13.998 – Santa Ignorância – Informações Falsas Sobre Vacinas Preocupa Comunidade Científica


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Governador de Fruili-Venezia Giulia, uma das regiões do norte da Itália, e membro da Liga, partido da extrema direita e hoje a maior força política do país, Fedriga é um dos expoentes do movimento que prega a liberdade da vacinação. Ele, contudo, acabou indo parar no hospital vítima da doença cuja melhor maneira de prevenção é exatamente a vacina.
“O mais espantoso, e que não saiu em nenhum jornal, é que recebi durante o período em que fiquei no hospital várias mensagens desejando a minha morte”, conta. “Minha questão é a liberdade de escolha — a vacina não pode ser imposta.”
Filiado a um partido acostumado a inflamar o debate em temas como a defesa da família tradicional e das políticas contra a imigração, o político de 38 anos, o mais jovem governador da Itália, disse ter se espantado com o ambiente “tóxico e extremista” sobre a questão, agora classificada por ele — já recuperado e de volta às funções políticas — como uma “guerra típica das torcidas organizadas”. Ele reclama ter sido vítima do que é o principal motor contra as vacinas: a desinformação.
A resistência à vacinação foi listada pela Organização Mundial da Saúde como uma das dez maiores ameaças à saúde global neste 2019. Segundo números preliminares do órgão, os surtos de sarampo, doença altamente contagiosa, aumentaram 300% no mundo nos primeiros três meses deste ano em comparação ao mesmo período de 2018. O crescimento foi maior na África (700%) e na Europa (300%).
Relatório do Unicef, órgão da ONU para a infância, cravou que 98% dos países reportaram aumento nos casos de sarampo, doença que ressurgiu em locais que até pouco tempo atrás estavam perto de erradicá-la. Os três piores do ranking (que compara 2017 com 2018), respectivamente, foram Ucrânia, Filipinas e Brasil. A organização alertou: “A verdadeira infecção é a desinformação”.
Como acontece com os terraplanistas, os descrentes do aquecimento global e os que acreditam que o nazismo era de esquerda, o principal canal difusor das (des)informações é a internet, especialmente redes sociais como o Facebook. Pressionada, a plataforma criada por Mark Zuckerberg desativou recentemente anúncios com conteúdos contra a imunização nos Estados Unidos, onde estima-se que esse tipo de publicidade atingia quase 1 milhão de pessoas.
Na Europa, o aumento dos casos de sarampo — o maior índice em 20 anos — foi relacionado à expansão da agenda populista de direita e anti-establishment, que tem a causa como bandeira política. O cerne da crítica é a imposição das vacinas, método que alguns políticos chamam de stalinista.
Mas, como em todo movimento, nele há subdivisões e divergências: uns pregam a liberdade vacinal e outros rejeitam todo e qualquer tipo de vacina. E não é uma pauta somente da direita populista em ascensão. Há entre os adeptos muitos naturalistas que sempre votaram na esquerda e que veem com desconfiança o sistema de vacinação “massificado”, como dizem. Eles também replicam falsificações sobre uma suposta conspiração global entre governos e a indústria farmacêutica.
Dos 83 mil casos de sarampo na Europa em 2018, 53 mil foram registrados na Ucrânia, mas os índices foram alarmantes também em países como Sérvia e Grécia. O número de descrentes aumentou ainda na França e Alemanha. Diante desse cenário, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) tem dispensado tempo e recursos para enfrentar a “hesitação vacinal”. O órgão lembra que a vacina é o principal meio de prevenção primária de doenças e uma das medidas de saúde pública com melhor relação custo-eficácia. A imunização ainda é a melhor defesa contra doenças contagiosas graves que podem ser fatais.
Galileu

13.610 – História – IDADE ANTIGA


idade antiga
Quando adentramos o estudo da Antiguidade ou Idade Antiga, é bastante comum ouvir dizer que esse período histórico é marcado pelo surgimento das primeiras civilizações. Geralmente, ao adotarmos a expressão “civilização” promove-se uma terrível confusão que coloca os povos dessa época em uma condição superior se comparados às outras culturas do mesmo período.
Na verdade, a existência de uma civilização não tem nada a ver com essa equivocada ideia de que exista um povo “melhor” ou “mais evoluído” que os demais. O surgimento das primeiras civilizações simplesmente demarca a existência de uma série de características específicas. Em geral, uma civilização se forma quando apontamos a existência de instituições políticas complexas, uma hierarquia social diversificada e de outros sistemas e convenções que se aplicam largamente a uma população.
Ao contrário do que se possa imaginar, não podemos apontar uma localidade específica onde encontremos a formação das primeiras civilizações da história. O processo de fixação e desenvolvimento das relações sociais aconteceu simultaneamente em várias regiões e foi marcado pelo contato entre civilizações, bem como a incorporação de duas ou mais culturas na formação de outra civilização.
Reportando-se ao Mundo Oriental, podemos assinalar o desenvolvimento das milenares civilizações chinesa e indiana. Partindo mais a oeste, localizamos a formação da civilização egípcia e dos vários povos que dominaram a região Mesopotâmica, localizada nas proximidades dos rios Tigre e Eufrates. Também conhecidas como civilizações hidráulicas, essas culturas agruparam largas populações que sobreviviam da exploração das águas e terras férteis presentes na beira dos rios.
Na parte ocidental do planeta, costuma-se dar amplo destaque ao surgimento da civilização greco-romana. O prestígio dado a gregos e romanos justifica-se pela forte e visível influência que estes povos tiveram na formação dos vários conceitos, instituições e costumes que permeiam o Ocidente como um todo. Contudo, não podemos também deixar de dar o devido destaque aos maias, astecas, incas e olmecas que surgem no continente americano.
Sem dúvida, o estudo das civilizações antigas se mostra importante para que possamos entender melhor sobre as várias feições que a nossa cultura assume atualmente. Contudo, sob outro ponto de vista, o estudo da Antiguidade também abre caminho para que possamos contrapor os valores e parâmetros que um dia foram comuns a alguns homens e hoje se mostram tão distantes do que vivemos. É praticamente infinito o leque de saberes que se aplica a esse período histórico.

13.490 – Imunologia – Soro antizika previne doença em macacos


vacina zika
Anticorpos produzidos em laboratório conseguiram bloquear totalmente a ação do vírus da zika em macacos. O resultado, relatado por pesquisadores no Brasil e nos EUA, ainda está longe da aplicação em seres humanos, mas mostra que seria possível proteger grávidas e seus futuros bebês da ação viral por meio de um coquetel de anticorpos desse tipo.
A estratégia, descrita em artigo na mais recente edição da revista especializada “Science Translational Medicine”, foi idealizada por pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), da USP e da Universidade de Miami, entre outras instituições. Um ponto importante é que a equipe conseguiu aumentar o tempo de circulação dos anticorpos no organismo, o que, consequentemente, também traria proteção mais duradoura para os pacientes.
“Com isso, poderíamos cobrir uma gestação inteira com apenas duas ou três injeções de anticorpos”, diz Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos autores brasileiros da pesquisa.

