13.206 – ☻Nota do Autor


Se você era seguidor do megaarquivo.com, desde outubro de 2016 o domínio passou a ser megaarquivo.wordpress.com.

Depois de 5 anos tirando dinheiro do próprio bolso para divulgar conhecimentos, chegou uma hora que não deu mais e deixei de assinar o domínio.

Notei que desde então tem havido um número muito pequeno de acessos, creio que os seguidores então deixaram de localizar o blog. Assim sendo, seguindo a sugestão do WordPress, faço esta nota de esclarecimento.

O ☻Mega Arquivo tem ao todo 29 anos a contar do período que começou a ser manuscrito em março de 1988 e continuará a ser escrito nessa ou em outra plataforma. Agradeço a compreensão de todos os seguidores e boa leitura!

Carlos Rossi, escrevendo o ☻Mega desde 1988

velociraptor

 

11.779 – Nota do Autor – Mais um ano por aqui


terra
A Filosofia e a Psicologia tentam explicar, a Sociologia, a Ecologia e outras Ciências tentaram resolver, a Justiça tenta combater.
Que dizer das Ciencias Exatas? Até o que é concreto com o tempo se torna abstrato.
As psedou-ciências complementam o mosaico de conhecimento e entretenimento, e as Ciências Ocultas deixarão de ser ocultas.
Mergulhe no Mega para tentar entender esse intricado e complicado Universo (qual deles?), e os problemas e limitações da Humanidade.

Estaremos mais um ano por aqui no WordPress, fique de olho!

Curso-de-parapsicologia-esoterista-Santiago

10.939 – Sócio-Economia – Não tá tao ruim (pra alguns) – Brasileiros lideram em número de turistas que visitam Miami


Esse artigo é mais uma prova que o Brasil ainda é um país muito injusto e que a renda ainda está pessimamente distribuída.
Leia e fique por dentro, ou abaixe a cabeça e seja mais um alienado.

“Em 2013, 51% dos turistas que foram a Miami eram brasileiros, nenhuma outra cidade norte-americana pode dizer o mesmo.”
A constatação é de William D. Talbert 3°, presidente e presidente-executivo há 15 anos do Greater Miami Convention and Visitors Bureau (GMC&VB) –órgão oficial de fomento turístico que engloba Miami Beach, Miami City, Coral Gables e as demais miniprefeituras que formam a Grande Miami, maior aglomerado urbano do sul da Flórida (EUA).
Os números totais de visitação relativos a 2014 ainda não estão fechados, mas, a julgar pelas previsões, mesmo com a alta do dólar, essa percentagem deve até crescer, já que, no primeiro semestre, 424.065 brasileiros foram a Miami –aumento de 6% em relação a igual período de 2013, quando a Grande Miami recebeu, no ano, 756 mil turistas vindos do Brasil.
Segundo Bill Talbert, que capitaneou recentemente a vinda de uma delegação de representantes do setor de turismo de Miami a São Paulo, em 2013, turistas brasileiros, além de terem sido os mais numerosos, também foram os que mais gastaram.
Pela ordem, no primeiro semestre de 2014, os dez principais países que enviaram turistas para esse mercado foram Brasil, Canadá, Argentina, Colômbia, Alemanha, Venezuela, Inglaterra, Bahamas, França e Costa Rica, o que não difere muito do ranking apurado em 2013, quando, ao todo, a Grande Miami recebeu cerca de 3,6 milhões de visitantes estrangeiros.
Para efeito de comparação, o Brasil, de acordo com dados do Ministério do Turismo, ao todo recebeu um total de 5,7 milhões de turistas estrangeiros em 2013.

E aí, que tal curtir uma “doce vida” em Miami?

brasil turismo

9252 – Mega Curtíssima – Prender adolescentes não reduz crime


Uma análise feita nos EUA com 35 mil adolescentes infratores constatou que a prisão reduz a chance de que um jovem conclua os estudos – e aumenta em 41% a probabilidade de que venha a cometer crimes quando adulto. Quando a prisão é substituída por outro tipo de pena, o risco de reincidência cai pela metade.

8907 – Mega Opinião – Linchamento: Diga não a essa barbárie!


Práticas de tempos pré-históricos ainda permanecem nos dias de hoje. Nem toda a tecnologia disponível é suficiente para fazer sucumbir ideias retrógradas…Parte da Imprensa também é responsável por difundir ideias de ódio na opinião pública.

O que diz a Lei:
O Direito Penal tem por finalidade essencial proteger os valores mais importantes dos indivíduos e da sociedade em geral. Tais valores são chamados bens jurídicos penais, entre os quais se destacam: vida, liberdade, propriedade, integridade física, honra, patrimônio público etc.
Essa proteção se dá com a incriminação de determinadas condutas: quando o art. 121 do Código Penal (CP) diz “Matar alguém” está implícita a norma “É proibido matar”. Da mesma forma, o art. 135 do CP, que trata da omissão de socorro, tem a regra implícita: “É obrigatório que se socorra pessoas que estejam em situação de perigo”. Este é o preceito primário da norma penal.
Portanto, quando alguém desobedece a norma “É proibido matar” deverá ser submetido a uma pena de reclusão que varia entre 6 e 30 anos, dependendo das circunstâncias do crime. Este é o preceito secundário da norma penal.
Por que essa sanção é aplicada pelo Estado e não pelas próprias vítimas ou seus parentes? Por duas razões: essas pessoas, por seu abalo emocional, não se motivariam por questões de justiça ou de proporcionalidade entre a pena e a infração, mas de pura vingança. Boa parte das pessoas assaltadas ou estupradas, por exemplo, matariam, se pudessem, seus agressores
O interesse maior da punição não é retribuir o mal causado, mas, por meio do sofrimento do condenado, mostrar aos potenciais criminosos que não se deve cometer crimes. Vê-se, assim, que o interesse é muito mais social do que individual.
Pode-se argumentar: e a legítima defesa (CP, art. 25)? Quando está ocorrendo uma agressão injusta atual ou iminente, teria o agredido o direito de punir? A resposta é não. Como o próprio nome diz, o direito é de se defender do ataque, na medida do necessário, não de punir o agressor. Assim, se A tenta matar B e este fere A para se defender, B não responderá por crime algum, pois agiu em legítima defesa e A deverá ser devidamente julgado e condenado pela tentativa de homicídio.

A pessoa que se achar vítima de algum crime deve sempre buscar o poder do Estado para que o culpado seja punido e os prejuízos ressarcidos. Caso resolva fazer “justiça com as próprias mãos” incorrerá nos crimes previstos nos arts. 345 e 346 do CP:

Exercício arbitrário das próprias razões

Art. 345 – Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite:

Pena – detenção, de quinze dias a um mês, ou multa, além da pena correspondente à violência.

Parágrafo único – Se não há emprego de violência, somente se procede mediante queixa.

Art. 346 – Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou convenção:

Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Por fim, deve se atentar para o fato de que o direito de punir deve ser exercido pelo Estado de forma totalmente vinculada às leis. Assim, ao mesmo tempo em que nosso ordenamento jurídico dá ao Estado o direito de punir, também limita esse direito, que só pode ser exercido nas condições e limites estabelecidos nas normas penais e processuais penais. Nesse sentido, não se pode condenar alguém por difamação (CP, art. 139) a dois anos de prisão, pois a pena máxima é de um ano, e não se pode condenar alguém por homicídio doloso sem se obedecer ao procedimento do Tribunal do Júri (CPP, arts. 406-497).

