13.538 – Oftalmologia – Uma lente pode evitar o transplante de córnea


oftalmologia
O segredo é uma pequena peça, feita de material acrílico, que é implantada nos olhos do paciente. Ela funciona como uma espécie de filtro e é muito mais simples do que o transplante de córneas.
“Já foram realizadas 52 cirurgias com acompanhamento de mais de três anos e, além daqui, essa cirurgia já foi realizada em alguns países, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Itália, na Argentina, nos Emirados Árabes e na Austrália, e realmente vem atraindo a atenção de oftalmologistas de todo o mundo”, diz Claudio Trindade, o criador do método.

Ceratocone:
Muitos casos de Ceratocone são diagnosticados como Astigmatismo irregular (distorção da imagem causada pela alteração da curvatura normal da córnea)ou Miopia.
Ceratocone é uma doença ocular que preocupa muitos pacientes, necessitando de diagnóstico precoce para interromper sua progressão e permitir um tratamento bem-sucedido. Estima-se que a doença atinja uma em cada 20 mil pessoas no Brasil e faz com que a córnea adquira formato cônico e irregular, resultando em visão distorcida, mas não se preocupe, ceratocone tem cura .
O tratamento do ceratocone visa sempre proporcionar uma boa visão ao paciente, bem como garantir seu conforto na utilização dos recursos que serão empregados e principalmente preservar a saúde da córnea. As alternativas de tratamento de modo geral são avaliadas nesta ordem: óculos, lentes de contato, e cirurgias.
O acompanhamento constante da doença é importante, pois o Ceratocone é uma doença progressiva. Tanto o diagnóstico da doença como a verificação de sua progressão dependem de exames especiais, destacando-se a topografia da córnea (estudo da superfície), tomografia de córnea (estudo 3D), acuidade visual e refração (avaliação da óptica ocular).
A primeira opção que o paciente recebe é a prescrição de óculos, na maior parte das vezes em casos iniciais da doença, quando o astigmatismo irregular ainda é baixo e é possível obter uma boa acuidade visual (visão). Quando há um avanço da doença, na maior parte das vezes, a acuidade visual (visão) satisfatória não corresponde a qualidade visual, ou seja, o paciente pode ler as letras na Tabela de Snellen (tabela utilizada para verificação da visão do paciente na consulta médica com Oftalmologista) mas a qualidade da imagem não é precisa.
A partir do momento em que os óculos não conseguem fornecer uma visão satisfatória, a lente de contato é a próxima alternativa. Em determinados casos, as lentes gelatinosas para a correção do Ceratocone possibilitam adaptação perfeita. Em outros, os pacientes adaptam-se melhor com as lentes rígidas gás permeável ou lentes esclerais e semi-esclerais.

A adaptação de lentes de contato no Ceratocone deve ser feita por médicos oftalmologistas experientes que possam dar o devido acompanhamento e orientação ao paciente. Com isso proporcionando a melhor visão possível, principalmente assegurando a saúde fisiológica da córnea do paciente.

As lentes de contato podem retardar ou estabilizar a progressão da ectasia?

Infelizmente não! Pois mesmo representando uma forma eficaz de melhora da visão
Uma lente mal adaptada ou de má qualidade pode causar erosão de córnea, ceratite, hidropsia seguida de leucoma, edema de córnea e infecções oculares.

Quando a cirurgia do Ceratonone está indicada?
O tratamento cirúrgico do Ceratonone está classicamente indicado com o objetivo de melhorar a visão e permitir reabilitação visual e para estabilizar a progressão da doença.

 

Quais procedimentos cirúrgicos podem ser indicados para casos de ceratocone?
O tratamento cirúrgico era exclusivamente o Transplante de Córnea até meados dos anos 1990. Entretanto, há cirurgias alternativas que podem ser indicadas para o ceratocone com diferentes objetivos em diferentes fases da doença

 

13.428 – Cientista cria retina artificial à base d’água


A ideia básica desse tipo de implante é usar uma câmera para gerar sinais elétricos que o cérebro é capaz de interpretar da mesma maneira que lê o mundo a partir da sua retina. Ou seja: fazer pessoas com doenças genéticas degenerativas como a retinite pigmentosa voltarem a enxergar com olhos literalmente biônicos.
O problema é que instalar uma pequena máquina fotográfica dentro de alguém ainda é, por razões óbvias, um procedimento muito invasivo, com grandes chances de rejeição por parte do paciente. É por isso que a química Vanessa Restrepo-Schild, da Universidade de Oxford, criou uma retina sintética feita com um material maleável e muito similar ao real – um avanço inédito nas pesquisas com implantes eletrônicos.
“O olho humano é incrivelmente sensível, por isso, corpos estranhos como implantes metálicos na retina podem ser muito danosos, causando inflamações e ferimentos”, explicou Restrepo-Schild à assessoria de Oxford. “Um implante biológico sintético, por outro lado, é macio e solúvel em água, então é muito mais amigável no ambiente do interior do olho.”
Segundo a cientista, é preciso acabar com o imaginário popular que está por trás de seres humanos biônicos: pessoas de aparência metálica, robótica. “Eu quero pegar os princípios que estão por trás de funções vitais do nosso corpo, como a audição, o tato e a habilidade de detectar luz, e replicá-los no laboratório usando componentes naturais. Eu espero que minha pesquisa seja o primeiro passo em uma jornada para produzir tecnologia que seja macia e biodegradável em vez de rígida e descartável.”

13.427 – Medicina Milagrosa?


medicina_milagrosa-bioengenharia-
A implantação de equipamentos no organismo começou em 1957, com o marcapasso, aparelhinho que se vale de impulsos elétricos para regular o batimento do coração. Quarenta anos depois, a convergência entre a informática e as neurociências já permite vislumbrar um objetivo muito mais ambicioso. Pesquisadores das principais universidades do mundo estão perto de uma solução que tornará realidade a fantasia de criar o homem biônico. A meta é descobrir um elo entre os circuitos eletrônicos dos microprocessadores e os circuitos orgânicos que compõem o sistema nervoso.

A partir daí, será possível instalar no organismo humano miniaturas de computador que funcionarão como peças de reposição. Chips enviarão ao cérebro as informações para que um cego volte a enxergar. No sentido oposto, transmitirão às pernas de um paralítico os comandos que regem os movimentos.

O sucesso em próteses mais simples, como os aparelhos de surdez de última geração, mostram que a idéia é viável. As experiências prosseguem em ritmo acelerado, com a promessa de novidades milagrosas para a virada do século. Confira nas próximas páginas.

Eu sou você amanhã
Graças aos avanços da informática, os órgãos e tecidos bioartificiais já deixaram de ser um sonho. Veja, abaixo, algumas das novidades que a Medicina promete para você nos próximos anos.

A cura da cegueira

Microcâmera converte as imagens em raios laser, enviados a chips instalados na retina. De lá, as imagens vão para o nervo óptico e, através dele, ao cérebro (veja a página ao lado).

Fígado de emergência

O órgão já é substituído por uma máquina (enorme) em casos de hepatite superaguda. O que se procura é uma versão portátil do aparelho.

Sangue artificial

Com a hemoglobina artificial, as transfusões ficam 100% seguras e acaba-se o problema da falta de doadores (veja página 26).

Chips na cuca

Implantes de células artificiais no cérebro eliminarão muitas doenças e ampliarão o tempo de vida.

Próteses ultrasensíveis

Novos materiais, como o plástico biológico, permitem a fabricação de aparelhos ortopédicos sofisticados, que chegam a reproduzir sensações táteis.

Ouvindo tudo

Em certos casos, já é possível voltar a ouvir, graças a um transmissor que estimula o nervo auditivo por meio de sinais magnéticos.

O fim das cáries

Pesquisadores buscam uma resina para envolver as partes mais vulneráveis dos dentes, protegendo-os do ataque das bactérias.

Bate, coração

Uma prótese substitui o coração doente e reproduz todas as funções do músculo normal. Com autonomia total, o paciente pode sair andando por aí (veja página 24).

Pele cultivada

Em laboratório, pode-se produzir 1 metro quadrado de pele para cada 2 centímetros quadrados do tecido natural (veja página 24).

No lugar dos olhos, câmera, laser e chips

No filme Até o Fim do Mundo, do alemão Wim Wenders, o protagonista procura incansavelmente um meio de fazer com que sua mulher, cega, consiga enxergar o mundo, com suas formas e cores. Ele inventa uma câmera especial que envia direto para o cérebro, através de eletrodos, imagens de vídeo previamente gravadas. E o aparelho funciona.

eu vc

Em 1991, quando o filme foi lançado, o tema estava restrito ao universo da ficção científica. Seis anos depois, pesquisadores de vários países travam uma corrida para inventar a prótese ocular que devolverá a visão aos cegos. Uma microcâmera de vídeo, parecida com a imaginada por Wenders, já foi desenvolvida nos Estados Unidos, num projeto conjunto das universidades de Harvard e Johns Hopkins. Com uma vantagem: ela transmite em tempo real, sem necessidade de gravação.