DA COLÔMBIA AO RIO
Para chegar à formulação que teve sucesso no teste em macacos, os pesquisadores começaram obtendo uma lista de 91 anticorpos derivados do organismo de um paciente colombiano que havia sido infectado com o causador da doença. A ideia era testar a eficácia dessas moléculas de defesa do organismo contra a ação de uma variante do vírus presente no organismo de uma grávida do Rio.
Quando um novo vírus começa a invadir as células de uma pessoa, começa a produção de diferentes formas de anticorpos, cada um deles com potencial diferente para se ligar às partículas virais e neutralizar a ação delas. Ao testar as 91 moléculas do paciente colombiano, em busca das que conseguiam reduzir em pelo menos 80% a taxa de infecção pela zika in vitro, a equipe brasileiro-americana acabou identificando três anticorpos especialmente potentes, que pareciam os mais promissores.
Antes de partir para o teste em animais, porém, os pesquisadores decidiram fazer alguns ajustes nessas moléculas. Existe, por exemplo, o risco de que um anticorpo acabe facilitando o trabalho de um vírus, em vez de derrotá-lo.
Digamos que uma pessoa que já teve dengue seja infectada pelo vírus da zika, que é aparentado ao causador da dengue. Nesses casos, é possível que os anticorpos contra dengue que essa pessoa já possuía acabem se ligando ao causador da zika – mas sem neutralizá-lo para valer.
Pior ainda, enquanto uma ponta da molécula de anticorpo está ligada ao vírus, a outra pode estar ligada a determinadas células de defesa do organismo. “Desse jeito, o anticorpo serve como cavalo-de-troia, jogando o vírus inteiro para dentro da célula” e facilitando sua multiplicação, explica Kallás.
Ainda não se sabe se um cenário desse tipo pode realmente acontecer envolvendo zika e dengue, embora ele pareça estar por trás do maior risco de dengue hemorrágica depois que alguém é infectado por dois ou mais tipos diferentes do vírus dessa doença. Seja como for, pequenos ajustes na conformação da molécula podem minimizar o risco do problema, bem como aumentar a “durabilidade” dos anticorpos na circulação sanguínea.
No teste final, feito com oito macacos-resos (da espécie Macaca mulata), metade dos primatas recebeu injeções com o vírus da zika e, um dia depois, doses do coquetel de anticorpos específicos contra o invasor viral, enquanto os outros bichos infectados só receberam injeções de um anticorpo genérico que não age contra a zika. A multiplicação do vírus foi totalmente barrada no primeiro grupo, coisa que não se deu no segundo grupo de animais.

LONGO PRAZO
Apesar do sucesso da estratégia, Kallás lembra que ainda falta um processo longo e caro para que os testes em seres humanos comecem. É preciso produzir os anticorpos com rigoroso grau de pureza, garantindo, por exemplo, que eles não afetem células humanas por engano. Para avançar, a equipe precisará de parcerias com a iniciativa privada.

Além disso, o pesquisador destaca que, num momento em que o financiamento à ciência no Brasil vai de mal a pior, é preciso levar em conta que resultados como esses dependem de investimentos de longo prazo.

“A gente nunca começa do zero esse tipo de coisa. Eu trabalho com o David Watkins [coordenador da pesquisa na Universidade de Miami] desde 2005, e a ideia original era trabalhar com dengue, não com zika. Mas, quando a crise ligada à zika começou, nós já estávamos preparados. A estrutura e a cooperação necessárias para descobertas assim nunca surgem de imediato. A restrição de investimentos do governo está gerando um fruto podre que vai acabar caindo daqui a alguns anos”.

Fases:
1) O primeiro passo da equipe foi obter informações sobre os anticorpos produzidos no organismo de uma pessoa da Colômbia que tinha sido infectada pelo vírus zika

2) A partir dessa análise, eles identificaram três anticorpos diferentes que mostraram maior capacidade de neutralizar o vírus

3) O trio de anticorpos foi injetado num grupo de quatro macacos-resos, que também foi infectado com uma cepa do zika originalmente isolada de uma grávida do Rio de Janeiro; outros quatro primatas receberam o zika, mas não os anticorpos

4) Os animais que receberam os anticorpos ficaram totalmente protegidos da ação do vírus, ao contrário do que ocorreu com o outro grupo de macacos

12.764 – Vacina contra esquistossomose feita no Brasil terá teste decisivo no Senegal


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Pesquisadores do Brasil, do Senegal e da França estão começando um teste decisivo de sua vacina contra a esquistossomose, doença causada por vermes que coloca em risco a saúde de 200 milhões de pessoas mundo afora.
Cerca de 350 voluntários que vivem em regiões fortemente afetadas pelos parasitas devem receber a imunização, após uma avaliação inicial que indicou que a vacina é capaz de estimular o organismo a enfrentar os invasores.
Para os cientistas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, a chamada fase 2 dos testes clínicos da vacina, cujo objetivo é testar sua eficácia num grupo relativamente grande de pessoas, tem um sabor especial.
Faz 30 anos que o principal ingrediente da fórmula começou a ser estudado por eles, e é a primeira vez no mundo que uma vacina contra um verme –e não contra um vírus ou uma bactéria, como é usual– avança tão longe no árduo processo que antecede a liberação comercial para uso em seres humanos.
O objetivo da vacina é cortar essa dificuldade pela raiz fazendo o que as vacinas fazem de melhor: gerando imunidade contra o parasita antes mesmo que ele entre em contato com o organismo humano. Foi com esse propósito que eles identificaram a proteína Sm14 (“Sm” é a sigla de Schistosoma mansoni, a espécie de verme causador da doença que é prevalente no Brasil). Presente na superfície do verme, ela serve para que ele obtenha lipídios (moléculas de gordura) do hospedeiro humano.
A vacina contendo a Sm14 faz com que o organismo das pessoas vacinadas produza anticorpos (moléculas de defesa) que atuam especificamente contra a presença do S. mansoni, bem como células especializadas em proteger o corpo da invasão, conforme revelaram testes com 20 voluntários sadios recrutados no Rio de Janeiro.
Outro ingrediente importante da vacina é o adjuvante conhecido como GLA, originalmente derivado de bactérias, que faz com que a reação do sistema de defesa do organismo seja ainda mais robusta.
Ao longo de décadas de pesquisa, a equipe da Fiocruz descobriu que a Sm14 é capaz de produzir imunidade para diversas espécies de vermes que parasitam a região intestinal aparentados ao S. mansoni.
Isso permitiu que a descoberta também levasse à criação de uma vacina para o gado, hoje em estágio avançado de desenvolvimento, e à possibilidade de testar a imunização no Senegal, em regiões onde há grande quantidade de casos de esquistossomose, causados por duas espécies diferentes de verme, o S. haematobium e o S. mansoni. Cada voluntário receberá três doses da vacina, com intervalos de um mês entre cada uma delas.
O teste clínico na África, que deve começar na segunda quinzena de setembro de 2016, será feito em parceria com a ONG “Espoir pour La Santé” (“Esperança para a Saúde”, em francês) e o Instituto Pasteur de Lille, na França. “Eles tinham uma estrutura muito boa para testar em campo uma molécula deles, que acabou não funcionando. Mas a estrutura ficou, tínhamos um contato bom com eles, que se empolgaram para nos ajudar”, conta Miriam.
A Fiocruz também está negociando a realização de outro braço da fase 2 numa região do Nordeste, área do país em que ainda há focos endêmicos da moléstia (os novos casos no país hoje são relativamente raros, chegando a pouco menos de 30 mil no ano passado).
Outra parceria crucial envolve a empresa Orygen Biotecnologia, que participará das etapas finais de desenvolvimento e de produção da vacina. “Nossa intenção é mudar o rumo do desenvolvimento de tecnologias contra as doenças parasitárias, que hoje não são um grande mercado comercial, não despertam um grande interesse da indústria. Estamos tentando inverter essa lógica, com um país endêmico desenvolvendo essa tecnologia para ajudar outros países endêmicos”, resume Miriam.

12.626 – Vacina de DNA contra zika consegue bons resultados em camundongos


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Uma nova vacina de DNA conseguiu eficácia de 100% de imunização em camundongos contra a infecção por vírus da zika.
A cepa utilizada nos experimentos foi isolada de casos da doença do Nordeste do Brasil em 2015 e foi produzida pela USP. Os resultados foram publicados pela revista “Nature”.
Os cientistas (a maioria, americanos) testaram em camundongos a nova vacina, composta por DNA recombinante – produzido em laboratório com o auxílio de microrganismos – que contém as instruções para fabricação de proteínas da estrutura do vírus da zika.
Em uma vacina convencional é injetado o vírus ou pedaços dele. Ao encontrar os invasores (antígenos), o organismo produz anticorpos e mobiliza as células de defesa. O sistema imune passa a ter uma postura de prontidão contra a infecção “pra valer”.
Na vacina de DNA, a produção desses antígenos (pedaços dos invasores) é feita pelas células do organismo, como as fibras musculares. A partir daí, a resposta é semelhante à das vacinas virais.
“O problema é que pode ser difícil controlar a quantidade de antígeno ‘fabricado’ e o tempo de produção, o que pode dificultar a imunização”. Outra desvantagem é que pode surgir tolerância aos antígenos produzidos e até câncer, por causa da inserção do novo DNA no genoma
Nos ensaios, a imunização dos camundongos durou pelo menos 8 semanas e foi completa para os animais que receberam uma versão “inteira” do DNA responsável por fazer proteínas do envelope e da membrana do vírus.
Os pesquisadores afirmam que uma vacina de DNA para testes em humanos poderia ser facilmente obtida.
Os cientistas também testaram uma versão de vírus inativado (morto) da vacina. No caso, a cepa foi obtida em Porto Rico. Os camundongos obtiveram mais proteção quando vacinados pela via intramuscular, em comparação à via subcutânea.

