14.445 – São Roque, O Município do Vinho



Fica no interior do Estado de São Paulo, situado na Região Metropolitana de Sorocaba, na Mesorregião Macro Metropolitana Paulista e na Microrregião de Sorocaba.
São Roque é um dos 29 municípios paulistas considerados estâncias turísticas pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de Estância Turística, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.
O turismo “bate volta” é muito importante na cidade. Pessoas de toda a região no raio aproximado de 100 km visitam a cidade semanalmente onde usufruem de belos passeios, restaurantes variados e dos vinhos, licores, destilados, alcachofra e doces produzidos na cidade.
Fundada na segunda metade do século XVII pelo bandeirante Pedro Vaz de Barros – mais conhecido como Vaz-Guaçu – a cidade surgiu de uma enorme fazenda e uma capela por ele erigida no local. A capela – então localizada onde hoje é a Praça da Matriz – foi levantada em devoção a São Roque. A fazenda tinha por objeto o cultivo de vinhedos e de trigais, utilizando-se mão-de-obra indígena e mais tarde, de escravos africanos. Pouco depois da criação dessa fazenda, o irmão de Pedro Vaz – Fernão Paes de Barros, também veio a se instalar em São Roque, nos mesmos moldes que seu irmão, fundando uma fazenda e uma capela, contudo em louvor a Santo Antônio.
A capela original a São Roque, bem como as igrejas barrocas que a sucederam no Largo da Matriz foram derrubadas e sucessivamente “modernizadas”, assim como todo o entorno paisagístico do Largo da Matriz. Ao que consta, até a década de 1940, o Largo da Matriz era formado por um conjunto arquitetônico barroco, tendo a sua volta casarões.

Antes de ter sido elevado à condição de vila em 1832, o povoado foi declarado freguesia de Santana de Parnaíba, no ano de 1764. Em 1864, é elevado à categoria de município. Entre 1872 e 1875, é inaugurada a Santa Casa de Misericórdia e a estação da Estrada de Ferro Sorocabana. No final do século XIX, tem sua economia impulsionada pela chegada de imigrantes italianos.
Ao que consta, essas melhorias foram levadas a cabo em função da influência político do Sr. Antônio Joaquim da Rosa, o Barão de Piratininga, importante personalidade são-roquense, e ao que consta, amigo pessoal do Imperador D. Pedro II.
Em 1890, o industrial italiano Enrico Dell’Acqua funda a BRASITAL, uma das primeiras indústrias têxteis do Brasil, a qual funcionou até meados dos anos 1970. Hoje, faz parte do patrimônio público municipal, abrigando um centro cultural e educativo, bem como a biblioteca municipal.
opografia
O município de São Roque localiza-se numa região de morfologia bastante acidentada, atingindo 1200 metros de altitude em alguns locais, e caindo para 600 metros em outros. Pontos destacados de maior altitude podem ser citados, como:

Alto da Serra – Estrada da Aeronáutica: 1.100 metros de altitude;
Morro do Saboó: cerca de 1.000 metros de altitude (visível de áreas de municípios vizinhos);
Morro do Sky Mountain Park: cerca de 1.200 metros de altitude.
Clima
O clima de São Roque é o subtropical Cwa, segundo a classificação climática de Köppen, com média no mês mais quente, fevereiro, de 30 °C e média no mês mais frio, julho, de 15,5 °C e a média de precipitação anual é de 1352mm, geadas ocorrem em praticamente todos os invernos. Em 17 de julho de 2000, São Roque registrou uma temperatura de -3 °C, segundo o governo do estado de São Paulo.
Hidrografia
Rio Aracaí
Rio Carambeí
Rio Guaçu
O trajeto da rodoviária de São Roque até a rodoviária da Barra Funda é percorrido de uma hora e vinte minutos pela Rodovia Castelo Branco a duas horas pela Rodovia Raposo Tavares, dependendo da fluência do trânsito nas Marginais do Tietê e Pinheiros.
O município é ligado à capital do estado por meio de duas rodovias, a Raposo Tavares SP-270 e a Castelo Branco SP-280. A primeira também liga São Roque a Sorocaba, o centro econômico regional mais importante da região. Existe uma ferrovia ligando São Roque a São Paulo e a Sorocaba: trata-se da Linha Tronco da antiga Estrada de Ferro Sorocabana.
São Roque abriga a “Casa e a Capela do Sítio Santo Antonio”, um bem cultural de relevância nacional, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional IPHAN no ano de 1941. A casa-grande foi edificada no século XVII, no ano de 1681, pelo bandeirante Fernão Paes de Barros. Trata-se de conjunto arquitetônico de natureza singular, formado por uma casa-grande e uma capela feitas em taipas de pilão, sendo a mais antiga da região. Um dos primeiros a reconhecer seu valor arquitetônico e histórico foi o escritor modernista Mário de Andrade- cuja família doou o imóvel ao Patrimônio Histórico Nacional após sua morte, conforme desejo do escritor.
Digna de ser visitada é a reserva ecológica conhecida localmente como “Mata da Câmara”, um parque municipal no qual se pode admirar a vegetação natural da Mata Atlântica, com suas típicas orquídeas, bromélias, etc. A área faz parte do chamado “cinturão verde da Mata Atlântica”, reconhecido como patrimônio natural da humanidade pela UNESCO.
Além disso, São Roque é conhecida como a Terra do Vinho. A cidade possui em seu território diversas vinícolas, que produzem os mais variados tipos de vinho. Anualmente, no mês de outubro, a cidade promove a “Expo São Roque”, exposição que reúne produtores de vinhos, uvas e alcachofras, com o objetivo de vender os seus produtos diretamente para o consumidor final.

14.435 – Economia e Desenvolvimento – Os países mais e menos desenvolvidos do mundo em 2019



A constatação é da edição 2019 do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), produzido anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
O relatório traz à tona dados alarmantes sobre o estado da desigualdade no mundo hoje. Revelou, ainda, que a distribuição desigual em educação, saúde e padrão de vida freou o progresso de vários países: 20% dos avanços feitos nos últimos anos se perderam no ano passado.

Na expectativa de vida, por exemplo, 17% das crianças nascidas no ano 2000 em países de baixo desenvolvimento vão morrer antes dos 20 anos contra apenas 1% nos países desenvolvidos. Em igualdade de gênero, revelou que, no ritmo atual, serão necessários 202 anos para fechar a lacuna existente entre os homens e as mulheres.
Há, ainda, o ranking do desenvolvimento, que avalia 189 lugares, entre países e territórios, e mostra quais são os mais e menos desenvolvidos do mundo de acordo com a média dos avanços feitos em três dimensões: expectativa de vida, educação e renda per capita. Com os resultados, é calculado o IDH. Quanto mais próxima de 1 a pontuação, mais desenvolvido é o local.

Na edição 2019 do ranking do desenvolvimento, poucas novidades. Entre os mais desenvolvidos, o território de Hong Kong subiu uma posição na comparação com a análise anterior, da 6ª colocação para a 5ª, posição antes ocupada pela Austrália.

Estados Unidos e Reino Unido estão na mesma posição, que é, ainda, a mesma registrada no ano passado, a 15ª, o que o índice coloca como estagnação. Já entre os menos desenvolvidos, a lista é composta por países africanos.

Veja abaixo o ranking dos países mais desenvolvidos e, em seguida, os menos desenvolvidos.

Os países mais desenvolvidos do mundo em 2019
1 – Noruega (IDH 0,954)

2 – Suíça (IDH 0,946)

3 – Irlanda (IDH 0,942)

4 – Alemanha (IDH 0,939)

4 – Hong Kong (IDH 0,939)

6 – Austrália (IDH 0,938)

6 – Islândia (IDH 0,938)

8 – Suécia (IDH 0,937)

9 – Singapura (IDH 0,935)
10 – Holanda (IDH 0,933)

11 – Dinamarca (IDH 0,930)

12 – Finlândia (IDH 0,925)

13 – Canadá (IDH 0,922)

14 – Nova Zelândia (IDH 0,921)

15 – Reino Unido (IDH 0,920)

15 – Estados Unidos (IDH 0,920)

Os países menos desenvolvidos do mundo em 2019
188 – Níger (IDH 0,377)

188 – República Centro-Africana (IDH 0,381)

187 – Chade (IDH 0,401)

186 – Sudão do Sul (IDH 0,413)

185 – Burundi (IDH 0,423)

184 – Mali (IDH 0,427)

182 – Eritréia (IDH 0,434)

182 – Burkina Faso (IDH 0,434)

181 – Serra Leoa (IDH 0,438)

180 – Moçambique (IDH 0,0446)

14.338 – Reino aqui nesse Mundo Mesmo – Qual a religião mais rica do planeta?


religiões
Não há dados 100% confiáveis.
A religião é uma instituição financeira tanto quanto espiritual. Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam.
Não é surpreendente que as maiores religiões do mundo – Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Budismo e Hinduísmo – promovam a acumulação de riquezas através de seus sistemas de crenças, o que contribui para a prosperidade econômica.
Incentivos espirituais como a danação e a salvação são motivadores eficientes. Por isso, religiões que dão ênfase à crença no inferno são mais propensas a contribuírem para a prosperidade econômica do que as que enfatizam a crença no paraíso.
As religiões que têm foco na crença no paraíso dão mais importância a atividades redistributivas (caridade) para diminuir o tempo das pessoas no inferno e chegar mais perto do paraíso.
Já o incentivo que se baseia na crença no inferno parece mais eficiente para o comportamento econômico, porque motiva os fiéis a trabalhar mais duro para evitar a danação.
Arrecadação
A estrutura organizacional, assim como o sistema de crenças de uma religião, afeta diretamente sua habilidade de arrecadar fundos dos fiéis.
A riqueza das religiões, de maneira muito semelhante à riqueza das nações, depende da estrutura de sua organização. Mas, diferentemente das corporações, as finanças das religiões não são transparentes para o público nem são monitoradas.
Algumas estruturas religiosas são hierárquicas como a da Igreja Católica Romana, com a concentração de riqueza no clero e no Papado. Por contraste, as igrejas evangélicas e pentecostais favorecem um acúmulo de riqueza de pai para filho.
O famoso evangelista americano Billy Graham e seu filho William Franklin Graham 3º, que assumiu a presidência da associação evangelista do pai, são um exemplo de como o poder espiritual e a riqueza de uma religião são mantidos pelos laços familiares.
Outras organizações tendem a ser descentralizadas e comunitárias por natureza, como o judaísmo, com as sinagogas locais mantendo a autonomia sobre as finanças.
Mas as religiões coletivas, como as monoteístas, requerem a crença exclusiva em um só Deus e contam financeiramente com tributos e doações voluntárias de seus membros.
Como consequência, um templo, igreja ou mesquita exerce pressão coletiva e outros tipos de sanções grupais para garantir a ajuda financeira contínua dos fiéis à religião.
No entanto, uma dificuldade constante enfrentada pelas religiões é que muitos membros decidem agir de acordo com sua própria vontade e não dar apoio financeiro.
Outro tipo de estrutura religiosa é a privada ou difusa. Hinduísmo e budismo são religiões privadas, em que os fiéis realizam atos religiosos sozinhos e pagam uma taxa para um monge pelo serviço.
Nestes casos, as atividades religiosas são partes da vida diária e podem ser feitas a qualquer momento do dia. Elas não requerem nem um grupo de fiéis nem a presença dos monges.
Estas religiões privadas tendem a ser politeístas e sustentadas financeiramente pelo pagamento de uma taxa de serviço.

