13.414 – Economia – Indústria da reciclagem se Recupera da Recessão


reciclagem

A crise financeira de 2008 “afetou, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa” o setor de reciclagem de metais, que representa entre 70% e 80% do total de materiais reciclados no mundo, admitiu o sueco Grufman, que participa na convenção anual do BIR, celebrada em Miami, Flórida (sudeste dos Estados Unidos).
A compra de ferro-velho e restos de aço foi, em 2008, de 335 milhões de toneladas, para um ano depois cair para 265 milhões. Em seguida, foi subindo sutilmente até se situar em 375 milhões de toneladas em 2013, segundo cifras do BIR, com sede em Bruxelas.
“Estou certo de que nossa indústria em dez anos terá superado o nível que tinha antes da crise”, disse Grufman.
Quanto à América Latina, o presidente do BIR disse que, com exceção do Brasil, que “se situa quase no mesmo nível dos Estados Unidos e desenvolve rapidamente sua indústria da reciclagem”, a região está muito atrasada.
“Não há desenvolvimento técnico, não há demanda de material reciclado”, disse.
O especialista reforçou que a indústria de coleta de lixo “tende a ser um pouco corrupta” na região.
Esta realidade é algo “do que nossos amigos na América Latina devem se distanciar porque está atrapalhando uma indústria da reciclagem limpa e racional”, disse.
Apenas 60 dos membros do BIR são latino-americanos, a maioria, brasileiros.
Segundo um novo relatório da Agência Europeia do Ambiente, a taxa de reciclagem dos países europeus aumentou 21% entre 2001 e 2010. Atualmente, 35% de todo o lixo gerado nas cidades ganha vida nova e ainda gera receita: a boa gestão de resíduos sólidos da União Europeia já rende 1% do PIB do bloco. Na ponta do lápis, trata-se de um mercado que emprega 2 milhões de pessoas e rende 145 bilhões de euros por ano. Mas muitos países ainda precisam ir além, a fim de atender as metas mandatórias ambiciosas do bloco, que determinam uma taxa de reciclagem de lixo urbano de 50% até 2020. Cinco deles já chegaram lá. Na Áustria, Alemanha, Bélgica, Holanda e Suíça, a vontade política e a participação civil deram um novo valor ao lixo. Exemplos que devem inspirar o Brasil, que recicla apenas 13% de seus resíduos urbanos.
Áustria1. Desperdício não tem vez aqui
(E-magic/Flickr)São Paulo – Segundo um novo relatório da Agência Europeia do Ambiente, a taxa de reciclagem dos países europeus aumentou 21% entre 2001 e 2010. Atualmente, 35% de todo o lixo gerado nas cidades ganha vida nova e ainda gera receita: a boa gestão de resíduos sólidos da União Europeia já rende 1% do PIB do bloco. Na ponta do lápis, trata-se de um mercado que emprega 2 milhões de pessoas e rende 145 bilhões de euros por ano. Mas muitos países ainda precisam ir além, a fim de atender as metas mandatórias ambiciosas do bloco, que determinam uma taxa de reciclagem de lixo urbano de 50% até 2020. Cinco deles já chegaram lá. Na Áustria, Alemanha, Bélgica, Holanda e Suíça, a vontade política e a participação civil deram um novo valor ao lixo. Exemplos que devem inspirar o Brasil, que recicla apenas 13% de seus resíduos urbanos.

Áustria

Lixo produzido por pessoa/ano: 591 kg

Taxa de reciclagem em 2001: 57.3%

Taxa de reciclagem em 2010: 62,8 %

Crescimento: 5,5%

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13.373 – Geografia, Geopolítica e Geoeconomia – CLASSIFICAÇÃO DOS BLOCOS ECONÔMICOS


União econômica e monetária.
Um dos aspectos mais proeminentes do mundo globalizado e da atual ordem mundial é a formação dos acordos regionais, mais conhecidos como blocos econômicos, que, ao invés de se estabelecerem como um contraponto à integração mundial da globalização, atuaram no sentido de intensificá-la. Hoje em dia, existem diferentes tipos de blocos econômicos que se organizam em diferentes denominações e níveis de integração entre os seus países-membros.
Dessa forma, como existem diferentes objetivos e distintos níveis de avanço em termos econômicos entre os acordos regionais, adota-se uma classificação dos blocos econômicos a fim de melhor estudá-los. Sendo assim, eles são postos em uma hierarquia que vai desde a zona de preferências tarifárias até uma união econômica e monetária. Confira:
Zona de preferências tarifárias: é um passo inicial de integração entre os países, de forma que esses adotam apenas algumas tarifas preferenciais envolvendo alguns produtos, tornando-os mais baratos em relação a países não participantes do bloco.

Exemplo: ALADI (Associação Latino-Americana de Integração).
Zona de livre comércio: consiste na eliminação ou diminuição significativa das tarifas alfandegárias dos produtos comercializados entre os países-membros. Assim como o tipo anterior, trata-se de um acordo meramente comercial.
Exemplos: NAFTA (Tratado de Livre Comércio das Américas), CAN (Comunidade Andina), entre outros.
União Aduaneira: trata-se de uma zona de livre comércio que também adotou uma Tarifa Externa Comum (TEC), que é uma tarifa que visa taxar os produtos advindos de países não membros dos blocos. Dessa forma, além de reduzir o preço dos produtos comercializados entre os países-membros, a União Aduaneira ainda torna os produtos de países externos ao bloco ainda mais caros.
Exemplo: Mercosul (Mercado Comum do Sul). A TEC, nesse caso, é adotada apenas entre os seus membros efetivos (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai*).
Mercado Comum: é um bloco econômico que conta com um avançado nível de integração econômica, indo muito além de um acordo comercial, pois envolve a livre circulação de produtos, pessoas, bens, capital e trabalho, tornando as fronteiras entre os seus membros quase que inexistentes em termos comerciais e de mobilidade populacional.
União Política e Monetária: consiste em um mercado comum que ampliou ainda mais o seu nível de integração, que passa a alcançar também o campo monetário. Adota-se, então, uma moeda comum que substitui as moedas locais ou passa a valer comercialmente em todos os países-membros. Também é criado um Banco Central do bloco, que passa a adotar uma política econômica comum para todos os integrantes.
O único exemplo de mercado comum e, ao mesmo tempo, de união política e monetária é a União Europeia, que é hoje considerada o mais importante bloco econômico da atualidade em razão do seu avançado nível de integração. Em muitos casos, essa integração alcança até mesmo as decisões políticas que eventualmente são tomadas em conjunto pelos países-membros.

* A Venezuela foi suspensa do Mercosul, por tempo indeterminado em dezembro de 2016.

