8490 – Esporte – Como é feito o exame antidoping?


Ele acontece logo depois das provas. Todos os testes são feitos a partir de amostras de urina. E há basicamente quatro tipos de substâncias proibidas. Elas começam pelos estimulantes, que excitam o sistema nervoso. É o caso das anfetaminas. Mais comuns são os anabolizantes. Usados durante os treinamentos físicos, eles alteraram o metabolismo, fazendo a massa muscular crescer mais do que o normal. Outra categoria proibida é a das substâncias calmantes, que inclui álcool e maconha. O problema é que, em pequenas doses, elas relaxam os nervos. E isso pode dar alguma vantagem em competições como o tiro.
Diuréticos, que eliminam água do organismo, também são vetados. É que eles servem tanto para tirar vestígios de doping como para diminuir o peso de lutadores que tentam competir em categorias de peso abaixo das suas. Além do uso de drogas, enfim, há mais três proibições: injetar sangue, que dá mais fôlego por aumentar o número de glóbulos vermelhos, manipular saquinhos de urina – por motivos óbvios – e o doping genético – estimular órgãos e tecidos com proteínas ou vírus modificados. Isso, na verdade, ainda não foi bem desenvolvido, mas, virtualmente impossível de ser detectado, tem tudo para vingar.

Nos esportes individuais, como o atletismo, os quatro primeiros colocados de cada modalidade são convocados para o exame. Nos coletivos são escolhidos aleatoriamente alguns integrantes das equipes vencedoras. O número de testes sempre aumenta nas provas finais.
A equipe que coleta a urina pode incluir membros do COI, representantes da federação do atleta e médicos. O sujeito preenche um formulário com o nome das substâncias que teria consumido. E escolhe um frasco vazio para urinar
Pelo menos um dos representante do COI deve olhar o atleta fazendo xixi. Não vale pedir licença ou se esconder enquanto enche o frasco – no mínimo 65 ml. Se o examinado ficar constrangido, pode levar um acompanhante
O frasco é enviado para um laboratório. E o resultado vai para o presidente do Comitê Antidoping do COI. Só ele tem a lista que relaciona o laudo ao atleta. Se der positivo, pede-se uma contraprova. Se o resultado for o mesmo, o atleta é desclassificado.

8489 – Qual a diferença entre bilhar e sinuca?


Bilhar é o nome genérico que a gente dá para vários jogos de mesa que utilizam tacos e bolas. A sinuca é justamente um desses jogos de mesa. Para simplificar, dá para dizer que a sinuca está para o bilhar assim como o vôlei de praia está para o vôlei. Mas a coisa é um pouco mais complicada, porque a modalidade mais antiga dos jogos de bilhar obviamente também se chama… bilhar! A versão mais difundida é que essa modalidade primitiva de bilhar surgiu de um jogo francês chamado croqué, disputado nos gramados dos palácios franceses do século 15. Com uma espécie de martelo, os jogadores impulsionavam bolas por entre arcos e buracos. No inverno, a neve impedia o jogo – por isso, ele teria sido levado para os salões e jogado sobre uma mesa. Mais de 300 anos depois, em 1875, um coronel do exército inglês modificou algumas regras do bilhar e inventou a sinuca internacional ou snooker. Por aqui, o jeitinho brasileiro deu cara nova à sinuca quando ela aportou no país, no começo do século 20. “No salão de sinuca, os malandros desafiavam outros jogadores apostando cervejas. Para conseguir vencer mais adversários e faturar alto, os malandros encurtaram a duração tirando bolas da mesa de jogo. Nascia a sinuca brasileira, com apenas uma bola vermelha”, afirma o coordenador da Federação Paulista de Bilhar e Sinuca, Luiz Admir Fraisoli. Ao lado, a gente explica, de uma tacada só, as principais diferenças entre o bilhar, o snooker e a sinuca brasileira.

SNOOKER

Número de bolas: 13, 17 ou 22 (sendo 6, 10 ou 15 vermelhas)

Dimensões da mesa: 2,84 m x 1,42 m (13 ou 17 bolas) ou 3,66 m x 1,83 m (22 bolas). Tem seis caçapas

Como é o jogo: No início, o jogador deve matar as bolas vermelhas, que valem um ponto cada, podendo intercalar matando as outras coloridas, que valem de dois a sete pontos. Terminadas as vermelhas, o jogador deve matar as numeradas em seqüência. Vence quem fizer mais pontos quando todas as bolas estiverem nos buracos.

BILHAR OU CARAMBOLA

Número de bolas: 3 (vermelha, amarela e branca)

Dimensões da mesa: 2,84 m x 1,42 m. É a única mesa que não tem caçapas

Como é o jogo: Um jogador joga com a amarela e outro com a branca. A vermelha é a bola neutra. O objetivo é fazer sua bola bater nas outras duas na mesma tacada — isso vale um ponto. Vence quem chegar a 20 pontos primeiro. Também conhecido como carambola, o bilhar sobrevive até hoje em algumas cidades do interior brasileiro.

SINUCA BRASILEIRA

Número de bolas: 8 (vermelha, amarela, verde, marrom, azul, rosa, preta e branca)

Dimensões da mesa: 2,84 m x 1,42 m. Tem seis caçapas

Como é o jogo: O objetivo é encaçapar as bolas coloridas, que seguem uma seqüência com pontuação predeterminada — a vermelha vale um ponto, a amarela vale dois e assim por diante. Se matar a bola “da vez”, o jogador pode matar outra fora da seqüência, mas perde pontos se errar. Vence quem tiver o maior placar quando todas as bolas forem encaçapadas.

8488 – Qual seria a seleção brasileira de todos os tempos?


A Dupla Imbatível
A Dupla Imbatível

Depois de ouvirmos a opinião de oito cronistas esportivos e dos craques Casagrande e Falcão, montamos nosso time dos sonhos. Deu uma equipe bem ofensiva: Gilmar, no gol, Carlos Alberto Torres e Nílton Santos nas laterais, os zagueiros Mauro Ramos de Oliveira e Luís Pereira. No meio de campo, Falcão, Didi e Rivelino. E no ataque, três goleadores: Pelé, Garrincha e Romário. Para comandar essas estrelas, escalamos o técnico Telê Santana. O curioso é que, na votação, nenhum jogador foi unanimidade. Nem mesmo Pelé, que recebeu oito votos. “O Pelé não pode entrar numa seleção dessas, tem de estar no time do universo”, afirma o comentarista Mauro Beting, que, como Casagrande, decidiu deixar o “rei” de fora do time dos sonhos. A disputa mais acirrada ocorreu no meio de campo e no ataque. Gérson, Rivelino, Tostão, Romário e Ronaldo “Fenômeno” receberam quatro votos. Corremos o risco da injustiça e optamos por Rivelino e Romário. Deixamos para sua imaginação a missão quase impossível de tentar achar adversários para esse supertime!

MAURO RAMOS DE OLIVEIRA (zagueiro)

COPAS – 1954, 1958 e 1962

Mauro foi o maior zagueiro do São Paulo, time que defendeu de 1948 a 1960, e do Santos, onde faturou o mundial interclubes em 1962 e 1963. Na Copa de 1958, foi reserva, mas, em 1962, brilhou como capitão e levantou a taça do bicampeonato

LUÍS PEREIRA (zagueiro)

COPA – 1974

Com 34 gols em 562 partidas, “Luisão” liderou o Palmeiras em sua fase mais vitoriosa, levando o caneco do Brasileirão em 1972e 1973. Desengonçado, tinha as pernas tortas e os pés virados para dentro, o que não diminuía em nada sua habilidade

CARLOS ALBERTO TORRES (lateral-direito)

COPA – 1970

Virando jogador contra a vontade do pai, o “capitão do tri” na Copa de 1970 cansou de ganhar títulos entre 1965 e 1970 e de 1972 a 1975, quando jogou pelo Santos. Em 2000, foi eleito pela Fifa como melhor lateral-direito da história

GILMAR DOS SANTOS NEVES (goleiro)

COPAS – 1958, 1962 e 1966

Único goleiro do país a ganhar duas Copas do Mundo, em 1958 e 1962, Gilmar também foi bi-mundial de clubes pelo Santos, em 1962 e 1963. Conhecido pela segurança e pela calma, jogou 18 anos e levantou 22 taças

NÍLTON SANTOS (lateral esquerdo)

COPAS – 1950, 1954, 1958 e 1962

Apelidado de “enciclopédia do futebol” pelo vasto repertório de jogadas, Nílton Santos inaugurou um novo papel para o lateral, fazendo lançamentos precisos, subindo ao ataque e marcando gols. Pela seleção, foi bicampeão em 1958 e 1962

TELÊ SANTANA (técnico)

COPAS – 1982 e 1986

Ganhou o rótulo de pé-frio por ter perdido as Copas de 1982 e 1986, mas encantou ao montar times que jogavam bonito “e sem violência. Como treinador de clubes, Telê ganhou mais de 15 títulos, incluindo o bi mundial com o São Paulo, em 1992 e 1993

RIVELINO (meio campo)

COPAS – 1970, 1974 e 1978

Grande ídolo de Diego Maradona, o “reizinho do parque” foi um dos melhores jogadores da história do Corinthians e mandou muito bem na Copa de 1970, marcando três gols. Seu chute potente foi apelidado de “patada atômica” pela torcida

PELÉ (atacante)

COPAS – 1958, 1962, 1966 e 1970

“Rei” do futebol, atleta do século, tricampeão pela seleção e bi pelo Santos. Recordista de gols (1 281) e de títulos (57). Em um rasgo de humildade, ele mesmo admitiria: “Pelé é coisa de Deus, é difícil explicar, não vai nascer mais”. Difícil discordar

FALCÃO (volante)

COPAS – 1982 e 1986

O maior jogador da história do Inter de Porto Alegre conduzia a bola sempre de cabeça erguida, procurando a melhor jogada. Arrebentou na Copa de 1982 e foi eleito o segundo melhor do mundo, atrás apenas do carrasco italiano Paolo Rossi

ROMÁRIO (atacante)

COPAS – 1990 e 1994

Herói do tetra na Copa de 1994, o “baixinho” fez mais de 800 gols na carreira e estufou as redes 70 vezes na seleção — com a amarelinha, ele só fica atrás de Pelé. “É o maior jogador que eu vi jogar dentro da área”, diz o comentarista Juca Kfouri

DIDI (meio-campo)

COPAS – 1954, 1958 e 1962

Apelidado de “príncipe etíope” pela elegância e classe no meio campo, Didi fez 21 gols com a camisa da seleção e foi considerado o melhor jogador da Copa de 1958. Na final, sua liderança foi fundamental na virada por 5 a 2 contra a Suécia

GARRINCHA (atacante)

COPAS – 1958, 1962 e 1966

Com seus dribles desconcertantes, Garrincha brilhou na Copa de 1962, quando anotou 4 gols e liderou o time ao título. Com Pelé, “Mané” construiu um dos grandes tabus da seleção: com ele e o “rei” em campo, o Brasil nunca perdeu um jogo

Juri: Alberto Helena Jr. (Diário de São Paulo), Casagrande (TV Globo), Falcão (TV Globo), Juca Kfouri (CBN e Rede Cultura), Mauro Beting (Rádio Bandeirantes e BandSports), Paulo César Vasconcellos (ESPN), Paulo Vinícius Coelho (ESPN), Roberto Avallone (Rede TV!), Ruy Carlos Ostermann (Zero Hora e Rádio Gaúcha) e Sérgio Xavier (Placar)

☻ Mega Opinião
Grande ausente desta seleção: Artur Friedheich

8487 – Mega Almanaque – Quem inventou o pebolim?


Um espanhol e um alemão disputam a paternidade do jogo. O espanhol que jura ter inventado o pebolim é Alejandro Campos Ramirez, hoje com 86 anos. Em 1936, após ser ferido por uma bomba na Guerra Civil Espanhola, Alejandro teria criado o jogo num hospital, inspirado no tênis de mesa. Já os alemães sustentam que o inventor é Broto Wachter, que comercializou a mesa pioneira de pebolim nos anos 1930. A criação do alemão tinha quase o mesmo tamanho da atual. A diferença é que tudo era de madeira: as barras, a bola e os “jogadores”, pequenos retângulos sem a forma de bonequinhos. Atrás do gol, ficava um saco para não deixar as bolas caírem. Só para comparar, hoje os jogadores são de plástico e as mesas mais iradas têm barras de titânio e até placar eletrônico! Ao Brasil, o esporte chegou na década de 1950, provavelmente trazido por imigrantes espanhóis. Difícil mesmo foi encontrar um nome único para a coisa: em São Paulo, o jogo é chamado de pebolim. No Rio Grande do Sul, de fla-flu. No Rio de Janeiro e em outros estados, é o famoso totó. No resto do mundo, é a mesma confusão: nos Estados Unidos, o esporte é chamado foosball. Na Espanha, futbolín. Na Argentina, metegol. E em Portugal, matraquilhos. Não existe um campeonato mundial de pebolim, mas alguns torneios americanos reúnem participantes de todo o mundo, pagando até 130 mil dólares em prêmios. O Brasil nunca venceu um desses grandes torneios internacionais. No futebol de pauzinhos, quem dá a bola são Estados Unidos, Alemanha, França e Japão.

