14.033 – Robô Cirurgião Contra o Câncer de Próstata


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Da Vinci, o robô cirurgião

As cirurgias robóticas já são uma realidade no Brasil. Mais ágil e segura do que os métodos tradicionais, a tecnologia vem auxiliando médicos na busca por resultados cada vez melhores em cirurgias que antes ofereciam riscos aos pacientes, seja na hora da operação ou em um segundo momento, com sequelas que o acompanham por toda a vida. No caso do tratamento cirúrgico para câncer de próstata, ela é, hoje, considerada a melhor opção para o paciente.
Entre as especialidades médicas, uma das mais beneficiada pela cirurgia robótica é a Urologia, abrindo diversas oportunidades para o tratamento não só do câncer de próstata, como também de doenças nos rins, bexiga e todo o trato urinário. Nesses casos, o robô usado é o Da Vinci SI, que entrega movimentos suaves e precisos através de suas pinças articuladas, reproduzindo de forma fiel os comandos das mãos do cirurgião.

Cirurgias que podem ser realizadas com o robô Da Vinci SI

– Prostatectomia: Retirada total ou parcial da próstata

– Nefrectomia: Retirada total ou parcial de um rim

– Pieloplastia: Tratamento na junção do rim com o ureter

– Adrenalectomia: Retirada de uma ou ambas as glândulas suprarrenais

– Cistectomia: Retirada total ou parcial da bexiga

“O paciente só tem a ganhar através da cirurgia robótica. A visão 3D dos campos operatórios permite total controle do procedimento. Outro ponto forte é a preservação dos vasos sanguíneos e nervos essenciais para as funções do organismo, como o controle da urina e a ereção”, explica o Dr. Raphael Rocha, urologista e cirurgião do Hospital São Lucas Copacabana.
A impotência sexual é justamente um dos grandes temores dos pacientes que têm indicação de cirurgia para tratar o câncer de próstata. Nas cirurgias abertas, esse risco é bem elevado, atingindo cerca de 90% dos homens; já na cirurgia robótica, esse número despenca para apenas 10% dos pacientes que ficam com a sequela no pós-operatório.

“Uma das grandes vantagens que a cirurgia robótica proporciona também para o cirurgião é que ela é minimamente invasiva. Muitas vezes o robô opera em orifícios de apenas 8mm, o que diminui muito os riscos de infecção e necessidade de transfusão de sangue. Além disso, no caso das cirurgias em Urologia, o paciente também tem menos chances de desenvolver hérnias”, diz o especialista.
O futuro da tecnologia médica aplicada nas cirurgias robóticas é promissor para a Urologia: na Suécia já estão sendo feitas cirurgias de grande porte para reconstrução da bexiga usando como base uma parte do intestino do próprio paciente, usufruindo de toda a precisão e rapidez que o método proporciona para um resultado excepcional.

14.030 – Toxicologia – Qual é o veneno mais potente?


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Quando você pensa em envenenamento, provavelmente você imagina líquidos densos, guardados em frascos pequenos, com uma caveira no rótulo. Mas, na vida real a coisa não é bem assim.
Só para que você tenha ideia, o veneno mais mortal do mundo é utilizado em tratamentos de beleza. Ou você você não sabia que a toxina botulínica é capaz de matar?
E não é preciso muito para que o veneno mais mortal seja letal. Apenas 0,4 nanograma por quilo já é o suficiente para tirar a vida de um adulto jovem e saudável, de 50 quilos, por exemplo.
Cianureto
Essa substância pode ser encontrada naturalmente em vegetais, como na mandioca; ou sintetizada, em gás ou em pó; e é extremamente tóxica se ingerida ou inalada. Uma pequena dose de 5 miligramas já é o suficiente para matar.
O cianureto age destruindo as células do sangue, causando parada respiratória e destruindo o sistema nervoso central. Seu único antídoto é o nitrito de sódio.

Estricnina
Retirada de uma plantinha conhecida como Strychnos nux vomica, a estricnina está entre os venenos mais fatais do mundo. Se você ingerir, inalar ou mesmo deixar entrar em contato com a pele apenas 2,3 miligramas do veneno, pode ser seu fim.
O pior de tudo é que não existe antídoto para esse tipo de veneno, embora o Diazepan intravenoso amenize os sintomas da estricnina. Sobre seu envenenamento, a substância, utilizada desde o século 19 no extermínio de ratos, gera convulsões, espasmos musculares e morte por asfixia (muito embora já tenha sido utilizada como anabolizante, para aumentar as contrações musculares dos atletas).

Sarin
A substância é sintetizada em laboratório e contamina se for inalada. Apenas 0,5 miligrama é suficiente para envenenar. Aliás, para quem não sabe, esse era o gás utilizado em uma das armas químicas mais poderosas que existem.
Em contato com o organismo, o veneno desabilita os músculos, causa parada cardíaca e respiratória. Mas, esses efeitos podem ser interrompidos com o remédio atropina.

Ricina
Extraída da mamona, a ricina contamina pela ingestão ou pela inalação. Ela não tem antídoto e 22 microgramas já são suficientes para matar.
Esse é considerado o veneno mais mortal do mundo de origem vegetal. No organismo, ele provoca dor de estômago, diarreia, vômito com sangue e, claro, a morte. No caso de crianças, apenas uma semente de mamona já é letal.

Toxina diftérica
Essa toxina vem de um bacilo, chamado Corynebacterium diphtheriar. A contaminação com esse tipo de veneno acontece por meio de gotículas de saliva, vindas da fala ou do espirro das pessoas contaminadas, por exemplo.
Para que você tenha noção da potência desse veneno, 100 nanogramas já pode ser considerada uma dose letal. Mas, a boa notícia é que o soro antidfitérico suspende o efeito mortal da toxina.
Agora, se ele não for administrado em tempo hábil, a difteria atinge órgãos como o coração, o fígado e os rins.

Shiga-toxina
Essa toxina é produzida pelas bactérias dos gêneros Shigella e Escherichia. Ele contamina pela ingestão de bebidas ou de alimentos contaminados. Com apenas 1 nanograma você já pode morrer envenenado e o pior de tudo é que não existe antídoto para isso.
Normalmente, tratam-se os sintomas até que o veneno seja expelido pelo corpo, mas isso pode não resolver completamente o problema.
No organismo, o veneno causa diarreia, destrói a mucosa do intestino, causa hemorragia, impede a absorção de água e pode acabar levando à morte por desidratação.

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Toxina tetânica
Vinda da bactéria Clostridium tetani, essa toxina envenena só de entrar em contato com a pele, especialmente se estiver com ferimentos. Uma porção minúscula de 1 nanograma já é o suficiente para matar, caso não seja administrado o soro antitetânico.
A toxina, inclusive, causa o tétano, doença que ataca o sistema nervoso provocando espasmos musculares, dificuldade de deglutição, rigidez muscular do abdome e taquicardia.

Toxina botulínica
Proveniente da bactéria Clostridium botulinum, essa é a mesma toxina que, em pequenas doses, ajuda a mulherada a lutar contra as rugas, por meio de aplicações locais. Mas, não se engane.
Essa toxina é o veneno mais mortal do mundo, muito mais potente que os venenos de cobra, por exemplo.
No organismo, em doses iguais ou superiores a 0,4 nanograma, ela age diretamente no sistema neurológico, causa paralisia respiratória e pode levar até a morte, caso seu antídoto, a antitoxina trivalente equina, não for administrado em tempo hábil.

14.029 – Medicina – A Demência Senil


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Demência é uma categoria genérica de doenças cerebrais que gradualmente e a longo prazo causam diminuição da capacidade de raciocínio e memória, a tal ponto que interfere com a função normal da pessoa.
O tipo mais comum de demência é a doença de Alzheimer, responsável por 50 a 70% dos casos. Entre outras causas comuns estão a demência vascular (25%), demência com corpos de Lewy (15%) e demência frontotemporal. Entre outras possíveis causas, menos prováveis, estão a hidrocefalia de pressão normal, doença de Parkinson, sífilis e doença de Creutzfeldt-Jakob. A mesma pessoa pode manifestar mais de um tipo de demência.
O diagnóstico tem por base a história da doença e exames cognitivos, complementados por exames imagiológicos e análises ao sangue para despistar outras possíveis causas.
Não existe cura para a demência. Em muitos casos são administrados inibidores da acetilcolinesterase, como a donepezila, que podem ter alguns benefícios em demência ligeira a moderada.
Em 2015, a demência afetava 46 milhões de pessoas em todo o mundo. Cerca de 10% de todas as pessoas desenvolvem demência em algum momento da vida. A doença é mais comum à medida que a idade avança. Enquanto entre os 65 e 74 anos de idade apenas cerca de 3% de todas as pessoas têm demência, entre os 75 e os 84 anos a prevalência é de 19% e em pessoas com mais de 85 anos a prevalência é de cerca de 50%. Em 2013, a demência foi a causa de 1,7 milhões de mortes, um aumento em relação aos 0,8 milhões em 1990. À medida que a esperança de vida da população vai aumentando, a demência está-se a tornar cada vez mais comum entre a generalidade da população. No entanto, para cada intervalo etário específico a prevalência tem tendência a diminuir devido à diminuição dos fatores de risco, pelo menos nos países desenvolvidos. A demência é uma das causas mais comuns de invalidez entre os idosos. Estima-se que em cada ano seja responsável por custos económicos na ordem dos 604 mil milhões de dólares. Em muitos casos, as pessoas com demência são controladas fisicamente ou com medicamentos em grau superior ao necessário, o que levanta questões relativas aos direitos humanos. É comum a existência de estigma social em relação às pessoas afetadas.
A demência é um termo geral para várias doenças neurodegenerativas que afetam principalmente as pessoas da terceira idade. Todavia a expressão demência senil, embora ainda apareça na literatura, tende a cair em desuso. A maior parte do que se chamava demência pré-senil é de fato a doença de Alzheimer.O risco de demência é maior em pessoas que vivem perto de autoestradas ou vias com muito trânsito.

Entre 2001 e 2012, investigadores acompanharam dois milhões de pessoas no Canadá e concluíram que 7% dos casos de demência diagnosticados diziam respeito a pessoas que viviam até 50 metros de distância de estradas com muito tráfego automóvel.

O estudo publicado na revista médica “The Lancet”, indica que ao longo desses 11 anos foram diagnosticados 243 611 casos de demência e observou-se que havia mais casos da doença entre os que viviam perto de estradas congestionadas. Nestes casos, o número de diagnósticos foi 4% superior em pessoas quem residiam entre 50 e 100 metros de distância destas vias e 2% entre os que moravam entre 101 e 200 metros.
Ou seja, entre 7% a 11% dos casos de demência diagnosticados em moradores até 50 metros de uma via de movimento intenso podem estar relacionadas com o trânsito.
Os principais fatores de risco modificáveis para a demência são, no intervalo entre os 18 e os 45 anos o baixo nível de escolaridade. No intervalo entre os 45 e os 65 anos são a hipertensão, a obesidade e a perda de audição. No intervalo superior a 65 anos são o fumar, a depressão, a inatividade física, o isolamento social e a diabetes.
Atualmente, o principal tratamento oferecido para as demências baseia-se nas medicações inibidoras da colinesterase (donepezil, rivastigmina ou galantamina), que oferecem relativa ajuda na perda cognitiva, característica das demências, porém, com uma melhora muito pequena. Nesse sentido, a melhora das funções cognitivas verificadas no estudo avaliado não pode ser relacionada apenas a esse tipo de medicação.

Embora os pacientes do estudo avaliado evidenciassem um quadro de demência moderada e depressão, pesquisa de Kessing et al. (no prelo) demonstrou que o uso de antidepressivos em longo prazo, em pessoas com demência sem um quadro de depressão, diminuiu a taxa de demência e minimizou as perdas cognitivas associadas, sem, no entanto, ter reduzido tais perdas totalmente. Esse estudo também identificou que os antidepressivos utilizados em curto prazo geraram mais prejuízos às funções cognitivas em pessoas com demência. Portanto, apenas o uso de antidepressivos em longo prazo foi que surtiu um efeito protetivo.

Desse modo, podemos considerar que os antidepressivos usados em longo prazo, além de tratarem os quadros de depressão, que podem estar associados aos quadros de demência, são benéficos para o tratamento desta patologia. Alguns estudos revelaram que os antidepressivos podem ter efeitos neuroprotetivos, aumentando o nascimento e permitindo a sobrevivência de neurônios nas zonas do hipocampo (parte do cérebro relacionada principalmente à memória).
Um estudo publicado no “Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory and Cognition” conclui que os declínios que se verificam na memória reconstrutiva são indicio de um comprometimento cognitivo leve e de demência de Alzheimer, e não se verificam no envelhecimento saudável. “A memória reconstrutiva é muito estável em indivíduos saudáveis​​, de modo que um declínio neste tipo de memória é um indicador de comprometimento neurocognitivo” revela Valerie Reyna.
O envelhecimento da população leva a um aumento das doenças crônicas e degenerativas, acarretando um maior custo-paciente na área de saúde e a necessidade de inúmeras adaptações sociais, ambientais e econômicas. É provável que, em 2025, o Brasil se torne o 6.º país com mais idosos no mundo.[carece de fontes] O número de vítimas de demências aumenta exponencialmente com a idade afetando apenas 1,1% dos idosos entre 65 e 70 anos e mais de 65% depois dos 100 anos. A média em São Paulo no ano de 1998 na população acima de 65 anos foi estimada em 7,1%.

