13.847 – Lei e Direito – Pra que serve a DRT?


MTE
Apesar de ser um termo muito utilizado pela população em geral, é preciso pontuar que esta nomenclatura, Delegacia Regional do Trabalho (DRT), não mais existe. Este era o termo designado nas normas regulamentadoras originais, quase todas elaboradas no final da década de 70. Muitas delas, contudo, mesmo que tenham sido alteradas, ainda possuem estas titulações desatualizadas, assim como a CLT.
O termo DRT foi substituído por SRTE, que significa Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. Cada estado brasileiro possui uma SRTE, que é a representação do Ministério do Trabalho em nível regional, com um Superintendente Regional do Trabalho, que é a autoridade máxima dentro daquele órgão regional.
A SRTE tem seu regimento interno disposto na Portaria nº 153, de 12 de fevereiro de 2009, bem como toda a sua estrutura organizacional. De acordo com o regimento, a SRTE tem como função executar, supervisionar e monitorar as ações concernentes a políticas públicas relacionadas ao MTE, em sua jurisdição. Dá-se especial atenção às ações de fomento ao trabalho, emprego e renda, execução do Sistema Público de Emprego, fiscalização do trabalho, mediação e de arbitragem em negociação coletiva, melhoria nas relações de trabalho, e de orientação e apoio ao cidadão. Já a NR nº 01, que ainda utiliza a denominação DRT, determina que também é função da SRTE executar as atividades relacionadas com a segurança e a medicina do trabalho, inclusive a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho (CANPAT) e o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e ainda a fiscalização do cumprimento dos preceitos legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho. Para que não fique tão abstrato, um exemplo prático de uma das funções da SRTE é a emissão do Certificado de Aprovação de Instalações, podendo inclusive visitar o estabelecimento da empresa para inspeção prévia.
As Delegacias Regionais do Trabalho, são as responsáveis pelo cumprimento da legislação trabalhista.
Sua atuação se da através de denuncias e por fiscalizações espontâneas
Possuindo um grupo de fiscais, sistematicamente efetuam fiscalizações nas empresas, verificando e autuando, quando é o caso, as empresas que descumprem as leis trabalhistas.
Na D.R.T. também são realizadas as homologações dos trabalhadores com mais de um ano de empresa, sendo que para isso podem também atender os Sindicatos das Categorias dos Trabalhadores.
As Delegacias também dão encaminhando à Justiça do Trabalho, de processos de ações trabalhistas.
Se você esta em São Paulo, ela fica na Rua Martins Fontes, 109 – no Centro.

13.846 – Lei e Direito – Como Fazer Uma Denúncia Trabalhista


mpt
Quando os direitos trabalhistas não são respeitados por uma empresa ou empregador, é possível fazer uma denúncia ao Ministério do Trabalho e Sindicatos, para que a irregularidade seja devidamente investigada e os envolvidos em permitir tal situação sejam devidamente investigados. Essa é a teoria.
O que acontece, na prática, é que muitas pessoas não sabem como denunciar, ou não fazem denúncias por medo de perderem seus empregos. Só que é muito fácil fazer uma denúncia anônima e conseguir garantir que os direitos trabalhistas sejam respeitados em qualquer lugar.

Denúncia trabalhista anônima
Toda denúncia trabalhista feita ao Ministério Público do Trabalho é feita anonimamente, quando realizada pela internet ou telefone. A mesma denúncia trabalhista pode ser também realizada junto ao sindicato da categoria por telefone, que poderá encaminhar a denúncia para os órgãos cabíveis. Idealmente, o trabalhador ou delator da irregularidade deve denunciar no Ministério Público do Trabalho e também no Sindicato, para que a investigação e cobranças sejam realizadas em várias frentes.

Denuncia trabalhista: como fazer?
Existem três meios para se fazer uma denúncia trabalhista hoje em dia: por telefone, visitando uma Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, ou pela internet.
O meio mais seguro para fazer uma denúncia trabalhista é através do MPT Pardal, aplicativo disponível para smartphones, que é fácil, rápido, e simples de usar. Ele também garante o anonimato total do delator da irregularidade.
Denúncia trabalhista por telefone

O Ministério do Trabalho e Emprego atende pelo telefone 158. Através do telefone da Ouvidoria do Ministério do Trabalho e Emprego, o delator da irregularidade trabalhista será encaminhado para o setor do MTE responsável por acatar as denúncias para que ela tenha continuidade. Poderá ser necessário fazer o agendamento de uma visita em uma Superintendência Regional do Trabalho e Emprego.

A mesma denúncia pode também ser realizada pelo telefone ao seu Sindicato. Ligue para o número do sindicato de sua categoria, e diga que quer fazer uma denúncia de irregularidades no trabalho. Os atendentes do sindicato vão te indicar corretamente o que fazer para que a denúncia seja investigada.

Denúncia trabalhista em uma Superintendência Regional do Trabalho e Emprego
Você deve comparecer a unidade de sua cidade ou região para efetuar sua denúncia. O atendimento geralmente é feito por senhas limitadas, e você tem que chegar bem cedo para conseguir uma senha, ou até voltar no dia seguinte para que sua denúncia seja ouvida. Você pode realizar o agendamento pelo telefone 158, mas geralmente o agendamento é só disponível para atendimentos relacionados ao Seguro Desemprego e detalhes sobre Carteira de Trabalho.
Denúncia trabalhista online: MPT Pardal
O MPT Pardal é um aplicativo disponível para smartphones e tablets. Através do aplicativo, é possível fazer denúncias, tirar fotos, filmar vídeos, colher outros tipos de provas, no momento em que a irregularidade ocorre, facilitando a investigação do Ministério Público do Trabalho. Na denúncia, é necessário enviar imagem, vídeo, áudio, e a descrição da denúncia, incluindo endereço e nome da empresa ou empregador que executou a irregularidade. O processo é sigiloso, e o denunciante não terá seu nome ou dados pessoais repassados a ninguém.

Mesmo fazendo a denúncia online ou na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, não deixe de também denunciar no sindicato da categoria. É muito importante para que eles possam ajudar na luta pelos direitos do trabalhador.
Esperamos que não haja mais dúvidas sobre como fazer uma denúncia trabalhista. A melhor forma é pelo aplicativo MPT Pardal, mas tome cuidado ao filmar, fotografar, ou gravar o áudio em anexo à denúncia, pois o empregador ou empresa podem se tornar agressivos contra você.

13.845 – Medicina – História da Psiquiatria


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Segundo Cataldo Neto, Annes e Becker, a história da psiquiatria se iniciou com o médico Hipócrates quando este desenvolveu a teoria humoral, e escreveu a obra Corpus Hippocraticum que continha descrições de enfermidades, como: melancolia, psicose pós-parto, fobias, delirum tôxico, demência senil e histeria. Estas doenças eram ocasionadas pelo desequilíbrio dos humores (fleuma, sangue, bile amarela e bile preta).
Galeno, que foi influenciado pelos textos de Platão, delimitou o cérebro como a sede da alma e, a partir disto, Galeno dividiu a alma em: razão e intelecto, coragem e raiva, apetite carnais e desejos. Outros romanos que contribuíram, de acordo com Ackerknecht, foram Celso, Areteo de Capadocia e Sorano de Efeso. Estes três, citados por Ackerknecht, produziram tratados com tratamentos para doenças tidas como crônicas e agudas, por exemplo, a mania e a melancolia.
Os primeiros que criaram hospitais para enfermos mentais foram os árabes, conforme Ackerknenecht. A cidade de Fez, em 700, foi a primeira a possuir um hospital para este fim. Najab ud-din Muhamed foi um exemplo de como algumas compreensões cientificas gregas foram conservadas, e ele descreveu 9 níveis de doenças mentais com 30 formas de tratamento clínico. No continente europeu, durante a Idade Média até o século XIII, por conta da religiosidade, acreditava-se que a enfermidade psíquica estava relacionada a bruxaria, libertinagem, e os enfermos eram excluídos do convívio social em estado de reclusão ou eram mortos.
Compreensões mais precisas sobre distúrbios psíquicos foram formuladas a partir do século XVI. Algumas destas novidades foram de: entendimento de estados depressivos por Robert Burton; classificação de sintomas de histeria, hipocondria e nervosismo por Thomas Sydenham; e investigação de motivos psicossomáticos para doenças por Johann Langermann.
As investigações de Albrecht von Haller eram sobre a sensibilidade do sistema nervoso e a irritabilidade dos músculos (contrações). Na segunda parte do século XVIII, Pierre Cabanis combinou as teoria dos pontos de vista psicológico e somático em Traité du Physique et du Moral de l´Homme (1799), que explica como os fenômenos morais se tornam fisiológicos, verificando os desvios como uma consequência fisiopatológica.
No século XIX, segundo Cataldo Neto, os médicos estavam investigando sobre diversas enfermidades, seus fatores e meios de melhorar tais distúrbios. Dentre os estudos que se destacam neste período se conseguiu: relacionar os fatores hereditários degenerativos (por Morel); identificar a esquizofrenia (por Breuler); e investigar os efeitos de drogas na mudança de comportamento, (por Moreau de Tours). Além destes, Charcot colaborou com a análise de como traumas seriam gerados, principalmente os de natureza sexual, e que poderiam ser curados os sintomas histéricos através da hipnose.
Freud, influenciado por Charcot, desenvolveu a teoria psicanalítica, e estudou pacientes neuróticos através do tratamento por hipnose. O método de Freud buscou tratar a neurose produzida por eventos traumáticos registrada no inconsciente, e trazer à consciência estas memórias através da psicanálise. Jung questionou o complexo de Édipo, defendido por Freud, pois acreditava que o apego aos pais era uma forma de busca de proteção e nada sexual. Jung desenvolveu a noção do inconsciente coletivo.
No século XX, tentaram-se tratamentos para esquizofrenia, como: malarioterapia, feito por Wagner-Jauregg, e eletroconvulsoterapia, por Cerletti e insulinoterapia feito Sakel.
Na década de 1950, diversos medicamentos passaram a ser utilizado como tratamentos psiquiátricos, e alguns deles foram: o lítio, com efeito antimaníaco; a clorpromazina e haloperidol, com efeito antipsicótico; e imipramina, com efeito antidepressivo, além do uso médico de anfetaminas e de metilfenidato para tratar transtorno de atenção, na década de 1980.
Então, a partir do século XX, com o desenvolvimento da psicofarmacologia, proporcionou-se melhores tratamentos, e a psicoterapia é adaptada para cada caso que acompanha o tratamento com remédios.

