13.718 – Saúde – Vírus da Obesidade


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Fonte: Hospital das Clínicas, São Paulo

O estudo publicado pela New England Journal of Medicine mostra que obesidade pode ser transmitida de uma pessoa para outra, assim como um vírus. Isto traz à tona alguns estudos que mostram que vírus também podem causar ganho de peso. Vamos aos fatos, à luz da ciência: há muitos anos sabe-se que alguns tipos de vírus podem causar obesidade em animais, principalmente afetando áreas do cérebro responsáveis pelo apetite. Por outro lado, já foram publicados casos – raros, aliás – de obesidade humana quase certamente causadas por infecções virais do sistema nervoso central. Galinhas gordas A história deste vírus – o AD36 -, que foi objeto da publicação, é um pouco diferente e, a meu ver, bastante curiosa. Há vários anos, um médico de sobrenome Dhurandhar, da Índia, teve a oportunidade de verificar um fenômeno curioso: galinhas afetadas por um vírus aviário – chamado de SMAM-1 -, quando não morriam pela infecção, tinham grande chance de engordar muito. Sendo um indivíduo com espírito científico, o médico pensou na hipótese de que talvez alguns humanos poderiam sofrer o mesmo fenômeno. Sendo assim, colheu sangue de indivíduos obesos e de não obesos para verificar a percentagem de reações sorológicas – que atestam o contato com o vírus – positivas de cada grupo. Batata: muito mais pacientes obesos apresentavam reação positiva que não obesos. O médico ficou tão fascinado pela descoberta que não teve dúvidas: mudou-se – com sua família – para os Estados Unidos, para aprofundar seu estudo. Como o SMAM-1 é um tipo que chamamos de adenovírus, ele procurou por adenovírus humanos – aliás, muito freqüentes e transmissíveis pelo ar – para verificar a possibilidade de alguns deles engordarem. O primeiro a ser estudado foi o AD36. Seria ele capaz de causar obesidade? Mais uma vez, batata: animais (galinhas, camundongos, etc.) injetados com o AD36 engordaram! E quanto a nós, humanos? Seria antiético, é claro, injetar vírus na nossa raça, mas à semelhança do que ocorrera na Índia, estudos de reações sorológicas para o AD36 mostraram também muito mais indivíduos que tiveram contato com o vírus entre os obesos que os não obesos. Ganho de peso saudável Curiosamente, os modelos animais (não humanos) de obesidade induzida pelo vírus mostraram que o aumento de peso é paralelo à diminuição das gorduras (triglicérides e colesterol) no sangue. Trata-se, em suma, de um ganho de peso sob certo ponto de vista saudável. Estudando a razão desta obesidade induzida pelo AD36, o dr. Dhurandhar e sua equipe verificaram que o vírus ativa um mecanismo de proliferação de células de gordura, com uma maior incorporação de gorduras do sangue nas mesmas – e, portanto, diminuição delas no sangue. Evidentemente, com estes dados na mão, os autores sugeriram a possibilidade de uma vacina contra o AD36 prevenir a obesidade em uma certa proporção de pessoas. Na minha opinião, a obesidade produzida por vírus deve ser rara, mas vou aguardar um tempo a mais para ter um julgamento decisivo. O mais importante, no entanto, é verificar mais uma vez que obesidade é doença muito mais complexa do que se imagina, com várias causas e que um simples vírus pode, modificando o funcionamento do organismo, causar um grande excesso de gordura em nossos corpos.

12.527 – Cientistas criam molécula que pode destruir todos os vírus


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Os vírus são bastante diferentes uns dos outros, com alta capacidade de mutações. Mas uma equipe de pesquisadores acredita ter descoberto um jeito de prevenir que eles nos infectem.
O grupo de cientistas da IBM e do Instituto de Bioengenharia e Nanotecnologia de Singapura encontraram um jeito de descobrir a característica que torna todos os vírus semelhantes. Usando esse conhecimento, eles criaram uma macromolécula que pode servir para combatê-los.
No estudo, os pesquisadores ignoraram o RNA e DNA dos vírus, que seriam áreas-chave para atacar. Mas como esses elementos mudam de vírus para vírus e são sujeitos a mutações, fica muito difícil vencê-los. Ao invés disso, os cientistas se concentraram nas glicoproteínas, que ficam do lado externo de todos os vírus e atacam as células do nosso corpo, permitindo que eles infectem as células e causem doenças.
Neutralizando os vírus
Partindo dessa linha de pesquisa, os cientistas criaram essa macromolécula, que é basicamente uma molécula gigante feita de unidades menores. A macromolécula tem características fundamentais para combater os vírus. Ela consegue atrair vírus para si usando cargas eletrostáticas, por exemplo. Assim, quando o vírus se aproxima, a macromolécula se afixa a ele, tornando-o incapaz de se juntar a células sadias. Então, ela neutraliza os níveis de acidez do vírus, o que dificulta sua replicação.
A macromolécula também contém um açúcar chamado manose. Ele se une a células saudáveis imunes e força-as a ficarem próximas aos vírus, fazendo com que a infecção seja erradicada mais facilmente. O método foi testado em vírus como o da dengue e ebola, atingindo resultados promissores. Ainda vai demorar para que o tratamento seja aplicado em humanos de forma massiva, mas ele representa uma esperança na luta contra infecções virais.

12.344 – O Ancestral do vírus da AIDS


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Nada de uma nova cura da Aids. O que agitou a comunidade científica foi a confirmação da origem do HIV, o vírus causador da Aids. A virologista Beatrice Hahn, da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, encontrou um parente próximo do vilão, chamado SIV, em chimpanzés da África equatorial. É fácil entender a importância do achado: é que os bichos andam com o SIV mas não ficam doentes. Por quê? A possibilidade mais animadora é que o organismo daqueles animais desenvolveu um meio de controlar o invasor. “Se descobrirmos como eles controlam a infecção, poderemos entender por que isso não acontece no homem”. Pode até levar a uma vacina. A equipe de Hahn está vibrando com essa hipótese. Convém esperar outra confirmação: é possível que o parasita só more no corpo do animais, sem causar nenhum mal aos hospedeiros. Nesse caso, não há nenhum mecanismo de defesa. A torcida é pela primeira alternativa. Só assim será possível aprender alguma forma de defender o homem do HIV.

11.660 – Mega Byte – Chrome vai barrar extensões que enganam usuários para serem instaladas


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Extensões do Chrome são uma bênção e uma maldição. Apesar de serem extremamente úteis, elas abrem uma brecha de segurança quando são instaladas sem precisar passar pela Chrome Web Store, o que o Google chama de “instalação inline”. Agora, a empresa tomou uma decisão para tentar evitar que seus usuários sejam afetados pela instalação indesejada de extensões maliciosas.

A medida afeta golpes como o da imagem abaixo, que abusam do privilégio da instalação inline. São anúncios que tentam enganar os usuários a instalar extensões que possam atrapalhar de alguma forma a sua vida.

No caso desta imagem, ela diz que o FlashPlayer está desatualizado, e pede que a pessoa clique num anúncio para atualizá-lo. Na verdade, se trata de alguma extensão maliciosa que usa práticas obscuras para penetrar no navegador da vítima. Há muitas outras formas de golpes similares se apresentarem na web.

Graças a isso, o Google está desabilitando a instalação inline para extensões que estejam ligadas a sites e anúncios enganosos.

Isso começará a valer a partir do dia 3 de setembro, quando serão desabilitadas a instalação de extensões que usam essas táticas de enganação. Para estas extensões maliciosas, os usuários serão redirecionados para uma página Chrome Web Store, com algumas informações que podem permitir que o usuário faça uma decisão educada sobre a instalação.A instalação inline foi liberada em 2011, com o objetivo de permitir que usuários instalassem as extensões diretamente dos sites dos desenvolvedores, eliminando o intermediário da Web Store e tornando o processo mais rápido. Como alguns estão abusando desta liberdade, o Google precisou criar mecanismos para garantir a segurança dos usuários.

