11.038 – Geografia – O Fuso horário


terra geografia

Conforme a Terra dá voltas em torno do Sol e gira sobre o próprio eixo, partes dela são iluminadas – e outras ficam no escuro. Por isso é dia em alguns pontos enquanto é noite em outros, e há diferenças de horário entre os lugares. Mas, até o século 19, isso era uma bagunça: cada cidade definia sua própria hora, sem coordenação central. Nos EUA, as ferrovias eram obrigadas a manter tabelas com mais de 300 horários diferentes. Em 1884, a Conferência Internacional do Meridiano botou ordem no planeta estabelecendo as regras que usamos hoje: 24 fusos horários, com o horário central baseado em Greenwich (um distrito de Londres). Houve resistência, pois cada país queria que o centro fosse sua própria capital, mas todos acabaram aceitando (o Brasil, em 1913). Os fusos horários foram essenciais para a globalização. Mas alguns países os adotam de um jeito peculiar. Na China, o país todo segue um fuso, de Pequim, o que gera distorções: nas cidades mais a Oeste, às vezes a manhã só começa às 10h, e há dias em que já é meia-noite quando o sol se põe.

11.037 – Ele Voltou – A volta do World Trade Center


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A queda das Torres Gêmeas, em setembro de 2001, teve um impacto gigantesco. E não só como você pensa. Além das 2.977 vítimas mortas, dos US$ 10 bilhões em prejuízos, do abalo psicológico global e da invasão do Afeganistão, o maior atentado terrorista de todos os tempos trouxe consigo um problema mais direto. Depois que os bombeiros conseguiram apagar o incêndio, o que levou intermináveis três meses, as autoridades começaram a refletir sobre o futuro daquele espaço. Reerguer as duas torres? Deixar o local vazio? Transformá-lo em parque? Fazer um memorial? Depois de muita discussão, os americanos decidiram construir um prédio no local: o One World Trade Center. Ele está pronto, e deve ser inaugurado nas próximas semanas (a data exata não foi divulgada, possivelmente por questões de segurança). Foi uma das obras mais caras e tumultuadas de todos os tempos, cheia de inovações tecnológicas e reviravoltas políticas.

Sua história começa em dezembro de 2001.
Com o incêndio finalmente extinto, veio o primeiro problema. Como se livrar dos destroços das Torres Gêmeas? Era uma montanha gigantesca, com 1,5 milhão de toneladas de aço e detritos. Um problemaço. Para piorar, policiais, bombeiros e operários envolvidos na demolição brigavam sem parar. Um dos principais motivos eram os furtos. Isso porque as torres e seu entorno ficaram interditados, trancados, com todos os objetos dentro. E foram implacavelmente saqueados pelos envolvidos na limpeza da área. Laptops foram levados de prédios vizinhos, que ficaram abalados, mas não caíram. Bolsas e maletas foram furtadas. Havia muitas lojas na região atingida, que se tornaram alvos. Segundo o jornalista William Langewiesche, autor de American Ground (“Solo Americano”, sem versão em português), os bombeiros preferiam relógios de luxo, os policiais gostavam de eletrodomésticos e os operários levavam o que vissem – sobretudo vinhos, encontrados nas ruínas do hotel Marriott, e cigarros achados num depósito da Alfândega.
Também havia um tesouro sob os escombros: um cofre com mil quilos de barras de ouro e prata do Banco da Nova Escócia, no valor de US$ 250 milhões. Quando ele foi encontrado, e uma equipe chamada para retirar o conteúdo, descobriu-se que alguém já havia tentado arrombar a porta, sem sucesso. Foram necessárias 120 viagens de caminhão para levar as barras embora.

Durante a operação de limpeza, os operários encontraram um carro de bombeiros soterrado. Não havia ninguém dentro. Mas a cabine estava cheia de calças jeans – algumas dúzias delas, que os bombeiros haviam furtado em lojas do WTC antes do desabamento das torres, quando deveriam estar socorrendo pessoas. Isso causou escândalo nos EUA e arranhou a imagem dos bombeiros, que até então eram vistos como os herois do 11 de Setembro. O corpo de bombeiros se desentendeu com a polícia, que também atrapalhou o trabalho dos operários. “O local foi tratado como a cena de um crime. Todos os escombros foram vasculhados manualmente em busca de provas”, diz John Knapton, professor de engenharia de estruturas na Universidade Newcastle, na Inglaterra. Os detritos foram colocados em balsas e levados para um aterro em Staten Island, onde eram analisados e depois agrupados em montanhas.
Quase 200 mil toneladas de aço, que ainda estavam em bom estado, foram cortadas e vendidas para outros países. A Turquia comprou um pouco, mas a maior parte foi para Índia e China. Ele foi derretido, moldado em barras, revendido e usado na produção de diversos produtos – inclusive utensílios de cozinha, como facas, colheres e garfos. Os Estados Unidos também reaproveitaram uma parte do metal das Torres Gêmeas, usado para construir um navio da Marinha, o USS New York. O processo foi polêmico. Alguns disseram que era um desrespeito à memória das vítimas, outros que a reciclagem poderia estar destruindo provas. O Greenpeace alegou que o aço poderia estar contaminado por substâncias tóxicas, como mercúrio, chumbo e cádmio, que teriam se misturado a ele durante o incêndio. Não deu em nada. A reciclagem continuou. E se você comprou talheres naquela época, é possível que tenha pedaços do WTC na sua casa.
Depois que a remoção dos escombros terminou, em 2002, começaram as discussões sobre o que construir no Marco Zero. Um concurso foi aberto em agosto para eleger um plano de ocupação da área. O vencedor, anunciado em fevereiro de 2003, foi o arquiteto Daniel Libeskind, responsável pelos projetos do Museu Judaico de Berlim e da Universidade Metropolitana de Londres. Filho de sobreviventes do Holocausto, ele nasceu logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1946, e emigrou para os Estados Unidos na adolescência. Na chegada a Nova York, de navio, se encantou com a visão da Estátua da Liberdade e do horizonte de prédios da cidade.

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O plano que Libeskind desenvolveu para o Marco Zero foi inspirado por essa visão. O desenho original do One World Trade Center trazia uma silhueta estilizada que acompanhava o perfil da Estátua da Liberdade, quando vista de lado. Mas a ideia foi abandonada, e o prédio final é bem diferente (veja na página ao lado). Na época, especulou-se que o projeto original fosse complexo demais, impossível de construir – uma versão questionada por especialistas. “Ele podia ser mais desafiador e mais caro, mas não era impossível de ser feito”, afirma Mir Ali, professor de arquitetura da Universidade de Illinois. Na prática, o desenho foi alterado por um motivo simples. O investidor Larry Silverstein, que manda no WTC (um mês e meio antes dos atentados, ele comprou os direitos de uso das torres por 99 anos), simplesmente não gostou dos primeiros esboços. E chamou outro arquiteto: o americano David Childs. Ele não se deu bem com Libeskind, que acabou deixando o projeto. As disputas atrasaram a construção, e pouca coisa restou da ideia original. Uma das características mantidas foi a altura: 1.776 pés (541 metros), uma referência ao ano da independência dos Estados Unidos. Isso tornou o One World Trade Center o edifício mais alto do Ocidente (e o quarto mais alto do mundo). Mas não há um consenso a respeito. Isso porque, na verdade, o prédio em si é bem mais baixo: tem 417 metros. A altura recorde só é atingida graças a uma “ponta” de 124 metros, o que é considerado um truque por alguns arquitetos.
Também não houve consenso na escolha do nome. Após os atentados, a ideia era que se chamasse Freedom Tower (Torre da Liberdade). Mas a Autoridade do Porto de Nova York, dona do local, decidiu em 2009, de uma hora para outra, que o prédio seria batizado de One World Trade Center. O argumento foi de que se tratava de um nome mais conhecido. Suspeita-se que o primeiro nome, que tem conotação patriótica e ideológica, pudesse afastar interessados em alugar os andares. Por enquanto, o novo WTC tem pouquíssimos inquilinos. O principal é a editora de revistas Condé Nast, que alugou 24 andares por um prazo de 25 anos – e vai pagar uma mensalidade de US$ 6,6 milhões. Além dela, também vão se mudar para o prédio o China Center, mistura de centro cultural e espaço de negócios ligado ao governo chinês, e a Administração Geral de Serviços (GSA), um órgão do governo americano. A construção do prédio custou US$ 3,9 bilhões – é a segunda obra mais cara, em preço por metro quadrado, de todos os tempos (só perde para o Antilla, um prédio residencial construido por um bilionário em Mumbai, na Índia). Metade do WTC está vazia, ainda sem interessados.

