12.640 – Glaciação – Será que o Sol pode se apagar?


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Historicamente, pensamos que o Sol é uma estrela imensa, cheia de energia, dando vida ao sistema solar.
No entanto, algo está acontecendo: sua atividade começou a diminuir, segundo o meteorologista Paul Dorian. Essa conclusão foi tirada a partir das imagens obtidas pela NASA, que não apresentam mais as manchas clássicas na superfície solar. Será que o Sol pode se apagar?
Em 1906, houve um recorde na diminuição da atividade solar, mas, embora as manchas tenham aparecido novamente naquela época, agora elas voltaram a desaparecer por quatro dias seguidos, o que gera a estimativa que, nos próximos anos, esse fenômeno poderá se repetir com maior frequência.
De acordo com os cientistas, se esses períodos de baixa atividade se estenderem por muito tempo, como meses ou anos, no próximo período de baixa atividade, que acontecerá entre 2019 e 2020, é possível que haja uma pequena era do gelo, com frios intensos que assolarão grandes regiões do planeta.

10.829 – Planeta Verde – A Fotossíntese artificial


Planeta Verde

As plantas convertem diariamente água e luz solar em fonte de energia há bilhões de anos, por meio da fotossíntese. Hoje, o pesquisador brasileiro Jackson Dirceu Megiatto Júnior, do Instituto de Química da Unicamp, em Campinas, São Paulo, estuda um processo parecido, feito em laboratório, que pode se tornar uma fonte alternativa para o consumo de eletricidade no futuro.
Com a ajuda da química e da engenharia molecular, o pesquisador está desenvolvendo um tipo de pigmento artificial chamado porfirina, parecido com a clorofila (responsável por absorver a luz nas plantas). Quando mergulhada em água e exposta à luz, a porfirina produz hidrogênio e oxigênio, gases também gerados na fotossíntese. No caso das plantas, o oxigênio é liberado na atmosfera e o hidrogênio é combinado com o gás carbônico para produzir açúcares, ricos em energia.
No experimento do pesquisador brasileiro, os gases são armazenados em tanques, conectados a outro dispositivo, e depois transformados em eletricidade e água. Com 4,5 litros de água expostos ao sol durante o dia é possível gerar energia para suprir a demanda de uma casa com quatro pessoas e um carro elétrico. Depois essa água é reutilizada para produzir hidrogênio e oxigênio novamente.
“Propomos um ciclo energético renovável que consome luz solar para gerar combustíveis usando a água como reagente. Ou seja, a água seria a fonte de energia”. A energia é gerada sem poluição, e a técnica poderia reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa. Para que a técnica possa ser usada nas casas, é preciso aperfeiçoar o processo, produzir em larga escala e diminuir o custo dos materiais. Hoje, a técnica transforma de 2% a 3% da energia solar em eletricidade, mas, em teoria, a eficiência pode chegar a 30%. “O processo tem potencial para produzir substâncias mais complexas, que, num futuro distante, poderiam suprir alguns derivados da indústria petroquímica, como os plásticos”.

9459 – Nanotecnologia – Luz do sol sem calor


Um novo tipo de material para aplicação em janelas e fachadas de edifícios, feito com nanocristais ajustáveis eletricamente, permite selecionar com um simples apertar de botão a passagem da luz e do calor do sol de forma independente. Em dias quentes, por exemplo, o usuário poderá selecionar apenas a iluminação da luz visível sem o calor, já que uma pequena voltagem se encarrega de bloquear a parte da radiação do espectro infravermelho. A tecnologia, desenvolvida por pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, dos Estados Unidos, foi capa da edição da Nature de 15 de agosto. Os vidros da janela podem ficar totalmente transparentes ou escuros, bloqueando ao mesmo tempo a luz visível e a radiação infravermelha. A tecnologia é baseada em um novo material eletrocrômico, que muda de cor pela aplicação de uma corrente elétrica, feito a partir de nanocristais de óxido de índio e estanho incorporados numa matriz vítrea de óxido de nióbio. O material, além de permitir controlar a passagem de luz e calor, proporciona maior interação na área em que a matriz vítrea encontra os nanocristais, o que aumenta a potência do efeito eletrocrômico.

8743 – Novo telescópio da Nasa estuda atmosfera do Sol


A Nasa, agência espacial americana, divulgou as primeiras imagens do Sol feitas pelo telescópio IRIS (Interface Region Imaging Spectrograph, espectrógrafo de imagem de interface, em tradução livre), que orbita a Terra desde 27 de junho. O equipamento vai observar o Sol de maneira mais detalhada, principalmente a cromosfera, porção mais baixa da atmosfera da estrela, uma região ainda pouco conhecida pelos cientistas.
As primeiras imagens do IRIS mostram estruturas finas, com aparência fibrosa, que nunca haviam sido vistas antes. Segundo os pesquisadores, elas revelam a existência de grandes contrastes de densidade e temperatura na região.
O estudo da cromosfera, camada da atmosfera solar mais próxima de sua superfície, é importante para que seja possível entender o fluxo de energia dessa região para a corona, porção superior da atmosfera e com maior temperatura — ela é quase cem vezes mais quente do que a própria superfície do Sol, ultrapassando um milhão na escava Kelvin.
Transição
O telescópio também foi projetado para estudar a região de transição entre as duas camadas da atmosfera solar (cromosfera e corona). É nessa região que se formam os raios ultravioleta, que afetam o clima da Terra, e também os ventos solares, que podem afetar satélites e sistemas elétricos quando se aproximam do nosso planeta.
Para isso, o IRIS foi equipado com um telescópio ultravioleta e um espectrógrafo (equipamento que realiza um registro fotográfico de um espectro luminoso). Enquanto o primeiro obtém imagens em alta resolução, o segundo divide a luz solar em seus diversos comprimentos de onda e mede o quanto de cada um deles está presente. Por meio da análise dessas informações, é possível obter dados de velocidade, temperatura e densidade, essenciais para o entendimento de como a energia se move pela região.

