13.864 – História da Medicina – A Peste Negra


peste negra
Foi uma pandemia, isto é, a proliferação generalizada de uma doença causada pelo bacilo Yersinia pestis, que se deu na segunda metade do século XIV, na Europa. Essa peste integrou a série de acontecimentos que contribuíram para a Crise da Baixa Idade Média, como as revoltas camponesas, a Guerra dos Cem Anos e o declínio da cavalaria medieval.
A Peste Negra tem sua origem no continente asiático, precisamente na China. Sua chegada à Europa está relacionada às caravanas de comércio que vinham da Ásia através do Mar Mediterrâneo e aportavam nas cidades costeiras europeias, como Veneza e Gênova. Calcula-se que cerca de um terço da população europeia tenha sido dizimada por conta da peste.
A propagação da doença, inicialmente, deu-se por meio de ratos e, principalmente, pulgas infectados com o bacilo, que acabava sendo transmitido às pessoas quando essas eram picadas pelas pulgas – em cujo sistema digestivo a bactéria da peste se multiplicava. Num estágio mais avançado, a doença começou a se propagar por via aérea, através de espirros e gotículas. Contribuíam com a propagação da doença as precárias condições de higiene e habitação que as cidades e vilas medievais possuíam – o que oferecia condições para as infestações de ratazanas e pulgas.
Como ainda não havia um desenvolvimento satisfatório da ciência médica nesta época, não se sabia as causas da peste e tampouco os meios de tratá-la ou de sanear as cidades e vilas. A peste foi denominada “negra” por conta das afecções na pele da pessoa acometida por ela. Isto é, a doença provocava grandes manchas negras na pele, seguidas de inchaços em regiões de grande concentração de gânglios do sistema linfático, como a virilha e as axilas. Esses inchaços também eram conhecidos como “bubões”, por isso a Peste Negra também é conhecida como Peste Bubônica. A morte pela peste era dolorosa e terrível, além de rápida, pois variava de dois a cinco dias após a infecção.
Uma das tentativas de compreensão do fenômeno mortífero da Peste Negra pode ser vista nas representações pictóricas da chamada “A dança macabra”, ou “A Dança da Morte”. As pinturas que retratavam a “dança macabra” apresentavam uma concepção nítida da inexorabilidade da morte e da putrefação do corpo. Nestas pinturas, aparecem sempre esqueletos humanos “dançando” em meio a todo tipo de pessoa, desde senhores e clérigos até artesãos e camponeses – evidenciando assim o caráter universal da morte.
Outro fenômeno da época em que se desencadeou a peste foi a atribuição da causa da moléstia aos povos estrangeiros, notadamente aos judeus. Os judeus, por não serem da Europa e por, desde a Idade Antiga, viverem em constante migração, passando por várias regiões do mundo até se instalarem nos domínios do continente europeu, acabaram por se tornarem o “bode expiatório” das multidões enfurecidas. Milhares de judeus foram mortos durante a eclosão da Peste.
Hoje em dia os surtos pandêmicos são raros, mas várias doenças, como a causada pelo vírus Ebola que se desenvolveu na região da África Subsaariana, ainda oferecem risco de pandemia para o mundo. Por isso é monitorado por centros de investigação epidemiológica internacionais.

13.713 – O Mega não “come bola” – Diferença entre Malária e Febre Amarela


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A malária mata 1.400 crianças por dia em todo o mundo. O número divulgado pela Organização das Nações Unidas só reforça a importância do Dia Mundial de Combate à Malária, comemorado neste dia 25 de abril. No Brasil, porém, os números são mais baixos: segundo o Ministério da Saúde, 99% dos casos da doença ocorrem nos estados que compõem a Amazônia e houve uma redução de 603 mil casos, em 2005, para aproximadamente 217 mil, de janeiro a outubro de 2011. O número de internações também passou de 3.859, em 2010, para 3.215 em 2011.
Assim como a dengue e a febre amarela, a malária é transmitida pela picada de um mosquito. Embora as três doenças típicas de países tropicais tenham alguns sintomas semelhantes (febre, cansaço e dor muscular), apresentam muitas outras especificidades – desde a espécie de mosquito até o tipo de tratamento. Você sabe identificar quais são essas diferenças?
Assim como a dengue e a febre amarela, a malária é transmitida pela picada de um mosquito. Embora as três doenças típicas de países tropicais tenham alguns sintomas semelhantes (febre, cansaço e dor muscular), apresentam muitas outras especificidades – desde a espécie de mosquito até o tipo de tratamento. Você sabe identificar quais são essas diferenças?

No Juruá, interior do Acre, fica uma região recordista em casos de malária no país. Só no ano passado, mais de 20 mil pessoas ficaram doentes. Algumas contraíram a doença até mais de uma vez. Em 2018 já são mais de quatro mil casos diagnosticados. A doença pode ter complicações principalmente em grupos especiais, como diabéticos, hipertensos, cardiopatas.
A malária é transmitida pelo mosquito Anopheles. Os principais sintomas são: dor de cabeça e no corpo, calafrios, tremores intensos, febre alta, náusea e vômitos. Não existe vacina para combater a doença. Prevenir é a única forma de se livrar. O Ministério da Saúde indica o uso de repelentes, mosquiteiros e borrifação.

Principal diferença entre as 2 doenças:
A malária é causada por um protozoário e transmitida por um mosquito. A febre amarela, apesar de ser transmitida também pela picada de um mosquito, é causada por um vírus.

