13.683 – Biologia – Veja o tamanho e peso do cérebro humano em comparação com outros animais


cerebro animal
O cérebro humano é incrível, e, com certeza, o que mais nos diferencia dos outros animais. Mas não é o maior cérebro do reino animal; animais maiores, como baleias e elefantes, têm cérebros maiores (a baleia- azul, com seus 10 kg de cérebro, tem o maior do reino animal).
Porém, o cérebro humano é muito grande quando comparado com o tamanho do nosso corpo. O cérebro humano pesa, em média, 1,5 kg. Em um homem de 80 kg, é quase 2% do seu peso corporal. Já a baleia-azul, com suas 200 toneladas, tem um cérebro que ocupa apenas 0,005% de seu corpo.
Mas proporção também não é tudo. Se inteligência dependesse só disso, estaríamos empatados com os ratos, que também têm um cérebro que ocupa 2% de espaço no corpo.

A chave é a complexidade desse órgão.
A maioria das criaturas vivas possui um sistema nervoso. Em algumas delas, ele é muito simples, como o da anêmona-do-mar, que tem apenas uma pequena rede de células nervosas. Nos insetos, essas células ficam lado a lado para formarem os nervos. Em criaturas mais complexas, forma-se uma coluna que possui um cérebro e uma medula espinal. Entre estes animais, os peixes possuem o cérebro mais simples, não muito maior que seu olho.
Quanto mais rugas tem um cérebro, mais neurônios ele tem. O cérebro humano tem mais pregas e rugas do que muitos outros animais. Por exemplo, o cérebro de um esquilo ou de um rato é muito liso comparado com o de um ser humano, por isso não é tão complexo. Alguns animais, como os golfinhos e as baleias, têm cérebros quase tão enrugados quanto os nossos.
Conclusão: tamanho e peso não são documento. Rugas podem ser mais decisivas – ainda que não expliquem todos os mistérios da inteligência.
Mas, por divertimento, confira o tamanho e o peso médio do cérebro de várias espécies animais:

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Primatas:
Humano (Homo sapiens): 1,176 kg
Chipanzé (Pan troglodytes): 273 g
Babuíno (Papio cynocephalus): 151 g
Mandril (Mandrillus sphinx): 123 g
Macaco (Macaca tonkeana): 110 g
Carnívoros:

Urso (Ursus arctos): 289 g
Leão (Panthera leo): 165 g
Guepardo (Acinonyx jubatus): 119 g
Cão (Canis familiaris): 95 g
Gato (Felis catus): 32 g
Artiodátilos:
Girafa (Giraffa camelopardalis): 700 g
Cudo, um antílope africano (Tragelaphus strepsiceros): 166 g
Muflão, carneiro selvagem (Ovis musimon): 118 g
Cabra do Gerês (Capra pyrenaica): 115 g
Queixada (Tayassu pecari): 41 g
Marsupiais:

Wallaby (Protemnodon rufogrisea): 28 g
Lagomorfos:

Coelho (Oryctolagus cuniculus): 5,2 g
Roedores:

Rato-preto ou ratazana (Rattus rattus): 2,6 g
Camundongo ou rato-doméstico (Mus musculus): 0,5 g
Bônus
Baleia cachalote: 7,8 kg
Vaca: 5,6 kg
Orca: 5,6 kg
Elefante: 7,5 kg
Golfinho: 1,6 kg
Abelha: 0,013 g
Beija-flor: 1 g
Hipopótamo: 500 g
Curiosamente, a proporção entre o cérebro e o corpo da abelha (15,6%) é bem maior que a do hipopótamo (0,017%), tornando-a mais esperta. Já a barata nem cérebro tem. No lugar, possui o cefalotorax, um órgão que atravessa seu corpo e só serve mesmo para mantê-la viva. Para matá-la, mal adianta arrancar sua cabeça…[NeuroscienceResearchTechniques, MundoEstranho, SuperInteressante, CerebroEMEnte]

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13.681 – Cangambá, o Comedor de Jararacas


O veneno da jararaca pode ser terrível, mas não para o cangambá.

Cangambá
O cangambá é uma animal pertencente ao Filo Chordata, a Classe Mammalia, de ordem Carnívora e da Família Mustelidae . Esse animal é confundido geralmente com o gambá, tanto por expelir odor quando se sente ameaçado e pela semelhança fonética. Ele é encontrado na América do Norte, desde o Canadá até o México. São encontrados geralmente em bosques e campinas. Há espécies similares aqui no Brasil como o zorrilho e a jaratataca que possuem glândulas anais que produzem a substância de mau cheiro.
Possuem uma pelagem brilhante e com tonalidade geralmente escura, algumas espécies vêm acompanhadas por duas listras no dorso, que se estendem desde a cabeça e indo em direção ao rabo ou ainda a terminação da listra ocorre antes mesmo de chegar na cauda. Possui um peso médio de um a quatro quilogramas, medindo de cinquenta e cinco a setenta e cinco centímetros de comprimento. Seu corpo é longo, e possui uma cauda grande e peluda. Sua cabeça e olhos são pequenos e suas orelhas são arredondadas.

Dieta e Reprodução do Cangambá
Sua alimentação é composta por insetos e vermes, também incluem pequenos vertebrados, sendo um animal tipicamente carnívoro. Os machos apenas procuram pelas fêmeas na época do cio. Elas se reproduzem durante o inverno, sendo bem semelhante com seu ‘parente’, o zorrilho. Cada fêmea passa o inverno com apenas um macho da sua espécie. É nessa época que o animal diminui suas atividades, ficando somente na toca. Seu período de gestação é de sessenta e três dias, dando a luz uma vez ao ano, sua cria é de geralmente quatro a cinco filhotes. Vivendo em selva duram de dois a três anos e em cativeiro vive até quinze anos. A sua expectativa de vida é relativamente baixa, pois noventa por cento desses animais não sobrevivem ao primeiro inverno.
Hábitos
O Cangambá vive em tocas, em buracos ou rochas. Por desenvolver atividade noturna, durante o dia ele costuma descansar na toca. Embora haja uma contradição de ideias esse animal é bem limpinho, pois a cada refeição feita, ele costuma limpar a boca. Por ser um animal de pequeno porte costuma ser lento ao andar, então esse animal é bem conhecido pela sua arma de defesa, que realmente é muito fedida. Esse animal tem ótimos métodos de defesa. Quando se sente em perigo, tem uma arma química, uma substancia volátil e com muito mau cheiro. A glândula responsável pela produção do líquido se localiza na parte externa do ânus. Mesmo com esse mecanismo de defesa não garante a proteção contra aves predatórias. Uma curiosidade é que esse animal não é predado por outros mamíferos. Esse líquido não é produzido constantemente, somente há produção em último caso, e além do mau cheiro proporciona ardência nos olhos e narinas.
Jararaca
O gênero Bothrops (jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca) representa o grupo mais importante de serpentes peçonhentas, com mais de 60 espécies encontradas em todo território brasileiro (incluindo os gêneros Bothriopsis e Bothrocophias). As principais espécies são: Bothrops atrox: é o ofídio mais encontrado na Amazônia, principalmente, em beiras de rios e igarapés; Bothrops erythromelas: abundante nas áreas litorâneas e úmidas da região Nordeste; Bothrops jararaca: tem grande capacidade adaptativa, ocupa e coloniza áreas silvestres, agrícolas e periurbanas, sendo a espécie mais comum da região Sudeste; Bothrops jararacussu: é a espécie que pode alcançar maior comprimento (até 1,8m) e a que produz maior quantidade de veneno dentre as serpentes do gênero, predominante no Sul e Sudeste; Bothrops moojeni: principal espécie dos cerrados, capaz de se adaptar aos ambientes modificados, com comportamento agressivo e porte avantajado; e Bothrops alternatus: vive em campos e outras áreas abertas, desde a região Centro-oeste até a Sul.
Imunidade
Alguns animais são imunes ao veneno de serpentes. É o caso do gambá. Com essa proteção fisiológica, ele consegue enriquecer seu cardápio com cobras, como as jararacas (Bothrops sp.), cascavéis (Crotalus spp.) e corais (Micrurus spp.). Mordem a região da cabeça ou da garganta desses animais e começam a ingeri-los pela mesma. Segundo SOERENSEN, B. & et ali – UNIMAR, houve apenas morte aguda, em um experimento com gambás, com uma dosagem de 660 mg de veneno, o que corresponde a uma dose 4.000 vezes superior à suportada por bovinos de 400 kg.
Pelo fato destes animais serem de hábitos noturnos, é muito difícil encontrá-los em jardins zoológicos, pela inatividade durante o dia.

13.680 – Conceitos de Biologia


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Especula-se que a vida em Marte seja diversa do caráter que conhecemos. Se chamarmos a da Terra de vida alfa, a de Marte poderia ser chamada de beta. Caso exista pode não consistir de indivíduos que se reproduzam sendo simplesmente móvel e metabólica.
Vemos a ostra fechar a concha quando procuramos toca-la, vemos a lagosta se mover com patas e pinças em direção a um pedaço de alimento; parece-nos natural supor que esses seres também sentem, da mesma forma por que sentimos.
Estudando a história da classificação zoológica desde o esboço de Aristóteles até os dias de hoje, verificaremos que são pequenas alterações feitas na divisão dos animais que nos são mais conhecidos e familiares. Mas há um crescimento contínuo de outras classes e justamente entre estes “desclassificados”, principalmente plantas, que surge alguns dos mais elucidativos trabalhos dos tempos modernos.

13.677 – Curiosidades sobre as Baratas


barata
Casca dura
Para proteger o interior delicado, elas são revestidas por um casco duro de quitina. O formato achatado permite que elas suportem esmagamentos leves sem morrer.

Creme
A massa branca que sai quando você esmaga uma barata é gordura e protege os órgãos internos. Ela permite que o inseto fique dias sem comer.

Filhotes
A maioria das baratas guarda seus ovos em um recipiente chamado ooteca, que fica dentro do corpo. Algumas espécies seguram os filhotes dentro de si até estarem prontos para ir ao mundo; outras largam a ooteca em um lugar seguro para os ovos eclodirem sozinhos.

Antenada
Dotadas de pequenos pelinhos ultrassensíveis, as antenas das baratas captam odores e podem, dependendo da espécie, detectar a presença de água, álcool ou açúcar nas proximidades.