“A qualidade das imagens e espectros que estamos recebendo do IRIS é incrível. Ainda temos muito trabalho pela frente para entender o que estamos vendo, mas a qualidade dos dados vai nos permitir fazer isso”, afirma Alan Title, integrante da equipe de pesquisadores do telescópio IRIS.
Previsões
A missão IRIS vai ajudar na compreensão do surgimento dos eventos meteorológicos em regiões espaciais próximas à Terra. Entender como a energia e a matéria solar se movem através da região de transição pode ajudar os pesquisadores a melhorar as previsões para os tipos de eventos que podem danificar tecnologias da Terra.

8627 – Planeta Verde – Degelo Acelerado na Antártida


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Foi documentado pela primeira vez a aceleração do derretimento do solo da Antártida, em uma região onde o gelo era considerado estável. Segundo os pesquisadores, os níveis de degelo são comparáveis aos do Ártico, onde o derretimento acelerado do permafrost (solo permanentemente congelado) se tornou um fenômeno regular.
A análise do Vale Garwood, na região McMurdo Dry Valleys, na Antártida, mostrou que o derretimento acelerou consideravelmente de 2001 para 2012, chegando a dez vezes a média. A região de Dry Valleys contém um dos maiores trechos de gelo de solo do continente.
O local anteriormente havia sido considerado em equilíbrio pelos pesquisadores, que acreditavam que o derretimento e o congelamento sazonais não eram responsáveis por diminuir a camada de gelo no solo. Porém, Joseph Levy, pesquisador do Instituto de Geofísica da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, utilizou um Lidar (aparelho que emite lasers e analisa a luz refletida para “escanear” o ambiente) e fotografias para documentar uma rápida redução do gelo na região. Os resultados foram publicados no periódico Scientific Reports.
“A grande questão é que o gelo está desaparecendo. Está derretendo mais rápido a cada vez que medimos”, afirma Levy. Não há sinais de registros geológicos que indiquem que o gelo do vale já tenha diminuído tanto no passado.
O aumento do degelo, porém, não se deve a uma elevação de temperatura na região. Foi documentada no local uma queda de temperatura de 1986 até o ano 2000, e desde então ela se mantém estável. Os autores do estudo atribuem o degelo ao aumento da radiação vinda do Sol, decorrente de uma mudança no padrão climático que fez com que uma quantidade maior de luz solar conseguisse chegar ao chão.

O solo de gelo é mais comum no Ártico do que na Antártida, cuja paisagem é dominada por geleiras e lençóis de gelo. A principal diferença entre essas formações é que o gelo do solo pode estar misturado a solo congelado ou enterrado sob camadas de sedimento. Os raios solares são refletidos por superfícies brancas, como geleiras e lençóis, enquanto superfícies escuras absorvem os raios. Assim, embora camadas grossas de sedimento isolem o gelo da luz do sol, reduzindo o derretimento, camadas mais finas provocam o efeito contrário, aquecendo o gelo próximo a elas e acelerando seu derretimento.
Segundo os pesquisadores, se a Antártida sofrer o aquecimento esperado durante o próximo século, a combinação entre o aumento da temperatura do ar e o derretimento causado pelos raios solares pode fazer com que o gelo do solo derreta de forma ainda mais rápida.

8361 – Protetor solar ajuda a prevenir envelhecimento da pele, confirma pesquisa


Pessoas que passam a fazer uso de protetor solar diariamente têm, após um período de quatro anos, uma chance 24% menor de apresentar sinais visíveis de envelhecimento da pele causado pelo sol em comparação às que não se protegem adequadamente. E isso vale mesmo entre quem tem mais de 40 anos, quando a pele já exibe danos causados pela exposição solar a longo prazo. Foi o que concluiu um estudo realizado na Austrália e publicado nesta terça-feira no periódico Annals of Internal Medicine.
O estudo feito no Instituto de Pesquisa Médica da Universidade de Queensland, na Austrália, avaliou 903 pessoas de até 55 anos. Parte delas foi orientada a aplicar diariamente protetor solar com fator de proteção 15 no rosto, pescoço, braços e mãos. Elas deveriam usar o produto de manhã e após o banho, e reaplicá-lo caso passassem muito tempo no sol. O restante dos participantes foi orientado a usar protetor solar como bem entendessem. Todos os voluntários foram acompanhados ao longo de 4,5 anos.
Segundo o estudo, as pessoas do segundo grupo usavam protetor solar em três ou quatro dias a menos do que aquelas que foram orientadas a aplicar o produto com frequência. Os pesquisadores observaram que o efeito positivo do uso diário de protetor solar foi observado mesmo entre pessoas que já apresentavam danos na pele causados pelo sol. O produto, em alguns casos, até melhorou o aspecto desses danos.
Talvez a principal recomendação de um dermatologista a seu paciente seja passar protetor solar com a finalidade não só de se proteger contra o câncer de pele, mas também evitar o envelhecimento da pele. No entanto, embora o poder desses produtos em reduzir o risco do câncer de pele seja algo reconhecido por pesquisas científicas, nenhum estudo havia validado até então o efeito sobre o envelhecimento cutâneo.
“Essa é uma daquelas dicas de beleza que se ouve muito, mas, pela primeira vez, podemos apoiá-la com evidências cientificas: proteger-se do câncer de pele usando protetor solar também tem o bônus de deixar uma pessoa com a aparência mais jovem”, diz Adele Green, coordenadora do estudo.

