13.891 – ☻Mega Arquivo – O Blog do Conhecimento


science
O principal foco do blog é Ciência e Tecnologia

Ciência, do latim “scientia”. Conhecimento. Saber que se adquire pela leitura e meditação; instrução, erudição, sabedoria. Conjunto organizado de conhecimentos relativos a um determinado objeto, especialmente os obtidos mediante a observação, a experiência dos fatos e um método próprio. Soma de conhecimentos práticos que servem a um determinado fim. A soma dos conhecimentos humanos considerados em conjunto. Decompondo a definição de ciências podemos dizer que
a ciência é prática. Ainda que a ciência ocasionalmente envolva aprendizado com base em manuais e aulas, sua principal atividade é a descoberta. A descoberta é um processo ativo, presente, não algo para ser realizado apenas por estudiosos isolados do mundo. Ela é tanto uma busca por informação quanto um esforço por explicar como essa informação se combina de maneira significativa. Quase sempre a ciência procura respostas para questões muito práticas: como a atividade humana afeta o aquecimento global? Por que as populações de abelhas estão subitamente se reduzindo na América do Norte? O que permite aos pássaros migrar por distâncias tão longas? Como se formam os buracos negros? A ciência se baseia na observação. Os cientistas empregam todos os seus sentidos para recolher informações sobre o mundo que os cerca.
Embora nosso blog tenha como carro chefe Ciência e Tecnologia, é também um blog que aborda entretenimento, artes, esporte, comerciais antigos, programação de rádio e TV, música, quadrinhos e etc.

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Bem Vindo a Este Vasto Universo: ☻Mega Arquivo


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    1. ☻Mega Arquivo, 30 Anos
    1. Tudo começou em 1988, com simples anotações em um caderno. Foram mais de 10 mil textos resumidos de conclusões de livros e artigos dos mais diversificados, além de algumas explanações próprias minhas. Aqui no WordPress em breve estaremos atingindo marcas impressionantes.

 

    1. Nossa meta ainda está longe de ser alcançada porque apesar dos meus esforços com a qualidade, quantidade e diversidade de assuntos, a repercussão na rede é ainda tímida.

 

    1. Deixe seu comentário pertinente no espaço reservado, de preferência em português. Comentários em inglês serão traduzidos e editados, comentários em outros idiomas ou sem sentido, serão descartados.

 

    1. A partir do post 10.000, o ☻ Mega Arquivo vai iniciar uma nova fase onde será reduzido o número de publicações, sem prejudicar a qualidade. Entendemos que já concluímos o nosso objetivo inicial e uma vez que precisamos de tempo para buscar fundos para manter o próprio site, então reduziremos as postagens.

Por Carlos Rossi

Se as pesquisas de aristóteles sobre animais marcavam o início de uma ciência autônoma entre os gregos, a descoberta de Pitágoras foi decisiva para o espírito científico grego e para toda a ciência ocidental. Depois de Einstein passamos a compreender melhor que todos os fenômenos físicos nada mais são que manifestações de uma energia idêntica e que a própria massa tem uma relação bem estreita com a energia; segundo a clássica fómula E=MC܆². Os grandes problemas que agitam a conciência humana não podem e nem poderão jamais ser resolvidos pela ciência, por exemplo, o problema das origens, do sentido da vida, da ação, da culpa, da salvação, do amor e das relações sociais, do sofrimento e da morte, os problemas do além, bem como do sentido absoluto da vida humana. Isso porque, quanto mais faltar uma base experimental, tanto mais impossível há de ser, pois a ciência é experimental. A psicologia e a sociologia, já adentraram também pelos domínios da ciência, inspirando-se em seus princípios básicos, em pressupostos filósofos e se dispersando em diversas escolas inconciliáveis. Se o mundo fosse totalmente absurdo, as leis cósmicas não significariam nenhum conhecimento apreciável; se o mundo não pudesse ser conhecido por via experimental, a ciência seria um jogo totalmente vão. Portanto são imensos os domínios que escapam à ciência.

O ☻ Mega não tem fins lucrativos, entretanto, se você simpatiza com a nossa causa e possui recurso financeiro, suas doações serão bem vindas.

Se você quer doar e é do Brasil:

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Pra quem é de fora do Brasil:
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O Que é o Mega Arquivo?


Depois da descoberta do fogo e da roda, o desenvolvimento da escrita, cuja origem exata é misteriosa, foi uma das mais preciosas tecnologias lançadas durante a evolução humana, através dela, o conhecimento é transmitido pelo mundo todo, de geração em geração. Os grandes cientistas morrem, completando o ciclo vital ao qual estamos submetidos, mas deixam um legado de conhecimento, para que outros que surgirão no futuro possam se basear. O Mega Arquivo tenta ao analisar fragmentos do conhecimento humano geral, montar um intricado quebra-cabeças de como funciona o universo em que vivemos, analisado a evolução geral do homem, suas invenções, seus engenhos e sua luta para prolongar seu tempo de vida através da Medicina e também, seu pouco desenvolvimento no campo social, na produção e justa distribuição de bens. O mundo capitalista ao qual boa parte da população mundial está submetida é apenas um pouco menos injusto que modelos econômicos da Idade Antiga ou Idade Média. Em compensação, houveram grandes avanços nos campos da química, física, medicina, engenharia e domínios de várias outras tecnologias então desconhecidas há uns poucos séculos atrás.

Quem é o autor do ☻Mega Arquivo?
Carlos Rossi, nascido em 1964 – Desde criança sempre fui um devorador de livros, em 1973 aos 9 anos, ganhei uma enciclopédia chamada Trópico, da extinta editora Martins Fontes, ela foi lida 25 vezes. Meu primeiro livro foi o Manual do Prof Pardal, era um livro infantil que falava de inventores e inventos, uma maneira criativa da editora Abril de despertar o interesse pela cultura nas crianças e comigo deu certo, despertando um apetite pelo conhecimento que estava adormecido no meu DNA. O primeiro manual Disney foi o do Escoteiro Mirim, também bastante rico culturalmente. Alguns anos depois me tornei um auto-didata que colecionava livros, paradidáticos e enciclopédias. Deles saíram a base do meu conhecimento. Comecei a escrever o Mega Arquivo em 1988, que foi inicialmente manuscrito, pois não possuía PC naquela época e nem se sonhava que um dia existiria algo como Internet. Fiquei perplexo quando em 1995, no programa do Jô, então no SBT, vi a apresentação de uma obra parecidíssima com a minha, “O Guia dos Curiosos”, por Marcelo Duarte, da Cia das Letras. Esse livro foi um sucesso de vendas nas livrarias, já que houve um melhor trabalho de divulgação e foi escrito por alguém que já era do meio jornalístico. Mesmo assim, continuei o meu trabalho e apresentei-o na mesma Cia das letras em 1999, que não o compreendeu. De lá para cá ele vem sendo periodicamente atualizado, mas a quantidade de textos que aqui foram enviados é apenas uma fração do projeto original.

Meu primeiro livro
Minha primeira enciclopédia

14.159 – Geopolítica – História da Argentina


argentina
A região que hoje corresponde à Argentina era habitada por querandis, quíchuas, charruas e guaranis até a chegada dos conquistadores espanhóis em 1516, liderados por Juan Díaz de Solís.
Sua independência só foi conquistada em 1816, após a revolução que derrubou o vice-rei espanhol em 1810. Proclamou sua primeira Constituição em 1853, a qual ainda é vigente, mas com pequenas modificações ocorridas em 1994.
A metade do século XIX foi marcada por conflitos internos entre liberais civis e conservadores militares, destacando-se o início do movimento peronista ao final da Segunda Guerra Mundial.

Entre 1955 e 1983, houve uma alternância muito grande no poder, com inúmeros presidentes militares e civis, além de golpes frequentes e instalação de ditaduras violentas.
– De acordo com estudos arqueológicos, a região da atual Argentina recebeu os primeiros habitantes há 13 mil anos, aproximadamente. A hipótese mais aceita sobre a chegada do homem ao continente americano refere-se a passagem da Ásia para a América, através do Estreito de Bering.

– Antes da chegada dos espanhóis a região, no começo do século XVI, o norte da Argentina fazia parte do Império Inca e a região dos pampas era habitada por nações indígenas.
– Em 1516, o navegador espanhol Juan Diaz de Sólis realiza navegações no estuário do rio da Prata e oficializa a conquista do território para os espanhóis. Começa a colonização espanhola na região.

– Em 1534 é fundada a atual capital da Argentina, Buenos Aires.

– Durante o século XVI, os espanhóis dão início a explora de prata na região. Este metal estava em grande quantidade com os indígenas, que foram, aos poucos, conquistados e dizimados pelos europeus.

– Em 1561, foi fundada a cidade de Mendoza por Pedro de Castillo.

– O século XVII foi marcado pela exploração da prata, onde os espanhóis utilizaram a mão de obra indígena. Cresce a mestiçagem da população, entre indígenas e espanhóis. Neste século foi grande a quantidade de contrabando e pirataria (holandeses e franceses), principalmente, na região do Rio da Prata.

– Ainda no século XVII intensifica-se a formação das missões jesuíticas, cujo objetivo era catequizar os índios guaranis argentinos.

– Em 1776, a Espanha criou o Vice-Reinado da Prata (capital em Buenos Aires). Começa a luta de soldados espanhóis e índios guaranis para expulsar os portugueses da região do Rio da Prata.
– Em 1767, a coroa espanhola expulsa da Argentina a Companhia de Jesus.

– Em 1806, os ingleses invadem e tomam a cidade de Buenos Aires. Começa a resistência Argentina ao invasor inglês. Em 1807, a coroa inglesa envia à região um reforço de 11 mil soldados para combater a resistência.
– A campanha de Independência da Argentina foi liderada por San Martin, sendo conquistada em 1816.

– A Primeira Constituição da Argentina foi promulgada em 1853.
– Entre 1865 e 1879, a Argentina uniu-se ao Brasil e Uruguai para lutar contra as forças do paraguaio Solano Lopez, na Grande Guerra do Paraguai. A tríplice Aliança saiu vencedora e o Paraguai derrotado e arrasado.
– No final do século XIX tem início a imigração para a Argentina, principalmente de italianos. Este processo, dura até as primeiras décadas do século XX.
– Entre 1916 e 1930 é o período da História da Argentina conhecido como “Os Governos Radicais”. Período marcado pela recuperação da ética e valorização do federalismo.
– Entre 1946 e 1955 é o período do Peronismo. A Argentina foi governada pelo presidente populista Juan Domingos Perón. Período marcado por forte crescimento econômico, criação de direitos sociais e trabalhistas, investimentos em saúde e educação e nacionalização de serviços públicos.
– As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas por grande instabilidade política. Os presidentes eleitos foram derrubados por golpes militares.

– Os governos militares terminaram somente em 1983, quando a Argentina volta a ser governada por um civil, Raul Afonsin. Volta o respeito aos direitos humanos e fortalecimento do sistema democrático.
– Afonsin governou a Argentina até 8 de julho de 1989, quando renuncia em favor do presidente eleito, o peronista, Carlos Menem. Menem governou de 1989 até 1999 (dois mandatos democráticos).

14.158 – História – Ditadura Militar no Chile


ditadura Chile
Palácio Presidencial no Chile

A ditadura militar no Chile, iniciada no golpe de 11 de setembro de 1973 contra o presidente Salvador Allende, foi responsável pela tortura e morte de milhares de chilenos.

A ditadura militar chilena foi iniciada a partir do golpe militar realizado no país, no dia 11 de setembro de 1973, contra o então presidente Salvador Allende. O novo regime, liderado pelo general Augusto Pinochet até 1990, caracterizou-se pela intensa repressão e censura e por causar a morte de mais de três mil pessoas, a tortura de aproximadamente 40 mil e o exílio de milhares de cidadãos chilenos.

Golpe contra Salvador Allende
Salvador Allende era o presidente chileno eleito nas eleições de presidenciais de 1970 com 36,63% dos votos. Ele foi um político socialista, e sua candidatura recebeu o apoio de uma coalizão de partidos de esquerda do Chile que ficou conhecida como Unidade Popular. O governo de Allende ficou marcado pela grave crise econômica e pela polarização política existente no país.
Após assumir o governo chileno, o presidente Allende colocou em práticas suas medidas de socialização da economia. Para isso, foi iniciado um programa de reforma agrária no país e a nacionalização e estatização de bancos, minas de cobre e inúmeras grandes empresas que estavam instaladas no país.
As medidas impostas por Allende trouxeram grande insatisfação em grandes corporações instaladas no Chile, pois essas empresas viram seus interesses econômicos em risco no país. Além disso, a política socialista implantada por Allende gerava o descontentamento dos Estados Unidos, que mantinham uma política de não aceitação do socialismo na América Latina (principalmente depois do que havia acontecido em Cuba).
A partir disso, o governo de Allende passou a ser sabotado por ação de grupos internos e internacionais com o objetivo de provocar o seu enfraquecimento político. Algumas sanções à economia chilena foram implantadas pelos Estados Unidos, país que, secretamente por meio da Agência Central de Inteligência (CIA), passou a apoiar grupos de oposição ao governo de Allende com a intenção de desgastá-lo.
O principal desses grupos de oposição pertencia à extrema-direita e era conhecido como Frente Nacionalista Patria y Libertad. Esse grupo praticava atos terroristas contra o governo de Allende. A atuação da CIA também financiou greves internas em áreas fundamentais com o objetivo de desestabilizar a economia chilena, como a greve dos caminhoneiros que aconteceu a partir de 1972.
As restrições econômicas e as agitações internas financiadas pelos Estados Unidos levaram a uma desestabilização total da economia chilena. Em 1973, por exemplo, a economia do país estava próxima de alcançar os 400% de inflação e o Produto Interno Bruto estava em queda. Por fim, o último passo da conspiração contra Allende foi a formação de uma Junta Militar, que tramou a derrubada do governo.
O principal nome dessa conspiração foi o general Augusto Pinochet, comandante em chefe do exército chileno desde agosto de 1973 (havia sido nomeado ao cargo por Allende). Com a adesão de Pinochet, o golpe foi planejado para o dia 11 de setembro. No dia do golpe, o palácio presidencial La Moneda foi bombardeado por aviões e atacado por terra por combatentes pesadamente armados. O presidente Allende estava no palácio na hora do ataque e cometeu suicídio (por anos imaginou-se que ele havia sido assassinado).
Com isso, a Junta Militar que havia conspirado o golpe tomou o poder no Chile e iniciou um período ditatorial no país que se estendeu até 1990. O golpe militar chileno seguiu uma tendência na América do Sul de implantação de ditaduras militares apoiadas pelos Estados Unidos com o objetivo de impedir o fortalecimento de grupos políticos de esquerda. Outros exemplos de ditaduras militares foram as implantadas no Brasil e na Argentina.

