14.149 – Câncer de Mama – Diagnóstico


mama diagnostico
O câncer de mama é o segundo mais comum no mundo. E os dados sobre essa doença são contrastantes: enquanto ela é uma das principais causas de morte de mulheres, também é o tipo de câncer com a maior taxa de cura. O que separa um resultado de outro é, naturalmente, o diagnóstico precoce.
Hoje, o autoexame das mamas e a mamografia são prevenções efetivas, que buscam pequenos nódulos indicativos do início do problema. Agora, porém, médicos querem tornar o diagnóstico mais simples, prático e preciso: segundo um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, um exame de sangue poderia detectar um câncer de mama 5 anos antes de aparecerem os sinais detectados pelos exames atuais.
A lógica do estudo foi não focar nas concentrações de células cancerígenas, que são justamente o que causam o nódulo, mas sim nos antígenos produzidos por elas. Antígeno, vale lembrar, é toda substância que desencadeia uma resposta imune do organismo, ativando nosso sistema de defesa.
A hipótese dos pesquisadores era que as células cancerígenas, desde quando são muito poucas, já produzem proteínas que agem como antígenos – os chamados TAAs (tumour-associated antigens). Detectar no sangue os anticorpos desencadeados por esses antígenos seria uma forma mais prática de detectar o câncer de mama em estágio inicial.
Para testar essa hipótese, a equipe coletou amostras de sangue de 90 pacientes recém-diagnosticados com câncer de mama e 90 amostras de pacientes sem o problema, para servir como grupo de controle.
Usando uma tecnologia de triagem chamada protein microarray, os cientistas conseguiram rastrear as amostras de sangue quanto à presença de anticorpos desencadeados por 40 TAAs associados ao câncer de mama. Identificaram a doença em 37% das amostras de sangue colhidas de pacientes com câncer de mama, e constaram a ausência de câncer em 79% das amostras do grupo controle. Parece um índice ruim, mas é um resultado satisfatório para uma primeira pesquisa.
“Conseguimos detectar o câncer com razoável precisão, identificando esses anticorpos no sangue. Conforme o teste fique mais acurado, abre-se a possibilidade de usar um simples exame de sangue para o diagnóstico precoce dessa doença”, afirmou Daniyah Alfattani, um os autores do estudo. Segundo os cientistas, os anticorpos desencadeados por antígenos produzidos por células cancerígenas podem estar presentes no sangue desde muito antes da grande multiplicação de células doentes começar, ou seja, desde antes da própria formação do câncer.
Se esses resultados se repetirem em próximos exames, isso seria nada menos que uma revolução. Tanto que essas primeiras conclusões do estudo, apresentados na Conferência Nacional de Câncer em Glasgow, na Escócia, foram tidas como preliminares, e estão sendo encarados com cautela pela comunidade científica.
Mas a equipe de Nottingham está confiante: neste exato momento, os cientistas estão testando amostras de sangue de 800 pacientes.

13.545 – Medicina – Órgão artificial poderá criar células de combate ao câncer


celulas cancerigenas
Embora ainda não tenha sido testado em seres humanos, este órgão artificial poderia reduzir o tempo e o custo da imunoterapia com células T e torná-lo uma opção mais viável para pacientes com baixa contagem de glóbulos brancos.

Timo artificial
Muitos órgãos artificiais estão sendo desenvolvidos como uma alternativa aos órgãos de dadores, pois estes são apenas soluções temporárias que exigem que os pacientes mantenham um regimento vitalício de medicamentos.
Com os recentes avanços nas tecnologias biomédicas, a ajuda pode chegar a tempo e evitar que aqueles que necessitam de transplantes já não tenham de esperar nas listas de doação para substituir órgãos como rins e vasos sanguíneos. Agora, os cientistas adicionaram o Timo à lista de partes do corpo que podemos simular artificialmente.

Mas o que é o Timo?
O timo, (Thymus em inglês) é uma glândula linfoide primária, responsável pelo desenvolvimento e seleção de linfócitos T. Na anatomia humana, o timo é uma glândula endócrina linfática que está localizada na porção superior do mediastino e posterior ao osso externo, fazendo parte do sistema imunológico. Limita-se superiormente pela traqueia, a veia jugular interna e a artéria carótida comum, lateralmente pelos pulmões e inferior e posteriormente pelo coração.

13.400 – Pela primeira vez terapia gênica é aprovada nos EUA; leucemia é o alvo


Terapia_genetica
A FDA, agência americana responsável por regular o mercado farmacêutico, anunciou a aprovação do primeiro tratamento que envolve terapia gênica do país, capaz de curar alguns casos de leucemia difíceis de tratar.
Ela envolve uma espécie de recauchutagem –fora do organismo– de células sanguíneas do sistema de defesa. Após a injeção das células turbinadas, o impacto na doença é notório.
A terapia com células CAR T (com receptor antigênico quimérico) tem obtido taxas de cura que chegam a 83% em um estudos clínicos com pacientes com leucemia linfoide aguda (LLA). A terapia está aprovada nos EUA para pacientes com LLA de até 25 anos e que tenham tentado, sem sucesso, outras formas de tratamento.

Para a recauchutagem, é necessária uma etapa chamada leucoferese, que remove do organismo as células brancas de defesa do sangue. O potencial impacto disso no organismo é severo: infecções “bobas”, como uma virose, podem matar.

Fora do organismo, essas células são tratadas e são transformadas, isto é, recebem um DNA exógeno. Elas são multiplicadas e passam a apresentar, em sua membrana, uma proteína quimérica, projetada para se ligar a um antígeno, no caso a molécula CD19, proteína geralmente presente nas células cancerosas.
Mirando no CD19, a terapia com células T recauchutadas, conseguem se ligar às células-alvo e descarregar todo seu arsenal antitumoral, tratando a doença.

PROBLEMAS
Fora o preço, outro problema da terapia com as células CAR T é que pode surgir uma resposta inflamatória exagerada que acompanha a ação antitumoral. Essa reação pode matar, se não for controlada adequadamente.
Além de desembolsar centenas de milhares de dólares pelo tratamento, o paciente (ou seu plano de saúde) tem de estar disposto a pagar pelos custos de viagem, estadia no hospital e drogas para minimizar os efeitos colaterais da Kymriah –nome da modalidade de tratamento, também conhecida como tisagenlecleucel (nome genérico).
Se comparado a um transplante de medula, pondera Phillip Scheiberg, coordenador de hematologia da Beneficência Portuguesa, no entanto, não há tanta discrepância no custo, levando em conta o mercado de saúde americano.

linfocitos

13.342 – Medicina – Hospital brasileiro testa nova técnica contra o câncer


transplantedemedula
Uma técnica inovadora de radioterapia feita para preparar pacientes com câncer para o transplante de medula óssea tem sido testada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O procedimento, chamado Targeted Marrow Irradiation (TMI), que foi desenvolvido por pesquisadores dos Hospitais Universitários de Cleveland, nos Estados Unidos, “destrói” a medula com uma irradiação mais focal, localizada, diminuindo o acesso da radiação a outros órgãos e tecidos sadios e, consequentemente, produzindo menos efeitos colaterais. No Brasil, o hospital é o primeiro a experimentar o tratamento.
De acordo com Ana Carolina Pires de Rezende, médica radio-oncologista do Hospital Albert Einstein, antes do transplante de medula, o paciente precisa passar pela etapa de condicionamento, a radioterapia que prepara o organismo para a cirurgia. Em muitos casos, para acessar a medula óssea, o procedimento é feito de corpo inteiro, o que pode prejudicar outros órgãos saudáveis, inclusive os vitais.
Essa radiação desnecessária, segundo Nelson Hamerschlak, coordenador do Centro de Oncologia e Hematologia do hospital, pode provocar inflamação do intestino, pneumonia, mais indisposição e cansaço, que acabam por interferir na qualidade do transplante. O método beneficiará principalmente aqueles que precisam fazer o transplante de medula óssea, como pacientes com leucemia ou mieloma múltiplo, com mais de 60 anos ou a saúde fragilizada por outros problemas associados, como a desnutrição.

Precisão da técnica
Os pesquisadores norte-americanos desenvolveram a técnica com o objetivo de reduzir a toxicidade do procedimento tradicional. Eles criaram uma diferente programação do equipamento radiológico, de forma que atinja efetivamente mais os ossos e o baço, áreas que precisam ser irradiadas, preservando os órgãos vitais. Segundo Ana Carolina, esse programa exige um planejamento específico e individualizado para cada paciente, com diferentes doses de radiação e regiões do corpo.
Devido a sua praticidade, a técnica não exige grandes investimentos. Segundo Hamerschlak, não é preciso adquirir um aparelho específico, apenas fazer pequenas adaptações e treinar a equipe, principalmente os físicos, para as novas programações. “Nossos profissionais acompanharam esse desenvolvimento em nível experimental e foram treinados ao longo de cinco anos”, afirmou.

