14.021 – História – A Guerra Mais Sangrenta da América do Sul


Combate naval do riachuelo
Tudo começou no Uruguai, com uma rebelião dos colorados (liberais) em abril de 1863, encabeçada pelo general Venâncio Flores, pela derrubada do governo dos blancos (conservadores) eleito em 1860. O conflito desencadeou a sequência dos acontecimentos que levaram à Guerra do Paraguai.
A Argentina e o Brasil apoiaram a rebelião colorada – era a primeira vez que os dois países estavam do mesmo lado num conflito uruguaio. O presidente argentino, Bartolomeu Mitre, um liberal eleito em outubro de 1862, tomou essa posição porque os colorados tinham lhe dado apoio na guerra civil de seu país em 1861 e porque os blancos constituíam um foco possível de oposição federalista residual nas províncias litorâneas à república argentina, recém-unificada. Para o Império do Brasil, a questão principal era proteger os interesses dos brasileiros que viviam e tinham propriedades no Uruguai, ameaçados pela rigidez das autoridades daquele Estado sobre o comércio da fronteira e as taxas aduaneiras. Foi nesse contexto que o governo blanco se voltou para o Paraguai como único aliado possível.
Mas o Paraguai temia e desconfiava de seus vizinhos muito maiores, muito mais povoados e potencialmente predatórios: as Províncias Unidas do Rio da Prata e o Brasil. Ambos tinham relutado em aceitar a independência paraguaia e demoraram a reconhecê-la: o Brasil em 1844, as Províncias Unidas em 1852. Ambos tinham reivindicações territoriais contra o Paraguai: o Brasil, no extremo nordeste do país, na divisa com Mato Grosso, região valiosa pela erva-mate nativa; a Argentina, no leste do Rio Paraná (Misiones), mas também a oeste do Rio Paraguai (o Chaco). E havia ainda atritos com ambos quanto à livre navegação no sistema fluvial Paraguai-Paraná.
O presidente do Paraguai, Francisco Solano López, a quem o governo uruguaio procurara para obter apoio em julho de 1863, tinha chegado ao poder em outubro de 1862, após a morte de seu pai, o ditador Carlos Antonio, que governara o país desde 1844. De início, ele hesitou em fazer uma aliança formal com os blancos, seus aliados naturais, contra os colorados no Uruguai, agora que estes tinham o apoio do Brasil e da Argentina. Mas, no segundo semestre de 1863, Solano López viu a oportunidade de mostrar sua presença na região e de desempenhar um papel compatível com o novo poder econômico e militar do Paraguai. No começo de 1864, ele começou a mobilização para uma possível guerra.
Quando o Brasil lançou um ultimato ao governo uruguaio em agosto do mesmo ano, ameaçando retaliar os supostos abusos sofridos por súditos brasileiros, Solano López reagiu com um ultimato alertando o Brasil contra a intervenção militar. Ignorando o alerta, soldados brasileiros invadiram o Uruguai em 16 de outubro. Em 12 de novembro, após a captura de um vapor mercante brasileiro que saía de Asunción para Corumbá, levando o presidente de Mato Grosso a bordo, o Brasil rompeu relações diplomáticas com o Paraguai. Em 13 de dezembro, Solano López tomou a grave decisão de declarar guerra ao Brasil e invadiu Mato Grosso. Quando a Argentina negou autorização ao Exército paraguaio para atravessar Misiones – território disputado e quase despovoado – a fim de invadir o Rio Grande do Sul, Solano López também declarou-lhe guerra, em 18 de março de 1865, e no mês seguinte invadiu a província argentina de Corrientes.
A decisão de Solano López de declarar guerra primeiro ao Brasil e depois à Argentina, e de invadir os dois territórios, mostrou-se um grave erro de cálculo, que traria consequências trágicas para o povo do Paraguai. O mínimo que se pode dizer é que Solano López fez uma tremenda aposta – e perdeu. Ele superestimou o poderio econômico e militar do Paraguai. Subestimou o poderio militar potencial, se não efetivo, do Brasil, e sua disposição de lutar. E errou ao pensar que a Argentina ficaria neutra numa guerra entre o Paraguai e o Brasil em disputa pelo Uruguai.
Os objetivos originais da guerra, tal como foram expostos no Tratado da Tríplice Aliança assinado pelo Brasil, pela Argentina e pelo Uruguai em 1o de maio de 1865, eram: a derrubada da ditadura de Solano López; livre navegação dos rios Paraguai e Paraná; anexação do território reivindicado pelo Brasil no nordeste do Paraguai e pela Argentina no leste e no oeste do Paraguai — esta última cláusula se manteve secreta até ser revelada pela Inglaterra em 1866. Com o desenrolar do conflito, tornou-se, em particular para o Brasil, uma guerra pela civilização e pela democracia contra a barbárie e a tirania: isso apesar do estranho fato de que o Brasil, após a libertação dos escravos nos Estados Unidos durante a Guerra Civil, agora era o único Estado independente de todas as Américas com a economia e a sociedade em bases escravistas, além de ser a única monarquia remanescente.
A Guerra do Paraguai não era inevitável. E nem era necessária. Mas só poderia ter sido evitada se o Brasil tivesse se mostrado menos categórico na defesa dos interesses de seus súditos no Uruguai, principalmente, se não tivesse feito uma intervenção militar em favor deles, se a Argentina tivesse se mantido neutra no conflito subsequente entre o Paraguai e o Brasil, e, sobretudo, se o Paraguai tivesse se conduzido com mais prudência, reconhecendo as realidades políticas da região e tentando defender seus interesses por meio da diplomacia, e não pelas armas. A guerra, que se estendeu por mais de cinco anos, foi a mais sangrenta da história da América Latina, e, na verdade, afora a Guerra da Crimeia (1854-1856), foi a mais sangrenta de todo o mundo entre o fim das Guerras Napoleônicas, em 1815, e a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Custou de 150.000 a 200.000 vidas (na maioria, paraguaios e brasileiros), no campo de batalha e por privações e doenças decorrentes da guerra.
Diante da enorme disparidade entre os dois lados, em termos de tamanho, riqueza e população, a Guerra do Paraguai deveria se afigurar desde o início uma luta desigual. Mas, militarmente, havia um maior equilíbrio. De fato, no início da guerra, e pelo menos durante o primeiro ano, o Paraguai provavelmente teve superioridade militar em termos numéricos. E provavelmente seu Exército era mais equipado e treinado do que os exércitos vizinhos. Além disso, como as forças paraguaias tinham sido expulsas do território argentino, a Argentina reduziu tanto sua contribuição para o esforço de guerra dos aliados que, no final da guerra, havia apenas cerca de 4.000 soldados argentinos em solo paraguaio. O Uruguai, por sua vez, teve presença apenas simbólica no teatro de operações durante todo o conflito. O Brasil, por outro lado, aumentou seu Exército regular – que tinha entre 17.000 e 20.000 – para 60.000 a 70.000 homens no primeiro ano das hostilidades, com recrutamento obrigatório, transferências da Guarda Nacional, alistamento de escravos de propriedade do Estado e alguns de propriedade particular (libertados em troca dos serviços na guerra) e a formação dos corpos de Voluntários da Pátria. Calcula-se que o Brasil mobilizou durante a guerra cerca de 140.000 homens. E, ao contrário do Paraguai, que dispunha apenas de seus próprios estaleiros e arsenais, o Brasil tinha acesso a armas, munições e navios de guerra, tanto fabricados e montados no país quanto comprados no exterior, principalmente na Europa, além de empréstimos obtidos na City de Londres para ajudar nesses pagamentos. Por fim, o Brasil tinha a Marinha mais forte e poderosa da região.
A guerra pode ser dividida em três fases. A primeira começou com as ofensivas paraguaias a Mato Grosso em dezembro de 1864 e a Corrientes em abril de 1865. Em maio de 1865, o Exército paraguaio finalmente atravessou Misiones e invadiu o Rio Grande do Sul. De início a invasão teve sucesso, mas depois foi contida pelas forças aliadas. No dia 14 de setembro, o comandante paraguaio, coronel Estigarribia, se rendeu aos aliados em Uruguaiana. O Exército paraguaio então se retirou, atravessando o Rio Paraná, e se preparou para defender a fronteira sul do país. Enquanto isso, em 11 de junho, na Batalha do Riachuelo, no Rio Paraná, a única grande batalha naval da guerra, a Marinha brasileira tinha destruído a Marinha paraguaia e criado um bloqueio cerrado ao Paraguai, que se manteve até o fim da guerra.
A segunda e principal fase do conflito começou quando os aliados finalmente invadiram o Paraguai, em abril de 1866, e instalaram seu quartel-general no Tuiuti, na confluência dos rios Paraná e Paraguai. Em 24 de maio, repeliram uma investida paraguaia e venceram a primeira grande batalha em terra. Mas os exércitos aliados demoraram mais de três meses até começarem a subir o Rio Paraguai. Em 12 de setembro, Solano López propôs concessões, inclusive territoriais, para terminar a guerra, desde que lhe fosse poupada a vida e o Paraguai não fosse totalmente desmembrado ou ocupado em caráter permanente, mas sua proposta foi rejeitada. Dez dias depois, em Curupaiti, ao sul de Humaitá, no Rio Paraguai, os aliados sofreram sua pior derrota. Não retomaram o avanço até julho de 1867, quando se iniciou uma movimentação para cercar a grande fortaleza fluvial de Humaitá, que bloqueou o acesso ao Rio Paraguai e à capital, Asunción. Mesmo assim, passou-se mais de um ano antes que os aliados ocupassem Humaitá (5 de agosto de 1868), e mais cinco meses para a derrota decisiva e praticamente a destruição do Exército paraguaio na Batalha de Lomas Valentinas, em 27 de dezembro. As tropas aliadas (na maioria brasileiras), sob o comando do marechal Luís Alves de Lima e Silva, o marquês de Caxias, comandante-chefe brasileiro desde outubro de 1866 e comandante-chefe das forças aliadas desde janeiro de 1868, finalmente entraram em Asunción em 1o de janeiro de 1869 e terminaram a guerra. Pelo menos, assim pensavam os aliados.
Mas houve uma terceira fase: Solano López formou um novo exército na Cordilheira a leste de Asunción e começou uma campanha de guerrilha. Foi derrotado e seus soldados massacrados na última grande batalha em Campo Grande ou Acosta Nu, no nordeste de Asunción, em agosto de 1869. Mesmo assim, López conseguiu escapar com vida. Com sua companheira irlandesa Eliza Alicia Lynch, ele foi perseguido no norte por tropas brasileiras por mais seis meses, até finalmente ser acuado e morto em Cerro Corá, no extremo nordeste do Paraguai, em 1o de março de 1870. Em 27 de julho, foi assinado um tratado de paz preliminar.
Por que demorou tanto até os Aliados vencerem a guerra, apesar de sua esmagadora superioridade naval e, pelo menos depois de Tuiuti, também terrestre? Passaram-se quase quatro anos antes que os aliados chegassem à capital paraguaia. E mesmo então, a guerra se arrastou por mais de um ano. Uma explicação se encontra no lado dos aliados, ou melhor, no lado brasileiro, já que o Brasil ficou praticamente sozinho na guerra após o primeiro ano. Os governos brasileiros enfrentavam enormes problemas logísticos, primeiro para organizar, depois para transportar as tropas por milhares de quilômetros por via terrestre, marítima e fluvial, e, finalmente, para abastecê-las. E vencer as excelentes defesas terrestres e fluviais do Paraguai não foi tarefa fácil. Mas também é verdade que os comandantes brasileiros demonstraram um alto grau de incompetência estratégica e tática. Por outro lado, as tropas paraguaias e, na verdade, o próprio povo paraguaio, mantiveram-se leais a Solano López, combatendo com uma tenacidade extraordinária e, no final, quando estava em jogo a sobrevivência nacional, com grande heroísmo.
Para o Paraguai, a guerra foi quase uma calamidade total. O país sobreviveu como Estado independente, mas sob a ocupação e tutela brasileira no período posterior ao fim da guerra. Somente em julho de 1876, finalmente se retiraram 2.000 soldados e seis navios de guerra brasileiros. A consequência extrema da completa derrota, que seria o desmembramento integral do país, foi evitada, mas o território paraguaio foi reduzido em 40%, e o que restou do Exército foi desarmado. Embora o número de baixas tenha sido muito exagerado – chegou-se a se falar em 50% da população do Paraguai antes do conflito –, e as estimativas recentes e mais modestas estejam na ordem de 15% a 20% da população, o que corresponde a cerca de 50.000 a 80.000 mortes no campo de batalha e por doenças (sarampo, varíola, febre amarela e cólera), os percentuais são enormes pelos critérios de qualquer guerra moderna. A economia do Paraguai ficou arruinada, a infraestrutura e a base manufatureira foram destruídas e o início de um desenvolvimento externo sofreu o retrocesso de uma geração. Por fim, os vencedores impuseram ao país uma indenização enorme, embora nunca tenham cobrado e depois tenham cancelado.
A Argentina sofreu baixas estimadas – possivelmente com exagero – em 18.000 mortes em campo de batalha, mais 5.000 em distúrbios internos desencadeados pela guerra e 12.000 em epidemias de cólera. O território anexado ficou aquém de suas pretensões. De qualquer forma, eliminou-se da política da região platina a perspectiva de um Paraguai cada vez mais forte e potencialmente expansionista. E, num balanço geral, a guerra contribuiu positivamente para a consolidação nacional do país: Buenos Aires foi aceita como capital inconteste de uma república argentina unida, e a identidade nacional se fortaleceu consideravelmente.
O Brasil, que depois do primeiro ano da guerra combateu praticamente sozinho, sofreu baixas de pelo menos 50.000 mortos em combate e muitos outros por doenças, embora num total inferior aos 100.000 às vezes citados. O custo financeiro da guerra sacrificou tremendamente as finanças públicas do país. E a guerra teve profundo impacto na sociedade e na vida política. A Guerra do Paraguai foi um divisor de águas na história do Império, ao mesmo tempo seu apogeu e o início de sua decadência.
Mas o Brasil tinha alcançado todos os seus objetivos. Pelo tratado assinado com o Paraguai em janeiro de 1872, o país obteve todo o território reivindicado entre o Rio Apa e o Rio Branco. Assegurou-se a livre navegação dos rios Paraguai e Paraná, importante para Mato Grosso e o oeste paulista. E o próprio Paraguai, ainda mais que o Uruguai, agora estava sob seu firme controle e sua influência. Assim se consolidava, por ora, a indiscutível hegemonia do Império brasileiro na região.
Leslie Bethell é professor emerito de História da América Latina na Universidade de Londres e editor da coleção Cambridge History of Latin America (12 volumes, Cambridge University Press, 1984-2008)