14.028 – Todas as células imaturas têm potencial para se desenvolver em células-tronco


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Novo estudo sensacional realizado na Universidade de Copenhague desmente o conhecimento tradicional do desenvolvimento de células-tronco. O estudo revela que o destino das células intestinais não é predeterminado, mas sim determinado pelo ambiente das células. O novo conhecimento pode facilitar a manipulação de células-tronco para terapia com células-tronco. Os resultados acabam de ser publicados na Nature.
Todas as células do intestino fetal têm o potencial de se desenvolver em células-tronco, conclui um novo estudo realizado na Faculdade de Saúde e Ciências Médicas da Universidade de Copenhague. Os pesquisadores por trás do estudo descobriram que o desenvolvimento de células intestinais imaturas – ao contrário de suposições anteriores – não é predeterminado, mas afetado pelo entorno imediato das células nos intestinos. Essa descoberta pode facilitar o caminho para uma terapia eficaz com células-tronco, diz o professor associado Kim Jensen, do Centro de Pesquisa e Inovação em Biotecnologia (BRIC) e do Centro da Fundação Novo Nordisk para Biologia de Células-Tronco (DanStem).
“Costumávamos acreditar que o potencial de uma célula para se tornar uma célula-tronco era predeterminado, mas nossos novos resultados mostram que todas as células imaturas têm a mesma probabilidade de se tornar células-tronco no órgão totalmente desenvolvido. Em princípio, é simplesmente uma questão de estar no lugar certo na hora certa. Aqui os sinais do entorno das células determinam seu destino. Se formos capazes de identificar os sinais necessários para que a célula imatura se desenvolva em uma célula-tronco, será mais fácil manipular as células na direção desejada”.
Ao longo da vida, os órgãos do corpo são mantidos pelas células-tronco, que também são capazes de reparar danos menores nos tecidos. Uma melhor compreensão dos fatores que determinam se uma célula imatura se desenvolve ou não em uma célula-tronco pode, portanto, ser útil no desenvolvimento de células-tronco para terapia e transplante.

“Nós obtivemos maior percepção dos mecanismos pelos quais as células do intestino imaturo se desenvolvem em células-tronco. Espero que possamos usar esse conhecimento para melhorar o tratamento de feridas que não cicatrizam, por exemplo, nos intestinos. Até agora, porém, tudo o que podemos dizer com certeza é que as células do trato gastrointestinal têm essas características. No entanto, acreditamos que este é um fenômeno geral no desenvolvimento de órgãos fetais ”.

Células Luminescentes e Colaboração Matemática
As descobertas surpreendentes são o resultado de uma busca pela compreensão do que controla o destino das células-tronco intestinais. O pós-doutorado Jordi Guiu desenvolveu um método para monitorar o desenvolvimento das células intestinais individuais. Introduzindo proteínas luminescentes nas células, ele poderia, usando microscopia avançada, monitorar o desenvolvimento das células individuais.
Após os testes iniciais, as células que os pesquisadores acreditavam serem células-tronco fetais só conseguiram explicar uma fração do crescimento dos intestinos durante o desenvolvimento fetal. Portanto, eles estabeleceram uma colaboração com especialistas em matemática da Universidade de Cambridge. E quando estudaram os dados mais de perto, chegaram à surpreendente hipótese de que todas as células intestinais podem ter a mesma chance de se tornarem células-tronco. Testes subsequentes foram capazes de provar a hipótese.

14.027 – Neurociência – Como Turbinar Seu Cérebro


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Para aqueles que acreditam na máxima de que o corpo é uma máquina, faz sentido dizer que o cérebro é que comanda as engrenagens. Em última análise, tudo que fazemos depende da performance desse órgão. A boa notícia é que nunca tivemos tantos recursos para conhecê-lo, treiná-lo e, por que não, fazê-lo funcionar melhor.
Duas das descobertas mais importantes demonstram que o cérebro é plástico e pode se adaptar, como qualquer músculo, e que os neurônios, ao contrário do que se acreditava, são produzidos ao longo da vida, e essa neurogênese pode ser estimulada.
Conhecidas como nootrópicos ou smart drugs, essas substâncias prometem melhorar o desempenho mental de áreas responsáveis por memória, concentração e velocidade de raciocínio, a partir de substâncias que não exigem prescrição médica e que não teriam efeitos colaterais. Com nomes sugestivos, como OptiMind, Alpha Brain e Lumonol, os coquetéis têm substâncias como cafeína, colina e racetams, que teriam a função de estimular neurotransmissores.

Esses produtos foram moda nos anos 1980 e voltaram a circular nas startups do Vale do Silício. No Brasil, não há suplementos aprovados pela Anvisa. “O ser humano está atrás de um milagre que turbine o cérebro, e é óbvio que há medicamentos que podem aumentar o desempenho e a atividade cerebrais, mas isso não necessariamente é positivo, pois eles podem ter malefícios e efeitos colaterais a longo prazo.
O que está na moda são substâncias que seriam naturais, como aginina e L-teanina, mas não há comprovação de efeito. Muitas dessas substâncias já foram estudadas e se mostraram ineficazes”, afirma o neurologista Renato Anghinah, professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP. Ele cita o caso do ginkgo biloba, que foi uma febre nos anos 1990, mas até hoje não há estudos conclusivos de que a substância proteja ou melhore a performance da atividade mental.
Não se espante se ouvir falar – e muito – sobre brain food. A neuronutrição está em alta e tem como foco os ingredientes que podem melhorar a concentração e a memória e combater os efeitos do envelhecimento no cérebro. No hotel London Corinthia, na capital inglesa, a neurocientista Tara Swart desenvolveu um menu que melhora a atividade mental: “Alguns alimentos têm poder maior de turbinar o cérebro. Uma boa hidratação e boas gorduras (ovos, peixes de águas profundas, abacate, nozes, azeite e óleo de coco) melhoram a capacidade de pensar e tomar decisões”, explica. “Magnésio é importante para reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Boas fontes são folhas verde-escuras ou até suplementos”, explica a cientista, que toma uma colher de óleo de coco batida com a bebida do café da manhã. “Dá um gás na capacidade cognitiva 20 minutos depois de tomar”, garante.
Se quiser começar as mudanças agora, beba água. “Uma baixa de 1% a 3% na hidratação já pode afetar negativamente memória, concentração e capacidade de decisão. Invista em alimentos como pepino, melancia e alface e tente beber pelo menos meio litro de água por dia a cada 15 kg de peso corporal.” A nutricionista funcional Priscila di Ciero complementa: “Ovos têm fosfatidilcolina, uma vitamina que forma a parede de células do corpo inteiro, inclusive do cérebro”, explica. Aliás, as colinas estão em boa parte das brain drugs, mas nos ovos a absorção é melhor. Cúrcuma, que dá o amarelo do curry, tem curcumina, que melhora a oxigenação do cérebro. “A dica é usar com pimenta, que melhora sua absorção.”

As frutas vermelhas têm antocianinas, que previnem o envelhecimento, e o café continua com o posto de estimulante imbatível: duas a três xícaras por dia ajudam a turbinar a memória. “Existem vários nutrientes e fitoterápicos que atuam como calmantes e antidepressivos, como a L-teanina (aminoácido presente no chá-preto), a valerina (planta com propriedades calmantes e sedativas) e o triptofano (presente em alimentos como a banana), que ajuda a formar serotonina e tem efeito antidepressivo e de bem-estar”, diz a especialista. E passe longe do excesso de açúcar, adoçantes, cigarro e poluição. O cérebro inflama – e muito! Essa lista de substâncias neurotóxicas pode acelerar o envelhecimento do órgão.
Neurônios adestrados

A ciência finalmente reuniu provas de que atividade física altera a plasticidade do cérebro, incluindo o nascimento de novos neurônios e a capacidade de regular funções como memória e criar novas conexões no hipocampo, ligado à aprendizagem. “Os exercícios aeróbios, em sessões de no mínimo meia hora, duas ou três vezes por semana, são o mínimo para obter os benefícios”, afirma a neurocientista e professora de yoga e corrida Valéria Duarte Garcia.

Já a malhação mental tem outras diretrizes: praticar uma atividade diferente do seu cotidiano estimula partes “sedentárias” do cérebro. O neurocientista Larry Katz, autor do livro Mantenha seu Cérebro Vivo (ed. Saraiva), criou a chamada neuróbica, exercícios que oferecem novos estímulos cerebrais. Ele dá dicas para começar a explorar a malhação mental. A primeira é usar seus sentidos em um contexto diferente (vestir-se no escuro, por exemplo).

A segunda é mudar o foco da atenção: fazer uma trilha na natureza aciona sentidos diferentes daqueles usados na cidade. A terceira é mudar rotinas do cotidiano, como usar a mão esquerda para escovar os dentes se você é destro. A quarta é usar associação com alguma informação pessoal, espacial ou instigante para guardar uma informação: volte à época do cursinho, quando você usava frases engraçadinhas para lembrar uma fórmula. É o mesmo princípio.

Reset na máquina

No corpo humano, a meditação é a forma de dar um Ctrl+Alt+Del. “Um estudo realizado por pesquisadores de Harvard constatou que a meditação modifica áreas estruturais do cérebro, mais especificamente a massa cinzenta”, conta Valéria Duarte Garcia. Após apenas oito semanas de práticas meditativas com a técnica mindfullness – ou atenção plena –, pode-se detectar modificações estruturais no cérebro mapeadas por imagens de ressonância magnética, que mostram maior densidade de massa cinzenta na região do hipocampo, área importante no processamento de memória e aprendizagem.

Em grupos de pesquisa, os participantes também relataram diminuição do estresse após o mesmo período de prática, provavelmente graças à menor densidade da massa cinzenta da região da amígdala cerebral, ligada ao processo de estresse e ansiedade. “E os benefícios não dependem de uma perspectiva espiritual da meditação. Basta observar a respiração e trazer a mente de volta a ela toda vez que esta insistir em fugir”, explica Valéria.
O uso de LSD em microdoses como potencializador da mente ou mesmo como droga lícita está na mira da ciência. “Os estudos com psicodélicos seguem a todo vapor no mundo. Atualmente, estão em andamento no exterior pelo menos duas pesquisas específicas sobre a microdosagem, e o assunto já foi tema de capa de três revistas científicas de prestígio”, diz Eduardo Schoenberg, doutor em neurociências pela USP com pós-doutorado no Imperial College London, onde acontece atualmente pesquisas com lisérgicos.

Os usuários dizem que o tratamento melhora foco e criatividade no trabalho e resistência e performance na atividade física. Obviamente, há quem aponte os malefícios: “O uso de drogas para aumento de produtividade, como foi clássico com a cocaína nos anos 1990, é relativamente comum. Mas a produtividade dura pouco, e há um grande risco para a carreira e a vida, caso se desenvolva dependência”, alerta o neurologista Renato Anghinah, da Academia Brasileira de Neurociência.

Se nada der certo…
Apostas mais bizarras também têm adeptos. Os bares de oxigênio foram uma febre nos Estados Unidos nos anos 1990, e muitos ainda sobrevivem. Não há evidências científicas de que se expor às sessões, que podem durar até 20 minutos, traga uma melhor performance mental. Os fãs dos oxygen bars garantem que elas melhoram a atenção e o foco, reduzem estresse, causam efeito relaxante e até curam ressaca.
As terapias com eletrochoque, apesar de parecerem radicais, podem ser uma alternativa no futuro: um estudo de 2010 da Universidade de Oxford indicou que microchoques, combinados com treinos específicos, poderiam melhorar o desempenho em tarefas ligadas à fala em pacientes que sofreram derrame.
Lumosity
Cria um programa sob medida para dar agilidade e precisão, com diversos exercícios baseados no perfil informado. Disponível para Android e iOS.

Fit Brains
São mais de 60 jogos e exercícios para memória, linguagem e rapidez de raciocínio baseados em psicologia cognitiva e neurociência. Disponível para Android e iOS.

Memrise
Cursos de idiomas, matemática, ciências e outros assuntos, baseados em técnicas de memorização. Disponível para Android e iOS.

