14.184 – ☻Mega Notícias – Escapou do Câncer mas Morreu num Tombo


O homem que foi curado de um câncer em estado terminal com um tratamento inédito na América Latina morreu em Belo Horizonte após um acidente. De acordo com a Polícia Civil, o corpo de Vamberto Luiz de Castro, de 64 anos, deu entrada no Instituto Médico Legal em 11 de dezembro e saiu no mesmo dia.
O acidente provocou um traumatismo craniano grave em Vamberto, que não resistiu. Os parentes do homem não quiseram se manifestar.
Vamberto estava em fase terminal de um linfoma – um tipo de câncer – muito agressivo nos ossos quando procurou o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto para tentar um tratamento ainda experimental no Brasil, inédito na América Latina, com uma equipe da Universidade de São Paulo (USP).
Ele teve alta em outubro após apresentar uma melhora considerada cura, com a terapia genética descoberta no exterior e conhecida como CART-CeII.
Antes de se submeter ao tratamento inédito custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Vamberto tomava doses máximas de morfina diariamente e não conseguia mais andar. O tumor havia se espalhado pelos ossos. No início de setembro, o corpo do paciente estava tomado por tumores. Já após o tratamento, a maioria deles já havia desaparecido. E os que restavam, segundo os médicos, sinalizavam a evolução da terapia.
No EUA, os tratamentos comerciais já receberam aprovação e podem custar mais de US$ 475 mil.

14.183 – Medicina – O que é Bruxismo?


bruxismo
Também designado como briquismo (do grego “brýkhmós”, cujo significado é “ranger os dentes”) é uma condição na qual o indivíduo aperta ou range os dentes, na maioria das vezes inconscientemente, a noite durante o sono, ou até mesmo durante o dia. O bruxismo atinge pessoas de todas as idades, sendo mais frequente entre os 15 e 35 anos e com maior prevalência nas mulheres. Suas causas estão relacionadas com problemas emocionais, tais como o estresse e ansiedade.
Em muitos casos, o bruxismo pode ser moderado e nem sequer ser notado. No entanto, pode ser frequente e grave o suficiente para causar problemas maiores. O ranger dos dentes, além de causar um desgaste tremendo nos dentes e danificar os tecidos em volta deles, pode ainda resultar em dores de cabeça (enxaquecas), afetar a mandíbula, causar problemas de ouvidos e dores miofaciais. Em bocas onde não há uma higiene bocal adequada e que haja dentes cariados, o ranger pode provocar também a quebra dos mesmos.
Quando o bruxismo ocorre durante o dia, é mais fácil para ser controlado e também diagnosticado. No entanto, pelo fato do bruxismo acontecer na maioria das vezes durante o sono, grande parte das pessoas não sabem que rangem os dentes. O movimento feito pelo bruxismo durante o sono envolve movimentos rítmicos semelhantes ao da mastigação, com longos períodos de contração dos músculos mandibulares. Estes movimentos e contrações podem ser tão fortes que consequentemente, no dia seguinte, alguns sintomas como dor de cabeça e maxilar dolorido acontecem. Em muitos casos, o bruxismo pode ser alto o suficiente para acordar um parceiro adormecido. Por isto é importante identificar os sinais e sintomas de bruxismo e procurar atendimento odontológico.
Se há suspeita da possibilidade de diagnóstico de bruxismo é recomendável procurar um dentista o quanto antes, que irá receitar um protetor bucal (placas interoclusais feitas sob encomenda) para proteger os dentes durante a noite deste hábito destrutivo. Estas placas com o tempo serão desgastadas pelo uso constante e devem ser trocadas sempre que necessário. Além disto, recomenda-se também evitar ou reduzir alimentos e bebidas que contenham cafeína, como também as bebidas alcoólicas que contribuem para o aumento da ansiedade e o stress nos pacientes, intensificando o ranger dos dentes. Muitas pessoas que tem bruxismo possuem a mania de colocar lápis ou canetas na boca para mastigar as suas pontinhas, bem como outros objetos. Estes hábitos devem ser suspensos e também é aconselhável evitar as gomas de mascar (chicletes).

14.178 – Composto Imobiliza Célula do Câncer e Impede Metástase


cancer remedio
Os testes foram feitos com a molécula KBU2046, composto que inibiu o movimento de células do câncer em quatro diferentes tipos de células do câncer humanas: câncer de mama, próstata, colorretal e pulmão.
O cientista explica que ele e a sua equipe fizeram diversos estudos na química para pensar um composto que só inibiria o movimento de células do câncer — e não tivesse nenhum outro efeito em células saudáveis.
Substância bloqueia proteína associada ao movimento
Bergan cita ainda que o laboratório de Karl Scheidt, professor de química e farmacologia da Universidade de Northwestern, foi o responsável por pensar em novos compostos que pudessem impedir a motilidade de tumores. O desafio era encontrar substâncias com poucos efeitos colaterais.
Scheidt explica que o KBU2046 se liga a proteínas das células de forma específica para somente impedir o movimento. Não há outra ação sobre as estruturas celulares, o que diminui os efeitos colaterais e a toxicidade. “Levamos anos para descobrir”, comemora, em nota.

Pesquisadores almejam que a droga possa ser administrada em cânceres iniciais para diminuir ao máximo que o tumor se espalhe para o resto do corpo e o paciente tenha um tumor intratável no futuro.
Cientistas estimam que serão necessários dois anos e US$ 5 milhões para que os primeiros testes sejam realizados em seres humanos.

14.177 – Demorou mas Chegou – Pílula contra HIV


pilula da aids mim
O Ministério da Saúde passará a disponibilizar em até 180 dias a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) contra o vírus HIV. Na prática, um grupo inicial de 7 mil pessoas em grupos estratégicos deverão receber um medicamento para tomar no dia-a-dia e prevenir a infecção.
Inicialmente o governo deve priorizar 12 cidades brasileiras: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Manaus, Brasília, Florianópolis, Salvador e Ribeirão Preto. De acordo com o Ministério da Saúde, esses municípios foram escolhidos por terem participado de projetos piloto para o uso da pílula.
Além disso, poderão receber o remédio populações-chave, determinadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS): casais soro diferentes, gays; homens que fazem sexo com homens; profissionais do sexo e pessoas transgêneros (travestis e transexuais).
O remédio será distribuído para previnir a infecção pelo vírus HIV no Brasil e já é utilizado em outros países para o mesmo fim, como os Estados Unidos, e os estudos demonstram alta taxa de eficiência: 90%, de acordo com o Ministério da Saúde.
A marca mais conhecida é o Truvada, usada em alguns países. O Ministério da Saúde disse há possibilidade de importar o produto, mas que uma licitação deverá ser feita.
Ele combina dois medicamentos em um comprimido: o fumarato de tenofovir desoproxila (TDF, 300 mg) e a emtricitabina (FTC, 200 mg). Os dois, junto a uma terceira substância, já fazem parte do coquetel de tratamento contra a doença há muitos anos.
O que é PrEP?
A Profilaxia Pré-Exposição é a ingestão do medicamento em grupos de risco do HIV para evitar que novas pessoas sejam infectadas. Há, ainda, a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), feita no Brasil desde 2010 – quando a pessoa recebe um tratamento a base de um coquetel logo após um comportamento de risco, ou para profissionais de saúde que possam ter se infectado ao tratar pacientes.
O remédio impede a transcrição do material genético do vírus HIV, evitando se instale nas células do corpo.
Os dois médicos informaram que o medicamento mantém o efeito por um bom tempo no corpo. Então, esquecer de tomar um único dia não é o problema. De acordo com Kallas, ele geralmente é ingerido de três a quatro vezes por semana.
A longo prazo, de acordo com Timerman, o remédio pode causar problemas renais e alterar a calcificação dos ossos. Por isso, ele defende que os pacientes sejam acompanhados de seis em seis meses por um médico.
O total de pessoas cadastradas para receber a prevenção por meio da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), medicamento que previne a infecção do vírus HIV, aumentou 38% em cinco meses. O tratamento está disponível desde janeiro de 2018 no Sistema Único de Saúde (SUS). Desde então, 11.034 pessoas foram cadastradas, sendo 4.152 apenas entre janeiro e maio deste ano, de acordo com o Ministério da Saúde.

A “pílula anti-HIV” é uma combinação de medicamentos: tenofovir (300mg) + truvada (200mg). Ao tomar a dose diária, a pessoa se previne contra o vírus. Os grupos com maior risco passaram a ter acesso à PrEP na rede pública de saúde no Brasil: gays, homens que fazem sexo com outros homens (HSH), profissionais do sexo, homens trans, mulheres trans e travestis.
Em 2017, o Ministério da Saúde liberou a pílula para 7 mil pessoas, inicialmente. Foram priorizadas 12 cidades: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Manaus, Brasília, Florianópolis, Salvador e Ribeirão Preto. A escolha dos locais acompanhava a maior incidência da doença. Depois, a PrEP foi ampliada para outras partes do Brasil.
A Profilaxia Pré-Exposição já era utilizada em outros países, como os Estados Unidos. Desde 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar a prevenção para esses mesmos grupos. Estudos apontam uma taxa de eficiência maior do que 90%. Mais de 100 mil pessoas já tinham usado a pílula até o final de 2016.
Uma revisão de 21 trabalhos que somam quase 10 mil pacientes analisou se a PrEP induz à diminuição do uso de preservativo e a incidência de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O estudo aponta uma variação entre as populações estudadas e que não houve um aumento significativo no número de participantes que não usavam camisinha – a conclusão é que os HSH já transavam sem proteção. Mesmo assim, há um aumento geral no número de parceiros.
Os gays e homens que fazem sexo com outros homens (HSM) são os que mais aderiram à medida no Brasil – foram 2.898 novos cadastros neste ano. Do outro lado, estão travestis, homens trans e mulheres trans, que representam menos de 5% dos usuários da PrEP. Desde o início de 2019, entraram no programa de prevenção 30 travestis, 162 mulheres trans e 10 homens trans.
Mesmo que esse número pareça pequeno, é difícil estimar se essas populações estão sub representadas na política de prevenção. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pesquisas demográficas ainda não contabilizam o número de travestis, mulheres trans e homens trans no Brasil.
O instituto argumenta que, na hora de fazer um questionário nas residências, uma única pessoa responde por toda a família – e muitas vezes não informa a existência de um integrante dessas populações. Além disso, parte dos homens trans e mulheres trans acaba entrando nos índices de sexo feminino ou masculino, pois o gênero é autodeclaratório.

