13.809 – Pesquisador quer construir muralha para impedir degelo da Antártida


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Conforme o aquecimento global se agrava, os pesquisadores começam a elaborar soluções cada vez mais drásticas para reduzir os impactos das mudanças climáticas na humanidade.
Michael Wolovick, pesquisador do departamento de geociências da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, tem novos planos que, segundo ele, são “plausíveis dentro das realizações humanas”.
Conforme publicou no Cryosphere, ele quer construir uma muralha nos arredores das geleiras para impedir que o gelo vire água e, assim, impeça o aumento do nível do mar. “Estamos imaginando estruturas muito simples, simplesmente pilhas de cascalho ou areia no fundo do oceano”, disse Wolovick ao The Guardian.
A função dessa barreira seria dupla. A primeira e mais óbvia é deter o deslizamento das geleiras submarina à medida que elas se desintegram nas profundezas. Mas elas também podem impedir que as águas mais quentes atinjam as bases das geleiras sob o mar, o que limitaria o degelo.
Wolovick e seus colegas pesquisadores usaram modelos de computador para verificar os prováveis ​​impactos das estruturas que eles acreditam serem necessárias, tomando como ponto de partida a geleira Thwaites na Antártida, com aproximadamente 100 km de extensão, sendo uma das maiores geleiras do mundo.
A criação de uma estrutura de colunas isoladas ou montes no fundo do mar, cada um com cerca de 300 metros de altura, exigiria entre 0,1 e 1,5 km cúbicos de material agregado. Isso tornaria tal projeto semelhante à quantidade de material escavado para formar as Palm Islands de Dubai, que levaram 0,3 quilômetros cúbicos de areia e rocha, ou o canal de Suez, que exigiu a escavação de aproximadamente um quilômetro cúbico.
Tudo isso para garantir uma probabilidade de 30% de impedir o colapso descontrolado da camada de gelo no oeste antártico, conforme sugerem os modelos. Projetos com design mais complexo chegam a 70% de chance de bloquear que metade da água quente alcance a parede de gelo, mas seriam muito mais difíceis de realizar em condições adversas como do polo sul.
As geleiras derretendo sob temperaturas crescentes nos pólos têm o potencial de descarregar grandes quantidades de água doce nos oceanos, fazendo com que o nível do mar suba mais rápido do que nos últimos milênios.
Somente a geleira de Thwaites, uma corrente de gelo do tamanho da Grã-Bretanha e provavelmente a maior fonte isolada de futuros aumentos do nível do mar, poderia provocar o derretimento de água suficiente para elevar o nível do mar global em três metros.
Os autores esperam que, ao criar seus modelos experimentais, possam fomentar pesquisas futuras sobre a engenharia necessária para realizar esses projetos, que levariam muitos anos ou décadas para construídos.
O próprio pesquisador afirma que esse tipo de projeto serve mais como um remendo, que como solução. “Quanto mais carbono emitimos, menor a probabilidade de que as camadas de gelo sobrevivam a longo prazo”, disse ele.

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13.804 – Nasa lança satélite para medir mudanças no gelo da Terra


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Um satélite da Nasa projetado para medir com precisão as placas de gelo, geleiras, bancos de gelo marinho e vegetação foi lançado neste sábado, da Califórnia, nos Estados Unidos. Um foguete transportando o ICESat-2 decolou da Base Aérea de Vandenberg em direção à órbita polar.
O diretor da Nasa na Divisão de Ciências da Terra, Michael Freilich, disse que a missão vai avançar no conhecimento, principalmente, de como as camadas de gelo da Groenlândia e Antártida contribuem para o aumento do nível do mar.
O ICESat-2 carrega um único instrumento, um altímetro a laser que mede a altura determinando quanto tempo fótons levam para viajar da espaçonave para a Terra e voltar. A missão sucede a original ICESat, que funcionou de 2003 a 2009. As medições continuaram desde então com instrumentos aerotransportados na Operação IceBridge.

12.504 – Derretimento de geleira na Antártida pode elevar oceanos em até 2 metros


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A geleira Totten, que derrete rapidamente no lado leste da Antártida, poderá elevar os oceanos em até dois metros e é possível que ultrapasse, em breve, um “ponto crítico” sem retorno, alertaram pesquisadores .
Até agora, os cientistas se preocupavam, principalmente, com as plataformas de gelo da Groenlândia e do oeste da Antártida como perigosos gatilhos da elevação do nível dos oceanos.
Esse novo estudo, que se segue a outro já feito pela mesma equipe, identificou uma terceira grande ameaça a centenas de milhões de pessoas que vivem em áreas costeiras ao redor do mundo.
“Eu prevejo que, antes do final do século, as grandes cidades globais do nosso planeta perto do mar terão proteção contra o mar de 2 a 3 metros de altura a seu redor”, afirmou o codiretor do Grantham Institute e do Departamento de Engenharia e Ciências da Terra na Imperial College London, Martin Siegert, autor sênior do estudo.
No último ano, Siegert e seus colegas revelaram que uma parte da geleira Totten está sendo erodida pela aquecida água do mar, que chega ao local após percorrer centenas de quilômetros.
Publicado na “Nature”, esse novo estudo usou dados de satélite para mapear contornos geológicos escondidos da região. Os especialistas encontraram evidências de que a Totten também derreteu em um outro período de aquecimento global natural há alguns milhões de anos –um possível teste para o que está acontecendo hoje.
“No Plioceno, as temperaturas eram 2ºC mais altas do que são agora, e os níveis de CO2 na atmosfera eram de 400 ppm (partes por milhão)”, lembrou Siegert. Nesse período, os níveis do mar atingiram picos de mais de 20 metros de elevação, em relação aos dias atuais.
“Estamos em 400 ppm agora e, se não fizermos nada sobre a mudança climática, também vamos ter um aquecimento de mais 2ºC também”, acrescentou. “Essas são questões que temos de resolver na nossa sociedade hoje”, declarou Siegert por telefone, insistindo em que “elas são urgentes agora”.

12.352 – Como Surge um Iceberg?


IcebergTotal
Iceberg,apenas uma fração está na superfície

Eles são criados pelas geleiras que escorregam no interior do continente antártico.
A água evapora dos mares e se acumula na forma de nuvens carregadas de cristais de gelo, no inverno esses cristais caem na forma de flocos de neve e cobrem a superfície do continente.
A neve endurece e forma placas que escorregam para o mar, cobrindo o litoral. Tais placas se acumulam e no calor derretem, são partidas pelas ondas e seus pedaços flutuam soltos no mar.
Assim nascem os icebergs, que podem levar anos para derreter virando água que evapora e o ciclo recomeça.
Do iceberg aproximadamente um décimo de seu volume total fica visível, deste modo, estas gélidas massas são um perigo para a navegação, visto que podem alcançar grandes dimensões. Exemplo disto é o que aconteceu ao famoso transatlântico Titanic, que afundou no dia 14 de abril de 1912.
O iceberg não procede da água marinha porque o gelo que se forma na superfície do Oceano Ártico, por exemplo, nunca chega a ter uma grande espessura, já que a pressão que a água recebe a vários metros de profundidade é suficientemente grande para impedir que ela congele. O gelo é menos denso do que a água, por isso flutua e, também por este motivo, o gelo não pode formar-se a certa profundidade.