14.026 – Psicologia – Pioneiro e Ilustre Desconhecido


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William James (1842-1910) foi um filósofo americano e pioneiro da Psicologia em 1875. Montou um laboratório na Universidade de Harvard e sua obra Princípios de Psicologia de 1890 é um dos poucos clássicos da disciplina.
Ele foi o primeiro intelectual a oferecer um curso de psicologia nos Estados Unidos. James foi um dos principais pensadores do final do século XIX e é considerado por muitos como um dos filósofos mais influentes da história dos Estados Unidos enquanto outros o rotularam de “pai da psicologia americana”
untamente com Charles Sanders Peirce e John Dewey, James é considerado uma das principais figuras associadas à escola filosófica conhecida como pragmatismo, e também é citado como um dos fundadores da psicologia funcional. Uma análise da da Psicologia Geral, publicada em 2002, classificou James como o 14º mais eminente psicólogo do século XX. Uma pesquisa publicada no American Psychologist em 1991 classificou a reputação de James em segundo lugar, atrás apens de Wilhelm Wundt, que é amplamente considerado o fundador da psicologia experimental. James também desenvolveu a perspectiva filosófica conhecida como empirismo radical. O trabalho de James influenciou intelectuais como Émile Durkheim, Edmund Husserl, Bertrand Russell, Ludwig Wittgenstein, Hilary Putnam e Richard Rorty, e até presidentes, como Jimmy Carter.
Nascido em uma família rica, James era filho do teólogo de Swedenborgian Henry James Sr. e irmão do famoso romancista Henry James. James inicialmente estudou medicina, mas nunca exerceu a profissão. Em vez disso, descobriu que seus verdadeiros interesses estavam na filosofia e na psicologia. James escreveu amplamente sobre muitos tópicos, incluindo epistemologia, educação, metafísica, psicologia, religião e misticismo. Entre seus livros mais influentes estão: Os princípios da psicologia, que foi um texto inovador no campo da psicologia; Essays in Radical Empiricism, um importante texto em filosofia; e As Variedades da Experiência Religiosa, onde James investiga diferentes formas de experiência religiosa, incluindo teorias sobre a cura de patologias mentais.
Em 1864, James decidiu ingressar o curso de medicina, na Harvard Medical School. Foi nesse período que ele começou a estudar teologia. Ele interrompeu seus estudos durante parte de 1865 para se juntar ao zoólogo e geólogo suíço Louis Agassiz numa expedição científica (Expedição Thayer) no Brasil. Permaneceu oito meses no país, principalmente no Rio de Janeiro e na Amazônia, inclusive rascunhou um diário e produziu diversos desenhos de cenas da expedição, que expressam uma consciência crítica e um distanciamento moral da ideia colonialista que a norteava. Teve de interromper sua viagem após sentir forte enjoo e contrair varíola.

Seus estudos foram interrompidos mais uma vez devido a doenças em abril de 1867. Ele viajou à Alemanha em busca de uma cura, onde ficou até novembro de 1868. Esse período marcou o início de sua produção literária, com alguns de seus artigos aparecendo em publicações especializadas. James completou o curso de medicina em Junho de 1869, mas nunca praticou essa profissão. Ele se casou com Alice Gibbens em 1878.
Durante seus anos em Harvard, James se juntou a discussões filosóficas com Charles Sanders Peirce, Oliver Wendell Holmes e Chauncey Wright, que evoluíram em um animado grupo conhecido como o Clube Metafísico, em 1872. Louis Menand, em seu livro sobre o assunto, especula que o Clube estabeleceu os fundamentos para o pensamento intelectual norte-americano por décadas.

Em 1882 ele começou a ser um notório pesquisador científico da paranormalidade, se associando a recém fundada inglesa Society for Psychical Research, organização que o influenciou a fundar em 1885 a American Society for Psychical Research. Durante duas décadas estudou a médium Leonora Piper, junto a cientistas das duas organizações. Em 1896, um discurso no qual ele descreveu Piper como uma paranormal autêntica chegou a ser publicado pela revista Science.
Em 1890, após 12 anos de escrita, William James publicou o livro Princípios de Psicologia, uma obra pioneira que combinava elementos de filosofia, fisiologia e psicologia. O livro abordou temas diversos como o fluxo de consciência (conceito introduzido por James), a vontade e as emoções. Embora inclua diferentes abordagens e métodos, James (influenciado por contemporâneos como Wilhelm Wundt e Gustav Theodor Fechner) declarou que Princípios de Psicologia é uma obra derivada do método da introspecção. Assim, o autor utiliza diferentes experiências próprias para ilustrar conceitos psicológicos, como a atenção e a consciência.

Um dos capítulos mais influentes dessa obra diz respeito às emoções. Nele, James expõe sua teoria – também associada a Carl Lange – que as emoções são conseqüências, e não causas, das reações fisiológicas associadas a ela: “O senso comum diz, nós perdemos algo, ficamos tristes e choramos; nós encontramos um urso, nos assustamos e corremos; somos insultados por um rival, ficamos bravos e atacamos. A hipótese a ser defendida aqui é que essa sequência está incorreta… que nós nos sentimos tristes porque choramos, bravos porque atacamos, e com medo porque trememos”. James defendia que é conceitualmente impossível imaginar uma emoção como a culpa sem suas claras consequências fisiológicas, como as lágrimas, dores no peito e falta de ar.

Pragmatismo
A perspectiva filosófica exposta em Pragmatismo, de 1907, postula que as teorias científicas e filosóficas devem ser usadas como instrumentos a serem julgados por seus resultados ou fins. James argumenta que todas as teorias são apenas aproximações da realidade, e que portanto seria um erro considerá-las apenas por sua própria coerência interna. O autor argumenta que essa busca por coerência seria a posição racionalista, em que a busca de princípios e categorias platônicas se sobrepõe aos fatos e aos resultados. Em contraponto, James sugere que a veracidade de uma ideia deve ser considerada em um sentido instrumental, analisando os resultados produzidos por sua adoção.

Uma das consequências dessa visão utilitária da verdade é que fenômenos como a religião, que para James são ideias úteis, deveriam ser considerados verdadeiros se mostrassem bons resultados: “em princípios pragmáticos, se a hipótese de Deus funciona satisfatoriamente no sentido mais amplo da palavra, ela é verdadeira”. A filosofia do pragmatismo é, para James, um meio-termo entre o racionalismo e o empiricismo, sendo uma perspectiva aberta à investigação de qualquer hipótese, desde que essa seja capaz de se mostrar concretamente útil. A perspectiva pragmatista de James teve grande influência para o movimento funcionalista da psicologia.

14.025 – Gordura no Fígado – O Preço da Inatividade


gordura no figado
Complicados, os termos “esteatose hepática” e “doença hepática gordurosa não alcoólica” podem até confundir quem os lê. Mas fique tranquilo: eles denominam um só distúrbio, mais fácil de entender quando chamado simplesmente de gordura no fígado. Estamos falando da disfunção hepática mais comum no mundo inteiro!
Atualmente, as estimativas são de que 30% da população sofra com esteatose hepática. Em resumo, a gordura vai se alojando no fígado com os anos, sobrecarregando-o de pouco em pouco. Mais pra frente, falaremos de hábitos que promovem essa invasão gordurosa.
Embora leve anos até ser descoberto, por não apresentar sintomas claros, o distúrbio acarreta complicações bem graves – como cirrose e até câncer, conforme explica Edison Parise, hepatologista na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente do Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig).
O médico lista, entre as principais causas da esteatose hepática, a síndrome metabólica, um conjunto de problemas que envolve obesidade, pressão alta e níveis elevados de glicose, colesterol e triglicérides. Também podem ter culpa no cartório complicações na tireoide, sedentarismo e exposição excessiva a agentes químicos, como pesticidas ou certos medicamentos.
Após o diagnóstico médico de um daqueles nomes complicados, a principal recomendação costuma abranger mudanças no estilo de vida. Isso inclui a adoção daqueles hábitos que, na verdade, todo mundo já prega como saudáveis (fazer exercício, comer com moderação, maneirar no álcool). Mas eles nem sempre são fáceis de incorporar na rotina, o que inclusive ajuda a justifica a “epidemia” de gordura no fígado.
Quando o assunto é a relação entre a alimentação e a saúde do fígado, os profissionais cobram muita cautela com o álcool. “Entre quem apresenta esteatose, o consumo deve ser restringido, porque pode agravar as lesões hepáticas”, explica Juliana Vieira Meireles, nutricionista clínica do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
Para quem ainda não tem a condição, no entanto, alguns estudos têm apontado que a ingestão moderada de vinho, por exemplo, pode favorecer a saúde do órgão. De acordo com Juliana, esse tipo de vantagem só se demonstra verdadeiro nos indivíduos ativos com uma dieta equilibrada e sem histórico da doença na família. E cabe reforçar: os goles devem vir em quantidades moderadas!
Probióticos
Segundo Juliana, estudos têm demonstrado que, quando associado ao consumo de fibras, o de probióticos (como é o caso de iogurte, queijos e leite fermentado) está relacionado a melhoras no metabolismo das gorduras. A nutricionista explica ainda que esse tipo de alimento ajuda na eliminação do colesterol pelas fezes – uma ótima notícia para quem tem esteatose. “Controlar principalmente a presença do LDL, o colesterol ‘ruim’, diminui a quantidade de gorduras que chegam ao fígado”, comenta a especialista.

Gordura alimentar
Existem diferentes tipos desse nutriente, e é essencial distingui-los para compreender quais devem fazer parte da dieta de quem está com o fígado cheio de banha – e quais não devem.
As gorduras saturadas, presentes em produtos de origem animal como manteigas e carnes ou queijos gordos, estão ligados ao aumento do LDL, considerado o colesterol “ruim”.
Já as insaturadas, vindas em sua maioria dos vegetais, diminuem o LDL e aprimoram o perfil de colesterol do organismo. Com moderação, elas fazem bem para o organismo como um todo.
Por último, as gorduras trans: modificadas industrialmente, elas catapultam o nível de LDL e fazem o mesmo com os triglicérides, além de reduzir o colesterol considerado bom, o HDL. São ainda mais prejudiciais à saúde do que as saturadas – tanto que estão sendo abolidas dos produtos. Hoje, restringem-se mais a sorvetes e bolachas.
Carboidratos
Dizem por aí que quem sofre com a gordura no fígado deve evitar os carboidratos por completo. Mas não se desespere: o cardápio não precisa ser tão restritivo assim. “A estratégia de boas escolhas de fontes de carboidrato parece ser fundamental”, explica Juliana. Sim, como com as gorduras, maneirar e optar pelas fontes mais saudáveis é bem importante.
Os carboidratos simples, como os encontrados no açúcar de mesa e em cereais refinados, são absorvidos com mais velocidade, o que joga a glicemia lá para o alto. Além disso, eles se convertem em gordura no fígado com maior facilidade. Portanto, não exagere.
Já os complexos, presentes em alimentos integrais e os tubérculos, acessam a circulação e o fígado de maneira mais vagarosa. Isso minimiza o risco de sobrecargas.
Um recado final antes de deixarmos a alimentação de lado: essas particularidades mostram como é bom visitar um nutricionista, em especial se o fígado já está repleto de banha. “Os carboidratos devem ser adequados em quantidade e em tipo ao gasto energético de cada paciente”.
Os sedentários que me perdoem, mas exercício é fundamental
“Quando você vai propor uma mudança de estilo de vida, modificações na dieta e o incentivo à atividade física são os principais fatores. Cerca de 70% dos pacientes são inativos ou têm um índice baixo de exercício no dia a dia”, explica o médico Edison Parise. “A atividade física, seja aeróbica ou de resistência, aumenta a capacidade de perder gordura”, completa.

Tabagismo
Apesar de não engordar o fígado, fumar prejudica muito a capacidade de o órgão se recuperar depois de adversidades. Isso acontece por causa da falta de oxigenação adequada das células – não é fácil encontrar ar puro em meio a tanta fumaça, mesmo dentro do corpo. Isso, aliás, prejudica a recuperação de quase todos os nossos tecidos.

Sono
O ato de dormir tem sido cada vez mais reconhecido pela ciência por seu papel na saúde. Além de atrapalhar o desempenho da insulina (o que indiretamente contribui para a degeneração do fígado), a falta de sono tira a vontade de se exercitar.