GOL QUE ENTRA E SAI VALE?

Sim, pelo menos no Brasil. Devido à forma das mesas brasileiras, é comum o cara enfiar um petardo, a bola bater no fundo do gol e voltar. Nos Estados Unidos e em outros países, o fundo do gol é mais distante e a bola raramente volta depois de uma bicuda

PODE GIRAR A BARRA?

Em jogos oficiais, não. A mão do jogador não pode sair da manopla. Ou seja, só é possível dar um giro de 360 graus. Quando ocorre a irregularidade, a bola passa para o adversário. Ele pode colocá-la na sua defesa ou no pé de um de seus jogadores na região da falta.

8486 – Esporte – O que mudou nas regras do futsal nos últimos 20 anos?


Praticamente tudo. Antes das mudanças, a bola era bem menor e mais pesada, existiam bandeirinhas, cobrava-se lateral com as mãos, o juiz dava acréscimo ao tempo de jogo e por aí em diante. Tudo era muito parecido com as regras do futebol de campo, que imperaram desde o início do bate-bola nas quadras (na década de 30) até 1989, quando a Fifa assumiu a modalidade. Naquele ano, o futebol de salão, popular na América do Sul, e o futebol cinco, praticado na Europa, foram fundidos e ganharam o nome de futsal. E a revolução nas regras começou: a área ficou maior, os bandeirinhas foram banidos, o goleiro passou a jogar com os pés, liberou-se o gol dentro da área, acabou o limite de cinco substituições, surgiu o tiro livre após a quinta falta coletiva… Boa parte dos especialistas, dos fãs e dos craques aprovou o troca-troca. “O jogo ganhou dinamismo e criatividade, deixando o futsal mais atrativo. Só não gostei muito da mudança do lateral: acho que a reposição com as mãos dava mais emoção”, afirma o craque brasileiro Manoel Tobias, considerado o “Pelé das quadras”. Hoje, o esporte é um dos que mais crescem no mundo – em 96, apenas 46 países disputaram as eliminatórias para o campeonato mundial. Atualmente, a Fifa já tem 130 afiliados. O próximo desafio é transformar o futsal em esporte olímpico. O passo decisivo pode ser o 8º Campeonato Mundial, que acontece a partir do dia 21 deste mês em Taiwan. A competição será transmitida para o mundo todo e promete ser a mais equilibrada da história. Os brasileiros, pentacampeões, eram praticamente imbatíveis até 2000, quando perderam o título para a Espanha. Além desses dois favoritos, italianos, argentinos e até ucranianos têm times fortes para sonhar com o caneco.

SUBSTITUIÇÃO LIBERADA

Antes das mudanças, cada time só tinha direito a cinco substituições por jogo — assim como no campo, quem saía não podia mais voltar. A partir de 1995, acabou esse limite e nasceu a “troca volante”: as substituições acontecem com a bola rolando, o jogador pode entrar quantas vezes o técnico quiser e não precisa mais da autorização do juiz para começar a jogar.

Em 1997, a Fifa deixou a bola do jogo maior e mais leve — a circunferência aumentou de 62 para 64 centímetros e o limite de peso baixou de 500 gramas para 440 gramas. As partidas ficaram mais rápidas e dinâmicas: surgiram lances de efeito, como chapéus e voleios, improváveis na era da bola pesada.

ÁREA ALTERADA

Até o início da década de 90, gols dentro da área eram proibidos. Assim que assumiu o futsal, a Fifa acabou com essa proibição e aumentou a área – a distância entre as traves e a linha da área passou de 4 para 6 metros. A marca do pênalti, que ficava a 7 metros do gol, foi colocada na linha da área, 1 metro mais perto.

GOLEIRO-ARTILHEIRO

Antes, o goleiro não podia tocar na bola fora da área nem lançá-la no campo do adversário — a bola tinha que quicar antes no campo de defesa. Pelas novas regras, ele ganhou o direito de lançar a bola além do meio da quadra e de jogar com pés, inclusive fora da área. Com isso, o goleiro virou um curinga, descendo ao ataque e até fazendo gols.
Para punir a violência, uma regra antiga que existe até hoje manda para o chuveiro quem cometer mais que cinco faltas. Depois da quinta falta coletiva, a cobrança é sem barreira. Em 2000, a Fifa complementou a regra, determinando que as faltas sem barreira fossem cobradas da marca de tiro livre, a 10 metros do gol. É quase um pênalti!

REPOSIÇÃO POLÊMICA

Até 1989, laterais e escanteios eram cobrados com as mãos e geravam muitos gols aéreos — as regras antigas permitiam estufar as redes de cabeça dentro da área. Hoje as saídas de bola são repostas com os pés, uma mudança que causou polêmica: o adversário pode ficar a 3 metros do cobrador, dificultando os lançamentos longos.

CARTÕES MUTANTES

No futsal, o cartão amarelo serve como advertência, igualzinho ao campo. O vermelho também significa expulsão, mas com uma diferença: depois de dois minutos desfalcada, a equipe pode colocar outro jogador. Durante alguns anos, também existiu o cartão azul, que eliminava o infrator, mas permitia que um reserva entrasse no seu lugar imediatamente.
Desde a década de 30, o futsal herdou do campo os bandeirinhas. Mas pense bem: como não há impedimento, a função deles era só marcar a saída de bola. Os cartolas chegaram a essa mesma conclusão e trocaram o trio de arbitragem por uma dupla de juízes. Cada um apita de um lado da quadra, mas um deles tem a palavra final nas marcações polêmicas.

8485 – Futebol – Quais os craques vira-casacas mais polêmicos do Brasil?


futebol

A troca de craques entre times rivais é tão antiga quanto o próprio futebol brasileiro. Em 1911, por exemplo, dez jogadores insatisfeitos no Fluminense deixaram o clube para criar o departamento de futebol do Flamengo. Já o primeiro gol da história do Palmeiras, em 1915, foi marcado por um ex-corintiano chamado Bianco Gambini.

É claro que torcedores e cartolas sempre olharam feio para essas “traições”. No Rio Grande do Sul, o tabu era tão grande que a primeira troca direta de um jogador entre o Grêmio e o Internacional só aconteceu em 1989, quando o meia Bonamigo saiu do Olímpico e foi defender o Colorado sem passar por nenhum outro time antes.

Hoje tais transferências são encaradas como algo mais normal. Porém, para esquentar um pouco essa saudável rivalidade, reunimos aqui seis craques em atividade no Brasil e que já jogaram por clubes arquiinimigos. É hora de comparar como eles se saíram defendendo cada equipe e descobrir as torcidas que tiraram mais proveito de tanto troca-troca polêmico.

Romário
Revelado pelo Vasco em 1985, o “Baixinho” passou alguns anos na Europa e voltou ao Brasil logo para o arqui-rival dos vascaínos, o Flamengo. Em 2002, virou a casaca novamente, indo para o Fluminense. Tanta mudança de time deixou alguns revoltados pelo caminho. “O Romário desrespeitou o clube que o projetou e isso quebrou o encanto”, diz o torcedor Marcelo Granzotto, da Força Jovem, principal torcida organizada vascaína. Já os flamenguistas aceitaram melhor o troca-troca e gostam de provocar os rivais lembrando as declarações de amor que Romário já deu pelo rubro-negro: “Apesar de começar no Vasco, o Romário é Flamengo. Ele saiu do clube duas vezes, mas sempre quis voltar”, diz José Carlos Peruano, presidente da Associação das Torcidas Organizadas do Flamengo (Atorfla). A paixão maior pode até ter sido pelo Flamengo, mas o desempenho em campo…

Um grande Baixinho no Vasco

Mais gols e mais títulos: ele foi melhor jogando no clube que o revelou

FLAMENGO

Período – 1995-1996 e 1997-1999

Jogos* – 240

Gols* – 204

Títulos – Campeonato Carioca (96 e 99) e Copa Mercosul (99)

VASCO

Período – 1985-1988 e 1999-2002

Jogos* – 331

Gols* – 252

Títulos – Campeonato Brasileiro (2000), Campeonato Carioca (87 e 88) e Copa Mercosul (2000)

FLUMINENSE

Período – desde 2002

Jogos* – 74

Gols* – 47

Títulos – Campeonato Carioca (2002)

DO VASCO PARA O FLAMENGO…

• Almir, atacante, anos 60

• Edmundo, atacante, anos 90

• Felipe, meia, anos 2000

…E DO FLAMENGO PARA O VASCO

• Bebeto, atacante, anos 80

• Petkovic, meia, anos 90

• Jorginho, lateral-direito, anos 2000

Edílson
Apelidado de “Capetinha”, Edílson infernizou os adversários do Palmeiras durante três temporadas, de 1993 a 1995. Chegou inclusive a ganhar três títulos em cima do rival Corinthians (Paulista-93, Rio-São Paulo-93 e Brasileiro-94). Em 1997, porém, após um período no exterior, resolveu mudar de lado e passou a defender as cores preta e branca dos corintianos. No começo, foi visto com desconfiança pelos ex-rivais, mas após ganhar uma porção de títulos — inclusive o polêmico Mundial da Fifa — e ainda provocar os palmeirenses ao fazer “embaixadinhas” na final do Campeonato Paulista de 99, caiu de vez nas graças dos corintianos. Por isso, o hoje jogador do Vitória é lembrado com muito mais alegria pela “Fiel” que pelos palmeirenses.

“Capetinha” preto e branco

Com “embaixadinhas” e Mundial, ele fez os corintianos mais felizes

PALMEIRAS

Período – 1993-1995

Jogos* – 151

Gols* – 58

Títulos – Campeonato Brasileiro (93 e 94), Paulista (93 e 94) e Rio-São Paulo (93)

CORINTHIANS

Período – 1997-2000

Jogos* – 162

Gols* – 53

Títulos – Mundial da Fifa (2000), Campeonato Brasileiro (98 e 99) e Paulista (99)

DO PALMEIRAS PARA O CORINTHIANS…

• Leão, goleiro, anos 80

• Jorginho, meia, anos 80

• Neto, meia, anos 80 e 90

• Edmundo, atacante, anos 90

• Luizão, atacante, anos 90

• Rogério, volante, anos 2000

…E DO CORINTHIANS PARA O PALMEIRAS

• Dida, lateral-esquerdo, anos 80

• Édson, lateral-direito, anos 80

• Ribamar, meia, anos 80

• Carlos, goleiro, anos 90

• Rivaldo, meia, anos 90

• Viola, atacante, anos 90

Guilherme
Terceiro maior artilheiro do Atlético-MG — atrás de Reinaldo e Dario —, Guilherme surpreendeu a torcida do Galo ao se transferir para o Cruzeiro este ano após uma temporada na Arábia Saudita. Pior: logo no primeiro clássico entre os times, marcou dois gols… “A passagem pela Arábia aliviou um pouco a transferência para o Cruzeiro. Nos primeiros dias, foi complicado, mas o torcedor do Atlético ainda me respeita e o cruzeirense deixou de me hostilizar”, diz Guilherme, garantindo que pelas ruas de Belo Horizonte ouve muito mais pedidos de autógrafos que gritos de “traidor” ou mercenário. Talvez porque os atleticanos saibam que o Guilherme dos tempos do Galo é praticamente imbatível no número de gols marcados.