Jogo de interesses?
Existe um mito de que o Brasil e a Argentina, na Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança, foram instrumentos do capitalismo britânico, “Estados satélites”, “neocolônias”, instigados e manipulados por uma Grã-Bretanha “imperialista”, o “indispensável quarto Aliado”, para entrarem em guerra contra o Paraguai. Este seria um sólido mito nascido nos anos 1970 e 1980, nos textos de historiadores latino-americanos tanto da esquerda marxista quando da direita nacionalista. O alegado objetivo da Inglaterra era minar e destruir o modelo de desenvolvimento econômico conduzido pelo Estado, que representava uma ameaça ao avanço de seu modelo capitalista liberal na região. Mais especificamente, seu objetivo era abrir a única economia da América Latina que continuava fechada aos produtos manufaturados e aos capitais ingleses, e assegurar à Inglaterra novas fontes de matérias-primas, em especial o algodão, já que o abastecimento dos Estados Unidos tinha sido afetado pela guerra civil.
Há pouca ou nenhuma prova concreta consistente que possa sustentar essa tese. O governo britânico não tinha praticamente nenhum interesse no Paraguai e nenhuma vontade de piorar as disputas existentes no Rio da Prata, e muito menos de promover a guerra, que iria apenas ameaçar vidas e propriedades inglesas e o comércio britânico. E, mesmo que quisesse, a Inglaterra não exercia o grau de controle sobre o Brasil ou sobre a Argentina que seria necessário para manobrá-los e levá-los à guerra contra o Paraguai. As autoridades britânicas, em sua maioria, estavam a favor dos aliados, mas a Inglaterra se manteve oficialmente neutra durante a guerra e utilizou de modo sistemático sua influência a favor da paz. É verdade que fabricantes britânicos vendiam armas e munições aos beligerantes – isto é, na prática, ao Brasil e à Argentina, visto que o Paraguai logo caiu sob bloqueio brasileiro. Mas eram negócios, oportunidades de os empresários na Inglaterra, na França e na Bélgica lucrarem com uma guerra. Também é verdade que o empréstimo de sete milhões de libras dos Rothschild ao governo brasileiro em setembro de 1865 foi utilizado para comprar navios de guerra, e neste sentido a Inglaterra deu uma contribuição importante para a vitória dos aliados sobre o Paraguai. Mas não houve qualquer outro empréstimo ao Brasil durante toda a guerra, e os empréstimos ingleses representaram apenas 15% do total de despesas do Brasil com a Guerra do Paraguai. A principal responsabilidade pela guerra coube ao Brasil, à Argentina, em menor grau ao Uruguai e, sobretudo – infelizmente –, ao próprio Paraguai.