Não chega a ser tão ruim
Religiões com muitos recursos, como por exemplo o catolicismo romano e o islamismo, historicamente foram – algumas vezes – monopólios financiados pelo Estado.
A regulação da religião pelo Estado pode reduzir a qualidade das vantagens espirituais na medida em que aumenta a capacidade da religião de acumular riqueza. Mas uma religião subsidiada pelo Estado pode ter um efeito positivo na participação religiosa.
Por exemplo, os governos da Dinamarca, Suécia, Alemanha e Áustria subsidiam muitas religiões para a manutenção de suas propriedades, a educação do clero e os serviços sociais.
Mesmo que isso não necessariamente aumente o número de pessoas que frequentam a igreja, o investimento financeiro do Estado nas instituições religiosas aumentou as oportunidades das pessoas de participarem de atividades patrocinadas pela religião.

14.312 – Economia – Quais os Maiores PIBs do Planeta?


PIB_Nominal_FMI_WEO_2015
O Produto Interno Bruto (PIB) é o valor de mercado de todos os bens e serviços finais de um país em um determinado ano. Os países são organizados segundo estimativas do Produto Interno Bruto (PIB) nominal de instituições financeiras e estatísticas, onde é calculada à taxa de câmbio oficial do mercado ou governamental. O PIB nominal não leva em consideração as diferenças no custo de vida em diferentes países, e os resultados podem variar muito de um ano para outro com base em flutuações nas taxas de câmbio e valor da moeda do país. Tais flutuações podem alterar a posição de um país no ranking mundial de um ano para o outro, mesmo que muitas vezes façam pouca ou nenhuma diferença nos padrões de vida de sua população.
Os Estados Unidos são a maior economia do mundo, com um PIB de aproximadamente US$ 17,9 trilhões, nomeadamente devido a elevada renda de uma grande população,[6] investimentos capitais, desemprego moderado, altos gasto dos consumidores, população relativamente jovem, e inovação tecnológica. Tuvalu é a menor economia nacional do mundo, com um PIB de cerca de US$ 33 milhões, isso devido à sua população muito pequena, escassez de recursos naturais, dependência de ajuda externa, investimento capital insignificante, problemas demográficos, e a baixa média de renda.
Apesar dos rankings das economias mundiais mudarem consideravelmente ao longo do tempo, os Estados Unidos se mantem no topo desde a idade do ouro, um período de tempo em que a sua economia passava por uma rápida expansão, superando o Império Britânico e a Dinastia Qing em relação ao PIB Nominal. Após a transição da China para uma economia de mercado através da privatização e da desregulamentação, o país viu a sua nota aumentar no ranking desde 1978, e tornou-se a segunda maior economia do mundo em 2015, e com o crescimento econômico acelerado, a sua participação no PIB nominal mundial subiu de 2% em 1980 para 15% em 2015. A Índia também tem experimentado um crescimento econômico semelhante desde a implementação das reformas neoliberais no início de 1990.[16] As entidades supranacionais também estão incluídas, a União Europeia é a segunda maior economia do mundo. Tornou-se a maior economia do mundo em 2004, quando dez países aderiram à União, e em 2015 foi superada pelos Estados Unidos.
Comparações de riqueza nacional são frequentemente feitas com base na Paridade do Poder de Compra (PPC), para ajustar as diferenças no custo de vida em diferentes países. A PPC remove grande parte das taxas de câmbio, mas tem suas desvantagens; não reflete o valor da produção econômica no comércio internacional, e também exige mais de estimativas do que o PIB nominal. Na PPC os números per capita são menos distribuídos do que os valores per capita do PIB nominal.

PIB mundial

ONU

14.301 – Soluções para Salvar a Economia


saude economica
O episódio conhecido como Grande Depressão consistiu numa queda de 26% no PIB dos EUA entre 1929 e 1933. O Goldman Sachs, um banco americano, prevê um baque de 24% por lá só neste trimestre (que vai de abril a junho). O UBS, um banco suíço, imagina algo na mesma linha para o Brasil: tombo de 20% no PIB.
A queda agora deve concentrar em três meses os quatro anos da maior crise econômica que o mundo já viu em tempos de paz. Até o termino desse artigo, não havia dados concretos sobre o aumento no desemprego no Brasil em março, o mês em que o coronavírus começou a fechar o País. Mas as previsões eram feias – uma subida dos 11% de fevereiro para mais de 16%. Nos EUA, idem: a maior economia do mundo viu 16 milhões de vagas evaporarem em três semanas. 10% da força de trabalho deles foi para a rua da noite para o dia.
A Grande Depressão só virou o que virou porque o governo dos EUA fez o favor de ficar de braços cruzados. Aquela crise começou com o Crash de 1929, uma queda abrupta de 23% em dois dias no valor das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York (o fundo do poço só viria em 1932, com uma queda acumulada de 89%). A queda não teve uma razão. Não havia guerra, pandemia nem nada parecido à espreita. Foi basicamente um tombo forte do mercado depois de anos de subida incessante.
Esse baque inicial, porém, criou um efeito dominó. Bancos que tinham dinheiro demais investido em ações faliram. Com menos bancos, muitas empresas ficaram sem ter como tomar dinheiro emprestado para as despesas do dia a dia. Quebraram. Com menos empresas, começou a faltar emprego. Sem emprego, o consumo baixou. E mais empresas quebraram, retroalimentando o círculo vicioso. A crise se espalharia pelo mundo, pois já havia uma economia global – e os EUA já eram o jogador principal ali.
O governo de lá poderia ter dado uma força. O Estado tem o poder de criar moeda. De imprimir dinheiro. E quando falta dinheiro em circulação, o governo tende a materializar esse dinheiro mágico, para evitar que seus cidadãos acabem se estapeando no meio da rua por maçanetas de porta ou por comida.
O governo dos EUA não fez nada para evitar a queda. A justificativa era quase religiosa: não haveria ajuda do Estado porque a ideia era justamente fazer uma “faxina”. Tirar do jogo os “especuladores”. “Isso expurgará o sistema, que está podre”, disse Andrew Mellon, então secretário do Tesouro (equivalente a ministro da Fazenda) dos EUA. “Os padrões de vida serão reduzidos. As pessoas trabalharão mais, levarão uma vida mais de acordo com a moralidade. Os valores se ajustarão, e os empreendedores recolherão os destroços dos menos competentes.” Deu ruim.
O ministro da fazenda americano disse, em 1929: “Os padrões de vida serão reduzidos. As pessoas trabalharão mais, levarão uma vida mais de acordo com a moralidade. Os valores se ajustarão, e os empreendedores recolherão os destroços dos menos competentes.” Deu ruim.
A economia parou de cair em 1934, mas o desemprego continuaria roçando na casa dos 20% por vários anos.
“O que realmente pôs um fim na Grande Depressão foi um programa massivo de obras públicas chamado Segunda Guerra Mundial”, disse certa vez o Nobel de economia Paul Krugman. De fato. A produção de aviões, navios de combate e a logística brutal das operações de guerra na Europa e no Pacífico criaram uma situação de pleno emprego nos EUA – com o índice de pessoas sem trabalho caindo para míseros 1,2% em 1944, no auge do conflito.
Esse boom na produção fez o PIB americano crescer severamente durante a Guerra – entre 1941 e 1943, admiráveis 15% ao ano. Mas de onde vinha a grana para pagar o pessoal que fazia os aviões, os encouraçados, a comida e o cigarro dos soldados? Vinha da grande casa de papel americana: o Federal Reserve (Fed), que é o Banco Central deles.
Bancos centrais têm o poder de imprimir dinheiro, e fazem parte do governo. Mas seu papel nas economias não é pagar os gastos do governo. O que eles fazem no dia a dia é controlar o volume de moeda que circula pela economia.
Se os índices de inflação começam a subir, significa que tem dinheiro demais na praça. No caso, mais dinheiro em circulação do que coisas que existem para comprar com esse dinheiro. Então os preços sobem. Inflação. E aí quem perde o valor é o dinheiro. Um Banco Central (BC) existe para manter o valor da moeda.
Para evitar tal perda de valor, o Banco Central age para tirar dinheiro da economia. Então ele chega nas instituições financeiras, ou seja, nos bancos normais, pedindo dinheiro emprestado. Não que ele precise (ele tem o poder de fabricar moeda do nada, afinal). Ele só pega emprestado dos bancos para que os bancos não possam emprestar esse dinheiro para o público, para nós. Para que os bancos topem emprestar, ele oferece juros mais gordinhos. Quando você vê no noticiário que “os juros subiram”, é isso que aconteceu.
Mas tem um outro lado nessa moeda. Se os índices de inflação estão caindo, o que acontece? O BC fica lá parado estourando champanhe para comemorar a valorização da moeda? Não. Inflação é ruim. Mas deflação, queda generalizada nos preços, é pior. Significa que a economia está deixando de funcionar, que ninguém mais está comprando nada. Nos EUA da Grande Depressão, os preços caíam 15% ao ano, por pura falta de demanda. No mundo pós-coronavírus, vale adiantar, é o que já está acontecendo.
Então o que é o ideal? Uma inflação absolutamente zero? Também não. Se nenhum preço jamais sobe, significa que a economia congelou. Preços em ligeira alta, num setor específico, são um bom sinal. Se o preço da pizza no seu bairro está subindo, isso pode significar que há espaço para você criar uma pizzaria. E isso é bom.
O que os governos fazem, então, é estabelecer uma meta de inflação para o ano. No Brasil, ela está em 4% para 2020. E isso significa o seguinte: se os índices de inflação estiverem abaixo de 4%, o Banco Central tem a obrigação de imprimir dinheiro – mais exatamente, de criar moeda eletrônica, já que ninguém mais usa dinheiro de papel. Então ele cria essa moeda e faz o quê? Deposita na nossa conta? Infelizmente não. Ele pega e dá emprestado, a juros baixinhos, de pai para filho, para os bancos. Quando você vê no noticiário que “os juros caíram”, foi isso que aconteceu.
Com mais dinheiro na mão, os bancos tendem a emprestar mais. É assim no mundo inteiro. O nome dessas jogadas entre o Banco Central de um país e os bancos normais que operam ali é “política econômica”. É ela que determina o valor do dinheiro e dá forças para a economia crescer quando esse dinheiro está devidamente valorizado.
No Brasil, o BC só pode imprimir dinheiro para fazer a tal política econômica. A Lei de Responsabilidade Fiscal, editada no ano 2000, tem um ponto importantíssimo: proíbe a impressão de dinheiro para financiar o Estado.
Isso é ótimo, já que nos livrou de qualquer nova ameaça de hiperinflação.
Se o governo quiser construir estádio, hidrelétrica ou hospital, vai ter de arranjar o dinheiro por conta própria. Que se vire cobrando mais impostos ou pegando emprestado na rua. E é o que ele faz mesmo. Ele pede emprestado “na rua” lançando títulos públicos. Um título público é como se fosse um vale que diz “Obrigado por emprestar R$ 1.000 ao seu maravilhoso governo. Prometemos pagar R$ 1.100 de volta daqui a três anos”. Aí o governo paga ou com o dinheiro que entrar de impostos lá na frente ou fazendo uma dívida nova, com outra pessoa, para não te dar um calote. Rola a dívida. O nome do montante que o governo deve é “dívida pública”.
A do Brasil, como a de qualquer outro país, vem sendo rolada desde o Pré-Cambriano. Está hoje em quase R$ 6 trilhões (ou 80% do PIB, que é como os técnicos medem as dívidas de cada país). O resto é igual na sua vida: quanto maior a dívida, maior o risco de calote, então o governo precisa pagar juros maiores para continuar rolando.
Se o Banco Central pudesse imprimir dinheiro para comprar títulos públicos, estaria financiando o governo por magia. É isso que a nossa Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe. E a compra nem precisa ser direto do governo. Se um banco tem uma tonelada de títulos públicos em seu poder (e todos têm), o BC vai lá, imprime dinheiro e compra. Nisso, o governo ganha uma folga: deixa de ter dívida com o banco. O dinheiro que o Estado usaria para rolar essa dívida fica livre para ele gastar como bem entender. Na prática, é exatamente como se o BC tivesse imprimido o dinheiro e dado de presente para os cofres da União. A Lei de Responsabilidade Fiscal, então, não permite que o BC compre títulos – a não ser para fazer a tal política econômica.
Nos EUA é diferente. Não existe uma lei assim. O Fed pode criar dinheiro para comprar títulos públicos. Tem licença para imprimir dinheiro. E agora o Brasil segue pelo mesmo caminho. A PEC do “Orçamento de Guerra”, aprovada em abril pelo Congresso, permite a compra de títulos públicos com dinheiro novo, pelo menos enquanto vigorar o estado de calamidade pública.
Isso dá poder de fogo ao governo para bancar medidas anticrise, como aquela ajuda de R$ 600 por três meses e as liberações de seguro-desemprego a quem tiver o salário reduzido ou suspenso. E não menos importante: vai deixar os bancos com muito mais dinheiro para emprestar.
Além disso, a PEC permite que o BC compre títulos privados em poder dos bancos. Ou seja: se a Petrobras deve R$ 1 bilhão para o Bradesco, o BC pode dar esse bilhão ao Bradesco, e aí assume para si o risco de a Petrobras não pagar. É o que os EUA estão fazendo também. A ideia principal é encher os bancos de dinheiro novo e pedir pelo amor de Deus para que eles emprestem mais, e a juros menores. Se esses títulos privados forem de companhias menores, melhor ainda. Você mata dois coelhos: enche o caixa dos bancos e desafoga a rolagem de dívidas das pequenas empresas – ainda mais levando em conta que elas respondem por 54% das vagas formais no Brasil.
A fé de que esse tipo de medida dê resultado é grande. Tanto que as previsões são de uma retomada firme já no terceiro trimestre (julho-setembro), com subidas de mais de 15% no PIB, seja aqui, seja lá fora. O ano fecharia ainda numa recessão brava, mas administrável: na casa de 5% negativos.
Mesmo assim, o Fed radicalizou. Decidiu fazer ele mesmo certos empréstimos, para não ter de se ajoelhar para os bancos. O BC dos EUA criou um programa de resgate a pequenas e médias empresas. Eles imprimem os dólares e emprestam para você, empresário. Os juros são de 1% ao ano.
E tem um plot twist aí: se você provar que gastou 75% com pagamento de salários, e os outros 25% em aluguel, água, luz, eles perdoam a dívida. Fica por isso mesmo. Não é juro zero. É amortização zero. Dinheiro de graça para pagar salário. Isso vai cobrir metade da força de trabalho dos EUA.
Os EUA darão dinheiro a pequenas empresas para pagamento de salário. E não vão cobrar de volta.
No Brasil, as fichas estão com os bancos. As compras de títulos públicos e privados pelo BC colocará mais de R$ 1 trilhão no colo deles. Espera-se, então, que isso signifique crédito amplo e barato, principalmente para os pequenos comércios. Se não significar, uma injeção direta de dinheiro novo, à la Fed, será urgente.
Medidas assim, de qualquer forma, tendem a gerar inflação. Haverá mais dinheiro na praça do que a capacidade que temos de produzir coisas para serem compradas com esse dinheiro. Quando os índices de inflação subirem, os governos terão de drenar moeda das economias – aumentando os juros. Aí que a porca torce o rabo. Aumento de juros mantém o valor da moeda, mas reduz a atividade econômica. E não podemos nos dar a esse luxo nos próximos meses, sob pena de entrarmos numa Grande Depressão.
A melhor forma de agir, então, é usar as impressoras, mas com moderação. Com que grau de moderação? Ninguém sabe. Será na tentativa e erro. Porque a economia pode até ser a mais exata das ciências humanas, mas também é a mais humana das ciências exatas.

