13.699 – Neurologia – Dormir pouco faz o cérebro destruir seus próprios neurônios


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Dormir traz diversos benefícios para os seres vivos – principalmente para nosso cérebro. Além de repor as energias que gastamos durante o dia, o sono também “limpa” os restos da atividade neural que são deixados para trás durante o dia a dia e podem ser prejudiciais. Mas agora, em uma nova pesquisa, pesquisadores descobriram algo curioso: este mesmo mecanismo de limpeza acontece também em cérebros que estão sendo privados do sono ou que têm dormido pouco. Mas com um porém: ao invés de limpar os restos das sinapses, estes cérebros começam a limpar as próprias sinapses e neurônios, em um processo que beira o canibalismo.
A equipe, liderada pela neurocientista Michele Bellesi, da Universidade Politécnica de Marche, na Itália, examinou a resposta do cérebro de mamíferos aos maus hábitos de sono e descobriu essa semelhança bizarra entre os ratos descansados ​​e sem sono. E o pior: a recuperação do sono pode não ser capaz de reverter os danos nos cérebros que passam a se alimentar de si mesmos.
Como as células em outras partes do corpo, os neurônios do cérebro estão sendo constantemente atualizados por dois tipos diferentes de células gliais, que funcionam como uma espécie de cola do sistema nervoso.
Umas delas, as células da microglia, são responsáveis ​​por limpar as células velhas e desgastadas através de um processo chamado fagocitose. Já os astrócitos removem as sinapses desnecessárias no cérebro para refrescar e remodelar sua fiação.
Sabemos que esse processo ocorre quando dormimos para limpar o desgaste neurológico do dia, mas agora parece que a mesma coisa acontece quando começamos a perder o sono. Mas ao invés de ser uma coisa boa, o cérebro começa a devorar partes saudáveis de si mesmo e se machucar.
Para descobrir isso, os pesquisadores imaginaram os cérebros de quatro grupos de ratos: um grupo foi deixado para dormir por 6 a 8 horas (bem descansado); outro foi periodicamente acordado do sono (espontaneamente acordado); um terceiro grupo foi mantido acordado por mais 8 horas (privação de sono); e um grupo final foi mantido acordado por cinco dias seguidos (cronicamente privados de sono).Quando os pesquisadores compararam a atividade dos astrócitos entre os quatro grupos, identificaram-na em 5,7% das sinapses dos cérebros de camundongos bem descansados ​​e em 7,3% dos cérebros de camundongos espontaneamente acordados.

Nos camundongos privados de sono e cronicamente privados de sono, eles notaram algo diferente: os astrócitos aumentaram sua atividade para realmente comer partes das sinapses, como as células microgliais comem resíduos – um processo conhecido como fagocitose astrocítica.
Nos cérebros de camundongos privados de sono, descobriu-se que os astrócitos estavam ativos em 8,4% das sinapses e, nos camundongos cronicamente privados de sono, 13,5% das sinapses apresentavam atividade astrocitária.

Qual o rempo ideal por faixa etária?
Você já deve ter notado que um recém-nascido dorme praticamente o dia todo, enquanto uma pessoa idosa dorme poucas horas durante a noite. Em cada fase da vida há diferentes necessidades de descanso. Qual é a sua?
Recém-nascidos (0 a 3 meses): 14 a 17 horas por dia;
Bebês (4 a 11 meses): 12 a 15 horas por dia;
Crianças pequenas (1 a 2 anos): 11 a 14 horas por dia;
Crianças em idade pré-escolar (3 a 5 anos): 10 a 13 horas por dia;
Crianças em idade escolar (6 a 13 anos): 9 a 11 horas por dia;
Adolescentes (14 a 17 anos): 8 a 10 horas por dia;
Jovens (18 a 25 anos): 7 a 9 horas por dia;
Adultos (26 a 64 anos): 7 a 9 horas por dia;
Idosos (mais de 65 anos): 7 a 8 horas por dia.
Ao ler a lista, você deve estar se perguntando o que motivou os pesquisadores a dividirem a faixa etária de 18 a 64 anos em “jovens” e “adultos”, já que as horas de sono indicadas são as mesmas. Isso foi feito porque os especialistas também avaliaram que alguns indivíduos nessas idades podem ter necessidades de sono um pouco abaixo ou acima da recomendação, mas que isso não chega a ser um problema. Para os jovens, pode ser apropriado dormir entre 6 a 11 horas, enquanto para os adultos esse tempo cai levemente para 6 a 10 horas. Aí está a diferença entre as duas fases.
Os especialistas apontam que qualquer necessidade de sono muito acima ou muito abaixo da recomendada pode ser um sintoma importante de um problema de saúde sério que precisa ser investigado. Eles também alertam que pessoas que escolhem dormir muito menos do que o recomendado para o seu grupo etário podem estar comprometendo seu bem-estar.

13.698 – Projeções – Como a ficção científica explica a realidade


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Um governo que inventa informações para manipular a realidade a seu favor e dá a isso o nome de “fatos alternativos”. Poderia ser no livro 1984, de George Orwell, mas aconteceu quando a assessora presidencial norte-americana, Kellyanne Conway, apresentou números inflados de pessoas que haviam assistido ao vivo à posse de Donald Trump.
Uma sociedade em que mulheres são subjugadas e obrigadas a gestar bebês de seus estupradores. Poderia ser na obra The Handmaid’s Tale (ou O Conto da Aia, Ed. Rocco), escrita por Margaret Atwood e adaptada para a TV, mas é também o que pode acontecer no Brasil caso a PEC 181 seja aprovada.
Uma supermáquina envia ao passado um robô assassino para matar a mãe de seu futuro algoz antes mesmo que ele nasça. Poderia ser em O Exterminador do Futuro — e, nesse caso, é mesmo.
Muitas vezes, a ficção encontra formas pouco óbvias de simular a realidade em que vivemos. Entre todos os gêneros, a ficção científica (FC) é certamente um dos mais hábeis nesse quesito. Ao dissipar a fumaça produzida por carros voadores e naves alienígenas, o que sobra é uma reflexão profunda acerca da natureza humana e do modo como conduzimos o presente, não o futuro.

“A boa ficção científica age do mesmo modo que a boa literatura e a boa arte mainstream: expandindo nossa consciência, nossa inteligência”, afirma o escritor e crítico literário Nelson de Oliveira. “Ela faz isso ao abordar temas que estão fora do cardápio da literatura realista-naturalista. A boa ficção científica extrapola o aqui-agora radicalmente, de uma maneira que nenhum outro gênero literário consegue fazer.”
Para a escritora Ursula K. Le Guin — falecida em janeiro —, além de extrapolação, a FC é um experimento mental. “O objetivo do experimento mental, termo usado por Schrödinger e outros físicos, não é prever o futuro — na verdade, o experimento mental mais famoso de Schrödinger [o do gato] acaba mostrando que o ‘futuro’, no nível quântico, não pode ser previsto —, mas descrever a realidade, o mundo atual”, escreveu a autora na introdução de uma de suas obras mais aclamadas: A Mão Esquerda da Escuridão (Ed. Aleph). “A ficção científica não prevê; descreve.”
Não é à toa, portanto, que, apesar de completar cinco décadas neste ano, uma obra como 2001: Uma Odisseia no Espaço continue tão conservada que pareça ter sido colocada em uma câmara de criogenia. A diferença é que obras assim, ao saírem do congelamento, não estranham o mundo, uma vez que já o conhecem perfeitamente. Isso mostra que o tempo só é um problema para quem o entende como uma sucessão de acontecimentos que formam passado, presente e futuro.
Obras-primas como a de Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke estão livres dessa “ilusão persistente” — como definiu Albert Einstein —, afinal, não são elas que existem no tempo, e sim o tempo que existe nelas.
Segundo Fusco, somos seres frágeis e curiosos na mesma proporção, e a busca da FC é, acima de tudo, a busca pela essência humana: “2001 nos apresenta isso de forma magistral, tanto em livro quanto em filme”.
Ultimamente, como um sintoma de que a sociedade se aproxima do desencanto, um dos subgêneros mais desgraçados da FC vem ganhando cada vez mais destaque: a distopia.
A questão é: por que, nos últimos tempos, nos vemos mais refletidos no espelho negro das distopias do que nas utopias? O que isso diz sobre nós?

13.697 – História da Civilização Grega


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Os gregos são originário da península Balcanica. Vindos do Norte, das planícies eurasianas, os indo-europeus encontraram a Grécia com um clima sempre ameno, o céu e o mar azuis, e nela permaneceram.
No século XX a.C. os povos indo-europeus enfrentaram os Pelágios que habitavam a região, e os dominaram.
Como a superfície contínua da Grécia era bastante limitada, os gregos, passaram a habitar também as ilhas próximas, bastantes numerosas. A ilha de Eubéia ficava separada do continente pelo estreito de Euripes. Ítaca, Cefanônia, Córcira e Zaquintos localizavam-se no mar Jônico. Ao sul do Peloponeso, ficava Cítara, que representava uma etapa para a ilha de Creta, a mais extensa de todas. As Cícladas (Andros, Delos, Paros, Nexos) localizavam-se no Egeu, bem como as Espóradas (Rodes, Samos, Quios, Lesbos). Essas ilhas constituíam a Grécia colonial, constituídas por terras mais distantes:

Ásia Menor (Eólia, Jônica,Dória),
Sul da Itália (Magna,Crécia),
Costa egípcia (Náucratis).

