13.995 – Saiba mais sobre a Páscoa no ☻Mega


pascoa
Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera. A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade. A palavra “páscoa” – do hebreu “peschad”, em grego “paskha” e latim “pache” – significa “passagem”, uma transição anunciada pelo equinócio de primavera (ou vernal), que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março e, no sul, em 22 ou 23 de setembro.

A páscoa judaica (em hebraico פסח, ou seja, passagem) é o nome do sacríficio executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (Chag haMatzot). Geralmente o nome Pessach é associado a esta festa também, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egito, conforme narrado no livro de Êxodo.

A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas tem um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel no Egito, no Cristianismo a Páscoa representa a morte e ressurreição de Jesus (que supostamente aconteceu na Pessach) e de que a Páscoa Judaica é considerada prefiguração, pois em ambos os casos se celebra uma “libertação do povo de Deus”, a sua passagem da escravidão (do Egito/do pecado) para a liberdade.

De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa.
Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.

Estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los para os seus amigos e aliados.

Por que o ovo de Páscoa?
O ovo é um destes símbolos que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida.

Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” aparece depois de um período de caos.

Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “Sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra – simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema.

O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang).
Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.
Na tradição cristã, o ovo aparece como uma renovação periódica da natureza. Trata-se do mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano. E mais: um ovo posto na sexta-feira santa afasta as doenças.

Por que o Coelho de Páscoa?

coelho
Coelhos não colocam ovos, isto é fato! A tradição do Coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?
No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.
Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas! Assim, os coelhos são vistos como símbolos de renovação e início de uma nova vida. Em união com o mito dos Ovos de Páscoa, o Coelho da Páscoa representa a renovação de uma vida que trará boas novas e novos e melhores dias, segundo as tradições.

Outros símbolos da Páscoa
O cordeiro é um dos principais símbolos de Jesus Cristo, já que é considerado como tendo sido um sacrifício em favor do seu rebanho. Segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo é “sacrificado” durante a Páscoa (judaica, obviamente). Isso pode ser visto como uma profecia de João Batista, no Evangelho segundo João no capítulo 1, versículo 29: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo”.
Paulo de Tarso (na primeira epístola a Coríntio no capítulo 5, versículo 7) diz: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.“
Jesus, desse modo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus (em latim: Agnus Dei) que supostamente fora imolado para salvação e libertação de todos do pecado. Para isso, Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado. Assim, a partir daquela data, o Pecado Original tecnicamente deixara de existir.
cruz_ominiatura.jpgA Cruz também é tida como um símbolo pascal. Ela mistifica todo o significado da Páscoa, na ressurreição e também no sofrimento de Jesus. No Concílio de Nicea em 325 d.C, Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então, ela não somente é um símbolo da Páscoa, mas o símbolo primordial da fé católica.
O pão e o vinho simbolizam a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos, conforme é dito no capítulo 26 do Evangelho segundo Mateus, nos versículos 26 a 28: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.“

Por que a Páscoa nunca cai no mesmo dia todos os anos?
O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicea em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária – conhecida como a “lua eclesiástica”).
A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.
Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a seqüência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”. De fato, a seqüência exata de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.

Tabela com as datas da Páscoa até 2020
2000: 23 de Abril (Igrejas Ocidentais); 30 de Abril (Igrejas Orientais)
2001: 15 de Abril
2002: 31 de Março (Igrejas Ocidentais); 5 de Maio (Igrejas Orientais)
2003: 20 de Abril (Igrejas Ocidentais); 27 de Abril (Igrejas Orientais)
2004: 11 de Abril
2005: 27 de Março (Igrejas Ocidentais); 1 de Maio (Igrejas Orientais)
2006: 16 de Abril (Igrejas Ocidentais); 23 de Abril (Igrejas Orientais)
2007: 8 de Abril
2008: 23 de Março (Igrejas Ocidentais); 27 de Abril (Igrejas Orientais)
2009: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais)
2010: 4 de Abril
2011: 24 de Abril
2012: 8 de Abril (Igrejas Ocidentais); 15 de Abril (Igrejas Orientais)
2013: 31 de Março (Igrejas Ocidentais); 5 de Maio (Igrejas Orientais)
2014: 20 de Abril
2015: 5 de Abril (Igrejas Ocidentais); 12 de Abril (Igrejas Orientais)
2016: 27 de Março (Igrejas Ocidentais); 1 de Maio (Igrejas Orientais)
2017: 16 de Abril
2018: 1 de Abril (Igrejas Ocidentais); 8 de Abril (Igrejas Orientais)
2019: 21 de Abril (Igrejas Ocidentais); 28 de Abril (Igrejas Orientais)
2020: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais)
No final das contas, a páscoa é mais um rito de povos antigos, assimilado pela Igreja Cristã de modo a impor sua influência. Substituindo venerações à natureza (como no caso da Lua ou do Equinócio, tipicamente pagãs) por uma outra figura da mitologia, tomando os siginificados do judaísmo, os símbolos celtas e fenícios, remodelando mediante os Evangelhos e dando uma decoração final, criou-se um “ritual colcha de retalhos”.

13.979 – Borracha rupestre Extraída no Parque Nacional da Serra da Capivara


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A maniçoba, árvore típica da caatinga, produz um látex de grande qualidade. Além de pneus, até meados do século XX sua borracha natural era usada para produzir luvas cirúrgicas por conta de seu potencial de evitar rejeição durante operações. Entre 1900 e 1940, famílias de diversas localidades do Nordeste brasileiro foram ganhar a vida na extração de maniçoba, em uma região do Piauí onde hoje está o Parque Nacional da Serra da Capivara, declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco e maior sítio arqueológico da América Latina. Imerso em uma crise financeira que se estende há anos, o parque inaugurou recentemente a Trilha Caminho dos Maniçobeiros, com o objetivo de preservar a memória desses trabalhadores em diálogo com os vestígios pré-históricos. O circuito turístico inclui visita aos locais em que essas famílias costumavam habitar: abrigos formados por paredes de taipa (pedra, paus e barro amassado) e tocas de rocha adaptadas para moradia. Muitos deles ainda preservam inscrições rupestres, algumas feitas há 50 mil anos. O Caminho dos Maniçobeiros tem aproximadamente 20 quilômetros de extensão. Começa na Guarita da Serra Branca e o trajeto pode ser feito de carro ou ônibus até o Sítio Igrejinha, tendo o visitante que seguir a pé pela estrada e pelas trilhas abertas na mata de caatinga. Há locais sinalizados com árvores de maniçoba e muitas tocas onde vestígios rupestres e dos maniçobeiros se misturam. O modo de vida e trabalho dos maniçobeiros começou a ser investigado, na década de 1970, por pesquisadores da Fundação Museu do Homem Americano (Fundham), que administra o Parque da Serra da Capivara. A arquiteta Elizabete Buco, pesquisadora da Fundham, ressalta a importância da preservação dessa memória: “Resolvemos tirar do papel e mostrar o que o parque ainda guarda sobre esses homens que faziam das tocas suas moradias, convivendo com vestígios arqueológicos, reocupando a área e construindo um novo espaço, com novos simbolismos e manifestações culturais”. Naquele período, a extração do látex de maniçoba no Nordeste só perdia em quantidade para os seringais da Amazônia. Ainda assim, “a demanda era tão grande que o governo brasileiro incentivava a extração e o cultivo de toda árvore que produzisse borracha”, observa Ana Stela de Negreiros Oliveira, pesquisadora do Iphan no Piauí. Os maniçobeiros extraíam látex de forma diferente: enquanto na seringueira as incisões eram feitas no tronco da planta, na maniçoba o látex era retirado da raiz, com auxílio de um instrumento pontiagudo criado por eles, a léga. Mas as relações de trabalho de seringueiros e maniçobeiros se assemelhavam: eram ambos explorados ao contrair dívidas com seus patrões, que monopolizavam o acesso a produtos alimentícios. Isto explica por que as famílias utilizavam os abrigos pré-históricos como moradias.

capivara aeroporto

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13.971- Linguística – Qual a língua mais antiga?


sumerio
O sumério foi uma das primeiras línguas escritas conhecidas. O seu sistema de escrita, chamado cuneiforme (que significa “em forma de cunha”), foi mais tarde também usado para as línguas acadiana e também adaptado a línguas indo-europeias como o hitita (que também era escrito com um sistema hieroglífico, tal como faziam os egípcios) e o persa antigo, muito embora esta última língua se limitasse a usar os mesmos instrumentos de escrita e as formas das letras não tivessem relação com as do cuneiforme.
A escrita era do tipo semanto-fonética com símbolos fonéticos para sílabas e também logogramas que representavam palavras inteiras. A direção da escrita era variável. Textos mais antigos se apresentavam em colunas verticais. mas por volta de 3.000 a.C a direção mudou para horizontal da esquerda para a direita. Nessa época os símbolos foram girados em 90º sentido anti horário e passaram a ser simplificados sendo formados somente por cunhas e traços.
Inicialmente havia até cerca de mil símbolos, quantidade que caiu para cerca de 400, depois para 255, que eram 8 para vogais, 98 sílabas de vogal+consoante e 149 de consoante + vogal; Um mesmo símbolo poderia ter diferentes pronúncias. Houve 5 períodos para essas simbologia com aletrações nos anos de 3000 a.C – 2800 a.C – 2500 a.C – 1800 a.C – 600 a.C.
O sumério era aglutinante e fazia grande uso da composição. Por exemplo, as palavras para grande e homem eram compostas para formar a palavra para rei, “lugal”.
O sumério é uma língua ergativa. Isto significa que o sujeito de uma frase, que obtém um objecto directo, está no chamado caso ergativo, que se marca com a posposição -e. O sujeito de um verbo intransitivo é “marcado” com um absolutivo, que não é escrito: por exemplo, lugal-e e2 mu-dru3 “o rei construiu a casa”; lugal ba-gen “o rei foi”.