11.116 – Mais um Golpe no HIV – Molécula artificial tem resultados promissores contra a aids


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Um novo medicamento contra a aids se mostrou eficaz em testes com macacos. Trata-se de uma molécula artificial programada para se ligar ao vírus, impedindo que ele infecte as células do organismo. A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira na revista científica Nature.
Tal substância artificial fez com que quatro macacos não contraíssem o HIV, mesmo sendo expostos ao vírus. O imunologista Michael Farzan, do Scripps Research Institute, um centro de pesquisa americano sem fins lucrativos, e mais 33 pesquisadores desenvolveram a molécula a partir do conhecimento já existente de como o HIV infecta as células.
O vírus se liga simultaneamente a dois receptores na superfície dos leucócitos (também conhecidos como glóbulos brancos), o CD4 e o CCR5. A molécula criada pelos cientistas, denominada eCD4-Ig, contém partes desses dois receptores em um anticorpo. Assim, o HIV se liga a essas moléculas artificiais, em vez de atacar as células do organismo, e é neutralizado.
No teste, a equipe infectou quatro macacos com um vírus inofensivo que continha um gene produtor da molécula eCD4-Ig. Com isso, as células dos animais foram forçadas a produzir a nova substância. Testados por 34 semanas com doses cada vez mais elevadas do vírus da aids, nenhum dos macacos foi infectado.
Farzan afirma que, como medida de segurança, muitos macacos precisam ser submetidos à técnica antes que ela seja reproduzida em humanos.

10.848 – Biologia Marinha – Um vírus misterioso está matando as estrelas-do-mar


Doença misteriosa intriga a Ciência

Está matando milhões de estrelas-do-mar. A epidemia atinge a costa do Pacífico do Alasca ao México. Ela vem reduzindo drasticamente a população desses animais marinhos e pode chegar a outras regiões do mundo.
O fenômeno foi observado pela primeira vez em junho de 2013, na costa noroeste dos Estados Unidos, como relata uma extensa reportagem do site The Verge. A estrela-do-mar doente fica coberta de lesões brancas. Depois, seus órgãos internos começam se projetar para fora da pele. Por fim, o animal se desintegra, perde seus braços e morre. A doença atinge mais de 20 espécies.
Ao longo de um ano, ela se alastrou para o norte, atingindo o Canadá e o Alasca, e para o sul, chegando à Califórnia e ao México. Até aquários que recebem água do mar foram contaminados. No aquário de Seattle, quase todas as estrelas-do-mar morreram. E já se observam alguns casos na costa Leste dos Estados Unidos, o que mostra que a doença também ocorre no Atlântico.
Biólogos vêm estudando o fenômeno. A principal suspeita deles recai sobre um vírus. O detalhe é que esse vírus já foi encontrado em estrelas-do-mar preservadas em museus, capturadas há mais de 70 anos.
Se o vírus existe há tanto tempo, por que só agora se tornou mortal? “Estou totalmente convencida de que isso tem relação com mudanças climáticas”, disse Lesanna Lahner, veterinária do Aquário de Seattle, ao Verge. “Só não tenho nenhuma prova disso ainda”, completa ela.
O aumento da temperatura e da acidez do oceano parecem ser os fatores que propiciaram a propagação da doença. Lesanna pegou algumas estrelas-do-mar doentes que estavam se desintegrando a 12°C e as colocou num tanque refrigerado a 10°C.
Para surpresa dela, as estrelas se curaram. Isso sugere que o aquecimento do Pacífico Norte, que foi de 0,5°C entre 1955 e 2013, pode ter contribuído para o vírus se alastrar. Mas as estrelas que estavam soltas no mar não se recuperaram no Inverno, quando a água se resfria.

Acidez do mar
O oceano absorve dióxido de carbono, gás que vem sendo produzido em quantidades crescentes desde que o mundo se industrializou. Esse gás reage com a água do mar, tornando-a mais ácida.
Os oceanos, que foram ligeiramente alcalinos nos últimos 300 milhões de anos, estão se tornando ácidos. Estudos já demonstraram que a acidez enfraquece as estrelas-do-mar, tornando-as mais vulneráveis a doenças.
A matança pode afetar outros animais marinhos. Há um estudo famoso publicado em 1966 pelo naturalista americano Robert Paine. Durante dois anos, ele removeu todas as estrelas-do-mar de uma piscina natural num costão rochoso.
Nesse período, o número de espécies na piscina rochosa havia se reduzido de 15 para 8. Paine concluiu que as estrelas-do-mar são espécies-chave, da qual dependem outros animais. Esse conceito de espécie-chave acabou sendo importante em estudos ecológicos posteriores.
Se essas são as más notícias, há também dados que trazem esperança. Pelo que se observou até agora, as estrelas-do-mar não desaparecem completamente das áreas afetadas. Em geral, morrem as maiores, mas resta um certo número de estrelas pequenas.
Isso sugere que os indivíduos mais resistentes sobrevivem à doença. Eles poderão, com o tempo, se reproduzir e levar a população desses animais a ser recuperar. De fato, já houve momentos na história em que a população das estrelas-do-mar declinou, recuperando-se depois. É possível que aconteça o mesmo na epidemia atual.

estrela girassol

10.665 – Ciências Biológicas – Vírus e conceitos sobre vida e espécies


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O primeiro grande dilema enfrentado pela Ciência com a descoberta dos vírus foi o fato deles não terem células. Todos os seres vivos até então possuíam células e isso era considerado a “regra de ouro” da Biologia e um importante critério para se decidir se algo era vivo ou não, portanto, os vírus quebraram a regra, na Biologia, a chamada “teoria celular” e se tornar am uma exceção. A partir daí, se considerou em biologia que todos os seres vivos possuíam células, exceto vírus.
Estudos mais aprofundados sobre os vírus revelaram características que fazem pensar que eles não são vivos, enquanto outras sim.
Vejamos algumas definições:
Eles são tão pequenos que só podem ser observados em microscópios eletrônicos. Com apenas uma molécula, e em alguns casos, envolvidos por umas poucas proteínas. Não são capazes de realizar atividades comuns aos seres vivos, como nutrição e metabolismo. Sem autonomia, não sobrevivem ou se reproduzem fora das células de outros seres, sendo portanto, parasitas intracelulares. Quando se discute se os vírus são ou não vivos, a Biologia também discute o que é a vida.
Para uma bióloga da NASA, os vírus não são vivos porque em sua opinião, a vida é um conjunto de atividades que permite a ela própria se manter:
“Estou convencida que os vírus não pertencem a nenhum dos 5 reinos animal, vegetal, fungi, monera e protisa. Eles não são vivos por nunca fazerem nada fora de células vivas. Os vírus precisam do metabolismo das células vivas. Esse é um fator essencial na química da automanutenção e os vírus não têm isso. Somente as células e os organismos compostos de células efetuam metabolismo.

10.532 – Epidemias – Estudo genético revela como ebola se espalhou pela África


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Como resposta ao maior surto de ebola da história, um grupo internacional de cientistas sequenciou e analisou 99 genomas do vírus. Com o estudo, publicado nesta sexta-feira, na revista Science, foi possível rastrear a origem e transmissão do vírus no surto atual — informações que são essenciais para o desenvolvimento de vacinas, diagnósticos e tratamentos. A pesquisa mostrou que o genoma do vírus atual tem mais de 300 modificações genéticas em relação às linhagens das epidemias anteriores da doença.

O estudo foi realizado pelo Broad Institute do MIT e Harvard, em colaboração com o Ministério da Saúde de Serra Leoa. Cinco dos 58 autores do artigo contraíram o vírus do ebola e morreram antes da publicação, entre eles o médico Sheik Humarr Khan, especialista na febre de Lassa — uma febre hemorrágica viral — do Centro Africano de Genômica de Doenças Infecciosas, Saúde Humana e Hereditariedade.

Primeiro surto — Segundo os autores, as linhagens de ebola atuais têm um ancestral comum com o primeiro surto da doença, ocorrido em 1976. Os pesquisadores traçaram o caminho de transmissão e as relações evolutivas das amostras, revelando que a linhagem da atualidade divergiu da versão do vírus nos últimos dez anos. Segundo eles, o surto de 2014 teve origem na Guiné e se espalhou por Serra Leoa, Libéria e Nigéria.

De acordo com o artigo, nas ocorrências anteriores, a exposição contínua a reservatórios virais, como morcegos infectados, contribuiu para a difusão da doença. Mas, a partir das variações genéticas encontradas no vírus atual, concluiu-se que o surto de 2014 começou em uma única troca entre humanos, espalhando-se depois de pessoa para pessoa.