8576 – Educação – Alunos Novos, Escola Velha


Apesar de um significativo avanço no campo tecnológico e social, a maneira como é estabelecida a relação ensino × aprendizagem no interior de uma sala de aula praticamente nenhuma alteração sofreu, pois não vemos com a frequência esperada os novos conhecimentos em tecnologia e informação sendo empregados para melhor caracterização da ação do educador.
O modo como ocorre a educação continua o mesmo que a caracterizou. Nesse contexto, a imagem é totalmente secundária, chegando muitas vezes a inexistente. Os nossos materiais didáticos continuam os mesmos, o giz e a lousa, pois parece que nada melhor conhecemos. “Basta lembrar a clássica história da professora que ascende as luzes da sala para continuar sua aula sobre eclipse, enquanto o próprio fenômeno ocorre lá fora” (FREIRE, 1998).
A verdade é que foi assim que aprendemos e hoje é o máximo que conseguimos fazer, reproduzir. Mesmo nos cursos de formação de professores, observamos que os mesmos são, na maioria das vezes, centrados exclusivamente em aulas teóricas, na transmissão oral de conhecimento, e mesmo quando se trata dos problemas inerentes a este método de ensino, nada faz-se além de confirmá-lo; não há audácia para inovar. Esse medo aflige a humanidade desde que o termo “tempo” não era compreendido: o novo. E assim haverá de ser até que esta (nós) reveja sua (nossa) forma de pensar e hierarquização de valores.
Somos da geração alfabética da aprendizagem por meio tão somente do texto escrito, do artigo impresso ou da leitura do livro. Mas a retenção é diretamente influenciada pela emoção, algo que não é capaz de despertá-la não pode ser devidamente absorvido. E essa inquestionável verdade não é considerada quando em respeito a nossa maneira de utilizar do ensino, pois não são as emoções despertas sobretudo de modo audiovisual?
Há porém uma notável diferença entre a escola do passado e a atual. A primeira, sob exclusiva ação do professor, consistia a única fonte de conhecimento de seus alunos, sem a qual não se poderia “saber” nem “conhecer”. Mas hoje podemos facilmente perceber que, embora culturalmente a escola não tenha mudado, as pessoas das quais se compõe mudaram, e muito. O professor deixou de ser a única fonte de saber para seus alunos, tornando-se nem mesmo a principal. Os alunos já chegam à escola com uma visão de mundo pré-estabelecida, com opiniões e conceitos formados, com uma cultura estritamente pessoal e diversificada. E isso não poderia ser diferente. “O mundo desses alunos é polifônico e policrômico. É cheio de cores, imagens e sons. Muito distante do espaço quase que exclusivamente monotônico, monofônico, monocromático que a escola está a lhes oferecer” (FREIRE, 1998).

O que esses alunos vão buscar na escola de hoje, ou melhor ficaria a frase, o que esses alunos de hoje vão buscar na escola de sempre, é tudo do qual a mesma não mais pode oferecer-lhes. Pois, presa a uma estrutura burocrática e conservadora, encerra-se frente aos avanços da sociedade moderna e se regula por regras que visam, sobretudo, definir leis sob a forma de programas e currículos, o que não condiz com o mundo de hoje.

8510 – Ciência e Espiritualidade


☻ Nota do Autor:
A Ciência nos aproxima da Natureza, e nos transporta para uma percepção do mundo que pode, com certa liberdade, ser chamado de espiritual.
Einstein justificava sua devoção à Ciência com o que definiu como “sentimento religioso cósmico” associando ao estudo racional da Natureza uma dimensão espiritual. A história do Sistema Solar está cheia de colisões entre vários planetas, mas o homem pode alterar parte da história.

8415 – ☻ Mega Opinião – Desigualdades Sociais


Protestos
Há anos, nós do ☻ Mega viemos gritando contra as desigualdades sociais no mundo e principalmente no nosso país. Já dissemos que o modelo sócio-econômico mundial é arcaico e não evoluiu na mesma proporção que os avanços tecnológicos. O PIB de alguns países as vezes cresce, mas os pobres continuam pobres e os ricos cada vez mais ricos.
Atualmente há protestos generalizados no Brasil contra aumento de tarifas. Mas isso pode ter sido apenas o estopim de uma bomba, de um problema que vai muito além de alguns centavos de real.

Anos 90
Desigualde de rendimento entre a população e as regiões

Elevada ocorrência de doenças

Desigualdade de esperança de vida entre as classes sociais

Apesar do paradoxo da obesidade, e de programas sociais, precárias condições de alimentação de uma parcela significativa da população

Grande deficit habitacional

Alto índice de evasão escolar

Insegurança geral

Junho de 2013 Folha de São Paulo
protestos junho2013

Muitas pessoas sem ligação com o Movimento Passe Livre ou outros movimentos também decidiram aderir ao protesto contra o aumento das passagens de ônibus, metrô e trens nesta segunda-feira (17-6-2013). O grupo se concentrou no largo da Batata, na região de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, antes de sair em passeata.

“Sou do movimento Tenho Consciência”, brinca a professora de história, Daniela Oliveira, que participa do protesto contra as tarifas pela segunda vez. Na semana passada, ela foi atingida por uma bala de borracha –a marca permanece ainda nesta segunda-feira, mostra ela, que também apontou ser contrária ao envolvimento de partidos políticos na manifestação.

Protesto
Cerca de 30 mil pessoas, segundo estimativa da PM, se concentraram no largo da Batata, na região de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, antes de seguirem em passeata pela região. O grupo, no entanto, se dividiu em três blocos, seguindo um para a marginal Pinheiros, sentido Brooklin, pela av. Faria Lima e outra em direção a av. Paulista.
As últimas manifestações do grupo foram marcadas por confrontos com a Polícia Militar. O último caso ocorreu na quinta-feira (13-06), quando houve confusão na rua da Consolação, na região central. Segundo organizadores, ao menos cem pessoas ficaram feridas e mais de 200 foram detidas.

8152 – Homossexualismo


Recentemente, neurologistas do Instituto Salk, EUA, examinaram o cérebro de 41 cadáveres, sendo 19 deles de homossexuais masculinos; descobrindo uma pequena área no cérebro na qual se atribui o controle da sexualidade, costuma ter o dobro do tamanho em heteros. Esta é uma evidência de que pode existir no organismo uma espécie de “marca”, provavelmente genética, determinante do homossexualismo. Entretanto, tais cadáveres eram de vítimas de AIDs e se esta nada tiver a ver com alterações cerebrais, restaria ainda saber se estas surgiram antes ou depois do nascimento. Na puberdade são disparados hormônios sexuais que, entre outras coisas, podem esculpir o sistema nervoso.

Origem Genética?

“Acreditamos que um ou mais genes no cromossomo X das mulheres podem ter efeito na orientação sexual de seus filhos.”
Sven Bocklant, pesquisador da Universidade da Califórnia.
“Qualquer comportamento humano é resultante de complexo emaranhado da genética e do ambiente. Seria surpreendente se isso não fosse verdade no caso do homossexualismo.”
Dennis McFadden, neurocientista da Universidade do Texas.
“As tentativas de convencer o público de que a atração pelo mesmo sexo tem base genética podem ser políticas, já que as pessoas devem aceitar melhor as mudanças nas leis e no ensino religioso se acreditarem que a atração sexual é imutável.”
Cartilha da Associação Médica Católica dos EUA.
“Realmente não importa se o homossexualismo vem da natureza ou da criação. O importante é garantir direitos iguais para todos.”
Alan Wardle, líder homossexual em Stonewall, na Inglaterra.

8108 – Mega Polêmica – A Internet estaria prestes a fracassar?


Embora a questão pareça absurda, é defendida por um especialista de uma importante publicação científica nacional.

Uma tecnologia que chegou para ficar, como poderia entrar em declínio? Vejamos suas idéias:

É inegável que a Internet mudou as pessoas e continua mudando, só que de forma diferente. No início, quando a tecnologia era mais rudimentar e ainda havia uma certa aura de mistério envolvendo a nova invenção, estar online significava o início de uma fascinante jornada de investigação. Agora as pessoas encontram tudo o que querem em poucos segundos. A Web de hoje está longe de ser um caminho alternativo para mudarmos o que está ao nosso redor. Virou apenas uma nova janela para o velho mundo de sempre. Para que a Internet passasse a ser usada para desenvolver novos valores e relações humanas, seria preciso utilizar novas interfaces, mais complexas e bem diferentes dos twitters e facebooks atuais, que não foram criados para promover este tipo de evolução humana. Algumas pessoas trabalham juntas em grandes grupos virtuais, o problema é que não se deram conta de que estão a serviço de grandes companhias que não gastam um tostão.

Rushkoff – Prof. da Universidade New School, EUA.