14.175 – Remédio Contra o cansaço e a Fadiga


fadiga
Fadiga é o nome que se dá a um sintoma que está caracterizado pela sensação de desgaste, cansaço e falta de energia. Como é de se esperar, este é um sintoma bastante recorrente entre os mais diferentes tipos de doenças e condições. A fadiga está muito presente no dia a dia da população, mas que pode ter causas diversas.
Assim, tem causas diversas e entende-se “fadiga” como uma sensação de desgaste, cansaço excessivo e falta de energia. Como é de se esperar, este é um sintoma bastante recorrente entre os mais diferentes tipos de doenças e condições.
Fadiga muscular
A fadiga muscular é causada pelo excesso de atividade física. Isso pode significar maior intensidade, frequência e/ou uso de pesos em exercícios; e/ou menor intervalo de descanso entre os exercícios.

Costuma causar cansaço físico intenso e dor no músculo trabalhado exageradamente.

Pode ser dividida em dois subtipos:

-Fadiga muscular central:incapacidade ou ausência de força em região localizada, normalmente no músculo afetado;Fadiga muscular periférica: falta de energia e indisposição em todo corpo

Fadiga adrenal
A fadiga adrenal é um sintoma relacionado à dificuldade do corpo em lidar com altos e prolongados níveis de estresse, resultando na disfunção nas glândulas adrenais (que compõem o sistema endócrino).

É uma fadiga que pode ser considerada crônica, pois costuma ser mais duradoura e ter origem patológica (doenças).

Assim, pode levar à dificuldade de concentração, compulsão alimentar, exaustão persistente, irritabilidade e alterações constantes de humor.

Fadiga crônica
A fadiga crônica é geralmente causada por uma enorme carga de estresse na rotina, estando principalmente ligada ao âmbito profissional, amoroso e familiar.

Porém, diferente da fadiga adrenal, a fadiga crônica tem duração de no mínimo seis meses e é incapacitante. Ou seja, faz com que o paciente não consiga realizar normalmente as atividades que lhe eram habituais, além de ter tendência à depressão.

Fadiga mental
A fadiga mental é decorrente do desgaste intelectual. Isso acontece devido ao estresse gerado pelo excesso de informações que nosso cérebro recebe.

Ficar horas vendo noticiários, navegando na internet, estudando ou concentrado em um mesmo trabalho intelectual pode levar ao problema. Como resultado, há dificuldade de concentração, irritabilidade, indisposição e dor de cabeça.

Fadiga sensorial
A fadiga sensorial é a exaustão relacionada aos órgãos sensoriais, principalmente olhos e ouvidos. Os sintomas costumam estar diretamente correlacionados a, portanto, estes órgãos.

Fadiga auditiva: exaustão causada pela exposição prolongada a ruídos (de volume alto em fones de ouvido a shows ou turbinas de avião), causando, principalmente, zumbido, pressão e sensação de ouvidos tampados (e até surdez).
Fadiga ocular: também chamada de fadiga visual, ocorre pelo uso de óculos ou lentes com grau incorreto, excesso de leitura em dispositivos móveis e computador. Resulta em olhos secos, visão embaçada, cansaço, dificuldade de foco, alteração na percepção das cores, aumento da sensibilidade à luz, tontura e cefaleia.
Fadiga de verão (natsubane)
Com nome de origem japonesa, a fadiga de verão é a exaustão ocasionada por temperaturas altas. Em dias mais quentes pode ocorrer a desidratação e transpiração excessiva, resultando em cansaço excessivo, indisposição e irritabilidade.

Causas
Pare um pouco e repense todos os seus hábitos de vida. O que pode estar por trás de seu cansaço? Fazer-se essa pergunta é o primeiro passo para identificar as possíveis causas de um sintoma muito comum: a fadiga.

Em geral, a maioria dos casos de fadiga pode ser atribuída a três grandes fatores: estilo de vida, condições de saúde e problemas psicológicos.

Confira as principais possíveis causas para cada um desses fatores:

Estilo de vida
Consumo excessivo de bebidas alcóolicas
Consumo excessivo de cafeína
Uso e abuso de drogas recreativas
Excesso de atividade física
Sedentarismo e inatividade
Falta de sono em geral
Medicamentos, como anti-histamínicos e xaropes para tosse
Hábitos alimentares pouco saudáveis e dietas não balanceadas
Problemas psicológicos
Ansiedade excessiva
Depressão
Sentimentos de pesar e culpa
Estresse
Tristeza
Quaisquer doenças mentais ou problemas psicológicos que possam levar aos sintomas acima também podem estar relacionados à fadiga. Procure um médico se você apresentar os problemas acima.

Condições médicas
A fadiga pode ser um sinal de uma condição médica subjacente, como:

Insuficiência hepática aguda
Anemia
Câncer
Síndrome da fadiga crônica
Doença renal crônica
Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)
Enfisema
Doença cardíaca
Hipertireoidismo
Hipotireoidismo
Uso de medicamentos, como sedativos, antidepressivos e os prescritos para dor, coração e pressão arterial
Obesidade
Dor persistente
Síndrome das pernas inquietas
Diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2
Doença de Addison
Distúrbios alimentares, como anorexia e bulimia
Artrite e artrite reumatoide
Doenças autoimunes, como lúpus
Insuficiência cardíaca, principalmente a congestiva
Distúrbios do sono, como insônia, apneia do sono e narcolepsia
Desnutrição
Doenças renais e hepáticas
Diagnóstico e Exames
Na consulta médica
Especialistas que podem diagnosticar a fadiga são:

Clínico geral
Cardiologista
Pneumologista
Psiquiatra
Psicólogo
Endocrinologista
Neurologista
Gastroenterologista
Nutricionista
Angiologista
Otorrinolaringologista
Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

Lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
Histórico médico, incluindo outras condições e medicamentos ou suplementos que tome com regularidade
Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar
O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

Como você poderia descrever a fadiga que sente?
Ela é um problema comum?
Com que frequência você se sente cansado ou indisposto?
Geralmente a fadiga vem acompanhada de outros sintomas? Quais?
Você já tomou alguma medida caseira para aliviar a fadiga? E funcionou? O que você fez?
Você já se auto medicou para tratar a fadiga? O que você tomou?
Você já foi diagnosticado com alguma outra condição de saúde física? Qual? Já iniciou tratamento? Que tipo de medicamentos você toma para essa condição?
Você já foi diagnosticado com alguma outra condição de saúde mental? Qual? Já iniciou tratamento? Que tipo de medicamentos você toma para essa condição?
Você tem feito atividades físicas? Com que frequência?
Você teve alguma alteração de apetite recentemente?
Você faz acompanhamento psicológico?
Você toma algum tipo de medicamento? Qual? Com que finalidade?
Você costuma se sentir fadigado durante todo o dia ou durante algum momento específico do seu dia?
Como é sua rotina de sono?
E sua rotina no trabalho e nos estudos, como é?
Você tem problemas de relacionamento ou com sua família?
O que você acredita que está por trás da fadiga?
Marque uma consulta com um médico se você sentir cansaço persistente por pelo menos duas semanas ou mais, principalmente se você for do tipo de pessoa que naturalmente adota hábitos de vida saudáveis.

Casos de emergência
No entanto, você deve procurar assistência médica emergencial se a fadiga for acompanhada de:

Sangramento anormal, incluindo o sangramento pelo reto ou presença de sangue no vômito
Dor nas costas, dor abdominal e dor pélvica
Dor de cabeça muito forte ou enxaqueca
Você também deve obter ajuda médica de emergência se a fadiga está relacionada a algum problema de saúde mental, principalmente se, entre os sintomas manifestados, estão:

Tentativas de autoagressão ou de suicídio
Preocupação em poder prejudicar ou machucar outra pessoa
Chame a emergência se a fadiga também por acompanhada por:

Dor no peito
Falta de ar
Batimento cardíaco irregular ou rápido
Desmaio
Tratamento de Fadiga
O diagnóstico da fadiga depende muito da avaliação médica feita no próprio consultório. Por isso, os tipos de tratamento disponíveis para este sintoma também dependem muito da causa subjacente à fadiga.

Na verdade, o tratamento desta causa costuma trazer alívio para o sintoma de fadiga também. Mas existem algumas dicas e medidas que podem ser tomadas independentemente do diagnóstico e que servem única e exclusivamente para tratar e aliviar o sintoma.

Durma horas suficientes todas as noites
Siga uma dieta saudável, balanceada
Beba bastante água durante o dia
Faça exercícios regularmente e sem exageros
Adote técnicas de relaxamento, como yoga e meditação
Mantenha uma agenda pessoal e profissional equilibrada, a fim de evitar estresse em seu cotidiano
Evite o consumo exacerbado de álcool, nicotina e drogas
Evite estimulantes em excesso, como a cafeína, pois tendem a piorar a fadiga no longo prazo
Medicamentos para Fadiga
Fadiga pode ter diversas causas e tipos, de modo que o tratamento medicamentoso varia de acordo com o diagnóstico estabelecido pelo médico.

Por isso, somente um especialista capacitado pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento.

Os medicamentos mais comuns no tratamento de fadiga são:

Cinarizina
Coristina D
Engov
Naldecon Dia
Naldecon Noite
Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

14.173 – Medicina – O que é a Terapia Gênica?


terapia genica2
A Genética é um dos campos da Biologia que mais sofreram avanços durante o tempo. A descoberta dos genes e da estrutura do DNA, o sequenciamento do genoma humano e as técnicas de DNA recombinante são apenas algumas das importantes vitórias dessa ciência.
A terapia gênica pode ser definida como um procedimento em que são feitas modificações genéticas em células como uma forma de tratar uma doença. Essas modificações são realizadas por meio da inserção de um gene funcional dentro da célula que substituirá o gene defeituoso e promoverá a produção de proteínas corretamente. A técnica funciona como um “transplante de genes”.
A terapia gênica pode ser realizada a partir de duas técnicas diferentes: a germinativa e a somática. Na técnica germinativa, o novo gene é inserido nos espermatozoides ou óvulos, ou seja, nas células germinativas. Já no caso da técnica somática, o novo gene é inserido em outras células que não as germinativas.
Para que o gene seja colocado no interior da célula, é necessária a utilização de um vetor, que normalmente é um vírus. Como os vírus conseguem entrar na célula humana e inserir seus genes, os cientistas utilizaram essa capacidade para desenvolver a técnica. O vírus é modificado para não causar doenças e apenas transportar genes necessários para determinada célula. O gene normal é inserido, as proteínas funcionais são produzidas e a doença, em tese, pode ser curada.

