14.028 – Todas as células imaturas têm potencial para se desenvolver em células-tronco


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Novo estudo sensacional realizado na Universidade de Copenhague desmente o conhecimento tradicional do desenvolvimento de células-tronco. O estudo revela que o destino das células intestinais não é predeterminado, mas sim determinado pelo ambiente das células. O novo conhecimento pode facilitar a manipulação de células-tronco para terapia com células-tronco. Os resultados acabam de ser publicados na Nature.
Todas as células do intestino fetal têm o potencial de se desenvolver em células-tronco, conclui um novo estudo realizado na Faculdade de Saúde e Ciências Médicas da Universidade de Copenhague. Os pesquisadores por trás do estudo descobriram que o desenvolvimento de células intestinais imaturas – ao contrário de suposições anteriores – não é predeterminado, mas afetado pelo entorno imediato das células nos intestinos. Essa descoberta pode facilitar o caminho para uma terapia eficaz com células-tronco, diz o professor associado Kim Jensen, do Centro de Pesquisa e Inovação em Biotecnologia (BRIC) e do Centro da Fundação Novo Nordisk para Biologia de Células-Tronco (DanStem).
“Costumávamos acreditar que o potencial de uma célula para se tornar uma célula-tronco era predeterminado, mas nossos novos resultados mostram que todas as células imaturas têm a mesma probabilidade de se tornar células-tronco no órgão totalmente desenvolvido. Em princípio, é simplesmente uma questão de estar no lugar certo na hora certa. Aqui os sinais do entorno das células determinam seu destino. Se formos capazes de identificar os sinais necessários para que a célula imatura se desenvolva em uma célula-tronco, será mais fácil manipular as células na direção desejada”.
Ao longo da vida, os órgãos do corpo são mantidos pelas células-tronco, que também são capazes de reparar danos menores nos tecidos. Uma melhor compreensão dos fatores que determinam se uma célula imatura se desenvolve ou não em uma célula-tronco pode, portanto, ser útil no desenvolvimento de células-tronco para terapia e transplante.

“Nós obtivemos maior percepção dos mecanismos pelos quais as células do intestino imaturo se desenvolvem em células-tronco. Espero que possamos usar esse conhecimento para melhorar o tratamento de feridas que não cicatrizam, por exemplo, nos intestinos. Até agora, porém, tudo o que podemos dizer com certeza é que as células do trato gastrointestinal têm essas características. No entanto, acreditamos que este é um fenômeno geral no desenvolvimento de órgãos fetais ”.

Células Luminescentes e Colaboração Matemática
As descobertas surpreendentes são o resultado de uma busca pela compreensão do que controla o destino das células-tronco intestinais. O pós-doutorado Jordi Guiu desenvolveu um método para monitorar o desenvolvimento das células intestinais individuais. Introduzindo proteínas luminescentes nas células, ele poderia, usando microscopia avançada, monitorar o desenvolvimento das células individuais.
Após os testes iniciais, as células que os pesquisadores acreditavam serem células-tronco fetais só conseguiram explicar uma fração do crescimento dos intestinos durante o desenvolvimento fetal. Portanto, eles estabeleceram uma colaboração com especialistas em matemática da Universidade de Cambridge. E quando estudaram os dados mais de perto, chegaram à surpreendente hipótese de que todas as células intestinais podem ter a mesma chance de se tornarem células-tronco. Testes subsequentes foram capazes de provar a hipótese.

13.968 – Fábrica de Bebes na China (?)


Para um país com quase 2 bilhões de habitantes, tal frase não seria novidade, porém esses bebes seriam modificados geneticamente.
Foi como se as páginas de uma ficção científica ou distopia aterradora tomassem de assalto o mundo real. Em uma entrevista concedida no fim do mês passado à agência americana de notícias Associated Press, o biólogo chinês He Jiankui afirmou ter criado em laboratório os primeiros bebês da história geneticamente modificados desde o estágio embrionário. Eles seriam as gêmeas apelidadas de Lula e Nana — o nome real dos bebês continua sob sigilo. O cientista declarou que, para obter o resultado, usou a técnica Crispr, que induz, quimicamente, alterações permanentes no DNA. O objetivo teria sido desativar o gene CCR5, responsável por deixar o corpo vulnerável ao HIV — as gêmeas, portanto, se tornariam imunes à aids.
“A sociedade decidirá o que fazer a seguir”, disse He Jiankui, que teria realizado seu experimento por meio de uma empresa própria, e não da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, da qual estava afastado. A instituição repudiou o trabalho, considerado antiético pela maior parcela da comunidade acadêmica, inclusive da própria China. Mais de 100 pesquisadores, a maioria em atuação naquele país, se uniram em uma carta pública de repulsa à suposta realização de He Jiankui. A grande questão trazida à tona pela experiência é que sua fórmula poderia servir para a escolha de outras características dos embriões — cor dos olhos, altura etc. —, o que abriria as portas para as aterradoras propostas eugenistas.
Ainda não se sabe até que ponto a notícia divulgada pelo biólogo é verídica. He Jiankui não apresentou seu experimento a periódicos científicos, como manda a boa prática. Ele prometeu que iria refazê-lo e o submeteria ao escrutínio de colegas. Mas, depois disso, desapareceu. Pode estar se escondendo do governo chinês, que condenou e interrompeu o estudo, ou até mesmo ter sido detido pelas autoridades para interrogatório.

