14.104 – Sistema Solar – A Lua Pandora


Pandora
Eis o Batatão

Pandora é um satélite natural de Saturno. Foi descoberto em 1980 por fotografias feitas pela sonda Voyager 1 e foi provisoriamente chamado de S/1980 S 26. Em 1985 foi oficialmente chamado de Pandora, e é conhecido também por Saturno XVII. Junto com Prometeu é um satélite pastor do anel exterior de Saturno, o Anel F.

14.099 – Apareceu a Margarida – Índia localizou a sonda Chandrayaan-2 e está tentando fazer contato


sonda indiana
A Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO, na sigla em inglês) encontrou a localização do módulo de aterrissagem da sonda não tripulada Chandrayaan-2. Os cientistas perderam contato com o veículo espacial na sexta-feira (6), enquanto ele descia para a superfície da Lua. Agora, eles precisam determinar em qual condição a máquina está.
O presidente da ISRO, K. Sivan, disse ao canal India Today TV que Chandrayaan 2 enviou uma imagem térmica da localização do orbital lunar Vikram – parte que compõe a sonda e fora preparada para ficar um ano no satélite natural coletando dados. A espaçonave também possui um rover com seis rodas, chamado Pragyan, projetado para passar duas semanas na superfície da Lua realizando experimentos.
Essa é a primeira missão indiana a tentar chegar com sucesso na Lua. A equipe da ISRO perdeu contato com a sonda na sexta-feira e até o momento não havia informações se os sinais desapareceram por causa de um problema no módulo de aterrissagem ou por colidir com a superfície lunar.
O primeiro-ministro indiano Narendra Modi, em um discurso na manhã de sábado (7de setembro), indicou que a missão tinha falhado. “Chegamos muito perto, mas precisamos cobrir mais terreno. Nossa determinação de tocar a Lua se tornou ainda mais forte”.
A Chandrayaan-2 deveria ter pousado por volta das 17h20 (horário de Brasília) na sexta-feira (6). A essa hora, porém, na sala de comando da ISRO, a comunicação com a sonda foi interrompida. Segundo o painel de monitoramento, ela estava a apenas 2,1 quilômetros da superfície lunar.
Ao custo de aproximadamente 141 milhões de dólares, a Chandrayaan-2, cujo nome em sânscrito significa “nave lunar”, tem um objetivo ambicioso: chegar perto do polo sul da Lua, a um local jamais explorado em outras missões. O ponto escolhido para o pouso foi um planalto situado entre duas crateras apelidadas de Manzinus C e Simpelius N. Pensando em medidas terrestres, o local fica a 70,9 graus da latitude sul e 22,7 graus da longitude leste, ou seja, a cerca de 600 quilômetros do polo sul.
Com a missão, a ISRO pretende mapear a superfície lunar para estudar as variações na sua composição — algo essencial para o melhor entendimento da origem e da evolução da Lua. Antes, com a missão Chandrayaan-1, lançada em 2008, a Índia ajudou a confirmar a presença de água na Lua, mas fez isso sem pousar na superfície lunar.

14.079 – Queda de nave israelense espalhou milhares de tardígrados pela Lua


tardígrado
Tardígrado vai sempre tarde

Qual é o bicho mais resistente que existe? Não, não são as baratas. Principalmente em um planeta onde vivem os tardígrados – simpáticos seres gorduchinhos como este que você vê na foto acima. Primos distantes dos artrópodes, eles costumam ter entre 0,5 e 1,2 milímetro de tamanho e sempre a mesma aparência: corpos rechonchudos de onde emergem oito pernas e pequenas mãozinhas – além de uma espécie de “esfíncter” onde deveria ser o rosto.
Eles, sim, já deram diversas provas de que merecem o título, sobretudo pela habilidade de viver tranquilamente em situações extremas. Índices de radiação que poderiam matar humanos; temperaturas escaldantes ou o frio Antártico, aridez extrema, longos períodos sem comer e até mesmo a queda de um asteroide. Nada disso é páreo para os tardígrados.
Sua capacidade de adaptação é tamanha que, em 2019, eles foram escolhidos para um experimento ousado. Uma nave israelense que tinha como destino final a Lua, a Beresheet, levou na bagagam uma “biblioteca lunar”, contendo milhões de arquivos digitais sobre o planeta Terra, amostras de DNA humano e um lote de milhares de tardígrados desidratados. Era a grande oportunidade de provar se esses seres microscópicos, além de dominarem climas extremos na Terra, podiam também viver no espaço.
Os prognósticos eram promissores. Em 2007, cientistas já haviam demonstrado que tardígrados poderiam sobreviver às condições que encontrariam em uma viagem ao espaço. Mesmo após serem bombardeados por altas doses de radiação, temperaturas abaixo de zero e viverem no vácuo alguns dias, eles permaneceram firmes e fortes.
O problema é que a Beresheet não concluiu sua missão original e, em vez de pousar placidamente na Lua, se espatifou por lá no último dia 11 de abril. A queda teria espalhado o carregamento de tardígrados pela superfície lunar.
A grande notícia é que, a tal “biblioteca lunar” que o veículo carregava sobreviveu. E, de acordo com o que disse à revista Wired Nova Spivack, fundador da missão que bancou a ida dos tardígrados a Lua, os bichinhos também não morreram – e podem ainda voltar à vida se tirados do estado de dormência em que se encontram.
Tardígrados têm a estranha habilidade de perder quase toda a água do corpo e reduzir drasticamente seu metabolismo – entrando numa espécie de “animação suspensa”. Esse estado letárgico é que os permite sobreviver em condições que, normalmente, poderiam ser fatais. Como viagens ao espaço, por exemplo.
Uma vez colocados na água, os animais se tornam ativos novamente – recuperando a capacidade de se alimentar e se reproduzir como sempre fizeram. Mas não há a possibilidade de que os tardígrados tomem conta da Lua e iniciem por lá uma civilização extraterrestre. Como não há atmosfera e água em estado líquido na superfície, eles não conseguem se reproduzir, permanecendo na situação de animação suspensa em que estão.
O que se especula agora, porém, é se seria possível buscá-los na Lua e devolvê-los à vida. Duvida que os bichinhos conseguiriam sobreviver a mais essa prova? É melhor pensar de novo. Há casos de tardígrados ressuscitados após passarem 30 anos congelados, por exemplo.
Quanto tempo eles aguardarão na superfície lunar, ou se a chegada de humanos benevolentes será suficiente para trazê-los de volta, só o tempo irá dizer. Enquanto eles estiverem ali, no entanto, poderemos afirmar sem medo que existe, sim, vida na Lua – para além dos micróbios presentes nos 96 sacos de fezes, vômito e urina que os astronautas deixaram por lá.

14.066 – A Cápsula Orion


200px-Orion_Space_launch
(MPCV)) é uma nave espacial desenvolvida pela NASA para exploração humana do espaço profundo, construída para transportar astronautas à Lua, a Marte e a asteróides.
A espaçonave é baseada no antigo Orion Crew Exploration Vehicle, do cancelado Programa Constellation.
O primeiro teste não-tripulado da Orion foi realizado com sucesso em 5 de dezembro de 2014.
Em 14 de janeiro de 2004, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou a construção do Crew Exploration Vehicle (CEV) como parte da política espacial americana Vision for Space Exploration. O veículo espacial era parcialmente uma reação ao acidente do ônibus espacial Columbia, ao relatório da comissão criada para analisar as causas do desastre e às descobertas subsequentes, além de uma revisão do programa espacial norte-americano feita pela Casa Branca. Como a Vision for Space Exploration acabou sendo desenvolvida como Programa Constellation, o CEV acabou sendo denominado Orion Crew Exploration Vehicle, em homenagem à constelação do mesmo nome.
O Programa Constellation propunha a criação do Orion CEV com duas variantes, nave cargueira não-tripulada e voos com tripulação, como apoio às expedições na Estação Espacial Internacional e como um transporte para voltar à Lua. Dividida em duas partes principais, um módulo de comando em forma de cone e um módulo de serviço cilíndrico – contendo o sistema de propulsão da nave e suprimentos de consumo – foram projetados, baseados no desenho das naves Apollo que voaram entre 1967 e 1975.
O desenho da nave incluía um módulo de serviço para suporte à vida e propulsão própria, inicialmente previsto para aterrar em terra firme com o auxílio de airbags, mas depois mudado para pouso no mar, também como as antigas Apollo.
A nave deveria ser lançada por um foguete leve Ares I para a órbita baixa da Terra onde se acoplaria com o Módulo Lunar Altair, lançado antes por um foguete mais pesado, Ares V, para as expedições lunares. Entretanto, em 11 de outubro de 2010, por questões orçamentárias, o presidente Barack Obama cancelou o Programa Constellation, encerrando o desenvolvimento do módulo Altair e dos dois foguetes programados. Apenas o Orion Crew Exploration Vehicle (CEV), renomeado como Orion Multi-Purpose Crew Vehicle (MPCV), foi mantido, com lançamento a ser feito pelo Space Launch System.
A Orion MPCV se assemelha em aparência com suas predecessoras Apollo mas a similaridade é limitada ao desenho de ambas. Sua tecnologia e capacidade são muito mais avançadas. Ela é planejada para suportar missões de maior duração no espaço profundo e pode carregar até seis astronautas por mais de 21 dias e até 6 meses. Durante o período de repouso no espaço, o suporte à vida da tripulação deve ser fornecido por outro módulo como o Deep Space Habitat, um módulo em tamanho menor e derivado das condições de conforto da ISS. A propulsão, proteção termal e sistemas aviônicos foram planejados para serem modernizados à medida que novas tecnologias sejam descobertas. Ela inclui módulo de comando e de serviço assim como um adaptador de espaçonaves.
O módulo destinado à tripulação é maior que o da Apollo e pode acomodar mais tripulantes para missões espaciais curtas ou longas. O módulo de serviço, além de fornecer propulsão, estoca a água e o oxigênio da tripulação. Sua estrutura também foi desenhada para permitir o transporte de carga e de experimentos científicos.