13.610 – História – IDADE ANTIGA


idade antiga
Quando adentramos o estudo da Antiguidade ou Idade Antiga, é bastante comum ouvir dizer que esse período histórico é marcado pelo surgimento das primeiras civilizações. Geralmente, ao adotarmos a expressão “civilização” promove-se uma terrível confusão que coloca os povos dessa época em uma condição superior se comparados às outras culturas do mesmo período.
Na verdade, a existência de uma civilização não tem nada a ver com essa equivocada ideia de que exista um povo “melhor” ou “mais evoluído” que os demais. O surgimento das primeiras civilizações simplesmente demarca a existência de uma série de características específicas. Em geral, uma civilização se forma quando apontamos a existência de instituições políticas complexas, uma hierarquia social diversificada e de outros sistemas e convenções que se aplicam largamente a uma população.
Ao contrário do que se possa imaginar, não podemos apontar uma localidade específica onde encontremos a formação das primeiras civilizações da história. O processo de fixação e desenvolvimento das relações sociais aconteceu simultaneamente em várias regiões e foi marcado pelo contato entre civilizações, bem como a incorporação de duas ou mais culturas na formação de outra civilização.
Reportando-se ao Mundo Oriental, podemos assinalar o desenvolvimento das milenares civilizações chinesa e indiana. Partindo mais a oeste, localizamos a formação da civilização egípcia e dos vários povos que dominaram a região Mesopotâmica, localizada nas proximidades dos rios Tigre e Eufrates. Também conhecidas como civilizações hidráulicas, essas culturas agruparam largas populações que sobreviviam da exploração das águas e terras férteis presentes na beira dos rios.
Na parte ocidental do planeta, costuma-se dar amplo destaque ao surgimento da civilização greco-romana. O prestígio dado a gregos e romanos justifica-se pela forte e visível influência que estes povos tiveram na formação dos vários conceitos, instituições e costumes que permeiam o Ocidente como um todo. Contudo, não podemos também deixar de dar o devido destaque aos maias, astecas, incas e olmecas que surgem no continente americano.
Sem dúvida, o estudo das civilizações antigas se mostra importante para que possamos entender melhor sobre as várias feições que a nossa cultura assume atualmente. Contudo, sob outro ponto de vista, o estudo da Antiguidade também abre caminho para que possamos contrapor os valores e parâmetros que um dia foram comuns a alguns homens e hoje se mostram tão distantes do que vivemos. É praticamente infinito o leque de saberes que se aplica a esse período histórico.

13.603 – Em SP, 3 em cada 4 casos de febre amarela são de áreas sem risco


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São definidas como regiões com recomendação aquelas em que há risco de circulação do vírus. Nesses casos, devem se vacinar todos os moradores e viajantes que planejam visitar esses locais. Desde 2000, 445 dos 645 municípios paulistas, todos no interior, estão nesse grupo.
As áreas mais populosas do Estado, no entanto, como as regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo, não estavam nessa lista, mas foram as que registraram o maior número de casos no recente avanço da doença. Na terça-feira, 16, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que todo o Estado seja considerado de risco.
Foram também nas regiões sem recomendação de vacina em que o Estado registrou, já há quatro meses, o aumento expressivo de casos de macacos mortos pela doença, dado que já indicava o avanço do vírus para áreas antes consideradas livres dele. O número de animais doentes, que entre julho de 2016 e junho de 2017 foi de 187, saltou para 508 no mesmo período de 2017/2018.
Questionada sobre suposta falha na definição de áreas de risco, a Secretaria Estadual da Saúde informou que, desde o ano passado passou a oferecer a vacina em 77 municípios, além dos considerados de risco. “Quem define a área de recomendação é o Ministério da Saúde. Mas estamos promovendo vacinação nos municípios que registraram casos de macacos mortos pela doença”, disse Regiane de Paula, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da secretaria.
Já o Ministério da Saúde afirmou, em nota, que desde 2016 vem acompanhando a circulação viral da febre, “o que permitiu realizar ações de bloqueio de vacinação em localidades que não pertencem a áreas de recomendação permanente”, como São Paulo. O órgão afirmou que tais decisões são tomadas em conjunto com Estados e municípios.

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13.490 – Imunologia – Soro antizika previne doença em macacos


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Anticorpos produzidos em laboratório conseguiram bloquear totalmente a ação do vírus da zika em macacos. O resultado, relatado por pesquisadores no Brasil e nos EUA, ainda está longe da aplicação em seres humanos, mas mostra que seria possível proteger grávidas e seus futuros bebês da ação viral por meio de um coquetel de anticorpos desse tipo.
A estratégia, descrita em artigo na mais recente edição da revista especializada “Science Translational Medicine”, foi idealizada por pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), da USP e da Universidade de Miami, entre outras instituições. Um ponto importante é que a equipe conseguiu aumentar o tempo de circulação dos anticorpos no organismo, o que, consequentemente, também traria proteção mais duradoura para os pacientes.
“Com isso, poderíamos cobrir uma gestação inteira com apenas duas ou três injeções de anticorpos”, diz Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da USP e um dos autores brasileiros da pesquisa.

DA COLÔMBIA AO RIO
Para chegar à formulação que teve sucesso no teste em macacos, os pesquisadores começaram obtendo uma lista de 91 anticorpos derivados do organismo de um paciente colombiano que havia sido infectado com o causador da doença. A ideia era testar a eficácia dessas moléculas de defesa do organismo contra a ação de uma variante do vírus presente no organismo de uma grávida do Rio.
Quando um novo vírus começa a invadir as células de uma pessoa, começa a produção de diferentes formas de anticorpos, cada um deles com potencial diferente para se ligar às partículas virais e neutralizar a ação delas. Ao testar as 91 moléculas do paciente colombiano, em busca das que conseguiam reduzir em pelo menos 80% a taxa de infecção pela zika in vitro, a equipe brasileiro-americana acabou identificando três anticorpos especialmente potentes, que pareciam os mais promissores.
Antes de partir para o teste em animais, porém, os pesquisadores decidiram fazer alguns ajustes nessas moléculas. Existe, por exemplo, o risco de que um anticorpo acabe facilitando o trabalho de um vírus, em vez de derrotá-lo.
Digamos que uma pessoa que já teve dengue seja infectada pelo vírus da zika, que é aparentado ao causador da dengue. Nesses casos, é possível que os anticorpos contra dengue que essa pessoa já possuía acabem se ligando ao causador da zika – mas sem neutralizá-lo para valer.
Pior ainda, enquanto uma ponta da molécula de anticorpo está ligada ao vírus, a outra pode estar ligada a determinadas células de defesa do organismo. “Desse jeito, o anticorpo serve como cavalo-de-troia, jogando o vírus inteiro para dentro da célula” e facilitando sua multiplicação, explica Kallás.
Ainda não se sabe se um cenário desse tipo pode realmente acontecer envolvendo zika e dengue, embora ele pareça estar por trás do maior risco de dengue hemorrágica depois que alguém é infectado por dois ou mais tipos diferentes do vírus dessa doença. Seja como for, pequenos ajustes na conformação da molécula podem minimizar o risco do problema, bem como aumentar a “durabilidade” dos anticorpos na circulação sanguínea.
No teste final, feito com oito macacos-resos (da espécie Macaca mulata), metade dos primatas recebeu injeções com o vírus da zika e, um dia depois, doses do coquetel de anticorpos específicos contra o invasor viral, enquanto os outros bichos infectados só receberam injeções de um anticorpo genérico que não age contra a zika. A multiplicação do vírus foi totalmente barrada no primeiro grupo, coisa que não se deu no segundo grupo de animais.

