14.323-Física – O que são as Partículas Alfa?


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A emissão alfa, desintegração alfa ou decaimento alfa é uma forma de decaimento radioativo que ocorre quando um núcleo atômico instável emite uma partícula alfa transformando-se em outro núcleo atômico com número atômico duas unidades menor e número de massa 4 unidades menor. A emissão alfa, portanto, é composta da mesma estrutura de núcleos do átomo de hélio. Uma emissão alfa é igual a um núcleo de hélio, que contém em seu interior dois prótons e dois nêutrons. A diferença entre a emissão alfa e o átomo de hélio é que na emissão alfa os dois elétrons da eletrosfera do átomo de hélio são retirados. Portanto, a partícula alfa tem carga positiva +2 (em unidades atômicas de carga) e 4 unidades de massa atómica.
Em 1896, o físico francês Antoine Henri Becquerel, em seus estudos sobre substâncias fosforescentes, verificou que compostos de urânio, causavam manchas escuras em chapas fotográficas, e mais tarde pode evidenciar que a radiação emitida pelo composto de urânio não era devida ao fenômeno de fosforescência e sim devido a radiação invisível emitida pelo composto de urânio, ou seja, o composto de urânio tinha uma atividade própria para emitir “raios” invisíveis. E a partir de 1898, o estudo da radioatividade começou realmente a se desenvolver e outros elementos radioativos foram descobertos, inclusive o rádio, de onde veio o nome “radioativo”.
Comprovou-se que um núcleo muito energético, por ter excesso de partículas ou de carga, tende a estabilizar-se, emitindo algumas partículas.
Ao desintegrar-se, os átomos dos elementos radioativos emitem energia na forma de radiação. A descoberta da radiação trouxe o conhecimento da existência das partículas subatômicas: os prótons e nêutrons (que compõem o núcleo do átomo) e os elétrons que se movimentam a altas velocidades.
As partículas {\displaystyle \alpha }\alpha são núcleos de hélio e têm uma interação forte com a matéria, sendo rapidamente absorvidas.
A partícula {\displaystyle \alpha }\alpha escapa do núcleo com uma maior frequência do que outros núcleos menores, como o deutério, devido a sua energia de ligação ({\displaystyle \scriptstyle E_{\alpha }\approx 28MeV}{\displaystyle \scriptstyle E_{\alpha }\approx 28MeV}, ou {\displaystyle \scriptstyle 7MeV}{\displaystyle \scriptstyle 7MeV} por cada núcleo), comparando-se com o dêuteron, {\displaystyle \scriptstyle Ed\approx 2MeV}{\displaystyle \scriptstyle Ed\approx 2MeV}. O tunelamento quântico é capaz de explicar este fenômeno
As partículas alfa apresentam grande poder de ionização devido a sua carga. No entanto, seu poder de penetração é inferior ao da partícula beta, dos raios-X e dos raios gama.

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Na altura em que foi descoberta a emissão do rádio 226 (1898), por Marie Curie e Pierre Curie, chamou-se ao fenómeno radioactividade {\displaystyle \alpha }\alpha ou emissão {\displaystyle \alpha }\alpha.
Às partículas emitidas deu-se o nome de partículas {\displaystyle \alpha }\alpha apenas por ser a primeira letra do alfabeto grego.
Posteriormente, verificou-se que essas partículas eram um núcleo de hélio, formado por 2 prótons e 2 nêutrons. As partículas {\displaystyle \alpha }\alpha emitidas apresentam energias bem definidas e podem ser utilizadas para caracterizar o núcleo de onde provêm.

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14.322 – Instituições Científicas – Laboratório Cavendish


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Pertencem ao departamento de física da Universidade de Cambridge. Fazem parte da escola de Ciências Físicas e foram construídos em 1873 como laboratórios de formação de estudantes. No início os laboratórios estavam instalados no centro de Cambridge, porém, por falta de espaço foram deslocados na década de 70 para a zona ocidental de Cambridge.
O departamento recebeu seu nome de Henry Cavendish, um famoso cientista e membro de um ramo da família Cavendish relacionada com os duques de Devonshire. Um dos membros desta família, William Cavendish, 7º Duque de Devonshire, foi reitor da Universidade e, deu o nome do seu parente ao laboratório depois de o fundar e doar fundos para a sua construção, tendo ainda nomeado a James Maxwell como primeiro diretor.
Até agora 28 cientistas dos Laboratórios Cavendish já foram laureados com prêmio Nobel.

Lord Rayleigh (Física, 1904)
Sir J.J. Thomson (Física, 1906)
Lord Ernest Rutherford (Química, 1908)
Sir Lawrence Bragg (Física, 1915)
Charles Barkla (Física, 1917)
Francis Aston (Química, 1922)
Charles Wilson (Física, 1927)
Arthur Compton (Física, 1927)
Sir Owen Richardson (Física, 1928)
Sir James Chadwick (Física, 1935)
Sir George Thomson (Física, 1937)
Sir Edward Appleton (Física, 1947)
Lord Patrick Blackett (Física, 1948)
Sir John Cockcroft (Física, 1951)
Ernest Walton (Física, 1951)
Francis Crick (Medicina, 1962)
James Watson (Medicine, 1962)
Max Perutz (Química, 1962)
Sir John Kendrew (Química, 1962)
Dorothy Hodgkin (Química, 1964)
Brian Josephson (Física, 1973)
Sir Martin Ryle (Física, 1974)
Anthony Hewish (Física, 1974)
Sir Nevill Mott (Física, 1977)
Philip Anderson (Física, 1977)
Pjotr Kapitsa (Física, 1978)
Allan Cormack (Medicina, 1979)
Sir Aaron Klug (Química, 1982)
Norman Ramsey (Física, 1989)
Os Laboratórios Cavendish tem tido uma importante influência no desenvolvimento da Biologia, sobretudo, graças a aplicação da cristalografia de raios X no estudo das estruturas da biomoléculas como, por exemplo, o DNA.
Outras áreas nas quais os laboratórios tem sido influentes desde 1950 são as seguintes:
Supercondutividade ( Brian Pippard );
Microscopia eletrônica de alta voltagem;
Radioastronomia ( Martin Ryle e Antony Hewish) com radiotelescópios

Um Pouco Mais
Endereço: Madingley Road. Cambridge CB3 0HE
Tel.: +44 1223 337200
Museu: www-outreach.phy.cam.ac.uk/camphy – A história do laboratório, suas descobertas e a biografia de cientistas como Rutherford e Thomson. Há um tour virtual do museu, com equipamentos como o tubo de vidro com que Thomson descobriu o elétron e o acelerador de partículas utilizado na primeira divisão artificial completa do átomo.
Biblioteca Rayleigh: http://www.phy.cam.ac.uk/cavendish/library – Um dos principais acervos de física no Reino Unido. Tem 18 mil volumes e livros históricos, como originais de James Clerk Maxwell (1831-1879), o primeiro diretor de Cavendish, famoso por formular leis para o eletromagnetismo e a termodinâmica
Mark Krebs, departamento de Biofísica
Do DNA às Proteínas

Em 1953, Francis Crick entra no Eagle, pub próximo de Cavendish, e grita: “Descobrimos o segredo da vida”. Era o anúncio inédito de uma das maiores conquistas da história da ciência: a descoberta por Crick e James Watson, ambos de Cavendish, da estrutura do DNA, estrutura que guarda a informação genética em todos os seres vivos. Hoje, o químico Mark Krebs vai de bicicleta a Cavendish para pesquisar a mesma área. O desafio agora é descobrir como se formam as proteínas.
Como sua pesquisa pode ajudar a medicina?
R:Tentamos entender por que as proteínas se agregam quando sujeitas a condições como o aumento da temperatura. A insulina, por exemplo, forma uma estrutura comprida, parecida com um espaguete. E proteínas com essa mesma forma são encontradas no cérebro de vítimas do mal da vaca louca e de Alzheimer. Se entendermos como elas se formam, será mais fácil prevenir essas doenças degenerativas. Também estudo uma proteína do leite que dá origem a um gel quando aquecida. Serve para cultivar células que podem recuperar tecidos. Se, por exemplo, alguém quebrar o pescoço, a idéia é, no futuro, injetar essa solução de proteínas para estimular células que regenerem os nervos da região.
O que Cavendish hoje tem em comum com o laboratório de Watson e Crick?
R: Trabalhar aqui continua estimulante porque convivemos com ótimos cientistas. Mas algumas coisas mudaram. Para descobrir a estrutura do DNA, Watson e Crick passaram muito tempo processando dados que obtiveram com imagens de raios X e fazendo cálculos manualmente. Hoje, com os computadores, os cálculos são bem mais rápidos e a análise de imagens dos microscópios eletrônicos é muito mais fácil.
David Munday, departamento de Física de Partículas

Botando para quebrar
Em 1897, o físico J.J. Thomson fez o primeiro grande achado de Cavendish: o elétron. Nos anos seguintes, outras pesquisas levaram à descoberta do nêutron e à primeira divisão de um átomo com um acelerador de partículas. Hoje, Cavendish continua a buscar os ingredientes da matéria. Ele está envolvido na construção do maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, um túnel de 27 quilômetros entre a Suíça e a França. É para lá que David Munday viaja duas vezes por mês.
O que o LHC pode revelar?
R: Logo após o Big Bang, partículas se moviam com energia extraordinariamente alta numa área muito pequena, pois o Universo era bem menor. Vamos reproduzir o estado do Universo menos de um bilionésimo de segundo depois do Big Bang no LHC acelerando e colidindo prótons vindos de direções opostas.

Que resultado esperam?
R: Muitas partículas vão surgir da colisão, talvez até algumas desconhecidas. Estamos particularmente interessados no bóson de Higgs, que em teoria seria responsável por agregar massa às outras partículas. A teoria prevê sua existência. Mas, na prática, até agora nunca se viu um deles.

O que mudou no Cavendish desde a descoberta do elétron?
R: Além de contar com novas tecnologias, hoje temos muito mais colaboração internacional. Mas nem tudo mudou por aqui. Até hoje, todo dia, às 11 da manhã, nós do grupo de física de partículas nos encontramos para tomar café. É uma tradição que começou nos tempos em que Thomson descobriu o elétron. A gente aproveita para falar de tudo: do tempo à ciência. É bom porque fortalece o espírito de equipe e também dá um pouco de descanso para o cérebro.
Paul Alexander*, departamento de Astrofísica

Achar o pulsar
Em 1967, a estudante de doutorado em Cavendish Jocelyn Bell e Antony Hewish, seu orientador, acharam por acaso um tipo novo de estrela, sem brilho, mas que pulsava quando vista por radiotelescópios. Foi a descoberta dos pulsares, que rendeu um Prêmio Nobel a Hewish e deu origem à controvérsia de por que Bell não teria sido premiada. Os radiotelescópios hoje são usados no laboratório para descobrir a origem de estrelas, como explica o físico Paul Alexander.
Qual é o objeto de sua pesquisa?
R: Queremos saber como, quando e por que estrelas se formam. Em algumas galáxias, elas surgiram logo nos primeiros estágios do Universo. Em outras, estão aparecendo ainda. Queremos entender o porquê dessas diferenças. Também precisamos saber como a interação entre galáxias contribui para a formação de estrelas. Há pouco tempo, descobrimos aqui que galáxias não muito próximas se influenciam via gravidade e que isso pode desengatilhar o processo de formação de novas estrelas.

Que equipamentos você utiliza?
R: Costumo usar dados de radiotelescópios de Manchester e do Havaí. Com a internet, também temos acesso a informações de outros radiotelescópios pelo mundo. Esse tipo de equipamento é importante porque possibilita observar gases, a matéria-prima para a formação das estrelas.

Quais os planos para o futuro?
R: Estou envolvido no projeto para a construção do SKA, um telescópio internacional 100 vezes maior do que os de hoje, que deverá estar pronto em 2015. Com ele, meu grupo quer estudar a evolução do hidrogênio, o gás mais comum do Universo. Como observaremos enormes distâncias, poderemos ver o que ocorreu com o hidrogênio logo nos primeiros estágios da história do Universo.

14.321 – ☻Mega Personalidades – Barbra Streisand


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Barbara Joan Streisand, (Brooklyn, Nova Iorque, 24 de abril de 1942), conhecida como Barbra Streisand, é uma cantora, compositora, atriz, diretora e produtora cinematográfica norte-americana, de origem judaica, vencedora de 2 Oscars, tendo sido indicada para mais três estatuetas.
Ela ganhou dois Oscar, quinze Grammy, seis Prêmios Emmy, um prémio Tony especial, um American Film Institute.
Barbra é uma das artistas mais bem sucedidas, tanto comercialmente como de crítica, na história do entretenimento norte-americano, com mais de 72,5 milhões de álbuns vendidos nos Estados Unidos e 152,5 milhões de álbuns vendidos em todo o mundo.
Barbra Streisand é uma das poucas estrelas do show business a conquistar prémios em diversas áreas da arte – Oscar (cinema; 2), Grammy (música; 15), Tony (teatro; 1) e Emmy (televisão; 6). Ela foi também a primeira mulher a, simultaneamente, produzir, dirigir, escrever e atuar em um filme (“Yentl”, de 1983).

Ela iniciou a sua carreira em 1962 com a peça da Broadway “I Can get it For you Wholesale”. O seu primeiro disco, The Barbra Streisand Album, foi lançado em 1963 e premiou-a com dois Prémios Grammy. Barbra possui uma voz poderosa e imprime uma interpretação dramática às músicas que grava, especialmente nas baladas românticas. Fez duetos com artistas como Neil Diamond, Donna Summer, Frank Sinatra, Celine Dion, Bryan Adams, Burt Bacharach e Barry Gibb.
A sua estreia no cinema foi em 1968, com o musical Funny Girl e sua atuação rendeu-lhe o Oscar de melhor atriz. Foi indicada também pelo filme Nosso Amor de Ontem, em 1973. Também ganhou o Oscar de melhor canção original pelo filme Nasce uma Estrela em 1976. Em 1964, casou-se com o ator Elliot Gouldy com quem teve o seu único filho, Jason, mas o divórcio veio logo após conquistar o Oscar de melhor atriz. Depois de vários romances, Barbra casou-se em 1998 com o ator e diretor James Brolin.
A RIAA e a Billboard reconhecem Streisand como detentora do recorde de artista feminina que conquistou mais álbuns Top10 da história: um total de 34 desde 1963.
A Billboard também reconhece Streisand como a maior mulher de todos os tempos em sua tabela Billboard 200 e um dos maiores artistas de todos os tempos em sua tabela Hot 100.
Um pouco mais
Barbara Joan Streisand nasceu em 24 de abril de 1942, em Brooklyn, Nova York, numa família de judeus, filha de Emmanuel e Diana Streisand. É a segunda de dois filhos por parte do pai Emmanuel, um professor de uma escola respeitada. Quinze meses após o nascimento de Streisand, Emmanuel morreu de uma hemorragia cerebral e a família quase foi a falência.
A carreira de Barbra Streisand começou quando ela se tornou uma cantora de boate, durante a sua adolescência. Ela queria ser atriz e apareceu em várias produções teatrais, incluindo Driftwood em 1959, com a então desconhecida Joan Rivers. Driftwood durou apenas seis semanas.
Streisand voltou à Broadway em 1964 com uma atuação aclamada como Fanny Brice em Funny Girl. Por causa do sucesso da peça, ela apareceu na capa da Time, e em 1968 apareceu na adaptação cinematográfica de Funny Girl que lhe deu o Oscar de melhor atriz.
Streisand gravou 35 álbuns de estúdio, quase todos com a Columbia Records. Os seus trabalhos mais conhecidos no início da década de 1960 são The Barbra Streisand Album, People, Stoney End, The Way We Were, Guilty, The Broadway Album e Higher Ground. Os discos de Streisand foram nomeados para mais de 44 prémios Grammy, ganhando 15 desses, incluindo todos os especiais.
Durante os anos 1970, ela também teve grande sucesso nas paradas pop, com músicas Top 10 na Hot100 como The Way We Were (EUA Nº. 1), Evergreen (EUA Nº. 1), No More Tears (Enough Is Enough) (1979, com Donna Summer), que até hoje é considerado o dueto de maior sucesso comercial, (EUA Nº. 1), You Don’t Bring Me Flowers (com Neil Diamond) (EUA Nº. 1), Stoney End (EUA Nº. 5), My Heart Belongs To Me (EUA Nº. 4) e The Main Event (EUA Nº. 3). Como o fim da década de 1970, Streisand foi nomeada o artista mais bem sucedido nos EUA atrás somente de Elvis Presley e The Beatles.
Em 1980, Barbra lançou o seu álbum de maior sucesso comercial: Guilty, tendo vendido até hoje mais de 20 milhões de cópias e foi produzido por Barry Gibb dos Bee Gees junto com a equipa de produção de Albhy Galuten e Karl Richardson.