Módulo de Comando
É a cápsula que serve de habitação para os tripulantes, fornece armazenamento para materiais de consumo e instrumentos de pesquisa e serve como porto de acoplagem para transferência de tripulações. É a única parte da espaçonave que retorna à Terra após a missão e tem um formato de tronco de bases paralelas a 57.5º, similar ao Módulo de Comando da Apollo. Tem 5m de diâmetro por 3,3m de altura, com uma massa de cerca de 8,6 toneladas.
A proteção termal da cápsula é feita de um produto chamado Avcoat, também usado anteriormente nas Apollo e nos ônibus espaciais, composto de fibras de sílica com uma resina em um favo feito de fibra de vidro e resina fenólica. Algumas das novas tecnologias usadas pela Orion são um sistema de acoplagem automática (existente apenas hoje nas naves cargueiras não-tripuladas), sistema de computadores superiores aos existentes em qualquer espaçonave atual, sistemas digitais de controle derivados do Boeing 787 Dreamliner, o mais avançado avião da Boeing, incluindo controle de voz, melhoria das instalações de gestão de resíduos, com um banheiro de estilo acampamento em miniatura e o “tubo de alívio” unissex usado no ônibus espacial (cujo sistema foi baseado no utilizado no Skylab) e da Estação Espacial Internacional (com base nas estações soviéticas Salyut e MIR). Isso elimina o uso da odiada “fralda de plástico” usada pelos tripulantes das Apollo e das naves russas Soyuz. Além disso, um novo sistema de mistura de oxigênio/nitrogênio é usado na composição da atmosfera do interior da nave, que permite que o ar respirado tenha mesma pressão do nível do mar ou ligeiramente reduzido.
A cápsula é construída com uma liga de alumínio-lítio, igual à usada no tanque externo do ônibus espacial e nos foguetes Delta IV e Atlas V.
Para permitir que ela acople com outras naves espaciais, o MC da Orion é equipado com o NASA Docking System, mecanismo de acoplagem desenvolvido para ela, similar ao usados pelos ônibus espaciais para acoplagem com a ISS. Ela também possui um sistema de escape de emergência durante o lançamento, o Launch Escape System, assim como uma capa protetora feita de fiberglass para protegê-la de tensões aerodinâmicas e de impacto durante os 2,5 minutos de subida. Seus projetistas asseguram que a Orion é dez vezes mais segura durante a subida e a reentrada que os ônibus espaciais.

Módulo de serviço
Num primeiro momento, após indecisões sobre a fabricação de um MS por questões orçamentárias após o fim do Programa Constellation, a direção da NASA e do programa Orion anunciou que a ela usaria um já existente ATV, os veículos de carga europeus desenvolvidos pela ESA para suporte das tripulações da Estação Espacial Internacional, como módulo de serviço para o módulo de comando da Orion. Com a evolução dos estudos, a NASA decidiu que um módulo exclusivo seria construído pela ESA para a nave, com hardware derivado dos atuais ATV, através da Airbus Defence and Space, em Bremen, na Alemanha.

Sistema de abortagem de lançamento
A Orion é a primeira espaçonave norte-americana desde o Programa Apollo a ser equipada com um sistema de escape de emergência. Assim como o módulo de comando da Apollo, o Launch Escape System (LES) da Orion possui um potente foguete de combustível sólido na ponta do conjunto foguete-cápsula, capaz de ejetar o módulo de comando e sua tripulação para longe do foguete se ele apresentar algum defeito durante o lançamento inicial, até o momento em que o primeiro estágio seja ejetado.
Baseado no sistema usado pelas naves Soyuz, o LES a ser usado pela Orion será maior que os da espaçonave russa e terá mais empuxo que todo o foguete Atlas 6 usado para colocar o astronauta John Glenn em órbita em 1962.
Após o adiamento para o dia seguinte, em 5 de dezembro foi feito o lançamento da espaçonave, às 07:03, hora local de Cabo Kennedy, sem tripulação, para o teste que consistiu em realizar duas órbitas em volta da Terra, uma delas a mais de 5,8 mil km de distância, dentro do Cinturão de Van Allen, testar equipamento críticos de segurança, fazer análises das estruturas da nave e retornar pousando no oceano.[24] Apesar de não levar tripulantes, a Orion levou ao espaço amostras do solo lunar, partes de um fóssil de dinossauro e uma gravação do movimento “Marte” da obra de Gustav Holst, “Os Planetas”.
Depois de cumprir o planejado, num voo de cerca de 4h30min, a cápsula pousou no Oceano Pacífico, 1000 km a oeste de San Diego, às 08:29, hora local, onde foi recolhida do oceano pelas equipes de resgate da NASA e da Marinha, a bordo do navio de apoio USS Anchorage. A agência espacial informou que a nave funcionou quase à perfeição e que pousou no mar apenas uma milha fora do ponto previsto.

14.065 – NASA conclui cápsula Orion que levará tripulação à Lua até 2022


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Após 50 anos da primeira vez que o homem pisou na Lua, a NASA se prepara para fazer uma segunda viagem: em um evento de comemoração à missão Apollo 11, o vice-presidente norte-americano Mike Pence anunciou a conclusão da construção da cápsula espacial Orion.
“Orion é uma nova classe, projetada exclusivamente para voos espaciais de longa duração, que devolverão os astronautas à Lua e, eventualmente, levarão os primeiros humanos a Marte e os trarão de volta em segurança”, disse a vice-presidente e gerente geral de Espaço Civil Comercial da Lockheed Martin, empresa responsável pela construção da cápsula, Lisa Callahan.
A sua primeira missão será chamada de Artemis 1 e não vai contar com tripulação. A cápsula será enviada para orbitar a Lua a fim de testar os sistemas e analisar caminhos que levem até Marte. O gerente do programa Orion da Lockheed Martin, Mike Hawes, afirmou que os testes devem assegurar a viagem de pessoas à Lua até 2022 — quando a primeira mulher deve ir à Lua.
“O voo Artemis 1 testará o design e a mão-de-obra da cápsula e seu módulo de serviço durante a missão de três semanas ao redor da Lua. Estamos entusiasmados com essa missão, pois ela prepara o caminho para a primeira missão tripulada em 2022. Artemis 2.”, explicou.
Além da Lockheed Martin, a NASA fez parcerias com outras empresas, inclusive de diferentes países, para ampliar a qualidade do projeto e dividir custos. A Agência garante o estabelecimento da presença humana sustentável na Lua até 2028.

14.055 – De Olho no Eclipse – Eclipse total do Sol é festejado no Chile e na Argentina


eclipse
Da região de La Serena, no Chile , até a província de San Juan, na Argentina , centenas de milhares de pessoas acompanharam na tarde desta terça-feira o eclipse total do Sol. Considerado por muitos cientistas o fenômeno astronômico do ano , o evento só foi observado em sua totalidade por aqueles que se dirigiram a uma faixa de 150 quilômetros que se estendeu sobre os dois países vizinhos. Entre jornalistas, pesquisadores e curiosos, cerca de mil convidados estavam no Observatório de La Silla , situado no topo de uma montanha chilena próxima ao deserto do Atacama, quando a Lua se colocou entre o astro e a Terra. Por cerca de dois minutos, o dia se transformou em noite e a temperatura baixou 15ºC.
Quem foi até lá se deparou com um clima favorável e livre de nuvens. Quando finalmente a sombra da Lua ocupou completamente o céu, aplausos e gritos deram lugar ao silêncio total. Coquimbo, onde La Silla se situa, conta com um dos céus mais propícios para a observação astronômica. Por conta disso, a região responde por cerca de 45% de toda a atividade mundial nesta área.
— Estar em um planalto bem acima do nível do mar, onde a pressão atmosférica é menor, favorece muito a observação — explica o brasileiro Eugênio Reis, do Observatório Nacional. — Além disso, o Atacama faz com que haja menos umidade, o que também é positivo. É claro que o governo chileno deu todos os incentivos para que os observatórios se instalassem ali, mas a localização em um planalto desértico é muito boa.
Localizado a 2.400m acima do nível do mar, La Silla foi inaugurado em 1960 e é administrado pelo Observatório Europeu do Sul. O presidente chileno Sebastián Piñera visitou o lugar antes de se dirigir ao povoado de La Hilguera para assistir ao eclipse.
— Hoje é um dia muito importante que nós esperamos por muito tempo. O Chile é a capital do mundo em matéria de astronomia. Somos os olhos e os sentidos da humanidade para observar e estudar o Universo.
Ao se dar sobre os telescópios do observatório chileno, o eclipse apresentou uma oportunidade incomum para os cientistas. Nos últimos cinquenta anos, apenas duas vezes um fenômeno semelhante pode ser observado com ajuda dos equipamentos de observatórios astronômicos: em 1961, no francês Observatoire de Haute-Provence, e em 1991, no Mauna Kea, situado no Havaí (EUA). Cientistas dos observatórios chilenos de La Silla e de Cerro Tololo pretendiam realizar experimentos que podem revelar fatos desconhecidos sobre o Sol e a coroa solar.
Os pesquisadores planejaram repetir, inclusive, um experimento feito na cidade cearense de Sobral em 1919, quando ficou provado que a força de gravidade do astro altera o caminho da luz de outras estrelas até a Terra. O fato ajudou a comprovar a Teoria da Relatividade Geral proposta por Albert Einstein.
No Brasil, apenas em 2045
De acordo com a Sociedade Chilena de Astronomia, a região de Coquimbo não assistia a um eclipse desde 1592. O próximo deve acontecer por lá apenas em 2165. No Chile, autoridades estimam que entre 300.000 e 350.000 mil turistas se dirigiram à região onde foi possível acompanhar o eclipse total. Todas as vagas nos hotéis de Vicuña, La Serena e Coquimbo estavam reservadas há meses.
Na capital chilena, o fenômeno foi parcial e a lua encobriu 92% do Sol. Colégios liberaram estudantes e uma multidão se reuniu nos parques e no topo de prédios para olhar os céus. Em Buenos Aires, no entanto, o clima ruim e os arranha-céus impediram que o evento fosse observado. Além dos dois países, Brasil, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Venezuela e Panamá puderam ver o eclipse de maneira parcial.
O próximo eclipse total do Sol vai acontecer novamente no ano que vem, em dezembro. Ele vai passar por Argentina e Chile outra vez, além de partes da África e da Antártida. Em 2024, fenômeno semelhante se dará nos EUA, Canadá e México. Quem quiser acompanhar um evento deste porte no Brasil terá que esperar até 2045.

