13.915 – Sonda chinesa pousa no lado oculto da Lua pela primeira vez na história


sonda chinesa
A sonda espacial chinesa Chang’e 4 pousou, nesta quinta-feira (3), no lado oculto da Lua — a parte do satélite que não é visível da Terra. Segundo a Administração Nacional Espacial da China, é a primeira vez na história que este pouso é realizado. As informações são das agências de notícias EFE, Associated Press, e da Rede Global de Televisão da China (CGTN, em inglês).
A nave, que tem um módulo e um ‘rover’ — veículo de exploração espacial — deve estudar a composição mineral, o terreno, relevo e a manta da superfície lunar, a camada abaixo da superfície. Também deve realizar observações astronômicas por meio de baixas frequências de rádio, a chamada radioastronomia.

“O lado oculto da Lua é um raro lugar calmo, que está livre da interferência de sinais de rádio vindos da Terra”, afirmou o porta-voz da missão, Yu Gobin, segundo a agência de notícias estatal Xinhua News. “Essa sonda pode preencher o vazio de observação de baixa frequência na radioastronomia, e irá fornecer informações importantes para estudar a origem das estrelas e da evolução da nébula [solar]”.
A alunagem [aterrissagem na superfície lunar], realizada às 0h26 (horário de Brasília), “abriu um novo capítulo na exploração humana da Lua”, afirmou a agência espacial chinesa. O local exato do pouso foi a cratera Von Karman, no polo sul lunar, que tem 186 quilômetros de diâmetro e 13 quilômetros de profundidade. Segundo a AP, cientistas chineses acreditam que pousar nessa cratera possibilitaria coletar novas informações sobre a manta da Lua.
O lado oculto da Lua é relativamente pouco explorado e tem uma composição diferente daquela do lado “próximo”, que pode ser visto da Terra, e onde outras naves já pousaram. Países como a antiga União Soviética, os Estados Unidos e até mesmo a própria China já haviam realizado missões desse tipo.
De acordo com a Nasa, a agência espacial americana, essa parte do satélite foi observada pela primeira vez em 1959, quando a nave soviética Luna 3 enviou as primeiras imagens. Em 1962, os Estados Unidos tentaram enviar uma missão não tripulada ao lado oculto da Lua, que não deu certo, segundo a EFE.
O objetivo do programa Chang’e, que começou com o lançamento de uma primeira sonda orbital em 2007, é uma missão tripulada à Lua a longo prazo, ainda sem data definida. A primeira missão espacial tripulada da China foi em 2003 — o terceiro país a realizar uma depois de Rússia e Estados Unidos. O país também colocou duas estações espaciais em órbita e planeja lançar um ‘rover’ em Marte no meio da década de 2020.

china foguete

13.902 – Astronomia – A Sonda Parker


sonda parker
Em alusão ao repórter Peter Parker (o homem aranha)
A sonda Parker é uma sonda espacial produzida pela Nasa que foi lançada no dia 12 de agosto de 2018 rumo ao Sol. Entre os seus objetivos, está a exploração da atmosfera do Sol a fim de que se possa entender melhor o comportamento dos ventos e tempestades solares.

Missão Parker
Estimado em cerca de 1,5 bilhão de dólares, o projeto da Nasa de enviar um laboratório móvel para os arredores do Sol surgiu em 2008. Na época, a missão tinha o nome de Solar Probe, mas foi rebatizada em homenagem ao astrofísico estadunidense Dr. Eugene Newman Parker, responsável por importantes descobertas acerca do comportamento dos ventos solares. Na época em que o projeto foi concebido, diversas barreiras tecnológicas precisavam ser vencidas: uma delas era a concepção de um sofisticado sistema de refrigeração e um escudo térmico para a sonda.
Para observar a coroa solar, a sonda deve chegar o mais perto do Sol que qualquer outro objeto já construído por um ser humano chegou: 6,1 milhões de quilômetros. Levando em consideração as distâncias espaciais, isso é como passar “raspando” no Sol.
A essa distância do Sol, as temperaturas atingem facilmente os 1337 ºC. Nessas condições extremas, os delicados circuitos internos da sonda seriam completamente destruídos se não fosse um escudo de carbono com 12 cm de espessura instalado na sua parte frontal, além de um eficiente sistema de refrigeração, capaz de manter sua temperatura interna em cerca de 29 ºC.
Outro recorde será batido pela sonda: ela será o objeto mais rápido já criado pelo homem. Durante sete anos (a duração estimada da missão é de 6 anos e 321 dias), a sonda será gradualmente acelerada pela gravidade de Vênus em direção à coroa solar. No auge de sua aproximação, estima-se que sua velocidade chegue a 700.000 km/h.
A data original de lançamento da sonda Parker estava marcada para o dia 11 de agosto de 2018, no entanto, em virtude de um mau funcionamento de um de seus sistemas de refrigeração, o lançamento foi adiado para o dia seguinte.
Um dos objetivos da sonda Parker é traçar como o calor e outras formas de energia propagam-se na coroa solar, além de tentar descobrir a causa da grande aceleração sofrida pelo vento solar ao adentrar a região da coroa.
As variações nos ventos solares presentes na coroa solar causam diversos distúrbios eletromagnéticos, os quais podem afetar os sistemas de telecomunicações terrestres, geralmente instalados em satélites. Entender o comportamento da coroa solar significa, portanto, aprender uma forma de prever e preparar-se melhor para a ocorrência desses fenômenos problemáticos.

