14.132 – Seu cérebro faz de tudo para não lidar com a morte, segundo estudo


morte cerebral
Os cientistas descobriram que nosso cérebro associa a morte como algo que ocorre com os outros, não com nós mesmos. “Temos esse mecanismo primordial que indica que, quando o cérebro obtém informações que se vinculam à morte, algo nos diz que não é confiável, por isso não devemos acreditar”, afirmou Yair Dor-Ziderman, coautor do estudo, ao jornal britânico The Guardian.
Para os especialistas, evitar pensamentos sobre nossa morte pode ser crucial para vivermos o presente. Esse “escudo” provavelmente é criado na infância, assim que a criança se dá conta de que pode morrer um dia. De acordo Ziderman, imaginar a própria morte “vai de encontro a toda a nossa biologia, o que está nos ajudando a permanecer vivos”.
Os pesquisadores fizeram as análises por meio de um teste que avaliou o que acontecia com o sistema nervoso dos voluntários quando eram apresentados a determinados assuntos. O experimento foi feito assim: a atividade cerebral dos participantes era monitorada enquanto eles assistiam a uma tela que mostrava diversos rostos (incluindo os deles mesmos), intercalados com palavras. Metade das palavras era relacionada com morte, como “funeral” ou “enterro”.
Os resultados mostraram que, quando a face do próprio voluntário aparecia perto de termos mórbidos, o cérebro desligava seu sistema responsável por prever o futuro. Segundo Avi Goldstein, principal autor da pesquisa, esse seria um mecanismo para nos protegermos contra ameaças ou mesmo contra a ideia de que vamos morrer.
Para contornar esses pensamentos, a central de comando do nosso corpo foca nesse risco sobre sendo dos outros – e não de nós mesmos. “Não podemos negar racionalmente que vamos morrer, mas pensamos nisso mais como algo que acontece com outras pessoas”, acrescenta Ziderman.

14.129 – Nobel de Medicina 2019


nobel medicina 2019
Os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina de 2019 foram anunciados, são eles William Kaelin e Gregg Semenza, dos EUA, e Sir Peter Ratcliffe, do Reino Unido. O prêmio foi dado pelas suas descobertas sobre como as células do nosso corpo percebem e se adaptam aos níveis de oxigênio disponível no ambiente.
Os três pesquisadores desenvolveram seus trabalhos individualmente desde os anos 1990. Juntas, suas pesquisas descrevem um importante mecanismo fisiológico – a resposta hipóxica das células – essencial para que indivíduos consigam sobreviver em lugares mais altos, onde há menor concentração de oxigênio.
Além de desvendar como esse mecanismo funciona, os organizadores do Nobel ressaltaram a importância das descobertas para futuras aplicações médicas. De acordo com o comunicado oficial, “suas descobertas também abriram o caminho para novas estratégias promissoras para combater a anemia, o câncer e muitas outras doenças.”
O que os pesquisadores descobriram
Para entender o funcionamento do mecanismo de resposta hipóxica, é preciso relembrar como é o transporte de oxigênio no corpo humano.
Ao entrar pelo sistema respiratório, o oxigênio vai para as hemoglobinas, responsáveis por levá-lo pela corrente sanguínea para o restante dos nossos tecidos. O oxigênio é um dos principais combustíveis da respiração celular, processo que acontece no interior das células fornece energia para as funções vitais do corpo.
Dentro das células, quem se encarrega disso é a mitocôndria. Lembrou das aulas do colégio? Pois é. Com a exceção de algumas bactérias e fungos, o oxigênio é indispensável para o metabolismo das células (as transformações químicas que liberam energia).
Quando se está em um ambiente com escassez de oxigênio (regiões montanhosas, por exemplo), o corpo logo começa a produzir mais hemoglobina – quanto mais células vermelhas trabalhando, maior será o aproveitamento do oxigênio disponível. Quando isso acontece, o corpo também regula a atividade metabólica das células para se adaptar ao novo cenário.
A ciência já sabia disso desde o século 20, mas os detalhes do funcionamento desse sistema a nível molecular ainda era um mistério. E é aí que entram o trabalho dos cientistas.
Gregg Semenza, professor da Universidade John Hopkins, identificou um complexo de proteínas e deu o nome de HIF – em inglês, é a sigla para “fator induzível por hipóxia” (“hipóxia” significa “baixa concentração de oxigênio”). O HIF é rapidamente destruído pelo corpo em uma situação normal. Quando o nível de oxigênio está baixo, porém, sua concentração aumenta.
Unindo os trabalhos de Peter Ratcliffe, que trabalha na Universidade de Oxford e no Instituto Francis Crick, e de William Kaelin, que dá aulas na Universidade de Harvard, os cientistas descobriram que o HIF faz com esse gene aumente a produção de um hormônio chamado eritropoietina (EPO), que por sua vez, faz aumentar a quantidade de células vermelhas que transportam oxigênio.
Qual a importância dessa descoberta
Entender esse mecanismo pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos no futuro para problemas como anemia, câncer e outras doenças.
Na China, por exemplo, um medicamento contra anemia já está à venda. O Roxadustat se aproveita do HIF para enganar o corpo, fazendo-o pensar que está em altas altitude, estimulando a produção de hemoglobinas. No momento, o remédio passa por regulação para entrar no mercado europeu.
O Nobel não é a primeira grande conquista do trio de cientistas. Em 2016, eles venceram o Prêmio Albert Lasker de Pesquisa Médica Básica – uma importante premiação que, frequentemente, canta a bola de quem serão os próximos vencedores do Nobel.
A cerimônia oficial com os vencedores desta e outras categorias do Nobel acontece no dia 10 de dezembro, e os três cientistas dividirão igualmente a quantia de 9 milhões de coroas suecas (R$3,7 milhões, aproximadamente).

14.123 – Neuro Prótese para Paraplégicos


Uma pesquisa liderada pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis permitiu que pacientes paraplégicos caminhassem. O trabalho foi publicado na revista Scientific Reports e utiliza várias abordagens combinadas para o feito. A principal delas é um dispositivo de estimulação muscular e de uma interface cérebro-máquina, que permite controlar outros aparelhos por meio do pensamento.
Na prática, o paciente imagina que sua perna está se movendo, o que aciona a contração de oito músculos naquele membro e permite que os passos sejam dados. Os dois participantes do estudo possuem paraplegia crônica e, de acordo com o artigo da equipe de Nicolelis, foram capazes de caminhar em segurança apoiados entre 65% e 70% de seu peso corporal. Além disso, deram 4580 passos durante os testes.
Melhoras
O trabalho relata que foram encontradas melhoras cardiovasculares e houve menor dependência de assistência para se locomover. Outro benefício reportado pela equipe foi uma recuperação neurológica parcial dos dois pacientes. Um deles tem 40 anos e sofreu a lesão medular há quatro, enquanto o outro tem 32 e sofreu a lesão há 10 anos.

A pesquisa faz parte do projeto Andar de novo (Walk Again Project), que é um consórcio internacional sem fins lucrativos reunindo pesquisadores dedicados a estudar a recuperação de pacientes com lesões medulares.
Esta não foi a primeira demonstração de quão promissor é o dispositivo desenvolvido pela equipe de Nicolelis, que lidera um grupo de pesquisadores na área de Neurociência na Duke University, nos Estados Unidos. Uma pesquisa desenvolvida por ele permitiu que um jovem paraplégico chutasse uma bola durante a abertura da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

14.115 – Acredite se Quiser – Cadáveres Humanos se Movimentam após a Morte


necroterio
Pesquisadores australianos descobriram que cadáveres continuam se movimentando por meses após a morte. A descoberta foi feita graças à Instalação Australiana de Pesquisa Experimental Tafonômica (AFTER, na sigla em inglês) e pode ser muito útil para a polícia.
Por 17 meses, a pesquisadora Alyson Wilson monitorou um corpo através de câmeras que, a cada 30 minutos, filmavam o cadáver. “O que descobrimos foi que os braços estavam se movendo significativamente, de modo que os membros que começavam ao lado do corpo [esticados] terminavam na lateral do corpo [dobrados]”, disse a especialiata à ABC News.
Algum movimento post-mortem era esperado nos estágios iniciais da decomposição, ela explicou, mas o fato de que o fenômeno continuou por toda a duração das filmagens foi surpreendente. “Achamos que os movimentos se relacionam com o processo de decomposição, à medida que o corpo mumifica e os ligamentos secam”, relatou Wilson.
Para a especialista, a pesquisa pode mudar a ciência forense, ensinando uma nova maneira de as autoridades investigarem mortes. Isso porque a descoberta de que os corpos se movimentam pode alterar o jeito com que os cientistas interpretam as cenas de crimes, principalmente quando os restos humanos são descobertos depois de algum tempo.
Até então, a menos que houvesse evidência de que o cadáver fora movido, os especialistas forenses geralmente presumiriam que a posição em que o corpo foi descoberto é a posição em que estava na hora da morte. “Essa pesquisa é muito importante para ajudar na aplicação da lei, a resolver crimes e também a auxiliar nas investigações de desastres”, afirmou Wilson. “É importante para as vítimas e suas famílias e, em muitos casos, dá à vítima uma ‘voz’ para contar sua última história.”

14.114 – História da Anatomia


Anatomia-metade
A história do estudo da anatomia humana é datada de 500 anos a. C. o primeiro a praticar foi Alcméon de Crotona na Itália onde ele realizou dissecações em animais mortos, um tempo depois ocorreu um estudo clínico na escola hipocrática onde descobriram a anatomia do ombro conforme foi estudado antes nos animais.

Já no século II d.C. Galeano dissecou quase tudo que tivesse vontade todos animais, aplicando depois o que identificou aplicou nos estudos da anatomia humana, desenvolvendo a doutrina da “causa final”, pois nem todos os cadáveres humanos tinham possibilidade de identificar a causa morte.

As primeiras ilustrações anatômicas impressas foram baseadas nas técnicas medievais, chamado de Fasciculus Medicinae, que era uma coleção de texto de vários autores que eram destinados aos médicos principiantes, tendo varias edições durante os séculos, as edições mais atuais já demonstravam imagens de todo o corpo humano com mais detalhes e especificações de cada órgão nas obras de Vesálio principalmente.

Vesálio e sua descoberta

Um das reproduções mais acertadas do corpo humano foi reproduzido por Andrés Vesálio em 1453,sendo um dos livros mais importantes para o homem da área de saúde, em seus escritos ele relata vários erros encontrados nos textos de Galeno seu antecessor, anos depois vários anatomistas aprimoraram as descobertas de Vesálio com imagens melhores.

14.113 – O Gás Hilariante


joseph-priestley

óxido nitroso (N2O) também conhecido como gás hilariante ou gás do riso, foi descoberto pelo cientista Inglês Joseph Priestley em 1772, que em um dos seus experimentos estava aquecendo nitrato de amônia em presença de limalha de ferro,e, em seguida passou o gás que saiu (NO) através da água,para remover os subprodutos tóxicos, produzindo assim o óxido nitroso.Sendo a seguinte reação observada.