10.924 – Biologia – Porque alguns organismos congelam mas não morrem?


raposa do ártico

Dentre as mais variadas espécies que possuem esta grandiosa adaptação, estão inclusos os insetos e diversos outros invertebrados terrestres, bem como ainda várias espécies de serpentes e também algumas espécies de anfíbios anuros.
Mas, como é possível um organismo congelar e não morrer? Ou melhor, quais mecanismos possibilitam o congelamento e posterior descongelamento, sem que o mesmo morra?
Em temperaturas muito elevadas os organismos podem rapidamente morrer. Isso ocorre porque, com o aumento da temperatura corporal, o animal não consegue transpirar ou perder o calor absorvido de forma eficiente, acumulando calor em seu corpo, fazendo com que as suas proteínas e as diversas ligações entre elas se rompam, o que posteriormente leva à morte do organismo. Nesse caso, cabe ressaltar que cada organismo possui uma tolerância específica a determinadas temperaturas e apresentam variações nessas tolerâncias. O que é considerado “extremo” para uma espécie, pode não ser para outra. O polo norte é um ambiente extremo para uma pomba, mas não o é para um pinguim. Devemos ter muito cuidado com estas palavras emotivas, pois na ecologia, nada é generalizado.
Nesse caso, os organismos que evoluíram nesses ambientes, apresentaram uma série de modificações ao longo dos processos evolutivos, onde, por meio da seleção natural, várias características específicas foram selecionadas, permitindo então a sobrevivência dos mesmos. Alguns organismos apresentaram adaptações capazes de proporcionar a retenção de calor corporal, evitando assim a morte. Podemos por exemplo citar o caso das espécies de mamíferos como os ursos polares e raposas-do-ártico, com suas pelagens espessas que evitam a perda de calor, ou ainda, os pinguins, que acumulam grande quantidade de gordura, que também auxiliam na retenção do calor corpóreo.
Outros grupos de organismos que ocorrem nas áreas frias do planeta não apresentam este tipo de adaptação, pelo contrário, eles simplesmente congelam (ou podem sobreviver ao resfriamento)! Porém, ainda assim, existe um fenômeno muito comum que afeta diversas outras espécies, o chamado dano por resfriamento. Este fenômeno basicamente relata que em temperaturas pouco acima de 0º C algumas espécies podem ser forçadas a extensos períodos de inatividade e as membranas celulares das espécies mais sensíveis podem se romper.
Já as espécies que congelam, elas geralmente passam por um processo muito crítico, pois o gelo pode facilmente matá-las, rompendo suas células. De acordo com a diminuição da temperatura, os poiquilotérmicos (organismos que dependem da fonte de calor externa para realizar suas atividades), como os anfíbios anuros, insetos, etc, iniciam o processo de congelamento. Neste caso, se eles não sofrerem distúrbios, a água pode facilmente alcançar temperatura de até 40º C negativos, sem formar gelo no interior das células. Pois, na verdade eles não congelam completamente, apenas algumas partes de seus corpos, principalmente as regiões mais espessas e exteriores, como a pele, cascas, estruturas modificadas, etc. Muitas espécies se enterram em meio à neve e até são removidas dela cobertas por camadas de gelo, como se realmente estivessem congeladas completamente, mas não estão de fato: seus órgãos e o sangue não congelam.
As espécies de animais não congelam por conta de diversos diversos compostos constituídos de glicose (basicamente), que se encontram na corrente sanguínea dos mesmos. O composto mais comum e que evita o congelamento é o glicerol.
A espécie Bracon cephi, parasita de uma mosca do trigo canadense, foi estudada e pode-se observar o mesmo efeito do glicerol, evitando o congelamento dos indivíduos amostrados. As larvas do parasita podem sobreviver a uma prolongada exposição a temperaturas de até -40 º C. O uso de glicerol como “anticongelativo” pelos insetos é o precursor do uso de compostos similares pelo homem, para proteger os fluidos dos automóveis contra o congelamento no inverno.
Além de diminuir o ponto de congelamento dos fluídos corporais, o glicerol ajuda ainda a proteger os tecidos contra os efeitos lesivos do congelamento, caso este realmente ocorra. O glicerol possibilita a sobrevivência de diferentes espécies nestes ambientes pois ele é viscoso e isso tende a diminuir a taxa de formação de cristais de gelo, o que dificulta o congelamento.

10.792 – Pediram água? Ela vai vir – Um vento preocupante sopra na Antártica


Antártida derretimento
Antártida derretimento

Pesquisas já haviam sugerido que a expansão do gelo do mar da Antártica anuncia mudanças, acelerando o derretimento de sua cobertura de gelo e armazenando calor por baixo de uma camada de água fria de superfície – o que irá piorar as enchentes em todo o mundo.
A impressionante extensão de banquisas sobre os mares que cercam a região foi causada por água doce fluindo das geleiras. Este derretimento está formando camadas de água incomumente fria e relativamente sem sal. E pode redesenhar a influente Circulação de Revolvimento do Atlântico Meridional, que carrega água entre as regiões tropicais e polares, desde o Ártico à Antártica, com consequências para todo o planeta.
Um estudo recente mostra a atuação de outro fator preocupante: novos ventos estão soprando sobre o Polo Sul, já uma área de forte ventania. Isto ameaça aumentar ainda mais a taxa de derretimento e intensificar as enchentes.
Os ventos, lendários, estão em uma direção mais orientada para o polo desde os anos 1950. São esparsas as observações de temperatura no continente hostil, mas cientistas modelaram os efeitos do oceano sobre esta mudança, que vem sendo causada pelo afinamento da camada de ozônio e e o aumento dos gases de efeito estufa. E ficaram impressionados pelo perigoso feedback da mudança do clima que descobriram.
Segundo eles, a alteração nos ventos “produz um aquecimento intenso” logo abaixo da superfície do oceano. Ela está trazendo correntes quentes de águas mais profundas para uma zona onde a camada de gelo da Antártica é mais vulnerável e desmorona a partir de sua parte baixa – os locais onde torres de gelo estão sobre solos submersos.
“Estamos identificando um mecanismo muito simples,” disse ontem Stephen Griffies, cientista da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA, que contribuiu com o trabalhado publicado na Geophysical Research Letters.
As maiores reservas de água do gelo sobre o mar ficam na Antártica, e entender a taxa na qual o gelo fluirá para o mar pode ajudar pesquisadores a refinar suas previsões sobre a elevação de seu nível. Projeções atuais indicam que 2.6% da população mundial estaria vivendo em áreas regularmente inundadas até o final do século. E se a Antártica for menos estável do que se espera, a catástrofe pode ser ainda pior do que o previsto, diz a Climate Central.

10.710 – O Paraíso é Aqui – Taylor Glacier Blood Falls, as cataratas de sangue


ctaratas

É verdade que a Antárctica não é geralmente o primeiro lugar que vem à nossa mente quando o assunto é “lugares paradisíacos que eu gostaria de conhecer”. Mas as paisagens de lá podem ser lindas a ponto de nos surpreender. Um exemplo marcante dessa singularidade pode ser encontrado no Taylor Glacier, que praticamente expele um fluxo contínuo de água hipersalina rica em ferro para a neve que está ao redor. A geleira foi descoberta em 1911 por um explorador chamado Thomas Griffith Taylor, que supôs que o tom avermelhado era causado por uma forma desconhecida de bactérias.
Pouco tempo depois, os cientistas encontraram a verdadeira razão para a água ser vermelha daquele jeito: uma antiga piscina subterrânea de água salgada, cor de sangue, cerca de 400 metros abaixo da superfície do gelo.
Cerca de cinco milhões de anos atrás, o nível de água ao redor da Antárctica subiu o suficiente para deixar um lago de água salgada na terra previamente seca. Quando o mar recuou, então, ele ficou encalhado no lago, que foi, em seguida, lentamente coberto por uma série de geleiras. Sem oxigênio, o lago ficou quase no mesmo estado exato de quando foi coberto, e tornou-se uma cápsula do tempo com cinco milhões de anos de idade.
Sendo assim, existem micróbios lá embaixo que permaneceram inalterados desde então, e eles os são responsáveis ​​por quebrar depósitos de ferro na água salgada. Uma vez que a água rica em ferro se aperta para passar através de uma fissura e ir para a superfície, entra em contato com o oxigênio pela primeira vez, e o hidróxido de ferro reage instantaneamente, deixando as águas da cachoeira com aspecto de ferrugem e merecendo o apelido de “Cataratas de Sangue”.

