18.837 – História da Astronomia – Abu Abdallah Mohammed ibn Musa Al-Khwarizmi


Al-Khwarizmi astronomo
(Khwarizm, Uzbequistão ? 780 – Bagdá ? 850) foi um matemático, astrônomo, geógrafo e historiador. É de seu nome que deriva o termo “algarismo”, em português.
São poucos detalhes conhecidos de sua vida. É certo, porém, que se aprofundou no estudo de várias ciências, como aritmética, álgebra, astronomia, geografia e sobre o calendário, tendo escrito tratados em todos estes campos do conhecimento. Alguns de seus trabalhos foram traduzidos para o latim e estudadas pelas mentes mais avançadas da Europa na época, contribuindo para que o continente se libertasse do domínio intelectual da igreja, preparando as bases do humanismo renascentista. Seus tratados são até hoje reconhecidos, valorizados e ainda empregados. Por isso mesmo, ele é considerado uma das maiores mentes científicas do período medieval e mais importante matemático muçulmano, ganhando merecidamente o título de “pai da álgebra”.
Nesse campo destaca-se seu “Al-Kitab al-fi mukhtaṣar Hisab al-jabr wa-l-muqabala” (Compêndio sobre Cálculo por Completude e Balanço) que se tornou um dos principais livros de matemática das universidades europeias. Considerado o primeiro tratado dedicado à álgebra (apesar de ter notoriamente se baseado em antigas fontes indianas e gregas), é um de seus trabalhos mais célebres, e foi seu título que nos legou o termo “álgebra” (al-jabr)​​.
A sua obra Kitāb al-Jamʿ wa-l-tafrīq bi-ḥisāb al-Hind (O Livro de adição e subtração de acordo com o cálculo hindu) é por sua vez um clássico da aritmética, responsável por apresentar os números arábicos (na verdade, indianos), incluindo o zero aos europeus. O texto original árabe se perdeu, restando apenas uma tradução contemporânea em latim. Neste trabalho, Al-Khwarizmi lida com as quatro operações básicas de adição, subtração, multiplicação e divisão, bem como com as frações comuns e sexagesimal e da extração da raiz quadrada.
Al-Khwarizmi e seu colegas, os irmãos Banu Musa pertenceram à Casa da Sabedoria (Bayt Ul-Hikma), uma biblioteca e instituto de tradução estabelecido no período do domínio Abássida em Bagdá, Iraque, à época do reinado do califa al-Mamum (813-833), patrono do conhecimento e do aprendizado. Entre suas tarefas estavam a tradução de manuscritos científicos em grego, sânscrito, pahlavi (persa médio) e de outras línguas para o árabe, além de dedicar-se a pesquisas nas áreas da álgebra, geometria e astronomia. Certamente al-Khwarizmi trabalhou sob o patrocínio do califa Al-Mamun e a ele dedicou dois de seus textos, seu tratado sobre álgebra e seu tratado sobre astronomia. É possível que tenha escrito um tratado sobre o astrolábio e outro sobre relógios de sol, mas estes dois últimos não chegaram aos nossos dias.

13.836 – Astronomia – A comunicação entre a Terra e robôs em Marte


Robô Curiosity
Robô Curiosity

Em 2012 a Agência Espacial Americana, a NASA, enviou ao planeta Marte uma sonda robotizada com a missão de explorar o desconhecido astro, analisando as suas formações rochosas, solo, atmosfera e tudo mais, a procura da existência ou não de vidas passadas (muito provavelmente seres vivos microbianos) e estudar a formação do planeta afim de saber se o seu ambiente alguma vez na história já possa ter sido conveniente para a formação da vida como nós a conhecemos hoje.
Essa sonda recebeu o nome de Curiosity e é o primeiro laboratório móvel completo enviado a outro a planeta; terá por função estudar o solo marciano por cerca de dois anos. Essa sonda está equipada com um braço mecânico capaz de fazer furos, câmeras, sensores térmicos e de movimentos, etc, mas um de seus componentes mais importantes são as antenas, que são usadas para a transmissão de dados para a Terra. Existem três diferentes antenas acopladas à sonda: uma de baixo ganho, uma de alto ganho e uma antena do tipo UHF (Ultra High Frequency; Frequência Ultra Alta).
A primeira antena está ligada a um rádio lento, de baixa potência UHF. Ele é capaz de transmitir uma pequena taxa de dados para outras sondas orbitantes em Marte ou também diretamente para a Terra. Foi projetado para ser usado em situações de emergência, quando os demais dispositivos de transmissão falharem.
A segunda antena está ligada a um rádio UHF de alta velocidade. Este por sua vez transmite as informações rapidamente para as sondas orbitantes do planeta (Odyssey, Mars Reconnaissance Orbiter e Mars Express), a taxas entre 256 kbits/s a 2 Mbits/s e possui um consumo de apenas 15 watts. É o principal meio de comunicação, estima-se que cerca de 31 megabytes de dados cheguem à Terra por dia através deste canal.
Por fim, a antena de alto ganho. Ela conecta diretamente a sonda Curiosity com os cientistas e engenheiros aqui na Terra e por tal motivo este canal só se encontra disponível durante três horas do dia, devido ao alinhamento dos planetas e questões de energia. Esta antena usa um rádio que consome 40 watts e transmite apenas 12 kilobits por segundo. Existe um atraso de 20 minutos na transmissão das informações, pois o sinal precisa percorrer a distâncias superiores entre 100 a 400 milhões de quilômetros entre a Terra e Marte. Por ser um canal de comunicação direto, a NASA o utiliza para enviar comandos a sonda e também para receber dados críticos.
Na Terra, os sinais são captados por antenas de até 70 metros de diâmetro, que fazem parte da Deep Space Network (utilizada também para comunicação com todos os outros satélites e outras missões espaciais).

13.835 – Linguística – Quantas línguas existem ao todo?


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São 6 912 idiomas em todo o mundo, segundo o compêndio Ethnologue, considerado o maior inventário de línguas do planeta. O livro, editado desde 1951, é uma espécie de bíblia da linguística, indicando quais são as línguas em uso, onde elas são faladas e quantas pessoas usam o idioma. De acordo com os organizadores da enciclopédia, o total de línguas no planeta pode ser até maior. Estima-se que haja entre 300 e 400 línguas ainda não catalogadas em regiões do Pacífico e da Ásia. Além de somar todas as línguas que existem, o Ethnologue traz outras curiosidades na ponta da língua. Aí embaixo, a gente selecionou as mais legais.
Todas as bocas do planeta
Brasil tem 188 dos mais de 6 mil idiomas falados no mundo

NO BRASIL
Nosso país tem 188 idiomas em uso – o português (claro!), mais 187 variedades indígenas. Uma delas é o apiacá, falado por apenas dois brasileiros, e o ofaié, praticado por 11 índios do Mato Grosso do Sul. Cerca de 30 dessas línguas estão em extinção e 47 idiomas que um dia foram falados no país já desapareceram para sempre

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A MAIS FALADA
O idioma mais popular do planeta é o mandarim, o principal dialeto chinês, falado por algo em torno de 870 milhões de pessoas. Em segundo lugar aparece o hindi, a língua oficial da Índia, usado por cerca de 500 milhões de pessoas. O espanhol vem em terceiro lugar, o inglês em quarto e o nosso português em sétimo

EM EXTINÇÃO
O Ethnologue lista 497 línguas que correm o risco de desaparecer em poucas décadas. E segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) metade dos idiomas falados hoje em dia pode sumir durante o século 21, por causa do predomínio do inglês nas páginas da internet

MAIS E MENOS
O país com mais línguas no mundo é Papua Nova Guiné, onde são falados nada menos que 820 idiomas diferentes – a vizinha Indonésia é a vice-campeã, com 742 idiomas. No outro extremo, a Coréia do Norte é o único país onde só se fala uma língua. Em seguida, vem o Haiti, com dois idiomas

13.834 – Dito Popular – De Onde Surgiu o provérbio “Beleza não se põe na mesa”?


O provérbio «beleza não põe mesa», ou «beleza não se põe à mesa» (José Pedro Machado, O Grande Livro dos Provérbios, 3.ª ed., Lisboa, Ed. Notícias, 2005, p. 112), corresponde a uma forma mais simplificada de um outro provérbio, cujo sentido/significado é mais evidente: «Beleza e formosura não dão pão nem fartura» (idem).
Em tais provérbios sobressaem dois campos semânticos: o da beleza (e da formosura) e o da mesa (representada pelo pão, símbolo da alimentação, e da fartura, símbolo da abundância, do que se que se coloca na mesa). Entre esses dois bens, a beleza é desvalorizada em relação ao pão, à mesa, à fartura, sobressaindo o sentido prático da vida.
Com estes provérbios pretende-se passar a lição de que não nos devemos centrar na beleza, na aparência como valores primordiais, porque são supérfluos e vazios, destacando a sua inutilidade como fonte de vida e de saúde. Por sua vez, e em detrimento da beleza, o pão/a alimentação ganham destaque como elementos essenciais à sobrevivência, à saúde, à energia e ao bem-estar.
de-se passar a lição de que não nos devemos centrar na beleza, na aparência como valores primordiais, porque são supérfluos e vazios, destacando a sua inutilidade como fonte de vida e de saúde. Por sua vez, e em detrimento da beleza, o pão/a alimentação ganham destaque como elementos essenciais à sobrevivência, à saúde, à energia e ao bem-estar.

13.833 – Medicina – Como Funciona um Anti inflamatório?


