13.951 -☻Mega Polêmica Bíblica


bíblia
Das páginas da Bíblia para o ☻Mega

TROCA DE ESPOSAS

LIVRO – Gênesis, capítulo 21, versículos 1-14

QUESTÃO – Ciúme e vingança

O patriarca Abraão, sua mulher, Sara, e a escrava Agar viveram um triângulo amoroso complicado. Sara era estéril e, ao passar dos 70 anos, sugeriu ao marido que tomasse uma nova esposa. Agar foi a escolhida e deu à luz Ismael, mas Sara se arrependeu. Engravidou 14 anos depois, teve Isaac e, enciumada, exigiu a expulsão da rival e do filho dela. Supostamente, a briga rende até hoje: Ismael teria dado origem ao povo árabe, e Isaac, ao povo judeu.

Adultério, vingança e assassinato
A história de João Batista, primo de Jesus, vale como alerta: cuidado onde você mete seu bedelho. João reprovava o caso entre Herodes Antipas, rei da Galileia, e a cunhada dele, Herodias. No aniversário do monarca, sua enteada Salomé o presenteou com uma dança sensual. Em troca, Herodes prometeu a ela o que quisesse. Ela não hesitou: exigiu a cabeça de João numa bandeja.

Sofrimento desnecessário
Às vezes, para ensinar uma lição, Deus pode propor testes de fé bem árduos. Foi o que rolou com Jó, um homem justo e íntegro. Satanás apostou com Deus que, se Jó perdesse suas riquezas, voltaria-se contra o Criador. Deus topou. Autorizou que seu adversário lançasse várias pragas contra Jó: ele perdeu os filhos, teve os bens roubados e ficou coberto de úlceras. Mas nunca blasfemou contra os céus. Sensibilizado, Deus restituiu, em dobro, tudo o que possuía.

Genocídio
Guerras com motivações religiosas sempre causaram polêmica. Mas não na Bíblia. A mais sangrenta, do bisneto do rei Salomão, Asa, contra o monarca etíope Zara, matou mais de 1 milhão de pessoas! E com a bênção divina: “É em teu nome que marchamos contra essa multidão!”, clamou Asa antes de atacar com apenas metade de seu exército.

Sexo e assassinato
Nos tempos bíblicos, era comum a prática do levirato: quando um homem morria sem herdeiros, seu irmão casava-se com a viúva e seus filhos eram considerados descendentes do morto. Mas nem todos aprovavam a ideia. Onã se rebelou e, em vez de engravidar a cunhada Tamar, praticava o coito interrompido, ou seja, “derramava seu sêmen por terra”. Deus não gostou e tirou sua vida. Foi daí que surgiu o termo “onanismo”, sinônimo de masturbação.
Sexo
Abraão pediu a um servo para achar uma mulher para seu filho Isaac, como era costume. O curioso é que o acordo foi selado conforme a tradição: o servo colocou “a mão sob a coxa” de Abraão – ou, dizem os estudiosos, segurou seus testículos. Isso porque a circuncisão (remoção da pele sobre o pênis) era sinal da aliança divina (“testículo” vem do latim testis, que também originou “testemunha”).

Poligamia
Salomão entrou para a história como um homem inteligente e justo. Mas ele tinha outros atributos. Segundo a Bíblia, o filho de Davi teria tido 700 esposas. E, por fora, ainda pegava mais 300 concubinas. Segundo historiadores, o harém devia-se, em parte, aos casamentos com estrangeiras por motivos diplomáticos. Entre as esposas, havia gente de todos os lugares: hititas, moabitas, edomitas…

Fratricídio
Irmãos nunca se deram muito bem na Bíblia – vide casos como Caim e Abel, Isaac e Ismael e Esaú e Jacó. Mas o maior fratricida das escrituras é Abimelec. Para assumir o trono, o filho de Gedeão matou ou mandou matar 69 de seus 70 irmãos. Só o caçula, Joatão, escapou – e isso porque fugiu. Mas o reinado de Abimelec não durou. Três anos depois, morreu ao levar uma pedrada na cabeça.

Incesto
Revoltado com as bizarrices sexuais que rolavam em Sodoma e Gomorra, Deus destruiu ambas as cidades. Ló, sobrinho de Abraão que morava em Sodoma, conseguiu escapar com suas duas filhas e se escondeu em uma caverna. Certas de que eram as últimas mulheres da Terra, as jovens tomaram uma atitude chocante: encheram a cara do pai de vinho e mantiveram relações sexuais com ele por duas noites seguidas. Do incesto, nasceram Moab e Ben-Ami.

Crueldade
Você acha que seu sogro é barra pesada? É porque não conheceu o patriarca Saul. Sua filha caçula, Mical, estava apaixonada por Davi. Só que Saul considerava o futuro genro um rival na luta pelo poder central entre Judá e as tribos do norte. Para impedir o matrimônio, o velho teve uma ideia: pedir um dote de casamento que Davi não conseguiria pagar. Exigiu então 100 prepúcios (aquela pele que cobre a extremidade do pênis) de soldados filisteus. O rapaz deve ter estranhado, mas, em vez de 100, trouxe logo 200. Sem alternativa, Saul teve de entregar a mão da filha.

13.950 – Mega Polêmica Bíblica – Em Êxodo 4,24, Deus procura matar a Moisés (?)


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“Aconteceu que no caminho, numa hospedaria. Iahweh veio ao seu encontro e procurava fazê-lo morrer. Séfora tomou uma pedra aguda e cortou o prepúcio de seu filho, feriu-lhe os pés e disse: “Tu és para mim esposo de sangue”. (Êxodo 4,24) Bíblia de Jerusalém.
Explicação do Catolicismo:
De fato a circuncisão (própria para os povos do deserto) e para o povo hebreu sinal da pertença e da Aliança de Deus com seu povo, não estava sendo observada por Moisés, se pode imaginar que este fato tenha atraindo a ira divina. O gesto de sua mulher Séfora tenta apaziguar a ira divina. Ela apanhando uma pedra cortante, circuncida seu filho Gérson.
O que faz Séfora indica o motivo do desagrado de Deus. Séfora realiza no filho deles (Gérson) a circuncisão, usando uma pedra cortante. A circuncisão, apesar de ainda não existir na lei de Deus escrita, era praticada pelo povo de Deus por conta da ordem de Deus a Abraão:
“Eis a minha aliança, que será observada entre mim e vós e tua raça depois de ti: que todos os vossos machos sejam circuncidados” (Gênesis 17,10) Bíblia de Jerusalém
O que percebemos com isso é que Moisés e Séfora não haviam observado esse sinal da aliança (a circuncisão realizada nos meninos de oito dias) por algum motivo que não o texto de livro do Êxodo não relatado. O texto mostra que Séfora circuncida o filho Gérson e simula uma circuncisão em Moisés tocando o sexo dele (o texto fala em “seus pés: ) com o prepúcio da criança. Tentando apaziguar a fúria divina.
O episódio foi educativo por parte de Deus”, então Séfora e Moisés souberam que essa negligência partiu deles: “Assim, o SENHOR o deixou. Ela disse: Esposo sanguinário, por causa da circuncisão” (Êxodo 4,26).

Concluindo:
O episódio nos ensina a grande importância que Deus dá ao testemunho de Seus servos escolhidos para uma missão. Moisés, sendo um servo de Deus, deveria observar detalhadamente as exigências de Deus, não podiam ser omisso em nada. A vida de Moises estava sendo testada ele não podia anunciar a palavra de Deus e na prática viver de outra forma.

13.949 – O Que é Ágio e Deságio?