Além disso, o Sol é a estrela mais próxima da Terra e a única que pode ser estudada tão detalhadamente. Entendendo mais sobre o Sol, será possível aprender mais coisas sobre outras estrelas longínquas.
Estágios da missão
A sonda foi lançada no dia 12 de agosto de 2018 por um potente foguete, o Delta IV-Heavy with Upper Stage, no Cabo Canaveral, no estado da Flórida, Estados Unidos. Ao meio-dia de 16 de agosto, a sonda já estava a 4,6 milhões de quilômetros da Terra, movendo-se a 62.000 km/h. Na madrugada de 3 de outubro de 2018, a sonda terá sua trajetória levemente alterada pela gravidade de Vênus, deslocando-se em direção à coroa solar, onde deverá chegar no dia 5 de novembro de 2018.
A sonda Parker conta com diversos instrumentos de medida diferentes. Esses instrumentos são alimentados pela eletricidade gerada pelas placas solares da sonda, capazes de produzir até 343 W de potência. Um deles é um conjunto de cinco antenas, instaladas atrás do escudo térmico e responsáveis pela comunicação da sonda com a Terra. A sonda também é equipada com diversos magnetômetros: instrumentos capazes de medir a intensidade do campo magnético local, além de sensores de campo elétrico e termômetros.
A sonda Parker conta com diversos instrumentos de medida diferentes. Esses instrumentos são alimentados pela eletricidade gerada pelas placas solares da sonda, capazes de produzir até 343 W de potência. Um deles é um conjunto de cinco antenas, instaladas atrás do escudo térmico e responsáveis pela comunicação da sonda com a Terra. A sonda também é equipada com diversos magnetômetros: instrumentos capazes de medir a intensidade do campo magnético local, além de sensores de campo elétrico e termômetros.
A missão é tentar esclarecer três dúvidas principais sobre a física do Sol: como a atmosfera exterior ao Sol, que recebe o nome de coroa, é aproximadamente 300 vezes mais quente que a camada de superfície logo abaixo? Como o vento ganha velocidade tão rapidamente? Como algumas das partículas mais energéticas do Sol se afastam a mais da metade da velocidade da luz?
Para responder estas questões, a sonda, que é do tamanho de um carro, leva a bordo quatro instrumentos para captar dados. A Parker Solar Probe deve seu nome a Eugene Parker, o físico que fez a primeira teoria sobre a existência do vento solar, em 1958.

parker 2
A PSP foi projetada especialmente para suportar temperaturas extremamente elevadas e radiação, com uma blindagem resultante de anos de pesquisa. Foi construída com um escudo espacial com 11,43 centímetros de espessura, material que deve suportar temperaturas superiores a 1,3 mil°C — a superfície do Sol pode chegar a 5,5 mil°C, e a coroa, atmosfera externa, milhares a mais.
— Esta é a primeira missão da Nasa a ser nomeada por um indivíduo vivo. O revolucionário artigo de Gene Parker previu o aquecimento e a expansão da coroa e do vento solar. Agora, com a Parker Solar Probe, podemos realmente entender o que impulsiona esse fluxo constante até a borda da heliosfera — falou Nicola Fox, diretora da Divisão de Heliofísica da Nasa, em Washington.

13.670 – NASA projeta helicóptero para sobrevoar Marte em 2021


heli marte
Pesquisar os 144 milhões de quilômetros quadrados da superfície de Marte não é tarefa fácil. É 100 milhões de km² a mais que todos os continentes terrestres somados. A missão é ainda mais desafiadora se considerar que os métodos atuais são extremamente lentos, como a sonda Curiosity, que se locomove a 0,14 km/h.

A NASA, porém, encontrou a solução, e ela vem pelo alto. A Agência Espacial Americana promete lançar em julho de 2020 um mini-helicóptero autônomo , chamado Marscopter, que vai sobrevoar o vizinho da Terra em missões de reconhecimento. A chegada deve ficar para fevereiro de 2021.
+ Robô que descobriu água em Marte comemora 5 mil dias marcianos

“A NASA tem uma orgulhosa história de ser pioneira”, disse o administrador da NASA, Jim Bridenstine. “A idéia de um helicóptero voando pelos céus de outro planeta é emocionante. O Marscopter é muito promissor para as nossas futuras missões de ciência, descoberta e exploração em Marte. ”
O projeto do helicóptero marciano prevê um equipamento de apenas quatro quilos e cerca de 30 centímetros de circunferência, o equivalente à metade de uma bola de futsal.
Para que consiga levantar voo na praticamente inexistente atmosfera de Marte, onde a pressão do ar na superfície do planeta é menor do que na altitude máxima de um helicóptero quando voando acima da Terra, suas duas hélices precisam girar dez vezes mais rápido que o necessário para se sustentar por aqui. São 3 mil rotações por minuto.

O maior desafio dos engenheiros é o sistema de comunicação com o computador. Mesmo se as instruções vindas da Terra viajar até Marte na velocidade da luz, seriam alguns minutos para chegar lá. Controlar o helicóptero daqui, portanto, é impossível. Por isso, ele precisa ser, pelo menos parcialmente, autônomo.

Entre os objetivos da missão está procurar zonas de pouso ideais na superfície, verificar o planeta em busca de sinais de vida ou perigos que possam ser importantes para os futuros astronautas que finalmente se aventurarem por lá. Ele também ajudará na pesquisa geológica que está sendo feita atualmente pela Curiosity e a Opportunity.

13.476 – Sonda Ulysses Faz Uma Viagem Para o Inferno


 

