14.338 – Reino aqui nesse Mundo Mesmo – Qual a religião mais rica do planeta?


religiões
Não há dados 100% confiáveis.
A religião é uma instituição financeira tanto quanto espiritual. Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam.
Não é surpreendente que as maiores religiões do mundo – Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Budismo e Hinduísmo – promovam a acumulação de riquezas através de seus sistemas de crenças, o que contribui para a prosperidade econômica.
Incentivos espirituais como a danação e a salvação são motivadores eficientes. Por isso, religiões que dão ênfase à crença no inferno são mais propensas a contribuírem para a prosperidade econômica do que as que enfatizam a crença no paraíso.
As religiões que têm foco na crença no paraíso dão mais importância a atividades redistributivas (caridade) para diminuir o tempo das pessoas no inferno e chegar mais perto do paraíso.
Já o incentivo que se baseia na crença no inferno parece mais eficiente para o comportamento econômico, porque motiva os fiéis a trabalhar mais duro para evitar a danação.
Arrecadação
A estrutura organizacional, assim como o sistema de crenças de uma religião, afeta diretamente sua habilidade de arrecadar fundos dos fiéis.
A riqueza das religiões, de maneira muito semelhante à riqueza das nações, depende da estrutura de sua organização. Mas, diferentemente das corporações, as finanças das religiões não são transparentes para o público nem são monitoradas.
Algumas estruturas religiosas são hierárquicas como a da Igreja Católica Romana, com a concentração de riqueza no clero e no Papado. Por contraste, as igrejas evangélicas e pentecostais favorecem um acúmulo de riqueza de pai para filho.
O famoso evangelista americano Billy Graham e seu filho William Franklin Graham 3º, que assumiu a presidência da associação evangelista do pai, são um exemplo de como o poder espiritual e a riqueza de uma religião são mantidos pelos laços familiares.
Outras organizações tendem a ser descentralizadas e comunitárias por natureza, como o judaísmo, com as sinagogas locais mantendo a autonomia sobre as finanças.
Mas as religiões coletivas, como as monoteístas, requerem a crença exclusiva em um só Deus e contam financeiramente com tributos e doações voluntárias de seus membros.
Como consequência, um templo, igreja ou mesquita exerce pressão coletiva e outros tipos de sanções grupais para garantir a ajuda financeira contínua dos fiéis à religião.
No entanto, uma dificuldade constante enfrentada pelas religiões é que muitos membros decidem agir de acordo com sua própria vontade e não dar apoio financeiro.
Outro tipo de estrutura religiosa é a privada ou difusa. Hinduísmo e budismo são religiões privadas, em que os fiéis realizam atos religiosos sozinhos e pagam uma taxa para um monge pelo serviço.
Nestes casos, as atividades religiosas são partes da vida diária e podem ser feitas a qualquer momento do dia. Elas não requerem nem um grupo de fiéis nem a presença dos monges.
Estas religiões privadas tendem a ser politeístas e sustentadas financeiramente pelo pagamento de uma taxa de serviço.

Não chega a ser tão ruim
Religiões com muitos recursos, como por exemplo o catolicismo romano e o islamismo, historicamente foram – algumas vezes – monopólios financiados pelo Estado.
A regulação da religião pelo Estado pode reduzir a qualidade das vantagens espirituais na medida em que aumenta a capacidade da religião de acumular riqueza. Mas uma religião subsidiada pelo Estado pode ter um efeito positivo na participação religiosa.
Por exemplo, os governos da Dinamarca, Suécia, Alemanha e Áustria subsidiam muitas religiões para a manutenção de suas propriedades, a educação do clero e os serviços sociais.
Mesmo que isso não necessariamente aumente o número de pessoas que frequentam a igreja, o investimento financeiro do Estado nas instituições religiosas aumentou as oportunidades das pessoas de participarem de atividades patrocinadas pela religião.

14.312 – Economia – Quais os Maiores PIBs do Planeta?


PIB_Nominal_FMI_WEO_2015
O Produto Interno Bruto (PIB) é o valor de mercado de todos os bens e serviços finais de um país em um determinado ano. Os países são organizados segundo estimativas do Produto Interno Bruto (PIB) nominal de instituições financeiras e estatísticas, onde é calculada à taxa de câmbio oficial do mercado ou governamental. O PIB nominal não leva em consideração as diferenças no custo de vida em diferentes países, e os resultados podem variar muito de um ano para outro com base em flutuações nas taxas de câmbio e valor da moeda do país. Tais flutuações podem alterar a posição de um país no ranking mundial de um ano para o outro, mesmo que muitas vezes façam pouca ou nenhuma diferença nos padrões de vida de sua população.
Os Estados Unidos são a maior economia do mundo, com um PIB de aproximadamente US$ 17,9 trilhões, nomeadamente devido a elevada renda de uma grande população,[6] investimentos capitais, desemprego moderado, altos gasto dos consumidores, população relativamente jovem, e inovação tecnológica. Tuvalu é a menor economia nacional do mundo, com um PIB de cerca de US$ 33 milhões, isso devido à sua população muito pequena, escassez de recursos naturais, dependência de ajuda externa, investimento capital insignificante, problemas demográficos, e a baixa média de renda.
Apesar dos rankings das economias mundiais mudarem consideravelmente ao longo do tempo, os Estados Unidos se mantem no topo desde a idade do ouro, um período de tempo em que a sua economia passava por uma rápida expansão, superando o Império Britânico e a Dinastia Qing em relação ao PIB Nominal. Após a transição da China para uma economia de mercado através da privatização e da desregulamentação, o país viu a sua nota aumentar no ranking desde 1978, e tornou-se a segunda maior economia do mundo em 2015, e com o crescimento econômico acelerado, a sua participação no PIB nominal mundial subiu de 2% em 1980 para 15% em 2015. A Índia também tem experimentado um crescimento econômico semelhante desde a implementação das reformas neoliberais no início de 1990.[16] As entidades supranacionais também estão incluídas, a União Europeia é a segunda maior economia do mundo. Tornou-se a maior economia do mundo em 2004, quando dez países aderiram à União, e em 2015 foi superada pelos Estados Unidos.
Comparações de riqueza nacional são frequentemente feitas com base na Paridade do Poder de Compra (PPC), para ajustar as diferenças no custo de vida em diferentes países. A PPC remove grande parte das taxas de câmbio, mas tem suas desvantagens; não reflete o valor da produção econômica no comércio internacional, e também exige mais de estimativas do que o PIB nominal. Na PPC os números per capita são menos distribuídos do que os valores per capita do PIB nominal.