8166 – Plantas “reagem” ao aquecimento global e lançam gases que ajudam a moderar a temperatura


Já se previa que as temperaturas cada vez mais altas ao redor do globo poderiam fazer com que as plantas liberassem uma quantidade maior de gases, aumentando a formação de nuvens e esfriando a atmosfera. Eles só não sabiam qual era o tamanho exato desse efeito na compensação do aquecimento global. Um novo estudo publicado neste domingo na revista Nature Geoscience mostra que o vapor emitido pelas plantas realmente contribui para diminuir as temperaturas, mas de forma pouco intensa em escala global. O efeito é mais forte em regiões próximas a grandes florestas e distantes das cidades. “As plantas, ao reagir com as mudanças na temperatura, passam também a moderá-las”, diz um pesquisador da Universidade de Helsinque, na Finlândia, e autor do estudo.
Pesquisa anteriores já haviam mostrado que algumas partículas emitidas na atmosfera — chamadas aerossóis — podem esfriar o clima na Terra ao refletir a luz solar e ao contribuir para a formação de nuvens, que refletem a luz de modo ainda mais eficiente. Os efeitos dos aerossóis emitidos pelas plantas, no entanto, ainda não haviam sido completamente entendidos. Os pesquisadores sabiam que eles poderiam reagir com outros aerossóis na atmosfera, criando partículas maiores e mais refletivas, mas não conseguiam provar sua existência em larga escala.
Na pesquisa atual, os cientistas coletaram dados de onze locais diferentes ao redor do mundo, medindo a concentração de aerossóis no ar, a emissão de gases pelas plantas, a temperatura e até a camada onde os gases reagem com as partículas na atmosfera. Como resultado, eles mostraram que esses gases realmente ajudam a diminuir as temperaturas no longo prazo e em escalas continentais — um efeito que é conhecido como feedback negativo.
Segundo o estudo, o efeito desse aumento na emissão de gases é pequeno em escala planetária, evitando apenas 1% do aquecimento global. Em escalas regionais, o efeito observado é maior, com redução de até 30% do aquecimento em áreas rurais e próximas às florestas. “Isso não nos salva do aumento nas temperaturas do planeta. O efeito dos aerossóis no clima é uma das grandes incertezas nos modelos climáticos. Entender esse mecanismo pode ajudar a reduzir essas incertezas e a fazer modelos melhores”, diz Paasonen.

7730 – Biologia – Onde fica o relógio biológico?


Este relógio é fundamental para manter vivo praticamente todos os seres, das borboletas às plantas – incluindo o homem, é claro! Ele é diferente do relógio mecânico, do relógio digital e do relógio de sol, mas sua função é a mesma: marcar o tempo. Na verdade, mais do que isso, pois cada atividade diária – do sono até a sensação de fome, passando pelo controle da pressão arterial – é virtualmente regulada pelo relógio biológico.
Mas onde ele fica e como funciona? Bem, o relógio não é algo palpável que se encontra em alguma parte obscura do corpo. Mas, sim, um intrincado sistema de glândula, hormônio e proteína que ainda não está totalmente desvendado. A melatonina, por exemplo, um neuro-hormônio liberado pela glândula pineal (situada na base do hipotálamo) é um importante ponteiro do relógio e tem grande influência sobre o sono. Sua secreção é determinada por estruturas fotossensíveis. À noite, no escuro, é o momento em que a melatonina circula em maior quantidade pelo organismo. Durante o dia, na presença da luz solar, sua liberação é suprimida.
O relógio biológico, porém, não funciona apenas com um ponteiro. Em 1999, pesquisadores descobriram mais um deles. Trata-se do peptídeo ativador da adenilciclase da glândula pituitária (PACAP). De acordo com os estudos feitos em animais, este peptídeo interage com o glutamato (um tipo de neurotransmissor) para “informar” o relógio sobre a luz ambiente. Tanto o glutamato como o PACAP parecem ser liberados numa razão proporcional à intensidade do estímulo luminoso. O PACAP faz o ajuste fino do sinal emitido pelo neurotransmissor e, os dois, em conjunto, abastecem o relógio com dados sobre a luz, permitindo que ele se atrase ou se adiante.
Dois ponteiros, portanto, já parecem ter sido encontrados. Sua engrenagem surgiu somente este ano e foi revelada pelo casal de pesquisadores James e Dorothy Morré. Eles constataram que uma única proteína (sem nome específico) pode ser responsável por toda a essência do funcionamento do relógio humano. Isso porque ela cuidaria do ciclo de expansão das células que, segundo o casal, dura 24 minutos (assim como o dia tem 24 horas). A proteína faria a célula crescer por 12 minutos e depois descansar por mais 12 antes de crescer novamente.

7626 – Medicina – Os perigos do bronzeamento


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Até o início do século 20, a pele branca era admirada como um sinal de beleza e de status social – aqueles que a possuíam eram membros de classes altas, que não precisavam pegar no pesado, debaixo do sol. O culto aos corpos dourados, curtidos por muitas horas à beira da praia ou da piscina, chegou ao auge na década de 70, mas está em franco declínio. Chique, hoje, é ter consciência dos perigos da prolongada exposição da pele aos raios ultravioletas do sol. Essa radiação é muito nociva para a saúde – além de provocar queimaduras, ela aumenta o risco de câncer de pele.
O bronzeado que todos acham atraente é, na realidade, uma tentativa de a pele se proteger do sol, intensificando a produção de melanina, que filtra a radiação ultravioleta. Esse pigmento escurece a pele. Por isso, as pessoas de raça negra são mais resistentes ao sol. Já os habitantes do norte da Europa, onde o sol brilha com pouca força, têm a pele branquíssima e correm risco nas regiões tropicais. Por mais melanina que você seja capaz de produzir, deve tomar alguns cuidados – não ficar tempo demais no sol, preferir horários em que a radiação é fraca (antes das 10 da manhã e depois das 4 da tarde) e usar filtro solar.

