13.013 – Mega Polêmica – Auto Ajuda Funciona?


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Na realidade a pergunta deveria ser, por que não funciona.
Você já se perguntou porque a maioria das pessoas que gostam de ler livros de auto-ajuda não melhoram de vida?
Esse tipo de livro não era para ajudar o leitor a ganhar mais confiança, obter a independência financeira, aprender a se comunicar melhor, etc?
É verdade que existe bastante livros de auto-ajuda por aí que não valem o papel em que são impressos. Isso porque o próprio autor NUNCA conseguiu o resultado que diz ajudar as pessoas ou porque por mais que o autor tenha conseguido obter aquele resultado ele não conseguiu escrever o livro de maneira didática.
Mas existem também diversos livros que além de excelentes também fazem parte da lista dos best-sellers, mesmo assim diversas pessoas possuem esses livros nas prateleiras ou na cabeceira da cama e suas vidas continuam iguais.

Esse é justamente um dos motivos!
Uma pesquisa americana divulgou que menos de 10% da população que compra um livro, lê esse livro após o primeiro capítulo. Dessa forma, não adianta o quão bom é o livro e o quão fácil é a estratégia ensinada pelo autor, se a pessoa não lê, não vai conseguir nenhum benefício através do livro.
Esse é um dos motivos mais óbvios.
Por que poucos desses 10% conseguem algum resultado significativo?
Se apenas ler fosse suficiente era de se esperar que 1 a cada 10 pessoas que leem livros de auto-ajuda fossem bem-sucedidas.

Esse porém não é o caso.
Por anos eu li diversos livros de auto-ajuda para superar os mais diversos objetivos como: Vencer a timidez, melhorar minha comunicação, me tornar financeiramente livre, etc. E por mais que eu tenha lido diversos livros diferentes para cada um desses objetivos até o final, alguns livros que eram recomendados por pessoas extremamente bem-sucedidas e tinha transformado a vida de milhares de pessoas, eu nunca conseguia um progresso significativo, na maioria das vezes, não conseguia progresso nenhum.
Sempre acreditei que se algo funciona para uma pessoa sequer, funciona para qualquer um. Essa crença me fez continuar a ler esse tipo de livros mesmo não obtendo nenhum resultado.
Qual foi o livro que você leu e pensou “Esse conceito é bem legal, gostaria que isso funcionasse comigo” ?
O termo auto ajuda pode ser referir a qualquer caso onde um indivíduo ou um grupo (como um grupo de apoio) procura se aprimorar econômica, espiritual, intelectual ou emocionalmente. O termo costuma ser aplicado como uma panaceia em educação, negócios e psicologia, propagandeada através do lucrativo ramo editorial de livros sobre o assunto. Para quem não sabe Na mitologia grega, Panaceia (ou Panacea em latim) era a deusa da cura. O termo Panacéia também é muito utilizado com o significado de remédio para todos os males.
A melhor solução evidentemente é você procurar alguém que sim sabe como te ajudar não se ajudar com uma leitura,uma vez que evidentemente a interpretação fica por conta de quem o lê e cada um tem uma forma de ver a coisa e entendimento, fica então em credito a analise de cada um e o que cada um ira fazer com suas informações.
Auto Ajuda virou uma religião, uma heresia, e por isto seus livros na tradição medieval, precisariam ser queimados.
Mas não por padres, avós, mestres, mas sim pelos próprios compradores.
Antigamente, o livro de autoajuda mais vendido era o “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, de Dale Carnegie, meno male, pelo menos induzia você sair do seu casulo e conhecer pessoas.
Os mais vendidos de autoajuda hoje são uma tragédia.

11.166 – Psicologia – Ande como alguém feliz para ser feliz


Uma pesquisa publicadano Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry afirma que para se sentir feliz, basta caminhar como uma pessoa alegre. Durante o experimento, uma série de pessoas foi testada para saber se estufar o peito e balançar os braços realmente traz mais felicidade do que passos pesados e olhares cabisbaixos.
No estudo, o grupo teve de caminhar durante 15 minutos em uma esteira enquanto alguns fatores eram analisados. Os participantes foram acompanhados por câmeras com sensores de movimento. Na frente da esteira, uma tela mostrava as ações de um medidor – que pendia à esquerda quando caminhavam “deprimidos” e à direita quando “felizes”.
À medida que os minutos iam passando, a equipe de pesquisadores pedia para que as pessoas tentassem jogar o medidor para a esquerda ou para a direita. Só que antes de começarem o teste físico, os convidados tiveram que ler uma lista de palavras positivas e negativas.
Depois da caminhada, os participantes tiveram que escrever as palavras que lembravam. O resultado mostrou que quem caminhava de maneira mais triste (seguindo a lógica de outro estudo) conseguiu lembrar mais palavras tristes; e aqueles que andaram felizes se lembraram de mais palavras positivas.
Para os pesquisadores, essa lógica está alinhada a de outros trabalhos publicados sobre o tema. Segundo tais pesquisas, andar como um líder pode aumentar as chances de se tornar um; e segurar uma caneta com os lábios pode aumentar a vontade de sorrir. Então não custa nada andar mais “animado” por aí. Vai que contagia.

11.049 – As Verdades inconvenientes sobre Astrologia


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A ciência prova: não há relação entre o passeio dos astros e a sua vida.
Quando Susan Miller, a astróloga mais popular do mundo, contraiu uma infecção intestinal no final de abril, milhões de seguidores ao redor do planeta ficaram sem futuro. Susan atrasou as previsões para maio e gerou comoção internacional. “Melhoras, Susan Miller!”, desejavam os leitores americanos nas redes sociais. Veículos brasileiros cobriram a doença da astróloga como se fosse uma celebridade local, enquanto ela tuitava boletins de hora em hora sobre seu estado de saúde: “Preciso dormir. Estou trabalhando na previsão para Aquário, amanhã terminarei Peixes. Estou muito cansada para continuar, me sinto muito fraca. Eu não vou desistir”.
Mesmo se você não acredita em horóscopo já deve ter ouvido falar em Susan Miller. Ela não é qualquer uma: seus horóscopos gratuitos atraem 6,5 milhões de visitas ao mês, aparecem em dezenas de publicações e permitiram que ela escrevesse nove livros sobre o assunto. Se você curte astrologia, provavelmente é fã – suas leituras são famosas por serem precisas, a ponto de indicarem datas propícias para comprar eletrônicos ou cortar o cabelo. Ela é tão eficiente que, já em janeiro deste ano, havia alertado para o mês catastrófico que abril seria, com um eclipse lunar monstruoso em 15/4. Não deu outra: numa profecia autorrealizável, Susan Miller quase morreu com o que ela mesma previu.
A astrologia é imensamente popular. No Ocidente, estima-se que uma em cada quatro pessoas acreditem no poder dos astros. De acordo com uma pesquisa da Fundação Nacional de Ciência dos EUA, em 2012 metade dos americanos afirmou que astrologia tinha base científica, o número mais alto desde 1983. Isso pode explicar o sucesso de figuras como Susan Miller nos últimos anos, e o aumento na procura por mapas astrais e consultas a astrólogos. A crença de que o movimento dos corpos celestes não apenas influencia as nossas vidas, como pode prever nosso futuro, vai bem, obrigada.
O sucesso da astrologia não é de ontem. Nem de anteontem. Ele tem raízes profundas nas origens do conhecimento humano.
Roma, meia-noite de 17 para 18 de setembro do ano 96 d.C. O imperador Domiciano se virava na cama coberto de suor, ansioso demais para dormir. De acordo com uma previsão astrológica feita quando ele ainda era garoto, a hora do seu fim estava próxima: às cinco da manhã ele estaria morto, vítima de uma facada fatal. Domiciano levantou e tentou manter a calma. Lembrou-se da vez em que tentou provar que astrologia era bobagem, quando chamou à sua corte o astrólogo Ascletário e ordenou: “Adivinhe a causa de sua própria morte”. Ascletário consultou os planetas e concluiu que acabaria comido por cachorros. Para contradizer a previsão e mostrar que estava no controle, Domiciano o matou ali mesmo e mandou seu corpo para a pira funerária. O que o imperador não esperava é que cachorros acabariam atraídos pelo cheiro de carne queimada e devorariam os restos mortais de Ascletário – como ele previra. Daí a insônia de Domiciano.

Quando o sol raiou, perguntou o horário. Seis horas. Respirou aliviado: tinha sobrevivido à profecia! Animado, recebeu um amigo que trazia uma mensagem. Enquando lia o recado, Domiciano foi esfaqueado pelo amigo e morreu. Eram cinco da manhã. Um conspirador havia mentido sobre as horas.

Claro que nem todas as previsões astrológicas da história são tão precisas quanto essa. O causo da morte de Domiciano pode ter sido embelezado ao longo dos séculos para ficar mais redondinho. Mas o que dá para apreender daí é a importância que os astros tinham na vida das pessoas nos milênios passados. A astrologia que usamos hoje em dia teve origem na Mesopotâmia, atual Iraque, e depois foi adaptada pela Grécia Antiga e utilizada por toda a Europa. Setecentos anos antes de Cristo, os babilônios já haviam analisado os movimentos dos corpos celestes para determinar quais constelações faziam parte do zodíaco (o arco que o Sol faz no céu ao longo de um ano), quais pontos brilhantes eram as estrelas fixas e os planetas móveis, quais planetas surgiam a cada mudança de estação do ano, e por aí vai. Dessa forma, já haviam também preparado o terreno para o que usaríamos até hoje.

Astrologia vem do grego: “astro” = estrelas e “logos” = palavra. Ou seja, é a mensagem que as estrelas passam para nós. Durante muito tempo, astrologia e astronomia (a “lei das estrelas”) eram conceitos intercambiáveis – quem estudava um também manjava do outro. Johannes Kepler, descobridor das leis que regem a mecânica dos planetas, um feito astronômico, ganhava a vida fazendo mapa astral no século 16. Desde o final do século 17, no entanto, os dois ramos do conhecimento caminham separados. Hoje, a astronomia é a ciência que estuda o Universo com base em regras matemáticas – e não aceita a ideia de que os planetas possam ter qualquer relação com nossa vida.
Em um mundo incerto e amedrontador como o dos primórdios da civilização, qualquer forma de descobrir o que estava por vir podia significar a diferença entre a vida e a morte. A astrologia ajudava as pessoas a tomarem decisões, como quando partir para uma viagem, semear a colheita ou entrar em guerra. Isso era feito a partir do reconhecimento de padrões. Marte surgiu no horizonte no dia em que uma grande enchente aconteceu? Um sinal. A Lua estava minguante quando a batalha foi vencida? Um padrão. Ao longo de centenas de anos de observação, as coisas do céu foram ganhando sentido terreno. Para os babilônios e outros povos que procuraram respostas no alto, era como se os planetas estivessem enviando sinais. Daí o nome: signos.