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DIETA

14.020 – Medicina – O Hormônio de Crescimento


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A sigla GH (Growth Hormone) se refere ao hormônio do crescimento. O GH é produzido pela glândula hipófise, situada na base do crânio, e está presente em todas as pessoas normais. É indispensável durante o período de crescimento e sem ele a estatura adulta normal não pode ser alcançada.
Para avaliar o ritmo de desenvolvimento os médicos utilizam a velocidade de crescimento. Para isso é preciso ter pelo menos duas medidas de estatura e um intervalo de tempo entre elas. Nos primeiros meses de vida as medidas podem ser mensais, mas depois a cada três ou quatro meses. Nos primeiros dois anos de vida a criança cresce cerca de 25 cm, ocorrendo uma desaceleração progressiva da velocidade de crescimento, mas na puberdade ela volta a acelerar. O acompanhamento com o Pediatra é fundamental para detectar precocemente qualquer alteração da velocidade de crescimento, e com isso permitir o diagnóstico precoce de doenças que afetam o crescimento. Quando o crescimento é menor que o esperado, o ideal é que um especialista seja consultado. Quanto mais cedo for percebido o problema, melhores serão as chances de recuperação.
O nanismo é um termo usado para situações de baixa estatura grave. Manifesta-se principalmente a partir dos dois anos de idade, impedindo o crescimento e desenvolvimento durante a infância e adolescência. Pode ser causado por deficiência de hormônio de crescimento (chamado de nanismo hipofisário) ou por doenças ósseas congênitas.
Quando o corpo humano produz GH em excesso, causa uma doença conhecida como gigantismo. É um quadro de crescimento exagerado, acompanhado de outros problemas graves de saúde. Pode surgir na infância, durante a puberdade ou na vida adulta.
A deficiência de GH pode ser causada por problemas genéticos, traumas, doenças infecciosas ou inflamatórias, tumores cranianos, radioterapia, quimioterapia, entre outras. Muitas vezes não é possível identificar a causa da deficiência, mesmo realizando todos os exames disponíveis.
Uma das formas de se identificar problemas de crescimento é observar que a criança está demorando para trocar a numeração de roupas e calçados ou quando ela se torna a menor da turma da escola. Esses são sinais importantes que devem estimular os pais a procurar um médico endocrinologista.
As crianças devem ser medidas e os dados de peso e estatura precisam ser colocados nos gráficos para serem interpretados corretamente. Só assim é possível comparar as medidas da criança com as de outras crianças da mesma idade e sexo e também com a estatura dos pais.
O crescimento acontece até que haja a fusão ou fechamento das cartilagens de crescimento, que é uma região especial dos ossos. A época em que ocorre o término do crescimento vai depender muito da idade de início e de término da puberdade. Depois que as cartilagens dos ossos longos se fecham, não há mais possibilidade de crescer, mesmo tomando o GH. Nesse caso, além de não fazer crescer, o uso do GH não é seguro e pode trazer prejuízo para a saúde.
Adultos com deficiência de GH podem fazer a reposição do hormônio de crescimento. Nesses casos o tratamento com GH produz outros benefícios para a saúde como melhora da capacidade física, aumento da massa magra (ossos e músculos), redução da gordura corporal e melhora da qualidade de vida. Por causa desses benefícios, algumas pessoas utilizam o GH erroneamente para tratar a obesidade, reduzir o processo de envelhecimento e melhorar o desempenho físico. A medicação é contraindicada para esses fins por não ser considerada segura. No esporte, a sua utilização é considerada ilícita e passível de punição.
A abordagem dos problemas de crescimento é feita da seguinte forma: inicialmente o endocrinologista avalia o histórico de saúde da família e da criança, incluindo os antecedentes gestacionais e de nascimento, além do exame físico completo para identificar outros sinais de doenças. Depois realiza a pesquisa de possíveis causas por meio de exames laboratoriais e radiológicos. Se for constatada uma deficiência de hormônio de crescimento, o endocrinologista indicará o tratamento com GH. É importante saber que existem outras situações que atrapalham o crescimento normal e que também podem ser tratadas com GH. Tomar hormônio, só com orientação médica.

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14.017 – Psiquiatria – Gênios com Transtornos Mentais


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Vincent van Gogh, (o homem que pintava o 7) famoso por quadros como A Noite Estrelada e A Cadeira de Van Gogh, sofria de transtornos mentais. Além disso, de tanto beber absinto, ele adquiriu uma lesão no cérebro que causava ataques epilépticos. Certa vez, devido a uma crise, decepou sua própria orelha esquerda. Alguns autores afirmam que ele poderia ter transtorno bipolar, pois tinha variações constantes de humor. Suicidou-se aos 37 anos de idade.

John Nash, o matemático que inspirou o filme Uma Mente Brilhante e ganhador do Nobel de Economia, tem esquizofrenia paranoide. Ele já passou por vários hospitais psiquiátricos, sempre contra sua vontade, nos quais recebeu tratamentos com drogas antipsicóticas e injeções de insulina (que provocam períodos de coma). Gradualmente, Nash se recupera e eventualmente dá aulas de matemática na Universidade de Princeton.

O aviador, produtor de filmes e empresário Howard Hughes tinha uma estranha fobia de germes. Por causa do transtorno, ele tornou-se recluso e adquiriu o vício em codeína. Era compulsivo por higienização e obrigava seus empregados a seguirem suas ordens à risca. Para servir comida, por exemplo, eles precisavam usar luvas de papel toalha. Em certa fase, Hughes tirava toda a roupa e ficava deitado por horas em quartos escuros (que chamava de zonas higiênicas); e calçava caixas de lenços nos pés.

De acordo com alguns autores, o escritor Edgar Allan Poe, famoso por suas histórias de terror, sofria de transtorno bipolar. Ele bebia muito e certa vez escreveu uma carta descrevendo seus pensamentos suicidas.

Ernest Hemingway, ganhador de um Nobel de Literatura e um prêmio Pulitzer, tinha depressão e alcoolismo. Sua saúde mental tornou-se debilitada por causa do uso intenso de medicamentos, pelas bebedeiras, e devido a uma terapia baseada em choques elétricos, que causou perda de memória. , Assim como seu pai, seu irmão e sua irmã, Hemingway se suicidou.

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Tennessee Williams, dramaturgo, autor de Um Bonde Chamado Desejo e vencedor do Prêmio Pulitzer, sofria de depressão, alcoolismo e dependência química. Seu quadro se agravou ainda mais quando, sua irmã esquizofrênica passou por uma lobotomia; e seu namorado de longa data morreu de câncer de pulmão.

O famoso compositor Ludwig Van Beethoven tinha transtorno bipolar, de acordo com autores. Quando jovem, sofreu muito com o pai – que o agredia fisicamente e o pressionava a estudar música. As surras constantes contribuíram para que ele perdesse a audição. Beethoven tinha períodos de grande excitação e energia , seguidos de momentos de extrema depressão. Para se ver livre das crises, usava drogas e álcool.

Abraham Lincoln é conhecido por seus grandes feitos como presidente dos Estados Unidos. Mas apesar do sucesso, ele era descrito como um indivíduo de tendências melancólicas. Tinha crises profundas de depressão e ficava debilitado com frequência. Alguns autores afirmam que Lincoln tentou cometer suicídio.

Isaac Newton foi um dos maiores gênios de todos os tempos. Ele inventou o cálculo, desenvolveu a Lei da Gravidade e construiu o primeiro telescópio refletor. Mas, apesar do brilhantismo, era conhecido por seus transtornos mentais. Newton era uma pessoa de difícil convivência e apresentava mudanças drásticas de humor. Alguns autores sugerem que ele tinha transtorno bipolar e esquizofrenia.

14.015 – Medicina – Novas descobertas podem acelerar a impressão de órgãos humanos


IMPRESSÃO+DE+ORGÃOS
Com tantas pessoas na fila de espera por órgãos, a ciência tem um papel fundamental para encontrar soluções que salvem vidas. Uma delas seria a bioimpressão de órgãos humanos, que mostra significativos avanços: nos últimos dias, um estudo publicado na Revista Science apresentou o trabalho de um grupo de bioengenheiros que estão criando uma técnica para imprimir tecidos vasculares.
A arquitetura das redes vasculares são bem complexas, já que elas são passagens vitais para o transporte de sangue, ar e outros nutrientes. O sistema tem redes independentes mas que são fisicamente e bioquimicamente entrelaçados.
A equipe de bioengenheiros criou uma nova tecnologia de impressão com o nome “aparelho de estereolitografia para engenharia de tecidos”, que produz hidrogéis macios camada por camada. As camadas de gel são impressas e se solidificam sob a luz azul. Então um corante amplamente disponível na indústria alimentícia é usado para absorver a luz azul e refinar onde as camadas finas e delicadas se formam. Esse processo permite que a equipe produza gel à base de água em questão de minutos.
Uma estrutura que imita o pulmão foi submetida a testes de estresse, com sangue e ar sendo empurrados através de seus tecidos. O modelo foi aprovado e os cientistas descobriram que as células vermelhas do sangue poderiam até mesmo capturar o oxigênio enquanto o saco de ar “respirava”.
Infelizmente, esses órgãos ainda não estão disponíveis para pacientes e provavelmente levarão muito mais tempo para serem aperfeiçoados. A equipe disponibilizou o trabalho gratuitamente para que outros possam colaborar na pesquisa.

14.011- Mega Questões – Somos programados para acreditar em um Deus?


netuno
Deus Netuno ou Poseidon

A religião – a crença em seres sobrenaturais, incluindo deuses e fantasmas, anjos e demônios, almas e espíritos – está presente em todas as culturas e permeia toda a História.

A discussão sobre a vida após a morte remonta a, pelo menos, 50.000 a 100.000 anos atrás.
É difícil obter dados precisos sobre o número de crentes de hoje, mas algumas pesquisas sugerem que até 84% da população do mundo são membros de grupos religiosos ou dizem que a religião é importante em suas vidas.
Vivemos em uma era de um acesso ao conhecimento científico sem precedentes, o que alguns acreditam que é incompatível com a fé religiosa. Então, por que a religião é tão difundida e persistente?
Os psicólogos, filósofos, antropólogos e até mesmo os neurocientistas sugerem possíveis explicações para a nossa disposição natural de acreditar, e para o poderoso papel que a religião parece ter em nossas vidas emocionais e sociais.

Morte, cultura e poder
Mas antes de falar das teorias atuais, é preciso entender como surgiram as religiões e o papel que elas tiveram na vida de nossos ancestrais.
As primeiras atividades religiosas foram em resposta a mudanças corporais, físicas ou materiais no ciclo da vida humana, especialmente a morte.
Os rituais de luto são uma das mais antigas formas de experiência religiosa. Muitos de nossos antepassados não acreditavam que a morte era necessariamente o fim da vida – era apenas uma transição.
Alguns acreditavam que os mortos e outros espíritos podiam ver o que estava acontecendo no mundo e ainda tinham influência sobre os eventos que estão ocorrendo.
E essa é uma noção poderosa. A ideia de que os mortos ou até mesmo os deuses estão com a gente e podem intervir em nossas vidas é reconfortante, mas também nos leva a ter muito cuidado com o que fazemos.
Os seres humanos são essencialmente sociais e, portanto, vivem em grupos. E como grupos sociais tendem à hierarquia, a religião não é exceção.
Quando há um sistema hierárquico, há um sistema de poder. E em um grupo social religioso, a hierarquia localiza seu membro mais poderoso: a divindade – Deus.
É para Deus que temos de prestar contas. Hoje em dia, a religião e o poder estão conectados. Estudos recentes mostram que lembrar de Deus nos faz mais obedientes.
Até em sociedades que reprimiram a fé, surgiu algo que tomou seu lugar, como o culto a um líder ou ao Estado.
E quanto menos estável é um país politica ou economicamente, mais provável que as pessoas busquem refúgio na religião. Os grupos religiosos podem, ao menos, oferecer o apoio que o Estado não fornece a quem se sente marginalizado.
Assim, fatores sociais ajudam a desenvolver e fortalecer a fé religiosa, assim como a forma como nos relacionamos com o mundo e com os outros.

Outras mentes
Em todas as culturas, os deuses são, essencialmente, pessoas, mesmo quando têm outras formas.
Hoje, muitos psicólogos pensam que acreditar em deuses é uma extensão do nosso reconhecimento, como animais sociais, da existência de outros. E uma demonstração da nossa tendência de ver o mundo em termos humanos.
Nós projetamos pensamentos e sentimentos humanos em outros animais e objetos, e até mesmo nas forças naturais – e essa tendência é um dos pilares da religião.
ssim argumentou-se que a crença religiosa pode ser baseada em nossos padrões de pensamento e de cultura humana. Alguns cientistas, no entanto, foram além e analisaram nossos cérebros em busca do lendário “ponto Deus”.

Deus no cérebro
Os neurocientistas têm tentado comparar os cérebros dos crentes e ao dos céticos, para ver o que acontece no nosso cérebro quando rezamos ou meditamos. Se conhece pouquíssimo sobre esse campo – mas há algumas pistas, especialmente no que diz respeito às aéreas cerebrais.
O córtex pré-frontal medial está fortemente associado com a nossa capacidade e tendência para entender os pensamentos e sentimentos dos outros. Muitos estudos têm mostrado que esta região do cérebro está especialmente ativa entre os crentes religiosos, especialmente quando estão rezando. Isso corrobora a visão de que a fé religiosa é uma forma de interação social.
Já o lobo parietal, de acordo com estudos pode estar envolvido em experiências religiosas, especialmente aquelas caracterizadas com a dissolução do ego.
Na medida em que estamos constantemente à procura de padrões, estruturas e relações de causa-efeito, a religião pode fornecer uma variedade de estratégias para que essa busca faça sentido
As crenças religiosas ajudam os seres humanos a se organizar e dar sentido a suas vidas. E em todas as culturas, e até mesmo entre ateus, os rituais podem ajudar a pontuar eventos importantes da vida.
Embora nem a neurociência, nem a antropologia e nem filosofia tenham uma resposta definitiva para a questão “Deus existe?”, todas essas disciplinas dão pistas sobre como nós respondemos às nossas mais profundas necessidades humanas.
Talvez não sejamos programados para acreditar em Deus ou em um poder sobrenatural, mas somos animais sociais com uma necessidade evolutiva de ficar conectado com o mundo e com os outros.
De repente, as religiões são apenas canais para permitir essas conexões.

14.009 – História – Catolicismo guerreiro no Brasil


igreja e guerrilha
Se Deus está do seu lado, que chances pode ter o inimigo? Esta lógica – que remete a populares versos musicais de igrejas brasileiras – marcou um importante episódio nos primórdios de nossa colonização. Quando os franceses tentaram instalar-se em terras brasileiras – na experiência conhecida como França Antártica (1555-1567) – deu-se início a uma guerra que ia muito além da disputa territorial [Ver RHBN nº 49].
No poema épico De Gestis Mendi de Saa (Dos feitos de Mem de Sá), o padre jesuíta José de Anchieta deixa claro o que estava em jogo: de um lado, o Deus, dos portugueses católicos; do outro, o Diabo, dos invasores calvinistas. Reproduzia-se, assim, o confronto entre Reforma e Contra-Reforma.
Nos três primeiros livros do De Gestis, há uma batalha incessante entre duas bandeiras: a divina, defendida pelo governador-geral Mem de Sá (1504 c.-1572), e a demoníaca, representada pelos índios pagãos. No quarto e último livro, mudam as bandeiras: de um lado, o Catolicismo; do outro, os protestantes.