O Sol como inimigo
Todo verão, milhões de pessoas se aglomeram nas praias, em busca do bonito bronzeado do sol. Todo mundo sabe que, se exagerar na dose, ficará com a pele ardendo ou, pior, com queimaduras sérias. O que só agora a Medicina começa a desvendar é a relação que existe entre os raios ultravioletas da luz solar e a incidência do câncer de pele. Já se descobriu que alguns tipos do mal são, de fato, causados pelos raios solares. Felizmente, são cânceres benignos, que podem ser tratados com relativa facilidade. A exceção é o melanoma, um tipo mortífero de câncer de pele, cuja relação com o sol ainda está sendo investigada.
A brisa tem um efeito refrescante no calor do verão. Por isso, você tende a ficar mais tempo no sol, o que aumenta o risco para a sua saúde.
O ângulo dos raios solares muda de acordo com o horário. Ao meio-dia, o sol bate direto no corpo, e seu efeito é multiplicado. Prefira o começo da manhã e o fim da tarde.
Um dia de sol nas montanhas oferece mais perigo do que na praia. O ar é mais limpo em altitudes maiores, e os raios ultravioletas atingem a pele com mais facilidade.
Os poluentes no ar agem como um filtro, reduzindo a radiação. As nuvens têm o mesmo efeito, ao contrário da crença corrente de que o mormaço queima mais.
As sardas são mais comuns em pessoas de pele clara, mais vulneráveis ao sol. Surgem quando apenas algumas células são estimuladas pelos raios solares.

7558 – Mega Byte – Google constrói maior usina solar dos EUA


O Google é um enorme consumidor de energia: tem centenas de milhares de computadores espalhados pelo mundo, funcionando 24 horas por dia. Por isso, faz vários investimentos em tecnologias de geração de energia. Inclusive uma usina solar gigantesca, que já está quase pronta. Ela se chama Ivanpah Solar Electric Generating System, está sendo construída no deserto de Mojave, no sul da Califórnia, e é a maior usina solar dos EUA. Ela terá a capacidade de gerar eletricidade suficiente para abastecer 140 mil residências. Sozinha, vai aumentar em 60% toda a produção de energia solar dos Estados Unidos.
A obra, que vai custar US$ 2,2 bilhões, é um investimento conjunto do Google e das empresas BrightSource e NRG Energy. Ela ocupa uma área correspondente a 1 300 campos de futebol, na qual estão distribuídos 346 mil espelhos. Esses espelhos refletem a luz solar para torres onde há caldeiras com água. O calor ferve a água, que vira vapor e movimenta as turbinas da usina, gerando eletricidade. A usina vai evitar a emissão de 640 mil toneladas de CO2 por ano – o equivalente a retirar 70 mil carros das ruas. “Precisamos construir um futuro de energias limpas”, declarou Rick Needham, diretor de negócios verdes do Google.
Mas a obra também tem um lado polêmico. Ela tem recebido críticas de ambientalistas porque vai afetar o habitat da Gopherus agassizii, uma espécie de jabuti do deserto que está ameaçada de extinção. A BrightSource se defende dizendo que vai investir US$ 56 milhões em medidas de proteção e realocação desse animal.

7261 – Como alguns países enfrentam invernos rigorosos?


No Canadá e na Suécia, dois dos países mais frios do mundo, a neve raramente interrompe as atividades dos cidadãos. Seja em pequenas cidades, seja em metrópoles, há investimento pesado na limpeza de vias públicas, soluções arquitetônicas e hábitos populares que ajudam a manter pessoas e veículos circulando apesar do clima desfavorável. Nesses países, as construções têm isolamento térmico, todo mundo acompanha a previsão do tempo e, em creches e escolas, a criançada sai diariamente para brincar no pátio, mesmo com temperaturas abaixo de -10 oC.
Todo ano, milhões de dólares são gastos pelo poder público para remover a neve de ruas e estradas. Além de bancar os veículos usados na operação, há gastos com o sal despejado para acelerar o derretimento e com o armazenamento de neve retirada. A limpeza das calçadas é responsabilidade do dono de cada terreno.
Telhados que se estendem pela lateral da construção captam luz solar por mais tempo, mantendo a casa mais aquecida. A inclinação ajuda a neve a escorrer, evitando o acúmulo, que pode sobrecarregar a cobertura. Além disso, as casas possuem isolamento térmico em portas, janelas e paredes.
O sal usado na remoção da neve gruda no vidro dos carros, formando uma camada esbranquiçada. Para limpar, só abastecendo o esguicho do para-brisa com um fluido especial. Outro item essencial são os pneus de inverno, com ranhuras mais fundas para não deslizar na neve e borracha que não racha no frio.
Em algumas grandes cidades, dá para percorrer toda a região central por baixo da terra. Galerias subterrâneas interligadas, cheias de lojas e lanchonetes, como num shopping center, podem ser acessadas pelas estações de metrô. Escadas rolantes ligam as galerias a estabelecimentos comerciais no solo.
Às vezes, a neve derrete e congela novamente, formando uma perigosa camada de gelo – essa é uma das raras situações que interrompem a rotina das pessoas. Para prevenir acidentes, algumas cidades têm canais de rádio e TV dedicados a informar sobre os estabelecimentos fechados por condições climáticas adversas.
Os motoristas são obrigados a ter ferramentas para o caso de o carro ficar soterrado na neve. Além de uma espátula para raspar gelo da lataria, uma escova ajuda a tirar a neve acumulada nas ranhuras dos pneus. Além disso, um kit de sobrevivência, com lanterna, cobertor, pilhas e velas, também é obrigatório.
Cobrir as extremidades do corpo com gorro, botas e luvas ajuda a não perder calor. A roupa é vestida em camadas: uma camiseta de tecido sintético transfere a umidade do corpo para uma blusa de lã, que deixa o ar circular e mantém estável a temperatura. Por cima, um jaquetão impermeável isola o corpo da neve e do frio

• Montreal, uma das maiores cidades do Canadá, gasta cerca de R$ 240 milhões por ano limpando a neve das ruas.

