova versão da árvore da vida, bem diferente. Ela mostra que a história das bactérias ao longo da evolução é incrivelmente mais rica e complexa do que se imaginava.
Com isso, a árvore cresceu dramaticamente. Com o já conhecido narcisismo humano, versões passadas do diagrama tinham um grande foco no domínio dos eucariontes, o grupo que inclui o Homo sapiens. A nova árvore da vida nos força a uma posição de mais humildade: todos os eucariontes – animais, fungos e plantas – ficam espremidos em um pequeno galho, pois são caçulas da evolução com meros de 2 bilhões de idade, completamente ofuscados pelo imenso histórico evolucionário do grupo das bactérias, que remonta à própria origem da vida.
Para isso, os cientistas analisaram o genoma de mais de mil microrganismos jamais catalogados – em muitos casos, bactérias que vivem em ambientes remotos, como o sal do Deserto do Atacama e ecossistemas subterrâneos no Japão.

A grande árvore e suas ramificações
Na biologia, Charles Darwin usou o conceito de “árvore da vida” em seu livro A Origem das Espécies (1859): “A grande árvore da vida preenche as camadas da crosta terrestre com seus ramos mortos e quebrados enquanto que as suas magníficas ramificações, sempre vivas e renovadas incessantemente, cobrem a superfície”. Só a descrição da árvore nesse trecho já serve de metáfora para toda a teoria de Darwin. Os galhos mal adaptados se quebram e morrem e são substituídos por galhos novos, e melhor adaptados.
Alguns anos mais tarde, o biólogo Ernst Haeckel criou uma série de árvores da vida. Haeckel chegou a desenhar uma árvore mostrando a suposta linha de antepassados do homem, começando em espécies mais simples como bactérias, evoluindo para espécies progressivamente complexas, até chegar ao homo sapiens.
Essa visão linear e progressiva da evolução era comum nos séculos XIX e XX. As teorias da época partiam do princípio de que a seleção natural tornava as formas de vida cada vez mais complexas, até chegar às de hoje – tendo o Homo sapiens no papel de supra-sumo da evolução, musa definitiva da saga da vida. Nada mais equivocado. Hoje, as evidências apontam para uma evolução não-direcional: de acordo com as condições do ambiente, a seleção natural pode tanto favorecer um aumento quanto uma diminuição da complexidade dos organismos que ali vivem. Daí que as unhas dos tigres são máquinas de matar, e as nossas mal servem para roer; daí para as baleias conversarem com desenvoltura dentro d’água, o ambiente delas, e nós não travarmos grandes diálogos enquanto estamos com a cabeça submersa na pscina.

A primeira árvore universal
Foi nos anos 70 que foi desenhada a primeira árvore a apresentar o histórico evolutivo de todos os seres vivos. Os americanos Carl Woese e George E. Fox dividiram todas as formas de vida entre três grandes galhos partindo do tronco do primeiro antepassado comum: o domínio Bacteria, o Eukarya (em que estão incluídos os animais, as plantas e os fungos) e, por último, o domínio Archea, classificado pela primeira vez por Woese e Fox, composto por micróbios que vivem em ecossistemas extremos, muito quentes, ricos em ácido ou sem oxigênio.

A mais bonita
A década passada viu nascer a mais bonita das árvores da vida. Conhecida como “Hillis plot”, ela foi criada pelos pesquisadores David M. Hillis, Derrick Zwickl, and Robin Gutell, da Universidade do Texas. O desenho é resultado do estudo de amostras genéticas de 3 mil espécies – cerca de 0,18% do 1,7 milhão de espécies formalmente classificadas pela ciência. Desde que foi publicado, em 2003, o desenho já virou papel de parede, entalhe em tronco de árvore e até tatuagem.
Tatuagens circulares como o Hillis plot estão até na moda. Mas agora, com o modelo atualizado, é que os fãs da ciência vão se destacar de verdade – pelo menos aqueles que tiverem coragem de tatuar esse novo catavento evolutivo.

