13.810 – Pão Nosso de Cada Dia – Os primeiros 14 mil anos de história


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Eu sou o pão da vida”. “Se não têm pão, que comam brioches”. “Pão e circo”. “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Não há alimento cuja história esteja tão arraigada às sociedades humanas quanto o pão. Trata-se de um alimento simples, já que pode consistir só de farinha e água. Mas também é complexo. Afinal, são impressionantes as reações biológicas de uma massa de farinha úmida.
Acima de tudo, porém, o pão é universal, e, ao mesmo tempo, único. “Ele expressa a forma como determinada cultura interage com o seu ambiente para produzir comida”, diz o pesquisador Mikael Linder, especialista em alimentação e pesquisador da Universidade Livre de Bolzano, no norte da Itália.
Para entender as origens do pão, é preciso recuar bastante no tempo. Nossos ancestrais caçadores-coletores comiam gramíneas, por conta do sabor adocicado e porque aliviava o gosto acre da carne. Por tentativa e erro, foram descobrindo que moer sementes e misturá-las com água facilitava a ingestão. Depois veio a prática de assar essa pasta, da mesma forma como já faziam com a carne. A predileção por um dos tipos de gramínea foi um ingrediente para que nossos antepassados deixassem de ser caçadores/coletores nômades.
Até pouco tempo atrás, imaginava-se que criação do pão e a da agricultura tivesse acontecido ao mesmo tempo, há 11 mil anos, no Oriente Médio. Mas tudo indica que o pão chegou antes das plantações. É o que mostra um estudo recente, publicado em julho de 2018 por arqueólogos da Universidade de Copenhague. Com base em escavações feitas na Jordânia, eles concluíram que há 14,4 mil anos já se fazia na região um tipo de pão sem fermento, a partir de uma variedade selvagem de trigo. Ainda não era exatamente pão, porque não havia fermentação. Mas já chegava perto. E já existia pelo menos 3 mil anos antes dos primeiros sinais de agricultura.
ambiente entraram ali e começaram a produzir gás. A farinha começa a virar pão. É o que acontece na sua cozinha, é o que aconteceu na origem de todas as civilizações.
Pão e circo
Os primeiros anos da agricultura moldaram o que somos hoje. E de forma mais direta do que parece. “Mais de 75% das calorias ingeridas pela população mundial hoje vêm de plantas que nossos ancestrais domesticaram milhares de anos atrás. É intrigante pensar que, nos últimos 2 mil anos, nenhuma nova espécie importante em volume mundial de produção foi domesticada, ou seja, ainda nos alimentamos com base no desenvolvimento empírico dos nossos antepassados”, diz um bioquímico, da Universidade Federal de Santa Catarina.
O pão, estrela maior desse desenvolvimento, logo passou a ser produzido em escala industrial. No auge do império egípcio, há quase 5 mil anos, pães eram feitos em grande escala. São desta época os registros dos primeiros fornos feitos especialmente para o preparo dos pães. Os egípcios já faziam pães em diferentes formatos. Os mais consumidos eram arredondados e chatos, mas existiam também alongados, como as baguetes de hoje, e outros em formato de caracol. Havia ainda pães fritos na gordura e adoçados com mel e frutas.
Pães sofisticados são um advento antigo. Escavações arqueológicas mostram que, quando foi destruída pelas lavas do Vesúvio, no século 1, Pompeia já produzia iguarias bem similares aos pães italianos consumidos hoje. Esses pães tinham até certas marcas que sugerem uma “assinatura” de cada padeiro. A região de Altamura, também no sul da Itália, desenvolveu um pão macio e com sabor mais lácteo – decorrente do trigo do tipo grano duro, cultivado na região – e que ainda hoje é uma referência no mundo da panificação. Sobre ele, o poeta Horácio escreveu em 37 a.C.: “É o melhor pão que se pode encontrar”.
Aos poucos, os romanos foram aperfeiçoando a técnica. Em ‘O Banquete dos Sofistas’, Ateneu conta que os padeiros obrigavam seus ajudantes a usar luvas e máscaras, preocupados que o suor não escorresse para a massa e que a respiração não alterasse seu sabor. “Para os apreciadores havia múltiplas variedades produzidas a partir da mesma massa. A par do pão vulgar, que tinha o formato de uma bomba, havia, por exemplo, o panis artopticius, rodado num espeto. O panis testuatius era cozido dentro de um vaso de barro. Havia um pão-de-Parta, considerado uma especialidade, em cuja fabricação a massa era deixada dentro de água durante bastante tempo e só depois cozida; o resultado era um pão tão leve que podia boiar em água, ao contrário do que acontecia normalmente”, conta o historiador e escritor Heinrich Eduard Jacob, no livro Seis Mil Anos de Pão.
Com a conversão da República Romana em Império Romano, no ano 27 a.C., os padeiros se tornaram funcionários públicos. De uma hora para a outra, as 258 lojas que os padeiros tinham na cidade de Roma deixaram de ser propriedade privada, numa tentativa do Estado de controlar a produção de pão.
Afinal, já vigorava ali havia tempos a chamada política do pão e circo, na qual o governo procurava apaziguar o povo dando-lhe comida (e diversão). No ano de 72 a. C., havia 40 mil cidadãos que recebiam cereais de graça do governo. Essa bolsa-família seguia aumentando, de modo que em 49 a.C., já na gestão Julio Cesar, eram 200 mil os que viviam da mesada estatal.
À medida que conquistavam outros territórios, os romanos traziam para a capital a produção de grãos – e outras atividades econômicas. Roma, então, tornou-se a primeira metrópole urbana da história. No início da Era Cristã, a cidade tinha 1 milhão de habitantes. Hoje isso parece pouco. Mas estamos falando em 66 mil pessoas por quilômetro quadrado; a maior densidade demográfica de todos os tempos (Mumbai, a urbe mais densa de hoje, tem 30 mil; São Paulo, 7 mil). Um em cada 200 habitantes do planeta na época morava na cidade de Roma. Sem manter essa turba calminha, governo algum se sustentaria. Então, dá-lhe pão.
O colapso do Império Romano, no século 5, abriu caminho para que os povos germânicos tomassem as rédeas – seja na política europeia, seja da panificação. O norte continente nunca foi bom para a cultura do trigo – o clima não ajudava. Enquanto a Itália serviu como berço do pão branquinho, então, a Alemanha foi o do pão escuro, à base de centeio. Não só centeio: cevada, lentilha, aveia… A tradição era misturar de tudo, para aumentar o valor nutritivo. A Escandinávia também chegou a ter um pão em cuja receita ia casca de pinheiro, palha e sangue seco de rena. Na Estônia, o centeio era misturado ao sangue de porco.