(…) com o coração infeccionado pela heresia,

e com a mente opressa pelas trevas do erro,

não só todos se afastam do reto caminho da crença,

mas procuram perverter, assim dizem, com falsas doutrinas

os míseros povos índios, de todo ignorantes.
A guerra contra os franceses calvinistas é considerada justa não somente pelos tradicionais critérios políticos – os invasores apossaram-se de terras lusas – mas, sobretudo, porque durante o confronto foram anunciados os decretos do Concílio de Trento (1545-1563), importante medida da Igreja Católica em reação às heresias protestantes. A principal motivação tornou-se, portanto, uma questão de fé.
Nos versos em que descreve a morte de sete soldados franceses engolidos pelo fogo, Anchieta afirma que aqueles homens infelizes já começavam a sentir as chamas do inferno “em que os ímpios corações, manchados pela heresia, sofrerão o eterno castigo que seus crimes merecem”. Ao escolher o plural para o substantivo “crime”, Anchieta amplia o foco da guerra justa: o que estava em jogo não era apenas o caráter político de invasão do território, mas o direito de combater em nome de Deus. Entre as duas bandeiras dessa guerra, apenas uma carregava a verdadeira fé cristã, aquela que segue os dogmas reafirmados da Igreja Católica, lutando por Deus e com o apoio Dele: “Com a ajuda divina, em vão as balas cortam os ares:/ antes, a pólvora explode no paiol inimigo”.
O Concílio de Trento reafirma os dogmas da Igreja Católica como verdade religiosa indiscutível para todos os cristãos, incluindo o rito sagrado do Sacramento, instituído por Jesus Cristo para dar, confirmar ou aumentar a graça do fiel. O herói Mem de Sá, seguido por seus soldados, pratica o sacramento da penitência antes de partir para a guerra contra os franceses calvinistas, como indica o poema: “Então purifica sua alma/ das culpas e a fortifica com as armas de Cristo,/ caindo de joelhos aos pés do ministro sagrado”. Ao colocar em evidência esse rito, Anchieta não somente traduz em versos as determinações do Concílio de Trento como também sugere que, por não o praticarem, os franceses heréticos estavam fadados à derrota: “Ele incutirá forças e ajudará compassivo/ a causa do justo e do fiel (…)/ abaterá e esmagará o inimigo, castigando co´a morte/ corações ímpios, vazios de fé verdadeira”.
Mem de Sá ajoelha-se aos pés do ministro sagrado – um jesuíta da Companhia de Jesus – e quando o exército luso encontra-se na iminência de uma grande derrota, apela à intervenção divina, lançando aos céus palavras em prece: “Estende a mão bondosa e sinta teu furor justiceiro/ a raça inimiga”. Mem de Sá pede intervenção divina, não pela injustiça política praticada pelos franceses, mas porque eles são praticantes do crime “feio da heresia”, pois insultam soldados “cristãos” e “fiéis”.
O governador-geral não estava sozinho em suas preces. Os jesuítas e os povos fiéis o acompanhavam em oração. Aliavam-se, assim, com a ideia da Igreja de Roma como indispensável mediadora entre Deus e os homens. Para os protestantes, a Igreja ficava em segundo plano, bastando a fé em Deus e a livre interpretação da Bíblia para que se atingisse a salvação.
Os portugueses sentiam-se favorecidos pela intervenção divina. Acometidos de pavor inexplicável, os franceses fogem do forte Coligny, na Ilha de Villegagnon. “tão firme e tão seguro pela arte da guerra (…) tamanho era o terror que o Senhor Deus onipotente lhes metera nas mentes e corações apavorados”. Ao invadirem o local, os portugueses “fincam logo a cruz vencedora no cimo do forte e aclamam o nome santo de Cristo”. Na ação narrada por Anchieta, o “ministro alado de Deus” simboliza um anjo real que, em forma de guerreiro, alia-se ao exército para levá-lo à vitória contra os falsos cristãos.
A tomada do forte é militar. O produto da guerra é teológico. Dessa batalha entre Deus e o Diabo, os protestantes saíram derrotados por defenderem a bandeira “errada”. Pregavam uma doutrina cheia de “impiedades e erros” porque se afastaram da verdadeira e correta interpretação que a Igreja de Roma faz das Escrituras Sagradas. Os adjetivos usados contra Martinho Lutero sugerem que agira sob inspiração demoníaca ou corrompido por ela. “Enraivado”, ou seja, movido por forte paixão, cega-se diante da verdade e profere blasfêmias contra o representante de Cristo na terra e contra a própria Igreja, insultando o divino, aquilo que é sagrado.
Sobre Calvino, Anchieta iguala-o ao demônio: “a fera que os abismos do inferno há pouco arrotaram de suas vasas profundas”. Nos versos do poema épico, o reformista francês é dragão e serpente de movimentos sinuosos, de caráter pouco reto, que “abraça no rolo de suas espirais o forte” – ou seja, transforma-o no próprio inferno. “Calvino vencer a Cristo,/ Senhor do céu e da terra?”, eis uma hipótese absurda. A morte na cruz significara a vitória sobre o “dragão que habitava as cavernas do inferno”, abrindo para os católicos a possibilidade da salvação, o mesmo não ocorrendo para os protestantes.
De posse do forte, os portugueses erguem um altar e o sacerdote, na veste sagrada, celebra o banquete augusto do pão sacrossanto, que jamais fora ali celebrado, diz Anchieta, pois “a geração de Calvino rejeita com impiedade o alimento celeste, nem crê que as espécies de pão encerram a Cristo”.
Se Deus estava com eles, que chances teriam os inimigos? As circunstâncias históricas, naquele caso, sorriram à fé católica e aos dogmas da Contra-Reforma. Embora, nas guerras em nome de Deus, ninguém possa dizer quem tem razão.

13.998 – Santa Ignorância – Informações Falsas Sobre Vacinas Preocupa Comunidade Científica


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Governador de Fruili-Venezia Giulia, uma das regiões do norte da Itália, e membro da Liga, partido da extrema direita e hoje a maior força política do país, Fedriga é um dos expoentes do movimento que prega a liberdade da vacinação. Ele, contudo, acabou indo parar no hospital vítima da doença cuja melhor maneira de prevenção é exatamente a vacina.
“O mais espantoso, e que não saiu em nenhum jornal, é que recebi durante o período em que fiquei no hospital várias mensagens desejando a minha morte”, conta. “Minha questão é a liberdade de escolha — a vacina não pode ser imposta.”
Filiado a um partido acostumado a inflamar o debate em temas como a defesa da família tradicional e das políticas contra a imigração, o político de 38 anos, o mais jovem governador da Itália, disse ter se espantado com o ambiente “tóxico e extremista” sobre a questão, agora classificada por ele — já recuperado e de volta às funções políticas — como uma “guerra típica das torcidas organizadas”. Ele reclama ter sido vítima do que é o principal motor contra as vacinas: a desinformação.
A resistência à vacinação foi listada pela Organização Mundial da Saúde como uma das dez maiores ameaças à saúde global neste 2019. Segundo números preliminares do órgão, os surtos de sarampo, doença altamente contagiosa, aumentaram 300% no mundo nos primeiros três meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2018. O crescimento foi maior na África (700%) e na Europa (300%).
Relatório do Unicef, órgão da ONU para a infância, cravou que 98% dos países reportaram aumento nos casos de sarampo, doença que ressurgiu em locais que até pouco tempo atrás estavam perto de erradicá-la. Os três piores do ranking (que compara 2017 com 2018), respectivamente, foram Ucrânia, Filipinas e Brasil. A organização alertou: “A verdadeira infecção é a desinformação”.
Como acontece com os terraplanistas, os descrentes do aquecimento global e os que acreditam que o nazismo era de esquerda, o principal canal difusor das (des)informações é a internet, especialmente redes sociais como o Facebook. Pressionada, a plataforma criada por Mark Zuckerberg desativou recentemente anúncios com conteúdos contra a imunização nos Estados Unidos, onde estima-se que esse tipo de publicidade atingia quase 1 milhão de pessoas.
Na Europa, o aumento dos casos de sarampo — o maior índice em 20 anos — foi relacionado à expansão da agenda populista de direita e anti-establishment, que tem a causa como bandeira política. O cerne da crítica é a imposição das vacinas, método que alguns políticos chamam de stalinista.
Mas, como em todo movimento, nele há subdivisões e divergências: uns pregam a liberdade vacinal e outros rejeitam todo e qualquer tipo de vacina. E não é uma pauta somente da direita populista em ascensão. Há entre os adeptos muitos naturalistas que sempre votaram na esquerda e que veem com desconfiança o sistema de vacinação “massificado”, como dizem. Eles também replicam falsificações sobre uma suposta conspiração global entre governos e a indústria farmacêutica.
Dos 83 mil casos de sarampo na Europa em 2018, 53 mil foram registrados na Ucrânia, mas os índices foram alarmantes também em países como Sérvia e Grécia. O número de descrentes aumentou ainda na França e Alemanha. Diante desse cenário, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) tem dispensado tempo e recursos para enfrentar a “hesitação vacinal”. O órgão lembra que a vacina é o principal meio de prevenção primária de doenças e uma das medidas de saúde pública com melhor relação custo-eficácia. A imunização ainda é a melhor defesa contra doenças contagiosas graves que podem ser fatais.
Galileu

13.995 – Saiba mais sobre a Páscoa no ☻Mega


pascoa
Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera. A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade. A palavra “páscoa” – do hebreu “peschad”, em grego “paskha” e latim “pache” – significa “passagem”, uma transição anunciada pelo equinócio de primavera (ou vernal), que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março e, no sul, em 22 ou 23 de setembro.

A páscoa judaica (em hebraico פסח, ou seja, passagem) é o nome do sacríficio executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (Chag haMatzot). Geralmente o nome Pessach é associado a esta festa também, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egito, conforme narrado no livro de Êxodo.

A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas tem um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel no Egito, no Cristianismo a Páscoa representa a morte e ressurreição de Jesus (que supostamente aconteceu na Pessach) e de que a Páscoa Judaica é considerada prefiguração, pois em ambos os casos se celebra uma “libertação do povo de Deus”, a sua passagem da escravidão (do Egito/do pecado) para a liberdade.

De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa.
Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.

Estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los para os seus amigos e aliados.

Por que o ovo de Páscoa?
O ovo é um destes símbolos que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida.

Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” aparece depois de um período de caos.

Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “Sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra – simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema.

O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang).
Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.
Na tradição cristã, o ovo aparece como uma renovação periódica da natureza. Trata-se do mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano. E mais: um ovo posto na sexta-feira santa afasta as doenças.

Por que o Coelho de Páscoa?

coelho
Coelhos não colocam ovos, isto é fato! A tradição do Coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?
No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.
Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas! Assim, os coelhos são vistos como símbolos de renovação e início de uma nova vida. Em união com o mito dos Ovos de Páscoa, o Coelho da Páscoa representa a renovação de uma vida que trará boas novas e novos e melhores dias, segundo as tradições.

Outros símbolos da Páscoa
O cordeiro é um dos principais símbolos de Jesus Cristo, já que é considerado como tendo sido um sacrifício em favor do seu rebanho. Segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo é “sacrificado” durante a Páscoa (judaica, obviamente). Isso pode ser visto como uma profecia de João Batista, no Evangelho segundo João no capítulo 1, versículo 29: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo”.
Paulo de Tarso (na primeira epístola a Coríntio no capítulo 5, versículo 7) diz: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.“
Jesus, desse modo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus (em latim: Agnus Dei) que supostamente fora imolado para salvação e libertação de todos do pecado. Para isso, Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado. Assim, a partir daquela data, o Pecado Original tecnicamente deixara de existir.
cruz_ominiatura.jpgA Cruz também é tida como um símbolo pascal. Ela mistifica todo o significado da Páscoa, na ressurreição e também no sofrimento de Jesus. No Concílio de Nicea em 325 d.C, Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então, ela não somente é um símbolo da Páscoa, mas o símbolo primordial da fé católica.
O pão e o vinho simbolizam a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos, conforme é dito no capítulo 26 do Evangelho segundo Mateus, nos versículos 26 a 28: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.“

Por que a Páscoa nunca cai no mesmo dia todos os anos?
O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicea em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária – conhecida como a “lua eclesiástica”).
A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.
Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a seqüência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”. De fato, a seqüência exata de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.