12.609 – Com parceria com EUA, Butantan pode testar vacina contra zika em 2017


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O Instituto Butantan fechou uma parceria com o governo dos Estados Unidos e com a OMS (Organização Mundial da Saúde) para desenvolver uma vacina contra o vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. A expectativa, segundo o instituto, é que a vacina possa ser testada em humanos já no primeiro semestre de 2017.
O instituto receberá US$ 3 milhões (cerca de R$ 44,1 milhões) da Autoridade de Desenvolvimento e Pesquisa Biomédica Avançada (Barda, na sigla em inglês), órgão do Ministério da Saúde americano para as pesquisas de uma vacina da zika com o vírus inativado.
O repasse financeiro se dará por meio de acordo entre a Barda e a OMS para a expansão da capacidade de pesquisa e produção de vacinas no Brasil. De acordo com a Secretaria do Estado da Saúde, os recursos serão investidos em equipamentos e insumos para o desenvolvimento da vacina contra a doença. O acordo também prevê cooperação técnica entre os especialistas em vacinas da Barda e os pesquisadores do instituto.
Atualmente, pesquisadores do Butantan já trabalharam no processo de cultura, purificação e inativação do vírus em laboratório. Na fase atual, a instituição vai aplicar o vírus inativado em roedores. Os próximos passos envolvem testes de toxidade do produto em animais e análise de uma área industrial para a produção do imunobiológico.

MICROCEFALIA
O Ministério da Saúde divulgou novo boletim no qual o Brasil já registra 1.616 casos confirmados de bebês com microcefalia, quadro geralmente associado à ocorrência de uma má-formação no cérebro durante a gestação.
Desde outubro, quando o aumento de casos de microcefalia começou a ser investigado no país, até 18 de junho, data dos dados mais recentes disponíveis, já foram notificados 8.049 casos de bebês com suspeita da má-formação. O alerta ocorre quando o perímetro da cabeça do bebê é menor do que o esperado. Destes, 62,5% já passaram por exames para confirmar ou descartar o quadro.

INFLAMAÇÃO INTRAOCULAR
Além dos casos de microcefalia associados ao vírus, pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto publicaram a primeira descrição de uma inflamação intraocular em adultos causada pelo vírus.
Até então, acreditava-se que o vírus adquirido causasse apenas conjuntivite, que é uma inflamação da parte mais superficial do olho, e que somente a zika congênita (aquela que acomete bebês infectados na barriga da mãe) pudesse gerar lesões oculares mais graves.
Essa também é a primeira vez que o material genético do vírus foi isolado a partir de amostras de líquido de dentro do olho, o chamado humor aquoso, que fica na câmara anterior do órgão.

12.547 – “Vacina universal” contra o câncer passa pelos primeiros testes


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Cientistas alemães deram um grande passo no sentido de desenvolver a primeira “vacina universal” contra o câncer.
Os resultados de testes preliminares em humanos, junto com a pesquisa em ratos, foram publicados recentemente na revista Nature e sugerem que a nova técnica poderia ser usada para ativar o sistema imunológico de pacientes contra qualquer tipo de tumor.

Como funciona
Ao contrário das vacinas com as quais estamos familiarizados, esta seria dada aos pacientes que já têm câncer, em vez de pessoas em risco de adquiri-lo.
Ela funciona basicamente atirando minúsculos “dardos” contendo pedaços de RNA extraídos de células cancerosas do próprio paciente, convencendo o sistema imunitário do doente a lançar um ataque sobre quaisquer tumores que atravessarem seu caminho.
Manipulando o RNA dentro desses dardos, a equipe pode, em teoria, mobilizar o sistema imunitário contra qualquer tipo de câncer. É isso que torna a vacina universal.
“Essas vacinas são rápidas e baratas de produzir, e praticamente qualquer antígeno tumoral pode ser codificado por RNA”, escreveu a equipe do estudo, liderada por pesquisadores da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, na Alemanha, na revista Nature.
Imunoterapia, que envolve o uso do próprio sistema imunológico do paciente para atacar o tumor, não é nenhuma novidade. Outros pesquisadores já utilizaram essa abordagem contra diferentes tipos de câncer com bons resultados.
Porém, até agora, os pesquisadores têm usado principalmente engenharia genética, manipulando células imunológicas em laboratório e depois injetando-as de volta no paciente, o que é um processo demorado e caro.
Já a nova técnica introduz o DNA do câncer nas células imunes dentro do corpo, o que é muito menos invasivo. Isso também significa que a vacina pode ser ajustada para caçar uma gama maior de tipos de câncer.
Por que o sistema imunológico não mata naturalmente esses tipos de câncer?
Uma das razões é que as células cancerosas são semelhantes em muitos aspectos às células normais e o sistema imunológico evita atacá-las.
Isso significa que, quando você desenvolve uma “vacina”, precisa usar um antígeno – uma molécula estrangeira. Respostas imunes fortes podem ser esperadas apenas quando as células cancerígenas expressam antígenos que não são normalmente expressos em células adultas normais.
É este tipo de antígeno específico que a nova vacina é projetada para fornecer. Funciona revestindo com uma membrana de ácido gordo simples o RNA do câncer, dando-lhe uma carga ligeiramente negativa.
Uma vez que a vacina é injetada num paciente, é atraída através de carga elétrica para as células dendríticas imunes no baço, nódulos linfáticos e medula óssea.
Estas células dendríticas, em seguida, “mostram” o RNA do câncer para as células T (as que combatem a doença) do organismo, indicando que esses são os intrusos que elas precisam exterminar em massa.
Foi exatamente isso que foi visto nas primeiras pesquisas da equipe alemã com ratos. Quando injetados com a vacina, os sistemas imunitários dos animais foram capazes de combater tumores agressivos.
Claro, muitos resultados em ratos não se traduzem para os seres humanos, por isso não podemos ficar muito animados ainda.
No entanto, a equipe também já avaliou uma versão da vacina em três pacientes com melanoma. A meta era apenas testar se a vacina era segura para utilização em humanos, não verificar se ela era eficaz.
Até agora, os resultados foram promissores. Os efeitos secundários foram limitados a sintomas semelhantes aos da gripe, o que é melhor do que a maioria dos tratamentos que usam quimioterapia.
A equipe precisa esperar um ano para o acompanhamento dos resultados deste ensaio clínico de segurança. Se tudo correr bem, os pesquisadores iniciarão um ensaio clínico maior para ver se a vacina realmente funciona.
Embora ainda seja cedo, temos mais uma razão para nos sentir esperançosos sobre o futuro do tratamento do câncer.

12.099 – Mega Mitos Sobre Vacinas


VACINA

Vacinas causam autismo.
O estudo que propôs essa ligação já foi há muito desbancado pela comunidade médica e hoje é tido como uma das maiores fraudes da história da medicina. Milhares de crianças foram submetidas a testes e nenhuma ligação entre autismo e vacinas foi encontrada.

Vacinas proporcionam 100% de proteção.
As vacinas com a maior taxa de proteção chegam a cerca de 95% de efetividade, e não mais do que isso.

As crianças recebem mais vacinas do que seu sistema imunológico pode aguentar.
O sistema imunológico de uma criança é capaz de responder a cerca de 100 bilhões de antígenos ao mesmo tempo. A vacina tríplice viral, por exemplo, contém 24 antígenos.

