13.840 – Antropologia – A história dos nossos ancestrais


antropologia
Por 160 mil anos dividimos o mundo com outras humanidades. Até exterminamos uma delas. E agora acontece algo sem precedentes: somos os únicos humanos na Terra. A regra da natureza, afinal, é a convivência entre uma multidão de parentes próximos, como tigres e onças ou cães e lobos – animais que, segundo o jargão da biologia, pertencem ao mesmo gênero. Nós mesmos passamos mais de 80% da nossa vida como espécie dividindo o planeta com pelo menos outros dois seres do gênero humano: o Homo erectus e o neandertal. Mas por que estamos sozinhos agora?
Primeira parada, leste da África, onde hoje fica a Etiópia. É de lá que vêm os mais antigos fósseis da nossa espécie, o Homo sapiens. Esses restos têm entre 190 mil e 160 mil anos e apresentam uma anatomia quase idêntica à sua. O corpo deles, alto e com braços e pernas compridos, lembra o das tribos que hoje habitam a África Oriental. Por outro lado, os ossos são um pouco mais robustos que a média – Tim White, antropólogo da Universidade da Califórnia que estudou os resquícios, costuma dizer que eles dariam ótimos jogadores de rúgbi.
Nessa época, o mundo era bem diferente mais ao norte. O planeta estava numa Era Glacial (salpicada por intervalos mais quentinhos de alguns milhares de anos), que colocou um bom pedaço da Europa e da Ásia debaixo de toneladas de gelo. Mesmo a região ao sul das geleiras não era nada agradável, mas, aqui e ali, pequenos bandos de caçadores se saíam bem. Só que eles não tinham nada a ver com os sujeitos esguios que viviam na África. Eram homens com pouco mais de 1,5 metro de altura, porém fortes, atarracados, com um corpo talhado para conservar o máximo de calor em meio ao frio intenso. O cérebro desses caras era tão desenvolvido quanto o nosso, e eles já tinham desenvolvido a fala. Há 200 mil anos, esses homens do gelo eram os senhores da Europa. E hoje nós os chamamos de neandertais – já que encontraram as primeiras ossadas deles no vale de Neander, na Alemanha (e tal é “vale” em alemão).
gora, se você der um pulo mais para leste, até a região que hoje conhecemos como Sudeste Asiático, concluiria que os etíopes altos e de pernas compridas resolveram visitar a Indonésia. Mas as aparências enganam: o cérebro desses aí era bem menor e o rosto estava mais para os personagens de O Planeta dos Macacos. Esse monstros já eram fósseis vivos naqueles tempos: os últimos remanescentes do Homo erectus – primeiro hominídeo a dominar o fogo, criar uma “indústria” de ferramentas de pedra e, mais importante, deixar a terra natal da família dos humanos, a África, e explorar meio mundo. Tudo isso há 1,7 milhão de anos.
O erectus, por sinal, é nosso ancestral direto. Se você puxar sua árvore genealógica para trás, vai ver que um deles foi seu tataratataravô (coloque mais 17 140 “tataras” aí). Mas com os neandertais a coisa é outra. Esses primos nossos não eram “humanos primitivos”, mas uma espécie “alienígena”, um primo que cresceu em outro ramo da árvore evolutiva. E não demoraria para batermos de frente com eles.
Hoje, em Israel, há sítios arqueológicos com grutas de neandertais e de sapiens separadas por menos de 1 quilômetro. Não dá para saber se elas foram ocupadas ao mesmo tempo, nem se os dois entraram em guerra ali. Mesmo assim, a maioria dos pesquisadores acredita que as duas espécies conviveram no Oriente Médio por um bom tempo. E que, nos eventuais conflitos desses tempos, nenhum dos lados teria uma grande vantagem. É que os dois contavam com uma tecnologia idêntica. Se os fósseis dessa época desaparecessem, e só ficassem as ferramentas, não daria para saber o que é obra de uma espécie e o que é da outra. “Enquanto a situação foi essa, o homem moderno não conseguia entrar na Europa, nem os neandertais tinham como descer muito”, diz Neves. Era como se o território de um marcasse a última fronteira para o outro. Mas esse impasse de milênios acabaria. E graças a uma “mágica” que aconteceu há 50 mil anos.
Foi quando algo mudou o destino do Homo sapiens: uma mutação genética sutil, mas crucial, que alterou a estrutura do cérebro deles. O bicho ficou louco: passou a dividir sua vida entre o mundo real e um de fantasia. Com esse “defeito” nos miolos, o homem passou a imaginar mundos diferentes, que só existiam na cabeça dele. E vomitou esses mundos na forma de pinturas, esculturas, rituais religiosos.
Desse jeito, descobrimos como manipular não só coisas materiais, mas também idéias e conceitos. E aprendemos a transmiti-los com a ajuda de uma linguagem quase tão cheias de recursos quanto o inglês e o português modernos. Tudo isso deu à luz o primeiro boom tecnológico de todos os tempos. A África se transformou num Vale do Silício pré-histórico. O sapiens, que antes só fazia ferramentas de pedra ou madeira, diz um basta para a mesmice – chega de fabricar a mesma lança por milênios a fio. E acorda para o fato de que ossos, conchas, chifres e marfim também serviam como matéria-prima. Isso abriu as portas para novos utensílios. E tome arpões, facas mais afiadas do que nunca, lanças de alta precisão… De uma hora para outra, o sapiens tinha um arsenal.
Os cientistas sabem disso porque todos os vestígios que eles encontram dos primeiros 150 mil anos de vida do sapiens são ferramentas e armas simples, tipo machadinhas de pedra. Objetos de arte e coisas sofisticadas, como agulhas de costura, só aparecem por volta de 40 mil anos atrás, como se a maior parte da nossa tecnologia pré-histórica tivesse aparecido de supetão, em poucos milênios. Para muitos, só uma súbita mutação no cérebro justifica esse fenômeno.