7220 – Lua – A Luz cinzenta da Lua Crescente


No início da Lua crescente, pode-se observar, além da região diretamente iluminada pelo sol – um fino e delicado crescente -, todo o hemisfério lunar com um brilho muito difuso e tênue: é a luz cinzenta, assim chamada porque sua coloração lembra a tonalidade incandescente das cinzas. Esta luz permite ver todo o hemisfério lunar, mesmo quando só uma porção muito reduzida é iluminada pelo Sol. Os povos antigos ficavam perplexos com essa luz. Alguns acreditavam que a Lua fosse ligeiramente fosforescente.
Em conseqüência, essa luz própria possibilitava observar a totalidade do astro, numa época em que, segundo a teoria das fases lunares, só se visualizava uma região muito pequena da superfície lunar. Tal suposição não estava de acordo com o que ocorria durante os eclipses totais da Lua, pois o satélite jamais desaparecia completamente nessas ocasiões. Astrônomos como o grego Possidônio (135-51 a.C.) sugeriam que a matéria da Lua era diáfana, de tal modo que os raios solares ao penetrarem além da superfície diretamente iluminada se dispersavam, como os raios luminosos quando penetram no interior das nuvens.
Essa explicação foi defendida pelo matemático polonês Vitellus no século XIII e pelo astrônomo alemão Erasmus Reinhold (1511-1553), trêsséculos mais tarde. Já o célebre astrônomo dinamarquês Tycho Brahe (1546-1601 ) dizia que o clarão tinha origem na luz de Vênus, que após iluminar a face oculta do nosso satélite se refletia em direção à Terra. Outros chegaram a atribuir o clarão à própria luz das estrelas. O problema só foi definitivamente resolvido em 1604. quando Johannes Kepler (1571-1630) divulgou a explicação de seu mestre de matemática, o alemão Michael Mostlin (1550-1631).
Para ele, a verdadeira causa do fenômeno estava na luz solar que, após iluminar a Terra se refletia em direção à Lua, da qual retomava à Terra após uma segunda reflexão com o aspecto de uma luz incandescente. Na Itália, atribui-se essa hipótese a Leonardo da Vinci (1452-1519), que a teria elaborado em seus manuscritos. O grande mérito, no entanto, ficou mesmo com Mostlin, que apresentou suas observações antes que os cadernos e anotações davincianas fossem publicadas.
Na verdade, a luminosidade que aparece no lado não-iluminado do disco lunar, quando a Lua é visível sob a forma de um fino crescente. provém da luz que a Terra reflete sobre o disco lunar. As “fases” da Terra vistas da superfície lunar são complementares às fases da Lua. Assim, quando os habitantes da Terra vêem a Lua nova, os astronautas na Lua vêem a Terra cheia. À medida que a Lua cresce, esse brilho diminui. Em conseqüência, a intensidade da luz cinzenta depende não só da porção da Terra visível da Lua mas também do estado menos ou mais nebuloso da sua atmosfera.
Esta reflexão da luz solar pelo globo terrestre é bastante intensa se considerarmos que a extensão superficial da Terra é cerca de treze vezes superior à da superfície lunar. Ao aceitarmos a explicação de que a luz secundária é que permite ver a porção da Lua não iluminada, constatamos que esse clarão vai diminuir de intensidade à medida que a Lua crescente no poente, após o pôr-da-sol, caminha para o plenilúnio. E irá aumentar no intervalo que vai do dia da Lua cheia até a minguante, quando no nascente ela desaparece de madrugada sob os efeitos dos raios do Sol.

7172 – Nasa localiza água congelada em Mercúrio


A sonda Messenger, da Nasa, confirmou o que há muito já se especulava: Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, tem água congelada “aprisionada” em crateras localizadas em seus polos.
A temperatura em certas regiões de Mercúrio ultrapassa os 400°C, quente o suficiente para derreter chumbo.
Mercúrio seria, então, um ambiente improvável para achar gelo, não fosse por um detalhe: seu eixo de rotação.
A pouca inclinação do planeta acaba fazendo com que regiões de seus polos nunca vejam a luz solar, possuindo temperaturas extremamente baixas.
A presença de água congela em Mercúrio é sustentada por três trabalhos diferentes publicados na versão online da revista “Science”.
A sonda, que em 2011 se tornou a primeira a orbitar Mercúrio, também localizou compostos orgânicos.
“[A mistura de compostos orgânicos] provavelmente foi levada até Mercúrio pelo impacto de cometas e asteroides ricos em compostos voláteis, os mesmos objetos que provavelmente
levaram a água até o planeta”, comentou David Paige, autor principal de um dos trabalhos e pesquisador da Universidade da Califórnia em Davis.
Os cientistas sugerem que, quando esses corpos gelados atingiram Mercúrio, passaram por repetidos processos de vaporização e precipitação, migrando por fim para os polos mais frios, onde ficaram presos nas crateras.

