13.270 – Biologia – O Faro do Cão


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Muitos são treinados para auxiliar em operações de busca e resgate e de apreensão de drogas. Mas, além de desempenhar muito bem essas atividades, os cachorros também são — ou já foram — empregados para farejar muitas outras coisas, sendo que algumas delas são bem estranhas.
Os cães podem ser treinados para detectar um elemento chave na fabricação de DVDs. Tanto que os animais estão sendo utilizados por policiais no combate à pirataria em locais como o sudeste asiático. Os dois cachorros da imagem, por exemplo, ajudaram as autoridades a apreender um carregamento avaliado em US$ 3 milhões (cerca de R$ 6,7 milhões), levando criminosos malaios a oferecer US$ 30 mil (ou R$ 66 mil) como recompensa pela captura da dupla.
Apesar de não ser o material mais agradável do mundo, o cocô de baleia é utilizado por pesquisadores para monitorar as condições de saúde desses animais. O problema é que, ao contrário do que você possa imaginar, as fezes das baleias não ficam boiando por aí, indo parar no fundo do mar apenas meia hora depois de serem liberadas.
Para ajudar na coleta, alguns cães estão sendo treinados para detectar o cheiro do cocô, e alguns conseguem rastrear o odor a distâncias superiores a 1,5 quilômetro, indicando a localização dos dejetos aos cientistas.
É muito comum que grandes produtores lancem mão da inseminação artificial quando o assunto é aumentar o rebanho. Mas algumas vezes o sêmen utilizado é proveniente de touros famosos, e o custo desse material pode ser exorbitante. Assim, para evitar o desperdício, alguns fazendeiros começaram a utilizar cães especialmente treinados para farejar quando as vacas estão no cio, e alguns deles são melhores do que os touros em detectar o momento certo.
Não é nenhuma novidade que os cães são capazes de detectar uma série de cheiros liberados pelo organismo humano, e alguns estão sendo treinados para ajudar no diagnóstico de doenças como o câncer e o diabetes. No primeiro caso, segundo os pesquisadores, as células cancerígenas apesentam um odor específico, e pacientes com alguns tipos de câncer — como o de mama, pulmão e bexiga — podem liberar esse cheiro através do hálito. Sendo assim, os cachorros estão sendo adestrados para farejar a doença.
Já no caso do diabetes, os animais podem ser treinados para alertar os doentes quando a glicose atinge níveis perigosos, e alguns cães podem inclusive prever a ocorrência de ataques e até mesmo buscar o kit de insulina para os donos.
É evidente que o melhor amigo do homem é capaz de identificar o cheiro de inimigos, mas você sabia que os cães participaram ativamente durante a Guerra do Vietnã, ajudando os soldados norte-americanos a encontrar soldados vietcongues, armas, túneis e até armadilhas? Aliás, não é de hoje que os animais são empregados para atuar ao lado de militares, e existem registros de cachorros atuando em combates desde a antiguidade.

13.250 – Biologia – A Tartaruga-das-galápagos


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O nome científico é Chelonoidis nigra (Quoy & Gaimard, 1824), é uma espécie de tartaruga da família Testudinidae, endêmica do arquipélago de Galápagos, no Equador.
É a maior espécie de tartaruga terrestre existente e o 10º réptil mais pesado do mundo, podendo chegar a 400 kg, com um comprimento de mais de 1,8 m. É também um dos vertebrados de vida mais longa. Um exemplar mantido em um zoológico australiano, chamado Harriet, atingiu a idade de 170 anos. São conhecidas várias subespécies, embora sua classificação seja polêmica. São herbívoras e se alimentam de, frutas, líquens, folhas e cactos.
Desde o descobrimento do arquipélago no século XVI elas foram caçadas intensamente para alimentação, especialmente de marinheiros, e seu número original, que se calcula em torno de 250 mil indivíduos, decaiu para pouco mais de 3 mil na década de 1970. Outros fatores também contribuíram para o declínio acentuado, como a introdução de novos predadores pelo homem e a destruição de seu habitat. Em breve começaram a ser realizados projetos de recuperação das populações, e hoje o total de indivíduos chega a quase 20 mil. Mesmo assim ainda é considerada uma espécie vulnerável pela IUCN. Pelo menos duas subespécies já foram extintas – C. n. abingdoni e C. n. nigra – e somente dez das cerca de quinze originais ainda existem em liberdade.
As características morfológicas da carapaça óssea das tartarugas-das-galápagos variam de acordo com o ambiente de cada ilha. Esta variabilidade permite subdividir a espécie em vários subtipos, cada um característico de uma ilha, ou de uma parte dela. Esta diversidade morfológica foi reconhecida por Charles Darwin, durante a sua visita ao arquipélago em 1835, e foi um dos argumentos para a sua teoria da evolução das espécies.
As Ilhas Galápagos foram descobertas em 1535, mas só foram incluídas nos mapas em torno de 1570.
A primeira pesquisa sistemática sobre esses animais foi realizada em 1875 por Albert Günther, associado ao Museu Britânico. Ele identificou pelo menos cinco populações diferentes nas ilhas Galápagos, e três nas ilhas do oceano Índico. Em 1877 a sua lista foi expandida para cinco populações nas Galápagos, quatro nas ilhas Seychelles e quatro nas ilhas Mascarenhas. Günther imaginava que todas derivavam de uma única população ancestral que havia se dispersado através de pontes de terra mais tarde submersas.
Sua teoria foi refutada quando se compreendeu que as Galápagos, bem como as Seychelles e as Mascarenhas, eram ilhas de formação vulcânica recente, e jamais haviam sido interligadas por pontes de terra. Hoje se acredita que as tartarugas-das-galápagos provêm de um ancestral sulamericano. No fim do século XIX Georg Baur e Walter Rothschild reconheceram a existência de mais cinco populações.
Em 1906 a Academia de Ciências da Califórnia coletou espécimens os confiou a John Van Denburgh para que os estudasse, resultando identificadas quatro populações adicionais e postulando a existência de quinze espécies diferentes.
Hoje sobrevivem na natureza apenas cerca de dez subespécies – o número exato também é polêmico. Charles Darwin visitou as ilhas em 1835, a tempo de ver cascos dos últimos representantes da subespécie Chelonoidis nigra nigra, supostamente extinta na década de 1850. Em 24 de junho de 2012 a subespécie Chelonoidis nigra abingdoni foi extinta com a morte do último exemplar, conhecido como “Jorge Solitário”.