10.597 – Planeta Terra – Gelo Cinza na Groelândia


gelo cinza

Na teoria, as geleiras são brancas. Mas não é isso que está acontecendo com os grandes blocos congelados da Groenlândia. Conhecido como “Neve Negra”, o fenômeno se encontra em seu pior momento e a sua consequência pode ser devastadora.
Assim como uma camiseta preta assimila mais calor, o mesmo acontece com a geleira. O problema, no entanto, é que isso significa um processo de derretimento maior. Em busca de uma resposta para tal fato, Jason Box, professor da Geological Survey of Denmark and Greenland foi até lá estudar a região.
Sua justificativa do fenômeno é um combinado de fatores: tempestades de verão, ventos de areia, atividade de micróbios e fuligem de incêndios florestais. Outra resposta é que isso é mais uma consequência desconhecida do aquecimento global. O pesquisador usou de exemplo os buracos da Sibéria e as bolhas de metano para reforçar sua segunda probabilidade.
2014 também foi o ano de maior número de incêndios florestais dos últimos no Ártico. O geólogo calculou que isso vem acontecendo duas vezes mais do que na última década. Somente no Canadá, mais de 3.3 milhões de hectares pegaram fogo este ano. Para Box, isso “está indo para as geleiras da Groenlândia”.
Segundo o cientista da Nasa Douglas Morton, isso é um grande problema: “Ter tantos casos de incêndios assim é um grande evento na vida do nosso planeta”. O desafio de Jason Box, no entanto, é descobrir o que é poeira das queimadas e o que é oriundo de fábricas.

10.182 – Planeta Terra – Derretimento de geleiras na Antártida é Irreversível


Placas de gelo
Placas de gelo

O derretimento das geleiras da Antártida Ocidental está avançando de forma gradual e “irrefreável”, afirmaram dois novos estudos científicos. De acordo com os levantamentos, o derretimento que já começou não deve ter efeitos imediatos nos oceanos, mas poderá adicionar até 3,6 metros ao nível do mar nos próximos séculos, um ritmo de elevação mais rápido do que o previsto anteriormente.
Os resultados dos estudos foram divulgados em uma entrevista coletiva convocada pela Nasa nesta segunda-feira. Os pesquisadores afirmaram que é provável que o derretimento ocorra por causa do aquecimento global provocado pelo homem e pelo buraco na camada de ozônio, que mudaram os ventos da Antártida e aqueceram a água que corrói as bases do gelo. Fatores naturais, no entanto, também podem estar entre as causas, acrescentaram os cientistas.
Em um dos estudos, a agência espacial americana analisou 40 anos de dados de solo, aviões e de satélite sobre o que os pesquisadores chamam de “o ponto fraco da Antártida Ocidental” que mostram que o colapso das geleiras da região está sendo provocado pela água morna do oceano que se infiltra por baixo da camada de gelo, acelerando o seu derretimento. “Parece estar acontecendo rapidamente”, disse o glaciologista da Universidade de Washington Ian Joughin, autor de um dos levantamentos.
Outro cientista envolvido nas pesquisas classificou o processo como “irrefreável” e explicou que nenhuma ação humana ou mudança climática poderá deter o derretimento, embora ele possa ser reduzido. “O sistema está em uma espécie de reação em cadeia que é irrefreável”, disse o glaciologista da Nasa Eric Rignot, principal autor de um dos estudos. “Cada processo nesta reação está alimentando o próximo.” Segundo ele, limitar as emissões de combustíveis fósseis para reduzir a mudança climática provavelmente não irá parar o derretimento, mas pode diminuir a velocidade do problema.

9951 – Corrida pelo petróleo do Ártico alimenta disputa pela região


greenpeace

Em 2007, uma bandeira da Rússia foi colocada sobre o mar congelado dessa região, onde novamente o Exército desse país marca presença. O presidente russo, Vladimir Putin, não esconde seu interesse nos preciosos recursos enterrados no fundo do oceano no Ártico.
Estima-se que a região abrigue 13% das reservas de petróleo ainda não descobertas e 30% das de gás natural. O aumento constante do preço da energia e o derretimento das calotas polares, devido ao aquecimento global, só aumenta o interesse pelo Polo Norte.
A dura reação do governo russo em resposta ao protesto dos ativistas revela quão importante o Ártico é para o país. Enquanto o Greenpeace reforça sua campanha contra a exploração de petróleo no território gelado, a corrida pelos recursos minerais no polo continua.
As fronteiras no oceano Ártico ainda não foram definidas. Quando os recursos estão localizados próximo à costa – até 200 milhas marítimas -, a soberania é clara. Mas estima-se que existam depósitos além desse limite. Como a previsão é que esses recursos offshore estejam mais acessíveis no futuro, os países com fronteira nessa região querem assegurar o direito ao acesso o mais rápido possível.
Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Noruega e Rússia, por exemplo, reivindicam a exploração do solo marítimo na região. A decisão sobre a reivindicação de territórios será tomada no âmbito da Convenção das Nações Unidas de Direito Marítimo. Esses países já reuniram dados na tentativa de provar que o solo em questão é continuidade de sua plataforma continental.
No entanto, mesmo sem uma definição, esses países e também companhias petrolíferas já iniciaram seus negócios. Em 2010, Noruega e Rússia assinaram, por exemplo, um acordo sobre as fronteiras no Mar de Barents e no Oceano Ártico, facilitando a busca por petróleo na região.
Canadá, o país que possuiu atualmente a presidência do Conselho Ártico, já afirmou que o desenvolvimento no Polo Norte tem prioridade.Estados Unidos e Dinamarca aumentaram suas atividades no Ártico. A maioria dos países e das empresas estatais e privadas, como Rosneft, Statoil, Eni, ExxonMobil e Shell, estão na busca por petróleo.
Depois do vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010, cresceram as preocupações sobre possíveis consequências de um acidente dessas dimensões no Ártico. A reação da indústria petrolífera foi criar um programa para estudar os riscos.
O site do programa reconhece que os desafios da exploração economica na região são maiores que em outros locais do mundo, devido ao gelo, às distâncias, condições climáticas e à falta de infraestrutura. Além disso, afirma que a indústria precisa assegurar o respeito ao meio ambiente e à população nativa.
O Greepeace afirma que isso não está acontecendo. Os ativistas temem os danos que o desenvolvimento industrial pode causar no meio ambiente naquela região. O petróleo se decompõe bem devagar em água gelada e ainda não há tecnologia para removê-lo completamente nessas condições. Até hoje, é possível encontrar vestígios do vazamento de um navio na costa do Alasca, que ocorreu em 1989.
A União Europeia também desenvolve um estudo sobre as consequências da exploração para o meio ambiente da região, que deve ser publicado em 2014. Segundo o Centro Ártico da União Europeia na Finlândia, os efeitos desse negócio para a população local seriam enormes, enquanto os lucros financeiros seriam revertidos para regiões distantes.
Apesar das ressalvas, a União Europeia vê o Polo Norte como uma fonte futura de petróleo e gás. que poderia assegurar o abastecimento energético nas próximas décadas. Já os ativistas do Greenpeace lutam pela criação de uma área de proteção ambiental em torno da região. Além do ecossistema, a campanha visa proteger o clima global.
Juntamente com outras organizações, o Greenpeace chama a atenção para os efeitos sobre o clima com o uso de combustíveis fósseis. Se explorado, a queima do petróleo do Polo Norte impulsionaria o aquecimento global e aceleraria o derretimento das calotas polares. Para evitar um aquecimento maior do que 2°C, dois terços dos recursos minerais precisariam permanecer no solo, segundo uma análise da Agência Internacional de Energia.