ulysses
A estrela mais próxima da Terra não é ainda totalmente conhecida. E precisa ser porque da energia que ele emite depende o controle das naves e estações orbitais que voam nesse espaço. Este ano, uma frota de sondas sobe ao céu para tentar diminuir nossa ignorância
Nunca ele foi focalizado por tantos telescópios e detectores. A sonda Ulysses, solta no espaço desde 1990, agora busca o melhor ângulo para fotografar o seu pólo norte. E, nada menos que oito novos satélites vão subir ao céu. A diferença entre todos esses novos aparelhos e a Ulysses é que eles ficarão em órbita da Terra. A Ulysses gira em torno do centro do Sistema Solar. Mas a missão de todos é uma só: olhar para o Sol.
Ao todo, elas leverão mais de trinta instrumentos espaciais para estudar, principalmente, como a energia solar flui para o nosso planeta. “Estamos aperfeiçoando os nossos sistemas de previsão do tempo no espaço”, disse o astrofísico Richard Marsden, chefe do projeto Ulysses, no Centro Europeu de Tecnologia e Pesquisa Espacial da ESA (Agência Espacial Européia), na Holanda. Com a curiosa expressão “previsão do tempo no espaço”, o cientista se refere à previsão das explosões solares e outras descargas de energia. “Isso é importante para operar com segurança aeronaves, como satélites e estações orbitais, e para conhecermos melhor a influência do Sol sobre a Terra.”
O tema mais importante das pesquisas é o vento solar — a “chuva” de partículas que jorra constantemente da estrela e varre o espaço, envolvendo todos os planetas. Várias das novas sondas fazem parte de programas conjuntos das maiores agências espaciais do mundo, como a ESA e a Nasa.
A Ulysses, um dos projetos das agências americana e européia, tem a tarefa de desbravar os pólos solares, nunca observados antes. Ela passou sobre o pólo sul solar em setembro de 1994 e já enviou novidades. Em maio, deve alcançar o pólo norte.
Aqui você vai ver o que os satélites estão vasculhando no Sol: como ele funciona por dentro, os sinais das atividades nucleares internas, visíveis na sua superfície, e os fenômenos solares que mais interferem no cotidiano terrestre.
O primeiro satélite que a Nasa colocou em órbita da Terra para estudar o Sol foi o Observatório Solar Orbital, em março de 1962. Foram anos importantes para a astronomia solar. Naquela época descobriu-se que o astro não é um corpo estático, mas pulsa, oscilando em tamanho.
Foi também na década de 60 que se chegou a uma segunda descoberta: parte da energia solar é liberada no espaço como neutrinos — partículas subatômicas sem carga elétrica e provavelmente sem massa, que mexem muito pouco com a matéria comum. Para os neutrinos, mesmo os grande corpos como os planetas, não são obstáculo. Eles atravessam todos numa velocidade bem próxima à da luz.
As duas descobertas abriram para a astronomia novas possibilidades de mergulhar no interior do Sol. Medidos aqui da Terra, o fluxo de neutrinos solares se tornou uma forma de calcular as reações nucleares dessa imensa usina. E acabaram levantando novos mistérios.
As pulsações, por outro lado, são usadas hoje pelos astrofísicos como espelhos que refletem diretamente o que acontece nas camadas internas do Sol. É por meio delas que a sonda Soho (sigla em inglês para Observatório Solar e Heliosférico), da Nasa e da ESA, vai acompanhar, a partir deste ano, a viagem da energia pelo interior da estrela, do núcleo até a superfície.
A Soho vai ser seguida, ainda este ano, pela Cluster. Não é uma única, mas, na verdade, quatro sondas que operam simultaneamente. Elas vão analisar o vento solar, montando um mosaico em três dimensões.
Dentro da imensa usina atômica que é o Sol, a cada segundo, 657 milhões de toneladas de hidrogênio são transformados em 652,7 milhões de toneladas de hélio. Os 4,5 milhões de toneladas que faltam na reação são liberados na forma de pura energia. A produção do Sol é um absurdo: 383 bilhões de bilhões de Megawatts. Sim, é impossível imaginar o que isso significa. Mas dá para fazer uma idéia distante: o Sol libera, num único segundo, o equivalente a 13 milhões de vezes toda a energia elétrica que os Estados Unidos consomem num ano inteiro (2,8 bilhões de kilowatts-hora).
Não é preciso chegar muito perto para sentir os efeitos dessa superpotência energética — afinal, essa energia viaja por todo o sistema solar e, portanto, não está restrita à superfície do Sol. Assim, muitas sondas fazem uma boa cobertura dos fenômenos solares permanecendo em órbita da própria Terra. Daqui mesmo, a nave japonesa Yohkoh, entre outras, consegue mostrar toda a violência das explosões solares por meio de fotos da atmosfera solar em raio X.
A Wind, lançada no final de 1994, é outro satélite que não deixa as vizinhanças do planeta. A uma distância máxima de 1,6 milhão de quilômetros da Terra, ela capta as partículas do vento solar antes que elas atinjam o campo magnético terrestre. A segunda etapa da missão será cumprida a partir de dezembro deste ano por outra sonda da Nasa, a Polar, que leva onze instrumentos. Os outros satélites prontos para subir este ano são os americanos Spartan-3, Fast e UV-Star. Também a Argentina vai lançar uma sonda: a SAC-B.
O Sol pode estar muito longe, nas escalas terrestres. Mas 150 milhões de quilômetros não significam nada para a energia. As partículas do vento solar, por exemplo, envolvem todos os planetas, de Mercúrio a Plutão, e vai ainda além. Na Terra, elas criam efeitos como tempestades magnéticas e auroras boreais.
Também para os modernos sistemas de observação, distância não é documento. Tanto é que a sonda Ulysses, a vedete da temporada solar, passou sobre o pólo da estrela em setembro passado, a 345 milhões de quilômetros — quase 2,5 vezes a distância entre o Sol e a Terra — e já apresentou resultados que entusiasmaram a comunidade científica internacional.
Algumas medições confirmaram o que os astrofísicos já sabiam por cálculos: nos pólos, as partículas de matéria são expelidas a 2,7 milhões de quilômetros por hora — quase duas vezes a velocidade registrada no equador. Outros dados são mais surpreendentes: ao contrário do que acontece na Terra, onde a força magnética é mais forte nos pólos do que no equador, o campo magnético do Sol não varia.
Isto é o que o astrofísico Richard Marsden, chefe do projeto Ulysses na ESA, chama de “surpresas e sucessos da missão”. Ele explica que o projeto vai indo tão bem que, em vez de terminar com a passagem pelo pólo norte, em setembro deste ano, a sonda pode permanecer em órbita até o ano 2001. “Aí então, ela pegará o Sol em grande atividade, com imensas erupções jogando mais energia e matéria para o espaço do que o normal”, diz Marsden. “Se compararmos os dois períodos de observação, vamos aprender muito mais.”

Ulysses
A sonda da Nasa e da ESA é a primeira a estudar o espaço interplanetário sobre os pólos do Sol — quer dizer, longe da região da órbita dos planetas. Lançada em 1990, ela coletou dados sobre o pólo sul, em setembro de 1994. Em maio de 1995, deve observar o pólo norte. Pequena, com 3,20 metros de comprimento e menos de 370 quilos, está programada para passar quatro meses fazendo observações.

A sonda Ulysses, lançada em 1990, está estudando pela primeira vez os pólos solares. Ela já sobrevoou o pólo sul e, este ano, vai alcançar o pólo norte.

Traduzindo em números

Apesar de ser uma estrela de tamanho médio, o Sol está entre os 5% dos astros mais brilhantes da Via Láctea.
Distância da Terra: 150 milhões de quilômetros
Diâmetro: 1,4 milhão de quilômetros
Massa: 333 000 vezes a da Terra
Densidade média: 1,41 (a da água é 1, a da madeira, 5, e do ferro, 10)
Período de rotação: 25 dias no equador e 34 dias nos pólos
Força de gravidade: 28 vezes maior do que a da Terra
Temperatura interna: 14,25 milhões de graus centígrados
Temperatura da superfície: entre 3 800 e 6 000 graus centígrados
Composição no núcleo: 64% hélio, 35% hidrogênio e 1% outros elementos
Composição nas demais camadas: 75% hidrogênio, 24% hélio e 1% outros elementos
A terra sente a força de longe
Nosso planeta é como é por causa da energia solar. Mas, além da luz, ela nos chega de outras formas

O gigantesco “saiote” magnético
Por trás da emissão de energia do Sol sobre a Terra está seu campo magnético. Esse íma gigantesco “segura” e vai acumulando as partículas do vento solar até que a imensa pressão cria as erupções. Elas caracterizam períodos de grande atividade do Sol. Os astrônomos costumam comparar seu campo magnético com uma “saia de bailarina”. A rotação faz o saiote ondular. O campo magnético chega a 1 bilhão de quilômetros de distância do Sol. Ou seja, até perto de Saturno.