A faixa-título, um dueto entre Streisand e Gibb, ganhou o Prémio Grammy de Melhor Performance Pop por um Duo ou Grupo com Vocal em 1981, e foi o # 3 da Billboard Hot 100 hit. O primeiro single Woman in Love tornou-se uma das canções de maior sucesso da carreira de Streisand. A música passou um total de três semanas na posição # 1 da parada da Billboard. Além desses dois hits, o álbum também trouxe mais dois outros sucessos: What Kind Of Fool, outro dueto entre Streisand e Gibb e Promises. Em 2005, Barry Gibb propôs lançar uma sequência para este álbum, Guilty Pleasures. Não gerou tanto êxito como o álbum de 1980, mas possui músicas notáveis como Stranger In A Stranger Land e Above The Law, dueto entre ambos. Também em 2005 Barbra relançou o álbum remasterizado com novas entrevistas dela com Gibb, duas performances ao vivo de 1986 e uma galeria de fotos.
Depois de anos fora da Broadway, trabalhando apenas em música pop em favor de um material mais contemporâneo, Streisand voltou ao seu teatro-musical com The Broadway, que foi um sucesso inesperado, segurando o cobiçado 1 º lugar da Billboard por três semanas seguidas, e ser certificado quádruplo de platina. O álbum contou com músicas de Rodgers & Hammerstein, George Gershwin, Jerome Kern, e Stephen Sondheim, que foi persuadido a reformular algumas de suas músicas especialmente para esta gravação. The Broadway Album foi recebido com aclamação, incluindo uma indicação ao Grammy de álbum do ano, e finalmente, entregou a Streisand o seu oitavo Grammy de Melhor Cantora. Depois de lançar o álbum ao vivo One Voice em 1986, Streisand criou Great White Way em 1988. No início da década de 1990, Streisand passou a concentrar-se nos esforços como diretora de filmes e se tornou quase inativa no estúdio de gravação. Em 1991, um conjunto de caixa de quatro discos, foi apresentado.
Atualmente Streisand ja vendeu 140 milhões de álbuns mundialmente, e 71.5 milhões de álbuns nos Estados Unidos e é a artista feminina que mais vendeu discos nos Estados Unidos, ocupando a oitava colocação na lista geral.
Seu primeiro filme foi uma reprise do seu sucesso da Broadway, Funny Girl (1968), um sucesso artístico e comercial dirigido pelo veterano William Wyler . Streisand ganhou o Oscar de Melhor Atriz para o papel, compartilhando-o com Katharine Hepburn ( O Leão no Inverno ), foi a única vez que houve um empate nesta categoria do Oscar. Seu próximo filme também foi baseado um musicail, Hello, Dolly! , dirigido por Gene Kelly (1969) e Alan Jay Lerner. E depois On a Clear Day You Can See Forever outro musical dirigido por Vincente Minnelli.
Streisand iniciou seu trabalho como diretora, produtora e roteirista com o filme Yentl pelo qual ela se tornou a primeira mulher da historia a atuar, dirigir, produzir e escrever um filme, e também se tornou a primeira mulher a vencer um Globo de Ouro de Melhor Diretor, mas apesar de ter vencido o globo de ouro o filme nem sequer foi indicado ao Óscar de melhor filme e Óscar de melhor diretor o que causou muita discussão.
Após 8 anos afastado do cinema, Streisand retornou ao cinema em 2004 com o filme Meet the Fockers (e na sequencia Meet the Parents ), atuando ao lado de Dustin Hoffman , Ben Stiller , Blythe Danner e Robert De Niro . Em 2005 a Barwood Streisand Films, empresa de Streisand, comprou os direitos do livro Anão de Mendel,[25] onde ela futuramente dirigiria e atuaria em uma adaptação do livro para o cinema. Em dezembro de 2008, ela declarou que ela estava pensando em dirigir uma adaptação do livro de Larry Kramer Coração Normal , um projeto que ela tem trabalhado desde os meados da década de 1990.
Streisand pessoalmente reuniu 25 milhões dólares para as organizações através de suas performances ao vivo. A Fundação Streisand, criada em 1986, contribuiu com mais de 16 milhões dólares por cerca de 1.000 bolsas para organizações nacionais que trabalham na preservação do meio ambiente, a proteção das liberdades civis e dos direitos civis, aos direitos da mulher.
Em 2008, Streisand levantou 5 milhões para dólares de Pesquisa Cardiovascular da Barbra Streisand para o Centro do Coração da Mulher.

14.320 – Biologia – Rato, inimigo ou amigo?


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A presença dos bichos é repugnante, mas não há motivo para desespero. Afinal, há no mercado um arsenal de ratoeiras e iscas envenenadas. Depois de armar uma arapuca perfeita, você vai dormir sossegado, certo de que os intrometidos estão com as horas contadas. Doce ilusão. No dia seguinte, as armadilhas estão intocadas. Os ratos não deram nem uma mordida. Em compensação, devoraram mais um pouquinho da comida que restava, como se adivinhassem suas intenções. Esses roedores são mesmo tão inteligentes?
Bem, se os ratos fossem assim tão fáceis de derrotar, eles não seriam um dos inimigos mais antigos – e odiados – da humanidade. Segundo o zoólogo americano Anthony Barnett, já faz 10 mil anos que tentamos nos livrar deles. “Convivemos com os roedores pelo menos desde que a agricultura começou”, diz Barnett, professor emérito da Universidade Nacional da Austrália e autor do livro The Story of Rats. Depois de tanto tempo de convivência, não é de espantar que os dentuços tenham aprendido nossas manias e nossas falhas e desenvolvido truques para conviver conosco sem correr muito risco.
Mas o convívio com a humanidade não mudou só a vida dos ratos. Segundo Barnett, esses animais, na mão contrária, alteraram a história da humanidade também. Especialmente na ciência, mas não só. Os gatos, por exemplo, que na antiga mitologia egípcia alcançaram o status de divindade, só foram admitidos nas casas depois que as pessoas perceberam sua utilidade na caça aos roedores. Até na Bíblia os ratos mereceram citação. Em algumas passagens, escritas há 3 mil anos, eles são classificados como “impuros”. Os homens tementes a Deus deveriam manter distância deles.
Essa rusga histórica teve dois momentos cruciais. O primeiro deles foi a fundação das primeiras cidades, há 10 mil anos, que, desde então, propiciam uma fonte inesgotável de alimento e abrigo para os roedores. “Nós fornecemos muita comida e boas condições de sobrevivência para eles”, afirma Neide Ortêncio Garcia, do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo. Tanto é assim que, dos milhares de tipos de roedores nas florestas capazes de sobreviver de vegetais e insetos, as três espécies mais numerosas do mundo são aquelas que vivem nos esgotos, nos depósitos e nas ruas das cidades. São elas a ratazana (Rattus norvegicus), o rato de telhado (Rattus rattus) e o camundongo (Mus musculus).
As grandes navegações, no século XIV, selaram de vez a aliança dos bigodudos conosco. A bordo das caravelas e de outras embarcações, essas três espécies se espalharam do seu local de origem – a Eurásia – para o resto do mundo. Poucas vezes, aliás, homens e roedores estiveram tão próximos. Eles infestavam os navios, e se alimentavam da mesma comida que os marinheiros. Matá-los ajudava os tripulantes a aliviar o tédio, mas também fornecia uma boa refeição. Um dos marinheiros de Fernão de Magalhães (1480-1521) – comandante da primeira viagem ao redor do mundo – relatou que lamentava comer biscoitos que fediam a urina de rato e não conseguir nenhum desses animais para comer. “Eles provavelmente eram uma boa fonte de vitamina C e ajudavam a aliviar doenças como o escorbuto”, afirma Barnett.
Nojento é relativo: até hoje nós desfrutamos dos ratos como alimento. Os irulas, um grupo étnico do sul da Índia, capturam milhares de ratos por ano, os cozinham e os colocam como ingredientes de uma farta (mas não necessariamente deliciosa) refeição. Para quem tem estômago forte e não se preocupa com doenças, o Larousse Gastronomique, um dos mais importantes livros de culinária do mundo, traz uma receita em que ratazanas e ratos devem ser limpos, despelados, temperados com óleo e cebolas e grelhados em fogo alto.
Duro de matar
Para as pessoas de paladar tradicional, no entanto, ter ratos na despensa não significa ter um item a mais no cardápio do mês, mas apenas um problema difícil de resolver. Entre os vários truques que ratazanas e ratos de telhado desenvolveram para evitar nossos ataques, está uma habilidade especial em evitar armadilhas e devorar apenas a comida saudável. Não se trata de um sexto sentido ou de uma esperteza diabólica: eles simplesmente têm aversão a objetos novos colocados em um ambiente conhecido, uma característica que os cientistas chamam de neofobia. Como as ratoeiras e o veneno são novidades, acabam intocados. Já a comida que estava lá…
É preciso astúcia para capturar um rato. “Existem muitas estratégias para enganá-los”, uma delas é colocar pequenos alimentos inofensivos durante dias, até que os ratos se acostumem a comê-los, e só depois acrescentar veneno. Outro truque é utilizar substâncias químicas que só fazem efeito mais de cinco dias depois de ingeridas, o que impede que os animais relacionem a morte de um de seus companheiros ao alimento ingerido. As ratoeiras só funcionam com espécies menos desconfiadas, como o camundongo. “O mais eficaz é retirar a comida disponível e, com ela, as condições de sobrevivência dos roedores”.
Por que exterminar os ratos? Porque eles transmitem doenças ao ser humano. São pelo menos 55 enfermidades, segundo Normam Gratz, biólogo aposentado da Organização Mundial de Saúde (OMS), que listou doenças transmitidas direta ou indiretamente pelos rabudos. Mas ele mesmo reconhece que o número certamente é maior. Nenhuma delas teve um impacto maior que a peste negra, que começou no século 14, na Ásia, e invadiu a Europa. Uma das hipóteses afirma que, durante uma batalha, guerreiros turcos, sem conseguir romper a muralha de uma cidade na atual Ucrânia, arremessaram cadáveres contaminados para dentro dos muros. A peste, causada por bacilos transmitidos por pulgas de ratos, espalhou-se rapidamente e matou cerca de 25 milhões de europeus – um terço da população do continente naquela época.
Mas a lista de doenças graves transmitidas por roedores não termina aí. A leptospirose, por exemplo, uma infecção provocada por uma bactéria que causa febre, dores e às vezes hemorragias e morte, é transmitida pela urina de ratos. A doença infecta centenas de pessoas todo ano e é um dos maiores riscos decorrentes de enchentes. E há ainda as enfermidades causadas por hantavírus, micróbios que vivem nas secreções dos roedores e são transmitidos pelo ar. Apesar de terem sido detectadas há poucas décadas, as doenças causadas por hantavírus já se espalharam pelo mundo e têm alto índice de letalidade. “Os ratos são uma rede global e subterrânea de transmissores de doenças”, diz Bartlett.
Especialistas e entediados
Graças à diversidade existente entre elas, as três espécies de ratos adaptadas ao homem ocupam habitats diferentes e acabaram por cobrir praticamente todas as possibilidades de convívio humano: camundongos, por exemplo, preferem lugares fechados (como um armário). Ratos de telhado são encontrados normalmente no ambiente que lhes dá o nome. Já as ratazanas costumam cavar buracos no chão e possuem uma habilidade impressionante para caminhar nesses túneis.
Em seu habitat, eles são eficientes como atletas profissionais em sua especialidade. Experiências com ratos em labirintos, que já são realizadas há mais de cem anos, desde 1900, mostraram que esses animais não só são capazes de aprender os caminhos com rapidez, mas também conseguem inventar atalhos e retornar sem dificuldades para o ponto de partida. Um biólogo comparou essa habilidade à de um pianista que, depois de aprender uma peça, consegue tocá-la de trás para a frente com a mesma desenvoltura. Nessa área, a inteligência dos roedores chega a rivalizar com a humana. Cientistas fizeram experiências em que estudantes universitários e ratos precisavam achar a saída de labirintos de desenho idêntico. Os humanos perderam de lavada: os roedores não só conseguiram acertar de primeira como gravaram mais rapidamente o percurso. No entanto, o desempenho dos estudantes melhorou com o tempo e, depois de muito treino, eles conseguiram trazer o troféu para a nossa espécie. Ufa!
Não se sabe ao certo qual a origem dessa incrível noção espacial, mas alguns fatores ajudam os ratos. Um deles são os bigodes, que funcionam como órgãos sensoriais e permitem que eles achem o caminho até mesmo no escuro. Também é importante o gosto natural por explorar ambientes novos. Mesmo faminto, um rato que seja colocado em um lugar desconhecido irá explorar o ambiente inteiro antes de partir para a refeição. Ele consegue com isso aprender os caminhos, encontrar novos parceiros, água ou abrigo e também, por incrível que pareça, aliviar o tédio. Os ratos tendem a preferir situações novas. E frequentemente se enjoam de atividades repetitivas. Se treinarmos uma cobaia para acender e apagar a luz da gaiola, ela a princípio ficará acionando o interruptor apenas pela diversão da mudança. Só quando estiver cansada da brincadeira é que deixará o quarto com a luminosidade que achar adequada.
O gosto por mudanças pode ser muito útil para o aprendizado dos roedores, como mostraram algumas experiências do psicólogo canadense Donald Hebb, um dos pioneiros da psicobiologia. Ele levou alguns ratos de telhado para sua casa, onde eles poderiam brincar com suas duas filhas, uma de cinco e outra de sete anos. Depois de um dia de diversão, esses felizardos se saíram muito melhor nos testes de laboratório que os colegas que ficaram presos no tédio das gaiolas.
A inteligência e o aprendizado dos ratos também se estendem ao principal fator da sua vida: a comida. Se tiver acesso a diversos tipos de alimento, um roedor comerá um pouco de tudo e manterá uma alimentação equilibrada em calorias e nutrientes. Algumas pesquisas indicam que o ser humano também teria essa habilidade inata, mas o acesso que temos hoje a comidas muito saborosas e pouco saudáveis bagunçou nossos hábitos alimentares. Apesar de terem uma dieta saudável por instinto, os ratos também aprendem com seus ancestrais os lugares que oferecem boas refeições e identificam, pelo cheiro de outros roedores, que comidas podem ser atacadas sem problema.
Comer (quase) sem frescura
Apesar de todo o conhecimento sobre os bichos, os cientistas ainda se deparam com peculiaridades. Em um experimento, antes mesmo de o estudo começar, um grupo de pesquisadores enfrentou um dilema: as ratazanas não gostaram do alimento que lhes foi dado, uma conhecida marca de cereal matinal. O teste só foi adiante quando alguém esqueceu por ali um pedaço da embalagem do cereal. Os ratos adoraram o petisco e a experiência finalmente foi feita.
Comida é fundamental para entender a sociedade dos ratos. É a comida, ou melhor, a quantidade dela, que determina o tamanho de uma população de ratos. “Quando há muito alimento, as fêmeas procriam mais”, afirma o biólogo Luiz Eloy Pereira, do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Em situações de fartura, as ratazanas têm uma gestação de apenas 22 dias, podem ter até 13 filhotes de uma só vez e engravidar novamente 21 horas depois de parir. Ou seja: em um ano, uma fêmea pode dar à luz mais de 200 felpudinhos.