12.372 – Biologia – Unicórnios Existiram?


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Sim.
Estamos falando do sibiricum Elasmotherium, uma espécie que até então pensava-se ter sido varrida do planeta há 350 mil anos, mas que novas pesquisas apontam que foi extinta há 29 mil anos, na região onde atualmente está o Cazaquistão.
O novo estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Tomsk (TSU), na Rússia. A equipe chegou à conclusão após analisar um crânio de rinoceronte encontrado perto da aldeia Kozhamzhar, do Cazaquistão. Foi feita uma análise de radiocarbono pelo método AMS. A equipe determinou que o animal morreu por volta de 29 mil anos atrás, quando o homem já existia.
Os pesquisadores esperam que a descoberta revele ainda algo sobre os fatores ambientais específicos que levaram à extinção da criatura, bem como a forma como a espécie conseguiu sobreviver tanto tempo.
Os resultados foram publicados na edição de fevereiro do American Journal of Applied Sciences.

12.303 – Antropologia – ‘Martelo de carne’ levou ancestral humano a obter cérebro grande


martelo de carne
Há milhões de anos, quando um ancestral humano resolveu bater e cortar carne com as ferramentas que tinha à mão antes de ingeri-la, mal sabia ele que esse seria um passo importante para que seus descendentes obtivessem um cérebro maior e traços mais modernos, como boca e dentes menores.
Uma série de experimentos que procuraram imitar a dieta do Homo erectus acaba de reforçar a hipótese de que o processamento de alimentos, combinado a uma alimentação carnívora, foi essencial para o desenvolvimento dessas características, antes mesmo do surgimento do cozimento da comida.
O estudo foi conduzido por Daniel Lieberman e Katherine Zink, da Universidade Harvard (EUA), e está publicado na última edição da revista científica britânica “Nature”.
Os experimentos foram feitos com carne de bode –que lembra mais a de animais silvestres–, e os legumes cenoura, beterraba e batata-doce, crus ou processados, fatiados com instrumentos de pedra, amaciados com martelos de pedra, ou assados
RESULTADOS
Uma dieta composta de 1/3 de carne, e alimentos (carne e legumes) fatiados ou amaciados reduziu em 26% a força na mastigação
O corte da carne em pedaços menores teria reduzido em 5% o número de mordidas por ano e em 12% a força necessária para mastigar

E O COZIMENTO?
Cozinhar alimentos também teve consequências importantes para a evolução, mas os primeiros registros são de 500 mil anos atrás
A seleção de traços como dentes menores no Homo erectus, portanto, foi possível pela combinação de uso de ferramentas e a ingestão de carne
HISTÓRIA ANTIGA
Um dos mais bem sucedidos ancestrais humanos, o Homo erectus, surgiu na África há cerca de dois milhões de anos, se espalhou por outros continentes e só foi extinto após mais de 1,5 milhão de anos.
O objetivo era resolver um paradoxo. O Homo erectus, que surgiu na África e viveu há dois milhões de anos, tinha o corpo e o cérebro maiores que ancestrais humanos anteriores, mas sua dentição era mais delicada, incluindo músculos menores para a mastigação, e seu aparelho digestivo era menor.
Um corpo maior demanda mais energia, que tem que vir obrigatoriamente de alimentos. Para comparação, primatas como gorilas e chimpanzés passam boa parte do dia procurando comida e mastigando. E quando se trata de carne, a alimentação é demorada, já que a dentição é mais apropriada para vegetais.
Então, já que os dentes pequenos e os músculos mastigatórios mais fracos do Homo erectus não ajudam, fatiar, amaciar e triturar comida com instrumentos poderiam dar conta do problema.
Existe uma hipótese alternativa: o cozimento dos alimentos, tanto carne como vegetais, é que produziu o excedente de energia que permitiu corpos e cérebros maiores. Ela foi promovida pelo pesquisador britânico, Richard Wrangham, também de Harvard, que argumenta que o Homo erectus já era um “masterchef”.

