14.160 – Bangladesh pode ser 1º país a cultivar arroz criado para combater cegueira infantil


O arroz dourado foi criado há duas décadas com a proposta de oferecer um aporte maior de vitamina A para prevenir a cegueira infantil e outras doenças ligadas à falta do nutriente em países em desenvolvimento. O produto é resultado do trabalho de dois cientistas alemães, Ingo Potrykus e Peter Beyer, que na época faziam pesquisa em laboratórios do AgCenter, da Universidade do Estado da Luisiana, nos Estados Unidos.
Por ser um produto geneticamento modificado, o alimento virou alvo de críticas mundo afora – e nenhum país aceitou a missão de cultivá-lo. Mas isso pode mudar em breve: Bangladesh está prestes a aprovar o cultivo do arroz dourado no país e, se isso acontecer, fazendeiros poderão plantá-lo a partir de 2021.
Agora, a dupla de pesquisadores tem uma parceria com a empresa agroquímica Syngenta para produzir o arroz. Eles doaram também plantas transgênicas a vários institutos de pesquisa para a modificação dos genes do alimento. O objetivo é criar outras linhagens do arroz dourado para climas e dietas diferentes.
Em Bangladesh, o arroz ganhou uma nova adaptação, feita pelo Instituto Inernacional de Pesquisas sobre Arroz (IRRI, na sigla em inglês), que fica nas Filipinas. Testes prévios não indicam qualquer dificuldade de plantio ou perda de qualidade no alimento, em comparação com o arroz não modificado geneticamente.
O arroz transgênico se diferencia apenas pela alta quantidade de betacaroteno (vitamina A), presente naturalmente em alimentos como cenoura, espinafre e batata-doce. A deficiência desse nutriente é crítica em países como China, Índia e Bangladesh, onde 20% das crianças sofrem com esse déficit nutricional.
Por enquanto, alguns membros do comitê que irá aprovar o arroz dourado no país asiático permanecem contrários ao alimento por considerarem que ele pode apresentar riscos ao meio ambiente e à saúde. Se for aprovado, deve ainda passar por testes de qualidade.
Em outros países, como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, plantações de arroz dourado já são permitidas, mas mesmo nessas nações ainda não há planos governamentais para começar a cultivar o alimento em larga escala.

14.154 – Cientistas aliam medicina e tecnologia para (tentar) vencer o envelhecimento


MEDICINA simbolo
Um dos mitos da Grécia Antiga, que remonta a 700 a.C., conta a história de amor de Eos, a deusa do amanhecer, e Titono, irmão mais velho do rei de Troia. Eos se apaixonou por Titono e pediu a Zeus que concedesse a ele a imortalidade dos deuses. Mas se esqueceu de pedir eterna juventude. Titono viveu por anos a fio, definhando, esquecido pela própria Eos, que o trancou em um quarto escuro até que, finalmente, ele se transformou em uma cigarra.
Alguns milênios depois, a longa busca da humanidade pela vida e juventude eternas ganha, pela primeira vez, contornos científicos. No Vale do Silício, pesquisadores têm tentado unir medicina e tecnologia para encontrar maneiras de nos fazer viver mais e mais jovens, encarando o envelhecimento como uma causa para as tantas doenças associadas a ele e, portanto, passível de tratamento ou mesmo cura.
“Depois de assegurar níveis sem precedentes de prosperidade, saúde e harmonia, e considerando nossa história pregressa com nossos valores atuais, as próximas metas da humanidade serão provavelmente a imortalidade, a felicidade e a divindade”, escreveu Yuval Harari em Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, best-seller publicado no Brasil em 2016 pela Companhia das Letras. “Reduzimos a mortalidade por inanição, a doença e a violência; objetivaremos agora superar a velhice e mesmo a morte”, sentencia o professor de História da Universidade Hebraica de Jerusalém.
O primeiro laboratório biomédico dos Estados Unidos dedicado inteiramente a pesquisar o envelhecimento foi criado em 1999 em Novato, na Baía de São Francisco, a poucos quilômetros do Vale do Silício. Com a missão de acabar com as doenças relacionadas à passagem do tempo, o Instituto Buck acredita que é possível as pessoas aproveitarem a vida aos 95 anos tanto quanto o faziam aos 25.
Além do Buck, laboratórios como o Calico e o Unity Biotechnology têm como objetivos explícitos “resolver a morte” e “combater os efeitos do envelhecimento” e são financiados pelos bilionários Sergey Brin e Larry Page, fundadores do Google, Jeff Bezos, da Amazon, e Peter Thiel, do PayPal. Mas é a Fundação SENS, criada em 2009 pelo cientista da computação inglês Aubrey de Grey, entre outros nomes, que desperta as maiores polêmicas na comunidade científica.
Homo machina
Na visão de Aubrey de Grey, de 56 anos, o envelhecimento deve ser tratado como um fenômeno simples, e nosso corpo visto como uma máquina ou uma engenhoca que pode ser consertada. “O motivo de termos carros que ainda rodam após cem anos é o fato de eliminarmos os estragos antes mesmo de as portas caírem. O mesmo vale para o corpo humano”.
Para desenvolver o modelo que chama de SENS, sigla para Strategies for Engineered Negligible Senescence (estratégias para engenharia de uma senescência negligenciável, em tradução livre), ele olhou para os principais processos que levam ao envelhecimento conhecidos hoje: perda e degeneração das células; acúmulo de células indesejáveis, como de gordura ou senescentes (velhas); mutações nos cromossomos e nas mitocôndrias; acúmulo de “lixo” dentro e fora das células, o que pode causar problemas em seu funcionamento; ligações cruzadas em proteínas fora da célula, que podem gerar perda de elasticidade no tecido em questão.
O motivo de termos carrros que ainda rodam após cem anos é o fato de eliminarmos os estragos antes mesmo de as portas caírem. O mesmo val para o corpo humano”Aubrey de Grey, cientista da computação
Para De Grey, basta tratar cada um desses itens e pronto: nossos problemas de saúde que surgem com a idade acabariam — quase tão simples quanto aplicar e remover um filtro do FaceApp, aplicativo que se tornou febre nas redes sociais nas últimas semanas, com um algoritmo que faz uma simulação fotográfica da aparência que poderemos ter quando mais velhos. “Não haveria limite, assim como não há limite para os carros funcionarem. Morreríamos somente de causas que não têm a ver com quanto tempo atrás nascemos. Impactos de asteroides, acidentes etc.”
Entre os tratamentos propostos pelo cientista — e pelos defensores do antienvelhecimento — estão transfusões periódicas de células da medula em tecidos nos quais as células não são substituídas após a morte, como o cérebro e o coração, e o uso de medicamentos ou vacinas que estimulam o sistema imunológico a combater os danos causados pelas próprias células.
Uma revisão de estudos feita pelos pesquisadores do Buck publicada em julho deste ano na revista científica Nature aponta as duas principais substâncias que se mostraram promissoras no retardamento do envelhecimento em animais, a rapamicina e a metformina. Descoberta pela primeira vez nos anos 1970, a rapamicina inibe o mecanismo molecular chamado mTOR, que controla a divisão, a multiplicação e o envelhecimento das células. Em um experimento feito com ratos, o tempo de vida dos roedores que ingeriram a substância aumentou 14%. Mas ela também suprime o sistema imunológico — não à toa, é usada como imunossupressor para diminuir o risco de rejeição em transplantes de órgãos.
A metformina, por sua vez, é usada no tratamento de diabetes tipo 2 desde a década de 1960. Nos últimos anos, algumas pesquisas realizadas em animais identificaram que ela pode atuar nas funções das mitocôndrias (estruturas responsáveis pela respiração celular) para diminuir inflamações e desacelerar o envelhecimento das células. Também é associada à diminuição do risco de tumores. Segundo a revisão na Nature, os testes clínicos em humanos voltados especificamente para os efeitos no combate ao envelhecimento com a rapamicina e a metformina devem começar a ser feitos em breve.
O problema é que há riscos ainda desconhecidos para todas essas teorias e experiências. Em um dos primeiros perfis sobre De Grey e suas ideias, publicado no MIT Review of Technology em 2005, o cirurgião norte-americano Sherwin Nuland (1930-2014), autor do texto, lembrou que “diferentemente de engenheiros, cujas metodologias De Grey considera a principal contribuição para resolver os problemas de envelhecimento, biólogos não abordam eventos fisiológicos como entidades distintas sem efeitos sobre as outras”. E completa ressaltando que cada uma das intervenções propostas pode resultar em respostas imprevisíveis e incalculáveis da bioquímica e física das células. “Na biologia, tudo é interdependente; tudo é afetado por todo o resto”, escreveu Nuland.
E nós nem entendemos ainda esse “todo o resto”. Embora a ciência conheça os processos que levam ao envelhecimento, ainda se sabe pouco sobre o próprio porquê de envelhecermos. Uma das teorias é a de que a evolução simplesmente não liga para o que acontece conosco quando passamos da idade reprodutiva. Do ponto de vista da seleção natural, ao terminar de reproduzir e superar os primeiros anos de criação e proteção da prole, o indivíduo perde a relevância para a espécie, visto que qualquer vantagem genética evolutiva não será passada adiante. Alguns evolucionistas, entre eles o britânico Alfred Russel Wallace, inclusive flertaram com a ideia de que somos naturalmente programados para morrer para liberar recursos para os mais jovens.
Na corte francesa, membros da nobreza e realeza tentavam combater o envelhecimento e até acreditavam que poderiam viver para sempre se tomassem todos os dias um tônico de cloreto de ouro misturado com éter etílico. A história mais conhecida é de Diane de Poitiers, que morreu aos 66 anos, provavelmente envenenada pelas substâncias.