Galo na cabeça

Guilherme é “só” o terceiro maior artilheiro do Atlético. No Cruzeiro…

ATLÉTICO-MG

Período – 1999-2002 e 2003

Jogos* – 205

Gols* – 139

Títulos – Campeonato Mineiro (99 e 2000)

CRUZEIRO

Período – desde 2004

Jogos* – 36

Gols* – 14

Títulos – Campeonato Mineiro (2004)

DO ATLÉTICO-MG PARA O CRUZEIRO…

• Reinaldo, atacante, anos 80

• Luisinho, zagueiro, anos 90

• Éder, atacante, anos 90

• Toninho Cerezo, volante, anos 90

…E DO CRUZEIRO PARA O ATLÉTICO-MG

• Palhinha, atacante, anos 70

• Nelinho, lateral-direito, anos 80

• Alex Alves, atacante, anos 2000

• Fábio Júnior, atacante, anos 2000

Christian
De tão adorado pela torcida, ele foi chamado de “Jesus Christian”quando defendeu o Inter, nos anos 90. Em 2003 aconteceu a virada: Christian foi para o Grêmio, que na época lutava contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Faltando dez rodadas para o torneio acabar, o Grêmio, último colocado, enfrentou o Inter. Christian fez o gol da vitória que deu início à reação gremista que nas rodadas seguintes livraria o time da segunda divisão. “Ali eu consegui acabar com toda a desconfiança dos torcedores mais críticos. Aqui no Sul é muito difícil vestir a camisa dos dois rivais”, diz o atacante, que continua com o faro de gol afiado. Mesmo com o time do Grêmio não ajudando muito nas duas últimas temporadas…

Goleador lá e cá

Tanto no Inter como no Grêmio Christian fez perto de 1 gol a cada dois jogos

INTERNACIONAL

Período – 1989-1992 e 1996-1999

Jogos* – 168

Gols* – 94

Títulos – Campeonato Gaúcho (91, 92 e 97)

GRÊMIO

Período – Desde 2003

Jogos* – 78

Gols* – 37

Títulos – —

DO INTER PARA O GRÊMIO…

• Manga, goleiro, anos 70

• Batista, volante, anos 80

• Mário Sérgio, meia, anos 80

• Kita, atacante, anos 80

• Mauro Galvão, zagueiro, anos 90

• Fábio Pinto, atacante, anos 2000

…E DO GRÊMIO PARA O INTER

• Russinho, atacante, anos 30 e 40

• Geraldão, atacante, anos 80

• Bonamigo, volante, anos 80

• Arílson, meia, anos 90

• Almir, atacante, anos 90

• Carlos Miguel, meia, anos 2000

Antônio Carlos
Somente cinco jogadores já atuaram pelos quatro grandes clubes de São Paulo — Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo. O zagueiro Antônio Carlos, hoje no Santos, é um deles. “Felizmente, por onde passei, deixei boas lembranças. Acho que não há rancor de parte alguma”, diz o jogador. Antônio Carlos foi mesmo vitorioso nos três primeiros clubes que passou, mas concentrou suas principais faixas de campeão no São Paulo e no Palmeiras. Como estamos falando de um zagueiro, os gols que ele marcou não importam tanto. O melhor quesito para avaliar seu desempenho como “vira-casaca” são os títulos conquistados. Dá quase um empate técnico entre o Antônio Carlos tricolor e o alviverde, mas uma taça internacional desempata essa disputa.

Taça que desequilibra

No Palmeiras, Antônio Carlos até ganhou mais títulos; mas só no São Paulo faturou uma Libertadores

SÃO PAULO

Período – 1987-1992

Títulos – Copa Libertadores (92), Campeonato Brasileiro (91), Campeonato Paulista (89 e 91)

PALMEIRAS

Período – 1993-1995

Títulos – Campeonato Brasileiro (93 e 94), Campeonato Paulista (93 e 94) e Torneio Rio-São Paulo (93)

CORINTHIANS

Período – 1997

Títulos – Campeonato Paulista (97)

SANTOS

Período – desde 2004

Títulos – —

OUTROS QUE JOGARAM NOS QUATRO GRANDES DE SÃO PAULO

• Cláudio Pinho, atacante, anos 60

• Neto, meia, anos 90

• César Sampaio, volante, anos 2000

• Müller, atacante, anos 2000

Tuta
Quando chegou ao Atlético-PR, em 1998, o centroavante Tuta ajudou o clube a sair do jejum de oito anos sem títulos estaduais e de quebra ainda foi o artilheiro do Campeonato Paranaense com 19 gols. No mesmo ano, porém, ele foi vendido para o futebol italiano. Depois, rodou por vários times antes de voltar ao Paraná para jogar pelo rival Coritiba. Em cinco jogos pelo “Coxa”, fez seis gols e levou o time ao título estadual de 2004. Na decisão, justo contra o Atlético, fez dois gols contra o ex-clube. “Marquei os gols, dei o título ao Coritiba e ainda mandei a torcida atleticana, que me provocou o jogo todo, se calar”, diz Tuta. O problema é que o gesto custou caro: ele ficou com a fama de traidor no Paraná. Menos mal que, com a bola nos pés, não tem decepcionado no Coritiba.

Vitória coxa-branca

Tuta foi campeão paranaense pelos dois times, mas tem maior média de gols no Coritiba

ATLÉTICO-PR

Período – 1998

Jogos* – 68

Gols* – 25

Títulos – Campeonato Paranaense (98)

CORITIBA

Período – desde 2004

Jogos* – 37

Gols* – 18

Títulos – Campeonato Paranaense (2004)

DO ATLÉTICO-PR PARA O CORITIBA…

• Zé Roberto, atacante, anos 70

• Rafael, goleiro, anos 80

• Edinho Baiano, zagueiro, anos 90

…E DO CORITIBA PARA O ATLÉTICO-PR

• Sandoval, meia, anos 90

• Almir, atacante, anos 90

• Marcão, lateral-esquerdo, anos 2000

8484 – Especulação Imobiliária – O metro quadrado em SP e Rio já é mais caro que em muitas capitais europeias


Nova York – US$ 11 mil
Paris – US$ 10,8 mil
Tóquio – US$ 9,4 mil
Rio – US$ 3,7 mil
São Paulo – US$ 3,5 mil
Los Angeles – US$ 3,3 mil
Viena – US$ 3,4 mil
Bruxelas – US$ 3,2 mil
Madri – US$ 3,1 mil
Lisboa – US$ 2,6 mil
Buenos Aires – US$ 1,4 mil

*Preço médio do metro quadrado em bairros centrais em prédios erguidos após 1980. Fonte: UBS

8483 – Uma Pedra de 5 Trilhões


O mundo vive sua pior crise econômica desde a década de 1930. Mas um pequeno grupo de empresários diz que tem a resposta para acabar com ela e inaugurar a fase mais próspera da história da humanidade. Como? Fazendo uma nova corrida do ouro, como as que aconteceram no Velho Oeste americano e no garimpo brasileiro de Serra Pelada – só que, desta vez, no espaço. Isso porque os asteroides, que só costumam ser assunto quando passam perto da Terra (ou quando fragmentos deles caem aqui, como aconteceu na Rússia em fevereiro, deixando centenas de feridos), são uma enorme fonte de riquezas. Contêm quantidades enormes de ouro, platina e outros metais preciosos. “Todos os recursos naturais que você puder imaginar, energia, metais, minerais e água, existem em quantidades praticamente infinitas no espaço”, diz Peter Diamandis, fundador da empresa Planetary Resources, a primeira a entrar na nova corrida do ouro.
Diamandis não é um sujeito qualquer. Ele é o criador do X Prize, competição que dá US$ 10 milhões de prêmio a quem conseguir realizar determinado feito tecnológico (como mandar um robô até à Lua ou criar uma máquina capaz de ler DNA em alta velocidade, por exemplo). A maior proeza do X Prize até agora foi o desenvolvimento da primeira nave espacial privada, que está sendo preparada para viagens turísticas. Mas, se o conceito de turismo espacial é fácil de entender, a mineração espacial já parece ser ficção científica demais para ser levada a sério. Não é à toa que o principal foco da Planetary Resources e sua recém-apresentada competidora, a Deep Space Industries, agora é buscar financiadores.

A Planetary Resources parece estar mais adiante nesse quesito. Entre seus investidores estão Eric Schmidt e Larry Page, respectivamente presidente e CEO do Google, e Charles Simonyi, programador húngaro-americano que fez fortuna na Microsoft. De quebra, ela tem o cineasta James Cameron na função de consultor. No que diz respeito à qualidade técnica das equipes, ambas as empresas estão muito bem servidas. Reúnem ex-funcionários do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa, engenheiros que ajudaram a colocar os jipes robóticos Spirit e Opportunity em Marte, e por aí vai. Pessoas que sabem o que estão fazendo. Mas será que estão à altura do desafio, e têm como pagar a conta?

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Diâmetro – 600 metros
Distância da Terra – 12 milhões de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 6,9 trilhões

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Diâmetro – 420 metros
Distância da Terra – 1,5 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 5,28 trilhões

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Diâmetro – 730 metros
Distância da Terra – 1,9 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 1,74 trilhões

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Diâmetro – 1000 metros
Distância da Terra – 1 milhão de km
Valor estimado já descontando os custos da missão – US$ 1,31 trilhão

Terra – Lua: 384 mil km
Terra – Marte: 54 a 401 milhões de km (dependendo da órbita)

O maior repositório de asteroides é o cinturão que existe entre as órbitas de Marte e de Júpiter – a uma distância bem grande da Terra. É lá que reside, por exemplo, um asteroide chamado Germania. Estudos telescópicos sugerem que essa pedrona de 169 km de diâmetro é riquíssima em metais preciosos. Pense alto. Mais alto. Mais. Estima-se que o valor dela seja superior a US$ 100 trilhões. É mais do que toda a riqueza produzida no mundo inteiro ao longo de um ano. Mas estima-se que, para explorar todo esse potencial, seria preciso investir US$ 5 trilhões – quase 300 vezes o orçamento anual da Nasa.

Por isso, os primeiros mineradores espaciais estão pensando mais modestamente. A ideia é começar mais perto de casa. O asteroide 2012 DA14, por exemplo, que em fevereiro passou “perto” (a 27 mil km) da Terra, tem valor estimado em US$ 195 bilhões. Mas as naves e os equipamentos necessários para explorá-lo ainda não existem. Antes de começar a construir tudo isso, as empresas de mineração espacial vão fazer um mapeamento detalhado de seus possíveis alvos. Como o asteroide 5143 Heracles, que mencionamos no começo deste texto. Ele fica a 8,6 milhões de quilômetros da Terra – é seis vezes mais perto do que Marte. E há asteroides mais próximos daqui do que a Lua, ou seja, praticamente vizinhos nossos. “Cerca de 900 asteroides que passam perto da Terra são descobertos a cada ano”, afirma David Gump, presidente da Deep Space Industries.

A empresa pretende construir sondas de baixo custo, que farão um reconhecimento dos asteroides. Batizadas de Firefly, são pequenas naves de 25 kg que devem começar a voar em 2015, pegando carona em lançamentos comerciais de satélites. Já para a Planetary Resources, o ponto de partida é lançar uma rede de telescópios espaciais, batizados de Arkid-100, que irão tentar descobrir asteroides que posssam ter passado despercebidos. Em seguida, analisando o albedo (termo técnico para o brilho) dos objetos, os cientistas da empresa tentarão identificar quais são os mais valiosos. Eles querem lançar o primeiro desses telescópios já no ano que vem, a um custo de US$ 1 milhão.

Depois de encontrar e selecionar um alvo, aí sim a Planetary Resources enviaria uma espaçonave, batizada de Arkid-200, para analisar de perto cada metro quadrado do asteroide. “Nós vamos conhecê-lo nos mínimos detalhes antes que cheguemos lá para minerá-lo”, diz Eric Anderson, que comanda a empresa ao lado de Diamandis e é fundador da companhia Space Adventures, que envia turistas à Estação Espacial Internacional (por US$ 20 milhões).
É possível imaginar o que fazer com platina e ouro obtidos de asteroides. Mas eles teriam de ser revendidos bem lentamente, ou seu preço na Terra simplesmente despencaria (pois é justamente a escassez desses metais que os torna valiosos). Por isso, a Planetary Resources e a DSI poderiam levar décadas até recuperar seu investimento. Para antecipar o lucro, alguns subprodutos poderiam ser vendidos no próprio espaço. Certos asteroides são uma fonte riquíssima de água, que pode ser usada para alimentar estações espaciais ou transformada em hidrogênio para abastecer naves. Mas isso só tem valor se tiver gente querendo comprar.

A pesquisa – 2014 e 2015
Uma rede de 15 minissatélites (1 metro de comprimento cada) é lançada e começa a capturar imagens de asteroides, usando câmeras comuns e especiais.

A análise – 2016 a 2019
Essas imagens são analisadas e, a partir delas, identificam-se os asteroides que podem conter minérios de valor.