Fôlego
A barata respira por 20 aberturas laterais chamadas espiráculos, que levam o ar para o corpo todo. Assim, pode ficar horas sem oxigênio.

Radar
Esses espinhos no traseiro dão informações detalhadas sobre ameaças: percebem movimentos sutis do ar e captam informações sobre possíveis ameaças, como localização, tamanho e velocidade.

As principais espécies
BARATA AMERICANA
Tamanho: 3 a 4 cm
Longevidade: 3 a 4 anos
Habitat: Ambientes escuros como sótãos, porões e esgoto.
Comuns no mundo todo, são maiores, e fazem voos curtos. É a espécie mais resistente: fica 90 dias sem comida e 40 sem água. Acredita-se que tenham vindo da África em navios negreiros.

BARATA GERMÂNICA
Tamanho: 1,2 a 1,6 cm
Longevidade: 1 ano
Habitat: Cozinhas e banheiros, despensa de alimentos, máquinas de café.
Elas têm asa, mas não voam e são as mais comuns nas cidades da América. Vivem até 45 dias sem comida e 14 sem água. Acredita-se que tenham ido para a Europa com os fenícios.

BARATA DE MADAGASCAR
Tamanho: 5 a 9 cm
Longevidade: 2 a 5 anos
Habitat: No chão de florestas tropicais, principalmente Madagascar.
Esta espécie não é considerada uma praga urbana – na verdade, é até criada como bicho de estimação. São famosas pelo alto assobio que fazem quando se sentem ameaçadas.

13.637 – Implacável Seleção Natural – Filhotes que começam a vida matando os irmãos


☻Mega Arquivo – 30º Ano
Águia Real

A postura da águia real, semelhante à maioria das aves de rapina, é geralmente de dois ovos por ninho. Muitas vezes, um ovo eclode alguns dias antes. Isso dá ao filhote primogênito uma enorme vantagem, ele cresce mais rápido e mais forte do que o irmão mais novo, ganhando facilmente a briga pela comida. Se o alimento for pouco, o caçula morrerá de fome. Se a falta de comida for extrema, o filhote mais velho matará o mais novo e o devorará, os pais não farão nada para impedir o fratricídio. Os cientistas estimam que 80% dos filhotes da águia real morrem dessa maneira.

Hiena Malhada

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A maioria dos mamíferos predadores, como os grandes felinos, nascem com os olhos fechados e sem dentes, ou seja, completamente inofensivos. No entanto, esse não é o caso das hienas malhadas. Elas nascem com olhos bem abertos, já em alerta e com dentes afiadíssimos. Os filhotes da hiena malhada começam a lutar cedo para estabelecer o domínio. Os filhotes maiores mordem brutalmente os irmãos mais fracos e mesmo que os adultos os separem, tão logo fiquem sozinhos na toca, voltam a brigar. As batalhas entre hienas filhotes podem durar semanas.
Há relatos em que os filhotes cavam tocas menores dentro da toca comunitária, onde eles podem brigar sem a interferência dos adultos. Em alguns casos, os mais fracos morrem por causa dos ferimentos, mas geralmente, o destino deles é ainda pior: após serem implacavelmente intimidados pelos irmãos mais fortes, eles ficam tão amedrontados que sequer ousam sair da toca quando a mãe chega para alimentá-los, morrendo assim de fome.

Louva-a-deus
Esses insetos predadores são conhecidos por seus hábitos sexuais de causar pesadelos, a fêmea frequentemente devora o macho depois do sexo, ou até mesmo durante o ato sexual, geralmente começando por arrancar a cabeça do infeliz amante.
Esta tendência canibal não é exclusividade dos adultos. A fêmea deposita os ovos num casulo endurecido e o prende à uma folha ou a um caule. Nascerão de 100 a duzentos louva-a-deuses, todos ao mesmo tempo. Muitas vezes, a primeira refeição desses filhotes é um dos próprios irmãos. Tal comportamento é mais comum quando pequenos insetos são escassos ao redor da área em que os filhotes nasceram.

Garça Branca
As garças são conhecidas pela bela aparência e pelo voo elegante, e ninguém as considera como animais brutais. No entanto, elas são uma das espécies mais propensas ao fratricídio. Normalmente as garças põe três ovos. Os dois primeiros ovos recebem uma carga elevada de hormônios dentro do corpo da mãe, o terceiro ovo só recebe metade dessa carga. O filhote nascido com menos hormônios terá um comportamento menos agressivo, quando o alimento é escasso, os dois filhotes mais violentos o atacam e matam-no, e o jogam para fora do ninho. Isso significa mais comida para os irmãos assassinos.

Salamandra Tigre
Como a maioria dos anfíbios, as salamandras tigres começam a vida como girinos. Diferente das outras espécies, porém, os ovos da salamandra tigre podem se desenvolver em dois tipos diferentes de girinos: o normal e o canibal. O girino canibal é maior e tem os dentes mais desenvolvidos, geralmente ele só aparece quando a lagoa em que os ovos foram colocados começa a secar ou quando a comida é escassa. Eles comem os girinos menores e se desenvolvem mais rapidamente, se transformando mais depressa em adultos. Essa estratégia permite que as salamandras tigres perpetuem a espécie mesmo em condições desfavoráveis. O mais surpreendente porém, é que os girinos canibais parecem reconhecer seus irmãos e evitam matá-los. Estudos mostram que até mesmo os primos são poupados quando as circunstâncias permitem. Mas se a fome apertar, tanto irmãos como primos entram no cardápio do dia.

Cuco Comum
O cuco comum, geralmente não mata os irmãos de sangue, mas sim os irmãos adotivos. A fêmea adulta dessa espécie se parece muito com um gavião. Ela usa essa semelhança para afastar outros pássaros que estejam com ovos no ninho. Enquanto o ninho é abandonado, ela come um dos ovos e o substitui com um dos seus próprios, então, voa para longe.
Quando os donos do ninho voltam, não percebem a diferença e continuam a cuidar da prole. Mas o filhote do cuco geralmente nasce antes e ainda cego e sem penas, começará imediatamente a jogar os ovos ou os irmãos adotivos para fora do ninho, empurrando-os para a morte. Aos pais adotivos, incapazes de impedir o crime, só resta a alternativa de criar o cuco como se fosse o próprio filhote.

Cuco Manchado
Se você acha que o cuco comum é ruim, espere até conhecer o seu primo um pouco maior, o cuco manchado, encontrado em partes da Europa e Ásia. A fêmea dessa espécie coloca seu ovo (geralmente um, mas às vezes dois) em um ninho de pega rabuda. Os filhotes do cuco manchado não tem o impulso de jogar os outros ovos e filhotes para fora do ninho, mas eles geralmente se desenvolvem mais rápido que seus infelizes irmãos adotivos, e eles têm enormes e coloridas bocas escancaradas que parecem ser irresistíveis para a pega rabuda. O resultado é que as pegas alimentam-os com mais frequência do que aos seus próprios filhotes. Mesmo quando os filhotes do cuco deixam o ninho, ainda voltam para serem alimentados pelos pais adotivos. Esta é uma desgraça para os filhotes da pega, que muitas vezes morrem de fome, abandonados em seu próprio ninho.

Abelha Rainha
Como todos sabem, as abelhas vivem em colônias compostas de uma rainha, alguns zangões (abelhas macho, cuja única função é fecundar a rainha), e as operárias, que são fêmeas estéreis e fazem basicamente todo o trabalho na colônia, encontram néctar para a produção de mel, fabricam a cera e são responsáveis por uma substância especial chamada geleia real, que é produzida por uma glândula na cabeça das operárias jovens.
A geleia real é um alimento altamente nutritivo. É o alimento para a Rainha e para todas as larvas em desenvolvimento na colônia. No entanto, quando a rainha começa a envelhecer e seu poder reprodutivo diminui, as operárias selecionam umas poucas larvas, levam-nas para células especiais longe das outras e começam a alimentá-las com quantidades enormes de geleia real.
Como a larva da rainha se desenvolve pendurada de cabeça para baixo, as operárias tampam a célula com cera. Quando pronta para emergir, a nova rainha faz um corte circular ao redor da cobertura da célula. Células abertas ao lado indicam que a nova rainha foi, provavelmente, morta por uma rival. Quando uma jovem rainha emerge, ela irá perseguir e tentar matar suas rivais. Ao contrário das outras abelhas, o ferrão da rainha não é ciliado. Ela pode picar o quanto quiser sem morrer por causa disto. Em certas circunstâncias, como durante a cisão de uma colônia, as operárias podem isolar as rainhas para impedir um confronto, permitindo a formação de uma nova colônia.

Copidomopsis Floridanum
Copidomopsis floridanum é uma vespa parasitoide, um dos exemplos mais extremos de fratricídio do mundo. A vespa adulta encontra uma lagarta e a ferroa, fazendo com que ela fique completamente paralisada. Em seguida, ela injeta dois ovos no corpo da lagarta, um dos ovos é do sexo masculino, outro do sexo feminino. Mas eles não dão origem a um irmão e uma irmã. Em vez disso, os ovos rapidamente clonam a si mesmos, em um processo conhecido como poliembrionia, e logo a lagarta, ainda viva, mas completamente impotente; é o berçário para 200 larvas do sexo masculino, e mais de 1.200 larvas fêmeas.
Entre as fêmeas, aproximadamente umas 50 começam a crescer mais rapidamente que os seus irmãos, desenvolvendo mandíbulas enormes, entretanto, não desenvolvem órgãos sexuais. Outrora pensava-se que o papel dessas larvas monstros era proteger os irmãos menores, comendo os ovos de outras vespas que porventura os colocassem na lagarta já ocupada. No entanto, sabe-se agora que este não é o caso, pois elas devoram a maioria de seus irmãos machos. Os machos fertilizam suas irmãs ainda no interior da lagarta, e somente um ou dois deles são suficientes para fertilizar todas as fêmeas. Portanto, eliminando o excesso de machos, as larvas canibais garantem que haverá mais comida (o corpo da infeliz lagarta) para suas irmãs férteis, aumentando suas chances de sobrevivência. Esta função é apenas da larva canibal.