Ponto de desequilíbrio
O debate avança, então, para a esfera das ciências sociais, políticas e passa até por dilemas morais. Afinal, nós já estamos vivendo muito mais do que nossos antepassados, graças justamente aos avanços na ciência que nos permitiram superar a mortalidade infantil e combater as doenças infecciosas que antes derrubavam cidades inteiras. Mais da metade dos bebês que nascem hoje deve viver até os 65 anos, duas décadas a mais do que quem nasceu em meados do século passado. Atualmente, existem 850 milhões de idosos no mundo — em 2005, eram 670 milhões —, e uma projeção da Organização das Nações Unidas prevê que em 2050 serão cerca de 2 bilhões, ou 22% da população total do planeta.
Mas a sociedade ainda não está estruturada para lidar com essa mudança. “À medida que cada década passa, nós ganhamos anos de vida, mas não instituições preparadas para lidar com isso”, diz a socióloga Vania Herédia, da Universidade de Caxias do Sul, que é presidente do departamento de gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). No Brasil, a primeira Política Nacional do Idoso, que assegura direitos sociais e busca criar condições para promover autonomia e participação na sociedade, foi regulamentada em 1996. E somente em 2003 foi aprovado o Estatuto do Idoso, que amplia a atenção às necessidades dessa população.
O país tem também uma condição bastante única no perfil de envelhecimento da população: a velocidade. Enquanto países como França, Itália e Japão observaram o aumento da população idosa ao longo de 150 anos, no Brasil isso aconteceu em 25 anos. Esse desequilíbrio agrava ainda mais os desafios que vêm com o aumento da expectativa de vida, entre eles o grande debate atual na política brasileira, o da reforma da Previdência. Afinal, com mais pessoas vivendo mais e por mais tempo, as contas públicas precisarão ser ajustadas para isso — para ter ideia, nos Estados Unidos dos anos 1940, por exemplo, um americano típico que chegasse aos 65 anos viveria cerca de 17% de sua vida aposentado. A porcentagem hoje já é de 22%, e não para de aumentar.
Surge, então, a pergunta: como seria um mundo em que as pessoas pudessem viver até os mil anos, como acredita De Grey? Para os defensores de frear o envelhecimento, essa seria, na realidade, a solução mais simples para os desafios atuais: para sempre jovens e com a saúde dos jovens, poderíamos continuar trabalhando por mais tempo e ter múltiplas carreiras, e não haveria sobrecarga nos sistemas de saúde e de cuidado com a terceira idade.
Falar sobre tempo de vida ilimitado gera, inevitavelmente, questões filosóficas sobre o sentido da vida em si. O que faríamos com tanto tempo? A discussão pode ir para muitos lados: das possíveis viagens interestelares e infinitas possibilidades de aprendizados à perda total de motivação diante da falta de urgência para completar nossos afazeres.
Na Grécia Antiga, a filosofia epicurista já falava sobre isso, enxergando a vida como um banquete: você fica saciado, depois estufado e, finalmente, sente repulsa. O fato de estarmos acostumados a uma ideia de começo, meio e fim — como o roteiro de uma história — seria um dos fatores que tornam a vida tão especial. Como disse outro filósofo, o romano Cícero, que viveu entre 106 e 43 a.C., em uma de suas obras (adaptada para o português pela editora L&PM sob o título Saber Envelhecer): a velhice é a cena final dessa peça que constitui a existência.
Outra dúvida é em relação ao acesso a esses tratamentos, se um dia estiverem disponíveis. Os próprios pesquisadores antienvelhecimento reconhecem que existe o risco de que eles fiquem concentrados nas mãos dos mais ricos, o que pode, por sua vez, aprofundar os abismos de desigualdade de renda. Ao estenderem a vida indefinidamente, poderiam acumular recursos e fortunas ainda maiores, desestabilizando as relações sociais. No entanto, defendem, essa é mais ou menos a lógica atual. “Se você tem dinheiro, pode pagar por melhores cuidados de saúde, então quão justo já é no momento?”, provoca Lithgow. Para ele, seria como se disséssemos que só podemos usar novas tecnologias ou avanços médicos quando todos tiverem acesso a eles;
E, finalmente, uma das questões éticas mais delicadas de todas: até que ponto devemos ir nessa busca pela extensão da vida? Já existem iniciativas bastante radicais, como a de empresas que fazem congelamento criogênico de corpos. São pessoas que optam por ter os próprios cadáveres resfriados com nitrogênio líquido e mantidos guardados por séculos, na esperança de que, no futuro, novas tecnologias sejam capazes de reanimá-los — quase uma versão moderna das múmias egípcias.
Um caso recente que virou notícia foi o de uma adolescente britânica de 14 anos com câncer terminal que processou o governo pelo direito de ter seu corpo congelado. Desde 2016, seu corpo está conservado em uma clínica nos Estados Unidos que cobrou US$ 46 mil pelo serviço (cerca de R$ 172 mil em valores atuais).
No livro Homo Deus, Harari explica que essa “guerra” contra a morte passou a ser especialmente validada a partir da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. “Somos constantemente lembrados de que a vida é o que há de mais sagrado no universo. A Declaração Universal dos Direitos do Homem declara categoricamente que o direito à vida é valor fundamental da humanidade”, escreve o pensador israelense.
O problema tem sido estabelecer um limite para essa guerra. “Não existe um ponto no qual médicos e cientistas irão se deter e declarar: ‘Até aqui, e nenhum passo a mais.’ Não se afirma na declaração dos direitos do homem que os humanos têm direito à vida até os 90 anos. O que se diz é que todo ser humano tem direito à vida. Ponto.”
Envelhecimento saudável
Simonsick é uma das coordenadoras do Baltimore Longitudinal Study of Aging, um dos estudos sobre envelhecimento mais longos do mundo, que desde 1958 acompanha grupos de voluntários para tentar entender o que pode ser considerado um envelhecimento normal. Por enquanto, a conclusão é de que não existe um envelhecimento normal; o que existe é a possibilidade de melhorar a saúde nos anos finais da vida.
E, para a ciência e medicina tradicionais, essa tem sido uma preocupação muito mais palpável do que a de prolongar ainda mais os anos de vida. Afinal, do ponto de vista da saúde, viver mais não necessariamente significa viver melhor. Há estimativas, por exemplo, de que 20% das pessoas com 80 anos ou mais acabarão sofrendo de Alzheimer.
Quando a discussão é essa, tanto os cientistas antienvelhecimento quanto os contrários ao movimento parecem concordar. “Grande parcela da população só está vivendo mais e mais tempo doente”, diz a geriatra Ivete Berkenbrock, vice-presidente da SBGG. O geneticista do Instituto Buck complementa: “Não há sentido em viver muito tempo em sofrimento”.
A principal diferença entre as vertentes é a forma de lidar com o problema. “O envelhecimento não é uma doença, é uma fase da vida que tem suas próprias doenças prevalentes, assim como ocorre na infância e na adolescência”, diz Berkenbrock. Ela gosta de brincar que a visão da comunidade científica brasileira é pro-aging, ou pró-envelhecimento, visto que entendem que não envelhecer significa morrer cedo e que o mais importante é envelhecer com qualidade, ainda que não considerem errado que a ciência busque a juventude. “Afinal, foi assim que conseguimos aumentar a sobrevida”, lembra.
Nesse sentido caminham as correntes mais moderadas do movimento antienvelhecimento. Elas defendem justamente a busca de novas formas de tratamento para doenças crônicas normalmente associadas ao envelhecimento. “Nosso objetivo é termos melhor saúde, não estender a vida. Mas, ao prevenir e mesmo curar as doenças, acabaremos por estendê-la”, diz o biólogo português João Pedro Magalhães, chefe do Grupo de Genômica Integrada do Envelhecimento da Universidade de Liverpool, na Inglaterra.
A abordagem de Magalhães e sua equipe é um pouco diferente da dos pesquisadores no Vale do Silício. Eles buscam compreender os mecanismos celulares e moleculares de organismos extremamente longevos. Em 2015, sequenciaram o genoma da baleia-da-groenlândia (Balaena mysticetus), mamífero que chega a viver mais de dois séculos e pode ter em seu DNA pistas sobre como superar o câncer. “Queremos entender que truques são esses para tentar aplicar a nós, humanos, e já sabemos que é possível manipular o processo de envelhecimento”, explica Magalhães, referindo-se aos estudos feitos em seu laboratório que aumentaram o tempo de vida de minhocas.
Na opinião de Ivete Berkenbrock, porém, por mais natural que seja essa busca por mais tempo de vida, a ciência não pode fazer promessas sem evidências. No Brasil, tais promessas estão inclusive sujeitas a punição pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Em 2012, foi publicada uma resolução que proíbe a prática da medicina antienvelhecimento. Por enquanto, o consenso do CFM e de outros especialistas “pró-envelhecimento” mundo afora é de que não há fórmula mágica nem pílula para viver mais e melhor. A longevidade se deve a uma combinação de genética, comportamento e fatores ambientais, explica a epidemiologista Somensick.
O mundo moderno, porém, não parece favorecer um envelhecimento saudável, especialmente se levados em conta esses dois últimos fatores. Uma das principais referências globais de longevidade são as Zonas Azuis, regiões com a maior concentração de centenários. O autor norte-americano Dan Buettner, maior pesquisador sobre o tema, identificou cinco: a ilha da Sardenha, na Itália; as ilhas de Okinawa, no Japão; a cidade de Loma Linda, na Califórnia; a Península de Nicoya, na Costa Rica; e a ilha de Icária, na Grécia. Nesta última, os números são especialmente impressionantes: de cada três pessoas, uma chega aos 90 anos, e seus habitantes têm taxas 20% menores de câncer, 50% menores de doenças cardíacas e quase nenhum caso de demência.
Em comum, em todas as localidades das Zonas Azuis os estilos de vida são bem diferentes dos que crescem no restante do mundo, permeados por relações digitais, dietas baseadas em fast-food e falta de tempo até para dormir. Nessas comunidades especiais, destacam-se como parte do cotidiano o envolvimento familiar e social, baixo tabagismo, dietas baseadas em plantas e legumes e prática de atividade física moderada e constante — sem nem pisar em uma academia, na maior parte dos casos.
“Vou dizer uma heresia aqui: em nenhuma delas praticam-se exercícios físicos, pelo menos não da maneira que consideramos os exercícios. Em vez disso, eles estabelecem suas vidas de maneira que são constantemente levados a atividades físicas”, disse Buettner em palestra da plataforma TED já assistida mais de 3,7 milhões de vezes na internet. “As mulheres centenárias de Okinawa ficam se abaixando e levantando do chão. Elas sentam no chão 30 ou 40 vezes por dia. Os sardenhos moram em casas verticais, sobem e descem as escadas. Cada jornada até a loja, a igreja ou a casa de um amigo ocasiona uma caminhada. Eles não têm nenhuma comodidade. Não há nenhum botão para apertar para fazer o trabalho no quintal ou o trabalho doméstico. Se eles querem fazer um bolo, eles fazem na mão. Essa é a atividade física.”
Questão de educação
Tão importante quanto todos esses cuidados, mas nem sempre lembrado, é o papel da educação para a longevidade. Em uma de suas pesquisas recentes, o professor Jay Olshansky, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Illinois, em Chicago, apontou que os norte-americanos que receberam melhor educação vivem atualmente entre dez e 14 anos a mais que os menos educados.
“Só falamos em saúde como se fosse algo isolado, mas saúde é um somatório de fatores que passam pela educação”, reforça Berkenbrock. E não tem a ver com capacidade de recitar poesia ou compreender as leis da Física. A educação é, na verdade, um predeterminante para outros aspectos importantes da vida. Pessoas que têm Ensino Superior fumam menos, têm menor probabilidade de ficar acima do peso e mais chances de aderir às recomendações médicas. “É só ver o que está acontecendo no momento em relação à vacinação, com algumas pessoas se recusando a se vacinar”, diz a médica. Uma questão de educação que tem consequências diretas sobre a expectativa e a qualidade de vida.
No entanto, mais do que só a educação escolar formal, na opinião das especialistas da SBGG, ainda falta à sociedade uma lição maior: aprender a lidar melhor com o envelhecimento. “O ideal seria se relacionar com o processo o tempo inteiro, desde a juventude, mas há entre nós uma negação da velhice”, analisa Herédia.
Em vez de buscar combatê-la, seria talvez mais produtivo encará-la como uma fase da vida que pode ser boa e bem aproveitada — ou, ainda, como disse Cícero: por que diabos a velhice seria menos penosa para quem vive 800 anos do que para quem se contenta com 80?

