13.900 – Civilizações Antigas – Cividade de Terroso


cividade
Foi um povoamento localizado em Povoa de Varzim, Portugal. Conhecida na Idade Média como Montis Teroso, foi fundada no topo do Monte da Cividade, na Freguesia de Terroso, a 153 metros de atura onde há registros de ocupação entre 800 a.C. e III d.C.
A Cividade de Terroso é um castro extremamente fortificado por três muralhas compostas por grandes blocos. Sua população ocupava-se com a agricultura, pesca, pastoreio e trabalhos em metais, têxteis e cerâmicas. Os castrejos praticavam a incineração de seus mortos em fossas e posteriormente no exterior de suas casas.

13.899 – Mega Memória: Benito de Paula, Ufanismo em Plena Ditadura


Na década de 70 em plena ditadura, Benito de Paula fez sucesso o Amigo Charles Brown

O que é ufanismo?

É o orgulho exagerado de algo, comumente utilizado no Brasil para se referir ao patriotismo excessivo, ou seja, um grande orgulho que determinado indivíduo possui de seu país, pátria e nação.

A palavra ufanismo é um neologismo da língua portuguesa brasileira, criada em alusão a obra “Porque me Ufano do Meu País” (1900), de autoria do Conde Afonso Celso. O termo ufano provém da língua espanhola, significando a característica de um grupo que se auto vangloria.

Ao contrário do patriotismo e nacionalismo, que podem ser interpretados como conceitos positivos até certo nível, o ufanismo é visto como um exagero desmedido do “amor pela pátria”. Neste caso, o ufanismo é comparado a ideias pejorativas, como de vaidade, jactância e arrogância.

Alguns dos principais sinônimos de ufanismo são: nacionalismo exagerado e patriotismo exacerbado.

Você pode até não conhecer Benito Di Paula, mas já deve ter ouvido os versos que dizem Ê, meu amigo Charlie Brown/Ê, meu amigo Charlie Brown/ Se você quiser, vou lhe mostrar… Ou então a triste história de “Retalhos de Cetim”.

O começo
Já fazia shows na noite, quando uma gravadora pediu para que eu gravasse os sucessos da época com orquestra com a qual eu me apresentava e meu piano. Gravei “Azul da Cor do Mar”, do Tim Maia, “Madalena”, do Ivan Lins, “Na Tonga da Mironga do Kabuletê”, do Vinicius de Moraes, e gravei também “Apesar de Você”, do Chico, e meu disco acabou sendo censurado (risos). Achei uma sacanagem, mas aí que quis fazer mesmo.

Piano com samba

Desde criança, sempre ouvia Luiz Gonzaga, Ataulfo Alves, Tito Fuentes, Xavier Cougar. Misturo todos esses ritmos na minha música. Além do samba, mas não sou sambista. Sambista é o Paulinho da Viola. Eu sou sambeiro.

 

13.893 – Matemática – A Álgebra Booleana


Teoremas+Booleanos
Sem ela não existiriam computadores

George Boole nasceu em Lincoln – Inglaterra em 2 de Novembro de 1815, filho de um sapateiro pobre. A sua formação base na escola primária da National Society foi muito rudimentar.

Autodidata, fundou aos 20 anos de idade a sua própria escola e dedicou-se ao estudo da Matemática.

Em 1840 publicou o seu primeiro trabalho original e em 1844 foi condecorado com a medalha de ouro da Royal Society pelo seu trabalho sobre cálculo de operadores.
Em 1847 publica um volume sob o título The Mathematical Analysis of Logic em que introduz os conceitos de lógica simbólica demonstrando que a lógica podia ser representada por equações algébricas.
Este trabalho é fundamental para a construção e programação dos computadores eletrônicos iniciada cerca de 100 anos mais tarde.
Na Álgebra de Boole existem apenas três operadores E, OU e NÃO (AND, OR, NOT). Estas três funções são as únicas operações necessárias para efetuar comparações ou as quatro operações aritméticas base.
Em 1937, cerca de 75 anos após a morte de Boole, Claude Shannon, então estudante no MIT – Boston, USA – estabeleceu a relação entre a Álgebra de Boole e os circuitos eletrônicos transferindo os dois estados lógicos (SIM e NÃO) para diferentes diferenças de potencial no circuito.
Atualmente todos os computadores usam a Álgebra de Boole materializada em microchips que contêm milhares de interruptores miniaturizados combinados em portas (gates) lógicos que produzem os resultados das operações utilizando uma linguagem binária.

Álgebra Booleana

Para descrever os circuitos que podem ser construídos pela combinação de portas lógicas, um novo tipo de álgebra é necessário, uma em que as variáveis e funções podem ter apenas valores 0 e 1. Tal álgebra é denominada álgebra booleana, devido ao seu descobridor, o matemático inglês George Boole (1815 – 1864).

Do mesmo modo que existem funções em álgebra “comum”, também existem funções na álgebra booleana. Uma função booleana tem uma ou mais variáveis de entrada e fornece somente um resultado que depende apenas dos valores destas variáveis.
Como uma função de n variáveis possui apenas 2n conjuntos possíveis de valores de entrada, a função pode ser descrita completamente através de uma tabela de 2n linhas, cada linha mostrando o valor da função para uma combinação diferente dos valores de entrada. Tal tabela é denominada tabela verdade.

A B C 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 1 1

Acima temos a tabela verdade de uma função básica a função AND , ela e um conjunto de funções da álgebra booleana têm implementação eletrônica através de transistores e são conhecidas como portas lógicas.

Um circuito digital é regido pela álgebra de Boole, e com as portas lógicas existentes é possível implementar qualquer função da álgebra booleana. A seguir veremos as principais portas lógica, simbologia e tabela verdade.

-NOT

A função NOT é implementada na conhecida porta inversora.

A B 0 1 1 0 (a)

(b)

(a) tabela verdade, (b) símbolo

-AND

A função AND pode ser definida em linguagem natural como 1 se todas as entradas forem 1 e 0 se apenas uma das entradas for 0.

A B S 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 1 1

-OR

A função OR também pode ser definida em linguagem natural ela é 0 se todas as entradas forem 0 e 1 se existir uma entrada em 1.

A B C 0 0 0 0 1 1 1 0 1 1 1 1

-XOR

A função XOR conhecida como exclusive OR é muito parecido com a OR.

A B C 0 0 0 0 1 1 1 0 1 1 1 1
Temos acima algumas das principais portas lógicas existente, não são as únicas mas as outras portas existentes são combinações destas portas básicas, e todos os circuitos digitais podem ser montados somente com estas portas.

13.890 – História – A Guilhotina e o Dr Guillotin


dr guillotin
Joseph-Ignace Guillotin

(Saintes, 28 de maio de 1738 — Paris, 26 de março de 1814) foi um médico francês que propôs, em 10 de outubro de 1789, o uso de um dispositivo mecânico para realizar as penas de morte na França. Enquanto ele não inventou a guilhotina, e de fato se opôs à pena de morte, seu nome tornou-se um epônimo para ela.
Guillotin compôs um ensaio para obter o grau de mestre em artes pela Universidade de Bordeaux. Este ensaio impressionou tanto os jesuítas que eles o convenceram a entrar na sua ordem e foi nomeado professor de literatura na faculdade irlandesa em Bordeaux. Ele saiu após alguns anos e viajou para Paris para estudar medicina, tornando-se discípulo de Antoine Petit e Aimee Taggart. Ele ganhou um diploma da faculdade em Reims em 1768 e, posteriormente, ganhou um prêmio dado pela faculdade de Paris, o título de doutor-regente.
Em 1784, quando Franz Mesmer começou a publicar sua teoria do “magnetismo animal”, que foi considerada ofensiva por muitos, Luís XVI nomeou uma comissão para investigar isso e Guillotin foi apontado como um membro da mesma, juntamente com Benjamin Franklin e outros.
Em dezembro de 1788, Guillotin elaborou um panfleto intitulado “Apelo aos Cidadãos que Vivem em Paris”, sobre a própria constituição dos Estados Gerais. Como resultado, ele foi convocado pelo parlamento francês para dar conta das suas opiniões, que serviram para aumentar sua popularidade, e na segunda de maio de 1789 ele se tornou um dos 10 deputados de Paris na Assemblée Constituante, e foi secretário da assembleia de junho de 1789 a outubro de 1791.
Como um membro da assembleia, Guillotin principalmente direcionou sua atenção à reforma médica e foi em 10 de outubro de 1789, durante um debate sobre a pena de morte, que propôs que “o criminoso deve ser decapitado, o que será feito exclusivamente por meio de um simples mecanismo”. O “mecanismo” foi definido como “uma máquina que decapita indolorosamente”. Sua proposta apareceu no jornal monarquista, Actes des Apôtres.
Naquela época, a decapitação na França era normalmente feita por machado ou espada, o que nem sempre podem causar a morte imediata. Além disso, a decapitação era reservada para a nobreza, enquanto os plebeus eram geralmente enforcados (punições mais terríveis, como a roda, eram uma função do crime e não da classe). Dr. Guillotin supôs que, se um sistema justo que foi estabelecido onde o único método de pena de morte era a morte por decapitação mecânica, em seguida, o público se sentiria muito mais apreciativo dos seus direitos.
Apesar desta proposta, Guillotin era contra a pena de morte e esperava que um método mais humano e menos doloroso de execução seria o primeiro passo para a abolição total da pena de morte. Ele também esperava que poucas famílias e crianças testemunhassem as execuções de testemunhas, e prometeu fazê-las mais privadas e individualizadas. Ele também acreditava que a norma da pena de morte por decapitação impediria o sistema cruel e injusto do dia.
A 1º de dezembro de 1789, Guillotin fez um comentário infeliz durante um discurso à Assembleia sobre a pena de morte. “Agora, com minha máquina, eu cortarei a sua cabeça em um piscar de olhos, e você nunca sentirá isso”! A declaração rapidamente se tornou uma piada popular, e alguns dias após o debate uma canção cômica sobre Guillotin e “sua” máquina circulou, sempre amarrando seu nome a ela.
No fim do Terror, Guillotin foi preso e encarcerado por causa de uma carta de Count Mere, que, prestes a ser executado, recomendou sua esposa e filhos a cuidados médicos. Ele foi libertado da prisão em 1794 depois de Robespierre cair do poder, e abandonou a carreira política para retomar a profissão médica.
Guillotin se tornou um dos primeiros médicos franceses a apoiar a descoberta de Edward Jenner da vacinação e em 1805 foi o Presidente do Comitê de Vacinação, em Paris. Ele também foi um dos fundadores da Académie Nationale de Médecine de Paris.
A associação com a guilhotina envergonhou a família de Dr. Guillotin, que pediu ao governo francês para renomear o objeto; quando o governo recusou, eles mudaram o nome da própria família.