13.353 – Economia – Pela 1ª vez, China compra um quarto de todas as exportações brasileiras


china parceira
A China nunca teve tanta importância para o comércio exterior brasileiro. Nos primeiros seis meses deste ano, 25% de tudo o que o Brasil exportou teve como destino o país asiático.
Esse percentual é recorde e é mais uma marca da ascensão da segunda maior economia mundial no Brasil. No primeiro semestre de 2007, a fatia chinesa nas exportações brasileiras era de 6,7% —os EUA eram líderes, com 16,4%.
Alimentada pela demanda por soja, minério de ferro e petróleo, a compra chinesa de itens do Brasil somou US$ 26,9 bilhões de janeiro a junho, um aumento de 36% em relação ao mesmo período do ano passado.
Na média, as vendas brasileiras para o resto do mundo cresceram 19%.
Sozinhos, os asiáticos compraram mais do Brasil do que os três demais principais compradores do Brasil: EUA, Argentina e Holanda, pela ordem.
Fazia mais de dez anos que nenhum país era tão dominante na compra de produtos brasileiros. No início do século, os EUA chegaram a responder por mais de um quarto das exportações.
Mas, enquanto os americanos eram grandes clientes de produtos manufaturados (que tem preços mais estáveis), o que os chineses querem mesmo é matéria-prima e alimentos, cujas cotações costuma flutuar mais.
Ter um cliente tão poderoso tem seus benefícios, já que há um mercado quase cativo para os produtos, porém, os riscos são mais expressivos.
Uma desaceleração forçada da China teria forte impacto para as exportações, um dos raros pontos de destaque da economia brasileira neste começo de ano.
Seria muito difícil encontrar um mercado que conseguisse dar conta de tamanha demanda: 45% da soja comprada pelos chineses vem do Brasil, além de 21% do minério de ferro —considerando dados de janeiro a maio.
Além disso, uma crise em um “player” tão importante geraria, sem dúvida, uma queda abrupta nos preços.
Ou seja, o produtor brasileiro não só venderia menos como por um preço menor.
Uma freada mais forte da economia chinesa foi apontada recentemente pelo FMI como um dos principais riscos externos para o Brasil, só atrás de um aperto nas condições financeiras globais.

13.267 – Tour da Muamba – Ciudad del Este


Ciudad-del-este
A Grande Ciudad del Este é a segunda maior aglomeração urbana do Paraguai seja em relação a população ou superfície, sendo a aglomeração da Grande Assunção a maior do país. É uma das zonas do Paraguai com maior crescimento urbano nos últimos tempos. Possui uma área de 1017 km² pertencente aos quatro municípios, sendo apenas 120 km² de fato conurbados.
No distrito de Minga Guazú, encontra-se o Aeroporto Internacional Guaraní, o segundo mais importante do país. Este terminal aéreo tem apenas como destinos as cidades de Assunção, Montevidéu e São Paulo.
O Terminal de Ônibus de Ciudad del Este está localizado próximo do Estádio Antonio Oddone Sarubbi. Este terminal oferece serviços para muitas cidades do Paraguai e também a nível Internacional.
A cidade foi fundada através de decreto em 3 de fevereiro de 1957 com o nome Puerto Flor de Lis. Logo, teve seu nome alterado para Puerto Presidente Stroessner, em homenagem ao ditador Alfredo Stroessner. Após o golpe de estado que depôs o ditador em 3 de fevereiro de 1989, o comando revolucionário utilizou o nome Ciudad del Este. Nos dias posteriores, através de plebiscito, os cidadãos elegeram e confirmaram o nome de Ciudad del Este.
A cidade faz parte de um triângulo internacional conhecido na região como Tríplice Fronteira, que envolve também Foz do Iguaçu, no estado brasileiro do Paraná, e Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. As três cidades são separadas umas das outras pelo Rio Paraná e pelo Rio Iguaçu.
Com uma aglomeração urbana de 387 mil habitantes (2010), Ciudad del Leste é a segunda cidade mais populosa do Paraguai, ficando apenas atrás da capital Assunção, que tem 742 mil habitantes. Inúmeros brasileiros trabalham ilegalmente nessa cidadeː quase 50 mil.
A cidade é responsável por 10% do produto interno bruto paraguaio, que é de 3 bilhões de dólares estadunidenses. É a terceira maior zona franca de comércio do mundo (após Miami e Hong Kong). Seus clientes são, na maioria, brasileiros, paraguaios e coreanos atraídos pelos baixos preços dos produtos ali vendidos. Além disso, a cidade é o quartel-general da Itaipu Binacional, juntamente com Foz do Iguaçu, no Brasil. A venda de eletricidade da usina hidrelétrica de Itaipu para o Brasil gera mais de trezentos milhões de dólares estadunidenses de renda anual para o país.
O turismo de Ciudad del Este é caracterizado pelo turismo de compras, porém a cidade possui, também, atrativos turísticos que fogem a este padrão. A 20 quilômetros ao norte, em Hernandarias, se encontra a represa de Itaipú, que pode ser contemplada pelo lado paraguaio. A 8 quilômetros ao sul, se encontram os Saltos del Monday. A 26 quilômetros ao sul, está localizado o Monumento Científico Moisés Bertoni. O parque de Acaray oferece hospedagem aos visitantes. O lago de la República, que se encontra no centro da cidade, é um espaço de recreação rodeado pela vegetação. A Catedral de San Blás assemelha-se à forma de um barco e foi construída em 1964 com esculturas de pedra. O museu “El Mensú” foi o primeiro espaço destinado para reunir os mais diversos objetos que representam a história, cultura e tradição da cidade, tendo peças da época da fundação da cidade e utensílios de indígenas da região.
A temperatura média anual é de 21 °C, a máxima atinge 38 °C, e a mínima 0 °C. O maior montante anual de precipitação ocorre na região do Alto Paraná, terra do nevoeiro, do orvalho e do inverno permanente. Ciudad del Este tem um clima subtropical continental. No inverno de 1982, nevou pela segunda vez no Paraguai. Em novembro-dezembro de 2009, ocorreram quatro princípios de tornados, mas nunca estabelecidos em sua totalidade (é normal ver vórtices menores sobre o rio Paraná).

13.232 – Mega Sampa – Por que São Caetano do Sul é a nº1 do Brasil em IDH


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São Caetano do Sul (SP) mais uma vez liderou o ranking das cidades mais desenvolvidas do Brasil, divulgado pelo Pnud, órgão das Nações Unidas para o desenvolvimento, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro. É a terceira vez que o levantamento, intitulado IDHM, é lançado. E é a terceira vez que a cidade do ABC paulista aparace em primeiro.
A cidade alcançou pontuação de 0,862 na avaliação realizada pela ONU com dados do IBGE, referentes ao Censo 2010. Embora a pesquisa nacional use padrões ligeiramente diferentes daqueles aplicados no exterior pela ONU, o IDHM de São Caetano do Sul hoje é maior que o de países como Grécia (0,860) e Chile (0,819).
A escala do IDH vai de 0 a 1, com indicadores positivos em educação, longevidade e renda per capita correspondendo a valores maiores. As cidades brasileiras já haviam sido avaliadas em levantamentos feitos em 1991 e 2000.

Renda per capita
Embora esteja em segundo lugar em relação à educação e em 19ª no quesito longevidade da população, o dinheiro de São Caetano justifica sua avaliação como maior IDH do país. De acordo com o levantamento divulgado hoje, a renda per capita média da cidade de cerca de 145 mil habitantes supera 2 mil reais.
O valor é mais de 20 vezes maior do que o a renda per capita de Marajá do Sena (MA), cidade mais mal-avaliada do país em relação a renda per capita. O fortalecimento da área de serviços sem descuidos em relação à presença industrial é apresentado pelos administradores municipais como uma das razões para cerca de 45% da população de São Caetano se encontrar hoje na classe B.

Educação e longevidade
Além da economia, São Caetano também apresenta bons números em relação à educação. Embora Águas de São Pedro (SP) apresente as melhores estatísticas da área no país, São Caetano está na vice-liderança dos indicadores. A cidade investe cerca 35% do seu orçamento na formação educacional e conta hoje com mais de 100 escolas, um centro de formação de professores e uma universidade municipal.
Entretanto, problemas como a contratação emergencial de professores ainda fazem parte do cotidiano do município. Apesar dos ótimos indicadores, cerca de 4% das crianças de 5 a 6 anos não estão na escola. Na faixa que vai dos 18 aos 20 anos, a porcentagem cresce para mais de 30%.
Hoje, a expectativa de vida em São Caetano do Sul gira em torno de 78 anos. Dos três indicadores que influenciam no IDH, a longevidade é o quesito em que a cidade tem o pior desempenho – a ponto de ficar fora da lista dos 15 municípios do país com melhores indicadores no quesito. Ainda assim, consta no site da prefeitura de São Caetano do Sul a existência de quatro centros voltados para atender a terceira idade.

