14.011- Mega Questões – Somos programados para acreditar em um Deus?


netuno
Deus Netuno ou Poseidon

A religião – a crença em seres sobrenaturais, incluindo deuses e fantasmas, anjos e demônios, almas e espíritos – está presente em todas as culturas e permeia toda a História.

A discussão sobre a vida após a morte remonta a, pelo menos, 50.000 a 100.000 anos atrás.
É difícil obter dados precisos sobre o número de crentes de hoje, mas algumas pesquisas sugerem que até 84% da população do mundo são membros de grupos religiosos ou dizem que a religião é importante em suas vidas.
Vivemos em uma era de um acesso ao conhecimento científico sem precedentes, o que alguns acreditam que é incompatível com a fé religiosa. Então, por que a religião é tão difundida e persistente?
Os psicólogos, filósofos, antropólogos e até mesmo os neurocientistas sugerem possíveis explicações para a nossa disposição natural de acreditar, e para o poderoso papel que a religião parece ter em nossas vidas emocionais e sociais.

Morte, cultura e poder
Mas antes de falar das teorias atuais, é preciso entender como surgiram as religiões e o papel que elas tiveram na vida de nossos ancestrais.
As primeiras atividades religiosas foram em resposta a mudanças corporais, físicas ou materiais no ciclo da vida humana, especialmente a morte.
Os rituais de luto são uma das mais antigas formas de experiência religiosa. Muitos de nossos antepassados não acreditavam que a morte era necessariamente o fim da vida – era apenas uma transição.
Alguns acreditavam que os mortos e outros espíritos podiam ver o que estava acontecendo no mundo e ainda tinham influência sobre os eventos que estão ocorrendo.
E essa é uma noção poderosa. A ideia de que os mortos ou até mesmo os deuses estão com a gente e podem intervir em nossas vidas é reconfortante, mas também nos leva a ter muito cuidado com o que fazemos.
Os seres humanos são essencialmente sociais e, portanto, vivem em grupos. E como grupos sociais tendem à hierarquia, a religião não é exceção.
Quando há um sistema hierárquico, há um sistema de poder. E em um grupo social religioso, a hierarquia localiza seu membro mais poderoso: a divindade – Deus.
É para Deus que temos de prestar contas. Hoje em dia, a religião e o poder estão conectados. Estudos recentes mostram que lembrar de Deus nos faz mais obedientes.
Até em sociedades que reprimiram a fé, surgiu algo que tomou seu lugar, como o culto a um líder ou ao Estado.
E quanto menos estável é um país politica ou economicamente, mais provável que as pessoas busquem refúgio na religião. Os grupos religiosos podem, ao menos, oferecer o apoio que o Estado não fornece a quem se sente marginalizado.
Assim, fatores sociais ajudam a desenvolver e fortalecer a fé religiosa, assim como a forma como nos relacionamos com o mundo e com os outros.

Outras mentes
Em todas as culturas, os deuses são, essencialmente, pessoas, mesmo quando têm outras formas.
Hoje, muitos psicólogos pensam que acreditar em deuses é uma extensão do nosso reconhecimento, como animais sociais, da existência de outros. E uma demonstração da nossa tendência de ver o mundo em termos humanos.
Nós projetamos pensamentos e sentimentos humanos em outros animais e objetos, e até mesmo nas forças naturais – e essa tendência é um dos pilares da religião.
ssim argumentou-se que a crença religiosa pode ser baseada em nossos padrões de pensamento e de cultura humana. Alguns cientistas, no entanto, foram além e analisaram nossos cérebros em busca do lendário “ponto Deus”.

Deus no cérebro
Os neurocientistas têm tentado comparar os cérebros dos crentes e ao dos céticos, para ver o que acontece no nosso cérebro quando rezamos ou meditamos. Se conhece pouquíssimo sobre esse campo – mas há algumas pistas, especialmente no que diz respeito às aéreas cerebrais.
O córtex pré-frontal medial está fortemente associado com a nossa capacidade e tendência para entender os pensamentos e sentimentos dos outros. Muitos estudos têm mostrado que esta região do cérebro está especialmente ativa entre os crentes religiosos, especialmente quando estão rezando. Isso corrobora a visão de que a fé religiosa é uma forma de interação social.
Já o lobo parietal, de acordo com estudos pode estar envolvido em experiências religiosas, especialmente aquelas caracterizadas com a dissolução do ego.
Na medida em que estamos constantemente à procura de padrões, estruturas e relações de causa-efeito, a religião pode fornecer uma variedade de estratégias para que essa busca faça sentido
As crenças religiosas ajudam os seres humanos a se organizar e dar sentido a suas vidas. E em todas as culturas, e até mesmo entre ateus, os rituais podem ajudar a pontuar eventos importantes da vida.
Embora nem a neurociência, nem a antropologia e nem filosofia tenham uma resposta definitiva para a questão “Deus existe?”, todas essas disciplinas dão pistas sobre como nós respondemos às nossas mais profundas necessidades humanas.
Talvez não sejamos programados para acreditar em Deus ou em um poder sobrenatural, mas somos animais sociais com uma necessidade evolutiva de ficar conectado com o mundo e com os outros.
De repente, as religiões são apenas canais para permitir essas conexões.

13.995 – Saiba mais sobre a Páscoa no ☻Mega


pascoa
Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera. A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade. A palavra “páscoa” – do hebreu “peschad”, em grego “paskha” e latim “pache” – significa “passagem”, uma transição anunciada pelo equinócio de primavera (ou vernal), que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março e, no sul, em 22 ou 23 de setembro.

A páscoa judaica (em hebraico פסח, ou seja, passagem) é o nome do sacríficio executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a Festa dos Pães Ázimos (Chag haMatzot). Geralmente o nome Pessach é associado a esta festa também, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egito, conforme narrado no livro de Êxodo.

A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas tem um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel no Egito, no Cristianismo a Páscoa representa a morte e ressurreição de Jesus (que supostamente aconteceu na Pessach) e de que a Páscoa Judaica é considerada prefiguração, pois em ambos os casos se celebra uma “libertação do povo de Deus”, a sua passagem da escravidão (do Egito/do pecado) para a liberdade.

De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa.
Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.

Estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los para os seus amigos e aliados.

Por que o ovo de Páscoa?
O ovo é um destes símbolos que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida.

Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” aparece depois de um período de caos.

Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “Sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra – simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema.

O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang).
Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros.
Na tradição cristã, o ovo aparece como uma renovação periódica da natureza. Trata-se do mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano. E mais: um ovo posto na sexta-feira santa afasta as doenças.

Por que o Coelho de Páscoa?

coelho
Coelhos não colocam ovos, isto é fato! A tradição do Coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.
Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?
No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.
Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas! Assim, os coelhos são vistos como símbolos de renovação e início de uma nova vida. Em união com o mito dos Ovos de Páscoa, o Coelho da Páscoa representa a renovação de uma vida que trará boas novas e novos e melhores dias, segundo as tradições.

Outros símbolos da Páscoa
O cordeiro é um dos principais símbolos de Jesus Cristo, já que é considerado como tendo sido um sacrifício em favor do seu rebanho. Segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo é “sacrificado” durante a Páscoa (judaica, obviamente). Isso pode ser visto como uma profecia de João Batista, no Evangelho segundo João no capítulo 1, versículo 29: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo”.
Paulo de Tarso (na primeira epístola a Coríntio no capítulo 5, versículo 7) diz: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.“
Jesus, desse modo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus (em latim: Agnus Dei) que supostamente fora imolado para salvação e libertação de todos do pecado. Para isso, Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado. Assim, a partir daquela data, o Pecado Original tecnicamente deixara de existir.
cruz_ominiatura.jpgA Cruz também é tida como um símbolo pascal. Ela mistifica todo o significado da Páscoa, na ressurreição e também no sofrimento de Jesus. No Concílio de Nicea em 325 d.C, Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então, ela não somente é um símbolo da Páscoa, mas o símbolo primordial da fé católica.
O pão e o vinho simbolizam a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos, conforme é dito no capítulo 26 do Evangelho segundo Mateus, nos versículos 26 a 28: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.“

Por que a Páscoa nunca cai no mesmo dia todos os anos?
O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicea em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária – conhecida como a “lua eclesiástica”).
A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e portanto a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas.
Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a seqüência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”. De fato, a seqüência exata de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.

Tabela com as datas da Páscoa até 2020
2000: 23 de Abril (Igrejas Ocidentais); 30 de Abril (Igrejas Orientais)
2001: 15 de Abril
2002: 31 de Março (Igrejas Ocidentais); 5 de Maio (Igrejas Orientais)
2003: 20 de Abril (Igrejas Ocidentais); 27 de Abril (Igrejas Orientais)
2004: 11 de Abril
2005: 27 de Março (Igrejas Ocidentais); 1 de Maio (Igrejas Orientais)
2006: 16 de Abril (Igrejas Ocidentais); 23 de Abril (Igrejas Orientais)
2007: 8 de Abril
2008: 23 de Março (Igrejas Ocidentais); 27 de Abril (Igrejas Orientais)
2009: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais)
2010: 4 de Abril
2011: 24 de Abril
2012: 8 de Abril (Igrejas Ocidentais); 15 de Abril (Igrejas Orientais)
2013: 31 de Março (Igrejas Ocidentais); 5 de Maio (Igrejas Orientais)
2014: 20 de Abril
2015: 5 de Abril (Igrejas Ocidentais); 12 de Abril (Igrejas Orientais)
2016: 27 de Março (Igrejas Ocidentais); 1 de Maio (Igrejas Orientais)
2017: 16 de Abril
2018: 1 de Abril (Igrejas Ocidentais); 8 de Abril (Igrejas Orientais)
2019: 21 de Abril (Igrejas Ocidentais); 28 de Abril (Igrejas Orientais)
2020: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais)
No final das contas, a páscoa é mais um rito de povos antigos, assimilado pela Igreja Cristã de modo a impor sua influência. Substituindo venerações à natureza (como no caso da Lua ou do Equinócio, tipicamente pagãs) por uma outra figura da mitologia, tomando os siginificados do judaísmo, os símbolos celtas e fenícios, remodelando mediante os Evangelhos e dando uma decoração final, criou-se um “ritual colcha de retalhos”.

13.951 -☻Mega Polêmica Bíblica


bíblia
Das páginas da Bíblia para o ☻Mega

TROCA DE ESPOSAS

LIVRO – Gênesis, capítulo 21, versículos 1-14

QUESTÃO – Ciúme e vingança

O patriarca Abraão, sua mulher, Sara, e a escrava Agar viveram um triângulo amoroso complicado. Sara era estéril e, ao passar dos 70 anos, sugeriu ao marido que tomasse uma nova esposa. Agar foi a escolhida e deu à luz Ismael, mas Sara se arrependeu. Engravidou 14 anos depois, teve Isaac e, enciumada, exigiu a expulsão da rival e do filho dela. Supostamente, a briga rende até hoje: Ismael teria dado origem ao povo árabe, e Isaac, ao povo judeu.

Adultério, vingança e assassinato
A história de João Batista, primo de Jesus, vale como alerta: cuidado onde você mete seu bedelho. João reprovava o caso entre Herodes Antipas, rei da Galileia, e a cunhada dele, Herodias. No aniversário do monarca, sua enteada Salomé o presenteou com uma dança sensual. Em troca, Herodes prometeu a ela o que quisesse. Ela não hesitou: exigiu a cabeça de João numa bandeja.