8022 – Mega Polêmica – Sobre Drogas


Enquanto o mundo inteiro avança, o Brasil prepara-se para voltar no tempo, rumo aos anos 1980, quando se acreditava que a solução para o problema das drogas era o encarceramento em massa. Nos próximos dias, o Congresso Nacional vai votar o Projeto de Lei 7663, do deputado Osmar Terra, que altera a lei de drogas em vários pontos, quase sempre para pior. A julgar pela falta de vontade dos políticos de Brasília de discutir o tema com coragem e sem demagogia, a tendência é que ele seja aprovado. Segundo quase todos os especialistas sérios no assunto, os resultados serão trágicos. Muita gente vai apodrecer na cadeia, muito dinheiro público escoará para o ralo e o problema tende a piorar cada vez mais.
O projeto é confuso e mal escrito, e até por isso não é fácil entender precisamente o que é que vai mudar na lei. Uma coisa que sobressai é que o internamento compulsório, que em qualquer país civilizado é visto como um último recurso apenas para casos extremos nos quais há risco de vida, virará regra no Brasil: sairemos “acolhendo” gente à força no país inteiro.
Outra coisa clara é que a população carcerária brasileira, que já está aumentando mais rápido do que no mundo todo, tende a explodir. O projeto aposta no aumento das penas, mesmo para criminosos não-violentos, sem ligação com o crime organizado e de baixa periculosidade – por exemplo, mulheres que levam droga para o filho dependente na cadeia serão impiedosamente condenadas como traficantes. Adolescentes que soltam rojões nas favelas para avisar quando a polícia chega receberão penas tão altas quanto estupradores. Inevitavelmente, as prisões se encherão de jovens negros moradores de favela – como sempre acontece a cada vez que os distintos deputados aumentam as penas para o tráfico.
Durante o feriado, li e reli o projeto, tentando decifrá-lo em meio à falta de clareza do texto. A uma certa altura me dei conta de que talvez não seja por coincidência que o texto é tão confuso: talvez isso seja proposital, para esconder as reais motivações da mudança na lei.
É o seguinte: o projeto cria um fundo para financiar políticas de drogas no Brasil inteiro. Ele também abre a possibilidade de entidades privadas que cuidam de dependentes receberem dinheiro público para fazer esse trabalho: são as chamadas Comunidades Terapêuticas, muitas delas mantidas por igrejas, grupos às vezes bem intencionados, às vezes nem tanto, geralmente não muito capacitados para o trabalho. Só que o projeto não define regras claras para a atuação dessas Comunidades: é um cheque em branco para entidades privadas fazerem serviço público.
O projeto cria conselhos municipais, estaduais e federal para fiscalizar o uso desse dinheiro. Só que esses conselhos terão metade dos seus assentos reservados para “entidades da sociedade civil”. Ou muito me engano ou essas entidades tendem a ser justamente as Comunidades Terapêuticas que os conselhos deveriam fiscalizar. Ou seja, além de receberem o cheque em branco, caberá às Comunidades fiscalizarem a si mesmas.
Em linhas gerais, tudo indica que o projeto de lei, embora não ajude nem um milímetro a reduzir o problema das drogas no país, vá criar uma bela máquina de fazer dinheiro. Primeiro caberá ao estado recolher compulsoriamente todos os dependentes que encontrar na rua. Aí esses dependentes serão enviados para organizações privadas sem competência no assunto, que receberão dinheiro público para cada dependente que eles “acolherem”, sem nenhuma obrigação ou contrapartida. Como sabe-se que internações compulsórias tendem a funcionar mal, muitos dos dependentes acabarão voltando para as ruas, para serem internados à força novamente, tilintando novamente a caixa registradora das Comunidades Terapêuticas. Enfim, um negocião.
Hoje, no mundo inteiro, sabe-se que dependência em drogas é um problema de saúde que deve ser tratado pelo sistema de saúde, com a participação de profissionais bem treinados e atualizados. O que o projeto de lei propõe é “terceirizar” esse cuidado para igrejas, com dinheiro público, sem exigir nenhum padrão de qualidade no tratamento, sem definir protocolos de atendimento, sem sequer determinar quais profissionais devem estar presentes.
É mais ou menos como se o Congresso estivesse aprovando uma lei que transferisse para pastores e padres a responsabilidade por cuidar dos pacientes de câncer do Brasil – com dinheiro público, sem deixar claro como o tratamento deveria ser, sem metas nem mecanismos de controle. Enfim, um absurdo completo. Mas é óbvio que ninguém se revolta. Afinal, ninguém liga mesmo para esses dependentes. Azar deles. (E de todos nós, cujo suado dinheirinho será torrado com demagogia.)

Denis Russo Burgierman
(O Fim da Guerra)

7982 – Mega Polêmica – Casamento Gay, avanço ou retrocesso?


Casamento gay ou casamento homoafetivo é o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo biológico ou da mesma identidade de gênero. Os defensores do reconhecimento legal de casamento do mesmo sexo geralmente se referem ao seu reconhecimento como casamento igualitário.
Desde 2001, onze países permitem que pessoas do mesmo sexo se casem em todo o seu território: Argentina, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Islândia, Noruega, Países Baixos, Portugal, Espanha, África do Sul e Suécia. Casamentos desse tipo também são realizados no estado brasileiro de Alagoas, e reconhecidos em todo o Brasil; na Cidade do México, e reconhecidos em todo o México; e também são realizados em alguns estados dos Estados Unidos. Algumas das jurisdições que não realizam os casamentos homossexuais mas reconhecem os que forem realizados em outros países, são: Israel, os países caribenhos pertencentes ao Reino dos Países Baixos, partes dos Estados Unidos e todos os estados do México. A Austrália reconhece casamentos do mesmo sexo apenas se um dos parceiros mudar seu sexo depois do casamento. Em 2012, havia propostas para introduzir o casamento homossexual em pelo menos dez outros países.
A introdução do casamento do mesmo sexo tem variado em cada jurisdição, resultante de alterações legislativas às leis matrimoniais, julgamentos com base em garantias constitucionais de igualdade, ou uma combinação dos dois fatores. Em alguns países, a permissão de que casais do mesmo sexo se casem substituiu o sistema anterior de uniões civis ou parcerias registradas. O reconhecimento de tais casamentos é uma questão de direitos civis, política, social, moral e religiosa em muitos países. Os principais conflitos surgem sobre se os casais do mesmo sexo devem ser autorizados a contrair matrimônio, serão obrigados a usar um estatuto diferente (como a união civil), ou não têm quaisquer desses direitos. Uma questão relacionada é se o termo casamento deve ser aplicado.

Argumentos pró
Um argumento a favor de casamento homossexual é que negar aos casais do mesmo sexo o acesso ao matrimônio e a todos os seus benefícios legais conexos representa uma discriminação baseada na orientação sexual; várias organizações científicas dos Estados Unidos concordam com essa afirmação.
Outro argumento em apoio ao casamento homossexual é a afirmação de que o bem-estar financeiro, psicológico e físico são reforçados pelo casamento e que filhos de casais do mesmo sexo podem se beneficiar de serem criados por dois pais dentro de uma união legalmente reconhecida e apoiada por instituições da sociedade.
Documentos judiciais movidos por associações científicas americanas também afirmam que manter homens e mulheres homossexuais como inelegíveis para o casamento tanto os estigmatiza quanto impulsiona a discriminação pública contra eles.
A Associação Americana de Antropologia assevera que as pesquisas em ciências sociais não apoiam a visão de que a civilização ou ​​ordens sociais viáveis dependam do não reconhecimento do casamento homossexual.
Outros argumentos para casamento do mesmo sexo são baseados no que é considerado como uma questão de direitos humanos universais, preocupações com a saúde física e mental, igualdade perante a lei e o objetivo de normalizar as relações LGBT. Al Sharpton e vários outros autores atribuem a oposição ao casamento do mesmo sexo como proveniente da homofobia ou do heterossexismo e comparam tal proibição sobre o casamento homossexual com as antigas proibições aos casamentos inter-raciais. Em uma entrevista à Robin Roberts, da ABC News em 9 de maio de 2012, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou seu apoio ao casamento homossexual, tornando-se o primeiro presidente americano a fazê-lo.

Registros históricos
A primeira menção histórica da realização de casamentos do mesmo sexo ocorreu durante o início do Império Romano. Por exemplo, relata-se que o imperador Nero envolveu-se em uma cerimônia de casamento com um de seus escravos. O imperador Heliogábalo era “casado” com um escravo chamado Hiérocles.
Note-se, no entanto, que o conubium existia apenas entre um Romanus Civis e uma Romana Civis (isto é, entre um cidadão romano do sexo masculino e uma cidadã romana), de modo que um casamento entre dois homens romanos (ou com um escravo) não tinha legitimidade jurídica no direito romano (com exceção, provavelmente, a partir da vontade arbitrária do imperador nos dois casos mencionados acima).