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Mas a superpopulação dá origem a conflitos, e a programação biológica das ratazanas também prevê essa situação. Se o ambiente já estiver lotado e com pouca comida, o número de filhotes será menor e, em alguns casos, a fêmea poderá até devorar alguns dos que nascerem. “Ratos lutam para dominar um espaço e também as fontes de comida. São animais territoriais que não aceitam invasões”, diz Luiz Eloy. As lutas entre machos envolvem patadas, arranhões, cortes e mordidas, mas nunca levam à morte, ou ao menos não diretamente. Experiências mostram que, quando ratos são colocados no ambiente de outros, os conflitos dão origem a três grupos de machos. Os primeiros, chamados de alpha, são grandes, movem-se livremente e atacam intrusos. Os segundos, apelidados de beta evitam os alpha, mas não têm dificuldade em se alimentar e sobreviver. Já o terceiro grupo (ômega) anda e come pouco, ganha uma aparência deprimida, perde peso e, se não tiver para onde fugir, morre.
O motivo desses óbitos ainda é um mistério para os cientistas, mas acredita-se que, de alguma forma, o estresse social debilita o sistema imunológico dos roedores e os torna mais suscetíveis a infecções. Pois é. Os ratos também têm seus párias.
Seus hábitos sociais complexos e sua capacidade de aprender, de procriar e de comer de tudo fizeram dos ratos as cobaias favoritas dos cientistas ao longo do século XX. Hoje, mais de 80% das pesquisas feitas com animais envolvem roedores (incluídos aí os coelhos e os porquinhos-da-índia), originando uma demanda que criou gerações e gerações de bichos que nunca viveram fora de ambientes controlados. Resultado: os animais de laboratório são hoje bichos muito diferentes de seus parentes selvagens. A ratazana de laboratório, uma das espécies mais utilizadas, adquiriu características diferentes, como perda da neofobia – aquela desconfiança de elementos estranhos ao seu hábitat, porque isso atrapalharia muito as pesquisas.
Hoje, há ratos de todo tipo, criados por empresas especializadas em desenvolver cobaias para pesquisas específicas. Para estudos sobre hipertensão, por exemplo, há cobaias que vêm “de fábrica” com pressão alta. Em outros casos, é preciso animais muito semelhantes uns aos outros, para diminuir a variabilidade de um indivíduo para outro. Para essas ocasiões, as empresas fabricam milhares de ratos com código genético idêntico, como se fossem gêmeos múltiplos. A última novidade, anunciada no mês passado, foi o rato com controle remoto. Funciona assim: os cientistas instalaram três eletrodos no cérebro do animal, dois deles dando indicações da direção que ele deve seguir. Quando ele segue a orientação, recebe uma descarga do terceiro eletrodo, plugado a uma região que fornece sensação de prazer ao bichinho. Graças a essas pesquisas, a ciência já conseguiu, ao menos nas cobaias, vencer inúmeras enfermidades que ainda afligem os humanos, como mal de Parkinson, nanismo, obesidade e vários tipos de câncer.
Toda essa pesquisa, no entanto, ainda não foi capaz de responder à pergunta que você se faz quando se vê ludibriado pelos ratinhos do seu porão: os ratos são inteligentes ou é tudo apenas instinto? “Não existe um consenso a respeito do que é aprendizado ou inteligência em animais”, afirma Anthony Barnett. “Tudo o que podemos dizer é que muitas vezes os ratos parecem pensar de modo mais rápido e lógico que nós.”

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14.319 – Imunoterapia Contra o Câncer


imunoterapia
O ano é 1891. O cirurgião William Coley acaba de perder sua primeira paciente. A adolescente de 17 anos tinha aparecido no Hospital do Câncer de Nova York com um tumor nos ossos da mão (um sarcoma). Coley não teve opção a não ser amputar o membro. Como não havia sinais aparentes de metástase – filiais do tumor em outros órgãos –, o médico supôs que a moça estava livre da doença. Dois meses depois, porém, ela morreu repentinamente: as células mutantes haviam se espalhado pelo corpo. Só estavam escondidas.
Arrasado, Coley vasculhou os prontuários do hospital atrás de casos semelhantes. Encontrou um relato escrito sete anos antes: uma imigrante italiana identificada como Zola, de 35 anos, tentou duas vezes extrair um sarcoma do tamanho de um ovo localizado embaixo da orelha esquerda. A protuberância sempre crescia de novo. Para piorar, durante a cicatrização da última das cirurgias de remoção, a pele da bochecha contraiu uma infecção chamada erisipela. Zola teve picos de febre violentos, e ficou à beira da morte.
Os médicos perceberam, porém, que a cada ataque de febre alta o sarcoma diminuía – até sumir completamente. O aumento na temperatura é um sinal de que nossas células de defesa estão em ação contra as ameaças que invadem o corpo. Ou seja: ao combater a erisipela na pele, o sistema imunológico também combateu o câncer por acidente. Impressionado, o médico percorreu os cortiços do leste de Manhattan em busca da italiana. Encontrou Zola viva e saudável, sete anos depois, em remissão completa.
Coley então transformou essa anomalia em tratamento. Injetou um coquetel de bactérias nos tumores de seus dez próximos pacientes para deixá-los doentes de propósito. Era um método bruto, e nada ético. Muitos acabavam mortos pela infecção antes de serem mortos pelo câncer. Mas às vezes dava certo: um homem com sarcoma inoperável, já espalhado pelos tecidos da pélvis e da bexiga, se recuperou plenamente – só morreria 26 anos depois, de ataque cardíaco. Seus glóbulos brancos, sozinhos, deram conta do recado. Após essa primeira leva, Coley se aperfeiçoou: percebeu que usar pedaços de bactérias mortas poderia surtir o mesmo efeito sem oferecer perigo.
Os relatos de Coley foram debatidos entre os médicos na época, mas a notícia não chegou ao público leigo, pois o câncer, no século 19, não era envolto pelo tabu que o cerca hoje. Foi só depois que os tumores se tornaram o inimigo público nº 1: entre 1900 e 1940, uma revolução no saneamento básico, nas vacinas e na nutrição diminuiu muito o número de pessoas que morriam graças a doenças como diarreia, tuberculose e varíola. A população pobre passou a alcançar idades mais avançadas – e o câncer começou a matar pessoas que antes morreriam de outras causas.
Na primeira metade do século 20, o câncer saltou da oitava para a segunda posição do ranking de causas de morte mais comuns – onde permanece, atrás apenas de doenças cardiovasculares. Quatro em cada dez pessoas terão um tumor em algum ponto da vida. Em 2018, o câncer matou 9,6 milhões de pessoas, 70% delas em países de renda baixa ou média. 22% dessas mortes estão associadas ao tabagismo; outros 22%, a hepatite ou infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Os casos de câncer devem aumentar 70% até 2038, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e apenas um quarto dos países pobres oferece tratamento na rede pública.
A palavra “câncer” é genérica; define uma coleção de aproximadamente 160 tipos de tumores. O que eles têm em comum é o fato de se construírem a partir da multiplicação descontrolada de alguma célula. O gatilho são mutações em um ou mais genes dessa célula. Essas mutações podem ser herdadas dos pais ou desencadeadas por agentes externos: cigarro, álcool, infecção por determinados vírus etc.
Por um século, combatemos o câncer por meio da quimioterapia e da radioterapia. Envenenar e torrar o tumor é uma estratégia eficaz em muitos casos, mas vem acompanhada de efeitos colaterais que acabam com o bem-estar dos pacientes.
Na busca por alternativas mais amenas, a ideia de Coley foi redescoberta pelos médicos a partir da década de 1980 e ganhou um nome cabeludo: imunoterapia, uma classe de tratamentos que ensinam o sistema imunológico a combater o câncer de forma eficaz. As imunoterapias são promissoras e têm pouquíssimos efeitos colaterais, mas ainda são limitadas: só se conhecem métodos eficazes contra alguns tipos de câncer, como melanoma (câncer de pele), linfoma e de pulmão.
Muitas drogas imunoterápicas ainda estão em estágio experimental, e as que chegaram ao mercado não são baratas. Uma ampola de Yervoy, um imunoterápico aprovado no Brasil pela Anvisa em 2012 e usado para conter metástase de câncer de pele, custa até R$ 18 mil, e são necessárias no mínimo quatro doses.
Os resultados, porém, impressionam tanto quanto o preço. Mas, antes de entender como os cientistas manipulam o sistema imune a nosso favor, é preciso aprender como ele funciona.
Você pode imaginar a imunoterapia como um jogo de Pac-Man: suas células de defesa só conseguem atacar o câncer após terem comido a bolinha.
Você pode imaginar a imunoterapia como um jogo de Pac-Man: suas células de defesa só conseguem atacar o câncer após terem comido a bolinha. (Design: Juliana Krauss / Ilustração: Otávio Brito/Superinteressante)

O sistema imune
Ele é dividido em dois grupos de células: as inatas e as adaptativas. As inatas são as primeiras a entrar em ação quando surge uma ameaça – os soldados rasos, que seguram a bronca enquanto o corpo monta uma estratégia. As adaptativas formam a tropa de elite.
Mas vamos começar com as inatas. As mais conhecidas são os macrófagos. “Macrófago” significa, ao pé da letra, “comilão”. É a junção das palavras gregas makrós (“grande”) e phagein (“comer”). Eles são como o Pac-Man – bolinhas flexíveis de 0,02 mm capazes de englobar e digerir qualquer coisa: micróbios, células mortas do próprio corpo, células potencialmente cancerígenas e até substâncias inorgânicas. O pigmento de uma tatuagem passa o dia sendo engolido e regurgitado por macrófagos.
O segredo dessa versatilidade está em certas proteínas que eles carregam, chamadas receptores do tipo Toll. Essas proteínas são como buracos de fechadura. Se rola um encaixe, os macrófagos são ativados. A chave correta, nesse caso, são pedacinhos de molécula que muitos vírus, bactérias e outras ameaças exibem, mas que não existem normalmente em nós. Por exemplo: os vírus têm RNA de fita dupla, humanos não têm. Bactérias têm uma proteína chamada flagelina, humanos não têm.
É um sistema esperto, mas simples. Como um antivírus gratuito que protege o PC de algo que você pode pegar baixando um filme pirata, mas não daria conta de um hacker do governo russo. E algumas bactérias são hackers mesmo: a da pneumonia, por exemplo, é protegida por uma cápsula que impede a deglutição pelo macrófago; já a da tuberculose se deixa deglutir de propósito, e então arma acampamento no interior dele.
Há outras células além dos macrófagos no sistema inato [veja infográfico abaixo]. As mais famosas aí são as células dendríticas. Como os macrófagos, elas são capazes de fagocitar as ameaças. Mas com um bônus: guardam pedacinhos dessas ameaças para apresentá-los a seus superiores. Os superiores, no caso, são células chamadas linfócitos.
O sistema imune tem um exército de células que defende o corpo de ameaças internas e externas. Elas se dividem em inatas (que são a primeira linha de defesa) e adaptativas (a tropa de elite). Aqui, algumas das principais inatas.

1. Macrófago
É o “Pac-Man” comum, que engloba e digere ameaças. Age sozinho ou guiado por anticorpos, que o ajudam a farejar os micróbios. Usa receptores universais do tipo Toll, que detectam os micróbios mais comuns. É o primeiro a atacar.

2. Natural killer (NT)
A “assassina natural”. Envenena células cancerosas ou sequestradas por vírus antes que causem problemas. É uma das primeiras a atacar, junto do macrófago.

3. Célula dendrítica
A célula dendrítica, como o macrófago, fagocita as ameaças. Mas com um bônus: pega pedacinhos delas e mostra para a tropa de elite, os linfócitos. Só elas têm essa autorização.
Os linfócitos são as células do outro sistema imune, o adaptativo. Ao contrário dos macrófagos e afins, que usam os receptores versáteis do tipo Toll, cada linfócito tem apenas um receptor, capaz de detectar um único antígeno. Você tem milhões de linfócitos aí dentro. E não existem dois iguais.
O objetivo dessa aleatoriedade é o seguinte: se cada um deles tem um buraco de fechadura especializado em uma chave diferente, são grandes as chances de que, independentemente de qual ameaça adentre o seu organismo, haja um linfócito ideal para tentar combatê-la, por mais extraterrestre que ela seja.
Os linfócitos T CD4, chamados auxiliares, são os mais importantes. Quando uma célula dendrítica engole uma ameaça – seja ela um vírus, bactéria ou câncer –, ela vai até os linfócitos e apresenta um pedacinho da ameaça a eles, um por um, até encontrar um linfócito com o encaixe ideal para iniciar o combate. Quando esse linfócito magia é encontrado, ele começa a se multiplicar e forma um exército de clones. Além disso, ele corre para ativar dois de seus funcionários, os linfócitos B e T CD8.
Os T CD8 são especialistas em venenos. Eles procuram células cancerígenas ou células que foram sequestradas por vírus e as destroem utilizando substâncias chamadas perforinas e granzimas. Os linfócitos B, por sua vez, atacam usando os famosos anticorpos. Os anticorpos são proteínas especializadas em grudar em algum pedacinho do invasor. São liberados no campo de batalha em grandes quantidades, para grudar em tudo que aparecer.
Eles podem, por exemplo, se conectar às proteínas da superfície de um vírus. É o equivalente a algemá-lo: de “mãos” atadas, ele se torna incapaz de penetrar na membrana de uma célula e sequestrá-la. Anticorpos auxiliam a resposta imune dessa e de outras formas, ainda que não sejam diretamente responsáveis por eliminar ameaças.
Agora, as adaptativas:

4. Linfócito T CD4
É o líder da resposta. Quando avisado pela dendrítica que há um problema, corre para ativar os demais linfócitos com um recadinho bioquímico.

5. Linfócito T CD8
Um assassino discreto. Após ser ativado pelo CD4, libera toxinas que desativam células problemáticas detectadas por seus receptores. Como se fosse uma natural killer ainda mais letal.

6. Linfócito B
Produz anticorpos – proteínas que grudam nas ameaças, ajudando a identificá-las. Alguns Bs são guardados para imunizar contra-ataques futuros da mesma bactéria ou vírus.
Agora que você conhece as células, entenda como elas funcionam. O sistema imune inato reage primeiro. Ele leva as ameaças para avaliação por células de hierarquia mais alta.
1.
Qualquer invasor – seja bactéria, vírus ou câncer – produz moléculas diferentes das que já existem no nosso corpo. Essas moléculas, chamadas antígenos, são gatilhos para ativar o sistema imune.
2.
Os macrófagos têm receptores tipo Toll que se encaixam nas substâncias anômalas mais típicas. Assim que um micróbio normalzinho entra no organismo, ele acusa a própria presença, é detectado e engolido.

3.
A célula dendrítica leva pedacinhos das ameaças para os linfócitos verem. Os pedacinhos são exibidos em uma molécula chamada MHC II, que é como um formato de arquivo que só o linfócito sabe ler.

4.
Cada linfócito tem só um detector, especialista em uma única ameaça. Quando a dendrítica encontra o linfócito T CD4 perfeito para a ameaça que ela carrega, ele é ativado e começa a organizar uma reação.

5.
O linfócito T CD4 dá um recado químico ao T CD8 que o autoriza a matar células cancerígenas e infectadas por vírus. Os T CD8 já detectaram a ameaça e estão de prontidão, esperando a ordem.

6.
Os linfócitos B também são ativados com o estímulo de proteínas mensageiras chamadas citocinas. Eles passam por uma metamorfose e se tornam plasmócitos, células cuja única função é secretar anticorpos.