→ Limitações da terapia gênica
Apesar de a terapia gênica possuir bons resultados quando testada em laboratório, ela ainda enfrenta algumas limitações que impedem que alguns tratamentos sejam realizados em grande escala. Entre os problemas enfrentados, destacam-se os métodos de transferência gênica pouco eficientes e a dificuldade de criação de mecanismos precisos de regulação do gene funcional.
A principal barreira para o desenvolvimento da técnica na pratica médica é a segurança, principalmente quando se analisam os vetores. Além disso, há muitas discussões éticas e filosóficas, principalmente quando se deseja realizar o procedimento no embrião ou em células germinativas.
Diversos estudos estão sendo realizados ao redor do planeta a partir da técnica de terapia gênica. Alguns estão obtendo resultados bastante promissores, como é o caso da doença genética conhecida como deficiência da lipoproteína lipase. Os resultados foram tão positivos que deram origem ao primeiro medicamento de terapia gênica do mundo: o Glybera, que pode curar permanentemente a doença.
Além da deficiência da lipoproteína lipase, outros trabalhos apresentaram resultados eficazes. Um exemplo é o estudo publicado na Science em 2013 que revelou a cura de algumas crianças com a Síndrome de Wiskott-Aldrich e Leucodistrofia Metacromática por intermédio da terapia gênica.
Além desses trabalhos, podemos citar um caso recente que ocorreu em 2015: uma garota de um ano de idade, desacreditada pela medicina, submeteu-se a uma técnica de terapia gênica que reverteu a sua leucemia. Apesar de a menina ainda não poder ser considerada curada, não existem atualmente traços da doença em seu corpo.

14.172 – Bioquímica – Recombinação Genética Bacteriana


resistencia bacteriana2
Bactérias são microrganismos com uma alta capacidade de se reproduzir, apresentando basicamente a reprodução assexuada como processo de formação de novos indivíduos. Em razão dessa capacidade de reprodução em poucos minutos, uma única bactéria pode originar uma população de bactérias semelhantes à original. Esse conjunto de bactérias ocasionadas de uma “original” é conhecido como clone.
Entretanto, mesmo não apresentando reprodução sexuada, em certas espécies ocorrem processos nos quais a mistura de material genético permite a formação de bactérias diferentes. Esses processos são conhecidos como recombinação genética em bactérias e podem ocorrer de 3 formas básicas: transformação, transdução e conjugação.

Transformação
A transformação bacteriana ocorre pela absorção de fragmentos de DNA presentes no ambiente, originados de outras bactérias mortas e decompostas. Essa molécula ou fragmento será incorporado ao DNA da bactéria através da permuta de bases entre o DNA original e o fragmento absorvido. Caso haja compatibilidade nesta troca, o fragmento passa a fazer parte do material genético da bactéria sendo duplicado e passado durante a reprodução binária.
O processo de transformação foi utilizado em bactérias E. coli, para produção de insulina. Para isso, pedaços de DNA humano, com a sequência que determinava a produção de insulina, foram introduzidos em bactérias que passaram a sintetizar esse hormônio. Atualmente, grande parte da insulina comercializada provém da ação dessas bactérias transgênicas.

Transdução
É quando uma bactéria tem pedaços de seu material genético transportado para outra bactéria, através da ação de vírus bacteriófagos. Para que isso aconteça há necessidade de que, no momento em que novos bacteriófagos são formados, pedaços do DNA bacteriano sejam incorporados ao material genético viral. Com a liberação dos bacteriófagos e o ataque a outra bactéria, os genes bacterianos presentes poderão ser transferidos para o DNA da bactéria agora infectada.
Isso pode acontecer desde que a ação do material genético infectante proveniente do vírus não promova a destruição da bactéria. Assim, haverá incorporação de fragmentos do material genético. E, ocorrendo sua reprodução assexuada, haverá a formação de uma nova linhagem, modificada.

Conjugação
A conjugação é o tipo de reprodução recombinante mais conhecido. Neste evento, existe a formação de uma ponte ou pelo que conectará duas bactérias. A bactéria que doar seu material genético não sofrerá modificação, mas a receptora sairá desta conjugação modificada. Durante a ligação é transferido, da bactéria doadora, um pedaço de DNA chamado de plasmídio F (de fertilidade) que se recombina com o material genético da bactéria receptora, ocorrendo modificações.
Essa forma de recombinação é a que leva ao surgimento de linhagens de bactérias resistentes à ação de vários tipos de antibióticos, caracterizando a infecção hospitalar.

14.171 – Biologia – As Superbactérias


superbacterias
Superbactérias é o nome dado ao grupo de bactérias que consegue resistir ao tratamento com o uso de uma grande quantidade de antibióticos. Normalmente associadas ao ambiente hospitalar, essas bactérias são um grave problema para pacientes debilitados.
Observa-se uma grande quantidade de óbitos em todo o mundo em decorrência de infecções por superbactérias, principalmente nos países mais pobres. Isso ocorre porque, em muitos desses lugares, não há instalações adequadas para a identificação rápida desses organismos, além de possuírem poucos antibióticos alternativos para o tratamento de bactérias resistentes.
Geralmente essas superbactérias surgem em razão do uso de uma grande quantidade de antibióticos de forma desnecessária ou de maneira incorreta, que acaba selecionando as formas resistentes. Uma das principais bactérias resistentes a medicamentos é a Staphylococcus aureus, sendo a forma resistente à meticilina (MRSA) a mais comum. A MRSA é encontrada em praticamente todo o mundo, normalmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), onde causam sérios problemas. Essa superbactéria, além de ser resistente a vários antibióticos, é capaz de colonizar instrumentos médicos.
Em 17 de abril de 2014, um trabalho intitulado Transferable Vancomycin Resistance in a Community-Associated MRSA Lineage alertou a respeito de uma nova superbactéria do tipo VRSA (Vancomycin Resistent Staphylococcus aureus) resistente à meticilina e à vancomicina. Essa bactéria, chamada de BR-VRSA, foi descoberta no Brasil e é um tipo ainda mais resistente de Staphylococcus aureus. O que a diferencia das outras bactérias do tipo VRSA é o material genético herdado de bactérias que são encontradas em ambientes fora dos hospitais. Essa característica é importante porque torna mais fácil a sua disseminação.
Outra superbactéria que reflete um grande problema nos hospitais do mundo todo é a chamada KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemases). Ela produz carbapenemases do grupo A, enzima responsável por inibir a ação dos antibióticos que possuem o anel betalactâmico. Isso faz com que as opções de medicamento no tratamento dessa bactéria sejam diminuídas. A KPC acomete normalmente pacientes imunodeprimidos, em especial aqueles que estão na UTI.
Existe ainda uma superbactéria chamada NDM-1, que inicialmente surgiu na Índia e Paquistão, mas, posteriormente, espalhou-se por praticamente todo o mundo nos ambientes hospitalares. Ela apresenta um gene responsável pela produção de uma enzima que atua nos antibióticos betalactâmicos, conferindo resistência a esse medicamento.
Podemos concluir que várias são as superbactérias existentes no planeta e que todas elas constituem um grave problema para o ambiente hospitalar, uma vez que atacam pacientes com doenças graves ou extremamente debilitados. Conter o avanço de superbactérias é uma tarefa difícil e necessita de uma ação conjunta de profissionais da saúde, pacientes e até mesmo dos governantes. Profissionais da saúde devem ter em mente que a prescrição de antibióticos só deve ser feita quando necessário e todos os procedimentos hospitalares devem ser feitos com total higiene, utilização de jalecos, toucas e luvas. Os pacientes, por sua vez, devem ficar atentos às recomendações médicas e nunca se automedicar. Já os governantes devem dificultar a venda indiscriminada de antibióticos e criar políticas que incentivem a pesquisa sobre essas bactérias.

14.170 – O que é Fasciíte Necrosante?


bacteria q come carne
É uma infecção rara causada por bactérias extremamente agressivas, caracterizada pela destruição rápida e progressiva do tecido subcutâneo e da fáscia superficial (tecido conjuntivo que separa músculos da pele). Essa infecção acomete com mais frequência a parede abdominal, as extremidades e o períneo, apesar de poder afetar qualquer parte do corpo.
Não existe um único organismo causador dessa infecção, pois ela está relacionada com a ação de diferentes bactérias. O Streptococcus hemolítico do grupo A e o Staphylococcus aureus são frequentemente observados em quadros de fasciíte necrosante. Entretanto, essas não são as únicas bactérias causadoras do problema. Podemos citar ainda as bactérias do gênero Bacteroides, Clostridium e Peptostreptococcus.
Existem alguns fatores de risco para o desenvolvimento dessa condição, principalmente: idade avançada, uso de drogas, diabetes, abuso de álcool, lesões na pele, cirurgias e traumas abertos ou fechados.

→ Classificação da fasciíte necrosante
A fasciíte necrosante pode ser classificada em tipos I e II, utilizando-se como critério as bactérias envolvidas.
Tipo I: O tipo I, ou celulite necrosante, caracteriza-se por apresentar uma bactéria anaeróbia obrigatória, em associação com um ou mais anaeróbios facultativos. É comum o surgimento dessa infecção após cirurgias e em pacientes com diabetes e doença vascular periférica.
Tipo II: O tipo II, conhecido também como gangrena estreptocócica, possui a presença de Streptococcus do grupo A isolado ou, ainda, associado ao Staphylococcus aureus. Nesse caso, observa-se o aparecimento desse problema em decorrência de ferimentos penetrantes, queimaduras e procedimentos cirúrgicos.
→ Quadro clínico da fasciíte necrosante
A fasciíte necrosante inicia-se com a apresentação de uma área dolorosa e avermelhada, a qual vai aumentando no decorrer dos dias. A dor é desproporcional às alterações presentes na pele. Posteriormente, essa região da pele fica azulada (cianose local), e inicia-se a formação de bolhas com conteúdo amarelado ou vermelho-escuro. Esse local, então, torna-se demarcado, circundado por uma borda avermelhada e recoberta por tecido morto (necrótico). Ocorre ainda a trombose dos vasos superficiais, o que dificulta, assim, a ação dos antibióticos e proporciona o acúmulo de bactérias.
A dor é intensa, mesmo após o início do tratamento, e as feridas podem ter grandes proporções, surgindo verdadeiros “buracos” no paciente. Caso o tratamento não seja feito, pode ocorrer o acometimento de estruturas mais profundas, como a camada muscular. Vale destacar que normalmente existe a preservação do músculo subjacente.

→ Tratamento
O tratamento envolve o uso de antibióticos de amplo espectro, a retirada cirúrgica do tecido necrótico e meios que garantam o suporte geral do paciente, com isso, evitando choque séptico e falência dos órgãos. O tratamento apresenta um resultado satisfatório quando feito no início da infecção. Caso não seja tratada adequadamente, a doença torna-se potencialmente fatal.