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Ágio é o valor adicional de um título ou produto, já o deságio é uma aquisição feita em um preço abaixo do mercado.
A expressão ágio é mais utilizada na compra e venda de títulos, mas também se refere a qualquer operação comercial. Quado o governo vai privatizar uma estatal por exemplo, é fixado um valor mínimo, mas para ganhar a licitação os empresários oferecem valores maiores, nesse caso a diferença é o ágio.
Deságio é o oposto, quando um título é adquirido por um preço abaixo do nominal, ou seja a diferença entre ambos.
Exemplo: Você compra um carro por 35 mil reais e um ano depois vende o mesmo carro por 33 mil, a diferença de 2 mil é o deságio.
Portanto:
Quando alguém compra um produto em parcelas, normalmente são cobrados juros mensais sobre cada prestação, causando uma diferenciação entre o valor à vista da mercadoria e o preço total pago no final do parcelamento. Está diferença entre os valores é chamada de ágio, ou seja, o dinheiro adicional que foi cobrado pelo produto na forma de juros.
Outro exemplo didático de como o ágio pode ser aplicado pode ser visto nos processos de leilões. Quando determinada peça vai à leilão, ela é adquirida e ofertada por um valor mínimo. Quando este valor é ultrapassado, todo o montante restante é considerado ágio do produto. Neste caso, o termo ágio está relacionado com o lucro.
Ágio ainda pode ser a diferença da cotação da moeda de um país em comparação a de outro.

13.948 – Explosão Demográfica – Os Países Mais Populosos do Mundo


1. China: 1.384.688.986 habitantes
2. Índia: 1.296.834.042 habitantes
3. Estados Unidos: 329.256.465 habitantes
4. Indonésia: 262.787.403 habitantes
5. Brasil: 208.846.892 habitantes
6. Paquistão: 207.862.518 habitantes
7. Nigéria: 195.300.34 habitantes
8. Bangladesh: 159.453.001 habitantes
9. Rússia: 142.122.776 habitantes
10. Japão: 126.168.156 habitantes

Nota: O Brasil é o 5º em população e também o 5º em extensão territorial.

china população

Dados da China:
A China possui, atualmente, a maior população do planeta, com mais de 1,3 bilhões de pessoas.
Em virtude dessa preocupação, o governo adotou um severo controle demográfico na China a partir dos anos 1970 chamado de política do filho único. Segundo essa lei, cada casal poderia ter apenas um filho, de modo que a geração de um segundo filho poderia acarretar severas punições por parte do Estado, incluindo o pagamento de multa.
Estima-se que esse controle da população chinesa tenha sido responsável por evitar um aumento de 400 milhões de pessoas no país ao longo dos últimos 25 anos. Todavia, esse modelo sofreu pesadas críticas no âmbito internacional. A principal delas envolve um conjunto de acusações contra o governo chinês, que estaria violando os direitos humanos ao suprimir, à força, o segundo filho dos casais por meio de infanticídios, abortos e esterilizações forçadas. Um documentário gravado pela BBC de Londres – chamado de China, os quartos da morte – também apresenta um quadro de denúncia com fortes imagens supostamente gravadas em orfanatos chineses onde bebês do sexo feminino eram abandonados e mortos.
Existem, no entanto, algumas exceções aplicadas à política do filho único na China. Na zona rural, por exemplo, é muitas vezes permitido o segundo filho de um casal, sobretudo quando o primeiro é uma mulher. Isso porque o país considera que o campo, acima de tudo, precisa suprir com sua força de trabalho as necessidades alimentares de toda a população do país. Algumas etnias específicas, como os tibetanos, também possuem exceções à política do filho único do país.
O crescimento demográfico chinês vem diminuindo consideravelmente. Tanto é que a Índia, segundo país mais populoso do mundo, com mais de um bilhão de pessoas, deverá ultrapassar a China em termos populacionais nas próximas décadas, a não ser que esse país também adote severas leis de controle populacional.
Por outro lado, o governo chinês vem encontrando problemas demográficos resultantes da desaceleração do crescimento vegetativo do país. O primeiro deles é a bomba demográfica do envelhecimento, que resultaria do aumento da proporção do número de idosos, o que acarreta sérios desequilíbrios previdenciários. Esse problema, atualmente vivido na Europa e no Japão, seria mais duramente sentido na China, que ainda se encontra em nível de subdesenvolvimento, com muitos problemas sociais.
Por essa razão, o governo, nos últimos anos, vem flexibilizando a política do filho único para conter o problema do envelhecimento populacional na China. Afinal, estima-se que a proporção de trabalhadores e aposentados caia de 5 por 1 para 2 por 1 até o ano de 2030 caso nenhuma medida seja tomada. Além dos problemas com a previdência social, o país também deve sofrer com a queda da mão de obra (um dos principais atrativos atuais do país para os investimentos estrangeiros) e a consequente queda do consumo, trazendo a perspectiva de desaceleração do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).
Apesar desse cenário, as mudanças atuais ainda são tímidas, com a permissão de um segundo filho para os casais que assim o desejam. Além do mais, muitos analistas demográficos vêm apontando que as próprias famílias chinesas (sobretudo as que possuem melhores condições de vida) estão recusando-se a ter esse segundo filho. Caso isso continue, o governo chinês, contraditoriamente, deverá incentivar o crescimento demográfico a fim de evitar que sua população envelheça demasiadamente nas próximas décadas.

13.947 – A Inflação e a Deflação


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A inflação é um aumento continuado e generalizado no valor dos preços dos bens e serviços. Este aumento geral e persistente dos preços resulta na diminuição do poder de compra de uma moeda.
A taxa da inflação é calculada pelo Índice de Preços no Consumidor que demonstra a variação de preços de um cabaz de cerca de 150 de produtos, um capaz de compras representativo do consumo das famílias de um país ou de um grupo de países.
Uma inflação baixa e constante estimula o investimento e o crescimento econômico. Uma inflação elevada diminui o poder de compra das famílias.
A inflação já foi um grande problema para a economia brasileira, merecendo sempre grande atenção do governo e da sociedade.
A partir da década de 1980, vários planos fracassaram na tentativa de impedir o seu avanço. Mas desde 1994, com a implantação do Plano Real, ela está relativamente sobre controle, ficando atualmente entre 4 a 5% ao ano.

Deflação: o que é?
A deflação é a descida generalizada do preço dos bens e dos serviços num largo período de tempo.
Ela pode ser causada por diversos fatores, com origem num desequilíbrio entre a procura e a oferta. Com a deflação regista-se um adiamento de decisões de consumo, com os consumidores a esperarem que os preços desçam ainda mais e com as empresas a venderem menos.
A curto prazo, ela pode ser positiva, já que o poder de compra dos consumidores cresce, mas se houver recessão, a médio e longo prazo surgem problemas como a queda dos salários, do rendimento e dos empregos.

Qual a diferença entre inflação e deflação?
A inflação é então uma realidade inversa à deflação.
Na inflação dá-se a subida generalizada dos preços dos bens e serviços, do nível médio dos preços na economia.
Na deflação existe uma redução prolongada do Índice de Preços no Consumidor, do nível médio dos preços na economia.
Na inflação o valor de uma moeda diminui, não se conseguindo comprar o mesmo que se comprava antes da subida dos preços.
Na deflação o valor de uma moeda aumenta, conseguindo-se comprar mais do que se comprava antes da descida dos preços.
Quando a inflação diminui de 5% ao mês para -2%, por exemplo, pode-se afirmar que houve deflação, já que neste caso a inflação registou um valor negativo.