9902 – Biologia – A Vida em Condições Extremas


Raposa do Ártico
Raposa do Ártico

Os seres humanos têm um gosto bastante peculiar. Sol, temperatura amena, ar fresco e bebidas refrescantes podem fazer a alegria de qualquer pessoa, mas seriam desagradáveis e até mortais para outros organismos. É que, na natureza, muitas espécies se especializaram em viver em ambientes tão diferentes do nosso que jamais se contentariam com sombra e água fresca. Para esses bichos, bons mesmo são lugares escaldantes, congelantes, com extremos de pressão, toxinas aos montes, falta de água ou de oxigênio. São os chamados seres extremófilos, os habitantes dos piores lugares do planeta.
Uma das maneiras de sobreviver a isso tudo é jogar na retranca e não encarar de frente as dificuldades – muitos deles “desligam” o metabolismo até que a situação volte ao normal. E olha que a espera pode demorar: esporos de bactérias achados em cristais de sal continuavam inteiros depois de 250 milhões de anos. Para alguns cientistas, é possível que eles nunca morram.
Os grandes desertos só são desertos na nossa imaginação. Não existe nesses locais nenhum terreno estéril: cada centímetro possui plantas, animais ou microorganismos. A dificuldade de se viver ali, como se sabe, é a escassez de água, um dos fatores mais essenciais à vida. Além de compor muitas moléculas, a água é o meio em que acontecem as reações químicas dos organismos.
A principal solução para escapar desse problema é fugir do calor. O maior refúgio do deserto é o subsolo, um lugar com bem menos sol e mais umidade que a escaldante areia da superfície. Em épocas de seca, um sapo do deserto de Sonora, Estados Unidos, se enterra a quase 1 metro de profundidade e permanece ali por até nove meses. Formigas e cupins, os principais invertebrados de muitos desertos, constroem a parte visível de seus ninhos em posições estratégicas para receber mais raios solares no início ou fim do dia, e menos quando o sol está mais forte. Os vegetais fazem diferente. As plantas do deserto têm de duas a seis vezes mais tecidos embaixo da terra do que em cima e, para aumentar suas chances de obter água, espalham-se por uma área enorme. Algumas chegam a lançar as raízes mais de 75 metros para os lados.
Quem quiser permanecer ativo durante os momentos mais secos precisa de algumas adaptações. O camelo é um animal valioso em desertos por viver até 15 dias sem beber em um calor de mais de 30 graus centígrados. Nos meses mais frios, ele retira toda a água que precisa dos alimentos que consome. O segredo é aguentar níveis de desidratação que matariam um ser humano e absorver o máximo de líquido quando tiver chance: ao encontrar água, ele pode beber 130 litros – ou uma banheira cheia – de uma só vez. Além disso, o pelo reflete a luz solar, a urina é concentrada, cavidades no nariz absorvem a umidade do ar e, em vez de tentar esfriar o organismo, ele simplesmente deixa a temperatura do corpo flutuar.
Cada espécie da região tem seus artifícios para descolar mais água. Um besouro da Namíbia, por exemplo, possui cavidades em seu corpo capazes de coletar a umidade do ar. Outros insetos são capazes de agüentar altos níveis de desidratação – ou seja, continuar funcionando mesmo quando o sangue está muito concentrado. O extremo dessa habilidade está nos organismos em que o metabolismo pára porque o corpo desidratou quase completamente – o maior animal a conseguir esse feito é a larva da mosca Polypedilium vanderplanki, com meio centímetro de comprimento. Nessa espécie de hibernação forçada, a larva resiste a situações ainda mais extremas, como temperaturas acima de 100 graus centígrados ou abaixo de zero.

Vida no gelo
Imagine morar em um lugar onde a temperatura média gira em torno de zero grau e você terá uma idéia do que é viver perto dos pólos. Para piorar, o frio não é o único problema da região: o ambiente tem alta incidência de raios ultravioleta e pouquíssima chuva. No deserto de Ross, a maior área da Antártida livre de gelo, não caiu sequer uma gota nos últimos 2 milhões de anos. Nas outras regiões polares, a água é até abundante, mas está congelada e, portanto, indisponível para os seres vivos. Mesmo assim, a vida está lá. Há, por exemplo, uma espécie de líquen na Antártida que continua a fazer fotossíntese em um frio de 10 graus negativos.
A estratégia de fugir das condições extremas funciona bem aqui – muitos bichos habitam as regiões mais frias apenas durante o verão. Pinguins e leões-marinhos, os maiores animais da Antártida, habitam e se reproduzem no continente, mas correm para o mar quando é preciso pegar comida ou fugir do frio (a água do mar que permanece líquida nunca está abaixo de 1,9 grau negativo). Os únicos animais que habitam o continente durante o inverno – acarinos e colêmbolos – não passam de 2 milímetros. A honrosa exceção fica para o pingüim-imperial, que passa o verão engordando e o inverno chocando os ovos de seus filhotes.
O grande perigo dessas regiões é congelar. Quando isso acontece, milhões de cristais de gelo se formam nos tecidos e separam as células. Além disso, rompem os vasos sanguíneos, o que significa que, ao descongelar, os tecidos ficam parecendo mingau. Os órgãos param e deixam de fornecer oxigênio ao corpo. Se isso não for suficiente para matar, à medida que a água se transforma em gelo, o sangue se torna muito concentrado e destrói várias células. Pense nisso se você tiver a intenção de se congelar numa câmara criogênica quando estiver à beira da morte.

Os animais maiores fogem desse risco migrando para o calor ou se aquecendo com camadas de gordura e pêlo. Mas como os pequeninos – que não podem viajar nem se proteger – fazem para sobreviver? O segredo é que a pequena quantidade de água desses organismos permanece líquida mesmo a dezenas de graus abaixo de zero. Isso acontece porque, para que o gelo se forme, é preciso que exista um primeiro cristal a partir do qual o resto da água congela. Esses seres eliminam de seu corpo substâncias que possam aglutinar o gelo, se protegem para evitar que a neve de fora invada seu corpo e ainda produzem substâncias anticongelantes. Manhas como essas são muito bem-sucedidas: uma mosca-do-ártico (Rhabdophaga strobiloides) aguenta até 56 graus abaixo de zero antes de congelar.
O problema é que a estratégia é arriscada. Basta um chacoalhão que forme o primeiro cristal e, pimba, o bicho vira gelo da maneira mais rápida e violenta possível. Por isso, algumas espécies preferem encarar o congelamento, mas de modo controlado e que garanta a sobrevivência ao derreter. A ideia é congelar lentamente para que o corpo se adapte e para evitar que o gelo invada o interior das células. Muitos desidratam os tecidos para diminuir a extensão do congelamento e evitar que os órgãos se destruam. Outros possuem proteínas que evitam que o gelo forme cristais muito grandes, que acabariam com algumas células. Com esses truques, a larva da mosca Chymomyza costata suporta até 100 graus negativos, enquanto um gafanhoto das montanhas da Nova Zelândia congela quase toda a água disponível em seu corpo.
As adaptações se sofisticam nas cinco espécies de sapo e duas de tartaruga capazes de aguentar o congelamento. A estratégia do sapo é liberar adrenalina, que acelera batimentos cardíacos para garantir o oxigênio para os tecidos. Também aumenta a glicose no sangue em até 200 vezes para diminuir a concentração de água no organismo. Dessa forma, ele lentamente se adapta à formação de gelo e ao derretimento, que pode levar um dia inteiro.

Vida sob pressão
Os seres vivos são como o ambiente de trabalho de qualquer empresa: precisam de um nível ideal de pressão para funcionar. Coloque no topo de uma montanha um animal acostumado a viver no fundo do mar e ele morrerá em segundos. Existem microorganismos capazes de sobreviver no vácuo e outros que vivem e crescem no ponto mais profundo dos oceanos, a nada menos que 11 mil metros de profundidade – um lugar onde a pressão é tanta que seria equivalente a ter um peso superior a mil quilos em cada centímetro quadrado do seu corpo.
Durante muito tempo, os cientistas imaginaram que o fundo do mar não tinha vida. Além da pressão, a região é longe da superfície e recebe dela pouquíssimos nutrientes. Foi só nos anos 60 que cientistas começaram a pesquisar o ambiente e perceber que havia vida por lá – e muita. Hoje, as apostas mais conservadoras sobre a diversidade no fundo dos oceanos avaliam que exista lá ao menos meio milhão de espécies (só para comparar, conhecem-se hoje 160 mil espécies marinhas). Mesmo o buraco mais profundo é habitado por bactérias, pepinos-do-mar e vermes. O fundo do mar passou a ser considerado o maior ambiente da terra.
Evitar ser esmagado pelo peso desse lugar é fácil – basta igualar a pressão interna e a externa – mas esse não é o único problema. Muitas das proteínas do nosso corpo são sensíveis à pressão e, além disso, algumas das reações químicas que ocorrem no nosso interior podem ser inibidas por tanto peso. Esse fatores forçam os organismos a desenvolverem um metabolismo diferente, com enzimas resistentes à pressão e membranas mais resistentes.
Existem duas formas de se conseguir comida por lá. A primeira é aproveitar os poucos nutrientes que afundam. A outra é fazer a própria matéria orgânica, como é o caso em um dos ambientes mais extremos que se conhece, uma espécie de filial do inferno. Essas regiões abissais, semelhantes a vulcões, jorram materiais superaquecidos, formando novos solos e separando as placas tectônicas. Ali, onde a água ultrapassa os 350 graus centígrados, vivem bactérias, moluscos gigantes, siris, peixes e vermes em forma de tubo com até 11,5 metros de comprimento. Esse povo todo sobrevive de uma fonte de energia bem pouco usual: os ferros e sulfetos que emergem junto à água quente. Bactérias presentes nesse ambiente conseguem reagir essas substâncias com oxigênio para obter energia e se desenvolver. Com essa habilidade, servem de base para todo o ecossistema. O problema é que, para conseguir essas substâncias, bactérias e animais precisam estar próximos das áreas mais quentes dos oceanos. Um desses seres, descoberto em agosto, é um tipo de bactéria capaz de crescer em temperaturas de até 121 graus centígrados, o que a faz a recordista de temperatura do planeta.
Parece o pior lugar do mundo, não? Talvez não, porque há outro, embaixo de seus pés, quase tão terrível. O subsolo reúne diversas bactérias, fungos e protozoários em profundidades que, estima-se, podem chegar a até 7 quilômetros. O estilo de vida é parecido: o calor é estúpido e a luz, inexistente. Os microorganismos chegam até lá pelo movimento da água e se fixam em minúsculos poros da rocha. Em terrenos mais recentes, eles vivem de decompor matéria orgânica enterrada há milhões de anos. Nas profundidades maiores, a única solução é apelar para o truque de decompor ferro e sulfetos. Algumas dessas comunidades podem ter se isolado da superfície há muitos milhões de anos. Por contar com poucos nutrientes à sua volta, elas se desenvolvem de forma muito, muito lenta, talvez se reproduzindo uma única vez em algumas centenas de anos. Mesmo com tanta dificuldade para sobreviver, o ambiente é tão grande que, para alguns cientistas, eles podem ser numerosos a ponto de rivalizar com a quantidade de matéria viva presente na superfície.