Resta o desafio de levar as imagens ao cérebro. O projeto mais promissor, até agora, é o do alemão Rolf Eckmiller, titular da cadeira de neuroinformática da Universidade de Bonn. Ele inventou uma retina artificial, com eletrodos ligados ao nervo óptico (veja infográfico). Esses eletrodos captam imagens transmitidas por uma microcâmera, com raios laser, e convertidas em impulsos elétricos que estimulam o nervo óptico. A imagem será semelhante à que você tem quando examina o negativo de uma foto. A retina biônica já está sendo testada em camundongos, com bons resultados.

A retina artificial
O projeto do cientista alemão Rolf Eckmiller visa devolver a visão nos casos de cegueira em conseqüência da morte das células da retina.

1. Uma microcâmera, instalada nos óculos, capta as imagens.

2. Emissores de raios laser, atrás das lentes, enviam as imagens para um chip implantado na retina inutilizada.

3. Eletrodos embutidos no chip convertem as informações recebidas via laser em impulsos elétricos, que estimulam o nervo óptico, na parte de trás do olho.

4. O nervo óptico transmite esses impulsos ao cérebro, onde a imagem é reconstituída.

O coração portátil não desafina

O que os médicos chamam hoje de coração artificial nada tem de parecido com o músculo de verdade. Trata-se de uma máquina, situada fora do corpo, que reproduz as funções cardíacas de pacientes à espera de um transplante. Mais de vinte projetos diferentes buscam superar essa limitação. O modelo de coração artificial mais conhecido é o Jarvik, inventado nos Estados Unidos. O Jarvik já foi aplicado em centenas de pacientes, mas mantém o problema da falta de autonomia. O doente fica preso a uma cama de hospital. O primeiro aparelho portátil, o Novocor, também americano, é um progresso, mas só substitui um dos vetrículos. Além disso, depende de uma bateria instalada do lado de fora, num cinturão No ano passado, o cardiologista francês Alain Carpentier, do Hospital Broussais, em Paris, apresentou o primeiro protótipo de um coração artificial que o paciente pode instalar no peito e sair andando por aí. “Os testes em animais já estão concluídos e deram bons resultados”, anima-se o professor Carpentier. “Agora estamos fabricando um modelo para ser testado em pacientes humanos.”

Adeus, cadeira de rodas

Na maior parte dos casos, o motivo que condena os paraplégicos à cadeira de rodas é um rompimento da medula espinhal, em conseqüência de um acidente. Os nervos que levam as ordens do cérebro às pernas ficam interrompidos, provocando a paralisia. Isso não significa que estejam mortos, mas apenas inertes. Se alguém descobrir uma maneira de reativar esses nervos, os músculos poderão recuperar seus movimentos.

Para enfrentar o desafio, cientistas de vários países europeus formaram uma equipe de pesquisa, sob o comando do francês Pierre Rabischong, professor na Faculdade de Medicina de Montpellier. O projeto tem como nome a expressão bíblica “levanta-te e anda”. É uma referência à ordem de Jesus ao cadáver de Lázaro, que obedeceu.

A equipe criou um aparelho portátil que substitui o trabalho do cérebro, acionando os nervos das pernas por meio de impulsos elétricos (veja infográfico ao lado). Em fase de testes, o aparelho não visa restabelecer a marcha normal. O paraplégico ainda precisará de bengalas para se equilibrar. “O que nós podemos fazer”, explica Rabischong, “é revitalizar os músculos inativos, por meio de estímulos elétricos, para que o paciente possa caminhar da maneira mais elegante possível.” Para um paciente em cadeira de rodas, isso já será um milagre e tanto.

Levanta-te e anda!
Graças à eletrônica, os paraplégicos voltarão a caminhar.
O aparelho para reanimar as pernas dos paraplégicos, inventado pela equipe do cientista francês Pierre Rabischong, prevê os movimentos de senta-levanta, subir degraus e a marcha em diversas velocidades. Veja como ele funciona.

1. O paciente controla os movimentos das pernas por meio de botões no suporte da bengala. Esses botões ativam um transmissor de rádio.

2. Um aparelho eletrônico de 4 cm de diâmetro, implantado debaixo da pele, à altura da barriga, capta os sinais enviados pelo transmissor. Dentro dele existe um microcomputador que traduz os sinais em impulsos elétricos.

3. Esses impulsos chegam aos nervos por meio de eletrodos acoplados aos músculos e às fibras nervosas. Estimulados, os músculos voltam a funcionar.

Sangue à vontade, sem riscos

Ele é incolor e absolutamente fluido. Olhando, parece água. Mas é sangue. Ou melhor, um substituto químico do sangue chamado Oxygent. Os laboratórios da empresa americana Alliance Pharmaceutical, em San Diego, Califórnia, conseguiram produzir aquilo com que sonham, há décadas, os cirurgiões do mundo inteiro: um líquido inofensivo e durável, capaz de captar o oxigênio nos pulmões e distribuí-lo por todos os órgãos do corpo, através dos vasos capilares. Igualzinho ao sangue de verdade. Sem depender da boa vontade dos doadores. Sem risco de infecção.

“Esse produto pode substituir perfeitamente o sangue nas transfusões e nas hemorragias”, garante o biólogo Peter Keipert, chefe da equipe de pesquisa. O Oxygent é o membro caçula da família dos perfluorocarbonos, substâncias artificiais compostas por cadeias de átomos de carbono e de flúor. Inertes quimicamente, os perfluorocarbonos são um veículo excelente para o transporte de gases. Daí a sua utilidade para a produção do sangue artificial. Os ingredientes são três: perfluobromo (um perfluorocarbono que pode ser facilmente eliminado em forma gasosa, pelos pulmões), fosfolipídios (substância tensoativa que potencializa o efeito da mistura) e água (veja infográfico abaixo).

O Oxygent, que entrará no mercado até o ano 2000, chega mesmo a ter algumas vantagens em relação ao sangue de verdade. O produto se conserva mais de quatro meses à temperatura de 5 graus, contra os quarenta dias do plasma usado hoje nas transfusões. Mas não é um substituto definitivo do sangue, já que se limita a repor uma de suas funções, o transporte do oxigênio. Seu uso é recomendado por períodos limitados, durante o tempo de que o organismo necessita para reconstituir o sangue natural.

Flúor nas artérias
Conheça o sangue artificial que chegará ao mercado até o ano 2000.
1. O produto é uma emulsão composta por perfluobromo (uma mistura de flúor, carbono e bromo), água e fosfolipídios.

2. A mistura aparece na forma de microgotas cuja função é levar o oxigênio do pulmão aos vasos capilares.

3. A emulsão com as microgotas entra na circulação sanguínea por meio de um cateter, na forma de soro.

4. Mistura-se com os glóbulos vermelhos, compensando a falta da hemoglobina nas hemorragias e nas transfusões.

Respire fundo
Esqueça essa chatice de injeção. Ela fura, dói e ainda traz riscos de contaminação, quando aplicada sem os devidos cuidados. Agulhada é coisa do passado. A novidade são os remédios que podem ser inalados. “Esse é o futuro”, disse W. Leigh Thompson, consultor que se aposentou recentemente no Laboratório Eli Lilly. Já estão em fase de testes, em diversos laboratórios nos Estados Unidos, as fórmulas gasosas da insulina, da morfina e medicamentos para a osteoporose, uma doença nos ossos.

Um lance de pele
Já existem alguns tipos de pele artificial em uso atualmente e vários outros em fase de pesquisas. Eles se destinam, quase sempre, a vítimas de queimaduras. Veja como se consegue, a partir de um pedaço de pele sadia, reconstruir o tecido usando como molde uma camada de colágeno.

7 dias

A pele está se regenerando. Após uma semana, os vasos sangüíneos começam a se espalhar pelo molde de colágeno.

Remoção da membrana de silicone

Em duas semanas, os vasos sanguíneos estão plenamente formados. A membrana que protegia o colágeno já pode ser retirada.

Pedaços de pele em formação

A pele da vítima começa a renascer na superfície do colágeno, na forma de uma trama ainda irregular, como uma colcha de retalhos.

Pele regenerada.