A imunoterapia
Aqui surge uma questão: o sistema imune é um aparato de detecção de coisas estranhas, e existem linfócitos para detectar qualquer coisa. Então, por que ele não detecta o câncer?
A resposta é que, em geral, ele detecta: “O sistema imune não é cego aos tumores”, diz José Barbuto, professor de imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP. “De fato, ele está pegando a maior parte deles neste exato momento. A questão é que alguns poucos escapam e conseguem crescer.” (No livro Corpo, Bill Bryson escreve: “Todos os dias, estima-se, de uma a cinco células suas se tornam cancerígenas, e seu sistema imune as captura e extermina.”)
O câncer também tem muito mais facilidade em passar despercebido que um agente externo. Um motivo é que ele cresce devagar. Primeiro, uma célula se multiplica e sofre uma mutação. Depois, se divide mais um pouco e sofre outra mutação. Não é o suficiente para alertar as células de defesa, que acabam se acostumando àquela anomalia por não considerá-la perigosa o suficiente.
Quando o tumor começa a incomodar, ele já ensinou ao corpo que não deve ser combatido. Acaba interpretado como uma doença crônica, que exige apenas uma leve vigilância. As imunoterapias são todas táticas para despertar as defesas dormentes.
A modalidade mais popular de imunoterapia surgiu na década de 1990, com o trabalho simultâneo de dois pesquisadores, um no Japão, outro nos EUA.
Em 1992, Tasuku Honjo, da Universidade de Kyoto, descobriu uma proteína chamada PD-1 na superfície dos linfócitos. A PD-1 é um botão que interrompe a ação da célula quando ela não é mais necessária. Essa é uma das rédeas que, normalmente, evitam que o linfócito perca a noção e comece a atacar órgãos e tecidos inocentes. Em casos de câncer, porém, o PD-1 acaba impedindo uma ação eficaz do glóbulo branco mesmo quando ele encontra um câncer.
Honjo bolou uma droga que pudesse grudar no botão PD-1 e escondê-lo, impedindo que fosse pressionado. Como a tampa que se coloca sobre um botão de alarme de incêndio. Assim, o linfócito ficaria livre para atacar o tumor até eliminá-lo. Essa droga era justamente o melhor tipo de molécula para grudar em alguma coisa: um anticorpo. Era uma inversão inédita. Em vez de usar um anticorpo para aderir ao tumor, Honjo criou um anticorpo capaz de causar um curto-circuito no sistema imune, ativando-o.
Dois anos depois, no Natal de 1994, James Allison, da Universidade da Califórnia em Berkeley, teve o mesmo insight. O grupo de biólogos do qual ele fazia parte estudava como um outro tipo de freio de linfócito, a proteína CTLA-4, poderia ser acionado de propósito em situações em que o sistema imune ataca o corpo que deveria defender (caso de uma doença chamada artrite reumatoide). Allison imaginou que, se bolasse um jeito de fazer o contrário – sabotar o freio que estudava em vez de incentivá-lo –, chegaria a uma droga contra o câncer. Deu certo praticamente de primeira.
Allison e Honjo ganharam o Nobel de Medicina em 2018, e os bloqueadores de PD-1 e CTLA-4 se tornaram algumas das drogas imunoterápicas mais populares do mundo. Como já dissemos aqui, são especialmente eficazes no tratamento de melanomas e, não menos importante, são melhores do que qualquer outra terapia na tarefa de eliminar metástases (lembre-se: as filiais do tumor que brotam em outros órgãos). Isso acontece porque os linfócitos, uma vez acionados, caçam os mutantes onde quer que eles se escondam.
O nome técnico desse tipo de imunoterápico é “inibidor de checkpoint”, já que ele bloqueia a “checagem” que o linfócito faria para saber se deve atacar ou não.
Entre os tratados com Ipilimumab – o bloqueador de CTLA-4 –, a taxa de pacientes de melanoma com metástase que sobrevivem mais de cinco anos após o diagnóstico é algo entre 18% e 20% (Os números variam dentro de uma margem de erro conforme o artigo científico consultado). Com Nivolumab – o bloqueador de PD-1 –, 29% a 39%. Com os dois combinados, de 50% a 60%. É um resultado surpreendente: até o lançamento dos inibidores de checkpoint, só 5% dos pacientes em estado grave (estágio 4) sobreviviam por esse tempo.
O linfócito costuma ser impedido de atacar o câncer tanto pelo próprio tumor quanto pelas células aliadas. Os remédios são tampas que escondem os freios dos linfócitos.
O próprio câncer pode ativar os linfócitos T CD8 (os especialistas em envenenar células que dão defeito). Mas ele disfarça e finge que é só uma parte normal do corpo. Isso é feito por meio de um freio molecular chamado PD-1 que deixa o linfócito pianinho.
O bloqueador de PD-1 cobre o freio que é acionado pelo câncer, fazendo o linfócito perceber que foi enganado.
Na ilustração acima, a célula dendrítica apresenta um pedacinho do câncer para o linfócito, que detecta a ameaça e ataca. Porém, como o câncer é feito de células do próprio corpo, a célula dendrítica se confunde e acha que está ordenando um ataque em um órgão inocente. Preocupada, ela puxa um freio chamado CTLA-4, que desliga o linfócito.
O bloqueador de CTLA-4 é uma tampa que cobre o freio, impedindo a célula dendrítica de acioná-lo. O linfócito acorda e começa a atacar o tumor.

O preço
Tirar um remédio do papel é demorado. O Opdivo só foi aprovado pela FDA – o órgão americano equivalente à Anvisa – em 2017. O Yervoy chegou ao mercado um pouco antes, em 2011. A demora não é à toa: as empresas do setor farmacêutico realizam uma grande quantidade de testes para garantir a eficácia e a segurança da droga. Em média, de cada 10 mil moléculas pesquisadas, só uma vira remédio.
Em média, de cada 10 mil moléculas pesquisadas, só uma vira remédio.
Em média, de cada 10 mil moléculas pesquisadas, só uma vira remédio.
Tanto o Opdivo quanto o Yervoy, hoje, são propriedade intelectual da Bristol-Myers Squibb (BMS). “Depois que começam os testes clínicos, com seres humanos, a universidade em geral não é capaz de financiá-los por conta própria e precisa se aliar a um patrocinador do setor privado”, explica Roger Miyake, diretor de Acesso na BMS no Brasil.
Foi o que aconteceu com Allison, que na época era pesquisador e docente da Universidade Texas A&M. Para realizar os teste clínicos do Yervoy, ele fez uma parceria com uma startup de biotecnologia chamada Medarex, que em 2009 foi adquirida pela BMS.
Essa jornada se reflete no preço. Nos EUA, de acordo com a BMS, o preço de uma ampola de Opdivo de 240 mg, que deve ser injetada a cada duas semanas, equivale a R$ 27 mil. Quem precisa da combinação Opdivo e Yervoy, cujo tratamento completo exige no mínimo quatro injeções, vai desembolsar algo entre R$ 90 mil e R$ 165 mil por ampola.
Tratar câncer, diga-se, nunca foi tão caro: em 1965, o preço médio de uma droga anticâncer recém-aprovada pela FDA era R$ 400 – em valores de hoje, corrigidos pela inflação. Em 1980, pouco mais de R$ 4 mil. Agora, praticamente não há limites (como veremos adiante).
No Brasil, um órgão da Anvisa chamado CMed regula o preço dos medicamentos, mas ele ainda é proibitivo. O Yervoy custa algo entre R$ 14,5 mil e R$ 18 mil a dose, conforme o ICMS de cada Estado. Sob esse valor, ele foi submetido à avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que determina se o custo-benefício de uma droga justifica sua inclusão no SUS. Foi negado. O caso do Opdivo, por sua vez, encontra-se em consulta pública na internet. Qualquer cidadão pode opinar sobre a implantação da terapia no sistema público.
A advogada Carla Gil Fernandes, em tratamento há um ano e dois meses com o Opdivo, estava com melanoma metastático em estágio 4 quando começou. Teve remissão completa, confirmada por exames de imagem a cada três meses. É um exemplo da eficácia do remédio. Mas também da dificuldade de acessá-lo:
“O SUS não fornece e eu estava sem plano de saúde. Minha única opção era judicializar o pedido do remédio para o Estado, e assim o fiz”. Como o Estado é responsável por zelar pela saúde dos cidadãos, é possível conseguir por meio da abertura de um processo diversas drogas que o SUS não disponibiliza. Mas essa só é uma alternativa para quem tem dinheiro para pagar um advogado (ou, como no caso de Carla, para quem já é um).
As alternativas
Uma opção para o governo é pechinchar com as farmacêuticas argumentando que o volume justificaria um preço menor por dose. O Brasil é o quinto país mais populoso, 600 mil casos de câncer são registrados por ano. 150 milhões de pessoas dependem do SUS. Mesmo que o sistema público não dê tanto lucro quanto os convênios, o número de ampolas é tão alto que o desconto pode compensar.
Desenvolver medicamentos nacionais é outro caminho. É o que faz a ReceptaBio, uma startup fundada em 2006 por um ex-diretor científico da Fapesp, José Fernando Perez. Eles estão realizando testes clínicos de fase 2 para duas moléculas que têm a mesma função que o Yervoy e o Opdivo da BMS, mas que sairão por uma fração do preço.
Ambas já estão patenteadas, e espera-se que passem por aprovação acelerada pelas agências reguladoras (Anvisa e FDA), isto é: que possam chegar às prateleiras antes da conclusão dos ensaios clínicos de fase 3. “O fato de nós termos tanto o CTLA-4 quanto o PD-1 é muito importante”, diz Perez. “A combinação é mais eficaz que qualquer um dos dois sozinhos.” A aprovação deve vir até 2021.
A ReceptaBio faz parcerias com universidades e centros de pesquisa, que podem contar com bolsas de agências de fomento estaduais e federais. Assim, uma parcela do investimento é custeada com recursos públicos. Outra peculiaridade é que os testes estão sendo realizados não com melanomas, que são o alvo típico dos inibidores de checkpoint, mas em mulheres com câncer de colo de útero: um tumor comum em países em desenvolvimento, mas raro na Europa e nos EUA por causa da vacinação contra o vírus HPV. “Câncer de colo de útero não é uma indicação atraente para as multinacionais”, diz Sonia Dainesi, diretora médica da ReceptaBio.
Participar de testes como esses pode ser uma ótima forma de testar uma terapia inovadora gratuitamente. As universidades públicas e os principais centros de pesquisa em saúde brasileiros estão constantemente criando e aperfeiçoando drogas contra diferentes tipos de tumor, e precisam de voluntários para aplicá-las.
Além disso, nada impede as grandes empresas do setor farmacêutico de realizarem seus ensaios clínicos por aqui. O problema é a burocracia: o governo brasileiro impõe regulações severas ao processo de aprovação de uma terapia, o que atrasa as iniciativas nacionais e afugenta as internacionais. É muito mais barato e rápido realizar testes na Europa, ou na China, do que aqui.
“O governo precisa incentivar estudos clínicos, agilizar a aprovação deles. Principalmente em um cenário de privação de recursos, em que essa é uma alternativa”, diz Andreia Melo, chefe da divisão de pesquisa clínica e desenvolvimento tecnológico do Instituto Nacional do Câncer.
O futuro
Nas páginas anteriores, debatemos uma única modalidade de imunoterapia. Embora os inibidores de checkpoint como o Yervoy e o Opdivo estejam em evidência desde o anúncio do Nobel de 2018, eles são só a ponta do iceberg.
Uma aposta recente são os linfócitos T com receptores de antígeno quiméricos, mais conhecidos como células CAR-T. O resumo da ópera é: coletar linfócitos na corrente sanguínea do paciente, levá-los para o laboratório e instalar neles um gene. Esse gene equipa o linfócito com uma proteína capaz de aderir ao tumor. Assim, cria-se um linfócito customizado, para ser reinserido na pessoa doente.
O problema, claro, é o preço. Um tratamento de células CAR-T contra câncer no sangue chamado Kymriah e vendido pela Novartis sai por US$ 475 mil. Em bom português, R$ 2 milhões. Uma versão brasileira da técnica está em desenvolvimento na Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto e pode sair por R$ 150 mil. Ela foi aplicada pela primeira vez em outubro de 2019. Vinte dias depois, o primeiro paciente, um homem de 62 anos com linfoma, estava essencialmente livre da doença.
Há dezenas de imunoterapias sendo testadas para uma grande variedade de tumores. Cada uma usa uma estratégia diferente para despertar as defesas naturais do corpo.
Há dezenas de imunoterapias sendo testadas para uma grande variedade de tumores. Cada uma usa uma estratégia diferente para despertar as defesas naturais do corpo. Uma das imunoterapias mais sofisticadas que existem, curiosamente, é um retorno à ideia original de Coley: infectar o tumor de propósito. O Imlygic, fabricado pela empresa de biotecnologia Amgen, é um vírus da herpes criado e modificado em laboratório. Esse vírus hackeado não consegue invadir células saudáveis, mas é capaz de parasitar as cancerígenas.
Ao ser injetado no tumor, ele sequestra o maquinário das células para criar cópias de si mesmo (como todo vírus faz). Ao final, a célula explode, liberando bebês vírus na vizinhança. Isso é bom não só porque a célula em si foi morta, mas porque o recheio dela foi solto pelo corpo. Tal cenário aumenta a chance de o sistema imunológico detectar uma molécula anômala inédita, capaz de convencê-lo a iniciar uma resposta.
Em uma das imunoterapias mais inovadoras disponíveis atualmente, um vírus HPV hackeado se infiltra no câncer.
Fases:
1.
O tumor indicado para este tipo de tratamento é um melanoma em estágio 4 com metástases – praticamente intratável por métodos como quimioterapia.

2.
No tratamento, um vírus HPV modificado é injetado no tumor. Ele é capaz de atacar as células cancerígenas, mas não consegue invadir as normais.

3.
Quando o câncer explode, ele libera seu “recheio” na corrente sanguínea. Essas moléculas estranhas chamam a atenção do sistema imune, que corre para a cena do crime e passa a atacá-lo.
O vírus se reproduz parasitando o maquinário da célula cancerígena. Depois, ele a destrói, espalhando seus bebês por aí. De célula em célula, o tumor diminui de tamanho.
Enquanto isso, no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP em São Paulo, capital, José Barbuto desenvolve há anos uma outra terapia, baseada em células dendríticas. Lembre-se: a função delas é ativar os linfócitos, exibindo um pedacinho da ameaça na molécula MHC II. Se elas estão desligadas, o contra–ataque não começa. E é comum o tumor convencer as dendríticas de que está tudo bem.
Para contornar o problema, Barbuto extrai dendríticas saudáveis do sangue de um doador, mistura com células do tumor do paciente e dá um choque de mil volts. O choque perturba a membrana das células e faz com que elas se fundam, criando quimeras microscópicas: células híbridas de dois núcleos que são metade o câncer de um paciente e metade a célula dendrítica de uma pessoa saudável. Essa bizarrice vive pouco, mas o suficiente para apresentar o tumor aos linfócitos, iniciando a reação na marra. É como fazer ligação direta em um carro.
Esse tipo de tratamento às vezes é chamado de vacina, ainda que não seja uma vacina na acepção corriqueira do termo (vacinas treinam o sistema imune para evitar que alguém contraia uma doença, já a vacina contra o câncer trata o paciente após o diagnóstico). Há vários tipos experimentais de vacina. É possível, por exemplo, produzir em laboratório pedacinhos de proteína que sejam bons sósias dos antígenos que o câncer fabrica. Assim, seu sistema imune faz uma “simulação” antes de partir para a batalha.
Um dia é possível que imunoterapias assim – bem como tantas outras saindo do papel em laboratórios do mundo todo – entrem para o catálogo de uma empresa farmacêutica. Mas essa sempre será uma longa novela. Por trás da história de cada paciente, há a história de cada comprimido. Eles nascem em universidades, passam por startups e testes clínicos… Se forem reprovados, o processo começa todo de novo.
Demorado? Sem dúvida. Mas depende da perspectiva. Há apenas 150 anos, sangrar os pacientes na navalha era tido como método sério para curar a maior parte das doenças. A medicina avança devagar em relação à duração de uma vida. Mas o conhecimento é cumulativo: nós temos hoje o que as vidas de ontem deixaram para nós. E as vidas de amanhã terão o que deixarmos para elas.

14.318 – Quem corre mais, bípede ou quadrúpede?