 

2NO + H2O + Fe → N2O + Fe(OH)2

14.112 – Neurologia – Como nascem as memórias falsas


neurologia
Salvador Dalí, pintor surrealista do século 20, dizia ser dono de uma memória incomum. Ele teria lembranças detalhadas até mesmo da temporada que passou no útero de sua mãe – como se literalmente tivesse vindo ao mundo ontem.
Em sua autobiografia, A Vida Secreta de Salvador Dalí, o artista catalão chega a afirmar que memórias de uma vida entre chutes e contrações estariam ao alcance de qualquer pessoa. Bastava que fossem estimuladas por histórias (como as dele) para virem à tona.
Havia, no entanto, um porém: nada do que Dalí dizia se lembrar era real. E qualquer recordação que seus leitores porventura tivessem seria igualmente falsa. Isso ocorre por causa de uma característica única do cérebro humano: viver confundindo o que é memória com o que não passa de uma ilusão quase perfeita.
Seu cérebro acessa memórias o tempo todo. É assim que você aprende alguma coisa e depois não precisa voltar a estudá-la todos os dias – ou acorda sabendo o nome dos seus pais. A vida seria impossível se você não pudesse confiar na memória… E, ainda assim, ela não é das mais confiáveis.
O cérebro é capaz de gravar corretamente uma situação e armazená-la junto a memórias verdadeiras, sem que ela tenha ocorrido de fato. Pode ter sido contada por outra pessoa. Ou simplesmente imaginada.
É o caso de Dalí. Não há consenso entre os cientistas se é possível guardar qualquer coisa vivida antes dos 2,5 anos de idade. Alguns estudos vão além: afirmam que nenhuma memória sobrevive dos zero aos 3 – e que as primeiras memórias permanentes só surgem aos 5 anos. Um cérebro infantil, que ainda não está desenvolvido por completo, é incapaz de carregar lembranças da primeira infância até a fase adulta. E é essencial que seja exatamente assim – não só nos primeiros anos, mas ao longo da vida toda.
Estar constantemente lembrando e esquecendo é a chave para entender por que somos tão inteligentes e criativos. Aprender algo pela primeira vez é criar uma nova ligação entre áreas que nunca foram conectadas antes. E, para criar novas conexões, é preciso ter sempre espaço de sobra na memória. “Esquecer, e mais especificamente escolher o que será esquecido, também é importante para garantir que aquilo que precisa ficar cravado na memória de fato permaneça lá”, explica Giuliana Mazzoni, professora de psicologia da Universidade de Hull, na Inglaterra, e uma das principais referências do estudo de memórias falsas no mundo.
“Imagine, por exemplo, que você tenha mudado de cidade 21 vezes ao longo da vida. Se todos os 21 números de telefone que você teve vierem à mente ao mesmo tempo sempre que alguém pedir seu contato, haverá um ruído muito grande, capaz de bloquear da memória o único número que realmente importa a quem pergunta – o atual”, diz.
Nossas memórias ficam guardadas em uma região do cérebro chamada hipocampo, e são nada além de relações de afinidade entre os neurônios. Quando você memoriza alguma coisa – como a data de aniversário de sua mãe, por exemplo –, o cérebro forma conexões entre as células cerebrais que respondem por aquela informação. Se é preciso lembrar novamente a data em questão, a mesma rede de neurônios é ativada e recupera a informação correta.
Para reviver uma memória, portanto, é como se o cérebro tivesse que percorrer um caminho pré-determinado, reconectando a rede. Aí mora um problema: e se uma memória sem importância precisa ser resgatada com urgência e detalhes, anos depois de ser formada?
Para dar sentido à história, seu cérebro recorre à imaginação, preenchendo os buracos em modo automático. Como não poderia deixar de ser, ele faz esse trabalho da forma mais criativa possível, usando o que tiver à disposição. Nossa memória não se comporta como a de uma câmera digital, em que tudo, uma vez gravado, fica facilmente acessível quando se bem entende. Ela está mais para uma página de Wikipédia, que pode ser editada livremente. E o principal: ela é colaborativa. Você não é o único editor – sua memória enciclopédica também pode ser editada pelos outros.
A analogia acima é de Elizabeth Loftus, psicóloga americana que conduziu o primeiro teste de destaque envolvendo a implantação de memórias falsas em 1995. A ideia de Loftus era descobrir, nos experimentos, se era possível convencer alguém de algo que nunca viveu só na base da lábia. Algo no estilo do filme A Origem, só que com ela mesma assumindo o lugar de Leonardo DiCaprio.
A manipulação deu certo: uma em cada quatro pessoas testadas saíram dos encontros acreditando piamente ter memórias sobre os mais bizarros acontecimentos. De abduções alienígenas, beijos em sapos a até mesmo um pedido de casamento feito a uma máquina de refrigerantes, não parecia haver limites para as distorções que alguém poderia aceitar sobre a própria biografia.
Em 2015, outra pesquisadora encontrou resultados ainda mais distópicos. Em um experimento similar liderado por Julia Shaw, pesquisadora da University College, em Londres, 70% dos voluntários incorporaram memórias falsas. De machucados inventados a ataques de cachorro falsos, Shaw ainda conseguiu convencer seus voluntários a admitir pequenos crimes – furtos, por exemplo – que jamais existiram.
No primeiro momento, nenhum participante se lembrava das histórias estranhas. Mas isso mudou após gastarem alguns minutos por dia, durante três semanas, tentando visualizar a cena. Não raro, eles não apenas acreditaram no papo como descreviam o ocorrido com detalhes.
A chave para o sucesso do método estava na forma de conduzir a conversa. As histórias plantadas tinham como alicerce informações reais, dadas de antemão pelos pais das cobaias – como o nome de um amigo de infância ou da rua da casa em que viviam na época. Mescladas com informações absurdas e repetidas por vezes seguidas, o todo se tornava plausível. “Como assim você não se recorda? O cientista não mentiria para você dessa forma. Trate de se lembrar, para não passarmos vergonha”, diriam nossos neurônios, se pudessem. A fundação na realidade e a pressão da autoridade: temos aqui um belo combo para fazer o cérebro comprar a ideia de que uma lembrança existiu – e preencher incômodas lacunas com memórias falsas.
O fato de nossa memória ser manipulável e, em vários casos, pouco confiável, não costuma fazer diferença no trabalho, na escola ou em uma conversa de bar. No que se refere a obrigações legais, porém, lembrar de algo que não aconteceu pode ser a diferença entre condenar ou inocentar alguém.
Nos Estados Unidos, o Innocence Project, organização que identifica e interfere em casos de réus injustamente condenados, estima que 70% das condenações equivocadas são causadas por suspeitos reconhecidos de forma incorreta.
Não há um levantamento específico para o Brasil, mas, por aqui, o que se sabe é que os depoimentos de vítimas e testemunhas oculares são o principal tipo de evidência utilizada na condução de um processo criminal.
Um estudo realizado para o Ministério da Justiça, em 2014, mostrou que 90,3% dos profissionais que participam da investigação, como policiais, delegados, promotores e juízes, dão importância máxima a testemunhos. Além disso, 69,2% desses profissionais costumam valorizar em grandes proporções o reconhecimento facial de criminosos, eventualmente feito com base em fotografias.
O problema é que, às vezes, provas do tipo falham feio. Um exemplo de destaque foi o caso do dentista carioca André Biazucci Medeiros, que respondeu a sete acusações de estupro em 2014. Reconhecido pelas vítimas e preso, foi inocentado após exames de DNA.
Para piorar, os métodos de coleta dos testemunhos também atrapalham. Dependendo da abordagem da entrevista, a qualidade da prova pode ser comprometida – e a memória, enviesada. Fazer perguntas como “o carro era vermelho, não era?”, por exemplo, tem um impacto muito maior do que “o que você pode me dizer sobre o carro?” ou ainda “qual era a cor do carro?”.
Por esse motivo, alguns países adotam uma técnica chamada entrevista cognitiva, que evita questionamentos do tipo. Por lá, o controle da conversa precisa estar nas mãos de quem responde, não de quem pergunta. Segundo Gustavo Noronha de Ávila, professor de ciências jurídicas e pesquisador que integrou o estudo para o MJ, abordagens diferentes “podem legitimar condenações em série, com base em provas frágeis do ponto de vista científico”.

14.110 – Medicina – Reposição Hormonal Masculina


andropausa
A deficiência androgênica (diminuição da produção do hormônio masculino) está presente em cerca de 15% dos homens entre 50 e 60 anos, chegando a 50%, ou mais, dos homens com 80 anos.
Durante o envelhecimento, ocorre uma diminuição lenta e gradual dos níveis de testosterona. Com isso podem surgir sintomas que podem indicar a necessidade de reposição hormonal em uma parcela dos homens.
Os principais sintomas que podem sugerir a reposição hormonal são: declínio do interesse sexual; dificuldade de ereção; falta de concentração e capacidade intelectual; perda de pelos; ganho de peso à custa de gordura; diminuição de massa e força muscular; irritabilidade e insônia; entre outros. Os sintomas não são específicos e podem ocorrer em outras condições, que não a deficiência de testosterona.
A diminuição de produção hormonal masculina, diferentemente da Menopausa, não determina o fim da fertilidade para o homem, apenas uma diminuição dela.
A Terapia de Reposição Hormonal Masculina deve ser indicada para todos os homens que apresentam os sintomas de queda hormonal e que não apresentem contraindicações para seu uso. Ela pode ser administrada através de gel, adesivos cutâneos ou injeções.
Antes de recorrer à terapia, é necessário que o paciente comprove a queda na taxa de hormônios, através de exames laboratoriais, com acompanhamento médico.
Entre as contraindicações para Terapia Hormonal Masculina está a suspeita ou caso confirmado de câncer de próstata ou de mama masculina. O acompanhamento médico durante o tratamento é primordial para a segurança do paciente.
Estilo de vida saudável, conquistado com uma dieta equilibrada, a prática de exercícios físicos de forma regular, uma boa qualidade do sono, não fumar e não engordar são ótima recomendações que podem retardar ou impedir o aparecimento da deficiência de testosterona e seus sintomas.
As medicações para reposição hormonal masculina não devem ser usadas para ganho muscular ou melhora do desempenho atlético de maneira abusiva. Elas podem causar graves efeitos colaterais e sérios danos à saúde.
Quando bem indicada, e feita com acompanhamento médico, a reposição hormonal traz benefícios aos homens, como melhora da libido, perda de peso, aumento da massa muscular e da densidade óssea.