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Último exemplar da espécie extinta

13.231 – Biologia – Como a evolução transformou os gatos em animais solitários


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A vida em grupo é comum na natureza. Pássaros formam bandos e peixes, cardumes. Predadores frequentemente caçam juntos. Até mesmo o leão, parente do gato doméstico, vive em grupo.
Para as espécies que são caçadas por outras, obviamente há uma estratégia de maior segurança em um bando. “Chama-se efeito de diluição”, diz o biólogo Craig Packer, da Universidade de Minnesota (EUA).
“Um predador só consegue matar um, e se há cem da mesma espécie isso reduz as chances de cada um deles ser pego para 1%. Mas se você estiver sozinho você será escolhido 100% das vezes.”
Animais em bando também se beneficiam do efeito “muitos olhos atentos”: quanto maior o grupo, é mais provável que alguém perceba um predador se aproximando. “E quanto mais cedo você detectar o predador, mais tempo tem para iniciar a fuga”, diz Jens Krause, da Universidade de Humboldt em Berlim, Alemanha.
Essa vigilância coletiva traz outras vantagens. Cada um pode gastar mais tempo e energia procurando por comida. E não se trata apenas de evitar predadores. Animais que socializam em grupos não precisam perambular em busca de companheiros, o que é um problema para espécies solitárias que vivem em territórios amplos.
Uma vez que se reproduzem, muitos animais que vivem em grupo adotam a máxima “é necessária uma aldeia inteira para criar uma criança”, com os adultos trabalhando em equipe para proteger ou alimentar os mais novos.
Em várias espécies de pássaros, como a zaragateiro-árabe de Israel, os pequenos permanecem em grupos de familiares até que eles estejam prontos para procriar. Eles dançam em grupo, tomam banho juntos e até trocam presentes entre si.
Viver em grupo também poupa energia. Os pássaros que migram juntos ou os peixes que vivem em cardumes se movimentam com mais eficiência do que os mais solitários.
É o mesmo princípio que os ciclistas da Volta da França utilizam quando formam um pelotão. “Os que estão mais atrás não precisam investir tanta energia para atingir a mesma velocidade de locomoção”, diz Krause.
Como pinguins e morcegos podem atestar, a vida pode ser mais calorosa quando se vive cercado de amigos.
Com tantos benefícios, pode parecer surpreendente que qualquer animal rejeite seus companheiros. Mas, como os gatos domésticos demonstram, a vida em grupo não é para todos. Para alguns animais, os benefícios da coletividade não compensam ter que dividir comida.
Um fator-chave para essa decisão é ter alimentação suficiente, o que depende de quanta comida cada animal precisa. E os gatos têm um gosto caro. Por exemplo, um leopardo come cerca de 23 kg de carne em poucos dias. Para gatos selvagens, a competição por alimentos é cruel, e por isso leopardos vivem e caçam sozinhos.
Há uma exceção à regra de felinos solitários: leões. Para eles, é uma questão territorial, diz Packer, que passou 50 anos de sua vida estudando os leões africanos. Alguns locais da savana têm emboscadas perfeitas para a caça, então controlar esse lugar resulta em uma vantagem significativa em termos de sobrevivência.
O que torna essa vida em grupo possível é que a presa de um único leão –um gnu ou uma zebra– é grande o bastante para alimentar várias fêmeas de uma vez só. “O tamanho da caça permite que eles vivam em grupos mas é a geografia o que realmente os leva a viver em grupos”, diz Packer.
Não é a mesma situação dos gatos domésticos, já que eles caçam animais pequenos. “Eles vão comê-lo inteiro”, diz Packer. “Não há comida o suficiente para dividir.”
Essa lógica econômica está tão integrada ao comportamento dos gatos que parece improvável que até mesmo a domesticação tenha alterado essa preferência fundamental por solidão.
Isso é duplamente verdade quando você leva em consideração o fato de que os humanos não domesticaram os gatos. Em vez disso, em seu próprio estilo, os gatos domesticaram a si mesmos.
Todos os gatos domésticos são descendentes dos gatos selvagens do Oriente Médio (Felis silvestris), o “gato-do-mato”. Os humanos não coagiram esses gatos a deixar as florestas: eles mesmos se convidaram a entrar nos alojamentos de humanos, onde havia uma quantidade ilimitada de ratos ao seu dispor.
A invasão a essa festa de ratos foi o início de uma relação simbiótica. Os gatos adoraram a abundância de ratos nos alojamentos e depósitos e os humanos gostaram do controle grátis da infestação de ratos.
Os gatos domésticos não são completamente antissociais. Mas sua sociabilidade –em relação a outro humano ou entre eles– é determinada inteiramente por eles, em seus próprios termos.
Aliás, mesmo diante de um grande perigo, quando eles se unem para se defender, é pouco provável que os gatos colaborem entre si. “Não é que algo que eles tipicamente façam quando se sentem ameaçados”, diz Monique Udell, bióloga da Universidade de Oregon (EUA).
É preciso dizer que os gatos domésticos trilharam um longo caminho a partir de seus ancestrais até aqui em termos de tolerar a companhia um do outro. Mesmo que gatos morando em galpões formem laços frouxos, eles ainda demonstram um nível impressionante de aceitação da presença do outro nesses espaços confinados.
Em Roma, cerca de 200 gatos vivem lado a lado no Coliseu, enquanto na ilha de Aoshima, no Japão, o número de gatos supera o de pessoas em uma proporção de seis para um. Essas colônias podem não ter tanta cooperação, mas estão bem avançadas em relação ao passado solitário dos gatos domésticos.
Enquanto isso, pode ser mais fácil para pesquisadores encontrar os gatos “no meio do caminho” ao realizar seus experimentos, fazendo certas concessões.
Quando Udell fez suas primeiras experiências com gatos, enfrentou uma série de dificuldades ao tentar motivar suas cobaias a participar de certa atividade. Ela já havia trabalhado com cachorros, que estariam dispostos a fazer qualquer coisa em troca de um petisco.
Os gatos, contudo, eram mais exigentes. Com o passar do tempo, Udell percebeu que teria mais sucesso se desse aos gatos a opção de escolher sua recompensa.

13.198 – Biologia – A Inteligência Animal


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Na floresta Kibale, em Uganda, uma família de chimpanzés se alimenta no alto de uma figueira. Ao terminar a refeição, mãe e dois filhos pulam para outra árvore. Mas falta coragem à filhote caçula, que fica onde está. Paralisada, ela começa a gritar. Para ajudá-la, a mãe se aproxima da cria e balança a figueira para os lados, até aproximá-la da árvore vizinha. Ela então agarra um ramo e com o corpo forma uma ponte natural por onde a macaquinha atravessa sã e salva.
A cena foi presenciada em 1987 pelo psicólogo Marc Hauser, da Universidade Harvard, que ficou maravilhado. Teria sido intencional? Será que a mãe visualizou a imagem de seu corpo formando a ponte? Ou será que só estava tentando ensinar a filhote a saltar, e ela espertamente aproveitou a chance?
Para quase todos nós, o encantamento com bichinhos fofos que parecem agir de caso pensado torna fácil trocar as interrogações acima por pontos finais. Pesquisadores como Hauser, no entanto, têm se dedicado a encontrar respostas científicas para decifrar a inteligência animal. Eles querem entender o que realmente se passa na mente dos bichos. E como esses processos acontecem. Uma baleia pode ter cultura? Macacos são capazes de traçar estratégias de caça ou construir ferramentas? Insetos têm memória?
Consenso existe apenas para o ponto de partida. De acordo com César Ades, um dos maiores especialistas em comportamento animal do Brasil, cientistas acreditam que a capacidade de pensar pode ter surgido independentemente em vários animais, e não somente nos mais próximos dos humanos na cadeia evolutiva. Até aí, tudo bem. Mas quais tipos de comportamentos podem ser apontados como frutos dessa habilidade? “A melhor definição para inteligência é a habilidade de resolver problemas”, afirma o pesquisador Culum Brown, da Universidade de Edimburgo, na Escócia.
Em seu livro Wild Minds (“Mentes Selvagens”, sem tradução para o português), Marc Hauser propõe que vários aspectos da nossa cognição são encontrados nos outros animais. É o que ele chama de “kit de ferramentas”, um conjunto de habilidades como reconhecer a função de um objeto, ter noção de quantidade e de direção. A partir daí, os animais evoluíram de acordo com suas necessidades. “Cada espécie é ‘esperta’ à sua maneira, porque evoluiu respondendo a pressões diferentes. Não podemos compará-las”, diz o pesquisador Eduardo Ottoni, da USP. A maioria é, de modo geral, equipada com mecanismos de aprendizado que podem ocorrer por dedução ou tentativa e erro e se espalhar por imitação ou pelo ensinamento entre indivíduos. Mas para alguns animais foi mais vantajoso manter-se baseado apenas no instinto. Outros tiveram de aprimorar o kit diante de dificuldades, modificar seu comportamento e transmiti-lo para as próximas gerações. Foi o que aconteceu com os humanos. Mas, se olharmos de perto, macacos, cachorros e corvos têm em seus kits ferramentas muito parecidas com as dos humanos. As nossas até podem ser mais sofisticadas, mais complexas. Mas as deles funcionam perfeitamente para o que eles precisam.