Eterno retorno
No século 19, Louis Pasteur descobriu que os agentes responsáveis pela fermentação eram micro-organismos. Até ali, a própria noção de “micro-organismo” não existia. Isso abriu as portas para a produção industrial de fermento – sempre a partir de uma levedura específica, a Saccharomyces cerevisiae, especialista em produzir grandes quantidades de gás carbônico.
Foi uma mão na roda para os padeiros, já que mais gás significa mais pão pronto em menos tempo. Mas há um porém: isso torna a fermentação previsível. O resultado é sempre o mesmo, basicamente.
Com a fermentação natural é outra história. Primeiro, ela envolve várias espécies de leveduras – e de outros micro-organismos também. As leveduras do ambiente vivem em simbiose com certas bactérias na massa madre (a do pão de fermentação natural). A fermentação mais lenta permite às bactérias produzir ácido lático e ácido acético. Essa dupla confere mais sabor ao pão, e uma textura inconfundível.
Não é só isso. “Há várias receitas na busca pelo melhor blend de fermentos e bactérias: adicionar mel na massa madre, cascas de frutas, espuma de cerveja, água de batata…”
Em Sankt Vith, no interior da Bélgica, há uma bela amostra dessa variedade. A Puratos, uma empresa que desenvolve massas para panificação, mantém uma espécie de biblioteca de massas madres vindas de várias partes do mundo – são 105 exemplares, quatro deles brasileiros: da padarias Basilicata, Cepam, Benjamin Abrahão e Brico Bread. As amostras ficam lá, em geladeiras – e são analisadas pela Universidade de Bari, na Itália, que faz um raio-X dos micro–organismos presentes em cada uma delas.
Mas não importa. Seja a fermentação natural, seja industrial, o produto dela com a massa de farinha e água segue sendo o alimento mais importante da história da humanidade. E boa parte dela segue homenageando-o todas as manhãs, sem falta. Um pão na chapa, por favor.,

História e Sociedade (48)

13.742 – A economia no Antigo Egito


economia-egipcia-era-agricultura-53f7a674372c1Era baseada na agricultura. O rio Nilo, com suas cheias, era uma dádiva dos deuses para os egípcios. As terras cultivadas pertenciam ao Faraó, considerado pelo seu povo rei, Deus e senhor absoluto, mas eram controladas pelos sacerdotes, escribas e chefes militares que administravam os trabalhadores livres e os escravos que ali cultivavam a terra.

Uma das características da economia egípcia era o poder centralizador do Estado na figura do Faraó. A pedido do Imperador, os artesãos eram requisitados para a construção de templos e para a fabricação de armas para o exército. Com isso o comércio externo tornou-se possessão do Estado, pois só ele dispunha de material em demasia para a exportação.

Era comum o cultivo do linho, do algodão, da vinha, dos cereais e da oliveira. Os animais mais utilizados nesse período foram o boi e o asno, mas existia a criação de carneiros, cabras e gansos. O uso do cavalo só ocorreu no nono império, e o camelo, animal símbolo da civilização egípcia, só foi utilizado na época de Ptolomeu. Apesar de a agricultura ser a principal base econômica, já existiam em pequena quantidade indústrias de cerâmicas, de mineração e têxteis.

Os povos egípcios comercializavam através do Mediterrâneo, ao que tudo indica, foram os precursores. A matéria-prima para a construção dos barcos vinha da Fenícia e o pagamento era baseado na troca de objetos de arte e metais preciosos. O Egito também mantinha relações comerciais com a Arábia e a Índia.

Os gregos forneciam plantas que serviriam como uma das matérias primas utilizadas no processo de mumificação. Através de uma feitoria concedida na margem esquerda do Delta, os estabelecimentos comerciais que ali existiam efetuavam trocas, como o vinho, o azeite, a cerâmica e alguns produtos metalúrgicos pelo trigo que faltava em suas cidades de origem. As pequenas operações comerciais internas eram feitas por troca direta, não existiam moedas, porém circulavam objetos de cobre e de ouro com peso estável.

13.737 – O processo de mumificação no Egito Antigo


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Entende-se por politeísmo a crença em vários deuses. Os egípcios, povos politeístas, acreditavam na vida eterna após a morte, em que o espírito do falecido voltava para tomar seu corpo. Para abrigar o cadáver, construíram as pirâmides. E para preservar o corpo (enquanto o espírito não retornava) inventaram a mumificação. Em consequência deste processo, os egípcios iniciaram os estudos da anatomia e descobriram várias substâncias químicas, na busca de substâncias para a preservação do corpo.
Primeiramente, todas as vísceras do cadáver eram retiradas. Um corte era feito na altura do abdômen, de onde era retirado o coração, o fígado, o intestino, os rins, o estômago, a bexiga, o baço, etc. O coração era colocado em um recipiente à parte. O cérebro também era retirado. Aplicavam uma espécie de ácido (via nasal) que o derretia, facilitando sua extração.
Em seguida, deixavam o corpo repousando em um vasilhame com água e sal (para desidratá-lo e matar as bactérias) durante setenta dias. Desidratado, o corpo era preenchido com serragem, ervas aromáticas (para evitar sua deterioração) e alguns textos sagrados.
Depois de todas essas etapas, o corpo estava pronto para ser enfaixado. Ataduras de linho branco eram passadas ao redor do corpo, seguidas de uma cola especial. Após esse processo, o corpo era colocado em um sarcófago (espécie de caixão) e abrigado dentro de pirâmides (faraó) ou sepultado em mastabas, uma espécie de túmulo (nobres e sacerdotes).
Segundo a religião egípcia, após a morte, o espírito era guiado pelo deus Anúbis até o Tribunal de Osíris, que o julgaria na presença de outros 42 deuses. Seu coração era pesado em uma balança, que tinha como contrapeso uma pena. Se o coração fosse mais leve que a pena, o espírito receberia a permissão para voltar e retomar seu corpo. Caso contrário, seria devorado por uma deusa com cabeça de jacaré. Os egípcios acreditavam em deuses híbridos: metade homem, metade animal (antropozoomorfia).