Tubarão Cinza
O tubarão cinza, apesar da aparência feroz, geralmente é inofensivo para o homem. A fêmea do tubarão cinza tem dois úteros, cada um deles produz muitos ovos. Os ovos eclodem ainda dentro do úteros. Os embriões logo desenvolvem dentes afiados e começam a matar e a comer seus irmãos e irmãs, e todos os ovos não fecundados, até que reste apenas um embrião vivo em cada útero.
Como resultado, a mãe dá à luz a dois filhotes , os sobreviventes de cada útero, e uma vez que eles se alimentaram fartamente dentro do corpo da mãe, já estão enormes quando nascem, medem cerca de um metro de comprimento!
O tubarão cinza é, portanto, o fratricida nesta lista que começa a matar os irmãos antes de nascer. No momento de seu nascimento, já é um assassino experiente. Esta estratégia de sobrevivência brutal é conhecida como canibalismo intrauterino, e foi descoberto em 1948, quando um cientista que estava sondando o ventre de um tubarão cinza, foi mordido na mão por um dos embriões. O canibalismo intrauterino tem sido relatado em outras espécies de tubarões, incluindo o grande tubarão branco e até mesmo o tubarão-frade (um plácido e inofensivo comedor de plâncton quando adulto), estes, porém, se alimentam apenas de ovos não fertilizados. O tubarão cinza é o único que devora outros embriões.

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13.633 – Planeta Terra, a Biosfera Perfeita


biosfera
Os ecossistemas são sistemas dinâmicos resultantes da interdependência entre os fatores físicos do meio ambiente e os seres vivos que o habitam. Os nutrientes, a água, o ar, os gases, a energia disponível e as substâncias orgânicas e inorgânicas num ambiente constituem a parte abiótica (não viva) de um ecossistema. O conjunto de seres vivos é chamado de biota e é composto de três categorias de organismos: as plantas, os animais e os decompositores – microrganismos que decompõem plantas e animais e os transformam em componentes simples, reciclados.
Uma floresta, um rio, um lago ou um simples jardim são exemplos de ecossistemas. Eles se misturam e interagem. Os ecossistemas podem, também, ser subdivididos em pequenas unidades bióticas, conhecidas como comunidades biológicas. Elas são formadas por duas ou mais populações de espécies que interagem e são interdependentes – como o conjunto da fora e da fauna de um lago.
Já o termo habitat se refere a um ambiente ou ecossistema que oferece condições especialmente favoráveis à sobrevivência de certa espécie. Por exemplo, o cerrado é o habitat do lobo-guará. Um ecossistema pode ser o habitat de diversas espécies para as quais oferece alimento, água, abrigo, entre outras condições essenciais à reprodução da vida.

Biomas
Os grandes conjuntos relativamente homogêneos de ecossistemas são chamados de biomas. O termo bioma designa as comunidades de organismos estáveis, desenvolvidas e bem adaptadas às condições ambientais de uma grande região – pense na Floresta Amazônica ou na tundra ártica. Na Geografia, o estudo dos biomas tem como um dos focos principais a vegetação, elemento que se destaca na paisagem.

Biosfera
A biosfera ou “esfera da vida” é o conjunto de todos os biomas do planeta. Ela faz referência a todas as formas de vida da Terra em escala global – dos reinos monera, protista, animal, vegetal e dos fungos – em conjunto com os fatores não vivos que as sustentam. A biosfera abrange desde as profundezas dos oceanos, que atingem cerca de 11 mil metros, até o limite da troposfera, camada inferior da atmosfera, que atinge uma altitude de cerca de 12 mil metros. Entre os seres vivos, os humanos são os que possuem a maior capacidade de intervenção (positiva e negativa) no equilíbrio das diversas formas de vida que constituem a biosfera.

O QUE ISSO TEM A VER COM BIOLOGIA
Veja abaixo uma descrição resumida dos cinco reinos da natureza:
Reino Monera: organismos unicelulares procariontes, como bactérias e cianobactérias
Reino Protista: seres unicelulares eucariontes, como algas, protozoários e amebas
Reino dos Fungos: seres eucariontes, unicelulares e pluricelulares, como mofos, bolores, cogumelos e leveduras
Reino Vegetal: seres pluricelulares autótrofos, com células revestidas de uma parede de celulose, como briófitas (musgos), pteridófitas (samambaias), gimnospermas (pinheiros) e angiospermas (plantas com flores e frutos)
Reino Animal: organismos pluricelulares e heterótrofos, que inclui os vertebrados (um subfilo dos cordados, que abrange animais com esqueleto interno, coluna vertebral, cérebro e medula espinhal) e os invertebrados (animais sem coluna vertebral nem cérebro)
Biodiversidade
O termo biodiversidade abarca toda a variedade das formas de vida (animais, vegetais e microrganismos), espécies e ecossistemas, em uma região ou em todo o planeta. É uma riqueza tão grande que se ignora o número de espécies vegetais e animais existentes no mundo. A estimativa é de que haja cerca de 14 milhões, mas até agora somente 1,7 milhão foi classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A biodiversidade garante o equilíbrio dos ecossistemas e, por tabela, do planeta todo. Por isso, qualquer dano provocado a ela não afeta somente as espécies que habitam determinado local, mas toda uma fina rede de relações entre os seres e o meio em que vivem.
A principal ameaça à biodiversidade do planeta é justamente a ação humana. De acordo a World Wildlife Fund, uma das ONGs ambientalistas mais ativas no mundo, em menos de 40 anos o planeta perdeu 30% de sua biodiversidade, sendo que os países tropicais tiveram uma queda de 60% nesse período.
PEGADA ECOLÓGICA
Segundo a organização não governamental World Wildlife Fund, o homem está consumindo 30% a mais dos recursos naturais que a Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse ritmo predatório de exploração dos recursos naturais, em 2030 a demanda atingirá os 100%, ou seja, precisaremos de dois planetas para sustentar o mundo.
A pressão das atividades humanas sobre os ecossistemas é medida pela pegada ecológica. Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer seus recursos naturais, de renová-los e de absorver os resíduos produzidos pela atividade humana.
O índice, apresentado em hectares globais, representa a superfície ocupada por terras cultivadas, pastagens, florestas, áreas de pesca ou edificadas. Em tese, a sustentabilidade do planeta estaria garantida se cada pessoa no mundo utilizasse 1,8 hectare de área (quase dois campos de futebol). O problema é que essa média é de cerca de 2,7 hectares. Nos países desenvolvidos, esse número é ainda maior – o índice dos Estados Unidos, por exemplo, é de 8 hectares por pessoa. O Brasil apresenta um índice um pouco maior que a média mundial: 2,6.

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13.575 – Biologia – Peixes que tem anticongelante natural


peixes
Enquanto a temperatura despenca ao ponto mais baixo do ano, aqueles de nós que vivem em latitudes mais altas se recolhem a abrigos aconchegantes. Podemos simpatizar com os esquilos e passarinhos, sujeitos ao frio abaixo de zero que varre o mundo exterior, e deixar-lhes comida, mas não pensamos muito em criaturas menores e menos fofinhas: por exemplo os insetos e aranhas que habitam quintais e bosques durante o verão. Eles ressurgirão na primavera, o que significa que de alguma forma sobrevivem ao frio intenso. Mas como o fazem, se não contam com a proteção de pêlos ou penas?
A ameaça à vida nas baixas temperaturas não é o frio, mas o gelo. Já que células e corpos se compõem primordialmente de água, o gelo pode ser letal porque sua formação perturba o equilíbrio entre os fluidos externos e internos das células, o que resulta em encolhimento celular e dano irreversível a tecidos.
Os insetos desenvolveram múltiplas maneiras de evitar congelamento. Uma estratégia é escapar de vez ao inverno. Borboletas como a monarca migram para o sul. Uma ótima solução, mas a capacidade é rara. A maioria dos insetos permanece em seu habitat de origem, e precisa encontrar outra forma de evitar congelamento. Eles fogem ao gelo rastejando para buracos ou fendas por sob a cobertura de neve ou linha de congelamento, ou, como algumas larvas de insetos, hibernam nos fundos de lagos que não se congelem de todo.
Mas muitos insetos e outros animais se defendem contra a exposição direta a temperaturas abaixo de zero por meio da engenhosidade bioquímica, ou seja, produzem anticongelantes.
O primeiro anticongelante de origem animal foi identificado décadas atrás no plasma sanguíneo de peixes da Antártida, por Arthur DeVries, hoje na Universidade do Illinois, e seus colegas. Os mares antárticos são muito frios, com temperaturas da ordem de menos dois graus. A água é salgada o suficiente para que se mantenha líquida a alguns graus abaixo da temperatura de congelamento da água fresca.
As abundantes partículas de gelo flutuando nessas águas representam risco para os peixes porque, caso ingeridas, podem iniciar formação de gelo nas tripas dos animais, com consequências devastadoras. A menos que algo impeça o crescimento dos cristais de gelo.
É isso que as proteínas anticongelantes dos peixes fazem. Os tecidos e corrente sanguínea de cerca de 120 espécies de peixes pertencentes à família dos Notothenioidei estão repletos de anticongelante. As proteínas têm uma estrutura incomum de repetição que permite que se conectem aos cristais de gelo e reduzam para menos três graus a temperatura em que os cristais de gelo crescem. Isso fica um pouco abaixo da temperatura mais baixa do Oceano Antártico, e cerca de dois graus acima da temperatura de congelamento do plasma sanguíneo de peixes que não produzem o anticongelante. Essa pequena margem de proteção tem consequências profundas. Os peixes produtores de anticongelante hoje dominam as águas antárticas.
A capacidade de sobreviver e prosperar em águas frígidas impressiona, mas os insetos sobrevivem a temperaturas muito mais baixas em terra. Alguns, como a pulga da neve, ficam ativos até no inverno e são vistos saltando sobre montes de neve em temperaturas de menos sete graus ou mais baixas. Na verdade, esses insetos não são pulgas, mas Collembolae, um inseto sem asas primitivo capaz de saltar por longas distâncias usando a cauda.
Laurie Graham e Peter Davies, da Universidade Queen¿s, em Kingston, Canadá, isolaram as proteínas anticongelantes das pulgas de neve e descobriram que elas também constituem uma estrutura repetitiva simples que se aglutina ao gelo e impede que os cristais cresçam.
As proteínas anticongelantes das pulgas de neve diferem completamente das que foram isoladas em outros insetos, como o besouro vermelho, que apresenta proteínas anticongelantes por sua vez diferentes das encontradas nas Choristoneurae, uma espécie de lagarta. E todos os anticongelantes desses insetos diferem da espécie que impede o congelamento dos peixes antárticos. O anticongelante de cada espécie é uma invenção evolutiva separada.
Mas a inovação dos insetos vai além dos anticongelantes. Biólogos descobriram outra estratégia para enfrentar o frio extremo. Alguns insetos simplesmente toleram o congelamento.
Nas latitudes mais setentrionais, como o interior do Alasca, as temperaturas de inverno caem a menos 50 graus, e a neve e temperaturas abaixo de zero podem perdurar até maio. Nessas temperaturas extremas, a maioria dos insetos vira picolé. O besouro upis, do Alasca, por exemplo, congela em torno dos menos oito graus. Mas ainda assim pode sobreviver mesmo se exposto a temperaturas de menos 73 graus.
Para tolerar o congelamento, é crucial que os insetos minimizem os danos do congelamento e do degelo. Os insetos desenvolveram diversas substâncias protetoras. Quando o inverno se aproxima, muitos desses insetos produzem elevada concentração de glicerol e outras moléculas de álcool. Elas não previnem o congelamento, mas retardam a formação de gelo e permitem que os fluidos que cercam as células congelem de modo mais controlado, enquanto o conteúdo da célula não congela.
Para proteção máxima, alguns insetos árticos combinam materiais protetores e anticongelantes. De fato, um novo tipo de anticongelante foi recentemente descoberto no besouro upis. Ao contrário das proteínas anticongelantes de outros besouros, mariposas e pulgas de neve, o produto do upis é um complexo açúcar de alta eficiência.
A necessidade de evitar o congelamento de fato foi mãe de muitas invenções evolutivas. Essa nova descoberta torna mais provável que tenhamos truques químicos a aprender dos métodos de proteção contra o frio extremo usados por insetos.
E a questão não envolve apenas entomologia ártica esotérica. Um desafio persistente para a preservação de órgãos humanos é exatamente o problema que esses insetos resolveram – como congelar tecidos por um longo período e depois degelá-los sem dano. Equipes de pesquisa agora estão estudando como aplicar percepções ganhas no mundo animal às salas de cirurgia.