Os pesquisadores acham que o vírus foi para Serra Leoa a partir de duas linhagens do vírus originárias da Guiné. A possível fonte dessas linhagens foram doze pessoas que participaram do funeral de um curandeiro na fronteira da Guiné, em maio.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas estudaram amostras do vírus coletadas de 78 pacientes que foram diagnosticados com a doença em Serra Leoa nos primeiros 24 dias do surto. Alguns pacientes contribuíram com mais de uma amostra — o que permitiu estudar a mudança do vírus em cada indivíduo no decurso da infecção.

Para caracterizar as cepas atuais, os cientistas utilizaram a tecnologia conhecida como “sequenciamento profundo”, quando o procedimento é repetido inúmeras vezes para obter resultados de alta confiabilidade. No estudo da Science, cada genoma foi sequenciado em média 2 000 vezes, conforme os autores do artigo.

9897 – Biologia – Maior vírus já encontrado “volta à vida”


vírus mers

Um vírus gigante, de 30 mil anos, voltou à vida em laboratórios franceses. Chamado Pithovirus sibericum, ele é o maior já encontrado por cientistas, com 1,5 micrômetro de comprimento (um micrômetro equivale à milésima parte do milímetro). O novo agente não oferece perigo aos humanos, mas sua descoberta, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostra que é possível um vírus permanecer contagioso depois de milênios.
Encontrado na Sibéria, enterrado a 30 metros do solo, ele permanecia dormente em uma camada chamada permafrost, formada por gelo, terra e rochas geladas. Depois de descongelado, voltou a ser contagioso. O grupo de cientistas, liderados por pesquisadores da Universidade Aix-Marseille, na França, colocou o vírus em contato com amebas, que começaram a morrer. Assim que os cientistas analisaram esses organismos, perceberam que o vírus gigante estava se multiplicando dentro deles.
estruturas unicelulares, como a ameba, porque é mais fácil entrar nelas. Elas se alimentam por um processo chamado fagocitose, que engloba partículas estranhas – como o vírus gigante. A maior parte das células humanas e de outras células animais têm processos de defesas mais sofisticados e, por isso, os vírus que as afetam usam estratégias mais complexas de entrada. É por isso que eles são cerca de cem vezes menores que o vírus gigante e têm apenas 13 genes, como o da gripe. O Pithovirus sibericum tem 500 genes e, de acordo com os pesquisadores, 60% deles não se parecem com nada encontrado na Terra.

Uma das grandes surpresas dos cientistas foi perceber que o vírus pode manter seu poder de contágio por muito mais tempo que o imaginado. Esses agentes permanecem dormentes por anos e dificilmente são eliminados do planeta. Os pesquisadores afirmam que o vírus gigante é uma boa demonstração de como a ideia de que é possível erradicar um vírus está errada e passa uma falsa sensação de segurança. “Um renascimento como esse, de um vírus ancestral que infecta amebas, sugere que o degelo do permafrost, seja por mudanças climáticas ou por explorações industriais na região polar, pode trazer ameaças à saúde humana ou animal”, concluem os cientistas no estudo.

9295 – Saúde – Catapora em adultos (?)


A doença, causada pelo vírus Varicela-zoster e, por isso, também chamada varicela, é mais rara em adultos. Cerca de 90% das pessoas têm a catapora ainda na infância, entre 2 e 8 anos, conta a pediatra Mônica Levi, do setor de vacinação da Clínica Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias e em Imunizações, a Cedipi, em São Paulo. Aliás, segundo a especialista, como a doença às vezes é assintomática, muitos adultos nem desconfiam que tiveram o problema quando pequenos. As feridinhas poderiam ser confundidas com picadas de inseto e a febre, considerada apenas ocasional.
Mas os médicos constatam que, ao se manifestar no indivíduo adulto, o vírus consegue causar mais complicações. Ao comparar com a catapora na criança, observamos que nos adultos aparecem mais lesões, diz Mônica. Além das feridinhas espalhadas pelo corpo, outros sintomas que acometem os pequenos, como febre alta, fadiga, falta de apetite e dor de garganta, também dão as caras nos mais velhos. Num quadro de varicela, o organismo também se torna alvo fácil de outros microorganismos, sobretudo das bactérias. Elas podem ser responsáveis por infecções de pele, além de otites e sinusites.
As complicações mais sérias, no entanto, ocorrem quando o Varicela-zoster migra para órgãos estratégicos como os pulmões ou o cérebro. Pneumonias aparecem como decorrência da catapora por duas razões: ou o vírus venceu a resistência e invadiu o pulmão ou, como o corpo está mais suscetível, bactérias conseguem desencadear a infecção. A ameaça ao cérebro é gravíssima. Embora seja mais difícil de acontecer, o vírus pode atacar o encéfalo causando dores de cabeça, febres, vômitos e convulsões sintomas parecidos com os da meningite.
E esse perigoso ataque ao cérebro é capaz de deixar sequelas, já que as lesões causam paralisias e distúrbios motores. A lista de encrencas derivadas da doença é grande. Entre as complicações mais raras, dá para destacar hepatites, pancreatites e até infecções na retina. Nos imunodeficientes, como portadores de HIV ou pessoas com câncer, a varicela deve acionar todos os alertas.

9294 Microbiologia – Vírus = Veneno


Vírus significa veneno em latim, constituindo os menores seres vivos até então conhecidos, o da pólio por exemplo tem um diâmetro de 10 ângstrons, onde um ângstron corresponde a 1 bilionésimo de mm.
Estima-se que em uma única célula possam se instalar confortavelmente 20 mil vírus. Sua estrutura é a mais simples possível, compõe-se de ácido nucleico, envolto por uma capa protetora de proteína.
Os vírus destroem os elementos fundamentais dos seres vivos, as células. Os genes das células se reproduzem graças a mecanismos sintetizadores destas. Os vírus por sua vez, não possuem tais mecanismos e por isso, para se reproduzirem invadem as células e as forçam a trabalhar para eles.

9012 – Medicina – O Vírus da Raiva


Certo dia, o sujeito acorda se sentindo estranho. Tem um pouco de febre, uma dor de cabeça, talvez uma falta de apetite. Pode ser qualquer coisa. Passados uns dias, uma súbita ansiedade toma o doente. Dores pelo corpo e convulsões. A febre aumenta, e ele se torna agressivo. É quando aparece o sintoma inconfundível: um pavor incompreensível de água. É a hidrofobia. Não pode nem ficar perto de um copo d´água que o terror o domina. A essa altura, a garganta sofre espasmos e a pessoa emite gritos que mais parecem ganidos e uivos. Não há mais dúvidas, é a raiva. Quando os sintomas chegam a esse ponto, nada mais pode ser feito: em poucos dias, a morte – dolorosa, agonizante – é certa, em quase 100% dos casos.
A raiva tem sintomas tão assustadores porque mata de forma diferente da maioria das doenças neurológicas, que costumam destruir os neurônios. O lyssavirus (que vem do grego lykos: lobo) atinge os neurotransmissores, a comunicação do sistema nervoso. Depois da contaminação, caminha cerca de 1 cm por dia da ferida em direção ao cérebro e lá, por meio de um mecanismo chamado excitotoxicidade, faz com que as células nervosas gastem toda a sua energia e morram de exaustão. Aos poucos, as funções automáticas param de funcionar, e a morte acontece por parada cardíaca ou respiratória.
Por muitos séculos, a raiva foi a única doença visivelmente transmitida por animais – sempre mamíferos (principalmente cachorros e morcegos) e sempre por mordidas. “O vírus da raiva evoluiu para viver no cachorro, e o cachorro evoluiu para coexistir com o homem. Isso fez com que a doen-ça se espalhasse”, escrevem Bill Wasik e Monica Murphy em Rabid: A Cultural History of the World¿s Most Diabolical Virus (“Raiva: uma história cultural do vírus mais diabólico do mundo”). Hoje, a raiva está controlada: são 55 mil casos em humanos ao ano, de acordo com a OMS, quase todos na Ásia e África. Mesmo no Brasil, a doença é raríssima: no ano passado, foram apenas cinco casos. Tudo graças à vacina. “Hoje o principal risco é o contato com animais silvestres, que aumentou por causa do ecoturismo”, diz Jarbas Barbosa, secretário nacional de Vigilância em Saúde.
Os mistérios sobrenaturais que envolviam a doença só foram dissipados quando uma celebridade do mundo científico voltou suas atenções para ela: Louis Pasteur. Ele pesquisou a raiva justamente porque se tratava da “mais assustadora e mortal das doenças”. Sua vacina consistia em 21 dolorosas injeções na barriga, que continham cada vez uma versão mais enfraquecida do lyssavirus. O método de Pasteur foi aperfeiçoado e é usado até hoje: atualmente bastam quatro vacinas no braço. Foi essa simples solução que praticamente eliminou a doença.