13.844 – Drogas – Como são as alucinações provocadas pelo LSD?


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Curto-circuito no cérebro

O químico suíço Albert Hofmann estava pesquisando um remédio para enxaqueca e achou um que iria lhe dar muita dor de cabeça. Em 1938, ele sintetizou, no Laboratório Sandoz, uma nova substância a partir do fungo Claviceps purpurea, existente no centeio. Testou o “analgésico” em animais e decepcionou-se. Hofmann esqueceu o preparado numa prateleira e, cinco anos depois, ingeriu acidentalmente uma partícula. Foi a primeira “viagem” a bordo das alucinações do LSD. Pasmo, o químico viu, sentiu e cheirou “uma torrente de imagens fantásticas de extrema plasticidade e nitidez, acompanhadas de um caleidoscópico jogo de cores”. Como bom cientista, repetiu a experiência três dias depois, com uma dose cavalar de 0,25 miligrama (constatou-se depois que 0,05 faria efeito) e teve de chamar o médico, aterrorizado com as alucinações. Hofmann, hoje vive em Basiléia, na Suíça, e integra o Comitê do Prêmio Nobel.
Sem querer, ele enveredou por uma estrada que vem sendo trilhada há milênios por xamãs e bruxos, que procuram nas plantas as chaves mágicas para visões de êxtase. Folhas, flores, caules, cascas, fungos e cogumelos estão na matriz das beberagens alucinógenas usadas por diversos povos em cerimônias místicas, transcendentais. O alucinógenos confundem os neurônios, embaralham as mensagens entre os circuitos nervosos, alteram os sentidos e até mesmo os estados da consciência. Sobrevêm ilusões com sons e imagens irreais – acompanhadas, às vezes, de náuseas e vômitos. Esses efeitos, nos cultos religiosos, são recebidos como revelações sagradas. As sensações e visões são processadas como a verdade sutil, límpida, em oposição às ilusões perversas do mundo exterior. Daí por que são ingeridos ritualmente, geralmente em grupos, às vezes sob um manto religioso, como é o caso da ayahuasca, chá servido nas cerimônias do Santo Daime e da União do Vegetal.

“Um demônio tomou posse da minha alma”

As coisas ao meu redor haviam se transformado de maneira terrível. Tudo no quarto girava, e objetos familiares e peças de mobília assumiam formas grotescas e ameaçadoras. Pareciam ani- mados. A vizinha, que veio me trazer leite, não era mais a sra. R., e sim uma bruxa malévola com uma máscara colorida.

Piores que essas transfor-mações demoníacas no mundo exterior foram as mudanças que eu percebi em mim mesmo. Cada esforço da minha vontade, cada tentativa de pôr um fim à desintegração do mundo exterior e à dissolução do meu ego, pareciam ser inúteis. Um demônio me havia invadido, tomado posse do meu corpo e da minha alma. Tre-cho do livro LSD, Meu Filho Proble-ma, de Albert Hof-mann, o cria-dor da droga.

Efeitos ainda intrigam os cientistas
O LSD foi a droga do sonho da geração underground, embalada na suposição de que ele abria a mente, liberava a criatividade, aprimorava o espírito e ninguém pagava ingresso para o nirvana. Depois de muitos estragos, sobrou a certeza de que é o mais poderoso alucinógeno jamais criado pelo homem. Uma dose pequena (0,05 miligrama) proporciona de 4 a 10 horas de alucinações. É, também, o menos conhecido dos psicotrópicos. Em quatro décadas de pesquisas, ainda não se descobriu como, exatamente, a droga afeta os circuitos nervosos e a percepção sensorial. Um dos mistérios do LSD é que ele não produz resultados em intervalos curtos – por isso, os mais aficionados o tomam apenas uma vez por semana. Meses depois, no entanto, a droga pode voltar a agir e as alucinações reaparecem.

O LSD pode ser um “barato” para indivíduos emocionalmente equilibrados e abrir caminho para psicoses em quem tiver essa tendência. Os usuários relatam alucinações coloridas (geladeira vira camelo, por exemplo), desorganização dos sentidos (o olho ouve, o ouvido vê) e um efeito de despersonalização (o usuário se vê em duplicata). Tudo isso acontece em estado de plena consciência. O drogado sabe o que está acontecendo, embora muitos tenham surtos psicóticos. Também há registros de suicídio.

Ficha técnica
Nome

Dietilamida de Ácido Lisérgico-25

(LysergSaureDiathylamide, em alemão).

Classificação

Alucinógeno.

De onde se extrai

Fungo Claviceps purpurea ou ergot, que cresce em cereais como o centeio e o trigo.

Origem

Laboratórios Sandoz, em Basiléia, Suíça.

Formas de uso

Ingerido. A forma mais comum é a famosa “figurinha”, com desenhos coloridos.

Destempero dos sentidos
O LSD bagunça as sensações.

Efeitos imediatos
Alucinações, despersonalização. O usuário pode ter uma “viagem” boa e ver formas coloridas ou uma crise depressiva, a chamada bad trip. Pode ter reações psicóticas ou cometer suicídio.

2. Aumento da sensibilidade auditiva e da percepção visual. Sinestesia (as sensações auditivas se traduzem em imagens, e vice-versa).

Efeitos a longo prazo
1. Não dependência comprovada. No entanto, resíduos da droga podem permanecer no cérebro por meses, provocando novas alucinações sem aviso. O efeito, conhecido como flashback, pode ser perigoso se o usuário estiver dirigindo.
Viagem na cuca
A ação dentro do cérebro.
O LSD é uma droga que imita o neu-rotransmissor serotonina, que atua no humor e na percepção. Os neurônios de serotonina estão concentrados no sistema reticular e, de lá, espalham-se pelo córtex cerebral. O LSD age principalmente nas áreas responsáveis pelos sentidos e no córtex somato-sensorial, que os analisa.

O tônico da contracultura
Eram garotos cabeludos que diziam “paz e amor”, amavam os Beatles e rolavam na grama de Woodstock (veja quadro na página ao lado). Seu lema era “o álcool mata, tomem LSD”. Eles tomavam. A legião de hippies, bichogrilos e malucos-beleza dos anos 60 e 70 ingeriu ácido lisérgico como seus pais tomavam aspirina. O “ácido da felicidade” foi o tônico da contracultura. Psicodélico, palavra antes reservada às drogas que proporcionariam a “expansão da mente”, virou sinônimo de extravagância e batizou, com música, cores, flores e sexo ao ar livre, a cultura da contestação pacífica. Aconteceram na época manifestações de centenas de milhares de jovens contra a Guerra do Vietnã.
As ousadias daqueles anos, hoje, viraram clássicos da pop art. As pinturas-cebolas do americano Andy Warhol (1927-1987), decompondo a estrela de cinema Marilyn Monroe e o líder chinês Mao Tsé-tung em camadas de cores, tornaram-se um símbolo da arte de vanguarda. No cinema, Dennis Hopper e Peter Fonda perambulavam Sem Destino (1969, direção de Hopper), na pele de dois motoqueiros movidos a ácido. Mas foi na música que a droga fez mais sucesso. Ídolos do rock, de Jimi Hendrix a Jim Morrison, líder da banda The Doors, consumiam LSD – e outras drogas – em volumes industriais. Morreram jovens. Syd Barret, fundador do Pink Floyd, “viajou” e não voltou mais. Foi expulso da banda e hoje, aos 52 anos, vive como um zumbi, com a mãe, num subúrbio de Cambridge, Inglaterra, dedicado à pintura e à coleção de selos.
A homenagem mais famosa – e polêmica – à droga foi prestada pelos Beatles, em sua música Lucy in the Sky with Diamonds, de 1967, cujas iniciais formam a sigla LSD. No Brasil, a Tropicália incorporou ingredientes psicodélicos nas roupas, capas de discos e na palavra de ordem “É proibido proibir”, de Caetano Veloso. Em 1972, Gilberto Gil inventariou e encerrou a viagem com a música O Sonho Acabou, que diz: “Quem não dormiu no sleeping-bag nem sequer sonhou.”

O cacto que promete o nirvana
A linha sinuosa de 3 326 km que separa o México dos Estados Unidos tem sido cruzada por dois fluxos migratórios opostos: mexicanos sobem à procura do paraíso material e americanos descem para encontrar o Éden espiritual. Desde o século XVI, o México tem atraído estrangeiros em busca dos vegetais mágicos que provocam alucinações surrealistas. A tendência chegou ao auge pelas mãos de gurus modernos como o escritor inglês Aldous Huxley (1894-1963), o psicólogo americano Timothy Leary (1921-1996) e o antropólogo sem pátria Carlos Castañeda (1927-1988). Todos foram atraídos pela fama de uma planta típica do norte do México, o cacto peiote (Lophophora williamsii), usado há séculos pelos índios em rituais religiosos. O chá da polpa do peiote fornece a matéria-prima para a mescalina, um alucinógeno endeusado por Huxley no livro As Portas da Percepção (1954). Um professor da Universidade de Harvard, Timothy Leary, além de se interessar pela mescalina promovia sessões de LSD com os alunos. Expulso da universidade em 1963, Leary foi preso e correu o mundo como um “profeta da Nova Era” até morrer de câncer aos 75 anos.
O maior propagandista da via mexicana para o nirvana foi Carlos Castañeda. Para escrever uma tese em Antropologia, tornou-se discípulo de um bruxo a quem chamou de Don Juan em seu livro A Erva do Diabo. Ele popularizou o culto do peiote como uma chave para percepção extra-sensorial.

A química divina
Os alucinógenos são usa-dos há milhares de anos em rituais religiosos mundo afora. Conheça alguns desses vene-nos sagrados.
Peiote – O cacto de onde se extrai a mescalina é cultuado por diversas tribos na América do Norte. A Igreja Nativa Americana conseguiu a legalização de seu uso ritual nos Estados Unidos.
Amanita – O fungo Amanita muscaria é um dos alucinógenos mais antigos que o homem conhece. Seu uso data de 6 000 anos atrás.
Jurema – Os índios e sertanejos do Nordeste brasileiro fazem uma espécie de vinho com a Mimosa hostilis, uma planta da caatinga.
Beladona – Conhecida no Brasil como zabumba, a Atropa belladonna era usada nos cultos de bruxaria da Idade Média.
Paz, amor e ácido
Foram três dias com o melhor do rock, sexo a céu aberto e muita, muita droga. Nos Estados Unidos o Festival de Woodstock, em agosto de 1969, marcou o clímax do movimento hippie, que adotou o slogan “Faça amor, não faça a guerra” (ao lado, jovens preparam um cigarro de maconha).