7081 – Física – A Luz


Você Está no ☻ Mega Arquivo

A luz branca ou visível não passa de um pequeno grupo de ondas do espectro. Na verdade, ela é formada por uma mistura de diferentes cores e cada cor tem um comprimento de onda diferente. Em 1666, Issac Newton descobriu que a luz é formada de diferentes cores. Ele fez incidir um feixe de luz solar sobre um prisma de cristal e observou que sobre a parede se projetavam 7 franjas de cores diferentes: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta. Este é o leque de cores que aparece no arco-íris, chamado de espectro de luz visível, e tal fenômeno é conhecido como dispersão de luz. A cor vermalha é a que possui o maior comprimento de onda, a violeta, o menor. As cores aparecem sempre na mesmo ordem.Se misturarmos a luz das 7 cores obteremos a luz branca.

A cor das coisas
Quando a luz incide sobre um objeto, uma parte dela é absorvida e outra se reflete e chega aos olhos. Se vemos um objeto de cor vermelhaéporque ele absorveu todas as cores da luz branca, exceto a vermelha. A cor da luz refletida determina a cor do objeto. Um objeto negro absorve todas as cores; um objeto branco reflete todas elas.

O vermelho, o verde e o azul são as 3 cores primárias. Combinando-as em diferentes proporções pode se obter todas as demais.

A retina humana é formada por 3 famílias de células, cada uma capaz de distinguir uma das cores primárias. No cérebro se faz síntese delas, o que permite a percepção das outras cores. As imagens de um televisor em cores tem por base este mesmo princípio. Milhões de pequenos pontos brilhantes, alguns vermelhos, outros azuis e outros verdes, se misturam para formar todas as cores que aparecem na tela.

Mini Glossário

Raios Infravermelhos – são pertencentes à parte invisível do espectro luminoso, na faixa que se situa na continuação da cor vermelha, e sãonotados por sua ação calorífera.

Raios Ultavioleta – também pertencem à paret invisível do espectro luminoso, na faixa situada na continuação da cor violeta, e sua ação é fotoquímica.

Vácuo – espaço que não contém o ar nem qualquer outra matéria perceptível por meios físicos e químicos.

Vidro Esmerilhado – é um vidro que perdeu seu aspecto transparente ao ser trabalhado com jatos de areia ou com esmeril.

6030 – Uma máquina transforma o deserto em vidro


Ela é capaz de converter as coisas mais abundantes da Terra, sol e areia, em objetos e utensílios. Ela literalmente transforma pedaços do deserto em vidro.
Seu funcionamento é simples. Uma lente focaliza a luz solar num raio de alta potência, que é projetado contra uma caixa de areia dentro da máquina. Aí, um computador (alimentado por um painel que capta energia solar) movimenta esse raio, que vai derretendo a areia e transformando-a em vidro, no formato do objeto desejado – como cumbucas, tigelas, copos etc. É uma versão automatizada de um dos processos mais antigos e artesanais que existem: a fabricação de vidro. Ela mostra que é possível fabricar coisas sem gerar nenhuma poluição e usando energia e matéria-prima praticamente inesgotáveis, com zero impacto ambiental. “Nós queremos repensar a forma como a humanidade fabrica seus produtos”, diz o designer alemão Markus Kayser, criador do aparelho.
A máquina, batizada de SolarSinter – sintetizador solar -, consegue produzir qualquer tipo de objeto (desenhado com um software 3D). Markus também criou o SunCutter, um aparelho que usa energia solar para cortar madeira. Em maio, ele testou ambos no deserto de Siwa. Como o sintetizador leva aproximadamente 4 horas para produzir cada objeto, Markus acampou no deserto por 2 semanas. Sol na caixa.