14.153 – Microsoft pretende usar Inteligência Artificial para descobrir cura do câncer


reconhecimento facial
Uma nova iniciativa que visa reunir Inteligência Artificial (IA) com pesquisa em saúde e a experiência de seus parceiros industriais, a fim de proporcionar às pessoas os meios para viver de modo mais saudável e curar doenças mortais. Em um post no blog da empresa detalhando a iniciativa, a Microsoft observou que a indústria da saúde, por exemplo, têm problemas muito complexos, mas a empresa acredita que pode avançar no setor ao incorporar novas tecnologias inovadoras.
“É um grande desafio”, disse o vice-presidente corporativo da Microsoft Research NExT, Peter Lee. “Mas nós acreditamos que a tecnologia – especialmente na nuvem, IA e ferramentas de colaboração e otimização de negócios – será fundamental para a transformação dos cuidados de saúde”.

Como reportado pelo Digital Journal, a empresa está expandindo o Healthcare NExT para a pesquisa sobre o câncer em um esforço para continuar o trabalho feito para encontrar uma cura ou tratamento eficaz para a doença. Contudo, está se aproximando da pesquisa do câncer como uma empresa de tecnologia em vez de médica – ela vê as células vivas como algo semelhante aos computadores, com doenças como o câncer, semelhante a falhas no sistema. Extrapolado para este ponto abstrato, isso significa que a empresa vê células cancerosas como algo que pode ser reprogramado em vez de destruído; excluídos em vez de mortos.
Usando o aprendizado das máquinas para beneficiar o tratamento
A pesquisa sobre o câncer é conduzida em um dos seus laboratórios de computação biológica em Cambridge, Reino Unido. No último ano, um grupo de pesquisadores revelou seu trabalho em um curso para desenvolver um sistema informático que viva dentro das células humanas e reinicie o sistema se as células cancerosas fossem detectadas, limpando assim as células aflitas. Outros projetos incluíram o aprendizado da máquina para melhorar a varredura tumoral, para melhor organizar os dados dos pacientes e descobrir melhores tratamentos.
“Se você olhar a combinação de coisas que a Microsoft faz realmente bem, então faz sentido para a empresa estar nesse setor da indústria”, disse o chefe do grupo de pesquisa de computação biológica no laboratório de Cambridge, em uma publicação da Microsoft Story Labs. “Podemos utilizar métodos que desenvolvemos para programar computadores para programar biologia, e então desbloquear mais aplicações e melhores tratamentos”.
O portal Pharmaphofum comparou os esforços da empresa com o uso da Watson pela IBM para combater o câncer. A Watson que também usa a aprendizagem de máquinas e IA, passou a recomendar os mesmos tratamentos que os médicos e está sendo usado na iniciativa do vice-presidente, Joe Biden, para combater o câncer. Como nós sabemos, a aprendizagem das máquinas pode ser inestimável quando se trata de classificar através de toneladas de dados. A pesquisa do câncer não é diferente, como já vimos, usado para identificar lesões de mama que podem ser transformadas em câncer.
Objetivos ambiciosos para a cura
Descobrir uma cura para o câncer é um objetivo ambicioso de se assumir, e ver o envolvimento da Microsoft na pesquisa é algo que vale ser acompanhado. Dito isto, a empresa expressou o desejo de “capacitar cada pessoa e organização para alcançar mais”. Se pudermos manter esse impulso e foco, quem sabe o que a empresa irá desenvolver.
“Estamos incrivelmente energizados sobre as oportunidades para fazer a diferença nos cuidados de saúde”, disse a Microsoft. “Nós ouvimos atentamente nossos clientes e parceiros no setor de cuidados de saúde, e ouvimos sua mensagem: vamos trabalhar juntos, inovar juntos e criar soluções que possam capacitar as pessoas para levar vidas mais saudáveis”.

14.149 – Câncer de Mama – Diagnóstico


mama diagnostico
O câncer de mama é o segundo mais comum no mundo. E os dados sobre essa doença são contrastantes: enquanto ela é uma das principais causas de morte de mulheres, também é o tipo de câncer com a maior taxa de cura. O que separa um resultado de outro é, naturalmente, o diagnóstico precoce.
Hoje, o autoexame das mamas e a mamografia são prevenções efetivas, que buscam pequenos nódulos indicativos do início do problema. Agora, porém, médicos querem tornar o diagnóstico mais simples, prático e preciso: segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, um exame de sangue poderia detectar um câncer de mama 5 anos antes de aparecerem os sinais detectados pelos exames atuais.
A lógica do estudo foi não focar nas concentrações de células cancerígenas, que são justamente o que causam o nódulo, mas sim nos antígenos produzidos por elas. Antígeno, vale lembrar, é toda substância que desencadeia uma resposta imune do organismo, ativando nosso sistema de defesa.
A hipótese dos pesquisadores era que as células cancerígenas, desde quando são muito poucas, já produzem proteínas que agem como antígenos – os chamados TAAs (tumour-associated antigens). Detectar no sangue os anticorpos desencadeados por esses antígenos seria uma forma mais prática de detectar o câncer de mama em estágio inicial.
Para testar essa hipótese, a equipe coletou amostras de sangue de 90 pacientes recém-diagnosticados com câncer de mama e 90 amostras de pacientes sem o problema, para servir como grupo de controle.
Usando uma tecnologia de triagem chamada protein microarray, os cientistas conseguiram rastrear as amostras de sangue quanto à presença de anticorpos desencadeados por 40 TAAs associados ao câncer de mama. Identificaram a doença em 37% das amostras de sangue colhidas de pacientes com câncer de mama, e constaram a ausência de câncer em 79% das amostras do grupo controle. Parece um índice ruim, mas é um resultado satisfatório para uma primeira pesquisa.
“Conseguimos detectar o câncer com razoável precisão, identificando esses anticorpos no sangue. Conforme o teste fique mais acurado, abre-se a possibilidade de usar um simples exame de sangue para o diagnóstico precoce dessa doença”, afirmou Daniyah Alfattani, um os autores do estudo. Segundo os cientistas, os anticorpos desencadeados por antígenos produzidos por células cancerígenas podem estar presentes no sangue desde muito antes da grande multiplicação de células doentes começar, ou seja, desde antes da própria formação do câncer.
Se esses resultados se repetirem em próximos exames, isso seria nada menos que uma revolução. Tanto que essas primeiras conclusões do estudo, apresentados na Conferência Nacional de Câncer em Glasgow, na Escócia, foram tidas como preliminares, e estão sendo encarados com cautela pela comunidade científica.
Mas a equipe de Nottingham está confiante: neste exato momento, os cientistas estão testando amostras de sangue de 800 pacientes.

14.147 – História – Quem Foi Maomé?


maome
Maomé, cujo nome completo era Abu al-Qasim Muhammad ibn ‘Abd Allah ibn ‘Abd al-Muttalib ibn Hashim, foi fundador da religião e civilização islâmica. Nascido em 571 d.C., na cidade de Meca, localizada na Península Arábica, Maomé pertencia à tribo dos coraixitas, especificamente ao clã dos hachemitas, também conhecido pelo nome Banu Hashim, como explica o orientalista David Samuel Margoliouth, em sua obra Maomé e a ascensão do Islã:
Maomé era o filho de pais nascidos em Meca. Consta que seus nomes eram Abdallah (Servo de Alá) e Aminah (A Segura, ou A Protegida). A mãe pertencia aos Banu Zuhrah, e o pai era filho de Abd al-Muttalib, do clã chamado Banu Hashim. É certo que o pai do futuro Profeta morreu antes de o filho nascer, segundo dizem, quando visitava Yathrib, mais tarde conhecida como Medina. A mãe não sobreviveu por muito tempo ao marido, e seu túmulo, como afirmam alguns, encontra-se em Abwa, um lugar a meio caminho entre Meca e Medina, onde, cerca de cinquenta anos depois, seus ossos corriam o risco de ser exumados.
Como ficou órfão muito cedo, Maomé passou a ser criado por seu tio Abu Talib (também do clã Banu Hashim), de quem recebeu educação formal e aprendeu o ofício de comerciar especiarias nas caravanas de camelos transaarianas. Foi como chefe de caravana que, em 595, Maomé conheceu uma rica viúva, também hachemita, chamada Khadijha, passando a trabalhar para ela. Após demonstrar grande destreza na administração dos negócios de Khadijha, Maomé e a viúva, em comum acordo, casaram-se. Esse casamento transformou substancialmente a vida do então comerciante, que não tinha grande fortuna até o momento.