14.007 – História – Barbárie contra a Revolução


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O sonho de liberdade tinha um horizonte bem demarcado para se concretizar. Era na Amazônia – na tríplice fronteira entre Pará, Maranhão e Goiás (atualmente Tocantins) – que dezenas de jovens e militantes de esquerda, vindos dos grandes centros urbanos, esperavam ver surgir a Revolução Socialista no Brasil. Para isso, estavam dispostos a pegar em armas para lutar por ela.
Em meados dos anos 1960, o contexto não poderia ser pior para esse idealismo transformado em guerrilha. Sob a ditadura militar desde 1964 e com todos os canais democráticos de expressão fechados (imprensa censurada, manifestações e greves proibidas), a perseguição do Estado aos opositores do regime era efetivada por meio de prisões, torturas e assassinatos de militantes e operários, estudantes, camponeses e religiosos acusados de subversão, comunismo ou incitação à desordem. A Guerrilha do Araguaia (1972-1974) foi mais um capítulo desse tenebroso período.
Todos os envolvidos eram militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) fundado em 1962 a partir de uma cisão no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e defensor de uma revolução imediata, pela via da luta armada, se fosse necessário. A partir de 1966, o PCdoB passou a enviar para o Araguaia jovens militantes das cidades. Eles tinham que aprender a viver como os camponeses, conhecer profundamente seu modo de vida e a região, além de criar laços de amizade e solidariedade com os moradores. Era fundamental, nessa estratégia, que conseguissem envolver os camponeses na luta armada. Eles comporiam a força do exército popular de libertação que o partido pretendia organizar.
Durante cerca de seis anos, os militantes circularam livremente e puderam organizar a estrutura militar da guerrilha: criaram três destacamentos e uma Comissão Militar – órgão dirigente da luta no campo –, além de diversos pontos de apoio onde estocavam alimentos, remédios e munição. Produziam croquis identificando locais onde poderiam acampar e abriram trilhas longe dos caminhos normais de passagem. Ao todo, 69 militantes do PCdoB se deslocaram para o Araguaia. Mas os planos do Partido eram muito maiores. A ideia era organizar outros destacamentos militares, criar pontos de apoio e recrutar camponeses para a formação de um Exército.
A presença de “gente estranha” na área já era de conhecimento do governo, ao menos, desde 1971. Em princípio, cogitou-se que fossem contrabandistas, “terroristas” procurados nas cidades ou até mesmo um grupo de hippies. E foi sem saber ao certo com quem lidava que o Exército organizou sua primeira campanha contra a Guerrilha do Araguaia. No dia 12 de abril de 1972, entrando por São Domingos do Araguaia, no Pará, cerca de 20 militares atacaram o “peazão”, principal Ponto de Apoio (PA) do destacamento A da guerrilha, mas não conseguiram prender ninguém nessa primeira investida pois uma parte do material foi retirada antes do ataque. Também na segunda campanha, em setembro e outubro de 1972, as Forças Armadas não tiveram sucesso. Nem poderiam: não tinham dados precisos sobre o inimigo que estavam enfrentando, não sabiam sua localização, o número real de combatentes e não tinham certeza da identidade de muitos deles. Imaginava-se até que Carlos Marighella, morto em 1969, estivesse na área.
Os fracassos iniciais do Exército motivaram ainda mais guerrilheiros, como Maurício Grabois (1912-1973), um dos fundadores do PCdoB e comandante da guerrilha, que em seu diário comemorou o acerto da estratégia no Araguaia. Enquanto isso, entre os militares, ficava evidente a necessidade de mudanças. Até então utilizavam, por exemplo, tropas de soldados fardados, muitos deles inexperientes e recrutados na própria região.
Após um ano de tentativas frustradas de eliminar os guerrilheiros, os militares iniciaram um longo trabalho de inteligência, que visava colher o maior número possível de informações antes do próximo ataque. Para a última e decisiva campanha repressiva, houve a participação da “comunidade de informações”: militares andavam descaracterizados, deixavam a barba e o cabelo crescer e circulavam disfarçados pela área – passavam-se por técnicos agrícolas, funcionários de órgãos estatais e comerciantes. Com essa “cobertura”, misturavam-se e colhiam informações junto aos moradores locais.
Outra forma recorrente de colher informações era prendendo e torturando camponeses – muitos dos quais ainda estão “desaparecidos”. Em outubro de 1973, às vésperas dos ataques finais à guerrilha, o Exército promoveu um “arrastão” e prendeu aproximadamente 300 pessoas. Alguns foram colocados em valas de três metros nas bases militares, que foram fechadas com grades de ferro. Era o “buraco do Vietnã”, uma forma de tortura que pode ter sido usada em outras áreas rurais além do Araguaia. Consistia em um buraco com uma grade de ferro por cima, onde o preso era colocado junto com animais rasteiros – como insetos (formigas, aranhas, besouros) e animais não peçonhentos, como o calango – e ali permanecia por dias, tomando sol e chuva. Sua alimentação e suas necessidades fisiológicas eram realizadas ali.
A terceira campanha militar contra a guerrilha foi um cenário de intensa brutalidade por parte do Exército. É dessa fase a maior parte dos relatos de camponeses sobre as torturas e prisões que sofreram. A violência servia não apenas para conseguir informações junto aos camponeses, mas também para intimidá-los, para que não colaborassem de nenhuma forma com os guerrilheiros. Além dos ataques físicos e psicológicos, o Exército minou seus meios de vida. Para matar a guerrilha de fome, queimava roças e alimentos estocados nos paióis, impedia o plantio e a colheita. Muitos camponeses, sem ter como sobreviver, deixaram a região. Alguns retornaram mais tarde e descobriram que suas antigas posses haviam se tornado parte de grandes fazendas.
Alguns moradores foram recrutados como guias do Exército: iam à frente, guiando os militares pela mata. Não era possível recusar-se a realizar essa atividade sem sofrer consequências. Muitos desses guias foram presos e torturados para aceitar a função.
O ataque decisivo ocorreu no Natal de 1973. É lembrado entre os militares como o “chafurdo de Natal”. Tratou-se de uma execução, pois os guerrilheiros já não ofereciam condições de resistência, não havia mais destacamentos, comissão militar ou pontos de apoio. Os poucos guerrilheiros ainda vivos tentavam se esconder na selva, maltrapilhos, sem alimentos e doentes. Em fevereiro de 1974, os militares estimavam que houvesse restado cerca de 20 guerrilheiros nessas condições, e eles foram caçados ao longo de todo o ano.
A ordem era para que não houvesse sobreviventes. Alguns guerrilheiros foram vistos presos nas bases militares e hoje integram as listas de “desaparecidos”, outros foram degolados.
Um dos guerrilheiros, em especial, alimentou diversas lendas: Osvaldão. Primeiro a chegar à região, o mineiro de Passa-quatro destoava de todos: negro, medindo 1,98m de altura, estudara engenharia na Tchecoslováquia e fora campeão de box amador pelo Fluminense. Tratava-se de um militante do PCdoB altamente treinado, comandante do destacamento A e um dos que mais aprofundaram os laços de amizade com os moradores locais. Os camponeses diziam que Osvaldão tinha o corpo fechado. Conta-se que uma patrulha do Exército o localizara numa casa e que a metralhara de modo a garantir a morte de quem estivesse lá dentro. Ao entrarem, viram apenas uma sombra no chão, mas nenhum corpo.
Osvaldão foi assassinado ao ser surpreendido descansando num barranco. Segundo a lenda local, só foi possível matá-lo porque o guia dos militares na ocasião era um conhecido macumbeiro da região, Arlindo Piauí, que teria retirado a proteção mágica de Osvaldão. Cientes das crenças populares em torno do guerrilheiro, os militares resolveram desfazer o mito: amarraram seu corpo e sobrevoaram a cidade de Xambioá para que os moradores vissem que estava morto.
Estima-se que, nas três campanhas na região, o Exército tenha empregado cerca de 10 mil homens para reprimir a Guerrilha do Araguaia. Passados mais de 40 anos, ainda é um episódio que movimenta a sociedade na luta por esclarecimentos e pela responsabilização do Estado pelos crimes cometidos.

14.006 – História – Fuga pela Revolução


Lamarca
Dezenove guerrilheiros dispostos a enfrentar a ditadura. Um campo de treinamento secreto. Cercos armados por policiais locais, PMs e homens do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Durante dois meses no começo de 1970, o Vale do Ribeira, interior paulista, foi cenário de perseguições, emboscadas, fugas, tiroteios, prisões, torturas e uma execução – até hoje presentes na memória dos moradores.
Comandados pelo capitão Carlos Lamarca (1937-1971), os homens que arriscaram suas vidas naquela região acreditavam que a revolução começaria pelo campo. Segundo eles, os trabalhadores rurais eram os mais explorados pelo sistema capitalista e os mais reprimidos em suas lutas sociais. Era preciso, então, organizar a guerrilha rural. Foi com esse objetivo que a organização Vanguarda Revolucionária Popular (VPR) deslocou-se para o Vale do Ribeira. O plano se resumia em treinar guerrilheiros. A efetiva implantação das guerrilhas rurais se daria em outros locais. Mas a descoberta da área pelas forças de repressão forçou um confronto real, e o campo de treinamento virou campo de combate, colocando à prova o objetivo que buscavam.
Participavam do treinamento três ex-militares e 16 civis. A maioria era formada por jovens militantes da VPR, vindos do movimento estudantil de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. O sítio comprado ficava próximo à cidade de Jacupiranga, e inicialmente alguns militantes viveram lá se passando por lavradores, a partir do final de 1969. Organizaram-se em dois grupos: a base Carlos Roberto Zanirato e a base Eremias Delizoikov, que formavam o núcleo Carlos Marighella. Os nomes das bases e do núcleo homenageavam militantes mortos pela repressão.
A rotina era rígida, com marchas de 18 quilômetros por dia carregando mochilas de 30 quilos, exercícios de tiro, de manejo e conservação das armas. A disciplina exigia um guerrilheiro sempre pronto para o combate. Também organizaram grupos de estudo. Liam e discutiam documentos da organização e livros de autores diversos, como Karl Marx, Paul Sweezy, Adolfo Sanches, Josué de Castro, Isaac Deutscher, Che Guevara e Ernest Hemingway, além de manuais e guias de sobrevivência.
Em fevereiro de 1970, causou apreensão entre os guerrilheiros a notícia de um acidente de automóvel envolvendo o militante Mario Japa, codinome de Chizuo Osawa, que acabou preso com armas e documentos da VPR. Todos sabiam que ele estava sendo torturado na Operação Bandeirante (Oban) – um centro de informação, investigação e tortura montado pelo Exército em 1969, com o envolvimento de empresários brasileiros e até de multinacionais.
A solução encontrada pela VPR foi promover um sequestro para livrar Mario Japa da prisão. Um comando da Vanguarda juntou-se aos militantes da organização Rede Democrática (Rede) e do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), e sequestrou o cônsul japonês em São Paulo, Nobuo Okuchi. Aproveitaram para pedir também a libertação de mais quatro militantes e três crianças – filhos da prisioneira Damáris Lucena, que também era mãe de Ariston Lucena, um dos que estavam no Vale. Embora o sequestro tenha sido bem-sucedido, o cerco se apertava. Outras prisões se sucederam até que, em 17 de abril, o Centro de Informações do Exército (CIE) comunicou ao II Exército a existência do campo de treinamento de guerrilha no Vale do Ribeira.
A movimentação policial na região logo foi percebida por Lamarca, que avisou seus comandados. Do posto de vigia, acompanharam a chegada de caminhões com tropas, aviões e helicópteros fazendo voos rasantes. Antes do final de abril, já estavam completamente cercados, com todas as saídas fechadas. Decidiram não romper o cerco, pois possuíam bons mapas e conheciam bem a região. Enveredaram-se pelo mato.
Na pequena cidade de Barra do Areado, apresentaram-se à população como caçadores e alugaram um caminhão para ir até Eldorado Paulista. No entanto, foram denunciados pelo filho do dono do veículo alugado e enfrentaram um tiroteio em plena praça de Eldorado. Mesmo com um dos militantes feridos, conseguiram fugir em direção a Sete Barras. Ao chegarem às proximidades do rio Ribeira de Iguape, foram surpreendidos por um pelotão com 38 soldados. Da carroceria do caminhão, os guerrilheiros iniciaram um tiroteio contra o caminhão dos soldados da Polícia Militar, e com uma rajada de metralhadora FAL partiram o veículo dos militares em dois. Assim capturaram 18 prisioneiros, dez deles feridos.
Lamarca pediu para falar com o comandante, e propôs um acordo ao tenente Alberto Mendes Junior: aos guerrilheiros caberia cuidar dos feridos e não executar ninguém. Em contrapartida, o tenente deveria levantar o bloqueio em Sete Barras. Mendes, perante a sua tropa, compromete-se a cumprir os termos da rendição.
Os feridos foram levados para um hospital em Sete Barras e, segundo depoimentos dos soldados nos processos, mostravam-se surpresos por estarem sendo tratados com respeito. Esperavam ser fuzilados e eram socorridos, os guerrilheiros explicavam a sua luta, diziam que nada tinham contra soldados que apenas obedeciam ordens.
O tenente acompanhou os feridos e dois guerrilheiros num carro, que acabou atolando. Os guerrilheiros então deixaram os feridos com o tenente e saíram em busca de ajuda. Como não conseguiram meios para prosseguir, voltaram para a estrada, encontrando o tenente voltando do local onde o haviam deixado. Os feridos haviam sido levados por outro veículo que viera pela estrada. O tenente voltou por conta própria e garantiu que não havia bloqueio em Sete Barras. Os guerrilheiros prosseguiram na caminhada e colocaram o tenente na frente da fila indiana, alertando: “se houvesse emboscada, ele seria o primeiro a tombar.” Na entrada da cidade, porém, viram-se cercados por todos os lados. O grupo conseguiu escapar por um braço da serra, mas dois companheiros se perderam. Na confusão, aconteceu um episódio de fogo amigo: julgando saber a posição dos oponentes, soldados da Polícia Militar abriram fogo, ao que o Exército respondeu na mesma medida, dando-se então um tiroteio entre as forças da repressão.
Depois da emboscada, restavam apenas cinco guerrilheiros, que se revezavam para vigiar o tenente Mendes, levado como refém. O oficial foi julgado culpado por um tribunal revolucionário, sob a acusação de traição por ter rompido o acordo e tê-los encaminhado para uma emboscada. A decisão final foi tomada por Lamarca, Yoshitane Fugimori e Diogénes Sobrosa de Souza. Havia também o receio de que o militar denunciasse a posição do grupo. O tenente Alberto Mendes Junior foi então executado e enterrado. O tenente foi executado a coronhadas por Fugimori e Sobrosa.
Fugindo debaixo de chuva, Lamarca resolveu permanecer dentro do cerco tático. Faminto, o grupo chegou a pedir que um casal comprasse comida para eles, mas o homem foi preso e torturado pelos militares, revelando informações sobre os guerrilheiros. Decidiram, então, não mais fazer contato com as pessoas. No final de maio, conseguiram tomar um caminhão do Exército, prendendo os soldados e o sargento na carroceria. Vestidos com as roupas dos militares e de posse da senha por eles informada, passaram pela barreira da polícia e, enfim, conseguiram fugir para a capital paulista.
O conhecimento do capitão Lamarca sobre o tipo de movimentação militar empregada foi fundamental para romperem o cerco. Segundo Ariston Lucena, parte do êxito da fuga deveu-se também a Fugimori, que era um excelente mateiro e ótimo atirador, assim como Lamarca. Essas virtudes e a capacidade de fuga dos militantes povoam até hoje a memória de antigos moradores. Há até quem diga que Lamarca não morreu e que ainda pode estar por lá, em algum canto da mata.
A experiência do Vale do Ribeira reforçou a confiança dos guerrilheiros na viabilidade da luta no campo. Aqueles meses haviam mostrado a importância do empenho dos combatentes e do conhecimento local. Um pequeno grupo bem treinado “vencera” um grande contingente de soldados despreparados e no geral pouco dispostos a arriscar a vida para perseguir um grupo de guerrilheiros.
Antes das derrotas definitivas, a esquerda armada ainda sonhava alto.