13.843 – Curiosidades – Quanto Ganha um Astronauta?


astronauta ganhos
Depende do tipo da carreira do cidadão. Astronautas podem ser tanto civis, com formação em ciências exatas (como engenharia ou medicina, por exemplo), como militares. Mas o fato de estarem ou não neste miserável planeta não interfere nos honorários.
Galerinha da geração que quer saber de grana, felicidade, mimo e burro na sombra, é o seguinte: um astronauta civil recebe, segundo informações da Nasa, entre US$ 64.724 e US$ 141.715 por ano. Esse salário varia conforme um sistema de cargos do governo americano. Já os astronautas militares são nomeados para a Nasa por um tempo de serviço especificado e permanecem recebendo seus salários de militares. No Brasil, o único astronauta era militar: tenente-coronel Marcos Pontes está hoje na reserva.
Ou seja, eram os astronautas milionários? Não. Mas dá para fazer um estrago na Black Friday (mas não na Black Fraude).
Segundo Tom Jones, astronauta e membro da Association of Space Explorers (Exploradores do Espaço), não há garantia de bônus ou promoções após um voo espacial. O que o astronauta pode receber é, no máximo, um reembolso da viagem de menos de US$ 100 (cerca de R$ 200), usado para cobrir algumas despesas com acessórios feitas antes ou depois da missão. Grana do cafezinho.

13.842 – Conheça os vencedores do Ig Nobel 2018 – Esse ano o páreo foi duro…


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Todos os anos, pesquisadores do mundo todo também são contemplados com um troféu um pouco mais divertido: o prêmio Ig Nobel, que contempla as pesquisas mais bizarras, porém úteis, submetidas no ano. Em 2018, é claro, não foi diferente, e a cerimônia foi realizada nesta última quinta-feira, 13.
Dez troféus foram entregues a grupos de pesquisadores, em categorias de medicina e química a economia e antropologia. E como nos anos anteriores, as pesquisas premiadas não decepcionaram: na medicina, por exemplo, o Ig Nobel ficou nas mãos de uma dupla que avaliou a relação das montanhas-russas com a eliminação de pedras nos rins. Na literatura, por sua vez, a pesquisa premiada mostrou que as pessoas realmente não leem manuais de instruções.
Na medicina
Quem levou foram os pesquisadores e urologistas Marc Mitchell e David Wartinger, ambos norte-americanos. Depois de ouvirem relatos de pacientes, eles testaram o efeito de passeios em uma montanha-russa na velocidade de saída de pedras nos rins — e descobriram que, em alguns casos, a força-G pode ajudar mesmo.

Os testes deles foram realizados com 60 modelos que simulavam pacientes com diferentes tamanhos de cálculos renais, e os passeios foram feitos na Big Thunder Mountain Railroad na Disney de Orlando, na Flórida. Explicando de forma resumida, as viagens nos bancos da frente não foram tão bem-sucedidas, com apenas 4 das 24 pedras nos rins saindo. Já as feitas nos bancos de trás surpreenderam: 23 dos 36 cálculos renais passaram com sucesso.

Na antropologia
Os vencedores foram Tomar Persson, Gabriela-Alina Sauciuce e Elainie Madsen, que conseguiram provas em um zoológico de que não só os seres humanos que imitam chimpanzés: o contrário também acontece com frequência. E as imitações são até boas, na avaliação dos pesquisadores. O estudo foi conduzido no Zoológico de Furuvik Zoo, na Suécia, e publicado em agosto do ano passado depois de 52 horas de observação.

Na biologia
O grupo que levou era composto por Paul Becher, Sebastien Lebreton, Erika Wallin, Erik Hedenstrom, Felipe Borrero-Echeverry, Marie Bengtsson, Volker Jorger e Peter Witzgall, de cinco países, incluindo Alemanha e Colômbia. Eles provaram que os enólogos — especialistas em vinhos — são realmente bons no que fazem e conseguem identificar, com boa dose de certeza, a presença de uma mosca em uma taça só pelo cheiro. A pesquisa foi feita com a ajuda de oito especialistas da área de Baden, na Alemanha, todos responsáveis por garantir a qualidade dos vinhos produzidos na região.
Na química
Você já parou para pensar em quão eficaz é lamber algo sujo para limpar? Bem, os portugueses Paula Romão, Adilia Alarcão e César Viana já, e levaram o prêmio na categoria de química por terem medido isso. O estudo é antigo, datando do começo da década de 90, e ajudou a descobrir que sim, as enzimas do “cuspe” até ajudam em superfícies mais frágeis.

No ensino médico
A colonoscopia não é exatamente fácil, mas o japonês Akira Horiuchi levou o prêmio por fazer exames do tipo em si mesmo. Os achados foram compartilhados por ele no relatório médico “Colonoscopy in the Sitting Position: Lessons Learned From Self-Colonoscopy”, ou, em uma tradução livre, “Colonoscopia Sentado: Lições Aprendidas a partir da Auto-Colonoscopia”. O pesquisador é médico e encabeça a área de doenças digestivas no Hospital Geral de Showa Inan, em Nagano, no Japão. Em entrevista ao Japan Times, no entanto, ele não recomenda que ninguém tente fazer isso em casa.

Na literatura
Você muito provavelmente não lê o manual de instruções e sabe que muita gente também não o faz. E agora você tem provas disso, graças à pesquisa de Thea Blackler, Rafael Gomez, Vesna Popovic e M. Helen Thompson, que levaram o prêmio por documentar que a maioria das pessoas que usa um produto complicado de fato não lê o manual.

O estudo, intitulado “A Vida é Muito Curta para Ler a **** do Manual: Como Usuários se Relacionam com a Documentação e Excesso de Recursos em Produtos” (tradução livre), foi publicado em 2014.

Na nutrição
O pesquisador James Cole levou o Ig Nobel por uma pesquisa sobre canibalismo. Ele calculou que o ingestão de calorias em um dieta canibal é significativamente menor do que a de outras dietas baseadas em carnes. Ou seja, comparando por peso, comer um bife de vaca é mais nutritivo do que um bife feito a partir de uma pessoa. A pesquisa, apesar de estranha, ajudou a provar que as dietas canibais do passado não eram motivadas exatamente pelo valor nutricional, e sim por algum tipo de ritual mesmo.

Na paz
O trânsito pode ser estressante, e os pesquisadores Francisco Alonso, Cristina Esteban, Andrea Serge, Maria-Luisa Ballestar, Jaime Sanmartín, Constanza Calatayud e Beatriz Alamar, da Colômbia e da Espanha, foram descobrir o quanto ele faz as pessoas xingarem.

Eles levaram o prêmio por medir a frequência, a motivação e os efeitos de gritar e reclamar no volante. A pesquisa descobriu que esse tipo de comportamento é muitas vezes motivado não apenas por estresse, mas também por fadiga e motivos pessoais. O estudo também notou que, ainda que representem um risco, há um certo grau de tolerância social aos xingamentos no trânsito, justamente por serem comuns.

Na medicina reprodutiva
Os selos de cartas não têm lá muitas utilidades, mas só John Barry, Bruce Blank e Michael Boileau parecem ter pensado em colá-los ao redor de um órgão sexual masculino. O objetivo? Testar o funcionamento dele. É isso mesmo. Eles levaram o prêmio na categoria pelo relato no estudo “Monitoramento da Tumescência Peniana Noturna com Selos” (título em tradução livre), publicado ainda em 1980.

A ideia dos pesquisadores era relacionar ereções noturnas (que acabavam por rasgar o pedaço de pedaço) com doenças mais graves. Eles descobriram que quem acordava com o papel inteiro — 18 dos 37 pacientes impotentes analisados — tinham neuropatia diabética mais séria, tendências à depressão, perda de libido e fumavam bem mais.

Na economia
Sabe aqueles bonequinhos de vodu? Os pesquisadores Lindie Hanyu Liang, Douglas Brown, Huiwen Lian, Samuel Hanig, D. Lance Ferris e Lisa Keeping levaram o prêmio por analisar a eficácia deles nas mãos de funcionários querendo se vingar de chefes abusivos. Eles descobriram que machucar os bonecos não provoca o mesmo nos chefes, mas ao menos ajuda a aliviar a tensão. No entanto, só funciona no curto prazo. No longo, é melhor discutir a relação com a gerência mesmo.

13.841 – Má Ideia – Rússia deseja lançar missão a Marte em 2019


trajetoria foguete
O programa espacial russo é ambicioso, já que a Lua também está no pacote. Os planos para explorar nosso satélite natural incluem um pouso para 2019, testes com tecnologias que podem ser usada em uma base permanente em 2023, retorno para a Terra com solo lunar em 2025 e estabelecimento da tão sonhada base por volta dos anos 2040 e 2050.
Esse plano parece muito mais promissor que a ideia de ir para Marte. Isso porque não é tão simples sair voando e chegar no Planeta Vermelho. Além de toda tecnologia, é preciso esperar a hora certa. Um momento em que as órbitas dos dois planetas se coincidam, com apenas 56 milhões de quilômetros separando Marte e a Terra.
O momento, conhecido como janela de lançamento, ocorre a cada 26 meses. A próxima começa em maio e se encerra em junho deste ano. A NASA pretende, inclusive, aproveitar para lançar a missão Insight Lander no dia cinco de maio, viajando por sete meses até chegar ao nosso vizinho, no dia 25 de novembro.
Depois disso, somente na metade de 2020. Ou seja, se a Rússia realmente quiser mandar uma missão para marte, seu foguete teria que pegar um caminho mais longo, dando uma volta pelo Sol e percorrer uma distância de 401 milhões de quilômetros. Alguém manda um recado para o Putin: é melhor esperar uns meses a mais.