Desde o período neolítico que se tem notícia da presença do homem na península Balcânica. Os pelasgos foram seus primeiros habitantes, possivelmente, de origem mediterrânea. Os cretenses, porém, foram mais importante como civilização, predominando em toda a região do Egeu. Tantos os pelasgos como os cretenses, geralmente são considerados povos anteriores aos gregos (povos pré-helênicos).
A história egeana teve suas origens na ilha de Creta, irradiando-se daí para a Grécia continental e também para a Ásia Menor. Cerca de 1.800 a.C., Cnossos e Faístos, na ilha de Creta, atingiram o seu apogeu. O palácio de Cnossos foi destruído entre cem e duzentos anos mais tarde. Formou-se uma nova dinastia, à qual se deve diversas transformações, inclusive o tipo de escrita. Os cretenses experimentaram outro período de apogeu, cerca de cinqüentas anos mais tarde, quando atingiram a Ásia menor, reconstruindo Tróia, e a Grécia continental, construindo aí Tirinto e Micenas. Os chamados “povos do mar” surgiram pelos fins do século XV a.C., e por certo foram os predecessores dos povos gregos. Eram os aqueus, povos de origem indo-européia. Da miscigenação de cretenses e aqueus originou-se a civilização Miceniana.
Duzentos anos mais tarde, os dórios, os jônicos e os eólios, outros povos helênicos, transferiram-se para Grécia. Os invasores venceram os aqueus, e substituíram as cidades pelas suas. Tais cidades viram transformar-se nas grandes representantes da Grécia Antiga: Atenas, Tebas, Esparta e outras.
Os tempos pré- helenicos- na época neolitica a Grécia passou por várias ondas de povoamento; na Tessália descobriam-se em sesklo e dhimini, importantes vestigius de comunidades agrícolas e pastoris. De 2600 1900 a. C., o período dito heládico antigo corresponde ao bronze antigo, o conjunto do território grego povoou-se pouco a pouco, e as relações marítimas com as ilhas do mar Egeu, estabelecidas ha muito, intensificaram-se.
A idade média helênica: (do Séc. XI ao VIII a. C.). Referem-se a esse período obscuro os textos de Homero e de Hesiodo. A arqueologia revelou a extensão do uso do ferro, o aparecimento de uma nova cerâmica com elementos geométricos e a prática da cremação. Um movimento de migração e de conquista levou os gregos para as costas da Ásia menor. Foi ai, sem dúvida, que se moldaram, progressivamente, os traços da grega clássica, imediatamente retomados e desenvolvidos no resto do mundo helênico, e também a organização política e social da cidade (ou Polis), em que o proprietário mais poderoso exercia a função de rei (basileus). Mas uma mesma civilização (língua, depois escrita, deuses e regras morais comuns) compensou a dispersão territorial.
Os tempos arcaicos: (do Séc. VIII ao VI a. C.). Essa época deve seu nome a arqueologia, que nela situa as primeiras manifestações da arte grega. Um regime aristocrático estendeu-se então, a todas as cidades gregas. A realeza do tipo homérico desapareceu e a um minoria de privilegiados pelo nascimento e pela fortuna (os eupátricas) possuía a terra e a autoridade do Séc. VIII ai VI a. C. um vasto movimento de colonização levou a fundação de cidades gregas nas costas do Mediterrâneo e do ponto Euxino. Essa emigração foi, primeiramente, uma solução para a demanda de terras por parte dos mais pobres; além disso, estabeleceram-se novos vínculos comerciais. No final, a colonização, ao modificar as relações econômicas tradicionais, provocou, nas cidades oligárquicas, um duplo movimento: aqueles que enriqueceram com o comércio e o artesanato reivindicavam direitos políticos, enquanto os pequenos camponeses e a mão-de-obra urbana desejavam uma revolução social. Legisladores, como Sólen em Atenas (inicio do Séc. VI a. C.), encarregados de julgar os conflitos, redigiram leis escritas, a partir de então aplicáveis a todos (nomoi). A insuficiência dessas reformas fez surgir uma fórmula política nova: em numerosas cidades, um tirano era encarregado de toda a autoridade, para reequilibrar as instituições sociais, mas os regimes tirânicos, mesmo o que pisístrato fundou em Atenas, não puderam resistir a vontade dos cidadãos de assumirem suas responsabilidades políticas. O valor das instituições elaboradas na época arcaica e a coesão da cidade manifestaram-se durante as guerras médicas (490-479 a. C.). Em maratona (490 a. C.). Os hoplitas ateniense determinaram a vitória; em salamina (480 a.C.), os persas foram derrotados por uma frota em que os mais pobres da cidade serviram com remadores e ganharam, assim, uma nova dignidade.
A crise da cidade no Séc. IV a. C.: a maioria das cidades gregas foi perturbada por conflitos sociais, conseqüências das guerras; a uma minoria de ricos comerciantes, de manufatureiros e de grandes proprietários opunha-se o povo, freqüentemente privado de suas terras e que sofria, em seu trabalho, a concorrência dos escravos. Todos os filósofos sentiram a necessidade de reformar a cidade ( Xenofonte, Platão ). O indivíduo reivindicava seus direitos e sua liberdade contra a lei cívica; o processo de Sócrates ( 399 ) traduz o problema assim engendrado. O mundo grego sentiu sua falência política: os oradores, Isócrates sobretudo, pregavam a necessidade da união, e o fracasso das antigas alianças fez com que se pensasse que apenas um rei poderia agrupar as forças vivas do helenismo.
A intervenção da Macedônia ( 359 a 323 a. C. ). Felipe II da Macedônia fez de seu reino uma monarquia centralizada, dotada de um exército numeroso, cujo núcleo era a falange. Soube utilizar as discórdias das cidades para inverter na Grécia e dissolver o Império ateniense no norte do Egeu. Após a paz de Filocrates ( 346 ), o conflito assumiu o aspecto de uma luta entre o rei e o orador ateniense Demóstenes, que organizou a defesa de Atenas e concluiu uma aliança com Tebas. Mas o esforço de guerra foi tardio e Felipe venceu em Queronéia ( 338 . encerrou-se, assim, a independência das cidades gregas. A paz de 338 castigou duramente Tebas e privou Atenas de sua confederação. A liga de Corinto deu a Grécia uma nova organização; as cidades deveriam viver em paz e aderir a liga, cujo generalismo ( hegemon ) era Felipe.

Com a morte de Felipe ( 336 ), uma tentativa de revolta fez com que Tebas fosse arrasada. Os gregos pouco participaram da expedição de Alexandre, que partiu para libertar as cidades gregas da Ásia; na verdade ele criou um mundo novo, cuja base foi a civilização grega.
A Grécia Bizantina: após 395, a Grécia, incluída no Império Romano do oriente, foi devastada repetidas vezes pelas invasões. Os eslavos se instalaram a partir de 547 e se converteram ao cristianismo a partir do Séc. IX, enquanto os primitivos habitantes refluíram para as regiões costeiras e para as ilhas.
A herança cultural da Grécia triunfou no Império do oriente, que se tornou o Império Bizantino. Teodósio II fundou em constantinopla uma universidade grega ( 425 ) e autorizou a realização dos julgamentos em língua helênica. Se Justiniano fechou em 529 as escolas filosóficas de Atenas, vistas como um foco de paganismo, por outro lado utilizou a língua grega em vários de seus atos públicos. Por volta de 630, Heráclio adotou um título de Basileus e fez do grego a língua oficial. A utilização da língua grega contribuiu para a difusão da igreja cristã. A Grécia como o restante do oriente, aderiu ao crisma de 1054, vinculando-se ao patriarca de constantinopla. A história da Grécia confundiu-se, a partir daí, com as vicissitudes do império Bizantino. Em particular, a IV a cruzada ( 1204 ) levou a criação do Império latino, confiado ao conde de Flandres, Balduíno, que estendeu sua autoridade sobre a Trácia, e a formação de principados francos: o reino de Tessalônica, tomado pelos Bizantinos em 1222; o Peloponeso, que se transformou em principado da Acaia ou Moréia; e o ducado de Atenas. Nos Sécs. XIV e XV, venezianos, catalões e genoveses disputaram a posse da Grécia propriamente dita.

Os povos invasores foram:

Aqueus: Invadiram a ilha de Creta, destruindo sua civilização e fundaram a cidade de Micenas.

Jônios: Invadiram a região de Creta.

Dórios: Invadiram o Peloponeso, dominaram os Aqueus que já haviam também se estabelecido e impuseram sua civilização.

O Clima na Grécia Antiga
Tinha um clima ameno e agradável. Aproximadamente 640mm de chuva caíam a cada ano, principalmente no inverno. No verão, o povo vivia quase inteiramente ao ar livre. Embora os ventos de inverno fossem frios, os gregos promoviam a maioria dos divertimentos e reuniões públicas fora dos recintos cobertos.

Homero escreveu livros que durante muitos anos foram considerados relatos de lendas gregas.
Mas quando o arqueólogo alemão Heinrich Schliemann escavou e descobriu, em 1870, Tróia, os textos de Homero adquiriram veracidade e importância histórica.

Em virtude disso, a história da Grécia divide-se nos seguintes períodos:

Pré-Homérico
Homérico
Arcaico
Clássico

a)Período Pré-Homérico: séculos XX-XII a.C.

Carcterizado pelo povoamento dos povos indo-europeus.

b)Período Homérico: séculos XX-VIII a.C.
Caracterizado pela formação dos genos, que eram pequenas comunidades dirigidas por um chefe político, o basileu.
No geno a terra era coletiva e cultivada por todos. Um conjunto de genos formava a fatria e um conjunto de fatrias formava uma tribo.
Com o crescimento da população dos genos, as terras tornaram-se poucas para a agricultura e muitos abandonaram a região, gerando a desintegração do sistema.
Ao saírem, dirigiam-se para as colônias do Norte da África, Sul da Itália, França e Espanha.A todas essas localidades, deu-se o nome de Mundo Grego.

c) Período Arcaico: séculos VIII-VI a.C.

Caracterizados pela formação das cidades-Estados, assim denominadas porque tinham governo e economia independentes.

Seus govenantes, segundo o costume da democracia grega, podiam ser escolhidos pelo povo.

d) Período Clássico: séculos VI-IV a.C.

Caracterizado pela hegemonia e imperialismo das cidades de Atenas, Esparta e Tebas.

Domínio da Macedônia
Habitando o norte da Tessália, os macedônios eram de origem desconhecida, semi-bárbara.Mas embora não fossem gregos, participavam da política grega.
O orador demóstenes, temendo seu poderio, alertava os gregos para o perigo de uma invasão macedônica, nos seus famosos discursos: as Filípicas.

Governo:
Dominava a Macedônia o rei Felipe II, que participava como juiz nas disputas entres as cidades gregas. Conhecendo a defesa das cidades, durante a luta entre Tebas e Esparta, ataca e sai vencedor.
Após a vitória, morre, em 336 a.C, assassinado.

Governo de Alexandre:
Acreditava-se que ele era o própio filho de Zeus e da rainha Olímpia. Foi desde cedo enviado à Grécia para estudar. De grande cultura, chegou a ser discípulo de Aristóteles.
Unificou o povo Grego e conquistou a pérsia, o Egito, A Mesopotâmia, a Fenícia, a Síria e a Palestina, construindo um dos maiores impérios da Antiguidade e transmitindo-lhe a civilização grega. Ou seja, Alexandre Magno propiciou a helenização dos povos conquistados.

Fundou na foz do Nilo a cidade de Alexandria.
Morreu aos 33 anos. Após sua morte o vasto Império desmorona, dividido por seus generais em 3 grandes reinos:
Egito, Fenícia e Palestina: com Ptolomeu.
Pérsia, Mesopotâmia e Síria: com Seleuco.
Macedônia e Grécia: com Cassandro.

Legado Cultural
A base da cultura européia ocidental foi formada pelo legado dos gregos.
Sua Filosofia permaneceu viva nos ensinamentos de Demócrito, Anaxágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Tales de Mileto etc.
As obras dos grandes pensadores gregos são estudadas ainda hoje, como, por exemplo, “A república”, “O banquete” e “Fedon” de Platão; e “A política” de Aristóteles.