Existem em todo canto lugares ácidos ou alcalinos demais, com radioatividade ou sem oxigênio, que colocam desafios à vida – e que são habitados. O telhado de uma casa, por exemplo, pode ter um enorme calor durante o dia e geadas durante a noite. Apesar de receber chuvas, os líquidos logo escorrem e o lugar volta a ser um deserto. E, no entanto, eles abrigam insetos, musgos e vários outros seres.
Lugares inóspitos podem estar ainda mais perto. Seu estômago, por exemplo, é bem ácido. Uma camada de muco nos protege de seus efeitos, mas a maioria dos seres é destruída ao dar um rolê por ali. No entanto, todo mundo que já teve uma doença do sistema digestivo sabe que alguns micróbios passam ilesos pelos ácidos. A estratégia mais comum desses parasitas é atravessar o estômago na forma de cistos, protegidos por uma casca, e só se desenvolver quando já estiverem fora dali.
As condições em que vivemos são bem extremas e matariam boa parte dos animais dessa matéria. O nosso clima destruiria as bactérias dos vulcões submarinos e faria ferver alguns bichos polares. A pressão explodiria muitos dos seres do fundo dos oceanos. E, por fim, existem micróbios que seriam envenenados por oxigênio. O contato com esse gás produz substâncias tóxicas que seriam fatais se não tivéssemos enzimas que lidam com elas. No início da vida, quando os microorganismos não estavam acostumados com oxigênio, um ambiente como o nosso seria fatal. E, hoje, esse gás é vital para os animais. Assim como adquirimos a habilidade de respirar, os locais mais inóspitos podem ser confortáveis a quem desenvolve meios de sobreviver a eles. Se dermos tempo e chance para a evolução, poucas coisas serão realmente extremas para os seres vivos do planeta.

9875 – Geografia – Uma Longa Marcha Gelada


navio endurance

Em 1914, o capitão irlandês Ernest Shackleton e 27 homens zarparam de Buenos Aires a bordo do Endurance. Sonhavam em ser os 1°s a atravessar a Antártida a pé; do Mar de Wedell ao Mar de Ross. Mas, antes de chegar ao ponto de partida da expedição terrestre, o barco encalhou e ficou à deriva, até o gelo se partir e ele afundar. Durante 9 meses a tripulação procurou socorro. Navegou em barcos salva-vidas e caminhou, enfrentando temperaturas de -30°C. Não conseguiram atingir o objetivo inicial, mas todos sobreviveram. Em agosto de 1916, um navio chileno os resgatou de uma ilha, a do Elefante, e graças a um fotógrafo australiano que manteve filmes em latas seladas, a aventura inteira foi preservada.
O ano era 1914 e os ingleses recentemente haviam perdido uma corrida contra os noruegueses para ver quem chegava primeiro ao ponto mais extremo do Pólo Sul, fincando pé na maior latitude desse hemisfério. Restava, porém, o desafio de conseguir atravessar de um extremo a outro o continente Antártico. A pé, lógico*.
Longe de ser um calouro na região, Sir Ernest Shackleton já havia chefiado duas missões ao Pólo Sul, onde reuniu experiência e reputação necessárias para sua terceira e derradeira epopéia.
Nessa nova empreitada, Shackleton reuniu uma equipe de 27 homens com as mais diversas habilidades, formações, caráteres, temperamentos, ambições. Uma equipe que partira com um objetivo de fazer história com seu pioneirismo, mas que ficou conhecida para sempre por sua bravura, coragem, tenacidade, companheirismo e uma incrível vontade de sobreviver.
Desenhado por Ole Aanderud Larsen, o Endurance foi construído das docas de Framnæs em Sandefjord, Noruega acabado de construir em 17 de Dezembro de 1912. Foi construído com a supervisão do mestre Christian Jacobsen, conhecido por exigir que os seus homens tivessem conhecimentos navais e experiência em pesca de baleias ou focas. Cada detalhe da sua construção foi planeado para assegurar a máxima durabilidade.

Foi lançado ao mar em 17 de Dezembro de 1912 com o nome original de Polaris (de Estrela Polar). Tinha 44 m de comprimento e 7,6 m de Boca, e 320 toneladas. Embora o seu casco parecesse ser idêntico ao de outros navios, tal não correspondia à realidade. Foi construído a pensar nas extremas condições encontradas nas regiões polares. A sua quilha era constituída por quatro sólidas placas de madeira de carvalho, sobrepostas, adicionando uma espessura de 2.200 mm, enquanto os seus lados tinham entre 760 mm e 460 mm de espessura, o dobro de um vulgar navio. Foi construído com tábuas de carvalho e abeto norueguês com 760 mm de espessura, revestidas a Chlorocardium, uma madeira muito forte e resistente. A sua proa, que ficaria em contacto com o gelo, teve especial atenção. Cada pedaço de madeira foi feita com a madeira de uma árvore escolhida pela sua forma curva. Quando estavam todas juntas tinham uma espessura de 1.300 mm.
O Endurance estava equipado com um motor a vapor alimentado a carvão, com uma potência de 350 hp, capaz de atingir os 10,2 nós (18,9 km/h).
Quando foi lançado ao mar, o Endurance era um dos barcos em madeira mais fortes da época, à excepção do Fram utilizado por Fridtjof Nansen e Roald Amundsen. No entanto, haviam diferenças: o Fram tinha um fundo arredondado o que permitia resistir melhor ao esmagamento feito pelo gelo. O Endurance, por seu lado, foi desenhado para operar em gelo solto, não estando preparado para grandes pressões.