14.048 – Em teste o Foguete que Levará o Homem a Marte


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Foguete reutilizável é peça-chave nos planos da SpaceX de chegar a Marte
Ao responder uma série de perguntas de seus milhares de fãs no Twitter, Elon Musk revelou suas intenções de uma apresentação completa do Starship, o foguete reutilizável de próxima geração da SpaceX já para o final de julho de 2019. A espaçonave é peça-chave no plano da empresa para chegar a Marte.
O CEO da SpaceX também lembrou que o último teste de um de seus motores de foguete Raptor foi “bem-sucedido em geral”, apesar de um aborto, já que o objetivo era testar os limites externos de tolerância do novo motor.
Segundo Musk, a apresentação oficial de Starship da SpaceX deve ocorrer “algumas semanas após Hopper pairar”, se referindo ao teste de voo de curta duração da StarHopper. O StarHopper completou um teste limitado em abril. O próximo passo é repetir o feito sem restrições, o que está mais próximo da realidade do que nunca depois que a empresa resolveu um problema importante com a vibração do motor Raptor em uma frequência operacional específica.
O Super Heavy é o estágio superior do veículo Starship, capaz de transportar até 20 toneladas para a órbita geoestacionária da Terra, ou mais de 100 toneladas para a órbita baixa. O compartimento de carga tem nove metros, e o sistema será capaz de transportar, além de cargas, tripulações e recursos necessários em viagens de astronautas para a Lua ou para Marte.
Vários voos de teste estão previstos com o conjunto Starship-Super Heavy antes que esse primeiro voo comercial de 2021 aconteça, segundo Hofeller, que servirão para demonstrar o sistema de lançamento aos clientes em potencial, bem como para resolver quaisquer problemas que porventura possam acontecer.
Recentemente, a empresa fez um “salto” com um protótipo do Starship, que subiu alguns metros a partir do solo, e os próximos testes alcançarão altitudes mais elevadas. Eventualmente, a SpaceX poderá substituir seus atuais foguetes Falcon 9 e Falcon Heavy pelo Super Heavy, ainda que a empresa provavelmente não apressará seus atuais clientes para aceitarem esta troca.

14.047 – Asteroide a Caminho da Terra?


Fonte: Portal Terra

O setor de rastreamento da Nasa informou que um asteroide de 340m de diâmetro e 55 milhões de toneladas está a caminho da Terra, com chegada prevista para 3 de outubro. O risco de cataclismo é baixo, mas caso o asteroide saia de sua rota e entre no planeta, sua força destrutiva será igual a 2.700 megatrons — para se ter ideia, a bomba de Hiroshima tinha entre 13 e 18 quilotrons.
Chamado de FT3, o asteroide será o primeiro de 165 aproximações esperadas pela Nasa entre 2019 e 2116. Com o tempo será possível determinar se as possibilidades de colisão irão aumentar ou diminuir. Caso entrasse na atmosfera terrestre, o FT3 ganharia uma velocidade de 45.500 km/h.
O asteroide é uma rocha espacial que circunda o Sol dentro do cinturão entre Marte e Júpiter. A NASA vem monitorando sua rota desde 2007 e diz que há 99.9999908% de chances dele não acertar à Terra.
Potencialmente, no caso da mudança de rota dias antes de uma suposta colisão, pouco poderia ser feito. “Um asteroide em uma trajetória de impacto na Terra não poderia ser abatido nos últimos minutos ou mesmo horas antes do impacto”, afirma a agência.
Basta esperar e torcer para que o FT3 siga seu curso normal.

asteroide choque

14.043 – Supernova – A Morte Brilhante das Estrelas


supernova
Supernovas são objetos celestes pontuais com luz extremamente intensa e com duração de apenas alguns meses. Da antiguidade, há poucos registros desses objetos, que desafiavam a compreensão de seus observadores. Na Europa dominada pelo aristotelismo, nenhum astrônomo lhes deu maior atenção. Pois segundo Aristóteles, o céu era imutável, do que se deduzia que tanto cometas como supernovas eram fenômenos atmosféricos. Como mostraremos mais adiante, as supernovas são explosões de estrelas de grande massa que exauriram suas fontes convencionais de energia.

A luminosidade de uma supernova (SN) é gigantesca. Em seu pico, que ocorre poucas semanas após o seu aparecimento, a luminosidade pode atingir valores de dez bilhões de sóis e a SN pode competir em luminosidade com toda a galáxia em que se situa. A figura 1 mostra a foto da SN 1994D que explodiu nas bordas da galáxia espiral NGC 4526 situada à distância de 108 milhões de anos-luz. Uma supernova expele até cerca de 90% da sua massa para o espaço, e séculos depois essa massa de gás pode ser vista como uma nebulosa em forma esférica ou de anel. A figura 2 mostra os gases formados por uma supernova que Kepler notou pela primeira vez dia 17/10/1604. Esta foi a última supernova inquestionavelmente observada na Via Láctea. Ocorreu a 20 mil anos luz de distância e pôde ser vista durante o dia por 3 semanas. Mas exames recentes de restos de SN indicam que em nossa galáxia ocorre em média uma supernova a cada 50 anos, ou seja, a cada 1,5 bilhões de segundos. Como o universo visível tem cerca de mil bilhões de galáxias, a cada segundo nele explodem centenas de SN. Mas mesmo com o atual sistema de monitoramento por meio de poderosos telescópios, a grande maioria delas passa despercebida.
Os primeiros estudos teóricos sobre supernovas foram realizados pelo físico suíço Fritz Zwicky (1898 – 1974) que desde os 27 anos trabalhou no Instituto Tecnológico da Califórnia. Zwicky, que em 1926 cunhou o termo supernova, teorizou que elas eram geradas por explosões de estrelas anãs brancas (ver anãs brancas no artigo Evolução Estelar). Junto com seu colega Walter Baade, Zwicky também reconheceu dois tipos de supernovas: Tipo I, cujo espectro de emissão não contém raias de absorção por hidrogênio, e Tipo II, que mostram raias de hidrogênio muito alargadas. É fato reconhecido da sociologia da ciência que a aceitação inicial de idéias realmente pioneiras depende consideravelmente da personalidade dos seus proponentes. Ocorre que Zwicky tinha um caráter singularmente arrogante e áspero. Sobre seus colegas de ofício, dizia que eram idiotas esféricos. Esféricos porque pareciam igualmente idiotas, qualquer que fosse o ângulo de visão. Esse não é definitivamente o tipo que faz sucesso facilmente. Ele fez algumas descobertas de grande importância que só foram levadas a sério décadas mais tarde. Em 1933, descobriu a existência da matéria escura, mas foi ignorado até os anos 1970, quando a matéria escura foi redescoberta independentemente. Coisa algo semelhante ocorreu com suas descobertas e idéias pioneiras sobre SN.
Os estudos mais recentes exigiram uma classificação mais detalhada das SN. Há 3 classes de supernovas tipo I, que são Ia, Ib e Ic, e pelo menos 3 classes de SN tipo II. Essa classificação é feita com base no espectro de luz das SN e também na sua curva de luminosidade, ou seja, a maneira como a luminosidade aumenta e, após atingir seu pico, decresce até finalmente tornar-se talvez invisível. Somente as SN tipo Ia são explosões de estrelas anãs brancas. As outras são explosões de estrelas gigantes – com massa maior do que uns 9 sóis – que consomem rapidamente o hidrogênio do seu núcleo, entram em crise energética e explodem sem passar pelo estágio de anãs brancas. Supernovas Tipo Ia podem ser observadas tanto em galáxias elípticas, nas quais há muito não há formação de novas estrelas, quanto nas galáxias espirais. Os outros tipos de supernovas só ocorrem nos braços das galáxias espirais, onde a formação de novas estrelas ainda é freqüente. Isso ocorre porque uma estrela com massa de 10 sóis vive apenas uns 10 milhões de anos antes de explodir como supernova.