14.182 – Projeções – Moeda privada ou cripto da China: qual vai substituir o dólar nas próximas décadas?


bitcoin
A história do dinheiro tem milhares de anos e, durante boa parte desse período, as moedas funcionaram de um jeito bastante diferente do atual.
Por muitos anos, elas foram lastreadas em algum outro ativo, em geral, prata e ouro. Apenas em 1971, após o fim do acordo de Bretton Woods, passamos a ter o experimento de ver moedas sem lastro algum – e a ascensão do dólar como a principal moeda aceita globalmente.
O dólar é atualmente contraparte de mais de 88% dos trades de moedas. Além disso, mais de 40% do comércio mundial está cotado nele.
Apesar de 50 anos não ser um período histórico muito longo, é tempo suficiente para nossa geração ter esse sistema como padrão e temer qualquer mudança que venha a ocorrer.
Além dessa hegemonia do dólar, temos hoje uma aceleração das mudanças para todo lado que olhamos e uma imensa globalização, padronização de processos, regulamentações etc.
A adoção de smartphones e o fato de o WeChat sair de quase nada para ser tornar um dos dois principais meios de pagamento na China em menos de cinco anos são exemplos disso.
É nesse ambiente borbulhante de mudanças, cada vez mais global e padronizado – e com a hegemonia do dólar –, que uma tecnologia que tem como um dos principais pilares a não-necessidade de intermediários vem causando um alvoroço enorme: o Blockchain.
Sua criação está associada ao seu primeiro caso de uso, a criptomoeda Bitcoin, mas hoje é uma plataforma para desenvolvimento de várias soluções para esse novo mundo.
O Bitcoin é o maior experimento recente de criação de uma moeda que não seja associada a governo, mas sofre de uma dificuldade de massificação devido, na minha opinião, a dois fatores: transferência do controle da vida monetária para o usuário e anonimato.
O primeiro fator requer uma adaptação do usuário final, que não tem mais um call-center ou agência para recorrer caso perca a senha (chave privada de acesso).
Já o segundo tem a ver com a não aceitação por parte dos reguladores de um sistema onde eles não tenham controle sobre os movimentos financeiros do indivíduo dentro (ou fora) de sua área de influência.
Dito isso, surgiu a ideia de usar a tecnologia para a criação de uma moeda digital privada lastreada em uma moeda fiduciária, a Stablecoin.
Uma das primeiras Stablecoins, e certamente a maior hoje, é o Tether, que tem uma liquidez mundial maior que o próprio Bitcoin. Mas ele não é o único.
Ao longo de 2019, diferentes maneiras de se fazer uma Stablecoin estão sendo testadas e lançadas nas mais diversas jurisdições, lastreadas em inúmeras moedas fiduciárias do mundo.
E aí chegamos à Libra. Uma Stablecoin criada por uma associação que tem o Facebook como seu principal proponente e que, em vez de ser lastreada em uma única moeda fiduciária, propôs a alternativa de ter como lastro uma cesta de ativos.
Essa associação, por começar com aproximadamente 5 bilhões de usuários (somente considerando Facebook, WhatsApp e Instagram), causou um alvoroço gigante em reguladores e bancos centrais.
Tanto é que um estudo do BIS, publicado recentemente, que não se refere diretamente à Libra, mas ao que chamam de GCS (Global Stablecoin), levanta 13 aspectos em que elas trazem riscos/desafios.
Esses aspectos vão dos conhecidos lavagem de dinheiro, segurança cibernética e impostos à integridade do mercado financeiro global, poder das políticas monetárias dos países e ambiente competitivo.
Vale ressaltar que todas as Stablecoins nascem com seus devidos lastros, assim como as moedas antes da década de 1970 tinham seus lastros em dólar ou prata.
Elas são, em geral, representações no campo digital de moedas fiduciárias, mas o grande risco é que, caso sejam aceitas e negociadas por milhões de pessoas, possam romper essa regra e se tornar como as moedas fiduciárias atuais, só que sem um governo.
A recomendação do estudo é que a circulação de Global Stablecoins só seja permitida depois de autorizada por todo e qualquer país que possa ser impactado.
Esse ambiente regulatório mais hostil associado a uma reunião para definição dos papeis dos vários membros da associação contribuíram para a saída de diversas empresas da associação, notadamente Paypal, Visa, Mastercard e Booking.
Mais recentemente, notícias sobre a possibilidade de a Libra lançar Stablecoins uni-fiat, ou seja, várias Stablecoins cada uma associada a uma moeda fiduciária específica, pode dar um novo rumo ao projeto, já que as aprovações ficariam no nível local de cada regulador, como já ocorre hoje com todas as Stablecoins que estão operando.
Isso ajudaria e muito na aprovação e, de posse de todas as Stablecoins uni-fiat, em um segundo momento, seria constituída a Libra como proposto no whitepaper inicial. A ver.