Ditadura chilena
Com a derrubada e a morte do presidente Allende, a Junta Militar escolheu Augusto Pinochet para o governo do Chile. Pinochet permaneceu no cargo de presidente durante todo o período da ditadura chilena, ou seja, até 1990. Os anos desse regime ficaram marcados pela repressão e censura imposta e resultaram na morte ou desaparecimento de 3.065 pessoas e na tortura de 40.018.
Além de grande quantidade de pessoas que foram mortas ou torturadas nos anos da ditadura chilena, outros milhares de chilenos foram obrigados a sair do país para fugir da repressão. Pessoas que manifestassem oposição ao governo ou defendessem posturas políticas alinhadas com o socialismo eram presas indiscriminadamente. Nos primeiros anos de regime, o Estádio Nacional do Chile foi usado como prisão e abrigou milhares de pessoas que foram vítimas da repressão.
Na questão econômica, a ditadura desfez todo o projeto socializante colocado em prática por Salvador Allende e implantou uma política econômica neoliberal. Essa política econômica foi influenciada por um grupo de jovens economistas chilenos que haviam estudado em Chicago, nos Estados Unidos, e que ficaram conhecidos como “Chicago Boys”. Como medidas adotadas, houve a diminuição dos gastos com o governo e redução dos benefícios sociais, o que contribuiu largamente para o aumento da desigualdade social existente no Chile.
Após o plebiscito de 1980, foi aprovada a aplicação de uma nova constituição que garantiu a permanência de Pinochet no poder até 1988, quando deveria ser realizada uma nova consulta pela sua permanência no poder. O novo plebiscito realizado em 1988 acabou determinando o fim de sua ditadura, pois 56% da população optou pela não continuidade de seu governo.
Com a derrota no plebiscito, o governo de Pinochet iniciou a transição para um novo período democrático. O militar manteve-se como senador vitalício após abandonar a presidência, e Patrício Aylwin foi eleito como novo presidente do Chile. A redemocratização do país levou a inúmeras denúncias e julgamentos de crimes cometidos por membros do governo.
Pinochet manteve-se no cargo de senador vitalício até 1998, quando o deixou em virtude da fragilidade da sua saúde. Posteriormente, ele foi preso e acusado de violação dos direitos humanos e crime de corrupção, com desvio de dinheiro para contas secretas, no entanto, o ditador nunca foi colocado em julgamento, pois apresentou atestado de debilidade mental. Pinochet morreu em dezembro de 2006.

pinochet

14.157 – História da Humanidade – Introdução


historia da humanidade
Há certas dúvidas sobre quais foram exatamente os nossos antepassados mais remotos. Os seres humanos modernos só surgiram há cerca de 200 mil anos. Os humanos são primatas e surgiram na África; duas espécies que pertenceram aos primórdios da evolução dos hominídeos foram o Sahelanthropus tchadensis, com um misto de caraterísticas humanas e símias, e o Orrorin tugenensis, já bípede, mas não se sabe o tamanho do cérebro, que no Sahelanthropus era de 320–380 cm cúbicos. Ambos existiam há mais de 6 milhões de anos. Os hominídeos da época habitavam a África subsariana, a Etiópia e Tanzânia, ou seja na África Oriental. Seguiram-se a esses primeiros hominídeos os Ardipithecus e mais tarde (há 4,3 milhões de anos até há 2,4 milhões) os Australopithecus, descendentes dos Ardipithecus. Tinham (os australopitecos) maiores cérebros, pernas mais longas, braços menores, e traços faciais mais parecidos aos nossos.
Há 2,5 milhões de anos surge o gênero Homo, Homo habilis na África oriental, com ele começam-se a usar ferramentas de pedra totalmente feitas por eles (começando o Paleolítico) e carne passa a ser mais importante na dieta do Homo habilis. Eram caçadores e tinham um cérebro maior (590–650 cm cúbicos), mas tinham braços compridos.
Mas os H. habilis não eram apenas caçadores, pois também eram necrófagos e herbívoros.
Havia outras espécies como o Homo rudolfensis que tinha um cérebro maior e era bípede e existiu durante a mesma época que o Homo habilis. Há dois milhões de anos surgiu o Homo erectus: de constituição forte, com um cérebro muito maior (810–1250 cm cúbicos), rosto largo e foi o primeiro hominídeo a sair de África existindo na África, Ásia e Europa, existindo até há 500 mil anos. É o primeiro a usar o fogo. Há 300 mil anos já tinha estratégias elaboradas de caça a mamíferos corpulentos. A era glacial começou há 1,5 milhões de anos.
Há uns 50 000 anos, os seres humanos lançaram-se à conquista do planeta em diferentes rumos desde África. Um rumo alcançou a Austrália. A outra chegou a Ásia Central, para logo se dividir em dois, uma a Europa, e a outra caminhou até cruzar o Estreito de Bering e chegou à América do Norte. As últimas áreas a ser colonizadas foram as ilhas da Polinésia, durante o primeiro milênio.
Os neandertais eram robustos, com um cérebro grande, e viviam na Europa e oeste da Ásia. Sobreviveram até 24 mil anos atrás e coexistiram com os modernos Homo sapiens sapiens, apesar de estudos de ADN provarem que não podiam reproduzir-se entre si.
A origem dos Homo Sapiens atuais é bastante discutida, mas a maioria dos cientistas apoia a teoria da Eva Mitocondrial, apoiada por testes genéticos, em vez da teoria evolução multirregional que defende que os seres humanos modernos evoluíram em todo o mundo ao mesmo tempo a partir das espécies Homo lá existentes e que se reproduziram entre si entre as várias migrações que supostamente fizeram. Os primeiros fósseis totalmente humanos foram encontrados na Etiópia e datam de aproximadamente 160 mil anos.
Há cerca de 35 mil anos surgiu a arte paleolítica na Europa. Consistia em pinturas nas paredes das grutas, e pequenas esculturas eram feitas em madeira ou pedra, representado várias vezes símbolos de fertilidade.
Há 10 mil anos a.C., praticamente não havia agricultura, mas em 6 mil anos os conjuntos de humanos com capacidade para criar animais e cultivar plantas passariam a ser produtores. A agricultura foi inventada em várias partes do mundo, comumente em épocas diferentes, independentemente das outras áreas.
Primeiro foi no Médio Oriente, mais precisamente no Crescente Fértil, em 10 mil a.C., onde se espalhou para várias zonas do mundo, como o Norte de África (excluindo o Egito) e os Balcãs há 6 mil a.C.
A razão principal para a invenção da agricultura foi a diminuição de zonas de caça como florestas, e a sua subsequente transformação em desertos estéreis, com o aumento do nível do mar causado pelo fim da idade do gelo, há 14 mil anos, que acabou devido a mudanças na órbita da Terra. A temperatura subiu 7º Celsius e o nível do mar 25 metros em apenas 500 anos. Há 8 mil anos o degelo principal estaria praticamente concluído. O estilo de vida tradicional de migração tornou-se demasiado arriscado, e muitas pessoas tiveram de subir montes ou aproximar-se de rios e lagos.
Primeiras cidades: Uruk, Eridu, Abidos, Hieracômpolis. As primeiras duas situavam-se na Mesopotâmia e as segundas, no Alto Egito.
Foi graças ao advento da agricultura e da domesticação de animais que permitiu que muitas pessoas se fixassem em aldeias e vilas e por lá ficassem o ano inteiro, foi também com a mudança para agricultura que surgiram trabalhos não associados à produção de alimentos, pois pela primeira vez havia alimento suficiente para alimentar toda a gente, mesmo aqueles que não se dedicavam diretamente à sua provisão. Também permitiu que muita gente tivesse um maior número de filhos. Aqueles que não se especializaram em agricultura, puderam tornar-se artesões, mercadores e burocratas criando artefatos como joias, cerâmica e roupas. Puderam dedicar-se a criar novas tecnologias como a roda e a metalurgia.
Inventou-se a fundição do cobre há cerca de 8 000 anos.
A metalurgia surgiu na Anatólia e na Mesopotâmia (Turquia e Iraque atuais) em aproximadamente 5 000 a.C., e até 4 000 a.C. espalhou-se até ao planalto do Irão, Cáucaso e delta do Nilo, até 3 000 a.C. dirigiu-se até ao sul da Europa, da Polônia e da Alemanha, França, ilhas britânicas, e depois até 2 000 a.C. à Dinamarca, resto da Polônia, parte dos países bálticos e Bielorrússia.
As primeiras manifestações religiosas surgiram em tempos do homem de Neanderthal, há 60 mil anos atrás.
O crescente fértil, uma região do médio oriente e norte da África, foi onde surgiu primeiro a agricultura e também um dos primeiros sítios onde se inventou a metalurgia. Foi o local onde surgiram várias das primeiras grande civilizações e cidades. Foi habitada inicialmente pelos natufienses, um povo que sofreu os efeitos catastróficos do degelo, como secas, pois eram grandes caçadores e alimentavam-se de bagas silvestres. Os peritos acham que foram as mulheres natufienses, que face ao risco da fome armazenavam as melhores sementes que tinham, e há quem diga que foi isto que levou ao espalhar da agricultura. Os natufienses também usavam ferramentas agrícolas, como foices e picaretas. Como as plantas selvagens que comiam foram desaparecendo viram-se obrigados a cultivar as sementes de cultivo mais fácil, que plantavam em encostas. Os natufienses foram também os primeiros a domesticar o lobo.
As primeiras civilizações surgiram na região da Crescente Fértil e no vale do rio Indo, regiões propícias a agricultura. O desenvolvimento levou a formação de grandes cidades que iriam levar a formação dos Estados. Normalmente essas cidades estavam situadas ao pé de grandes rios.
A Mesopotâmia (o nome “Mesopotâmia” ajuda a entender o lugar. A palavra Mesopotâmia, de origem grega, significa “entre rios”) está situada entre os rios Eufrates e Tigre, no sudoeste da Ásia, numa área que é hoje o Iraque, o sudoeste do Irão, o leste da Síria e o sudeste da Turquia, há cerca de 5 000 anos.
A agricultura mesopotâmica dependia dos ricos sedimentos que as águas dos rios traziam. Os pântanos davam peixes, aves e juncos que serviam para fazer telhados. Como precisavam de esquemas de irrigação e aproveitamento da terras precisaram do comando organizado de muita gente. Julga-se que isso criou as bases do que se pensa ser a primeira sociedade estratificada.
A civilização mesopotâmica centrava-se nas cidades do sul, numa região chamada Suméria. Na Mesopotâmia existiam várias cidades estado, normalmente ligadas comercialmente e diplomaticamente que as vezes cooperavam entre si, enquanto outras competiam. Entre a as grandes cidades, podemos citar Uruk, Kish, Ur e Acádia, que às vezes ascendiam ao controle do território.
Essa sociedade descentralizada existente em 3000 a.C deixou de existir, sendo substituída por uma hierarquia centralizada, controlada por governantes “todo-poderosos”, que não costumavam ser considerados divinos. Apareceram também palácios reais sumptuosos. Para suportar tal sociedade era necessária uma classe de burocratas, escribas e mercadores. Era uma sociedade urbana em que os habitantes viviam em casas feitas com tijolos de terra local, gesso de lama e portas de madeira. Era necessária muita mão de obra para gerir os grandes projetos de rega e construção e cultivar a terra.
A religião estava interligada com a política, e algumas cidades eram governadas por sacerdotes.
Eram pobres em recursos naturais, como pedra e metal, e assim tinham a necessidade de estabelecer laços comerciais com uma região que ia até ao vale do Indo e Golfo Pérsico.
seu sistema numérico era baseado no número 60, e sobrevive ainda na divisão do tempo e no círculo de 360º.
A Suméria (na Bíblia, Sinar; do acádio Šumeru; em sumério: ki-en-ĝir15, algo como “terra de reis civilizados” ou “terra nativa” foi uma antiga civilização e o nome dado à região histórica habitada por essa civilização, no sul da Mesopotâmia, atual sul do Iraque e Kuwait, durante a Idade do Cobre (ou Calcolítico) e a Idade do Bronze inicial. Embora os primeiros registros escritos da região não remontem a mais que cerca de 3500 a.C., os historiadores modernos sugerem que a Suméria teria sido colonizada permanentemente entre por volta de 5500 e 4000 a.C. por um povo não-semita que pode ou não ter falado o idioma sumério (utilizando como evidência para isto os nomes das cidades, rios e ocupações básicas).
Estes povos pré-históricos sobre o qual se conjecturou são chamados atualmente de “proto-eufrateanos” ou “ubaidas”, e, segundo algumas teorias, teriam evoluído a partir da cultura Samarra, do norte da Mesopotâmia (Assíria).Os ubaidas foram a primeira força civilizatória na Suméria, drenando os pântanos para praticar a agricultura, desenvolvendo o comércio e estabelecendo indústrias, entre elas a tecelagem, o trabalho do couro e dos metais, a alvenaria e a cerâmica. Alguns estudiosos, no entanto, como Piotr Michalowski, professor de Línguas e Civilizações Antigas do Oriente Médio da Universidade do Michigan, e o acadêmico alemão Gerd Steiner, contestam a ideia de um idioma proto-eufrateano ou de uma língua de substrato. Tanto eles quanto outros sugeriram que a língua suméria era o idioma falado originalmente pelos povos caçadores e pescadores que viviam nos pântanos e na região costeira da Arábia Oriental, e pertenciam à cultura bifacial árabe. Os registros históricos confiáveis aparecem apenas muito mais tarde; nenhum deles foi datado antes do período de Enmebaragesi (c. século XXVI a.C.). O arqueólogo americano de origem letã Juris Zariņš acredita que os sumérios seriam um povo que habitava o litoral oriental da Península Arábica, no Golfo Pérsico, antes de ele ter sido inundado, ao fim da Idade do Gelo.

egpcios
A Babilônia foi uma grande cidade da Ásia antiga, localizada na Mesopotâmia, sobre o Eufrates onde este se aproxima do Rio Tigre. A Babilônia teve o seu primeiro grande império há 2000 a.C, e após várias invasões e outro impérios acabou desmantelada pelos persas, depois de uma revolta há 486 a.C.
Os assírios foram um povo semita que habitavam o norte da Mesopotâmia. O seu império alcançou o auge entre anos 800 a.C. e 700 a.C., esta foi a era neoassíria, construída sobre as bases do Império Médio Assírio (1350–1 000 a.C.). O império médio possuiu muitos recursos e grande riqueza. Melhorou também a rega e a agricultura. Construiu imponentes construções e criou centros administrativos importantes.
Estes neoassírios eram famosos como guerreiros ferozes, capazes de inovadoras proezas militares. Graças a isso conseguiram expandir o seu território. Possuíam um exército que era a mistura de carros, cavalaria e infantaria e usavam já armas de ferro. O seu exército incluía soldados profissionais, incluindo mercenários estrangeiros mandados pelo rei, e eram pagos com as receitas do impostos locais.
Os assírios usavam horríveis métodos, como a execução em massa, empalação etc., contra os que se lhes opunham. Patrocinaram também grandes migrações em massa oferecendo terras e assistência. Assim o centro do império tornou-se muito multicultural.
Eram uma monarquia, estando divididos em províncias governadas por nomeados pelo rei. A maioria da população oferecia ao senhor local serviços e bens em troca de proteção. Havia também um bom sistema de vias de comunicação, que incluíam um sistema de estradas que o futuro Império Aquemênida também teria.
O seu império incluía o sudeste da Anatólia, a Fenícia e Israel, a Babilónia, e obviamente a Assíria e algumas partes do Irão. O império, após divisões internas, foi derrotado pelos babilónios e os medos, que conquistaram a cidade de Assur em 614 a.C.
O Antigo Egito foi uma civilização da Antiguidade oriental do Norte de África, concentrada ao longo ao curso inferior do rio Nilo, no que é hoje o país moderno do Egito. Era parte de um complexo de civilizações, as “Civilizações do Vale do Nilo”, do qual também faziam parte as regiões ao sul do Egito, atualmente no Sudão, Eritreia, Etiópia e Somália. Tinha como fronteiras o Mar Mediterrâneo, a norte, o Deserto da Líbia, a oeste, o Deserto Oriental Africano a leste, e a primeira catarata do Nilo a sul. O Antigo Egito foi umas das primeiras grandes civilizações da Antiguidade e manteve durante a sua existência uma continuidade nas suas formas políticas, artísticas, literárias e religiosas, explicável em parte devido aos condicionalismos geográficos, embora as influências culturais e contactos com o estrangeiro tenham sido também uma realidade.
A civilização egípcia se aglutinou em torno de 3 100 a.C. com a unificação política do Alto e Baixo Egito, sob o primeiro faraó (Narmer), e se desenvolveu ao longo dos três milênios seguintes.