No mundo…
Em 2001, os Países Baixos tornaram-se o primeiro país do mundo a conceder o direito ao casamento aos casais do mesmo sexo. Desde então, casamentos homossexuais também foram concedidos e mutuamente reconhecidos pela Bélgica (2003),[39] Espanha (2005), Canadá (2005), África do Sul (2006), Noruega (2009), Suécia (2009), Portugal (2010),[40] Islândia (2010) e Argentina (2010). No México, o casamento do mesmo sexo é reconhecido em todos os 31 estados, mas apenas é realizado na Cidade do México. No Nepal, o seu reconhecimento foi judicialmente reconhecido, mas ainda não legislado. Em 2012, cerca de 250 milhões de pessoas (ou 4% da população mundial) vivem em áreas que reconhecem o casamento homossexual.

No Brasil
Em 5 de maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal, na ocasião do julgamento da ADIn (Ação Direta de Inconstitucionalidade) nº 4277 e da ADPF (Arguição de descumprimento de preceito fundamental) nº 132 reconheceu, por unanimidade, a união estável entre pessoas do mesmo sexo em todo o território nacional. A decisão da corte maior consagrou uma interpretação mais ampla ao artigo 226, §3º da Constituição Federal (“Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.”), de modo a abranger no conceito de entidade familiar também as uniões entre pessoas do mesmo sexo. O julgamento levou em consideração uma vasta gama de princípios jurídicos consagrados pela Constituição como direitos fundamentais, dentre eles: a igualdade, a a liberdade e a proibição de qualquer forma de discriminação.

O que diz a Ciência
A Associação Americana de Psicologia declarou em 2004:

A instituição do casamento civil confere um estatuto social e importantes benefícios legais, direitos e privilégios. […] Casais do mesmo sexo não têm acesso igual ao casamento civil. […] Casais do mesmo sexo que entram em uma união civil não têm acesso igual a todos os benefícios, direitos e privilégios previstos por lei federal para casais. […] Os benefícios, direitos e privilégios associados a parcerias domésticas não estão universalmente disponíveis, não são iguais aos associados com o casamento e raramente são mantidos. […] A negação do acesso ao casamento a casais do mesmo sexo pode prejudicar principalmente as pessoas que também sofrem discriminação com base em idade, raça, etnia, deficiência, gênero e identidade de gênero, religião e situação socioeconômica […] a APA acredita que é injusto e discriminatório negar aos casais do mesmo sexo o acesso legal ao casamento civil e a todos os seus benefícios, direitos e privilégios conexos.

A Associação Sociológica Americana declarou em 2004:

[…] uma emenda constitucional definindo o casamento como algo entre um homem e uma mulher intencionalmente discrimina gays e lésbicas, assim como seus filhos e outros dependentes, por negar o acesso às proteções, benefícios e responsabilidades prorrogadas automaticamente para casais […] acreditamos que a justificativa oficial para a proposta de emenda constitucional é baseada em preconceitos, em vez de pesquisas empíricas […] a Associação Sociológica Americana se opõe fortemente à proposta de emenda constitucional para definir o casamento como estritamente entre um homem e uma mulher.

A Associação Canadense de Psicologia declarou em 2006:

A literatura (incluindo a literatura que os opositores do casamento de casais do mesmo sexo parecem confiar) indica que o bem-estar “financeiro, psicológico e físico dos pais é reforçado pelo casamento e que isso é benéfico para as crianças que são criadas por dois pais dentro de uma união legalmente reconhecida. Como a ACP declarou em 2003, os fatores estressores encontrados por pais homossexuais e seus filhos são mais prováveis ​​como resultado da forma como a sociedade os trata do que por causa de eventuais irregularidades na aptidão para a parentalidade. A ACP reconhece e valoriza as pessoas e instituições que têm direito às suas opiniões e posições sobre esta questão. No entanto, a ACP está preocupada que alguns desses grupos estejam interpretando mal os resultados da pesquisa psicológica para suportar as suas posições, quando as suas posições são mais precisamente baseadas em outros sistemas de crenças ou valores. A ACP afirma que as crianças só têm a se beneficiar com o bem-estar obtido quando a relação de seus pais é reconhecida e apoiada por instituições da sociedade.

A Associação Americana de Antropologia declarou em 2005:

Os resultados de mais de um século de pesquisas antropológicas sobre famílias e relações de parentesco, através de culturas e ao longo do tempo, não fornecem qualquer apoio para a visão de que tanto a civilização em si ou ​​ordens sociais viáveis dependam que o casamento seja uma instituição exclusivamente heterossexual. Em vez disso, a pesquisa antropológica leva à conclusão de que uma vasta gama de tipos de famílias, incluindo famílias construídas sobre casais do mesmo sexo, podem contribuir para sociedades humanas e estáveis.

O que diz a Religião
Nos últimos anos, as diferentes confissões religiosas têm discutido a aceitação de homossexuais e da homossexualidade, incluindo nesse debate a celebração de casamentos religiosos entre pessoas do mesmo sexo.

Enquanto, na sua maioria, as religiões organizadas se restringem a celebrar casamentos entre pessoas de sexos diferentes, certas igrejas cristãs dos Estados Unidos, do Canadá e da Suécia (e, entre outros países, também do Brasil) abençoam uniões entre parceiras ou parceiros homossexuais. Entre elas, a Metropolitan Community Church e a Associação Unitária Universalista, nos Estados Unidos, a United Church of Canada, no Canadá, e a Igreja da Comunidade Metropolitana, a Igreja Para Todos, a Igreja Cristã Contemporânea e a Comunidade Cristã Nova Esperança, no Brasil.

Posição da Igreja Católica

A Igreja Católica Romana considera o comportamento sexual humano quase sacramental por natureza. Quaisquer ações relativas ao comportamento sexual homogenital são considerados pecaminosos porque atos sexuais, por natureza, são unitivos e procriativos – e assim devem continuar sendo. A Igreja também entende que a complementaridade dos sexos seja parte do plano de Deus para a humanidade. Atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo são incompatíveis com essas crenças:

“Atos homossexuais são contrários à lei natural (…) Eles não vêem de uma complementaridade afetiva e sexual genuína. Não são aprovados sob nenhuma circunstância.”

Esses ensinamentos não são limitados à homossexualidade, mas também são a premissa geral para as proibições Católicas contra, por exemplo, fornicação, todas outras formas de sexo não-natural (sodomia), contracepção, pornografia e masturbação.

A Igreja declarou que desejos ou atrações homossexuais não são necessariamente pecaminosas em si mesmas. Eles são consideradas “inclinações desordenadas” que podem conduzir às tentações, para alguém fazer algo que seria o “ato objetivamente pecaminoso” (isto é, a relação homossexual, enquanto ato sexual). No entanto, as tentações não são consideradas pecados em si até que haja consciência do ato e o pleno consentimento da vontade do indivíduo que se deleita do mesmo, seja este apenas uma fantasia mental ou a própria pratica carnal. Tendo em vista que nem toda pessoa de orientação homossexual pratica a homossexualidade em si, abstendo-se de tais relações e preferindo uma vida de castidade a Igreja Católica, oficialmente cobra respeito e amor à aqueles que sentem atrações por pessoas do mesmo sexo, ao mesmo tempo que se opõe a qualquer tipo de legitimação das uniões homossexuais.

Portanto a Igreja Católica se opõe a perseguição e violência contra os GLBT:

“Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e , se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.”

No dia 31 de agosto de 2005, o papa Bento XVI aprovou um documento eclesiástico segundo o qual, a igreja “não poderá admitir no seminário e nas ordens sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais enraizadas ou apoiam o que se chama a ‘cultura gay'”.

O documento transcreve o catecismo da Igreja Católica no que diz respeito ao tema:

“No que respeita às tendências homossexuais profundamente radicadas, que um certo número de homens e mulheres apresenta, também elas são objetivamente desordenadas e constituem frequentemente, mesmo para tais pessoas, uma provação. Estas devem ser acolhidas com respeito e delicadeza; evitar-se-á, em relação a elas, qualquer marca de discriminação injusta. Essas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que possam encontrar.”

Ponto de Vista Espírita
A homossexualidade, seja “provação”, seja “expiação”, sempre coloca seu portador em situação delicada perante a sociedade, já a partir do lar.
Em casa, de nada adiantarão brigas entre os pais, menos ainda acusações recíprocas. Violência ou ameaças contra os filhos portadores da homossexualidade, geralmente agravarão a convivência, tornando-a insuportável.