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A inflamação é uma resposta do sistema imunológico a uma infecção ou lesão dos tecidos. Por esse processo, o fluxo sanguíneo para a região atingida aumenta, transportando células do sistema imunológico com o intuito de combater o agente agressor. Os anti-inflamatórios são medicamentos que impedem ou amenizam essa reação e minimizam os sintomas da inflamação como calor, rubor e dor.
Esses medicamentos também apresentam ação antipirética (redução da febre) e analgésica (diminuição da dor). São divididos em dois grupos: esteroides, derivados de corticoides que inibem as prostaglandinas e proteínas ligadas ao processo inflamatório, e não-esteroides, que diminuem o processo inflamatório e a dor.
Os primeiros costumam ser indicados para doenças como asma e doenças inflamatórias autoimunes; o segundo grupo é mais usado para tratar artrite reumatoide, traumas e contusões.
Como podem causar efeitos colaterais graves como toxicidade para as células do fígado e dos rins, gastrite e úlcera, entre outros, só devem ser utilizados sob prescrição e acompanhamento médico.

13.832 – Conceitos Sobre a Dor


Na Grécia Antiga, três séculos antes de Cristo, foi fundada a Escola Estoica. O ideal de seus seguidores era viver “de acordo com a natureza”, e assumir uma atitude impassível e racional diante dos acontecimentos, fossem eles marcados pela dor ou pelo prazer. Séculos mais tarde, de acordo com os valores da cultura judaico-cristã, a dor passou a ser encarada como forma de redimir os pecados intrínsecos à espécie humana, ou como castigo pelos erros cometidos. Prova disso está nas súplicas – “A vós suplicamos gemendo e chorando neste vale de lágrimas” -, ou na ira divina ao punir a desobediência de Eva no Paraíso: “Entre dores darás à luz os filhos”. Nem os poetas escaparam dessa postura de aceitação da dor – “Ser mãe é padecer no Paraíso” –, como mal necessário a caminho da redenção.
Sob o enfoque da medicina moderna, porém, a dor é um sinal de alarme e o sofrimento que provoca além de absolutamente inútil, debilita o organismo e compromete a qualidade de vida. Mas, nem sempre se pensou assim. Durante muito tempo, as faculdades de medicina e de enfermagem não capacitaram os alunos para lidar com a dor, fosse ela aguda ou crônica, e muitos médicos estão despreparados para enfrentar esse desafio, apesar dos avanços tecnológicos e na área da farmacologia. Não estamos nos referindo aqui às dores mais leves que passam com a administração de analgésicos comuns, mas às dores agudas e crônicas, que requerem tratamento mais agressivo e especializado.
Hoje, infelizmente, a despeito de todo o progresso terapêutico, essas dores ainda não recebem a abordagem necessária e estão se transformando num problema de saúde pública no Brasil.
A dor é um sinal de alarme do organismo. Quando se manifesta agudamente, com certeza algo de errado está ocorrendo na pele, nos músculos, nas vísceras ou no sistema nervoso central e são liberadas substâncias que ativam os nervos periféricos e centrais para conduzirem o estímulo até a medula espinhal, onde a sensação dolorosa é modulada, e de lá para o cérebro a fim de avisá-lo que, em determinado ponto, existe um problema.
Como a dor pode ser inibida na medula espinhal pela ação dessas substâncias (serotonina e endorfinas), quando uma pessoa se machuca praticando esportes ou jogando bola, por exemplo, pode não sentir nada naquele momento. A dor vem mais tarde, “quando o sangue esfriou”, dizem os leigos. Na verdade, a razão é outra: existe um sistema supressor interno que às custas das endorfinas, que são opioides endógenos, isto é, produzidos pelo próprio organismo, encarregou-se de combater a sensação dolorosa provocada pela agressão. Portanto, os remédios à base de opioides indicados para o controle da dor simplesmente amplificam esse mecanismo natural do organismo.

13.830 – A Anestesia na Medicina


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A anestesia, como a conhecemos hoje, é uma aquisição recente na história da humanidade. Sabe-se que, na Antiguidade, eram realizados alguns tipos de cirurgia e prova disso são os instrumentos cirúrgicos egípcios em exposição nos museus. Portanto, as civilizações antigas deviam conhecer fórmulas para driblar a dor e operar as pessoas. Relatos provenientes da Grécia Antiga indicam que Hipócrates utilizava a esponja soporífera embebida em substâncias sedativas e analgésicas extraídas de plantas e que o médico Dioscórides descobriu os efeitos anestésicos da mandrágora, um tubérculo muito parecido com a batata. Já os chineses se valiam dos conhecimentos de acupuntura e os assírios comprimiam a carótida, para impedir que o sangue chegasse ao cérebro.

Gelo ou neve para congelar a região a ser operada, embriagar o paciente, hipnose foram outros recursos usados para aliviar a dor no passado. Quando de nada adiantavam, as cirurgias eram realizadas a frio, com os doentes imobilizados à força.
Esse panorama mudou, e mudou muito. Hoje, a anestesia é um procedimento médico de altíssima segurança que promove analgesia completa enquanto o paciente é operado.
Eles usavam drogas que, hoje, corresponderiam à morfina. Se bem que o conceito antigo de operação era diferente do atual. Ninguém fazia uma gastrectomia, isto é, uma cirurgia de estômago, por exemplo. Em geral, eram amputações e eles quase sempre encontravam uma forma de dopar o doente. Se não conseguiam, operavam a frio mesmo.
O surpreendente é que essa conduta não está tão distante no tempo assim. No fim da Primeira Guerra Mundial, depois que os alemães deixaram de ter disponíveis as drogas com que poderiam sedar os pacientes, as amputações eram feitas a frio.
Diante de tantas restrições, era importante a velocidade com que as cirurgias eram realizadas. Em poucos minutos, amputava-se uma perna ou cuidava-se de um ferimento grave.
É preciso cuidar das vias respiratórias dos pacientes sob anestesia geral. Quando a musculatura relaxa, há risco de obstrução das vias aéreas por perda do tônus da musculatura que suporta a língua. Para evitá-la, são introduzidas cânulas orais que mantêm a língua afastada da parede posterior da traqueia ou passa-se um tubo através da boca até a traqueia para permitir a circulação da mistura anestésica. Para fazer isso, é preciso que seja total o relaxamento não só da boca e da língua, mas também da glote e da laringe. Os relaxantes musculares foram medicamentos que ajudaram muito nesse sentido.

13.829 – História da Medicina – Quando Surgiram as DSTS?


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As DST acompanham a história da humanidade. Durante a evolução da espécie humana. as DST vêm acometendo pessoas de todas as classes, sexos e religiões. No tempo da Grécia antiga foram chamadas de doenças venéreas, como referência a Vênus, a Deusa do Amor.
A gonorréia, descrita em passagens da Bíblia; só teve o seu agente causador identificado em 1879.
A sífilis, que até o século XV era desconhecida, teve seus primeiros registros em figuras encontradas em tumbas do Egito no tempo dos faraós.
No início do século XX, o cientista Shaudinn descobre que a sífilis é causada por uma bactéria, chamada de Treponema pallidum. Em seguida, outro cientista, Wassermann, desenvolve um teste feito no sangue, o VDRL, que serve para detectar a infecção.
Com a descoberta da penicilina, na década de 40, as epidemias de algumas DST começam a recuar.
Nos anos 60/70, com a descoberta da pílula anticoncepcional e com a maior liberdade sexual entre os jovens, voltam a aumentar os números de casos de DST em todo mundo.
Nos anos 80/90 observou-se um aumento dramático dos casos de sífilis e gonorréia, muitos dos quais têm ocorrido na população adolescente e de adultos jovens.
As DST são atualmente um grande problema de saúde pública no Brasil, principalmente porque facilitam a transmissão do HIV, o vírus que causa a AIDS, tendo portanto uma parcela de responsabilidade pela atual dimensão da epidemia da AIDS.

Agentes causadores
As DST podem ser causadas por vírus, bactérias ou até protozoários. Na figura abaixo você pode ver a diferença de tamanho entre eles comparados com um espermatozóide.
Como evitar as Doenças Sexualmente Transmissíveis
A prevenção é muito mais barata que qualquer tratamento, além de preservar a integridade física, evita contratempos, portanto:

– Evitar o contato com as secreções do doente.
– Evitar parceiros que exalam mau cheiro do corpo ou genitais, isso é um dos sinais de descuido com a saúde e higiene.
– Evitar múltiplos parceiros.
– Desconfiar de qualquer secreção ou corrimento incomuns dos seus genitais e do parceiro.
– Abortar o ato sexual ao perceber erupções no corpo do parceiro, manchas, feridas ou cortes nos genitais. A abstenção de relações sexuais com pessoas infectadas é o único meio 100% seguro de evitar o contágio por transmissão sexual.
– Utilizar preservativos, lembrando-se que a camisinha ajuda a reduzir, mas não elimina totalmente o risco de contágio sexual.
– Tomar banho ou pelo menos lavar os genitais com água e sabão após cada ato sexual.
– Urinar imediatamente após o ato sexual.