Testes no Brasil
O método já é utilizado pela equipe de Cleveland há dois anos. No Brasil, o Hospital Albert Einstein realizou a radioterapia focalizada com sucesso em dois pacientes em junho deste ano. A dose de radiação foi referendada pela equipe americana.
A partir de agora, o hospital dará início a um protocolo de pesquisas para testar doses maiores da radiação, sem ampliar a toxicidade. Uma das perguntas a serem respondidas é se essa técnica reduz os casos de doença do enxerto contra o hospedeiro, uma das principais complicações do transplante, que normalmente acontece por conta da toxicidade da radioterapia.

13.291 – Remédio é aprovado para câncer – em qualquer parte do corpo


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Os médicos sempre falam de um futuro onde o câncer será tratado de acordo com características moleculares, e não por causa do local em que surgiu. Uma notícia tornou esse futuro uma realidade, o que abre as portas para uma Oncologia ainda mais personalizada e efetiva.
A FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora norte-americana, aprovou pela primeira vez na história um medicamento com base em alterações biológicas do tumor. Isso significa que, desde que a doença apresente essa particularidade — já falaremos dela —, pode receber a droga, independentemente se está na mama, no intestino, no pâncreas, na pele…

“Todas as indicações anteriores se baseavam no órgão afetado. A revolução está no fato de que um aspecto molecular do câncer, descoberto com exames relativamente simples, foi priorizado”, contextualiza o médico Jacques Tabacof, coordenador geral da Oncologia Clínica e da Hematologia do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Na prática, a medicação — chamada de pembrolizumabe, da farmacêutica MSD — poderá ser empregada em quaisquer tipos de tumor avançado que não respondam aos tratamentos convencionais. Isso, claro, desde que a doença possua a tal alteração, presente em 5% de todos pacientes. Ainda é pouca gente, mas a perspectiva de termos mais armas que atuam em várias frentes é certamente positiva aos pacientes, principalmente entre os que, hoje, têm um arsenal exíguo à disposição.

Outra coisa: o Brasil ainda não aprovou o pembrolizumabe para esse fim. Por aqui, ele só é empregado contra o melanoma, uma versão especialmente agressiva de câncer de pele. Nos Estados Unidos, mesmo antes dessa novidade, o princípio ativo já vinha sendo usado contra linfoma de Hodgkin e nódulos no pulmão.

Por dentro do câncer… e da aprovação
A tal característica molecular que define o uso ou não do remédio se chama instabilidade de microssatélite. Não fique com medo do nome complicado: “Trata-se de uma alteração na célula que dificulta reparos no nosso DNA”, explica Tabacof, que também atua no Centro Paulista de Oncologia (CPO). Com isso, uma mutação perigosa que normalmente seria consertada segue incólume e pode originar um câncer.
Acontece que essa particularidade torna a moléstia, digamos, mais vulnerável à ação do pembrolizumabe, um medicamento pertencente ao grupo da imunoterapia. O remédio, na verdade, estimula as células de defesa do próprio organismo a identificarem o câncer e o atacarem.

“Embora tenha chamado a atenção ultimamente, a droga não é a única a seguir esse princípio. É possível que, no futuro próximo, outras farmacêuticas busquem aprovações similares com seus imunoterápicos”, raciocina Tabacof. Seguindo essa lógica, talvez nos próximos anos mais fármacos sejam liberados para atuar em diversos tipos de câncer. Entendeu quão relevante é a decisão da FDA?!

13.290 – Medicina – Como exames de sangue podem prever cânceres de intestino e pulmão


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A partir de um teste de sangue comum dá para diagnosticar bastante coisa. Um alto nível de triglicérides indica a necessidade de adotar uma dieta menos gordurosa, e taxas elevadas de ácido úrico são sinal de que é hora de aumentar o consumo de água, por exemplo. No entanto, o trabalho de cientistas da Universidade de Exeter, no Reino Unido, pode fazer com que uma informação ainda mais importante possa ser concluída a partir de hemogramas: a presença de câncer.
O método, que é apontado como o mais promissor dos últimos 30 anos, se guia pelo número de plaquetas (trombócitos) no sangue. Essas estruturas são responsáveis por processos como a coagulação sanguínea, mas em quantidades elevadas – situação que apareceria em um laudo médico com nome de trombocitose – podem indicar a presença de tumores, principalmente os ligados a cânceres no intestino e nos pulmões.
O estudo, publicado no periódico British Journal of General Practice, considerou dados de 31.261 pessoas com trombocitose e de 7,969 pacientes cujos níveis de plaquetas estavam normais. No caso do primeiro grupo, a chance de ser diagnosticado com câncer dentro do período de um ano foi de 11,6% para homens e 6,2% no caso das mulheres. A efeito de comparação, para homens e mulheres com quantidade normal de trombócitos, o risco ficou na casa dos 4,1% e 2,2%, respectivamente.
Em um segundo teste, que analisou diagnósticos feitos até seis meses depois do exame de sangue, as chances se mostraram ainda maiores – 18,1% para homens e 10,1% para mulheres.
De acordo com Willie Hamilton, um dos autores da pesquisa, o aumento anormal dos níveis plaquetas foi mais preciso para indicar câncer em homens do um dos métodos mais eficazes e utilizados para detectar a doença: o autoexame para identificar nódulos nas mamas de mulheres.
A técnica de olhar para o sangue para prever o surgimento de tumores já havia sido proposta por estudos anteriores. Você, leitor da SUPER, talvez se lembre de um estudo publicado em fevereiro deste ano que propôs a possibilidade de exames de sangue indicarem a ocorrência de câncer de mama. No caso, os elementos que serviram para o diagnóstico foram as fosfoproteínas presentes no plasma sanguíneo – 144 delas se mostraram especialmente elevadas em quem tinha a doença.
A pesquisa inglesa, no entanto, traz dados que permitem eleger as taxas de plaquetas como forma ainda mais consistente para detectar cânceres. Principalmente se levarmos em conta o caráter silencioso da doença, que faz com que sintomas surjam apenas em estágios mais avançados. De acordo com os pesquisadores, um terço das pessoas identificadas com câncer no pulmão e no intestino não tinham outros sintomas – apenas altos níveis de trombócitos.

“Sabemos que um diagnóstico rápido pode ser vital para o tratamento do câncer. Nossa pesquisa sugere que um número substancial de pessoas podia ter seu câncer identificado até três meses mais cedo se a trombocitose tivesse sido considerada no diagnóstico”, explica Sara Bailey, que liderou o estudo.

13.192 – Uma Mulher Imortal – Ela morreu em 1951, mas suas células continuam se multiplicando infinitamente nos laboratórios de todo mundo


Henrietta Lacks, nascida em 1920 em Baltimore, teve câncer no colo do útero aos 31 anos de idade, e pouco antes de morrer ela foi doadora involuntária de tecido do seu corpo de onde surgiu a linhagem celular HeLa, uma referência ao nome de Henrietta. As células HeLa foram cultivadas quando a mulher ainda recebia tratamento para um câncer do colo uterino no Johns Hopkins Hospital. Seu câncer produzia metástases anormalmente rápidas (se reproduzia, fazia mitoses), mais que qualquer outro tipo de câncer conhecido pelos médicos.
Mesmo depois de morta, as células dessa mulher continuaram sendo cultivadas para estudo de sua impressionante longevidade, sendo distribuídas por vários laboratórios em todo o mundo. Pesquisadores estimam que haja aproximadamente 50 milhões de toneladas dessas células circulando no mundo. Elas permitiram o desenvolvimento de uma vacina contra a poliomielite e inúmeros tratamentos médicos, e também foram levadas nas primeiras missões espaciais para ajudar cientistas entender o que aconteceria com o tecido humano em situações de gravidade zero. Neste meio século desde a morte de Henrietta, suas células foram continuamente usadas em experimentos e pesquisas contra o câncer, AIDS, efeitos da radiação, mapeamento genético e muito mais. Milhares de trabalhos científicos foram realizados com essas células.
Uma leva de células de Henrietta pode ser reproduzida em 24 horas. Elas foram as primeiras células humanas imortalizadas cultivadas em laboratório e já são cultivadas há mais tempo fora do que dentro do corpo de Henrietta. As células HeLa são chamadas de imortais por se dividirem num número ilimitado de vezes, desde que mantidas em condições ideais de laboratório. Atribui-se isso ao fato dessas células terem uma versão ativa da enzima Telomerase, implicada no processo de morte das células e no número de vezes que uma célula pode se dividir.
Considerando que cada lote de células pode custar entre US$ 10 e US$ 10 mil, o tumor de Henrietta virou um negócio farmacêutico multi-bilionário. Nem um centavo desse lucro, no entanto, foi parar para os filhos de Henrietta. Durante quase 30 anos, eles sequer souberam que um pedaço de sua mãe estava vivo e sendo usado para pesquisas médicas.

