14.342 – História – O Dinheiro Falso de Hitler


dinheiro de hitler
Um plano mirabolante arquitetado silenciosamente durante as primeiras semanas da Segunda Guerra Mundial pretendia arruinar a economia inglesa. A ideia era espalhar pelo Reino Unido milhões de libras falsificadas. O enredo do esquema pouco conhecido, narrado em Os Falsários de Hitler, do jornalista americano Lawrence Malkin, lembra uma obra de ficção. Mas o autor garante: é tudo verdade.
O plano inicial era espalhar uma quantidade de notas falsas equivalente a 30% da moeda em circulação. Além dos próprios nazistas, a sabotagem aprovada por Adolf Hitler foi protagonizada por prisioneiros judeus, banqueiros, especialistas em lavagem de dinheiro, investigadores e, como o autor descreve, “patifes em geral”. Para os judeus, a missão representou uma pausa no caminho à câmara de gás. O sucesso ou o fracasso dela, porém, trazia de volta a dúvida quanto ao próprio destino.
O oficial Bernhard Krueger, que comandava a operação, logo localizou nos arquivos criminais o falsário ideal, Salomon Smolianoff – o sujeito teria falsificado dinheiro na prisão com uma chapa de gravação escondida no sapato. Para sorte dos nazistas, ele era judeu e estava em um campo de concentração. Sob direção especializada, a mão-de-obra judaica fez a indústria funcionar durante toda a guerra.
Após o conflito, Smolianoff tentou manter-se na atividade. Viveu em Roma, onde se casou, até que a policia italiana começou a investigar dólares falsos que circulavam no mercado negro. Em 1947, veio para a América do Sul e, em 1955, estabeleceu residência definitiva em Porto Alegre, no Brasil. Ao que tudo indica, aqui montou uma fábrica de brinquedos e viveu honestamente. O ofício criminoso já estava comprometido pelo mal de Parkinson, doença que o matou em 1977.
O livro tem o mérito de desvelar um episódio pouco conhecido dos tempos do nazismo. “É a história da maior operação de falsificação de dinheiro em tempos de guerra”, afirma Malkin. “Mas também da luta silenciosa pela sobrevivência individual travada pelos judeus, vítimas do maior tirano de todos os tempos.”

14.341 – A Torre Eiffel


torre eiffel
A Famosa torre está localizada no Campo de Marte (Champ de Mars), em Paris, França.
O monumento tornou-se um ícone da cidade, do país e da Europa, o qual recebe milhões de visitantes todos os anos.
A Torre Eiffel foi construída para o evento “Exibição Universal” (Exposition Universelle) que ocorreu em 1889 em Paris. O evento foi realizado no centenário da Revolução Francesa (1789).
Por meio de uma competição desenvolvida pelo governo francês, diversos engenheiros e arquitetos apresentaram seus projetos.
Por fim, ela foi projetada pelo engenheiro francês Gustave Eiffel (1832-1927) e sua construção levou cerca de dois anos.
Em estilo Art Nouveau, ela foi feita em ferro e inaugurada em 31 de março de 1889. A “Exibição Universal” contou com 2 milhões de visitantes aproximadamente.
Curioso notar que a ideia inicial era ser desmontada após o final do evento. Entretanto, ela permanece até hoje no local.
Já no primeiro nível da torre vê-se grande parte da cidade. Dentro, podemos encontrar lojas, sanitários, restaurante, cafés, etc.

Curiosidades sobre a Torre Eiffel
A Torre Eiffel tem 324 metros de altura e possui três níveis.
A Torre Eiffel é a estrutura mais alta de Paris e a segunda da França. Fica atrás do viaduto Millau, com 343 metros.
Até 1930, a Torre Eiffel era a mais alta estrutura do mundo.
Ela é o monumento pago mais visitado do mundo.
No verão, a torre fica cerca de 15 centímetros mais alta devido a dilatação do ferro.
Sua estrutura apresenta mais de 15 mil peças em ferro e 2,5 milhões de parafusos. Seu peso ultrapassa 10 mil toneladas.
Quando foi inaugurada, os visitantes subiam 1700 degraus até o ponto mais alto da torre. Hoje em dia, ela possui um elevador.
Gustave Eiffel, o engenheiro responsável pela construção da torre, também participou do projeto da Estátua da Liberdade em Nova York, Estados Unidos, e da Ponte Maria Pia, no Porto, Portugal.
Há diversas réplicas da Torre Eiffel pelo mundo: Las Vegas (Estados Unidos), Sucre (Bolívia), Tóquio (Japão), Hangshou (China), Urais (Rússia), Calcutá (Índia), Naqura (Líbano).

14.338 – Reino aqui nesse Mundo Mesmo – Qual a religião mais rica do planeta?


religiões
Não há dados 100% confiáveis.
A religião é uma instituição financeira tanto quanto espiritual. Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam.
Não é surpreendente que as maiores religiões do mundo – Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Budismo e Hinduísmo – promovam a acumulação de riquezas através de seus sistemas de crenças, o que contribui para a prosperidade econômica.
Incentivos espirituais como a danação e a salvação são motivadores eficientes. Por isso, religiões que dão ênfase à crença no inferno são mais propensas a contribuírem para a prosperidade econômica do que as que enfatizam a crença no paraíso.
As religiões que têm foco na crença no paraíso dão mais importância a atividades redistributivas (caridade) para diminuir o tempo das pessoas no inferno e chegar mais perto do paraíso.
Já o incentivo que se baseia na crença no inferno parece mais eficiente para o comportamento econômico, porque motiva os fiéis a trabalhar mais duro para evitar a danação.
Arrecadação
A estrutura organizacional, assim como o sistema de crenças de uma religião, afeta diretamente sua habilidade de arrecadar fundos dos fiéis.
A riqueza das religiões, de maneira muito semelhante à riqueza das nações, depende da estrutura de sua organização. Mas, diferentemente das corporações, as finanças das religiões não são transparentes para o público nem são monitoradas.
Algumas estruturas religiosas são hierárquicas como a da Igreja Católica Romana, com a concentração de riqueza no clero e no Papado. Por contraste, as igrejas evangélicas e pentecostais favorecem um acúmulo de riqueza de pai para filho.
O famoso evangelista americano Billy Graham e seu filho William Franklin Graham 3º, que assumiu a presidência da associação evangelista do pai, são um exemplo de como o poder espiritual e a riqueza de uma religião são mantidos pelos laços familiares.
Outras organizações tendem a ser descentralizadas e comunitárias por natureza, como o judaísmo, com as sinagogas locais mantendo a autonomia sobre as finanças.
Mas as religiões coletivas, como as monoteístas, requerem a crença exclusiva em um só Deus e contam financeiramente com tributos e doações voluntárias de seus membros.
Como consequência, um templo, igreja ou mesquita exerce pressão coletiva e outros tipos de sanções grupais para garantir a ajuda financeira contínua dos fiéis à religião.
No entanto, uma dificuldade constante enfrentada pelas religiões é que muitos membros decidem agir de acordo com sua própria vontade e não dar apoio financeiro.
Outro tipo de estrutura religiosa é a privada ou difusa. Hinduísmo e budismo são religiões privadas, em que os fiéis realizam atos religiosos sozinhos e pagam uma taxa para um monge pelo serviço.
Nestes casos, as atividades religiosas são partes da vida diária e podem ser feitas a qualquer momento do dia. Elas não requerem nem um grupo de fiéis nem a presença dos monges.
Estas religiões privadas tendem a ser politeístas e sustentadas financeiramente pelo pagamento de uma taxa de serviço.

Não chega a ser tão ruim
Religiões com muitos recursos, como por exemplo o catolicismo romano e o islamismo, historicamente foram – algumas vezes – monopólios financiados pelo Estado.
A regulação da religião pelo Estado pode reduzir a qualidade das vantagens espirituais na medida em que aumenta a capacidade da religião de acumular riqueza. Mas uma religião subsidiada pelo Estado pode ter um efeito positivo na participação religiosa.
Por exemplo, os governos da Dinamarca, Suécia, Alemanha e Áustria subsidiam muitas religiões para a manutenção de suas propriedades, a educação do clero e os serviços sociais.
Mesmo que isso não necessariamente aumente o número de pessoas que frequentam a igreja, o investimento financeiro do Estado nas instituições religiosas aumentou as oportunidades das pessoas de participarem de atividades patrocinadas pela religião.

14.332 – Nó na mente – O que é a Dialética?


dialetica
É um método de diálogo cujo foco é a contraposição e contradição de ideias que levam a outras ideias e que tem sido um tema central na filosofia ocidental e oriental desde os tempos antigos. A tradução literal de dialética significa “caminho entre as ideias”.
“Aos poucos, passou a ser a arte de, no diálogo, demonstrar uma tese por meio de uma argumentação capaz de definir e distinguir claramente os conceitos envolvidos na discussão.” Também conhecida como a arte da palavra.
“Aristóteles considerava Zenão de Eleia (aprox. 490-430 a.C.) o fundador da dialética. Outros consideraram Sócrates (469-399 a.C)”.
No período medieval, o estudo da dialética (ou lógica) era obrigatório e, parte integrante do Trivium que, junto com o Quadrivium, compunha a metodologia de ensino das sete Artes liberais.
Um dos métodos dialéticos mais conhecidos é o desenvolvido pelo filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831).
Um dos métodos dialéticos mais conhecidos é o desenvolvido pelo filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831).
Para Platão, a dialética é sinônimo de filosofia, o método mais eficaz de aproximação entre as ideias particulares e as ideias universais ou puras. É a técnica de perguntar, responder e refutar que ele teria aprendido com Sócrates (470 a.C.-399 a.C.). Platão considera que apenas através do diálogo o filósofo deve procurar atingir o verdadeiro conhecimento, partindo do mundo sensível e chegando ao mundo das ideias. Pela decomposição e investigação racional de um conceito, chega-se a uma síntese, que também deve ser examinada, num processo que busca a verdade.
Aristóteles define a dialética como a lógica do provável, do processo racional que não pode ser demonstrado. “Provável é o que parece aceitável a todos, ou à maioria, ou aos mais conhecidos e ilustres”, diz o filósofo.
O alemão Immanuel Kant retoma a noção aristotélica quando define a dialética como a “lógica da aparência”. Para ele, a dialética é uma ilusão, pois baseia-se em princípios que são subjetivos.
O método dialético possui várias definições, tal como a hegeliana, a marxista entre outras. Para alguns, ela consiste em um modo esquemático de explicação da realidade que se baseia em oposições e em choques entre situações diversas ou opostas. Diferentemente do método causal, no qual se estabelecem relações de causa e efeito entre os fatos (ex: as radiações solares provocam a evaporação das águas, estas contribuem para a formação de nuvens, que, por sua vez, causa as chuvas), o modo dialético busca elementos conflitantes entre dois ou mais fatos para explicar uma nova situação decorrente desse conflito.
A dialética é a história das contradições. Em alemão aufheben significa supressão (ou supras sunção) e ao mesmo tempo manutenção da coisa suprimida. O reprimido ou negado permanece dentro da totalidade.
Esta contradição não é apenas do pensamento, mas da realidade. Então, tudo está em processo de constante devir.

