14.305 -Transmissão assintomática é vantagem evolutiva para Sars-CoV-2


coronavirus-1656821971-600x337
A rápida disseminação da Covid-19 em todo o mundo é resultado, em partes, da capacidade do novo coronavírus de permanecer em seu hospedeiro sem causar sintomas. Essa habilidade, segundo pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, é uma estratégia evolutiva.
A conclusão é resultado de um estudo que examinou prós e contras da transmissão silenciosa na sobrevivência a longo prazo do Sars-CoV-2. Os resultados foram compartilhados em um artigo no Proceedings of the National Academy of Sciences.
Como organismos mais complexos, os vírus podem evoluir por seleção natural, ou seja, os seres vivos mais adaptados ao ambiente têm mais facilidade para sobreviver. Isso ocorre porque novas variantes de determinada espécie surgem como resultado de mutações genéticas e, se o organismo tiver os mecanismos evolutivos adequados para sua sobrevivência, conseguirá prosperá e reproduzir, gerando descendentes com as mesmas características.
No caso de um patógeno como o novo coronavírus, demorar para causar sintomas em seu hospedeiro pode ser vantajoso. Para compreender o porquê disso, basta imaginar o cenário oposto: se um microrganismo afeta seu hospedeiro e o mata muito rapidamente, ele não tem tempo para se reproduzir e é transmitido para menos pessoas — o que, para o patógeno, é uma desvantagem.
“A evolução viral envolve uma troca entre aumentar a taxa de transmissão e manter o hospedeiro como base de transmissão”, explicou Simon Levin, um dos pesquisadores, em comunicado. “As espécies que navegam nessa troca de forma mais eficaz do que outras virão para substituir essas outras na população.”
Como bem exemplificado pela pandemia de Covid-19, uma infecção silenciosa tem vantagens a curto prazo: ela dificulta a implementação de estratégias de controle como identificação, quarentena e rastreamento de contatos. Isso permite que quem está infectado mas ainda não apresenta sintomas continue circulando por aí e disseminando o novo coronavírus.
No entanto, também existem desvantagens evolutivas para esses vírus. De acordo com os especialistas, as pessoas assintomáticas geram menos partículas infecciosas e, portanto, menos microrganismos “escapam” quando elas espirram ou falam.

Método
Para estudar o efeito da transmissão assintomática, a equipe fez modificações em um modelo matemático padrão de como uma doença se espalha pela população. O modelo divide a sociedade em setores, representando indivíduos suscetíveis, infectados e recuperados.
Os especialistas de Princeton, então, dividiram os “infectados” em dois estágios: total ou parcialmente sintomáticos e os que apresentaram todos os problemas de saúde relacionados à Covid-19. Como explicam os pesquisadores, eles não se concentraram apenas no efeito da variação dos sintomas na propagação da doença, mas também nas consequências evolutivas dessa divergência.
A equipe descobriu que estratégias evolutivas bem-sucedidas (para o vírus) surgiram quando o primeiro estágio da infecção era completamente assintomático ou o extremo oposto. Além disso, os pesquisadores concluíram que o alcance do organismo (sua capacidade de não causar nenhum sintoma e de causar sintomas máximos) poderia ser alterado por pequenas mudanças nas estratégias de controle da doença.
Esta última parte da análise indica que as estratégias de controle de doenças podem influenciar qual aspecto evolutivo será mais bem-sucedido em determinado patógeno, o que tem impactos enormes em pandemias como a do novo coronavírus. “Com base em nosso modelo, [esta estratégia evolutiva] é um ponto final evolutivo natural para certas doenças”.

14.287 – Biologia – O que é Netose?


biologia-a-cincia-da-vida-1-728
É um tipo de morte celular regulada, mediada pela a ação dos neutrófilos, as principais células fagocitárias do sistema imunológico inato. Essa morte ocorre por meio de uma das estratégias antimicrobianas dessas células, a liberação de NETs, por isso, o nome NETosis.

NETs são estruturas complexas em formato de teias, compostas de cromatina descondensada e associada a mais de 30 proteínas neutrófilas, as quais podem capturar, neutralizar e levar a morte vários microrganismos. Elas são liberadas para o meio extracelular em torno do neutrófilo e, por isso, fornecem uma barreira física que impede a disseminação microbiana e aumenta a concentração local dos antimicrobianos.
Os neutrófilos junto aos eosinófilos, basófilos e mastócitos, são leucócitos classificados como granulócitos, pois, possuem vesículas chamadas grânulos em seu citoplasma, as quais contém citocinas, receptores de membrana e proteínas de defesa contra microrganismos e células hospedeiras.

Essas células, estão presentes no sangue e são recrutadas quando há infecção nos tecidos. Após a infecção, os macrófagos e outras células residentes na região liberam citocinas inflamatórias e quimioatraentes. Tais substâncias ativam e atraem os neutrófilos para a região infectada. Eles são uma das primeiras células a chegarem nos tecidos e apresentarem resposta imune e reparo tecidual.
Os neutrófilos fagocitam os microrganismos, produzindo uma vesícula que os contém, chamada fagossomo. No citoplasma, esse fagossomo funde-se aos grânulos dos neutrófilos, o que resulta na formação de um fagolisossomo. Quando ocorre essa formação, montam-se complexos enzimáticos de proteínas transmembranas, a NADPH (nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato) oxidase, as quais transferem elétrons para o oxigênio molecular na célula, formando ânions superóxidos dentro do fagolisossomo. Esse ambiente oxidativo junto a fatores microbianos, inativa e mata os microrganismos fagocitados.

Quando os grânulos azurofílicos dos neutrófilos se fundem ao fagolisossomo, há o estímulo para formação dos NETs, os quais se juntam ao conteúdo oxidado, após a degranulação da vesícula, culminando em sua liberação em conjunto para o citoplasma.

Estímulos que desencadeiam a Netosis
Existem vários microrganismos relatados indutores de netose, como:

Bactérias: Escherichia coli, Shigella flexneri, Mycobacterium tuberculosis, Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes e Streptococcus pneumonia.
Vírus: HIV-1, Influenza e vírus da leucemia felina.
Fungos: Candida albicans, Candida glabrata, Aspergillus fumigatus e Aspergillus nidulans.
Parasitas: Leishmania spp., Plasmodium falciparum, Toxoplasma gondii e Eimeria bovis.
As deficiências que prejudicam a formação de NET resultam em alta suscetibilidade a infecções oportunistas em humanos e modelos de camundongos. No entanto, foi observado grande produção deles em doenças autoimunes.

Liberação de NETs rápida e lenta
Existem dois mecanismos conhecidos de libertação de NET:

1) Um mecanismo rápido, que inicia de 5 a 60 minutos após a estimulação por bactérias Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. Esse mecanismo impede uma janela de tempo em que a infecção pode se instalar, por ser mais rápido que o mecanismo chamado lento. Ele não envolve a morte celular. Assim, vesículas que contém cromatina descondensada brotam do núcleo e se acumulam próximo a membrana plasmática, quando há a degranulação do fagolisossomo, formando NETs junto a cromatina. Eles, então, são liberados para o meio externo, eliminando o patógeno sem que haja degradação completa do núcleo e a consequente morte celular do neutrófilo.

2) O outro mecanismo de liberação de NET é considerado lento em comparação ao anterior, pois dura de 2 a 4 horas após o estímulo infeccioso. A maioria dos neutrófilos realiza esse tipo de netose, culminando na morte celular. Seu mecanismo se dá da seguinte maneira: Primeiro o núcleo perde sua forma lobulada característica. Na sequência, as membranas nucleares se desintegram e a cromatina descondensa no citoplasma da célula intacta, onde se mistura com o conteúdo granular. Finalmente, a membrana plasmática se rompe e as NETs são liberadas, provocando a morte do neutrófilo.

Conclusão
A liberação de NETs e a netose são potentes mecanismos de defesa dos neutrófilos e complementam a capacidade do sistema imunológico de combater doenças infecciosas, além de restringir fisicamente os patógenos aprisionados e secundariamente para eliminá-los.

14.273 – América Invadida Pelo Coronavírus


eua
Até terça 14 de abril de 2020, mais de 25.000 mortes causadas pela Covid-19 desde o final de fevereiro, quando foi anunciada a primeira vítima da doença no país. Com pouco mais de 8 milhões de habitantes, a cidade de Nova York sozinha contabilizou um total de 10.000 mortos após ter alterado nesta terça a sua forma de contagem.
A Secretaria de Saúde municipal inclui agora em suas estatísticas de mortes pela Covid-19 os casos suspeitos, mas que não testaram positivo. O objetivo desse método é compensar a escassez de testes de identificação para o novo coronavírus (SARS-CoV-2).
Antes da mudança nas estatísticas, segundo o jornal The New York Times, pelo menos 7.690 pessoas morreram pela Covid-19 na cidade de Nova York. Mesmo sem a revisão da Secretaria de Saúde novaiorquina, os Estados Unidos contam com pelo menos 25.191 mortes — mais do que qualquer outro país.
De fato, essa região é a mais atingida pelo surto de coronavírus no país. O estado de Nova York responde por 33% dos 597.000 casos da Covid-19 reportados nos Estados Unidos.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou também nesta terça-feira a suspensão do financiamento americano à Organização Mundial da Saúde (OMS), que em 2019 alcançou 60 milhões dólares. Trump ameaçava cortar o aporte de recursos à OMS desde 7 de abril pelo menos por cosiderar que a organização havia “severamente mal gerenciando” a pandemia. Para ele, a OMS havia “acobertado” o surto de coronavírus entre o final de 2019 e o início deste ano, quando os primeiros casos de Covid-19 foram reportados na China. Não fosse por isso, a pandemia “poderia ter sido contida”, disse Trump.
Tendo investido 57,8 milhões de dólares na OMS no ano passado, os Estados Unidos são o principal contribuidor da organização internacional, em um universo de quase 200 países.