5692 – Biologia – As Origens da Vida


Explosão molecular

Um punhado de terra de jardim contém bilhões de microorganismos de formas elegantes, ativamente ocupados com suas complexas microatividades. Do gélido topo do monte Everest até os tórridos efluentes que jorram do interior da Terra ao chão dos oceanos, existem por toda a parte formas de vida refinadamente adaptadas às suas peculiares circunstâncias.
Há seres que deslizam, rastejam, flutuam, planam, nadam, escavam, caminham, galopam ou apenas ficam imóveis e crescem verticalmente durante séculos. Alguns pesam 100 toneladas, mais a maioria é menor que um bilionésimo de grama. Há organismos capazes de enxergar sob luz infravermelha ou ultravioleta; e há seres cegos que percebem o ambiente envolvendo-se num campo elétrico. Alguns armazenam luz solar e ar; alguns são plácidos comedores de pastagens; outros caçam sua presa com garras, dentes e venenos neurológicos. Alguns vivem uma hora e, alguns, um milênio.
Mesmo os micróbios estão longe de ser estúpidos: são capazes de aprender com a experiência. E os humanos, no momento, a forma de vida dominante, penetraram as mais remotas regiões do planeta, refizeram sua superfície e até, hesitantemente, saíram em direção ao espaço. De onde veio essa gloriosa profusão de vida? Quando se examina de perto as superfícies de mundos vizinhos, como a Lua e Marte, não se encontra nenhuma prova de existência sequer da mais modesta forma de vida. Claramente, a vida não é algo inevitável em qualquer mundo. Como começou? E quando?
Houve tempo em que os gigantescos bichos- preguiças mascavam as copas das árvores na América do Sul. Houve tempo em que répteis temíveis caminhavam nas praias de um grande mar interior no que é hoje a parte oeste dos Estados Unidos. Houve tempo em que a única vida animal em terra eram insetos e vermes.
E houve um tempo ainda antes disso, um tempo que abarca a grosso da existência do planeta -, quando não havia criaturas grandes o suficiente para serem vistas, quando tudo que era vivo era um microorganismo. É preciso realmente ir muito para trás, até 4 bilhões de anos no passado, antes de achar uma época em que não havia microorganismos. Mas essa é quase a época de formação da própria Terra.
Os mais antigos sinais de vida no planeta encontram-se em rochas cuja idade varia entre 3,5 bilhões e 3,8 bilhões de anos. Não é fácil achar tais sinais e a maioria das descobertas ocorreram apenas nos últimos vinte anos. É possível que se venha a descobrir pistas e vestígios de micróbios ainda mais velhos. Os achados até agora parecem ter pertencido a microorganismos bem desenvolvidos, provavelmente avançados demais para terem sido os primeiros seres vivos.
A vida deve ter-se originado ainda antes. Mas a Terra tem apenas 4,6 bilhões de anos e em sua primitiva história aquecida por dentro e bombardeada por fora, apresentava um ambiente inapropriado para as franzinas e delicadas manifestações de vida. Isso deixa apenas um pequeno intervalo de tempo, algumas centenas de milhões de anos no máximo, para que a vida tenha surgido na primitiva Terra.
É notável que, até onde vai nossa compreensão, cada organismo na Terra baseia-se nas mesmas poucas moléculas orgânicas, das quais duas se destacam. Seus nomes já pertencem à linguagem cotidiana: quase todos ouvimos falar delas. Chamam-se proteínas e ácidos nucléicos.
As proteínas controlam a química e a arquitetura de cada célula. Toda enzima é uma proteína. Elas determinam o ritmo segundo o qual outras moléculas interagem. Elas guiam o metabolismo. Os ácidos nucléicos são as moléculas-mestras da vida. Com apenas umas poucas possíveis exceções, contém toda informação hereditária, todo conhecimento sobre como um organismo deve produzir uma nova geração do mesmo tipo de seus pais. Os ácidos nucléicos determinam quais proteínas devem ser feitas e quando. Também possuem a assombrosa – propriedade de fazer cópias idênticas de si mesmos a partir de blocos de construção moleculares cuja síntese haviam dirigido. São as eminências pardas moleculares por trás da vida na Terra.
O Universo consiste na maior parte de átomos de hidrogênio e hélio. Acrescentando-se carbono, nitrogênio e oxigênio, tem-se 99 por cento da massa do Universo. O Sol, Júpiter e os outros planetas gigantes, as estrelas, as galáxias, até o gás e a poeira no espaço entre as estrelas, são feitos principalmente de desses átomos. A Terra, por outro lado, compõe-se basicamente de silício, oxigênio,alumínio e ferro. Isso quer dizer que nosso planeta e os outros pequenos mundos que compreendem o interior do sistema solar são anomalias cósmicas. Apesar disso, os cientistas possuem provas excelentes de que a Terra se formou da mesma enorme nuvem giratória de gás e poeira da qual emergiram o Sol, rico em hidrogênio, Júpiter e o resto do sistema solar.
Assim, se quisermos entender a origem das proteínas e ácidos nucléicos, não podemos imaginar que a atmosfera da Terra primitiva fosse parecida com a atual. Em todo o caso, o oxigênio molecular na atual atmosfera é produzido por plantas verdes, e plantas verdes, naturalmente, não poderiam ter existido antes da origem da vida. Com tais raciocínios, o respeitado químico norte-americano Harold Urey e Stanley Miller, seu estudante de graduação na Universidade de Chicago no começo dos anos 50, prepararam um frasco de vidro contendo as moléculas ricas em hidrogênio que deveriam existir na primitiva atmosfera da Terra: hidrogênio, metano, amônia e água.
Embora de modo algum subestimando a profundidade de nossa ignorância, é espantoso o quanto já aprendemos. Entender a origem da vida já não parece tarefa impossível. O progresso iniciado com Urey e Miller permanece como um marco da ciência moderna, o da compreensão do Universo e de nós próprios.