Os três momentos da dialética hegeliana são por um lado uma maneira de descrever o método axiomático, que foi usado na filosofia por Spinoza, e por outro um uso particular desse método. O primeiro momento ( a tese ) corresponde ao axioma. O segundo momento ( a antítese ) corresponde à definição (que Spinoza notava conter também uma negação). O terceiro momento ( a síntese ), corresponde ao teorema, um resultado necessário, porém novo, não estando simplesmente contido nos momentos anteriores.
Até hoje, não foi definido quem teria sido o fundador da dialética: alguns acreditam que tenha sido Sócrates, e outros, assim como Aristóteles, acreditam que tenha sido Zenão de Eleia. Na Grécia Antiga, a dialética era considerada a arte de argumentar no diálogo. Atualmente é considerada como o modo de pensarmos as contradições da realidade, o modo de compreendermos a realidade como essencialmente contraditória e em permanente transformação.

Desde a Grécia Antiga, a dialética sempre encontrou quem fosse contra, como Parmênides, mesmo vivendo na mesma época do mais radical pensador dialético: Heráclito. Para compreensão do tema, o autor passa por vários itens, começando pelo trabalho.
Heráclito foi o pensador dialético mais radical da Grécia Antiga. Para ele, os seres não têm estabilidade alguma, estão em constante movimento, modificando-se. É dele a famosa frase “um homem não toma banho duas vezes no mesmo rio”, porque nem o homem nem o rio serão os mesmos.
Depois de um século, Aristóteles reintroduziu a dialética, sendo responsável, em boa parte, pela sua sobrevivência. Ele estudou muito sobre o conceito de movimento, que seriam potencialidades, atualizando-se. Graças a isso, os filósofos não deixaram de estudar o lado dinâmico e mutável do real. Com a chegada do feudalismo, a dialética perdeu forças novamente, reaparecendo, no Renascimento e no Iluminismo.

Dialética Marxista
A dialética marxista é um método de análise da realidade, que vai do concreto ao abstrato e que oferece um papel fundamental para o processo de abstração. Engels retomou, em seu livro, “A Dialética da Natureza”, alguns elementos de Hegel, concebendo a dialética como sendo formada por leis; esta tese será desenvolvida por Lênin e Stálin. Por outro lado, outros pensadores criticaram ferrenhamente esta posição, qualificando-a de não-marxista. Assim, se instaurou uma polêmica em torno da dialética.
O método dialético nos incita a revermos o passado à luz do que está acontecendo no presente, questionando-o em nome do futuro, o que está sendo em nome do que “ainda não é”. É, por isso, que o argentino Carlos Astrada define a dialética como “semente de dragões”, a qual alimenta dragões que talvez causem tumulto, mas não uma baderna inconsequente.

14.328 – Países – Jamaica


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País caribenho ao sul de Cuba com 10.991 km quadrados e a terceira maior ilha das Índias Ocidentais. Descoberta por Colombo em 1494 e colonizada pelos espanhóis em 1509.
Capital: Kingston
Depois de tornar uma possessão espanhola conhecida como Santiago, em 1655 a ilha passa ao domínio britânico e é nomeada como “Jamaica”. O país conseguiu sua completa independência do Reino Unido apenas em 6 de agosto de 1962.
A Jamaica é uma monarquia constitucional parlamentar com o poder legislativo investido no parlamento bicameral nacional, que consiste de um senado e uma câmara composta por representantes eleitos pela população.
História
Os índios aruaques e taínos, originários da América do Sul, se estabeleceram na ilha entre 4.000 e 1.000 a.C.
Quando Cristóvão Colombo chegou em 1494, havia mais de 200 aldeias governadas por caciques (chefes de aldeias). A costa sul da Jamaica era a mais povoada, especialmente em torno da área hoje conhecida como Porto Velho. Os taínos ainda habitavam a Jamaica quando os britânicos assumiram o controle da ilha em 1655. O Jamaican National Heritage Trust está a tentar localizar e documentar qualquer evidência dos povos taínos e aruaques.
Domínio espanhol
Cristóvão Colombo reivindicou a Jamaica para a Espanha após aportar lá em 1494, provavelmente em Porto Seco, agora chamado de Discovery Bay.
Uma milha a oeste de St. Ann Bay é o local do primeiro assentamento espanhol na ilha, conhecido como Sevilla, que foi criado em 1509 e abandonado por volta de 1524 porque foi considerado insalubre.
Os espanhóis foram expulsos à força pelos britânicos em Ocho Rios, em St. Ann. Em 1655, os britânicos, liderados por Sir William Penn e pelo General Robert Venables, assumiram o último forte espanhol na Jamaica.
O nome de Montego Bay, a capital da paróquia de St. James, é proveniente do nome em espanhol mantega bahía (ou baía de banha), aludindo à indústria de fabricação de banha com base no processamento dos inúmeros javalis na área.
Em 1660, a população da Jamaica era de cerca de 4.500 brancos e 1.500 negros, mas, já na década de 1670, os negros formaram a maioria da população.
Durante os primeiros 200 anos de domínio britânico, a Jamaica tornou-se um dos principais exportadores de açúcar e uma das nações dependentes de escravos do mundo, produzindo mais de 77 mil toneladas de açúcar por ano entre 1820 e 1824. Após a abolição do tráfico de escravos em 1807, os ingleses importaram trabalhadores indianos e chineses como servos para complementar a força de trabalho. Muitos de seus descendentes continuam a residir na Jamaica atualmente.
O excesso de zelo britânico no uso de escravos voltou-se contra eles, e no início do século XIX o número de negros era quase 10 vezes maior do que o de brancos. Seguiu-se uma série de revoltas e, em 1838, a escravatura foi formalmente abolida.

Ao longo dos anos que se seguiram, o grau de autonomia da Jamaica foi aumentando e, em 1958, a Jamaica passou a ser uma província de uma nação independente chamada Federação das Índias Ocidentais. A Jamaica saiu da federação em 1962 e é hoje uma nação soberana.

A deterioração das condições econômicas durante a década de 1970 levou a um estado de violência endêmica e à queda do turismo. Uma das antigas capitais da Jamaica era Port Royale, onde se acoitava o pirata e posteriormente governador Henry Morgan. Foi destruída por uma tempestade e um tremor de terra, e Spanish Town, na paróquia de St. Catherine, que foi o local da antiga capital colonial espanhola e da capital inglesa durante os séculos XVIII e XIX.
O país encontra-se entre as latitudes 17° e 19 ° N e as longitudes 76 ° e 79 ° W. Localizada na América Central e Caribe. Montanhas, incluindo as Montanhas Azuis, dominam o interior da ilha. Elas estão cercados por uma estreita planície costeira.
A Jamaica está no cinturão de furacões do Oceano Atlântico e, por isso, a ilha às vezes sofre danos causados ​​por essas tempestades.
A Jamaica é um país que teve, em 2007, sua população estimada em 2,7 milhões de habitantes. Segundo dados de 2001, os jamaicanos residem principalmente na capital Kingston com 651.880 habitantes. Destacam-se também as cidades de Spanish Town (131.515), Portmore (175.000) e Montego Bay (120.000).
Segundo o The World Factbook, a composição étnica da população jamaicana é a seguinte: 92,1% negros, 6,1% mestiços, 0,8% indianos, 0,4% outros e 0,7% indeterminado.
Os principais setores da economia jamaicana incluem a agricultura, a mineração, a manufatura, o turismo e serviços financeiros e de seguros. O turismo e a mineração são os principais ganhadores de divisas. Metade da economia jamaicana depende dos serviços, sendo que metade de sua receita proveniente de serviços como o turismo. Estima-se que 1,3 milhões de turistas estrangeiros visitam Jamaica a cada ano.

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A Jamaica tem uma grande variedade de atividades industriais e comerciais. A indústria da aviação é capaz de realizar manutenção de rotina de aeronaves, exceto para reparos estruturais pesados. Há uma quantidade considerável de apoio técnico para o transporte e aviação agrícola. O país tem uma quantidade considerável de engenharia industrial, fabricação de luz, incluindo fabricação de metal, coberturas metálicas e de fabricação de móveis. Atividades como produção de alimentos, de vidro, software e processamento de dados, impressão e publicação, de subscrição de seguros, de música e de gravação e educação avançada podem ser encontradas nas áreas urbanas de maior dimensão. A indústria da construção jamaicana é totalmente auto-suficiente, com normas técnicas profissionais.
Apesar de ser uma pequena nação, a cultura jamaicana tem uma forte presença global. Os gêneros musicais reggae, ska, mento, rocksteady, dub, e, mais recentemente, dancehall , Reggaeton e ragga tudo se originaram na vibrante e popular indústria fonográfica urbana da ilha. A Jamaica também desempenhou um papel importante no desenvolvimento do punk rock, através do reggae e do ska. O reggae também influenciou o rap norte americano, visto que eles compartilham raízes, como estilos rítmicos africanos. Alguns rappers, como The Notorious B.I.G. e Heavy D, são de ascendência jamaicana. O internacionalmente conhecido músico de reggae Bob Marley também era jamaicano.