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13.158 – Café pode entrar em extinção (?)


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Tomar um pingado vai ficar mais difícil. Tudo culpa do aquecimento global, que, segundo o Instituto Australiano do Clima, vai reduzir a área de cultivo do café pela metade até 2050.
A princípio não vai ser ruim para todo mundo: as plantações podem ficar mais produtivas em regiões como a África Oriental. Isso porque a concentração de CO2 aumenta e, como efeito imediato, turbina a produção vegetal.
Mas isso só vale para áreas em altitude suficiente para não sofrerem com o calor. Hoje em dia, a Tanzânia perde 140 kg de café por ano a cada 1 oC a mais no termômetro – o equivalente a mais de 12 mil xícaras.

13.132 – Ação Humana – Civilizações pré-colombianas moldaram vegetação da Amazônia


amazonia
As florestas da Amazônia foram moldadas pela ação humana ao longo de milhares de anos, num processo que transformou boa parte da mata em gigantescos “pomares”, repletos de espécies domesticadas de árvores. O manejo habilidoso dessas plantas pelos antigos habitantes da região acabaria criando deleites gastronômicos que hoje chegam ao mundo todo, como o cacau e a castanha-do-pará.
Esses são os exemplos mais famosos, mas a lista completa é bem mais extensa: 85 espécies de árvores foram domesticadas em algum grau na floresta, calculam os autores de um estudo internacional que acaba de ser publicado na revista especializada “Science”.
Em alguns lugares da bacia do Amazonas, as espécies selecionadas e alteradas pela atividade humana chegam a ser as mais comuns da mata, apesar da gigantesca diversidade natural de vegetais da região.

HIPERDOMINANTES
Usando esses dados, um dos colaboradores da nova pesquisa, o holandês Hans Ter Steege, já tinha mostrado que, apesar dessa imensa variedade de espécies, a Amazônia abriga algumas árvores “campeãs”, conhecidas como hiperdominantes. São 227 espécies que, somadas, são muito mais comuns que a média das demais plantas, correspondendo a uns 50% de todas as árvores amazônicas.
Ocorre que, das 85 árvores domesticadas, 20 espécies fazem parte dessa lista das hiperdominantes –cinco vezes mais do que o esperado, quando se considera o número total de espécies arbóreas da região. Outro detalhe importante é que essas plantas domesticadas hiperdominantes são muito comuns na Amazônia: ao menos algumas delas estão presentes em 70% da região, enquanto as outras espécies hiperdominantes (as não domesticadas) só ocorrem em 47% da bacia.
Isso sugere que a ação humana é que as espalhou Amazônia afora, uma vez que estudos genéticos mostram que muitas dessas plantas domesticadas hoje florescem em lugares muito distantes de seu ambiente original –é o caso do próprio cacaueiro, nativo do noroeste amazônico, mas hoje mais comum no sul da região.
E, de fato, na maioria das áreas, a concentração de espécies moldadas pelo uso humano aumenta nas proximidades de sítios arqueológicos e dos rios –ou seja, áreas que comprovadamente foram ocupadas por pessoas no passado ou que serviam (e ainda servem) como as principais estradas para quem circulava pela mata. Para onde os antigos indígenas iam, as plantas iam junto– e esse processo foi fazendo com que elas se tornassem cada vez mais comuns, alterando a composição natural de espécies da floresta para que ela se tornasse cada vez mais útil para membros da nossa espécie.

CERVEJINHA
Isso significa, é claro, árvores que produziam frutos mais saborosos ou folhas e troncos mais adequados para a construção de cabanas –e mesmo as mais úteis para o preparo de bebidas fermentadas, explica Charles Clement, biólogo do Inpa e coautor do novo estudo.
“Você certamente vai tomar uma cervejinha depois de sair do trabalho hoje. Os índios também consumiam uma grande variedade de cervejas, incluindo as feitas com o fruto da pupunha, que pode ser selecionado para ser muito rico em amido, o que favorece a fermentação”, compara ele.
A pupunha é um dos casos de árvores amazônicas totalmente domesticadas, ou seja, que sofreram grandes modificações graças à seleção promovida pelo homem e que hoje dependem da nossa espécie para se propagar. Enquanto os frutos “selvagens” da planta pesavam só 1 grama, diz Clement, hoje é possível encontrar os que alcançam 150 gramas na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
A lista de espécies inclui ainda as classificadas como parcialmente domesticadas (é o caso do cacaueiro) e incipientemente domesticadas (a castanheira). A diferença é, em grande parte, questão de grau. O primeiro tipo já tem consideráveis diferenças de aparência e genética em relação aos seus parentes selvagens, embora ainda consiga se virar sozinho sem a ajuda humana, enquanto no segundo tipo essas mudanças são bem mais sutis, explica Carolina.
O arqueólogo Eduardo Góes Neves, da USP, que também assina a pesquisa, calcula que essa grande processo de “engenharia florestal” amazônica começou há pelo menos 6.000 anos, mas pode ter se intensificado de uns 2.500 anos para cá. É quando a região fica repleta de sítios com a chamada terra preta –um solo muito fértil produzido pela ação humana, em parte graças à queima controlada de restos de vegetais.

13.119 – Cientistas estão criando abelhas drones para combater crise de polinização


Pequenos drones revestidos de um pegajoso gel poderiam, um dia, reduzir a pressão das populações de abelhas para o transporte de pólen planta a planta, segundo informações da Live Science. Atualmente, cerca de três quartos das plantas florestais do mundo e 35% das culturas alimentares dependem dos insetos para a polinização, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA.
As abelhas são consideradas alguns dos polinizadores mais prolíficos, embora a existência delas esteja declinando em todo o mundo. No mês passado, o Serviço de Peixes e Vida Selvagem dos EUA (U.S. Fish and Wildlife Service), pela primeira vez, listou a espécie nativa em ameaça de extinção.
Com isso em mente, pesquisadores no Japão deram o primeiro passo para a criação de mini robôs que poderiam ajudar a reduzir o trabalho dessas polinizadoras. Junto a isso, os cientistas criaram uma forma de gel pegajoso que permite aos robôs colher o pólen das plantas e depositar em outra para ajudá-las a se reproduzir.
Segundo o pesquisador e químico do projeto, Eijiro Miyako, do Instituto de Ciência Industrial Avançada, em Tsukuba, todo o projeto ainda está em prova de conceito. “Espera-se que alguns robôs sejam usados para experimentos de polinização”, disse.
A inovação do estudo, publicado este mês na revista Chem, é o gel iônico. De acordo com Miyako, ele foi resultado de uma tentativa fracassada de criar líquidos eletricamente condutores e acabou sendo esquecido em uma gaveta por quase uma década. Mas, oito anos depois, ele ainda não tinha secado – algo que ocorreria com a maioria dos géis. Então, após assistir a um documentário sobre polinização, teve a ideia.
“Na verdade, deixei cair o gel no chão e notei que absorvia muita poeira”, contou ele à Live Science. “Então tudo começou a se ligar na minha mente”.
Os cientistas então testaram como o produto poderia ser útil na polinização. Para isso, colocaram gotas do material na parte de trás de formigas, deixando-as durante uma noite dentro de uma caixa cheia de tulipas. No dia seguinte, descobriram que os insetos tinham transportado mais grãos de pólen do que fazem naturalmente.
Em outro experimento, os pesquisadores descobriram ainda que era possível integrar no gel compostos fotocromáticos, que mudam de cor quando expostos à luz UV ou branca. Então, colocaram o novo material em moscas vivas, dando a elas a capacidade de mudar de cor. Com isso, eles poderiam finalmente ver algum tipo de camuflagem adaptável para proteger os polinizadores de predadores.
Enquanto a descoberta pode melhor a capacidade de outros insetos carregarem pólen, também é uma solução potencial para a queda da população de abelhas. “É muito difícil usar organismos vivos para realizações práticas reais, então eu decidi mudar minha abordagem e usar robôs”, disse.
Segundo ele, ainda existem certas limitações, como por exemplo, a bateria, reduzir os custos de produção e uma melhor forma de pilotar o drone. Para isso, ele acredita que o GPS e inteligência artificial poderiam um dia ser usados para guiar automaticamente esses polinizadores robóticos.