Mas alguns pesquisadores acham que não foi bem assim. Defendem que o potencial para desenvolver uma cultura complexa já existia desde a origem do Homo sapiens, mas teria ficado “dormente”. Segundo eles, esse poder inato só foi empregado para valer depois que a situação dos bandos africanos apertou de algum modo. Pode ter sido uma virada climática – num período de seca brava, por exemplo, só os mais criativos imaginariam um jeito de guardar água da chuva para as épocas de vacas magras. Uma imaginação fértil passou a valer mais pontos, e só os sapiens mais inteligentes ficaram para contar história. Obras de arte simplórias, com 80 mil anos de idade, encontradas na África dão força para a idéia de que essa “revolução cultural” aconteceu devagarinho. Seja como for, há 40 mil anos o Homo sapiens já tinha ganho meio mundo. Expandiu-se pelo Sudeste Asiático, chegou até a Austrália… E agora, com o nosso arsenal tecnológico, estávamos prontos para avançar à Europa da Era Glacial. E encarar os poderosos neandertais na casa deles.
Não era uma tarefa para qualquer um. Os neandertais eram biologicamente preparados para aguentar o frio, enquanto o sapiens vinha da sauna africana. O corpo dos nossos primos europeus, por exemplo, transpirava menos que o nosso, já que suor congelado pode matar de frio. Eles também tinham uma resistência fora do comum – seus ossos eram tão robustos que os neandertais aguentavam fraturas sem chiar. Sair na mão com eles, então, era roubada. Mas o sapiens não precisava disso. Foi só entrarmos na Europa, há 38 mil anos, para os neandertais começarem a sumir do mapa. Cientistas nunca encontraram sinais direto de conflito, tipo um esqueleto neandertal com um osso afiado (arma típica dos sapiens) na bacia. Mas as espécies competiram, sim, no mundo da Era do Gelo. E os humanos modernos levaram a melhor na tarefa que mais interessava: arranjar comida.
Na hora da caça, afinal, era covardia. Como as armas dos neandertais não eram grande coisa para matar a distância, eles geralmente entravam em confrontos suicidas com as presas. Análises em esqueletos deles mostram que os adultos tinham tantas fraturas quanto os peões de rodeio de hoje. Com o sapiens era diferente: suas lanças eram mais precisas na hora do arremesso, e eles ainda criaram uma espécie de catapulta manual que multiplicava o alcance dos dardos (um avô do arco-e-flecha). Desse jeito, o sapiens crescia e se multiplicava, deixando os neandertais sem território. E há 28 mil anos as duas últimas tribos de neandertais, em Portugal e na Croácia, pereciam. Era o fim de um reinado de 100 mil anos.
Mesmo assim, pesquisas recentes indicam que os neandertais não entregaram os pontos tão fácil. Em Gibraltar, na extremidade sul da Espanha, pode ser que a espécie tenha resistido até 24 mil anos atrás. “Eu imagino um cenário mais complexo, de interação entre as duas espécies”, diz o pesquisador Clive Finlayson, do Museu de Gibraltar. Uma indicação disso é que algumas tribos de neandertais começaram a fazer seus próprios colares depois da chegada dos sapiens. Isso indica que os neandertais pelo menos observaram a cultura complexa dos vizinhos e ficaram estimulados a criar sua própria versão dela. “Isso é exatamente o que nós esperaríamos, com base em situações recentes de contato étnico entre povos diferentes”, afirma o arqueólogo Paul Mellars, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Mas é possível que essa interação tenha chegado mais longe, com as duas espécies transando e concebendo bebês híbridos? As várias amostras de DNA já extraídas de neandertais não parecem compatíveis com a de nenhuma pessoa viva hoje, mas isso não necessariamente prova alguma coisa: após milênios de cruzamento, o “sangue” neandertal poderia ter se diluído por completo. Uma análise recente do DNA de humanos modernos, por outro lado, aponta a existência de duas variantes de um gene que regula o tamanho do cérebro durante a fase de crescimento. Uma delas teria surgido há 1,1 milhão de anos, enquanto a outra só teria aparecido 37 mil anos atrás. Os pesquisadores da Universidade de Chicago que conduziram a análise especulam que essa variante – carregada por 70% da população moderna – poderia ter vindo dos neandertais, via sexo.
É nessa possibilidade que acreditam o antropólogo português João Zilhão, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, e seu colega americano Erik Trinkaus. “Os dados de Gibraltar só reforçam o fato de que os modernos não eram tão superiores assim”, argumenta Trinkaus. A dupla causou polêmica em 1999 ao publicar uma análise de um esqueleto de criança achado em Portugal, o chamado “menino do Lapedo”, com cerca de 25 mil anos. Segundo eles, a caveira mostra sinais de sangue neandertal, a começar pelo corpo atarracado, e seria o resultado final de um longo processo de mestiçagem entre as duas espécies. Para o resto da comunidade científica, porém, o tal garoto não passa de um sapiens troncudo. Mas Trinkaus ainda bate o pé: em novembro do ano passado publicou outro trabalho, concluindo que sinais de mistura entre sapiens e neandertal aparecem em esqueletos de 33 mil anos, encontrados na Romênia.

O último erectus
Na mesma época em que viveram esses supostos híbridos, o velho Homo erectus dava seus últimos suspiros na ilha de Java, Indonésia. Seus problemas tinham começado 600 mil anos antes, quando eles passaram a enfrentar a concorrência de um ser mais avançado, o Homo heidelbergensis. Esse hominídeo, que, por sinal, tinha descendido do próprio erectus, fez com ele a mesma coisa que nós fizemos com os neandertais: destruiu suas chances de sobrevivência. “Por isso mesmo o último refúgio deles foi uma ilha, já que num lugar desses você tem muito menos competição com outros hominídeos do que no continente”, afirma Walter Neves.
Apesar de esperto, o heidelbergensis não foi muito longe: acabou extinto bem antes do último erectus, há uns 200 mil anos. Só que antes de ir dessa para melhor ele já tinha feito um bom trabalho. Primeiro, se espalhou por boa parte do mundo. Depois, deixou dois descendentes bem peculiares. Na Europa, onde parte deles foi parar há 500 mil anos, seu corpo foi se adaptando ao frio devagarinho, até ficar bem resistente e com um cérebro superdesenvolvido. No fim das contas, esses caras ficaram tão diferentes que até mudaram de nome. Viraram os neandertais. Já os heidelbergensis que preferiram ficar em sua terra natal, a África, se transformaram em outra coisa: um ser de imaginação fértil, capaz de transformar delírios em realidade. Um bicho que costumamos chamar de “nós”.

Assim caminham as humanidades
Sem alguns destes caras,você não estaria aqui. Confira os protagonistas da nossa história e um possível figurante

Australopithecus afarensis
Uma superfloresta tropical que havia na África deu lugar à savana. Desse jeito, alguns macacos acabaram sem galho, e tiveram que se mudar para o chão. Então surgiu o afarensis, um macaco bípede que pode ter dado origem a toda a família dos humanos.

Homo erectus
Disputou as savanas da África com parentes mais simiescos, como o Homo habilis e o Homo rudolfensis. Com seu cérebro quase humano (que dá 2/3 do nosso), exterminou a concorrência e virou o primeiro hominídeo na Ásia.

Homo floresiensis
Ainda não é certeza se este aqui existiu mesmo. Em 2004, na ilha de Flores (Indonésia), desenterraram um esqueleto que parecia um erectus em miniatura, de apenas um metro. Essa espécie bizarra teria vivido até 12 mil anos atrás – mais do que qualquer parente nosso. Muitos, porém, acham que o tal esqueleto é de um humano moderno com problemas genéticos. E só.

Homo heidelbergensis
Descendente do erectus, foi o primeiro humano a surgir com um cérebro maior que o dos ancestrais, mas sem que o corpo aumentasse – uma amostra de que a inteligência já valia mais que a força. Deu origem ao neandertal e ao sapiens.

Homo neanderthalensis
São os “ursos-polares” do gênero Homo: a evolução os deixou fortes e resistentes a ponto de suportar temperaturas de até -30 oC sem chiar. Se não tivesse competido por recursos com o Homo sapiens, a espécie provavelmente estaria viva até hoje.

Homo Sapiens
Nossa história tem dois capítulos. No 1º, ele surgiu com a nossa aparência, há 200 mil anos. Mas só no 2º, que começou entre 50 mil e 80 mil anos atrás, o homem virou gente. E se tornou o megaprodutor de arte e tecnologia que arrasou a concorrência.

13.816 – Evolução das Espécies – De quem Evolui O Macaco?


lemures
Foi de um animal do tamanho de um ratinho, que morava escondido em buracos de árvores, comendo insetos, e que viveu há 100 milhões de anos. Fora isso, sabemos apenas que ele era parecido com pequenos mamíferos que existem hoje em dia, como o musaranho. Esse antepassado distante ainda não era um primata – ordem à qual os macacos e o homem pertencem e cujo primeiro representante só apareceria 40 milhões de anos depois. Esse lapso de tempo é enorme e até hoje ainda não são conhecidas as espécies que completariam esse período da árvore genealógica dos macacos. “Existe um buraco na evolução. Todos os fósseis encontrados, que fariam a ponte entre os insetívoros e os primatas, foram desconsiderados”, afirma o biólogo Walter Alves Neves, da Universidade de São Paulo (USP). O termo “desconsiderado” soa esquisito, mas significa que pesquisas posteriores mostraram que esses fósseis realmente não compunham os elos perdidos tão procurados pelos especialistas.
Se essa parte da história evolutiva dos macacos é nebulosa, pelo menos os capítulos mais adiante são bem conhecidos. Ao longo de milhões de anos, os primatas foram crescendo de tamanho e ganharam um cérebro maior. O hábito de viver de galho em galho ajudou nessa última transformação, pois nas árvores os primatas aprimoraram o tato e a visão para fugir de predadores e encontrar comida. A evolução dos sentidos levou esses animais a expandirem uma área do cérebro fundamental para o desenvolvimento de capacidades, como a associação de idéias e o aprendizado. Sem esse avanço, os primatas poderiam não ter sobrevivido e o homem nem sequer pisado na Terra.