14.267 – A Evolução dos Vírus


virus_banner
O Tierra é um programa de computador com 80 linhas de código-fonte. É pouco: um app de celular pode alcançar 500 mil; a versão mais recente do Photoshop tem 4,5 milhões. Esse software minúsculo foi criado em 1990, no PC do biólogo Thomas Ray da Universidade de Delaware, nos EUA. A única função de Tierra é criar cópias de si mesmo. Essas cópias vão fazendo mais cópias, até a memória do computador ficar lotada.
Às vezes, durante a clonagem, um dos “filhotes” tem uma linha de código duplicada, alterada ou deletada aleatoriamente. A maior parte dessas mutações impede o Tierra afetado de continuar a se reproduzir. Mas algumas melhoram o desempenho, e ele passa a preencher o HD mais rápido. Isso é seleção natural. Nesse experimento distópico, os Tierras são uma vida artificial que evolui, no sentido darwiniano da coisa.
Alguns Tierras se tornam mais complexos e eficazes após algumas gerações. Outros, porém, ficam mais simples. Vão abandonando linhas de código, até não conseguirem mais se copiar sozinhos: as linhas que restam, por si só, não contêm todas as instruções necessárias para gerar um conjunto igual de linhas. A solução para esses Tierras preguiçosos é parasitar Tierras inocentes, pegando linhas emprestadas para se reproduzir. Assim, às custas dos outros, eles se multiplicam. O nome disso é vírus. De computador, nesse caso.
Há uns 3,5 bilhões de anos, algo parecido aconteceu na Terra. Nessa época, os primeiros seres vivos, bactérias rudimentares, se multiplicavam nos oceanos. Algumas se tornavam mais complexas: graças a uma mexidinha no DNA aqui, outra ali, ganhavam genes novos e, com eles, habilidades bioquímicas inéditas. Outras foram abandonando genes, até ficarem tão simples que começaram a sequestrar o maquinário de bactérias normais para se reproduzir. Essa é uma de várias hipóteses para a origem dos vírus: eles seriam ex-bactérias que se tornaram cada vez mais rudimentares.
O vírus que está na ilustração dessa matéria, parece vindo da ficção científica, mas é das antigas. Se chama bacteriófago, ou seja: é um especialista em atacar bactérias (fagós é “comer” em grego). Não existe outro parasita tão letal na Terra, porque suas vítimas, até hoje, são as mais numerosas. O número de bactérias no oceano tem 28 zeros. Isso significa que, para cada estrela do Universo visível, há 10 milhões de bactérias na água. O número de vírus que ganham a vida se aproveitando dessas bactérias tem 31 zeros, de modo que o número de infecções virais que ocorrem no oceano por segundo tem 23 zeros. 40% do total de bactérias dos oceanos morrem por causa de vírus a cada 24 horas. Para uma bactéria, todo dia é dia de pandemia.
A vida, é claro, se tornou mais complexa que um duelo entre bactérias e vírus (ainda que eles continuem reinando absolutos sobre os ecossistemas da Terra). Ao longo de bilhões de anos de história, as bactérias uniram forças para formar seres multicelulares, como plantas, fungos e animais. Os vírus foram atrás, sempre evoluindo para se aproveitar da complexidade crescente. O que nos leva ao maior problema de saúde pública do século 21: o coronavírus Sars-CoV-2, causador da doença Covid-19, que, até o fechamento desta edição, havia causado 8,7 mil mortes. Nos próximos parágrafos, você lerá um dossiê sobre os vírus: o que eles são, do que são feitos, como invadem nossas células e como mudam nossas vidas desde que nossa espécie se entende por gente.
Como funciona um vírus
Um ser humano é construído por, no mínimo, 20 mil proteínas diferentes (há quem fale em 92 mil). Existe a queratina dos seus cabelos; a actina e miosina, que contraem seus músculos; a amilase, que começa a digestão do açúcar ainda na sua boca; a insulina, que controla o acesso desse açúcar às suas células… A lista é longa. Do mesmo jeito que as 400 mil palavras do português são feitas com um alfabeto de apenas 26 letras, nossas 92 mil proteínas são combinações diferentes de 20 pequenas moléculas chamadas aminoácidos.
Durante a digestão, na acidez do estômago, as proteínas de outros animais e plantas são quebradas em aminoácidos. Como palavras desmontadas em uma sopa de letrinhas. Depois, células do corpo todo usam esses aminoácidos como matéria-prima para montar suas próprias proteínas. Mas elas precisam saber as sequências certas. Para tanto, usam um dicionário de proteínas. O nome desse dicionário é DNA. Quando uma célula precisa de uma proteína, uma molécula chamada RNA mensageiro vai até o núcleo, abre o DNA, anota a receita e leva a anotação a uma estrutura chamada ribossomo, que monta a proteína.
Todo vírus é feito essencialmente das mesmas coisas que você: uma cápsula oca de proteínas e gorduras no interior da qual há um pedaço curtinho de material genético – que contém as receitas. (Quando você usa álcool gel ou sabão, destrói a cápsula do mesmo jeito que desmancha gordura de hambúrguer nas suas mãos).
O problema é que, ao contrário de qualquer animal, planta ou bactéria, os vírus não fabricam suas proteínas por conta própria. Eles não têm a linha de montagem, o tal do ribossomo. O jeito é invadir um organismo – seja uma bactéria, seja um Homo sapiens – e sequestrar os ribossomos, fazendo com que eles fabriquem novas cápsulas virais em vez de algo útil para um humano, como queratina ou amilase. É por isso que os vírus só se reproduzem dentro de algum hospedeiro.
Para sequestrar ribossomos, primeiro é preciso penetrar em uma célula, que é protegida por uma membrana. Cada vírus dá um jeito diferente de atravessar a membrana, então vamos usar como exemplo a praga da vez: os coronavírus – que atendem pela sigla CoV. A pandemia de Covid-19 é só a obra mais recente dessa família. Além de outras epidemias respiratórias, como a Sars, de 2002, e a Mers, de 2012, os coronavírus foram (e são) responsáveis por resfriados comuns também – junto com 200 e tantos vírus de outros tipos. Das sete linhagens conhecidas de CoV, quatro são quase inofensivas. Só causam alguns espirros.
Corona, você já leu por aí, significa “coroa” em latim, porque o vírus tem a aparência de uma bola com uma coroa de espinhos. Esses espinhos, na verdade, não espetam. São só proteínas, que evoluíram para se encaixar como chaves nas fechaduras que ficam na membrana. Feito o encaixe, é só entrar.
Uma célula humana é algo realmente pequeno: você tem 37,2 trilhões delas, em geral tão minúsculas que no espaço de um milímetro cabem dez enfileiradas. Para entrar em uma célula, portanto, os vírus precisam ser cerca de cem vezes menores. Se um coronavírus particularmente gordo, com 160 nanômetros, fosse do tamanho de uma pessoa, a pessoa seria do tamanho da distância entre o Brasil e o Japão – 17 mil km.
A Covid-19 (sigla para coronavirus disease 2019) começa quando o novo vírus acessa o nariz, a boca ou os olhos – pegando carona nas suas mãos ou suspenso no ar em gotículas de saliva após um espirro bem dado. Ele se aloja em um cantinho estratégico, a parede por onde o muco escorre garganta abaixo. Os espinhos dele são ótimos em invadir as células dessa região. É na garganta que a maior parte dos casos de Covid-19 começa – e termina, com o vírus eliminado pelo sistema imunológico. Os sintomas, nesses casos, são leves: tosse seca para expulsar o invasor; febre baixa para matá-lo de calor (às vezes, nesses casos de eliminação rápida, rola uma dorzinha na cabeça ou na garganta).
Uma vez dentro da célula, o vírus começa a passar suas próprias fitas de RNA mensageiro pelos ribossomos. As organelas não percebem que a receita do invasor é uma cilada, e acabam gerando milhões de cópias das proteínas usadas para montar cápsulas de coronavírus. As células se tornam fábricas a serviço do inimigo.
No final, basta ao vírus colocar uma cópia do genoma dentro de cada uma dessas cápsulas e voilà: um novo exército está pronto. O vírus da Covid-19 não explode a célula para sair – como faz o ebola, por exemplo. Ele vence pela exaustão: a célula se dedica tanto a produzir as proteínas do corona que morre por não conseguir fabricar suas próprias proteínas.
20% dos casos de Covid-19 evoluem para um quadro mais severo, em que o vírus desce para os pulmões. É que o sistema imunológico não gosta nada disso. “Assim como em outras doenças causadas por vírus, os sintomas vêm mais da resposta do corpo a ele que da atuação do vírus em si”, explica Jean Pierre Peron, imunologista do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.
E a resposta vem pesada. Os vasos sanguíneos do pulmão se dilatam para que os glóbulos brancos cheguem mais rápido ao local da infecção. Isso causa dor e inchaço. O campo de batalha fica congestionado de destroços: células mortas no fogo cruzado se misturam às que já foram assassinadas pelo vírus. Mesmo se o sistema imunológico der conta de exterminar logo o exército de coronas, a gosma de células mortas que ficaram pode deixar lesões permanentes.
Já se os seus anticorpos não derem conta, e o corona seguir sua série de assassinatos, os alvéolos acabam entupidos. Aí complica de vez. Isso impede a troca de gases com o ambiente. Se não houver ventilação artificial, o paciente morre de insuficiência respiratória.
O vírus não faz isso porque é mau. Na verdade, ele não pode ser mau ou bom, pois sequer é considerado vivo pela maioria dos biólogos. Vírus não têm metabolismo, não comem, respiram ou excretam. Não se reproduzem sozinhos – precisam dos hospedeiros –, e não se locomovem por conta própria. A única razão da existência de um vírus é fazer mais de si mesmo. Ele é um pedacinho de informação genética que se replica. A razão de sua existência, diga-se, é a replicação. Os vírus se replicam simplesmente porque os que não se replicavam bem deixaram de existir.
É difícil traçar o parentesco entre os mais de 5 mil vírus conhecidos – sequer sabemos se eles têm todos a mesma origem. Embora alguns possam ter regredido de bactérias, como mencionado no início do texto, outros talvez descendam de pedacinhos de DNA que circulavam livremente entre bactérias há bilhões de anos. O biólogo David Baltimore criou o sistema de classificação mais aceito, que divide os vírus em sete tipos de acordo com as moléculas que cada um usa para armazenar sua informação genética
Os vírus, ao contrário de nós, não dependem necessariamente do DNA para guardar seu genoma. Eles podem usar o próprio RNA, que normalmente é só um burro de carga, para aquela missão mais nobre de guardar as receitas de proteína. Isso até facilita as coisas, pois permite sabotar o ribossomo direto, sem ter que transcrever DNA em RNA antes.
O RNA é uma molécula bem frágil (a seleção natural não optou pelo DNA à toa: se você vai salvar todas as informações sobre você mesmo em um pen drive, é melhor usar um bom pen drive). “Frágil”, nesse caso, significa sofrer mutações com mais frequência.
Esse defeito, porém, também é um trunfo: mutações frequentes ajudam o vírus a se adaptar muito mais rápido, e superar as novidades que as nossas células criam na corrida armamentista contra invasores. Não é figura de linguagem: todos os anos lançamos uma nova vacina contra a gripe, e todos os anos uma nova linhagem do vírus da gripe aprende a superá-la. E essa Guerra Fria biológica nos acompanha há muito, muito tempo.

