13.832 – Conceitos Sobre a Dor


Na Grécia Antiga, três séculos antes de Cristo, foi fundada a Escola Estoica. O ideal de seus seguidores era viver “de acordo com a natureza”, e assumir uma atitude impassível e racional diante dos acontecimentos, fossem eles marcados pela dor ou pelo prazer. Séculos mais tarde, de acordo com os valores da cultura judaico-cristã, a dor passou a ser encarada como forma de redimir os pecados intrínsecos à espécie humana, ou como castigo pelos erros cometidos. Prova disso está nas súplicas – “A vós suplicamos gemendo e chorando neste vale de lágrimas” -, ou na ira divina ao punir a desobediência de Eva no Paraíso: “Entre dores darás à luz os filhos”. Nem os poetas escaparam dessa postura de aceitação da dor – “Ser mãe é padecer no Paraíso” –, como mal necessário a caminho da redenção.
Sob o enfoque da medicina moderna, porém, a dor é um sinal de alarme e o sofrimento que provoca além de absolutamente inútil, debilita o organismo e compromete a qualidade de vida. Mas, nem sempre se pensou assim. Durante muito tempo, as faculdades de medicina e de enfermagem não capacitaram os alunos para lidar com a dor, fosse ela aguda ou crônica, e muitos médicos estão despreparados para enfrentar esse desafio, apesar dos avanços tecnológicos e na área da farmacologia. Não estamos nos referindo aqui às dores mais leves que passam com a administração de analgésicos comuns, mas às dores agudas e crônicas, que requerem tratamento mais agressivo e especializado.
Hoje, infelizmente, a despeito de todo o progresso terapêutico, essas dores ainda não recebem a abordagem necessária e estão se transformando num problema de saúde pública no Brasil.
A dor é um sinal de alarme do organismo. Quando se manifesta agudamente, com certeza algo de errado está ocorrendo na pele, nos músculos, nas vísceras ou no sistema nervoso central e são liberadas substâncias que ativam os nervos periféricos e centrais para conduzirem o estímulo até a medula espinhal, onde a sensação dolorosa é modulada, e de lá para o cérebro a fim de avisá-lo que, em determinado ponto, existe um problema.
Como a dor pode ser inibida na medula espinhal pela ação dessas substâncias (serotonina e endorfinas), quando uma pessoa se machuca praticando esportes ou jogando bola, por exemplo, pode não sentir nada naquele momento. A dor vem mais tarde, “quando o sangue esfriou”, dizem os leigos. Na verdade, a razão é outra: existe um sistema supressor interno que às custas das endorfinas, que são opioides endógenos, isto é, produzidos pelo próprio organismo, encarregou-se de combater a sensação dolorosa provocada pela agressão. Portanto, os remédios à base de opioides indicados para o controle da dor simplesmente amplificam esse mecanismo natural do organismo.

13.755 – Curiosidades – O que acontece quando damos risadas?


Os motivos que nos fazem rir variam dos mais óbvios até os mais improváveis. Tem gente que faz o maior barulhão na hora de dar risada, outros não emitem nenhum som sequer…
Fato é que a risada é uma resposta bastante primitiva do nosso corpo, e presente até mesmo no mundo animal.
Ao contrário da fala, os sons produzidos durante uma risada são controlados por um sistema cerebral responsável pela vocalização dos mamíferos, portanto, menos evoluído e mais semelhantes aos chamados entre os animais de uma mesma espécie.
Estudos realizados com observação de ressonância magnética mostraram que a língua, mandíbula e palato produzem movimentos reais durante o riso e que todo e mecanismo ocorre na caixa torácica.
Os diferentes e muitas vezes estranhos sons que emitimos quando damos risadas são resultados da pressão que o músculo do peito faz sobre a caixa torácica para que ocorra a saída de ar do corpo.
Você pode não saber, mas a risada também já foi observada em primatas como chimpanzés e gorilas e até mesmo entre outras espécies do reino animal, como em ratos, por exemplo. O que sugere que o fenômeno faz parte do grupo de expressões faciais e de comunicação, assim como as provocadas pela dor, consideradas mais básicas entre os mamíferos.

Riso de bebês
Se você tem filhos ou convive com crianças pequenas deve ter percebido que até mesmo os bebês são capazes de produzir risadas e, a contrário do que possa imaginar, não se trata apenas de uma resposta involuntária.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia, quando sorri para os pais, os bebês não apenas expressam uma emoção, como também procuram receber deles uma reação igual, estabelecendo assim uma espécie de comunicação “planejada” por parte dos pequenos.