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13.946 – Mega Economia – O que é o PIB?


pib-pnbÉ o principal medidor de crescimento econômico de uma região.
Esse indicador nada mais é do que a somatória de todos os bens e serviços, ou seja, de toda a riqueza gerada em um determinado período.
PIB = CONSUMO PRIVADO + INVESTIMENTOS TOTAIS FEITOS NA REGIÃO + GASTOS DO GOVERNO + EXPORTAÇÕES -IMPORTAÇÃO, se houver inflação ela será contabilizada.
O Produto Nacional Bruto (PNB) faz referência à soma de todas as riquezas produzidas por uma nação/país durante determinado período, em território nacional ou não. As empresas que possuem filiais no exterior também são consideradas por esse indicador.
O PNB distingue-se do PIB especialmente pela Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE), que é considerada no cálculo do PNB e excluída do cálculo do PIB. O RLEE é a diferença entre valores enviados ao exterior e os valores recebidos do exterior a partir de fatores de produção.
Vale ressaltar também que o PIB não é utilizado apenas como indicador econômico de países. São divulgados anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dados do PIB de estados e municípios. Esse indicador também pode ser utilizado para avaliar o montante de riqueza produzida por uma região de um país ou um conjunto de países, como um bloco econômico.
O cálculo do PNB é feito da seguinte maneira:
PNB = PIB – RLEE
Os países desenvolvidos costumam ter PNB maior que o PIB. No caso brasileiro, o PNB é menor que o PIB, uma vez que a RLEE é negativa, ou seja, envia-se mais recurso ao exterior do que se recebe.
Outro indicador econômico utilizado, em especial para avaliar a qualidade de vida de uma população, é o PIB per capita, que é a somatória da riqueza de um país ou região dividida pelo número de habitantes. Há países que possuem um Produto Interno Bruto elevado, entretanto, por serem muito populosos, têm um PIB per capita baixo, se comparados a outros países.
O consumo depende dos salários e dos juros. Se as pessoas ganham mais e pagam menos juros, o consumo é maior e o PIB cresce. Com salários baixos e juros altos, o gasto pessoal cai e o PIB também. Apesar de ser um dos principais medidores da economia, o PIB é pouco conhecido da maioria da população.
Muita gente desconhece o impacto que tais números tem sobre o seu dia a dia.

13.945 – Energia – A Usina de Paulo Afonso


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O Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso é um conjunto de usinas, localizado na cidade de Paulo Afonso, formado pelas usinas de Paulo Afonso I, II, III, IV e Apolônio Sales (Moxotó), que produz 4.279,6 megawatts de energia, gerada a partir da força das águas da Cachoeira de Paulo Afonso, um desnível natural de 80 metros do Rio São Francisco. Sendo assim, o Complexo de usinas de Paulo Afonso tem a terceira maior capacidade instalada dentre as usinas do Brasil, perdendo apenas para Belo Monte (11.233 MW) e Tucuruí (8.000 MW), já que Itaipu com 14.000 MW é binacional (Brasil/Paraguai).
Construída na década de 1950 foi um marco para a engenharia brasileira, visto que foi necessário controlar e reverter o fluxo do Rio São Francisco, numa obra de engenharia sem tamanho para aquela época, para então iniciar-se o processo de construção da barragem da primeira usina (Paulo Afonso I), depois inaugurada pelo presidente Café Filho em 15 de janeiro de 1955.

13.944 – Novo exame de sangue pode detectar Alzheimer com 16 anos de antecedência


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O teste foi criado com base no nível de uma proteína específica no sangue, chamada de mudança de luz do neurofilamento (NLC, na sigla em inglês), que faz parte da estrutura interna das células nervosas.
Segundo os pesquisadores, se as células nervosas forem danificadas, a proteína vaza para o líquido cefalorraquidiano – fluido aquoso que envolve o cérebro e a medula espinhal – e depois para o sangue.
A detecção de altos níveis de NLC no líquido cefalorraquidiano é um bom indicador dos danos às células cerebrais, mas a obtenção desse fluido requer uma punção lombar. Ou seja, envolve a inserção de uma agulha na parte inferior da coluna, método desagradável para muitos pacientes. Com isso, os cientistas decidiram ver se taxas elevadas de NLC eram detectáveis ​​em amostras de sangue.
Para realizar o experimento, a equipe recrutou parentes com variantes genéticas raras que causam o desenvolvimento de Alzheimer, entre 30 e 50 anos. Isso deu a chance de procurar por mudanças físicas que possam ocorrer antes de quaisquer sintomas.
Foram analisadas 247 pessoas que carregavam uma variante genética precoce para Alzheimer, e 162 pessoas que não tinham essa variação. Os portadores da variante precoce apresentaram níveis elevados de NLC no sangue, sendo que a quantidade aumentou com a idade. Em compraração, os níveis da proteína permaneceram baixos nas pessoas que tinham a variação genética saudável.
Os pesquisadores também estudaram exames cerebrais dos participantes. Eles descobriram que, à medida que os níveis de NLC aumentavam, uma parte do cérebro relacionada à memória (precuneus) começava a diminuir.
Taxas crescentes de NLC foram detectáveis ​​até 16 anos antes que os sintomas pudessem se desenvolver. As pessoas com níveis da proteína em ascensão eram mais propensas a mostrar sinais de declínio cognitivo e degeneração das células do cérebro dois anos depois.
No entanto, o estudo tem limitações: os cientistas analisaram apenas pessoas geneticamente predispostas à doença de Alzheimer, grupo que representa apenas 1% dos pacientes. “Não estamos no ponto em que podemos dizer às pessoas: ‘em cinco anos você terá demência’, mas estamos trabalhando para isso”, afirmou Brian Gordon, co-autor da análise.

13.943 – Mar de Lama – Vale foi autorizada a ampliar em 70% exploração na área do desastre


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A área da barragem que rompeu nesta em Brumadinho (MG), estava prestes a ter uma intensificação na atividade de exploração mineral de ferro. A Vale pediu e o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas (Semad), aprovou, em 11 de dezembro do ano passado, a licença para que a empresa ampliasse a capacidade produtiva da Mina de Jangada e da Mina Córrego do Feijão, estruturas vizinhas, das atuais 10,6 milhões de toneladas por ano para 17 milhões de toneladas por ano. O governador ainda era Fernando Pimentel, do PT.
A votação no Copam só teve um voto contrário entre os nove conselheiros que decidiram a questão. Mas ambientalistas apontam uma série de problemas na análise do projeto, como a falta de um mapeamento detalhado dos impactos do novo empreendimento, principalmente na bacia hidrográfica do Paraopeba, cujas águas complementam o abastecimento da capital Belo Horizonte, além de cerca de 50 cidades da região metropolitana e do entorno.
A tramitação do pedido se beneficiou ainda de uma mudança em uma deliberação normativa que reduziu as exigências para intervenções de grande potencial poluidor e degradante.
O único voto contrário à aprovação partiu da ambientalista Maria Teresa Corujo. Segundo ela, a análise do pedido de ampliação das atividades na mina da Vale foi feito às pressas. “Não foi apresentado um balanço hídrico completo, de quais seriam os reais impactos nas águas do local e do entorno”, disse. “Aquela área já precisa muitas vezes de caminhão-pipa para ser abastecida.”

13.942 – Mega Notícias – Morre, aos 64 anos, o deputado federal Wagner Montes


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O político, que havia sofrido um infarto em novembro do ano passado, estava internado havia dois meses por causa de uma infecção urinária. A causa da morte, entretanto, ainda não foi divulgada. Tinha 64 anos de idade.
Wagner Montes foi apresentador de televisão e advogado antes de ingressar na política. Começou a carreira em 1974 na Rádio Tupi e passou para a TV cinco anos depois. Nos anos 80, foi jurado do Show de Calouros, apresentado por Silvio Santos. Lá dividiu bancada com Sônia Lima, com quem veio a se casar em 1987 – os dois permaneceram juntos desde então e tiveram um filho, o hoje ator Diego Montez. Ele tem outro filho, mais velho, Wagner Montes Júnior, fruto de um namoro com a ex-miss Cátia Pedrosa.
Wagner Montes passou por outros programas de TV, mas sua carreira decolou de verdade com o programa de notícias policiais “Balanço Geral”, pela Record do Rio de Janeiro, a partir de 2003. Com uma linguagem considerada irreverente e bem humorada, ele fez a audiência disparar e se tornou um campeão em popularidade.
A visibilidade o levou a disputar as eleições de 2006 como deputado estadual. Foi eleito com mais de 100 mil votos. No pleito seguinte, em 2010, recebeu mais de meio milhão de votos e foi reeleito como o deputado estadual mais votado da história do Rio de Janeiro. Se tornou deputado federal nas eleições passadas.