si_414_virus_infografico_link

14.257 – Estudo sugere que coronavírus pode estar nos humanos há anos


carona virus
Desde que o novo coronavírus começou a se espalhar pelo mundo, diversas teorias sobre sua origem circularam nas redes sociais e no imaginário da comunidade científica. Agora, um novo estudo afirma que o vírus pode estar em humanos há muitos anos e que passou a ser nocivo para as pessoas após diversas mutações.
Esta pesquisa se originou da que provou que o Sars-Cov-2 não foi criado em laboratório. Dessa forma, foram explorados dois cenários. O primeiro, e mais falado, é que o vírus se originou em animais, provavelmente morcegos ou pangolins. “Embora não tenha sido identificado nenhum coronavírus animal que seja suficientemente semelhante para ter atuado como progenitor direto do Sars-Cov-2, a diversidade de coronavírus em morcegos e outras espécies é pouco analisada”, destacaram os pesquisadores.
A segunda e mais surpreendente hipótese é que a mutação ocorreu já nos humanos, após ser transmitido de um hospedeiro animal há anos, talvez décadas, atrás. “Então, como resultado de mudanças evolutivas graduais ao longo de anos ou talvez décadas, o vírus acabou adquirindo a capacidade de se espalhar de humano para humano e causar doenças graves”, concluíram.
Embora ainda não consigam provar qual das duas hipóteses é a correta, os pesquisadores procuram evidências para inclinarem a balança para uma das duas possibilidades. Enquanto a resposta não é encontrada, diversos países e a Organização Mundial da Saúde trabalham em uma forma de combater a Covid-19, testando remédios e desenvolvendo vacinas.

14.201 – Vírus Desconhecidos são Detectados em Geleira no Tibete


tibete geleira
Cientistas temem que mudanças climáticas possam derreter as geleiras tibetanas e liberar vírus perigosos no meio ambiente, considerando que esse seria o pior cenário possível.
Nos últimos 15.000 anos, uma geleira no planalto tibetano da China alberga um conjunto de seres incomuns e deveras peculiares: vários tipos de vírus congelados, muitos deles ainda desconhecidos da ciência contemporânea.
Congelados mas vivos há milhares de anos
Recentemente, os cientistas, ao analisarem amostras de gelo desta geleira, detectaram a existência de 28 grupos de vírus antes desconhecidos.
Para os cientistas, segundo o artigo publicado pela bioRxiv, se trata de uma descoberta relevantíssima pois permitirá perceber como é que os vírus foram sobrevivendo e prosperando ao longo dos tempos em diferentes climas e ambientes, inclusive sob condições extremas.
Face às mudanças climáticas, os cientistas temem que o derretimento da geleira lance esses vírus desconhecidos no meio ambiente, pelo que urge estudá-los o melhor e o mais rapidamente possível, pois há sempre a possibilidade que alguns deles serem mortais.
Um mundo fascinante congelado
De acordo com o portal Livescience, ainda estamos muito longe de conseguir elencar a totalidade dos vírus da Terra, citando Chantal Abergel, uma especialista francesa em virologia ambiental.
As duas séries de amostras de gelo do planalto tibetano foram coletadas em 1992 e 2015. Contudo, houve contaminação exterior durante a perfuração, manuseio e transporte. Mas, para gáudio dos cientistas, o núcleo das amostras permaneceu intacto.
Recorrendo a técnicas sofisticadas e em ambiente de temperatura controlada, estanque e esterilizada, a equipe de pesquisa conseguiu identificar 33 grupos de gêneros de vírus nos núcleos de gelo. Desses, 28 eram completamente desconhecidos anteriormente pela ciência.
“Os micróbios das duas séries de amostras diferiam significativamente entre eles, presumivelmente devido as condições climáticas muito diferentes aquando da deposição”, refere-se no aludido estudo.
A pesquisa sobre vírus antigos representa um primeiro passo no estudo dos genomas dos vírus localizados em ambientes glaciares e do seu provável impacto microbiano em caso de degelo, concluíram os cientistas.

14.171 – Biologia – As Superbactérias


superbacterias
Superbactérias é o nome dado ao grupo de bactérias que consegue resistir ao tratamento com o uso de uma grande quantidade de antibióticos. Normalmente associadas ao ambiente hospitalar, essas bactérias são um grave problema para pacientes debilitados.
Observa-se uma grande quantidade de óbitos em todo o mundo em decorrência de infecções por superbactérias, principalmente nos países mais pobres. Isso ocorre porque, em muitos desses lugares, não há instalações adequadas para a identificação rápida desses organismos, além de possuírem poucos antibióticos alternativos para o tratamento de bactérias resistentes.
Geralmente essas superbactérias surgem em razão do uso de uma grande quantidade de antibióticos de forma desnecessária ou de maneira incorreta, que acaba selecionando as formas resistentes. Uma das principais bactérias resistentes a medicamentos é a Staphylococcus aureus, sendo a forma resistente à meticilina (MRSA) a mais comum. A MRSA é encontrada em praticamente todo o mundo, normalmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), onde causam sérios problemas. Essa superbactéria, além de ser resistente a vários antibióticos, é capaz de colonizar instrumentos médicos.
Em 17 de abril de 2014, um trabalho intitulado Transferable Vancomycin Resistance in a Community-Associated MRSA Lineage alertou a respeito de uma nova superbactéria do tipo VRSA (Vancomycin Resistent Staphylococcus aureus) resistente à meticilina e à vancomicina. Essa bactéria, chamada de BR-VRSA, foi descoberta no Brasil e é um tipo ainda mais resistente de Staphylococcus aureus. O que a diferencia das outras bactérias do tipo VRSA é o material genético herdado de bactérias que são encontradas em ambientes fora dos hospitais. Essa característica é importante porque torna mais fácil a sua disseminação.
Outra superbactéria que reflete um grande problema nos hospitais do mundo todo é a chamada KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemases). Ela produz carbapenemases do grupo A, enzima responsável por inibir a ação dos antibióticos que possuem o anel betalactâmico. Isso faz com que as opções de medicamento no tratamento dessa bactéria sejam diminuídas. A KPC acomete normalmente pacientes imunodeprimidos, em especial aqueles que estão na UTI.
Existe ainda uma superbactéria chamada NDM-1, que inicialmente surgiu na Índia e Paquistão, mas, posteriormente, espalhou-se por praticamente todo o mundo nos ambientes hospitalares. Ela apresenta um gene responsável pela produção de uma enzima que atua nos antibióticos betalactâmicos, conferindo resistência a esse medicamento.
Podemos concluir que várias são as superbactérias existentes no planeta e que todas elas constituem um grave problema para o ambiente hospitalar, uma vez que atacam pacientes com doenças graves ou extremamente debilitados. Conter o avanço de superbactérias é uma tarefa difícil e necessita de uma ação conjunta de profissionais da saúde, pacientes e até mesmo dos governantes. Profissionais da saúde devem ter em mente que a prescrição de antibióticos só deve ser feita quando necessário e todos os procedimentos hospitalares devem ser feitos com total higiene, utilização de jalecos, toucas e luvas. Os pacientes, por sua vez, devem ficar atentos às recomendações médicas e nunca se automedicar. Já os governantes devem dificultar a venda indiscriminada de antibióticos e criar políticas que incentivem a pesquisa sobre essas bactérias.