Como a maioria das doenças evitáveis por vacinas está sumindo, as vacinas não são mais necessárias.
Graças à chamada imunidade de rebanho (entenda nas ilustrações), algumas doenças necessitam de um nível de vacinação alto para que não se espalhem. O sarampo, por exemplo, precisa que 95% da população seja imunizada para que não se propague.

Vacinas enfraquecem o sistema imunológico.
As vacinas são desenvolvidas para fortalecer o sistema imunológico, e não o contrário.

Vacinas são 100% seguras.
Nada na medicina é 100% seguro. Até o mais inofensivo dos medicamentos pode causar efeitos colaterais. A maior parte deles, no caso das vacinas, são brandos. Mas isso não é regra.
A imunidade conferida pela contração da doença é melhor do que a imunidade vacinal.
Apesar da imunidade conferida pela doença ser, de fato, mais “potente”, os riscos que se corre contraindo-a são bem maiores que os possíveis riscos de uma vacina.

11.642 – Vacina contra Ebola tem êxito em teste e pode acabar com surto


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Uma vacina contra o ebola se mostrou 100% bem-sucedida em testes conduzidos durante a epidemia na Guiné. É provável que ela leve a epidemia no oeste africano a um fim, dizem especialistas.
Os resultados dos testes, feitos em mais de 4.000 pessoas, são notórios por causa da velocidade sem precedentes com que o desenvolvimento da vacina foi conduzido.
Normalmente, o processo leva mais de uma década. Desta vez, foi apenas um ano.
“Tendo visto os efeitos devastadores do ebola em comunidades e até mesmo em países inteiros, eu estou muito encorajado pela notícia que damos hoje”, disse Børge Brende, ministro do exterior da Noruega, que ajudou a financiar as pesquisas.
Por conta da redução do número de casos de ebola no oeste africano e a natureza transitória da epidemia, com muitos pequenos surtos, os pesquisadores resolveram testar um novo tipo de desenho experimental.
O usual seria pegar a população em risco de contrair a doença, vacinar metade e dar placebo (injeção sem princípio ativo) para a outra metade. No entanto, os pesquisadores usaram um design em “anel”, similar ao que ajudou a provar que vacina contra a varíola funciona, na década de 1970.
Quando o ebola surgia em um povoado, pesquisadores vacinavam todos as pessoas próximas da pessoa doente, como parentes, amigos e vizinhos –se assim quisessem.
Crianças, adolescentes e mulheres grávidas foram excluídos por conta da falta de dados de segurança.
Para testar quão bem a vacina protegeu as pessoas, os grupos recebiam a dose aleatoriamente, imediatamente após a confirmação do caso de ebola ou após três semanas.
Entre as 2.014 pessoas vacinadas imediatamente, não houve casos de ebola por dez dias após a vacinação –permitindo que a imunidade se desenvolvesse.
O estudo foi financiado majoritariamente pela Organização Mundial da Saúde e reuniu cientistas de diversos países. Os resultados foram publicados nesta sexta pela renomada revista científica “The Lancet”. A vacina pertence à farmacêutica Merck.
Os dados dos testes agora vão para agências regulatórias nacionais. Ainda não se sabe o custo exato por dose. É provável que a injeção seja aplicada apenas em pessoas em situação de risco, não na população toda.
Os ensaios vão continuar, mas sem randomização, o que significa que na Guiné, onde houve 3.781 casos e 2.521 mortes, todas as pessoas que têm contato com alguém infectado (e os contatos delas) poderão receber a vacina, se quiserem. Um trabalho feito no Gabão estabeleceu que a vacina é segura para crianças e adolescentes e a ela também será oferecida para esse público.
A vacina, chamada “rVSV-ZEBOV”, foi originalmente desenvolvida pela Agência de Saúde Pública do Canadá, antes de ser vendida para a Merck, antes dos testes.
Foi usado como base um vírus que causa uma doença chamada estomatite vesicular. Esse vírus possui uma proteína “copiada” de uma linhagem do ebola conhecida como Zaire
O vírus produz no organismo uma resposta rápida rápida e passageira, provocando a produção de anticorpos, que aumentam a imunidade do organismo
A eficácia da injeção (dose única) é estimada entre 75% e 100%
Até então não há vacinas aprovadas por agências regulatórias.

11.519 – Imunologia – Vacina anti-rábica vai ser modernizada


Instituto Pasteur de SP. Instituição científica fundada na França no século 19, pioneira no combate à raiva, hoje dedica-se  principalmente ao desenvolvimento de uma vacina contra o HIV
Instituto Pasteur de SP. Instituição científica fundada na França no século 19, pioneira no combate à raiva, hoje dedica-se principalmente ao desenvolvimento de uma vacina contra o HIV

Ela é preparada injetando vírus da raiva em células do cérebro de um camundongo recém-nascido. Os vírus se reproduzem até ocuparem 0,01% do cérebro e aí a mistura é injetada no paciente. Mas se uma única dose for aplicada, a quantidade de vírus não será suficiente para estimular o sistema imunológico a produzir os anticorpos. Se forem aplicadas várias doses de uma só vez, a vítima pode até morrer porque o volume de impurezas nas células de cérebro de rato é grande. Por isso, o remédio é dividido em catorze porções, que não podem ser ministradas todas no mesmo lugar porque a região ficaria ferida. Por isso, são aplicadas em várias partes do abdome, que é amplo e absorve bem o medicamento.
Há cinco anos, o Instituto Pasteur, na França, conseguiu um método de purificar a vacina, eliminando as impurezas. Com isso, ela pode ser usada em uma dose única. No Brasil, a novidade está nas mãos do Instituto Butantan, em São Paulo.

11.435 – Vacina contra cancer de pulmão já existe e é de graça


VACINA
Uma vacina contra o câncer de pulmão, desenvolvida em Cuba, pode representar um novo passo na derrubada do embarco comercial imposto pelos Estados Unidos aos cubanos há 55 anos. O medicamento, chamado Cimavax, foi desenvolvido em 2011, ao custo de US$ 1 cada dose, mas o governo cubano disponibiliza a vacina gratuitamente. Agora, em 2015, outros países mostram interesse na vacina, entre eles os Estados Unidos.
O Centro de Imunologia Molecular, em Cuba, concluiu acordos com o Instituto do Câncer Roswell Park, nos EUA, para iniciar um projeto de desenvolvimento de uma vacina contra o câncer de pulmão. A próxima etapa é obter a aprovação da Food and Drug Administration (FDA) para começar os testes clínicos.
O governo Obama está tentando normalizar as relações com Cuba, começando com o banimento das restrições às pesquisas e equipamentos médicos. Geralmente, vacinas contra o câncer são muito caras, mas a Cimavax é relativamente barata para produzir e armazenar. Os fortes efeitos colaterais da medicação contra o câncer não ocorrem com tanta agressividade em quem usa o Cimavax, que apresentou baixa toxicidade. Até agora, seus efeitos adversos incluíram náuseas, calafrios e febre.
O Cimavax não é uma cura para o câncer, ainda, e outros estudos serão feitos para entender exatamente os efeitos da vacina. Um estudo constatou uma tendência de melhora da sobrevida em todos os pacientes vacinados.
A vacina contém uma proteína, a EGF, que estima o crescimento de células e é encontrada naturalmente no corpo. Os tumores cancerosos podem estimular o organismo na produção desta proteína, o que faz com que o tumor cresça e se multiplique de forma incontrolável. A vacina, com EGF, entre outros compostos, estimula o sistema de defesa do corpo para a produção de anticorpos que inibem os efeitos do EGF. Isso impede que os tumores fiquem maiores, mas não é possível atacá-los. Ou seja, o Cimavax inibe o seu crescimento e a metástase, dando mais esperanças ao tratamento da doença.