13.941 – Astronomia – Colisão que gerou a Lua nos deu os elementos da vida na Terra


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Estudo aponta que substâncias voláteis, como carbono, enxofre e nitrogênio, surgiram no planeta em consequência do impacto que formou o satélite natural.
A similaridade entre compostos encontrados aqui e no nosso satélite natural indicam que esses elementos foram gerados simultaneamente (Arek Socha/Pixabay)
Ao se chocar com a Terra no impacto que resultou na formação da Lua, um corpo do tamanho de Marte entregou ao nosso planeta alguns dos elementos voláteis essenciais à vida que temos até hoje, como o carbono, o enxofre e o nitrogênio. É isso que afirma um novo estudo publicado ontem (25) no periódico científico Science Advances.
De acordo com os autores, essa possibilidade explicaria a quantidade e distribuição desses elementos na composição da hidrosfera, atmosfera, crosta e manto terrestres. Para consolidar a ideia, os cientistas organizaram testes a alta pressão e temperatura, construíram modelos termodinâmicos e fizeram simulações numéricas.
Segundo eles, as similaridades entre as composições isotópicas do nitrogênio e do hidrogênio encontrados na Lua e na Terra sugerem que os elementos voláteis presentes em ambas tenham uma origem comum. Ou seja, a pesquisa aponta que a maior probabilidade é de que o impacto que formou nosso satélite lunar deixou, tanto aqui quanto lá, alguns desses componentes químicos, como carbono, enxofre e nitrogênio. Estes depois se combinaram para dar fruto a bactérias, plantas, animais e todos nós.

13.940 – Gelo da Groenlândia derrete a ritmo mais rápido em 350 anos


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O derretimento de gelo por toda a Groenlândia está cada vez mais acelerado. É o que mostra um artigo publicado recentemente no periódico científico Nature. O estudo, comandado por um glaciologista da Universidade Rowan, em Nova Jérsei, EUA, aponta que o volume de água decorrente do descongelamento alcançou níveis provavelmente inéditos em sete ou oito milênios.
A pesquisa revelou também que, ao longo das últimas duas décadas, o derretimento foi 33% maior do que a média do século XX, além de 50% maior do que na era pré-industrial. Para chegar a essas conclusões, os cientistas perfuraram geleiras de até 140 metros de comprimento entre 2014 e 2015. Depois, os pesquisadores compararam os dados coletados com informações antigas obtidas por meio de satélites e se basearam em modelos de clima regional.
O resultado final mostrou que o gelo da Groenlândia vem derretendo a um ritmo mais acelerado do que em qualquer ponto dos últimos 350 anos. O auge do descongelamento, segundo o artigo, foi em 2012, quando a quantidade de água liberada para os oceanos equivaleu a 240 milhões de piscinas olímpicas.
Em consequência, a região é uma das maiores responsáveis pelo aumento do nível do mar, contribuindo com uma parcela de 22% da água que sobrecarrega os oceanos.

13.939 – História – Fronteira em pé de guerra


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O alarme soou para as autoridades da Capitania do Rio Negro quando receberam uma correspondência do principal líder da guerra de independência na Província de Guayana, do lado espanhol da fronteira: era uma ameaça direta de invasão militar. Na carta, o comandante José Antonio Paez deixava claro que iria comandar uma milícia de 4.500 guerrilheiros com farta munição contra o território vizinho, o que levaria à eclosão de uma guerra entre os independentistas da Venezuela e o Império português, naquele início de 1818.
O principal motivo da irritação de Páez era a prisão de um oficial espanhol, D. Francisco Orosco, pela autoridade portuguesa da fronteira, na Fortaleza de São José de Marabitanas. Na visão do chefe militar venezuelano, a medida era inaceitável porque feria a política de neutralidade estabelecida entre as monarquias espanhola e portuguesa, cujo ponto principal era a não interferência de parte a parte em caso de conflitos externos.
A guerra passava a ser uma forte possibilidade na fronteira do rio Negro amazônico, no conturbado momento de guerras de independência em diversos pontos da América espanhola, como a Venezuela, o Novo Reino de Granada (atual Colômbia) e a Banda Oriental do Rio da Prata (atual Uruguai).
Nos extremos da América do Sul, a diplomacia estabelecida entre os Impérios português e espanhol desde 1808 seguia dois direcionamentos: o primeiro ligado à conjuntura internacional, em que se destacava a guerra entre os impérios britânico e francês; o segundo ligado à conjuntura americana, na qual as disputas por territórios se davam em torno das demarcações das fronteiras. Os portugueses aproveitaram o contexto de envolvimento dos impérios europeus nas guerras de independência para conduzir uma política de expansão territorial em direção aos domínios coloniais que pertenciam aos seus inimigos diretos: a França e a Espanha. Longe da Europa, centro nervoso dos conflitos mais significativos, a monarquia portuguesa já instalada no Brasil obteve sucesso na anexação de Caiena, sede do governo da Guiana Francesa, em 1809, comemorada como uma vitória sobre Napoleão Bonaparte, depois que este ordenou a invasão de Lisboa, levando à retirada humilhante da Corte imperial portuguesa para a América. Também recuperou militarmente a cidade de Montevidéu, sede da Banda Oriental, em 1817.
A agressividade da carta de Páez e sua ameaça de ocupação eram avisos de que essa postura expansionista portuguesa não seria tolerada pelos revolucionários venezuelanos, especialmente por seu principal líder, Simon Bolívar. Para evitar a guerra com Portugal, a diplomacia de Bolívar apresentou uma proposta de relacionamento baseada em seis pontos: reconhecerem-se como nações e respeitarem-se mutuamente; estabelecer a paz e os direitos civis entre ambos; não permitir a circulação de tropas inimigas; manter as relações comerciais nas regiões limítrofes; não acolher desertores do outro lado da fronteira; não aceitar criminosos de parte a parte. Os venezuelanos pretendiam forçar o reconhecimento da legitimidade da luta independentista de Bolívar e da própria República e, ao mesmo tempo, evitar interferências da monarquia portuguesa em seus negócios internos, assim como uma possível expansão territorial no rio Negro. A política da boa vizinhança seria o caminho para lidar com o que Bolívar considerava ser a mais forte e perigosa nação da América do Sul.
A proposta diplomática na fronteira amazônica gerou um problema para as autoridades portuguesas do Rio Negro: ela foi aceita pelo comandante de Marabitanas, Pedro Miguel Ferreira Barreto, mas rejeitada pelos principais dirigentes do extremo-norte da América portuguesa: os governadores do Estado do Grão-Pará e Rio Negro, José Narciso de Magalhães e Meneses (conde de Vila-Flor), e da Capitania do Rio Negro, Manoel Joaquim do Paço. Para eles, a política de boa vizinhança poderia levar ao envolvimento de Portugal na guerra de independência venezuelana, prejudicando a posição da monarquia lusitana na diplomacia internacional, principalmente em relação à Espanha. Melhor caminho seria a neutralidade formal. Consideravam que os conflitos do lado espanhol eram rebeliões contra a monarquia católica, e não guerras legítimas de independência. Qualquer contato com essas insurreições poderia gerar mais contestações também do lado português, porque elas espalhavam ideias consideradas subversivas, originadas da revolução da América do Norte (1776-1783) e da Revolução Francesa (1789-1799), que já tinham atingido Pernambuco em 1817.
O recebimento da proposta de Bolívar pelo comandante da fronteira em Marabitanas foi encarado como uma quebra de hierarquia: Ferreira Barreto teria que se reportar aos seus superiores para só depois se posicionar diante dos rebeldes. Um processo formal foi aberto para saber se houve falta de patriotismo no trato com os insurgentes venezuelanos, mas sua inocência foi atestada e a investigação arquivada.
A atitude de Ferreira Barreto estava relacionada a uma diplomacia transfronteiriça. Embora a política a ser seguida pelos dirigentes fronteiriços devesse obedecer às regras ditadas pelas altas autoridades do Império português, na prática, boa parte de suas ações estava pautada nas dinâmicas sociais, econômicas e políticas existentes nas localidades. Nas fronteiras imperiais portuguesas, como nas de qualquer Estado, havia um cotidiano de vínculos entre as comunidades de ambos os lados, com os quais os comandantes militares tinham que lidar. Quando Ferreira Barreto assumiu o cargo de comandante de Marabitanas, em 1816, encontrou complexas atividades dependentes do trânsito de pessoas, de produtos e de informações que não podia ser impedido porque interferia nos costumes e nas estratégias de sobrevivência dos povos da região.
Os moradores das povoações de Marabitanas e São Gabriel da Cachoeira mantinham atividades comerciais com habitantes da ampla região hispano-americana do Alto Orinoco e Rio Negro. A movimentação servia para abastecer mutuamente essas comunidades com produtos diversos – cavalos, cacau, tabaco, roupas e gêneros da floresta, muito utilizados pelo grande número de indígenas da região, como o breu, o ingá-chichica e a chica ou piranga. Dessas regiões também era extraída grande quantidade de madeiras para as fábricas reais de construção de embarcações, que faziam parte de rotas de comércio entre as capitanias do Rio Negro, Grão-Pará, Mato Grosso, Maranhão e Piauí, fundamentais para o Império português na América.
Ao administrarem essa realidade, as autoridades de fronteira inevitavelmente se inseriam nas mesmas circulações transfronteiriças. Com Ferreira Barreto não foi diferente. O comandante mantinha negócios pessoais com o lado hispano-venezuelano, participando ativamente dos negócios de compra e venda de salsa, cera, mel e outros gêneros da floresta apreciados pelos moradores da Guayana. Esse contato proporcionou-lhe alguma riqueza e diversas amizades com negociantes, moradores e até mesmo autoridades militares do lado espanhol, fossem estas adeptas dos monarquistas ou dos republicanos. Condição semelhante tinham os comandantes do outro lado, como D. Francisco Orosco, preso e enviado para o lado luso-americano em grande medida por perseguir negociantes do Alto Orinoco e não pagar suas dívidas com eles.
Apesar da tensão criada pelo independentista José Antonio Paéz, os ânimos foram acalmados pelos próprios comandantes fronteiriços. A guerra não era desejada por nenhum dos dois lados, pois quebraria a política de neutralidade assumida entre as monarquias de Portugal e Espanha, e mexeria com os negócios lucrativos das autoridades locais de ambas as partes. Todos concordaram em pelo menos um ponto: a guerra levaria a uma crise de grandes proporções para as populações da fronteira, principalmente os indígenas, que historicamente estabeleciam suas estratégias de sobrevivência a partir do equilíbrio de forças baseado nas mútuas relações de produção e de comércio.
Longe da visão tradicional de linha divisória que demarca o fim de um território nacional no mapa, as fronteiras são “zonas de contato” e de movimento constante. Obedecem mais às práticas sociais dos habitantes do que às normas instituídas pelos governos. É assim no presente, foi assim no passado.