Endurance encalhado
Endurance encalhado

9858 – Planeta Terra – Aquecimento ou novo período glacial?


gla01

Temperaturas médias amenas como nos últimos 10 mil anos, com direito a banho de sol na praia e até um mergulho no mar morninho de vez em quando, foram raríssimas na história do planeta. Em 90% do tempo, a Terra esteve sob uma frigidez mortal, assolada por glaciações.
Tais fenômenos vêm e vão em grandes ciclos, duram 100 000 anos e transformam o planeta num freezer. Nesse período, um quarto do hemisfério norte fica sob uma capa de gelo de milhares de metros de espessura. Boa parte dos oceanos vira um vasto rinque de patinação. Segue-se um curto instante de alívio, de alguns milhares de anos de calor, chamado período interglacial, e depois o longo inverno retorna. É dose para pinguim.
Até este ano, era consenso que estaríamos entrando na etapa final de um desses breves intervalos ensolarados. Os cientistas sustentavam a afirmação pelo fato de que a Terra gira meio tombada no espaço. Entenda o raciocínio: a inclinação faz com que os pólos fiquem voltados para o Sol, durante o verão, e percam a neve que cai no inverno. Só que a inclinação da Terra varia com o tempo: há dez milênios, ela era maior do que hoje e os verões, mais fortes. Foi isso que fez o frio recuar, naquela época, imaginavam os cientistas. Então, como agora a inclinação está menor, eles deduziam que o gelo deveria estar de volta.
Mas não é o que pensa o paleoceanógrafo David Hodell, da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. Para ele, a inclinação não é tão decisiva quanto se pensava, pois a distância entre a Terra e o Sol também pode mudar. Hoje, estamos relativamente perto do calor, o que tende a afastar a oscilação congelante.
Foi assim há 400 000 anos, quando o planeta estava em condições astronômicas parecidas com as atuais e a fase aquecida durou 30 000 anos. A partir daí, Hodell lançou o desafio: “Acho que o frio ainda demora 20 milênios para chegar”. Se ele estiver certo, teremos tempo de sobra para nos esbaldar na praia. Antes de guardar os biquínis e os calções por uns 1 000 séculos.
Na inclinação máxima da Terra, de 24,5 graus, chega mais luz ao pólo e o gelo não se amontoa. Hoje, o ângulo é de 23,5 graus e está diminuindo. A diferença é ínfima, mas ao longo de milênios a menor inclinação pode trazer uma nova era glacial.
Alguns cientistas acham que a glaciação não virá tão cedo. Eles alegam que só haveria risco imediato se a inclinação estivesse no seu valor mínimo, de 22,5 graus. Nessa posição, o pólo recebe pouca energia e a tendência a armazenar neve é grande.
Um dos desafios dos climatologistas é destrinchar os movimentos astronômicos da Terra que empurram o nível dos termômetros para baixo. O primeiro é o que altera a inclinação do planeta: quanto mais ele tomba, mais luz solar chega aos pólos e menos gelo se acumula por lá. Há 10 000 anos, a inclinação era maior que hoje. De lá para cá, a variação foi pequena, de apenas 1 grau. Mas, com o tempo, ela teve um efeito no clima.
Vinha daí o palpite de que a Terra iria para a geladeira nos próximos séculos. Só que a rotação do planeta em torno do Sol também mexe com a temperatura. Como hoje percorremos uma elipse bem arredondada no espaço, nunca nos afastamos muito da fornalha solar (ficamos no máximo a 151 milhões de quilômetros dela, o equivalente a quase 4 000 voltas na Terra). Em comparação, há 100 000 anos a órbita era mais alongada e a distância chegava até 152 milhões de quilômetros. O resultado foram verões apenas mornos, sem força para derreter as nevascas dos invernos, e aos poucos instalou-se um clima glacial.
Agora, a proximidade do Sol pode atrasar a chegada da glaciação que se previa estar no início. Para o climatologista James Kasting, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, o homem também está interferindo nas glaciações. Ele se refere ao aquecimento da atmosfera causado pelo gás carbônico que sai dos carros, das fábricas e da queima das florestas. O gás armazena a energia solar e faz o termômetro subir. É mais um motivo para adiar o congelamento por um bom tempo.
O estudo da glaciação mais recente, que só terminou 10 000 anos atrás, mostra que a temperatura média da Terra ficou uns 9 pontos abaixo dos 15 graus Celsius atuais. O efeito foi a formação de um iceberg monstruoso, com 4 quilômetros de espessura, que ocupou, primeiro, todo o Oceano Ártico. Depois avançou sobre terra firme, engolindo metade da Europa e da América do Norte e um décimo da Ásia. Plantas e bichos, entre eles os Homo sapiens, fugiram para regiões mais ao sul, para o que sobrou de cada continente.
O resto do mundo não congelou, mas sofreu com a estiagem. Com o frio, até o vapor do ar condensou e virou neve. A atmosfera ficou sem umidade. “O planeta inteiro ressecou”, conta um geólogo da Universidade de São Paulo. A secura transformou boa parte das florestas em vegetação rasteira.
O planeta, às vezes, pode dar voltas mais alongadas em torno do Sol. Com isso, ele passa pelo menos uma parte do ano distante do fogo solar, o que ajuda a esfriar. Daqui a 10 000 anos os rodopios vão ser bem redondos. Estaremos perto do calor o ano todo.
A órbita, hoje, já está bem circular e o planeta, aquecido. Apesar disso, seu eixo está ficando menos inclinado. Assim, a energia que chega aos pólos é pouca para derreter o gelo. Entre as duas tendências, os cientistas dizem que o resfriamento pode até vir, mas só daqui a uns 20 000 anos.
Há uns 100 000 anos, a órbita era um pouco mais alongada que hoje e o eixo estava bem de pé. O resultado foi uma glaciação demorada, que só terminou, por completo, 10 milênios atrás.
Nos últimos 400 000 anos, houve apenas cinco períodos quentes. O primeiro 1 estendeu-se por 30 milênios. O segundo 2, o terceiro 3 e o quarto 4 duraram cerca de 20 000 anos. O quinto 5 é aquele que estamos atravessando agora. Prevê-se que ele terá a mesma duração do primeiro.
O hemisfério norte foi mais afetado porque o sul contém muita água. Os oceanos retêm mais calor que a terra e sua temperatura não varia tanto. Assim, a parte de baixo do equador não congelou.

As regiões onde hoje estão Nova York e Chicago ficaram submersas pela montanha de neve endurecida.
Os grandes lagos americanos se formaram com a água derretida no final do período.
O frio ressecou a atmosfera e encolheu as florestas.
Acima do equador, o frio foi suficiente para criar um manto gelado sobre o mar e uma parte dos continentes.
O nível dos oceanos baixou porque sua água virou neve e tomou a forma de geleiras.
Com o nível da água mais baixo, o leito do oceano virou terra firme, na costa do Rio de Janeiro. Se a cidade existisse, não teria praia. Estaria a 100 quilômetros da orla marítima.

Uma camada de gelo com 4 quilômetros de espessura cresceu sobre o Ártico, a Europa, a Ásia e a América do Norte.
Sobre a Suécia, o peso do gelo era tanto que deformou as rochas. O solo ficava dezenas de metros abaixo do nível atual. Depois do degelo, as rochas retomaram a forma original.
Os territórios da Holanda, da Alemanha e dos países escandinavos ficaram totalmente cobertos pela muralha gélida.
Mamutes, raposas árticas e renas, típicos da região ártica, viviam até no sul da França, que hoje não tem nem traço do clima polar.
Com a seca, o Deserto do Saara ficou enorme. A área amarela no mapa mostra seu tamanho há 20 000 anos. A linha verde é seu limite atual.
Na época, havia tigres-de-dente-de-sabre na América do Norte, adaptados aos campos. Quando as matas do sul viraram mato baixo, eles migraram para cá e dizimaram espécies daqui, como a preguiça gigante.

9788 -☻Mega Recordes


O ponto mais elevado da Terra
– Monte Everest – Nepal – Tibet – 8.844,43 m (rocha) e 8.848 m (gelo)

Ponto mais baixo (maior depressão)
Mar Morto – Israel, Jordânia – A superfície da água está 396 metros abaixo do nível do mar.

Maior profundidade
Fossas Marianas, no Oceano Pacífico – 11.034 m

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Maior Continente – Ásia – 8,6% da superfície planetária (ou 29,5% das terras emersas)

Menor Continente – Ocenia – 9.008.458 km² (7.686.850 km² só da Austrália)

Maior Oceano – O Pacífico – 180 milhões km²

Menor oceano, o Ártico – 13 milhões km². É a menor e a mais rasa das cinco grandes divisões oceânicas do mundo.

Maior desfiladeiro – Grand Canyon – EUA – 446 km de extensão e 1.600 m de profundidade

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Maior Monólito – Monte Augustus, Austrália – O Monte Augustus fica a 1.105 metros de altitude e, com aproximadamente 860 m de altura, cobre uma área de 47.95 km². Ele possui um cume central de 8 km de comprimento.

Maior rocha – Ayers Rock – Austrália – 860 m de de altura e cume de 8 km de comprimento.

Maior mina de cobre a céu aberto (tamanho) – Bingham Canyon Mine – EUA

Maior mina de cobre a céu aberto (produção) – Chuquicamata, Chile – 3 km de extensão e 850 metros de profundidade.