As diversas DSTs:

– AIDS (SIDA)

– Cancro mole (Cavalo)

– Candidíase (Sapinho)

– Condiloma acuminado (Crista de galo)

– Gonorréia

– Herpes genital

– Linfogranuloma venéreo (Mula)

– Outras infecções… (Uretrite não gonocócica e Infecções vaginais)

– Sífilis

– Tricomoníase

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13.828 – A primeira epidemia de DST: a história da doença sexual que levou Europa a culpar a América no século 16


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Em 1509, o jovem soldado alemão Ulrich von Hutten contraiu uma doença desconhecida quando estava na Itália. Ele sofreu com os sintomas por dez anos.
O paciente descreveu assim sua condição: “(O tempo todo) havia furúnculos, parecidos em tamanho e aspecto com uma bolota. Tinham um cheiro tão fétido que quem o cheirasse achava que estava infectado. A cor era verde escuro. Vê-los chegava a ser pior que sentir a dor, mesmo que a sensação pareça a mesma de encostar no fogo.”
Pouco antes disso, na década de 1490, a população europeia havia acabado de se recuperar das mortes provocadas pela propagação, no século anterior, da peste bubônica, surto conhecido como Peste Negra. Uma em cada três pessoas havia morrido em consequência da doença em todo continente europeu.
Doença sexualmente transmissível pouco conhecida se alastra e alarma médicos por resistência a antibióticos
‘Pensei que fosse doença da Idade Média’: o novo avanço da sífilis no mundo e no Brasil
Com o aumento da população, chegou a prosperidade. Mas nem tudo foi positivo. Doenças desconhecidas começaram a aparecer, em meio à guerra endêmica e à fome frequente.
Contágio em velocidade alarmante gerou terror
Por volta de 1495, o rei francês Carlos VIII invadiu Nápoles reivindicando direito àquele reino. Mas as tropas se contaminaram com uma doença nova.
Ninguém jamais havia visto nada parecido. Os médicos da época não encontraram nenhuma referência nos livros. O nível de preocupação foi similar ao momento em que, séculos depois, o HIV foi descoberto.
A doença que fez o soldado alemão Ulrich von Hutten agonizar também era transmitida pelo contato sexual. Era a sífilis.
As pessoas estavam aterrorizadas porque a doença se espalhou com uma velocidade impressionante. Chegou à Escócia, à Hungria e à Rússia. Com exceção dos idosos e das crianças, todos corriam risco de se contaminar. Estava nos bordeis, mas também nos castelos.
Acredita-se que os reis Francisco I e Henrique III, da França, assim como o imperador Carlos V padeceram da mesma enfermidade.
Nem os monges escaparam da sífilis. A hierarquia não importava. Cardeais, bispos e até os papas Alexandre VI e Júlio II sofreram com a doença.
A velocidade com que se espalhou revela muito sobre os hábitos sexuais da sociedade naquela época.
O curioso papel da deusa Vênus nessa história
Os franceses diziam que a doença era italiana. Mas todo o resto da Europa se referia a ela como francesa. Inicialmente, não tinha nome técnico.
Ao final, um médico francês sugeriu que chamá-la de “doença venérea” por acreditar que a causa principal era o ato sexual que, por sua vez, estava ligado à deusa romana do amor, Vênus.
A epidemia causada pela sífilis era diferente das vistas anteriormente. Ela não se concentrava numa área específica nem estava relacionada a uma época do ano.

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Todos corriam risco de adoecer. E, uma vez que isso acontecia, parecia que a pessoa nunca iria se recuperar.
Se o tormento durante o dia era difícil, parecia ainda pior à noite. Os que padeciam da doença gritavam continuamente por causa da dor que sentiam nos ossos. Mas qual era a causa?
Sífilis foi considerada castigo divino por pecados
No início, pensou-se que era um castigo de Deus pelos pecados cometidos pela sociedade. Assim, o primeiro passo para lidar com a doença era se arrepender e rezar por proteção divina.
Mas havia outras hipóteses. Astrólogos da época afirmavam que tinha relação com dois eclipses do Sol e a confluência de Saturno e Marte.
“As chuvas que caíram em todos os países atingidos naquela época foram tão abundantes que a terra foi contaminada com água estagnada, e não foi surpresa que a doença tivesse se apresentado”, registrou um professor de Medicina da época.
O encontro das estrelas com a contaminação da terra, por sua vez, causou uma podridão venenosa do ar. A consequência foi a putrefação do corpo humano.
No começo, acreditava-se que o mercúrio era um remédio para a sífilis. Era comum usar o medicamento para tratar de problemas de pele nessa época. Esse foi o tratamento recomendado ao soldado alemão: respirar gás de mercúrio quente.
Mas a cura era pior que a doença. Os pacientes perdiam a lucidez. No entanto, o uso do mercúrio para combater a sífilis continuou por muitos anos, até 1517, quando surgiu um novo remédio. O guáiaco, um arbusto encontrado no Haiti, supostamente era usado pelos que vinham daquela ilha.
Pedaços de tronco eram fervidos em água, e o líquido, bebido duas vezes ao dia. O tratamento completo incluía passar 30 dias em uma sala extremamente quente para suar e expelir a doença.
Nessa mesma época, estabeleceu-se uma relação entre a sífilis e o castigo divino decorrente de pecados individuais. A pessoa se contaminava se tivesse mantido uma relação sexual ilícita.
Nesse contexto, as mulheres eram consideradas as responsáveis por transmitir a doença. Eram elas que faziam os pobres homens caírem em tentação, ao estilo do casal bíblico Adão e Eva.
O estigma também afetava as crianças cujos pais sofriam com sífilis, porque era uma considerada uma doença hereditária. Gerações inteiras foram tidas como malditas.
Depois, detectou-se que a transmissão se dava de pessoa para pessoa. Assim, imaginava-se que a sífilis teve origem num lugar específico e não em consequência do clima.
Nessa época, acreditava-se que ela chegou à Europa com os marinheiros que vinham da América com Cristóvão Colombo. Supostamente, eles atracaram em Barcelona, uniram-se às tropas em Nápoles e às prostitutas. O Exército se encarregou de espalhá-la.
Mas historiadores médicos americanos não gostaram dessa teoria. Eles apresentaram, então, evidências arqueológicas para provar que a sífilis era uma doença nativa da Europa.

Identificada a causa, surge uma cura
Ainda há dúvidas sobre de onde a sífilis surgiu inicialmente. Mas, na verdade, as décadas antes e depois de 1500 representam uma grande mudança na sociedade europeia.
A vida urbana, novas técnicas de guerra e mudanças nos comportamentos sexuais. O ambiente europeu estava em mutação constante, o que fez aumentar a incidência de doenças.
Por isso, o surgimento de novas epidemias parecia inevitável. A sífilis chegou e ficou, propagando-se, em especial, em tempos de guerra.
Com a medicina moderna, identificou-se, em 1905, a bactéria que causa a doença. E, cinco anos depois, descobriu-se o primeiro tratamento efetivo.
Mas foi somente em 1943, com a descoberta da penicilina, que se encontrou a cura para a doença.

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13.827 – Curiosidades – É possível que um tiro saia pela culatra?


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O desenho e o funcionamento das pistolas atuais e o tipo de munição usada impedem que um projétil dê “marcha a ré” e atinja o atirador. A origem da expressão “O tiro saiu pela culatra” é incerta, mas pode remeter aos mosquetes do século 18, que eram recarregados pelo mesmo orifício de onde saía o disparo. O processo envolvia depositar primeiro a pólvora, depois o projétil . Se, no desespero da batalha, o atirador invertesse essa ordem, o tiro poderia sair “para trás”. Hoje, o máximo que pode rolar é uma explosão na câmara (onde o projeto é alojado) se a pessoa usar quantidade exagerada ou o tipo errado de pólvora em uma munição produzida (ou reciclada) artesanalmente.

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13.826 – História dos Castelos


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Castelo: residência fortificada do rei ou de um senhor feudal e dos membros de sua corte, construção comum em toda a Idade Média. Durante esse período, a Europa se encontrava em constante estado de guerra, o que tornou necessária uma construção capaz de resistir aos ataques e assédios. Além de servir de refúgio para o rei ou o senhor e sua corte, os castelos também desempenhavam outras funções, como prisão, guarda de riquezas, arsenais de munição e armas de guerra e mesmo centros de administração local.

Este esquema apresenta algumas das partes principais de um castelo medieval. A parte que mais se destaca é a torre da homenagem, uma fortificação que servia como último bastião de defesa. A maioria dos castelos eram cercados por um fosso, que só podia ser atravessado através de uma ponte levadiça.
Castelo Bodiam:
O castelo Bodiam construído, em Sussex, Inglaterra, durante o século XIV, foi um dos primeiros a aliar necessidades de defesa e conforto para seus moradores. O fosso e as altas muralhas garantiam a segurança mas havia, também, alojamentos cuidadosamente planejados no seu interior, inclusive um átrio e uma capela. O castelo foi parcialmente destruído no século XVII, durante a Guerra Civil inglesa, mas passou por uma restauração no início do século XX e foi doado à nação pelo Lord Curzon, um estadista inglês.

13.825 – História – Catolicismo na Idade Média


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O cristianismo estabeleceu-se como instituição nos séculos finais do Império Romano. Enquanto o Império Romano desmanchava-se em crises internas, a Igreja Católica fortaleceu-se e firmou suas bases. A perseguição aos cristãos encerrou-se a partir de 313 com o Édito de Milão, assinado pelo imperador Constantino. A partir de 380, com a assinatura do Édito de Tessalônica pelo imperador Teodósio, o Cristianismo transformou-se na religião oficial do Império.
O estabelecimento da Igreja e a formação da doutrina eclesiástica ocorreram mediante os conflitos causados pelas heresias, isto é, todas as doutrinas religiosas que não estavam de acordo com a ortodoxia vigente. Essas heresias colocavam a existência da Igreja em risco e foram duramente combatidas. Como exemplos, podemos citar o gnosticismo, pelagianismo, priscilianismo e o arianismo, uma das heresias que mais possuiu adeptos.