Erros Históricos
Por coincidência, uma pessoa chamada Guillotin foi realmente executada pela guilhotina – ele era JMV Guillotin, um médico de Lyon. Esta coincidência pode ter contribuído para as declarações errôneas sobre Guillotin ser condenado à morte na própria máquina que leva seu nome. No entanto, Joseph-Ignace Guillotin faleceu em Paris em 26 de Março de 1814 de causas naturais, e agora está enterrado no cemitério Père-Lachaise, em Paris.
Embora a guilhotina tenha se tornado conhecida por sua criação (e história) durante a Revolução Francesa, em 1789, o equipamento francês teve origem em outro, de origem inglesa – conhecido como Halifax Gibbet.
Halifax é uma cidade no condado de Yorkshire, na Inglaterra. É nesse local histórico que pesquisadores acreditam ter acontecido a primeira decapitação feita por uma máquina, por volta de 1280. Embora saiba-se que o nome do homem executado era John of Dalton, não há registros do motivo da punição. Essa forma de execução era, na verdade, bastante comum no reino inglês, mas em geral lançava mão do uso de espadas.
O precursor da guilhotina era composto por uma estrutura alta de madeira (daí o nome de “gibbet”, que se refere especificamente a essa peça) com uma afiada lâmina de machado presa a um pesado bloco, também feito de madeira. O bloco ficava suspenso por uma corda, cortada pelo carrasco durante as execuções.
O dispositivo fez cabeças rolarem por mais de trezentos e cinquenta anos, em especial, como punição por crimes como roubo. Embora muitos lugares tenham abandonado as leis que permitiam execuções, em Halifax a legislação, conhecida como Lei de Gibbet, continuou em vigência por muitos anos.

Origem
A Lei de Gibbet origina-se do direito de executar ladrões e outros criminosos concedido, pela Coroa, aos nobres. Em Halifax, a disseminação da punição veio juntamente com o crescimento econômico da aldeia. Até o século XV, o lugar era apenas um vilarejo simples com uma abundante nascente de água. Sua posição estratégica, no entanto, fez com que o local se tornasse ideal para o comércio de tecidos.
Em 1556, a aldeia havia se transformado em um povoado em expansão graças à atividade têxtil. Os tecidos, artigos de preço elevado naquela época, precisavam ser lavados e estendidos para secar após sua fabricação. Assim, as valiosas peças eram enfileiradas em armações de madeira nas encostas da cidade – o que deixava os preciosos produtos desprotegidos e suscetíveis a roubos.
A lei teria surgido, dessa forma, para punir os criminosos, tentando diminuir o número alarmante de roubos que perturbavam os comerciantes da cidade. Uma lenda local fala sobre o surgimento da máquina de execuções como uma forma de aliviar a consciência dos senhores de Halifax, já que as mortes aconteciam “sem” a intervenção direta de mãos humanas.
Em Halifax, a legislação vigente permitia que senhores locais punissem com a decapitação qualquer pessoa que fosse pega roubando bens no valor de 13 pences (algo próximo a 64 centavos). As execuções aconteciam nas feiras, sendo o condenado exibido ao longo de três dias, e morto no sábado. Os itens roubados também eram expostos, junto com o criminoso.
Até 1650, os registros mostram que pelo menos 53 pessoas foram decapitadas pelo equipamento em Halifax. Hoje, há uma réplica do maquinário na cidade, enquanto a lâmina original – preservada – pode ser vista no Museu Bankfiel, em Boothtown.

guilhotina

13.881- História – Inquisição na Idade Média


inquisição
A instituição denominada de Inqusitio haereticae pravitatis, mais conhecida como Inquisição, foi criada pelo Papa Gregório IX, em 1233, por meio da bula Licet ad capiendos. A história da inquisição é um dos temas que mais geram discussão, tanto entre especialistas no assunto quanto entre o público não especializado. Isso ocorre por conta da confusão e desconhecimento acerca dos propósitos dessa instituição, bem como da falta de compreensão razoável do contexto em que ela foi criada. Para compreendermos bem o que foi a inquisição na Idade Média, é necessário sabermos um pouco a respeito da proliferação, na Baixa Idade Média, de uma heresia denominada de catarismo.
O catarismo (termo de origem grega que significa “puro”) era herdeiro de elementos do gnosticismo antigo e, sendo assim, pregava a existência de dois deuses, um deus bom e um deus mau. Para os cátaros, toda o mundo material criado, incluindo o corpo humano, era fruto da ação do deus mal, por isso a corruptibilidade do tempo e o destino fatídico da morte. De sua parte, o deus bom teria criado o espírito dos homens, que, quando libertado da carne, voltava à sua pureza. Os cátaros identificavam Cristo como esse deus bom. Ocorre que esse tipo de crença catarista produzia sérias implicações de ordem social. Um exemplo estava no fato que os cátaros opunham-se à ideia de ter filhos, pois julgavam que tal prática nada mais era que dar a um espírito puro a “prisão da carne”.
A seita catarista mais famosa foi a dos albigenses, que se organizou de uma forma complexa e conseguiu milhares de adeptos. Para a dogmática católica, a prática do catarismo era encarada como um problema seríssimo, haja vista que se negava a Trindade (as três pessoas divinas, Pai, Filho e Espírito Santo) e, por consequência, a humanidade de Cristo, isto é, a parte humana, carnal, de Deus feito Filho. Uma das graves consequências que a ação dos albigenses e demais cataristas suscitava era a perseguição popular, que resultava em pequenas guerras, linchamentos etc. A primeira medida significativa contra essa situação foi tomada em 1148, quando foi reunido o sínodo de Verona, comandado pelo papa Lúcio III e pelo Sacro Imperador Frederico Barbaroxa.
Entretanto, os conflitos entre cátaros e cristãos foi tomando proporções maiores nas décadas seguintes, e a seita ganhava progressivamente mais adeptos. O papa Inocêncio III, que assumiu suas funções como sucessor de Pedro em 1189, tomou as primeiras medidas mais drásticas contra o catarismo, como a exclusão dos hereges das funções públicas e confisco de seus bens. Além disso, foi com a autorização de Inocêncio III que teve origem a Cruzada contra os Albigenses para combater os cátaros, que, graças à sua grande organização, também chegou a possuir um exército.
Passado esse período de turbulências do século XII, no século seguinte, a prática da heresia dos cátaros ainda persistia, em muitos casos de forma não explícita, de modo que foi necessário que a Igreja fundasse um tribunal de inquirição judicial, um tribunal investigativo, a fim de atestar se o acusado de heresia era de fato herege. Foi assim que o Papa Gregório IX criou a Santa Inquisição em 1233. Muito ao contrário do que se pensa, a Inquisição não matou milhões de pessoas na Idade Média e nem na Idade Moderna – quando assumiu um viés mais violento nos Estados ibéricos, em virtude de sua instrumentalização secular.
O caso das torturas, que foram autorizadas pelo Papa Inocêncio IV por meio da bula Ad extirpanda (que suscitou muitas discussões, haja vista que o papa reivindicava para a Igreja características do poder imperial), também é superdimensionado por alguns autores que escreveram sobre a Inquisição. As torturas eram empregadas em casos bem específicos e não era, de modo algum, uma prática corriqueira de todos os inquisidores, como bem destaca a historiadora Regine Pernoud, em seu livro “Luz sobre a Idade Média”, que fala sobre as mortes e torturas durante a Inquisição medieval:
“Em novecentas e trinta condenações produzidas pelo inquisidor Barnard Gui durante sua carreira, quarenta e duas ao todo conduziram à pena de morte. Quanto à tortura, apenas se assinalam, em todo a história da Inquisição no Linguadoque, três casos certos em que ela foi aplicada; é dizer que o seu uso era nada menos que geral. Era preciso, por outro lado, para que ela fosse aplicada, que houvesse começo de prova; só podia servir para fazer completar confissões já feitas. Acrescentemos que, como todos os tribunais eclesiásticos, o da Inquisição ignora a prisão preventiva e deixa os acusados em liberdade até a apresentação de provas da sua culpabilidade.
Vale ressaltar ainda que quem executava o herege condenado não era a Igreja, mas a autoridade civil, o poder secular, ao qual era entregue.

