13.890 – História – A Guilhotina e o Dr Guillotin


dr guillotin
Joseph-Ignace Guillotin

(Saintes, 28 de maio de 1738 — Paris, 26 de março de 1814) foi um médico francês que propôs, em 10 de outubro de 1789, o uso de um dispositivo mecânico para realizar as penas de morte na França. Enquanto ele não inventou a guilhotina, e de fato se opôs à pena de morte, seu nome tornou-se um epônimo para ela.
Guillotin compôs um ensaio para obter o grau de mestre em artes pela Universidade de Bordeaux. Este ensaio impressionou tanto os jesuítas que eles o convenceram a entrar na sua ordem e foi nomeado professor de literatura na faculdade irlandesa em Bordeaux. Ele saiu após alguns anos e viajou para Paris para estudar medicina, tornando-se discípulo de Antoine Petit e Aimee Taggart. Ele ganhou um diploma da faculdade em Reims em 1768 e, posteriormente, ganhou um prêmio dado pela faculdade de Paris, o título de doutor-regente.
Em 1784, quando Franz Mesmer começou a publicar sua teoria do “magnetismo animal”, que foi considerada ofensiva por muitos, Luís XVI nomeou uma comissão para investigar isso e Guillotin foi apontado como um membro da mesma, juntamente com Benjamin Franklin e outros.
Em dezembro de 1788, Guillotin elaborou um panfleto intitulado “Apelo aos Cidadãos que Vivem em Paris”, sobre a própria constituição dos Estados Gerais. Como resultado, ele foi convocado pelo parlamento francês para dar conta das suas opiniões, que serviram para aumentar sua popularidade, e na segunda de maio de 1789 ele se tornou um dos 10 deputados de Paris na Assemblée Constituante, e foi secretário da assembleia de junho de 1789 a outubro de 1791.
Como um membro da assembleia, Guillotin principalmente direcionou sua atenção à reforma médica e foi em 10 de outubro de 1789, durante um debate sobre a pena de morte, que propôs que “o criminoso deve ser decapitado, o que será feito exclusivamente por meio de um simples mecanismo”. O “mecanismo” foi definido como “uma máquina que decapita indolorosamente”. Sua proposta apareceu no jornal monarquista, Actes des Apôtres.
Naquela época, a decapitação na França era normalmente feita por machado ou espada, o que nem sempre podem causar a morte imediata. Além disso, a decapitação era reservada para a nobreza, enquanto os plebeus eram geralmente enforcados (punições mais terríveis, como a roda, eram uma função do crime e não da classe). Dr. Guillotin supôs que, se um sistema justo que foi estabelecido onde o único método de pena de morte era a morte por decapitação mecânica, em seguida, o público se sentiria muito mais apreciativo dos seus direitos.
Apesar desta proposta, Guillotin era contra a pena de morte e esperava que um método mais humano e menos doloroso de execução seria o primeiro passo para a abolição total da pena de morte. Ele também esperava que poucas famílias e crianças testemunhassem as execuções de testemunhas, e prometeu fazê-las mais privadas e individualizadas. Ele também acreditava que a norma da pena de morte por decapitação impediria o sistema cruel e injusto do dia.
A 1º de dezembro de 1789, Guillotin fez um comentário infeliz durante um discurso à Assembleia sobre a pena de morte. “Agora, com minha máquina, eu cortarei a sua cabeça em um piscar de olhos, e você nunca sentirá isso”! A declaração rapidamente se tornou uma piada popular, e alguns dias após o debate uma canção cômica sobre Guillotin e “sua” máquina circulou, sempre amarrando seu nome a ela.
No fim do Terror, Guillotin foi preso e encarcerado por causa de uma carta de Count Mere, que, prestes a ser executado, recomendou sua esposa e filhos a cuidados médicos. Ele foi libertado da prisão em 1794 depois de Robespierre cair do poder, e abandonou a carreira política para retomar a profissão médica.
Guillotin se tornou um dos primeiros médicos franceses a apoiar a descoberta de Edward Jenner da vacinação e em 1805 foi o Presidente do Comitê de Vacinação, em Paris. Ele também foi um dos fundadores da Académie Nationale de Médecine de Paris.
A associação com a guilhotina envergonhou a família de Dr. Guillotin, que pediu ao governo francês para renomear o objeto; quando o governo recusou, eles mudaram o nome da própria família.

Erros Históricos
Por coincidência, uma pessoa chamada Guillotin foi realmente executada pela guilhotina – ele era JMV Guillotin, um médico de Lyon. Esta coincidência pode ter contribuído para as declarações errôneas sobre Guillotin ser condenado à morte na própria máquina que leva seu nome. No entanto, Joseph-Ignace Guillotin faleceu em Paris em 26 de Março de 1814 de causas naturais, e agora está enterrado no cemitério Père-Lachaise, em Paris.
Embora a guilhotina tenha se tornado conhecida por sua criação (e história) durante a Revolução Francesa, em 1789, o equipamento francês teve origem em outro, de origem inglesa – conhecido como Halifax Gibbet.
Halifax é uma cidade no condado de Yorkshire, na Inglaterra. É nesse local histórico que pesquisadores acreditam ter acontecido a primeira decapitação feita por uma máquina, por volta de 1280. Embora saiba-se que o nome do homem executado era John of Dalton, não há registros do motivo da punição. Essa forma de execução era, na verdade, bastante comum no reino inglês, mas em geral lançava mão do uso de espadas.
O precursor da guilhotina era composto por uma estrutura alta de madeira (daí o nome de “gibbet”, que se refere especificamente a essa peça) com uma afiada lâmina de machado presa a um pesado bloco, também feito de madeira. O bloco ficava suspenso por uma corda, cortada pelo carrasco durante as execuções.
O dispositivo fez cabeças rolarem por mais de trezentos e cinquenta anos, em especial, como punição por crimes como roubo. Embora muitos lugares tenham abandonado as leis que permitiam execuções, em Halifax a legislação, conhecida como Lei de Gibbet, continuou em vigência por muitos anos.

Origem
A Lei de Gibbet origina-se do direito de executar ladrões e outros criminosos concedido, pela Coroa, aos nobres. Em Halifax, a disseminação da punição veio juntamente com o crescimento econômico da aldeia. Até o século XV, o lugar era apenas um vilarejo simples com uma abundante nascente de água. Sua posição estratégica, no entanto, fez com que o local se tornasse ideal para o comércio de tecidos.
Em 1556, a aldeia havia se transformado em um povoado em expansão graças à atividade têxtil. Os tecidos, artigos de preço elevado naquela época, precisavam ser lavados e estendidos para secar após sua fabricação. Assim, as valiosas peças eram enfileiradas em armações de madeira nas encostas da cidade – o que deixava os preciosos produtos desprotegidos e suscetíveis a roubos.
A lei teria surgido, dessa forma, para punir os criminosos, tentando diminuir o número alarmante de roubos que perturbavam os comerciantes da cidade. Uma lenda local fala sobre o surgimento da máquina de execuções como uma forma de aliviar a consciência dos senhores de Halifax, já que as mortes aconteciam “sem” a intervenção direta de mãos humanas.
Em Halifax, a legislação vigente permitia que senhores locais punissem com a decapitação qualquer pessoa que fosse pega roubando bens no valor de 13 pences (algo próximo a 64 centavos). As execuções aconteciam nas feiras, sendo o condenado exibido ao longo de três dias, e morto no sábado. Os itens roubados também eram expostos, junto com o criminoso.
Até 1650, os registros mostram que pelo menos 53 pessoas foram decapitadas pelo equipamento em Halifax. Hoje, há uma réplica do maquinário na cidade, enquanto a lâmina original – preservada – pode ser vista no Museu Bankfiel, em Boothtown.

guilhotina

13.888 – Tecnologia na Saúde – Novo sensor de raios solares ajuda a prevenir o câncer de pele


Fonte: Veja

Cientistas americanos criaram um pequeno sensor capaz de avisar ao usuário quando os níveis de luz solar estão altos o suficiente para danificar a pele. O dispositivo – que também alerta sobre os níveis de poluição e alérgenos – é o menor dispositivo do mundo e pode ser preso a qualquer parte do corpo, roupas e acessórios.

Essa não é a primeira tecnologia a oferecer este tipo de proteção, mas o que a diferencia das demais é o seu tamanho realmente pequeno – 8 milímetros de largura, 1 milímetro de espessura e pesa 50 miligramas –, ser à prova d’água, ou seja, dá para usar na praia ou na piscina, e o preço acessível – 60 dólares (cerca de 235 reais). Segundo a L’Óreal, marca responsável pela invenção, o sensor não precisa de bateria (funciona com energia solar) e interage com smartphones para enviar ao usuário os dados captados no ambiente.
De acordo com os pesquisadores da Northwestern University, nos Estados Unidos, um dos principais objetivos do estudo foi criar uma forma de proteger as pessoas contra as ações negativas do sol sobre a pele e, assim, diminuir a incidência de câncer de pele na população. Isso porque mesmo que as pessoas estejam ciente da necessidade de adotar medidas de proteção, no dia a dia é muito difícil determinar a quantidade de radiação UV, poluição ao qual estamos expostos e que podem prejudicar a nossa saúde.
Para isso eles criaram um sensor capa de converter a luz UV em corrente elétrica, cuja magnitude indica o nível de exposição ao sol. As informações captadas são enviadas para o smartphone através de uma antena de rádio embutida no produto. O aplicativo instalado no celular recebe os dados e pode utilizá-los para fazer uma busca comparativa na internet sobre os índices UV atuais, o clima e outras condições climáticas na região. O usuário ainda pode inserir informações próprias: seu tipo de pele, quanto protetor solar passou (ou se não passou) e o estilo de roupa que está usando. “Isso permite que eles recebam uma recomendação muito específica”.
Além de rastrear a exposição geral aos raios UV, o dispositivo ainda notifica sobre o tipo de luz ultravioleta com a qual os usuários estão entrando em contato. Isso porque ele mede a exposição através da leitura dos comprimentos de onda: diferentes comprimentos estão associados a níveis de risco distintos. Os raios mais curtos, como o UVB, são os mais perigosos em termos de desenvolvimento de câncer. “Ser capaz de separar e medir separadamente a exposição a diferentes comprimentos de onda da luz é realmente importante”, ressaltou Rogers.
Testes do sensor
Os testes das capacidades do sensor foram realizados com nove voluntários brasileiros e 13 americanos. Eles utilizaram o produto em partes variadas do corpo enquanto faziam atividades recreativas no telhado, nadavam, tomavam banho ou faziam longas caminhadas. “Neste momento, as pessoas não sabem o quanto de luz UV elas realmente estão recebendo. Este dispositivo ajuda você a manter uma consciência. Para os sobreviventes de câncer de pele, também pode ser uma maneira de manter seus dermatologistas informados”, comentou Rogers.