As explosões e o clima
Houve épocas em que o Sol ficou bem mais fraco e isso pode ter dado origem às eras glaciais. Hoje se sabe que, a cada 22 anos, imensas erupções liberam quantidades anormais de energia. A última tentativa de explicar como as variações de humor do Sol influem no clima da Terra diz que, nesses períodos, a luz visível varia em apenas 0,1%, mas os raios ultravioleta aumentam muito mais. Assim, aquecem a atmosfera da Terra e aumentam a temperatura global.

Luminosa matéria supersônica
As transmissões de rádio, volta e meia, são perturbadas por tempestades magnéticas cuja origem está no Sol. Elas se devem à influência do vento solar, que é formado por partículas com carga elétrica, como elétrons e prótons. Essas partículas invadem a alta altmosfera terrestre a mais de 1,4 milhão de quilômetros por hora e emitem luz, criando as auroras boreais e austrais, e interferindo nos sistemas de comunicação e de navegação das aeronaves. Somente com elas, o Sol perde um milhão de toneladas de matéria por segundo.

Mistérios solares
A estrela que melhor conhecemos ainda esconde muitos segredos.

Quanto mais quente, mais complicado
Um dos mistérios está nos gases da chamada coroa. Como eles podem ser muito mais quentes do que a superfície do Sol? De 13 000 graus, a temperatura salta de repente para mais de 500 000 graus, podendo chegar a 1,5 milhão de graus, na parte mais luminosa da coroa. Tudo indica que a força magnética que impulsiona os jatos de gases também os aquece. Pelos cálculos, porém, a força seria insuficiente para aquecer tanto a coroa. A incerteza, portanto, persiste.

Cadê os neutrinos daqui?
De acordo com a quantidade de radiação que escapa do Sol, sua temperatura interna deveria ser de 15 milhões de graus. Mas, medindo a emissão de neutrinos — partículas subatômicas que fogem do núcleo do Sol em menos de três segundos —, a temperatura não passa dos 14,25 milhões de graus. Mas, se fosse mais frio, o Sol deveria ser menor e brilhar menos. A única explicação é ainda hipótese: apenas parte dos neutrinos seriam captados na Terra. O engano no número de neutrinos emitidos levaria a uma avaliação errada da temperatura.

A impossível pulsação radial
A teoria garante: todos os 10 milhões de tipos de oscilação de tamanho do Sol são caóticos, desordenados. Não há oscilação radial, que atinja a estrela por inteiro, em toda a sua circunferência. Mas o astrofísico Nelson Vani Leister, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo, mede o diâmetro solar há mais de vinte anos. E garante: o Sol cresce e encolhe 150 quilômetros a cada 1 000 dias. Astrônomos do Observatório de Côte d’Azur, na França, confirmam a observação do brasileiro. “Estamos fazendo um levantamento histórico das pulsações, para ver a que tipo de fenômeno elas podem estar associadas.”

Pulsando como um tambor
O Sol está sempre oscilando. Os gases em ebulição são como ondas acústicas que abalam a superfície — do mesmo modo que a pele de um tambor é abalada com a pulsação do ar em seu interior. Os astrônomos já registraram mais de 10 milhões de pulsações diferentes. Eles conseguem “ouvi-las” com aparelhos chamados espectrógrafos. Nas imagens criadas em computador, as regiões vermelhas estão “afundando” e as azuis, “subindo”.

Soho
O Observatório Solar e Heliosférico (Soho) é um projeto conjunto entre a Nasa e a ESA. Ele vai levantar vôo em outubro na ponta de um foguete Atlas II-AS e deverá orbitar a Terra a cerca de 1,5 milhão de quilômetros. Seus doze detectores vão mandar dados sobre a coroa, o vento solar, as ondas acústicas do Sol, o movimento dos gases da superfície e as variações de radiação.

Cluster
A sonda da Agência Espacial Européia (ESA) vai estudar principalmente os efeitos do vento solar sobre os pólos terrestres. São quatro naves voando juntas. Elas vão carregar instrumentos idênticos que podem mostrar a estrutura e os movimentos das partículas solares que envolvem o planeta, e montar um mosaico em três dimensões. A Cluster entra em órbita da Terra ainda este ano, levada por um foguete Ariane-5.

Yohkoh
O satélite nipo-anglo-americano entrou em órbita terrestre em 1991. Carrega dois telescópios que captam as ondas de raio X. Esse tipo de radiação é emitida por material aquecido a centenas de milhares de graus. A Yohkoh (palavra japonesa para “raio de sol”) tem a grande novidade de bater as “fotos” do Sol a uma velocidade nunca conseguida. Assim, enviadas à Terra, elas se transformam em filmes que mostram detalhes das tremendas tempestades de energia.

Wind
Sua principal missão é analisar o vento solar. Lançado no final de 1994, esse laboratório espacial é projeto conjunto da Nasa e da ESA. Mede 2,40 metros de diâmetro e 1,80 metro de altura. Pesa cerca de 900 quilos. Foi desenhado para permanecer em atividade por três anos, numa órbita entre 29 000 e 1,6 milhão de quilômetros em torno da Terra. A ideia é colher dados sobre o vento solar antes que ele atinja o campo magnético do nosso planeta.

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13.464 – Notícias da Astronomia


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A sonda New Horizons, que visitou Plutão em 2015, acordou de sua “soneca interestelar”. O aparelho estava hibernando desde abril deste ano para economizar energia e cortar gastos até o desenvolvimento de outra missão pela NASA.
A New Horizons, contudo, não estava totalmente desligada da Terra. Mensalmente ela mandava informações sobre sua localização e estado de conservação, para que os especialistas pudessem monitorá-la.
O plano da agência espacial americana é promover o encontro da sonda com o 2014 MU69, objeto originário do Cinturão de Kuiper — área do Sistema Solar situada próxima à órbita de Netuno.
Se tudo der certo, o evento ocorrerá em 1º de janeiro de 2019 e será a maior aproximação (3500 km) entre uma nave e um fragmento do Cinturão, além do encontro planetário mais distante da história: a mais de 6,5 bilhões de quilômetros da Terra.