13.970 – A Inovação da arquitetura Gótica


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No período final da chamada Idade Média, por volta do final do século XII, um novo estilo arquitetônico surgiu no norte do continente europeu, mais precisamente no norte da França: a arquitetura gótica. Caracterizada pela suntuosidade das construções, ligada ao caráter religioso do estilo, a arquitetura gótica expandiu-se para grande parte do continente nos séculos posteriores.
A arquitetura gótica foi desenvolvida a partir das construções do estilo românico, muito difundido anteriormente. A arquitetura românica caracterizava-se por abóbodas arredondadas sustentadas por arcos semicirculares. Em razão dessas características, as construções românicas necessitavam de pesadas e grandes estruturas para manterem-se de pé. Os grossos pilares de pedras garantiam essa sustentação, mas limitavam a altura das construções e dificultavam a entrada de luz, em decorrência da necessidade de manter as paredes.
Para superar essa limitação, os arquitetos normandos que inicialmente desenvolveram a arquitetura gótica desenvolveram uma técnica que tornava mais leves as estruturas. Note-se que tais estilos arquitetônicos foram desenvolvidos principalmente para a construção dos templos religiosos católicos. No caso da arquitetura gótica, as construções ocorreram principalmente nas catedrais, as igrejas próprias dos bispos (cathedra significa trono do bispo).
Diferentemente da arquitetura românica, os arquitetos do estilo gótico desenvolveram as abóbodas ogivais, o que dava uma maior dimensão às naves centrais e laterais das catedrais. Para sustentá-las, foram construídos arcos de sustentações das abóbadas não em formato de semicírculo, mas sim arcos ogivais, formados a partir da junção de dois seguimentos de círculos. Tal inovação possibilitou aumentar a altura das construções, já que a técnica permitia uma maior flexibilidade de tamanho.
Para sustentar esses arcos, as grandes colunas de sustentação não eram mais necessárias. Era possível conseguir a sustentação com colunas mais finas, formadas por nervuras e feixes de pedra que davam uma maior sensação de leveza à construção. Além dessas estruturas de sustentação mais leves, foram desenvolvidos os chamados arcobotantes nas paredes externas, utilizados para sustentar o peso da abóboda da nave central por sobre os tetos das naves laterais.
Tais inovações permitiram retirar grande parte das paredes laterais e trocá-las por janelas que eram adornados com belíssimos vitrais. Essa medida permitia ainda a entrada de luz no ambiente, dando um novo aspecto aos templos religiosos, principalmente por entrar não apenas a luz branca do sol, mas também outras cores decorrentes da passagem pelos vidros. Outro vitral característico das catedrais góticas eram as rosáceas colocadas por sobre os portões de entrada dos templos.
Esculturas também foram construídas e colocadas nos pórticos das catedrais. As esculturas diferiam das esculturas do estilo românico por não serem tão sólidas, mas sim por ganharem vida.
A altura e suntuosidade das construções imprimiam uma noção de diminuição do ser humano nesses locais. As torres com uma maior projeção vertical serviam também como reverência a Deus, pois se direcionavam aos céus. Algumas das construções tinham o formato da cruz latina, perceptível a partir de uma vista superior da edificação.
A primeira catedral gótica foi a de Saint-Denis, na França. A mais famosa é a catedral de Notre-Dame, em Paris. O termo gótico foi cunhado possivelmente por Giorgio Vassari (1511-1574), durante o Renascimento, como uma forma pejorativa para comparar com o estilo clássico. O gótico era considerado um estilo bárbaro, “monstruoso”, cujo nome era derivado dos godos. Porém, a partir do século XVIII, houve um processo de reavaliação do estilo, inicialmente na Inglaterra e posteriormente na França, Alemanha e Itália.

Catedral notredame
A catedral é patrimônio cultural da humanidade, elegida pela UNESCO

13.969 – História – Renascimento Urbano medieval


segovia
A Idade Média europeia foi marcada por uma organização social e econômica predominantemente rural. As invasões bárbaras do século V levaram ao declínio das cidades do Império Romano, aumentando a importância dos campos para a habitação e produção econômica. Essa situação iria mudar a partir do século XI quando teve início o chamado Renascimento Urbano.
A ruralização da sociedade medieval não significou a extinção das cidades. Apenas resultou na diminuição de sua importância no conjunto da sociedade, mudando ainda seu caráter se comparadas às funções desempenhadas pela cidade durante a Antiguidade romana.
A cidade medieval – também conhecida como burgo – até o século XI era, de certa forma, uma extensão do mundo senhorial. Por se localizarem em terras que eram dominadas por um senhor, as cidades estavam sujeitas a seu poder. Além disso, habitavam as cidades principalmente os nobres, reis, bispos e comerciantes, mostrando que era também espaço de concentração do poder político e religioso. Geralmente ao centro das cidades encontravam-se mercados e igrejas.
Os senhores conseguiam exercer influência sobre as cidades ao enviar os excedentes da produção agrícola das terras sob seu domínio e comercializá-los nesse espaço urbano. Estabeleciam ainda relações de dependência entre si e o conjunto dos moradores das cidades, principalmente através da cobrança de tributos.
A partir do século XI, teve início uma expansão do comércio em decorrência das Cruzadas e da acumulação de excedentes agrícolas. Esses excedentes foram possibilitados pelas inovações técnicas adotadas na agricultura, como a charrua, novas formas de atrelamento dos animais ao arado e também com a adoção da rotação de cultura. Dessa forma, o comércio com o Oriente possibilitado pelas Cruzadas e as trocas de excedentes levaram paulatinamente as cidades a crescerem de importância no mundo feudal.
Para realizar as transações comerciais foram criadas feiras, dais quais se destacaram a de Champagne e de Brie, na atual França. Por serem fortificadas e se localizarem próximas às rotas de comércio, as cidades eram consideradas locais seguros, principalmente para manter as estruturas bancárias necessárias à realização dos negócios. Uma classe de comerciantes foi se formando internamente aos burgos e também enriquecendo, dando origem aos burgueses.
Por outro lado, foram se formando grupos de artesãos que também vendiam sua produção nas feiras. Eles passaram a se organizar nas corporações de ofício, que eram organizações que reuniam pessoas que exerciam a mesma profissão. Dentro das corporações havia uma rígida divisão, tendo ao cimo o mestre-artesão, abaixo dele estavam os jornaleiros e, por fim, os aprendizes. Havia regras na adoção das técnicas de produção que buscavam uniformizar as formas de trabalho e os próprios produtos, criando, dessa forma, uma tradição de produção. Era papel do mestre-artesão garantir o cumprimento dessas regras.
Com o aumento de sua importância econômica, as cidades foram se expandindo. Mais pessoas passaram a morar nas cidades, resultando na ampliação dos muros que demarcavam seus limites. Porém, esse crescimento gerou uma grande aglomeração de pessoas para os números da época. Paris chegou a ter cerca de 100 mil habitantes no período, número considerável se for levado em consideração o fato das demais cidades não chegarem a ter mais de 20 mil habitantes.
Mas não havia práticas de salubridade nesses burgos. O saneamento básico, como o conhecemos hoje, não existia, tornando as cidades um local propício à propagação de epidemias. Foi o que ocorreu no século XIV, quando as pulgas infectadas pela bactéria Yersinia pestis foram transportadas por roedores e peles de animais do Oriente para as cidades europeias. As pulgas infectadas pela bactéria, ao picarem os seres humanos, transmitem a peste bubônica. Nas condições insalubres das cidades europeias, a peste bubônica transformou-se em uma epidemia que dizimou cerca de um terço da população europeia.
As cidades sobreviveram à peste negra, outro nome dado à epidemia. O patriciado que controlava politicamente os burgos fortaleceu-se com o desenvolvimento urbano, gerando uma crescente autonomia frente aos senhores feudais. A comuna eram as cidades que se tornavam livres e organizavam-se a partir de relações distintas das que caracterizavam a dependência dos senhores da nobreza rural.
Essas diferenças foram se tornando maiores ao longo do tempo e opondo a burguesia urbana à nobreza rural. Tal situação iria se resolver apenas ao fim da Idade Moderna, quando a burguesia já havia acumulado um considerável poder econômico para também se impor politicamente à nobreza.