Sofrimento desnecessário
Às vezes, para ensinar uma lição, Deus pode propor testes de fé bem árduos. Foi o que rolou com Jó, um homem justo e íntegro. Satanás apostou com Deus que, se Jó perdesse suas riquezas, voltaria-se contra o Criador. Deus topou. Autorizou que seu adversário lançasse várias pragas contra Jó: ele perdeu os filhos, teve os bens roubados e ficou coberto de úlceras. Mas nunca blasfemou contra os céus. Sensibilizado, Deus restituiu, em dobro, tudo o que possuía.

Genocídio
Guerras com motivações religiosas sempre causaram polêmica. Mas não na Bíblia. A mais sangrenta, do bisneto do rei Salomão, Asa, contra o monarca etíope Zara, matou mais de 1 milhão de pessoas! E com a bênção divina: “É em teu nome que marchamos contra essa multidão!”, clamou Asa antes de atacar com apenas metade de seu exército.

Sexo e assassinato
Nos tempos bíblicos, era comum a prática do levirato: quando um homem morria sem herdeiros, seu irmão casava-se com a viúva e seus filhos eram considerados descendentes do morto. Mas nem todos aprovavam a ideia. Onã se rebelou e, em vez de engravidar a cunhada Tamar, praticava o coito interrompido, ou seja, “derramava seu sêmen por terra”. Deus não gostou e tirou sua vida. Foi daí que surgiu o termo “onanismo”, sinônimo de masturbação.
Sexo
Abraão pediu a um servo para achar uma mulher para seu filho Isaac, como era costume. O curioso é que o acordo foi selado conforme a tradição: o servo colocou “a mão sob a coxa” de Abraão – ou, dizem os estudiosos, segurou seus testículos. Isso porque a circuncisão (remoção da pele sobre o pênis) era sinal da aliança divina (“testículo” vem do latim testis, que também originou “testemunha”).

Poligamia
Salomão entrou para a história como um homem inteligente e justo. Mas ele tinha outros atributos. Segundo a Bíblia, o filho de Davi teria tido 700 esposas. E, por fora, ainda pegava mais 300 concubinas. Segundo historiadores, o harém devia-se, em parte, aos casamentos com estrangeiras por motivos diplomáticos. Entre as esposas, havia gente de todos os lugares: hititas, moabitas, edomitas…

Fratricídio
Irmãos nunca se deram muito bem na Bíblia – vide casos como Caim e Abel, Isaac e Ismael e Esaú e Jacó. Mas o maior fratricida das escrituras é Abimelec. Para assumir o trono, o filho de Gedeão matou ou mandou matar 69 de seus 70 irmãos. Só o caçula, Joatão, escapou – e isso porque fugiu. Mas o reinado de Abimelec não durou. Três anos depois, morreu ao levar uma pedrada na cabeça.

Incesto
Revoltado com as bizarrices sexuais que rolavam em Sodoma e Gomorra, Deus destruiu ambas as cidades. Ló, sobrinho de Abraão que morava em Sodoma, conseguiu escapar com suas duas filhas e se escondeu em uma caverna. Certas de que eram as últimas mulheres da Terra, as jovens tomaram uma atitude chocante: encheram a cara do pai de vinho e mantiveram relações sexuais com ele por duas noites seguidas. Do incesto, nasceram Moab e Ben-Ami.

Crueldade
Você acha que seu sogro é barra pesada? É porque não conheceu o patriarca Saul. Sua filha caçula, Mical, estava apaixonada por Davi. Só que Saul considerava o futuro genro um rival na luta pelo poder central entre Judá e as tribos do norte. Para impedir o matrimônio, o velho teve uma ideia: pedir um dote de casamento que Davi não conseguiria pagar. Exigiu então 100 prepúcios (aquela pele que cobre a extremidade do pênis) de soldados filisteus. O rapaz deve ter estranhado, mas, em vez de 100, trouxe logo 200. Sem alternativa, Saul teve de entregar a mão da filha.

13.757 – Mega Mitos – Diabo Existe?


diacho
Num mundo dominado pela tecnologia, com .educação e informação em larga escala, imaginou-se que não haveria mais lugar para ele. Engano. No alvorecer do terceiro milênio ei-lo aí, vivo e atuante, ainda que transformado e sem os superpoderes de outrora. Ele – Asmodeu, Belzebu, Azazel, Belial, entre os muitos nomes com os quais os antigos hebreus o rotularam. Ou Iblis, como dizem os muçulmanos. Ou Arimã, como o chamavam os seguidores de Zoroastro, na Pérsia. Ou simplesmente, como bem o sabem os brasileiros temerosos de mencionar-lhe o nome, o Rabudo, o Tinhoso, o Beiçudo, o Pai da Mentira, o Cão. Amigo leitor, eis Satanás, o Demo, o Diabo, a mais intrigante das figuras que povoam o imaginário humano.
O Diabo chega ao século XXI deitado sobre a fama arrecadada ao longo do tempo. É verdade que ele não aparece mais em murais com a aparência grotesca de um bode alado, coroado de enormes chifres, com rabo de dragão e olhos nas asas, na barriga e no traseiro. E que há muito seu nome foi retirado do Pai Nosso, a principal oração cristã. Também já não é acusado em toda parte de estar por trás das doenças, das hecatombes, das tragédias cotidianas. O Diabo teve que ceder aos progressos da ciência, à liberdade de pensamento e ao avanço da razão sobre a superstição. Mas é inegável que, mesmo reduzido à idéia original que o criou, ele continua influente em nossos dias, qualquer que seja a classe social, o nível cultural ou a nacionalidade das pessoas. Não é exagero dizer que, de certa forma, o velho e mau Satã tem sido revalorizado nos últimos tempos.
Nos Estados Unidos, maior centro tecnológico do mundo, o número de exorcistas autorizados pela Igreja Católica cresceu mais de dez vezes nos últimos dois anos. Antes, o país tinha apenas um. Na França, no mesmo período, os exorcistas saltaram de 15 para 120. Em todo o mundo desenvolvido, o Demônio e os seus sequazes continuam a girar a roda da fortuna na literatura e no cinema. Nas nações ricas ou nas pobres, Satã não pára de estimular debates e, principalmente, facilitar as manipulações do jogo político – satanizar o adversário sempre foi uma boa arma em qualquer disputa.
Entre fundamentalistas islâmicos, Iblis ganhou as cores da bandeira dos Estados Unidos, país rotulado como o “Grande Satã”. Foi contra o Diabo, em última instância, que os terroristas liderados por Osama Bin Laden lançaram os aviões que derrubaram as torres gêmeas de Nova York, em setembro passado. E foi a mão do Demônio que, para muitos americanos, guiou os comparsas de Bin Laden naquele dia. Era para impedir a ação subversiva do Demo, por meio da liberação dos costumes, que, no Afeganistão, os talibãs impunham às mulheres o sufoco das burqas, o véu que cobre todo o rosto. Da Europa cosmopolita aos grotões da África, Belzebu prosseguiu inspirando violências. E, como não poderia deixar de ser numa sociedade marcada pelo sincretismo, Belial encontrou no Brasil um campo vasto para suas armações.