13.553 – Biologia – Este é o maior organismo vivo já encontrado


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Em 1998, um grupo de pesquisadores do Serviço Florestal dos EUA entrou na Floresta Nacional de Malheur para investigar a morte de várias árvores abeto, o famoso pinheirinho de Natal que cresce no Hemisfério Norte. O parque fica na região leste do estado de Oregon, nas Montanhas Azuis.
A área afetada foi identificada com a ajuda de fotografias aéreas e amostras de raízes de 112 árvores mortas ou que estavam prestes a morrer foram recolhidas. A análise delas mostrou que 108 estavam infectadas com o fungo Armillaria solidipes.
Este fungo cobre 9,6 km2, chegando a ter cerca de 3 km de extensão no maior ponto. Com base nos cálculos dos pesquisadores, o organismo está ali há 2,5 mil anos, mas alguns especialistas acreditam que ele esteja ali há 8 mil anos.
Este fungo gigante se espalha pelo sistema de raízes das árvores, matando-as lentamente. Por isso, não é apenas o maior organismo do mundo, mas também o mais mortal. Por algumas semanas em cada outono, o fungo aparece em aglomerados amarelados de corpo de frutificação e esporos, mas durante o resto do ano o micélio vegetativo fica escondido em uma camada fina branca embaixo da terra. É justamente quando está escondido que ele fica mais mortal.
As árvores costumam se beneficiar da presença de fungos em suas raízes, pois eles ajudam na movimentação de nutrientes no solo. Este tipo específico de fungo, porém, causa o apodrecimento das raízes, matando a árvore lentamente durante décadas. A árvore tenta lutar contra o fungo ao produzir uma seiva preta que escorre pela casca, mas esta é uma batalha perdida.
“As pessoas normalmente não pensam que cogumelos matam árvores. O fungo cresce ao redor da base da árvore e então mata todos os tecidos. Pode levar 20, 30, 50 anos antes que ela finalmente morra. Não há movimentação de água ou nutrientes para cima ou para baixo da árvore quando isso acontece”, explica um dos pesquisadores do Serviço Florestal, Greg Filip, ao Oregon Public Broadcasting.
fungo foi identificado pela primeira vez em 1988, e inicialmente acreditava-se que se tratava de vários organismos diferentes, mas experimentos mostraram que se tratava do mesmo organismo. Quando o micélio de fungos geneticamente idênticos se encontra, eles se unem e formam um indivíduo. Quando os genes dos fungos são diferentes, eles se rejeitam. Assim, os cientistas colocaram na mesma placa de Petri diferentes amostras recolhidas de diferentes pontos. O resultado foi que 61 deles tinham os mesmos genes.
Se todos esses cogumelos fossem reunidos e empilhados, eles pesariam até 31 toneladas. “Nunca vimos nada na literatura que sugere que qualquer outra coisa no mundo é maior em superfície”, diz Filip.
Esse cogumelo pode ser encontrado em outras partes dos EUA e na Europa, mas nenhum é tão grande quanto o encontrado em Oregon. “Quando você percebe que esse fungo se espalha entre 12 a 36 cm por ano e que temos alguma coisa tão grande assim, podemos calcular sua idade”, explica ele.
O fungo tem preocupado os lenhadores e madeireiras da região, que tentam encontrar uma forma de impedir seu crescimento. Eles já tentaram cortar árvores, cavar as raízes das plantas afetadas e em algumas áreas tentaram remover até a última fibra do fungo que eles encontraram. Este último método produziu o melhor resultado, já que mais pinheiros sobreviveram depois de serem plantados no solo tratado. Mesmo assim, esta técnica é cara e trabalhosa, e nunca será suficiente para eliminar o fungo todo da região.
Outra possível solução é encontrar uma espécie de pinheiro que sobreviva ao fungo e passar a plantar este tipo de árvore na região afetada. Pesquisadores do estado de Washington, vizinho ao norte de Oregon, estão pesquisando quais árvores são menos afetadas pelo fungo, já que o estado também está sofrendo com o problema. “Estamos procurando por uma árvore que possa crescer em sua presença. É besteira plantar a mesma espécie onde há infestação da doença”, diz Dan Omdal, do Departamento de Recursos Naturais de Washington.
O provável, porém, é que a atividade humana não influencie muito no crescimento do fungo, e ele continue existindo abaixo das florestas dos Estados Unidos e Europa por outros milhares de anos. [Odditycentral, BBC]

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13.540 – Biologia – Composto que teria dado origem à vida na Terra é encontrado


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Os cientistas que pesquisam as origens da vida trabalham com a hipótese de que uma reação química chamada fosforilação pode ter sido crucial para a montagem de três ingredientes-chave nas formas de vida precoces: cadeias curtas de nucleotídeos para armazenar informações genéticas, cadeias curtas de aminoácidos (peptídeos) para fazer a trabalho principal de células e lipídios, para formar estruturas encapsulantes, como paredes celulares. No entanto, ninguém jamais encontrou um agente fosforilante que estivesse plausivelmente presente no início da Terra e poderia ter produzido essas três classes de moléculas lado a lado nas mesmas condições realistas.
Agora, químicos no Instituto de Pesquisa Scripps (TSRI), nos EUA, acabaram de identificar esse composto: o diamidofosfato (DAP).
“Sugerimos uma química de fosforilação que poderia ter dado origem, no mesmo lugar, a oligonucleótidos, oligopeptídeos e estruturas semelhantes a células para anexá-los”, disse o autor principal do estudo, Ramanarayanan Krishnamurthy, professor associado de química na TSRI. “Isso, por sua vez, permitiria outras químicas que não eram possíveis antes, levando potencialmente às primeiras entidades vivas simples, baseadas em células”.
O estudo, relatado na revista Nature Chemistry, faz parte de um esforço contínuo de cientistas de todo o mundo para encontrar rotas plausíveis para a jornada épica da química pré-biológica até a bioquímica baseada em células.
Outros pesquisadores descreveram reações químicas que poderiam ter permitido a fosforilação de moléculas pré-biológicas no início da Terra. Mas esses cenários envolveram diferentes agentes de fosforilação para diferentes tipos de moléculas, bem como diferentes e muitas vezes incomuns ambientes de reação.

Todas as temperaturas e condições
“Foi difícil imaginar como esses processos muito diferentes poderiam ter se combinado no mesmo lugar para produzir as primeiras formas de vida primitivas”, lembra Krishnamurthy.
Ele e sua equipe, incluindo os co-primeiros autores Clémentine Gibard, Subhendu Bhowmik e Megha Karki, todos pesquisadores de pós-doutorado no TSRI, mostraram que o DAP poderia fosforilar cada um dos quatro blocos de construção de nucleósidos do RNA na água ou um estado semelhante a uma pasta sob uma ampla gama de temperaturas e outras condições.
Com a adição do catalisador imidazol, um composto orgânico simples que estava presente de forma plausível no início da Terra, a atividade do DAP também levou ao surgimento de cadeias curtas de RNA desses blocos de construção fosforilados.
Além disso, o DAP com água e imidazol fosforilou eficientemente os blocos de lipídios de glicerol e ácidos graxos, levando a pequenas cápsulas de fosfolipídios chamadas vesículas, versões primitivas de células.

O DAP em água à temperatura ambiente também fosforilou os aminoácidos glicina, ácido aspártico e ácido glutâmico e, em seguida, ajudou a ligar essas moléculas em cadeias peptídicas curtas (os peptídeos são versões menores de proteínas).
Krishnamurthy e seus colegas demonstraram anteriormente que o DAP pode fosforilar eficientemente uma variedade de açúcares simples e, assim, ajudar a construir carboidratos contendo fósforo que estariam envolvidos em formas de vida precoces. O seu novo trabalho sugere que o DAP poderia ter um papel muito mais central nas origens da vida.
“Isso me lembra a Fada Madrinha da Cinderela, que acena uma varinha e “poof”,”poof”,”poof”, as coisas simples se transformam em algo mais complexo e interessante”, compara Krishnamurthy.
“Pode ter havido minerais no início da Terra que liberaram tais compostos de fósforo-nitrogênio nas condições corretas”, disse ele. “Os astrônomos encontraram evidências de compostos de fósforo-nitrogênio no gás e poeira do espaço interestelar, por isso é certamente plausível que tais compostos estejam presentes no início da Terra e tenham desempenhado um papel no surgimento das moléculas complexas da vida”. [phys.org]

13.536 – Curiosidades sobre sexo no Reino Animal


Já ouviu falar que as fêmeas das abelhas só ferroam uma vez? Ao picar alguém, o ferrão da doce ofensora se desprende do corpo, causando sua morte. A natureza foi cruel com o gênero feminino, mas espere até ficar sabendo o que acontece com o macho. Dica: ele não tem ferrão, mas tem um orgão reprodutor. Acertou quem imaginou que o sexo entre abelhas não termina bem – ao se afastar do corpo da fêmea após a penetração, o macho perde seu aedaegus (equivalente a um pênis), que permanece dentro do corpo da companheira. Seu fim não poderia ser mais trágico: ele sangra até a morte. Não está fácil pra ninguém.