13.939 – História – Fronteira em pé de guerra


guerra venezuela
O alarme soou para as autoridades da Capitania do Rio Negro quando receberam uma correspondência do principal líder da guerra de independência na Província de Guayana, do lado espanhol da fronteira: era uma ameaça direta de invasão militar. Na carta, o comandante José Antonio Paez deixava claro que iria comandar uma milícia de 4.500 guerrilheiros com farta munição contra o território vizinho, o que levaria à eclosão de uma guerra entre os independentistas da Venezuela e o Império português, naquele início de 1818.
O principal motivo da irritação de Páez era a prisão de um oficial espanhol, D. Francisco Orosco, pela autoridade portuguesa da fronteira, na Fortaleza de São José de Marabitanas. Na visão do chefe militar venezuelano, a medida era inaceitável porque feria a política de neutralidade estabelecida entre as monarquias espanhola e portuguesa, cujo ponto principal era a não interferência de parte a parte em caso de conflitos externos.
A guerra passava a ser uma forte possibilidade na fronteira do rio Negro amazônico, no conturbado momento de guerras de independência em diversos pontos da América espanhola, como a Venezuela, o Novo Reino de Granada (atual Colômbia) e a Banda Oriental do Rio da Prata (atual Uruguai).
Nos extremos da América do Sul, a diplomacia estabelecida entre os Impérios português e espanhol desde 1808 seguia dois direcionamentos: o primeiro ligado à conjuntura internacional, em que se destacava a guerra entre os impérios britânico e francês; o segundo ligado à conjuntura americana, na qual as disputas por territórios se davam em torno das demarcações das fronteiras. Os portugueses aproveitaram o contexto de envolvimento dos impérios europeus nas guerras de independência para conduzir uma política de expansão territorial em direção aos domínios coloniais que pertenciam aos seus inimigos diretos: a França e a Espanha. Longe da Europa, centro nervoso dos conflitos mais significativos, a monarquia portuguesa já instalada no Brasil obteve sucesso na anexação de Caiena, sede do governo da Guiana Francesa, em 1809, comemorada como uma vitória sobre Napoleão Bonaparte, depois que este ordenou a invasão de Lisboa, levando à retirada humilhante da Corte imperial portuguesa para a América. Também recuperou militarmente a cidade de Montevidéu, sede da Banda Oriental, em 1817.
A agressividade da carta de Páez e sua ameaça de ocupação eram avisos de que essa postura expansionista portuguesa não seria tolerada pelos revolucionários venezuelanos, especialmente por seu principal líder, Simon Bolívar. Para evitar a guerra com Portugal, a diplomacia de Bolívar apresentou uma proposta de relacionamento baseada em seis pontos: reconhecerem-se como nações e respeitarem-se mutuamente; estabelecer a paz e os direitos civis entre ambos; não permitir a circulação de tropas inimigas; manter as relações comerciais nas regiões limítrofes; não acolher desertores do outro lado da fronteira; não aceitar criminosos de parte a parte. Os venezuelanos pretendiam forçar o reconhecimento da legitimidade da luta independentista de Bolívar e da própria República e, ao mesmo tempo, evitar interferências da monarquia portuguesa em seus negócios internos, assim como uma possível expansão territorial no rio Negro. A política da boa vizinhança seria o caminho para lidar com o que Bolívar considerava ser a mais forte e perigosa nação da América do Sul.
A proposta diplomática na fronteira amazônica gerou um problema para as autoridades portuguesas do Rio Negro: ela foi aceita pelo comandante de Marabitanas, Pedro Miguel Ferreira Barreto, mas rejeitada pelos principais dirigentes do extremo-norte da América portuguesa: os governadores do Estado do Grão-Pará e Rio Negro, José Narciso de Magalhães e Meneses (conde de Vila-Flor), e da Capitania do Rio Negro, Manoel Joaquim do Paço. Para eles, a política de boa vizinhança poderia levar ao envolvimento de Portugal na guerra de independência venezuelana, prejudicando a posição da monarquia lusitana na diplomacia internacional, principalmente em relação à Espanha. Melhor caminho seria a neutralidade formal. Consideravam que os conflitos do lado espanhol eram rebeliões contra a monarquia católica, e não guerras legítimas de independência. Qualquer contato com essas insurreições poderia gerar mais contestações também do lado português, porque elas espalhavam ideias consideradas subversivas, originadas da revolução da América do Norte (1776-1783) e da Revolução Francesa (1789-1799), que já tinham atingido Pernambuco em 1817.
O recebimento da proposta de Bolívar pelo comandante da fronteira em Marabitanas foi encarado como uma quebra de hierarquia: Ferreira Barreto teria que se reportar aos seus superiores para só depois se posicionar diante dos rebeldes. Um processo formal foi aberto para saber se houve falta de patriotismo no trato com os insurgentes venezuelanos, mas sua inocência foi atestada e a investigação arquivada.
A atitude de Ferreira Barreto estava relacionada a uma diplomacia transfronteiriça. Embora a política a ser seguida pelos dirigentes fronteiriços devesse obedecer às regras ditadas pelas altas autoridades do Império português, na prática, boa parte de suas ações estava pautada nas dinâmicas sociais, econômicas e políticas existentes nas localidades. Nas fronteiras imperiais portuguesas, como nas de qualquer Estado, havia um cotidiano de vínculos entre as comunidades de ambos os lados, com os quais os comandantes militares tinham que lidar. Quando Ferreira Barreto assumiu o cargo de comandante de Marabitanas, em 1816, encontrou complexas atividades dependentes do trânsito de pessoas, de produtos e de informações que não podia ser impedido porque interferia nos costumes e nas estratégias de sobrevivência dos povos da região.
Os moradores das povoações de Marabitanas e São Gabriel da Cachoeira mantinham atividades comerciais com habitantes da ampla região hispano-americana do Alto Orinoco e Rio Negro. A movimentação servia para abastecer mutuamente essas comunidades com produtos diversos – cavalos, cacau, tabaco, roupas e gêneros da floresta, muito utilizados pelo grande número de indígenas da região, como o breu, o ingá-chichica e a chica ou piranga. Dessas regiões também era extraída grande quantidade de madeiras para as fábricas reais de construção de embarcações, que faziam parte de rotas de comércio entre as capitanias do Rio Negro, Grão-Pará, Mato Grosso, Maranhão e Piauí, fundamentais para o Império português na América.
Ao administrarem essa realidade, as autoridades de fronteira inevitavelmente se inseriam nas mesmas circulações transfronteiriças. Com Ferreira Barreto não foi diferente. O comandante mantinha negócios pessoais com o lado hispano-venezuelano, participando ativamente dos negócios de compra e venda de salsa, cera, mel e outros gêneros da floresta apreciados pelos moradores da Guayana. Esse contato proporcionou-lhe alguma riqueza e diversas amizades com negociantes, moradores e até mesmo autoridades militares do lado espanhol, fossem estas adeptas dos monarquistas ou dos republicanos. Condição semelhante tinham os comandantes do outro lado, como D. Francisco Orosco, preso e enviado para o lado luso-americano em grande medida por perseguir negociantes do Alto Orinoco e não pagar suas dívidas com eles.
Apesar da tensão criada pelo independentista José Antonio Paéz, os ânimos foram acalmados pelos próprios comandantes fronteiriços. A guerra não era desejada por nenhum dos dois lados, pois quebraria a política de neutralidade assumida entre as monarquias de Portugal e Espanha, e mexeria com os negócios lucrativos das autoridades locais de ambas as partes. Todos concordaram em pelo menos um ponto: a guerra levaria a uma crise de grandes proporções para as populações da fronteira, principalmente os indígenas, que historicamente estabeleciam suas estratégias de sobrevivência a partir do equilíbrio de forças baseado nas mútuas relações de produção e de comércio.
Longe da visão tradicional de linha divisória que demarca o fim de um território nacional no mapa, as fronteiras são “zonas de contato” e de movimento constante. Obedecem mais às práticas sociais dos habitantes do que às normas instituídas pelos governos. É assim no presente, foi assim no passado.