“O Diabo é a origem das doenças, da miséria, dos desastres e de todos os problemas que afligem o homem desde que ele iniciou sua vida na Terra”, afirma o fundador e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, em seu livro Orixás, Caboclos e Guias – Deuses ou Demônios?, uma das 26 obras nas quais Macedo tenta convencer a humanidade de que Satã existe e exerce poder quase absoluto sobre as pessoas. Sua Igreja, uma das que mais crescem no segmento neopentecostal, vertente protestante surgida nos anos 70, começou apoiada nos pobres – os que mais se sensibilizam com os exorcismos espetaculares realizados em seus templos –, mas logo penetrou a classe média, desiludida com os meios convencionais de solução de seus problemas existenciais e de saúde. Após 25 anos de atuação, já é possível ver nos cultos da Igreja Universal alguns novos-ricos preocupados em garantir a manutenção da sua prosperidade.
O que busca a multidão que não se importa de engordar o caixa da Igreja do bispo Edir com doações generosas? A garantia de que Azazel, aprisionado pelas orações dos pastores, não mais atrapalhará seus negócios, sua saúde, seus desejos.
A Igreja Católica, que, até meados do século passado, oferecia ao mundo o retrato mais terrível do Tinhoso, decidiu retocá-lo numa adaptação aos novos tempos. Que ninguém se engane: o Demônio católico, ainda que despido da sua aparência grotesca, e mitigado pelo racionalismo ocidental, não emagreceu a ponto de virar um mero símbolo – a não ser para alguns poucos revisionistas. O Vaticano exorta os fiéis a considerá-lo “a causa do mal”, cuja presença estaria evidente desde a crença de que a felicidade está no dinheiro, no poder e na concupiscência carnal até o relativismo que induz o homem a não atender “à vontade de Deus”. Satã tornou-se, para os católicos, sutil e requintado, mas ainda poderoso a ponto de apossar-se dos homens, como esclarece o documento oficial De Exorcismis et Supplicationibus (“De todos os Gêneros de Exorcismos e Súplicas”), de 1999.
Em sua argumentação, o papa João Paulo II retoma, nesse documento, a idéia sintetizada pelo poeta francês Charles Baudelaire, no século XIX, em seu verso “o mais belo estratagema do Diabo é nos persuadir de que ele não existe”. O papa não tem dúvida: o Demo trabalha de modo que “o mal que ele inculca desde o começo se desenvolva no próprio homem, nos sistemas e nas relações inter-humanas entre as classes sociais e as nações”.
Mas, afinal, o que é o Diabo? Desde quando ele está entre nós? Que papel ele desempenha no mundo atual?
Historicamente, Satã, do jeito como o visualizamos hoje no Ocidente – um ser que concentra em si a maldade absoluta – é resultado de uma longa gestação psicológica na qual os arquétipos (imagens psíquicas do inconsciente coletivo que, na concepção do psicólogo suíço Carl Jung, estruturam modos de compreensão comuns aos indivíduos de uma comunidade) do mal foram ganhando formas concretas tanto a partir de sincretismo – por meio da mistura da idéia do mal que há nas diversas religiões – quanto de processos de transferência – em que a pessoa descarrega num mito, numa figura externa, todo o mal que enxerga dentro de si. Assim, o Tinhoso fica responsável por tudo aquilo que consideramos ruim ou maléfico: o ódio, a raiva, o medo. Enquanto o seu oposto, Deus, personifica tudo o que consideramos bom ou benéfico: perdão, compaixão, solidariedade.
O Demônio fascina a humanidade e é uma peça necessária, sem a qual nenhuma sociedade humana jamais conseguiu viver, porque ele nos ajuda a identificar – e a exorcizar – nossos impulsos primários. É demoníaco tudo aquilo que lembra ao homem que ele é um animal: a excreção, o vômito, a violência, a doença, a morte, o aspecto grotesco do sexo. Ao lado disso, é divino tudo aquilo que dá ao homem a impressão de que ele pode colocar-se acima dos outros animais: o amor, a inteligência, a renúncia aos instintos básicos, o aspecto sublime do sexo. A função do Diabo como válvula de escape está muito clara, por exemplo, no Novo Testamento, base da doutrina cristã, em que há mais citações do mal que do bem. Mais referências a Satã que a Deus. “No Cristianismo a presença do mal é essencial como em nenhuma outra religião”, diz o filósofo Roberto Romano, da Universidade de Campinas (Unicamp).
A primeira representação do Rabudo teria surgido no século VI a.C., na Pérsia. O profeta Zoroastro descreveu a figura de Arimã, o “príncipe das trevas” em seu conflito com Mazda, o “príncipe da luz”. Eram essas duas divindades, que expressam a polaridade existente no universo e dentro da própria alma humana, que regiam o mundo de Zoroastro. Durante o cativeiro na Babilônia, os hebreus tiveram contato com o masdeísmo persa, religião que divinizava os seres naturais. Segundo alguns historiadores, isso foi fundamental para a concepção do que viria a ser o Satã do Judaísmo e do Cristianismo. Na antiga língua hebraica, Satanás quer dizer acusador, caluniador, aquele que põe obstáculos. E foi assim, sem a face aterrorizante que ganharia mais tarde, que o Diabo estreou no Velho Testamento. Agia como um colaborador de Jeová, o Deus judaico-cristão, para testar a lealdade ou castigar os seus escolhidos. Jeová, por exemplo, determinou a Satã que precipitasse o desobediente rei Saul no poço da depressão.
Sob a mesma autorização divina, o Satã infligiu perdas e sofrimentos ao rico e fiel Jó, no desenrolar de uma aposta na qual Jeová jogou todas as fichas na lealdade do seu servo.
Na mesma linha dos deuses pagãos, ambivalentes, Jeová expressava paixões contraditórias, semelhantes às do homem, e distribuía com exclusividade tanto o bem quanto o mal. “Os hebreus primitivos não tinham necessidade de corporificar uma entidade maligna”, afirma Carlos Roberto Figueiredo Nogueira, doutor em História Medieval pela Universidade de São Paulo (USP), no livro O Diabo no Imaginário Cristão. “Para eles Jeová era um deus tribal e, como tal, superior aos deuses das populações vizinhas, que se colocavam assim como seus adversários e como expressões naturais da maldade.” Não sur- preende, portanto, que, ao ganhar contornos de entidade, o Diabo tenha recebido nomes como Belzebu, um deus filisteu, e Asmodeu, deus da tempestade na mitologia persa. Ou seja: as divindades, boas ou más, das sociedades que ficaram para trás na história, foram incorporadas ao imaginário da cultura hegemônica, no caso específico, a tradição hebraica, como figuras agentes do mal.
A influência persa, segundo Carlos Nogueira, forneceu o pano de fundo dualista do judaísmo, a dicotomia entre bem e mal que até hoje define a religiosidade ocidental, por meio da assimilação da crença em espíritos benéficos e maléficos – os gênios da religião de Zoroastro. Os anjos, antes vistos como símbolos da manifestação divina, foram transformados em entidades autônomas, enquadradas numa hierarquia celestial. A construção dessa estrutura tornou possível uma das mais majestosas passagens da literatura popular judaica: a revolta e a queda de Lúcifer (“o portador da luz”), o serafim mais belo e mais próximo de Deus. Ele foi expulso do céu e metamorfoseado no Demônio após se deixar dominar pela soberba.
A mudança de perspectiva teológica fica mais evidente a partir do século II a.C., com o desenvolvimento, à margem da tradição judaica erudita, de uma literatura apocalíptica sobre o demoníaco. No Livro dos Jubileus, escrito entre 135 e 105 a.C., e que faz parte dos livros apócrifos (sem autenticidade comprovada), são mencionados os espíritos malignos acorrentados no “lugar da condenação”. No Testamento dos Doze Patriarcas, escrito entre 109 e 106 a.C. (também apócrifo), pela primeira vez Satã aparece personalizado na figura de Belial.
As crenças populares acerca do Diabo chegaram a ser assimiladas pela elite judaica, razão pela qual muitos rabinos acusaram Jesus de promover os seus milagres “sob o poder de Belzebu”. Com o tempo, os rabinos perderam interesse nessas versões e Satã voltou a ser uma figura menor no Judaísmo. Ao contrário, os cristãos não apenas introduziram em sua doutrina os elementos da literatura escatológica (sobre o final dos tempos), como também ampliaram-lhe os limites concedendo grandes poderes ao Demônio. Os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas de Paulo e o Apocalipse do apóstolo João, textos cristãos que compõem o Novo Testamento, são pródigos em referências à luta de Satã contra Deus, retomando a história inicial de Lúcifer e seus aliados – nada menos que um terço dos anjos – na batalha celestial ocorrida nos primórdios da criação. A corporificação do Diabo cristão consumiu pelo menos 400 anos de debates e só veio a consolidar-se no século VII, com a ajuda da arte cristã.
Até então, o Demônio não tinha rosto definido. É quando a figura monstruosa e assustadora de Satanás se multiplica nos vitrais, nas colunas e nos tetos dos templos, é mostrada em murais nas ruas, assume a imaginação de clérigos e do povo e abre caminho para as práticas mais obscuras da Idade Média, cujo ápice é a Inquisição.
A lenta construção da imagem do Diabo é compreensível. Nos três primeiros séculos, os cristãos, membros de uma seita perseguida, não precisavam imaginar uma face para Satã, já que a conheciam sob a forma dos gladiadores e leões que os trucidavam nas arenas romanas. No século IV, quando o Império Romano curvou-se ao Cristianismo, a euforia se alastrou entre os fiéis, que viam na expansão da doutrina de Jesus sinais do enfraquecimento do anticristo e sua iminente derrota final. Mas, logo, a persistência de conflitos, desigualdades e paixões depois desse marco arrefeceu o otimismo e sedimentou a crença de que a força de Satanás era maior do que se imaginara. O mal continuava a existir num mundo dominado por Cristo. Sinal de que o Demônio estava disposto a continuar disputando com Deus a hegemonia da alma humana, por meio das tentações e do pecado. Precaver-se contra suas manhas tornou-se uma obsessão.
Na Idade Média, entre as seitas fundamentalistas, via-se o Diabo e seus auxiliares por toda parte. Imaginavam-se pactos entre homens e Satã, em troca de fortuna, conhecimento e poder – tema cujo paradigma é a história de Johannes Faustus, de Heidelberg (1480-1540), retratado mais tarde, em 1833, no Doutor Fausto, drama do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, que conta a história do sábio que compactua com o Demo para conquistar conhecimento, poder e mulheres. Acreditava-se que, enquanto dormiam, moças podiam ser possuídas por demônios chamados de íncubos, enquanto homens eram atacados por demônios súcubos, travestidos de mulheres. Eremitas do deserto se diziam tentados por seres infernais com apelos luxuriantes.
O sexo tornou-se a armadilha predileta de Satã para conduzir os homens à perdição, o que justifica uma das mais conhecidas representações iconográficas do Demo – aquela em que ele aparece com patas de bode, olhos oblíquos e chifres, tomados por empréstimo à imagem de Pã, divindade greco-romana que se divertia em orgias. O aspecto violento do sexo, invariavelmente associado ao Demônio, era sublinhado nas imagens por enormes falos – uma representação possivelmente absorvida de outras culturas.
Ainda na Idade Média, o Diabo era apontado como a causa de quase todos os males. Os médicos, para livrar a própria pele, afirmavam que a simples impossibilidade de diagnosticar a enfermidade era em si um sinal de que se estava diante de um caso de possessão demoníaca. Satã podia entrar no corpo, segundo a crença popular, através dos orifícios, razão pela qual nos países anglo-saxônicos até hoje saúda-se o espirro, então visto como a expulsão de um demônio, com a frase “Deus o abençoe”. O Tinhoso também costumava ocultar-se sob mil disfarces. Que o diga o papa Gregório Magno, em cujos Diálogos está registrado o caso de uma freira endemoniada porque colhera alface na horta do convento sem a devida oração – Belzebu espreitara-lhe, escondido nas folhas da planta.
A histeria coletiva e o uso político desses temores nos bastidores da vida religiosa levaram milhares de pessoas a arder nas fogueiras da Inquisição, o jeito “piedoso” estabelecido pela Igreja para salvar a alma daqueles que, supostamente, tivessem se deixado ludibriar pelo Demo.
Com o tempo, as imagens e a nomenclatura demoníaca, sempre relacionadas aos deuses que guerrearam contra Jeová e às divindades e tradições pagãs abominadas pelos cristãos (a palavra demônio deriva do grego daimon, que significa simplesmente “espírito”), foram enriquecidas conforme os adversários definidos pelo Catolicismo. No período das Cruzadas, a figura de Satã ganhou pele morena e barbicha, que o identificavam com os árabes. Com a chegada dos primeiros missionários ao Oriente, logo Sita e Rama, deidades do hinduísmo, se tornaram codinomes do Diabo. O que isso quer dizer é mais ou menos óbvio. “Significa que Satanás é o inimigo, é aquele que não concorda conosco”, diz Elaine Pagels, professora de História da Religião na Universidade de Princeton, Estados Unidos. Para a especialista, autora do livro As Origens de Satanás, esse adversário sequer precisa ser alguém distante e estranho.
Na maioria das vezes é um inimigo íntimo, o companheiro que trai, o colega que odiamos, o irmão que nos abandona – ou o herético que afronta os dogmas com idéias próprias.
O começo da era moderna na Europa seria marcado por um enorme medo do Demônio, momento psicológico retratado nos versos da Divina Comédia, escritos no século XIV pelo italiano Dante Alighieri, e na iconografia do inferno da arte renascentista: demônios desenrolando os intestinos dos invejosos e enterrando ferros em brasa nas vaginas de mulheres levianas, pântanos fumegantes onde animais supliciam os pecadores. O surgimento da imprensa e as reformas religiosas conferiram a Satã difusão mais ampla. A didática do medo na catequese cristã parecia propor, como lembra Carlos Nogueira, “um prazer estético com o mal”.
Belial mostrou-se à vontade mesmo após a Revolução Francesa e a conseqüente separação entre Igreja e Estado, no século XVIII. A Igreja enxergou forças demoníacas no saber científico. Mas, fora do círculo religioso, sua imagem começou a sofrer uma mutação radical. O romantismo, movimento que revolucionou as artes a partir do final do século XIX e que pregou a subjetividade, em rebelião contra o autoritarismo católico, transformou Satã num símbolo do espírito livre, do progresso e da revolta contra o obscurantismo medieval – um aliado do homem condenado pela moral cristã ao sofrimento. Em Fausto, de Goethe, a visão do demoníaco reflete não apenas as forças do mal, mas também o problema do conhecimento e o desejo do homem de dominar a natureza.
O Diabo entrou no século XX já com a imagem que fazemos dele hoje: como um personagem menos influente, apesar de continuar inspirando medo. Seus atributos mitológicos estão estáveis e sua popularidade é crescente, com a proliferação de seitas que o reverenciam. Pagou um preço alto por essa secularização sob a forma de perda parcial do respeito e do pânico que sua figura sempre inspirou. Para alguns estudiosos da sociedade, isso não é um bom sinal. “Trata-se de uma situação perigosa, pois significa que o mundo moderno está perdendo o senso do mal”, diz Jeffrey Burton Russel, professor de História da Religião na Universidade da Califórnia, Estados Unidos. “E sem o senso do mal, e sem temer o mal, a civilização pode desagregar-se e ir, sem trocadilho, direto para o inferno.”
Mas, então, dá para deduzir que Satanás, enfraquecido pelo racionalismo da vida moderna, está aposentado? Dá para afirmar que precisamos que ele volte a atuar? Não é bem assim. Como afirma o título desta reportagem, o Diabo está vivo. E desafia os que achavam que não haveria mais lugar para ele num mundo regido pela ciência e pelo senso de que o homem está acima da superstição, das crenças, do bem – Deus – e do mal – o Diabo. Ao contrário disso, a julgar pelo cotidiano do homem moderno, o Tinhoso continua na ativa. Na política e na religião, a satanização continua em alta. Do confronto entre os americanos e os fundamentalistas islâmicos às disputas do mercado. No bandido que afirma que só cometeu o crime porque estava possuído pelo Demo. Em todos esses lugares, ele está. Personificando o opositor. Livrando o homem da culpa de carregar uma porção de mal em seu coração.
Facilitando o arremesso sobre o outro de toda a responsabilidade por situações que nos desagradam. Em todos esses planos, e em muitos outros do comportamento humano, o Beiçudo continua imbatível.