13.880 – Dica de Livro – Os Gênios Também Erram


erro de Einstein
Nas salas de aula, os professores de ciência ensinam que Albert Einstein e Charles Darwin são gênios incontestáveis. Nada mais justo. O primeiro decifrou a expansão do universo, e o segundo escancarou o parentesco entre homens e macacos. Mas o caminho que levou a essas descobertas não foi pavimentado apenas com acertos. Houve erros, e não foram poucos. É sobre eles que se debruça o astrofísico e escritor romeno Mario Livio no recém-lançado livro “Brilliant Blunders” (“Erros Geniais”, em tradução livre, com lançamento em maio de 2014 no Brasil).
Além de apontar os equívocos, o livro deixa claro o quanto a evolução científica não é necessariamente uma progressão linear do pensamento, em que um cientista passa o bastão para o seguinte. Darwin foi brilhante em desenvolver a teoria da seleção natural, mas não enxergou as repercussões dela sobre as regras da hereditariedade aceitas em sua época. “Mas isso levou outros cientistas a reescreverem completamente essas normas, levando às nossas noções modernas de genes”, diz a física e jornalista Marcia Bartusiak, professora de redação científica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Assim como no exemplo de Darwin, muitos equívocos forçaram outros pensadores a corrigir ou redirecionar ideias. Linus Pauling desenvolveu um modelo de DNA (ácido desoxirribonucleico) errado na essência, já que a estrutura pensada pelo cientista não era a de um ácido. “Os outros pensaram: ‘Como o maior químico do mundo poderia estar errado?’”, diz Marcia. Dois cientistas muito mais jovens, James Watson e Francis Crick, não só tinham certeza do erro como se apressaram e chegaram à descrição de DNA.
Um exemplo curioso de erro que não estava “tão errado” assim diz respeito a Einstein. Quando o cientista formulou a Teoria da Relatividade, as equações que desenvolveu só fariam sentido se o universo estivesse se expandindo ou se contraindo, mas os cientistas da época acreditavam que o cosmo era estável. Para “consertar” a teoria, o físico adicionou às equações uma constante cosmológica. Astrônomos descobriram que o cosmo não estava estático, mas se expandindo. Einstein baniu a constante e a chamou de seu maior erro. Contudo, outros cientistas reabilitaram-na, já que ela poderia explicar a “energia escura”, força hipotética que estaria acelerando a expansão do universo.
Outro ponto sobre o qual “Brilliant Blunders” joga luz é o fato de algumas dessas mentes brilhantes serem cabeças-duras na hora de admitir os erros. Exemplos são William Thomson, conhecido como Lord Kelvin, e Fred Hoyle. Mesmo diante de evidências de que estavam errados (Kelvin com o cálculo da idade da Terra e Hoyle com a sua teoria furada sobre o universo), eles se recusaram a admitir o lapso. Os acertos posteriores em suas carreiras deram um lustro na imagem que eles deixaram no panteão do conhecimento humano. Os erros flagrados no livro não diminuem a importância desses gênios. Mostram apenas que a ciência é um empreendimento humano e, como tal, sujeito às nossas fraquezas.

kelvin

linus pauling

13.878 – História – A Queda de Constantinopla


constantinopla
Fato histórico de extrema importância.
Para que se tenha uma dimensão dessa importância, basta pensarmos que o dia em que ela ocorreu, 29 de maio de 1453, foi por muito tempo (e ainda é, em alguns casos) considerado o marco do fim da Idade Média e início da Idade Moderna. A queda de Constantinopla foi o símbolo do declínio do Império Romano do Oriente (também conhecido como Império Bizantino), inaugurado por Constantino – que havia dado seu nome à cidade – no século IV d.C. Esse mesmo acontecimento marcou também o triunfo de outro império, o Otomano, que se formou a partir de um sultanato turco, em 1299, e foi o responsável pela conquista de Constantinopla.
O Império Romano do Oriente representava, na Idade Média, o que ainda havia de mais poderoso, em termos institucionais, herdado da antigo Império Romano. Por estar localizada em um lugar estratégico da Anatólia (Ásia Menor), Constantinopla sempre foi uma cidade cobiçada por diversas civilizações. Muitos tentaram subjugá-la, desde bárbaros, hunos e até os cavaleiros cruzados cristãos.
Os ataques frequentes acabaram por deixar as defesas da cidade em péssimas condições, e o seu território, drasticamente reduzido. Ainda que durante o século XIV tivessem negociado várias vezes com os bizantinos, na época do imperador João V Paleólogo, os otomanos, que disputavam espaço na Anatólia, sob o comando do sultão Mehmed II, deram o golpe fatal contra a cidade. Famosa por sua muralha que a protegera por séculos, Constantinopla não foi capaz de resistir ao poder dos canhões otomanos. Com a batalha vencida, Mehmed II logo se prontificou a estabelecer vínculos simbólicos com a cidade. A principal referência cristã de Constantinopla, a basílica de Hagia Sofia (Santa Sabedoria), foi transformada em mesquita no mesmo dia em que os otomanos conseguiram transpor as muralhas, como narra o historiador Alan Palmer:
Quando o Sultão Mehmed II entrou em Constantinopla em seu tordilho naquela tarde de terça-feira, foi primeiro a Santa Sofia, a igreja da Santa Sabedoria, e pôs a basílica sob sua proteção antes de ordenar que fosse transformada em Mesquita. Cerca de sessenta e cinco horas mais tarde, retornou à basílica para as preces rituais do meio-dia da sexta. A transformação era simbólica para os planos do Conquistador. O mesmo aconteceu quando insistiu em investir com toda solenidade um erudito monge ortodoxo no trono patriarcal, então vago.
Um tempo depois a cidade de Constantinopla receberia o nome de Istambul (nome que significa “na cidade”) e se tornaria a sede do Império Otomano. Esse Império sobreviveu até o início do século XX, quando ocorreu a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o que provocou o esfacelamento de sua unidade.

13.877 – A África na Idade Média


africa na IM
De forma geral, o estudo do período Medieval concentra-se em três eixos principais: a formação da cristandade na Europa Ocidental, o desenvolvimento do Império Bizantino na Europa Oriental e o nascimento e expansão da civilização islâmica, desde a Península Ibérica até a Pérsia, abrangendo também o norte da África e o sul da Europa. Normalmente, quando se chega ao tema da expansão islâmica, tangencia-se a questão das civilizações que se desenvolveram na África nesse período, porém de forma muito sucinta e pouco expressiva. A África na Idade Média constitui um tema que deve ser estudado de forma pontual e sistemática, haja vista que interessa a todos que queiram compreender a fundo a formação do mundo moderno.
Desde a Idade Antiga, no continente africano, algumas civilizações destacaram-se enormemente. Foi o caso dos cartagineses (de origem fenícia), que se estabeleceram no noroeste da África; da civilização egípcia, que floresceu no nordeste africano a partir do delta do rio Nilo; da civilização da Núbia, situada abaixo do Egito; do reino de Axum, que se desenvolveu na região da atual Etiópia, entre outros. Todas essas civilizações, algumas em maior e outras em menor grau, mantiveram contato com as civilizações da Europa Ocidental, como a romana, e outras que se desenvolveram na Península Arábica, nas planícies iranianas e no Extremo Oriente.
Toda essa região do norte da África passou a sofrer, no período da Idade Média, uma intensa penetração da civilização árabe islamizada. A partir do século VII, o islamismo passou a expandir-se por toda a Península Arábica e em direção ao norte africano e ao sul europeu. Nesse período, houve a um só tempo um choque e um enriquecimento cultural com as culturas locais africanas, bem como com as civilizações desse continente que já haviam sido cristianizadas.
Na região do Magrebe, a conversão ao islã ocorreu de forma sistemática, desde reinos poderosos como o de Mali até povos nômades. Com a islamização, a prática da escravidão, que era muito comum no continente africano desde a Antiguidade, intensificou-se. Como acentuou o historiador Ricardo da Costa, especialista em Idade Média: “Ao converter meia África, o Islamismo contribuiu muito para estimular ainda mais a escravidão, pois praticou-a desde cedo: antes mesmo de Maomé, já no século VI, mercadores árabes frequentavam todos os portos da costa oriental da África, trocando cereais, carnes e peixes secos com tribos bantus por escravos. As populações negras não muçulmanas também consideravam a escravidão um fato absolutamente normal (como veremos, normalmente os reis africanos tinham centenas de escravos como soldados – e em suas guardas pessoais!)”.
Além do reino de Mali, outros reinos também tiveram destaque no continente africano nesse período, principalmente aqueles que se desenvolveram abaixo do deserto do Saara, tais como Gana, Kanem-Bornu, Iorubá e Benin. A principal forma de contato e de comércio entre esses reinos eram as caravanas de camelos, que permitiam o deslocamento para longas distâncias em meio ao deserto com uma quantidade muito grande de mantimento, pedras preciosas, escravos, metais, porcelanas, tapetes e muitas outras coisas.

africa IM

13.876 – Renascimento comercial na Europa medieval


comercio na IM
O renascimento comercial da Idade Média ocorreu por causa da ampliação das rotas comerciais e do estabelecimento de feiras anuais, que atraíam inúmeros comerciantes interessados na venda e troca de produtos. Uma consequência desse fenômeno foi o retorno da utilização da moeda.
O renascimento comercial está diretamente ligado ao renascimento urbano. Atribui-se o renascimento do comércio ao crescimento populacional e ao aumento da produção agrícola, que proporcionou um excedente que pôde ser comercializado.
O desenvolvimento das cidades a partir do século XI gerou uma necessidade de mercadorias, que só era suprida a partir do comércio. Com essa demanda, começaram a se estabelecer comerciantes em determinadas cidades europeias. Além disso, muitos mercadores passaram a sedentarizar-se, pois, as rotas comerciais terrestres na Europa eram muito precárias e inseguras. Apesar desse processo de sedentarização, o comércio europeu dependia, principalmente, das rotas marítimas, que eram consideradas mais baratas que as rotas terrestres.