Tabela com as datas da Páscoa até 2020
2000: 23 de Abril (Igrejas Ocidentais); 30 de Abril (Igrejas Orientais)
2001: 15 de Abril
2002: 31 de Março (Igrejas Ocidentais); 5 de Maio (Igrejas Orientais)
2003: 20 de Abril (Igrejas Ocidentais); 27 de Abril (Igrejas Orientais)
2004: 11 de Abril
2005: 27 de Março (Igrejas Ocidentais); 1 de Maio (Igrejas Orientais)
2006: 16 de Abril (Igrejas Ocidentais); 23 de Abril (Igrejas Orientais)
2007: 8 de Abril
2008: 23 de Março (Igrejas Ocidentais); 27 de Abril (Igrejas Orientais)
2009: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais)
2010: 4 de Abril
2011: 24 de Abril
2012: 8 de Abril (Igrejas Ocidentais); 15 de Abril (Igrejas Orientais)
2013: 31 de Março (Igrejas Ocidentais); 5 de Maio (Igrejas Orientais)
2014: 20 de Abril
2015: 5 de Abril (Igrejas Ocidentais); 12 de Abril (Igrejas Orientais)
2016: 27 de Março (Igrejas Ocidentais); 1 de Maio (Igrejas Orientais)
2017: 16 de Abril
2018: 1 de Abril (Igrejas Ocidentais); 8 de Abril (Igrejas Orientais)
2019: 21 de Abril (Igrejas Ocidentais); 28 de Abril (Igrejas Orientais)
2020: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais)
No final das contas, a páscoa é mais um rito de povos antigos, assimilado pela Igreja Cristã de modo a impor sua influência. Substituindo venerações à natureza (como no caso da Lua ou do Equinócio, tipicamente pagãs) por uma outra figura da mitologia, tomando os siginificados do judaísmo, os símbolos celtas e fenícios, remodelando mediante os Evangelhos e dando uma decoração final, criou-se um “ritual colcha de retalhos”.

13.992 – Dica de Livro – Lou(cura) tem “Cura”?


 

A loucura tem cura? Se tiver, por que a ciência ainda não descobriu? É possível que a medicina humana desconheça as causas dessas patologias? Qual a explicação dada pelos médicos a diagnósticos com indicação à psiquiatria baseados apenas em sintomas, já que os exames de ressonância magnética, eletroencefalografia e escanografia feitas no cérebro do paciente não encontram nada conclusivo? Será então possível que a raiz do mal de todas as doenças mentais não esteja nos cérebros humanos? Este trabalho traz respostas a estas e outras questões, demonstrando que todas as doenças não curáveis tem sua raiz no espírito – inteligência criadora – e a loucura nada mais é do que um conjunto de consequências desastrosas de uma inteligência que contrariou a lei do amor.
Loucura tem Cura, A
autor : Maria Helena Azulay (médium), Luciano (espírito)
gênero Psicologia e Psiquiatria
assunto Psiquiatria
idioma Português

 

O que é loucura?
Louco é aquele sujeito que perdeu a razão, que tem pensamentos e ações sem sentido, tem comportamentos distorcidos que fogem à regra: é a “alienação mental” de Philippe Pinel, o pai da psiquiatria moderna – cujo sobrenome virou sinônimo de loucura -, que atuou na França entre o final do século XVIII e o começo do século XIX.

– Hoje em dia, podemos dizer que os sintomas psicóticos são o equivalente à loucura empregada nos meios psiquiátricos no passado. Os sintomas psicóticos ocorrem na esquizofrenia e também costumam ocorrem no transtorno bipolar – afirma o psiquiatra Deyvis Rocha
Muitas pessoas deixam de ir ao psiquiatra porque isso seria o mesmo que declarar-se louco ou obter um atestado de loucura. O indivíduo que já passou por essa fase crítica e vai ao psiquiatra por algum problema qualquer, como sintomas depressivos ou ansiosos, teme que o seu quadro clínico possa evoluir para um quadro de loucura.
Em psiquiatria, há um velho ditado utilizado para tranquilizar os pacientes que diz que a pessoa que está ficando louca não sabe que está ficando louca, o que significa que a capacidade de alguém se preocupar com o fato de poder ficar louco é uma segurança de que isso não vai acontecer.
Sendo assim, um transtorno de pânico ou outro transtorno ansioso, como a ansiedade generalizada, as fobias, uma depressão, não vão evoluir para um estado de loucura e de perda da razão, mesmo que seja essa a sensação que se tem quando ocorre uma crise de pânico.
Pode até ser que a pessoa tenha mais de um diagnóstico, como depressão e esquizofrenia, ansiedade e transtorno bipolar, mas não é que uma doença levou a pessoa a ter a outra, mas é que são quadros diversos que, por genética ou por coisas da vida, atingem a mesma pessoa.
Além do tratamento com os remédios chamados antipsicóticos, a psicoterapia pode auxiliar o paciente a lidar com as dificuldades de realizar atividades do dia a dia impostas pelos sintomas.
Conheça os principais transtornos psicóticos que podem levar um indivíduo a loucura:

:: Esquizofrenia
É uma doença mental que afeta a zona central do “eu” e altera a estrutura vivencial. O portador de esquizofrenia, quando em surto, costuma agir em função dos seus delírios e alucinações, perdendo a liberdade de escapar a essas vivências fantásticas. Cerca de 1% da população é acometida pela doença, geralmente iniciada antes dos 25 anos de idade.
– A esquizofrenia se caracteriza por distorções do pensamento, da percepção e por inadequação dos afetos. Usualmente o paciente com esquizofrenia mantém clara sua consciência – explica o psiquiatra Deyvis Rocha.

:: Transtorno delirante
É caracterizada pela ocorrência de ideias delirantes, em geral paranoide (de estar sendo perseguido, de estar sendo alvo de críticas, de as pessoas quererem prejudicá-lo intencionalmente). O delírio tende a ser persistente e algumas vezes crônico. Pode haver alucinações auditivas (ouve vozes que não existem na realidade) e visuais (vê imagens que não existem na realidade), embora alucinações sejam incomuns. O afeto tende a ser inexpressivo.

:: Transtorno esquizoafetivo
Manifesta-se pela ocorrência de episódios de humor intercalados por episódios psicóticos sem sintomas de humor. É importante salientar que dentro dos episódios de humor, quando graves, podem também ocorrer sintomas psicóticos. Existem dois tipos principais: depressivo, onde os episódios de humor são sempre depressivos, e misto, onde ocorrem episódios depressivos, maníacos, hipomaníacos e mistos.

:: Transtornos psicóticos agudos
Têm frequentemente um início repentino, desenvolvendo-se em geral rapidamente no espaço de poucos dias e desaparecendo também em geral rapidamente, sem recidivas. Quando os sintomas persistem, o diagnóstico deve ser modificado para esquizofrenia ou transtorno delirante persistente.

:: Transtorno Bipolar
É uma doença mental em que o paciente alterna estados de euforia e depressão, além de fases de “normalidade” intercaladas. A pessoa pode apresentar alguns sintomas de euforia e de depressão ao mesmo tempo, que são os estados mistos. A causa exata é desconhecida, mas os cientistas acreditam que esteja ligada à genética.

13.990 – Mega Polêmica – Homossexualismo Seria Um Recurso da Natureza Para Controlar as Superpopulações


reprodução

Argumento pró Reprodução Assexuada

“A reprodução sexual consiste em um dos grandes paradoxos da natureza. Seres que se reproduzem sexualmente desperdiçam metade de seu investimento reprodutivo na produção de machos, criaturas que seriam desnecessárias caso a espécie se reproduzisse assexualmente. Além desse desperdício brutal – a natureza costuma ser bastante econômica e punir desperdícios, selecionando e mantendo seres que não abusam da sorte desperdiçando recursos –, criaturas que praticam a reprodução sexual investem parcelas consideráveis de seu tempo e demais recursos procurando parceiros, para os quais se embelezarão e tentarão seduzir fazendo uso de artimanhas frequentemente arriscadas, como as ornamentações, vocalizações e odorizações chamativas que, além de parceiros, atraem predadores.
Pavões, cigarras e borboletas são apenas mais chamativos do que a maioria; de um modo ou outro, todas as criaturas sexuais empenham parte considerável de suas vidas tentando encontrar e seduzir parceiros com os quais engendrarão suas proles e perpetuarão suas linhagens. Os que não se empenham decidida e enfaticamente na busca de parceiros tendem a ser superados, nesse afã, por outros mais dedicados. Todos os seres vivos pertencemos a linhagens de criaturas que se empenharam decididamente na própria reprodução. Estamos aqui, todos nós, porque cada um de nossos ancestrais superou vários concorrentes nessa tarefa.
A importância da reprodução para os organismos vivos costuma ser minimizada, valorizando-se excessivamente a luta pela sobrevivência, um erro. Descendemos dos indivíduos que mais se reproduziram, dos que mais se multiplicaram, e não dos que mais sobreviveram. A relevância da sobrevivência para a evolução decorre exclusivamente do fato de que indivíduos longevos, vivendo por mais tempo, tendem a deixar mais descendentes que outros. Fique claro que é a replicação, e não a luta pela sobrevivência, que define os seres cujas linhagens se perpetuarão, e de cujas linhagens todos nós descendemos. A replicação, a multiplicação do próprio tipo, é a meta fundamental dos seres vivos, foi ela que garantiu que todos nós estivéssemos aqui.
Uma enorme confusão histórica, cujas raízes estão encravadas nas primeiras interpretações da teoria da evolução, faz com que tais considerações sejam negligenciadas. A máxima consagrada por Herbert Spencer, um dos mais influentes pensadores de seu tempo, da síntese do processo evolutivo como o resultado de uma luta pela sobrevivência e da resultante sobrevivência do mais apto sugere a preponderância da sobrevivência sobre a replicação, um equívoco.
As considerações acima acirram enormemente o paradoxo concernente na reprodução sexual, visto tudo indicar ser ela absolutamente desastrosa. A tarefa mais fundamental e desalentadora dos biólogos ao investigar questões ligadas à reprodução sexual consiste em compreender a plausibilidade desse processo. De fato, a grande dificuldade na compreensão dos fatos relativos a tal fenômeno consiste em mostrar a viabilidade desse modo de reprodução. Houvesse alguma brecha para que a existência de tal processo reprodutivo pudesse ser negada, e o seria, com enorme satisfação. Uma confusão radical inunda, ainda, a compreensão sobre a possibilidade de manutenção de um processo desnecessário e tão absurdamente dispendioso. A constatação de que a biologia contemporânea ainda não atina com uma explicação minimamente aceitável para fenômeno tão habitual é profundamente decepcionante. Sejamos claros: a biologia oficial não tem a menor ideia de como a existência da reprodução sexual seja possível.
Ignorância tão profunda faz parecer completamente descomedida a tentativa de elucidação da gênese de um processo tão ignorado que nem sua viabilidade é compreendida.
A exemplo do fogo, no entanto, combatido eventualmente também com fogo, proponho combatermos o absurdo com absurdo, e tentarmos compreender a gênese da reprodução sexual – o modo como ela surgiu –, para posteriormente compreender como é possível que processo tão ineficiente venha sendo mantido”.(?)

Outras Considerações

A Biologia explica o predatorismo e a cadeia alimentar para promover o equilíbrio entre as espécies, o sexo não reprodutivo entraria como mais um recurso da natureza para inibir as superpopulações.
A ideia de que todos os outros bichos só transam para fins reprodutivos não passa de mito. Na verdade, nem existe essa dicotomia entre sexo “por prazer” e “para reprodução”. Estudos que comparam nossa fisiologia à de outras espécies demonstram que a base do interesse sexual é mesmo o prazer, pelo menos nos mamíferos – e provavelmente em muitos outros animais vertebrados.
Dá para comparar a atividade sexual com outra prática muito prazerosa para qualquer bicho: a alimentação. Todo organismo vivo necessita das proteínas, das gorduras e dos açúcares encontrados, por exemplo, numa bela picanha ou num tabletão de chocolate. Para convencer o sistema nervoso de que aquilo deve ser devorado, o cérebro recorre a uma espécie de suborno bioquímico – a sensação de prazer. Afinal, não há nada de intrinsecamente gostoso num bolo de chocolate, assim como não há nada de intrinsecamente erótico num par de seios fartos. Trata-se apenas do cérebro convencendo seu dono de que aquilo tudo é muito bom.
Esse mecanismo aplica-se aos outros animais e vale também para o ato sexual. O melhor exemplo de sexo “recreativo” no mundo selvagem talvez seja o dos bonobos, ou chimpanzés-pigmeus – famosos pelo estilo de vida “paz e amor”. O sexo é tão casual entre eles que envolve, com frequência, fêmeas com fêmeas, machos com machos e adultos com filhotes.
Certas espécies de golfinho também fazem sexo com muita regularidade, e geralmente fora da época mais fértil das fêmeas. Na espécie nariz-de-garrafa, uma das mais comuns, a grande maioria dos indivíduos é bissexual. O “nariz” que acabou dando origem ao seu nome popular é usado para estimular a área genital dos parceiros. (?)

Curiosidades
Já ouviu falar que as fêmeas das abelhas só ferroam uma vez? Ao picar alguém, o ferrão da doce ofensora se desprende do corpo, causando sua morte. A natureza foi cruel com o gênero feminino, mas espere até ficar sabendo o que acontece com o macho. Dica: ele não tem ferrão, mas tem um orgão reprodutor. Acertou quem imaginou que o sexo entre abelhas não termina bem – ao se afastar do corpo da fêmea após a penetração, o macho perde seu aedaegus (equivalente a um pênis), que permanece dentro do corpo da companheira. Seu fim não poderia ser mais trágico: ele sangra até a morte. Não está fácil pra ninguém.