O diabo e as religiões
Catolicismo
Após as mudanças iniciadas no Concílio Vaticano II, há quatro décadas, o Diabo perdeu as feições físicas monstruosas que apavoravam os fiéis e passou a ser encarado como “a causa do mal”, cuja ação entre os homens é de natureza essencialmente moral. Mas a Igreja continua a vê-lo como uma entidade que concentra o mal absoluto, inapelável. Algumas curiosidades bizarras sobre o Pai da Mentira na fé católica: o número 666, que costuma identificar a “Besta”, o anticristo (o grande disfarce de Satã para enganar os crentes e dominar o mundo), estava escrito na testa do horripilante animal alado, personagem das visões do apóstolo João que deram origem ao último livro do Novo Testamento: o Apocalipse. Já o cheiro de enxofre foi atribuído ao Demo por se tratar de uma essência horrível e irritante. Na Idade Média, acreditava-se que o inferno era não apenas um lugar quente, abafado e “animado” por danações horrendas. Havia também pântanos fumegantes, onde as almas dos pecadores ardiam em soluções de enxofre.

Evangelismo
Para a maioria das denominações evangélicas, Satanás tem individualidade e atua como o grande inimigo do Evangelho de Jesus e seus seguidores. Os neopentecostais, que surgiram a partir da década de 70, superestimam os seus poderes e fazem do combate ao Demônio o foco de suas atividades. Segmentos modernizantes, como algumas igrejas batistas nos Estados Unidos e no Brasil, já admitem que o mal reside nas entranhas do homem, como a sombra junguiana, e contestam a existência do Maligno.

Judaísmo
Não aceita a corporificação do Diabo. Satanás seria o grande adversário, o pérfido acusador, o ardiloso comerciante do mal que, conforme a tradição judaica, é usado por Deus para testar o homem. O bem e o mal procedem ambos de impulsos humanos.

Islamismo
O Diabo na fé islâmica é individual e corporificado. O Demo tem praticamente as mesmas atribuições do seu sinistro similar na fé católica.

Espiritismo
A doutrina de Allan Kardec (místico francês que formulou as bases doutrinárias do Espiritismo no século XIX), popularizada no Brasil, não admite a existência do mal absoluto nem a sua individualização em Satanás. O mal, visto como uma contingência da experiência evolutiva e das vivências terrenas de cada indivíduo, cede ao bem à medida que os espíritos se depuram através de sucessivas reencarnações.

Budismo
Os budistas não personificam Deus e muito menos o Diabo, um conceito inexistente na doutrina religiosa do Budismo. O mal é resultado da mente inquieta ante a ilusão do eu e das formas do mundo material. Pensamentos e atos podem gerar o carma que prende o homem à longa fieira das reencarnações. O exercício cotidiano, permanente e humilde, da compaixão e do desapego o liberam desse círculo.

Quem é quem no inferno
A imaginação criativa na Idade Média não se limitou a conceber uma figura horripilante para Satanás. Imaginou toda uma estrutura para o inferno. E o Diabo teve que delegar poderes a auxiliares, às vezes confundidos com o próprio chefe, como Pazuzu, que estrelou o filme O Exorcista. A seguir, o organograma do Inferno:

Belial
É considerado o demônio da arrogância e da loucura. Há quem o veja como a besta do Apocalipse

Nergal
Demônio sumeriano que, no inferno cristão, assumiu o comando da polícia

Asmodeu

Demônio hebreu da ira e da luxúria

Astaroth
Ex-querubim, é tido como o tesoureiro do inferno
Diabo
O rei, o chefão. Trata-se de Lúcifer, o ex-arcanjo preferido de Deus, expulso do céu por causa do seu orgulho e ambição

Baalberith
Demônio do assassinato e da blasfêmia, era líder dos querubins celestes. Tornou-se secretário de Lúcifer

Belzebu
O príncipe dos demônios. Ao lado de Leviatã, estimula o orgulho e a heresia entre os homens
Abramalech
Responsável pelo guarda-roupa de Lúcifer, espécie de mordomo
Pazuzu
O rei dos espíritos malignos

13.474 – Mega Polêmica – O Ensino Religioso nas Escolas


religião
A Constituição brasileira e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) permite, desde que não sejam obrigatórias para os alunos e a instituição assegure o respeito à diversidade de credos e coíba o proselitismo, ou seja, a tentativa de impor um dogma ou converter alguém. Mas faz sentido oferecer a disciplina na rede pública?

Argumento Contra:
O que fazer com os estudantes que, por algum motivo, não queiram participar das atividades? Organizar a grade para que eles tenham como opção atividades alternativas é o que se espera da escola. Porém, não é o que acontece em muitas redes. Nelas, nenhum aluno é obrigado a frequentar as aulas da disciplina, mas, se não o fizerem, têm de descobrir sozinhos como preencher o tempo ocioso. A lei não obriga a rede a oferecer uma aula alternativa, mas é contraditório permitir que as crianças fiquem na escola sem uma atividade com objetivos pedagógicos.
A questão da diversidade, outro item previsto na lei, também não é uma coisa simples de ser resolvida. Como garantir que todos os grupos religiosos – incluindo divisões internas e dissidências – sejam respeitados durante o programa em um país plural como o nosso? Dados do Censo Demográfico 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que 64,6% da população se declara católica, 22,2% evangélica, 2% espírita, 3% praticante de outras religiões e 8% sem religião.
De que forma assegurar que o professor responsável por lecionar Ensino Religioso não incorra no erro de impor seu credo aos estudantes? Ou que aja de maneira preconceituosa caso alguém não concorde com suas opiniões? É fato que todos, educadores e alunos, têm o direito de escolher e exercer sua fé. Está na Constituição também. Não há mal algum em rezar, celebrar dias santos, frequentar igrejas (ou outros templos), ter imagens de devoção e portar objetos, como crucifixos e véus. Porém, em hipótese alguma, a escola pode ser usada como palco para militância religiosa e manifestações de intolerância. É bom lembrar que a mesma carta magna determina que o Estado brasileiro é laico e, por meio de suas instituições, deve se manter neutro em relação a temas religiosos.
Cabe a escola usar os dias letivos para ensinar aos estudantes os conteúdos sobre os diversos campos do conhecimento. Há tempos, sabe-se que estamos longe de cumprir essa obrigação básica. Os resultados de avaliações como a Prova Brasil e o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, sigla em inglês) comprovam com clareza essa falta grave. Boa parte dos estudantes conclui o Ensino Fundamental sem alcançar proficiência em leitura, escrita e Matemática.

Educação e verdades incontestáveis não combinam. Enquanto os credos são dogmáticos e pautados na heteronomia (quer dizer, as normas são reguladas por uma autoridade ou um poder onipresente), a escola é o lugar para a conquista e o desenvolvimento da autonomia moral. Isso quer dizer que crianças e adolescentes devem aprender e ser estimulados a analisar seus atos por meio da relação de respeito com o outro, compreendendo as razões e as consequências de se comportar de uma ou outra maneira. Bons projetos de Educação moral, que abrem espaço para questionamentos e mudanças de hábito, dão conta do recado.

Mesmo sem oferecer a disciplina, muitas instituições pecam ao usar a religião no dia a dia. Segundo respostas dadas por 54.434 diretores ao questionário da Prova Brasil 2011, independentemente de oferecer a matéria, 51% das escolas cultivam o hábito de cantar músicas religiosas ou fazer orações no período letivo, no horário de entrada ou da merenda, entre outros(leia outros dados no gráfico abaixo).

Outro exemplo de como os limites são extrapolados é apresentado no estudo O Uso da Religião como Estratégia de Educação Moral em Escolas Públicas e Privadas de Presidente Prudente, de Aline Pereira Lima, mestre em Educação e docente da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Felicam). Na instituição pública analisada, mesmo sem a presença da matéria na grade dos anos iniciais do Ensino Fundamental, a religião estava muito mais presente do que nas duas escolas particulares visitadas, que tinham caráter confessional declarado. O discurso teológico permeava o dia a dia dos estudantes: era usado para solucionar casos de indisciplina e até de violência. A pesquisadora observou também que os professores diziam aos estudantes frases como “Deus castiga os desobedientes”.

Sem contestar ou ameaçar a liberdade de credo de ninguém, espera-se que os educadores sigam buscando ensinar o que realmente interessa. Sem orações, imagens e afins.

Religiosidade e Educação

Contrariando a laicidade do Estado, as escolas têm manifestações de crenças

66% ministram aulas de Ensino Religioso

51% têm o costume de fazer orações ou cantar músicas religiosas

22% têm objetos, imagens, frases ou símbolos religiosos expostos

Argumento pró:
As religiões fazem parte de um mosaico cultural da história da humanidade. São fortemente ligadas as civilizações e se apresentadas de maneira imparcial sem imposição de ideias e dogmas pode ser uma ferramenta de auxílio na formação moral dos alunos além de aumentar a bagagem cultural. Desde é claro, que expostas sem preconceito ou favorecimento.
1988
A nova Constituição diz no artigo 210, parágrafo primeiro: “O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”. O artigo 5 define: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. No artigo 19, consta: É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II – recusar fé aos documentos públicos; III – criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.
“Art. 11 – A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País, respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa. §1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação”.

ensino religioso

13.200 – Espiritismo no Cinema – Nosso Lar 2 – Os mensageiros


Em breve a obra ditada pelo Espírito André Luiz ao médium Chico Xavier estará nos cinemas de todo o País, com direção de Wagner de Assis.
Os Mensageiros relata experiências de Espíritos que reencarnaram com instruções específicas para atingir o aprimoramento pessoal, mas que nem sempre foram bem sucedidos em suas tarefas.
Em Os mensageiros, o Espírito André Luiz relata experiências de Espíritos que reencarnaram com instruções específicas para atingir o aprimoramento pessoal, mas que nem sempre foram bem-sucedidos em suas tarefas. Escalado para prestar atendimento fraterno na Terra, ele aprende que o trabalho é fonte de renovação mental e grande passo rumo à construção do bem. Apresentando a morte física como apenas uma passagem rumo à vida espiritual em contínua evolução, os 51 capítulos, psicografados por Francisco Cândido Xavier neste segundo volume da coleção A vida no mundo espiritual, mostram a necessidade do estudo, da prática e do trabalho aplicados na esfera íntima de cada um, para que o retorno à pátria espiritual aconteça com a certeza do cumprimento dos compromissos assumidos antes de renascer.