14.105 – AI, DS – Cientistas modificam células sanguíneas para torná-las resistentes ao HIV


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Pesquisadores chineses usaram a técnica de edição de genes conhecida como CRISPR para tentar bloquear o HIV, fabricando células sanguíneas resistentes à doença. Um experimento similar contra o vírus já tinha sido feito antes com animais, mas dessa vez os cientistas modificaram o método e garantem que ele foi seguro em um teste clínico com um voluntário.
Foram modificadas células-tronco sanguíneas e células progenitoras provenientes de um doador — ambas são capazes de se diferenciar em diferentes tipos de tecido no organismo. Depois, elas foram transplantadas em um paciente de 27 anos de idade que tinha leucemia e e era portador do vírus HIV.
O fato do paciente ter câncer ajudou os pesquisadores, pois normalmente ele já passava por transplantes para tratar a leucemia. A diferença foi que a técnica CRISPR foi adicionada ao procedimento.
Meses depois o paciente parou de tomar seu coquetel de medicamentos contra o HIV para descobrir se havia sido curado. Entretanto, a carga de vírus no organismo voltou a subir —isso porque as células geneticamente modificadas para resistirem à doença substituíram apenas 5% das células de defesa.
Mesmo que a técnica CRISPR não tenha sido completamente eficaz para alcançar uma cura, como o voluntário não apresentou nenhum efeito colateral ao transplante, isso é uma grande conquista para os cientistas, que pretendem ter resultados superiores para chegar a um tratamento definitivo para o HIV.

14.094 – Vem aí a Comida de Laboratório


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Se hoje somos 7,7 bilhões de pessoas no planeta, em 2050, seremos 10 bilhões, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A produção de comida terá de ser 70% maior e, de preferência, prejudicando o mínimo possível o meio ambiente. Para isso, precisamos rever como nos alimentamos. O último Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, divulgado em agosto, estabelece que precisamos reduzir o consumo de carnes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. O documento destaca que dietas baseadas em proteína animal contribuem com o desmatamento de importantes biomas do mundo, como a Amazônia, e defende uma alimentação rica principalmente em vegetais.

A grande aposta da indústria nesse sentido é desenvolver carnes à base de plantas ou de células de animais — com sabor, textura e qualidade nutricional iguais aos da carne de um bicho. “É um mercado ainda em desenvolvimento, mas não tem volta”, diz Jayme Nunes, biólogo da Merck, empresa alemã de ciência e tecnologia que investiu, no ano passado, 7,5 milhões de euros na startup Mosa Meat, fundada pelo cientista Mark Post.
Em 2013, Post apresentou o primeiro hambúrguer de laboratório do mundo, criado a partir de células de uma vaca. Para elaborar o disco de carne sem matar o animal, o professor da Universidade de Maastricht (Holanda) desenvolveu um método que usa células-tronco retiradas do músculo bovino. O resto do processo acontece no laboratório: em um biorreator, as células-tronco se transformam em células musculares. O resultado é uma pasta de carne que pode ser moldada.

A produção do primeiro hambúrguer de Post custou US$ 325 mil. Hoje, o valor fica entre US$ 9 mil e U$S 10 mil — e o preço promete cair ainda mais nas próximas décadas. “A tendência é de que custe US$ 50 em 2030, quando a carne deve estar disponível em restaurantes do guia Michelin”, estima Nunes. Ele acredita que, em 2050, a carne de células será vendida por US$ 20 o quilo, diretamente ao consumidor.

Enquanto as opções conhecidas como cell-based (baseado em células, em tradução livre) ainda engatinham, já é possível comprar hambúrgueres plant-based (à base de plantas) a preços acessíveis. Nos EUA, duas empresas se destacam: a Beyond Meat foi a primeira a ter seu hambúrguer de óleo de coco, romã e beterraba nos supermercados do país, em maio de 2016; já a Impossible Foods, que lançou um hambúrguer de plantas em julho do mesmo ano, inovou ao fazer a peça “sangrar”. Na lista de ingredientes estão proteína isolada de soja, proteína de batata e óleos de coco e de girassol. O sabor e o aspecto vermelho vêm da leghemoglobina de soja, uma proteína encontrada na raiz de leguminosas. Assim como a hemoglobina, presente no sangue de animais e humanos, ela é composta de glóbulos vermelhos — a responsável, portanto, pelo tom avermelhado.
O uso da leghemoglobina chamou a atenção da Food and Drug Administration (FDA), agência norte-americana que regula alimentos e remédios, pelo alto potencial alergênico. No dia 31 de julho, porém, a FDA concluiu que a proteína é segura para consumo e autorizou a venda do Impossible Burger em mercados a partir de 4 de setembro. O produto já era comercializado em restaurantes desde 2016, e tem se popularizado cada vez mais.

Em agosto, o Burger King anunciou nas lojas dos EUA uma versão do sanduíche Whopper feita com o Impossible Burger. No dia 10 de setembro, a novidade desembarca no Brasil. Aqui, no entanto, o hambúrguer vegetal da rede de fast-food será da Marfrig, gigante brasileira da indústria da carne que acaba de entrar para o time dos fabricantes de produtos plant-based.

14.090 – Cadê Meu Elixir da Longa Vida? Cientistas na busca da “cura” do envelhecimento


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Um dos mitos da Grécia Antiga, que remonta a 700 a.C., conta a história de amor de Eos, a deusa do amanhecer, e Titono, irmão mais velho do rei de Troia. Eos se apaixonou por Titono e pediu a Zeus que concedesse a ele a imortalidade dos deuses. Mas se esqueceu de pedir eterna juventude. Titono viveu por anos a fio, definhando, esquecido pela própria Eos, que o trancou em um quarto escuro até que, finalmente, ele se transformou em uma cigarra.
Alguns milênios depois, a longa busca da humanidade pela vida e juventude eternas ganha, pela primeira vez, contornos científicos. No Vale do Silício, pesquisadores têm tentado unir medicina e tecnologia para encontrar maneiras de nos fazer viver mais e mais jovens, encarando o envelhecimento como uma causa para as tantas doenças associadas a ele e, portanto, passível de tratamento ou mesmo cura.
“Depois de assegurar níveis sem precedentes de prosperidade, saúde e harmonia, e considerando nossa história pregressa com nossos valores atuais, as próximas metas da humanidade serão provavelmente a imortalidade, a felicidade e a divindade”, escreveu Yuval Harari em Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, best-seller publicado no Brasil em 2016 pela Companhia das Letras. “Reduzimos a mortalidade por inanição, a doença e a violência; objetivaremos agora superar a velhice e mesmo a morte”, sentencia o professor de História da Universidade Hebraica de Jerusalém.
O primeiro laboratório biomédico dos Estados Unidos dedicado inteiramente a pesquisar o envelhecimento foi criado em 1999 em Novato, na Baía de São Francisco, a poucos quilômetros do Vale do Silício. Com a missão de acabar com as doenças relacionadas à passagem do tempo, o Instituto Buck acredita que é possível as pessoas aproveitarem a vida aos 95 anos tanto quanto o faziam aos 25.
“Nesses anos de pesquisa, chegamos a duas conclusões: a primeira é de que podemos mudar o ritmo do envelhecimento em animais, modificando a genética e a alimentação”, diz o geneticista Gordon Lithgow, chefe de pesquisas no instituto. “A segunda é que o processo de envelhecimento é um gatilho — ou mesmo uma causa — para as doenças crônicas em idade avançada.” A grande hipótese, segundo Lithgow, é que a medicina talvez esteja olhando para as doenças crônicas associadas ao envelhecimento da forma errada — e, se conseguirmos reverter ou retardar o processo, talvez seja possível proteger o corpo dos danos causados por ele.
Além do Buck, laboratórios como o Calico e o Unity Biotechnology têm como objetivos explícitos “resolver a morte” e “combater os efeitos do envelhecimento” e são financiados pelos bilionários Sergey Brin e Larry Page, fundadores do Google, Jeff Bezos, da Amazon, e Peter Thiel, do PayPal. Mas é a Fundação SENS, criada em 2009 pelo cientista da computação inglês Aubrey de Grey, entre outros nomes, que desperta as maiores polêmicas na comunidade científica.
Na visão de Aubrey de Grey, de 56 anos, o envelhecimento deve ser tratado como um fenômeno simples, e nosso corpo visto como uma máquina ou uma engenhoca que pode ser consertada. “O motivo de termos carros que ainda rodam após cem anos é o fato de eliminarmos os estragos antes mesmo de as portas caírem. O mesmo vale para o corpo humano”, afirmou o britânico em entrevista.
Para desenvolver o modelo que chama de SENS, sigla para Strategies for Engineered Negligible Senescence (estratégias para engenharia de uma senescência negligenciável, em tradução livre), ele olhou para os principais processos que levam ao envelhecimento conhecidos hoje: perda e degeneração das células; acúmulo de células indesejáveis, como de gordura ou senescentes (velhas); mutações nos cromossomos e nas mitocôndrias; acúmulo de “lixo” dentro e fora das células, o que pode causar problemas em seu funcionamento; ligações cruzadas em proteínas fora da célula, que podem gerar perda de elasticidade no tecido em questão.

Para De Grey, basta tratar cada um desses itens e pronto: nossos problemas de saúde que surgem com a idade acabariam — quase tão simples quanto aplicar e remover um filtro do FaceApp, aplicativo que se tornou febre nas redes sociais nas últimas semanas, com um algoritmo que faz uma simulação fotográfica da aparência que poderemos ter quando mais velhos. “Não haveria limite, assim como não há limite para os carros funcionarem. Morreríamos somente de causas que não têm a ver com quanto tempo atrás nascemos. Impactos de asteroides, acidentes etc.”

14.085 – Farmacologia – A Silimarina


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É um fármaco utilizado pela medicina como protetor do fígado. É um composto extraído do fruto da Silybum marianum. Deve ser comercializado na forma de extrato seco padronizado, contendo flavonoides.
Age aumentando a síntese de RNA e também impedindo a peroxidação dos lipidos da membrana celular e dos organelos dos hepatócitos.
Hoje em dia, a Silimarina é muito usada por pessoas que ingerem grandes quantidades de álcool, pois ela protege o fígado atacado fortemente pelo álcool, e também usada por atletas que fazem uso de anabolizantes que atacam o fígado.
Silibinina é o principal componente ativo da silimarina, que é extraida da planta medicinal Silybum marianum, é uma espécie de planta com flor pertencente à família Compostae.
A autoridade científica da espécie é (L.) Gaertn., tendo sido publicada em De Fructibus et Seminibus Plantarum
É utilizado no tratamento e prevenção de doenças do fígado através de sua ação anti-hepatotóxica.
Fígado (do latim ficatu) é a maior glândula e o segundo maior órgão do corpo humano. Funciona tanto como glândula exócrina, liberando secreções num sistema de canais que se abrem numa superfície externa, como glândula endócrina, uma vez que também libera substâncias no sangue ou nos vasos linfáticos. Localiza-se no hipocôndrio direito, epigástrio e pequena porção do hipocôndrio esquerdo, sob o diafragma e seu peso aproximado é cerca de 1,3-1,5 kg no homem adulto e um pouco menos na mulher.
Na primeira infância é um órgão tão grande, que pode ser sentido abaixo da margem inferior das costelas, ao lado direito.