celulas cancerosas

13.181 – Medicina – O Tumor Neuroendócrino


tumor neuroendocrino
Os tumores neuroendócrinos ( NET s) são neoplasmas que surgem de células dos sistemas endócrino ( hormonal ) e nervoso . Muitos são benignos , enquanto alguns são malignos . Eles ocorrem mais comumente no intestino, onde eles são muitas vezes chamados de tumores carcinoides , mas eles também são encontrados no pâncreas, pulmão e do resto do corpo.
Embora existam muitos tipos de NETs, eles são tratados como um grupo de tecido, porque as células dessas neoplasias compartilham características comuns, como a aparência semelhante , tendo grânulos secretoras especiais e muitas vezes produzindo aminas biogênicas e hormonas polipeptídicas.
Acredita-se que as NETs provenham de várias células neuroendócrinas cuja função normal é servir na interface neuroendócrina. Células neuroendócrinas estão presentes não só nas glândulas endócrinas em todo o corpo que produzem hormônios, mas são encontrados em todos os tecidos do corpo.
Tumores neuroendócrinos do intestino delgado foram distinguidos pela primeira vez de outros tumores em 1907.
Eles foram chamados tumores carcinóides porque seu crescimento lento foi considerado como “cancer-like” em vez de verdadeiramente cancerígeno.
No entanto, em 1938, foi reconhecido que alguns destes tumores do intestino delgado poderia ser maligno. Apesar das diferenças entre essas duas categorias originais e outras complexidades devido à inclusão subseqüente de outras NETs de pâncreas e de origem pulmonar, todas as NETs são algumas vezes (incorretamente) subsumidas no termo “carcinoid”.
Células enterocromafinas , que dão origem a tumores carcinóides, foram identificadas em 1897 por Nikolai Kulchitsky e sua secreção de serotonina foi estabelecida em 1953 quando o efeito “flushing” da serotonina tinha se tornado clinicamente reconhecido. Carcinoid doença cardíaca foi identificada em 1952, e carcinoid fibrose em 1961.
Embora as estimativas variem, a incidência anual de tumores neuroendócrinos clinicamente significativos é de aproximadamente 2,5-5 por 100.000 dois terços são tumores carcinóides e um terço são outros NETs.
A prevalência foi estimada em 35 por 100.000 e pode ser consideravelmente maior se os tumores clinicamente silenciosos forem incluídos. Um estudo de autópsia do pâncreas em pessoas que morreram de causas não relacionadas descobriu uma incidência notavelmente alta de NETs assintomáticos minúsculos. Estudo microscópico de rotina de três seções aleatórias do pâncreas encontrou NETs em 1,6%, e várias seções identificaram NETs em 10%.
À medida que a imagem diagnóstica aumenta a sensibilidade, como a ultra- sonografia endoscópica , podem-se descobrir coincidentemente pequenas NET clinicamente insignificantes; Não estando relacionados com sintomas, tais neoplasmas podem não requerer excisão cirúrgica.
locais:
Glândula pituitária : tumor neuroendócrino da hipófise anterior
Glândula tireóide : Tumores de tireóide neuroendócrino, particularmente carcinoma medular
Tumores da paratireóide
Timo e tumores carcinóides mediastinais
Tumores neuroendócrinos pulmonares
Brônquios
Tumores carcinoides pulmonares: carcinoide típico (TC; baixo grau); Carcinoide atípico (AC, intermediário)
Câncer de pulmão de pequenas células (SCLC)
Carcinoma neuroendócrino de células grandes do pulmão (LCNEC)
Os carcinomas extrapulmonares de pequenas células (ESCC ou EPSCC)
Tumores neuroendócrinos gastroenteropancreáticos (GEP-NET)
O intestino grosso GEP-NET (tumores de foregut pode conceitualmente abrange não somente NETs do estômago e duodenum proximal, mas também o pâncreas, e mesmo o thymus, o pulmão eo bronchus)
Tumores endócrinos pancreáticos (se considerados separadamente do intestino anterior GEP-NET)
O intestino médio GEP-NET (da metade distal da 2ª parte do duodeno para os dois terços proximais do cólon transverso)
Apêndice, incluindo NET bem diferenciadas (benignas); Bem diferenciadas NET (incerteza potencial maligno); Carcinoma neuroendócrino bem diferenciado (com baixo potencial maligno); Carcinoma exocrino-neuroendócrino misto (carcinoma de células caliciformes, também chamado de adenocarcinoide adenocarcinoide e muco)
Hindgut GEP-NET
Fígado e vesícula biliar
Os tumores adrenais, particularmente tumores adrenomedulares
Feocromocitoma
Tumores do sistema nervoso periférico , tais como:
Schwannoma
Paraganglioma
Neuroblastoma
Peito
Tracto geniturinário
Tumor carcinóide do tracto urinário e carcinoma neuroendócrino
ovário
Tumor neuroendócrino do colo do útero
Testículos
Carcinoma de pele de Merkel (cancro trabecular)
Várias condições herdadas:
Neoplasia endócrina múltipla tipo 1 (MEN1)
Neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2)
Doença de von Hippel-Lindau (BVS)
Neurofibromatose tipo 1
Esclerose tuberosa
Complexo de Carney

Os sintomas dos hormônios secretados podem levar à medição das hormonas correspondentes no sangue ou seus produtos urinários associados, para o diagnóstico inicial ou para avaliar a mudança de intervalo no tumor.
Tomografia computadorizada , ressonância magnética , ultra- sonografia e endoscopia (incluindo ultra-sonografia endoscópica) são ferramentas diagnósticas comuns. As tomografias utilizando meio de contraste podem detectar 95 por cento de tumores com mais de 3 cm de tamanho, mas geralmente não tumores abaixo de 1 cm.
Avanços na medicina nuclear imagiologia, também conhecida como imagem molecular, melhorou paradigmas de diagnóstico e tratamento em pacientes com tumores neuroendócrinos. Isto é devido à sua capacidade de não apenas identificar sítios de doença, mas também caracterizá-los. Os tumores de neuronectrina expressam receptores de somatostatina, fornecendo um alvo único para imagiologia.
Várias questões ajudam a definir o tratamento adequado de um tumor neuroendócrino, incluindo sua localização, invasividade, secreção hormonal e metástase. Os tratamentos podem ser destinados a curar a doença ou a aliviar os sintomas ( paliação ). A observação pode ser viável para tumores neuroendócrinos de baixo grau não funcionantes. Se o tumor está localmente avançado ou tem metástase, mas ainda assim está crescendo lentamente, o tratamento que alivia os sintomas pode muitas vezes ser preferível ao imediato cirurgias desafiadoras.
Nos tumores carcinóides malignos com síndrome carcinoide, a sobrevivência média melhorou de dois anos para mais de oito anos.
Mesmo que o tumor tenha avançado e metastatizado, tornando a cirurgia curativa inviável, cirurgia muitas vezes tem um papel nos cancros neuroendócrinos para paliação dos sintomas e, possivelmente, aumento da vida útil.
Em tumores secretores, os análogos de somatostatina administrados por via subcutânea ou intramuscular aliviam os sintomas bloqueando a libertação de hormona. Uma revisão de consenso relatou o uso de análogos de somatostatina para GEP-NETs.
Estes medicamentos também podem estabilizar anatômicamente ou encolher tumores, como sugerido pelo estudo PROMID (placebo-controlado prospectivo randomizado estudo sobre a eficácia antiproliferativa Octreotide LAR em pacientes com tumores MIDgut neuroendócrino metastático): pelo menos neste subconjunto de NET, a estabilização tumoral média Foi de 14,3 meses em comparação com 6 meses para o placebo.
O lanreótido é a primeira e única terapêutica antitumoral aprovada pela FDA que demonstra um benefício de sobrevivência livre de progressão estatisticamente significativo numa população combinada de doentes com GEP-NETS.
As metástases ao fígado podem ser tratadas por vários tipos de tratamentos da artéria hepática com base na observação de que as células tumorais obtêm quase todos os seus nutrientes da artéria hepática, enquanto as células normais do fígado obtêm cerca de 70-80 por cento dos seus nutrientes e 50% Seu suprimento de oxigênio a partir da veia porta, e assim podem sobreviver com a artéria hepática efetivamente bloqueada.
A ablação por radiofreqüência (RFA) é usada quando um paciente tem relativamente poucas metástases. No RFA, uma agulha é inserida no centro da lesão e a corrente é aplicada para gerar calor; As células tumorais são mortas por cozimento.
A crioablação é semelhante à RFA; Uma substância endotérmica é injetada nos tumores para matar por congelamento. A crioablação tem sido menos bem sucedida para o GEP-NET do que para o RFA.