Sobre vampiros, zumbis e lobisomens
Um ser violento, que vive na escuridão. Ao menor sinal de perigo, ele se torna agressivo: mostra os caninos pontiagudos e espuma pela boca. É hipersexualizado, como um animal no cio. Ataca quem estiver por perto – e quem tiver o azar de ser mordido em pouco tempo também se tornará um deles. É um vampiro? É um lobisomem? É um ser humano com raiva? Difícil separar as histórias. Tanto que, em 1998, o médico espanhol Juan Gómez Alonso chamou a atenção da comunidade científica ao publicar Raiva: uma possível explicação para a lenda dos vampiros. Ele defende que os vampiros – um dos mitos mais marcantes da cultura pop há 200 anos – são, na verdade, criações literárias baseadas em pessoas infectadas com raiva.
A relação mais óbvia é o fato de que tanto a raiva quanto o vampirismo passam de organismo a organismo por uma mordida. Mas o médico espanhol também cita outras características similares: o intenso desejo sexual dos vampiros e das pessoas infectadas (há relatos de contaminados que ejaculam até 30 vezes ao dia) e a violência.
Além dos vampiros, o cientista espanhol defende que os lobisomens também surgiram da doença. As mordidas, os dentes à mostra e a transformação animalesca seriam os indícios. Bill Wasik e Monica Murphy explicam: “Observe os filmes de terror. Os vilões surgem ofegantes, quase sempre mordendo suas vítimas. Quase sempre há uma forma de contágio – algo maligno que passa de vítima a vítima, por meio de uma mordida, beijo ou lambida”. Para eles, nada além de roteiros inspirados na raiva. E há indícios de que a nova febre dos zumbis também seja fruto do mal. No filme Extermínio, de 2002, a humanidade é atacada por uma doença de nome “fúria”. O diretor, Daniel Boyle, admitiu ter se inspirado na raiva para criar sua versão de zumbis, muito mais ágeis e furiosos do que os clássicos e molengas zumbis dos anos 60, 70 e 80.
A raiva mata pela exaustão. Excita tanto o cérebro que ele fica sem energia para as funções vitais.
Quando entra no organismo de uma pessoa, o vírus se desloca por meio do sistema nervoso, avançando entre um e dois centímetros por dia, navegando pelas linhas de transmissão de impulsos nervosos.
Quarenta dias podem se passar da contaminação aos primeiros sintomas: sinal de que é tarde demais.

8873 – Tudo sob controle…!Depois da AIDs, o controle do Ebola


Cientistas conseguiram pela primeira vez tratar com sucesso uma infecção pelo vírus Ebola, após o aparecimento de seus sintomas. O estudo, feito em macacos Rhesus, foi publicado nesta quarta-feira no periódico Science Translational Medicine. Promissores, os resultados podem abrir o caminho para o desenvolvimento de terapias contra esta infecção, que causa uma febre hemorrágica cuja taxa de mortalidade é de 90% entre os humanos.
Responsável por muitas mortes, principalmente na África, o vírus Ebola se multiplica rapidamente, ultrapassando a capacidade do sistema imunológico de lutar contra a infecção. Como ainda não existe prevenção ou tratamentos para ele, o Ebola é considerado um grande perigo para a saúde pública – além de existirem temores de que vírus possa ser utilizado como arma biológica.
A mesma equipe de pesquisadores responsável por este estudo, liderada por James Pettitt, do Instituto de Pesquisa Médica de Doenças Infecciosas do Exército Americano (USAMRIID), demonstrou em outubro do ano passado que esse tratamento – um “coquetel” de anticorpos denominado MB-003 – evitou a morte de todos os animais testados, quando administrado uma hora após a exposição ao vírus, e de dois terços deles, 48 horas após a contaminação.
No estudo atual, os primatas só receberam o tratamento após apresentarem sintomas verificáveis da doença, o que ocorreu entre 104 e 120 horas após a infecção, e 43% deles se recuperaram. Esta diferença é importante porque o primeiro estudo testou o medicamento como uma forma de Profilaxia Pós-Exposição, ou seja, com objetivo de prevenir a infecção após exposição ao vírus, enquanto no novo estudo o medicamento foi testado como um tratamento, após o estabelecimento da infecção.
O MB-003 é feito com anticorpos monoclonais, células clonadas do sistema imunológico. Ele atua de duas formas: inativando o vírus e estimulando o sistema imunológico a eliminar as células infectadas pelo vírus. Nenhum efeito colateral do medicamento foi observado nos animais que sobreviveram.
“Na falta de uma vacina ou um medicamento para tratar ou evitar uma infecção do vírus Ebola, prosseguir o desenvolvimento de MB-003 é muito promissor”, disse Larry Zeitlin, um dos autores do estudo.
Segundo ele, o próximo passo é fazer estudos mais amplos em animais, para eventualmente passar para seres humanos. Os pesquisadores estimam que, se os resultados se mantiverem positivos, deve levar entre cinco e dez anos para que o medicamento possa ser comercializado.

8872 – História da Medicina – Os Vírus mais Perigosos do Mundo


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Varíola
Quando surgiu: Entre os humanos, provavelmente há 10.000 anos, com o advento da agricultura
Origem: Não se sabe se a doença nasceu na África ou na Ásia. Análises de DNA mostram que o vírus se assemelha à varíola do camelo. Foi o primeiro vírus erradicado na história, em 1977, após uma massiva campanha de vacinação mundial.
Durante séculos, sem tratamento, matava 30% dos infectados. Somente no século 20, foram 300 milhões de mortes.
Erradicado desde a década de 70, ainda existem cópias de seu DNA em laboratórios na Rússia e nos Estados Unidos. A população mundial não possui mais imunização contra o vírus. Pode ser transformada em uma arma biológica caso caia nas mãos de terroristas.

Gripe espanhola
Quando surgiu: Milhares de anos atrás. Hipócrates descreveu o que parecem ser epidemias de influenza no ano 412 a.C. Em 1918, atingiu entre 1 e 2% de toda a população mundial.
Origem: O termo influenza vem do italiano, que atribuíam à influência das estrelas os casos de gripe. Aliás, gripe é um termo francês criado no século 18. Até 1933, quando o vírus (H1N1, também originário de porcos, mas bem diferente do que causaria a gripe suína 90 anos depois) foi isolado, não se sabia o que a causava — especulou-se até que fossem bactérias.
Vítimas: entre 40 e 50 milhões de pessoas entre 1918 e 1919.
A gripe espanhola assustou por ser a primeira gripe a matar jovens e adultos saudáveis — a doença se limitava a crianças e idosos. Para se ter uma ideia, 80% das mortes registradas no exército americano durante a Primeira Guerra Mundial foram causadas pela gripe, e não por ferimentos de guerra.

HIV
Quando surgiu: Provavelmente na década de 1930, em Camarões e no Gabão.
Origem: Veio do consumo e manipulação de carne contaminada de chimpanzés na África. Apesar do vírus ter sido identificado apenas em 1983, foram descobertas amostras de sangue de africanos coletadas em 1959 e congeladas nos EUA que já continham o vírus.

Vítimas: 25 milhões de mortes desde 1981. Atualmente, há 33 milhões de pessoas vivendo com o vírus
Já foi uma doença mais assustadora. Com novos tratamentos, sua mortalidade vem caindo. Foram 3 milhões de mortes em 2000 e 1,8 milhão em 2009. A maioria das mortes está localizada em países sem acesso aos modernos tratamentos antivirais.

Ebola
Quando surgiu: 1976
Origem: O devastador vírus — “ele faz em dez dias o que o HIV leva dez anos”, escreveu Richard Preston no livro Hot Zone — apareceu no Congo e no Sudão, em 1976, com uma taxa de mortalidade incrivelmente alta. Nos dois países, foram registrados 602 casos e 431 mortes. A maioria dos casos vem do contato direto com primatas não-humanos, como chimpanzés, gorilas, e outros animais selvagens, como antílopes e porcos-espinhos.
Vítimas: 1.850 casos, 1.200 mortes.
Transmitido por secreções e pelo sangue, destrói as células de defesa do organismo e as plaquetas, provocando brutais hemorragias.