13.840 – Antropologia – A história dos nossos ancestrais


antropologia
Por 160 mil anos dividimos o mundo com outras humanidades. Até exterminamos uma delas. E agora acontece algo sem precedentes: somos os únicos humanos na Terra. A regra da natureza, afinal, é a convivência entre uma multidão de parentes próximos, como tigres e onças ou cães e lobos – animais que, segundo o jargão da biologia, pertencem ao mesmo gênero. Nós mesmos passamos mais de 80% da nossa vida como espécie dividindo o planeta com pelo menos outros dois seres do gênero humano: o Homo erectus e o neandertal. Mas por que estamos sozinhos agora?
Primeira parada, leste da África, onde hoje fica a Etiópia. É de lá que vêm os mais antigos fósseis da nossa espécie, o Homo sapiens. Esses restos têm entre 190 mil e 160 mil anos e apresentam uma anatomia quase idêntica à sua. O corpo deles, alto e com braços e pernas compridos, lembra o das tribos que hoje habitam a África Oriental. Por outro lado, os ossos são um pouco mais robustos que a média – Tim White, antropólogo da Universidade da Califórnia que estudou os resquícios, costuma dizer que eles dariam ótimos jogadores de rúgbi.
Nessa época, o mundo era bem diferente mais ao norte. O planeta estava numa Era Glacial (salpicada por intervalos mais quentinhos de alguns milhares de anos), que colocou um bom pedaço da Europa e da Ásia debaixo de toneladas de gelo. Mesmo a região ao sul das geleiras não era nada agradável, mas, aqui e ali, pequenos bandos de caçadores se saíam bem. Só que eles não tinham nada a ver com os sujeitos esguios que viviam na África. Eram homens com pouco mais de 1,5 metro de altura, porém fortes, atarracados, com um corpo talhado para conservar o máximo de calor em meio ao frio intenso. O cérebro desses caras era tão desenvolvido quanto o nosso, e eles já tinham desenvolvido a fala. Há 200 mil anos, esses homens do gelo eram os senhores da Europa. E hoje nós os chamamos de neandertais – já que encontraram as primeiras ossadas deles no vale de Neander, na Alemanha (e tal é “vale” em alemão).
gora, se você der um pulo mais para leste, até a região que hoje conhecemos como Sudeste Asiático, concluiria que os etíopes altos e de pernas compridas resolveram visitar a Indonésia. Mas as aparências enganam: o cérebro desses aí era bem menor e o rosto estava mais para os personagens de O Planeta dos Macacos. Esse monstros já eram fósseis vivos naqueles tempos: os últimos remanescentes do Homo erectus – primeiro hominídeo a dominar o fogo, criar uma “indústria” de ferramentas de pedra e, mais importante, deixar a terra natal da família dos humanos, a África, e explorar meio mundo. Tudo isso há 1,7 milhão de anos.
O erectus, por sinal, é nosso ancestral direto. Se você puxar sua árvore genealógica para trás, vai ver que um deles foi seu tataratataravô (coloque mais 17 140 “tataras” aí). Mas com os neandertais a coisa é outra. Esses primos nossos não eram “humanos primitivos”, mas uma espécie “alienígena”, um primo que cresceu em outro ramo da árvore evolutiva. E não demoraria para batermos de frente com eles.
Hoje, em Israel, há sítios arqueológicos com grutas de neandertais e de sapiens separadas por menos de 1 quilômetro. Não dá para saber se elas foram ocupadas ao mesmo tempo, nem se os dois entraram em guerra ali. Mesmo assim, a maioria dos pesquisadores acredita que as duas espécies conviveram no Oriente Médio por um bom tempo. E que, nos eventuais conflitos desses tempos, nenhum dos lados teria uma grande vantagem. É que os dois contavam com uma tecnologia idêntica. Se os fósseis dessa época desaparecessem, e só ficassem as ferramentas, não daria para saber o que é obra de uma espécie e o que é da outra. “Enquanto a situação foi essa, o homem moderno não conseguia entrar na Europa, nem os neandertais tinham como descer muito”, diz Neves. Era como se o território de um marcasse a última fronteira para o outro. Mas esse impasse de milênios acabaria. E graças a uma “mágica” que aconteceu há 50 mil anos.
Foi quando algo mudou o destino do Homo sapiens: uma mutação genética sutil, mas crucial, que alterou a estrutura do cérebro deles. O bicho ficou louco: passou a dividir sua vida entre o mundo real e um de fantasia. Com esse “defeito” nos miolos, o homem passou a imaginar mundos diferentes, que só existiam na cabeça dele. E vomitou esses mundos na forma de pinturas, esculturas, rituais religiosos.
Desse jeito, descobrimos como manipular não só coisas materiais, mas também idéias e conceitos. E aprendemos a transmiti-los com a ajuda de uma linguagem quase tão cheias de recursos quanto o inglês e o português modernos. Tudo isso deu à luz o primeiro boom tecnológico de todos os tempos. A África se transformou num Vale do Silício pré-histórico. O sapiens, que antes só fazia ferramentas de pedra ou madeira, diz um basta para a mesmice – chega de fabricar a mesma lança por milênios a fio. E acorda para o fato de que ossos, conchas, chifres e marfim também serviam como matéria-prima. Isso abriu as portas para novos utensílios. E tome arpões, facas mais afiadas do que nunca, lanças de alta precisão… De uma hora para outra, o sapiens tinha um arsenal.
Os cientistas sabem disso porque todos os vestígios que eles encontram dos primeiros 150 mil anos de vida do sapiens são ferramentas e armas simples, tipo machadinhas de pedra. Objetos de arte e coisas sofisticadas, como agulhas de costura, só aparecem por volta de 40 mil anos atrás, como se a maior parte da nossa tecnologia pré-histórica tivesse aparecido de supetão, em poucos milênios. Para muitos, só uma súbita mutação no cérebro justifica esse fenômeno.

Mas alguns pesquisadores acham que não foi bem assim. Defendem que o potencial para desenvolver uma cultura complexa já existia desde a origem do Homo sapiens, mas teria ficado “dormente”. Segundo eles, esse poder inato só foi empregado para valer depois que a situação dos bandos africanos apertou de algum modo. Pode ter sido uma virada climática – num período de seca brava, por exemplo, só os mais criativos imaginariam um jeito de guardar água da chuva para as épocas de vacas magras. Uma imaginação fértil passou a valer mais pontos, e só os sapiens mais inteligentes ficaram para contar história. Obras de arte simplórias, com 80 mil anos de idade, encontradas na África dão força para a idéia de que essa “revolução cultural” aconteceu devagarinho. Seja como for, há 40 mil anos o Homo sapiens já tinha ganho meio mundo. Expandiu-se pelo Sudeste Asiático, chegou até a Austrália… E agora, com o nosso arsenal tecnológico, estávamos prontos para avançar à Europa da Era Glacial. E encarar os poderosos neandertais na casa deles.
Não era uma tarefa para qualquer um. Os neandertais eram biologicamente preparados para aguentar o frio, enquanto o sapiens vinha da sauna africana. O corpo dos nossos primos europeus, por exemplo, transpirava menos que o nosso, já que suor congelado pode matar de frio. Eles também tinham uma resistência fora do comum – seus ossos eram tão robustos que os neandertais aguentavam fraturas sem chiar. Sair na mão com eles, então, era roubada. Mas o sapiens não precisava disso. Foi só entrarmos na Europa, há 38 mil anos, para os neandertais começarem a sumir do mapa. Cientistas nunca encontraram sinais direto de conflito, tipo um esqueleto neandertal com um osso afiado (arma típica dos sapiens) na bacia. Mas as espécies competiram, sim, no mundo da Era do Gelo. E os humanos modernos levaram a melhor na tarefa que mais interessava: arranjar comida.
Na hora da caça, afinal, era covardia. Como as armas dos neandertais não eram grande coisa para matar a distância, eles geralmente entravam em confrontos suicidas com as presas. Análises em esqueletos deles mostram que os adultos tinham tantas fraturas quanto os peões de rodeio de hoje. Com o sapiens era diferente: suas lanças eram mais precisas na hora do arremesso, e eles ainda criaram uma espécie de catapulta manual que multiplicava o alcance dos dardos (um avô do arco-e-flecha). Desse jeito, o sapiens crescia e se multiplicava, deixando os neandertais sem território. E há 28 mil anos as duas últimas tribos de neandertais, em Portugal e na Croácia, pereciam. Era o fim de um reinado de 100 mil anos.
Mesmo assim, pesquisas recentes indicam que os neandertais não entregaram os pontos tão fácil. Em Gibraltar, na extremidade sul da Espanha, pode ser que a espécie tenha resistido até 24 mil anos atrás. “Eu imagino um cenário mais complexo, de interação entre as duas espécies”, diz o pesquisador Clive Finlayson, do Museu de Gibraltar. Uma indicação disso é que algumas tribos de neandertais começaram a fazer seus próprios colares depois da chegada dos sapiens. Isso indica que os neandertais pelo menos observaram a cultura complexa dos vizinhos e ficaram estimulados a criar sua própria versão dela. “Isso é exatamente o que nós esperaríamos, com base em situações recentes de contato étnico entre povos diferentes”, afirma o arqueólogo Paul Mellars, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Mas é possível que essa interação tenha chegado mais longe, com as duas espécies transando e concebendo bebês híbridos? As várias amostras de DNA já extraídas de neandertais não parecem compatíveis com a de nenhuma pessoa viva hoje, mas isso não necessariamente prova alguma coisa: após milênios de cruzamento, o “sangue” neandertal poderia ter se diluído por completo. Uma análise recente do DNA de humanos modernos, por outro lado, aponta a existência de duas variantes de um gene que regula o tamanho do cérebro durante a fase de crescimento. Uma delas teria surgido há 1,1 milhão de anos, enquanto a outra só teria aparecido 37 mil anos atrás. Os pesquisadores da Universidade de Chicago que conduziram a análise especulam que essa variante – carregada por 70% da população moderna – poderia ter vindo dos neandertais, via sexo.
É nessa possibilidade que acreditam o antropólogo português João Zilhão, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, e seu colega americano Erik Trinkaus. “Os dados de Gibraltar só reforçam o fato de que os modernos não eram tão superiores assim”, argumenta Trinkaus. A dupla causou polêmica em 1999 ao publicar uma análise de um esqueleto de criança achado em Portugal, o chamado “menino do Lapedo”, com cerca de 25 mil anos. Segundo eles, a caveira mostra sinais de sangue neandertal, a começar pelo corpo atarracado, e seria o resultado final de um longo processo de mestiçagem entre as duas espécies. Para o resto da comunidade científica, porém, o tal garoto não passa de um sapiens troncudo. Mas Trinkaus ainda bate o pé: em novembro do ano passado publicou outro trabalho, concluindo que sinais de mistura entre sapiens e neandertal aparecem em esqueletos de 33 mil anos, encontrados na Romênia.