Allah e os hanifs
O fato é que, ao mesmo tempo em que começava a nova vida com Khadijha, Maomé também passou a viver as primeiras manifestações religiosas que definiriam a religião muçulmana. É importante ressaltar que, antes mesmo de o islamismo firmar-se como religião, em Meca e em outras regiões da Arábia, havia uma confluência de credos, tanto pagãos, politeístas, quanto judaicos e cristãos. Além do monoteísmo judaico e cristão, havia também um terceiro grupo, o dos hanifs, nascido em meio à miscelânea pagã dos grupos tipicamente árabes.
Como bem destaca o historiador Daniel-Rops, em sua obra A Igreja dos Tempos Bárbaros:
Na época de Maomé, vinham surgindo tendências novas no interior desse politeísmo tradicional: a influência das colônias judaicas e dos cristãos heréticos do mundo arameu, ao norte, e da Etiópia, ao sul, chamava os melhores espíritos para uma religião mais elevada. As divindades particulares continuavam a ser honradas, mas uma delas começava a predominar sobre as outras: Alá, reconhecido como “maior” – Allah akbar. Além disso, encontravam-se já alguns monoteístas – nem judeus nem cristãos – chamados hanifs.
Os pais de Maomé e muitos membros do clã hachemita adoravam Allah, mas foi Maomé que, nos primeiros anos do século VII, começou a sistematizar a crença propriamente islâmica. A tradição muçulmana relata que Maomé começou a ter progressivas revelações dadas por Deus (Alá) por meio do Anjo Gabriel. Essas revelações teriam dado a Maomé a autoridade de ser o Profeta de Alá, isto é, aquele que teria a missão de corrigir as distorções que judeus e cristãos teriam feito das revelações passadas, e a responsabilidade de retirar as tribos árabes politeístas da “era da ignorância” e convertê-las ao Islã.
Fuga para Yatreb e confrontos militares com Meca
Maomé começou por converter aqueles que lhe eram mais próximos, como sua esposa, sogro, primos etc. Entretanto, sua radicalização monoteísta começou a ter efeitos sobre a dinâmica social e econômica da tribo coraixita. Outros clãs de Meca passaram a confrontar e perseguir Maomé e seu grupo de convertidos. Com a morte de seu tio e, depois, de sua primeira esposa, Khadijah, que faleceu em 619, Maomé decidiu aceitar o apoio e hospitalidade de famílias residentes na então cidade de Yatreb, para onde migrou em 622. Essa migração, ou fuga, ficou conhecida como Hégira.
Em Yatreb, Maomé conseguiu mais adeptos ao islamismo, de modo que a cidade tornou-se o seu reduto principal e também o seu quartel-general, a ponto de a cidade ter seu nome mudado para Medina (“a Cidade”, ou “Cidade do Profeta”). De Medina, Maomé passou a travar sucessivas batalhas contra Meca. A pregação religiosa passou a se entrelaçar com a guerra e a perspectiva de conquista. Duas das principais batalhas travadas por esse primeiro grupo de muçulmanos foram nas cidades de Badr, em 624, e de Ohod, em 625. Eles venceram a primeira e perderam a segunda. O principal inimigo mequense de Maomé nessa época era Abu Sufayan.
Sufayan, em 627, tentou sitiar Medina, mas os guerreiros muçulmanos conseguiram repelir um tropa de cerca de 10.000 mequenses. No ano seguinte, houve uma breve trégua com a permissão dada a Maomé, pelos mequenses, de poder peregrinar à sua cidade natal. Em 629, Maomé reuniu seus combatentes e cercou Meca. As batalhas pelo domínio da cidade demoraram até janeiro de 630, quando a resistência de Meca foi subjugada.
O domínio de Meca foi o primeiro passo da grande e rápida expansão islâmica que se veria nos anos seguintes. Maomé morreu dois anos após subjugar sua cidade natal. Sua morte provocou disputas sucessórias que definiriam, mais tarde, os grupos sunita e xiita, característicos do desenvolvimento do islamismo.

14.142 – Idade Média


peste negra
A Peste Negra foi uma pandemia, isto é, a proliferação generalizada de uma doença causada pelo bacilo Yersinia pestis, que se deu na segunda metade do século XIV, na Europa. Essa peste integrou a série de acontecimentos que contribuíram para a Crise da Baixa Idade Média, como as revoltas camponesas, a Guerra dos Cem Anos e o declínio da cavalaria medieval.
A Peste Negra tem sua origem no continente asiático, precisamente na China. Sua chegada à Europa está relacionada às caravanas de comércio que vinham da Ásia através do Mar Mediterrâneo e aportavam nas cidades costeiras europeias, como Veneza e Gênova. Calcula-se que cerca de um terço da população europeia tenha sido dizimada por conta da peste.
A propagação da doença, inicialmente, deu-se por meio de ratos e, principalmente, pulgas infectados com o bacilo, que acabava sendo transmitido às pessoas quando essas eram picadas pelas pulgas – em cujo sistema digestivo a bactéria da peste se multiplicava. Num estágio mais avançado, a doença começou a se propagar por via aérea, através de espirros e gotículas. Contribuíam com a propagação da doença as precárias condições de higiene e habitação que as cidades e vilas medievais possuíam – o que oferecia condições para as infestações de ratazanas e pulgas.
Como ainda não havia um desenvolvimento satisfatório da ciência médica nesta época, não se sabia as causas da peste e tampouco os meios de tratá-la ou de sanear as cidades e vilas. A peste foi denominada “negra” por conta das afecções na pele da pessoa acometida por ela. Isto é, a doença provocava grandes manchas negras na pele, seguidas de inchaços em regiões de grande concentração de gânglios do sistema linfático, como a virilha e as axilas. Esses inchaços também eram conhecidos como “bubões”, por isso a Peste Negra também é conhecida como Peste Bubônica. A morte pela peste era dolorosa e terrível, além de rápida, pois variava de dois a cinco dias após a infecção.
Uma das tentativas de compreensão do fenômeno mortífero da Peste Negra pode ser vista nas representações pictóricas da chamada “A dança macabra”, ou “A Dança da Morte”. As pinturas que retratavam a “dança macabra” apresentavam uma concepção nítida da inexorabilidade da morte e da putrefação do corpo. Nestas pinturas, aparecem sempre esqueletos humanos “dançando” em meio a todo tipo de pessoa, desde senhores e clérigos até artesãos e camponeses – evidenciando assim o caráter universal da morte.
Outro fenômeno da época em que se desencadeou a peste foi a atribuição da causa da moléstia aos povos estrangeiros, notadamente aos judeus. Os judeus, por não serem da Europa e por, desde a Idade Antiga, viverem em constante migração, passando por várias regiões do mundo até se instalarem nos domínios do continente europeu, acabaram por se tornarem o “bode expiatório” das multidões enfurecidas. Milhares de judeus foram mortos durante a eclosão da Peste.
Hoje em dia os surtos pandêmicos são raros, mas várias doenças, como a causada pelo vírus Ebola que se desenvolveu na região da África Subsaariana, ainda oferecem risco de pandemia para o mundo. Por isso é monitorado por centros de investigação epidemiológica internacionais.

14.136 – IA Na Medicina


AI na Medicina
Inteligência Artificial na medicina diagnóstica

A Portal Telemedicina criou, com o software TensorFlow, do Google, uma solução inovadora para a emissão de laudos à distância. Seu sistema ajuda médicos em todo o Brasil a obter diagnósticos mais assertivos, pois compara analiticamente exames presenciais a casos similares de uma base de dados com 30 milhões de imagens e exames. A plataforma elabora recomendações médicas com critérios confiáveis e precisos graças ao uso da Deep Learning, um método em que algoritmos complexos imitam a rede neural do nosso cérebro, conferindo ao sistema uma capacidade de detectar achados médicos em nível sobre-humano.
Se o exame médico e a recomendação do algoritmo não baterem, o exame é encaminhado a outros três doutores para uma avaliação mais detalhada. O programa incorpora aprendizados a cada laudo emitido, acumulando repertório clínico à sua base de dados. Outro aspecto inovador do sistema é sua capacidade de fazer uma triagem automática dos exames, permitindo que os casos emergenciais tenham prioridade na fila do médico.

Em cirurgias
Robôs estão presentes em salas de cirurgia há décadas e já se mostraram eficazes na tarefa de tornar procedimentos menos invasivos. Mas, no que depender dos avanços da Inteligência Artificial, o papel das máquinas deve ficar ainda mais complexo. Já há, por exemplo, robôs inteligentes capazes de analisar avaliações pré-operatórias para orientar os movimentos do médico durante a cirurgia – o que pode diminuir em até 20% no tempo de internação de um paciente.
Uma das maiores ambições deste setor, porém, é criar robôs autônomos, aptos a conduzir cirurgias sem a necessidade de comandos pré-definidos e com a capacidade de usar dados de operações passadas para aprimorar suas técnicas. Nessa corrida tecnológica, o Google e a Johnson & Johnson largaram na frente com a co-fundação da start-up Verb Surgical, um projeto que desenvolve ferramentas de machine learning para democratizar o acesso às cirurgias. O super robô cirurgião ainda é um protótipo, mas a Verb estima que ele deve chegar ao mercado já em 2020.

No tratamento intensivo
A empresa israelense de análises clínicas Clew inventou uma plataforma baseada em IA para prever, em estágio inicial, potenciais complicações fatais na UTI. Pensada para auxiliar decisões médicas no mais delicado dos estágios de tratamento, a solução promete identificar o colapso de sistemas vitais com duas ou três horas de antecedência.
A ferramenta de análises colhe informações como pressão arterial, oxigênio, níveis de sangue e capacidade cardíaca de pacientes em tratamento intensivo e as compara com uma base de dados para identificar padrões antes que eles culminem na interrupção das funções cerebrais ou cardíacas. Ela já foi usada em testes em hospitais de Israel e dos EUA e deve estar disponível comercialmente a partir de 2019.