China Antiga
A primeira dinastia, Xia é algo mítica. A tradição chinesa diz que os humanos têm a sua origem nos parasitas do corpo do criador, Pangu. A seguir ao seu óbito governantes sábios introduziram as invenções e instituições fundamentais da sociedade humana.[47] Em 1 900 a.C. foi o ano das primeiras cidades descobertas na China.
O registo mais antigo do passado da China data da Dinastia Shang, possivelmente no século XIII a.C., na forma de inscrições divinatórias em ossos ou carapaças de animais, segundo a tradição chinesa começou em 1766 e acabou em 1 122 a.C.
Segundo a tradição a dinastia Zhou reinou entre 1122 e 256 a.C.. Este período enorme é divido em Zhou Ocidental, de 1122 a 771 a.C., e Zhou Oriental, estando este ainda subdivido nos períodos de Primavera e Outono, de 771 a 481 a.C., e dos Estados Combatentes, de 481 a 221 a.C.
Os historiadores costumam denominar de China Imperial o período entre o início da Dinastia Qin (século III a.C.) e o fim da Dinastia Qing (no começo do século XX). Em 230 a.C., o Estado Qin iniciou as várias campanhas que levaram à unificação da China. Os outros estados formaram alianças para tentarem impedir o seu avanço, e em 227 a.C. houve uma tentativa de assassinato do rei Zheng (Qin Shi Huangdi). Os esforços de resistência fraquejaram e em 221 a.C. o rei Zheng do estado Qin assumiu o título de Qin Shi Huangdi, primeiro imperador da Dinastia Qin.
A dinastia Han durou de 206 a.C. a 220 d.C., fundada por Liu Bang (depois Gaozu) e com um estado centralizado poderoso e bons funcionários públicos, os primeiros imperadores Han aplicaram a pena de morte com menos frequência, os impostos passaram a uma trigésima parte do rendimento individual e o confucionismo tornou-se religião de estado. No 8 d.C. Wang Mang tiraria o poder ao imperador criança e fez várias reformas como declarar que toda a terra era propriedade do estado, e limitando o tamanho destas, sendo que as grandes demais, eram confiscadas, os escravos também se tornaram posse do estado e Wang Mang tentou regular também o preço e monopolizar as matérias primas. Os ricos opuseram-se as reformas feitas. Em 18 d.C. houve uma revolta de camponeses liderados por Fang Chung, “revolta dos sombrolhos vermelhos” que venceria o exército de Wang Mang em 25 d.C.. Mais tarde a dinastia Han seria restaurada pela aristocracia. Em 184 d.C. haveria uma nova revolta de camponeses (“revolta dos fitas amarelas” chefiada graças a Juang Chao e irmãos, que desejava a igualdade para todos, que tinha algumas centenas de milhares de homens. Foi uma luta forte que durou 2 anos, que embora esmagada faria a China desintegrar-se outra vez.
No século I houve um grande progresso tecnológico, durante o qual foi inventado o papel, por Cai Lun.
As pinturas da Idade da Pedra nos abrigos na Rocha de Bhimbetka em Madia Pradexe são as pegadas mais antigas conhecidas da vida humana na Índia. Os primeiros assentamentos humanos permanentes apareceram há mais de nove mil anos atrás e pouco a pouco se desenvolveram no que hoje é conhecido como a civilização do Vale do Indo, a qual teve seu florescimento ao redor de 3 300 a.C., no oeste do atual território indiano. Depois de sua queda, começa a civilização védica, que acolheu as bases do hinduísmo e outros aspectos da sociedade indiana, período que terminou em 500 a.C., onde em todo país se estabeleceram muitos reinos independentes e outros estados conhecidos como “Mahajanapadas”.
Grécia Antiga é o termo geralmente usado para descrever o mundo grego e áreas próximas (tais como Chipre, Anatólia, sul da Itália, da França e costa do mar Egeu, além de assentamentos gregos no litoral de outros países, como o Egito). Tradicionalmente, a Grécia Antiga abrange desde 1 100 a.C. (período posterior à invasão dórica) até à dominação romana em 146 a.C., contudo deve-se lembrar que a história da Grécia inicia-se desde o período paleolítico, perpassando a Idade do Bronze com as civilizações cicládica (3000-2 000 a.C.), minoica (3000-1 400 a.C.) e micênica (1600-1 200 a.C.); alguns autores utilizam de outro período, o período pré-homérico (2000-1 200 a.C.), para incorporar mais um trecho histórico a Grécia Antiga.

Monarquia e República romana
Segundo a lenda de Rómulo e Remo, Roma foi fundada em 753 a.C.. Na mesma altura um grupo de aldeias no alto da colina do rio Tibre transformam-se na cidade de Roma. Depois entre 616 e 510 a.C. foi uma monarquia, onde os etruscos detinham o poder sobre as cidades-estado do norte. Tarquínio Prisco foi o primeiro rei da cidade. Em 510 a.C. expulsam o último rei, Tarquínio. Depois Roma torna-se uma república que dura até 31 a.C.. Em 451 a.C. é criado o primeiro código da lei romana.Em 340-338 a.C. passa a dominar a região do Lácio. Em 264-241 a.C. na primeira guerra púnica, lutada contra os Cartagineses , conquista definitivamente a Sicília. Na Segunda Guerra Púnica, Cipião derrota Aníbal, que invadiu a Itália.
Em 149-146 a.C. acontece a terceira guerra púnica, em que Cartago é totalmente destruída, e Roma torna-se o o país mais poderoso do Mediterrâneo. Em 73-71 a.C., Espártaco chefia uma revolta falhada contra a Roma. Em 60 a.C. Júlio César, Pompeu e Licínio Crasso detêm um triunvirato. Em 55 a.C. Júlio faz as primeiras expedições à Britânia. Júlio César torna-se ditador em 49 a.C., até ser assassinado em 44 a.C..

Mundo atual
O século XXI tem sido marcado por uma crescente globalização econômica e integração, com o consequente aumento do risco para as economias interligadas, e pela expansão das comunicações com telemóvel e a Internet. Em todo o mundo a procura e a competição por recursos naturais aumentou devido ao crescimento da população e da industrialização, especialmente na Índia, China e Brasil. Este aumento da procura está a causar aumento dos níveis de degradação ambiental e uma ameaça crescente do aquecimento global. Que por sua vez, tem estimulado o desenvolvimento de renováveis fontes de energia (nomeadamente energia solar e energia eólica), propostas de mais limpos de combustíveis fósseis e ampliação do uso de energia nuclear (um pouco atenuada pelos acidentes nucleares e, inversamente, as chamadas para evitar o emprego em larga escala indiscriminado do “complexo cindível-fóssil” de fissão- (nuclear) e de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural) para a geração de energia.

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Dica de Livro

 

14.156 – Geólogos e arqueólogos determinam idade correta da civilização mais antiga do mundo


De acordo com o novo estudo, publicado na revista Scientific Reports, a cultura do Vale do Indo, tem pelo menos 8000 anos de idade, ao contrário dos 5500 estimados anteriormente.
Segundo as novas estimativas, a referida civilização supera o Antigo Egito e Mesopotâmia em antiguidade.
Os cientistas conseguiram determinar a idade da cultura do Vale do Indo, após terem submetido os fragmentos e ossos encontrados na localidade de Bhirrana a várias análises, entre elas à datação por carbono 14.
Além de precisar a idade, as observações desmentiram a teoria de que a queda da civilização de Harappa se possa ter devido a uma abrupta mudança climática. No entanto, a mudança da estratégia agropecuária associada à seca terá contribuído para a desurbanização e declínio gradual das cidades.
Um homem vestindo hábito maia passa na frente da pirâmide Kukulcan, no parque arqueológico Chichen Itzá, em 20 de dezembro de 2012
A cultura do Vale do Indo se situava no delta do rio Indo e tinha um grande nível de desenvolvimento cultural. Suas cidades contavam com canalização e banheiros públicos. No entanto, essa civilização começou decaindo no início do século XVII a.C.
Entre as teorias sobre o seu desaparecimento figura a versão da mudança climática, assim como a das invasões dos antepassados dos persas e indianos modernos.

14.155 – Quais os Países Formam o Reino Unido?


mapa-reino-unido
Reino Unido é um termo usado para descrever a Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales. Estes quatro países, juntos, formam o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, o qual é um Estado soberano. Os termos alternativos “nações constituintes” e “Home Nations” também são utilizados, este último principalmente para fins esportivos. Enquanto “países” é o termo descritivo mais comumente usado,devido à ausência de uma constituição britânica formal e a longa e complexa história da formação do Reino Unido, os países do Reino Unido não tem uma denominação oficial. Como consequência, Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales não são subdivisões formais do Reino Unido e vários termos são usados para descrevê-los.
Como um Estado soberano, o Reino Unido é a entidade que é usada em organizações intergovernamentais e como representante e Estado-membro da União Europeia e das Nações Unidas, bem como sob a lei internacional, visto que a Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e o País de Gales não estão na lista de países da Organização Internacional para Padronização (ISO). No entanto, Inglaterra, Escócia e País de Gales têm organismos nacionais separados em muitos esportes, o que significa que eles podem competir individualmente em competições esportivas internacionais; em contextos esportivos, Inglaterra, Irlanda do Norte (ou toda a Irlanda), Escócia e País de Gales são referidos como Home Nations.
O parlamento e o governo do Reino Unido lidam com todos os temas relacionados à Irlanda do Norte e Escócia e todas as questões não-transferidas para o País de Gales, mas não interfere em temas que têm sido atribuídos à Assembleia da Irlanda do Norte, ao Parlamento escocês e à Assembléia galesa. A Inglaterra continua a ser da inteira responsabilidade do Parlamento do Reino Unido, que é centralizado em Londres.
As Ilhas do Canal e a Ilha de Man são dependências do Reino Unido, mas não fazem parte do Reino Unido ou da União Europeia. Colectivamente, o Reino Unido, as Ilhas do Canal e a Ilha de Man são conhecidos na lei britânica como as Ilhas Britânicas. A República da Irlanda é um estado soberano formado a partir da parte da Irlanda, que se separou do Reino Unido em 1922. Embora geograficamente a Irlanda seja parte das Ilhas Britânicas, não é mais uma parte do Reino Unido.

14.154 – Cientistas aliam medicina e tecnologia para (tentar) vencer o envelhecimento


MEDICINA simbolo
Um dos mitos da Grécia Antiga, que remonta a 700 a.C., conta a história de amor de Eos, a deusa do amanhecer, e Titono, irmão mais velho do rei de Troia. Eos se apaixonou por Titono e pediu a Zeus que concedesse a ele a imortalidade dos deuses. Mas se esqueceu de pedir eterna juventude. Titono viveu por anos a fio, definhando, esquecido pela própria Eos, que o trancou em um quarto escuro até que, finalmente, ele se transformou em uma cigarra.
Alguns milênios depois, a longa busca da humanidade pela vida e juventude eternas ganha, pela primeira vez, contornos científicos. No Vale do Silício, pesquisadores têm tentado unir medicina e tecnologia para encontrar maneiras de nos fazer viver mais e mais jovens, encarando o envelhecimento como uma causa para as tantas doenças associadas a ele e, portanto, passível de tratamento ou mesmo cura.
“Depois de assegurar níveis sem precedentes de prosperidade, saúde e harmonia, e considerando nossa história pregressa com nossos valores atuais, as próximas metas da humanidade serão provavelmente a imortalidade, a felicidade e a divindade”, escreveu Yuval Harari em Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, best-seller publicado no Brasil em 2016 pela Companhia das Letras. “Reduzimos a mortalidade por inanição, a doença e a violência; objetivaremos agora superar a velhice e mesmo a morte”, sentencia o professor de História da Universidade Hebraica de Jerusalém.
O primeiro laboratório biomédico dos Estados Unidos dedicado inteiramente a pesquisar o envelhecimento foi criado em 1999 em Novato, na Baía de São Francisco, a poucos quilômetros do Vale do Silício. Com a missão de acabar com as doenças relacionadas à passagem do tempo, o Instituto Buck acredita que é possível as pessoas aproveitarem a vida aos 95 anos tanto quanto o faziam aos 25.
Além do Buck, laboratórios como o Calico e o Unity Biotechnology têm como objetivos explícitos “resolver a morte” e “combater os efeitos do envelhecimento” e são financiados pelos bilionários Sergey Brin e Larry Page, fundadores do Google, Jeff Bezos, da Amazon, e Peter Thiel, do PayPal. Mas é a Fundação SENS, criada em 2009 pelo cientista da computação inglês Aubrey de Grey, entre outros nomes, que desperta as maiores polêmicas na comunidade científica.
Homo machina
Na visão de Aubrey de Grey, de 56 anos, o envelhecimento deve ser tratado como um fenômeno simples, e nosso corpo visto como uma máquina ou uma engenhoca que pode ser consertada. “O motivo de termos carros que ainda rodam após cem anos é o fato de eliminarmos os estragos antes mesmo de as portas caírem. O mesmo vale para o corpo humano”.
Para desenvolver o modelo que chama de SENS, sigla para Strategies for Engineered Negligible Senescence (estratégias para engenharia de uma senescência negligenciável, em tradução livre), ele olhou para os principais processos que levam ao envelhecimento conhecidos hoje: perda e degeneração das células; acúmulo de células indesejáveis, como de gordura ou senescentes (velhas); mutações nos cromossomos e nas mitocôndrias; acúmulo de “lixo” dentro e fora das células, o que pode causar problemas em seu funcionamento; ligações cruzadas em proteínas fora da célula, que podem gerar perda de elasticidade no tecido em questão.
O motivo de termos carrros que ainda rodam após cem anos é o fato de eliminarmos os estragos antes mesmo de as portas caírem. O mesmo val para o corpo humano”Aubrey de Grey, cientista da computação
Para De Grey, basta tratar cada um desses itens e pronto: nossos problemas de saúde que surgem com a idade acabariam — quase tão simples quanto aplicar e remover um filtro do FaceApp, aplicativo que se tornou febre nas redes sociais nas últimas semanas, com um algoritmo que faz uma simulação fotográfica da aparência que poderemos ter quando mais velhos. “Não haveria limite, assim como não há limite para os carros funcionarem. Morreríamos somente de causas que não têm a ver com quanto tempo atrás nascemos. Impactos de asteroides, acidentes etc.”
Entre os tratamentos propostos pelo cientista — e pelos defensores do antienvelhecimento — estão transfusões periódicas de células da medula em tecidos nos quais as células não são substituídas após a morte, como o cérebro e o coração, e o uso de medicamentos ou vacinas que estimulam o sistema imunológico a combater os danos causados pelas próprias células.
Uma revisão de estudos feita pelos pesquisadores do Buck publicada em julho deste ano na revista científica Nature aponta as duas principais substâncias que se mostraram promissoras no retardamento do envelhecimento em animais, a rapamicina e a metformina. Descoberta pela primeira vez nos anos 1970, a rapamicina inibe o mecanismo molecular chamado mTOR, que controla a divisão, a multiplicação e o envelhecimento das células. Em um experimento feito com ratos, o tempo de vida dos roedores que ingeriram a substância aumentou 14%. Mas ela também suprime o sistema imunológico — não à toa, é usada como imunossupressor para diminuir o risco de rejeição em transplantes de órgãos.
A metformina, por sua vez, é usada no tratamento de diabetes tipo 2 desde a década de 1960. Nos últimos anos, algumas pesquisas realizadas em animais identificaram que ela pode atuar nas funções das mitocôndrias (estruturas responsáveis pela respiração celular) para diminuir inflamações e desacelerar o envelhecimento das células. Também é associada à diminuição do risco de tumores. Segundo a revisão na Nature, os testes clínicos em humanos voltados especificamente para os efeitos no combate ao envelhecimento com a rapamicina e a metformina devem começar a ser feitos em breve.
O problema é que há riscos ainda desconhecidos para todas essas teorias e experiências. Em um dos primeiros perfis sobre De Grey e suas ideias, publicado no MIT Review of Technology em 2005, o cirurgião norte-americano Sherwin Nuland (1930-2014), autor do texto, lembrou que “diferentemente de engenheiros, cujas metodologias De Grey considera a principal contribuição para resolver os problemas de envelhecimento, biólogos não abordam eventos fisiológicos como entidades distintas sem efeitos sobre as outras”. E completa ressaltando que cada uma das intervenções propostas pode resultar em respostas imprevisíveis e incalculáveis da bioquímica e física das células. “Na biologia, tudo é interdependente; tudo é afetado por todo o resto”, escreveu Nuland.
E nós nem entendemos ainda esse “todo o resto”. Embora a ciência conheça os processos que levam ao envelhecimento, ainda se sabe pouco sobre o próprio porquê de envelhecermos. Uma das teorias é a de que a evolução simplesmente não liga para o que acontece conosco quando passamos da idade reprodutiva. Do ponto de vista da seleção natural, ao terminar de reproduzir e superar os primeiros anos de criação e proteção da prole, o indivíduo perde a relevância para a espécie, visto que qualquer vantagem genética evolutiva não será passada adiante. Alguns evolucionistas, entre eles o britânico Alfred Russel Wallace, inclusive flertaram com a ideia de que somos naturalmente programados para morrer para liberar recursos para os mais jovens.
Na corte francesa, membros da nobreza e realeza tentavam combater o envelhecimento e até acreditavam que poderiam viver para sempre se tomassem todos os dias um tônico de cloreto de ouro misturado com éter etílico. A história mais conhecida é de Diane de Poitiers, que morreu aos 66 anos, provavelmente envenenada pelas substâncias.