A pele, depois que nasce, torna-se permanente.

fluor nas artterias

13.349 – Oftalmologia – Ler no escuro prejudica a visão?


ler-a-noite
“Leitura em ambientes mal iluminados pode provocar um cansaço temporário dos olhos, mas isso passa assim que a iluminação adequada é restabelecida”, diz o americano Aaron Carroll, professor de pediatria do Instituto Regenstrief, em Indianápolis, nos EUA. De acordo com Carroll, o número de pessoas com problemas de visão não era maior no passado, quando nem existia luz elétrica. “Se ler com a iluminação proporcionada por velas, tochas ou lampiões realmente provocasse danos irreversíveis, todo mundo seria praticamente cego naquela época.”
Com pouca luminosidade, nossas pupilas se dilatam para aumentar a entrada de luz, reduzindo a profundidade de foco. Por isso, quem lê no escuro faz mais esforço com os olhos. O resultado, muitas vezes, é fadiga ocular e dor de cabeça. Mas nada disso tem relação com o eventual aparecimento de ametropias (miopia, hipermetropia, astigmatismo) ou com o aumento do grau de suas lentes corretivas. Para uma leitura mais confortável em ambientes escuros, use uma fonte de luz direcional. Isso aumenta o contraste do material a ser lido e evita o cansaço dos olhos.

13.294 – Projeto biotecnológico devolve visão a cegos


olho bionico
Em uma das jornadas internacionais de estudos organizadas pela Solve for X (o laboratório de ideias da Google que promove projetos inovadores com tecnologias avançadas), a professora Yael Hanein, diretora do Centro de Nanociência, Nanotecnologia e Nanomedicina do Instituto da Universidade de Tel Aviv, apresentou o resultado do seu trabalho de 10 anos: uma retina artificial, capaz de substituir a ação dos fotorreceptores naturais dos olhos que foram danificados pela degeneração macular relacionada à idade (AMD).
A AMD consiste na degeneração progressiva, causada pela idade, da mácula (parte central da retina), e que pode afetar a capacidade visual a partir dos 50 anos. Quando um paciente sofre de AMD, seus fotorreceptores são prejudicados – e o olho perde a capacidade de receber os raios de luz e transformá-los em sinais elétricos transmitidos ao cérebro através do nervo ótico.
De acordo com Hanein, sua retina artificial substitui esses fotorreceptores por um dispositivo capaz de transferir sinais elétricos ao cérebro, emulando o processo natural. Embora ainda faltem detalhes importantes, já se comprovou que essa tecnologia funciona e é capaz de estimular e restaurar a informação visual da retina, mesmo que em um sistema essencialmente cego.

12.478 – Cientistas usam células da pele para devolver visão a pacientes pela primeira vez


oftalmologia
Cientistas japoneses relataram o primeiro transplante bem-sucedido de células da pele para o olho em humanos.
Ou seja, células-tronco derivadas da pele de uma paciente foram transplantadas para seu olho para restaurar parcialmente sua visão.
A paciente que recebeu o transplante foi uma mulher de 70 anos de idade diagnosticada com degeneração macular relacionada à idade, a principal causa de deficiência visual em pessoas idosas.
Progresso

O tratamento experimental começou em 2014 como parte de um estudo piloto. Agora, dois anos após o transplante, os cientistas decidiram compartilhar os resultados.
Eles esperaram tanto tempo a fim de monitorar o progresso da paciente e avaliar o sucesso das células modificadas.
As células transplantadas sobreviveram sem quaisquer eventos adversos durante mais de um ano, resultando em uma visão um pouco melhor para a mulher.
O procedimento

Os pesquisadores tiraram um pequeno pedaço de pele do braço da paciente (4 mm de diâmetro) e modificaram as células, reprogramando-as em células-tronco pluripotentes induzidas.
Essas células têm a capacidade de se diferenciar em quase qualquer tipo de tecido dentro do corpo. Uma vez que as células foram induzidas a tornar-se epitélio pigmentar da retina, foram cultivadas em laboratório para crescer em uma folha ultrafina, a qual foi, em seguida, transplantada atrás da retina da paciente.
Cientistas restauram visão em ratos cegos
“Estou muito satisfeito que não houve complicações com a cirurgia”, disse o principal autor da pesquisa, Masayo Takahashi, do Centro Riken de Biologia do Desenvolvimento, no Japão, em 2014.
Bons resultados

Enquanto ainda é cedo para dizer que esse procedimento experimental deve ser utilizado em larga escala, os sinais até agora são promissores.
“A folha transplantada sobreviveu bem, sem quaisquer indicações de rejeições imunes nem proliferação inesperada adversa por um ano e meio, alcançando o nosso objetivo principal deste estudo piloto”, disseram os cientistas em um comunicado para a imprensa esta semana.
Embora não tenha havido uma restauração completa da visão na paciente, o estudo mostrou um avanço significativo no uso de células-tronco pluripotentes induzidas – que os cientistas pensam que podem ser usadas para tratar uma série de doenças, como Parkinson e Alzheimer, e não apenas problemas de visão.
Mais pesquisas

Uma série de outros estudos também estão mostrando resultados positivos na restauração da visão a partir de tratamentos com células-tronco.
No início do ano, pesquisadores na China e nos EUA foram capazes de melhorar a visão de bebês com catarata através da manipulação de níveis de proteína em células-tronco.
Além disso, uma mulher da cidade americana de Baltimore cega há mais de cinco anos ganhou um pouco de sua visão de volta após células-tronco serem extraídas de sua medula óssea e injetadas nos seus olhos.
Embora muitas questões permaneçam em aberto sobre esse tratamento específico, não há como negar que a pesquisa com células-tronco é um campo muito próspero de estudo. [ScienceAlert]

12.253 – Metade do mundo vai ser míope em 2050


Você quer enxergar carros voadores no futuro? Então a recomendação é não forçar muito a vista até lá. De acordo com uma nova pesquisa, quase cinco bilhões de pessoas no planeta terão miopia até 2050.
Ainda em 2020, a estimativa é de que 2,6 bilhões de pessoas, ou 1/3 da população mundial, terão dificuldade em enxergar objetos que estão longe. Só na América do Sul, 53% dos habitantes podem desenvolver miopia até 2050.
E pior: se as previsões feitas pelo Instituto Brien Holden Vision se confirmarem, 1 bilhão de pessoas podem ser consideradas cegas nas próximas décadas.
Para realizar essas estimativas, o instituto analisou artigos sobre miopia que foram publicados em diversos países, desde 1995. O estudo levou em consideração os picos de surgimento da deficiência, o aumento da população e a urbanização de várias regiões. Não à toa, o crescimento das cidades e uso sistemático de computadores são algumas das causas para a o aumento da miopia, avalia o instituto.
Na maioria dos casos, a miopia começa aos seis anos de idade, mas pode surgir repentinamente em adultos com idades entre 20 a 40 anos. Para reverter a situação, o estudo aconselha que pais levem seus filhos regularmente a oftalmologistas, assim como o governo deve reforçar campanhas de prevenção a problemas de visão. Outra saída é diminuir o tempo em que passamos em frente ao computador, ou usar óculos o resto da vida.

12.175 – Oftalmologia – O implante de olho que poderá extinguir a cegueira do mundo


Aos cinco anos de idade, Lewis foi diagnosticada com retinite pigmentosa, uma doença que afeta os fotorreceptores da retina, impedindo a absorção da luz. Desde então, seu olho direito ficou completamente cego e seu olho esquerdo reduzido a uma visão muito limitada.
Uma vez que o nervo ótico não sofreu nenhuma lesão durante a doença, a questão passou a ser simplesmente como substituir os fotorreceptores afetados. Foi aí que surgiu uma técnica recente em desenvolvimento de uma empresa de engenharia alemã, a Retina Implant AG. Trata-se de um chip de 3×3 mm, que contém 1.600 eléctrodos, que captam a luz que entra nos olhos e ativa as células nervosas da retina, as quais enviam sinais elétricos ao cérebro através do nervo ótico.
O procedimento não foi simples: o implante do chip na parte de trás do olho ocorreu no hospital John Radcliffe, de Oxford, e durou um dia inteiro. Depois da operação, Lewis passou a ver flashes de luz. Poucas semanas depois, seu cérebro começou a dar sentido e significado a esses estímulos externos. Para regular a sensibilidade, o contraste e a frequências das imagens, a paciente conta com um dispositivo sem fio com mostradores que ela opera com as mãos.
Embora essa tecnologia ainda tenha um longo caminho a percorrer, está claro que seu propósito é melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

11.638 – Cientistas desenvolvem novo colírio que pode dissolver catarata sem cirurgia


catarata
A catarata é a causa de metade dos casos de cegueira no mundo. É possível combatê-la com cirurgias, mas o procedimento não é acessível para todos. Especialmente em países pobres, o acesso a cirurgiões-oftalmologistas pode ser bem complicado.
Para tentar solucionar o problema, um time de pesquisadores da University of California San Diego está desenvolvendo um colírio capaz de dissolver a catarata dos olhos. A descoberta foi descrita na revista Nature.
Entenda
Já se sabe que a catarata decorre de um acúmulo de proteínas desnaturadas no cristalino, que fazem a visão ficar esfumaçada. Isso pode acontecer tanto por causa da idade como por fatores genéticos.
Os pesquisadores da University of California perceberam que pacientes jovens que sofriam de catarata não produziam um hormônio chamado lanosterol, um hormônio esteroide.
Então, eles começaram a fazer alguns experimentos. Primeiro, os pesquisadores aplicaram uma solução de lanesterol em células do cristalino humano. Os resultados foram bastante positivos.
Depois, foi a vez de um grupo de treze coelhos que sofriam de catarata severa. Após seis dias de aplicação do colírio, onze coelhos apresentaram melhoras dramáticas – alguns se curaram completamente.
O último teste foi realizado em um grupo de sete cachorros, de raças mais propensas a terem catarata, como labradores e pinschers. A melhora foi igualmente significativa.
Agora, os pesquisadores vão continuar pesquisando a substância para realizar testes em humanos.