14.169 – Oncologia – Metástase Óssea tem Reversão?


MEDICINA simbolo
A cura de um paciente com uma metástase óssea isolada pode ser conseguida, irá depender do tipo do tumor, se o sitio primário da doença esta controlado, se realmente só há aquela metástase em questão e se ela é passível de reversão completa. A cura apesar de difícil deve ser tentada e perseguida.
Metástase em osso significa doença sistêmica. O tratamento é feito com medicamentos e eventualmente radioterapia no osso atingido para evitar fratura e controlar dor . O tipo histológico da doença metastática pode informar a possibilidade do maior ou menor sucesso terapêutico.

Escola Paulista de Medicina

 

14.168 – Terapia Gênica contra Câncer em fase Terminal


cart-cell-2019
Um paciente de 64 anos que tinha linfoma em fase terminal e tomava morfina todo dia deve receber alta. Após ser submetido a um tratamento inédito na América Latina. Ele deixará o hospital livre dos sintomas do câncer graças a um método 100% brasileiro baseado em uma técnica de terapia genética descoberta no exterior e conhecida como CART-Cell.
Os médicos e pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp-USP) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, apontam que o paciente está “virtualmente” livre da doença. Os especialistas, no entanto, não falam em cura ainda porque o diagnóstico final só pode ser dado após cinco anos de acompanhamento. Tecnicamente, os exames indicam a “remissão do câncer”.
Os pesquisadores da USP – apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) – desenvolveram um procedimento próprio de aplicação da técnica CART-Cell.
Essa técnica, ainda recente, foi criada nos EUA, está em fase de pesquisas e é pouco acessível. No EUA, os tratamentos comerciais já receberam aprovação e podem custar mais de US$ 475 mil.
O paciente submetido ao tratamento no Brasil é o mineiro Vamberto Luiz de Castro, funcionário público aposentado de 62 anos. Antes de chegar ao interior de São Paulo, ele tentou quimioterapia e radioterapia, mas seu corpo não respondeu bem a nenhuma das técnicas.
Em um tratamento paliativo, com dose máxima de morfina, o paciente deu entrada em 9 de setembro no Hospital das Clínicas em Ribeirão com muitas dores, perda de peso e dificuldades para andar. O tumor havia se espalhado para os ossos.
O prognóstico de Castro, de acordo com os médicos, era de menos de um ano de vida. Como uma última tentativa, os médicos incluíram o paciente em um “protocolo de pesquisa” e testaram a nova terapia, até então nunca aplicada no Brasil.
A CART-Cell é uma forma de terapia genética já utilizada nos Estados Unidos, Europa, China e Japão. Esse método consiste na manipulação de células do sistema imunológico para que elas possam combater as células causadoras do câncer.

Terapia genética
A estratégia da CART-Cell consiste em habilitar células de defesa do corpo (linfócitos T) com receptores capazes de reconhecer o tumor. O ataque é contínuo e específico e, na maioria das vezes, basta uma única dose.

Rápida melhora
Segundo os médicos, Castro respondeu bem ao tratamento e logo após quatro dias deixou de sentir as fortes dores causadas pela doença. Após uma semana, ele voltou a andar.
“Essa primeira fase do tratamento foi milagrosa”, disse ao G1 o hematologista Dimas Tadeu Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC-Fapesp) e do Instituto Nacional de Células Tronco e Terapia Celular, apoiado pelo CNPq e pelo Ministério da Saúde.
“Não tem mais manifestação da doença, ele era cheio de nódulos linfáticos pelo corpo. Sumiram todos. Ele tinha uma dor intratável, dependia de morfina todo dia. É uma história com final muito feliz.”
Renato Luiz Cunha, outro dos responsáveis pelo estudo, explicou que a terapia genética consegue modificar células de defesa do corpo para atuarem em combate às que causam o câncer.
“As células vão crescer no organismo do paciente e vão combater o tumor”, disse Cunha. “E desenvolvemos uma tecnologia 100% brasileira, de um tratamento que nos EUA custa mais de R$ 1 milhão. Esperamos que ela possa ser, no futuro, acessível a todos os pacientes do SUS.”
Cunha recebeu, em 2018, o prêmio da Associação Americana de Hematologia (ASH), nos EUA, para desenvolver este estudo no Brasil.
No ano passado a agência norte-americana de vigilância sanitária (FDA), aprovou nos EUA a primeira terapia gênica do mercado para leucemia linfoide aguda. Porém, o tratamento é caro e chega a custar US$ 475 mil dólares.
O tratamento ainda não está liberado na rede pública ou privada de saúde, por isso, Cunha explicou que, para o paciente ser atendido no hospital universitário, o encaminhamento foi aprovado por uma comissão de ética.
O hematologista Rodrigo Calado, professor da FMRP-USP e membro do CTC, afirma que “esse tratamento foi possível pelo investimento em pesquisa e formação de pessoas feito pela Fapesp e CNPQ ao longo dos anos e que agora se traduz em um tratamento melhor e mais eficaz em casos de linfomas refratários.”
Perspectivas para o SUS
Dimas Tadeu Covas, que coordena o Centro de Terapia Celular do HC de Ribeirão, disse que o procedimento poderá ser reproduzido em outros centros de excelência do país, mas não dá datas. Isso porque, segundo ele, depende de laboratórios controlados com infraestrutura adequada.
“Devido à complexidade do tratamento, ele também só pode ser feito em unidades hospitalares com experiência em transplante de medula óssea”, disse o pesquisador. “Isso porque, durante o processo, a imunidade é comprometida. O paciente tem que ficar isolado, não pode ficar exposto. Não são todos os hospitais que podem fazer esse tipo de tratamento. Além disso a terapia tem efeitos colaterais.”
A resposta imune progressiva pode causar febres altas, náuseas e dores musculares. Os pesquisadores não eliminam o risco de morte, e reconhecem que a forte baixa no sistema imunológico traz um potencial fatal para alguns pacientes.
De acordo com os envolvidos na pesquisa, antes de o tratamento ser disponibilizado para o Sistema Único de Saúde (SUS), ele precisa cumprir os requisitos regulatórios da Anvisa. O chamada “estudo clínico compassivo” continua e deverá incluir mais 10 pacientes nos próximos 6 meses.
Se as etapas de estudos e pesquisas continuarem a se manter promissoras, Covas avalia que o tratamento pode ser adotado em larga escala com adaptações nos laboratórios de produção. “Os investimentos necessários para ampliação da capacidade produtiva são de pequena monta, da ordem de R$ 10 milhões”, afirma Covas.

14.160 – Bangladesh pode ser 1º país a cultivar arroz criado para combater cegueira infantil


O arroz dourado foi criado há duas décadas com a proposta de oferecer um aporte maior de vitamina A para prevenir a cegueira infantil e outras doenças ligadas à falta do nutriente em países em desenvolvimento. O produto é resultado do trabalho de dois cientistas alemães, Ingo Potrykus e Peter Beyer, que na época faziam pesquisa em laboratórios do AgCenter, da Universidade do Estado da Luisiana, nos Estados Unidos.
Por ser um produto geneticamento modificado, o alimento virou alvo de críticas mundo afora – e nenhum país aceitou a missão de cultivá-lo. Mas isso pode mudar em breve: Bangladesh está prestes a aprovar o cultivo do arroz dourado no país e, se isso acontecer, fazendeiros poderão plantá-lo a partir de 2021.
Agora, a dupla de pesquisadores tem uma parceria com a empresa agroquímica Syngenta para produzir o arroz. Eles doaram também plantas transgênicas a vários institutos de pesquisa para a modificação dos genes do alimento. O objetivo é criar outras linhagens do arroz dourado para climas e dietas diferentes.
Em Bangladesh, o arroz ganhou uma nova adaptação, feita pelo Instituto Inernacional de Pesquisas sobre Arroz (IRRI, na sigla em inglês), que fica nas Filipinas. Testes prévios não indicam qualquer dificuldade de plantio ou perda de qualidade no alimento, em comparação com o arroz não modificado geneticamente.
O arroz transgênico se diferencia apenas pela alta quantidade de betacaroteno (vitamina A), presente naturalmente em alimentos como cenoura, espinafre e batata-doce. A deficiência desse nutriente é crítica em países como China, Índia e Bangladesh, onde 20% das crianças sofrem com esse déficit nutricional.
Por enquanto, alguns membros do comitê que irá aprovar o arroz dourado no país asiático permanecem contrários ao alimento por considerarem que ele pode apresentar riscos ao meio ambiente e à saúde. Se for aprovado, deve ainda passar por testes de qualidade.
Em outros países, como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, plantações de arroz dourado já são permitidas, mas mesmo nessas nações ainda não há planos governamentais para começar a cultivar o alimento em larga escala.

14.154 – Cientistas aliam medicina e tecnologia para (tentar) vencer o envelhecimento