13.096-Crise-Corte de 120 milhões de reais do orçamento da Fapesp


Logo Fapesp Sponsors - Azul
A FAPESP – FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO – É UM ORGULHO NACIONAL E EXEMPLO A SER SEGUIDO NO MUNDO INTEIRO
Contribui há várias décadas, para o avanço do conhecimento no Estado de São Paulo e no país. Com a concessão de bolsas e auxílios para a execução de pesquisas científicas e tecnológicas em todas as áreas do conhecimento, a instituição vem apoiando estudos e a divulgação da ciência desde 1962, quando começou a funcionar. Assim, é incompreensível a decisão da Assembleia Legislativa de São Paulo que aprovou uma lei orçamentária desviando 120 milhões de reais da dotação assegurada pela Constituição do estado à instituição, nos últimos dias de 2016 – em outras palavras, um grande corte. Essa decisão não apenas contraria a Constituição estadual, que determina o repasse de 1% da receita tributária para a Fapesp, como causará um prejuízo irreversível à ciência paulista e brasileira. O valor, segundo a decisão, irá para o fortalecimento de institutos de pesquisas estaduais (como o Butantan ou o Biológico), que estariam em penúria. Entretanto a Fapesp sempre apoiou bons projetos independentemente de estarem nas universidades ou nos institutos. O erro abre um precedente perigoso – além de ser o único órgão científico do estado com tradição de independência em relação ao Executivo, tirar recursos de um lado (que funciona) para cobrir outro não pode ser um argumento defensável.
Defensores dessa decisão catastrófica alegam que é preciso investir mais em pesquisas aplicadas. Ledo engano! Os maiores e mais revolucionários avanços tecnológicos foram gerados pelas pesquisas básicas. A eletricidade, por exemplo. Inicialmente, ninguém sabia sua utilidade. Foi a pesquisa básica que desvendou suas características e, assim, possibilitou seu uso. Tente imaginar viver numa sociedade sem eletricidade… Quem poderia acreditar que a teoria da relatividade, proposta por Einstein no início do século XX, seria responsável por um terço da economia mundial na atualidade?
Descobertas recentes de laboratórios de pesquisa básica em biologia e genética revolucionarão a medicina. Por exemplo, Shinya Yamanaka, pesquisador japonês ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2012, mostrou que é possível reprogramar células já diferenciadas tornando-as pluripotentes, portanto, capazes de gerar qualquer tipo de célula. Esse conhecimento básico possibilitará um salto gigantesco na medicina regenerativa. Jennifer Doudna e Emanuelle Charpentier descobriram que é possível “editar” genes em bactérias, ou seja, modificá-los, por meio de uma técnica revolucionária chamada CRISPR/Cas9. O conhecimento gerado por esses estudos, realizados em laboratórios de pesquisa básica, já vem sendo utilizado para tratar alguns tipos de câncer. E o prosseguimento dessas pesquisas possibilitará a correção de mutações e o tratamento de inúmeras doenças, inclusive transplante de órgãos. Essa tecnologia, cujo impacto na agricultura, pecuária e medicina serão gigantescos, foi rapidamente incorporada aos nossos laboratórios graças à Fapesp.
No fim da década de 90, a Fapesp financiou um projeto que envolveu trinta laboratórios, o sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, praga da laranja. O objetivo primário era capacitar um número expressivo de cientistas nessa nova tecnologia de sequenciamento genômico. O sucesso do projeto foi tal que ganhou a capa da prestigiosa revista Nature, colocando o Brasil no mesmo patamar dos países desenvolvidos. Graças a esses avanços, hoje essa tecnologia tem uma aplicação gigantesca na agricultura, pecuária e na medicina.
Em 2004, pesquisadores do Instituto de Biociências da USP, apoiados pela Fapesp, descobriram em famílias brasileiras um gene responsável por uma forma hereditária de esclerose lateral amiotrófica (ELA – a doença do famoso cientista britânico Stephen Hawking). Posteriormente, descobriu-se que esse gene estaria envolvido em outras formas de ELA, o que abriu um novo leque de pesquisas no mundo inteiro na busca por um tratamento. Mais recentemente, também com apoio da Fapesp, foram sequenciados os genomas de cerca de 1 400 pessoas com mais de 60 anos, constituindo o primeiro e maior banco genômico da população idosa brasileira, que contribuirá para a identificação dos fatores genéticos e ambientais responsáveis por um envelhecimento saudável.
Resultados expressivos em ciência envolvem investimentos contínuos e atualizados, pois a construção do conhecimento depende de estudos e experimentos, infraestrutura adequada e da formação de recursos humanos qualificados para sua realização. Essa concepção norteou a criação da Fapesp, em 1960, levando ao estabelecimento de um porcentual da arrecadação do ICMS do estado para garantir a continuidade do financiamento das pesquisas em São Paulo. Nessa ocasião, o governador Carvalho Pinto declarou: “Se me fosse dado destacar alguma das realizações da minha despretensiosa vida pública, não hesitaria em eleger a Fapesp como uma das mais significativas para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país”. A Fapesp tem hoje 57 anos de inquestionáveis contribuições ao desenvolvimento de São Paulo e do Brasil. O corte de 120 milhões no orçamento da Fapesp, associado à redução dos recursos decorrente da própria queda na arrecadação do ICMS, ferirá irreparavelmente esse patrimônio histórico. O investimento no desenvolvimento científico e tecnológico, por meio desse órgão fundamental, é a melhor garantia de desenvolvimento crescimento econômico, social e cultural do país.

12.732 – Elefante Branco – Locais que foram abandonados após os jogos olímpicos


Um legado deixado por grandes montantes de investimentos
Uma das maiores preocupações com os jogos olímpicos do Rio de Janeiro é o legado que deixarão. Estima-se que pelo menos US$ 4,6 bilhões tenham sido gastos na realização do evento e não há garantia que muitas das estruturas construídas sejam utilizadas novamente.
Um levantamento realizado pelo Bored Panda mostra imagens de alguns lugares que foram abandonados após a realização das Olimpíadas.

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12.219 – Mega Polêmica – É assim que frutas e legumes se pareciam antes de nós os “domesticarmos”


Atualmente, os alimentos geneticamente modificados, ou transgênicos, geram muita polêmica e reações fortes.
No entanto, eles são muito mais comuns do que você pode pensar. A modificação começa, por exemplo, a partir do momento em que você seleciona somente as sementes dos melhores frutos (com melhor genética) para cultivar.
Darwin previu a seleção artificial como um ramo da sua teoria da evolução. O fato de que seres humanos têm a praticado por tanto tempo levou a mudanças significativas em diversas frutas e legumes.
Da próxima vez que você morder uma fatia de melancia ou uma espiga de milho, considere isto: eles nem sempre tiveram essa aparência e gosto.
Veja alguns dos alimentos que eram totalmente diferentes antes dos seres humanos começarem a cultivá-los em larga escala:
frutas-e-legumes-diferentes-modificacao-genetica-1Melancia silvestre

Esta pintura do século 17, feita por Giovanni Stanchi, mostra melancias notavelmente diferentes das modernas. O quadro, criado entre 1645 e 1672, indica a existência de melancias com seis buracos triangulares e uma cor distinta da que estamos acostumados hoje.
Ao longo do tempo, criamos seletivamente essas frutas para que tivessem um interior carnudo vermelho – que é, na verdade, a placenta. Algumas pessoas sugeriram que a melancia na pintura de Stanchi era apenas imatura ou sem água, mas as sementes pretas indicam que era, de fato, madura.