Memória
Quando o estúdio Pixar colocou no filme Procurando Nemo uma peixinha que esquecia tudo em poucos segundos, estava brincando com uma idéia que por muito tempo existiu na comunidade científica: peixes teriam memória de apenas três segundos. Estudos recentes mostram que isso é balela. Esses animais são capazes de lembrar e ainda guardam as informações a longo prazo. Foi o que comprovou o pesquisador Culum Brown. Ele prendeu um grupo de peixes arco-íris australianos num tanque e os treinou para encontrar uma saída. Após cinco tentativas, todos conseguiam achá-la. Onze meses depois, o pesquisador refez o teste. Dessa vez, os peixes localizaram a saída na primeira tentativa.
Graças à memória, peixes também reconhecem outros indivíduos. Ao presenciar uma luta, o animal não apenas retém informações, como cria um ranking de lutadores. No futuro, ele evitará brigas com os fortões. Cardumes também são capazes de aprender e memorizar a se desvencilhar de redes ou então viajar em formações que os protegem de predadores.
Traços de memória também foram detectados numa das últimas espécies em que se esperaria encontrar essas características: as aranhas. Antes vistas como um daqueles animais para quem manter-se atrelado ao instinto teria sido mais útil, elas têm surpreendido os cientistas. Um estudo a apontar nesse sentido foi feito por César Ades, que analisou a reação da aranha-dos-jardins (Argiope argentata). De um modo geral, quando um inseto cai na teia, a aranha libera um veneno paralisante e envolve a presa com fios de seda para levá-la ao centro da teia, onde vai devorá-lo. Se nesse tempo outro animal for capturado, a aranha deixa a primeira presa amarrada e corre até a nova para repetir o procedimento. César descobriu que, para reencontrar a primeira presa, a aranha depende da memória. Para chegar a essa conclusão, ele retirou uma mosca amarrada na periferia. E percebeu que a aranha, sem contar com a ajuda de um marcador, como o feromônio utilizado pelas formigas, retornava exatamente ao local onde a presa estava originalmente.

Comunicação
Quem tem cachorro costuma ter uma frase na ponta da língua para se gabar da destreza do seu animal: “É tão inteligente que só falta falar”. É verdade que os cães continuam nos devendo um bate-papo, mas comunicar o que querem e entender o que as pessoas estão lhes dizendo já parecem fazer parte de suas habilidades.
Recentemente dois animais ficaram famosos: o border collie alemão Rico, de 10 anos, que consegue entender cerca de 200 palavras, e Sofia, uma legítima vira-lata “puro-sangue” brasileira de 3 anos, que demonstra o que deseja por meio de um painel com diversos símbolos.
Pesquisadores descobriram que Rico não só decorou os nomes de seus brinquedos como também é capaz de pegar, em meio a objetos familiares, um outro que não conhecia, após ouvir seu nome. A conclusão é que ele conseguiu associar a palavra nova ao objeto diferente. Os cientistas agora querem desenvolver uma mini-sintaxe com o cachorro e testar se ele entende frases mais complexas, como “pegue a bola e coloque na casinha”.
Essa também é a meta do grupo de pesquisadores brasileiros que está trabalhando com Sofia. A cadelinha manuseia um painel de símbolos. Para receber carinho, comer, passear, brincar, beber água, fazer xixi ou ir para a casinha ela aperta a tecla correspondente, que emite um som com a ação. É uma capacidade que seres humanos geralmente adquirem por volta dos 3 anos de idade.
Em outras ocasiões, Sofia foi capaz de combinar símbolos para se comunicar, como quando o zootecnista Alexandre Rossi, seu dono e treinador, escondeu um osso dentro da casinha. Inicialmente, a cadela apertou a tecla brinquedo. Ao perceber que o osso havia sido escondido, Sofia apertou a tecla da casinha e logo em seguida a de brinquedo.
Sofia domina um vocabulário razoavelmente menor que o de Rico. Mas seus treinadores acreditam que ela esteja um passo à frente. Os pesquisadores conseguiram juntar um verbo e um objeto em suas ações. Ela entende, por exemplo, as diferenças entre “apontar casa” e “buscar a bola”. Agora eles testam se ela sabe distinguir marcações de espaço nessas ações, como “em cima”, “embaixo”, “direita” e “esquerda”.

Cultura
Imo é uma macaquinha especial. Sozinha, ela criou comportamentos que mudaram o estilo de vida de uma espécie japonesa (Macaca fuscata) da ilha de Koshima. No começo da década de 50, pesquisadores perceberam que ela, por alguma razão, passou a lavar a batata-doce antes de levá-la à boca. Até então, os animais simplesmente enfiavam o alimento na boca com terra e tudo. Gradualmente o comportamento se espalhou na comunidade. Após algum tempo, vários dos filhotes já repetiam a técnica, visível hoje entre quase toda a população da ilha de Koshima.
Imo, que em japonês quer dizer batata-doce, não parou por aí. Alguns anos depois ela arrumou um jeito de peneirar o trigo que era espalhado na areia pelos pesquisadores que observavam o grupo. Inicialmente os macacos pegavam os grãos um a um, e demoravam um tempão. Mas um dia Imo teve a brilhante idéia de pegar um punhado de trigo e areia e levar até a água. A vantagem da técnica foi clara: a água facilmente separava os grãos da areia, e ela pôde comer tranqüilamente. Assim como as batatas, a lavagem do trigo não demorou para se espalhar pelo grupo.
Lavar batatas não é como escrever livros ou cantar ópera. Mas o que Imo fez – desenvolver um novo comportamento e depois repassá-lo aos seus semelhantes – é algo que pesquisadores nem cogitavam ser possível duas décadas atrás. Ela transmitiu cultura.
Outro exemplo bacana é um caso curioso observado entre baleias-jubartes da costa australiana, espécie em que os machos emitem um som musical provavelmente para atrair as fêmeas. Uma verdadeira revolução cultural teve lugar por lá quando, em 1987, um grupo de cantores do Pacífico Sul abandonou totalmente sua melodia para adotar a de colegas do oceano Índico. A mudança ocorreu após um perído de convivência entre os dois bandos. Aparentemente, alguns “menestréis” que viviam na região do Pacífico se deram conta de que os colegas do Índico faziam mais sucesso com as meninas. E tudo isso graças ao canto deles. A solução foi mudar a música para não ficar no atraso com a baleiada.