Ponto de desequilíbrio
O debate avança, então, para a esfera das ciências sociais, políticas e passa até por dilemas morais. Afinal, nós já estamos vivendo muito mais do que nossos antepassados, graças justamente aos avanços na ciência que nos permitiram superar a mortalidade infantil e combater as doenças infecciosas que antes derrubavam cidades inteiras. Mais da metade dos bebês que nascem hoje deve viver até os 65 anos, duas décadas a mais do que quem nasceu em meados do século passado. Atualmente, existem 850 milhões de idosos no mundo — em 2005, eram 670 milhões —, e uma projeção da Organização das Nações Unidas prevê que em 2050 serão cerca de 2 bilhões, ou 22% da população total do planeta.
Mas a sociedade ainda não está estruturada para lidar com essa mudança. “À medida que cada década passa, nós ganhamos anos de vida, mas não instituições preparadas para lidar com isso”, diz a socióloga Vania Herédia, da Universidade de Caxias do Sul, que é presidente do departamento de gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). No Brasil, a primeira Política Nacional do Idoso, que assegura direitos sociais e busca criar condições para promover autonomia e participação na sociedade, foi regulamentada em 1996. E somente em 2003 foi aprovado o Estatuto do Idoso, que amplia a atenção às necessidades dessa população.
O país tem também uma condição bastante única no perfil de envelhecimento da população: a velocidade. Enquanto países como França, Itália e Japão observaram o aumento da população idosa ao longo de 150 anos, no Brasil isso aconteceu em 25 anos. Esse desequilíbrio agrava ainda mais os desafios que vêm com o aumento da expectativa de vida, entre eles o grande debate atual na política brasileira, o da reforma da Previdência. Afinal, com mais pessoas vivendo mais e por mais tempo, as contas públicas precisarão ser ajustadas para isso — para ter ideia, nos Estados Unidos dos anos 1940, por exemplo, um americano típico que chegasse aos 65 anos viveria cerca de 17% de sua vida aposentado. A porcentagem hoje já é de 22%, e não para de aumentar.
Surge, então, a pergunta: como seria um mundo em que as pessoas pudessem viver até os mil anos, como acredita De Grey? Para os defensores de frear o envelhecimento, essa seria, na realidade, a solução mais simples para os desafios atuais: para sempre jovens e com a saúde dos jovens, poderíamos continuar trabalhando por mais tempo e ter múltiplas carreiras, e não haveria sobrecarga nos sistemas de saúde e de cuidado com a terceira idade.
Falar sobre tempo de vida ilimitado gera, inevitavelmente, questões filosóficas sobre o sentido da vida em si. O que faríamos com tanto tempo? A discussão pode ir para muitos lados: das possíveis viagens interestelares e infinitas possibilidades de aprendizados à perda total de motivação diante da falta de urgência para completar nossos afazeres.
Na Grécia Antiga, a filosofia epicurista já falava sobre isso, enxergando a vida como um banquete: você fica saciado, depois estufado e, finalmente, sente repulsa. O fato de estarmos acostumados a uma ideia de começo, meio e fim — como o roteiro de uma história — seria um dos fatores que tornam a vida tão especial. Como disse outro filósofo, o romano Cícero, que viveu entre 106 e 43 a.C., em uma de suas obras (adaptada para o português pela editora L&PM sob o título Saber Envelhecer): a velhice é a cena final dessa peça que constitui a existência.
Outra dúvida é em relação ao acesso a esses tratamentos, se um dia estiverem disponíveis. Os próprios pesquisadores antienvelhecimento reconhecem que existe o risco de que eles fiquem concentrados nas mãos dos mais ricos, o que pode, por sua vez, aprofundar os abismos de desigualdade de renda. Ao estenderem a vida indefinidamente, poderiam acumular recursos e fortunas ainda maiores, desestabilizando as relações sociais. No entanto, defendem, essa é mais ou menos a lógica atual. “Se você tem dinheiro, pode pagar por melhores cuidados de saúde, então quão justo já é no momento?”, provoca Lithgow. Para ele, seria como se disséssemos que só podemos usar novas tecnologias ou avanços médicos quando todos tiverem acesso a eles;
E, finalmente, uma das questões éticas mais delicadas de todas: até que ponto devemos ir nessa busca pela extensão da vida? Já existem iniciativas bastante radicais, como a de empresas que fazem congelamento criogênico de corpos. São pessoas que optam por ter os próprios cadáveres resfriados com nitrogênio líquido e mantidos guardados por séculos, na esperança de que, no futuro, novas tecnologias sejam capazes de reanimá-los — quase uma versão moderna das múmias egípcias.
Um caso recente que virou notícia foi o de uma adolescente britânica de 14 anos com câncer terminal que processou o governo pelo direito de ter seu corpo congelado. Desde 2016, seu corpo está conservado em uma clínica nos Estados Unidos que cobrou US$ 46 mil pelo serviço (cerca de R$ 172 mil em valores atuais).
No livro Homo Deus, Harari explica que essa “guerra” contra a morte passou a ser especialmente validada a partir da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. “Somos constantemente lembrados de que a vida é o que há de mais sagrado no universo. A Declaração Universal dos Direitos do Homem declara categoricamente que o direito à vida é valor fundamental da humanidade”, escreve o pensador israelense.
O problema tem sido estabelecer um limite para essa guerra. “Não existe um ponto no qual médicos e cientistas irão se deter e declarar: ‘Até aqui, e nenhum passo a mais.’ Não se afirma na declaração dos direitos do homem que os humanos têm direito à vida até os 90 anos. O que se diz é que todo ser humano tem direito à vida. Ponto.”
Envelhecimento saudável
Simonsick é uma das coordenadoras do Baltimore Longitudinal Study of Aging, um dos estudos sobre envelhecimento mais longos do mundo, que desde 1958 acompanha grupos de voluntários para tentar entender o que pode ser considerado um envelhecimento normal. Por enquanto, a conclusão é de que não existe um envelhecimento normal; o que existe é a possibilidade de melhorar a saúde nos anos finais da vida.
E, para a ciência e medicina tradicionais, essa tem sido uma preocupação muito mais palpável do que a de prolongar ainda mais os anos de vida. Afinal, do ponto de vista da saúde, viver mais não necessariamente significa viver melhor. Há estimativas, por exemplo, de que 20% das pessoas com 80 anos ou mais acabarão sofrendo de Alzheimer.
Quando a discussão é essa, tanto os cientistas antienvelhecimento quanto os contrários ao movimento parecem concordar. “Grande parcela da população só está vivendo mais e mais tempo doente”, diz a geriatra Ivete Berkenbrock, vice-presidente da SBGG. O geneticista do Instituto Buck complementa: “Não há sentido em viver muito tempo em sofrimento”.
A principal diferença entre as vertentes é a forma de lidar com o problema. “O envelhecimento não é uma doença, é uma fase da vida que tem suas próprias doenças prevalentes, assim como ocorre na infância e na adolescência”, diz Berkenbrock. Ela gosta de brincar que a visão da comunidade científica brasileira é pro-aging, ou pró-envelhecimento, visto que entendem que não envelhecer significa morrer cedo e que o mais importante é envelhecer com qualidade, ainda que não considerem errado que a ciência busque a juventude. “Afinal, foi assim que conseguimos aumentar a sobrevida”, lembra.
Nesse sentido caminham as correntes mais moderadas do movimento antienvelhecimento. Elas defendem justamente a busca de novas formas de tratamento para doenças crônicas normalmente associadas ao envelhecimento. “Nosso objetivo é termos melhor saúde, não estender a vida. Mas, ao prevenir e mesmo curar as doenças, acabaremos por estendê-la”, diz o biólogo português João Pedro Magalhães, chefe do Grupo de Genômica Integrada do Envelhecimento da Universidade de Liverpool, na Inglaterra.
A abordagem de Magalhães e sua equipe é um pouco diferente da dos pesquisadores no Vale do Silício. Eles buscam compreender os mecanismos celulares e moleculares de organismos extremamente longevos. Em 2015, sequenciaram o genoma da baleia-da-groenlândia (Balaena mysticetus), mamífero que chega a viver mais de dois séculos e pode ter em seu DNA pistas sobre como superar o câncer. “Queremos entender que truques são esses para tentar aplicar a nós, humanos, e já sabemos que é possível manipular o processo de envelhecimento”, explica Magalhães, referindo-se aos estudos feitos em seu laboratório que aumentaram o tempo de vida de minhocas.
Na opinião de Ivete Berkenbrock, porém, por mais natural que seja essa busca por mais tempo de vida, a ciência não pode fazer promessas sem evidências. No Brasil, tais promessas estão inclusive sujeitas a punição pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Em 2012, foi publicada uma resolução que proíbe a prática da medicina antienvelhecimento. Por enquanto, o consenso do CFM e de outros especialistas “pró-envelhecimento” mundo afora é de que não há fórmula mágica nem pílula para viver mais e melhor. A longevidade se deve a uma combinação de genética, comportamento e fatores ambientais, explica a epidemiologista Somensick.
O mundo moderno, porém, não parece favorecer um envelhecimento saudável, especialmente se levados em conta esses dois últimos fatores. Uma das principais referências globais de longevidade são as Zonas Azuis, regiões com a maior concentração de centenários. O autor norte-americano Dan Buettner, maior pesquisador sobre o tema, identificou cinco: a ilha da Sardenha, na Itália; as ilhas de Okinawa, no Japão; a cidade de Loma Linda, na Califórnia; a Península de Nicoya, na Costa Rica; e a ilha de Icária, na Grécia. Nesta última, os números são especialmente impressionantes: de cada três pessoas, uma chega aos 90 anos, e seus habitantes têm taxas 20% menores de câncer, 50% menores de doenças cardíacas e quase nenhum caso de demência.
Em comum, em todas as localidades das Zonas Azuis os estilos de vida são bem diferentes dos que crescem no restante do mundo, permeados por relações digitais, dietas baseadas em fast-food e falta de tempo até para dormir. Nessas comunidades especiais, destacam-se como parte do cotidiano o envolvimento familiar e social, baixo tabagismo, dietas baseadas em plantas e legumes e prática de atividade física moderada e constante — sem nem pisar em uma academia, na maior parte dos casos.
“Vou dizer uma heresia aqui: em nenhuma delas praticam-se exercícios físicos, pelo menos não da maneira que consideramos os exercícios. Em vez disso, eles estabelecem suas vidas de maneira que são constantemente levados a atividades físicas”, disse Buettner em palestra da plataforma TED já assistida mais de 3,7 milhões de vezes na internet. “As mulheres centenárias de Okinawa ficam se abaixando e levantando do chão. Elas sentam no chão 30 ou 40 vezes por dia. Os sardenhos moram em casas verticais, sobem e descem as escadas. Cada jornada até a loja, a igreja ou a casa de um amigo ocasiona uma caminhada. Eles não têm nenhuma comodidade. Não há nenhum botão para apertar para fazer o trabalho no quintal ou o trabalho doméstico. Se eles querem fazer um bolo, eles fazem na mão. Essa é a atividade física.”
Questão de educação
Tão importante quanto todos esses cuidados, mas nem sempre lembrado, é o papel da educação para a longevidade. Em uma de suas pesquisas recentes, o professor Jay Olshansky, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Illinois, em Chicago, apontou que os norte-americanos que receberam melhor educação vivem atualmente entre dez e 14 anos a mais que os menos educados.
“Só falamos em saúde como se fosse algo isolado, mas saúde é um somatório de fatores que passam pela educação”, reforça Berkenbrock. E não tem a ver com capacidade de recitar poesia ou compreender as leis da Física. A educação é, na verdade, um predeterminante para outros aspectos importantes da vida. Pessoas que têm Ensino Superior fumam menos, têm menor probabilidade de ficar acima do peso e mais chances de aderir às recomendações médicas. “É só ver o que está acontecendo no momento em relação à vacinação, com algumas pessoas se recusando a se vacinar”, diz a médica. Uma questão de educação que tem consequências diretas sobre a expectativa e a qualidade de vida.
No entanto, mais do que só a educação escolar formal, na opinião das especialistas da SBGG, ainda falta à sociedade uma lição maior: aprender a lidar melhor com o envelhecimento. “O ideal seria se relacionar com o processo o tempo inteiro, desde a juventude, mas há entre nós uma negação da velhice”, analisa Herédia.
Em vez de buscar combatê-la, seria talvez mais produtivo encará-la como uma fase da vida que pode ser boa e bem aproveitada — ou, ainda, como disse Cícero: por que diabos a velhice seria menos penosa para quem vive 800 anos do que para quem se contenta com 80?