11.399 – Mega Memória – Edgard Jenner descobre a vacina contra a varíola em – 14-05-1796


Eduard Jenner,o descobridor da Vacina
Eduard Jenner,o descobridor da Vacina

Nascido em 17 de maio de 1749 em Berkeley, condado de Gloucester, Inglaterra e falecido em 26 de janeiro de 1823 na localidade de Berkeley (Estados Unidos). Foi um famoso pesquisador, médico e poeta, que ainda descobriu a vacina antivariólica em 14 de maio de 1796, para combater a varíola, doença que tinha se convertido em uma terrível epidemia atacando vários continentes. No século XVIII, a varíola era uma das doenças epidêmicas com maior índice de mortalidade. O único tratamento conhecido na época era de natureza preventiva, e consistia em inocular (introduzir uma substância no organismo) um sujeito sadio com matéria infectada procedente de um paciente acometido de um ataque leve de varíola. Tal princípio se baseava na evidência empírica de que um indivíduo que tivesse superado a doença não voltaria a contraí-la. Contudo, a pessoa inoculada nem sempre desenvolvia uma versão leve da doença e geralmente falecia; além disso, podia agir como foco de infecção para os que a rodeavam.

11.010 – Vacinas – Remédio ou Veneno?


Tal dúvida pode parecer absurda, mas não é.

Instituto Pasteur de SP. Instituição científica fundada na França no século 19, pioneira no combate à raiva, hoje dedica-se  principalmente ao desenvolvimento de uma vacina contra o HIV
Instituto Pasteur de SP. Instituição científica fundada na França no século 19, pioneira no combate à raiva, hoje dedica-se principalmente ao desenvolvimento de uma vacina contra o HIV

Grandes momentos da saga das vacinas, do pus da vaca ao DNA
1796 – Edward Jenner injeta a secreção das fístulas de uma vaca com varíola – ou seja, pus – em um menino. Semanas depois inocula a criança com varíola humana e ela não adoece. Daí o nome vacina, derivado da expressão latina materia vaccinia (“substância que vem da vaca”)

1885 – Louis Pasteur cria a vacina anti-rábica, após descobrir que a raiva ataca o sistema nervoso central de mamíferos e é transmitida pela saliva

1911 – Começa a imunização contra a febre tifóide, doença mortal causada por bactérias e caracterizada por febre alta, diarréia e alterações cutâneas

1921 – Surge a vacina BCG, contra a tuberculose. Estudo realizado na França, na década passada, sugere que, em crianças, ela é pouco eficaz na prevenção da tuberculose, mas funciona bem contra meningite tuberculosa

1925 – A difteria e o tétano ganham suas vacinas. Na época, a difteria matava anualmente milhares de crianças entre 1 e 4 anos de idade, devido à obstrução da laringe e da traquéia

1926 – Adotada nos Estados Unidos a vacina contra coqueluche, doença que provoca tosse convulsiva em crianças. Até hoje é o maior alvo da polêmica, por causa de seus fortes efeitos colaterais

1935 – A vacina contra febre amarela, doença típica de áreas silvestres, é introduzida nos Estados Unidos. Sete anos depois passa a ser usada no Brasil, então um dos grandes focos do mal

1955 – Inventada a vacina injetável contra a poliomielite, produzida com vírus inativos. Sua eficácia ficou aquém das expectativas dos cientistas

1960 – Após 30 anos de pesquisas, o polonês naturalizado americano Albert Sabin fabrica uma vacina com vírus vivos da pólio, a famosa gotinha que ajudou a erradicar a doença das Américas

1964 – A primeira geração de vacinas contra sarampo é produzida. De 1967 a 1970, o preventivo ajudou a erradicar o sarampo em Gâmbia, na África. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a doença voltou dois anos depois devido à suspensão da vacinação

1970 – Surge a vacina contra rubéola, mal que ataca principalmente crianças. Em mulheres grávidas pode provocar malformação do bebê

1981 – A vacina contra hepatite B é fabricada com a nova técnica de proteínas recombinantes – genes do vírus são mergulhados em culturas de células, que passam a produzir antígenos. Inoculados no organismo, eles estimulam a produção de anticorpos

1993 – Começam os testes, em ratos, das primeiras vacinas gênicas (ou de DNA), contra Influenza tipo B, malária e Aids. A meta é chegar à vacina polivalente, de dose única e ação permanente, com a transferência de genes de agentes patológicos para células do homem

1999 – Têm início os testes de vacinas de DNA em humanos. No Brasil, o experimento é feito com a vacina contra Haemophilus influenza (gripe)
Antídoto controverso
Empregada no país há quase 60 anos, a vacina contra a febre amarela assusta por seus fortes efeitos colaterais
O hábito de vacinar populações no Brasil começou com uma enorme confusão – a chamada “guerra da vacina”. Em 1904, assustados com o boato de que a injeção transmitia sífilis, milhares de cariocas montaram barricadas nas ruas do Rio de Janeiro para evitar a vacinação obrigatória contra a varíola. A casa do bacteriologista Oswaldo Cruz, que dirigia o programa sanitário, chegou a ser alvo de tiros e, temendo o agravamento dos protestos, o governo recuou. Desde então, nenhum outro fato grave tinha abalado as campanhas de imunização no país até dezembro de 1999. Naquele mês, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) anunciou a morte da menina Andrielly Lacerda dos Santos, de 5 anos, em Goiânia, vítima de febre amarela causada pela própria vacina contra a doença.
Foi o primeiro caso no mundo, informou a Funasa. Não seria, contudo, o único transtorno recente envolvendo a vacina, obrigatória em áreas silvestres do Norte e do Centro-Oeste. Em janeiro do ano passado, Anizete Alves de Lima, de 28 anos, morreu em São Desidério, na Bahia, cinco dias após ser vacinada. Ela apresentava todos os sintomas da febre amarela. E, em 27 de fevereiro, outra jovem, Katy Cristina Ramos, de 22 anos, também faleceu em Campinas, no interior paulista, devido a insuficiência hepática e respiratória surgida no dia seguinte à vacinação. Oficialmente, só a morte da menina goiana foi associada à vacina, com base em laudo do Instituto Adolpho Lutz, de São Paulo.
Na região de Campinas, outro fato chamou a atenção do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo na mesma época: o aumento desproporcional de casos de meningite viral após a vacinação de dois milhões de pessoas contra a febre amarela. Foram contabilizados 403 casos em dois meses. Desde 1942, há registros estatísticos que sugerem a relação entre a vacina e surtos de meningite no Brasil.
Frase
“Vacinar é adoecer, só que brandamente, sob controle médico”
A vacina do futuro
Em testes desde 1993, as vacinas gênicas inoculam na célula humana parte dos códigos genéticos de vírus e bactérias
O pedaço do DNA do micróbio responsável pela produção da toxina causadora da doença é identificado e isolado
O conjunto de genes é transferido para um plasmídeo (molécula do DNA de uma bactéria) que vai funcionar como veículo de transporte
O plasmídeo é injetado em uma célula dentrítica da pele. Ao cair na corrente sangüínea, ela acabará se alojando em algum gânglio linfático ou nervoso
A célula enxertada passa então a produzir a toxina própria do micróbio e o sistema de defesa do indivíduo responde gerando anticorpos que protegerão o organismo da doença
Os antivacinistas afirmam que as vacinas começaram a ser usadas quando as principais doenças infecciosas já estavam em declínio, vencidas pelas defesas naturais do organismo. Ou seja: a erradicação das doenças seria resultado de fatores como a redução da pobreza, a melhoria da alimentação e das condições de higiene e de saneamento a partir da segunda metade do século XIX. Não seria conseqüência direta da vacinação. Nos Estados Unidos, afirma Harold, o índice de mortes provocadas pelo sarampo declinou 95% entre 1915 e 1958. A vacina contra a doença só foi criada em 1964. O mesmo se deu com a coqueluche na Inglaterra, cuja incidência diminuiu 82% de 1900 a 1935. Antes do início da imunização em massa naquele país, que só foi acontecer na década de 40.
A polêmica sobre as vacinas deriva de um conflito conceitual na área médica que marcou o século XIX e agora ressurge, impulsionado por novas descobertas e pelo avanço da medicina holística. São célebres os debates travados entre Louis Pasteur e Claude Bernard naquela época. Pasteur, pioneiro no estudo dos microorganismos, formulou a teoria segundo a qual cada doença possui uma causa única, um vírus ou bactéria que invade o organismo e ali produz um tipo específico de devastação. Para Bernard, a causa estava em elementos ambientais, externos e internos, e a doença não passava de uma perda de equilíbrio do organismo provocada por muitos fatores. Vem daí a noção do corpo como um “terreno” onde os microorganismos podem ou não agir de forma nociva, dependendo das condições que encontram ali. O que chamamos de doença seria mero sintoma de um mal subjacente e sistêmico, um sinal do esforço do próprio organismo para reequilibrar-se.
Pasteur ganhou a parada. Além de cientista notável, o químico francês era também um polemista habilidoso que soube aproveitar a eclosão de várias epidemias, na época, para demonstrar a lógica de seu conceito de causação específica. A partir daí, todo um modelo biomédico centrado na microbiologia e, mais recentemente, na biologia molecular, deu base aos procedimentos médicos modernos – inclusive às vacinações em massa. No livro O Ponto de Mutação, no qual discute, entre outros temas, o atual modelo médico, o físico americano Fritjof Capra afirma que, mais tarde, Pasteur reconheceu a importância do “terreno” para as enfermidades, tendo ressaltado a influência dos fatores ambientais e dos estados mentais na resistência às infecções. O químico, porém, segundo Capra, não teve tempo para empreender novas pesquisas e seus seguidores persistiram na trilha original.
Os holísticos e os antivacinistas respondem em uníssono quando a pergunta é o que fazer para evitar doenças sem vacinas: cuidar bem do “terreno”. Ou seja, manter as condições que garantiriam o bom funcionamento do sistema de defesa do organismo. Além de alimentação adequada, compõe a receita a exigência de praticar exercícios, dormir bem e evitar hábitos agressivos à saúde (álcool, fumo, drogas), a poluição ambiental e as situações estressantes. Não é fácil, mas vem crescendo o número de pessoas interessadas num caminho que evoca uma melhor qualidade de vida. A dúvida é se isso basta.
Quem vencerá o debate do século XXI – Pasteur ou Bernard? Numa época agraciada com recursos de tecnologia impensáveis há 120 anos pode-se imaginar que ficou mais fácil dirimir velhas incertezas. Ao que tudo indica, no entanto, isso não acontecerá logo. A complexidade e os muitos interesses que envolvem a questão prometem gerar mais perguntas e farpas antes que se chegue a algum consenso.