13.696 – História – A vida de luxo dos Faraós


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Hoje existe uma restrita parcela da população mundial que vive em um elevado índice de consumo e muito luxo.
Mas isso não é privilégio apenas da sociedade atual. No tempo dos faraós, eles e suas famílias levavam uma vida com muito luxo, requinte e conforto, mesmo que nos padrões da época a realidade vista hoje é de surpreender.
Os faraós moravam em palácios com mobília fabricada com materiais nobre, como cedro, ébano com vários detalhes em marfim e ouro e os artesãos possuíam técnicas e perícias para a elaboração de peças únicas, os utensílios domésticos possuíam grande beleza e qualidade em relação aos demais objetos usados em outras famílias, isso só afirmava o poder e a riqueza.
Outra evidência de luxo, conforto e prova da tamanha riqueza estava no contingente de servos responsáveis pela manutenção do palácio e para oferecer lazer aos faraós, eram criados, músicos, cantores, dançarinos e copeiros, oferecendo muitas facilidades.
Para preencher o tempo os faraós, também chamados de ‘deuses vivos’, caçavam, pescavam com grande freqüência e praticavam vários jogos como forma de tornar seus dias mais agradáveis.

13.695 – História dos Faraós do Egito


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Tutmés I, faraó do Egito (1524-1518 a.C.) da XVIII dinastia, sucessor do seu cunhado Amenófis I (que reinou em 1551-1524 a.C.). Destacado militar, foi o primeiro faraó a ser enterrado no Vale dos Reis.
Tutmés II, faraó do Egito (1518-1504 a.C.), filho de Tutmés I e meio-irmão e marido da rainha Hatshepsut. Enviou uma expedição contra as tribos núbias rebeladas contra sua soberania e contra os beduínos, povo nômade dos desertos da Arábia e do Sinai.
Tutmés III, faraó do Egipto (1504-1450 a.C.). Era filho de Tutmés II e genro de Hatshepsut. Durante seu reinado, Tutmés III realizou 17 campanhas militares bem sucedidas, conquistando a Núbia e o Ludão. Conseguiu que os mais importantes estados lhe rendessem tributo: Creta, Chipre, Mitani, Hatti (o reino dos hititas), Assíria e Babilônia. Tutmés III afirmou a hegemonia egípcia em todo o Oriente Médio.
Tutmés IV, faraó do Egito (1419-1386 a.C.) da XVIII dinastia, filho de Amenófis II e neto de Tutmés III. Comandou expedições militares contra a Núbia e a Síria, e negociou alianças com a Babilônia e o Mitanni.
Amenófis III, faraó do Egito (1386-1349 a.C.), da XVIII Dinastia, responsável por grandes trabalhos arquitetônicos, entre os quais parte do templo de Luxor e o colosso de Mêmnón. Seu reinado foi de paz e prosperidade.
Akhenaton ou Amenófis IV, faraó egípcio (1350?-1334 a.C.), também chamado Neferkheperure, Aknaton ou Amenhotep IV. Akhenaton era filho de Amenófis III e da imperatriz Tiy e marido de Nefertiti, cuja beleza é conhecida através de esculturas da época. Akhenaton foi o último soberano da XVIII dinastia do Império Novo e se destacou por identificar-se com Aton, ou Aten, deus solar, aceitando-o como único criador do universo. Alguns eruditos consideram-no o primeiro monoteísta. Depois de instituir a nova religião, mudou seu nome de Amenófis IV para Akhenaton, que significa “Aton está satisfeito”. Mudou a capital de Tebas para Akhenaton, na atual localização de Tell al-Amama, dedicando-a a Aton, e ordenou a destruição de todos os resquícios da religião politeísta de seus ancestrais. Essa revolução religiosa determinou transformações no trabalho dos artistas egípcios e, também, no desenvolvimento de uma nova literatura religiosa. Entretanto, essas mudanças não continuaram após a morte de Akhenaton. Seu genro, Tutankhamen, restaurou a antiga religião politeísta e a arte egípcia uma vez mais foi sacralizada.
Tutankhamen ( 1352-1325 a.C.), faraó egípcio (reinou 1334-1325 a.C.) da XVIII Dinastia, genro de Akhenaton, a quem sucedeu. Tornou-se faraó com nove anos. Durante seu reinado, restaurou o culto a Amon, o que contribuiu para a paz no Egito.
Quéops, faraó egípcio (2638-2613 a.C.), o segundo rei da IV dinastia. A realização mais importante de seu reinado foi a construção da Grande Pirâmide de Gizé, perto do Cairo.
Ramsés II (reinou em 1301-1235 a.C.), faraó egípcio, terceiro governante da XIX Dinastia, filho de Seti I.
Seus principais inimigos foram os hititas; com eles assinou um tratado, segundo o qual as terras em litígio se dividiam. Durante seu reinado construiu-se o templo de Abu Simbel e concluiu-se o grande vestíbulo hipostilo do templo de Amón, de Karnak.
Ramsés III (reinou de 1198 a 1176 a.C.), faraó egípcio da XX dinastia, grande líder militar que salvou o país de várias invasões. As vitórias de Ramsés III estão representadas nas paredes de seu templo mortuário em Madinat Habu, próximo à cidade de Luxor. O final de seu reinado foi marcado por revoltas e intrigas palacianas.
Quéfren, quarto faraó (2603-2578 a.C.) da IV Dinastia do Egito. Construiu uma das pirâmides de Gizé. Durante muito tempo, pensou-se que a Grande Esfinge próxima a ela era uma representação do rei. Quéfren foi sucedido por seu filho Miquerinos.
Seti I (reinou de 1312 a 1298 a.C.), faraó egípcio, segundo governante da XIX dinastia, filho e sucessor do faraó Ramsés I. Nos últimos anos de seu reinado, conquistou a Palestina, combateu os líbios na fronteira ocidental e lutou contra os hititas.