– 8 800 Asteroides descobertos até o momento
– 900 Asteroides descobertos por ano
– 1 500 Asteroides relativamente próximos da Terra (mais fáceis de alcançar do que a Lua)

A viagem – 2020
Uma ou mais espaçonaves não-tripuladas são enviadas até o asteroide e pousam nele. Essa tecnologia já existe: em 2001, a Nasa conseguiu pousar uma sonda no asteroide Eros, a 313 mil quilômetros da Terra.

A extração – 2020+
Os braços robóticos da nave perfuram o asteroide e sugam os minérios, que são separados, processados e colocados em cápsulas, que são lançadas de volta.

O resultado
Os minérios podem ser comercializados na Terra ou usados como matéria-prima para a construção de bases espaciais. Além de metais pouco valiosos, como ferro, níquel e cobalto, alguns asteroides contêm ouro, platina e paládio. Além disso, eles podem ter até 20% de gelo, que pode ser transformado em:

Água potável – Para alimentar colônias espaciais
Oxigênio – Para respirar
Hidrogênio – Combustível

Um asteroide pode conter até 250 milhões de litros de água.

Torre de Babel – 220 andares em 180 dias
O prédio mais alto do mundo é Burj Khalifa, em Dubai – que tem 163 andares e levou mais de cinco anos para ser construído. Mas uma empresa chinesa diz que pode fazer muito melhor. Ela se chama Broad Sustainable Building Corporation (BSBC) e promete fazer a obra mais ambiciosa de todos os tempos: levantar um prédio de 220 andares, o maior do mundo, em apenas seis meses. E gastar apenas US$ 625 milhões, menos da metade do que o Burj Khalifa custou.

O megaprédio se chama SkyCity e será construído em Changsha, uma metrópole de 7 milhões de habitantes no sul da China. A rapidez tem explicação: o edifício é todo feito de peças pré-fabricadas. “95% das partes chegarão prontas. Parte elétrica, hidráulica, paredes, teto, encanamento”, explica Juliet Jung, vice-presidente da BSBC. Para Luiz Sérgio Coelho, professor de engenharia civil da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), o prazo é exequível se houver planejamento. “Gruas, guindastes, estrutura metálica, tudo já vai estar catalogado e posicionado estrategicamente ao lado da fundação. Um parafuso do 37º andar, por exemplo, já teria dia e hora para ser apertado”.
A BSBC tem experiência em construções ultrarrápidas. Em 2011, ela ergueu um hotel de 30 andares em apenas 30 dias. Mesmo assim, o governo chinês ainda não autorizou o SkyCity – até porque há certo receio no país com relação a edifícios como ele (em 2009, um prédio pré-fabricado desabou em Xangai, supostamente porque sua estrutura não era forte o bastante).

Técnica permite construir seis vezes mais rápido do que numa obra convencional

ALICERCE
Cava-se um enorme buraco no qual são colocadas as fundações – estruturas metálicas de 40 metros de altura que irão segurar a base do prédio. Demora aproximadamente três meses.

PEÇAS
Caminhões começam a trazer os pedaços do prédio: colunas, paredes e piso. Tudo já chega pronto, com tubulações elétrica e hidráulica, pintura e acabamento.

MONTAGEM
Usando uma rede de guindastes e gruas, os operários encaixam e parafusam as peças – formando o chão, as paredes e o teto. Quando um andar fica pronto, eles começam o seguinte.

8482 – Perguntas Velhas, Respostas Novas – Destino Existe?


O Big Bang foi uma explosão que espalhou partículas pelo Universo, certo? Então, usando as leis da física, em tese é possível calcular exatamente onde essas partículas irão estar e o que elas irão fazer. O deslocamento e as interações dessas partículas já estão traçados – porque são apenas uma consequência do que aconteceu na origem do Universo. Ou seja: por esse raciocínio, destino existe, sim. E, como nós somos feitos de partículas, ele existe para nós também. Essa é a base do determinismo – a ideia de que o comportamento de um sistema pode ser determinado a partir de suas condições iniciais. Se quisermos levar essa ideia ao extremo, podemos dizer que até as nossas decisões já estão traçadas. Afinal, o pensamento deriva de um fenômeno físico (o deslocamento de elétrons e neurotransmissores dentro do cérebro). E, como tal, ele deve ter uma trajetória previsível.

Você deve estar duvidando disso. Afinal, você é livre para tomar as próprias decisões. Pode continuar a ler este texto ou escolher se levantar e ir pegar um café, por exemplo. Mas há indícios de que não é bem assim – e quando nossa consciência resolve fazer algo, na verdade o cérebro já decidiu sozinho. Essa hipótese foi comprovada em laboratório pelo cientista John-Dylan Haynes, do Centro de Neuroimagem Avançada de Berlim. Numa experiência criada por ele, os participantes receberam um joystick que tinha dois botões, um para cada dedo indicador. Em algum momento, quando achassem que deveriam, os voluntários estavam livres para decidir qual dos dois botões apertar. Tomada a decisão, deveriam pressioná-lo imediatamente. Por imagens de ressonância magnética, Haynes percebeu que o córtex pré-frontal dos voluntários (região cerebral responsável pela tomada de decisões) era ativado até dez segundos antes de a pessoa resolver apertar o botão.

É difícil colocar alguém no aparelho e dizer: `Por favor, agora decida com quem você vai se casar’.” Mesmo assim, a descoberta abre um caminho intrigante: além do destino cósmico, poderia existir também uma espécie de destino neurológico, traçado por decisões que nosso cérebro toma sem nos avisar. “Nossos experimentos tornam o determinismo bastante provável. Mas ainda precisamos de muita pesquisa para prová-lo”, diz Haynes. Então, se destino existe e já está traçado e não temos livre-arbítrio, devemos parar de tentar controlar ou melhorar nossas vidas e simplesmente ficar no sofá vegetando? É claro que não. A física clássica explica bem o mundo ao nosso redor. Mas ela derrapa na hora de descrever o mundo das partículas muito pequenas. Isso tem sido tarefa para a física quântica – onde muitas coisas são imprevisíveis. “O determinismo estrito não funciona”, diz o físico Marcelo Gleiser. “Nós não somos a solução de uma equação complexa. Até porque ninguém sabe que equação é essa. E mesmo que alguém soubesse, nunca conseguiria resolvê-la”, afirma. “Uma das características da inteligência é justamente o livre-arbítrio. E quanto mais complexo o cérebro é, mais liberdade de escolha ele tem. A menos que nós sejamos uma simulação rodando num computador gigante. Mas aí já é uma outra história.”

8481 – Perguntas Velhas, Respostas Novas – Alma Existe?


Em 1901, o médico americano Duncan Macdougall fez uma experiência com doentes terminais. Colocou cada paciente, com cama e tudo, sobre uma balança gigante. “Quando a vida cessou, a balança mexeu de forma repentina – como se algo tivesse deixado o corpo”, escreveu Macdougall na época. A balança mexeu 21 gramas, e o doutor concluiu que esse era o peso da alma. A descoberta caiu na cultura popular e até inspirou um filme (21 Gramas, de 2003). Ela não tem valor científico, pois a balança era muito imprecisa – e cada paciente gerou um valor diferente. Mas será que não dá para refazer a experiência com a tecnologia atual?
e consideramos que a alma existe, e é uma forma de energia, então deve haver massa relacionada a ela. Se a energia muda, a massa também muda. Se alma existe, e sai do corpo quando a pessoa morre, o corpo sofrerá perda de massa – que pode ser medida. O médico Gerry Nahum, da Universidade Duke, propôs uma experiência para testar a hipótese: construir uma caixa perfeitamente selada, que ficaria sobre uma balança hipersensível, capaz de medir 1 trilhonésimo de grama. O problema é que, por razões éticas, não dá para colocar uma pessoa moribunda dentro de uma caixa hermeticamente fechada, pois isso a faria morrer. E o teste nunca foi feito.

Mas os cientistas continuam em busca de evidências para a alma. E os estudos mais surpreendentes vêm de uma dupla que está na vanguarda da ciência: o anestesista americano Stuart Hameroff, do Centro de Estudos da Consciência do Arizona, e Roger Penrose – sim, o mesmo físico de Oxford autor da teoria sobre o que veio antes do Big Bang. Mas, desta vez, a tese é ainda mais inacreditável. Dentro de cada neurônio existiriam 100 milhões de microtúbulos: tubinhos feitos de uma proteína chamada tubulina. A tubulina atuaria como bit, ou seja, como menor unidade de informação que pode ser criada, armazenada ou transmitida. Os tubinhos vibram, interferem com a tubulina e geram ou processam informação – que é passada de um neurônio a outro.

Mas os microtúbulos são tão pequenos que as leis da física quântica se aplicam a eles. E essas leis preveem algumas possibilidades bizarras, como a superposição (uma partícula pode existir em dois lugares ao mesmo tempo). Para os pesquisadores, haveria uma relação quântica entre os tubinhos do cérebro e partículas fora dele, espalhadas pelo Universo. “Quando o cérebro morre, a informação quântica [gerada nos microtúbulos] não fica presa. Ela se dissipa no espaço-tempo”, diz Hameroff. Pela mesma lógica, quando alguém nasce, essa informação espalhada no Universo entraria nos microtúbulos. Ou seja: a alma existiria, sim, como um conjunto de relações quânticas entre partículas dispersas no Universo. Embora Hameroff tenha escrito centenas de páginas a respeito, nada disso tem comprovação

8480 – Qual é o sentido da vida?


A ciência propõe duas explicações para essa dúvida metafísica. A primeira, mais tradicional, é: o sentido (objetivo) da vida é se reproduzir, ou seja, ter filhos. Ponto. Isso vale tanto para nós como para o sabiá, o cordeiro patagônico ou o bicho-da-seda. Pelo menos é o que diz a tese do gene imortal, uma das mais populares da biologia evolutiva. Ela tem sido desenvolvida desde os anos 1970 pelo biólogo britânico Richard Dawkins, e reinterpreta a teoria da evolução de Darwin.
A transmissão de informação genética entre pais e filhos não é perfeita. Podem ocorrer erros: as mutações. Eles sempre acontecem – em média, cada humano nasce com 60 mutações. Esses erros no DNA podem provocar síndromes e doenças, mas também podem ser positivos. Se um indivíduo tem uma mutação que o torna mais apto que os demais (mais forte ou mais bonito, por exemplo), ele tende a se reproduzir mais e espalhar essa mutação na sociedade. Os mais aptos permanecem e os demais desaparecem. É a chamada seleção natural.
Dawkins fez uma ligeira modificação nessa teoria. Para ele, os protagonistas da seleção natural não são as espécies nem os indivíduos: são os genes. Nós seríamos meras máquinas de sobrevivência que os genes construíram para se preservar ao longo das gerações.
“As máquinas de sobrevivência têm aparência muito variada. Um polvo não se parece em nada com um rato, e ambos são muito diferentes de uma árvore. Mas, em sua composição química, eles são quase iguais”, escreve Dawkins. É verdade. Cada ser vivo tem um código genético diferente – mas ele sempre é construído com as mesmas moléculas. E a nossa missão na Terra é espalhar essas moléculas. “Todos nós, desde as bactérias até os elefantes, somos máquinas de sobrevivência para o mesmo tipo de replicador: as moléculas de DNA.” Como há vários tipos de ambiente no mundo, os replicadores construíram uma ampla gama de máquinas para prosperar neles. Um macaco preserva os genes nas copas das árvores; um peixe preserva os genes na água, e assim por diante. Os genes também nos dotaram de instintos que nos levam à reprodução – é por isso que o sexo é tão prazeroso, e a atração sexual tão forte. A tese do gene imortal é convincente e elegante. Mas não explica tudo.
O cérebro humano possui um mecanismo chamado sistema de recompensa. São grupos de neurônios situados em certas regiões, como o septo – que fica bem no centro do cérebro. Toda vez que fazemos algo física ou mentalmente agradável, qualquer coisa mesmo, esses neurônios causam a liberação de dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer. As demais áreas do cérebro são inundadas pela dopamina – inclusive aquelas que manejam o autocontrole e as emoções. Você sente prazer. E tem vontade de sentir de novo. E de novo. E de novo… O sistema de recompensa tem uma influência gigantesca sobre nossas ações e decisões. Sempre que você se sente bem, ou mal, é esse sistema que está fazendo isso acontecer. E ele nem sempre nos guia no caminho de gerar descendentes – você deve conhecer gente que não tem filhos, nem quer ter, e está muito bem assim. Porque existe uma segunda explicação para o sentido da vida. Em vez de espalhar genes, o objetivo pode ser contentar o sistema de recompensa. Traduzindo: ser feliz.