13.935 – Preso no passado ou aberto ao futuro? Socialismo Permanece Ainda como Alternativa contra o Capitalismo Selvagem


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Em certo momento, a alternativa socialista parecia invencível, destinada à vitória universal. Não foi o que aconteceu. Ao contrário: o socialismo, embora ainda vivo, está moribundo. Pode-se considerá-lo uma perspectiva, uma experiência aberta para o futuro da humanidade?
O socialismo contemporâneo surgiu na esteira das revoluções americana e francesa, em fins do século XVIII. “Todos os homens nascem livres e iguais e têm o direito de lutar pela felicidade” – a frase revolucionária suscitou um tsunami político e social. Entretanto, permaneceram as desigualdades sociais, de gênero e a escravidão. Milhões de seres humanos continuaram sendo considerados inferiores, destinados a serem “civilizados” ou vítimas de genocídio, como aconteceu com os povos nativos da América, da África e da Ásia. À aristocracia do sangue, fundada na hereditariedade, sucedeu uma outra, burguesa, baseada na propriedade privada dos bens de produção. Foi da esperança de vencer a burguesia que nasceu o socialismo.
Mas nem todos os socialistas defendiam as mesmas propostas. Surgiram duas grandes vias, a da revolução e a da reforma, embora não houvesse muralhas intransponíveis entre elas. Na perspectiva revolucionária, os privilegiados haveriam de resistir pela força, e somente por ela seriam vencidos. A partir daí, bifurcavam-se novamente os caminhos. Para uns, como Mikhail Bakunin (1814-1876), tratava-se de incentivar a mudança social. Ela viria como uma “destruição criadora”, suscitando a Anarquia, uma ordem baseada na inexistência do Estado. Em outro registro, defendido por nomes como Gracchus Babeuf (1760-1797) e Auguste Blanqui (1805-1881), propunha-se uma organização clandestina capaz de, num momento de convulsão social, tomar o Estado e transformar a sociedade através de uma ditadura revolucionária. Com o tempo, as liberdades seriam estendidas a todos.
A perspectiva reformista não acreditava na eficácia da violência: as ideias socialistas avançariam devagar, ganhando as consciências. As lutas sindicais e a universalização do voto ocupariam um lugar central. A primeira demonstração desta proposta foi o Movimento Cartista, na Inglaterra, nos anos 1840.
Em 1848, uma onda revolucionária percorreu a Europa, suscitando as questões da independência nacional, da democracia e do socialismo. Surgiu, então, uma nova tendência, liderada por Karl Marx (1818-1883). Compartilhava a ideia da violência e da tomada do poder do Estado para aplicar o programa revolucionário, mas apresentava uma novidade: considerava-se portadora de um novo tipo de socialismo, científico. A associação entre ciência e política tinha uma evidente lógica autoritária, mas isto só se tornaria claro mais tarde.
Naquele momento, explicitou-se o caráter internacional do capitalismo, da burguesia triunfante e de sua ideologia, o liberalismo. O socialismo também definia-se como internacional. Em 1864, formou-se a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), que durou pouco tempo, minada pelas querelas entre Marx e Bakunin, pela repressão desencadeada após a derrota da Comuna de Paris, em 1871, e pela força do nacionalismo, que empolgava as camadas populares.
Nas últimas décadas do século XIX, o capitalismo internacional mudaria de patamar, através de uma grande revolução científica e tecnológica. Liderados pelos bancos (capitalismo financeiro), apareceram os grandes monopólios, concentrando imensos contingentes de trabalhadores. Surgiu o proletariado, que se tornaria a principal base social e política das propostas socialistas. Formaram-se partidos de massa, muitos referenciados nas ideias de Marx. Tratava-se de combinar, de forma original, reforma e revolução, lutas nacionais e articulação internacional, socialismo e democracia. Tomou corpo, então, a social-democracia, estabelecendo um sinal de igualdade entre as duas ideias: só haveria socialismo com democracia. À nova Internacional Socialista, fundada em 1889, caberia o papel de coordenar os diversos partidos nacionais.
Entretanto, a social-democracia foi capturada pelo nacionalismo e pelo reformismo. Sob sua liderança, os trabalhadores ganharam proteção social, direito de voto e liberdades democráticas, integrando-se como cidadãos às instituições políticas e sociais. Daí veio a concepção reformista de que o socialismo se imporia através de uma transição pacífica, por efeito da força crescente das organizações sindicais, das políticas social-democratas e das sucessivas crises econômicas geradas pelo capitalismo. O socialismo triunfaria nos centros capitalistas importantes – a Europa e os Estados Unidos – e depois se estenderia para o resto do mundo, sob a liderança do proletariado internacional e de suas organizações. A eventual irrupção de uma guerra apressaria o advento do socialismo, pois os partidos social-democratas se levantariam contra ela, realizando a esperada revolução.
A Primeira Grande Guerra, entre 1914 e 1918, dissolveria estas esperanças. Salvo exceções, os partidos proletários socialistas aderiram à defesa dos respectivos Estados nacionais. O internacionalismo e a revolução saíram do radar. No entanto, a partir de 1917, depois de milhões de mortos, começaram a eclodir revoltas entre trabalhadores e soldados, exigindo o fim do conflito. O processo tomou força na Rússia, que já era uma potência, ainda que essencialmente agrária. O desastre provocado pelo confronto alcançou ali proporções devastadoras, impulsionando a revolta social.
Em fevereiro de 1917, em Petrogrado, capital da Rússia, manifestações contra a autocracia e pelo fim da guerra levaram à queda do tsar. Instaurou-se um governo provisório e abriu-se uma conjuntura de efervescência social. Trabalhadores e soldados organizaram-se em conselhos, os sovietes. Camponeses formaram comitês agrários. As nações não russas oprimidas revoltaram-se. A convergência destes múltiplos movimentos ensejou uma outra revolução, em outubro. Vitoriosa em Petrogrado, estendeu-se pelo país.
Várias tendências socialistas participaram do processo, mas destacou-se uma ala do partido social-democrata russo: os bolcheviques, discípulos de Marx e liderados por Lenin (1870-1924) e Trotsky (1879-1940). Mais bem organizados, ousados e determinados, apostando que uma revolução vitoriosa na Rússia empolgaria o continente europeu, estabeleceram um novo governo, apoiado nos sovietes urbanos e nos comitês agrários. Seguiu-se uma guerra civil, entre 1918 e 1921, ao fim da qual venceram os revolucionários. Mas o país ficou inteiramente destruído e, para piorar, a experiência não se estendeu à Europa.
A revolução não surgiu onde os socialistas a esperavam – nos principais centros capitalistas, com fortes classes operárias, sindicatos, partidos socialistas de massa e tradições de liberdade. Venceu num país que, embora relativamente forte do ponto de vista militar, era ainda agrário e atrasado em relação às grandes potências europeias, arrasado pela guerra, sem valores democráticos e governado por um pequeno partido, centralizado e militarizado que, para se manter no poder, recorreu à ditadura revolucionária.
A certeza de que eram os únicos a ter a compreensão científica da História, combinada com tradições místicas do messianismo russo, fez dos bolcheviques uma eficiente e temível máquina política. Sem contar com apoio internacional, empreenderam, a partir de 1929, uma nova revolução, através do Estado e sob liderança de Joseph Stalin (1878-1953): pela violência, coletivizaram a terra, que fora distribuída pelas famílias camponesas depois da revolução, e industrializaram o país de maneira planificada, universalizando os serviços de educação e saúde. A ditadura revolucionária radicalizou-se, alcançando com prisões, deportações e execuções todos os que se opuseram (ou foram acusados de se opor) aos desígnios do Estado.
Ao longo dos anos 1930, enquanto os países capitalistas afundavam na crise econômica iniciada em 1929, a União Soviética conhecia um gigantesco desenvolvimento, tornando-se uma potência econômica e militar. A Segunda Guerra Mundial confirmaria esta mutação. O nazi-fascismo seria vencido por uma Grande Aliança, mas o papel da URSS foi decisivo, tendo ela suportado os maiores custos materiais e humanos provocados pelo conflito. Em 1945, no fim da guerra, era imenso o prestígio da União Soviética. Sua economia planificada inspirava políticas em todo o mundo. Muitos criticavam o Estado ditatorial, até entre os socialistas, mas havia no ar expectativas de aberturas democráticas.
A URSS já não se encontrava isolada: o socialismo estendera-se por quase um terço do mundo. Na Europa central, foi implantado pela ocupação dos exércitos soviéticos. No Extremo Oriente, as guerras nacionais camponesas, dirigidas pelos comunistas contra os exércitos japoneses, impuseram o socialismo na China, no norte da Coreia e do Vietnã. Repetia-se, numa escala mais vasta, o que já se verificara com a revolução russa: o socialismo aparecia num contexto de guerras, em sociedades agrárias e empreendido por ditaduras revolucionárias.
Seguiu-se, entre 1946 e 1991, a bipolarização do mundo, na chamada Guerra Fria. Nos anos 1970, a URSS parecia um ator incontornável nas relações internacionais. Mas já então se avolumavam críticas à sua economia: ineficiência, excessivo centralismo e estatismo, despesas militares exageradas. Do ponto de vista político, a ditadura perdia legitimidade. O socialismo ainda era capaz de mobilizar tanques e aviões, mas já não inspirava a própria população, sobretudo os jovens. A tentativa de autorreforma, nos anos 80, conduziu, de modo fulminante e inesperado, ao fim do socialismo soviético e à desagregação do país.
Era o fim de um ciclo. A China se afastou radicalmente do socialismo: a combinação que ali se efetua, entre capitalismo e dirigismo estatal, com a manutenção de uma rigorosa ditadura política, causa perplexidade e é um desafio à imaginação. O mesmo se verifica, em menor escala, no Vietnã, unificado em 1975, depois de uma longa e devastadora guerra. A Coreia do Norte é uma sinistra caricatura. E Cuba conserva sua independência muito mais pelas reservas nacionalistas de sua revolução do que pelas aspirações e pelos valores socialistas. O nacionalismo radical na África, no mundo muçulmano e na Ásia, perdendo o grande aliado, desagregou-se ou se orientou em outras direções, distantes das concepções inspiradas na experiência soviética.
O modelo socialista soviético está bem morto e é difícil imaginar sua ressurreição. Pela grandeza que chegou a assumir, sua derrocada provocou uma profunda crise de credibilidade nos valores socialistas, não apenas entre os adeptos, mas também entre os críticos.
Como aventura humana, porém, o socialismo não necessariamente se encerrou. Tem a seu favor as contradições agudas que o capitalismo continua a operar, evidenciando desigualdades gritantes e destrutivas. Elas são uma fonte recorrente de estímulo para que sejam pensadas alternativas que valorizem a igualdade e a liberdade.
Estão dadas as bases para pensar o socialismo como uma experiência aberta para o futuro da humanidade. Superadas as ilusões cientificistas, ela pode ser empreendida através da luta política, que é sempre imprevisível mas da qual os socialistas dependem para persuadir as gentes, democraticamente, a respeito da validade e da superioridade de suas propostas.
Neste sentido, continuam vigentes as referências das grandes revoluções de fins do século XVIII, quando esta aventura humana teve início. Se os homens não foram livres e iguais nos padrões do socialismo soviético, nunca poderão ser livres e iguais sob regimes capitalistas.