13.866 – Embora ainda não alcançado, reversão do envelhecimento é cientificamente viável


Devido aos recentes avanços nas pesquisas genéticas, as alegações de três insiders e denunciantes do SSP-Secret Space Program (Programa Espacial Secreto) dos EUA, que dizem ter sofrido um processo de regressão (rejuvenescimento) de idade nos programas secretos espaciais, tornaram-se muito mais plausíveis.
Os denunciantes, Corey Goode, Randy Cramer e Michael Relfe, todos dizem que eles tiveram seu envelhecimento regredido para tornarem-se 20 anos mais jovens no final de seus respectivos tempo de serviço alistados em programas espaciais secretos dos EUA.
Recentemente, geneticistas identificaram os genes que controlam o processo de envelhecimento do corpo humano, e em experimentos impressionantes, cujos resultados foram publicados em revistas científicas revisadas por seus pares, demonstraram que foram capazes de reverter o processo de envelhecimento em vários graus de sucesso. Os resultados dessas experiências tornam plausível que os três denunciantes tenham realmente sofrido um processo de regressão de idade usando tecnologias médicas classificadas em programas secretos espaciais, como alegaram.
O principal cientista genético nos estudos de reversão de idade publicamente anunciados é o Dr. David Sinclair, que discutiu em uma entrevista os resultados de seus experimentos genéticos conduzidos pela primeira vez em ratos:
“Nós descobrimos genes que controlam como o corpo luta contra o envelhecimento e esses genes, se você ativá-los no caminho certo, eles podem ter efeitos muito poderosos, de mesmo reverter o envelhecimento – pelo menos em camundongos até agora … Nós lhes demos uma molécula que é chamado de NMN e este envelhecimento foi invertido completamente dentro de apenas uma semana de tratamento no músculo, e agora estamos procurando para reverter todos os aspectos do envelhecimento, se possível”.
Ele explicou como esse processo também poderia ser feito com segurança para os seres humanos:
“Nós fomos de ratos em primeiros estudos humanos na verdade. Houve alguns ensaios clínicos em todo o mundo, e estamos esperando nos próximos anos para saber se isso vai realmente funcionar em seres humanos também … Eles demonstram que as moléculas que prolongam a vida útil em ratos são seguras para uso nas pessoas”.
O Professor Sinclair passou a dizer em sua entrevista que as drogas baseadas na molécula Mononucleótido de Nicotinamida (NMN-Nicotinamide Mononucleotide) poderiam ser desenvolvidas com sucesso “para restaurar a juventude em células humanas.”
A opinião de Sinclair de que as drogas baseadas em NMN serão eventualmente desenvolvidas para uso seguro por seres humanos é impressionante em suas implicações. Ele pode muito bem estar no meio do desenvolvimento do lendário elixir da vida, o que o explica rapidamente sendo elevado às 100 pessoas mais influentes do mundo de acordo com a Time Magazine:
É importante ressaltar que a pesquisa genética pioneira da Sinclair é de código aberto e não classificada. Isto significa que é muito provável, se não quase certo, que a pesquisa classificada no campo da tecnologia de reversão / regressão de idade é muito mais avançada do que qualquer coisa conseguida por Sinclair e seus pares.
Em várias entrevistas particulares com William Tompkins, um engenheiro aeroespacial e ex-agente da Inteligência Naval dos Estados Unidos, que posteriormente trabalhou com importantes empreiteiros aeroespaciais por mais de quatro décadas, ele revelou que ele trabalhou em um estudo classificado como secreto desenvolvido pela empresa, TRW, em 1971.
Tompkins disse que ele se deparou pela primeira vez com o desenvolvimento de tecnologias de regressão de idade, quando participou das sessões informativas dos espiões da Marinha dos EUA que estavam implantados dentro da Alemanha nazista, de 1942 a 1945, na Estação Aérea Naval de San Diego. Esses espiões revelaram a existência de estudos de regressão de idade que estavam secretamente em andamento na Alemanha nazista.
Na época, o trabalho de Tompkins era distribuir pacotes de briefing para companhias e think tanks norte americanos com experiência nas áreas usadas pelos nazistas para desenvolverem suas tecnologias inovadoras. Tompkins disse que o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) foi um dos centros de pesquisa acadêmica que ele entregou pacotes de relatórios feitos por ele. Portanto, é possível que os cientistas do MIT tenham conhecimento dos estudos nazistas de regressão de idade desde 1942!
Significativa e sincronicamente, a descoberta de Sinclair em estudos de regressão de idade foi alcançada enquanto ele fazia um pós -doutorado no MIT sob supervisão do Dr. Leonard Guarente no MIT. Isso foi meramente uma “coincidência”, ou foi Sinclair foi ajudado e/ou encorajado enquanto desenvolvia seus insights no MIT sobre a potencial de manipulação genética da reversão de idade ?
Recentemente, Tompkins revelou-me, em particular, que foram desenvolvidas drogas classificadas como secretas de “regressão por idade”. Ele diz que essas drogas têm sido usadas por algum tempo nas regressões de “em torno de 20” anos do tempo de serviço em programas espaciais secretos. Isto é consistente com o processo de regressão de idade sofrido pelos insiders e informantes do Secret Space program descrito por Goode, Cramer e Relfe, que envolveu a medicação administrada a eles durante um período de duas semanas em que estavam fisicamente imobilizados.
Ainda mais recentemente, Tompkins diz que as drogas foram refinadas para que possam ser usadas para períodos de regressão de idade mais extensa. Por exemplo, reverter um ser humano com 90 anos de idade de volta para quando ele / ela tinha o corpo físico de um jovem de 27 anos agora é possível. Tompkins diz que há um processo secreto de divulgação sancionado da Marinha dos EUA em andamento para liberar essas tecnologias de regressão de idade para o setor público. É, portanto, possível que a pesquisa de Sinclair possa ter sido estimulada por esta iniciativa secreta da Marinha durante seu tempo de trabalho no MIT (Massachusetts Institute of Technology).

13.781 – O gene zumbi que protege os elefantes do câncer


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Um elefante africano, em cativeiro, vive uns 70 anos. Mais ou menos o mesmo que um ser humano.
Um elefante africano pesa 6 mil kg. Mais ou menos 100 vezes o que pesa um ser humano.
Um corpo que pesa 100 vezes mais que o nosso, naturalmente, contém 100 vezes mais células, cada uma com sua própria cópia do DNA do animal. Isso significa que o elefante também está sujeito a um risco 100 vezes maior de sofrer um dano no DNA. Um erro que pode causar câncer.
Apesar disso, só 5% dos gigantes acinzentados morrem por causa de tumores, contra 17% dos Homo sapiens. O que os torna tão resistentes à doença? Bem-vindo ao paradoxo de Peto – batizado em homenagem ao biólogo Richard Peto, de Oxford, autor do primeiro texto que apontou essa anomalia estatística, de 1977.
Há três anos, em 2015, pesquisadores das universidades de Chicago e Utah deram um passo importante na solução do problema. Eles descobriram que os elefantes têm inacreditáveis 20 cópias de um gene chamado TP53. Já o ser humano tem só uma. E essa é uma daquelas situações em que 1 é bom, 2 é ótimo e 20 é excelente: a função do TP53 é justamente identificar que há um trecho de DNA danificado em uma célula – e consertá-lo antes que ela se multiplique e cause mais problemas. Quanto mais guardiões desses um animal tem, melhor.