13.938 – Mega Mitos – Não se Deve Acordar um Sonâmbulo?


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O sonambulismo é curioso por si só: de repente, em meio ao sono, uma pessoa pode agir quase como se estivesse acordada, seja falando coisas, andando, acendendo as luzes ou fazendo alguma outra estripulia. Quando isso acontece, no entanto, a crença popular nos diz que não podemos acordar o sonâmbulo de jeito nenhum – mas será que é isso mesmo?
É totalmente possível e geralmente inofensivo acordar uma pessoa sonâmbula. No entanto, é preciso ter alguns cuidados: o sonambulismo acontece no estágio 3 do sono, conhecido como sono de onda lenta, que é quando a pessoa está dormindo profundamente.
É difícil acordar rápido desse estágio do sono, e quando alguém é despertado nesse momento, é normal que essa pessoa acorde meio lenta, digamos assim – essa inércia do sono demora cerca de 30 minutos para passar totalmente.
Quando acordamos alguém que está em estado profundo de sono, essa pessoa pode se assustar, ficar confusa e agitada por algum tempo. Nesses primeiros instantes, é normal, inclusive, que a pessoa não reconheça o indivíduo que a está acordando – por isso, ela pode tentar se defender, empurrando quem a acorda ou tentando fugir.
Alguns sonâmbulos conseguem fazer atividades mais elaboradas, como cozinhar e dirigir enquanto dormem, e, nesses casos, é preciso cuidado redobrado na hora de acordar a pessoa. Na dúvida, especialistas nos recomendam encaminhar o sonâmbulo para sua cama, onde pode continuar dormindo de maneira tradicional e segura.

13.937 – CIENTISTAS DESCOBREM COMO PRODUZIR HORMÔNIO QUE EVITA O MAL DE ALZHEIMER


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O mal de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que destrói a memória e outras funções mentais importantes. Pesquisadores seguem firme na descoberta de como a irisina, hormônio produzido a partir da realização de atividades físicas, regula os efeitos maléficos do distúrbio.
Os neurocientistas brasileiros Sérgio Ferreira e Fernanda de Felice são os protagonistas do estudo e, há quase 20 anos, vêm estudando tratamentos para a enfermidade. Durante todo esse tempo, foi comprovado que a prática de exercícios físicos faz bem para a memória e que a irisina funciona como um transmissor de informação, ou seja, leva uma mensagem do músculo para o cérebro, protegendo-o.
Os testes iniciais foram realizados em camundongos e, de fato, houve a comprovação de que eles produziam o hormônio ao realizar exercícios. Já quando o teor de irisina era baixo, os especialistas testaram fazer a reposição, e, para a surpresa de todos, eles voltaram a ter memória.
Inicialmente, a irisina foi descoberta por um pesquisador de diabetes dos Estados Unidos, e esse estudo durou aproximadamente 7 anos. Na época, ele afirmou que o hormônio é produzido pelo músculo, no tecido adiposo. Complementando, os neurocientistas reforçam que o fato de a irisina ser gerada pelo próprio organismo diminui as chances de efeitos colaterais.

Podemos ter esperança?
Levando em consideração os seres humanos, estudos indicam que pessoas que sofrem com o mal de Alzheimer têm baixíssimos índices desse hormônio no cérebro. Dessa forma, o estudo faz sentido. Mas os pesquisadores não param por aí; o próximo passo é descobrir como a irisina consegue proteger o órgão mais complexo do corpo humano: o cérebro.
Todo o estudo envolve 25 pesquisadores, sendo 18 brasileiros e o restante, dos Estados Unidos e do Canadá. Eles esperam que esse pontapé inicial contribua para que realmente o Alzheimer tenha um tratamento e possa, cada vez mais, deixar de ser um mal frequente após certa idade nos seres humanos.