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O ser humano não trepa mais em árvores porque não precisa mais fazê-lo para sobreviver. No entanto, também não precisamos mais correr e continuamos correndo. Por quê? Conheça a teoria que diz que corremos porque ainda somos meio selvagens. De quebra, aprenda os truques dos melhores corredores do mundo animal
Quem costuma sair de casa bem cedo já deve ter notado a multidão de pessoas vestindo roupas esportivas, correndo pelas ruas para todos os lados. O hábito é tão disseminado que provavelmente você nem repare mais. Mas não deixa de ser estranho. Por que toda essa gente corre? De onde vem a satisfação de correr simplesmente por correr? E, afinal, por que a corrida é o esporte mais popular do mundo, com centenas de milhões de adeptos?
A resposta, segundo o corredor e biólogo americano Bernd Heinrich, está na natureza. Correr pode parecer supérfluo para a humanidade hoje, depois que domesticamos o cavalo e inventamos a bicicleta e o motor a explosão. Mas durante muito tempo a corrida foi fundamental para a sobrevivência humana, e essa habilidade continua inscrita em nosso código genético. “Somos todos corredores naturais, apesar de boa parte de nós ter se esquecido desse fato”, diz Heinrich, que é professor de biologia na Universidade de Vermont, nos Estados Unidos. Ele sabe do que fala. Em 1981, Heinrich venceu a ultramaratona de Chicago, nos Estados Unidos, em tempo recorde: completou os 100 quilômetros da prova em 6 horas e 38 minutos.
Curiosamente, ele atribui parte de seu sucesso às horas que passa no laboratório. Segundo ele, foi observando os animais que entendeu nosso prazer em correr e desenvolveu estratégias para melhorar sua performance como corredor. O resultado dessas observações está no livro Why We Run (“Por Que Corremos”, inédito no Brasil).
Segundo Heinrich, nossa obsessão por correr é inata. E isso seria fácil de observar. Afinal, não é preciso haver um prêmio para que crianças de qualquer idade se disponham a se alinhar e a disputar uma corrida. “É pelo prazer de correr”, diz ele. Essa disposição, segundo o professor, vem de nosso antepassado caçador. Ou seja, sempre que corremos, para ganhar uma corrida ou simplesmente para fazer exercício, estamos virtualmente de volta às savanas africanas onde nosso código genético foi forjado. “Toda corrida é como uma caçada. Terminar uma maratona, bater um recorde, fazer uma descoberta científica, criar uma grande obra de arte, todas essas tarefas são substitutas da necessidade de exibirmos as ferramentas psicológicas do predador de distância que somos”, afirma o corredor e professor.
Para entender essa herança ancestral, é preciso voltar 6 milhões de anos no tempo, até a época em que os primeiros hominídeos deixaram as árvores e começaram a vagar pelas planícies verdejantes do continente africano. Naqueles descampados, os animais viviam (e ainda vivem) em bandos, para caçar ou não serem caçados. E não foi diferente com os tataravós dos nossos tataravós. Nossos antepassados não eram supremos corredores e provavelmente compensavam essa falta de habilidade caçando em grupos. Carne havia em abundância nas planícies, mas somente para quem era capaz de alcançá-la, lutando e disputando espaço com leões, hienas, abutres e outros bandos.
E isso não bastava. Para vencer na vida, era preciso correr mais que os outros dentro do próprio bando. Entre chimpanzés e babuínos, ter acesso ao melhor pedaço de carne da presa recém-apanhada garante não só a boa alimentação e a sobrevivência. A posse da melhor carne significa mais amigos e um charme a mais para conquistar fêmeas. Significa ter filhos. Ou seja, entre nossos antepassados remotos, só os melhores corredores tinham acesso ao sexo, o que, convenhamos, é um estímulo e tanto para dar umas pernadas.

Pássaros e Antílopes
Seja para caçar búfalos ou para dar voltas e voltas no quarteirão, um dos maiores problemas para corredores de longas distâncias é como manter o corpo abastecido de combustível. No mundo animal, os bichos mais bem adaptados para vencer grandes distâncias são os pássaros migratórios, como o maçarico-das-rochas. Esses passarinhos cruzam, todo ano, milhares de quilômetros ao sabor das estações. Imagina-se que, para cumprir essa tarefa, os bichinhos tenham que estar no auge de sua forma, o que, para um ser humano, significaria estar bem magro. Engano. Seu “treinamento” para a jornada não poderia ser mais surpreendente: um regime de engorda. Os maçaricos-das-rochas, por exemplo, chegam a dobrar de peso nos dez dias que antecedem a partida – a maior parte do que ganham é gordura, que é queimada durante o vôo e usada como combustível.
Seria interessante, então, para maratonistas humanos engordarem? Com as regras atuais das corridas, claro que não. Se a prova fosse intercontinental, uma travessia de centenas de quilômetros, em que os competidores não pudessem comer nada, os atletas mais gordos teriam mais chances de vencer, com certeza. Os corredores magros disparariam na frente, mas não terminariam a prova. Uma Ferrari que não pudesse abastecer perderia uma corrida dessas para um caminhão que carregasse seu peso em combustível.
A diferença é que, nas corridas humanas tradicionais, os competidores podem comer quando e quanto quiserem durante uma prova. Ou seja, é melhor correr magro para carregar o menor peso possível. Assim, a maior parte dos corredores de elite tem no máximo 6% do peso do seu corpo constituído por gordura. Comer e beber durante o caminho tem suas desvantagens. Ultramaratonistas, que correm mais de 100 quilômetros, são obrigados a defecar e urinar durante a prova. E muitas vezes (eca!) fazem isso sem parar de correr.
A capacidade de carregar o combustível é o que diferencia um grande corredor de uma presa fácil. O antilocapra, um antílope que vive nas pradarias da América do Norte, foi considerado o melhor corredor de longa distância, em uma eleição feita pela revista britânica Nature, especializada em ciência. Esses animais atingem até 98 quilômetros por hora e podem manter essa velocidade por até meia hora, o que é impensável para humanos e outros animais.
Uma das chaves para seu desempenho é a extraordinária taxa de energia que o antilocapra consegue obter do oxigênio que respira, ou seja, sua capacidade aeróbica, que é quatro vezes maior que a de um campeão olímpico da maratona.
Só que um desempenho desses exige uma taxa de gordura baixíssima, o que reduz a resistência desses animais. Se for preciso, um antilocapra pode vencer até 50 quilômetros sem perder o pique. Mas, depois dessa distância, seu combustível se esgota.

Lições de camelo
Ao longo da evolução, os animais assumiram formas e comportamentos diversos. Mas seu metabolismo é bastante parecido. E, quando se trata de exercício prolongado, todos têm um problema em comum: o superaquecimento. Para nos exercitarmos, precisamos de alta temperatura nos músculos. Ao correr, aumentamos o metabolismo de 1,5 quilocalorias por minuto para 30 quilocalorias por minuto. Para evitar que esse excesso de calor leve à exaustão, cada animal tem sua estratégia. As abelhas se besuntam com o néctar que colhem. Alguns pássaros defecam nas próprias pernas. Nós suamos.
Ou seja: podemos continuar correndo, sem superaquecimento, enquanto tivermos fluidos suficientes para seguir suando. O detalhe é que nosso corpo tem uma capacidade limitada de armazenar água. Em busca de um modelo perfeito, Heinrich examinou o rei da secura, o animal em que todo mundo pensa quando se fala em cruzar grandes distâncias sem água: o camelo. Camelos andam freqüentemente muito além de 100 quilômetros. Viajam os 300 quilômetros entre Cairo, no Egito, e a Jordânia em dois dias. Homens também são capazes de correr 600 quilômetros em quatro dias e sobrevivem para correr ainda mais. Yiannis Kouros, um corredor grego (provavelmente o maior especialista em grandes distâncias de todos os tempos), correu 1 500 quilômetros em dez dias – uma média de 150 quilômetros por dia. Mas a comparação com o camelo é injusta, porque Kouros comeu e bebeu o quanto quis no caminho.
Por milhares de anos acreditou-se que os camelos armazenavam água no estômago. Mas não é verdade. Pesquisas recentes não encontraram nenhuma capacidade extra de estocar água no camelo. O truque do animal é outro: ele economiza a água que tem, por meio de alguns mecanismos engenhosos. O primeiro são as corcovas. Acreditava-se que elas eram uma espécie de caixa-d’água que o animal carregava para todo canto. Mas não é isso que ocorre. Compostas basicamente de gordura, elas funcionam mais como uma cesta cheia de alimento que o animal carrega nas costas e vai consumindo aos poucos. A utilidade delas na perda de água é a sombra que proporcionam e o revestimento de pêlos que as cobre, o que reduz o aquecimento do animal e evita que perca água pelo suor.
Mas o animal tem outros truques. Humanos morrem se perderem água equivalente a 12% do peso do corpo. O camelo sobrevive com perdas de até 40%. Depois de desidratado, ele pode beber até 25% do peso do corpo em água, de uma vez. Em nós, o efeito seria tóxico: as células do sangue inchariam e poderíamos até morrer se bebêssemos água em excesso.
Não bastasse tudo isso, a urina e o suor do camelo são mais concentrados, graças a mecanismos que envolvem micróbios em seu estômago. Assim, consegue se aliviar sem gastar tanta água. Se um camelo ficasse à deriva em um bote no oceano, não morreria de sede: ele pode reidratar-se tomando água salgada, o que para nós é fatal.
Segundo Heinrich, as estratégias do camelo nos dão grandes lições: 1) use uma corcova, ou seja, cubra a cabeça com chapéu e o corpo com roupas leves e soltas, para evitar perder líquidos. 2) Beba líquidos durante o caminho, mas um pouco de cada vez.

Os truques dos sapos
Sapos não são nenhum exemplo de bom deslocamento. Não correm, saltam. Eles estão longe da performance dos cangurus, que atravessam grandes distâncias em alta velocidade, graças aos saltos. Mas eles têm muito a ensinar aos corredores. Anualmente, na época do acasalamento, os sapos se reúnem aos bandos em charcos e lagoas e dão início a uma competição de coaxadas, uma atividade tão aeróbica quanto qualquer maratona. Nessa empreitada, os sapos chegam a utilizar 100% de sua capacidade aeróbica. Para se ter uma idéia, ultramaratonistas, a elite da capacidade aeróbica humana, durante as provas, utilizam 60% de seu potencial.
O risco de coaxar tão perto do limite é grande. Um ser humano que corresse acima do limite de sua capacidade aeróbica, mesmo que por poucos segundos, ficaria exausto rapidamente, graças ao acúmulo de ácido lático, que enrijece os músculos. Depois que esse mecanismo ocorre, é preciso um bom tempo de descanso, para que o ácido seja eliminado. Para um sapo, isso significaria perder a chance de copular com as fêmeas. Para um corredor, seria ir para casa antes do fim da corrida.
Assim, ao longo de milhões de anos de evolução, os sapos desenvolveram sistemas de segurança para coaxarem perto do limite mas sem ultrapassá-lo. O segredo é manter um ritmo constante, sem acelerar ou diminuir, e dar coaxadas curtas. Nem sempre isso resolve: no eterno embate que é a seleção natural, as fêmeas desenvolveram um gosto especial pelos machos que conseguem dar as coaxadas mais longas. Mas os que se apressam nessa tarefa correm o risco de acabar sem voz antes da cantada final.
É o que fazem também maratonistas e ultramaratonistas: passos curtos. Fundistas percorrem os 100 metros finais de uma prova com quase o dobro de passos com que os velocistas vencem a mesma distância. “Passos longos alcançam mais longe, mas cansam o corredor mais rapidamente”, diz Heinrich.

Por que ficar em pé?
Correr em dois pés não é exclusividade humana. Há evidências de que os dinossauros bípedes eram também velocistas, ao contrário dos grandes e lentos quadrúpedes. E há vários animais quadrúpedes que, quando precisam acelerar, usam apenas as patas posteriores. Você mesmo já deve ter enfrentado um dos campeões do reino animal em eficiência das passadas. E já deve ter percebido como é difícil alcançá-lo. Como todos os insetos, as baratas têm seis perninhas e só três tocam o solo ao mesmo tempo em deslocamento. Mas, quando precisam dar uma arrancada, as baratas mudam de tática: abrem as asas, jogam o peso do corpo para trás e se tornam bípedes, fugindo com as duas pernas traseiras.
Ou seja, nossa evolução de quadrúpedes para bípedes também deve ter algo a ver com obtenção de velocidade. Todos os bípedes que correm rápido o fazem por uma sucessão de saltos, alternando as pernas ou usando as duas de uma vez. Isso acarreta um considerável impacto nos pés e, com isso, uma grande perda de energia. Entretanto, um mecanismo desenvolveu-se para conter um pouco dessa energia.
O segredo está na anatomia dos nossos pés. Quando o calcanhar encosta no solo, o tendão-de-aquiles é esticado e, quando o pé rebate, decolando do chão sobre os dedos, o tendão estendido contrai e libera a energia armazenada. Até 40% da energia absorvida pelo impacto é retida no ligamento, para retornar ao corpo durante o próximo passo. Graças a esse design natural, correr descalço poderia melhorar nossa eficiência, desde que, claro, o solado do pé fosse forte o suficiente para resistir ao esfolamento durante longas corridas. Para aqueles que conseguem, essa é uma vantagem e tanto, como o corredor etíope Abebe Bikila, que correu e venceu descalço a maratona nas Olimpíadas de Roma, em 1960.
No nosso caso, a postura ereta trouxe vantagens além da velocidade. Apesar de a corrida sobre dois pés gastar mais energia do que com quatro, para longas distâncias era uma considerável melhora. “A eficiência de energia era sacrificada em favor da liberação das mãos para outras tarefas”, afirma Heinrich. Os primatas podiam segurar objetos e carregar os filhotes. Em pé, também, podiam enxergar mais longe.
Além disso, de pé era reduzido o calor que entrava nos corpos aquecidos pelo sol. Experiências mostram os bípedes têm uma redução de 60% na radiação solar direta sobre o corpo.
Mas com isso o topo da cabeça ficou à mercê dos raios solares. A solução para esse problema também veio com a evolução. O cérebro humano tem uma rede especial de veias que agem como radiadores para dissipar o calor. Fósseis indicam que o Australopitecus já possuía esse mecanismo, o que indica que eles sofreram grande pressão seletiva para prevenir o superaquecimento. “Nosso cabelo evoluiu assim”, diz Heinrich.
Com todo esse aparato que a natureza nos deu, não se espante se, depois de correr da chuva ou perseguir um ônibus, você sentir uma sensação de prazer. Você nasceu feito para isso.

14.316 – Biologia – O Bipedismo


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Avestruz africano, o mais veloz bípede vivo

É uma forma de locomoção terrestre, onde um organismo se move por meio de seus dois membros posteriores ou pernas. Um animal ou máquina que normalmente se move desta forma é conhecido como bípede, que significa “dois pés” (do latim bi para “dois” e ped para “pé”).
Poucas espécies modernas são bípedes habituais, quando método de locomoção normal é sobre duas pernas. Dentro dos mamíferos, o bipedalismo habitual evoluiu várias vezes, como entre os Macropodidae (que inclui os cangurus), Dipodomyinae, Notomys, Hominina (humanos) e pangolins, assim como em vários outros grupos extintos que evoluíram esta característica de forma independente. No período Triássico alguns grupos de arcossauros (um grupo que inclui os antepassados dos crocodilos) desenvolveram o bipedalismo; entre os descendentes dos dinossauros, todas as primeiras espécies e muitos grupos posteriores eram bípedes habituais ou exclusivos; as aves descendem de um grupo de dinossauros que eram exclusivamente bípedes.
Um número maior de espécies modernas utilizam movimento bípede por curtos períodos de tempo. Várias espécies de lagartos movem-se de maneira bípede quando estão correndo, geralmente para escapar de ameaças. Muitas espécies de primatas e de urso adotam o bipedalismo para alcançar alimentos ou explorar o ambiente. Várias espécies de primatas arborícolas, como gibões e indrídeos, utilizam exclusivamente a locomoção bípede durante os breves períodos que passam no chão. Muitos animais também apoiam-se sobre as patas traseiras, enquanto lutam, copulam, tentam alcançar a comida ou para ameaçar um concorrente ou predador, mas não conseguem se mover de forma bípede.
A grande maioria dos vertebrados terrestres vivos são quadrúpedes, com o bipedismo exibido apenas por um punhado de grupos vivos. Seres humanos, gibões e grandes pássaros caminham levantando um pé de cada vez. Por outro lado, a maioria dos macrópodes, pássaros menores, lêmures e roedores bípedes se movimenta pulando nas duas pernas simultaneamente. Os cangurus de árvores são capazes de andar ou pular, geralmente alternando os pés quando se movem de forma arbórea e pulando simultaneamente em ambos os pés quando estão no chão.
Muitas espécies de lagartos se tornam bípedes durante a locomoção a alta velocidade, incluindo o lagarto mais rápido do mundo, a iguana-de-cauda-espinhosa (gênero Ctenosaura)
Arquinossauros (inclui pássaros, crocodilos e dinossauros)
Todas as aves são bípedes quando estão no chão, uma característica herdada de seus ancestrais dinossauros.