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A Jamaicana Grace Jones

 

14.326 – Tecnologia – O LED Azul


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O Prêmio Nobel de Física deste ano foi concedido a três cientistas japoneses pela invenção do LED azul. A tecnologia revolucionou o ramo da iluminação mundial , permitindo a criação de lâmpadas com menor consumo de energia e maior durabilidade
Os LEDs (da sigla em inglês para light-emitting diode) estão bem próximos de conquistar o mundo, graças ao seu brilho e eficiência energética. E, diferentemente das lâmpadas incandescentes, os LEDs não emitem calor junto com a luz. Eles estão em milhões de smartphones, televisões e computadores – basicamente qualquer coisa com uma tela iluminada.
Os LEDs azuis, em combinação com LEDs vermelhos e verdes (que tinham sido inventados anteriormente), tornaram possível a produção da luz branca. Este tipo de iluminação é muito mais eficiente energeticamente e tem uma vida útil mais longa do que as lâmpadas incandescentes convencionais. disse Christian Wetzel, físico da Rensselaer Polytechnic Institute, em Troy, Nova York.
“As lâmpadas incandescentes iluminaram o século 20, mas o século 21 será iluminado por lâmpadas LED”, disse um representante da Real Academia Sueca de Ciências em um comunicado.
As lâmpadas LED também trazem a promessa de melhorar a qualidade de vida de cerca de 1,2 bilhão de pessoas em todo mundo que não têm acesso às redes de energia elétrica, já que seu baixo consumo de eletricidade permite que sejam alimentadas por painéis e baterias solares.
Além de iluminar, os LEDs podem incorporar sensores que detectam quando as pessoas estão em uma sala, e desligar as luzes quando não há ninguém – um requisito para qualquer casa inteligente.
Os LEDs já estão sendo explorados por seu potencial de transmissão de dados da internet através de um espaço aberto, semelhante ao WiFi. Tal sistema poderia transmitir muito mais dados do que WiFi atual, disse Wetzel. Isso é possível porque os LEDs podem ligar e desligar milhões de vezes por segundo.
Os usos dos LEDs azuis não param por aí. A tecnologia está começando a ser usada para a purificação de água. Atualmente, as plantas de purificação usam lâmpadas de mercúrio para matar os micróbios na água, mas estas lâmpadas consomem muita energia. Já o LED pode purificar a água diretamente na torneira, e ligar ou desligar conforme necessário – o que resulta em grande economia, disse Wetzel. Apenas algumas empresas estão trabalhando com o LED para a purificação de água no momento, mas em poucos anos, eles vão estar em toda parte, disse ele.
A ascensão de iluminação LED veio num momento em que as pessoas estão começando a se preocupar com o aquecimento global, disse Wetzel. Por causa da eficiência energética dos LEDs, o seu uso para a iluminação do mundo terá “um impacto extremo” na sociedade.

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14.325 – O Tubo de Raios Catódicos


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Um tubo de raios catódicos ou cinescópio (também conhecido pelo acrónimo CRT, derivado da expressão inglesa cathode ray tube) é um tipo de válvula termiônica contendo um ou mais canhões de elétrons e um ecrã fluorescente utilizado para ver imagens. Seu uso se dá principalmente em monitores de computadores e televisores (cinescópios de deflexão eletromagnética) e osciloscópios (cinescópios de deflexão eletrostática). Foi inventado por Karl Ferdinand Braun em 1897.
Foi em um tubo de raios catódicos que, em 1897, o físico J. J. Thomson verificou a existência do elétron.
As primeiras experiências com raios catódicos são creditadas a J. J. Thomson, físico inglês que, em seus três famosos experimentos, conseguiu observar a deflexão eletrostática, uma das funções fundamentais dos tubos de raios catódicos modernos. A primeira versão do tubo de raios catódicos foi inventada pelo físico alemão Ferdinand Braun em 1897, tendo ficado conhecida como tubo de Braun.
EM 1907, o cientista russo Boris Rosing usou um tubo de raios catódicos na extremidade receptora de um sinal experimental de vídeo para formar uma imagem. Ele conduziu o experimento para mostrar formas geométricas simples na tela. Foi a primeira vez em que a tecnologia de tubo de raios catódicos foi usada para o que agora conhecemos como televisão.
O primeiro tubo de raios catódicos a usar cátodos quentes foi desenvolvido por John B. Johnson e Harry Weiner Weinhart, da Western Electric, tendo se tornado um produto comercial em 1922.
O primeiro televisor comercializado com tubo de raios catódicos foi fabricado pela Telefunken, na Alemanha, em 1934.
A máscara de sombra, formada por uma chapa de aço com cerca de 150 micros de espessura e com cerca de 350 mil furos é conformada em uma fôrma convexa em prensas, lavada e passa por um processo de enegrecimento. Esta chapa é fixada em um anel metálico para dar rigidez e que é fixado à tela por molas.
Processamento de telas ou Flowcoating
A camada fotossensível (camada de fósforo) é aplicada na parte interna da tela usando um processo fotoquímico. O primeiro passo é um pré-tratamento da superfície seguido do recobrimento com uma suspensão de fósforo verde. Depois de seca, a máscara é inserida na tela e o conjunto é exposto a uma luz UV que reage na parte exposta pelos furos da máscara. Os raios de luz são emitidos de tal forma que as linhas de fósforo estejam no mesmo ponto que o feixe de elétrons colidirá. Então a máscara é removida da tela e a área não exposta à luz é lavada. Nas áreas que foi exposta, o fósforo adere à tela como resultado de uma reação fotossensível. Na sequência as outras duas cores (azul e vermelho) seguem no mesmo processo.
Para os tubos que utilizam a tecnologia de matriz, linhas de grafite são colocadas entre as linhas de fósforos antes do processo Flowcoating em um processo similar chamado de processo Matrix.
Toda a região da tela é coberta posteriormente com uma camada de alumínio, este alumínio conduz os elétrons e também reflete a luz emitida para trás (efeito espelho).
Em paralelo ao Processamento de Telas, a parte interna do cone de vidro foi recoberta com uma camada de material condutivo. Uma pasta de esmalte é aplicada à borda do cone que após o forno se funde com a tela. A partir do forno o cone e a combinação tela/máscara, incluindo o cone metálico que serve de blindagem magnética, são fundidos no esmalte em alta temperatura.
O canhão eletrônico é inserido e selado no pescoço do cone, o vácuo é formado no interior do bulbo, o qual em seguida é fechado. Neste momento o bulbo se torna um tubo. Um “getter” (elemento químico com alta capacidade de combinação com gases não inertes), montado em uma fase anterior do processo, é evaporado por meio de aquecimento com alta frequência, para que se combine com possíveis átomos residuais de gases, através de reações químicas.
A parte externa do cone do cinescópio é recoberta por uma camada condutiva e uma cinta metálica é colocada na borda do painel através de um processo que envolve o aquecimento da cinta, a sua aplicação à borda do painel, seu resfriamento e consequente contração, para proteger o tubo contra possíveis riscos de implosão.

Matching
No Processo de Matching, uma bobina defletora é “casada” ao pescoço do cinescópio até o cone. Após várias medições e operações de acabamento, a defletora é ajustada para garantir uma distribuição uniforme e equalizada, por toda a tela, dos feixes eletrônicos vermelho, verde e azul. Esta operação é chamada “matching”. A defletora é então fixada na sua posição definitiva.
Descarte e reciclagem
Alguns cinescópios, dependendo do modelo e fabricante podem possuir metais nobres e até valiosos, tal como paládio, platina e eventualmente ouro, além de terras raras, algumas delas inclusive com pequeno potencial radioativo. Miligramas ou mesmo gramas desses metais e terras raras podem ser encontrados nos catodos e nas grades de difusão ou máscaras.
Dependendo de estudos de viabilidade, a extração desses metais pode compensar o custo de tratamento do descarte e da reciclagem, como já ocorre com os chips recobertos por filmes de ouro e entre outros, determinados conectores e soquetes utilizados em placas de circuito impresso, contatos de relés e etc.
Existem ainda alguns tubos de altíssima luminosidade que podem, apesar de não ser absolutamente certo isso – por estar entre os segredos de fabricação (vide referências) – conter diminutas quantidades de material radioativo pesado, tal como o tório, utilizado no endurecimento e aumento de resistência ao calor dos componentes do canhão eletrônico, tornando o negócio de reciclagem no mínimo desaconselhável para leigos e no pior caso exigindo inclusive disposição especial em áreas especialmente preparadas para recebê-los, para evitar graves contaminações, possivelmente cumulativas, no meio ambiente.
Lembrando que, ainda hoje no Brasil e em outros países, dispositivos mais simples tecnologicamente, mas submetidos a grande calor durante a operação, tal como “camisas de lampião”, são banhadas em material radioativo para permitir às cerdas das mesmas atingirem altas temperaturas sem romperem-se facilmente – o mesmo principio de tratamento por tório, costumava ser utilizado nos cátodos de alguns cinescópios.
Já os televisores mais antigos, aqueles com válvulas termiônicas, contêm algumas delas com cátodos compostos com terras raras, porém em diminutas quantidades. Apesar de encontrarem-se diversas dessas válvulas eletrônicas com informações relativas ao uso de terras raras radioativas nos cátodos, não se sabe exatamente se possuem ou não radioatividade inerente suficiente para causar danos, porém nos recicladores o contato constante com esses materiais poderá ser mais um fator para que não sejam reciclados em ambientes não controlados.
O que torna o assunto da reciclagem de componentes eletrônicos e válvulas termiônicas algo um tanto delicado e que exigiria sempre a presença de um técnico especializado para avaliar o impacto ao meio ambiente e para realizar o descarte seguro desses componentes.
Aparelhos antigos podem conter maior quantidade desses componentes.
Seria irresponsável dizer às pessoas que simplesmente os atirem ao lixo, mas também é irresponsável dizer que leigos poderiam cuidar desse assunto – mesmo descartando-os em Ecopontos como os muitos mantidos pela prefeitura em grandes cidades de São Paulo.