A grande famíliaPrimos próximos
Os macacos simiiformes evoluíram a partir de antigos prossímios, ganhando mais agilidade e inteligência. Eles surgiram cerca de 45 milhões de anos atrás. Hoje há perto de 200 espécies desses animais, que se dividem entre os chamados macacos do novo mundo (que habitam as Américas), como o mico-leão, e os do velho mundo (África), como o mandril

Quase humano
O ancestral comum entre humanos e grandes primatas viveu há cerca de 6 milhões de anos e ainda é desconhecido. Há 5 milhões de anos surgiram os primeiros hominídeos: os australopitecos, parecidos com os macacos, mas bípedes. O primeiro ancestral do gênero Homo, o Homo habilis, surgiu 2 milhões de anos atrás e já manipulava bem objetos
Os grandes primatas vieram dos mesmos animais que deram origem aos macacos do velho mundo. A separação entre os ancestrais de um grupo e de outro foi há 25 milhões de anos. Os grandes primatas têm o cérebro maior e mais complexo. Hoje, são os gibões, gorilas, orangotangos, chimpanzés e bonobos – dos quais os dois últimos são nossos parentes mais próximos
Os primeiros primatas, chamados prossímios, surgiram há 60 milhões de anos. Alguns de seus representantes ainda estão por aí, como o moderno társio. Esses animais se diferenciaram de seus ancestrais insetívoros por terem uma dieta mais variada, corpos mais bem adaptados à vida nas árvores e um cérebro bem maior
Os mais distantes ancestrais dos macacos eram de uma extinta família de insetívoros (animais comedores de insetos) chamada Leptictidae, que viveu entre 100 milhões e 38 milhões de anos atrás. Seus membros se pareciam com o musaranho, um pequeno mamífero moderno. Além dos primatas, eles deram origem a outros animais, como cavalos e bois
Os lemurídeos se separaram do tronco evolutivo que deu origem ao társio e aos macacos modernos há mais de 50 milhões de anos, formando uma linhagem própria, que originou os atuais lêmures. Esses animais conservam uma aparência primitiva, com rosto de raposa e corpo de macaco.

13.732 – História – A prostituição na Antiguidade


Prostituica Antiguidade - HISTORIA DO MUNDO
A questão sexual é tema que intriga vários historiadores ao longo do tempo. Afinal de contas, o exame sério e detalhado desse tema tem o grande poder de reavaliar o lugar que as práticas sexuais possuem no mundo contemporâneo e estabelecer a construção de outras lógicas de sentido para uma ação que não tem nada de universal. Além disso, a observância de relatos sobre a prática sexual também abre espaço para a compreensão de outras questões políticas, sociais e econômicas que extrapolam a busca pelo prazer.
Com respeito à prostituição, vemos que diversos autores relataram o oferecimento do sexo em troca de alguma compensação. Na Grécia Antiga, por exemplo, observamos uma hierarquia entre prostitutas que poderiam não passar de meras escravas, mas que também detinham dotes artísticos ou circulavam livremente entre a elite. Já entre os romanos, a atividade era reconhecida, regulamentada, e as chamadas “lobas” chegavam até mesmo a pagar imposto em cima de seus ganhos.
Quando atingimos o mesmo tema na Antiguidade Oriental, é comum ouvirmos falar sobre a prática da prostituição com fins rituais. O geógrafo grego Strabo, por exemplo, relatou que os assírios ofereciam suas filhas ainda muito jovens para praticarem a prostituição ritual com aproximadamente 12 anos de idade. Heródoto, considerado o pai da História, descreveu de forma repugnante a prostituição babilônica realizada no interior do templo da deusa Ishtar.
Não se restringindo ao mundo acadêmico, vemos que essa noção do ato sexual com fins religiosos ainda tem o seu imaginário explorado. No fim da obra “O código da Vinci” temos uma cena em que a prática sexual é resignificada de modo a se afastar dos tabus e valores que assentaram o sexo na cultura ocidental. Entre relatos e representações, observamos que alguns historiadores vêm questionando fortemente essas narrativas que vinculam o sexo e a prostituição na antiguidade com algum ato sagrado.
Para essa corrente revisionista, a descrição do ato sexual entre algumas civilizações antigas partiu de cronistas e observadores interessados em detrair a cultura estrangeira sob o ponto de vista moral. Além disso, eles buscam e citam, entre os vários povos do Crescente Fértil, a presença da prostituição como meio de sobrevivência e a sua oferta pelas ruas dos centros urbanos. Observamos assim uma tendência que busca o fim da mitificação e da mistificação da prostituição entre os antigos.
Entre essa disputa, observamos que a sacralização do sexo na Antiguidade tende a produzir um modo de interpretação que não questiona devidamente alguns documentos trabalhados nessa época. Por outro lado, advoga em favor de uma reconstrução do passado em que o tom exótico dado à prática sexual cede lugar a outras narrativas em que a prostituição teria significados mais próximos aos que reconhecemos no mudo contemporâneo.

13.685 – Antropologia – Miscigenação do Sapiens


neandertal
Antropólogos contestaram teorias segundo as quais o Homo sapiens e os neandertais se miscigenaram, transmitindo aos seres humanos modernos parte do legado genético de seus primos.
Ao longo dos últimos dois anos, vários estudos sugeriram um cruzamento entre o Homo sapiens e os neandertais, hominídeos que viveram em regiões da Europa, Ásia Central e Oriente Médio por até 300 mil anos, mas desapareceran entre 30 e 40 mil anos.
As evidências provêm de fósseis de DNA que demonstram que homens eurasiáticos e asiáticos médios partilham entre 2% e 4% do DNA com os neandertais, enquanto os africanos não têm quase nada em comum.
Mas um novo estudo feito por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, diz que o DNA veio de um ancestral comum e não por meio de “hibridização” ou reprodução entre duas espécies de hominídeos.
Segundo publicação na edição desta semana do periódico americano “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), os pesquisadores Andrea Manica e Anders Eriksson, do Grupo de Ecologia Evolutiva de Cambridge, desenvolveram um modelo de computador para simular essa “odisseia” genética.
Ele começa com um ancestral comum dos neandertais e do Homo sapiens que viveu cerca de meio milhão de anos atrás em regiões de África e Europa.
Por volta de 300 mil e 350 mil anos atrás, as populações europeia e africana desse hominídeo se separaram. Vivendo em isolamento genético, o ramo europeu evoluiu pouco a pouco até dar origem aos neandertais, enquanto o ramo africano acabou originando o Homo sapiens, que se disseminou em ondas migratórias que deixaram a África entre 60 mil e 70 mil anos.
Segundo a teoria, comunidades de Homo sapiens que estavam geneticamente mais próximas da Europa, possivelmente no norte da África, preservaram uma parte relativamente maior de genes ancestrais.
Eles também se tornaram os primeiros colonizadores da Eurásia durante a progressiva migração fora da África. Isso poderia explicar por que os europeus e asiáticos modernos têm uma semelhança genética com os neandertais, mas os africanos, não.
O que aconteceu com os neandertais é uma das grandes questões da antropologia. A hibridização poderia responder isso, ao menos parcialmente. Ao se miscigenarem com os humanos, os neandertais não teriam sido extintos pelo Homo sapiens ou pelas mudanças climáticas, como alguns argumentam. Ao contrário, os genes dos neandertais teriam se misturados no genoma da cepa dominante do Homo.
Em um estudo separado publicado na PNAS, cientistas chefiados por Svante Paabo, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha, descobriram que os neandertais e os Homo sapiens se separaram entre 400 mil e 800 mil anos atrás, mais cedo do que se imaginava.
A equipe também calculou que os humanos se separaram dos chimpanzés, nosso parente primata mais próximo, entre 7 e 8 milhões de anos, antes dos 6 a 7 milhões de anos atrás estimados com frequência.

13.684 – Antropologia – Por que os cérebros humanos se tornaram tão grandes?


cerebro-
Esse é um “mistério” que intriga os cientistas já faz um tempo: enquanto a maioria dos organismos prospera com pequenos cérebros, ou nenhum, a espécie humana optou por sacrificar seu crescimento corporal em troca de mais capacidade cerebral.

A hipótese
Os pesquisadores Mauricio Gonzalez-Forero e Andy Gardner, da Universidade de St Andrews, na Escócia, acreditam ter descoberto por que isso aconteceu.
O cérebro humano teria se expandido principalmente em resposta a estresses ambientais, que forçaram nossa espécie a encontrar soluções inovadoras para se alimentar e se abrigar, passando essas lições adiante para seus filhos.
Essa hipótese, testada pela dupla via simulações computacionais, desafia uma teoria popular de que o órgão cresceu à medida que as interações sociais entre os humanos se tornaram mais complexas.
Na verdade, o inverso pode ser verdadeiro. “As descobertas são intrigantes porque sugerem que alguns aspectos da complexidade social são mais prováveis de serem consequências do que causas de nosso grande tamanho cerebral. O grande cérebro humano mais provavelmente se originou da solução de problemas ecológicos e da cultura cumulativa do que da interação social”, disse Gonzalez-Forero ao portal Phys.org.