13.936 – HISTÓRIA – Bike Atravessa Séculos


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Ela é uma das grandes invenções da humanidade, com múltiplas funções e múltiplos benefícios. Serve como meio de transporte e é usada em serviços comerciais, presta-se ao lazer e ao esporte, profissional ou amador. Seu uso regular faz bem à saúde, tem baixíssimo impacto ambiental e significa “um carro a menos”: pauta obrigatória nas atuais políticas públicas relacionadas ao trânsito.
Eternamente jovem, a bicicleta tem mais de cem anos de história no Brasil. Em 1896, já contava com muitos adeptos em São Paulo, como comprova A Bicycleta, semanário cyclistico ilustrado, publicado pelo ciclista e tipógrafo Otto Hüffenbächer – e cujos números 4, 11 e 19 estão guardados na Divisão de Publicações Seriadas da Biblioteca Nacional.
Com A Bicycleta, Otto Hüffenbächer aliava o interesse pelo esporte à sua atividade empresarial, publicando propagandas de seus serviços de tipógrafo, de revendedores de bicicletas e equipamentos e do Veloce Club Olympico Paulista, entidade associativa que promovia corridas. A maior parte das competições se dava no Velódromo Paulista, construído no final da rua da Consolação por iniciativa de Antônio da Silva Prado, de família tradicional paulistana.
A Bicycleta era inspirada no jornal francês La bicyclette. A primeira página, ilustrada, era dedicada a personalidades do sport, começando por uma homenagem ao próprio dono do jornal: “Musculoso, forte e bom ginasta estreou ele na inauguração do velho Velódromo, logo com os melhores (…) de então, disputando belissimamente… o último lugar! (…). De lá pra cá tem sido um Deus nos acuda de vitórias”.
Tal como o turfe, os eventos eram espaços de interação da classe alta: “As arquibancadas repletas de gentis senhoras que, aplaudindo com frenesi o vencedor deste ou daquele páreo, davam um tom festivo ao belo Velódromo da Rua da Consolação”. Presenças ilustres eram dignas de nota: na corrida de 3 de julho de 1896, registra-se a visita ao velódromo do presidente de São Paulo, o republicano histórico Campos Sales. O fato é interpretado como um sinal de interesse do político na promoção do ciclismo. E, de fato, Sales seria visto no mesmo local depois de eleito presidente da República “se entregando aos exercícios velocipédicos”.
Nas provas, muitos ciclistas não usavam seus nomes verdadeiros: transformavam-se em personagens, marcando uma diferença entre a vida comum e o espetáculo esportivo. Otto Hüffenbächer usava o nome próprio, mas havia um sem-número de curiosos apelidos para os rapazes da alta sociedade paulistana: Mago, Nero, Swift, Rápido, Dr. Semana, Rocambole, além de Ocirebla (Alberico às avessas) e Odarp, também conhecido como Antônio Prado Junior. Pelos toques de humor e intimidade, percebe-se que o jornal é escrito por ciclistas e para ciclistas.
A publicação cobre também os avanços do “ciclismo no estrangeiro”. O redator surpreende-se ao constatar que o Touring Club de Paris conta com 36.096 sócios. Em Liverpool, na Inglaterra, 43 ciclistas de diferentes sociedades concorrem na prova de 100 milhas inglesas. A utilização das bicicletas por monarcas europeus é mais uma prova do seu sucesso. Por outro lado, noticia o jornal, quatro argentinos não conseguem vir ao Brasil para uma prova importante por causa da excessiva taxação das bicicletas na Alfândega brasileira. Mas A Bicycleta comemora que a Câmara dos Deputados tenha colocado em pauta “os diretos de alfândega sobre velocípedes”. Ao facilitar a importação dos veículos, a “Câmara Federal vai certamente contribuir para o desenvolvimento físico da nossa mocidade, cujos exercícios atléticos são ainda infelizmente muito pouco cultivados”.

13.935 – Preso no passado ou aberto ao futuro? Socialismo Permanece Ainda como Alternativa contra o Capitalismo Selvagem