13.193 – Mega Polêmica – Contra o consenso atual, historiador defende que Jesus foi apenas um mito


Livro polêmico promete colocar lenha na fogueira:

A tese de que Jesus Cristo nunca existiu é um prato cheio para teóricos da conspiração da internet, embora seja rejeitada pela grande maioria dos especialistas. Uma das raras obras sérias que tentam defender essa ideia, escrita pelo historiador e ativista ateu americano David Fitzgerald, acaba de chegar ao Brasil em versão eletrônica.

O livro, chamado “Nailed: Dez Mitos Cristãos Que Mostram Que Jesus Nunca Sequer Existiu”, manteve o trocadilho em inglês do título original (“nailed” quer dizer “pregado”, literalmente, mas também pode ser usado no sentido de “resolvido”, em situações como a resolução de um enigma ou problema).

Ao montar a lista de dez mitos, Fitzgerald, que foi protestante antes de abraçar o ateísmo, teve como alvo principalmente as afirmações sobre os textos do Novo Testamento feitas por cristãos mais conservadores. Seu primeiro passo é mostrar que, diferentemente do que afirmam os literalistas bíblicos –ou seja, aqueles que acreditam que todos os detalhes descritos na Bíblia são fatos históricos que ocorreram literalmente–, há uma longa lista de contradições nos diferentes retratos de Jesus traçados pelos Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João).

Isso significa que eles provavelmente não foram escritos por testemunhas oculares da vida de Cristo, mas incorporam a visão teológica de cada autor em passagens tão importantes quanto o nascimento do Nazareno, o batismo no rio Jordão, a morte na cruz e a Ressurreição.

Até aí, poucos historiadores do cristianismo primitivo achariam os argumentos dele controversos –ninguém defende, hoje em dia, que os chamados Reis Magos apareceram com presentes quando Jesus nasceu, ou que o rei Herodes de fato mandou matá-lo quando ainda era bebê.

Pilares da Dúvida
Nínguém ouviu falar dele: Autores não cristãos do século 1º d.C. nunca teriam mencionado Jesus – as poucas menções não passariam de falsificações criadas por copistas cristãos.

Argumento pró: – Há passagens genuínas sobre Cristo na obra do judeu Flávio Josefo e do historiador romano Tácito. Outros nomes não falaram dele porque no início o impacto do Cristianismo era modesto.

Evangelhos ‘plagiaram’ outros mitos
Semelhanças entre a trajetória de Jesus e a de outras figuras divinas que morrem e ressuscitam, como Baal, mostrariam que a fé cristã apenas deu nova roupagem a antigas religiões do Oriente Próximo
O consenso atual: embora esses elementos possam ter influenciado os evangelistas, o núcleo da biografia de Cristo, como o batismo no Jordão e a morte na cruz, possui fortes indicações de historicidade.

Para Paulo, Jesus nunca foi humano
Cartas do apóstolo Paulo, que são os mais antigos documentos cristãos, descreveriam um Jesus com poderes celestiais que existia desde o começo do Universo, e não um profeta de carne e osso.
O consenso atual: apesar de não se interessar muito pelo que Jesus fez e pregou em vida, Paulo claramente o descreve como “nascido de mulher” e com parentes vivos, como Tiago, o que derrubaria essa tese.

Autores bíblicos traçam retratos muito variados sobre Jesus
Há muitas contradições ente os diferentes evangelhos.

O mais importante desses historiadores, o judeu Flávio Josefo (37 d.C.-100 d.C.), deixou obras que, na versão que chegou até nós, citariam Jesus em dois trechos. Um deles, mais extenso, realmente foi adulterado por copistas cristãos para dar a entender que Josefo via Jesus como o Messias, mas a maioria dos historiadores afirma que, por trás da passagem alterada, é possível restaurar uma versão original que também falava de Cristo.

Já Fitzgerald diz que essa passagem maior foi totalmente inventada, enquanto no trecho mais curto um personagem chamado Tiago teria recebido o apelido de “irmão de Jesus, chamado Cristo” por intervenção de copistas cristãos.

Além do que vê como silêncio dos cronistas não cristãos, Fitzgerald enfatiza o silêncio do apóstolo Paulo, autor de diversas cartas a comunidades cristãs escritas entre os anos 40 e 60 do século 1º e preservadas no Novo Testamento.
Paulo, de fato, quase não aborda os episódios da vida de Jesus e os ensinamentos do Nazareno, o que, para Fitzgerald, seria indício de que o Cristo no qual ele acreditava era uma figura cósmica, de origem celestial, na qual o apóstolo teria passado a acreditar por meio de revelações místicas e da análise das Escrituras judaicas (o Antigo Testamento cristão). Não teria sido, portanto, um homem de carne e osso.
Outra objeção séria às ideias dos chamados miticistas (os que defendem que Jesus foi apenas um mito, sem base numa figura histórica real) envolve o chamado critério do constrangimento. Esse critério de análise histórica propõe que ninguém em sã consciência inventaria informações potencialmente constrangedoras sobre a trajetória de uma figura muito admirada. Portanto, é razoável admitir que tais fatos realmente aconteceram.
Esse critério é usado para postular que ao menos alguns fatos básicos da biografia de Jesus –a origem em Nazaré (cidadezinha insignificante), o batismo feito por João Batista (se Jesus é superior a João, por que foi batizado?) e a morte na cruz (martírio reservado a criminosos e subversivos de quinta categoria)– aconteceram mesmo.
Para Fitzgerald, porém, todos esses dados são uma criação do mais antigo Evangelho, o de Marcos.

Obra
NAILED: DEZ MITOS CRISTÃOS QUE MOSTRAM QUE JESUS NUNCA SEQUER EXISTIU
AUTOR David Fitzgerald
EDITORA Amazon

13.150 – Espiritismo – Por que a Bíblia proíbe invocar os mortos?


espiritismo e biblia
O que diz os evangélicos:

A Bíblia é o livro, dentre outros, que nos dá a história do espiritismo. Em Êxodo ela mostra que os antigos egípcios foram praticantes de fenômenos espíritas, quando os magos foram chamados por Faraó para repetir os milagres operados por Moisés. Quando Moisés apareceu diante desse monarca com a divina incumbência de tirar o povo de Israel da escravidão egípcia, os magos repetiram alguns dos milagres de Moisés (Êx 7.10-12, 8.18).
Mais tarde, já nas portas de Canaã, Deus advertiu o povo de Israel contra os perigos do ocultismo. A mediunidade, por exemplo, era uma prática abominável aos seus olhos (Dt 18.9-12). O castigo para quem desobedecesse aos mandamentos de Deus nesse particular era a morte:
“Quando, pois, algum homem ou mulher em si tiver um espírito de necromancia ou espírito de adivinhação, certamente morrerá; serão apedrejados; o seu sangue será sobre eles”. (ACF) (Lv 20.27, ver também Êx 22.18).
A Bíblia também indica que as pessoas com ligações com espíritos familiares e feiticeiras são amaldiçoadas por Deus:
“Não vos virareis para os adivinhadores e encantadores; não os busqueis, contaminando-vos com eles. Eu sou o SENHOR”. (ACF) (Lv 19.31). Portanto, invocar espíritos é uma prática condenada na Bíblia.

O que diz o Espiritismo
O Espiritismo não tem nada a ver com adivinhação, feitiçaria ou encantamento. Quem prega essas coisas, atribuindo-as ao Espiritismo, age por ingenuidade, ignorância ou por absoluta má-fé
O Espiritismo não impõe os seus princípios. Convida os interessados em conhecê-los, a submeter os seus ensinos ao crivo da razão, antes do aceitá-los.
A mediunidade, que permite a comunicação dos Espíritos com os homens, é uma faculdade que muitas pessoas trazem consigo ao nascer independentemente da religião ou da diretriz doutrinária de vida que adote.
Afirmar que Deus proíbe a comunicação com mortos, como fazem os evangélicos, é DESCONHECER as Escrituras.
A proibição feita por Moisés tinha a sua razão de ser, porque o legislador hebreu queria que o seu povo rompesse com todos os hábitos trazidos do Egito e de entre os quais o de que tratamos era objeto de abusos.
Não se evocava então os mortos pelo respeito e afeição tributados a eles, nem com sentimento de piedade, mas, sim, como meio de adivinhar, como objeto de tráfico vergonhoso, explorado pelo charlatanismo e pela superstição;
nessas condições, Moisés teve razão de proibi-lo.
Se ele pronunciou contra esse abuso uma penalidade severa, é que eram precisos meios rigorosos para conter esse povo indisciplinado; também quanto à pena de morte, era pródiga a sua legislação.
Havia na lei moisaica duas partes:
1ª, a lei de Deus, resumida nas tábuas do Sinai; lei que foi conservada porque é divina, e o Cristo não fez mais que desenvolvê-la;

2ª, a lei civil ou disciplinar, apropriada aos costumes do tempo, e que o Cristo aboliu.

Hebreus 8 : 13 – Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer.
Exemplos de leis disciplinares de Moisés que Cristo aboliu:

Levítico 24 : 17, 19, 20

17 – Quem matar alguém será morto.

19 – Se alguém causar defeito em seu próximo, como ele fez, assim lhe será feito:

20 – fratura por fratura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará.

Mateus 5 : 38 – 40

38 – Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente.

39 – Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra;

40 – e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa.
Levítico 20 : 10 – Se um homem adulterar com a mulher do seu próximo, será morto o adúltero e a adúltera.

João 8 : 3 – 11

3 – Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos,

4 – disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.

5 – E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?

6 – Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo.

7 – Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.

8 – E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
9 – Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava.
10 – Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?
11 – Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.

13.084 – Livro – Filósofo britânico ensina o beabá das religiões em 50 verbetes


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Traçar um panorama das religiões do planeta usando apenas 50 verbetes de uma página cada um soa, à primeira vista, como a proverbial missão impossível. A equipe coordenada pelo filósofo britânico Russell Re Manning, no entanto, conseguiu operar esse pequeno milagre, e o resultado funciona como uma bem-vinda introdução ao fenômeno das crenças religiosas.
Com o título um tanto desajeitado “Religião: 50 Conceitos e Crenças Fundamentais Explicados de Forma Clara e Rápida”, o livro organizado por Manning, que é professor da Universidade de Cambridge, poderia ser apenas superficial quando se considera o espaço limitadíssimo concedido a cada crença –afinal de contas, quando se tenta resumir 3.000 anos de judaísmo ou 2.500 anos de budismo com menos de mil palavras, quase tudo parece ter ficado de fora.
Por outro lado, a concisão e a abrangência acabam favorecendo o enfoque comparativo, o que ajuda o leitor a se dar conta de temas comuns, paralelos e influências mútuas entre as diferentes crenças.
Graças a isso, e à organização temática que não é apenas geográfica nem temporal (com seções como “Tradições indígenas”, “Espiritualidades do Oriente”, “Cristianismos pelo mundo” e “Novas religiões”), fica mais fácil perceber o quanto as mais variadas fés, apesar das contradições superficiais do ponto de vista teológico, expressam tendências muito similares e profundamente arraigadas à mente humana.