Do outro lado da questão, vemos os bancos centrais em uma corrida desenfreada para a criação de sua própria moeda digital. E aqui, como tem se tornado cada vez mais recorrente quando o tema é tecnologia, a China está despontando como a primeira potência a fazer o lançamento da sua moeda digital, que por muitos está sendo chamada de e-yuan.
Para um país que, em menos de dez anos, saiu de uma economia onde as transações eram feitas majoritariamente em papel moeda, para uma em que os pagamentos são feitos essencialmente via Q-code e smartphones, sendo que há reports de vários lugares onde cartões (crédito e/ou débito) não são mais aceitos, isso não é de se surpreender.
Ser um dos primeiros, ou o primeiro país, a ter sua moeda digitalizada é uma vantagem enorme no campo mundial.
A moeda digital permite, entre outras coisas, uma fluidez muito maior nos fluxos, com uma desintermediação imensa, além de um possível controle mais amplo sobre os dados relativos a cada transação (a depender da arquitetura de dados escolhida).
Vale ressaltar que a moeda chinesa não é uma das que têm a maior circulação do mundo, e talvez essa migração para uma moeda digital possa ser um passo importantíssimo nesse rumo.
Além da China, nos Estados Unidos e na Europa, incluindo a Inglaterra (que em algum momento vai virar a página da “never ending story” do Brexit, e voltará a focar no que precisa), as discussões sobre a emissão de uma moeda digital do governo estão bastante quentes.
Mas, até onde sei, as previsões de implementação estão bastante defasadas em relação à China.
A verdade é que a caixa de pandora aberta pela criação do Bitcoin estava de certa forma controlada pelos governos, mas, com o surgimento da Libra, ela foi escancarada e obrigou todos os governos a encarar o problema de frente.
O fato de a moeda não precisar ser obrigatoriamente função ou monopólio de governos os afeta diretamente.
Com isso, uma corrida pela nova moeda hegemônica global se instaurou. Será uma moeda de governo ou uma moeda privada? Saberemos em breve.

14.162 – Economia – Renda média per capita no Sudeste vai a R$ 1.639, o dobro do recebido no Nordeste


desemprego no Brasil
O rendimento médio mensal real domiciliar per capita, considerando todas as fontes de renda, subiu de R$ 1.285 em 2017 para R$ 1.337 em 2018. No entanto, o valor caía a pouco mais da metade da média nacional nas regiões mais pobres do País: no Nordeste, era de R$ 815 em 2018; e no Norte, R$ 886. Na Região Sudeste, o rendimento médio mensal domiciliar per capita foi de R$ 1.639, mais que o dobro do recebido pelos nordestinos.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice de Gini da renda domiciliar per capita de todas as fontes – medida de desigualdade de renda numa escala de 0 a 1, em que quanto mais perto de 1 maior é a desigualdade – teve o pior desempenho em 2018 na região Norte, 0,551, seguido pelo Nordeste, 0,545, e Sudeste, 0,533. No Centro-Oeste, o resultado foi de 0,513. O menor valor foi o do Sul, 0,473. Na média nacional, o Índice de Gini alcançou o recorde de 0,545 dentro da série histórica da pesquisa. Ainda considerando todas as fontes de renda, a região Sudeste concentrou mais da metade da massa de rendimentos do País, R$ 143,7 bilhões de um total de R$ 277,7 bilhões. As fatias das demais regiões foram de R$ 47,7 bilhões para o Sul, R$ 46,1 bilhões para o Nordeste, R$ 24,4 bilhões para o Centro-Oeste, e R$ 15,8 bilhões para o Norte.

14.018 – A extinção das abelhas pode acabar com a humanidade?


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A queda nas populações do inseto (Síndrome do Colapso das Abelhas), ocorre por fatores naturais e pela ação humana, por meio da destruição do ambiente das abelhas selvagens e do uso massivo de agrotóxicos e agroquímicos. No Reino Unido, por exemplo, o número de abelhas equivale a apenas 25% do necessário para a polinização. Segundo a doutora Maria Caldas Pinto, do Centro de Ciências Humanas e Agrárias da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), as abelhas são fundamentais para a humanidade.
Nesta semana, o US Fish and Wildlife Service (FWS), que funciona como o Ibama dos Estados Unidos, incluiu sete espécies de abelha na lista de animais em extinção. Só não dá para cravar um prazo para o desaparecimento completo – nosso e delas. “Dizer que ocorreria em uma determinada quantidade de anos é taxativo, mas, se não preservarmos os meios ambientes para mantermos os insetos, a previsão vai se cumprir”.

Fazendeiras naturais
O trabalho das abelhas para a agricultura é estimado em R$ 868 bilhões. Entre 2006 e 2008, uma misteriosa diminuição na quantidade de abelhas nos EUA causou um prejuízo de mais de US$ 14 bilhões

O zumbido do apocalipse
Sem as abelhas, o mundo como o conhecemos entraria em colapso1. Se as abelhas sumirem, boa parte dos vegetais também deixará de existir. Isso porque elas são responsáveis pela polinização de até 90% da população vegetal. Há, inclusive, apicultores que alugam abelhas para a polinização de fazendas. Pássaros e outros insetos também atuam na polinização, mas em escala muito menor2. Com a queda drástica na quantidade de vegetais disponíveis, as fontes de alimentação de animais herbívoros ficarão escassas, gerando um efeito dominó na cadeia alimentar. Os herbívoros irão morrer, diminuindo a oferta de alimento aos carnívoros, atingindo um número cada vez maior de espécies até chegar ao homem
3. Com poucos vegetais e carnes à disposição, valerá a lei da oferta e da demanda. A tendência é que os preços dos alimentos disparem, assim como os valores de outros artigos de origem animal e vegetal, como o couro, a seda e o etanol, para citar só alguns. Está formada uma crise econômica

4. Na luta pelo pouco alimento que restou, a população mundial pode iniciar conflitos e até guerras. A agropecuária em crise afetará vários setores da economia, gerando desemprego, queda geral de produtividade e insatisfação popular. Com fome, muitos morrerão ou ficarão doentes. Poucos conseguiriam sobreviver a esse caos

13.996 – Economia a Passo de Tartaruga – O Brasil está em 40º lugar entre os que mais crescem


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No topo da lista das economias que mais crescem no mundo, figuram as Filipinas e a China, ambos com expansão de 6,8% no trimestre passado, que são seguidos pela República Dominicana (6,4%), Malásia (5,4%) e Egito (5,4%).

O Chile é país sul-americano mais bem posicionado, no 14º posto, depois de crescer 4,2% nos primeiros três meses do ano. O Peru, com alta de 3,2% no PIB, é o 22º, e a Colômbia, com 2,2%, a 33ª.
Segundo levantamento feito pela agência de classificação de risco Austin Rating, o crescimento da economia brasileira no período igualou-se ao do Reino Unido (1,2%) e superou apenas o do Japão (0,9%) e Noruega (0,3%).
Crescimento X Poluição
A maior economia da Ásia, a China, é conhecida há tempos pelo céu poluído. Mas atualmente a vizinha Índia trava uma batalha ainda maior contra a poluição: o país do sul da Ásia abriga as 10 cidades mais poluídas do mundo. Nos arredores da capital da Índia, Nova Déli, Kusum Malik Tomar conhece o preço pessoal e econômico de respirar esse ar, um dos mais tóxicos do mundo. Aos 29, ela descobriu que a poluição é a provável causadora do câncer que cresce em seus pulmões. Ela nunca tocou em um cigarro. O marido, Vivek, vendeu terras para pagar o tratamento. Eles pediram dinheiro emprestado para a família. As economias deles lentamente desapareceram. “O governo está pensando no crescimento econômico do país, mas as pessoas estão morrendo de doenças ou sofrendo de doenças”, afirmou. “Como é possível crescer economicamente quando, dentro do país, os cidadãos têm problemas econômicos devido à poluição do ar?”
A Índia tem dificuldades há tempos para implementar o tipo de abordagem nacional coordenada que ajudou a China a reduzir a poluição. O governo do primeiro-ministro Narendra Modi está promovendo novas iniciativas que começam a combater esse ar prejudicial. Mas qualquer vitória teria que ser suficiente para se sobrepor a outras facetas do crescimento desenfreado da Índia, da poeira deixada pelos milhares de novos canteiros de obras à fumaça de milhões de carros novos.
Se fossem implementadas políticas rigorosas de combate à poluição, os cidadãos e o governo da Índia seriam muito mais ricos. Segundo cálculos do Banco Mundial, os gastos em saúde e a perda de produtividade causados pela poluição custam à Índia cerca de 8,5 por cento do PIB. Diante do tamanho atual de US$ 2,6 trilhões, a fatia equivale a US$ 221 bilhões por ano.
A Índia é atualmente a grande economia que mais cresce no mundo e a economia chinesa, de US$ 12,2 trilhões, é cinco vezes maior. O país do sul da Ásia ainda tenta desesperadamente promover a manufatura básica, o que pode piorar a poluição, disse Raghbendra Jha, professor de economia da Universidade Nacional da Austrália.

13.949 – O Que é Ágio e Deságio?


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Ágio é o valor adicional de um título ou produto, já o deságio é uma aquisição feita em um preço abaixo do mercado.
A expressão ágio é mais utilizada na compra e venda de títulos, mas também se refere a qualquer operação comercial. Quado o governo vai privatizar uma estatal por exemplo, é fixado um valor mínimo, mas para ganhar a licitação os empresários oferecem valores maiores, nesse caso a diferença é o ágio.
Deságio é o oposto, quando um título é adquirido por um preço abaixo do nominal, ou seja a diferença entre ambos.
Exemplo: Você compra um carro por 35 mil reais e um ano depois vende o mesmo carro por 33 mil, a diferença de 2 mil é o deságio.
Portanto:
Quando alguém compra um produto em parcelas, normalmente são cobrados juros mensais sobre cada prestação, causando uma diferenciação entre o valor à vista da mercadoria e o preço total pago no final do parcelamento. Está diferença entre os valores é chamada de ágio, ou seja, o dinheiro adicional que foi cobrado pelo produto na forma de juros.
Outro exemplo didático de como o ágio pode ser aplicado pode ser visto nos processos de leilões. Quando determinada peça vai à leilão, ela é adquirida e ofertada por um valor mínimo. Quando este valor é ultrapassado, todo o montante restante é considerado ágio do produto. Neste caso, o termo ágio está relacionado com o lucro.
Ágio ainda pode ser a diferença da cotação da moeda de um país em comparação a de outro.