13.753 – Estudo mostra como as bactérias poderiam gerar ondas de rádio


bacteriass
Pode não ser lá a questão mais importante da ciência atualmente, mas há uma grande controvérsia entre os cientistas se as bactérias podem (ou não) criar ondas de rádio. Agora, uma equipe da Universidade Northeastern, em Boston, Massachusetts, EUA, acredita ter finalmente descoberto o mecanismo supostamente utilizado pelas bactérias para emitir os sinais de rádio.
O estudo da universidade demonstra como o DNA bacteriano poderia ser a fonte de sinais de rádio. O DNA de bactérias, muitas vezes se enrola como um círculo, por onde elétrons livres em movimento podem criar certos níveis de energia. As frequências de transição entre esses níveis de energia, quando modeladas, mostram sinais de radiodifusão de 0,5, 1 e 1,5kHz.
Essas frequências correspondem àquelas medidas em uma colônia de E. coli e publicadas dois anos atrás. Entretanto, o estudo anterior foi muito contestado, com alguns investigadores inclusive negando o trabalho inteiro. Portanto, esta nova descoberta deve botar mais lenha na fogueira no debate latente sobre as bactérias e o que se passa a nível microbiano.
Uma das principais críticas que a pesquisa anterior sobre as E. coli sofreu foi que não havia nenhuma maneira pela qual as bactérias poderiam gerar ondas de rádio. Se elas efetivamente produzem as ondas ou não permanece no ar, porém este novo estudo da Northeastern University apresenta o mecanismo pelo qual isso poderia ser feito. [PopSci]

13.354 – Microbiologia – Superbactérias avançam no Brasil e levam autoridades de saúde a correr contra o tempo


bacteria resistente
Bactérias que não respondem a antibióticos vêm aumentando a taxas alarmantes no Brasil e já são responsáveis por ao menos 23 mil mortes anuais no país, afirmam especialistas.
Capazes de criar escudos contra os medicamentos mais potentes, esses organismos infectam pacientes geralmente debilitados em camas de hospitais e se espalham rapidamente pela falta de antibióticos capazes de contê-los. Por isso, as chamadas superbactérias são consideradas a próxima grande ameaça global em saúde pública pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

PERIGOSAS
Um exemplo é a Acinetobacter spp. A bactéria pode causar infecções de urina, da corrente sanguínea e pneumonia e foi incluída na lista da OMS como uma das 12 bactérias de maior risco à saúde humana pelo seu alto poder de resistência.
De acordo com a Anvisa, 77,4% das infecções da corrente sanguínea registradas em hospitais por essa bactéria em 2015 foram causadas por uma versão resistente a antibióticos poderosos, como os carbapenems.
Essa família de antibióticos é uma das últimas opções que restam aos médicos no caso de infecções graves.
utro exemplo é a Klebsiella pneumoniae. Naturalmente encontrada na flora intestinal humana, é considerada endêmica no Brasil e foi a principal causa de infecções sanguíneas em pacientes internados em unidades de terapia intensiva em 2015, segundo dados da Anvisa.
O mais preocupante é que ela tem se tornado mais forte com o passar do tempo. Nos últimos cinco anos, a sua taxa de resistência aos antibióticos carbapenêmicos (aqueles usados em pacientes já infectados por bactérias resistentes) praticamente quadruplicou no Estado de São Paulo –foi de 14% para 53%, segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica paulista.
A capacidade de bactérias de passar por mutações para vencer medicamentos desenvolvidos para matá-las é chamada de resistência antimicrobiana –ou resistência a antibióticos.
Essa extraordinária habilidade é algo natural: os remédios, ao atacar essas bactérias, exercem uma “pressão seletiva” sobre elas, que lutam para sobreviver. Aquelas que não são extintas nessa batalha são chamadas de resistentes. Elas, então, multiplicam-se aos milhares, passando o gene da resistência a sua prole.
Esse processo natural pode ser acelerado por alguns fatores, como o uso excessivo de antibióticos. Um agravante é o emprego desses medicamentos também na agricultura, na pecuária e em outras atividades de produção de proteína animal.
Muitos fazendeiros injetam regularmente medicamentos em animais saudáveis como um aditivo de performance. Isso acelera a seleção de bactérias no ambiente e em animais, que podem vir a contaminar humanos.
De acordo com especialistas, o número crescente de infecções –que poderiam ser barradas por mais higiene e saneamento básico– também é um problema, porque demanda maior uso de antibióticos, o que, por sua vez, seleciona mais bactérias resistentes, perpetuando um círculo vicioso.
Um estudo encomendado pelo governo britânico no ano passado estima que tais organismos irão causar mais de 10 milhões de mortes por ano após 2050. Atualmente, 700 mil pessoas morrem todos os anos vítimas de bactérias resistentes no mundo.
Os efeitos na economia também podem ser devastadores. Países como o Brasil estariam sob o risco de perder até 4,4% de seu PIB em 2050, segundo estimativas do Banco Mundial.

PECUÁRIA
Características específicas, como hospitais superlotados e alta atividade agropecuária com uso de antibióticos, fazem do Brasil um grande facilitador a bactérias resistentes.
O país é hoje o terceiro no mundo a mais utilizar antibióticos na produção de proteína animal, atrás apenas da China e dos Estados Unidos –e deve continuar nessa posição até pelo menos 2030, aponta um estudo coordenado por Thomas P. Van Boeckel, da Universidade de Princeton (EUA).
Consultado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento diz que atua para diminuir o uso desses produtos em animais. A pasta afirma que já é proibido utilizar antibióticos como as penicilinas e as cefalosporinas para melhorar o desempenho dos animais.
No ano passado, a colistina, um antibiótico considerado a última opção de tratamento a bactérias resistentes também teve seu uso proibido em animais saudáveis.
Na área hospitalar, a Anvisa monitora as infecções da corrente sanguínea em UTIs, associadas ao uso de instrumentos para aplicação de remédios, como o cateter. Somente em 2015, foram mais de 25 mil infecções desse tipo –a maioria causada por bactérias com altos índices de resistência.
Desde dezembro, o Ministério da Saúde vem elaborando, com diferentes ministérios e a Anvisa, um plano nacional de combate a bactérias resistentes, a pedido da OMS. Alguns dos objetivos do material são fortalecer o conhecimento científico sobre o tema e expandir a rede de saneamento básico no país para ajudar a prevenir infecções.
O governo diz que também pretende educar melhor profissionais e pacientes sobre a urgência do tema.
De acordo com o Ministério da Saúde, o plano estratégico está pronto, mas ainda é necessário definir como será a implementação e o monitoramento das ações.
A proposta brasileira está prevista para ser colocada em ação a partir de 2018, com expectativa de conclusão até 2022. Comparado com outras economias em desenvolvimento, o país está atrasado: a África do Sul começou a colocar seu plano em prática ainda em 2014, enquanto a China implementa o seu desde 2016. Já a Índia começou nesse ano.
O país é também um dos únicos Brics (sigla para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) que ainda não disponibilizou o documento publicamente no site da OMS, juntamente com a Rússia.
Consultada, a OMS disse que os países não são obrigados a compartilharem seus planos, mas que ela encoraja a prática “como uma forma de transparência e de boas práticas”.
Mas enquanto o governo trabalha numa estratégia, bactérias aprimoram sua capacidade de sobreviver aos remédios mais poderosos.
Em outubro, a Anvisa emitiu um alerta sobre a detecção no Brasil de cepas da E. coli, resistentes a uma família de antibióticos chamada polimixinas. que se tornaram a última escolha de médicos frente a bactérias resistentes.
O mais preocupante é que essas cepas da E.coli têm a capacidade de trocar material genético com outras espécies de bactérias e transferir o gene da resistência às polimixinas a outros organismos –não apenas a sua prole.
O novo mecanismo de resistência exemplifica o quanto o assunto é urgente, diz Sampaio, da USP, para quem “a cada dia há uma surpresa” no universo desses organismos.

resistencia3

resistencia bacteriana2

13.102 – Biologia – O Papilomavírus


O HPV (papilomavírus humano), nome genérico de um grupo de vírus que engloba mais de cem tipos diferentes, pode provocar a formação de verrugas na pele, e nas regiões oral (lábios, boca, cordas vocais, etc.), anal, genital e da uretra. As lesões genitais podem ser de alto risco, porque são precursoras de tumores malignos, especialmente do câncer do colo do útero e do pênis, e de baixo risco (não relacionadas ao aparecimento de câncer).

Transmissão do Papiloma Vírus Humano (HPV)
A transmissão se dá predominantemente por via sexual, mas existe a possibilidade de transmissão vertical (mãe/feto), de auto-inoculação e de inoculação através de objetos que alberguem o HPV.

Diagnóstico
As características anatômicas dos órgãos sexuais masculinos permitem que as lesões sejam mais facilmente reconhecíveis. Nas mulheres, porém, elas podem espalhar-se por todo o trato genital e alcançar o colo do útero, uma vez que, na maior parte dos casos, só são diagnosticáveis por exames especializados, como o de Papanicolaou (teste de rotina para controle ginecológico), a colposcopia e outros mais sofisticados como hibridização in situ, PCR (reação da cadeia de polimerase) e captura híbrida.

Sintomas
A infecção causada pelo HPV pode ser assintomática ou provocar o aparecimento de verrugas com aspecto parecido ao de uma pequena couve-flor na pele e nas mucosas. Se a alteração nos genitais for discreta, será percebida apenas através de exames específicos. Se forem mais graves, as células infectadas pelo vírus podem perder os controles naturais sobre o processo de multiplicação, invadir os tecidos vizinhos e formar um tumor maligno como o câncer do colo do útero e do pênis.

Tratamento
O vírus do HPV pode ser eliminado espontaneamente, sem que a pessoa sequer saiba que estava infectada. Uma vez feito o diagnóstico, porém, o tratamento pode ser clínico (com medicamentos) ou cirúrgico: cauterização química, eletrocauterização, crioterapia, laser ou cirurgia convencional em casos de câncer instalado.