13.055 – Curiosidades – O Boneco Vodu


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Religião – Vodu
Surgimento – Século 17, Haiti
Onde é mais praticada – Caribe e EUA
Praticantes – 10 milhões

Boneco vodu
Muitas civilizações antigas, como a grega, a egípcia e a babilônia, tinham estátuas e bonecos para uso cerimonial. O caso do vodu é um pouco diferente: o objeto não representa um deus ou um ser. Ele serve como amuleto para atrair sorte, dinheiro, emprego, saúde ou amor. Existem muitas maneiras de fazer o boneco, mas a original, a preferida da religião que surgiu no Haiti (e é uma espécie de prima do nosso candomblé), segue seis passos básicos.
1- SELEÇÃO DO MATERIAL
Para o recheio, o fiel pode optar por um amontoado de penas, chumaços de algodão, pedaços de tecido ou até papel amassado. Para a roupa, ele escolhe entre papel, folhas de árvore, pedaços de tecido, palha, saco de batata e cascas de milho. Por fim, a definição da cor é importante: ela ajuda a definir o objetivo do amuleto

2- ESQUELETO
Devido à influência do cristianismo, o boneco é construído sobre uma cruz. Dois gravetos ou pedaços de lápis, cruzados e colados, formam a estrutura básica. Para o amuleto funcionar, é importante que a pessoa esteja concentrada. Para isso, o ideal é encontrar um lugar tranquilo, sem TV, computador nem celular por perto

3- ENTRANHAS
O recheio deve cobrir o esqueleto. Basta passar cola sobre a estrutura e grudar o material. Se o objetivo for atrair alguém para um relacionamento, o fiel costuma usar pedaços da roupa da pessoa no recheio. O mais comum é pedir algo para si, não para fazer mal aos outros. Mais ou menos como fazer promessa a um santo

4- COBERTURA
A forma mais simples de vestir o boneco é formar uma espécie de saco de tecido macio, amarrado nas extremidades. Por motivos religiosos, um tecido rústico é mais adequado, pois é mais fiel às origens. Nesse caso, ele precisa ser recortado e colado para formar uma bata. O tamanho da roupa precisa deixar para fora cabeça, mãos e pés

5- DECORAÇÃO
Os acessórios são fundamentais para a magia funcionar, como colar uma foto da pessoa amada no rosto do boneco. Se o pedido for pessoal, a imagem pode ser mais figurativa. Por exemplo, quem quer dinheiro coloca uma moeda no rosto. Vale usar tinta, glitter, botões… E cada cor tem um significado diferente

6- ATIVAÇÃO
O ritual de preparo termina com cânticos. Só então chega a hora dos alfinetes, que são fincados para reforçar o pedido. Quando a figura está pronta, é hora de guardá-la em uma estante, em um local alto e discreto. Junto dela, o fiel pode colocar velas da mesma cor. E tem que realizar orações todo os dias

UMA ÚLTIMA CURIOSIDADE: A versão mais famosa do boneco foi bolada por lojistas dos EUA, para quem preferir comprá-lo já pronto

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13.025 – O que é ser “Advogado do Diabo”?


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Advogado do diabo (em latim advocatus diaboli) é uma expressão originalmente utilizada pela Igreja Católica para designar o advogado que tinha por missão apresentar provas impeditivas da admissão de um candidato a santo ou beato. Sua função era averiguar todos os fatos apresentados em favor do candidato., procurando falhas nas provas de milagres do candidato a santo. Nesses processos de canonização e beatificação, também havia o promotor da fé, encarregado de argumentar a favor do candidato.
Popularmente, a expressão passou a designar o indivíduo que apresenta muitas objeções a uma determinada tese, criando dificuldades para a defesa. Por vezes, o advogado do diabo defende um argumento contrário ao da maioria apenas com o intuito de testar a qualidade do argumento.
No sentido figurado, o advogado do diabo é apresentado como um indivíduo que defende um cliente ou uma causa que, moralmente, não há defesa.
No filme americano “Advogado do diabo”, lançado em 1997, é utilizado o significado literal da expressão, através da história de um jovem advogado que representa em tribunal o próprio diabo (disfarçado de advogado bem sucedido).

12.830 – Comportamento – Tabus que regem comportamento sexual têm origem em preceitos religiosos milenares


Muitos dos preconceitos e tabus, convenções e mesmo leis relacionadas ao sexo e à sexualidade que regem o comportamento sexual da sociedade hoje têm origem em preceitos religiosos estabelecidos milhares de anos atrás. É isso o que defende o historiador norueguês Dag Oistein Endsjo, professor de estudos religiosos na Universidade de Bergen e para quem separar crença e sexo é impossível — os dois estariam ligados desde os fundamentos mais básicos de cada credo.

Trechos de uma entrevista
Você acredita que exista uma tendência de abrandamento da condenação tão dura do sexo ou da sexualidade?

Houve recentemente um aumento em muitas religiões do preconceito contra a homossexualidade. Ao mesmo tempo, condenações bem mais tradicionais de sexo antes do casamento, fora do casamento e, não menos importante, divórcio, acabaram ficando em segundo plano. A atitude mais positiva em relação ao sexo por parte dos mais conservadores veio acompanhada de mais condenação ainda contra gays e lésbicas. Ao mesmo tempo, é importante sublinhar que muitos fiéis, como a maioria dos católicos europeus e nas Américas, não têm mais nenhum problema com a homossexualidade.

Percebemos que tanto homens quanto mulheres têm sua sexualidade podada e condenada em várias religiões. No entanto, a necessidade de regular a sexualidade feminina é mais latente. Qual é a origem disso?
As regras para homens e mulheres geralmente são tão radicalmente diferentes que fica impossível falar em heterossexualidade como uma única categoria na maioria das religiões. A regra geral é que normas mais restritas se aplicam às mulheres, algo que deve ser visto no contexto de que muitas religiões têm tradicionalmente sido regidas por homens. Isso parece se conectar também a uma crença mais geral de que sexo é sobre conquista — mulheres são conquistadas, homens conquistam —, algo que torna ainda mais importante para os homens impedir que o que eles consideram “suas” mulheres (filhas, esposas, irmãs e mães) sejam conquistadas. Esse sistema é mais relacionado à chamada “cultura da honra”. Mas, olhando mais de perto, percebemos que a práxis religiosa geralmente enfatiza e reforça essa mesma lógica.

As pregações sobre sexo acabam influenciando leis e direitos?

Muitas crenças tradicionais permaneceram entre nós em leis sem que a maioria das pessoas sequer pensasse que aquilo tinha a ver com religião. Mas, no momento em que essas leis estavam para ser mudadas — seja a legalização do divórcio seja casamento para casais homossexuais —, os religiosos opostos às mudanças então revelaram o lado religioso de tudo aquilo.

12.829 – Religião – Dogmas da Igreja Católica


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Igreja na Bielorrússia

Na Igreja Católica Romana, um dogma é uma verdade revelada sobre a Fé.Absoluta, definitiva, imutável, infalível, inquestionável e absolutamente segura sobre a qual não pode pairar nenhuma dúvida.
Os dogmas têm estas características porque os católicos romanos confiam que um dogma é uma verdade que está contida, implicita ou explicitamente, na imutável Revelação divina ou que tem com ela uma “conexão necessária”. Para que estas verdades se tornem em dogmas, elas precisam ser propostas pela Igreja Católica diretamente à sua fé e à sua doutrina, através de uma definição solene e infalível pelo Supremo Magistério da Igreja (Papa ou Concílio ecuménico com o Papa e do posterior ensinamento destas pelo Magistério ordinário da Igreja. Para que tal proclamação ou clarificação solene aconteça, são necessárias duas condições:
o sentido deve estar suficientemente manifestado como sendo uma autêntica verdade revelada por Deus;
a verdade ou doutrina em causa deve ser proposta e definida solenemente pela Igreja como sendo uma verdade revelada e uma parte integrante da fé católica .
Mas, “a definição dos dogmas ao longo da his­tó­­ria da Igreja não quer dizer que tais ver­dades só tardiamente tenham sido re­veladas, mas que se tornaram mais cla­ras e úteis para a Igreja na sua progres­são na fé”. Por isso, a definição gradual dos dogmas não é contraditória com a crença católica de que a Revelação divina é inalterável, definitiva e imutável desde a ascensão de Jesus.

Os mais importantes dog­mas, que tratam de assuntos como a Santíssima Trindade e Jesus Cristo, “fo­ram definidos nos primeiros concílios ecuménicos; o Concílio Vaticano I foi o último a definir verdades dogmá­ti­cas (primado e infalibilidade do Papa)”. As definições de dogmas “mais recentes estão a da Imaculada Conceição […] (1854) e da Assunção de Nossa Senhora

Dogmas sobre Deus
A Existência de Deus: “A ideia de Deus não é inata em nós, mas temos a capacidade para conhecê-lo com facilidade, e de certo modo espontaneamente por meio de Sua obra.”
A Existência de Deus como Objeto de Fé: “A existência de Deus não é apenas objeto do conhecimento da razão natural, mas também é objeto da fé sobrenatural.”
A Unidade de Deus: “Não existe mais que um único Deus.”
Deus é Eterno: “Deus não tem princípio nem fim.”
Santíssima Trindade: “Em Deus há três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; e cada uma delas possui a essência divina que é numericamente a mesma.”

Dogmas sobre Jesus Cristo
Jesus Cristo é verdadeiro Deus e filho de Deus por essência, sendo chamado em Isaías como “Deus Conosco” (Emanuel): “O dogma diz que Jesus Cristo possui a infinita natureza divina com todas suas infinitas perfeições, por haver sido engendrado eternamente por Deus.”
Jesus possui duas naturezas que não se transformam nem se misturam: “Cristo é possuidor de uma íntegra natureza divina e de uma íntegra natureza humana: a prova está nos milagres e no padecimento.”
Cada uma das naturezas em Cristo possui uma própria vontade física e uma própria operação física: “Existem também duas vontades físicas e duas operações físicas de modo indivisível, de modo que não seja conversível, de modo inseparável e de modo não confuso.”
Jesus Cristo, ainda que homem, é Filho natural de Deus: “O Pai celestial quando chegou a plenitude, enviou aos homens seu Filho, Jesus Cristo.”
Cristo imolou-se a si mesmo na cruz como verdadeiro e próprio sacrifício: “Cristo, por sua natureza humana, era ao mesmo tempo sacerdote e oferenda, mas por sua natureza Divina, juntamente com o Pai e o Espírito Santo, era o que recebia o sacrifício.”
Cristo nos resgatou e reconciliou com Deus por meio do sacrifício de sua morte na cruz: “Jesus Cristo quis oferecer-se a si mesmo a Deus Pai, como sacrifício apresentado sobre a ara da cruz em sua morte, para conseguir para eles o eterno perdão.”
Ao terceiro dia depois de sua morte, Cristo ressuscitou glorioso dentre os mortos: “ao terceiro dia, ressuscitado por sua própria virtude, se levantou do sepulcro.”
Cristo subiu em corpo e alma aos céus e está sentado à direita de Deus Pai: “ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu em Corpo e Alma.”

Dogmas sobre a criação do mundo
Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do Nada: “A criação do mundo do nada, não apenas é uma verdade fundamental da revelação cristã, mas também que ao mesmo tempo chega a alcançá-la a razão com apenas suas forças naturais, baseando-se nos argumentos cosmológicos e sobretudo na argumento da contingência.”
Caráter temporal do mundo: “O mundo teve princípio no tempo.”
Conservação do mundo: “Deus conserva na existência a todas as coisas criadas.”