O último erectus
Na mesma época em que viveram esses supostos híbridos, o velho Homo erectus dava seus últimos suspiros na ilha de Java, Indonésia. Seus problemas tinham começado 600 mil anos antes, quando eles passaram a enfrentar a concorrência de um ser mais avançado, o Homo heidelbergensis. Esse hominídeo, que, por sinal, tinha descendido do próprio erectus, fez com ele a mesma coisa que nós fizemos com os neandertais: destruiu suas chances de sobrevivência. “Por isso mesmo o último refúgio deles foi uma ilha, já que num lugar desses você tem muito menos competição com outros hominídeos do que no continente”, afirma Walter Neves.
Apesar de esperto, o heidelbergensis não foi muito longe: acabou extinto bem antes do último erectus, há uns 200 mil anos. Só que antes de ir dessa para melhor ele já tinha feito um bom trabalho. Primeiro, se espalhou por boa parte do mundo. Depois, deixou dois descendentes bem peculiares. Na Europa, onde parte deles foi parar há 500 mil anos, seu corpo foi se adaptando ao frio devagarinho, até ficar bem resistente e com um cérebro superdesenvolvido. No fim das contas, esses caras ficaram tão diferentes que até mudaram de nome. Viraram os neandertais. Já os heidelbergensis que preferiram ficar em sua terra natal, a África, se transformaram em outra coisa: um ser de imaginação fértil, capaz de transformar delírios em realidade. Um bicho que costumamos chamar de “nós”.

Assim caminham as humanidades
Sem alguns destes caras,você não estaria aqui. Confira os protagonistas da nossa história e um possível figurante

Australopithecus afarensis
Uma superfloresta tropical que havia na África deu lugar à savana. Desse jeito, alguns macacos acabaram sem galho, e tiveram que se mudar para o chão. Então surgiu o afarensis, um macaco bípede que pode ter dado origem a toda a família dos humanos.

Homo erectus
Disputou as savanas da África com parentes mais simiescos, como o Homo habilis e o Homo rudolfensis. Com seu cérebro quase humano (que dá 2/3 do nosso), exterminou a concorrência e virou o primeiro hominídeo na Ásia.

Homo floresiensis
Ainda não é certeza se este aqui existiu mesmo. Em 2004, na ilha de Flores (Indonésia), desenterraram um esqueleto que parecia um erectus em miniatura, de apenas um metro. Essa espécie bizarra teria vivido até 12 mil anos atrás – mais do que qualquer parente nosso. Muitos, porém, acham que o tal esqueleto é de um humano moderno com problemas genéticos. E só.

Homo heidelbergensis
Descendente do erectus, foi o primeiro humano a surgir com um cérebro maior que o dos ancestrais, mas sem que o corpo aumentasse – uma amostra de que a inteligência já valia mais que a força. Deu origem ao neandertal e ao sapiens.

Homo neanderthalensis
São os “ursos-polares” do gênero Homo: a evolução os deixou fortes e resistentes a ponto de suportar temperaturas de até -30 oC sem chiar. Se não tivesse competido por recursos com o Homo sapiens, a espécie provavelmente estaria viva até hoje.

Homo Sapiens
Nossa história tem dois capítulos. No 1º, ele surgiu com a nossa aparência, há 200 mil anos. Mas só no 2º, que começou entre 50 mil e 80 mil anos atrás, o homem virou gente. E se tornou o megaprodutor de arte e tecnologia que arrasou a concorrência.

13.839 – Arquimedes


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Nasceu em Siracusa, atual Itália, no ano 287 a.C. Foi um matemático, engenheiro, físico, inventor e astrônomo grego, filho de um astrônomo, que provavelmente o apresentou à matemática. Arquimedes estudou em Alexandria, onde teve como mestre Canon de Samos e, assim, entrou em contato com Erastótenes. A este último Arquimedes dedicou seu método, no qual expôs sua genial aplicação da mecânica à geometria, desta maneira, “pesava” imaginariamente áreas e volumes desconhecidos para determinar seu valor. Voltou logo a Siracusa, onde se dedicou totalmente ao trabalho científico.
Da biografia de Arquimedes, o maior matemático da antiguidade, a quem Plutarco creditou uma inteligência bem acima do normal, somente é conhecida uma série de anedotas. A mais divulgada é aquela relatada por Vitrúvio e se refere ao método que utilizou para comprovar se existiu fraude na confecção de uma coroa de ouro pedida por Hierão II, tirano de Siracusa e protetor de Arquimedes, quem sabe, até seu parente. Ao tomar banho, Arquimedes percebeu que a água transbordava da banheira, na medida em que mergulhava nela. Esta observação lhe permitiu resolver a questão que lhe havia sido proposta pelo tirano. Conta-se que ao descobrir como detectar se a coroa era ou não de ouro, tomado de tanta alegria, partiu correndo nu pelas ruas de Siracusa em direção à casa de Hierão gritando “Eureka!, Eureka!”, ou seja, descobri!, descobri!
Segundo outra anedota famosa, contada por Plutarco, Arquimedes assegurou ao tirano que, se lhe dessem um ponto de apoio, conseguiria mover a terra. Acredita-se que, incentivado pelo rei a pôr em prática o que dizia, Arquimedes, com um complexo sistema de roldanas, pôs em movimento, sem esforço, um grande navio com três mastros e totalmente carregado.
São famosas as diversas invenções bélicas de Arquimedes que, segundo se acredita, ajudaram Siracusa a resistir, durante três anos, ao assédio romano, antes de cair nas mãos das tropas de Marcelo.
Dentre seus mais famosos livros podemos citar: Equilíbrios Planos, onde fundamentou a lei da alavanca, deduzindo-a por meio de poucos postulados, determinou o centro de gravidade de paralelogramos, trapézios, retângulos e de um segmento de parábola; Sobre a Esfera e o Cilindro, aqui Arquimedes utilizou um método conhecido como exaustão, precedente do cálculo integral, para determinar a superfície de uma esfera e para estabelecer a relação entre uma esfera e o cilindro circunscrito nela.
Arquimedes foi morto (212 a.C.) por um soldado romano ao recusar-se a abandonar um problema matemático no qual estava imerso.

13 .838 – Quadrinhos – O Quarteto Fantástico


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Nome original Fantastic Four
Membro(s) Lista de Membros do Quarteto Fantástico
Fundadores Senhor Fantástico
Mulher Invisível
Tocha Humana
Coisa
Criado por Stan Lee
Jack Kirby
Primeira aparição The Fantastic Four #1 (Novembro de 1961)
Editora(s) Marvel Comics (US)
Panini Comics (BR)
Base de operações Edifício Baxter

É uma equipe de super-herói de histórias em quadrinhos publicados pela Marvel Comics. O grupo estreou em The Fantastic Four #1 (data de novembro 1961), que ajudou a inaugurar um novo nível de realismo no meio. O Quarteto Fantástico foi o primeiro time de super-herói criado pelo escritor-editor Stan Lee e o ilustrador Jack Kirby, que desenvolveram uma abordagem colaborativa para a criação de quadrinhos com este título que usariam a partir de então.

Como a maioria dos personagens criados pela Marvel durante a década de 1960, o Quarteto Fantástico deve os seus poderes à exposição a radiação, neste caso mais especificamente à radiação cósmica, com a qual teriam entrado em contacto durante uma viagem de exploração espacial.

Embora a formação do grupo mude ocasionalmente, a equipe mantêm-se estável em volta dos quatro amigos que ganharam superpoderes ao serem atingidos pelos raios cósmicos.

A equipe iniciou-se com a renovação da Marvel que ocorreu na década de 1960 sob o comando de Stan Lee. Permaneceram mais ou menos populares desde então e foram adaptados para outros meios, incluindo três séries relativamente bem-sucedidas de desenhos animados e, até ao momento, três filmes lançados respectivamente em 2005, 2007 e 2015.

Em 2015, a revista entrou em hiato devido à problemas jurídicos com a 20th Century Fox, cujos executivos pleitavam que o estúdio detinha os direitos autorais sobre os personagens.

Em 2018, foi revelado o retorno da revista para Agosto desse mesmo ano, a contagem reiniciaria e Dan Slott estaria no roteiro da série.
Segundo a lenda, em 1961, o editor-chefe da Marvel, Martin Goodman, estava a jogar uma partida de golfe com o editor rival Jack Liebowitz da DC Comics. Liebowitz contou a Goodman sobre o sucesso que a DC estava a ter recentemente com a Liga da Justiça, um nova série que apresentava uma equipe formada por vários personagens de sucesso da editora.
Baseado nesta conversa, Goodman decidiu que sua companhia deveria começar a publicar a sua própria série sobre uma super-equipe. Lee, que estava prestes a deixar a indústria assim que seu contrato acabasse, associou-se ao desenhista Jack Kirby para produzir uma revista inovadora protagonizada por uma família de super-heróis, Reed Richards (Senhor Fantástico), Sue Storm (Garota Invisível), Ben Grimm (Coisa), e Johnny Storm (Tocha Humana) que eram imperfeitos e consequentemente mais humanos do que qualquer herói publicado à época, dessa forma, tornando-se o standard para a editora ao longo dos anos.
Em Fevereiro de 2004, a Marvel lançou o Quarteto Fantástico Ultimate, uma versão do grupo para o universo Ultimate. Também lançou a Marvel Knights 4. Apesar de não ser exatamente voltada para adultos, os títulos Marvel Knights procuram atingir uma faixa de público um pouco mais velho.
O Quarteto Fantástico apareceu pela primeira vez no Brasil na revista do Demolidor, publicada pela EBAL a partir de 1969. Em 1970, foi lançada a revista própria dando sequência às histórias. A revista durou até 1972. Depois de um curto período pela GEA, o Quarteto retornou à EBAL, que continuou as aventuras na revista do Homem-Aranha que teve o último número publicado em janeiro de 1975. Nas revistas do aracnídeo foram publicadas pela primeira vez no Brasil as famosas histórias da “Trilogia de Galactus”, “Inumanos”,[7] “Pantera Negra” e outros clássicos do Quarteto produzidos pela dupla Stan Lee/Jack Kirby.