13.934 – Civilizações Antigas – O Povo Khmer


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Se alguém dissesse que o maior centro urbano construído no século XIX encontrava-se no Sudeste Asiático, poderíamos, no mínimo, suspeitar que isso era um mero despeito às crescentes nações capitalistas europeias que despontavam nesse período. Para derrubar tal desconfiança os estudos da Real Sociedade Geográfica Britânica lhe apresentariam a cidade de Angkor, principal centro da civilização khmer.
Formado por volta do século VIII, o império khmer chegou a dominar uma extensa região que envolvia os atuais territórios do Camboja, do Mianmar e Laos. Desenvolvendo-se em uma porção isolada do sudeste asiático, os khmer conseguiram a estabilidade necessária para o desenvolvimento de seus costumes e tradições ao longo dos séculos. Alguns conflitos eram deflagrados com os javaneses, que almejavam controlar porções continentais da Ásia.
Foi no século IX que os khmer empreenderam a formação de seu império. Após a fuga do príncipie Jayavarman II das mãos dos javaneses, o povo khmer organizou um grande exército que conquistou os primeiros territórios do vindouro império khmer. Superando os longos períodos de seca da região, as dinastias khmer alcançaram a expansão de seu povo através de um complexo sistema de irrigação responsável por garantir fartas colheitas de arroz espalhadas pela planície cambojana.
Com o crescimento da população e a expansão do território, os khmer tornaram-se uma civilização hidráulica que via na fertilidade de suas terras e na autoridade monárquica os grandes ícones de sua adoração religiosa. A água e o rei eram motivos para a construção de vários templos no interior do território. Somente no século XII, que os khmer sofreram com a invasão promovida pelo reino Champa. Depois de quase um século de dominação, o imperador Jayavarman VII conseguiu retomar a posse do império e, depois de dominar uma vasta região, criou a cidade de Angkhor.
Com passar dos anos a cidade tornou-se um importante centro comercial visitado por povos estrangeiros, como chineses e indianos. As mulheres tinham grande participação nessas atividades e chegavam a ocupar posição de destaque entre os khmer. Muitas delas eram responsáveis pelo controle de importantes cargos públicos do império. Em meio a tantas conquistas e uma ampla rede sócio-econômica o Império khmer parecia não sofrer qualquer tipo de ameaça.
No entanto, a partir do século XIII, as disputas em torno de uma monarquia sem um definido sistema sucessório originou a ruína desse povo. Ao mesmo tempo, os ataques promovidos pelos povos vietnamitas e tailandeses começaram a enfraquecer a supremacia khmer. Em 1431, Angkor foi vítima de um grande saque promovido por tailandeses.
Além dos conflitos internos e ataques estrangeiros, o colapso da economia khmer também foi outro motivo para o fim dessa vasta civilização. O desgaste do solo e a falta de recursos hídricos foram outros fatores levantados para o desaparecimento da civilização khmer. Com o passar do tempo, a crise econômica foi alvo de uma grande diáspora que deixou os templos e as cidades khmer abandonadas em meio à selva do Sudeste asiático.

13.932 – A Cidade Medieval


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A Idade Média é um período da história que cronologicamente foi iniciado em 476, com a desagregação do Império Romano do Ocidente, e finalizado em 1453, com a queda da cidade de Constantinopla. Esse período ficou muito caracterizado pela existência do feudalismo em certas localidades da Europa, além de uma forte influência da Igreja Católica sobre o cotidiano das pessoas.

Esvaziamento das cidades
Por ser um período muito longo da história humana, o conceito de cidade medieval muda de acordo com o período abordado. Com a desagregação do Império Romano e consequente início da Idade Média, as cidades da Europa Ocidental passaram por um período de esvaziamento, no qual ocorreu uma migração da população dos centros urbanos para a zona rural.
O esvaziamento das cidades resultou da desagregação do Império Romano, pois as zonas produtoras do império foram atacadas pelos povos germânicos em migração. Isso causou uma diminuição da produção, afetando o abastecimento das cidades e gerando fome. Além disso, as grandes cidades tornaram-se alvos desses povos germânicos interessados no saque.
Assim, a população urbana migrou para a zona rural para estar próxima das zonas produtoras de alimento e abastecimento e para fugir do saque e da violência trazidos pelos povos germânicos. Essa transição iniciou o processo de formação dos feudos medievais. Uma característica forte desse período foi a quase inexistência de comércio e circulação de moeda. O pouco comércio que existia, geralmente, acontecia entre feudos vizinhos e era realizado na base do escambo (troca).

Renascimento Urbano
Ocorreu em virtude de inovações técnicas implantadas na agricultura a partir do século XI. Entre essas inovações, podemos citar a rotação dos solos cultivados e o arroteamento (preparação do solo), que permitiu ampliar os campos cultivados. Com isso, houve um aumento na produção agrícola e um aumento populacional.
O aumento na produção criou um excedente agrícola que incentivou o aumento do comércio. As cidades ressurgiram a partir de um fluxo migratório de pessoas que procuravam sair da servidão do feudo para buscar novos ofícios na cidade. Entretanto, o mundo medieval ainda permaneceu essencialmente agrário. O historiador Franco Hilário Júnior afirma que, durante o século XIII, cerca de 20% da população medieval vivia nas cidades.
O renascimento da cidade medieval também resultou em uma transição de poder. Os bispos e uma parte da nobreza que exerciam o poder foram gradativamente substituídos pela classe em ascensão de burgueses, que surgiram a partir do crescimento do comércio e do estabelecimento deste nas cidades (burgos).
No século XIII, já estavam estabelecidas grandes cidades em várias partes da Europa ocidental. Sobre o tamanho das cidades medievais durante o século XIII, o historiador francês Jacques Le Goff afirma que:
Uma cidade importante no Ocidente tinha de 10.000 a 20.000 habitantes. Palermo e Barcelona sobressaíam do comum, com cerca de 50.000 habitantes. Londres, Gand e Genôva e, em território muçulmano, Córdoba, com cerca de 60.000 habitantes. Bolonha tinha sem dúvida entre 60.000 e 70.000 habitantes, Milão, 75.000. Só Florença e Veneza atingiam e, talvez, ultrapassavam 100.000 habitantes; e a maior cidade incontestavelmente Paris, pois foi demonstrado que ela continha, sem dúvida, 200.000 habitantes por volta do ano 1300.
O renascimento urbano e o crescimento populacional, porém, sofreram forte impacto com a chamada crise do século XIV, em que o avanço da peste bubônica, chamada de peste negra, dizimou parte considerável da população de maneira fulminante. O avanço da doença ocorreu por meio das pulgas presentes em ratos e matou pelo menos um terço da população na Europa ocidental. Na Inglaterra, por exemplo, a mortalidade chegou a 70% da população.