Por que anãs brancas podem explodir como supernovas

Como se pode ver no artigo Evolução Estelar, estrelas com massa na faixa aproximada de 1 a 9 sóis, uma vez exaurido o hidrogênio em seus núcleo, passam por um processo no qual se tornam gigantes vermelhas, expelem grande parte da sua massa externa e o núcleo remanescente se transforma em uma anã branca composta principalmente de carbono e oxigênio. Uma anã branca é capaz de se manter estável, evitando seu colapso gravitacional por meio da chamada pressão por degenerescência eletrônica, desde que sua massa seja inferior ao chamado limite de Chandrasekhar, cujo valor é cerca de 1,4 massas solares. Mas uma estrela anã branca pode ganhar massa adicional se for parte de um sistema binário (pelo menos metade das estrelas existentes são binárias) e se a sua companheira também vier a se tornar gigante vermelha. Nesse caso, a anã branca começa a absorver matéria da vizinha agigantada (ver figura 4) até que finalmente atinja o limite de Chandrashekhar. Ao atingir esse limite, ela se colapsa e seu núcleo atinge temperatura de bilhões de graus, o que inicia um processo explosivo de fusão de carbono e oxigênio. Em questão de segundos a SN emite (1-2) x 1044 joules de energia, o que, em ordem de grandeza, equivale ao que o Sol emitirá em toda a sua existência.
Supernovas Tipo Ia são usadas como velas padrão

Vimos que a energia emitida por supernovas Tipo Ia varia por um fator de apenas 2. O mesmo ocorre com sua luminosidade máxima, que ocorre cerca de 2 semanas após a explosão. Pelo exame do espectro da luz emitida pela supernova, os astrônomos aprenderam a reconhecer as que têm maior ou menor luminosidade. Assim, essas supernovas têm sido utilizadas como velas padrão (fontes de intensidade bem estabelecida). A comparação entre a luminosidade aparente e a luminosidade absoluta presumível tem possibilitado medidas de grandes distâncias astronômicas com incerteza de apenas 7%, o que é muito pouco comparado com os métodos tradicionais. Isso tem levado a importantes avanços em cosmologia observacional, que serão discutidos mais adiante.

Os outros tipos de supernovas são explosões de estrelas muito massivas

Estrelas com mais de 9 massas solares podem explodir como supernovas sem passar pelo estágio de anãs brancas. Elas têm uma evolução complexa e relativamente rápida. No início, como todas as estrelas, elas geram energia pela fusão de hidrogênio em hélio em seu núcleo. Quando o hidrogênio no núcleo se exaure, cessa a geração de calor, a pressão para fora gerada pelo núcleo diminui e este se contrai sobre a pressão gravitacional da região externa rica em hidrogênio. Essa compressão aquece o núcleo o bastante para que 3 núcleos de hélio sejam fundidos para formar carbono. Na camada adjacente a esse núcleo superaquecido a temperatura se eleva o bastante para que tenha início a fusão do hidrogênio. Mas essa etapa evolutiva também chega a um fim e a estrela sofre nova compressão. No núcleo, elementos mais pesados começam a ser gerados por fusão, na camada adjacente tem início fusão de hélio para gerar carbono e em uma terceira camada começa a fusão do hidrogênio. As etapas vão se sucedendo até que a estrela adquira uma estrutura tipo cebola como exibida na figura 5.

 

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Figura 5 – Estrutura de cebola de uma estrela muito massiva ao final da sua vida na Sequência Principal.

Em dado momento, o calor gerado pelos processos de fusão não é mais capaz de gerar pressão para fora que suporte a compressão gravitacional. O núcleo central de ferro sofre um colapso com velocidade de até 70.000 km/s. Energia da ordem de 1046 joules é emitida na forma de neutrinos. Cerca de um centésimo da energia desses neutrinos é absorvida pelas camadas externas, o que gera a explosão de supernova. Material é expelido da estrela com velocidades de até 30.000 km/s, no que ela perde cerca de 90% da sua massa. O núcleo remanescente se transforma em uma estrela de nêutrons se a massa da estrela progenitora for menor do que cerca de 20 massas solares. Se for maior do que esse limite estimado, o núcleo se transforma em um buraco negro. Simulações em computador mostram que estrelas com massa maior do que 50 massas solares entram em colapso e convertem-se diretamente em buracos negros sem que haja uma explosão tipo supernova.

Os elementos pesados da tabela periódica são originários de supernovas

Não fossem as supernovas, a vida no universo seria impossível porque a química existente seria excessivamente simples. De fato, no Big Bang só foram produzidos hidrogênio, hélio e uma pitadinha de lítio. Todos os outros elementos são sintetizados em estrelas massivas e em algumas delas jogados no espaço em explosões de supernovas. Mesmo em estrelas com massa maior do que 9 massas solares, que dão origem a supernovas tipos Ib, Ic e II, os processos de fusão nuclear não são capazes de gerar elementos mais pesados do que o ferro. Isso porque a fusão nuclear do ferro com outros elementos consome energia em vez de gerá-la. Mas na explosão de supernovas, qualquer que seja o seu tipo, as ondas de choque do gás em expansão são capazes de suprir a energia suficiente para a síntese de todos os elementos da tabela periódica. Se uma nova estrela se forma em gás enriquecido desses elementos e essa estrela contém um sistema planetário, esses planetas podem apresentar uma química complexa o bastante para que nela se desenvolva a vida. Isso é exatamente o que ocorreu com o nosso Sol e seus planetas. A concentração de elementos pesados no Sol sugere que ele na verdade seja uma estrela de terceira geração. Com isso se quer dizer que ele foi gerado de gás produzido por uma (ou mais de uma) supernova cuja estrela progenitora (ou estrelas progenitoras) foram formadas de restos de supernovas. Eu e você, caro leitor, somos feitos de lixo atômico, somos filhos e netos de uma das maiores calamidades nucleares que se conhece no universo.

14.042 – Astronomia – Mega de ☻LHO no Eclipse


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O eclipse solar foi totalmente visível apenas em uma faixa da Terra entre o Chile e a Argentina. O fenômeno foi parcial no Brasil.
No fim da tarde desta terça-feira, foi possível acompanhar em 14 das 27 capitais: Manaus, Porto Velho, Rio Branco, Palmas, Cuiabá, Goiânia e Brasília.
Campo Grande, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte também ficaram dentro do limite.
O eclipse solar de 2 de julho de 2019 foi um eclipse total visível no sul do Oceano Pacífico e na América do Sul. Foi o eclipse número 58 na série Saros 127 e teve magnitude 1,0459.

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14.040 – ASTROBIOLOGIA – Nova pista pode ajudar a descobrir se há vida em Marte


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É verdade que as missões da NASA já forneceram muitas informações sobre Marte. Nós sabemos que, provavelmente, o planeta já foi maior e que conta com muita água. Mas, até agora, sinais de vida não foram encontrados. No entanto, uma descoberta feita pelo rover Curiosity pode ser mais uma pista rumo a descoberta desse mistério.
Em um novo post no blog, o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa descreve a descoberta “de níveis surpreendentes de metano no ar de Marte”. De acordo com eles, a medida é de aproximadamente 21 partes por bilhão de volume, fato que não prova que existe ou já existiu vida no planeta, mas ainda assim é empolgante.
Bom, talvez você queira saber qual a relação do metano com algum sinal de vida no planeta. Por enquanto, sabemos que esse tipo de gás pode ter duas origens: vir de vários mecanismos geológicos ou ser um subproduto obtido através de organismos microbianos.
“Com nossas descobertas atuais, não conseguimos dizer se a fonte de metano é biológica ou geológica, ou mesmo se é antiga ou nova”, disse em comunicado Paul Mahaffy, principal pesquisador do Sample Analysis at Mars, instrumento laser construído na Curiosity.
Antes que os cientistas possam determinar o que significa a quantidade do componente no planeta, eles precisam saber se a medição foi um acaso. Essa não é a primeira vez que o Curiosity detectou metano, mas a concentração deu um grande salto desde a última vez.
Os pesquisadores agora vão tentar determinar se os níveis de metano estão ligados a mudanças sazonais, e talvez, até medir quanto tempo dura essa elevação nos níveis do gás. Essas informações podem proporcionar novas pistas sobre a fonte do gás e se ele está ligado à atividade biológica ou geológica.

14.039 – Se tem água, tem vida – Reserva gigantesca de água é descoberta em Marte


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Água no Planeta Vermelho! O líquido congelado foi encontrado abaixo da superfície do polo norte de Marte. Um grupo de cientistas detectou a enorme quantidade de água usando um radar capaz de penetrar no solo marciano. Para se ter uma ideia da quantidade, é tanto gelo que, se derreter e subir para a superfície, pode deixar boa parte do planeta submerso. A descoberta é uma espécie de depósito de múltiplas camadas de gelo que está misturado com areia e se formou ao longo de centenas de milhões de anos. A descoberta pode ser o terceiro maior reservatório de água no planeta vermelho, juntamente com outras duas camadas de calotas polares. Toda essa água em Marte pode favorecer a ideia dos humanos de colonizar o planeta. Pode ser exatamente isso que os cientistas estavam esperando para iniciar uma missão.

14.031 – O que é órbita?