Marburg
Quando surgiu: 1967
Origem: Da mesma família de vírus do Ebola (filovírus), o Marburg também causa a febre hemorrágica. Foi identificado longe da África, em Marburg, na Alemanha. Técnicos de laboratório da Behring que produziam vacina contra a pólio receberam macacos contaminados de Uganda (depois foi descoberto que quase metade dos macacos chegava morta de Uganda, vítima de hemorragia). A letalidade foi alta entre os técnicos: 31 ficaram doentes e sete morreram.
Vítimas: 569 casos, 467 mortes (82% de mortalidade). O maior surto aconteceu em Angola, entre 2004 e 2005: 374 casos, com 329 mortes.
Por que é perigoso: Os mesmo motivos do Ebola. Além dos efeitos devastadores, ele tem um longo tempo de incubação — de 3 a 9 dias — e pode infectar todo mundo que tem contato com o paciente através de secreções e sangue.

Lassa
Quando surgiu: 1969
Origem: Embora cause a febre hemorrágica, como o Marburg e o Ebola, o Lassa é de outro família de vírus, os arenavírus (transmitidos por roedores). Ganhou o nome porque suas primeiras vítimas foram duas freiras americanas que coordenavam uma escola na cidade de Lassa, na Nigéria.

Vítimas: Segundo estimativas, o número de casos varia entre 300.000 e 500.000 por ano, na África Ocidental, com 5.000 mortes.

Por que é perigoso: Apesar da taxa de mortalidade reduzida, de 1%, mata 80% das gestantes ou dos fetos se for contraída no terceiro trimestre de gravidez. Por ter um grande período de incubação — 7 a 10 dias — pode infectar turistas, que levam a doença para seus países de origem. A doença já apareceu nos EUA, Canadá, Israel, Japão, Alemanha, Reino Unido e Holanda.

H5N1
Quando surgiu: Em 1997
Origem: O vírus da gripe aviária foi isolado pela primeira vez em 1996, em uma fazenda na província de Guangdong, na China. No ano seguinte, os primeiros casos apareceram em Hong Kong: 18 infectados, 6 mortes. É transmitida pelo contato com as aves. Se um dia o vírus ‘aprender’ a passar de humano para humano pela via respiratória, pode se tornar a gripe mais devastadora de todos os tempos.
Vítimas: Até o dia 31 de agosto de 2011, foram registrados 565 casos e 331 mortes (58,6% de mortalidade, um índice altíssimo).
Por que é perigoso: É uma gripe que mata mais da metade dos infectados. Para nossa sorte, ela só é transmitida de humano para humano em casos excepcionais.

SARS
Quanto surgiu: Final de 2002
Origem: O vírus da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) apareceu em Guangdong, província da China, quando um felino chamado civeta virou moda na culinária local. Provavelmente um cozinheiro contraiu a doença e a passou adiante, originando a pandemia que atingiu mais de 30 países. Foi controlada ainda em 2003, após uma forte atuação da OMS.
Vítimas: Matou 9,6% dos infectados. Segundo a OMS, foram 8.096 casos e 774 mortes.
Por que é perigoso: Em pouco tempo, o vírus sofreu mutações que o permitiram pular do civeta para o ser humano. Passou a ser transmitido pelo ar, aumentando suas chances de contaminação.

H1N1
Quando surgiu: 2009
Origem: Em 2009, o vírus encontrou um caminho para deixar os porcos e também infectar humanos, provocando uma pandemia a partir da América do Norte. O mundo ficou assustado com a rapidez com que a gripe suína progrediu (74 países em poucos meses). No Brasil, o antiviral Tamiflu, que combate a doença, sumiu das farmácias. Hoje, o H1N1 é uma das variantes anuais da gripe, junto com a H3N2 e a influenza B.
Vítimas: Em 2009, matou 44.100 pessoas nos EUA, contra 47.800 da gripe comum.
Por que é perigoso: Ele mata menos que a gripe comum, mas toma mais anos de vida. Enquanto as gripes sazonais matam mais pessoas idosas, a gripe suína atinge mais crianças e gestantes.

Nipah
Quando surgiu: 1998
Origem: Na Malásia, morcegos que continham o vírus deixaram cair frutas semi-mastigadas em criadouros de porcos, que comeram as frutas. Os tratadores contraíram os vírus ao ter contato com as fezes dos animais, passando a mão na calça e levando ao rosto, por exemplo. Foi o vírus que inspirou a criação do fictício MEV-1 no filme Contágio
A mortalidade ficou acima de 50%. Dos 475 casos registrados, 251 pessoas morreram
Por que ele é perigoso: Causa uma encefalite (inflamação cerebral) mortal na maioria dos casos. Quando não mata, pode deixar profundas sequelas, como convulsões frequentes e mudanças de personalidade.

Dengue
Quando surgiu: 1950
Origem: A origem da dengue é o desmatamento. Com o avanço do homem em regiões selvagens, o mosquito que transmite a dengue passou a picar humanos. Existem quatro tipos de vírus diferentes, todos com os mesmo sintomas e mesma forma de tratamento. A origem também é a mesma: o sudeste da Ásia.
Vítimas: Por volta de 500.000 pessoas precisam ser hospitalizadas por causa da dengue hemorrágica — 2,5% morrem.
Por que é perigoso: A pessoa contaminada pode começar com uma dengue normal, aquela em que os sintomas são leves ou moderados e depois se transformar em uma dengue hemorrágica, em que os vasos sanguíneos são lesados, provocando sangramentos.

8624 – Medicina – Os vírus mais perigosos do mundo


Varíola
Quando surgiu: Entre os humanos, provavelmente há 10.000 anos, com o advento da agricultura
Origem: Não se sabe se a doença nasceu na África ou na Ásia. Análises de DNA mostram que o vírus se assemelha à varíola do camelo. Foi o primeiro vírus erradicado na história, em 1977, após uma massiva campanha de vacinação mundial.
Vítimas: Durante séculos, sem tratamento, matava 30% dos infectados. Somente no século 20, foram 300 milhões de mortes.
Erradicado desde a década de 70, ainda existem cópias de seu DNA em laboratórios na Rússia e nos Estados Unidos. A população mundial não possui mais imunização contra o vírus. Pode ser transformada em uma arma biológica caso caia nas mãos de terroristas.

Gripe espanhola
Milhares de anos atrás. Hipócrates descreveu o que parecem ser epidemias de influenza no ano 412 a.C. Em 1918, atingiu entre 1 e 2% de toda a população mundial.
Origem: O termo influenza vem do italiano, que atribuíam à influência das estrelas os casos de gripe. Aliás, gripe é um termo francês criado no século 18. Até 1933, quando o vírus (H1N1, também originário de porcos, mas bem diferente do que causaria a gripe suína 90 anos depois) foi isolado, não se sabia o que a causava — especulou-se até que fossem bactérias.
Vítimas: entre 40 e 50 milhões de pessoas entre 1918 e 1919.
A gripe espanhola assustou por ser a primeira gripe a matar jovens e adultos saudáveis — a doença se limitava a crianças e idosos. Para se ter uma ideia, 80% das mortes registradas no exército americano durante a Primeira Guerra Mundial foram causadas pela gripe, e não por ferimentos de guerra.

HIV
Quando surgiu: Provavelmente na década de 1930, em Camarões e no Gabão.
Origem: Veio do consumo e manipulação de carne contaminada de chimpanzés na África. Apesar do vírus ter sido identificado apenas em 1983, foram descobertas amostras de sangue de africanos coletadas em 1959 e congeladas nos EUA que já continham o vírus.
Vítimas: 25 milhões de mortes desde 1981. Atualmente, há 33 milhões de pessoas vivendo com o vírus
Já foi uma doença mais assustadora. Com novos tratamentos, sua mortalidade vem caindo. Foram 3 milhões de mortes em 2000 e 1,8 milhão em 2009. A maioria das mortes está localizada em países sem acesso aos modernos tratamentos antivirais.