PIB mundial

ONU

14.301 – Soluções para Salvar a Economia


saude economica
O episódio conhecido como Grande Depressão consistiu numa queda de 26% no PIB dos EUA entre 1929 e 1933. O Goldman Sachs, um banco americano, prevê um baque de 24% por lá só neste trimestre (que vai de abril a junho). O UBS, um banco suíço, imagina algo na mesma linha para o Brasil: tombo de 20% no PIB.
A queda agora deve concentrar em três meses os quatro anos da maior crise econômica que o mundo já viu em tempos de paz. Até o termino desse artigo, não havia dados concretos sobre o aumento no desemprego no Brasil em março, o mês em que o coronavírus começou a fechar o País. Mas as previsões eram feias – uma subida dos 11% de fevereiro para mais de 16%. Nos EUA, idem: a maior economia do mundo viu 16 milhões de vagas evaporarem em três semanas. 10% da força de trabalho deles foi para a rua da noite para o dia.
A Grande Depressão só virou o que virou porque o governo dos EUA fez o favor de ficar de braços cruzados. Aquela crise começou com o Crash de 1929, uma queda abrupta de 23% em dois dias no valor das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York (o fundo do poço só viria em 1932, com uma queda acumulada de 89%). A queda não teve uma razão. Não havia guerra, pandemia nem nada parecido à espreita. Foi basicamente um tombo forte do mercado depois de anos de subida incessante.
Esse baque inicial, porém, criou um efeito dominó. Bancos que tinham dinheiro demais investido em ações faliram. Com menos bancos, muitas empresas ficaram sem ter como tomar dinheiro emprestado para as despesas do dia a dia. Quebraram. Com menos empresas, começou a faltar emprego. Sem emprego, o consumo baixou. E mais empresas quebraram, retroalimentando o círculo vicioso. A crise se espalharia pelo mundo, pois já havia uma economia global – e os EUA já eram o jogador principal ali.
O governo de lá poderia ter dado uma força. O Estado tem o poder de criar moeda. De imprimir dinheiro. E quando falta dinheiro em circulação, o governo tende a materializar esse dinheiro mágico, para evitar que seus cidadãos acabem se estapeando no meio da rua por maçanetas de porta ou por comida.
O governo dos EUA não fez nada para evitar a queda. A justificativa era quase religiosa: não haveria ajuda do Estado porque a ideia era justamente fazer uma “faxina”. Tirar do jogo os “especuladores”. “Isso expurgará o sistema, que está podre”, disse Andrew Mellon, então secretário do Tesouro (equivalente a ministro da Fazenda) dos EUA. “Os padrões de vida serão reduzidos. As pessoas trabalharão mais, levarão uma vida mais de acordo com a moralidade. Os valores se ajustarão, e os empreendedores recolherão os destroços dos menos competentes.” Deu ruim.
O ministro da fazenda americano disse, em 1929: “Os padrões de vida serão reduzidos. As pessoas trabalharão mais, levarão uma vida mais de acordo com a moralidade. Os valores se ajustarão, e os empreendedores recolherão os destroços dos menos competentes.” Deu ruim.
A economia parou de cair em 1934, mas o desemprego continuaria roçando na casa dos 20% por vários anos.
“O que realmente pôs um fim na Grande Depressão foi um programa massivo de obras públicas chamado Segunda Guerra Mundial”, disse certa vez o Nobel de economia Paul Krugman. De fato. A produção de aviões, navios de combate e a logística brutal das operações de guerra na Europa e no Pacífico criaram uma situação de pleno emprego nos EUA – com o índice de pessoas sem trabalho caindo para míseros 1,2% em 1944, no auge do conflito.
Esse boom na produção fez o PIB americano crescer severamente durante a Guerra – entre 1941 e 1943, admiráveis 15% ao ano. Mas de onde vinha a grana para pagar o pessoal que fazia os aviões, os encouraçados, a comida e o cigarro dos soldados? Vinha da grande casa de papel americana: o Federal Reserve (Fed), que é o Banco Central deles.
Bancos centrais têm o poder de imprimir dinheiro, e fazem parte do governo. Mas seu papel nas economias não é pagar os gastos do governo. O que eles fazem no dia a dia é controlar o volume de moeda que circula pela economia.
Se os índices de inflação começam a subir, significa que tem dinheiro demais na praça. No caso, mais dinheiro em circulação do que coisas que existem para comprar com esse dinheiro. Então os preços sobem. Inflação. E aí quem perde o valor é o dinheiro. Um Banco Central (BC) existe para manter o valor da moeda.
Para evitar tal perda de valor, o Banco Central age para tirar dinheiro da economia. Então ele chega nas instituições financeiras, ou seja, nos bancos normais, pedindo dinheiro emprestado. Não que ele precise (ele tem o poder de fabricar moeda do nada, afinal). Ele só pega emprestado dos bancos para que os bancos não possam emprestar esse dinheiro para o público, para nós. Para que os bancos topem emprestar, ele oferece juros mais gordinhos. Quando você vê no noticiário que “os juros subiram”, é isso que aconteceu.
Mas tem um outro lado nessa moeda. Se os índices de inflação estão caindo, o que acontece? O BC fica lá parado estourando champanhe para comemorar a valorização da moeda? Não. Inflação é ruim. Mas deflação, queda generalizada nos preços, é pior. Significa que a economia está deixando de funcionar, que ninguém mais está comprando nada. Nos EUA da Grande Depressão, os preços caíam 15% ao ano, por pura falta de demanda. No mundo pós-coronavírus, vale adiantar, é o que já está acontecendo.
Então o que é o ideal? Uma inflação absolutamente zero? Também não. Se nenhum preço jamais sobe, significa que a economia congelou. Preços em ligeira alta, num setor específico, são um bom sinal. Se o preço da pizza no seu bairro está subindo, isso pode significar que há espaço para você criar uma pizzaria. E isso é bom.
O que os governos fazem, então, é estabelecer uma meta de inflação para o ano. No Brasil, ela está em 4% para 2020. E isso significa o seguinte: se os índices de inflação estiverem abaixo de 4%, o Banco Central tem a obrigação de imprimir dinheiro – mais exatamente, de criar moeda eletrônica, já que ninguém mais usa dinheiro de papel. Então ele cria essa moeda e faz o quê? Deposita na nossa conta? Infelizmente não. Ele pega e dá emprestado, a juros baixinhos, de pai para filho, para os bancos. Quando você vê no noticiário que “os juros caíram”, foi isso que aconteceu.
Com mais dinheiro na mão, os bancos tendem a emprestar mais. É assim no mundo inteiro. O nome dessas jogadas entre o Banco Central de um país e os bancos normais que operam ali é “política econômica”. É ela que determina o valor do dinheiro e dá forças para a economia crescer quando esse dinheiro está devidamente valorizado.
No Brasil, o BC só pode imprimir dinheiro para fazer a tal política econômica. A Lei de Responsabilidade Fiscal, editada no ano 2000, tem um ponto importantíssimo: proíbe a impressão de dinheiro para financiar o Estado.
Isso é ótimo, já que nos livrou de qualquer nova ameaça de hiperinflação.
Se o governo quiser construir estádio, hidrelétrica ou hospital, vai ter de arranjar o dinheiro por conta própria. Que se vire cobrando mais impostos ou pegando emprestado na rua. E é o que ele faz mesmo. Ele pede emprestado “na rua” lançando títulos públicos. Um título público é como se fosse um vale que diz “Obrigado por emprestar R$ 1.000 ao seu maravilhoso governo. Prometemos pagar R$ 1.100 de volta daqui a três anos”. Aí o governo paga ou com o dinheiro que entrar de impostos lá na frente ou fazendo uma dívida nova, com outra pessoa, para não te dar um calote. Rola a dívida. O nome do montante que o governo deve é “dívida pública”.
A do Brasil, como a de qualquer outro país, vem sendo rolada desde o Pré-Cambriano. Está hoje em quase R$ 6 trilhões (ou 80% do PIB, que é como os técnicos medem as dívidas de cada país). O resto é igual na sua vida: quanto maior a dívida, maior o risco de calote, então o governo precisa pagar juros maiores para continuar rolando.
Se o Banco Central pudesse imprimir dinheiro para comprar títulos públicos, estaria financiando o governo por magia. É isso que a nossa Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe. E a compra nem precisa ser direto do governo. Se um banco tem uma tonelada de títulos públicos em seu poder (e todos têm), o BC vai lá, imprime dinheiro e compra. Nisso, o governo ganha uma folga: deixa de ter dívida com o banco. O dinheiro que o Estado usaria para rolar essa dívida fica livre para ele gastar como bem entender. Na prática, é exatamente como se o BC tivesse imprimido o dinheiro e dado de presente para os cofres da União. A Lei de Responsabilidade Fiscal, então, não permite que o BC compre títulos – a não ser para fazer a tal política econômica.
Nos EUA é diferente. Não existe uma lei assim. O Fed pode criar dinheiro para comprar títulos públicos. Tem licença para imprimir dinheiro. E agora o Brasil segue pelo mesmo caminho. A PEC do “Orçamento de Guerra”, aprovada em abril pelo Congresso, permite a compra de títulos públicos com dinheiro novo, pelo menos enquanto vigorar o estado de calamidade pública.
Isso dá poder de fogo ao governo para bancar medidas anticrise, como aquela ajuda de R$ 600 por três meses e as liberações de seguro-desemprego a quem tiver o salário reduzido ou suspenso. E não menos importante: vai deixar os bancos com muito mais dinheiro para emprestar.
Além disso, a PEC permite que o BC compre títulos privados em poder dos bancos. Ou seja: se a Petrobras deve R$ 1 bilhão para o Bradesco, o BC pode dar esse bilhão ao Bradesco, e aí assume para si o risco de a Petrobras não pagar. É o que os EUA estão fazendo também. A ideia principal é encher os bancos de dinheiro novo e pedir pelo amor de Deus para que eles emprestem mais, e a juros menores. Se esses títulos privados forem de companhias menores, melhor ainda. Você mata dois coelhos: enche o caixa dos bancos e desafoga a rolagem de dívidas das pequenas empresas – ainda mais levando em conta que elas respondem por 54% das vagas formais no Brasil.
A fé de que esse tipo de medida dê resultado é grande. Tanto que as previsões são de uma retomada firme já no terceiro trimestre (julho-setembro), com subidas de mais de 15% no PIB, seja aqui, seja lá fora. O ano fecharia ainda numa recessão brava, mas administrável: na casa de 5% negativos.
Mesmo assim, o Fed radicalizou. Decidiu fazer ele mesmo certos empréstimos, para não ter de se ajoelhar para os bancos. O BC dos EUA criou um programa de resgate a pequenas e médias empresas. Eles imprimem os dólares e emprestam para você, empresário. Os juros são de 1% ao ano.
E tem um plot twist aí: se você provar que gastou 75% com pagamento de salários, e os outros 25% em aluguel, água, luz, eles perdoam a dívida. Fica por isso mesmo. Não é juro zero. É amortização zero. Dinheiro de graça para pagar salário. Isso vai cobrir metade da força de trabalho dos EUA.
Os EUA darão dinheiro a pequenas empresas para pagamento de salário. E não vão cobrar de volta.
No Brasil, as fichas estão com os bancos. As compras de títulos públicos e privados pelo BC colocará mais de R$ 1 trilhão no colo deles. Espera-se, então, que isso signifique crédito amplo e barato, principalmente para os pequenos comércios. Se não significar, uma injeção direta de dinheiro novo, à la Fed, será urgente.
Medidas assim, de qualquer forma, tendem a gerar inflação. Haverá mais dinheiro na praça do que a capacidade que temos de produzir coisas para serem compradas com esse dinheiro. Quando os índices de inflação subirem, os governos terão de drenar moeda das economias – aumentando os juros. Aí que a porca torce o rabo. Aumento de juros mantém o valor da moeda, mas reduz a atividade econômica. E não podemos nos dar a esse luxo nos próximos meses, sob pena de entrarmos numa Grande Depressão.
A melhor forma de agir, então, é usar as impressoras, mas com moderação. Com que grau de moderação? Ninguém sabe. Será na tentativa e erro. Porque a economia pode até ser a mais exata das ciências humanas, mas também é a mais humana das ciências exatas.

14.299 – História – Peste bubônica também exigiu plano econômico dos governos medievais


A Peste Negra (1347-51) devastou a sociedade europeia. Escrevendo quatro décadas após o evento, o monge e cronista inglês Thomas Walsingham observou que “tanta miséria se seguiu a esses males que depois o mundo nunca poderia voltar ao seu estado anterior”.
Este comentário medieval reflete uma realidade vivida: um mundo virado de cabeça para baixo pelo medo em massa, contágio e morte. No entanto, a sociedade se recuperou. A vida continuou apesar da incerteza. Mas não foi “como de costume” depois disso — a ameaça da Peste permaneceu.
Recuperação lenta e dolorosa
O mundo pós-peste negra “não melhorou por sua renovação”. O monge francês Guillaume de Nangis lamentou que os homens se tornaram mais “avarentos e compreensivos”, “gananciosos e briguentos” e envolvidos em mais “brigas, disputas e ações judiciais”.

A escassez de trabalhadores na sequência da epidemia foi aguda. A contemporânea Historia Roffensis observa que áreas de terra na Inglaterra “permaneceram incultas”, em um mundo dependente da produção agrícola.
Uma escassez de mercadorias logo se seguiu, forçando alguns proprietários no reino a baixar ou ignorar os aluguéis para manter seus inquilinos. “Se os trabalhadores não trabalham”, brincou Thomas Wimbledon, pregador inglês, “padres e cavaleiros devem se tornar agricultores e pastores, ou então morrer por falta de sustento físico”.
Às vezes, o estímulo veio à força. Em 1349, o governo inglês emitiu sua Portaria dos Trabalhadores, que legislava que homens e mulheres saudáveis ​​recebessem salários equeivalentes aos do ano de 1346, anterior à praga.
Outras vezes, a recuperação foi mais orgânica. Segundo o frade carmelita francês Jean de Venette, “em todos os lugares as mulheres conceberam mais prontamente do que o habitual”; nenhuma era estéril e as mulheres grávidas abundavam. Várias deram à luz gêmeos e trigêmeos, sinalizando uma nova era após uma mortalidade tão grande.