LONGO PRAZO
Apesar do sucesso da estratégia, Kallás lembra que ainda falta um processo longo e caro para que os testes em seres humanos comecem. É preciso produzir os anticorpos com rigoroso grau de pureza, garantindo, por exemplo, que eles não afetem células humanas por engano. Para avançar, a equipe precisará de parcerias com a iniciativa privada.

Além disso, o pesquisador destaca que, num momento em que o financiamento à ciência no Brasil vai de mal a pior, é preciso levar em conta que resultados como esses dependem de investimentos de longo prazo.

“A gente nunca começa do zero esse tipo de coisa. Eu trabalho com o David Watkins [coordenador da pesquisa na Universidade de Miami] desde 2005, e a ideia original era trabalhar com dengue, não com zika. Mas, quando a crise ligada à zika começou, nós já estávamos preparados. A estrutura e a cooperação necessárias para descobertas assim nunca surgem de imediato. A restrição de investimentos do governo está gerando um fruto podre que vai acabar caindo daqui a alguns anos”.

Fases:
1) O primeiro passo da equipe foi obter informações sobre os anticorpos produzidos no organismo de uma pessoa da Colômbia que tinha sido infectada pelo vírus zika

2) A partir dessa análise, eles identificaram três anticorpos diferentes que mostraram maior capacidade de neutralizar o vírus

3) O trio de anticorpos foi injetado num grupo de quatro macacos-resos, que também foi infectado com uma cepa do zika originalmente isolada de uma grávida do Rio de Janeiro; outros quatro primatas receberam o zika, mas não os anticorpos

4) Os animais que receberam os anticorpos ficaram totalmente protegidos da ação do vírus, ao contrário do que ocorreu com o outro grupo de macacos

13.390 – Engenharia Genética – Google quer liberar 20 milhões de mosquitos nos EUA


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A empresa Verily, que pertence ao Google (e até 2015 se chamava Google Life Sciences) pretende soltar 20 milhões de mosquitos em Fresno, cidade de 500 mil habitantes no sul da Califórnia – e, com isso, interromper a disseminação dos vírus da dengue, zika e chikungunya no local. A Califórnia começou a sofrer com esse problema em 2013, quando foram detectados os primeiros mosquitos Aedes aegypti por lá.

Os mosquitos que serão soltos foram criados em laboratório pela Verily, e também são da espécie A. aegypti, mas com uma diferença crucial: eles foram propositalmente infectados com uma bactéria, a Wolbachia pipientis, que os torna estéreis. A ideia é que eles acasalem com as fêmeas de A. aegypti na natureza. Além de não gerar descendentes (já que os mosquitos são inférteis), isso também impediria que os Aedes machos saudáveis se reproduzam – já que as fêmeas estarão ocupadas com os outros mosquitos. Com o tempo, isso levaria à extinção da espécie.
No Brasil, há um projeto similar. Ele é capitaneado pela empresa inglesa Oxitec, que desde 2014 produz mosquitos transgênicos estéreis em Campinas, no interior de São Paulo, e já os utilizou em testes pelo país.

12.764 – Vacina contra esquistossomose feita no Brasil terá teste decisivo no Senegal


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Pesquisadores do Brasil, do Senegal e da França estão começando um teste decisivo de sua vacina contra a esquistossomose, doença causada por vermes que coloca em risco a saúde de 200 milhões de pessoas mundo afora.
Cerca de 350 voluntários que vivem em regiões fortemente afetadas pelos parasitas devem receber a imunização, após uma avaliação inicial que indicou que a vacina é capaz de estimular o organismo a enfrentar os invasores.
Para os cientistas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), no Rio de Janeiro, a chamada fase 2 dos testes clínicos da vacina, cujo objetivo é testar sua eficácia num grupo relativamente grande de pessoas, tem um sabor especial.
Faz 30 anos que o principal ingrediente da fórmula começou a ser estudado por eles, e é a primeira vez no mundo que uma vacina contra um verme –e não contra um vírus ou uma bactéria, como é usual– avança tão longe no árduo processo que antecede a liberação comercial para uso em seres humanos.
O objetivo da vacina é cortar essa dificuldade pela raiz fazendo o que as vacinas fazem de melhor: gerando imunidade contra o parasita antes mesmo que ele entre em contato com o organismo humano. Foi com esse propósito que eles identificaram a proteína Sm14 (“Sm” é a sigla de Schistosoma mansoni, a espécie de verme causador da doença que é prevalente no Brasil). Presente na superfície do verme, ela serve para que ele obtenha lipídios (moléculas de gordura) do hospedeiro humano.
A vacina contendo a Sm14 faz com que o organismo das pessoas vacinadas produza anticorpos (moléculas de defesa) que atuam especificamente contra a presença do S. mansoni, bem como células especializadas em proteger o corpo da invasão, conforme revelaram testes com 20 voluntários sadios recrutados no Rio de Janeiro.
Outro ingrediente importante da vacina é o adjuvante conhecido como GLA, originalmente derivado de bactérias, que faz com que a reação do sistema de defesa do organismo seja ainda mais robusta.
Ao longo de décadas de pesquisa, a equipe da Fiocruz descobriu que a Sm14 é capaz de produzir imunidade para diversas espécies de vermes que parasitam a região intestinal aparentados ao S. mansoni.
Isso permitiu que a descoberta também levasse à criação de uma vacina para o gado, hoje em estágio avançado de desenvolvimento, e à possibilidade de testar a imunização no Senegal, em regiões onde há grande quantidade de casos de esquistossomose, causados por duas espécies diferentes de verme, o S. haematobium e o S. mansoni. Cada voluntário receberá três doses da vacina, com intervalos de um mês entre cada uma delas.
O teste clínico na África, que deve começar na segunda quinzena de setembro de 2016, será feito em parceria com a ONG “Espoir pour La Santé” (“Esperança para a Saúde”, em francês) e o Instituto Pasteur de Lille, na França. “Eles tinham uma estrutura muito boa para testar em campo uma molécula deles, que acabou não funcionando. Mas a estrutura ficou, tínhamos um contato bom com eles, que se empolgaram para nos ajudar”, conta Miriam.
A Fiocruz também está negociando a realização de outro braço da fase 2 numa região do Nordeste, área do país em que ainda há focos endêmicos da moléstia (os novos casos no país hoje são relativamente raros, chegando a pouco menos de 30 mil no ano passado).
Outra parceria crucial envolve a empresa Orygen Biotecnologia, que participará das etapas finais de desenvolvimento e de produção da vacina. “Nossa intenção é mudar o rumo do desenvolvimento de tecnologias contra as doenças parasitárias, que hoje não são um grande mercado comercial, não despertam um grande interesse da indústria. Estamos tentando inverter essa lógica, com um país endêmico desenvolvendo essa tecnologia para ajudar outros países endêmicos”, resume Miriam.