Já para verificar a durabilidade e resistência do sensor, os pesquisadores recrutaram alguns alunos que deveriam tentar destruí-lo com qualquer método que quisessem. Os estudantes jogaram dentro de um balde com água, colocaram na máquina de lavar-louça e até mesmo tentaram esmagar o dispositivo, que sobreviveu a tudo. “Não há interruptores ou interfaces para desgastar, e [o sensor] é completamente selado com uma fina camada de plástico transparente. Achamos que durará para sempre”, comentou John Rogers, principal autor da pesquisa, ao Daily Mail.
Com o sucesso dos experimentos, a La Roche Posey (linha de luxo da L’Óreal) já disponibilizou o dispositivo para venda nos Estados Unidos.

Câncer de pele
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele é o tipo mais frequente de câncer no Brasil e corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados no país.A doença é mais comum em indivíduos maiores de 40 anos, principalmente com pele clara, sensível à ação dos raios solares.
A doença se manifesta em duas formas principais: o carcinoma basocelular, mais frequente e com maior chance de cura já que geralmente apresenta menos metástase (quando o câncer se espalha para outras partes do organismo), e o carcinoma epidermoide ou espinocelular, câncer de pele mais agressivo que aparece nas regiões do corpo com maior exposição ao sol, como rosto, cabeça, pescoço, braços mãos e pés. O carcinoma epidermoide pode dar origem a metástases nos pulmões, colo do útero e na mucosa da boca.
A exposição excessiva ao sol também pode causar o envelhecimento da pele (fotoenvelhecimento), que manifesta sintomas como pele ressecada (craquelada), áspera e manchada; além de deixar as rugas mais profundas e evidentes.

cancer de pele

13.884 – Pesquisas Sobre Regeneração de Órgãos Através de Chip


https://www.youtube.com/watch?v=tMQ51Kj2tS0

 

Foram feitos testes em ratos e porcos, e resultado foi positivo. Um roedor que estava com uma lesão no sistema circulatório foi submetido ao tratamento e depois de uma semana os vasos sanguíneos já estavam ativados; a partir da segunda semana sua perna estava 100% curada.
O funcionamento do chip se dá através de uma descarga elétrica. Assim, o dispositivo faz uma reprogramação celular, gerando qualquer tipo de célula que o paciente necessite.
Os criadores afirmam que humanidade deverá imaginar a pele como uma terra fértil, na qual será possível fazer nascer qualquer coisa que se queira.
A aceitação biológica das novas células é espontânea, pois são criadas com os mesmos códigos genéticos dos indivíduos. Sua eficiência oscila entre 95% e 98%. Os testes com humanos já começaram.
O tratamento é de curto prazo, muito simples e os resultados obtidos até agora são efetivos. Essa novidade deixará a medicina ainda mais completa.

13.879 – Medicina – O que é o Micro AVC?


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Formalmente conhecido como Ataque Isquêmico Transitório (AIT), o mini-AVC, de acordo com a American Heart Association e American Stroke Association, é um episódio transitório de disfunção neurológica causada por focos de isquemia (restrição do fluxo de sangue e oxigênio) no cérebro, medula espinal ou retina, sem que haja, de fato, um “AVC completo”.
Em outras palavras, o AIT surge quando uma região do sistema nervoso, normalmente o cérebro, sofre uma relevante, porém temporária, redução do fluxo sanguíneo. No entanto, o problema é insuficiente para causar morte do tecido cerebral.
É importante lembrar que, apesar de ser conhecido como “mini-AVC”, o AIT e AVC são doenças completamente diferentes, apesar de apresentarem fisiopatologia semelhante e afetarem o mesmo grupo de risco (acima dos 55 anos, histórico de doenças cardiovasculares, hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, etc). Contudo, é mais correto chamá-lo de pré-AVC, uma vez que o problema deve ser encarado como um aviso de que algo está errado com a circulação sanguínea no cérebro.
squemia temporária, fazendo com que o órgão receba menos sangue e oxigênio. Então, com menos oxigênio disponível, os neurônios não conseguem desempenhar suas funções, resultando em sintomas neurológicos.

Essa diminuição do fluxo sanguíneo para o cérebro pode ocorrer por três razões:

1- Embolia cerebral (AIT embólico): causado por um coágulo, oriundo do coração ou artéria carótida, que viaja até o cérebro e obstrui o fluxo de uma artéria cerebral.

2- Aterosclerose de uma artéria cerebral (AIT lacunar): causada por obstruções relacionadas a placas de colesterol alojadas na parede de uma artéria cerebral.

3- Estenose da artéria carótida (AIT por baixo fluxo): fluxo sanguíneo na carótida é severamente reduzido como consequência de aterosclerose ou dissecção da própria artéria.
Sintomas
Os sinais e sintomas variam de acordo com a artéria acometida, tamanho da região afetada e mecanismo fisiopatológico por trás da isquemia. No entanto, a sintomatologia geral pode incluir:

– Perda de força em toda uma metade do corpo

– Dificuldade para falar ou articular as palavras

– Dificuldade para entender o que os outros dizem

– Incapacidade de reconhecer a própria doença

– Fraqueza ou dormência nos membros, face ou língua

– Tontura e desequilíbrio.

– Movimentos abruptos

– Visão dupla

– Perda total ou parcial da visão em um dos olhos

– Queda da pálpebra

– Incapacidade de olhar para cima

– Dor de cabeça súbita e intensa

– Dificuldade para andar
– Perda da audição

– Amnésia
Tratamento
Embora não exista um tratamento específico para o AIT, uma vez que os sintomas normalmente desaparecem de maneira espontânea após um período de tempo, os cuidados são voltados para a prevenção de um AVC.
As estratégias atuais de prevenção incluem a administração de remédios para controlar a pressão arterial, redução dos níveis de colesterol, terapia antitrombótica e uma modificação severa de estilo de vida, que pode incluir mudança de dieta, abandono do álcool e cigarro e a prática de exercícios físicos.

13.870 – Medicina – Por que sentimos azia?


azia

(Ilustração do G1)
Segundo o médico gastroenterologista do Hospital Vita Batel João Henrique Lima, a azia não é uma doença e sim um sinal de alerta, um sintoma de alguma enfermidade no organismo. “A azia pode ser sintoma da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), por exemplo, uma doença que faz com que o ácido gástrico do estômago passe para o esôfago e que acomete cerca de 15% da população mundial, com dois ou mais episódios de azia por semana. Mas além da DRGE, também pode ser sinal de outras doenças mais graves”.
Quando um paciente apresenta azia, uma das primeiras providências dos médicos é solicitar um exame de endoscopia digestiva alta, que utiliza as imagens feitas com uma microcâmera no interior do estômago e esôfago para determinar se existem lesões como úlceras, gastrites e também hérnias de hiato. “Fazemos o diagnóstico apoiados no resultado da endoscopia e na análise do histórico clínico do paciente, avaliando também se seus hábitos e estilo de vida contribuem com o agravamento da doença e da azia”.
Após os exames, com o diagnóstico confirmado, o médico dá início ao tratamento que logo nos primeiros dias oferece alívio dos sintomas, com melhora já nas primeiras 48 horas após o começo do uso dos medicamentos. “Mesmo com uma melhora rápida, o tratamento não pode ser interrompido neste período. É preciso seguir com os remédios e demais cuidados, para tratar não só os sintomas, mas principalmente a inflamação e as demais causas da azia”.
Quando a azia e o refluxo são provocados por uma hérnia de hiato, uma cirurgia pode ser a solução mais apropriada. “A cirurgia é indicada quando a azia é muito frequente, quando os sintomas não melhoram com a medicação, quando há muita dor ou refluxo intenso. Nestes casos, após uma avaliação a cirurgia pode ser indicada para os pacientes que já tentaram outras formas de tratamento sem sucesso”.
Como evitar a azia
Para evitar ou amenizar os desconfortos provocados pela azia, algumas medidas simples podem incorporadas à rotina. Entre elas, está evitar o hábito de se deitar logo após ter feito uma refeição (o ideal é esperar ao menos duas horas), evitar utilizar remédios anti-inflamatórios, fazer várias refeições ao dia com porções menores de cada vez, não fumar, praticar atividades físicas com regularidade, evitar a obesidade e, principalmente, cuidar da alimentação.

Alimentos que podem causar azia
Segundo a nutricionista Andréa Barduco, os alimentos podem aliviar ou agravar os sintomas da azia. Assim, é preciso saber o que comer:
“Alguns alimentos que podem causar a ,azia são os refrigerantes, bebidas alcoólicas, alimentos que contenham cafeína como café, chá mate, chocolate, alimentos picantes ou gordurosos, leite integral e alguns derivados”, diz a nutricionista Andréa Barduco.
Alimentos que podem aliviar a azia
Já outros podem ser aliados na solução do problema. “Para equilibrar a produção e a concentração de ácido clorídrico estomacal e das enzimas essenciais para a digestão, podemos utilizar chás digestivos como de alecrim, hortelã, espinheira santa, melissa, camomila, boldo do Chile e maracujá”, aconselha a nutricionista Andréa Barduco.
Para ajudar no funcionamento do organismo, ela aconselha também utilizar alimentos alcalinos, que fazem com que o pH do sangue fique básico. “Na lista de alimentos alcalinos, estão o pepino, repolho, beterraba, cenoura, nabo, brócolis, couve-flor, entre outros. O limão é uma opção de alimento alcalino que funciona muito bem para melhorar a azia imediatamente, basta espremer meio limão num copo e tomá-lo”. Além deles, não devem faltar na alimentação diária as vitaminas que melhoram e fortalecem o crescimento da mucosa estomacal. “Nestes casos, é aconselhado consumir as vitaminas A, E, B12, C e o ácido fólico, encontrados nas frutas e hortaliças”, orienta Andréa.