Depois da fase da EBAL, o Quarteto Fantástico foi relançado em revista própria pelas Editoras Bloch, que lançou primeiramente as aventuras solo do Tocha Humana e do Tocha Humana Original, e RGE. Depois de pouco mais de uma dezena de números nesta última, a revista seria cancelada e os direitos do personagem passaram para a Editora Abril, aonde se mantiveram até o ano 2000. Actualmente, é distribuída pela Panini, onde suas histórias são a base do “Universo Marvel”.
Os super-poderes do Quarteto Fantástico foram obtidos quando um foguete espacial experimental projectado por Reed Richards atravessou uma tempestade de raios cósmicos durante seu voo experimental. Depois da aterrissagem forçada de regresso à Terra, os quatro tripulantes da nave descobriram que se tinham transformado e possuíam novas e bizarras habilidades.
Reed podia esticar seu corpo e assumir qualquer formato. A sua noiva, Susan Storm, ganhou a habilidade de se tornar invisível, vindo posteriormente a desenvolver as habilidades de projectar campos da força e de tornar objectos visíveis em invisíveis. O seu irmão mais novo, Johnny Storm, adquiriu o poder de controlar o fogo e, devido à alteração de temperatura do ar à sua volta, pode voar. Por último, o piloto Ben Grimm foi transformado em um monstro rochoso, dotado de força incrível e cuja carne é quase invulnerável. No entanto, Reed culpa-se constantemente desse facto devido à impossibilidade de o Coisa assumir a forma humana e se sentir traumatizado com isso. O Coisa tornou-se uma espécie de figura paternal no meio do grupo, apresentando sempre como contraponto um humor cáustico muito próprio. Ao longo dos tempos transformou-se no personagem mais amado, por ser directo e não ter meias palavras, dizendo directamente o que pensa.
Os quatro personagens foram moldados inspirados nos clássicos quatro elementos gregos: Terra (Coisa), fogo (Tocha Humana), vento (Mulher Invisível) e água (a “fluidez” do Senhor Fantástico). Estes mesmos quatro elementos inspiraram também uma criação anterior de Jack Kirby, os Desafiadores do Desconhecido.

A equipe de aventureiros, passou a proteger a humanidade, a Terra e o Universo de inúmeras ameaças. Incentivados principalmente pela curiosidade científica de Reed, a equipe explorou o espaço, a zona negativa, o Microverso, outras dimensões e quase cada vale escondido, nação ou civilização perdida do planeta. O Quarteto faz a ponte entre personagens mais “cósmicos” da Marvel, tais como o Surfista Prateado ou o Vigia e os mais “terrestres”, Homem-Aranha e X-Men.

O Quarteto Fantástico já ocupou vários quartéis-generais, o mais notável foi o Edifício Baxter em Nova York. O edifício Baxter foi substituído pelo Four Freedoms Plaza, construído no mesmo local, após a destruição do Edifício Baxter infligida por Kristoff Vernard, filho adoptivo do Doutor Destino, o arqui-inimigo do grupo, tendo o grupo ocupado provisoriamente a Mansão dos Vingadores antes de o Four Freedoms Plaza estar terminado. Também houve o Pier 4, um armazém no litoral de Nova York que serviu de sede provisória após o Four Freedoms Plaza ter sido destruído, devido às acções de outra equipe de super-heróis, os Thunderbolts. Mais recentemente, utilizam um satélite orbital como base.

A revista enfatiza o fato de que o Quarteto, ao contrário da maioria das super-equipes, serem literalmente uma família. Três dos quatro membros são oficialmente parentes, sendo a excepção o Coisa que é um amigo chegado da família. Além deles, os filhos de Reed e Sue Richards, Franklin e Valeria, aparecem regularmente na série.

Ao contrário da maioria dos super-heróis, as identidades do Quarteto Fantástico não são secretas. A parte negativa disso é a vulnerabilidade que o fato confere aos amigos e família. A parte positiva é a simpatia que o Quarteto tem junto à população humana, que admira suas proezas científicas e heróicas.
Durante a Guerra Civil surge a primeira divisão no Quarteto. Sue e Johnny unem-se aos Vingadores Secretos do Capitão América, o Coisa muda-se para Paris, regressando aos EUA somente na batalha final ao lado do Capitão América, Reed foi um dos líderes da força do Homem de Ferro e a favor do registo oficial dos super-heróis.
Mulher-Hulk – Substituiu o Coisa quando este ficou por conta própria no planeta do Beyonder, após as Guerras Secretas.
Cristalys – Uma Inumana e ex-namorada de Johnny Storm que teve de abandonar o grupo por não conseguir adaptar-se a poluição terrestre. Substituiu a Mulher Invisível aquando da sua primeira gravidez.
Outros membros provisórios, foram: A inumana Medusa, o herói de aluguel Luke Cage, uma outra namorada do Tocha Humana, Frankie Raye que tinha poderes semelhantes aos dele e que mais tarde se tornou o arauto de Galactus com o nome de Nova, Sharon Ventura usando o nome de Miss Marvel (não confundir com a ex-vingadora Carol Danvers que também usou esse nome) e que durante uma certa época se tornou uma versão feminina do Coisa.
Em uma história, uma fugitiva Skrull veio a terra e nocauteou todos os membros do Quarteto Fantástico. Então ela chamou alguns heróis para supostamente vingar sua família. O grupo era formado por Wolverine, Hulk, Motoqueiro Fantasma e Homem-Aranha.
[homem aranha] esta no quarteto fantastico no lugar do tocha humana.

13.837 – História da Astronomia – Abu Abdallah Mohammed ibn Musa Al-Khwarizmi


Al-Khwarizmi astronomo
(Khwarizm, Uzbequistão ? 780 – Bagdá ? 850) foi um matemático, astrônomo, geógrafo e historiador. É de seu nome que deriva o termo “algarismo”, em português.
São poucos detalhes conhecidos de sua vida. É certo, porém, que se aprofundou no estudo de várias ciências, como aritmética, álgebra, astronomia, geografia e sobre o calendário, tendo escrito tratados em todos estes campos do conhecimento. Alguns de seus trabalhos foram traduzidos para o latim e estudadas pelas mentes mais avançadas da Europa na época, contribuindo para que o continente se libertasse do domínio intelectual da igreja, preparando as bases do humanismo renascentista. Seus tratados são até hoje reconhecidos, valorizados e ainda empregados. Por isso mesmo, ele é considerado uma das maiores mentes científicas do período medieval e mais importante matemático muçulmano, ganhando merecidamente o título de “pai da álgebra”.
Nesse campo destaca-se seu “Al-Kitab al-fi mukhtaṣar Hisab al-jabr wa-l-muqabala” (Compêndio sobre Cálculo por Completude e Balanço) que se tornou um dos principais livros de matemática das universidades europeias. Considerado o primeiro tratado dedicado à álgebra (apesar de ter notoriamente se baseado em antigas fontes indianas e gregas), é um de seus trabalhos mais célebres, e foi seu título que nos legou o termo “álgebra” (al-jabr)​​.
A sua obra Kitāb al-Jamʿ wa-l-tafrīq bi-ḥisāb al-Hind (O Livro de adição e subtração de acordo com o cálculo hindu) é por sua vez um clássico da aritmética, responsável por apresentar os números arábicos (na verdade, indianos), incluindo o zero aos europeus. O texto original árabe se perdeu, restando apenas uma tradução contemporânea em latim. Neste trabalho, Al-Khwarizmi lida com as quatro operações básicas de adição, subtração, multiplicação e divisão, bem como com as frações comuns e sexagesimal e da extração da raiz quadrada.
Al-Khwarizmi e seu colegas, os irmãos Banu Musa pertenceram à Casa da Sabedoria (Bayt Ul-Hikma), uma biblioteca e instituto de tradução estabelecido no período do domínio Abássida em Bagdá, Iraque, à época do reinado do califa al-Mamum (813-833), patrono do conhecimento e do aprendizado. Entre suas tarefas estavam a tradução de manuscritos científicos em grego, sânscrito, pahlavi (persa médio) e de outras línguas para o árabe, além de dedicar-se a pesquisas nas áreas da álgebra, geometria e astronomia. Certamente al-Khwarizmi trabalhou sob o patrocínio do califa Al-Mamun e a ele dedicou dois de seus textos, seu tratado sobre álgebra e seu tratado sobre astronomia. É possível que tenha escrito um tratado sobre o astrolábio e outro sobre relógios de sol, mas estes dois últimos não chegaram aos nossos dias.

13.836 – Astronomia – A comunicação entre a Terra e robôs em Marte


Robô Curiosity
Robô Curiosity

Em 2012 a Agência Espacial Americana, a NASA, enviou ao planeta Marte uma sonda robotizada com a missão de explorar o desconhecido astro, analisando as suas formações rochosas, solo, atmosfera e tudo mais, a procura da existência ou não de vidas passadas (muito provavelmente seres vivos microbianos) e estudar a formação do planeta afim de saber se o seu ambiente alguma vez na história já possa ter sido conveniente para a formação da vida como nós a conhecemos hoje.
Essa sonda recebeu o nome de Curiosity e é o primeiro laboratório móvel completo enviado a outro a planeta; terá por função estudar o solo marciano por cerca de dois anos. Essa sonda está equipada com um braço mecânico capaz de fazer furos, câmeras, sensores térmicos e de movimentos, etc, mas um de seus componentes mais importantes são as antenas, que são usadas para a transmissão de dados para a Terra. Existem três diferentes antenas acopladas à sonda: uma de baixo ganho, uma de alto ganho e uma antena do tipo UHF (Ultra High Frequency; Frequência Ultra Alta).
A primeira antena está ligada a um rádio lento, de baixa potência UHF. Ele é capaz de transmitir uma pequena taxa de dados para outras sondas orbitantes em Marte ou também diretamente para a Terra. Foi projetado para ser usado em situações de emergência, quando os demais dispositivos de transmissão falharem.
A segunda antena está ligada a um rádio UHF de alta velocidade. Este por sua vez transmite as informações rapidamente para as sondas orbitantes do planeta (Odyssey, Mars Reconnaissance Orbiter e Mars Express), a taxas entre 256 kbits/s a 2 Mbits/s e possui um consumo de apenas 15 watts. É o principal meio de comunicação, estima-se que cerca de 31 megabytes de dados cheguem à Terra por dia através deste canal.
Por fim, a antena de alto ganho. Ela conecta diretamente a sonda Curiosity com os cientistas e engenheiros aqui na Terra e por tal motivo este canal só se encontra disponível durante três horas do dia, devido ao alinhamento dos planetas e questões de energia. Esta antena usa um rádio que consome 40 watts e transmite apenas 12 kilobits por segundo. Existe um atraso de 20 minutos na transmissão das informações, pois o sinal precisa percorrer a distâncias superiores entre 100 a 400 milhões de quilômetros entre a Terra e Marte. Por ser um canal de comunicação direto, a NASA o utiliza para enviar comandos a sonda e também para receber dados críticos.
Na Terra, os sinais são captados por antenas de até 70 metros de diâmetro, que fazem parte da Deep Space Network (utilizada também para comunicação com todos os outros satélites e outras missões espaciais).