13.619 – Governo inglês autoriza criação de bebês com duas mães e um pai


Uma agência reguladora do governo britânico autorizou a criação, por fertilização in vitro, de bebês com duas mães e um pai . O procedimento será aplicado para impedir que mulheres com uma doença hereditária grave transmitam o problema para seus filhos.
A epilepsia mioclônica com fibras rotas vermelhas (síndrome MERRF) costuma se manifestar ainda na infância e tem consequências graves. Causa crises epiléticas, problemas de coordenação motora, surdez e perda de memória. Uma de suas características mais curiosas é que ela não é causada por uma mutação no DNA comum – o que fica dentro do núcleo das células.
Toda célula tem um componente (no jargão técnico, organela) chamado mitocôndria, que funciona como uma usina de produção de energia. Por razões que ainda não foram completamente esclarecidas pela biologia evolutiva, as mitocôndrias tem um pedacinho de DNA só para elas. São 37 genes, que produzem 14 proteínas.
É pouco perto dos 24 mil genes que ficam no núcleo da célula, mas tamanho não é documento, e as proteínas codificadas por esses 37 genes solitários também são importante para nós. A síndrome MERRF é causada justamente por um problema em um deles.
Enquanto o DNA normal, que fica no núcleo das células, é uma mistura do DNA dos dois membros do casal, a mitocôndria e seu DNA são herdados só da mãe. A mitocôndria que será passada para o bebê já está no óvulo quando o espermatozoide chega lá para fertilizá-lo.
A ideia do tratamento inédito que será aplicado na Inglaterra – duas mulheres, que preferiram se manter anônimas, serão as primeiras beneficiadas – é pegar o óvulo da mãe, o espermatozoide do pai e colocar uma mitocôndria nova, tirada de um doador sem relação com o casal. Assim, a mutação sai de campo e uma mulher doente pode ter uma criança saudável. O bebê resultante tem duas mães e um pai do ponto de vista genético. As características hereditárias, porém, vão vir só dos pais de fato – o casal que participou com seu DNA “não-mitocondrial”. Ou seja: o bebê não vai ter o nariz ou os olhos de quem doou a mitocôndria.
Embora a primeira tentativa só tenha sido aprovada agora pela Human Fertilisation and Embryology Authority (HFEA), o procedimento é permitido por lei desde 2015, após uma decisão histórica do parlamento inglês – foram 280 votos a favor, e só 48 contra. “Famílias que sabem como é cuidar de uma criança com uma doença devastadora é que tem que decidir se uma doação de mitocôndria é a opção certa”, afirmou na época Jeremy Farrar, da Universidade de Newcastle – justamente onde o procedimento será feito. A data e os demais detalhes foram mantidos em sigilo a pedido das pacientes.

13.480 – Genética – Chineses mudam uma única ‘letra’ de DNA – e consertam mutação


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Pesquisadores da Universidade de Sun Yat-sen, na China, curaram parcialmente um embrião com talassemia beta – doença hereditária que tem consequências similares às da anemia – mudando uma única base nitrogenada de seu DNA. As bases são a menor unidade que compõe nosso código genético, representadas pelas letras A, T, G e C. Cada cromossomo contém vários milhões delas, enfileiradas em uma ordem precisa – e várias síndromes são causadas por pequenas alterações nessa ordem.
A técnica de edição de material genético usada desta vez é um pouco diferente do já conhecido CRISPR/Cas9, que também estreou na China, em 2015, e saiu em todos os jornais desde então. Em 2016, os chineses já haviam tentado curar a talassemia usando CRISPR, mas não deu certo – por isso a mudança de estratégia.
Para tornar o experimento possível, o primeiro passo foi pegar células da pele de pessoas que já têm talassemia, retirar o DNA delas e colocá-lo, em laboratório, no lugar do DNA de um óvulo. O óvulo, então, começa a se multiplicar e dá origem a um embrião que, naturalmente, carrega a mutação genética responsável pela doença.
A delicada ‘cirurgia’ no DNA desse embrião é feita com um método similar ao CRISPR/Cas9.
A diferença é que, em vez de cortar fora um pedaço inteiro da sequência e substituí-lo, os chineses alteraram apenas uma letra ‘G’ (a guanina), que em uma pessoa saudável seria um ‘A’ (adenina). Grosso modo, é como a diferença entre copiar e colar uma palavra inteira no Word e corrigir um erro ortográfico mais simples, como ‘Fransa’.
A eficiência da correção de genes, segundo o artigo científico, foi de 23%. Ou seja: na prática, só um quarto do embrião foi curado. Além disso, a técnica às vezes só corrige o ‘erro de digitação’ em uma das duas cópias que temos de cada gene – embriões nessa situação são chamados ‘mosaicos’. Sinal de que o novo método, conhecido pela sigla BE (base editing), ainda precisa ser muito aperfeiçoado.
“É promissor, mas todos os embriões dos quais eles colheram informações eram claramente mosaicos, com algumas células ainda carregando os dois alelos mutantes”, afirmou ao The Guardian o geneticista Robin Lovell-Badge, do Instituto Francis Crick, que não participou do estudo.
É sempre bom lembrar que, além das deficiências técnicas que precisam ser superadas, também há muitas barreiras éticas ao tratamento de embriões de verdade por meio de técnicas de edição de material genético. Afinal, se é possível curar um problema mudando uma única letra do DNA, também é possível causar um problema ainda maior alterando a letra errada por acidente.

13.390 – Engenharia Genética – Google quer liberar 20 milhões de mosquitos nos EUA


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A empresa Verily, que pertence ao Google (e até 2015 se chamava Google Life Sciences) pretende soltar 20 milhões de mosquitos em Fresno, cidade de 500 mil habitantes no sul da Califórnia – e, com isso, interromper a disseminação dos vírus da dengue, zika e chikungunya no local. A Califórnia começou a sofrer com esse problema em 2013, quando foram detectados os primeiros mosquitos Aedes aegypti por lá.