13.866 – Embora ainda não alcançado, reversão do envelhecimento é cientificamente viável


Devido aos recentes avanços nas pesquisas genéticas, as alegações de três insiders e denunciantes do SSP-Secret Space Program (Programa Espacial Secreto) dos EUA, que dizem ter sofrido um processo de regressão (rejuvenescimento) de idade nos programas secretos espaciais, tornaram-se muito mais plausíveis.
Os denunciantes, Corey Goode, Randy Cramer e Michael Relfe, todos dizem que eles tiveram seu envelhecimento regredido para tornarem-se 20 anos mais jovens no final de seus respectivos tempo de serviço alistados em programas espaciais secretos dos EUA.
Recentemente, geneticistas identificaram os genes que controlam o processo de envelhecimento do corpo humano, e em experimentos impressionantes, cujos resultados foram publicados em revistas científicas revisadas por seus pares, demonstraram que foram capazes de reverter o processo de envelhecimento em vários graus de sucesso. Os resultados dessas experiências tornam plausível que os três denunciantes tenham realmente sofrido um processo de regressão de idade usando tecnologias médicas classificadas em programas secretos espaciais, como alegaram.
O principal cientista genético nos estudos de reversão de idade publicamente anunciados é o Dr. David Sinclair, que discutiu em uma entrevista os resultados de seus experimentos genéticos conduzidos pela primeira vez em ratos:
“Nós descobrimos genes que controlam como o corpo luta contra o envelhecimento e esses genes, se você ativá-los no caminho certo, eles podem ter efeitos muito poderosos, de mesmo reverter o envelhecimento – pelo menos em camundongos até agora … Nós lhes demos uma molécula que é chamado de NMN e este envelhecimento foi invertido completamente dentro de apenas uma semana de tratamento no músculo, e agora estamos procurando para reverter todos os aspectos do envelhecimento, se possível”.
Ele explicou como esse processo também poderia ser feito com segurança para os seres humanos:
“Nós fomos de ratos em primeiros estudos humanos na verdade. Houve alguns ensaios clínicos em todo o mundo, e estamos esperando nos próximos anos para saber se isso vai realmente funcionar em seres humanos também … Eles demonstram que as moléculas que prolongam a vida útil em ratos são seguras para uso nas pessoas”.
O Professor Sinclair passou a dizer em sua entrevista que as drogas baseadas na molécula Mononucleótido de Nicotinamida (NMN-Nicotinamide Mononucleotide) poderiam ser desenvolvidas com sucesso “para restaurar a juventude em células humanas.”
A opinião de Sinclair de que as drogas baseadas em NMN serão eventualmente desenvolvidas para uso seguro por seres humanos é impressionante em suas implicações. Ele pode muito bem estar no meio do desenvolvimento do lendário elixir da vida, o que o explica rapidamente sendo elevado às 100 pessoas mais influentes do mundo de acordo com a Time Magazine:
É importante ressaltar que a pesquisa genética pioneira da Sinclair é de código aberto e não classificada. Isto significa que é muito provável, se não quase certo, que a pesquisa classificada no campo da tecnologia de reversão / regressão de idade é muito mais avançada do que qualquer coisa conseguida por Sinclair e seus pares.
Em várias entrevistas particulares com William Tompkins, um engenheiro aeroespacial e ex-agente da Inteligência Naval dos Estados Unidos, que posteriormente trabalhou com importantes empreiteiros aeroespaciais por mais de quatro décadas, ele revelou que ele trabalhou em um estudo classificado como secreto desenvolvido pela empresa, TRW, em 1971.
Tompkins disse que ele se deparou pela primeira vez com o desenvolvimento de tecnologias de regressão de idade, quando participou das sessões informativas dos espiões da Marinha dos EUA que estavam implantados dentro da Alemanha nazista, de 1942 a 1945, na Estação Aérea Naval de San Diego. Esses espiões revelaram a existência de estudos de regressão de idade que estavam secretamente em andamento na Alemanha nazista.
Na época, o trabalho de Tompkins era distribuir pacotes de briefing para companhias e think tanks norte americanos com experiência nas áreas usadas pelos nazistas para desenvolverem suas tecnologias inovadoras. Tompkins disse que o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) foi um dos centros de pesquisa acadêmica que ele entregou pacotes de relatórios feitos por ele. Portanto, é possível que os cientistas do MIT tenham conhecimento dos estudos nazistas de regressão de idade desde 1942!
Significativa e sincronicamente, a descoberta de Sinclair em estudos de regressão de idade foi alcançada enquanto ele fazia um pós -doutorado no MIT sob supervisão do Dr. Leonard Guarente no MIT. Isso foi meramente uma “coincidência”, ou foi Sinclair foi ajudado e/ou encorajado enquanto desenvolvia seus insights no MIT sobre a potencial de manipulação genética da reversão de idade ?
Recentemente, Tompkins revelou-me, em particular, que foram desenvolvidas drogas classificadas como secretas de “regressão por idade”. Ele diz que essas drogas têm sido usadas por algum tempo nas regressões de “em torno de 20” anos do tempo de serviço em programas espaciais secretos. Isto é consistente com o processo de regressão de idade sofrido pelos insiders e informantes do Secret Space program descrito por Goode, Cramer e Relfe, que envolveu a medicação administrada a eles durante um período de duas semanas em que estavam fisicamente imobilizados.
Ainda mais recentemente, Tompkins diz que as drogas foram refinadas para que possam ser usadas para períodos de regressão de idade mais extensa. Por exemplo, reverter um ser humano com 90 anos de idade de volta para quando ele / ela tinha o corpo físico de um jovem de 27 anos agora é possível. Tompkins diz que há um processo secreto de divulgação sancionado da Marinha dos EUA em andamento para liberar essas tecnologias de regressão de idade para o setor público. É, portanto, possível que a pesquisa de Sinclair possa ter sido estimulada por esta iniciativa secreta da Marinha durante seu tempo de trabalho no MIT (Massachusetts Institute of Technology).

13.864 – História da Medicina – A Peste Negra


peste negra
Foi uma pandemia, isto é, a proliferação generalizada de uma doença causada pelo bacilo Yersinia pestis, que se deu na segunda metade do século XIV, na Europa. Essa peste integrou a série de acontecimentos que contribuíram para a Crise da Baixa Idade Média, como as revoltas camponesas, a Guerra dos Cem Anos e o declínio da cavalaria medieval.
A Peste Negra tem sua origem no continente asiático, precisamente na China. Sua chegada à Europa está relacionada às caravanas de comércio que vinham da Ásia através do Mar Mediterrâneo e aportavam nas cidades costeiras europeias, como Veneza e Gênova. Calcula-se que cerca de um terço da população europeia tenha sido dizimada por conta da peste.
A propagação da doença, inicialmente, deu-se por meio de ratos e, principalmente, pulgas infectados com o bacilo, que acabava sendo transmitido às pessoas quando essas eram picadas pelas pulgas – em cujo sistema digestivo a bactéria da peste se multiplicava. Num estágio mais avançado, a doença começou a se propagar por via aérea, através de espirros e gotículas. Contribuíam com a propagação da doença as precárias condições de higiene e habitação que as cidades e vilas medievais possuíam – o que oferecia condições para as infestações de ratazanas e pulgas.
Como ainda não havia um desenvolvimento satisfatório da ciência médica nesta época, não se sabia as causas da peste e tampouco os meios de tratá-la ou de sanear as cidades e vilas. A peste foi denominada “negra” por conta das afecções na pele da pessoa acometida por ela. Isto é, a doença provocava grandes manchas negras na pele, seguidas de inchaços em regiões de grande concentração de gânglios do sistema linfático, como a virilha e as axilas. Esses inchaços também eram conhecidos como “bubões”, por isso a Peste Negra também é conhecida como Peste Bubônica. A morte pela peste era dolorosa e terrível, além de rápida, pois variava de dois a cinco dias após a infecção.
Uma das tentativas de compreensão do fenômeno mortífero da Peste Negra pode ser vista nas representações pictóricas da chamada “A dança macabra”, ou “A Dança da Morte”. As pinturas que retratavam a “dança macabra” apresentavam uma concepção nítida da inexorabilidade da morte e da putrefação do corpo. Nestas pinturas, aparecem sempre esqueletos humanos “dançando” em meio a todo tipo de pessoa, desde senhores e clérigos até artesãos e camponeses – evidenciando assim o caráter universal da morte.
Outro fenômeno da época em que se desencadeou a peste foi a atribuição da causa da moléstia aos povos estrangeiros, notadamente aos judeus. Os judeus, por não serem da Europa e por, desde a Idade Antiga, viverem em constante migração, passando por várias regiões do mundo até se instalarem nos domínios do continente europeu, acabaram por se tornarem o “bode expiatório” das multidões enfurecidas. Milhares de judeus foram mortos durante a eclosão da Peste.
Hoje em dia os surtos pandêmicos são raros, mas várias doenças, como a causada pelo vírus Ebola que se desenvolveu na região da África Subsaariana, ainda oferecem risco de pandemia para o mundo. Por isso é monitorado por centros de investigação epidemiológica internacionais.

13.861 – Medicina – Como é o tratamento da Hérnia de disco Lombar


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A hérnia de disco ocorre quando o disco que se encontra entre as vértebras da coluna é pressionado e muda de forma, o que prejudica sua função de amortecer impactos e ainda pode pressionar as raízes nervosas causando dor em outras áreas do corpo. No caso de uma hérnia de disco lombar, a região do corpo afetado é a parte final das costas, sendo os espaços mais afetados, L4 e L5 ou L5 e S1.
A hérnia de disco nem sempre volta ao seu estado normal, principalmente quando se trata de situações mais graves como hérnia de disco protusa ou sequestrada, e neste caso se o tratamento conservador, feito com sessões de fisioterapia durante cerca de 2 meses não for suficiente para alívio da dor, o médico pode indicar a realização de uma cirurgia que consiste em remover o disco defeituoso e ‘colar’ as duas vértebras, por exemplo.
No entanto, o tipo de hérnia mais comum, que é a protusa alcança melhora de todos os sintomas com a fisioterapia e com a manutenção através da realização de exercícios de fortalecimento muscular como Hidroterapia ou Pilates Clínico, por exemplo.
Sintomas de hérnia de disco lombar
A hérnia disco lombar podem ter como sintomas:
Dor nas costas no final da coluna, que pode irradiar para o glúteo ou pernas;
Pode haver dificuldade para movimentar-se;
Pode haver dormência, queimação ou formigamento nas costas, nádegas ou pernas.
A dor pode ser constante ou piorar ao realizar movimentos.
O diagnóstico da hérnia de disco lombar pode ser feito com base nos sintomas apresentados e em exames como ressonância magnética ou tomografia computadorizada, solicitados pelo médico ortopedista ou neurocirurgião especialista em coluna.
As causas da hérnia de disco lombar podem estar relacionadas com alterações estruturais da coluna ou devido a acidentes, má postura ou levantamento de peso, por exemplo. O mais comum é o surgimento em pessoas entre 37 a 55 anos de idade, principalmente em pessoas que tem a musculatura abdominal muito fraca e está com excesso de peso.

Tratamentos para hérnia de disco lombar
O tratamento para hérnia de disco lombar pode ser feito com o uso de anti-inflamatórios como Ibuprofeno ou Naproxeno, indicados pelo clínico geral ou ortopedista, se não for suficiente, podem ser indicadas as injeções de corticoides a cada 6 meses.