oscilloscope

14.316 – Biologia – O Bipedismo


avestruz
Avestruz africano, o mais veloz bípede vivo

É uma forma de locomoção terrestre, onde um organismo se move por meio de seus dois membros posteriores ou pernas. Um animal ou máquina que normalmente se move desta forma é conhecido como bípede, que significa “dois pés” (do latim bi para “dois” e ped para “pé”).
Poucas espécies modernas são bípedes habituais, quando método de locomoção normal é sobre duas pernas. Dentro dos mamíferos, o bipedalismo habitual evoluiu várias vezes, como entre os Macropodidae (que inclui os cangurus), Dipodomyinae, Notomys, Hominina (humanos) e pangolins, assim como em vários outros grupos extintos que evoluíram esta característica de forma independente. No período Triássico alguns grupos de arcossauros (um grupo que inclui os antepassados dos crocodilos) desenvolveram o bipedalismo; entre os descendentes dos dinossauros, todas as primeiras espécies e muitos grupos posteriores eram bípedes habituais ou exclusivos; as aves descendem de um grupo de dinossauros que eram exclusivamente bípedes.
Um número maior de espécies modernas utilizam movimento bípede por curtos períodos de tempo. Várias espécies de lagartos movem-se de maneira bípede quando estão correndo, geralmente para escapar de ameaças. Muitas espécies de primatas e de urso adotam o bipedalismo para alcançar alimentos ou explorar o ambiente. Várias espécies de primatas arborícolas, como gibões e indrídeos, utilizam exclusivamente a locomoção bípede durante os breves períodos que passam no chão. Muitos animais também apoiam-se sobre as patas traseiras, enquanto lutam, copulam, tentam alcançar a comida ou para ameaçar um concorrente ou predador, mas não conseguem se mover de forma bípede.
A grande maioria dos vertebrados terrestres vivos são quadrúpedes, com o bipedismo exibido apenas por um punhado de grupos vivos. Seres humanos, gibões e grandes pássaros caminham levantando um pé de cada vez. Por outro lado, a maioria dos macrópodes, pássaros menores, lêmures e roedores bípedes se movimenta pulando nas duas pernas simultaneamente. Os cangurus de árvores são capazes de andar ou pular, geralmente alternando os pés quando se movem de forma arbórea e pulando simultaneamente em ambos os pés quando estão no chão.
Muitas espécies de lagartos se tornam bípedes durante a locomoção a alta velocidade, incluindo o lagarto mais rápido do mundo, a iguana-de-cauda-espinhosa (gênero Ctenosaura)
Arquinossauros (inclui pássaros, crocodilos e dinossauros)
Todas as aves são bípedes quando estão no chão, uma característica herdada de seus ancestrais dinossauros.

Outros arcossauros
O bipedismo evoluiu mais de uma vez nos arcossauros, o grupo que inclui dinossauros e crocodilianos. Todos os dinossauros são descendentes de um ancestral totalmente bípede, talvez semelhante a Eoraptor.
Vários grupos de mamíferos existentes desenvolveram independentemente o bipedalismo como sua principal forma de locomoção – por exemplo, humanos, pangolins gigantes, as preguiças gigantes terrestres extintas, numerosas espécies de roedores saltadores e macrópodes. Os seres humanos, como seu bipedalismo tem sido extensivamente estudado, estão documentados na próxima seção.
Primatas
A maioria dos animais bípedes se movimenta com as costas próximas à horizontal, usando uma cauda longa para equilibrar o peso de seus corpos. A versão primata do bipedalismo é incomum porque as costas estão próximas da posição vertical (completamente eretas nos humanos), e a cauda pode estar completamente ausente. Muitos primatas podem ficar de pé nas patas traseiras sem qualquer apoio. chimpanzés, bonobos, gibões e babuínos exibem formas de bipedalismo.
Indivíduos feridos
Ursos, chimpanzés e bonobos feridos têm sido capazes de sustentar o bipedismo.
Humanos
Existem pelo menos doze hipóteses distintas sobre como e por que o bipedismo evoluiu em humanos, e também algum debate sobre quando. O bipedismo evoluiu bem antes do grande cérebro humano ou o desenvolvimento de ferramentas de pedra. Na história da evolução humana, andar ereto remonta pelo menos 6 milhões de anos ao Sahelanthropus, uma espécie antiga com características de humanas e de macacos descoberta a partir de restos fósseis encontrados em Sahel. Uma teoria proeminente é que a mudança climática transformou a paisagem, criando savanas onde as árvores e florestas se encontravam.
Cientistas norte-americanos apontam para uma intervenção cósmica para a evolução do bipedismo humano. A Via Láctea explodiu em milhares de supernovas que começou há cerca de 7 milhões de anos e continuou por milhões de anos. As supernovas detonaram raios cósmicos em todas as direções. Na Terra, a radiação que chegou das explosões atingiu o pico de cerca de 2,6 milhões de anos atrás. Quando os raios cósmicos atingiram o planeta, eles ionizaram a atmosfera e a tornaram mais condutiva. Isso poderia ter aumentado a frequência dos raios, enviando incêndios florestais através das florestas africanas e abrindo caminho para as pastagens.

14.300 – Dr Garibaldo – Por que na peste bubônica médicos usavam máscaras com “bico de pássaro”?


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Causada por uma bactéria transmitida por pulgas de animais pequenos (principalmente ratos), a peste bubônica foi uma das doenças mais temidas do mundo. Com sintomas que se assemelhavam aos da gripe, incluindo febre, dor de cabeça e vômito, a enfermidade evoluía para inflamação dos gânglios linfáticos e, sem tratamento, provocava morte de 30% a 90% dos infectados em um período de dez dias. Não à toa, a pandemia que assolou Europa, Ásia e África no século 14 e vitimou 50 milhões de pessoas (cerca de um terço da população europeia na época) ficou conhecida como “Peste Negra”.
No século 17, novos surtos da doença fizeram surgir uma imagem que se tornou emblemática e até hoje é associada à peste: médicos com um vestido que os cobria da cabeça aos pés e uma máscara com um bico de pássaro. A razão por trás dos trajes esquisitos (e levemente assustadores) é o desconhecimento científico acerca das causas da doença.

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Naquela época, a teoria corrente para a disseminação de doenças infecciosas era a miasmática. Formulada pelo médico inglês Thomas Sydenham e o italiano Giovanni Maria Lancisi, defendia que as moléstias tinham origem nos miasmas, o conjunto de odores fétidos que vinham de matéria orgânica em putrefação e da água contaminada. Eles causariam um desequilíbrio nos fluidos corporais do paciente, e acreditava-se que perfumes fortes poderiam proteger da peste.

A lógica das máscaras era justamente essa: evitar que o miasma chegasse ao nariz dos médicos. Preenchidas com teriaga, uma combinação com mais de 55 ervas e outras especiarias que desde a Grécia Antiga era tida como um antídoto para qualquer envenenamento, a ideia era que a forma de bico proporcionasse tempo o suficiente para purificar o ar.
O responsável pela criação foi o médico Charles de Lorme, que cuidou da realeza francesa durante o século 17, entre eles o rei Luís XIII. Além da máscara esquisita, o visual era composto por uma camisa por dentro de calças que se conectavam a botas, um casaco coberto por cera perfumada, chapéu e luvas feitos de couro de carneiro, além de uma vara para afastar os doentes.
Séculos depois, ficou provado que a roupa só servia mesmo como fantasia — especialmente na Itália, o visual icônico aparecia em peças de teatro do gênero “commedia dell’arte” e no carnaval, utilidade que perdura até hoje (ironicamente, os últimos dois dias do carnaval de Veneza de 2020 foram cancelados por causa da propagação do novo coronavírus).
A teoria microbiana, confirmada no fim do século 19 e aceita até hoje, estabeleceu que os microrganismos são os verdadeiros causadores de inúmeras doenças, entre elas a peste. Os trajes deram lugar aos antibióticos, de fato eficazes e usados até hoje.

MASCARA BICO

14.291-História – Absolutismo Francês


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O Absolutismo foi um fenômeno político que caracterizou a emergência e o estabelecimento do Estado Moderno europeu entre os séculos XVI e XVIII. O absolutismo francês, em especial, expressou toda a pujança desse modelo político. O rei Luís XIV (1643-1715), conhecido como “Rei Sol”, personificou todas as características do absolutismo, e a ele foi atribuída a frase “O Estado sou Eu”. Essa característica de representação completa do Estado fazia do rei um elemento político absoluto. Daí vem o termo absolutismo.
Os Estados Modernos europeus e o modelo absolutista nasceram como uma resposta à profunda crise política e social advinda das guerras civis e religiosas que assolaram a Europa nos séculos XVI e XVII. Essas guerras eram decorrentes das reformas protestantes e do enfrentamento que os reis das dinastias católicas deram às propostas políticas ancoradas no luteranismo e no calvinismo.
Na França, os principais arquitetos do Estado fortalecido e centralizado na figura do rei foram o cardeal Richelieu (1585-1642), que fora primeiro-ministro do rei Luís XIII, e Jacques Bossuet (1627-1704), teólogo que engendrou uma das principais defesas teóricas do absolutismo, reivindicando, inclusive, a relação íntima desse tipo de governo com a própria dinâmica da História.

Richelieu preparou o terreno para a centralidade do poder na figura do rei: limitou a influência dos nobres nas decisões políticas administrativas, ampliou a força dos funcionários reais e criou uma forte burocracia controlada pelo rei. Tudo isso amparado naquilo que ele denominava de “razão de estado”.