Ácaros (Red Velvet Mites)
Sexo é um ato solitário (e esquisito) para os ácaros Trombidiidae. O macho procura o ninho perfeito para o acasalamento, com muitas folhas e galhinhos, para criar a perfeita atmosfera para o casal. E então, ele espalha seu sêmem por todo o lugar. Depois de completar o serviço, o próximo passo é atrair uma fêmea – com suas fezes. Ela segue o rastro deixado pelo macho e, chegando ao ninho “cuidadosamente” preparado, deve se virar sozinha para ser inseminada.

Antequino-Marrom
O vício em sexo não é um problema enfrentado apenas por humanos. A condição também atinge esse pequeno marsupial. O Antequino-Marrom é tão frenético que, durante o período reprodutivo, chega a passar até 12 horas se acasalando com apenas uma parceira. Como é insaciável, passa de fêmea pra fêmea, até seu sistema imunológico começar a falhar. Ele geralmente desenvolve úlceras graves e contrai infecções de parasitas, e morre não muito tempo depois da sessão de acasalamento.

Argonautas
Os argonautas são um gênero de polvo bastante comum, que habita águas tropicais e subtropicais de todo o mundo. Seu momento de reprodução, no entanto, está longe do “regular”: a fêmea desenvolve uma concha gigante para abrigar e proteger os ovos e embriões, enquanto os machos – que também possuem uma concha, mas em tamanho significativamente menor – começam a acumular uma bola de espermatozóides em um tentáculo especial. Quando, passeando por aí, o macho encontra uma fêmea por quem se interessa, o tentáculo se destaca do corpo e sai nadando sozinho até a fêmea.

Caracóis
O caracol é um dos favoritos na disputa de localização mais bizarra do pênis: seu órgão reprodutivo fica no pescoço. Os caracóis são hermafroditas e precisam de um companheiro para conseguirem se reproduzir. E para convencer o parceiro, eles costumam “flertar” apunhalando um ao outro com dardos constituídos de carbonato de cálcio ou quitina e usados para injetar no receptor hormônios que estimulam os órgãos genitais femininos.

caracol

Hienas
As fêmeas representam o gênero dominante entre as hienas. Mais agressivas que os machos, no momento de escolher um parceiro elas não dão bola para os esquentadinhos, preferindo aqueles que se mostram mais submissos. O companheiro terá então um desafio à frente: habilidosamente inserir seu pênis no pseudo-pênis da fêmea, que esconde sua vagina. Contorcionismo no mundo animal.

Hipopótamo
O hipopótamo macho possui uma forma bastante diferente de chamar a atenção de uma fêmea. Ele se coloca em lugar de destaque, defeca em si mesmo e utiliza a sua cauda como uma espécie de hélice, espalhando as fezes por todos os lados na tentativa de encontrar uma parceira. E o mais incrível: a nojeira funciona.

Macaco-rhesus
O primata, também conhecido como Reso, tem muitos motivos para ser um tanto paranoico. No Reino Animal é bem comum que as disputas entre os machos por uma companheira acabem sendo um tanto violentas. Mas poucas espécies são tão cruéis (e, ao mesmo tempo, espertas): os macacos-rhesus atacam seus oponentes no momento em que eles estão tendo um orgasmo. Sim, é isso mesmo. Um estudo da University of Utrecht apontou que mais da metade dos encontros sexuais dos macacos reso terminam com o macho sendo brutalmente atacado. Até 9 macacos podem se aproveitar da vulnerabilidade do coleguinha para tentar roubar sua fêmea.

Marreca-pé-na-bunda
A marreca-pé-na-bunda, também conhecida como Oxyura vittata, possui orgãos reprodutores mais estranhos do que seu nome. Além de ser dono de um pênis de aproximadamente 40 centímetros de comprimento, o orgão do macho tem formato de saca rolhas e possui uma espécie de ~pincel~ na ponta. A vagina da fêmea também é em espiral, mas no sentido oposto – o que permite o encaixe. Durante o ato sexual, o macho utiliza a sua “escova” para remover qualquer esperma deixado por um macho anterior.

Morcegos (Chinese Fruit Bat)
Cientistas do Guangdong Entomological Institute in Guangzhou, na China, descobriram que os morcegos da espécie Cynopterus sphinx usam o sexo oral para prolongar o ato sexual. A descoberta é um tanto inusitada, já que se pensava que somente humanos tinham essa prática. Mas o que é ainda mais curioso é que, através de um grande contorcionismo, a fêmea consegue agradar o macho enquanto ainda estão envolvidos no ato sexual. Provavelmente não é seguro tentar isso em casa.

Peixe actinopterígeo
Estes peixes, que habitam exclusivamente ambientes marinhos, redefinem o conceito de namorado folgado. Alguns machos do subgênero, bem mais franzinos que suas companheiras de espécie, nascem com sistema digestivo rudimentar, que logo passa a dificultar sua alimentação. Para contornar este problema quase-fatal, os peixes usam de seu olfato apurado para encontrar uma fêmea no oceano. No primeiro encontro, nada de rituais de acasalamento: o macho logo morde a fêmea e libera uma enzima digestiva que corrói a pele de sua boca e o corpo da companheira, fundindo o par para toda a vida. Conectado ao sistema circulatório da fêmea, o corpo do macho se atrofia. Sua única função agora é liberar esperma sempre que hormônios na corrente sanguínea de sua “parceira” indicam que ela está ovulando. Ah, o amor… Não bastasse apenas um namorado parasita, é comum que a fêmea da espécie seja mordida por múltiplos machos.

Peixe-palhaço
Descobrir a verdade sobre a reprodução dos peixes-palhaço vai ajudar a entender melhor o filme Procurando Nemo. Em um núcleo familiar, a fêmea é sempre o maior membro do grupo. Quando ela morre, o maior macho assume seu lugar – literalmente. Como estes peixes são hermafroditas, isso significa que o macho muda de papel. Ou seja: o pai de Nemo, na verdade, passaria a ser a mãe do Nemo.

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Percevejos
A reprodução dos percevejos pode ser comparada a um ato de violência sexual. Os machos das espécies costumam possuir um pênis tão afiado que, na hora de se reproduzirem, praticamente dão diversas “facadas” no corpo da fêmea até conseguirem depositar o seu esperma. Já que a espécie não está em extinção, presume-se que a fêmea sobrevive ao traumático ataque.

13.535 – Biologia – Pra que serve o pênis na Hiena Fêmea?


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Na verdade, o que acontece é que as hienas-malhadas fêmeas contam com um clitóris muito, muito grande, e essa estrutura — que, aliás, é homóloga do pênis — inclusive é maior do que a genitália dos machos.
Graças a esse “pseudopênis” presente nas fêmeas, por muito tempo se acreditou que as hienas fossem hermafroditas. O mais estranho é que os clitóris, além de chegarem a medir mais de 15 centímetros de comprimento — e inclusive serem capazes de ficar eretos —, vêm acompanhados de uma espécie de saco composto de gordura e outros tecidos que fica pendurado por ali, para, você sabe, compor melhor o conjunto.
Além de terem “pênis” maiores do que o dos machos, quem manda em casa são as fêmeas, já que elas são superagressivas e são quem dominam os clãs! Essa peculiaridade anatômica provavelmente ocorre por que, durante a gestação, as mães produzem uma grande quantidade de hormônio masculino, o que garante, entre outras coisas, que os filhotes nasçam agressivos, característica indispensável para a sobrevivência desses animais.
Entretanto, essa dose extra de hormônios, além de prejudicar o desenvolvimento de outros órgãos do sistema reprodutivo, também faz com que os clitóris das fêmeas sejam superdesenvolvidos. Além disso, com um “pênis” no lugar de uma “vagina”, o acasalamento entre as hienas não é uma tarefa nada fácil, já que evidentemente existe uma espécie de… conflito.
Para que o ato ocorra, os machos precisam introduzir o pênis em um pequeno orifício — que mede cerca de 2,5 centímetros de diâmetro — presente no superclitóris, em uma manobra complexa que requer alguma habilidade. Portanto, os machos principiantes precisam treinar um durante alguns meses antes de completar o acasalamento com sucesso.
E no caso de que ocorra uma gestação, as fêmeas têm seus filhotes através desse orifício presente em seus clitóris — meninos, já imaginaram a dor? —, e não é raro que ocorram rupturas no canal durante os nascimentos, provocando a morte das mães em 20% dos casos.

13.529 – Curiosidades – Este fungo tem mais de 23 mil sexos


fungo

Os fungos são criaturas maravilhosas e desinibidas que não respeitam as construções de gênero e se acasalam livremente com quase qualquer outro membro de sua espécie.
A chave para esse mundo perfeito? Não sei, pode ser devido ao fato de que eles são inconscientes.
De qualquer forma, existe um fungo, conhecido cientificamente como Schizophyllum commune, que é particularmente desconstruído: tem cerca de 23 mil sexos.
Esse fungo prospera em madeira apodrecida e vive em partes das Índias Orientais, Tailândia, Madagáscar e Nigéria, onde muitas pessoas o comem, apesar de guias ocidentais o classificarem como “não comestível”. Aparentemente, sua textura dura e borrachuda não é um problema para outras culturas.
Também é usado medicinalmente, pois, como muitos outros fungos, tem propriedades antivirais e antifúngicas para mantê-lo seguro na natureza.
Se você não sabe nada sobre micologia, nunca esperaria que um humilde fungo de podridão de madeira tivesse dezenas de milhares de variações sexuais.