Ebola
Quando surgiu: 1976
Origem: O devastador vírus — “ele faz em dez dias o que o HIV leva dez anos”, escreveu Richard Preston no livro Hot Zone — apareceu no Congo e no Sudão, em 1976, com uma taxa de mortalidade incrivelmente alta. Nos dois países, foram registrados 602 casos e 431 mortes. A maioria dos casos vem do contato direto com primatas não-humanos, como chimpanzés, gorilas, e outros animais selvagens, como antílopes e porcos-espinhos.
Vítimas: 1.850 casos, 1.200 mortes.
Transmitido por secreções e pelo sangue, destrói as células de defesa do organismo e as plaquetas, provocando brutais hemorragias.

Marburg

virus-marburg

Quando surgiu: 1967
Origem: Da mesma família de vírus do Ebola (filovírus), o Marburg também causa a febre hemorrágica. Foi identificado longe da África, em Marburg, na Alemanha. Técnicos de laboratório da Behring que produziam vacina contra a pólio receberam macacos contaminados de Uganda (depois foi descoberto que quase metade dos macacos chegava morta de Uganda, vítima de hemorragia). A letalidade foi alta entre os técnicos: 31 ficaram doentes e sete morreram.
Vítimas: 569 casos, 467 mortes (82% de mortalidade). O maior surto aconteceu em Angola, entre 2004 e 2005: 374 casos, com 329 mortes.
Por que é perigoso: Os mesmo motivos do Ebola. Além dos efeitos devastadores, ele tem um longo tempo de incubação de 3 a 9 dias — e pode infectar todo mundo que tem contato com o paciente através de secreções e sangue.

Lassa
Quando surgiu: 1969
Origem: Embora cause a febre hemorrágica, como o Marburg e o Ebola, o Lassa é de outro família de vírus, os arenavírus (transmitidos por roedores). Ganhou o nome porque suas primeiras vítimas foram duas freiras americanas que coordenavam uma escola na cidade de Lassa, na Nigéria.
Vítimas: Segundo estimativas, o número de casos varia entre 300.000 e 500.000 por ano, na África Ocidental, com 5.000 mortes.
Apesar da taxa de mortalidade reduzida, de 1%, mata 80% das gestantes ou dos fetos se for contraída no terceiro trimestre de gravidez. Por ter um grande período de incubação — 7 a 10 dias — pode infectar turistas, que levam a doença para seus países de origem. A doença já apareceu nos EUA, Canadá, Israel, Japão, Alemanha, Reino Unido e Holanda.

H5N1
Quando surgiu: Em 1997
Origem: O vírus da gripe aviária foi isolado pela primeira vez em 1996, em uma fazenda na província de Guangdong, na China. No ano seguinte, os primeiros casos apareceram em Hong Kong: 18 infectados, 6 mortes. É transmitida pelo contato com as aves. Se um dia o vírus ‘aprender’ a passar de humano para humano pela via respiratória, pode se tornar a gripe mais devastadora de todos os tempos.
Vítimas: Até o dia 31 de agosto de 2011, foram registrados 565 casos e 331 mortes (58,6% de mortalidade, um índice altíssimo).
É uma gripe que mata mais da metade dos infectados. Para nossa sorte, ela só é transmitida de humano para humano em casos excepcionais.

SARS
Quanto surgiu: Final de 2002
Origem: O vírus da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) apareceu em Guangdong, província da China, quando um felino chamado civeta virou moda na culinária local. Provavelmente um cozinheiro contraiu a doença e a passou adiante, originando a pandemia que atingiu mais de 30 países. Foi controlada ainda em 2003, após uma forte atuação da OMS.
Vítimas: Matou 9,6% dos infectados. Segundo a OMS, foram 8.096 casos e 774 mortes.
Em pouco tempo, o vírus sofreu mutações que o permitiram pular do civeta para o ser humano. Passou a ser transmitido pelo ar, aumentando suas chances de contaminação.

H1N1
Quando surgiu: 2009
Origem: Em 2009, o vírus encontrou um caminho para deixar os porcos e também infectar humanos, provocando uma pandemia a partir da América do Norte. O mundo ficou assustado com a rapidez com que a gripe suína progrediu (74 países em poucos meses). No Brasil, o antiviral Tamiflu, que combate a doença, sumiu das farmácias. Hoje, o H1N1 é uma das variantes anuais da gripe, junto com a H3N2 e a influenza B.
Vítimas: Em 2009, matou 44.100 pessoas nos EUA, contra 47.800 da gripe comum.
Ele mata menos que a gripe comum, mas toma mais anos de vida. Enquanto as gripes sazonais matam mais pessoas idosas, a gripe suína atinge mais crianças e gestantes.

Nipah
Quando surgiu: 1998
Origem: Na Malásia, morcegos que continham o vírus deixaram cair frutas semi-mastigadas em criadouros de porcos, que comeram as frutas. Os tratadores contraíram os vírus ao ter contato com as fezes dos animais, passando a mão na calça e levando ao rosto, por exemplo. Foi o vírus que inspirou a criação do fictício MEV-1 no filme Contágio
Vìtimas: A mortalidade ficou acima de 50%. Dos 475 casos registrados, 251 pessoas morreram
Causa uma encefalite (inflamação cerebral) mortal na maioria dos casos. Quando não mata, pode deixar profundas sequelas, como convulsões frequentes e mudanças de personalidade.

Sabiá

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Quando surgiu: 1990
Origem: Ganhou esse nome por ter infectado uma mulher que visitava seus pais no Jardim Sabiá, em Cotia, no interior de São Paulo. Em quatro dias, a paciente morreu. O vírus ainda infectou mais três pessoas: dois técnicos de laboratório que foram expostos ao sangue da vítima e um operador de máquina de café, no Espírito Santo. Até hoje não foi encontrado o animal transmissor, mas sabe-se que é um roedor.
Vítimas: 4 pessoas, 4 mortes.
A proximidade de Cotia com São Paulo, cerca de 20 quilômetros, mostra que uma epidemia pode começar mesmo longe da selva, onde geralmente este tipo de vírus entra em contato com humanos.

Dengue
Quando surgiu: 1950
Origem: A origem da dengue é o desmatamento. Com o avanço do homem em regiões selvagens, o mosquito que transmite a dengue passou a picar humanos. Existem quatro tipos de vírus diferentes, todos com os mesmo sintomas e mesma forma de tratamento. A origem também é a mesma: o sudeste da Ásia.
Vítimas: Por volta de 500.000 pessoas precisam ser hospitalizadas por causa da dengue hemorrágica — 2,5% morrem.
A pessoa contaminada pode começar com uma dengue normal, aquela em que os sintomas são leves ou moderados e depois se transformar em uma dengue hemorrágica, em que os vasos sanguíneos são lesados, provocando sangramentos.

8602 – Exame de sangue pode detectar risco de câncer oral causado pelo HPV


Pesquisadores acreditam que um simples exame de sangue será capaz de, no futuro, detectar quais pessoas apresentam um risco alto de câncer de boca causado pelo papilomavírus humano, o HPV, quando transmitido por meio do sexo oral. Isso porque um novo estudo da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (Iarc, sigla em inglês) descobriu que a presença de determinados anticorpos no sangue de uma pessoa pode acusar o câncer anos antes de a doença se instalar.
As pessoas podem apresentar anticorpos E6, que lutam contra o HPV16, a principal cepa do vírus relacionada ao câncer de boca, até 12 anos antes de virem a apresentar sintomas desse câncer. Um exame de sangue que detecta a presença de tais anticorpos pode ser, no futuro, usado para prevenir o avanço da doença.
A pesquisa da Iarc, que é um órgão ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS), será publicada no periódico Journal of Clinical Oncology. “Até agora, não se sabia se esses anticorpos estavam presentes no sangue antes que o câncer se tornasse clinicamente detectável. Se esses resultados se confirmarem, futuras ferramentas de triagem poderão ser desenvolvidas para a detecção precoce da doença”, diz Paul Brennan, coordenador do estudo. “Quanto mais precoce for a detecção, melhor o tratamento e maior a sobrevivência.”
Um vírus, muitas doenças
O HPV é mais conhecido por causar cânceres genitais e de colo do útero, mas ele é também responsável por um número crescente de casos de boca e garganta, especialmente entre homens. Segundo a AIPC, cerca de 30% de todos os cânceres orais estão relacionados ao HPV. Neste mês, o ator norte-americano Michael Douglas revelou que o câncer de garganta que o acometeu foi causado pelo HPV transmitido via sexo oral.
A nova pesquisa da Iarc, que teve participação de especialistas de institutos da Alemanha e dos Estados Unidos, usou dados de 50.000 pessoas de dez países europeus que foram monitoradas desde a década de 1990. Os pesquisadores observaram que, de 135 pessoas do estudo que desenvolveram câncer, 47 (cerca de um terço) apresentavam anticorpos E6 contra o HPV16, a principal cepa do vírus relacionada ao câncer de boca, até 12 anos antes do surgimento de sintomas da doença.
De acordo com Brennan, o exame usado no estudo é relativamente simples e barato, e pode ser desenvolvido como uma ferramenta para uso mais generalizado dentro de cinco anos, caso os resultados se confirmem em novos estudos. O pesquisador alertou, no entanto, que é preciso melhorar a precisão dos testes, já que houve na pesquisa cerca de 1% de “falsos positivos” para o anticorpo do HPV16.