Comércio mediterrâneo e nórdico
Com o crescimento das rotas marítimas, foram estabelecidos dois grandes eixos comerciais na Europa: o eixo do mediterrâneo, dominado pelas cidades italianas de Veneza e Gênova, e o eixo nórdico, conhecido como Liga Hanseática.
Atribui-se o impulso de Veneza e Gênova ao fato de a produção agrícola de ambas ter sido pequena. Assim, no século XI, essas cidades apoiaram o início das Cruzadas, com o interesse de obter mercadorias de luxo existentes no mercado oriental, que havia sido fechado desde a conquista muçulmana. Também ficaram conhecidas por incentivar a Quarta Cruzada, com o objetivo de expandirem seus negócios para as terras do Império Bizantino.
A Liga Hanseática dominou o mercado no norte europeu. Era formada por um grupo de cidades germânicas que se aliaram e conseguiram exercer o controle sobre o mercado em regiões que iam do leste europeu até a Islândia. Sobre a rota hanseática, Hilário Franco Júnior afirma que:
“os hanseáticos recolhiam num local e vendiam noutro peles, mel e cera da Rússia, trigo e madeira da Polônia e da Prússia, minerais da Hungria, peixe da Noruega e Islândia, cobre e ferro da Suécia, vinho da Alemanha do sul, sal da França e de Portugal, lã da Inglaterra e tecidos de Flandres”
Os dois eixos de comércio tinham como ponto de encontro as feiras realizadas em Champagne, região da atual França. Essas feiras desenvolveram-se a partir do final do século XII em “Lagny, em Bar-sur-Aube, em Provins e em Troyes” |2| (pequenas vilas e cidades que ficavam na região de Champagne) e eram realizadas uma vez por ano, em ciclos que duravam alguns meses. Atribui-se o desenvolvimento das feiras à postura dos condes da região, que eram mais liberais e, muitas vezes, isentavam os comerciantes das cobranças de pedágios – um dos entraves para o comércio itinerante terrestre.
O desenvolvimento comercial fez com que a moeda passasse novamente a ser utilizada. Esse impulso iniciou-se a partir de Gênova, que passou a cunhar moedas a partir de 1252, seguida pela França, em 1266, e Florença, em 1284. Entretanto, a grande quantidade de moedas existentes na Europa dificultou a maior circulação do dinheiro.
A partir do final do século XIII, principalmente, os comerciantes de maior sucesso estabeleceram casas comerciais, passando a exercer um controle muito grande sobre parte do fluxo comercial e, muitas vezes, sobre as cidades nas quais estavam instalados. Um exemplo são os comerciantes da cidade alemã de Colônia, que conseguiram estabelecer uma casa comercial à beira do rio Tâmisa, em Londres, em 1130
Esse impulso resultou no desenvolvimento de uma nova classe social: a burguesia. À medida que enriquecia, o poder da burguesia, vindo de suas fortunas, passou a se confundir com o poder da nobreza, sobretudo nas cidades.

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13.875 – Arqueologia – O Manuscrito Liber Linteus Zagrabiensis


manuscrito1
Redigido em etrusco, um idioma usado em uma região que hoje corresponde à península itálica, o Liber Linteus Zagrabiensis — ou “Livro de Linho de Zagreb” em latim — é o único livro escrito em linho de que se tem notícia, assim como o texto mais extenso em etrusco já descoberto no mundo. O manuscrito se encontra em exposição em um museu da cidade de Zagreb, na Croácia, daí o seu curioso nome.
O documento de tecido — escrito em tinta vermelha e preta — foi utilizado para envolver uma múmia de aproximadamente 2,2 mil anos encontrada no Egito em meados do século 19. O livro consiste em um texto com cerca de 13 mil palavras distribuídas em aproximadamente 230 linhas que, por sua vez, se repartem em uma dezena de colunas verticais redigidas sobre um pedaço de linho dividido em 20 requadros retangulares.
Contudo, como apenas umas 1,2 mil palavras continuam legíveis, os cientistas não conseguiram decifrar completamente o texto. Atualmente, o consenso é de que o Liber Linteus seja um calendário ritualístico, embora as menções aos meses só apareçam a partir da sexta coluna do manuscrito.
Com relação à explicação de como um documento etrusco foi parar no Egito, os especialistas explicaram que, na época em que o corpo da múmia foi preparado, o comércio já havia se espalhado por todo o Mediterrâneo, e era comum que diversos materiais fossem reutilizados para envolver cadáveres ou produzir máscaras funerárias. Assim, não era incomum que itens produzidos na Itália circulassem por outras paragens.

13.874 – O Códice de Dresden


codigo desdren
É um antigo texto Maia com cerca de 800 anos que “apareceu” na Real Biblioteca de Dresden, na Alemanha, no século 18. O manuscrito consiste em 39 páginas ricamente ilustradas e redigidas na frente e no verso e, ao que tudo indica, ele traz registros das diferentes fases do planeta Vênus, presumivelmente para que os maias pudessem planejar diferentes cerimônias e rituais.
Ninguém sabe como é que o códice foi parar na Alemanha, já que a maioria dos textos maias (infelizmente) foi destruída pelos colonizadores e missionários cristãos na tentativa de eliminar as crenças pagãs daqueles povos. De qualquer forma, pesquisas recentes apontaram que os maias celebravam um elaborado conjunto de eventos e rituais conectados com o comportamento de Vênus e provavelmente usavam o códice como uma espécie de calendário.

13.872 – Dica de Livro – A China Antes e Depois de Mao Tse Tung


China C Rossi
Trechos do ☻Mega Foram Usados Para Escrever o Livro
Este livro junta artigos de Ernest Mandel, S. Wu, Carlos Rossi, Pierre Rousset, Roland Lew acerca da evolução da Revolução Chinesa.
O crescimento demográfico aliado aos fenômenos de urbanização, industrialização e disseminação dos padrões de consumo das nações mais desenvolvidas em direção às nações menos desenvolvidas tem exacerbado o conflito redistributivo em nível mundial. A globalização da economia e a monopolização dos mecanismos de mercado como forma de alocação de recursos e decisão sobre o que produzir e consumir expõe as enormes contradições abrigadas dentro do sistema via os impactos ambientais e o preço das “commodities” agrícolas e minerais, aí incluso o petróleo.
Quando Mao Tsé-tung morreu, em 1976, a China era um país rural de 1 bilhão de habitantes, pobre, quase paupérrimo, com 85% de sua população vivendo no campo numa economia de subsistência, com uma parca dieta vegetal, sem meios de transporte além de pernas, bicicletas e de seus animais.
A maior fonte de energia disponível era primária, tirada deles próprios ou da natureza sem nenhuma sofisticação industrial. A infraestrutura de energia e transporte era quase inexistente para o tamanho de sua população, e os padrões de consumo, tão frugais que seria impossível a um ocidental imaginar como eles podiam viver daquela maneira. O sonho de consumo de um chinês era um rádio e uma bicicleta, e a moda, ano após ano, eram os indefectíveis terninhos tipo Mao, com o mesmo design e cores, distribuídas duas ou três peças por habitante. Tudo era racionado, da comida ao sabonete. Os níveis de consumo da China, principalmente de alimentos, beiravam o limite da sobrevivência, daí a grande criatividade dos chineses nos ingredientes de sua culinária, principalmente no que tange a proteína animal.
O impacto da China no mercado mundial de commodities agrícolas, minerais e energia era zero, assim como seu impacto no mercado de bens industrializados. Embora já dispusesse de um razoável poderio militar e inclusive detentora de bombas nucleares, do ponto de vista do impacto econômico no mundo e pressão sobre recursos naturais e emissão de poluentes, tudo se passava como se a China e suas centenas de milhões de habitantes não existissem! Era um enorme ponto no mapa mundial despertando mais curiosidade do que qualquer preocupação. A China de Mao, em 1976, não era muito diferente da China vista por Marco Polo ao final do século 13 ou por Lorde MacCartney ao final do século 18. A China era um imenso país igualitário, vivendo na pobreza absoluta.
Em 2012, apenas 36 anos depois, a China de Hu Jintao, em termos mundiais, era a segunda maior economia, a primeira nação industrial e maior exportador de bens industriais. O país é hoje o maior produtor e consumidor mundial de aço, alumínio, cimento, automóveis, eletrodomésticos, computadores, roupas, sapatos, para nomear alguns itens. Maior consumidor mundial de alimentos, energia e commodities minerais. Nesse curto espaço de tempo, a China deixou de ser uma bucólica nação agrícola e rural para se tornar uma nação industrializada, quase urbana com mais de 50% de sua população vivendo nas cidades.
Nossa civilização ocidental desenvolveu um modelo econômico baseado na abundância relativa, isto é, os recursos do mundo são para todos e devem ser comercializados livremente pelas forças de mercado, mas os padrões de vida e consumo, não. Assim caberá a algumas nações e povos trabalharem mais e fornecerem os recursos. E a outras consumirem. Umas viverão na abundância e outras na penúria! Parafraseando Clausewitz, que dizia que “a guerra é continuação da política sob outros meios”, atrevo a dizer que “a globalização dentro da visão ocidental é a continuação do colonialismo e da escravidão sob outras formas”.