Em exames
Criado pela empresa Healthy.io em parceria com a Siemens Healthineers, o Dio.io permite que pacientes possam fazer seu exame de urina no conforto de suas casas. Aprovado recentemente pela agência norte-americana de fármacos FDA, o produto é um é um kit que coleta e analisa amostras com ajuda de machine learning e visão computacional.
O paciente abre o app do Dio.io e, com a ajuda de um assistente virtual (chatbot), segue o passo a passo: primeiro, encher um recipiente com a urina; em seguida, imergir uma tira que, em contato com o material, pode adquirir várias colorações. Com ajuda da câmera do celular, em instantes o app processa as informações visuais contidas na tira, entrega os resultados mais prováveis e dá conselhos, incluindo a recomendação de uma consulta médica se for o caso.
Na prevenção
Lançado em 2018 pela Nautilus, a plataforma Max Intelligence é um sistema de treinamento físico baseado em inteligência artificial que vem embutida em alguns de seus equipamentos cardiovasculares. Trata-se de um personal-trainer virtual capaz de desenvolver e orientar treinamentos aeróbicos totalmente personalizados, utilizando vídeos criados por instrutores e ferramentas motivacionais para criar uma rotina de treinos eficiente e estimulante.
Com base na capacidade física e nos objetivos de cada pessoa, a máquina vai aprendendo e aperfeiçoando suas orientações à medida da evolução de cada um. A interface para gerenciar os treinamentos é fácil de usar e roda em um tablet desenvolvido em parceria com a Samsung, que foi criado exclusivamente para as máquinas Bowflex Max Trainer vendidas pela empresa norte-americana.

14.134 – Inteligência Artificial – Robô Laura Pode Revolucionar a Medicina


robo Laura
O Laura trabalha com tecnologia cognitiva e atua, ao lado de médicos, na prevenção da sepse (septicemia) e na diminuição do número de mortes causadas por essa doença violenta.
O software tem a capacidade de aprender analisando, entendendo e até conversando.
Jacson Fressatto é o idealizador do Robô Laura.
Ele perdeu a filha Laura aos 18 dias de vida. Recém-nascida, Laura foi vítima de septicemia, uma infecção silenciosa que tira a vida de milhares de pessoas em todo o mundo diariamente. O luto, que se transformou em uma caça por culpados, acabou revelando um trabalho, talvez uma missão para Jacson. Isso porque a sepse é ardilosa e, exatamente por causa da pequena Laura e de uma força paterna aliada ao conhecimento analítico, agora a doença está começando a perder dentro de seu próprio jogo. Isso porque o robô Laura nasceu.
O Robô Laura tem a capacidade de salvar mais de 12 mil vidas por ano no Brasil
Hoje, a septicemia atinge 2,5 milhões de brasileiros por ano. Dentro dessa conta, cerca de 250 mil acabam morrendo. No mundo, ela mata uma pessoa a cada 1 minuto e meio. Agora, com a Laura Networks, Jacson Fressatto está tentando levar o Robô Laura para os hospitais interessados. Para os hospitais filantrópicos brasileiros, Fressato até pretende doar a tecnologia. De acordo com o site oficial da empresa, o Robô Laura tem a capacidade de salvar mais de 12 mil vidas por ano no Brasil, reduzindo em 5% o índice de mortes. O objetivo é poupar tempo, recursos e vidas — tecnicamente, Laura é o primeiro robô cognitivo de gestão de risco.
O primeiro robô cognitivo em gestão de risco do mundo é brasileiro e já atua em alguns hospitais. Com foco em saúde, este robô é capaz de aprender e, a partir daí, identificar quando um paciente está vulnerável. Por isso, é preciso dedicar um tempo ensinando-o o que pode indicar perigo, como aumento de temperatura, por exemplo. Uma vez aprendido, ele consegue fazer o trabalho sozinho.

14.132 – Seu cérebro faz de tudo para não lidar com a morte, segundo estudo


morte cerebral
Os cientistas descobriram que nosso cérebro associa a morte como algo que ocorre com os outros, não com nós mesmos. “Temos esse mecanismo primordial que indica que, quando o cérebro obtém informações que se vinculam à morte, algo nos diz que não é confiável, por isso não devemos acreditar”, afirmou Yair Dor-Ziderman, coautor do estudo, ao jornal britânico The Guardian.
Para os especialistas, evitar pensamentos sobre nossa morte pode ser crucial para vivermos o presente. Esse “escudo” provavelmente é criado na infância, assim que a criança se dá conta de que pode morrer um dia. De acordo Ziderman, imaginar a própria morte “vai de encontro a toda a nossa biologia, o que está nos ajudando a permanecer vivos”.
Os pesquisadores fizeram as análises por meio de um teste que avaliou o que acontecia com o sistema nervoso dos voluntários quando eram apresentados a determinados assuntos. O experimento foi feito assim: a atividade cerebral dos participantes era monitorada enquanto eles assistiam a uma tela que mostrava diversos rostos (incluindo os deles mesmos), intercalados com palavras. Metade das palavras era relacionada com morte, como “funeral” ou “enterro”.
Os resultados mostraram que, quando a face do próprio voluntário aparecia perto de termos mórbidos, o cérebro desligava seu sistema responsável por prever o futuro. Segundo Avi Goldstein, principal autor da pesquisa, esse seria um mecanismo para nos protegermos contra ameaças ou mesmo contra a ideia de que vamos morrer.
Para contornar esses pensamentos, a central de comando do nosso corpo foca nesse risco sobre sendo dos outros – e não de nós mesmos. “Não podemos negar racionalmente que vamos morrer, mas pensamos nisso mais como algo que acontece com outras pessoas”, acrescenta Ziderman.

14.129 – Nobel de Medicina 2019


nobel medicina 2019
Os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina de 2019 foram anunciados, são eles William Kaelin e Gregg Semenza, dos EUA, e Sir Peter Ratcliffe, do Reino Unido. O prêmio foi dado pelas suas descobertas sobre como as células do nosso corpo percebem e se adaptam aos níveis de oxigênio disponível no ambiente.
Os três pesquisadores desenvolveram seus trabalhos individualmente desde os anos 1990. Juntas, suas pesquisas descrevem um importante mecanismo fisiológico – a resposta hipóxica das células – essencial para que indivíduos consigam sobreviver em lugares mais altos, onde há menor concentração de oxigênio.
Além de desvendar como esse mecanismo funciona, os organizadores do Nobel ressaltaram a importância das descobertas para futuras aplicações médicas. De acordo com o comunicado oficial, “suas descobertas também abriram o caminho para novas estratégias promissoras para combater a anemia, o câncer e muitas outras doenças.”
O que os pesquisadores descobriram
Para entender o funcionamento do mecanismo de resposta hipóxica, é preciso relembrar como é o transporte de oxigênio no corpo humano.
Ao entrar pelo sistema respiratório, o oxigênio vai para as hemoglobinas, responsáveis por levá-lo pela corrente sanguínea para o restante dos nossos tecidos. O oxigênio é um dos principais combustíveis da respiração celular, processo que acontece no interior das células fornece energia para as funções vitais do corpo.
Dentro das células, quem se encarrega disso é a mitocôndria. Lembrou das aulas do colégio? Pois é. Com a exceção de algumas bactérias e fungos, o oxigênio é indispensável para o metabolismo das células (as transformações químicas que liberam energia).
Quando se está em um ambiente com escassez de oxigênio (regiões montanhosas, por exemplo), o corpo logo começa a produzir mais hemoglobina – quanto mais células vermelhas trabalhando, maior será o aproveitamento do oxigênio disponível. Quando isso acontece, o corpo também regula a atividade metabólica das células para se adaptar ao novo cenário.
A ciência já sabia disso desde o século 20, mas os detalhes do funcionamento desse sistema a nível molecular ainda era um mistério. E é aí que entram o trabalho dos cientistas.
Gregg Semenza, professor da Universidade John Hopkins, identificou um complexo de proteínas e deu o nome de HIF – em inglês, é a sigla para “fator induzível por hipóxia” (“hipóxia” significa “baixa concentração de oxigênio”). O HIF é rapidamente destruído pelo corpo em uma situação normal. Quando o nível de oxigênio está baixo, porém, sua concentração aumenta.
Unindo os trabalhos de Peter Ratcliffe, que trabalha na Universidade de Oxford e no Instituto Francis Crick, e de William Kaelin, que dá aulas na Universidade de Harvard, os cientistas descobriram que o HIF faz com esse gene aumente a produção de um hormônio chamado eritropoietina (EPO), que por sua vez, faz aumentar a quantidade de células vermelhas que transportam oxigênio.
Qual a importância dessa descoberta
Entender esse mecanismo pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos no futuro para problemas como anemia, câncer e outras doenças.
Na China, por exemplo, um medicamento contra anemia já está à venda. O Roxadustat se aproveita do HIF para enganar o corpo, fazendo-o pensar que está em altas altitude, estimulando a produção de hemoglobinas. No momento, o remédio passa por regulação para entrar no mercado europeu.
O Nobel não é a primeira grande conquista do trio de cientistas. Em 2016, eles venceram o Prêmio Albert Lasker de Pesquisa Médica Básica – uma importante premiação que, frequentemente, canta a bola de quem serão os próximos vencedores do Nobel.
A cerimônia oficial com os vencedores desta e outras categorias do Nobel acontece no dia 10 de dezembro, e os três cientistas dividirão igualmente a quantia de 9 milhões de coroas suecas (R$3,7 milhões, aproximadamente).

14.123 – Neuro Prótese para Paraplégicos


Uma pesquisa liderada pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis permitiu que pacientes paraplégicos caminhassem. O trabalho foi publicado na revista Scientific Reports e utiliza várias abordagens combinadas para o feito. A principal delas é um dispositivo de estimulação muscular e de uma interface cérebro-máquina, que permite controlar outros aparelhos por meio do pensamento.
Na prática, o paciente imagina que sua perna está se movendo, o que aciona a contração de oito músculos naquele membro e permite que os passos sejam dados. Os dois participantes do estudo possuem paraplegia crônica e, de acordo com o artigo da equipe de Nicolelis, foram capazes de caminhar em segurança apoiados entre 65% e 70% de seu peso corporal. Além disso, deram 4580 passos durante os testes.
Melhoras
O trabalho relata que foram encontradas melhoras cardiovasculares e houve menor dependência de assistência para se locomover. Outro benefício reportado pela equipe foi uma recuperação neurológica parcial dos dois pacientes. Um deles tem 40 anos e sofreu a lesão medular há quatro, enquanto o outro tem 32 e sofreu a lesão há 10 anos.