Na medicina destaca-se Hipócrates; Euclides e Pitágoras, na Geometria; Arquimedes, na Física.
Nas artes a busca da perfeição estética foi uma constante.
Durante o século V a.C. a cultura grega atinge seu apogeu, sob o governo de Péricles, que protegeu os artistas e ordenou a construção de inúmeros monumentos.
Fídias é o maior escultor desse período.Sua estátua de Zeus Olímpico foi considerada uma das maravilhas do Mundo antigo.

Miron destaca-se com o “Discóbolo”, em homenagem aos atletas.
Templos, teatros, anfiteatros e Odeons eram construído em mármore branco para a grandeza da Grécia, para que ela fosse vista pelos estrangeiros e sua beleza divulgada no mundo inteiro.
Seus padrões de colunas eram invejados e copiados por outros povos.

As peças de teatros ainda hoje são representadas em nossos teatros e seus autores, reverenciados: – Sófocles, Eurípedes e Aristófanes.
O grego Heródoto é considerado o pai da História.
Os Poemas de Homero
Os poemas homéricos, Ilíada e Odisséia, narram esses tempos de lutas e de lendas. O primeiro narra a guerra entre gregos e troianos, com a vitória dos primeiros. A Odisséia, conta as aventuras de Ulisses (Odisseu), rei de Ítaca. Por isso, esse período é chamado de Tempos Homéricos.

As Cidades Gregas
As cidades gregas são encontradas nos tempos históricos mais remotos. Muitas dessas cidades apresentavam uma organização perfeita. Tomamos conhecimento dos genos, minúsculas comunidades naturais em que os gregos anteriormente viviam, apenas através das lendas e dos poemas homéricos. O genos era constituído por todos os que prestavam culto a antepassados comuns que tinham o mesmo sangue. Com o tempo, esses genos foram se agrupando, a fim de obterem melhores condições de vida, e deram origem a cidades.
Os gregos, porém, fundaram muitas cidades, cada qual mantendo sua independência. Possuíam também seus próprios reis, hábitos e regulamentos. Apesar disso, os gregos sentiam que formavam um só povo, o que desenvolveu na Grécia o sentimento pátrio.

As Colônias Gregas
As colônias foram o meio utilizado pelos gregos para disseminarem a sua religião e seus hábitos por toda a extensão do Mediterrâneo. A fundação de colônias gregas não era devida à iniciativa do Estado. Um grupo de elementos, obedecendo à chefia de um, encarregado de levar o fogo sagrado, saía da mesma cidade à procura de um local onde pudesse se estabelecer e construir cidades independentes, ligadas apenas pela religião à cidade de origem. Essa modalidade de colônia é denominada apoequia.
No século X a.C., os atenienses criaram um novo tipo de colônia, a olerúquia. Era obra do Estado, e os emigrantes conservavam os seus direitos de cidadania.
Algumas colônias gregas: vilas na Sicília, sul da Itália, Turquia, terras no mar Negro, Índia, Portugal e Sudão.

A Evolução Grega
Em algumas cidades, a agricultura foi substituída por outras atividades econômicas, que atraíram elementos estrangeiros e provocaram o aumento do números de escravos. As classes que não participavam da política aumentaram, numericamente, enquanto se agrupavam na cidade propriamente dita. Com isso, tomaram consciência da força que possuíam que até então haviam ignorado por causa de sua vida dispersa na lavoura.
O aparecimento da moeda foi outro fator da revolução da econômica. Riquezas móveis se constituíram e, houve descontentamento entre as classes sociais inferiores. As lutas políticas sucediam-se. Como solução, promulgaram-se leis para regulamentarem as relações de classes.
Os excessos de luxos constituíram uma das preocupações de quase todos os legisladores. Conhecem-se leis de Pítacos, Sólon e Zaleucos relativas ao uso de jóias femininas e cortejos fúnebres.
Com a crise, o regime aristocrático propiciou o surgimento da tirania, representada pelo menos por duzentos tiranos distribuídos ao longo da história grega.

Os tiranos gregos tinham como principal intuito serem aceitos pelo mundo como protetores da justiça e da religião, e procuravam rodear-se de literatos e de artistas, que os transformavam em elementos benfeitores, conseguindo-lhes com isso simpatia e prestígio.

Espartanos e Atenienses

Os atenienses constituíram a democracia padrão na Grécia clássica.

Os espartanos, como mantinham condições de vida semelhantes a de um exército recluso, sofreram poucas modificações políticas, permanecendo sempre com as características de um Estado aristocrático.

Tanto Esparta como Atenas mantiveram constantes lutas pela hegemonia grega. Atenas teve o seu apogeu no transcorre da época de Péricles (463-529 a.C.). Péricles foi o principal representante do partido democrático, que subiu ao poder em 463 a.C.. Teve como principal objetivo de sua política a melhoria das condições de vida da população, transformando e melhorando também as características da política externa.

Quanto à cultura, procurou atrair os intelectuais de todas as localidades da Grécia, favorecendo-os e instalando-os em Atenas. Sua época foi marcada por nomes de grandes personalidades:

Fídias, arquiteto e escultor;
Sófocles, autor de tragédias;
Heródoto, o grande historiador;
Ésquilo, autor de tragédias;
Sócrates, o pai da filosofia;
Eurípedes, autor de tragédias;
Aristófanes, comediógrafo.

No fim do governo de Péricles, eclodiu a luta entre Esparta e Atenas, que seria uma das mais longas e violentas guerras do mundo antigo, e que passou para a História como a guerra do Peloponeso.

Os constantes desentendimentos bélicos entre as cidades gregas somente conseguiram abalar a unidade do país, propiciando a Filipe I I que concretizasse a sua conquista.

Após haver conseguido impor-se aos gregos, muitos acreditam que o rei macedônio estivesse cuidando dos preparativos para submeter os persas, o que não conseguiu levar a contento, pois foi assassinado por Pausânias, em 336 a.C., deixando seu trono para seu filho, Alexandre.

As Conquistas de Alexandre

Contava, então, Alexandre, 20 anos, e era considerado um homem culto e admirador do helenismo, acreditando-se que tenha sido discípulo de Aristóteles. Tratou de consolidar, na Grécia, a obra de Filipe. Invadiu Tebas, e a destruiu. Venceu Atenas. Depois da vitória de Granico, submeteu a Ásia Menor, além de outras vitórias. Morreu em 323 a.C.
Depois de sua morte, desentendimentos e lutas entre os generais provocaram a divisão do Império em 3 grandes reinos:

o do Egito;
o da Síria;
o da Macedônia.

Tempos depois, reinos menores originaram-se desses 3 grandes reinos:

Epiro;
Ponto;
Bitínia;
Galátia;
Pérgamo;
Capadócia;
Pártia;
Bactriana.

Esses pequenos reinos constituíam os estados helenísticos.

Período Helenístico

Também na religião o regime se impôs. Foi estabelecido o culto dos reis, transformando o rei quase em um deus.

A escultura helenística orientava-se no sentido de causar efeito, e se caracterizava pelas grandes proporções. Os principais centros esculturais foram Pérgamo e Rodes. O Colosso de Rodes era uma das setes maravilhas do mundo antigo. Na pintura, sobressaiu-se Apeles. Na poesia, notabilizaram-se Teócrito e Menadro. O historiador mais célebre foi Políbio. Na filosofia, aparecem Zénon, Pirro, Diógenes e Epicuro. Também viveram nessa época:
Euclides, o pai da geometria;
Arquimedes, o pai da física.
O apogeu da arte grega ocorre com a fusão da Macedônia, sendo esse período denominado de helenismo.

13.696 – História – A vida de luxo dos Faraós


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Hoje existe uma restrita parcela da população mundial que vive em um elevado índice de consumo e muito luxo.
Mas isso não é privilégio apenas da sociedade atual. No tempo dos faraós, eles e suas famílias levavam uma vida com muito luxo, requinte e conforto, mesmo que nos padrões da época a realidade vista hoje é de surpreender.
Os faraós moravam em palácios com mobília fabricada com materiais nobre, como cedro, ébano com vários detalhes em marfim e ouro e os artesãos possuíam técnicas e perícias para a elaboração de peças únicas, os utensílios domésticos possuíam grande beleza e qualidade em relação aos demais objetos usados em outras famílias, isso só afirmava o poder e a riqueza.
Outra evidência de luxo, conforto e prova da tamanha riqueza estava no contingente de servos responsáveis pela manutenção do palácio e para oferecer lazer aos faraós, eram criados, músicos, cantores, dançarinos e copeiros, oferecendo muitas facilidades.
Para preencher o tempo os faraós, também chamados de ‘deuses vivos’, caçavam, pescavam com grande freqüência e praticavam vários jogos como forma de tornar seus dias mais agradáveis.