13.694 – Egiptologia


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Há mais de 4000 anos antes de Cristo, a dominação das técnicas agrícolas permitiu o surgimento de várias civilizações ao redor do mundo. No extremo nordeste da África, em uma região de características desérticas, a civilização egípcia floresceu graças aos abundantes recursos hídricos e terras férteis que se localizavam nas margens do rio Nilo.
O ciclo das águas nesta região promovia o regular transbordamento do rio que, durante a seca, deixava um rico material orgânico na superfície de suas terras. Percebendo tal alteração, os egípcios tiveram a capacidade de desenvolver uma civilização próspera que se ampliou graças às fartas colheitas realizadas. Dessa forma, temos definido o processo de desenvolvimento e expansão dos egípcios.
No campo político, os egípcios estiveram organizados através da formação dos nomos. Os nomos eram pequenas parcelas do território egípcio administradas por um nomarca. Tempos mais tarde, esses vários nomos estavam centralizados sob o poderio de um imperador. No ano de 3200 a.C., Menés, o governante do Alto Egito, promoveu a subordinação de 42 nomos, dando início ao Império Egípcio.
A sociedade egípcia era organizada por meio de critérios religiosos e econômicos. O faraó ocupava o topo desta hierarquia na condição de chefe de Estado e encarnação do deus Hórus. Logo abaixo, temos os sacerdotes como agentes organizadores dos cultos e festividades religiosas. Os nobres e escribas ocupavam uma posição intermediária realizando importantes tarefas que mantinham o funcionamento do Estado.
A base desta sociedade ainda contava com os soldados, que eram sustentados pelo governo e garantiam a hegemonia do poder faraônico através das armas. Logo abaixo, os camponeses e artesãos, que trabalhavam nas colheitas e na organização das obras públicas necessárias ao desenvolvimento agrícola e comercial. Por fim, havia uma pequena parcela de escravos que também estavam subordinados ao Faraó.
Além de conseguir prosperar economicamente pelo rígido controle da produção agrícola, podemos notar que os egípcios também produziram conhecimento e variados campos. A arquitetura, a medicina e a astronomia figuram como as mais interessantes facetas do legado científico egípcio. Vale à pena ressaltar também a escrita, que se organizava por complexos sistemas de símbolos e códigos.

10.023 – O Papiro


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Conhecido desde quarenta séculos antes da era cristã, é certamente o produto mais famoso a ser obtido da planta de mesmo nome (nome científico Cyperus papyrus). Seu uso no Antigo Egito explica-se basicamente pela sua abundância, pois era perfeitamente adaptada às margens do Nilo. A fama do papiro é mais do que merecida, pois ele que deu à humanidade um dos principais instrumentos de seu progresso, o papel. Antes disso, era empregado na fabricação ou calafetagem de embarcações, confecção de pavios de candeeiros a óleo, esteiras, cestos, cordas e cabos resistentes, grossos tecidos, sandálias e outros objetos.
De todos os materiais de suporte para a escrita na antiguidade, o papiro certamente foi o mais prático, por ser flexível e leve. Seu inconveniente era a fragilidade, pois resistia pouco tempo à umidade e queimava facilmente. O exemplar mais antigo que se conhece foi encontrado em Saqqara, na mastaba de um nobre da I dinastia (2920 a 2770 a.C.), chamado Hemaka, mas está em branco. O mais antigo exemplar escrito que se conhece é do final da I dinastia, formado por fragmentos do livro de contas de um templo de Abusir, escrito em egípcio hierático.

No tempo da II dinastia (2770 a 2649 a.C.) o papiro já era comum como suporte à escrita, sendo depois adotado por gregos, romanos, coptas, bizantinos, arameus e árabes. Grande parte da literatura grega e latina chegou até nós em papiros e continuou a ser utilizado até a Idade Média.

No Antigo Egito, produzia-se papiro a partir do caule da planta, cortado em pedaços de até 48 centímetros. Neles eram feitas incisões para retirar a casca verde e permitir a separação das películas, em lâminas finíssimas, manuseadas com cuidado para não se romperem. Estas eram estendidas em uma tábua inclinada sobre as águas para serem molhadas constantemente. Uma primeira camada de tiras era alinhada horizontalmente, e sob esta, uma segunda camada, em posição vertical, formando uma trama. A própria água do Nilo, e o esmagamento das fibras a martelo ativavam a goma natural presente na planta, o que unia as tiras. Depois de comprimidas, batidas e polidas com pedra pomes, o conjunto ficava macio e polido o suficiente para receber a escrita.
As folhas prontas mediam até 48 centímetros de comprimento por 43 centímetros de largura. As peças eram coladas umas às outras, formando grandes rolos, que recebiam hastes de madeira ou marfim em suas extremidades, formando um volume (o equivalente a um livro inteiro na antiguidade). O papiro em rolo, produto de bastante resistência, era um dos principais bens de exportação do Egito antigo e foi, sem sombra de dúvida, um dos maiores legados da época faraônica à civilização.

9359 – Egiptologia – Teorias sobre a construção das pirâmides


Pirâmides do Egito
Pirâmides do Egito

O turismo no Egito é até hoje impulsionado pela visita às pirâmides, construções majestosas erguidas sob as ordens dos faraós, soberanos que detinham a grandiosidade política, bélica e espiritual desta civilização. Estes monumentos visavam exibir o poder faraônico diante da posteridade e também ser a última morada do rei egípcio.
Quem nunca parou para pensar de que forma foram estruturados estes mausoléus e quem os edificou? E mais ainda: em quanto tempo as pirâmides foram construídas? As mais famosas são a de Quéops, a qual data de 2530 a.C, a de Miquerinos, que remonta a 2471 a.C., e a de Quéfren, erguida em 2500 a.C.
A mais grandiosa é a de Quéops; ela levou 25 anos para ser concluída. Seu projeto envolveu aproximadamente dez mil trabalhadores, os quais fixaram mais de dois milhões de blocos de pedras, sendo que cada um deles ostentava de duas a dez toneladas.
Por essas dimensões já é possível deduzir o imenso potencial da engenharia e da arquitetura do Egito. Hoje os egiptólogos já sabem que as pirâmides não foram edificadas apenas por cativos obrigados a empreender este esforço monumental, e sim por boa parte de seres livres que se empenhavam nesta tarefa por crerem na presença de uma divindade criadora nobre e bondosa.
Mas eles não precisavam aguardar por uma gratificação no País das Luzes, esfera transposta pelos homens após a morte. No fim da lida os servidores eram recompensados financeiramente. Esta é a única convicção unânime dos especialistas na história egípcia: as pirâmides não foram banhadas pelo sangue escravo, e sim pelo suor de cidadãos que gozavam de plena liberdade.
A de Quéfren também não fica atrás. Diante de seu santuário ele ordenou que fosse talhada em uma rocha de vasta extensão uma esfinge que espelhasse sua própria face, superposta a um corpo leonino. Desta forma o faraó simbolizou seu reinado, o mais expressivo da história da realeza em todo o Planeta.
E como, afinal, estas maravilhas foram edificadas? Ao longo do tempo surgiram várias teses sobre o tema. Uma delas disseminou que os grandiosos monumentos foram construídos por criaturas extraterrestres. Esta teoria é reproduzida fielmente na produção cinematográfica ‘Stargate’, de 1994, do cineasta Roland Emmerich.
Diversos arqueólogos, versados nas pesquisas sobre o Antigo Egito, argumentam que estes monumentos jamais foram erguidos por aliens. Há outras hipóteses sobre a construção das pirâmides; paralelamente a elas teriam elaborado planos inclinados exteriores que permitiriam o movimento dos blocos, os quais eram tracionados com a ajuda de cordas. Usavam-se igualmente caules de árvores nos alicerces para facilitar a locomoção dessas pedras.