12.057 – Antropologia – Por que somos a única espécie humana viva?


Quando nossa espécie surgiu, há 200 mil anos, muitas outras espécie de hominídeos semelhantes habitavam o planeta e algumas, inclusive, há milhões de anos. E por que hoje, tão pouco tempo relativo depois, somos a única espécie humana viva? Existem várias hipóteses para essa pergunta, mas nenhum apresenta uma resposta certa e unanimemente aceita.
Quando os hominídeos se mudaram das florestas para as savanas, eles se tornaram cada vez mais carnívoros. Os animais caçados também tinham menos plantas para comer, e esse contexto estimulou a competição, o que levou à extinção de algumas espécies.

De qualquer forma, há 30 mil anos, os humanos ainda conviviam com os Neandertais na Europa e na Ásia Ocidental, os Denisovas na Ásia e os homens de Flores na Indonésia. Mas quando e como desapareceram essas espécies? Os homens de Flores teriam desaparecido há 18 mil anos, por causa de uma grande erupção vulcânica. Os Neandertais teriam sido retirados de seu habitat com a chegada do homem moderno, e pouco se sabe dos Denisovas, cuja existência só é conhecida pela ciência através de um dedo pequeno e dois dentes.
E por que os humanos removeram os Neandertais? Pouco depois de chegarem à Europa, há 40 mil anos, o clima se tornou mais frio e as florestas mais abertas, como as savanas africanas, às quais os humanos modernos estavam acostumados. Os Neandertais não conseguiram adaptar seu estilo de caça ao novo contexto, como fizeram os humanos em seu novo habitat. Dessa forma, graças à sua capacidade de inovação e adaptação, o humano desalojou o homem de Neandertal.
Essa supremacia se consolidou pela criação da arte simbólica, que permitiu aos indivíduos se organizar de acordo com as necessidades sociais e econômicas. Assim, foi desenvolvida nossa principal característica que nos distingue do mundo animal: a linguagem. A verdade é que a população humana se multiplicou, enquanto outras espécies de hominídeos desapareceram. E isso pode ter acontecido devido às causas já mencionadas, ou, talvez, de acordo com alguns cientistas, por pura casualidade.

12.017 – Evolução – Por que somos mais espertos que os chimpanzés?


Chimpanze
MISTÉRIOS DO CÉREBRO HUMANO

Chimpanzés vivem em sociedades complexas, usam ferramentas e têm cultura: as técnicas de sobrevivência de cada grupo são únicas e passadas de mãe para filho. Mas você nunca vai convidar um deles para uma partida de xadrez. O que, então, nos torna diferentes?
Alguém talvez tenha a resposta na ponta da língua: “nosso cérebro é maior”. Ou uma variação disso: “nosso cérebro tem mais neocórtex”, a massa cinzenta. Acontece que outros animais, como o golfinho, o elefante e o cachalote, têm cérebros e massa cinzenta muito maiores que os nossos e também não escreveram clássicos da literatura.
Um grupo de pesquisadores da Universidade George Washington buscou responder a questão da forma mais material possível: observando o formato dos cérebros. Usando ressonância magnética, escanearam os cérebros de 218 humanos e 206 chimpanzés. Nisso, mediram duas coisas: o tamanho e o formato dos sulcos – isto é, as “dobras” – cerebrais. E compararam os resultados entre cérebros que eles sabiam ser aparentados – de irmãos, alguns deles gêmeos idênticos – ou não relacionados. Isso foi para avaliar a influência dos genes nos resultados, já que irmãos têm genes parecidos – ou iguais, no caso dos gêmeos.
Em chimpanzés e humanos, tanto o tamanho do cérebro quanto seu formato, o desenho de seus sulcos, variam. Em ambos, o tamanho é bem parecido entre irmãos, o que quer dizer que a genética está determinando isso. O formato, porém, conta outra história. Em chimpanzés, os cérebros de dois irmãos têm sulcos muito mais parecidos que em irmãos humanos.
A conclusão é que a configuração final de nosso cérebro é bem menos determinada pela genética que a dos chimpanzés. Nosso cérebro, assim, se desenvolve na infância respondendo às pressões do ambiente. Em outras palavras, é mais flexível – ou plástico, no termo técnico.
“Com a genética assumindo um papel secundário em humanos, nossos cérebros são mais suscetíveis à influências externas”, afirma a neurocientista Aida Gómez-Robles, condutora do estudo. “Isso permite ao ambiente, experiência e interações sociais com outros indivíduos assumir um papel mais dramático em organizar o córtex cerebral. E esse incremento em plasticidade pode muito bem ser uma das características definidoras no que fez nossos ancestrais hominídeos ultrapassarem outros primatas em termos de inteligência.”
Como diria Buda, flexibilidade é fundamental. Um cérebro que pode se transformar é capaz de aprender qualquer coisa. Os bichos perdem para nós por serem, literalmente, cabeça-dura.