Planejar estratégias
Chimpanzés que habitam a floresta Taï, na Costa do Marfim, usam um sistema de caça que se assemelha à tática de um time de futebol quando querem capturar sua refeição favorita, o macaco-colobo-vermelho. Como a presa é menor, mais rápida e pode se refugiar em locais inacessíveis aos chimpanzés, os primatas desenvolveram um modo de agir em equipe para conseguir encurralá-lo.
Para isso, dividem-se em pelo menos quatro funções: o condutor, que persegue a vítima, direcionando seu caminho; o bloqueador, que sobe nas árvores para fechar as opções de fuga; o perseguidor, que seleciona o alvo e tenta a captura em movimentos rápidos; e o responsável pela emboscada, cuja missão é prever o trajeto do colobo e bloquear suas rotas. Esse último é uma espécie de centroavante do time, que se antecipa ao adversário para finalizar a jogada.
O “centroavante” é sempre um animal com mais experiência – o domínio da arte da caça leva cerca de 20 anos. Quanto mais velho, mais o chimpanzé é capaz de fazer antecipações e de menos movimentos ele precisa para atingir seu objetivo. Futebolisticamente falando, ele é uma espécie de Romário. Toca pouco na bola, mas quando o faz, quase sempre está bem colocado e marca o gol.
Também as guerras entre esses animais possuem táticas avançadas. Chimpanzés são capazes de variar estratégias de acordo com o adversário e o time à disposição para a partida. Quanto menor o exército, mais defensiva será a tática. Mas, se o bando for numeroso, a opção é fazer um ataque frontal e impactante. Também há operações em que fêmeas, jovens e idosos ficam na retaguarda, batucando e gritando, para criar a impressão de que a tropa de machos é mais numerosa. E, se as forças são iguais, geralmente um lado faz o movimento e aguarda a resposta do rival. Nesse caso, grupos de chimpanzés invadem o território inimigo para espalhar o terror e assustar rivais que perambulam desacompanhados. Em algumas ocasiões esse tipo de comando foi visto aprisionando e torturando fêmeas isoladas.

Uso de ferramentas
Pesquisadores que observam grandes primatas em florestas da África já flagraram esses animais usando todo tipo de ferramenta. Para coletar frutos em árvores espinhosas, calçam ramos lisos sob os pés, como se fossem sandálias. Outros aproveitam folhas largas como almofadas para sentar no chão úmido sem molhar o traseiro. Enfiar galhos em cupinzeiros para pegar os insetos também é freqüente. Em um nível mais avançado, alguns animais usam pedras como bigorna e martelo para abrir nozes ou coquinhos – uma pedra maior relativamente plana serve de base, onde é posicionado o fruto, que é golpeado com uma pedra menor.
A surpresa veio quando cientistas observaram que não eram apenas os grandes primatas que dominavam esse tipo de técnica. Pequenos macacos-pregos também eram capazes de usar rochas para quebrar cascas e transmitir esse conhecimento para o grupo. A descoberta gerou uma dúvida. Ao observar a habilidade em chimpanzés, imagina que ela tenha surgido em algum momento da evolução dos macacos que deram origem aos hominídeos. Mas o macaco-prego subverte essa idéia. Como poderia um animalzinho separado da nossa linhagem na evolução há mais de 40 milhões de anos aprender a usar ferramentas? Para o pesquisador da USP Eduardo Ottoni, que descobriu a proeza dos macacos-pregos no Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo, não deveríamos considerar o fato com estranheza, mas sim pensar em quais pressões no processo seletivo promoveram tal desempenho. Mais uma vez, é a espécie se adequando às necessidades que o meio impõe.
Se os pregos surpreenderam os cientistas, que dizer então de corvos da Nova Caledônia, na Oceania, que se mostraram capazes de manipular pequenos ramos para pegar insetos em buracos estreitos? O desempenho desses animais na natureza já era considerado incrível por conta da utilização de ferramentas naturais para se alimentar. Mas o que fez a fama deles foi um teste de laboratório na Universidade de Oxford em 2002. Enquanto estudava alguns corvos, o pesquisador Alex Kacelnik flagrou a fêmea Betty criando uma ferramenta. Com o intuito de comer um pedaço de alimento colocado no fundo de um tubo de ensaio, ela transformou em gancho um arame que estava por perto. O feito ganhou destaque porque levantou a suspeita de que talvez Betty compreendesse a conseqüência do ato. “Convivemos nesse planeta com animais pensantes”, diz Marc Hauser. “Cada espécie, com sua mente única, favorecida pela natureza e moldada pela evolução, é capaz de enfrentar os mais fundamentais desafios que o mundo apresenta. Apesar de a mente humana deixar uma marca característica no planeta, nós certamente não estamos sozinhos nesse processo”, afirma ele. A natureza pode ser mais sábia do que parece.

13.188 – Veterinária – Gatos: Por que tanto barulho no acasalamento?


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As gatas começam a miar em alto volume já quando entram no cio para chamar atenção dos machos.Mas, essa gritaria toda tem um motivo. Alguns gatos que não foram castrados possuem o órgão genital espinhoso e isso acaba fazendo com que a gata sinta muita dor.
A função desses espinhos ainda não é muito clara, mas pensa-se que sirvam para estimular a ovulação de suas parceiras.Portanto, os espinhos podem desempenhar um papel importante na fecundação e reprodução desses animais. Quando acontece de um gato ser castrado ainda muito jovem os espinhos não se desenvolvem completamente, pois eles se formam a partir de estímulos hormonais.

13.170 – A raça de cães mais antiga e rara do mundo foi redescoberta na natureza


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De acordo com a análise de DNA, estes são os mais antigos canídeos existentes.
Uma recente expedição à área resultou em mais de 100 fotografias de pelo menos 15 indivíduos selvagens, incluindo machos, fêmeas e filhotes, florescendo em isolamento e longe do contato humano.
“A descoberta e confirmação deste cão selvagem pela primeira vez em mais de meio século não é apenas empolgante, mas uma oportunidade incrível para a ciência”, disse em um comunicado o grupo por trás da descoberta, o New Guinea Highland Wild Dog Foundation.
Se você não está familiarizado com essas criaturas, esses cães selvagens só eram estimados a partir de duas fotografias promissoras, mas não confirmadas, feitas em 2005 e 2012.
Eles não tinham sido documentados com certeza em seu ambiente nativo há mais de meio século, e os especialistas temiam que tivessem sido extintos.
Conduzida pelo zoólogo James K McIntyre, a expedição se reuniu com pesquisadores locais da Universidade de Papua, que também estavam na trilha dos cães.
Uma cópia enlameada de uma pata em setembro de 2016 finalmente iluminou o caminho de todos, oferecendo evidências de que os animais ainda vagavam as florestas densas das montanhas, 3.460 a 4.400 metros acima do nível do mar.
Esses animais são mais comumente dourados, mas também existem em tons mais escuros e amarelados. Suas caudas são altas e em forma de gancho, como as de um Shiba Inu. Em todos os indivíduos observados até agora, as orelhas são eretas e triangulares.
A pesquisa sobre esses animais ainda está em andamento, e um artigo científico sobre a descoberta será lançado nos próximos meses.
A boa notícia é que os pesquisadores estão otimistas sobre suas chances de sobrevivência. Empresas de mineração locais precisaram tomar medidas especiais de proteção ambiental para preservar o ecossistema em torno de suas instalações, o que significa que inadvertidamente criaram um santuário no qual os cães selvagens puderam prosperar. [ScienceAlert]

13.106 – Mundo Cão – Brasil tem 30 milhões de animais abandonados


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Fonte: Folha

O abandono de animais é um problema global. A estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de que cerca de 30 milhões de cães e gatos vivam em situação de abandono no Brasil. Em São Paulo, apesar de não haver números oficiais, mais de 500 animais são recolhidos todos os meses por ONGs e instituições de proteção.
Para alertar a população sobre os riscos do abandono de animais de estimação para a saúde pública e dos próprios bichinhos, o CRMV-SP (Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo) lança a campanha ‘Quando a gente gosta é claro que a gente cuida’. O nome da ação é trecho da música “Sozinho”, do compositor Peninha, que cedeu os direitos autorais.
Abandono e maus-tratos são crimes previstos em lei, mas poucos casos são denunciados e se tornam processo
Os animais abandonados estão mais suscetíveis a maus-tratos, a acidentes e, principalmente, a doenças, que podem ser, inclusive, uma ameaça para outras espécies, como animais silvestres, e para a saúde humana. Segundo a OMS, mais de 70% das doenças emergentes e reemergentes são provenientes de animais, ou seja, são zoonoses.