O sistema de recompensa foi descoberto nos anos 1950 pelos psicólogos James Olds e Peter Milner, da Universidade McGill, no Canadá. Usando eletrodos, eles notaram que um rato sempre voltava a um ponto da gaiola para receber um choquinho (prazeroso) no septo. Chegou a passar 7 mil vezes por hora, sem ligar para nada mais. Nem para os próprios filhotes. “O animal vai se estimular com frequência, e por longos períodos, se puder fazê-lo”, concluíram Olds e Milner. Hoje a ciência sabe que outras coisas (drogas, açúcar, gordura, sexo) também têm o poder de atuar nessas áreas. Por isso elas são tão atraentes – e, em algumas pessoas, podem se tornar viciantes.

8479 – Música – Champangne para a sua Festa!


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Evelyn “Champagne” King (nascida em 01 de julho de 1960) é uma cantora norte-americana de R & B , Disco e pós-disco. Algumas de suas canções mais conhecidas são ” Shame “,” Love Come Down ” e I’m Love.
Nasceu no Bronx , Nova Iorque , e cresceu na Filadélfia , Pensilvânia.

Ela foi descoberta ainda jovem, enquanto trabalhava com sua mãe na Philadelphia International Registros como um produto de limpeza de escritório. Produtor Theodore T. Live a ouviu cantando em um banheiro e começou a treinar-la.
King lançou seu álbum de estréia, Liso Talk, em 1977. O álbum incluía a música ” Shame “, que é o seu único top ten no Billboard Hot 100 , alcançando a posição # 9. A canção também alcançou a posição # 7 R & B e # 8 na parada dance.
Em 1982, ela lançou o álbum, Get Loose. Ele rendeu um top vinte pop e # 1 R & B hit com o single, ” Love Come Down “. A canção também alcançou a posição # 1 nas paradas de dança e chegou a UK Singles Chart top ten, atingindo um máximo de sete por três semanas.

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Em 14 de agosto de 2007, King lançou o seu primeiro álbum de estúdio em 12 anos. Ele contou com o single “The Dance”, que alcançou a posição # 12 no Hot Dance Club Play Chart.
Em 2011, ela também colaborou com deep house DJ Miguel Migs , na faixa “Everybody”, que foi incluído no seu álbum Fora do Skyline.

Um nome forte da Disco Music, não poderia estar ausente aqui.

Por Master DJ Carlos

8478 – Guerra Fria – A Crise dos Mísseis


Bases soviéticas em Cuba
Bases soviéticas em Cuba

Os alertas soturnos ecoavam desde agosto de 1945, quando o homem, num perverso toque de mágica, fez evaporar uma cidade inteira com o apertar de um botão. Quando Hiroxima desapareceu do mapa, nasceu um novo mundo, cuja própria existência – antes a única convicção que aproximava todos os seus habitantes – já não era mais certa. Pela primeira vez desde que seus pés começaram a caminhar pela Terra, a humanidade segurava nas mãos a decisão entre viver e morrer. E a volúpia febril despertada por esse poder fazia calar qualquer instinto de preservação. Dezessete anos se passaram, e a penosa corrida chegou ao seu ponto mais dramático. A capacidade humana de destruir o planeta passou de um incômodo pesadelo a uma ameaça assustadoramente verdadeira e palpável. Nas últimas semanas, as duas maiores potências da Terra estiveram a ponto de mergulhar no precipício sem fim, puxando com elas todos os povos que presenciam seu atemorizante duelo. O indizível desfecho de um possível enfrentamento armado entre os Estados Unidos e a União Soviética foi miraculosamente impedido, graças aos resquícios de humanidade que ainda sobrevivem em seus líderes superpoderosos – e, vale lembrar, graças também a uma certa dose de sorte. No apagar das luzes, John Kennedy e Nikita Kruschev, os homens que controlam os destinos do mundo, sentiram as repercussões de sua perigosa dança, seguiram suas emoções mais terrenas e deram um passo atrás. A partir de agora, todos se perguntam: a marcha para a perdição continuará? Os arquiinimigos ouvirão as sirenes de emergência ou continuarão bailando ao som grave de seus monstruosos arsenais? Talvez o mundo seja outro a partir deste outubro de 1962. Quais dissabores ele nos reserva, só os próximos anos serão capazes de revelar.
Assim como o nascimento da ameaça do holocausto nuclear, a gênese da última crise também ocorreu quando se fecharam as cortinas da II Guerra Mundial. A divisão do espólio do conflito entre os vencedores rachou o globo e plantou a semente para o desafio enfrentado nas semanas que se passaram. Mas a Guerra Fria entre o mundo capitalista, unido sob os auspícios dos americanos, e o bloco comunista, chefiado a ferro e a fogo pelos soviéticos, nunca tinha estado tão perto de se transformar num inferno. É aí que entra a figura de um incontrolável aspirante a tirano entronado numa irriquieta ilha caribenha. Disposto a pagar qualquer preço para sustentar seus sonhos de poder, Fidel Alejandro Castro Ruz, o comandante da barulhenta revolução de Cuba, quis brincar de Nero no meio dos gigantes. Nem em seus mais bizarros delírios ele imaginava o tamanho do estrago que seria capaz de fazer. Aliado ao maroto Kruschev, o dirigente russo sempre atento à chance de um xeque-mate no tabuleiro ideológico, Castro decidiu levar a Guerra Fria à soleira da porta dos americanos. Não se sabe de quem partiu a idéia – sem imprensa livre e com fúria impiedosa na punição aos inconfidentes, URSS e Cuba não deixam que seus segredos cheguem aos ouvidos do mundo. De qualquer forma, a instalação de mísseis nucleares numa ilha quase grudada à Flórida foi, sem dúvida, a mais ousada jogada que alguém seria capaz de imaginar. Contribuiu para a quase calamidade o inexplicável atraso dos americanos na descoberta da manobra. Além de oito anos de prosperidade e calmaria, o governo do ex-presidente Dwight Eisenhower deixou como legado a criação de uma azeitada máquina de monitoramento e espionagem dos adversários comunistas. No caso dos mísseis soviéticos em Cuba, as engrenagens ficaram travadas durante meses.

Se a vigilância dos EUA ao espectro vermelho costuma chegar aos limites da paranóia, desta vez Washington agiu com um descuido espantoso. Em julho último, a inteligência americana notou um súbito aumento no número de navios soviéticos a caminho de Cuba – hoje, acredita-se que tenha sido esse o período de início da montagem dos mísseis. O secretário de Defesa, Robert McNamara, ordenou que a movimentação fosse seguida de perto. Apesar dos indícios suspeitíssimos, Kennedy e seus auxiliares caíram no conto de Kruschev, que jurava de pés juntos que a URSS não colocaria armas em Cuba. No mês passado, Kennedy visitou o Congresso e assegurou que não havia mísseis de ataque na ilha. No mesmo dia, o secretário de Justiça, Robert Kennedy, ouvia essa mesma garantia do embaixador soviético, Anatoly Dobrynin. Kruschev procurou Kennedy pessoalmente naquela semana e repetiu: não interessava aos soviéticos espalhar seu poderio bélico mundo afora. Mas a montagem do arsenal era tão evidente que a própria população de Cuba passou a desconfiar. Por meio da comunicação entre moradores da ilha e seus parentes exilados em Miami, os EUA receberam mais de mil denúncias sobre os trabalhos dos russos. O governo, contudo, optou por desprezar as informações. Solitário em sua crença de que a carga dos navios soviéticos era bélica, o diretor da CIA, John McCone, era incapaz de convencer o presidente. Ainda passou o vexame de ser alertado sobre a instalação dos mísseis pela inteligência francesa – ele passava lua-de-mel em Paris. A negligente inocência de Kennedy chegou a tal ponto que os americanos não compreenderam um recado colocado bem debaixo de seu nariz, dentro de seu próprio território. Uma semana antes que a crise emergisse, o presidente de Cuba, Osvaldo Dorticós – pouco mais que um mensageiro do regime, pois quem manda mesmo é Fidel – discursou na Assembléia Geral da ONU, em Nova York. Seu pronunciamento foi de clareza cristalina: “Se Cuba for atacada, saberá se defender. Repito: temos meios para nossa defesa. Também temos nossas armas inevitáveis, as armas que preferíamos não ter adquirido, as armas que desejamos jamais utilizar”.

Como se ainda faltasse alguma coisa para convencer os americanos da tempestade que se formava, as provas concretas foram, enfim, obtidas – e apenas cinco dias depois. Na manhã do último dia 14, um avião U-2 equipado com uma câmara fotográfica de último tipo avistou o que parecia ser uma nova construção militar em San Cristóbal, na província de Pinar del Rio, no oeste de Cuba. As fotografias registradas pelo aparelho foram examinadas com minúcia. Agora era certo: os soviéticos instalavam mísseis em Cuba, e as características das cargas flagradas pelos americanos sinalizavam que esses mísseis eram capazes de carregar ogivas atômicas. As implicações eram gravíssimas. Os soviéticos fincavam as primeiras bases para que, dentro de pouco tempo, fossem capazes de disparar uma bomba nuclear em qualquer metrópole americana, inclusive Nova York e Washington. Ciente do peso da responsabilidade que repousaria sobre os ombros do presidente nos dias que estavam pela frente, o assessor especial para Assuntos de Segurança Nacional, McGeorge Bundy, o primeiro a receber o explosivo relatório, decidiu poupar o chefe de uma noite insone – contaria as novidades só na manhã seguinte, no dia 16. Esgotado por um fim de semana de campanha eleitoral (no mês que vem, os americanos vão às urnas para eleger parlamentares e governadores), Kennedy ganhou mais algumas horas de descanso com Jackie antes de enfrentar os dias mais difíceis de sua vida. Ao despertar para o desafio, o mais jovem presidente eleito da história americana (aos 43 anos, em 1960) enfim mostrou possuir a estatura intelectual e moral necessária para liderar a principal democracia do mundo. No decorrer da crise, Kennedy se trancou com um grupo seleto de auxilares (comandados pelo irmão, Robert), apostou numa estratégia moderada e consistente, evitou alarmar a população e, principalmente, não deu ouvidos às pressões dos “falcões” de Washington – sedentos por sangue, os parlamentares republicanos, de oposição, não aceitavam nada aquém de uma ofensiva militar imediata contra Cuba.

Mais calejado depois de algumas trapalhadas nesses dois primeiros anos de governo, Kennedy logo elegeu uma linha mestra para a condução de seu país na crise. Sabendo que ganharia o apoio de todos os países não-alinhados a Moscou, o presidente decidiu não fazer nenhum movimento brusco, oferecendo tempo e espaço para que Kruschev sentisse a pressão e recuasse. Foi, de fato, o que acabou ocorrendo, resultado do bloqueio naval no Atlântico. Kennedy não pode, porém, sair da crise como o mocinho pacato que afugentou na lábia o bandido que apontava a arma para sua testa. É imperativo lembrar que o inimigo apareceu na janela ao ser atraído pelo próprio presidente. Foi com seu papel na fracassada invasão à Baía dos Porcos, em abril de 1961, que Kennedy ofereceu de bandeja a melhor desculpa possível para Castro e Kruschev – a de que era preciso armar a ilha para evitar outra tentativa de invasão a Cuba. O americano também precisa responder pelo erro grosseiro de avaliação diante das manobras de Kruschev. Ele acreditava que seu oponente não ousaria chegar tão perto de suas fronteiras.

A intrepidez do comandante vermelho durou onze dias repletos de temores, reuniões secretas, mobilizações militares e lances de desespero. Ironia suprema, Nikita Kruschev, o soberano de um império que se vangloria de sua frieza e destemor diante do sentimentalismo dos ocidentais, foi o primeiro a sucumbir. Na noite do dia 26, a Casa Branca recebia uma mensagem incomum. No lugar dos comunicados impessoais e sisudos geralmente assinados por Kruschev, chegava uma carta extensa e franca, claramente escrita sob extrema comoção. Concluiu-se que os nervos de aço de Kruschev haviam fraquejado – ele tomara para si a decisão de oferecer um acordo aos americanos, e redigira a carta de próprio punho, sem consultar a cúpula comunista. Sua proposta: Kennedy prometeria jamais atacar Cuba, todos os mísseis iriam embora. “Entendemos perfeitamente que, se atacarmos vocês, vocês responderão da mesma forma”, escreveu Kruschev. “Somos pessoas normais, que compreendemos e avaliamos corretamente a situação. Só lunáticos e suicidas poderiam agir de outra forma. Não queremos destruir seu país, mas sim, apesar das nossas diferenças ideológicas, competir pacificamente, e não por meios militares. Somente um louco é capaz de acreditar que as armas são os principais meios de vida de uma sociedade. Se as pessoas não mostrarem sabedoria, elas entrarão em confronto, e a exterminação recíproca começará.”

