14.194 – Como os ursos hibernam?


ursos_hibernação
Para enfrentar o frio e a escassez de alimentos do inverno do hemisfério norte, eles tiram o time de campo, passando um tempo sem beber, comer, urinar e defecar. No caso dos ursos-negros, esse período varia entre cinco e sete meses por ano. Segundo uma pesquisa da Universidade do Alasca divulgada em fevereiro, o metabolismo dessa espécie fica reduzido a 25% de sua capacidade, a temperatura do corpo baixa em média 6 ºC e a frequência cardíaca cai de 55 para só nove batimentos por minuto! A queima da gordura estocada no corpo libera a água e as poucas calorias de que ele necessita para sobreviver. Também acontece uma reciclagem de componentes nitrosos, como a ureia. Combinados com a glicerina resultante do uso da gordura, esses dejetos formam aminoácidos que ajudam a manter as proteínas corporais.
ATIVIDADE NORMAL
Esse é o período “tranquilo”, quando o clima está favorável, há alimento disponível e o metabolismo do animal funciona em 100% da capacidade. Em geral, começa ao final do primeiro mês da primavera e vai até a metade do verão

HIPERFAGIA
O nome já diz tudo: é hora de comer bastante! Desde o meio do verão até um pouco mais da metade do outono, os ursos-negros com acesso ilimitado a alimento bebem pelo menos 30 litros de água por dia e estocam calorias (enquanto o gasto calórico continua o mesmo de antes)

TRANSIÇÃO DE OUTONO
Começam a diminuir o metabolismo para a hibernação. Comem menos que na hiperfagia, mas o consumo de água e a urinação seguem em alta. Os batimentos cardíacos caem de cerca de 80 por minuto para cerca de 50 (e, durante as 22 horas diárias de sono, chegam a 22 por minuto).

HIBERNAÇÃO
Pode chegar a sete meses. Durante o período, o consumo de calorias diárias, extraídas da gordura acumulada na hiperfagia, cai para entre 4 e 6 mil. O metabolismo é reduzido a 25%. Até a entrada de oxigênio é muito reduzida: em geral, o urso respira só uma vez a cada 45 segundos

HIBERNAÇÃO AMBULANTE
Sabe quando você acorda e ainda está meio grogue? Imagina após dormir por meses! Por cerca de 20 dias, os ursos mantêm o metabolismo abaixo da capacidade total, embora a temperatura do corpo já volte ao normal. É o período de ajuste antes de retornar à vida regular

CAFOFO ANIMAL
Eles hibernam sob as raízes ou na base de uma grande árvore, debaixo de um rochedo ou em uma toca que cavam no solo, com ao menos 0,5 m de altura e quase 1 m de comprimento. O chão e o fundo são forrados com ramos de vegetação. Nas regiões muito frias, montam a toca em um ponto onde caia muita neve para aumentar o isolamento térmico. E costumam voltar ao mesmo abrigo todo inverno

CADA UM POR SI
Ursos são essencialmente solitários, exceto na época de acasalamento. Ou quando as ursas prenhas dão à luz, geralmente durante a hibernação. Elas ficam na toca com os filhotes (entre três e seis) durante todo o inverno, amamentando-os. Após a hibernação, cuida deles até os 2 anos. Depois disso, os pequenos têm que se virar para conseguir alimento e montar o próprio abrigo

E NO ZOOLÓGICO?
Longe do habitat natural, bicho perde o ciclo
Ursos em cativeiro dificilmente hibernam, já que, dependendo do lugar, não faz frio e sempre há alimento disponível. Aliás, por esse mesmo motivo, o panda não hiberna nem na natureza: seus brotos de bambu não escasseiam com a mudança das estações. E, como vivem no alto das montanhas, caso o frio aperte, basta procurar uma temperatura mais amena em altitudes mais baixas

• Outros animais que hibernam: esquilos, marmotas, morcegos, hamsters, ratos-silvestres e ouriços.

14.189 – Meio Ambiente – Larvas que comem Plástico


larvas
As larvas até podem ser seres repulsivos, mas acredite: elas podem ajudar a salvar o planeta Terra da destruição. Essas criaturas viscosas podem livrar o planeta de mais de 33 milhões de toneladas de plástico e isopor, além de garrafas de água, copos e todos os outros tipos de resíduos plásticos descartados de forma irregular na natureza.
As chamadas larvas que comem plástico estão sendo encaradas pelos pesquisadores como a chave para combater a poluição plástica em todo o mundo. Na verdade, essa espécie já é comprovadamente responsável por um importante processo de reciclagem das matérias-primas plásticas que são jogadas no meio ambiente.
O problema é que elas comem uma quantidade mínima de plástico por dia, o que torna inviável utilizar apenas o trabalho desses insetos para conter a poluição.
Somente nos Estados Unidos, todos os anos, são jogadas mais de 33 milhões de toneladas de lixo plástico no meio ambiente. Menos de 10% de todo o lixo produzido acaba sendo reciclado corretamente, o que é um fato preocupante e triste, visto que vários tipos de plásticos, inclusive os usados em garrafas Pet, podem ser reciclados quantas vezes forem necessárias.
Isso significa que, de uma forma ou de outra, a maioria desse lixo plástico termina em um aterro, onde pode levar séculos para biodegradar. Mas, agora, os pesquisadores parecem ter encontrado uma solução para esse problema!
Os cientistas descobriram que as minhocas podem comer isopor, transformá-lo em material biodegradável e obter toda a nutrição de que necessitam. Um estudo colaborativo entre a Universidade de Stanford e pesquisadores chineses descobriu que 100 larvas podem consumir quase 40 miligramas de isopor por dia.
Na natureza, existem muitos insetos que comem plástico, mas esta é a primeira vez que eles confirmaram que o resultado da digestão é um produto natural. Além disso, os pesquisadores também descobriram que o plástico não faz mal aos insetos. Isso significa que, além de consumir o plástico, as larvas ainda o transformam em resíduo orgânico inofensivo ao meio ambiente e a outras espécies animais.
Este tipo de descoberta pode tornar melhores as atuais técnicas de reciclagem. O próximo passo é entender como acontece o processamento do plástico dentro do organismo das larvas e criar esse tipo de mecanismo em larga escala para ser usado no mundo todo. É um longo caminho a ser percorrido, mas, ao menos, trata-se de uma esperança para conter a poluição da natureza, causada pelo próprio homem.

14.188 – Já a Venda o Primeiro Olho Biônico


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O primeiro olho biônico disponível para o mercado foi aprovado pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) na última semana. O equipamento, denominado Argus II, foi lançado pela empresa americana Second Sight Medical Products e consiste em um dispositivo composto de eletrodos implantados na retina e lentes que possuem uma câmera em miniatura.
Para implantar o olho biônico, é necessária uma cirurgia que insere uma pequena lâmina de eletrodos sensíveis à luz na retina do paciente, o que proporciona a capacidade de perceber formas e movimentos.
Além disso, o Argus II contém uma pequena câmera de vídeo conectada a um par de óculos, com um processador de imagem que o usuário deve levar consigo na cintura. Os dados captados pela câmera de vídeo são enviados ao processador e, em seguida, o nervo óptico é estimulado.
Para as pessoas que sofrem de retinose pigmentar, doença rara e genética que provoca a degeneração dos fotoreceptores da retina, o olho biônico pode recuperar parcialmente a visão. Os testes clínicos foram realizados com 30 pessoas de 28 a 77 anos com acuidade na visão abaixo de 1/10. Entre as respostas, os pacientes puderam distinguir formas em preto e branco.
O Argus II contém uma pequena câmera de vídeo conectada a um par de óculos, com um processador de imagem que o usuário deve levar consigo na cintura / Fonte: Reprodução Second Sight
Indicado para pessoas com mais de 25 anos, o custo do Argus II na Europa é de 73.000 euros (R$ 191.025,30 reais)