Em termos comerciais, não existia necessidade de se fazer o prédio. A torre vai acrescentar apenas 278 mil metros quadrados de escritórios à cidade (não muito mais do que o oferecido pelo Empire State Building, inaugurado em 1930). E, na área de Manhattan onde o One World Trade Center está localizado, já havia 674 mil metros quadrados de escritórios disponíveis para aluguel no final do ano passado, segundo a empresa Lee & Associates. Ou seja: levando em conta apenas os números, Nova York não precisaria do novo prédio. Isso não significa que as empresas não possam acabar se mudando para ele, atraídas pelo prestígio do local. Mas, para que isso aconteça, elas precisam se sentir seguras.
A construção das Torres Gêmeas, nos anos 70, reinventou as técnicas de engenharia. Os edifícios tradicionais, como o Empire State, são grandes blocões de tijolos e concreto. O WTC era diferente. Sua estrutura era feita de aço, e usava um sistema inteligente: parte do peso de cada prédio era sustentado por uma rede de vigas que revestia todo o seu exterior. Graças a essas características, as Torres Gêmeas eram mais leves – e puderam ser construídas com mais andares.

Mas, quando os aviões bateram nas torres, em 2001, o ponto fraco dessa estratégia ficou evidente. Primeiro, o impacto rasgou a malha externa. Depois, as aeronaves explodiram e geraram bolas de fogo com 800 graus Celsius de temperatura. O problema é que a 600 graus o aço fica mole – perde cerca de metade da rigidez. Isso foi demais para os prédios. “A estrutura remanescente, sobrecarregada e com o aço debilitado, não suportou as cargas dos andares superiores”, explica Ricardo Fakury, professor de engenharia da UFMG. Por isso as torres caíram retas, como numa implosão. Sua estrutura ficou mole, cedeu, e os andares de cima foram esmagando os de baixo.
O novo WTC adota uma filosofia diferente. Ele também é feito de aço, mas tem uma grande base central de concreto, que ocupa 50% da área interna e funciona como uma espinha dorsal. “Isso adiciona resistência à estrutura. E as paredes de concreto ao redor de escadas e elevadores protegem muito mais as saídas de emergência”, explica Venkatesh Kodur, professor de engenharia da Universidade de Michigan. Os elevadores e as escadas ficam dentro desse núcleo, que na base é ainda mais reforçado: os primeiros 20 andares do prédio são uma espécie de bunker, sem janelas nem escritórios, construído com um novo tipo de concreto, três vezes mais forte que o tradicional. Segundo os construtores, isso permite que ele resista a um carro-bomba com até 680 kg de explosivos. Os vidros do prédio também são mais fortes, 50% mais grossos que o normal.
Tudo para ajudar o One World Trade Center a suportar eventuais ataques. E torná-lo capaz de vencer o que talvez seja seu maior desafio: convencer as pessoas a quererem trabalhar lá.

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11.036 – Mega Polêmica – Estariam errados os conceitos sobre vida saudável?


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Como seres humanos esforçados em levar uma vida minimamente saudável, estamos automaticamente categorizando nossas ações entre “saudáveis” e “não saudáveis”.
Por exemplo, escolher as escadas ao invés do elevador: definitivamente saudável. Comer um pacote de bolacha recheada no final do dia? Mais definitivamente ainda não saudável. Certo?
A coisa toda não é tão simples assim. E pensar dessa maneira pode ser sufocante para o seu progresso.
O conceito de “R. I.” de saúde

A saúde não é uma escala binária. Qualquer coisa pode ser saudável (ou não) para você.
Todas as atividades, como escolher as escadas ao invés do elevador, reduzem a sua ingestão de sódio e têm um “retorno do
investimento” específico (ou R. I.) para a saúde. Este R. I., claro, depende de uma série de variáveis do organismo de cada um.
Vejamos dois exemplos fictícios de um homem 130 kg com diabetes e aterosclerose, chamado João:
Exemplo 1. João quer começar a perder peso reduzindo sua ingestão de calorias. Como ele não se importa com o gosto de adoçantes artificiais, ele decide mudar para refrigerantes diet ao invés de seus quatro refrigerantes regulares diários. Se todos os outros fatores na dieta do João e volume de exercício físico permanecerem os mesmos, João agora já vai perder automaticamente meio quilo por semana. Repito: sem qualquer outra mudança em sua dieta.
Exemplo 2. João leu alguma coisa sobre os “potenciais perigos de produtos químicos contidos nos refrigerantes diet”. A preferência pessoal de João é ter algum tipo de alternativa ao açúcar para saciar sua vontade louca por doce, mas que também faça bem a sua saúde. Este tiro sai pela culatra; João acaba bebendo refrigerante regular no final do dia, e como a vaca já foi pro brejo, ele ataca a geladeira, a despensa e as comidinhas que escondeu no fundo do armário sem dó.
Pois muito bem. Vejamos o que acontece em cada caso.
No exemplo 1, João está tentando resolver o seu problema mais importante: o impacto que o seu peso tem em seus problemas de saúde atuais. Ele acha que simplesmente cortar refrigerante regular vai ajudar a perder peso mais rápido. Apesar do fato de que João verá mesmo resultados surpreendentes, ele não está colocando muito esforço em suas ações. Logo, isso lhe rende um R. I. muito alto em saúde e fitness.
No exemplo 2, pode ser que João melhore a sua saúde ao eliminar adoçantes artificiais. Mas quanto é que ele está melhorando sua saúde com essa atitude? No quesito “dieta”, João se sai pior porque eliminar refrigerante diet torna o processo de adesão a um novo estilo de vida mais difícil. Nesse contexto específico, ele estava tentando otimizar um segundo problema, de segunda ordem, quando na verdade a perda de peso deveria ser o seu primeiro problema principal.
Saúde e fitness são sistemas não lineares. O retorno que você conquista sobre a sua saúde não é necessariamente diretamente proporcional (ou linear) aos seus esforços. A complexidade do sistema significa que cada ação tem um R. I. específico, que pode ser grande, pequeno ou até mesmo negativo.
Como usar o R. I. a seu favor

O R. I. é altamente contextualizado. Já falamos sobre exercício físico possivelmente ter um rendimento baixo em metas como a perda de peso. Mas se você realmente gosta de correr, por exemplo, seu R. I. será muito maior. Percebe como tudo é relativo? Se você gosta, seu esforço em fazer aquilo é menor.
Obviamente não há regras rígidas e rápidas para determinar o tamanho do R. I. de uma atividade. Essa é só uma analogia para que você entenda que, quando o assunto é saúde, cada caso é um caso. E que quando você pensa sobre uma vida saudável através de um determinado aspecto, e não de uma forma binária (entre o 100% certo e o 100% errado), alguns dos resultados podem ser bastante intuitivos.
Por exemplo, você pode achar que se dar um dia de folga da dieta por semana é uma “saudável” porque você adere melhor ao plano no resto da semana.
Da mesma forma, você também pode estabelecer uma quantidade de calorias por dia e ficar na linha mesmo indo todos os dias em um fast food. Alguém já ouviu falar da famosa dieta dos pontos? É mais ou menos essa a lógica.
Com o tempo, conforme vai testando dietas e lendo sobre um estilo de vida mais saudável, você vai descobrir que tudo o que sabe sobre o que deve e não deve ser saudável não serve para muita coisa. Então, ao invés de seguir ideias preconcebidas sobre saúde e fitness, a dica aqui é se esforçar o suficiente para encontrar algo que funcione para você.