Curiosamente, analisar as estrelas não era a única ciência usada para prever o futuro. O historiador Peter Maxwell Stuart, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, descreve em seu livro Astrology (sem edição brasileira) que os babilônios também acreditavam que recém-nascidos trouxessem recados sobre o futuro. Se uma mulher desse à luz um anão, a casa da família seria destruída; se parisse uma criança cega, aumentavam as chances de alterações climáticas. Especialistas analisavam as entranhas de animais sacrificados para tentar relacioná-las ao futuro: se o fígado do animal tivesse protuberâncias, era um presságio de anarquia no reinado. Ou seja, escapamos por pouco de ficar revirando miúdos de galinha para fazer previsões.

O interessante é entender como os babilônios traçaram as regras gerais para a sua – e a nossa – astrologia. Primeiro, pegaram um conhecimento histórico antiquíssimo, provavelmente ainda da Idade do Bronze (cerca de 3000 a.C.), que era a divisão do céu em grupos de estrelas – as constelações. Vale lembrar que as constelações não fazem sentido físico – as estrelas podem estar próximas vistas aqui da Terra, mas situarem-se a milhares de anos-luz umas das outras. O que os antigos fizeram foi ligar os pontos desses conjuntos imaginários em formatos que se parecem levemente com alguma coisa aqui da Terra – um leão, uma cobra, uma balança etc. É como enxergar figuras em nuvens.

Em seguida, os babilônios analisaram o caminho do Sol no céu, e observaram que ao longo de um ano ele passava por aproximadamente 12 constelações (eram 13, na verdade, mas arredondaram para a conta ficar mais fácil). Assim, dividiram o céu em 12 faixas de 30 graus, para fechar os 360 graus de um círculo. Cada uma dessas faixas é o que chamamos de signo. Como era de se esperar, o Sol não passa exatamente um mês em cada constelação: fica 45 dias em Virgem, por exemplo, e só sete dias em Escorpião – deram uma arredondada aqui também.

Ou seja, a astrologia analisa a passagem do Sol, da Lua e dos planetas em frente a constelações aleatórias, formadas por estrelas aleatórias, divididas aleatoriamente em 12 faixas de aleatórios 30 dias de duração cada, a partir de um ponto de vista aleatório no espaço: o nosso minúsculo planetinha Terra. (Entenda mais no quadro da página 34). Na prática, é como se formigas tentassem prever se vão ser esmagadas a partir do padrão das ranhuras na sola dos nossos sapatos, a única coisa que elas conseguem enxergar.Levando em conta essa aleatoriedade toda, dá para entender por que a ciência moderna tem tantas críticas em relacão à astrologia – o que não quer dizer que ela não sirva para nada. Mas vamos por partes.
Desde os anos 50, cientistas tentam provar a eficiência das leituras astrológicas – e os resultados não foram muito animadores. O mais famoso dos estudos, publicado na revista Nature ainda nos anos 80, pedia que pessoas tentassem reconhecer seu mapa astral a partir de três opções disponíveis. A performance foi abaixo da esperada: só um terço das pessoas acertou qual era o seu – exatamente o mesmo resultado que um sorteio daria. Fatores como propensão a suicídio, inteligência, taxa de divórcio, extroversão e sucesso também foram analisados em dezenas de estudos, mas a conclusão é sempre a mesma: não há correlação nenhuma entre a propensão a uma coisa e os dados astrológicos.

Pensando nisso, o holandês Rob Nannninga resolveu dar uma chance aos próprios astrólogos de desenvolver um teste à prova de falhas. O desafio era acertar a profissão de sete voluntários, baseado em seus dados astrais (data, local e hora de nascimento) e um questionário – que os próprios astrólogos puderam desenvolver. Para ficar mais fácil, as sete profissões também foram disponibilizadas de maneira que o trabalho era apenas atribuir a carreira certa a cada voluntário. Cinquenta astrólogos ajudaram a desenvolver o questionário, que acabou ficando com 25 perguntas pessoais e 24 perguntas de personalidade. A pedido dos astrólogos, datas importantes dos voluntários (casamento, divórcio, nascimento dos filhos etc.) também ficaram à disposição. Com todas essas informações em mãos, os 50 especialistas – alguns dos mais experientes da Holanda – tiveram dez semanas para chegar às suas correlações. Os resultados foram frustrantes. Nenhum astrólogo conseguiu relacionar mais de três pessoas a suas profissões, e metade não acertou nem umazinha. Mais do que isso: apenas dois astrólogos concordaram entre si – o resto escolheu combinações completamente diferentes umas das outras, indicando que nem os próprios especialistas concordavam na interpretação dos astros. De novo, o resultado final não foi diferente do que se as relações tivessem sido sorteadas no bingo.

Hoje, se você perguntar a qualquer cientista, ele vai ser enfático em descreditar a astrologia sem nem se preocupar em ser delicado. “É claro que ela não funciona. Ela é um retrocesso à Idade Média. Você gostaria de se tratar com a medicina ou a odontologia de 500 anos atrás? É óbvio que não”, diz Michael Shermer, fundador da Skeptics Society (Sociedade dos Céticos) e “inimigo” do obscurantismo.

Para a ciência, o problema está na própria premissa da atividade: a de que haveria influência dos planetas sobre os seres humanos. De fato, todos os corpos no Universo exercem algum tipo de gravidade sobre outros. O problema é que os planetas estão imensamente distantes de nós, longe demais para que possa haver alguma influência. Do ponto de vista das forças gravitacionais, a passagem do Sol pela constelacão de Aquário na hora do nascimento, por exemplo, é absolutamente irrelevante. Ou, como disse o biólogo e escritor Richard Dawkins em um artigo: “Um planeta está tão distante de nós que sua atração gravitacional sobre um recém-nascido seria anulada perto da atração gravitacional causada pelo tapa do médico”.
Outro problema básico para testar os mapas astrais está nos fundos falsos que a astrologia oferece. Ela é flexível demais para ser testada em laboratório. Se alguém nascido em Escorpião não se identificar com a descrição do seu signo, por exemplo, astrológos dirão que é por causa do ascendente. E, se não for o ascendente, será a Lua. Se não, o planeta na sétima casa, ou o retorno de Saturno, ou a fase da vida, ou qualquer coisa que o valha. Com tantas possibilidades de interpretação, é quase impossível provar que a astrologia está errada – pelo menos uma das opções vai estar certa. O mesmo problema surge nas formulações que ela oferece. Peguemos Susan Miller para Gêmeos no mês de junho: “luas novas abrem portas, e oportunidades surgirão para você” ou “a lua nova na primeira casa é um sinal de que você deveria estar pensando nas suas próprias necessidades” ou “você vai ter de trabalhar duro para entender uma nova tarefa que vai ser atribuída a você”. Com previsões tão abertas, fica difícil não se identificar com elas. O astrônomo Stephen Hawking, no livro O Universo na Casca de Noz, descreveu o problema: “Astrólogos sabiamente fazem previsões tão vagas que podem ser aplicadas para qualquer acontecimento”. Ou seja, não servem nem para serem provadas falsas.
Então por que tanta gente continua acreditando na astrologia se ela não tem nenhuma base científica? Primeiro, é importante traçar o perfil das pessoas que buscam a astrologia. Ao contrário do que cientistas podem fazer parecer, não se trata de pessoas desinformadas que vivem na Era das Trevas. Segundo o psicólogo australiano Harvey Irwin, seguidores de astrologia são tão inteligentes, críticos e ajustados quanto o resto da população. Se há alguma diferença entre os dois grupos, ela fica na criatividade – maior entre quem acredita na influência dos astros do que nos outros. “A literatura indica que a crença na paranormalidade tem relação com personalidades criativas”, escreve Irwin.

A pergunta a ser feita então é outra: como é possível que tanta gente saia satisfeita das leituras de seus mapas astrais, se a ciência já provou que eles não têm nenhuma relação com a verdade? Não é muita coincidência que capricornianos se considerem centrados e racionais justamente como o signo deles diz que eles devem ser? Boa parte disso tem a ver com o próprio cérebro humano.

Quem explica é o cético Michael Shermer. Para ele, a astrologia acerta nas previsões por causa de dois mecanismos psicológicos que todos nós temos: o viés de confirmação e o viés de retrospectiva. O primeiro descreve a nossa tendência a preferir informações que combinem com aquilo que já sabemos ou acreditamos. Isso explica, por exemplo, a grande identificação que sentimos quando lemos as características dos nossos signos. Como canceriana, lembro sempre da minha descrição como pessoa “sensível e artística”, mas ignoro que também deveria ser “possessiva e chorona”. Ou seja, reforço apenas as qualidades que quero que sejam verdadeiras. Já o viés de retrospectiva explica por que nos lembramos com mais facilidade dos acertos do que dos erros. Se Susan Miller disser que você fará uma viagem nas próximas semanas e isso de fato acontecer, você vai se lembrar de que ela acertou. E provavelmente vai esquecer que ela também havia previsto um aumento de salário, uma mudança de casa e uma briga com familiares. “Pessoas encaixam suas vidas nas previsões astrológicas, e não o contrário. Elas fazem as leituras vagas confirmarem os acontecimentos depois que eles ocorreram”, diz Shermer. O mesmo acontece em qualquer outro aspecto da vida. Você provavelmente se lembra muito mais dos palpites certeiros que deu no bolão da Copa do que da maioria dos erros que passaram batidos.

Graças a esses dois mecanismos cerebrais, pessoas têm a impressão que a astrologia acerta na mosca. De acordo com o que elas conseguem se lembrar, as descrições astrológicas estavam realmente certas. Isso leva a situações curiosas, como mostrou nos anos 60 o francês Michel Gauquelin. Para provar que o ser humano adora ler descrições de sua personalidade, enviou a 500 pessoas a interpretação de um mapa astral que supostamente as descrevia. O texto tinha frases como “você é caloroso”, “organizado” e “totalmente dedicado aos outros”. Resultado: 94% dos participantes disseram se identificar com elas. O que eles não sabiam é que todas haviam recebido o mesmo texto, baseado no mapa astral de um serial killer com 27 mortes no currículo.

Mas o principal motivo pelo qual a astrologia satisfaz seus seguidores é outro. Quem consulta um astrólogo geralmente está com alguma inquietação e gostaria de saber o que os planetas têm a dizer sobre isso. As incertezas costumam ser de cunho existencial: grandes decisões, tristezas, desilusões amorosas. Nessa hora, alguns céticos concluem que é melhor consultar os astros e tomar uma decisão do que não acreditar e continuar incapaz de decidir.