13.931 – História – A prostituição na Idade Média


Continuando com o bloco de História no ☻Mega Arquivo
Pecado ou necessidade? Esse era o grande dilema enfrentado pelos clérigos medievais ao se colocarem na difícil tarefa de converter a Europa bárbara e romana ao cristianismo. Sob o aspecto formal, as prostitutas infringiam um dos mais importantes tabus da Igreja ao praticarem a fornicação. Por outro lado, as demandas do mundo cotidiano reiteravam, vez após vez, que o banimento da prostituição era uma missão praticamente impossível.
Uma das justificativas mais comuns a manterem a prostituição ativa girava em torno do próprio controle de pecados observados como mais graves. O uso que os homens jovens faziam dos bordéis funcionava como meio para que as mulheres respeitáveis não fossem vítimas de sedução ardilosa e estupro. No fim das contas, seria menos grave violar os limites do corpo de uma mulher que já havia caído em pecado do que desgraçar uma casta seguidora dos princípios morais da Igreja.
O próprio Santo Agostinho advertia que o banimento da prostituição seria porta de entrada para outros pecados ainda mais controversos. Entretanto, alguns clérigos não poupavam esforços para que as prostitutas abandonassem sua vida de erros através do casamento ou ingressando na própria ordenação religiosa, na qualidade de freiras. No início da Idade Média, alguns romanos reagiam à conversão religiosa das prostitutas obrigando mulheres cristãs a tomarem o lugar da convertida.
Ao falarmos sobre o desenvolvimento de tal atividade, não podemos nos esquecer que a recorrência de tal prática está diretamente ligada aos ambientes urbanos da época. Não raro, costumava-se determinar o lugar das casas de prostituição nas ruas que levavam a palavra “rosa” no nome. Em algumas regiões, a expressão “arrancar uma rosa” fazia alusão ao ato de se servir da prostituição. Outro código de distinção comum era o uso de roupas e acessórios específicos como gorros, sinos e xales.
Uma das raras exceções conhecidas sobre essa relação entre a prostituição e as cidades aparece no Reino dos Francos, mais especificamente na dinastia carolíngia, entre os séculos VIII e IX. Em alguns feudos eram construídas as chamadas “casas das mulheres”, onde as servas se prestavam a um serviço bem distante da agricultura desenvolvida nos mansos. Similar aos dias atuais, essas “prostitutas feudais” tinham carreira curta e já eram consideradas velhas ao atingirem os trinta anos de idade.
Paralelamente, observamos que os medievais se valeram das mais variadas explicações para justificarem o fenômeno da prostituição. Alguns a relacionavam com a tendência natural que alguns têm à degradação moral, outros a ligavam à questão da miséria recorrente em alguns lugares ou à própria viabilidade econômica do ato. Em alguns casos, o concubinato impunha direitos e deveres entre uma prostituta e um terceiro interessado nos seus préstimos.

No final das contas, vemos que a prostituição medieval nos revela uma esfera que extrapolava a condição moral daquele tempo. Observando os critérios, medidas e noções sobre a “mais antiga das profissões”, vemos que a Idade Média não esteve incondicionalmente presa às supostas regras de comportamento da Igreja. É, no mínimo, instigante observar o choque entre a experiência terrena e as aspirações divinas ocorridas nesse terreno do cotidiano medieval.

13.930 – Arte na Idade Média – A fabricação dos vitrais


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O uso do vidro tem longa data na história do homem. Já na Antiguidade, os egípcios e romanos empregavam técnicas que exigiam o cozimento de areia e óxidos a uma elevada temperatura. Apesar de já conhecido, o vidro viria a ter uma importância maior quando a arquitetura da Baixa Idade Média o incorporou na fabricação dos vitrais. Nessa época, a grande estatura das igrejas exigiu que enormes janelas de vidro resolvessem os problemas com iluminação.
Para a criação de um vitral, era necessário que um pintor fizesse o esboço do desenho a ser aplicado em cima do vidro. Contando muitas vezes com uma temática religiosa, o desenho era recortado em diferentes pedaços de papel, que se encaixavam perfeitamente à armação de ferro que comportaria as peças de vidro. Nesse meio tempo, várias sessões de aquecimento preparavam o vidro para assumir as formas e colorações condizentes ao projeto inicialmente executado.
Além do vidro, os vitralistas executavam outra delicada tarefa, realizando a fundição e a modelagem dos chamados perfis de chumbo. Mais uma vez, cada subdivisão da armação deveria seguir à risca o desenho sugerido. Após todo esse preparativo, as peças de vidro coloridas eram aquecidas até atingirem o seu ponto de quebra. Utilizando-se de um estilete com ponta de diamante, o artesão recortava o vidro, encaixava-o na armação e empregava uma massa que impediria a passagem de água pelo vitral.
Depois de pronta, a enorme janela era transportada em carroças que a levavam até à igreja em construção. Sob a perspectiva histórica, o uso dos vitrais indicava um período de prosperidade econômica e a consolidação de uma classe de trabalhadores especializados pela Europa. Ao mesmo tempo, podemos ver que os desenhos dos vitrais serviam como meio de reafirmação do poder clerical e disseminador das narrativas bíblicas e hagiográficas da época.

13.929 – O cavaleiro medieval


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Responsáveis pela formação das forças militares de seu tempo, os cavaleiros medievais apareceram entre os integrantes da nobreza medieval. A princípio, além da origem nobiliárquica, um cavaleiro deveria ter treinamento e armas para ascender a tal condição. Em muitos casos, recebiam terras e direitos de cobrança para defenderem a propriedade de um senhor feudal. Ao longo do tempo, o alcance dessa prestigiada condição foi se cercando de maiores exigências.
Por volta dos sete anos de idade, o jovem nobre iniciava a sua formação de cavaleiro exercendo as funções de um pajem. Já nessa primeira fase, ele aprendia sobre equitação e o manejo das armas utilizadas por um cavaleiro. Aos doze anos de idade o aprendiz era transformado em escudeiro. Nessa época, ele acompanhava o seu senhor nos campos de batalha e aprofundava os seus conhecimentos sobre o manejo da espada. Além disso, aprimorava a sua condição física em lutas, corridas e desafios de esgrima.
Entre os 18 e 20 anos, o escudeiro realizava a sua passagem da juventude para a idade adulta ao se transformar em cavaleiro. O ritual de sagração do cavaleiro era uma solenidade de grande importância, já que em algumas ocasiões chegava a contar com a ilustre presença do rei. Na noite anterior ao evento, o aspirante ficava em jejum e realizava a vigília das armas. Chegado o grande dia, o futuro combatente era desafiado em simulações de combate que comprovavam a sua eficiência.
No juramento, o senhor do cavaleiro reforçava a condição de submissão e lealdade do cavaleiro dando-lhe um tapa na cara, no ombro ou na nuca. Depois disso, era feito um proferimento em que o senhor reforçava a coragem e a lealdade pela invocação divina. Logo em seguida, o jovem subia em seu cavalo e saia cavalgando. Era assim que um membro da classe nobiliárquica se tornava mais um integrante das forças que protegiam as terras de seu tempo contra as invasões.
Nas situações de guerra, os cavaleiros eram organizados em diferentes postos de batalha. Tão importante quanto a sua posição e habilidades, um cavaleiro não poderia sobreviver muito tempo em guerra sem que estivesse acompanhado de seu cavalo. Se a sua montaria fosse perdida, a morte era quase certa. Ao fim do período medieval, a formação dos exércitos nacionais e a introdução das armas de fogo foram enfraquecendo a imagem do cavaleiro, que passou a figurar as lendas de uma época.

13.928 – A Cruzada das Crianças – Verdade ou Mito?