11.035 – Nutrição – Gordura, vilã ou injustiçada?


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Nossa compreensão das gorduras tem melhorado, e agora já sabemos que não podemos dizer que elas são somente boas ou ruins, sem nenhum meio-termo.
Por exemplo, carne vermelha, bolos e biscoitos, ricas fontes de ácidos graxos saturados, são associados com um aumento do número de doenças cardiovasculares. Por outro lado, nozes, óleo de peixe e produtos lácteos, que são ricos em gorduras saturadas, são produtos associados com menor risco de doenças cardíacas.
Existem quatro tipos principais de gorduras em nossos alimentos: polinsaturadas, monoinsaturadas, saturadas e trans. Cada tipo tem diferentes propriedades químicas e físicas. Óleos vegetais, como de girassol, soja e oliva, geralmente contêm os dois primeiros, mas relativamente pequenas quantidades de gordura saturada. Já o azeite-de-dendê, que tem um ponto de fusão mais elevado e é agora utilizado em muitos produtos, é altamente saturado.
Hoje em dia, o mantra simplista de que devemos comer menos gordura, sal e açúcar já se transformou em um conselho dietético mais detalhado: frutas, legumes e produtos lácteos com baixo teor de gordura, incluindo cereais integrais, aves, peixes e nozes geralmente fazem bem para a saúde, enquanto carne vermelha, doces e bebidas que contêm açúcar (como refrigerantes) são o que devemos evitar.
Gordura é energia
A maior parte da energia em nossa dieta vem de carboidratos. No entanto, a gordura é responsável por entre um quarto e dois quintos do consumo de energia de um adulto, e metade de um recém-nascido. Em bebês, uma alta ingestão de gordura promove depósitos de gordura que os isolam contra a perda de calor.
A adição de gordura aos alimentos pode dobrar seu conteúdo energético. Já a remoção de gordura de produtos como carne e leite pode reduzir esse conteúdo substancialmente. Gordura fornece 9 kcal/g (quilocalorias por grama) em energia em comparação com 3.75 kcal/g, 4 kcal/g e 7 kcal/g de carboidratos, proteínas e álcool.
Reduzir o consumo enérgico em vez de aumentar a atividade física é o meio mais eficaz de reduzir a gordura corporal. A redução do consumo pode ser conseguida ao preferir versões com menos teor de gordura de alimentos, ao cortar a gordura da carne e ao utilizar óleos de cozinha com moderação. Não há muita diferença no conteúdo de gordura da carne grelhada ou frita. Restrição da ingestão de energia requer também limitar a ingestão de carboidratos e álcool.
O excesso ou acúmulo de gordura corporal é mais prejudicial se for na cavidade abdominal ou no fígado, algo causalmente associado ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. A medida da cintura (mais de 80 centímetros para mulheres e 94 centímetros para homens) indica obesidade central e é útil para predizer o risco de diabetes tipo 2.
As mulheres têm maiores reservas de gordura subcutânea do que os homens, de modo que os homens armazenam sua gordura visceral em torno do vaso sanguíneo mesentérico no abdômen. Quando a energia armazenada nas células de gordura é liberada, o processo de mobilização de gordura faz com que ácidos graxos entrem na corrente sanguínea. A gordura visceral é mais rapidamente mobilizada do que a gordura subcutânea e pode acumular-se no fígado. A gordura também se acumula no fígado se a ingestão de álcool ou de açúcar for elevada.
A obesidade resulta do acúmulo excessivo de gordura alimentar no corpo. Muita pouca gordura que se acumula no corpo é resultado do consumo de carboidratos (incluindo açúcar) ou álcool, porque os carboidratos são usados como combustível, em detrimento de gordura. Mas se você tem excesso de combustível/energia no corpo, daí sim ocorre depósito na forma de gordura, porque temos uma capacidade limitada de armazenar carboidratos.
A gordura do corpo desempenha um papel importante na fertilidade feminina. Entre 20 a 30% do peso corporal de uma mulher madura saudável é gordura – o dobro da proporção vista nos homens. Se o nível cair abaixo de cerca de 18%, a ovulação para. No entanto, níveis muito elevados – geralmente cerca de 50% de seu peso – também resultam em infertilidade.
Um hormônio chamado leptina é secretado pelo tecido adiposo (gordura) no sangue, em proporção com a quantidade de gordura armazena. O cérebro detecta o sinal da leptina no sangue e isso promove a ovulação, quando o nível é alto o suficiente.
Precisamos de certos ácidos graxos poliinsaturados, apropriadamente chamado de ácidos gordos essenciais (ácidos linoléico e linolênico), em nossa dieta para uma pele saudável. Eles também contribuem para a manutenção da saúde cardiovascular, bem como da saúde do cérebro e da função visual. Obtemos esses ácidos principalmente a partir de óleos vegetais, nozes e peixes oleosos.
Cerca de 30 gramas de gordura são necessárias – todos os dias – para promover a absorção das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K, que também conseguimos a partir de alimentos gordurosos. Os óleos vegetais são uma importante fonte de vitamina E e óleo de peixe é a melhor fonte alimentar de vitamina D. Provitaminas são substâncias que podem ser convertidas dentro do corpo em vitaminas. Adicionar um pouco de óleo em vegetais verdes e cenouras ainda melhora a absorção de caroteno (pró-vitamina A).
O nível de colesterol no sangue de uma população, em média, é um dos principais determinantes do risco de doença cardíaca coronária. Testes mostram que a substituição de ácidos gordos saturados por ácidos gordos poli-insaturados reduz o colesterol no sangue e por sua consequência a incidência da doença, mas não a mortalidade.
Nem toda gordura saturada aumenta o colesterol no sangue. O que causa esse efeito são os ácidos láurico, mirístico e palmítico (o último é encontrado no azeite-de-dendê), porque aumentam a lipoproteína de baixa densidade (LDL, popularmente conhecida como colesterol ruim). Em geral, para reduzir o colesterol, é interessante substituir ácidos graxos saturados com óleos ricos em gorduras monoinsaturadas (azeite, canola) ou ácidos graxos poliinsaturados (soja, óleo de girassol), ao invés de reduzir os carboidratos. Por exemplo, substituir a manteiga por azeite como principal fonte de gordura pode reduzir o LDL em cerca de 10%.

11.034 – Nutrição – O que acontece com a gordura que o corpo queima?


Depois de questionar médicos, nutricionistas e outros profissionais da saúde sem obter resposta satisfatória, Meerman montou uma equipe com o professor Andrew Brown, diretor da Escola de Biotecnologia e Ciências Biomoleculares da Universidade de New South Wales (UNSW) para rastrear o destino dos quilogramas perdidos.
O resultado foi publicado no British Medical Journal. No artigo, os autores mostram que 10 kg de gordura requerem 29 kg de oxigênio, e os processos metabólicos transformam esta gordura em 28 kg de CO2 e 11 kg de água.
im, caros leitores, a gordura vira CO2 e sai pelo seu nariz. Se você rastrear cada átomo de 10 kg de gordura, 8,4 são exalados como gás carbônico pelos pulmões. Os 1,6 kg restantes são convertidos em água e são excretados na urina, fezes, suor, hálito, lágrimas e outros fluidos corporais.
E agora, você vai respirar mais para perder peso? Não vai funcionar, lamento dizer. Se você respirar mais que o necessário para o seu metabolismo, vai sofrer hiperventilação, que pode resultar em tontura, palpitação e perda de consciência.
Será que o CO2 que você está exalando enquanto emagrece vai contribuir para o aquecimento global? Se você estava contando com esta desculpa para não fazer uma dieta, novamente tenho más notícias. O CO2 que está causando o aquecimento global vem da queima de combustíveis fósseis.
O carbono que você está liberando na respiração muito provavelmente estava na atmosfera alguns meses ou anos atrás, até ser absorvido por uma planta e cair no seu prato na forma de salada ou açúcar ou algum produto vegetal, ou até mesmo na forma de carne e gordura animal.
A esperança dos autores é que os resultados de seu trabalho sejam incluídos nos cursos básicos de ciências, para que as crianças e os profissionais de saúde não andem com ideias erradas sobre o destino da gordura que é perdida em dietas (como dizer que ela vira calor ou energia).