Os mosquitos que serão soltos foram criados em laboratório pela Verily, e também são da espécie A. aegypti, mas com uma diferença crucial: eles foram propositalmente infectados com uma bactéria, a Wolbachia pipientis, que os torna estéreis. A ideia é que eles acasalem com as fêmeas de A. aegypti na natureza. Além de não gerar descendentes (já que os mosquitos são inférteis), isso também impediria que os Aedes machos saudáveis se reproduzam – já que as fêmeas estarão ocupadas com os outros mosquitos. Com o tempo, isso levaria à extinção da espécie.
No Brasil, há um projeto similar. Ele é capitaneado pela empresa inglesa Oxitec, que desde 2014 produz mosquitos transgênicos estéreis em Campinas, no interior de São Paulo, e já os utilizou em testes pelo país.

13.388 – Engenharia Genética – Cientistas criam banana transgênica


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A banana foi desenvolvida pela Universidade de Queensland, na Austrália, e contém 20 vezes mais betacaroteno do que as bananas tradicionais. Essa molécula (naturalmente presente em alimentos como cenoura, espinafre e ervilha) é essencial para o bom funcionameno do corpo humano, pois é transformada pelo organismo em vitamina A. Em crianças pequenas, com menos de cinco anos, a falta de vitamina A é especialmente grave – pois pode prejudicar o sistema imunológico, levando a infecções graves. Acredita-se que, a cada ano, de 600 mil a 750 mil crianças morram por problemas de saúde relacionados à deficiência de vitamina A.
A maioria dos casos acontece na África, em países como Uganda – onde a banana cozida é um elemento central da alimentação. Os cientistas australianos receberam US$ 10 milhões da Fundação Bill & Melina Gates para criar a banana transgênica, que foi batizada de “banana dourada”. Ela é uma banana do tipo Cavendish, o mais comum (inclusive no Brasil) que recebeu genes de outra espécie de banana: a Fe’i, que é nativa de Papua Nova Guiné e conhecida por conter alto teor de betacaroteno.

O resultado do transplante genético foi a banana dourada, que contém muito mais betacaroteno que a Cavendish comum – e, por isso mesmo, é bem mais amarela. Após 12 anos de testes de laboratório e em plantações, os cientistas finalmente chegaram à nova espécie. Ela ainda tem de ser aperfeiçoada, ficando mais resistente e produtiva, para que possa ser cultivada em grande escala na África – o que, segundo os pesquisadores, pode acontecer até 2021. Veja, abaixo, um vídeo da nova banana:

13.282 – Mega Polêmica – Empresa vende sangue de jovens por R$ 26 mil para ‘reverter envelhecimento’


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Aquele mito de que o sangue de virgens pode garantir vida eterna pode estar ganhando uma versão do século XXI. Uma empresa do Vale do Silício chamada Ambrosia está oferecendo transfusões de sangue de jovens para pessoas mais velhas para supostamente reverter os sintomas do envelhecimento. E cada transfusão custa US$ 8.000 (cerca de R$ 26 mil, na cotação atual).
Segundo a CNBC, mais de 100 pessoas já receberam transfusões por meio da Ambrosia. Embora qualquer pessoa com mais de 35 anos de idade possa se tornar cliente da empresa, seu fundador, Jesse Karmazin, diz que a maioria de seus primeiros clientes tem idade de aposentadoria. Karmazin afirma que os primeiros a testar o procedimento reportaram alguns sintomas positivos, e nenhum negativo.
O sangue, por sua vez, é sempre de pessoas com menos de 25 anos de idade, e tipicamente de adolescentes. Ele é comprado pela Ambrosia dos mesmos bancos de sangue que também vendem para empresas farmacêuticas, o que significa que adolescentes bem intencionados, que vão doar sangue para pessoas doentes, podem acabar tendo seu material usado em idosos ricos e saudáveis.

Isso é Ciência?
Karmazin baseia a ideia de sua empresa em um procedimento chamado de “parabiose”, que consiste justamente no tratamento de problemas por meio da transfusão de sangue de indivíduos sãos para o paciente. Alguns estudos sobre esse assunto já foram conduzidos com ratos e mostraram que a injeção de plasma sanguíneo de ratos jovens nos mais velhos revertia alguns sintomas do envelhecimento.
No entanto, os resultados desses estudos já foram bastante contestados por médicos. Dentre as críticas levantadas estão a falta de evidências da eficácia desse tratamento em humanos, o fato de que os benefícios para o receptor são possivelmente menores que os prejuízos para o doador e a questão de que o sangue poderia ser usado para motivos mais urgentes. Além disso, levantou-se também a questão ética de que os pacientes estariam pagando um preço exacerbado por um tratamento sem eficiência comprovada.
Mas Karmazin, de acordo com o Mashable, não promete que o serviço oferecido pela sua empresa possa “curar” o envelhecimento. Ele diz que o que ele quer é estudar os efeitos desse procedimento para reverter os sintomas associados ao envelhecimento – embora o site aponte que os idosos dispostos a pagar US$ 8.000 por transfusão provavelmente imaginam que estão ganhando mais do que participar em um experimento.
O Mashable também perguntou a Karmazin se ele próprio estava recebendo transfusões de sangue de jovens, mas não obteve resposta.

13.279 – Biologia – Variante genética torna moradores de montanhas gregas mais saudáveis