14.153 – Microsoft pretende usar Inteligência Artificial para descobrir cura do câncer


reconhecimento facial
Uma nova iniciativa que visa reunir Inteligência Artificial (IA) com pesquisa em saúde e a experiência de seus parceiros industriais, a fim de proporcionar às pessoas os meios para viver de modo mais saudável e curar doenças mortais. Em um post no blog da empresa detalhando a iniciativa, a Microsoft observou que a indústria da saúde, por exemplo, têm problemas muito complexos, mas a empresa acredita que pode avançar no setor ao incorporar novas tecnologias inovadoras.
“É um grande desafio”, disse o vice-presidente corporativo da Microsoft Research NExT, Peter Lee. “Mas nós acreditamos que a tecnologia – especialmente na nuvem, IA e ferramentas de colaboração e otimização de negócios – será fundamental para a transformação dos cuidados de saúde”.

Como reportado pelo Digital Journal, a empresa está expandindo o Healthcare NExT para a pesquisa sobre o câncer em um esforço para continuar o trabalho feito para encontrar uma cura ou tratamento eficaz para a doença. Contudo, está se aproximando da pesquisa do câncer como uma empresa de tecnologia em vez de médica – ela vê as células vivas como algo semelhante aos computadores, com doenças como o câncer, semelhante a falhas no sistema. Extrapolado para este ponto abstrato, isso significa que a empresa vê células cancerosas como algo que pode ser reprogramado em vez de destruído; excluídos em vez de mortos.
Usando o aprendizado das máquinas para beneficiar o tratamento
A pesquisa sobre o câncer é conduzida em um dos seus laboratórios de computação biológica em Cambridge, Reino Unido. No último ano, um grupo de pesquisadores revelou seu trabalho em um curso para desenvolver um sistema informático que viva dentro das células humanas e reinicie o sistema se as células cancerosas fossem detectadas, limpando assim as células aflitas. Outros projetos incluíram o aprendizado da máquina para melhorar a varredura tumoral, para melhor organizar os dados dos pacientes e descobrir melhores tratamentos.
“Se você olhar a combinação de coisas que a Microsoft faz realmente bem, então faz sentido para a empresa estar nesse setor da indústria”, disse o chefe do grupo de pesquisa de computação biológica no laboratório de Cambridge, em uma publicação da Microsoft Story Labs. “Podemos utilizar métodos que desenvolvemos para programar computadores para programar biologia, e então desbloquear mais aplicações e melhores tratamentos”.
O portal Pharmaphofum comparou os esforços da empresa com o uso da Watson pela IBM para combater o câncer. A Watson que também usa a aprendizagem de máquinas e IA, passou a recomendar os mesmos tratamentos que os médicos e está sendo usado na iniciativa do vice-presidente, Joe Biden, para combater o câncer. Como nós sabemos, a aprendizagem das máquinas pode ser inestimável quando se trata de classificar através de toneladas de dados. A pesquisa do câncer não é diferente, como já vimos, usado para identificar lesões de mama que podem ser transformadas em câncer.
Objetivos ambiciosos para a cura
Descobrir uma cura para o câncer é um objetivo ambicioso de se assumir, e ver o envolvimento da Microsoft na pesquisa é algo que vale ser acompanhado. Dito isto, a empresa expressou o desejo de “capacitar cada pessoa e organização para alcançar mais”. Se pudermos manter esse impulso e foco, quem sabe o que a empresa irá desenvolver.
“Estamos incrivelmente energizados sobre as oportunidades para fazer a diferença nos cuidados de saúde”, disse a Microsoft. “Nós ouvimos atentamente nossos clientes e parceiros no setor de cuidados de saúde, e ouvimos sua mensagem: vamos trabalhar juntos, inovar juntos e criar soluções que possam capacitar as pessoas para levar vidas mais saudáveis”.

14.152 – Mega Curiosidades – Quantos Amperes tem Um Raio?


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Durante a chuva, o granizo e as gostas de chuva presentes nas nuvens concentram carga elétrica negativa, enquanto os cristais de gelo e a água concentram carga elétrica positiva. A diferença entre as cargas gera uma tensão elétrica que dá origem aos raios.
Segundo o engenheiro eletricista Maurício Ferraz, a potência dos campo elétrico nas nuvens em que os raios se formam pode chegar a mil gigawatts. Ou seja, uma potência 100 mil vezes maior do que a encontrada em redes de alta tensão.
Um raio comum costuma ter intensidade de 30 mil amperes, isso equivale a intensidade de mil chuveiros elétricos.
Mito
Já ouviu aquela história de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar? Pois é, ele pode cair sim. Há locais com grande incidência de raios. O Cristo Redentor, por exemplo, é atingido por cerca de 6 raios todos os anos.
Os raios não caem apenas durante as tempestades. Além de dias de chuva, eles também podem se formar em outras situações. Erupções vulcânicas e tempestades de neve e areia, por exemplo, podem envolver atrito de partículas e criação de cargas elétricas, que geram raios.
A chance de uma pessoa ser atingida por um raio é de 1 em 1 milhão. mas, se ela estiver numa área descampada enquanto muito forte, essa chance é de 1 em mil. Como foi o caso dos banhistas que recentemente foram atingidos por raios numa praia no litoral sul de São Paulo.
Quando um raio atinge alguém, a sua corrente elétrica pode causar queimaduras, além de outros danos. A maioria das mortes causadas por raios é por causa de paradas cardíacas e respiratórias. Por outro lado, quem é atingido e consegue sobreviver, pode sofrer de problemas psicológicos e físicos por um longo período.
De acordo com o Inpe, um em cada 50 mortes por raios no mundo acontece no Brasil. Cerca de 1.672 pessoas morreram por causa de raios no país entre os anos de 2000 e 2013, segundo o órgão.
Até o mês de novembro de 2014, 84 pessoas haviam morrido por causa de raios no Brasil. Em função do calor intenso e do alto nível de umidade, a incidência de raios no país é maior entre os meses de outubro a março.
De acordo com pesquisas recentes, a incidência de raios tem crescido em áreas urbanas. Isso estaria ligado ao aumento da poluição e da temperatura nesses locais.
Alocalidade de Kamemebe, situada na África Central, tem a maior incidência de raios do mundo. A média anual na região é de 33 raios por quilômetro quadrado.
Brasil
A incidência de dezenas de milhões de raios no Brasil se deve ao fato da maior parte do país se encontrar na zona tropical, que é uma área do globo mais favorável à formação de tempestades.
No Brasil, a região entre Coari e Manaus tem a maior incidência de raios. De acordo com o Inpe, a ocorrência de raios nessa área nas próximas décadas deve se tornar cada vez mais comum.
Já quando é considerada a incidência por município, Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, está no topo da lista. A média da cidade é de 13 raios por quilômetro quadrado todos os anos.
Embora tenha potência elétrica grande, a pequena duração dos raios faz com que eles não gerem muita energia. Em média, um raio gera em torno de 300 quilowatts/hora, o que equivale ao consumo mensal de uma pequena residência.
Um raio é extremamente veloz. Ele dura no máximo 2 segundos e consegue percorrer distâncias de até 5 quilômetros nesse tempo.
Para os especialistas, raio e relâmpago são coisas diferentes. Enquanto relâmpago é qualquer descarga elétrica gerada por nuvens de tempestade, o raio é uma descarga elétrica desse tipo que se conecta com o solo. Logo, todo raio é um relâmpago, mas nem todo relâmpago é um raio.
Algumas pessoas confundem raio e trovão. O trovão é o som produzido pelo aquecimento e expansão do ar nas regiões da atmosfera percorridas pela corrente dos raios. A intensidade de um trovão pode chegar a 120 decibéis, ou seja, para os seus ouvidos é como se você estivesse nas primeiras fileiras de um show de rock. No entanto, apesar de ser ensurdecedor, o trovão é, em geral, inofensivo.
Existe um jeito simples para saber a distância aproximada em quilômetros de um raio. Basta contar os segundos entre o momento em que se vê o raio e o instante em que se escuta o trovão e dividi-los por três, então você terá a distância.
No futuro, regiões que registram médias anuais de mais de cinco raios por quilômetro quadrado poderão usá-los como fonte de energia. Uma torre capaz de captar os raios em locais com essas características pode fornecer energia suficiente para manter um sítio ou uma fazenda funcionando.

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14.151 – Colonização da Lua – Projeto Gateway visa a construção de um quartel general no satélite para levar astronautas para o planeta vermelho


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A nave, que levará o mesmo nome do projeto, está em processo de construção e sua primeira parte deverá ser lançada ao espaço em 2022. Outras dois módulos serão lançados posteriormente para acoplar o sistema, que ficará orbitando a Lua. O primeiro teste não tripulado da iniciativa deverá entrar em órbita já em 2020.

A ideia é que o Gateway se torne uma espécie de “quartel general espacial” no satélite da Terra. Com isso, a nave seria um primeiro passo na colonização da Lua. A NASA já estuda a construção de estruturas no solo lunar. Outras agências espaciais como as de Japão, Rússia e Canadá também fazem parte do projeto encabeçado pelos norte-americanos.

“Trabalhando com agências internacionais, a NASA vai mudar o paradigma da exploração humana no espaço. O Gateway pretende estabelecer uma presença humana constante na Lua para descobrir novos avanços científicos e dar o primeiro passo para que empresas passem a construir uma economia lunar”, diz a página oficial da agência.

“Nós queremos que o Gateway seja um novo espaço para o melhor que o mundo tem a oferecer em ciência e tecnologia. A agência quer usar o projeto para observar a Terra de uma nova perspectiva, estudar o Sol e ter uma visão desobstruída do vasto universo”, revela o documento.

O escritório da NASA em órbita também é importante para que a exploração humana do universo avance drasticamente. Após o fim da Guerra Fria e a chegada à Lua, a corrida espacial perdeu parte de seu sentido e o avanço das tecnologias fez com que as agências espaciais explorassem o Sistema Solar através de robôs e sondas.

Agora, os norte-americanos querem usar o satélite como uma espécie de escala para fazer a sonhada missão tripulada para Marte. “As tecnologias do projeto Gateway serão fundamentais para que consigamos fazer a viagem de de 34 milhões de milhas até Marte”, explica a agência.
Ainda segundo a agência, “as explorações da Lua e de Marte estão entrelaçadas”, uma vez que as novas ferramentas que serão testadas no satélite da Terra tendem a ser chave para o próximo passo na exploração do Sistema Solar.

Devido à ambição do Gateway, o governo norte-americano deve injetar U$ 1,6 bilhão no orçamento da NASA já para o ano que vem.

De acordo com a NASA, também estão entre os principais objetivos da colonização da Lua e da chegada em Marte explorar as dificuldades de se viver no espaço, descobrir e utilizar novos recursos naturais e estudar opções para descarte de lixo. A expectativa da NASA é que o projeto Gateway esteja totalmente pronto em 2026.

14.150 – Colonização da Lua – Agora vai


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Quando um ser humano pisou pela primeira vez na superfície lunar, em 20 de julho de 1969, os olhos do mundo estavam vidrados na TV. A Nasa estima que o pouso da Apollo 11 tenha sido acompanhado por 530 milhões de pessoas. Uma em cada sete no planeta da época.
Era o auge da Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética usaram a Lua como palco de exibição de seu poderio tecnológico: entre 1958 e 1976, EUA e URSS despacharam um total de 79 missões para lá. Foram em média quatro por ano.
Projetadas para sobrevoar, orbitar, impactar e pousar, essas expedições proporcionaram uma avalanche de informações sobre nosso satélite natural. E mais importante: presentearam os terráqueos com a chance de contemplar, pela primeira vez, seu próprio planeta de longe.
Até o final dos anos 1960, os soviéticos lideravam a corrida rumo à Lua. Seus dois principais programas, Luna e Zond, alcançaram feitos como o lançamento da primeira espaçonave a atingir a superfície lunar, a primeira a mandar de volta imagens do lado oculto da Lua, a primeira a realizar um pouso suave lá em cima, a primeira sonda a orbitá-la e, por último, mas não menos importante, a primeira a transportar formas de vida até lá e trazê-las de volta.
Foi em setembro de 1968, quando a União Soviética colocou tartarugas, moscas, larvas, plantas, sementes, bactérias e outros materiais biológicos a bordo da missão Zond 5. As tartarugas emagreceram: 10% de seu peso se foi, mas não perderam o apetite e permaneceram bem de saúde. Parecia estar tudo no jeito para que o primeiro cosmonauta – e ser humano – embarcasse em uma jornada lunar. Mas então os EUA dispararam seu tiro de misericórdia. Apenas três meses depois, lançaram a Apollo 8, primeira missão a levar astronautas à órbita da Lua e trazê-los de volta em segurança. Com as missões Apollo que se seguiram, os americanos roubaram a cena.
Markus Landgraf, analista de exploração humana e robótica da Agência Espacial Europeia (ESA), considera que o impacto científico do programa Apollo é subestimado até hoje. Segundo o analista, ele representou uma revolução na ciência do Sistema Solar, sendo diretamente responsável por boa parte do que sabemos sobre os planetas, o meio interplanetário e o Sol. Isso só foi possível graças aos 378 quilos de rochas e regolito trazidos de volta pelas seis Apollos que pousaram na Lua entre 1969 e 1972. Sondas soviéticas trouxeram apenas 301 gramas.
Análises dessas amostras nos forneceram um primeiro vislumbre detalhado sobre processos geológicos lunares e sua composição mineral. “O que é irônico, porque o programa Apollo nunca foi pensado para ser científico”, aponta Landgraf.
Desde 1972, com a derradeira Apollo 17, seres humanos nunca mais pisaram na Lua. A vitória americana colocou uma pá de poeira lunar na corrida espacial, e os dias de ouro da exploração lunar chegariam ao fim. E não foi só isso. “Assumiu-se que tudo o que havia para se saber da Lua já estava sabido.” Até entre os cientistas ganhou espaço a visão da Lua como um lugar morto, que pouco tinha a oferecer para o progresso das ciências espaciais.
Essa ideia, no entanto, vem sendo desconstruída. O renascimento da exploração lunar começou no século 21. Os japoneses firmaram seu programa espacial com a missão Selene, de 2007, que produziu o mapa mais detalhado do campo gravitacional lunar até o momento e obteve algumas das imagens mais estonteantes da Lua e da Terra, registradas por uma câmera de alta definição. Logo, outros agentes entrariam de cabeça nesse jogo.