11.033 – Genética – Finalmente o fim da Calvície?


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Uma boa notícia para os carecas: pesquisadores estão usando células-tronco pluripotentes humanas para gerar novos cabelos. O estudo, realizado no Instituto de Pesquisa Médica Sanford-Burnham, nos EUA, representa o primeiro passo para o desenvolvimento de um tratamento à base de células para as pessoas com a perda de cabelo.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, metade da população masculina do planeta tem algum grau de calvície até os 50 anos, e esse percentual tende a subir com o avanço da idade.
“Nós desenvolvemos um método que utiliza células-tronco pluripotentes humanas para criar novas células capazes de iniciar o crescimento do cabelo humano. O método é uma melhoria significativa em relação aos métodos atuais que dependem do transplante de folículos pilosos existentes de uma parte da cabeça para outra”, explica Alexey Terskikh, professora do Programa de Desenvolvimento, Envelhecimento e Regeneração em Sanford-Burnham. “O método de células estaminais fornece uma fonte ilimitada de células a partir do paciente para o transplante”.
A equipe de pesquisa desenvolveu um protocolo que induziu células-tronco pluripotentes humanas a se tornarem células da papila dérmica, uma população única de células que regulam a formação de folículos de cabelo e seu ciclo de crescimento. As células da papila dérmica humana por si só não são adequadas para o transplante de cabelo, porque não podem ser obtidas em quantidades necessárias, e rapidamente perdem a sua capacidade de induzir a formação de cabelo.
“Em adultos, as células da papila dérmica não são facilmente ampliadas fora do corpo e rapidamente perdem suas propriedades”, diz Terskikh. “Nós desenvolvemos um protocolo para fazer com que células-tronco pluripotentes humanas se tornassem células da papila dérmica e confirmamos sua capacidade de induzir o crescimento do cabelo, quando transplantadas em ratos”.
O próximo passo é transplantar essas células derivadas de células-tronco pluripotentes humanas em seres humanos. “No momento, estamos buscando parcerias para implementar esta etapa final”, projeta a pesquisadora.

11.032 – Medicina – O que é o Lúpus?


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É uma doença autoimune rara, mais frequente nas mulheres do que nos homens, provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico, exatamente aquele que deveria defender o organismo das agressões externas causadas por vírus, bactérias ou outros agentes patológicos.
O fato é que, no lúpus, a defesa imunológica se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro. Essas múltiplas formas de manifestação clínica, às vezes, podem confundir e retardar o diagnóstico.
Lúpus exige tratamento cuidadoso por médicos especialistas. Pessoas tratadas adequadamente têm condições de levar vida normal. As que não se tratam, acabam tendo complicações sérias, às vezes, incompatíveis com a vida.
Descrições Médicas
A doença autoimune é fundamentalmente caracterizada pela formação de autoanticorpos que agem contra os próprios tecidos do organismo. Por isso, o nome autoagressão, às vezes, é mais feliz. O paciente, geralmente do sexo feminino, fabrica substâncias nocivas para seu organismo e o anticorpo, que é um mecanismo de defesa, passa a ser um mecanismo de autoagressão. Portanto, o que caracteriza a doença autoimune é a formação de anticorpos contra seus próprios constituintes.
Eles podem agredir qualquer tipo de território. De modo geral, a maior agressão ocorre no núcleo da célula, graças ao aparecimento de vários autoanticorpos contra substâncias presentes em seu interior.
Entretanto, o mais importante não é o anticorpo isoladamente. Do ponto de vista anatomopatológico, o que define a autoimunidade nos tecidos é a formação dos chamados complexos imunes.
A paciente que tenha a etnia lúpica, ou seja, formação genética constitucional que a predispõe a desenvolver lúpus, já possui autoanticorpos em grande quantidade. Quando uma substância vinda do exterior une-se a eles, forma-se o complexo antígeno-anticorpo. Isso ativa um sistema complexo de proteínas chamado de complemento e leva à formação dos complexos imunes, cuja concentração dita a gravidade e o prognóstico da doença, porque eles se depositam no cérebro e nos rins principalmente.
O complexo imune depositado no rim inflama esse órgão, produzindo a nefrite lúpica, importante para determinar se a doente vai viver muitos anos ou ter a sobrevida encurtada.
A radiação solar, em especial os raios ultravioleta prevalentes das dez às quinze horas, é a substância que mais agride as pessoas que nasceram geneticamente predispostas. Em estudos conduzidos no Hospital das Clínicas de São Paulo, foi possível detetar inúmeros casos de pacientes que tinham o primeiro surto logo após ter ido à praia e se exposto horas seguidas à radiação solar. Em geral, eram pacientes do sexo feminino, já que a incidência de lúpus atinge nove mulheres para cada homem. Nos Estados Unidos, há maior prevalência entre as mulheres negras; no Brasil, verifica-se equivalência de casos em brancas e negras.
É fundamental estabelecer uma correlação entre o sistema de imunidade, de defesa do organismo, com o sistema endócrino. O estrógeno (hormônio feminino) é autoformador de anticorpos; a testosterona (hormônio masculino) é baixo produtor. O estrógeno é sinérgico à produção de autoanticorpos e a testosterona, supressora. Na mulher lúpica, ocorre excesso de sinergismo, ou seja, excesso na produção de anticorpos, que se traduz pela taxa elevada da proteína gamaglobulina nos exames de laboratório.
Havia grande confusão diagnóstica em relação ao lúpus até a Sociedade Americana de Reumatologia enunciar onze critérios de diagnóstico, em 1971. A mulher que preencher quatro deles seguramente tem a doença.
Os dois primeiros referem-se à mucosa bucal. Entre outras lesões orais importantes, aparecem úlceras na boca que, na fase inicial, exigem diagnóstico diferencial com pênfigo, uma doença frequente em países tropicais. Pode ocorrer também mucosite, uma lesão inflamatória causada por fatores como a estomatite aftosa de repetição, por exemplo.
O terceiro critério envolve a chamada buttefly rash, ou asa de borboleta, que muitos admitem como o critério mais importante, mas não é. Trata-se de uma lesão que surge nas regiões laterais do nariz e prolonga-se horizontalmente pela região malar no formato da asa de uma borboleta. De cor avermelhada, é um eritema que geralmente apresenta um aspecto clínico descamativo, isto é, se a lesão for raspada, descama profusamente.
O quarto critério é a fotossensibilidade. Por isso, o médico deve sempre investigar se a paciente já apresentou problemas quando se expôs à luz do sol e provavelmente ficará sabendo que mínimas exposições provocaram queimaduras muito intensas na pele, especialmente na pele do rosto, do dorso e de outras partes do corpo mais expostas ao sol nas praias e piscinas.
O quinto critério é a dor articular, ou seja, a dor nas juntas, geralmente de caráter não inflamatório. É uma dor articular assimétrica e itinerante, que se manifesta preferentemente nos membros superiores e inferiores de um só lado do corpo e migra de uma articulação para outra. Geralmente, é uma dor sem calor nem rubor (vermelhidão) nem edema (inchaço), os três sinais da inflamação. Há casos, porém, em que esses três sintomas se fazem presentes, assim como podem ocorrer artrite e excepcionalmente inflamação no primeiro surto de 90% das pacientes.

11.030 – A Genética e a Dor


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Aqui as mulheres gritam. Não se assustem, quase sempre é alarme falso. Mas, quando uma japonesa gemer, corram, senão nasce na cama.
A recomendação era feita com ar grave pelo obstetra-chefe dos movimentados plantões das quintas-feiras, no Hospital Pérola Byington.
Em tal experiência descrita ne literatura médica, não eram poucas as mulheres latinas que já começavam o escândalo às primeiras dores do parto, enquanto as orientais suportavam-nas com estoicismo até o período expulsivo.
Tradicionalmente, a resistência à dor tem sido atribuída exclusivamente a valores psicológicos e socioculturais, mas a genética moderna começa a contestar esse dogma: haveria genes que predispõem seus portadores a desenvolver quadros de dores crônicas?