9126 – A Egiptologia


A Ciência que se dedica aos estudos do Egito Antigo é chamada Egiptologia. Por se tratar de uma região rica em manifestações culturais e de importância histórica, o território egípcio desperta o interesse de pesquisadores desde a antiguidade. Um exemplo destes estudiosos é Heródoto, historiador e geógrafo grego que apresentou em suas obras as primeiras impressões sobre o Egito de que se tem notícia. Além de ter escrito a obra “Histórias”, uma das primeiras tentativas humanas de sistematizar o conhecimento de suas atividades ao longo dos anos, alcunhou uma das frases mais famosas da história: “O Egito é uma dádiva do Rio Nilo”.
Apesar disso, o desenvolvimento desta ciência ocorreu apenas durante o século XIX, depois de Napoleão Bonaparte, líder político e militar francês, ter estabelecido campanha no Egito no século XVIII. Além dos soldados que faziam parte de seu exército, Napoleão levou pesquisadores de diversas áreas ao território egípcio. Apesar de terem fracassado militarmente, o desenvolvimento cultural foi um sucesso na região, pois, após esta expedição, estudiosos lançaram livros e despertaram um enorme interesse da comunidade científica em explorar melhor o Egito Antigo. Apesar dos pesquisadores de Napoleão terem descoberto tesouros importantes para a História, não foram capazes de decifrá-los. Assim, reuniram as observações em 19 volumes, posteriormente publicadas com o nome de “Uma Descrição do Egito”.
A partir deste momento, foram realizadas escavações intermináveis no Egito, onde foram descobertos inúmeros materiais de valor histórico. Porém, duas descobertas foram primordiais para que a Egiptologia ganhasse respeito e se desenvolvesse: os hieróglifos, traduzidos por Jean-François Champollion por meio da Pedra de Roseta (século XIX) e a tumba de Tutancâmon, por Howard Carter (século XX).
No caso da Pedra de Roseta, foram revelados inúmeros segredos históricos da sociedade egípcia. Antes, os ocidentais já demonstravam grande fascínio pelo Egito. Com essa descoberta, o interesse apenas aumentou, pois, com essa quantidade de dados sobre a região, era possível entender mais sobre aquela sociedade. Já a tumba de Tutancâmon, chamava a atenção pela a quantidade de ouro que conservava. A tumba estava escondida dentro de inúmeros cômodos dourados, o que possibilitou sua conservação e impediu a ação de ladrões. Assim, o Egito torna-se um dos destinos turísticos mais procurados na Europa, pessoas começaram a utilizar adornos que remetiam ao Egito Antigo, além dos diversos estudos que eram iniciados no campo da Egiptologia.

9049 – Egiptologia – O Alto Egito


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Era uma das divisões do Antigo Egito antes de sua unificação.
Quando se estuda a civilização egípcia, considera-se que sua formação ocorreu no chamado período pré-dinástico, entre 13.000 e 10.000 anos antes de Cristo. Foi nesta época que o homem se estabeleceu na região e desenvolveu técnicas agrícolas que permitiriam a posterior formação de uma dinastia e, então, de um grande império. A região que hoje compreende os desertos do Saara e Árabe passava, naquela época, por um período de aumento de temperaturas e era frequentemente atingida por chuvas intensas. Formou-se, assim, um vale pantanoso em função do Rio Nilo que atraiu pessoas e animais para se aproveitarem das riquezas do solo.
Ao longo desse trajeto do Rio Nilo formaram-se duas divisões territoriais. O Alto Egito representava uma faixa de terra em ambos os lados do rio que se estendia por vasto território. Para pesquisadores esta divisão é muito importante para se estudar o Antigo Egito, pois, durante algum tempo, foram várias as diferenças entre o Alto Egito e o Baixo Egito.
O Alto Egito era conhecido como Ta Shemau, cujo nome significava “terra de juncos”. A primeira cidade foi Hieracômpolis, que tinha como divindade a deusa Nekhbet. Toda a região foi dividida em 22 nomos, como eram designados os distritos. O centro administrativo do Alto Egito estava na cidade de Tebas. Sua influência, contudo, diminuiu quando os assírios invadiram a cidade e a destruíram. Mais tarde, os ptolomeus comandaram o Alto Egito e estabeleceram como sede administrativa a cidade de Ptolomaida.
A cultura badariense, que surgiu no Alto Egito, foi uma das mais importantes da época e já sustentava sua economia na agricultura e na pecuária. Seus membros já tinham o costume de ser enterrados com seus bens, o que seria repetido, mais tarde, no Império Egípcio. Quando a disputa pelas terras férteis na região se agravou, a cultura badariense foi dividida em territórios distintos. No Alto Egito formou-se como resultante a cultura Nagada I estabelecendo-se uma nova capital em Nekhen.
Os conflitos entre Alto Egito e Baixo Egito se intensificaram na disputa pelas melhores terras do Nilo. Então, o rei do Alto Egito, Narmer, organizou seu exército para um ataque poderoso ao Baixo Egito, por volta de 3.200 antes de Cristo. Sua investida resultou na conquista do Baixo Egito e na unificação dos dois reinos, dando início à primeira dinastia do Império Egípcio.