Mas além disso, o tratamento também deve incluir sessões de fisioterapia, e nos casos mais graves, uma cirurgia. O tempo de tratamento varia de pessoa para pessoa, de acordo com os sintomas que ela apresenta e da sua rotina diária. Algumas opções de tratamentos são:

Fisioterapia
A fisioterapia ajuda a aliviar os sintomas causados pela doença e a recuperar os movimentos. Ela pode ser realizada diariamente, ou no mínimo 3 vezes por semana, no caso de dor aguda.
Podem ser utilizados aparelhos para controlar a dor e a inflamação e exercícios para fortalecer os músculos das costas e da região abdominal, indicados pelo fisioterapeuta. Além disso, pode-se recorrer à osteopatia, 1 vez por semana, com um fisioterapeuta especializado ou osteopata.

Dependendo do estado de saúde do paciente pode-se realizar alguns exercícios de Pilates e de reeducação postural global – RPG, sob supervisão, mas os exercícios de musculação são contraindicados, na maior parte dos casos, pelo menos, durante a dor aguda. Os exercícios de musculação geralmente só podem ser realizados quando não há nenhum sintoma, mas sob orientação médica e com supervisão do professor da academia.

​Cirurgia
A cirurgia para hérnia de disco lombar pode ser feita com diversas técnicas como uso de laser ou através da abertura da coluna, para unir duas vértebras, por exemplo. A cirurgia é delicada e é indicada quando as outras formas de tratamento não foram suficientes, sendo sempre a última opção. Até mesmo porque mesmo depois da cirurgia é comum a pessoa precisar fazer fisioterapia.
Os riscos da cirurgia incluem a piora dos sintomas devido as cicatrizes que se formam comprimindo o nervo ciático, e por isso esta não é a primeira opção de tratamento. A recuperação, durante o pós-operatório, da cirurgia é demorada e o indivíduo deverá permanecer de repouso nos primeiros dias, evitando fazer esforços. A fisioterapia para hérnia de disco lombar geralmente começa após 15 a 20 dias da cirurgia e pode durar meses. Saiba mais detalhes da cirurgia para hérnia de disco.

13.859 – História da Medicina – Uso de Cobaias


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O uso de animais como cobaias para pesquisas científicas ou fins didáticos em universidades é de longe um dos temas mais polêmicos na vida dos pesquisadores e estudantes já a um bom tempo. Animais como ratos, coelhos e cachorros são usados desde o século XIX para pesquisar o efeito de doenças e vacinas antes que seu uso seja feito em humanos.
De um lado da discussão encontram-se aqueles que afirmam que as pesquisas com animais são desnecessárias e cruéis por não levarem em conta o sofrimento dos animais que são submetidos as mais diversas situações, tudo em prol do desenvolvimento científico. Neste lado estão incluídos desde grupos ambientalistas em defesa dos direitos dos animais e até mesmo alguns poucos pesquisadores que afirmam existir outros meios de se realizar as pesquisas. Em compensação, do outro lado, encontram-se pesquisadores tidos como mais conservadores e aqueles que acreditam que a pesquisa em animais é necessária e pode ocorrer sem que haja sofrimento desnecessário por parte dos mesmos.
O fato é que durante séculos a utilização de animais como cobaias foi um grande trunfo para pesquisadores, fisiologistas e outros estudiosos auxiliando na compreensão dos mecanismos de doenças e desenvolvimento de vacinas. A vacina contra a raiva, por exemplo, desenvolvida por Louis Pasteur em 1885, que já salvou milhões de vidas de lá para cá e continuará salvando, foi desenvolvida por ele após a utilização sucessiva de diversas cobaias.
É claro que estamos séculos a frente de Pasteur e que hoje existem outras técnicas que se não podem substituir completamente o uso de cobaias podem, pelo menos, diminuí-lo. Métodos como softwares que simulam as reações em cobaias, modelos matemáticos, vídeos, cobaias de plástico e experiências in vitro tentam resolver o problema, mas quem defende o uso de cobaias alega que estas técnicas sozinhas não são suficientes para realizar estudos seguros, já os defensores dos animais usam a justificativa de que diversas universidades já aboliram o uso de cobaias para corroborar suas afirmações.
A UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), por exemplo, aboliu o uso de cobaias em salas de aula no final de 2007. No entanto, a USP (Universidade de São Paulo) e outras instituições, como o Butantan, mantêm até hoje seus biotérios (como são chamados os locais para criação e manipulação de cobaias) com o fim de garantir cobaias para pesquisas.
No Rio de Janeiro e em Florianópolis foram criados projetos de lei com o intuito de tentar proibir o uso de cobaias em suas jurisdições. O de Florianópolis está em tramitação há 13 anos e o do Rio de Janeiro já foi votado, aprovado, mas depois foi anulado pelo então prefeito César Maia e aguarda nova votação.
Enquanto não surge nenhuma lei federal para “bater o martelo” sobre a questão, o grupo que luta em defesa dos animais se utiliza da lei de crimes ambientais (Lei 9.605) para defender sua causa: “Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa. § 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.”

13.845 – Medicina – História da Psiquiatria


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Segundo Cataldo Neto, Annes e Becker, a história da psiquiatria se iniciou com o médico Hipócrates quando este desenvolveu a teoria humoral, e escreveu a obra Corpus Hippocraticum que continha descrições de enfermidades, como: melancolia, psicose pós-parto, fobias, delirum tôxico, demência senil e histeria. Estas doenças eram ocasionadas pelo desequilíbrio dos humores (fleuma, sangue, bile amarela e bile preta).
Galeno, que foi influenciado pelos textos de Platão, delimitou o cérebro como a sede da alma e, a partir disto, Galeno dividiu a alma em: razão e intelecto, coragem e raiva, apetite carnais e desejos. Outros romanos que contribuíram, de acordo com Ackerknecht, foram Celso, Areteo de Capadocia e Sorano de Efeso. Estes três, citados por Ackerknecht, produziram tratados com tratamentos para doenças tidas como crônicas e agudas, por exemplo, a mania e a melancolia.
Os primeiros que criaram hospitais para enfermos mentais foram os árabes, conforme Ackerknenecht. A cidade de Fez, em 700, foi a primeira a possuir um hospital para este fim. Najab ud-din Muhamed foi um exemplo de como algumas compreensões cientificas gregas foram conservadas, e ele descreveu 9 níveis de doenças mentais com 30 formas de tratamento clínico. No continente europeu, durante a Idade Média até o século XIII, por conta da religiosidade, acreditava-se que a enfermidade psíquica estava relacionada a bruxaria, libertinagem, e os enfermos eram excluídos do convívio social em estado de reclusão ou eram mortos.
Compreensões mais precisas sobre distúrbios psíquicos foram formuladas a partir do século XVI. Algumas destas novidades foram de: entendimento de estados depressivos por Robert Burton; classificação de sintomas de histeria, hipocondria e nervosismo por Thomas Sydenham; e investigação de motivos psicossomáticos para doenças por Johann Langermann.
As investigações de Albrecht von Haller eram sobre a sensibilidade do sistema nervoso e a irritabilidade dos músculos (contrações). Na segunda parte do século XVIII, Pierre Cabanis combinou as teoria dos pontos de vista psicológico e somático em Traité du Physique et du Moral de l´Homme (1799), que explica como os fenômenos morais se tornam fisiológicos, verificando os desvios como uma consequência fisiopatológica.
No século XIX, segundo Cataldo Neto, os médicos estavam investigando sobre diversas enfermidades, seus fatores e meios de melhorar tais distúrbios. Dentre os estudos que se destacam neste período se conseguiu: relacionar os fatores hereditários degenerativos (por Morel); identificar a esquizofrenia (por Breuler); e investigar os efeitos de drogas na mudança de comportamento, (por Moreau de Tours). Além destes, Charcot colaborou com a análise de como traumas seriam gerados, principalmente os de natureza sexual, e que poderiam ser curados os sintomas histéricos através da hipnose.
Freud, influenciado por Charcot, desenvolveu a teoria psicanalítica, e estudou pacientes neuróticos através do tratamento por hipnose. O método de Freud buscou tratar a neurose produzida por eventos traumáticos registrada no inconsciente, e trazer à consciência estas memórias através da psicanálise. Jung questionou o complexo de Édipo, defendido por Freud, pois acreditava que o apego aos pais era uma forma de busca de proteção e nada sexual. Jung desenvolveu a noção do inconsciente coletivo.
No século XX, tentaram-se tratamentos para esquizofrenia, como: malarioterapia, feito por Wagner-Jauregg, e eletroconvulsoterapia, por Cerletti e insulinoterapia feito Sakel.
Na década de 1950, diversos medicamentos passaram a ser utilizado como tratamentos psiquiátricos, e alguns deles foram: o lítio, com efeito antimaníaco; a clorpromazina e haloperidol, com efeito antipsicótico; e imipramina, com efeito antidepressivo, além do uso médico de anfetaminas e de metilfenidato para tratar transtorno de atenção, na década de 1980.
Então, a partir do século XX, com o desenvolvimento da psicofarmacologia, proporcionou-se melhores tratamentos, e a psicoterapia é adaptada para cada caso que acompanha o tratamento com remédios.

13.844 – Drogas – Como são as alucinações provocadas pelo LSD?


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Curto-circuito no cérebro

O químico suíço Albert Hofmann estava pesquisando um remédio para enxaqueca e achou um que iria lhe dar muita dor de cabeça. Em 1938, ele sintetizou, no Laboratório Sandoz, uma nova substância a partir do fungo Claviceps purpurea, existente no centeio. Testou o “analgésico” em animais e decepcionou-se. Hofmann esqueceu o preparado numa prateleira e, cinco anos depois, ingeriu acidentalmente uma partícula. Foi a primeira “viagem” a bordo das alucinações do LSD. Pasmo, o químico viu, sentiu e cheirou “uma torrente de imagens fantásticas de extrema plasticidade e nitidez, acompanhadas de um caleidoscópico jogo de cores”. Como bom cientista, repetiu a experiência três dias depois, com uma dose cavalar de 0,25 miligrama (constatou-se depois que 0,05 faria efeito) e teve de chamar o médico, aterrorizado com as alucinações. Hofmann, hoje vive em Basiléia, na Suíça, e integra o Comitê do Prêmio Nobel.
Sem querer, ele enveredou por uma estrada que vem sendo trilhada há milênios por xamãs e bruxos, que procuram nas plantas as chaves mágicas para visões de êxtase. Folhas, flores, caules, cascas, fungos e cogumelos estão na matriz das beberagens alucinógenas usadas por diversos povos em cerimônias místicas, transcendentais. O alucinógenos confundem os neurônios, embaralham as mensagens entre os circuitos nervosos, alteram os sentidos e até mesmo os estados da consciência. Sobrevêm ilusões com sons e imagens irreais – acompanhadas, às vezes, de náuseas e vômitos. Esses efeitos, nos cultos religiosos, são recebidos como revelações sagradas. As sensações e visões são processadas como a verdade sutil, límpida, em oposição às ilusões perversas do mundo exterior. Daí por que são ingeridos ritualmente, geralmente em grupos, às vezes sob um manto religioso, como é o caso da ayahuasca, chá servido nas cerimônias do Santo Daime e da União do Vegetal.