11.429 – Lentes biônicas prometem deixar a visão de qualquer pessoa 100% perfeita


Lentes-Bionicas
Uma nova invenção da medicina promete manter a visão de pacientes 100% perfeita durante o resto de suas vidas. As inovadoras lentes biônicas foram desenvolvidas pelo Dr. Garth Webb, oftalmologista da British Columbia.
Batizadas de Ocumetic Bionic Lens, as lentes biônicas dispensarão óculos e lentes de aumento e não precisarão ser substituídas como acontece hoje com as inseridas cirurgicamente, tudo isso porque as Ocumetic Bionic Lens não sofrem desgaste.
A lente biônica possui tamanho semelhante as lentes comuns existentes no mercado, no entanto, com o poder de não se desgastarem com o passar do tempo e de aumentarem a visão dos usuários. “Se normalmente se pode ver um relógio a uns 3 metros de distância, com estas lentes você poderá enxergá-lo a 9 metros”, declara Webb.
Além disso, Webb afirma que a inserção das lentes é segura, indolor e que só leva 8 minutos, corrigindo a visão do paciente de forma imediata.
O trabalho de 8 anos de pesquisas e estudos custou US$ 3 milhões para Webb, que também é diretor geral da Ocumetics Technology Corp. A apresentação das lentes biônicas foi realizada diante de 14 importantes oftalmologistas.
Devido ao processo de regulamentação das lentes em cada país, é esperado que as lentes possam chegar ao mercado em até dois anos.

11.391 – Cientistas podem encontrar a cura para a cegueira, revertendo a deterioração das células da retina


retina
Eles já conseguiram restaurar, parcialmente, a visão de ratos, em laboratório. A descoberta poderia ajudar a restaurar este problema de visão, que atinge uma a cada 300 pessoas.
A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade de Berna, na Suíça, e da Universidade de Goettingen, na Alemanha.
O tratamento é focado em algo conhecido como cegueira degenerativa progressiva, que fazem com que células sensíveis à luz, presentes nos olhos, sofram degradação. A pesquisa poderia ajudar pessoas que sofrem de uma série de condições, incluindo retinose pigmentar, degeneração macular e retinopatia diabética.
Usando um processo conhecido como optogenética – que envolve o uso de luz para controlar os neurônios – os cientistas foram capazes de restaurar as capacidades de visão dessas células. Eles fizeram isso através da introdução celular de proteínas sensíveis à luz, chamadas Opto-mGluR6, que sobrevivem na retina, mesmo quando elas degradam.
Em experimento, os ratos acometidos pela cegueira degenerativa progressiva, que já eram incapazes de enxergar, tiveram sua visão restaurada à luz do dia. A equipe acredita que é possível que os mesmos resultados sejam replicados em seres humanos.
As novas proteínas são introduzidas no olho para transformar as células velhas em fotorreceptoras, o que lhes permite processar a luz incidente. Usando vias de sinalização existentes, eles foram capazes de ativar o córtex visual do cérebro para analisar sinais visuais.
Antes do tratamento, ratos cegos foram incapazes de encontrar uma plataforma, ao serem submersos em água. Após o tratamento, eles conseguiram nadar, diretamente ao local, sem dificuldade, alguma.
“A nova terapia pode, potencialmente, restaurar a visão em pacientes que sofrem de qualquer tipo de degeneração de fotorreceptores”.

11.234 – Cientistas descobrem como adicionar visão noturna em olhos humanos


Os animais de estimação são incríveis. Entre as muitas habilidades que eles têm, que nós humanos (ainda) não temos, está a visão noturna. Imagine enxergar tudo mesmo com a ausência de luz – essencial para visão. A verdade é que é uma questão de tempo até os seres humanos adquirirem essa habilidade restrita apenas a alguns animais. E não estamos falando dos tradicionais óculos com infravermelho.
Pesquisadores bioquímicos americanos descobriram como adicionar visão noturna em olhos humanos. O que permite enxergar até 50 metros na escuridão total por várias horas. A chave é uma substância natural, sensível à luz, chamada Clorina E6 (CE6), derivada de criaturas do mar e já utilizada no tratamento de câncer. Agora foi descoberto que a CE6 também tem propriedades que podem ser úteis em tratamentos oftalmológicos.
A teoria da visão noturna está em uma patente de 2012. Segundo o documento, quando uma mistura de CE6, insulina e soro fisiológico é injetada em olhos humanos, a retina é capaz de absorver os elementos e aumentar a capacidade de visão noturna. A prática foi exercida pela equipe do Science for the Masses, que resolveu agir e enfim adicionou visão noturna em olhos humanos.
A cobaia foi Gabriel Licina. Depois de adicionarem a mistura nos olhos de Licina, tiveram que colocar uma lentes pretas para reduzir o impacto da luz. A capacidade de visão noturna aumenta de acordo com o aumento da sensibilidade à luz.
Foram injetados 50ml da substância em cada olho de Licina, que realmente adquiriu visão noturna, mas apenas por 20 dias, sem efeito colateral. Vale lembrar que esse foi apenas o primeiro teste em humanos e que ainda faltam muitos estudos sobre o assunto.