5666 – Futuro da Astronáutica – Rumo as luas


A meta agora é a colonização de outros mundos, da Lua para Marte e daí para os estranhos e fascinantes satélites dos planetas gigantes mais próximos, Júpiter e Saturno.
Um dos projetos mais ambiciosos é a chamada iniciativa de sistemas nucleares, da Nasa, que quer criar minirreatores atômicos para gerar energia no espaço. As naves geralmente funcionam graças à luz solar, transformada em eletricidade por seus painéis. Mas Júpiter e Saturno ficam bem longe do Sol; melhor recorrer à energia atômica. Em parte, essa tecnologia já foi usada em duas naves recentes: a Galileo, atualmente estacionada acima de Júpiter, e a Cassini, que faz um tour pelas luas de Saturno. A Cassini causou sensação em janeiro deste ano pelas fotos espantosas que enviou do satélite jupiteriano Europa, onde parece haver um imenso oceano de água salgada, coberto de gelo.
Quanto aos telescópios, o primeiro a ser construído será o James Webb, cuja missão é, simplesmente, ser o sucessor do Hubble. Será quase duas vezes maior que seu antecessor (terá 4 m de comprimento contra 2,40 m) e novas atribuições. Sua visão, por exemplo, será ajustada para ver principalmente ondas de calor. Elas serão captadas por uma lente incrível, composta de vários pedaços “dobráveis”. Chegando à estação espacial, essas partes se encaixarão automaticamente umas às outras até alcançar seu diâmetro real, que será de 6 m, gigantesca para um telescópio espacial. Outra curiosidade é que o instrumento terá de ficar sempre congelado a 240ºC negativos: isso porque, como ele enxerga calor, a sua própria temperatura poderia criar um “ruído” de fundo, prejudicando a qualidade das imagens.
O objetivo de tudo isso é complementar o trabalho do Hubble, que era, principalmente, observar o Big Bang, a explosão que deu origem ao universo, há 13,5 bilhões de anos. Daqui para a frente, o James Webb tentará entender o que veio depois do Big Bang: o nascimento e a evolução das galáxias e, em particular, a história da nossa própria galáxia, a Via Láctea. Dentro dela, o alvo é decifrar o nascimento e a evolução das estrelas e de seus planetas. Ou seja, ele vai buscar outros sistemas solares, distintos do nosso. Essa concatenação é perfeita, com um telescópio dando seguimento à tarefa do anterior.
Apesar do grande entusiasmo que esses projetos provocam, a grande estrela da pesquisa espacial, ao longo desta década, deverá mesmo ser Marte, nosso vizinho mais próximo dentro do Sistema Solar e o único, até onde se sabe, que poderia oferecer condições confortáveis para possível colonização pelo homem. Diversos projetos estão, atualmente, em andamento com vistas à conquista do chamado planeta vermelho. O projeto mais adiantado é o da nave Mars Express, de responsabilidade dos países europeus, por meio da agência espacial européia, a ESA. Com lançamento previsto para os próximos 12 meses, ela está sendo preparada para estacionar na órbita de Marte e, lá de cima, analisar a superfície marciana. Mas não apenas isso: ela também deverá carregar um módulo de aterrissagem, o Beagle-2. Trata-se de uma sonda teleguiada, capaz de se desprender da nave-mãe e pousar na superfície.
O principal objetivo da Mars Express é entender por que Marte é tão desértico, hoje em dia, embora haja sinais muito fortes de que já teve água em abundância e, talvez, multidões de bactérias proliferando em seus mares. O único jeito de descobrir, dizem os cientistas, é fazer uma análise química detalhada do solo marciano. Para isso, a nave usará um “espião”, chamado Spicam. Trata-se de um sensor que capta radiação ultravioleta e infravermelha emitida pela superfície marciana e, por meio delas, poderá decifrar as reações químicas que estão ocorrendo lá embaixo. Já se sabe que Marte é “enferrujado” – quer dizer que suas rochas e solos tendem a reagir fortemente com o oxigênio (vem daí, inclusive, a sua característica aparência avermelhada). O problema consiste em estudar as reações químicas e tentar descobrir como surgiu essa tendência.
Outro instrumento interessante da nave é o Marsis, uma espécie de radar que pode ser sintonizado para detectar água. Dito de outra maneira, ele pode verificar se existe água escondida no subsolo marciano. Já não há muita dúvida de que as moléculas de H2O rolaram pelas planícies vermelhas. Mas o Marsis poderá confirmar se parte dessa água ainda está lá – e apenas escorreu para debaixo do solo. O radar poderá fazer essa verificação até a uma profundidade de 5 km.

5436 – Sol à vista


A pele parece não ser a única vítima da exposição excessiva aos raios solares. Os olhos também pagam um preço alto, sugerem cientistas americanos depois de uma pesquisa com trezentas pessoas. Entre elas. as vítimas de catarata parecem ter ficado mais expostas à luz solar do que as demais. A catarata é a doença em que o cristalino, a lente natural que foca a imagem no olho, torna-se opaco. A partir daquela constatação, os cientistas resolveram examinar os que se diziam sadios mas também costumavam tomar bastante sol. Verificaram que um em cada dez estava com a doença.
Segundo um oftalmologista especialista no implante de lentes artificiais que devolvem a visão a pacientes com cataratas, tem lógica o fato de alguns não suspeitarem estar com a moléstia – muitas vezes, ao enxergar embaçado, a pessoa acha que precisa apenas trocar os óculos. Ele julga, porém, que o trabalho americano “é apenas uma estatística, porque por enquanto não se provou que os raios solares alteram a composição química do cristalino”.

5351 – Se a luz se propaga em linha reta, por que o arco-íris é curvo?


O arco-íris ocorre porque as gotas da água da chuva (ou de qualquer outra coisa que deixe partículas de água em suspensão, como neblina ou cachoeiras muito altas) funcionam como prismas, ou seja, decompõem a luz solar em vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul anil e violeta. Cada raio de luz dessas sete cores sai da gota em sentido contrário e num ângulo de 42 graus, aproximadamente, em relação ao raio de luz incidente. Por isso, para observar o arco-íris, é necessário estar entre o Sol e a Chuva; e o Sol não deve nem estar muito alto nem muito baixo, para que a luz alcance o observador no ângulo ideal de 42 graus. O arco-íris é curvo porque essa é a única forma de os raios de luz formarem ângulos de 42 graus, de onde quer que se olhe. É como desenhar uma semicircunferência como um compasso aberto de 42 graus: todos os pontos de arco “olharão” o centro do compasso no mesmo ângulo.

5303 – Faz mal tomar sol através de uma vidraça?


Ao contrário: faz menos mal do que um banho de sol ao ar livre. Os malefícios da luz solar à pele humana são causados pelos raios ultravioleta A (UV-A) e B (UV-B). “Esse segundo tipo, que incide principalmente das 10 horas da manhã às 3 da tarde e causa câncer de pele, não ultrapassa o vidro.
Já os raios UV-A têm um comprimento de onda mais longo e, por isso, atravessam qualquer vidraça. “Eles são os principais causadores do envelhecimento cutâneo precoce, pois causam elastólise, o que significa rugas”. Mas, se o vidro for colorido ou coberto com insulfilme (película plástica muito usada para escurecer as janelas dos automóveis), ele acabará filtrando uma pequena parte dessa radiação, reduzindo os danos causados à pele.