8562 – HIV a Serviço da Medicina – Terapia genética usa vírus do HIV para curar doenças raras


O HIV é responsável pela morte de 1,7 milhão de pessoas por ano em todo o mundo. O vírus é especialmente perigoso pois se reproduz ao atacar células do sistema imunológico humano, alterando seu DNA e as obrigando a fabricar cópias de si mesmas — o que deixa o corpo vulnerável a uma série de doenças. Pesquisadores italianos anunciaram, na quinta-feira, o desenvolvimento de uma nova técnica, que utiliza essa habilidade do HIV para, na verdade, curar pacientes. Em duas pesquisas publicadas na revista Science, eles afirmam que utilizaram versões alteradas do vírus para corrigir o genoma de seis crianças e livrá-las de doenças que, até então, não teriam tratamento.
As crianças foram submetidas a terapia genética que usava um lentivirus como vetor para alterar seu DNA. As pesquisas relatam os resultados dos primeiros seis pacientes que passaram pelo procedimento. Três anos depois, ou eles estavam curados ou as doenças tinham parado de progredir.
As crianças carregavam duas doenças genéticas — herdadas dos pais e carregadas no DNA por toda a vida — conhecidas como Síndrome de Wiskott-Aldrich e Leucodistrofia Metacromática. Enquanto na primeira o corpo é incapaz de produzir uma proteína necessária para o correto funcionamento do sistema imunológico, a segunda afeta o desenvolvimento do sistema nervoso — e ambas podem levar à morte. Como o defeito está nos genes, essas doenças eram consideradas, até pouco tempo, incuráveis.

Nas últimas décadas, no entanto, os pesquisadores têm desenvolvido um método capaz de corrigir diretamente genes defeituosos: a terapia genética. Para isso, retiram células-tronco da medula óssea dos pacientes. Em um laboratório, os cientistas utilizam um vírus para entrar na célula e alterar seu DNA, inserindo o gene desejado. Os pacientes, então, recebem de volta as células-tronco, e passam a produzir a proteína necessária. Como o vírus é alterado geneticamente, ele não é capaz de atacar o organismo.
As terapias genéticas costumam funcionar muito bem em testes com animais e em laboratório, mas apresentam problemas quando são transferidas para a clínica. Algumas vezes, o gene terapêutico é produzido em quantidades muito pequenas ou por um período muito curto, abreviando o tratamento. Outras vezes, a terapia acaba por levar ao desenvolvimento de câncer. Para tentar contornar esses problemas, os pesquisadores italianos estudaram a utilização de um tipo especial de vírus: os lentivirus, que agem lentamente e são capazes de deixar, de modo permanente, seu DNA na célula hospedeira. O HIV é, justamente, um dos lentivirus mais conhecidos e estudados.
Os cientistas começaram os tratamentos com o vírus do HIV alterado em 2010. Os resultados publicados nesta quinta-feira levam em conta apenas os primeiros seis pacientes — três de cada doença — que receberam a terapia. “Três anos depois do começo das pesquisas clínicas, os resultados obtidos nos primeiros pacientes são muito encorajadores: a terapia não é apenas segura, mas também efetiva e capaz de mudar a história clínica dessas doenças sérias”, diz Luigi Naldini, pesquisador do Instituto San Raffaele Telethon para Terapia Genética (TIGET, na sigla em inglês), na Itália, envolvido nos dois estudos.
Sistema imunológico — As crianças com a Síndrome de Wiskott-Aldrich herdam uma mutação genética no gene que codifica a proteína WASP — essencial para o funcionamento correto do sistema imunológico. Assim, elas se tornam mais vulneráveis ao desenvolvimento de infecções, doenças autoimunes e câncer, além de ter um defeito nas plaquetas que causa sangramento frequente.
A terapia mais utilizada para tratar essa condição costuma ser o transplante de medula óssea de um doador compatível. Em alguns casos — quando as células doadas são muito compatíveis — a cura é atingida. No entanto, quem não conseguia encontrar um doador tinha de carregar a condição por toda a vida.
Na nova técnica, os pesquisadores retiraram as células-tronco da medula óssea dos próprios pacientes — o que elimina a possibilidade de rejeição. No laboratório, eles usam o vetor criado a partir do HIV para inserir o gene WASP normal em seu interior. Quando são reinseridas no corpo, as novas células são capazes de produzir a proteína correta, restaurando o sistema imunológico do paciente.

Segundo os cientistas, entre 20 e 30 meses após o início do tratamento, os sintomas da doença sumiram ou diminuíram consideravelmente. “Nesses pacientes, as células-tronco corrigidas substituíram as células doentes, criando um sistema imune funcional, com plaquetas normais. Graças à terapia genética, essas crianças não convivem mais com sangramentos severos e infecções. Agora elas podem correr, brincar e ir à escola”, diz Alessandro Aiuti, pesquisador do TIGET responsável pelo estudo.
Agindo no cérebro – Já a Leucodistrofia Metacromática é causada por mutações no gene ARSA, importante para o sistema nervoso. Os bebês com essa doença são aparentemente saudáveis no nascimento, mas em algum ponto de seu desenvolvimento eles começam a perder gradualmente as habilidades cognitivas e motoras, sem nenhum tratamento capaz de frear o processo neurodegenerativo — que acabará por matar a criança.
A partir de uma técnica parecida, os pesquisadores italianos inseriram genes ARSA funcionais nas células-tronco desses pacientes e as devolveram ao corpo. Ali, elas começaram a produzir as enzimas funcionais e a se reproduzir, atingindo o cérebro das crianças, o local mais afetado pela doença.
Dois anos após o início dos tratamentos, os pesquisadores afirmam que a terapia genética foi capaz de frear a progressão da doença. “Nesse caso, o mecanismo terapêutico foi mais sofisticado: as células-tronco corrigidas atingiram o cérebro por meio do sangue e liberaram a proteína correta, que é acumulada pelas células nervosas sobreviventes. Nós tivemos que criar células capazes de produzir uma quantidade de proteínas muito maior que o normal, para neutralizar o processo neurodegenerativo em andamento”, diz Alessandra Biffi, pesquisadora do TIGET.

Glossário

TERAPIA GENÉTICA
Tratamento que busca alterar o DNA de uma determinada célula, em busca de um resultado benéfico para a saúde de um paciente. Para isso, os cientistas precisam inserir um gene no núcleo da célula e fazer com que substitua outro. Os pesquisadores costumam usar como veículo desse gene um vírus ou retrovírus, pois esses vetores conseguem alterar o material genético de seu hospedeiro. Dentro da célula, o novo gene passa a fazer parte de seu DNA, e pode ser usado para tratar alguma doença.

CÉLULAS-TRONCO
Também chamadas de células-mãe, podem se transformar em qualquer um dos tipos de células do corpo humano e dar origens a outros tecidos, como ossos, nervos, músculos e sangue. Por essa versatilidade, elas vêm sendo testadas na regeneração de tecidos e órgãos de pessoas doentes.