11.153 – Óptica – As Lentes de Contato


Aula de Óptica do século 15
Aula de Óptica do século 15

A ideia da lente é muito mais antiga que o produto. Em 1508, Leonardo da Vinci imaginou que uma lente corretiva aplicada diretamente na superfície do olho resolveria problemas de visão. Nascia seu conceito, que foi aperfeiçoado ao longo do tempo. Em 1632, René Descartes teve a mesma idéia. Mas só em 1887 o fabricante de peças óticas F.E. Muller e, um ano depois, o médico suíço Adolf Eugen Fick conseguiram transformar as lentes em realidade, produzindo modelos feitos de vidro. Elas, porém, não tiveram lá muita utilidade, pois machucavam o olho.
Em 1929, o oftalmologista William Feinbloom, de Nova York, fabricou uma lente mista de plástico e vidro. Era enorme e dura. No fim dos anos 40, começaram a aparecer no mercado lentes menores feitas de plástico rígido, como as do ótico americano Kevin Tuohy, em 1948.
Foi só em 1971 que a Bausch & Lomb lançou no mercado americano o primeiro modelo de lente gelatinosa, mais maleável e confortável. Já a primeira lente descartável surgiu em 1995. Apesar de todas as novidades, o bom e velho par de óculos segue soberano na preferência dos míopes e portadores de astigmatismo. Nos Estados Unidos, apenas 10% das pessoas que precisam de correção visual usam lentes de contato. No Brasil, apenas 1%.
Em 1823 o astrônomo e físico inglês Sir. John Herschel expõs a idéia de que seria possível fabricar um tipo de lente de contato cujo lado de fora, ou superfície anterior, teria o mesmo poder de refração dos olhos, enquanto o lado de dentro, ou superfície posterior, seria moldado de modo a corresponder às irregularidades da córnea, a membrana que recobre a parte colorida dos olhos, chamada íris.
Um certo August Müller, fabricante de olhos artificiais, confeccionou na Alemanha, em 1887, as primeiras lentes que realmente foram usadas. Sua finalidade, basicamente, era suprir uma deficiência resultante de uma operação: tratava-se de umedecer a córnea de um paciente que tivera as pálpebras retiradas numa cirurgia. Um ano depois, o pesquisador suíço Adolphe Eugéne Fick criou lentes cujo objetivo era a correção visual e não mais a proteção dos olhos. Por esse motivo ele é considerado o inventor da lente de contato. Suas lentes eram confeccionadas em vidro soprado, desbastado e polido, e ocupavam toda a superfície dos olhos, incluindo a córnea e a esclerótica (parte branca). Foram chamadas, por isso, lentes escleróticas.
As lentes do sr. Fick precisaram esperar o século XX para se popularizarem. O advento do plástico, na década de 30, proporcionou o grande salto. Naquela época, o plástico polimetilmetacrilato (PMMA) estava sendo desenvolvido para a fabricação de peças de avião. Por suas condições de leveza e fácil manuseio, logo foi utilizado para a confecção de lentes rígidas, também chamadas acrílicas. Em 1947, o americano Kevin Touhy lançou as primeiras lentes corneanas, ou seja, cujo diâmetro apenas cobre a superfície da córnea, de aproximadamente 11,5 milímetros.
Sua grande vantagem foi a melhoria da oxigenação dos olhos, além de diminuir a pressão sobre a esclerótica. Com o tempo, verificou-se que um menor diâmetro evitaria ainda que as lentes se mexessem, aumentando a tolerância dos olhos. Assim surgiram, em 1950, as microlentes. Daí até hoje, as lentes ógidas têm diminuído de tamanho; seu diâmetro atual, é da ordem de 9 milímetros. Também se tornaram mais finas, com a espessura variando em torno de 1 milímetro.
Mas o segundo grande avanço no setor ainda estava por vir. Em 1954, o químico checo Otto Wichterle começou a pesquisar um novo material para aumentar a oxigenação da córnea. O material deveria ser hidrófilo (absorver facilmente a água), flexível, resistente à tensão, bem tolerado pelo organismo e não-tóxico. Esse novo material plástico foi chamado de hydron. Em 1960, as primeiras lentes de hydron foram testadas na Universidade de Praga; em 1964, passaram a ser adotadas pelos oftalmologistas: eram as hoje populares lentes gelatinosas, ou soit.
Nelas, dependendo do material e da espessura, a absorção de água pode chegar a 85 por cento. Quanto maior esse índice, mais facilmente o oxigênio chega à córnea, proporcionando mais conforto. Ao contrário das lentes rígidas, as hidrofílicas têm um diâmetro maior que o da córnea, o que aumenta sua boa estabilidade: elas dificilmente caem do olho.
A nova criação, de todo modo, não aboliu o uso de lentes de plástico rígido, até porque ela não serve em casos de astigmatismo. As lentes gelatinosas são tão flexíveis que se amoldam às imperfeições, sem corrigi-las. No fundo, a escolha entre os dois tipos depende da disposição do paciente em suportar o período de adaptação, maior nas primeiras, além da Lente acrílica: sempre menor adequação clínica ao seu caso. A mais recente versão das lentes soit é a de uso prolongado, cuja espessura, entre 0,1 e 0,025 milímetro, é metade das normais. Isso aumenta consideravelmente a transmissão de oxigênio. Essas lentes devem ser retiradas pelo menos uma vez por semana, utilizandose os mesmos métodos de higiene das lentes de uso diário. No campo das lentes rígidas, enquanto isso, apareceram as de silicone, que deixam passar bastante oxigênio para a córnea.
As lentes bifocais chegaram a aparecer no mercado já na década de 50, mas não fizeram muito sucesso. Pois, tendo toda a mesma medida, não se adaptam necessariamente à curvatura com os olhos de qualquer um. E uma questão de sorte. Uma pena principalmente para a legião de pacientes que se poderiam beneficiar com a novidade. No Brasil, onde as lentes de contato são conhecidas desde 1948 e onde apenas 20 por cento dos habitantes não apresentam alguma deficiência visual, três em quatro pessoas com mais de 45 anos precisam daquele tipo de correção. Sucesso tiveram, isto sim, as lentes de contato coloridas, que transformam olhos castanhos e pretos em verdes, azuis ou ainda violeta, a cor mais procurada pelas mulheres brasileiras. A atriz Giulia Gam, olhos castanhos, para fazer o papel de Jocasta jovem na novela Mandala, recorreu a lentes coloridas a fim de ficar com os mesmos olhos azuis de Vera Fischer, a Jocasta adulta. Mas não foi para enfeitar os belos olhos de quem quer que fosse que tais lentes surgiram. Sua criação teve como objetivo melhorar a visão dos albinos, que têm grande sensibilidade à luz.

Lentes

10.931 – Retinoblastoma: MANCHA BRANCA NO OLHO DIREITO


retino

O retinoblastoma é um tipo de tumor intraocular que, como regra, se manifesta antes dos sete anos de idade. Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer), a incidência desse câncer pediátrico no Brasil é o dobro da dos EUA e da Europa. Enquanto algumas cidades brasileiras registram entre 21,5 e 27 casos desse câncer por 1 milhão de crianças, nos EUA esse valor varia entre 10 e 12 casos por milhão.
Como o retinoblastoma não é visível e se manifesta nos primeiros anos de vida, a criança não consegue reclamar dos sintomas, como dificuldade para enxergar, já que ainda não sabe falar. Por isso, segundo Rubens Belfort Neto, chefe do setor de oncologia ocular do Departamento de Oftalmologia da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), um dos sinais de alerta para o problema e que deve chamar a atenção dos pais é o chamado “reflexo de olho de gato”, que ocorre no olho da criança ao tirar uma foto em um ambiente escuro.
“A leucocoria é um reflexo anormal no olho. Ao se direcionar um foco luminoso para os olhos, o correto seria a luz entrar na retina, bater no fundo de olho — que é vermelho por conta dos vasos — e deixar um reflexo avermelhado, aquela bolinha vermelha que aparece refletida nas fotografias. Isso é normal. Se a luz do olho fosse azul, o reflexo seria dessa cor. Quando o tumor cresce, o fundo do olho, que deveria ser vermelho, fica branco. A luz do flash bate no tumor e aparece refletida na foto como uma bola branca”.
No Brasil, devido ao atraso da chegada das crianças aos centros de excelência, a taxa de sobrevivência chega somente a 60%. “Infelizmente, de cada três crianças que chegam com o problema, uma ainda morre no Brasil. Quando o tumor aumenta e ainda está dentro do olho, é possível salvar todas as crianças. Agora, se ocorre alguma metástase, piora muito o prognóstico. Quanto mais cedo ela chegar para realizar o tratamento, maior a chance de salvar o olho e a visão.

Retinoblastoma_beggining_pic

10.810 – Anatomia – A Glândula Pineal


melatonina

É uma pequena glândula endócrina localizada perto do centro do cérebro, entre os dois hemisférios, acima do aqueduto de Sylvius e abaixo do bordelete do corpo caloso, na parte anterior e superior dos coliculos superiores e na parte posterior do terceiro ventrículo.
Apesar das funções desta glândula serem muito discutidas, parece não haver dúvidas quanto ao importante papel que ela exerce na regulação dos chamados ciclos circadianos,que são os ciclos vitais (principalmente o sono) e no controle das atividades sexuais e de reprodução.
A glândula pineal é uma estrutura cinza-avermelhada do tamanho aproximado de caroço de uma laranja (25 por 12 mm em humanos de aproximadamente 500 mg de massa.
Anatomicamente, é considerada parte do epitálamo. É uma estrutura epitalâmica pequena e única, situada dorsalmente à região caudal do diencéfalo. Ela é derivada de células neuroectodérmicas e, à semelhança da retina, desenvolve-se a partir de uma invaginação do teto da parede do terceiro ventrículo.
A glândula pineal é, portanto, uma estrutura de linha média, sendo vista frequentemente em radiografias simples de crânio, por sua alta incidência de calcificação – formação de corpos arenáceos ou ”areia do cérebro” devido à libertação de hormonas por exocitose juntamente com restos vesiculares que se dissolvem por trocas iónicas com iões Ca2+.
Folículos humanos contêm quantidade variável de material arenoso, chamado corpora arenacea (ou “acervuli”, ou “areia cerebral”). A análise química mostra que é composto de fosfato de cálcio, carbonato de cálcio, fosfato de magnésio, fosfato de amônia e calcita.
Os pinealócitos em vertebrados inferiores têm forte semelhança com as células fotorreceptoras do olho. Alguns biólogos acreditam que as células pineais humanas de vertebrados partilham um ancestral comum com células da retina.
Em alguns vertebrados, a exposição à luz pode desencadear reação em cadeia de enzimas, hormônios e neuroreceptores, que pode ajudar a regular o ciclo circadiano do animal. Em humanos e outros mamíferos, essa função é suprida pelo sistema retino-hipotalâmico, que regula o ritmo no núcleo supraquiasmático. Interações sociais e culturais produzem exposições à luz artificial que influencia o “relógio” supraquiasmático. As evidências sobre o papel de compostos fotossensíveis relacionados à opsina na pele de mamíferos são controversas atualmente.
Há algumas décadas, acreditava-se que a glândula pineal fosse um órgão vestigial (assim como o apêndice vermiforme em humanos), sem função atual. No entanto, mesmo órgãos vestigiais podem apresentar alguma função, ocasionalmente diferente da função do órgão do qual se originou. Aaron Lerner e colegas da Universidade de Yale descobriram que a melatonina está presente em altas concentrações na pineal.
A melatonina é um hormônio derivado do aminoácido triptofano, que tem outras funções no sistema nervoso central. A produção de melatonina pela pineal é estimulada pela escuridão e inibida pela luz.
A glândula pineal é grande na infância e reduz de tamanho na puberdade. Parece ter um papel importante no desenvolvimento sexual, na hibernação e no metabolismo e procriação sazonais. Acredita-se que os altos níveis de melatonina em crianças inibem o desenvolvimento sexual, e tumores da glândula (com consequente perda na produção do hormônio) foram associados a puberdade precoce. Após a puberdade, a produção de melatonina é reduzida, e a glândula frequentemente está calcificada em adultos.
Demonstrou-se que aves e répteis modernos expressam o pigmento fototransdutor melanopsina na glândula pineal. Acredita-se que as glândulas pineais de aves possam funcionar como os núcleos supra-quiasmáticos de mamíferos.