“Um demônio tomou posse da minha alma”

As coisas ao meu redor haviam se transformado de maneira terrível. Tudo no quarto girava, e objetos familiares e peças de mobília assumiam formas grotescas e ameaçadoras. Pareciam ani- mados. A vizinha, que veio me trazer leite, não era mais a sra. R., e sim uma bruxa malévola com uma máscara colorida.

Piores que essas transfor-mações demoníacas no mundo exterior foram as mudanças que eu percebi em mim mesmo. Cada esforço da minha vontade, cada tentativa de pôr um fim à desintegração do mundo exterior e à dissolução do meu ego, pareciam ser inúteis. Um demônio me havia invadido, tomado posse do meu corpo e da minha alma. Tre-cho do livro LSD, Meu Filho Proble-ma, de Albert Hof-mann, o cria-dor da droga.

Efeitos ainda intrigam os cientistas
O LSD foi a droga do sonho da geração underground, embalada na suposição de que ele abria a mente, liberava a criatividade, aprimorava o espírito e ninguém pagava ingresso para o nirvana. Depois de muitos estragos, sobrou a certeza de que é o mais poderoso alucinógeno jamais criado pelo homem. Uma dose pequena (0,05 miligrama) proporciona de 4 a 10 horas de alucinações. É, também, o menos conhecido dos psicotrópicos. Em quatro décadas de pesquisas, ainda não se descobriu como, exatamente, a droga afeta os circuitos nervosos e a percepção sensorial. Um dos mistérios do LSD é que ele não produz resultados em intervalos curtos – por isso, os mais aficionados o tomam apenas uma vez por semana. Meses depois, no entanto, a droga pode voltar a agir e as alucinações reaparecem.

O LSD pode ser um “barato” para indivíduos emocionalmente equilibrados e abrir caminho para psicoses em quem tiver essa tendência. Os usuários relatam alucinações coloridas (geladeira vira camelo, por exemplo), desorganização dos sentidos (o olho ouve, o ouvido vê) e um efeito de despersonalização (o usuário se vê em duplicata). Tudo isso acontece em estado de plena consciência. O drogado sabe o que está acontecendo, embora muitos tenham surtos psicóticos. Também há registros de suicídio.

Ficha técnica
Nome

Dietilamida de Ácido Lisérgico-25

(LysergSaureDiathylamide, em alemão).

Classificação

Alucinógeno.

De onde se extrai

Fungo Claviceps purpurea ou ergot, que cresce em cereais como o centeio e o trigo.

Origem

Laboratórios Sandoz, em Basiléia, Suíça.

Formas de uso

Ingerido. A forma mais comum é a famosa “figurinha”, com desenhos coloridos.

Destempero dos sentidos
O LSD bagunça as sensações.

Efeitos imediatos
Alucinações, despersonalização. O usuário pode ter uma “viagem” boa e ver formas coloridas ou uma crise depressiva, a chamada bad trip. Pode ter reações psicóticas ou cometer suicídio.

2. Aumento da sensibilidade auditiva e da percepção visual. Sinestesia (as sensações auditivas se traduzem em imagens, e vice-versa).

Efeitos a longo prazo
1. Não dependência comprovada. No entanto, resíduos da droga podem permanecer no cérebro por meses, provocando novas alucinações sem aviso. O efeito, conhecido como flashback, pode ser perigoso se o usuário estiver dirigindo.
Viagem na cuca
A ação dentro do cérebro.
O LSD é uma droga que imita o neu-rotransmissor serotonina, que atua no humor e na percepção. Os neurônios de serotonina estão concentrados no sistema reticular e, de lá, espalham-se pelo córtex cerebral. O LSD age principalmente nas áreas responsáveis pelos sentidos e no córtex somato-sensorial, que os analisa.

O tônico da contracultura
Eram garotos cabeludos que diziam “paz e amor”, amavam os Beatles e rolavam na grama de Woodstock (veja quadro na página ao lado). Seu lema era “o álcool mata, tomem LSD”. Eles tomavam. A legião de hippies, bichogrilos e malucos-beleza dos anos 60 e 70 ingeriu ácido lisérgico como seus pais tomavam aspirina. O “ácido da felicidade” foi o tônico da contracultura. Psicodélico, palavra antes reservada às drogas que proporcionariam a “expansão da mente”, virou sinônimo de extravagância e batizou, com música, cores, flores e sexo ao ar livre, a cultura da contestação pacífica. Aconteceram na época manifestações de centenas de milhares de jovens contra a Guerra do Vietnã.
As ousadias daqueles anos, hoje, viraram clássicos da pop art. As pinturas-cebolas do americano Andy Warhol (1927-1987), decompondo a estrela de cinema Marilyn Monroe e o líder chinês Mao Tsé-tung em camadas de cores, tornaram-se um símbolo da arte de vanguarda. No cinema, Dennis Hopper e Peter Fonda perambulavam Sem Destino (1969, direção de Hopper), na pele de dois motoqueiros movidos a ácido. Mas foi na música que a droga fez mais sucesso. Ídolos do rock, de Jimi Hendrix a Jim Morrison, líder da banda The Doors, consumiam LSD – e outras drogas – em volumes industriais. Morreram jovens. Syd Barret, fundador do Pink Floyd, “viajou” e não voltou mais. Foi expulso da banda e hoje, aos 52 anos, vive como um zumbi, com a mãe, num subúrbio de Cambridge, Inglaterra, dedicado à pintura e à coleção de selos.
A homenagem mais famosa – e polêmica – à droga foi prestada pelos Beatles, em sua música Lucy in the Sky with Diamonds, de 1967, cujas iniciais formam a sigla LSD. No Brasil, a Tropicália incorporou ingredientes psicodélicos nas roupas, capas de discos e na palavra de ordem “É proibido proibir”, de Caetano Veloso. Em 1972, Gilberto Gil inventariou e encerrou a viagem com a música O Sonho Acabou, que diz: “Quem não dormiu no sleeping-bag nem sequer sonhou.”

O cacto que promete o nirvana
A linha sinuosa de 3 326 km que separa o México dos Estados Unidos tem sido cruzada por dois fluxos migratórios opostos: mexicanos sobem à procura do paraíso material e americanos descem para encontrar o Éden espiritual. Desde o século XVI, o México tem atraído estrangeiros em busca dos vegetais mágicos que provocam alucinações surrealistas. A tendência chegou ao auge pelas mãos de gurus modernos como o escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963), o psicólogo americano Timothy Leary (1921-1996) e o antropólogo sem pátria Carlos Castañeda (1927-1988). Todos foram atraídos pela fama de uma planta típica do norte do México, o cacto peiote (Lophophora williamsii), usado há séculos pelos índios em rituais religiosos. O chá da polpa do peiote fornece a matéria-prima para a mescalina, um alucinógeno endeusado por Huxley no livro As Portas da Percepção (1954). Um professor da Universidade de Harvard, Timothy Leary, além de se interessar pela mescalina promovia sessões de LSD com os alunos. Expulso da universidade em 1963, Leary foi preso e correu o mundo como um “profeta da Nova Era” até morrer de câncer aos 75 anos.
O maior propagandista da via mexicana para o nirvana foi Carlos Castañeda. Para escrever uma tese em Antropologia, tornou-se discípulo de um bruxo a quem chamou de Don Juan em seu livro A Erva do Diabo. Ele popularizou o culto do peiote como uma chave para percepção extra-sensorial.

A química divina
Os alucinógenos são usa-dos há milhares de anos em rituais religiosos mundo afora. Conheça alguns desses vene-nos sagrados.
Peiote – O cacto de onde se extrai a mescalina é cultuado por diversas tribos na América do Norte. A Igreja Nativa Americana conseguiu a legalização de seu uso ritual nos Estados Unidos.
Amanita – O fungo Amanita muscaria é um dos alucinógenos mais antigos que o homem conhece. Seu uso data de 6 000 anos atrás.
Jurema – Os índios e sertanejos do Nordeste brasileiro fazem uma espécie de vinho com a Mimosa hostilis, uma planta da caatinga.
Beladona – Conhecida no Brasil como zabumba, a Atropa belladonna era usada nos cultos de bruxaria da Idade Média.
Paz, amor e ácido
Foram três dias com o melhor do rock, sexo a céu aberto e muita, muita droga. Nos Estados Unidos o Festival de Woodstock, em agosto de 1969, marcou o clímax do movimento hippie, que adotou o slogan “Faça amor, não faça a guerra” (ao lado, jovens preparam um cigarro de maconha).

13.833 – Medicina – Como Funciona um Anti inflamatório?


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A inflamação é uma resposta do sistema imunológico a uma infecção ou lesão dos tecidos. Por esse processo, o fluxo sanguíneo para a região atingida aumenta, transportando células do sistema imunológico com o intuito de combater o agente agressor. Os anti-inflamatórios são medicamentos que impedem ou amenizam essa reação e minimizam os sintomas da inflamação como calor, rubor e dor.
Esses medicamentos também apresentam ação antipirética (redução da febre) e analgésica (diminuição da dor). São divididos em dois grupos: esteroides, derivados de corticoides que inibem as prostaglandinas e proteínas ligadas ao processo inflamatório, e não-esteroides, que diminuem o processo inflamatório e a dor.
Os primeiros costumam ser indicados para doenças como asma e doenças inflamatórias autoimunes; o segundo grupo é mais usado para tratar artrite reumatoide, traumas e contusões.
Como podem causar efeitos colaterais graves como toxicidade para as células do fígado e dos rins, gastrite e úlcera, entre outros, só devem ser utilizados sob prescrição e acompanhamento médico.