O astrólogo então reserva uma hora do seu tempo para entender o que está acontecendo, faz perguntas pessoais, entende o perfil psicológico do cliente. Só depois ele passa a ajudar a pessoa a lidar com os seus problemas. Todos os astrólogos consultados para esta reportagem conversaram longamente comigo e se preocuparam em saber quem eu era para tentar me ajudar. Posso confirmar que apresentaram habilidades interpessoais acima da média. Para eles, os muitos fundos falsos da astrologia – a leitura do signo, do ascendente, da Lua, os planeta espalhados pelas casas – são úteis. Servem como ferramentas para traçar o perfil psicológico das pessoas porque abarcam as mil facetas do ser humano. Todo mundo é um pouco sensível, um pouco racional, um pouco impulsivo, um pouco teimoso – e, para a astrologia, isso pode se manifestar no signo, no ascendente, na Lua. As milhares de possibilidades de interpretação ajudam o astrólogo a ajudar quem o procura. Assim, as leituras de mapas astrais são muito mais parecidas com sessões de terapia do que com consultas médicas. De fato, há diversos psicólogos que se utilizam dos preceitos astrológicos para desenvolver as suas sessões, como um ticket de entrada para a mente do paciente.

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11.018 – Auto Ajuda – Maneiras de aumentar felicidade e sua satisfação com a vida


Todos nós experimentamos picos emocionais ao longo de nossas vidas – com uma promoção no trabalho, no dia do nosso casamento, com o nascimento de um filho etc. Mas esses momentos produzem sentimentos temporários de euforia, e especialistas dizem que não são suficientes para alcançar a verdadeira felicidade.
A felicidade não é apenas um estado emocional. Décadas de pesquisa provam que é algo muito mais profundo. Na verdade, a ciência mostra que as pessoas felizes vivem vidas mais longas e saudáveis.
A boa notícia é que possível ser feliz tomando pequenas atitudes, independentemente do nosso meio ambiente ou genética.
Confira sete maneiras de aumentar felicidade e sua satisfação com a vida:

Seja positivo

Um estudo da Universidade de Harvard (EUA) descobriu que os otimistas não só são mais felizes, como são 50% menos propensos a ter doença cardíaca, um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral.
A conclusão é que manter uma perspectiva positiva oferece proteção contra doenças cardiovasculares. Já os pessimistas têm níveis mais baixos de felicidade em comparação com os otimistas e têm três vezes mais chances de desenvolver problemas de saúde à medida que envelhecem.
Aprenda com as pessoas que já são felizes
A Dinamarca vira e mexe ganha o primeiro lugar em qualquer índice que mede o bem-estar e a felicidade dos países de todo o mundo. O que faz dessa a nação a mais feliz do mundo?
Claro, coisas como a expectativa de vida, produto interno bruto e baixa corrupção ajudam – e muito. Mas o nível geral de felicidade na Dinamarca tem mais a ver com a generosidade que é comum entre os cidadãos, a liberdade que eles têm para fazer escolhas de vida e um sistema de apoio social forte, de acordo com a Organização das Nações Unidas.
Trabalhe menos

Os dinamarqueses parecem ter um grande equilíbrio entre vida e trabalho, o que aumenta seu nível de felicidade. Simplificando: eles não trabalham em excesso. Na verdade, a semana de trabalho média na Dinamarca é de 33 horas – apenas 2% dos dinamarqueses trabalham mais de 40 horas por semana.
Quase 80% das mães na Dinamarca voltam ao trabalho depois de ter um filho, mas equilibram o seu tempo livre entre a família, amigos e programas na sua comunidade.
Concentre-se em experiências

Dinamarqueses também dão menos atenção a dispositivos eletrônicos e coisas, e mais atenção para a construção de memórias. Estudos mostram que pessoas que se concentram em experiências ao invés de se focar em “ter coisas” têm níveis mais elevados de satisfação, mesmo muito tempo depois que a experiência passou.
Comprar muitas vezes leva a dívidas, para não mencionar o tempo e o estresse associado com a manutenção de todos os dispositivos, carros, propriedades, roupas, etc.
Os pesquisadores dizem que quando as pessoas se concentram em experiências, elas sentem uma maior sensação de vitalidade ou “de estar vivo” tanto durante o momento quanto depois.
As experiências também unem mais as pessoas, o que pode contribuir para a sua felicidade.
Construa uma rede social
Ao simplesmente ser social, você poderia viver mais tempo. A pesquisa mostra que um sistema de apoio social forte pode aumentar nossa expectativa de vida.
Os telômeros são as pequenas tampas em nossos cromossomos do DNA que indicam a nossa idade celular. De acordo com especialistas, não ter amigos pode ser igual a telômeros mais curtos e, por sua vez, uma vida mais curta.
Outros estudos mostraram que a solidão leva a maiores taxas de depressão, problemas de saúde e estresse. Ou seja, vale a pena ter pelo menos um amigo próximo para aumentar seu nível de felicidade e saúde.
Se voluntarie
Pessoas que se voluntariam são mais felizes, concluíram dezenas de estudos. A ONU credita o voluntariado como uma das razões para a Dinamarca ser o país mais feliz do mundo – 43% dos dinamarqueses regularmente doam seu tempo para boas ações em sua comunidade.
A alegria de ajudar os outros começa cedo. Um estudo de 2012 descobriu que crianças preferem dar do que receber. Os pesquisadores deram a dois grupos de crianças lanches e, em seguida, pediram que um dos grupos oferecesse esses lanches a outras pessoas. As crianças que entregaram os seus lanches mostraram maior felicidade sobre a partilha de seus bens, o que sugere que o ato de sacrifício pessoal é emocionalmente gratificante.
O sacrifício não tem que ser grande – pesquisas já sugeriram que doar tão pouco quanto US$ 5 gera benefícios emocionais.
Realizar atos de bondade, se voluntariar e doar dinheiro aumentam a felicidade, melhorando o seu senso de comunidade, propósito e autoimagem.

Comece a rir
Estudos mostram que rir não apenas sinaliza felicidade, mas sim a produz. Quando rimos, nossos hormônios do estresse diminuem e nossas endorfinas aumentam. Endorfinas são as mesmas substâncias químicas que o cérebro associa com aquele “impulso” que as pessoas recebem do exercício físico.
Rir também faz bem para o coração. Um estudo descobriu que apenas 8% dos pacientes cardíacos que riram diariamente tiveram um segundo ataque cardíaco dentro de um ano, em comparação com 42% dos que não riram.
Estudos ainda mostram que nosso corpo não consegue diferenciar entre o riso falso e o real – as pessoas recebem benefícios de saúde de qualquer maneira. Sendo assim, você pode forçar-se a rir mais, pelo menos um pouco todos os dias, até que você tenha verdadeiros motivos para sorrir.

11.002 – Conheça o PIB (Perfeito Idiota Brasileiro)


carro na calçada

O tempo do Perfeito Idiota Brasileiro vale mais que o das demais pessoas. É a mãe que fura a fila de carros no colégio dos filhos. É a moça que estaciona em vaga para deficientes no shopping. É o casal que atrasa uma hora para um jantar com amigos. As regras só valem para os outros. O PIB não aceita restrições. Para ele, só privilégios e prerrogativas. Um direito divino – porque ele é melhor que os outros. É um adepto do vale-tudo social, do cada um por si e do seja o que Deus quiser. Só tem olhos para o próprio umbigo e os únicos interesses válidos são os seus.
O PIB é o parâmetro de tudo. Quanto mais alguém for diferente dele, mais errado esse alguém estará. Ele tem preconceito contra pretos, pardos, pobres, nordestinos, baixos, gordos, gente do interior, gente que mora longe. E ele é sexista para caramba. Mesma lógica: quem não é da sua tribo, do seu quintal, é torto. E às vezes até quem é da tribo entra na moenda dos seus pré-julgamentos e da sua maledicência. A discriminação também é um jeito de você se tornar externo, e oposto, a um padrão que reconhece em si, mas de que não gosta. É quando o narigudo se insurge contra narizes grandes. O PIB adora isso.
O PIB anda de metrô. Em Paris. Ou em Manhattan. Até em Buenos Aires ele encara. Aqui, nem a pau. Melhor uma hora de trânsito e R$ 25 de estacionamento do que 15 minutos com a galera do vagão. É que o Perfeito Idiota tem um medo bizarro de parecer pobre. E o modo mais direto de não parecer pobre é evitar ambientes em que ele possa ser confundido com um despossuído qualquer. Daí a fobia do PIB por qualquer forma de transporte coletivo.
Outro modo de nunca parecer pobre é pagar caro. O PIB adora pagar caro. Faz questão. Não apenas porque, para ele, caro é sinônimo de bom. Mas, principalmente, porque caro é sinônimo de “cheguei lá” e “eu posso”. O sujeito acha que reclamar dos preços, ou discuti-los, ou pechinchar, ou buscar ofertas, é coisa de pobre. E exibe marcas como penduricalhos numa árvore de natal. É assim que se mostra para os outros. Se pudesse, deixaria as etiquetas presas ao que veste e carrega. O PIB compra para se afirmar. Essa é a sua religião. E ele não se importa em ficar no vermelho – preocupação com ter as contas em dia, afinal, é coisa de pobre.
O PIB também é cleptomaníaco. Sua obsessão por ter, e sua mania de locupletação material, lhe fazem roubar roupão de hotel e garrafinha de bebida do avião e amostra grátis de perfume em loja de departamento. Ele pega qualquer produto que esteja sendo ofertado numa degustação no supermercado. Mesmo que não goste daquilo. O PIB gosta de pagar caro, mas ama uma boca-livre.
E o PIB detesta ler. Então este texto é inútil, já que dificilmente chegará às mãos de um Perfeito Idiota Brasileiro legítimo, certo? Errado. Qualquer um de nós corre o risco de se comportar assim. O Perfeito Idiota é muito mais um software do que um hardware, muito mais um sistema ético do que um determinado grupo de pessoas.
Um sistema ético que, infelizmente, virou a cara do Brasil. Ele está na atitude da magistrada que bloqueou, no bairro do Humaitá, no Rio, um trecho de calçada em frente à sua casa, para poder manobrar o carro. Ele está no uso descarado dos acostamentos nas estradas. E está, principalmente, na luz amarela do semáforo. No Brasil, ela é um sinal para avançar, que ainda dá tempo – enquanto no Japão, por exemplo, é um sinal para parar, que não dá mais tempo. Nada traduz melhor nossa sanha por avançar sobre o outro, sobre o espaço do outro, sobre o tempo do outro. Parar no amarelo significaria oferecer a sua contribuição individual em nome da coletividade. E isso o PIB prefere morrer antes de fazer.
Na verdade, basta um teste simples para identificar outras atitudes que definem o PIB: liste as coisas que você teria que fazer se saísse do Brasil hoje para morar em Berlim ou em Toronto ou em Sidney. Lavar a própria roupa, arrumar a própria casa. Usar o transporte público. Respeitar a faixa de pedestres, tanto a pé quanto atrás de um volante. Esperar a sua vez. Compreender que as leis são feitas para todos, inclusive para você. Aceitar que todos os cidadãos têm os mesmos direitos e os mesmo deveres – não há cidadãos de primeira classe e excluídos. Não oferecer mimos que possam ser confundidos com propina. Não manter um caixa dois que lhe permita burlar o fisco. Entender que a coisa pública é de todos – e não uma terra de ninguém à sua disposição para fincar o garfo. Ser honesto, ser justo, não atrasar mais do que gostaria que atrasassem com você. Se algum desses códigos sociais lhe parecer alienígena em algum momento, cuidado: você pode estar contaminado pelo vírus do PIB. Reaja, porque enquanto não erradicarmos esse mal nunca vamos ser uma sociedade para valer.