O estudo das chamadas dores em membros fantasmas lançou as bases para esclarecer o papel dos genes na resistência à dor. Dores fantasmas são referidas com frequência em membros amputados. Os pacientes as descrevem como sensação de ardência, queimação, formigamento e ferroadas nas diversas partes do membro que não existe mais. No passado, a explicação mais aceita para essa extravagância biológica vinha da Psicologia: amputados assintomáticos seriam pessoas dotadas da capacidade de aceitar a perda do membro, enquanto as outras passariam o resto da vida revoltadas com a ausência dele.

Em 1990, um experimento realizado em ratos sugeriu pela primeira vez que a sensibilidade à dor tivesse um componente genético. Marshall Devor, da Universidade Hebraica, de Jerusalém, estudando ratos que tiveram traumatismos em nervos das pernas, verificou que alguns animais reagiam mais intensamente, esfregando a pata e levando a boca ao local traumatizado, enquanto outros davam menos demonstração de sentir dor. E, o mais interessante: os filhotes desses animais, quando submetidos a estímulos dolorosos, tendiam a apresentar reações semelhantes às dos pais.
Pesquisas posteriores permitiram a publicação na revista “Nature Medicine”, de uma pequena lista de genes recém-descobertos provavelmente envolvidos no mecanismo da dor.
Mitchell Max e colaboradores, nos Estados Unidos, acompanharam durante dois anos um grupo de 147 pessoas submetidas à cirurgia da coluna para aliviar dores nas pernas provocadas por hérnias de disco. A cada três meses, os participantes respondiam a um questionário no qual procuravam avaliar o nível de dor que sentiam. Ao mesmo tempo, três genes associados aos mecanismos da dor eram sequenciados em cada participante, para estudar possíveis relações entre as características genéticas e a intensidade da dor referida.

Dos três genes, um (GCH1) mostrou relação nítida com os níveis de dor. Os pacientes que apresentavam duas cópias do referido gene – uma herdada da mãe, outra do pai – referiam muito menos dores do que os portadores de uma cópia única. E, estes, menos dores ainda do que os pacientes não portadores desse gene.
Genes como o GCH1, que parecem interferir com a excitabilidade dos neurônios, têm sido estudados em doenças raras como uma síndrome de dor neuropática familiar, na qual os membros afetados apresentam dores lancinantes nas mãos e nos pés, quando expostos ao calor, acompanhadas de anormalidades vasculares que tornam suas extremidades avermelhadas. E, em situações mais frequentes, como a neuralgia facial, que provoca dores em fisgada na face, de curtíssima duração, mas muito fortes, recorrentes e inesquecíveis.

Apesar dos avanços dos últimos anos, identificar os genes relacionados com a suscetibilidade à dor é tarefa de alta complexidade, porque dor é um sintoma comum a grande número de lesões e de disfunções do sistema nervoso: a dor ciática tem características muito diversas da dor de dente ou daquela provocada por queimadura. Além disso, não há dúvida de que fatores ambientais, psicológicos e culturais interferem com a forma individual de avaliar a intensidade e de reagir ao quadro álgico.
Mesmo assim, a identificação dos genes envolvidos na condução dos estímulos dolorosos através dos neurônios tem sido perseguida nos últimos anos, porque permitirá individualizar o uso de analgésicos e antiinflamatórios de acordo com as características pessoais e de identificar portadores de genes que representam fatores de risco para desenvolver dores persistentes depois de cirurgias, traumatismos ou aquelas associadas a doenças crônicas.

11.029 – Saúde – O AA (Alcoólicos Anonimos)


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É uma irmandade que congrega portadores de alcoolismo, uma doença incurável. Sua proposta é ajudar o alcoólico a parar de beber.

Para ser admitido no AA, não existem taxas nem mensalidades. A única exigência é o desejo de abandonar a bebida. Ninguém declara endereço ou profissão, classe social ou poder econômico, ideologia política ou crença religiosa. Analisando, porém, a composição dos diferentes grupos, conclui-se que todos os extratos sociais estão neles representados.

Os membros do AA são protegidos pelo mais absoluto anonimato que, além de preservar a identidade dos alcoólicos, afasta qualquer idéia de projeção pessoal ou de terceiros que possa contaminar a estrutura da irmandade, regulamentada pelas Tradições (normas condensadas pelos pioneiros e aprovadas democraticamente que asseguram a unidade da instituição).

Apesar de não se vincular a nenhuma religião ou seita, o AA prega ser impossível vencer o alcoolismo sem a proteção de um ser superior, de um ente supremo que ajude o alcoólico a manter a sobriedade.

Dinâmica das reuniões
Ao chegar ao AA, o alcoólico é recepcionado por companheiros que abandonaram a bebida há algum tempo, embora todos digam que hoje conseguiram evitar o primeiro gole. A reunião começa com uma prece encontrada num necrotério dos EUA, cuja mensagem se encaixa perfeitamente na filosofia da irmandade.
A seguir, têm lugar os depoimentos dos veteranos que, ao expor uma história de vida muito semelhante à dos recém-chegados, provocam neles identificação profunda. “É sempre o mesmo drama, só mudam os atores”, reconhece Cláudio, um alcoólico em recuperação. “É começar a beber, viver um primeiro momento de satisfação e euforia, para depois tornar-se dependente, perder a credibilidade, a razão, a moral, a vontade de viver”. Infelizmente o alcoolismo é uma doença progressiva e de difícil controle.
Depois a palavra é dada aos novatos que farão uso dela se quiserem. Nada é obrigatório no AA. O primeiro passo para a recuperação é admitir que existe uma doença, o alcoolismo, porque enfrentar o problema e alcançar a sobriedade só é possível se houver esforço e empenho pessoal do interessado. Mesmo que haja recaídas (o alcoolismo é uma doença recidivante), as portas do AA estarão sempre abertas e os companheiros acolherão o dependente que retorna sem críticas nem censuras.
As reuniões são lideradas por um coordenador diferente a cada dia, a quem cabe abrir a sessão e organizar ordem dos depoimentos.A organizaçãoNo AA todos são iguais. Não existem chefes. Segundo um de seus membros, “o único chefe é o resultado da consciência coletiva que se manifesta através de um Deus amantíssimo”. Qualquer decisão, depois de debatida, é posta em votação e vence a vontade da maioria. Essa organização, aparentemente anárquica, funciona sem deslizes, porque todos estão imbuídos da responsabilidade que têm perante si mesmos e o grupo.
O AA não aceita doações de particulares nem de órgãos públicos ou privados. Não aceita, também, trabalho voluntário. Os encargos ficam todos por conta dos membros da irmandade composta apenas por alcoólicos. Há três cargos, entretanto, que podem ser ocupados por não-alcoólicos: presidência da junta de custódio, tesouraria geral e segunda vice-presidência.

11.028 – Ei Barão, cadê meu Tutu? – Em ano de economia fraca, lucro do Bradesco sobe 26,5% em 2014


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No capitalismo é assim: Ricos cada vez mais ricos.

O lucro líquido ajustado do Bradesco, segundo maior banco no Brasil, cresceu quase 25,6% em 2014, ao somar 15,089 bilhões de reais. Excluindo itens não recorrentes (ajustado), o lucro somou 15,359 bilhões de reais, aumento de 25,9% ante 2013. O bom resultado em um ano bem fraco para a atividade econômica do Brasil se deve, em partes, ao último trimestre do ano passado, quando o banco obteve lucro líquido de 3,993 bilhões de reais, alta dequase 30% na comparação anual. Excluindo itens não recorrentes, o lucro somou 4,132 bilhões de reais, alta de 29,2%, nos últimos três meses do ano.
Entre outubro e dezembro, o resultado foi apoiado em maiores margens com crédito, robusta alta em seguros e menos despesas com provisões para calotes, embora o crédito tenha crescido abaixo do previsto. A previsão média de analistas consultados pela Reuters apontava para lucro recorrente de 3,971 bilhões de reais no último trimestre.