13.695 – História dos Faraós do Egito


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Tutmés I, faraó do Egito (1524-1518 a.C.) da XVIII dinastia, sucessor do seu cunhado Amenófis I (que reinou em 1551-1524 a.C.). Destacado militar, foi o primeiro faraó a ser enterrado no Vale dos Reis.
Tutmés II, faraó do Egito (1518-1504 a.C.), filho de Tutmés I e meio-irmão e marido da rainha Hatshepsut. Enviou uma expedição contra as tribos núbias rebeladas contra sua soberania e contra os beduínos, povo nômade dos desertos da Arábia e do Sinai.
Tutmés III, faraó do Egipto (1504-1450 a.C.). Era filho de Tutmés II e genro de Hatshepsut. Durante seu reinado, Tutmés III realizou 17 campanhas militares bem sucedidas, conquistando a Núbia e o Ludão. Conseguiu que os mais importantes estados lhe rendessem tributo: Creta, Chipre, Mitani, Hatti (o reino dos hititas), Assíria e Babilônia. Tutmés III afirmou a hegemonia egípcia em todo o Oriente Médio.
Tutmés IV, faraó do Egito (1419-1386 a.C.) da XVIII dinastia, filho de Amenófis II e neto de Tutmés III. Comandou expedições militares contra a Núbia e a Síria, e negociou alianças com a Babilônia e o Mitanni.
Amenófis III, faraó do Egito (1386-1349 a.C.), da XVIII Dinastia, responsável por grandes trabalhos arquitetônicos, entre os quais parte do templo de Luxor e o colosso de Mêmnón. Seu reinado foi de paz e prosperidade.
Akhenaton ou Amenófis IV, faraó egípcio (1350?-1334 a.C.), também chamado Neferkheperure, Aknaton ou Amenhotep IV. Akhenaton era filho de Amenófis III e da imperatriz Tiy e marido de Nefertiti, cuja beleza é conhecida através de esculturas da época. Akhenaton foi o último soberano da XVIII dinastia do Império Novo e se destacou por identificar-se com Aton, ou Aten, deus solar, aceitando-o como único criador do universo. Alguns eruditos consideram-no o primeiro monoteísta. Depois de instituir a nova religião, mudou seu nome de Amenófis IV para Akhenaton, que significa “Aton está satisfeito”. Mudou a capital de Tebas para Akhenaton, na atual localização de Tell al-Amama, dedicando-a a Aton, e ordenou a destruição de todos os resquícios da religião politeísta de seus ancestrais. Essa revolução religiosa determinou transformações no trabalho dos artistas egípcios e, também, no desenvolvimento de uma nova literatura religiosa. Entretanto, essas mudanças não continuaram após a morte de Akhenaton. Seu genro, Tutankhamen, restaurou a antiga religião politeísta e a arte egípcia uma vez mais foi sacralizada.
Tutankhamen ( 1352-1325 a.C.), faraó egípcio (reinou 1334-1325 a.C.) da XVIII Dinastia, genro de Akhenaton, a quem sucedeu. Tornou-se faraó com nove anos. Durante seu reinado, restaurou o culto a Amon, o que contribuiu para a paz no Egito.
Quéops, faraó egípcio (2638-2613 a.C.), o segundo rei da IV dinastia. A realização mais importante de seu reinado foi a construção da Grande Pirâmide de Gizé, perto do Cairo.
Ramsés II (reinou em 1301-1235 a.C.), faraó egípcio, terceiro governante da XIX Dinastia, filho de Seti I.
Seus principais inimigos foram os hititas; com eles assinou um tratado, segundo o qual as terras em litígio se dividiam. Durante seu reinado construiu-se o templo de Abu Simbel e concluiu-se o grande vestíbulo hipostilo do templo de Amón, de Karnak.
Ramsés III (reinou de 1198 a 1176 a.C.), faraó egípcio da XX dinastia, grande líder militar que salvou o país de várias invasões. As vitórias de Ramsés III estão representadas nas paredes de seu templo mortuário em Madinat Habu, próximo à cidade de Luxor. O final de seu reinado foi marcado por revoltas e intrigas palacianas.
Quéfren, quarto faraó (2603-2578 a.C.) da IV Dinastia do Egito. Construiu uma das pirâmides de Gizé. Durante muito tempo, pensou-se que a Grande Esfinge próxima a ela era uma representação do rei. Quéfren foi sucedido por seu filho Miquerinos.
Seti I (reinou de 1312 a 1298 a.C.), faraó egípcio, segundo governante da XIX dinastia, filho e sucessor do faraó Ramsés I. Nos últimos anos de seu reinado, conquistou a Palestina, combateu os líbios na fronteira ocidental e lutou contra os hititas.

13.694 – Egiptologia


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Há mais de 4000 anos antes de Cristo, a dominação das técnicas agrícolas permitiu o surgimento de várias civilizações ao redor do mundo. No extremo nordeste da África, em uma região de características desérticas, a civilização egípcia floresceu graças aos abundantes recursos hídricos e terras férteis que se localizavam nas margens do rio Nilo.
O ciclo das águas nesta região promovia o regular transbordamento do rio que, durante a seca, deixava um rico material orgânico na superfície de suas terras. Percebendo tal alteração, os egípcios tiveram a capacidade de desenvolver uma civilização próspera que se ampliou graças às fartas colheitas realizadas. Dessa forma, temos definido o processo de desenvolvimento e expansão dos egípcios.
No campo político, os egípcios estiveram organizados através da formação dos nomos. Os nomos eram pequenas parcelas do território egípcio administradas por um nomarca. Tempos mais tarde, esses vários nomos estavam centralizados sob o poderio de um imperador. No ano de 3200 a.C., Menés, o governante do Alto Egito, promoveu a subordinação de 42 nomos, dando início ao Império Egípcio.
A sociedade egípcia era organizada por meio de critérios religiosos e econômicos. O faraó ocupava o topo desta hierarquia na condição de chefe de Estado e encarnação do deus Hórus. Logo abaixo, temos os sacerdotes como agentes organizadores dos cultos e festividades religiosas. Os nobres e escribas ocupavam uma posição intermediária realizando importantes tarefas que mantinham o funcionamento do Estado.
A base desta sociedade ainda contava com os soldados, que eram sustentados pelo governo e garantiam a hegemonia do poder faraônico através das armas. Logo abaixo, os camponeses e artesãos, que trabalhavam nas colheitas e na organização das obras públicas necessárias ao desenvolvimento agrícola e comercial. Por fim, havia uma pequena parcela de escravos que também estavam subordinados ao Faraó.
Além de conseguir prosperar economicamente pelo rígido controle da produção agrícola, podemos notar que os egípcios também produziram conhecimento e variados campos. A arquitetura, a medicina e a astronomia figuram como as mais interessantes facetas do legado científico egípcio. Vale à pena ressaltar também a escrita, que se organizava por complexos sistemas de símbolos e códigos.

13.693 – História – As Invasões germânicas


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Tais invasões germânicas durante os séculos IV e V precipitaram o processo de desagregação do Império Romano. Nos territórios ocupados pelos povos germânicos, novos reinos surgiram a partir da fusão da cultura germânica com elementos da cultura latina (romana). As transformações realizadas a partir do estabelecimento dos germânicos deu forma à sociedade medieval.

Povos Germânicos
Os povos germânicos eram pejorativamente chamados pelos romanos de bárbaros por não partilharem dos mesmos costumes e do mesmo idioma que os romanos. Essa designação vem do nome dado para a região que habitavam: a Germânia. Desde o século II d.C., durante o reinado de Marco Aurélio, os romanos constantemente lutavam contra os germânicos nas fronteiras do Império.
Com o processo de decadência do Império Romano, a contenção dos povos germânicos tornou-se cada vez mais difícil. Assim, o Império passou a assimilar os povos germânicos, admitindo-os dentro de suas terras. Houve, com isso, a integração de guerreiros germânicos aos exércitos romanos e casos de germânicos que conseguiram ocupar cargos de importância dentro do Senado romano. A partir do século V, o processo germânico de migração atingiu um caráter catastrófico e tomou proporções maiores de violência.
Causas das invasões
As causas das invasões germânicas são incertas para os historiadores, mas existem alguns indícios que nos permitem entender melhor o assunto. Alguns historiadores afirmam que o crescimento demográfico levou os povos germânicos a migrar na busca de terras mais férteis. É levantada também a hipótese de que alterações climáticas tenham gerado um resfriamento do clima e afetado a sobrevivência dos germânicos, que foram obrigados a procurar melhores terras para sobreviver.
Existe ainda uma concordância entre historiadores sobre a chegada dos povos hunos, vindos da Ásia. A chegada dos hunos trouxe desespero entre os povos germânicos, que passaram a exercer pressão cada vez mais forte sobre as fronteiras do Império Romano.
Os hunos causaram a migração de Ostrogodos, Visigodos, Alanos, Burgúndios, Suevos, Vândalos e muitos outros para as terras do Império Romano. Alguns deles conseguiram asilo no Império, e outros forçaram sua entrada a partir de exércitos. O processo de desagregação do Império Romano aconteceu quando o último rei romano foi destituído pelos hérulos em 476 d.C.

Consequências
As migrações germânicas resultaram no processo de desgregação do Império Romano do Ocidente. Assim, o poder centralizado em Roma deixou de existir, e as terras foram ocupadas pelos germânicos, que prevaleceram a partir da força.
Além disso, houve também a ruralização da Europa, pois, com os centros de produção de alimentos atacados e as rotas comerciais fechadas, o abastecimento das cidades foi interrompido, gerando fome nas grandes cidades romanas. Houve também casos de epidemia de doenças nas grandes cidades, além de saques realizados pelos povos germânicos. Isso gerou uma migração de população para as zonas rurais com o objetivo de fugir da violência e de estar próximo dos locais de produção de alimentos. Esse processo também resultou na diminuição populacional da Europa.
A partir dos povos germânicos, novos reinos surgiram, como o Reino dos Francos, o Reino dos Visigodos, o Reino dos Ostrogodos etc. A fusão da cultura latina e germânica deu origem à cultura da sociedade ocidental. Além disso, a estrutura dessas sociedades possibilitou o surgimento das características que definiram a Europa durante o período feudal.

13.692 – História – O que é o Santo Graal?


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Sagrando a última reunião entre seus seguidores, a ceia feita por Jesus Cristo foi conduzida por uma liturgia que marcou a história do cristianismo. Utilizando de um cálice cheio de vinho, a narrativa bíblica destacou o momento em que Cristo consumiu a bebida e repassou o utensílio para seus outros seguidores. Morto no dia seguinte, o fundador da religião cristã deixou um cálice que desperta o interesse de curiosos por mais de dois milênios.
Conhecido como o Santo Graal, o cálice utilizado por Jesus Cristo é diariamente simbolizado nos rituais da eucaristia católica. No entanto, as lendas do Santo Graal nem sempre fizeram referência ao copo utilizado por Jesus. Alguns relatos dos primeiros séculos da era cristã faziam referência, por exemplo, à tigela usada para cortar os pães como sendo a tão afamada relíquia. Outras lendas sugerem que o Santo Graal foi uma vasilha onde um seguidor cristão teria recolhido parte do sangue de Jesus durante a crucificação.
Ao longo dos anos, outras histórias ainda permeavam o imaginário cristão quando, por volta do século XII, um escritor francês chamado Chrétien de Troyes designou com o nome de “graal” um utensílio de mesa utilizado por Cristo. A importância dada ao relato francês é dada por conta das referências bastante limitadas no texto bíblico. No evangelho não existe nenhum tipo de citação especial aos copos, talheres e vasilhas utilizados na Última Ceia.
Segundo alguns historiadores, levando em consideração a vida simples levada por Cristo e seus seguidores, os copos e peças utilizadas na reunião seria de madeira ou cerâmica. A simplicidade dessas peças, muito provavelmente, não despertaria o interesse de algum dos seguidores cristãos. O fato é que a procura por relíquias vinculadas à história cristã é um hábito que se desenvolveu séculos após a morte do fundador da nova confissão religiosa.
De acordo com alguns estudiosos da Antigüidade e de alguns medievalistas, a falta de detalhes do texto bíblico original incentivou muitos a reescreverem a trajetória humana de Cristo. Nos chamados textos apócrifos (ou não-oficiais) há uma riqueza de detalhes bastante diferente da contida nos evangelhos originais. Entre eles destacamos o Evangelho de Nicodemos, onde se registra a narrativa do recolhimento do sangue de Cristo e a perfuração de seu tórax pela “Lança de Longino”.
A notoriedade mítica do Graal se consolida com a obra de Chrétien. Em um poema inacabado chamado Percival, ele descreve uma liturgia sagrada observada pelo cavaleiro que nomeia a obra. Sendo o francês autor de grande prestígio, acabou tendo sua história continuada (e reinventada) por outros escritores que optaram valorar ainda mais o tal “graal”. Entre esses autores, o graal ganha seu caráter miraculoso ao ser procurado para curar o Rei Artur (personagem mais famoso das histórias de Chrétien).
As histórias sobre o “Santo Graal” e outras relíquias da cristandade católica perderam espaço com as reformas protestantes do século XV e XVI. Os protestantes, influenciados por seus líderes, repudiavam o caráter sagrado das relíquias católicas e, por conseguinte, do valor mágico dado ao graal. Somente nos séculos XVIII e XIX que as histórias envolvendo o graal ganharam um novo sopro de vida.
Um dos responsáveis pela volta do tema foi um estudante austríaco que se dedicou ao estudo da Ordem dos Cavaleiros Templários. Essa ordem militar e religiosa, criada no século XII, tinha como principal missão proteger os cristãos que se dirigiam à cidade santa de Jerusalém. Nesses estudos, levantou-se a tese de que o cavaleiro Percival, na verdade, fazia parte da Ordem dos Templários. A partir disso, os estudos arqueológicos voltaram sua atenção para o antigo relato cristão.
Já no século XIX, as pesquisas revelaram a existência de dois “graais” fabricados durante a Alta Idade Média. Nos primeiros anos do século XX, uma nova notícia afirmava que o cálice de Antioquia, encontrado na Síria, seria o verdadeiro artefato. No entanto, pesquisas mais avançadas chegaram à conclusão de que o objeto não passava de uma antiga lâmpada à óleo.
Para fora da veracidade dos cientistas, várias pequenas denominações religiosas prestam reverência ao Santo Graal. Os membros da “Ordem da Aurora Dourada” professam que as lendas sobre o graal escondem uma série de mensagem secretas que revelariam importantes bases da fé cristã. Ainda hoje, livros como “O código Da Vinci” e “O Santo Graal e a Linhagem Sagrada” alimentam outras mirabolantes teorias sobre essa mesma relíquia.