10.943 – Psiquiatria – A era da auto-destruição


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Segundo dados do Mapa da Violência 2014, a taxa de suicídio de jovens com idade entre 10 e 14 anos aumentou 40% no país nos últimos 10 anos. Entre os jovens com idade entre 15 e 19 anos, o crescimento foi de 33%. O Brasil é um exemplo de uma tendência que assola o mundo: o suicídio é a principal causa de morte entre jovens em um terço dos países. Por aqui, o suicídio está atrás de homicídios e acidentes de carro, com taxas 4 e 6 vezes maiores de mortes. O problema é que o assunto ainda é um tabu — e características da adolescência, como isolamento e alterações de humor, fazem com que o comportamento suicida muitas vezes passe batido para a família.
O último Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), de 2013, aponta que 36% dos jovens consomem álcool de forma nociva — quatro doses ou mais em até duas horas. É um aumento de três pontos percentuais em relação há três anos, segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo. Quando a bebida é aliada à depressão, doença que afeta quase um terço dos adolescentes, tem-se uma combinação perigosa. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é a principal causa de doença e inaptidão de adolescentes no mundo.
Outro fator apontado como uma das causas do aumento nos suicídios é o excesso de aulas, cursos e esportes a que os jovens são submetidos. Trata-se de um estilo de vida que está sendo investigado por psicólogos que relacionam a epidemia ao perfeccionismo. Estudo divulgado no ano passado nos EUA apontou que 70% dos 33 meninos que tiraram a própria vida tinham exigências altas demais. “O adolescente muitas vezes sofre com uma imagem fantasiada dos pais e não tem espaço para ser quem ele é, além de não tolerar a frustração”, diz Karen Scavacini, psicóloga e fundadora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio.
INTERNET > Entre trolls e anjos da guarda
A internet tem um papel ambivalente quando o assunto é suicídio. Por um lado, ela pode ser a origem dos problemas dos jovens que tiram a própria vida. Um caso bastante comentado no Brasil foi o de Júlia Rebeca, que em 2013 anunciou sua própria morte pelo Twitter depois que um vídeo íntimo seu com outra jovem e um homem foi divulgado no WhatsApp. Rebeca, que morava em Parnaíba, no Piauí, foi encontrada morta enrolada no fio do aparelho de fazer chapinha. Na mesma semana, uma adolescente de 16 anos se suicidou em Veranópolis, no Rio Grande do Sul, depois que um ex-namorado vazou suas fotos íntimas na internet. “Essa exposição provoca uma dor muito grande e, se os jovens não conseguem falar sobre isso com a família ou amigos porque vão sofrer rejeição, eles correm maior risco de entrar em depressão e cometer suicídio”.
Por outro lado, nem tudo é tragédia na relação entre web e jovens suicidas. A americana Trisha Prabhu, de 13 anos, criou um projeto para combater o cyberbullying, que a levou a ser finalista na Feira de Ciências do Google realizada neste ano. Trisha criou o “Rethink” (repense, em inglês), um sistema de alerta que exige que as pessoas pensem duas vezes antes de postar algo prejudicial em redes sociais. A ideia surgiu depois que ela resolveu estudar o cérebro dos adolescentes e descobriu que ele não está completamente desenvolvido, o que faz com que os jovens sejam mais impulsivos. Trisha testou o alerta com voluntários e, segundo ela, 93% desistiram de divulgar imagens depois do alerta.
Suicídio já foi um tabu maior no passado, quando os jornais sequer falavam no tema por medo do efeito contágio. Anos de debates depois, ficou claro que, na verdade, a melhor forma de combatê-lo é exatamente falando sobre o assunto. “Há 20 anos, ninguém falava em câncer, Aids”, diz Karen. “Hoje, por que as pessoas fazem exames preventivos do câncer? Porque essas doenças foram debatidas, houve mobilização e campanhas.”
O problema do tabu é que as pessoas que tentam o suicídio são vistas como loucos, não como pessoas doentes que precisam desesperadamente de ajuda — e isso só serve para isolá-las ainda mais. Mônica Kother Macedo, psicanalista especializada em suicídio e professora da PUCRS, trabalhou diretamente com pessoas que tentaram se matar e uma das frases mais ouvidas foi “se eu dissesse o que passava na minha cabeça iam dizer que estava louco”. “Às vezes nem a pessoa leva seu sofrimento a sério”.

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10.938 – Quer ficar mais atento? Treine sua mente por uma hora toda semana


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Embora fisicamente seu corpo se encontre no mesmo aposento, frequentemente muito próximo ao interlocutor do papo, e seus olhos se encontrem focados na mesma pessoa, sua mente está em qualquer outro lugar. O pior é quando a pessoa termina a frase com “…não é mesmo, fulano?” e você precisa decidir se assume que não estava prestando atenção ou se corre o risco de dizer “sim” e ver o que acontece.
Um estudo recente, publicado no diário Frontiers in Human Neuroscience, descobriu que episódios frequentes de falta de concentração – como esses em que a nossa mente vai parar em outro lugar – podem ser combatidos usando técnicas simples, de curta duração, de concentração e mindfullness.
O estudo dividiu os participantes em dois grupos. Um deles recebeu treinamento de apenas uma hora por semana, por sete semanas, para observar e ficar atento aos próprios pensamentos e à atividade mental, além de manter o foco no momento. O outro, não. Em seguida, eles foram testados em sua capacidade de se manter concentrados e sustentar a atenção.
Os resultados mostraram que, no começo os grupos não diferiram em atenção, mas ao final, os que receberam treinamento conseguiram permanecer mais atentos e relataram que ‘viajaram’ menos.
A pesquisa usou exercícios específicos, mas você pode alcançar resultados semelhantes com exercícios de foco e meditação. A boa notícia é que o estudo mostra que não são precisos muitas horas.

10.374 – Solidariedade – Como ajudar alguém que acabou de descobrir um câncer?


Tem gente que nem pronuncia o nome, chama de “aquela doença”. No entanto, todo ano, mais de 14 milhões de pessoas pelo mundo não conseguem evitá-la – essa é a estatística de homens e mulheres diagnosticados com o problema. “Quando fiquei sabendo, gelei”, diz a bancária Ingrid Rangel, que recebeu a notícia aos 32 anos, em uma consulta médica. Já a dona de casa Katia Glória, 48, descobriu sobre o tumor ao olhar o resultado de um exame.
Tanto Ingrid quanto Katia tiveram a mesma reação: ligaram para os maridos e dividiram a notícia. O de Ingrid a encontrou na rua para abraçá-la. “Ele estava duro como uma rocha, mas a expressão no seu rosto era triste. Uma tristeza sem dó, pois eu pedi que não tivesse pena de mim”, lembra. O de Katia brigou com ela pelo telefone. “Disse que eu não era médica e não poderia saber se era câncer mesmo.” Depois cancelou todos os compromissos e a levou para jantar e conversar sobre o dali para frente.
O fato é que ninguém está preparado para esse diagnóstico. Isso vale tanto para quem descobre a doença como para quem está próximo: alguns se afastam, outros não tocam no assunto. “Olhar para um amigo com câncer quebra o nosso sentimento de invulnerabilidade, aquele de que nada de mau vai nos acontecer”, explica Regina Célia Rocha, psicóloga do Instituto do Câncer (SP). “A partir daí, pensamos: se aconteceu com ele, pode acontecer comigo. Esse afastamento não é de caso pensado, é sem perceber, acontece por motivos inconscientes”.

Dicas
Fale sobre cura e seja positivo
Nada de olhar com pena ou dó. E não ter dó é bem diferente de fazer de conta que nada está acontecendo.
Seja uma boa companhia. Sessões de quimioterapia – comuns nesses tratamentos – duram cerca de quatro horas.
Quem não tem tempo para estar próximo pode dar carona para ir e voltar do hospital. A ajuda é bem-vinda porque, geralmente, pacientes nessa condição ficam muito fragilizados: enjoados e com baixa imunidade.
Evite atitudes superprotetoras
Não force uma cara de felicidade para o doente. A psiquiatra do A.C. Camargo, Carolina Marçal da Cunha, alerta que muitos amigos e parentes se tornam superprotetores ao longo do tratamento, e que isso é ruim.

10 Mil + ☻Mega Arquivo Post 10.000


velox mega 10 mil

☻ Nota
Chegamos ao histórico post 10 mil, o ☻ Mega Arquivo entra em uma nova fase, mudamos o nosso layout, mas continuaremos com o mesmo empenho e dedicação pela qualidade dos posts.

Autodidatas Famosos
A cada 100 posts, estaremos falando de autodidatas famosos, aqueles que mesmo fora do ensino formal, não deixaram de brilhar com o seu trabalho e em muito contribuíram para a sociedade, colocando uma semente com suas descobertas e/ou atividades.

O autodidata é, antes de mais nada, um curioso. Ele frequenta bibliotecas de forma sistemática, sempre se pergunta o porquê das coisas e tenta descobrir as respostas por conta própria. “Eles pesquisam em vários livros, até descobrirem o que querem saber”, afirma Marfísia Lancellotti, diretora técnica da Biblioteca Mário de Andrade, de São Paulo.

O ponto de partida são as enciclopédias ou os dicionários, mas eles não param por aí. Logo fazem o levantamento bibliográfico e passam a pesquisar em livros, jornais, arquivos e em publicações específicas. Também se valem da troca de correspondência.

O meio, por vezes, é mais importante do que o fim. Para o autodidata, o processo da busca de informação chega a ser mais gratificante do que a obtenção do dado procurado, acredita Silvia Gasparian Colello, professora da Faculdade de Educação da USP.
Para pessoas com esse perfil, o livro é fonte preferencial de novos conhecimentos. Mesmo a internet, que abriu um vasto campo de pesquisa on-line, não reduziu o interesse pelo livro entre os autodidatas. “Eles sabem que muito da informação da internet vem do livro”, diz Marfísia. Mas a rede é importante aliada na busca por informação. “O autodidata sabe que o livro é soberano, mas não é a sua única fonte de informação”, afirma.

A exigência de diplomas faz com que o autodidata, hoje, canalize seu interesse para um hobby, ao contrário dos antigos, que desenvolviam o seu conhecimento sozinhos e não precisavam de um diploma para filosofar ou criar suas teorias. O hobby traz a vantagem de ser uma pesquisa descompromissada, em que o ritmo de estudo e a sua profundidade é dada pela disponibilidade de tempo da própria pessoa. Em consequência, eles costumam saber do seu hobby até mais do que a própria profissão.
Como alguém se torna autodidata? Um bom começo é não abandonar a curiosidade infantil, na opinião do professor Sérgio Antônio da Silva Leite, da Universidade de Campinas (Unicamp). Ele acredita que os autodidatas tiveram, entre a infância e a adolescência, uma relação afetiva, com um professor, parente ou amigo, que lhes motivou o gosto pelo conhecimento.