Um inimigo comum e familiar
Então a praga voltou. Uma segunda pestilência atingiu a Inglaterra em 1361. Uma terceira onda afetou vários outros países em 1369. Uma quarta e quinta ondas se seguiram em 1374-79 e 1390-93, respectivamente.
A Peste era uma característica constante no final da vida medieval e no início da vida moderna. Entre 1348 e 1670, escreveram os historiadores Andrew Cunningham e Ole Peter Grell, foi um evento regular e recorrente: “Às vezes em vastas regiões, às vezes apenas em algumas localidades, mas sem omitir um único elo anual neste longo e triste período”.
A doença impactou comunidades, vilas e cidades com maiores riscos para os centros urbanos. Com sua densa população, Londres mal estava livre de doenças com grandes surtos em 1603, 1625, 1636 e a “Grande Praga” de 1665, que matou 15% da população da cidade. Nenhuma geração escapou da “ira da Peste”.

Controlando o desastre
Os governos não foram tímidos em suas respostas. Embora a experiência deles nunca possa impedir um surto, o manejo da doença tentou mitigar desastres futuros.
A Ordem da Praga da rainha Elizabeth I, de 1578, implementou uma série de controles para apoiar os infectados e suas famílias. Em toda a Inglaterra, uma iniciativa do governo garantiu que as pessoas infectadas não deixassem suas casas para comer ou trabalhar.
Também foram construídas estufas para abrigar os doentes e proteger os saudáveis. Em 1666, o rei Carlos II ordenou que cada cidade “estivesse pronta para o caso de ocorrer alguma infecção”. Se uma pessoa infectada fosse descoberta, ela seria removida da cidade e da sua casa, que ficaria fechada por 40 dias, com uma cruz vermelha e a mensagem “Deus tenha piedade de nós” afixada na porta.
Em alguns casos, barreiras ou cordões sanitários foram construídos em torno das comunidades infectadas. Mas às vezes as medidas faziam mais mal do que bem. De acordo com o historiador do Iluminismo Jean-Pierre Papon, em 1629 os habitantes da cidade provençal de Digne foram impedidos de sair, de enterrar seus mortos e de construir cabanes [edifícios] onde poderiam, de outra forma, se isolar da doença.

Estado e autoridade moral
A experiência e as medidas regulatórias nem sempre foram eficazes.
A Grande Praga que atingiu a cidade de Marselha, no sul da França, entre 1720 e 1722, matou cerca de 100 mil pessoas. Após a chegada do Grand Saint-Antoine, um navio mercante que voltava do Levante, “cuidados e remédios adequados” para evitar as consequências fatais dessa doença foram adiados e ignorados. A infecção se espalhou para todas as partes da cidade.
A praga começou a se espalhar por lá em questão de semanas. Um médico corrupto, falsos atestados de saúde, pressões políticas e econômicas para descarregar as mercadorias do navio e funcionários corruptos que investigavam a propagação inicial da doença contribuíram para um desastre que dificilmente poderia ser contido no sul da França.
Os hospitais estavam saturados, incapazes de “receber a grande quantidade de doentes que chegavam a eles em multidões”. Exercendo a “dupla diligência”, as autoridades construíram novos hospitais nos becos, “montaram grandes tendas” nos arredores da cidade, enchendo-as com “o maior número possível de camas de palha”.
Receoso de que a doença atingisse sua costa, o governo inglês rapidamente atualizou suas medidas de proteção. A Lei de Quarentena de 1721 ameaçou a violência, a prisão ou a morte de qualquer pessoa que tentasse escapar do confinamento forçado ou daqueles que se recusassem a obedecer às novas restrições.
Alguns consideraram essas medidas desnecessárias. “A infecção pode ter matado seus milhares”, escreveu um autor anônimo, “mas calar a boca matou seus dez mil”.
Edmund Gibson, o bispo de Londres e um apologista do governo, discordou. “Onde a doença está enorme”, escreveu ele, “o remédio também deve ser”. Para ele, dessa forma, não havia sentido em se ocupar “de direitos e liberdades, e da facilidade e conveniência da humanidade, quando havia uma praga pairando sobre nossas cabeças”.
O distanciamento social foi uma método inevitável — um mal necessário. Mas, como as experiências medievais e modernas da praga nos lembram, não é uma medida permanente.

14.221 – A Escravidão e o Mercado Mundial


Uma das características principais do comércio executado no oceano Atlântico, durante a época moderna, incidiu sobre a troca de trabalhadores escravos africanos com as colônias europeias nas Américas. A escravidão moderna se baseava na troca desses trabalhadores por mercadorias produzidas nas colônias e representou uma importante fonte de lucro e de acumulação de capital para os capitalistas europeus, além de criar as condições de desenvolvimento do mercado mundial capitalista.
A escravidão moderna era, em alguns aspectos, diferente da praticada na Antiguidade (Grécia, Roma e Egito, por exemplo), que se pautava diretamente na apreensão de contingentes populacionais aprisionados em decorrência de guerras e/ou dívidas entre pessoas.
A adoção da força de trabalho escrava marcou profundamente as sociedades em relação aos aspectos culturais, econômicos e sociais. Este foi o caso do Brasil e dos EUA, por exemplo, em que uma parcela grande de suas populações foi formada por pessoas de origem africana, cujos ascendentes foram deslocados para os territórios na América e marcaram sua presença na música, culinária etc.
Levando em consideração que sem trabalhadores não há produção, o tráfico de escravos foi um componente essencial na utilização do Oceano Atlântico para a construção de uma rede mundial de comércio. Dependente desta mão de obra para a produção agrícola e para a extração mineral nas colônias americanas, os investidores europeus utilizaram uma comércio triangular entre os continentes africano, europeu e americano, escoando a produção colonial e suprindo de mão de obra as localidades que dela necessitavam. Para manter constantes essas trocas, foram construídos portos, cidades e rotas de navegação que até os dias de hoje são utilizados para o comércio internacional. Além disso, gerou altos lucros aos comerciantes, garantindo investimentos industriais que foram fundamentais para o desenvolvimento do modo de produção capitalista.
Porém, o uso desse tipo de força de trabalho diferenciou-se das demais formas de uso de mão de obra, pois não era baseado em relações de parentesco, não estava ligado ao ambiente doméstico familiar (como no caso da servidão medieval) e nem era pautado na contratação individual mediante um salário. Essa diferença em relação ao trabalho assalariado foi de suma importância para os esforços de extinção de sua utilização, principalmente por pressão da Inglaterra.
Principal país industrializado do século XIX, a Inglaterra precisava alargar o mercado consumidor de seus produtos. No entanto, a manutenção de grandes contingentes de trabalhadores que não eram assalariados impedia esse crescimento. Este foi o principal motivo para as várias tentativas de proibição do tráfico de escravos no oceano Atlântico, o que acabou ocorrendo a partir da segunda metade do século XIX. Apesar de seu fim, o comércio de trabalhadores escravos da África garantiu a consolidação de uma importante rota comercial utilizada até hoje e que foi de suma importância para a construção do mercado mundial capitalista.

14.182 – Projeções – Moeda privada ou cripto da China: qual vai substituir o dólar nas próximas décadas?


bitcoin
A história do dinheiro tem milhares de anos e, durante boa parte desse período, as moedas funcionaram de um jeito bastante diferente do atual.
Por muitos anos, elas foram lastreadas em algum outro ativo, em geral, prata e ouro. Apenas em 1971, após o fim do acordo de Bretton Woods, passamos a ter o experimento de ver moedas sem lastro algum – e a ascensão do dólar como a principal moeda aceita globalmente.
O dólar é atualmente contraparte de mais de 88% dos trades de moedas. Além disso, mais de 40% do comércio mundial está cotado nele.
Apesar de 50 anos não ser um período histórico muito longo, é tempo suficiente para nossa geração ter esse sistema como padrão e temer qualquer mudança que venha a ocorrer.
Além dessa hegemonia do dólar, temos hoje uma aceleração das mudanças para todo lado que olhamos e uma imensa globalização, padronização de processos, regulamentações etc.
A adoção de smartphones e o fato de o WeChat sair de quase nada para ser tornar um dos dois principais meios de pagamento na China em menos de cinco anos são exemplos disso.
É nesse ambiente borbulhante de mudanças, cada vez mais global e padronizado – e com a hegemonia do dólar –, que uma tecnologia que tem como um dos principais pilares a não-necessidade de intermediários vem causando um alvoroço enorme: o Blockchain.
Sua criação está associada ao seu primeiro caso de uso, a criptomoeda Bitcoin, mas hoje é uma plataforma para desenvolvimento de várias soluções para esse novo mundo.
O Bitcoin é o maior experimento recente de criação de uma moeda que não seja associada a governo, mas sofre de uma dificuldade de massificação devido, na minha opinião, a dois fatores: transferência do controle da vida monetária para o usuário e anonimato.
O primeiro fator requer uma adaptação do usuário final, que não tem mais um call-center ou agência para recorrer caso perca a senha (chave privada de acesso).
Já o segundo tem a ver com a não aceitação por parte dos reguladores de um sistema onde eles não tenham controle sobre os movimentos financeiros do indivíduo dentro (ou fora) de sua área de influência.
Dito isso, surgiu a ideia de usar a tecnologia para a criação de uma moeda digital privada lastreada em uma moeda fiduciária, a Stablecoin.
Uma das primeiras Stablecoins, e certamente a maior hoje, é o Tether, que tem uma liquidez mundial maior que o próprio Bitcoin. Mas ele não é o único.
Ao longo de 2019, diferentes maneiras de se fazer uma Stablecoin estão sendo testadas e lançadas nas mais diversas jurisdições, lastreadas em inúmeras moedas fiduciárias do mundo.
E aí chegamos à Libra. Uma Stablecoin criada por uma associação que tem o Facebook como seu principal proponente e que, em vez de ser lastreada em uma única moeda fiduciária, propôs a alternativa de ter como lastro uma cesta de ativos.
Essa associação, por começar com aproximadamente 5 bilhões de usuários (somente considerando Facebook, WhatsApp e Instagram), causou um alvoroço gigante em reguladores e bancos centrais.
Tanto é que um estudo do BIS, publicado recentemente, que não se refere diretamente à Libra, mas ao que chamam de GCS (Global Stablecoin), levanta 13 aspectos em que elas trazem riscos/desafios.
Esses aspectos vão dos conhecidos lavagem de dinheiro, segurança cibernética e impostos à integridade do mercado financeiro global, poder das políticas monetárias dos países e ambiente competitivo.
Vale ressaltar que todas as Stablecoins nascem com seus devidos lastros, assim como as moedas antes da década de 1970 tinham seus lastros em dólar ou prata.
Elas são, em geral, representações no campo digital de moedas fiduciárias, mas o grande risco é que, caso sejam aceitas e negociadas por milhões de pessoas, possam romper essa regra e se tornar como as moedas fiduciárias atuais, só que sem um governo.
A recomendação do estudo é que a circulação de Global Stablecoins só seja permitida depois de autorizada por todo e qualquer país que possa ser impactado.
Esse ambiente regulatório mais hostil associado a uma reunião para definição dos papeis dos vários membros da associação contribuíram para a saída de diversas empresas da associação, notadamente Paypal, Visa, Mastercard e Booking.
Mais recentemente, notícias sobre a possibilidade de a Libra lançar Stablecoins uni-fiat, ou seja, várias Stablecoins cada uma associada a uma moeda fiduciária específica, pode dar um novo rumo ao projeto, já que as aprovações ficariam no nível local de cada regulador, como já ocorre hoje com todas as Stablecoins que estão operando.
Isso ajudaria e muito na aprovação e, de posse de todas as Stablecoins uni-fiat, em um segundo momento, seria constituída a Libra como proposto no whitepaper inicial. A ver.