13.176 – Má Notícia: Fosfoetanolamina, a ‘pílula do câncer’, não é eficaz


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O Icesp decidiu cancelar os testes com a fosfoetanolamina sintética após 58, dos 59 pacientes tratados com a substância não apresentarem benefícios significativos.
A fosfoetanolamina sintética, que ficou conhecida como pílula do câncer, não é eficaz para o tratamento de tumores. É o que revelam os resultados da segunda fase do estudo clínico realizado pelo Instituto do Câncer de São Paulo, o Icesp, divulgados nesta sexta-feira. Devido à ausência de “benefícios clínicos significativos”, o instituto decidiu suspender os testes com a substância.

Estudo
Os testes em humanos tiveram início em julho do ano passado, após forte pressão popular. A primeira etapa da pesquisa clínica avaliou a toxicidade da fosfoetanolamina. Os resultados mostraram que o produto não apresentava risco de efeitos adversos graves.
Nesta segunda etapa, o objetivo era comprovar a eficácia da substância. O plano era incluir 20 participantes em cada um dos dez grupos de tumores – cabeça e pescoço, pulmão, mama, cólon e reto, colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado -, totalizando 210 pessoas em acompanhamento. Estatisticamente, a substância teria efeito se pelo menos três pacientes de cada subgrupo apresentassem uma redução de 30% do tumor. Não foi o que ocorreu.

Resultados aquém do esperado
Até o momento, 72 pacientes, de dez diferentes grupos de tumores, foram tratados com a fosfoetanolamina. Destes, 59 foram reavaliados e 58 não apresentaram resposta objetiva, de acordo com os médicos. Apenas um indivíduo, com melanoma, apresentou resposta ao tratamento.
O grupo de câncer colorretal foi o primeiro a completar a inclusão de todos os pacientes previstos nesta fase, e foi encerrado, pois nenhum paciente apresentou resposta objetiva ao tratamento. Nos últimos oito meses os pacientes passaram por avaliações periódicas, com retornos entre 15 e 30 dias, para a realização de consultas médicas e exames, dentre eles a avaliação da doença por tomografia, o que permite acompanhar de perto a evolução do câncer em relação ao uso da “pílula do câncer”.

Pesquisa suspensa
Como os resultados de reavaliação estão sendo muito inferiores ao desejável, em todos os grupos, a inclusão de novos pacientes está suspensa. O protocolo será reavaliado antes de qualquer continuidade, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.
Os pacientes envolvidos no projeto vão continuar em tratamento no Icesp normalmente, com acompanhamento da equipe de oncologia.

Histórico
O composto foi desenvolvido pelo químico Gilberto Chierice, no laboratório do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, em São Carlos. Ele passou a distribuir as cápsulas da substância para pessoas que o procuravam no local. Desde o fim de 2015, enormes filas de familiares e pacientes, entre crianças e idosos debilitados pela doença, eram formadas em frente ao Instituto em busca do ‘remédio milagroso’. O drama ganhou destaque quando uma liminar do Supremo Tribunal Federal autorizou a entrega das pílulas a um doente do Rio de Janeiro. A decisão provocou uma avalanche da ações judiciais, que ultrapassaram 20.000.
O clamor popular acabou pautando deputados, senadores e a presidente, que enfrentava um momento de baixíssima popularidade. A produção e comercialização da fosfoetanolamina sintética como droga anticâncer chegou a ser autorizada no Brasil, em abril de 2016, por um projeto de lei aprovado no Congresso e sancionado pela então presidente Dilma Rousseff. Mas a lei foi suspensa no mês seguinte por uma decisão do STF. A falta de comprovação científica sobre sua real eficácia sempre foi questionada por oncologistas, entidades médicas e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que criticava abertamente sua aprovação. O estudo, realizado pelo Icesp, tinha o objetivo de verificar o efeito da substância.

13.138 – Medicina – TUMORES DO MEDIASTINO


mediastino

O mediastino é um espaço existente entre os dois pulmões, no centro do tórax, composto por várias estruturas anatômicas como a traqueia, o coração, o esôfago, o timo e parte dos sistemas nervoso e linfático.

É dividido em três partes principais: mediastino anterior, mediastino médio e mediastino posterior. O crescimento celular anormal originado em uma dessas três regiões é considerado um tumor do mediastino, que pode ser benigno ou maligno.

Dentre os tumores malignos, os mais frequentes são os linfomas e timomas (originados no timo). Outros tumores malignos, podem ser secundários (metastáticos), provenientes de outros órgãos como mama, pulmão, tireóide, rim.

Sinais e sintomas
Geralmente, os sinais e sintomas dos tumores do mediastino são inespecíficos e variam de acordo com a origem e localização da doença. Na maioria das vezes, ocorrem em fases mais avançadas.

Os principais sintomas incluem:
– Dispnéia (dificuldade para respirar)
– Disfagia (dificuldade para engolir)
– Fadiga
– Perda de peso
– Tosse
– Hemoptise
– Rouquidão
– Infecção pulmonar de repetição
– Dor torácica

Causas (fatores predisponentes)
Os fatores de risco são múltiplos e inespecíficos, podendo variar com os diferentes tipos de tumores que ocorrem na região do mediastino.

Prevenção
Hábitos de vida saudáveis, como interrupção do tabagismo, atividade física regular, dieta balanceada são medidas importantes para prevenção dos tumores do mediastino bem como outros tipos de câncer. Não existem recomendações especificas para esses tumores ou exames preventivos de rotina.

Diagnóstico
Em geral, o diagnóstico inicial é feito através de exames de imagem ou endoscópicos (Radiografia do Tórax, Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética, PET scan, Endoscopia Respiratória ou Digestiva) e confirmado com biópsia do tumor pela mediastinoscopia.

Tratamento
O tratamento varia de acordo com o tipo do tumor, localização, estadiamento, idade e condições de saúde do paciente. Pode ser cirúrgico, com quimioterapia sistêmica ou radioterapia. Os linfomas são tratados com quimioterapia associada ou não a radioterapia. Para os timomas, o tratamento é cirúrgico e alguns casos complementado com quimioterapia ou radioterapia. No caso dos tumores neurogênicos, localizados no mediastino posterior, o tratamento principal é a cirurgia.

13.121 – Cavalo de Troia bacteriano contra o Câncer


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Bactérias podem ser tanto “do bem” como “do mal”. Há espécies vivendo dentro do ser humano fundamentais para o metabolismo do organismo, enquanto outras causam doenças.
Curiosamente, em alguns casos injetar bactérias específicas em tumores pode ajudar a erradicá-los, ao estimular a inflamação e desencadear uma resposta imune antitumoral. “Exemplo clássico disso é a injeção de câncer da bexiga com bacilo Calmette-Guérin, mas abordagens mais recentes têm usado bactérias de espécies dos gêneros Clostridium e Salmonella”.
Mas os autores do novo estudo dizem que até agora as diferentes estratégias para levar agentes terapêuticos até as células cancerosas têm vários obstáculos.
Apesar de diferentes “cargas úteis” –como anticorpos ou proteínas tóxicas- terem sido usadas para aumentar a toxicidade anticâncer das bactérias, com algum efeito terapêutico, “elas ainda têm limitações, por exemplo: injeções múltiplas de bactérias são necessárias, e os tumores tendem a reaparecer”, dizem os autores na revista médica.
“Vasos sanguíneos anormais e regiões hipóxicas [com pouco oxigênio] e necróticas [tecido lesado, morto] são características universais de tumores sólidos. Estes ambientes hipóxicos e anóxicos [sem oxigênio] podem ser alvo de bactérias anaeróbicas obrigatórias ou facultativas, tais como Bifidobacterium, Salmonella, Escherichia, Clostridium e Listeria”, afirmam os cientistas.
A equipe de 14 pesquisadores usou uma cepa enfraquecida da espécie Salmonella typhimurium modificada por engenharia genética para produzir em grande quantidade a proteína flagelina B (FlaB) tirada de outra bactéria, a Vibrio vulnificus.
O resultado foi excelente: as bactérias manipuladas geneticamente induziram uma resposta imunitária antitumoral eficaz, tratando com sucesso tumores em vários modelos diferentes de camundongos, e sem evidência de toxicidade.
A Vibrio vulnificus tem seis genes estruturais de flagelinas, das quais a FlaB parece ter o papel principal na formação da haste do flagelo. Mas, para o novo tipo de tratamento conhecido pela sigla em inglês BCT (Bacterial Cancer Therapy, Terapia do Câncer Bacteriana), o que mais interessa é o papel “adjuvante” da flagelina B –um adjuvante é um componente ou composto químico que potencializa a resposta imunitária.
No caso, isso significa induzir a infiltração de células de defesa (os “glóbulos brancos” do sangue), como neutrófilos e macrófagos. Essas estruturas atacam e destroem as células do tumor.
A bactéria Salmonella era o “cavalo”, a flagelina FlaB os “gregos” e os macrófagos eram o resto do exército grego, que atacou assim que viu o caminho aberto.
“Nosso objetivo é completar a cepa perfeita para a terapia do câncer, ou seja, ter como alvo especificamente o câncer, sentir o microambiente do tumor e desencadear a produção de drogas, destruindo cânceres completamente e eventualmente fazê-los desaparecer do corpo”, afirma o pesquisador coreano Jung-Joon Min.