Um autodidata bilionário
Um autodidata bilionário

Paul Allen
Paul Gardner Allen (Seattle, 21 de Janeiro de 1953) é um empresário e filantropo americano. Em parceria com Bill Gates, foi fundador da Microsoft, a maior e mais conhecida empresa de software do mundo. Participou da banda de rock Grown Men. Foi, em 2007, a décima nona pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna estimada em quatorze bilhões de dólares, segundo a revista Forbes.

Allen afastou-se da Microsoft em 1983, quando lhe foi diagnosticado que sofria de um raro tipo de câncer. Após um tratamento de radioterapia e um transplante de medula óssea venceu a doença e passou a dedicar-se a investimentos nas áreas de esporte (Paul é dono do Portland Trail Blazers e Seattle Seahawks), tecnologia e ciência.
Paul Allen confessou ser um fã devoto do lendário guitarrista Jimi Hendrix, e em 1993 financiou o processo judicial do pai de Jimi, Al Hendrix contra seu ex-advogado que havia lhe roubado os direitos autorais e royalties de seu filho. Al venceu o processo em 1995. Allen já não é muito conhecido pelas pessoas, dado que já se afastou da fama há mais de 25 anos, apesar de ainda continuar a trabalhar.

Em 2009, Allen foi diagnosticado novamente com câncer, desta vez um tumor originado a partir de um linfonodo.

Em 2012 a Revista Forbes classificou Paul Allen como a 48° pessoa mais rica do mundo, com 14,2 bilhões de dólares

9935 – Cinema & Psicologia – Filmes ‘melosos’ agem como terapia para casais


Love Story
Love Story

“Filmes melosos” -como “Laços de Ternura” ou “Diário de uma Paixão”-, que geralmente deixam as mulheres em prantos e os homens entediados, são um dos grandes divisores nos relacionamentos entre um homem e uma mulher. Mas um novo estudo mostra que os filmes emotivos, na verdade, podem reforçar os relacionamentos.
Um estudo da Universidade de Rochester descobriu que os casais que assistiam e conversavam sobre questões expostas em filmes como “Flores de Aço” e “Love Story – Uma História de Amor” tinham menor probabilidade de se separarem ou se divorciarem do que os casais de um grupo de controle.
De modo surpreendente, a intervenção de “Love Story” foi tão eficaz para manter os casais juntos quanto dois métodos de terapia intensiva: o método CARE (que enfoca a aceitação e a empatia no aconselhamento de casais) e o PREP (que se concentra no estilo de comunicação específico que os casais usam para resolver os problemas).
Os pesquisadores queriam uma terceira opção que permitisse que os casais interagissem sem um aconselhamento intensivo.
Encontraram a intervenção fílmica. Nela, faziam os casais assistirem a cinco filmes e depois participarem de discussões guiadas. Os pesquisadores escolheram filmes que mostravam altos e baixos de casais em seus relacionamentos.
Um quarto grupo não recebeu aconselhamento ou recebeu apenas tarefas de autoajuda e serviu como grupo de controle.
Para surpresa dos pesquisadores, a intervenção fílmica funcionou tão bem quanto os dois métodos estabelecidos de terapia para reduzir o divórcio e a separação.
Entre os 174 casais estudados, os que receberam aconselhamento conjugal ou participaram da intervenção fílmica tinham a metade da probabilidade de se divorciarem ou de se separarem depois de três anos, em comparação com os casais do grupo de controle. O índice de divórcio ou separação foi de 11% nos grupos de intervenção, comparado com 24% no grupo de controle.
As conclusões foram publicadas na edição de dezembro do “Journal of Consulting and Clinical Psychology”.
Ronald D. Rogge, o principal autor do estudo, e seus colegas vêm recrutando casais desde então para estudar o efeito da intervenção fílmica em diferentes relacionamentos. Megan Clifton, uma estudante de 27 anos de Knoxville, Tennessee, viveu com seu namorado durante dois anos. Ela diz que os dois têm “ótima comunicação”, mas ela decidiu tentar a intervenção fílmica.
Enquanto assistia a “Uma Noite Fora de Série”, com Tina Fey e Steve Carell, o casal riu em uma cena em que o marido não consegue fechar as gavetas e as portas de um armário.
“Quando estávamos vendo o filme, eu disse: ‘Esse é você!’ e foi engraçado”, disse Clifton. “Acabamos rindo daquilo e a situação nos ajudou a examinar nosso relacionamento e nossos problemas de maneira bem-humorada.”
Novas pesquisas são necessárias para validar o método fílmico. Uma falha do estudo é que o grupo de controle não foi aleatório.
Mas o doutor Rogge, resumindo o valor que ele vê nesse método, disse: “Acredito que é a profundidade das discussões após cada filme e quanto esforço, tempo e introspecção os casais dedicam a essas discussões que vão mostrar como eles se relacionarão dali em diante”.

9826 – ☻Mega Conto – Oásis


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Conta uma popular lenda do Oriente que um jovem chegou à beira de um oásis junto a um povoado e, aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:
– Que tipo de pessoa vive neste lugar ?
– Que tipo de pessoa vivia no lugar de onde você vem ? – perguntou por sua vez o ancião.
– Oh, um grupo de egoístas e malvados – replicou o rapaz – estou satisfeito de haver saído de lá.
– A mesma coisa você haverá de encontrar por aqui –replicou o velho.
No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:
– Que tipo de pessoa vive por aqui?
O velho respondeu com a mesma pergunta: – Que tipo de pessoa vive no lugar de onde você vem?
O rapaz respondeu: – Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. Fiquei muito triste por ter de deixá-las.
– O mesmo encontrará por aqui – respondeu o ancião.
Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:
– Como é possível dar respostas tão diferente à mesma pergunta?
Ao que o velho respondeu :
– Cada um carrega no seu coração o ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui, porque, na verdade, a nossa atitude mental é a única coisa na nossa vida sobre a qual podemos manter controle absoluto.

9482 – Espiritismo – Biografia de Allan Kardec


Kardec 3D

O novo personagem biografado por Souto Maior, o francês Allan Kardec, que viveu no período que vai de 1804 a 1869, foi o responsável pela codificação da Doutrina Espírita. No que depender do autor e dos investimentos da editora, a Record, este livro promete vender tanto quanto ou talvez até mais que outra obra biográfica dele, As Vidas de Chico Xavier, publicada pela Leya.
Este sucesso de vendas atingiu por volta de 1 milhão de exemplares vendidos e foi convertido em uma produção cinematográfica, Chico Xavier, assistida por mais de 3 milhões de espectadores. Kardec é por si mesmo um bestseller. Suas publicações já alcançaram mais de 11 milhões de cópias vendidas em todo o país. Esses dados foram calculados com base apenas na Federação Espírita Brasileira.
A biografia de Kardec também promete ganhar uma versão nos cinemas; o filme será lançado provavelmente em 2015, sob a batuta do cineasta Wagner de Assis. A história tem como público alvo o leitor que não conhece bem o Espiritismo, e com essa aposta a editora se aproxima de um leitor mais propício ao tema.
Apesar de somente 2%, ou seja, 3,8 milhões de pessoas, se confessarem como seguidores da Doutrina Espírita, de acordo com o Censo de 2010, é possível computar pelo menos 50 milhões de simpatizantes dessa crença, conforme cálculos da Federação Espírita Brasileira.
Essas pessoas apresentam uma educação mais apurada e recursos financeiros consideráveis. Elas costumam adquirir livros e não se importam de pagar um valor mais elevado por eles. Talvez por isso a editora esteja jogando todas as suas fichas neste lançamento.
Os responsáveis pelo marketing criaram uma incrível estratégia publicitária. A imagem de Kardec estará presente, por algum tempo, na televisão, nas rádios, no metrô, no mundo virtual e, claro, nas livrarias. Além disso, a editora distribuirá inicialmente 100 mil exemplares deste livro.
Nesta obra o autor transcende a doutrina espírita para descrever como o professor Hippolyte, a princípio descrente, transformou-se em um apóstolo do Espiritismo, praticamente dando impulso à disseminação desta fé religiosa. Nas suas investigações Souto Maior utilizou textos históricos, tais como jornais e revistas publicados no período em que Kardec codificou sua obra. Ele inclui até mesmo originais da Revista Espírita, a qual, na época, era uma publicação mensal de Kardec. Ela circulou durante 12 anos.
Marcel Souto Maior nasceu no Rio de Janeiro, em 1965 ou em 1966. O escritor é também jornalista e já publicou 10 livros. Ele se tornou célebre por suas obras sobre a Doutrina Espírita e o médium Chico Xavier. O autor diz não acreditar em Deus e seu livro, Chico Xavier, deu origem ao filme de mesmo nome, dirigido por Daniel Filho.

9385 – Filosofia Lógica – O que é raciocínio dedutivo?


É um tipo de raciocínio lógico que faz uso da dedução para obter uma conclusão a respeito de determinada premissa. O termo “dedução” está registrado no dicionário como o ato de deduzir, concluir, ou a enumeração minuciosa de fatos e argumentos. A origem do método dedutivo é atribuída aos antigos gregos, com o silogismo do filósofo Aristóteles, sendo mais tarde desenvolvido por Descartes, Spinoza e Leibniz.
Nesta modalidade de raciocínio lógico, dada uma generalização, inferimos as particularidades. As generalizações são sempre atingidas pelo processo indutivo, e as particularidades pelo dedutivo. O raciocínio dedutivo apresenta conclusões que devem, necessariamente, ser verdadeiras caso todas as premissas sejam verdadeiras. Sua base é racionalista e pressupõe que apenas a razão pode conduzir ao conhecimento verdadeiro. Assim, a ideia por trás do método dedutivo é ter um princípio reconhecido como verdadeiro e inquestionável, ou seja, uma premissa maior, a partir da qual o pesquisador estabelece relações com uma proposição particular, a premissa menor. Ambas são comparadas para, a partir de raciocínio lógico, chegar à verdade daquilo que propõe, ou conclusão.

É importante deixar claro que a dedução não oferece conhecimento novo, uma vez que sempre conduz à particularidade de uma lei geral previamente conhecida. O método dedutivo apenas organiza e especifica o conhecimento que já se possui, partindo de um ponto inteligível, ou seja, da verdade geral, já estabelecida, indo a outro ponto interior deste plano. O raciocínio dedutivo parte de uma hipótese geral sem referência com o mundo real, mas com o que o cientista, filósofo ou pensador imagina sobre o mundo. A fonte de verdade para um dedutivista é a lógica, para um indutivista é a experiência.