As Cruzadas foram expedições organizadas pela Igreja Católica, durante a Idade Média, objetivando a retomada de Jerusalém e a difusão do cristianismo. Uma passagem que a historiografia mundial não abrangeu com afinco foi a Cruzada das crianças. Talvez por escassez de fontes ou por não darem tanta importância, a Cruzada das crianças é vista por alguns estudiosos de forma romanceada.
Em 1212, um grupo de crianças se organizou em uma Cruzada com a intenção de chegar à Terra Santa, Jerusalém. Partiram de regiões da Alemanha e da França e a maioria nunca retornou para seus lares. As crianças que não foram sequestradas e escravizadas morreram pelo caminho de fome ou de frio.
Para explicar as sucessivas derrotas dos cruzados, tornou-se pública uma passagem em que somente as crianças, puras e inocentes, conquistariam a vitória e retomariam Jerusalém. Alguns historiadores especulam o possível fato de uma tradução errônea: a palavra pueri, que foi associada à criança (em latim), também se traduz como jovem. Pode ter sido uma expedição que reuniu milhares de jovens e a história tratou de interpretar à sua maneira, associando a crianças. A dúvida que paira é que seria impossível um grupo de crianças peregrinarem nas mais diversas condições climáticas, por milhares de quilômetros e, se fosse possível, seria suicídio.
A versão oficial, segundo cronistas da época (entre eles Roger Bacon e Vincent de Beauvais), conta que Estevão, 12 anos, foi até Saint Denis, França, para entregar uma carta ao rei Felipe Augusto. Estevão havia recebido a visita de Jesus Cristo e fora por ele incumbido de organizar uma expedição até Jerusalém e expulsar os muçulmanos da Terra Sagrada. Esta expedição deveria ser formada apenas por crianças, por serem puras de coração. O rei Felipe, assustado, buscou ajuda a fim de saber o que fazer. Foi orientado a mandar Estevão de volta para casa.
Não se sabe ao certo a verdade sobre os fatos. Outras versões contam que Estevão se tornou tão popular que foi elevado ao posto de santo ou que se tornou um líder por ser conhecido como milagreiro. Só que, numa tentativa fracassada, ordenou que o Mar Mediterrâneo se abrisse. Sem sucesso, sua história terminou. Dois mercadores se ofereceram para levar Estevão (e mais dois mil jovens que o acompanhavam) até Jerusalém, de navio. Em julho de 1212, embarcaram em sete navios e nunca mais se teve notícia deles.

13.927 – Revoltas camponesas do século XIV


Durante o século XIV, a Europa ocidental vivenciou o período de crise do regime feudal, resultando em novos problemas sociais para essa sociedade em profunda transformação. Uma dessas crises sociais estava ligada às revoltas camponesas contra a nobreza, consequência da intensificação da exploração a que estavam submetidos.
Já em fins do século XIII, os sinais de decadência econômica e demográfica tornavam-se claros no Ocidente europeu. Fatores climáticos, como chuvas e esgotamento do solo, em decorrência da utilização de técnicas que não repunham os nutrientes retirados pelas culturas agrícolas, levaram à queda acentuada da produção.
Essa diminuição da produção fez com que os nobres intensificassem a exploração do trabalho servil. Como essa exploração era realizada através do tempo de trabalho nas terras dos senhores, a intensificação desse trabalho acarretava mais horas de trabalho nessas terras e menos trabalho nas terras utilizadas pelos camponeses para produzir alimentos para sua subsistência.
Somou-se a essa situação a ocorrência da peste negra nas décadas de 1340 e 1350, que dizimou a população europeia ocidental. Estima-se que 2/3 dos habitantes das cidades contraíram a doença e 70% destes morreram. No campo, a ocorrência foi menos intensa, mas ela não deixou de existir.
Esses fatores geraram instabilidade social, que resultou em revoltas das classes exploradas contra seus exploradores. Nas cidades, um exemplo pode ser encontrado na Revolta dos Ciompi (trabalhadores assalariados do setor têxtil), que teve seu auge em Florença, em 1378, quando os trabalhadores chegaram a derrubar o poder dos industriais e banqueiros.
Mas foi no campo que as revoltas foram mais agudas. As jacqueries, revoltas conduzidas pelos camponeses franceses, foram o caso mais notório. O termo é decorrente de uma expressão francesa, Jacques Bonhomme, que significa Jacques, o simples, uma forma pejorativa utilizada pelas classes exploradoras francesas para designar os camponeses, o que no Brasil corresponderia ao João Ninguém.
Em 1358, os camponeses franceses se sublevaram com armas nas mãos contra os nobres e o clero, em uma luta contra a intensificação da exploração. A ação dos camponeses contra seus inimigos foi violenta, como também foi violenta a repressão das classes dominantes contra a sublevação. Cerca de 20 mil camponeses morreram nas jacqueries.
Na Inglaterra, em 1381, os camponeses se revoltaram contra o aumento de impostos sobre os servos, contra a fixação dos salários e contra a volta da obrigatoriedade da permanência dos servos em uma dada propriedade. Grupos camponeses chegaram a marchar até Londres, destruindo edifícios e clamando por reformas.
Apesar de essas revoltas terem sido derrotadas, elas indicaram o início do fim da servidão na Europa Ocidental e a desintegração do mundo feudal, em decorrência das transformações sociais que geraram. Seria o início da transformação desses camponeses em futuros proletários, o que, conjugado com a centralização do Estado e a ampliação do comércio com o exterior da Europa, possibilitaria a criação das condições necessárias ao desenvolvimento do modo de produção capitalista.

13.926 – Os usos da madeira na Idade Média


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Durante o período conhecido como Alta Idade Média, que compreendeu as ações dos homens no continente europeu entre os séculos V e XI, a madeira exerceu uma importante função na produção material da vida dos homens medievais.
Extraída principalmente dos bosques que circundavam as áreas habitacionais e de cultivo agrícola, a madeira era utilizada para diversas funções. Os bosques incluíam-se nas áreas denominadas como incultos, alcunha dada por não haver atividade humana no trabalho da terra, sendo espaço de caça e de extração vegetal e mineral. Ao fazer uma compilação das referências dos usos da madeira nos estudos dos diversos especialistas da Idade Média, o historiador português João Bernardo aponta diversos usos para a madeira durante esse período:
Como combustível, ela era utilizada nas manufaturas para a produção metalúrgica, de sal, do vidro, da cerâmica, além de cal e gesso; no ambiente doméstico, como na cozinha, para o aquecimento e para a iluminação. As cinzas serviam de matéria-prima para a produção de sabão e detergentes, tinturaria, fabricação de vidros e fertilizantes.
Na construção de edifícios, ela estava presente em fortificações, paliçadas, pontes, navios e outros meios de transporte. A madeira era também utilizada para a confecção de inúmeros instrumentos de trabalho agrícola, como arados. Mobiliário e utensílios utilizados no cotidiano, como os destinados à alimentação e a diversos outros usos, tinham a madeira como matéria-prima. Até os instrumentos militares tinham partes que eram fabricadas a partir da madeira.
O historiador francês Marc Bloch chegou a afirmar que a Idade Média viveu sob o signo da madeira, tamanha era a dependência dos homens e mulheres medievais em relação a essa matéria-prima. Inclusive na estética das edificações, havia afirmações que as construções em madeira eram mais belas que as construídas de pedra.
Essa dependência levou João Bernardo a escrever que por ocupar o lugar central na vida produtiva medieval, possivelmente não teria “existido nenhum outro sistema tecnológico tão inteiramente dependente de um material único”1, sendo utilizado para uma gama tão vasta de atividades. O historiador ainda contrapõe as teses ecologistas, contrárias à produção capitalista, que criticam o uso do carvão e do ferro como causadores iniciais dos desequilíbrios ambientais provocados pela civilização industrial, ao fato de que os materiais adotados nos primórdios do capitalismo eram uma reação ao esgotamento da madeira nos bosques europeus.
Dessa forma, as novas matérias-primas e técnicas contribuíram para a diminuição da extração madeireira nas áreas florestais, ao passo que diminuíram a dependência em relação à madeira como principal matéria-prima do sistema tecnológico medieval.