14.186 – Como se Forma o Granizo


granizo
As gotas de água que se evaporam dos rios, mares e da superfície terrestre, quando chegam às nuvens e encontram temperaturas abaixo de -80°C, viram gelo. Congelado, o vapor de água fica com mais peso do que a nuvem pode aguentar e cai, em forma de pedra de gelo, que chamamos de granizo.
A chuva de granizo, no entanto, não acontece nas regiões polares. O motivo? É que o granizo só se forma em um único tipo de nuvem, a cumulonimbus, também responsável por trovões e relâmpagos. Essa nuvem atinge até 25 km de altitude a partir da linha do Equador. “E ela só aparece nas regiões mais quentes”, explica Mario Festa, professor de Meteorologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo. Isso acontece porque ela se forma graças a temperaturas elevadas e alto índice de umidade relativa do ar, mais raro nos países frios.
A ocorrência do granizo, portanto, é mais frequente nas regiões equatoriais, e vai diminuindo
gradativamente ao longo das regiões tropicais, extratropicais e temperadas. “Por isso, em algumas épocas do ano é até possível ter chuva de granizo na Escandinávia, mas é raro. Já nos polos, realmente, nunca foi registrada”, diz o professor.
A pedra de gelo tem, em média, 0,5 a 5 centímetros de diâmetro, mas isso pode variar. Nos Estados Unidos, na década de 1970, foi registrado um granizo com 14 centímetros de diâmetro, com 750 gramas.

14.181 – Física – Como Construir Uma Máquina do Tempo?


Um astrofísico chamado Ron Mallet acredita que encontrou uma maneira de voltar no tempo. O professor de física da Universidade de Connecticut afirma que escreveu uma equação científica que pode servir de base para uma máquina do tempo real. Mallet chegou a construir um protótipo de um dispositivo de um componente-chave de sua teoria. Apesar disso, o restante da comunidade científica não está convencida de que a máquina do tempo vai se concretizar.

Para entender a máquina é preciso conhecer o básico da teoria da relatividade de Albert Einstein. Segundo o cientista, o tempo acelera e desacelera dependendo da velocidade com que um objeto se move. Com base nisso, se uma pessoa estivesse viajando perto da velocidade da luz no espaço, o tempo passaria mais lentamente para ele do que de alguém que permanece na terra. Porém, embora alguns físicos aceitem que seria possível viajar para o futuro dessa maneira, ir para o passado seria outra questão. Mallet acredita que lasers podem resolver isso.

O astrofísico disse à CNN que sua máquina do tempo depende da teoria geral da relatividade. Segundo ela, objetos massivos dobram o espaço-tempo, um efeito que conhecemos como gravidade, e quanto maior a gravidade, menor o tempo. “Se você pode dobrar o espaço, existe a possibilidade de você torcer o espaço. Na teoria de Einstein, o que chamamos de espaço também envolve tempo, é por isso que se chama espaço-tempo. O que você faz com o espaço, pode ser feito com o tempo também”, afirmou.

Ele acredita que é teoricamente possível transformar o tempo em um loop que permitiria viajar no tempo para o passado. Ele chegou a construir um protótipo mostrando como os lasers podem ajudar a alcançar esse objetivo. “Estudar o tipo de campo gravitacional produzido por um laser anel pode levar a uma nova maneira de olhar para a possibilidade de uma máquina no tempo baseada em um feixe de luz circulante”.

Por mais otimista que Mallet esteja, seus colegas estão céticos quanto ao sucesso de sua teoria. O astrofísico Paul Sutter disse que “existem falhas profundas em sua matemática e em sua teoria, e, portanto, um dispositivo prático parece inatingível”. O próprio autor da teoria admite que sua ideia é apenas isso no momento, uma teoria. E mesmo que sua máquina funcione, reconhece que existiria uma grande limitação que impediria alguém de viajar de volta no tempo e mudar algo no passado.

14.180 – Hyundai e Uber mostram seu carro voador


carro voador
A montadora sul-coreana Hyundai e a Uber anunciaram
durante a CES 2020 que estão desenvolvendo um carro
voador, que deve ser utilizado pela empresa de caronas
em 2023. A promessa das companhias é que este veículo,
chamado de S-A1, será capaz de transportar cinco passageiros
pelos céus e que, um dia, possa até abolir o piloto humano.
Este projeto faz parte da visão da Urban Air Mobility (UAM)
da Hyundai, com o chamado Veículo Aéreo Pessoal (PAV)
usando decolagem vertical e motores elétricos para aliviar o congestionamento da estrada.

A Hyundai será responsável pela fabricação do S-A1.
Espera-se que tenha vários rotores – para eficiência e segurança –
e um sistema de acionamento de para-quedas, se o pior acontecer.
Ele também será desenvolvido com baixo nível de ruído em mente,
para evitar perturbar as áreas urbanas nas quais as aeronaves devem operar.

Enquanto isso, a Uber cuidará das operações, sob a marca Uber Elevate.
“A Hyundai é nosso primeiro parceiro de veículos com experiência na
fabricação de automóveis de passageiros em escala global”, explicou
Eric Allison, diretor da Uber Elevate, ontem (06) durante a CES.
“Acreditamos que a Hyundai tem potencial para fabricar os veículos do Uber Air
a taxas nunca vistas na indústria aeroespacial atual, produzindo aeronaves confiáveis
​​e de alta qualidade em grandes volumes para reduzir os custos de passageiros por viagem
. Combinar o poder de fabricação da Hyundai com a plataforma de tecnologia da Uber representa um grande salto para
o lançamento de uma vibrante rede de táxis aéreos nos próximos anos”.
O conceito de uso deste carro, segundo a Hyundai e a Uber, parte de uma rede de centros de pouso espalhados por áreas urbanas,
descritas como espaços de mobilidade geral. Esses centros funcionariam como lugares para os PAVs aterrissarem,
bem como para passageiros e carga se reunirem. Um outro veículo seria usado para transportar pessoas ou itens
para o hub e atracar em seus raios periféricos.
No centro do hub, haveria um lounge e uma área de preparação.
Os PAVs decolam do Skyport por cima e transportarão passageiros pela cidade.
No outro extremo, outro PBV poderá levá-los ao destino final ou vincular-se a outras opções de transporte público.

A Uber diz que pretende lançar o modelo em 2023, embora isso dependa de obstáculos tecnológicos e regulatórios.