Os americanos foram dormir otimistas com a chance de acordo, mas ainda teriam mais um dia de angústia pela frente. Provavelmente convencido pelos camaradas de partido, Kruschev divulgou outra mensagem, desta vez de forma pública, colocando outra exigência na conta dos americanos: a remoção de seus mísseis na Turquia, vizinha da URSS. Moscou comparava a presença das armas dos EUA no país à ameaça dos mísseis soviéticos em Cuba. Kennedy lustrou a cara-de-pau e decidiu ignorar o segundo recado: preparou uma resposta apenas para a carta original de Kruschev. Inacreditavelmente, os momentos de espera por uma definição do russo foram, na verdade, os mais perigosos dos treze dias de crise. Se houve um dia em que a pior das guerras esteve mesmo perto de começar, esse dia foi sábado, 27 de outubro de 1962. Pela manhã, a crise provocou sua primeira e única baixa: o major Rudolph Anderson, que pilotava um U-2 de reconhecimento americano derrubado por baterias antiaéreas soviéticas. Dias antes, Kennedy prometera dar sinal verde para um ataque caso os inimigos dessem o primeiro tiro. Mais consciente dos possíveis desdobramentos dessa ordem, decidiu aguardar. Ao mesmo tempo, os preparativos militares chegavam ao grau máximo. Os dois lados estavam prontos para a batalha. O Pentágono já havia definido até a seqüência de alvos que deveriam ser eliminados na ilha. A CIA informava que todos os mísseis instalados pelos soviéticos em Cuba também estavam prontos para o disparo.
No fim da noite, Washington enviou uma mensagem ao comando da Otan, a aliança militar ocidental. “A situação está ficando urgente”, avisava o texto. “Dentro de um prazo muito curto, nosso país pode considerar necessário adotar uma ação militar em nome de seus próprios interesses e dos interesses das nações aliadas no Hemisfério Ocidental.” Dias depois, Robert Kennedy confessaria que a saída negociada era, a essa altura, apenas uma fina esperança, e não mais a expectativa geral. “A expectativa era de um confronto militar já no dia seguinte”, revelou. Nunca saberemos exatamente o que aconteceu naquela noite em Moscou. Na manhã seguinte, no entanto, Nikita Kruschev enfim sepultou o episódio, garantindo que a humanidade não tivesse presenciado seu derradeiro amanhecer. Em pronunciamento transmitido pela Rádio Moscou, o russo anunciava que as armas seriam encaixotadas e devolvidas à URSS.

8477 – Mega Memória – 29 de Junho na História


•1948-África do Sul: Início do apartheid, regime de segrega o racial defendido pelos brancos.
1958
• Esportes: Brasil ganha pela primeira vez a Copa do Mundo de futebol, na Suécia.
1974
• Argentina: ‘Isabelita’ Peron torna-se presidente após a morte do marido, Juan Domingo Peron.
1983
• Regime Militar: Líderes sindicais são indiciados por insultar o presidente João Baptista Figueiredo.
1995
• Religião: João Paulo II e o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, celebram missa em Roma.

É o 180.º dia do ano no calendário gregoriano (181.º em anos bissextos). Faltam 185 para acabar o ano.

1613 — O Globe Theatre, em Londres, onde William Shakespeare apresentou suas peças, é destruído por um incêndio.
1720 — Revolta de Felipe dos Santos, em Vila Rica, Minas Gerais.
1845 — Fundação da Imperial Colônia de Petrópolis — RJ, com a chegada dos colonos alemães.
1850 — Descoberto carvão na Ilha de Vancouver, no Canadá.
1913 — Ano de fundação do Esporte Clube Juventude, de Caxias do Sul.
1915 — Ano de fundação do ABC Futebol Clube, do Rio Grande do Norte.
1934 — Ano de fundação da cidade de Rolândia, no norte do Paraná
1945 — A União Soviética anexa a Transcarpátia.
1951 — Joseph Ratzinger (futuro Papa Bento XVI) é ordenado Padre.
1967 — A atriz Jayne Mansfield, famosa na década de 1950, morreu em um acidente de carro aos 33 anos.
1970 — A Globo estreou a novela Irmãos Coragem, de Janete Clair, com Tarcísio Meira, Cláudio Marzo e Cláudio Cavalcanti. Esta foi a novela mais longa já produzida pelo canal (328 capítulos).
1983 — Jair Meneguelli, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Diadema e São Bernardo, e Vicentinho, vice-presidente da entidade, foram indiciados por insultos ao presidente da República, João Figueiredo.
1986 — A Argentina ganhou a segunda Copa do Mundo realizada no México. O time de Maradona venceu a Alemanha Ocidental por 3 a 2.
1995 — Um shopping em Seul, capital da Coreia do Sul explodiu matando 502 pessoas.
1996 — Temperatura mais baixa registrada no Brasil: -17,8 °C, no Morro da Igreja, município de Urubici (estado de Santa Catarina).

Falecimentos
67
São Pedro, principal discípulo de Jesus Cristo e primeiro papa.
Paulo de Tarso (São Paulo), um dos maiores defensores do cristianismo primitivo e um dos autores do Novo Testamento.
1895 — Thomas Henry Huxley, o “buldogue de Darwin”, biólogo britânico, evolucionista e criador do termo “agnosticismo”.
1895 — Floriano Peixoto, 2º Presidente do Brasil, apelidado de “Marechal de Ferro” (n. 1839).
1940 — Paul Klee, pintor suíço (n. 1879).
1967 — José Leitão de Barros, cineasta português (n. 1896).
1988 — Clóvis Graciano, pintor, desenhista, cenógrafo, gravador e ilustrador brasileiro (n. 1907).
2000 — Vittorio Gassman, ator italiano (n. 1922).
2003 — Katharine Hepburn, atriz norte-americana, ganhadora de 4 Academy Awards (n. 1907).
2004 — Yara Lins, atriz brasileira (n. 1930).
2011 — Stefano Gobbi, religioso italiano (n. 1930).

8476 – Naufrágios Históricos


Naufrágios de transatlânticos não são novidades em águas internacionais, mas a tragédia do RMS Titanic, ao suplantar de forma arrebatadora todos os seus predecessores no mundo ocidental, coloca um ponto de interrogação ao lado das garantias de segurança fornecidas pelas companhias marítimas. Afinal, a fama que acompanhou o Titanic durante seu período de construção era a de ser um navio livre de qualquer perigo – lema que refletiu até mesmo na incrédula declaração do vice-presidente da White Star Line, Philip Franklin, logo depois de ouvir a notícia do desastre: “Pensei que o Titanic fosse inafundável, era essa a opinião dos melhores especialistas. Não consigo entender”.

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A duras penas, as famílias de mais de 1.500 passageiros tragados pelas águas geladas do Atlântico descobriram que, em se tratando de travessias marítimas, não há homens ou máquinas que possam oferecer garantias. O naufrágio do Titanic supera em número de vítimas a maior marca deste século, a do navio americano SS General Slocum, que pegou fogo quando navegava pelo East River de Nova York no dia 15 de junho de 1904 e causou a morte de 1.020 pessoas, na maioria mulheres e crianças da comunidade alemã da cidade, que haviam fretado o navio para uma excursão. Naquela ocasião, de acordo com o relato de alguns sobreviventes – em número de aproximadamente 300 -, a calamidade foi potencializada pelo estado deteriorado de conservação de coletes salva-vidas, bóias de segurança e botes.

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Fúnebres recordes
O terrível destino do Titanic também fez suplantar outras duas infaustas marcas de desastres marítimos, todas ocorridas também nos primeiros anos desde século, dado alarmante para o mundo da navegação. A mais recente tragédia ultrapassa o maior acidente da história de um navio civil com bandeira britânica. Em maio de 1902, o SS Camorta, pertencente à British India Steam Navigation Company, afundou na baía de Bengala em meio a um ciclone, matando todos os 655 passageiros e 82 tripulantes. Além disso, torna-se o maior infortúnio já registrado nas águas do Atlântico. Antes, o SS Norge, transatlântico dinamarquês que também tinha como destino Nova York e colidiu com a ilhota rochosa de Rockall, a oeste da Escócia, havia produzido 635 vítimas em junho de 1904.

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Ao menos por enquanto, o acidente de maior proporção da história das águas internacionais segue sendo o naufrágio do junco Tek Sing, navio à vela chinês que afundou em fevereiro de 1822 ao sul da China, depois de colidir com um recife. A embarcação tinha como destino Jacarta, na Indonésia, e transportava cerca de 1.800 passageiros e uma grande carga de porcelana. Mais de 1.600 pessoas morreram – as demais foram resgatadas pelo navio inglês East Indiaman, que passava pelas redondezas na manhã seguinte e avistou alguns sobreviventes. Resta saber se a cega competição entre as linhas marítimas ocidentais, cada qual correndo ferozmente para suplantar a concorrência, não acabará por relegar a segurança a segundo plano e repetir tormentos como o do Titanic.

8475 – Transporte Público – Conhecendo as cidades que adotaram a Tarifa Zero


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Tallinn, Estônia
A cidade de Tallinn, capital da Estônia, adotou no começo deste ano o transporte público gratuito para todos os seus cidadãos — turistas ainda têm de pagar para usar os ônibus. O objetivo da prefeitura era aliviar o trânsito na cidade, antes que ele se tornasse tão pesado quanto em outras grandes capitais. Segundo os governantes, o dinheiro para pagar o projeto virá do imposto coletado de pessoas que habitavam a cidade mas ainda não tinham mudado seu endereço para lá. Agora, elas terão de mudar sua residência para ter o acesso gratuito aos ônibus.
Apesar de estar apenas nos primeiros meses, o projeto parece estar sendo bem-sucedido. O uso dos ônibus subiu 12% e o de carros caiu 10%. Alguns passageiros, no entanto, reclamam das linhas lotadas.

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Hasselt, Bélgica
Número de habitantes: 74.000
Início do projeto: 1997
Fim do projeto: 2013
Na década de 1990, os governantes de Hassel realizaram um projeto para reordenar completamente o transporte na cidade, que incluía abrir mão de construir mais vias e dar mais espaço para pedestres e bicicletas. O maior objetivo, no entanto, era levar mais pessoas para o transporte público — que era pouco usado pela população. Com a implantação de um sistema de ônibus gratuitos, o número de usuários cresceu até dez vezes. Dessas viagens, 37% eram feitas por novos usuários.
O dinheiro para o novo sistema saiu do orçamento municipal. Segundo os governantes, a iniciativa foi muito bem sucedida e trouxe novos negócios para a cidade, o que dava conta dos gastos iniciais. Com o passar do tempo, no entanto, os custos foram aumentando — dos oito ônibus iniciais, a cidade passou a contar com 46. Em 2013, com o orçamento cada vez mais apertado e a crise econômica longe de terminar, o sistema gratuito foi abandonado. Hoje, o ônibus é de graça apenas para menores de 19 anos e idosos. O resto da população tem de pagar 0,60 euros.

Changning, na China
Número de habitantes: 53.000
Início do projeto: 2008
Com o objetivo de economizar energia, proteger o ambiente, uniformizar o sistema de transportes e aumentar o bem-estar da população, a cidade de Changning, na província de Hunan, decidiu parar de cobrar para que as pessoas usassem as três linhas de ônibus da cidade. O custo do projeto foi estimado em um milhão de dólares, valor financiado por três fontes: o orçamento da cidade, receitas de publicidade nos ônibus e subsídios de combustível por parte do governo central.
Os usuários do sistema subiram de 11.400 por dia, em 2007, para 59.600 em 2010. Embora a população pareça apoiar o novo sistema de transporte público, os governantes dizem que não é possível aplicá-lo nas maiores cidades do país.

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Perth, Austrália
Número de habitantes: 1.897.000
Início do projeto: 1989
A cidade instituiu uma zona de trânsito gratuito em seu centro comercial, onde todos que usam o transporte público circulam de graça. Os passageiros podem andar em qualquer ônibus ou trem sem pagar nada, quantas vezes que desejarem, desde que fiquem dentro desses limites — uma área de 4×2 quilômetros que abrange as principais ruas da cidade.
Ao implantar o projeto, a ideia da prefeitura foi reduzir os congestionamentos na região central, que, como toda cidade de médio e grande porte, estava rumando para a paralisia. Um dos meios encontrados para financiar a ideia foi aumentar o valor cobrado nos estacionamentos dessa região central.