O confronto entre os costumes sociais e as exigências da libido já expõe o homossexual a um penoso combate, pelo que precisa ser ajudado. Dificilmente, sem ajuda externa, ele se livrará dos perigosos caminhos do abandono do lar, da promiscuidade, dos tóxicos, da violência e até mesmo do crime.
É no meio familiar que o homossexual deverá encontrar sólidos alicerces preparativos para os embates da vida, contando com o incomparável arrimo da compreensão, principalmente do respeito.
Pela Lei de Justiça divina, esse filho ou essa filha estão no lugar certo, entre as pessoas também certas: sua família.
Os pais, assim evangelizados, jamais condenarão o filho ou a filha, mas também jamais deixarão de orientá-los quanto à necessidade do esforço permanente para manter sob controle os impulsos da homossexualidade.

“Manter sob controle” é entender, prospectivamente, que tal tendência tem raízes no passado, em vida anterior, e que somente a abstenção, agora, livrará seu portador de maiores problemas, já nesta, quanto em vidas futuras…

“Manter sob controle”, ainda, é perseguir a vitória na luta travada entre o “impulso” e a “razão”, ou melhor, entre o corpo, exigente desse prazer e o Espírito, decidido à conquista da normalidade sexual.
Longe de condenar os homossexuais, o Espiritismo sugere-lhes o esforço da sublimação, único meio para livrá-los de tão tormentoso débito. Diz mais a Doutrina dos Espíritos, aos homossexuais:

o exercício continuado da caridade fará com que a tela mental se reeduque, substituindo hábitos infelizes por amor fraternal ao próximo;
se as forças sexuais forem divididas entre estudo, lazer e ações de fraternidade, elas se converterão em aspiração evolutiva espiritual, anulando os impulsos deletérios do desejo;
inquilinos desencarnados serão desde logo despejados do íntimo do reeducando sexual;
encarnados infelizes, pela falta de sintonia, igualmente se afastarão (ou serão afastados, por ação de protetores espirituais, sempre dispostos e prontos a ajudar quem se esforça no domínio das más tendências);
tanto quanto para o descaminho ninguém anda só, para a correção o Céu se abre em bênçãos, permanentemente;
jamais faltarão mãos amigas para acolher “os filhos pródigos” que retornarem à Casa do Pai, depois de terem morado algum tempo em casas afastadas do Bem!

Do Portal Espírita

7955 – Mega Polêmica – O Preço da Carne


Chineses costumam encarar qualquer coisa que se mova como um alimento à sua disposição. Eles consideram o animal um mecanismo, um objeto, cuja dor e sofrimento não nos dizem respeito. Ironicamente, os piores exemplos de maus tratos acontecem na mesma Ásia onde nasceu o budismo – a mais benevolente e avançada religião do mundo no trato com os animais.
Nos tristemente famosos “mercados de vida selvagem” asiáticos há de tudo. Mamíferos, répteis, insetos, batráquios, tudo vai para gaiolas apertadas e lotadas sem água nem comida. Qualquer foto desses mercados é um permanente festival de sangue, urina e fezes. Há mais do que cheiro ruim no ar: existe medo. E vírus de diferentes espécies novas se combinando uns com os outros.
As imagens mais chocantes registram o que esses mercados destinam aos cães. Os mesmos cães que aqui viram membros da família, ajudam cegos ou orientam equipes de salvamento. Lá, cachorros são comida. E não se deixe enganar: esses mercados chineses não existem para “matar a fome do povo”. Chineses pobres comem frango e peixe. Os cães são “iguarias” caras, assim como gatos, escorpiões, cobras, enguias etc.
Os cozinheiros acreditam que a adrenalina no sangue dos cães amacia a carne. Quanto mais sofrimento, mais apetitoso o prato. Em nome dessa carne macia, a palavra de ordem é torturar os cães até a morte. Eu já vi a foto de um pastor alemão sendo enforcado na viga de uma cozinha, sendo puxado pelos pés. Eu já testemunhei um vira-latas com as patas dianteiras amarradas para trás do corpo e desisti de imaginar o tamanho de sua dor. Assisti ao vídeo de um cão magrinho que foi mergulhado em água fervendo, retirado, teve sua pele inteirinha arrancada e ainda olhava a câmera, tremendo junto à panela onde foi cozido em vida.
A pergunta básica é: nós, humanos, temos direito a isso? Quem nos deu esse direito? Temos o direito de jogar uma lagosta viva na água fervente? Temos o direito de comer um peixe fatiado ainda vivo no seu prato num restaurante japonês? Temos o direito de prender bezerros em lugares escuros, imobilizados por toda sua curta vida, por um vitelo? Nosso paladar é tão importante assim na ordem das coisas? Um sabor diferente em nossas bocas justifica tudo?
A questão ultrapassa a esfera da ética e da civilidade. A Sars nasce no chão imundo dos mercados chineses. A doença da vaca louca – permanente ameaça na nossa pátria do churrasco – surgiu quando obrigamos o gado a se canibalizar. O terrível ebola se espalha com cada homem africano que devora nossos primos biológicos, gorilas e chimpanzés. Vírus mutantes saltam do sangue de aves para o dos homens sem defesas naturais. Segundo a revista inglesa The Economist, nada menos que 60% das doenças humanas surgidas nos últimos 20 anos têm origem em outras espécies animais. Tony McMichael, pesquisador da Universidade Nacional de Austrália, é bastante claro: “Vivemos num mundo de micróbios. Precisamos ser um pouco mais espertos no jeito como manejamos o mundo ao nosso redor.”
Mercados chineses e churrascos africanos parecem fenômenos distantes. Mas o brasileiro continua dependendo demais de alimentação animal. Temos uma churrascaria por quarteirão, e numa cidade de 12 milhões de habitantes, como São Paulo, contam-se nos dedos os restaurantes vegetarianos. E ainda temos um lobby querendo ampliar a oferta de animais nas geladeiras: avestruzes, capivaras, jacarés, tudo criado em cativeiro com carimbo do Ibama. A cada nova espécie consumida pelo homem, mais uma mistura de vírus – algumas combinações inofensivas, outras não.
Para tentar controlar essas doenças, cometemos mais brutalidade: enterramos milhões de aves vivas, afogamos gatos selvagens em piscinas de desinfetante. Provocamos o desastre e massacramos as vítimas. Temos um caminho inteligente: racionalizar, humanizar e diminuir cada vez mais o consumo de animais. Ou podemos continuar o banho de sangue. Aí, todos nós pagaremos o preço.
Quando uma borboleta bate as asas na Europa, pode iniciar um furacão no oceano Pacífico. A Sars começou em mercados chineses e chegou ao Canadá. A gripe aviária já se espalhou por diversos países asiáticos e ameaça lugares distantes como o Paquistão e a Itália. Num mundo de vôos diretos, os gritos desesperados de um cachorro chinês podem chegar um dia ao Brasil por meio de alguma nova e tenebrosa sigla.

7755 – Opinião – O que os brasileiros acham dos brasileiros?


(Tá mais pra cinza que pra cor-de-rosa…)