14.149 – Câncer de Mama – Diagnóstico


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O câncer de mama é o segundo mais comum no mundo. E os dados sobre essa doença são contrastantes: enquanto ela é uma das principais causas de morte de mulheres, também é o tipo de câncer com a maior taxa de cura. O que separa um resultado de outro é, naturalmente, o diagnóstico precoce.
Hoje, o autoexame das mamas e a mamografia são prevenções efetivas, que buscam pequenos nódulos indicativos do início do problema. Agora, porém, médicos querem tornar o diagnóstico mais simples, prático e preciso: segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, um exame de sangue poderia detectar um câncer de mama 5 anos antes de aparecerem os sinais detectados pelos exames atuais.
A lógica do estudo foi não focar nas concentrações de células cancerígenas, que são justamente o que causam o nódulo, mas sim nos antígenos produzidos por elas. Antígeno, vale lembrar, é toda substância que desencadeia uma resposta imune do organismo, ativando nosso sistema de defesa.
A hipótese dos pesquisadores era que as células cancerígenas, desde quando são muito poucas, já produzem proteínas que agem como antígenos – os chamados TAAs (tumour-associated antigens). Detectar no sangue os anticorpos desencadeados por esses antígenos seria uma forma mais prática de detectar o câncer de mama em estágio inicial.
Para testar essa hipótese, a equipe coletou amostras de sangue de 90 pacientes recém-diagnosticados com câncer de mama e 90 amostras de pacientes sem o problema, para servir como grupo de controle.
Usando uma tecnologia de triagem chamada protein microarray, os cientistas conseguiram rastrear as amostras de sangue quanto à presença de anticorpos desencadeados por 40 TAAs associados ao câncer de mama. Identificaram a doença em 37% das amostras de sangue colhidas de pacientes com câncer de mama, e constaram a ausência de câncer em 79% das amostras do grupo controle. Parece um índice ruim, mas é um resultado satisfatório para uma primeira pesquisa.
“Conseguimos detectar o câncer com razoável precisão, identificando esses anticorpos no sangue. Conforme o teste fique mais acurado, abre-se a possibilidade de usar um simples exame de sangue para o diagnóstico precoce dessa doença”, afirmou Daniyah Alfattani, um os autores do estudo. Segundo os cientistas, os anticorpos desencadeados por antígenos produzidos por células cancerígenas podem estar presentes no sangue desde muito antes da grande multiplicação de células doentes começar, ou seja, desde antes da própria formação do câncer.
Se esses resultados se repetirem em próximos exames, isso seria nada menos que uma revolução. Tanto que essas primeiras conclusões do estudo, apresentados na Conferência Nacional de Câncer em Glasgow, na Escócia, foram tidas como preliminares, e estão sendo encarados com cautela pela comunidade científica.
Mas a equipe de Nottingham está confiante: neste exato momento, os cientistas estão testando amostras de sangue de 800 pacientes.

14.148 – A Terra já era habitada há 3,5 bilhões de anos


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Uma região na Austrália Ocidental, conhecida como Pilbara, é famosa pela descoberta de estromatólitos que datam de cerca de 3,5 bilhões de anos atrás. Esses seriam os primeiros vestígios de vida na Terra? Agora, quatro décadas após a descoberta, cientistas finalmente conseguiram provar que sim.
“Pela primeira vez, somos capazes de mostrar que esses estromatólitos contêm vestígios de matéria orgânica e extraordinariamente bem preservados, além disso! ” Disse Raphael Baumgertner, geólogo da Universidade de New South Wales (Austrália). Essa é uma prova irrefutável de que houve a presença de uma forma de vida microbiana na Terra há pelo menos 3,5 bilhões de anos atrás.
Isso abre possibilidade para vida em outros planetas?
Embora os estromatólitos estudados geralmente venham da superfície e estejam, portanto, muito alterados, os geólogos fizeram uma amostragem mais profunda. Eles submeteram as amostras a uma bateria de testes e técnicas microanalíticas avançadas.
Como resultado, os estromatólitos são essencialmente compostos de pirita – um mineral que é mais conhecido como ouro dos incrustados de poros nanoscópicos. Como resultado dessas analises os pesquisadores encontraram inclusões de matéria orgânica nitrogenada e filamentos de matéria orgânica que se assemelham a restos de biofilmes formados por colônias microbianas.
Esses trabalhos trazem novas respostas à pergunta: como a vida apareceu na Terra? Sim, eles também permitem imaginar como isso poderia ter aparecido em outros planetas. Pesquisadores da NASA estudaram recentemente o Pilbara para aprender um pouco mais sobre assinaturas geológicas que podem indicar a presença de estromatólitos. Eles pretendem aplicar esse conhecimento na busca por traços de vida em Marte.

14.147 – História – Quem Foi Maomé?


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Maomé, cujo nome completo era Abu al-Qasim Muhammad ibn ‘Abd Allah ibn ‘Abd al-Muttalib ibn Hashim, foi fundador da religião e civilização islâmica. Nascido em 571 d.C., na cidade de Meca, localizada na Península Arábica, Maomé pertencia à tribo dos coraixitas, especificamente ao clã dos hachemitas, também conhecido pelo nome Banu Hashim, como explica o orientalista David Samuel Margoliouth, em sua obra Maomé e a ascensão do Islã:
Maomé era o filho de pais nascidos em Meca. Consta que seus nomes eram Abdallah (Servo de Alá) e Aminah (A Segura, ou A Protegida). A mãe pertencia aos Banu Zuhrah, e o pai era filho de Abd al-Muttalib, do clã chamado Banu Hashim. É certo que o pai do futuro Profeta morreu antes de o filho nascer, segundo dizem, quando visitava Yathrib, mais tarde conhecida como Medina. A mãe não sobreviveu por muito tempo ao marido, e seu túmulo, como afirmam alguns, encontra-se em Abwa, um lugar a meio caminho entre Meca e Medina, onde, cerca de cinquenta anos depois, seus ossos corriam o risco de ser exumados.
Como ficou órfão muito cedo, Maomé passou a ser criado por seu tio Abu Talib (também do clã Banu Hashim), de quem recebeu educação formal e aprendeu o ofício de comerciar especiarias nas caravanas de camelos transaarianas. Foi como chefe de caravana que, em 595, Maomé conheceu uma rica viúva, também hachemita, chamada Khadijha, passando a trabalhar para ela. Após demonstrar grande destreza na administração dos negócios de Khadijha, Maomé e a viúva, em comum acordo, casaram-se. Esse casamento transformou substancialmente a vida do então comerciante, que não tinha grande fortuna até o momento.

Allah e os hanifs
O fato é que, ao mesmo tempo em que começava a nova vida com Khadijha, Maomé também passou a viver as primeiras manifestações religiosas que definiriam a religião muçulmana. É importante ressaltar que, antes mesmo de o islamismo firmar-se como religião, em Meca e em outras regiões da Arábia, havia uma confluência de credos, tanto pagãos, politeístas, quanto judaicos e cristãos. Além do monoteísmo judaico e cristão, havia também um terceiro grupo, o dos hanifs, nascido em meio à miscelânea pagã dos grupos tipicamente árabes.
Como bem destaca o historiador Daniel-Rops, em sua obra A Igreja dos Tempos Bárbaros:
Na época de Maomé, vinham surgindo tendências novas no interior desse politeísmo tradicional: a influência das colônias judaicas e dos cristãos heréticos do mundo arameu, ao norte, e da Etiópia, ao sul, chamava os melhores espíritos para uma religião mais elevada. As divindades particulares continuavam a ser honradas, mas uma delas começava a predominar sobre as outras: Alá, reconhecido como “maior” – Allah akbar. Além disso, encontravam-se já alguns monoteístas – nem judeus nem cristãos – chamados hanifs.
Os pais de Maomé e muitos membros do clã hachemita adoravam Allah, mas foi Maomé que, nos primeiros anos do século VII, começou a sistematizar a crença propriamente islâmica. A tradição muçulmana relata que Maomé começou a ter progressivas revelações dadas por Deus (Alá) por meio do Anjo Gabriel. Essas revelações teriam dado a Maomé a autoridade de ser o Profeta de Alá, isto é, aquele que teria a missão de corrigir as distorções que judeus e cristãos teriam feito das revelações passadas, e a responsabilidade de retirar as tribos árabes politeístas da “era da ignorância” e convertê-las ao Islã.
Fuga para Yatreb e confrontos militares com Meca
Maomé começou por converter aqueles que lhe eram mais próximos, como sua esposa, sogro, primos etc. Entretanto, sua radicalização monoteísta começou a ter efeitos sobre a dinâmica social e econômica da tribo coraixita. Outros clãs de Meca passaram a confrontar e perseguir Maomé e seu grupo de convertidos. Com a morte de seu tio e, depois, de sua primeira esposa, Khadijah, que faleceu em 619, Maomé decidiu aceitar o apoio e hospitalidade de famílias residentes na então cidade de Yatreb, para onde migrou em 622. Essa migração, ou fuga, ficou conhecida como Hégira.
Em Yatreb, Maomé conseguiu mais adeptos ao islamismo, de modo que a cidade tornou-se o seu reduto principal e também o seu quartel-general, a ponto de a cidade ter seu nome mudado para Medina (“a Cidade”, ou “Cidade do Profeta”). De Medina, Maomé passou a travar sucessivas batalhas contra Meca. A pregação religiosa passou a se entrelaçar com a guerra e a perspectiva de conquista. Duas das principais batalhas travadas por esse primeiro grupo de muçulmanos foram nas cidades de Badr, em 624, e de Ohod, em 625. Eles venceram a primeira e perderam a segunda. O principal inimigo mequense de Maomé nessa época era Abu Sufayan.
Sufayan, em 627, tentou sitiar Medina, mas os guerreiros muçulmanos conseguiram repelir um tropa de cerca de 10.000 mequenses. No ano seguinte, houve uma breve trégua com a permissão dada a Maomé, pelos mequenses, de poder peregrinar à sua cidade natal. Em 629, Maomé reuniu seus combatentes e cercou Meca. As batalhas pelo domínio da cidade demoraram até janeiro de 630, quando a resistência de Meca foi subjugada.
O domínio de Meca foi o primeiro passo da grande e rápida expansão islâmica que se veria nos anos seguintes. Maomé morreu dois anos após subjugar sua cidade natal. Sua morte provocou disputas sucessórias que definiriam, mais tarde, os grupos sunita e xiita, característicos do desenvolvimento do islamismo.

14.146 – Os Mosteiros Medievais


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Entre a chamada Antiguidade Tardia e a Alta Idade Média, isto é, por volta dos séculos V e VI d.C., o cristianismo procurava sobressair-se e estabelecer-se enquanto instituição religiosa em meio às crises deflagradas pelas invasões bárbaras, que assolaram o Império Romano. Sendo uma religião de caráter universal, o cristianismo conseguiu agregar indivíduos das mais diversas regiões do mundo, desde a Ásia Menor até o norte da Europa. Além das organizações em bispados e da centralidade da autoridade religiosa na figura do papa, outras formas de vivência da experiência cristã passaram a tornar-se fundamentais. A vida monástica e a construção dos mosteiros foram umas dessas formas de vivência.
Mais que uma simples vida religiosa, a vida monástica caracterizou-se pela reclusão e pelo ascetismo, isto é, pela opção de uma vida isolada do convívio comum com outras pessoas, que não outros monges, e submetida à austeridade e à disciplina (o que configura a ascese). O grande símbolo da vida monástica que se tornou o modelo para todas as gerações posteriores de monges foi Santo Antão do Deserto (ou Santo Antão do Egito, como também ficou conhecido), que viveu entre os séculos III e IV d.C.
Os primeiros monges cristãos, como Antão, eram eremitas ou anacoretas. Isso quer dizer que se retiravam do convívio social e iam para lugares completamente despovoados, como os desertos, para viveram sozinhos. Depois, por volta do fim do século VI, houve o desenvolvimento do sistema cenobítico. O monaquismo cenobita, ao contrário do anacoreta, caracterizava-se pela vida em cenóbio, isto é, em comunidade. Foram os monges cenobitas que passaram a construir os mosteiros no início da Idade Média.
Fossem católicos ou ortodoxos, eram construídos em lugares bem distantes de quaisquer centros urbanos que tivessem grande fluxo de pessoas. Um exemplo notório é o mosteiro de Simonos Petras, na Grécia, construído no alto de um penhasco, no Monte Athos (ver imagem no topo do texto). A vida nos mosteiros era, além de ser dedicada a orações, meditação, disciplina corporal etc., também marcada pela divisão de tarefas do cotidiano, como o trabalho na lavoura, o trabalho na cozinha, o asseio com as dependências do mosteiro, entre outras.
Um dos grandes responsáveis pela formulação de normas para a vida no mosteiro foi Bento de Núrsia (Itália). Seu conjunto de normas ficou conhecido como Regra de São Bento. Em sua “Regra”, São Bento expunha, item por item, como deveria ser o comportamento dos monges, o modo certo e as horas certas de rezar, como manusear e guardar os instrumentos usados na lavoura, entre outras coias.
O modelo da vida monástica teve grande impacto na Idade Media, sobretudo por apresentar-se como modelo civilizatório e moralizador. Da mesma forma, os mosteiros tornaram-se ícones da Idade Média, como ocorreu com as Universidades, que também se desenvolveram no mesmo período.

14.145 – O Cavaleiro Medieval


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Responsáveis pela formação das forças militares de seu tempo, os cavaleiros medievais apareceram entre os integrantes da nobreza medieval. A princípio, além da origem nobiliárquica, um cavaleiro deveria ter treinamento e armas para ascender a tal condição. Em muitos casos, recebiam terras e direitos de cobrança para defenderem a propriedade de um senhor feudal. Ao longo do tempo, o alcance dessa prestigiada condição foi se cercando de maiores exigências.
Por volta dos sete anos de idade, o jovem nobre iniciava a sua formação de cavaleiro exercendo as funções de um pajem. Já nessa primeira fase, ele aprendia sobre equitação e o manejo das armas utilizadas por um cavaleiro. Aos doze anos de idade o aprendiz era transformado em escudeiro. Nessa época, ele acompanhava o seu senhor nos campos de batalha e aprofundava os seus conhecimentos sobre o manejo da espada. Além disso, aprimorava a sua condição física em lutas, corridas e desafios de esgrima.
Entre os 18 e 20 anos, o escudeiro realizava a sua passagem da juventude para a idade adulta ao se transformar em cavaleiro. O ritual de sagração do cavaleiro era uma solenidade de grande importância, já que em algumas ocasiões chegava a contar com a ilustre presença do rei. Na noite anterior ao evento, o aspirante ficava em jejum e realizava a vigília das armas. Chegado o grande dia, o futuro combatente era desafiado em simulações de combate que comprovavam a sua eficiência.
No juramento, o senhor do cavaleiro reforçava a condição de submissão e lealdade do cavaleiro dando-lhe um tapa na cara, no ombro ou na nuca. Depois disso, era feito um proferimento em que o senhor reforçava a coragem e a lealdade pela invocação divina. Logo em seguida, o jovem subia em seu cavalo e saia cavalgando. Era assim que um membro da classe nobiliárquica se tornava mais um integrante das forças que protegiam as terras de seu tempo contra as invasões.

Nas situações de guerra, os cavaleiros eram organizados em diferentes postos de batalha. Tão importante quanto a sua posição e habilidades, um cavaleiro não poderia sobreviver muito tempo em guerra sem que estivesse acompanhado de seu cavalo. Se a sua montaria fosse perdida, a morte era quase certa. Ao fim do período medieval, a formação dos exércitos nacionais e a introdução das armas de fogo foram enfraquecendo a imagem do cavaleiro, que passou a figurar as lendas de uma época.