10.773 – Japoneses fazem primeiro implante de células reprogramadas


Uma equipe de pesquisadores japoneses fez a primeira cirurgia com células-tronco reprogramadas para tratar um transtorno ocular que pode causar cegueira.
A operação usou as células iPS (células-tronco pluripotentes induzidas, na sigla em inglês). Essas células são obtidas a partir de células adultas que são “induzidas”, por manipulação genética, a retornar a um estágio embrionário. A partir daí, os cientistas as estimulam a se diferenciar para formar o tecido desejado, no caso, a retina –por isso são chamadas de pluripotentes.
A paciente é uma mulher de 70 anos, segundo a equipe liderada por Masayo Takahashi, diretora do Instituto Riken.
Ela tem um tipo de degeneração macular ligada à idade, principal causa de cegueira entre pessoas com mais de 55 anos em países industrializados.
Em 2012, o japonês Shinya Yamanaka e o britânico John Gurdon receberam o Nobel de medicina por criar o método que permite reprogramar células adultas em células-tronco.
O uso de células iPS não apresenta problemas éticos importantes, diferentemente do que ocorre com as células-tronco obtidas de embriões humanos, daí a vantagem do método.

10.698 – Oftalmologia – Células-tronco embrionárias para tratar perda de visão


oftalmologia

Pacientes com doenças graves nos olhos que receberam um transplante de células-tronco embrionárias para recuperar parte da visão toleraram bem o tratamento e não apresentaram efeitos adversos graves. É o que mostra um estudo publicado nesta recentemente na revista médica The Lancet. A pesquisa também sugere que a técnica é eficaz, uma vez que a maioria dos participantes relataram melhoras na visão.
Esses resultados fazem parte da segunda etapa da pesquisa. A primeira foi realizada para averiguar se o tratamento pode provocar efeitos adversos graves, como tumores. A nova fase foi conduzida com o objetivo de verificar se a técnica é segura a longo prazo e se o sistema imunológico do paciente rejeitaria o transplante, algo que preocupava os pesquisadores. As conclusões indicaram, pela primeira vez, que o tratamento não surte efeitos adversos mais sérios no paciente nos três anos seguintes ao transplante.
“As células-tronco embrionárias têm o potencial de se transformar em qualquer tipo de célula do corpo, mas o transplante delas era complicado pelo risco de problemas como rejeição do sistema imunológico”
A pesquisa foi feita com 18 adultos americanos que tinham dois tipos de degeneração macular – a degeneração relacionada à idade e a distrofia macular Stargardt, principais causas de perda de visão entre idosos e adolescentes, respectivamente. Não há tratamentos eficazes para essas doenças atualmente. Os pacientes receberam, no olho mais afetado pela doença, injeções contendo entre 50 000 e 150 000 células de pigmento do epitélio retinal (RPE) derivadas de células-tronco embrionárias para substituir as células danificadas.
Embora essa etapa da pesquisa não tenha sido feita para avaliar a eficácia da técnica, os pesquisadores observaram que a visão de 10 entre os 18 pacientes melhorou após o transplante. “Essas pessoas relataram melhora significativa na visão geral e periférica, assim como na capacidade de enxergar objetos de perto e de longe”, diz Robert Lanza.
Para que a eficácia do tratamento seja comprovada, os cientistas precisam realizar uma pesquisa de maior escala. A equipe planeja envolver mais de 100 pessoas com cada uma dessas duas doenças no próximo estudo.

9968 – Anatomia – O Olho Humano


olhocorte

Tem diâmetro antero-posterior de aproximadamente 24,15 milímetros, diâmetros horizontal e vertical ao nível do equador de aproximadamente 23,48 milímetros, circunferência ao equador de 75 milímetros, pesa 7,5 gramas e tem volume de 6,5 cm³.
O globo ocular recebe este nome por ter a forma de um globo, que por sua vez fica acondicionado dentro de uma cavidade óssea e protegido pelas pálpebras. Possui em seu exterior seis músculos que são responsáveis pelos movimentos oculares, e também três camadas concêntricas aderidas entre si com a função de visão, nutrição e proteção. A camada externa é constituída pela córnea e a esclera e serve para proteção. A camada média ou vascular é formada pela íris, a coróide, o cório ou uvea, e o corpo ciliar. A camada interna é constituída pela retina que é a parte nervosa.
Existe ainda o humor aquoso que é um líquido incolor e que existe entre a córnea e o cristalino. O humor vítreo é uma substância gelatinosa que preenche todo o espaço interno do globo ocular também entre a córnea e o cristalino. Tudo isso funciona para manter a forma esférica do olho.
O cristalino é uma espécie de lente que fica dentro de nossos olhos. Está situado atrás da pupila e orienta a passagem da luz até a retina. A retina é composta de células nervosas que levam a imagem através do nervo óptico para que o cérebro as interprete.
Não importa se o cristalino fica mais delgado ou espesso, estas mudanças ocorrem de modo a desviar a passagem dos raios luminosos na direção da mancha amarela. À medida que os objetos ficam mais próximos o cristalino fica mais espesso, e para objetos a distância fica mais delgado a isso chamamos de acomodação visual.
O olho ainda representa, as pálpebras, as sobrancelhas, as glândulas lacrimais, os cílios e os músculos oculares. A função dos cílios ou pestanas é impedir a entrada de poeira e o excesso da luz. As sobrancelhas também têm a função de não permitir que o suor da testa entre em contato com os olhos.
Membrana conjuntiva é uma membrana que reveste internamente duas dobras da pele que são as pálpebras. São responsáveis pela proteção dos olhos e para espalhar o líquido que conhecemos como lágrima.
O líquido que conhecemos como lágrimas são produzidos nas glândulas lacrimais, sua função é espalhar esse líquido através dos movimentos das pálpebras lavando e lubrificando o olho.
O ponto cego é o lugar de onde o nervo óptico sai do olho. É assim chamada porque não existem, no local, receptores sensoriais, não havendo, portanto, resposta à estimulação. O ponto cego foi descoberto pelo físico francês Edme Mariotte (1620 – 1684).
O bulbo do olho humano pode ser dividido em três túnicas: externa, média e interna.

funcionamento_do_olho_humano

Esclera: tecido conjuntivo denso, pouco vascularizado, opaco, branco.
Córnea: transparente, muito inervada, nutrida pelo humor aquoso, e é subdivida em 5 camadas;3 camadas celulares e duas membranas que separam essas camadas:
epitélio anterior estratificado pavimentoso não queratinizado (5 a 6 camadas celulares)
membrana de Bowmann: membrana vermelha acelular, constituídas por fibras colágenas do tipo I. Da sustentação ao epitélio anterior.
estroma: formado por mais ou menos 200 camadas de fibras colágenas.
membrana de Descemente: membrana basal do epitélio posterior, camada acelular homogênea que separa a substancia própria do endotélio.
epitélio posterior simples pavimentoso.

No olho, a luz atravessa a córnea, o humor aquoso , o cristalino e o humor vítreo e se dirige para a retina, que funciona como o filme fotográfico em posição invertida; a imagem formada na retina também é invertida.
O nervo óptico transmite o impulso nervoso provocado pelos raios luminosos ao cérebro, que o interpreta e nos permite ver os objetos nas posições em que realmente se encontram.
Nosso cérebro reúne em uma só imagem os impulsos nervosos provenientes dos dois olhos.
A capacidade do aparelho visual humano para perceber os relevos deve-se ao fato de serem diferentes as imagens que cada olho envia ao cérebro. Com somente um dos olhos, temos noção de apenas duas dimensões dos objetos: largura e altura. Com os dois olhos, passamos a ter noção da terceira dimensão, a profundidade.
A cor dos olhos é uma característica poligênica e é determinada pelo tipo e quantidade de pigmentos na íris do olho. Os humanos e os animais têm muitas variações fenotípicas na cor dos olhos.3 Nos olhos humanos, essas variações de cores são atribuída a diversos rácios de melanina produzido por melanócitos na íris.2 O colorido brilhante dos olhos de muitas espécies de aves estão em grande parte determinados por outros pigmentos, como pteridinas, purinas, e carotenóides.