13.876 – Renascimento comercial na Europa medieval


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O renascimento comercial da Idade Média ocorreu por causa da ampliação das rotas comerciais e do estabelecimento de feiras anuais, que atraíam inúmeros comerciantes interessados na venda e troca de produtos. Uma consequência desse fenômeno foi o retorno da utilização da moeda.
O renascimento comercial está diretamente ligado ao renascimento urbano. Atribui-se o renascimento do comércio ao crescimento populacional e ao aumento da produção agrícola, que proporcionou um excedente que pôde ser comercializado.
O desenvolvimento das cidades a partir do século XI gerou uma necessidade de mercadorias, que só era suprida a partir do comércio. Com essa demanda, começaram a se estabelecer comerciantes em determinadas cidades europeias. Além disso, muitos mercadores passaram a sedentarizar-se, pois, as rotas comerciais terrestres na Europa eram muito precárias e inseguras. Apesar desse processo de sedentarização, o comércio europeu dependia, principalmente, das rotas marítimas, que eram consideradas mais baratas que as rotas terrestres.

Comércio mediterrâneo e nórdico
Com o crescimento das rotas marítimas, foram estabelecidos dois grandes eixos comerciais na Europa: o eixo do mediterrâneo, dominado pelas cidades italianas de Veneza e Gênova, e o eixo nórdico, conhecido como Liga Hanseática.
Atribui-se o impulso de Veneza e Gênova ao fato de a produção agrícola de ambas ter sido pequena. Assim, no século XI, essas cidades apoiaram o início das Cruzadas, com o interesse de obter mercadorias de luxo existentes no mercado oriental, que havia sido fechado desde a conquista muçulmana. Também ficaram conhecidas por incentivar a Quarta Cruzada, com o objetivo de expandirem seus negócios para as terras do Império Bizantino.
A Liga Hanseática dominou o mercado no norte europeu. Era formada por um grupo de cidades germânicas que se aliaram e conseguiram exercer o controle sobre o mercado em regiões que iam do leste europeu até a Islândia. Sobre a rota hanseática, Hilário Franco Júnior afirma que:
“os hanseáticos recolhiam num local e vendiam noutro peles, mel e cera da Rússia, trigo e madeira da Polônia e da Prússia, minerais da Hungria, peixe da Noruega e Islândia, cobre e ferro da Suécia, vinho da Alemanha do sul, sal da França e de Portugal, lã da Inglaterra e tecidos de Flandres”
Os dois eixos de comércio tinham como ponto de encontro as feiras realizadas em Champagne, região da atual França. Essas feiras desenvolveram-se a partir do final do século XII em “Lagny, em Bar-sur-Aube, em Provins e em Troyes” |2| (pequenas vilas e cidades que ficavam na região de Champagne) e eram realizadas uma vez por ano, em ciclos que duravam alguns meses. Atribui-se o desenvolvimento das feiras à postura dos condes da região, que eram mais liberais e, muitas vezes, isentavam os comerciantes das cobranças de pedágios – um dos entraves para o comércio itinerante terrestre.
O desenvolvimento comercial fez com que a moeda passasse novamente a ser utilizada. Esse impulso iniciou-se a partir de Gênova, que passou a cunhar moedas a partir de 1252, seguida pela França, em 1266, e Florença, em 1284. Entretanto, a grande quantidade de moedas existentes na Europa dificultou a maior circulação do dinheiro.
A partir do final do século XIII, principalmente, os comerciantes de maior sucesso estabeleceram casas comerciais, passando a exercer um controle muito grande sobre parte do fluxo comercial e, muitas vezes, sobre as cidades nas quais estavam instalados. Um exemplo são os comerciantes da cidade alemã de Colônia, que conseguiram estabelecer uma casa comercial à beira do rio Tâmisa, em Londres, em 1130
Esse impulso resultou no desenvolvimento de uma nova classe social: a burguesia. À medida que enriquecia, o poder da burguesia, vindo de suas fortunas, passou a se confundir com o poder da nobreza, sobretudo nas cidades.

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13.800 – Economia – Financial Times: Brasil é um ‘Robin Hood às avessas’


CAPeTALISMO
O Financial Times trata de desbastar ilusões sobre o resultado das eleições de outubro. Quem quer que vença a disputa pelo Palácio do Planalto terá de enfrentar duas crises interligadas: o déficit fiscal e o sistema de gastos públicos que segue a lógica inversa da do lendário Robin Hood.
O quadro apresentado pelo artigo não deixa espaço para ideias mágicas e soluções de curto prazo expostas por alguns candidatos à Presidência nesta campanha. O Brasil, apesar dos esforços de ajuste fiscal, tem um déficit orçamentário de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) e “corre o risco de cair em um novo pântano” se o seu futuro governo não controlar os gastos públicos.
Os gastos públicos são alvos de especial detalhamento no artigo, em especial pelas “prioridades perversas” adotadas pelo governo brasileiro. Destinado a leitores de todo o mundo, sobretudo aos investidores, o texto explica que os gastos do governo com salários de servidores e aposentadorias e pensões são tão elevados que o país perdeu sua capacidade de investir em Saúde, infraestrutura e até na “manutenção de alguns de seus melhores museus”.
Esta pitada de ironia é uma referência ao incêndio que devastou o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, cuja imagem abre o artigo e expõe as mazelas brasileiras na área fiscal. O texto cita a conclusão da economista Rozane Siqueira, da Universidade Federal de Pernambuco, de que o gasto público no Brasil é “completamente irracional”.
“Com uma boa parte do que conta como gasto social indo para a classe média alta, ela descreve o governo como uma forma de ‘Robin Hood às avessas’”, menciona o artigo, referindo-se ao lendário bandoleiro medieval, que roubava dos ricos para distribuir aos pobres.
O texto destaca que a crise brasileira não se deve à falta de receitas. No Brasil, é bem sabido que a carga tributária é uma das maiores do mundo, equivalente hoje a 32% do PIB. Mas a repartição do bolo causa estranheza aos autores do texto: 31% da receita vai para os 10% mais pobres, e 23%, para os mais ricos. No Reino Unido, exemplificam eles, 92% da receita vai para os mais pobres, e 2%, para os mais ricos.
Lógica semelhante é replicada no sistema de aposentadorias e pensões, com apenas 2% da receita seguindo para os 20% mais pobres. O texto aponta a extravagância desse sistema para o setor público, com aposentadoria média de R$ 18.065 mensais para juízes e de R$ 26.823 para funcionários do legislativo. Mas não menciona a aposentadoria para trabalhadores do setor privado paga pelo INSS, de R$ 954 a R$ 5.531 mensais.
Em outro aspecto dos gastos públicos, o artigo explica que os benefícios e isenções fiscais concedidos para diferentes setores produtivos custam ao Tesouro R$ 290 bilhões – 20% das receitas do governo federal. Mas cita também as linhas de financiamento subsidiadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que muito beneficiaram setores com capacidade de buscar crédito no exterior e que não resultaram ganhos de investimento e de produtividade.
O artigo expõe e critica a “popular ideia de que o Estado deva ser generoso” e que, além de dar benefícios fiscais e financiamentos subsidiados, deva também agradar os segmentos populares. Como exemplo, menciona a meia entrada em cinemas, teatros, shows e outros eventos como meio de estimular a audiência de jovens, idosos e outros beneficiados, determinada pelo Planalto.
“Todo mundo sempre pega algo”, diz a economista Zeina Latif, da XP Investimentos, ao FT.
O artigo aborda ainda como essa visão do Estado tem transbordado em casos de corrupção, como nos investigados pela operação Lava Jato. “Ambos os governos, os democraticamente eleitos e os militares, se entregaram a aqueles interesses especiais ao longo dos anos, mas as pressões no orçamento foram exacerbadas durante o período de 13 anos em que o esquerdista Partido dos Trabalhadores ocupou a Presidência, de 2002 a 2016″, diz o texto.
Direita versus esquerda
O artigo explicita o esforço de seus autores em não entrar no discurso político polarizado do Brasil, em especial nesta etapa pré-eleitoral. Mas não deixa de mencionar o namoro do mercado financeiro com o candidato de direita Jair Bolsonaro (PSL), “ignorando sua admiração pela ditadura militar do Brasil e pelas corporações policiais”.
Também acentua, em um quadro sobre a disputa entre direita e esquerda, as decisões políticas da então presidente Dilma Rousseff, que levaram a economia brasileira a uma contração de 7% do PIB entre 2015 e 2016.
Nesse espaço, ressalta que Fernando Haddad, substituto de Luiz Inácio Lula da Silva como candidato do PT, ecoa as políticas adotadas por Rousseff, e que o também esquerdista Ciro Gomes (PDT) “propôs políticas intervencionistas que também alarmaram os investidores”. Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e os demais candidatos não foram citados.

13.714 – Não é Fake News e nem Piada – Petrobras reduz preço da gasolina em 0,53% nas refinarias


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O litro do combustível passará de 1,8941 reais para 1,8841 reais. O novo valor não considera a incidência de impostos e vale a partir desta quinta-feira.
Com o anúncio de hoje, a estatal já realizou 9 reduções e 2 aumentos no custo da gasolina no mês de junho de 2018. A última queda foi de 1,23%. A oscilação segue a política de preços adotada pela companhia desde julho do ano passado, que acompanha a cotação do petróleo no mercado internacional. Com isso, o combustível no Brasil pode ter reajustes ou reduções diárias.
O custo do diesel, que recuou 30 centavos desde o dia 23 de maio de 2018, no ápice da greve dos caminhoneiros, será mantido em 2,0316 reais por sessenta dias.
A solução do governo para encerrar a greve dos caminhoneiros – redução do preço do diesel e mudança na periodicidade dos reajustes – precipitou a saída de Pedro Parente da presidência da Petrobras. Quando assumiu o cargo, há dois anos, Parente afirmou que não haveria interferência do governo na política de preços da estatal. Sob sua gestão, a Petrobras registrou no primeiro trimestre de 2018 o primeiro lucro desde a Lava Jato.
Para o lugar de Parente, o presidente Michel Temer anunciou Ivan Monteiro, diretor de finanças da Petrobras e considerado o braço-direito do antecessor e que também segue a política de preços baseada na cotação internacional do petróleo. É trocar o 6 pelo meia dúzia.