12.946 – Medicina – O Câncer de Pâncreas


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O pâncreas é uma glândula que compõe o aparelho digestivo, localizada na região superior do abdômen, logo atrás do estômago. Tem como função a produção de enzimas que possuem importante papel no processo de digestão dos alimentos, e também, a síntese de insulina, hormônio que atua na redução do nível de glicose sanguínea.
Tumores malignos pancreáticos são infrequentes em pacientes com menos de 30 anos de idade. As chances de surgimento desse tipo de neoplasia aumentam consideravelmente após os 50 anos de idade, especialmente entre a faixa etária de 65 a 80 anos, acometendo preferencialmente o sexo masculino. De acordo com a União Internacional Contra o Câncer (UICC), os casos da moléstia em questão aumentam ao passo que a idade avança, sendo que de 10:100.000 casos entre 40 a 50 anos, passa para 116:100.000 casos entre 80 a 85 anos de idade.
No Brasil, este tipo de câncer representa 2% da totalidade dos cânceres e é responsável por aproximadamente 4% das mortes resultantes de tumores malignos.
Este tipo de câncer é altamente letal, uma vez que apresenta início insidioso, sendo comumente diagnosticado em estágio avançado.
Os tumores pancreáticos podem ser de diferentes tipos: pseudotumor pancreático, tumores endócrinos, neoplasias císticas, neoplasias sólidas, neoplasias mesenquimais ou hematopoiéticas. O tipo mais frequente de câncer pancreático é o adenocarcinoma (ou carcinoma), representando 90% dos casos. Este, por sua vez, é dividido de acordo com sua histologia em: ductais, papilares mucosos intraductais, carcinoma de células acinares, cistoadenocarinomas ou pancreoblastomas.
Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento desta neoplasia, o principal é o tabagismo. Os outros abrangem fatores nutricionais, como a ingestão de produtos de origem animal, obesidade e alta ingestão calórica. A relação entre o consumo de álcool e o surgimento de câncer pancreático ainda não foi bem esclarecido, assim como o consumo de cafeína, pesticidas, formaldeído e organofosforados. Já os exercícios físicos são apontados como um fator que auxilia na redução do risco de desenvolvimento desse tipo de câncer.
O adenocarcinoma leva à rápida metástase para os glânglios linfáticos (linfonodos), sendo que quando é obtido o diagnóstico, normalmente o câncer já alcançou o fígado. A evolução natural desse tipo de câncer é atingir os linfonodos, além de causar um comprometimento hepático, pulmonar, das pleuras, do peritônio e das adrenais.
O diagnóstico pode ser obtido através do quadro clínico apresentado pelo paciente, que é marcado pela perda de peso, icterícia (quando o tumor encontra-se em estágio avançado), presença do sinal de Trousseau de malignidade (sinal associada à hipercoagulabilidade). O sinal de Courvoisier, que define a presença da icterícia e de uma vesícula biliar distendida sem a apresentação de dor, é um indício de câncer de pâncreas, podendo ser utilizado na diferenciação entre o câncer pancreático e a colelitíase.
Exames laboratoriais, como os marcadores tumorais, auxiliam no diagnóstico. No entanto, o diagnóstico final é alcançado por meio de exames de imagem, como a ultra-sonografia, a tomografia computadorizada, a colangiopancreatografia endoscópica retrógrada, a colangiorressonância magnética e o PET (tomografia por emissão de pósitrons).
A cura do câncer pancreático é alcançada somente quando este for detectado precocemente. Existe a possibilidade de ressecção cirúrgica do tumor, em certos casos, realizando-se o denominado procedimento de Whipple, no qual se remove o tumor por completo e os órgãos vizinhos (estômago, duodeno e vesícula biliar). Este procedimento é muito agressivo, sendo realizado apenas em pacientes capazes de suportar uma cirurgia de grande porte e que não apresentam metástase.
Nos casos dos pacientes que apresentam metástase, o tratamento paliativo recomendado é a colocação de endo-prótese, visando à melhoria da qualidade de vida do paciente.
Os tratamentos radioterápico e quimioterápico podem ser úteis quando realizados em conjunto com o procedimento cirúrgico ou apenas como tratamento paliativo.

12.943 – Gen(ética) – Nova técnica de edição de genes é testada em humanos pela 1ª vez


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Vimos em outro artigo do ☻Mega a respeito dessa técnica, que agora vai ser testada em seres humanos.

Um grupo de cientistas chineses tornou-se o primeiro a injetar, em um ser humano, células que contêm genes editados com a técnica CRISPR (pronuncia-se “crísper”), segundo a revista científica inglesa “Nature”.
O paciente tem câncer de pulmão, e a esperança é que as células de defesa modificadas combatam o tumor.
Esse sistema de edição de DNA é mais simples e preciso que os métodos tradicionais de manipulação do genoma e, por isso, se transformou na grande vedete das principais publicações científicas recentes.
No dia 28 de outubro, uma equipe da Universidade Sichuan, em Chengdu, fez a aplicação das células modificadas em um paciente com câncer de pulmão agressivo como parte do teste clínico no Hospital West China.
Os pesquisadores primeiro removeram as células de defesa do sangue do paciente e então desligaram um gene nelas usando o CRISPR. A técnica usa uma enzima que funciona como tesoura molecular, cortando o DNA. Um pequeno trecho de RNA (molécula “prima” do DNA) serve como guia, identificando onde o corte preciso tem que ser feito.
Os genes desligados fabricam a proteína PD-1, que normalmente freia a resposta imune da célula ao tumor, que por sua vez se aproveita dessa função para crescer.
A equipe chinesa então expandiu o número dessas células modificadas e as injetou novamente no paciente, que tem metástase de câncer de pulmão. Espera-se que, sem a proteína PD-1, as células editadas vão atacar e vencer o câncer.
O oncologista Lu You, que liderou o trabalho, afirmou à revista “Nature” que o tratamento ocorreu bem e que o paciente deve receber uma segunda injeção. A equipe planeja tratar dez pacientes, que receberão entre duas e quatro infusões das células. Eles serão monitorados por pelo menos seis meses para avaliação de efeitos colaterais.
Outros estudos que usaram células editadas com uma técnica diferente já haviam animado os pesquisadores. O uso do CRISPR provavelmente vai acelerar a corrida para usar células editadas em ensaios clínicos pelo mundo, segundo Carl June, especialista em imunoterapia da Universidade da Pensilvânia.
June também é consultor de um estudo americano que vai usar o CRISPR para selecionar três genes nas células dos voluntários, com o objetivo de tratar vários tipos de câncer. Ele espera que a pesquisa comece em 2017. No mesmo ano, outro grupo chinês espera começar três ensaios clínicos usando a técnica contra tumores de bexiga, próstata e rim.
Naiyer Rizvi, da Universidade Columbia, em Nova York, diz que a tecnologia é promissora, mas questiona o sucesso do estudo chinês, considerando que a técnica não é muito escalável, por ser personalizada. Ele duvida que o tratamento será superior ao dos novos imunoterápicos, que já usam como alvo a proteína PD-1 e têm obtido excelentes resultados.