Instinto selvagem
Sexo tem tudo a ver com instinto de perpetuação da espécie, e os animais que transam apenas no período mais fértil da fêmea estão aí para provar. Mas isso não impede que certos bichos sintam prazer. “Alguns têm sentimentos muitos parecidos com os do homem”, diz o etnólogo americano Jonathan Balcombe. “Inclusive o prazer no ato de copular”

13.987 – Atenção Você Que Dorme com TV ligada


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Segundo a pesquisadora, um dos piores problemas é o barulho da televisão ou do computador. Mesmo se eles não despertam um indivíduo que dorme, ruídos causam uma pequena excitação no cérebro, podendo até causar insônia crônica.
“Na TV, alguém pode disparar uma arma ou acelerar um carro e esse ruído pode causar uma excitação no seu cérebro. Esse fenômeno modifica o seu ritmo cerebral e interrompe o sono”, contou a pesquisadora.
O barulho, segundo ela, não permite que o indivíduo resgate seu sono de onde parou. “Os humanos naturalmente têm de quatro a cinco ciclos do sono. Se você sofre uma excitação cerebral enquanto se direciona a estágios mais profundos de sono, seu cérebro tem que começar tudo do começo”.
Salas sugere que quem não consegue dormir em silêncio deve recorrer a aparelhos como pequenos ventiladores ou circuladores de ar, que provocam um pequeno ruído considerado inofensivo para a qualidade do sono.

13.986 – Diversidade de Gêneros – O que diz a Biologia


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As identidades são características fundamentais da experiência humana, pois possibilita aos seres humanos a sua constituição como sujeitos no mundo social. O gênero refere-se à identidade com a qual uma pessoa se identifica ou se autodetermina; independe do sexo e está mais relacionado ao papel que o indivíduo tem na sociedade e como ele se reconhece. Assim, essa identidade seria um fenômeno social, e não biológico. Uma pessoa cisgênera é aquela que tem sua identidade ou vivência de gênero compatível com o gênero ao qual foi atribuído ao nascer. Já uma pessoa transgênera é aquela que se identifica com o gênero diferente do registrado no seu nascimento. As pessoas trans podem preferir serem tratadas no feminino ou no masculino ou, ainda, não se encaixar em nenhuma dessas definições (trans não binárias). Para muitos especialistas, esse encaixe em definições tradicionais começa logo na infância.
Se existe ou não uma “teoria do gênero” (uma ideologia de gênero) é questão muito controversa. Uma coisa é certa: não existe nenhuma “teoria científica do gênero”. Existem, ao invés – há pelo menos sessenta anos – “gender studies” , ”estudos do gênero”: ou seja, estudos interdisciplinares sobre a “identidade de gênero” e sobre a “representação de gênero” que, quase sempre, se sobrepõem aos estudos sobre a sexualidade. Os “gender studies” dizem respeito à análise científica da identidade e da representação de gênero, mas também da sexualidade, feminina, masculina e LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgênero).
Todavia, há um geral acordo em considerar os complexos comportamentos que, de modo direto ou indireto, concernem à esfera sexual como o fruto de pelo menos quatro dimensões diversas, embora não de todo independentes e por sua vez complexos: o sexo biológico, a identidade de gênero e a orientação sexual.

O sexo biológico
No passado era (relativamente) simples distinguir a humanidade em dois sexos bem definidos: o feminino e o masculino. As evidências eram (e são) macroscópicas: dado como eram (e são) órgãos sexuais. Por certo a natureza apresenta ambiguidades. Há espécies de animais nas quais os dois sexos são confusos. E, embora raramente, também entre os Homo sapiens há alguma ambiguidade. Não por acaso, entre os personagens da mitologia grega há um filho de Hermes e de Afrodite, Hermafrodita, que manifesta genitais tanto masculinos como femininos. Hoje a diferença entre os dois sexos é confirmada em nível molecular: são femininos os indivíduos que têm dois cromossomos X e são masculinos aqueles que têm um cromossomo Y e outro X.
Alguém poderia fazer parecer esta como a prova absoluta da existência de dois e somente dois sexos. A dupla de cromossomos sexuais é a essência da diversidade sexual. Mas, a natureza talvez faça blefe das nossas atitudes taxonômicas. Malgrado a clareza da linguagem cromossômica – XX, mulher; XY, homem [macho] – a manifestação dos órgãos sexuais não só cobre um espectro muito amplo por formas e tamanho, mas também pelas qualidades consideradas essenciais.
Em suma, nem sempre é fácil atribuir univocamente as características de um indivíduo a um e a um só dos dois sexos. O espectro vai de qualidades consideradas secundárias (machos sem pelos e fêmeas com pelos) a caracteres considerados primários. Neste segundo caso se fala de hermafroditismo. Um tema que concerne à biologia é aquele dos determinantes genéticos da homossexualidade.
Nasce-se homossexual ou a gente se torna tal? O tema é controverso. Porque não há provas definitivas da existência de genes da homossexualidade. É provável, todavia, que exista um componente genético que predispõe à homossexualidade, o qual se ativa somente em presença de outros cofatores, de natureza ambiental e cultural.
Em suma, já em nível biológico a natureza humana (e não só a humana) manifesta uma dose não banal de ambiguidades. Talvez não seja por acaso. Na natureza a ambiguidade e a diversidade são quase sempre fatores positivos, selecionados no decurso da evolução para melhor sobreviver às mudanças ambientais.

A identidade de gênero
Os estudos de gênero concordam com o senso comum: pode-se pertencer a determinado sexo e “sentir-se” do outro sexo. Há pessoas com um corpo masculino que se sentem mulheres e vice-versa. A identidade de gênero é uma percepção e se refere, portanto, à esfera psicológica. Isso não tolhe que a identidade de gênero tem (pode ter), seja determinantes biológicas, seja determinantes sociais. O entrelaçamento destes fatores não é jamais determinístico.
Como o demonstra a história que teve como coprotagonista John William Money e como protagonista David Reimer.
David nascera homem em Winneping, no Canadá. Mas, por uma circuncisão mal sucedida, havia perdido o seu pênis. A ideia que bastasse somente a presença do órgão genital masculino para definir a identidade masculina levou a família e os médicos a criarem, no corpo de David, um simulacro de órgão genital feminino. Money, depois, como psicólogo e sexólogo, trabalhou para “convencê-lo” a “sentir-se” mulher. Porém, mais tarde, outro sexólogo, de nome Milton Diamond, entendeu que David não se sentia de fato mulher. E assim, o rapaz, na idade de 15 anos, voltou a perceber-se como macho. O epílogo da história – David morreu suicidando-se em 2004, na idade de 39 anos – demonstra quão complexo e dramático seja a relação entre ‘soma’ [corpo] e psique. Naturalmente, há muitos outros casos nos quais a identidade de gênero se encontrou (e se encontra) conflitando com a identidade biológica e com o papel de gênero: ou seja, com aquilo que os outros esperam de ti.

O papel de gênero
O papel de gênero é, realmente, uma construção social. Te comportas como os outros esperam que tu faças. Te comportas como macho porque, tendo os caracteres masculinos prevalentes, as pessoas esperam que tu te comportes como macho, mesmo que tu te sintas mulher. E vice-versa.Ou, ao contrário, reages ao “papel de gênero” que te é impingido, não sem obstáculos e sofrimentos, e afirmas tua “identidade de gênero”.
O papel de gênero, preciso dizê-lo, se refere à dimensão sociológica da pessoa. Mas, certamente não é preciso transcurar os determinantes biológicos e psicológicos. No papel de gênero incidem os estereótipos de gênero: do tipo ‘o macho é caçador’ e a mulher é submissa. O papel de gênero é tão forte que com frequência determina a identidade de gênero. A gente se força a si mesmo, a gene se “sente” de um sexo quando os outros o esperam de ti e a gente se comporta como os outros o esperam de ti. Eis porque Simone de Beauvoir dizia que “não se nasce mulher, mas se torna tal”.

A orientação sexual
Todas as pessoas têm (ou não têm) atração, afeto e amor pelas outras pessoas. Se esta orientação é por pessoas do outro sexo, ela é de tipo heterossexual. Se for para pessoas do mesmo sexo, é de tipo homossexual. Se for para pessoas de ambos os sexos, é bissexual.
Há, enfim, uma orientação que não prevê atração e/ou amor por ninguém.
Na luz de tudo o que dissemos, a orientação sexual pode corresponder ou não ao sexo biológico, à identidade de gênero e ao papel de gênero. E tudo isto com ou sem estresse e até sem sofrimento. Os “estudos de gênero” não dão juízos morais. Não definem o que é “segundo” ou “contra” a natureza.
A boa ciência ajuda os homens, não os julga: e isso em relação a qualquer sexo biológico, identidade de gênero, papel de gênero e orientação sexual. Os juízos morais dizem respeito a outra dimensão, e não àquela estritamente científica. Para juízos morais, vale o que disse o Papa Francisco: quem sou eu, para julgar?
Pontos a Analisar
“Me enoja ver dois gays se beijando”, vi um comentário em um blog. Frase esta que explica a quantidade absurda de violência contra LGBTs. O relatório Anual de Assassinato de Homossexuais no Brasil (LGBT) do Grupo Gay da Bahia (GGB) relativo a 2013 apontou que foram documentados 312 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil, incluindo uma transexual brasileira morta no Reino Unido e um gay morto na Espanha. Segundo o grupo, esse número equivale a um assassinato a cada 28 horas. O documento apontou ainda que houve um decréscimo de 7,7% em relação a 2012, quando houve 338 mortes. O grupo divulgou no relatório que o Brasil continua sendo o campeão mundial de crimes homo transfóbicos, afirmando que segundo agências internacionais, 40% dos assassinatos de transexuais e travestis em 2012 foram cometidos no Brasil.

13.983 – Hibernação – Acorde, você chegou em Marte


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Eram seis homens vivendo juntos, espremidos em uma área de 72 metros quadrados, ao longo de 520 dias. Eles estavam trancados numa estação de testes em Moscou – mas a ideia da experiência, realizada pela Academia Russa de Ciências entre 2010 e 2011, era simular uma ida a Marte. O time era formado por três russos, um italiano, um francês e um chinês. Eles tinham de responder a testes e cumprir uma rotina de tarefas, e passavam as horas de folga vendo filmes e jogando videogame. Se davam bem. Mas, conforme o tempo foi passando, o clima mudou. Todos foram se tornando apáticos, e quatro dos seis participantes se isolaram – cada um deles passou a se alimentar sozinho, teve insônia e exibiu claros sinais de depressão. Tudo isso numa missão de mentirinha, sem riscos nem problemas reais. Imagine se fosse no meio do espaço.
Enviar humanos a Marte, como a Nasa pretende fazer na década de 2030, exigirá a superação de vários obstáculos. Mas nenhum deles parece tão complexo, e tão intratável, quanto a questão psicológica. O confinamento prolongado, como a experiência russa deixou claro, mexe com a cabeça. É por isso que, nos filmes de ficção científica, os astronautas são colocados em hibernação e só acordam quando estão perto do destino. Por incrível que pareça, a Nasa cogita essa possibilidade na vida real: encomendou a uma empresa de Atlanta, a SpaceWorks Enterprises, um estudo detalhadíssimo sobre o tema. O documento descreve com precisão todas as etapas do processo – e as tecnologias que poderiam ser usadas em cada uma.
Logo ao embarcar na nave, antes do lançamento, os astronautas se dirigiriam às cabines de hibernação, Receberiam sedativos na veia e dormiriam. Em seguida, um tubinho enfiado no nariz de cada astronauta começaria a liberar gotículas de perfluorocarbono, um líquido inerte e gelado que, em contato com a mucosa nasal, reduz a temperatura do organismo. O interior de cada cabine também seria mantido a temperaturas baixas. Seis horas depois, a temperatura corporal dos astronautas teria baixado para 32 oC – e eles entrariam em estado de hibernação.
A respiração e os batimentos cardíacos ficariam mais lentos, com o organismo gastando menos energia. Sondas conectadas a dois pontos do corpo, no peito e na perna, jogariam na corrente sanguínea uma solução contendo vitaminas, aminoácidos, glicose e minerais necessários para a sobrevivência. Também haveria uma máquina gerando oxigênio e filtrando o gás carbônico eliminado pela respiração. Cada astronauta seria monitorado por um braço robótico, capaz de intervir em caso de problemas – os sensores colados no corpo da pessoa poderiam parar de funcionar e precisar ser substituídos, por exemplo, ou os tubos de coleta de urina poderiam vazar (como os astronautas só receberiam alimentação intravenosa, não haveria produção de fezes).
Para evitar que os músculos dos astronautas se degradassem, o ambiente seria pressurizado e também teria gravidade artificial. Ela seria produzida rotacionando o habitáculo – como na famosa cena da centrífuga no filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço. A SpaceWorks calcula que girar o compartimento a 17 km/h seria o suficiente para gerar força centrífuga equivalente à gravidade terrestre (quando a nave estivesse chegando a Marte, a rotação do habitáculo seria reduzida para 10,8 km/h, simulando a menor gravidade do planeta vermelho).
O cenário descrito pela SpaceWorks é bem impressionante. Mas puramente hipotético. Se a Nasa realmente quiser colocar humanos para hibernar, terá de correr vários riscos, que também estão previstos no estudo – e não são pequenos.
SISTEMA DE GERENCIAMENTO DE TEMPERATURA
Um tubo inserido nas narinas dispara um spray de perfluorocarbono, líquido inerte e gelado. Em contato com a mucosa nasal, ele reduz a temperatura corporal, até chegar a 32 oC.