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É o movimento que um corpo celeste realiza ao redor de outro corpo celeste pela influência de sua gravidade. Logo, a órbita terrestre é o movimento que os satélites, sejam eles naturais – como a lua, ou artificiais, realizam em volta do Planeta Terra.
Existem diferentes tipos de órbitas terrestres. Cada uma delas é utilizada por diferentes propósitos dependendo da distância que se encontram da superfície, da área coberta e do tempo necessário para completar a trajetória orbital.
Órbita geoestacionária
Em uma órbita geoestacionária, também chamada de GEO, os objetos permanecem em uma posição fixa em relação a superfície da Terra. De acordo com a Segunda Lei de Newton, para que um objeto em órbita se mantenha em posição fixa em relação a superfície terrestre, ele deve estar a uma distância fixa de 35.786 km do nível do mar e sob a linha do Equador.

A orbita geoestacionária é muito utilizada por satélites utilizados em sistemas de comunicação. Por ficarem na mesma posição em relação a superfície terrestre, eles conseguem cobrir áreas específicas com regularidade, sem que seja necessário interrupções no serviço ou o reposicionamento de antenas responsáveis por captar suas ondas.
Uma órbita baixa da Terra, também chamada de LEO, são aquelas localizadas abaixo da órbita geoestacionária, podendo estar entre 160 km e 2.000 km de distância do nível do mar. A Estação Espacial Internacional está localizada em uma órbita LEO, bem como a maior parte dos satélites meteorológicos e muitos satélites de comunicação.
Órbita polar
As órbitas polares estão entre as baixas órbitas pois possuem altura entre 200km e 1.000km de distância do nível do mar. A particularidade das órbitas polares é que elas varrem a superfície terrestre de polo a polo, formando um ângulo reto com o Equador. Esse tipo de órbita terrestre é muito utilizado por satélite de observação e imageamento da superfície.

Órbita heliossíncrona
Trata-se de um tipo de órbita localizada entre 600 km e 800 km de distância do nível do mar, que descreve uma órbita polar mantendo-se sempre alinhada à posição do sol. Esse tipo de órbita é utilizado por satélites que necessitam de condições de luz para desempenharem suas funções, como satélites óticos.

Órbita média da Terra
As órbitas médias da Terra, também chamada de MEO, são aquelas localizada acima das órbitas LEO e abaixo da órbita GEO, ou seja, entre 2.000 km e 36.000 km de distância do nível do mar. Essas órbitas são muito utilizadas por satélites de geolocalização e para satélites de comunicação que atendem as regiões próxima ao círculo ártico, onde as ondas dos satélites geoestacionários não conseguem chegar.

Órbita terrestre alta
Uma órbita terrestre alta, também chamada de HEO, são as órbitas localizadas acima da órbita geoestacionária, ou seja, acima de 36.000 km de distância do nível do mar. Nestas órbitas, os satélites levam mais de 24 horas para concluir uma revolução completa. Esse tipo de órbita foi muito utilizado durante a Guerra Fria pelos EUA para vigiar o território Russo por meio do projeto VELA.

Órbitas excêntricas
Todas as órbitas citadas descrevem trajetórias circulares nas quais a centrípeta exercida pela gravidade da Terra é a principal propulsora. Diferente dessas órbitas, a orbita excêntrica descreve uma trajetória elíptica, sendo que nas extremidades mais estreitas sua distância da superfície terrestre varia entre 500 km e 2.000 km e nas extremidades mais distantes pode chegar até 150.000 km. Esse tipo de órbita é utilizada por satélites que precisam se afastar da influência eletromagnética e gravitacional da Terra para coletarem dados espaciais.

14.023 – Como Funciona a Vela Solar?


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Velas solares são um tipo de propulsão que utiliza pressão de radiação para gerar aceleração. Elas são feitas de grandes espelhos membranosos de pouca massa que ganham momento linear ao refletirem fótons. A pressão de radiação à distância da Terra ao Sol é de aproximadamente 10−5 Pa[1] e é função inversa do quadrado da distância à fonte luminosa, se esta for pontual. Mesmo gerando aceleração de valor muito pequeno, velas solares são capazes de gerar aceleração constante por longos períodos e não requerem massa de reação, que geralmente totaliza uma fração significante da massa das espaçonaves que utilizam-na atualmente, possibilitando assim aumentar a carga útil da espaçonave e atingir grande velocidade. Várias tecnologias foram teorizadas a partir de velas solares de com usos para pequenas alterações de órbitas de satélites a propulsão de veículos espaciais para viagem interestelar.
Os conceitos científicos que embasam a tecnologia de velas solares são bem aceitos e difundidos, porém a tecnologia necessária para a construção viável de velas solares está em desenvolvimento, e missões espaciais baseadas em velas solares partindo de grandes agências ainda não foram executadas. Em 2005, em resposta à falta de interesse governamental, a organização Sociedade Planetária, movida por entusiastas, lançaria a espaçonave Cosmos 1, com propulsão baseada na tecnologia. Porém, o projeto fracassou pois houve uma falha no foguete que iria lançar a espaçonave de um Submarino, no Mar de Barents.
O conceito da tecnologia data desde o século XVII, com Johannes Kepler. Friedrich Zander na década de 1920 novamente propôs esse tipo de tecnologia, que tem sido gradualmente refinada. O intenso interesse recente de estudos científicos começou com um artigo do engenheiro e autor de ficção científica Robert L. Forward em 1984.
Posiciona-se um grande espelho membranoso que reflete a luz do Sol ou de outra fonte luminosa. A pressão de radiação gera uma pequena quantidade de impulsão ao refletir fótons. Inclinando a superfície reflexiva em certos ângulos para a fonte luminosa, gera-se propulsão em direção normal à superfície. Ajustes nos ângulos das velas podem ser feitos com a ajuda de pequenos motores elétricos, para que a vela se incline e possa gerar propulsão na direção desejada.
Teoricamente, também seria possível gerar aceleração em direção à fonte luminosa, contrariando o senso comum, ao desacoplar parte da vela e utilizá-la para concentrar luz numa face reflexiva oposta à fonte de luz.
Os métodos mais eficientes para utilizar velas solares envolvem manobras em direção à fonte de luz, onde a luz é mais intensa. Em meados da década de 1990 foi proposto um método que permite que uma espaçonave equipada com velas solares atinja velocidades de cruzeiro capazes de escapar do sistema solar a velocidades muito maiores do que as atingidas por outros métodos de propulsão avançados, como propulsão nuclear. Demonstrado matematicamente, esse modo de velejar foi considerado como uma das opções para viagens interestelares futuras pela NASA.

Esclarecendo:
Existe um mal-entendido que velas solares são movidas pelo vento solar, ou por partículas carregadas de alta energia do Sol. De fato, tais partículas gerariam impulso ao atingirem velas solares, porém esse efeito é pequeno comparado ao da pressão de radiação da luz: a força da pressão de radiação é cerca de 5.000 vezes maior do que aquela gerada pelo vento solar. Existem modelos propostos que se utilizariam do vento solar, porém precisariam ser muito maiores do que velas solares convencionais.
Outros também teorizam que o princípio das velas solares violaria o princípio da conservação de energia. Esse não é o caso, já que os fótons perdem energia ao atingir os espelhos de uma vela solar ao passarem por desvio Doppler: seu o comprimento de onda aumenta, diminuindo sua energia, em função da velocidade da vela – uma transferência de energia dos fótons solares para a vela. A energia adquirida soma momento à vela.
Atualmente, painéis de controle de temperatura, coletores solares e outras partes móveis são utilizados ocasionalmente como velas solares improvisadas, para ajudar espaçonaves comuns a fazer pequenas correções ou modificações na órbita sem utilizar combustível.
Algumas até tiveram pequenas velas construídas propositalmente para esse uso. Satélites Eurostar da EADS Astrium utilizam velas solares ligadas a seus painéis solares para realizar tarefas de ajuste de momento angular, economizando combustível (esses satélites acumulam momento angular através do tempo e comumente giroscópios são utilizados para controlar a orientação da espaçonave). Algumas espaçonaves não tripuladas, como a Mariner 10, utilizaram velas solares para estender sua vida útil.
Robert L. Forward mostrou que uma vela solar poderia ser utilizada para manipular a órbita de um satélite. Velas solares poderiam, no limite, ser utilizadas para manter um satélite sobre um pólo da Terra. Espaçonaves com velas solares também poderiam ser posicionadas em órbitas próximas ao Sol que seriam estacionárias tanto em relação com a Terra ou com o Sol, que Forward nomeou de ‘satatite’, em referência à estaticidade relativa da espaçonave. Isso seria possível pois a propulsão gerada pela vela cancela a força gravitacional exercida sobre a trajetória desejada. Uma dessas órbitas poderia ser útil para estudar as propriedades do Sol por longos períodos: uma dessas espaçonaves poderia teoricamente ser posicionada diretamente acima de um pólo do Sol e permanecer naquela posição por períodos prolongados.
Forward também propôs o uso de lasers para impulsionar velas solares. Um feixe suficiente poderoso expondo uma vela solar por tempo suficiente poderia acelerar uma espaçonave até uma fração significante da velocidade da luz. Essa tecnologia, porém, iria requerer lasers incrivelmente poderosos, lentes ou espelhos gigantescos.

Assista o vídeo:

14.001 – Física – A Teoria do Multiverso


É um termo usado para descrever o conjunto hipotético de universos possíveis, incluindo o universo em que vivemos. Juntos, esses universos compreendem tudo o que existe: a totalidade do espaço, do tempo, da matéria, da energia e das leis e constantes físicas que os descrevem. É geralmente usado em enredos de ficção científica, mas também é uma extrapolação possível de algumas teorias científicas para descrever um grupo de universos que estão relacionados, os denominados universos paralelos. A ideia de que o universo que se pode observar é só uma parte da realidade física deu luz à definição do conceito “multiverso”.
O conceito de Multiverso tem suas raízes em extrapolações, até o momento não científicas, da moderna Cosmologia e na Teoria Quântica, e engloba também várias ideias oriundas da Teoria da Relatividade de modo a configurar um cenário em que pode ser possível a existência de inúmeros Universos onde, em escala global, todas as probabilidades e combinações ocorrem em algum dos universos. Simplesmente por haver espaço suficiente para acoplar outros universos numa estrutura dimensional maior: o chamado Multiverso.