Diferentão

O S. commune possui um número invulgarmente elevado de sexos, realmente, mas ter muitas variantes não é de fato algo incomum no mundo dos fungos.
No reino animal, a maioria das espécies é bastante limitada em suas opções de sexo biológico, porque a compatibilidade reprodutiva geralmente depende da compatibilidade anatômica: em outras palavras, algum tipo de pênis deve se encaixar em algum tipo de vagina.
Existem animais que fertilizam ovos externamente, mas essas espécies geralmente também têm um organismo que coloca os ovos e outro que os fertiliza. Alguns hermafroditas possuem um mecanismo mais igualitário, mas até nesses seres ainda há algo fálico fertilizando alguma coisa. É simplesmente a vida.
Menos para os fungos. Eles não são limitados pelas mesmas restrições anatômicas. Eles precisam se fundir fisicamente para procriar, mas podem recombinar material genético de maneira mais direta.

A transferência
O acasalamento nada mais é do que fazer duas células se fundirem em uma, de modo que seu DNA possa se combinar.
Para isso, os fungos não precisam passar pelo processo de ejaculação – eles produzem células sexuais de forma semelhante aos humanos, mas simplesmente misturam seu DNA através de transferência celular direta.
Eles se combinam essencialmente criando uma “conexão”, que permite aos fungos transferir núcleos de uma célula para outra. Os animais e as plantas fazem o mesmo utilizando algum “veículo de transporte” para essas células, seja esperma ou pólen, por exemplo, enquanto os fungos apenas chegam perto um do outro e deixam a diversão começar.

Complexo

De forma bastante resumida, os fungos possuem um conjunto de dois genes em dois cromossomos diferentes. Esses “locais genéticos” são chamados de A e B. Cada um desses genes também possui dois alelos, ou formas alternativas, chamadas de alfa e beta.
Assim, no total, existem quatro pontos distintos no genoma do S. commune onde a variação sexual pode ocorrer: A-alfa, A-beta, B-alfa e B-beta.
Aqui é onde fica mais complicado. Cada um desses quatro locais pode ter múltiplas variantes, que são todas versões ligeiramente diferentes do mesmo conjunto de proteínas. A-beta tem aproximadamente 32 especificidades possíveis, e o resto tem cerca de nove. Então, para determinar o sexo de um organismo, você teria que ordená-lo geneticamente para criar algo como A-alfa-1, A-beta-8, B-alfa-3, B-beta-5…
Para dois S. commune acasalarem, eles têm que ter variantes diferentes em algum lugar em A e em algum lugar em B. Então, dois fungos que possuem A-alfa-1 e B-beta-5, mas têm diferentes A-betas e B-alfas, podem se reproduzir. Mas se eles tiverem A-alfas e A-betas correspondentes, não podem.
Ainda não está claro como os componentes alfa e beta afetam a compatibilidade, mas sabemos que certos tipos genéticos se recombinam mais frequentemente do que outros e que, no geral, o S. commune pode se acasalar com a grande maioria de sua própria população.
Esta é realmente uma ótima estratégia para preservar a diversidade sexual. O fungo literalmente tem que se acasalar com um indivíduo geneticamente distinto, por isso aumenta constantemente o número de variações sexuais que existem em uma população.
Como existem muitas maneiras do sexo variar em S. commune, acaba que existem mais de 23 mil deles. Este tipo de sistema de acasalamento é comum entre os fungos, só é mais raro existirem tantas variações.
Então, da próxima vez que você comer um cogumelo, lembre-se que ele provavelmente teve uma vida sexual mais agitada do que a sua. [POPSCI]

13.500 – Estudo diz que vida na Terra começou em lagoas quentes de água que foram atingidas por meteoritos


meteoritos
A vida na Terra começou em algum momento entre 3,7 e 4,5 bilhões de anos atrás, depois que meteoritos vindos do espaço sideral derramaram e espalharam elementos essenciais em pequenas lagoas quentes. Pelo menos é o que dizem cientistas da Universidade McMaster, no Canadá, e do Instituto Max Planck, na Alemanha. Seus cálculos sugerem que ciclos úmidos e secos transformaram blocos de construção molecular básicos no caldo rico em nutrientes das lagoas em moléculas de RNA auto-replicantes que constituíram o primeiro código genético para a vida no planeta.
Os pesquisadores baseiam sua conclusão em pesquisas e cálculos exaustivos em aspectos de astrofísica, geologia, química, biologia e outras disciplinas. Embora o conceito de “pequenas lagoas quentes” tenha ocorrido desde Darwin, os pesquisadores agora provaram sua plausibilidade através de numerosos cálculos baseados em evidências.
Os autores principais Ben K.D. Pearce e Ralph Pudritz, ambos do McMaster’s Origins Institute e seu Departamento de Física e Astronomia, dizem que a evidência disponível sugere que a vida começou quando a Terra ainda estava tomando forma, com os continentes emergindo dos oceanos, meteoritos atacando o planeta – incluindo aqueles que traziam o blocos de construção da vida – e nenhum ozônio protetor para filtrar os raios ultravioleta do Sol.
Ligações de vida

“Para entender a origem da vida, precisamos entender a Terra como era há bilhões de anos. Como nosso estudo mostra, a astronomia fornece uma parte vital da resposta. Os detalhes de como nosso sistema solar se formou têm conseqüências diretas na origem da vida na Terra”, diz Thomas Henning, do Instituto Max Planck para astronomia e outro co-autor.
A centelha da vida, segundo os autores, foi a criação de polímeros de RNA: os componentes essenciais dos nucleotídeos, fornecidos por meteoritos, atingindo concentrações suficientes na água das lagoas e unindo-se à medida que os níveis de água caíram e aumentaram através de ciclos de precipitação, evaporação e drenagem. A combinação de condições úmidas e secas foi necessária para a ligação, diz o artigo.
Em alguns casos, acreditam os pesquisadores, condições favoráveis ​​viram algumas dessas cadeias se dobrarem e se replicarem espontaneamente, tirando outros nucleotídeos de seu ambiente, cumprindo uma condição para a definição de vida. Esses polímeros eram imperfeitos, capazes de melhorar através da evolução darwiniana, cumprindo a outra condição.

“Esse é o Santo Graal da química experimental das origens da vida”, diz Pearce.

Essa forma de vida rudimentar daria origem ao eventual desenvolvimento do DNA, o modelo genético de formas superiores de vida, que evoluiria muito mais tarde. O mundo teria sido habitado apenas pela vida baseada em RNA até o DNA evoluir.
“O DNA é muito complexo para ter sido o primeiro aspecto de vida a surgir”, diz Pudritz. “Ela teve que começar com outra coisa, e isso é o RNA”.

Os cálculos dos pesquisadores mostram que as condições necessárias estavam presentes em milhares de lagoas, e que as combinações chave para a formação da vida eram muito mais prováveis ​​de terem se reunido nessas lagoas do que nas aberturas hidrotermais, onde a principal teoria rival sustenta que a vida começou em fissuras no oceano, onde os elementos da vida teriam se unido em explosões de água aquecida. Os autores do novo artigo dizem que tais condições não são suscetíveis de gerar vida, uma vez que a ligação requerida para formar RNA requer ciclos úmidos e secos.
Os cálculos também parecem eliminar o pó espacial como fonte de nucleotídeos geradores de vida. Embora tal poeira realmente tenha os materiais certos, eles não foram depositados em concentração suficiente para gerar vida, determinaram os pesquisadores. Na época, no início da vida do sistema solar, os meteoritos eram muito mais comuns e poderiam ter pousado em milhares de lagoas, levando os blocos de construção da vida. Pearre e Pudritz planejam colocar a teoria em teste no ano que vem, quando a McMaster abrirá seu laboratório Origins of Life, que irá recriar as condições pré-vida em um ambiente fechado.

“Estamos emocionados de poder juntar um artigo teórico que combina todos esses tópicos, faz previsões claras e oferece ideias claras que podemos levar ao laboratório”, diz Pudritz. [phys.org]

13.499 – Descoberta a quarta fase da vida: quando o fim está próximo


espiral
Os biólogos separam a vida em três fases: desenvolvimento, envelhecimento e vida adiantada. Mas um crescente corpo de pesquisa agora sugere que há uma quarta fase imediatamente anterior à morte que os cientistas estão chamando de “espiral da morte”.
Embora a maioria das pesquisas sobre a “espiral da morte” tenha se concentrado nas moscas da fruta, os cientistas acham que esses estudos podem oferecer uma visão valiosa da última etapa da vida humana também.
“Acreditamos que isso faz parte do processo da morte geneticamente programada, basicamente”, explica Laurence Mueller, presidente do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade da Califórnia, nos EUA.

Morte das moscas
Ao longo da última década, vários estudos com moscas da fruta sugeriram que esta espiral pode ser vista na queda da taxa reprodutiva (fecundidade), de acordo com uma revisão desta pesquisa por Mueller e seus colegas, publicada no início deste ano na revista Biogerontology. Por exemplo, os pesquisadores descobriram que o primeiro dia em que uma mosca fêmea colocou zero ovos foi um preditor significativo do fim da vida: os indicadores de fecundidade começaram a diminuir cerca de 10 dias antes de moscas jovens da fruta terem zero ovos. Os pesquisadores acham que o que leva à morte das moscas também afeta sua capacidade de reprodução nos últimos dias.
Na nova revisão, Mueller disse que o momento dessa queda corresponde a outra estimativa anterior da duração da espiral da morte. 10 dias podem ser até um terço da vida de uma mosca. Pesquisas a partir de 2002 sobre moscas da fruta do Mediterrâneo, chamadas de moscas-do-mediterrâneo, descobriram que 97% dos machos começaram a ficar de cabeça para baixo cerca de 16 dias antes de morrer. Em termos relativos, esse indicador potencial de uma espiral da morte também é aproximadamente igual ao momento do declínio da fecundidade nas moscas da fruta.
Em outro estudo, cientistas observaram moscas da fruta, nemátodos e peixes-zebra para ver se seus intestinos exibiam maior vazamento antes da morte. Os pesquisadores testaram essa vazamento, chamado permeabilidade, dando corantes para cada animal. Se a permeabilidade aumentasse, esse corante escaparia para dentro do corpo do animal, e seu corpo mudaria de cor – azul nas moscas e nos peixes e verde fluorescente nos nemátodos. A pesquisa, publicada em 22 de março na revista Scientific Reports, concluiu que esse vazamento intestinal foi um marcador de morte nas três espécies.