Funções
Em algumas espécies animais o metabolismo alcança a atividade máxima logo depois da alimentação; isto lhes diminui a capacidade de reação a estímulos externos. Em outras espécies, o controle metabólico é estacionário, sem diminuição desta reação. A diferença é determinada pelo fígado e sua função reguladora, órgão básico da coordenação fisiológica.

Entre algumas das funções do fígado, podemos citar[4][5]:

produção de bile;
síntese do colesterol;
conversão de amônia em ureia;
desintoxicação do organismo;
síntese de protrombina e fibrinogênio (fatores de coagulação do sangue);
destruição das hemácias;
síntese, armazenamento e quebra do glicogênio;
emulsificação de gorduras no processo digestivo, através da secreção da bile;
lipogênese, a produção de triacilglicerol (gorduras);
armazenamento das vitaminas A, B12, D, E e K;
armazenamento de alguns minerais como o ferro;
síntese de albumina (importante para a osmolaridade do sangue);
síntese de angiotensinógeno (hormônio que aumenta a pressão sanguínea quando ativado pela renina);
reciclagem de hormônios;
no primeiro trimestre de gestação é o principal produtor de eritrócitos, porém perde essa função nas últimas semanas de gestação.

Uma usina de processamento
Além das funções citadas acima, este órgão efetua aproximadamente 220 funções diferentes, todas interligadas e correlacionadas. Para o entendimento do funcionamento dinâmico e complexo do fígado, podemos dizer que uma das suas principais atividades é a formação e excreção da bile.
as células hepáticas produzem em torno de 1,5 l por dia, descarregando-a através do ducto hepático. A transformação de glicose em glicogênio, este conhecido como amido animal, e seu armazenamento, se dá nas células hepáticas. Ligada a este processo, há a regulação e a organização de proteínas e gorduras em estruturas químicas utilizáveis pelo organismo da concentração dos aminoácidos no sangue, que resulta na conversão de glicose, esta utilizada pelo organismo no seu metabolismo. Neste mesmo processo, o subproduto resulta em ureia, eliminada pelo rim. Além disso, paralelamente existe a elaboração da albumina, e do fibrinogênio, isto tudo ao mesmo tempo em que ocorre a desintegração dos glóbulos vermelhos. Durante este processo, também age em diversos outros, tudo simultaneamente, destruindo, reprocessando e reconstruindo, como se fossem vários órgãos independentes, por exemplo, enquanto destrói as hemácias, o fígado forma o sangue no embrião; a heparina; a vitamina A a partir do caroteno, entre outros.
O fígado, além de produzir em seus processos diversos elementos vitais, ainda age como um depósito, armazenando água, ferro, cobre e as vitaminas A, vitamina D e complexo B.
Durante o seu funcionamento produz calor, participando da regulação do volume sanguíneo; tem ação antitóxica importante, processando e eliminando os elementos nocivos de bebidas alcoólicas, café, barbitúricos, gorduras entre outros. Além disso, tem um papel vital no processo de absorção de alimentos.
As impurezas são filtradas pelo fígado, que destrói as substâncias tissulares transportadas pelo sangue. Os lipídios, glicídios, proteínas, vitaminas, etc, vindos pelo sangue venoso, são transformados em diversos subprodutos. Os glicídeos são convertidos em glicose, que metabolizada se converte em glicogênio, e, novamente convertida em açúcar que é liberado para o sangue quando o nível de plasma cai. As células de Kupffer, que se encontram nos sinusoides, agem sobre as células sanguíneas que já não têm vitalidade, e sobre bactérias, sendo decompostas e convertidas em hemoglobina e proteínas, gerando a bilirrubina, que é coletada pelos condutores biliares, que passam entre cordões dessas células que segregam bílis; esta, por sua vez, vai se deslocando para condutos de maior calibre, até chegar ao canal hepático, (também chamado de ducto hepático, ou duto hepático); neste, une-se numa forquilha em forma de Y com o ducto cístico, chegando à vesícula biliar. Da junção em Y, o ducto biliar comum estende-se até o duodeno, primeiro trecho do intestino delgado, onde a bílis vai se misturar ao alimento para participar da digestão. O alimento decomposto atravessa as paredes permeáveis do intestino delgado e suas moléculas penetram na corrente sanguínea. A veia porta conduz estas ao fígado, que as combina e recombina, enviando-as para o resto do organismo.
Em casos de impactos muito fortes, pode haver ruptura da cápsula que recobre o fígado, com a imediata laceração do tecido do órgão. As lesões em geral são alarmantes e de extrema gravidade, podendo ser muitas vezes fatais, devido à enorme quantidade de sangue que pode ser perdida, dado o grande número de vasos sanguíneos que compõem o órgão. Se em caso de acidente grave, e consequente lesão, a pessoa sobreviver, o fígado geralmente demonstrará alto e rápido poder de regeneração.

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14.078 – Correr turbina o cérebro?


Se você está querendo exercitar o cérebro, mas não pretende enfiar a cara nos livros, aí vai uma sugestão: corra. E olha, óbvio que se for para uma biblioteca pode ser ótimo para a educação, mas seu destino nem é tão importante assim. O principal aqui é que você use a corrida como exercício.
Pesquisadores da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, estão afirmando que correr pode aumentar o número de células cerebrais — pelo menos em ratos. Os cientistas colocaram os roedores para malhar em três equipes diferentes: a primeira corria, outra levantava peso, e a última fazia um treinamento de alta intensidade, um crossfit para ratinhos. A conclusão foi que, enquanto o primeiro grupo demonstrou uma multiplicação nas células do cérebro, os outros dois times não tiveram nenhuma mudança significativa.
Os exercícios foram adaptados para o corpo dos animais. Para o time da corrida, uma pequena esteira foi colocada para os ratos, que corriam por meia hora durante três dias da semana. No caso dos que levantavam peso, amarraram pequenos pesos aos rabos dos roedores e os fizeram subir escadas. O terceiro grupo fazia o rato correr com arrancadas maiores e depois diminuir a velocidade, mas aplicando choques para fazer o animal correr sempre no seu limite.
De acordo com a pesquisa, o estresse pode estar relacionado com o fato de as células não se reproduzirem nos outros casos. Tanto o levantamento de peso quanto o treinamento de alta intensidade deixavam os ratos mais estressados. “Estresse é comumente considerado um inibidor na neurogênese adulta”, explica o texto. Por outro lado, os ratos que resolveram correr na esteira por livre e espontânea vontade foram os que registraram o maior número de células cerebrais.
Apesar de não mostrar um aumento no número de células, Miriam Nokia, autora da pesquisa, afirma que os benefícios cerebrais de levantar peso podem existir, só que ainda não foram notados. “Os efeitos do treino anaeróbico sobre o cérebro em definitivamente, algo que eu quero estudar mais”, disse Nokia em entrevista ao site americano.

14.077 – Turbinando os Neurônios


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Seu cérebro é uma metamorfose ambulante. E até coisas banais, como tocar violão ou sair com os amigos, podem ajudá-lo a funcionar melhor. “A massa cinzenta é extremamente plástica”, diz Sidarta Ribeiro, um dos mais influentes neurologistas do país. “E o que mais ajuda é ler muito e conversar.” Mas não fica nisso: se você quiser aprimorar uma área específica, como a matemática ou a capacidade de leitura, tem como fazer isso de um jeito inusitado. Uma pesquisa publicada em 2008 por um consórcio de 7 grandes universidades americanas mostrou algo que parecia pouco provável: música e teatro aumentam a capacidade de concentração e geram ganhos tão significativos para a memória que você tem como extrapolar a melhora para outras áreas. Eles observaram que quem treina para tocar um instrumento parece ficar mais habilidoso em geometria e a compreender melhor um texto. Quem faz teatro, por fim, fica com a memória mais apurada, pelo hábito de decorar textos e interpretá-los no palco, e aumenta o nível de atenção – algo fundamental para aprender qualquer coisa. E a coisa não pára por aí. A escola de medicina de Harvard conduziu uma experiência ainda mais surpreendente em 2007. Neurocientistas de lá colocaram voluntários para tocar exercícios fáceis de piano. Eles treinaram duas horas por dia durante uma semana. Depois os pesquisadores escanearam o cérebro do pessoal. E viram que a área da massa cinzenta responsável pelos movimentos dos dedos havia crescido. Calma, essa ainda não é a parte insólita. Outros estudos já tinham mostrado que o cérebro é capaz de fazer isso quando você treina um pouco. A surpresa mesmo veio quando pegaram outro grupo e pediram que eles só imaginassem que estavam tocando piano. Resultado: o cérebro deles reagiu da mesma forma. Isso mostrou que o pensamento puro e simples é capaz de mudar a estrutura da mente. Tem mais. A psicóloga Carol Dwek, da Universidade de Stanford, mostrou que até “pensamento positivo” funciona. Ela dividiu centenas de estudantes em dois grupos: os que achavam que sua inteligência era fixa e os que pensavam que ela podia mudar. Nos dois anos seguintes, o segundo grupo se deu melhor nos estudos.

Claro que nada disso pode fazer milagres com o cérebro: até 80% do seu QI já veio de fábrica com você. Mas que dá para trabalhar o resto, dá: o negócio é manter a mente ativa do jeito que você bem entender. E seguir as outras dicas que você vai ver aqui.

Coma nozes
“Dieta variada, exercícios físicos e uma boa noite de sono melhoram nossa capacidade cognitiva”, afirma o neurocirurgião Fernando Gómez-Pinilla, da Universidade da Califórnia. Ele diz que os ácidos graxos ômega 3, encontrados em nozes, óleos vegetais, salmão e outros peixes, são ótimos para o aprendizado e a memória. Nossas sinapses também gostam de ácido fólico (a vitamina B9, presente em vísceras de animais, verduras, legumes e grãos) e detestam gorduras trans e saturadas. Além disso, técnicas de ioga ajudam no raciocínio porque corrigem a respiração e mantêm o suprimento de oxigênio ao cérebro. Pelo mesmo motivo, qualquer caminhada já favorece a cognição.

Não se afobe
O psiquiatra americano Edward Hallowell ensina: quando topar com um teste difícil de resolver, conte até 20, tentando baixar a freqüência do pulso e da respiração. Isso é uma boa forma de mandar ao cérebro um sinal de que está tudo ok. Também não se afobe ao ler um texto longo: a compreensão aumenta quando baixamos a velocidade da leitura.