13.367 – História – O que é Paz Armada?


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No geral, a expressão “Paz Armada” faz referência ao momento que antecede a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em que as principais potências europeias viviam uma corrida armamentista sem, supostamente, a intenção de dar início a um conflito. Portanto, um período de “paz”, mas em que todos estavam “armados até os dentes”. Desde meados do século XIX, o nacionalismo exacerbado e o imperialismo foram os principais fatores que motivaram essa corrida e posteriormente que levarão à Primeira Guerra.

13.238 – História da Aviação – Impulsionada pela Guerra


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Pode não ser ou parecer bonito, mas o melhor incentivo para o desenvolvimento de inovação em tecnologia é o conflito armado. A guerra incentiva os militares a buscar equipamentos melhores que os do inimigo. E eles têm a verba para isso. Nesse sentido, a aviação militar foi a grande parteira da aviação civil.
Quando você entra hoje em um avião de passageiros produzido pela maior empresa da área, a americana Boeing, fundada em 1916 no meio da guerra, mas antes de os americanos entrarem nela, você está literalmente seguindo nos passos de uma velha tradição de aviões de guerra produzidos pela companhia americana baseada em Seattle.
O bombardeiro Boeing B-17 “Flying Fortress” (Fortaleza Voadora) transformou a Alemanha em ruínas; o Boeing B-29 “Superfortress” (Super Fortaleza) incendiou o Japão e lançou sobre o país asiático duas bombas atômicas; o Boeing B-52 “Stratofortress” (Fortaleza Estratosférica) foi projetado para levar a União Soviética de volta à Idade da Pedra com armas nucleares, mas, como não houve a 3a Guerra Mundial, passou boa parte do tempo lançando bombas em lugares como o Vietnã, o Iraque e o Afeganistão.
Isso tudo ajudou a produzir, por exemplo, o bimotor Boeing 737, o avião a jato mais vendido na história da aviação comercial, e um clássico da ponte aérea Rio-São Paulo.

História Antiga
A ficha de que a aviação tinha vocação militar caiu em 1909, quando Louis Blériot fez a travessia do Canal da Mancha e chegou à Grã-Bretanha. O feito horrorizou os militares britânicos: eles possuíam a maior marinha de guerra do mundo e de repente poderiam ser vulneráveis a um ataque pelo ar.
Também em 1909 os franceses criaram o Service Aéronautique, a primeira força aérea do planeta. Em 1910 os alemães criam a sua. Mas o primeiro uso em combate da nova arma foi obra dos italianos. Em 1911 eles fizeram os primeiros voos de reconhecimento e de bombardeio na guerra com o Império Otomano travada na Líbia.
Paralelamente, o que viria a ser chamado de aviação civil engatinhava. E parou de vez com o início da 1a Guerra Mundial, em 1914. Motores mais poderosos foram criados, aviões com mais motores também. Terminada a guerra, estavam prontos para levar passageiros no lugar de bombas.
No período entre as duas guerras mundiais a tecnologia também evoluiu e foi quando os aviões de lona e madeira, em geral biplanos, foram substituídos por monoplanos de metal bem mais velozes e com maior alcance. Rotas de transporte aéreo civil passaram a ser comuns. Nas décadas de 1920 e 1930 foi criada a base da aviação civil moderna. Não só muitos modelos de aviões foram produzidos por empresas como Sikorsky, Tupolev ou Boeing; foram lançadas linhas aéreas como KLM, Air France e Pan Am. Além da brasileira Condor, estabelecida no país pela alemã Lufthansa.
Novos desenvolvimentos tecnológicos decolaram na 2a Guerra; três exemplos bastam para mostrar sua contundência. São fundamentais para a aviação comercial hoje: radar, propulsão a jato e computador. Todos são frutos de pesquisas com fins militares e, sem eles, a indústria moderna da aviação civil não teria sido possível.

13.209 – Inventos – Video Game, um sub produto da Guerra Fria


guerra tecnologica
A historia dos Vídeo Games remonta a Guerra Fria , um período em que havia grande tensão entre EUA e União Soviética. E cientistas nem pensavam em dispositivos para entretenimento porque a ideia de apertar um botão naquela época era muito diferente da nossa. Hoje qualquer pessoa aperta botoes todos os dias, mas na Guerra Fria botoes eram relacionados a guerra nuclear eminente.
Nos EUA enquanto o governo investia mais e mais para se preparar para a guerra, em 1958 ,um cientista chamado William Higinbotham que ajudou a construir a primeira bomba atômica inventou a primeira experiencia de entretenimento virtual, o “tênis para dois”. Ele surgiu porque o grupo de cientistas do governo competiam entre si, para saber quem inventava o aparelho mais legal, todos os finais de semana, e William teve a ideia de transformar um osciloscópio em um jogo de tênis por mais que o equipamento fosse extremamente caro.
Com o avanço da guerra, com a ida de Yuri Gagarin na primeira viagem tripulada na corrida espacial, o assunto dominava as manchetes e a sociedade. E isso influenciou Steve Russell ,um especialista do MIT que criou sua própria guerra espacial, alem de super inteligente, Steve lia muitas historias em quadrinhos de ficção. Então apos ter a ideia , começou a aprender a dominar o computador PDP1, que na época custava 120 mil dólares e era considerado um micro computador, tendo o tamanho de uma geladeira. O “avançado” computador fazia digitação e contas de calculadora. Mas Steve decidiu modifica-lo e transformou em um jogo de duas naves espaciais, em que uma jogava misseis na outra para explodi-la. O jogo foi considerado uma expressão direta da corrida espacial. Foi o jogo de computador mais popular por 2 anos, afinal era o único que existia. O jogo se espalhou quando esteve publicou a combinação de códigos que usou, então qualquer lugar que tivesse um PDP1 podia transforma-lo em um jogo. No começo esses sistemas eram controlados por botoes em uma caixa de controle gigante, mas aeromodelistas mais tarde ,usando pecas de um telefone inventaram o Joystick, do mesmo modelo do Atari.
Na década de 60 ,chamavam a TV de maquina da dor ,porque mostrava imagens da guerra na Coreia e Vietnam . E isso gerava milhares de protestos contra as ofensivas de Kennedy. Na década de 70 a TV era fria, uma fonte de noticias ruins, e todo essas situação com as imagens horríveis de guerra que os noticiários exibiam ,tornaram o vídeo game uma mídia atraente para o publico. E quem mudou o cenário foi um dos maiores inventores de vídeo games, Ralph Baer, que criou o primeiro console caseiro e portátil O Magnavox Odissey. Ralph foi o primeiro a perceber que nos EUA existiam cerca de 42 milhões de TVs que sintonizavam 2 canais e não serviam para nada.
Poucos sabem que ele fugiu da Alemanha e se alistou para lutar com o exercito americano, onde desenvolveu sua paixão por tecnologia, e quando trabalhou na Normandia com a equipe de americana de defesa, transformou a Purpose Box(caixa de defesa para misseis) em um protótipo do Magnavox. Desde o inicio, o vídeo game dependia das forcas armadas, pois o exercito foi o primeiro a investir em tecnologia, e todos os primeiros grandes inventores trabalhavam para o exercito.

Magnavox-Odyssey-Console-Set

13.152 – (IN) Segurança – Uma Polícia Arbitrária


insegurança
Você é vitima de assalto, aciona uma viatura e chegando no local eles te enquadram, te dão uma blitz e perguntam se você tem “passagem”, no caso você é a vítima, que acabou de passar por uma situação traumatizante como é a de um assalto e ainda passa pelo constrangimento de ser tratado como marginal. Essa é a abordagem padrão recomendada pelo comando da Polícia Militar?