Outros arcossauros
O bipedismo evoluiu mais de uma vez nos arcossauros, o grupo que inclui dinossauros e crocodilianos. Todos os dinossauros são descendentes de um ancestral totalmente bípede, talvez semelhante a Eoraptor.
Vários grupos de mamíferos existentes desenvolveram independentemente o bipedalismo como sua principal forma de locomoção – por exemplo, humanos, pangolins gigantes, as preguiças gigantes terrestres extintas, numerosas espécies de roedores saltadores e macrópodes. Os seres humanos, como seu bipedalismo tem sido extensivamente estudado, estão documentados na próxima seção.
Primatas
A maioria dos animais bípedes se movimenta com as costas próximas à horizontal, usando uma cauda longa para equilibrar o peso de seus corpos. A versão primata do bipedalismo é incomum porque as costas estão próximas da posição vertical (completamente eretas nos humanos), e a cauda pode estar completamente ausente. Muitos primatas podem ficar de pé nas patas traseiras sem qualquer apoio. chimpanzés, bonobos, gibões e babuínos exibem formas de bipedalismo.
Indivíduos feridos
Ursos, chimpanzés e bonobos feridos têm sido capazes de sustentar o bipedismo.
Humanos
Existem pelo menos doze hipóteses distintas sobre como e por que o bipedismo evoluiu em humanos, e também algum debate sobre quando. O bipedismo evoluiu bem antes do grande cérebro humano ou o desenvolvimento de ferramentas de pedra. Na história da evolução humana, andar ereto remonta pelo menos 6 milhões de anos ao Sahelanthropus, uma espécie antiga com características de humanas e de macacos descoberta a partir de restos fósseis encontrados em Sahel. Uma teoria proeminente é que a mudança climática transformou a paisagem, criando savanas onde as árvores e florestas se encontravam.
Cientistas norte-americanos apontam para uma intervenção cósmica para a evolução do bipedismo humano. A Via Láctea explodiu em milhares de supernovas que começou há cerca de 7 milhões de anos e continuou por milhões de anos. As supernovas detonaram raios cósmicos em todas as direções. Na Terra, a radiação que chegou das explosões atingiu o pico de cerca de 2,6 milhões de anos atrás. Quando os raios cósmicos atingiram o planeta, eles ionizaram a atmosfera e a tornaram mais condutiva. Isso poderia ter aumentado a frequência dos raios, enviando incêndios florestais através das florestas africanas e abrindo caminho para as pastagens.

14.315 – Por que não vimos nenhum ET ainda?


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A busca por vida fora do planeta Terra é, cada vez mais, incessante. Por exemplo, não está descartada a existência de algum tipo de vida microbiana abaixo das crostas congeladas de Encélado e Europa (luas de Saturno e Júpiter, respectivamente), e a ciência se dedica, também, a analisar exoplanetas a fim de determinar se há algum indício de vida nesses objetos que orbitam outras estrelas, que não sejam o Sol.

Mas, ainda assim, muitos se perguntam: por que ainda não descobrimos a existência de nenhum ET, com tantos avanços na tecnologia espacial? Bom, segundo um novo estudo publicado no Acta Astronáutica, conduzido por pesquisadores da Universidade de Cadiz, na Espanha, talvez a gente já tenha se deparado com indícios da existência desses seres, mas simplesmente não conseguimos interpretá-los direito.

Isso porque, segundo os pesquisadores, os cientistas humanos tendem a procurar por civilizações alienígenas que tenham alguma característica em comum com as nossas. E essa noção pré-concebida de que a vida como a conhecemos também existe em outras partes do espaço pode justamente estar “cegando” os especialistas quanto a outras possibilidades.

O estudo discute a possibilidade de haver vida alienígena de maneiras completamente diferentes de como a vida na Terra aconteceu, tendo, portanto, características completamente diversas às nossas. “O que estamos tentando fazer é contemplar outras possibilidades”, explicou Gabriel de la Torre, co-autor do estudo. Ele segue vislumbrando “seres de dimensões que nossas mentes sequer podem imaginar, ou inteligências baseadas em matéria escura ou energia escura, que compõem quase 95% do universo e que estamos somente começando a entender.” “Há até a possibilidade de haver outros universos, conforme indicam textos de Stephen Hawking e outros cientistas”, completa.

A fim de provar que os humanos constantemente estão equivocados por conta de suas próprias expectativas, os pesquisadores decidiram fazer um experimento. Eles pediram para que 137 pessoas determinassem se as estruturas e características de diversas fotografias aéreas eram criadas pelo homem, ou se seriam formações naturais. Uma dessas fotos escondia uma minúscula imagem de um gorila para ver se os pesquisados o localizariam, ou não. Então, muitos deles deixaram o animal passar batido, simplesmente porque não estavam procurando especificamente por um gorila ao analisar os cenários.
Esse tipo de situação é chamado de “cegueira por desatenção”, e a equipe sugere que o mesmo possa acontecer com astrônomos que se dedicam a descobrir indícios de vida fora do nosso planeta. Em outras palavras: se não sabemos o que devemos procurar, provavelmente não encontraremos muita coisa – e é exatamente o que pode estar acontecendo na busca por vida extraterrestre.

14.314 – Por que vemos sempre a mesma face da Lua daqui da Terra?


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A Lua tem, sim, um movimento de rotação. Mas é verdade, também, que daqui da Terra a gente sempre vê o mesmo lado, ou hemisfério, do satélite natural. Por isso se fala tanto no “lado escuro da Lua”, mas atenção: é errado falar “lado escuro” quando se fala do hemisfério lunar que nunca podemos ver daqui da Terra — o correto é dizer “lado afastado” da Lua.
Voltando à explicação sobre por que vemos sempre o mesmo lado da Lua, isso acontece por causa da rotação sincronizada. A combinação da distância da Lua para a Terra, da gravidade terrestre e da força das marés faz com que o satélite gire em torno de si próprio na mesma velocidade em que translada ao redor do nosso planeta. Assim, fica sempre com a mesma face virada para nós, enquanto a outra fica oculta para nós — e o sentido de “lado afastado” se refere a isso. Este misterioso hemisfério lunar, por sinal, nunca tinha sido visto por nós até 1959, quando a sonda russa Luna 3 o fotografou.
Esse lado afastado é mais robusto do que a face vista da Terra. São menos planícies escuras formadas por antigas erupções vulcânicas, e há uma gigantesca cratera de 180 km de largura, chamada Von Kármán. Essa cratera cobre quase um quarto da circunferência do satélite natural e fica dentro da Bacia do Polo Sul-Aitken.

Os dois lados recebem luz solar direta, em dias que duram cerca de duas semanas terrestres para cada hemisfério. O lado afastado é iluminado durante a fase da Lua Nova; já o lado voltado para a Terra recebe um pouco mais de luz graças à iluminação cinérea, que são raios solares refletidos pelo nosso planeta. No entanto, o satélite natural é considerado um objeto escuro por não emitir luz própria — a Lua não “brilha”, ela apenas reflete a luz solar.
A Lua não é o único satélite natural do Sistema Solar com esta rotação sincronizada, pois outros também mantêm sempre a mesma face virada para seus planetas. É o caso de Caronte, lua de Plutão: ambos estão sempre com a mesma face virada um para o outro, o que levou alguns astrônomos a classificá-los como um sistema binário no passado.

Exploração no lado afastado da Lua

Humanos tiveram a oportunidade de ver o lado afastado da Lua por si próprios, pela primeira vez, em 1968, com a missão orbital Apollo 8. Mas só no século XXI este hemisfério do satélite natural começou a ser mais vastamente explorado pela humanidade.

A China enviou a missão Chang’e 4 para lá, que pousou nesse lado afastado em 3 de janeiro de 2019, tornando-se o primeiro veículo construído pelo ser humano a tocar tal hemisfério lunar. Um rover, o Yutu-2, está naquele solo analisando melhor a superfície levemente diferente da que nossos olhos estão habituados a ver daqui do nosso planeta.
A missão ainda está em andamento e já nos enviou muitas informações interessantes, desde uma foto panorâmica do lado afastado da Lua até análises do solo, que pode ter comprovado uma teoria sobre a Cratera Von Kármán, onde a Chang’e 4 estacionou. De acordo com os dados, essa região pode ter rochas do manto lunar, mas na superfície, o que pode apontar um poderoso impacto ocorrido há quase 4 bilhões de anos.

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14.313 – Medicina – Em busca do comprimido de insulina


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Quando a insulina injetável foi desenvolvida por pesquisadores canadenses no início do século passado, muita gente achou que haviam encontrado a cura do diabetes. Embora a inovação não tenha erradicado o problema da face da Terra, não há como negar que representou um grande avanço. O tratamento com insulina fez aumentar (e muito) a qualidade e a expectativa de vida dessa população, que antes vivia refém de uma doença letal.
Décadas depois, apesar do surgimento de novos tipos de insulina, de agulhas de aplicação cada vez menores e menos dolorosas e das bombas de insulina, não é pequeno o número de diabéticos que gostariam de usá-la na forma de comprimidos. É um anseio antigo, com mais de 90 anos.
O grande desafio é que a insulina é uma proteína e, como tal, tende a ser digerida durante sua passagem pelo estômago e pelo intestino. Mas a ciência está de olho em uma possibilidade real.
Pesquisadores do Instituto Profil, na Alemanha, e do laboratório Novo Nordisk desenvolveram uma molécula de insulina oral que já está em fase de estudos com seres humanos.
Para impedir que ela seja destruída pelas enzimas do sistema digestivo e consiga ser absorvida convenientemente pela corrente sanguínea, os cientistas utilizaram uma espécie de envelope conhecido pela sigla GIPET (do inglês “Gastro-intestinal Permeation Enhancement Technology”).
A insulina oral é absorvida, então, no intestino, passa pelo fígado e ganha a corrente sanguínea para promover a redução da glicose no sangue. Vale lembrar que a insulina produzida pelo pâncreas de pessoas que não têm diabetes segue a mesma rota passando pelo fígado. Muitos estudiosos defendem que essa via é a mais adequada para a administração de uma insulina “artificial”.
Quando injetamos insulina na pele (como se faz usualmente), não ocorre tal passagem pelo fígado, o que ajuda a explicar o maior ganho de peso e o maior risco de hipoglicemia que vemos por aí.
A nova insulina oral tem ação média de 70 horas, sendo considerada uma insulina basal que deve ser tomada uma vez ao dia.
No último Congresso Europeu de Diabetes, ocorrido em Lisboa, Portugal, foram apresentados os primeiros estudos de segurança e eficácia com a medicação. As análises envolveram 50 voluntários com diabetes tipo 2 que usavam apenas medicamentos orais e ainda assim estavam descontrolados. Os pacientes tinham em média 60 anos de idade e diagnóstico de diabetes há mais de dez anos.
Metade das pessoas usou uma insulina injetável de longa duração bem conhecida e confiável – a insulina Glargina – e a outra metade usou a nova insulina oral. Num seguimento de oito semanas, os pacientes que usaram a versão oral da insulina conseguiram apresentar as mesmas reduções nos níveis de glicose sem maiores efeitos adversos. Inclusive, o número de episódios de hipoglicemia foi menor no grupo da insulina oral.
Podemos dizer que foi dado o primeiro passo para uma nova terapia promissora contra o diabetes. Essa pesquisa abre uma enorme avenida para o desenvolvimento de estudos mais completos para avaliar eficácia e segurança a longo prazo. Sem contar que há a perspectiva de testar a inovação em pessoas com diabetes tipo 1.
Mas isso são cenas dos próximos capítulos. Isso ainda faz parte do futuro do diabetes.

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusets (MIT) criaram um comprimido de insulina capaz de substituir as aplicações diárias de injeção entre diabéticos do tipo 1.A cápsula, entitualada aplicador de escala milimétrica auto-orientável (Soma, na sigla em inglês), possui o formato do casco da tartaruga leopardo, encontrada na África, para que, assim como o animal, seja capaz de se orientar nas paredes do estômago. Dentro da pílula existe uma agulha feita de insulina, que é presa por uma mola e é contida por um revestimento de açúcar.
Quando o comprimido é ingerido, o revestimento de açúcar se dissolve e a agulha se acopla na parede do estômago, liberando a substância. Depois, o restante do comprimido, feito de material biodegradável e componetes de aço inoxidável, passa pelo restante do sistema digestivo e é eliminada pelas fezes.
No estudo, os pesquisadores fizeram os testes em porcos, oferecendo 300 microgramas de insulina e, depois, cinco miligramas, dose equivalente a que um paciente de diabetes tipo 1 precisaria. Segundo os cientistas, demorou cerca de uma hora para que toda a insulina fosse injetada na corrente sanguínea.
Atualmente, o Brasil é o quarto país com maior número de diabéticos, segundo o IDF (International Diabetes Federation), ficando atrás da China, com 114 milhões de diabéticos, em seguida figura a Índia, com quase 73 milhões, e os Estados Unidos, com 30 milhões. De acordo com o Ministério da Saúde, 12,5 milhões de brasileiros são portadores da condição.
O diabetes é uma doença crônica que afeta cerca de 12,5 milhões de brasileiros, classificando o Brasil como o quarto com o maior número de casos. Em todo o mundo, 10% dos casos são de diabetes mellitus tipo 1, que está relacionado à genética e aparece entre a infância e adolescência, e 90% é de diabetes mellitus tipo 2, ligada à idade, obesidade e estilo de vida.

14.312 – Economia – Quais os Maiores PIBs do Planeta?


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O Produto Interno Bruto (PIB) é o valor de mercado de todos os bens e serviços finais de um país em um determinado ano. Os países são organizados segundo estimativas do Produto Interno Bruto (PIB) nominal de instituições financeiras e estatísticas, onde é calculada à taxa de câmbio oficial do mercado ou governamental. O PIB nominal não leva em consideração as diferenças no custo de vida em diferentes países, e os resultados podem variar muito de um ano para outro com base em flutuações nas taxas de câmbio e valor da moeda do país. Tais flutuações podem alterar a posição de um país no ranking mundial de um ano para o outro, mesmo que muitas vezes façam pouca ou nenhuma diferença nos padrões de vida de sua população.
Os Estados Unidos são a maior economia do mundo, com um PIB de aproximadamente US$ 17,9 trilhões, nomeadamente devido a elevada renda de uma grande população,[6] investimentos capitais, desemprego moderado, altos gasto dos consumidores, população relativamente jovem, e inovação tecnológica. Tuvalu é a menor economia nacional do mundo, com um PIB de cerca de US$ 33 milhões, isso devido à sua população muito pequena, escassez de recursos naturais, dependência de ajuda externa, investimento capital insignificante, problemas demográficos, e a baixa média de renda.
Apesar dos rankings das economias mundiais mudarem consideravelmente ao longo do tempo, os Estados Unidos se mantem no topo desde a idade do ouro, um período de tempo em que a sua economia passava por uma rápida expansão, superando o Império Britânico e a Dinastia Qing em relação ao PIB Nominal. Após a transição da China para uma economia de mercado através da privatização e da desregulamentação, o país viu a sua nota aumentar no ranking desde 1978, e tornou-se a segunda maior economia do mundo em 2015, e com o crescimento econômico acelerado, a sua participação no PIB nominal mundial subiu de 2% em 1980 para 15% em 2015. A Índia também tem experimentado um crescimento econômico semelhante desde a implementação das reformas neoliberais no início de 1990.[16] As entidades supranacionais também estão incluídas, a União Europeia é a segunda maior economia do mundo. Tornou-se a maior economia do mundo em 2004, quando dez países aderiram à União, e em 2015 foi superada pelos Estados Unidos.
Comparações de riqueza nacional são frequentemente feitas com base na Paridade do Poder de Compra (PPC), para ajustar as diferenças no custo de vida em diferentes países. A PPC remove grande parte das taxas de câmbio, mas tem suas desvantagens; não reflete o valor da produção econômica no comércio internacional, e também exige mais de estimativas do que o PIB nominal. Na PPC os números per capita são menos distribuídos do que os valores per capita do PIB nominal.