14.144 – O Fim das Invasões Bárbaras


No século X, os países europeus deixaram de ser ameaçados por invasões. Os últimos invasores – normandos e eslavos – já se haviam estabelecido respectivamente no Norte da França (Normandia) e no centro-leste da Europa (atual Hungria). O continente vivia agora a “paz medieval”, a qual ocasionou mudanças que provocaram transformações no panorama europeu.
No período que vai do século XI ao século XV – a chamada Baixa Idade Média – percebe-se uma decadência no feudalismo. O aumento populacional provocado por essa fase de estabilidade levou à necessidade de mais terras, nas quais os trabalhadores desenvolveram técnicas agrícolas que lhes facilitaram o trabalho. Em torno dos castelos começaram a estabelecer-se indivíduos que comerciavam produtos excedentes locais e originários de outras regiões da Europa. A moeda voltou a ser necessária, e surgiram várias cidades importantes junto às rotas comerciais e marítimas e terrestres.
Ao mesmo tempo, a Igreja, fortalecida, promoveu expedições cristianizadoras ao Oriente – as Cruzadas – tentando recuperar a cidade de Jerusalém, então em poder do Império Islâmico. Durante dois séculos, as Cruzadas agitaram toda a Europa, pois além dos aspectos religiosos havia um impulso comercial muito grande.

A Expansão Comercial
As invasões que ocorreram do século V ao VIII e a desintegração do Império Romano do Ocidente levaram à formação de um sistema social, político e econômico adaptado às novas condições – o feudalismo. Da mesma forma, após o século X, novos fatos e circunstâncias determinaram outra grande transformação na Europa Ocidental.
Embora os feudos continuassem a produzir normalmente, com os servos trabalhando a terra e pagando suas obrigações aos senhores feudais, a produção era insuficiente para alimentar uma população em constante crescimento.
Nesse período, foram introduzidas várias conquistas técnicas que facilitaram em parte as atividades do campo, como o arado e outros instrumentos agrícolas de ferro, moinhos de vento e novas maneiras de se atrelarem os animais, de modo a permitir que eles fossem utilizados à plena força. Também a substituição do boi pelo cavalo, como animal de tração, trouxe vantagens, já que o cavalo é um animal mais ágil e com a mesma força do boi.
Apesar disso, o pedaço de terra cultivado era muito pequeno, o que gerava uma tendência à expansão do espaço agrícola para além dos limites dos feudos e das aldeias. Com o mesmo objetivo ocupavam-se também bosques e florestas.
Ao mesmo tempo, essa população que aumentava também requeria produtos de outra natureza: tecidos, instrumentos de trabalho, utensílios domésticos, entre outros. Alguns indivíduos (vilões) se especializavam na produção de artesanato ou na atividade comercial, surgindo então os artesãos e mercadores que comercializavam esses produtos e os eventuais excedentes agrícolas.
Alguns deles receberam permissão do senhor feudal para concentrar-se junto a castelos, mosteiros e igrejas, dando origem aos chamados burgos, núcleo das futuras cidades. Por essa razão, seus habitantes passaram a ser conhecidos como burgueses, uma nova categoria social que se dedicava ao artesanato e ao comércio de mercadorias.
Um fato relacionado com essa evolução foi o surgimento das Cruzadas, ocorridas nos séculos VI a XIII, que tiveram grande influência nesse panorama, aumentando as possibilidades de comércio da Europa e do Oriente.

A Importância das Cruzadas
Quando se denunciou na Europa que os muçulmanos maltratavam os peregrinos cristãos que chegavam à Terra Santa, iniciou-se o movimento cruzadista, que recebeu esse nome devido à cruz que usava em seus estandartes e vestuário os que dele participavam.
Convocadas primeiramente pelo papa Urbano II, em 1095, na França, as Cruzadas foram, então, expedições de cristãos europeus contra os muçulmanos ocorridas durante os séculos XI a XIII. A missão dos cavaleiros cristãos era libertar a região da Palestina, que na época fazia parte do Império Islâmico.
Além dessa motivação religiosa, entretanto, outros interesses políticos e econômicos impulsionaram o movimento cruzadista:
A Igreja procurava unir os cristãos do Ocidente e do Oriente, que haviam se separado em 1054, no chamado Crisma do Oriente, surgido a partir daí a Igreja Ortodoxa Grega, liderada pelo patriarca de Constantinopla;
Havia uma camada da nobreza que não herdava feudos pois a herança cabia apenas ao filho mais velho. Assim, os nobres sem terra da Europa Ocidental queriam apoderar-se das terras do Oriente;
Os comerciantes italianos, principalmente das cidades de Gênova e Veneza, desejavam dominar o comércio do Mar Mediterrâneo e obter alguns produtos de luxo para comercializarem na Europa;
Outros grupos populacionais marginalizados tinham interesse em conquistar riquezas nas cidades orientais.
Oito Cruzadas foram organizadas entre 1095 e 1270, que apesar de obterem algumas vitórias sobre os muçulmanos, não conseguiram reconquistar a Terra Santa.
Essas expedições envolveram desde pessoas simples e pobres do povo até a alta nobreza, reis e imperadores, tendo havido mesmo uma Cruzada formada apenas por crianças. Dezenas de milhares de pessoas uniam-se sob o comando de um nobre e percorriam enormes distâncias, tendo de obter alimentação e abrigo durante o percurso. A maioria antes de chegar ao destino era massacrada em combates.
Em 1099, Jerusalém foi conquistada, mas um século depois foi tomada novamente pelos turcos muçulmanos, não tendo sido jamais recuperada. No entanto, os europeus conseguiram reconquistar alguns pontos do litoral do Mar Mediterrâneo, restabelecendo o comércio marítimo entre a Europa e o Oriente.
O contato dos europeus com os povos orientais – bizantinos e muçulmanos – fez com que eles começassem a apreciar e a consumir produtos como perfumes, tecidos finos, jóias, além das especiarias, como eram chamadas a primeira, a noz-moscada, o cravo, o gengibre e o açucar.
No século XII, como conseqüência imediata das Cruzadas, inicia-se a expansão comercial na Europa e, com ela, o crescimento das cidades e a decadência do trabalho servil, típico do feudalismo.

As Rotas Comerciais e a Feiras
A expansão comercial, a partir da reabertura do Mar Mediterrâneo, beneficiou principalmente as cidades italianas de Gênova e Veneza. Os comerciantes dessas cidades passaram a monopolizar o comércio de especiarias, comprando-as em portos orientais de Constantinopla, Alexandria e Trípoli, para, através do Mediterrâneo, revendê-las no mercado europeu.
Mas no norte da Europa, junto as Mar do Norte e ao Mar Báltico, também se formaram regiões de intenso comércio, servidas em parte delas cidades italianas, que as atingiam tanto pro mar como por terra. Era a região de Flandres, produtora de tecidos, onde se destacava a cidade de Bruges, e a região do Mar Báltico, que tinha como importantes centro Hamburgo, Dantzig e Lübeck, que ofereciam mel, peles, madeira e peixes vindos de regiões próximas.
Para contatar esses pontos, estabeleceram-se diferentes rotas comerciais. A rota marítima ligava as cidades italianas a importantes centros comerciais do norte da Europa. Já a rota terrestre também ligava as cidades italianas à movimentada região de Fladres, mas atravessava toda a França.
Nos cruzamentos dessas grandes rotas comerciais com outras menores, que uniam todos os pontos da Europa, surgiram as feiras, grandes mercados abertos e periódicos, para onde se dirigiam comerciantes de várias partes do continente. Protegidos pelos senhores feudais, que lhes cobravam taxas de passagem e permanência, os comerciantes fixavam-se por dias e semanas em algumas regiões, oferecendo mercadorias, como tecidos, vinhos, especiarias e artigos de luxo orientais. As feiras mais famosas foram as da região de Champagne, na França.
O desenvolvimento comercial surgido no século XII, fez com que o dinheiro voltasse a ser necessário.
Porém, com em cada região cunhavam-se moedas de diferentes valores, apareceram os cambistas, pessos que conheciam os valores das moedas e se incubiam de trocá-las. Posteriormente, tornando-se as relações mais complexas, surgiram os baqueiros, que guardavam o dinheiro dos comerciantes e forneciam-lhes empréstimos mediante a cobrança de juros. São dessa época os sistemas de cheques e as letras de câmbio, que facilitavam as transações comerciais feitas a distância, utilizados até hoje.

O Ressurgimento das Cidades
Com a expansão comercial desenvolveram-se os burgos, que haviam aparecido em volta de castelos, mosteiros e igrejas, além de outros, surgidos nas rotas comerciais, no litoral e à margem de rios. Sua população, como já vimos, era composta basicamente de artesãos e comerciantes, que ganhavam cada vez mais importância, em função de sua riqueza e de seu número.
Os artesãos dedicavam-se à fabricação de tecidos, instrumentos de ferro, de couro, e de muitos outros materiais. Suas oficinas, que funcionavam com as portas abertas, serviam igualmente para vender as mercadorias diretamente, sem intermediários.
Com o rápido cresimento do comércio e do artesanato nos birgos, a concorrência entre mercadores e artesãos aumentou bastante. Para regulamentar e proteger as diversas atividades, surgiram as corporações. No início eram formados apenas por mercadores autorizados e exercer seu trabalho em cada cidade. Posteriormente, com a especialização dos diversos artesãos, apareceram as corporações de ofício, que tiveram grande importância durante a Baixa Idade Média: corporações de padeiros, de tecelões, de pedreiros, de marceneiros etc.
Cada umas dessas corporações reunia os membros de uma atividade, regulando-lhes a quantidade e a qualidade dos produtos, o regime de trablho e o preço final. Procuravam assim eliminar a concorrência desleal, assegurar trabalho para todas as oficinas de uma mesma cidade e impedir que produtos similares de outras regiões entrassem nos mercados locais.
Dessa maneira, as corporações de ofício determinavam também as relações de trabalho. Em cada ofícina havia apenas três categorias de artesãos.
Mestres, que comandavam a produção, sendo donos de oficina, dos instrumentos de trabalho e da matéria-prima;
Oficiais ou companheiros, que eram trabalhadores especializados a serviço dos mestres, recebendo em troca um salário. Tornavam-se mestres após realizar uma obra que provasse sua capacidade e habilidade no ofício;
Aprendizes, jovens que aprendiam o ofício trabalhando, durante anos, e recebendo do mestre apenas casa e comida até poderem tornar-se companheiros.
Os comerciantes também procuravam organizar-se em corporações para manter o mercado comerciantes de diferentes cidades se associavam, formando uma liga. A mais famosa foi a Liga Hanseática, que reunia 80 ciades alemãs e que controlava comercialmente o norte da Europa.
Com o amplo desenvolvimento mercantil e artesanal e o conseqüente aumento de importância da classe dos burgueses, a antiga organização feudal, composta por nobres improdutivos e servos presos à terra, já não era mais adequada.
Os senhores feudais passaram a ganhar com o comércio, pois cobravam dos comerciantes taxas de passagem e de estabelecimento em seus feudos. A mão-de-obra servil declinava, pois, além de um grande número de trabalhadores agrícolas ter sido desviado para as Cruzadas (século XI e XII), muitos servos fugiram para dedicar-se às atividades urbanas. Interessados no aumento da produção e em maiores lucros, os senhores feudais liberaram os servos do trabalho obrigatório. Alguns senhores passam a permitir que os servos vendam seus produtos nas feiras e nas cidades, desde que lhes paguem uma quantia em dinheiro. Outros ainda começaram a se utilizar de lavradores assalariados, pagos por jornada, chamamos jornaleiros.
Pouco a pouco, o poder dos senhores feudais diminuiu, assim como a submissão das cidades às suas leis e impostos. Alguns dos mais importantes comerciantes e mestres-artesãos passaram a organizar-se num conselho, conhecido como comuna. Eram eles que administravam as cidades, cobrando taxas e impostos de seus moradores. Foram essas comunas burguesas que, a partir do século XII, passaram a organizar a luta pela autonomia das cidades. Ela foi sendo conquistada aos poucos, ou de forma violenta, quando se armava e derrotava o senhor feudal da região, ou de forma pacifica, ao comprar a independência da cidade, recebendo a carta de franquia do senhor feudal, que dava ampla autonomia aos núcleos urbanos.
A vitória desses movimentos comunais refletia a importância cada vez maior da burguesia, fato que iria afetar diretamente os acontecimentos dos séculos seguintes.
As Sujas e Apertadas Cidades Medievais
Na baixa Idade Média, houve a rápida multiplicação do número de cidades, nas quais se exerciam atividades comerciais, manufatureiras e também artísticas. As cidades eram guarnecidas por mulharas que serviam para protegê-la das invasões de nobres e bandidos. Seus habitantes haviam conseguido desvinvular-se parcialmente do controle dos senhores feudais, adquirindo certos direitos e liberdades que atraíam grande número de camponeses. Essa imigração aumentou em demasia a população das cidades, tornando necessária a destruição posteiror reconstrução da muralhas, a fim de ampliar o espaço urbano. Esse procedimento, no entanto, só era acessível aos grandes centro; nas demais cidades, contruíram-se casas e jardins até mesmo no alto das largas muralhas.
Assim, dentro dos limites cercados das cidades, os terrenos eram caríssimos e procurava-se aproveitar cada centímetro. As contruções, em geral de madeira, eram colocadas umas às outras, e os andares superiores eram projetados sobre as ruas, que já eram estreitas, tornando-as ainda mais sombrias. O perigo de incêndio era constante.
Esse incontrolável crescimento demográfico dificultava a observância de padrões de higiene e de conforto. As condições sanitárias eram péssimas: o lixo eram despejado nas ruas e sua coleta ficava a cargo das eventuais chuvas; até que isso ocorresse, formavam-se montes de detrito, resolvidos por cães e porcos. A água dos rios e poços que abasteciam a cidade era freqüentemente contaminada, ocasionando consatantes surtos de tifo.
Em todo o século XIV e até meados do século XV, a Europa enfrentou uma série de circunstâncias que afetaram profundamente a vida de sua população. Mudanças climáticas trouxeram vários anos seguidos de muita chuva e frio, o que causou o extermínio de animais e plantações, levando a um longo período de fome; a peste negra, originária do Mar Negro e transmitida por ratos, dizimou milhões de europeus já enfraquecidos pela fome.
Além disso, a violência gerada pela Guerra do Cem Anos fez eclodirem revoltas populares que ceifaram outras tantas vidas.
As precárias condições urbanas agravaram ainda mais os problemas gerados por essas crises, pois só a peste negra, propiciada pelas más condições de higiene, fez a Europa perder mais da metade da sua população.

14.143 – A Formação dos Reinos Bárbaros


barbaros
A decadência do Império Romano do Ocidente foi acelerada pela invasão de povos bárbaros. Bárbaros era a denominação que os romanos davam aqueles que viviam fora das fronteiras do Império e não falavam o latim. Dentre os grupos bárbaros destacamos os:
Germanos: de origem indo-européia, habitavam a Europa Ocidental. As principais nações germânicas eram: os vigiados, ostrogodos, vândalos, bretões, saxões, francos etc.

Eslavos: provenientes da Europa Oriental e da Ásia, compreendiam os russos, tchecos, poloneses, sérvios, entre outros.

Tártaro-mongóis: eram de origem asiática. Faziam parte deste grupo as tribos dos hunos, turcos, búlgaros, etc.