Cientistas identificaram a razão pela qual as pessoas que vivem em aldeias isoladas na Grécia costumam ter uma vida longa e saudável.
Eles encontraram uma nova variante genética, comum entre os moradores, que protege o coração, reduzindo os níveis de gordura “ruim” e colesterol.
Apesar de manter uma dieta rica em gordura animal, a população de Mylopotamos, no norte da ilha de Creta, têm baixas taxas de doenças cardiovasculares. Mesmo apreciando imensamente seus queijos.
Mas o que há de especial nesses vilarejos gregos?
As aldeias isoladas de Zoniana e Anogia estão no alto das montanhas na ilha de Creta.
Poucas pessoas se mudam para dentro ou fora dessas regiões, e seus habitantes são conhecidos por terem uma velhice saudável.
Problemas cardíacos e acidentes vasculares cerebrais são raros, apesar de essas pessoas ingerirem uma quantidade abundante de carne de cordeiro e do queijo local, o cretan.
Além disso, essas vilas realizam um festival do queijo todos os anos.
Trata-se de um tipo de dieta que poderia causar muitas complicações de saúde. Isso porque comer alimentos que contêm gorduras saturadas aumenta o nível de colesterol no sangue. E altos níveis elevados de colesterol de lipoproteína de baixa densidade na corrente sanguínea aumentam as chances de uma doença cardíaca e derrame.
Mas a verdade é que os aldeões têm o nível de diabetes do tipo 2 na mesma taxa que a população grega em geral, e não parecem sofrer das consequências comuns, como a diabetes renal.
Isso é exatamente o que os pesquisadores do Wellcome Trust Sanger Institute, organização britânica que investiga o genoma humano, gostariam de saber.
A pesquisa deles, publicada na publicação científica “Nature Communications”, identificou uma nova variedade genética que tem características que protegem o coração desses indivíduos.
Ela está associada a níveis mais baixos de gorduras naturais “ruins” e colesterol “ruim” –o que é importante para diminuir o risco de doenças cardiovasculares.
A variante parece ser virtualmente única na população das duas aldeias das montanhas gregas. De milhares de europeus que foram submetidos ao sequenciamento do genoma, apenas uma outra pessoa na Itália possui algo similar, disseram os pesquisadores.
Os cientistas sequenciaram o genoma inteiro de 250 moradores desses vilarejos. Isso significa que eles retiraram amostras de sangue, extraíram o DNA –as instruções de funcionamento de cada um de nós, que determinam nossas características– e analisaram uma sequência de três bilhões de letras que compõem o genoma humano.
Em seguida, os pesquisadores usaram os resultados para obter uma visão mais detalhada de mais de 3 mil moradores das aldeias que já haviam sido genotipados (um atalho para a aquisição de informações genéticas).

A IMPORTÂNCIA DA DESCOBERTA
A pesquisa britânica não é um estímulo para que todos saiam consumindo gordura de origem animal livremente, simplesmente porque não temos a mesma variante genética que beneficia essa população grega.
Os cientistas ainda não conseguiram explicar por que essa característica está presente nessas pessoas –se tem relação com a forma como elas vivem, com o ambiente ou seria algo transmitido de geração para geração, por exemplo.
Mas os pesquisadores afirmam que podem usar essa descoberta para identificar quais variantes genéticas desempenham um papel importante na causa de doenças complexas.
Isso pode dar pistas sobre os motivos pelos quais algumas pessoas desenvolvem doenças cardíacas e outras não.
Há estudos similares sendo realizados com outras populações isoladas, como os amish (EUA), os inuit (norte da Gronelândia) e os orkney (Escócia).

13.127 – Genética – Edição de genoma cria porcos resistentes a vírus


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Uma técnica de edição de genoma produziu porcos que poderiam ser resistentes a um vírus frequentemente fatal que custa aos criadores europeus US$ 1,6 bilhão por ano, disseram pesquisadores.
O processo consiste em cortar uma pequena parte do DNA dos porcos, usando um método conhecido como Crispr-Cas9, de acordo com o estudo publicado na revista “PLOS Pathogens”.
Testes com células dos suínos em laboratório mostraram uma resistência completa a dois subtipos principais da síndrome reprodutiva e respiratória suína (PRRS), uma doença que pode causar pneumonia em porcos jovens e morte fetal em porcas grávidas.
“Testes de laboratório com células de suínos com o gene CD163 modificado confirmaram que esta mudança no DNA do porco bloqueia a capacidade do vírus de causar infecção”, disse o estudo, liderado pelo Instituto Roslin da Universidade de Edimburgo.
O próximo passo é expor os porcos cujos genes foram editados ao vírus, para ver se ficam doentes.
O novo estudo é diferente de pesquisas anteriores que removeram o CD163, porque elimina apenas a seção do gene que interage com o vírus da PRRS.
De acordo com Ian Jones, professor de virologia na Universidade de Reading, a abordagem é uma forma “interessante” de combater um vírus para o qual não existe vacina.
“Os autores removeram parte do receptor do vírus, a porta celular que o vírus usa para iniciar a infecção. Se o vírus não pode entrar, então a doença é prevenida”, disse Jones, que não esteve envolvido no estudo.
“As desvantagens dessa abordagem são que todo o estoque comercial teria de ser criado para incluir essa mutação, o que exige tempo e aceitação do público, e sempre há a preocupação de que o vírus da PRRS mude para usar um receptor diferente e assim ganhar acesso por uma ‘porta de trás'”.
Outros estudos devem “ajudar a resolver se isso é provável ou não”, acrescentou.

12.943 – Gen(ética) – Nova técnica de edição de genes é testada em humanos pela 1ª vez


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Vimos em outro artigo do ☻Mega a respeito dessa técnica, que agora vai ser testada em seres humanos.

Um grupo de cientistas chineses tornou-se o primeiro a injetar, em um ser humano, células que contêm genes editados com a técnica CRISPR (pronuncia-se “crísper”), segundo a revista científica inglesa “Nature”.
O paciente tem câncer de pulmão, e a esperança é que as células de defesa modificadas combatam o tumor.
Esse sistema de edição de DNA é mais simples e preciso que os métodos tradicionais de manipulação do genoma e, por isso, se transformou na grande vedete das principais publicações científicas recentes.
No dia 28 de outubro, uma equipe da Universidade Sichuan, em Chengdu, fez a aplicação das células modificadas em um paciente com câncer de pulmão agressivo como parte do teste clínico no Hospital West China.
Os pesquisadores primeiro removeram as células de defesa do sangue do paciente e então desligaram um gene nelas usando o CRISPR. A técnica usa uma enzima que funciona como tesoura molecular, cortando o DNA. Um pequeno trecho de RNA (molécula “prima” do DNA) serve como guia, identificando onde o corte preciso tem que ser feito.
Os genes desligados fabricam a proteína PD-1, que normalmente freia a resposta imune da célula ao tumor, que por sua vez se aproveita dessa função para crescer.
A equipe chinesa então expandiu o número dessas células modificadas e as injetou novamente no paciente, que tem metástase de câncer de pulmão. Espera-se que, sem a proteína PD-1, as células editadas vão atacar e vencer o câncer.
O oncologista Lu You, que liderou o trabalho, afirmou à revista “Nature” que o tratamento ocorreu bem e que o paciente deve receber uma segunda injeção. A equipe planeja tratar dez pacientes, que receberão entre duas e quatro infusões das células. Eles serão monitorados por pelo menos seis meses para avaliação de efeitos colaterais.
Outros estudos que usaram células editadas com uma técnica diferente já haviam animado os pesquisadores. O uso do CRISPR provavelmente vai acelerar a corrida para usar células editadas em ensaios clínicos pelo mundo, segundo Carl June, especialista em imunoterapia da Universidade da Pensilvânia.
June também é consultor de um estudo americano que vai usar o CRISPR para selecionar três genes nas células dos voluntários, com o objetivo de tratar vários tipos de câncer. Ele espera que a pesquisa comece em 2017. No mesmo ano, outro grupo chinês espera começar três ensaios clínicos usando a técnica contra tumores de bexiga, próstata e rim.
Naiyer Rizvi, da Universidade Columbia, em Nova York, diz que a tecnologia é promissora, mas questiona o sucesso do estudo chinês, considerando que a técnica não é muito escalável, por ser personalizada. Ele duvida que o tratamento será superior ao dos novos imunoterápicos, que já usam como alvo a proteína PD-1 e têm obtido excelentes resultados.