12.626 – Vacina de DNA contra zika consegue bons resultados em camundongos


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Uma nova vacina de DNA conseguiu eficácia de 100% de imunização em camundongos contra a infecção por vírus da zika.
A cepa utilizada nos experimentos foi isolada de casos da doença do Nordeste do Brasil em 2015 e foi produzida pela USP. Os resultados foram publicados pela revista “Nature”.
Os cientistas (a maioria, americanos) testaram em camundongos a nova vacina, composta por DNA recombinante – produzido em laboratório com o auxílio de microrganismos – que contém as instruções para fabricação de proteínas da estrutura do vírus da zika.
Em uma vacina convencional é injetado o vírus ou pedaços dele. Ao encontrar os invasores (antígenos), o organismo produz anticorpos e mobiliza as células de defesa. O sistema imune passa a ter uma postura de prontidão contra a infecção “pra valer”.
Na vacina de DNA, a produção desses antígenos (pedaços dos invasores) é feita pelas células do organismo, como as fibras musculares. A partir daí, a resposta é semelhante à das vacinas virais.
“O problema é que pode ser difícil controlar a quantidade de antígeno ‘fabricado’ e o tempo de produção, o que pode dificultar a imunização”. Outra desvantagem é que pode surgir tolerância aos antígenos produzidos e até câncer, por causa da inserção do novo DNA no genoma
Nos ensaios, a imunização dos camundongos durou pelo menos 8 semanas e foi completa para os animais que receberam uma versão “inteira” do DNA responsável por fazer proteínas do envelope e da membrana do vírus.
Os pesquisadores afirmam que uma vacina de DNA para testes em humanos poderia ser facilmente obtida.
Os cientistas também testaram uma versão de vírus inativado (morto) da vacina. No caso, a cepa foi obtida em Porto Rico. Os camundongos obtiveram mais proteção quando vacinados pela via intramuscular, em comparação à via subcutânea.

12.609 – Com parceria com EUA, Butantan pode testar vacina contra zika em 2017


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O Instituto Butantan fechou uma parceria com o governo dos Estados Unidos e com a OMS (Organização Mundial da Saúde) para desenvolver uma vacina contra o vírus da zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. A expectativa, segundo o instituto, é que a vacina possa ser testada em humanos já no primeiro semestre de 2017.
O instituto receberá US$ 3 milhões (cerca de R$ 44,1 milhões) da Autoridade de Desenvolvimento e Pesquisa Biomédica Avançada (Barda, na sigla em inglês), órgão do Ministério da Saúde americano para as pesquisas de uma vacina da zika com o vírus inativado.
O repasse financeiro se dará por meio de acordo entre a Barda e a OMS para a expansão da capacidade de pesquisa e produção de vacinas no Brasil. De acordo com a Secretaria do Estado da Saúde, os recursos serão investidos em equipamentos e insumos para o desenvolvimento da vacina contra a doença. O acordo também prevê cooperação técnica entre os especialistas em vacinas da Barda e os pesquisadores do instituto.
Atualmente, pesquisadores do Butantan já trabalharam no processo de cultura, purificação e inativação do vírus em laboratório. Na fase atual, a instituição vai aplicar o vírus inativado em roedores. Os próximos passos envolvem testes de toxidade do produto em animais e análise de uma área industrial para a produção do imunobiológico.

MICROCEFALIA
O Ministério da Saúde divulgou novo boletim no qual o Brasil já registra 1.616 casos confirmados de bebês com microcefalia, quadro geralmente associado à ocorrência de uma má-formação no cérebro durante a gestação.
Desde outubro, quando o aumento de casos de microcefalia começou a ser investigado no país, até 18 de junho, data dos dados mais recentes disponíveis, já foram notificados 8.049 casos de bebês com suspeita da má-formação. O alerta ocorre quando o perímetro da cabeça do bebê é menor do que o esperado. Destes, 62,5% já passaram por exames para confirmar ou descartar o quadro.

INFLAMAÇÃO INTRAOCULAR
Além dos casos de microcefalia associados ao vírus, pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto publicaram a primeira descrição de uma inflamação intraocular em adultos causada pelo vírus.
Até então, acreditava-se que o vírus adquirido causasse apenas conjuntivite, que é uma inflamação da parte mais superficial do olho, e que somente a zika congênita (aquela que acomete bebês infectados na barriga da mãe) pudesse gerar lesões oculares mais graves.
Essa também é a primeira vez que o material genético do vírus foi isolado a partir de amostras de líquido de dentro do olho, o chamado humor aquoso, que fica na câmara anterior do órgão.

12.510 -Sequência genética do vírus da zika é achada em Cabo Verde


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“É a primeira vez que a cepa do vírus da zika, responsável pelas epidemias relacionadas com problemas neurológicos e microcefalia foi detectada na África”, disse a doutora Matshidiso Moeti, diretora regional da OMS para África, em uma coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça.
A cepa que circula pela América Latina é a versão asiática da zika, e foi detectada graças ao sequenciamento do vírus em casos clínicos em Cabo Verde.
“Os resultados são preocupantes porque são mais uma prova de que a epidemia se propaga para além da América do Sul e se encontra às portas da África”, disse Moeti. “Essa informação ajudará os países africanos a reavaliar seu nível de risco e a adaptar sua preparação.”
A OMS acredita que a cepa asiática do vírus chegou a Cabo Verde “por meio de um viajante”, acrescentou Moeti.
O doutor Bruce Aylward, diretor-geral adjunto da OMS, explicou que também existe uma cepa africana do vírus da zika, e que é difícil prever o que vai acontecer agora com esses dois surtos.
Em Cabo Verde foram detectados, até o dia 8 de maio, 7.557 casos suspeitos do vírus da zika e três casos de microcefalia, má-formação cerebral que pode limitar seriamente o desenvolvimento do bebê.