13.098 – Biologia – A Pulga


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CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA:
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Siphonaptera

INFORMAÇÕES IMPORTANTES:
– A pulga é um tipo de inseto extremamente ágil, podendo pular, aproximadamente, 30 cm de altura.

– É uma espécie de inseto, embora não possuam asas.

– As pulgas são parasitas, pois vivem do sangue de mamíferos e aves.

– Podem transmitir doenças como, por exemplo, o tifo (febre tifóide) e a peste bubônica (também conhecida como peste negra na Idade Média).

– A fêmea costuma depositar os ovos em vãos e pequenos buracos da casa.

– Existem mais de duas mil espécies de pulgas conhecidas e catalogadas por cientistas.

– O tempo de vida de uma pulga pode chegar a 4 meses.
Os cães e gatos são os hospedeiros preferidos das pulgas.

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:

Comprimento: de 0,2 a 0,4 cm

Cor: castanho claro ou escuro

Habitat: praticamente todas as regiões do mundo

Gestação: a fêmea pode botar até 20 ovos num único dia, por 21 dias consecutivos.

13.070 – Biologia – Saiba por que cachorros grandes vivem pouco


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Na maioria dos mamíferos, quanto maior o tamanho do animal, maior é a sua expectativa de vida. No caso dos cães, no entanto, essa lógica é invertida. Cachorros menores tendem a viver mais do que os de grande porte – e uma pesquisa apresentada durante o encontro anual da Sociedade para Biologia Integrativa e Comparativa, que ocorreu em Los Angeles, nos Estados Unidos, parece ter encontrado o motivo. A causa mais provável é que a maior concentração de radicais livres de oxigênio presente nos filhotes de raças grandes esteja diminuindo sua expectativa de vida.
Radicais livres
Para conseguir energia suficiente para crescer e realizar suas atividades, o corpo precisa quebrar nutrientes presentes no alimento ingerido. Porém, quando isso acontece, algumas moléculas chamadas de radicais livres também são fabricadas no processo – moléculas instáveis que apresentam um elétron e reagem facilmente, podendo oxidar. O problema desses subprodutos é que eles podem danificar as membranas das células e eventualmente contribuir para o desenvolvimento de câncer e outras doenças. Alguns estudos também sugerem que eles podem contribuir para o envelhecimento, embora essa afirmação ainda não seja consenso entre especialistas.
No intuito de comprovar a teoria de que a diferença na expectativa de vida entre os cães de diferentes tamanhos está ligada a esse processo, Josh Winward e Alex Ionescu, da Universidade Colgate, nos Estados Unidos, decidiram recorrer a testes de laboratório. Eles coletaram oitenta amostras de pele extraídas de partes da orelha, almofadas das patas e rabos de filhotes e adultos de raças grandes e pequenas. Em seguida, cultivaram células desses tecidos e, com a ajuda da fisiologista animal Ana Jimenez, também da universidade, fizeram análises.
Os dados obtidos mostraram que as células de cães adultos apresentavam uma produção de energia e radicais livres parecida, independentemente do tamanho de raça, enquanto no caso dos filhotes a quantidade desses elementos era maior nos de grande porte. Segundo os pesquisadores, isso ocorre porque filhotes de raças maiores têm um metabolismo mais acelerado, já que precisam de mais energia para crescer em comparação aos cães menores – e, mesmo com pouco tempo de vida, os radicais livres já podem causar prejuízos a longo prazo nos animais.
Os resultados são preliminares, porém, se estiverem corretos, os cientistas esperam que, no futuro, possam desenvolver suplementos de antioxidantes (que combatem os radicais livres) para aumentar a expectativa de vida dos cães de grande porte. A ideia da equipe é neutralizar o excesso da substância antes que ela prejudique o desenvolvimento dos filhotes.

12.978 – Profissões – O que faz um técnico patologista?


amostras-biolgicas
Técnico de laboratório de análises clínicas, no Brasil, é um profissional com formação de nível médio. Não existe uma nomenclatura unificada para denominação deste profissional, podendo ser chamado de técnico em patologia clínica, técnico em citologia, técnico em análises laboratoriais, etc., o que pode gerar conflitos de nomes. Este profissional auxilia e executa atividades padronizadas de laboratório – automatizadas ou técnicas clássicas – necessárias ao diagnóstico, nas áreas de parasitologia, microbiologia médica, imunologia, hematologia, bioquímica, biologia molecular e urinálise. Colabora, compondo equipes multidisciplinares, na investigação e implantação de novas tecnologias biomédicas relacionadas às análises clínicas, entre outras funções.
A profissão está descrita na Classificação Brasileira de Ocupações, assim como está na Lei Federal 3820/61, que cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Farmácia, e dá outras providências legais;
A função do profissional de nível superior (na qual se enquadram o biólogo, biomédico, o farmacêutico-bioquímico e o médico patologista clínico) é a de supervisionar e se responsabilizar pelo controle de qualidade e correção nos trabalhos relacionados à bancada laboratorial, liberação dos laudos, perícias e liberação dos resultados técnicos, assinando pelos resultados e assumindo as responsabilidades civis e penais sobre os seus atos. Já o técnico em patologia clínica é o responsável pela execução, sempre sobre a orientação e coordenação de um profissional de nível superior.
É de sua função além dos trabalhos de bancada em análises clínicas o controle de qualidade de medicamentos, produção de imunobiológicos, controle de qualidade em vivo e in vitro de imunobiológicos, produção e controle de qualidade de hemoderivados, laboratório de análises clínicas veterinárias, garantia de qualidade biológica, biosseguridade industrial porém, não possui competência legal para assinar os resultados, cabendo a responsabilidade legal para assinar, o profissional que possuir o TRT (Termo de Responsabilidade Técnica) do laboratório.
Os profissionais de nível médio não podem em hipótese alguma liberar laudo, resultados ou perícias bem como responder sobre o laboratório. As competências legais para isso competem ao profissional de nível superior, que possui a competência legal para liberar resultados, laudos ou perícias bem como as responsabilidades civis e penais sobre os erros cometidos por eles e pelos técnicos que os auxiliam. Estes profissionais de nível superior possuem o TRT (Termo de Responsabilidade Técnica) sobre o laboratório que são responsáveis em número máximo de dois. Os profissionais de nível superior quando iniciam o seu trabalho no laboratório, fazem o ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) junto ao conselho a qual é subordinado.
Ao terminar o vinculo empregatício com o laboratório e deixar de ser o responsável técnico de nível superior pelo laboratório, este deve dar baixa no ART e no TRT para que possa assumir outro laboratório, o que está previsto no Código de Ética. Os ARTs são comprovações de que o profissional possui experiência e atuou na área de laboratório junto aos Conselhos e possui vínculo com o laboratório ou possuiu em data anterior.
Só podem ter o TRT ou ART os profissionais de nível superior habilitados a exercer a atividade de laboratório, porém não é obrigatório, até o presente momento, aos técnicos de Análises Clinicas se registrarem junto ao Conselho Regional de Farmácia, de Química ou de Biomedicina para poderem exercer a atividade de técnico. O profissional, mesmo possuidor do curso técnico de análises clínicas (nomenclatura oficial brasileira, aceita atualmente para todas as denominações anteriores, conforme caderno de cursos técnicos do MEC (Ministério da Educação), se não estiver registrado junto ao Conselho Regional de Farmácia, conforme previsto na Lei Federal 3820 de 11 de novembro de 1960, Art 14, § único, letra a, está no exercício irregular da profissão, o que configura crime.