O arianismo surgiu por meio da doutrina de Ário (viveu no século IV) e negava o conceito da Trindade. Para Ário, o Pai e Cristo não partilhavam da mesma substância, assim, Cristo não era Deus. Ele considerava Cristo uma criação do Pai e, apesar de divino, era inferior ao Pai. O arianismo conquistou inúmeros adeptos pelo mundo cristão, chegando a ser defendido por imperadores, como foi o caso de Constâncio II.
O problema do arianismo foi tão grande que foi difundido sobre os povos germânicos a partir de Úlfilas, que converteu os godos, espalhando-se para ostrogodos, visigodos, vândalos etc. A Igreja Católica firmou-se entre os povos germânicos a partir da conversão de Clóvis, rei dos francos no século VI.
Esse primeiro momento de estabelecimento da Igreja deveu-se muito a algumas personalidades, como Santo Agostinho, Santo Atanásio, São Jerônimo, Gregório Magno etc. Todos contribuíram para a construção da doutrina eclesiástica e o fortalecimento da Igreja a partir do combate às heresias.
Afastamento de Bizâncio e o surgimento do Islã
Após a evangelização dos povos germânicos, o Cristianismo enfrentou nova ameaça à sua hegemonia com o surgimento do Islamismo e sua expansão fulminante a partir do conceito de guerra santa, a jihad. Assim, o islamismo expandiu-se por todo o Norte da África e, a partir de 711, conquistou quase toda a Península Ibérica. A expansão muçulmana na Europa só foi interrompida em 732, na batalha de Poitiers, que impediu a entrada dos muçulmanos no Reino dos Francos.
Além do Islã, a Igreja enfrentou também o afastamento entre o cristianismo sediado em Roma e o cristianismo sediado em Constantinopla. As diferenças teológicas entre a igreja latina e a igreja bizantina resultaram no Grande Cisma do Oriente em 1054. O Grande Cisma foi a separação definitiva da Igreja sediada em Roma da Igreja sediada em Constantinopla. Assim, surgiu a Igreja Católica Apostólica Ortodoxa.
Cruzadas
A partir de 1095, após convocação do papa Urbano II, a Igreja Católica iniciou um movimento militar chamado de Cruzadas (segundo Le Goff, o nome “Cruzadas” só surgiu no século XV|1|) para conquistar Jerusalém, o Santo Sepulcro e qualquer outro local na Palestina considerado sagrado do controle muçulmano.
Além disso, a Igreja viu nas Cruzadas e no estabelecimento de um inimigo em comum a todos uma maneira de canalizar a crescente violência manifestada pela nobreza europeia. Para justificar as Cruzadas, foi desenvolvido o conceito de Guerra Justa, que afirmava que a guerra era aceitável se fosse realizada contra o pagão – nesse caso, o muçulmano.
Ao todo foram realizadas oito cruzadas ao longo de mais de cem anos. A primeira Cruzada ficou marcada pela violência da conquista da cidade de Jerusalém em 1099. Foi estabelecido a partir daí um breve reino cristão na Palestina. A cidade de Jerusalém foi reconquistada pelos muçulmanos em 1187. A quarta Cruzada marcou o saque de Constantinopla pelos cristãos em 1204.
As últimas Cruzadas foram lideradas por São Luís e resultaram em grande fracasso. Os últimos domínios cristãos na Palestina, Acre e Tiro, foram reconquistados pelos muçulmanos em 1291. As Cruzadas contribuíram para aumentar o afastamento entre cristãos e muçulmanos.

Inquisição
A partir do século XII, as heresias ganharam nova força em meios cristãos, e a Igreja passou a combatê-las de maneira dura. Os movimentos heréticos desse período foram caracterizados pelo grande apelo popular que tiveram. Como a heresia era considerada o maior de todos os pecados, foi criado o Tribunal da Santa Inquisição. Dois grandes movimentos heréticos desse período destacaram-se: os albigenses e os valdenses.
A função da Inquisição era investigar, julgar e condenar todos os envolvidos em movimentos heréticos. Para isso, foi permitido pela Igreja o uso da tortura, e os culpados eram condenados à fogueira. Os historiadores não sabem ao certo quantos foram mortos pelo Tribunal da Santa Inquisição, mas estima-se que milhares de pessoas tenham sido mortas.

13.824 – Nobel 2018 – Cientistas que usaram evolução para criar proteínas ganham Nobel de Química


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Os pesquisadores levaram a evolução para os tubos de ensaio, tornando o processo mais rápido e fácil. Com alterações e seleção genética, eles conseguiram desenvolver proteínas que ajudaram a solucionar alguns dos problemas químicos da sociedade.
Metade da premiação em dinheiro (9 milhões de coroas suecas, valor equivalente a cerca de R$ 4 milhões) será de Frances Arnold, responsável, em 1993, pela primeira evolução dirigida de enzimas —proteínas que catalisam, ou seja, facilitam reações químicas. Nesse experimento, a melhor proteína conseguida após análise das mutações era uma enzima 256 vezes melhor do que a original.
A pesquisa de Arnold, cientista do Instituto de Tecnologia da Califórnia, possibilita atualmente a produção de substâncias químicas mais amigáveis do ponto de vista ambiental além da possibilidade de desenvolvimento de combustíveis renováveis menos poluentes.
Arnold é a quinta mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Química. A última vencedora foi Ada E. Yonath, em 2009. Antes delas, nenhuma pesquisadora tinha sido laureada na área desde 1964.
A outra metade do prêmio será dividida entre George Smith, da Universidade do Missouri, e Gregory Winter, do MRC Laboratório de Biologia Molecular.
Smith é responsável pelo desenvolvimento, 1985, de um mecanismo no qual um bacteriófago —vírus que infecta bactérias— é usado para criar novas proteínas.
Winter, por sua vez, usou esse mecanismo para a evolução dirigida de anticorpos, o que já resultou em novas drogas. O primeiro medicamento a ser produzido a partir desse método —o adalimumab— foi aprovado em 2002 e é usado para o tratamento de artrite reumatoide, psoríase e doença inflamatória intestinal.
O mesmo mecanismo já possibilita hoje a criação de anticorpos que podem neutralizar toxinas, frear doenças do sistema imune e até mesmo curar câncer metastático, com imunoterápicos —área de pesquisa vencedora do Nobel de Medicina de 2018.
Segundo Sara Snogerup Linse, membro do Comitê do Nobel para Química, Arnold (na área de biocombustíveis) e Winter (com anticorpos) já detêm patentes relacionadas às suas pesquisas.
Para ter controle sobre a evolução, Arnold tomou em suas mãos a seleção natural —pelo menos quanto as enzimas com as quais estava trabalhando.
A cientista inseriu mutações nos genes de uma enzima e colocou esse código genético mutante em uma bactéria, que acabou por gerar milhares de variações da enzima original.
O próximo passo do trabalho da pesquisadora consistiu em selecionar as enzimas que eram mais aptas para o fim pretendido —conseguir que a proteína catalisasse reações em soluções além das baseadas em água.
Arnold estudava uma enzima que interage com a caseína, que é uma proteína do leite. A cientista, então, fez testes com a caseína no tipo de solução em que ela gostaria que as enzimas funcionassem. Desse modo, as enzimas mutantes que melhor quebrassem a caseína seriam selecionadas e passariam por novas mutações aleatórias.
Ao fim, o melhor resultado alcançado pela pesquisadora americana tinha a combinação de dez mutações diferentes.​
Parte do raciocínio de seleção presente na pesquisa de Arnold é semelhante ao que Smith e Winter desenvolveram em suas pesquisas. Eles, porém, usavam uma “pescaria” para fazer suas seleções.
Smith, primeiramente, teve que desenvolver uma “isca”. Para isso, inseriu um gene no DNA de um bacteriófago. Com isso, o cientista acreditava que a proteína resultante ficaria visível na parte externa do vírus. E foi isso mesmo que aconteceu.
Com essa isca (que pode ser um peptídeo —conjunto de aminoácidos—, um anticorpo), é possível pescar outras proteínas ou antígenos. A técnica de Smith ganhou o nome de fago display.
Por fim, o britânico Winter levou a técnica a frente e conseguiu que o local de ligação de anticorpos se manifestasse na área externa do bacteriófago. Basicamente, ele conseguiu aplicar a evolução dirigida à técnica de fago display. Uma revolução farmacêutica começa a partir daí, com a possibilidade da seleção de anticorpos com grande afinidade a determinados antígenos.
Já em 1994, Winter conseguiu desenvolver anticorpos que conseguem atacar com grande especificidade células cancerígenas.
“Com essa técnica você aumenta a chance de achar um ligante”, diz Paulo Sérgio de Oliveira, pesquisador do Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais). Com o conhecimento já desenvolvido sobre a área, hoje é possível fazer essas varreduras computacionalmente.
Oliveira afirma que no Cnpem são pesquisadas, a partir dos mecanismos vencedores do nobel, formas de diagnóstico de zika e de tratamento de sepse —uma grave infecção generalizada.
Além da possibilidade de aperfeiçoar o que já existe, com a evolução dirigida é possível criar enzimas do zero, que não existem na natureza, diz Fábio Cesar Gozzo, do Instituto de Química da Unicamp. “É uma área que se inspira na natureza, mas na qual conseguimos ir muito além, fazer algo melhor do que existe.”
O design de proteínas —criar uma molécula— é um dos ramos relacionados à evolução dirigida. É esse tipo de criação que Allan Ferrari faz na Universidade de Washington, com auxílio de uma bolsa Fapesp.