Os universos seriam, em uma analogia, semelhantes a bolhas de sabão flutuando num espaço maior capaz de abrigá-las. Alguns seriam até mesmo interconectados entre si por buracos negros ou de buracos de minhoca.

Em termos de interpretações da Mecânica Quântica, que, ao contrário da Mecânica Quântica em si, não são cientificamente estabelecidas, a Interpretação de Vários Mundos fornece uma visão que implica um multiverso. Nessa visão, toda vez que uma decisão quântica tem de ser tomada – em termos técnicos, toda vez que há uma redução da função de onda de um estado emaranhado – dois ou mais universos independentes e isolados surgem, um para cada opção quântica possível. Vivemos no universo no qual as decisões quânticas adequadas levam à nossa existência.

Devido ao fato da conjectura de multiverso ser essencialmente ideológica, não havendo, atualmente, qualquer tipo de prova tecnicamente real, a “teoria dos universos paralelos” ou “multiverso” é em essência uma teoria não científica. Nesse ponto, aliada à completa ausência de evidência científica, há ainda a questão concernente à compatibilidade com as teorias científicas já estabelecidas e os rumos diretamente apontados por essas. No conceito de multiverso, imagina-se um esquema em que todas os universos agregavam-se mutuamente por uma infinita vastidão. Tal conceito de Multiverso implica numa contradição em relação à atual busca pela Teoria do Campo Unificado ou pela Teoria do Tudo, uma vez que em cada Universo pode-se imaginar que haja diferentes Leis Físicas.
Em 1952, Erwin Schrödinger deu uma palestra, em Dublin, onde avisou com entusiasmo a audiência que o que estava prestes a enunciar poderia parecer “lunático”. Ele disse que, quando suas equações Nobel pareciam descrever várias histórias diferentes, estas não eram “alternativas, mas que tudo realmente acontece simultaneamente”. Esta é a primeira referência conhecida ao multiverso.
O multiverso inflacionário é composto de vários bolsos em que os campos de inflação se desmoronam e formam novos universos.
A versão membrana do multiverso postula que todo o nosso universo existe em uma membrana (brane) que flutua em uma maior dimensão. Neste volume, existem outras membranas com seus próprios universos. Esses universos podem interagir uns com os outros, e quando colidem, a violência e a energia produzida são mais do que suficientes para dar origem a um big bang. As membranas flutuam ou se aproximam uma da outro, e a cada poucos trilhões de anos, atraídas pela gravidade ou por alguma outra força que não entendemos, colidem. Este contato repetido dá origem a explosões múltiplas ou “cíclicas”. Esta hipótese particular cai sob o guarda-chuva da teoria das cordas, pois exige dimensões espaciais extras.
As diferentes teorias de Multiverso são por muitos utilizadas para contraposição à ideia do Design Inteligente e seu Argumento da Improbabilidade ou Argumento do Universo Bem Ajustado. Ou seja, são utilizadas por muitos como explicação para a pré-assumida “improbabilidade estatística” das leis da física e das constantes físicas fundamentais serem “tão bem ajustadas” para permitirem a construção do universo tal qual o conhecemos; em particular um universo capaz de abrigar vida inteligente com habilidade de indagar sobre a história do próprio universo em que existe.
Tal argumentação é comum em discussões envolvendo os defensores da existência de um “projetista inteligente” e os defensores de sua inexistência, defensores últimos que buscam uma resposta alternativa à questão decorrente da inexistência do projetista onipotente para o universo através da extrapolação das regras científicas encerradas na teoria da evolução biológica ao restante do universo, contudo sem as pertinentes considerações, o que leva à ideia do multiverso como resposta às estipuladas “particularidades” de nosso universo defendidas pela outra ala. O uso de tal linha de raciocínio e resposta é contudo desaconselhado sem acompanhamento dos devidos rigores, e especificamente falho no caso do multiverso. Ele falha essencialmente por desconsiderar que a existência do multiverso não é cientificamente estabelecida, consistindo o argumento por tal apenas em se trocar uma crença por outra; a crença do “projetista inteligente” pela crença do “multiverso”.

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Para começar, como é que a existência dos outros universos deve ser testada? Com certeza, todos os cosmólogos aceitam que existem algumas regiões do universo que se encontram fora do alcance de nossos telescópios, mas, em algum lugar na inclinação escorregadia entre isso e a ideia de que há um número infinito de universos, a credibilidade atinge um limite. À medida que um desliza abaixo dessa inclinação, mais e mais deve ser aceito na fé e cada vez menos está aberto à verificação científica. As explicações multiversas extremas são, portanto, remanescentes das discussões teológicas. Na verdade, invocar uma infinidade de universos invisíveis para explicar as características incomuns da que vemos é tão ad hoc quanto invocar um Criador invisível. A teoria do multiverso pode ser vestida em linguagem científica, mas, em essência, requer o mesmo salto de fé.

– Paul Davies, “A Brief History of the Multiverse”
Cético como sou, penso que a contemplação do multiverso é uma excelente oportunidade para refletir sobre a natureza da ciência e sobre a natureza final da existência: por que estamos aqui …. Ao olhar para esse conceito, precisamos ter a mente aberta, mas não tanto. É um caminho delicado para andar. Os universos paralelos podem ou não existir; O caso não está provado. Vamos ter que viver com essa incerteza. Nada está errado com a especulação filosófica cientificamente baseada, que é o que são as propostas multiversas. Mas devemos nomeá-lo pelo que é.

– George Ellis, Scientific American, “Does the Multiverse Really Exist?”

13.989 – Lançamento do Foguete da Space X


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Após adiamento, o lançamento do “foguete mais potente do mundo” de Elon Musk deve aconteceu às 19h35 desta quinta-feira
O foguete Falcon Heavy, da SpaceX, faz nesta quinta-feira seu primeiro lançamento comercial. A aeronave foi construída pela empresa de Elon Musk para levar cargas pesadas ao espaço. Após sucesso em teste com um carro da Tesla, em 2018, o veículo agora vai levar um satélite de telecomunicações Arabsat-6A de seis toneladas.
O lançamento, que acontece na base da NASA na Flórida, estava previsto para a última quarta-feira, mas foi adiado devido aos fortes ventos na região. De acordo com a última atualização da SpaceX, a decolagem está marcada para às 19h35 (de Brasília) desta quinta-feira.
Segundo previsão da SpaceX, após 34 minutos do lançamento, o satélite será desacoplado para a órbita terrestre. As três partes do foguete Falcon Heavy vão pousar em diferentes zonas, definidas pela equipe responsável pela missão na Flórida e também no Oceano Atlântico.
O Falcon Heavy é apresentado pela SpaceX como “o foguete mais potente do mundo”. Ele tem 70 metros de altura, 12 metros de largura total e pesa 1420 toneladas. Sua impulsão no lançamento corresponde a de aproximadamente 18 aeronaves Boeing 747 em potência máxima.
A SpaceX, empresa privada fundada pelo bilionário sul-africano Elon Musk, segue em passos acelerados para desenvolver um programa espacial capaz de levar os primeiros humanos a Marte. Na última semana, Musk publicou uma foto do foguete Starship (Nave Estelar em tradução livre), que já estaria instalado em uma base de testes no estado norte-americano do Texas. “Essa é uma foto de verdade, não uma montagem”, escreveu o empreendedor em suas redes sociais.

A nave, que lembra um foguete saído da ficção científica, foi remodelada desde que Musk revelou seu planos de construir um novo equipamento espacial. Inicialmente chamado de BFR (Big Falcon Rocket, em que normalmente a palavra “Falcon” era substituída por um palavrão em inglês), o veículo ganhou o nome mais amigável de Starship.

A espaçonave será o maior e mais poderoso transporte espacial já desenvolvido. Em sua extensão total, o foguete terá 118 metros de extensão. Equipado com um cojunto de motores, o módulo de exploração espacial será capaz de abrigar até 100 pessoas com segurança.

Os sete motores da Starship, que já estão em testes, permitirão que a nave consiga aterrissar e decolar em segurança a partir de diferentes superfícies, como na Lua ou em Marte. O equipamento conta com tecnologias utilizadas nos principais protótipos e foguetes desenvolvidos pela SpaceX nos últimos anos, como as naves Dragon e os foguetes Falcon 9 e Falcon Heavy.