(Com informações de EarthSky.)

13.032 – Google cria prêmio milionário para quem levar minijipe à Lua primeiro


minijipe
Trata-se do Prêmio X Lunar Google (GLXP), patrocinado pela gigante da internet para fomentar o desenvolvimento de tecnologias espaciais de baixo custo e a exploração do satélite natural da Terra.
A maior bolada –US$ 20 milhões– vai para o primeiro grupo que conseguir pousar na Lua um módulo robótico capaz de se deslocar por no mínimo 500 metros pela superfície e transmitir vídeos e fotos em alta definição de lá.
O segundo colocado, se houver, não sairá de mãos abanando; levará US$ 5 milhões. É importante colocar esses valores em perspectiva, porém. O preço de tabela para o lançamento de um foguete Falcon 9, da SpaceX –o mais barato do mercado com capacidade para levar uma carga útil até a Lua–, não sai por menos que US$ 62 milhões.
E as regras da premiação exigem que 90% do financiamento do projeto seja privado. Ou seja, as equipes precisam ter um plano de negócios que justifique o investimento todo na missão.
Isso explica a intensa movimentação no grid até o último dia de 2016: das 16 equipes atualmente inscritas (antes eram 29), apenas 5 conseguiram apresentar contratos de lançamento. E como o contrato assinado até o fim do ano é pré-condição para seguir na disputa, várias delas estão se associando.
É o caso da brasileira SpaceMETA, liderada pelo engenheiro Sergio Cavalcanti. Ela chegou a ter um acordo assinado para usar o primeiro voo do foguete Cyclone-4 a partir de Alcântara, mas o lançador se desmaterializou com o cancelamento da parceria entre brasileiros e ucranianos.
Agora, para ter alguma chance, ela e outras três equipes tentam se reunir num grupo em torno do grupo internacional Synergy Moon. “Montamos a estratégia de desaparecer e reaparecer com um time global”, disse Cavalcanti à Folha. Detalhe: o contrato da Synergy, embora reconhecido pelos juízes do GLXP, envolve um foguete ainda não testado sequer uma vez em voo.
Movimento similar de emparceiramento de última hora fez a equipe japonesa Hakuto, que se juntou à indiana Team Indus para viajar junto com ela. Mas nesse caso a chance de sucesso é bem maior: elas têm voo assegurado no foguete indiano PSLV –lançador que inclusive já realizou uma missão lunar, a Chandrayaan-1. (Será esse mesmo lançador que levará a Garatéa-L, primeira missão lunar brasileira, em 2020.)

Objetivos
> Pousar suavemente uma espaçonave na Lua

> Viajar 500 metros no solo lunar

> Enviar fotos e vídeos em alta definição

Prêmios

1º colocado – US$ 20 milhões
2º colocado – US$ 5 milhões
Prêmios-bônus – US$ 5 milhões

Prazo final
31 de dezembro de 2017

Equipes
> Team SpaceIL (Israel)
> Team Indus (Índia)
> Part-Time Scientists (Alemanha)
> Moon Express (EUA)
> Synergy Moon (internacional)
> STELLAR (EUA)
> Independence-X (Malásia)
> Omega Envoy (EUA)
> Euroluna (internacional)
> Hakuto (Japão)
> Astrobotic (EUA)
> Team Puli (Hungria)
> SpaceMETA (Brasil)
> Team Plan B (Canadá)
> AngelicvM (Chile)
> Team Italia (Itália)

12.882 – Sonda europeia pode não ter sobrevivido ao pouso em Marte


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Após ter lançado duas naves em direção a Marte, a missão ExoMars — conduzida em parceria com a Agência Espacial Europeia e a Agência Espacial Federal Russa — já passa por dificuldades. Um minuto antes do horário previsto para o pouso no planeta vermelho, o contato com a sonda Schiaparelli foi perdido.
Satélites em Marte tentaram identificar o estado atual da sonda, por enquanto sem sucesso, segundo a BBC. A maior preocupação das agências é com a hipótese de que o robô teria sido destruído durante uma possível colisão, mas nenhuma declaração oficial sobre essa possibilidade foi divulgada até o momento.
Alguns engenheiros estão fazendo análises para entender o motivo da perda de comunicação e o que poderá ser feito para recuperá-la. Este posicionamento ainda deve durar alguns dias.
A outra sonda da missão, TGO (Trace Gas Orbiter), alimenta algumas esperanças: quando Schiaparelli se aproximava da superfície do planeta, a TGO ainda recebia sinais da sonda através de telemetria, um sistema de monitoramento. Esse processo pode ter guardado informações importantes sobre o que realmente aconteceu até o momento em que a comunicação foi perdida. Especialistas da Agência Europeia e responsáveis pela construção da Schiaparelli irão examinar esses dados em breve.
Até o momento, o satélite TGO teve um percurso menos sombrio e é parte importante da missão. Ele deve passar anos estudando o comportamento de gases como metano, dióxido de nitrogênio e vapor d’água na atmosfera de Marte. Embora estejam presentes em quantidades pequenas, esses componentes podem guardar características importantes e até indicar a existência de vida no planeta hoje.

12.844 – Sonda Rosetta colide em cometa e finaliza sua missão histórica


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Após doze anos coletando valiosos dados sobre o Sistema Solar, a sonda Rosetta terminou sua missão. O aparelho da Agência Espacial Europeia (ESA) colidiu com o cometa 67P/Churyumov-Gersasimenko no início da manhã desta sexta-feira (30) no horário de Brasília.
A agência perdeu contato com a sonda no fim da tarde de quinta-feira (29), quando ela entrou no curso de colisão com o cometa em uma altitude de 19 quilômetros. Rosetta foi eficiente até o fim: durante a aproximação, ela coletou informações sobre o gás, a poeira e o plasma que envolvem a superfície do 67P, além de captar imagens dele — os dados foram enviados para a Terra antes da perda de contato.
“A Rosetta fez história mais uma vez”, disse Johann-Dietrich Wörner, diretor da Agência Espacial Europeia. “Hoje celebramos o sucesso de uma missão que mudou o jogo, uma que ultrapassou todos nossos sonhos e expectativas e que continuará o legado da ESA no estudo de cometas.”