Talvez o veículo que mais tenha contribuído para tornar famoso o método dedutivo foi a literatura popular, com as publicações das obras de Sir Arthur Conan Doyle, no qual o seu personagem, o detetive Sherlock Holmes conseguia resolver casos mirabolantes através do método da dedução lógica. Doyle demonstrou que toda dedução lógica, uma vez explicada, torna-se “infantil”, pois a conclusão provoca espanto e admiração apenas enquanto os passos de seu desenvolvimento investigativo ainda são desconhecidos. No campo da criminalística forense é imprescindível o uso de processos similares, porém amparados pela metodologia da abdução e da indução, que são outras modalidades de raciocínio lógico.

Exemplos do método dedutivo:

Todo vertebrado possui vértebras. Todos os cães são vertebrados. Logo, todos os cães têm vértebras.
Todo metal conduz eletricidade. O mercúrio é um metal. Logo, o mercúrio conduz eletricidade.
Nos exemplos apresentados, as duas premissas são verdadeiras, portanto a conclusão é verdadeira.

Lógica pode levar a ideias falsas
Curiosamente, o raciocínio dedutivo pode levar ao sofismo, um raciocínio falso, mas que possui aparência lógica. Exemplo:
As galinhas tem dois pés, homens tem dois pés, logo homens são galinhas.
Os nazistas eram nacionalistas, norte-americanos são nacionalistas, logo norte-americanos são nazistas.

9318 – Religião – Um Apóstolo do Espiritismo


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Trata-se do filósofo francês Léon Denis, ele levou as ideias de Allan Kardec para fora dos círculos intelectuais.
O Espiritismo teve o seu marco mais importante em 1857, quando Allan Kardec lançou seu Livro dos Espíritos, colocando em pauta temas como a imortalidade da alma e a reencarnação. Contudo, para que tais ideias extrapolassem limites de um pequeno grupo de intelectuais foi preciso que um outro pensador entrasse logo em ação.
A perseverança e eloquência do filósofo francês foram tais que ainda em vida, foi condecorado com o título de “Apóstolo do Espiritismo” .
Desde cedo, Léon Denis se inquietava comquestões essenciais da existência humana, dedicando-se obsessivamente a estudos de filosofia, astronomia, geografia e história. Entretanto nada satisfazia a sua curiosidade.
Procurando do Catolicismo ao Ceticismo, nada encontrou para a solução do mistério da vida. Encontrou algumas respostas na obra de Kardec. A partir de então, o grande orador da Maçonaria se dirigiria para a investigação de experiências mediúnicas. Suas palestras atraíam multidões.
Em 1905 concluiu sua obra mais conhecida, O Problema do Ser, do Destino,e da Dor, em que fez incursões sobre questões essenciais do Espiritismo. Baseado em algumas experiências mediúnicas, concluiu que ao morrer, a alme ve revelados diante de si todos os seus atos passados, como num espelho. Desse modo, o objetivo da existência da vida não seria a felicidade terrena, mas sim o desenvolvimento e nada mais.
Por suas limitações, o ser humano não consegue alcançar a perfeição em uma só vida, precisando reencarnar muitas e muitas vezes, enfrentando com conciência e determinação o sofrimento que a vida nos impõe e dominando os desejos materiais.

Controvérsias
Nessa época se proliferavam ideias socialistas por toda a Europa, mas Léon não era favorável, pelo contrário.
Segundo ele, os marxistas estariam impregnados de materialismo e isso faria com que seu plano de reforma não estivesse em harmonia com a evolução do Universo. Para alterar definitivamente o curso da História, seria preciso semear a moral e a noção de fraternidade e de solidariedade. A teoria diz que desigualdades seriam necessárias para que as almas em diferentes níveis de evolução pudessem ascender espiritualmente, o que se opunha as ideias do socialismo. Nesse sentido, as condições de vida de cada pessoa seriam fruto de seus próprios erros ou acertos em existências anteriores e cada nova encarnação seria uma oportunidade de aperfeiçoamento.

9307 – Psicologia – O Poder da Persuasão


Trata-se de um ardil muito utilizado no campo da comunicação; os profissionais desta área, principalmente da Publicidade, se valem de recursos, legais ou ilegais, para convencer as pessoas a incorporar determinadas normas de comportamento, teses ou convicções.
Para alcançar esse objetivo é viável recorrer à lógica, à racionalidade ou a símbolos que instiguem outrem a acatar uma concepção, certa conduta ou até a praticar um ato, lícito ou não. Portanto, essa persuasão pode acontecer de forma tranquila, por meio de palavras, ou através de atos repressores, traduzidos por sérias intimidações e pelo exercício da força física.
Por outro lado, convencer alguém de algo não está o tempo todo relacionado com a submissão de uma psique fraca a outra considerada mais elevada. A persuasão pode ocorrer sem que os envolvidos percebam, para propósitos inofensivos. No universo do Direito, todavia, considera-se que seu exercício pode muitas vezes acarretar a transgressão das leis.
Neste sentido, se alguém convence outra pessoa a cometer um crime, o indivíduo persuadido pode ser responsabilizado pelo delito arquitetado por aquele que o coagiu a violar as regras. Isto está previsto no artigo 29 do Código Penal Brasileiro, datado de 1940. Mas também é visto como uma prática criminosa constranger uma pessoa a transgredir as normas.
Alguns seres têm um talento especial para persuadir os outros sem ter que fazer muita força. Eles obtêm vantagens, realizam negociações ou arrecadam recursos com a maior naturalidade. Já os que são convencidos por eles vêem esse dom como algo quase sobrenatural, um carisma inerente a esses indivíduos.
Os mecanismos de domínio e persuasão são analisados e debatidos desde o apogeu da Civilização Grega, na Antiguidade. Nesta época o discípulo de Platão, Aristóteles, desenvolveu a arte da Retórica, a qual tem o poder de revelar, em cada contexto específico, que recursos persuasivos então acessíveis foram utilizados nos bastidores.
Esta teoria aristotélica estava naquele momento no mais alto grau de evidência. Porém ainda hoje ela encanta e seduz os pesquisadores que atuam no campo das Ciências Sociais, principalmente no universo da Psicologia Social. Vários estudiosos têm se dedicado a compreender os elementos que concorrem para que determinadas pessoas estejam mais aptas a persuadir, e outras sejam convencidas por estas.
Suas teorias derrubam alguns mitos, como a crença de que a persuasão é um ofício dominado por uma elite. Eles elevam a persuasão a um nível de destaque na Ciência, e a consideram uma atividade acessível a qualquer um.

9249 – Dinheiro compra felicidade?


Não compra, mas ajuda! É por isso que muita gente vive angustiada pensando em quando terá dinheiro suficiente para não precisar se preocupar com ele. Afinal, não só de pão vive o homem. Quem não precisa de bem-estar, conforto e até uma graninha extra para gastar com bobeiras? “São elementos que, quando incertos, nos colocam em situação de estresse. Quando já temos tudo isso garantido, somos mais livres para fazer só aquilo que queremos.” Imagine poder viajar para qualquer lugar do mundo sem ter que ficar meses economizando e pesquisando pacotes promocionais.
Por outro lado, ter a carteira recheada não garante uma amizade verdadeira e o amor, que são elementos essenciais para o ser humano se sentir completo. E estar feliz traz muitas coisas boas e, segundo pesquisas, atrai até dinheiro. “A pessoa que se sente feliz é mais otimista, ou seja, capaz de olhar os problemas e pensar numa maneira de solucionar. Dessa forma, ela acredita mais e consegue arriscar mais, facilitando a prosperidade”. Já as pessoas que sofrem de miséria material, que afeta os princípios básicos de felicidade, como ter onde morar ou comer, estão longe do tão sonhado final feliz.
Um dos sinais de que dinheiro não tem tanto a ver com felicidade é o índice de suicídios por países. O suicídio está mais ligado aos sentimentos depressivos de solidão das pessoas. Entre os países com alto índice de suicídio estão os Estados Unidos e a França, com cerca de 460 a 500 pessoas para cada 100 mil habitantes, enquanto no Brasil e no México (relativamente mais pobres) este número fica entre 80 a 160.

8885 – Psicologia – Seis maneiras cientificamente comprovadas de ser mais feliz


Por do Sol

Nos últimos anos, cientistas sociais têm chegado a várias conclusões sobre a felicidade. Eles identificam comportamentos, hábitos e maneiras de enxergar o mundo que são mais observados em gente que se declara mais feliz e que desencadeiam sentimentos relacionados à felicidade. Baseando-se nesses estudos, redigimos uma lista de seis atitudes que devem te deixar mais satisfeito consigo mesmo, mais calmo, mais concentrado e, no fim do dia, mais feliz:

Levante do sofá e mexa-se…
Muitos estudos mostram que quem pratica exercícios físicos é mais feliz – trata-se, inclusive, de uma estratégia comprovada para superar a depressão. No livro The Happiness Advantage, o autor Shawn Achor menciona um estudo feito com pacientes que trataram depressão e o grupo que associou medicação com exercícios físicos teve apenas 9% de recaída, contra 38% dos que só tomaram remédio e não se mexeram.

Além disso, um estudo de 2012 do Journal of Health Psychology confirmou que gente que se exercita se sente muito mais satisfeita com o corpo, mesmo quando não há mudanças físicas aparentes. Sem contar a parte que você já conhece: exercício físico desencadeia no cérebro a liberação da endorfina, que alivia a sensação de dor muscular e cujo nome vem de endo + morfina. É conhecido, não à toa, como hormônio do prazer: uma droga natural.

…mas também descanse um pouco

A maioria de nós trabalha demais, passa o resto do tempo livre vendo TV e usando o Facebook e dorme menos do que deveria. Esse hábito não só influencia negativamente sua saúde, mas também impacta na sua felicidade. É que quem dorme mais é mais positivo e encara emoções negativas com menos sensibilidade. Um estudo publicado nesse livro observou que quem dorme pouco tem mais facilidade em acessar memórias felizes, mas não tem problema nenhum em se lembrar das ideias e memórias com conotação negativa. Desnecessário dizer que a quantidade e a qualidade do seu sono à noite afetam seu humor e produtividade pelo dia todo, né?

Medite
Meditar não apenas te deixa mais focado, calmo e produtivo. Parar alguns minutos por dia para esvaziar o cérebro, comprovadamente, pode te fazer mais feliz, imediatamente e a longo prazo. Estudos mostram que, minutos depois de meditar, há um aumento nas sensações de calma, contentamento, na percepção e na empatia. E uma pesquisa do Hospital Geral de Massachusetts, publicada na revista Psychiatric Research: Neuroimaging, concluiu que depois de participar de um curso de meditação, os cérebros dos voluntários do estudo pareceram reprogramados para a felicidade: aumentaram as atividades nas áreas associadas com compaixão e diminuíram nas áreas relacionadas ao stress.
Essa matéria da Psychology Today reúne diversos estudos parecidos, e o que todos eles parecem concluir é que meditar vai te deixar mais gentil, mais calmo e mais satisfeito consigo mesmo. Ou seja: mais feliz.