Arbitrariedade
Aplica-se a uma pessoa que age apenas com base em sua vontade ou capricho e não na razão, lógica ou justiça.
Aplica-se à coisa que depende apenas da vontade ou capricho de alguém sem nenhuma razão, a lógica ou a justiça
A noção de arbitrariedade é baseado no conceito de tudo o IE coercitivo que é arbitrário é irrevogável e inevitável. Ou seja, algo que se impõe com o valor de lei com tampas, a ponto tal que ninguém pode fugir dela.
In me ajudar Freud ter falado várias vezes, utilizando este conceito de duas formas básicas:
Por um lado, a arbitrariedade colocado em jogo quando uma pessoa é imposta coercivamente na outra, ou impõe suas caprichos como se fosse uma lei universal.
Que a polícia precisa ser enérgica em suas ações não se discute, porém não se pode tratar da mesma forma, cidadões de bem e marginais.
A formação policial é evidenciada como condição determinante para a ocorrência do excesso e do abuso do poder.
Nota-se que para grande parte da doutrina a busca pessoal somente terá caráter legal no caso de prisão ou se houver a caracterização da fundada suspeita, a qual se refere a uma provável condição de que alguém esteja ocultando consigo algum objeto ilícito ou que esteja no desenvolver de uma ação criminosa.
Os órgãos policiais devem superar a cultura do abuso que ainda está presente na relação polícia e sociedade, haja vista que é incompatível a prática do abuso por quem tem o dever constitucional de proteger e defender. Neste aspecto se evidencia a importância da formação profissional moderna e de qualidade como condição redutora dos casos de excessos por parte da polícia.
A formação policial no Brasil passa por uma transformação nos métodos e na estrutura curricular de ensino, dado as interferências do Ministério da Justiça, entretanto ainda tem muito a evoluir, necessitando ser direcionada para a uma formação ética social e voltada para o ensino transmissor de um pensamento humanista e que atenda as novas perspectivas sociais.

13.109 – Arma de Guerra – Míssil Scud


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Vamos conhecer o Scud, aqui no ☻Mega

O soviético R-17, vulgarmente conhecido como Scud, começou a ganhar destaque no mundo ocidental durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, quando foi usado contra as forças norte-americanas pelo Exército iraquiano de Saddam Hussein. No entanto, essa arma confiável e acessível é amplamente empregada em diversas partes do mundo desde os anos 1960, e foi até convertida em um veículo de lançamento espacial do Oriente Médio.
Nenhum outro míssil balístico foi tão visto em ação em conflitos do século 20 e 21 quanto o soviético R-17. Mundialmente conhecido como Scud, essa arma acabou sendo copiada e modernizada tantas vezes que, em alguns momentos, tornou-se até irreconhecível. Calcula-se que cerca de 3.000 desses mísseis de curto alcance tenham sido disparados em conflitos mundiais ao longo dos últimos 50 anos.

Devido à sua simplicidade, confiabilidade e baixo custo, o R-17 já figurou nos arsenais de mais de 30 países e foi amplamente fabricado sob licença ou simplesmente copiado. Os primeiros testes do R-17 aconteceram em 1957, após dois anos de desenvolvimento, com o objetivo de substituir os mísseis nucleares táticos soviéticos de primeira geração R-11. Estes, por sua vez, eram derivados do modelo nazista V2, o primeiro míssil balístico do mundo, do quais mais de 1.300 foram disparados contra Londres na Segunda Guerra Mundial.

No entanto, por causa da melhor eficiência de combustível, o R-17, ao contrário do R-11, manteve-se em alta por mais de 20 anos, mesmo não necessitando de grandes manutenções. Esta e outras inovações ajudaram a atingir o alcance máximo de 300 km em sua primeira modificação, embora fosse menor e mais leve do que R-11. Era capaz de carregar ogivas explosivas ou nucleares, e podia acertar um alvo em um diâmetro de 600 metros. A variante com armas nucleares foi a principal arma das forças de foguetes da URSS, enquanto as unidades convencionalmente armadas eram geralmente exportadas.

Entre a década de 1960 e 1980, os mísseis Scud foram enviados em grande número para os parceiros internacionais da União Soviética: cerca de 1.000 mísseis foram vendidos para países como Egito, Iraque, Coreia do Norte, Cuba, Vietnã, Líbia e Síria. Muitos começaram a produção unilateral por meio da obtenção de licença ou simplesmente copiando a arma. Em 1984, a Coreia do Norte começou a produzir o seu equivalente, o Hwasong-5, dos quais centenas foram exportados para terceiros, incluindo Emirados Árabes, Líbia, Egito e Paquistão, que, por sua vez, produziam as suas próprias versões do míssil.
Em 1987, o Iraque aperfeiçoou a produção do R-17 com a fabricação do míssil Al-Hussein, que tinha maior alcance por conta da carga reduzida. Bagdá também exportou essa tecnologia, em especial para o Brasil, que, em 1988, começou a produzir um míssil semelhante sob o nome S-300.
Um desdobramento do programa Scud iraquiano foi a modificação do míssil para o lançamento de satélites de 150 kg para o espaço. Engenheiros iraquianos utilizaram uma versão alongada e de duas fases do Scud, em torno do qual foram instalados quatro aceleradores compostos por motores de foguetes baseados no R-17. Em 5 de dezembro de 1989, o primeiro veículo transportador espacial do Iraque decolou da base de lançamento de Al Anbar, a 225 km a sudoeste de Bagdá. O veículo subiu 25 km antes de explodir aos 45 segundos de voo. O programa foi então interrompido pela eclosão da primeira Guerra do Golfo.
Durante a guerra no Afeganistão, entre 1979 e 1989, os soviéticos também usaram mísseis R-17 contra as forças Mujahideen entrincheiradas em posições protegidas nos desfiladeiros. Por causa da precisão variável da arma, ela foi disparada em conjuntos e, geralmente, a não mais de 30 quilômetros de distância –um tiro de “alcance curto” para uma arma tão pesada. A destruição eficaz presenciada foi mais resultado do combustível inflamado do que da explosão e da fragmentação da ogiva de quase uma tonelada.
As posições inimigas foram incendiadas e, invariavelmente, destruídas com 160 galões de querosene e mais de 2 toneladas de ácido nítrico concentrado. Cerca de 1.000 mísseis foram disparados durante o conflito. Durante a chamada “guerra das cidades”, em meio ao conflito Irã-Iraque entre 1980 e 1988, ambos os lados usaram Scuds contra os centros populacionais do outro, disparando um total de cerca de 600 mísseis. Até o final das hostilidades, a infraestrutura e as cidades da província iraniana de Khuzestan foram quase completamente destruídas. O Iraque também ficou severamente destruído por causa dos mísseis, inclusive a capital Bagdá.
O Scud é um míssil balístico móvel, de origem soviética, com curto alcance. O míssil é derivado do foguete alemão V–2 da época da Segunda Guerra Mundial, sendo utilizado em plena Guerra Fria por membros do Pacto de Varsóvia ou seus aliados. É também conhecido pelas seguintes designações: R-11 (primeira versão), R-17, 9k72 Elbrus, 9K14, SS-1.

12.811 – Teorias de Conspiração sobre o 11/9


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A Torre 7: o edifício anexo às Torres Gêmeas foi derrubado às 17:20 do dia 11 de setembro de 2001, devido aos efeitos combinados dos escombros provenientes dos edifícios atacados e dos vários incêndios que o fogo vizinho desencadeou no seu interior. Os amantes da conspiração afirmam que se tratou de um colapso controlado, causado por bombas incendiárias e explosivos.
O voo 93: o quarto avião sequestrado durante a trágica manhã caiu sobre a pequena cidade de Shanksville, na Pensilvânia, depois que os passageiros deram início a uma rebelião no seu interior para impedir que os terroristas cumprissem sua missão. Embora não haja nenhuma prova sobre isso, circulam na internet vários boatos de que o voo foi derrubado por um míssil do exército norte-americano.
Ataque ao Pentágono: Há duas teorias conspiratórias em torno do ataque ao Pentágono. A primeira sugere que não foi um avião comercial que se chocou contra a sede do Departamento de Defesa dos EUA, mas um míssil ou um voo não tripulado. A segunda afirma que o atentado foi feito pelo próprio Pentágono e não pela Al-Qaeda, como diz a versão oficial.
A queda das Torres Gêmeas: A teoria mais difundida entre os que duvidam da veracidade do relato oficial sugere que as Torres Gêmeas não caíram por causa do impacto dos aviões, mas devido a diversos explosivos que teriam sido colocados no interior do complexo em cumplicidade com o governo Bush. Todavia, não existe nenhuma prova sobre isso.
Cumplicidade militar: Há muitos boatos de que, para realizar um ataque com a grandeza do ocorrido no 11 de setembro, os terroristas contaram com o apoio secreto do exército dos EUA. Diz-se que uma força militar tão poderosa quanto a norte-americana teria sido capaz de derrubar os aviões sequestrados. No entanto, há provas de que os atentados pegaram as forças armadas de surpresa e por isso elas não foram capazes de impedir as colisões.

12.784 – Os 15 países mais pacíficos do mundo em 2016


Islândia
Dinamarca
Áustria
Nova Zelândia
Portugal
República Tcheca
Suíça
Canadá
Japão
Eslovênia
Finlândia
Irlanda
Butão
Suécia
Austrália

Finlandia

Nova_Zelandia

Islandia

 

O mundo se tornou um lugar ainda mais violento nos últimos 12 meses em decorrência do aumento das atividades terroristas em diferentes regiões e pelos altos níveis de instabilidades políticas registrados. É o que constatou a edição 2016 do Global Peace Index, estudo anual produzido pelo Instituto de Economia e Paz (IEP).
Mas, embora o cenário global seja de turbulências, o estudo mostrou que 81 dos países investigados observaram uma melhora em seus níveis de paz. A maioria deles está na Europa: a região que é considerada a mais pacífica, mesmo tendo registrado episódios recentes de violência, como os atentados em Paris (França) em 2015 e em Bruxelas (Bélgica) em 2016.
O estudo tem como objetivo avaliar a situação da paz em 163 países. Para tanto, estuda o contexto interno de cada um deles a partir de 23 indicadores que incluem aspectos como a intensidade dos conflitos nos quais um local está envolvido, seus níveis de criminalidade e sua capacidade militar.
E a edição atual da pesquisa trouxe novidades. Portugal, por exemplo, avançou muitas posições, deixando a 11ª colocação em 2015 para chegar até a quinta entre os mais pacíficos de 2016. O Canadá, por sua vez, caiu uma posição em relação ao ano passado. Essa queda, explica o estudo, é em decorrência do aumento na importação e exportação de armas.
No que diz respeito aos países latinos, o único a ocupar um espaço entre os primeiros colocados é o Chile, no número 27. Falando especificamente sobre o Brasil, o índice notou uma deterioração na situação interna do país em razão das recentes instabilidades políticas, fazendo com que o país caísse da 103ª para a 105ª posição.
Confira na galeria os resultados obtidos pelos 15 países que obtiveram o melhor desempenho frente aos outros. Veja nas imagens quais são eles e quais posições ocuparam nesse ranking em 2015.