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Esse tipo de toxina é produzida por fungos, pode afetar humanos e, por mais que os micro-organismos sejam eliminados, ela pode continuar nos alimentos. Uma abordagem mais radical ainda, segundo Ferrari, seria criar uma proteína que conseguisse quebrar a substância tóxica.
O laboratório de Arnold, ganhadora do nobel, também já realiza pesquisas na área de criação, trabalhando com uma química que não existe na natureza.
Além dos 9 milhões de coroas suecas, os vencedores também ganham uma medalha com a silhueta de Alfred Nobel e um diploma.
A láurea da área é destinada aos que fizeram as mais importantes descobertas ou aperfeiçoamentos químicos, segundo o testamento de Nobel (1833-1896).
Para a nomeação para o prêmio, o Comitê do Nobel para Química envia fichas confidenciais para pesquisadores qualificados —como membros da Academia Real Sueca de Ciências e laureados anteriores nas áreas de física e química— fazerem indicações. Ninguém pode indicar a si mesmo.
A láurea da área é destinada aos que fizeram as mais importantes descobertas ou aperfeiçoamentos químicos, segundo o testamento de Alfred Nobel (1833-1896).
A química era a ciência de maior importância no trabalho de Nobel, inventor da dinamite. Ele também foi responsável pelo desenvolvimento de borracha e couro sintéticos e seda artificial. Nobel registrou 355 patentes em seus 63 anos de vida.
Em 2017, o Nobel de Química premiou pesquisas de criomicroscopia eletrônica, processo pelo qual é possível congelar moléculas em meio a processos bioquímicos. Dessa forma, é possível ver com maior precisão a superfície delas e o funcionamento do organismo. Trata-se de uma fotografia da vida.
Os últimos premiados da área foram Jacques Dubochet, da Universidade de Lausanne, Joachim Frank, da Universidade Columbia e Richard Henderson, da Universidade de Cambridge.
Se na premiação de física deste ano, pela terceira vez na história, uma mulher recebeu a láurea da área, na química a situação não é muito melhor. Desde 1901 —primeiro ano da cerimônia—, o prêmio só acabou quatro vezes nas mãos de mulheres. A quinta ocorreu neste ano. Além de Frances Arnold e Ada Yonath, já receberam a láurea Marie Curie, Irène Joliot-Curie e Dorothy Crowfoot Hodgkin.
Na história do Nobel, em oito ocasiões, devido às duas guerras mundiais, a láurea de química não foi entregue —1916, 1917, 1919, 1924, 1933, 1940, 1941 e 1942.
Entre as pesquisas já premiadas estão a descoberta e trabalho com elementos químicos rádio e polônio (Marie Curie, 1911) e a pesquisa sobre ligações químicas (Linus Pauling – 1954).
Com a entrega do prêmio de química, agora restam as láureas da paz, a ser entregue nesta sexta (5), e de economia, que será divulgada na segunda-feira (8).
Por conta de uma série de denúncias e escândalos, a Academia Sueca anunciou que o Nobel de Literatura de 2018 não será entregue. A premiação de 2019 também corre risco de não ocorrer.
Em novembro de 2017, o jornal Dagens Nyheter informou que pelo menos 18 mulheres acusavam Jean-Claude Arnault –importante figura no meio cultural sueco– de assédio e agressão sexual. O homem é casado com uma membro da academia, a poeta Katarina Frostenson. Ambos são dirigentes de um clube cultural chamado Fórum, que recebia verbas da Academia Sueca.
Segundo o jornal, as agressões de Arnault a mulheres teriam ocorrido, nos últimos 20 anos, no clube e em imóveis de propriedade da Academia, em Estocolmo e Paris.
O escândalo, de acordo com o Dagens Nyheter, também envolve sete vazamentos do ganhador do Nobel de Literatura, desde 1996.

13.823 – O Socialismo Científico


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O Socialismo é um sistema político-econômico ou uma linha de pensamento criado no século XIX para confrontar o liberalismo e o capitalismo. A ideia foi desenvolvida a partir da realidade na qual o trabalhador era subordinado naquele momento, como baixos salários, enorme jornada de trabalho entre outras.
Nesse sentido, o socialismo propõe a extinção da propriedade privada dos meios de produção e a tomada do poder por parte do proletariado e controle do Estado e divisão igualitária da renda.
Os precursores dessa corrente de pensamento foram Saint-Simon (1760-1825), Charles Fourier (1772-1837), Louis Blanc (1811-1882) e Robert Owen (1771-1858), conhecidos como criadores do socialismo utópico.
Outros pensadores importantes que se enquadram no socialismo científico são os conhecidos Karl Marx e Friedrich Engels.
Apesar das idéias socialistas terem sido criadas ainda no século XIX, foram somente no século XX colocadas em vigor. O primeiro país a implantar esse regime político foi a Rússia, a partir de 1917, quando ocorreu a Revolução Russa, momento em que o governo monarquista foi retirado do poder e instaurado o socialismo. Após a Segunda Guerra Mundial, esse regime foi introduzido em países do leste europeu, nesse mesmo momento outras nações aderiram ao socialismo em diferentes lugares do mundo, a China, Cuba, alguns países africanos e outros do sudeste asiático.
Diante de todas as considerações, a seguir os principais aspectos do socialismo que deixam claro a disparidade com o sistema capitalista.

• Socialização dos meios de produção: todas as formas produtivas, como indústrias, fazendas entre outros, passam a pertencer à sociedade e são controladas pelo Estado, não concentrando a riqueza nas mãos de uma minoria.
• Não existem classes, ou seja, existe somente a classe trabalhadora e todos possuem os mesmos rendimentos e oportunidades.

• Economia planificada: corresponde a todo controle dos setores econômicos, dirigidos pelo Estado, determinando os preços, os estoques, salários, regulando o mercado como um todo.
O socialismo que foi desenvolvido no decorrer do século XX e que permanece em alguns países até os dias atuais é conhecido por socialismo real, em outras palavras foi executado de forma prática.
Por outro lado, o socialismo ideal é aquele desenvolvido no século XIX, que pregava uma sociedade sem distinção e igualitária, que acabava com o capitalismo. Os pensadores dessa vertente socialista eram em sua maioria anarquistas.
O principal pensador do socialismo foi Karl Marx, para ele esse regime surgiu a partir do capitalismo e seus meios de produção, tendo seu controle desempenhado pelo proletário, assim como o Estado, que posteriormente seria extinto, dando origem ao comunismo que corresponde a uma sociedade sem governo, polícia, forças armadas entre outros, além de não possuir classes sociais e economia de mercado.
Após o declínio do socialismo, a partir de 1991 com a queda da União Soviética, o sistema perdeu força no mundo, atualmente poucos países são socialistas, é o caso da China, Vietnã, Coréia do Norte e Cuba.

13.822 – Nobel de Física 2018


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Arthur Ashkin, Gérard Mourou e Donna Strickland são os ganhadores do prêmio Nobel de Física deste ano.
O americano Arthur Ashkin, 96, foi premiado com metade do valor por sua pesquisa em pinças ópticas e a aplicação delas em sistemas biológicos. O francês Gérard Mourou, 74, e a canadense Donna Strickland dividirão os outros R$ 2 milhões. Eles ganharam por seu método de gerar pulsos de laser supercurtos de alta intensidade, utilizados em cirurgias para os olhos. Donna Strickland é apenas a terceira mulher a vencer o prêmio desde 1903, e a primeira desde 1963.
Ashkin inventou pinças ópticas que conseguem agarrar partículas, átomos, vírus e outras células vivas com dedos de raios laser. Ele conseguiu que luzes laser empurrassem pequenas partículas para o centro do feixo e as segurassem ali. Em 1987, o americano conseguiu capturar bactérias vivas sem danificá-las. As pinças ópticas agora são utilizadas para investigar a “maquinaria da vida”, de acordo com a Academia sueca.
“Fiquei muito feliz com a nomeação do Ashkin, que foi reconhecido por seu trabalho pioneiro em experimentos usando lasers para aprisionamento de átomos e partículas”, diz Oscar Nassif de Mesquita, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que introduziu a técnica no Brasil, em 1999, junto com seu grupo de pesquisa.
“Utilizando raios de luz, Ashkin mostrou que era possível manipular a célula como se fosse uma pinça. É difícil desenvolver uma pinça mecânica, tão pequena, capaz de pegar uma célula só, mas você consegue desenvolver uma com feixes de luz. E sem matar a célula, que é o mais importante”, explica Vanderlei Bagnato, pesquisador em ótica e diretor do Instituto de Física de São Carlos, vinculado à USP.
Bagnato acrescenta que um feixe de luz, além de carregar energia, também tem a capacidade de gerar força. “Quando a luz penetra na célula, a célula funciona como uma lente e desvia o feixe de luz. É como se a célula empurrasse a luz para uma direção, mas aí ela sofre também um empurrão na direção oposta. E o efeito é usado para controlar o movimento das células”.

Lasers de alta intensidade
Já Mourou e Strickland desenvolveram “os pulsos de laser mais curtos e intensos já criados pela humanidade”, segundo a Academia. A técnica inventada por eles, a amplificação de pulsos (CPA, em inglês), tornou-se o padrão para raios laser de alta intensidade, servindo para cirurgias nos olhos.
A professora Ana Maria de Paula, pesquisadora da área na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que a técnica funciona porque permite que sejam feitos cortes muito precisos, sem danificar o material em volta do local da operação. A pesquisadora aponta também que, com os lasers ultracurtos e de alta potência, é possível estudar fenômenos que acontecem muito rápido, como o movimento de elétrons.
“Os elétrons, as partículas dentro dos átomos, são muito minúsculos. Os tempos associados a esses movimentos também são muito curtos. Com os lasers, você consegue acompanhar esses movimentos, que são da escala de femtosegundos (um quadrilionésimo de segundo)”, explica.
A luz é a coisa mais fundamental pra tudo na vida. Toda vez que a gente consegue desenvolver novos aplicativos, ou novas formas de manipular a própria luz, é extremamente importante para a humanidade”, completa Bagnato.

Mulheres
A falta de mulheres vencedoras na categoria foi destaque durante o anúncio do prêmio. A pesquisadora Olga Botner, membro do comitê, afirmou que “a porcentagem de mulheres nomeadas reflete o número de mulheres na ciência há 20 ou 30 anos, e vem aumentando constantemente ao longo dos anos”.
O diretor da Sociedade Brasileira de Física, Marcos Pimenta, confirma que a presença da mulher na física, hoje, é uma preocupação. “A vitória dela é uma coisa fantástica — que deveria ser mais comemorada e falada do que as pesquisas em si. As mulheres, muitas vezes, têm mais dificuldades de ascender na carreira. Eu formo de 15% a 20% de mulheres na graduação, mas a fração das que conseguem chegar a professora titular ou pesquisadora vai caindo”, avalia.
Ana Maria de Paula concorda. “Existe, sim, discriminação contra as mulheres. O trabalho das mulheres acaba sendo menos prestigiado do que o masculino, mesmo que tenha o mesmo valor e qualidade”. Ela acredita que a mudança deve ser cultural.
“Não é uma questão muito simples de ser resolvida, mas, tendo alguns reconhecimentos, incentiva mais as mulheres a perceberem que podem, também, ter chances de serem reconhecidas”, conclui.