Dogmas sobre o ser humano
O homem é formado por corpo material e alma espiritual: “O humano como comum constituída de corpo e alma.”
O pecado de Adão se propaga a todos seus descendentes por geração, não por imitação: “Pecado, que é morte da alma, se propaga de Adão a todos seus descendentes por geração e não por imitação, e que é inerente a cada indivíduo.”
O homem caído não pode redimir-se a si próprio: “Somente um ato livre por parte do amor divino poderia restaurar a ordem sobrenatural, destruída pelo pecado.”

Dogmas marianos
A Imaculada Conceição de Maria: “A Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, foi por singular graça e privilégio de Deus omnipotente em previsão dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do gênero humano, preservada imune de toda mancha de culpa original.”
A Virgindade Perpétua de Maria: “A Santíssima Virgem Maria é virgem antes, durante e depois do parto de seu Divino Filho, sendo mantida assim por Deus até a sua gloriosa Assunção.”
Maria, Mãe de Deus: “Maria, como uma virgem perpétua, gerara a Cristo segundo a natureza humana, mas quem dela nasce, ou seja, o sujeito nascido não tem uma natureza humana, mas sim o suposto divino que a sustenta, ou seja, o Verbo. Daí que o Filho de Maria é propriamente o Verbo que subsiste na natureza humana; então Maria é verdadeira Mãe de Deus, posto que o Verbo é Deus. Cristo: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem.”
A Assunção de Maria: “A Virgem Maria foi assunta ao céu imediatamente depois que acabou sua vida terrena; seu Corpo não sofreu nenhuma corrupção como sucederá com todos os homens que ressuscitarão até o final dos tempos, passando pela decomposição.”

Dogmas sobre o Papa e a Igreja
A Igreja foi fundada pelo Deus e Homem, Jesus Cristo: “Cristo fundou a Igreja, que Ele estabeleceu os fundamentos substanciais da mesma, no tocante a doutrina, culto e constituição.”
Cristo constituiu o Apóstolo São Pedro como primeiro entre os Apóstolos e como cabeça visível de toda Igreja, conferindo-lhe imediata e pessoalmente o primado da jurisdição: “O Romano Pontífice é o sucessor do bem-aventurado Pedro e tem o primado sobre todo rebanho.”
O Papa possui o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda Igreja, não somente em coisas de fé e costumes, mas também na disciplina e governo da Igreja: “Conforme esta declaração, o poder do Papa é: de jurisdição, universal, supremo, pleno, ordinário, episcopal, imediato.”
O Papa é infalível sempre que se pronuncia ex cathedra: Sujeito da infalibilidade papal é todo o Papa legítimo, em sua qualidade de sucessor de Pedro e não outras pessoas ou organismos (ex.: congregações pontificais) a quem o Papa confere parte de sua autoridade magistral.”
A Igreja é infalível quando faz definição em matéria de fé e costumes.

Dogmas sobre os sacramentos
O Batismo é verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo: “Foi dado todo poder no céu e na terra; ide então e ensinai todas as pessoas, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”
A Confirmação é verdadeiro e próprio Sacramento: “Este Sacramento concede aos batizados a fortaleza do Espírito Santo para que se consolidem interiormente em sua vida sobrenatural e confessem exteriormente com valentia sua fé em Jesus Cristo.”
A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo: “Foi comunicada aos Apóstolos e a seus legítimos sucessores o poder de perdoar e de reter os pecados para reconciliar aos fiéis caídos depois do Batismo.”
A Confissão Sacramental dos pecados está prescrita por Direito Divino e é necessária para a salvação: “Basta indicar a culpa da consciência apenas aos sacerdotes mediante confissão secreta.”
A Eucaristia é verdadeiro Sacramento instituído por Cristo: “Aquele que come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a vida eterna.”
Cristo está presente no sacramento do altar pela transubstanciação de toda a substância do pão em seu corpo e toda substância do vinho em seu sangue.
A Unção dos enfermos é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo: “Existe algum enfermo entre nós? Façamos a unção do mesmo em nome do Senhor.”
Ordem é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo: “Existe uma hierarquia instituída por ordenação Divina, que consta de Bispos, Presbíteros e Diáconos.”
O matrimónio é verdadeiro e próprio Sacramento: “Cristo restaurou o matrimónio instituído e bendito por Deus, fazendo que recobrasse seu primitivo ideal da unidade e indissolubilidade e elevando-o a dignidade de Sacramento.”

Dogmas sobre as últimas coisas
A Morte e sua origem: “A morte, na atual ordem de salvação, é consequência primitiva do pecado.”
O Céu (Paraíso): “As almas dos justos que no instante da morte se acham livres de toda culpa e pena de pecado entram no céu.”
O Inferno: “O inferno é uma possibilidade graças a nossa liberdade. Deus nos fez livres para amá-lo ou para rejeitá-lo. Se o céu pode ser representado como onde todos vivem em plena comunhão entre si e com Deus, o inferno pode ser visto como solidão, divisão e ausência do amor que gera e mantém a vida. Deve-se salientar que a vontade de Deus é a vida e não a morte de quem quer que seja. Jesus veio para salvar e não para condenar. No limite, Deus não condena ninguém ao inferno. É a nossa opção fundamental, que vai se formando ao longo de toda vida, pelos nossos pensamentos, atos e omissões, que confirma ou não o desejo de estar com Deus para sempre. De qualquer forma, não se pode usar o inferno para convencer as pessoas a acreditar em Deus ou a viver a fé. Isso favorece a criação de uma religiosidade infantil e puramente exterior. Deve-se privilegiar o amor e não o temor. Só o amor move os corações e nos faz adorar a Deus e amar o próximo em espirito e vida.”
O Purgatório: “As almas dos justos que no instante da morte estão agravadas por pecados veniais ou por penas temporais devidas pelo pecado vão ao purgatório. O purgatório é estado de purificação.”
O Fim do mundo e a Segunda vinda de Cristo: “No fim do mundo, Cristo, rodeado de majestade, virá de novo para julgar os homens.”
A Ressurreição dos mortos no Último Dia: “Aos que crêem em Jesus e comem de Seu corpo e bebem de Seu sangue, Ele lhes promete a ressurreição.”
O Juízo Universal: “Cristo, depois de seu retorno, julgará a todos os homens.”

12.728 – Seitas – Homem afirma ser Jesus e diz ter memórias de sua vida anterior


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Allan Miller, 53 anos, de Queensland, Austrália, que passou a afirma ser o próprio Jesus Cristo após seu divórcio, em 1997, começou a ter cada vez mais memórias sobre sua suposta vida de 2.000 anos atrás.
Em 2004 essas memórias ficaram mais evidentes, de acordo com ele. “Eu comecei um processo de aproximação de Deus, da mesma forma que fizemos no primeiro século”, disse. “Eu sei que sou Jesus e que tenho memórias de toda aquela vida”.
Após seu divórcio, ele conheceu Mary, sua atual esposa, que também afirma ser Maria Madalena. “Eu tinha uma vida no primeiro século, era a esposa de Jesus, aprendi e ensinei a verdade divina com ele. Depois de sua morte, fui para o mundo dos espíritos onde tinha uma vida”, explicou ela. Mary acrescentou que “retornou” à Terra em 1978, quando nasceu na Austrália.
Atualmente o casal organiza seminários onde ensina o movimento espiritual sobre a “verdade divina” a quem prometer um contato mais pessoal com Deus. Além disso, eles ainda possuem um canal no YouTube. Porém, algumas pessoas os acusam de terem formado uma seita que reúne mais de 20 mil pessoas, mas Miller nega ser líder de um culto. Há também quem diga que ele teria convencido Mary sobre sua identidade. “Minha família dizia que nada disso era verdade e que eu estava sendo manipulada por Alan”, disse ela.
Quando Alan é desafiado a realizar algum milagre para provar sua identidade divina, ele argumenta que não precisa provar nada. “Não tenho nenhum desejo de provar que eu sou Jesus […] eu sei quem eu sou. Há pessoas que percebem que eu sou e outras pessoas logo saberão também”, disse.
O australiano também afirma que alguns dos atos supostamente praticados por ele na Bíblia são simplesmente falsos, por isso não os realiza hoje. “Supõe-se que no primeiro século eu transformei água em vinho, mas não o fiz”, disse.

12.689 – Adivinhações ou Alucinações? Conheça o Nekromanteion, o oráculo dos mortos da Grécia Antiga


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Na Grécia Antiga havia um lugar dedicado à comunicação com o mundo espiritual para obter informações do passado, do futuro ou do pós-vida pela evocação dos mortos.
O Nekromanteion era um templo de adoração dos deuses do submundo de Hades e Perséfone. Segundo as descrições feitas por Homero e Heródoto, o local possuía várias câmaras subterrâneas, onde eram praticadas estranhas cerimônias de necromancia.
Peregrinos de todo o mundo grego se dirigiam ao templo para contatar os espíritos à procura de conselhos e boa fortuna. Sacerdotes sombrios guiavam os viajantes corajosos através de rituais complexos de purificação, que, muitas vezes, incluíam a ingestão de cogumelos alucinógenos.
Depois de passar semanas em total isolamento e sacrificar uma ovelha, os peregrinos podiam, então, acessar o salão principal, onde se comunicavam com os mortos.
Em 1958, o arqueólogo Sotirios Dakaris descobriu, nas montanhas de Épiro, no noroeste da Grécia, várias construções que pareciam coincidir com as descrições antigas do oráculo dos mortos. O lugar se situa às margens do rio Aqueronte, que, segundo a lenda, flui pelo submundo.

12.518 – Religião – As 8 maiores religiões do mundo


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8. Espiritismo (aprox. 13 milhões de adeptos)
Espiritismo não é exatamente uma religião, mas também entra na lista. A sobrevivência do espírito após a morte e a reencarnação são as bases dessa doutrina, que surgiu na França e se expandiu pelo mundo a partir da publicação de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec (1857). É no Brasil que se encontra a maior comunidade espírita do mundo: 1,3% da população do país é espírita.

7. Judaísmo (aprox. 15 milhões de adeptos)
Atualmente, a maior parte dos judeus do mundo vive em Israel e nos Estados Unidos, para onde migraram fugindo da perseguição nazista. Mesmo assim, os judeus representam somente 1,7% da população norte-americana. Enquanto isso, na Argentina, nossos hermanos judeus são 2% da população.

6. Sikhismo (aprox. 20 milhões de adeptos)
Embora pouco difundido, o Sikhismo é a sexta maior religião do mundo. A doutrina monoteísta foi fundada no século 16 por Guru Nanak e se baseia em seus ensinamentos. O sikhismo nasceu na província de Punjab, na Índia, e grande parte de seus seguidores ainda vivem na região. Eles representam 1,9% da população da Índia e 0,3% de Fiji.

5. Budismo (aprox. 376 milhões de adeptos)
A doutrina baseada nos ensinamentos de Siddharta Gautama, o Buda (600 a.C.), busca a realização plena da natureza humana. A existência é um ciclo contínuo de morte e renascimento, no qual vidas presentes e passadas estão interligadas. Como era de se esperar, essa religião oriental é a principal doutrina em vários países do sudeste asiático, como Camboja, Laos, Birmânia e Tailândia. No Japão, é a segunda maior religião do país: 71,4% da população é praticante (muitos japoneses praticam mais de uma religião e, portanto, são contados mais de uma vez).