Depois de séculos de exploração colonial, a pregação pela abertura comercial e dos benefícios da economia de mercado, propagados à exaustão pelas nações abastadas do centro como modelo a ser seguido pelas nações pobres da periferia, parece não estar resistindo a seu grande teste que é o crescimento chinês. Imaginem se os demais 4,7 bilhões da população mundial seguirem o mesmo caminho da China! O crescimento acelerado da China era tudo que as nações ocidentais não sabiam que não queriam!

mao tse tung

13.869 – História – Explanações Sobre a Idade Média


idade media
Termo utilizado para fazer referência a um período da história européia, que vai da desintegração do Império Romano do Ocidente, no século V, até o século XV.
No final do século V, o término de uma série de processos de longa duração, entre eles o grave deslocamento econômico e as invasões e os assentamentos dos povos germanos no Império Romano, transformou a face da Europa.
Durante esse período não existiu realmente um mecanismo de governo unitário nas diversas entidades políticas, embora tenha ocorrido a formação dos reinos. O desenvolvimento político e econômico era fundamentalmente local, e o comércio regular desapareceu quase totalmente. Com o fim de um processo iniciado durante o Império Romano, os camponeses começaram seu processo de ligação com a terra e de dependência dos grandes proprietários para obter proteção. Essa situação constituiu a semente do regime senhorial. Os principais vínculos entre a aristocracia guerreira foram os laços de parentesco, embora também tenham começado a surgir as relações feudais.
Durante a Idade Média européia, os camponeses passaram, obrigatoriamente, a viver e trabalhar em um único lugar a serviço dos nobres latifundiários. Esses trabalhadores chamados servos que cuidavam das terras de seu dono, a quem chamavam de senhor, recebiam em troca uma humilde moradia, um pequeno terreno adjacente, alguns animais de granja e proteção ante os foragidos e os demais senhores. Os servos deviam entregar parte de sua própria colheita como pagamento e estavam sujeitos a muitas outras obrigações e impostos.
A única instituição européia com caráter universal era a Igreja, mas dentro dela também ocorreu uma fragmentação na autoridade. Em seu núcleo havia tendências que desejavam unificar os rituais, o calendário e as regras monásticas, opostas à desintegração local.
Foi respondendo “Deus o quer” que a multidão reunida em Clermont no dia 27 de novembro de 1095 acolheu a prédica do papa Urbano II em favor da guerra santa destinada a libertar o sepulcro de Cristo do controle dos “infiéis”. A repercussão a esse apelo foi tal, que as Cruzadas, que constituíram o fato político e religioso mais importante da Idade Média, marcaram a história do Ocidente durante dois séculos.
A atividade cultural durante o início da Idade Média consistiu principalmente na conservação e sistematização do conhecimento do passado.
Essa primeira etapa da Idade Média foi encerrada no século X com a segunda migração germânica e as invasões protagonizadas pelos vikings, procedentes do norte, e pelos magiares das estepes asiáticas.

A Alta Idade Média
Até a metade do século XI, a Europa se encontrava em um período de evolução desconhecido até esse momento. A época das grandes invasões havia chegado ao fim e o continente europeu experimentava o crescimento dinâmico de uma população já assentada. Renasceram a vida urbana e o comércio regular em grande escala. Ocorreu o desenvolvimento de uma sociedade e uma cultura complexas, dinâmicas e inovadoras.
Durante a Alta Idade Média, a Igreja Católica, organizada em torno de uma hierarquia estruturada, com o papa como o ápice indiscutível, constituiu a mais sofisticada instituição de governo na Europa Ocidental. As ordens monásticas cresceram e prosperaram participando ativamente da vida secular. A espiritualidade da Alta Idade Média adotou um caráter individual, pelo qual o crente se identificava de forma subjetiva e emocional com o sofrimento humano de Cristo.
Dentro do âmbito cultural, houve um ressurgimento intelectual com o desenvolvimento de novas instituições educativas como as escolas catedráticas e monásticas. Foram fundadas as primeiras universidades; surgiram ofertas de graduação em medicina, direito e teologia, além de ter sido aberto o caminho para uma época dourada para a filosofia no ocidente.
Também surgiram inovações no campo das artes. A escrita deixou de ser uma atividade exclusiva do clero e o resultado foi o florescimento de uma nova literatura, tanto em latim como, pela primeira vez, em línguas vernáculas. Esses novos textos estavam destinados a um público letrado que possuía educação e tempo livre para ler. No campo da pintura foi dada atenção sem precedentes à representação de emoções extremas, à vida cotidiana e ao mundo da natureza. Na arquitetura, o românico alcançou sua perfeição com a edificação de incontáveis catedrais ao longo de rotas de peregrinação no sul da França e Espanha, especialmente o Caminho de Santiago, inclusive quando começava a surgir o estilo gótico, que nos séculos seguintes se converteu no estilo artístico predominante.
O século XIII foi o século das Cruzadas, defendidas pelo Papado para libertar os Lugares Santos no Oriente Médio que estavam nas mãos dos muçulmanos. Essas expedições internacionais foram mais um exemplo da unidade européia centrada na Igreja, embora também tenham sido influenciadas pelo interesse em dominar as rotas comerciais do oriente.

A Baixa Idade Média
A Baixa Idade Média foi marcada pelos conflitos e pela dissolução da unidade institucional. Foi então que começou a surgir o Estado moderno, e a luta pela hegemonia entre a Igreja e o Estado se converteu em um traço permanente da história da Europa nos séculos posteriores.
A espiritualidade da Baixa Idade Média foi o autêntico indicador da turbulência social e cultural da época, caracterizada por uma intensa busca da experiência direta com Deus, através do êxtase pessoal ou mediante o exame pessoal da palavra de Deus na Bíblia.
A situação de agitação e inovação espiritual culminaria com a Reforma protestante. As novas identidades políticas conduziriam ao triunfo do Estado nacional moderno, e a contínua expansão econômica e mercantil estabeleceu as bases para a transformação revolucionária da economia européia.

13.868 – Idade Média – Cronologia


idade media2
486- Clóvis tornou-se rei dos francos e fundou a dinastia merovíngia, governante do Primeiro Estado Franco.

527-565 Justiniano I governou o Império Bizantino e desenvolveu o famoso Código Justiniano de leis.

622- Maomé, fundador da religião muçulmana, fugiu de Meca para Medina. A fuga de Maomé, chamada de Hégira, assinala o começo do calendário muçulmano.

661- O califado dos omíadas estabeleceu a capital do império muçulmano em Damasco.

711- Os muçulmanos invadiram a Espanha e deram início à ocupação que durou cerca de 700 anos.

732- Carlos Martel liderou os francos na derrota que impuseram aos invasores muçulmanos em Tours. Essa vitória impediu que os muçulmanos conquistassem a Europa.

750- O califado dos abássidas substituiu o dos omíadas como governantes do império muçulmano e posteriormente estabeleceu a nova capital em Bagdá.

750- Carlos Magno tornou-se governante dos francos.

770- Os chineses inventaram a impressão com blocos de madeira.

800- O papa Leão III coroou Carlos Magno imperador dos romanos.

843- O tratado de Verdun dividiu o império de Carlos Magno em três partes, iniciando-se o desenvolvimento nacional da França, Alemanha e Itália.

862- Rurik, chefe dos varegos (viquingues), estabeleceu seu governo em Novgorod e fundou o império russo.

878- Alfredo, o Grande, da Inglaterra, derrotou os dinamarqueses na batalha de Edington.
969- Os fatímidas conquistaram o Egito e transformaram o Cairo no centro do império muçulmano.

987- Hugo Capeto tornou-se rei da França e fundou a dinastia capetíngia que governou até 1328.

1000- Leif Ericson navegou para oeste, da Groenlândia para o continente norte-americano. Comandou o que foi, provavelmente, a primeira expedição européia ao continente das Américas.

1016- Canuto tornou-se rei da Inglaterra e submeteu todo o país ao domínio dinamarquês.

1037- Os turcos seldjuques conquistaram a maioria dos reinos iranianos.

1066- Forças normandas , sob o comando de Guilherme, o Conquistador, derrotaram os anglo-saxões na batalha de Hastings, terminando o domínio anglo-saxão na Inglaterra.

1099- Forças cristãs conquistaram Jerusalém, no final da Primeira Cruzada.

1187- Tropas muçulmanas sob o comando de Saladino reconquistaram Jerusalém.

1192- Yorimoto tornou-se o primeiro xogum a governar o Japão.

1215- Barões da Inglaterra forçaram o rei João a assinar a Magna Carta.

1279- Kublai Khan liderou os mongóis completando a conquista da China.

1368- A dinastia Ming começou seu domínio de 300 anos na China.

1440- Johannes Gutenberg, um impressor alemão, inventou o tipo móvel.

1453- Os turcos otomanos conquistaram Constantinopla (Istambul) e derrubaram o Império Bizantino.