“O lucro líquido ajustado (do ano) é composto por 10,953 bilhões das atividades financeiras, correspondendo a 71,3% do total, e por 4,406 bilhões gerados pelas atividades de seguros, previdência e capitalização ou 28,7% do total”, destaca o Bradesco, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras. Sem ajustes, o lucro foi um pouco menor: 15,089 bilhões de reais.
O resultado positivo veio mesmo com o fraco desempenho no crédito, cujo estoque cresceu apenas 6,5% no ano, a 455,127 bilhões de reais – a previsão inicial era de aumento de 10% a 14%. A carteira para pessoa física evoluiu 8,2%, enquanto a corporativa aumentou em 5,8%. Diante do atual cenário de fraca atividade econômica do país, o Bradesco previu para 2015 um crescimento de 5% a 9% de seu estoque de financiamentos em 2015.
O foco na qualidade da carteira e na rentabilidade, porém, surtiu resultado. O índice de inadimplência, medido pelo saldo de operações vencidas com mais de 90 dias, fechou o trimestre em 3,5%, no mesmo nível de um ano antes e abaixo dos 3,6% no trimestre anterior. Com isso, as despesas com provisões do Bradesco para perdas com calotes caíram 1,2% na comparação com o segundo trimestre, para 3,307 bilhões de reais.
As receitas do banco com tarifas e serviços cresceram 11,7% em 12 meses, para 5,84 bilhões de reais. E a emissão de prêmios de seguros deu um salto de 38% em apenas 3 meses, para 17,8 bilhões de reais.
O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido foi de 20,1%, declínio de 0,3 ponto porcentual sobre o trimestre anterior, mas alta de 2,1 pontos sobre 12 meses.

11.027 – Governo de SP projeta início do racionamento em abril


Sistema Cantareira seco
Sistema Cantareira seco

Em meio a maior crise de abastecimento da história de São Paulo, o governo do Estado prevê a entrada em vigor do racionamento até a primeira quinzena de abril. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. É neste mês que estima-se que seque a segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 6,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo – na capital, serve a toda Zona Norte, além de parte das regiões Leste, Oeste, Centro e Sul.
a projeção do governo leva em conta o atual cenário de consumo e a sequência das chuvas abaixo da média: a segunda cota do volume morto do Cantareira secaria em 5 de abril e a terceira cota passaria a ser usada no dia seguinte. Conseguiria, contudo, elevar o nível do reservatório em apenas 4,2% – e se esgotaria em 31 de maio. A única maneira da capital paulista se ver livre do rodízio seria a ocorrência de chuvas acima da média nos meses que restam do período chuvoso, que se estende justamente até abril.
Ainda de acordo com a reportagem, o cenário citado pelo diretor da Sabesp Paulo Massato na recentemente, de cinco dias sem água para dois com, é o mais drástico em estudo – mas não o único. A Sabesp avalia, por exemplo, dar início ao racionamento somente nas regiões atendidas pelo Cantareira. Ou fazer um rodízio de quatro ou três dias sem água em toda Grande São Paulo. A escolha estaria condicionada ao volume que terá de ser economizado até o início do próximo volume chuvoso, em outubro. A decisão sobre o modelo será feita um mês antes do início do racionamento.
O Ministério do Planejamento incluiu o projeto de interligação do reservatório Jaguari-Atibainha na carteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) a pedido do governador. A obra faz parte dos projetos de segurança hídrica que o governo de São Paulo apresentou à presidenta Dilma Rousseff em dezembro, com o objetivo de reforçar o abastecimento de água no Estado.

11.026 – Física – Morre Charles H. Townes, um dos pais do raio laser


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O cientista americano Charles H. Townes, um dos inventores do raio laser e prêmio Nobel de Física em 1964, morreu na última terça-feira aos 99 anos, informou a Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos. Com a saúde fragilizada, o cientista não resistiu ao ser transferido para o hospital de Oakland, cidade vizinha a São Francisco, na Califórnia.
Townes era professor emérito da Universidade de Berkeley, onde começou a trabalhar em 1967, e até o ano passado ia diariamente a sua sala no Departamento de Física ou ao laboratório de Ciências Espaciais. Após a descoberta do laser, o pesauisador se tornou também o pioneiro no uso dessa tecnologia na astronomia.
“A morte do professor Charles Townes marca o fim de uma era”, disse o astrofísico Reinhard Genzel, diretor do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre. “Foi um dos físicos experimentais mais importantes do século passado. Sua força estava em sua curiosidade e em seu imperturbável otimismo, que se baseava em sua profunda espiritualidade cristã.”
Invenção do laser — Em 1954, quando ensinava na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Townes criou junto com seus alunos o primeiro maser, um dispositivo que emite radiações micro-ondas e que seria crucial para a posterior criação do laser. Quatro anos depois, ele e seu cunhado, Arthur Schawlow, tiveram a ideia de aplicar o mesmo sistema à luz óptica, em vez das micro-ondas. Os laboratórios Bell, para quem trabalhava, patentearam o laser.
Paralelamente, os russos Aleksandr M. Prokhorov e Nicolai G. Basov chegaram a uma solução para criar um maser e, em 1964, o trabalho de Townes, Prokhorov e Basov foi reconhecido com o Prêmio Nobel de Física. Schawlow obteve o Nobel de Física em 1981 por seus avanços no uso do laser.
O físico prosseguiu suas pesquisas com foco na astronomia e encontrou, com a utilização do laser, as primeiras evidências da existência de um buraco negro no centro de nossa galáxia.
Até o momento, mais de uma dúzia de pesquisadores receberam o Nobel por seus trabalhos com o raio laser, tecnologia hoje amplamente utilizada em áreas como a medicina, astronomia, comunicações e entretenimento.

11.025 – Evolução – Descoberta de fóssil sugere onde homens e neandertais acasalaram


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Parte de uma caveira recuperada numa caverna em Israel está lançando luz sobre um momento crucial do início da história humana: o período em que homens e seus parentes mais próximos, os neandertais, acasalaram.
Os europeus modernos herdaram cerca de 4% de seus genes dos neandertais, sugerindo que em algum momento o Homo Sapiens cruzou com essa espécie. Até hoje, no entanto, os cientistas não sabem onde e quando esse encontro aconteceu.
O fragmento de crânio foi desenterrado na caverna Manot, na Galileia. Suas características sugerem tratar-se de um Homo sapiens que viveu há cerca de 55.000 anos, período em que se acredita que os membros de nossa espécie estivessem saindo da África. Perto da caverna há outros dois lugares onde foram encontrados fósseis de neandertais da mesma época.
A coexistência dessas duas populações numa região geográfica restrita, aliada ao fato de que modelos genéticos preveem seu cruzamento, sugere que o acasalamento pode ter ocorrido naquela área”, disse Israel Hershkovitz, antropólogo da Universidade de Tel Aviv e líder da pesquisa.
Os neandertais, cuja feição característica é a testa proeminente, habitaram a Europa e Ásia entre aproximadamente 350.000 e 40.000 anos atrás, sendo extintos algum tempo depois da chegada do Homo sapiens.
Cientistas afirmam que nossa espécie surgiu há cerca de 200.000 anos na África, migrando em seguida para outros lugares. A caverna onde foi feita a descoberta está localizada na única rota por terra para que os humanos antigos pudessem sair da África e chegar ao Oriente Médio e à Europa.
Latimer disse suspeitar que o crânio tenha pertencido a uma mulher, embora os pesquisadores não tenham conseguido determinar o gênero da caveira. A caverna, que ficou isolada por 30.000 anos, foi descoberta em 2008 durante obras de saneamento.