TUBO DE ALIMENTAÇÃO
Duas sondas, ligadas no peito e na perna, enviam uma solução que inclui glicose, aminoácidos e vitaminas. Esse líquido é parecido com o que os pacientes em coma recebem nos hospitais.

COLETORES DE URINA
A coleta acontece com o uso de um dreno, fixado no corpo dos astronautas antes de a viagem começar. Ela pode ser reciclada e reaproveitada (como já acontece na Estação Espacial Internacional).

SENSORES
Vigiam os batimentos cardíacos, a respiração, o funcionamento de órgãos importantes, como o fígado, e a atividade do sistema nervoso. Também monitoram o possível surgimento de elementos perigosos, como infecções ou coágulos sanguíneos.

BRAÇOS ROBÓTICOS
São capazes de trocar sondas, consertar vazamentos e solucionar pequenos problemas. Em casos mais graves, com risco à saúde da pessoa que está hibernando, o sistema emite um alerta para os astronautas que estão acordados.
A hibernação é uma estratégia de sobrevivência conhecida na natureza. Morcegos a praticam, assim como roedores e ursos. Esse tipo de repouso permite que o corpo equilibre sua temperatura com a do ambiente e reduz o gasto de energia (algo essencial para a sobrevivência nas estações do ano em que não há alimento). O que você talvez não saiba é que a medicina já domina, e pratica, uma espécie de hibernação em humanos.
Trata-se da hipotermia terapêutica, uma técnica de resfriamento corporal usada, há quase 20 anos, por paramédicos para socorrer vítimas de infarto, derrames ou ferimentos graves. Quando isso acontece, a circulação é prejudicada ou interrompida, e as células do organismo começam a morrer por falta de oxigênio. Nessa situação, esfriar o corpo é benéfico, porque reduz a velocidade de morte celular e aumenta exponencialmente as chances de sobrevivência. A temperatura pode ser reduzida colocando bolsas geladas sobre o paciente ou injetando nele uma solução salina gelada (água e cloreto de sódio, cloreto de cálcio, cloreto de potássio e lactato de sódio), que resfria o corpo rapidamente e sem provocar danos. Nas cabines espaciais, a hipotermia seria induzida de outra forma: com a RhinoChill, uma máquina que resfria o organismo pela mucosa nasal – e já é utilizada por paramédicos dos EUA em situações de emergência. O princípio é o mesmo. “Os seres humanos não hibernam naturalmente. Mas existem métodos capazes de induzir estados de torpor”, diz a bioquímica Kelly Drew, da Universidade do Alasca. Nos hospitais, a redução de temperatura não costuma durar mais do que 24 horas. “Com a tecnologia atual, é possível manter humanos saudáveis em temperaturas entre 32 oC e 34 oC, por até três dias. Períodos mais longos só foram registrados em pacientes com alto risco de morte”, diz Drew.
1 Aumento dos voos suborbitais tripulados, em parceria com companhias privadas.

2 Testes de microgravidade na ISS, para entender como o corpo humano reage a ela
em períodos longos.

3 Desenvolvimento de tecnologias avançadas de suporte vital (como um sistema que recicla 100% do CO2 expirado pelos astronautas).

4 Retomada das missões tripuladas para a Lua e construção da Deep Space Gateway, estação espacial da qual partiriam missões a Marte.

5 Construção da Deep Space Transport, uma estação de habitação. Astronautas viveriam nela por 400 dias para testá-la.

6 Realização de viagens não tripuladas a Marte, para levar equipamentos e testar decolagens do solo marciano.

7 Quatro astronautas vão até Phobos, principal lua de Marte (pois, de lá, é mais fácil voltar). Seis anos depois, uma missão pousa no planeta vermelho.

O recorde de hibernação terapêutica pertence a uma mulher de 43 anos, moradora da Flórida, que sofreu um aneurisma e entrou em coma. Ela foi mantida em hibernação por 14 dias, e sua temperatura só foi normalizada quando não havia mais hemorragia no cérebro. A paciente sobreviveu ao procedimento; mas correndo risco considerável.
No espaço, o resfriamento corporal teria de ser mantido por muito mais tempo – o ideal seria 200 dias seguidos de hibernação, cobrindo a maior parte do percurso até Marte. “Na natureza, existem animais que suportam períodos longos, de vários meses. Em humanos, ainda não sabemos quais as consequências do torpor induzido por mais de duas semanas”, admite John Bradford, presidente da SpaceWorks.
Por isso, a primeira meta é mais modesta. O projeto prevê que todos os astronautas se revezem em períodos de hibernação de 8 a 14 dias, para que nenhum deles ultrapasse o período já estudado pela ciência. Essa estratégia também garante que sempre haja algum humano acordado e consciente a bordo, o que seria útil em caso de pane nos computadores que controlam a hibernação ou se algum astronauta passar mal durante o estado de torpor – o que pode acontecer. A diminuição da circulação sanguínea, por exemplo, pode provocar embolias (obstrução dos vasos sanguíneos que pode levar à morte). A hibernação reduz a atividade dos glóbulos brancos, deixando o astronauta mais vulnerável a infecções – inclusive porque ele está em situação de risco, com agulhas e cateteres espetados por todo o corpo. As alterações no metabolismo podem provocar hipoglicemia e matar. E, mesmo com a gravidade artificial gerada pela rotação da nave, a falta de atividade física pode provocar atrofia muscular.
Para cada um desses problemas, existe uma resposta. O risco de embolia, por exemplo, pode ser reduzido com injeções regulares de heparina, uma substância que ajuda a dissolver coágulos. É possível prevenir infecções limpando bem os equipamentos ligados aos corpos dos astronautas. Já a atrofia pode ser evitada aplicando choques elétricos de baixa intensidade nos músculos, para mantê-los devidamente tonificados. Mas ninguém sabe quão bem tudo isso funcionaria na prática, nem como os astronautas se sentiriam ao despertar.
Não é agradável voltar da hibernação. Os animais que a praticam costumam acordar extremamente cansados, tendo a necessidade de voltar a dormir logo em seguida. No habitáculo da SpaceWorks, a estratégia seria aumentar a temperatura gradualmente e cortar aos poucos o fornecimento do RhinoChill. O processo seria ainda mais lento do que o resfriamento, podendo levar até oito horas.
Mas, mesmo que todos os aspectos fisiológicos sejam controlados, a questão psicológica continuará uma incógnita. Até hoje, todos os humanos submetidos à hibernação forçada estavam muito doentes, à beira da morte. Não dá para saber como um astronauta saudável e plenamente lúcido reagiria ao processo. Só mesmo testando na prática. E há um grande incentivo para isso. Com a hibernação, viagens espaciais longas se tornariam mais viáveis – e a humanidade poderia ir mais longe.

A economia de recursos
Dependendo da posição da Terra e de Marte em suas trajetórias em torno do Sol, a distância entre os dois planetas varia de 55 a 401 milhões de quilômetros. Se iniciada no momento certo, quando os planetas estão mais próximos um do outro, a ida levaria seis a oito meses. Somando o tempo na superfície do planeta mais o tempo da volta, uma missão poderia levar quase dois anos. Isso significa que a nave precisaria levar grande quantidade de combustível e suprimentos – e pesaria no mínimo 300 toneladas, contra as 120 toneladas das missões à Lua. E é aí que a hibernação entra. Ela permite viajar com muito menos coisas, em naves bem menores e mais leves.
Na Estação Espacial Internacional, os astronautas dormem em cabines com sacos de dormir presos às paredes. Não é nenhum luxo. Mas parece uma mansão perto do “habitáculo” imaginado pela SpaceWorks, que é 75% menor, pesa 50% a menos, e também gasta menos energia: precisa de apenas 30 kW para se manter, contra 50 kW das cabines da ISS. Além disso, seu consumo de oxigênio é 75% menor, e o de água é 50% mais baixo.
Essas contas batem com as estimativas da European Space Agency (ESA), que em 2018 publicou um artigo sobre hibernação espacial. Segundo a agência, o uso dessa técnica numa missão a Marte reduziria em 42,5% a quantidade total de suprimentos necessários e também ajudaria a proteger os astronautas da radiação cósmica, que pode causar câncer e é um problema sério em missões longas. “Estudos em animais mostraram que a hibernação aumenta a proteção contra radioatividade”, afirma a ESA. Isso supostamente acontece porque a hibernação desacelera a reprodução celular (que é vulnerável a mutações causadas por radiação).
A SpaceWorks se diz pronta. “Poderíamos começar a operar em pouco tempo, enviando missões para Marte com quatro a seis integrantes”, afirma John Bradford. A empresa jura que seu sistema de hibernação poderia manter seis pessoas no espaço por até 900 dias com apenas 1,6 tonelada de alimentos e medicamentos, contra as 13,1 toneladas necessárias numa cápsula comum. Ela também estuda cenários ainda mais radicais. Em 2015, apresentou um protótipo de 10×8,5 metros, que seria capaz de transportar 48 astronautas numa eventual missão de colonização.
Mas a Nasa vê a ideia com cautela. Em 2015, o biólogo Yuri Griko, que dirige o departamento de biociências da agência, pediu para fazer uma experiência (ele queria fazer voos experimentais com animais em hibernação), e não obteve autorização. Em 2016, a Nasa assinou um novo contrato com a SpaceWorks para que a empresa continue as pesquisas – mas não permitiu que ela realizasse um teste de hibernação forçada em porcos, como desejava. Ou seja: a hibernação espacial vai demorar. Mas pode se tornar realidade um dia. E atravessar o Sistema Solar sem sentir, com a leveza de quem acaba de acordar, terá deixado de ser apenas um sonho.

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13.972 – Neurociência – Chegaram os Chips Cerebrais


chip cerebral
“A startup Kernel, fica localizada num modesto escritório em Venice Beach, na Califórnia, mas tem grandes pretensões. É nela que uma equipe de cientistas, liderada pelo empreendedor de tecnologia Bryan Johnson, de 38 anos, trabalha para criar um micro chip para ser implantado no cérebro humano.”
“A inovação, segundo o grupo, é capaz de estimular a inteligência, potencializar a memória e melhorar as capacidades cognitivas de qualquer pessoa. Para Johnson, o chip garantiria à mente humana condições de acompanhar o ritmo da evolução dos computadores e da inteligência artificial.”
“De início, a tecnologia quer auxiliar pessoas com problemas neurológicos decorrentes do Alzheimer, Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou traumatismo craniano. Mas, em pouco tempo, pode revolucionar a história da saúde mental. “Nossa inteligência está cercada pela artificial e isso vai levar a uma degeneração cada vez mais expressiva do nosso cérebro. É uma questão de manter as pessoas na frente, à medida que a tecnologia avança”, defende Johnson.

O funcionamento
A tecnologia trabalha por meio de um software instalado no chip, que melhora a comunicação entre as células cerebrais. Em pouco tempo, o sistema avalia o que é reconhecido como um código saudável e dissemina a informação por meio de pulsos elétricos.
As doenças do cérebro tendem a confundir o processo de conversão de experiências recentes em memória de longo prazo. A função do chip é copiar e estimular os sinais elétricos que ocorrem quando as células sadias se comunicam entre si.
De acordo com avaliações recentes, os “chips de Berger” melhoraram a capacidade intelectual de ratos e macacos submetidos a testes. A ideia é inspirada por um trabalho bastante sólido desenvolvido pelo engenheiro biomédico Theodore Berger. Ele dirige o Centro de Engenharia Neural da Universidade do Sul da Califórnia e também o departamento de ciências da Kernel. Há mais de duas décadas, se dedica à criação de chips para pessoas que sofrem com doenças cerebrais. Estatísticas indicam que elas atingem um a cada nove adultos com mais de 65 anos.
Apesar de avançada, a novidade ainda leva alguns anos para ser fabricada e mais tempo ainda para ser democratizada. Para Johnson, a demora não é um problema. Pelo menos não por preocupações financeiras. Em 2013, ele vendeu por US$ 800 milhões sua última startup, a Braintree, para a empresa de meios de pagamento PayPal.

Inovações
Bryan Johnson é um dos empreendedores que defende que o Vale do Silício pode financiar descobertas científicas em larga escala capazes de melhorar a vida de milhões de pessoas.
Por lá, é cada vez maior o número de pessoas que acreditam que máquinas inteligentes ainda vão permitir que carros se locomovam sem motorista e que sistemas de lojas deduzam as necessidades dos compradores antes mesmo de o pedido ser feito.
Companhias que buscam reprogramar DNAs ou identificar tumores com base em análises sanguíneas, por exemplo, também têm suas ideias cada vez mais consideradas. Mais exemplos curiosos ficam por conta da Thync – cuja criação foi um fone de ouvido que envia impulsos elétricos ao cérebro e melhoram o humor – e a Nootrobox, que fabrica suplementos mastigáveis com ingredientes de chá verde e cafeína que acalmam.”