Causa ou consequência
De nossos ancestrais australopitecos, mais semelhantes aos símios, até o moderno Homo sapiens, o cérebro humano triplicou de tamanho.

Alimentar um cérebro tão grande vem com o custo de um crescimento lento do corpo na infância – deixando nossos filhos mais dependentes e vulneráveis por mais tempo do que os de outros animais.

Pesquisas anteriores encontraram correlações entre o tamanho do cérebro grande em espécies animais e estruturas sociais complexas, bem como vida em ambientes desafiadores e uma capacidade de aprender lições com colegas, o que também é descrito como “cultura”.

Mas nenhum estudo foi capaz de concluir se esses fatores são a causa da expansão cerebral ou o resultado disso.
Os “cérebros” utilizados como modelos foram apresentados a desafios ecológicos, como encontrar presas em condições climáticas adversas ou em terrenos difíceis, ou preservar alimentos para protegê-los contra mofo ou deterioração, ou ainda armazenar água em meio à seca.

Desafios sociais também foram introduzidos, para testar a influência da cooperação e competição entre indivíduos e grupos no crescimento do cérebro.

Curiosamente, a cooperação foi associada a uma diminuição no tamanho do cérebro, provavelmente porque permitia que os indivíduos confiassem nos recursos uns dos outros e economizassem energia. Enquanto as demandas sociais não pareciam levar a cérebros grandes, problemas ecológicos cada vez mais difíceis expandiam os órgãos.
Interação Social 0 x 1 Cultura
Mas então por que os cérebros de outros animais que vivem em ambientes desafiadores não cresceram tanto quanto o cérebro humano?

Provavelmente por causa da cultura – a habilidade de aprender com os outros, ao invés de ter que descobrir tudo sozinho.

“Nossos resultados sugerem que é a interação da ecologia e da cultura que produziu o tamanho do cérebro humano”, disse Gonzalez-Forero.

13.593 – Alimentação na Pré-história e evolução


pintura rupestre
Diversas espécies do gênero homo desenvolveram-se ao longo de milhões de anos até a chegada à espécie dos homo sapiens, da qual os cientistas afirmam que nós, humanos contemporâneos, fazemos parte.
Muitos desses cientistas afirmam que a adoção de uma dieta também baseada em proteína animal teria contribuído para a evolução dos seres humanos e que essa adoção teria se dado ao longo de muito tempo, resultando na criação de diversas habilidades para conseguir esse tipo de alimento.
Durante o chamado período Paleolítico, uma divisão temporal que se estendeu por cerca de dois milhões de anos, até mais ou menos 10 mil anos atrás, os humanos ainda viviam da coleta de frutas, raízes e outras espécies vegetais, mas começaram a desenvolver o hábito de se alimentar de proteína animal, decorrente da caça, da pesca e da coleta de mariscos, mas também do aproveitamento de carcaças de animais deixadas por outros carnívoros.
Para o paleoantropólogo Henry Bunn, da Universidade de Wisconsin-Madison, a habilidade de obtenção da carne e a forma de dilacerar a carcaça dos animais sofreram alteração durante o paleolítico. Ele dividiu em três etapas o processo.
Primeiramente, os chamados hominídeos retalhavam a carne dos ossos das carcaças de animais, usando alguns instrumentos feitos de pedra ou de lascas de pedras. Esse primeiro período teria ocorrido entre 2,6 e 2,5 milhões de anos atrás, indicando ainda uma capacidade pequena dos hominídeos de obter alimentos com proteína animal.
Um segundo momento seria caracterizado por um procedimento mais comum de manuseio da carne a ser ingerida, além de passarem a desenvolver a habilidade de quebrar os ossos para também se alimentar do tutano de seu interior e carregarem as carcaças de animais para lugares distintos de onde haviam sido encontrados ou abatidos. Nesse estágio, entre 2,3 e 1,9 milhão de anos, os hominídeos ainda se apropriavam de carcaças de presas de outros carnívoros, mas também já conseguiam obter presas próprias.
O terceiro estágio nessa evolução “carnívora” dos hominídeos do Paleolítico caracterizar-se-ia pelo retalho extensivo dos restos dos animais, obtendo carcaças intactas, decorrentes de novas habilidades de apropriação de presas de outros carnívoros ou mesmo decorrentes da prática da caça, que se tornava rotineira. A datação dessa última fase é estimada entre 1,8 e 1,6 milhão de anos e demonstra que, além de caçar, os hominídeos do período atuavam na obtenção de partes de caça de outros mamíferos carnívoros.
Para outro especialista, o paleontólogo Lars Werdelin, esse desenvolvimento da habilidade de obtenção de carne pelos hominídeos teria causado uma diminuição no número de espécies carnívoras no leste da África, tendo possivelmente sido eliminadas muitas espécies de animais de grande porte. A entrada dos hominídeos na cadeia alimentar carnívora, somada a alterações climáticas, teria, dessa forma, mudado de forma drástica o ecossistema dessa região africana.

13.567 – Pré História – O Neandertal


hombre_de_neandertal
Era uma espécie do gênero Homo neanderthalensis, que habitou a Europa e alguns lugares do oeste da Ásia acerca de 230.000 a aproximadamente 29.000 anos atrás. Os Neandertais eram adaptados ao frio, seus cérebros eram aproximadamente 10% maiores em volume que os dos humanos modernos. Na média, os Neandertais tinham cerca de 1,65 m de altura e eram muito musculosos. Seu estilo característico de fabricação de ferramentas de pedra é chamado de cultura musteriense.

São características físicas dos Neandertais:

Crânio
– Fossa suprainíaca, um canal sobre a protuberância occipital externa do crânio
– Protuberância ocipital
– Meio da face projetado para frente
– Crânio alongado para trás
– Toro supraorbital proeminente, formando um arco sobre as orbitas oculares
– Capacidade encefálica entre 1200 e 1700 cm³ (levemente maior que a dos humanos modernos)
– Ausência de queixo
– Testa baixa, quase ausente
– Espaço atrás dos molares
– Abertura nasal ampla
– Protuberâncias ósseas nos lados da abertura nasal
– Forma diferente dos ossos do labirinto no ouvido

Pós-Crânio

– Consideravelmente mais musculosos
– Dedos grandes e robustos
– Caixa torácica bastante arredondada
– Forma diferente da pélvis
– Rótulas grandes
– Clávícula alongada
– Omoplatas curtos e arqueados
– Ossos da coxa robustos e arqueados
– Tíbias e fíbulas muito curtas

13.566 – Ciências Sociais – Gênero(??)


genero
Gênero pode ser definido como aquilo que identifica e diferencia os homens e as mulheres, ou seja, o gênero masculino e o gênero feminino.
De acordo com a definição “tradicional” de gênero, este pode ser usado como sinônimo de “sexo”, referindo-se ao que é próprio do sexo masculino, assim como do sexo feminino.
No entanto, a partir do ponto de vista das ciências sociais e da psicologia, principalmente, o gênero é entendido como aquilo que diferencia socialmente as pessoas, levando em consideração os padrões histórico-culturais atribuídos para os homens e mulheres.
Por ser um papel social, o gênero pode ser construído e desconstruído, ou seja, pode ser entendido como algo mutável e não limitado, como define as ciências biológicas.
Nos estudos biológicos, o conceito de gênero é um termo utilizado na classificação cientifica e agrupamento de organismos vivos, que formam um conjunto de espécies com características morfológicas e funcionais, refletindo a existência de ancestrais comuns e próximos.
Por exemplo, o “homo sapiens” é o nome da espécie humana a qual pertence ao gênero “homo”.

Identidade de gênero
Consiste no modo como determinado indivíduo se identifica na sociedade, com base no papel social do gênero e no sentimento individual de identidade da pessoa.
O conceito da identidade de gênero não está relacionado com os fatores biológicos, mas sim com a identificação do indivíduo com determinado gênero (masculino, feminino ou ambos).
Por exemplo, uma pessoa que biologicamente nasceu com o sexo masculino, mas que se identifica com o papel social do gênero feminino, passa a ser socialmente reconhecida como uma mulher. Esta pessoa é denominada transgênera, pois possui uma identidade de gênero diferente da biológica.
É incorreto, no entanto, relacionar a identidade de gênero com a orientação sexual. Existem pessoas transexuais, por exemplo, que podem ser heterossexuais, homossexuais ou bissexuais, assim como acontece com as pessoas cisgênero.