Jacques Bossuet, por sua vez, foi um dos principais seguidores e admiradores do rei Luís XIV, sucessor de Luís XIII. Sua principal obra intitula-se “Política tirada das Sagradas Escrituras”. Nela, Bossuet, apoiando-se na tradição católica, especialmente em autores como Santo Agostinho, tensionou estabelecer uma teoria do direito divino do monarca, concebendo que todo o poder estava na figura do rei. O rei seria, desse modo, uma autoridade sagrada e incontestável, só devendo obediência a Deus.
Para afirmar-se como modelo político, o absolutismo precisou ser implacavelmente autoritário. O historiador Marco Antônio Lopes exemplificou esse caráter incisivo do monarca absoluto no seguinte trecho: “O Estado absolutista francês instalou-se no topo de uma complexa pirâmide de hierarquias sociais. Se em sua “política externa” não admitia nenhuma potência acima de si mesmo, no interior do reino sufocou qualquer discurso que fosse desfavorável à propaganda monárquica, que foi estendida até aos campos de batalha. A lei da mordaça imposta pelos príncipes absolutistas à História, que se tornou uma “arte”, foi muito criticada por autores setecentistas.” (Lopes, Marcos Antônio. (2008). Ars Historica no Antigo Regime: a História antes da Historiografia. Varia Historia, 24(40).p 653.)
Os autores setecentistas que criticaram essa tentativa de controle da História e da população pelo Estado absolutista foram os representantes do Iluminismo, como Montesquieu, que defendia o deslocamento do poder da figura do rei para os cidadãos, que seriam representados por instituições harmônicas e interdependentes, configurando três poderes: o Legislativo, o Judiciário e o Executivo.

14.280 – QUEM FOI TIRADENTES E POR QUE ELE TEM UM FERIADO?


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Vamos por partes: Joaquim José da Silva Xavier nasceu em 12 de novembro de 1746, na Fazenda do Pombal, onde hoje se localiza a cidade de Ritápolis, em Minas Gerais. Nessa época, quem governava o Brasil era a corte portuguesa, mas, até então, Joaquim não ligava muito para política – até pelo fato de que seus pais eram portugueses.
Quis a vida que, já aos 15 anos de idade, ele fosse órfão de pai e mãe. O rapazinho acabou ficando sob a tutela de um tio, que era cirurgião dentista e com quem ele aprendeu algumas coisas da profissão, apesar de, oficialmente, ter se tornado tropeiro, militar e minerador.
Inconfidência Mineira
Foi como minerador que Joaquim José descobriu que a corte portuguesa não era tão legal assim com os brasileiros: os impostos cobrados eram muito caros e aumentaram ainda mais quando os minérios ficaram escassos. Revoltado com isso, ele liderou um grupo para lutar contra essa cobrança.

Só que, é claro, havia um dedo-duro no bando que denunciou a revolta para os governantes. Por isso, um dia antes, muitos que faziam parte da chamada Inconfidência Mineira foram presos e esperaram até 3 anos pela sentença. Joaquim José assumiu a liderança e conseguiu libertar os outros inconfidentes, sendo o único condenado à morte.

Aos 45 anos, no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, Joaquim José percorreu as ruas do Rio de Janeiro da cadeia até o local de sua execução. A galera foi em peso acompanhar sua morte, que teve discurso e até fanfarra – tudo, é claro, para dar um alerta àqueles que se revoltassem contra a corte. O líder foi enforcado e esquartejado, com partes de seu corpo sendo expostas em vias públicas.
Feriado e aparência de mártir
O que era para ser um processo de intimidação acabou sendo um incentivo para novas revoltas, tanto que a memória de Tiradentes foi exaltada pela população. Ele era chamado dessa forma por conta de suas práticas na extração de dentes, aprendidas com o tio. Oficialmente, ele nunca se formou dentista.

O feriado em sua homenagem só foi promulgado em 9 de dezembro de 1965, durante a primeira fase do Regime Militar. Desde então, a data de sua morte virou folga em todo o território nacional. Claro que esse é apenas um resumo da história de Tiradentes, que teve sua imagem de mártir construída ao longo dos séculos.

Falando em imagem, uma das curiosidades sobre a sua vida é que não existem muitos relatos sobre sua aparência física. Em 1890, o pintor Décio Villares criou uma figura hipotética do herói, usando símbolos já conhecidos de outro mártir: Jesus Cristo. Ao retratá-lo com barba e cabelos longos, Villares mitificou o homem, retirando a idolatria meramente política para dar uma aura mais mística a Tiradentes.
Oficialmente, Tiradentes foi enforcado com cabelo e barba raspados, sendo que, por ter servido o exército, é muito mais provável que ele usasse cabelos curtos e, no máximo, um bigodinho em seu dia a dia. Agora, confessa para a gente: você já fez o sinal da cruz achando que ele era Jesus Cristo?

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14.277- História – O nazismo era de esquerda ou de direita?


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O consenso acadêmico, ou seja, o consenso entre os historiadores, é de que o nazismo era um movimento localizado na extrema-direita do espectro político. A argumentação dos historiadores utiliza a análise do discurso do próprio Hitler e da ideologia do Partido Nazista, bem como dos fatos históricos e dos grupos de apoio aos nazistas, que eram grupos políticos e paramilitares de direita.
Afirmar que o nazismo era um regime da extrema-direita não significa negar que existiram movimentos ditatoriais da extrema-esquerda, como foi o caso do governo de Stalin, na União Soviética, ou de Pol Pot, no Camboja.
No caso do nazismo, a conceituação vigente entre os maiores historiadores do mundo é de que se tratava de um regime de extrema-direita, pois, como mencionado, a sustentação do partido ocorreu por meio do apoio de grupos conservadores e paramilitares da direita alemã. Com uma análise minuciada das características do Partido Nazista, é possível identificar melhor essas questões.
Uma característica central da ideologia nazista eram os ataques ao marxismo e ao comunismo soviético. O desprezo ao comunismo era um elemento central da ideologia nazista. O temor ao comunismo, inclusive, é levantado pelos historiadores como um dos fatores que alavancaram o nazismo na Alemanha.
Na Alemanha durante as décadas de 1910 e 1920, as ideias comunistas eram muito influentes e possuíam muitos adeptos. A respeito dessa questão, o historiador Ian Kershaw menciona o fato de que os escritos de Hitler denotavam que ele não havia estudado marxismo1 e ainda que Hitler almejava ser o destruidor do marxismo2.
O resultado dessa busca de Hitler pela destruição do marxismo, representado no comunismo soviético, deu origem a uma geração de alemães que, a partir de uma extensa doutrinação, via no comunismo e nos judeus duas coisas que deveriam ser destruídas, como evidencia o historiador Max Hastings.
O antimarxismo dos nazistas ecoava em parcela com o antissemitismo. Isso se explica pelo fato de que os nazistas acreditavam que o comunismo soviético era parte de um plano dos judeus de dominação internacional. Essa ideia conspiracionista em relação aos judeus foi fortemente influenciada na época por uma publicação anônima chamada Os Protocolos dos Sábios de Sião.

No caso do antimarxismo, podemos citar também os freikorps, os grupos paramilitares que apoiavam o nazismo durante a década de 1920 e promoviam ataques contra os seus opositores ideológicos. Assim, foram comuns casos de grupos paramilitares que perseguiam e agrediam social-democratas (centro-esquerda) e marxistas/comunistas (esquerda).
O nazismo era liberal ou antiliberal?
Na questão da economia, há muita confusão, sobretudo pelo fato de o nazismo ter sido um partido antiliberal. Isso porque Hitler só aceitava uma economia capitalista que estivesse sob o poder do Estado, negando que o desenvolvimento capitalista acontecesse no livre mercado. De toda forma, o direito à propriedade privada era garantido dentro do Estado nazista e, conforme pontua Ian Kershaw, Hitler distinguia “capital industrial” de “capital financeiro”. O primeiro era visto de maneira positiva, e o segundo, de maneira negativa, uma vez que estava supostamente nas mãos dos judeus, o grupo visto como o responsável por todo o mal que a sociedade alemã enfrentava.
Por que Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães?
Outro ponto importante está na confusão acerca do nome do partido: Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Essa nomenclatura fazia parte da propaganda do partido para atrair pessoas. Nesse sentido, utilizavam-se termos de dois movimentos bastante populares à época: o nacionalismo e o socialismo. Ambos os movimentos tinham inúmeros adeptos na Alemanha da época.
Até as cores do partido foram pensadas por Hitler como forma de atrair pessoas para o nazismo. Esse tipo de propagandismo a partir da nomenclatura foi utilizado por outros partidos ao longo da história. Um exemplo que é amplamente considerado atualmente é o caso da República Democrática da Coreia ou, simplesmente, Coreia do Norte, que, apesar do nome, sabemos que não tem nada de democrática.
Por fim, é importante especificar que esse debate de o nazismo ser de esquerda não existe entre os meios acadêmicos, uma vez que a sua legitimidade nos fatos históricos não é comprovada pelos estudos feitos sobre o tema.