Maior mina de diamantes a céu aberto – Mina de Mirny
Rússia – 525 metros de diâmetro e 1200 de profundidade

Maior ilha – Groelândia – Dinamarca – 2.166.086 km² (se a Austrália não for considerada ilha)

Menor Ilha – Ilhas Pitcairn, Reino Unido – 47 km²

Maior iceberg – B15A – 110 quilômetros de extensão por 20 de largura. A área total: quase 1 700 km²

Território terrestre mais isolado – Ilha de Páscoa – Chile – Situada a 3.510 km da costa oeste do Chile e a 2.075 km da costa sudeste das Ilhas Pitcairn

Maior praia – Praia do Cassino, Brasil – 240 km

Praia do Cassino, a maior do mundo
Praia do Cassino, a maior do mundo

Menor praia – Praia de Gulpiyuri, Espanha – 50 m de diâmetro a 100 m da costa.

Maior caverna – Sarawak, Malásia – 70 m x 700 m x 300 m

Maior deserto – Saara – Argélia, Chade, Egito, Marrocos, Líbia, Sudão, Tunísia – 9 065 000 km²

Menor deserto – Deserto de Maine, EUA – 160.000 m²

Maior deserto de sal – Salar de Uyuni, Bolívia – 12.000 km² de área

Maior floresta – Floresta Amazônica – Brasil, Peu, Venezuela – 7.000.000 km²

Rio mais longo – Amazonas – Peru, Brasil – 7.026 km (fontes citam o Rio Nilo)

Mar mais longo Mediterrâneo – Aproximadamente 2,5 milhões de km²

Maior vulcão – Guallatiri – Chile – Seu cume situa-se a 6.071 metros acima do nível do mar.

Menor vulcão – Taal, nas Filipinas

Maior lago de água doce – Lago Superior – Canadá, EUA – 82.414 km²

Maior lago de água salgada – Mar Cáspio – Rússia, Irã – 371.000 km²

Lago mais profundo – Baikal, Rússia – 1.600m de profundidade

Mar mais raso – Azov, Rússia – Profundidade máxima de 14 metros.

Lago mais alto (navegável) – Lago Titicaca -Peru, Bolívia – 3.811 metros acima do nível do mar

9643 – Planeta Gelado – O Oceano Antártico


antratida

Também conhecido como Oceano Glacial Antártico é o conjunto das águas que banham o Continente Antártico, mas que em realidade constituem o prolongamento meridional do oceano Atlântico, oceano Pacífico e oceano Índico. Muitos cientistas, oceanógrafos e geógrafos, não reconhecem a existência do oceano Antártico, considerando-o como uma junção de partes dos outros oceanos.
O oceano Antártico se estende desde a costa antártica até à latitude de os 60° S; limite convencional com o Oceano Atlântico, o Oceano Pacífico e o Oceano Índico. É o penúltimo oceano em extensão (só o oceano Ártico é menor). Formalmente, sua extensão foi definida pela Organização Hidrográfica Internacional no ano 2000 e coincide com os limites fixados pelo tratado Antártico.
O Oceano Antártico é o único a rodear o globo de forma completa, e circula completamente a Antártida. Tem uma superfície de 20.327.000 km², uma cifra que compreende aos mares periféricos: o mar de Amundsen, o mar de Bellingshausen, parte da passagem de Drake, o mar de Ross e o mar de Weddell. A terra firme que borda o oceano tem 17.968 km de costa.
Juridicamente, pelo tratado da Antártica, assinado dia 1 de janeiro de 1956, o oceano Antártico e o continente Antártico seriam de responsabilidade dos seguintes países, para usos pacíficos e científicos; Chile, Argentina, Austrália, Bélgica, Estados Unidos, Brasil, França, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido, África do Sul e Rússia (como herdeira da União Soviética).
No projeto da 4.ª edição foram consultados em 1972 os países membros da OHI. Até 1976 haviam respondido 32 países expressando a maioria sua preferência pelo nome Antarctic Ocean. Somente Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido se pronunciaram a favor do nome Southern Ocean e o Chile preferiu Antarctic Glacial Ocean. O Brasil e os Estados Unidos se opuseram à definição de um novo oceano. Sobre o limite norte existiram divergências com projetos apresentados pelo Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Noruega e por vários países que propuseram a linha da convergência antártica. Em 1986 foi decidido não incluir o oceano Antártico no projeto da 4° edição, que foi reprovado em 1998.4
Um novo projeto foi posto em consideração aos 68 países membros da OHI, sendo que até 1999 28 responderam favoravelmente à definição de um novo oceano rodeando a Antártida e a Argentina respondeu negativamente.5 18 países aceitaram que o nome em inglês do novo oceano fosse Southern Ocean, enquanto que o restante preferiu Antarctic Ocean. Com relação ao limite norte, 14 votos foram para que fosse o paralelo 60° Sul, 7 para que fosse o paralelo 50° Sul, 5 aceitaram a proposta australiana e 3 prefeririam o paralelo 35° Sul.
A temperatura do mar varia de +10 °C a -2 °C. Tempestades ciclônicas se movem do leste girando ao redor do continente antártico e são frequentemente de forte intensidade, e são a causa da diferença de temperatura entre os gelos e o oceano aberto.
A superfície oceânica está entre os 40° de latitude sul e a Corrente Circumpolar Antártica que tem os ventos mais fortes do planeta. No inverno o oceano se estende até os 65° S em direção ao Pacífico e até os 55° S em direção ao Atlântico, deixando a temperatura superficial abaixo de zero. Em algumas costas, os fortes e constantes ventos provenientes do interior mantém a costa livre de gelo também no inverno.
A camada que se forma ao redor do continente antártico, é de aproximadamente 1 m de profundidade, possui pelo menos 2,6 milhões de km² em março e chega ao máximo de 18,8 milhões de km² em setembro, um aumento de mais de sete vezes. A Corrente Circumpolar Antártica, de 21.000 km de largura, se move eternamente para leste. É a maior corrente do mundo, e transporta 130 milhões de m³/s, 100 vezes mais que todos os rios da Terra juntos. As ondas podem ser muito altas. Os icebergs antárticos podem possuir dimensões imponentes, estendendo-se por quilômetros e constituem um perigo para a navegação.
O ponto mais profundo do oceano se encontra no extremo meridional da Fossa Sandwich do Sul e alcança 7.235 m de profundidade.
Os glaciares e mantos de gelo antárticos que se estenderam e flutuam sobre a superfície do oceano formam um amplo sistema de plataformas de gelo. Pedaços dessas plataformas que estão ligadas aos glaciares em terra firme se rompem e formam campos de gelo e icebergues (ou iceberg). Devido ao aquecimento global algumas dessas grandes plataformas estão derretendo, contribuindo para o aumento do nível do mar.

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O Oceano Antártico, com uma profundidade geralmente compreendida entre os 4.000 e 5.000 metros, é um oceano profundo com poucas zonas estreitas de águas pouco profundas. A plataforma continental antártica é estreita e relativamente profunda em relação às outras: dos 400 aos 800 metros, contra uma média mundial de 133 metros.
Os recursos naturais do Oceano Antártico ainda não têm sido explorados, mas existem grandes jazidas de petróleo e gás natural nas proximidades do continente antártico.
O Oceano Antártico tem uma biodiversidade imensa e ainda muito pouco explorada. Sua fauna varia de pinguins, pinípedes e cetáceos, até cianobactérias, fitoplâncton e krill, que apesar de pequenos servem de alimento para os animais maiores. A Antártida não tem flora terrestre, sendo a sua única composição vegetal feita por algas marinhas e outros organismos autótrofos.
Dentre os principais portos operacionais estão a Base Rothera, a Base Palmer, a Villa Las Estrellas, a Base Esperanza, a Base Mawson, a Estação McMurdo, e os ancoradouros no mar na Antártida.
Poucos portos existem na costa sul (Antártida) do Oceano Antártico, uma vez que as condições do gelo restringem o uso da maioria das praias para curtos períodos, em pleno verão. E mesmo no verão alguns requerem escolta de navios quebra-gelo para o acesso. A maioria dos portos da Antártida são operados por estações de pesquisa governamentais e, exceto em caso de emergência, permanecem fechados aos navios comerciais ou particulares; navios em qualquer porto ao sul de 60 graus de latitude sul estão sujeitas a inspeção por observadores do Tratado da Antártida.