13.832 – Conceitos Sobre a Dor


Na Grécia Antiga, três séculos antes de Cristo, foi fundada a Escola Estoica. O ideal de seus seguidores era viver “de acordo com a natureza”, e assumir uma atitude impassível e racional diante dos acontecimentos, fossem eles marcados pela dor ou pelo prazer. Séculos mais tarde, de acordo com os valores da cultura judaico-cristã, a dor passou a ser encarada como forma de redimir os pecados intrínsecos à espécie humana, ou como castigo pelos erros cometidos. Prova disso está nas súplicas – “A vós suplicamos gemendo e chorando neste vale de lágrimas” -, ou na ira divina ao punir a desobediência de Eva no Paraíso: “Entre dores darás à luz os filhos”. Nem os poetas escaparam dessa postura de aceitação da dor – “Ser mãe é padecer no Paraíso” –, como mal necessário a caminho da redenção.
Sob o enfoque da medicina moderna, porém, a dor é um sinal de alarme e o sofrimento que provoca além de absolutamente inútil, debilita o organismo e compromete a qualidade de vida. Mas, nem sempre se pensou assim. Durante muito tempo, as faculdades de medicina e de enfermagem não capacitaram os alunos para lidar com a dor, fosse ela aguda ou crônica, e muitos médicos estão despreparados para enfrentar esse desafio, apesar dos avanços tecnológicos e na área da farmacologia. Não estamos nos referindo aqui às dores mais leves que passam com a administração de analgésicos comuns, mas às dores agudas e crônicas, que requerem tratamento mais agressivo e especializado.
Hoje, infelizmente, a despeito de todo o progresso terapêutico, essas dores ainda não recebem a abordagem necessária e estão se transformando num problema de saúde pública no Brasil.
A dor é um sinal de alarme do organismo. Quando se manifesta agudamente, com certeza algo de errado está ocorrendo na pele, nos músculos, nas vísceras ou no sistema nervoso central e são liberadas substâncias que ativam os nervos periféricos e centrais para conduzirem o estímulo até a medula espinhal, onde a sensação dolorosa é modulada, e de lá para o cérebro a fim de avisá-lo que, em determinado ponto, existe um problema.
Como a dor pode ser inibida na medula espinhal pela ação dessas substâncias (serotonina e endorfinas), quando uma pessoa se machuca praticando esportes ou jogando bola, por exemplo, pode não sentir nada naquele momento. A dor vem mais tarde, “quando o sangue esfriou”, dizem os leigos. Na verdade, a razão é outra: existe um sistema supressor interno que às custas das endorfinas, que são opioides endógenos, isto é, produzidos pelo próprio organismo, encarregou-se de combater a sensação dolorosa provocada pela agressão. Portanto, os remédios à base de opioides indicados para o controle da dor simplesmente amplificam esse mecanismo natural do organismo.

13.830 – A Anestesia na Medicina


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A anestesia, como a conhecemos hoje, é uma aquisição recente na história da humanidade. Sabe-se que, na Antiguidade, eram realizados alguns tipos de cirurgia e prova disso são os instrumentos cirúrgicos egípcios em exposição nos museus. Portanto, as civilizações antigas deviam conhecer fórmulas para driblar a dor e operar as pessoas. Relatos provenientes da Grécia Antiga indicam que Hipócrates utilizava a esponja soporífera embebida em substâncias sedativas e analgésicas extraídas de plantas e que o médico Dioscórides descobriu os efeitos anestésicos da mandrágora, um tubérculo muito parecido com a batata. Já os chineses se valiam dos conhecimentos de acupuntura e os assírios comprimiam a carótida, para impedir que o sangue chegasse ao cérebro.

Gelo ou neve para congelar a região a ser operada, embriagar o paciente, hipnose foram outros recursos usados para aliviar a dor no passado. Quando de nada adiantavam, as cirurgias eram realizadas a frio, com os doentes imobilizados à força.
Esse panorama mudou, e mudou muito. Hoje, a anestesia é um procedimento médico de altíssima segurança que promove analgesia completa enquanto o paciente é operado.
Eles usavam drogas que, hoje, corresponderiam à morfina. Se bem que o conceito antigo de operação era diferente do atual. Ninguém fazia uma gastrectomia, isto é, uma cirurgia de estômago, por exemplo. Em geral, eram amputações e eles quase sempre encontravam uma forma de dopar o doente. Se não conseguiam, operavam a frio mesmo.
O surpreendente é que essa conduta não está tão distante no tempo assim. No fim da Primeira Guerra Mundial, depois que os alemães deixaram de ter disponíveis as drogas com que poderiam sedar os pacientes, as amputações eram feitas a frio.
Diante de tantas restrições, era importante a velocidade com que as cirurgias eram realizadas. Em poucos minutos, amputava-se uma perna ou cuidava-se de um ferimento grave.
É preciso cuidar das vias respiratórias dos pacientes sob anestesia geral. Quando a musculatura relaxa, há risco de obstrução das vias aéreas por perda do tônus da musculatura que suporta a língua. Para evitá-la, são introduzidas cânulas orais que mantêm a língua afastada da parede posterior da traqueia ou passa-se um tubo através da boca até a traqueia para permitir a circulação da mistura anestésica. Para fazer isso, é preciso que seja total o relaxamento não só da boca e da língua, mas também da glote e da laringe. Os relaxantes musculares foram medicamentos que ajudaram muito nesse sentido.

13.829 – História da Medicina – Quando Surgiram as DSTS?


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As DST acompanham a história da humanidade. Durante a evolução da espécie humana. as DST vêm acometendo pessoas de todas as classes, sexos e religiões. No tempo da Grécia antiga foram chamadas de doenças venéreas, como referência a Vênus, a Deusa do Amor.
A gonorréia, descrita em passagens da Bíblia; só teve o seu agente causador identificado em 1879.
A sífilis, que até o século XV era desconhecida, teve seus primeiros registros em figuras encontradas em tumbas do Egito no tempo dos faraós.
No início do século XX, o cientista Shaudinn descobre que a sífilis é causada por uma bactéria, chamada de Treponema pallidum. Em seguida, outro cientista, Wassermann, desenvolve um teste feito no sangue, o VDRL, que serve para detectar a infecção.
Com a descoberta da penicilina, na década de 40, as epidemias de algumas DST começam a recuar.
Nos anos 60/70, com a descoberta da pílula anticoncepcional e com a maior liberdade sexual entre os jovens, voltam a aumentar os números de casos de DST em todo mundo.
Nos anos 80/90 observou-se um aumento dramático dos casos de sífilis e gonorréia, muitos dos quais têm ocorrido na população adolescente e de adultos jovens.
As DST são atualmente um grande problema de saúde pública no Brasil, principalmente porque facilitam a transmissão do HIV, o vírus que causa a AIDS, tendo portanto uma parcela de responsabilidade pela atual dimensão da epidemia da AIDS.

Agentes causadores
As DST podem ser causadas por vírus, bactérias ou até protozoários. Na figura abaixo você pode ver a diferença de tamanho entre eles comparados com um espermatozóide.
Como evitar as Doenças Sexualmente Transmissíveis
A prevenção é muito mais barata que qualquer tratamento, além de preservar a integridade física, evita contratempos, portanto:

– Evitar o contato com as secreções do doente.
– Evitar parceiros que exalam mau cheiro do corpo ou genitais, isso é um dos sinais de descuido com a saúde e higiene.
– Evitar múltiplos parceiros.
– Desconfiar de qualquer secreção ou corrimento incomuns dos seus genitais e do parceiro.
– Abortar o ato sexual ao perceber erupções no corpo do parceiro, manchas, feridas ou cortes nos genitais. A abstenção de relações sexuais com pessoas infectadas é o único meio 100% seguro de evitar o contágio por transmissão sexual.
– Utilizar preservativos, lembrando-se que a camisinha ajuda a reduzir, mas não elimina totalmente o risco de contágio sexual.
– Tomar banho ou pelo menos lavar os genitais com água e sabão após cada ato sexual.
– Urinar imediatamente após o ato sexual.

As diversas DSTs:

– AIDS (SIDA)

– Cancro mole (Cavalo)

– Candidíase (Sapinho)

– Condiloma acuminado (Crista de galo)

– Gonorréia

– Herpes genital

– Linfogranuloma venéreo (Mula)

– Outras infecções… (Uretrite não gonocócica e Infecções vaginais)

– Sífilis

– Tricomoníase

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13.828 – A primeira epidemia de DST: a história da doença sexual que levou Europa a culpar a América no século 16


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Em 1509, o jovem soldado alemão Ulrich von Hutten contraiu uma doença desconhecida quando estava na Itália. Ele sofreu com os sintomas por dez anos.
O paciente descreveu assim sua condição: “(O tempo todo) havia furúnculos, parecidos em tamanho e aspecto com uma bolota. Tinham um cheiro tão fétido que quem o cheirasse achava que estava infectado. A cor era verde escuro. Vê-los chegava a ser pior que sentir a dor, mesmo que a sensação pareça a mesma de encostar no fogo.”
Pouco antes disso, na década de 1490, a população europeia havia acabado de se recuperar das mortes provocadas pela propagação, no século anterior, da peste bubônica, surto conhecido como Peste Negra. Uma em cada três pessoas havia morrido em consequência da doença em todo continente europeu.
Doença sexualmente transmissível pouco conhecida se alastra e alarma médicos por resistência a antibióticos
‘Pensei que fosse doença da Idade Média’: o novo avanço da sífilis no mundo e no Brasil
Com o aumento da população, chegou a prosperidade. Mas nem tudo foi positivo. Doenças desconhecidas começaram a aparecer, em meio à guerra endêmica e à fome frequente.
Contágio em velocidade alarmante gerou terror
Por volta de 1495, o rei francês Carlos VIII invadiu Nápoles reivindicando direito àquele reino. Mas as tropas se contaminaram com uma doença nova.
Ninguém jamais havia visto nada parecido. Os médicos da época não encontraram nenhuma referência nos livros. O nível de preocupação foi similar ao momento em que, séculos depois, o HIV foi descoberto.
A doença que fez o soldado alemão Ulrich von Hutten agonizar também era transmitida pelo contato sexual. Era a sífilis.
As pessoas estavam aterrorizadas porque a doença se espalhou com uma velocidade impressionante. Chegou à Escócia, à Hungria e à Rússia. Com exceção dos idosos e das crianças, todos corriam risco de se contaminar. Estava nos bordeis, mas também nos castelos.
Acredita-se que os reis Francisco I e Henrique III, da França, assim como o imperador Carlos V padeceram da mesma enfermidade.
Nem os monges escaparam da sífilis. A hierarquia não importava. Cardeais, bispos e até os papas Alexandre VI e Júlio II sofreram com a doença.
A velocidade com que se espalhou revela muito sobre os hábitos sexuais da sociedade naquela época.
O curioso papel da deusa Vênus nessa história
Os franceses diziam que a doença era italiana. Mas todo o resto da Europa se referia a ela como francesa. Inicialmente, não tinha nome técnico.
Ao final, um médico francês sugeriu que chamá-la de “doença venérea” por acreditar que a causa principal era o ato sexual que, por sua vez, estava ligado à deusa romana do amor, Vênus.
A epidemia causada pela sífilis era diferente das vistas anteriormente. Ela não se concentrava numa área específica nem estava relacionada a uma época do ano.