Ideologia de gênero
Este conceito está relacionado com a ideia da identidade de gênero, pois classifica os papéis do gênero como um produto histórico-cultural e político, que foi definido ao longo dos anos e pautado por uma perspectiva de sociedade patriarcal e heteronormativa.
De acordo com esta ideologia, as pessoas nascem iguais e, ao longo da vida, vão construindo a sua própria identidade, seja como homem, mulher ou ambos.
Atualmente, esta ideia continua a não ser facilmente aceita pela maioria da sociedade. Para desconstruir a heteronormatividade que está enraizada na cultura brasileira, por exemplo, existem alguns projetos e políticas de ensino que planejam ensinar as crianças e jovens a compreenderem as diferenças.

Gênero textual
Na gramática da língua portuguesa, o gênero pode se referir aos diferentes tipos e classificações de substantivos, por exemplo, os que são “masculinos”, “femininos”, “biformes” ou “heterônimos” e etc.
O gênero literário se refere ao uso das palavras para produção de obras literárias. Exemplo: romântico, poético, barroco e etc.
Já o gênero musical se refere aos vários estilos musicais, como o rock, o jazz, o pop, entre outros.
Ainda podemos considerar os gêneros cinematográficos, que são os filmes de drama, musicais, western, policiais, infantis e etc.

13.522 – Pré História – Homens homenageiam seus mortos (c. 50.000 a.C. – Europa/Ásia)


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Elaborados ritos de sepultamento vêm sendo adotados por comunidades do homem de Neandertal na Europa e na Ásia, indicando crescente respeito pelos mortos e sugerindo que idéias e crenças sobre algum tipo de vida após a morte são agora geralmente aceitas.

Ritos Fúnebres
Na gruta de Shanidar, no Iraque, um homem é enterrado em meio a coroas de flores de cores vivas e doces aromas. Na França, um jovem desce à cova com ferramentas de pedra e ossos de animal espalhados em torno dele. Num abrigo rochoso em La Ferrassie, na França, um homem, uma mulher, duas crianças e um recém-nascido são enterrados em um pequeno cemitério. Na Ásia Central, uma criança é enterrada com um anel de chifres de cabra montado na terra em torno de sua cabeça. Não se sabe se esses enterros são de membros especialmente importantes das comunidades, mas um fato tem sido notado: os homens são geralmente sepultados com alimentos, ferramentas ou outros itens, enquanto as mulheres não parecem conseguir semelhante tratamento. Menos Respeito Nem todas as comunidades Neandertal mostram tanto respeito pelos mortos. Em Krapina, no norte da Iugoslávia, ossos humanos esmagados foram atirados à terra juntamente com ossos de animais, sem nenhuma tentativa de enterrá-los, e alguns mostram marcas de cortes. Suspeita-se de canibalismo, mas não há nenhuma certeza disso.

13.516 – Antropologia – Londres da Idade Média era o local mais violento da Inglaterra


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A arqueóloga Kathryn Krakowka, da Universidade de Oxford, acaba de publicar um trabalho que traz mais detalhes sobre a vida na Idade Média em Londres. “Parece que a violência em Londres medieval estava ligada ao gênero e status social”, aponta ela.
A arqueóloga analisou 399 crânios enterrados em cemitérios de Londres entre 1050 e 1550. Alguns desses cemitérios ficavam em monastérios e custavam muito dinheiro para as famílias dos mortos, enquanto outros eram cemitérios de igrejas que não cobravam nada para enterrar os mortos mais pobres.
A pesquisadora concluiu que 6,8% dos crânios examinados mostraram sinais de trauma, sendo que a maioria das vítimas era homens com idades entre 26 e 35 anos. 25% dos ferimentos aconteceram perto da hora da morte, sugerindo que essas pessoas morreram de golpes na cabeça.
Krakowka aponta que mortes violentas eram comuns na Europa nesta época, e que cemitérios medievais da Croácia, por exemplo, contêm impressionantes 20% de corpos com fraturas no crânio.
O que tornou a pesquisa interessante é a diferença entre o número de crânios com sinais de trauma em cemitérios de Londres em comparação com cemitérios em outras grandes cidades da época do país. Londres tem quase o dobro de mortes violentas que York.

Diferença entre classes sociais
Os resultados encontrados por Krakowka também variam conforme o tipo de cemitério do qual o crânio foi retirado. Os cemitérios utilizados pela classe baixa contêm mais crânios com sinais de fratura, enquanto os utilizados pela classe alta têm menos desses sinais.
Isso sugere que a classe alta tinha acesso ao sistema legal da época, enquanto os mais pobres tinham que resolver seus problemas no muque.
Outra observação com base em informações sobre o dia da morte das pessoas estudadas é que a maior parte dos homicídios aconteciam nas noites de domingo ou nas primeiras horas da segundas-feiras. Esta era a noite em que os trabalhadores iam descansar nas tabernas, gastando parte de sua renda em bebidas alcóolicas.

“Isso, em combinação com meus resultados, possivelmente sugere que aqueles com status mais baixo resolviam conflitos através de brigas informais que podem ter sido causadas pela bebedeira”, diz a pesquisadora.

“Pessoas de status baixo não têm acesso à lei. Eles apelam para a violência como forma de resolver conflitos”, acrescenta o antropólogo Luke Glowacki, do Instituto de Estudos Avançados de Toulouse (França).
Em comparação, pessoas das classes altas brigavam em sistemas mais formais de duelos, talvez envolvendo espadas, cavalos ou lanças, nos quais os oponentes contavam com armaduras para proteger a cabeça.
O estudo foi publicado na revista American Journal of Physical Anthropology. [NewScientist]

13.507- Pré História – Humanos caçam renas e mamutes (c. 18.000 a.C. – Europa)


pinturas de renas e mamutes
Nos últimos estágios desta glaciação, as vastas planícies da Europa e da Ásia vêm sendo invadidas por bandos de renas, cavalos, bisões e mamutes lanosos, e os humanos aproveitam a oportunidade para explorar esses animais, que lhes fornecem abundância de alimento, peles, ossos e marfim.

Novas Táticas
Os humanos tiveram de desenvolver novas estratégias e táticas para apanhar os enormes mamutes e bisões, bem como para enfrentar a velocidade da corrida de cavalos e renas. Quando alguém descobre um meio eficiente de lidar com certo tipo de animal, imediatamente outras pessoas o imitam. Desse modo, o sucesso com determinados tipos de caça estimula as comunidades a se concentrarem em certas espécies em detrimento de outras. Para caçadores da Ucrânia, o bisão foi ocasionalmente a presa favorita, mas tanto lá quanto na Europa Central agora eles preferem o mamute. Na Europa Ocidental, os mais caçados são os cavalos e as renas.

Em Busca da Presa
Grupos caçadores habitantes de cavernas e abrigos rochosos, como os de La Madeleine, no sudoeste da França, têm participado de migrações sazonais, perseguindo renas ao norte, no verão, e posteriormente ao sul, no inverno. Muitos acampamentos para esses caçadores, chamados madalenianos, foram estabelecidos ao norte. Os madalenianos também são pescadores. Suas moradias ficam perto de margens fluviais, e isso permite que eles pesquem o salmão que agora sobe os rios do sudoeste para a desova.

13.487 – O Fim da era Glacial


era glacial
Extinta a caça de grande porte (c. 8.000 a.C. – América do Norte): Há algum tempo vem se reduzindo o número de exemplares da megafauna, a caça de grande porte que era uma característica típica desta área e que, provavelmente, foi o que atraiu para cá os primeiros colonizadores. Agora, esses animais parecem ter desaparecido totalmente. Tudo indica que mastodontes, mamutes lanosos, preguiças terrestres gigantes, antas, camelos e tatus gigantes estão extintos na América do Norte.