12.921- Genética – Empresa de biotecnologia quer vender moscas transgênicas no Brasil


A gigante da área de biotecnologia Intrexon, que controla a Oxitec –famosa por causa dos mosquitos aedes transgênicos–, quer trazer mais um inseto geneticamente modificado para o país.
Trata-se de uma versão da mosca-do-mediterrâneo, popularmente conhecida como mosca-da-fruta, não à toa considerada a pior praga para o cultivo de frutas, com prejuízo anual mundial na casa dos US$ 2 bilhões.
A mosquinha transgênica possui um mecanismo de limitação do crescimento semelhante ao do aedes transgênico: seus filhotes não chegam à fase adulta.
A tática é liberar somente os machos nas áreas de cultivo de frutas como manga, uva, acerola, goiaba e laranja (para citar só algumas das 200 espécies afetadas) para que eles encontrem e copulem com as fêmeas selvagens. Como desse encontro não haverá filhotes, o tamanho da população diminui.
A Intrexon está celebrando a inauguração da biofábrica da Oxitec em Piracicaba, com capacidade para produzir 60 milhões de Aedes aegypti semanalmente. Para a produção das moscas-das-frutas modificadas, utiliza-se da mesma tecnologia.
Como a nova fábrica foi montada em apenas cinco meses, o mesmo tipo de planta pode ser facilmente replicado em outras partes do país, como o Vale do São Francisco, na região de Juazeiro, onde os produtores de manga sofrem com a peste.
Por lá já existe a Moscamed, Organização Social que produz insetos estéreis por raios X capazes de limitar o crescimento populacional, tal qual os transgênicos. Essa tecnologia usada ali é mais antiga e já está consolidada.
O problema na região é que não há verba governamental para que insetos possam ser produzidos e liberados, afirma o presidente da Moscamed, Jair Virgínio.
A mosquinha foi terrível na década de 1980, quando arrasou produção de frutas na Califórnia, nos EUA. Na época, houve grande resistência ao uso de inseticidas, pulverizados por helicópteros e aviões. No fim das contas, houve pulverização e posterior controle com o uso de insetos irradiados.
A área atualmente é considerada livre da praga. Mesmo assim, ainda hoje são utilizados insetos irradiados para prevenir o retorno das moscas.
No Brasil, o Vale do São Francisco não é considerado uma região livre da mosca. Lá, as mangas devem passar por um processo “hidrotérmico” para matar eventuais larvas –por afogamento e calor.

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12.812 – Contra a Calvície, células tronco


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Em um novo estudo da Sanford-Burnham Medical Research Institute, os pesquisadores usaram células-tronco pluripotentes humanas para gerar novos fios de cabelo.
O estudo representa o primeiro passo para o desenvolvimento de um tratamento à base de células para as pessoas com a perda de cabelo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a OMS, quase 50% dos homens no mundo apresentam algum grau de calvície até os 50 anos, que tende a aumentar com o avanço da idade.
Somente nos Estados Unidos, mais de 40 milhões de homens e 21 milhões de mulheres são afetados pela queda de cabelo. A pesquisa, considerada promissora, foi publicada na versão on-line da revista PLOS One.
“Nós desenvolvemos um método que utiliza células-tronco pluripotentes humanas para criar novas células capazes de iniciar o crescimento do cabelo. O método é uma melhoria significativa em relação aos métodos atuais que dependem do transplante de folículos pilosos existentes de uma parte da cabeça para o outra“, disse Alexey Terskikh, Ph.D., professor associado do Programa de Regeneração da Sanford-Burnham.
“O método de células estaminais fornece uma fonte ilimitada de células a partir do paciente para o transplante e não é limitada pela disponibilidade de folículos capilares existentes“, complementou. A equipe de pesquisa desenvolveu um protocolo que orienta as células-tronco a tornarem-se células da papila dérmica – um conjunto único de células que regulam a formação de folículos de cabelo e seu ciclo de crescimento.
As células da papila dérmica humana, por si só, não são adequadas para o transplante de cabelo. Isso ocorre porque elas não podem ser obtidas em quantidades necessárias e rapidamente perdem a capacidade de induzir a formação do cabelo folicular em cultura de laboratório, antes mesmo de serem introduzidas no transplante, mas o professor Alexey conseguiu driblar isso.
“Em adultos, as células da papila dérmica podem não ser facilmente aplicadas fora do corpo e elas rapidamente perdem suas propriedades de indução de cabelo”, disse Terskikh. “Nós desenvolvemos um protocolo para dirigir células-tronco pluripotentes humanas para que, quando se diferenciam, consigam fixar sua capacidade de induzir o crescimento capilar, quando transplantadas em ratos”.
“Nosso próximo passo é transplantar células da papila dérmica humanas derivadas de células-tronco pluripotentes de volta em seres humanos. Agora estamos buscando parcerias para realizar esta etapa final”.