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Todos corriam risco de adoecer. E, uma vez que isso acontecia, parecia que a pessoa nunca iria se recuperar.
Se o tormento durante o dia era difícil, parecia ainda pior à noite. Os que padeciam da doença gritavam continuamente por causa da dor que sentiam nos ossos. Mas qual era a causa?
Sífilis foi considerada castigo divino por pecados
No início, pensou-se que era um castigo de Deus pelos pecados cometidos pela sociedade. Assim, o primeiro passo para lidar com a doença era se arrepender e rezar por proteção divina.
Mas havia outras hipóteses. Astrólogos da época afirmavam que tinha relação com dois eclipses do Sol e a confluência de Saturno e Marte.
“As chuvas que caíram em todos os países atingidos naquela época foram tão abundantes que a terra foi contaminada com água estagnada, e não foi surpresa que a doença tivesse se apresentado”, registrou um professor de Medicina da época.
O encontro das estrelas com a contaminação da terra, por sua vez, causou uma podridão venenosa do ar. A consequência foi a putrefação do corpo humano.
No começo, acreditava-se que o mercúrio era um remédio para a sífilis. Era comum usar o medicamento para tratar de problemas de pele nessa época. Esse foi o tratamento recomendado ao soldado alemão: respirar gás de mercúrio quente.
Mas a cura era pior que a doença. Os pacientes perdiam a lucidez. No entanto, o uso do mercúrio para combater a sífilis continuou por muitos anos, até 1517, quando surgiu um novo remédio. O guáiaco, um arbusto encontrado no Haiti, supostamente era usado pelos que vinham daquela ilha.
Pedaços de tronco eram fervidos em água, e o líquido, bebido duas vezes ao dia. O tratamento completo incluía passar 30 dias em uma sala extremamente quente para suar e expelir a doença.
Nessa mesma época, estabeleceu-se uma relação entre a sífilis e o castigo divino decorrente de pecados individuais. A pessoa se contaminava se tivesse mantido uma relação sexual ilícita.
Nesse contexto, as mulheres eram consideradas as responsáveis por transmitir a doença. Eram elas que faziam os pobres homens caírem em tentação, ao estilo do casal bíblico Adão e Eva.
O estigma também afetava as crianças cujos pais sofriam com sífilis, porque era uma considerada uma doença hereditária. Gerações inteiras foram tidas como malditas.
Depois, detectou-se que a transmissão se dava de pessoa para pessoa. Assim, imaginava-se que a sífilis teve origem num lugar específico e não em consequência do clima.
Nessa época, acreditava-se que ela chegou à Europa com os marinheiros que vinham da América com Cristóvão Colombo. Supostamente, eles atracaram em Barcelona, uniram-se às tropas em Nápoles e às prostitutas. O Exército se encarregou de espalhá-la.
Mas historiadores médicos americanos não gostaram dessa teoria. Eles apresentaram, então, evidências arqueológicas para provar que a sífilis era uma doença nativa da Europa.

Identificada a causa, surge uma cura
Ainda há dúvidas sobre de onde a sífilis surgiu inicialmente. Mas, na verdade, as décadas antes e depois de 1500 representam uma grande mudança na sociedade europeia.
A vida urbana, novas técnicas de guerra e mudanças nos comportamentos sexuais. O ambiente europeu estava em mutação constante, o que fez aumentar a incidência de doenças.
Por isso, o surgimento de novas epidemias parecia inevitável. A sífilis chegou e ficou, propagando-se, em especial, em tempos de guerra.
Com a medicina moderna, identificou-se, em 1905, a bactéria que causa a doença. E, cinco anos depois, descobriu-se o primeiro tratamento efetivo.
Mas foi somente em 1943, com a descoberta da penicilina, que se encontrou a cura para a doença.

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13.825 – História – Catolicismo na Idade Média


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O cristianismo estabeleceu-se como instituição nos séculos finais do Império Romano. Enquanto o Império Romano desmanchava-se em crises internas, a Igreja Católica fortaleceu-se e firmou suas bases. A perseguição aos cristãos encerrou-se a partir de 313 com o Édito de Milão, assinado pelo imperador Constantino. A partir de 380, com a assinatura do Édito de Tessalônica pelo imperador Teodósio, o Cristianismo transformou-se na religião oficial do Império.
O estabelecimento da Igreja e a formação da doutrina eclesiástica ocorreram mediante os conflitos causados pelas heresias, isto é, todas as doutrinas religiosas que não estavam de acordo com a ortodoxia vigente. Essas heresias colocavam a existência da Igreja em risco e foram duramente combatidas. Como exemplos, podemos citar o gnosticismo, pelagianismo, priscilianismo e o arianismo, uma das heresias que mais possuiu adeptos.

O arianismo surgiu por meio da doutrina de Ário (viveu no século IV) e negava o conceito da Trindade. Para Ário, o Pai e Cristo não partilhavam da mesma substância, assim, Cristo não era Deus. Ele considerava Cristo uma criação do Pai e, apesar de divino, era inferior ao Pai. O arianismo conquistou inúmeros adeptos pelo mundo cristão, chegando a ser defendido por imperadores, como foi o caso de Constâncio II.
O problema do arianismo foi tão grande que foi difundido sobre os povos germânicos a partir de Úlfilas, que converteu os godos, espalhando-se para ostrogodos, visigodos, vândalos etc. A Igreja Católica firmou-se entre os povos germânicos a partir da conversão de Clóvis, rei dos francos no século VI.
Esse primeiro momento de estabelecimento da Igreja deveu-se muito a algumas personalidades, como Santo Agostinho, Santo Atanásio, São Jerônimo, Gregório Magno etc. Todos contribuíram para a construção da doutrina eclesiástica e o fortalecimento da Igreja a partir do combate às heresias.
Afastamento de Bizâncio e o surgimento do Islã
Após a evangelização dos povos germânicos, o Cristianismo enfrentou nova ameaça à sua hegemonia com o surgimento do Islamismo e sua expansão fulminante a partir do conceito de guerra santa, a jihad. Assim, o islamismo expandiu-se por todo o Norte da África e, a partir de 711, conquistou quase toda a Península Ibérica. A expansão muçulmana na Europa só foi interrompida em 732, na batalha de Poitiers, que impediu a entrada dos muçulmanos no Reino dos Francos.
Além do Islã, a Igreja enfrentou também o afastamento entre o cristianismo sediado em Roma e o cristianismo sediado em Constantinopla. As diferenças teológicas entre a igreja latina e a igreja bizantina resultaram no Grande Cisma do Oriente em 1054. O Grande Cisma foi a separação definitiva da Igreja sediada em Roma da Igreja sediada em Constantinopla. Assim, surgiu a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa.
Cruzadas
A partir de 1095, após convocação do papa Urbano II, a Igreja Católica iniciou um movimento militar chamado de Cruzadas (segundo Le Goff, o nome “Cruzadas” só surgiu no século XV|1|) para conquistar Jerusalém, o Santo Sepulcro e qualquer outro local na Palestina considerado sagrado do controle muçulmano.
Além disso, a Igreja viu nas Cruzadas e no estabelecimento de um inimigo em comum a todos uma maneira de canalizar a crescente violência manifestada pela nobreza europeia. Para justificar as Cruzadas, foi desenvolvido o conceito de Guerra Justa, que afirmava que a guerra era aceitável se fosse realizada contra o pagão – nesse caso, o muçulmano.
Ao todo foram realizadas oito cruzadas ao longo de mais de cem anos. A primeira Cruzada ficou marcada pela violência da conquista da cidade de Jerusalém em 1099. Foi estabelecido a partir daí um breve reino cristão na Palestina. A cidade de Jerusalém foi reconquistada pelos muçulmanos em 1187. A quarta Cruzada marcou o saque de Constantinopla pelos cristãos em 1204.
As últimas Cruzadas foram lideradas por São Luís e resultaram em grande fracasso. Os últimos domínios cristãos na Palestina, Acre e Tiro, foram reconquistados pelos muçulmanos em 1291. As Cruzadas contribuíram para aumentar o afastamento entre cristãos e muçulmanos.

Inquisição
A partir do século XII, as heresias ganharam nova força em meios cristãos, e a Igreja passou a combatê-las de maneira dura. Os movimentos heréticos desse período foram caracterizados pelo grande apelo popular que tiveram. Como a heresia era considerada o maior de todos os pecados, foi criado o Tribunal da Santa Inquisição. Dois grandes movimentos heréticos desse período destacaram-se: os albigenses e os valdenses.
A função da Inquisição era investigar, julgar e condenar todos os envolvidos em movimentos heréticos. Para isso, foi permitido pela Igreja o uso da tortura, e os culpados eram condenados à fogueira. Os historiadores não sabem ao certo quantos foram mortos pelo Tribunal da Santa Inquisição, mas estima-se que milhares de pessoas tenham sido mortas.

13.820 – Medicina – Adermatoglifia: desordem genética de pessoas que nascem sem impressões digitais


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“É uma condição extremamente rara”, diz Sprecher, que é apenas um dentro da grande quantidade de médicos em todo o mundo que trabalham diretamente com a doença. “Geralmente, a partir dos filmes, só ouvimos sobre criminosos que tentam remover suas impressões digitais, mas ainda não se tinha ouvido falar desta doença. Então, eu acho que é por isso que as autoridades de controle de fronteiras ficaram tão preocupadas”.
As pontas dos dedos de pessoas com adermatoglifia são totalmente planas e não possuem os arqueamentos ou linhas circulares que caracterizam as impressões digitais de praticamente todos os seres humanos. Entretanto, as pessoas com a doença são totalmente saudáveis e possuem apenas o número reduzido de glândulas sudoríparas. Existem outras doenças genéticas (incluindo NFJS e Dermatopatia Pigmentosa Teticular) que levam à falta de impressões digitais, mas elas causam impactos graves sobre a saúde, tais como cabelos finos e dentes quebradiços.
Para Sprecher e Itin, o fato da pessoa ser completamente saudável e ainda sim nascer sem impressões digitais apresentou-se como um quebra-cabeça. Depois de encontrar os outros três grupos de pessoas relacionadas com a mesma condição, eles suspeitaram de que fosse uma causa genética.
Quando eles sequenciaram o DNA de 16 membros da família da mulher (nove com adermatoglifia e sete sem), o palpite se mostrou correto. Aqueles do primeiro grupo tinham uma mutação numa região de DNA que codifica uma proteína chamada SMARCAD1, enquanto que o segundo grupo tinha uma forma normal do gene.
Eles descobriram que a versão mais curta, a mutação do gene, interfere na forma alinhada e unida do RNA, e este é um passo fundamental no processo de utilização de um gene para produzir uma proteína. Portanto, esse fator impede que a proteína necessária se forme corretamente.
Ainda não está claro sobre como exatamente esta proteína está envolvida no desenvolvimento de impressão digital, sendo que é um processo que acontece no útero, na fase de gestação. Esse desconhecimento é gerado porque, apesar de ser algo que é visto todos os dias, os cientistas em geral têm realizado pouca pesquisa sobre como as impressões digitais se formam normalmente.
A adermatoglifia, no entanto, proporcionou uma lacuna inesperada no processo de estudos. “Esta condição realmente nos ajudou a obter algumas compreensões repentinas sobre os mecanismos que regulam a formação de impressões digitais. Se não fosse por essa doença, nunca se saberia que este gene não tem nada a ver com esse processo”, diz Sprecher. “Às vezes, através do estudo de um transtorno extraordinário, você ganha uma visão sobre os aspectos comuns da nossa biologia”.