13.821 – De onde veio a vida na Terra? Ciência pode estar mais perto da resposta


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Cientistas sugerem que um dos elementos mais importantes para a vida, o fosfato, pode ter sido entregue na Terra em seu primeiro bilhão de anos através de cometas ou meteoros.
O estudo foi conduzido pela University of Hawaii e publicado no periódico Nature Communications. Nele, os estudiosos usaram uma câmera de vácuo chamada W.M Keck Research Laboratory in Astrochemistry, para resfriar a simulação de grãos interestelares a temperaturas de até -270ºC.
Esses grãos foram revestidos em dióxido de carbono e água, algo comumente encontrado em moléculas de nuvens que deram origem às estrelas, e também fosfina – este último, no caso, venenoso para nós na Terra, mas muito útil quando é reagido para formar outros químicos.
Na câmara de vácuo, os pesquisadores expuseram a poeira interestelar á radiação ionizada, simulando raios cósmicos no espaço. Isso produziu coisas como ácido fosfórico que, no caso, é muito útil na criação de vida. “Na Terra, a fosfina é letal para seres vivos”, afirmou o líder do estudo, Andrew Turner, em um comunicado. “Mas no mundo interestelar, um elemento químico como a fosfina pode promover raras reações químicas que levam a moléculas relevantes como oxiácidos de fósforo, que eventualmente pode ser a faísca para a evolução molecular da vida como conhecemos”.
A ideia de que blocos inteiros de vida podem ter sido entregues na Terra não é necessariamente nova. Outras evidências de moléculas ou elementos químicos formados no espaço já foram encontradas, enquanto cometas já foram propostos como métodos para trazê-los até aqui. E como cometas contém materiais que datam desde o início do nosso sistema solar, eles podem ter coletado fosfina do universo interestelar, segundo a co-autora do estudo, Cornelia Meinert, da University of Nice, na França. Uma vez no nosso planeta, esse fósforo pode ter ajudado na prevalência da vida.
Entender quando e como a vida se originou na Terra é uma questão que ainda é debatida. Descobrir essa resposta não traria apenas um entendimento sobre o nosso início por aqui, mas ajudaria a compreender a possibilidade do início da vida no resto do universo, também – e a chegada do fósforo é uma peça importante deste quebra-cabeça.

13.820 – Medicina – Adermatoglifia: desordem genética de pessoas que nascem sem impressões digitais


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“É uma condição extremamente rara”, diz Sprecher, que é apenas um dentro da grande quantidade de médicos em todo o mundo que trabalham diretamente com a doença. “Geralmente, a partir dos filmes, só ouvimos sobre criminosos que tentam remover suas impressões digitais, mas ainda não se tinha ouvido falar desta doença. Então, eu acho que é por isso que as autoridades de controle de fronteiras ficaram tão preocupadas”.
As pontas dos dedos de pessoas com adermatoglifia são totalmente planas e não possuem os arqueamentos ou linhas circulares que caracterizam as impressões digitais de praticamente todos os seres humanos. Entretanto, as pessoas com a doença são totalmente saudáveis e possuem apenas o número reduzido de glândulas sudoríparas. Existem outras doenças genéticas (incluindo NFJS e Dermatopatia Pigmentosa Teticular) que levam à falta de impressões digitais, mas elas causam impactos graves sobre a saúde, tais como cabelos finos e dentes quebradiços.
Para Sprecher e Itin, o fato da pessoa ser completamente saudável e ainda sim nascer sem impressões digitais apresentou-se como um quebra-cabeça. Depois de encontrar os outros três grupos de pessoas relacionadas com a mesma condição, eles suspeitaram de que fosse uma causa genética.
Quando eles sequenciaram o DNA de 16 membros da família da mulher (nove com adermatoglifia e sete sem), o palpite se mostrou correto. Aqueles do primeiro grupo tinham uma mutação numa região de DNA que codifica uma proteína chamada SMARCAD1, enquanto que o segundo grupo tinha uma forma normal do gene.
Eles descobriram que a versão mais curta, a mutação do gene, interfere na forma alinhada e unida do RNA, e este é um passo fundamental no processo de utilização de um gene para produzir uma proteína. Portanto, esse fator impede que a proteína necessária se forme corretamente.
Ainda não está claro sobre como exatamente esta proteína está envolvida no desenvolvimento de impressão digital, sendo que é um processo que acontece no útero, na fase de gestação. Esse desconhecimento é gerado porque, apesar de ser algo que é visto todos os dias, os cientistas em geral têm realizado pouca pesquisa sobre como as impressões digitais se formam normalmente.
A adermatoglifia, no entanto, proporcionou uma lacuna inesperada no processo de estudos. “Esta condição realmente nos ajudou a obter algumas compreensões repentinas sobre os mecanismos que regulam a formação de impressões digitais. Se não fosse por essa doença, nunca se saberia que este gene não tem nada a ver com esse processo”, diz Sprecher. “Às vezes, através do estudo de um transtorno extraordinário, você ganha uma visão sobre os aspectos comuns da nossa biologia”.

13.819 -Nobel 2018 – Nobel de Medicina ou Fisiologia vai para imunoterapia contra o câncer


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O Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2018 foi anunciado em 1 de outubro para o americano James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo pelas descobertas ligadas ao combate do câncer com drogas que “bombam” a função do sistema imunológico, a chamada imunoterapia.
A estratégia pode ser traduzida como remover o “disfarce” do tumor para que o próprio organismo lute contra a doença.
A descoberta, de acordo com o Comitê do Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia, formou um quarto pilar no tratamento contra o câncer, junto com quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Médicos e biologistas já há alguns anos esperavam que a área fosse premiada.
A pesquisa teve grande desenvolvimento nas últimas décadas e aumentou a efetividade de tratamentos contra vários tipos de câncer, como melanoma, câncer de pulmão e câncer de rim, que não respondiam bem às drogas que existiam antes e diminuindo drasticamente a taxa de mortalidade para alguns tipos.
Pioneiro na área, o imunologista americano James P. Allison, do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas, teve a ideia de tentar soltar o “freio” do sistema imunológico conhecido como CTLA-4, um receptor presente na célula T (ou linfócito T), responsável por reconhecer as células que não são normais no organismo, como as células cancerosas.
A estratégia para conseguir isso envolveu a criação de um anticorpo que se liga no tal “freio molecular”, impedindo que ele seja ativado. Com isso, Allison curou camundongos que tinham melanoma. O anticorpo ipilimumabe (comercializado como Yervoy, da Bristol-Myers Squibb) age da mesma forma em humanos.
Segundo Fernando Maluf, oncologista da BP (antiga Beneficência Portuguesa), o tumor provoca uma espécie de paralisia no sistema imunológico, especialmente nos linfócitos T. “O que essas drogas fazem é desparalisar o sistema imunológico, permitindo que o linfócito ataque o tumor de forma muito mais eficaz.”
Outro freio molecular cuja inibição pode gerar efeitos ainda mais dramáticos, de acordo com o comitê do Nobel, é o PD-1. Fruto da pesquisa liderada pelo médico e imunologista Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto, o bloqueio do PD-1 também abriu uma avenida de possibilidades, com possivelmente menos efeitos colaterais do que a terapia anti-CTLA-4.

“Quando pacientes que se recuperam do câncer me agradecem, sinto verdadeiramente o significado de nossa pesquisa”, disse Honjo durante uma coletiva de imprensa, de acordo com a imprensa japonesa. “Eu gostaria de continuar pesquisando sobre o câncer por um tempo, para que essa imunoterapia possa ajudar a salvar mais pacientes com câncer do que nunca”.
Em uma entrevista por telefone ao jornal The New York Times, Allison disse que, quando os inibidores de ponto de verificação funcionam, os pacientes “ficarão bem por uma década ou mais”. Ele disse estar trabalhando com outros pesquisadores, incluindo sua esposa, a oncologista Padmanee Sharma, do MD Anderson, a fim de compreender mecanismos de modo que os tratamentos possam ajudar mais pacientes.
“É um grande desafio, mas nós sabemos as regras básicas agora. É apenas uma questão dedicação para juntar as peças do quebra-cabeça com base na ciência”, disse Alisson.
Entre as drogas hoje comercializadas que agem no funcionamento do sistema do PD-1 estão o nivolumabe (Opdivo, também da Bristol-Myrers Squibb) e o pembrolizumabe (Keytruda, da MSD). Ambas foram aprovadas em 2014. Há ainda outras drogas já lançadas com o mesmo princípio e várias estão em desenvolvimento.
Uma consequência natural do desenvolvimento dessas pesquisas foi tentativa de combinação das duas terapias, o que gerou uma resposta ainda melhor do que aquelas obtidas individualmente, reduzindo a mortalidade.
Cada vez mais tipos de câncer são tratados com a imunoterapia. “São tantos os exemplos que já desisti de anotar”, brinca Antonio Carlos Buzaid, oncologista do hospital Albert Einstein e da BP.
No ano passado, levaram o Nobel cientistas pioneiros nos estudos dos mecanismos moleculares por trás do ritmo circadiano —ou relógio biológico— que funciona dentro das células. Foram agraciados os americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W Young.
A escolha do vencedor do mais importante prêmio da área é realizada por um grupo de 50 pesquisadores ligados ao Instituto Karolinska, na Suécia, escolhido por Alfred Nobel em seu testamento para eleger aquele que tenha feito notáveis contribuições ao futuro da humanidade para receber a láurea.
O prazo para o comitê receber as indicações foi dia 31 de janeiro. Podem indicar nomes os membros do Comitê do Nobel do Instituto Karolinska, biologistas e médicos ligados à Academia Real Sueca de Ciências, vencedores dos prêmios de Fisiologia ou Medicina ou de Química, professores titulares de medicina de instituições suecas, norueguesas, finlandesas, islandesas ou dinamarquesas e acadêmicos e cientistas selecionados pelo comitê do Nobel. Autoindicações são desconsideradas.
A cerimônia de premiação dos vencedores deste ano, porém, só ocorre em dezembro.
Entre as descobertas premiadas no passado estão as da estrutura do DNA por James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins (1962), a da penicilina por Fleming e outros (1945), a do ciclo do ácido cítrico por Hans Krebs (1953) e a da estrutura do sistema nervoso por Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal (1906).
Outras descobertas notáveis premiadas pelo Nobel de Medicina ou Fisiologia são a da insulina (1932), da relação entre HPV e câncer (2008), a da fertilização in vitro (2010), a de que existem grupos sanguíneos (1930) e a de como agem os hormônios (1971).
Os vencedores dividirão o prêmio de 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 4,1 milhões). O dinheiro vem de um fundo de quase 4,5 bilhões de coroas suecas (em valores atuais) deixado pelo patrono do prêmio, Alfred Nobel (1833-1896), inventor da dinamite. Os prêmios são distribuídos desde 1901. Além do valor em dinheiro, o laureado recebe uma medalha e um diploma.