Recomendações
* Lembre-se que o uso do preservativo é medida indispensável de saúde e higiene não só contra a infecção pelo HPV, mas como prevenção para todas as outras doenças sexualmente transmissíveis;

* Saiba que o HPV pode ser transmitido na prática de sexo oral;

* Vida sexual mais livre e multiplicidade de parceiros implicam eventuais riscos que exigem maiores cuidados preventivos;

* Informe seu parceiro/a se o resultado de seu exame para HPV for positivo. Ambos precisam de tratamento;

* Parto normal não é indicado para gestantes portadoras do HPV com lesões genitais em atividade;

* Consulte regularmente o ginecologista e faça os exames prescritos a partir do início da vida sexual. Não se descuide. Diagnóstico e tratamento precoce sempre contam pontos a favor do paciente.

sintomas-do-hpv

13.099 – Microbiologia – Conceitos Gerais


fungos

Fonte: USP

Microrganismo: Bactéria, fungo, protozoário, ovo de nematelminto ou platelminto (vermes), protozoário, cistos de protozoários, ácaro e congêneres e microalgas. Os vírus são agentes infecciosos que alguns autores não os consideram microrganismos, por não serem células completas, mas causam doenças. Neste contexto, incluem-se os fagos das bactérias, viroides das plantas e os príons (ex. o agente da “vaca louca” e outras doenças priônicas). Desta maneira, todos os agentes infecciosos devem ser considerados nos métodos de controle microbiológico.
O que é um “antimicrobiano”? O que você espera ele faça? Tente pensar sem continuar lendo e ter uma conclusão. Não importa qual foi, mas faça esta pergunta a você como estímulo.

Um agente antimicrobiano pode interferir de várias maneiras nos diferentes microrganismos. Portanto, muita atenção e verifique se o antimicrobiano é suficiente, ou não, ou até mesmo, desnecessário. As atividades: bactericida, esporocida*, fungicida, parasiticida, virucida significa “matar” ou “destruir” respectivamente bactérias, esporos bacterianos, fungos, parasitas e vírus. Por outro lado, se substituirmos o sufixo para stático, a atividade antimicrobiana terá uma diferença enorme. Estes microrganismos param sua multiplicação, mas não morrem. Considerando as bactérias como referência, temos que “as bactérias têm como objetivo a sua multiplicação”. No entanto, este objetivo pode ser “inibido” com um produto químico, ou equipamento com atividade bacteriostática, por exemplo. Assim, a multiplicação destas bactérias cessa sem matá-las. Se removermos o agente bacteriostático, as bactérias podem voltar a se multiplicar. Este procedimento é muito utilizado, pois é suficiente para atender diversas situações para o controle de microrganismos como, por exemplo, nos conservantes de alimentos, cosméticos, tintas, etc. Se o conservante perder função, ou se a bactéria for transportada deste lugar para um ambiente favorável, ela pode voltar a se multiplicar. Mas, dependendo do tipo de bactéria, do conservante e o seu tempo de ação e do ambiente, estas bactérias podem, por outro lado, exaurirem-se nutricionalmente a ponto de morrer.

Os bactericidas, ao contrário, “matam” ou “destroem” as bactérias, e estas perdem totalmente a capacidade de se multiplicarem, mesmo se forem transportadas para ambientes altamente favoráveis ao seu crescimento. Na verdade, este é o conceito de morte bacteriana que pode ser estendido a outros microrganismos.

Importa muitas vezes, também, saber o que fez a bactéria “morrer”. Existem produtos muito tóxicos ou equipamentos muito perigosos à saúde humana que, de fato, matam as bactérias e outros microrganismos, mas o ambiente ou um indivíduo também pode sofrer com isto e até morrer. É importante, portanto, saber se ocorreu dano no DNA da bactéria, qual parte do DNA foi alterada, se ocorreu dano de proteínas, como foi isto, se as proteínas foram degradadas totalmente ou parcialmente, ou se a bactéria sofreu lise (estourou). A bactéria pode também ter “murchado” por perder água, por aquecimento em ambiente muito seco ou pelo excesso de sal em volta.

Consideração importante sobre esporos bacterianos:

Os esporos* bacterianos são formados por apenas alguns tipos de bactérias. Estas bactérias são capazes de se “enclausurarem” formando o esporo que, por sua vez, é uma estrutura extremamente desidratada, com muito cálcio e ácido dipicolínico. Dependendo da espécie bacteriana, o esporo pode manter viável em seu centro os principais compostos das bactérias no ambiente por anos, séculos, milênios ou milhões de anos. Assim que estes esporos encontrarem condições favoráveis para crescer, mesmo depois de muito tempo esporuladas, os esporos germinam e as bactérias voltam a se multiplicar como antes. Portanto, este potencial de resistência e de germinação varia entre as bactérias capazes de produzir esporos. O esporo bacteriano é mais resistente às condições extremas do ambiente como o calor, desidratação, radiação ultravioleta e agentes químicos. Estas propriedades “extras” são conferidas por serem estruturas extremamente desidratadas, possuírem o ácido dipicolínico e o cálcio que contribuem na integridade das proteínas para as condições de “estresse” químico ou físico.

O termo “esporocida” usualmente está associado à impossibilidade irreversível de um esporo bacteriano “germinar” (da bactéria voltar para a sua vida vegetativa). Os esporos fúngicos são outras estruturas microbianas e são mais frágeis, no entanto, são mais resistentes em geral do que as formas vegetativas da maioria das bactérias (não esporuladas), de importância à saúde humana, animal e vegetal.

Um equívoco comum neste assunto é considerar que todo agente químico esporocida implica ser também esterilizante. Um agente esterilizante tem que possuir o potencial de todos os “cidas”, claro. Mas, lembrem-se que, existem diferentes tipos de esporos cujas resistências ao ambiente variam. Deve-se, portanto, considerar que nem todo agente esporocida é necessariamente um agente esterilizante. Mas, todo agente esterilizante é também esporocida. Assim, para validar os processos de esterilização, em geral, utilizam-se determinados tipos de espécies de esporos bacterianos sabidamente mais resistentes e que devem, também, morrer nos diferentes processos de esterilização. Assim são validados os muitos processos de esterilização.

Vale também lembrar que existem agentes esporostáticos, os quais não permitem a germinação bacteriana. Se estes esporos, sob o efeito de um agente esporostático, forem transportados para um ambiente favorável à germinação, estes germinarão e as bactérias voltariam a se multiplicar.

Mas continuando com as diversidades do termo antimicrobiano, vale acrescentar o questionamento necessário sobre qual tipo de bactéria/outro microrganismo que este produto/equipamento atua.

Temos que considerar se interfere com bactérias “frágeis” como a Escherichia coli ou micobactérias (grupo das que causam tuberculose), que possuem uma espessa camada de gordura em sua parede celular (não são bactérias esporuladas!). A diferença é grande, pois as micobactérias são mais resistentes aos desinfetantes químicos. Maior ainda é a diferença se o produto ou equipamento é capaz de interferir ou não nos esporos bacterianos, como já mencionamos.

Alem disso, temos que considerar QUANTO o antimicrobiano “mata” (atividade quantitativa) uma determinada população bacteriana. Ou seja, quantos microrganismos morrem num determinado intervalo de tempo, isto é, se “mata” 10%, 20%, 50%, 80%, 90% de uma população microbiana. Em geral, começamos a pensar em valores de 90% ou mais. As percentagens menores valem sim, mas em geral, são menos significativas quando pensamos em populações em número de logaritmos a base de 10. Valores como 99.99%, 99.999% são vistos mais frequentemente em rótulos de alguns produtos desinfetantes! Puxa, mas assim é quase 100%. NÃO! Em microbiologia 100% é esterilização.

Então, vejamos:
Na verdade, em microbiologia, temos que tratar populações de microrganismos cuja quantidade pode chegar a 1012 bactérias por grama como nas fezes humanas, ou até em alguns rios, ou cerca de 106 em lagos e etc. Na verdade, isto varia muito nos campos da microbiologia, principalmente, na área ambiental e industrial.

Se, por exemplo, um produto ou processo de descontaminação tem capacidade de reduzir 90% de uma população bacteriana, o que significaria isto? Se temos inicialmente 107 bactérias por alguma unidade, no final teríamos cerca de 106 bactérias. Ora, esta redução pode ser insuficiente porque os 10% que restaram podem ser uma população microbiana alta ainda.

Outro exemplo apresentado em alguns anúncios televisivos são as reduções de 99,9%. O que significa isto? Se tivermos uma população de 106 bactérias por alguma unidade (gramas, mililitros, metros cúbicos de ar), no final ainda teremos 103, ou seja, 1000 bactérias. Dependendo da área de microbiologia que trabalha no controle de microrganismos, 1000 bactérias pode ser bom em alguns ambientes, mas não em outros. O controle de microrganismos ocorre, também, em outras áreas além da saúde humana ou animal. Temos os vegetais, as indústrias (alimentos, cosméticos, medicamentos, couro, tinta, petróleo, fermentação alcoólica e muitas outras, além do contexto ambiental).

Vale também lembrar que os valores exemplificados são de testes laboratoriais, nos quais um produto desinfetante fica em contato apenas com as bactérias testadas. Na prática, diversos fatores ambientais nunca serão semelhantes às condições do laboratório. Assim, as reduções mencionadas geralmente são menores do que as mencionada pelos testes laboratoriais. Discutiremos a avaliação de desinfetantes químicos em outro tema, principalmente pela existência de conflitos metodológicos.

Vale, ainda, considerar se o antimicrobiano é um produto ou equipamento tóxico ou não, e quanto tempo leva para atingir um objetivo. Além disto, quanto custa, se é estável, se é sensível à matéria orgânica, pH, volatização, se está acondicionado em ambiente escuro, ventilado e qual o tipo de superfície que agirá (metal, madeira, fórmica, etc).