12.677 – Terrorismo – Filho de bin Laden promete vingança contra os EUA


Bin Laden
O filho do saudita Osama bin Laden não irá descansar até vingar a morte do fundador da organização terrorista Al Qaeda.
Hamza bin Laden prometeu continuar a luta do grupo numa escalada global contra os EUA e seus aliados. Suas ameaças estão em um discurso em áudio de 21 minutos chamado “We Are All Osama” (Somos Todos Osama), de acordo com o SITE Intelligence Group.
“Vamos continuar golpeando vocês, no seu país e fora dele, em resposta à sua opressão ao povo da Palestina, Afeganistão, Síria, Iraque, Iêmen, Somália e terras muçulmanas que não sobrevivem à sua opressão,” ameaçou.
Osama bin Laden foi morto em uma ação militar conduzida pelo exército norte-americano em 2011. O terrorista foi executado em seu esconderijo no Paquistão. O saudita foi o fundador da Al Qaeda, organização terrorista a qual é atribuída a realização dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos.
Hamza, que agora tem vinte e poucos anos, estava ao lado de seu pai no Afeganistão antes dos ataques de 11/9 e também passou um tempo com ele no Paquistão, de acordo com o Instituto Brookings.
Apresentado à organização pelo novo chefe Ayman al-Zawahiri, em uma mensagem de áudio no ano passado, Hamza oferece uma voz mais jovem para um grupo cujos líderes estão envelhecendo e encontrando dificuldades em inspirar novos militantes em comparação ao Estado Islâmico.
“Hamza fornece uma nova cara para a Al Qaeda, que se conecta diretamente ao fundador do grupo. Ele é um inimigo articulado e perigoso”, observa Bruce Riedel, do Instituto Brookings.

12.335 – Riqueza não traz felicidade – Apontou um estudo


Ricos Choram Mais

Quando se tornou pai, Charles Darwin começou a se interessar pelas emoções humanas. Ele passou a tomar notas do desenvolvimento emocional de seus filhos, questionando a importância do clima e das circunstâncias nas alterações de temperamento das crianças.
O choro era o fator pelo qual Darwin mais se interessava. Segundo a revista 1843, a curiosidade do cientista aumentou após um incidente no qual um de seus filhos, então com dois meses de vida, se machucou. O bebê gritou, mas não chorou. A partir de então ele começou a estudar a possibilidade de o choro ser cultural, ou seja, de precisar ser aprendido e praticado.
Essas pesquisas resultaram no livro The Expression of the Emotions in Man and Animals (A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais), publicado em 1872. No volume Darwin sugere que as emoções são facilitadas pelo ato de expressá-las. Partindo desse pressuposto, as pessoas não chorariam por estarem tristes, suas lágrimas as informariam o fato de estarem tristes.
Estudos mais recentes questionam o ponto de vista darwiano no assunto, mas ele foi essencial para que mais pesquisas fossem realizadas à respeito do choro. Um estudo de 2011, por exemplo, reforça a ideia inicial de que o choro é um aspecto cultural. Em “Culture and Crying: Prevalences and Gender Differences”, os cientistas sugerem que “indivíduos que vivem em países mais prósperas, democráticas, extrovertidas e individualistas tendem a chorar mais”.
Ao longo da pesquisa foi observado que os moradores de países em que a vida é mais confortável são os que tendem a chorar mais. Dessa forma, o choro seria um indicador de privilégio.
Já em países com maiores índices de pobreza ou que vivem guerras, o choro surpreendentemente não é tão comum. A cientista Dorte Jessen, que fez parte desse estudo, passou um tempo em um campo de refugiados em Dadaab, na Quênia. Dorte viu uma mãe com duas crianças que não comiam há bastante tempo rasgando os pacotes e dando para os filhos assim que os recebeu. Nenhum dos três disse ou expressou nada durante esse período.
Como explica o Science of Us, situações como essa levaram os cientistas a acreditarem que alguém que vive em situações terríveis como as citadas anteriormente sabe que chorar não vai mudar nada – e há muito o que fazer para gastar tempo teorizando as emoções. É um lembrete para reavaliarmos nossos privilégios na próxima vez que uma coisa mundana der errado e bater aquela vontade de chorar.

12.128 – Projeto de arma contra ataques terroristas


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O mercado negro das armas coloca na mão de criminosos armas ilegais e sem registro. Diante desse problema que parece sem controle, Michael Recce, um ex-engenheiro da Intel, projetou uma das armas mais inteligentes já concebidas no início de 2000, que funciona somente nas mãos dos seus proprietários legais.
A tecnologia de Recce se baseia no chamado comportamento reflexivo. Nosso cérebro é organizado para executar determinadas tarefas sempre da mesma maneira, como, por exemplo, ao assinar um documento. Nós, inadvertidamente, aplicamos a mesma pressão, o mesmo toque, de uma forma única.
A tecnologia da Recce reconhece esses fatores individuais e, juntamente com a biometria, só permite o acionamento da arma nas mãos do seu proprietário. Com a ajuda do New Jersey Institute of Technology (NJIT), ele e alguns outros pesquisadores estão tentando desde então colocar a novidade no mercado, mas isso não tem sido uma tarefa fácil.
Os proprietários de armas alegam que o sistema de reconhecimento das armas inteligentes falha em situações de emergência. Eles dizem que uma arma que exige impressão digital do proprietário pode não alinhar quando a mão estiver tremendo – algo que pode ocorrer quando o dono estiver em uma situação tensa.
Contudo, os inventores alegam que esse recurso poderia ter impedido alguns massacres a escolas nos EUA, em que os atiradores usaram armas de terceiros para matar colegas, como foi o caso de Dylan Klebold e Eric Harris, que assassinaram 15 colegas em Columbine, em 1999.

12.010 – Terrorismo: Pagando o Mal com o Mal – Suspeito de ser mentor de atentados em Paris foi morto


bode expiatório
Culpado ou bode expiatório?

A Promotoria de Paris confirmou nesta quinta-feira (19 de outubro) que o suspeito morto em uma operação policial realizada na quarta é o suposto mentor dos atentados terroristas que mataram 129 pessoas na capital francesa na última sexta-feira (13).

Análises de amostras de pele indicaram que os restos mortais encontrados após a operação policial são do extremista Abdelhamid Abaaoud, 27, belga de ascendência marroquina.
Abaaoud é ligado à milícia radical Estado Islâmico (EI), que reivindicou a autoria dos ataques em Paris. Ele foi criado com seis irmãos no bairro de Molenbeek, em Bruxelas, pelos pais, que têm uma loja. Segundo uma irmã, ele não era religioso antes de 2014 e tirava boas notas.
Segundo a mídia belga, Abaaoud esteve envolvido em uma série de ataques planejados frustrados pela polícia desde janeiro.
Em fevereiro deste ano, a revista on-line do Estado Islâmico, “Dabiq”, veiculou uma entrevista com Abaaoud, informando que ele viajara pela Europa despercebido pelas forças de segurança para organizar ataques e adquirir armas.
Inicialmente, pensava-se que ele estava na Síria, mas registros de ligações telefônicas apontaram que ele estaria escondido em um apartamento em Saint-Denis, subúrbio no norte de Paris.
As autoridades francesas afirmam ter evitado mais um atentado em Paris ao desmantelar nesta quarta (18) uma célula terrorista após megaoperação policial em Saint-Denis que deixou pelo menos dois mortos e oito presos. Ao menos cem policiais foram escalados e 5.000 tiros disparados.
Dentre os mortos na operação, estão Abaaoud, que acredita-se ter sido baleado e atingido por uma granada, e uma mulher-bomba que se explodiu durante o confronto com policiais. A mídia francesa a identificou como Hasna Aitboulahcen, 26, supostamente prima de Abaaoud.
Dentre os suspeitos de envolvimento com os atentados de Paris, continua foragido Salah Abdeslam, um francês de 26 anos nascido na Bélgica. Ele alugou três carros usados nos ataques.

11.627 – Mega Memória – Navio brasileiro é afundado por submarino alemão na Segunda Guerra em 26-07-1942


No dia 26 de julho de 1942, o navio mercante brasileiro Tamandaré foi atingido por um torpedo do submarino alemão U-66, próximo de Trinidad e Tobago, que causou a morte de quatro tripulantes entre os 52 a bordo. Foi o 13o. navio brasileiro atacado pelos submarinos do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. O navio afundou em menos de uma hora, e os sobreviventes foram resgatados por um barco dos EUA. O nome do navio foi uma homenagem ao Almirante Tamandaré, herói nacional e patrono da Marinha de Guerra do Brasil.

11.578 – Teorias – As nações que têm mais homens fazem mais guerras


O que faz com que os povos entrem em conflito, de tempos em tempos? Para Christian Mequida e Neil Wiener, da Universidade York, em Toronto, Canadá, é o excesso de homens jovens. Os dois biólogos analisaram a história e a população de mais de 150 nações do mundo todo. E descobriram que os países mais beligerantes são aqueles onde a proporção de jovens do sexo masculino passa dos 35%. Conclusão: as guerras não são deflagradas por ideologia ou honra, mas por causa de mulher. Para impressionar as mocinhas, os mocinhos se atracam, defendendo territórios e riquezas. Quanto mais rapazes houver, maior a probabilidade de começar uma grande briga. “Por aí, podemos prever em que lugares do mundo vai estourar uma guerra e quão destrutiva ela será”. Difícil é achar que a história humana foi escrita toda em cima de competição pela namorada.