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Em certo momento, a alternativa socialista parecia invencível, destinada à vitória universal. Não foi o que aconteceu. Ao contrário: o socialismo, embora ainda vivo, está moribundo. Pode-se considerá-lo uma perspectiva, uma experiência aberta para o futuro da humanidade?
O socialismo contemporâneo surgiu na esteira das revoluções americana e francesa, em fins do século XVIII. “Todos os homens nascem livres e iguais e têm o direito de lutar pela felicidade” – a frase revolucionária suscitou um tsunami político e social. Entretanto, permaneceram as desigualdades sociais, de gênero e a escravidão. Milhões de seres humanos continuaram sendo considerados inferiores, destinados a serem “civilizados” ou vítimas de genocídio, como aconteceu com os povos nativos da América, da África e da Ásia. À aristocracia do sangue, fundada na hereditariedade, sucedeu uma outra, burguesa, baseada na propriedade privada dos bens de produção. Foi da esperança de vencer a burguesia que nasceu o socialismo.
Mas nem todos os socialistas defendiam as mesmas propostas. Surgiram duas grandes vias, a da revolução e a da reforma, embora não houvesse muralhas intransponíveis entre elas. Na perspectiva revolucionária, os privilegiados haveriam de resistir pela força, e somente por ela seriam vencidos. A partir daí, bifurcavam-se novamente os caminhos. Para uns, como Mikhail Bakunin (1814-1876), tratava-se de incentivar a mudança social. Ela viria como uma “destruição criadora”, suscitando a Anarquia, uma ordem baseada na inexistência do Estado. Em outro registro, defendido por nomes como Gracchus Babeuf (1760-1797) e Auguste Blanqui (1805-1881), propunha-se uma organização clandestina capaz de, num momento de convulsão social, tomar o Estado e transformar a sociedade através de uma ditadura revolucionária. Com o tempo, as liberdades seriam estendidas a todos.
A perspectiva reformista não acreditava na eficácia da violência: as ideias socialistas avançariam devagar, ganhando as consciências. As lutas sindicais e a universalização do voto ocupariam um lugar central. A primeira demonstração desta proposta foi o Movimento Cartista, na Inglaterra, nos anos 1840.
Em 1848, uma onda revolucionária percorreu a Europa, suscitando as questões da independência nacional, da democracia e do socialismo. Surgiu, então, uma nova tendência, liderada por Karl Marx (1818-1883). Compartilhava a ideia da violência e da tomada do poder do Estado para aplicar o programa revolucionário, mas apresentava uma novidade: considerava-se portadora de um novo tipo de socialismo, científico. A associação entre ciência e política tinha uma evidente lógica autoritária, mas isto só se tornaria claro mais tarde.
Naquele momento, explicitou-se o caráter internacional do capitalismo, da burguesia triunfante e de sua ideologia, o liberalismo. O socialismo também definia-se como internacional. Em 1864, formou-se a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), que durou pouco tempo, minada pelas querelas entre Marx e Bakunin, pela repressão desencadeada após a derrota da Comuna de Paris, em 1871, e pela força do nacionalismo, que empolgava as camadas populares.
Nas últimas décadas do século XIX, o capitalismo internacional mudaria de patamar, através de uma grande revolução científica e tecnológica. Liderados pelos bancos (capitalismo financeiro), apareceram os grandes monopólios, concentrando imensos contingentes de trabalhadores. Surgiu o proletariado, que se tornaria a principal base social e política das propostas socialistas. Formaram-se partidos de massa, muitos referenciados nas ideias de Marx. Tratava-se de combinar, de forma original, reforma e revolução, lutas nacionais e articulação internacional, socialismo e democracia. Tomou corpo, então, a social-democracia, estabelecendo um sinal de igualdade entre as duas ideias: só haveria socialismo com democracia. À nova Internacional Socialista, fundada em 1889, caberia o papel de coordenar os diversos partidos nacionais.
Entretanto, a social-democracia foi capturada pelo nacionalismo e pelo reformismo. Sob sua liderança, os trabalhadores ganharam proteção social, direito de voto e liberdades democráticas, integrando-se como cidadãos às instituições políticas e sociais. Daí veio a concepção reformista de que o socialismo se imporia através de uma transição pacífica, por efeito da força crescente das organizações sindicais, das políticas social-democratas e das sucessivas crises econômicas geradas pelo capitalismo. O socialismo triunfaria nos centros capitalistas importantes – a Europa e os Estados Unidos – e depois se estenderia para o resto do mundo, sob a liderança do proletariado internacional e de suas organizações. A eventual irrupção de uma guerra apressaria o advento do socialismo, pois os partidos social-democratas se levantariam contra ela, realizando a esperada revolução.
A Primeira Grande Guerra, entre 1914 e 1918, dissolveria estas esperanças. Salvo exceções, os partidos proletários socialistas aderiram à defesa dos respectivos Estados nacionais. O internacionalismo e a revolução saíram do radar. No entanto, a partir de 1917, depois de milhões de mortos, começaram a eclodir revoltas entre trabalhadores e soldados, exigindo o fim do conflito. O processo tomou força na Rússia, que já era uma potência, ainda que essencialmente agrária. O desastre provocado pelo confronto alcançou ali proporções devastadoras, impulsionando a revolta social.
Em fevereiro de 1917, em Petrogrado, capital da Rússia, manifestações contra a autocracia e pelo fim da guerra levaram à queda do tsar. Instaurou-se um governo provisório e abriu-se uma conjuntura de efervescência social. Trabalhadores e soldados organizaram-se em conselhos, os sovietes. Camponeses formaram comitês agrários. As nações não russas oprimidas revoltaram-se. A convergência destes múltiplos movimentos ensejou uma outra revolução, em outubro. Vitoriosa em Petrogrado, estendeu-se pelo país.
Várias tendências socialistas participaram do processo, mas destacou-se uma ala do partido social-democrata russo: os bolcheviques, discípulos de Marx e liderados por Lenin (1870-1924) e Trotsky (1879-1940). Mais bem organizados, ousados e determinados, apostando que uma revolução vitoriosa na Rússia empolgaria o continente europeu, estabeleceram um novo governo, apoiado nos sovietes urbanos e nos comitês agrários. Seguiu-se uma guerra civil, entre 1918 e 1921, ao fim da qual venceram os revolucionários. Mas o país ficou inteiramente destruído e, para piorar, a experiência não se estendeu à Europa.
A revolução não surgiu onde os socialistas a esperavam – nos principais centros capitalistas, com fortes classes operárias, sindicatos, partidos socialistas de massa e tradições de liberdade. Venceu num país que, embora relativamente forte do ponto de vista militar, era ainda agrário e atrasado em relação às grandes potências europeias, arrasado pela guerra, sem valores democráticos e governado por um pequeno partido, centralizado e militarizado que, para se manter no poder, recorreu à ditadura revolucionária.
A certeza de que eram os únicos a ter a compreensão científica da História, combinada com tradições místicas do messianismo russo, fez dos bolcheviques uma eficiente e temível máquina política. Sem contar com apoio internacional, empreenderam, a partir de 1929, uma nova revolução, através do Estado e sob liderança de Joseph Stalin (1878-1953): pela violência, coletivizaram a terra, que fora distribuída pelas famílias camponesas depois da revolução, e industrializaram o país de maneira planificada, universalizando os serviços de educação e saúde. A ditadura revolucionária radicalizou-se, alcançando com prisões, deportações e execuções todos os que se opuseram (ou foram acusados de se opor) aos desígnios do Estado.
Ao longo dos anos 1930, enquanto os países capitalistas afundavam na crise econômica iniciada em 1929, a União Soviética conhecia um gigantesco desenvolvimento, tornando-se uma potência econômica e militar. A Segunda Guerra Mundial confirmaria esta mutação. O nazi-fascismo seria vencido por uma Grande Aliança, mas o papel da URSS foi decisivo, tendo ela suportado os maiores custos materiais e humanos provocados pelo conflito. Em 1945, no fim da guerra, era imenso o prestígio da União Soviética. Sua economia planificada inspirava políticas em todo o mundo. Muitos criticavam o Estado ditatorial, até entre os socialistas, mas havia no ar expectativas de aberturas democráticas.
A URSS já não se encontrava isolada: o socialismo estendera-se por quase um terço do mundo. Na Europa central, foi implantado pela ocupação dos exércitos soviéticos. No Extremo Oriente, as guerras nacionais camponesas, dirigidas pelos comunistas contra os exércitos japoneses, impuseram o socialismo na China, no norte da Coreia e do Vietnã. Repetia-se, numa escala mais vasta, o que já se verificara com a revolução russa: o socialismo aparecia num contexto de guerras, em sociedades agrárias e empreendido por ditaduras revolucionárias.
Seguiu-se, entre 1946 e 1991, a bipolarização do mundo, na chamada Guerra Fria. Nos anos 1970, a URSS parecia um ator incontornável nas relações internacionais. Mas já então se avolumavam críticas à sua economia: ineficiência, excessivo centralismo e estatismo, despesas militares exageradas. Do ponto de vista político, a ditadura perdia legitimidade. O socialismo ainda era capaz de mobilizar tanques e aviões, mas já não inspirava a própria população, sobretudo os jovens. A tentativa de autorreforma, nos anos 80, conduziu, de modo fulminante e inesperado, ao fim do socialismo soviético e à desagregação do país.
Era o fim de um ciclo. A China se afastou radicalmente do socialismo: a combinação que ali se efetua, entre capitalismo e dirigismo estatal, com a manutenção de uma rigorosa ditadura política, causa perplexidade e é um desafio à imaginação. O mesmo se verifica, em menor escala, no Vietnã, unificado em 1975, depois de uma longa e devastadora guerra. A Coreia do Norte é uma sinistra caricatura. E Cuba conserva sua independência muito mais pelas reservas nacionalistas de sua revolução do que pelas aspirações e pelos valores socialistas. O nacionalismo radical na África, no mundo muçulmano e na Ásia, perdendo o grande aliado, desagregou-se ou se orientou em outras direções, distantes das concepções inspiradas na experiência soviética.
O modelo socialista soviético está bem morto e é difícil imaginar sua ressurreição. Pela grandeza que chegou a assumir, sua derrocada provocou uma profunda crise de credibilidade nos valores socialistas, não apenas entre os adeptos, mas também entre os críticos.
Como aventura humana, porém, o socialismo não necessariamente se encerrou. Tem a seu favor as contradições agudas que o capitalismo continua a operar, evidenciando desigualdades gritantes e destrutivas. Elas são uma fonte recorrente de estímulo para que sejam pensadas alternativas que valorizem a igualdade e a liberdade.
Estão dadas as bases para pensar o socialismo como uma experiência aberta para o futuro da humanidade. Superadas as ilusões cientificistas, ela pode ser empreendida através da luta política, que é sempre imprevisível mas da qual os socialistas dependem para persuadir as gentes, democraticamente, a respeito da validade e da superioridade de suas propostas.
Neste sentido, continuam vigentes as referências das grandes revoluções de fins do século XVIII, quando esta aventura humana teve início. Se os homens não foram livres e iguais nos padrões do socialismo soviético, nunca poderão ser livres e iguais sob regimes capitalistas.

13.934 – Civilizações Antigas – O Povo Khmer


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Se alguém dissesse que o maior centro urbano construído no século XIX encontrava-se no Sudeste Asiático, poderíamos, no mínimo, suspeitar que isso era um mero despeito às crescentes nações capitalistas europeias que despontavam nesse período. Para derrubar tal desconfiança os estudos da Real Sociedade Geográfica Britânica lhe apresentariam a cidade de Angkor, principal centro da civilização khmer.
Formado por volta do século VIII, o império khmer chegou a dominar uma extensa região que envolvia os atuais territórios do Camboja, do Mianmar e Laos. Desenvolvendo-se em uma porção isolada do sudeste asiático, os khmer conseguiram a estabilidade necessária para o desenvolvimento de seus costumes e tradições ao longo dos séculos. Alguns conflitos eram deflagrados com os javaneses, que almejavam controlar porções continentais da Ásia.
Foi no século IX que os khmer empreenderam a formação de seu império. Após a fuga do príncipie Jayavarman II das mãos dos javaneses, o povo khmer organizou um grande exército que conquistou os primeiros territórios do vindouro império khmer. Superando os longos períodos de seca da região, as dinastias khmer alcançaram a expansão de seu povo através de um complexo sistema de irrigação responsável por garantir fartas colheitas de arroz espalhadas pela planície cambojana.
Com o crescimento da população e a expansão do território, os khmer tornaram-se uma civilização hidráulica que via na fertilidade de suas terras e na autoridade monárquica os grandes ícones de sua adoração religiosa. A água e o rei eram motivos para a construção de vários templos no interior do território. Somente no século XII, que os khmer sofreram com a invasão promovida pelo reino Champa. Depois de quase um século de dominação, o imperador Jayavarman VII conseguiu retomar a posse do império e, depois de dominar uma vasta região, criou a cidade de Angkhor.
Com passar dos anos a cidade tornou-se um importante centro comercial visitado por povos estrangeiros, como chineses e indianos. As mulheres tinham grande participação nessas atividades e chegavam a ocupar posição de destaque entre os khmer. Muitas delas eram responsáveis pelo controle de importantes cargos públicos do império. Em meio a tantas conquistas e uma ampla rede sócio-econômica o Império khmer parecia não sofrer qualquer tipo de ameaça.
No entanto, a partir do século XIII, as disputas em torno de uma monarquia sem um definido sistema sucessório originou a ruína desse povo. Ao mesmo tempo, os ataques promovidos pelos povos vietnamitas e tailandeses começaram a enfraquecer a supremacia khmer. Em 1431, Angkor foi vítima de um grande saque promovido por tailandeses.
Além dos conflitos internos e ataques estrangeiros, o colapso da economia khmer também foi outro motivo para o fim dessa vasta civilização. O desgaste do solo e a falta de recursos hídricos foram outros fatores levantados para o desaparecimento da civilização khmer. Com o passar do tempo, a crise econômica foi alvo de uma grande diáspora que deixou os templos e as cidades khmer abandonadas em meio à selva do Sudeste asiático.