Morte em Massa
Uma das razões para a extinção em massa é que a glaciação está terminando e, com o clima tornando-se mais quente e mais seco, o tipo de alimento exigido por esses grandes animais praticamente desapareceu. Mas a caça excessiva talvez tenha sido também um fator importante. As pontas estriadas das flechas mostraram-se armas eficientes.
E houve ainda numerosas ocasiões em que os caçadores provocaram o estouro de manadas inteiras, para fazer os animais caírem do alto de rochas ou cercá-los em estreitas passagens e, em seguida, abatê-los. Ainda existem muitos animais de caça, mas o desaparecimento das espécies de maior porte e o clima, cada vez mais quente, inevitavelmente produzirão profundas mudanças no modo de vida das pessoas.

agricultura-e-sedentarizao-9-638

13.486 – Pré História – A Revolução Agrícola


caça nomade
Revolução agrícola muda estilo de vida (c. 6.000 a.C. – Grécia)
No Oriente Médio, agricultores que haviam sido pioneiros na vida sedentária e no cultivo de cereais estão agora criando ampla variedade de animais domésticos, ovelhas, cabras e gado. Eles têm viajado rumo aos Bálcãs, através da Anatólia, em busca de terras férteis e boas pastagens.

Caçadores Nômades
Seus ancestrais, nômades que viviam da caça e de alimentos vegetais, seguiam sazonalmente bandos de animais selvagens e colhiam os cereais que encontravam pelo caminho. Mais tarde, começaram a se fixar em regiões férteis. Com o tempo, aprenderam a cultivar seus próprios cereais: limpavam o terreno, plantavam sementes e realizavam ao colheitas. Havia terra de sobra e, por isso, eles cultivavam cada área até que o solo se esgotasse.

13.485 – Pinturas nas cavernas


pinturas rupestres
Nas cavernas, artistas retratam a vida (c. 20.000 a.C. – Europa): Foi provavelmente antes da atual glaciação que as pessoas começaram a fazer representações artificiais do mundo em que viviam. Mas as primeiras tradições artísticas surgiram somente ao longo dos últimos 20 mil anos. Agora, aspectos essenciais da vida são retratados com uma habilidade e um realismo antes desconhecidos.

Figuras e Símbolos
Parte do avanço artístico consiste no fato de que essses artistas estão começando a avaliar seu ambiente e a observar cuidadosamente seus detalhes físicos. Em outras palavras, o trabalho deles pode ser tanto simbólico quanto figurativo. Trabalhando à luz de lamparinas, nas profundezas dos sistemas de cavernas, eles pintam símbolos misteriosos e também imagens naturalistas de um cenário que inclui mamutes, renas, bisões e outros animais que encontram diariamente. De fato, talvez eles acreditem na pintura de animais como uma espécie de magia para aumentar a probabilidade de uma caça bem-sucedida, possivelmente porque o gélido clima está tornando a vida cada vez mais difícil para os habitantes da cavernas.

Luz e Cor
A decoração de cavernas começou a ser feita regularmente há uns 10 mil anos. Entre os pigmentos disponíveis para os artistas das cavernas estão o amarelo, o vermelho e o preto, fabricados de minérios como hematita em pó, fosfato de cálcio e dióxido de manganês, alguns deles recolhidos a distâncias de até 50 quilômetros das cavernas. Grandes animais de caça, como mamutes lanosos, cavalos, bisões, veados e bois selvagens constituem os temas habituais desses pintores, embora leões e até peixes também, às vezes, sejam retratados. Embora os artistas mostram-se capazes de pintar, entalhar e mesmo esculpir figuras humanas e de animais, imagens de pessoas são notavelmente raras. Quando existem, são quase sempre mulheres.

Estatuetas
São particularmente comuns certas estatuetas de osso ou de marfim, conhecidas pelo nome genérico de Vênus, porque se supõe que possam ser símbolos de fertilidade. Freqüentemente desprovidas de rostos, elas constituem representações estilizadas da forma feminina, com seios e nádegas extremamente exagerados.

13.484 – Mega Bloco Pré História – O homem de Neandertal predomina


neandertal
Homem de Neandertal predomina (c. 100.000 a.C. – Europa): Uma robusta subspécie de Homo sapiens assumiu como grupo dominante na Europa, na África Setentrional e no Sudoeste Asiático. O homem de Neandertal, como se conhece essa subespécie, é mais alto do que outras espécies (chega a cerca de 1,72 metro), tem cérebro grande, mandíbula poderosa e grandes dentes, rosto projetado para frente e destacada borda de testa acima do nariz largo e achatado. Nos climas mais quentes do Sudoeste Asiático, porém, ele é menos corpulento e tem feições menos rudes.

Ameaça das Feras
Sabe-se muito pouco sobre seus hábitos e aptidões, embora seja provável que se desloque em grupos, numa forma de proteção contra ataques de feras. Ele não usa suas armas de pedra e outros instrumentos apenas para cortar carne e fazer uma comida mais palatável, mas também para arrancar peles e transformá-las em peças de vestuário. Os homens de Neandertal que vivem na Europa Ocidental são geralmente do que seus irmãos da África Setentrional e da Ásia.
Alguns observadores acreditam que esses europeus adquiriram tais características físicas como uma adaptação às condições mais frias do continente, uma vez que pessoas de compleição robusta têm mais facilidade em se manter aquecidas. Com um clima aparentemente para mais uma grande mudança, provavelmente outra grande glaciação, os homens de Neandertal na Europa terão de decidir entre se juntar aos irmãos de climas mais quentes ou ficar na área, que, embora familiar, vai se tornar cada vez mais hostil.
O Homem de Neandertal conheceu um mundo hostil. A espécie surgiu há cerca de 200 mil anos e desapareceu há pouco mais de 30 mil. Viveu na Europa, parte da Ásia e Oriente Médio. O mundo do neandertal era mais frio e habitado por ursos imensos, mamutes e rinocerontes peludos.
Como as feras que foram suas contemporâneas, ele era talhado para o frio. Seu nariz era mais largo, o corpo baixo – não passava de 1,65 metro – e musculoso. Essas adaptações permitiram-lhe resistir melhor ao rigor do clima, mas não foram suficientes para fazê-lo superar o homem moderno, com o qual conviveu por milhares de anos.
Hoje, não são poucos os cientistas que supõem que foi a competição com o homem moderno o principal motivo da extinção do neandertal.
Basicamente, neandertais e homens modernos compartilham muitas características físicas, embora os primeiros tivessem a testa mais retraída e as sobrancelhas proeminentes.
Os neandertais foram capazes de fazer jóias e instrumentos, enterrar seus mortos, caçar organizadamente e acredita-se que tenham desenvolvido alguma forma de linguagem, ainda que mais primitiva.

O que é neandertal?
Era uma espécie do gênero Homo neanderthalensis, que habitou a Europa e alguns lugares do oeste da Ásia acerca de 230.000 a aproximadamente 29.000 anos atrás. Os Neandertais eram adaptados ao frio, seus cérebros eram aproximadamente 10% maiores em volume que os dos humanos modernos. Na média, os Neandertais tinham cerca de 1,65 m de altura e eram muito musculosos. Seu estilo característico de fabricação de ferramentas de pedra é chamado de cultura musteriense.

São características físicas dos Neandertais:

Crânio
– Fossa suprainíaca, um canal sobre a protuberância occipital externa do crânio
– Protuberância ocipital
– Meio da face projetado para frente
– Crânio alongado para trás
– Toro supraorbital proeminente, formando um arco sobre as orbitas oculares
– Capacidade encefálica entre 1200 e 1700 cm³ (levemente maior que a dos humanos modernos)
– Ausência de queixo
– Testa baixa, quase ausente
– Espaço atrás dos molares
– Abertura nasal ampla
– Protuberâncias ósseas nos lados da abertura nasal
– Forma diferente dos ossos do labirinto no ouvido

Pós-Crânio
– Consideravelmente mais musculosos
– Dedos grandes e robustos
– Caixa torácica bastante arredondada
– Forma diferente da pélvis
– Rótulas grandes
– Clávícula alongada
– Omoplatas curtos e arqueados
– Ossos da coxa robustos e arqueados
– Tíbias e fíbulas muito curtas

evolucao, humana, homo, sapiens, habilis, erectus, neanderthalensis

13.482 – A Arte na Pré-história


Pinturas_-_Serra_da_Capivara_0
Os povos antigos, antes de conhecerem a escrita, já produziam obras de arte. Os homens das cavernas faziam bonitas figuras em suas paredes, representando os animais e pessoas da época, com cenas de caças e ritos religiosos. Faziam também esculturas em madeira, ossos e pedras; os cientistas estudam esses objetos e pinturas, e conseguem saber como viviam aqueles povos antigos .
Além da arte dos povos pré-históricos, também é considerada arte primitiva aquela produzida pelos índios e outros povos que viviam na América antes da vinda de Colombo. Os maias, os astecas e os incas representavam a arte pré-colombiana. São pinturas, esculturas e templos maravilhosos, feitos de pedras ou materiais preciosos, que nos contam a história desses povos.
Na atualidade e também há arte primitiva: os negros africanos, que produzem máscaras para rituais, esculturas e pinturas; os nativos da Oceania (Polinésia, Melanésia, etc.) também tem arte primitiva com estilo próprio; assim também os índios americanos produzem objetos de arte primitiva muito apreciados entre os povos atuais.