Desta maneira, não aceitem sem questionar a atividade antimicrobiana de um produto ou equipamento. É preciso perguntar seu potencial e as limitações deste antimicrobiano.

Alguns termos importantes no controle de microrganismos:
Os antibióticos que conhecemos são também antimicrobianos, mas são usualmente ingeridos e, às vezes, injetados. Alguns por serem relativamente tóxicos, são utilizados apenas em forma de pomada. A eficácia dos antibióticos é avaliada de maneira muito diferente que desinfetantes químicos. O mecanismo de ação dos antibióticos é geralmente conhecido e, em geral, estas drogas funcionam como “mísseis teleguiados” enganando, em geral, o metabolismo microbiano. Desinfetantes químicos ou físicos não diferenciam bactérias das células de nosso corpo e, por isto, os desinfetantes químicos, em geral, são muito mais tóxicos e são aplicados em superfícies inertes e não em pacientes.

Esterilizante: Produto ou equipamento capaz de matar ou remover todos os microrganismos de um ambiente, inclusive os mais resistentes. A esterilização deve ser entendida como um procedimento absoluto e não relativo. Por exemplo, não existe esterilização parcial ou “meia esterilização” ou, por exemplo, estar estéril para bactérias, mas não para vírus.

Desinfetante: Produto ou equipamento capaz de reduzir a níveis seguros microrganismos indesejáveis, matando-os. Este microrganismos indesejáveis variam nos diferentes campos da microbiologia, mas às vezes, alguns são os mesmos. Neste conceito, os desinfetantes não precisam ter necessariamente atividade esporocida. Alguns desinfetantes melhores podem até ser esporocidas, mas as espécies de esporos bacterianos que atingem, geralmente, são mais frágeis do que aqueles usados para validar esterilizantes.

Conservante: Produto com atividade “stática”, mas com o tempo pode causar a morte de alguns microrganismos. Os conservantes, ou também conhecidos como preservantes, em geral, mantém os níveis baixos de microrganismos. Usualmente, são aplicados em alimentos, mas podem ser incorporados em muitos outros produtos em que a deterioração microbiana é possível como os cosméticos, tintas, etc.

Saneante: Produto que não mata necessariamente microrganismos, usualmente mantém níveis baixos destes. Os saneantes são compostos com atividade antimicrobiana cujos resíduos podem ser ingeridos em pequena quantidade. O exemplo mais clássico é o uso de saneantes na descontaminação de pratos, talheres, panelas de hospitais ou mesmo os resíduos de cloro que existem na água potável. O compostos ativo mais usado é o cloro em baixa concentração.

Quanto maior a carga microbiana no inicio de um processo de descontaminação, menor é a chance da eficácia esperada.

Antisséptico: Na verdade, nada mais é do que um desinfetante cutâneo. É um composto ativo sem alvo especifico, ao contrário da pomada antibiótica. Os antissépticos, em concentração baixa, podem ser aplicados a tecidos vivos como a pele e mucosas. Pode ser aplicado por pouco tempo com objetivo de matar possíveis microrganismos indesejáveis e impedir a instalação e multiplicação destes.

Antissepsia: A princípio, é um conjunto de regras e normas aplicadas na manutenção da esterilidade de um objeto ou equipamento, previamente estéril quando manipulado. Isto não impede que estas condutas sejam aplicadas em procedimentos cirúrgicos, como também no repique de uma determinada bactéria em estudo, próximo ao bico de Bunsen ou em capela de fluxo laminar. Assim, ocorre a manipulação apenas da bactéria em estudo e não das bactérias contaminantes do ar ou da orofaringe do técnico, que prejudicariam totalmente o estudo.

Detergente: é composto aniônico, miscível em água. É apenas um sabão para ajudar a limpeza, mas não “mata” microrganismos em geral, apenas os remove vivos de um lugar. Mas, a limpeza com água e sabão é fundamental para iniciar em seguida os processos de descontaminação. Após o sabão, é fundamental lavar em seguida com bastante água para que a limpeza seja eficaz.

Não confundir os sabões catiônicos (ex.: sabão de cozinha) com os compostos de amônio quaternário, que são compostos que possuem atividade detergente reduzida, são agentes desinfetantes químicos e matam microrganismos. Estes produtos predominam, atualmente, nas prateleiras de supermercados por serem pouco tóxicos. Os desinfetantes domésticos funcionam, geralmente, quando não diluídos. No entanto, os compostos de amônio quaternário são sensíveis a matéria orgânica. Desta maneira, a limpeza prévia com água e sabão de uma superfície é importante. Por exemplo, se a pia de uma cozinha estiver suja, sem lavar bem antes, o desinfetante reage com a sujeira residual e perde “força” na sua ação contra as bactérias.

Descontaminação: Promoção da atividade(s) antimicrobiana. Termo é muito genérico no contexto de controle de microrganismos e pouco específico. No entanto, para tornar-se mais claro, deve ser especificado ao que se pretende com a descontaminação.
Ex.: Descontaminar o quê? Como? Quais microrganismos devem ser destruídos? Quantos microrganismos ficam após a descontaminação, quais podem ficar? Qual é a exigência da descontaminação para um determinado local?
Por exemplo, descontaminar as mãos lavando-as com água e sabão. Dependendo, se acrescenta em seguida o álcool-gel (que é o atualmente utilizado), se você estiver numa epidemia de gripe. Você pode ser um adulto voltando do trabalho para visitar, no ambiente doméstico, seu neto recém-nascido. Se você for pegá-lo no colo, então tem que lavar as mãos antes com água e sabão e depois utilizar o álcool-gel de farmácia.
Pode-se também descontaminar equipamentos de uma indústria. Neste caso, ocorrem diversos etapas e procedimentos para que este equipamento não contamine o produto final.

Germicida (termo em desuso): Mata germes! O termo não é específico, muito genérico.

Microbiocida: Mata micróbios! Termo não especifico e também muito genérico.

Biocida = Microbiocida

Desodorante: geralmente, um composto ativo contra bactérias causadoras de mal cheiro.

Desinfestação: remover ou “matar” insetos.

Deodorante: perfume.

Fumigação: Aspersão de gás ou liquido no ambiente para atividade germicida, microbiocida ou biocida.

12.978 – Profissões – O que faz um técnico patologista?


amostras-biolgicas
Técnico de laboratório de análises clínicas, no Brasil, é um profissional com formação de nível médio. Não existe uma nomenclatura unificada para denominação deste profissional, podendo ser chamado de técnico em patologia clínica, técnico em citologia, técnico em análises laboratoriais, etc., o que pode gerar conflitos de nomes. Este profissional auxilia e executa atividades padronizadas de laboratório – automatizadas ou técnicas clássicas – necessárias ao diagnóstico, nas áreas de parasitologia, microbiologia médica, imunologia, hematologia, bioquímica, biologia molecular e urinálise. Colabora, compondo equipes multidisciplinares, na investigação e implantação de novas tecnologias biomédicas relacionadas às análises clínicas, entre outras funções.
A profissão está descrita na Classificação Brasileira de Ocupações, assim como está na Lei Federal 3820/61, que cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Farmácia, e dá outras providências legais;
A função do profissional de nível superior (na qual se enquadram o biólogo, biomédico, o farmacêutico-bioquímico e o médico patologista clínico) é a de supervisionar e se responsabilizar pelo controle de qualidade e correção nos trabalhos relacionados à bancada laboratorial, liberação dos laudos, perícias e liberação dos resultados técnicos, assinando pelos resultados e assumindo as responsabilidades civis e penais sobre os seus atos. Já o técnico em patologia clínica é o responsável pela execução, sempre sobre a orientação e coordenação de um profissional de nível superior.
É de sua função além dos trabalhos de bancada em análises clínicas o controle de qualidade de medicamentos, produção de imunobiológicos, controle de qualidade em vivo e in vitro de imunobiológicos, produção e controle de qualidade de hemoderivados, laboratório de análises clínicas veterinárias, garantia de qualidade biológica, biosseguridade industrial porém, não possui competência legal para assinar os resultados, cabendo a responsabilidade legal para assinar, o profissional que possuir o TRT (Termo de Responsabilidade Técnica) do laboratório.
Os profissionais de nível médio não podem em hipótese alguma liberar laudo, resultados ou perícias bem como responder sobre o laboratório. As competências legais para isso competem ao profissional de nível superior, que possui a competência legal para liberar resultados, laudos ou perícias bem como as responsabilidades civis e penais sobre os erros cometidos por eles e pelos técnicos que os auxiliam. Estes profissionais de nível superior possuem o TRT (Termo de Responsabilidade Técnica) sobre o laboratório que são responsáveis em número máximo de dois. Os profissionais de nível superior quando iniciam o seu trabalho no laboratório, fazem o ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) junto ao conselho a qual é subordinado.
Ao terminar o vinculo empregatício com o laboratório e deixar de ser o responsável técnico de nível superior pelo laboratório, este deve dar baixa no ART e no TRT para que possa assumir outro laboratório, o que está previsto no Código de Ética. Os ARTs são comprovações de que o profissional possui experiência e atuou na área de laboratório junto aos Conselhos e possui vínculo com o laboratório ou possuiu em data anterior.
Só podem ter o TRT ou ART os profissionais de nível superior habilitados a exercer a atividade de laboratório, porém não é obrigatório, até o presente momento, aos técnicos de Análises Clinicas se registrarem junto ao Conselho Regional de Farmácia, de Química ou de Biomedicina para poderem exercer a atividade de técnico. O profissional, mesmo possuidor do curso técnico de análises clínicas (nomenclatura oficial brasileira, aceita atualmente para todas as denominações anteriores, conforme caderno de cursos técnicos do MEC (Ministério da Educação), se não estiver registrado junto ao Conselho Regional de Farmácia, conforme previsto na Lei Federal 3820 de 11 de novembro de 1960, Art 14, § único, letra a, está no exercício irregular da profissão, o que configura crime.