Aubagne, França
População: 46.000
Início do projeto: 2009
O projeto de transporte público gratuito começou apenas pela cidade de Aubagne, a oeste de Marselha, mas hoje atinge outras doze cidades próximas, totalizando 100.000 habitantes. Antes da implantação, o valor pago pelos passageiros representava apenas 9% dos custos do transporte público, o que levou o governo a levantar a possibilidade de instalar a gratuidade.
O dinheiro para custear o sistema veio de um aumento na taxa que as grandes empresas pagam para realizar transportes dentro da cidade. Estudos com a população mostram que o uso do transporte mais que dobrou após a gratuidade, os congestionamentos diminuíram 10% e mais de 90% dos usuários estão satisfeitos com o sistema.

Colomiers, França
Número de habitantes: 33.000
Início do projeto: 1971
Uma pequena comuna no subúrbio de Tolouse, Colomiers foi a primeira área da França a abolir as tarifas para o uso do transporte público — há mais de 40 anos. Como era uma cidade muito pequena, os custos do projeto não afetaram muito as contas da administração local. Hoje, as oito linhas de ônibus se mantêm gratuitas e pelo menos outras doze áreas do país deixaram de cobrar pelo uso do transporte público.

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Agudos, Brasil
Número de habitantes: 36.000
Início do projeto: 2003
Uma cidade pequena no interior de São Paulo, Agudos não cobra tarifas pelo uso dos 19 ônibus que circulam no local. Segundo a prefeitura, o número de usuários triplicou desde a implantação do sistema, que hoje transporta mais de 8.000 pessoas por dia.
O dinheiro para custear o projeto sai das contas municipais, mas, como a cidade é pequena, não afeta de grande maneira o orçamento.

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Austin, Estados Unidos
Número de habitantes: : 500.000
Início do projeto: 1989
Fim do projeto: 1990
A única grande cidade americana a implantar durante um tempo considerável (15 meses) um sistema de transporte público completamente grátis foi a capital do Texas, Austin, na época com 500.000 habitantes. Entre outubro de 1989 e dezembro de 1990, o aumento do uso dos ônibus gratuitos explodiu em 75%, e medidas adicionais de segurança e reparos de veículos acabaram custando mais caro.
As agressões físicas no transporte público da cidade pularam de 44 nos três meses anteriores ao experimento para 120 nos três meses posteriores. Ônibus escolares passaram a circular vazios, pois os estudantes preferiram usar os urbanos. A medida também foi impopular entre os motoristas de ônibus: 75% da classe assinou uma petição pedindo o fim da gratuidade devido a experiências traumáticas com bêbados arruaceiros e mendigos que fizeram do transporte público seu lar.

San Francisco

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Número de habitantes: 800.000
Projeto nunca aplicado
A cidade não chegou a implantar o sistema porque, depois de um estudo aprofundado, concluiu que não teria condições de sustentar o transporte público gratuito. A pedido do prefeito na época, em 2008, foi realizada uma análise para determinar os custos e benefícios para a cidade se as tarifas do sistema de transporte de São Francisco, o oitavo maior dos Estados Unidos, fossem eliminadas.
Foi projetado um aumento entre 35 e 40% na circulação de passageiros e descobriu-se que a prefeitura pouparia 8,4 milhões de dólares em operações anuais de manutenção e reduziria em 91 empregos do setor de transporte. Por outro lado, a perda de receita em tarifas seria de 112 milhões de dólares anuais, mais 72 milhões para mais motoristas e outros 512 milhões para a compra de novos ônibus e trens necessários para suprir a demanda de novos passageiros.

Chapel Hill, Estados Unidos
Número de habitantes: 57.000
Início do projeto: 2002
O maior sistema de transporte público gratuito em operação atualmente nos Estados Unidos fica em Chapel Hill, na Carolina do Norte, e continua sendo um caso de sucesso devido à educação — a medida foi aprovada para atender os estudantes da Universidade da Carolina do Norte que vivem na cidade. Com 7,5 milhões de viagens anuais, o transporte público de Chapel Hill carrega mais que o dobro de passageiros de qualquer outro sistema gratuito no país.
A administração da universidade concluiu que o valor das tarifas dos moradores que não estudavam na instituição era irrisório em comparação ao trabalho de avaliar os documentos dos estudantes que pediam subsídio no transporte público. Depois de um acordo com a prefeitura de Chapel Hill, a tarifa dos ônibus foi eliminada na cidade inteira. Segundo a prefeitura, em quatro meses, o número de passageiros aumentou em 43%.

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Baltimore, Estados Unidos

Número de habitantes: 600.000
Início do projeto: 2008
Em Baltimore, no estado americano de Maryland, existe um sistema de ônibus híbrido e gratuito, chamado Charm City Circulator. Diferentemente dos ônibus urbanos, os 21 veículos só trafegam por três diferentes rotas da cidade de 600.000 habitantes, como um ônibus turístico. O site oficial de Baltimore afirma que o objetivo é oferecer um transporte público gratuito que liga as principais regiões da cidade da maneira mais ecologicamente correta possível. Os veículos transitam sete dias por semana com uma frequência de 10 minutos e fazem conexão com metrô, trem e os principais terminais de ônibus.

8474 – Urbanismo – O transporte público gratuito é possível?


Protestos varreram várias das principais cidades do Brasil durante todo o mês de junho. A principal bandeira levantada pela multidão foi a queda nas tarifas de ônibus, que haviam subido em muitas capitais. Mas, segundo os organizadores dos protestos, o objetivo final era instaurar o passe livre — tornar gratuitos todos os meios de transportes públicos. Apesar do sucesso em reduzir a tarifa, quais são as chances reais de implantar a tarifa zero em cidades como Sao Paulo e Rio de Janeiro, que transportam milhões de passageiros por dia?

Experiências bem sucedidas
Cinco meses antes de os protestos estourarem no Brasil, a prefeitura de Tallinn, capital da Estônia, aboliu as tarifas de todo o transporte público que percorre a cidade. Segundo as regras implantadas, qualquer cidadão pode viajar quantas vezes quiser, sem desembolsar nada, nas linhas de ônibus que cortam a cidade. Os habitantes de Tallinn começaram a se habituar com o novo tipo de transporte gratuito e a deixar os carros em casa — o número de automóveis nas ruas caiu 9% nos primeiros meses.
Tallinn não é a primeira cidade a instaurar o transporte público grátis de maneira irrestrita.
Com mais de 420.000 habitantes, a capital trouxe à tona o debate sobre a possibilidade de cidades grandes darem espaço para o passe livre. Os motivos para esse tipo de iniciativa são vários, desde tornar o transporte mais acessível a todos até diminuir o uso de carros, reduzindo a poluição e o trânsito. A dúvida é se o projeto é sustentável financeiramente, pois o dinheiro que deixa de vir das tarifas tem de sair do orçamento da prefeitura ou de outra instância do poder público.
Em cidades menores, o modelo gratuito de transporte público tem se mostrado possível, com diversos exemplos pelo mundo. Em Colomiers, na França, por exemplo, os 33.000 habitantes não pagam nada para andar nas poucas linhas de ônibus da cidade — e isso desde a década da de 1970. Ao longo dos anos, outras doze áreas francesas copiaram o modelo (em Aubagne, ele ficou conhecido como Liberdade, Igualdade e Gratuidade). Isso é possível por causa do pequeno número de linhas que essas cidades têm, que praticamente não compensa o gasto para manter uma estrutura de cobrança de tarifas.
Nos Estados Unidos, o transporte também é gratuito em pequenas cidades como Bozeman, em Montana, e Commerce, na Califórnia. “Todos os sistemas de transporte gratuitos nos Estados Unidos estão ou em pequenas áreas rurais e urbanas ou em comunidades universitárias. É muito fácil para uma área urbana pequena com ônibus que só transportam um terço de sua capacidade máxima acomodar um aumento de 100% nos serviços de transporte”.

Cidades maiores costumam achar soluções de meio termo. Perth, na Austrália, com quase dois milhões de habitantes, instituiu ônibus gratuitos apenas em seu centro comercial. Isso acaba com o trânsito nessa área, mas no resto da cidade o transporte é pago. Outras cidades possuem apenas algumas linhas de ônibus gratuitas ou dias especiais em que o transporte não é cobrado, normalmente patrocinados por alguma empresa. É o que acontece em Londres, por exemplo, onde uma companhia de bebidas paga pelo metrô de todos os cidadãos na noite de ano-novo.
Nas grandes metrópoles, um sistema realmente abrangente de transporte gratuito nunca foi tentado, mas já foi planejado. A cidade de Nova York, por exemplo, já teve um projeto desenhado. Em 1965, o advogado Ted Kheel propôs a ideia de ônibus e metrôs gratuitos, bancada pelo aumento nas taxas de carros que trafegam por Manhattan. O projeto nunca foi adiante.
No Brasil, o próprio PT — que hoje é alvo dos protestos —, defendeu a ideia do passe livre em São Paulo. Durante o governo Luiza Erundina, no fim da década de 80, o partido propôs que o dinheiro necessário para a gratuidade do transporte saísse de um aumento no IPTU. O projeto não passou na Câmara Municipal.
Nos dois casos, os projetos esbarraram na dificuldade de arranjar verbas e na necessidade de aumentar impostos para financiar a empreitada. “É improvável que uma cidade grande com um sistema de transporte largamente utilizado torne seu uso gratuito. Pela simples razão de que essa política levará a uma utilização maior do serviço e a cidade precisará ampliar muito o número de veículos e operadores para responder à demanda. O sistema não apenas perderia a renda que estava recebendo, como também precisaria de mais dinheiro para pagar pela capacidade adicional”, diz Joel Volinski. É justamente por causa dessas dificuldades que a tentativa de Tallinn tem chamado tanta atenção e está sendo observada de perto por diversas cidades ao redor do mundo.
Tallinn é a primeira capital europeia a tentar implantar um sistema gratuito de transportes. Desde janeiro deste ano, não cobra de seus habitantes pelo uso de ônibus e bondes. Os turistas e visitantes têm de pagar 1,60 euros — e é aí que mora o segredo do projeto.

Para ter acesso ao direito de usar o sistema de graça, as pessoas que moram na cidade devem mudar oficialmente seu domicílio para lá, o que faz com que boa parte de seus impostos sejam destinada para a prefeitura local. Segundo os governantes, a nova leva de dinheiro custeia boa parte dos 12 milhões de euros que o novo sistema deve tirar do orçamento público. O resto deve vir de um aumento no valor cobrado por vagas em estacionamentos públicos nas regiões centrais da cidade.

Em março do ano passado, antes de o projeto ser aceito, a cidade passou por um plebicito para decidir se alterava o sistema de transportes. Cerca de 20% dos eleitores locais participaram, e a proposta de gratuidade venceu por 75%.
Os críticos da proposta dizem que o sistema deve onerar os cofres públicos e não passa de oportunismo político, para ajudar o atual prefeito, Edgar Savisaar, a ganhar as próximas eleições. Uma parte dos usuários reclama da lotação dos novos ônibus, que estariam cheios de mendigos. Mas o público em geral parece não concordar. Após quatro meses de implantação, o uso de ônibus subiu 12,6% na cidade e o de carros caiu 9%.
Keila, uma pequena cidade de 10.000 habitantes situada a 30 quilômetros de Tallinn, foi a primeira a copiar o projeto — já em fevereiro deste ano. O governo da Estônia diz estar avaliando a iniciativa. Cidades como Vilnius, Riga e Helsinque, capitais de Lituânia, Letônia e Finlândia, já disseram estar acompanhando de perto os resultados do novo sistema de mobilidade urbana. Com todo mundo de olho, o resultado da experiência pode ser tanto um fracasso retumbante quanto significar uma nova era para o transporte nas grandes metrópoles.

8473 – Automóvel – Fabricante de carros elétricos anuncia sistema para troca de bateria em 90 segundos


A Tesla Motors, empresa que produz carros elétricos de luxo e é queridinha de celebridades politicamente corretas, como George Clooney, anunciou na última sexta-feira um avanço tecnológico que deve contornar um dos maiores problemas apontados pelos usuários de seus produtos: a demora na recarga das baterias.
Em um evento que reuniu donos de carros, o presidente da empresa, Elon Musk, demonstrou o funcionamento de uma nova tecnologia de troca de baterias. Em vez de esperar até 40 minutos para que a recarga esteja completa, os proprietários poderão simplesmente trocar uma bateria vazia por uma cheia em um processo que não demora mais do que 90 segundos.
Elon Musk é um empresário e cientista sul-africano conhecido pela ousadia de seus negócios. Além da Tesla Motors, ele fundou a SolarCity, para a instalação de painéis solares em todo os EUA, e a Space X, companhia que produz foguetes para missões privadas.
A novidade anunciada por Musk é uma tentativa de superar um dos problemas que atrapalham a popularização dos carros elétricos. A bateria do modelo Tesla S pode ser carregada de graça em qualquer um dos pontos de recarga da empresa, mas a troca demora cerca de 40 minutos. Se o usuário decidir fazer o mesmo em casa, a operação pode demorar mais de 9 horas. A partir de agora, ele poderá decidir pagar pela nova bateria, que é feita instantaneamente. Segundo o site da Forbes, a troca deve custar entre 60 e 80 dólares e estará disponível até o final de 2013.