13.481 – Civilizações Antigas – Solucionado mais um Mistério Matemático


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Uma equipe de cientistas da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, solucionou recentemente o mistério matemático inscrito em uma tabela milenar pertencente à cultura babilônica, que intriga matemáticos do mundo inteiro há mais de um século.
A tabela de argila, conhecida pelo nome de Plimpton 322, foi descoberta pelo antropólogo Edgar Banks no início do século XX. Desde então, vários especialistas tentaram decifrar o significado das misteriosas séries de números ordenados em quinze filas e quatro colunas.
Os pesquisadores concluíram que as inscrições explicam as diferentes formas de triângulos de ângulo reto, utilizando um novo tipo de trigonometria, com base em relações de ângulos e círculos. A ferramenta pode ter sido de grande utilidade para a topografia de campos e para realizar os cálculos arquitetônicos necessários para construir palácios, templos ou pirâmides.
Daniel Mansfield, um dos responsáveis pela descoberta, acredita que a tabela “é um exemplo de como o mundo antigo pode nos ensinar algo novo”.

13.343 – Antropologia – Homo sapiens se espalhou pelo mundo 200 mil anos antes do esperado


antropologia
Usando fósseis e análises de DNA, cientistas estão começando a pintar um retrato dos primórdios da humanidade, uma história com mais reviravoltas do que você veria em um roteiro de cinema.
O consenso atual entre os especialistas é de que o Homo sapiens evoluiu pelo menos 300 mil anos atrás, na África. Muito mais tarde –70 mil anos atrás– um pequeno grupo de africanos se estabeleceu em outros continentes, dando origem às demais populações atuais do planeta.
Para Johannes Krause, diretor do Instituto Max Planck de História Humana, na Alemanha, essa lacuna na linha do tempo é peculiar.
Com base em DNA recentemente descoberto em fósseis, os pesquisadores concluíram que uma onda de Homo sapiens primitivos ou de parentes próximos de nossa espécie abriu caminho da África para a Europa. Lá, eles se miscigenaram com os neandertais.
Em seguida, os primeiros emigrantes africanos desapareceram. Mas parte de seu DNA perdurou em gerações posteriores dos neandertais.
Desde o século 19, paleontologistas vêm enfrentando dificuldades para compreender de que maneira os neandertais se relacionam a nós. Fósseis mostram que eles eram distintos anatomicamente, com testas avantajadas, corpos robustos e outros traços sutis que nos faltam.
Os ossos mais antigos de espécimes semelhantes aos neandertais foram achados na caverna espanhola Sima de los Huesos e foram datados de 430 mil anos atrás. Restos mais recentes dos neandertais, de cerca de 100 mil anos atrás, foram encontrados espalhados por toda a Europa e em uma faixa que se estende até o sul da Sibéria.
Então, 40 mil anos atrás, os neandertais desaparecem do registro fóssil.
Quando era aluno de pós-graduação, na metade dos anos 2000, Krause trabalhou junto a diversos museus para realizar sondagens em fósseis de neandertais. Em alguns deles, ele e os colegas conseguiram achar fragmentos de DNA que puderam estudar.
Os cientistas que estudam genes antigos buscam duas espécies de material genético. A vasta maioria de nossos genes fica no núcleo das células. Herdamos o DNA nuclear de nossos dois progenitores.
Mas também carregamos um pequeno volume de DNA nas usinas que geram combustível em nossas células, as mitocôndrias. O DNA mitocondrial é herdado apenas do lado materno, porque o espermatozoide do pai destrói seu DNA mitocondrial durante a fertilização.
Agora, Krause e seus colegas descobriram novas amostras de DNA neandertal que podem resolver alguns mistérios. Em 2013, um de seus orientandos de pós-doutorado, Cosimo Posth, examinou um fóssil neandertal encontrado em 1937 na caverna alemã de Hohlenstein-Stadel.
Ele conseguiu reconstruir o DNA mitocondrial do fóssil e estimou que ele tivesse 120 mil anos de idade e, mais importante, que pertencesse a um ramo com longo histórico, na árvore genealógica dos neandertais. Ele e os colegas determinaram que todos os neandertais conhecidos herdaram seu DNA mitocondrial de um ancestral que viveu 270 mil anos atrás.
Todos os dados apontam para uma sequência de acontecimentos que poderia resolver o enigma que aflige Krause há tanto tempo.
Antes, os ancestrais comuns dos neandertais e dos homens de Denisova, de uma caverna siberiana, se espalharam pela Europa e Ásia mais de meio milhão de anos atrás. Gradualmente, a população do oeste e a do leste se separaram, geneticamente.
No leste, os ancestrais se tornaram homens de Denisova. No oeste, se tornaram neandertais.
Em algum momento anterior a 270 mil anos atrás, seres humanos provenientes da África e geneticamente muito próximos a nós emigraram para a Europa e se miscigenaram com os neandertais. O DNA deles foi incorporado ao pool genético neandertal.
Posth disse que é possível que os primeiros membros de nossa espécie tenham emigrado da África do Norte para a Europa. Um sustentáculo dessa ideia é a descoberta, reportada no mês passado, de fósseis de Homo sapiens datados de 300 mil anos atrás, no Marrocos.
Mas Posth disse que era cedo demais para descartar outra possibilidade: a de que esses emigrantes pertenciam a outra espécie africana estreitamente aparentada a nós que os cientistas até agora não documentaram.
O DNA mais revelador agora pode vir das montanhas do Marrocos. Lá, cientistas talvez consigam encontrar genes de espécimes mais antigos de Homo sapiens, que poderão ser comparados aos dos neandertais.

13.317 – Antropologia – MARGARET MEAD: DAS TRIBOS PRIMITIVAS À REVOLUÇÃO SEXUAL FEMININA


margareth
Nascida em 1901, nos EUA, a vida atribulada de Mead passou por três casamentos, seguidos dos respectivos divórcios, e por dois casos amorosos com mulheres. Para uma sociedade americana que até aos anos 60 do século passado era bastante conservadora, a sua vida privada constituía um verdadeiro escândalo.
Mas desde cedo Mead se revelou uma moça incomum. Não só se apaixonou pela antropologia, como decidiu, aos 22 anos, ir viver para a Samoa Americana (no Pacífico Sul), para aí realizar vários estudos de campo. Não foi de admirar que muitos homens se interrogassem sobre o que fazia uma jovem mulher branca no meio de uma horda de bárbaros, em vez de estar em casa a cozinhar para o marido.
A resposta cai como um relâmpago em 1928, quando a antropóloga regressa ao Ocidente para escrever um dos mais polémicos (e vendidos) livros da época: Adolescência, sexo e cultura em Samoa.
Na sua obra revolucionária, a antropóloga faz tiro ao alvo com a ideia preconcebida de que os problemas que nos angustiam na juventude se devem à natureza da adolescência. Ao analisar algumas aldeias tribais, constata, com grande espanto, que a passagem da infância à adolescência era aí feita com absoluta tranquilidade, sem traços da angústia ou confusão tão típicas no Ocidente. Conclusão: esqueçam as borbulhas na cara, afinal os problemas da adolescência tinham uma origem nas exigências e expectativas culturais da sociedade.
A polémica estala quando Mead vai ainda mais longe e descreve a forma como as jovens mulheres samoanas tinham o hábito de adiar o casamento por muitos anos, de modo a desfrutarem do sexo ocasional. Só depois de se casarem é que assentavam e tinham filhos.
Este retrato radical da sexualidade feminina teve o condão de revirar o estômago a muitos leitores (tal como a alguns colegas antropólogos), os quais não perderam tempo a qualificar a obra como um mero “livro de sexo”, acusando a autora de ter uma mentalidade “suja”.
Indiferente às críticas e ansiosa por mais peripécias capazes de fazer estalar o verniz do socialmente correcto, a investigadora americana contornou de novo o globo e instalou-se na Nova Guiné. Sem o saber, estava a preparar uma nova bomba antropológica, desta vez para implodir o orgulho masculino.
Em 1935, publica o livro Sexo e temperamento em três sociedades primitivas, outro best-seller controverso. A questão agora espicaçada era: seriam as diferenças entre o homem e a mulher meramente biológicas? Depois de ter estudado e analisado três tribos primitivas, culturalmente diferentes, a resposta científica redundou num atónito não.
Na primeira tribo analisada, Mead verificou que tanto os homens como as mulheres eram de temperamento pacífico. Por contraste, na segunda tribo os dois géneros já tinham uma atitude guerreira.
E eis que, na terceira e última, constatou-se o caso mais curioso: os homens passavam a maior parte do tempo a ornamentarem-se para ficarem bonitos, perdendo tempo com futilidades, enquanto as mulheres trabalhavam arduamente e eram práticas – o completo oposto do que era comum ocorrer em princípios do século XX, no mundo ocidental.
Perante este e outros factos, Mead foi pioneira ao propor que as características masculinas e femininas reflectiam as influências culturais e sociais, não se limitando às diferenças biológicas.
A formidável visão de superioridade que os homens tinham de si caía, assim, no maior dos ridículos, enquanto o feminismo ganhava um importante balão de oxigénio.
Em 1978, já uma figura super-mediatizada e aplaudida como uma das maiores antropologistas de sempre, acabou por falecer. Atrás de si deixa um legado repleto de argumentos científicos que iriam apoiar as revoluções sexuais e culturais dos anos 60. A forma de encarar a diferença de género não voltaria a ser a mesma… e os pais mais conservadores ganharam razões para ter maiores dores de cabeça em relação aos filhos.