Do outro lado da questão, vemos os bancos centrais em uma corrida desenfreada para a criação de sua própria moeda digital. E aqui, como tem se tornado cada vez mais recorrente quando o tema é tecnologia, a China está despontando como a primeira potência a fazer o lançamento da sua moeda digital, que por muitos está sendo chamada de e-yuan.
Para um país que, em menos de dez anos, saiu de uma economia onde as transações eram feitas majoritariamente em papel moeda, para uma em que os pagamentos são feitos essencialmente via Q-code e smartphones, sendo que há reports de vários lugares onde cartões (crédito e/ou débito) não são mais aceitos, isso não é de se surpreender.
Ser um dos primeiros, ou o primeiro país, a ter sua moeda digitalizada é uma vantagem enorme no campo mundial.
A moeda digital permite, entre outras coisas, uma fluidez muito maior nos fluxos, com uma desintermediação imensa, além de um possível controle mais amplo sobre os dados relativos a cada transação (a depender da arquitetura de dados escolhida).
Vale ressaltar que a moeda chinesa não é uma das que têm a maior circulação do mundo, e talvez essa migração para uma moeda digital possa ser um passo importantíssimo nesse rumo.
Além da China, nos Estados Unidos e na Europa, incluindo a Inglaterra (que em algum momento vai virar a página da “never ending story” do Brexit, e voltará a focar no que precisa), as discussões sobre a emissão de uma moeda digital do governo estão bastante quentes.
Mas, até onde sei, as previsões de implementação estão bastante defasadas em relação à China.
A verdade é que a caixa de pandora aberta pela criação do Bitcoin estava de certa forma controlada pelos governos, mas, com o surgimento da Libra, ela foi escancarada e obrigou todos os governos a encarar o problema de frente.
O fato de a moeda não precisar ser obrigatoriamente função ou monopólio de governos os afeta diretamente.
Com isso, uma corrida pela nova moeda hegemônica global se instaurou. Será uma moeda de governo ou uma moeda privada? Saberemos em breve.

14.162 – Economia – Renda média per capita no Sudeste vai a R$ 1.639, o dobro do recebido no Nordeste


desemprego no Brasil
O rendimento médio mensal real domiciliar per capita, considerando todas as fontes de renda, subiu de R$ 1.285 em 2017 para R$ 1.337 em 2018. No entanto, o valor caía a pouco mais da metade da média nacional nas regiões mais pobres do País: no Nordeste, era de R$ 815 em 2018; e no Norte, R$ 886. Na Região Sudeste, o rendimento médio mensal domiciliar per capita foi de R$ 1.639, mais que o dobro do recebido pelos nordestinos.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice de Gini da renda domiciliar per capita de todas as fontes – medida de desigualdade de renda numa escala de 0 a 1, em que quanto mais perto de 1 maior é a desigualdade – teve o pior desempenho em 2018 na região Norte, 0,551, seguido pelo Nordeste, 0,545, e Sudeste, 0,533. No Centro-Oeste, o resultado foi de 0,513. O menor valor foi o do Sul, 0,473. Na média nacional, o Índice de Gini alcançou o recorde de 0,545 dentro da série histórica da pesquisa. Ainda considerando todas as fontes de renda, a região Sudeste concentrou mais da metade da massa de rendimentos do País, R$ 143,7 bilhões de um total de R$ 277,7 bilhões. As fatias das demais regiões foram de R$ 47,7 bilhões para o Sul, R$ 46,1 bilhões para o Nordeste, R$ 24,4 bilhões para o Centro-Oeste, e R$ 15,8 bilhões para o Norte.

14.095 – Mega Curiosidades – Os países mais ricos e mais pobres do mundo


Você já deve ter ouvido falar no PIB, o Produto Interno Bruto. Ele serve para medir todas as riquezas produzidas num país. Entram nessa conta a renda da padaria, da farmácia, do banco, dos serviços de médico, advogado, enfim, toda a renda de um país. E, claro, os PIBs variam de país para país. Os maiores do mundo são Estados Unidos (que, por isso, é considerado o país mais rico), o da China e o do Japão. O Brasil possui o 9º maior PIB do mundo. Mas, embora o PIB determine a riqueza do país, ele não consegue mostrar uma série de outras informações relevantes para medir o nível de desenvolvimento, como por exemplo, a taxa de analfabetismo e a expectativa de vida.

Decidimos trazer alguns dados sobre os 10 países mais ricos e mais pobres do mundo de acordo com alguns dados específicos. Infelizmente, na lista dos 10 mais pobres, todos ficam no continente africano. Entre os mais ricos, alguns são países da Europa, outros, países do Oriente Médio beneficiados pela renda do petróleo — como Qatar, Kuwait e Emirados Árabes. Veja como os contrastes são impactantes.

Importante destacar que o  índice de Analfabetismo refere-se ao porcentual da população alfabetizada. Assim, por exemplo, na Noruega, 99% da população é alfabetizada (sabe ler e escrever), enquanto na República da Guiné, somente 29,5% das pessoas (menos de 1/3) sabem ler e escrever.

ranking

 

9 lugar

8 lugar

moc x irlanda

 

mala kuait

niger

liberia

burundi

congoquatar

+14 mil – História – Como surgiu o Dia do Trabalho?


dia do trabalho
O Dia do Trabalho teve origem na cidade de Chicago (EUA), quando milhares de operários, organizados pela Federação Americana do Trabalho, organizaram um grande paralisação. A greve teve inicio no dia 1º de maio de 1886, sendo que nesse mesmo dia foi iniciada uma greve geral que paralisou os Estados Unidos.
As condições de trabalho a que os trabalhadores eram sujeitados eram desumanas, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, onde também estouravam greves constantemente. A jornada de trabalho era de treze horas (no mínimo) chegando a até 17 horas. A reivindicação dos trabalhadores em Chicago era a diminuição da jornada de trabalho para 8 horas.
No dia 3 de maio, terceiro dia de paralisação, trabalhadores e policiais entraram em confronto, que acabou com um saldo de 50 feridos, centenas de prisões e 6 mortes. No dia seguinte, outro confronto aconteceu, resultando em mais feridos, presos e mortos. Os acontecimentos daquele início de maio receberam o nome de Revolta de Haymarket. Os líderes do movimento foram presos e responsabilizados pelas mortes. Alguns foram condenados a forca, outros a prisão perpétua.
Em junho de 1889, a Segunda Internacional (organização sindical), realizada em Paris, decidiu instituir o Dia Mundial do Trabalho, como forma de homenagear os trabalhadores mortos na Revolta de Haymarket, e para que todos os anos, nesse dia, os trabalhadores pudessem fazer suas reivindicações, como a redução da jornada de trabalho para 8 horas.
A França foi o primeiro país a legalizar o dia 1º de maio como o Dia do Trabalho, em 1919. Nessa mesma ocasião, a jornada de trabalho foi estabelecida em 8 horas.
No Brasil, são relatadas comemorações do dia do trabalho desde 1895, mas somente em 1925 a data foi legalizada pelo então presidente Artur Bernardes, quando passou a ser feriado nacional. A partir de 1930, com Getúlio Vargas na presidência, o dia 1º de maio passou a ser o dia do anúncio de medidas favoráveis aos trabalhadores, como o estabelecimento do salário mínimo, medida divulgada em 1º de maio de 1940.
Em alguns países, como EUA e Austrália, o Dia do Trabalho é comemorado em outras datas.

13.996 – Economia a Passo de Tartaruga – O Brasil está em 40º lugar entre os que mais crescem


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No topo da lista das economias que mais crescem no mundo, figuram as Filipinas e a China, ambos com expansão de 6,8% no trimestre passado, que são seguidos pela República Dominicana (6,4%), Malásia (5,4%) e Egito (5,4%).