14.177 – Demorou mas Chegou – Pílula contra HIV


pilula da aids mim
O Ministério da Saúde passará a disponibilizar em até 180 dias a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) contra o vírus HIV. Na prática, um grupo inicial de 7 mil pessoas em grupos estratégicos deverão receber um medicamento para tomar no dia-a-dia e prevenir a infecção.
Inicialmente o governo deve priorizar 12 cidades brasileiras: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Manaus, Brasília, Florianópolis, Salvador e Ribeirão Preto. De acordo com o Ministério da Saúde, esses municípios foram escolhidos por terem participado de projetos piloto para o uso da pílula.
Além disso, poderão receber o remédio populações-chave, determinadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS): casais soro diferentes, gays; homens que fazem sexo com homens; profissionais do sexo e pessoas transgêneros (travestis e transexuais).
O remédio será distribuído para previnir a infecção pelo vírus HIV no Brasil e já é utilizado em outros países para o mesmo fim, como os Estados Unidos, e os estudos demonstram alta taxa de eficiência: 90%, de acordo com o Ministério da Saúde.
A marca mais conhecida é o Truvada, usada em alguns países. O Ministério da Saúde disse há possibilidade de importar o produto, mas que uma licitação deverá ser feita.
Ele combina dois medicamentos em um comprimido: o fumarato de tenofovir desoproxila (TDF, 300 mg) e a emtricitabina (FTC, 200 mg). Os dois, junto a uma terceira substância, já fazem parte do coquetel de tratamento contra a doença há muitos anos.
O que é PrEP?
A Profilaxia Pré-Exposição é a ingestão do medicamento em grupos de risco do HIV para evitar que novas pessoas sejam infectadas. Há, ainda, a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), feita no Brasil desde 2010 – quando a pessoa recebe um tratamento a base de um coquetel logo após um comportamento de risco, ou para profissionais de saúde que possam ter se infectado ao tratar pacientes.
O remédio impede a transcrição do material genético do vírus HIV, evitando se instale nas células do corpo.
Os dois médicos informaram que o medicamento mantém o efeito por um bom tempo no corpo. Então, esquecer de tomar um único dia não é o problema. De acordo com Kallas, ele geralmente é ingerido de três a quatro vezes por semana.
A longo prazo, de acordo com Timerman, o remédio pode causar problemas renais e alterar a calcificação dos ossos. Por isso, ele defende que os pacientes sejam acompanhados de seis em seis meses por um médico.
O total de pessoas cadastradas para receber a prevenção por meio da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), medicamento que previne a infecção do vírus HIV, aumentou 38% em cinco meses. O tratamento está disponível desde janeiro de 2018 no Sistema Único de Saúde (SUS). Desde então, 11.034 pessoas foram cadastradas, sendo 4.152 apenas entre janeiro e maio deste ano, de acordo com o Ministério da Saúde.

A “pílula anti-HIV” é uma combinação de medicamentos: tenofovir (300mg) + truvada (200mg). Ao tomar a dose diária, a pessoa se previne contra o vírus. Os grupos com maior risco passaram a ter acesso à PrEP na rede pública de saúde no Brasil: gays, homens que fazem sexo com outros homens (HSH), profissionais do sexo, homens trans, mulheres trans e travestis.
Em 2017, o Ministério da Saúde liberou a pílula para 7 mil pessoas, inicialmente. Foram priorizadas 12 cidades: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Manaus, Brasília, Florianópolis, Salvador e Ribeirão Preto. A escolha dos locais acompanhava a maior incidência da doença. Depois, a PrEP foi ampliada para outras partes do Brasil.
A Profilaxia Pré-Exposição já era utilizada em outros países, como os Estados Unidos. Desde 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar a prevenção para esses mesmos grupos. Estudos apontam uma taxa de eficiência maior do que 90%. Mais de 100 mil pessoas já tinham usado a pílula até o final de 2016.
Uma revisão de 21 trabalhos que somam quase 10 mil pacientes analisou se a PrEP induz à diminuição do uso de preservativo e a incidência de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O estudo aponta uma variação entre as populações estudadas e que não houve um aumento significativo no número de participantes que não usavam camisinha – a conclusão é que os HSH já transavam sem proteção. Mesmo assim, há um aumento geral no número de parceiros.
Os gays e homens que fazem sexo com outros homens (HSM) são os que mais aderiram à medida no Brasil – foram 2.898 novos cadastros neste ano. Do outro lado, estão travestis, homens trans e mulheres trans, que representam menos de 5% dos usuários da PrEP. Desde o início de 2019, entraram no programa de prevenção 30 travestis, 162 mulheres trans e 10 homens trans.
Mesmo que esse número pareça pequeno, é difícil estimar se essas populações estão sub representadas na política de prevenção. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as pesquisas demográficas ainda não contabilizam o número de travestis, mulheres trans e homens trans no Brasil.
O instituto argumenta que, na hora de fazer um questionário nas residências, uma única pessoa responde por toda a família – e muitas vezes não informa a existência de um integrante dessas populações. Além disso, parte dos homens trans e mulheres trans acaba entrando nos índices de sexo feminino ou masculino, pois o gênero é autodeclaratório.

14.170 – O que é Fasciíte Necrosante?


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É uma infecção rara causada por bactérias extremamente agressivas, caracterizada pela destruição rápida e progressiva do tecido subcutâneo e da fáscia superficial (tecido conjuntivo que separa músculos da pele). Essa infecção acomete com mais frequência a parede abdominal, as extremidades e o períneo, apesar de poder afetar qualquer parte do corpo.
Não existe um único organismo causador dessa infecção, pois ela está relacionada com a ação de diferentes bactérias. O Streptococcus hemolítico do grupo A e o Staphylococcus aureus são frequentemente observados em quadros de fasciíte necrosante. Entretanto, essas não são as únicas bactérias causadoras do problema. Podemos citar ainda as bactérias do gênero Bacteroides, Clostridium e Peptostreptococcus.
Existem alguns fatores de risco para o desenvolvimento dessa condição, principalmente: idade avançada, uso de drogas, diabetes, abuso de álcool, lesões na pele, cirurgias e traumas abertos ou fechados.

→ Classificação da fasciíte necrosante
A fasciíte necrosante pode ser classificada em tipos I e II, utilizando-se como critério as bactérias envolvidas.
Tipo I: O tipo I, ou celulite necrosante, caracteriza-se por apresentar uma bactéria anaeróbia obrigatória, em associação com um ou mais anaeróbios facultativos. É comum o surgimento dessa infecção após cirurgias e em pacientes com diabetes e doença vascular periférica.
Tipo II: O tipo II, conhecido também como gangrena estreptocócica, possui a presença de Streptococcus do grupo A isolado ou, ainda, associado ao Staphylococcus aureus. Nesse caso, observa-se o aparecimento desse problema em decorrência de ferimentos penetrantes, queimaduras e procedimentos cirúrgicos.
→ Quadro clínico da fasciíte necrosante
A fasciíte necrosante inicia-se com a apresentação de uma área dolorosa e avermelhada, a qual vai aumentando no decorrer dos dias. A dor é desproporcional às alterações presentes na pele. Posteriormente, essa região da pele fica azulada (cianose local), e inicia-se a formação de bolhas com conteúdo amarelado ou vermelho-escuro. Esse local, então, torna-se demarcado, circundado por uma borda avermelhada e recoberta por tecido morto (necrótico). Ocorre ainda a trombose dos vasos superficiais, o que dificulta, assim, a ação dos antibióticos e proporciona o acúmulo de bactérias.
A dor é intensa, mesmo após o início do tratamento, e as feridas podem ter grandes proporções, surgindo verdadeiros “buracos” no paciente. Caso o tratamento não seja feito, pode ocorrer o acometimento de estruturas mais profundas, como a camada muscular. Vale destacar que normalmente existe a preservação do músculo subjacente.

→ Tratamento
O tratamento envolve o uso de antibióticos de amplo espectro, a retirada cirúrgica do tecido necrótico e meios que garantam o suporte geral do paciente, com isso, evitando choque séptico e falência dos órgãos. O tratamento apresenta um resultado satisfatório quando feito no início da infecção. Caso não seja tratada adequadamente, a doença torna-se potencialmente fatal.