Os Germanos
Entre os povos bárbaros, os germanos foram os mais significativos para a formação da Europa Feudal.
A organização política dos germanos era bastante simples. Em época de paz eram governados por uma assembléia de guerreiros, formada pelos homens da tribo em idade adulta. Essa assembléia não tinha poderes legislativos e suas funções se restringiam à interpretação dos costumes. Também decidia as questões de guerra e de paz ou se a tribo deveria migrar para outro local.
Em época de guerra, a tribo era governada por uma instituição denominada comitatus. Era a reunião de guerreiros em torno de um líder militar, ao qual todos deviam total obediência. Esse líder era eleito e tomava o título de Herzog.
Os germanos viviam de uma agricultura rudimentar, da caça e da pesca. Não tendo conhecimento das técnicas agrícolas, eram seminômades, pois não sabiam reaproveitar o solo esgotado pelas plantações. A propriedade da terra era coletiva e quase todo trabalho era executado pelas mulheres. Os homens, quando não estavam caçando ou lutando, gastavam a maior parte de seu tempo bebendo ou dormindo
A sociedade era patriarcal, o casamento monogâmico e o adultério severamente punido. Em algumas tribos proibia-se até o casamento das viúvas. O direito era consuetudinário, ou seja, baseava-se nos costumes.
A religião era politeísta e adoravam as forças da natureza. Os principais deuses eram: Odin, o protetor dos guerreiros; Thor, o deus do trovão; e Fréia, a deusa do amor. Acreditavam que somente os guerreiros mortos em combate iriam para o Valhala, uma espécie de paraíso. As Valquírias, mensageiras de Odin, visitavam os campos de batalha, levando os mortos. As pessoas que morriam de velhice ou doentes iriam para o reino de Hell, onde só havia trevas e muito frio.

Os Reinos Bárbaros
Devido à expansão do Império, a partir do século I, os romanos mantinham contato pacífico com povos bárbaros, principalmente os germanos. Muitos desses povos migraram para o Império Romano e chegaram a ser utilizados no exército como mercenários.
Porém, no século V, os germanos foram pressionados pelos belicosos hunos.
Os hunos, de origem asiática, deslocaram-se em direção à Europa e atacaram os germanos, levando-os a fugir. Estes, acabaram por invadir o Império Romano, que enfraquecido pelas crises e guerras internas, não resistiu às invasões e decaiu. No antigo mundo romano nasceram vários reinos bárbaros.

“(…) Não têm eles (os hunos) necessidade de fogo nem de comidas temperadas, mas vivem de raízes selvagens e de toda espécie de carne que comem meio crua, depois de tê-la aquecido levemente sentando-se em cima durante algum tempo quando estão a cavalo. Não têm casas, não se encontra entre eles nem mesmo uma cabana coberta de caniço. Vestem-se panos ou peles de ratos do campo. (…) Nenhum cultiva a terra nem toca mesmo um arado. Sem morada fixa, sem casas, erram por todos os lados e parecem sempre fugir com as suas carriolas. Como animais desprovidos de razão, ignoram inteiramente o que é o bem e o que é o mal; não têm religião, nem superstições; nada iguala sua paixão pelo ouro.”
Dos reinos bárbaros que se formaram na Europa, os principais foram:
Reinos dos Visigodos: situado na península ibérica, era o mais antigo e extenso. Os visigodos ocupavam estrategicamente a ligação entre o Mar Mediterrâneo e o oceano Atlântico, que lhes permitia a supremacia comercial entre a Europa continental e insular.

Reino dos Ostrogodos: localizam-se na península Itálica. Os ostrogodos se esforçaram para salvaguardar o patrimônio artístico-cultural de Roma. Restauraram vários monumentos, para manter viva a memória romana. Conservaram a organização político-administrativa imperial, o Senado, os funcionários públicos romanos e os militares godos.

Reino do Vândalos: o povo vândalo atravessou a Europa e fixou-se no norte da África. Nesse reino houve perseguição aos cristãos, cujo resultado foi a migração em massa para outros reinos, provocando falta de trabalhadores, e uma diminuição da produção.

Reino dos Suevos: surgiu a oeste da península Ibérica e os suevos viviam da pesca e da agricultura. No final do século VI, o reino foi absorvido pelos visigodos, que passaram a dominar toda península.

Reino dos Borgúndios: os borgúndios migraram da Escandinávia, dominaram o vale do Ródano até Avinhão, onde fundaram o seu reino. Em meados do século VI, os borgúndios foram dominados pelos francos.

Reino do Anglo-Saxões: surgiu em 571, quando os saxões venceram os bretões e consolidaram-se na região da Bretanha.

No processo de invasão e formação dos reinos bárbaros, deu-se ao mesmo tempo, a “barbarização” das populações romanas e a “romanização” dos bárbaros. Na economia, a Europa adotou as práticas econômicas germânicas, voltada para a agricultura, ode o comércio era de pequena importância.

Apesar de dominadores, os bárbaros não tentaram destruir os resquícios da cultura romana; ao contrario, em vários aspectos assimilaram-na e revigoraram-na. Isso se deu, por exemplo, na organização política. Eles que tinham uma primitiva organização tribal, adotaram parcialmente a instituição monárquica, além de alguns mecanismos e normas de administração romana. Muitos povos bárbaros adotaram o latim com língua oficial. Os novos reinos converteram-se progressivamente ao catolicismo e aceitaram a autoridade da Igreja Católica, à cabeça da qual se encontrava o bispo de Roma.
Com a ruptura da antiga unidade romana, a Igreja Católica tornou-se a única instituição universal européia. Essa situação lhe deu uma posição invejável durante todo o medievalismo europeu.

14.142 – Idade Média


peste negra
A Peste Negra foi uma pandemia, isto é, a proliferação generalizada de uma doença causada pelo bacilo Yersinia pestis, que se deu na segunda metade do século XIV, na Europa. Essa peste integrou a série de acontecimentos que contribuíram para a Crise da Baixa Idade Média, como as revoltas camponesas, a Guerra dos Cem Anos e o declínio da cavalaria medieval.
A Peste Negra tem sua origem no continente asiático, precisamente na China. Sua chegada à Europa está relacionada às caravanas de comércio que vinham da Ásia através do Mar Mediterrâneo e aportavam nas cidades costeiras europeias, como Veneza e Gênova. Calcula-se que cerca de um terço da população europeia tenha sido dizimada por conta da peste.
A propagação da doença, inicialmente, deu-se por meio de ratos e, principalmente, pulgas infectados com o bacilo, que acabava sendo transmitido às pessoas quando essas eram picadas pelas pulgas – em cujo sistema digestivo a bactéria da peste se multiplicava. Num estágio mais avançado, a doença começou a se propagar por via aérea, através de espirros e gotículas. Contribuíam com a propagação da doença as precárias condições de higiene e habitação que as cidades e vilas medievais possuíam – o que oferecia condições para as infestações de ratazanas e pulgas.
Como ainda não havia um desenvolvimento satisfatório da ciência médica nesta época, não se sabia as causas da peste e tampouco os meios de tratá-la ou de sanear as cidades e vilas. A peste foi denominada “negra” por conta das afecções na pele da pessoa acometida por ela. Isto é, a doença provocava grandes manchas negras na pele, seguidas de inchaços em regiões de grande concentração de gânglios do sistema linfático, como a virilha e as axilas. Esses inchaços também eram conhecidos como “bubões”, por isso a Peste Negra também é conhecida como Peste Bubônica. A morte pela peste era dolorosa e terrível, além de rápida, pois variava de dois a cinco dias após a infecção.
Uma das tentativas de compreensão do fenômeno mortífero da Peste Negra pode ser vista nas representações pictóricas da chamada “A dança macabra”, ou “A Dança da Morte”. As pinturas que retratavam a “dança macabra” apresentavam uma concepção nítida da inexorabilidade da morte e da putrefação do corpo. Nestas pinturas, aparecem sempre esqueletos humanos “dançando” em meio a todo tipo de pessoa, desde senhores e clérigos até artesãos e camponeses – evidenciando assim o caráter universal da morte.
Outro fenômeno da época em que se desencadeou a peste foi a atribuição da causa da moléstia aos povos estrangeiros, notadamente aos judeus. Os judeus, por não serem da Europa e por, desde a Idade Antiga, viverem em constante migração, passando por várias regiões do mundo até se instalarem nos domínios do continente europeu, acabaram por se tornarem o “bode expiatório” das multidões enfurecidas. Milhares de judeus foram mortos durante a eclosão da Peste.
Hoje em dia os surtos pandêmicos são raros, mas várias doenças, como a causada pelo vírus Ebola que se desenvolveu na região da África Subsaariana, ainda oferecem risco de pandemia para o mundo. Por isso é monitorado por centros de investigação epidemiológica internacionais.

14.141 – A Queda de Constantinopla


canhoes-otomanos-atirando-contra-muralha-constantinopla
É um fato de extrema importância em termos históricos. Para que se tenha uma dimensão dessa importância, basta pensarmos que o dia em que ela ocorreu, 29 de maio de 1453, foi por muito tempo (e ainda é, em alguns casos) considerado o marco do fim da Idade Média e início da Idade Moderna. A queda de Constantinopla foi o símbolo do declínio do Império Romano do Oriente (também conhecido como Império Bizantino), inaugurado por Constantino – que havia dado seu nome à cidade – no século IV d.C. Esse mesmo acontecimento marcou também o triunfo de outro império, o Otomano, que se formou a partir de um sultanato turco, em 1299, e foi o responsável pela conquista de Constantinopla.
O Império Romano do Oriente representava, na Idade Média, o que ainda havia de mais poderoso, em termos institucionais, herdado da antigo Império Romano. Por estar localizada em um lugar estratégico da Anatólia (Ásia Menor), Constantinopla sempre foi uma cidade cobiçada por diversas civilizações. Muitos tentaram subjugá-la, desde bárbaros, hunos e até os cavaleiros cruzados cristãos.
Os ataques frequentes acabaram por deixar as defesas da cidade em péssimas condições, e o seu território, drasticamente reduzido. Ainda que durante o século XIV tivessem negociado várias vezes com os bizantinos, na época do imperador João V Paleólogo, os otomanos, que disputavam espaço na Anatólia, sob o comando do sultão Mehmed II, deram o golpe fatal contra a cidade. Famosa por sua muralha que a protegera por séculos, Constantinopla não foi capaz de resistir ao poder dos canhões otomanos. Com a batalha vencida, Mehmed II logo se prontificou a estabelecer vínculos simbólicos com a cidade. A principal referência cristã de Constantinopla, a basílica de Hagia Sofia (Santa Sabedoria), foi transformada em mesquita no mesmo dia em que os otomanos conseguiram transpor as muralhas, como narra o historiador Alan Palmer:
Quando o Sultão Mehmed II entrou em Constantinopla em seu tordilho naquela tarde de terça-feira, foi primeiro a Santa Sofia, a igreja da Santa Sabedoria, e pôs a basílica sob sua proteção antes de ordenar que fosse transformada em Mesquita. Cerca de sessenta e cinco horas mais tarde, retornou à basílica para as preces rituais do meio-dia da sexta. A transformação era simbólica para os planos do Conquistador. O mesmo aconteceu quando insistiu em investir com toda solenidade um erudito monge ortodoxo no trono patriarcal, então vago.
Um tempo depois a cidade de Constantinopla receberia o nome de Istambul (nome que significa “na cidade”) e se tornaria a sede do Império Otomano. Esse Império sobreviveu até o início do século XX, quando ocorreu a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o que provocou o esfacelamento de sua unidade.

14.140 – Como Funciona a Máquina à vapor


Os princípios básicos da máquina a vapor já haviam sido explorados pelo engenheiro e matemático greco-egípcio Hierão de Alexandria, que no século I a.C. estudava o vapor como força motriz, através de sua invenção, a eolípila.
Já no final do século XVII, Denis Papin e Thomas Savery desenvolveram os primeiros motores a vapor, porém, foi
somente em 1972, que Thomas Newcomen revolucionou a área. O chamado “motor de Newcomen”, a partir de então começou a ser amplamente usado.
Com o avanço, os motores a vapor começaram a movimentar as primeiras locomotivas, barcos, fábricas, bem como as minas de carvão. As primeiras máquinas a fazer uso da energia a vapor eram usadas para retirar água acumulada nas minas de ferro e carvão e ainda eram utilizadas na fabricação de tecido.

Naquela época estava ocorrendo a chamada Revolução Industrial, em que o número de indústrias teve um crescimento vertiginoso, e com isso, a necessidade de usar cada vez mais máquinas para suprir o trabalho humano.

A primeira máquina a vapor foi utilizada por Thomas Savery, na retirada de água de poços de minas. A máquina transformava a energia armazenada no vapor quente em energia utilizável.
Na máquina de Savary, o vapor, que é proveniente da água aquecida até a ebulição em uma caldeira, entrava em uma câmara. Tal câmara, após ser fechada, era arrefecida por aspersão da água fria, e assim acontecia a condensação do vapor no seu interior.
Uma máquina a vapor não cria energia, mas sim usa o vapor para transformar a energia quente que é liberada pela queima de combustível. Toda máquina a vapor possui uma fornalha para que seja realizada a queima de carvão, óleo, madeira ou mesmo outro combustível para produzir energia calorífica.
Além disso, a máquina a vapor dispõe de uma caldeira. Assim, o calor proveniente da queima de combustível leva a água a transformar-se em vapor no interior dessa caldeira. Com o processo, o vapor expande-se, e ocupa um espaço muitas vezes maior que o ocupado pela água. A energia da expansão produzida pode ser aproveitada de duas formas: A primeira, deslocando um êmbolo num movimento de vaivém ou, acionando uma turbina.

Conheça o funcionamento de uma máquina a vapor

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Assim sendo, na caldeira, o calor faz com que a água entre em ebulição. Assim, quando a válvula A está aberta e a válvula B permanece fechada, o vapor acaba entrando sob pressão e empurrando o êmbolo para cima. Deste modo, a roda R e a biela B acabam sendo deslocadas. O êmbolo, ao atingir o topo do cilindro, a válvula A acaba fechando para cortar o fornecimento de vapor, e a válvula B abre-se, fazendo com que o vapor saia do cilindro e entre no condensador.
Através da água corrente o condensador é mantido arrefecido. Assim que o vapor deixa o cilindro a pressão diminuiu no seu interior e a pressão atmosférica empurra o êmbolo para baixo. O êmbolo, ao atingir o fundo do cilindro, a válvula B se fecha a válvula A abre. A partir de então, o vapor entra no cilindro e o processo começa novamente.
Locomotivas a vapor
No século 19 surgiram as primeiras locomotivas movidas a vapor, sendo que geralmente tinha sua energia gerada pela queima de carvão nas fornalhas. Esse modelo de locomotiva foi usado até o final da Segunda Guerra Mundial.

A primeira locomotiva a vapor foi construída por Richard Thevithick, sendo que o primeiro teste foi feito em 21 de fevereiro de 1904, porém, somente após alguns anos o projeto acabou sendo usado. A tecnologia, no decorrer dos seus 150 anos de uso da energia a vapor foi sendo aprimorado.
As LOCOMOTIVAS A VAPOR são constituídas basicamente de:

1) CALDEIRA : local onde é produzido o vapor de água;

2) MECANISMO: Conjunto de elementos mecânicos que tem pôr objetivo de transformar a energia calorífica dos combustíveis em energias mecânica para assim transmitir o movimento resultante dos êmbolos aos eixos motrizes e finalmente, transformar esse movimento retilíneo alternado em circular contínuo para as rodas;
3) VEÍCULO: constituído pela carroceria, rodas, eixos, caixas de graxa e molas.