11.631 – Projeções – Homem do futuro será incapaz de jogar futebol (?)


O antropólogo e professor da Universidade Estatal de Moscou Stanislav Drobyshevski apontou os principais aspectos da continuidade da evolução da raça humana: a aparência física, o cérebro e algumas mudanças que acontecerão com a espécie. Ele afirma que o nosso corpo continuará se desenvolvendo, que a cor de nossa pele irá escurecer gradualmente – como consequência da mistura de raças –, que os pelos tenderão a desaparecer e que os dentes da boca existirão em menor quantidade com o desaparecimento dos chamados “sisos”.
Uma de suas previsões mais pitorescas, no entanto, diz que “o futuro do nosso pé é o desaparecimento dos dedos”. A tíbia irá se fundir à fíbula, pois não haverá mais a mesma necessidade que tiveram nossos antepassados de manter a mobilidade no pé enquanto sobem em árvores. E se nossos pés vierem a perder sua atual mobilidade, isso significa que os dedos não serão mais necessários. “Dessa forma, no futuro, o balé e o futebol entrarão em declínio”, afirma Drobyshevski. Por fim, o cérebro seria o mais afetado, pois, como adverte o antropólogo, se a “geração do computador” continuar a não utilizá-lo em toda sua capacidade, ele terá seu tamanho reduzido.

11.374 – Livro – A Caixa Preta de Darwin


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A Caixa Preta de Darwin (em inglês: Darwin’s Black Box) é um livro de Michael Behe, bioquímico e professor na Universidade de Lehigh.
O livro questiona a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin como sendo antiquada para responder às descobertas que a ciência (especialmente o seu campo de estudo) tem feito nos últimos anos.
O texto analisa, à luz da bioquímica, os argumentos usados por Darwin e outros evolucionistas para justificar a teoria da evolução pelo mecanismo de seleção natural, defendendo que muitos processos biológicos não poderiam ter evoluído por um processo lento, gradativo e não teleológico como Darwin pensava em sua mocidade. Seriam “irredutivelmente complexos”.
O autor não descarta a ancestralidade comum universal dos seres vivos.

11.358 – O DNA dos neandertais sobrevive em nossos genes


Neandertais quase sapiens
Neandertais quase sapiens

Um estudo genético apresentado há dois anos comprovou que nossos ancestrais Homo sapiens cruzaram com neandertais e que, por isso, estes últimos sobrevivem até hoje no DNA dos humanos. Os testes ainda apontaram que a maioria das pessoas que não são de ascendência africana (como europeus e asiáticos) possuem até 4% de DNA vindo de uma origem neandertal.
Além disso, o estudo apresentou que não seriam apenas os neandertais a viverem em nós — também foram descobertos resquícios genéticos dos denisovans, os “primos” dos neandertais. Tal descoberta também foi importante por nos mostrar que o Homo sapiens não seria o produto de uma linhagem pura e longa, mas uma mistura hominídea.