6969 – Civilizações Antigas – A Ciência dos Egípcios


Escondidos sob a mística de pirâmides e maldições de múmias, os avanços científicos e culturais dos povos do Antigo Egito costumam surpreender mesmo a quem se considera iniciado no assunto. Diversas descobertas atribuídas a europeus pós-Renascimento fizeram parte do cotidiano daqueles que viveram às margens do Nilo muitos séculos antes de Cristo. O histórico dessa lacuna científica é complexo, rende livros e mais livros. Mas o fato é que muitas coisas que se acredita serem méritos de um passado recente na verdade são muito, mas muito mais antigas que as nossas tataravós.
Uma das revelações mais impressionantes ao estudar a herança do Antigo Egito é seu desenvolvimento em medicina e farmacologia. Em O Legado do Antigo Egito, o egiptólogo Warren R. Dawson, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, cita papiros médicos datados de até mais de 40 séculos atrás retratando procedimentos médicos e remédios usados até hoje por profissionais da área de saúde. Substâncias como óleo de rícino, ácido acetilsalicílico, própolis para cicatrização e anestésicos já eram conhecidas. Os documentos descrevem cirurgias delicadas, o engessamento de membros com ossos quebrados e todo o sistema circulatório do corpo humano.
O desenvolvimento da medicina foi motivado, principalmente, pela quebra de um mito em relação à violação do corpo humano. Outros povos da época, como sumérios e assírios, acreditavam que, se o corpo fosse aberto, a alma escaparia. É claro que isso sempre foi um impedimento para experimentos médicos.
Entre os egípcios, no entanto, deu-se justamente o oposto.
Eles acreditavam que para alcançar vida eterna a alma de seus mortos precisava de um corpo. Por isso, desenvolveram o que chamamos genericamente de mumificação.
A mumificação, na verdade, é um conjunto de procedimentos químicos e físicos que visava a preservação dos corpos .
Tais processos exigiam a retirada cirúrgica de alguns órgãos internos, que eram separados uns dos outros. Em alguns casos, eles eram tratados e recolocados no lugar. Com isso, os egípcios passaram a conhecer o interior do corpo humano de uma forma inédita até então. Localizaram cada órgão e estudaram a relação entre eles. Embora estivessem errados em algumas de suas conclusões – eles acreditavam que o coração comandava nossos pensamentos – eles descobriram várias coisas que podiam ser aplicadas aos vivos.
Um dos melhores exemplos disso é o conhecimento sobre o sistema circulatório. O corpo de Ramsés II (1279 a 1212 a.C.) teve suas veias e artérias retiradas, mumificadas e recolocadas. O hábito de tomar o pulso do paciente como forma de avaliar sua saúde é descrito no papiro Ebers, datado de 1550 a.C. “O batimento cardíaco deve ser medido no pulso ou na garganta”, dizia o antigo documento, certamente um dos primeiros livros de medicina do mundo. Essa é outra inovação egípcia. Eles anotavam tudo nos chamados papiros médicos (alguns desses documentos serão citados no decorrer desta reportagem). Segundo Dawson, o conhecimento médico até então considerado era sagrado e geralmente transmitido por tradições orais. Os registros eram raríssimos. No Egito, a intensa documentação sobre os procedimentos médicos permitiu que esse conhecimento fosse passado com maior exatidão – embora não menos sagrado.
O conhecimento da circulação sanguínea é responsável por um costume que persiste até hoje: o uso da aliança de casamento. Para os egípcios, do coração partiam veias que o ligavam diretamente a cada um dos membros. Na mão esquerda, essa veia terminava no dedo anular. Acreditando que o coração era o centro de tudo e que ele está ligeiramente deslocado para o lado esquerdo do peito, os casais passaram a colocar uma fita no dedo anular esquerdo como forma de prender o coração do amado.
A mumificacão mudou muito nos mais de 3 mil anos em que foi praticada. Com ela, evoluiu também o conhecimento que tinham do cérebro. As primeiras descrições do processo indicam que o cérebro era retirado pelo nariz e jogado fora junto com o conteúdo dos intestinos dos mortos. Mas, com o tempo, os egípcios passaram a relacionar o funcionamento do órgão com a coordenação motora. Há descrições completas de procedimentos cirúrgicos intracranianos nos papiros do século 15 a.C. No entanto, só recentemente, em 2001, especialistas da Universidade de Chicago, Estados Unidos, que realizaram tomografias em ossadas encontradas em Saqqara, um dos sítios arqueológicos mais importantes do Egito, conseguiram demonstrar casos em que os crânios abertos cirurgicamente apresentavam indícios de cicatrização, o que leva a crer que o paciente sobreviveu à operação. E melhor: ele não deve nem ter sentido muita dor.
O uso de anestésicos era prática comum dos médicos da época. O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ) Mário Curtis Giordani cita em seu livro História da Antiguidade Oriental um processo de adormecimento de partes do corpo feito com a utilização de uma mistura de pó de mármore e vinagre. Antonio Brancaglion destaca os anestésicos à base de opiáceos que eram ingeridos. Esses antecessores da morfina só voltaram a fazer parte dos procedimentos cirúrgicos cerca de três séculos atrás, na Europa. Os egípcios dominavam métodos avançados para amputação de membros e cauterização e davam pontos para fechar incisões. Acredita-se que foram os primeiros a utilizar essa técnica. Os médicos eram especializados como nos dias de hoje. Quem cuidava de fraturas não mexia com problemas de pele. A especialização incluiu o aparecimento dos odontólogos. Os dentistas já usavam brocas, drenavam abscessos e faziam próteses de ouro.
Outro avanço da medicina egípcia foram os métodos contraceptivos. A maioria deles consistia na aplicação de emplastros espermicidas na vagina. O papiro Ebers relata que “para permitir à mulher cessar de conceber por um, dois ou três anos: partes iguais de acácia, caroba e tâmaras; moer junto com um henu de mel, um emplastro é molhado nele e colocado em sua carne.” Um “henu” equivale a cerca de 450 mililitros. “A acácia continha goma arábica, que com a fermentação e a dissolução em água resulta em ácido lático, ainda hoje utilizado em algumas geléias contraceptivas. O mel, que também aparece no papiro Kahun, pode ter tido alguma eficácia. “Seu efeito tende a diminuir a mobilidade do espermatozóide.
Quando havia suspeita de gravidez eram feitos testes com a urina. “A mulher urinava em um recipiente em que havia uma variedade de cevada. Se ela germinasse, a gravidez estava confirmada”.
A medicina não foi a única ciência em que os egípcios se desenvolveram. Eles foram engenheiros notáveis em química, construção civil, naval e hidráulica. “Nem sempre é possível afirmar que tenham sido precursores nesta ou naquela descoberta”, afirma Antonio, “pois a pesquisa nunca termina. Baseando-se no que se encontrou até hoje, dá para concluir que eles foram os primeiros em diversas tecnologias.”
Na navegação, há fortes indícios de que alguns dos louros atribuídos aos fenícios precisam ser divididos com os egípcios. A vela mais antiga de que se tem notícia, por exemplo, é egípcia e foi encontrada dobrada dentro de uma múmia em Tebas, de cerca de 1000 a.C. Os mais antigos modelos de barcos a vela dos fenícios de Tiro e Cartago datam do século 8 a.C. Os egípcios foram os primeiros a projetar barcos pensando previamente no destino que eles teriam. Modelos militares eram diferentes dos cargueiros, que por sua vez não se pareciam com os utilizados para lazer ou cerimônias religiosas. Eles criaram os melhores barcos militares e a frota mais veloz. A chamada nau de Quéops, com 47 metros de comprimento e datada da Quarta Dinastia (2589 a 2566 a.C.), é a mais antiga embarcação desse porte encontrada até hoje. Num barco ainda maior, durante o governo do Necho II (610 a 595 a.C.), eles já haviam realizado a circunavegação da África.
Quem acredita que o primeiro navegador a dobrar o cabo das Tormentas, no sul da África, foi o português Bartolomeu Dias, em 1488, precisa rever seus conceitos.
Os armadores egípcios conheciam as propriedades de expansão da madeira, rigidez e durabilidade. Tais conhecimentos eram vitais na construção de embarcações capazes de sustentar blocos de pedras com mais de 80 toneladas.