Compre um Nintendo
Videogames exigem tanta atividade cerebral que, sim, podem deixar qualquer um mais inteligente. Essa tese começou a ganhar terreno em 2005, com o livro Everything Bad Is Good for You (“Tudo o Que É Bom É Ruim para Você”), do jornalista científico Steven Johnson. E hoje, com cada vez mais pesquisas mostrando que o simples fato de manter a cabeça ativa aumenta a cognição, ela vem ganhando terreno. Mas espere aí: se games melhoram o cérebro de forma indireta, por que não fazer um jogo que tenha como objetivo deixar os usuários mais espertos? Foi justamente o que a Nintendo fez em 2006. Era o Brain Age, um game projetado para melhorar a capacidade de raciocínio. Ele foi concebido a partir de idéias do neurocientista Ryuta Kawashima. O japonês observou que, quando alguém está trabalhando em algo muito complicado, como equações de física quântica, usa só algumas áreas do cérebro. Mas, se a tarefa for fazer uma seqüência de cálculos fáceis (tipo 3 + 2, 4 – 1, 9 + 3…), só que num ritmo frenético, um atrás do outro, acontece um fenômeno: seu cérebro vira um céu de Copacabana no Ano-Novo. Neurônios começam a pipocar suas descargas elétricas em todos os cantos da massa cinzenta. Esse é o objetivo do Brain Age: jogar problemas fáceis em seqüências estroboscópicas. E isso, pela teoria de Kawashima, funcionaria como uma academia para o cérebro. Além de seqüências de contas, o Brain Age tem outros jogos parecidos, como mostrar uma série de números espalhados na tela por um piscar de olhos, depois esconder tudo e pedir que você clique onde eles estavam, em ordem crescente. Outro puxa sua capacidade de concentração ao limite mostrando o nome de cores na tela, mas nas “cores erradas”, tipo a palavra “azul” escrita em amarelo. E desafia você a dizer qual é a pigmentação das letras. Parece fácil, mas é o suficiente para derreter os neurônios. Com essas coisas, o Brain Age vendeu 15 milhões de cópias. O êxito fez surgir uma série de clones do jogo.

E as drogas?
Alguns remédios podem bombar o raciocínio, em geral alterando o equilíbrio de neurotransmissores envolvidos nesse processo. Mas cuidado. As estrelas entre as “drogas da inteligência” são o metilfenidato (Ritalin) e o modafinil (Provigil). O primeiro é indicado para o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, enquanto o modafinil serve para combater a sonolência. Mas um recente relatório da Academia de Ciências Médicas de Londres afirma que eles ajudam a melhorar a atenção e a memória de pessoas saudáveis. O relatório também alerta para os perigos de comprar esses compostos sem orientação médica. O aderal, por exemplo, pode melhorar a concentração, mas também causar ataque cardíaco; o aniracetam ajuda na memória, mas gera ansiedade e insônia; as metanfetaminas contribuem para a concentração, e também para derrames cerebrais. Já a vasopressina, um hormônio para o tratamento do diabetes, ajuda na memória e no aprendizado. Por outro lado, seu consumo desordenado gera náuseas, anginas e coma.
E tem a velha nicotina. Estudos mostram que ela parece aumentar a interação entre os neurônios, o que favorece a atenção. Mas o preço a pagar por ela você sabe qual é. Segundo Gabriel Horn, da Universidade de Cambridge, mais de 500 substâncias como essas estão sendo pesquisadas – em geral para o tratamento de Alzheimer, Parkinson e outras doenças degenerativas. A maioria provavelmente terá seu uso restringido por agências reguladoras, mas algumas devem chegar às farmácias em breve.
Não basta ser, tem que parecer. Dividir uma conta de bar de cabeça, saber com que países a Lituânia, o Chade ou o Butão fazem fronteira e responder testes de inteligência mais rápido que os outros é privilégio de poucos. Mas, com estes truques aqui, qualquer ignóbil pode posar de Prêmio Nobel! Pode testar: eles ajudam sua cabeça a fazer coisas que nem ela acredita.

14.068 – Células endoteliais podem produzir grandes quantidades de células-tronco adultas


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Um salto para tornar amplamente disponível a terapia com células-tronco, pesquisadores do Instituto Ansary Stem Cell da Weill Cornell Medical College descobriram que as células endoteliais, os blocos de construção mais básicos do sistema vascular, produzem fatores de crescimento que podem produzir grandes quantidades de células-tronco adultas e sua progênie ao longo de semanas. Até agora, as culturas de células-tronco adultas morreriam em quatro ou cinco dias, apesar dos melhores esforços para cultivá-las.
“Esta é uma pesquisa inovadora com potencial aplicação para regeneração de órgãos e inibição do crescimento de células cancerígenas”, disse o Dr. Antonio M. Gotto Jr., o Stephen e Suzanne Weiss Dean do Weill Cornell Medical College e Provost for Medical Affairs da Cornell University. “Somos gratos a Shahla e Hushang Ansary por terem fundado este Instituto e a Iniciativa Tri-Institucional de Células-Tronco da Fundação Starr para apoio contínuo.”
Esta nova descoberta estabelece o conceito inovador de que os vasos sanguíneos não são apenas condutos passivos para a entrega de oxigênio e nutrientes, mas também são programados para manter e proliferar células-tronco e suas formas maduras em órgãos adultos. Usando uma nova abordagem para aproveitar o potencial das células endoteliais “co-cultivando-as” com células-tronco, os pesquisadores descobriram os meios para fabricar um suprimento ilimitado de células-tronco relacionadas com o sangue que podem eventualmente garantir que qualquer pessoa que precise de um transplante de medula óssea pode conseguir um.
O modelo de células vasculares estabelecido neste estudo também poderia ser usado para cultivar abundantes células-tronco funcionais de outros órgãos, como cérebro, coração, pele e pulmões. Um artigo detalhando essas descobertas aparece na edição de 5 de março da revista Cell Stem Cell.
Em órgãos adultos, existem poucas células-tronco que surgem naturalmente, portanto, usá-las para a regeneração de órgãos é impraticável. Até agora, as estratégias para expandir as culturas de células-tronco adultas, que invariavelmente usavam fatores de crescimento baseados em animais, soro e células alimentadoras manipuladas geneticamente, foram apenas marginalmente bem-sucedidas. Este estudo, que emprega células endoteliais para propagar células-tronco sem adição de fatores de crescimento e soro, provavelmente irá revolucionar o uso de células-tronco adultas para regeneração de órgãos, bem como decifrar a fisiologia complexa das células-tronco adultas.
“Este estudo terá um grande impacto no tratamento de qualquer distúrbio relacionado ao sangue que requeira um transplante de células-tronco”, diz o autor sênior do estudo, Dr. Shahin Rafii, o professor Arthur B. Belfer em Medicina Genética, co-diretor de o Ansary Stem Cell Institute e um investigador do Instituto Médico Howard Hughes, no Weill Cornell Medical College. Atualmente, as células-tronco derivadas da medula óssea ou do sangue do cordão umbilical são usadas para tratar pacientes que necessitam de transplante de medula óssea. A maioria dos transplantes de células-tronco é bem-sucedida, mas devido à escassez de células da medula óssea e do cordão umbilical geneticamente equiparadas, muitos pacientes não podem se beneficiar do procedimento.
“Nas últimas décadas, fundos substanciais foram gastos para desenvolver plataformas para expandir as culturas de células-tronco adultas, mas esses esforços nunca conseguiram convencer uma célula-tronco adulta a se renovar depois de alguns dias”, continua Dr. Rafii. . “A maioria das células-tronco, mesmo na presença de múltiplos fatores de crescimento, soro e suporte de células estromais não-endoteliais genéricas, morre após alguns dias. Agora, empregando nossas co-culturas de células-tronco endoteliais, podemos propagar um feto adulto de boa-fé células na ausência de fatores externos e soro além de 21 dias com um índice de expansão de mais de 400 vezes”.
Se esta estratégia de expansão de células-tronco vasculares continuar a ser validada, os médicos poderiam usar qualquer fonte de células-tronco hematopoiéticas (produtoras de sangue), propagá-las exponencialmente e depositar as células para transplante em pacientes.
De fato, o estudo demonstra como essa nova plataforma de células vasculares ou “nicho vascular” pode se auto-renovar células-tronco adultas hematopoiéticas por semanas, in vitro e in vivo, co-cultivando-as em um leito de células endoteliais. Os pesquisadores escolheram as células endoteliais porque estão em contato próximo com as células-tronco do sangue, e trabalhos anteriores do laboratório de Rafii demonstraram que as células endoteliais produzem novos fatores de crescimento ativos para células-tronco. No entanto, a manutenção das células endoteliais é incômoda e, se não forem “alimentadas” substâncias específicas, como fatores de crescimento conhecidos como “fatores angiogênicos”, elas morrem imediatamente. Para contornar este problema, Os pesquisadores manipularam geneticamente as células endoteliais para permanecer em um estado de sobrevivência a longo prazo, inserindo um gene recentemente descoberto clonado de adenovírus, que não promove a transformação oncogênica das células humanas. Esta descoberta anterior, usando um único gene para colocar as células endoteliais em um estado de “animação suspensa” de longa duração sem prejudicar sua capacidade de produzir vasos sanguíneos, também foi descoberta no laboratório do Dr. Rafii e publicada na revista Proceedings of National Academy Sciences. 2008.