A realidade atropela as ilusões nacionais, a começar pela matriz de todas elas: a de que Deus é brasileiro.
Nesse tribunal em que juiz, promotor, réu e advogado são por definição a mesma pessoa, as condenações predominam. Ao relacionar logo de saída as características essenciais da população, metade dos entrevistados apontou apenas defeitos. As críticas mais freqüentes falam em acomodação, preguiça, apatia política. Políticos, empresários, mulheres, homens, jovens a todos se atribui alguma culpa no cartório. Figuras públicas merecedoras de admiração praticamente inexistem: o país está sem heróis. Percebe-se, de todo modo, diferenças marcantes de julgamento conforme a renda e a região dos entrevistados.
Os mais pobres são quase sempre menos severos. Eles louvam o que consideram ser o esforço, o espírito de solidariedade e o temperamento bem-humorado dos concidadãos. Paulistas, gaúchos e mineiros estão em alta. Cariocas e baianos, em baixa. A vontade de ir embora é uma comichão mais viva do que talvez se pudesse supor. E um resultado em particular vai fundo na crise da auto-estima: a não ser para uma minoria, a afinidade com os estrangeiros radicados no país não aumenta uma vírgula pelo fato de serem eles eventualmente parecidos com os brasileiros.
Um dado assombroso: um em cada dois entrevistados não acha nada de bom nos brasileiros. Outros 11% também embora apontem atenuantes para o que criticam no povo —”injustiçado, sofredor, massacrado pelos baixos salários manobrado pelo governo”. De seu lado, 17% misturam a críticas e elogios e 2,2% enfim manifestam opiniões exclusivamente positivas. Quanto mais jovens os entrevistados, mais freqüentes também as avaliações negativas. Os mais tolerantes são, disparado, os entrevistados de renda até dois salários mínimos. A tendência a juntar reprovações e aplausos aparece sobretudo entre os portadores de diploma universitário e no grupo de renda mais alta (acima de vinte salários).
A principal acusação feita aos brasileiros é a de serem acomodados. Comentários do tipo “aceitam tudo passivamente”, “não lutam pelos seus objetivos”, “são sossegados demais”, deram o tom das respostas, notadamente entre os entrevistados mais severos. Esses juízos vieram acompanhados de uma saraivada de críticas de mesma extração: o brasileiro “é preguiçoso”, “quer tudo de mão beijada”, “não gosta de trabalhar”, “só pensa em se divertir”. Outro importante traço brasileiro seria sua condição de “politicamente alienado”, “inconsciente”, “desinteressado do país”. E ainda: “egoísta”, “individualista “, “oportunista “, “falso”, “mentiroso”, “desonesto”.
Para descobrir a primeira coisa que vem à cabeça quando o assunto é o interesse básico dos brasileiros, pediu-se às pessoas uma resposta de bate-pronto, sem nenhuma elaboração. “O brasileiro se liga mesmo em…”, atiçava o entrevistador. E, em mais de um quarto dos casos, a reação reflexa era “futebol”, antecedendo uma extensa relação de “ligações”, quase todas com o lado ameno da vida— diversão, festas, mulheres, samba, gandaia, carnaval, televisão. Apenas a sete em 100 entrevistados ocorreu dizer “dinheiro”. E não mais de 4% do total imaginam que o brasileiro se liga mesmo em trabalho.
Se existisse um conjunto de características capazes de delimitar a personalidade básica dos brasileiros, quais seriam elas? Para conhecer o pensamento dos entrevistados, a pesquisa apresentou-lhes dezesseis pares de atributos opostos (exemplo: pacato/briguento), passíveis de ser associados a um hipotético modo brasileiro de ser. Os números indicam um claro consenso em relação a nove das dezesseis duplas apresentadas. Assim, segundo a maioria absoluta dos entrevistados, o brasileiro é um sonhador; apenas 9% acham que ele é o contrário disso, um espírito prático. O brasileiro também é impontual e tolerante. E ainda mão-aberta, trabalhador, otimista, sincero, religioso e egoísta. Em linhas gerais, tais resultados são coerentes com as respostas às perguntas iniciais da pesquisa. A exceção fica por conta da atitude do brasileiro diante do trabalho. Na avaliação espontânea, até entre os que só tinham elogios a fazer, menos de 10% disseram que o povo gosta de trabalhar. Aqui na avaliação estimulada, mais da metade preferiu cravar a alternativa “trabalhador” e só um quinto, “vagabundo”. Na fatia de menor renda, as opiniões favoráveis alcançaram três quintos.
Junto com a faixa mais pobre e menos instruída, os mineiros encabeçam a sólida maioria para quem é pura verdade outra ofuscante gema do imaginário nacional: “O brasileiro é vivo, em dificuldade sempre dá um jeitinho”. O contingente que nas perguntas abertas havia fustigado a passividade brasileira voltou à cena ao ser confrontado com a afirmação “O brasileiro não luta pelos seus direitos”, aprovada por maioria absoluta, mais instruídos. Coerentemente, os entrevistados repeliram a noção de que o brasileiro respeita o direito dos outros”. Mas não se trata de questão líquida e certa: afinal, quatro em dez entrevistados afirmaram concordar em parte com a afirmativa. Ainda uma vez, o maior contingente de céticos, em proporção, habita os patamares mais elevados da renda e escolaridade.
E como anda a crença de que “o brasileiro quer sem pre levar vantagem em tudo”? Concordam totalmente com ela perto de três quintos da amostra. Duas afirmações muito aparentadas—”O brasileiro tem bom coração, não agüenta ver alguém sofrer” e “O brasileiro é cordial, não guarda rancor”— nenhuma por maioria absoluta. O velho clichê da cordialidade brasileira já não passa batido em São Paulo, Belém e Porto Alegre. Os mais crédulos, por sua vez, estão no ponto mais baixo da escada de renda/instrução.
De todas as afirmações para as quais se pediu o parecer dos entrevistados, nenhuma certamente tem tão forte carga emocional quanto a que acusa o brasileiro de racismo; o enunciado ofende a patriótica presunção de que o Brasil é uma democracia racial. Pois se é, muita gente ainda não percebeu, passados 103 anos do fim oficial da escravidão no pais. De fato, duas em cinco pessoas disseram concordar integralmente com a frase “o brasileiro é racista”. Outras tantas concordaram em parte. E só um quinto do total discordou.
Na guerra dos sexos, sobram estilhaços para brasileiras e brasileiros. Sessenta e nove por cento dos homens, contra 53% das mulheres, endossam plenamente a suposição de que a mulher brasileira é muito influenciada pelas novelas de TV”. Simetricamente, 61% das mulheres, contra 46% dos homens, aprovam a acusação de que “o homem brasileiro é machista, não trata a mulher como igual”. E não se animem os homens pelo fato de metade da amostra apoiar a afirmação O brasileiro é um bom pai, sacrifica-se pelos filhos”. O apoio tem gosto de elogio em boca própria, pois o entusiasmo do eleitorado feminino pelas virtudes paternas do brasileiro é consideravelmente menor.
Os moços tampouco escaparam da metralhadora giratória. Metade dos entrevistados disse sim à acusação de que “o jovem brasileiro não liga para o país, só pensa em consumir”. E não deu outra: a concordância aumenta rigorosamente com a idade. Em contrapartida, as opiniões se dividem em relação à imagem caricata do velho sabichão. Como seria de esperar. a maioria dos mais idosos rejeitou a noção de que eles “pensam que sabem tudo, não vêem que o mundo mudou”.
Quando querem falar mal dos habitantes de um Estado, os brasileiros costumam recorrer a uma coleção de estereótipos da mesma família daqueles que servem para rotular a população em geral. Um deles é o que despeja sobre os cariocas a acusação de serem “metidos a malandros”. Pois seis em dez entrevistados na média geral subscreveram por completo esse depreciativo. Não se trata de uma conspiração anticarioca: mesmo no Rio de Janeiro, é a opinião da maioria. Um lugar-comum certamente mais insultuoso —”Os nortistas são violentos” — também mereceu aprovação do conjunto. Em Belém e Salvador, no entanto, as opiniões se dividiram.
Muitos gaúchos se abstiveram de julgar a suposta propensão dos nortistas à violência. Reciprocamente, uma ponderável parcela de entrevistados em Belém preferiu ficar no muro diante da afirmativa “Os gaúchos gostam de contar vantagem”, aceita ao pé da letra por mais de um terço na própria Porto Alegre e pela metade dos paulistas. Em São Paulo, porém, apenas uma em cada quatro pessoas topou vestir a carapuça com a inscrição “Os paulistas são arrogantes”. Infelizmente para eles, em todas as outras capitais a maioria se declarou convencida de que essa característica não é um mito, mas um fato.
Quem ganhou o título de brasileiro ideal, com folgada vantagem, foram os paulistas. Expurgados os seus próprios votos, o placar favorável a eles fica em 25% — ainda assim um desempenho inigualável. Afinal, dois quintos dos baianos e dos mineiros e mais de um terço dos cariocas admiram os paulistas sobre todos os brasileiros. Depois dos gaúchos e dos paulistas, os mineiros são os que mais parecem estar apaziguados com a sua condição: para quase a metade dos entrevistados em Belo Horizonte, o Brasil seria melhor se tivesse a cara de Minas.
Há muito tempo, quando o Rio de Janeiro era capital do país e cidade maravilhosa, e Copacabana a princesinha do mar, não seria de espantar se a maioria dos brasileiros desejasse que todos fossem iguais aos cariocas. Atualmente, só 4% pensam, assim (e só 17% dos próprios interessados). E mais fácil achar em Belém (ou mesmo em Salvador) quem gostaria que os brasileiros fossem como os paraenses (ou os baianos).
O Rio está com um problema e tanto: mais de um terço do conjunto de entrevistados e 15% dos próprios cariocas apostam que o país ficaria pior se todos os brasileiros fossem iguais aos cariocas. Esse resultado deixa com o Rio o indesejável primeiro lugar nessa perversa competição. Os vice-campeões de impopularidade são os baianos, em parte graças a eles mesmos: para uma em cada três pessoas de Salvador, nada pior que um Brasil com feições baianas. Os ganchos estão consagrados: não apenas a sua auto-rejeição é insignificante, como também é irrisória a parcela dos outros brasileiros que consideram que o pais pioraria se todos se assemelhassem aos rio-grandenses.
Os Estados Unidos são o país preferido por 37% dos que sonham com um bilhete só de ida, e por dois terços na população mais pobre. Já a Itália é a pátria adotiva de um em cada quatro entrevistados na faixa de vinte salários para cima. Seguem-se Japão, Alemanha, França, Canadá e Portugal. Variações regionais existem: em Belém, três vezes mais entrevistados do que no resto do país gostariam de se mudar para o Japão; em Salvador, 14% optaram pela Alemanha. A idade influi também: a preferência das pessoas de 50 anos em diante por Portugal é o triplo da média.
Duas em cada cinco pessoas que acolheriam com festas um visto de permanência em língua estrangeira nos seus passaportes são movidas por uma ambição elementar: ganhar mais. Isso é especialmente verdade quando o país objeto do desejo são os Estados Unidos. Entre os brasileiros que gostariam de fazer a América, o fator remuneração foi invocado por quase dois terços dos entrevistados de menor renda.
O que faz um brasileiro gostar de alemães, portugueses e japoneses é principalmente sua (deles) dedicação ao trabalho. Tem lógica: esse atributo revelou-se um critério decisivo para os entrevistados criticarem ou elogiarem seus semelhantes. No caso da simpatia pelos italianos, o que conta, porém, é o temperamento, valorizado sobretudo pelos paulistas. Contabilizadas todas as razões de simpatia, seja qual for a nacionalidade a que se apliquem emerge de novo em primeiro lugar o apego ao trabalho. A alegria e o temperamento extrovertido são o segundo fator de atração, com quase o dobro dos votos concedidos ao espírito solidário e à boa educação. Só a 9% do total ocorreu falar em “povo parecido com o nosso” para elogiar alguma colônia estrangeira derradeiro indício de que, para o brasileiro, o brasileiro não está mais com aquela bola toda.