Histórico
Desde que saiu da Terra, em 2004, a Rosetta deu várias voltas ao redor do nosso planeta, passou por Marte e encontrou dois asteroides. Em novembro de 2014, o robô Philae se desprendeu da sonda para pousar no cometa 67P Churyumov-Gerasimenko, se tornando a primeira criação humana a tocar a superfície de um cometa.
A decisão de terminar a missão colidindo no cometa surgiu a partir do fato de que a sonda e o cometa estavam indo para além da órbita de Júpiter. A distância do Sol dificultaria a recarga de Rosetta, que ficaria com pouca energia para funcionar. Vida longa e próspera.

12.804 – NASA lança sonda que voltará com um pedaço de asteroide para a Terra


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A United Launch Alliance (ULA) colocou no espaço o mais novo brinquedo da NASA: o Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer (OSIRIS-Rex), cujo nome, para um leigo, não revela sua missão incrível nem em inglês nem em português. Trata-se de uma sonda sommelier de asteroides.
Ela não irá simplesmente chegar lá, cortar uma fatia e ir embora de barriga cheia, claro. Já em sua aproximação, que deve ocorrer em 2018, ela começará a analisar a topografia e a composição química do asteroide em busca do melhor ponto possível para fazer o corte. Ficará em órbita no rochedo flutuante por três anos e poderá fazer até três tentativas de coleta antes de começar a viagem de volta em 2021, quando a órbita do asteroide estará no ponto mais propício ao retorno.
Se tudo der certo, até julho de 2020, ela terá coletado uma amostra do astro Bennu, que em setembro de 2023 já estará na Terra para ser analisado. A ideia é entender um pouco melhor sobre a formação dos corpos celestes e, assim, ter mais pistas sobre o surgimento do Sistema Solar.

12.631 – Mais sobre a Missão Juno


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Juno vai mapear a atmosfera e a estrutura de Júpiter, investigando como o fortíssimo campo magnético e a monstruosa gravidade do gigante gasoso interferem em suas propriedades. Um dos mistérios jupiterianos que poderão ser solucionados é o da Grande Mancha Vermelha, uma tempestade que dura séculos e que vem encolhendo nas últimas décadas. “Se antes cabiam três Terras ali dentro, hoje não chega a uma”, disse Adriana Ocampo, executiva da NASA que coordena a missão, ao Luneta.
A sonda também pretende responder se Júpiter tem um núcleo sólido ou de hidrogênio metálico, além de explicar como sua presença pode ter influenciado até mesmo a vida na Terra. “Uma das hipóteses é que um planeta do tamanho de Júpiter seja capaz de distribuir as moléculas de água pela região interna do Sistema Solar”, afirma Ocampo. Da próxima vez que for se hidratar, não se esqueça de agradecer ao poderoso deus romano. Ou então ao nosso vizinho grandalhão.

Instrumentos
– JunoCam (JC)
– Espectrógrafo Ultravioleta (UVS)
– Mapeador Infravermelho de Auroras Jupterianas (JIRAM)
– Instrumento de Ondas de Plasma (WAVES)
– Ciência da Gravidade (GS)
– Experimento de Distribuições de Auroras Jupterianas (JADE)
– Radiômetro de Micro-ondas (MWR)
– Instrumento Detector de Partículas Energéticas de Júpiter (JEDI)
– Magnetômetros (M)

Funções
GS e M: mapear campos gravitacional e magnético para estudar estrutura profunda
MWR: sondar atmosfera profunda para medir a quantidade de água e oxigênio
JEDI, JADE e WAVES: analisar campos elétricos, ondas de plasma e partículas para determinar como o campo magnético se relaciona com a atmosfera e com auroras
UVS e JIRAM: fotografar atmosfera e auroras com câmeras ultravioleta e infravermelha para identificar a composição dos gases
JC: tirar imagens coloridas em alta resolução definidas por estudantes e pelo público

12.629 – Após cinco anos, sonda Juno chega a Júpiter


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Se você quer conhecer os segredos de Júpiter, quem melhor que a mulher dele para revelá-los? A sonda americana Juno, batizada com o nome da esposa do deus dos deuses, chega hoje ao maior planeta do Sistema Solar.
Em pleno feriado americano da Independência, funcionários do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa farão plantão para monitorar a delicada manobra de inserção orbital da espaçonave.
Aliás, a palavra-chave aí é “monitorar” mesmo. E fazer figas. No piloto automático, a sonda Juno fará toda a manobra sozinha, e aos controladores em terra só caberá monitorar o sinal e se certificar que tudo foi como planejado. Ou não.
Se tudo correr bem, a Juno deve se tornar a segunda sonda da história da exploração espacial a se estabelecer ao redor de Júpiter. A primeira foi a Galileo, que partiu em 1989 e chegou lá em 1995.
Maior dos planetas do Sistema Solar, Júpiter ganhou na Antiguidade o nome do deus dos deuses da mitologia greco-romana.
Seguindo a lógica, as quatro principais luas jovianas, descobertas no século 17 (Europa, Io, Ganimedes e Calisto), receberam nomes de amantes dele.
E agora a sonda Juno chega para representar a ciumenta “número um” de Júpiter com bom motivo: em sua órbita polar ao redor do planeta, ela se aproximará mais dele que qualquer de suas luas e terá a capacidade de enxergar através do típico véu de mentiras de seu marido infiel.
Numa trajetória elíptica bastante excêntrica, a Juno vai se alternar entre aproximações e afastamentos do planeta, passando a cerca de 4.200 km da cobertura de nuvens do gigante gasoso em seu perijove –nome dado ao ponto de mínima distância a Júpiter.
Como se poderia esperar de uma esposa, seu interesse no planeta vai além das aparências –a Juno se destina a investigar os mistérios do interior do gigante gasoso, ocultados por suas nuvens e a imensa turbulência atmosférica.

12.162 – Sonda Galileu – Missão Suicida em Júpiter


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Sonda Galileu entra na atmosfera de Júpiter e explode

Os vaivéns da nave americana Galileu, que estava desde 1989 fotografando e estudando diversos planetas e luas, terminariam num espetacular mergulho kamikase. Ela se estatelou no maior dos mundos do sistema solar, Júpiter. Os cientistas da Nasa queriam evitar que a nave caisse no satélite jupiteriano Europa, que se acreditavam ser habitado por micróbios ou outras formas de vida. Se despencasse por lá, Galileu contaminaria o ambiente extraterrestre mais promissor à vida que se conhece. Decidiu-se então estender o voo por um ano, tirando dele o maior proveito possível, e depois mandar a viajante do espaço para Júpiter sem bilhete de volta.