4. Religião tradicional chinesa (aprox. 400 milhões de adeptos)
“Religião tradicional chinesa” é um termo usado para descrever uma complexa interação entre as diferentes religiões e tradições filosóficas praticadas na China. Os adeptos da religião tradicional chinesa misturam credos e práticas de diferentes doutrinas, como o Confucionismo, o Taoísmo, o Budismo e outras religiões menores. Com mais de 400 milhões de praticantes, eles representam cerca de 6% da população mundial.

3. Hinduísmo (aprox. 900 milhões de adeptos)
Baseado nos textos Vedas, o hinduísmo abrange seitas e variações monoteístas e politeístas, sem um corpo único de doutrinas ou escrituras. Os hindus representam mais de 80% da população na Índia e no Nepal. Mesmo com tamanha variedade, são apenas a terceira maior religião do mundo. Porém, ostentam um título mais original: o maior monumento religioso do planeta. Trata-se do templo Angkor Wat – depois convertido em mosteiro budista –, que tem cerca de 40 quilômetros quadrados e foi construído no Camboja no século XII.

2. Islamismo (aprox. 1,6 bilhões de adeptos)
A medalha de prata na lista das religiões é dos muçulmanos. Segundo projeções, daqui vinte anos, eles serão mais de um quarto da população mundial. Se esse cenário se concretizar, o número de muçulmanos nos Estados Unidos vai mais do que dobrar e um quarto da população israelense será praticante do islamismo. Além disso, França e Bélgica se tornarão mais de 10% islâmicas.

1. Cristianismo (aprox. 2,2 bilhões de adeptos)
Mesmo com o crescimento de outras religiões, o cristianismo continua sendo a doutrina com mais adeptos no mundo todo. Porém, seus seguidores têm mudado de perfil. Há um século, dois terços dos cristãos viviam na Europa. Hoje, os europeus representam apenas um quarto dos cristãos. Mas, o interessante mesmo é apontar onde o cristianismo mais cresceu no último século: na África Subsaariana. De 1910 para cá, a população cristã da região saltou de 9 para 516 milhões de adeptos.

12.450 -Religião – A Teoria do Carma


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Ação e Reação

Na lei do carma cada um colhe o que planta.
Quem realiza o bem recebe o bem. Se fizer o mal, cedo ou tarde colherá os amargos frutos.
Está presente no hinduísmo, Budismo e Espiritismo. Tal conceito nasceu entre os hindus e é como a lei de Newton, a lei de ação e reação.
O carma positivo ou negativo seria o resultado de todo a qualquer ação cometida nessa vida ou em outra.
“Quer você goste ou não, tudo o que está acontecendo neste momento é o resultado de escolhas feitas no passado (uma vez que o carma define o nosso destino). Infelizmente, muitos fazem escolhas inconscientes e, por isso, acham que não são escolhas. Mas, são !

Se eu o insulto, é provável que você escolha se ofender. Se eu lhe faço um cumprimento, é provável que você escolha sentir-se grato e envaidecido. Pense bem: É sempre uma escolha.

Eu posso insulta-lo e ofende-lo e você escolher não se ofender. Da mesma maneira, posso lhe fazer um cumprimento e você escolher não se sentir envaidecido.
Em outras palavras, toda pessoa constitui – mesmo sendo um escolhedor infinito – um feixe de reflexos condicionados. Eles são disparados, constantemente, por circunstâncias e por pessoas, resultando em comportamentos previsíveis. Esses reflexos condicionados são iguais são iguais ao condicionamento pavloviano. Pavlov é conhecido por demonstrar que um cão, ao receber comida sempre que se fizer soar uma campainha, começará a salivar sempre que ouvir a campainha. Ou seja, o animal desenvolve um reflexo condicionado, ao associar um estímulo (comida) ao outro (som da campainha).
Também nós, devido ao condicionamento, temos respostas repetitivas e previsíveis aos estímulos do ambiente. Nossas reações parecem ser disparadas automaticamente por pessoas e por circunstâncias. No entanto, esquecemos um fato: Essas reações são ,também, escolhas que fazemos a todo momento. Simplesmente, estamos escolhendo inconscientemente.
Se você parar um pouco e começar a observar suas escolhas no momento em que elas ocorrem, mudará esse aspecto de inconsciência. O simples ato de observá-las transfere todo o processo do terreno do inconsciente para o terreno do consciente. Esse procedimento – escolher e observar conscientemente – é muito enriquecedor.
Quando você faz uma escolha – qualquer uma – pergunte-se duas coisas: Primeira, “Quais serão as conseqüências da escolha que estou fazendo ?”; Segunda, “Essa escolha trará felicidade a mim e aos outros ao meu redor ?” A resposta à primeira questão você sentirá no seu coração e saberá imediatamente quais serão as conseqüências. Quanto à segunda questão, se a resposta for sim, então persista nessa escolha. Se for não, escolha outra coisa.”

12.418 – Religião – Manuscritos Budistas


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Há 2 mil anos, monges budistas da região onde hoje fica o Afeganistão, selaram vários pergaminhos com ensinamentos de Buda e os enterraram.
Muito tempo depois, em 1994, a Biblioteca Britânica adquiriu tais manuscritos de um negociante e chamou um especialista para avalia-los. Concluiu-se que eram os mais antigos e preciosos pergaminhos budistas conhecidos. Mas o governo afegão pediu oficialmente a devolução dos documentos. São alguns dos muitos tesouros que durante a guerra civil que abalou o país na década de 1990, foram roubados de sítios arqueológicos e vendidos na Europa. Voltando, irão para o Museu de Kabul.

12.411 – Religião – Que homens já foram considerados Messias, antes e depois de Jesus?


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Praticamente todas as grandes religiões do mundo têm uma figura messiânica, que virá para combater o mal e a injustiça, restaurando o paraíso sobre a Terra. A palavra “Messias” deriva do termo hebraico mashiah, que significava originalmente “ungido”, indicando alguém marcado na testa com óleo sagrado para realizar cerimônias religiosas. Com o passar do tempo, seu sentido passou a descrever uma figura semidivina que deveria vir à Terra para resgatar seu povo – um salvador. Para os judeus, ele deveria ser um rei descendente de Davi (que reinou no antigo Israel entre 1000 a.C. e 962 a.C.), com a missão de livrar os israelitas da opressão estrangeira e implantar um mundo de justiça e salvação. Quando o Novo Testamento foi escrito, em grego, no primeiro século da era cristã, a expressão mashiah foi traduzida como christos e tornou-se o título de Jesus – ou seja, dizer “Jesus Cristo” é o mesmo que dizer “Jesus, o Messias”. Mas, como dissemos no início, o conceito de Messias não se limita ao judaísmo e ao cristianismo. Veja a seguir alguns homens que, em épocas, culturas e lugares variados, foram considerados como encarnações do Messias.

Exército da salvação
Todas as maiores religiões possuem figuras equivalentes ao Messias
JESUS

RELIGIÃO – Cristianismo

ÉPOCA – Século 1
De início, foi reconhecido como Messias por grupos judeus que viram nele a encarnação de profecias do Velho Testamento, apontando para a vinda de um salvador. Mais tarde, ao pregar a existência de um mundo mais justo onde todos poderiam ser salvos por mérito próprio, foi considerado Messias por seus seguidores, que dariam origem a uma nova religião, o cristianismo.

SIDARTA GAUTAMA

RELIGIÃO – Budismo

ÉPOCA – Séculos 6 e 5 a.C.
Conhecido como Buda Sakyamuni (“o sábio do clã Sakya”), foi um líder espiritual no que hoje é o Nepal. Abandonou a vida nobre para buscar a salvação da humanidade. Séculos mais tarde, influências da religiosidade chinesa fizeram com que Sidarta fosse representado como um homem gordo – mas ele vivia como mendigo.

IBN TUMART

RELIGIÃO – Islamismo

ÉPOCA – Século 12
A religião aceita a existência de um líder com inspiração divina, o mahdi. Nascido em 1080 no atual Marrocos, Ibn Tumart foi reconhecido como mahdi por seus seguidores ao pregar uma rigorosa doutrina jurídica e religiosa baseada no estudo cuidadoso do livro sagrado, o Alcorão. Não há desenhos dele porque o islamismo veta a veneração de imagens.

KRISHNA

RELIGIÃO – Hinduísmo

ÉPOCA – Século 5 a.C.
Embora sua existência real seja controversa, Krishna teria sido um pastor que viveu no que hoje é a Índia, tendo dedicado sua vida inteira à luta para proteger a virtude e expulsar da Terra os espíritos do mal. Foi reconhecido como Messias por várias correntes do hinduísmo e também pelos adeptos da RELIGIÃO – bahaísta, nascida no atual Irã.

SIMÃO BAR KOKHBA

RELIGIÃO – Judaísmo

ÉPOCA – Século 2
Líder de um movimento político que virou revolta contra os ocupantes romanos de Jerusalém, foi reconhecido como Messias e rei pelos principais rabinos do judaísmo da ÉPOCA – por seu papel na luta contra a opressão. Deflagrou uma guerra contra os romanos entre 133 e 135, mas foi morto, e seu movimento acabou derrotado.

12.404 – Fanatismo Fatal -Seita japonesa do fim do mundo está de volta


Uma antiga seita japonesa do “fim do mundo” está de volta e colocando países do leste europeu em estado de alerta.

Para se ter uma ideia, esta foi a seita responsável pelo ataque com gás sarin ao metrô de Tóquio em 1995, deixando 13 mortos. No último mês, 58 estrangeiros suspeitos de associação ao grupo Aum Shinrikyo (“Verdade suprema”, em tradução literal) foram expulsos da ex-república iugoslava de Montenegro. Além disso, nos últimos dias, a polícia russa invadiu 25 propriedades associadas a Aum e prendeu pelo menos dez pessoas.

Ainda não se sabem os motivos para o ressurgimento da seita no leste europeu, mas teorias apontam que ex-integrantes da Aum estariam envolvidos. Estima-se que existam até 30 mil seguidores do grupo na Rússia, onde o grupo é considerado ilegal.

A seita ficou famosa por aterrorizar o Japão. No dia 20 de março 1995, o grupo foi responsável pela morte de 13 pessoas e feriu outras 5 mil no metrô de Tóquio por causa do uso do gás sarin, letal para o sistema nervoso.

Criada na década de 80, a Aum mistura crenças hinduístas, budistas e algumas profecias cristãs. Entre outras coisas, acredita que mundo o caminha para uma Terceira Guerra Mundial e que apenas seu seguidores sobreviverão. Seu fundador, Shoko Asahara, declarou ser um “iluminado” e Jesus Cristo.

Em 1989, o grupo ganhou o status de organização religiosa no Japão e conquistou milhares de seguidores pelo mundo. Com o extremismo, as coisas mudaram, especialmente após o ataque ao metrô. Asahara e outros seguidores foram condenados à morte. O líder aguarda até hoje pelo cumprimento de sua sentença no Japão.

O grupo não desapareceu por completo e chegou a mudar seu nome para Aleph. Surgiram dissidências como a Hikari no Wa, que assim como a Aleph, é permitida no Japão, mas sob extrema vigilância.