12.969 – Biologia e Evolução – O voo das aves


aves
A capacidade de voar das aves é totalmente dependente de uma série de adaptações que permitiram a conquista do ambiente aéreo. No sistema respiratório pulmões alveolares são combinados com sacos aéreos que não participam das trocas gasosas, mas criam um fluxo de ar contínuo e em uma única direção nos pulmões. Esses sacos aéreos possuem aproximadamente nove vezes o volume dos pulmões, ocupam a maior parte da cavidade dorsal do corpo e se estendem por cavidades internas dos ossos, formando os ossos pneumáticos que são leves e resistentes. Além disso, o fluxo de ar de sentido único maximiza a eficiência das trocas gasosas, permitindo o voo em altas altitudes, e dissipam o calor produzido pelos altos níveis de atividade muscular durante o voo através dos fluxos de corrente cruzada de ar e sangue nos pulmões.
Além dos ossos pneumáticos, algumas características dos órgãos internos das aves também reduzem sua massa corpórea. Elas não têm bexiga urinária e a maioria das espécies tem somente um ovário. As gônadas, tanto de machos quanto de fêmeas, são geralmente pequenas e regridem ainda mais quando a época de reprodução termina. Por outro lado, os corações são grandes e a velocidade de fluxo sanguíneo é alta para garantir a demanda de oxigênio durante o voo.
As penas também são estruturas protagonistas do voo, em especial as rêmiges (penas da asa) e as rectrizes (penas da cauda). Ao contrário de um avião, nas aves as asas não só promovem estabilidade durante o voo, mas também fazem a propulsão do animal. As rêmiges primárias, inseridas nos ossos da mão, são responsáveis pela maior parte da propulsão quando a ave bate suas asas, e as secundárias, inseridas no antebraço, fornecem a força de ascensão. Com a mudança da forma e da área das asas, assim como sua disposição em relação ao corpo, a ave consegue controlar a velocidade e a força de ascensão, o que permite a realização de manobras, mudança de direção, aterrissagem e decolagem. Aves que levantam vôo rapidamente têm asas largas e arredondadas, que lhes dão aceleração. Já as aves que voam por um longo período têm asas longas. Aquelas que voam em alta velocidade (aves de rapina, por exemplo) possuem asas longas e curvas com extremidades pontiagudas, para reduzir o atrito com o ar, e as aves que realizam muitas manobras de mudança de direção terão, por sua vez, caudas profundamente bifurcadas.
Obviamente, a capacidade de voo desenvolvida pelas aves é muito vantajosa evolutivamente, pois se mantém até hoje. Porém, como toda atividade desenvolvida por qualquer organismo vivo, gera um custo energético, o qual neste caso é muito alto. Por esse motivo, é tão comum vermos as aves que voam longas distâncias voarem em grupos, geralmente em uma formação específica. Pelicanos, por exemplo, quando voam em formação, alternam entre si o batimento das asas e planeio em uma sucessão regular. Dessa forma, esses animais aumentam seu tempo planando e, consequentemente, diminuem sua frequência cardíaca e seu gasto energético em comparação com o voo individual.

12.862 – Cão mais antigo achado no Brasil indica domesticação pré-europeus


cao
Dois dentes (ambos molares) e fragmentos do maxilar encontrados pelos arqueólogos foram os indícios usados para determinar que se tratava de um cão doméstico, provavelmente de porte médio.
Os pedaços da anatomia do animal foram comparados com os de parentes selvagens dos cachorros que, ao contrário deles, são nativos da América do Sul, como o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e o graxaim (Lycalopex gymnocercus) -esses dois, na verdade, estão mais para raposas do que para lobos ou cães. Detalhes das cúspides (as partes “pontudas” dos dentes) e do esmalte dentário, por exemplo, são suficientemente diferentes entre uma espécie e outra para que a identificação seja feita de forma confiável.
Datações feitas com o método do carbono-14, a partir de amostras de colágeno do fragmento de maxilar, indicam que o cão morreu entre 1.700 e 1.500 anos atrás.
O local de origem dos fragmentos, conhecido como Pontal da Barra, abriga um complexo de 18 pequenos morros artificiais de um tipo relativamente comum no Rio Grande do Sul, no Uruguai e na Argentina. São os chamados cerritos, formados por séculos da presença de grupos de caçadores-coletores, muitos dos quais exploravam recursos marinhos (no caso dos cerritos do litoral propriamente dito) ou aquáticos (no caso da lagoa dos Patos).
Também há quem fale na construção de cerritos como monumentos funerários. Coincidência ou não, no morrinho de 36 m de largura apelidado de PSG-07, onde foram encontrados os restos do cachorro, também havia três fragmentos de um crânio humano e um dente de uma pessoa, cerca de meio metro abaixo dos ossos de cão.
Se havia mesmo uma associação entre funerais humanos e o enterro de um cão, a situação em Pelotas talvez não fosse muito diferente da registrada em alguns dos poucos sítios América do Sul afora onde também foram encontrados cachorros da época pré-colombiana. Em escavações na Argentina e no Uruguai, também foi revelada a presença de cães em contextos mortuários.
De fato, a história da domesticação dos cães parece ter sido mais complicada no continente americano do que no Velho Mundo. A espécie certamente foi o primeiro animal a se transformar em parceiro do ser humano em tempo integral, talvez há cerca de 20 mil anos, quando a nossa espécie estava prestes a colonizar as Américas.
Nas Américas do Norte e Central há registros da presença do cachorro doméstico com cerca de 10 mil anos de idade, enquanto na América do Sul só há sinais da espécie a partir de 7.500 anos atrás, com presença mais clara nas regiões montanhosas dos Andes. Por outro lado, entre as sociedades indígenas das chamadas terras baixas sul-americanas -termo que inclui todo o atual Brasil-, quase não se vê sinal dos cachorros domésticos antes da conquista europeia.
Essa história complexa pode indicar que a domesticação do animal ocorreu mais de uma vez de forma independente, e por motivos diferentes. No México pré-colombiano, por exemplo, cães de pequeno porte e pouco pelo, talvez aparentados aos chihuahuas modernos, eram criados como fonte de alimento.
Apesar dos restos esparsos do animal gaúcho, foi possível realizar uma análise química preliminar que indica a possibilidade de que ele tinha uma dieta baseada em recursos aquáticos, como peixes. Mais estudos são necessários para comprovar a hipótese -se esse era mesmo o caso, é plausível que os bichos fossem alimentados com a sobra das pescarias conduzidas pelos moradores da lagoa dos Patos.