Conclusões
Do ponto de vista psicológico, a formação da identidade nacional de uma pessoa segue as mesmas regras de formação de qualquer outra de suas possíveis identidades. Em poucas palavras. identidade é a imagem que cada um tem de si. Essa imagem é construída na relação com os outros, por meio do aprendizado e da interiorização de como se pode ou se deve desejar, sentir, pensar, falar ou agir em tais ou quais circunstâncias. Nossa identidade de adulto, por exemplo, exige que nos comportemos de maneira x em tais situações; nossa identidade profissional, de maneira y; nossa identidade religiosa de maneira z e assim por diante.
O aprendizado dessas regras é longo e se baseia em dois requesitos. O primeiro é a existência de uma tradição que transmita, de modo estável, os modelos de identidade que caracterizam dada cultura. Esta tradição diz quais são os padrões ideais de conduta que devemos desejar e aos quais devemos obedecer. Ou seja, a tradição é o patrimônio de valores que mostra como as coisas devem ser, premiando as condutas que se aproximam dos ideais e punindo aquelas que deles se afastam. O segundo requisito é a coerência do mundo de valores que forma a tradição.
Uma cultura, para sobreviver, não pode propor ideais de comportamento contraditórios entre si, nem ideais incompatíveis com a vida real das pessoas. Não pode, por exemplo, dizer a um adulto que ser bom pai é ao mesmo tempo amar e odiar os filhos, nem tampouco impor um modelo de realização da função paterna, inconciliável com as condições reais de exercício da paternidade. Nesta hipótese, desorientado psicologicamente, o indivíduo não mais saberia o que é ser bom pai ou não mais poderia ser bom pai, mesmo conhecendo as regras da paternidade ideal. Ou porque qualquer conduta poderia se enquadrar no modelo (primeiro caso); ou porque nenhuma conduta seria adequada (segundo caso).Na atual crise brasileira de valores e perspectivas, ocorre algo semelhante à desorientação mencionada no exemplo acima, no que diz respeito à identidade nacional.
Nossa tradição cultural, por diversas razões criou um ideal de cidadania política sem vínculos com a efetiva vida social dos brasileiros. Na teoria aprendemos que devemos ser cidadãos; na prática, que não é possível, nem desejável, comportarmo-nos como cidadãos. A face política do modelo de identidade nacional é permanentemente corroída pelo desrespeito aos nossos ideais de conduta.
A imagem que temos de nossa identidade nacional é uma espécie de profecia que se auto-realiza. Quanto mais desmoralizamos nossa identidade, mais nos convencemos de que somos cidadãos inviáveis e mais contribuímos para convencer os outros de que nada podemos fazer para mudar o status quo. E isso que o banditismo deseja. No momento, talvez pareça mais fácil descrer e desistir do que lutar por nossos direitos. No entanto, se refletirmos um pouco melhor, veremos que o impossível é apenas o inimaginável. A médio ou curto prazo, quem sabe, com um pouco mais de esforço e tenacidade, poderemos respirar aliviados e dizer: Barbárie, nunca mais. Afinal, como disse a pensadora alemã Hanna Arendt, “os homens, embora devam morrer, não nascem para morrer, mas para começar”.

7363 – Sociologia – Miséria e Violência nas Grandes Cidades


Um cientista político da USP defendeu a legalização do Jogo do Bicho, regulamentação e legalização do uso das drogas e cobrança de altos impostos para tais atividades. Sua tese é a de que a população das favelas é criminalizada pela Imprensa e que há convívio de setores da população do morro com traficantes por medo e auxílio que estes lhes dão, na ausência do poder público. Haveria também boas relações entre os traficantes e setores da classe média alta, que são seus mercados de consumo. Em São Paulo ainda chega por ano um grande número de imigrantes, coisa que já não acontece no RJ há décadas. Em ambas as cidades, a classe média alta vem se enclausurando em condomínios e shoppings.
Em pleno século XXI, grande parcela da população mundial padece com velhos inimigos, a desigualdade social e a pobreza. Estes problemas são os responsáveis por levar um grande contingente de pessoas na maioria jovens ao roubo, as drogas e ao crime organizado, estas ações, em muitos casos são alternativas para que estas pessoas tenham condições de sobreviver e serem aceitas no meio em que vivem. Este contingente marginalizado pela sociedade por não desfrutar de um bom nível de instrução e possuir um potencial econômico incapaz de subsidiar suas necessidades básicas estão à deriva e expostos a ação das facções que corrompem os cidadãos. Cabe aos governantes, instituir em seus programas de governo, uma política séria, honesta e transparente de inclusão social aos desfavorecidos, com a finalidade de combater o analfabetismo, a informalidade, a fome e o desemprego. Estas medidas devem ser uma forma de auxiliar na formação destas pessoas, prepará-las para ter as mesmas chances na busca por um emprego ou por um curso de profissionalização que é acessível a um cidadão que possui uma boa condição financeira. As grandes nações que possuem um alto potencial econômico-financeiro devem olhar com bons olhos essas causas, e dar as suas contribuições às nações mais necessitadas, quer seja de forma financeira, na abertura de seus mercados para os países subdesenvolvidos, ou de diálogo, minimizando conflitos que existem por questões raciais.

7302 – Futebol & Polêmica – Deus não é parcial


☻ Mega, o Blog que não fica em cima do muro…
Na luta brasileira pela então conquista do tetra (ano de 1994), surgiram todos os tipos de manifestações, inclusive religiosas. Um famoso jogador do Brasil afirmou:”Tenho certeza que Deus será brasileiro nessa copa”. Já o Cardeal Dom Lucas disse: “compreendo que a conquista da Copa tenha um valor pessoal, familiar ou social, que signifique a ressurreição da auto-estima e da auto-confiança, consolo no meio de muitas dores e até purificação, para um país desolado”.
Vale lembrar que Deus não ajudou o Brasil a trazer o tetra. Ele não é parcial e tão pouco está ou esteve preocupado com Futebol.