14.166 – Química – Ponto de Fusão e Ebulição


No caso do ponto de fusão, a substância muda do estado sólido para o estado líquido. Já o ponto de ebulição refere-se a mudança do estado líquido para o estado gasoso.
Por exemplo, o gelo começa a se transformar em água na forma líquida, quando sua temperatura é igual a 0 ºC . Logo, o ponto de fusão da água é 0 ºC (sob pressão de 1 atmosfera).
Para passar de líquida para vapor, a água deve atingir a temperatura de 100 ºC. Assim, o ponto de ebulição da água é 100 ºC (sob pressão de 1 atmosfera).
Quando uma substância no estado sólido recebe calor, ocorre um aumento no grau de agitação de suas moléculas. Consequentemente sua temperatura também aumenta.
Ao atingir uma determinada temperatura (ponto de fusão), a agitação das moléculas é tal que rompe as ligações internas entre os átomos e moléculas.
Nesse ponto, a substância começa a mudar seu estado e passará para o estado líquido se continuar recebendo calor.
Durante a fusão sua temperatura se mantém constante, pois o calor recebido é usado unicamente para a mudança de estado.
O calor por unidade de massa necessário para mudar de fase é chamado de calor latente de fusão (Lf) e é uma característica da substância.
A temperatura do ponto de fusão e do ponto de ebulição depende da pressão exercida sobre a substância.
De uma maneira geral, as substâncias aumentam de volume quando sofrem fusão. Este fato faz com que quanto maior a pressão, maior deverá ser a temperatura para que a substância mude de fase.
A exceção ocorre com algumas substâncias, entre elas a água, que diminui seu volume quando sofrem fusão. Neste caso, uma maior pressão irá diminuir o ponto de fusão.
Uma diminuição na pressão faz com que o ponto de ebulição de uma determinada substância seja menor, ou seja, a substância irá ferver em uma menor temperatura.
Por exemplo, em lugares acima do nível do mar a água ferve com temperaturas menores que 100 ºC. Com isso, nesses lugares demora-se muito mais para cozinhar do que em lugares ao nível do mar.

14.156 – Geólogos e arqueólogos determinam idade correta da civilização mais antiga do mundo


De acordo com o novo estudo, publicado na revista Scientific Reports, a cultura do Vale do Indo, tem pelo menos 8000 anos de idade, ao contrário dos 5500 estimados anteriormente.
Segundo as novas estimativas, a referida civilização supera o Antigo Egito e Mesopotâmia em antiguidade.
Os cientistas conseguiram determinar a idade da cultura do Vale do Indo, após terem submetido os fragmentos e ossos encontrados na localidade de Bhirrana a várias análises, entre elas à datação por carbono 14.
Além de precisar a idade, as observações desmentiram a teoria de que a queda da civilização de Harappa se possa ter devido a uma abrupta mudança climática. No entanto, a mudança da estratégia agropecuária associada à seca terá contribuído para a desurbanização e declínio gradual das cidades.
Um homem vestindo hábito maia passa na frente da pirâmide Kukulcan, no parque arqueológico Chichen Itzá, em 20 de dezembro de 2012
A cultura do Vale do Indo se situava no delta do rio Indo e tinha um grande nível de desenvolvimento cultural. Suas cidades contavam com canalização e banheiros públicos. No entanto, essa civilização começou decaindo no início do século XVII a.C.
Entre as teorias sobre o seu desaparecimento figura a versão da mudança climática, assim como a das invasões dos antepassados dos persas e indianos modernos.

14.151 – Colonização da Lua – Projeto Gateway visa a construção de um quartel general no satélite para levar astronautas para o planeta vermelho


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A nave, que levará o mesmo nome do projeto, está em processo de construção e sua primeira parte deverá ser lançada ao espaço em 2022. Outras dois módulos serão lançados posteriormente para acoplar o sistema, que ficará orbitando a Lua. O primeiro teste não tripulado da iniciativa deverá entrar em órbita já em 2020.

A ideia é que o Gateway se torne uma espécie de “quartel general espacial” no satélite da Terra. Com isso, a nave seria um primeiro passo na colonização da Lua. A NASA já estuda a construção de estruturas no solo lunar. Outras agências espaciais como as de Japão, Rússia e Canadá também fazem parte do projeto encabeçado pelos norte-americanos.

“Trabalhando com agências internacionais, a NASA vai mudar o paradigma da exploração humana no espaço. O Gateway pretende estabelecer uma presença humana constante na Lua para descobrir novos avanços científicos e dar o primeiro passo para que empresas passem a construir uma economia lunar”, diz a página oficial da agência.

“Nós queremos que o Gateway seja um novo espaço para o melhor que o mundo tem a oferecer em ciência e tecnologia. A agência quer usar o projeto para observar a Terra de uma nova perspectiva, estudar o Sol e ter uma visão desobstruída do vasto universo”, revela o documento.

O escritório da NASA em órbita também é importante para que a exploração humana do universo avance drasticamente. Após o fim da Guerra Fria e a chegada à Lua, a corrida espacial perdeu parte de seu sentido e o avanço das tecnologias fez com que as agências espaciais explorassem o Sistema Solar através de robôs e sondas.

Agora, os norte-americanos querem usar o satélite como uma espécie de escala para fazer a sonhada missão tripulada para Marte. “As tecnologias do projeto Gateway serão fundamentais para que consigamos fazer a viagem de de 34 milhões de milhas até Marte”, explica a agência.
Ainda segundo a agência, “as explorações da Lua e de Marte estão entrelaçadas”, uma vez que as novas ferramentas que serão testadas no satélite da Terra tendem a ser chave para o próximo passo na exploração do Sistema Solar.

Devido à ambição do Gateway, o governo norte-americano deve injetar U$ 1,6 bilhão no orçamento da NASA já para o ano que vem.

De acordo com a NASA, também estão entre os principais objetivos da colonização da Lua e da chegada em Marte explorar as dificuldades de se viver no espaço, descobrir e utilizar novos recursos naturais e estudar opções para descarte de lixo. A expectativa da NASA é que o projeto Gateway esteja totalmente pronto em 2026.

14.150 – Colonização da Lua – Agora vai


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Quando um ser humano pisou pela primeira vez na superfície lunar, em 20 de julho de 1969, os olhos do mundo estavam vidrados na TV. A Nasa estima que o pouso da Apollo 11 tenha sido acompanhado por 530 milhões de pessoas. Uma em cada sete no planeta da época.
Era o auge da Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética usaram a Lua como palco de exibição de seu poderio tecnológico: entre 1958 e 1976, EUA e URSS despacharam um total de 79 missões para lá. Foram em média quatro por ano.
Projetadas para sobrevoar, orbitar, impactar e pousar, essas expedições proporcionaram uma avalanche de informações sobre nosso satélite natural. E mais importante: presentearam os terráqueos com a chance de contemplar, pela primeira vez, seu próprio planeta de longe.
Até o final dos anos 1960, os soviéticos lideravam a corrida rumo à Lua. Seus dois principais programas, Luna e Zond, alcançaram feitos como o lançamento da primeira espaçonave a atingir a superfície lunar, a primeira a mandar de volta imagens do lado oculto da Lua, a primeira a realizar um pouso suave lá em cima, a primeira sonda a orbitá-la e, por último, mas não menos importante, a primeira a transportar formas de vida até lá e trazê-las de volta.
Foi em setembro de 1968, quando a União Soviética colocou tartarugas, moscas, larvas, plantas, sementes, bactérias e outros materiais biológicos a bordo da missão Zond 5. As tartarugas emagreceram: 10% de seu peso se foi, mas não perderam o apetite e permaneceram bem de saúde. Parecia estar tudo no jeito para que o primeiro cosmonauta – e ser humano – embarcasse em uma jornada lunar. Mas então os EUA dispararam seu tiro de misericórdia. Apenas três meses depois, lançaram a Apollo 8, primeira missão a levar astronautas à órbita da Lua e trazê-los de volta em segurança. Com as missões Apollo que se seguiram, os americanos roubaram a cena.
Markus Landgraf, analista de exploração humana e robótica da Agência Espacial Europeia (ESA), considera que o impacto científico do programa Apollo é subestimado até hoje. Segundo o analista, ele representou uma revolução na ciência do Sistema Solar, sendo diretamente responsável por boa parte do que sabemos sobre os planetas, o meio interplanetário e o Sol. Isso só foi possível graças aos 378 quilos de rochas e regolito trazidos de volta pelas seis Apollos que pousaram na Lua entre 1969 e 1972. Sondas soviéticas trouxeram apenas 301 gramas.
Análises dessas amostras nos forneceram um primeiro vislumbre detalhado sobre processos geológicos lunares e sua composição mineral. “O que é irônico, porque o programa Apollo nunca foi pensado para ser científico”, aponta Landgraf.
Desde 1972, com a derradeira Apollo 17, seres humanos nunca mais pisaram na Lua. A vitória americana colocou uma pá de poeira lunar na corrida espacial, e os dias de ouro da exploração lunar chegariam ao fim. E não foi só isso. “Assumiu-se que tudo o que havia para se saber da Lua já estava sabido.” Até entre os cientistas ganhou espaço a visão da Lua como um lugar morto, que pouco tinha a oferecer para o progresso das ciências espaciais.
Essa ideia, no entanto, vem sendo desconstruída. O renascimento da exploração lunar começou no século 21. Os japoneses firmaram seu programa espacial com a missão Selene, de 2007, que produziu o mapa mais detalhado do campo gravitacional lunar até o momento e obteve algumas das imagens mais estonteantes da Lua e da Terra, registradas por uma câmera de alta definição. Logo, outros agentes entrariam de cabeça nesse jogo.