13.983 – Hibernação – Acorde, você chegou em Marte


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Eram seis homens vivendo juntos, espremidos em uma área de 72 metros quadrados, ao longo de 520 dias. Eles estavam trancados numa estação de testes em Moscou – mas a ideia da experiência, realizada pela Academia Russa de Ciências entre 2010 e 2011, era simular uma ida a Marte. O time era formado por três russos, um italiano, um francês e um chinês. Eles tinham de responder a testes e cumprir uma rotina de tarefas, e passavam as horas de folga vendo filmes e jogando videogame. Se davam bem. Mas, conforme o tempo foi passando, o clima mudou. Todos foram se tornando apáticos, e quatro dos seis participantes se isolaram – cada um deles passou a se alimentar sozinho, teve insônia e exibiu claros sinais de depressão. Tudo isso numa missão de mentirinha, sem riscos nem problemas reais. Imagine se fosse no meio do espaço.
Enviar humanos a Marte, como a Nasa pretende fazer na década de 2030, exigirá a superação de vários obstáculos. Mas nenhum deles parece tão complexo, e tão intratável, quanto a questão psicológica. O confinamento prolongado, como a experiência russa deixou claro, mexe com a cabeça. É por isso que, nos filmes de ficção científica, os astronautas são colocados em hibernação e só acordam quando estão perto do destino. Por incrível que pareça, a Nasa cogita essa possibilidade na vida real: encomendou a uma empresa de Atlanta, a SpaceWorks Enterprises, um estudo detalhadíssimo sobre o tema. O documento descreve com precisão todas as etapas do processo – e as tecnologias que poderiam ser usadas em cada uma.
Logo ao embarcar na nave, antes do lançamento, os astronautas se dirigiriam às cabines de hibernação, Receberiam sedativos na veia e dormiriam. Em seguida, um tubinho enfiado no nariz de cada astronauta começaria a liberar gotículas de perfluorocarbono, um líquido inerte e gelado que, em contato com a mucosa nasal, reduz a temperatura do organismo. O interior de cada cabine também seria mantido a temperaturas baixas. Seis horas depois, a temperatura corporal dos astronautas teria baixado para 32 oC – e eles entrariam em estado de hibernação.
A respiração e os batimentos cardíacos ficariam mais lentos, com o organismo gastando menos energia. Sondas conectadas a dois pontos do corpo, no peito e na perna, jogariam na corrente sanguínea uma solução contendo vitaminas, aminoácidos, glicose e minerais necessários para a sobrevivência. Também haveria uma máquina gerando oxigênio e filtrando o gás carbônico eliminado pela respiração. Cada astronauta seria monitorado por um braço robótico, capaz de intervir em caso de problemas – os sensores colados no corpo da pessoa poderiam parar de funcionar e precisar ser substituídos, por exemplo, ou os tubos de coleta de urina poderiam vazar (como os astronautas só receberiam alimentação intravenosa, não haveria produção de fezes).
Para evitar que os músculos dos astronautas se degradassem, o ambiente seria pressurizado e também teria gravidade artificial. Ela seria produzida rotacionando o habitáculo – como na famosa cena da centrífuga no filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço. A SpaceWorks calcula que girar o compartimento a 17 km/h seria o suficiente para gerar força centrífuga equivalente à gravidade terrestre (quando a nave estivesse chegando a Marte, a rotação do habitáculo seria reduzida para 10,8 km/h, simulando a menor gravidade do planeta vermelho).
O cenário descrito pela SpaceWorks é bem impressionante. Mas puramente hipotético. Se a Nasa realmente quiser colocar humanos para hibernar, terá de correr vários riscos, que também estão previstos no estudo – e não são pequenos.
SISTEMA DE GERENCIAMENTO DE TEMPERATURA
Um tubo inserido nas narinas dispara um spray de perfluorocarbono, líquido inerte e gelado. Em contato com a mucosa nasal, ele reduz a temperatura corporal, até chegar a 32 oC.

TUBO DE ALIMENTAÇÃO
Duas sondas, ligadas no peito e na perna, enviam uma solução que inclui glicose, aminoácidos e vitaminas. Esse líquido é parecido com o que os pacientes em coma recebem nos hospitais.

COLETORES DE URINA
A coleta acontece com o uso de um dreno, fixado no corpo dos astronautas antes de a viagem começar. Ela pode ser reciclada e reaproveitada (como já acontece na Estação Espacial Internacional).

SENSORES
Vigiam os batimentos cardíacos, a respiração, o funcionamento de órgãos importantes, como o fígado, e a atividade do sistema nervoso. Também monitoram o possível surgimento de elementos perigosos, como infecções ou coágulos sanguíneos.

BRAÇOS ROBÓTICOS
São capazes de trocar sondas, consertar vazamentos e solucionar pequenos problemas. Em casos mais graves, com risco à saúde da pessoa que está hibernando, o sistema emite um alerta para os astronautas que estão acordados.
A hibernação é uma estratégia de sobrevivência conhecida na natureza. Morcegos a praticam, assim como roedores e ursos. Esse tipo de repouso permite que o corpo equilibre sua temperatura com a do ambiente e reduz o gasto de energia (algo essencial para a sobrevivência nas estações do ano em que não há alimento). O que você talvez não saiba é que a medicina já domina, e pratica, uma espécie de hibernação em humanos.
Trata-se da hipotermia terapêutica, uma técnica de resfriamento corporal usada, há quase 20 anos, por paramédicos para socorrer vítimas de infarto, derrames ou ferimentos graves. Quando isso acontece, a circulação é prejudicada ou interrompida, e as células do organismo começam a morrer por falta de oxigênio. Nessa situação, esfriar o corpo é benéfico, porque reduz a velocidade de morte celular e aumenta exponencialmente as chances de sobrevivência. A temperatura pode ser reduzida colocando bolsas geladas sobre o paciente ou injetando nele uma solução salina gelada (água e cloreto de sódio, cloreto de cálcio, cloreto de potássio e lactato de sódio), que resfria o corpo rapidamente e sem provocar danos. Nas cabines espaciais, a hipotermia seria induzida de outra forma: com a RhinoChill, uma máquina que resfria o organismo pela mucosa nasal – e já é utilizada por paramédicos dos EUA em situações de emergência. O princípio é o mesmo. “Os seres humanos não hibernam naturalmente. Mas existem métodos capazes de induzir estados de torpor”, diz a bioquímica Kelly Drew, da Universidade do Alasca. Nos hospitais, a redução de temperatura não costuma durar mais do que 24 horas. “Com a tecnologia atual, é possível manter humanos saudáveis em temperaturas entre 32 oC e 34 oC, por até três dias. Períodos mais longos só foram registrados em pacientes com alto risco de morte”, diz Drew.
1 Aumento dos voos suborbitais tripulados, em parceria com companhias privadas.

2 Testes de microgravidade na ISS, para entender como o corpo humano reage a ela
em períodos longos.

3 Desenvolvimento de tecnologias avançadas de suporte vital (como um sistema que recicla 100% do CO2 expirado pelos astronautas).

4 Retomada das missões tripuladas para a Lua e construção da Deep Space Gateway, estação espacial da qual partiriam missões a Marte.

5 Construção da Deep Space Transport, uma estação de habitação. Astronautas viveriam nela por 400 dias para testá-la.

6 Realização de viagens não tripuladas a Marte, para levar equipamentos e testar decolagens do solo marciano.

7 Quatro astronautas vão até Phobos, principal lua de Marte (pois, de lá, é mais fácil voltar). Seis anos depois, uma missão pousa no planeta vermelho.

O recorde de hibernação terapêutica pertence a uma mulher de 43 anos, moradora da Flórida, que sofreu um aneurisma e entrou em coma. Ela foi mantida em hibernação por 14 dias, e sua temperatura só foi normalizada quando não havia mais hemorragia no cérebro. A paciente sobreviveu ao procedimento; mas correndo risco considerável.
No espaço, o resfriamento corporal teria de ser mantido por muito mais tempo – o ideal seria 200 dias seguidos de hibernação, cobrindo a maior parte do percurso até Marte. “Na natureza, existem animais que suportam períodos longos, de vários meses. Em humanos, ainda não sabemos quais as consequências do torpor induzido por mais de duas semanas”, admite John Bradford, presidente da SpaceWorks.
Por isso, a primeira meta é mais modesta. O projeto prevê que todos os astronautas se revezem em períodos de hibernação de 8 a 14 dias, para que nenhum deles ultrapasse o período já estudado pela ciência. Essa estratégia também garante que sempre haja algum humano acordado e consciente a bordo, o que seria útil em caso de pane nos computadores que controlam a hibernação ou se algum astronauta passar mal durante o estado de torpor – o que pode acontecer. A diminuição da circulação sanguínea, por exemplo, pode provocar embolias (obstrução dos vasos sanguíneos que pode levar à morte). A hibernação reduz a atividade dos glóbulos brancos, deixando o astronauta mais vulnerável a infecções – inclusive porque ele está em situação de risco, com agulhas e cateteres espetados por todo o corpo. As alterações no metabolismo podem provocar hipoglicemia e matar. E, mesmo com a gravidade artificial gerada pela rotação da nave, a falta de atividade física pode provocar atrofia muscular.
Para cada um desses problemas, existe uma resposta. O risco de embolia, por exemplo, pode ser reduzido com injeções regulares de heparina, uma substância que ajuda a dissolver coágulos. É possível prevenir infecções limpando bem os equipamentos ligados aos corpos dos astronautas. Já a atrofia pode ser evitada aplicando choques elétricos de baixa intensidade nos músculos, para mantê-los devidamente tonificados. Mas ninguém sabe quão bem tudo isso funcionaria na prática, nem como os astronautas se sentiriam ao despertar.
Não é agradável voltar da hibernação. Os animais que a praticam costumam acordar extremamente cansados, tendo a necessidade de voltar a dormir logo em seguida. No habitáculo da SpaceWorks, a estratégia seria aumentar a temperatura gradualmente e cortar aos poucos o fornecimento do RhinoChill. O processo seria ainda mais lento do que o resfriamento, podendo levar até oito horas.
Mas, mesmo que todos os aspectos fisiológicos sejam controlados, a questão psicológica continuará uma incógnita. Até hoje, todos os humanos submetidos à hibernação forçada estavam muito doentes, à beira da morte. Não dá para saber como um astronauta saudável e plenamente lúcido reagiria ao processo. Só mesmo testando na prática. E há um grande incentivo para isso. Com a hibernação, viagens espaciais longas se tornariam mais viáveis – e a humanidade poderia ir mais longe.