12.702 – Brasileiros conseguem reverter dois terços das metástases colorretais no fígado


MEDICINA simbolo

E levam técnica a consenso internacional nos Estados Unidos
Grupo de oncologistas do Hospital A.C.Camargo liderado pelo cirurgião Felipe Coimbra alcançou a cura de duas em cada três metástases de fígado (66,2% de sobrevida em cinco anos) utilizando a hepatectomia em dois tempos. Pouco utilizada mesmo nos principais centros oncológicos norte-americanos e europeus, a técnica é aplicada desde os anos 90 no hospital brasileiro visando a reversão da metástase de fígado originária de tumor colorretal, a mais frequente (cerca de 60%). No dia 18 de janeiro, em São Francisco, EUA, um consenso internacional reuniu especialistas do mundo todo e definiu novas abordagens terapêuticas na área. Diretor da Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo, Coimbra foi o único médico sulamericano convidado.
Um grupo de médicos e cientistas brasileiros alcançou um resultado inédito na reversão de metástase de fígado originária de tumor colorretal e apresentou a técnica no dia 18 de janeiro, em São Francisco, Estados Unidos, em reunião de especialistas internacionais para a definição de novas terapêuticas na área. O evento, promovido pela SSC – Society of Surgical Oncology e AHPBA – American Hepato-Pancreato-Biliary Association, determinou um novo consenso mundial em abordagens terapêuticas para as metástases de câncer de intestino, terceiro tipo de câncer mais comum no Ocidente.
Pesquisas publicadas nas duas últimas décadas por pesquisadores de centros oncológicos como a Mayo Clinic, Memorial Sloan-Kettering e Pittsburgh Medical Center apontavam para índices de sobrevida em cinco inferiores a 36% para casos de câncer de intestino com metástase no fígado. Os estudos que resultaram na sobrevida de 66,2% em cinco anos, alcançados pela equipe de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo, acompanharam 240 pacientes tratados a partir de 1999, superando o melhor resultado mundial, de 58%, registrado em 2005 no M.D.Anserson por Pawlik et al, instituição que organiza o evento. Único sulamericano convidado para a conferência, o cirurgião oncológico Felipe Coimbra, diretor da área no A.C.Camargo, liderou o grupo brasileiro.
Seis entre dez casos de tumores que geram metástase hepática são originados no intestino. Os demais casos que se espalham para o fígado tiveram como ponto inicial os tecidos tumorais em órgãos como estômago, pâncreas, colo do útero, rim, melanoma e tumores neuroendócrinos. Segundo as estimativas 2012/2013 do INCA o câncer colorretal é o quarto tipo de tumor mais frequente no país, excetuando-se pele não-melanoma, com 30 mil novos casos anuais.

12.581 – ‘Recauchutagem’ de célula de defesa ajuda a combater leucemia


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Uma nova e arriscada modalidade de terapia tem saltado aos olhos dos médicos como uma possível cura para alguns casos de leucemia difíceis de tratar.
Ela envolve uma espécie de recauchutagem (fora do organismo) de células do sistema de defesa. Após a injeção das células turbinadas, o impacto na doença é notório.
A terapia com células CAR T (com receptor antigênico quimérico) obtido taxas de sucesso que chegam a 90% em um estudos clínicos –a terapia ainda é experimental– com pacientes com leucemias linfoides crônica e aguda. Também há relativo sucesso em testes com outros tipos câncer, mas não tanto.
As conquistas dessa modalidade de tratamento leucemia linfoide aguda, que representa cerca de 10% do total das leucemias, foi classificada como “sem precedentes” pela pesquisadora Noelle Frey, médica da Universidade da Pensilvânia (EUA).
O problema da modalidade é a complexidade, afirma o coordenador de hematologia clínica do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes da Beneficência Portuguesa Phillip Scheinberg.
Para a recauchutagem, é necessária uma etapa chamada leucoferese, que remove do organismo as células brancas de defesa do sangue. O potencial impacto disso no organismo é severo: infecções “bobas”, como uma virose, podem matar.
Fora do organismo, essa células são tratadas e são transformadas, isto é, recebem um DNA exógeno. Elas são multiplicadas e passam a apresentar, em sua membrana, uma proteína quimérica, projetada para se ligar a um antígeno, no caso a molécula CD19, proteína geralmente presente nas células cancerosas.
Mirando no CD19, a terapia com células T recauchutadas, conseguem se ligar às células-alvo e descarregar todo seu arsenal antitumoral, tratando a doença.
No “projeto” do receptor quimérico, também constam regiões, que ficam pra dentro da célula, responsáveis por essa melhor ativação dos linfócitos e que aumentam sua sobrevivência de maneira expressiva, potencializando sua ação.

Um remédio amargo
O problema da terapia com as células CAR T é uma resposta inflamatória exagerada que acompanha a ação antitumoral. Essa reação pode matar, se não for controlada adequadamente.
“Ainda temos muito o que aprender, o efeito da terapia pode ser desastroso, se ela não for bem controlada.”
Em um estudo, Noelle e colegas resolveu tentar fracionar a dose de células para ver o balanço entre eficácia e segurança (ausência da resposta inflamatória exacerbada). A dose “normal” era de 500 milhões de células, que tinha resposta em 100% dos casos e também inflamação em todos os pacientes.
Fracionado em 3 a dose original, em 3 dias seguidos, a eficácia passou a 86% e a inflamação apareceu em 66% dos casos. Uma única dos de 50 milhões de células reduziu a eficácia para 33% e a inflamação apareceu em 66% dos casos.
O estudo era de fase 1: pequeno, preliminar e com poucos pacientes (46). Um de seus objetivos era de ver a segurança, e foi visto que pacientes com uma forma mais branda da doença eram razoavelmente protegidos desses efeitos inflamatórios -nenhum foi afetado enquanto 44% dos que tinham versão mais grave tiveram a complicação. Os pacientes mais graves também estão mais sujeitos à toxicidade no sistema nervoso.
A sobrevida após um ano ficou em 73% e 57% para os grupos menos e mais graves, respectivamente. Também está inversamente associada à melhor eficácia do tratamento a idade dos pacientes em tratamento.
O trabalho foi apresentado no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) de 2016, que aconteceu em Chicago entre 3 e 7 de junho.
A esperança dos oncologistas é levar esse “caso de sucesso” para os tumores sólidos (como de pulmão ou ovário). No entanto, apesar de a abordagem fazer sentido, não houve grande progresso.
A saída seria mexer na estrutura desses receptores quiméricos, fazendo que eles encontrem outros marcadores, além do CD19, que possam estar presente na superfície de outras tipos de células cancerosas.

12.580 – Saúde Pública – 4 em cada 10 pacientes começam a tratar câncer só após prazo legal


Preocupante
Apesar de existir uma lei que prevê que todos os casos de câncer tenham direito a tratamento em até 60 dias depois do diagnóstico, quatro em cada dez casos registrados em um sistema do governo federal esperam mais tempo para receber atendimento.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, dos 27.248 casos com data de tratamento registrada no Siscan (Sistema Nacional de Câncer), só 57% tiveram atendimento em até 60 dias. Outros 43% iniciaram tratamento depois desse prazo –a maioria após 90 dias ou mais.
A espera desses pacientes mostra que, três anos após entrar em vigor, a lei 12.732, sancionada em 2012 e chamada de “lei dos 60 dias”, ainda não é cumprida no país.
Para oncologistas, a demora pode agravar a situação do paciente. O impacto depende do estágio e de cada tipo de câncer. Em caso de linfomas mais agressivos, a espera pode ser fatal, diz Rafael Kaliks, oncologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.
“Sessenta dias já não é o ideal, porque existem vários tipos de câncer. E também do ponto de vista psicológico. Imagina esperar dois meses para começar a tratar”.
Ele lembra que, no Reino Unido, o limite é de 30 dias a partir do diagnóstico.
Gustavo Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, diz que a ideia de ter um limite é importante, mas faz ressalvas. “Há pacientes que podem esperar até 90 dias. Outros, nem 15. Não pode ser uma regra única.”

O que diz a lei12.732, de 2012
Conhecida como “lei dos 60 dias”, define que todo paciente com câncer tem direito a iniciar tratamento gratuito no SUS em até 60 dias após diagnóstico
O que é o Siscan (Sistema de Informação do Câncer)
Sistema criado pelo Ministério da Saúde para registro dos casos de câncer diagnosticados; unidades de saúde devem informar data de início do tratamento
58.294 é o número de casos de câncer registrados no Siscan
267.680 cirurgias para câncer foram realizadas pelo SUS em 2015, o que mostra que um grande volume de casos não é contabilizado pelo sistema
Antes de tratar, pacientes enfrentam outro gargalo: a espera por diagnóstico. “A doença não passa a existir só quando a pessoa tem o papel na mão”, diz Fernandes.
“Temos pacientes esperando há mais de dois anos por exames. Isso não é contabilizado”, diz o advogado Alber Sena, da Abrale (associação de linfoma e leucemia).
Para Rafael Kaliks, ao mesmo tempo em que a lei foi benéfica ao alertar para a necessidade de tratamento rápido, faltou planejamento para que o prazo pudesse, de fato, ser cumprido pelas instituições.
Segundo ele, a situação faz com que muitos hospitais optem por atender um número limitado de pacientes para continuar dentro do prazo.
“Se fecham a porta de entrada, não começa a contar o relógio de 60 dias”, afirma.

O que diz o MS
O Ministério da Saúde afirma reconhecer a importância da lei dos 60 dias e diz que tem ampliado os serviços de diagnóstico e tratamento junto aos gestores de Estados e municípios para “dar maior agilidade ao atendimento”.
O ministério diz ainda que o Siscan está em fase final de implementação e que os ajustes e aprimoramentos em curso no sistema “não prejudicam o ritmo de atendimento e tratamento de câncer no SUS”.
“Prova disso é que, em cinco anos, houve um aumento de 34% no número de pessoas com câncer atendidas no SUS, ampliado de 292,9 mil em 2010 para 393 mil em 2015”, afirma a pasta.
Segundo o ministério, nesse período, o número de procedimentos de tratamento (radioterapia, quimioterapia e cirurgia oncológica) e de prevenção cresceu 9%.
“O Ministério da Saúde reconhece que, ainda que muitos avanços já tenham sido atingidos, há ainda muito mais a avançar tendo em vista os desafios impostos a um país com dimensões continentais, como é o caso do Brasil”, afirma a nota.