13.691 – Judas: traidor ou traído?


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Notamos que vez ou outra pesquisas inéditas colocam em xeque a validade de certas histórias que não só povoam a Bíblia, mas também fundamentam a crença de milhares de seguidores do cristianismo.
No ano de 2006, uma equipe de teólogos, linguistas e historiadores financiados pela Fundação Mecenas, da Suíça, realizaram a tradução do chamado “Evangelho de Judas”. Ao fim desse trabalho, publicaram um artigo dizendo que a clássica associação de Judas à traição simplesmente não correspondia aos fatos. Na verdade, ele seria um importante elemento na execução das ações que tornariam Jesus no salvador da humanidade.
Dentro dessa nova perspectiva, Judas não teria sido um executor consciente da trama que possibilitou a prisão e o julgamento de Jesus. Nessa nova versão, o apóstolo aparece como um servo dedicado que se aproxima de um influente escriba para arquitetar o retorno seguro de Cristo à Galileia. Contudo, no momento em que beija seu mestre, acaba descobrindo que fora enganado por seus aliados e, dessa forma, viabiliza o posterior calvário do Messias.
Em contraponto a essa narrativa que concede inocência a Judas, outro grupo de historiadores argumenta que essa tradução do evangelho está cercada por erros. Um dos equívocos fundamentais, que desvalidam a versão redentora, gira em torno da tradução da palavra “daimon”. Com base na literatura platônica, este termo significaria espírito. Contudo, na literatura cristã, esse mesmo termo significa “demônio”.
Por meio dessa desambiguação, um trecho bíblico em que Jesus Cristo chama a atenção de Judas Iscariotes poderia ser traduzido das seguintes formas: “Tu, décimo terceiro demônio (ou espírito), por que te esforças tanto?”. Sem dúvida, fica clara a diferença de julgamento sobre a figura do apóstolo por meio desta única palavra. Mas afinal, seria possível dar um julgamento final sobre este debate?
Para alguns dos historiadores revisionistas, não há como definir uma posição definitiva sobre o papel exercido por Judas na biografia messiânica. Na condição de humano, ele pode assumir posições diferentes que demonstram as incertezas de quem seguia um líder questionado por muitos. A título de comparação, podemos ver que essa mesma postura vacilante pode ser notada em Pedro – o apóstolo que negou a Cristo, mas também foi um dos mais importantes pregadores da fé cristã.

13.690 – Robótica – Sophia


É um robô humanoide desenvolvido pela empresa Hanson Robotics, de Hong Kong, capaz de reproduzir 62 expressões faciais.
Projetado para aprender, adaptar-se ao comportamento humano e trabalhar com seres humanos. Em outubro de 2017, tornou-se o primeiro robô a receber a cidadania de um país (Arábia Saudita).
O robô Sophia foi ativado no dia 19 de abril de 2015. Modelado em homenagem à atriz Audrey Hepburn e peculiar por sua aparência e comportamento mais próximos aos humanos do que robôs anteriores. De acordo com o fabricante, David Hanson, Sophia tem inteligência artificial, pode realizar processamento de dados visuais e reconhecimento facial. Sophia não somente imita gestos e expressões faciais humanas, como também é capaz de responder a certas perguntas e ter conversas simples sobre tópicos predefinidos (por exemplo, sobre o tempo). O robô utiliza tecnologia de reconhecimento de voz da Alphabet Inc. (matriz do Google) e é projetado para ficar mais inteligente com o tempo. Seu software de inteligência artificial, desenvolvido pela SingularityNET, analisa conversas e abstrai dados que permitem-lhe melhorar suas respostas futuras. É conceitualmente semelhante ao programa de computador ELIZA, que foi uma das primeiras tentativas de simular uma conversa humana.
Hanson projetou Sophia a fim de que fosse companhia para idosos em casas de repouso ou para ajudar multidões em grandes eventos e parques. Ele espera que o robô Sophia interaja suficientemente com seres humanos para eventualmente adquirir competências sociais.
O robô Sophia foi entrevistado da mesma forma que um ser humano seria, estabelecendo conversas com os anfitriões. Algumas respostas foram absurdas e outras impressionantes, como uma longa discussão com Charlie Rose em 60 Minutes. Em uma entrevista para a CNBC, quando seu criador perguntou “Você quer destruir os humanos? …por favor diga que não”, Sophia respondeu imediatamente com um “OK, eu destruirei os humanos”, resposta que deixou Hanson vermelho.
Em 11 de outubro de 2017, o robô Sophia foi apresentado à Organização das Nações Unidas durante uma breve conversa com a vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina J. Mohammed.
No dia 25 de outubro, durante o Future Investment Summit em Riyadh, recebeu cidadania da Arábia Saudita, tornando-se o primeiro robô a ter uma nacionalidade.
Este acontecimento gerou polêmica, com alguns comentaristas se perguntando se isso significava que Sophia poderia votar, casar ou se um desligamento deliberado de seu sistema poderia ser considerado assassinato. Usuários de mídias sociais usaram esta notícia para criticar a posição da Arábia Saudita com relação aos direitos humanos.

13.689 – Waze libera recurso que indica postos que ainda têm gasolina


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O desabastecimento dos postos fez com que o preço da gasolina sofresse uma variação de até 99,85% entre os estabelecimentos .
arcados.
A greve dos caminhoneiros está promovendo uma corrida aos postos de gasolina de todo o Brasil. Alguns estabelecimentos já estão sem combustível – no Rio de Janeiro, 90% dos postos estão sem gasolina. Para ajudar o motorista que está de tanque vazio, o Waze habilitou um novo recurso dentro do aplicativo para que o consumidor saiba onde encontrar combustível.
A atualização esteve disponível desde sexta-feira. Ao aproximar-se de um posto de gasolina, o aplicativo solicita ao usuário que informe alguns dados – entre eles, há a opção “Atualize disponibilidade local de combustível”. Além disso, é possível incluir o preço dos produtos.
O desabastecimento dos postos fez com que o preço da gasolina sofresse uma variação de até 99,85% entre os estabelecimentos de todo o Brasil, segundo levantamento feito pela ValeCard, empresa especializada em gestão de frotas.
Nos postos que ainda vendem o combustível, existem filas e os preços foram remarcados. O Procon de Pernambuco autuou estabelecimentos que vendiam o litro da gasolina por 8,99 reais. Em Brasília, houve quem vendesse a gasolina por 9,99 reais.
Os aeroportos também estão enfrentando dificuldades. Ao todo, 10 aeroportos administrados pela Infraero estão sem combustível. Na manhã de sexta-feira, o querosene de aviação havia acabado no aeroporto de Brasília.

13.688 – Copa 2018 – Moscou a capital do futebol


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A capital russa, com pouco mais de 12 milhões de habitantes, maior cidade da Europa depois de Istambul (Turquia), reafirmará na Copa do Mundo sua total abertura para o turismo, 27 anos após o fim da União Soviética. Moscou é a única sede do Mundial com dois estádios (o Luzkniki, que abrigará a abertura e a final, e a Arena Spartak) e receberá 12 jogos do torneio – ao menos um deles da seleção brasileira, contra a Sérvia, no dia 27 de junho, na Arena Spartak. Enquanto a bola não estiver rolando, os visitantes terão uma infinidade de opções de cultura e lazer.
A cidade foi fundada em meados de 1140 e, durante o Império Russo, perdeu o status de capital para a recém-criada São Petersburgo, em 1712. A sede do governo federal só voltou a Moscou em 1918, quando o país estava sob comando do exército bolchevique e logo após a Revolução Russa, permanecendo como capital mesmo com o fim da União Soviética.
Patrimônio da Unesco, a Praça Vermelha é o principal ponto turístico da capital. No local, estão reunidos o Kremlin, residência oficial da presidência, e a Catedral de São Basílio, icônica igreja da arquitetura renascentista russa. E também o mausoléu de Vladimir Lenin, que costuma ter grandes filas.
O Teatro Bolshoi e a Galeria Tretyakov são outros locais de grande interesse cultural na capital russa, assim como o Museu da Cosmonáutica, onde os russos celebram suas façanhas na corrida espacial dos tempos da Guerra Fria. Para quem busca mais diversão, os bares às margens do Rio Moscou, em pleno verão moscovita, são uma boa opção. Dica para quem vai à capital russa: evite táxis (os preços costumam ser abusivos, e, além disso, as viagens nas imponentes estações de metrô são uma imperdível viagem no tempo).

Os jogos em Moscou na Copa do Mundo:

Estádio Luzhniki:
Rússia x Arábia Saudita – 14/06
Alemanha x México – 17/06
Portugal x Marrocos – 20/06
Dinamarca x França – 26/06
Oitavas de final – 3/7
Semifinal
Final

Estádio Spartak:
Argentina x Islândia – 16/06
Polônia x Senegal – 19/06
Bélgica x Tunísia – 23/06
Sérvia x Brasil – 27/06
Oitavas de final – 1/7

13.687 – Mega Memória – Há 50 anos, acontecia o primeiro transplante de coração no Brasil


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Na madrugada de 26 de maio de 1968, Euryclides de Jesus Zerbini, cirurgião do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP), revolucionou a medicina ao liderar a equipe que realizou o primeiro transplante de coração no Brasil. Apesar de não ter sido o pioneiro – lugar que pertence ao sul-africano Christiaan Barnard, que realizou o procedimento cinco meses antes –, a cirurgia esteve entre as cinco primeiras do mundo.