12.880 – Leite do demônio da Tasmânia pode matar superbactérias


diabo da tasmania
Esse diabinho existe e mora na Tasmânia

Bactérias são bichos muito adaptáveis. Não é surpresa, então, que algumas delas estejam chegando perto de conquistar o Grand Slam dos micróbios e serem coroadas pan-resistentes, ou seja, bactérias que os antibióticos de hoje não conseguem matar. Por causa disso, cientistas estão correndo para descobrir novas drogas que consigam acompanhar a velocidade de mutação desses microrganismos. E a solução pode estar em outro bicho nada adorável.
É o demônio da Tasmânia, marsupial que produz em seu leite um verdadeiro coquetel de remédios. São as chamados catelicidinas, peptídeos que tem o poder de matar micróbios. O próprio leite humano contém um tipo de catelicidina… Já o Taz tem no mínimo seis, segundo concluíram pesquisadores da Universidade de Sidney.
No estudo, os cientistas criaram cópias sintéticas de cada um dos antimicrobianos encontrados no leite do demônio. Depois, testaram sua eficácia contra 25 bactérias. Uma delas era a Staphylococcus aureus, uma espécie resistente à meticilina, parente da penicilina. Os antibióticos naturais do Taz não só mataram bactérias como conseguiram destruir colônias de fungos que também causam infecções em humanos.
Esse potencial todo fez os cientistas se perguntarem porque, afinal, um demônio da Tasmânia precisa de um leite tão matador. Concluíram que, como o bicho é um marsupial, o bebê Taz fica exposto às bactérias do mundo exterior antes do seu sistema imunológico estar completamente desenvolvido. Lá na bolsa da mãe, o feto precisa se fortalecer tanto quanto possível para sobreviver até se tornar um bebê propriamente formado. Um leito altamente antibiótioco, então, vem bem a calhar. E a evolução presenteou o demônio da tasmania com um – vantagem que outros marsupiaos não ganharam.
O objetivo dos pesquisadores é que, no futuro, os antibióticos do leite do demônio sejam isolados e comercializados como remédios comuns, que possam combater superbactérias resistentes aos remédios convencionais. Sendo assim, não precisa se preocupar com o gosto do leite do Taz.

12.840 – O Fantasma da Resistência Bacteriana – Pacientes são diagnosticados com gonorreia resistente


gonorreia-1000x500
De acordo com confirmações feitas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos EUA, no Havaí, seis homens e uma mulher contraíram uma forma de gonorreia altamente resistente.
Os sete pacientes eventualmente conseguiram ser tratados a partir de uma combinação de medicamentos potentes – o que não é usual no caso de tratamentos comuns. No entanto, testes de laboratórios mostraram que a estirpe da bactéria não sucumbiu facilmente aos antibióticos. Agora, os especialistas temem que este tipo de infecção intratável possa se tornar mais comum do que se imaginava, segundo informações do Daily Mail.
Desde 2005, foram relatados apenas quatro casos isolados que apresentaram resistência aos medicamentes comumente utilizados para tratar a infecção – a ceftriaxona e azitromicina. No entanto, este é o primeiro conjunto de casos que apresentaram susceptibilidade reduzida a ambas as drogas.
O relatório do CDC foi divulgado na última quarta-feira. Apesar de anos de avisos de que as bactérias estavam construindo resistência a uma série de antibióticos, os cientistas advertiram que ninguém estava fazendo nada para atrasar ou parar o processo. O relatório revelou que hospitais não limitaram prescrições desta classe de medicamentos e que, na verdade, o uso de antibióticos nos últimos anos havia aumentado.
Estima-se que, atualmente, a resistência das bactérias aos medicamente tire 700.000 vidas por ano. Autoridades globais de saúde pública ainda alertaram que este número pode subir para 10 milhões por ano até 2050, se o uso de antibióticos não for limitado.
Segundo eles, a culpa por trás deste desastre em potencial está relacionada ao uso negligente de antibióticos no tratamento de doenças menores e em animais. Administrar pequenas doses desta classe de medicamento no corpo permite que as bactérias possam se adaptar à droga, construindo defesas contra ela. Como resultado disso, infecções comuns, como a gonorreia e E. coli, em breve serão consideradas intratáveis.
“A resistência dessas DSTs para o efeito de antibióticos tem aumentado rapidamente nos últimos anos e reduziu as opções de tratamento”, disse a ONU. A mesma resistência foi observada em casos de clamídia e sífilis, embora de forma menos comum.
A gonorreia também já apresentou imunidade a penicilina, tetraciclina e a classe das fluoroquinolonas. Quando não diagnosticada, as três doenças podem trazer consequências graves. Em mulheres, por exemplo, aumenta as chances de gravidez ectópica, aborto, morte fetal e neonatal.

12.823 – Microbiologia – Bactéria siberiana antiga e mortífera ressuscita com o degelo


bactérias
A região da Sibéria, na Rússia, conhecida por seu clima glacial, registrou altas temperaturas no último verão e também uma ameaça mortífera.
O calor de até 35ºC provocou o derretimento do gelo e despertou um terrível medo: o antraz.
O governo russo foi obrigado a declarar quarentena em amplas áreas do país, depois que mais de 2.500 renas e 5 pessoas morreram infectadas com a bactéria, que estava adormecida nos cadáveres de animais congelados há mais de 50 anos.
Tropas de Defesa Radiológica, Química e Biológica foram mobilizadas na região para analisar o solo e prevenir futuros contágios. Alguns especialistas advertem que a ameaça continua presente em vários corpos enterrados na neve. No caso de persistência de altas temperaturas, a ameaça do antraz pode atingir uma escala global.
O antraz, conhecido por seu uso como arma biológica, é letal para os seres humanos. O contágio é feito pela ingestão ou inalação e, em 85% casos, provoca a morte por choque séptico – o resultado de uma infecção que se alastra pelo corpo rapidamente.
Estudos demonstraram que a bactéria é capaz de sobreviver por mais de 100 anos se conservada em baixas temperaturas. Por isso, a comunidade científica está em alerta: o aquecimento global poderá causar novos surtos.

12.788 – EUA proíbem sabonetes que “matam até 99,9% das bactérias”


microbio
Se você quer evitar infecções, fique na clássica mistura de sabão comum e água. Pelo menos, essa é a recomendação da FDA, que regula remédios e alimentos nos EUA, como a Anvisa no Brasil. A agência baniu 19 químicos usados na maioria dos sabonetes que dizem eliminar ?até 99,9% das bactérias?. Eles vão precisar sair do mercado em até 1 ano.
A preocupação da agência tem dois motivos: eficácia e segurança. Em 2013, a FDA pediu que as marcas que produzem sabonetes com bactericidas – ou seja, substâncias químicas que matam bactérias – enviassem estudos e dados que comprovassem que seu produto matava mais micróbios que o sabão neutro comum.
Grande parte das marcas não chegou a mandar documento algum, alegando que estudos clínicos com seres humanos são caros e longos. E os estudos que chegaram na agência não foram suficientes para garantir que o sabonete realmente faz o que promete e não convenceram a FDA.
Só que os problemas não param por aí. Ainda que ficasse provado que o sabonete bactericida funciona perfeitamente, matando 99,9% da bactérias, isso não é necessariamente uma notícia boa.
O julgamento final da FDA incluiu mais de 20 estudos preocupantes sobre os 19 químicos banidos esta semana – especialmente os mais comuns, Triclocarban e Triclosan. Em primeiro lugar, ninguém sabe exatamente quanto tempo essas substâncias ficam no organismo. O Triclosan, por exemplo, mesmo enxaguado, é absorvido pela pele e vai parar na urina. Somos expostos com tanta frequência a esses compostos que ninguém sabe exatamente quanto tempo leva para serem eliminados do corpo.
Mais graves são os resultados de estudos que mostram que o Triclocarban pode causar alterações nos hormônios da tireoide e na ação da testosterona. Testes com ratos na puberdade também mostraram riscos para o desenvolvimento sexual.
Esses efeitos hormonais podem aparecer só depois de muitos anos da exposição inicial, e não são a única preocupação dos cientistas. Há também o problema das superbactérias.
Os bactericidas do sabonete não são antibióticos, que também matam bactérias, mas com mecanismos diferentes. Só que pesquisadores têm estudado uma possibilidade assustadora: que bactericidas acabem selecionando bactérias resistentes a antibióticos.
Dos 99,9% das bactérias mortas quando você lava as mãos com um sabão antibacteriano, aquele 0,01% provavelmente tem uma resistência genética ao princípio ativo do germicida. E vai continuar a se reproduzir, criando números cada vez maiores de bactérias resistentes.
Os cientistas ainda não tem certeza se, na sua mão, essa seleção natural pode trazer problemas graves. Mas, em laboratório, já conseguiram demonstrar que uma bactéria sobrevivente ao Triclocarban pode desenvolver ?resistência cruzada? a antibióticos – e não em um estudo isolado, mas em 10 trabalhos diferentes encontrados pela FDA. Um deles, inclusive, mostrou que a Salmonela se torna mais resistente a vários medicamentos depois da exposição prolongada a sabonetes desinfetantes.
As marcas de sabonete ganharam 3 anos para se defender contra os resultados desses estudos, mas não foi suficiente para garantir, além da eficácia, a segurança desses produtos no longo prazo.
Além dos químicos banidos, a FDA ainda vai analisar os desinfetantes de mão e os produtos usados em hospitais, para avaliar se eles também apresentam um risco para quem faz uso deles diariamente – enfermeiros, por exemplo, chegam a limpar as mãos até 100 vezes por dia (uma ótima prática? A não ser que o produto esteja colocando a saúde deles mesmos em risco).
Por enquanto, a recomendação do órgão norteamericano para quem não é profissional de saúde é se ater a lavar as mãos com água e sabão e só usar desinfetantes de mão com no mínimo 60% de álcool – o que seria mais que suficiente para limpar a superfície das mãos sem absorver químicos com efeitos duvidosos.