13.689 – Waze libera recurso que indica postos que ainda têm gasolina


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O desabastecimento dos postos fez com que o preço da gasolina sofresse uma variação de até 99,85% entre os estabelecimentos .
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A greve dos caminhoneiros está promovendo uma corrida aos postos de gasolina de todo o Brasil. Alguns estabelecimentos já estão sem combustível – no Rio de Janeiro, 90% dos postos estão sem gasolina. Para ajudar o motorista que está de tanque vazio, o Waze habilitou um novo recurso dentro do aplicativo para que o consumidor saiba onde encontrar combustível.
A atualização esteve disponível desde sexta-feira. Ao aproximar-se de um posto de gasolina, o aplicativo solicita ao usuário que informe alguns dados – entre eles, há a opção “Atualize disponibilidade local de combustível”. Além disso, é possível incluir o preço dos produtos.
O desabastecimento dos postos fez com que o preço da gasolina sofresse uma variação de até 99,85% entre os estabelecimentos de todo o Brasil, segundo levantamento feito pela ValeCard, empresa especializada em gestão de frotas.
Nos postos que ainda vendem o combustível, existem filas e os preços foram remarcados. O Procon de Pernambuco autuou estabelecimentos que vendiam o litro da gasolina por 8,99 reais. Em Brasília, houve quem vendesse a gasolina por 9,99 reais.
Os aeroportos também estão enfrentando dificuldades. Ao todo, 10 aeroportos administrados pela Infraero estão sem combustível. Na manhã de sexta-feira, o querosene de aviação havia acabado no aeroporto de Brasília.

13.606 – Os Robôs Estão Chegando – Automação vai mudar a carreira de 16 milhões de brasileiros até 2030


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Além das já conhecidas ameaças geopolíticas e ambientais, as transformações do mercado de trabalho também ganharam lugar de destaque na agenda do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
Só no Brasil, 15,7 milhões de trabalhadores serão afetados pela automação até 2030, segundo estimativa da consultoria McKinsey.
No mundo, no período entre 2015 e 2020, o Fórum Econômico Mundial prevê a perda de 7,1 milhões de empregos, principalmente aqueles relacionados a funções administrativas e industriais.
A avaliação de especialistas da área é que o mercado de trabalho passa por uma grande reestruturação, semelhante à revolução industrial. A diferença é que agora tudo acontece muito mais rápido: desde 2010, o número de robôs industriais cresce a uma taxa de 9% ao ano, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
No Brasil, cerca de 11.900 robôs industriais serão comercializados entre 2015 e 2020, segundo a Federação Internacional de Robótica.
A Roboris, que tem entre seus clientes a Embraer, é uma das fornecedoras que atuam no país. Segundo o presidente da empresa, Guilherme Souza, 30, o interesse da indústria brasileira pela automação vem crescendo.
No mundo, entre 400 milhões e 800 milhões serão afetados pela automação até 2030, a depender do ritmo de avanço tecnológico, segundo a McKinsey. Isso equivale a algo entre 11% e 23% da população economicamente ativa global, calculada pela OIT em 3,5 bilhões de pessoas.
Isso não significa que todos perderão o emprego, mas que serão impactados em algum grau, que vai de desemprego a ter um “cobot” (colega de trabalho robô com quem divide as funções).
O Fórum Econômico Mundial, por exemplo, projeta um aumento na demanda nas áreas de arquitetura, engenharia, computação e matemática, entre outras.
Esse incremento de vagas, contudo, não será suficiente para absorver quem perdeu o trabalho em outros setores, além de exigirem alta qualificação, avalia a organização.
Nesse cenário de extinção grande de trabalhos que exigem pouca qualificação e criação de um número menor que exige muita, a tendência é de aumento da desigualdade, alerta a OIT.
O fim de funções hoje exercidas pela população de baixa e média renda vai gerar desemprego e pressionar para baixo o salário das que restarem, diante da massa de pessoas buscando trabalho.
Mesmo quem tem uma visão mais positiva sobre o futuro, como a McKinsey, sugere a criação de uma renda básica universal (principal bandeira do petista Eduardo Suplicy) como uma opção diante do enxugamento de vagas de menor qualificação.
Um sintoma já perceptível desse processo é a queda ou estagnação da renda fruto de salários e capital em dois terços dos lares das economias avançadas entre 2005 e 2014, maior retrocesso desde os anos 1970, diz a consultoria.
Um caminho para contornar o problema é treinar a força de trabalho para que aqueles de menor qualificação profissional não fiquem para trás, diz o diretor da OIT.
Estudo na Unicef divulgado em dezembro alerta para o risco da tecnologia digital transformar-se em um novo motor de desigualdade. Embora 1 em cada 3 usuários da internet seja uma criança, há ainda 346 milhões de jovens sem acesso ao mundo digital.
Segundo pesquisa feita pelo Fórum Econômico Mundial com diretores das áreas de recursos humanos em empresas de 15 países, 44% deles acreditam que o maior impacto no mercado hoje vem das mudanças no ambiente de trabalho, como home office, e nos arranjos flexíveis, como contratação de pessoas físicas para trabalhar por projeto (a chamada “pejotização ). O percentual é semelhante entre os brasileiros (42%).
Outra forma emergente de trabalho são os relacionados à “gig economy”, como plataformas online e aplicativos –programadores freelance e motoristas de Uber entram nessa categoria.
A tendência é de que as empresas reduzam ao máximo o número de empregados fixos dentro do contrato tradicional, terceirizando para consultores o que for possível como forma de redução de custos e ganho de eficiência, segundo o Fórum Econômico Mundial.
Assim, embora a tecnologia gere uma demanda por novas atividades altamente qualificadas, como programação de um aplicativo, a probabilidade é que as empresas terceirizem a função, em vez de contratar diretamente esse profissional.
Um desafio extra para o Brasil é que ele precisa começar a lidar com essas questões novas ao mesmo tempo em que ainda não resolveu problemas antigos, como o alto índice de informalidade, que voltou a subir durante a crise e hoje atinge 44,6% dos trabalhadores, segundo o IBGE.
É preciso estender a cobertura da legislação ao “velho” e ao “novo” mercado, Salazar-Xirinachs, diretor regional da OIT para a América Latina e Caribe.

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13.604 – Mal das Pernas – Recuperação do nível de emprego ainda será lenta em 2018


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O desemprego deve continuar caindo em 2018, mas em velocidade menor. A redução de ritmo será influenciada pelo aumento da procura por emprego – pessoas que tinham desistido de achar uma vaga voltarão a tentar a sorte no mercado de trabalho.
Com a recessão na economia, a taxa de desemprego quase dobrou em três anos, indo de um patamar mínimo histórico no fim de 2014 para mais de 13,3% no início de 2017. Desde então, o indicador que calcula a quantidade de pessoas que não conseguiram emprego em relação ao total da população em condições de trabalhar vem caindo. A última leitura, de novembro, indicava 11,9%, e as estimativas indicam que deve subir para mais de 12% em dezembro, cuja divulgação será feita pelo IBGE no fim de janeiro.
A avaliação é que esse movimento de queda vai permanecer em 2018, impulsionado pela forma como a economia está se recuperando: sustentada no aumento do consumo das famílias – efeito que deve se refletir na indústria pelo aumento da demanda por produto.
Para Carlos Henrique Corseuil, do Ipea, é importante notar que mesmo com mais busca, a recuperação tem se refletido no mercado de trabalho. “Tem mais gente participando do mercado de trabalho e, mesmo assim, o desemprego tem caído”, disse.
O país voltou a registrar aumento na atividade no último ano, após dois anos em queda, e a aposta dos economistas é de que a produção do país crescerá 2,69%, segundo o último Boletim Focus. “Setores ligados ao consumo costuma ser intensivos na contratação de mão de obra”, afirma Gustavo Arruda, economista do BNP Paribas.
Um problema é que o ritmo ainda está baixo e deve ter mais gente procurando emprego, com o fim do que os economistas chamam do “efeito desalento”. Quando a situação está difícil, uma parcela dos desempregados deixa de procurar emprego porque o mercado fica menor, o que reduz a taxa de desocupação.
Além do contingente que deve voltar a procurar emprego, existe outro grupos de pessoas que deve aumentar na busca por vagas, o de pessoas que chegaram à idade de trabalhar. Segundo o economista Bruno Ottoni, do Ibre/FGV, esse movimento acontece sempre, e o crescimento da economia tem que ser forte o bastante para absorver tanto quem chega quanto quem já estava desempregado. “Um crescimento na casa de 3% já começa a entrar na esfera de robusto. O necessário para uma queda mais significicativa talvez seria em torno de 4%”, estima.
Para o especialista, a taxa de desocupação (pessoas procurando emprego em relação ao total da força de trabalho) deve subir no começo de ano, como sempre ocorre neste período, chegando a 13,4% em março. Depois, deve cair e fechar o ano em 11%.

Mudanças na ocupação
A queda no desemprego até agora tem sido puxada pelas informalidade e pelo trabalho por conta própria. Para Rodolfo Margato, economista do Santander, deve haver migração desse tipo de ocupação informal para o trabalho com carteira assinada. “Num primeiro momento, em saídas de recessão, é normal haver crescimento de emprego informal. Mas o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Empregados, do Ministério do Trabalho) também indica uma criação líquida de vagas formais”, explica.

Reforma trabalhista
Em relação aos efeitos da reforma trabalhista, que o governo alardeava que elevaria o número de empregos formais, os especialistas ainda têm dúvidas sobre seu efeito no curto prazo.
Em novembro, foram criadas apenas 3.120 vagas de emprego intermitente, modalidade criada na nova lei trabalhista. Segundo os especialistas, a reforma trabalhista deve ter mais resultados conforme dúvidas sobre a legalidade de alguns itens for resolvida, e houver mais segurança jurídica. “É difícil alguém falar que a reforma trabalhista vai atrapalhar”.

13.588 – História – Agricultura = Evolução?