O que era o nazismo?
O nazismo foi um partido político que surgiu na Alemanha em 1920 e que ascendeu rapidamente ao poder aproveitando-se do desespero da sociedade alemã, que estava arrasada em consequência da Primeira Guerra Mundial e da Grande Depressão. Os nazistas conseguiram chegar ao poder em 1933 e iniciaram um regime totalitário que levou a Alemanha à Segunda Guerra Mundial e a cometer o maior genocídio da humanidade: o holocausto.
O partido nazista é fruto de ideais que estavam em evidência na sociedade alemã desde o século XIX e que ganharam nova dimensão após a Primeira Guerra Mundial. No século XIX, a região que corresponde à Alemanha sofreu o seu processo de unificação (surgimento do Estado Nacional Moderno da Alemanha) em torno de fortes ideais nacionalistas. Esse processo foi conduzido por Otto von Bismarck. O nacionalismo exacerbado que existia na sociedade alemã era acompanhado por tendências xenofóbicas (desprezo pelo estrangeiro) que se voltavam contra outros povos (como os poloneses) e pelo antissemitismo (aversão aos judeus).
Esses ideais escoravam-se em ideologias da época baseadas no darwinismo social que procuravam comprovar cientificamente a “superioridade” de determinados povos em relação a outros. No caso do alemão, desenvolveu-se um ideal em torno do “nórdico” ou “ariano” como povo superior. Esse ideal de superioridade era acompanhado de um ideal de império em que os alemães formariam um “espaço vital”, uma espécie de mito rural em que os alemães ocupariam um vasto território e viveriam à custa do trabalho dos eslavos.
Além do nacionalismo extremo, da xenofobia e do antissemitismo, a sociedade alemã também reproduzia outros ideais, como a exaltação da guerra como forma de alcançar o desenvolvimento e o apreço por uma liderança forte. Todos esses valores foram levados para o século XX e exportados aos movimentos extremistas da década de 1920, quando a sociedade alemã estava à beira do colapso.
O surgimento do nazismo está diretamente relacionado com o cenário da Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. O fim desse conflito foi marcado pela rendição da Alemanha e pela resignação das lideranças do país em assumir a total responsabilidade pelo conflito. Isso foi enxergado por uma parte considerável da sociedade alemã como uma traição, e a rendição do país foi vista de uma maneira conspiratória, isto é, elementos da sociedade passaram a acreditar que a rendição da Alemanha havia sido fruto de uma conspiração.
Para agravar a situação, a Alemanha encarou a pior crise econômica da sua história nas décadas de 1920 e 1930 por conta da derrota na guerra e da Crise de 1929 (Grande Depressão). A crise econômica fez com que a moeda alemã sofresse uma desvalorização brutal e o desemprego disparasse e alcançasse quase a metade da população em idade ativa.
Foi dentro desse contexto que o nazismo ganhou força. O partido surgiu oficialmente em 1920 com o nome de Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão, o nome do partido era Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, com sigla NSDAP). Hitler esteve envolvido com o surgimento do partido na data citada e ajudou na elaboração do programa do partido.
Aos poucos, Hitler foi ganhando mais importância na popularização dos nazistas, principalmente por sua excelente oratória, que chamava a atenção das pessoas. Ele se tornou líder do partido nazista em 1921 e foi figura central no fortalecimento do nazismo ao longo da década de 1920, conseguindo chegar ao poder da Alemanha em 1933.

14.276 – Como Morreram os 12 Apóstolos?


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A ciência não conseguiu comprovar se os 12 discípulos de Jesus existiram na forma como são descritos pela Igreja. Os poucos historiadores e bispos que deixaram relatos sobre eles, como Eusébio de Cesareia, autor de História Eclesiástica (séc. 4), têm a credibilidade afetada, pois seus textos tinham a intenção de reforçar a fé cristã, em um tempo em que a religião ainda não tinha dogmas bem definidos, hierarquia estabelecida e poder central estabilizado. Isso só começou a ser desenhado quando o cristianismo virou religião oficial de Roma, em 380. É possível que as biografias dos 12 apóstolos misturem as vidas de vários seguidores de Jesus com elementos ficcionais. Aqui, mostramos a forma como eles morreram segundo a Bíblia ou de acordo com textos dos primeiros séculos do cristianismo.

1
Judas Iscariotes

30-33 d.C.
Atos dos Apóstolos
Evangelho Segundo Mateus (não faz parte da Bíblia)
Suicidou-se, arrependido por ter traído Jesus. Ele se enforcou em uma árvore, sobre um penhasco. A corda arrebentou e Judas caiu em cima de pedras afiadas

2
Tiago Maior
44 d.C.
Atos dos Apóstolos
História Eclesiástica II (não faz parte da Bíblia)
Morreu ao lado do homem que o delatou ao rei da Judeia, Herodes Agripa. O delator se arrependeu e se converteu na hora H. Ambos foram executados em Jerusalém: decapitados ou perfurados pela espada de um soldado

3
Filipe
54 d.C.
Atos de Filipe (não faz parte da Bíblia)
Morreu por converter a mulher do homem errado — um procônsul romano. Dependendo da versão, ele foi crucificado ou torturado até a morte, em algum lugar da Ásia Menor

4
Mateus
60 d.C.
Relatos do pensador gnóstico Heracleon
A história mais antiga diz que ele morreu na Etiópia de causas naturais. Mas há pelo menos quatro relatos em que ele é assassinado por um rei local: decapitado, afogado, esfaqueado ou queimado

5
Tiago Menor
63-64 d.C.
Antiguidades Judaicas, de Flávio Josefo (não faz parte da Bíblia)
Culpando os cristãos pelo incêndio que destruiu Roma, em 64, o imperador Nero teria inflamado o povo a apedrejar e espancar Tiago (hoje, há historiadores que dizem que a perseguição a cristãos começou somente depois do período de Nero)

6
Pedro
64 d.C.
Atos dos Apóstolos
Primeira Epístola de Clemente (não faz parte da Bíblia)
Vítima da perseguição religiosa de Nero, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo por se sentir indigno de morrer como Cristo. Segundo a tradição, o fato se deu no Circo de Nero, onde hoje fica o Vaticano

7
André
69 d.C.
Atos de André (não faz parte da Bíblia)
Morreu suspenso em uma cruz em forma de X, na Grécia. Ele havia se recusado a renegar sua fé diante do procônsul romano Aegeates

8
Tomé
72 d.C.
Atos de Tomé (não faz parte da Bíblia)
História Eclesiástica V (não faz parte da Bíblia)
Perfurado pelas lanças de soldados em Mylapore, Índia. Tudo porque ele converteu a esposa do rei Misdaeu, Charisius, que se negou a fazer sexo após virar cristã. Mylapore, quando foi dominada pelos portugueses, passou a se chamar São Tomé de Meliapor

9
João
103 d.C.
Textos de Polícrates de Éfeso e de Eusébio de Cesareia (não fazem parte da Bíblia)
Após quase ser queimado vivo a mando do imperador romano Domiciano, exilou-se na Ilha de Patmos, na Grécia, em meados de 90 d.C. De lá se mudou para Efésios, onde morreu de causas naturais

10
Bartolomeu
Data indefinida
Sem registros escritos
Teria morrido na Armênia, mas não se sabe se foi crucificado ou esfolado e decapitado pelo irmão do rei Polymius. O monarca havia sido convertido pelo apóstolo

11
Simão
Data indefinida
Sem registros escritos
Há poucas informações. Ele teria morrido após renegar algum deus do Sol. Isso poderia ter sido tanto na Inglaterra quanto na Pérsia (atual Irã)

12
Tadeu
Data indefinida
Atos de Judas Tadeu e Simão (não faz parte da Bíblia)
Teria sido martirizado em Beirute, capital do atual Líbano, ao lado de Simão, seu grande amigo (sim, é outra versão para a morte de Simão)

14.269 – História da Medicina – Longevidade Através da História


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Na Roma Antiga, era comum uma pessoa vir a óbito quando alcançava a casa dos trinta anos de idade. Passando para o período medieval, existem diversos registros que nos levam à conclusão de que quase metade dos recém-nascidos acabava falecendo. Comparativamente, a expectativa de vida de um indivíduo nascido nos períodos Antigo e Medieval era impressionantemente similar a do Homem de Neanderthal, que habitou a Terra cerca de 350 mil anos atrás.
Essencialmente, a estabilidade destes números esteve ligada ao desenvolvimento de novos hábitos de higiene do homem. Desde os tempos pré-históricos nossos primeiros ancestrais tinham o costume de lavar o corpo. Contudo, a ausência de projetos de saneamento ou a incorporação de outros hábitos de higiene deixavam essa situação bastante complicada. No século XIV, a falta desses cuidados permitiu que quase um terço da Europa desfalecesse mediante a epidemia de Peste Negra.
A situação só teve alguma melhora no desenrolar da era Moderna, quando a expectativa de vida aumentou em alguns países da Europa. Mas não era nada muito animador. Na Alemanha do século XIX, a expectativa de vida de uma pessoa atingiu a “surpreendente” marca dos 37,2 anos de idade. Esse quadro só tomou outros rumos quando o cientista Louis Pasteur, na segunda metade do XIX, conseguiu provar a relação existente entre a contração de várias doenças e a higiene pessoal.
Desse tempo pra cá, vários outros estudos conseguiram decifrar outros meios para que o homem pudesse retardar o seu próprio fim. Nos anos de 1950, houve a descoberta e o consequente combate aos chamados radicais livres, compostos moleculares que contribuíam no processo de envelhecimento das células. Recentemente, novas pesquisas conseguiram atribuir o processo de envelhecimento a um determinado gene PHA-4, que reduz a injeção de glicose nas células.
Contudo, isso não quer dizer que a possibilidade de extensão da vida seja algo real e acessível a todo e qualquer indivíduo. Enquanto países desenvolvidos como Andorra oferecem uma expectativa de vida de 83,5 anos para cada habitante, outras nações paupérrimas, como no caso de Botsuana, tem uma expectativa na casa dos 30,9 anos. Dessa forma, podemos ver que o desenvolvimento de projetos sociais e econômicos interfere diretamente na variação desses índices.
No Brasil, as pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que o tempo de vida do cidadão vem crescendo bastante. Nos últimos quarenta anos, a projeção da vida de um brasileiro aumentou em 17 anos. Essa seria uma tendência geral, pois a expectativa de vida vem crescendo como um todo ao redor do mundo. Algumas estimativas sugerem que o brasileiro vá ultrapassar a barreira dos oitenta anos de idade por volta da década de 2030.

14.255 – Pesquisadores encontram livros envenenados em biblioteca universitária


livro envenenado
Alguns deve se lembrar do livro letal de Aristóteles que tem um papel importante na premissa da obra O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Envenenado por um monge beniditino louco, o livro dá início ao caos no monastério italiano do século 14, matando todos os leitores que lambem seus dedos antes de virar as páginas tóxicas. Algo do tipo poderia acontecer na realidade?