13.835 – Linguística – Quantas línguas existem ao todo?


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São 6 912 idiomas em todo o mundo, segundo o compêndio Ethnologue, considerado o maior inventário de línguas do planeta. O livro, editado desde 1951, é uma espécie de bíblia da linguística, indicando quais são as línguas em uso, onde elas são faladas e quantas pessoas usam o idioma. De acordo com os organizadores da enciclopédia, o total de línguas no planeta pode ser até maior. Estima-se que haja entre 300 e 400 línguas ainda não catalogadas em regiões do Pacífico e da Ásia. Além de somar todas as línguas que existem, o Ethnologue traz outras curiosidades na ponta da língua. Aí embaixo, a gente selecionou as mais legais.
Todas as bocas do planeta
Brasil tem 188 dos mais de 6 mil idiomas falados no mundo

NO BRASIL
Nosso país tem 188 idiomas em uso – o português (claro!), mais 187 variedades indígenas. Uma delas é o apiacá, falado por apenas dois brasileiros, e o ofaié, praticado por 11 índios do Mato Grosso do Sul. Cerca de 30 dessas línguas estão em extinção e 47 idiomas que um dia foram falados no país já desapareceram para sempre

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A MAIS FALADA
O idioma mais popular do planeta é o mandarim, o principal dialeto chinês, falado por algo em torno de 870 milhões de pessoas. Em segundo lugar aparece o hindi, a língua oficial da Índia, usado por cerca de 500 milhões de pessoas. O espanhol vem em terceiro lugar, o inglês em quarto e o nosso português em sétimo

EM EXTINÇÃO
O Ethnologue lista 497 línguas que correm o risco de desaparecer em poucas décadas. E segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) metade dos idiomas falados hoje em dia pode sumir durante o século 21, por causa do predomínio do inglês nas páginas da internet

MAIS E MENOS
O país com mais línguas no mundo é Papua Nova Guiné, onde são falados nada menos que 820 idiomas diferentes – a vizinha Indonésia é a vice-campeã, com 742 idiomas. No outro extremo, a Coréia do Norte é o único país onde só se fala uma língua. Em seguida, vem o Haiti, com dois idiomas

13.834 – Dito Popular – De Onde Surgiu o provérbio “Beleza não se põe na mesa”?


O provérbio «beleza não põe mesa», ou «beleza não se põe à mesa» (José Pedro Machado, O Grande Livro dos Provérbios, 3.ª ed., Lisboa, Ed. Notícias, 2005, p. 112), corresponde a uma forma mais simplificada de um outro provérbio, cujo sentido/significado é mais evidente: «Beleza e formosura não dão pão nem fartura» (idem).
Em tais provérbios sobressaem dois campos semânticos: o da beleza (e da formosura) e o da mesa (representada pelo pão, símbolo da alimentação, e da fartura, símbolo da abundância, do que se que se coloca na mesa). Entre esses dois bens, a beleza é desvalorizada em relação ao pão, à mesa, à fartura, sobressaindo o sentido prático da vida.
Com estes provérbios pretende-se passar a lição de que não nos devemos centrar na beleza, na aparência como valores primordiais, porque são supérfluos e vazios, destacando a sua inutilidade como fonte de vida e de saúde. Por sua vez, e em detrimento da beleza, o pão/a alimentação ganham destaque como elementos essenciais à sobrevivência, à saúde, à energia e ao bem-estar.
de-se passar a lição de que não nos devemos centrar na beleza, na aparência como valores primordiais, porque são supérfluos e vazios, destacando a sua inutilidade como fonte de vida e de saúde. Por sua vez, e em detrimento da beleza, o pão/a alimentação ganham destaque como elementos essenciais à sobrevivência, à saúde, à energia e ao bem-estar.

13.833 – Medicina – Como Funciona um Anti inflamatório?


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A inflamação é uma resposta do sistema imunológico a uma infecção ou lesão dos tecidos. Por esse processo, o fluxo sanguíneo para a região atingida aumenta, transportando células do sistema imunológico com o intuito de combater o agente agressor. Os anti-inflamatórios são medicamentos que impedem ou amenizam essa reação e minimizam os sintomas da inflamação como calor, rubor e dor.
Esses medicamentos também apresentam ação antipirética (redução da febre) e analgésica (diminuição da dor). São divididos em dois grupos: esteroides, derivados de corticoides que inibem as prostaglandinas e proteínas ligadas ao processo inflamatório, e não-esteroides, que diminuem o processo inflamatório e a dor.
Os primeiros costumam ser indicados para doenças como asma e doenças inflamatórias autoimunes; o segundo grupo é mais usado para tratar artrite reumatoide, traumas e contusões.
Como podem causar efeitos colaterais graves como toxicidade para as células do fígado e dos rins, gastrite e úlcera, entre outros, só devem ser utilizados sob prescrição e acompanhamento médico.

13.832 – Conceitos Sobre a Dor


Na Grécia Antiga, três séculos antes de Cristo, foi fundada a Escola Estoica. O ideal de seus seguidores era viver “de acordo com a natureza”, e assumir uma atitude impassível e racional diante dos acontecimentos, fossem eles marcados pela dor ou pelo prazer. Séculos mais tarde, de acordo com os valores da cultura judaico-cristã, a dor passou a ser encarada como forma de redimir os pecados intrínsecos à espécie humana, ou como castigo pelos erros cometidos. Prova disso está nas súplicas – “A vós suplicamos gemendo e chorando neste vale de lágrimas” -, ou na ira divina ao punir a desobediência de Eva no Paraíso: “Entre dores darás à luz os filhos”. Nem os poetas escaparam dessa postura de aceitação da dor – “Ser mãe é padecer no Paraíso” –, como mal necessário a caminho da redenção.
Sob o enfoque da medicina moderna, porém, a dor é um sinal de alarme e o sofrimento que provoca além de absolutamente inútil, debilita o organismo e compromete a qualidade de vida. Mas, nem sempre se pensou assim. Durante muito tempo, as faculdades de medicina e de enfermagem não capacitaram os alunos para lidar com a dor, fosse ela aguda ou crônica, e muitos médicos estão despreparados para enfrentar esse desafio, apesar dos avanços tecnológicos e na área da farmacologia. Não estamos nos referindo aqui às dores mais leves que passam com a administração de analgésicos comuns, mas às dores agudas e crônicas, que requerem tratamento mais agressivo e especializado.
Hoje, infelizmente, a despeito de todo o progresso terapêutico, essas dores ainda não recebem a abordagem necessária e estão se transformando num problema de saúde pública no Brasil.
A dor é um sinal de alarme do organismo. Quando se manifesta agudamente, com certeza algo de errado está ocorrendo na pele, nos músculos, nas vísceras ou no sistema nervoso central e são liberadas substâncias que ativam os nervos periféricos e centrais para conduzirem o estímulo até a medula espinhal, onde a sensação dolorosa é modulada, e de lá para o cérebro a fim de avisá-lo que, em determinado ponto, existe um problema.
Como a dor pode ser inibida na medula espinhal pela ação dessas substâncias (serotonina e endorfinas), quando uma pessoa se machuca praticando esportes ou jogando bola, por exemplo, pode não sentir nada naquele momento. A dor vem mais tarde, “quando o sangue esfriou”, dizem os leigos. Na verdade, a razão é outra: existe um sistema supressor interno que às custas das endorfinas, que são opioides endógenos, isto é, produzidos pelo próprio organismo, encarregou-se de combater a sensação dolorosa provocada pela agressão. Portanto, os remédios à base de opioides indicados para o controle da dor simplesmente amplificam esse mecanismo natural do organismo.

13.830 – A Anestesia na Medicina


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A anestesia, como a conhecemos hoje, é uma aquisição recente na história da humanidade. Sabe-se que, na Antiguidade, eram realizados alguns tipos de cirurgia e prova disso são os instrumentos cirúrgicos egípcios em exposição nos museus. Portanto, as civilizações antigas deviam conhecer fórmulas para driblar a dor e operar as pessoas. Relatos provenientes da Grécia Antiga indicam que Hipócrates utilizava a esponja soporífera embebida em substâncias sedativas e analgésicas extraídas de plantas e que o médico Dioscórides descobriu os efeitos anestésicos da mandrágora, um tubérculo muito parecido com a batata. Já os chineses se valiam dos conhecimentos de acupuntura e os assírios comprimiam a carótida, para impedir que o sangue chegasse ao cérebro.

Gelo ou neve para congelar a região a ser operada, embriagar o paciente, hipnose foram outros recursos usados para aliviar a dor no passado. Quando de nada adiantavam, as cirurgias eram realizadas a frio, com os doentes imobilizados à força.
Esse panorama mudou, e mudou muito. Hoje, a anestesia é um procedimento médico de altíssima segurança que promove analgesia completa enquanto o paciente é operado.
Eles usavam drogas que, hoje, corresponderiam à morfina. Se bem que o conceito antigo de operação era diferente do atual. Ninguém fazia uma gastrectomia, isto é, uma cirurgia de estômago, por exemplo. Em geral, eram amputações e eles quase sempre encontravam uma forma de dopar o doente. Se não conseguiam, operavam a frio mesmo.
O surpreendente é que essa conduta não está tão distante no tempo assim. No fim da Primeira Guerra Mundial, depois que os alemães deixaram de ter disponíveis as drogas com que poderiam sedar os pacientes, as amputações eram feitas a frio.
Diante de tantas restrições, era importante a velocidade com que as cirurgias eram realizadas. Em poucos minutos, amputava-se uma perna ou cuidava-se de um ferimento grave.
É preciso cuidar das vias respiratórias dos pacientes sob anestesia geral. Quando a musculatura relaxa, há risco de obstrução das vias aéreas por perda do tônus da musculatura que suporta a língua. Para evitá-la, são introduzidas cânulas orais que mantêm a língua afastada da parede posterior da traqueia ou passa-se um tubo através da boca até a traqueia para permitir a circulação da mistura anestésica. Para fazer isso, é preciso que seja total o relaxamento não só da boca e da língua, mas também da glote e da laringe. Os relaxantes musculares foram medicamentos que ajudaram muito nesse sentido.

13.829 – História da Medicina – Quando Surgiram as DSTS?