13.819 -Nobel 2018 – Nobel de Medicina ou Fisiologia vai para imunoterapia contra o câncer


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O Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2018 foi anunciado em 1 de outubro para o americano James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo pelas descobertas ligadas ao combate do câncer com drogas que “bombam” a função do sistema imunológico, a chamada imunoterapia.
A estratégia pode ser traduzida como remover o “disfarce” do tumor para que o próprio organismo lute contra a doença.
A descoberta, de acordo com o Comitê do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia, formou um quarto pilar no tratamento contra o câncer, junto com quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Médicos e biologistas já há alguns anos esperavam que a área fosse premiada.
A pesquisa teve grande desenvolvimento nas últimas décadas e aumentou a efetividade de tratamentos contra vários tipos de câncer, como melanoma, câncer de pulmão e câncer de rim, que não respondiam bem às drogas que existiam antes e diminuindo drasticamente a taxa de mortalidade para alguns tipos.
Pioneiro na área, o imunologista americano James P. Allison, do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas, teve a ideia de tentar soltar o “freio” do sistema imunológico conhecido como CTLA-4, um receptor presente na célula T (ou linfócito T), responsável por reconhecer as células que não são normais no organismo, como as células cancerosas.
A estratégia para conseguir isso envolveu a criação de um anticorpo que se liga no tal “freio molecular”, impedindo que ele seja ativado. Com isso, Allison curou camundongos que tinham melanoma. O anticorpo ipilimumabe (comercializado como Yervoy, da Bristol-Myers Squibb) age da mesma forma em humanos.
Segundo Fernando Maluf, oncologista da BP (antiga Beneficência Portuguesa), o tumor provoca uma espécie de paralisia no sistema imunológico, especialmente nos linfócitos T. “O que essas drogas fazem é desparalisar o sistema imunológico, permitindo que o linfócito ataque o tumor de forma muito mais eficaz.”
Outro freio molecular cuja inibição pode gerar efeitos ainda mais dramáticos, de acordo com o comitê do Nobel, é o PD-1. Fruto da pesquisa liderada pelo médico e imunologista Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto, o bloqueio do PD-1 também abriu uma avenida de possibilidades, com possivelmente menos efeitos colaterais do que a terapia anti-CTLA-4.

“Quando pacientes que se recuperam do câncer me agradecem, sinto verdadeiramente o significado de nossa pesquisa”, disse Honjo durante uma coletiva de imprensa, de acordo com a imprensa japonesa. “Eu gostaria de continuar pesquisando sobre o câncer por um tempo, para que essa imunoterapia possa ajudar a salvar mais pacientes com câncer do que nunca”.
Em uma entrevista por telefone ao jornal The New York Times, Allison disse que, quando os inibidores de ponto de verificação funcionam, os pacientes “ficarão bem por uma década ou mais”. Ele disse estar trabalhando com outros pesquisadores, incluindo sua esposa, a oncologista Padmanee Sharma, do MD Anderson, a fim de compreender mecanismos de modo que os tratamentos possam ajudar mais pacientes.
“É um grande desafio, mas nós sabemos as regras básicas agora. É apenas uma questão dedicação para juntar as peças do quebra-cabeça com base na ciência”, disse Alisson.
Entre as drogas hoje comercializadas que agem no funcionamento do sistema do PD-1 estão o nivolumabe (Opdivo, também da Bristol-Myrers Squibb) e o pembrolizumabe (Keytruda, da MSD). Ambas foram aprovadas em 2014. Há ainda outras drogas já lançadas com o mesmo princípio e várias estão em desenvolvimento.
Uma consequência natural do desenvolvimento dessas pesquisas foi tentativa de combinação das duas terapias, o que gerou uma resposta ainda melhor do que aquelas obtidas individualmente, reduzindo a mortalidade.
Cada vez mais tipos de câncer são tratados com a imunoterapia. “São tantos os exemplos que já desisti de anotar”, brinca Antonio Carlos Buzaid, oncologista do hospital Albert Einstein e da BP.
No ano passado, levaram o Nobel cientistas pioneiros nos estudos dos mecanismos moleculares por trás do ritmo circadiano —ou relógio biológico— que funciona dentro das células. Foram agraciados os americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W Young.
A escolha do vencedor do mais importante prêmio da área é realizada por um grupo de 50 pesquisadores ligados ao Instituto Karolinska, na Suécia, escolhido por Alfred Nobel em seu testamento para eleger aquele que tenha feito notáveis contribuições ao futuro da humanidade para receber a láurea.
O prazo para o comitê receber as indicações foi dia 31 de janeiro. Podem indicar nomes os membros do Comitê do Nobel do Instituto Karolinska, biologistas e médicos ligados à Academia Real Sueca de Ciências, vencedores dos prêmios de Fisiologia ou Medicina ou de Química, professores titulares de medicina de instituições suecas, norueguesas, finlandesas, islandesas ou dinamarquesas e acadêmicos e cientistas selecionados pelo comitê do Nobel. Autoindicações são desconsideradas.
A cerimônia de premiação dos vencedores deste ano, porém, só ocorre em dezembro.
Entre as descobertas premiadas no passado estão as da estrutura do DNA por James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins (1962), a da penicilina por Fleming e outros (1945), a do ciclo do ácido cítrico por Hans Krebs (1953) e a da estrutura do sistema nervoso por Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal (1906).
Outras descobertas notáveis premiadas pelo Nobel de Medicina ou Fisiologia são a da insulina (1932), da relação entre HPV e câncer (2008), a da fertilização in vitro (2010), a de que existem grupos sanguíneos (1930) e a de como agem os hormônios (1971).
Os vencedores dividirão o prêmio de 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 4,1 milhões). O dinheiro vem de um fundo de quase 4,5 bilhões de coroas suecas (em valores atuais) deixado pelo patrono do prêmio, Alfred Nobel (1833-1896), inventor da dinamite. Os prêmios são distribuídos desde 1901. Além do valor em dinheiro, o laureado recebe uma medalha e um diploma.

13.793 – História – As Cruzadas


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Foram todas as expedições militares organizadas pela Igreja Católica que aconteceram entre os séculos XI e XIII. O objetivo dessas expedições era conquistar a chamada Terra Santa (modo como os cristãos referem-se à Palestina) para que fossem criados reinos cristãos na região.

Contexto e convocação da primeira Cruzada
A cidade de Jerusalém estava sob o controle dos muçulmanos desde o ano 636, quando o califa Omar ibn al-Khattab havia conquistado a cidade dos bizantinos. No século XI, os países cristãos da Europa sofriam com a expansão dos reinos muçulmanos, tanto na Península Ibérica (região onde se localizam hoje Portugal e Espanha) quanto nas terras do Império Bizantino, onde os turcos eram a ameaça. Nesse contexto, começa a surgir na Igreja o interesse em reaver o controle da chamada Terra Santa.
Além disso, o controle dos turcos sobre a Palestina representava também uma maneira de repressão sobre os peregrinos cristãos. A peregrinação era algo muito comum naquele momento, pois era vista como uma maneira de perdão aos pecados, entretanto, a viagem para a Palestina (onde o Santo Sepulcro era o lugar mais visitado) era muito cara, uma vez que os peregrinos estavam sujeitos a todo tipo de ameaça, como naufrágios e saques, além de serem obrigados a pagar pedágios, dependendo da região em que estivessem.
Naquele contexto, uma série de fatores ajudam a explicar a convocação das Cruzadas. No caso da Igreja, especula-se que o papa Urbano II desejava canalizar a atenção dos cristãos para combater o “infiel” como uma maneira de reduzir os conflitos e disputas internas entre os próprios cristãos. Além disso, o auxílio aos bizantinos, que sofriam com os ataques dos turcos, poderia contribuir para a unificação da Igreja, separada em 1054 entre Igreja Católica Apostólica Romana e Igreja Católica Apostólica Ortodoxa. Outros fatores eram ainda a possibilidade de as Cruzadas motivarem as pessoas por meio da promessa de salvação e remissão dos pecados e também pela chance de obter terras e riquezas a partir dos saques.
A convocação para as Cruzadas aconteceu em 25 de novembro de 1095, no Concílio de Clermont, pelo papa Urbano II que, em seus discursos, “prometeu que aqueles que se empenhassem nessa causa com um espírito de penitência teriam seus pecados pregressos perdoados e obteriam total remissão das penitências terrenas impostas pela Igreja”. Percebemos, portanto, que a Igreja prometia a salvação a todos aqueles que lutassem na “defesa do cristianismo”. Nesse período, foi debatido pela Igreja o conceito de “Guerra Justa”, no qual se considerava como justa toda a defesa do cristianismo contra os muçulmanos, chamados de “infiéis”. Dessa forma, a Igreja dava o aval para seus seguidores lutarem (e matarem) em sua defesa.
Após a convocação das Cruzadas em 1095, somente em 1099 os exércitos cristãos, formados principalmente por soldados franceses, conseguiram realizar uma grande conquista: a tomada da cidade de Jerusalém. O cerco a essa cidade, iniciado em 7 de junho de 1099, terminou com grande violência, e um massacre foi realizado pelos exércitos cristãos. Jerusalém seria reconquistada quase um século depois, no ano de 1187, pelos exércitos de Saladino.
Ao longo dos anos, os cristãos foram perdendo todos os territórios que haviam conquistado durante suas expedições, e o saldo final das Cruzadas foi de derrota, com o último reduto dos cristãos, chamado Acre, conquistado em 1291 pelos mamelucos egípcios. As Cruzadas acabaram por aumentar as diferenças entre cristãos e muçulmanos, entretanto, contribuíram para um grande impulso comercial, que resultou em mudanças na Europa medieval, como o renascimento urbano e o uso da moeda.