12.801 – Inteligência Animal – Elefantes


elefante
Não é por menos que os elefantes estão no topo da lista dos mais inteligentes animais não primatas. Eles vivem em sociedades com uma complexa hierarquia social e mostram altruísmo para com outros animais. As fêmeas grávidas até aprendem a comer um certo tipo de folha que induz o parto.
Eles também podem usar ferramentas, se adaptando rapidamente a novas situações – elefantes foram observados jogando grandes pedras em cercas elétricas para cortar a eletricidade.
Mas o que realmente diferencia os elefantes são seus complexos rituais de morte – tirando esses animais, apenas os seres humanos e os Neandertais são conhecidos por homenagear os mortos. Muitas vezes, os elefantes delicadamente investigam os ossos do recém-falecido enquanto permanecem em silêncio. Às vezes, elefantes completamente alheios ao falecido vão visitar seu túmulo.

12.800 – Inteligência Animal – Golfinhos


golfinhos
Eles estão entre os animais mais inteligentes do reino animal, em parte porque eles têm uma vida muito sociável. Existem evidências de que eles tenham uma sofisticada linguagem própria, embora os seres humanos ainda não tenham conseguido desvendá-la.
Os golfinhos usam ferramentas em seu ambiente natural e podem aprender um impressionante conjunto de comandos com treinadores. Testes recentes mostram que os golfinhos têm autorreconhecimento – um feito reservado para os animais de grande inteligência.
Em 2005, cientistas observaram grupos de golfinhos no oceano Pacífico usando uma ferramenta. Eles arrancavam pedaços de esponja do mar e as envolviam em torno do seu “nariz de garrafa” para evitar escoriações.

12.799 – Inteligência Animal – Corvo


corvo
Em muitos ramos da mitologia, o corvo é um trapaceiro astuto. Já no mundo real, os corvos estão provando ser uma espécie bastante inteligente. Esses animais foram observados envolvidos em façanhas como o uso de ferramentas, a habilidade de esconder e armazenar alimentos de estação para estação, e memória episódica – como a capacidade de usar a experiência pessoal para prever condições futuras.
Uma das espécies, o corvo-da-nova-caledónia, foi visto usando uma ferramenta de folha dura parecida com uma faca para fazer com que nozes caíssem em ruas movimentadas, para que os carros as esmagassem. É ou não é uma ideia engenhosa?
Uma pesquisa recente sugere que os corvos têm a capacidade de reconhecer humanos pelas características faciais, e que eles podem se lembrar de rostos por anos. Portanto, tenha cuidado com o que você vai fazer quando cruzar com um corvo!

12.798 -Inteligência Animal – Polvo


polvo
Enquanto os porcos são os mais inteligentes entre as espécies domesticadas, os polvos são os mais espertos entre os invertebrados. Experimentos em labirintos e de resolução de problemas mostraram que os polvos têm memória de curto e longo prazo. Além disso, eles podem abrir frascos, apertar pequenas estruturas e pegar um lanche dentro de um recipiente. Eles também podem ser treinados para distinguir diferentes formas.
Numa espécie de atividade, parecida com um jogo (uma das características de espécies com inteligência superior) polvos foram observados lançando garrafas ou brinquedos repetidamente em uma corrente circular em seus aquários, para depois apanhar os objetos.
O polvo é o único invertebrado que pode usar ferramentas. Pelo menos quatro espécimes foram observados recuperando cascas descartadas de coco, as manipulando e depois usando-as como abrigo.

12.797 -Inteligência Animal – O porco não é “Burro”


porco
Não subestime os porquinhos nos chiqueiros: eles provavelmente são os animais domesticados mais inteligentes do planeta. Apesar de sua inteligência poder ser comparada com a de um cão ou gato, as habilidades de resolução de problemas dos porcos até superam as dos felinos e caninos.
Um estudo mostrou que porcos podem entender o funcionamento de um espelho, pois eles usaram o reflexo para encontrar alimentos escondidos. Os pesquisadores ainda não sabem dizer se os porcos percebem que os olhos refletidos nos espelhos são deles mesmos, o que poderia os classificar no nível de inteligência dos macacos, golfinhos e outras espécies que passaram pelo famoso teste de autorreconhecimento no espelho – um marcador de autoconsciência e inteligência avançada.
Também, em um experimento de 1990, porcos foram treinados para mover um cursor em uma tela de vídeo com os seus focinhos, e a distinguir as imagens que conheciam das que estavam vendo pela primeira vez. Eles aprenderam a tarefa mais rápido do que chipanzés.

12.774 – Biologia e Veterinária – Cães conseguem entender a entonação e as palavras humanas


cães
Em um teste feito com uma cocker, eis o resultado:
“Lana, vamos passear?”
Supõe-se que ela entende a frase, mas presumem que a entonação com que ela é dita surte mais efeito. No entanto, quando a palavra “passear” foi dita de modo neutro, a cachorrinha começou a saltitar em torno da gaveta onde fica sua guia.
É mais ou menos esse o teste que cientistas húngaros fizeram com 13 cães. A conclusão é que os pets entendem tanto o vocabulário quanto o tom da voz de humanos.
A pesquisa feita pela equipe de Attila Andics, da Universidade Eötvös Loránd, de Budapeste, Hungria, mostrou ainda que cães têm a capacidade de distinguir palavras de um vocabulário e captar a entonação da fala dos seus donos usando regiões cerebrais semelhantes àquelas usadas por seres humanos.
O estudo sairá na edição da próxima sexta na revista americana “Science”.
Para Andics, a aprendizagem do vocabulário “não parece ser uma capacidade exclusivamente humana que se segue a partir do surgimento da linguagem, mas sim uma função mais antiga que liga sequências sonoras arbitrárias a significados”.
Para chegar à conclusão do estudo, os pesquisadores mediram a atividade do cérebro dos cães, mas antes foi preciso treinar os cães para ficarem quietos dentro dos aparelhos de ressonância magnética. Eles ouviam então gravações de vozes de seus donos ou treinadores usando várias combinações de vocabulário e entonação, ou elogiando ou de modo neutro.
“A imagem por ressonância magnética funcional fornece um método não invasivo e inofensivo de medição de que os cães gostam”, diz Marta Gácsi, etóloga e coautora do estudo.
Independentemente da entonação, cães reconheceram cada palavra como algo distinto e o fizeram de uma forma similar aos seres humanos, usando o hemisfério esquerdo do cérebro.
Também como acontece com humanos, os pesquisadores descobriram que os cães processam a entonação separadamente do vocabulário, nas regiões auditivas no hemisfério direito do cérebro.
Andics e colegas observaram que o elogio ativa o “centro de recompensa” do cérebro dos cães –a região que responde a estímulos de prazer, como comida, sexo, ser acariciado. Mas o centro de recompensa só era ativado quando o cão ouvia tanto palavras de louvor e com entonação adequada.
Isso mostra que, para os cães, um elogio pode funcionar muito bem como recompensa, mas funciona melhor ainda se as palavras e a entonação baterem. Ou seja: os bichos não só separam o que dizemos e como dizemos, mas também podem combinar os dois para uma melhor interpretação do que aquelas palavras realmente querem dizer –de novo, algo bem similar ao que nós fazemos.
Foram estudados apenas 13 cães, por isso os resultados não indicam diferenças significativas entre raças. Foram usados seis border collies, cinco golden retrievers, um pastor alemão e um cão de crista chinês.
“O único critério é que o cão tem de ser capaz de ficar imóvel para ser digitalizado”, disse Andics à Folha. “Mais tarde, poderemos comparar os padrões cerebrais através dos grupos.”
“Estou certo de que existem diferenças individuais, mas também acho que todas as raças têm essa capacidade”, conclui o pesquisador.
Os resultados indicam que os mecanismos neurais para processar palavras evoluíram bem antes do que se imaginava. Os autores afirmam que é possível que forças seletivas durante a domesticação do lobo possam ter ajudado a criar a estrutura cerebral subjacente a esta capacidade nos cachorros.
“O que torna itens léxicos [palavras] singularmente humanos não é a capacidade neural para processá-los”, dizem os autores. Seres humanos são únicos na sua capacidade de inventar palavras.
Para os amantes de gatos, Andics adianta: “Escolhemos cães para os nossos estudos, porque eles podem fazer isso… Mas assim que um gato for treinado e ficar imóvel, poderemos digitalizá-lo também”, brinca Andics.