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As DST acompanham a história da humanidade. Durante a evolução da espécie humana. as DST vêm acometendo pessoas de todas as classes, sexos e religiões. No tempo da Grécia antiga foram chamadas de doenças venéreas, como referência a Vênus, a Deusa do Amor.
A gonorréia, descrita em passagens da Bíblia; só teve o seu agente causador identificado em 1879.
A sífilis, que até o século XV era desconhecida, teve seus primeiros registros em figuras encontradas em tumbas do Egito no tempo dos faraós.
No início do século XX, o cientista Shaudinn descobre que a sífilis é causada por uma bactéria, chamada de Treponema pallidum. Em seguida, outro cientista, Wassermann, desenvolve um teste feito no sangue, o VDRL, que serve para detectar a infecção.
Com a descoberta da penicilina, na década de 40, as epidemias de algumas DST começam a recuar.
Nos anos 60/70, com a descoberta da pílula anticoncepcional e com a maior liberdade sexual entre os jovens, voltam a aumentar os números de casos de DST em todo mundo.
Nos anos 80/90 observou-se um aumento dramático dos casos de sífilis e gonorréia, muitos dos quais têm ocorrido na população adolescente e de adultos jovens.
As DST são atualmente um grande problema de saúde pública no Brasil, principalmente porque facilitam a transmissão do HIV, o vírus que causa a AIDS, tendo portanto uma parcela de responsabilidade pela atual dimensão da epidemia da AIDS.

Agentes causadores
As DST podem ser causadas por vírus, bactérias ou até protozoários. Na figura abaixo você pode ver a diferença de tamanho entre eles comparados com um espermatozóide.
Como evitar as Doenças Sexualmente Transmissíveis
A prevenção é muito mais barata que qualquer tratamento, além de preservar a integridade física, evita contratempos, portanto:

– Evitar o contato com as secreções do doente.
– Evitar parceiros que exalam mau cheiro do corpo ou genitais, isso é um dos sinais de descuido com a saúde e higiene.
– Evitar múltiplos parceiros.
– Desconfiar de qualquer secreção ou corrimento incomuns dos seus genitais e do parceiro.
– Abortar o ato sexual ao perceber erupções no corpo do parceiro, manchas, feridas ou cortes nos genitais. A abstenção de relações sexuais com pessoas infectadas é o único meio 100% seguro de evitar o contágio por transmissão sexual.
– Utilizar preservativos, lembrando-se que a camisinha ajuda a reduzir, mas não elimina totalmente o risco de contágio sexual.
– Tomar banho ou pelo menos lavar os genitais com água e sabão após cada ato sexual.
– Urinar imediatamente após o ato sexual.

As diversas DSTs:

– AIDS (SIDA)

– Cancro mole (Cavalo)

– Candidíase (Sapinho)

– Condiloma acuminado (Crista de galo)

– Gonorréia

– Herpes genital

– Linfogranuloma venéreo (Mula)

– Outras infecções… (Uretrite não gonocócica e Infecções vaginais)

– Sífilis

– Tricomoníase

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13.828 – A primeira epidemia de DST: a história da doença sexual que levou Europa a culpar a América no século 16


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Em 1509, o jovem soldado alemão Ulrich von Hutten contraiu uma doença desconhecida quando estava na Itália. Ele sofreu com os sintomas por dez anos.
O paciente descreveu assim sua condição: “(O tempo todo) havia furúnculos, parecidos em tamanho e aspecto com uma bolota. Tinham um cheiro tão fétido que quem o cheirasse achava que estava infectado. A cor era verde escuro. Vê-los chegava a ser pior que sentir a dor, mesmo que a sensação pareça a mesma de encostar no fogo.”
Pouco antes disso, na década de 1490, a população europeia havia acabado de se recuperar das mortes provocadas pela propagação, no século anterior, da peste bubônica, surto conhecido como Peste Negra. Uma em cada três pessoas havia morrido em consequência da doença em todo continente europeu.
Doença sexualmente transmissível pouco conhecida se alastra e alarma médicos por resistência a antibióticos
‘Pensei que fosse doença da Idade Média’: o novo avanço da sífilis no mundo e no Brasil
Com o aumento da população, chegou a prosperidade. Mas nem tudo foi positivo. Doenças desconhecidas começaram a aparecer, em meio à guerra endêmica e à fome frequente.
Contágio em velocidade alarmante gerou terror
Por volta de 1495, o rei francês Carlos VIII invadiu Nápoles reivindicando direito àquele reino. Mas as tropas se contaminaram com uma doença nova.
Ninguém jamais havia visto nada parecido. Os médicos da época não encontraram nenhuma referência nos livros. O nível de preocupação foi similar ao momento em que, séculos depois, o HIV foi descoberto.
A doença que fez o soldado alemão Ulrich von Hutten agonizar também era transmitida pelo contato sexual. Era a sífilis.
As pessoas estavam aterrorizadas porque a doença se espalhou com uma velocidade impressionante. Chegou à Escócia, à Hungria e à Rússia. Com exceção dos idosos e das crianças, todos corriam risco de se contaminar. Estava nos bordeis, mas também nos castelos.
Acredita-se que os reis Francisco I e Henrique III, da França, assim como o imperador Carlos V padeceram da mesma enfermidade.
Nem os monges escaparam da sífilis. A hierarquia não importava. Cardeais, bispos e até os papas Alexandre VI e Júlio II sofreram com a doença.
A velocidade com que se espalhou revela muito sobre os hábitos sexuais da sociedade naquela época.
O curioso papel da deusa Vênus nessa história
Os franceses diziam que a doença era italiana. Mas todo o resto da Europa se referia a ela como francesa. Inicialmente, não tinha nome técnico.
Ao final, um médico francês sugeriu que chamá-la de “doença venérea” por acreditar que a causa principal era o ato sexual que, por sua vez, estava ligado à deusa romana do amor, Vênus.
A epidemia causada pela sífilis era diferente das vistas anteriormente. Ela não se concentrava numa área específica nem estava relacionada a uma época do ano.

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Todos corriam risco de adoecer. E, uma vez que isso acontecia, parecia que a pessoa nunca iria se recuperar.
Se o tormento durante o dia era difícil, parecia ainda pior à noite. Os que padeciam da doença gritavam continuamente por causa da dor que sentiam nos ossos. Mas qual era a causa?
Sífilis foi considerada castigo divino por pecados
No início, pensou-se que era um castigo de Deus pelos pecados cometidos pela sociedade. Assim, o primeiro passo para lidar com a doença era se arrepender e rezar por proteção divina.
Mas havia outras hipóteses. Astrólogos da época afirmavam que tinha relação com dois eclipses do Sol e a confluência de Saturno e Marte.
“As chuvas que caíram em todos os países atingidos naquela época foram tão abundantes que a terra foi contaminada com água estagnada, e não foi surpresa que a doença tivesse se apresentado”, registrou um professor de Medicina da época.
O encontro das estrelas com a contaminação da terra, por sua vez, causou uma podridão venenosa do ar. A consequência foi a putrefação do corpo humano.
No começo, acreditava-se que o mercúrio era um remédio para a sífilis. Era comum usar o medicamento para tratar de problemas de pele nessa época. Esse foi o tratamento recomendado ao soldado alemão: respirar gás de mercúrio quente.
Mas a cura era pior que a doença. Os pacientes perdiam a lucidez. No entanto, o uso do mercúrio para combater a sífilis continuou por muitos anos, até 1517, quando surgiu um novo remédio. O guáiaco, um arbusto encontrado no Haiti, supostamente era usado pelos que vinham daquela ilha.
Pedaços de tronco eram fervidos em água, e o líquido, bebido duas vezes ao dia. O tratamento completo incluía passar 30 dias em uma sala extremamente quente para suar e expelir a doença.
Nessa mesma época, estabeleceu-se uma relação entre a sífilis e o castigo divino decorrente de pecados individuais. A pessoa se contaminava se tivesse mantido uma relação sexual ilícita.
Nesse contexto, as mulheres eram consideradas as responsáveis por transmitir a doença. Eram elas que faziam os pobres homens caírem em tentação, ao estilo do casal bíblico Adão e Eva.
O estigma também afetava as crianças cujos pais sofriam com sífilis, porque era uma considerada uma doença hereditária. Gerações inteiras foram tidas como malditas.
Depois, detectou-se que a transmissão se dava de pessoa para pessoa. Assim, imaginava-se que a sífilis teve origem num lugar específico e não em consequência do clima.
Nessa época, acreditava-se que ela chegou à Europa com os marinheiros que vinham da América com Cristóvão Colombo. Supostamente, eles atracaram em Barcelona, uniram-se às tropas em Nápoles e às prostitutas. O Exército se encarregou de espalhá-la.
Mas historiadores médicos americanos não gostaram dessa teoria. Eles apresentaram, então, evidências arqueológicas para provar que a sífilis era uma doença nativa da Europa.

Identificada a causa, surge uma cura
Ainda há dúvidas sobre de onde a sífilis surgiu inicialmente. Mas, na verdade, as décadas antes e depois de 1500 representam uma grande mudança na sociedade europeia.
A vida urbana, novas técnicas de guerra e mudanças nos comportamentos sexuais. O ambiente europeu estava em mutação constante, o que fez aumentar a incidência de doenças.
Por isso, o surgimento de novas epidemias parecia inevitável. A sífilis chegou e ficou, propagando-se, em especial, em tempos de guerra.
Com a medicina moderna, identificou-se, em 1905, a bactéria que causa a doença. E, cinco anos depois, descobriu-se o primeiro tratamento efetivo.
Mas foi somente em 1943, com a descoberta da penicilina, que se encontrou a cura para a doença.

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13.827 – Curiosidades – É possível que um tiro saia pela culatra?


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O desenho e o funcionamento das pistolas atuais e o tipo de munição usada impedem que um projétil dê “marcha a ré” e atinja o atirador. A origem da expressão “O tiro saiu pela culatra” é incerta, mas pode remeter aos mosquetes do século 18, que eram recarregados pelo mesmo orifício de onde saía o disparo. O processo envolvia depositar primeiro a pólvora, depois o projétil . Se, no desespero da batalha, o atirador invertesse essa ordem, o tiro poderia sair “para trás”. Hoje, o máximo que pode rolar é uma explosão na câmara (onde o projeto é alojado) se a pessoa usar quantidade exagerada ou o tipo errado de pólvora em uma munição produzida (ou reciclada) artesanalmente.

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