Nossa pesquisa indica que sim: descobrimos que três livros raros da coleção da biblioteca da Universidade do Sul da Dinamarca contêm grandes concentrações de arsênico em suas capas. Os livros são de vários assuntos históricos e foram publicados entre os séculos 16 e 17.
As características venenosas dos livros foram detectadas por meio de análises de raios-x fluorescente. Essa tecnologia demonstra o espectro químico de um material ao analisar a radiação “secundária” emitida por ele durante uma grande concentração de energia e é bastante utilizada em campos como os da arqueologia e da arte para investigar os elementos químicos de louças e pinturas, por exemplo.
Brilho verde
Levamos esses livros raros para os raios-x porque a biblioteca já tinha descoberto que fragmentos de manuscritos medievais, como cópias da lei romana e da lei canônica, foram utilizados para desenvolver suas capas. É bem documentado que encadernadores dos séculos 16 e 17 costumavam reciclar pergaminhos antigos.
Tentamos identificar os textos usados em latim, ou pelo menos tentar ler parte desses conteúdos. Mas então descobrimos que os textos em latim nas capas dos três volumes eram difíceis de ler por conta de uma camada grossa de tinta verde que escondia as letras antigas. Então os levamos para o laboratório: a ideia era atravessar a camada de tinta usando raios-x fluorescentes e focando nos elementos químicos da tinta que estava por baixo dela, como o ferro e o cálcio, na esperança de que as letras ficassem mais legíveis para os pesquisadores da universidade.
A nossa análise, no entanto, revelou que o pigmento verde da camada era de arsênio. Esse elemento químico está entre as substâncias mais tóxicas do mundo e a exposição a ele pode causar vários sintomas de envenenamento, o desenvolvimento de câncer e até morte.

O arsênio é um metalóide que, na natureza, geralmente é combinado com outros elementos como carbono e hidrogênio. Esse é conhecido como arsênico orgânico. Já o arsênio inorgânico, que pode ocorrer em formas puramente metálicas e em outros compostos, tem variáveis mais perigosas e que não diminuem com o passar do tempo. Dependendo no tipo e duração de exposição, os sintomas do arsênio podem incluir irritação no estômago, no intestino, náusea, diarreia, mudanças na pele e irritação dos pulmões.
Acredita-se que o pigmento verde que contém arsênio seja do tom “verde Paris”, que contém acetoarsênio de cobre. Essa cor também é conhecida como “verde esmeralda” por conta de seus tons verdes deslumbrantes parecidos com o da pedra rara. O pigmento — um pó cristalino — é fácil de fazer e já foi utilizado com vários propósitos, principalmente no século 19. O tamanho dos grãos do pós influenciam o tom das cores, como pode ser visto em tintas a óleo. Grãos maiores produzem um verde mais escuro, enquanto os menores produzem um verde mais claro. O pigmento é conhecido principalmente por sua intensidade de cor e resistência a desaparecer.

Pigmento do passado
A produção industrial do verde Paris começou no início do século 19 na Europa. Pintores impressionistas e pós-impressionistas usavam diferentes versões do pigmento para criar suas vívidas obras de arte. Isso significa que muitas peças de museu hoje contêm o veneno. Em seu auge, todos os tipos de materiais, até capas de livros e roupas, podiam receber uma camada do verde Paris por razões estéticas. O contato contínuo com a substância, é claro, levava a pele dos envolvidos a desenvolver alguns dos sintomas de exposição abordados acima.
Mas na segunda metade do século 19, os efeitos tóxicos da substância eram mais conhecidos, e as variáveis de arsênio pararam de ser utilizadas como pigmentos e passaram a ser usadas mais em pesticidas em plantações. Outros pigmentos foram encontrados para substituir o verde Paris em pinturas e na indústria têxtil. No meio do século 20, o uso da substância em fazendas também foi diminuindo.
No caso dos nossos livros, o pigmento não foi utilizado por motivos estéticos. Uma explicação plausível para a aplicação — possivelmente no século 19 — da substância em livros velhos é para protegê-los de insetos e vermes. Em algumas circunstâncias, compostos de arsênio podem ser transformados em um tipo de gás venenoso com cheio de alho. Há histórias sombrias de papeis de parede vitorianos verdes acabando com a vida de crianças em seus quartos.

Agora, a biblioteca guarda nossos três volumes venenosos em caixas separadas em cabines ventiladas. Também planejamos em digitalizá-los para minimizar o contato físico. Ninguém espera que um livro contenha uma substância venenosa, mas isso pode acontecer.

14.247 – Como a história ensina a lidar com pandemias


gripe espanhola
Qualquer semelhança, não é mera coincidência

Não confunda, você está no ☻Mega Arquivo

Gripe Espanhola matou milhões com transmissão acelerada.
O componente de História nas escolas, além de outros benefícios, tem como objetivo ensinar erros cometidos no passado para que a sociedade saiba como evitar que se repitam. Olhando para as grandes pandemias que já assolaram o mundo, uma que se assemelha bastante à atual crise do novo coronavírus (Covid-19) é a Gripe Espanhola. “Com os primeiros casos aparecendo no primeiro semestre de 1918, a Gripe Espanhola surgiu quando o mundo experimentava a Grande Guerra”, relembra o coordenador da assessoria de História, Filosofia e Sociologia do Sistema Positivo de Ensino, Norton Frehse Nicolazzi Junior. “Ela acabou sendo chamada de espanhola, cogita-se, pelo fato de a Espanha ser um país neutro na Guerra. Nenhum país naquele momento ia se responsabilizar por disseminar aquele vírus de mortandade tão grande”, explica.
Como o Brasil também participou da guerra, o professor lembra que os primeiros brasileiros infectados foram membros de uma frota contaminada na costa do mediterrâneo. Mas a chegada do vírus se deu em meados de setembro de 1918, com a vinda, ao Rio de Janeiro, de um navio britânico com aproximadamente 200 tripulantes doentes e outros infectados aparentemente saudáveis. A partir desse momento, esses marinheiros se misturaram com a população e acabaram transmitindo o vírus, causando um contágio em progressão geométrica”, descreve Nicolazzi. A situação ficou tão precária no país que o presidente da República no momento, Rodrigues Alves, morreu em 1919, em decorrência da pandemia.
As medidas de fechamento de fronteira e isolamento são lições aprendidas com a Gripe Espanhola e, anteriormente, com a Peste Bubônica. “Esse isolamento se mostra necessário se pensarmos na analogia histórica. No caso da Gripe Espanhola, a fronteira aberta permitiu que o vírus chegasse e rapidamente se espalhasse por diversas capitais brasileiras”, relata o coordenador do grupo de ensino paranaense. “No espaço de um mês, em capitais mais afastadas do litoral, tínhamos cerca de 20 óbitos por dia. Se houvesse um fechamento de fronteiras e isolamento, esse número certamente seria menor”. Nicolazzi afirma ainda que não existem condições de comparar a atual epidemia com as anteriores, mas essa expansão, da maneira como ela ocorre, é fruto do próprio processo de progresso técnico, de progresso econômico e da ideia de uma globalização. “As pessoas em trânsito favoreceram a disseminação da Peste no final do período medieval e a disseminação da Gripe Espanhola no início do século 20, com navios circulando o mundo inteiro em função da guerra. Isso tudo favoreceu muito a propagação das doenças, assim como hoje o vírus facilmente acessa o mundo todo”, detalha.
Quanto à desinformação notada nos dias atuais, o professor conta que, antigamente, era muito pior. “As principais potências envolvidas na guerra esconderam os casos de Gripe Espanhola para não transmitirem fraqueza durante o confronto. As pessoas achavam que não seriam contaminadas até o momento em que elas começam a ver os seus próximos adoecerem e morrerem em questões de poucos dias”, recorda. Para ele, a não aceitação da gravidade do problema no primeiro momento faz parte da própria dinâmica das pessoas de tentarem de alguma forma se protegerem.

14.227 – Madeira na Idade Média


Durante o período conhecido como Alta Idade Média, que compreendeu as ações dos homens no continente europeu entre os séculos V e XI, a madeira exerceu uma importante função na produção material da vida dos homens medievais.
Extraída principalmente dos bosques que circundavam as áreas habitacionais e de cultivo agrícola, a madeira era utilizada para diversas funções. Os bosques incluíam-se nas áreas denominadas como incultos, alcunha dada por não haver atividade humana no trabalho da terra, sendo espaço de caça e de extração vegetal e mineral. Ao fazer uma compilação das referências dos usos da madeira nos estudos dos diversos especialistas da Idade Média, o historiador português João Bernardo aponta diversos usos para a madeira durante esse período:
Como combustível, ela era utilizada nas manufaturas para a produção metalúrgica, de sal, do vidro, da cerâmica, além de cal e gesso; no ambiente doméstico, como na cozinha, para o aquecimento e para a iluminação. As cinzas serviam de matéria-prima para a produção de sabão e detergentes, tinturaria, fabricação de vidros e fertilizantes.
Na construção de edifícios, ela estava presente em fortificações, paliçadas, pontes, navios e outros meios de transporte. A madeira era também utilizada para a confecção de inúmeros instrumentos de trabalho agrícola, como arados. Mobiliário e utensílios utilizados no cotidiano, como os destinados à alimentação e a diversos outros usos, tinham a madeira como matéria-prima. Até os instrumentos militares tinham partes que eram fabricadas a partir da madeira.
O historiador francês Marc Bloch chegou a afirmar que a Idade Média viveu sob o signo da madeira, tamanha era a dependência dos homens e mulheres medievais em relação a essa matéria-prima. Inclusive na estética das edificações, havia afirmações que as construções em madeira eram mais belas que as construídas de pedra.
Essa dependência levou João Bernardo a escrever que por ocupar o lugar central na vida produtiva medieval, possivelmente não teria “existido nenhum outro sistema tecnológico tão inteiramente dependente de um material único”1, sendo utilizado para uma gama tão vasta de atividades. O historiador ainda contrapõe as teses ecologistas, contrárias à produção capitalista, que criticam o uso do carvão e do ferro como causadores iniciais dos desequilíbrios ambientais provocados pela civilização industrial, ao fato de que os materiais adotados nos primórdios do capitalismo eram uma reação ao esgotamento da madeira nos bosques europeus.
Dessa forma, as novas matérias-primas e técnicas contribuíram para a diminuição da extração madeireira nas áreas florestais, ao passo que diminuíram a dependência em relação à madeira como principal matéria-prima do sistema tecnológico medieval.