11.024 – Ensino – Mais da metade dos formados em SP é reprovada pelo Conselho de Medicina


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Mais da metade (55%) dos recém-formados em medicina no Estado de São Paulo reprovaram na terceira edição do exame que se tornou obrigatório para quem deseja atuar em território paulista.
É o que mostra resultado do “provão” do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), que será divulgado nesta quinta-feira (29-janeiro-2015).

Dos 2.891 recém-formados, só 45% acertaram mais de 60% do conteúdo da prova –critério mínimo definido pelo Cremesp. Entre as escolas médicas públicas, o índice de reprovação foi de 33%. Entre as particulares, a taxa foi quase o dobro, de 65,1%.
O percentual de reprovados no exame de 2014 é bastante semelhante aos dois anos anteriores, quando o exame se tornou obrigatório, o que confirma a persistência de baixa qualidade do ensino médico.

Do total de inscritos, 468 fizeram cursos de medicina em outros Estados brasileiros. Entre os egressos de escolas privadas, o índice de reprovação foi de 78%. Por força de lei, no entanto, o mau desempenho nessa prova não impede o registro no CRM (Conselho Regional de Medicina).

A prova foi composta por 120 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas de respostas, e abrangeu as principais áreas da medicina, como clínica médica, pediatria, ginecologia e cirurgia médica.
As médias mais baixas foram obtidas em clínica médica (52%), o que demonstra que os futuros médicos continuam saindo das faculdades sem conhecimento suficiente para a solução de problemas frequentes no cotidiano, como atendimento inicial de vítima de acidente de carro ou de tiro, pneumonia, pancreatite ou pedra na vesícula.

11.023 – Parando nos 80


Anos depois da primeira festa Trash 80s, os anos 80 continuam inspirando de roteiristas de Hollywood a costureiras da 25 de Março. Veja como o cinema, a música e a moda mantêm viva a década mais pop da história.

anos 80

11.022 – Nó na mente – Qual é a diferença entre psiquiatra, psicólogo e psicanalista?


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O psiquiatra é o único que pode receitar remédios, por isso é obrigatório que seja formado em medicina. Para o psicólogo, basta a graduação em psicologia, mas é ele o de atuação mais abrangente: atende não só em consultórios, mas também em empresas, fazendo orientação de recursos humanos, testes vocacionais ou dinâmicas de grupo; e podendo seguir dezenas de linhas ou métodos diferentes. “Estamos falando de duas profissões – psiquiatria e psicologia – e de uma técnica da psicologia, a psicanálise”, afirma o psiquiatra paulista Wilson Gonzaga. O psicanalista é, assim, o mais específico – tanto que sua formação dispensa a faculdade, substituída pelo curso de especialização da Sociedade Brasileira de Psicanálise. Essa técnica de investigação, em sessões individuais de 50 minutos, foi criada pelo austríaco Sigmund Freud, a partir da descoberta do inconsciente, manifesto, por exemplo, nos sonhos.

11.021 – Genética – Conclusões precipitadas sobre o Genoma


Projeto Genoma
Projeto Genoma

Dois equívocos saudaram a finalização do Projeto Genoma, anunciado em fevereiro de 2001. O primeiro foi achar que o homem tem menos genes do que deveria diante de sua grande complexidade – nossos 32 000 genes parecem poucos comparados aos 25 000 das plantas ou aos 19 000 dos vermes. Mas não é assim que se avalia complexidade: ela depende, de fato, das combinações que os genes podem realizar entre si. E a quantidade de nossas combinações supera a dos vermes na proporção de 10 elevado a 3 000 (1 seguido de 3 000 zeros). Essa medida é apenas teórica.
É claro que, na prática, o número pode não ser precisamente esse. Mas o cálculo ajuda a ver como é prematuro tirar conclusões sobre o genoma. O segundo engano refere-se ao fato de que os genes constituem apenas 3% do genoma: o resto parece inútil, tanto que está sendo chamado de “lixo genético”. Mas esse material, como sugere um estudo recém-publicado pelos cientistas Carla Goldman e Nestor Oiwa, da Universidade de São Paulo, pode ter a função de organizar os genes e ordenar suas combinações. “O lixo pode ser o próprio responsável pela complexidade do organismo humano”.

11.020 – Matemática – Zero, o elemento neutro (?)


numero zero

O símbolo “0” e o nome zero estão relacionados à idéia de nenhum, não-existente, nulo. Seu conceito foi pouco estudado ao longo dos séculos. Hoje, mal desperta alguma curiosidade, apesar de ser absolutamente instigante. “O ponto principal é o fato de o zero ser e não ser. Ao mesmo tempo indicar o nada e trazer embutido em si algum conteúdo”, diz o astrônomo Walter Maciel, professor da Universidade de São Paulo. Se essa dialética parece complicada para você, cidadão do século XXI, imagine para as tribos primitivas que viveram muitos séculos antes de Cristo.
A cultura indiana antiga já trazia uma noção de vazio bem antes do conceito matemático de zero.
Bem distante da Índia, nas Américas, por volta dos séculos IV e III a.C., os maias também deduziram uma representação para o nada. O sistema de numeração deles era composto por pontos e traços, que indicavam unidades e dezenas. Tinham duas notações para o zero. A primeira era uma elipse fechada que lembrava um olho. Servia para compor os números. A segunda notação, simbólica, remetia a um dos calendários dos maias. O conceito do vazio era tão significativo entre eles que havia uma divindade específica para o zero: era o deus Zero, o deus da Morte.
Apesar dos avanços na geometria e na lógica, os gregos jamais conceberam uma representação do vazio, que, para eles, era um conceito até mesmo antiestético. Não fazia sentido existir vazio num mundo tão bem organizado e lógico – seria o caos, um fator de desordem. (Os filósofos pré-socráticos levaram em conta o conceito de vazio entre as partículas, mas a idéia não vingou.) Aristóteles chegou a dizer que a natureza tinha horror ao vácuo.
Os babilônios, que viveram na Mesopotâmia (onde hoje é o Iraque) por volta do ano 2500 a.C., foram os primeiros a chegar a uma noção de zero. Pioneiros na arte de calcular, criaram o que hoje se chama de “sistema de numeração posicional”. Apesar do nome comprido, a idéia é simples. “Nesse sistema, os algarismos têm valor pela posição que ocupam”, explica Irineu. Trata-se do sistema que utilizamos atualmente. Veja o número 222 – o valor do 2 depende da posição em que ele se encontra: o primeiro vale 200, o segundo 20 e o terceiro 2. Outros povos antigos, como os egípcios e os gregos, não usavam esse sistema – continuavam a atribuir a cada número um sinal diferente, fechando os olhos para a possibilidade matemática do zero.
O sistema posicional facilitou, e muito, os cálculos dos babilônios. Contudo, era comum que muitas contas resultassem em números que apresentavam uma posição vazia, como o nosso 401. (Note que, depois do 4, não há número na casa das dezenas. Se você não indicasse essa ausência com o zero, o 401 se tornaria 41, causando enorme confusão.) O que, então, os babilônios fizeram? Como ainda não tinham o zero, deixaram um espaço vazio separando os números, a fim de indicar que naquela coluna do meio não havia nenhum algarismo (era como se escrevêssemos 4_1). O palco para a estréia do zero estava pronto. Com o tempo, para evitar qualquer confusão na hora de copiar os números de uma tábua de barro para outra, os babilônios passaram a separar os números com alguns sinais específicos.
Perceba como um problema prático – a necessidade de separar números e apontar colunas vazias – levou a uma tentativa de sinalizar o não-existente.
Apesar de ser atraente, o zero não foi recebido de braços abertos pela Europa, quando apareceu por lá, levado pelos árabes.
Ainda hoje o conceito de zero segue revirando nossas idéias. Falta muito para entendermos a complexidade desse número. Para o Ocidente, o zero continua a ser uma mera abstração. Segundo Eduardo Basto de Albuquerque, professor de história das religiões da Unesp, em Assis, o pensamento filosófico ocidental trabalha com dois grandes paradigmas que não comportam um vazio cheio de sentido, como o indiano: o aristotélico (o mundo é o que vemos e tocamos com nossos sentidos) e o platônico (o mundo é um reflexo de essências imutáveis e eternas, que não podemos atingir pelos sentidos e sim pela imaginação e pelo conhecimento). “O Ocidente pensa o nada em oposição à existência de Deus: se não há Deus, então é o nada”, diz Eduardo. Ora, mesmo na ausência, poderia haver a presença de Deus. E o vazio pode ser uma realidade. É só pensar na teoria atômica, desenvolvida no século XX: o mundo é formado por partículas diminutas que precisam de um vazio entre elas para se mover.
Talvez o zero assuste porque carrega com ele um outro paradigma: o de um nada que existe efetivamente.
Na matemática, por mais que pareça limitado a um ou dois papéis, a função do zero também é “especial” – como ele mesmo faz questão de mostrar – porque, desde o primeiro momento, rebelou-se contra as regras que todo número precisa seguir. O zero viabilizou a subtração de um número natural por ele mesmo (1 – 1 = 0). Multiplicado por um algarismo à escolha do freguês, não deixa de ser zero (0 x 4 = 0). Pode ser dividido por qualquer um dos colegas (0 ÷ 3 = 0), que não muda seu jeitão. Mas não deixa nenhum número – por mais pomposo que se julgue – ser dividido por ele, zero. Tem ainda outros truques. Você pensa que ele é inútil? “Experimente colocar alguns gêmeos meus à direita no valor de um cheque para você ver a diferença”, diz o zero. No entanto, mesmo que todos os zeros do universo se acomodem no lado esquerdo de um outro algarismo nada muda. Daí a expressão “zero à esquerda”, que provém da matemática e indica nulidade ou insignificância.