Seja grato
Apenas o sentimento de gratidão é capaz de aumentar sua satisfação geral com a própria vida. Um dos exercícios mais recomendados é anotar, diariamente, três coisas pelas quais você ficou grato naquele dia. Nesse estudo, o humor e o bem-estar geral dos sujeitos pesquisados melhorou só com esse hábito diário. Gratidão te ajuda a lembrar dos aspectos positivos da sua vida, além de contribuir para te deixar mais otimista por transformar coisas ruins em boas e te lembra do que realmente importa.

Seja solidário
Fazer os outros felizes é fórmula garantida para aumentar seus níveis de satisfação e felicidade. Em vários estudos, conduzidos em épocas e por pesquisadores diferentes (como esse, por exemplo) cientistas observaram que participantes eram mais felizes depois de comprar algo para outra pessoa do que para si mesmo. Outra passagem do livro The Happiness Advantage menciona que gastar dinheiro com outras pessoas aumenta a felicidade. Mas isso, obviamente, não significa que você não pode ser mais feliz se a grana estiver curta e você não puder pagar coisas para os outros. Ajudar os outros de qualquer maneira é um método comprovado de trazer satisfação pessoal e felicidade.
No livro Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well-being, o autor Martin Seligman, que é professor da Universidade da Pensilvânia, diz ter concluído que ser gentil e solidário é o ato mais provável de produzir um aumento na sensação de bem estar, de todos os exercícios testados durante estudos conduzidos por ele. Outro estudo observou dois grupos de pessoas: as que faziam trabalham voluntário e foram obrigados a parar e outras que continuavam com a atividade voluntária. Os resultados mostraram que aqueles que continuavam voluntários mostravam um nível maior de satisfação com a vida.

Tudo que você é precisa é de amor
Não foi a toa que Gandhi, John Lennon e Martin Luther King, por exemplo, bateram nessa tecla há tanto tempo. Pesquisadores de Harvard analisaram a vida de 268 homens por 72 anos e observaram, entre outras coisas, como mudamos quando envelhecemos e quais coisas são mais prováveis de nos fazerem feliz e satisfeitos na vida. O curador chefe do estudo, George Vaillant, um psiquiatra que dirigiu as pesquisas de 1972 a 2004, escreveu um livro para descrever suas descobertas e disse ao Huffington Post que o estudo mostrou há dois pilares para uma vida feliz: “um é o amor. O outro, encontrar uma maneira de lidar com a vida que não afaste o amor.”
Mais de uma vez, quando perguntado o que ele observou que é realmente importante na vida, Vaillant confirmou: “a única coisa que realmente importa na vida são seus relacionamentos com outras pessoas”. Talvez seja necessário dizer que Vaillant não está falando só de relacionamentos amorosos, mas de seus amigos e da sua família, também. Daniel Gilbert, outro pesquisador de Harvard especialista em felicidade, pontua: “somos felizes quando temos família e amigos, e quase todas as outras coisas que nos fazem felizes são apenas jeitos diferentes de conseguir mais família e mais amigos.”

8696 – Filosofia – O que é Altruísmo?


A palavra altruísmo foi criada por Auguste Comte, filósofo francês, que em 1830, a caracterizou como o grupo de disposições humanas, sejam elas individuais ou coletivas, que inclinam os seres humanos a se dedicarem aos outros. Portanto altruismo não é sinônimo de solidariedade como muitos pensam, é um conceito muito mais amplo. É um conceito que se opõe ao egoísmo (inclinações específica e exclusivamente individuais individuais ou coletivas).
Na definição comtiana o altruísmo enquanto virtude é a atitude de viver para os outros. Para que uma pessoa seja altruísta precisa dominar os instintos egoístas, que existem naturalmente em todo o ser humano, fazendo emergir as inclinações benévolas, que também estão sempre presentes.
Um homem altruísta age de modo a conciliar sua satisfação pessoal com o bem estar e a satisfação de seus semelhantes, de sua família e de sua comunidade. Instintos naturais de benevolência isoladamente não constituem o altruísmo. Irão constituir apenas se a pessoa conseguir dar caráter de habitualidade. Os instintos de benevolência, esporadicamente, emergem no comportamento humano. É preciso fazer do altruísmo um estado habitual que diminua e substitua continuamente os instintos egoístas, tornando-os menos ativos e mais controláveis. Esse processo de substituição de atitudes egoístas por atitudes altruístas pode ser ilustrado pela cultura agrícola do milho. Pois enquanto a planta nasce e cresce é necessária a constante atenção a fim de erradicar as ervas daninhas, porém depois que as plantas crescem elas mesmas abafam as plantas daninhas com seu vigor.
O entendimento do conceito de altruísmo tem a relevância filosófica de se referir às disposições naturais do ser humano, o que indica que o ser humano pode ser bom e generoso naturalmente, sem ser necessário a intervenção divina ou sobrenatural.
Segundo o pensamento comtiano o altruísmo apresenta-se em três categorias fundamentais: o apego, a veneração e a bondade. Da direção que vai do apego até a bondade, a intensidade do altruísmo diminui e, dessa forma, sua importância e sua nobreza aumentam. O apego diz respeito ao vínculo que os iguais possuem entre si. Já a veneração se refere ao vínculo que os mais fracos têm para com os mais fortes (ou o vinculo entre os que vieram depois para com os que vieram antes). E por fim, a bondade, é o sentimento que os mais fortes têm em relação aos mais fracos (ou aos que vieram depois).

8575 – Alcoolismo – Pesquisa brasileira mostra alterações cerebrais durante abstinência do álcool


Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos alcoólatras quando tentam se livrar do vício são as crises de abstinência. Após anos consumindo a substância regularmente, o corpo reage ao corte repentino da bebida com uma série de sintomas como ansiedade, irritabilidade, tremores, náuseas e, em casos mais extremos, convulsões e delírios. Pesquisadores do Laboratório de Neurobiologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descobriram que, durante essas crises, algumas regiões cerebrais diretamente envolvidas com a dependência sofrem alterações importantes, com um aumento na produção de receptores canabinoides.

Os pesquisadores separaram os animais entre aqueles mais sensíveis e mais resistentes aos efeitos cumulativos do álcool. Após cortar a administração da droga, eles analisaram seus cérebros e descobriram que os mais sensíveis apresentavam uma quantidade maior de receptores canabinoides em áreas relacionadas à dependência.
O cérebro humano produz uma série de substâncias conhecidas como endocanabinoides, que possuem estrutura semelhante ao tetrahidrocanabinol (THC) — componente responsável pelos principais efeitos da maconha. Essas substâncias possuem várias funções corporais, entre elas a regulação de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, relacionados a transtornos psiquiátricos, ao sistema de recompensa do cérebro e à dependência.
No estudo, a intenção dos pesquisadores da Unifesp foi analisar a quantidade de receptores a esses endocanabinoides que poderia ser encontrada no cérebro de camundongos em meio a crises de abstinência. Para isso, eles forneceram aos animais doses diárias de álcool, e separaram aqueles que pareciam mais sensíveis aos efeitos da droga daqueles que se mostraram resistentes.
Após 21 dias, eles cortaram a administração do álcool. Ao analisar o cérebro dos animais, eles descobriram que a ausência súbita da substância produzia, apenas nos ratos mais sensíveis, um aumento na quantidade de receptores canabinoides em regiões responsáveis pela aprendizagem, memória, emoções, motivação, tomada de decisão e estresse. “Além disso, uma nova dose de álcool reverteu totalmente os efeitos da abstinência sobre estes receptores”, afirma Cassia Coelhoso, pesquisadora da Unifesp e uma das responsáveis pelo estudo.
Segundo os pesquisadores, ainda não é possível saber por que o número de receptores canabinoides aumenta nesses animais. “Não sabemos se esse aumento causa os sintomas de abstinência ou se ele acontece justamente para diminuir esses efeitos. Precisaremos de mais pesquisas para saber se ele é um desencadeador da crise ou um protetor do sistema nervoso”, afirma Renato Filev, pesquisador da Unifesp e coautor do estudo.
Para o cientista, o que a pesquisa mostra claramente é uma relação entre os receptores canabinoides e o alcoolismo. Isso pode levar, no futuro, ao desenvolvimento de melhores tratamentos para a dependência da substância. “O sistema endocanabinoide pode ser um importante alvo terapêutico para o alcoolismo, principalmente durante a fase de abstinência, caracterizada por altas taxas de recaídas. No futuro, podemos encontrar algum tipo de molécula que possa manipular esse sistema. O problema é que ainda não sabemos se procuramos por algo que o ative ou desative.

8546 – Psicologia – Como a Ciência e a Filosofia encaram a Morte


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Há muito tempo, no Tibete, uma mulher viu seu filho, ainda bebê, adoecer e morrer em seus braços, sem que ela nada pudesse fazer. Desesperada, saiu pelas ruas implorando que alguém a ajudasse a encontrar um remédio que pudesse curar a morte do filho. Como ninguém podia ajudá-la, a mulher procurou um mestre budista, colocou o corpo da criança a seus pés e falou sobre a profunda tristeza que a estava abatendo. O mestre, então, respondeu que havia, sim, uma solução para a sua dor. Ela deveria voltar à cidade e trazer para ele uma semente de mostarda nascida em uma casa onde nunca tivesse ocorrido uma perda. A mulher partiu, exultante, em busca da semente. Foi de casa em casa. Sempre ouvindo as mesmas respostas. “Muita gente já morreu nessa casa”; “Desculpe, já houve morte em nossa família”; “Aqui nós já perdemos um bebê também.” Depois de vencer a cidade inteira sem conseguir a semente de mostarda pedida pelo mestre, a mulher compreendeu a lição.
Voltou a ele e disse: “O sofrimento me cegou a ponto de eu imaginar que era a única pessoa que sofria nas mãos da morte”.
A morte pode até ser tratada como um tabu, assunto do qual a maioria das pessoas não gosta de falar. Mas, seja como for, aceitemos isso ou não, a morte é um fato, uma realidade inexorável. E que vem para todos nós. Por mais que queiramos nos esconder dela, deixar de existir é uma coisa tão natural quanto existir. Na verdade, a morte é provavelmente a única coisa certa na sua existência ou na minha – e também na de nossos pais, nossos filhos, nossos ídolos e inimigos, de todas as pessoas que amamos e mesmo daquelas que jamais chegaremos a conhecer: é certo que todos nós vamos morrer um dia.
Pode-se conviver melhor ou pior com ela. Mas não se pode evitá-la. Pode-se aceitar a sua inevitabilidade e olhá-la de frente. Ou pode-se negá-la, fugir dela, imaginar que não pensar na morte possa fazer com que ela deixe de acontecer com você ou com a sua família. Mas o fato é que todos nós estamos programados para nascer, crescer e morrer – uma obviedade esquecida por boa parte da sociedade ocidental contemporânea, que teima em ver a morte como um evento artificial, inesperado e injusto. Sobretudo, costumamos vê-la como um evento exclusivo, pessoal, que isola quem sofre uma perda, por meio da dor, do resto do mundo. Quando, ao contrário, não há nada menos exclusivo do que morrer. Nem nada que perpasse mais a humanidade do que o sofrimento de uma perda.
Como está expresso na fábula tibetana, a morte não é privilégio nem desgraça particular de ninguém. Ela chega para todos, sem exceção.