Uma espiral de morte humana?
A esperança é que a investigação da espiral da morte em moscas da fruta e outros organismos poderia algum dia dizer aos cientistas mais sobre o declínio dos humanos antes da morte.
Em seu artigo de revisão, Mueller e seus colegas citaram um estudo de 2008 publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences que mostra evidências de que as pessoas podem experimentar a espiral da morte também. Nesse estudo, os pesquisadores analisaram os dados coletados sobre as habilidades físicas e cognitivas de 2.262 pessoas dinamarquesas, com idades entre 92 e 100 anos, entre 1998 e 2005. Eles descobriram que as pontuações físicas e cognitivas de indivíduos que morreram nos dois primeiros anos do estudo foram significativamente inferiores às pontuações daqueles que ainda estavam vivos em 2005. As avaliações incluíram medidas de força de aderência, capacidade de completar atividades diárias (como usar o banheiro e comer) e exames que ajudaram a avaliar o comprometimento cognitivo.
Basicamente, Mueller disse, uma espiral da morte nas pessoas poderia ser a razão pela qual muitas vezes vemos um aumento distinto na deficiências antes de uma pessoa morrer. Os seres humanos são desafios para assuntos de estudo, tanto por razões éticas como biológicas, mas a visão da espiral da morte em outros organismos poderia dar aos cientistas uma janela sobre como isso funciona em humanos, disseram os pesquisadores.
De acordo com Mueller, o próximo passo nesta pesquisa pode ser criar seletivamente as moscas para criar grupos que experimentam espirais de morte de diferentes durações.

“Uma vez que você cria populações que são geneticamente diferentes dessa maneira, você pode perguntar: ‘Que genes foram alterados para reduzir o comprimento da espiral da morte?”, prevê Mueller. Usando esse conhecimento, os pesquisadores poderiam procurar no genoma humano por marcadores genéticos similares. Os seres humanos são geneticamente semelhantes às moscas da fruta, observa Mueller. De acordo com o site yourgenome.com, um site do Wellcome Genome Campus, um grupo que concentra dados genéticos, 75% dos genes que causam doenças em seres humanos também estão presentes nas moscas da fruta.
É por isso que o “você” do pós-vida não seria você
Mueller diz que a pesquisa não é sobre parar ou mesmo atrasar a morte. Em vez disso, ele vê isso como uma forma de melhorar a qualidade de vida das pessoas quando elas estão chegando ao fim e, potencialmente, economizar imensas quantidades de dinheiro em cuidados de saúde no fim de vida.

“Mesmo que não sejamos capazes de afetar quando você morre, gostaríamos de torná-lo totalmente funcional até o dia da sua morte”, disse ele. [Live Science]

14.453 – Cães Que Mudaram a História Da Ciência


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Belka and Strelka
Foram as primeiras cadelas do programa espacial soviético a voltarem vivas para a Terra. Decolaram na missão Sputinik 5 em 19 de agosto 1960, e passaram um dia em órbita. Não ficaram tão famosas quanto Laika, mas forneceram dados científicos ainda mais valiosos sobre as condições de vida no espaço. Segundo a CNN, Strelka teve uma ninhada de filhotes logo após a missão – um dos quais (chamado Pushinka) foi dado de presente à filha do então presidente John F. Kennedy, Caroline. Talvez a provocação mais criativa da Guerra Fria.

snupi

Snuppy, nascido na Coreia do Sul em 2004, é o primeiro cão clonado do mundo. A matriz para sua produção foi uma célula tirada da orelha de seu pai (ou seria irmão gêmeo? Na foto, o menor é Snuppy, ainda bebê, e o maior é sua matriz).

Ele também é, acima de tudo, um sobrevivente: foram implantados óvulos em 123 úteros. Destes, três chegaram ao final da gestação, e apenas Snuppy alcançou a vida adulta. Em 2008, seu esperma foi usado para inseminar artificialmente duas fêmeas que também eram clonadas. Nasceram 10 filhotes, nove sobreviveram.
A técnica se popularizou rápido. Em 2009, sete labradores retriever clonados – todos chamado Toppy – começaram a trabalhar na alfândega sul-coreana. O projetou custou 240 mil dólares, e o resultado foi bem fofo.

Marjorie
Em 1921, o médico canadense Frederick Banting e seu assistente Charles Best entraram para a história da medicina por terem isolado a insulina – o hormônio que os diabéticos quase não têm, responsável por manter sob controle o nível de açúcar no sangue (isso na tipo 1. Na tipo 2, o hormônio é produzido, mas o corpo não reage a ele.
O que ninguém sabe é que a primeira pacientes deles foi Marjorie, uma vira lata que sobreviveu 70 dias sem pâncreas. Não era um problema congênito. O órgão foi retirado só para fazer os testes, o que soa cruel hoje em dia, mas era uma prática aceitável no começo do século – vale lembrar que ratos de laboratório passam por isso até hoje.

Marjorie não foi a única. Segundo a Harvard Magazine, dez cães ao todo morreram nas mãos de Banting e Best. A descoberta – que salva a vida milhões de pessoas com diabetes todos os dias – até hoje divide opiniões e gera longas discussões sobre ética e direitos dos animais.

O cão marrom de William Bayliss
O cão marrom, até hoje sem nome, foi o gatilho de uma polêmica que tomou conta dos jornais da Inglaterra entre 1903 e 1910. O resumo da ópera: no final do século de 19, professores de medicina abriam animais vivos em aulas de anatomia – uma prática chamada vivissecção. A ideia era treinar futuros cirurgiões (e também fazer pesquisas científicas) usando organismos vivos, e não cadáveres.
Às vezes isso era feito com anestesia. Às vezes, sem. Em 1903, William Bayliss, professor do University College de Londres, levou um cão marrom à aula. E não fez questão de anestesiá-lo. Um grupo de ativistas suecas que assistiu à cena se revoltou, apurou o caso e levou a pauta para as ruas.
O acadêmico, é claro, alegou que o animal estava inconsciente, mas não colou – a vivissecção era considerada cruel até para os padrões da época, e sua prática era regulamentada por lei desde 1876. A causa mobilizou a opinião pública e uma estátua de bronze em homenagem ao cão marrom foi erguida em 1906.

A inscrição na base relata sua história – ele foi submetido a cirurgias “pedagógicas” por dois meses antes de perecer –, e então provoca a escola de medicina de Bayliss com um pouco de estatística: “Também em memória dos 232 cães (…) dissecados no mesmo local durante o ano de 1902. Homens e mulheres da Inglaterra, por quanto tempo isso ainda acontecerá?”
Os estudantes não gostaram nada do monumento. Após uma série de disputas judiciais, em dezembro de 1907 mil deles foram às ruas de Londres contra o movimento de defesa dos direitos dos animais. A manifestação virou pancadaria e a polícia precisou intervir – vários receberam multas de três libras por atacarem os guardas. Parece pouco? Pois, considerando a inflação, é equivalente a 239 libras em 2017, mais de R$ 1 mil na cotação atual.

Jofi
O felpudo chow chow Jofi era um dos vários mascotes de Freud – apesar de intelectual, ele era fã de cachorros, e não de gatos. Na opinião do pai da psicanálise, manter animais de estimação na sala durante a consulta era um ótimo jeito de confortar seus pacientes.

Em seus diários, ele observa que Jofi era um bom “termômetro” de emoções – se afastava de pacientes ansiosos e interagia com os mais amigáveis. Essas anotações são as primeiras menções ao uso de cães para fins de diagnóstico e terapia. Hoje eles são presenças comuns em hospitais infantis e asilos – e artigos científicos como este aqui comprovam que fazer carinho em um cachorro ajuda com picos de pressão alta.

Bluey
Agora um caso mais light. Bluey, da raça boiadeiro australiano, nasceu em 1910 e morreu em 1939 – viveu exatamente 29 anos e 5 meses. É o cão mais velho já verificado pelo Guinness Book, o livro dos recordes. Trabalhou no campo durante dois terços de sua vida.
Depois dele veio Chilla, um cruzamento entre boiadeiro australiano e labrador que teria vivido 32 anos. Jornais deram a notícia de sua morte em 1984, mas ele não bateu Bluey no Guinness Book – sua data de nascimento nunca foi comprovada com exatidão. Seja como for, os boiadeiros australianos são uma das raças mais longevas que existem: vivem em média 13 anos. Um fato científico útil se você quiser um mascote para passar um longo, longo tempo ao seu lado.

Do Guiness:
A maior idade confiável registrada para um cachorro é de 29 anos e 5 meses para um cão de gado australiano chamado Bluey, de propriedade de Les Hall of Rochester, Victoria, Austrália. Bluey foi obtido como cachorro em 1910 e trabalhou entre gado e ovelha por quase 20 anos antes de dormir para 14 de novembro de 1939.
A maioria dos cães vive por 8-15 anos, e registros autênticos de cães que vivem mais de 20 anos são raros e geralmente envolvem as raças menores.