Células endoteliais podem gerar células-tronco e sua progênie diferenciada
Neste estudo, os pesquisadores também descobriram que as células endoteliais não só poderiam expandir as células-tronco, mas também instruir as células-tronco a gerar progênies maduras diferenciadas que poderiam formar células imunes, plaquetas e glóbulos vermelhos e brancos, que constituem o sangue funcional.
“Nós somos o primeiro grupo a demonstrar que as células endoteliais elaboram um repertório de fatores de crescimento ativos de células-tronco que não apenas estimulam a expansão das células-tronco, mas também orquestram a diferenciação dessas células em sua progênie madura”, diz o Dr. Jason Butler. investigador sênior no Weill Cornell Medical College e primeiro autor do estudo. “Por exemplo, descobrimos que a expressão de fatores ativos específicos de células-tronco, nomeadamente os ligantes Notch, pelas células endoteliais que revestem a parede dos vasos sanguíneos em atividade, promovem a proliferação das células-tronco formadoras de sangue. A inibição desses fatores específicos as células endoteliais resultaram na falha da regeneração das células-tronco formadoras de sangue, sugerindo que as células endoteliais são diretamente, através da expressão de citocinas ativas de células-tronco,
Além disso, descrevendo este conceito inovador, em um artigo de alto impacto publicado na edição de janeiro de 2010 da Nature Reviews Cancer, Drs. Rafii e Butler, e o Dr. Hideki Kobayashi, que também é co-autor do estudo atual, elaboraram fatores de crescimento específicos produzidos por células endoteliais que promovem o crescimento de células tumorais além de células-tronco.
O desenvolvimento da tecnologia de células vasculares que suporta o crescimento duradouro de células-tronco também permitirá aos cientistas gerar fontes abundantes de células-tronco funcionais e malignas para estudos genéticos e básicos. Este estudo também resolveu uma controvérsia de longa data na qual vários grupos afirmaram que as células formadoras de osso (osteoblastos) apóiam exclusivamente a expansão de células-tronco formadoras de sangue. “No entanto, usando uma abordagem de imagem molecular altamente sofisticada, mostramos que a regeneração de células-tronco formadoras de sangue na medula óssea está em íntimo contato com os vasos sanguíneos, indicando que as células endoteliais são o regulador predominante da repopulação de células-tronco na medula óssea adulta”. “, afirma o Dr. Daniel Nolan, um cientista sênior no laboratório do Dr. Rafii e co-autor do novo estudo.
Uma outra preocupação importante abordada neste estudo foi se a expansão forçada das células-tronco durante um longo período de tempo induziria mutações cancerígenas nas células-tronco. No entanto, os autores deste estudo mostram que, mesmo após um ano, não houve indicação de formação de tumor, como as leucemias, quando as células-tronco expandidas foram transplantadas de volta para camundongos. Isso sugere que as células endoteliais fornecem um meio que prolifera as células-tronco sem criar risco de câncer.
O avanço atual representa a culminação de muitos anos de trabalho do Dr. Rafii e seu laboratório, incluindo suas pesquisas na conversão de células-tronco espermatogoniais de ratos adultos em células endoteliais (Nature, setembro de 2007) e na obtenção de células endoteliais copiosas e estáveis ​​de tronco embrionário humano. (Nature Biotechnology, 17 de janeiro de 2010).
A capacidade de gerar muitas células endoteliais estáveis ​​a partir de células-tronco embrionárias humanas leva a novas oportunidades de pesquisa, de acordo com o Dr. Zev Rosenwaks, co-autor do estudo e diretor e médico-chefe do Ronald O. Perelman e Claudia Cohen Centro de Medicina Reprodutiva, bem como o diretor da Unidade de Derivação Tri-Institucional de Células-Tronco na Weill Cornell Medical College.
Dr. Rosenwaks diz: “A geração de células endoteliais derivadas de células-tronco embrionárias doentes que estão sendo propagadas em nossa Unidade de Derivação abrirá novas vias de pesquisa para espionar molecularmente a comunicação entre células vasculares e células-tronco. Essa linha inovadora de investigação – – determinar como as células vasculares humanas normais e anormais induzem a formação de órgãos durante o desenvolvimento dos embriões e como a disfunção das células endoteliais resulta em defeitos de desenvolvimento – lançará as bases para novas plataformas de regeneração de órgãos terapêuticos. ”
Dr. Rafii vê ainda mais oportunidades. “A identificação de fatores de crescimento ainda não reconhecidos produzidos por endotélio humano derivado de células embrionárias e células endoteliais adultas que suportam a expansão e diferenciação de células-tronco estabelecerá uma nova arena na biologia de células-tronco. Poderemos ativar seletivamente células endoteliais não apenas para induzir regeneração de órgãos, mas também para inibir especificamente a produção de fatores derivados de células endoteliais, a fim de bloquear o crescimento de tumores.Nossos resultados são os primeiros passos em direção a tais objetivos e destacam o potencial das células vasculares para gerar células-tronco suficientes para órgãos terapêuticos regeneração, alvejamento de tumor e aplicações de terapia gênica “, conclui o Dr. Rafii.

Fonte: Nature

14.067 – Medicina – Estão Chegando os Órgãos Artificiais


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De acordo com o Ministério da Saúde, só no Brasil, são mais de 40 mil pessoas na fila de espera para um transplante de órgão. Apesar de salvar vidas, muitas pessoas ainda se recusam a doar órgãos. A taxa de rejeição a doação em nosso país é de 43%, enquanto que a média mundial é de 25%.
São números bastante significativos e que custam a vida de muitas pessoas todos os anos. No primeiro trimestre de 2018, 664 pessoas morreram na fila de espera pela doação de um órgão que fosse compatível. Por isso, sem dúvida alguma, os órgãos artificiais têm uma grande importância para a medicina e ajudará a salvar milhares de vidas.
O primeiro transplante da história foi realizado entre gêmeos. Um transplante de rim realizado em 1954 pelo médico Joseph Murray foi um grande sucesso e um marco na história da medicina. Isso foi realizado com o objetivo de evitar a rejeição dos órgãos, mas, de lá para cá, muita coisa mudou.
Hoje, existem medicamentos imunossupressores que são capazes de evitar essa rejeição e, assim, aumentar o sucesso do transplante.
Há, basicamente, dois tipos de transplante: o autólogo e o alogênico. No primeiro caso, o órgão ou tecido é retirado da própria pessoa e implantado em outra parte do corpo. Já no segundo caso, o receptor recebe uma parte do corpo de outra pessoa, conhecida como doadora.
O grande problema do transplante é a questão da compatibilidade entre os indivíduos. Quando o órgão implantado não é compatível com o corpo, os anticorpos começam a atacar, destruindo o que consideram um “agente invasor”. O paciente acaba indo a óbito.
Nesse aspecto, o uso dos órgãos artificiais seria um grande avanço nas cirurgias de transplantes, evitando essa incompatibilidade.
A ideia é que, até 2021, os órgãos artificiais sejam bastante populares. Quando algum órgão do corpo humano entrar em falência, como o pâncreas — que pode reduzir drasticamente ou mesmo parar a produção de insulina –, possa ser rapidamente substituído por um órgão artificial. Este, por sua vez, conseguirá exercer todas as funções do órgão original.
Os órgãos artificiais já estão sendo produzidos em laboratório com a ajuda de uma impressora 3D e de outros diversos equipamentos. Um excelente exemplo é o de um coração artificial que já está sendo criado e também um pâncreas. Eles já foram, inclusive, aprovados pelo órgão institucional que cuida dos alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration).
São inovações que levam esperanças para milhares de pessoas. Por exemplo, um pâncreas artificial pode representar a cura para o diabetes, uma doença que atinge mais de 14 milhões de brasileiros, sendo que muitos ainda não sabem que são portadores da doença.
Atualmente, no Brasil, a tecnologia já permite que tecidos mais simples sejam fabricados em laboratório: valvas cardíacas, vasos sanguíneos, pele, ossos e outros tecidos de baixa complexidade. Para que o órgão artificial possa substituir o de origem, são usadas as biomoléculas (fragmentos de células-tronco), que são fatores de crescimento e, assim, conseguem aumentar a produção de células nesse órgão.
Depois de algum tempo, em um ambiente propício, as células começam a ocupar o lugar do polímero, dando uma estrutura biológica ao órgão em questão. Ocorrerá uma diferenciação específica e as células passam a apresentar as características de uma determinada parte do corpo. Tudo isso graças aos avanços em estudos com as células-tronco e ao seu poder de diferenciação e regeneração de tecidos.
A grande dificuldade na criação dos órgãos artificiais é justamente a elevada complexidade de alguns deles. Por exemplo, no coração, encontramos diversos tipos de tecidos. É também um órgão repleto de cavidades e com uma rica rede de vascularização.
Uma das formas encontradas de tentar driblar esse bloqueio foi o uso da impressão em 3D, ou melhor dizendo, o uso da bioimpressão. Ela funciona de forma bem simples: uma substância chamada de hidrogel, rica em células e biomoléculas, é colocada, na impressora que consegue imprimir o órgão exatamente da forma desejada. Por exemplo, pode-se usar um exame de imagem 3D para replicar, com exatidão, o coração de um indivíduo.

Quais são os principais tecidos desenvolvidos?
Muitos órgãos e diversas partes do corpo estão sendo transformados em órgãos artificiais. Veja abaixo quais são os principais e que estão em processo de criação:

Pele
Há um tempo considerável os pesquisadores já estão trabalhando na criação da pele humana em laboratório. Células humanas são cultivadas e então são introduzidas em uma estrutura feita de colágeno. Com essa técnica, é possível produzir até 5 mil lâminas de tecido epitelial por mês.

Vasos sanguíneos
A criação de novos vasos sanguíneos artificiais pode ser a esperança para o tratamento de problemas diabéticos, renais e cardíacos. Muitos testes já estão sendo realizados com a utilização das células dos próprios pacientes.

Fígado
A espera por esse órgão costuma formar uma longa fila. Diversas doenças como a hepatite tendem a destruir o fígado e, assim, esse órgão precisa ser rapidamente substituído.
É um dos mais complexos e, consequentemente, o que os cientistas sentem maior dificuldade em reproduzir, sem contar o seu tamanho. Mas algumas miniaturas já foram criadas e o transplante em ratos tem dado resultados muito positivos.

Bexiga
A bexiga é um dos órgãos artificiais que já estão sendo testados em humanos e vem apresentando um resultado bastante positivo. A bexiga artificial é produzida a partir de células dos próprios pacientes e levam cerca de 2 meses para serem produzidos.

Traqueia
A traqueia é outro órgão artificial que já está sendo testado em seres humanos. Uma menina nos EUA recebeu uma traqueia artificial fabricada a partir de suas próprias células. Ela nasceu sem o órgão e sem a réplica artificial só sobreviveria com a ajuda de aparelhos.

Coração
Por ser um órgão bastante complexo, nenhum dos corações artificiais já produzidos foram capazes de substituir com maestria o órgão original. Atualmente, estão sendo realizados testes em ratos com um coração feito a partir de tecido animal. Alguns pesquisadores estimam que um coração artificial funcional conseguirá ser produzido até 2030.

Orelha
Uma orelha artificial já foi produzida em laboratório com a utilização de células e cartilagem produzida em laboratório. Ficou conhecida como orelha biônica, pois consegue captar outras frequências que os ouvidos humanos não são capazes de ouvir.

O pesquisador do Instituto de Medicina Regenerativa da Universidade Wake Forest, nos Estados Unidos, Anthony Atala, deu uma das palestras de maior repercussão da edição de 2011 do TED — conferência anual na Califórnia que reúne pensadores para apresentar suas melhores ideias em palestras de 15 minutos. No palco, Atala segurou nas mãos o molde de um rim impresso no dia anterior. O processo levou sete horas e usou células humanas e materiais biológicos que são inseridos no cartucho de uma impressora 3D. Em casos assim, o paciente teria o corpo escaneado para que se identificasse o formato exato do órgão a ser reproduzido. Ainda em desenvolvimento — por enquanto é possível imprimir apenas a carcaça do órgão, mas não sua parte interna —, o método sinaliza o início de uma espécie de revolução industrial dos transplantes. Uma era em que pode ser possível produzir órgãos em larga escala e até sob encomenda. “Queremos resolver o problema das longas filas de espera pelos transplantes”, afirmou Atala em entrevista à galileu. No Brasil, elas duram, em média, quatro anos. E 70% das cirurgias são para ganhar um novo rim.