OS PROIBIDOS
A lista completa de substâncias proibidas pela FDA (que a agência acredita serem usadas em mais de 700 marcas de sabonetes bactericidas):
Cloflucarban
Fluorosalana
Hexaclorofeno
Hexilresorcinol
Complexo de Iodo (Éter-sulfato de amônio e o monolaurato de sorbitano de polioxietileno)
Éster fosfato de ariloxialquila de polietilenoglicol
Complexo iodo etanol, nonil fenoxi-polioxietileno
Iodopovidona (5% a 10% de concentração)
Complexo de iodo e cloreto de undecoylium
Cloreto de metilbenzetônio
Fenol
Amyltricresols secundária
Oxicloroseno de sódio
Tribromsalan
Triclocarban
Triclosan
Corante triplo (verde brilhante, violeta de genciana, hemissulfato de proflavina)

12.681 – Cientistas encontram organismos “extraterrestes” nos EUA


Pesquisadores localizaram uma espécie de parasita que se adapta a condições extremas de existência.
Cientistas do Laboratório Nacional Oak Ridge descobriram, no Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA, micro-organismos que podem ter origem em outro planeta. Os seres não medem mais que 100-300 nanômetros e pertencem ao grupo das nanoarcheotas Nanopusillus acidilobi.
O que chamou a atenção nessa espécie é que ela retira do hospedeiro moléculas de diferentes substâncias biológicas e as usa para seu próprio metabolismo. Dessa forma, o micro-organismo consegue se adaptar a condições extremas. Essa capacidade é rara em seres na Terra. Por isso, a suspeita de que sejam organismos extraterrestres.
A equipe de pesquisa, liderada por Mircea Podar, continua realizando experimentos para tentar revelar como funciona a relação entre esse incrível parasita e seus hospedeiros.

12.623 – Elixir da Juventude pode surgir através de uma bactéria


sputinik
Um grupo de cientistas russos descobriu uma antiga linhagem de bactérias no profundo solo siberiano que poderiam levar ao desenvolvimento de organismos capazes de destruir moléculas de petróleo, transformando-as em água e gerando o rejuvenescimento da saúde geral dos seres vivos, semelhante ao “elixir da vida”.
Se for bem desenvolvido, a descoberta pode levar a um avanço na proteção ambiental, assim como as bactérias podem gerar a limpeza dos vazamentos de petróleo e vazamentos químicos perigosos, transformando-os em água. Quem afirma Viktor Cherniavskiy, médico e epidemiologista russo, em entrevista À agência Sputnik.
As bactérias remontam a mais de 18 mil anos, e foram encontradas no solo siberiano juntamente com os restos de um mamute em região russa de Yakutia. Segundo Cherniavsky, quando as antigas bactérias foram descobertas, o grupo de investigação científica de cerca de 10 cientistas de várias cidades da Sibéria descobriu que os microrganismos antigos tinham o potencial para mudar o mundo.
“Ninguém jamais descobriu as bactérias que nós descobrimos, por terem sido mantidas congeladas sob a terra durante milhares de anos”.
O especialista também advertiu que antes de mais trabalho possa ser feito, os cientistas precisam descobrir se as bactérias não contêm cepas, escondidas sob o solo, que poderiam perigosas para as pessoas. Felizmente, até agora, os cientistas não encontraram efeitos prejudiciais.
Há poucos dias, a mídia russa informou sobre os micro-organismos antigos que poderiam levar ao desenvolvimento de um “elixir da vida”, uma substância que supostamente poderia dar às pessoas a juventude sem fim. Segundo relatos, os cientistas de Novosibirsk, Ekaterinburg e Yakutsk testaram uma substância probiótica, derivada das antigas bactérias, em ratos velhos de laboratório.
“Os resultados foram surpreendentes. Os ratos velhos mostraram sinais de rejuvenescimento com o experimento — a sua saúde em geral melhorou e eles recuperaram habilidades de reprodução, perdidas devido à idade avançada. Agora, se a mesma substância for dada a pessoas, isso poderia causar uma melhora significativa em sua saúde, levando, inclusive, à descoberta de um “elixir da vida”, especula Cherniavskiy.
Infelizmente, é muito cedo para dizer quando isso poderia acontecer devido às leis que proíbem os testes em seres humanos. No entanto, o epidemiologista russo disse que durante séculos foram conhecidas populações locais no nordeste da Sibéria com saúde muito boa em idade muito avançada, apesar das condições ambientais muito adversas. Segundo o especialista, isto poderia ter sido causado porque essas populações consumiam comida local que continha partículas de bactérias antigas.

12.527 – Cientistas criam molécula que pode destruir todos os vírus


virus_-_pesquisa_-_ciencia_-_cura_-_history_channel
Os vírus são bastante diferentes uns dos outros, com alta capacidade de mutações. Mas uma equipe de pesquisadores acredita ter descoberto um jeito de prevenir que eles nos infectem.
O grupo de cientistas da IBM e do Instituto de Bioengenharia e Nanotecnologia de Singapura encontraram um jeito de descobrir a característica que torna todos os vírus semelhantes. Usando esse conhecimento, eles criaram uma macromolécula que pode servir para combatê-los.
No estudo, os pesquisadores ignoraram o RNA e DNA dos vírus, que seriam áreas-chave para atacar. Mas como esses elementos mudam de vírus para vírus e são sujeitos a mutações, fica muito difícil vencê-los. Ao invés disso, os cientistas se concentraram nas glicoproteínas, que ficam do lado externo de todos os vírus e atacam as células do nosso corpo, permitindo que eles infectem as células e causem doenças.
Neutralizando os vírus
Partindo dessa linha de pesquisa, os cientistas criaram essa macromolécula, que é basicamente uma molécula gigante feita de unidades menores. A macromolécula tem características fundamentais para combater os vírus. Ela consegue atrair vírus para si usando cargas eletrostáticas, por exemplo. Assim, quando o vírus se aproxima, a macromolécula se afixa a ele, tornando-o incapaz de se juntar a células sadias. Então, ela neutraliza os níveis de acidez do vírus, o que dificulta sua replicação.
A macromolécula também contém um açúcar chamado manose. Ele se une a células saudáveis imunes e força-as a ficarem próximas aos vírus, fazendo com que a infecção seja erradicada mais facilmente. O método foi testado em vírus como o da dengue e ebola, atingindo resultados promissores. Ainda vai demorar para que o tratamento seja aplicado em humanos de forma massiva, mas ele representa uma esperança na luta contra infecções virais.

12.496 – Mega Polêmica Científica


Monocercomonoides-eucariota
Durante muito tempo pensou-se que todos os eucariotas – organismos nos quais o DNA se encontra dentro de uma membrana, e que englobam quase toda a vida que podemos enxergar – tinham que conter mitocôndrias.
Conhecidas como o “combustível” da célula, essas pequenas subunidades fornecem energia aos organismos e, portanto, eram consideradas essenciais.
Agora parece que, na verdade, podem não ser tão fundamentais assim, já que pesquisadores encontraram o primeiro eucariota sem mitocôndrias.
Monocercomonoides

Já houve suspeitas no passado de eucariotas sem mitocôndrias, como o micróbio Giardia intestinalis, que vive em intestinos. Porém, estudos mais aprofundados descobriram que eles simplesmente continham mitocôndrias altamente reduzidas, difíceis de observar.
Tudo mudou quando os pesquisadores verificaram outro candidato do gênero Monocercomonoides, isolado a partir de uma amostra obtida do intestino de uma chinchila. Desta vez, não foi achado nenhum vestígio das organelas depois de uma análise genética a procura de genes mitocondriais.
“Em ambientes de baixo oxigênio, eucariotas possuem muitas vezes uma forma reduzida da mitocôndria, mas acreditava-se que algumas das funções mitocondriais eram tão essenciais que essas organelas eram indispensáveis para a vida”, explica Anna Karnkowska, coautora do estudo descrevendo a nova descoberta, publicado na revista Current Biology.
Uma vez que o intestino é como um ambiente de baixo oxigênio, muitos micróbios que o chamam de casa têm mitocôndrias reduzidas. O Monocercomonoides pode ter perdido as suas com o tempo, por ter encontrado uma outra forma de obter energia. Como vive em um ambiente cercado por nutrientes, os pesquisadores especulam que ele simplesmente não tenha necessidade das organelas, absorvendo os nutrientes diretamente de seus arredores e quebrando-os com enzimas.

Problema B
No entanto, as mitocôndrias desempenham outra tarefa, além de fornecer energia à célula: também proveem aglomerados vitais de ferro e enxofre, necessários a várias proteínas.
Como os eucariotas sem mitocôndrias se viraram? Parece que o Monocercomonoides “empresta” genes de bactérias para ter seu próprio “sistema citosólico de mobilização de enxofre”, que cumpre o mecanismo normalmente encontrado na mitocôndria.
Embora a evidência pareça contundente, novos estudos precisarão verificar a descoberta. De qualquer forma, é provável que os livros didáticos tenham que ser reescritos, já que os pesquisadores suspeitam que existam outros micróbios que também não possuem as organelas.