MEDICINA simbolo
Um dos mitos da Grécia Antiga, que remonta a 700 a.C., conta a história de amor de Eos, a deusa do amanhecer, e Titono, irmão mais velho do rei de Troia. Eos se apaixonou por Titono e pediu a Zeus que concedesse a ele a imortalidade dos deuses. Mas se esqueceu de pedir eterna juventude. Titono viveu por anos a fio, definhando, esquecido pela própria Eos, que o trancou em um quarto escuro até que, finalmente, ele se transformou em uma cigarra.
Alguns milênios depois, a longa busca da humanidade pela vida e juventude eternas ganha, pela primeira vez, contornos científicos. No Vale do Silício, pesquisadores têm tentado unir medicina e tecnologia para encontrar maneiras de nos fazer viver mais e mais jovens, encarando o envelhecimento como uma causa para as tantas doenças associadas a ele e, portanto, passível de tratamento ou mesmo cura.
“Depois de assegurar níveis sem precedentes de prosperidade, saúde e harmonia, e considerando nossa história pregressa com nossos valores atuais, as próximas metas da humanidade serão provavelmente a imortalidade, a felicidade e a divindade”, escreveu Yuval Harari em Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, best-seller publicado no Brasil em 2016 pela Companhia das Letras. “Reduzimos a mortalidade por inanição, a doença e a violência; objetivaremos agora superar a velhice e mesmo a morte”, sentencia o professor de História da Universidade Hebraica de Jerusalém.
O primeiro laboratório biomédico dos Estados Unidos dedicado inteiramente a pesquisar o envelhecimento foi criado em 1999 em Novato, na Baía de São Francisco, a poucos quilômetros do Vale do Silício. Com a missão de acabar com as doenças relacionadas à passagem do tempo, o Instituto Buck acredita que é possível as pessoas aproveitarem a vida aos 95 anos tanto quanto o faziam aos 25.
Além do Buck, laboratórios como o Calico e o Unity Biotechnology têm como objetivos explícitos “resolver a morte” e “combater os efeitos do envelhecimento” e são financiados pelos bilionários Sergey Brin e Larry Page, fundadores do Google, Jeff Bezos, da Amazon, e Peter Thiel, do PayPal. Mas é a Fundação SENS, criada em 2009 pelo cientista da computação inglês Aubrey de Grey, entre outros nomes, que desperta as maiores polêmicas na comunidade científica.
Homo machina
Na visão de Aubrey de Grey, de 56 anos, o envelhecimento deve ser tratado como um fenômeno simples, e nosso corpo visto como uma máquina ou uma engenhoca que pode ser consertada. “O motivo de termos carros que ainda rodam após cem anos é o fato de eliminarmos os estragos antes mesmo de as portas caírem. O mesmo vale para o corpo humano”.
Para desenvolver o modelo que chama de SENS, sigla para Strategies for Engineered Negligible Senescence (estratégias para engenharia de uma senescência negligenciável, em tradução livre), ele olhou para os principais processos que levam ao envelhecimento conhecidos hoje: perda e degeneração das células; acúmulo de células indesejáveis, como de gordura ou senescentes (velhas); mutações nos cromossomos e nas mitocôndrias; acúmulo de “lixo” dentro e fora das células, o que pode causar problemas em seu funcionamento; ligações cruzadas em proteínas fora da célula, que podem gerar perda de elasticidade no tecido em questão.
O motivo de termos carrros que ainda rodam após cem anos é o fato de eliminarmos os estragos antes mesmo de as portas caírem. O mesmo val para o corpo humano”Aubrey de Grey, cientista da computação
Para De Grey, basta tratar cada um desses itens e pronto: nossos problemas de saúde que surgem com a idade acabariam — quase tão simples quanto aplicar e remover um filtro do FaceApp, aplicativo que se tornou febre nas redes sociais nas últimas semanas, com um algoritmo que faz uma simulação fotográfica da aparência que poderemos ter quando mais velhos. “Não haveria limite, assim como não há limite para os carros funcionarem. Morreríamos somente de causas que não têm a ver com quanto tempo atrás nascemos. Impactos de asteroides, acidentes etc.”
Entre os tratamentos propostos pelo cientista — e pelos defensores do antienvelhecimento — estão transfusões periódicas de células da medula em tecidos nos quais as células não são substituídas após a morte, como o cérebro e o coração, e o uso de medicamentos ou vacinas que estimulam o sistema imunológico a combater os danos causados pelas próprias células.
Uma revisão de estudos feita pelos pesquisadores do Buck publicada em julho deste ano na revista científica Nature aponta as duas principais substâncias que se mostraram promissoras no retardamento do envelhecimento em animais, a rapamicina e a metformina. Descoberta pela primeira vez nos anos 1970, a rapamicina inibe o mecanismo molecular chamado mTOR, que controla a divisão, a multiplicação e o envelhecimento das células. Em um experimento feito com ratos, o tempo de vida dos roedores que ingeriram a substância aumentou 14%. Mas ela também suprime o sistema imunológico — não à toa, é usada como imunossupressor para diminuir o risco de rejeição em transplantes de órgãos.
A metformina, por sua vez, é usada no tratamento de diabetes tipo 2 desde a década de 1960. Nos últimos anos, algumas pesquisas realizadas em animais identificaram que ela pode atuar nas funções das mitocôndrias (estruturas responsáveis pela respiração celular) para diminuir inflamações e desacelerar o envelhecimento das células. Também é associada à diminuição do risco de tumores. Segundo a revisão na Nature, os testes clínicos em humanos voltados especificamente para os efeitos no combate ao envelhecimento com a rapamicina e a metformina devem começar a ser feitos em breve.
O problema é que há riscos ainda desconhecidos para todas essas teorias e experiências. Em um dos primeiros perfis sobre De Grey e suas ideias, publicado no MIT Review of Technology em 2005, o cirurgião norte-americano Sherwin Nuland (1930-2014), autor do texto, lembrou que “diferentemente de engenheiros, cujas metodologias De Grey considera a principal contribuição para resolver os problemas de envelhecimento, biólogos não abordam eventos fisiológicos como entidades distintas sem efeitos sobre as outras”. E completa ressaltando que cada uma das intervenções propostas pode resultar em respostas imprevisíveis e incalculáveis da bioquímica e física das células. “Na biologia, tudo é interdependente; tudo é afetado por todo o resto”, escreveu Nuland.
E nós nem entendemos ainda esse “todo o resto”. Embora a ciência conheça os processos que levam ao envelhecimento, ainda se sabe pouco sobre o próprio porquê de envelhecermos. Uma das teorias é a de que a evolução simplesmente não liga para o que acontece conosco quando passamos da idade reprodutiva. Do ponto de vista da seleção natural, ao terminar de reproduzir e superar os primeiros anos de criação e proteção da prole, o indivíduo perde a relevância para a espécie, visto que qualquer vantagem genética evolutiva não será passada adiante. Alguns evolucionistas, entre eles o britânico Alfred Russel Wallace, inclusive flertaram com a ideia de que somos naturalmente programados para morrer para liberar recursos para os mais jovens.
Na corte francesa, membros da nobreza e realeza tentavam combater o envelhecimento e até acreditavam que poderiam viver para sempre se tomassem todos os dias um tônico de cloreto de ouro misturado com éter etílico. A história mais conhecida é de Diane de Poitiers, que morreu aos 66 anos, provavelmente envenenada pelas substâncias.