Banana silvestre
As primeiras bananas foram cultivadas provavelmente pelo menos 7 mil anos atrás (possivelmente 10 mil anos atrás) no que é hoje Papua Nova Guiné. Também foram cultivadas no Sudeste Asiático. Bananas modernas vieram de duas variedades selvagens, Musa acuminata e Musa balbisiana, que têm sementes grandes e duras como as da foto acima.
A versão híbrida produziu a banana que tanto adoramos atualmente, com seu formato distinto, sementes muito pequenas e um gosto melhor.

banana

Berinjela silvestre
Ao longo da sua história, berinjelas existiram em uma ampla variedade de formas e cores, como branco, azul, roxo e amarelo (igual à da imagem acima). Algumas das primeiras berinjelas foram cultivadas na China. Versões primitivas costumavam ter espinhos no lugar onde o caule da planta se conecta às flores.
A criação seletiva desta planta conseguiu livrá-la dos espinhos e alcançar o tal formato maior, oblongo e roxo visto na maioria dos supermercados hoje.

Cenoura silvestre
As primeiras cenouras conhecidas foram cultivadas no século 10 na Pérsia e na Ásia Menor. Acredita-se que eram originalmente roxas ou brancas com uma raiz fina e bifurcada, como mostrada na foto acima. Ao longo do tempo, perderam o pigmento roxo e adquiriram uma cor mais amarelada.
Ou seja, as antigas raízes brancas e finas, que tinham um sabor forte, deram lugar hoje a saborosas raízes grandes e laranjas.

Milho silvestre
Talvez o exemplo mais emblemático de reprodução seletiva seja do milho na América do Norte, produzido a partir de uma planta que mal era comestível. O silvestre, mostrado acima, foi domesticado pela primeira vez em 7.000 aC e era seco como uma batata crua.
Hoje, é mil vezes maior do que era 9.000 anos atrás, e muito mais fácil de descascar e crescer. Além disso, 6,6% dele é feito de açúcar, em comparação com apenas 1,9% do seu ancestral. Cerca de metade dessas mudanças ocorreram a partir do século 15, quando os colonizadores europeus começaram a cultivar milho amplamente.

Pêssego silvestre
Pêssegos costumavam ser pequenos como amoras e ter pouca carne. Eles foram domesticados pela primeira vez em torno de 4.000 aC pelos antigos chineses, e tinham um gosto terroso e ligeiramente salgado, como uma lentilha.
Depois de milhares de anos de cultura seletiva, os pêssegos agora são 64 vezes maiores, 27% mais suculentos, e 4% mais doces.

12.141 – Ecologia – Adidas imprime tênis em 3D com lixo marítimo


A Adidas anunciou uma parceria com a Parley for the Oceans, uma organização que incentiva a remoção de lixo dos mares, e criou um tênis impresso em 3D usando plástico encontrado no mar na confecção. A novidade foi anunciada durante um dos painéis da COP21, Conferência do Clima da ONU.
Na visão da empresa alemã, a iniciativa mostra como ainda é possível estabelecer novos padrões para a indústria de calçados.
O protótipo é baseado no modelo chamado Futurecraft 3D, apresentado neste ano, que também é um produto que pode ser impresso em 3D. A Adidas não tem planos de comercializar o tênis feito com lixo marítimo.
Como escreve o The Verge, apesar de ser um modelo interessante de fabricação, o plástico, em si, ainda é um material poluente e, portanto, causa danos ao meio ambiente, seja na forma de um tênis ou em qualquer outra.

12.129 – Experimento da Nasa quer testar o plantio da batata em Marte


batata marte
Quando a Nasa disser que pretende levar astronautas a Marte na década de 2030, mande-a plantar batatas. Ou, pelo menos, é o que o Centro Internacional da Batata, no Peru, já está fazendo.
A organização se emparceirou com a agência espacial americana para realizar um experimento que criará uma plantação de batatas num ambiente simulado que se assemelhe ao planeta vermelho, ainda que aqui na Terra.
O solo será retirado do deserto Pampas de La Joya, no Peru, que os pesquisadores acreditam ser uma aproximação razoável do que existiria em Marte.
O material será colocado numa estufa fechada contendo uma versão da atmosfera marciana, composta por 95% de dióxido de carbono.
“Estou empolgado de colocar batatas em Marte e ainda mais que possamos usar um terreno marciano simulado saído de tão perto da área onde as batatas se originaram”, afirmou Julio Valdivia-Silva, pesquisador do Instituto SETI (instituto de busca por inteligência extraterrestre, na sigla em inglês), ligado à Nasa, que lidera a equipe científica do projeto.
Nativas de uma região na divisa do sul do Peru com o noroeste da Bolívia, as batatas são um dos alimentos mais nutritivos e calóricos que se pode plantar.
Por isso, podem ser uma importante fonte de energia para tripulações que tenham de passar longos períodos longe da Terra –como será o caso dos astronautas que no futuro explorarão Marte.
Aliás, uma plantação de batatas marciana foi exatamente a forma que o fictício astronauta Mark Whatney, interpretado pelo ator Matt Damon, encontrou para sobreviver no planeta vermelho, no filme “Perdido em Marte”.
Será que poderia funcionar também na vida real?

DESAFIOS
“Quando trabalhamos com simulação ambiental, é bem difícil mimetizar todas as condições ao mesmo tempo”, comenta Fabio Rodrigues, astrobiólogo do Instituto de Química da USP que não participa do estudo. “Por isso, é muito difícil prever o comportamento exato do objeto de estudo no ambiente real.”
Por exemplo, o trabalho do Centro Internacional da Batata com a Nasa não pretende simular os efeitos da radiação cósmica sobre as plantações –e em Marte, por conta da falta de um campo magnético global e da atmosfera rarefeita, isso pode ser um problema para plantações.

12.065 -Biotecnologia – O futuro da comida


alimentos_transgenicos
Se existe mesmo um cemitério para as más ideias, é para lá que os alimentos transgênicos pareciam caminhar há pouco mais de uma década. No fim dos anos 90, quando os primeiros produtos feitos com vegetais geneticamente modificados chegaram às prateleiras, a reação foi ruidosa. O cantor Paul McCartney liderou a campanha “Say no to GMO”, ou “Diga não aos transgênicos” — que acabaram apelidados de frankenfood. Temia-se que sua ingestão colocaria a saúde dos consumidores em risco. Até o príncipe Charles se meteu na história, profetizando que as empresas de biotecnologia causariam o maior desastre ambiental de todos os tempos. Ativistas irados destruíram centros de pesquisa. Diante desse temor, os transgênicos acabaram banidos em boa parte do mundo. O fracasso da tecnologia, portanto, parecialíquido e certo. Mas, apesar do barulho, do quebra-quebra e da turma que torcia contra, o resultado foi o oposto. Em dez anos, a área plantada com transgênicos quase quadruplicou; cerca de 14 milhões de fazendeiros de países como Estados Unidos, Brasil e Argentina aderiram. Hoje, mais de 75% da soja e 25% do milho cultivados no mundo são geneticamente modificados. Centenas de milhões de pessoas comem produtos com ingredientes transgênicos todos os dias. A calamidade sanitária e o apocalipse ambiental previstos pelos críticos não vieram.