12.558- Combinação de novas drogas deve turbinar luta contra o câncer


cancer
A estratégia de tirar o “disfarce” do tumor para que o próprio organismo lute contra a doença tem tido bons resultados e, em geral, com poucos efeitos colaterais.
O consenso é de que ela dominará o futuro da oncologia. Agora, o uso de múltiplas drogas simultaneamente parece ser a próxima fronteira para combater a doença.
Entre os vários estudos apresentados no encontro anual da Asco (Sociedade Americana da Oncologia Clínica), que terminou nesta terça (7) em Chicago, casos de sucesso dessas terapias combinadas ganharam destaque.
O objetivo na luta contra o câncer é buscar moléculas melhores e menos agressivas ao organismo. Como juntar moléculas de alta toxicidade para obter melhores resultados é praticamente impensável, é aí que a eficaz, menos danosa e cara imunoterapia ganha espaço.
Dois anticorpos imunoterápicos, o nivolumabe e o ipilimumabe (ambos da farmacêutica Bristol-Myers Squibb), se combinados, podem ter um efeito bastante positivo no tratamento do melanoma (tumor de pele). Foi esse, aliás, o primeiro tipo de câncer a chamar atenção com a nova estratégia, por volta de 2010.
De acordo com as farmacêuticas, não há obstáculo nem mesmo em testar combinação entre drogas concorrentes. “Isso interessa aos dois lados”, afirma Ronit Simantov, líder médica do setor de oncologia da Pfizer.
Para ela, se não houvesse essa disposição de colaborações, seriam desperdiçadas oportunidades de trazer um melhor tratamento aos pacientes – o que também significaria menos vendas.
Nessa disputa por espaço também está a MSD com sua droga pembrolizumabe, que vem sendo estudada em várias doenças, como melanoma, tumores do sistema digestivo e de pulmão de pequenas células.
O problema é como pagar por esses medicamentos. O custo do nivolumabe pode ser de mais de US$ 150 mil, e o do ipilimumabe, de mais de US$ 100 mil. A combinação sai cara, mas com sobrevida quatro vezes maior do que a do uso isolado do “ipi”.
“Combinação de vários tratamentos não funciona para todo mundo com câncer. É muito caro, não há sistema que aguente. Temos de conhecer cada vez mais os tumores e achar os biomarcadores para saber em que casos vale a pena gastar mais”, afirma Luciana.
O custo de produção, envase e distribuição para países pobres não teria grande impacto nas receitas se a droga fosse vendida a eles a um preço menor – o que tem se tornado uma prática cada vez mais comum. Isso dá esperança de que o acesso aos mais novos tratamentos inovadores com imunoterápicos possam chegar mais rapidamente às redes privada e (quem sabe) pública do país.
São alternativas enquanto não se tenha tecnologias realmente revolucionárias, o que se espera para breve.

12.547 – “Vacina universal” contra o câncer passa pelos primeiros testes


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Cientistas alemães deram um grande passo no sentido de desenvolver a primeira “vacina universal” contra o câncer.
Os resultados de testes preliminares em humanos, junto com a pesquisa em ratos, foram publicados recentemente na revista Nature e sugerem que a nova técnica poderia ser usada para ativar o sistema imunológico de pacientes contra qualquer tipo de tumor.

Como funciona
Ao contrário das vacinas com as quais estamos familiarizados, esta seria dada aos pacientes que já têm câncer, em vez de pessoas em risco de adquiri-lo.
Ela funciona basicamente atirando minúsculos “dardos” contendo pedaços de RNA extraídos de células cancerosas do próprio paciente, convencendo o sistema imunitário do doente a lançar um ataque sobre quaisquer tumores que atravessarem seu caminho.
Manipulando o RNA dentro desses dardos, a equipe pode, em teoria, mobilizar o sistema imunitário contra qualquer tipo de câncer. É isso que torna a vacina universal.
“Essas vacinas são rápidas e baratas de produzir, e praticamente qualquer antígeno tumoral pode ser codificado por RNA”, escreveu a equipe do estudo, liderada por pesquisadores da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, na Alemanha, na revista Nature.
Imunoterapia, que envolve o uso do próprio sistema imunológico do paciente para atacar o tumor, não é nenhuma novidade. Outros pesquisadores já utilizaram essa abordagem contra diferentes tipos de câncer com bons resultados.
Porém, até agora, os pesquisadores têm usado principalmente engenharia genética, manipulando células imunológicas em laboratório e depois injetando-as de volta no paciente, o que é um processo demorado e caro.
Já a nova técnica introduz o DNA do câncer nas células imunes dentro do corpo, o que é muito menos invasivo. Isso também significa que a vacina pode ser ajustada para caçar uma gama maior de tipos de câncer.
Por que o sistema imunológico não mata naturalmente esses tipos de câncer?
Uma das razões é que as células cancerosas são semelhantes em muitos aspectos às células normais e o sistema imunológico evita atacá-las.
Isso significa que, quando você desenvolve uma “vacina”, precisa usar um antígeno – uma molécula estrangeira. Respostas imunes fortes podem ser esperadas apenas quando as células cancerígenas expressam antígenos que não são normalmente expressos em células adultas normais.
É este tipo de antígeno específico que a nova vacina é projetada para fornecer. Funciona revestindo com uma membrana de ácido gordo simples o RNA do câncer, dando-lhe uma carga ligeiramente negativa.
Uma vez que a vacina é injetada num paciente, é atraída através de carga elétrica para as células dendríticas imunes no baço, nódulos linfáticos e medula óssea.
Estas células dendríticas, em seguida, “mostram” o RNA do câncer para as células T (as que combatem a doença) do organismo, indicando que esses são os intrusos que elas precisam exterminar em massa.
Foi exatamente isso que foi visto nas primeiras pesquisas da equipe alemã com ratos. Quando injetados com a vacina, os sistemas imunitários dos animais foram capazes de combater tumores agressivos.
Claro, muitos resultados em ratos não se traduzem para os seres humanos, por isso não podemos ficar muito animados ainda.
No entanto, a equipe também já avaliou uma versão da vacina em três pacientes com melanoma. A meta era apenas testar se a vacina era segura para utilização em humanos, não verificar se ela era eficaz.
Até agora, os resultados foram promissores. Os efeitos secundários foram limitados a sintomas semelhantes aos da gripe, o que é melhor do que a maioria dos tratamentos que usam quimioterapia.
A equipe precisa esperar um ano para o acompanhamento dos resultados deste ensaio clínico de segurança. Se tudo correr bem, os pesquisadores iniciarão um ensaio clínico maior para ver se a vacina realmente funciona.
Embora ainda seja cedo, temos mais uma razão para nos sentir esperançosos sobre o futuro do tratamento do câncer.