Ponto de desequilíbrio
O debate avança, então, para a esfera das ciências sociais, políticas e passa até por dilemas morais. Afinal, nós já estamos vivendo muito mais do que nossos antepassados, graças justamente aos avanços na ciência que nos permitiram superar a mortalidade infantil e combater as doenças infecciosas que antes derrubavam cidades inteiras. Mais da metade dos bebês que nascem hoje deve viver até os 65 anos, duas décadas a mais do que quem nasceu em meados do século passado. Atualmente, existem 850 milhões de idosos no mundo — em 2005, eram 670 milhões —, e uma projeção da Organização das Nações Unidas prevê que em 2050 serão cerca de 2 bilhões, ou 22% da população total do planeta.
Mas a sociedade ainda não está estruturada para lidar com essa mudança. “À medida que cada década passa, nós ganhamos anos de vida, mas não instituições preparadas para lidar com isso”, diz a socióloga Vania Herédia, da Universidade de Caxias do Sul, que é presidente do departamento de gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). No Brasil, a primeira Política Nacional do Idoso, que assegura direitos sociais e busca criar condições para promover autonomia e participação na sociedade, foi regulamentada em 1996. E somente em 2003 foi aprovado o Estatuto do Idoso, que amplia a atenção às necessidades dessa população.
O país tem também uma condição bastante única no perfil de envelhecimento da população: a velocidade. Enquanto países como França, Itália e Japão observaram o aumento da população idosa ao longo de 150 anos, no Brasil isso aconteceu em 25 anos. Esse desequilíbrio agrava ainda mais os desafios que vêm com o aumento da expectativa de vida, entre eles o grande debate atual na política brasileira, o da reforma da Previdência. Afinal, com mais pessoas vivendo mais e por mais tempo, as contas públicas precisarão ser ajustadas para isso — para ter ideia, nos Estados Unidos dos anos 1940, por exemplo, um americano típico que chegasse aos 65 anos viveria cerca de 17% de sua vida aposentado. A porcentagem hoje já é de 22%, e não para de aumentar.
Surge, então, a pergunta: como seria um mundo em que as pessoas pudessem viver até os mil anos, como acredita De Grey? Para os defensores de frear o envelhecimento, essa seria, na realidade, a solução mais simples para os desafios atuais: para sempre jovens e com a saúde dos jovens, poderíamos continuar trabalhando por mais tempo e ter múltiplas carreiras, e não haveria sobrecarga nos sistemas de saúde e de cuidado com a terceira idade.
Falar sobre tempo de vida ilimitado gera, inevitavelmente, questões filosóficas sobre o sentido da vida em si. O que faríamos com tanto tempo? A discussão pode ir para muitos lados: das possíveis viagens interestelares e infinitas possibilidades de aprendizados à perda total de motivação diante da falta de urgência para completar nossos afazeres.
Na Grécia Antiga, a filosofia epicurista já falava sobre isso, enxergando a vida como um banquete: você fica saciado, depois estufado e, finalmente, sente repulsa. O fato de estarmos acostumados a uma ideia de começo, meio e fim — como o roteiro de uma história — seria um dos fatores que tornam a vida tão especial. Como disse outro filósofo, o romano Cícero, que viveu entre 106 e 43 a.C., em uma de suas obras (adaptada para o português pela editora L&PM sob o título Saber Envelhecer): a velhice é a cena final dessa peça que constitui a existência.
Outra dúvida é em relação ao acesso a esses tratamentos, se um dia estiverem disponíveis. Os próprios pesquisadores antienvelhecimento reconhecem que existe o risco de que eles fiquem concentrados nas mãos dos mais ricos, o que pode, por sua vez, aprofundar os abismos de desigualdade de renda. Ao estenderem a vida indefinidamente, poderiam acumular recursos e fortunas ainda maiores, desestabilizando as relações sociais. No entanto, defendem, essa é mais ou menos a lógica atual. “Se você tem dinheiro, pode pagar por melhores cuidados de saúde, então quão justo já é no momento?”, provoca Lithgow. Para ele, seria como se disséssemos que só podemos usar novas tecnologias ou avanços médicos quando todos tiverem acesso a eles;
E, finalmente, uma das questões éticas mais delicadas de todas: até que ponto devemos ir nessa busca pela extensão da vida? Já existem iniciativas bastante radicais, como a de empresas que fazem congelamento criogênico de corpos. São pessoas que optam por ter os próprios cadáveres resfriados com nitrogênio líquido e mantidos guardados por séculos, na esperança de que, no futuro, novas tecnologias sejam capazes de reanimá-los — quase uma versão moderna das múmias egípcias.
Um caso recente que virou notícia foi o de uma adolescente britânica de 14 anos com câncer terminal que processou o governo pelo direito de ter seu corpo congelado. Desde 2016, seu corpo está conservado em uma clínica nos Estados Unidos que cobrou US$ 46 mil pelo serviço (cerca de R$ 172 mil em valores atuais).
No livro Homo Deus, Harari explica que essa “guerra” contra a morte passou a ser especialmente validada a partir da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. “Somos constantemente lembrados de que a vida é o que há de mais sagrado no universo. A Declaração Universal dos Direitos do Homem declara categoricamente que o direito à vida é valor fundamental da humanidade”, escreve o pensador israelense.
O problema tem sido estabelecer um limite para essa guerra. “Não existe um ponto no qual médicos e cientistas irão se deter e declarar: ‘Até aqui, e nenhum passo a mais.’ Não se afirma na declaração dos direitos do homem que os humanos têm direito à vida até os 90 anos. O que se diz é que todo ser humano tem direito à vida. Ponto.”
Envelhecimento saudável
Simonsick é uma das coordenadoras do Baltimore Longitudinal Study of Aging, um dos estudos sobre envelhecimento mais longos do mundo, que desde 1958 acompanha grupos de voluntários para tentar entender o que pode ser considerado um envelhecimento normal. Por enquanto, a conclusão é de que não existe um envelhecimento normal; o que existe é a possibilidade de melhorar a saúde nos anos finais da vida.
E, para a ciência e medicina tradicionais, essa tem sido uma preocupação muito mais palpável do que a de prolongar ainda mais os anos de vida. Afinal, do ponto de vista da saúde, viver mais não necessariamente significa viver melhor. Há estimativas, por exemplo, de que 20% das pessoas com 80 anos ou mais acabarão sofrendo de Alzheimer.
Quando a discussão é essa, tanto os cientistas antienvelhecimento quanto os contrários ao movimento parecem concordar. “Grande parcela da população só está vivendo mais e mais tempo doente”, diz a geriatra Ivete Berkenbrock, vice-presidente da SBGG. O geneticista do Instituto Buck complementa: “Não há sentido em viver muito tempo em sofrimento”.
A principal diferença entre as vertentes é a forma de lidar com o problema. “O envelhecimento não é uma doença, é uma fase da vida que tem suas próprias doenças prevalentes, assim como ocorre na infância e na adolescência”, diz Berkenbrock. Ela gosta de brincar que a visão da comunidade científica brasileira é pro-aging, ou pró-envelhecimento, visto que entendem que não envelhecer significa morrer cedo e que o mais importante é envelhecer com qualidade, ainda que não considerem errado que a ciência busque a juventude. “Afinal, foi assim que conseguimos aumentar a sobrevida”, lembra.
Nesse sentido caminham as correntes mais moderadas do movimento antienvelhecimento. Elas defendem justamente a busca de novas formas de tratamento para doenças crônicas normalmente associadas ao envelhecimento. “Nosso objetivo é termos melhor saúde, não estender a vida. Mas, ao prevenir e mesmo curar as doenças, acabaremos por estendê-la”, diz o biólogo português João Pedro Magalhães, chefe do Grupo de Genômica Integrada do Envelhecimento da Universidade de Liverpool, na Inglaterra.
A abordagem de Magalhães e sua equipe é um pouco diferente da dos pesquisadores no Vale do Silício. Eles buscam compreender os mecanismos celulares e moleculares de organismos extremamente longevos. Em 2015, sequenciaram o genoma da baleia-da-groenlândia (Balaena mysticetus), mamífero que chega a viver mais de dois séculos e pode ter em seu DNA pistas sobre como superar o câncer. “Queremos entender que truques são esses para tentar aplicar a nós, humanos, e já sabemos que é possível manipular o processo de envelhecimento”, explica Magalhães, referindo-se aos estudos feitos em seu laboratório que aumentaram o tempo de vida de minhocas.
Na opinião de Ivete Berkenbrock, porém, por mais natural que seja essa busca por mais tempo de vida, a ciência não pode fazer promessas sem evidências. No Brasil, tais promessas estão inclusive sujeitas a punição pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Em 2012, foi publicada uma resolução que proíbe a prática da medicina antienvelhecimento. Por enquanto, o consenso do CFM e de outros especialistas “pró-envelhecimento” mundo afora é de que não há fórmula mágica nem pílula para viver mais e melhor. A longevidade se deve a uma combinação de genética, comportamento e fatores ambientais, explica a epidemiologista Somensick.
O mundo moderno, porém, não parece favorecer um envelhecimento saudável, especialmente se levados em conta esses dois últimos fatores. Uma das principais referências globais de longevidade são as Zonas Azuis, regiões com a maior concentração de centenários. O autor norte-americano Dan Buettner, maior pesquisador sobre o tema, identificou cinco: a ilha da Sardenha, na Itália; as ilhas de Okinawa, no Japão; a cidade de Loma Linda, na Califórnia; a Península de Nicoya, na Costa Rica; e a ilha de Icária, na Grécia. Nesta última, os números são especialmente impressionantes: de cada três pessoas, uma chega aos 90 anos, e seus habitantes têm taxas 20% menores de câncer, 50% menores de doenças cardíacas e quase nenhum caso de demência.
Em comum, em todas as localidades das Zonas Azuis os estilos de vida são bem diferentes dos que crescem no restante do mundo, permeados por relações digitais, dietas baseadas em fast-food e falta de tempo até para dormir. Nessas comunidades especiais, destacam-se como parte do cotidiano o envolvimento familiar e social, baixo tabagismo, dietas baseadas em plantas e legumes e prática de atividade física moderada e constante — sem nem pisar em uma academia, na maior parte dos casos.
“Vou dizer uma heresia aqui: em nenhuma delas praticam-se exercícios físicos, pelo menos não da maneira que consideramos os exercícios. Em vez disso, eles estabelecem suas vidas de maneira que são constantemente levados a atividades físicas”, disse Buettner em palestra da plataforma TED já assistida mais de 3,7 milhões de vezes na internet. “As mulheres centenárias de Okinawa ficam se abaixando e levantando do chão. Elas sentam no chão 30 ou 40 vezes por dia. Os sardenhos moram em casas verticais, sobem e descem as escadas. Cada jornada até a loja, a igreja ou a casa de um amigo ocasiona uma caminhada. Eles não têm nenhuma comodidade. Não há nenhum botão para apertar para fazer o trabalho no quintal ou o trabalho doméstico. Se eles querem fazer um bolo, eles fazem na mão. Essa é a atividade física.”
Questão de educação
Tão importante quanto todos esses cuidados, mas nem sempre lembrado, é o papel da educação para a longevidade. Em uma de suas pesquisas recentes, o professor Jay Olshansky, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Illinois, em Chicago, apontou que os norte-americanos que receberam melhor educação vivem atualmente entre dez e 14 anos a mais que os menos educados.
“Só falamos em saúde como se fosse algo isolado, mas saúde é um somatório de fatores que passam pela educação”, reforça Berkenbrock. E não tem a ver com capacidade de recitar poesia ou compreender as leis da Física. A educação é, na verdade, um predeterminante para outros aspectos importantes da vida. Pessoas que têm Ensino Superior fumam menos, têm menor probabilidade de ficar acima do peso e mais chances de aderir às recomendações médicas. “É só ver o que está acontecendo no momento em relação à vacinação, com algumas pessoas se recusando a se vacinar”, diz a médica. Uma questão de educação que tem consequências diretas sobre a expectativa e a qualidade de vida.
No entanto, mais do que só a educação escolar formal, na opinião das especialistas da SBGG, ainda falta à sociedade uma lição maior: aprender a lidar melhor com o envelhecimento. “O ideal seria se relacionar com o processo o tempo inteiro, desde a juventude, mas há entre nós uma negação da velhice”, analisa Herédia.
Em vez de buscar combatê-la, seria talvez mais produtivo encará-la como uma fase da vida que pode ser boa e bem aproveitada — ou, ainda, como disse Cícero: por que diabos a velhice seria menos penosa para quem vive 800 anos do que para quem se contenta com 80?

14.153 – Microsoft pretende usar Inteligência Artificial para descobrir cura do câncer


reconhecimento facial
Uma nova iniciativa que visa reunir Inteligência Artificial (IA) com pesquisa em saúde e a experiência de seus parceiros industriais, a fim de proporcionar às pessoas os meios para viver de modo mais saudável e curar doenças mortais. Em um post no blog da empresa detalhando a iniciativa, a Microsoft observou que a indústria da saúde, por exemplo, têm problemas muito complexos, mas a empresa acredita que pode avançar no setor ao incorporar novas tecnologias inovadoras.
“É um grande desafio”, disse o vice-presidente corporativo da Microsoft Research NExT, Peter Lee. “Mas nós acreditamos que a tecnologia – especialmente na nuvem, IA e ferramentas de colaboração e otimização de negócios – será fundamental para a transformação dos cuidados de saúde”.

Como reportado pelo Digital Journal, a empresa está expandindo o Healthcare NExT para a pesquisa sobre o câncer em um esforço para continuar o trabalho feito para encontrar uma cura ou tratamento eficaz para a doença. Contudo, está se aproximando da pesquisa do câncer como uma empresa de tecnologia em vez de médica – ela vê as células vivas como algo semelhante aos computadores, com doenças como o câncer, semelhante a falhas no sistema. Extrapolado para este ponto abstrato, isso significa que a empresa vê células cancerosas como algo que pode ser reprogramado em vez de destruído; excluídos em vez de mortos.
Usando o aprendizado das máquinas para beneficiar o tratamento
A pesquisa sobre o câncer é conduzida em um dos seus laboratórios de computação biológica em Cambridge, Reino Unido. No último ano, um grupo de pesquisadores revelou seu trabalho em um curso para desenvolver um sistema informático que viva dentro das células humanas e reinicie o sistema se as células cancerosas fossem detectadas, limpando assim as células aflitas. Outros projetos incluíram o aprendizado da máquina para melhorar a varredura tumoral, para melhor organizar os dados dos pacientes e descobrir melhores tratamentos.
“Se você olhar a combinação de coisas que a Microsoft faz realmente bem, então faz sentido para a empresa estar nesse setor da indústria”, disse o chefe do grupo de pesquisa de computação biológica no laboratório de Cambridge, em uma publicação da Microsoft Story Labs. “Podemos utilizar métodos que desenvolvemos para programar computadores para programar biologia, e então desbloquear mais aplicações e melhores tratamentos”.
O portal Pharmaphofum comparou os esforços da empresa com o uso da Watson pela IBM para combater o câncer. A Watson que também usa a aprendizagem de máquinas e IA, passou a recomendar os mesmos tratamentos que os médicos e está sendo usado na iniciativa do vice-presidente, Joe Biden, para combater o câncer. Como nós sabemos, a aprendizagem das máquinas pode ser inestimável quando se trata de classificar através de toneladas de dados. A pesquisa do câncer não é diferente, como já vimos, usado para identificar lesões de mama que podem ser transformadas em câncer.
Objetivos ambiciosos para a cura
Descobrir uma cura para o câncer é um objetivo ambicioso de se assumir, e ver o envolvimento da Microsoft na pesquisa é algo que vale ser acompanhado. Dito isto, a empresa expressou o desejo de “capacitar cada pessoa e organização para alcançar mais”. Se pudermos manter esse impulso e foco, quem sabe o que a empresa irá desenvolver.
“Estamos incrivelmente energizados sobre as oportunidades para fazer a diferença nos cuidados de saúde”, disse a Microsoft. “Nós ouvimos atentamente nossos clientes e parceiros no setor de cuidados de saúde, e ouvimos sua mensagem: vamos trabalhar juntos, inovar juntos e criar soluções que possam capacitar as pessoas para levar vidas mais saudáveis”.