8549 – Hepatite B infectou ancestrais das aves na época dos dinossauros


Pterossauro, o réptil alado
Pterossauro, o réptil alado

A hepatite B é uma das infecções virais mais comuns em todo o planeta: pelo menos um terço da população mundial já carregou o vírus em algum momento de sua vida. A maioria dos infectados consegue se curar rapidamente — alguns nem desenvolvem sintomas —, mas em alguns casos a doença pode acarretar o desenvolvimento de cirrose ou câncer no fígado, causando a morte de 600.000 pessoas todos os anos. Uma nova pesquisa publicada na revista Nature Communications mostra que a história desse vírus é mais antiga do que se pensava. Ele existe há pelo menos 82 milhões de anos, quando infectava os primeiros ancestrais das aves, que ainda conviviam com os dinossauros.
Os pesquisadores descobriram que a origem comum desse DNA — e da infecção viral — é de um ancestral das aves que viveram há 82 milhões de anos.
Estudar o passado de uma linhagem de vírus costuma ser muito difícil, pois eles não deixam nenhum tipo de registro fóssil no ambiente. Para conhecer sua evolução, os pesquisadores têm de procurar pistas em outros locais — como o DNA de seus hospedeiros. Isso é possível porque, para se reproduzir, um vírus precisa invadir uma célula e se apropriar de seu DNA, obrigando-a a produzir cópias dele mesmo. Em alguns momentos, algo dá errado nesse processo e, em vez de dominar o genoma da célula, o vírus acaba sendo absorvido por ele. Assim, o vírus passa a fazer parte do DNA do hospedeiro, e é transmitido às gerações seguintes.
A partir desses restos de vírus que são herdados pelos descendentes, os pesquisadores conseguem encontrar pistas de suas origens e evolução. “A partir do momento em que é inserido no genoma hospedeiro, esse DNA viral pré-histórico fica congelado em seu estado original, continuando discernível até o presente. Nós chamamos essas sequências de DNA fóssil”, diz Jürgen Schmitz, pesquisador da Universidade de Münster, na Alemanha, e um dos autores do estudo.
Foi seguindo essa técnica que, em 2010, pesquisadores relataram a descoberta do DNA de um vírus ancestral da hepatite B em meio ao genoma de passarinhos mandarins, uma espécie originária da Oceania. Os dados apresentados, no entanto, não eram suficientes para saber exatamente quando esse vírus havia sido absorvido pelas aves.

Paleontologia genômica
Em busca de informações mais detalhadas, os pesquisadores da Universidade de Münster resolveram procurar pelas mesmas sequências de DNA viral em outras espécies de pássaros. Se elas fossem encontradas, isso significaria que já estavam presentes em um antepassado comum — e os cientistas poderiam traçar a data correta da infecção original.
A partir dos novos dados, os cientistas concluíram que o vírus ancestral infectou um antepassado dos pássaros modernos que viveu há 82 milhões de anos, no final do Cretáceo. Nessa época, as aves ainda dividiam a Terra com os dinossauros — um grupo de répteis a partir do qual elas teriam evoluído alguns milhões de anos antes. “A descoberta de que o genoma quase completo do vírus ficou preservado por tantos anos como um fóssil molecular é incrível”, afirma Alexander Suh, um dos autores do estudo.
Segundo os pesquisadores, boa parte das proteínas desse vírus ancestral são semelhantes às encontradas no vírus da hepatite B atual. Uma das exceções é uma sequência conhecida como proteína X, que permite ao vírus infectar seres humanos e é um dos responsáveis por causar o câncer de fígado. “Nosso resultado indica que o gene X emergiu relativamente tarde na evolução dessa família de vírus”, afirma Suh. Isso significaria que o vírus da hepatite B se originou nas aves, só depois adquirindo as características que o permitiria infectar mamíferos e humanos.

Glossário:
CRETÁCEO
Última etapa da chamada “Era dos Dinossauros”, compreendida entre 145 e 65,5 milhões de anos atrás. Foi marcada, em seu final, pela extinção de todos os dinossauros não avianos.

8535 – Saúde – A Síndrome Respiratória do Oriente Médio


O vírus causador
O vírus causador

A síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS), também chamada de síndrome respiratória coronavírus do Oriente Médio, trata-se de uma desordem que foi identificado pela primeira vez em abril de 2012 na Arábia Saudita, que têm se propagado com rapidez e que apresenta elevada mortalidade, de acordo com estudos realizados em hospitais sauditas.
De abril de 2012 a junho de 2013, foram registrados 64 casos da MERS, dos quais 38 pacientes faleceram, o que representa uma mortalidade de 59%.
O vírus da MERS pertence à mesma família do vírus responsável pela síndrome da angústia respiratória (SARS), que causou aproximadamente 800 mortes no ano de 2003.
A contaminação ocorre por meio de perdigotos expelidos durante tosse ou espirros e também através do contato físico com um indivíduo infectado, como durante aperto de mãos ou abraço. Além disso, o vírus pode espalhar-se por fômites ou superfícies contaminadas.
A incubação deste coronavírus dura em torno de quatro dias. As manifestações clínicas iniciam-se com febre alta e tosse branda, que pode persistir por vários dias, podendo evoluir para pneumonia. Alguns pacientes também podem apresentar sintomas gastrointestinais.
Para o estabelecimento do diagnóstico é recomendado obter amostras de secreções das vias aéreas inferiores, sempre que possível.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças Americano emitiu um comunicado pata todos os hospitais do país para manterem-se atentos aos pacientes que apresentam sintomas de gripe e que passaram recentemente pelo Oriente Médio.
Até o momento não existe tratamento e nem controle específicos para o vírus da MERS. A recomendação dos médicos é lavar as mãos com água e sabão frequentemente, especialmente após o contato com ambientes públicos, não tocar nos olhos, na boca ou no nariz, bem como evitar o contato com pessoas doentes.

8529 – Microbiologia – Vírus H7N9


O H7N9 consiste no vírus influenza subtipo A, responsável, em geral, por levar à influenza aviária, também chamada de gripe aviária. Ocasionalmente, variantes desse vírus podem acometer os seres humanos. O primeiro caso em humanos foi descrito, na China, no ano de 2013.
O vírus H7N9 pode ser dividido em dois subtipos distintos, de acordo com a proteína presente na superfície desse agente: hemaglutinina (HA) e neuraminidase (NA).

Comumente, a infecção em humanos causa uma doença respiratória severa. Um mês após o relato do primeiro caso, mais de 100 indivíduos tinham sido infectados pelo vírus, uma taxa consideravelmente alta para uma infecção nova, sendo que um quinto dos pacientes evoluiu para óbito, um quinto se recuperaram e o resto ficou gravemente doente. A Organização Mundial da Saúde classificou o vírus H7N9 como um agente altamente perigoso para os seres humanos. Estima-se que a taxa de mortalidade, independente da faixa etária, é de 36%.
Ainda não se sabe ao certo como ocorre a transmissão desse vírus para os humanos. Contudo, acredita-se que esteja relacionado com a convivência com aves de granja ou silvestres. Até o momento, há pouca evidência de que o vírus se espalhe com facilidade entre os humanos. No entanto, essa possibilidade não foi descartada pelos pesquisadores, uma vez que alguns poucos casos aparentemente resultaram de um contato íntimo com um indivíduo infectado.
Este vírus foi relatado apenas na China. De acordo com a OMS, até o início de junho de 2013, 132 casos foram confirmados por meio de testes laboratoriais. A maior parte dos casos tem sido relatada em homens de meia-idade, sendo que a maioria havia entrado em contato com aves de granja.
As manifestações clínicas incluem febre, tosse e dispneia, que pode evoluir para pneumonia severa. Além disso, o vírus pode sobrecarregar o sistema imune, resultando em uma cascata de citocinas (hipercitocinemia), que é uma reação imunológica potencialmente fatal. Sepse e falência de órgãos também podem ocorrer. Pesquisas indicam que a maior parte dos pacientes com a gripe aviária que faleceram foi em decorrência da síndrome da angústia respiratória (SARS) ou falência múltipla de órgãos.
O diagnóstico laboratorial é feito coletando-se secreção nasofaríngea do indivíduo potencialmente infectado. Essa amostra deve ser mantida em temperatura adequada (4°C) e enviada ao laboratório. Têm sido realizadas muitas pesquisas visando conceber um teste de diagnóstico mais sensível ao vírus H7N9, para que não haja reação cruzada com outros vírus relacionados.
Estudos sugerem que o vírus H7N9 é sensível aos inibidores de neuraminidase, como, por exemplo, o oseltamivir e o zanamivir.
Até o momento não existe nenhuma vacina contra o vírus que causa a gripe aviária. Todavia, existem pesquisas para tal.