14.226-Idade Média – A queda de Constantinopla


historia constantino
É um fato de extrema importância em termos históricos. Para que se tenha uma dimensão dessa importância, basta pensarmos que o dia em que ela ocorreu, 29 de maio de 1453, foi por muito tempo (e ainda é, em alguns casos) considerado o marco do fim da Idade Média e início da Idade Moderna. A queda de Constantinopla foi o símbolo do declínio do Império Romano do Oriente (também conhecido como Império Bizantino), inaugurado por Constantino – que havia dado seu nome à cidade – no século IV d.C. Esse mesmo acontecimento marcou também o triunfo de outro império, o Otomano, que se formou a partir de um sultanato turco, em 1299, e foi o responsável pela conquista de Constantinopla.
O Império Romano do Oriente representava, na Idade Média, o que ainda havia de mais poderoso, em termos institucionais, herdado da antigo Império Romano. Por estar localizada em um lugar estratégico da Anatólia (Ásia Menor), Constantinopla sempre foi uma cidade cobiçada por diversas civilizações. Muitos tentaram subjugá-la, desde bárbaros, hunos e até os cavaleiros cruzados cristãos.
Os ataques frequentes acabaram por deixar as defesas da cidade em péssimas condições, e o seu território, drasticamente reduzido. Ainda que durante o século XIV tivessem negociado várias vezes com os bizantinos, na época do imperador João V Paleólogo, os otomanos, que disputavam espaço na Anatólia, sob o comando do sultão Mehmed II, deram o golpe fatal contra a cidade. Famosa por sua muralha que a protegera por séculos, Constantinopla não foi capaz de resistir ao poder dos canhões otomanos. Com a batalha vencida, Mehmed II logo se prontificou a estabelecer vínculos simbólicos com a cidade. A principal referência cristã de Constantinopla, a basílica de Hagia Sofia (Santa Sabedoria), foi transformada em mesquita no mesmo dia em que os otomanos conseguiram transpor as muralhas, como narra o historiador Alan Palmer:
Quando o Sultão Mehmed II entrou em Constantinopla em seu tordilho naquela tarde de terça-feira, foi primeiro a Santa Sofia, a igreja da Santa Sabedoria, e pôs a basílica sob sua proteção antes de ordenar que fosse transformada em Mesquita. Cerca de sessenta e cinco horas mais tarde, retornou à basílica para as preces rituais do meio-dia da sexta. A transformação era simbólica para os planos do Conquistador. O mesmo aconteceu quando insistiu em investir com toda solenidade um erudito monge ortodoxo no trono patriarcal, então vago.
Um tempo depois a cidade de Constantinopla receberia o nome de Istambul (nome que significa “na cidade”) e se tornaria a sede do Império Otomano. Esse Império sobreviveu até o início do século XX, quando ocorreu a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o que provocou o esfacelamento de sua unidade.

14.225 – História – Texto da Idade Média


idade media
No final do século V, o término de uma série de processos de longa duração, entre eles o grave deslocamento econômico e as invasões e os assentamentos dos povos germanos no Império Romano, transformou a face da Europa.
Durante esse período não existiu realmente um mecanismo de governo unitário nas diversas entidades políticas, embora tenha ocorrido a formação dos reinos. O desenvolvimento político e econômico era fundamentalmente local, e o comércio regular desapareceu quase totalmente. Com o fim de um processo iniciado durante o Império Romano, os camponeses começaram seu processo de ligação com a terra e de dependência dos grandes proprietários para obter proteção. Essa situação constituiu a semente do regime senhorial. Os principais vínculos entre a aristocracia guerreira foram os laços de parentesco, embora também tenham começado a surgir as relações feudais.
Durante a Idade Média européia, os camponeses passaram, obrigatoriamente, a viver e trabalhar em um único lugar a serviço dos nobres latifundiários. Esses trabalhadores chamados servos que cuidavam das terras de seu dono, a quem chamavam de senhor, recebiam em troca uma humilde moradia, um pequeno terreno adjacente, alguns animais de granja e proteção ante os foragidos e os demais senhores. Os servos deviam entregar parte de sua própria colheita como pagamento e estavam sujeitos a muitas outras obrigações e impostos.
A única instituição européia com caráter universal era a Igreja, mas dentro dela também ocorreu uma fragmentação na autoridade. Em seu núcleo havia tendências que desejavam unificar os rituais, o calendário e as regras monásticas, opostas à desintegração local.
Foi respondendo “Deus o quer” que a multidão reunida em Clermont no dia 27 de novembro de 1095 acolheu a prédica do papa Urbano II em favor da guerra santa destinada a libertar o sepulcro de Cristo do controle dos “infiéis”. A repercussão a esse apelo foi tal, que as Cruzadas, que constituíram o fato político e religioso mais importante da Idade Média, marcaram a história do Ocidente durante dois séculos.
A atividade cultural durante o início da Idade Média consistiu principalmente na conservação e sistematização do conhecimento do passado.
Essa primeira etapa da Idade Média foi encerrada no século X com a segunda migração germânica e as invasões protagonizadas pelos vikings, procedentes do norte, e pelos magiares das estepes asiáticas.

A Alta Idade Média
Até a metade do século XI, a Europa se encontrava em um período de evolução desconhecido até esse momento. A época das grandes invasões havia chegado ao fim e o continente europeu experimentava o crescimento dinâmico de uma população já assentada. Renasceram a vida urbana e o comércio regular em grande escala. Ocorreu o desenvolvimento de uma sociedade e uma cultura complexas, dinâmicas e inovadoras.
Durante a Alta Idade Média, a Igreja Católica, organizada em torno de uma hierarquia estruturada, com o papa como o ápice indiscutível, constituiu a mais sofisticada instituição de governo na Europa Ocidental. As ordens monásticas cresceram e prosperaram participando ativamente da vida secular. A espiritualidade da Alta Idade Média adotou um caráter individual, pelo qual o crente se identificava de forma subjetiva e emocional com o sofrimento humano de Cristo.
Dentro do âmbito cultural, houve um ressurgimento intelectual com o desenvolvimento de novas instituições educativas como as escolas catedráticas e monásticas. Foram fundadas as primeiras universidades; surgiram ofertas de graduação em medicina, direito e teologia, além de ter sido aberto o caminho para uma época dourada para a filosofia no ocidente.
Também surgiram inovações no campo das artes. A escrita deixou de ser uma atividade exclusiva do clero e o resultado foi o florescimento de uma nova literatura, tanto em latim como, pela primeira vez, em línguas vernáculas. Esses novos textos estavam destinados a um público letrado que possuía educação e tempo livre para ler. No campo da pintura foi dada atenção sem precedentes à representação de emoções extremas, à vida cotidiana e ao mundo da natureza. Na arquitetura, o românico alcançou sua perfeição com a edificação de incontáveis catedrais ao longo de rotas de peregrinação no sul da França e Espanha, especialmente o Caminho de Santiago, inclusive quando começava a surgir o estilo gótico, que nos séculos seguintes se converteu no estilo artístico predominante.
O século XIII foi o século das Cruzadas, defendidas pelo Papado para libertar os Lugares Santos no Oriente Médio que estavam nas mãos dos muçulmanos. Essas expedições internacionais foram mais um exemplo da unidade européia centrada na Igreja, embora também tenham sido influenciadas pelo interesse em dominar as rotas comerciais do oriente.

A Baixa Idade Média
A Baixa Idade Média foi marcada pelos conflitos e pela dissolução da unidade institucional. Foi então que começou a surgir o Estado moderno, e a luta pela hegemonia entre a Igreja e o Estado se converteu em um traço permanente da história da Europa nos séculos posteriores.
A espiritualidade da Baixa Idade Média foi o autêntico indicador da turbulência social e cultural da época, caracterizada por uma intensa busca da experiência direta com Deus, através do êxtase pessoal ou mediante o exame pessoal da palavra de Deus na Bíblia.
A situação de agitação e inovação espiritual culminaria com a Reforma protestante. As novas identidades políticas conduziriam ao triunfo do Estado nacional moderno, e a contínua expansão econômica e mercantil estabeleceu as bases para a transformação revolucionária da economia européia.

14.224 – Universidades da Idade Média


No tramitar da Idade Média, uma grande parte da população não tinha acesso ao conhecimento, nem mesmo o básico que é ler e escrever, e não tinha nenhuma perspectiva na vida de reter tais conhecimentos.
O que ocorria neste período é o que ocorre nos dias atuais, as disparidades financeiras e de oportunidades. Na Idade Média ler e escrever eram privilégio de uma estreita parcela da população composta por integrantes da igreja e comerciantes.
As primeiras escolas medievais se instalavam e eram regidas pelas igrejas e mosteiros, a partir do século XII, houve uma conscientização acerca da educação, pois a formação se fazia importante no comércio, que utilizava a escrita e o cálculo, e nesse mesmo período surgiram escolas fora da igreja.
As universidades tiveram início no século XIII, como um tipo de associação de professores e alunos que se unia para questionar as autoridades, a universidade da França surgiu a partir de uma associação de professores e a da Itália foi composta por alunos.
As universidades da Idade Média permitiam dentro de suas dependências o livre pensamento e ideologias, nesta época existia faculdade de artes, medicina, direito e teologia, todas as aulas eram ministradas em latim assim como grande parte das obras escritas.
No século XI desenvolveu-se uma literatura variada: A poesia épica (falava sobre heróis e honra), a poesia amorosa (falava de amor e admiração à mulher) e Romance (guerra, aventura e amor).
No campo da filosofia, os principais eram Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, o primeiro defendia a razão e o mundo espiritual como superior e o segundo afirmava que o homem não devia se apoiar na religião.