12.795 – Cientistas analisam código genético para regenerar corpo humano


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Há alguns séculos, a humanidade busca formas de substituir partes do corpo por variados motivos: falhas nos órgãos, deformações congênitas ou amputações.
Agora, cientistas do Laboratório Biológico de MDI, nos EUA, começaram a analisar o DNA de animais que possuem a habilidade de regenerar seus membros, como as salamandras.
“A regeneração de membros nos seres humanos pode parecer ficção científica, mas está dentro do possível”, explica um dos autores do estudo, Voot P. Yin. Graças a essa pesquisa, os especialistas encontraram os reguladores genéticos responsáveis por regenerar extremidades no axolote mexicano, do peixe-zebra indiano e do bichir-de-senegal, espécies que, quando perdem uma parte do seu corpo, geram uma massa de células que faz a regeneração celular e estrutural.
“Não esperávamos que os padrões de expressão genética fossem ser muito diferentes nas três espécies, mas ficamos surpresos em ver que eles eram consistentemente os mesmos”, afirma Benjamin L. King, coautor do estudo. Segundo os pesquisadores, ter encontrado a “assinatura genética” para que esse processo ocorra, sugere que outras espécies, como os seres humanos, poderão ser beneficiadas por esse dom natural.

12.760 – Genética – Brasileiro tem medo de transgênico


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Ao ouvir a palavra “transgênicos”, algumas pessoas sentem calafrios, e mesmo quem gosta de ciência e biotecnologia tem um pé atrás com os organismos geneticamente modificados.
O cenário foi mostrado por uma pesquisa do Ibope Conecta, que coletou pela internet as respostas de 2.011 pessoas, de todas as regiões do país, das classes A, B e C e que não trabalham com biotecnologia e áreas correlatas. A pesquisa foi encomendada pelo Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).
A maioria (cerca de 80%) gosta de ciência e soube responder o que são transgênicos, mas 33% acham que consumi-los pode fazer mal. Isso apesar da pesquisa publicada em maio pela Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA que concluiu, após analisar mais de mil estudos, que os organismos geneticamente modificados, existentes desde a década de 1970, não só não trazem riscos à saúde como, se usados corretamente, propiciam benefícios para agricultores e ambiente.
Os pesquisadores não encontraram qualquer evidência de que esses organismos tiveram impacto sobre as prevalências de câncer, obesidade, diabetes, autismo, doença celíaca ou alergias. Não é claro, no entanto, se a tecnologia realmente aumenta a produtividade da agricultura.
A pesquisa mostra que as pessoas nem sabem quais são as plantas transgênicos cultivadas no país –soja, algodão e milho, principalmente. Só 11% acertaram a combinação. O motivo de tão poucas espécies é a rentabilidade de cada uma delas, explica a professora Maria Lúcia Vieira, professora titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP.
A inserção ou substituição de um gene em uma espécie pode fazer com que ela, por exemplo, seja mais resistente a intempéries, herbicidas ou pragas –ou fazer com que ela própria produza um larvicida, caso do milho Bt (abreviação do organismo doador Bacillus thuringiensis, que produz naturalmente uma proteína larvicida). Talvez a raiz do problema dessa relutância popular esteja na primeira variante transgênica de soja, hipotetiza Maria Lúcia.

12.735 – Criança de 2 anos é curada de paralisia cerebral após tratamento com células-tronco


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O caso, segundo os médicos, é o primeiro do mundo.
De acordo com informações divulgadas em nota pelo hospital, o menino havia sofrido uma parada cardíaca ainda em 2008. Em consequência disso, ele acabou desenvolvendo danos cerebrais graves que o deixaram em estado vegetativo em com mínimas chances de sobrevivência.
A princípio, os médicos acreditavam que não haviam opções para o garoto, já que não existia nenhum tratamento conhecido para sua condição. Assim, eles começaram a pesquisar terapias alternativas.
Então, com a ajuda dos pais, que pesquisaram na literatura médica novos tratamentos, eles se abriram para a possibilidade da utilização do sangue do cordão umbilical da criança, que tivera sido congelado após o nascimento.
Logo, nove semanas após o acidente cerebral, em janeiro de 2009, os médicos iniciaram o tratamento com células-tronco, retiradas do cordão umbilical congelado, e injetadas via intravenosa. Todo o tratamento e progresso foram registrados pelos médicos. Apenas dois meses do início do tratamento, o menino já era capaz de falar frases simples e se mover. Eventualmente, cerca de 40 meses depois, ele já conseguia comer sozinho, andar e a formar frases curtas.
“Nossos resultados, juntamente com os de um estudo coreano, dissipam as dúvidas de longa data sobre a eficácia do novo tratamento”, disse o médico do caso, Dr. Arne Jensen, da área ginecológica do hospital.
Atualmente, o tratamento ainda está em andamento na clínica. A expectativa, segundo os relatores do caso reportado pela revista Transplantation, é que novos progressos sejam observados no garoto.
Os estudos com células-tronco (ou estaminais) já são velhos conhecidos da ciência. Esse tipo de célula é capaz de regenerar, no caso de L.B, o tecido cerebral danificado. Em estudos anteriores realizados com animais, pesquisadores revelaram que as células estaminais, dentro de apenas 24 horas após a administração, foram capazes de migrar para a área danificada do cérebro em grandes quantidades.