10.177 – Imunologia – Superdosagem de vacinas


Neste artigo veremos que através do trabalho de pesquisa e dedicação de cientistas, virologistas, pesquisadores científicos, e estudiosos, podemos contar atualmente com um benefício de imunização da raça humana e animal, através das vacinas; desde que observados os prazos de aplicação entre doses, resguardo, quantidade do produto inoculado, enfim, seguir orientações médicas pós aplicação, para cada tipo de patologia à ser evitada.
No entanto, podemos observar que o uso indevido e inadequado, desse tipo de “medicação” sem cumprir-se as orientações médicas ou sem observar-se pontos como: precauções contra a fadiga, exercícios muito intensos, estresse, ou o exagero nas doses (no caso identificado aqui, como superdosagem das mesmas), poderão causar em muitos casos efeitos desagradáveis, indesejáveis e às vezes até podendo levar ao surgimento de sequelas ou até à morte.
Partimos então, do princípio da composição das vacinas, que são formuladas à partir de determinado vírus que pode estar morto ou atenuado. A vacina sendo aplicada, tem como resposta esperada a estimulação do sistema imunológico do ser que a receberá. Tal estimulação levará então ao desenvolvimento de anticorpos, (de acordo com a vacina), contra o vírus ou bactéria ao qual foi direcionada a estimulação, resultando imunidade às doenças que são causadas por esses agentes. Porém, podemos verificar que às vezes a própria vacina poderá levar à pessoa à desenvolver doença natural, fenômeno conhecido como reversão da patogenicidade.
Muitas vacinas, aparentemente inofensivas, por causa da forma de administração oral, em gotas, como por exemplo a vacina da poliomielite, poderão causar vários efeitos indesejáveis e desconfortáveis caso o protocolo de vacinação não seja seguido, inclusive quanto à quantidade de “gotas” aplicadas, o que consequentemente acabará comprometendo a saúde do indivíduo, ocasionando efeitos colaterais de maior ou menor gravidade, alterando o sistema imunológico, até o ponto de desenvolverem-se anomalias.
Devemos compreender que a quantidade de determinado agente viral ou bacteriano foi determinada à partir de várias pesquisas, estudando-se a sua virulência, comportamento nos organismos receptores, enfim, estudos foram aperfeiçoando-se até chegar-se à uma dosagem controlada e confiável, apenas para desenvolver-se a imunidade e não a doença.
Sendo assim, no caso de superdosagem, seja por qual motivo for: falta de orientação, irresponsabilidade de técnicos desinformados ou negligentes, ou mesmo, o próprio indivíduo que sente-se mais seguro e recebe a mesma vacina mais de uma vez, ou recebe outra dose antes do prazo estipulado , acarretará respostas. Os efeitos colaterais virão de acordo com o agente que foi inoculado. Podemos identificar entre eles, de uma forma geral: vômitos, tremores, letargia, amnésia, fadiga muscular, enxaqueca, inconsciência, febre, dor de cabeça, enrijecimento muscular, intoxicação, choque anafilático, e em alguns casos mais graves poderá ocasionar problemas neurológicos ou até a morte.
Podemos observar ainda, casos de “superdosagem” de vacinas em animais. Neste caso, as reações adversas podem apresentar-se de forma diferenciada, porém não menos importante, porque no caso trata-se também de “vacinação excessiva” utilizando-se as mesmas formas de inoculação viral. Entre os efeitos colaterais mais comuns, podemos observar: coceira crônica, eliminação de secreções, doenças dermatológicas ,otites. Em alguns casos, veterinários relatam que recebem informações dos proprietários dos animais sobre modificações de comportamento dos mesmos como agressividade e medo.
Em relação aos procedimentos necessários pós superdosagens, podemos dizer que para cada vírus, há um procedimento diferente. Quando identificados os sintomas relacionados e após o exame clínico, o médico indicará o procedimento melhor indicado.
Podemos concluir, que muitos avanços já ocorreram na área de imunização, e por essa causa muitas patologias podem ser evitadas, através desses processos. No entanto, não podemos nos esquecer que tratam-se de vírus e bactérias atenuados, e por isso devem ser aplicados com orientação médica, bom senso, acompanhamento com carteira de vacinação.
Embora não existam relatos de efeitos colaterais de superdosagem para alguns tipos de vacinas, isso não quer dizer que eles não possam existir, sendo assim tanto para humanos como para animais recomenda-se sempre as doses já consideradas seguras e eficazes estudadas anteriormente.

10.105 – Vacina contra o diabetes


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Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, anunciaram um passo importante em direção à primeira vacina contra a diabetes. Os cientistas criaram um imunizante que se mostrou eficaz para controlar, em humanos, o tipo 1 da doença, que ocorre porque o sistema imunológico do próprio corpo passa a atacar as células beta, situadas no pâncreas, que fabricam a insulina. O hormônio permite a entrada, nas células, da glicose circulante na corrente sanguínea. Com menos insulina, há um acúmulo de açúcar no sangue, o que caracteriza a diabetes. O outro tipo, o 2, é resultado de alterações promovidas principalmente pela obesidade.
A vacina impediu o ataque de um tipo de célula CD8 – integrantes do sistema imunológico – às células beta (leia mais no quadro). “Estamos muito excitados com o resultado. Sugere que o sonho de interromper o ataque do sistema imunológico a células específicas pode ser realizado”, afirmou Lawrence Steinman, um dos líderes da pesquisa realizada com 80 pacientes. Os cientistas planejam expandir os experimentos para investigar a eficácia do remédio em mais indivíduos.
Interromper a destruição comandada pelo corpo é um dos objetivos perseguidos por cientistas em todo o mundo. Recentemente, a Diabetes UK, entidade inglesa de combate à doença, anunciou um ambicioso projeto de pesquisa em busca de uma vacina com esse propósito. Por essa razão, o feito dos americanos foi saudado. “Pela primeira vez temos evidência da eficácia de uma vacina em humanos. É um passo significativo em direção a um mundo sem diabete tipo 1”, afirmou Karen Addington, especialista inglesa.
Nos Eua, onde ocorreu o congresso da Associação Americana de Diabetes, anunciou-se entre os avanços a chegada de um pâncreas artificial, capaz de equilibrar os níveis de insulina no organismo. Produzido pela Medtronic, o aparelho está sob avaliação do Food and Drug Administration, órgão americano responsável pela liberação de aparelhos de saúde. “Essa tecnologia é um passo importante para a criação de um sistema de entrega de insulina mais inteligente”, disse Rich Bergenstal, investigador principal da pesquisa apresentada para a aprovação do dispositivo.
O pâncreas artificial é dotado de um sensor e um software acoplados a uma bomba de insulina e promove a liberação do hormônio de acordo com a necessidade. Dessa forma, diminui o risco de crises de hipoglicemia, um dos reveses mais comuns no controle da doença. “Alguns médicos até demoram a receitar a insulina, de tão complicado que pode ser sua aplicação”.