13.933 – História das Civilizações – O Reino de Gana


Gana foi um dos maiores impérios formados no continente africano que se desenvolveu para fora das regiões litorâneas ou da África muçulmana. Sua área correspondia às atuais regiões de Mali e da Mauritânia, fazendo divisa com o imenso deserto do Saara. Desde já, percebemos a instigante história de um reino que prosperou mesmo não possuindo saídas para o mar e estando próximo a uma região considerada economicamente inviável.
As dificuldades geográficas explícitas da região começaram a ser superadas quando as populações da África Subsaariana (ou África negra) passaram a ter contato com a porção norte do continente. Graças à domesticação do camelo, foi possível que comunidades pastoris próximas do Deserto do Saara começassem a empreender novas atividades econômicas. Nas épocas de seca, os pastores berberes deslocavam-se para a região do Sael para realizar trocas comerciais com os povos da região.
Entre essas populações se destacavam os soniquês, que ocupavam uma região próxima às margens dos rios Senegal e Níger. Esse povo começou a se organizar em comunidades agricultoras estáveis que se uniram, principalmente, por conta dos ataques de tribos nômades. A região que era rica em ouro aliou sua produção agrícola ao comércio na região para empreender a formação do Reino de Gana. Dessa forma, estabelecia-se uma monarquia no interior da África.
Sua organização política é motivo de controvérsia entre os historiadores que estudam o assunto. Mesmo possuindo um amplo território e uma organização política típica dos governos imperiais, Gana não possuía uma cultura militarizada ou expansionista. O Estado era mantido através de um eficiente sistema de cobrança de impostos localizados nos principais entrepostos comerciais de um território não muito bem definido.
A economia comercial de Gana atingiu seu auge no século VIII, ao interligar as regiões do Norte da África, Egito e Sudão. Entre os principais produtos comercializados estavam o sal, tecidos, cavalos, tâmaras, escravos e ouro. Esses dois últimos itens eram de fundamental importância para a expansão econômica do reino de Gana e o considerável aumento da força de trabalho disponível. Entre os mais importantes centros urbano-comerciais desse período destacamos a cidade de Bambuque.
O ouro era escoado principalmente para a região do Mar Mediterrâneo, onde os árabes utilizavam na cunhagem de moedas. Para controlar as regiões de exploração aurífera, o rei era responsável direto pelo controle produtivo. Para proteger a região aurífera, o uso de lendas sobre criaturas fantásticas era utilizado para afastar a cobiça de outros povos. O sal também tinha grande valor mediante sua importância para a conservação de alimentos e a retenção de líquido para os povos que vagueavam no deserto.
O reino de Gana começou a sentir os primeiros sinais de sua crise com o esgotamento das minas de ouro que sustentavam a sua economia. Além disso, após o século VIII, a expansão islâmica ameaçou a estrutura centralizada do governo. Os chamados almorávidas teriam empreendido os conflitos que, em nome de Alá, desestruturaram o Reino de Gana. A partir de então, os reinos de Mali, Sosso e Songai disputariam a região.

13.932 – A Cidade Medieval


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A Idade Média é um período da história que cronologicamente foi iniciado em 476, com a desagregação do Império Romano do Ocidente, e finalizado em 1453, com a queda da cidade de Constantinopla. Esse período ficou muito caracterizado pela existência do feudalismo em certas localidades da Europa, além de uma forte influência da Igreja Católica sobre o cotidiano das pessoas.

Esvaziamento das cidades
Por ser um período muito longo da história humana, o conceito de cidade medieval muda de acordo com o período abordado. Com a desagregação do Império Romano e consequente início da Idade Média, as cidades da Europa Ocidental passaram por um período de esvaziamento, no qual ocorreu uma migração da população dos centros urbanos para a zona rural.
O esvaziamento das cidades resultou da desagregação do Império Romano, pois as zonas produtoras do império foram atacadas pelos povos germânicos em migração. Isso causou uma diminuição da produção, afetando o abastecimento das cidades e gerando fome. Além disso, as grandes cidades tornaram-se alvos desses povos germânicos interessados no saque.
Assim, a população urbana migrou para a zona rural para estar próxima das zonas produtoras de alimento e abastecimento e para fugir do saque e da violência trazidos pelos povos germânicos. Essa transição iniciou o processo de formação dos feudos medievais. Uma característica forte desse período foi a quase inexistência de comércio e circulação de moeda. O pouco comércio que existia, geralmente, acontecia entre feudos vizinhos e era realizado na base do escambo (troca).

Renascimento Urbano
Ocorreu em virtude de inovações técnicas implantadas na agricultura a partir do século XI. Entre essas inovações, podemos citar a rotação dos solos cultivados e o arroteamento (preparação do solo), que permitiu ampliar os campos cultivados. Com isso, houve um aumento na produção agrícola e um aumento populacional.
O aumento na produção criou um excedente agrícola que incentivou o aumento do comércio. As cidades ressurgiram a partir de um fluxo migratório de pessoas que procuravam sair da servidão do feudo para buscar novos ofícios na cidade. Entretanto, o mundo medieval ainda permaneceu essencialmente agrário. O historiador Franco Hilário Júnior afirma que, durante o século XIII, cerca de 20% da população medieval vivia nas cidades.
O renascimento da cidade medieval também resultou em uma transição de poder. Os bispos e uma parte da nobreza que exerciam o poder foram gradativamente substituídos pela classe em ascensão de burgueses, que surgiram a partir do crescimento do comércio e do estabelecimento deste nas cidades (burgos).
No século XIII, já estavam estabelecidas grandes cidades em várias partes da Europa ocidental. Sobre o tamanho das cidades medievais durante o século XIII, o historiador francês Jacques Le Goff afirma que:
Uma cidade importante no Ocidente tinha de 10.000 a 20.000 habitantes. Palermo e Barcelona sobressaíam do comum, com cerca de 50.000 habitantes. Londres, Gand e Genôva e, em território muçulmano, Córdoba, com cerca de 60.000 habitantes. Bolonha tinha sem dúvida entre 60.000 e 70.000 habitantes, Milão, 75.000. Só Florença e Veneza atingiam e, talvez, ultrapassavam 100.000 habitantes; e a maior cidade incontestavelmente Paris, pois foi demonstrado que ela continha, sem dúvida, 200.000 habitantes por volta do ano 1300.
O renascimento urbano e o crescimento populacional, porém, sofreram forte impacto com a chamada crise do século XIV, em que o avanço da peste bubônica, chamada de peste negra, dizimou parte considerável da população de maneira fulminante. O avanço da doença ocorreu por meio das pulgas presentes em ratos e matou pelo menos um terço da população na Europa ocidental. Na Inglaterra, por exemplo, a mortalidade chegou a 70% da população.