14.140 – Como Funciona a Máquina à vapor


Os princípios básicos da máquina a vapor já haviam sido explorados pelo engenheiro e matemático greco-egípcio Hierão de Alexandria, que no século I a.C. estudava o vapor como força motriz, através de sua invenção, a eolípila.
Já no final do século XVII, Denis Papin e Thomas Savery desenvolveram os primeiros motores a vapor, porém, foi
somente em 1972, que Thomas Newcomen revolucionou a área. O chamado “motor de Newcomen”, a partir de então começou a ser amplamente usado.
Com o avanço, os motores a vapor começaram a movimentar as primeiras locomotivas, barcos, fábricas, bem como as minas de carvão. As primeiras máquinas a fazer uso da energia a vapor eram usadas para retirar água acumulada nas minas de ferro e carvão e ainda eram utilizadas na fabricação de tecido.

Naquela época estava ocorrendo a chamada Revolução Industrial, em que o número de indústrias teve um crescimento vertiginoso, e com isso, a necessidade de usar cada vez mais máquinas para suprir o trabalho humano.

A primeira máquina a vapor foi utilizada por Thomas Savery, na retirada de água de poços de minas. A máquina transformava a energia armazenada no vapor quente em energia utilizável.
Na máquina de Savary, o vapor, que é proveniente da água aquecida até a ebulição em uma caldeira, entrava em uma câmara. Tal câmara, após ser fechada, era arrefecida por aspersão da água fria, e assim acontecia a condensação do vapor no seu interior.
Uma máquina a vapor não cria energia, mas sim usa o vapor para transformar a energia quente que é liberada pela queima de combustível. Toda máquina a vapor possui uma fornalha para que seja realizada a queima de carvão, óleo, madeira ou mesmo outro combustível para produzir energia calorífica.
Além disso, a máquina a vapor dispõe de uma caldeira. Assim, o calor proveniente da queima de combustível leva a água a transformar-se em vapor no interior dessa caldeira. Com o processo, o vapor expande-se, e ocupa um espaço muitas vezes maior que o ocupado pela água. A energia da expansão produzida pode ser aproveitada de duas formas: A primeira, deslocando um êmbolo num movimento de vaivém ou, acionando uma turbina.

Conheça o funcionamento de uma máquina a vapor

maquina_vapor

Assim sendo, na caldeira, o calor faz com que a água entre em ebulição. Assim, quando a válvula A está aberta e a válvula B permanece fechada, o vapor acaba entrando sob pressão e empurrando o êmbolo para cima. Deste modo, a roda R e a biela B acabam sendo deslocadas. O êmbolo, ao atingir o topo do cilindro, a válvula A acaba fechando para cortar o fornecimento de vapor, e a válvula B abre-se, fazendo com que o vapor saia do cilindro e entre no condensador.
Através da água corrente o condensador é mantido arrefecido. Assim que o vapor deixa o cilindro a pressão diminuiu no seu interior e a pressão atmosférica empurra o êmbolo para baixo. O êmbolo, ao atingir o fundo do cilindro, a válvula B se fecha a válvula A abre. A partir de então, o vapor entra no cilindro e o processo começa novamente.
Locomotivas a vapor
No século 19 surgiram as primeiras locomotivas movidas a vapor, sendo que geralmente tinha sua energia gerada pela queima de carvão nas fornalhas. Esse modelo de locomotiva foi usado até o final da Segunda Guerra Mundial.

A primeira locomotiva a vapor foi construída por Richard Thevithick, sendo que o primeiro teste foi feito em 21 de fevereiro de 1904, porém, somente após alguns anos o projeto acabou sendo usado. A tecnologia, no decorrer dos seus 150 anos de uso da energia a vapor foi sendo aprimorado.
As LOCOMOTIVAS A VAPOR são constituídas basicamente de:

1) CALDEIRA : local onde é produzido o vapor de água;

2) MECANISMO: Conjunto de elementos mecânicos que tem pôr objetivo de transformar a energia calorífica dos combustíveis em energias mecânica para assim transmitir o movimento resultante dos êmbolos aos eixos motrizes e finalmente, transformar esse movimento retilíneo alternado em circular contínuo para as rodas;
3) VEÍCULO: constituído pela carroceria, rodas, eixos, caixas de graxa e molas.

14.130 – Tecnologia – Fim das Obsoletas Rádios AM


radio am
Enquanto o sinal de rádio FM tem sido desligado pelo mundo desde janeiro do ano passado, no Brasil ele ainda é bastante popular. Já o que está perdendo espaço é o AM, cujas emissoras têm procurado dials na “frequência modulada” para alocar seus espaços e facilitar o acesso aos ouvintes.
A migração já está ocorrendo há algum tempo e agora ela deve evoluir em uma velocidade maior. O então presidente da República em exercício, Rodrigo Maia, assinou o decreto que abriu o prazo de 180 dias para as rádios que ainda operam na faixa AM solicitarem a migração para a FM. A medida atendeu a um pleito da ABERT.
As rádios AM que atuam em cobertura local, regional ou nacional, com interesse na migração, deverão solicitar a mudança ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).
Atualmente, das 1.781 estações em “amplitude modulada”, 1.332 já pediram a adaptação da outorga. Delas, 619 chegaram a assinar o aditivo contratual. O decreto fará com que até 449 emissoras AM consigam dar entrada na alteração. Da mesma forma que foi feito na primeira fase, a ABERT ficará à disposição para orientar as emissoras com interesse na migração a respeito de todas as etapas do processo.