9882 – Medicina – Vacina contra a Hipertensão


Estudos avançam sobre o anticorpo capaz de inibir o hormônio que eleva a pressão.
Uma novidade apresentada no XVI Congresso Brasileiro de Hipertensão, promete facilitar a rotina dos hipertensos dependentes de medicação diária: a chamada vacina contra hipertensão.
As últimas descobertas apontam para a produção de um anticorpo capaz de atuar sobre a angiotensina II. O presidente e coordenador do congresso, Antonio Felipe Sanjuliani, explica que a angiotensina II é um hormônio produzido pelo organismo. “Em certas condições, ela tem a capacidade de elevar a pressão arterial e induzir à hipertensão. O anticorpo seria capaz, então, de inibir a atuação deste hormônio”.
O estudo realizado por cientistas suíços, publicado na revista especializada Lancet ainda não é conclusivo, já que foi feito com um número muito restrito de pacientes. A previsão para o uso seguro da medida terapêutica também não foi definida, segundo o especialista.
Sobre a possibilidade de a vacina substituir todas as outras formas de tratamento, Antonio Felipe é incisivo: “a vacina atuaria sobre um dos principais mecanismos responsáveis pelo aumento da pressão, mas não em todos. E certamente seu uso não descartaria a necessidade de seguir hábitos saudáveis, nem a possibilidade do uso de outros medicamentos para controlar a pressão”.
A vacina seria capaz de substituir apenas o grupo de medicamentos que atuam na mesma direção que ela. Ou seja, medicamentos que agem sobre os efeitos da angiotensina II.
Além da comprovação de sua eficácia, os estudos precisam checar a segurança da vacina. O coordenador do congresso explica que a vacina bloqueia o receptor da angiotensina II. Este, por sua vez, desempenha papel fundamental na regulação da pressão e dos líquidos corporais. “Ainda não se sabe o que o bloqueio total deste sistema poderia acarretar diante de situações de desidratação ou trauma”.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 22% da população com mais de 18 anos é hipertensa. O número representa aproximadamente 26,5 milhões de brasileiros. Já os dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão mostram que quase 300 mil pessoas morrem anualmente no Brasil por causa de doenças cardiovasculares. Mais da metade deste valor decorre da hipertensão.
O especialista conta que a pressão arterial é medida em milímetros de mercúrio. Valores iguais ou superiores a 140/90 mmHg são considerados altos. Mas Hilton faz uma ressalva: “não se sabe ao certo o que é pressão normal. O que sabemos é que, considerando uma determinada população, os riscos de infarto, morte súbita, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral são maiores quando a média da pressão excede 140/90 mmHg. Adota-se, então, este critério para rotular indivíduos hipertensos”.
Na maioria dos indivíduos, a hipertensão não apresenta sintomas. Hilton relata que alguns pacientes relacionam, de maneira equivocada, a coincidência de sintomas como dores de cabeça, sangramento pelo nariz, tontura, rubor facial e cansaço, à pressão alta. Para descobrir a existência da doença, o conselho do especialista é medi-la com regularidade e visitar o médico frequentemente.
Os medicamentos entram em cena porque nem sempre as modificações do estilo de vida são suficientes para estabilizar a pressão. “O tratamento medicamentoso reduz a mortalidade cardiovascular e previne o agravamento metabólico. Ou seja, além de abaixar a pressão arterial, os medicamentos proporcionam maior sobrevida aos pacientes”, fala o especialista da SBH.
O cardiologista informa ainda que mesmo os pacientes hipertensos que seguem algum tipo de tratamento medicamentoso apresentam mais riscos de desenvolver doenças cardiovasculares, se comparados às pessoas que não sofrem de hipertensão. Os hábitos saudáveis, portanto, são ressaltados também como medida preventiva.

9321 – Mega Cientistas – Albert Sabin


Formado em Medicina em 1931
Formado em Medicina em 1931

Ele fora dentista e descobriu uma vacina que utilizava vírus vivos da Pólio administrados por via oral, sendo 3 doses sufientes para imunizar a criança até os 9 anos e 2 quando a criança tem menos de 6 meses de idade.
Białystok, 26 de agosto de 1906 — Washington, 3 de março de 1993
Sabin nasceu em uma família de judeus, em 1906, na cidade de Białystok, então parte da Rússia (atualmente na Polônia), e imigrou em 1921 para os Estados Unidos com sua família. Sabin estudou medicina na Universidade de Nova Iorque e desenvolveu um intenso interesse em pesquisa, especialmente na área de doenças infecciosas. Em 1931, completou o doutorado em medicina. Passou uma temporada trabalhando em Londres em 1934, como representante do Conselho Americano de Pesquisas. De volta aos Estados Unidos, tornou-se pesquisador do Instituto Rockfeller de Pesquisas Médicas. Nesse instituto, demonstrou o crescimento do vírus da poliomielite em tecidos humanos.
Sabin esteve várias vezes no Brasil, acompanhando pessoalmente o combate à poliomielite, tendo se casado em 1972 com a brasileira Heloísa Sabin.
Centenas de escolas, hospitais, clínicas e instituições brasileiras levam o seu nome. O cientista recebeu do governo brasileiro, em 1967, a Grã-Cruz do Mérito Nacional.
Em 1946 Sabin tornou-se o líder de Pesquisa Pediátrica na Universidade de Cincinnati.
Publicou mais de 350 estudos, que incluem trabalhos sobre pneumonia, encefalite, câncer e dengue; foi o primeiro a isolar o vírus da dengue: o tipo I na área do mediterrâneo, durante a Segunda Guerra Mundial, e o tipo II na região do Pacífico.
Com a ameaça da pólio crescendo, após a Segunda Guerra Mundial, ele e outros pesquisadores, notadamente Jonas Salk em Pittsburgh, iniciaram a busca por uma vacina para prevenir ou amenizar a doença. A vacina de Salk, desenvolvida com vírus “inativado ou morto”, foi testada e liberada para o uso em 1955. Ela era eficaz na prevenção da maioria das complicações da pólio, mas não prevenia a infecção inicial de acontecer.
A inovação de Sabin aconteceu cerca de cinco anos depois, quando o Serviço Público de Saúde dos Estados Unidos apoiou sua vacina com vírus “vivo” para a pólio em 1961. Seu produto, preparado com o vírus atenuado da pólio, poderia ser tomada oralmente, e prevenia a contração da moléstia. Esta é a vacina que eliminou efetivamente a pólio em quase todo o mundo (exceto em alguns países na África e Ásia)
Sabin renunciou aos direitos de patente da vacina que criou, facilitando a difusão da mesma e permitindo que crianças de todo o mundo fossem imunizadas contra a poliomielite, que é mais conhecida como paralisia infantil no Brasil.
Albert Sabin morreu de ataque cardíaco, aos 86 anos, em sua casa em Washington, em 1993. No mesmo ano, foi fundado naquela cidade o Instituto Sabin de Vacinas, a fim de dar prosseguimento às pesquisas sobre vacinas e perpetuar o legado construído por ele.