8781 – Geologia – A Antártida se apóia sobre 2 alicerces


Placas tectônicas são gigantescos blocos subterrâneos de pedras. Em cima delas, os continentes e os oceanos parecem detalhes de uma maquete modelados na parte mais superficial do planeta. Apenas este ano descobriu-se que metade da Antártida fica em cima de uma placa, e a outra metade, sobre uma segunda. O achado se deve a David McAdoo, da Administração Nacional para a Atmosfera e os Oceanos, nos Estados Unidos, e Seymour Laxon, da Universidade de Londres, na Inglaterra. Eles utilizaram dados do satélite europeu ERS-1, que avalia as mudanças da gravidade em cada ponto do planeta. Essas variações revelam acúmulos de massa no subsolo.
Abaixo da superfície, o continente antártico está dividido em duas grandes massas de rocha, chamadas placas tectônicas. Elas se movem lentamente uma em relação à outra.

8768 – Volta ao Mundo a Pé


A humanidade nasceu na África, se espalhou para a Ásia, chegou à América e dominou o planeta – e fez grande parte disso a pé. Se os homens primitivos fizeram isso, por que nós não conseguiríamos? Assim pensa o americano Paul Salopek, 51 anos, que vai ficar os próximos sete anos refazendo o caminho que, segundo cientistas, teria sido percorrido pelo Homo sapiens ao colonizar a Terra. Paul começou a viagem no final de fevereiro, em uma vila na região de Herto Bouri, na Etiópia – um dos sítios arqueológicos onde foram encontrados os mais antigos fósseis de H. sapiens. De lá, ele vai até o Oriente Médio, seguindo pelo sul e pelo leste da Ásia, onde passará por lugares como a caverna Tianyuan (onde foi encontrado o fóssil de um dos primeiros humanos a usar sapatos, 40 mil anos atrás). Só para atravessar a China, serão 18 meses de caminhada. Subindo para o Norte, Salopek irá cruzar o Estreito de Bering e chegar ao Alasca. Acredita-se que a humanidade tenha feito isso, há 15 mil anos, cruzando a pé uma placa de gelo. Como ela não existe mais, Paul terá uma ajudinha, e poderá pegar um barco (essa parte, bem como a travessia do Mar Vermelho, entre o Djibouti e o Iêmen, são as únicas etapas que não serão feitas a pé). De lá, ele descerá pela costa oeste das Américas até chegar à Patagônia, em 2020.

Em cada país, Paul terá a companhia de um tradutor e/ou guia. Ele vai acampar, dormir em pequenos hotéis ou na casa das pessoas – onde também vai comer e tomar banho. A expedição é financiada pela Universidade Harvard, pela Fundação Knight e pela revista National Geographic – em cujo site (goo.gl/CoRY0) Paul irá registrar o dia a dia da viagem. Ele está levando GPS, câmera, notebook, captador de energia solar, barraca, roupas e mantimentos. Paul se preocupa com a passagem que fará pela Síria (que está em guerra civil), mas fora isso não teme encontrar violência.

8722 – Planeta Gelado – Gelo, Vento e Temperaturas


Descobrindo o planeta

Geleiras em remotas eras deslisaram das altas montanhas, cobrindo boa parte das terras emersas. É as geleiras que se deve a abertura dos vales mais amplos do nosso planeta. Nos desertos, as rochas dilatam-se com o calor do sol durante o dia, para depois se contraírem bruscamente, quando após o por do sol, sobrevêm um frio intenso. As rochas não resistem a essa variação e fraturam, exatamente como se dá com um copo de vidro que recebe um líquido muito quente. O próproio ar, modela as rochas mais duras. A abrasão devida ao material transportado pelo vento causa desgastes consideráveis. É a erosão eólica.

8663 – Paradoxo Ecológico – Por que o derretimento das geleiras pode fazer o nível do mar recuar?


mar

Com o aquecimento do planeta e o derretimento das geleiras, o nível do mar subirá. Mas, em alguns lugares do mundo, por mais estranho que pareça, as águas deverão baixar. No passado, cientistas acreditavam que o nível do mar aumentaria por igual em todas as partes do mundo, como numa banheira cheia de água. Ao analisar os dados do aumento do nível do mar que já vivemos e as mudanças na última era do gelo, os números não batiam – e foram até usados como argumento, por céticos, para mostrar que a ciência do clima estava errada.
A solução para a questão só foi descoberta quando a equipe do pesquisador Jerry Mitrovica, da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, decidiu colocar um dado a mais na equação: a força da gravidade. Mitrovica descobriu que as grandes geleiras da Antártica e da Groenlândia exercem forte atração gravitacional sobre o mar. Essa força puxa a massa de água na direção da geleira, aumentando o nível do mar nos polos. Quando a geleira derrete, a atração gravitacional enfraquece, e o nível do mar diminui ali.
A boa notícia é que o mar mais baixo nos polos pode ajudar a desacelerar o próprio derretimento das geleiras. Com menor quantidade de água do mar, as geleiras ficam menos expostas às correntes de água quente. Com isso, podem derreter em velocidade menor que a esperada. A má notícia é que essa água vai para algum lugar. Se o nível do mar diminuirá nos polos, deverá aumentar ainda mais em outras partes do globo. Os modelos mostram que o derretimento da Groenlândia pode diminuir o nível do mar no nordeste do Canadá, na Islândia e na Escócia. Em compensação, as águas subirão mais na América do Sul, inclusive no sul do Brasil. Os modelos de computador que calculam essas variações ainda estão em aprimoramento. Mas, provavelmente, quem gosta de praia terá de buscar refúgio na Escócia ou na Islândia. Pelo menos estará mais quente por lá.

8627 – Planeta Verde – Degelo Acelerado na Antártida


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Foi documentado pela primeira vez a aceleração do derretimento do solo da Antártida, em uma região onde o gelo era considerado estável. Segundo os pesquisadores, os níveis de degelo são comparáveis aos do Ártico, onde o derretimento acelerado do permafrost (solo permanentemente congelado) se tornou um fenômeno regular.
A análise do Vale Garwood, na região McMurdo Dry Valleys, na Antártida, mostrou que o derretimento acelerou consideravelmente de 2001 para 2012, chegando a dez vezes a média. A região de Dry Valleys contém um dos maiores trechos de gelo de solo do continente.
O local anteriormente havia sido considerado em equilíbrio pelos pesquisadores, que acreditavam que o derretimento e o congelamento sazonais não eram responsáveis por diminuir a camada de gelo no solo. Porém, Joseph Levy, pesquisador do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, utilizou um Lidar (aparelho que emite lasers e analisa a luz refletida para “escanear” o ambiente) e fotografias para documentar uma rápida redução do gelo na região. Os resultados foram publicados no periódico Scientific Reports.
“A grande questão é que o gelo está desaparecendo. Está derretendo mais rápido a cada vez que medimos”, afirma Levy. Não há sinais de registros geológicos que indiquem que o gelo do vale já tenha diminuído tanto no passado.
O aumento do degelo, porém, não se deve a uma elevação de temperatura na região. Foi documentada no local uma queda de temperatura de 1986 até o ano 2000, e desde então ela se mantém estável. Os autores do estudo atribuem o degelo ao aumento da radiação vinda do Sol, decorrente de uma mudança no padrão climático que fez com que uma quantidade maior de luz solar conseguisse chegar ao chão.

O solo de gelo é mais comum no Ártico do que na Antártida, cuja paisagem é dominada por geleiras e lençóis de gelo. A principal diferença entre essas formações é que o gelo do solo pode estar misturado a solo congelado ou enterrado sob camadas de sedimento. Os raios solares são refletidos por superfícies brancas, como geleiras e lençóis, enquanto superfícies escuras absorvem os raios. Assim, embora camadas grossas de sedimento isolem o gelo da luz do sol, reduzindo o derretimento, camadas mais finas provocam o efeito contrário, aquecendo o gelo próximo a elas e acelerando seu derretimento.
Segundo os pesquisadores, se a Antártida sofrer o aquecimento esperado durante o próximo século, a combinação entre o aumento da temperatura do ar e o derretimento causado pelos raios solares pode fazer com que o gelo do solo derreta de forma ainda mais rápida.