11.019 – Desenvolvimento – Brasil é o 6º com a energia mais cara do mundo


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Um ranking que mede o custo da energia para a indústria foi divulgado pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) no dia 9 de janeiro. Ele mostra que o custo desse insumo no Brasil é de 402,26 reais por MW-h. O valor é 46% superior à média internacional, de 275,74 por MW-h.
Entre os países analisados, a Índia apresenta o custo de energia elétrica mais alto (596,96 reais por MW-h). Em seguida vêm Itália (536,14 reais), Singapura (459,38 reais), Colômbia (414,10 reais), República Tcheca (408,91 reais) e Brasil (402,26 reais).
Em 2014, o Brasil ocupava a 11ª posição no ranking. Ou seja, as coisas pioraram por aqui.

11.018 – Auto Ajuda – Maneiras de aumentar felicidade e sua satisfação com a vida


Todos nós experimentamos picos emocionais ao longo de nossas vidas – com uma promoção no trabalho, no dia do nosso casamento, com o nascimento de um filho etc. Mas esses momentos produzem sentimentos temporários de euforia, e especialistas dizem que não são suficientes para alcançar a verdadeira felicidade.
A felicidade não é apenas um estado emocional. Décadas de pesquisa provam que é algo muito mais profundo. Na verdade, a ciência mostra que as pessoas felizes vivem vidas mais longas e saudáveis.
A boa notícia é que possível ser feliz tomando pequenas atitudes, independentemente do nosso meio ambiente ou genética.
Confira sete maneiras de aumentar felicidade e sua satisfação com a vida:

Seja positivo

Um estudo da Universidade de Harvard (EUA) descobriu que os otimistas não só são mais felizes, como são 50% menos propensos a ter doença cardíaca, um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral.
A conclusão é que manter uma perspectiva positiva oferece proteção contra doenças cardiovasculares. Já os pessimistas têm níveis mais baixos de felicidade em comparação com os otimistas e têm três vezes mais chances de desenvolver problemas de saúde à medida que envelhecem.
Aprenda com as pessoas que já são felizes
A Dinamarca vira e mexe ganha o primeiro lugar em qualquer índice que mede o bem-estar e a felicidade dos países de todo o mundo. O que faz dessa a nação a mais feliz do mundo?
Claro, coisas como a expectativa de vida, produto interno bruto e baixa corrupção ajudam – e muito. Mas o nível geral de felicidade na Dinamarca tem mais a ver com a generosidade que é comum entre os cidadãos, a liberdade que eles têm para fazer escolhas de vida e um sistema de apoio social forte, de acordo com a Organização das Nações Unidas.
Trabalhe menos

Os dinamarqueses parecem ter um grande equilíbrio entre vida e trabalho, o que aumenta seu nível de felicidade. Simplificando: eles não trabalham em excesso. Na verdade, a semana de trabalho média na Dinamarca é de 33 horas – apenas 2% dos dinamarqueses trabalham mais de 40 horas por semana.
Quase 80% das mães na Dinamarca voltam ao trabalho depois de ter um filho, mas equilibram o seu tempo livre entre a família, amigos e programas na sua comunidade.
Concentre-se em experiências

Dinamarqueses também dão menos atenção a dispositivos eletrônicos e coisas, e mais atenção para a construção de memórias. Estudos mostram que pessoas que se concentram em experiências ao invés de se focar em “ter coisas” têm níveis mais elevados de satisfação, mesmo muito tempo depois que a experiência passou.
Comprar muitas vezes leva a dívidas, para não mencionar o tempo e o estresse associado com a manutenção de todos os dispositivos, carros, propriedades, roupas, etc.
Os pesquisadores dizem que quando as pessoas se concentram em experiências, elas sentem uma maior sensação de vitalidade ou “de estar vivo” tanto durante o momento quanto depois.
As experiências também unem mais as pessoas, o que pode contribuir para a sua felicidade.
Construa uma rede social
Ao simplesmente ser social, você poderia viver mais tempo. A pesquisa mostra que um sistema de apoio social forte pode aumentar nossa expectativa de vida.
Os telômeros são as pequenas tampas em nossos cromossomos do DNA que indicam a nossa idade celular. De acordo com especialistas, não ter amigos pode ser igual a telômeros mais curtos e, por sua vez, uma vida mais curta.
Outros estudos mostraram que a solidão leva a maiores taxas de depressão, problemas de saúde e estresse. Ou seja, vale a pena ter pelo menos um amigo próximo para aumentar seu nível de felicidade e saúde.
Se voluntarie
Pessoas que se voluntariam são mais felizes, concluíram dezenas de estudos. A ONU credita o voluntariado como uma das razões para a Dinamarca ser o país mais feliz do mundo – 43% dos dinamarqueses regularmente doam seu tempo para boas ações em sua comunidade.
A alegria de ajudar os outros começa cedo. Um estudo de 2012 descobriu que crianças preferem dar do que receber. Os pesquisadores deram a dois grupos de crianças lanches e, em seguida, pediram que um dos grupos oferecesse esses lanches a outras pessoas. As crianças que entregaram os seus lanches mostraram maior felicidade sobre a partilha de seus bens, o que sugere que o ato de sacrifício pessoal é emocionalmente gratificante.
O sacrifício não tem que ser grande – pesquisas já sugeriram que doar tão pouco quanto US$ 5 gera benefícios emocionais.
Realizar atos de bondade, se voluntariar e doar dinheiro aumentam a felicidade, melhorando o seu senso de comunidade, propósito e autoimagem.

Comece a rir
Estudos mostram que rir não apenas sinaliza felicidade, mas sim a produz. Quando rimos, nossos hormônios do estresse diminuem e nossas endorfinas aumentam. Endorfinas são as mesmas substâncias químicas que o cérebro associa com aquele “impulso” que as pessoas recebem do exercício físico.
Rir também faz bem para o coração. Um estudo descobriu que apenas 8% dos pacientes cardíacos que riram diariamente tiveram um segundo ataque cardíaco dentro de um ano, em comparação com 42% dos que não riram.
Estudos ainda mostram que nosso corpo não consegue diferenciar entre o riso falso e o real – as pessoas recebem benefícios de saúde de qualquer maneira. Sendo assim, você pode forçar-se a rir mais, pelo menos um pouco todos os dias, até que você tenha verdadeiros motivos para sorrir.