12.468 – Genética e Biotecnologia – Aedes ‘do bem’ pode combater dengue e zika


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O mosquito Aedes aegypti tem sido visto como o grande vilão da temporada. Se ele já era temido por transmitir a dengue, recentemente passou a ser o culpado pela disseminação de outros dois vírus no Brasil: chikungunya, transmitido pela primeira vez no país em setembro de 2014, e zika, identificado no país em abril.
Mas mosquitos Aedes modificados podem desempenhar um papel positivo na saúde pública, ajudando a combater em larga escala essas doenças no futuro. Atualmente, eles já são usados em bairros localizados em vários pontos do Brasil, mas sempre dentro de projetos de pesquisa. Conheça os Aedes aegypti “do bem”:
AEDES AEGYPTI GENETICAMENTE MODIFICADOS
Mosquitos geneticamente modificados, ou transgênicos, produzidos pela empresa britânica Oxitec já foram liberados no Brasil em dois bairros da cidade de Juazeiro – Ituberaba e Mandacaru – e em um bairro da cidade de Jacobina, ambas na Bahia. Nessas áreas, o projeto foi liderado pela Universidade de São Paulo e pela organização Moscamed, com apoio da Oxitec. Em março, o mosquito também passou a ser liberado em Piracicaba.
“Em todas as regiões, temos alcançado uma supressão do mosquito selvagem acima de 90%”, afirma Glen Slade, diretor de desenvolvimento de negócios da Oxitec.
Como funciona?
A tecnologia funciona da seguinte maneira: no laboratório, ovos dos Aedes aegypti recebem uma microinjeção de DNA com dois genes, um para produzir uma proteína que impede seus descendentes de chegarem à fase adulta na natureza, chamado de tTA, e outro para identificá-los sob uma luz específica.
Só os machos são liberados na natureza. Eles procriam com as fêmeas selvagens –responsáveis pela incubação e transmissão dos vírus da dengue, chikungunya e zika. Elas vão gerar descendentes que morrem antes de chegarem à vida adulta, reduzindo a população total.
Os machos liberados na natureza só conseguem sobreviver até a vida adulta e procriar porque recebem, dentro do laboratório, um antibiótico chamado tetraciclina. Como essa substância não existe na natureza, seus descendentes morrerão.
Pronto para uso em larga escala?
“Estamos preparados e ansiosos para ir em frente cada vez mais rápido. O que estamos fazendo hoje pode ser feito em qualquer escala e de forma cada vez mais eficiente”, diz Slade. “Num país do tamanho do Brasil, não vamos eliminar, mas talvez em cidades isoladas poderá haver uma redução tão grande que será quase uma eliminação.”
Até o momento, os mosquitos transgênicos não têm registro na Anvisa, apenas aprovações para uso em projetos de pesquisa. Para Slade, porém, isso não impede que a estratégia seja usada de forma cada vez mais ampla. “A Anvisa está analisando nossa situação. Trata-se do primeiro mosquito geneticamente modificado, o que levanta perguntas novas, é uma situação nova. Não vejo um grande obstáculo em nossa situação atual em termos de darmos os próximos passos. Próximos projetos com caráter de pesquisa podem ser cada vez maiores”
Em nota, a Anvisa afirma que está analisando o material apresentado pela empresa em caráter prioritário, inclusive com consultas a outras agências reguladoras internacionais que estão tratando de questões semelhantes.
MOSQUITO COM BACTÉRIA WOLBACHIA
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também estão trabalhando no uso de “mosquitos do bem” para combater a transmissão de doenças pelo Aedes aegypti. A estratégia não envolve modificação genética, mas o uso da bactéria Wolbachia, que impede os mosquitos de transmitir o vírus da dengue. Assim como o projeto da Oxitec, o da Fiocruz – chamado “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil” – também tem caráter de estudo científico.
Se inicialmente o projeto era focado na eliminação da dengue, estudos feitos em laboratório comprovaram que a bactéria Wolbachia é capaz de reduzir a transmissão do vírus da febre amarela, do chikungunya e também atua sobre o vírus zika.
O objetivo é substituir toda a população de mosquitos da região para reduzir os casos de infecção pelos vírus. A bactéria Wolbachia não traz nenhum risco às pessoas, segundo os pesquisadores. Moreira explica que as pessoas já estão expostas a ela no dia a dia: 70% dos pernilongos, por exemplo, têm essa bactéria no organismo.

 

12.336-Como motos na Tailândia estão eliminando o mosquito Aedes Aegypti


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Há alguns meses que o avanço do vírus Zika e da dengue é motivo de preocupação em toda a América Latina.
Essas doenças são transmitidas pela picada do mosquito Aedes Aegypti, e os governos do Brasil e de toda a região estão tentando frear a reprodução do inseto.
A fundação Duang Prateep, na Tailândia, trouxe uma invenção inovadora, que utiliza as motos para pulverizar o repelente do mosquito. O aparelho, conectado ao cano de escape do veículo, utiliza o calor da máquina para aquecer um azeite especial que, ao ser ativado, mata os mosquitos em um raio de três metros de distância. Dessa forma, conforme as motos circulam pela cidade, elas eliminam aos poucos a propagação das doenças que transmitem as doenças.
Os mosquitos são os animais que causam mais mortes em seres humanos por ano. Em 2015, o contágio da dengue cresceu em 207% na Tailândia. No continente americano, os índices de propagação do vírus são alarmantes, por isso inovações como essa poderão melhorar significativamente a vida dos setores mais vulneráveis da sociedade.

12.273 – Mega Polêmica – Cientistas brasileiros criticam uso de peixe contra larvas do aedes


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Um grupo de cinco pesquisadores incluindo brasileiros e estrangeiros publicou uma carta na revista científica “Science” criticando o uso de peixes no controle das larvas de mosquito, notadamente o Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e febre amarela.
A espécie mais usada para essa finalidade é o Poecilia reticulata, também conhecido como “guppy” (barrigudinho) ou como “mosquito fish” (peixe mosquito).
É um peixe pequeno: as fêmeas, que podem chegar a seis centímetros de comprimento, são maiores que os machos, que atingem meros 3,5 cm. Nativo do norte da América do Sul (incluindo a Amazônia brasileira, mas não o resto do país) e do Caribe, ele foi descrito pela primeira vez na Venezuela.
A espécie hoje é comum em muitos países, seja por sua introdução acidental –o barrigudinho é popular em aquários domésticos–, seja proposital, como tentativa de controle de mosquitos.
“Diversos municípios brasileiros têm encorajado o uso de espécies não nativas do gênero Poecilia como forma de controle do A. aegypti, uma vez que eles comem suas larvas. Essa estratégia é equivocada”, escreveram os pesquisadores na carta, cujo principal autor é Valter M. Azevedo-Santos, do Laboratório de Ictiologia, Departamento de Zoologia, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP).
Os pesquisadores consideram que, por serem espécies invasivas, esses peixes afetam a biodiversidade dos rios e lagos, diminuindo a presença de espécies nativas. O Aedes aegypti, no entanto, também é uma espécie invasiva.
Embora esteja muito longe de ser um predador no topo da cadeia alimentar, o “barrigudinho” provoca estragos quando inserido. Ele pode, por exemplo, se alimentar de ovos de outras espécies, ou transmitir vermes aos peixes nativos. Essas interferências já foram observadas nos Estados americanos de Nevada, Wyoming e Havaí.
O pequeno peixe também é prolífico. Em vez de colocar ovos na água, os ovos de Poecilia são gestados dentro do corpo da mãe, e literalmente “ejetados” na hora do nascimento. Nascem minúsculos, pouco maiores que um grão de arroz, mas já aptos para nadar, se esconder e procurar comida (em suma, para tentar sobreviver).