O receptor do coração foi o lavrador mato-grossense João Ferreira da Cunha, de 23 anos, também conhecido como João Boiadeiro, que havia sido diagnosticado com doença do miocárdio e insuficiência cardíaca. Ele recebeu o novo coração às 6h40 do dia 26. O procedimento foi descrito com detalhes no livro A face Oculta dos Transplantes, de Euclydes Marques, um dos cirurgiões que participou desta ocasião histórica.
Pioneirismo brasileiro
O primeiro transplante cardíaco do Brasil tinha tudo para ser o primeiro do mundo, mas como as cirurgias realizadas em animais tinham excelente técnica, porém nenhuma taxa de sobrevivência, alguns dos professores mais renomados do Hospital das Clínicas de São Paulo preferiram não se arriscar, ainda que os jovens cirurgiões estivessem animados com a possibilidade.

Por causa disso, Christiaan Barnard, com 44 anos na época, passou à frente e realizou o primeiro transplante de coração do mundo em 3 dezembro de 1967, na Cidade do Cabo, na África do Sul. Os esforços pioneiros de Barnard não foram suficientes para aumentar o tempo de vida do paciente, que faleceu dezoito dias após a cirurgia em decorrência de uma infecção pulmonar.

Mesmo ficando atrás de cinco países, o Brasil foi o pioneiro na América Latina. A cirurgia foi um sucesso e demonstrou a capacidade da equipe de cirurgia torácica do Hospital das Clínicas, que havia anos vinha realizando transplante em cães, tentando encontrar as melhores técnicas para fazê-lo em humanos. Infelizmente, foi o pós-operatório que mostrou-se preocupante. Dezoito dias após o transplante, João Boiadeiro começou a apresentar sinais de rejeição ao órgão. Alguns dias depois ele veio a falecer.

A morte do primeiro transplantado não desanimou os médicos e, quatro meses depois, outro paciente – Hugo Orlandi, de 48 anos – passou pela cirurgia e resistiu 378 dias, quando seu corpo também começou a rejeitar o novo coração. No ano seguinte, em janeiro de 1969, Clarismundo Praça, 52, recebeu o terceiro coração transplantado do país. Ele não apresentou rejeição, mas faleceu 83 dias depois por causa de uma infecção generalizada provocada por uma ferida cirúrgica.

Mesmo com o óbito dos três primeiros pacientes, as conquistas alcançadas pela realização do transplante cardíaco no Brasil se mantêm até hoje, como a construção do tão sonhado Instituto do Coração (Incor), pelo qual Zerbini vinha lutando havia anos.

“O melhor momento é hoje”
Apesar das evoluções na medicina, poucas mudanças ocorreram no processo operatório. Nos primeiros anos, o avanço foi maior, especialmente em áreas que poderiam melhorar a taxa de sobrevida dos pacientes, como a descoberta e aprovação da ciclosporina, que motivou o aumento no número de várias modalidades de transplante. No entanto, nos últimos anos, a velocidade passou a diminuir, embora o período atual seja considerado por muitos médicos como o melhor para o transplante cardíaco, pois os pacientes estão vivendo mais e com melhor qualidade de vida.
O primeiro paciente de transplante cardíaco do Brasil sobreviveu apenas 28 dias após a cirurgia. Apesar da morte precoce, João Boiadeiro viveu dez dias a mais que o primeiro paciente a passar pelo procedimento, na África do Sul. Apesar de já existirem medicamentos imunossupressores, usados para controlar a rejeição nos receptores de transplantes, esse ainda era um dos principais problemas da época.

Por esse motivo, o número de transplantes realizados por ano foi diminuindo no mundo inteiro até a década de 80, quando foi aprovado o uso da ciclosporina em humanos. Esse medicamento, capaz de reduzir as reações que causam a rejeição de órgãos, é utilizado até hoje como tratamento inicial ou de segunda linha, quando as medicações imunossupressoras usadas anteriormente não funcionaram.

Tecnologia à serviço da medicina
Outro empecilho resolvido pelo avanço da medicina foi o tempo entre a retirada do órgão e a sua instalação no corpo do receptor. Na época dos primeiros transplantes, era preciso que doador e receptor estivessem o mais próximo possível um do outro para que a transferência fosse imediata, impedindo que o coração ficasse muito tempo no gelo e a hipotermia pudesse impedir que ele voltasse a bater depois de reimplantado no receptor. Hoje em dia, o coração pode ficar até quatro horas fora do corpo e, muitas vezes, passa parte desse tempo viajando de avião, por exemplo, para chegar ao destino final.

Além disso, uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia (UCLA, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, desenvolveram o Organ Car System (OCS), equipamento capaz de manter o coração e outros órgãos pulsando enquanto ocorre o transporte, o que aumenta o tempo de viabilidade dele fora do corpo humano. No entanto, como seu uso encarece o procedimento cirúrgico, o equipamento é usado apenas como último recurso, mas há previsões de que no futuro ele possa ser utilizado com maior frequência. Por enquanto, muitos médicos ainda preferem optar pelo método convencional, que oferece resultados satisfatórios.

O progresso tecnológico também permitiu a criação de corações e ventrículos artificiais capazes de auxiliar o coração debilitado a bater por mais tempo, mantendo o indivíduo vivo até o momento do transplante, que pode acontecer rapidamente ou levar anos. Eles podem ser utilizados interna ou externamente, dependendo da necessidade do paciente, sendo uma alternativa para pessoas que não podem receber transplante.

Infelizmente, no Brasil, o uso destes mecanismos ainda é limitado por causa dos custos – o Instituto do Coração é um dos poucos hospitais no país que dispõe de alguns em versão para adultos e crianças. O pioneirismo no implante de dispositivo de assistência ventricular (DAV) na América Latina também pertence ao Brasil, tendo sido realizado em 1993, no Incor.
Ajudando a salvar vidas
De acordo com Fábio Jatene, mesmo que os avanços médicos tenham representado muito para o transplante, existem desafios que precisam ser superados para que o procedimento possa progredir ainda mais, principalmente no Brasil. A preocupação com os doadores, por exemplo, é um dos problemas que precisam ser solucionados. Como as emergências do país estão quase sempre superlotadas, existe certa dificuldade em cuidar dos pacientes, especialmente daqueles que não têm perspectiva de vida, como os que apresentam morte cerebral – justamente os possíveis doadores.

Outro desafio é a doação de órgãos. A legislação brasileira permite a doação mediante autorização de familiar; entretanto, mesmo que em vida o paciente tenha informado à família o interesse em se tornar doador, como não existe documentação que possa comprovar este desejo, se o responsável não quiser autorizar, é a vontade dele que prevalece. Apesar de crescer gradativamente, o número de doadores no Brasil ainda é limitado em comparação com países como Espanha e Estados Unidos, que trabalham na comunicação com famílias de doadores em potencial.

“A doação de órgãos ainda é um tabu na sociedade, ninguém vai querer usar o almoço de domingo para falar sobre a morte. Não é uma questão tratada com frequência. Antes de ter passado pelo meu problema, eu e meus familiares nunca conversamos a respeito disso, não era um assunto que existia nas nossas conversas”, confessou. No entanto, essa realidade não é mais a mesma. Desde o transplante, Renato e a família coordenam a campanha “Doe órgãos salve vidas“, que visa a promover palestras e eventos para conscientizar as pessoas da importância da doação de órgãos e como o gesto pode ajudar a salvar vidas.
Como acontece o transplante
A cirurgia de transplante de coração envolve duas técnicas principais: a clássica e a bicaval. O que diferencia uma da outra é a quantidade de tecido do órgão velho que permanece no corpo do paciente. Apesar disso, ambas as técnicas seguem basicamente os mesmos princípios cirúrgicos:

1ª etapa: O procedimento cirúrgico de retirada do coração do receptor começa apenas quando o novo órgão já está na sala de operação, pronto para ser transplantado. Depois que o peito do receptor é aberto, as veias são desligadas do coração e conectadas a uma cânula (tubo) de uma máquina de circulação extracorpórea (CEC). Esse equipamento será responsável por exercer a função do coração, bombeando o sangue durante a cirurgia para que o corpo continue funcionando.

3ª etapa: O novo coração é conectado ao átrio, cavidade que recebe o sangue. As cânulas são retiradas e as veias e artérias são reconectadas ao novo coração. O sangue que estava sendo bombeado pela máquina de CEC retorna para o corpo e o coração é estimulado para recuperar os batimentos. Antes de fechar o peito do paciente, drenos são colocados na cavidade pulmonar para evitar o acúmulo de líquidos.

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13.686 – Veterinária – Otite Canina


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De certo você já viu um cão coçando o ouvido, sacudindo a cabeça e até chorando ao se coçar a orelha, isso pode ser otite canina. Uma inflamação do conduto auditivo que leva a produção de uma cera de coloração alterada e em excesso, coceira descontrolada, cheiro forte e desconforto tanto para o animal quanto para o dono.
Essa inflamação seguida de infecção causada no ouvido é muito comum nos cães devido ao formato de sua orelha, que tem um canal comprido e fechado, o que torna fácil o aparecimento e replicação de ácaros, fungos e bactérias. Algumas raças de cães apresentam otite canina com mais facilidade e frequência como Golden Retriver, Basset Hound e Cocker Spaniel por terem o orelhas maiores.
Tome cuidado durante o banho do cão, pois, ao deixarmos entrar água no ouvido deles, favorecemos o aparecimento da doença, já que o que os causadores dela se proliferam em locais úmidos e quentes. Uma dica interessante é colocar algodões nos ouvidos do cachorro, evitando a entrada de água, e sempre secá-lo bem ao final do banho.
Os sintomas são: coceira intensa, dor e choro ao coçar, cheiro forte no ouvido, excesso de cerúmen (cera), balançar demais a cabeça de um lado para outro, perda de audição, além da perda de apetite, que ocorre devido à dor que o cachorro sente.
A otite pode surgir nos cães por uma série de fatores e afetar diferentes partes da região auricular dos animais; sendo denominada de otite externa, otite média ou otite interna de acordo com o local específico prejudicado pelo problema – e as principais motivações para a sua ocorrência são:

Infecção Causada por bactérias, a otite infecciosa chega, geralmente, acompanhada por pus, e requer um tratamento medicamentoso feito, principalmente, por meio do uso de antibióticos injetáveis e por via oral associado a tratamento local tópico.
Fungos Provoca sintomas mais clássicos de otites com uma secreção normalmente enegrecida com cheiro adocicado característico, sendo é causada por um fungo, na maioria das vezes, a malassezia.
Parasitas O agente do problema, neste caso, são parasitas como carrapatos e ácaros, sendo que o seu tratamento também requer o uso de remédios específicos tópicos associados, quando necessário há medicamentos injetáveis ou por via oral.
Produção excessiva de cera O ouvido de alguns cães produz cera de maneira exagerada, e o acúmulo dessa cera causa uma fermentação que se transforma em inflamação.
Predisposição genética As características específicas de cada raça são as grandes responsáveis nestes casos, e os cães que contam com orelhas grandes, caídas e peludas são os mais propensos a desenvolver a complicação.
Outros fatores Traumas, alergias, tumores, questões hormonais e a presença de algum corpo estranho no ouvido do animal também podem exercer influência no aparecimento da otite canina.
Dito isso, vale lembrar que a melhor maneira de definir a origem correta do problema é por meio de uma consulta com um profissional veterinário – já que, em muitos casos, um diagnóstico preciso só pode ser obtido por meio de exames laboratoriais ou de imagem.