A polêmica estala quando Mead vai ainda mais longe e descreve a forma como as jovens mulheres samoanas tinham o hábito de adiar o casamento por muitos anos, de modo a desfrutarem do sexo ocasional. Só depois de se casarem é que assentavam e tinham filhos.
Este retrato radical da sexualidade feminina teve o condão de revirar o estômago a muitos leitores (tal como a alguns colegas antropólogos), os quais não perderam tempo a qualificar a obra como um mero “livro de sexo”, acusando a autora de ter uma mentalidade “suja”.
Indiferente às críticas e ansiosa por mais peripécias capazes de fazer estalar o verniz do socialmente correcto, a investigadora americana contornou de novo o globo e instalou-se na Nova Guiné. Sem o saber, estava a preparar uma nova bomba antropológica, desta vez para implodir o orgulho masculino.
Em 1935, publica o livro Sexo e temperamento em três sociedades primitivas, outro best-seller controverso. A questão agora espicaçada era: seriam as diferenças entre o homem e a mulher meramente biológicas? Depois de ter estudado e analisado três tribos primitivas, culturalmente diferentes, a resposta científica redundou num atónito não.
Na primeira tribo analisada, Mead verificou que tanto os homens como as mulheres eram de temperamento pacífico. Por contraste, na segunda tribo os dois géneros já tinham uma atitude guerreira.
E eis que, na terceira e última, constatou-se o caso mais curioso: os homens passavam a maior parte do tempo a ornamentarem-se para ficarem bonitos, perdendo tempo com futilidades, enquanto as mulheres trabalhavam arduamente e eram práticas – o completo oposto do que era comum ocorrer em princípios do século XX, no mundo ocidental.
Perante este e outros factos, Mead foi pioneira ao propor que as características masculinas e femininas reflectiam as influências culturais e sociais, não se limitando às diferenças biológicas.
A formidável visão de superioridade que os homens tinham de si caía, assim, no maior dos ridículos, enquanto o feminismo ganhava um importante balão de oxigénio.
Em 1978, já uma figura super-mediatizada e aplaudida como uma das maiores antropologistas de sempre, acabou por falecer. Atrás de si deixa um legado repleto de argumentos científicos que iriam apoiar as revoluções sexuais e culturais dos anos 60. A forma de encarar a diferença de género não voltaria a ser a mesma… e os pais mais conservadores ganharam razões para ter maiores dores de cabeça em relação aos filhos.

13.132 – Ação Humana – Civilizações pré-colombianas moldaram vegetação da Amazônia


amazonia
As florestas da Amazônia foram moldadas pela ação humana ao longo de milhares de anos, num processo que transformou boa parte da mata em gigantescos “pomares”, repletos de espécies domesticadas de árvores. O manejo habilidoso dessas plantas pelos antigos habitantes da região acabaria criando deleites gastronômicos que hoje chegam ao mundo todo, como o cacau e a castanha-do-pará.
Esses são os exemplos mais famosos, mas a lista completa é bem mais extensa: 85 espécies de árvores foram domesticadas em algum grau na floresta, calculam os autores de um estudo internacional que acaba de ser publicado na revista especializada “Science”.
Em alguns lugares da bacia do Amazonas, as espécies selecionadas e alteradas pela atividade humana chegam a ser as mais comuns da mata, apesar da gigantesca diversidade natural de vegetais da região.

HIPERDOMINANTES
Usando esses dados, um dos colaboradores da nova pesquisa, o holandês Hans Ter Steege, já tinha mostrado que, apesar dessa imensa variedade de espécies, a Amazônia abriga algumas árvores “campeãs”, conhecidas como hiperdominantes. São 227 espécies que, somadas, são muito mais comuns que a média das demais plantas, correspondendo a uns 50% de todas as árvores amazônicas.
Ocorre que, das 85 árvores domesticadas, 20 espécies fazem parte dessa lista das hiperdominantes –cinco vezes mais do que o esperado, quando se considera o número total de espécies arbóreas da região. Outro detalhe importante é que essas plantas domesticadas hiperdominantes são muito comuns na Amazônia: ao menos algumas delas estão presentes em 70% da região, enquanto as outras espécies hiperdominantes (as não domesticadas) só ocorrem em 47% da bacia.
Isso sugere que a ação humana é que as espalhou Amazônia afora, uma vez que estudos genéticos mostram que muitas dessas plantas domesticadas hoje florescem em lugares muito distantes de seu ambiente original –é o caso do próprio cacaueiro, nativo do noroeste amazônico, mas hoje mais comum no sul da região.
E, de fato, na maioria das áreas, a concentração de espécies moldadas pelo uso humano aumenta nas proximidades de sítios arqueológicos e dos rios –ou seja, áreas que comprovadamente foram ocupadas por pessoas no passado ou que serviam (e ainda servem) como as principais estradas para quem circulava pela mata. Para onde os antigos indígenas iam, as plantas iam junto– e esse processo foi fazendo com que elas se tornassem cada vez mais comuns, alterando a composição natural de espécies da floresta para que ela se tornasse cada vez mais útil para membros da nossa espécie.

CERVEJINHA
Isso significa, é claro, árvores que produziam frutos mais saborosos ou folhas e troncos mais adequados para a construção de cabanas –e mesmo as mais úteis para o preparo de bebidas fermentadas, explica Charles Clement, biólogo do Inpa e coautor do novo estudo.
“Você certamente vai tomar uma cervejinha depois de sair do trabalho hoje. Os índios também consumiam uma grande variedade de cervejas, incluindo as feitas com o fruto da pupunha, que pode ser selecionado para ser muito rico em amido, o que favorece a fermentação”, compara ele.
A pupunha é um dos casos de árvores amazônicas totalmente domesticadas, ou seja, que sofreram grandes modificações graças à seleção promovida pelo homem e que hoje dependem da nossa espécie para se propagar. Enquanto os frutos “selvagens” da planta pesavam só 1 grama, diz Clement, hoje é possível encontrar os que alcançam 150 gramas na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
A lista de espécies inclui ainda as classificadas como parcialmente domesticadas (é o caso do cacaueiro) e incipientemente domesticadas (a castanheira). A diferença é, em grande parte, questão de grau. O primeiro tipo já tem consideráveis diferenças de aparência e genética em relação aos seus parentes selvagens, embora ainda consiga se virar sozinho sem a ajuda humana, enquanto no segundo tipo essas mudanças são bem mais sutis, explica Carolina.
O arqueólogo Eduardo Góes Neves, da USP, que também assina a pesquisa, calcula que essa grande processo de “engenharia florestal” amazônica começou há pelo menos 6.000 anos, mas pode ter se intensificado de uns 2.500 anos para cá. É quando a região fica repleta de sítios com a chamada terra preta –um solo muito fértil produzido pela ação humana, em parte graças à queima controlada de restos de vegetais.