13.018 – A Fisiologia


fisiologia
É a parte da Biologia responsável pelo estudo das funções e das atividades exercidas por cada estrutura de um organismo vivo.
Para estudar um organismo, não basta saber quais são os órgãos que o compõem, é fundamental compreender todo o seu funcionamento e as atividades desenvolvidas por cada uma dessas estruturas. A Fisiologia é o ramo da Biologia dedicado à compreensão do funcionamento do corpo, sendo responsável por desvendar todos os processos físicos e químicos envolvidos na manutenção da vida. O estudo dessa área iniciou-se na Grécia por volta de 2500 anos atrás. O termo fisiologia é oriundo das palavras gregas phýsis e logos, que significam literalmente “conhecimento da natureza”.
Uma das figuras mais influentes no campo da Fisiologia da Antiguidade foi Cláudio Galeno (129-200 d.C.), um médico conhecido por tratar gladiadores. Galeno realizou diversos trabalhos com animais e seguia uma doutrina conhecida como “quatro humores”. Essa doutrina partia da ideia de que o corpo era formado por quatro diferentes fluidos: sangue, fleuma, bile amarela e bile negra. Segundo esse médico, o coração, o fígado e o cérebro eram os principais órgãos do corpo humano.
Após Galeno, outra figura que merece destaque é Andreas Versalius (1514-1564), que publicou, em 1543, a obra intitulada De Humani Corporis Fabrica. Esse trabalho ficou conhecido como um grande marco tanto no estudo da Anatomia como para a Fisiologia moderna, iniciando-se uma nova forma de compreender o funcionamento do corpo.
Outro estudo que merece destaque é o de William Harvey (1578-1657). Ele propôs a teoria de que o sangue circulava por todo o organismo graças ao bombeamento garantido pelo coração. Até esse momento, a teoria mais aceita afirmava que o sangue era constantemente produzido, e não que ele circulava. O trabalho de Harvey, sem dúvidas, foi fundamental para a compreensão de diversos outros processos fisiológicos.
O maior desenvolvimento dessa área da Biologia aconteceu, no entanto, ao longo do século XIX, em especial na Alemanha e na França. Entre os principais avanços dessa época, podemos destacar o entendimento da teoria celular e o desenvolvimento da Fisiologia Experimental. Nesse último caso, devemos destacar os trabalhos de Claude Bernard, que é considerado o pai da Fisiologia Experimental Contemporânea e destacava a importância da experimentação.
No século XX, diversos processos foram desvendados, e o entendimento da Bioquímica e da Biologia Molecular foi fundamental para o aprofundamento do conhecimento em Fisiologia. Com os avanços tecnológicos, essa área continua a crescer e muitos processos ainda serão entendidos.
Estudar Fisiologia requer dedicação e conhecimento básico de várias áreas da Biologia, tais como anatomia, morfologia, citologia, bioquímica, ecologia e biofísica. Nessa área são abordados temas como o funcionamento de todos os sistemas do corpo dos seres vivos e como eles são capazes de manter esses organismos em estado de equilíbrio. Nos textos dispostos logo mais abaixo, você conhecerá vários aspectos da Fisiologia, não só a humana, mas também a de diferentes seres.

11.688 – Astronáutica – A circulação sanguínea se altera na falta de gravidade?


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Não existem ambientes sem gravidade. O que acontece no espaço é que essa força é anulada pela alta velocidade das naves (em média, 27 000 quilômetros por hora). Para começar, o coração trabalha melhor. “Normalmente, ele empurra 70 centímetros cúbicos de sangue para a circulação”, diz um fisiologista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, em São Paulo. No espaço, o músculo precisa de 5% menos força para fazer a mesma coisa, pois a falta de gravidade diminui a compressão das artérias, que se dilatam.
Outros órgãos são afetados. Os músculos afrouxam, já que não são convocados a fazer força. Se a estada for longa, correm até o risco de se atrofiar. Os ossos tornam-se mais fracos, porque precisam da gravidade para fixar o cálcio que “tampa” seus poros. O sistema digestivo enlouquece. Para evitar indisposições, os astronautas treinam em aviões: sobem, desligam os motores e descem em queda livre. No mergulho, qualquer refeição engolida volta. A repetição da manobra acostuma o viajante às dificuldades do espaço.

O coração do astronauta no espaço funciona como se ele estivesse em repouso.
Mais sangue
As artérias se dilatam, diminuindo a pressão sanguínea. Para compensar, o organismo produz 5% mais de sangue.
Boa viagem
Na Terra, as veias têm que bombear o sangue pernas acima, de volta para o coração. Sem gravidade, o líquido viaja com facilidade.
Pegando leve
Como a força que o coração faz é proporcional ao esforço que o astronauta realiza, ele bate mais fraco.