Apesar do sucesso recente, o atual estágio da pesquisa com transgênicos é frequentemente comparado ao início da era do transistor na eletrônica — ou seja, os cientistas ainda estão longe de explorar as possibilidades criadas pela adoção da biotecnologia no campo. Até hoje, os transgênicos se limitam, basicamente, a proteger as plantas contra herbicidas e pragas. Mas essa realidade vai mudar nos próximos anos. Empresas de biotecnologia e centros de pesquisa estão nos estágios finais do desenvolvimento da segunda geração de alimentos geneticamente modificados. Segundo um estudo da Comissão Europeia, o número de sementes disponíveis no mercado passará das atuais 30 para 120 até 2015. O aspecto mais promissor dessa geração é a expectativa de um salto tecnológico: novos transgênicos trarão benefícios diretos ao consumidor, aumentarãoo potencial produtivo das plantas e, veja só a ironia, podem acabar ajudando a preservar o meio ambiente. Segundo os cálculos da alemã Basf, os novos produtos farão o mercado de sementes transgênicas crescer dos atuais 8 bilhões de dólares anuais para 50 bilhões de dólares nos próximos 15 anos. Aos 58 anos, o bioquímico Americano Roy Fuchs é um dos milhões de americanos que ingerem diariamente um punhado de pílulas de ômega 3 na esperança de diminuir o risco de problemas cardíacos. O componente, extraído do óleo de peixes como salmão e sardinha, é um sucesso comercial: apenas nos Estados Unidos, o mercado de pílulas e alimentos enriquecidos com ômega 3 é estimado em mais de 2,5 bilhões de dólares anuais. Nos últimos anos, Fuchs, que é pesquisador da empresa Americana de biotecnologia Monsanto, vem trabalhando numa ideia que pode transformar esse mercado.

E se ele conseguisse criar uma variedade de soja cujo óleo fosserico em ômega 3 — e pudesse ser usado como ingrediente de barras de cereal, temperos de salada, margarinas e iogurtes? Parece uma ideia maluca, mas Fuchs conseguiu.
Para chegar lá, ele destrinchou o código genético das algas das quais peixes como o salmão se alimentam, em busca do gene responsável pela produção do ômega 3. “Em vez de procurar no DNA do salmão, queimamos uma etapa”, diz ele. Encontrado o gene, Fuchs fez um enxerto no DNA da soja. Chegou-se a uma variedade de soja que produz, em menos de meio hectare, a mesma quantidade de ômega 3 presente em 10 000 porções de salmão. Fuchs distribuiu às empresas de alimentos o oleo feito com a nova soja para que elas comecem a desenvolver produtos “ricos em ômega 3”. A Monsanto só aguarda o sinal verde do governo americano para vender a nova semente. Será um marco na evolução da biotecnologia — um alimento transgênico que trará benefícios diretos à saúde do consumidor. Nenhuma empresa ou instituição investe tanto no desenvolvimento de transgênicos quanto a Monsanto. Instalada na cidade americana de St. Louis, a companhia emprega mais de 5 000 pesquisadores como Roy Fuchs, cuja tarefa é criar novas sementes. O investimento em pesquisa supera 1 bilhão de dólares por ano. É natural que seja assim. No fim dos anos 90, a Monsanto basicamente criou esse mercado, ao lançar variedades de soja e milho resistentes ao herbicida RoundUp (produzido, claro, pela própria Monsanto). A experiência de uma década e o dinheiro investido ano após ano colocam a empresa numa posição única para lançar produtos como a soja omega 3.
O desenvolvimento de uma nova semente pode custar até 100 milhões de dólares, e poucas companhias têm caixa para gastar tanto num projeto que sempre corre o risco de dar errado. Com o conhecimento acumulado na última década, a Monsanto hoje pode inserir não um ou dois, mas oito genes diferentes numa semente de milho, por exemplo.
O enriquecimento de países como China e Índia tem aumentado o consumo de carne — e, para cada quilo de carne bovina vendido no supermercado, são necessários 7 quilos de grãos para produzir ração animal. O investimento em biocombustíveis, por sua vez, aumentará ainda mais a demanda por grãos como o milho, usado na produção de etanol. Finalmente, as Nações Unidas estimam que a população mundial crescerá cerca de 30% nas próximas décadas, até atingir 9 bilhões de pessoas em 2050. Calcula-se que o consumo de comida nos próximos 40 anos sera maior que em toda a história da humanidade. Será preciso, em resumo, dobrar a produção mundial de alimentos. É bem verdade, o mundo já esteve em situação semelhante, e não faz tanto tempo.A explosão demográfica na segunda metade do século 20 fez com que cientistas traçassem cenários cataclísmicos para a humanidade — como seria possível produzir comida para tanta gente? Coube ao americano Norman Borlaug provar que o pessimismo era exagerado. Ao propor a combinação de técnicas como o aperfeiçoamento de sementes, a adoção de inseticidas, fertilizantes e irrigação, Borlaug ajudou a criar a Revolução Verde, que multiplicou a produtividade no campo a partir dos anos 60. Morto em 2009, Borlaug é tido como responsável por salvar 1 bilhão de vidas no século 20. Tudo isso, claro, feito semtransgênico algum. Por que, então, usá-los agora?
Segundo os defensores da biotecnologia, as técnicas da Revolução Verde não bastarão para dobrar a produção de alimentos nas próximas décadas. A área dedicada à agricultura dificilmente aumentará — fatores como a urbanização em países emergentes tendem a atrapalhar nesse quesito. Será necessário, portanto, fazer mais com menos espaço.
Cerca de 70% da água fresca do planeta é usada na agricultura — com o crescimento populacional quevem aí, o volume de água disponível vai diminuir. E os agrotóxicos estão entre os maiores poluidores do mundo. Mesmo que fosse possível dobrar a produção de grãos nas próximas décadas entupindoo solo de fertilizantes e pesticidas, as consequências ambientais seriam dramáticas. Para os especialistas em biotecnologia, os novos transgênicos também podem amenizar esses dois problemas. Já há no mercado sementes geneticamente modificadas imunes a pragas — cujo plantio, por definição, reduz o uso de pesticidas.
Os pesquisadores esperam que o histórico ajude a convencer os céticos de que a tecnologia é segura para a saúde. Além disso, os primeiros transgênicos foram desenvolvidos para beneficiar os agricultores, e o consumidor ainda não vê vantagem alguma na compra de produtos com ingredientes geneticamente modificados. As empresas pretendem mudar essa imagem na próxima década, com a nova geração de transgênicos e sua promessa de beneficiar consumidores e o meio ambiente. O sucesso recente demonstra que elas conseguiram conquistar milhões de fazendeiros, apesar de toda a resistência nascida cerca de uma década atrás. Falta, agora, vender a ideia para quem decide o que vai para a mesa.