14.149 – Câncer de Mama – Diagnóstico


mama diagnostico
O câncer de mama é o segundo mais comum no mundo. E os dados sobre essa doença são contrastantes: enquanto ela é uma das principais causas de morte de mulheres, também é o tipo de câncer com a maior taxa de cura. O que separa um resultado de outro é, naturalmente, o diagnóstico precoce.
Hoje, o autoexame das mamas e a mamografia são prevenções efetivas, que buscam pequenos nódulos indicativos do início do problema. Agora, porém, médicos querem tornar o diagnóstico mais simples, prático e preciso: segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, um exame de sangue poderia detectar um câncer de mama 5 anos antes de aparecerem os sinais detectados pelos exames atuais.
A lógica do estudo foi não focar nas concentrações de células cancerígenas, que são justamente o que causam o nódulo, mas sim nos antígenos produzidos por elas. Antígeno, vale lembrar, é toda substância que desencadeia uma resposta imune do organismo, ativando nosso sistema de defesa.
A hipótese dos pesquisadores era que as células cancerígenas, desde quando são muito poucas, já produzem proteínas que agem como antígenos – os chamados TAAs (tumour-associated antigens). Detectar no sangue os anticorpos desencadeados por esses antígenos seria uma forma mais prática de detectar o câncer de mama em estágio inicial.
Para testar essa hipótese, a equipe coletou amostras de sangue de 90 pacientes recém-diagnosticados com câncer de mama e 90 amostras de pacientes sem o problema, para servir como grupo de controle.
Usando uma tecnologia de triagem chamada protein microarray, os cientistas conseguiram rastrear as amostras de sangue quanto à presença de anticorpos desencadeados por 40 TAAs associados ao câncer de mama. Identificaram a doença em 37% das amostras de sangue colhidas de pacientes com câncer de mama, e constaram a ausência de câncer em 79% das amostras do grupo controle. Parece um índice ruim, mas é um resultado satisfatório para uma primeira pesquisa.
“Conseguimos detectar o câncer com razoável precisão, identificando esses anticorpos no sangue. Conforme o teste fique mais acurado, abre-se a possibilidade de usar um simples exame de sangue para o diagnóstico precoce dessa doença”, afirmou Daniyah Alfattani, um os autores do estudo. Segundo os cientistas, os anticorpos desencadeados por antígenos produzidos por células cancerígenas podem estar presentes no sangue desde muito antes da grande multiplicação de células doentes começar, ou seja, desde antes da própria formação do câncer.
Se esses resultados se repetirem em próximos exames, isso seria nada menos que uma revolução. Tanto que essas primeiras conclusões do estudo, apresentados na Conferência Nacional de Câncer em Glasgow, na Escócia, foram tidas como preliminares, e estão sendo encarados com cautela pela comunidade científica.
Mas a equipe de Nottingham está confiante: neste exato momento, os cientistas estão testando amostras de sangue de 800 pacientes.

14.147 – História – Quem Foi Maomé?


maome
Maomé, cujo nome completo era Abu al-Qasim Muhammad ibn ‘Abd Allah ibn ‘Abd al-Muttalib ibn Hashim, foi fundador da religião e civilização islâmica. Nascido em 571 d.C., na cidade de Meca, localizada na Península Arábica, Maomé pertencia à tribo dos coraixitas, especificamente ao clã dos hachemitas, também conhecido pelo nome Banu Hashim, como explica o orientalista David Samuel Margoliouth, em sua obra Maomé e a ascensão do Islã:
Maomé era o filho de pais nascidos em Meca. Consta que seus nomes eram Abdallah (Servo de Alá) e Aminah (A Segura, ou A Protegida). A mãe pertencia aos Banu Zuhrah, e o pai era filho de Abd al-Muttalib, do clã chamado Banu Hashim. É certo que o pai do futuro Profeta morreu antes de o filho nascer, segundo dizem, quando visitava Yathrib, mais tarde conhecida como Medina. A mãe não sobreviveu por muito tempo ao marido, e seu túmulo, como afirmam alguns, encontra-se em Abwa, um lugar a meio caminho entre Meca e Medina, onde, cerca de cinquenta anos depois, seus ossos corriam o risco de ser exumados.
Como ficou órfão muito cedo, Maomé passou a ser criado por seu tio Abu Talib (também do clã Banu Hashim), de quem recebeu educação formal e aprendeu o ofício de comerciar especiarias nas caravanas de camelos transaarianas. Foi como chefe de caravana que, em 595, Maomé conheceu uma rica viúva, também hachemita, chamada Khadijha, passando a trabalhar para ela. Após demonstrar grande destreza na administração dos negócios de Khadijha, Maomé e a viúva, em comum acordo, casaram-se. Esse casamento transformou substancialmente a vida do então comerciante, que não tinha grande fortuna até o momento.

Allah e os hanifs
O fato é que, ao mesmo tempo em que começava a nova vida com Khadijha, Maomé também passou a viver as primeiras manifestações religiosas que definiriam a religião muçulmana. É importante ressaltar que, antes mesmo de o islamismo firmar-se como religião, em Meca e em outras regiões da Arábia, havia uma confluência de credos, tanto pagãos, politeístas, quanto judaicos e cristãos. Além do monoteísmo judaico e cristão, havia também um terceiro grupo, o dos hanifs, nascido em meio à miscelânea pagã dos grupos tipicamente árabes.
Como bem destaca o historiador Daniel-Rops, em sua obra A Igreja dos Tempos Bárbaros:
Na época de Maomé, vinham surgindo tendências novas no interior desse politeísmo tradicional: a influência das colônias judaicas e dos cristãos heréticos do mundo arameu, ao norte, e da Etiópia, ao sul, chamava os melhores espíritos para uma religião mais elevada. As divindades particulares continuavam a ser honradas, mas uma delas começava a predominar sobre as outras: Alá, reconhecido como “maior” – Allah akbar. Além disso, encontravam-se já alguns monoteístas – nem judeus nem cristãos – chamados hanifs.
Os pais de Maomé e muitos membros do clã hachemita adoravam Allah, mas foi Maomé que, nos primeiros anos do século VII, começou a sistematizar a crença propriamente islâmica. A tradição muçulmana relata que Maomé começou a ter progressivas revelações dadas por Deus (Alá) por meio do Anjo Gabriel. Essas revelações teriam dado a Maomé a autoridade de ser o Profeta de Alá, isto é, aquele que teria a missão de corrigir as distorções que judeus e cristãos teriam feito das revelações passadas, e a responsabilidade de retirar as tribos árabes politeístas da “era da ignorância” e convertê-las ao Islã.
Fuga para Yatreb e confrontos militares com Meca
Maomé começou por converter aqueles que lhe eram mais próximos, como sua esposa, sogro, primos etc. Entretanto, sua radicalização monoteísta começou a ter efeitos sobre a dinâmica social e econômica da tribo coraixita. Outros clãs de Meca passaram a confrontar e perseguir Maomé e seu grupo de convertidos. Com a morte de seu tio e, depois, de sua primeira esposa, Khadijah, que faleceu em 619, Maomé decidiu aceitar o apoio e hospitalidade de famílias residentes na então cidade de Yatreb, para onde migrou em 622. Essa migração, ou fuga, ficou conhecida como Hégira.
Em Yatreb, Maomé conseguiu mais adeptos ao islamismo, de modo que a cidade tornou-se o seu reduto principal e também o seu quartel-general, a ponto de a cidade ter seu nome mudado para Medina (“a Cidade”, ou “Cidade do Profeta”). De Medina, Maomé passou a travar sucessivas batalhas contra Meca. A pregação religiosa passou a se entrelaçar com a guerra e a perspectiva de conquista. Duas das principais batalhas travadas por esse primeiro grupo de muçulmanos foram nas cidades de Badr, em 624, e de Ohod, em 625. Eles venceram a primeira e perderam a segunda. O principal inimigo mequense de Maomé nessa época era Abu Sufayan.
Sufayan, em 627, tentou sitiar Medina, mas os guerreiros muçulmanos conseguiram repelir um tropa de cerca de 10.000 mequenses. No ano seguinte, houve uma breve trégua com a permissão dada a Maomé, pelos mequenses, de poder peregrinar à sua cidade natal. Em 629, Maomé reuniu seus combatentes e cercou Meca. As batalhas pelo domínio da cidade demoraram até janeiro de 630, quando a resistência de Meca foi subjugada.
O domínio de Meca foi o primeiro passo da grande e rápida expansão islâmica que se veria nos anos seguintes. Maomé morreu dois anos após subjugar sua cidade natal. Sua morte provocou disputas sucessórias que definiriam, mais tarde, os grupos sunita e xiita, característicos do desenvolvimento do islamismo.