PIB mundial

ONU

14.311 – Austrália divulga nova imagem do extinto tigre-da-Tasmânia


tigre da tasmania
O Arquivo Nacional de Filmes e Som da Austrália (NFSA, na sigla em inglês) divugou uma gravação do que se pensa ser a última filmagem de um tilacino, também conhecido como tigre-da-Tasmânia, extinto em 1936.

Segundo Charles Feigin, biólogo de desenvolvimento evolucionário da Universidade de Melbourne, esse animal não era bem um tigre tigre. “Era uma espécie singular e bizarra”, disse o especialista à revista Nature, em 2017. O animal tinha cara e corpo de cachorro, uma bolsa para levar os filhotes, como a de cangurus, e listras — motivo por que ficou conhecido como tigre-da-tasmânia.
O animal da foto divulgada pelo NFSA é Benjamino, que morreu no zoológico australiano Hobart Beaumaris, em 7 de setembro de 1936. Pela tecnologia da época, existem poucas imagens do tilacino (menos de seis). A filmagem mais recente foi encontrada em um diário de viagem esquecido da Tasmânia e, agora, preservada digitalmente em 4K.
A gravação ocorreu no zoológico por volta de março de 1935, um ano depois da última imagem conhecida do tilacino, e mostra um tratador de animais sacudindo a gaiola do tigre-da-Tasmânia. O NFSA disse que a ação poderia ter sido realizada para provocá-lo a rugir. Benjamin morreu 18 meses depois, declarando a extinção da espécie.

Entretanto, existem relatos recentes de tilacinos na natureza. Em 2019, o Departamento de Indústrias Primárias, Parques, Água e Meio Ambiente da Tasmânia divulgou um documento apontando uma possível existência de oito exemplares da espécie. O Thylacine Awareness Group acredita que o animal ainda perambula pela Austrália continental.
Segundo Cath Temper, especialista em mamíferos do Museu da Austrália do Sul, se a espécie ainda existir, seria extraordinário. “Nunca houve um espécime de tilacino no continente”, disse à BBC em 2016. Apesar de persistir na Tasmânia até a década de 1930, acredita-se que o animal tenha sido exterminado da Austrália continental há mais de 3 mil anos.
Até os cientistas encontrarem a espécie viva ou clonarem o animal, teremos de nos contentar com as poucas imagens que existem dessas criaturas exóticas.

14.310 – Cinema – Charles Bronson


Bronson
Nome artístico de Charles Dennis Buchinsky, (Ehrenfeld, 3 de novembro de 1921 — Los Angeles, 30 de agosto de 2003) foi um ator norte-americano.
Foi no cinema que ele se projetou e, apesar da longa carreira, que teve início nos anos 50, somente ganhou popularidade na década de 1970. Nessa fase, ficou conhecido como “o homem de poucas palavras e muita ação”, pelas características de seus personagens.
Antes mesmo de participar de qualquer filme, Bronson somente pôde conhecer o mundo, além do local onde cresceu, quando serviu no exército dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi artilheiro de cauda do bombardeiro B-29, ele voou 25 missões no teatro de operações do Oceano Pacífico, tendo recebido a medalha de condecoração militar Purple Heart, por ferimentos em combate.
Bronson se casou três vezes: a primeira foi Harriet Tendler, com quem ficou casado de 1949 a 1967 e com quem teve dois filhos; a segunda foi a atriz Jill Ireland, de 5 de outubro de 1968 a 18 de maio de 1990, até a morte dela, e com quem teve uma filha; a terceira esposa foi Kim Weeks, e o casamento durou de 22 de dezembro de 1998 até a morte dele, em 2003. Bronson mencionou que em seu retorno do exército, teve um breve romance com uma loira espanhola chamada Esther, cuja história acabou quando ela voltou para seu país, deixando uma lembrança na memória do ator como ele disse certa vez, ter sido seu primeiro amor.
Bronson sofria do Mal de Alzheimer e morreu em consequência de uma pneumonia aos 81 anos. Encontra-se sepultado em Brownsville Cemetery, West Windsor, Condado de Windsor, Vermont nos Estados Unidos.

Carreira
Iniciou a fase de sucesso nos anos 1960. Apesar da relativamente pequena participação no filme Sete homens e um destino, ficou conhecido quando esse western passou a ser considerado um dos melhores da década. Depois de atuar em filmes de aventura como Robur, o conquistador, de 1961, Fugindo do Inferno (1963) e Os doze condenados, de 1967, Bronson foi para a Europa em 1968, onde atores de filmes de ação estavam obtendo melhores oportunidades. Neste ano, ele filmou Os canhões de San Sebastian, Era uma vez no oeste e Adeus, amigo, este último com Alain Delon. Seguiram-se O Passageiro da Chuva, de 1969, Os visitantes da noite, de 1970, Sol vermelho, de 1971, novamente parceria com o francês Delon, e por fim O segredo da Cosa Nostra, de 1972, os três últimos dirigidos por Terence Young.
Nos anos 1970, Bronson voltaria aos Estados Unidos e faria sucesso como o maior astro dos filmes de ação. Seu primeiro grande filme nesse nova fase foi ‘The Mechanic’, de 1972, no qual interpretou o assassino profissional Arthur Bishop, revivido por Jason Statham no filme homônimo em 2011.
No filme Fuga audaciosa, de 1975, é mostrado um plano de fuga de uma prisão, utilizando-se um helicóptero que, pilotado por Bronson, pousa no pátio de um presídio e resgata o prisioneiro interpretado por Robert Duvall. A cena se tornou famosa no Brasil, pois teria inspirado a fuga do bandido Escadinha, que usou o mesmo estratagema para fugir do presídio carioca da Ilha Grande, em 1985.
Nos anos 80 Bronson protagoniza diversos filmes de baixo orçamento e muita ação com a produtora Cannon Films de 1981 a 1994, boa parte deles dirigidos pelo Cineasta Inglês J. Lee Thompson, entre os de mais de destaque estão: Death Wish II, Death Wish III, 10 to Midnight e Kinjite: Jogos Proibidos.
Mas, o maior “empurrão” em sua carreira foi com o clássico Desejo de Matar, de 1974, que o consagrou na pele de Paul Kersey, um pacato arquiteto da cidade de Nova Iorque, que tem sua mulher morta e sua filha estuprada por três bandidos e passa a agir como um “vigilante”, perseguindo os criminosos nas ruas à noite.
Desejo de matar teve mais quatro sequências: Desejo de Matar 2 (1982), Desejo de Matar 3 (1985), Desejo de Matar 4 – Operação Crackdown (1987) e Desejo de Matar 5: A Face da Morte (1994).

14.309 – ☻Mega Games – Aliens X Predador


Houve trinta e oito oficialmente licenciados jogos de vídeo , um jogo de cartas , e uma mesa jogo de miniaturas lançadas como tie-ins para os três franquias.
O primeiro jogo para atravessar as duas franquias foi Alien vs Predator , lançado em Setembro de 1993 e com base em uma série anterior de quadrinhos . Desde então, os personagens e histórias das duas franquias foram cruzou oficialmente em quadrinhos, jogos de vídeo, e os filmes Alien vs. Predator (2004) e Aliens vs. Predator: Requiem (2007). Até à data, houve dezessete jogos oficialmente licenciados vídeo divulgado no estrangeiro franquia, seis da Predator franquia, e quatorze no Alien vs. Predator franquia. Estes foram criados por vários desenvolvedores e liberado para uma variedade de plataformas, incluindo consoles de vídeo game , consolas de jogos portáteis , computadores pessoais e telefones celulares . Os Aliens vs Predator Collectible Card Game publicado em 1997 e Alien vs. Predator temático conjuntos para HorrorClix lançados em 2006 são os únicos jogos sem vídeo nas franquias.

As histórias dos jogos são definidos em um universo ficcional em que raças alienígenas e espécies têm conflitos perigosos com os seres humanos e com o outro. O jogos pit humano, estrangeiro , e Predador personagens uns contra os outros em várias lutas pela sobrevivência. As definições dos jogos variam, com a maioria das histórias que acontecem longe no futuro.

14.308 – Cinema – Bud Spencer


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Nome artístico de Carlo Pedersoli (Nápoles, 31 de outubro de 1929 — Roma, 27 de junho de 2016), foi um ator, nadador olímpico e jogador de polo aquático italiano.
Como ator, Bud Spencer estrelou diversos filmes de comédia e do chamado western spaguetti. Seus trabalhos mais famosos foram em comédias de ação ao lado de seu parceiro de longa data Terence Hill. A dupla “foi aclamada mundialmente e atraiu milhões de pessoas aos cinemas”. Spencer e Hill estrelaram, produziram e dirigiram mais de 20 filmes juntos.
O nome Bud Spencer foi uma homenagem a sua cerveja favorita, Budweiser, e ao ator Spencer Tracy.
Graduado em Direito e falante de seis línguas (inclusive o português, no qual disse frases em alguns filmes tais como em “Charleston” de 1977, quando se faz passar por um milionário brasileiro), também foi autor do registro de diversas patentes.
Morou no Brasil entre 1947 e 1949, quando foi funcionário do consulado da Itália em Recife.
Em 1949, com apenas 20 anos, começa competir com as cores do SS Lazio, proclamando-se campeão italiano de natação nos 100 metros livres, título este que ele viria a conquistar por 7 vezes consecutivas (1949 a 1956). Além disso, ele foi o primeiro italiano a nadar 100 metros, em estilo livre, em menos de um minuto.
As boas performances valeram a Pedersoli a convocação para disputar o Campeonato Europeu de natação em 1950, disputado em Viena (Áustria). Não foi campeão, mas permaneceu no time para disputar em 1951 a primeira edição dos Jogos do Mediterrâneo, onde conquistou a medalha de prata nos 100m livres.
Estes resultados lhe credenciaram a defender as cores da Itália nas Olimpíadas de 1952 e 1956.
Também foi jogador de Pólo aquático e jogando pela Lázio, foi campeão italiano em 1954. Em 1955, foi medalha de ouro nos Jogos do Mediterrâneo (pelo pólo aquático).
Em Helsinque-1952, parou nas semifinais dos 100 livre marcando 58.9 além de integrar o revezamento 4×200 livre da Itália que parou nas eliminatórias.
Quatro anos depois, nos Jogos de Melbourne, Pedersoli já alternava a carreira de nadador com o polo aquático onde se sagrou campeão italiano pela Lazio em 1954. Nos Jogos de 56, parou novamente nas semifinais dos 100 livre, desta vez nadando para 59.0. No ano seguinte deixava o esporte.

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Iniciou sua carreira de ator em 1949, na comédia Quel fantasma di mio marito e em Hollywood, no filme Quo Vadis, com um papel de guarda do Império Romano. Mas ficou famoso com o parceiro de atuação, Terence Hill, em filmes do gênero western spaghetti, como o primeiro grande êxito Meu nome é Trinity, de 1970, repetido com a sequência de 1971 …continuavano a chiamarlo Trinità. Outros sucessos foram Altrimenti ci arrabbiamo, Due superpiedi quasi piatti e Io sto con gli ippopotami. No filme Anche gli angeli mangiano fagioli o parceiro de Bud Spencer foi Giuliano Gemma. Também teve êxito sem Terence Hill, como: Lo chiamavano Bulldozer, Piedone lo Sbirro e Banana Joe dentre outros.
Morreu aos 86 anos de idade, em Roma, em 27 de junho de 2016. A causa da morte não foi revelada, mas o filho declarou que o ator ficou com a saúde debilitada após ter sofrido uma queda em casa.

14.307 – MÁSCARAS QUE ACENDEM AO DETECTAR COVID-19 SÃO FEITAS POR HARVARD E MIT


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A decisão foi herdada de um antigo projeto feito em 2014, quando cientistas buscaram desenvolver sensores, em um papel, que denunciassem a presença do ebola em um organismo. Essa pesquisa era feita pelo MIT e conseguiu detectar vírus como sarampo, influenza, hepatite C e outras formas de coronavírus.
Para que servirão as máscaras
A ideia é utilizar as máscaras não apenas como uma forma de proteção mas também como um modo de detecção do novo coronavírus. Segundo Jim Collins, membro da pesquisa do MIT, em uma entrevista ao site americano Business Insider, os resultados sairiam mais rápido.

Assim, as máscaras seriam uma ótima opção de diagnóstico rápido em locais de urgência, como salas de espera de hospitais e aeroportos. Além disso, seriam indicadas para casos assintomáticos, que não apresentam febre (uma das principais formas de suspeitar se alguém está com covid-19).
Como funcionará a máscara
O plano é que as máscaras acendam quando a pessoa estiver contaminada pelo novo coronavírus. Para isso, terá que conseguir detectar o Sars-CoV-2 em pequenas amostras de saliva. Os sensores necessitam de duas coisas para ativarem e indicarem a presença do problema: umidade e capacidade de identificar a sequência genética do vírus, que, uma vez grudada e congelada na máscara, irá iluminar o acessório e possibilitará identificar alguém contaminado.

Ao que tudo indica, os pesquisadores do MIT e de Harvard irão utilizar o genoma identificado pelos chineses de um laboratório em Xangai. Os estudos das universidades americanas estão apenas no começo, mas devem entrar em períodos de testes em algumas semanas, já que os trabalhos têm apresentado resultados promissores.

14.306 – A Indústria do Cinema Afetada pelo Coronavírus


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Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica, o mais recente filme da Pixar, estreou no início de março e fez US$ 39 milhões em seu fim de semana de estreia nos EUA, além de arrecadar US$ 28 milhões ao redor do mundo. Parece muito, mas a bilheteria ficou bem abaixo do esperado.
Dois Irmãos teve o pior final de semana de estreia de todos os filmes da Pixar. Mas isso não é culpa da qualidade da animação (que é boa, por sinal). Quem prejudicou o longa foi o novo coronavírus. Graças à pandemia, o filme ficou engavetado na China (o segundo maior mercado de cinema do mundo) e na Itália, dois dos países mais afetados pela Covid-19. Salas de cinema de vários outros países – inclusive do Brasil – também não estão funcionando.
Que o coronavírus afetou a indústria do entretenimento, você já sabe. Estreias foram adiadas e gravações foram interrompidas. Além disso, os cinemas fecharam as portas. Shows, eventos e festivais foram postergados ou, em alguns casos, cancelados.
Até agora, o mercado da sétima arte já deixou de arrecadar US$ 5 bilhões. Metade desse valor corresponde ao fato de a China ter fechado, desde janeiro, suas 60 mil salas de cinema. Mas o prejuízo pode ser ainda maior e chegar aos US$ 15 bilhões, segundo alguns analistas, dependendo de quanto a pandemia irá durar. Isso sem falar em demissões: só nos EUA, foram 120 mil funcionários do setor audiovisual foram mandados embora.
Sem uma previsão exata de quando as coisas voltarão, resta saber: como ficará o mundo do cinema pós-coronavírus?

“Netflix & chill”
Sem poder sair de casa, a alternativa é recorrer ao streaming. Um levantamento da Nielsen estima que a procura por serviços on demand crescerá 60% durante essa crise (isso sem falar nos games, cujo crescimento poderá ser de 75%, aponta a Verizon).
Na última terça-feira (24), a Netflix superou a Disney em valor de mercado. Enquanto as ações da empresa do Mickey despencaram 40%, as da plataforma de streaming cresceram 9%. A Netflix ficou valendo US$ 158 bilhões; a Disney, US$154,8 bilhões.
Diante desse cenário, os analistas do setor se perguntam como ficará o hábito do público quando o surto de coronavírus. Muitos acreditam que o streaming se consolidará ainda mais – aumentando a distância entre serviços modernos e os mais tradicionais. E as mudanças, pelo menos para a maioria dos estúdios, já começaram.
A Universal foi a primeira a modificar sua estratégia diante da crise: seus filmes de suspense The Hunt e O Homem Invisível, que estrearam em março, já estão disponíveis nos EUA para serem alugados online. E a continuação da animação Trolls, prevista para estrear em 10 de abril, passará longe das telonas: vai sair direto na internet.
Depois dessa decisão, outros estúdios seguiram o mesmo caminho. A Sony disponibilizou,Bloodshot, estrelado por Vin Diesel, para aluguel online – inclusive no Brasil, onde o filme havia sido lançado há poucas semanas. A Paramount colocará a comédia romântica The Lovebirds na Netflix. A Warner Bros. irá antecipar o lançamento on demand de Aves de Rapina, e a Disney já colocou Dois Irmãos disponível para compra online nos EUA – no streaming Disney+, o filme chega dia 3 de abril.