11.565 – Geopolítica – Conflitos Irlandeses


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Atentados terroristas não são novidade na província inglesa da Irlanda do Norte, ou Ulster, como é conhecida por lá. Mas os ataques protestantes a igrejas e a casas de católicos, em Belfast, em julho, com a morte de três crianças, e a bomba católica que fez 28 vítimas e 220 feridos em Omagh, em agosto de 1998, foram especialmente amargos. Eles mostraram que não será fácil levar adiante o tratado de paz assinado em 10 de abril, que a maioria esmagadora da população apóia. O acordo deu o Nobel da Paz a John Hume, líder do maior partido católico, e David Trimble, chefe do maior partido protestante.
Aprovado num plebiscito, em maio, com 71% dos votos, o pacto criou o embrião de um futuro governo autônomo – um Parlamento próprio, com 108 representantes, eleitos em julho. Antes, o Ulster só elegia nove deputados ao Parlamento britânico. Na eleição, os partidos favoráveis à paz obtiveram 81% das cadeiras.
Os deputados vão fazer todas as leis, menos aquelas sobre impostos e segurança, que continuarão sendo inglesas. Ao mesmo tempo, vão aprofundar as relações com a República da Irlanda, que tem total independência da Inglaterra, dividindo com ela a administração do transporte, da agricultura e do turismo. Embora semi-autônomo, o Ulster continuará parte do Reino Unido, a não ser que a população opte pela unificação com a República da Irlanda, no futuro. A cada cinco anos haverá eleições.
Ocupada pelos celtas desde 300 a.C., cristianizada no século V e invadida pelos vikings em 795, a Irlanda virou colônia inglesa em 1171. Foi no século XVII que perdeu de vez a tranqüilidade.
1609 – Imigração maciça
A ilha, localizada ao lado da Inglaterra, manteve-se quase que totalmente católica até 1609, quando o rei inglês Jaime I autorizou a colonização em massa por protestantes ingleses e escoceses que, até então, dominavam só 10% das propriedades locais.
1798 – Reação violenta
Ao longo de 200 anos, os católicos foram perdendo terras. Inconformados, revoltaram-se em 1778, criaram brigadas e atacaram os protestantes. A rebelião foi sufocada e a colonização inglesa acelerada. No final do século XVIII, a maioria católica controlava apenas 5% da ilha.
1920 – Novo país
Depois que os conflitos chegaram à beira da guerra, a Inglaterra afinal aceitou dar uma independência relativa à ilha. Os 26 departamentos do sul, onde havia maioria católica, formaram o Estado Livre da Irlanda, que virou República da Irlanda em 1949. Os seis condados do norte, onde predominava a população protestante, continuaram como província inglesa. Essa região é hoje conhecida como Irlanda do Norte ou Ulster.
1998 – Fronteira religiosa
Em Belfast, capital da Irlanda do Norte, os conflitos incessantes levaram, em 1969, à construção de um muro de 3,5 quilômetros de comprimento e 3,5 metros de altura (veja o mapa abaixo) separando o bairro católico Falls do protestante Shankill. A cicatriz da violência permanece até hoje.
1998 – Mistura explosiva
No Ulster, a briga continua porque, embora minoritária, a população católica (38,4%) é quase tão grande quanto a protestante (42,8%) e não aceita fazer parte da Inglaterra. Além disso, há fortes queixas de discriminação anticatólica na região. Resultado: na década de 60 surgiu a luta armada entre as duas facções que, até hoje, fez 3 280 mortos e 37 500 feridos. É muito para uma população de 1,6 milhão de habitantes.
Ira Provisório
Tem 600 membros bem armados e surgiu em 1969, como dissidência do Exército Republicano Irlandês, o famoso IRA, criado em 1866. Do racha nasceu o IRA Oficial, que foi abandonando os atentados e passou a negociar por meio do grupo político Sinn Féin.
Exército Nacional de Libertação da Irlanda
Braço armado do Partido Socialista Republicano Irlandês, criado em 1974 depois de novo racha no Sinn Féin. Tem quarenta militantes e só aceita a paz se o Ulster for anexado imediatamente à República da Irlanda.
Ira Continuidade e Ira Verdadeiro
Os dois filhotes mais novos do IRA Oficial surgiram no começo dos anos 80. São contra a paz e a favor da unificação com a Irlanda. O primeiro tem cinqüenta membros e o segundo, responsável pelo atentado de Omagh, 150.
Protestantes
Força Voluntária Leal
Tem cerca de 300 membros e é contra qualquer acordo com a República da Irlanda. Dedica-se à extorsão e ao assassinato de católicos.
Força Voluntária do Ulster
Com 400 integrantes, exige que o Ulster continue parte da Inglaterra. Esteve por trás dos atentados que mataram três crianças e incendiaram dez igrejas em julho.
União Democrática do Ulster
Seus 200 militantes vêem com antipatia as negociações de paz. Já realizaram ataques contra católicos mas, hoje, entre os radicais protestantes, são os mais moderados.

Mais difícil vai ser manter a paz. Os ânimos estão à flor da pele há três décadas, quando os católicos se rebelaram contra séculos de discriminação. No século XVII os católicos não tinham direito a voto. Até o começo dos anos 70, um protestante que fosse empresário podia votar duas vezes. Hoje, eles ainda controlam a maioria das empresas. E raramente empregam católicos. A Comissão de Emprego do Ulster registra 250 reclamações de discriminação contra católicos por mês. Com tanto ódio, o novo Parlamento terá muito trabalho.

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11.485 – Mega Biografia – Anne Frank (12-06-1929 – 12-03-1945)


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Origem: Alemanha, Holanda
Nascida em 12 de junho de 1929, em Frankfurt, Alemanha, Anne Frank morou em Amsterdã durante a Segunda Guerra Mundial. Fugindo da perseguição nazista aos judeus, a família se escondeu por dois anos. Durante essa época, Frank escreveu sobre suas experiências e desejos. Ela tinha 15 anos quando sua família foi encontrada e enviada ao campo de concentração, onde ela morreu. Sua obra “O Diário de Anne Frank”, já foi lida por milhões de pessoas.
A vítima do Holocausto Anne Frank nasceu Annelies Marie Frank em 12 de junho de 1929, em Frankfurt, Alemanha. Sua mãe foi Edith Frank e seu pai, Otto Frank, um tenente do exército alemão durante a Primeira Guerra, tornando-se depois um homem de negócios na Alemanha e na Holanda. Frank também teve uma irmã chamada Margot, três anos mais velha.
Os Frank eram uma família de classe média alta que morava em um bairro quieto e religioso de Frankfurt. Porém, Anne nasceu em uma época de mudanças na sociedade alemã, que logo iriam interromper a felicidade e a tranquilidade de sua família e de todos os judeus alemães.
No início dos anos 20, a economia da Alemanha estava em péssimas condições, devido ao Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial e impôs muitas sanções ao país. Em 1933, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, antissemita e liderado por Adolph Hitler, tomou o controle do governo.
A família de Anne Frank se mudou para Amsterdã em 1933, e seu pai se tornou o diretor da Dutch Opekta Company. Lá, eles se sentiram novamente livres. Durante o resto da década de 30, Anne viveu uma infância relativamente normal, com muitos amigos, de diversas etnias e religiões.
Mas isso iria mudar em 1º de setembro de 1939, quando a Alemanha nazista invadiu a Polônia, iniciando a Segunda Guerra Mundial. Em 10 de maio de 1940, o exército alemão invadiu a Holanda, derrotando as forças holandesas apenas após alguns dias de combate. Os holandeses renderam-se em 15 de maio de 1940, e Anne escreveria em seu diário: “Após maio de 1940, os bons momentos eram raros; primeiro tinha a guerra, depois a rendição e então a chegada dos alemães, que foi quando os problemas começaram para os judeus”.
No começo de outubro de 1940, os ocupantes nazistas impuseram medidas antissemitas na Holanda. Os judeus eram obrigados a usar uma estrela amarela de Davi o tempo todo e obedecer a um toque de recolher. Eles também foram proibidos de serem donos de negócios, por isso Otto deu o controle de sua empresa a dois sócios cristãos. Frank e sua irmã foram transferidas a uma escola judia.
Em 12 de junho de 1942, Anne ganhou um diário pelo seu aniversário de 13 anos, e ela escreveu suas primeiras palavras do texto, endereçadas a uma amiga imaginária chamada Kitty: “Espero que eu possa confiar tudo a você, como eu nuca confiei a ninguém, e eu espero que você seja uma fonte de conforto e apoio”.
Semanas depois, em 5 de julho de 1942, Margot recebeu uma convocação para se reportar a um campo nazista na Alemanha. No dia seguinte, toda a família foi se esconder em quartos improvisados em um espaço vazio atrás da empresa de Otto. Eles foram acompanhados do sócio de Otto Hermann van Pels, sua esposa, Auguste, e seu filho, Peter. Alguns empregados de Otto se encarregavam da comida e de levar informações sobre o mundo exterior.
As famílias passaram dois anos escondidas, sem pisar os pés para fora do local. Para passar o tempo, Anne escrevia textos extensos em seu diário. Em alguns, ela colocava para fora todo o seu desespero de estar confinada. “Cheguei ao ponto no qual eu não me importo em viver ou morrer”, ela escreveu em 3 de fevereiro de 1944. “O mundo irá continuar girando sem mim, e eu não posso fazer nada para mudar os acontecimentos”.
Além do diário, Anne tinha um caderno no qual anotava citações de seus atores favoritos, histórias originais e o começo de um romance sobre o seu tempo na Secret Annex, como chamavam o local do esconderijo.
Ida ao campo de concentração
Em 4 de agosto de 1944, um oficial da polícia secreta alemã acompanhado por quatro nazistas holandeses arrombaram o Secret Annex, prendendo todos que ali estavam escondidos. Eles foram denunciados anonimamente e até hoje a identidade do traidor permanece desconhecida. Todos foram encaminhados ao campo de concentração Westerbork, em 8 de agosto de 1944. Após, foram transferidos para Auschwitz, na Polônia, no meio da noite de 3 de setembro de 1944. Quando chegaram, mulheres e homens foram separados, e foi a última vez que Otto viu sua mulher e filhas.