No evento em que anunciou a tecnologia, Elon Musk demonstrou que, no tempo que um carro a gasolina leva para encher o tanque, é possível realizar duas trocas de bateria. “Esperamos que isso, finalmente, convença as pessoas de que os carros elétricos são o futuro”, afirmou o empreendedor.
A medida é um passo importante para popularizar os carros elétricos, que, apesar de serem apontados como os veículos do futuro, ainda não decolaram em vendas. Alguns problemas importantes, no entanto, continuam momentaneamente sem solução: segundo os consumidores, o carro elétrico é muito caro — o Tesla S, por exemplo, custa de 62.400 a 87.400 dólares — e suas baterias duram pouco tempo.

8472 – Teste genético pode prever se asma na infância pode persistir na vida adulta


No futuro, um teste genético pode prever quais crianças com asma continuarão a ter problemas respiratórios quando se tornarem adultas. Segundo especialistas, isso poderá ajudar os médicos a identificar os pacientes que precisam de cuidados mais intensos na infância e, assim, reduzir o risco de a doença persistir a longo prazo. Essa conclusão faz parte de um novo estudo da Universidade Duke, nos Estados Unidos, que procurou por variações genéticas que estão relacionadas à persistência da asma ao longo da vida. A pesquisa foi publicada na revista The Lancet Respiratory Medicine.
Um teste genético poderia prever quais crianças asmáticas têm um maior risco de seguir com o problema na vida adulta. Isso porque aquelas que apresentaram mais variações genéticas entre 15 associadas à doença foram mais propensas a seguir com problemas respiratórios depois de quase 40 anos.
Segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês), órgão de saúde dos Estados Unidos, a asma atinge uma em cada 11 crianças, e metade delas continua sofrendo com o problema quando adultas.
O estudo, feito durante 40 anos, desenvolveu uma pontuação baseada em 15 variações genéticas que haviam sido previamente associadas à asma. Os pesquisadores observaram como a quantidade dessas variantes estava relacionada aos sintomas da doença apresentados ao longo dos anos por 880 pessoas com asma.
Quanto maior a ‘pontuação genética’ do individuo, maior o seu risco de crescer com asma. Isso porque as crianças que apresentaram as maiores pontuações – ou seja, mais variações genéticas relacionadas à doença — também foram mais propensas a continuar apresentando sintomas da condição depois de quase 40 anos de estudo. Além disso, essas crianças tiveram um risco maior do que as outras de faltar na escola ou de ser hospitalizadas por causa dos sintomas.
Segundo os autores do estudo, o histórico de asma na família não parece interferir nessa ‘pontuação genética’, sugerindo que muitos casos da doença ocorrem devido a fatores ambientais, como a exposição à poluição ou a outras substâncias ligadas a problemas respiratórios.

8471 – Biologia – Como os chimpanzés lidam com a morte


Os Estados Unidos anunciaram a decisão de aposentar 310 chimpanzés que eram utilizados em estudos científicos. Os animais serão levados para santuários ao longo dos próximos meses, restando apenas 50 chimpanzés para uso em pesquisas, que não poderão se reproduzir.
A decisão envolve questões éticas, como todo o caso de uso de animais em pesquisas, que são exacerbadas pela grande proximidade existente entre humanos e chimpanzés. Os estudos mais recentes mostram que as espécies têm mais de 98% do DNA em comum.
A carga genética em comum se manifesta de diversas formas: algumas características anatômicas, o hábito de viver em sociedade, capacidade de usar ferramentas, de aprender com seus companheiros, entre outros fatores. Uma dessas semelhanças, que ainda está em debate na comunidade científica, pode reforçar os argumentos contra o uso desses animais em pesquisas científicas: estudos indicam que chimpanzés têm consciência da morte. O assunto ganhou destaque em 2010, quando pesquisadores da Universidade de Stirling publicaram um artigo em que descrevem a morte da chimpanzé Pansy, em 2008.
Pansy tinha mais de 50 anos, idade avançada para um chimpanzé. Quando começou a sentir dificuldades para respirar e deitou-se, estavam ao seu lado sua filha Rosie, já adulta, e sua melhor amiga, Blossom. Pansy e Blossom haviam chegado juntas ao parque zoológico em que viviam (o Blair Drummond Safari and Adventure Park, na Escócia) trinta anos antes, e criado seus filhos juntas. Blossom ficou ao lado da amiga e segurou sua mão em seus momentos finais.

Quando os pesquisadores do zoológico perceberam o que estava para acontecer, ligaram câmeras no local e decidiram não interferir. As imagens obtidas mostram os outros chimpanzés ao lado de Pansy, acariciando-a e segurando sua mão. Após sua morte, seus companheiros chacoalharam seus braços e se aproximaram do rosto dela. Abriram sua boca e a inspecionaram, como se quisessem se certificar de que ela estava morta.
Alguns minutos depois, Chippy, filho de Blossom, que havia se aproximado do grupo, atinge o peito de Pansy com as duas mãos em punho. Aos poucos eles se afastam, com exceção de Rosie, que continua ao lado da mãe por algumas horas. Os três chimpanzés têm uma noite inquieta, trocando de posição com muito mais frequência do que o normal. Na semana seguinte todos estavam mais silenciosos, comeram pouco e se recusaram a se aproximar do local onde Pansy havia morrido, que os cuidadores já haviam limpado.
O caso de Pansy foi uma das poucas mortes naturais de chimpanzés observada por pesquisadores e contou com particularidades que permitiram seu estudo, como a colocação de câmeras no local e a decisão de não remover imediatamente o corpo de Pansy. O relato do ocorrido, escrito pelos pesquisadores, foi publicado no periódico Current Biology.
A mesma edição do periódico, de abril de 2010, trouxe outro artigo sobre o assunto. A pesquisadora Dora Biro, da Universidade de Oxford, e sua equipe observaram a morte de cinco chipanzés de um grupo das florestas de Bossou, Guiné. Entre os animais, mortos por uma doença respiratória, estavam dois filhotes – Jimato, com um ano de vida, e Veve, com dois. As mães carregaram os corpos de seus filhos por semanas após sua morte (por 68 e 19 dias, respectivamente). Elas espantavam os insetos de perto deles, os acariciavam e até permitiam que outros filhotes “brincassem” com eles.
Analisando as imagens descritas, muitos pesquisadores apontam paralelos com atitudes humanas – como o velório e o luto, no caso de Pansy. As evidências, porém, não são suficientes para que se possa afirmar o que ocorre de fato com esses animais. A particularidade da situação, que não pode ser reproduzida de forma controlada e testada cientificamente, dificulta conclusões sobre o assunto.
Hipóteses não faltam. Quando escreveram o artigo sobre Pansy, os autores sugeriram que o ataque de Chippy ao corpo poderia tanto significar uma tentativa de ressuscitá-la como a frustração em decorrência da perda. Sobre os chimpanzés de Bossou, os autores do estudo afirmam que não se pode ter certeza de que as mães soubessem que os filhos estavam mortos, pois continuaram cuidando deles durante algum tempo como se estivessem vivos. Para outros cientistas, a hipótese mais provável é a de que aquelas mães precisavam de um período de contato maior para aceitar a perda dos filhos.

Cada vez mais a ciência encontra semelhanças entre os humanos e seus parentes próximos, os chimpanzés. Além da proximidade genética, estudos mostram que eles são capazes de aprender códigos, têm senso de justiça, fazem guerras, têm consciência de si e transmitem conhecimentos, formando aquilo que chamamos de cultura, que pode inclusive variar de um grupo de chimpanzés para outro.
Apesar das poucas evidências registradas até hoje, a suspeita de que chimpanzés e seres humanos reagem de modo parecido à morte apoia a decisão tomada pelo governo americano de reduzir a quantidade de cobaias. De qualquer forma, os estudos ajudam a explicar as origens evolutivas do luto.

Trauma e depressão
Em 2010, Martin Brüne, professor de psiquiatria da Universidade Ruhr de Bocum, na Alemanha, foi convidado por uma fundação holandesa para tratar chimpanzés que sofriam distúrbios psiquiátricos após terem sido abandonados por laboratórios onde serviam de cobaias para pesquisas científicas. Separados muito cedo da mãe, infectados com doenças, e isolados de qualquer contato com outros animais, esses chimpanzés apresentam problemas de relacionamento e comportamentos anormais, como automutilação, movimentos repetitivos e regurgitação – sintomas que podem ser comparados aos vistos entre humanos que sofrem de depressão, ansiedade e síndrome do stress pós-traumático. Cinco animais participaram de um tratamento experimental com antidepressivos, e apresentaram melhoras consideráveis.

Desafios
Um estudo da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) mostrou que os chimpanzés, assim como os humanos, demonstram satisfação quando superam desafios. Para chegar a esta conclusão, os cientistas apresentaram um desafio a seis chimpanzés adultos, dos zoológicos da ZSL.
O estudo concluiu que os primatas ficaram instigados com o desafio e mantinham-se motivados a cumprir a tarefa que lhes era apresentada, mesmo quando ela não representava uma recompensa direta, como a obtenção de um alimento. Para os cientistas envolvidos no estudo, isto é um indicativo de que os chimpanzés têm sentimento de satisfação similar ao dos humanos, que costumam completar jogos de raciocínio apenas pela recompensa de se sentirem bem com isso.

Senso de justiça
Para descobrir se os chimpanzés compartilhavam com os humanos o senso de justiça, pesquisadores da Universidade Emory, nos Estados Unidos, adaptaram para eles dois experimentos muito utilizados em humanos: o jogo do ultimato e o jogo do ditador. No jogo do ultimato, o primeiro participante tem de escolher como uma recompensa será compartilhada, e o outro pode aceitar ou não a divisão. Se ele recusar, ninguém ganha valor nenhum. O jogo do ditador funciona de modo parecido, mas o segundo jogador não tem poder para recusar a oferta do primeiro.
Na nova versão, dois macacos são colocados em jaulas separadas. O primeiro deve escolher entre duas fichas, que podem ser trocadas por bananas. Para receber a recompensa, ele deve entregar a ficha para o segundo macaco, que escolhe se a repassa para o pesquisador. Uma das fichas representa um recipiente onde as bananas estão divididas de modo igualitário. Na outra, elas estão dividas em uma proporção de 5 para 1, favorecendo o primeiro macaco. Na maior parte das vezes, os chimpanzés escolheram uma distribuição igualitária das bananas, o que indica que eles têm senso de justiça, apesar de às vezes agirem de forma egoísta – como seus parentes humanos.

Aprendizado com seus pares
Um estudo publicado na revista Current Biology mostrou que crianças de dois anos e chimpanzés costumam seguir as atitudes tomadas por seus pares. A equipe responsável pelo estudo construiu uma caixa com três divisões, cada uma delas com um buraco e cores diferentes. Ao colocar bolas nesses buracos, apenas uma delas liberava uma recompensa. Crianças, chimpanzés, e orangotangos sem familiaridade com as caixas viram como quatro indivíduos de suas espécies interagiam com os objetos – eles haviam sido orientados pelos pesquisadores a escolher sempre a mesma cor. Quando chega a vez das crianças de dois anos e dos chimpanzés colocarem as bolas nas caixas, eles tendem a optar pela mesma cor favorecida pelos companheiros. Já os orangotangos escolheram ao acaso.

Busca pela ordem
Cientistas da Universidade de Zurique, na Suíça, confirmaram que os chimpanzés costumam intervir em um conflito entre outros membros do bando, a fim de preservar a paz dentro da comunidade. A vontade dos árbitros em intervir é ainda maior se muitos macacos estão envolvidos em uma disputa que particularmente põe a paz do grupo em risco. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores observaram e compararam o comportamento de quatro diferentes grupos de chimpanzés em cativeiro. Nesses grupos, a estabilidade havia começado a oscilar com a introdução de novas fêmeas