Raças mais afetadas pela otite
Orelhas grandes, caídas e peludas são as principais características genéticas que influenciam no aparecimento da otite canina, e as raças a seguir fazem parte do grupo de cães que mais tendem a apresentar esse tipo de problema:

Cocker Spaniel
Teckel
Basset Hound
Golden Retriever
Dachshund
Setter Irlandês
Labrador Retriever
Pastor Alemão
No entanto, é importante ressaltar que nem só os cães de orelhas maiores e caídas podem ser acometidos pela otite, e qualquer raça está sujeita ao aparecimento dessa complicação, caso os cuidados básicos de higiene não sejam realizados de maneira correta e constante.

Os sintomas da otite em cães
Cada tipo de otite canina pode apresentar diferentes sinais, em função do seu agente causador; no entanto, há um grupo de sintomas e comportamentos bastante conhecidos entre os cachorros que apresentam a enfermidade, conforme descrito abaixo.
Forte coceira na região das orelhas: cão passa a coçar, balançar e esfregar a cabeça onde puder para aliviar o sintoma, incluindo o chão e os móveis da casa.
Secreções: o ouvido do cachorro passa a apresentar secreções de cor amarelada e, em alguns casos, com pus.
Odor diferente e forte ou mau cheiro no ouvido do cachorro
Vermelhidão, escurecimento ou aparecimento de crostas no ouvido do animal
Inchaço na região da orelha
Perda de audição do cão
Forte dor nas orelhas: o cachorro aparenta sentir muita dor nas ocasiões em que a orelha se mexe ou é tocada
Ferimentos Peri-auriculares, que são ferimentos próximos às conchas auditivas, causados pela coceira constante

Prevenção da otite canina
Manter a higiene da orelha do seu pet é a melhor maneira de prevenir o surgimento da otite canina, e limpar os ouvidos do cachorro semanalmente é de grande ajuda. Caso haja pelos em excesso na região, levar o seu cão para uma tosa higiênica é uma ótima ideia; retirando a pelagem que ajuda a reter ainda mais sujeiras na região.
O pote de água pode acabar causando a otite, quando o animal tem orelhas muito compridas e o pote de água é muito largo, sempre que ele vai beber água acaba deixado as orelhas úmidas e essa umidade propicia a proliferação exagerada de fungos já existentes na orelha, causando a otite.
Outra medida importante é sempre enxugar bem as orelhas do cão quando forem molhadas, já que o acúmulo de água na região forma um ambiente extremamente propício para o surgimento do problema.
Visitas ocasionais ao veterinário também são importantes para ajudar na prevenção da otite canina, além de facilitarem o tratamento de qualquer complicação que o cão possa estar desenvolvendo.

Tratamento da otite em cachorros
O tratamento da otite canina dependerá tanto da sua origem como do nível de desenvolvimento da inflamação no ouvido do cão. Em alguns casos, a realização de uma limpeza profunda na região – feita com o uso de soluções específicas – já pode melhorar bastante o problema; mas, dependendo do agente causador da otite, medicamentos como antibióticos e anti-inflamatórios podem ser receitados.
Em muitos casos a dor do animal ao ter a região auricular tocada é tanta, que há a possibilidade de que ele tenha que ser sedado para que se faça a limpeza do ouvido, e a otite pode ser tão profunda que chega a alterar o sistema de equilíbrio do animal, o fazendo andar em círculos, por exemplo. Portanto, levar seu pet a um profissional veterinário é imprescindível para que ele possa ser tratado e curado da melhor e mais rápida maneira possível.

13.685 – Antropologia – Miscigenação do Sapiens


neandertal
Antropólogos contestaram teorias segundo as quais o Homo sapiens e os neandertais se miscigenaram, transmitindo aos seres humanos modernos parte do legado genético de seus primos.
Ao longo dos últimos dois anos, vários estudos sugeriram um cruzamento entre o Homo sapiens e os neandertais, hominídeos que viveram em regiões da Europa, Ásia Central e Oriente Médio por até 300 mil anos, mas desapareceran entre 30 e 40 mil anos.
As evidências provêm de fósseis de DNA que demonstram que homens eurasiáticos e asiáticos médios partilham entre 2% e 4% do DNA com os neandertais, enquanto os africanos não têm quase nada em comum.
Mas um novo estudo feito por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, diz que o DNA veio de um ancestral comum e não por meio de “hibridização” ou reprodução entre duas espécies de hominídeos.
Segundo publicação na edição desta semana do periódico americano “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), os pesquisadores Andrea Manica e Anders Eriksson, do Grupo de Ecologia Evolutiva de Cambridge, desenvolveram um modelo de computador para simular essa “odisseia” genética.
Ele começa com um ancestral comum dos neandertais e do Homo sapiens que viveu cerca de meio milhão de anos atrás em regiões de África e Europa.
Por volta de 300 mil e 350 mil anos atrás, as populações europeia e africana desse hominídeo se separaram. Vivendo em isolamento genético, o ramo europeu evoluiu pouco a pouco até dar origem aos neandertais, enquanto o ramo africano acabou originando o Homo sapiens, que se disseminou em ondas migratórias que deixaram a África entre 60 mil e 70 mil anos.
Segundo a teoria, comunidades de Homo sapiens que estavam geneticamente mais próximas da Europa, possivelmente no norte da África, preservaram uma parte relativamente maior de genes ancestrais.
Eles também se tornaram os primeiros colonizadores da Eurásia durante a progressiva migração fora da África. Isso poderia explicar por que os europeus e asiáticos modernos têm uma semelhança genética com os neandertais, mas os africanos, não.
O que aconteceu com os neandertais é uma das grandes questões da antropologia. A hibridização poderia responder isso, ao menos parcialmente. Ao se miscigenarem com os humanos, os neandertais não teriam sido extintos pelo Homo sapiens ou pelas mudanças climáticas, como alguns argumentam. Ao contrário, os genes dos neandertais teriam se misturados no genoma da cepa dominante do Homo.
Em um estudo separado publicado na PNAS, cientistas chefiados por Svante Paabo, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha, descobriram que os neandertais e os Homo sapiens se separaram entre 400 mil e 800 mil anos atrás, mais cedo do que se imaginava.
A equipe também calculou que os humanos se separaram dos chimpanzés, nosso parente primata mais próximo, entre 7 e 8 milhões de anos, antes dos 6 a 7 milhões de anos atrás estimados com frequência.

13.684 – Antropologia – Por que os cérebros humanos se tornaram tão grandes?


cerebro-
Esse é um “mistério” que intriga os cientistas já faz um tempo: enquanto a maioria dos organismos prospera com pequenos cérebros, ou nenhum, a espécie humana optou por sacrificar seu crescimento corporal em troca de mais capacidade cerebral.

A hipótese
Os pesquisadores Mauricio Gonzalez-Forero e Andy Gardner, da Universidade de St Andrews, na Escócia, acreditam ter descoberto por que isso aconteceu.
O cérebro humano teria se expandido principalmente em resposta a estresses ambientais, que forçaram nossa espécie a encontrar soluções inovadoras para se alimentar e se abrigar, passando essas lições adiante para seus filhos.
Essa hipótese, testada pela dupla via simulações computacionais, desafia uma teoria popular de que o órgão cresceu à medida que as interações sociais entre os humanos se tornaram mais complexas.
Na verdade, o inverso pode ser verdadeiro. “As descobertas são intrigantes porque sugerem que alguns aspectos da complexidade social são mais prováveis de serem consequências do que causas de nosso grande tamanho cerebral. O grande cérebro humano mais provavelmente se originou da solução de problemas ecológicos e da cultura cumulativa do que da interação social”, disse Gonzalez-Forero ao portal Phys.org.

Causa ou consequência
De nossos ancestrais australopitecos, mais semelhantes aos símios, até o moderno Homo sapiens, o cérebro humano triplicou de tamanho.

Alimentar um cérebro tão grande vem com o custo de um crescimento lento do corpo na infância – deixando nossos filhos mais dependentes e vulneráveis por mais tempo do que os de outros animais.

Pesquisas anteriores encontraram correlações entre o tamanho do cérebro grande em espécies animais e estruturas sociais complexas, bem como vida em ambientes desafiadores e uma capacidade de aprender lições com colegas, o que também é descrito como “cultura”.

Mas nenhum estudo foi capaz de concluir se esses fatores são a causa da expansão cerebral ou o resultado disso.
Os “cérebros” utilizados como modelos foram apresentados a desafios ecológicos, como encontrar presas em condições climáticas adversas ou em terrenos difíceis, ou preservar alimentos para protegê-los contra mofo ou deterioração, ou ainda armazenar água em meio à seca.

Desafios sociais também foram introduzidos, para testar a influência da cooperação e competição entre indivíduos e grupos no crescimento do cérebro.

Curiosamente, a cooperação foi associada a uma diminuição no tamanho do cérebro, provavelmente porque permitia que os indivíduos confiassem nos recursos uns dos outros e economizassem energia. Enquanto as demandas sociais não pareciam levar a cérebros grandes, problemas ecológicos cada vez mais difíceis expandiam os órgãos.
Interação Social 0 x 1 Cultura
Mas então por que os cérebros de outros animais que vivem em ambientes desafiadores não cresceram tanto quanto o cérebro humano?

Provavelmente por causa da cultura – a habilidade de aprender com os outros, ao invés de ter que descobrir tudo sozinho.

“Nossos resultados sugerem que é a interação da ecologia e da cultura que produziu o tamanho do cérebro humano”, disse Gonzalez-Forero.