O Chile é país sul-americano mais bem posicionado, no 14º posto, depois de crescer 4,2% nos primeiros três meses do ano. O Peru, com alta de 3,2% no PIB, é o 22º, e a Colômbia, com 2,2%, a 33ª.
Segundo levantamento feito pela agência de classificação de risco Austin Rating, o crescimento da economia brasileira no período igualou-se ao do Reino Unido (1,2%) e superou apenas o do Japão (0,9%) e Noruega (0,3%).
Crescimento X Poluição
A maior economia da Ásia, a China, é conhecida há tempos pelo céu poluído. Mas atualmente a vizinha Índia trava uma batalha ainda maior contra a poluição: o país do sul da Ásia abriga as 10 cidades mais poluídas do mundo. Nos arredores da capital da Índia, Nova Déli, Kusum Malik Tomar conhece o preço pessoal e econômico de respirar esse ar, um dos mais tóxicos do mundo. Aos 29, ela descobriu que a poluição é a provável causadora do câncer que cresce em seus pulmões. Ela nunca tocou em um cigarro. O marido, Vivek, vendeu terras para pagar o tratamento. Eles pediram dinheiro emprestado para a família. As economias deles lentamente desapareceram. “O governo está pensando no crescimento econômico do país, mas as pessoas estão morrendo de doenças ou sofrendo de doenças”, afirmou. “Como é possível crescer economicamente quando, dentro do país, os cidadãos têm problemas econômicos devido à poluição do ar?”
A Índia tem dificuldades há tempos para implementar o tipo de abordagem nacional coordenada que ajudou a China a reduzir a poluição. O governo do primeiro-ministro Narendra Modi está promovendo novas iniciativas que começam a combater esse ar prejudicial. Mas qualquer vitória teria que ser suficiente para se sobrepor a outras facetas do crescimento desenfreado da Índia, da poeira deixada pelos milhares de novos canteiros de obras à fumaça de milhões de carros novos.
Se fossem implementadas políticas rigorosas de combate à poluição, os cidadãos e o governo da Índia seriam muito mais ricos. Segundo cálculos do Banco Mundial, os gastos em saúde e a perda de produtividade causados pela poluição custam à Índia cerca de 8,5 por cento do PIB. Diante do tamanho atual de US$ 2,6 trilhões, a fatia equivale a US$ 221 bilhões por ano.
A Índia é atualmente a grande economia que mais cresce no mundo e a economia chinesa, de US$ 12,2 trilhões, é cinco vezes maior. O país do sul da Ásia ainda tenta desesperadamente promover a manufatura básica, o que pode piorar a poluição, disse Raghbendra Jha, professor de economia da Universidade Nacional da Austrália.

13.949 – O Que é Ágio e Deságio?


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Ágio é o valor adicional de um título ou produto, já o deságio é uma aquisição feita em um preço abaixo do mercado.
A expressão ágio é mais utilizada na compra e venda de títulos, mas também se refere a qualquer operação comercial. Quado o governo vai privatizar uma estatal por exemplo, é fixado um valor mínimo, mas para ganhar a licitação os empresários oferecem valores maiores, nesse caso a diferença é o ágio.
Deságio é o oposto, quando um título é adquirido por um preço abaixo do nominal, ou seja a diferença entre ambos.
Exemplo: Você compra um carro por 35 mil reais e um ano depois vende o mesmo carro por 33 mil, a diferença de 2 mil é o deságio.
Portanto:
Quando alguém compra um produto em parcelas, normalmente são cobrados juros mensais sobre cada prestação, causando uma diferenciação entre o valor à vista da mercadoria e o preço total pago no final do parcelamento. Está diferença entre os valores é chamada de ágio, ou seja, o dinheiro adicional que foi cobrado pelo produto na forma de juros.
Outro exemplo didático de como o ágio pode ser aplicado pode ser visto nos processos de leilões. Quando determinada peça vai à leilão, ela é adquirida e ofertada por um valor mínimo. Quando este valor é ultrapassado, todo o montante restante é considerado ágio do produto. Neste caso, o termo ágio está relacionado com o lucro.
Ágio ainda pode ser a diferença da cotação da moeda de um país em comparação a de outro.

13.947 – A Inflação e a Deflação


inflação
A inflação é um aumento continuado e generalizado no valor dos preços dos bens e serviços. Este aumento geral e persistente dos preços resulta na diminuição do poder de compra de uma moeda.
A taxa da inflação é calculada pelo Índice de Preços no Consumidor que demonstra a variação de preços de um cabaz de cerca de 150 de produtos, um capaz de compras representativo do consumo das famílias de um país ou de um grupo de países.
Uma inflação baixa e constante estimula o investimento e o crescimento econômico. Uma inflação elevada diminui o poder de compra das famílias.
A inflação já foi um grande problema para a economia brasileira, merecendo sempre grande atenção do governo e da sociedade.
A partir da década de 1980, vários planos fracassaram na tentativa de impedir o seu avanço. Mas desde 1994, com a implantação do Plano Real, ela está relativamente sobre controle, ficando atualmente entre 4 a 5% ao ano.

Deflação: o que é?
A deflação é a descida generalizada do preço dos bens e dos serviços num largo período de tempo.
Ela pode ser causada por diversos fatores, com origem num desequilíbrio entre a procura e a oferta. Com a deflação regista-se um adiamento de decisões de consumo, com os consumidores a esperarem que os preços desçam ainda mais e com as empresas a venderem menos.
A curto prazo, ela pode ser positiva, já que o poder de compra dos consumidores cresce, mas se houver recessão, a médio e longo prazo surgem problemas como a queda dos salários, do rendimento e dos empregos.

Qual a diferença entre inflação e deflação?
A inflação é então uma realidade inversa à deflação.
Na inflação dá-se a subida generalizada dos preços dos bens e serviços, do nível médio dos preços na economia.
Na deflação existe uma redução prolongada do Índice de Preços no Consumidor, do nível médio dos preços na economia.
Na inflação o valor de uma moeda diminui, não se conseguindo comprar o mesmo que se comprava antes da subida dos preços.
Na deflação o valor de uma moeda aumenta, conseguindo-se comprar mais do que se comprava antes da descida dos preços.
Quando a inflação diminui de 5% ao mês para -2%, por exemplo, pode-se afirmar que houve deflação, já que neste caso a inflação registou um valor negativo.

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13.946 – Mega Economia – O que é o PIB?


pib-pnbÉ o principal medidor de crescimento econômico de uma região.
Esse indicador nada mais é do que a somatória de todos os bens e serviços, ou seja, de toda a riqueza gerada em um determinado período.
PIB = CONSUMO PRIVADO + INVESTIMENTOS TOTAIS FEITOS NA REGIÃO + GASTOS DO GOVERNO + EXPORTAÇÕES -IMPORTAÇÃO, se houver inflação ela será contabilizada.
O Produto Nacional Bruto (PNB) faz referência à soma de todas as riquezas produzidas por uma nação/país durante determinado período, em território nacional ou não. As empresas que possuem filiais no exterior também são consideradas por esse indicador.
O PNB distingue-se do PIB especialmente pela Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE), que é considerada no cálculo do PNB e excluída do cálculo do PIB. O RLEE é a diferença entre valores enviados ao exterior e os valores recebidos do exterior a partir de fatores de produção.
Vale ressaltar também que o PIB não é utilizado apenas como indicador econômico de países. São divulgados anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dados do PIB de estados e municípios. Esse indicador também pode ser utilizado para avaliar o montante de riqueza produzida por uma região de um país ou um conjunto de países, como um bloco econômico.
O cálculo do PNB é feito da seguinte maneira:
PNB = PIB – RLEE
Os países desenvolvidos costumam ter PNB maior que o PIB. No caso brasileiro, o PNB é menor que o PIB, uma vez que a RLEE é negativa, ou seja, envia-se mais recurso ao exterior do que se recebe.
Outro indicador econômico utilizado, em especial para avaliar a qualidade de vida de uma população, é o PIB per capita, que é a somatória da riqueza de um país ou região dividida pelo número de habitantes. Há países que possuem um Produto Interno Bruto elevado, entretanto, por serem muito populosos, têm um PIB per capita baixo, se comparados a outros países.
O consumo depende dos salários e dos juros. Se as pessoas ganham mais e pagam menos juros, o consumo é maior e o PIB cresce. Com salários baixos e juros altos, o gasto pessoal cai e o PIB também. Apesar de ser um dos principais medidores da economia, o PIB é pouco conhecido da maioria da população.
Muita gente desconhece o impacto que tais números tem sobre o seu dia a dia.

13.935 – Preso no passado ou aberto ao futuro? Socialismo Permanece Ainda como Alternativa contra o Capitalismo Selvagem