As tecnologias emergentes que mais apontam para a produção em massa de órgãos e tecidos a partir de materiais biológicos são novíssimas impressoras 3D. Usando células do próprio paciente em vez de tinta, espera-se que a precisão robótica destas máquinas imprima estruturas de órgãos para transplantes. No ano passado, a start-up de biotecnologia norte-americana Organovo lançou a primeira máquina comercial para imprimir tecido humano. Fabricada para pesquisas desenvolvidas em laboratórios universitários, custa cerca de US$ 250 mil e produz vasos sanguíneos. A máquina já imprimiu estruturas de órgãos implantados em animais. “Chegaremos ao ponto de fabricar órgãos prontos para serem transplantados em pessoas”, afirmou à galileu o cientista húngaro Gabor Forgacs, um dos fundadores da Organovo e inventor do protótipo da impressora.

 DAS MÃOS ÀS MÁQUINAS

Anthony Atala é um pioneiro da fabricação de órgãos. Quatro dias após sua palestra no TED, ele, que é urologista pediátrico, publicou em um dos mais importantes periódicos científicos do mundo, The Lancet, o resultado de um estudo que acompanhou cinco mexicanos de 10 a 14 anos após receberem, em 2004, transplante de uretras criadas em seu laboratório. Os órgãos funcionaram normalmente ao longo dos seis anos de monitoramento. Em 1998, sua equipe já havia criado e implantado bexigas em nove crianças, tornando-se a primeira a transplantar em pessoas órgãos feitos em laboratório.

Atualmente, Atala e sua equipe desenvolvem e testam mais de 30 tipos de tecidos e órgãos, entre eles pele, rins, pâncreas, fígado e válvulas cardíacas. O cientista leva cerca de seis semanas para fabricar um órgão oco e relativamente simples como uma bexiga. O processo começa com a coleta de um pedaço de tecido, menor que a metade de um selo postal, da bexiga do paciente. Depois, as células são cultivadas em laboratório e colocadas dentro e fora de uma carcaça feita à base de colágeno. Assim, elas se espalham e se organizam por conta própria. Na última etapa, o órgão “semeado” é colocado em uma espécie de forno que simula as condições de um corpo humano, com 370 C de temperatura e 95% de oxigênio. Por utilizar células do paciente, o procedimento diminui muito as chances de rejeição.

Em outubro do ano passado, pesquisadores do mesmo instituto desenvolveram uma miniatura funcional de um fígado humano. Os cientistas retiraram o órgão de um animal morto. O fígado foi lavado com um detergente neutro para remover todas as células, deixando apenas o esqueleto de colágeno do órgão original. Feito isso, células humanas foram inseridas no suporte natural. Após uma semana dentro de uma máquina bombeada por nutrientes e oxigênio, o tecido de fígado humano começou a ser formado. Até agora, órgãos produzidos por este processo não foram colocados em pessoas. Mas é assim que Atala pretende fazer o primeiro transplante de rim de laboratório. O método também pode reutilizar órgãos humanos.

 PEÇA COM ANTECEDÊNCIA

Além da redução das filas para transplantes, a produção de órgãos em escala traria a diminuição de custos. Um procedimento como o dos garotos que receberam as uretras criadas no laboratório de Atala sai por cerca de US$ 5 mil (e não está disponível para o público). “O interesse comercial nestas tecnologias deve estimular sua industrialização e reduzir preços”, diz Atala. Ainda assim, a fabricação não será instantânea. O ideal, então, poderá ser a encomenda antecipada. “Se sua família tiver um histórico de problemas cardíacos, poderemos produzir vasos sanguíneos e guardá-los para o dia em que você precisar deles”, diz Forgacs, da Organovo. Com fabricação em massa e sob encomenda, você poderá comprar uma bexiga ou fígado novo quando os seus falharem. Quem sabe até parcelar no cartão.

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14.060 – Religião Viking


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Os povos Vikings, que habitaram a Escandinávia (atual Noruega, Suécia e Finlândia), no Norte da Europa, possuíam crenças religiosas pagãs, ou seja, não cristãs. Os mitos religiosos desses povos são conhecidos hoje como mitologia nórdica.
Os Vikings não eram extremamente religiosos, sendo o culto aos deuses realizado em épocas específicas ou em ocasiões individuais, isto é, quando uma pessoa procurava o favor divino. Um exemplo de festival religioso dos nórdicos era o Jól (também conhecido como Yule), que era realizado no inverno e que foi depois apropriado pelos cristãos e transformado na comemoração do nascimento de Cristo, o Natal. Outro exemplo de festival religioso é o Álfablót, que é visto de acordo com as fontes originais como festival de cura ou de celebração dos ancestrais. Já o culto individual estava relacionado com pedidos aos deuses e normalmente apresentava pequenos sacrifícios ou pequenos rituais de magia.
Apesar de não possuírem uma classe de sacerdotes dedicada à religião, essa função, principalmente nos rituais e festivais, era realizada pelos reis ou nobres em espaços sagrados ou templos construídos para finalidades religiosas, como o Templo de Uppsala, na Suécia. Os vikings acreditavam em seres míticos, como elfos (Álfar) e anões (Dvergar), além de gigantes (Jötunn) e dragões. Um ser mítico importante na religião viking era as Nornas, que eram seres divinos que regiam o destino dos homens. A visão de universo dos nórdicos estava centralizada na Yggdrasil, um freixo que interligava os nove mundos existentes.
Possuíam como principal deus Odin, considerado o deus mais poderoso da religião nórdica e chamado de “pai dos deuses”. Conforme Johnni Langer:
Outros deuses importantes eram Thor, Freyja, Balder, Týr, Loki etc. O fim do mundo para os nórdicos aconteceria no chamado Crepúsculo dos deuses (Ragnarök), no qual os deuses seriam destruídos, assim como parte do universo, após uma batalha final. Entretanto, estudos recentes defendem a influência do cristianismo no Ragnarök, e outros apontam que o mito do fim do universo possuía pouca influência na religiosidade viking. Os vikings foram gradativamente sendo cristianizados a partir do século X, com a religiosidade tradicional vinda do paganismo ficando restrita ao ambiente privado e presente no folclore popular nórdico.

14.058 – O Fim do Mundo Segundo os Vikings


fim do mundo viking
Ragnarök é o termo dado à crença dos vikings a respeito da morte de seus deuses e do fim da era em que viviam. A palavra Ragnarök tem origem no nórdico antigo, e sua tradução, segundo Johnni Langer, é “consumação dos destinos dos poderes supremos”.
Na crença dos vikings, o Ragnarök consistiria em uma sucessão de eventos catastróficos que levariam à destruição do Universo e à morte de parte dos deuses.
Importante frisar que o termo “viking” é utilizado para se referir aos povos nórdicos que habitavam a Escandinávia durante a Era Viking, que abrange o período de 793 a 1066. Esse período iniciou-se com as navegações realizadas pelos nórdicos, responsáveis por levá-los para diversos locais, como Islândia, norte da França, América do Norte, etc.
O que é Ragnarök?
Ragnarök é o termo usado para se referir aos eventos narrados em alguns registros escandinavos que mostram como os vikings acreditavam que o Universo em que viviam acabaria. Esse tipo de discurso que retrata o fim do homem e do mundo é chamado de escatologia. Para os vikings, o Ragnarök seria marcado por grandes batalhas entre deuses, gigantes e outras figuras míticas.
Na narrativa nórdica, os eventos do Ragnarök seriam antecedidos por um período chamado fimbulvetr, em que ocorreriam três longos invernos consecutivos. Nesse período, o mundo ficaria coberto com geadas, e a violência tomaria conta do mundo. A respeito desse acontecimento, o registro nórdico narra o seguinte:
Após o longo inverno, a sequência de novos acontecimentos seria o prelúdio de que o Ragnarok iniciava-se. Os nórdicos acreditavam que dois lobos (Skoll e Hati) finalmente alcançariam e devorariam o sol e a lua, depois de persegui-los eternamente. É importante observar que, para os nórdicos, a lua era um personagem masculino, e o sol, um personagem feminino.

Após isso, a escatologia nórdica afirmava que estrelas desapareceriam, aconteceriam tremores na terra, árvores seriam arrancadas e, finalmente, todas as correntes seriam quebradas. Nisso, os filhos de Loki (filho de Odin) marchariam para Midgard (mundo dos homens) para a batalha final. Os filhos de Loki que teriam papéis de destaque no Ragnarök eram o lobo Fenrir, a serpente que circundava o mundo chamada Jörmungandr e a deusa do mundo dos mortos chamada Hel.
Loki, por sua vez, navegaria rumo ao local da batalha final com o gigante de gelo Hrymir e seu exército no navio Naglfar. Esse navio era produzido com restos das unhas de todos os soldados que haviam morrido em batalha. Finalmente, Surtur e outros gigantes de fogo destruiriam a ponte Bifrost, que ligava Asgard (morada dos deuses) à Midgard.
Quando essa sucessão de eventos acontecesse, Heimdall, o guardião da Bifrost, soaria sua corneta e convocaria os deuses para que a batalha final fosse travada. Os exércitos que lutariam contra as forças de Loki seriam formados pelos deuses de Asgard, pelos einherjar
A luta que seria travada a partir dali teria o seguinte desfecho:
Odin lutaria contra o lobo Fenrir e seria devorado.

Vídar, filho de Odin, mataria o lobo Fenrir.

Thor, filho de Odin, lutaria contra Jormungandr, mataria a serpente, mas seria morto por seu veneno.

Frey (deus da fertilidade, relacionada à agricultura) lutaria contra Surtur e seria morto pelo gigante de fogo.

Týr (deus da justiça) lutaria contra Garmr, o cão que protege o mundo dos mortos, e ambos morreriam.

Loki lutaria contra Heimdall, e ambos morreriam na luta.

Por fim, Surtur incendiaria todo o Universo.