12.256 – CITRONELA – PLANTA QUE COMBATE O MOSQUITO DA DENGUE


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A citronela é parecida com a erva cidreira, mas não pode ser ingerida. A grande vantagem é repelir qualquer tipo de mosca em 50m². A citronela é bastante conhecida pelos seus efeitos repelentes, principalmente contra mosquitos e borrachudos. Ela forma uma touceira densa, suas folhas são longas, com bordas cortantes e de coloração verde clara, idêntica ao capim-limão. Difere deste apenas pelo aroma, que é suave, com perfume de limão, ao contrário da citronela que é bastante forte, talvez até um pouco enjoativo. Ela contém grandes quantidades de óleo essencial Citronela, responsável por suas utilizações repelentes.
Pode ser plantada em vasos e jardineiras, assim como em canteiros adubados ou como bordadura em áreas grandes. O local de plantio da citronela deve ser favorável ao vento, para espalhar o odor que espanta o mosquito, sendo, ideal que seja plantado cada muda a um metro e meio de distância da outra em terreno com bastante sol. Ela apresenta efeitos alelopáticos positivos quando plantada em conjunto com outras plantas, repelindo pragas entre eles o mosquito da DENGUE. A planta apresenta mais de oitenta componentes que afugentam moscas e mosquitos. A essência da citronela é utilizada em perfumes, velas, incensos, repelentes, aroma terapia, desinfetantes e armazenagem de alimentos. O uso do óleo essencial diretamente sobre a pele pode provocar irritações. O bagaço de citronela pode ser utilizado na alimentação animal. Diz-se também que repele gatos de hortas e canteiros.
Deve ser cultivada a pleno sol, em solo fértil, bem drenável e enriquecido com matéria orgânica para uma boa produção. Seu crescimento é bastante rápido, o que pode requerer um desbaste periódico. Utilizar sempre luvas ao trabalhar com a citronela, pois as bordas das folhas produzem cortes superficiais na pele. Tipicamente tropical, não tolera frio intenso ou geadas. Multiplica-se facilmente pela divisão das touceiras.

ATENÇÃO: Não confundir com capim cidreira, a citronela tem as folhas maiores e o cheiro mais intenso, lembra eucalipto citriodora. NÃO DEVE SER INGERIDA EM FORMA DE CHÁ OU QUALQUER OUTRO MEIO.

DICA: Pode ser feito uma calda para limpar o chão, parapeitos de janelas, balcões. É SÓ PARA DESINFETANTE, A PESSOA NÃO DEVE INGERIR. Para fazer o desinfetante, picar as folhas e guardar em vidro escuro com álcool, durante 21 dias. Duas vezes ao dia, mexa o produto, chacoalhando levemente. Depois, diluir três colheres (sopa) em 1 litro de água e passar no chão. Todas as folhas que vão secando nas moitas corte com uma tesoura, faça picado e coloque no álcool, não jogue fora.
Deixar uma vasilha de ½ litro com duas gotas de essência de citronela no canto do quarto, o cheiro permanece à noite e o mosquito não se aproxima. Se todo mundo usar citronela dentro de casa, o hóspede indesejado (aedes – mosquito da dengue) não terá lugar para ficar (o mosquito odeia o cheiro que para nós é agradável).
Um repelente seguro para a saúde humana e animal.

12.252 – Saúde – Aedes, um mosquito do medo


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A melhor forma de prevenir os casos de microcefalia associados ao vírus zika é evitar que as mulheres engravidem neste momento.
É o que defende o ginecologista e obstetra Thomaz Gollop, 68, professor livre-docente de genética da USP e especialista em medicina fetal.
“A melhor forma de prevenir a microcefalia é não ter feto na barriga”, afirma. “É radical? Pode ser. Mas pode evitar um desastre maior.”
Mas isso não vai criar um pânico na população? “Pânico é dizer que tem alguém do Estado Islâmico na portaria do seu prédio”, diz ele.

Trecho da entrevista
A infecção por zika pode afetar o feto em qualquer período da gravidez [a hipótese é que o maior perigo seja no primeiro trimestre de gestação, mas não há estudos que garantam segurança no restante da gravidez].
Estamos entrando no verão, não temos controle adequado do mosquito Aedes aegypti. É melhor esperar até que tenhamos uma dimensão real dessa epidemia.

Tire suas dúvidas
O que é o vírus zika?
É um vírus da mesma família dos vírus da dengue e da febre amarela.
Foi isolado pela primeira vez em 1947 em primatas de Uganda, na floresta Zika. Por esse motivo tem essa denominação

Como é transmitido?
Por meio do Aedes aegypti, o mesmo vetor que transmite a dengue e a chikungunya

Quais os sintomas?
Mais de 80% dos casos são assintomáticos. Porém, o vírus pode causar febre, manchas avermelhadas no corpo, irritação nos olhos, dores nas articulações, musculares e de cabeça. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem entre 3 a 7 dias

O zika tem relação com os casos de microcefalia?
A partir dos exames realizados no caso de um bebê, no Ceará, o Ministério da Saúde confirmou no sábado (28) a relação do zika com casos de bebês com microcefalia

Essa relação era conhecida?
Não existe relatos na literatura médica mundial sobre essa relação. Segundo o Ministério da Saúde, essa é uma situação inédita na pesquisa científica mundial

O que é a microcefalia?
É uma má-formação cerebral, que faz com que o crânio não se desenvolva normalmente. Crianças afetadas nascem com circunferência da cabeça menor do que 33 cm. Pode afetar o desenvolvimento, causando dificuldades cognitivas, motoras e de aprendizado

Quantos casos de microcefalia foram notificados neste ano? E em 2014?
Até 28 de novembro, foram notificados 1.248 casos suspeitos de microcefalia, identificados em 311 municípios de 14 Estados. Pernambuco tem o maior número de notificações, 646. Em todo o NE, os números estão acima do esperado. Em 2014, foram 147 casos no país

8 Em quais Estados há número de casos confirmados acima do esperado?
Em todo o Nordeste

Há exames disponíveis para detectar o vírus?
O Estado de São Paulo anunciou que ofertará o teste no SUS nas próximas semanas. O laboratório Fleury planeja oferecer o teste em 15 dias.