12.151 – Sonda da NASA que utiliza energia solar bate recorde de distância


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A sonda Juno, da NASA, acabou de se tornar a missão que chegou mais longe no espaço utilizando energia solar: 793 milhões de quilômetros ou 3,5 vezes a distância entre a Terra e Marte – e ela pretende ir ainda mais longe.
Lançada em 2011, a missão Juno foi desenvolvida para estudar Júpiter, onde ela deve chegar em julho de 2016. Ela é a primeira nave que substitui as baterias de energia nuclear por energia solar criada para funcionar a um intervalo tão grande do Sol. A uma distância Terra-Sol, as células conseguem gerar aproximadamente 14 quilowatts de eletricidade. Como a intenção é operar em Júpiter, essa quantidade de energia diminui significativamente, por isso seus painéis são gigantescos: nove metros de matrizes, com 18.698 células solares individuais. No total, a construção pesa quatro toneladas.
“Júpiter é cinco vezes mais distante do Sol do que a Terra, e a luz lá é 25 vezes mais fraca. Os nossos painéis vão gerar apenas 500 watts de energia em Júpiter. Mas Juno foi desenhada com muita eficiência, e isso deve ser mais que suficiente para fazer o trabalho”, diz Rick Nybakken, gerente do projeto.
Estudar Júpiter é tão importante quanto estudar o próprio Sol: pelo seu tamanho e por ter sido o primeiro planeta gasoso a se formar, ele influenciou profundamente a formação e evolução de outros corpos. Já salvou a Terra de diversos impactos de cometas: a sua massa é tão grande que é capaz de formatar órbitas de planetas, asteroides e de outros corpos. A NASA espera que algumas perguntas como quando Júpiter nasceu, como o seu campo magnético foi formado e qual a sua composição sejam respondidas através da análise da sonda.
O nome da missão não foi escolhido aleatoriamente: Juno (Hera), na mitologia greco-romana, é a esposa de Júpiter (Zeus). O pai dos deuses criou um véu de nuvens ao redor de si mesmo, para esconder sua perversidade. Sua esposa conseguiu atravessar as nuvens, para revelar sua verdadeira natureza. Espera-se que Juno, a sonda, consiga fazer o mesmo.

12.087- NASA suspende missão espacial que iria a Marte em 2016


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A NASA anunciou o cancelamento de sua missão espacial InSight, que tinha como objetivo medir e ouvir tremores em Marte para obter novas informações sobre o interior do planeta. A nave seria enviada em 2016, mas um instrumento de medição sísmica, feito por uma equipe francesa, apresentou problemas e não pode ser consertado a tempo.
Em 3 de dezembro, o laboratório JPL, responsável por grandes avanços de robótica para a NASA e organizador da missão, confirmou que havia um vazamento em uma esfera selada a vácuo que continha três sismômetros. Fornecido pela agência espacial francesa CNES, o instrumento – apelidado de SEIS – pousaria na superfície de Marte para capturar os sons emitidos pelo interior do planeta. Os esforços para reparar o vazamento não foram suficientes e, em 20 de dezembro, depois de uma bateria de testes, o instrumento vazou mais uma vez.
A notícia, é claro, abalou bastante a comunidade científica, uma vez que o experimento era bastante aguardado. Lisa Pratt, chefe de um dos comitês responsáveis por missões até Marte, definiu que a equipe responsável está “devastada”. E não apenas por conta da ansiedade de saber mais sobre o interior do planeta, mas também, é claro, por conta dos custos – que só aumentam quando uma empresa internacional entra na conta. “Ninguém deseja que uma parceria internacional tão vibrante como esta seja abalada dessa forma”, contou ela. A missão custaria 675 milhões de dólares e estava dentro do programa Discovery, que oferece missões de baixo custo e altamente competitivas. A InSight foi escolhida entre diversas candidatas; uma delas sugeria que uma nave fosse enviada à lua Titã de Saturno.
A organização espacial ainda não confirmou uma nova data de lançamento, mas estima-se que seja necessário esperar 26 meses para uma nova tentativa de envio, por conta das órbitas de ambos os planetas. É esperar para ver – e torcer para dar certo na próxima.

11.443 – Sonda New Horizons poderia fazer “contato com alienígenas” após sobrevoo histórico em Plutão


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Os investigadores esperam usar a sonda para enviar uma mensagem às profundezas do espaço, contando aos supostos extraterrestres detalhes da humanidade e enviando um ‘mapa’ para encontrar a Terra. A sonda deve fazer o primeiro sobrevoo em Plutão em 14 de julho, e uma transmissão de mundos alienígenas já poderia acontecer em julho de 2016.
O projeto, apelidado de “Uma Mensagem da Terra”, é ideia de Jon Lomberg, o mesmo responsável pela inserção de músicas populares colocadas a bordo da Sonda Voyager da Nasa, em 1977. Similar ao projeto anterior, chamado de ‘Golden Records’, o atual irá pedir às pessoas de todo o mundo que contribuam com imagens, sons e ideias para enviar a bordo da New Horizons.
“Esta é realmente uma chance de tentar pensar sobre nós mesmos a partir de uma longa perspectiva”, disse Lomberg ao Space.com. “Nós nunca saberemos se esse público extraterrestre que nós estamos imaginando, irá receber as mensagens, mas nós sabemos que as pessoas da Terra que participarem, desempenham um papel importante no projeto, podendo, literalmente, mudar nossas vidas”, completou.
Caso a Nasa aprove a inserção do projeto em sua sonda, os pesquisadores planejam criar um arquivo digital com 150 megabytes de dados, basicamente o mesmo valor dos registros enviados pela Voyager. De acordo com a Space.com, a mensagem também poderia incluir um mapa do mundo e cada imagem e som poderia ser assinalado para o lugar de onde veio.
Lomberg e seus colegas estão, agora, com o objetivo de levantar pelo menos US $ 500.000 (R$ 1.500.000) de pessoas ao redor do mundo para financiar o projeto. Mas, primeiro, New Horizons precisa torná-lo viável, através de seu sobrevoo em Plutão, em uma peça acoplada.
Pesquisadores disseram que anéis e luas ainda desconhecidos em torno do planeta anão podem representar um perigo para a sonda. Até agora, sabe-se de cinco luas nas proximidades do planeta, mas teorias acreditam que possam existir mais, e, eventualmente, um sistema complexo de anéis.
Se isso acontecer, a New Horizons pode precisar tomar uma ação defensiva, a fim de se proteger e garantir que a viagem de mais de nove anos não termine em fracasso. O perigo deve ser levado em conta, pois a distância de Plutão da Terra faz com que seja difícil descobrir exatamente o que está orbitando o planeta anão.
A sonda New Horizons deve fazer sua maior aproximação em 14 de julho, mas há uma chance – embora pequena – de que uma lua inédita possa representar um perigo. E se, assim como Saturno, Plutão tiver um extenso sistema de anéis, composto por pequenas pedras, esses restos também poderiam ser uma ameaça. “Com a New Horizons a uma velocidade de cerca de 50.400 km/h, qualquer fragmento, por menor que seja, poderia prejudicar ou destruir a sonda”, disse o cientista do projeto, Dr. Hal Weaver.
Cada vez mais perto de Plutão, New Horizons começa agora sua primeira busca por essas prováveis novas luas ou anéis. No início deste mês, a sonda capturou imagens em baixa resolução das menores das cinco luas conhecidas de Plutão, Kerberos e Styx.
Uma animação lançada continha quatro imagens tiradas entre 25 de Abril e 1 de Maio. “New Horizons está agora no limiar da descoberta”, disse um membro da equipe científica da missão, Dr. John Spencer, do Southwest Research Institute, em Boulder, Colorado. “Se a sonda observar quaisquer luas adicionais, à medida que se aproximar de Plutão, elas serão inéditas”, concluiu.