12.644-Cientistas afirmam que cabras são tão inteligentes e carinhosas quanto cachorros


A pesquisa realizada por uma equipe da Escola de Ciências Biológicas e Químicas da Universidade Queen Mary de Londres, na Inglaterra, observou essas características no offline. No primeiro experimento, as cabras tinham que tirar a tampa de uma caixa para receber uma recompensa. No segundo, os pesquisadores viraram a caixa para baixo, dificultando a tarefa. Quando não conseguiam completar o objetivo, os animais ficavam encarando os humanos em busca de uma solução. Se o humano mais próximo estivesse de costas, o bicho buscava fazer contato com outra pessoa.
“As cabras encaram os humanos da mesma forma que os cachorros o fazem quando querem algo que está fora de seu alcance”, explicou o pesquisador Christian Nawroth na divulgação do estudo. “Nossos resultados mostram que as cabras tentam estabelecer uma comunicação com os humanos. Mesmo sendo uma espécie que foi domesticada primordialmente para a agricultura, elas têm semelhanças com animais que são criados para serem de estimação, como cachorros, por exemplo.”
Em uma pesquisa anterior, Nawroth fez um experimento no qual colocou dois copos na frente das cabras, um com petiscos e outro vazio, para analisar se elas conseguiriam processar tal informação — e os bichinhos não desapontaram. “Já sabíamos que as cabras são mais inteligentes do que a reputação delas sugere, mas estes novos resultados mostram que elas podem se comunicar e interagir com humanos mesmo não tendo sido domesticadas para serem de estimação.”
Os pesquisadores esperam que o estudo faça com que as pessoas se tornem mais compreensivas em relação às habilidades das cabras e, claro, que as passem a tratá-las melhor.

12.451 – Biologia – Répteis têm atividade cerebral típica de sonhos humanos


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Trata-se do chamado sono REM (sigla inglesa da expressão “movimento rápido dos olhos”), que antes parecia ser exclusividade de mamíferos como nós e das aves. No entanto, a análise da atividade cerebral de um lagarto australiano, o dragão-barbudo (Pogona vitticeps), indica que, ao longo da noite, o cérebro do animal fica se revezando entre o sono REM e o sono de ondas lentas (grosso modo, o sono profundo, sem sonhos), num padrão parecido, ainda que não idêntico, ao observado em seres humanos.
Liderado por Gilles Laurent, do Instituto Max Planck de Pesquisa sobre o Cérebro, na Alemanha, o estudo está saindo na revista especializada “Science”. “Laurent não brinca em serviço”, diz Sidarta Ribeiro, pesquisador da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e um dos principais especialistas do mundo em neurobiologia do sono e dos sonhos. “Foi feita uma demonstração bem clara do fenômeno.”
A metodologia usada para verificar o que acontecia no cérebro reptiliano não era exatamente um dragão de sete cabeças. Cinco exemplares da espécie receberam implantes de eletrodos no cérebro e, na hora de dormir, seu comportamento foi monitorado com câmeras infravermelhas, ideais para “enxergar no escuro”. Os animais costumavam dormir entre seis e dez horas por noite, num ciclo que podia ser mais ou menos controlado pelos cientistas do Max Planck, já que eles é que apagavam e acendiam as luzes e regulavam a temperatura do recinto.
O que os pesquisadores estavam medindo era a variação de atividade elétrica no cérebro dos dragões-barbudos durante a noite. São essas oscilações que produzem o padrão de ondas já conhecido a partir do sono de humanos e demais mamíferos, por exemplo.
Só foi possível chegar aos achados relatados no novo estudo por causa de seu nível de detalhamento, diz Suzana Herculano-Houzel, neurocientista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e colunista da Folha. “Estudos anteriores menos minuciosos não tinham como detectar sono REM porque, nesses animais, a alternância entre os dois tipos de sono é extremamente rápida, a cada 80 segundos”, explica ela, que já tinha visto Laurent apresentar os dados num congresso científico. Em humanos, os ciclos são bem mais lentos, com duração média de 90 minutos.
Além da semelhança no padrão de atividade cerebral, o sono REM dos répteis também tem correlação clara com os movimentos oculares que lhe dão o nome (os quais lembram vagamente a maneira como uma pessoa desperta mexe os olhos), conforme mostraram as imagens em infravermelho.

DORMIR, TALVEZ SONHAR
A primeira implicação das descobertas é evolutiva. Embora dormir seja um comportamento aparentemente universal no reino animal, o sono REM (e talvez os sonhos) pareciam exclusividade de espécies com cérebro supostamente mais complexo. “Para quem estuda os mecanismos do sono, é um estudo fundamental”, afirma Suzana.
Acontece que tanto mamíferos quanto aves descendem de grupos primitivos associados aos répteis, só que em momentos bem diferentes da história do planeta – mamíferos já caminhavam pela Terra havia dezenas de milhões de anos quando um grupo de pequenos dinossauros carnívoros deu origem às aves. Ou seja, em tese, mamíferos e aves precisariam ter “aprendido a sonhar” de forma totalmente independente. O achado “resolve esse paradoxo”, diz Ribeiro: o sono REM já estaria presente no ancestral comum de todos esses vertebrados.
O trabalho do pesquisador brasileiro e o de outros especialistas mundo afora tem mostrado que ambos os tipos de sono são fundamentais para “esculpir” memórias no cérebro, ao mesmo tempo fortalecendo o que é relevante e jogando fora o que não é importante. Sem os ciclos alternados de atividade cerebral, a capacidade de aprendizado de animais e humanos ficaria seriamente prejudicada.
Tanto Ribeiro quanto Suzana, porém, dizem que ainda não dá para cravar que lagartos ou outros animais sonham como nós. “Talvez um dia alguém faça ressonância magnética em lagartos adormecidos e veja se eles mostram a mesma reativação de áreas sensoriais que se vê em humanos em sono REM”, diz ela. “Claro que os donos de cachorro têm certeza que suas mascotes sonham, mas o ideal seria fazer a decodificação do sinal neural”, uma técnica que permite saber o que uma pessoa imagina estar vendo quando sonha e já foi aplicada com sucesso por cientistas japoneses.