13.818 – História – Quem foram os Francos?


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A maioria dos reinos bárbaros formados a partir da destruição do Império Romano do Ocidente teve vida curta. Saxões, visigodos, ostrogodos alamos, burgúndios e outros povos não resistiram às pressões externas e acabaram dominados ou destruídos. Apenas os francos conseguiram se estruturar e fincar raízes na Gália. Depois expandiram seus domínios sobre territórios que hoke correspondem à França, Alemanha, Bélgica, Itália e mais oito países da Europa. A palavra franco vem do alemão antigo frekkr e significa forte, ousado, corajoso. Essas eram exatamente as qualidades que Carlos Magno procurava ostentar como o maior soberano dos francos e grande guerreiro cristão. Por isso, Carlos Magno foi coroado pelo papa Leão III com o título de Imperador na tentativa de resgatar a autoridade do antigo Império Romano.
De todos os povos bárbaros germânicos, os francos merecem especial atenção, pois conseguiram estruturar um poderoso Estado de grande significação na Alta Idade Média européia. Esse Estado franco formou-se e expandiu-se sob o governo de duas dinastias:
Dinastia dos Reis Merovíngios (século V a VIII) – período da formação do reino franco, das suas primeiras expansões territoriais e da aliança estabelecida entre o rei e a Igreja Católica Romana.
Dinastia dos Reis Carolíngios (século VIII e IX) – período do apogeu dos francos, da sua máxima expansão territorial e da tentativa de se fazer ressurgir, sob o governo dos francos, a autoridade de um império universal.

Os Merovíngios
Meroveu foi líder dos francos na primeira metade do século V, chefiando seu povo na luta contra os hunos (Batalha dos Campos Catalúnicos). Por descender de Meroveu, a primeira dinastia dos reis francos é dominado merovíngia.
Em termos efetivos, o primeiro rei merovíngio foi Clovis (neto de Meroveu), que governou durante vinte nove anos (482-511). Clovis conseguiu promover a unificação dos francos, expandiu seus domínios territoriais e converteu-se ao cristianismo católico.
Depois da morte de Clovis, seus quatro filhos dividiram o reino franco, enfraquecendo-o politicamente. Somente com o rei Dagoberto (629-639) houve uma nova reunificação dos francos. Entretanto, após sua morte surgiram novas lutas internas que aceleraram o desmoronamento do poder dos reis merovíngios.
Os sucessores de Dagoberto tiveram seus poderes absorvidos por um alto funcionário da corte, o prefeito do palácio (mordomo do paço) que, na prática, desempenhava o papel do verdadeiro rei. Quando aos reis merovíngios, assumiram uma vida de prazeres e de ociosidade, o que lhe valeu o título de reis indolentes.
No final do século VII, o mordomo do paço Pepino de Herstal (679-714) tornou seu cargo hereditário. Seu sucessor, Carlos Martel (714-741), adquiriu grande prestigio e poder, principalmente depois de conseguir deter o avanço dos árabes muçulmanos em direção à Europa Ocidental.
Foi na famosa Batalha de Poitiers, em 732 que Carlos Martel venceu o emir árabe Abderramã, contando com os esforços da infantaria dos francos. Interrompendo o avanço dos muçulmanos em direção à Europa, Carlos Martel ficou conhecido como o salvador da cristandade ocidental.
Ao morrer, Carlos Martel repartiu seus domínios entre seus dois filhos: Carlomano e Pepino. Em 747 Carlomano entrou para a vida monástica, deixando para Pepino todos os poderes políticos deixados pelo pai. Em 751, Pepino destronou o último e enfraquecido rei merovíngio, Childerico III, e fundou a dinastia carolíngia.

Os Carolíngios
Pepino, o Breve, obteve o reconhecimento do papa Zacarias para o destronamento do último rei merovíngio, que se recolheu a um mosteiro. Eleito rei de todos os francos, Pepino foi abençoado solenemente pelo arcebispo Bonifácio, representante do papa.
Antes de morrer, 768, Pepino dividiu reino entre seus dois filhos: Carlos Magno e Carlomano. Porém, três anos após receber sua parte no reino (771), Carlomano morreu e Carlos Magno tornou-se soberano absoluto do reino franco. Através de diversas guerras, Carlos Magno ampliou os domínios dos francos, apoderando-se de regiões como a Soxônia, Baviera, Lombardia e quase toda a Itália. Suas conquistas trouxeram-lhe prestígio e poder.

Império Carolíngio
A Igreja católica aliou-se a Carlos Magno, pois desejava a proteção de um soberano poderoso e cristão que possibilitasse a expansão do cristianismo. Assim, no dia 25 de dezembro de 800, Carlos Magno recebeu do papa Leão III o título de imperador do Sacro Império Romano.
Foi uma cerimônia pomposa e solene, que pretendia reviver, através do novo imperador, a autoridade do Império Romano do Ocidente, desaparecido em 476 com as invasões germânicas. Desse modo, Carlos Magno foi coroado como legítimo sucessor dos grande imperadores romanos.
A princípio, o Império Bizantino não recolheu o título concedido a Carlos Magno. O imperador bizantino Miguel I exigiu, para dar seu reconhecimento, concessões territoriais da região da Dalmácia e da Ístria.

A Administração do Império
O império Franco não tinha capital fixa. Sua sede dependia do lugar onde se encontrava o imperador e sua corte. De modo geral, Carlos Magno permanecia por maior tempo na cidade de Aquisgrã (Aix-la-Chapelle).
Procurando dar uma organização mais adequada aos usos e costumes vigentes no império, Carlos Magno baixou normas escritas conhecidas como capitulares.
Condes, Marqueses e Missi-Dominici
Carlos Magno criou subdivisões administrativas, encarregando os condes, os marqueses e os missi-dominici de controlá-las.
Cabia aos condes, responsáveis pelos territórios do interior (condados), fazer cumprir as capitulares e cobrar os impostos em nome de Carlos Magno.
Aos marqueses, cabia defender e administrar os territórios situados nas fronteiras do império, isto é, as marcas.
Os missi-dominici, inspetores reais, viajavam por todo o império e tinham plenos poderes para controlar a ação dos administradores locais.

O Beneficium e os Vassalos do Rei
Durante o governo de Carlos Magno, muitas terras do império foram concedidas em beneficium a diversos nobres locais. Esses nobres tornavam-se, então, vassalos do rei, tendo para com ele dever de fidelidade. Por estarem na condição de vassalos diretos do rei, muitos desses nobres se recusavam a obedecer às instruções de autoridade administrativas, como os missi-dominici.
Essa atitude dos nobres foi um importante elemento para a formação da sociedade deudal, com fragmentação do poder nas mãos de diversos nobres senhores de terra, unidos apenas pelos laços de vassalagem.
A Renascença Carolíngia
Guerreiro audacioso, Carlos Magno dedicou-se, durante toda a vida, muito à espada do que ao cultivo do espírito, permanecendo analfabeto praticamente até a idade adulta. Entretanto, na qualidade de administrador, preocupou-se em promover o desenvolvimento cultural do Império Franco, talvez para dar legitimidade à pretendida recriação do Império Romano Ocidental.
Assessorado por intelectuais, como o monge Alcuíno, o bibliotecário Leidrade e os historiadores Paulo Diácomo e Eginardo, Carlos Magno abriu escolas e mosteiros, estimulou a tradução e a cópia de manuscritos antigos e protegeu artistas.
Assim, o período de seu governo foi marcado por significativa atividade cultural, que abrangeu os setores das letras, das artes e da educação. Trata-se da chamada renascença carolíngia, que contribuiu para a preservação e a transmissão de valores da cultura da Antiguidade Clássica.

A Divisão e a Decadência do Império
Ao morrer, em 814, Carlos Magno deixou o poder imperial para seu filho Luís I, o Piedoso, No reinado de Luís I, o Império Carolíngio ainda conseguiu manter sua unidade política, mas após sua morte, em 840, o império foi disputado por seus filhos, numa desgastante guerra civil.
Pelo Tratado de Verdun, assinado em 843, os filhos de Luís I firmaram a paz, estabelecendo a seguinte divisão do Império Franco:
Carlos II, o Calvo, ficou com a parte ocidental, compreendendo a região da Franca atual;
Luís, o Germânico, ficou com a parte oriental, compreendendo a região da Alemanha atual;
Lotário ficou com a prte central, compreendendo regiões que estendiam da Itália até o mar do Norte.
Em cada uma dessas regiões carolíngias foi perdendo o poder, com as sucessivas divisões internas dos reinos. Assim, a ora de unidade política realizada por Carlos Magno não conseguiu sobreviver um século depois de sua morte.