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Em certo momento, a alternativa socialista parecia invencível, destinada à vitória universal. Não foi o que aconteceu. Ao contrário: o socialismo, embora ainda vivo, está moribundo. Pode-se considerá-lo uma perspectiva, uma experiência aberta para o futuro da humanidade?
O socialismo contemporâneo surgiu na esteira das revoluções americana e francesa, em fins do século XVIII. “Todos os homens nascem livres e iguais e têm o direito de lutar pela felicidade” – a frase revolucionária suscitou um tsunami político e social. Entretanto, permaneceram as desigualdades sociais, de gênero e a escravidão. Milhões de seres humanos continuaram sendo considerados inferiores, destinados a serem “civilizados” ou vítimas de genocídio, como aconteceu com os povos nativos da América, da África e da Ásia. À aristocracia do sangue, fundada na hereditariedade, sucedeu uma outra, burguesa, baseada na propriedade privada dos bens de produção. Foi da esperança de vencer a burguesia que nasceu o socialismo.
Mas nem todos os socialistas defendiam as mesmas propostas. Surgiram duas grandes vias, a da revolução e a da reforma, embora não houvesse muralhas intransponíveis entre elas. Na perspectiva revolucionária, os privilegiados haveriam de resistir pela força, e somente por ela seriam vencidos. A partir daí, bifurcavam-se novamente os caminhos. Para uns, como Mikhail Bakunin (1814-1876), tratava-se de incentivar a mudança social. Ela viria como uma “destruição criadora”, suscitando a Anarquia, uma ordem baseada na inexistência do Estado. Em outro registro, defendido por nomes como Gracchus Babeuf (1760-1797) e Auguste Blanqui (1805-1881), propunha-se uma organização clandestina capaz de, num momento de convulsão social, tomar o Estado e transformar a sociedade através de uma ditadura revolucionária. Com o tempo, as liberdades seriam estendidas a todos.
A perspectiva reformista não acreditava na eficácia da violência: as ideias socialistas avançariam devagar, ganhando as consciências. As lutas sindicais e a universalização do voto ocupariam um lugar central. A primeira demonstração desta proposta foi o Movimento Cartista, na Inglaterra, nos anos 1840.
Em 1848, uma onda revolucionária percorreu a Europa, suscitando as questões da independência nacional, da democracia e do socialismo. Surgiu, então, uma nova tendência, liderada por Karl Marx (1818-1883). Compartilhava a ideia da violência e da tomada do poder do Estado para aplicar o programa revolucionário, mas apresentava uma novidade: considerava-se portadora de um novo tipo de socialismo, científico. A associação entre ciência e política tinha uma evidente lógica autoritária, mas isto só se tornaria claro mais tarde.
Naquele momento, explicitou-se o caráter internacional do capitalismo, da burguesia triunfante e de sua ideologia, o liberalismo. O socialismo também definia-se como internacional. Em 1864, formou-se a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), que durou pouco tempo, minada pelas querelas entre Marx e Bakunin, pela repressão desencadeada após a derrota da Comuna de Paris, em 1871, e pela força do nacionalismo, que empolgava as camadas populares.
Nas últimas décadas do século XIX, o capitalismo internacional mudaria de patamar, através de uma grande revolução científica e tecnológica. Liderados pelos bancos (capitalismo financeiro), apareceram os grandes monopólios, concentrando imensos contingentes de trabalhadores. Surgiu o proletariado, que se tornaria a principal base social e política das propostas socialistas. Formaram-se partidos de massa, muitos referenciados nas ideias de Marx. Tratava-se de combinar, de forma original, reforma e revolução, lutas nacionais e articulação internacional, socialismo e democracia. Tomou corpo, então, a social-democracia, estabelecendo um sinal de igualdade entre as duas ideias: só haveria socialismo com democracia. À nova Internacional Socialista, fundada em 1889, caberia o papel de coordenar os diversos partidos nacionais.
Entretanto, a social-democracia foi capturada pelo nacionalismo e pelo reformismo. Sob sua liderança, os trabalhadores ganharam proteção social, direito de voto e liberdades democráticas, integrando-se como cidadãos às instituições políticas e sociais. Daí veio a concepção reformista de que o socialismo se imporia através de uma transição pacífica, por efeito da força crescente das organizações sindicais, das políticas social-democratas e das sucessivas crises econômicas geradas pelo capitalismo. O socialismo triunfaria nos centros capitalistas importantes – a Europa e os Estados Unidos – e depois se estenderia para o resto do mundo, sob a liderança do proletariado internacional e de suas organizações. A eventual irrupção de uma guerra apressaria o advento do socialismo, pois os partidos social-democratas se levantariam contra ela, realizando a esperada revolução.
A Primeira Grande Guerra, entre 1914 e 1918, dissolveria estas esperanças. Salvo exceções, os partidos proletários socialistas aderiram à defesa dos respectivos Estados nacionais. O internacionalismo e a revolução saíram do radar. No entanto, a partir de 1917, depois de milhões de mortos, começaram a eclodir revoltas entre trabalhadores e soldados, exigindo o fim do conflito. O processo tomou força na Rússia, que já era uma potência, ainda que essencialmente agrária. O desastre provocado pelo confronto alcançou ali proporções devastadoras, impulsionando a revolta social.
Em fevereiro de 1917, em Petrogrado, capital da Rússia, manifestações contra a autocracia e pelo fim da guerra levaram à queda do tsar. Instaurou-se um governo provisório e abriu-se uma conjuntura de efervescência social. Trabalhadores e soldados organizaram-se em conselhos, os sovietes. Camponeses formaram comitês agrários. As nações não russas oprimidas revoltaram-se. A convergência destes múltiplos movimentos ensejou uma outra revolução, em outubro. Vitoriosa em Petrogrado, estendeu-se pelo país.
Várias tendências socialistas participaram do processo, mas destacou-se uma ala do partido social-democrata russo: os bolcheviques, discípulos de Marx e liderados por Lenin (1870-1924) e Trotsky (1879-1940). Mais bem organizados, ousados e determinados, apostando que uma revolução vitoriosa na Rússia empolgaria o continente europeu, estabeleceram um novo governo, apoiado nos sovietes urbanos e nos comitês agrários. Seguiu-se uma guerra civil, entre 1918 e 1921, ao fim da qual venceram os revolucionários. Mas o país ficou inteiramente destruído e, para piorar, a experiência não se estendeu à Europa.
A revolução não surgiu onde os socialistas a esperavam – nos principais centros capitalistas, com fortes classes operárias, sindicatos, partidos socialistas de massa e tradições de liberdade. Venceu num país que, embora relativamente forte do ponto de vista militar, era ainda agrário e atrasado em relação às grandes potências europeias, arrasado pela guerra, sem valores democráticos e governado por um pequeno partido, centralizado e militarizado que, para se manter no poder, recorreu à ditadura revolucionária.
A certeza de que eram os únicos a ter a compreensão científica da História, combinada com tradições místicas do messianismo russo, fez dos bolcheviques uma eficiente e temível máquina política. Sem contar com apoio internacional, empreenderam, a partir de 1929, uma nova revolução, através do Estado e sob liderança de Joseph Stalin (1878-1953): pela violência, coletivizaram a terra, que fora distribuída pelas famílias camponesas depois da revolução, e industrializaram o país de maneira planificada, universalizando os serviços de educação e saúde. A ditadura revolucionária radicalizou-se, alcançando com prisões, deportações e execuções todos os que se opuseram (ou foram acusados de se opor) aos desígnios do Estado.
Ao longo dos anos 1930, enquanto os países capitalistas afundavam na crise econômica iniciada em 1929, a União Soviética conhecia um gigantesco desenvolvimento, tornando-se uma potência econômica e militar. A Segunda Guerra Mundial confirmaria esta mutação. O nazi-fascismo seria vencido por uma Grande Aliança, mas o papel da URSS foi decisivo, tendo ela suportado os maiores custos materiais e humanos provocados pelo conflito. Em 1945, no fim da guerra, era imenso o prestígio da União Soviética. Sua economia planificada inspirava políticas em todo o mundo. Muitos criticavam o Estado ditatorial, até entre os socialistas, mas havia no ar expectativas de aberturas democráticas.
A URSS já não se encontrava isolada: o socialismo estendera-se por quase um terço do mundo. Na Europa central, foi implantado pela ocupação dos exércitos soviéticos. No Extremo Oriente, as guerras nacionais camponesas, dirigidas pelos comunistas contra os exércitos japoneses, impuseram o socialismo na China, no norte da Coreia e do Vietnã. Repetia-se, numa escala mais vasta, o que já se verificara com a revolução russa: o socialismo aparecia num contexto de guerras, em sociedades agrárias e empreendido por ditaduras revolucionárias.
Seguiu-se, entre 1946 e 1991, a bipolarização do mundo, na chamada Guerra Fria. Nos anos 1970, a URSS parecia um ator incontornável nas relações internacionais. Mas já então se avolumavam críticas à sua economia: ineficiência, excessivo centralismo e estatismo, despesas militares exageradas. Do ponto de vista político, a ditadura perdia legitimidade. O socialismo ainda era capaz de mobilizar tanques e aviões, mas já não inspirava a própria população, sobretudo os jovens. A tentativa de autorreforma, nos anos 80, conduziu, de modo fulminante e inesperado, ao fim do socialismo soviético e à desagregação do país.
Era o fim de um ciclo. A China se afastou radicalmente do socialismo: a combinação que ali se efetua, entre capitalismo e dirigismo estatal, com a manutenção de uma rigorosa ditadura política, causa perplexidade e é um desafio à imaginação. O mesmo se verifica, em menor escala, no Vietnã, unificado em 1975, depois de uma longa e devastadora guerra. A Coreia do Norte é uma sinistra caricatura. E Cuba conserva sua independência muito mais pelas reservas nacionalistas de sua revolução do que pelas aspirações e pelos valores socialistas. O nacionalismo radical na África, no mundo muçulmano e na Ásia, perdendo o grande aliado, desagregou-se ou se orientou em outras direções, distantes das concepções inspiradas na experiência soviética.
O modelo socialista soviético está bem morto e é difícil imaginar sua ressurreição. Pela grandeza que chegou a assumir, sua derrocada provocou uma profunda crise de credibilidade nos valores socialistas, não apenas entre os adeptos, mas também entre os críticos.
Como aventura humana, porém, o socialismo não necessariamente se encerrou. Tem a seu favor as contradições agudas que o capitalismo continua a operar, evidenciando desigualdades gritantes e destrutivas. Elas são uma fonte recorrente de estímulo para que sejam pensadas alternativas que valorizem a igualdade e a liberdade.
Estão dadas as bases para pensar o socialismo como uma experiência aberta para o futuro da humanidade. Superadas as ilusões cientificistas, ela pode ser empreendida através da luta política, que é sempre imprevisível mas da qual os socialistas dependem para persuadir as gentes, democraticamente, a respeito da validade e da superioridade de suas propostas.
Neste sentido, continuam vigentes as referências das grandes revoluções de fins do século XVIII, quando esta aventura humana teve início. Se os homens não foram livres e iguais nos padrões do socialismo soviético, nunca poderão ser livres e iguais sob regimes capitalistas.

13.925 – Geografia e Sócio Economia – Um Pouquinho de Brasil


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Não chame Nordeste de Norte!

O Brasil ocupa a posição centro-oriental do continente sul – americano, possuindo limites com

quase todos os países da América do Sul exceto Chile e Equador. Os países que se fazem limite com o
Brasil, de acordo com suas respectivas direções são:
• Norte: Guiana Francesa, Suriname, Guiana e Venezuela.
• Noroeste: Colômbia
• Oeste: Peru e Bolívia
• Sudoeste: Paraguai e Argentina
• Sul: Uruguai
• Nordeste, leste e sudeste: Oceano Atlântico
DIVISÃO POLÍTICA DO BRASIL
A superfície do Brasil está politicamente dividida, ou seja, dividida em Estados.
As linhas que separam estas unidades políticas são chamadas fronteiras.
A República Federativa do Brasil compreende um total de 27 unidades político-administrativas, que
correspondem a 26 Estados e 01 Distrito Federal, onde se localiza Brasília, a capital do Brasil.

Não Chame Nordeste de Norte!!!
A região Norte é formada por: Rondônia, Pará, Acre e Tocantins criado em 1988; Roraima e Amapá.
Já o nordeste é formado por: Maranhão, Piauí, Ceará,Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco,Alagoas, Sergipe e Bahia.

O território brasileiro possui uma estrutura geológica antiga e, assim sendo, foi bastante
desgastada pela erosão.
• Não houve formação de cadeias montanhosas ou dobramentos modernos, em decorrência do
Brasil encontrar-se no centro de uma placa tectônica.
A área de planalto ocupa 75% do país e as planícies os 25% restantes, segundo o professor Aziz Ab’
Saber, no final da década de 50.
Existem duas grandes áreas de planalto no Brasil:
O planalto das Guianas, situado no norte da Planície Amazônica e o Planalto Brasileiro, ao sul da
Planície Amazônica.
O Planalto das Guianas, na fronteira do Brasil com as Guianas e a Venezuela abrange terras dos
estados de Roraima, Amapá, Amazonas e Pará; encontramos reservas consideráveis de manganês na
região da Serra do Navio (Amapá).
Neste planalto está o pico culminante do Brasil: o Pico da Neblina com 3014,1m.
O Planalto Brasileiro divide-se em três partes:
A – Planalto Central: compreendendo principalmente as terras de Mato Grosso e Goiás.
B – Planalto Atlântico: próximo ao Oceano Atlântico, abrangendo as terras brasileiras desde o Rio Grande do Sul até o Nordeste.