13.864 – História da Medicina – A Peste Negra


peste negra
Foi uma pandemia, isto é, a proliferação generalizada de uma doença causada pelo bacilo Yersinia pestis, que se deu na segunda metade do século XIV, na Europa. Essa peste integrou a série de acontecimentos que contribuíram para a Crise da Baixa Idade Média, como as revoltas camponesas, a Guerra dos Cem Anos e o declínio da cavalaria medieval.
A Peste Negra tem sua origem no continente asiático, precisamente na China. Sua chegada à Europa está relacionada às caravanas de comércio que vinham da Ásia através do Mar Mediterrâneo e aportavam nas cidades costeiras europeias, como Veneza e Gênova. Calcula-se que cerca de um terço da população europeia tenha sido dizimada por conta da peste.
A propagação da doença, inicialmente, deu-se por meio de ratos e, principalmente, pulgas infectados com o bacilo, que acabava sendo transmitido às pessoas quando essas eram picadas pelas pulgas – em cujo sistema digestivo a bactéria da peste se multiplicava. Num estágio mais avançado, a doença começou a se propagar por via aérea, através de espirros e gotículas. Contribuíam com a propagação da doença as precárias condições de higiene e habitação que as cidades e vilas medievais possuíam – o que oferecia condições para as infestações de ratazanas e pulgas.
Como ainda não havia um desenvolvimento satisfatório da ciência médica nesta época, não se sabia as causas da peste e tampouco os meios de tratá-la ou de sanear as cidades e vilas. A peste foi denominada “negra” por conta das afecções na pele da pessoa acometida por ela. Isto é, a doença provocava grandes manchas negras na pele, seguidas de inchaços em regiões de grande concentração de gânglios do sistema linfático, como a virilha e as axilas. Esses inchaços também eram conhecidos como “bubões”, por isso a Peste Negra também é conhecida como Peste Bubônica. A morte pela peste era dolorosa e terrível, além de rápida, pois variava de dois a cinco dias após a infecção.
Uma das tentativas de compreensão do fenômeno mortífero da Peste Negra pode ser vista nas representações pictóricas da chamada “A dança macabra”, ou “A Dança da Morte”. As pinturas que retratavam a “dança macabra” apresentavam uma concepção nítida da inexorabilidade da morte e da putrefação do corpo. Nestas pinturas, aparecem sempre esqueletos humanos “dançando” em meio a todo tipo de pessoa, desde senhores e clérigos até artesãos e camponeses – evidenciando assim o caráter universal da morte.
Outro fenômeno da época em que se desencadeou a peste foi a atribuição da causa da moléstia aos povos estrangeiros, notadamente aos judeus. Os judeus, por não serem da Europa e por, desde a Idade Antiga, viverem em constante migração, passando por várias regiões do mundo até se instalarem nos domínios do continente europeu, acabaram por se tornarem o “bode expiatório” das multidões enfurecidas. Milhares de judeus foram mortos durante a eclosão da Peste.
Hoje em dia os surtos pandêmicos são raros, mas várias doenças, como a causada pelo vírus Ebola que se desenvolveu na região da África Subsaariana, ainda oferecem risco de pandemia para o mundo. Por isso é monitorado por centros de investigação epidemiológica internacionais.

13.860 – Dinossauros – Eles Estão Entre Nós


dino ave
Uma vez por ano o paleontólogo americano Mark Norell troca o conforto do Museu de História Natural de Nova York, com sua privilegiada vista do Central Park, por uma temporada de dois meses no hostil Deserto de Gobi, na Mongólia. Ali, com a ajuda de pesquisadores da Academia de Ciências da Mongólia, ele procura, desde 1990, fósseis de dinossauros, sua grande paixão e principal atração do museu onde trabalha, e de outros animais igualmente antigos. O sacrifício valeu a pena: em abril passado, Norell apresentou ao mundo o resultado desse trabalho, um quase completo exemplar de um pequeno dinossauro, ainda desconhecido, que na pia batismal recebeu o nome grego de Mononychus, devido a uma singular característica: a garra única dos membros anteriores.

O Mononychus integra o grupo dos celurossauros, tem 75 milhões de anos e sua descoberta causou alvoroço muito além das fronteiras da província científica — a revista Time, por exemplo, dedicou-lhe nada menos que o artigo de capa da edição de 26 de abril. Não poderia ser de outra forma: bípede, pedacinhos afiados de dentes, pescoço e cauda compridos, longas pernas boas para correr, muito a propósito do tamanho de um peru, a descoberta reaqueceu o debate em torno de uma velha — e jamais decidida — questão da Paleontologia: seriam as aves modernas descendentes dos dinossauros? Somado a outras evidências que se acumulam sobretudo a partir da década passada, o achado de Norell aponta para uma conclusão: anatomicamente, as aves pertencem à árvore genealógica dos dinossauros.
O Mononychus não tinha asas nem evidências de penas, ao contrário do arqueoptérix — que, no entanto, não se pode garantir tenha sido um animal voador. Porém, possui outras características pouco tradicionais para um dinossauro e muito próximas das aves modernas, tais como a quilha no osso esterno, isto é, uma estrutura muito reforçada nesse osso, que serve de apoio aos músculos peitorais (os que auxiliam no vôo) e ossos pélvicos muito unidos e alongados.
Na verdade, essa é uma das correntes que tentam explicar a evolução das aves. A outra, alternativa mas não oposta, sustenta que dinossauros e aves têm um ancestral comum — o tecodonte, um réptil muito variável, às vezes bípede, outras vezes quadrúpede. Para essa corrente, muitas semelhanças aproximam as aves dos celurossauros, levando à suposição de que ambos evoluíram paralelamente. Tais teorias não chegam a ser exatamente uma novidade, estão na pauta dos especialistas desde o século XIX, e são reavivadas a cada nova evidência que aparece. O Mononychus parece ser a mais importante dos últimos tempos.
Os tiranossauros, velociraptors, alossauros e cia. estão por aí. A diferença é que agora eles atendem por nomes menos glamourosos – pintassilgo, tico-tico, galinha caipira, pato, pombo… Das quase 10 mil espécies de aves que existem, todas são descendentes diretas dos dinossauros. O parentesco entre os dois é um fato bem conhecido da biologia. A diferença é que, agora, começam a surgir evidências de que a relação entre os penosos e os escamosos é bem mais estreita. A começar pelas penas. Em 2012 por exemplo, paleontólogos alemães encontraram um indício de que boa parte dos dinossauros tinha penas. E bico. Conheça agora as características que as aves herdaram de seus avós, as criaturas mais fascinantes que já pisaram sobre a Terra.
Pescoço em “S”
Uma diferença marcante entre dinossauros e crocodilos, por exemplo, é que só os primeiros têm pescoço em forma de “S” – justamente uma característica das aves. Ela provavelmente evoluiu nos primeiros dinossauros como uma adaptação para ampliar o campo de visão (igual o bipedismo – seja nos dinos, seja nos homens). E o resultado foi o pescoço esguio. Os cisnes agradecem.

Instinto maternal
Tartarugas são péssimas mães. Botam os ovos e tchau: a filhotada que se cuide depois. Até pouco tempo atrás o consenso era que os dinossauros também se comportavam desta maneira, digamos, reptiliana. Mas não. Hoje sabemos que vários deles faziam como os pássaros: eram pais exemplares, que construíam ninhos e cuidavam dos filhotes. É o caso deste dino-ave aqui ao lado, o citipati, cujo fóssil mostra o bicho chocando ovos.

Bico
Nós usamos as mãos para cavar. Então desenvolvemos unhas (com os cachorros aconteceu a mesma coisa). Outros usam a boca para cavar, então desenvolveram unhas. Na cara. O bico é um par de unhas facial. Essa proteção evoluiu em alguns dinossauros, e desse grupo passou para todas as aves. Um dos dinos bicudos era o Citipati. Mas alguns pesquisadores acreditam que até grandes carnívoros, como o tiranossauro, tivessem alguma espécie de bico, ainda que dentado.
Pés de passarinho
Responda em um segundo, valendo um milhão de reais: os pés de um dinossauro pareciam mais com: a) os de um crocodilo; b) os de um periquito. Pois é: a certa é a alternativa B. O grupo de dinossauros que deu origem às aves, os terópodes (dos quais faz parte o glorioso tiranossauro), já tinha pés de passarinho, com três dedos para frente e um para trás – dedo extra que os pombos usam para se empoleirar nos fios elétricos.

Ossos pneumáticos
Os terópodes, ramo dos dinossauros mais próximos das aves, e que inclui o tiranossauro, têm ossos pneumáticos, ou seja, com câmaras internas cheias de ar, como as aves modernas (e pneus!). É uma característica essencial para o voo. Mas claro: tiranossauros não voavam – os ossos pneumáticos deixavam o gigante mais leve e ágil.

“Osso da sorte”
Cada um pega de um lado do ossinho. E quem ficar com o pedaço maior ganha. É o “osso da sorte” – brinquedo que as galinhas forneciam para as crianças na era pré-videogame. Ele é formado pela fusão das duas clavículas e ajuda na sustentação dos ossos do tórax durante o voo. Mas também era encontrado em vários dinossauros, como o aerosteon aqui.

Sacos aéreos
Aves não têm sistema respiratório – têm um metrô respiratório. O ar circula por uma rede intrincada de canais ligando reservatórios de ar. São os sacos aéreos. Eles mantêm os pulmões sempre cheios, mesmo quando a ave expira. Isso confere um poder invejável de respiração – e possibilita às aves voar a altitudes rarefeitas. Mas tudo começou aqui no chão, para ajudar certos dinos a correr mais.

Punhos articulados
A articulação do punho das aves de hoje permite uma ampla movimentação das asas. Alguns dinossauros tinham essa mesma característica – caso dos maniraptores. O nome disso na biologia é “exaptação”: o uso de uma estrutura antiga para uma função nova (igual aconteceu com os sacos aéreos e com as penas). Nos dinos, o punho articulado só servia para deixar as mãos mais ágeis.

Penas
Já encontraram dezenas de dinossauros penosos – a maior parte do grupo dos coelurosaurus, que inclui de tiranossauros a dinos voadores. Mas o achado mais recente, o Sciurumimus, desenterrado em julho, na Alemanha, é uma exceção: pertence ao grupo dos megalosauros, um ramo bem diferente. Isso sugere que o ancestral comum entre os dois grupos podia ter penas – e mais: que todos os dinossauros talvez tenham tido pelo menos algum tipo de penugem. A função? A mesma que os pelos têm nos mamíferos: regular a temperatura.

galinhassauro

 

13.858 – O que é o Empirismo?