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Durante muito tempo, os historiadores colocaram a coleta e a agricultura como duas experiências que marcam uma completa ruptura na civilização. Contudo, novas pesquisas apontam que essas duas atividades conviveram durante muito tempo na história do homem. A princípio, a agricultura ocupava uma função complementar na alimentação, sendo assim colocada como outra via de sobrevivência paralela à caça e a busca de frutos ou plantas.
Sendo assim, não podemos dizer que a descoberta da agricultura foi um avanço que fatalmente determinou o abandono das antigas formas de obtenção dos alimentos. Vale aqui destacar que a caça envolvia toda uma preparação onde os caçadores se encontravam promovendo a interação entre os grupos e o desenvolvimento de hábitos culturais diversos. Não é possível, assim, sugerir que a busca por alimentos se dava em função apenas da urgente necessidade de sobrevivência.
Só após a última glaciação, por volta de 10000 anos a.C., foi que as alterações do clima foram dando maior espaço para o desenvolvimento da técnica agrícola. Com o passar do tempo, a vida sedentária permitiu que casas e povoados tivessem cada vez mais destaque entre as comunidades humanas. Ao mesmo tempo, as trocas comerciais e a domesticação de animais passavam também a incorporar a construção desse novo cotidiano responsável pelo aparecimento das primeiras civilizações.
Observando essa nova realidade, muitos leigos e especialistas detectaram o alcance de uma melhora qualitativa no estilo de vida do homem. Afinal de contas, a agricultura permitia a estocagem de alimentos e o planejamento das colheitas em função das transformações climáticas decorridas ao longo de um tempo. A sobrevivência deixava de lado uma série de riscos para então se transformar em uma ação planejada com base na capacidade intelectual do homem.
Apesar de tais justificativas, existem aqueles que discordam desse ponto de vista ao acreditar que a opção pela agricultura foi uma das piores escolhas realizadas pela civilização. O biólogo Jared Diamod, por exemplo, acredita que a sedentarização pela agricultura minou o desenvolvimento do tom igualitário que permeava as sociedades coletoras. A agricultura seria a grande responsável pelo desmatamento, a superpopulação, os conflitos militares e a constituição das diferenças sociais.
Para muitos, é quase impossível imaginar a viabilidade da vida humana sem a utilização das técnicas agrícolas. Por outro lado, vemos que a atualidade tem a expressa preocupação em repensar os seus paradigmas de desenvolvimento e consumo. Não seria esse um indício de que a simples ampliação do domínio sobre a natureza não garante a sustentação da vida na Terra? Essa é uma resposta que apenas o futuro tem a competência de nos fornecer.

13.555 – Mega Byte – O que é bitcoin?


bitcoin
A bitcoin é uma moeda, assim como o real ou o dólar, mas bem diferente dos exemplos citados. O primeiro motivo é que não é possível mexer no bolso da calça e encontrar uma delas esquecida. Ela não existe fisicamente, é totalmente virtual.
O outro motivo é que sua emissão não é controlada por um Banco Central. Ela é produzida de forma descentralizada por milhares de computadores, mantidos por pessoas que “emprestam” a capacidade de suas máquinas para criar bitcoins e registrar todas as transações feitas.
No processo de nascimento de uma bitcoin, chamado de “mineração”, os computadores conectados à rede competem entre si na resolução de problemas matemáticos. Quem ganha, recebe um bloco da moeda.
O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades até o ano de 2140.
Esse limite foi estabelecido pelo criador da moeda, um desenvolvedor misterioso chamado Satoshi Nakamoto. De tempos em tempos, o valor da recompensa dos “mineiros” também é reduzido.
Quando a moeda foi criada, em 2009, qualquer pessoa com o software poderia “minerar”, desde que estivesse disposta a deixar o computador ligado por dias e noites. Com o aumento do número de interessados, a tarefa de fabricar bitcoins ficou apenas com quem tinha super máquinas. A disputa aumentou tanto que surgiram até computadores com hardware dedicado à tarefa, como o Avalon ASIC.
Além da mineração, é possível possuir bitcoins comprando unidades em casas de câmbio específicas ou aceitando a criptmoeda ao vender coisas. As moedas virtuais são guardadas em uma espécie de carteira, criada quando o usuário se cadastra no software.
Depois do cadastro, a pessoa recebe um código com letras e números, chamado de “endereço”, utilizado nas transações. Quando ela quiser comprar um jogo, por exemplo, deve fornecer ao vendedor o tal endereço. As identidades do comprador e do vendedor são mantidas no anonimato, mas a transação fica registrada no sistema de forma pública. A compra não pode ser desfeita.
Com bitcoins, é possível contratar serviços ou adquirir coisas no mundo todo. O número de empresas que a aceitam ainda é pequeno, mas vários países, como a Rússia se movimentam no sentido de “regular” a moeda. Em abril deste ano, o Japão começou a aceitar bitcoins como meio legal de pagamento. O esperado é que até 300 mil estabelecimentos no Japão aceitem, até o final do ano, este tipo de dinheiro.
Por outro lado, países como a China tentam fechar o cerco das criptomoedas, ordenando o fechamento de várias plataformas de câmbio e proibindo a prática conhecida como ICO (initial coin offerings), uma espécie de abertura de capital na bolsa, mas feita com criptomoedas (entenda melhor).
O valor da bitcoin segue as regras de mercado, ou seja, quanto maior a demanda, maior a cotação. Historicamente, a moeda virtual apresenta alta volatilidade. Em 2014, sofreu uma forte desvalorização, mas retomou sua popularidade nos anos seguintes.
Neste ano, o interesse pela bitcoin explodiu. No dia 1° de janeiro, a moeda era negociada a pouco mais de mil dólares. No início de outubro, já valia mais de 4 mil dólares.
Os entusiastas da moeda dizem que o movimento de alta deve continuar com o interesse de novos adeptos e a maior aceitação. Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha — semelhante à Bolha das Tulipas, do século XVII — que estaria prestes a estourar.

Saiba mais
Quem nunca ouviu falar na famosa moeda eletrônica bitcoin? Ela vem ocupando espaço nos noticiários desde que se tornou popular e conquistou ardentes entusiastas. É utilizada como moeda online em transações comuns e na Deep Web, a zona obscura onde ocorrem atividades ilegais (como tráfico de drogas) da internet. Mas o que a maioria do público não sabe é como funciona exatamente a moedinha virtual.
Mês passado, o bitcoin atingiu um marco histórico: o valor de uma moeda ultrapassou os 2 mil dólares. A alta continuou e em dias recentes, bateu 3 mil dólares por um breve período de tempo e agora negocia na casa dos US$2700. No Brasil, uma moedinha vale, hoje, em torno de R$9500.

O que o bitcoin tem de diferente?

Bom, vamos descrever algumas características dos bitcoins.

1. Eles são totalmente eletrônicos. Isso quer dizer que você nunca – nunca – vai ter a oportunidade de segurar um bitcoin nas mãos ou sacá-lo em um banco. Eles existem dentro de uma “carteira virtual” (como sua conta online em um banco comum) que só pode ser acessada pela internet. Existem softwares de diversas empresas para montar essas carteiras virtuais. A carteira não pode ser rastreada (se você tomar os devidos cuidados de segurança), o que significa que, se você esquecer a senha, nunca mais conseguirá acessá-la e perderá tudo que está lá dentro.

Eles funcionam com um registro blockchain. Uma das principais inovações do bitcoin é a maneira como as transações são executadas. Elas seguem um modelo chamado blockchain, no qual cada ordem de transação passa pelo computador de vários usuários e é “certificada” nesses computadores através de códigos de computação. Várias transações são então agrupadas e são adicionadas a um “bloco”, que será adicionado a blockchain e então as transações serão efetuadas (em breve retomamos esse ponto). A ideia é que se forme uma sequência de “blocos”, conectados de tal forma que seja impossível alterar um deles sem ter que alterar todos os blocos passados. Formalmente, o processo ocorre pela resolução de um problema matemático. O blockchain não é exclusivo dos bitcoins, pode ser utilizado para qualquer sequência de transações. Algumas características da tecnologia blockchain:

i) O registro é distribuído de maneira a ser compartilhado por todos os usuários sem que ninguém controle todas as informações. Todos têm acesso a todas as transações que acontecem. Quer ver? Acesse https://blockchain.info/, clique em um “bloco” e veja todas as transações que ocorreram naquele bloco.

ii) A transmissão é feita diretamente entre as partes, sem precisar de um operador central. Dessa forma, cada usuário encaminha as informações para outros usuários.

iii) Toda transação que é registrada no blockchain não pode ser alterada, pois elas estão conectadas às transações que vieram antes delas – por isso a palavra “chain”, que significa corrente. Vários algoritmos computacionais garantem que os registros sejam permanentes e cronológicos – de forma que, ao remover uma transação do sistema, todas as outras seriam invalidadas. Uma nota vale aqui: “imutabilidade” é um conceito relativo. Se você enviar um e-mail para uma lista de 30 amigos e depois quiser apagar os conteúdos, provavelmente não irá conseguir – você terá que convencer 30 pessoas a apagar o e-mail. Ou seja, em termos relativos, aquele conteúdo é imutável para você. Imutabilidade, portanto, se refere ao nível de dificuldade para a alteração de determinado conteúdo. No caso do blockchain, executado nas redes de bitcoin, a alteração é bem difícil, custosa e trabalhosa, de maneira que o registro é virtualmente imutável.

3. As transações são anônimas, porém transparentes. Isso parece contraditório, certo? A questão é que todas as transações de um blockchain têm um “endereço” (ou “chave”), como por exemplo, “3J98t1WpEZ73CNmQviecrnyiWrnqRhWNLy”. Sim, essa sequência feia de números e letras é um endereço. Para receber ou enviar uma quantidade de bitcoins, você precisa passar seu endereço para outra pessoa, então ele funciona exatamente como um endereço funcionaria se você estivesse mandando uma carta pelo correio, por exemplo. A diferença é que esses endereços têm a intenção de nunca serem repetidos. É como se você tivesse várias casas para receber várias entregas diferentes. Todas as transações executadas são marcadas na rede – então se você sabe o endereço de uma pessoa e ela só usa o mesmo endereço, você tem acesso a todas as transações dela.

Como as transações são anônimas então? É o seguinte: pela tecnologia do blockchain, todas as transações que passam pelo seu computador deixam uma marca, chamada de “nó”. Então, seu endereço de IP (não confundir com o “endereço” do bitcoin) carrega uma “marca” de todas as transações que passaram por ele. Assim, é como se você fosse a fonte de todas as transações que passaram pelo seu computador, mas, na verdade, você não é. Então como saber se o endereço que passou pelo seu computador é realmente um endereço de uma transação sua? Isso é impossível [1] – e é daí que vem o anonimato nos bitcoins.

Isso quer dizer que os pagamentos por bitcoins não têm restituição. Não há um banco ou uma empresa de cartão de crédito que possa sustar a transação. Se você pagar alguém e depois voltar atrás, não há como receber o dinheiro de volta, a não ser que a pessoa seja de confiança o bastante para aceitar desfazer a transação.

4. Como são criados novos bitcoins? O processo de criação de novos bitcoins é chamado de “mineração”. Funciona assim: a cada poucos minutos, as transações pendentes na rede são verificadas pelos mineradores e agregadas em um bloco, que então é transformado em um algoritmo matemático. Aí, esses mineradores usam computadores de alta performance para resolver esse algoritmo. Por convenção, a primeira transação de cada novo bloco da blockchain é uma transação especial, realizada pelo minerador cujo computador consiga primeiro solucionar o algoritmo. Esse minerador recebe um número de bitcoins pelo seu serviço, além de uma taxa para cada transação que ocorra no bloco que ele “criou” (na verdade, cujo algoritmo solucionou).
Isso gera um incentivo para que várias pessoas minerem bitcoins, pois elas ganham uma quantia de bitcoins ao fazer isso, o que permite que novas emissões da moeda sejam possíveis sem uma autoridade monetária central (por exemplo, quem emite novos reais no Brasil é o Banco Central). Além disso, o fato de o processamento das transações ser feito pela própria “mineração” agrega segurança ao sistema e põe os incentivos no lugar, o que veremos no próximo ponto.