O Ragnarök sugere que o Universo seria destruído conforme mencionado, mas registros nórdicos também retratam o surgimento de um novo mundo. Esse mundo emergiria do mar e seria uma terra verde e bela, inicialmente habitada por um casal de humanos (Lif e Lifthrasir) que sobreviveram ao Ragnarök. Esse mundo que surgiria seria governado por Vidar e Vali, filhos de Odin e sobreviventes do Ragnarök, e contaria também com a presença de outros deuses: Modi, Magni, Balder e Hödr.
Quais são as fontes que registram o Ragnarök?
Os eventos relacionados ao Ragnarök foram registrados em diversos documentos que retratam a cosmologia (visão de mundo) dos nórdicos. O principal registro que menciona o Ragnarök é chamado Edda em Prosa, em especial um trecho do capítulo “Gylfaginning” (“O logro de Gylfi”).
A Edda Poética também é um documento que contém algumas menções ao Ragnarök, com destaque para o poema “Völuspá” (“A profecia da vidente”). Segundo aponta Johnni Langer, outros poemas da Edda Poética mencionam o Ragnarök, como “Lokasenna” (“O sarcasmo de Loki”) e “Vafþrúðnismál” (“A balada de Váfthrudnir”).
A Edda em Prosa é um documento escrito pelo historiador e poeta islandês Snorri Sturluson por volta do ano 1220. Essa obra foi dividida em vários capítulos, e um deles, em específico, organizou as crenças e os mitos da religião dos nórdicos.
A Edda Poética, por sua vez, é uma coleção de poemas nórdicos que narram diferentes histórias sobre os deuses em que os vikings acreditavam. Os poemas da Edda Poética fazem parte de um manuscrito chamado Codex Regius, encontrado na Islândia em 1643. O autor desses poemas é desconhecido até hoje.
A respeito do Ragnarök, existe uma certa contestação a respeito da veracidade desse mito, se de fato ele pertencia à crença religiosa dos vikings. Isso porque as evidências a respeito do Ragnarök são bem escassas. Existem aqueles que afirmam que a crença no Ragnarök é uma influência do Cristianismo na religiosidade dos vikings, mas não há consenso acadêmico sobre isso.
O historiador Johnni Langer sugere que a crença dos escandinavos no Ragnarök pode ter sido fruto da observação astronômica, mas também sugere que, se o Ragnarök não possui influências cristãs, pode não ter tido grande relevância na mentalidade nórdica, pois os registros, como citado, são bem raros.

14.051 – História do Alcoolismo


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Para a Igreja, as bebidas alcoólicas levavam à loucura. Mas nativos e escravos apreciavam – e muito – as aguardentes
A aguardente de cana exercia um efeito devastador sobre a comunidade indígena. Esta foi a mensagem que o padre alemão João Brawer – que participava de uma missão na aldeia de Ibiapaba, no Ceará – escreveu em carta enviada à rainha portuguesa D. Maria Ana em 1750. Segundo o religioso, a bebida roubava toda a vontade própria dos índios, era “fonte de muitas desordens, pois com ela se ferem e matam uns aos outros” e houve até “quem, na embriaguez, vibrou a si próprio umas poucas facadas no ventre”. O uso do álcool era incentivado pelos colonos, que tinham a nítida intenção de transformar os nativos em uma mão de obra que jamais questionaria as vontades de seus senhores.
Mas, entre os tupinambás, a embriaguez ritual provocada pelo cauim – uma bebida fermentada à base de mandioca, milho e frutas – era absolutamente normal em festas, casamentos, funerais e até em decisões políticas. Nas cauinagens, algumas iniciativas consideradas agressivas eram toleradas, como brigar entre guerreiros da mesma tribo e atear fogo às malocas. Aqueles que cometiam o maior número de desatinos mereciam mais consideração dos companheiros, pois os índios acreditavam que a bebida, de certo modo, conservava o seu equilíbrio psíquico. Mas os missionários cristãos não pensavam do mesmo modo.
Uma das razões pelas quais os jesuítas aportaram na costa brasileira a partir do século XVI foi servir ao aparelho ideológico da Coroa lusitana. Aliando elementos da cultura dos nativos com preceitos cristãos europeus, os religiosos compuseram um código de doutrinas morais que deveria ser um instrumento de controle social. Quanto ao consumo de álcool, “moderação” era o termo que melhor se aplicava à conduta que eles julgavam ser ideal. Combater as bebedeiras estava na ordem do dia.
Mas, na contramão do que a Igreja aconselhava, a oferta de aguardente se espalhou pelo território luso-americano a partir da metade do século XVIII. A novidade desestabilizou os povos nativos e obrigou os jesuítas a controlar a disseminação do álcool para que pudessem dar continuidade à catequese. Os religiosos até recorreram a um visitador inquisitorial, como no caso da carta do padre Brawer.
O ideal da moderação foi herdado do moralismo cristão medieval de São Tomás de Aquino (1225-1274), filósofo escolástico para quem o álcool era a causa de todos os pecados e vícios. Este modelo de conduta foi sintetizado pelo agricultor lusitano Vicênio Alarte em 1712, em texto que fazia referência ao vinho: “a primeira vez, quando se come, era necessário para a sede; a segunda, para a alegria; a terceira, para o deleite; e a quarta, para a loucura e desatino”. Ou seja, havia um limite tolerável para o consumo do vinho que, quando ultrapassado, levava à loucura – que era um desvio moral, não uma doença.
Além de fazer parte dos rituais cristãos, o vinho era tido como energizante e possuidor de efeitos terapêuticos. Também prevalecia na América portuguesa uma certa valorização do vinho europeu em detrimento da aguardente local. O cirurgião lisboeta Luís Gomes Ferreira defendeu, em 1735, que “não há coisa alguma nelas [nas Minas] que seja mais prejudicial à saúde, assim de pretos como de brancos, como é a dita aguardente (…); quando queremos afirmar que uma coisa não presta para nada dizemos que é uma ‘cachaça’”. Representantes do poder português, os médicos e cirurgiões só aceitavam que a aguardente proveniente doReino fosse utilizada como remédio, para combater doenças pulmonares, gota e hidropisia. Mesmo assim, essas restrições não impediram que as aguardentes aparecessem na sociedade colonial em circunstâncias que não interessavam às autoridades.
A própria circulação do álcool extrapolou as aldeias indígenas. De acordo com os relatos do jesuíta italiano João Antônio Andreoni (1649-1716), que visitou os engenhos baianos na virada para o século XVIII, havia uma orientação para que os escravos evitassem a garapa azeda, um produto clandestino e alcoolizado, e preferissem a doce, um derivado não alcoólico. O jesuíta achava que, para resolver o problema da embriaguez dos cativos, a melhor solução era fazer com que os senhores determinassem as datas mais adequadas para se beber – dias santos e feriados – e que substâncias poderiam ser ingeridas nessas ocasiões. Para o padre, era importante que o senhor se tornasse uma espécie de tutor dos negros e os fizesse admitir as vantagens de manter a sobriedade.
Mas tentar domesticar a vida íntima dos cativos, não foi, de maneira alguma, uma manobra eficaz. Havia festas em que a bebedeira ia além do que a Igreja poderia prever, e fazia com que os escravos se permitissem acessos de luxúria, comessem em excesso, dançassem sem parar e cometessem toda espécie de pecado que “aproximava os homens do demônio”. Teólogos e moralistas viam essas reuniões como momentos de sacrilégios e blasfêmias.
Havia negros que guardavam dinheiro para comprar aguardente e, consequentemente, oferecer a bebida aos amigos, nas festas ou durante as refeições. Nestes casos, a cachaça cumpria a função social de reforçar os laços de solidariedade entre os cativos. Não por acaso, tanto os religiosos como a própria Coroa não mediam esforços para tentar resolver a “questão das aguardentes”. Diversas ordens e pareceres foram editados ao longo do século XVIII com o intuito de regular a produção, a distribuição, a troca e o consumo de bebidas alcoólicas, sobretudo na capitania mineira.
Por temerem revoltas, as autoridades estavam sempre atentas à circulação da bebida, que aproximava escravos e homens livres pobres nas tabernas (mineiras) e festas. Tanto que o rendeiro Francisco Machado de Souza, em 1738, teve que suplicar ao rei que libertasse seu escravo Thomas Mina, que havia sido surpreendido por oficiais quando foi comprar cachaça. Mesmo alegando que iria oferecer doses da bebida em uma festa de batizado da qual seria o padrinho, Thomas foi preso pelo simples fato de portar a substância. As visitações episcopais também se encarregavam da perseguição ao uso de bebidas estimulando a denúncia de ebriedade.
Um certo José Pereira também sofreu com a sentença que recebeu em 1773. Preso por embriaguez, ele foi solto com a condição de que apresentasse, a cada três meses, uma “certidão de bem-viver”. Sem o documento, que devia ser emitido pela comunidade – enfatizando que a embriaguez era prejudicial por perturbar o “sossego público” –, ele teria que ser enviado na mesma hora para a prisão mineira do Cuieté. Havia, portanto, um modelo cristão e moderador na sociedade, que verificava como devia ser o comportamento dos cidadãos em relação à bebida e que fiscalizava a sobriedade alheia.
A embriaguez, portanto, aparecia como uma manifestação de imoralidade e fonte de pecados e arruaças. Por isso, o poder colonial pressionava, perseguia e prendia os beberrões. Apesar dos embates travados por escravos, homens livres e povos indígenas contra as autoridades, talvez ainda sobreviva entre nós algo desta herança colonial da ideologia da moderação relativa às nossas formas de beber.

lei seca

14.050 – Alcoolismo – Embriaguez e suicídio de indígenas na atualidade


alcoolismo indios
O corpo de Brasil Lopes, índio da etnia Caiuá, foi encontrado na manhã do dia 19 de maio de 2011 na aldeia Bororó, no Mato Grosso do Sul. Ele se enforcou depois de passar a noite embriagado. Longe de ser um caso isolado, o excesso do consumo de bebidas alcoólicas e o suicídio entre as populações indígenas têm chamado a atenção das autoridades públicas. Já em 2000, a Fundação Nacional do Índio (Funai) indicou, a partir de um estudo, que o alcoolismo estava entre as enfermidades mais comuns nos grupos indígenas brasileiros. A Comissão Especial sobre as Causas e Consequências do Consumo Abusivo de Bebida Alcoólica, da Câmara de Deputados Federal, chegou a organizar um debate, em junho, sobre a ingestão exagerada feita pelos índios. Uma das questões abordadas foi justamente a relação entre o abuso de álcool e o aumento de suicídios.
Segundo informações do Distrito Sanitário Especial Indígena dessa região, a média de suicídios entre índios do Alto Solimões, na Amazônia, chegou a ser quase oito vezes maior que a média nacional em 2008, que varia de 3,9 a 4,5 para cada 100 mil habitantes. Embora seja preciso levar em conta os aspectos culturais, como os sentidos da morte para os diferentes grupos, o elevado número de suicídios, que chegou a 38,32 para cada 100 mil habitantes na região, pode ter no consumo excessivo de álcool uma de suas causas. Reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo, exibida em 30 de janeiro de 2011, apresentou diversos exemplos que indicaram o tamanho da questão, como o caso da índia Márcia Soares Isnardi, de 21 anos, da aldeia Bororó, que morreu depois de ter consumido bebida alcoólica.
Além dos suicídios, o alcoolismo também está diretamente ligado ao agravamento dos casos de violência nessas comunidades. Em outubro de2010, após seminário promovido pelo Ministério Público de Tocantins, foram criadas algumas normas para tentar coibir o consumo de álcool e drogas nas aldeias da nação Karajá daquele estado e do Mato Grosso. Foi instituída, por exemplo, a criação de uma polícia indígena destinada a proteger os integrantes das aldeias de pessoas violentas devido à embriaguez, bem como incentivos à prática de esportes. Tentativas de interromper o crescimento dessa estatística assustadora.