14.129 – Nobel de Medicina 2019


nobel medicina 2019
Os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina de 2019 foram anunciados, são eles William Kaelin e Gregg Semenza, dos EUA, e Sir Peter Ratcliffe, do Reino Unido. O prêmio foi dado pelas suas descobertas sobre como as células do nosso corpo percebem e se adaptam aos níveis de oxigênio disponível no ambiente.
Os três pesquisadores desenvolveram seus trabalhos individualmente desde os anos 1990. Juntas, suas pesquisas descrevem um importante mecanismo fisiológico – a resposta hipóxica das células – essencial para que indivíduos consigam sobreviver em lugares mais altos, onde há menor concentração de oxigênio.
Além de desvendar como esse mecanismo funciona, os organizadores do Nobel ressaltaram a importância das descobertas para futuras aplicações médicas. De acordo com o comunicado oficial, “suas descobertas também abriram o caminho para novas estratégias promissoras para combater a anemia, o câncer e muitas outras doenças.”
O que os pesquisadores descobriram
Para entender o funcionamento do mecanismo de resposta hipóxica, é preciso relembrar como é o transporte de oxigênio no corpo humano.
Ao entrar pelo sistema respiratório, o oxigênio vai para as hemoglobinas, responsáveis por levá-lo pela corrente sanguínea para o restante dos nossos tecidos. O oxigênio é um dos principais combustíveis da respiração celular, processo que acontece no interior das células fornece energia para as funções vitais do corpo.
Dentro das células, quem se encarrega disso é a mitocôndria. Lembrou das aulas do colégio? Pois é. Com a exceção de algumas bactérias e fungos, o oxigênio é indispensável para o metabolismo das células (as transformações químicas que liberam energia).
Quando se está em um ambiente com escassez de oxigênio (regiões montanhosas, por exemplo), o corpo logo começa a produzir mais hemoglobina – quanto mais células vermelhas trabalhando, maior será o aproveitamento do oxigênio disponível. Quando isso acontece, o corpo também regula a atividade metabólica das células para se adaptar ao novo cenário.
A ciência já sabia disso desde o século 20, mas os detalhes do funcionamento desse sistema a nível molecular ainda era um mistério. E é aí que entram o trabalho dos cientistas.
Gregg Semenza, professor da Universidade John Hopkins, identificou um complexo de proteínas e deu o nome de HIF – em inglês, é a sigla para “fator induzível por hipóxia” (“hipóxia” significa “baixa concentração de oxigênio”). O HIF é rapidamente destruído pelo corpo em uma situação normal. Quando o nível de oxigênio está baixo, porém, sua concentração aumenta.
Unindo os trabalhos de Peter Ratcliffe, que trabalha na Universidade de Oxford e no Instituto Francis Crick, e de William Kaelin, que dá aulas na Universidade de Harvard, os cientistas descobriram que o HIF faz com esse gene aumente a produção de um hormônio chamado eritropoietina (EPO), que por sua vez, faz aumentar a quantidade de células vermelhas que transportam oxigênio.
Qual a importância dessa descoberta
Entender esse mecanismo pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos no futuro para problemas como anemia, câncer e outras doenças.
Na China, por exemplo, um medicamento contra anemia já está à venda. O Roxadustat se aproveita do HIF para enganar o corpo, fazendo-o pensar que está em altas altitude, estimulando a produção de hemoglobinas. No momento, o remédio passa por regulação para entrar no mercado europeu.
O Nobel não é a primeira grande conquista do trio de cientistas. Em 2016, eles venceram o Prêmio Albert Lasker de Pesquisa Médica Básica – uma importante premiação que, frequentemente, canta a bola de quem serão os próximos vencedores do Nobel.
A cerimônia oficial com os vencedores desta e outras categorias do Nobel acontece no dia 10 de dezembro, e os três cientistas dividirão igualmente a quantia de 9 milhões de coroas suecas (R$3,7 milhões, aproximadamente).

14.128 – Cinema – Ponha um Sorriso Nessa Cara!


coringa no cinema
Se Beber, Não Case; Escola de Idiotas; Um Parto de Viagem. À primeira vista, é difícil imaginar que Todd Phillips, diretor de todas essas produções, um dia estaria envolvido em um filme como Coringa – dramático, tenso e violento.
Joaquin Phoenix, por outro lado, é conhecido por interpretar papéis excêntricos – o que combina muito com sua personalidade. Quando ele foi confirmado como o vilão, muita gente comemorou: a opinião geral era que o palhaço cairia como uma luva para ele.
O começo da ideia
Phillips foi o idealizador de Coringa. Em 2016, ele apresentou o projeto para os executivos da Warner, mas revela que não foi nada fácil convencê-los. “Não foi algo da noite para o dia”, disse ele. “Basicamente, eu estava dizendo para pegar um personagem com 75 anos de legado consolidado e criar uma história de origem a ele.”
A ideia do diretor era usar o mundo das histórias em quadrinhos como pano de fundo para fazer o que ele chama de “filmes de estudo de personagem”: histórias como Um Estranho no Ninho, Serpico e O Rei da Comédia, este último uma das grandes inspirações para Coringa.
“Nos últimos cinco, dez anos, os filmes de super-heróis dominaram o cinema. Eles são ótimos, mas não permitem uma abordagem profunda do personagem principal.” Phillips cita A Rede Social, sobre a história de Mark Zuckerberg, criador do Facebook, como um exemplo recente do tipo de produção que ele queria fazer.
Phillips conta que, nas primeiras conversas com o pessoal da Warner, sua sugestão era que a DC Comics criasse um selo de filmes independentes. O “DC Black”, como ele mesmo chamou, serviria para que diretores criassem histórias originais, sem a necessidade de estarem amarradas com o universo cinematográfico de Liga da Justiça, Esquadrão Suicida e cia.
“Claro que, para a Warner, filmes independentes são aqueles cujo orçamento é de US$ 50 milhões, mas o legal dessas histórias é que elas não precisariam ter grandes efeitos especiais, explosões ou prédios caindo.” A ideia não vingou, mas Phillips conseguiu que Coringa saísse do papel.

Dupla dinâmica
Phoenix foi a primeira escolha para o personagem principal. Na verdade, Phillips escreveu o roteiro com ele em mente. “É um dos grandes dessa geração”, elogia o diretor. Mas a primeira reação do ator não foi bem nessa linha.
“Quando recebi o convite, pensei: ‘De jeito nenhum vou fazer isso!’”, disse o ator. Phoenix estava relutante pois não fazia ideia de qual seria a abordagem ideal. Mas assim que Phillips apresentou suas ideias para o filme, ele mudou de opinião.
“O fato desse Coringa dar risadas quase que de forma dolorosa me deixou bastante interessado”, conta Phoenix. “Nunca havia pensado nisso.” Joaquin disse que foi a visão de Phillips sobre o personagem que o fez encarar o papel. “Todd sabia o que estava fazendo. Era o cara certo para dirigir esse filme.”
A dupla dinâmica, então, estava formada. Os dois mergulharam de cabeça na produção. “Nós íamos para o set duas horas antes do início das filmagens e, depois que o dia terminava, conversávamos por mais duas horas sobre o filme”, lembra Phoenix.