5. Alterar, fraudar ou invadir o blockchain é virtualmente impossível. A partir do momento em que você realiza uma transação com o bitcoin, como já dissemos, essa transação se torna pública para toda a rede, além de haver uma ordem clara do timing de cada transação. Dessa forma, o sistema consegue verificar se aqueles bitcoins já foram utilizados ou não, garantindo que não seja possível a ocorrência de fraudes (dupla contagem). Essa é uma das características mais interessantes do bitcoin: normalmente, para evitar tal fraude, é necessária uma autoridade central pela qual todas as transações devem passar, de modo a garantir que não ocorram fraudes. Com o bitcoin, essa autoridade central não é mais necessária.

6. O sistema de incentivos é bem posicionado. A única maneira de ocorrer uma fraude é caso alguém possua poder computacional bastante (normalmente, diz-se que seria necessário possuir a maioria, ou 50%+1, do poder de computação da rede). Se isso ocorrer, é possível alterar o blockchain e fraudar operações. Mas, ao mesmo tempo, quem tem um poder computacional tão grande é favorecido no processo de “mineração”, por ter mais capacidade de solucionar o algoritmo. Assim, por que você iria fraudar o sistema, se pode jogar pelas regras do jogo e ainda assim ter um alto ganho?

De um lado temos os incentivos, que ajudam a tornar ações de fraude menos proveitosas; de outro, é praticamente impossível agregar tamanho poder computacional. Segundo reportagem da The Economist, os mineradores de bitcoin, juntos, possuem 13 mil vezes mais poder de cálculos numéricos do que os 500 maiores supercomputadores do mundo.

Há fraquezas, claro. A mesma reportagem afirma que um agrupamento de mineradores (que se juntam para resolver os algoritmos mais rápido, dividindo os ganhos) chegou perto de ter o limite necessário, antes que os mineradores desse agrupamento percebessem isso e voluntariamente trocassem de união (o que de fato ocorreu). Outro problema é que, conforme mais mineradores entram na rede e obtêm maior poder computacional, mais difícil se torna minerar e menores são os ganhos. Alguns temem que, se os ganhos diminuírem muito, certos mineradores vão desligar seus equipamentos (pois a eletricidade ficará mais cara que os ganhos com a mineração), podendo deixar o sistema vulnerável a quem possuir muito poder computacional.

A fim de se prevenir contra essa possibilidade, os criadores do bitcoin criaram uma “taxa de transação”: os mineradores que resolvem os algoritmos de um conjunto de transações (criando assim um novo bloco da blockchain) recebem taxas pelas transações efetuadas nesse bloco. Assim, na hipótese de o sistema se tornar grande o bastante, o ganho com as taxas transacionais passa a ser um incentivo importante na prevenção de fraudes.

7. O que impede o bitcoin de crescer ainda mais? Os recentes ataques de ransomware travaram os computadores de milhares de pessoas e organizações em todo o mundo. Em troca da liberação das máquinas, os “sequestradores” pediram um resgate… em bitcoins! O que ficou claro é uma das maiores limitações do bitcoin: nem todo mundo tem saco para abrir uma carteira virtual, entender como eles funcionam e passar a utilizá-los. Em economês, dizemos que usar bitcoins tem um custo muito alto, o que desincentiva a utilização da moeda.

Por outro lado, alguns problemas no próprio funcionamento do bitcoin impõem questionamentos à expansão da moeda. Um deles tem a ver com problemas no blockchain. Hoje, os blocos que processam as transações na moeda têm um limite de tamanho de 1 MB (entre em https://blockchain.info/pt/blocks e veja a coluna “tamanho”; quase todos os blocos tem quase 1MB). Essa limitação gera problemas, pode não aguentar a demanda por transações. O que acontece, nesse caso, é que as transações atrasam e o sistema inteiro é prejudicado. Duas soluções são propostas para esse problema: o Segwit e uma versão alternativa do bitcoin, o Bitcoin Ultimate. Ambas propõem maneiras de lidar com blocos maiores (leia mais sobre isso aqui).
As modificações que visam aprimorar o funcionamento da moeda digital esbarram em questionamentos sobre a possibilidade de uma centralização demasiada da rede de mineradores. Isso tornaria o bitcoin vulnerável a possíveis problemas como fraudes. Afinal, o propósito inicial é um sistema descentralizado e esse é um pilar importantíssimo da criptomoeda.
Além disso, o crescimento das altcoins, moedas digitais alternativas, pode por em xeque a dominância do bitcoin no mercado. Exemplos são a Litecoin e o Ethereum (leia mais sobre elas aqui e aqui, respectivamente).

Fato inegável é que a tecnologia blockchain e a ideia de uma moeda estabelecida por uma rede descentralizada, sem a necessidade de um fiador de confiança (um intermediário financeiro), são duas inovações que têm potencial para revolucionar a economia mundial.

[1] Tecnicamente, há alguns bugs que tornam possível a identificação, mas é um tópico muito mais complexo e bem difícil de acontecer.

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13.554 – Indústria do Golpe – Golpistas criam sites falsos da Casas Bahia e Americanas


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O consumidor deve ficar atento na hora de fazer compras pela internet durante a Black Friday. Segundo o site Reclame Aqui, golpistas criaram páginas dublês de redes varejistas famosas, como Ponto Frio, Casas Bahia e Americanas.
Com preços muito abaixo do mercado e visual idêntico ao das páginas oficiais das lojas, os golpistas tentam enganar os consumidores. Na página falsa da Americanas a smart TV da Samsung é vendida por 1.299 reais, enquanto no site verdadeiro o preço dela é de 4.498,99 reais.
A primeira dica para evitar cair em falsas promoções é sempre procurar a página oficial da loja. Os sites falsos podem até incluir parte do nome oficial da loja, mas nunca o verdadeiro.
Órgãos de defesa do consumidor são unânimes: é preciso desconfiar de preços muito abaixo da média do mercado.
O Reclame Aqui orienta o consumidor a desconfiar de sites que aceitam pagamento apenas em boleto bancário. “Golpistas utilizam dessa prática para receber o dinheiro do consumidor com rapidez e nunca entregar o produto prometido.”

Empresas
A Via Varejo, empresa que administra os sites da Casas Bahia e do Extra, dá outras dicas par os clientes não caírem em páginas falsas de promoção. Uma delas é observar se erros ortográficos ou de concordância nos textos, além de checar a url se a url do site corresponde ao endereço original da loja.

“A companhia recomenda limitar a busca de ofertas a e-commerces bem avaliados por órgãos competentes, não confiar em e-mails e sites que enviem links e arquivos anexos suspeitos, ou que peçam informações pessoais, e utilizar senhas com alto grau de dificuldade, porém, fáceis de serem lembradas para que não seja necessário armazená-las no computador”, informa o grupo.
A Americanas informa que o cliente deve checar sempre os produtos e preços no site, aplicativo e redes sociais oficiais da marca.

13.414 – Economia – Indústria da reciclagem se Recupera da Recessão


reciclagem

A crise financeira de 2008 “afetou, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa” o setor de reciclagem de metais, que representa entre 70% e 80% do total de materiais reciclados no mundo, admitiu o sueco Grufman, que participa na convenção anual do BIR, celebrada em Miami, Flórida (sudeste dos Estados Unidos).
A compra de ferro-velho e restos de aço foi, em 2008, de 335 milhões de toneladas, para um ano depois cair para 265 milhões. Em seguida, foi subindo sutilmente até se situar em 375 milhões de toneladas em 2013, segundo cifras do BIR, com sede em Bruxelas.
“Estou certo de que nossa indústria em dez anos terá superado o nível que tinha antes da crise”, disse Grufman.
Quanto à América Latina, o presidente do BIR disse que, com exceção do Brasil, que “se situa quase no mesmo nível dos Estados Unidos e desenvolve rapidamente sua indústria da reciclagem”, a região está muito atrasada.
“Não há desenvolvimento técnico, não há demanda de material reciclado”, disse.
O especialista reforçou que a indústria de coleta de lixo “tende a ser um pouco corrupta” na região.
Esta realidade é algo “do que nossos amigos na América Latina devem se distanciar porque está atrapalhando uma indústria da reciclagem limpa e racional”, disse.
Apenas 60 dos membros do BIR são latino-americanos, a maioria, brasileiros.
Segundo um novo relatório da Agência Europeia do Ambiente, a taxa de reciclagem dos países europeus aumentou 21% entre 2001 e 2010. Atualmente, 35% de todo o lixo gerado nas cidades ganha vida nova e ainda gera receita: a boa gestão de resíduos sólidos da União Europeia já rende 1% do PIB do bloco. Na ponta do lápis, trata-se de um mercado que emprega 2 milhões de pessoas e rende 145 bilhões de euros por ano. Mas muitos países ainda precisam ir além, a fim de atender as metas mandatórias ambiciosas do bloco, que determinam uma taxa de reciclagem de lixo urbano de 50% até 2020. Cinco deles já chegaram lá. Na Áustria, Alemanha, Bélgica, Holanda e Suíça, a vontade política e a participação civil deram um novo valor ao lixo. Exemplos que devem inspirar o Brasil, que recicla apenas 13% de seus resíduos urbanos.
Áustria1. Desperdício não tem vez aqui
(E-magic/Flickr)São Paulo – Segundo um novo relatório da Agência Europeia do Ambiente, a taxa de reciclagem dos países europeus aumentou 21% entre 2001 e 2010. Atualmente, 35% de todo o lixo gerado nas cidades ganha vida nova e ainda gera receita: a boa gestão de resíduos sólidos da União Europeia já rende 1% do PIB do bloco. Na ponta do lápis, trata-se de um mercado que emprega 2 milhões de pessoas e rende 145 bilhões de euros por ano. Mas muitos países ainda precisam ir além, a fim de atender as metas mandatórias ambiciosas do bloco, que determinam uma taxa de reciclagem de lixo urbano de 50% até 2020. Cinco deles já chegaram lá. Na Áustria, Alemanha, Bélgica, Holanda e Suíça, a vontade política e a participação civil deram um novo valor ao lixo. Exemplos que devem inspirar o Brasil, que recicla apenas 13% de seus resíduos urbanos.

Áustria

Lixo produzido por pessoa/ano: 591 kg

Taxa de reciclagem em 2001: 57.3%

Taxa de reciclagem em 2010: 62,8 %

Crescimento: 5,5%

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