Uma adversária, que poderia ser vencida pelos avanços científico-tecnológicos do século XX, que aumentaram indiscutivelmente a eficiência dos diagnósticos, dos medicamentos, das técnicas cirúrgicas etc. O sonho da permanência ganhou um reforço com as melhorias trazidas pela medicina, com o aumento da expectativa de vida, com a possibilidade de haver cura para todas as doenças, mesmo o câncer ou a Aids. Enfim, soa como um despropósito falar de morte a quem tem as descobertas da ciência a seu favor. Afinal, se existem meios de prolongar a vida útil do ser humano, de manter-se jovem, de atrasar o envelhecimento, de viver mais de 100 anos, por que pensar na finitude?
É um paradoxo: a valorização da vida e a ilusão de eterna beleza e jovialidade trazidas pela vida moderna acabam gerando, por meio do apego a tudo isso, muito mais tristeza e sofrimento pelo fim inevitável da existência do que felicidade pelo mais de vida que proporcionam.
Os doentes morrem no hospital, longe dos olhos – e, não raro, do coração – de seus amigos e parentes. E os rituais de luto são cada vez mais rápidos e pragmáticos. O medo natural que todo ser humano sente diante da própria finitude vira pânico. E mesmo a morte natural – não causada, por exemplo, pela tremenda violência que a cada dia assola os cidadãos no Brasil – acaba virando sinônimo de aniquilamento sumário, de abreviamento. O que, no mais das vezes, não corresponde à realidade por se tratar apenas de uma vida que chegou naturalmente ao fim, de uma existência que simplesmente expirou.

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O primeiro passo para conviver melhor com a ideia da morte é esquecer aquela imagem medieval, um tanto tétrica, de um esqueleto coberto com uma capa preta carregando uma foice afiada na mão. Talvez uma imagem melhor para a morte seja imaginá-la como o fim de uma festa muito bacana: você já sabia que ela acabaria, que ela teria que acabar, em algum momento. E, pensando bem, talvez não seja de todo mal que a festa termine. Você agüentaria dançar na pista para sempre? Por melhor que seja a música, tem uma hora que seu corpo e sua mente pedem descanso. E aí, talvez, seja o momento mesmo de sair da pista, serenamente, sem traumas, e dar lugar a quem está chegando à festa cheio de gás.

O medo da morte é um sentimento inerente ao processo de desenvolvimento humano. Aparece na infância, a partir das primeiras experiências de perda. E tem várias facetas: trata-se de um medo do desconhecido, somado ao medo da própria extinção, da ruptura da teia afetiva, da solidão e do sofrimento.
Na ilusão da imortalidade, o ser humano acredita que suas obras sejam permanentes e garantam que ele não seja esquecido. Cada um adapta, à sua própria maneira, a máxima “plantar uma árvore, escrever um livro e fazer um filho”. Isso ocorre porque, para o nosso inconsciente, a morte nunca é possível nem admissível quando se trata de nós mesmos. “A idéia da não-existência provoca tal desconforto que a mente humana acaba criando alguns mecanismos de defesa para fugir dessa realidade”, diz o psiquiatra e psicanalista Roosevelt Smeke Cassorla, da Sociedade Brasileira de Psicanálise, em São Paulo. A negação e a repressão da idéia de morte são exemplos desses artifícios.
Desde os tempos mais remotos, os homens já enxergavam a morte como elemento antagônico à vida – e não como parte integrante e inseparável dela. Talvez fosse mais fácil aceitá-la como fato natural quando ela acontecia aos borbotões, quando a expectativa de vida das pessoas era de 35 anos. Mas o estranhamento e o terror sempre existiram. As pinturas encontradas nas paredes de cavernas como Lascaux e Chauvert, na França, revelam o incômodo que a morte provocava no homem de 30 000 anos atrás. Os episódios alegres, como as caçadas, eram retratados em cores vivas, usando óxido de ferro (alaranjado) ou calcário amarelo. As imagens fúnebres, por sua vez, eram pintadas com cores escuras, com carvão.
O antagonismo se mantém dentro de cada um de nós, no jogo constante entre Eros, o deus grego do amor, e Tanatos, o deus da morte, para usar uma imagem cunhada por Sigmund Freud, fundador da psicanálise. As forças da vida, representadas por Eros, estimulariam o crescimento, a integração, a autoproteção e a sobrevivência. As forças da morte, representadas por Tanatos, alimentariam os instintos destrutivos e as atitudes de auto-sabotagem, por exemplo. Da conciliação dessas forças contraditórias, surgiria o equilíbrio e o vigor emocional necessários para viver.

Uma história antiga ajuda a entender melhor esse processo de pequenas aprendizagens – e como muitos de nós o ignoram. Um dia, há muito tempo, um homem resolveu fazer um trato com a Morte. Prometeu a ela que não ofereceria resistência quando sua hora chegasse. Mas pediu, em troca, que fosse avisado com antecedência porque queria ter tempo suficiente para terminar todas as suas tarefas. O acordo foi feito. Tempos depois, houve um acidente grave na cidade e muitos amigos do homem morreram. Anos mais tarde, um vizinho próximo faleceu. Em seguida, foi a vez de um tio. Até que o homem ficou doente e, em alguns meses, encontrou-se com a Morte. Ela tinha vindo buscá-lo. Revoltado, reclamou: “Eu pedi que você me avisasse quando viria e não recebi um sinal!” Ao que a Morte respondeu: “A morte dos seus amigos, do seu vizinho, do seu tio não bastaram?”
Para quem busca na filosofia maneiras de lidar melhor com a morte, as reflexões finais do filósofo grego Sócrates – condenado a tomar cicuta, um veneno letal –, realizadas no século V a.C., representam um excelente exercício de aceitação. “Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas. Ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja. Ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para outro”, afirmou Sócrates. Em outras palavras: para quem não acredita na continuação da vida, a morte é o nada, é a ausência completa de angústias e desesperos, é o fim das aflições. E para quem acredita na continuação da vida, a morte é a passagem desta existência para outra melhor. De qualquer modo, a dor estaria na vida e não na morte.

“Apesar de considerarmos a morte como um evento biologicamente irreversível, ela não pode ser determinada exclusivamente pelo critério biológico, pois envolve também questões ontológicas e filosóficas”, afirma o patologista forense Marcos de Almeida, professor de Medicina Legal e Bioética da Universidade Federal de São Paulo. Alma e consciência são sinônimos? Existe uma alma imortal? Se sim, para onde ela vai quando morremos? Sem respostas definitivas da ciência, o homem busca, nas crenças religiosas, explicações para o fenômeno da morte. Para uns, trata-se de uma passagem, uma transição desta vida para outra, mais plena e mais feliz. Para outros, é o momento máximo de iluminação, uma forma de libertação do sofrimento.
Há ainda aqueles para quem morrer é simplesmente deixar de existir – como se fôssemos uma lâmpada que se apaga, sem qualquer possibilidade de transcendência.
Se há uma outra vida que se segue à morte, existiria então uma continuidade da mente ou do espírito.
Em oposição à visão espiritualista da morte, há a tradição materialista ocidental, que surgiu na Antiguidade e depois foi retomada pelos filósofos do Iluminismo, a partir do século XVIII, para a qual a morte é o fim total e absoluto. Nada mais do que a interrupção de um processo neurofisiológico, de um mero evento biológico. Essa concepção, mais tarde lapidada pelos existencialistas, como o francês Jean-Paul Sartre, funda muito da nossa visão de que morrer é um fracasso, um escândalo, uma idéia inconcebível com a qual é impossível lidar e inútil tentar conviver. “Morrer é um absurdo”, escreveu o filósofo existencialista Arthur Schopenhauer (1788-1860). A morte não cabe na idéia cartesiana de vida – para a qual tudo poderia ser medido, compreendido, planejado. A finitude quebra a ilusão iluminista e antropocêntrica de que o homem poderia controlar tudo por meio da sua razão. A possibilidade de não estar mais aqui amanhã não cabe nesse jeito de entender o mundo.

O temor do “contágio” pela morte explica a solidão e a frieza das unidades de terapia intensiva, onde, muitas vezes, os doentes terminais morrem sem a possibilidade de dizer uma última palavra aos que amam e sem ninguém que lhe ofereça conforto espiritual. Claro que morrer assim dá muito medo. Estabelece-se aí um círculo vicioso: temos pânico da morte porque ela nos parece horrível e a tornamos muito mais horrível do que poderia ser porque nos afastamos dela – e de quem morre. O escritor budista Sogyal Rinpoche, autor de O Livro Tibetano do Viver e do Morrer, espantou-se quando visitou o Ocidente pela primeira vez, na década de 1970, e constatou a insensibilidade do atendimento aos doentes terminais. “O que me perturbou profundamente, e ainda continua a perturbar, é a quase inexistência de auxílio espiritual que há na cultura moderna para aqueles que vão morrer”, escreveu ele. “Cuidado espiritual não é luxo para poucos; é direito essencial de todo ser humano.”
No início dos anos 70, iniciou-se um movimento de humanização da medicina, principalmente no campo do atendimento aos pacientes terminais, que veio a se contrapor à frieza ainda dominante dos hospitais modernos. A enfermeira britânica Cicely Saunders inovou ao propor um atendimento multiprofissional aos pacientes portadores de câncer avançado, em locais chamados hospices. Nesses abrigos, o doente conta com os cuidados médicos e com a proximidade da família. Da equipe multiprofissional fazem parte também psicólogos e sacerdotes de diferentes religiões, prontos a oferecer assistência psicológica e espiritual. O “movimento hospice” incentivou a criação das unidades de cuidados paliativos, que funcionam ligadas aos hospitais, e do homecare, o atendimento domiciliar a pacientes terminais. A idéia é simples: tão fundamental quanto ter uma boa vida é gozar de uma morte mais humana, mais envolta em serenidade e ternura.
Eis o conceito, ainda tímido no meio médico mas bastante pertinente, de ortotanásia – a morte digna, sem abreviações desnecessárias e sem sofrimentos adicionais.

Uma das imagens utilizadas na meditação para caracterizar os instantes finais da existência é a de uma bela atriz sentada em frente ao espelho. O último espetáculo está prestes a começar. Ela retoca a maquiagem e repassa a sua fala antes de pisar no palco pela última vez. Está preparada para a apresentação derradeira. Esse é o objetivo da meditação: adquirir a capacidade de manter a mente tranquila e o espírito sereno no momento da morte, independente de quando e de como ela aconteça.