A pesquisa faz parte do projeto Andar de novo (Walk Again Project), que é um consórcio internacional sem fins lucrativos reunindo pesquisadores dedicados a estudar a recuperação de pacientes com lesões medulares.
Esta não foi a primeira demonstração de quão promissor é o dispositivo desenvolvido pela equipe de Nicolelis, que lidera um grupo de pesquisadores na área de Neurociência na Duke University, nos Estados Unidos. Uma pesquisa desenvolvida por ele permitiu que um jovem paraplégico chutasse uma bola durante a abertura da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

14.115 – Acredite se Quiser – Cadáveres Humanos se Movimentam após a Morte


necroterio
Pesquisadores australianos descobriram que cadáveres continuam se movimentando por meses após a morte. A descoberta foi feita graças à Instalação Australiana de Pesquisa Experimental Tafonômica (AFTER, na sigla em inglês) e pode ser muito útil para a polícia.
Por 17 meses, a pesquisadora Alyson Wilson monitorou um corpo através de câmeras que, a cada 30 minutos, filmavam o cadáver. “O que descobrimos foi que os braços estavam se movendo significativamente, de modo que os membros que começavam ao lado do corpo [esticados] terminavam na lateral do corpo [dobrados]”, disse a especialiata à ABC News.
Algum movimento post-mortem era esperado nos estágios iniciais da decomposição, ela explicou, mas o fato de que o fenômeno continuou por toda a duração das filmagens foi surpreendente. “Achamos que os movimentos se relacionam com o processo de decomposição, à medida que o corpo mumifica e os ligamentos secam”, relatou Wilson.
Para a especialista, a pesquisa pode mudar a ciência forense, ensinando uma nova maneira de as autoridades investigarem mortes. Isso porque a descoberta de que os corpos se movimentam pode alterar o jeito com que os cientistas interpretam as cenas de crimes, principalmente quando os restos humanos são descobertos depois de algum tempo.
Até então, a menos que houvesse evidência de que o cadáver fora movido, os especialistas forenses geralmente presumiriam que a posição em que o corpo foi descoberto é a posição em que estava na hora da morte. “Essa pesquisa é muito importante para ajudar na aplicação da lei, a resolver crimes e também a auxiliar nas investigações de desastres”, afirmou Wilson. “É importante para as vítimas e suas famílias e, em muitos casos, dá à vítima uma ‘voz’ para contar sua última história.”

14.114 – História da Anatomia


Anatomia-metade
A história do estudo da anatomia humana é datada de 500 anos a. C. o primeiro a praticar foi Alcméon de Crotona na Itália onde ele realizou dissecações em animais mortos, um tempo depois ocorreu um estudo clínico na escola hipocrática onde descobriram a anatomia do ombro conforme foi estudado antes nos animais.

Já no século II d.C. Galeano dissecou quase tudo que tivesse vontade todos animais, aplicando depois o que identificou aplicou nos estudos da anatomia humana, desenvolvendo a doutrina da “causa final”, pois nem todos os cadáveres humanos tinham possibilidade de identificar a causa morte.

As primeiras ilustrações anatômicas impressas foram baseadas nas técnicas medievais, chamado de Fasciculus Medicinae, que era uma coleção de texto de vários autores que eram destinados aos médicos principiantes, tendo varias edições durante os séculos, as edições mais atuais já demonstravam imagens de todo o corpo humano com mais detalhes e especificações de cada órgão nas obras de Vesálio principalmente.

Vesálio e sua descoberta

Um das reproduções mais acertadas do corpo humano foi reproduzido por Andrés Vesálio em 1453,sendo um dos livros mais importantes para o homem da área de saúde, em seus escritos ele relata vários erros encontrados nos textos de Galeno seu antecessor, anos depois vários anatomistas aprimoraram as descobertas de Vesálio com imagens melhores.

14.113 – O Gás Hilariante


joseph-priestley

óxido nitroso (N2O) também conhecido como gás hilariante ou gás do riso, foi descoberto pelo cientista Inglês Joseph Priestley em 1772, que em um dos seus experimentos estava aquecendo nitrato de amônia em presença de limalha de ferro,e, em seguida passou o gás que saiu (NO) através da água,para remover os subprodutos tóxicos, produzindo assim o óxido nitroso.Sendo a seguinte reação observada.

 

2NO + H2O + Fe → N2O + Fe(OH)2

14.112 – Neurologia – Como nascem as memórias falsas


neurologia
Salvador Dalí, pintor surrealista do século 20, dizia ser dono de uma memória incomum. Ele teria lembranças detalhadas até mesmo da temporada que passou no útero de sua mãe – como se literalmente tivesse vindo ao mundo ontem.
Em sua autobiografia, A Vida Secreta de Salvador Dalí, o artista catalão chega a afirmar que memórias de uma vida entre chutes e contrações estariam ao alcance de qualquer pessoa. Bastava que fossem estimuladas por histórias (como as dele) para virem à tona.
Havia, no entanto, um porém: nada do que Dalí dizia se lembrar era real. E qualquer recordação que seus leitores porventura tivessem seria igualmente falsa. Isso ocorre por causa de uma característica única do cérebro humano: viver confundindo o que é memória com o que não passa de uma ilusão quase perfeita.
Seu cérebro acessa memórias o tempo todo. É assim que você aprende alguma coisa e depois não precisa voltar a estudá-la todos os dias – ou acorda sabendo o nome dos seus pais. A vida seria impossível se você não pudesse confiar na memória… E, ainda assim, ela não é das mais confiáveis.
O cérebro é capaz de gravar corretamente uma situação e armazená-la junto a memórias verdadeiras, sem que ela tenha ocorrido de fato. Pode ter sido contada por outra pessoa. Ou simplesmente imaginada.
É o caso de Dalí. Não há consenso entre os cientistas se é possível guardar qualquer coisa vivida antes dos 2,5 anos de idade. Alguns estudos vão além: afirmam que nenhuma memória sobrevive dos zero aos 3 – e que as primeiras memórias permanentes só surgem aos 5 anos. Um cérebro infantil, que ainda não está desenvolvido por completo, é incapaz de carregar lembranças da primeira infância até a fase adulta. E é essencial que seja exatamente assim – não só nos primeiros anos, mas ao longo da vida toda.
Estar constantemente lembrando e esquecendo é a chave para entender por que somos tão inteligentes e criativos. Aprender algo pela primeira vez é criar uma nova ligação entre áreas que nunca foram conectadas antes. E, para criar novas conexões, é preciso ter sempre espaço de sobra na memória. “Esquecer, e mais especificamente escolher o que será esquecido, também é importante para garantir que aquilo que precisa ficar cravado na memória de fato permaneça lá”, explica Giuliana Mazzoni, professora de psicologia da Universidade de Hull, na Inglaterra, e uma das principais referências do estudo de memórias falsas no mundo.
“Imagine, por exemplo, que você tenha mudado de cidade 21 vezes ao longo da vida. Se todos os 21 números de telefone que você teve vierem à mente ao mesmo tempo sempre que alguém pedir seu contato, haverá um ruído muito grande, capaz de bloquear da memória o único número que realmente importa a quem pergunta – o atual”, diz.
Nossas memórias ficam guardadas em uma região do cérebro chamada hipocampo, e são nada além de relações de afinidade entre os neurônios. Quando você memoriza alguma coisa – como a data de aniversário de sua mãe, por exemplo –, o cérebro forma conexões entre as células cerebrais que respondem por aquela informação. Se é preciso lembrar novamente a data em questão, a mesma rede de neurônios é ativada e recupera a informação correta.
Para reviver uma memória, portanto, é como se o cérebro tivesse que percorrer um caminho pré-determinado, reconectando a rede. Aí mora um problema: e se uma memória sem importância precisa ser resgatada com urgência e detalhes, anos depois de ser formada?
Para dar sentido à história, seu cérebro recorre à imaginação, preenchendo os buracos em modo automático. Como não poderia deixar de ser, ele faz esse trabalho da forma mais criativa possível, usando o que tiver à disposição. Nossa memória não se comporta como a de uma câmera digital, em que tudo, uma vez gravado, fica facilmente acessível quando se bem entende. Ela está mais para uma página de Wikipédia, que pode ser editada livremente. E o principal: ela é colaborativa. Você não é o único editor – sua memória enciclopédica também pode ser editada pelos outros.
A analogia acima é de Elizabeth Loftus, psicóloga americana que conduziu o primeiro teste de destaque envolvendo a implantação de memórias falsas em 1995. A ideia de Loftus era descobrir, nos experimentos, se era possível convencer alguém de algo que nunca viveu só na base da lábia. Algo no estilo do filme A Origem, só que com ela mesma assumindo o lugar de Leonardo DiCaprio.
A manipulação deu certo: uma em cada quatro pessoas testadas saíram dos encontros acreditando piamente ter memórias sobre os mais bizarros acontecimentos. De abduções alienígenas, beijos em sapos a até mesmo um pedido de casamento feito a uma máquina de refrigerantes, não parecia haver limites para as distorções que alguém poderia aceitar sobre a própria biografia.
Em 2015, outra pesquisadora encontrou resultados ainda mais distópicos. Em um experimento similar liderado por Julia Shaw, pesquisadora da University College, em Londres, 70% dos voluntários incorporaram memórias falsas. De machucados inventados a ataques de cachorro falsos, Shaw ainda conseguiu convencer seus voluntários a admitir pequenos crimes – furtos, por exemplo – que jamais existiram.
No primeiro momento, nenhum participante se lembrava das histórias estranhas. Mas isso mudou após gastarem alguns minutos por dia, durante três semanas, tentando visualizar a cena. Não raro, eles não apenas acreditaram no papo como descreviam o ocorrido com detalhes.
A chave para o sucesso do método estava na forma de conduzir a conversa. As histórias plantadas tinham como alicerce informações reais, dadas de antemão pelos pais das cobaias – como o nome de um amigo de infância ou da rua da casa em que viviam na época. Mescladas com informações absurdas e repetidas por vezes seguidas, o todo se tornava plausível. “Como assim você não se recorda? O cientista não mentiria para você dessa forma. Trate de se lembrar, para não passarmos vergonha”, diriam nossos neurônios, se pudessem. A fundação na realidade e a pressão da autoridade: temos aqui um belo combo para fazer o cérebro comprar a ideia de que uma lembrança existiu – e preencher incômodas lacunas com memórias falsas.
O fato de nossa memória ser manipulável e, em vários casos, pouco confiável, não costuma fazer diferença no trabalho, na escola ou em uma conversa de bar. No que se refere a obrigações legais, porém, lembrar de algo que não aconteceu pode ser a diferença entre condenar ou inocentar alguém.
Nos Estados Unidos, o Innocence Project, organização que identifica e interfere em casos de réus injustamente condenados, estima que 70% das condenações equivocadas são causadas por suspeitos reconhecidos de forma incorreta.
Não há um levantamento específico para o Brasil, mas, por aqui, o que se sabe é que os depoimentos de vítimas e testemunhas oculares são o principal tipo de evidência utilizada na condução de um processo criminal.
Um estudo realizado para o Ministério da Justiça, em 2014, mostrou que 90,3% dos profissionais que participam da investigação, como policiais, delegados, promotores e juízes, dão importância máxima a testemunhos. Além disso, 69,2% desses profissionais costumam valorizar em grandes proporções o reconhecimento facial de criminosos, eventualmente feito com base em fotografias.
O problema é que, às vezes, provas do tipo falham feio. Um exemplo de destaque foi o caso do dentista carioca André Biazucci Medeiros, que respondeu a sete acusações de estupro em 2014. Reconhecido pelas vítimas e preso, foi inocentado após exames de DNA.
Para piorar, os métodos de coleta dos testemunhos também atrapalham. Dependendo da abordagem da entrevista, a qualidade da prova pode ser comprometida – e a memória, enviesada. Fazer perguntas como “o carro era vermelho, não era?”, por exemplo, tem um impacto muito maior do que “o que você pode me dizer sobre o carro?” ou ainda “qual era a cor do carro?”.
Por esse motivo, alguns países adotam uma técnica chamada entrevista cognitiva, que evita questionamentos do tipo. Por lá, o controle da conversa precisa estar nas mãos de quem responde, não de quem pergunta. Segundo Gustavo Noronha de Ávila, professor de ciências jurídicas e pesquisador que integrou o estudo para o MJ, abordagens diferentes “podem legitimar condenações em série, com base em provas frágeis do ponto de vista científico”.