Um dos feitos mais impressionantes dos engenheiros do Antigo Egito foi a construção de um antecessor do atual Canal de Suez. “Em aproximadamente 2500 a.C. os egípcios construíram uma eficiente passagem ligando o mar Vermelho ao Mediterrâneo, como os europeus vieram a fazer em 1869.”
O Nilo, artéria que era a própria vida do Antigo Egito, desde os primeiros povos que se instalaram na região, cerca de 5500 a.C, foi também uma importante fonte de pesquisa e avanços científicos. Os egípcios sabiam da importância do rio como via de transporte e de sua relação com a preservação e manutenção das terras férteis ao longo do vale. As cheias eram vistas como benéficas pelos egípcios e não como uma vingança dos deuses, como na Mesopotâmia. O livro do professor Mário Giordani mostra o uso de instrumentos para medir a variação das cheias (nilômetros), relata os conhecimentos sobre fertilizantes naturais, como esterco, o trabalho das minhocas e a própria lama do Nilo, que era transportada para áreas a princípio estéreis. Foram os primeiros também a utilizar o arado manual.
Por volta de 2300 a.C. eles já aplicavam técnicas de irrigação artificial, por meio de canais com vazão controlada. Criaram um sistema de bombeamento de água chamado shaduf. Consistia em um processo elevatório que levava a água até locais naturalmente não inundados, para aumentar a área produtiva. O shaduf é usado até hoje, principalmente no bombeamento de pequenas quantidades de água ou situações em que o custo da implantação de sistema automático não é compensador. A roda para bombear água movida a tração animal também vem do Egito, no tempo dos romanos, entre 30 a.C. e 395 d.C.

Os egípcios são considerados precursores do uso de pedras para obras em larga escala. Os primeiros registros datam de quase 5 mil anos atrás. Na Terceira Dinastia, por volta de 2700 a.C., já se cortavam pedras no tamanho e no formato dos tijolos atuais. As construções em rocha e a precisão nos cortes mostram os conhecimentos geológicos avançados dessa civilização. Eles já sabiam que a dureza das rochas variava conforme sua composição mineralógica e que elas tinham pontos frágeis em sua estrutura, por meio dos quais se aplicavam as técnicas de corte. Nas fissuras eram introduzidos instrumentos de madeira, posteriormente molhados. Expandidos, eles forçavam a quebra da rocha no ponto desejado. Os egípcios criaram também os primeiros serrotes de metal. Eram utilizados em rochas menos duras, como o calcário.
Desenvolveram técnicas de polimento com areia e modernas formas de encaixe, tanto da madeira quanto da pedra. “Recortes tipo macho e fêmea vieram daí”, afirma Antonio. “O pó que sobrava do corte e polimento das rochas era misturado a cal, gesso e água, formando uma massa usada para tapar buracos ou corrigir irregularidades nas paredes: um antepassado do cimento.” Ainda na construção civil, os discípulos dos faraós foram os primeiros a estudar profundamente o solo para a colocação de fundações e a construir sistemas de calhas para escoamento da água da chuva.
A estrutura de dutos e calhas também era montada no campo, para evitar deslizamentos de terra e inundação de áreas férteis pela chuva que escorria das encostas. A primeira barragem pluvial de que se tem notícia data do final da Segunda Dinastia (2750 a.C.). Tinha 10 metros de altura e 1,5 quilômetro de extensão. Cedeu numa tempestade quando estava em fase final de construção. A engenharia egípcia também foi a primeira a utilizar réguas, esquadros e prumos. Eles foram os inventores do vidro moldado, processo ainda presente em alguns setores da fabricação de vidro opaco. A técnica do sopro foi desenvolvida posteriormente na Mesopotâmia. A base da tecnologia da fundição do bronze e de outros metais no mundo todo também veio do Antigo Egito.

Além de estudiosos da Terra, os egípcios gostavam de desvendar os mistérios do céu. O mapeamento celeste foi feito por egípcios e mesopotâmicos. Aos egípcios coube o reconhecimento das estrelas para contar as horas de noite e a montagem do primeiro calendário solar, com 365 dias em 12 meses. Foram eles também que dividiram o dia em 24 horas, 12 para a noite e 12 para o dia. Identificaram planetas como Vênus e Marte e estrelas como Sirius e Órion e localizaram o norte pelo posicionamento das estrelas.
Os egípcios foram químicos valiosos. Pioneiros na indústria de perfumes e excelentes técnicos na área de cosméticos – a maquiagem tinha uma grande importância para a saúde, pois sua composição protegia a pele dos efeitos do sol –, eles foram os primeiros a fabricar uma tinta sintética. “Os artistas usavam tintas com base mineral em vez de vegetal, como faziam outros povos. O branco vinha do cal, o amarelo do ferro, o preto do carvão e assim por diante. Muita gente pensa que o azul vinha do lápis-lazúli moído, o que não é verdade. Essa rocha gera pó branco e não azul. Para chegar ao azul eles misturavam óxidos de cobre e cobalto com bicarbonatos de sódio e cálcio e fundiam a mais de 700 graus Celsius.