Causas da decadência: crise e invasões
O desmembramento do poder real dos monarcas carolíngios foi acompanhado pela crescente independência e autonomia da nobreza agrária. Houve forte descentralização e fragmentação do poder político, evidenciando a crise interna vivida pelo império.
Depois de um período sem invasões, a Europa cristianizada sofreu uma série de novas invasões, nos século IX e X, em três grande frentes: leste, norte e sul.
Do leste vieram os húngaros (magiares), que promoveram ataques periódicos, saqueando vilas, mosteiros e propriedades rurais.
Do norte ocorreu a invasão do vikings (escandinavos), que, vindos da Dinamarca pelo mar do Norte, lançaram-se em constantes ataques de pirataria locais do litoral europeu. Em 911, o rei franco Carlos, o Simples, cedeu a um dos chefes cikings, Rollon, o território da Normandia. Em contrapartida, Rollon tornou-se vassalo do rei franco.
Pelo sul chegaram os árabes, de religião muçulmanos, que, dominando a navegação pelo mar, Mediterrâneo, lançaram-se em sucessivos ataques de pilhagem e diversas regiões da Itália (Roma, Campânia e Lácio) e as grandes ilhas (Sicília, Córsega e Sardenha).
O renomado historiador Henri Pirenne defende a tese de que o comércio entre Europa e Oriente continuou ativo, ainda que enfraquecido, mesmo com o fim do Impéiro Romano do Ocidente. Só com o estabelecimento do domínio árabe no mar Mediterrâneo é que houve forte retração no comércio europeu-oriental:

“O fato de a expansão islâmica ter fechado o Mediterrâneo, no século VII, teve como resultado a rapidíssima decadência do comércio. No decorrer do século VIII, os mercadores desapareceram em virtude da interrupção do comércio. A vida urbana, que ainda permanecia, graças a esses mercadores, malogrou ao mesmo tempo.
Manifestou-se, então, um empobrecimento geral. O numerário de ouro, herdado dos romanos, desapareceu, sendo substituido pela moeda de prata dos carolíngios. Essa é uma prova evidente do rompimento com a economia antiga caracteristicamente mediterrânea”.

A Formação das Sociedades Feudais
O clima de insegurança e de intranqüilidade espalhado pela onde de invasões conduziu os cristãos europeus a construir vilas fortificadas e castelos cercados com grandes estacas.
Todo esse sistema defensivo criado pela iniciativa particular dos nobres de cada região demonstrava a falta de poder dos reis para organizar a defesa da sociedade como um todo. Cada um defendia-se como podia, associando-se a senhores mais poderosos, em busca de proteção. Nesse sentido, as “invasões” assinalaram uma data essencial na formação das sociedade feudais do ocidente.

13.817 – Quais foram os Primeiros Primatas?


cranio humano
A busca pelas origens do homem nos leva até o surgimento dos primeiros primatas, há 70 milhões de anos. Só que nessa época nossos parentes se pareciam mais com ratos do que com os atuais macacos.
Elo ainda perdido
Quando a teoria de Charles Darwin foi confirmada, uma idéia rapidamente se difundiu: de que haveria um elo perdido entrehomens e macacos. Uma espécie intermediária, da qual os dois se teriam desenvolvido. Hoje, os cientistas acreditam que a história não é tão simples assim: homens e macacos provavelmente se desenvolveram paralelamente, a partir de outras espécies de primatas. Por isso, voltar até as origens do ser humano significa chegar ao momento em que surgiram os primeiros primatas – ordem de mamíferos à qual pertencem tanto homens quanto macacos.

Há 70 milhões de anos…
…surgiram os primeiros primatas. Um dos mais antigos, o Pleisiadapis, ainda era semelhante a um roedor. Só os de 35 milhões de anos atrás se assemelhavam aos atuais macacos. Nessa época, surgiu o Aegiptopiteco, animal arborícola e frutívoro, já com o cérebro um pouco desenvolvido e capaz de distinguir cores e relevos. Dele se originou o grupo dos hominóides, que inclui os gibões, os orangotangos, os chimpanzés, os gorilas e os homens. Há mais ou menos 30 milhões de anos, os gibões se separaram da linhagem que conduziu ao ser humano. Logo depois — há 17 milhões de anos — aconteceu a separação da linhagem dos orangotangos. Por fim, respectivamente há 7 e 12 milhões de anos, surgiram os gorilas e chimpanzés. Por terem se separado da nossa linhagem a menos tempo, esses dois animais ainda mantêm muitas semelhanças com os humanos, tanto na fisionomia quanto no comportamento.
E o cérebro cresce
Durante todo o processo de evolução do ser humano, um dado foi constante: o aumento do volume cerebral. Isso permitiu, a longo prazo, o desenvolvimento de instrumentos, da linguagem e da cultura.

Os primeiros hominídeos
O mais antigo hominídeo conhecido, com cerca de 4,5 milhões de anos, é o Ardipithecus ramidus. Eram animais ainda muito parecidos com os atuais chimpanzés, mas provavelmente já andavam sobre duas pernas. Os machos eram duas vezes maiores do que as fêmeas. Hoje, os cientistas acreditam que os A. ramidus viviam nas florestas, o que derruba a teoria de que o bipedismo tenha surgido quando nossos antepassados foram viver nas savanas. Então por que nos tornamos bípedes? Essa pergunta ainda não tem uma resposta definitiva, mas certamente andar sobre duas pernas proporcionava mais vantagens também na floresta. Nas savanas, o bipedismo permitia percorrer maiores distâncias em menor tempo, facilitando a busca por alimentos.
Os Australopithecus
O primeiro esqueleto de A. afarensis encontrado foi o da famosa Lucy. Ela recebeu esse nome porque a música Lucy in the Sky with Diamonds, dos Beatles, tocava no rádio no momento em que a equipe de arqueólogos percebeu que havia encontrado um esqueleto de mulher.
Ao contrário do que se pensava antigamente, a evolução humana não foi linear. Várias espécies surgiram e desapareceram, e até chegaram a conviver durante algum tempo. Há pouco mais de 4 milhões de anos surgiram os primeiros Australopithecus. Os mais antigos deles são o Australopithecus anamensis e o A. afarensis, já com características fisionômicas mais parecidas com as dos humanos atuais. Mas seu cérebro ainda mantinha a mesma dimensão do dos atuais chimpanzés. A primeira espécie a apresentar crescimento cerebral foi a A. africanus — que se alimentava de frutos e folhas e tinha a pele negra. Logo depois, surgiram três espécies quase simultâneas: a Australopithecus aethiopicus, a A. robustus e a A. boisei.
Em outro ramo evolutivo surgiu o Homo habilis, espécie de hominídeos com o cérebro mais desenvolvido da época. Foram os primeiros a talhar utensílios, em vez de simplesmente utilizar pedras e gravetos em estado bruto, como faziam alguns Australopithecus e como até hoje fazem os chimpanzés. Também foi a primeira espécie a organizar uma forma rudimentar de fala e a construir abrigos. Foi também com o H. habilis que os hominídeos adotaram hábitos carnívoros, alimentando-se inclusive de Australopithecus. Calma! Isso não quer dizer que fossem canibais. Não se esqueça de que os Australopitecus pertenciam a outra espécie animal.
Grupos de caçadores
Um primo distante do Homo habilis, chamado Homo ergaster, foi o primeiro a fazer armas e a se especializar na caça. Para aumentar sua eficiência contra grandes presas, passou a viver em pequenos grupos. A necessidade de coordenar as táticas de caça obrigou o desenvolvimento da comunicação e das linguagens oral e gestual. O Homo erectus descendeu do H. ergaster e já tinha capacidade cerebral próxima à nossa. Foi a primeira espécie a controlar o fogo e, com isso, tornaram-se capazes de migrar para regiões de climas mais frios. Os hominídeos deixavam a África e partiam para a Europa e Ásia. Mas o H. erectus ainda não seria a espécie a dominar o mundo. Outra estava por surgir, também descendente do H. ergaster: o Homo sapiens primitivo.
Ao contrário do que se pensava, o homem de Neanderthal não é um de nossos antepassados. Mas surgiu quase ao mesmo tempo que o Homo sapiens. Este último deu origem ao Homo sapiens sapiens, espécie à qual pertencemos.
Com suas roupas de pele, machados e lanças, os homens de Neanderthal viveram os rigores da glaciação.

O primo do H. sapiens
Quando o primeiro fóssil de Homo neanderthalensis — também conhecido como homem de Neanderthal — foi encontrado, em 1856, os pesquisadores acreditaram tratar-se de um de nossos antepassados na cadeia evolutiva. Estavam enganados. Hoje se sabe que o homem de Neanderthal era um “primo” do H. sapiens e chegou a conviver durante algum tempo com o homem moderno — o H. sapiens sapiens. Mas pesquisas mais recentes indicam que o homem de Neanderthal foi responsável por uma cultura muito mais avançada do que se supunha. Foram os primeiros artistas da Pré-História, criando flautas a partir de ossos, e os primeiros humanos a viver sob as duras condições das eras glaciares. Viviam em pequenos grupos familiares e os mais fracos eram apoiados pelos companheiros. Os mortos eram enterrados com utensílios, o que demonstra a prática de rituais e certa consciência religiosa. Já possuíam uma linguagem rudimentar, embora não fossem capazes de produzir um leque muito variado de sons. Faziam machados, facas e pontas de lanças, construíam cabanas de madeira, pedra e peles de animais. Desapareceram misteriosamente há 30 mil anos.
Finalmente, o homem moderno
Nessa longa linha evolutiva, por fim surgiu o Homo sapiens sapiens, há 130 mil anos. Desenvolveu vestuário, habitações, ornamentos, práticas medicinais e rituais. Também foi responsável pela criação de novas formas de arte, como a escultura e a pintura. Há 12 mil anos, o Homo sapiens sapiens descobriu a agricultura e domesticou os animais. Tornou-se sedentário e criou as primeiras cidades. Há 5 mil anos surgiram as primeiras civilizações e foi inventada a escrita. Era o fim da Pré-História e o início de uma nova aventura humana.
As pinturas encontradas em cavernas em várias partes da Europa são herança dos primeiros Homo sapiens sapiens.

Paleolítico
Esse período começou há cerca de 2 milhões de anos e terminou há 10 mil. Foi uma época de evolução física e cultural do homem.

Neolítico
Esse foi o período da Pré-História no qual aconteceram as maiores transformações da humanidade. Foi a época da domesticação dos animais e da criação da agricultura.

Idade dos Metais
A evolução humana originou as primeiras cidades no Oriente Médio. E, juntamente com a vida urbana, surgiu a escrita. A existência de documentos escritos determina o final da Pré-História e o início da História.