14.110 – Medicina – Reposição Hormonal Masculina


andropausa
A deficiência androgênica (diminuição da produção do hormônio masculino) está presente em cerca de 15% dos homens entre 50 e 60 anos, chegando a 50%, ou mais, dos homens com 80 anos.
Durante o envelhecimento, ocorre uma diminuição lenta e gradual dos níveis de testosterona. Com isso podem surgir sintomas que podem indicar a necessidade de reposição hormonal em uma parcela dos homens.
Os principais sintomas que podem sugerir a reposição hormonal são: declínio do interesse sexual; dificuldade de ereção; falta de concentração e capacidade intelectual; perda de pelos; ganho de peso à custa de gordura; diminuição de massa e força muscular; irritabilidade e insônia; entre outros. Os sintomas não são específicos e podem ocorrer em outras condições, que não a deficiência de testosterona.
A diminuição de produção hormonal masculina, diferentemente da Menopausa, não determina o fim da fertilidade para o homem, apenas uma diminuição dela.
A Terapia de Reposição Hormonal Masculina deve ser indicada para todos os homens que apresentam os sintomas de queda hormonal e que não apresentem contraindicações para seu uso. Ela pode ser administrada através de gel, adesivos cutâneos ou injeções.
Antes de recorrer à terapia, é necessário que o paciente comprove a queda na taxa de hormônios, através de exames laboratoriais, com acompanhamento médico.
Entre as contraindicações para Terapia Hormonal Masculina está a suspeita ou caso confirmado de câncer de próstata ou de mama masculina. O acompanhamento médico durante o tratamento é primordial para a segurança do paciente.
Estilo de vida saudável, conquistado com uma dieta equilibrada, a prática de exercícios físicos de forma regular, uma boa qualidade do sono, não fumar e não engordar são ótima recomendações que podem retardar ou impedir o aparecimento da deficiência de testosterona e seus sintomas.
As medicações para reposição hormonal masculina não devem ser usadas para ganho muscular ou melhora do desempenho atlético de maneira abusiva. Elas podem causar graves efeitos colaterais e sérios danos à saúde.
Quando bem indicada, e feita com acompanhamento médico, a reposição hormonal traz benefícios aos homens, como melhora da libido, perda de peso, aumento da massa muscular e da densidade óssea.

14.105 – AI, DS – Cientistas modificam células sanguíneas para torná-las resistentes ao HIV


Aids Health Disease Day Virus Hiv Care Sickness
Pesquisadores chineses usaram a técnica de edição de genes conhecida como CRISPR para tentar bloquear o HIV, fabricando células sanguíneas resistentes à doença. Um experimento similar contra o vírus já tinha sido feito antes com animais, mas dessa vez os cientistas modificaram o método e garantem que ele foi seguro em um teste clínico com um voluntário.
Foram modificadas células-tronco sanguíneas e células progenitoras provenientes de um doador — ambas são capazes de se diferenciar em diferentes tipos de tecido no organismo. Depois, elas foram transplantadas em um paciente de 27 anos de idade que tinha leucemia e e era portador do vírus HIV.
O fato do paciente ter câncer ajudou os pesquisadores, pois normalmente ele já passava por transplantes para tratar a leucemia. A diferença foi que a técnica CRISPR foi adicionada ao procedimento.
Meses depois o paciente parou de tomar seu coquetel de medicamentos contra o HIV para descobrir se havia sido curado. Entretanto, a carga de vírus no organismo voltou a subir —isso porque as células geneticamente modificadas para resistirem à doença substituíram apenas 5% das células de defesa.
Mesmo que a técnica CRISPR não tenha sido completamente eficaz para alcançar uma cura, como o voluntário não apresentou nenhum efeito colateral ao transplante, isso é uma grande conquista para os cientistas, que pretendem ter resultados superiores para chegar a um tratamento definitivo para o HIV.

14.094 – Vem aí a Comida de Laboratório


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Se hoje somos 7,7 bilhões de pessoas no planeta, em 2050, seremos 10 bilhões, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A produção de comida terá de ser 70% maior e, de preferência, prejudicando o mínimo possível o meio ambiente. Para isso, precisamos rever como nos alimentamos. O último Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, divulgado em agosto, estabelece que precisamos reduzir o consumo de carnes para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. O documento destaca que dietas baseadas em proteína animal contribuem com o desmatamento de importantes biomas do mundo, como a Amazônia, e defende uma alimentação rica principalmente em vegetais.

A grande aposta da indústria nesse sentido é desenvolver carnes à base de plantas ou de células de animais — com sabor, textura e qualidade nutricional iguais aos da carne de um bicho. “É um mercado ainda em desenvolvimento, mas não tem volta”, diz Jayme Nunes, biólogo da Merck, empresa alemã de ciência e tecnologia que investiu, no ano passado, 7,5 milhões de euros na startup Mosa Meat, fundada pelo cientista Mark Post.
Em 2013, Post apresentou o primeiro hambúrguer de laboratório do mundo, criado a partir de células de uma vaca. Para elaborar o disco de carne sem matar o animal, o professor da Universidade de Maastricht (Holanda) desenvolveu um método que usa células-tronco retiradas do músculo bovino. O resto do processo acontece no laboratório: em um biorreator, as células-tronco se transformam em células musculares. O resultado é uma pasta de carne que pode ser moldada.

A produção do primeiro hambúrguer de Post custou US$ 325 mil. Hoje, o valor fica entre US$ 9 mil e U$S 10 mil — e o preço promete cair ainda mais nas próximas décadas. “A tendência é de que custe US$ 50 em 2030, quando a carne deve estar disponível em restaurantes do guia Michelin”, estima Nunes. Ele acredita que, em 2050, a carne de células será vendida por US$ 20 o quilo, diretamente ao consumidor.

Enquanto as opções conhecidas como cell-based (baseado em células, em tradução livre) ainda engatinham, já é possível comprar hambúrgueres plant-based (à base de plantas) a preços acessíveis. Nos EUA, duas empresas se destacam: a Beyond Meat foi a primeira a ter seu hambúrguer de óleo de coco, romã e beterraba nos supermercados do país, em maio de 2016; já a Impossible Foods, que lançou um hambúrguer de plantas em julho do mesmo ano, inovou ao fazer a peça “sangrar”. Na lista de ingredientes estão proteína isolada de soja, proteína de batata e óleos de coco e de girassol. O sabor e o aspecto vermelho vêm da leghemoglobina de soja, uma proteína encontrada na raiz de leguminosas. Assim como a hemoglobina, presente no sangue de animais e humanos, ela é composta de glóbulos vermelhos — a responsável, portanto, pelo tom avermelhado.
O uso da leghemoglobina chamou a atenção da Food and Drug Administration (FDA), agência norte-americana que regula alimentos e remédios, pelo alto potencial alergênico. No dia 31 de julho, porém, a FDA concluiu que a proteína é segura para consumo e autorizou a venda do Impossible Burger em mercados a partir de 4 de setembro. O produto já era comercializado em restaurantes desde 2016, e tem se popularizado cada vez mais.

Em agosto, o Burger King anunciou nas lojas dos EUA uma versão do sanduíche Whopper feita com o Impossible Burger. No dia 10 de setembro, a novidade desembarca no Brasil. Aqui, no entanto, o hambúrguer vegetal da rede de fast-food será da Marfrig, gigante brasileira da indústria da carne que acaba de entrar para o time dos fabricantes de produtos plant-based.