A complexidade da escrita hieroglífica
Os hieroglifos chamam atenção pela beleza de seus traços e pela riqueza de detalhes. Juntamente com os ideogramas chineses, eles atraem o olhar de muita gente que não faz a menor idéia de seu significado, mas que propaga seu uso em objetos de decoração e adornos. Com sintaxe complexa, os hieroglifos surgiram entre 3500 e 3000 a.C. e eram usados em escrituras oficiais e religiosas.
Um professor de História Antiga e Medieval da Universidade Federal Fluminense, afirma que os hieroglifos têm três tipos de representação. “Eles podiam aparecer como signos fonéticos indicando um, dois ou três sons equivalentes a consoantes ou semiconsoantes, já que as vogais não eram representadas; como complementos fonéticos da leitura ou ainda como signos puramente ideográficos”. Por exemplo: um homem sentado podia indicar que a palavra anterior se referia a alguém do sexo masculino, sem que essa representação tivesse algum valor fonético. “Cada palavra egípcia tem uma raiz invariável, à qual se agregam desinências indicativas de gênero, número, flexões verbais. Essas indicações vêm sempre no fim da palavra”. A elipse alongada (cartouche) em torno dos nomes ou referências dos reis indica proteção divina. Na inscrição relativa a Tutancâmon, o primeiro cartouche contém o nome de trono do monarca. O segundo, seu nome pessoal e o terceiro, sua função. As frases podiam ser escritas em colunas ou linhas e a direção da leitura era indicada pelos signos que representam os seres animados (insetos e aves, por exemplo), que sempre olham para o início da frase. Em geral, o egiptólogo tem de separar as palavras e frases entre si pela lógica ortográfica e gramatical do período em que o texto se gerou. s egípcios procuravam mostrar os signos de maneira estética, em função disso dispunham-nos às vezes em cima um do outro ou até mesmo superpondo-os.

5192 – De volta ao tempo dos faraós?


Se a moda pega, os mortos, daqui para a frente, vão se transformar em múmias em vez de ser sepultados ou cremados.
A invenção é dos seguidores da seita religiosa Summum, sediada em Salt Lake, Estados Unidos. Por enquanto, apenas animais domésticos passaram para a eternidade embrulhados à maneira dos egípcios. Mas 137 pessoas já pagaram adiantado pelo serviço, que custa cerca de 110 000 reais per capita. Quando morrerem, elas deverão ser as primeiras múmias modernas. “Nenhuma outra organização faz mumificação atualmente, somente a nossa”, declarou à agência de notícias ABCNews o líder supremo da Summum, Corky Ra. Ele diz que o processo atual conserva muito bem os corpos, que são cobertos por camadas finas de poliuretano, fibra de vidro e resina vegetal, além das tiras de gaze tradicionais.
Se os mortos passarem a ser mumificados, daqui para a frente, ficarão muito mais bem preservados do que o corpo deste faraó, que se acredita ser Ramsés I.
Mito
O físico italiano Galileu Galilei (1560-1640) não realizou as experiências que o levaram a criar a lei da inércia, aquela que diz que, se um corpo no vácuo não for perturbado, ficará parado ou manterá sempre a mesma velocidade.
Fato
Galileu fez, sim, as experiências mas obteve dados imprecisos. Delas não poderia ter deduzido a lei da inércia. Assim, apoiou-se muito mais na intuição do que na lógica científica. E deu certo.

4791 – A Maldição do Faraó


Múmia não assusta, fungo sim.

Uma sucessão de coincidências macabras criaram um mito. Em 1923, foi aberta a tumba do faraó Tutankamon, no Vale dos Reis, uma região a 500 km ao sul do Cairo. A série de tragédias foi assustadora: em 6 anos morreram 22 exploradores que participavam das escavações. Uma das vítimas foi o lorde inglês George Carnavon (1866-1923) que financiou os arqueólogos. Ele bateu as botas 6 semanas após a violação da tumba. A hipótese é contaminação por fungos, já que o lugar esteve fechado por 3 mil anos.

4072 – Arqueologia – Cemitério de operários


Durante uma cavalgada nas areias do Egito, uma turista americana acabou afundando até cair em uma tumba. Era a primeira de uma série que vem sendo escavada por especialistas, entusiasmados com a descoberta de um cemitério dedicado aos construtores das grandes pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos. Por enquanto, já foram desenterrados mais de 100 túmulos; no entanto, há quem estime que serão encontrados cerca de 100 000 deles , até o final das escavações.
As inscrições e objetos nas tumbas revelam que as múmias são de verdadeiros mestres de construção, decoração e escultura. Eram homens livres, a quem os faraós concediam o privilégio de serem enterrados nas proximidades de suas obras-primas, as pirâmides. Estudos mostram ainda que a maioria deles não chegava a completar 40 anos de idade e tinha sérios problemas de coluna, provavelmente por causa de tarefas braçais, como carregar pedras.

3578 – Egiptologia – A construção das pirâmides egípcias


Grande Esfinge

Nem ETs nem multidões. Apesar de algumas teorias falarem em milhares de escravos – Heródoto, historiador grego do século 4 a.C., apostava em 100 mil – os arqueólogos Mark Lehner e Zahi Hawass dizem que não havia espaço físico para tanta gente trabalhar ao mesmo tempo
Quem trabalhou na construção?
Nem ETs nem multidões. Apesar de algumas teorias falarem em milhares de escravos – Heródoto, historiador grego do século 4 a.C., apostava em 100 mil – os arqueólogos Mark Lehner e Zahi Hawass dizem que não havia espaço físico para tanta gente trabalhar ao mesmo tempo. Suas pesquisas sugerem que, mesmo a maior pirâmide, a de Kufhu (com 148 metros de altura), demandou “só” 25 mil trabalhadores.
Como era o esquema do trabalho?
Vinte mil empregados eram temporários e os outros, fixos e assalariados. Eles eram alocados de acordo com suas habilidades e divididos em turmas de 200 pessoas, que se revezavam em turnos. A construção funcionava 24 horas por dia e, mesmo assim, Kufhu levou 20 anos para ficar pronta. O salário era pago em “rações” (em média, 10 pães e um copo de cerveja por dia).
Os trabalhadores gostavam do serviço?
A maioria. Os temporários, que ficavam em Gizé por volta de 4 anos, vindos de cidades rurais do Egito, voltavam às suas províncias se vangloriando do que tinham aprendido. Eles também tinham consciência de que estavam construindo a história do seu país.