9223 – Macacos recebem primeira dose de vacina anti-HIV da USP


Cientistas da Faculdade de Medicina da USP aplicaram ontem em quatro macacos resos do Instituto Butantan a primeira dose da vacina anti-HIV desenvolvida pelos dois centros de pesquisa. Resultados preliminares sobre o potencial de proteção do imunizante saem em abril.
Na fase inicial da pesquisa, os animais receberão três doses da vacina de DNA (uma a cada 15 dias). O material contém informação genética que deve fazer o organismo dos macacos produzir fragmentos do vírus. Espera-se que esses pedaços do HIV sejam capazes de preparar o sistema imune dos hospedeiros para combater infecções.
Na segunda fase do teste, prevista para março, os animais –que têm de dois a sete anos de idade– receberão um vírus de gripe modificado com pedaços do HIV, que tem a intenção de dar um impulso final na imunização.

Depois dessa etapa, se tudo der certo, um segundo teste será feito com outros 28 macacos, num regime diferente de aplicação da vacina.
“Como a restrição de idade nos deixou com um número pequeno de animais, achamos melhor fazer um primeiro teste em apenas quatro deles”, conta Edecio Cunha Neto, pesquisador da USP que liderou os trabalhos de desenvolvimento da vacina.
Os animais não serão injetados com HIV. Para saber se seu organismo produz as células e moléculas necessárias à imunização, pesquisadores vão retirar amostras de sangue dos macacos. No laboratório, o material será exposto a fragmentos do vírus que devem ativar seu sistema imune contra o parasita.
Não é possível submeter os animais vacinados a um desafio direto contra o HIV, porque ele não infecta macacos naturalmente. O grupo já produziu uma versão da vacina contra a variedade símia do vírus –o SIV–, mas o biotério do Instituto Butantan, a céu aberto, não possui o nível de segurança necessário para manipular vírus ativos.
Se algum laboratório de alta segurança se interessar, a USP diz que está disposta a fazer um estudo em colaboração. “Para nós, por enquanto, vai ser suficiente saber que a vacina induz uma resposta potente nos macacos resos”, diz Cunha Neto. “Antes disso, porém, nós já poderíamos fazer testes de segurança em humanos.”
Antes do início dos testes, o macacário do Butantan recebeu reforço de segurança, com câmeras de monitoramento por vídeo 24 horas, entradas reforçadas, e aumento nos turnos de vigilância. O instituto quer evitar que ativistas contra testes em animais invadam o local e prejudiquem os trabalhos.

9185 – Medicina -Proteína de lagarta age contra vírus do sarampo e H1N1


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Pesquisa FAPESP

Mais da metade de todas as espécies animais conhecidas são insetos. Mas como espécies com um sistema imune tão pouco desenvolvido – principalmente se comparado aos mamíferos – evoluíram ao longo de 350 milhões de anos e sobrevivem hoje nos mais diversos ambientes do planeta, até nos mais hostis?

Estudos indicam que o segredo está em substâncias presentes na hemolinfa, o fluido que exerce a função de sangue nos insetos. Trata-se, no geral, de substâncias que, nesses animais, têm a capacidade de combater vírus, bactérias e fungos. Tem, portanto, potencial para reduzir a ação dos microrganismos em humanos. Conhecer essas substâncias e seu mecanismo de ação é um grande passo para o desenvolvimento de medicamentos.
Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, têm identificado substâncias promissoras em lagartas. “Há muito se produz substâncias antivirais originárias de organismos e produtos animais ou vegetais, como ouriço-do-mar e própolis. Mas pouco se investiga em insetos, e menos ainda em lagartas”, disse à Agência FAPESP o virologista Ronaldo Zucatelli Mendonça, responsável pela pesquisa “Bioprospecção de proteínas de interesse farmacológico e biotecnológico na hemolinfa de lagartas da família Megalopygidae”, que conta com apoio da FAPESP.
A equipe de Mendonça encontrou substâncias de alta potência antiviral em lagartas da família Megalopygidae. “Ainda não sabemos exatamente a composição química dessa substância”, disse. “No entanto, ela já demonstrou ter ação inequívoca: tornou 2 mil vezes menor a replicação do picornavírus (parente do vírus da poliomielite) e 750 vezes menor a do vírus do sarampo, além de ter neutralizado o vírus da influenza H1N1.”
Segundo o coordenador da pesquisa, esses dados são preliminares. “Até a conclusão do trabalho, podemos chegar a uma redução ainda maior”, disse.
O estudo com a Megalopygidae dá sequência a uma pesquisa anterior, na qual a equipe isolou e purificou uma proteína em outra lagarta, da família Saturniidae, a Lonomia obliqua.
A proteína encontrada na Lonomia tornou a replicação do vírus da herpes 1 milhão de vezes menor e a replicação do vírus da rubéola, 10 mil vezes menor. O trabalho foi publicado na revista Antiviral Research, em 2012.
As duas pesquisas, sobre a Lonomia e sobre as lagartas da família Megalopygidae, têm foco em substâncias que apresentam duas propriedades específicas: ação apoptótica e antiviral. A primeira promove a apoptose (morte celular programada ou desencadeada para eliminar de forma rápida células desnecessárias ou danificadas), um processo importante no mecanismo para controle do câncer. O foco atual da pesquisa com as lagartas Megalopygidae é sua ação antiviral.
As proteínas em estudo são produzidas pela tecnologia de DNA recombinante. O gene codificador da proteína é extraído da hemolinfa, clonado em um baculovírus (vírus que ataca insetos). Depois, é replicado em células de insetos, que, por sua vez, produzem as proteínas de defesa (as chamadas proteínas recombinantes) em grande quantidade.

“A principal vantagem em produzir a proteína recombinante é que isso torna possível a extração da substância de maneira mais simples e em maior escala”, comentou Mendonça. “Antes de chegar à indústria, porém, é preciso verificar sua ação em organismos, em testes in vivo, e avaliar sua viabilidade econômica”.
As lagartas estudadas pela equipe estão entre as taturanas urticantes que fazem mal ao homem. Suas cerdas liberam veneno capaz de levar à morte. A escolha delas para as duas pesquisas se deveu ao acúmulo de centenas de carcaças desses insetos no Instituto Butantan, que sobram depois da retirada do veneno para a produção de soro contra queimaduras. É dessas carcaças que é retirada a hemolinfa, de onde se extrai o gene codificante das substâncias de defesa.
A família Megalopygidae engloba mais de 200 espécies, entre elas a Megalopyge lanata e a Megalopyge albicollis.
Os estudos com a Lonomia e com as lagartas da família Megalopygidae constituem uma porta para outras pesquisas de grande relevância. “O Brasil tem uma megabiodiversidade em insetos. E todos podem ter substâncias desse tipo, de ação até maior do que as encontradas até agora”, disse o pesquisador, que realizou três pós-doutorados com bolsa FAPESP, dois em Portugal e um no México.

8971 – ☻Mega Notícias – Vacina Anticoncepcional


O anticoncepcional do futuro será uma vacina contra o espermatozoide, que poderá ser tomada por homens e mulheres, Essa ideia de pesquisadores escoceses surgiu da observação de que há pessoas estéreis porque produzem anticorpos contra o espermatozoide. Ao menos com porquinhos-da-índia já se conseguiram resultados positivos. Os pesquisadores isolaram uma pro teína no espermatozoide dos animais, a qual, durante a fecundação, tem o papel fundamental de perfurar a membrana que envolve o óvulo.
Machos e fêmeas receberam uma injeção dessa proteína, chamada PH-20, passando a produzir anticorpos que se encaixam no espermatozoide como peças de um quebra-cabeça. Resultado: os espermatozoides não conseguem penetrar no óvulo. Portanto, os machos vacinados passaram a produzir espermatozoides incapazes de fecundar; as fêmeas vacinadas, por sua vez, têm anticorpos que bloqueiam os espermatozoides, unindo-se à PH-20. A vacina anticoncepcional parece reversível, pois os bichos voltaram a ser férteis num prazo de seis a quinze meses. Os pesquisadores procuram, agora, o equivalente da proteína PH-20 no espermatozoide humano.