13.921 – História – A Baixa Idade Média


palacio de monaco
Palácio de Mônaco

Convencionalmente, quando se estuda a Idade Média, opera-se uma divisão didática em dois períodos. O primeiro deles é conhecido como Alta Idade Média, isto é, o período que compreende desde a queda do Império Romano Ocidental, por volta do século V d.C., até o século X. O segundo refere-se à Baixa Idade Média, que se estende do século X ao século XV, cuja data simbólica que marca seu fim é o ano de 1453, quando houve a tomada de Constantinopla – sede do Império Bizantino – pelo Império Turco-Otomano.
Sendo assim, na Baixa Idade Média, ocorreu o apogeu da civilização medieval, ou, em outros termos, o apogeu da Cristandade – ou civilização cristã europeia. Se até meados do século IX predominou o sistema econômico feudal, com uma estrutura rígida e isolada – com cidades fortificadas, que necessitavam de defender-se das ondas de invasões bárbaras –, na Baixa Idade Média irromperam fenômenos como o renascimento comercial e urbano, decorrentes da abertura que o movimento das Cruzadas provocou contra o domínio muçulmano do Mar Mediterrâneo. As Cruzadas possibilitaram a retomada intensa do fluxo comercial com as regiões do Oriente e da África, o que exigiu uma reforma na estrutura das cidades, que deveriam comportar mercadorias e pessoas de várias regiões do mundo. Foi nessa época que, em decorrência dessa mudança, começou a destacar-se um novo grupo social: a burguesia.
No plano religioso e cultural, a Baixa Idade Média caracterizou-se por ser também o período da Reforma Gregoriana da Igreja Católica, da filosofia escolástica, da construção das universidades e das imponentes catedrais góticas. A Reforma Gregoriana foi responsável por elaborar uma série de medidas que solidificou a Igreja Católica como instituição. Dentre tais medidas, podemos citar: a distinção entre o poder secular e o poder espiritual (da Igreja), a distinção dos papéis entre clérigos e leigos católicos, a instituição dos sacramentos e a regularização da ação das ordens religiosas.
A filosofia escolástica teve como principal representante São Tomás de Aquino, que construiu um sistema teológico e filosófico que revisava toda a tradição patrística e ancorava-se no pensamento de Aristóteles. O sistema das universidades medievais veio atender a demanda por conhecimento universal, sobretudo nas áreas de Teologia, Medicina, Direito e Artes. Já as catedrais tornaram-se expressão máxima da arquitetura medieval, que, segundo autores como Panofsky, podem ser consideradas como correspondentes em pedra da filosofia escolástica.
Datam desse período também as revoltas camponesas, provocadas por uma série de más colheitas que provocou fome e desnutrição. Somou-se a esse fato o acontecimento mais terrível em termos de epidemia no continente europeu, a Peste Negra, que provocou um enorme decréscimo na demografia europeia, além de mortes dolorosas e horríveis.
Como dito no início do texto, o período da Baixa Idade Média encerrou-se, convencionalmente, no ano de 1453, com a queda do Império Romano do Oriente e o domínio de Constantinopla pelos turcos, ainda que, em outras regiões, como em Portugal e Espanha, a Idade Média tenha tido “ecos” até meados do século XVII.

catedral-de-notre-dame
Catedral de Notredame

 

13.918 – História – A Cultura Bizantina


imperio bizantino
O Império Bizantino deixou como legado cultural grandes obras, sobretudo mosaicos e construções arquitetônicas. Essas obras tinham como fonte principal, além da cultura romana – haja vista que o Império Bizantino era considerado o Império Romano do Oriente – e das culturas propriamente orientais, tais como o helenismo (cultura grega) da região da Anatólia (onde hoje se encontra a atual Turquia), o cristianismo primitivo.
No âmbito da cultura bizantina, a pintura e escultura tiveram um desenvolvimento importante, porém limitado. Isso em razão da iconoclastia ou movimento iconoclasta. No reinado de Leão III, no século VIII, o culto a imagens de santos, representadas em ícones de pinturas e esculturas, foi oficialmente condenado. Tal ato provocou uma grande rebelião que assumiu proporções de guerra civil na cidade de Constantinopla, capital do Império. Abaixo podemos ler um relato dos procedimentos desencadeados pelo édito iconoclasta publicado por Leão III:

“[…] o imperador compeliu todos os habitantes de Constantinopla, pela força, e pela persuasão, a deslocar as imagens do Salvador, assim como as da sua sagrada mãe e de todos os santos, de onde quer que estivessem, e, o que é horrível de contar, e queimá-las pelo fogo no meio da cidade, assim como a caiar (preencher com cal) todas as igrejas pintadas. Porque muitos de entre o povo da cidade recusaram o encargo de tal enormidade, foram submetidos a castigos; alguns foram degolados, outros mutilados.” (Anastasii Bibliothecarii. Historia de Vitis Romanorum Pontificum – S. Gregorius II. In: ESPINOSA, Fernanda (org.). Antologia de textos históricos e medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1981. p. 60-61.)
A iconoclastia só foi revista e condenada no Segundo Concílio de Niceia, em 787 d.C. A despeito da depredação de grande parte das imagens sacras bizantinas, é possível verificar naquelas que permaneceram as características principais. Geralmente as pinturas eram feitas com a técnica do afresco, representando as formas humanas frontalmente, com posturas nítidas de clemência e piedade. Para tanto, por exemplo, as mãos eram pintadas sempre com simetria dos dedos – os dedos eram representados do mesmo tamanho para transmitirem a ideia de clamor e penitência.
Além das imagens pintadas, os mosaicos destacaram-se imensamente na cultura bizantina, chegando a ser, ao lado da arquitetura, o ponto alto da expressão artística dessa cultura. A Igreja Hagia Sophia (Santa Sofia), localizada em Istambul (antiga Constantinopla), é um exemplo da grandiosa arquitetura bizantina. Sem contar a arte dos vitrais aplicada no interior da igreja, que é uma das mais impressionantes do mundo.

13.901 – Universidades da Idade Média


No tramitar da Idade Média, uma grande parte da população não tinha acesso ao conhecimento, nem mesmo o básico que é ler e escrever, e não tinha nenhuma perspectiva na vida de reter tais conhecimentos.
O que ocorria neste período é o que ocorre nos dias atuais, as disparidades financeiras e de oportunidades. Na Idade Média ler e escrever eram privilégio de uma estreita parcela da população composta por integrantes da igreja e comerciantes.
As primeiras escolas medievais se instalavam e eram regidas pelas igrejas e mosteiros, a partir do século XII, houve uma conscientização acerca da educação, pois a formação se fazia importante no comércio, que utilizava a escrita e o cálculo, e nesse mesmo período surgiram escolas fora da igreja.
As universidades tiveram início no século XIII, como um tipo de associação de professores e alunos que se unia para questionar as autoridades, a universidade da França surgiu a partir de uma associação de professores e a da Itália foi composta por alunos.
As universidades da Idade Média permitiam dentro de suas dependências o livre pensamento e ideologias, nesta época existia faculdade de artes, medicina, direito e teologia, todas as aulas eram ministradas em latim assim como grande parte das obras escritas.
No século XI desenvolveu-se uma literatura variada: A poesia épica (falava sobre heróis e honra), a poesia amorosa (falava de amor e admiração à mulher) e Romance (guerra, aventura e amor).
No campo da filosofia, os principais eram Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, o primeiro defendia a razão e o mundo espiritual como superior e o segundo afirmava que o homem não devia se apoiar na religião.

13.900 – Civilizações Antigas – Cividade de Terroso


cividade
Foi um povoamento localizado em Povoa de Varzim, Portugal. Conhecida na Idade Média como Montis Teroso, foi fundada no topo do Monte da Cividade, na Freguesia de Terroso, a 153 metros de atura onde há registros de ocupação entre 800 a.C. e III d.C.
A Cividade de Terroso é um castro extremamente fortificado por três muralhas compostas por grandes blocos. Sua população ocupava-se com a agricultura, pesca, pastoreio e trabalhos em metais, têxteis e cerâmicas. Os castrejos praticavam a incineração de seus mortos em fossas e posteriormente no exterior de suas casas.

13.899 – Mega Memória: Benito de Paula, Ufanismo em Plena Ditadura


Na década de 70 em plena ditadura, Benito de Paula fez sucesso o Amigo Charles Brown

O que é ufanismo?

É o orgulho exagerado de algo, comumente utilizado no Brasil para se referir ao patriotismo excessivo, ou seja, um grande orgulho que determinado indivíduo possui de seu país, pátria e nação.

A palavra ufanismo é um neologismo da língua portuguesa brasileira, criada em alusão a obra “Porque me Ufano do Meu País” (1900), de autoria do Conde Afonso Celso. O termo ufano provém da língua espanhola, significando a característica de um grupo que se auto vangloria.

Ao contrário do patriotismo e nacionalismo, que podem ser interpretados como conceitos positivos até certo nível, o ufanismo é visto como um exagero desmedido do “amor pela pátria”. Neste caso, o ufanismo é comparado a ideias pejorativas, como de vaidade, jactância e arrogância.

Alguns dos principais sinônimos de ufanismo são: nacionalismo exagerado e patriotismo exacerbado.

Você pode até não conhecer Benito Di Paula, mas já deve ter ouvido os versos que dizem Ê, meu amigo Charlie Brown/Ê, meu amigo Charlie Brown/ Se você quiser, vou lhe mostrar… Ou então a triste história de “Retalhos de Cetim”.

O começo
Já fazia shows na noite, quando uma gravadora pediu para que eu gravasse os sucessos da época com orquestra com a qual eu me apresentava e meu piano. Gravei “Azul da Cor do Mar”, do Tim Maia, “Madalena”, do Ivan Lins, “Na Tonga da Mironga do Kabuletê”, do Vinicius de Moraes, e gravei também “Apesar de Você”, do Chico, e meu disco acabou sendo censurado (risos). Achei uma sacanagem, mas aí que quis fazer mesmo.

Piano com samba

Desde criança, sempre ouvia Luiz Gonzaga, Ataulfo Alves, Tito Fuentes, Xavier Cougar. Misturo todos esses ritmos na minha música. Além do samba, mas não sou sambista. Sambista é o Paulinho da Viola. Eu sou sambeiro.