Quadrinhos? Hoje não
Tanto Phillips quanto Phoenix bateram na mesma tecla durante a conversa: Coringa não é uma adaptação dos quadrinhos. “É claro que consultamos algo aqui e ali, afinal, não criamos o personagem nem Gotham City”, esclarece o diretor, que cita A Piada Mortal, de 1989, como uma dessas fontes de consulta esporádica. “Mas nós tivemos liberdade para fazer o que quiséssemos.”
Todd se baseou, principalmente, nas lembranças que tinha das histórias que lia quando criança. Ele defende que a ideia, desde o começo, era fazer algo com o máximo de originalidade – opinião compartilhada por Phoenix. “Eu não quis fazer algo baseado em algum quadrinho ou performance anterior”, disse o ator. “Era importante que seguíssemos nosso próprio caminho.”
Ora, se as páginas dos gibis não foram o foco da inspiração, o que seria? Resposta: anos 1970. “Foi nessa época que, na minha opinião, foram feitos os maiores filmes de estudo de personagem”, confessa Phillips. O diretor, então, revisitou os longas da época, como os dirigidos por Martin Scorsese: Taxi Driver, Touro Indomável, O Rei da Comédia…Todos eles, veja só, estrelados por Robert De Niro, que, não por acaso, está em Coringa.
Sem as versões do vilão dos quadrinhos como base, Phoenix e Phillips tentaram criar uma versão mais humana para o personagem. Fleck é um cara desajustado, que sofreu bullying e tem traumas de infância. O desafio da dupla era grande: como transformar uma pessoa vulnerável (e que gera empatia no público) em um vilão enlouquecido?
Phoenix conta que as primeiras cenas gravadas foram as que ele está totalmente vestido como o Coringa. Para ele, apesar da dificuldade inicial em achar o tom do personagem, o processo inverso o ajudou na composição de Fleck. “Dessa maneira, pude entender melhor como o palhaço vivia dentro daquele cara, e como ele foi lentamente evoluindo até chegar no Coringa.”
Para a maquiagem, a produção elaborou mais de 100 versões de rostos de palhaço, até que Todd definiu qual seria. Outra parte difícil de definir foi a risada do Coringa. Phoenix confessou que demorou até encontrar uma versão que o agradasse, e disse só resolveu esse problema quando as filmagens já tinham começado.
Há um futuro para Coringa?
Quando perguntados sobre uma possível sequência, ambos desconversaram. “Acho que vai depender da audiência”, disse Phoenix. “Isso é com o estúdio, mas eu topo fazer qualquer coisa que envolva o Joaquin”, falou Phillips.
O ponto é que Coringa não precisa de uma continuação. “A ideia do ‘DC Black’ foi pensada justamente para proteger esse filme.” Phillips também negou que o próximo Batman, dirigido por Matt Reeves, vá se conectar de alguma forma com o longa. Mas não escondeu o desejo de comandar outra história independente. “Meu herói favorito é o Demolidor, mas se pudesse, adoraria fazer um filme sobre o Rorschach [personagem de Watchmen] nessa mesma pegada intimista.”

A recente controvérsia
Nas últimas semanas, criou-se uma discussão em torno da violência do filme – e o que ela poderia incitar. Para alguns críticos, Coringa pode ser potencialmente perigoso por, de certa forma, enaltecer um personagem mau, fazendo com que pessoas se identificassem com ele da maneira errada.
Nos EUA, por exemplo, o Exército tem tomado cuidado para que ataques não aconteçam durante a estreia do longa. A polêmica chegou até Phoenix: recentemente, ele abandonou uma entrevista após ser questionado se o filme poderia inspirar pessoas com os mesmos problemas do Coringa a fazer o mesmo que o vilão.
O papo com Phoenix e Phillips, porém, aconteceu antes de tudo isso. Mas ambos defendem que o personagem nunca foi pensado como alguém com distúrbios mentais ou com o qual as pessoas se identificariam (e defenderiam). “Eu sempre acreditei que, de um jeito ou de outro, filmes funcionam como um espelho, que reflete o que está acontecendo com a sociedade naquele momento”, disse Todd. “Nosso objetivo era que a história funcionasse de maneiras diferentes para cada pessoa que assistir. (…) E se elas começarem a discutir a partir do filme, é uma coisa boa.”

14.127 – Mega de ☻lho no Nobel 2019


Nobel 2019
Embora possam parecer completamente díspares, notei nos Nobel de ciências deste ano – William G. Kaelin Jr, Sir Peter J. Ratcliffe e Gregg L. Semenza pela descoberta dos mecanismos moleculares pelos quais as células monitoram e se adaptam à disponibilidade de oxigênio, em Medicina ou Fisiologia; a incomum divisão do prêmio de Física por dois temas não diretamente relacionados, com James Peebles pela sua teoria sobre a natureza da Radiação Cósmica de Fundo e Michel Mayor e Didier Queloz pela descoberta do primeiro planeta extrassolar orbitando uma estrela na sequência principal; e John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino pelo desenvolvimento das baterias de íons de lítio, no de Química – um traço comum de revolução na forma como a Humanidade vê a si mesma e seu lugar no Universo.
Em todos estes casos, são a genética e a fisiologia mostrando a evolução pela seleção natural, a teoria revolucionária lançada por Charles Darwin no século XIX, em ação os seres humanos modernos no tempo relativamente curto da saída de nossa espécie, o Homo sapiens, de seu berço na África, por volta de 100 mil anos atrás.

Já os prêmios de Física são mais minha seara. No caso de Peebles, o arcabouço teórico que ele ajudou a criar deu fonte e “função” à Radiação Cósmica de Fundo, o “eco” do Big Bang, abrindo caminho para observação e análise de pequenas diferenças nela, as chamadas anisotropias, que influenciaram a emergência e concentração da matéria “comum” (bariônica) no Universo na forma das atuais estrelas, galáxias e filamentos de gás intergalático, a chamada “rede cósmica”, que preenchem nosso Universo.
Mais do que isso, no entanto, este arcabouço, unido às observações em terra e de satélites como COBE, WMAP e, mais recentemente, o Planck, mostraram que esta matéria bariônica responde por apenas cerca de 5% de tudo que existe, com os restantes 95% compostos pelas misteriosas, e de natureza desconhecida, matéria e energia escuras, forçando a Humanidade a um humilde e socrático “só sei que (quase) nada sei” sobre do que é feito Universo que nos cerca.

14.126 – Astrofísicos detectam ‘sol’ que poderia ter planeta gêmeo da Terra


terra e lua
Uma equipe científica internacional descobriu um irmão do Sol em idade e composição química. Pesquisadores enfatizam não ser simplesmente um irmão, mas um gêmeo solar, porque a estrela poderia ter um planeta semelhante ao nosso.
“Se tivermos sorte, e a nossa estrela irmã do Sol tiver um planeta, e o planeta for rochoso, na zona de habitabilidade, e finalmente, se esse planeta tiver sido ‘contaminado’ pelas sementes de vida da Terra, então temos o que nós sempre sonhamos — uma Terra 2.0, a orbitar um Sol 2.0”, comentou o investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências Espaciais (IA) de Portugal, Vardan Adibekyan.
Segundo asseguram os pesquisadores, irmãos solares são bons candidatos à busca de vida, uma vez que existe a possibilidade de que a vida tenha sido transportada entre planetas ao redor das estrelas do aglomerado solar. A transferência de vida entre sistemas exoplanetários é chamada de panspermia interestelar.
“Alguns modelos teóricos mostram uma probabilidade não negligenciável da vida se ter espalhado a partir da Terra, até outros planetas ou sistemas exoplanetários, durante o período de bombardeamento tardio do Sistema Solar”, observou o astrofísico.
Irmãos solares são milhares de estrelas formadas no mesmo aglomerado que o Sol há aproximadamente 4,6 bilhões de anos. Com o tempo, as estrelas do aglomerado se dissolvem e se dispersam por toda a nossa galáxia, portanto, é muito difícil encontrá-las.
Para detectar o novo irmão solar, denominado HD 186 302, de idade e composição química semelhante ao do nosso Sol, cientistas analisaram 230.000 dados espectrais do projeto AMBRE e informações da missão ESA Gaia.
A equipe do IA planeja iniciar uma missão de busca planetária em torno dessa estrela usando os espectrógrafos HARPS e ESPRESSO5.