C – Planalto Meridional: abrangendo as terras mais interioranas de São Paulo, Paraná, Santa Catarina
e Rio Grande do Sul, devido à decomposição do basalto (rocha vulcânica) deu origem à terra-roxa, solo de maior fertilidade natural do país.
As mais importantes planícies do Brasil são:

a- Planície Amazônica: situada entre o Planalto das Guianas e o Brasileiro. É a maior área de terras
baixas do Brasil. Cortada pelo rio Amazonas e seus afluentes, formando a maior bacia hidrográfica do país e do mundo.

b- Planície do Pantanal: ocupa a parte oeste do Mato Grosso do Sul, prolongando-se pelo Mato-
Grosso, Paraguai e Bolívia. Cortada pelo rio Paraguai e seus afluentes que transbordam na época das cheias inundando as áreas mais baixas.

c- Planícies Litorâneas: formam uma faixa ao longo do litoral brasileiro. São geralmente arenosas
formando praias e dunas, ou argilosas, dando origem a regiões pantanosas cobertas por uma vegetação chamada mangue.
A posição astronômica do Brasil permite que o território seja bem iluminado e aquecido no decorrer do ano, pois situa-se em sua maior parte na Zona Tropical. O clima no território brasileiro classifica-se em: , compreendida entre o Tópico de Câncer e o de Capricórnio.

A – Clima equatorial: encontrado em quase toda a região Norte e no norte de Mato Grosso. É um clima
muito quente e chuvoso.

B – Clima Tropical: engloba quase toda a região Centro-Oeste, o Nordeste, parte do Sudeste e na
porção leste de Roraima, caracteriza-se por invernos secos e verões chuvosos. As temperaturas são médias e a distribuição das chuvas é variável no decorrer do ano.

C – Clima Tropical semi-árido: domina o sertão do Nordeste. É um clima quente e seco, cujas chuvas não ocorrem regularmente, provocando longos períodos da seca.
D – Tropical de altitude: abrange as áreas de maior altitude da Região Sudeste e do Mato Grosso do Sul no qual a altitude influi na diminuição das médias de temperatura. Chove durante o ano todo.

E – Clima Subtropical Úmido: predomina nas regiões Sul e Sudeste do estado de São Paulo, o encontro entre a massa Tropical e a massa Polar provoca chuvas frontais. Após a passagem das chuvas, a massa Polar permanece estacionária ocasionando “ondas de frio” de intensidade e duração variáveis.

ASPECTOS HUMANOS DO BRASIL
Segundo dados do IBGE de 2000, o Brasil possuia cerca de 170 milhões de habitantes aproximadamente, atualmente passa de 200. É um país extremamente populoso, mas como é extenso, sua densidade demográfica é baixa – cerca de 20 hab/Km2. Países como o Japão apresentam mais de 320 habitantes por quilômetro quadrado, e mesmo países enormes, como Estados Unidos, possuem quase o dobro da densidade demográfica brasileira.
Apesar de possuir uma imensa extensão, população numerosa e vastos recursos naturais, grandes problemas sociais e econômicos afligem a sociedade brasileira. Dentre eles podemos citar:
Na década de 80, entre 100 pessoas que trabalhavam em São Paulo, 50 possuíam rendimento mensal de até 2 salários mínimos. Nos dias atuais, não houve mudanças neste quadro. No nordeste a situação é bem mais grave: 52 entre 100 trabalhadores recebem, miseravelmente, no máximo, um salário mínimo; estima-se que a região tenha 45,1% da população pobre dos 42 milhões dos miseráveis do Brasil.
A expectativa de vida da população com rendimento de até um salário mínimo é de 54,8 anos, enquanto que para os que vivem com uma remuneração superior a cinco salários mínimos, a expectativa de vida sobe para 69,6 anos.
Desigualdade de esperança de vida entre as classes sociais de baixa e de alta renda.
Uma população de baixa renda dificilmente estará livre de doenças como tuberculose,esquistossomose, desidratação, decorrentes da falta de higiene, saneamento básico ou do estado de subnutrição.
Elevada ocorrência de doenças

Nas famílias de baixa renda, verifica-se baixo padrão alimentar, fato que, por sua vez, influi nas condições de saúde. O indivíduo é mais facilmente vitimado por doenças e sua esperança de vida é
menor do que nas famílias de maior renda e de melhores condições de alimentação. A população de baixa renda, que constitui a maioria no Brasil, não consome carnes, frutas e vegetais, não satisfazendo adequadamente suas necessidades nutricionais básicas. Esta população alimenta-se principalmente de
produtos mais baratos, como a farinha de mandioca e o feijão, que não possuem as substâncias de que o organismo necessita.

Habitação:
A Habitação deve ter no mínimo uma sala, uma cozinha, um banheiro e um dormitório. No caso da existência de filhos, a habitação, obviamente, necessita de mais dormitórios. No Brasil, 25 em cada 100 domicílios possuem menos de 4 cômodos. Segundo a Fundação João Pinheiro, de Belo Horizonte, em 1995 o déficit habitacional no Brasil era em torno de 5,6 milhões de unidades, sendo 1,6 milhão no meio rural e 4 milhões no meio urbano. De acordo com a Fundação, 85% do déficit habitacional concentra-se nas famílias com até 5 salários mínimos de renda.
Países subdesenvolvidos não oferecem às populações rurais as mesmas oportunidades oferecidas à população urbana. A falta de emprego e de educação provoca êxodo rural, ocasionando nas grandes cidades o acúmulo de migrantes, os quais passam a morar em inúmeras favelas.
Concentração populacional nas áreas urbanas. O estado de São Paulo tem mais habitantes que o maior País do continente americano – o Canadá – mas o Brasil apresenta alguns estados com baixíssima quantidade de habitantes.

Salário Mínimo e Desemprego no Brasil entre 2003-2015 1

13.911 – Golpe de Mestre 2 – No bolso do Trabalhador: Novas Regras Dificultam a Aposentadoria Integral


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A Previdência Social sempre foi e vai continuar sendo um ninho de ladrões, que paga pensões miseráveis
A regra 85/95, que dá aposentadoria integral a quem alcança uma soma de idade e tempo de contribuição, vai virar 86/96 a partir de 31 de dezembro.
A progressão da fórmula está prevista na Lei 13.183/2015, que instituiu esse novo cálculo de aposentadoria. A cada dois anos, a soma sobe um ponto.
Para se aposentar, será preciso que a soma da idade com o tempo de contribuição seja de 86 para as mulheres e 96 para os homens. Por exemplo, um homem precisa ter 35 anos de contribuição e 61 anos de idade (35 + 61 = 96) para pegar o benefício sem o fator previdenciário. Essa soma vale até 30 de dezembro de 2020. A partir de 2026, a regra será 90/100.
A fórmula 85/95 progressiva é usada na concessão de benefícios por tempo de contribuição. Nesses casos, o requisito mínimo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é de 30 anos de recolhimento para as mulheres e 35 para os homens. O tempo mínimo é o mesmo no 86/96.
Tradicionalmente, o INSS utiliza o fator previdenciário para conceder o benefício por tempo de contribuição. O fator é divulgado anualmente e leva em consideração a expectativa de vida da população e o tempo de contribuição de cada trabalhador. O valor é multiplicado pela média salarial e costuma deixar o benefício com bastante desconto.
A regra 85/95 tornou mais fácil que o trabalhador conseguisse ganhar sua média salarial.
Com a mudança, quem pretendia se aposentar pelo 85/95 em 2019 terá que trabalhar por mais seis meses para atingir o 86/96. Os meses de idade e contribuição também entram na conta para pedir o novo benefício.
Além da aposentadoria por tempo de contribuição, há o benefício por idade. Nesse caso, é possível se aposentar ao completar 60 anos, no caso das mulheres, ou 65, no dos homens. Além disso, o tempo mínimo de recolhimento é de 15 anos.
Regra está com os dias contados
A reforma da Previdência, prioridade do governo Jair Bolsonaro, deve acabar com a regra 85/95. Na proposta do presidente Michel Temer, o mecanismo já seria extinto. Seria feita uma nova regra de cálculo e a aposentadoria integral só seria possível após 40 anos de contribuição. Além disso, o segurado precisaria atingir uma idade mínima: 62 para as mulheres e 65 para os homens.
A equipe econômica do futuro governo ainda não apresentou nenhuma proposta. Mas tanto nos projetos do economista e ex-ministro Armínio Fraga como no da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que foram levados à Paulo Guedes, a regra também acaba.
Então, quem planeja se aposentar pela regra mais vantajosa deve verificar se consegue chegar até a pontuação do benefício integral antes das mudanças na Previdência serem aprovadas.
Segundo o advogado Previdenciário Rômulo Saraiva só é válido esperar a aposentadoria para atingir o 86/96 se o segurado está próximo a completar os requisitos.
Enquanto aguarda, é necessário que o trabalhador confira se todos os seus períodos de trabalho foram reconhecidos pelo INSS. Para isso, é possível fazer uma consulta no Cnis (Cadastro Nacional de Informações Sociais). O documento pode ser acessado no site Meu INSS mediante a cadastro de senha.
Saraiva alerta que quando o segurado pedir a aposentadoria e ela for concedida, é importante passar um pente-fino nos cálculos do INSS para ver se há alguma divergência que possa aumentar o tempo de contribuição. Quem trabalhou em condição insalubre, por exemplo, pode ter tempo especial que vale mais na contagem da aposentadoria.
O advogado salienta que quem atingiu o direito do 85/95 em 2018 mas que for fazer o pedido da aposentadoria no ano que vem, terão o direito do cálculo anterior porque já tinha atingido o direito adquirido.