11.360 – Sonda da Nasa se espatifa com sucesso em Mercúrio


O fim da missão Messenger, marcou o encerramento do primeiro reconhecimento completo do planeta Mercúrio.
Apesar do sabor agridoce que envolve o inevitável fim de qualquer missão espacial, a Nasa preferiu realçar o enorme sucesso da sonda.

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Ao longo dos últimos quatro anos, a Messenger transformou o que até então era o “patinho feio” do Sistema Solar em um planeta cheio de mistérios, guardião de segredos sobre os processos de formação planetária e quiçá da origem da vida na Terra.
Até então, apenas uma outra espaçonave havia passado por lá –a americana Mariner-10–, e ainda assim sem chegar a entrar em órbita do pequeno mundo.
Para que se tenha uma ideia, tudo que tínhamos sobre Mercúrio antes da Messenger equivalia a um mapeamento de cerca de 45% da superfície, feito em baixa resolução.
Observá-lo com telescópios também não é a coisa mais fácil do mundo. Como ele é o planeta mais próximo do Sol, sua posição no céu nunca se distancia muito da do astro-rei. E aí o problema é grande.
O Telescópio Espacial Hubble, por exemplo, nunca pôde ser apontado para Mercúrio, pelo risco de que a luz solar danificasse sua delicada óptica.
É estranho imaginar que num mundo tão perto do Sol a estrela lá parece três vezes maior, se comparada com a visão que temos da superfície terrestre seja possível haver gelo.
Embora durante o dia mercuriano as temperaturas atinjam cerca de 430 graus Celsius, no fundo dessas crateras polares o Sol nunca bate. E como não há atmosfera para transportar o calor, à sombra é sempre muito frio – centenas de graus abaixo de zero.
Os cientistas imaginam que o gelo tenha ido parar lá pelo impacto de cometas, assim como grandes quantidades de material escuro, provavelmente orgânico, que o recobrem no fundo desses buracos.
Compostos orgânicos e água são basicamente os dois ingredientes mais importantes para a vida, e especula-se que cometas e asteroides também possam tê-los trazido para a Terra no passado remoto.

Assim, ao analisar o material nas crateras polares de Mercúrio, podemos talvez dar uma olhada na química que foi precursora da vida por aqui.
Em entrevista coletiva que marcou os maiores sucessos da sonda, Sean Solomon, cientista-chefe da missão, indicou que esse pode ser o próximo passo.
Para Solomon, contudo, a principal revelação feita pela Messenger foi a de que diversos elementos voláteis, que em tese não deveriam estar presentes em Mercúrio, estão lá.
Isso, de acordo com ele, obrigará os cientistas a voltar às pranchetas para compreender o processo que levou à formação dos planetas solares.
Uma coisa é certa: Mercúrio nunca mais será visto da mesma maneira depois da Messenger. Lançada em 2004, ela deveria ter passado no mínimo um ano em órbita do primeiro planeta. Acabou durando quatro.
Com seu combustível completamente esgotado, a pequena espaçonave impactou contra a superfície daquele mundo conforme o previsto pelos engenheiros, abrindo uma cratera com estimados 16 metros de diâmetro, após um impacto a uma velocidade de 14 mil km/h.
Sem ela em órbita, não temos como identificar essa nova cratera agora. A espera deve durar até 2024, quando a missão nipo-europeia BepiColombo entrará em órbita de Mercúrio. O lançamento está marcado para 2017.

11.335 – NASA anuncia que nave Massenger se chocará contra o planeta Mercúrio


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A nave espacial Messenger, da NASA, está prestes a se chocar contra Mercúrio, o planeta que ela tem estudado há pouco mais de quatro anos. Lançada em 2004, depois de seis anos e meio de viagem, a Messenger chegou à órbita do planeta mais próximo ao Sol do nosso sistema. Após realizar uma longa e bem-sucedida missão, que recolheu informações que os cientistas estudarão por muitos anos, a nave em breve ficará sem combustível e se colidirá contra a superfície de Mercúrio, a 14.087 km/h.
O impacto acontecerá em algum momento entre amanhã (29) e depois de amanhã (30), do lado oposto à Terra, por isso não poderá ser visto do nosso planeta. Em sua despedida, o engenheiro de sistemas da missão, Daniel O’Shaughnessy, destaca: “Pela primeira vez na história, temos um conhecimento real sobre o planeta Mercúrio, que tem se mostrado um mundo fascinante”. A última manobra do Messenger ocorreu na semana retrasada, reduzindo aos poucos todo o gás hélio remanescente. “Agora, a nave já não é mais capaz de lutar contra a atração da gravidade do Sol”, explicou O’Shaughnessy.