A esclerótica, juntamente com a córnea, constitui a membrana mais externa do olho, a membrana fibrosa ou externa. A esclerótica constitui os 5/6 posteriores desta membrana e tem uma superfície externa, lisa e branca, que possui as inserções tendinosas dos músculos motores do olho, e apresenta vários orifícios, nomeadamente, posteriores, da zona equatorial e anteriores. Quanto aos orifícios posteriores, encontramos na parte mais interna do olho, o orifício do nervo ótico (que possui, anteriormente, a lâmina crivada, através da qual passam os feixes do nervo ótico e da artéria central da retina) e orifícios em redor da lâmina crivada, que rodeiam o orifício do nervo ótico e que são para as veias e artérias ciliares curtas e longas posteriores e para os nervos ciliares. Na zona equatorial da membrana existem 4 orifícios à mesma distância uns dos outros e que são atravessados pelas veias vorticosas. Em relação aos orifícios anteriores, são mais pequenos e situam-se em torno da córnea, dando passagem aos vasos ciliares anteriores. A esclerótica está unida à Coroideia (da membrana músculo-vascular) através de uma lâmina de tecido celular laxo rica em pigmentos, a Lâmina Fusca, o que confere à superfície interna da esclerótica uma cor acastanhada. A esclerótica continua-se, anteriormente, com a córnea, designando-se esta região de Limbo Esclero-Corneano (é uma zona talhada em bisel atrás da qual se encontra o Canal de Schlemmm ou Seio Venoso da Esclerótica, que recolhe o humor aquoso da câmara anterior e o envia para a corrente sanguínea através das veias ciliar anterior).

cor dos olhos

A coroideia faz parte da membrana músculo-vascular, tal como o corpo ciliar e a íris. A coroideia representa os 2/3 posteriores da referida membrana e situa-se entre a esclerótica e a retina, sendo essencialmente constituída por vasos. Apresenta duas superfícies, uma externa (castanha e que está aplicada na face interna da esclerótica através da lâmina fusca, de vasos e nervos) e interna (lisa e negra e que está relacionada com a retina, sem aderir a ela). A coroideia é perfurada pelo orifício do nervo ótico, que faz a continuação do orifício posterior da esclerótica. Alguns feixes de tecido conjuntivo das camadas mais superficiais da coroideia penetram nas fibras do nervo ótico e constituem o plano mais anterior da lâmina crivada. O limite anterior da coroideia é uma linha circular e sinuosa, a Ora Serrata, onde a coroideia se continua com o Corpo Ciliar.
A última membrana da parede do olho a abordar é a retina, a mais interna das três e a qual recobre toda a face interna da membrana músculo-vascular. Esta divide-se em duas partes, anterior e posterior, pois ao nível da ora serrata apresenta uma mudança brusca de espessura. A parte anterior, ou retina ciliar, recobre a face posterior da íris, e faces ântero e póstero-internas do corpo ciliar. A parte posterior, ou retina propriamente dita, é uma membrana sensorial, fina, transparente e rosada e tem uma face externa, aplicada mas não aderente à coroideia, e uma face interna, também relacionada mas não aderente ao corpo vítreo. Na face interna da retina distinguem-se duas zonas: a papila (ligeiramente à frente do orifício do nervo óptico), que constitui o ponto de convergência das fibras óticas da retina que se unem para formar o nervo óptico, constituindo o ponto em que o nervo e artéria central da retina penetram na retina; e a fóvea central ou mácula, que é uma depressão localizada no pólo posterior do olho.
Preenche todo o espaço da cavidade ocular atrás do cristalino (câmara vítrea). Na sua porção anterior tem uma depressão, a fossa pattelaris, devido à convexidade da face posterior do cristalino. Em volta do cristalino relaciona-se com o corpo ciliar e, posteriormente, adere debilmente à superfície interna da retina. O corpo vítreo é constituído por uma membrana, a membrana hialoideia, e por uma massa gelatinosa, o humor vítreo.
O humor vítreo é atravessado por um canal, o canal hialoideu, de Stilling ou de Cloquet, que vai do pólo posterior do cristalino até à papila, dando passagem à artéria hialoideia, ramo da artéria central da retina, que nutre a rede vascular peri-cristalina durante o desenvolvimento fetal do cristalino e que, posteriormente, atrofia.
Córnea

Artérias, Veias e Linfáticos: é avascular, sendo nutrida pelo humor aquoso da câmara anterior do olho.
Nervos: nervos ciliares (provenientes do nervo nasal).
Esclerótica

Artérias: artérias ciliares curtas posteriores e artérias ciliares anteriores.
Veias: anteriormente, veias ciliares anteriores, e, posteriormente, veias coroideias, que acabam por confluir para as veias vorticosas.
Linfáticos: não tem.
Nervos: nervos ciliares (provenientes do nervo nasal).

Expansões conjuntivais – Vão das bainhas musculares dos músculos rectos ao fundo-de-saco da conjuntiva e à conjuntiva palpebral. Expansão palpebral do reto inferior – Membrana que se liga à face inferior da baínha muscular do reto inferior, terminando no bordo inferior do tarso palpebral. Responsável pelo abaixamento da pálpebra inferior quando o reto inferior movimenta o olho para baixo. Expansões orbitárias – São cinco e ligam o rebordo orbitário aos músculos retos e pequeno oblíquo. As expansões orbitárias do reto externo e do reto interno são mais desenvolvidas designando-se, respetivamente, de asa externa (da face externa da baínha do reto externo até ao rebordo da parede externa da órbita) e asa interna (da face interna da baínha do reto interno e termina na crista lacrimal ungueal). E.O. reto superior – face superior da baínha do reto superior e divide-se em três porções: média (face inferior da baínha do elevador da pálpebra superior, sendo que a sua função consiste em levantar a pálpebra superior quando o reto superior se contrai para girar o globo ocular); Lateral interna; Lateral externa E.O. reto inferior – Tem origem na face inferior da baínha do reto inferior. Apresenta três porções: média (termina na baínha do pequeno oblíquo); Lateral interna (une-se ao bordo inferior da asa interna); Lateral externa (une-se ao bordo inferior da asa externa) E.O. pequeno oblíquo – bordo anterior da baínha do pequeno oblíquo até à parede orbitária FUNÇÃO DAS EXPANSÕES: Limitar o movimento dos músculos que fixam ao rebordo orbitário e impedir a compressão do globo ocular pelo músculo que se contrai.

9890 – O que é o Daltonismo?


Também chamado de discromatopsia ou discromopsia, é uma perturbação da percepção visual caracterizada pela incapacidade de diferenciar todas ou algumas cores, manifestando-se muitas vezes pela dificuldade em distinguir o verde do vermelho. Esta perturbação tem normalmente origem genética, mas pode também resultar de lesão nos órgãos responsáveis pela visão, ou de lesão de origem neurológica.
O distúrbio, que era conhecido desde o século XVIII, recebeu esse nome em homenagem ao químico John Dalton, que foi o primeiro cientista a estudar a anomalia de que ele mesmo era portador. Uma vez que esse problema está geneticamente ligado ao cromossomo X, ocorre com maior frequência entre os homens, que possuem apenas um cromossomo X, enquanto mulheres possuem dois.
Os portadores do gene anômalo apresentam dificuldade na percepção de determinadas cores primárias, como o verde e o vermelho, o que se repercute na percepção das restantes cores do espectro. Esta perturbação é causada por ausência ou menor número de alguns tipos de cones ou por uma perda de função parcial ou total destes, normalmente associada à diminuição de pigmento nos fotorreceptores que deixam de ser capazes de processar diferencialmente a informação luminosa de cor.
A retina humana possui três tipos de células sensíveis à cor, chamadas cones. Cada um deles é sensível a uma determinada faixa de comprimentos de onda do espectro luminoso, mais precisamente ao picos situados a 419 nm (azul-violeta), 531 nm (verde) e 559 nm (verde-amarelo).
A classificação dos cones em “vermelho”, “verde” e “azul” (RGB) é uma simplificação usada por comodidade para tipificar as três frequências alvos, embora não corresponda à sensibilidade real dos fotorreceptores dos cones. Todos os tons existentes derivam da combinação dessas três cores primárias.
As tonalidades visíveis dependem do modo como cada tipo de cone é estimulado. A luz azul, por exemplo, é captada pelos cones de “alta frequência”. No caso dos daltônicos, algumas dessas células não estão presentes em número suficiente ou registam uma anomalia no pigmento característico dos fotorreceptores no interior dos cones.
Não existem níveis de daltonismo, apenas tipos. Podemos considerar que existem três grupos de discromatopsias: monocromacias, dicromacias e tricromacias anómalas.
Monocromacia ocorre quando há apenas percepção de luminosidade na visão dos animais. São as células bastonetes as responsáveis por esta percepção, que permite variações diferentes da cor cinza. Normalmente, os monocromatas apresentam a chamada “visão em preto e branco”.