13.451 – Terapia reverte envelhecimento “aposentando” células idosas


Nosso processo de envelhecimento passa primeiro pelas células. Os cabelos brancos e as dores na coluna são fruto de uma ordem natural e até então aparentemente irreversível: as células já não acompanham mais o ritmo de renovação exigido, e passam a se replicar em velocidade bem menor do que demanda um corpo jovem e saudável. No entanto, cientistas holandeses parecem ter encontrado uma forma de contornar esse mecanismo. Utilizando uma terapia inovadora que “aposenta” as células idosas, eles conseguiram reverter o envelhecimento de ratos em laboratório – e até dar um jeitinho em sua queda excessiva de pelos.
A chave para o efeito está na utilização de um peptídeo especializado, que, no melhor estilo “exterminador do passado” tem a tarefa de encontrar e eliminar as células mais antigas, chamadas senescentes. As células senescentes são as que perderam sua capacidade de renovação celular e, apesar de não possuírem mais metabolismo, também se recusam a morrer por completo. E essa “teimosia” é perigosa: células mais velhas são também mais permissivas ao surgimento de doenças ou desenvolvimento de tumores, por exemplo.
Há um mecanismo que determina se uma célula permanecerá em estado de senescência, e ele é estabelecido pela interação entre as proteínas celulares FOXO4 e p53. A aplicação da técnica está justamente aí: o peptídeo FOXO4 é capaz de interromper a comunicação entre as duas proteínas, fazendo com que a célula sofra apoptose – algo como um “suicídio” celular.
Para testar o método, os pesquisadores utilizaram dois tipos de ratos. Havia aqueles que naturalmente já estavam no fim de suas vidas e também os que foram geneticamente modificados para se tornar idosos. O peptídeo foi aplicado nas cobaias três vezes por semana durante dez meses, e os resultados vieram rapidamente: os ratos modificados geneticamente começaram a recuperar sua pelagem após dez dias. Três semanas depois do início dos testes, os ratos idosos corriam o dobro da distância dos seus vizinhos que não receberam o tratamento. Eles também mostraram melhora em suas funções renais, um mês após começado o experimento. Segundo a pesquisa, não foram encontrados efeitos colaterais.
O próximo passo do grupo é adaptar a técnica para o tratamento de humanos, mantendo a eficiência e a ausência de efeitos colaterais. A ideia é que ela seja uma alternativa ao tratamento do glioblastoma multiforme, um tipo de tumor do cérebro que pode ser identificado pelo peptídeo FOXO4, afirmou Peter L.J. de Keizer, um dos autores do estudo, ao site Science Daily. A pesquisa foi publicada na revista científica Cell.

13.390 – Engenharia Genética – Google quer liberar 20 milhões de mosquitos nos EUA


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A empresa Verily, que pertence ao Google (e até 2015 se chamava Google Life Sciences) pretende soltar 20 milhões de mosquitos em Fresno, cidade de 500 mil habitantes no sul da Califórnia – e, com isso, interromper a disseminação dos vírus da dengue, zika e chikungunya no local. A Califórnia começou a sofrer com esse problema em 2013, quando foram detectados os primeiros mosquitos Aedes aegypti por lá.

Os mosquitos que serão soltos foram criados em laboratório pela Verily, e também são da espécie A. aegypti, mas com uma diferença crucial: eles foram propositalmente infectados com uma bactéria, a Wolbachia pipientis, que os torna estéreis. A ideia é que eles acasalem com as fêmeas de A. aegypti na natureza. Além de não gerar descendentes (já que os mosquitos são inférteis), isso também impediria que os Aedes machos saudáveis se reproduzam – já que as fêmeas estarão ocupadas com os outros mosquitos. Com o tempo, isso levaria à extinção da espécie.
No Brasil, há um projeto similar. Ele é capitaneado pela empresa inglesa Oxitec, que desde 2014 produz mosquitos transgênicos estéreis em Campinas, no interior de São Paulo, e já os utilizou em testes pelo país.

13.388 – Engenharia Genética – Cientistas criam banana transgênica


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A banana foi desenvolvida pela Universidade de Queensland, na Austrália, e contém 20 vezes mais betacaroteno do que as bananas tradicionais. Essa molécula (naturalmente presente em alimentos como cenoura, espinafre e ervilha) é essencial para o bom funcionameno do corpo humano, pois é transformada pelo organismo em vitamina A. Em crianças pequenas, com menos de cinco anos, a falta de vitamina A é especialmente grave – pois pode prejudicar o sistema imunológico, levando a infecções graves. Acredita-se que, a cada ano, de 600 mil a 750 mil crianças morram por problemas de saúde relacionados à deficiência de vitamina A.
A maioria dos casos acontece na África, em países como Uganda – onde a banana cozida é um elemento central da alimentação. Os cientistas australianos receberam US$ 10 milhões da Fundação Bill & Melina Gates para criar a banana transgênica, que foi batizada de “banana dourada”. Ela é uma banana do tipo Cavendish, o mais comum (inclusive no Brasil) que recebeu genes de outra espécie de banana: a Fe’i, que é nativa de Papua Nova Guiné e conhecida por conter alto teor de betacaroteno.

O resultado do transplante genético foi a banana dourada, que contém muito mais betacaroteno que a Cavendish comum – e, por isso mesmo, é bem mais amarela. Após 12 anos de testes de laboratório e em plantações, os cientistas finalmente chegaram à nova espécie. Ela ainda tem de ser aperfeiçoada, ficando mais resistente e produtiva, para que possa ser cultivada em grande escala na África – o que, segundo os pesquisadores, pode acontecer até 2021. Veja, abaixo, um vídeo da nova banana:

13.381 – Os 5 Reinos dos Seres Vivos


Falar em cinco reinos dos seres vivos pode causar alguma confusão e discussão, pois há muitos biólogos que consideram mais de cinco reinos e o conceito de domínio já está se tornando popular entre os cientistas. Por enquanto vamos considerar apenas os cinco reinos, mas em breve discutir esses novos conceitos de classificação.

Muitos cientistas consideram que a vida surgiu na Terra primitiva há cerca de 3,5 bilhões de anos. Assim, todos os seres vivos que conhecemos hoje derivam de um mesmo grupo ancestral. Por processos evolutivos, esse grupo deu origem aos demais grupos de seres vivos.
No capítulo anterior também comentamos a respeito da característica presente em todos os seres vivos: a célula. A origem da vida corresponde à origem da primeira célula. Todas as células possuem material genético e um envoltório, chamado membrana plasmática, que separa o seu interior do meio externo. A célula também apresenta em seu interior o citoplasma, que pode conter diversas estruturas especializadas, dependendo do tipo celular.
Os cientistas consideram que os primeiros seres vivos eram unicelulares, ou seja, constituídos de apenas uma célula. Atualmente, existem grupos de seres vivos unicelulares, como as bactérias, a maioria dos pro-tistas e algumas espécies de fungos.
Os grandes grupos de seres vivos, tanto unicelulares quanto multicelulares, representados na categoria taxonômica de reino, estão indicados no cladograma ao lado. Observe que, de acordo com a hipótese representada no cladograma, os seres vivos podem ser classificados em cinco reinos.
Ao longo da história evolutiva, houve diversificação dentro de cada reino. Muitas espécies surgiram, muitas foram extintas, até chegarmos à biodiversidade atual.
O cladograma nos mostra que as plantas são evolutivamente mais próximas dos protistas, enquanto os fungos são evolutivamente mais próximos dos animais. O Reino Monera é o que tem origem mais antiga entre os atuais reinos de seres vivos.
Vamos ver brevemente quais são os seres vivos agrupados em cada reino.

Monera

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Formado por todos os procariontes, que são as bactérias e as cianobactérias. Eles possuem um tipo de célula chamada procariótica. Nesse tipo celular, não há um núcleo diferenciado, como você pode ver no esquema simplificado a seguir.

Protista ou Protoctista
Formado por todos os seres unicelulares eucariontes, como as amebas e as algas unicelulares, e por seres multicelulares capazes de fazer fotossíntese, mas com pouca diferenciação do corpo, que são as algas multicelulares. A célula de um protista é eucariótica, ou seja, o material genéüco é separado do citoplasma em um núcleo individualizado.

Fungo ou Reino Fungi
Formado por seres eucariontes, unicelulares e multicelulares, que absorvem o alimento do meio. Um exemplo de fungo multicelular é o cogumelo comestível conhecido por champignon. Um bom exemplo de fungo unicelular é o Saccharomyces cerevisiae, conhecido como fungo da cerveja, por ser utilizado na fabricação de cervejas e vinhos.

Reino das Plantas
Formado por seres multicelulares fotossintetizantes que possuem corpo diferenciado em tecidos. E o caso de todas as plantas, como musgos, samambaias, coqueiros, mangueiras, entre muitas outras.

Reino Animal
Formado por seres multicelulares que obtêm alimento por ingestão. É o caso de anémonas, minhocas, borboletas, peixes, sapos, serpentes, aves, cães, seres humanos e tantos outros exemplos.

E os vírus?
Os vírus são diferentes de todos os organismos pertencentes aos reinos dos seres vivos. Eles não são constituídos por células e somente conseguem se reproduzir dentro de uma célula, sendo essas as principais razões pelas quais alguns cientistas não os consideram seres vivos, mas uma forma particular de vida. Entretanto, os vírus possuem material genético, como todos os seres vivos, característica importante para que sejam considerados seres vivos pela maioria dos cientistas.

13.380 – Biologia – O Hibrido Estéril


mula
A hibridação foi estudada pela primeira vez com vegetais no século XVIII, pelo naturalista Joseph Gottlieb Kölreuter. Após experimentos com milhares de plantas, ele conseguiu produzir uma planta híbrida, batizando-a de mula híbrida – fazendo referência à mula, um animal híbrido. Dessa forma, ele afirmou ter encontrado a primeira mula botânica produzida pelo homem.
Chamamos de híbrido todo e qualquer organismo vivo descendente de indivíduos geneticamente diferentes, ou seja, o híbrido é o produto do acasalamento entre indivíduos de espécies diferentes. É importante lembrar que são considerados híbridos apenas os descendentes de pais de espécies diferentes, e que quando há o cruzamento de animais da mesma espécie, mas de raças diferentes, são obtidos animais mestiços.
Não podemos dizer que todo híbrido é estéril, pois na natureza encontramos híbridos que possuem fecundidade limitada. Esse grau de fecundidade se apresenta nas fêmeas, pois nelas os óvulos têm desenvolvimento completo, enquanto que nos machos é raro as células espermáticas se desenvolverem ou amadurecerem. Um exemplo claro de hibridismo com fecundidade limitada ocorre no cruzamento do porco doméstico com o javali, que resulta em híbridos, sendo que os machos são estéreis e as fêmeas são fecundas.

Veja abaixo alguns exemplos de animais híbridos:

– Mula: resultado do cruzamento entre uma égua e um jumento;

– Zebralo: resultado do cruzamento entre uma zebra e um cavalo;

– Ligre: resultado do cruzamento entre um leão e uma tigresa;

– Tambacu: cruzamento entre os peixes tambaqui e pacu-aranha;

– Leopon: cruzamento entre uma leoa e um leopardo;

– Huarizo: resultado do cruzamento entre um lhama com uma alpaca.

A hibridação, ocorrendo naturalmente, não constitui uma ameaça à conservação das espécies envolvidas, sendo vista, nesses casos, como parte da história evolutiva dessas espécies animais, mas pode se tornar um problema para a conservação se for propiciada por mudanças no habitat ou na composição das espécies provocadas por ações humanas.