12.707 – Medicina – Células-Tronco para Tratamento de Cirrose


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Doença crônica do fígado, a cirrose afeta a função deste órgão e pode originar um carcinoma hepatocelular, o que piora o prognóstico do paciente. O tratamento consiste em transplante de fígado, prática que tem como fator limitante a quantidade de doadores. O surgimento de novas terapias é, portanto, fundamental.
Um alvo terapêutico que tem atraído a atenção de pesquisadores para reparação e regeneração de órgãos e tecidos são as células-tronco mesenquimais pluripotentes. Essas células possuem a habilidade de se autorrenovarem, de se diferenciarem em tipos especializados de células maduras, de regular a resposta imune, reconstituir in vivo um determinado órgão, além de possuir propriedades anti-inflamatórias.
O grupo do professor Shuichi Kaneko da Universidade de Kanazawa (Japão), tem pesquisado essa possibilidade terapêutica, com o intuito de avaliar o potencial de regeneração e de reparo de fígados com cirrose, a partir da utilização de células-tronco mesenquimais. Para isso, os pesquisadores estabeleceram um modelo clínico relevante de cirrose não-alcoólico em camundongos, por meio de uma dieta rica em gordura. Os animais foram alimentados com colesterol, manteiga de cacau e fator de liberação de corticotropina, conhecido por induzir esteatohepatite, condição de acúmulo de gordura e inflamação das células do fígado.
Após o estabelecimento da situação clínica, os camundongos receberam células-tronco derivadas de tecido adiposo de outro camundongo, identificadas com um marcador fluorescente. Injetadas na veia portal/esplênica, essas células foram verificadas por intervalos de dias, com o objetivo de observar se elas se incorporaram ao tecido hepático.
De fato, os autores demonstraram que as células-tronco derivadas do tecido adiposo foram incorporadas ao tecido hepático e contribuíram para a diminuição da cirrose. O benefício foi comprovado por meio dos resultados que demonstraram recuperação da expressão de albumina, proteína produzida pelo fígado e presente em maior quantidade no plasma do sangue circulante. Outro benefício observado foi a redução da área de tecido com fibrose (substituição de células por fibras, o que acarreta a piora do paciente), tendo como resultado a recuperação da área afetada; bem como a supressão da persistente inflamação do fígado, podendo com isso ser restaurada a função hepática. De acordo com os pesquisadores, tais resultados abrem a possibilidade do uso dessas células-tronco como alternativa do transplante de fígado.

12.701 – Desafio do balde de gelo leva à descoberta de gene ligado à esclerose


Lembram da campanha lançada em 2014 que estimulava as pessoas a jogarem baldes de água fria em si mesmas? Depois de dois anos, a brincadeira extrapolou as redes sociais, juntou muito dinheiro, financiou seis importantes estudos e levou à descoberta do gene NEK1, ligado à esclerose lateral amiotrófica (ELA). O cientista Stephen Hawking é a pessoa mais conhecida que sofre dessa doença.
Na época da campanha, o desafio era aguentar a água fria sobre a cabeça ou doar US$ 100 à “ALS Association”, associação norte-americana que financia pesquisas para encontrar a cura da doença e também serviços para paciente. Executivos como Mark Zuckerberg e Bill Gates, além de artistas como Ivete Sangalo, Justin Bieber e Steven Spielberg, são alguns dos que aderiram à ideia. Os vídeos foram assistidos mais de 440 milhões de vezes.

Gene descoberto
Com o dinheiro arrecadado na campanha – aproximadamente R$ 377 milhões – seis pesquisas foram desenvolvidas. Um dos grupos, liderado pelos professores John Landers, da Universidade de Massachusetts, e Jan Veldink, da Universidade Utrecht, identificou o gene NEK1, relacionado à esclerose lateral amiotrófica (ELA).

A pesquisa faz parte de um projeto internacional que analisa o genoma de 15 mil pessoas com doenças do neurônio motor. A descoberta do gene NEK1 foi publicada na revista especializada Nature Genetics. Trata-se do maior estudo a respeito da ELA hereditária. Mais de 80 pesquisadores em 11 países procuraram pelo gene da doença em famílias afetadas. A identificação do gene NEK1 abre caminho para que os cientistas desenvolvam uma terapia genética para o tratamento da doença.

“A sofisticada análise de genes que levou à descoberta do NEK1 só aconteceu devido ao grande número de amostras da doença disponíveis. O Desafio do Balde de Gelo permitiu que a ALS Association investisse na criação de vastos biorepositórios de bioamostras de esclerose que foram desenvolvidas para permitir exatamente esse tipo de pesquisa e para produzir exatamente esse tipo de resultado”, disse Lucie Bruijn, em comunicado oficial da Associação ALS.
ELA
A ELA, também conhecida como doença de Lou Gehrig, é um mal neurodegenerativo progressivo e fatal que afeta uma em 400 pessoas. Sua causa ainda é desconhecida, portanto não há uma cura. A doença afeta o cérebro e a coluna, ataca os nervos que controlam o movimento e impede o funcionamento dos músculos.
O cientista Stephen Hawking (abaixo) é a pessoa mais conhecida que sofre da doença. O físico foi diagnosticado com esclerose aos 21 anos e hoje, aos 74, continua produtivo.
No Brasil, estima-se que 12 mil pessoas sejam portadoras da ELA. Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (ABrELA), os homens são mais propensos a desenvolverem ELA que as mulheres e a idade média em que a doença começa a se manifestar é aos 57 anos – apenas 6% dos casos são detectados antes dos 40 anos.

12.700 – Ciência – Quando o homem julga ser Deus


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Os últimos 300 anos marcaram a história da humanidade pelo desenvolvimento científico-tecnológico. Todo esse desenvolvimento trouxe inúmeros benefícios ao homem, mas trouxe também dilemas éticos.
Recriar a origem da matéria
Em 2014, a NASA se propôs a recriar as origens da matéria e, para isso, construiu uma câmara de vácuo absoluto com temperaturas extremas, nas quais era possível o surgimento de poeira estelar. Como resultado, foi possível criar alguns grãos de elétrons observáveis através por microscópios.
Dominar o clima
Geoengenharia é a ciência que estuda os meios de manipulação do clima através da tecnologia. Um de seus projetos é eliminar o dióxido de carbono e a radiação solar, manipulando tecnologicamente os processos ambientais. Os cientistas definem o projeto como “manipulação intencional do clima planetário em grande escala para combater o aquecimento global”.

Manipulação genética de insetos
Pesquisadores da Universidade da Califórnia Irvine manipularam geneticamente o mosquito que transmite a malária para que ele rejeitasse a bactéria. Caso bem-sucedida, esta técnica poderia ser usada com outros insetos que transmitem doenças às plantas, aos animais domésticos e a seres humanos. Mas essa intervenção genética poderia trazer consequências trágicas, como a criação de uma doença mais perigosa.

Produção de seres alienígenas
Outro momento crítico de “brincar” de Deus foi na criação de um ser vivo com DNA diferente da vida na Terra. Os cientistas adicionaram um pedaço extra de DNA a um micro-organismo, criado a partir de uma bactéria E.coli.

Criar vida artificial
Em 2010, a revista Science publicou um artigo que detalha como o Dr. Craig Venter e sua equipe conseguiram criar vida sintética a partir de substâncias químicas. Para isso, os cientistas copiaram o DNA de uma pequena bactéria e o reproduziram em uma célula esvaziada artificialmente.