12.537 – Nanotecnologia contra o Câncer


microcanal
A nanotecnologia é capaz de oferecer diversas ferramentas para melhorar a medicina e é vista com enorme interesse no campo da oncologia. De fato, esse campo de fronteira da Ciência possui diversas aplicações em desenvolvimento quando se trata de tratamento do câncer. Esse artigo irá ilustrar algumas das principais possibilidades.
Métodos de imagem atuais só podem detectar câncer com facilidade após a doença levar a uma mudança visível no tecido, dando tempo a milhares de células se proliferarem e talvez entrarem em metástase. E mesmo quando visível, a natureza do tumor maligno ou benigno e as características que podem torná-lo mais sensível a um tratamento particular, devem ser avaliados através de biópsias. Imagine se, em vez células cancerosas ou pré-cancerosas, fosse possível a detecção por dispositivos convencionais de digitalização. Duas coisas seriam necessárias: identificarespecificamente uma célula cancerosa e permitir que ela fosse vista e essas duas coisas podem ser alcançadas através da nanotecnologia. Por exemplo, os anticorpos que identificam receptores específicos encontrados em células cancerosas podem ser revestidos por nanopartículas, tais como óxidos metálicos que produzem um sinal de alto contraste em imagens de ressonância magnética (RM) ou Tomografia Computadorizada (TC). Uma vez dentro do corpo, os anticorpos nessas nanopartículas se ligam seletivamente a células cancerosas, efetivamente iluminando-as para o scanner. Da mesma forma, partículas de ouro poderiam ser usadas para melhorar a dispersão de luz para as técnicas endoscópicas, como colonoscopias. A nanotecnologia permitirá a visualização de marcadores moleculares que identificam estágios e tipos específicos de câncer, permitindo que os médicos vejam células e moléculas indetectáveis por técnicas de imageamento convencionais.
Nanofios interagem seletivamente com alguma compostos, podendo ser utilizados na confeção de sistemas de sensoriamento; de fato, ao interagirem com determinados compostos, é possivel monitorar alterações elétricas através de sua conexão a um eletrodo e assim detectar substâncias e marcadores produzidos especificamente por células tumorais. O sistema pode ser acoplado aum microcanal por onde fluem amostras biológicas retiradas do paciente em quantidades ínfimas.
A triagem de biomarcadores em tecidos e fluidos para o diagnóstico também será melhorada e, potencialmente, revolucionada pela nanotecnologia. Cânceres individuais diferem das outras células normais por mudanças na expressão e distribuição de centenas de moléculas. Para escolher o método terapêutico, pode ser necessária a detecção simultânea de vários biomarcadores para identificar um câncer para a seleção do tratamento. Nanopartículas de ouro podem ser utilizadas, com sua superfície funcionalizada adequadamente para indicar a presença de compsotos produzidos por células tumorais através de sua agregação e consequente deslocamento de sua banda de ressonância plasmônica. Adicionalmente nanopartículas utilizadas como pontos quânticos, que emitem luz de cores diferentes dependendo do seu tamanho, poderiam permitir a detecção simultânea de múltiplos marcadores. Os sinais de fotoluminescência de pontos quânticos revestido de anticorpos poderia ser usada para triagem de certos tipos de câncer. Diferentes pontos quânticos coloridos seriam acompanhados de anticorpos para biomarcadores de câncer para permitir que os oncologistas possam discriminar células cancerosas e saudáveis de acordo com o espectro de luz que vêem.

Terapias contra o câncer estão geralmente englobadas pela cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Todos os três métodos geram risco de danos aos tecidos normais ou erradicação incompleta do câncer. A nanotecnologia oferece os meios para apontar terapias direta e seletivamente em células cancerosas.

Nanocarreadores
Quimioterapia convencional emprega drogas que são conhecidos por matar células cancerosas de forma eficaz. Mas essas drogas citotóxicas matam também células saudáveis, além de células tumorais, levando a efeitos colaterais adversos, como náuseas, neuropatia, perda de cabelo, fadiga e comprometimento da função imunológica. Nanopartículas podem ser usadas como transportadores de drogas para quimioterápicos para entregar a medicação diretamente no tumor, poupando o tecido saudável. Nanocarreadores têm várias vantagens sobre a quimioterapia convencional. Eles podem:
proteger as drogas de serem degradadas no corpo antes que elas atinjam seus alvos
melhorar a absorção de medicamentos em tumores
permitir um melhor controle sobre o calendário e distribuição de drogas para o tecido, tornando mais fácil para oncologistas para avaliar quão bem eles funcionam
impedir que as drogas interagem com células normais, evitando efeitos colaterais
Existem hoje várias drogas baseadas em nanocarreadores no mercado, que contam com a segmentação passivo através de um processo conhecido como “permeabilidade aumentada e retenção.” Devido ao seu tamanho e propriedades da superfície, algumas nanopartículas podem escapar através das paredes dos vasos sanguíneos em tecidos. Além disso, os tumores tendem a ter vasos sanguíneos com vazamento e com defeito drenagem linfática, fazendo com que as nanopartículas acumulem-se neles, concentrando o medicamento citotóxico ligado onde ele é necessário, protegendo o tecido saudável e reduzindo os efeitos colaterais adversos.

Nanopartículas também podem carregar drogas para células cancerosas, com mecanismo de ação baseado nas moléculas que são expressas na sua superfície celular do tumor. Moléculas que se ligam especialmente a receptores celulares podem ser anexados a uma nanopartícula tendo como alvo células que expressam o receptor.
Algumas moléculas sintéticas poliméricas podem ser utilizadas como carreadores biodegradáveis, apresentando a vantagem de não precisarem ser removidas do organismo após executar a liberação completa da droga. Um exemplo é o ácido poliláctico glicólico (PLGA)
Nanopartículas magnéticas
Nanopartículas magnéticas também podem ser utilizadas para destruir tumores; nesse caso, uma dose de nanopartículas e administrada ao paciente e concentrada sobre o tumor mediante aplicação de um campo magnético externo (Ou mediante funcionalização da superfícia das nanopartículas magnéticas com compostos que possuam afinidade por tecidos tumorais). Um campo eletromagnético externo de algumas centenas de kHz é aplicado obrigando as nanopartículas a realinharem continuamente seus momentos magnéticos, levando ao aquecimento do sistema. Como célular tumorais são sensíveis ao aumento de temperatura, essa é uma metodologia útil (Denominada magnetohipertermia) no tratamento de algumas variedades de câncer.

Terapia fotodinâmica
O uso de luz e corantes fotosensíveis no tratamento de doenças já era conhecido no Egito antigo, , cerca de 2000 a.C., quando tratava-se vitiligo com uma combinação de plantas ingeridas e exposição à luz do Sol. Em 1912, Meyer-Betz estudou o efeito fotodinâmico de porfirinas ems eres humanos, injetando em si mesmo 200mg de hematoporfirina em seu braço e expondo-o ao Sol; a região apresentou forte eritema, mostrando que a porfirina ao ser iluminada era capaz de gerar espécies citotóxicas. Em 1960, Lipson utilizou uma combinação de derivados de hematoporfirina e luz para tratar um câncer de mama.
A técnica que faz uso de compostos fotoativos e luz para o tratamento de tumores é chamada Terapia Fotodinâmica. Essa técnica consiste em administrar um fármaco fotosensível ao paciente por via intravenosa, que é retido seletivamente por células tumorais, concentrando-se sobre o tumor após um período específico (Algumas horas). Em seguida, a região contendo o tumor é submetida à luz monocromática (Na cor de máxima absorção do composto aplicado), conforme visualizado na Figura 2. A absorção de luz ativa uma série de reações no composto fotoativo, gerando espécies excitadas que, por sua vez, induzem a formação de espécies reativas de oxigênio, como oxigênio singlete, por exemplo.Essas espécies reativas de oxigênio destroem as células tumorais, por processo de necrose ou de apoptose.
Os compostos fotoativos administrado ao paciente podem estar encapsulados em nanocápsulas poliméricas, tendo sua eficiência aumentada graças ao mecanismo de liberação inteligente que só é possível graças ao sistema nanoencapsulador.

CONCLUSÃO
A nanotecnologia ja fornece algumas ferramentas importantes no desenvolvimento de novas metodologias analíticas e diagnósticas no tratamento de diversos tipos de câncer; entretanto, muita pesquisa ainda é necessária para que se atinja o pleno potencial que a nanotecnologia é capaz de alcançar na área da saúde e, mais especificamente, da oncologia. Drogas mais inteligentes e mais eficientes, sem efeitos colaterais, métodos diagnósticos que permitem a detecção precoce de tumores e métodos de tratamento não-invasivos são apenas algumas das possibilidades que já vem sendo estudadas e/ou aplicadas.

12.371 – O brasileiro que poderá encontrar a cura do câncer


Um pesquisador brasileiro de apenas 25 anos, que faz doutorado em química orgânica na Universidade de Oxford, na Inglaterra, tem o sonho de transformar o câncer em uma doença facilmente tratável.
Wilian Cortopassi, um Bolsista da Fundação Estudar, formou-se em Química pela PUC-Rio. Seu interesse pela área da saúde começou cedo, aos 15 anos, quando viu o pai sofrer com o tratamento para câncer de pulmão. A partir de então, ele decidiu seguir a carreira de pesquisador e ver o que poderia fazer para mudar a realidade de quem tinha que passar por quimioterapia.
Aos 16 anos, o garoto deixou a cidade natal de Contagem (MG) e de mudou para São José dos Campos (SP). Depois, tornou-se bolsista da Fundação Estudar. Em seguida, foi para o Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro, famoso pelo curso de química medicinal. Ali, não se adaptou ao local, e mudou-se para a PUC, onde concluiu os estudos antes de ir para Oxford, em 2013.
Na universidade inglesa, Wilian se dedica a temas da epigenética. Em entrevista à revista Exame, ele diz que “apenas uma herança genética não significa que você de fato terá uma doença como o câncer, mas influências externas como fumo, exposição intensa à radiação solar e depressão podem ativar esses fatores genéticos e, aí sim, a doença aparece.”
Daqui para frente, o pesquisador planeja entender como impedir que esses gatilhos sejam disparados. Ele também acredita no desenvolvimento de técnicas cada vez mas acessíveis de sequenciamento genético personalizado de tratamento.
“Quando uma pessoa descobrir que está com algum tipo de câncer, quero que não seja algo assustador como é hoje”, afirma Willian.