12.028 – Indústria Farmacêutica – Criadora do Viagra compra fabricante do Botox


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A operação é a maior no setor de cuidados com a saúde e a segunda maior da história: a primeira foi a fusão da Mannesmann com Vodafone, na área de telecomunicação, com US$ 171,9 bilhões. Viagra e Botox têm em comum o fato de serem medicamentos blockbuster ? Mais de um milhão de pessoas já utilizaram o Botox ao redor do mundo e, só no Brasil, foram vendidos 114 milhões de comprimidos de Viagra em 15 anos. Também dividem as origens inusitadas – ambos tinham propósitos originais bem diferentes do que acabaram se tornando.
O citrato de sildenafila, mais conhecido como Viagra, foi sintetizado e estudado inicialmente para cuidar da hipertensão e da angina, um tipo de doença cardiovascular. Os pesquisadores da Pfizer perceberam que o composto não tratava as doenças com eficácia, mas que induzia ereções em homens que duravam de 30 a 60 minutos, graças à irrigação sanguínea no pênis. Atenta ao potencial da descoberta, a empresa farmacêutica patenteou o produto em 1996, e, dois anos depois, ele era aprovado pela FDA, órgão que regula os remédios nos Estados Unidos. Se você acha que a pílula azul funciona só para os humanos, está enganado: ela também ajuda a manter flores em pé, evitando que elas murchem, durando até uma semana a mais. O óxido nítrico, presente no medicamento, também é utilizado pelas plantas.
A toxina botulínica, mais conhecida pela marca Botox, só foi descoberta através de uma doença, o botulismo. O botulismo é um tipo de intoxicação alimentar, causada por uma toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, que fica em solos e alimentos. Essa toxina é capaz de paralisar os músculos do corpo todo, o que pode levar à morte. No Botox, ela é utilizada em pequenas quantidades, mas o princípio é o mesmo da doença: a acetilcolina, que conecta o cérebro aos músculos, é bloqueada. Isso significa que o músculo não recebe a mensagem para contrair, o que auxilia a suavização de rugas. Mas o seu primeiro uso não foi estético. No final dos anos 60, um oftalmologista norte-americano procurava um tratamento não cirúrgico para o estrabismo, e descobriu na toxina botulínica uma boa alternativa. Depois, um casal de médicos canadenses, Jean e Alastair Carruthers, oftalmologista e dermatologista, notaram que alguns dos pacientes que faziam tratamento com a toxina apresentavam menos rugas. A partir daí ela começou a ser utilizada como cosmético.

12.013 -Em meio à crise hídrica, regiões assumem riscos e melhoram a eficiência no uso da água


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Enquanto a Costa Leste dos Estados Unidos tremia de frio, a Califórnia fervia. No ano passado, incêndios florestais destruíram casas em subúrbios, um reservatório esvaziado deixou expostas as ruínas de um vilarejo da época da corrida do ouro e, na primavera, a cachoeira do Yosemite estava reduzida a um fio d’água. Enquanto a seca alcançava recordes históricos, as disputas políticas retomavam rotinas conhecidas.
Os agricultores conclamaram o Parlamento a revogar a proteção a espécies de peixes ameaçadas. Os moradores urbanos lembraram que, em média, 41% da água na Califórnia é usada na agricultura, ao passo que menos de 11% abastece as cidades (e quase 49% permanece nos rios). Prevaleceram as frases de efeito, e ao menor sinal de chuva as discussões silenciavam por completo.
Tal capacidade de esquecimento é quase uma característica inata no Oeste americano. Mas não há motivo para isso. Basta, por exemplo, ver o que ocorre na Austrália, um país com situação bem similar à existente hoje na Califórnia e no Oeste americano. Tanto na Califórnia como na Austrália, há zonas desérticas na área central, ao passo que as bordas do território são temperadas e urbanizadas. Ambas dependem de complexos sistemas de dutos para mover a água. Na verdade, os dois irmãos canadenses que, no final do século 19, construíram alguns dos primeiros sistemas de irrigação na Califórnia também ajudaram a planejar os sistemas de água na árida bacia hidrográfica australiana dos rios Murray e Darling.

Australia: solução para reduzir o consumo urbano
Na Austrália, a chamada Grande Seca, que se prolongou por uma década na virada do século 21, desencadeou no princípio o mesmo tipo de escaramuça política que toma conta da Califórnia. No entanto, depois de anos de destruição ambiental, crise de falta de água nas cidades e enormes prejuízos por parte dos agricultores, os políticos australianos – e os produtores rurais – tiveram de assumir riscos consideráveis.
“No auge da seca, tornou-se evidente que não tem como dissimular a verdade do meio ambiente”, diz o professor Mike Young, da Universidade de Adelaide, que participou da reação do país à seca. A Austrália conseguiu reduzir o consumo urbano de água graças ao investimento de bilhões de dólares em medidas de conservação, educação e melhoria na eficiência da rede. O país adotou um esquema que assegurava um suprimento mínimo de água para o ambiente, com o restante sendo dividido em parcelas que podiam ser rapidamente negociadas – ou guardadas. Embora tenham lutado contra as mudanças, os produtores rurais, graças aos estímulos financeiros, logo passaram a usar a água de maneira mais criativa e eficiente. O consumo diminuiu.

Racionamento de água
Todavia, após décadas de exploração desenfreada dos lençóis freáticos na Califórnia, autoridades regionais aprovaram normas para a preservação dos reservatórios subterrâneos de água e o governador, Jerry Brown, anunciou recentemente medidas de racionamento obrigatório. Los Angeles e outras cidades conseguiram melhorar a eficiência no uso da água. “Há muita folga no sistema, e a gente vinha tolerando isso, só porque não havia nenhum tipo de punição”, comenta Peter Gleick, presidente do Pacific Institute. “Agora temos de aprender a viver de acordo com os limites impostos pela natureza.”
A história da água no Oeste americano não mudou, e ainda é feita de ambição e otimismo, em quantidades perigosas. Mas esta seca da Califórnia, assim como outras que virão, talvez levem à abertura de um novo capítulo.
John Diener pretende fazer parte disso. Ao contrário de muitos produtores do Vale Central, não deixou de morar em sua propriedade. Ele continua a frequentar a igreja na vizinha Riverdale e, quando fica sem tempo, acaba ouvindo a missa em espanhol na igreja que os seus tios ergueram na década de 1940. Embora apegado à terra ocupada por sua família há quase um século, ele é de um pragmatismo a toda prova.

No ano passado, como não recebeu nada de água fluvial, Diener deixou descansando metade das suas terras. Plantou tomates e brócolis, irrigando-os com os eficientes sistemas de gotejamento subterrâneos que adquiriu nos últimos anos. Além disso, está se dedicando a um projeto de parceria público-privada local visando transformar beterraba em etanol. E, claro, continua a cuidar dos 8 hectares de cactos. Ainda não começou a ganhar dinheiro com eles, mas está otimista com a possibilidade de encontrar um mercado: os cactos do tipo figueira-da-barbária são muito conhecidos no México e em outras partes da América Latina como nopales, e valorizados como suplementos alimentícios ricos em selênio. Este é um futuro que o seu pai e o seu tio mal poderiam imaginar. Contudo, se estivessem vivos hoje, esses Diener de uma geração anterior certamente aprovariam a mudança de rumo. Pois foi graças a adaptações assim que também eles conseguiram sobreviver.

11.645 – História – A arma secreta de Hitler nunca antes revelada


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Os nazistas estiveram perto de construir um avião que poderia ter mudado o rumo da 2ª Guerra Mundial. Durante o conflito, Adolf Hitler encomendou a construção de uma aeronave planejada para enganar os radares dos Aliados.
O Horten 2-29 foi projetado para ser bombardeiro ultra-rápido e leve. Os nazistas chegaram a fabricar um protótipo da aeronave, mas o avião não chegou a ser produzido em escala. Isso porque ele foi encomendado quando as tropas de Hitler já estavam sendo derrotadas. O protótipo foi capturado e levado para os Estados Unidos após o fim da guerra.
Em 2009, um grupo de engenheiros criou uma réplica do avião para testar sua eficiência. Segundo eles, o dispositivo anti-radar seria bem-sucedido contra os equipamentos que os Aliados tinham na época. Em caso de ataque, não haveria tempo suficiente para uma reação. Mas o avião também tinha problemas.: ele poderia carregar apenas duas bombas e não tinha uma mira precisa.
Hitler queria, acima de tudo, reconstruir o poderio militar da Alemanha. Para isso, traçou um programa ultra secreto, que ficou conhecido pelo mundo todo após a segunda grande guerra. Hitler criou fábricas que produziam armamentos em frente aos olhos do mundo, sem que ninguém percebesse. Será que este protótipo era mais um de seus projetos?