A economia de recursos
Dependendo da posição da Terra e de Marte em suas trajetórias em torno do Sol, a distância entre os dois planetas varia de 55 a 401 milhões de quilômetros. Se iniciada no momento certo, quando os planetas estão mais próximos um do outro, a ida levaria seis a oito meses. Somando o tempo na superfície do planeta mais o tempo da volta, uma missão poderia levar quase dois anos. Isso significa que a nave precisaria levar grande quantidade de combustível e suprimentos – e pesaria no mínimo 300 toneladas, contra as 120 toneladas das missões à Lua. E é aí que a hibernação entra. Ela permite viajar com muito menos coisas, em naves bem menores e mais leves.
Na Estação Espacial Internacional, os astronautas dormem em cabines com sacos de dormir presos às paredes. Não é nenhum luxo. Mas parece uma mansão perto do “habitáculo” imaginado pela SpaceWorks, que é 75% menor, pesa 50% a menos, e também gasta menos energia: precisa de apenas 30 kW para se manter, contra 50 kW das cabines da ISS. Além disso, seu consumo de oxigênio é 75% menor, e o de água é 50% mais baixo.
Essas contas batem com as estimativas da European Space Agency (ESA), que em 2018 publicou um artigo sobre hibernação espacial. Segundo a agência, o uso dessa técnica numa missão a Marte reduziria em 42,5% a quantidade total de suprimentos necessários e também ajudaria a proteger os astronautas da radiação cósmica, que pode causar câncer e é um problema sério em missões longas. “Estudos em animais mostraram que a hibernação aumenta a proteção contra radioatividade”, afirma a ESA. Isso supostamente acontece porque a hibernação desacelera a reprodução celular (que é vulnerável a mutações causadas por radiação).
A SpaceWorks se diz pronta. “Poderíamos começar a operar em pouco tempo, enviando missões para Marte com quatro a seis integrantes”, afirma John Bradford. A empresa jura que seu sistema de hibernação poderia manter seis pessoas no espaço por até 900 dias com apenas 1,6 tonelada de alimentos e medicamentos, contra as 13,1 toneladas necessárias numa cápsula comum. Ela também estuda cenários ainda mais radicais. Em 2015, apresentou um protótipo de 10×8,5 metros, que seria capaz de transportar 48 astronautas numa eventual missão de colonização.
Mas a Nasa vê a ideia com cautela. Em 2015, o biólogo Yuri Griko, que dirige o departamento de biociências da agência, pediu para fazer uma experiência (ele queria fazer voos experimentais com animais em hibernação), e não obteve autorização. Em 2016, a Nasa assinou um novo contrato com a SpaceWorks para que a empresa continue as pesquisas – mas não permitiu que ela realizasse um teste de hibernação forçada em porcos, como desejava. Ou seja: a hibernação espacial vai demorar. Mas pode se tornar realidade um dia. E atravessar o Sistema Solar sem sentir, com a leveza de quem acaba de acordar, terá deixado de ser apenas um sonho.

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13.966 – Por que os Planetas são Redondos?


terra e lua
A esfera é a mais estável de todas as formas geométricas encontradas na natureza e, por isso, as partículas necessitam da menor quantidade de energia para chegar a esse formato.
Mas o que torna a esfera tão estável? “Ela é a única figura onde todos os pontos da superfície estão à mesma distância do núcleo”. Para os planetas, isso é imprescindível.
Como são corpos com uma quantidade enorme de massa, eles têm um campo gravitacional fortíssimo, que suga tudo para o seu centro. Assim, o formato esférico é a única maneira de garantir que o que está na superfície não seja sugado para o centro do planeta pela força da gravidade.
Os planetas, no entanto, não são esferas perfeitas. A distorção no formato original acontece por causa do movimento de rotação, que os achata um pouco perto dos pólos.

13.964 – NASA renomeia unidade em homenagem a lendária matemática Katherine Johnson


nasa
Em mês dedicado as mulheres, a NASA decidiu mudar o nome de uma das suas unidades para homenagear a matemática, já aposentada, da agência especial, Katherine Johnson. A sede em Fairmont, na Virginia Ocidental, passou a se chamar “Unidade de Verificação e Validação Independente Katherine Johnson”.
Nascida em 1918, Katherine foi fundamental em cálculos na época da corrida espacial e no desenvolvimento de aplicações para computadores da NASA. Ela chegou a ser representada no filme “Estrelas Além do tempo” que reconstruiu o período em que realizou cálculos de trajetórias orbitais para os primeiros voos espaciais tripulados para a Lua.
Sua conquista atravessa também questões sociais pelo fato de ser uma das primeiras mulheres negras a entrar para o Centro de Pesquisa Langley. E NASA reconhece em seu site que “não teria sido possível realizar uma série de marcos históricos sem Katherine Johnson e seu amor pela matemática”.
O diretor da agência, George Blaney, ainda disse que essa “é uma maneira de reconhecermos a carreira e as contribuições de Katherine não apenas durante o Mês da História Negra, mas todos os dias, todos os anos”. As mulheres, especialmente as negras, ainda enfrentam abusos e são sub-representadas nas ciências e são consideradas “figuras ocultas” na área
Esta já é a segunda instalação nomeada em homenagem a Johnson. A primeira foi a Pesquisa Computacional Katherine Johnson no Centro de Pesquisa Langley da NASA em Hampton, Virgínia.

13.960 – Física – Big Bang foi Descoberto por Acaso


balão do big bang
A origem do Universo foi descoberta em um lugar em que ninguém buscava. E foi formulada graças a uma descoberta fortuita anterior – a que deu origem à radioastronomia, ramo da astronomia que estuda as radiações eletromagnéticas emitidas ou refletidas pelos corpos celestes.
“Na década de 1930, os laboratórios Bell estavam tentando criar radiotelefones, mas havia um sinal que estava interferindo nas transmissões pelo Atlântico. Pediram a Karl Jansky (físico e engenheiro de rádio) para investigar”, contou à BBC News Sara Bridle, professora de astrofísica da Universidade de Manchester.
A descoberta foi importante porque revelou todo um pedaço do Universo que ainda era completamente invisível e, por isso, desconhecido.
Para o astrônomo Nial Tanvir, era como estar num quarto com pouca luz, observando assustado tudo o que se podia enxergar e, de repente, alguém aparece com um óculos de visão noturna.
A origem do Universo é, por excelência, um desses processos – comprovado graças ao acaso, que ajudou a demonstrar empiricamente o chamado Big Bang, ou Grande Explosão.
“A ideia do Big Bang, do ponto de vista teórico, é que num momento no passado, toda a matéria e toda a energia do Universo estava um único lugar e logo explodiu. Essa explosão marcou o início do tempo e da expansão do espaço, partindo do nada, e a expansão continua acontecendo”, resume Tanvir. “Soa como uma teoria louca, mas é o que a matemática nos diz”, completa o astrônomo.
A teoria da Grande Explosão ganhou força durante o século passado. No entanto, até meados dos anos 1960, ainda faltavam provas contundentes para derrubar teorias alternativas.
A evidência que faltava veio à tona graças à radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB, na sigla em inglês), outro acaso.
Tudo começou com Arno Penzias e Robert Woodrow Wilson trabalhavam com uma antena supersensível – com design digno de filme de ficção científica (veja na foto abaixo) – desenhada para detectar as ondas de rádio emitidas pelos echo balloon satellites, satélites em formato de balão.
Para medir as ondas, elas precisavam eliminar todo tipo de interferência que viesse de outras fontes.
Quando fizeram isso, os pesquisadores se depararam com um ruído desconhecido e persistente, “um sinal fraco, mas facilmente detectável, que não vinha de nada na Terra nem no Sistema Solar, nem mesmo da nossa galáxia”, diz Tanvir, relembrando a história.

Esse sinal vinha de todas as direções.
Um ruído incômodo
Em todos os lugares eles encontravam o mesmo “calor de fundo”, como o próprio Penzias explicou em uma entrevista à BBC no final dos anos 70, referindo-se à energia emitida pelas ondas.
Um esforço para melhorar as comunicações de rádio, um ruído no espaço e alguns físicos teóricos por perto… tudo se reuniu em um notável acidente que, segundo a maioria dos cientistas, deu ao mundo o que era necessário para comprovar a maior de todas as teorias: o Big Bang.
Poderia-se dizer que Penzias e Wilson ganharam na loteria científica.
Uma vez que o cocô do pombo foi descartado, o “ruído” irritante acabou por ser a descoberta acidental do século, a evidência da origem do Universo.
Mas, embora a descoberta da CMB, a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, tenha sido um acidente, será possível afirmar que, realmente, foi pura sorte?
Penzias e Wilson tiveram a sorte de se deparar com o ruído e de encontrar a teoria para explicá-lo literalmente logo ao lado. A dupla, entretanto, foi muito cuidadosa e não ignorou as evidências que lhe apareciam, por mais irritantes que elas fossem.
Os cientistas ganharam em 1978 o prêmio Nobel de Física.
Em um mundo em que o tempo de acesso aos telescópios é regulamentado e o teste de hipóteses, base do método científico, depende de financiamento, a radioastronomia moderna aprendeu com os acidentes de seu passado.