13.823 – O Socialismo Científico


socialismo

O Socialismo é um sistema político-econômico ou uma linha de pensamento criado no século XIX para confrontar o liberalismo e o capitalismo. A ideia foi desenvolvida a partir da realidade na qual o trabalhador era subordinado naquele momento, como baixos salários, enorme jornada de trabalho entre outras.
Nesse sentido, o socialismo propõe a extinção da propriedade privada dos meios de produção e a tomada do poder por parte do proletariado e controle do Estado e divisão igualitária da renda.
Os precursores dessa corrente de pensamento foram Saint-Simon (1760-1825), Charles Fourier (1772-1837), Louis Blanc (1811-1882) e Robert Owen (1771-1858), conhecidos como criadores do socialismo utópico.
Outros pensadores importantes que se enquadram no socialismo científico são os conhecidos Karl Marx e Friedrich Engels.
Apesar das idéias socialistas terem sido criadas ainda no século XIX, foram somente no século XX colocadas em vigor. O primeiro país a implantar esse regime político foi a Rússia, a partir de 1917, quando ocorreu a Revolução Russa, momento em que o governo monarquista foi retirado do poder e instaurado o socialismo. Após a Segunda Guerra Mundial, esse regime foi introduzido em países do leste europeu, nesse mesmo momento outras nações aderiram ao socialismo em diferentes lugares do mundo, a China, Cuba, alguns países africanos e outros do sudeste asiático.
Diante de todas as considerações, a seguir os principais aspectos do socialismo que deixam claro a disparidade com o sistema capitalista.

• Socialização dos meios de produção: todas as formas produtivas, como indústrias, fazendas entre outros, passam a pertencer à sociedade e são controladas pelo Estado, não concentrando a riqueza nas mãos de uma minoria.
• Não existem classes, ou seja, existe somente a classe trabalhadora e todos possuem os mesmos rendimentos e oportunidades.

• Economia planificada: corresponde a todo controle dos setores econômicos, dirigidos pelo Estado, determinando os preços, os estoques, salários, regulando o mercado como um todo.
O socialismo que foi desenvolvido no decorrer do século XX e que permanece em alguns países até os dias atuais é conhecido por socialismo real, em outras palavras foi executado de forma prática.
Por outro lado, o socialismo ideal é aquele desenvolvido no século XIX, que pregava uma sociedade sem distinção e igualitária, que acabava com o capitalismo. Os pensadores dessa vertente socialista eram em sua maioria anarquistas.
O principal pensador do socialismo foi Karl Marx, para ele esse regime surgiu a partir do capitalismo e seus meios de produção, tendo seu controle desempenhado pelo proletário, assim como o Estado, que posteriormente seria extinto, dando origem ao comunismo que corresponde a uma sociedade sem governo, polícia, forças armadas entre outros, além de não possuir classes sociais e economia de mercado.
Após o declínio do socialismo, a partir de 1991 com a queda da União Soviética, o sistema perdeu força no mundo, atualmente poucos países são socialistas, é o caso da China, Vietnã, Coréia do Norte e Cuba.

13.800 – Economia – Financial Times: Brasil é um ‘Robin Hood às avessas’


CAPeTALISMO
O Financial Times trata de desbastar ilusões sobre o resultado das eleições de outubro. Quem quer que vença a disputa pelo Palácio do Planalto terá de enfrentar duas crises interligadas: o déficit fiscal e o sistema de gastos públicos que segue a lógica inversa da do lendário Robin Hood.
O quadro apresentado pelo artigo não deixa espaço para ideias mágicas e soluções de curto prazo expostas por alguns candidatos à Presidência nesta campanha. O Brasil, apesar dos esforços de ajuste fiscal, tem um déficit orçamentário de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) e “corre o risco de cair em um novo pântano” se o seu futuro governo não controlar os gastos públicos.
Os gastos públicos são alvos de especial detalhamento no artigo, em especial pelas “prioridades perversas” adotadas pelo governo brasileiro. Destinado a leitores de todo o mundo, sobretudo aos investidores, o texto explica que os gastos do governo com salários de servidores e aposentadorias e pensões são tão elevados que o país perdeu sua capacidade de investir em Saúde, infraestrutura e até na “manutenção de alguns de seus melhores museus”.
Esta pitada de ironia é uma referência ao incêndio que devastou o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, cuja imagem abre o artigo e expõe as mazelas brasileiras na área fiscal. O texto cita a conclusão da economista Rozane Siqueira, da Universidade Federal de Pernambuco, de que o gasto público no Brasil é “completamente irracional”.
“Com uma boa parte do que conta como gasto social indo para a classe média alta, ela descreve o governo como uma forma de ‘Robin Hood às avessas’”, menciona o artigo, referindo-se ao lendário bandoleiro medieval, que roubava dos ricos para distribuir aos pobres.
O texto destaca que a crise brasileira não se deve à falta de receitas. No Brasil, é bem sabido que a carga tributária é uma das maiores do mundo, equivalente hoje a 32% do PIB. Mas a repartição do bolo causa estranheza aos autores do texto: 31% da receita vai para os 10% mais pobres, e 23%, para os mais ricos. No Reino Unido, exemplificam eles, 92% da receita vai para os mais pobres, e 2%, para os mais ricos.
Lógica semelhante é replicada no sistema de aposentadorias e pensões, com apenas 2% da receita seguindo para os 20% mais pobres. O texto aponta a extravagância desse sistema para o setor público, com aposentadoria média de R$ 18.065 mensais para juízes e de R$ 26.823 para funcionários do legislativo. Mas não menciona a aposentadoria para trabalhadores do setor privado paga pelo INSS, de R$ 954 a R$ 5.531 mensais.
Em outro aspecto dos gastos públicos, o artigo explica que os benefícios e isenções fiscais concedidos para diferentes setores produtivos custam ao Tesouro R$ 290 bilhões – 20% das receitas do governo federal. Mas cita também as linhas de financiamento subsidiadas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que muito beneficiaram setores com capacidade de buscar crédito no exterior e que não resultaram ganhos de investimento e de produtividade.
O artigo expõe e critica a “popular ideia de que o Estado deva ser generoso” e que, além de dar benefícios fiscais e financiamentos subsidiados, deva também agradar os segmentos populares. Como exemplo, menciona a meia entrada em cinemas, teatros, shows e outros eventos como meio de estimular a audiência de jovens, idosos e outros beneficiados, determinada pelo Planalto.
“Todo mundo sempre pega algo”, diz a economista Zeina Latif, da XP Investimentos, ao FT.
O artigo aborda ainda como essa visão do Estado tem transbordado em casos de corrupção, como nos investigados pela operação Lava Jato. “Ambos os governos, os democraticamente eleitos e os militares, se entregaram a aqueles interesses especiais ao longo dos anos, mas as pressões no orçamento foram exacerbadas durante o período de 13 anos em que o esquerdista Partido dos Trabalhadores ocupou a Presidência, de 2002 a 2016″, diz o texto.
Direita versus esquerda
O artigo explicita o esforço de seus autores em não entrar no discurso político polarizado do Brasil, em especial nesta etapa pré-eleitoral. Mas não deixa de mencionar o namoro do mercado financeiro com o candidato de direita Jair Bolsonaro (PSL), “ignorando sua admiração pela ditadura militar do Brasil e pelas corporações policiais”.
Também acentua, em um quadro sobre a disputa entre direita e esquerda, as decisões políticas da então presidente Dilma Rousseff, que levaram a economia brasileira a uma contração de 7% do PIB entre 2015 e 2016.
Nesse espaço, ressalta que Fernando Haddad, substituto de Luiz Inácio Lula da Silva como candidato do PT, ecoa as políticas adotadas por Rousseff, e que o também esquerdista Ciro Gomes (PDT) “propôs políticas intervencionistas que também alarmaram os investidores”. Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB) e os demais candidatos não foram citados.

13.714 – Não é Fake News e nem Piada – Petrobras reduz preço da gasolina em 0,53% nas refinarias


gasolina
O litro do combustível passará de 1,8941 reais para 1,8841 reais. O novo valor não considera a incidência de impostos e vale a partir desta quinta-feira.
Com o anúncio de hoje, a estatal já realizou 9 reduções e 2 aumentos no custo da gasolina no mês de junho de 2018. A última queda foi de 1,23%. A oscilação segue a política de preços adotada pela companhia desde julho do ano passado, que acompanha a cotação do petróleo no mercado internacional. Com isso, o combustível no Brasil pode ter reajustes ou reduções diárias.
O custo do diesel, que recuou 30 centavos desde o dia 23 de maio de 2018, no ápice da greve dos caminhoneiros, será mantido em 2,0316 reais por sessenta dias.
A solução do governo para encerrar a greve dos caminhoneiros – redução do preço do diesel e mudança na periodicidade dos reajustes – precipitou a saída de Pedro Parente da presidência da Petrobras. Quando assumiu o cargo, há dois anos, Parente afirmou que não haveria interferência do governo na política de preços da estatal. Sob sua gestão, a Petrobras registrou no primeiro trimestre de 2018 o primeiro lucro desde a Lava Jato.
Para o lugar de Parente, o presidente Michel Temer anunciou Ivan Monteiro, diretor de finanças da Petrobras e considerado o braço-direito do antecessor e que também segue a política de preços baseada na cotação internacional do petróleo. É trocar o 6 pelo meia dúzia.

13.689 – Waze libera recurso que indica postos que ainda têm gasolina


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O desabastecimento dos postos fez com que o preço da gasolina sofresse uma variação de até 99,85% entre os estabelecimentos .
arcados.
A greve dos caminhoneiros está promovendo uma corrida aos postos de gasolina de todo o Brasil. Alguns estabelecimentos já estão sem combustível – no Rio de Janeiro, 90% dos postos estão sem gasolina. Para ajudar o motorista que está de tanque vazio, o Waze habilitou um novo recurso dentro do aplicativo para que o consumidor saiba onde encontrar combustível.
A atualização esteve disponível desde sexta-feira. Ao aproximar-se de um posto de gasolina, o aplicativo solicita ao usuário que informe alguns dados – entre eles, há a opção “Atualize disponibilidade local de combustível”. Além disso, é possível incluir o preço dos produtos.
O desabastecimento dos postos fez com que o preço da gasolina sofresse uma variação de até 99,85% entre os estabelecimentos de todo o Brasil, segundo levantamento feito pela ValeCard, empresa especializada em gestão de frotas.
Nos postos que ainda vendem o combustível, existem filas e os preços foram remarcados. O Procon de Pernambuco autuou estabelecimentos que vendiam o litro da gasolina por 8,99 reais. Em Brasília, houve quem vendesse a gasolina por 9,99 reais.
Os aeroportos também estão enfrentando dificuldades. Ao todo, 10 aeroportos administrados pela Infraero estão sem combustível. Na manhã de sexta-feira, o querosene de aviação havia acabado no aeroporto de Brasília.