Morte por tifo
Após meses de trabalho duro, Anne e Margot foram transferidas para o campo de concentração Bergen-Belsen, na Alemanha. Sua mãe não foi autorizada a ir junto e, um tempo depois, adoeceu e morreu, em 6 de janeiro de 1945. No campo, a comida era escassa e a higiene péssima. Tanto Anne quanto sua irmã contraíram tifo e morreram com um dia de diferença, em março de 1945. Ela tinha apenas 15 anos, e foi apenas uma das mais de um milhão de crianças judias que morreram no Holocausto.
Otto Frank foi o único membro da família a sobreviver. Ao final da guerra, ele retornou para sua casa em Amstedã, procurando desesperadamente por notícias de sua família. Em 18 de julho de 1945, ele encontrou duas irmãs que conviveram com Anne e Margot em Bergen-Belsen e que repassaram a trágica notícia.

Diário encontrado
Quando Otto retornou para Amsterdã, ele encontrou o diário de Anne, que foi guardado pela sua amiga Miep Gies. Ele teve forças para lê-lo e ficou surpreso com o que descobriu. “Foi-me revelada uma Anne completamente diferente da filha que eu perdi”, ele escreveu em uma carta para sua mãe. “Eu não tinha ideia da profundidade de seus pensamentos e sentimentos”.
Ele publicou, em 1947, algumas seleções do diário da filha em um livro chamado “The Secret Annex: Diary Letters from June 14, 1942 to August 1, 1944”. “O Diário de Anne Frank”, como foi intitulado depois, já foi publicado em 67 línguas. Incontáveis edições, assim como adaptações para o teatro e o cinema, foram realizadas ao redor do mundo, e o livro permanece um dos mais lidos sobre a experiência dos judeus durante o Holocausto.
Apesar de ser uma história trágica, o livro é também uma história de fé, esperança e amor. Em uma passagem, ela escreve: “Eu vejo o mundo sendo transformado em uma selva; eu ouço a chegada de um trovão que, um dia, irá nos destruir também. Eu sinto o sofrimento de milhões. Ainda assim, quando eu olho para o céu, eu sinto que, de alguma forma, tudo irá mudar para melhor, que essa crueldade irá acabar e que a paz e a tranquilidade irão retornar”.
Em 2009, o Anne Frank Center USA lançou uma iniciativa chamada “Sapling Project”, plantando mudas de uma árvore de castanha de 170 anos que Anne amava, em 11 nações do mundo.

11.047 – Psicologia – Não atacar é o melhor ataque


manifestos

Sem disciplina, ondas de protestos morrem na praia
Na Tunísia, onde há mais chance de democracia e estabilidade, a campanha foi não-violenta. Isso permitiu mobilização em massa. No Egito também havia apoio maciço, mas uma pequena corrente violenta, não determinante nos protestos, ajudou a criar a instabilidade política de hoje.
Um problema dos movimentos em países democráticos é articular sua proposta de maneira clara: como fica o país se a campanha “vence”.
Ir para a rua é só uma das centenas, senão milhares de maneiras de demonstrar revolta. E uma das mais perigosas. Mas há um número enorme de táticas: greve, deixar de cumprir ordens do governo, construir instituições paralelas de mídia, política ou educação. Isso é criar, ao invés de só focar em destruir. Na Ucrânia aconteceu o “vá devagar”: taxistas andavam em velocidade baixa, trancando as ruas. O governo não sabia o que fazer, já que atacar os motoristas pioraria o trânsito. E não fez nada. Mesmo em ambientes muito hostis, onde símbolos antigoverno são banidos, dá para fazer algo. Você pode cobrir uma praça com uma cor proibida. Ver a polícia correndo atrás de um vira-lata com uma bandana vermelha, por exemplo, expõe o ridículo da situação. Em cada local há uma tática.
Criticar é mais fácil do que construir alternativas. Para construir alternativas, você precisa de liderança e organização, capacidades que você só desenvolve com o tempo. Quanto menos tempo, menos chance de mudar as coisas.
Universidades e outras instituições são muito importantes nesse processo. É preciso haver lugares para discutir em que tipo de país querem viver, estabelecer princípios e valores, debater opiniões divergentes. É preciso pensar bastante antes de ir para a rua. Treinar os participantes para ter disciplina. Foi assim na independência da Índia e no movimento pelos direitos civis nos EUA: quando a polícia começava a bater, eles não reagiam. E funcionou!

10.975 – História – O que foi a Guerra dos Cem Anos?


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Foi um dos maiores conflitos da Idade Média, entre duas das principais potências europeias: França e Inglaterra. Apesar do nome, durou mais de um século – segundo a definição dos historiadores, tudo começou em 1337, para terminar só em 1453. “Não foi um confronto ininterrupto, mas uma série de disputas que incluíram várias batalhas”, diz a historiadora Yone de Carvalho, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Para entender a origem de tanta briga é preciso recuar no tempo. Em 1066, um duque da Normandia (território francês) chamado Guilherme conquistara a Inglaterra, tornando-se seu rei. Tanto Guilherme quanto seus sucessores eram, ao mesmo tempo, donos do trono inglês e também súditos do rei da França, já que tinham herdado terras naquele país. Séculos depois isso criaria muita encrenca.
Em 1328, o rei francês Carlos IV morreu sem deixar um herdeiro. O então rei da Inglaterra, Eduardo III, considerou-se um pretendente legítimo ao trono vago, pois, além de súdito, era sobrinho de Carlos IV. O problema era que outros nobres franceses reivindicavam o mesmo trono e uma assembléia acabou escolhendo um conde chamado Felipe – que ganhou o título de Felipe VI. A relação de desconfiança entre os monarcas dos dois reinos e a disputa entre eles por territórios franceses – Eduardo III tinha herdado os direitos sobre as regiões da Gasconha, da Guiana e de Ponthieu – resultou na guerra. A França tinha uma população quase quatro vezes maior que a da Inglaterra e também era mais rica, mas não se encontrava tão unida e organizada enquanto nação. A Inglaterra, por sua vez, possuía uma monarquia mais forte e se deu melhor no início da guerra.
Não houve uma grande expansão, mas, ao final da primeira fase do conflito, em 1360, tratados asseguraram aos ingleses a total soberania sobre as terras que possuíam na França. Nas décadas seguintes, conflitos internos levaram os dois países a se concentrarem mais nos problemas domésticos e a guerra entrou numa fase de paz não-declarada, rompida de quando em quando. Por volta de 1420, um novo rei inglês, Henrique V, decidiu aproveitar uma crise entre o monarca francês e alguns nobres para reivindicar novamente o trono da França, dando início a mais um período turbulento. Essa fase final do conflito, porém, foi favorável aos franceses. Comandados por um novo rei, Carlos VII, e com exércitos mais organizados, eles expulsaram os ingleses da Normandia, da Guiana e da Gasconha. A famosa batalha na cidade francesa de Castillon, em 1453, é hoje considerada pelos historiadores o fim da longa guerra, embora nenhum acordo tenha sido assinado e eventuais conflitos tenham continuado a ocorrer.
“A Guerra dos Cem Anos foi a última guerra feudal e também a primeira moderna. Ela foi dirigida por membros da aristocracia feudal no início do conflito e terminou como uma disputa entre Estados que já tinham exércitos nacionais”, diz Yone. Por isso, ela foi um grande marco no desenvolvimento europeu (principalmente na França) da idéia de nação, que unificou países antes divididos em territórios controlados por nobres.
Apesar de a guerra ser travada em território francês, havia cidades estratégicas também na Inglaterra. Os navios que faziam a ligação entre a ilha e o continente partiam de Southampton, um dos principais portos ingleses na Idade Média.
A besta, arma medieval para lançar setas, foi um dos destaques do arsenal militar usado na guerra. Sob certas condições, o arco se mostrou superior, disparando mais flechas por minuto, com maior alcance e precisão. Mas a besta possuía suas vantagens: exigia menor esforço, era mais fácil de transportar e de ser disparada por um homem a cavalo.
Pano de fundo das cenas mais emocionantes da peça Henrique V, de Shakespeare, a batalha de Agincourt, em 1415, foi a última grande vitória inglesa na guerra. Cerca de 9 mil soldados do rei inglês Henrique V conseguiram derrotar 25 mil cavaleiros franceses.

No início do século XIV, o rei da Inglaterra, Eduardo III, controlava os ducados da Gasconha e da Guiana e o condado de Ponthieu, territórios que herdou dentro das atuais fronteiras da França. Mas, em 1337, o rei francês Felipe VI ordenou o confisco das duas primeiras regiões – foi o estopim da guerra
Outra causa importante do início do conflito foi a disputa pela região de Flandres, que enriquecera com a produção de tecidos, importando lã da Inglaterra. Apesar de estar economicamente vinculada aos ingleses, Flandres era um domínio francês. Quando começaram as hostilidades na Gasconha, o rei inglês desembarcou um exército em Flandres
A primeira grande batalha foi travada na cidade de Crécy em 1346 e acabou vencida pelos ingleses. Nela morreram o irmão do rei Felipe VI e cerca de 1 500 soldados franceses
Nas guerras medievais, grandes batalhas só aconteciam de vez em quando. Eram mais comuns os cercos a cidades e fortificações, que ficavam na mira de catapultas. A cidade portuária de Calais enfrentou um dos primeiros grandes cercos da guerra e resistiu por quase um ano diante dos ingleses, até a população se render em 1347, abalada pela fome
Em 1356, numa batalha em Poitiers, os ingleses tiveram outra importante vitória. Caçados por um exército comandado pelo próprio rei francês João II (sucessor de Felipe VI), eles se protegeram numa área pantanosa. Ao atacar, os cavaleiros franceses atolaram e foram dizimados por arqueiros. O rei João II foi feito prisioneiro e só libertado após aceitar tratados que garantiam à Inglaterra o controle de territórios na França
A virada na guerra viria após o cerco a Orleans, que durou sete meses, entre 1428 e 1429. Os franceses, encurralados, já estavam prontos para se render quando Joana D’Arc, camponesa transformada em grande guerreira, convenceu o rei francês a mandar tropas para a região. Os ingleses não resistiram e abandonaram o cerco. O episódio serviu para colocar na história o nome de Joana D’Arc e unir ainda mais os franceses
Em julho de 1453, tropas inglesas tentaram atacar uma fortificação francesa perto de Castillon. Elas foram derrotadas ao serem recebidas pela recém-introduzida artilharia de campanha – canhões que podiam ser transportados. Embates continuaram ocorrendo, mas essa batalha é considerada o marco histórico que encerra a Guerra dos Cem Anos.