Planos de saúde devem cobrir o teste?
O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) afirma que a operadora não pode se negar a oferecer cobertura apenas porque um exame não está no rol de procedimentos. Caso o cliente tenha dificuldades, pode reclamar à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e exigir a realização do serviço

Como se proteger?
Elimine criadouros do Aedes aegypti. No caso das gestantes, use calça e camisa de manga comprida e repelentes permitidos para o período da gravidez

É seguro engravidar?
Apesar do ministro da Saúde, Marcelo Castro, ter dito que “sexo é para amador, gravidez é para profissional”, o ministério não faz a recomendação para que a gravidez seja evitada nesse período, mas sim que as gestantes procurem um médico com antecedência. Especialistas, porém, dizem que mesmo onde não há surto de microcefalia e circulação do zika o melhor é evitar

Qual período da gestação é mais suscetível à ação do vírus?
Segundo o relato dos casos atendidos até o momento, as gestantes cujos bebês desenvolveram a microcefalia tiveram os sintomas do vírus zika no primeiro trimestre da gravidez

Como o vírus afeta o cérebro do bebê?
A principal hipótese é que cause uma inflamação nos vasos sanguíneos e no tecido cerebral, o que leva à atrofia. Os exames mostram que há uma redução dos gomos cerebrais, ficando com um cérebro de aspecto liso. Depois aparecem calcificações e dilatações dos ventrículos laterais e, por fim, a microcefalia

Como denunciar os focos do mosquito?
Quando um foco do mosquito Aedes aegypti é detectado e não pode ser eliminado pelos moradores de um local, a Secretaria Municipal de Saúde deve ser acionada

Mas todas as mulheres do país, inclusive as paulistas?
Todas elas. É radical? Pode ser. Mas pode evitar um desastre maior. Se eu tivesse uma filha, seria o conselho que daria. Não é o momento para engravidar, independentemente do lugar onde mora no país. Há risco em potencial em toda a gravidez.
Não temos vacina para prevenir, não existe tratamento para essas crianças, só terapias de suporte. Depois, não adianta ficar fazendo um monte de ultrassom. Isso não muda nada. As sequelas nas crianças são para a vida toda.

12.249 – Saúde – Ações para deter a epidemia do vírus Zika


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Aedes, transmissor da febre amarela e da dengue e zika vírus

No Brasil, estima-se que mais de um milhão de pessoas foram contaminadas pela doença, que tem sintomas semelhantes aos da dengue e que pode desenvolver microcefalia em recém-nascidos de mães que contraíram o vírus durante a gravidez. A microcefalia é uma condição neurológica que impede o desenvolvimento da cabeça dos bebês.
Hoje, a Dinamarca entrou para a lista de 24 países que já registraram casos de contaminação pelo vírus e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se reuniu com representantes do Ministério da Saúde para pedir pressa no desenvolvimento de uma vacina.
Descubra o que é possível fazer para evitar uma grave epidemia da doença, enquanto nenhuma vacina foi desenvolvida:

Monitoramento
Para evitar que o vírus continue se alastrando por diversos países, é preciso que os governos possam identificar pessoas que viajaram a nações em que a doença está em estado de epidemia. Como tem sintomas muito semelhantes a outras patologias, os médicos precisam estar atentos e bem informados sobre as condições do zika. Educar os profissionais de saúde é um importante passo no monitoramento do desenvolvimento da doença.

Informar
O governo brasileiro anunciou uma megaoperação a ser realizada pelo Exército. Cerca de 220 mil homens das Forças Armadas passarão de casa em casa para informar a população sobre a gravidade da doença, a importância da prevenção e como fazê-la. Comentaristas de política externa já afirmam que outros países do continente americano precisam começar a pensar em ações semelhantes para que a doença não atinja os níveis que atingiu em solo brasileiro.

Programas de prevenção
No século XX, diversos países ocidentais organizaram campanhas para a erradicação do mosquito. Os números de doenças causadas por eles caíram drasticamente, mas os projetos não foram mantidos e o Aedes aegypti ganhou terreno de novo. Janet McAllister, pesquisador do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, defende que ações como as que aconteceram antes sejam retomadas, sobretudo em comunidade periféricas, com menos instrução e infraestrutura para realizar a prevenção.

Preocupação com a gravidez
As administrações públicas também precisam se preocupar urgentemente em informar mulheres grávidas que desejam viajar para países onde o vírus está epidêmico sobre as consequências que a doença pode ter no bebê. Uma lista preparada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) compilou países que oferecem riscos às grávidas: Barbados, Bolívia, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana Francesa, Guadalupe, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Suriname e Venezuela.

Entender o vírus
Por fim, mas não menos importante, é preciso uma comoção internacional de cientistas e pesquisadores com o intuito de estudar o vírus Zika. Até o momento, a comunidade científica ainda não entendeu como a doença afeta os embriões, nem tem uma lista completa e definitiva com os sintomas do Zika. Esse desconhecimento é alarmante a esta altura do campeonato.

12.221- Mega Byte – Facebook lança campanha de prevenção ao Zika vírus


face zica
O Facebook lançou uma campanha de conscientização dos usuários que incentiva o combate ao mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, da chikungunya e do Zika vírus. O primeiro vídeo da campanha #saizika foi divulgado em português e possui legenda em inglês.
Nele, são listadas medidas de prevenção ao mosquito, como o uso de repelentes, a instalação de telas e a limpeza de possíveis locais para a reprodução do mosquito.
“Como uma comunidade, nós podemos ajudar a combater o vírus Zika através da sensibilização. O Facebook fez uma parceria com a organização sem fins lucrativos Abrasco Divulga no Brasil, como parte de um esforço que também vai ser divulgado pela América Latina. O Zika virus se espalhou por mais de 20 países e é um dos maiores desafios de saúde pública no momento. Para as mulheres grávidas que contraem o vírus, a doença tem sido associada a danos cerebrais em seus bebês. O vírus é transmitido por mosquitos e não existem medicamentos para tratar ou prevenir o vírus ainda, então agora a coisa mais importante é tentar evitar picadas de mosquito. Aqui está um vídeo da nossa campanha que nós esperamos que fornece informações valiosas para gestantes”, afirma Zuckerberg em sua página.