14.142 – Idade Média


peste negra
A Peste Negra foi uma pandemia, isto é, a proliferação generalizada de uma doença causada pelo bacilo Yersinia pestis, que se deu na segunda metade do século XIV, na Europa. Essa peste integrou a série de acontecimentos que contribuíram para a Crise da Baixa Idade Média, como as revoltas camponesas, a Guerra dos Cem Anos e o declínio da cavalaria medieval.
A Peste Negra tem sua origem no continente asiático, precisamente na China. Sua chegada à Europa está relacionada às caravanas de comércio que vinham da Ásia através do Mar Mediterrâneo e aportavam nas cidades costeiras europeias, como Veneza e Gênova. Calcula-se que cerca de um terço da população europeia tenha sido dizimada por conta da peste.
A propagação da doença, inicialmente, deu-se por meio de ratos e, principalmente, pulgas infectados com o bacilo, que acabava sendo transmitido às pessoas quando essas eram picadas pelas pulgas – em cujo sistema digestivo a bactéria da peste se multiplicava. Num estágio mais avançado, a doença começou a se propagar por via aérea, através de espirros e gotículas. Contribuíam com a propagação da doença as precárias condições de higiene e habitação que as cidades e vilas medievais possuíam – o que oferecia condições para as infestações de ratazanas e pulgas.
Como ainda não havia um desenvolvimento satisfatório da ciência médica nesta época, não se sabia as causas da peste e tampouco os meios de tratá-la ou de sanear as cidades e vilas. A peste foi denominada “negra” por conta das afecções na pele da pessoa acometida por ela. Isto é, a doença provocava grandes manchas negras na pele, seguidas de inchaços em regiões de grande concentração de gânglios do sistema linfático, como a virilha e as axilas. Esses inchaços também eram conhecidos como “bubões”, por isso a Peste Negra também é conhecida como Peste Bubônica. A morte pela peste era dolorosa e terrível, além de rápida, pois variava de dois a cinco dias após a infecção.
Uma das tentativas de compreensão do fenômeno mortífero da Peste Negra pode ser vista nas representações pictóricas da chamada “A dança macabra”, ou “A Dança da Morte”. As pinturas que retratavam a “dança macabra” apresentavam uma concepção nítida da inexorabilidade da morte e da putrefação do corpo. Nestas pinturas, aparecem sempre esqueletos humanos “dançando” em meio a todo tipo de pessoa, desde senhores e clérigos até artesãos e camponeses – evidenciando assim o caráter universal da morte.
Outro fenômeno da época em que se desencadeou a peste foi a atribuição da causa da moléstia aos povos estrangeiros, notadamente aos judeus. Os judeus, por não serem da Europa e por, desde a Idade Antiga, viverem em constante migração, passando por várias regiões do mundo até se instalarem nos domínios do continente europeu, acabaram por se tornarem o “bode expiatório” das multidões enfurecidas. Milhares de judeus foram mortos durante a eclosão da Peste.
Hoje em dia os surtos pandêmicos são raros, mas várias doenças, como a causada pelo vírus Ebola que se desenvolveu na região da África Subsaariana, ainda oferecem risco de pandemia para o mundo. Por isso é monitorado por centros de investigação epidemiológica internacionais.

14.136 – IA Na Medicina


AI na Medicina
Inteligência Artificial na medicina diagnóstica

A Portal Telemedicina criou, com o software TensorFlow, do Google, uma solução inovadora para a emissão de laudos à distância. Seu sistema ajuda médicos em todo o Brasil a obter diagnósticos mais assertivos, pois compara analiticamente exames presenciais a casos similares de uma base de dados com 30 milhões de imagens e exames. A plataforma elabora recomendações médicas com critérios confiáveis e precisos graças ao uso da Deep Learning, um método em que algoritmos complexos imitam a rede neural do nosso cérebro, conferindo ao sistema uma capacidade de detectar achados médicos em nível sobre-humano.
Se o exame médico e a recomendação do algoritmo não baterem, o exame é encaminhado a outros três doutores para uma avaliação mais detalhada. O programa incorpora aprendizados a cada laudo emitido, acumulando repertório clínico à sua base de dados. Outro aspecto inovador do sistema é sua capacidade de fazer uma triagem automática dos exames, permitindo que os casos emergenciais tenham prioridade na fila do médico.

Em cirurgias
Robôs estão presentes em salas de cirurgia há décadas e já se mostraram eficazes na tarefa de tornar procedimentos menos invasivos. Mas, no que depender dos avanços da Inteligência Artificial, o papel das máquinas deve ficar ainda mais complexo. Já há, por exemplo, robôs inteligentes capazes de analisar avaliações pré-operatórias para orientar os movimentos do médico durante a cirurgia – o que pode diminuir em até 20% no tempo de internação de um paciente.
Uma das maiores ambições deste setor, porém, é criar robôs autônomos, aptos a conduzir cirurgias sem a necessidade de comandos pré-definidos e com a capacidade de usar dados de operações passadas para aprimorar suas técnicas. Nessa corrida tecnológica, o Google e a Johnson & Johnson largaram na frente com a co-fundação da start-up Verb Surgical, um projeto que desenvolve ferramentas de machine learning para democratizar o acesso às cirurgias. O super robô cirurgião ainda é um protótipo, mas a Verb estima que ele deve chegar ao mercado já em 2020.

No tratamento intensivo
A empresa israelense de análises clínicas Clew inventou uma plataforma baseada em IA para prever, em estágio inicial, potenciais complicações fatais na UTI. Pensada para auxiliar decisões médicas no mais delicado dos estágios de tratamento, a solução promete identificar o colapso de sistemas vitais com duas ou três horas de antecedência.
A ferramenta de análises colhe informações como pressão arterial, oxigênio, níveis de sangue e capacidade cardíaca de pacientes em tratamento intensivo e as compara com uma base de dados para identificar padrões antes que eles culminem na interrupção das funções cerebrais ou cardíacas. Ela já foi usada em testes em hospitais de Israel e dos EUA e deve estar disponível comercialmente a partir de 2019.

Em exames
Criado pela empresa Healthy.io em parceria com a Siemens Healthineers, o Dio.io permite que pacientes possam fazer seu exame de urina no conforto de suas casas. Aprovado recentemente pela agência norte-americana de fármacos FDA, o produto é um é um kit que coleta e analisa amostras com ajuda de machine learning e visão computacional.
O paciente abre o app do Dio.io e, com a ajuda de um assistente virtual (chatbot), segue o passo a passo: primeiro, encher um recipiente com a urina; em seguida, imergir uma tira que, em contato com o material, pode adquirir várias colorações. Com ajuda da câmera do celular, em instantes o app processa as informações visuais contidas na tira, entrega os resultados mais prováveis e dá conselhos, incluindo a recomendação de uma consulta médica se for o caso.
Na prevenção
Lançado em 2018 pela Nautilus, a plataforma Max Intelligence é um sistema de treinamento físico baseado em inteligência artificial que vem embutida em alguns de seus equipamentos cardiovasculares. Trata-se de um personal-trainer virtual capaz de desenvolver e orientar treinamentos aeróbicos totalmente personalizados, utilizando vídeos criados por instrutores e ferramentas motivacionais para criar uma rotina de treinos eficiente e estimulante.
Com base na capacidade física e nos objetivos de cada pessoa, a máquina vai aprendendo e aperfeiçoando suas orientações à medida da evolução de cada um. A interface para gerenciar os treinamentos é fácil de usar e roda em um tablet desenvolvido em parceria com a Samsung, que foi criado exclusivamente para as máquinas Bowflex Max Trainer vendidas pela empresa norte-americana.

14.134 – Inteligência Artificial – Robô Laura Pode Revolucionar a Medicina


robo Laura
O Laura trabalha com tecnologia cognitiva e atua, ao lado de médicos, na prevenção da sepse (septicemia) e na diminuição do número de mortes causadas por essa doença violenta.
O software tem a capacidade de aprender analisando, entendendo e até conversando.
Jacson Fressatto é o idealizador do Robô Laura.
Ele perdeu a filha Laura aos 18 dias de vida. Recém-nascida, Laura foi vítima de septicemia, uma infecção silenciosa que tira a vida de milhares de pessoas em todo o mundo diariamente. O luto, que se transformou em uma caça por culpados, acabou revelando um trabalho, talvez uma missão para Jacson. Isso porque a sepse é ardilosa e, exatamente por causa da pequena Laura e de uma força paterna aliada ao conhecimento analítico, agora a doença está começando a perder dentro de seu próprio jogo. Isso porque o robô Laura nasceu.
O Robô Laura tem a capacidade de salvar mais de 12 mil vidas por ano no Brasil
Hoje, a septicemia atinge 2,5 milhões de brasileiros por ano. Dentro dessa conta, cerca de 250 mil acabam morrendo. No mundo, ela mata uma pessoa a cada 1 minuto e meio. Agora, com a Laura Networks, Jacson Fressatto está tentando levar o Robô Laura para os hospitais interessados. Para os hospitais filantrópicos brasileiros, Fressato até pretende doar a tecnologia. De acordo com o site oficial da empresa, o Robô Laura tem a capacidade de salvar mais de 12 mil vidas por ano no Brasil, reduzindo em 5% o índice de mortes. O objetivo é poupar tempo, recursos e vidas — tecnicamente, Laura é o primeiro robô cognitivo de gestão de risco.
O primeiro robô cognitivo em gestão de risco do mundo é brasileiro e já atua em alguns hospitais. Com foco em saúde, este robô é capaz de aprender e, a partir daí, identificar quando um paciente está vulnerável. Por isso, é preciso dedicar um tempo ensinando-o o que pode indicar perigo, como aumento de temperatura, por exemplo. Uma vez aprendido, ele consegue fazer o trabalho sozinho.

14.132 – Seu cérebro faz de tudo para não lidar com a morte, segundo estudo


morte cerebral
Os cientistas descobriram que nosso cérebro associa a morte como algo que ocorre com os outros, não com nós mesmos. “Temos esse mecanismo primordial que indica que, quando o cérebro obtém informações que se vinculam à morte, algo nos diz que não é confiável, por isso não devemos acreditar”, afirmou Yair Dor-Ziderman, coautor do estudo, ao jornal britânico The Guardian.
Para os especialistas, evitar pensamentos sobre nossa morte pode ser crucial para vivermos o presente. Esse “escudo” provavelmente é criado na infância, assim que a criança se dá conta de que pode morrer um dia. De acordo Ziderman, imaginar a própria morte “vai de encontro a toda a nossa biologia, o que está nos ajudando a permanecer vivos”.
Os pesquisadores fizeram as análises por meio de um teste que avaliou o que acontecia com o sistema nervoso dos voluntários quando eram apresentados a determinados assuntos. O experimento foi feito assim: a atividade cerebral dos participantes era monitorada enquanto eles assistiam a uma tela que mostrava diversos rostos (incluindo os deles mesmos), intercalados com palavras. Metade das palavras era relacionada com morte, como “funeral” ou “enterro”.
Os resultados mostraram que, quando a face do próprio voluntário aparecia perto de termos mórbidos, o cérebro desligava seu sistema responsável por prever o futuro. Segundo Avi Goldstein, principal autor da pesquisa, esse seria um mecanismo para nos protegermos contra ameaças ou mesmo contra a ideia de que vamos morrer.
Para contornar esses pensamentos, a central de comando do nosso corpo foca nesse risco sobre sendo dos outros – e não de nós mesmos. “Não podemos negar racionalmente que vamos morrer, mas pensamos nisso mais como algo que acontece com outras pessoas”, acrescenta Ziderman.