cores primárias
cores primárias

O monocromata típico é caracterizado pelo monocromatismo de bastonetes, que corresponde a uma discriminação de cores nulas pela falta de cones. Ocorre na população humana com uma incidência de 0,003% nos homens e de 0,002% nas mulheres. Essa característica é encontrada em muitos animais, como aqueles de hábitos noturnos, peixes abissais, cachorros e pinguins.
O monocromata atípico possui um monocromatismo de cones, assim a não discriminação de cores é devido a falta de sinais oponentes por ter apenas um tipo de cone. É muito raro na população humana. É encontrado em alguns animais, como em alguns ratos e no quivi, ave neozelandesa, que enxergam tons no espectro da luz verde.
A dicromacia, que resulta da ausência de um tipo específico de cones, pode apresentar-se sob a forma de:
protanopia, em que há ausência na retina de cones “vermelhos” ou de “comprimento de onda longo”, resultando na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho do espectro. O seu ponto neutro encontra-se nos 492 nm. Há igualmente menor sensibilidade à luz na parte do espectro acima do laranja.
deuteranopia, em que há ausência de cones “verdes” ou de comprimento de onda intermédio, resultando, igualmente, na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho do espectro.Trata-se uma das formas de daltonismo mais raras(cerca de 1% da população masculina), e corresponde àquela que afectou John Dalton (o diagnóstico foi confirmado em 1995, através do exame do Ácido desoxirribonucleico do seu globo ocular). O seu ponto neutro encontra-se nos 492 nm.
tritanopia, em que há ausência de cones “azuis” ou de comprimento de onda curta, resultando na impossibilidade de ver cores na faixa azul-amarelo.
A tricromacia anómala resulta de uma mutação no pigmento dos fotorreceptores dos cones retinianos, e manifesta-se em três anomalias distintas:

A mutação genética que provoca o daltonismo sobreviveu pela vantagem dada aos daltônicos ao longo da história evolutiva.[carece de fontes] Essa vantagem advém, sobretudo, do fato de os portadores desses genes possuírem uma melhor capacidade de visão noturna, bem como maior capacidade de reconhecerem elementos semiocultos, como animais ou pessoas disfarçadas pela sua camuflagem.

Como o daltonismo é provocado por genes recessivos localizados no cromossomo X (sem alelos no Y), o problema ocorre muito mais frequentemente nos homens que nas mulheres. Estima-se que 8% da população masculina seja portadora do distúrbio, embora apenas 1 % das mulheres sejam atingidas.
Existem três métodos para se diagnosticar a presença do daltonismo e determinar em que grau ele está afetando a percepção das cores de uma pessoa:

anomaloscópio de Nagel – consiste em um aparelho onde o indivíduo que vai ser examinado tem seu campo de visão dividido em duas partes. Uma delas é iluminada por uma luz monocromática amarela, enquanto a outra é iluminada por uma diversas luzes monocromáticas verdes e vermelhas. O examinado deve tentar igualar os dois campos, alterando a razão entre a intensidade das luzes vermelha e verde, e modificando a intensidade da luz amarela;
lãs de Holmgreen – consiste na avaliação da capacidade de separar determinados fios de lã em diversas cores;
teste de cores de Ishihara – consiste na exibição de uma série de cartões pontilhados em várias tonalidades diferentes. Esse é o método mais frequentemente utilizado para se diagnosticar a presença do daltonismo, sobretudo nas deficiências envolvendo a percepção das cores vermelho e verde. Uma figura (normalmente uma letra ou algarismo) é desenhada em um cartão contendo um grande número de pontos com tonalidades que variam ligeiramente entre si, de modo que possa ser perfeitamente identificada por uma pessoa com visão normal. Porém um daltônico terá dificuldades em visualizá-la.
Como o teste de Ishihara não pode ser utilizado por crianças ainda não alfabetizadas, desenvolveu-se um método secundário onde os cartões, em vez de números e letras, contêm desenhos de figuras geométricas, como quadrados, círculos e triângulos, que podem facilmente ser identificados por crianças em idade pré-escolar.

Atualmente não existe nenhum tipo de tratamento conhecido para esse distúrbio. Há, porém, uma empresa americana fabricando lentes que permitiriam a distinção de cores pelos daltônicos. Elas seriam seletivas quanto à passagem de luz, bloqueando o necessário para corrigir defeitos da visão. Os tais óculos custam cerca de US$ 700. Mas alguns estudiosos ainda encaram a iniciativa com reservas alegando que não há estudos científicos que reconhecidamente indiquem o método.

Porém, um daltônico pode viver de modo perfeitamente normal, desde que tenha conhecimento das limitações de sua visão. O portador do problema pode, por exemplo, observar a posição das cores de um semáforo, de modo a saber qual a cor indicada pela lâmpada. Como na idade escolar surgem as primeiras dificuldades com cores, sobretudo em desenhos e mapas, os pais e professores devem estar atentos ao problema, evitando constranger e traumatizar a criança. Pode ser frustrante para uma criança ter a certeza de que está vendo algo em determinada cor, enquanto todos os colegas e a professora afirmam que ela está errada.

Em 2009 pesquisadores da Universidade de Washington e da Universidade da Flórida conseguiram restabelecer o processo de visão de macacos da espécie Saimiri sciureus através de tratamento genético.
Para um daltônico, navegar em websites coloridos da Internet pode ser uma experiência não muito agradável. Alguns textos podem estar ilegíveis, ou mesmo a leitura dos gráficos pode ser impossibilitada devido o esquema de cores utilizado. Para possibilitar a leitura destes textos e gráficos foi desenvolvido por Daniel Ruoso, um desenvolvedor daltônico, o libcolorblind[1] que é um software que faz transformações nas cores no sentido de permitir que cores dúbias sejam colocadas em posições diferentes do espectro de cor, de forma a tornarem-se diferenciáveis por um daltônico. O programa de acessibilidade do Gnome, gnome-mag, tem suporte a esse software e fornece uma maneira intuitiva de ativar e desativar os filtros.

Algumas cidades já possuem semáforos adaptados para os portadores de daltonismo (quer condutores/quer pedestres), que apresentam uma faixa branca ao lado da luz amarela, possibilitando ao daltônico distinguir qual a cor do sinal aceso pela posição da luz (acima ou abaixo da faixa).
Lápis de cores podem ter o nome de cada cor gravada em seu corpo de modo a facilitar sua identificação.
A justiça brasileira reconheceu que os portadores de daltonismo são sujeitos dos direitos que a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Pessoas Portadoras de Deficiência estabelece e que cursos de educação complementar públicos ou privados devem promover adaptações em materiais didáticos para possibilitar o acesso dos daltônicos a informação.

9861- Medicina – Transplante de Córnea


transplante de córnea

Trata-se de um procedimento cirúrgico no qual uma córnea lesionada ou com doença é substituída por outra de um doador.
Em uma pesquisa que usa células-tronco realizada pelo oftalmologista brasileiro Francisco Figueiredo na Universidade de Newcastle, pode ser uma alternativa em alguns casos de necessidade de transplante.
A córnea é uma estrutura transparente e curva, que reveste a superfície do olho. Assim como o cristalino, é uma lente natural que nos auxilia a focar os objetos. Em estado saudável, ela é totalmente transparente. Se há perda de sua integridade, ela torna-se embaçada, desfocada e a luz passa a não alcançar a retina, prejudicando sensivelmente a visão e provocando diversos transtornos que irão debilitar o paciente no desenvolvimento das suas atividades diárias e podendo até mesmo ocasionar a perda por completo da visão.
Isto pode acontecer por diferentes motivos, seja por alguma doença adquirida, por um defeito de nascimento ou por um ferimento. Em tais situações, a visão fica bastante afetada e quando não é possível recuperá-la através do uso de óculos ou de lentes de contato e quando o tratamento clinico já não obtém resposta, somente a troca da córnea doente por outra sadia e transparente pode restabelecer a qualidade da visão.
Atualmente, graças aos avanços da medicina e mais precisamente do instrumental cirúrgico, o transplante de córnea é um procedimento com alto índice de sucesso e com a menor taxa de rejeição entre os transplantes de tecidos. Esta é realizada sob anestesia local e sem a necessidade de internação, exceto em crianças e pacientes pouco cooperativos.
O transplante é uma cirurgia que troca a porção central da córnea doente por uma córnea sadia doada. A incisão é realizada através de um bisturi circular, chamado de Trépanos, que possibilita ao cirurgião a execução de cortes perfeitos, melhorando consideravelmente os resultados e ampliando a qualidade da acuidade visual e a capacidade funcional da visão. A nova córnea é fixada por um fio especial mais fino que um fio de cabelo e com o auxílio de um microscópio cirúrgico.
A recuperação definitiva da visão geralmente é lenta, mas após um mês o paciente já pode retomar a maioria das suas atividades diárias sem incômodos. Somente após seis meses desde a cirurgia, caso seja necessário e geralmente o é, o paciente poderá iniciar o tratamento para a correção visual, seja através de lentes de contato, óculos ou cirurgia refrativa.