7248 – Jornal Notícias Populares


NP jornal mentiroso

Popularmente conhecido como o jornal que “você torce, sai sangue”. Muito sensacionalista, misturava mentiras com algumas verdades para confundir os leitores.
Foi um jornal que circulou em São Paulo entre 15 de outubro de 1963 e 20 de janeiro de 2001e era conhecido por suas manchetes violentas e sexuais. É considerado até hoje “sinônimo de crime, sexo e violência. Seu slogan era “Nada mais que a verdade”. O jornal era publicado pelo Grupo Folha, mesma empresa que publica os jornais Folha de S. Paulo e Agora São Paulo e publicava o jornal Folha da Tarde.
A decisão de extinguir o jornal foi tomada com o sucesso de programas de televisão como Aqui Agora, que usavam o mesmo estilo do jornal e reduziram o interesse do público pelo mesmo, e o Grupo Folha decidiu concentrar seu jornalismo popular no Agora São Paulo.
O jornal Notícias Populares atraiu muitos desafetos dentro do meio jornalístico, que acusavam o veículo de exagerar nos noticiários e até inventar notícias.

Bebê Diabo
Uma das mais famosas polêmicas em que o Notícias Populares esteve envolvido foi a série de reportagens sobre o “Bebê Diabo”. Na ocasião, jornalistas do NP aproveitaram-se da notícia de que um bebê havia nascido com deformações para inventar uma série de reportagens que iam se desenrolando ao decorrer das edições. Para os leitores os fatos inventados pela redação do periódico eram apresentados como se fossem verídicos.

NP2

Outra polêmica famosa foi quando o NP noticiou o desaparecimento do cantor Roberto Carlos, em 1968. O jornal havia recebido a informação de que um repórter da Rede Record não conseguia entrar em contato com o cantor, que estava em Nova York, fato que a redação do NP usou como pretexto para lançar, em letras garrafais, a manchete “Desapareceu Roberto Carlos”. A manchete fez o jornal vender cerca de 20 mil exemplares a mais.No dia seguinte, o NP voltou a aproveitar-se do mesmo tema ao lançar a manchete “Acharam Roberto Carlos”.

Pelezão
História do indigente que virou “ídolo das madames” após ter sido “violentado” pela “psicóloga tarada de Perdizes”, na madrugada de 28 de agosto de 1984. O caso Pelezão rendeu tantas manchetes quantas teve o “Bebê-Diabo”, que, na metade da década de 1970, mexeu com os nervos e a imaginação dos leitores, seguindo o rastro do filme O Exorcista.

pelezao

Manchetes distorcidas

Uma das principais características do estilo NP era distorcer fatos de forma a criar manchetes polêmicas que atraíssem a atenção dos leitores. Algumas das polêmicas manchetes que o jornal publicou foram:
“Bicha põe rosquinha no seguro”
“Aumento de merda na poupança”
“Broxa torra o pênis na tomada”
“A morte não usa calcinha”
“Churrasco de vagina no rodízio do sexo”
“Traficantes derrubam avião no Jd. Ângela” (o avião no caso, é uma gíria para os garotos que repassam a droga entre o consumidor e o traficante)
Sucuri virou churrasco

6963 – Mega Polêmica – A Responsabilidade dos Cientistas


Um julgamento iniciado em setembro na Itália vem gerando repúdio da comunidade científica mundial. Seis cientistas e um funcionário público são acusados de negligência ao avaliar os riscos de um terremoto que deixou 309 mortos e 1500 feridos na cidade de L’aquila, em 2009. Os 7 acusados integravam um conselho consultivo do governo e estão sendo processados por homicídio culposo. Segundo a promotoria, eles poderiam ter emitido um alerta adequado que salvaria muitas das vítimas.
Não acho que os cientistas cometeram um crime, então não deveriam ir para a cadeia. Mas acredito que eles atuaram de forma irresponsável ao não alertar a população sobre os riscos do terremoto. Assim, eles deveriam ser repreendidos por meio de ações de acordo com a lei italiana. Cientistas a serviço do governo que agem de maneira irresponsável devem pagar de alguma forma por seus erros – tal como acontece com um policial, por exemplo.
O texto, com mais de 5 mil membros da comunidade científica, afirma que eles estão sendo julgados por não preverem um terremoto – sendo que antecipar um evento assim é tecnicamente impossível. Ora, esse não é o ponto. Não se pode mesmo prever um terremoto. O problema foi a mensagem que os cientistas mandaram ao público. Nas semanas anteriores à tragédia, uma sequência de pequenos tremores atingiu a região.
A população ficou nervosa, e muita gente decidiu dormir fora de casa. É o que costuma fazer quem mora em áreas de risco quando a terra começa a tremer. Os moradores receberam ainda a informação de um técnico (que não fazia parte do conselho do governo) de que o solo da região emitia altos níveis do gás radônio – o que pode ser indício de um grande tremor. Assim, quando as pessoas perguntaram ao governo o que estava acontecendo, o porta-voz do conselho de cientistas (o 7º acusado) disse que a situação sísmica era “normal” e que o panorama era até favorável.
Não podemos dizer que um terremoto vai ocorrer, mas tampouco podemos dizer que ele não vai ocorrer. A mensagem correta seria: “A informação que temos é incompleta. Talvez haja um terremoto, talvez não. Você pode dormir fora de casa se quiser. Se for ficar dentro, lembre-se: ao sentir vibrações, proteja-se debaixo de algo como uma cama, mesa ou o batente de uma porta. Armazene água e comida; provavelmente vai faltar eletricidade”. Medidas assim salvam vidas. Crianças japonesas as aprendem desde os 3 anos. Mas nada disso foi dito.

Um sismólogo brasileiro para o ☻ Mega

6865 – Trânsito Maluco


“Cuidado, bêbados na pista.” Parece piada, mas essa placa de “transito” existe. Pena que nem sempre o trânsito brasileiro permita brincadeiras tão espirituosa quanto a do psicólogo Juvenal Silva Souza, que fixou o precioso aviso em frente ao seu bar para prevenir os motoristas de que pedestres com elevado teor alcoólico atravessam aquele trecho da pista paralela à praia de Itapuã, em Salvador.

Diariamente, milhões de pacatos cidadãos ligam o motor do automóvel e saem de casa rumo a estatísticas de péssimo humor. São todos candidatos potenciais à lista de 27 000 vítimas fatais por ano em acidentes que recheou em 1989 os computadores do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em Brasília. Ou 50 000, segundo alguns especialistas, já que os dados do governo incluem apenas as mortes no local do acidente. O que significa um número de vítimas superior ao americano, onde a quantidade de carros é simplesmente nove vezes maior.Proporcionalmente aos veículos em circulação, no Brasil, em 1989, morreram oito vezes mais pessoas do que na França, dez vezes mais do que nos Estados Unidos e doze mais do que no Japão. Contravenções para alimentar essa realidade não faltam.
Alta velocidade, manobras proibidas, avanço de sinais vermelhos desrespeito aos pedestres, estacionamento em locais proibidos, fila dupla, todas apontando para um único culpado culpado: o brasileiro, um motorista que insiste em fazer do seu país o mais violento do mundo sobre rodas, onde 72% dos acidentes ocorrem por falha humana.
O fato é que hoje não só cada brasileiro interpreta a lei a seu bel-prazer: a grande maioria coloca as mãos no volante sabendo muito pouco das normas de sinalização e menos ainda sobre noções de segurança que dizem respeito à bebida ou à conservação do veículo.Uma pesquisa realizada por uma psicóloga do campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, ilustra bem a situação. Ela submeteu 650 motoristas profissionais daquela região do interior paulista a um teste para verificar se conheciam o significado das placas de sinalização. O resultado foi surpreendente. Placas como “Proibido virar à esquerda” não querem dizer nada para 40% dos pesquisados. Apenas metade dos entrevistados reconheceu a que obriga veículos lentos a ficar na pista da direita. Cerca de 20% não tem a menor idéia do significado da placa “80 km/h” E o maior dos absurdos: quinze em cada cem motoristas entram despreocupadamente em cruzamentos perigosos por não saber como agir diante da placa “Pare”.A situação é surrealista, mas pode ser explicada pelos próprios exames teóricos para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, que pedem apenas o nome da placa e se esquecem de perguntar o que ela significa. Ou seja, habilitar-se é uma simples questão de decoreba: ninguém se preocupa em entender muito bem o que fazer diante delas.