12.203 – Zika se espalha pelas Américas de forma explosiva, diz OMS


A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um alerta dizendo que o vírus Zika está se “espalhando de forma explosiva” no continente americano, e que 4 milhões de pessoas podem ser infectadas até o final de 2016.
A organização pode declarar estado de emergência na saúde pública nos primeiros dias de fevereiro. Desde maio de 2015, mais de 20 países registraram casos de Zika adquiridos localmente. Para evitar casos de microcefalia em bebês, o governo de El Salvador recomendou que as mulheres não engravidem por pelo menos dois anos.

Zika x Ebola
A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), regional da OMS na América do Sul, tem acompanhado a situação no Brasil desde os primeiros casos, mas recebeu críticas internacionais pela demora na ação contra a doença. Essas reclamações fazem eco com as críticas pela demora na contenção do ebola em 2014.
A situação atual, porém, é bastante diferente da ebola, doença com altos níveis de mortalidade. A Zika é um problema grave apenas para os bebês em gestação e para a minoria que desenvolve a síndrome de Guillain-Barré. Mas a relação entre o vírus e a síndrome ainda não foi profundamente estudada. Por isso, representantes da OMS têm classificado a doença como preocupante, mas não alarmante, para não causar pânico generalizado.
Vacina
Em relação a uma vacina contra a doença, o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (EUA), Anthony Fauci, afirmou que pesquisas já estão em desenvolvimento, mas que é improvável que uma vacina fique pronta até o final do ano. [The New York Times, Vox]

12.202 – Quase 4.000 bebês nascem com cabeças malformadas no meio da epidemia do Zika Vírus


Embora as autoridades ainda não tenham certeza, cada vez mais a evidência sugere que o vírus da Zika está relacionado com um distúrbio do desenvolvimento raro.
Aqui no Brasil, país mais atingido pela epidemia, quase 4.000 bebês nasceram com cabeças anormalmente pequenas desde que as investigações começaram em outubro, um aumento de 2.500% em comparação com 2014, que viu 150 casos.

Microcefalia
A condição, conhecida como microcefalia, é muitas vezes resultado do cérebro ser subdesenvolvido e menor do que o normal. Os sintomas variam de leves problemas de visão e audição até deficiência mental grave ou, no pior dos cenários, morte. Mulheres infectadas às vezes sofrem abortos naturais.
O que causa esse defeito de nascimento ainda não está claro. O vírus que causa a rubéola já foi um suspeito, mas o Zika é a possibilidade mais preocupante.
A ligação entre o vírus e a microcefalia não foi definitivamente comprovada, mas, na ausência de outras sugestões e do aumento chocante de casos no Brasil, combinado com diagnósticos positivos do Zika em alguns afetados, essa é a melhor explicação para o surto.

Necessidade de vacina
A maioria dos indivíduos infectados nem sequer adoecem. Logo, a ausência de uma vacina ou tratamento significa que a atual epidemia é particularmente preocupante para mulheres grávidas.
No momento, alguns países, como o Brasil, estão recomendando que as mulheres evitem engravidar, o que certamente não é uma solução a longo prazo.
As autoridades brasileiras têm investido no desenvolvimento de uma vacina, mas enquanto isso as pessoas devem se concentrar em estratégias de prevenção simples. O Zika Vírus é transmitido pelo mesmo inseto que espalha a dengue, o Aedes aegypti. Este mosquito pica principalmente durante o dia, assim é interessante usar repelentes e remover poças de água parada nas proximidades, que servem como criadouros.
Para eliminar o inseto, partes do país já têm criado estratégias diferentes, como o uso de mosquitos geneticamente modificados. Na cidade paulista de Piracicaba, por exemplo, uma queda de 82% nas larvas do Aedes aegypti foi observada em nove meses. Os insetos modificados contêm um gene que faz a prole morrer antes de atingir a idade reprodutiva, uma alternativa ecológica aos pesticidas.

Se espalhando pelo mundo
Enquanto o Brasil foi o local mais duramente atingido pelo Zika, outros países também estão sofrendo com o vírus.
A Colômbia, por exemplo, tem mais de 13.500 pessoas infectadas. Estranhamente, no entanto, até agora não houve casos de microcefalia documentados no país, apesar do fato de que há 560 mulheres grávidas entre os infectados.
Fora da América Latina, EUA, Reino Unido, Espanha, Portugal e Israel também notificaram casos do vírus, todos de pessoas que tinham viajado para países afetados pelo Zika. [IFLS, FolhaSP]

12.201 – Pesquisadores liberam centenas mosquitos da dengue infectados com bactéria


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Pesquisadores brasileiros libertaram para o ar vários mosquitos infectados com uma bactéria que os impede de transmitir a dengue a seres humanos.
Dessa forma, os cientistas esperam combater essa doença tropical naturalmente.
Estima-se que cerca de 390 milhões de pessoas tenham dengue a cada ano. A condição não possui cura, e fica pior se o paciente a contrai mais de uma vez.
No ano passado, uma epidemia da doença atingiu o Brasil e o número de casos de dengue subiu incríveis 290%, constituindo um sério problema de saúde.
Agora, a esperança de diminuir gradativamente as infecções aparece na forma de uma bactéria: a Wolbachia.
Cientistas do instituto de pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com sede no Rio de Janeiro, soltaram para o meio ambiente mosquitos da dengue infectados com a Wolbachia, que pode bloquear a doença altamente infecciosa de chegar nos insetos e ser passada para os seres humanos.
O ato faz parte de um projeto global iniciado pela Austrália chamado “Eliminate Dengue: Our Chalange” (em português, “Eliminar a Dengue: Nosso Desafio”). A mesma ação também está ocorrendo na Austrália, no Vietnã e na Indonésia.
A partir de agora, 10 mil mosquitos Aedes aegypti serão liberados toda semana durante três ou quatro meses no bairro de Tubiacanga, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.
Nos próximos anos, outros três bairros devem receber os mosquitos com a bactéria: Urca e Vila Valqueire, no Rio de Janeiro, e Jurujuba, em Niterói.
Espera-se que as bactérias serão passadas através de gerações de mosquitos e, eventualmente, acabem com a habilidade dos insetos de espalhar a dengue. [MedicalXpress, G1]