14.125 – Cinema: Seria cômico, se não fosse Trágico – O Coringa


coringa
Elenco Joaquin Phoenix – Robert de Niro
Bruce Wayne
Dante Pereira-Olson
Martha Wayne
Carrie Louise Putrello Randall
Glenn Fleshler Hoyt Vaughn
Josh Pais Gene Ufland
Marc Maron Dr. Sally Sondra James
Barry O’Donnell Murphy Guyer
Penny – jovem
Hannah Gross
Carl Brian Tyree Henry
Ator Bryan Callen
Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô e os mata. Os assassinatos iniciam um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante.
☻ Mega Crítica
Quando Christopher Nolan assinou contrato para Batman Begins, trouxe consigo a proposta de uma aventura bem mais sombria, condizente com o clima pesado das ruas de Gotham City. Por mais que tenha sido extremamente bem sucedido, havia ainda limitações dentro de tal proposta no sentido de manter os filmes do Homem-Morcego dentro de uma classificação indicativa acessível a todo público. Em Coringa, Todd Phillips vai além e entrega um filme sujo, corajoso e transgressor, tão condizente com a essência de seu personagem-título quanto com a ideia de uma Gotham City caótica, decadente e sem qualquer regra. Ainda bem.
Neste sentido, é muito interessante como este Coringa dialoga com o histórico do personagem, tanto no cinema quanto nos quadrinhos. Sem qualquer referência prévia, trata-se de uma história original que reinventa características básicas do personagem, sem jamais modificá-lo de fato ou citar quaisquer de seus antecessores. Ao mesmo tempo, se apropria da memória coletiva em relação às versões anteriores, não propriamente no sentido de compará-los mas de saber previamente do que o personagem é capaz: o Coringa é doentio e não vê problema algum em ser extremamente violento, o espectador sabe bem disto. Tal consciência traz ao filme um clima de tensão onipresente, especialmente quando os primeiros indícios da eclosão do Palhaço do Crime começam a vir à tona.
Por outro lado, Todd Phillips também manipula a narrativa de forma que a loucura do Coringa, ou melhor, de Arthur Fleck seja não apenas justificável como, em um primeiro momento, quase perdoável. A partir de um minucioso estudo de personagem acompanhamos a saga de Arthur a cada novo fracasso, assistindo à mudança da meiguice inicial de Joaquin Phoenix rumo a um personagem cada vez mais duro e decidido, em todas as etapas de uma transformação decorrente muito mais dos vícios da sociedade do que por falhas suas. Não há pressa em buscar sequências emblemáticas, apenas o tempo necessário para justificar cada passo dado. Quando elas surgem o mérito é todo do roteiro, por respeitar este tempo próprio de desenvolvimento, e, é claro, de Joaquin Phoenix, absolutamente soberbo.
Se Phoenix tivesse apenas se sujeitado à transformação física e criado esta risada que provoca calafrios, seja pelo som emitido ou pela conjuntura de sua existência, já seria suficiente para um belo trabalho. Entretanto, ele vai além ao entregar uma variedade imensa de perfis multifacetados que compõem o personagem, provocando espanto e admiração em doses fartas. É como se este Coringa fosse uma evolução psicológica das versões anteriores, de Jack Nicholson e Heath Ledger, agora sem amarras para que possa soltar sua loucura e violência sem pudores. Simples assim.
Paralelamente, o roteiro escrito por Scott Silver e o próprio diretor traz um verdadeiro achado, ao estabelecer um subtexto político em torno da transformação de Arthur Fleck no Coringa. Pouco a pouco, a luta de classes chega a Gotham City de forma absolutamente orgânica, com direito a uma referência deliciosa a Tempos Modernos, provocando um levante dos oprimidos junto à elite local, cujo representante maior é… Thomas Wayne. Sim, Coringa também passa pela origem do Batman, mais uma vez dialogando com a memória coletiva, entregando uma versão inédita de uma história pra lá de batida.
Claramente inspirado nos filmes urbanos de Martin Scorsese, em especial Taxi Driver com sua estética das ruas e fotografia suja, Coringa ainda apresenta uma apurada direção de arte na construção deste filme de época e um figurino preciso, surrado e ao mesmo tempo recorrente às roupas e cores usuais do personagem-título. Em relação ao restante do elenco, claramente ofuscado por Phoenix, merece destaque a desenvoltura de Robert De Niro como o apresentador de TV Murray Franklin, óbvia referência (invertida) ao seu papel em O Rei da Comédia, dirigido pelo mesmo Scorsese lá em 1982.
Violento e de uma efervescência política vibrante, Coringa é um novo capítulo na história do Palhaço do Crime que será lembrado por muitos e muitos anos. Entretanto, independente de sua ligação prévia, trata-se também de um filme brilhante pela forma como foi construído: a partir de um fundo psicológico calcado apenas na vida real, de forma que sua transformação seja verossímil não só em Gotham City, mas em qualquer cidade nas mesmas condições de desigualdade social. Fascinante.

coringa poster

14.124 – Prótese biônica tem resposta mais rápida do que mão humana


bionica 2019
Cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, anunciaram o desenvolvimento de uma prótese biônica capaz de traduzir os comandos enviados pelo cérebro dos usuários e responder mais depressa do que uma mão humana. O dispositivo combina elementos de robótica com tecnologias de neuroengenharia e permite que pessoas amputadas tenham muito mais controle sobre os movimentos e funções da mão prostética.

Mão biônica
O funcionamento da prótese está baseado em sensores que são colocados no coto da pessoa amputada e que são capazes de detectar a atividade muscular quando o paciente tenta movimentar os dedos – que já não estão lá. Além disso, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo de machine learning que, ademais de decodificar os impulsos neuromusculares enviados pelo cérebro da pessoa e que são registrados pelos sensores, interpreta os sinais e aprende os movimentos para treinar o sistema e melhorar o desempenho da prótese.
De acordo com os cientistas, para que o algoritmo aprenda a decodificar as intenções do usuário e traduzi-las nos movimentos dos dedos da prótese, a pessoa precisa realizar uma variedade de movimentos para que o sistema aprenda a identificar qual atividade muscular corresponde a qual ação.
Com isso, depois que o algoritmo entende as intenções do usuário, o amputado consegue controlar cada dedo da mão biônica de maneira independente. Mas tem mais: a prótese também é equipada com sensores de pressão que “ensinam” o algoritmo a reagir sempre que o dispositivo entra em contato com um objeto qualquer para que os dedos se fechem automaticamente sobre ele, mesmo na ausência de informações visuais.
O resultado dessa combinação de tecnologias faz com que a resposta do equipamento seja como o de uma mão de verdade. Bem, na verdade, a reação é ainda mais rápida. Para se ter ideia, quando seguramos algo e esse objeto começa a deslizar de nossa mão, nós temos apenas um par de milissegundos para reagir e não deixar a coisa cair. Já a prótese – que possui sensores nos dedos – consegue estabilizar o objeto e segurá-lo antes mesmo de o cérebro se dar conta que ele está escapulindo e possa responder.

Próteses do futuro
O sistema foi testado por 10 pessoas – 3 amputadas e 7 não – e os resultados foram bastante impressionantes, tanto que os cientistas por trás do projeto acreditam que, além de ser aplicada a próteses, a tecnologia poderia ser empregada em interfaces cérebro-computador com o objetivo de ajudar pacientes com mobilidade limitada.
Ainda é necessário refinar o algoritmo e trabalhar no sistema até que as mãos biônicas possam sair dos laboratórios e sejam disponibilizadas para quem precisa delas. Já sobre os pacientes paralisados, considerando que já existem iniciativas focadas no desenvolvimento de dispositivos superflexíveis que podem dar origem a implantes cerebrais com potencial de melhorar a comunicação de pessoas incapazes de se mover com máquinas e ajudar que elas se ganhem mais autonomia – a Neuralink, fundada por Elon Musk, é uma das startups trabalhando nessa área –, os avanços não devem demorar em chegar.