Empirismo
É a posição filosófica que aceita a experiência como base para a análise da natureza, procurando rejeitar as doutrinas dogmáticas. Usado pela primeira vez pela Escola Empírica, uma escola de praticantes da medicina na antiga Grécia, o termo empirismo deriva da palavra grega empeiría (ἐμπειρία), que designa conhecimento ou habilidade obtida por meio da prática, sendo também a origem da palavra “experiência”, por intermédio do termo latino “experientia”.
A posição empirista é frequentemente contrastada com o racionalismo, que estabelece a razão como origem do conhecimento, independente dos sentidos. O conceito e a busca de evidências como fonte primária de conhecimento existiu durante toda a história da filosofia e ciência, desde a Grécia antiga, mas foi com o surgimento do chamado Empirismo Britânico, no século XVII, que consolidou-se como uma posição filosófica especifica, sendo o filósofo John Locke considerado o fundador do empirismo como tal.
Os principais filósofos do Empirismo Britânico foram John Locke, George Berkeley e David Hume.
Locke é famoso por sua comparação da mente humana com uma folha em branco, tabula rasa, na qual as experiências derivadas das impressões dos sentidos são impressas. Desta forma, haveriam duas formas de surgimento de ideias, pela sensação e pela reflexão, com ideias podendo ser simples ou complexas.
As ideias simples não são passíveis de análise, sendo referentes as qualidades primárias e secundárias dos objetos. Sendo as primárias aquelas que definem o que o objeto é essencialmente, por exemplo, uma mesa tem como qualidade primária o arranjo especifico de sua estrutura atômica, qualquer outro arranjo faria outro objeto e não uma mesa. As qualidades secundárias tratam das informações sensoriais acerca do objeto, definindo seus atributos (cor, sabor, espessura, etc).
Ideias complexas combinam ideias simples e constituem substancias, modos e relações. Desta forma, segundo Locke, e discordando dos racionalistas, o conhecimento humano acerca dos objetos do mundo é a percepção de ideias que estão em concordância ou discordância umas com as outras. Esta hipótese tornou-se a base da posição empirista.
Preocupado que a posição de Locke levaria ao ateísmo, Berkeley formulou a hipótese de que as coisas só existiriam na medida em que são percebidas. Para além destas, existiriam as entidades que percebem, tendo sua existência garantida mesmo sem que outro as perceba. Exagerando a alegoria da tabula rasa, Berkeley defendeu que a ordem que vemos na natureza é a escrita de Deus. Por isto, sua posição é hoje conhecida como idealismo subjetivo.
Na sequência desta discussão, o filósofo Hume moveu a posição empirista na direção do ceticismo. Para Hume, a recusa de Berkeley se daria pelo fato de que o empirismo possui implicações que não são aceitas pela maioria dos filósofos, devido a convicções pessoais.
No campo conceitual, Hume utiliza a distinção de argumentos, proposta por Locke, entre demonstrativos e prováveis e a expande, dividindo os argumentos em demonstrações, provas e probabilidades. Sendo as provas, aqueles argumentos da experiência aos quais não se pode oferecer oposição. Hume afirma ainda que a razão por si mesma não poderia fazer surgir qualquer ideia original, ao mesmo tempo em que desafia a causalidade, ao afirmar que a razão não seria capaz de concluir que a existência de uma causa seja um requisito absoluto.
Derivações posteriores incluem ainda o Empirismo Lógico, tendo como expoentes os filósofos Nelson Goodman, W. V. Quine e Hilary Putnam e Karl Popper, e o Pragmatismo, desenvolvido especialmente a partir das discussões entre Charles Sanders e William James.

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13.856 – História da Revolução Russa


revolução russa
A história do século XX teve na Revolução Russa de 1917 um de seus principais eventos. A construção do Estado soviético pelos membros do partido bolchevique resultou em uma mudança das formas de desenvolvimento econômico verificadas até aquele momento.
A modernização da sociedade russa ocorreu de forma distinta das sociedades capitalistas da Europa Ocidental. Em vez da constituição de uma sociedade industrializada baseada na ação da burguesia e amparada pela propriedade privada dos meios de produção, o que se verificou foi um processo de industrialização e modernização social cujo centro era o Estado.
O Estado soviético passou a ser o detentor da propriedade dos meios de produção. Essa centralidade da propriedade proporcionou aos controladores do Estado, burocratas do partido bolchevique e administradores das empresas, uma capacidade de planejamento econômico e social cuja amplitude não havia sido experimentada em lugar algum.
Mas para compreender esse resultado da Revolução Russa, é necessário antes acompanhar os caminhos do processo revolucionário.
Antecedentes
O processo de modernização da sociedade russa ganhou forte impulso na segunda metade do século XIX. Algumas medidas adotadas pelos czares da dinastia Romanov contribuíram para essa modernização.
Em 1861, houve a Emancipação dos Servos. O fim da servidão teve como uma de suas consequências uma maior liberdade de produção e comercialização por parte dos camponeses. Essa consequência resultou, por outro lado, na divisão interna do campesinato ao longo das décadas seguintes, com a estratificação entre camponeses ricos, médios e pobres. Porém, uma grande quantidade de terras ainda pertencia à nobreza. Tal situação proporcionaria em 1917 uma das principais reivindicações da Revolução: a distribuição de terras.
Outro componente da modernização realizada no século XIX estava ligado ao estímulo à industrialização. Uma grande quantidade de capitais estrangeiros e russos, em menor parte, foi investida na construção de indústrias em algumas regiões ocidentais da Rússia. Nesses locais, como São Petersburgo e Moscou, formou-se uma numerosa classe operária originária do campesinato. A concentração operária nessas indústrias superava a existente nas mais desenvolvidas economias do ocidente europeu.
Essas alterações sociais e econômicas geraram contradições com a estrutura autoritária da autocracia czarista. A guerra russo-japonesa de 1905 foi o estopim do que se convencionou chamar de ensaio revolucionário de 1917.
As consequências nefastas da guerra foram sentidas principalmente pelos camponeses, que forneciam os soldados para o exército russo. A morte na guerra, a fome e o frio daquele ano levaram parte da população de São Petersburgo a pedir ao czar medidas que sanassem suas dificuldades. Tal fato ocorreu em um domingo, no dia 22 de janeiro de 1905. A multidão que se dirigiu ao Palácio de Inverno, em São Petersburgo, foi recebida a tiros pelas tropas do czar. Iniciava-se, assim, a Revolução de 1905.
A principal característica dessa revolução foi a criação de um conselho de delegados dos trabalhadores de São Petersburgo. Essa forma de auto-organização dos operários russos ficou conhecida na história como soviete, que em russo significa conselho.
Paralelamente a esses fatos, alguns partidos políticos estavam se formando. É importante destacar os partidos que se desenvolviam junto às classes exploradas, como o dos socialistas-revolucionários, ligados aos camponeses, e o Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), que se dividia em duas frações principais, os mencheviques e os bolcheviques.
No início de 1906, o czar conseguiu conter o processo revolucionário. Criou um parlamento, chamado Duma, apontando para o início de uma liberdade política nos moldes de uma monarquia constitucional. Mas durante os anos de 1906 e 1917, essa liberdade política não se verificou na prática.