13.683 – Biologia – Veja o tamanho e peso do cérebro humano em comparação com outros animais


cerebro animal
O cérebro humano é incrível, e, com certeza, o que mais nos diferencia dos outros animais. Mas não é o maior cérebro do reino animal; animais maiores, como baleias e elefantes, têm cérebros maiores (a baleia- azul, com seus 10 kg de cérebro, tem o maior do reino animal).
Porém, o cérebro humano é muito grande quando comparado com o tamanho do nosso corpo. O cérebro humano pesa, em média, 1,5 kg. Em um homem de 80 kg, é quase 2% do seu peso corporal. Já a baleia-azul, com suas 200 toneladas, tem um cérebro que ocupa apenas 0,005% de seu corpo.
Mas proporção também não é tudo. Se inteligência dependesse só disso, estaríamos empatados com os ratos, que também têm um cérebro que ocupa 2% de espaço no corpo.

A chave é a complexidade desse órgão.
A maioria das criaturas vivas possui um sistema nervoso. Em algumas delas, ele é muito simples, como o da anêmona-do-mar, que tem apenas uma pequena rede de células nervosas. Nos insetos, essas células ficam lado a lado para formarem os nervos. Em criaturas mais complexas, forma-se uma coluna que possui um cérebro e uma medula espinal. Entre estes animais, os peixes possuem o cérebro mais simples, não muito maior que seu olho.
Quanto mais rugas tem um cérebro, mais neurônios ele tem. O cérebro humano tem mais pregas e rugas do que muitos outros animais. Por exemplo, o cérebro de um esquilo ou de um rato é muito liso comparado com o de um ser humano, por isso não é tão complexo. Alguns animais, como os golfinhos e as baleias, têm cérebros quase tão enrugados quanto os nossos.
Conclusão: tamanho e peso não são documento. Rugas podem ser mais decisivas – ainda que não expliquem todos os mistérios da inteligência.
Mas, por divertimento, confira o tamanho e o peso médio do cérebro de várias espécies animais:

cerebro animal2

 

Primatas:
Humano (Homo sapiens): 1,176 kg
Chipanzé (Pan troglodytes): 273 g
Babuíno (Papio cynocephalus): 151 g
Mandril (Mandrillus sphinx): 123 g
Macaco (Macaca tonkeana): 110 g
Carnívoros:

Urso (Ursus arctos): 289 g
Leão (Panthera leo): 165 g
Guepardo (Acinonyx jubatus): 119 g
Cão (Canis familiaris): 95 g
Gato (Felis catus): 32 g
Artiodátilos:
Girafa (Giraffa camelopardalis): 700 g
Cudo, um antílope africano (Tragelaphus strepsiceros): 166 g
Muflão, carneiro selvagem (Ovis musimon): 118 g
Cabra do Gerês (Capra pyrenaica): 115 g
Queixada (Tayassu pecari): 41 g
Marsupiais:

Wallaby (Protemnodon rufogrisea): 28 g
Lagomorfos:

Coelho (Oryctolagus cuniculus): 5,2 g
Roedores:

Rato-preto ou ratazana (Rattus rattus): 2,6 g
Camundongo ou rato-doméstico (Mus musculus): 0,5 g
Bônus
Baleia cachalote: 7,8 kg
Vaca: 5,6 kg
Orca: 5,6 kg
Elefante: 7,5 kg
Golfinho: 1,6 kg
Abelha: 0,013 g
Beija-flor: 1 g
Hipopótamo: 500 g
Curiosamente, a proporção entre o cérebro e o corpo da abelha (15,6%) é bem maior que a do hipopótamo (0,017%), tornando-a mais esperta. Já a barata nem cérebro tem. No lugar, possui o cefalotorax, um órgão que atravessa seu corpo e só serve mesmo para mantê-la viva. Para matá-la, mal adianta arrancar sua cabeça…[NeuroscienceResearchTechniques, MundoEstranho, SuperInteressante, CerebroEMEnte]

13.682 – Golpe de Mestre no Seu Bolso – Porque o álcool aumenta se não é derivado de petróleo?


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Abastecer com álcool só vale a pena em São Paulo, Mato Grosso e Goiás, que estão entre os cinco maiores produtores nacionais. Origem de cerca de metade de todo o etanol brasileiro, com a escala barateando a produção, São Paulo o vende ao menor preço no Brasil.
A alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço (ICMS) também tem impacto direto no preço.
A ameaça de desabastecimento ronda o País, com o crescimento de 25% na frota brasileira em três anos. A importação de gasolina deve chegar a 2,2 milhões de litros, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo. Em 2009, o País era praticamente autossuficiente.
O consumo de etanol foi 35% maior a cada ano. A queda começou em 2010, como uma ressaca da crise econômica internacional e a perda da safra. A importação se fez necessária e encareceu o combustível, movimento que ainda não foi completamente revertido pelo mercado.
O Plano de Desenvolvimento Energético (PDE), do Ministério de Minas e Energia (MME), estima que a demanda anual por etanol crescerá a 6,2% em média até 2021, quando a produção deve atingir 68,3 bilhões de litros. A aposta é de que 71 novas usinas sejam postas em funcionamento até lá.
O movimento para triplicar a oferta nacional, entretanto, não deve começar no curto prazo conforme o PDE.
Enquanto isso tome aumento.

13.681 – Cangambá, o Comedor de Jararacas


O veneno da jararaca pode ser terrível, mas não para o cangambá.

Cangambá
O cangambá é uma animal pertencente ao Filo Chordata, a Classe Mammalia, de ordem Carnívora e da Família Mustelidae . Esse animal é confundido geralmente com o gambá, tanto por expelir odor quando se sente ameaçado e pela semelhança fonética. Ele é encontrado na América do Norte, desde o Canadá até o México. São encontrados geralmente em bosques e campinas. Há espécies similares aqui no Brasil como o zorrilho e a jaratataca que possuem glândulas anais que produzem a substância de mau cheiro.
Possuem uma pelagem brilhante e com tonalidade geralmente escura, algumas espécies vêm acompanhadas por duas listras no dorso, que se estendem desde a cabeça e indo em direção ao rabo ou ainda a terminação da listra ocorre antes mesmo de chegar na cauda. Possui um peso médio de um a quatro quilogramas, medindo de cinquenta e cinco a setenta e cinco centímetros de comprimento. Seu corpo é longo, e possui uma cauda grande e peluda. Sua cabeça e olhos são pequenos e suas orelhas são arredondadas.

Dieta e Reprodução do Cangambá
Sua alimentação é composta por insetos e vermes, também incluem pequenos vertebrados, sendo um animal tipicamente carnívoro. Os machos apenas procuram pelas fêmeas na época do cio. Elas se reproduzem durante o inverno, sendo bem semelhante com seu ‘parente’, o zorrilho. Cada fêmea passa o inverno com apenas um macho da sua espécie. É nessa época que o animal diminui suas atividades, ficando somente na toca. Seu período de gestação é de sessenta e três dias, dando a luz uma vez ao ano, sua cria é de geralmente quatro a cinco filhotes. Vivendo em selva duram de dois a três anos e em cativeiro vive até quinze anos. A sua expectativa de vida é relativamente baixa, pois noventa por cento desses animais não sobrevivem ao primeiro inverno.
Hábitos
O Cangambá vive em tocas, em buracos ou rochas. Por desenvolver atividade noturna, durante o dia ele costuma descansar na toca. Embora haja uma contradição de ideias esse animal é bem limpinho, pois a cada refeição feita, ele costuma limpar a boca. Por ser um animal de pequeno porte costuma ser lento ao andar, então esse animal é bem conhecido pela sua arma de defesa, que realmente é muito fedida. Esse animal tem ótimos métodos de defesa. Quando se sente em perigo, tem uma arma química, uma substancia volátil e com muito mau cheiro. A glândula responsável pela produção do líquido se localiza na parte externa do ânus. Mesmo com esse mecanismo de defesa não garante a proteção contra aves predatórias. Uma curiosidade é que esse animal não é predado por outros mamíferos. Esse líquido não é produzido constantemente, somente há produção em último caso, e além do mau cheiro proporciona ardência nos olhos e narinas.
Jararaca
O gênero Bothrops (jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca) representa o grupo mais importante de serpentes peçonhentas, com mais de 60 espécies encontradas em todo território brasileiro (incluindo os gêneros Bothriopsis e Bothrocophias). As principais espécies são: Bothrops atrox: é o ofídio mais encontrado na Amazônia, principalmente, em beiras de rios e igarapés; Bothrops erythromelas: abundante nas áreas litorâneas e úmidas da região Nordeste; Bothrops jararaca: tem grande capacidade adaptativa, ocupa e coloniza áreas silvestres, agrícolas e periurbanas, sendo a espécie mais comum da região Sudeste; Bothrops jararacussu: é a espécie que pode alcançar maior comprimento (até 1,8m) e a que produz maior quantidade de veneno dentre as serpentes do gênero, predominante no Sul e Sudeste; Bothrops moojeni: principal espécie dos cerrados, capaz de se adaptar aos ambientes modificados, com comportamento agressivo e porte avantajado; e Bothrops alternatus: vive em campos e outras áreas abertas, desde a região Centro-oeste até a Sul.
Imunidade
Alguns animais são imunes ao veneno de serpentes. É o caso do gambá. Com essa proteção fisiológica, ele consegue enriquecer seu cardápio com cobras, como as jararacas (Bothrops sp.), cascavéis (Crotalus spp.) e corais (Micrurus spp.). Mordem a região da cabeça ou da garganta desses animais e começam a ingeri-los pela mesma. Segundo SOERENSEN, B. & et ali – UNIMAR, houve apenas morte aguda, em um experimento com gambás, com uma dosagem de 660 mg de veneno, o que corresponde a uma dose 4.000 vezes superior à suportada por bovinos de 400 kg.
Pelo fato destes animais serem de hábitos noturnos, é muito difícil encontrá-los em jardins zoológicos, pela inatividade durante o dia.

13.680 – Conceitos de Biologia


Vida_Ciencia_Biologia_Vol2_8ed
Especula-se que a vida em Marte seja diversa do caráter que conhecemos. Se chamarmos a da Terra de vida alfa, a de Marte poderia ser chamada de beta. Caso exista pode não consistir de indivíduos que se reproduzam sendo simplesmente móvel e metabólica.
Vemos a ostra fechar a concha quando procuramos toca-la, vemos a lagosta se mover com patas e pinças em direção a um pedaço de alimento; parece-nos natural supor que esses seres também sentem, da mesma forma por que sentimos.
Estudando a história da classificação zoológica desde o esboço de Aristóteles até os dias de hoje, verificaremos que são pequenas alterações feitas na divisão dos animais que nos são mais conhecidos e familiares. Mas há um crescimento contínuo de outras classes e justamente entre estes “desclassificados”, principalmente plantas, que surge alguns dos mais elucidativos trabalhos dos tempos modernos.