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11.493 – Agricultura – Há 10 000 anos plantando abóboras


Treze sementes de abóbora, encontradas numa caverna mexicana em 1966, saíram das gavetas do Instituto Nacional de Antropologia e História do México para a fama. Elas mostram que os povos primitivos das Américas começaram a cultivar plantas há 10 000 anos, na mesma época em que a agricultura nascia no Oriente Médio e na China. A descoberta foi feita pelo arqueólogo Bruce Smith, do Instituto Smithsonian, em Washington. Até então, como a maioria dos cientistas, Smith acreditava na hipótese conservadora, de que as plantas selvagens só tinham sido domesticadas de cerca de 5 000 anos para cá. Mas mudou de idéia. A prova de que as abóboras mexicanas foram mesmo plantadas vem do tamanho das sementes, maior que nas espécies selvagens. “Há 8 000 anos, os homens da caverna mexicana já começavam a selecionar as melhores abóboras para plantio”.

11.302 – Consumo – Brasil já tem mais smartphones que computadores


smartphone velocidade

De acordo com o 26º Relatório Anual de tecnologia da Informação, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, o Brasil possui mais smartphones do que computadores, notebooks e tablets em uso: são 154 milhões de celulares inteligentes, contra 152 milhões de computadores. Destes 152 milhões, 24 milhões são tablets.
Dentre os aparelhos listados como computadores, Ao todo, o país possui 306 milhões de dispositivos conectados à internet, um total de aproximadamente três dispositivos para cada dois habitantes do país, o que coloca o Brasil acima da média mundial de dispositivos por habitante.
A 26ª edição da Pesquisa Anual do Uso de TI da FGV também mostra que desde 1988, o número de computadores no Brasil dobra a cada quatro anos. Dessa forma, o documento prevê que, em 2017, o Brasil terá 208 milhões de computadores, o que deve equivaler a um PC por habitante.
O estudo mostra também que 2014 marcou a primeira vez em trinta anos que a venda de PCs diminuiu. O resultado desse ano foi 10% menor que o de 2013. A pesquisa especula, no entanto, que a venda de computadores em 2015 será 8% maior que a do ano anterior, graças ao crescimento da venda de tablets, que respondem por mais da metade do valor total de vendas dessa categoria.
Com relação a televisões, o Brasil possui atualmente 212 milhões de aparelhos. Isso representa aproximadamente 26 TVs para cada 25 habitantes (104% per capita), o que coloca o Brasil acima da média mundial.

Uso de TI nas empresas
Ainda seguindo a pesquisa, a porcentagem da receita de empresas investida em tecnologia da informação triplicou em vinte anos. Em 1994, as empresas investiam em média 2,5% de seu faturamento nessa área; em 2014, essa porcentagem foi de 7,6%. Entre bancos, esse número saltou de 4,5% em 1994 para 13,8% no ano passado. Nas indústrias de capitais abertos, cada ponto percentual investido a mais em TI correspondeu, em média, a um lucro 7% superior após dois anos.
A pesquisa revelou também que a Microsoft continua a dominar os computadores de empresas, tanto com seu sistema operacional quanto com seus aplicativos. Atualmente, 97% das empresas utilizam Windows em seus computadores, e 71% utilizam o sistema operacional também em seus servidores.
O Internet Explorer também é utilizado como navegador em 85% das empresas (contra 8% que utilizam o Chrome e 6% que adotam o Firefox), e 74% delas utilizam o Outlook como solução para comunicações digitais corporativas (em segundo lugar está o Lotus, com 8%, e o Gmail em terceiro, com 7%).

11.265 – Ecologia e Economia – Florestas rendem bilhões para a economia


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Um Maracanã de floresta acaba de desaparecer. Isso desde que você começou a ler este texto, há 1 segundo. Amanhã, neste mesmo horário, você levará a vida como sempre – esperamos. Mas os integrantes de 137 espécies de plantas, animais e insetos, não. Eles terão o destino que 50 mil espécies por ano têm: a extinção. Argumentos como os 15 Maracanãs de mata tropical devastados desde o início deste parágrafo – agora, 17 -, são fortes, mas nem sempre suficientes para que algo seja feito. Só que existe outro, talvez ainda mais persuasivo: dinheiro não dá em árvore, mas árvore dá dinheiro.
Hoje, manter uma floresta em pé é negócio da China. Em uma área estratégica perto do rio Yang Tsé, o governo chinês paga US$ 450 aos fazendeiros por hectare reflorestado.
O reflorestamento mantém o curso do rio estável e as árvores, sozinhas, aumentam a quantidade de chuva – as plantas liberam vapor d’água durante a fotossíntese. Resultado: mais água no Yang Tsé. O que isso tem a ver com dinheiro? A água alimenta turbinas das hidrelétricas distribuídas pelo rio – inclusive a megausina de Três Gargantas, 50% maior que Itaipu, que abriu as comportas em 2008.
Investindo em reflorestamento, os chineses agem de forma pragmática. Pagar fazendeiros = mais árvores. Mais árvores = mais água no rio. Mais água = mais energia elétrica barata (ainda mais no país que inaugura duas usinas a carvão por semana para dar conta de crescer como cresce). Mais energia barata, mais produção para a economia – e dinheiro para pagar os reflorestadores. O final dessa equação é surreal para os padrões brasileiros. A China, nação que mais polui e que mais consome matéria-prima, tem índice de desmatamento zero. Abaixo de zero, até: eles plantam mais árvores do que derrubam.
Florestas, hidrelétricas… Só esses dois pontos já deixam claro que o Brasil tem algo a aprender. O berço da maior usina hidrelétrica inteiramente brasileira (e 3ª do mundo) fica em plena Floresta Amazônica. É Belo Monte, no rio Xingu, a 40 quilômetros da cidade de Altamira, no Pará.
A partir de 2015, ela vai servir 26 milhões de habitantes. O dado mais célebre dela é outro: os 512 km2 de floresta inundada por suas barragens. É a área de uma cidade média, toda debaixo d’água.
Mesmo assim, a usina pode fazer mais bem do que mal para a mata. Pelo menos nas próximas décadas. Se seguirmos a lógica da China e da Costa Rica, faz sentido que Belo Monte pague algo pela manutenção da floresta, já que sem ela não tem chuva o bastante, e sem chuva o bastante não tem energia.
E não são só hidrelétricas que lucram com as árvores de pé, e que podem pagar para mantê-las assim. O ciclo de chuvas da Floresta Amazônica é o que garante nossas safras agrícolas – sem ele, boa parte do país seria um deserto. A ONU calcula que mesmo uma queda mínima na quantidade de chuvas que a floresta produz pode trazer prejuízos entre US$ 1 bilhão a US$ 30 bilhões para a agricultura nos arredores da Amazônia.
As estimativas são imprecisas por uma limitação da ciência: não há como saber se um tanto de desmatamento vai provocar outro tanto de bagunça no ritmo das chuvas. Mas todo mundo sabe que a relação existe. O problema é quantificá-la. Mesmo assim, faz sentido imaginar um futuro em que os produtores agrícolas paguem pela preservação de florestas como uma espécie de seguro contra a falta de chuvas.
Mas um grupo de cientistas americanos deu um passo importante. Criaram um software que busca calcular com alguma precisão quanto uma área desmatada ou reflorestada pode gerar em lucros (ou prejuízos) para a economia de uma região. O nome do programa é engenhoso: InVEST (Valoração Integrada de Serviços e Compensações do Ecossistema, em inglês – haja paciência para inventar uma sigla dessas). E ele já saiu do mundo das ideias: é o software que a China usa para gerenciar o retorno de seu reflorestamento. Enquanto isso, devastamos mais 200 Maracanãs no tempo que você levou para ler este texto.