14.090 – Cadê Meu Elixir da Longa Vida? Cientistas na busca da “cura” do envelhecimento


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Um dos mitos da Grécia Antiga, que remonta a 700 a.C., conta a história de amor de Eos, a deusa do amanhecer, e Titono, irmão mais velho do rei de Troia. Eos se apaixonou por Titono e pediu a Zeus que concedesse a ele a imortalidade dos deuses. Mas se esqueceu de pedir eterna juventude. Titono viveu por anos a fio, definhando, esquecido pela própria Eos, que o trancou em um quarto escuro até que, finalmente, ele se transformou em uma cigarra.
Alguns milênios depois, a longa busca da humanidade pela vida e juventude eternas ganha, pela primeira vez, contornos científicos. No Vale do Silício, pesquisadores têm tentado unir medicina e tecnologia para encontrar maneiras de nos fazer viver mais e mais jovens, encarando o envelhecimento como uma causa para as tantas doenças associadas a ele e, portanto, passível de tratamento ou mesmo cura.
“Depois de assegurar níveis sem precedentes de prosperidade, saúde e harmonia, e considerando nossa história pregressa com nossos valores atuais, as próximas metas da humanidade serão provavelmente a imortalidade, a felicidade e a divindade”, escreveu Yuval Harari em Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, best-seller publicado no Brasil em 2016 pela Companhia das Letras. “Reduzimos a mortalidade por inanição, a doença e a violência; objetivaremos agora superar a velhice e mesmo a morte”, sentencia o professor de História da Universidade Hebraica de Jerusalém.
O primeiro laboratório biomédico dos Estados Unidos dedicado inteiramente a pesquisar o envelhecimento foi criado em 1999 em Novato, na Baía de São Francisco, a poucos quilômetros do Vale do Silício. Com a missão de acabar com as doenças relacionadas à passagem do tempo, o Instituto Buck acredita que é possível as pessoas aproveitarem a vida aos 95 anos tanto quanto o faziam aos 25.
“Nesses anos de pesquisa, chegamos a duas conclusões: a primeira é de que podemos mudar o ritmo do envelhecimento em animais, modificando a genética e a alimentação”, diz o geneticista Gordon Lithgow, chefe de pesquisas no instituto. “A segunda é que o processo de envelhecimento é um gatilho — ou mesmo uma causa — para as doenças crônicas em idade avançada.” A grande hipótese, segundo Lithgow, é que a medicina talvez esteja olhando para as doenças crônicas associadas ao envelhecimento da forma errada — e, se conseguirmos reverter ou retardar o processo, talvez seja possível proteger o corpo dos danos causados por ele.
Além do Buck, laboratórios como o Calico e o Unity Biotechnology têm como objetivos explícitos “resolver a morte” e “combater os efeitos do envelhecimento” e são financiados pelos bilionários Sergey Brin e Larry Page, fundadores do Google, Jeff Bezos, da Amazon, e Peter Thiel, do PayPal. Mas é a Fundação SENS, criada em 2009 pelo cientista da computação inglês Aubrey de Grey, entre outros nomes, que desperta as maiores polêmicas na comunidade científica.
Na visão de Aubrey de Grey, de 56 anos, o envelhecimento deve ser tratado como um fenômeno simples, e nosso corpo visto como uma máquina ou uma engenhoca que pode ser consertada. “O motivo de termos carros que ainda rodam após cem anos é o fato de eliminarmos os estragos antes mesmo de as portas caírem. O mesmo vale para o corpo humano”, afirmou o britânico em entrevista.
Para desenvolver o modelo que chama de SENS, sigla para Strategies for Engineered Negligible Senescence (estratégias para engenharia de uma senescência negligenciável, em tradução livre), ele olhou para os principais processos que levam ao envelhecimento conhecidos hoje: perda e degeneração das células; acúmulo de células indesejáveis, como de gordura ou senescentes (velhas); mutações nos cromossomos e nas mitocôndrias; acúmulo de “lixo” dentro e fora das células, o que pode causar problemas em seu funcionamento; ligações cruzadas em proteínas fora da célula, que podem gerar perda de elasticidade no tecido em questão.

Para De Grey, basta tratar cada um desses itens e pronto: nossos problemas de saúde que surgem com a idade acabariam — quase tão simples quanto aplicar e remover um filtro do FaceApp, aplicativo que se tornou febre nas redes sociais nas últimas semanas, com um algoritmo que faz uma simulação fotográfica da aparência que poderemos ter quando mais velhos. “Não haveria limite, assim como não há limite para os carros funcionarem. Morreríamos somente de causas que não têm a ver com quanto tempo atrás nascemos. Impactos de asteroides, acidentes etc.”

14.085 – Farmacologia – A Silimarina


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É um fármaco utilizado pela medicina como protetor do fígado. É um composto extraído do fruto da Silybum marianum. Deve ser comercializado na forma de extrato seco padronizado, contendo flavonoides.
Age aumentando a síntese de RNA e também impedindo a peroxidação dos lipidos da membrana celular e dos organelos dos hepatócitos.
Hoje em dia, a Silimarina é muito usada por pessoas que ingerem grandes quantidades de álcool, pois ela protege o fígado atacado fortemente pelo álcool, e também usada por atletas que fazem uso de anabolizantes que atacam o fígado.
Silibinina é o principal componente ativo da silimarina, que é extraida da planta medicinal Silybum marianum, é uma espécie de planta com flor pertencente à família Compostae.
A autoridade científica da espécie é (L.) Gaertn., tendo sido publicada em De Fructibus et Seminibus Plantarum
É utilizado no tratamento e prevenção de doenças do fígado através de sua ação anti-hepatotóxica.
Fígado (do latim ficatu) é a maior glândula e o segundo maior órgão do corpo humano. Funciona tanto como glândula exócrina, liberando secreções num sistema de canais que se abrem numa superfície externa, como glândula endócrina, uma vez que também libera substâncias no sangue ou nos vasos linfáticos. Localiza-se no hipocôndrio direito, epigástrio e pequena porção do hipocôndrio esquerdo, sob o diafragma e seu peso aproximado é cerca de 1,3-1,5 kg no homem adulto e um pouco menos na mulher.
Na primeira infância é um órgão tão grande, que pode ser sentido abaixo da margem inferior das costelas, ao lado direito.

Funções
Em algumas espécies animais o metabolismo alcança a atividade máxima logo depois da alimentação; isto lhes diminui a capacidade de reação a estímulos externos. Em outras espécies, o controle metabólico é estacionário, sem diminuição desta reação. A diferença é determinada pelo fígado e sua função reguladora, órgão básico da coordenação fisiológica.

Entre algumas das funções do fígado, podemos citar[4][5]:

produção de bile;
síntese do colesterol;
conversão de amônia em ureia;
desintoxicação do organismo;
síntese de protrombina e fibrinogênio (fatores de coagulação do sangue);
destruição das hemácias;
síntese, armazenamento e quebra do glicogênio;
emulsificação de gorduras no processo digestivo, através da secreção da bile;
lipogênese, a produção de triacilglicerol (gorduras);
armazenamento das vitaminas A, B12, D, E e K;
armazenamento de alguns minerais como o ferro;
síntese de albumina (importante para a osmolaridade do sangue);
síntese de angiotensinógeno (hormônio que aumenta a pressão sanguínea quando ativado pela renina);
reciclagem de hormônios;
no primeiro trimestre de gestação é o principal produtor de eritrócitos, porém perde essa função nas últimas semanas de gestação.

Uma usina de processamento
Além das funções citadas acima, este órgão efetua aproximadamente 220 funções diferentes, todas interligadas e correlacionadas. Para o entendimento do funcionamento dinâmico e complexo do fígado, podemos dizer que uma das suas principais atividades é a formação e excreção da bile.
as células hepáticas produzem em torno de 1,5 l por dia, descarregando-a através do ducto hepático. A transformação de glicose em glicogênio, este conhecido como amido animal, e seu armazenamento, se dá nas células hepáticas. Ligada a este processo, há a regulação e a organização de proteínas e gorduras em estruturas químicas utilizáveis pelo organismo da concentração dos aminoácidos no sangue, que resulta na conversão de glicose, esta utilizada pelo organismo no seu metabolismo. Neste mesmo processo, o subproduto resulta em ureia, eliminada pelo rim. Além disso, paralelamente existe a elaboração da albumina, e do fibrinogênio, isto tudo ao mesmo tempo em que ocorre a desintegração dos glóbulos vermelhos. Durante este processo, também age em diversos outros, tudo simultaneamente, destruindo, reprocessando e reconstruindo, como se fossem vários órgãos independentes, por exemplo, enquanto destrói as hemácias, o fígado forma o sangue no embrião; a heparina; a vitamina A a partir do caroteno, entre outros.
O fígado, além de produzir em seus processos diversos elementos vitais, ainda age como um depósito, armazenando água, ferro, cobre e as vitaminas A, vitamina D e complexo B.
Durante o seu funcionamento produz calor, participando da regulação do volume sanguíneo; tem ação antitóxica importante, processando e eliminando os elementos nocivos de bebidas alcoólicas, café, barbitúricos, gorduras entre outros. Além disso, tem um papel vital no processo de absorção de alimentos.
As impurezas são filtradas pelo fígado, que destrói as substâncias tissulares transportadas pelo sangue. Os lipídios, glicídios, proteínas, vitaminas, etc, vindos pelo sangue venoso, são transformados em diversos subprodutos. Os glicídeos são convertidos em glicose, que metabolizada se converte em glicogênio, e, novamente convertida em açúcar que é liberado para o sangue quando o nível de plasma cai. As células de Kupffer, que se encontram nos sinusoides, agem sobre as células sanguíneas que já não têm vitalidade, e sobre bactérias, sendo decompostas e convertidas em hemoglobina e proteínas, gerando a bilirrubina, que é coletada pelos condutores biliares, que passam entre cordões dessas células que segregam bílis; esta, por sua vez, vai se deslocando para condutos de maior calibre, até chegar ao canal hepático, (também chamado de ducto hepático, ou duto hepático); neste, une-se numa forquilha em forma de Y com o ducto cístico, chegando à vesícula biliar. Da junção em Y, o ducto biliar comum estende-se até o duodeno, primeiro trecho do intestino delgado, onde a bílis vai se misturar ao alimento para participar da digestão. O alimento decomposto atravessa as paredes permeáveis do intestino delgado e suas moléculas penetram na corrente sanguínea. A veia porta conduz estas ao fígado, que as combina e recombina, enviando-as para o resto do organismo.
Em casos de impactos muito fortes, pode haver ruptura da cápsula que recobre o fígado, com a imediata laceração do tecido do órgão. As lesões em geral são alarmantes e de extrema gravidade, podendo ser muitas vezes fatais, devido à enorme quantidade de sangue que pode ser perdida, dado o grande número de vasos sanguíneos que compõem o órgão. Se em caso de acidente grave, e consequente lesão, a pessoa sobreviver, o fígado geralmente demonstrará alto e rápido poder de regeneração.

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