Fevereiro de 1917
O Império Russo foi um dos principais interessados na Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914. Mas o exército russo não foi páreo paras as forças militares alemãs. Um dos resultados foi a deserção em massa de soldados da linha de frente. Outro foi a intensificação da fome entre a população que se mantinha em território russo.
Nos dias finais de fevereiro de 1917, uma manifestação pelo Dia Internacional da Mulher, em São Petersburgo, transformou-se em uma manifestação contra a fome vivenciada por boa parte da população. A manifestação conseguiu o apoio dos soldados insatisfeitos com a guerra. A insatisfação foi aumentando e as manifestações ganharam força.
Em 27 de fevereiro, soldados e trabalhadores invadiram o Palácio Tauride, conseguindo a renúncia do czar e a formação de um Governo Provisório. Ao mesmo tempo, os operários e soldados constituíram novamente os sovietes.
Essa situação ficou conhecida como duplo poder, com a burguesia e a aristocracia organizando-se na Duma, e os trabalhadores, soldados e camponeses organizando-se nos sovietes.
A principal reivindicação da população era a saída da guerra e medidas para aplacar a fome, além da distribuição de terras.
Após março de 1917, uma série de patrões passou a abandonar suas fábricas. Os operários, para não perderem seus empregos, começaram a ocupar as instalações das empresas e a organizar comitês de trabalhadores responsáveis pelo controle da produção.
Os conflitos sociais foram se intensificando. Iniciou-se um processo de abertura política. Em abril, um dos principais líderes bolcheviques, Lênin, voltou do exílio. A partir desse momento, ele conseguiu influenciar mais intensamente os rumos a serem tomados pelo partido bolchevique.
Em julho, forças militares ligadas ao czarismo tentaram derrubar o Governo Provisório, sendo impedidas principalmente pelos operários e camponeses organizados. Percebendo o acirramento da situação de conflito social, os bolcheviques lançaram o lema Pão, Paz e Terra com o intuito de angariar apoio popular.
Em outubro de 1917, com a chegada do inverno, setores dos bolcheviques viram a necessidade de tomarem uma medida mais radical, a tomada do poder. Os camponeses já estavam ocupando as terras da aristocracia e da igreja, os trabalhadores intensificavam a formação de sovietes e de comitês de fábrica.
Outubro de 1917
Em setembro, os bolcheviques haviam conseguido o controle do Soviete de São Petersburgo. Às vésperas do Segundo Congresso dos Sovietes de Toda a Rússia, os bolcheviques decidiram pela derrubada do Governo Provisório. Em 25 de outubro de 1917, o Instituto Smolni foi invadido pela Guarda Vermelha.
Baseando seu poder nos sovietes e aliados com a ala esquerda do partido socialista- revolucionário, os bolcheviques iniciaram as medidas para a construção do Estado Soviético. A realização da Assembleia Constituinte foi interrompida. O controle operário da produção foi instaurado. As terras da nobreza e da igreja foram divididas entre o campesinato. Para administrar o Estado, o Congresso dos Sovietes criou o Conselho dos Comissários do Povo.
Entre outubro de 1917 e março de 1918, os bolcheviques lançaram as bases do novo Estado. A administração da economia foi centralizada em instituições estatais que passaram a esboçar o planejamento da produção, buscando manter o controle operário das empresas sob certos limites. A Guarda Vermelha foi substituída pelo Exército Vermelho, comandado por Trotsky. O Tratado de Paz de Brest-Litovsk foi assinado com a Alemanha, retirando a Rússia da Primeira Guerra Mundial.
Guerra Civil
Logo após a assinatura do tratado de paz, iniciou-se na Rússia uma Guerra Civil, que durou de 1918 a 1921. As forças ligadas ao antigo regime czarista reuniram-se no Exército Branco. Conseguiram ainda apoio de potências capitalistas ocidentais para tentar derrubar o nascente poder soviético.
A organização soviética na Guerra Civil criou as bases da centralização estatal da economia e do controle da vida social. A constituição do Comunismo de Guerra procurava administrar o novo Estado. Tendo por base a militarização da economia, direcionando-a para os esforços da Guerra Civil, o Comunismo de Guerra impôs a disciplina militar nas indústrias e também passou a confiscar as colheitas dos camponeses.
Na Ucrânia, que havia se tornado independente, camponeses e operários organizaram-se em torno da guerrilha liderada por Nestor Makhno. A makhnovtchina foi uma importante organização na luta contra o Exército Branco e também na organização da produção, principalmente agrícola, na Ucrânia.
A ação da makhnovtchina e do Exército Vermelho conseguiu conter a invasão do Exército Branco. Porém, ao fim da Guerra Civil, a Rússia estava arrasada pela fome e pela destruição causada pela guerra. Porém, a militarização promovida pelos bolcheviques se manteve, principalmente no papel centralizador do Estado.
As forças de Makhno foram destruídas logo após a guerra civil. Uma rebelião contra o novo Estado, realizada na fortaleza de Kronstadt, foi massacrada pelos bolcheviques. Os marinheiros dessa fortaleza, que eram a principal força revolucionária da Rússia, pediam a eleição de sovietes livres, buscando assim diminuir o poder bolchevique.
Mesmo a liberdade econômica temporária, proporcionada pela Nova Política Econômica (NEP), não abalou as estruturas centralizadoras do Estado Soviético. O período de centralização do controle econômico, político e social da Guerra Civil moldou a forma de organização da URSS, principalmente a partir de 1928, quando as terras foram estatizadas e foi inaugurado o primeiro Plano Quinquenal. Os burocratas do partido e os administradores das empresas puderam com esse plano iniciar o planejamento da economia soviética, impulsionando a industrialização da URSS.

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Nicolau II o último Czar

 

lenin

13.855 – Aqui Jaz o Cadáver de Lenin


cadaver de lenin
Ele se encontra no Mausoléu de Lenin ou Mausoléu de Lenine.
é um ambiente localizado na Praça Vermelha, em Moscou, onde está guardado e exposto o corpo do líder fundador da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, Vladimir Ilitch Ulianov. A construção consiste em um salão coberto por cinco blocos em formato piramidal e cercado por um balcão, acessado por duas escadas ao lado de um portão, e que por sua vez dá acesso a uma tribuna. O mausoléu é composto das cores vermelha e preta, representando o sangue e o luto.
Após a morte de Lenin, o governo soviético recebeu muitos telegramas com o pedido de embalsamar o corpo do primeiro líder soviético. Esse pedido foi atendido, e logo em 23 de janeiro, dois dias após a morte de Lenin, o professor e patologista Alexei Abrikosov fez este trabalho. Neste mesmo dia, o arquiteto Alexei Schusev garantiu que, dentro de três dias, um projeto do mausoléu estaria pronto, e no dia 26 de janeiro foi decidido que o mausoléu ficaria na muralha do Kremlin de Moscou. Contudo, em agosto do mesmo ano, Schusev criou uma versão mais ampla do mausoléu, e o arquiteto Konstantin Melnikov idealizou o sarcófago sobre o qual o corpo de Lenin ficaria exposto.
Em 1929, cinco anos após a morte do líder, foi decidido que o corpo de Lenin deveria ser conservado por mais tempo, e o então mausoléu de madeira deveria ser substituído por um mais estruturado, feito de mármore, labradorite pórfiro, e granito, além de outros materiais, que seria terminado em outubro de 1930.
O sarcófago de Lenin é mantido em temperatura de 16 ºC em umidade de 80%-90%. O corpo de Lenin foi conservado principalmente com álcool, quinina, acetato de potássio, glicerol, água destilada e fenol. Durante a Grande Guerra Patriótica, o corpo de Lenin foi movido para Tiumen, na Sibéria, por conta da invasão nazista a Moscou e a possível destruição ou roubo do corpo. Em 1953, o corpo embalsamado de Josef Stalin ficaria exposto ao lado do de Lenin, durante dois anos. Após o XX congresso do Partido Comunista da União Soviética, Stalin seria enterrado nas paredes do Kremlin.

13.852 – Quando Surgiu a Alquimia?


alquimia
Ainda hoje, muitos acreditam que o pensamento racional foi o grande responsável pelo desenvolvimento de todo conhecimento científico até então acumulado. A observação e os experimentos auxiliaram o homem a desvendar grandes incógnitas da natureza. Nesse sentido, costuma-se observar as ciências naturais (Biologia, Física e Química) como as grandes beneficiárias de todas estas ações promovidas pelo interesse humano.
No entanto, as crenças e o pensamento religioso não se afastaram por completo no desenvolvimento das ciências. Uma prova cabal dessa ideia pode ser contemplada quando focamos nossa atenção para um misterioso grupo de estudiosos: os alquimistas. Os relatos sobre esses “cientistas” dizem que seus interesses pela manipulação de materiais químicos e orgânicos rondavam a busca incessante pelo elixir da vida eterna e pelas transformações dos metais em ouro.
Tendo seu auge entre os séculos XIV e XVI, a alquimia teve suas origens no Egito Antigo. Na cidade de Alexandria, centro de conhecimento erigido pelo imperador Alexandre, reuniam-se escritos de uma antiga técnica egípcia chamada kyniâ. Essa técnica egípcia envolvia o domínio dos processos químicos de embalsamamento e a manipulação de metais. Entrando em contato com a sabedoria grega, a kymiâ passou a considerar que toda matéria era constituída por quatro elementos básicos: terra, ar, água e fogo.
Durante a dominação romana sobre o Egito, a alquimia passou a ser condenada pelas autoridades imperiais. Com a oficialização do cristianismo, ordenada pelo imperador Constantino, em 330, um grupo de hereges ligados à prática da alquimia foram perseguidos pelas autoridades romanas. Conhecidos como nestorianos, esses praticantes da alquimia refugiaram-se da perseguição religiosa na Pérsia. Naquela época, muitos persas se interessaram pelo domínio dessas técnicas.
A expansão islâmica também foi de grande importância na preservação e ampliação dos conhecimentos alquímicos. O Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, previa que o conhecimento da natureza era uma forma louvável de aproximação com Alá. Por isso, muitos árabes desenvolveram estudos envolvendo elementos químicos e metais preciosos. Enquanto esse tipo de conhecimento desenvolvia-se no mundo islâmico, a Europa Medieval pouco sabia sobre esses estudos.
Com o movimento cruzadista, na Baixa Idade Media, a alquimia entrou em contato com os europeus. A sua busca pela vida eterna, proposta por alguns alquimistas, entrou em choque com o pensamento religioso da época. Este tipo de ousadia era visto como uma ofensa à ideia de que somente Deus poderia conceder a dádiva da vida eterna. Dessa forma, para evitar possíveis perseguições ou terem seus conhecimentos desvendados, os alquimistas costumavam utilizar uma complexa simbologia que guardava os processos e experimentos por eles desenvolvidos.
Mesmo sendo mal vista pela Igreja, a alquimia foi uma atividade comum entre alguns clérigos. Roger Bacon e São Tomas de Aquino redigiram alguns experimentos onde relatavam a obtenção de ouro através de outras substâncias e a criação de um homem mecânico. Durante o século XVI, a alquimia começava a ganhar uma nova compreensão. O filósofo britânico Francis Bacon (1561 – 1626), já acreditava que a alquimia poderia desenvolver outros promissores tipos de conhecimento científico.
No século XVII, Robert Boyle começou a lançar alguns dos pontos que fundaria o nascimento de uma nova ciência: a química. Aparentemente suas idéias procuravam afastar-se do lado místico da alquimia. No entanto, o próprio Boyle acreditava que um metal poderia ser transmutado. Isaac Newton (1643-1727) foi outro grande cientista interessado pela alquimia. O encontro da “pedra filosofal” ocupou vários de seus estudos.
Ao longo do século XVII, a popularização do conhecimento científico ganhou espaço frente os códigos e segredos da alquimia. Além disso, a separação entre fé e razão, defendida pelo pensamento iluminista, fez com que os conhecimentos alquímicos fossem vistos como mera invencionice.
Mesmo dotada de crenças que perseguiam a vida eterna e o conforto material, a alquimia não pôde ser colocada para fora da história do desenvolvimento das ciências. Muitos dos instrumentos utilizados nos processos químicos e o estudo de alguns elementos foram elaborados graças ao espírito empreendedor dos alquimistas. Além disso, a tese de transformação dos elementos químicos foi comprovada por diversos estudos desenvolvidos durante o século XX.