No escurinho do cinema
Com isso, os estúdios anteciparam, em muitas semanas, a chamada janela de exibição – o período entre o filme estar em cartaz e ficar disponível na internet. Mas uma parcela do setor não ficou contente com isso.
A janela de exibição, em geral, dura três meses. Com o avanço do streaming, muita gente argumenta que ela tem se tornado cada vez mais irrelevante. Mas esse intervalo existe por um motivo: ele é um grande acordo entre as distribuidores e as donas das salas de cinema pelo mundo.
Dessa forma, as exibidoras têm tempo suficiente para lucrar em cima do lançamento do filme. Em contrapartida, os estúdios faturam em um mercado que, mesmo com o streaming, ainda é altamente rentável. “Vingadores: Ultimato fez US$ 2,7 bilhões. Será que ele atingiria esse valor apenas em formato digital?”, questiona Paul Dergarabedian, da empresa de análise Comscore, em entrevista ao Hollywood Reporter.
E azar de quem ousasse quebrar esse acordo. Em 2011, por exemplo, a Universal decidiu fazer um experimento com a comédia Roubo nas Alturas, estrelado por Ben Stiller e Eddie Murphy. O aluguel do filme estaria disponível para meio milhão de pessoas nas cidades de Atlanta e Portland, nos EUA, apenas três semanas depois de sua estreia nos cinemas. As exibidoras não gostaram nem um pouco da ideia, e ameaçaram boicotar o filme. O projeto do estúdio, então, foi cancelado.
A coisa está tão enraizada no setor que, no ano passado, quase nenhum exibidor topou lançar O Irlandês. Motivo: a Netflix havia oferecido uma janela de apenas um mês para o drama de Martin Scorsese.
A Associação Nacional dos Proprietários de Cinema dos EUA (NATO), por sinal, não gostou nem um pouco das recentes decisões da Universal. De acordo com ela, outros estúdios demonstraram parceria e confiança no modelo de negócios das salas de cinema – sim, ao melhor estilo “não vamos esquecer o que vocês fizeram”.
E o que vai mudar?
Tom Rothman, presidente da Sony, não quis briga. Ele disse que a decisão em lançar Bloodshot na internet é uma exceção dada a situação atual. “Nós apoiamos a janela de exibição”, defendeu em um comunicado. Apesar disso, a verdade é que os exibidores não têm mesma força de antes. No dia 18 de março, a NATO pediu ao Congresso uma ajuda financeira para atravessar a crise provocada pelo coronavírus.
Outra consequência da pandemia é que, assim que a situação se estabilizar, estúdios e distribuidoras terão a difícil tarefa de refazer o calendário de estreias. Afinal, tudo é combinado de antemão para que um filme tenha mais chances de sucesso – não deve ser muito bom estrear no mesmo fim de semana que um filme da Marvel, certo?
Além dos filmes, diversos shows, eventos e festivais importantes precisarão ser reagendados – as alterações no calendário poderão ser sentidas pelos próximos dois anos. Os reagendamentos implicam também em mudar toda a estratégia de divulgação dos filmes – o marketing, vale dizer, é uma grande fatia do orçamento de um longa. Com menos grana em caixa após a crise, é possível que essa cultura também se modifique.
Se tivéssemos que apostar em uma mudança de hábito mais perceptiva, seria a da diminuição da janela de exibição. Mas quase ninguém acredita que será o fim do cinema como o conhecemos. “Depois do coronavírus, haverá uma grande onda de apreciação emocional por experiências coletivas”, disse Rothman ao Hollywood Reporter. “Esse é o tipo de experiência que nos torna o que somos, desde o tempo das rodas de história ao redor da fogueira”, complementa.
Talvez seja por esse motivo que a Disney não desistiu de Mulan. O estúdio aposta todas as suas fichas que o remake em live-action será um sucesso na China e, por isso, adiou a sua estreia, e não tem planos de lançá-lo na internet. “Nós acreditamos de verdade na experiência de ir ao cinema”, disse um porta-voz do estúdio à BBC. Na experiência ou na receita que eles ainda geram?

14.305 -Transmissão assintomática é vantagem evolutiva para Sars-CoV-2


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A rápida disseminação da Covid-19 em todo o mundo é resultado, em partes, da capacidade do novo coronavírus de permanecer em seu hospedeiro sem causar sintomas. Essa habilidade, segundo pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, é uma estratégia evolutiva.
A conclusão é resultado de um estudo que examinou prós e contras da transmissão silenciosa na sobrevivência a longo prazo do Sars-CoV-2. Os resultados foram compartilhados em um artigo no Proceedings of the National Academy of Sciences.
Como organismos mais complexos, os vírus podem evoluir por seleção natural, ou seja, os seres vivos mais adaptados ao ambiente têm mais facilidade para sobreviver. Isso ocorre porque novas variantes de determinada espécie surgem como resultado de mutações genéticas e, se o organismo tiver os mecanismos evolutivos adequados para sua sobrevivência, conseguirá prosperá e reproduzir, gerando descendentes com as mesmas características.
No caso de um patógeno como o novo coronavírus, demorar para causar sintomas em seu hospedeiro pode ser vantajoso. Para compreender o porquê disso, basta imaginar o cenário oposto: se um microrganismo afeta seu hospedeiro e o mata muito rapidamente, ele não tem tempo para se reproduzir e é transmitido para menos pessoas — o que, para o patógeno, é uma desvantagem.
“A evolução viral envolve uma troca entre aumentar a taxa de transmissão e manter o hospedeiro como base de transmissão”, explicou Simon Levin, um dos pesquisadores, em comunicado. “As espécies que navegam nessa troca de forma mais eficaz do que outras virão para substituir essas outras na população.”
Como bem exemplificado pela pandemia de Covid-19, uma infecção silenciosa tem vantagens a curto prazo: ela dificulta a implementação de estratégias de controle como identificação, quarentena e rastreamento de contatos. Isso permite que quem está infectado mas ainda não apresenta sintomas continue circulando por aí e disseminando o novo coronavírus.
No entanto, também existem desvantagens evolutivas para esses vírus. De acordo com os especialistas, as pessoas assintomáticas geram menos partículas infecciosas e, portanto, menos microrganismos “escapam” quando elas espirram ou falam.

Método
Para estudar o efeito da transmissão assintomática, a equipe fez modificações em um modelo matemático padrão de como uma doença se espalha pela população. O modelo divide a sociedade em setores, representando indivíduos suscetíveis, infectados e recuperados.
Os especialistas de Princeton, então, dividiram os “infectados” em dois estágios: total ou parcialmente sintomáticos e os que apresentaram todos os problemas de saúde relacionados à Covid-19. Como explicam os pesquisadores, eles não se concentraram apenas no efeito da variação dos sintomas na propagação da doença, mas também nas consequências evolutivas dessa divergência.
A equipe descobriu que estratégias evolutivas bem-sucedidas (para o vírus) surgiram quando o primeiro estágio da infecção era completamente assintomático ou o extremo oposto. Além disso, os pesquisadores concluíram que o alcance do organismo (sua capacidade de não causar nenhum sintoma e de causar sintomas máximos) poderia ser alterado por pequenas mudanças nas estratégias de controle da doença.
Esta última parte da análise indica que as estratégias de controle de doenças podem influenciar qual aspecto evolutivo será mais bem-sucedido em determinado patógeno, o que tem impactos enormes em pandemias como a do novo coronavírus. “Com base em nosso modelo, [esta estratégia evolutiva] é um ponto final evolutivo natural para certas doenças”.

14.305 – Cinema – Rutger Hauer


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(Breukelen, 23 de janeiro de 1944 – Beetsterzwaag, 19 de julho de 2019)
Começou a carreira de ator como o protagonista da série de TV holandesa Floris. Ficou conhecido com o filme de 1982, Blade Runner, dirigido por Ridley Scott.
Apesar as críticas favoráveis, Rutger era ignorado pela indústria de Hollywood e por isso seu nome ficou restrito ao cenário holandês por vários anos. Neste período, trabalhou em várias produções, como Katie Tippel (1975), ‘Soldier of Orange (1977) com Verhoeven novamente, e Spetters (1980).
Sua estreia no cinema norte-americano aconteceu em 1981, junto de Sylvester Stallone, no filme Nighthawks, no papel de um terrorista chamado Wulfgar. No ano seguinte fez o seu papel mais famoso, o do androide (replicante) violento em busca de seu criador, Roy Batty, no filme cult de ficção científica Blade Runner. Hauer improvisou suas falas finais, que eternizaram o monólogo do personagem, lágrimas na chuva, como uma das falas mais icônicas do cinema.
No mesmo ano estreou Flesh & Blood, no papel de um mercenário. Em 1986, estreou em The Hitcher. Hauer chegou a ser escalado para o papel de RoboCop, mas o papel ficou com Peter Weller. No mesmo ano estreou em Wanted: Dead or Alive, descendente do personagem de Steve McQueen na série de televisão de mesmo nome. Deixando um pouco de lado os personagens violentos e psicóticos, ele estrelou em 1989 no filme franco-italiano La leggenda del santo bevitore e no mesmo ano trabalhou em Blind Fury (1989). Em 1990, ele voltou à ficção científica em The Blood of Heroes.
No filme de 2003, Confissões de uma Mente Perigosa, Hauer interpretou um assassino. No filme de 2005, interpretou o vilão em Sin City – A Cidade do Pecado e depois o executivo das empresas Wayne, em Batman Begins (2005). Interpretou o Conde Drácula, protagonista do filme de 2005 Dracula III: Legacy. Em 2009, apareceu no filme holandês Dazzle, tido como um dos mais relevantes filmes do ano no país. No mesmo ano, trabalhou com o diretor italiano Renzo Martinelli em Barbarossa. Em abril de 2010, foi escalado para trabalhar no filme Grindhouse.
Rutger Hauer era ambientalista, sendo um dos patrocinadores do Greenpeace.
Em 2013 foi nomeado Cavaleiro da Ordem do Leão Neerlandês por serviços prestados à dramaturgia.
Hauer foi casado com Heidi Merz, de quem se divorciou. Hauer então se casou com Ineke ten Cate, em 1985, com quem teve uma filha, a atriz Aysha Hauer.
Rutger Hauer morreu em 19 de julho de 2019, em sua casa em Beetsterzwaag, uma vila no município de Opsterland, no leste da Frísia, nos Países Baixos, seguida de uma breve doença, aos 75 anos. Sua morte só foi divulgada cinco dias depois.

14.304 – Cinema – BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDROIDES


caçador de androides
Blade Runner
Distribuidor Warner Home Video (Brazil)
Ano de produção 1982
Tipo de filme longa-metragem
O ator Dustin Hoffman chegou a ser convidado para interpretar Deckard, mas recusou o papel.
Detalhe secreto
O comerciante de cobras que aparece em uma das ruas de Blade Runner possui em sua testa uma tatuagem da nave Millenium Falcon, da série Star Wars. Como a tatuagem é bem pequena, apenas é possível vê-la utilizando o zoom do vídeo/dvd.
Surpresa do diretor
Em julho de 2000, o diretor Ridley Scott declarou, em entrevista à tv britânica, que o personagem Deckard também era um replicante.
Versão do diretor
Em 1992, dez anos após o lançamento de Blade Runner, o diretor Ridley Scott lançou uma versão pessoal para o filme, que contém cenas extras e tem um final bem diferente do exibido na versão original do filme.
Nova edição
No Festival de Veneza de 2007 o diretor Ridley Scott lançou mais uma versão do filme, chamada Blade Runner: The Final Cut.
OSCAR
1983
Indicações
Melhor Direção de Arte
Melhores Efeitos Especiais

GLOBO DE OURO
1983
Indicação
Melhor Trilha Sonora

BAFTA
1983
Ganhou
Melhor Direção de Fotografia
Melhor Figurino
Melhor Direção de Arte/Design de Produção

Indicações
Melhor Edição
Melhor Maquiador
Melhor Composição
Melhor Som
Melhores Efeitos Visuais
Enredo
No início do século XXI, uma grande corporação desenvolve um robô que é mais forte e ágil que o ser humano e se equiparando em inteligência. São conhecidos como replicantes e utilizados como escravos na colonização e exploração de outros planetas. Mas, quando um grupo dos robôs mais evoluídos provoca um motim, em uma colônia fora da Terra, este incidente faz os replicantes serem considerados ilegais na Terra, sob pena de morte. A partir de então, policiais de um esquadrão de elite, conhecidos como Blade Runner, têm ordem de atirar para matar em replicantes encontrados na Terra, mas tal ato não é chamado de execução e sim de remoção. Até que, em novembro de 2019, em Los Angeles, quando cinco replicantes chegam à Terra, um ex-Blade Runner (Harrison Ford) é encarregado de caçá-los.

O filme se passa em novembro de 2019 numa decadente e futurista cidade de Los Angeles decaída com a poluição, o consumismo exacerbado e a consequente busca de novas formas de colonização em outros planetas, para a qual as pessoas são convidadas a aventurarem-se em face do colapso da civilização humana, tanto material quanto moralmente. Destaca-se o quão visionário foi o diretor Ridley Scott, na medida em que a globalização tão amplamente difundida nas últimas décadas, encontra nesta película, um final catastrófico, melancólico e deprimente — animais extintos são clonados e replicados a exemplo do principal quinhão no filme — replicantes humanos; a existência de uma profusão de culturas, etnias, credos e costumes. Com efeito, mexicanos, chineses, árabes e toda uma gama de culturas convivem neste ambiente sombrio e desanimador. Neste contexto, seres humanos artificiais, chamados replicantes, são criados e usados nas mais nocivas atividades, na Terra e, principalmente fora dela. A empresa responsável se chama Tyrell Corporation. Após um motim, os replicantes são banidos na Terra, passando a ser usados para trabalhos perigosos, servis e de prazer nas colônias extraterrenas da Terra. Replicantes que desafiam esse banimento e retornam para a Terra são caçados e “aposentados” pelos operativos especiais da polícia conhecidos como “caçadores de replicantes”. O enredo se foca em um brutal e astuto grupo de replicantes que recentemente escapou e está se escondendo em Los Angeles, e no aposentado caçador de replicantes Rick Deckard, que relutantemente concorda em realizar mais um trabalho para caçá-los.
O filme é uma fina ironia acerca das questões fundamentais que afligem a espécie humana e, é exatamente neste ponto, sob o espectro da moral, da ética e da busca do sentido para a vida, é que as pessoas acabam fazendo com os replicantes tudo aquilo que as fazem sofrer e o que lhe acarretam as mazelas e vicissitudes da vida.
Blade Runner inicialmente polarizou a crítica especializada: alguns não gostaram de seu ritmo, enquanto outros gostaram de sua temática complexa. O filme foi muito mal nas bilheterias da América do Norte; apesar do fracasso comercial, ele desde então se tornou um clássico cult.
e é atualmente considerado um dos melhores filmes já feitos. Blade Runner foi elogiado por seu desenho de produção, mostrando um futuro “retrofit”, e permanece como um dos principais exemplos do gênero neo-noir. Blade Runner chamou a atenção de Hollywood para o trabalho do escritor Philip K. Dick, com vários filmes posteriores tendo sido baseados por suas obras. Ridley Scott considera Blade Runner como “provavelmente” o seu filme mais completo e pessoal. Em 1993, o filme foi selecionado para preservação no National Film Registry da Biblioteca do Congresso como sendo “cultural, histórica ou esteticamente significante”.
Sete versões diferentes do filme já foram exibidas em vários mercados como resultados de mudanças controversas feitas pelos executivos do filme. Um apressado Director’s Cut foi lançado em 1992 depois de fortes reações a exibições testes. Isso, em conjunto com a popularidade do aluguel de vídeo, fez este ser um dos primeiros filmes a ser lançado em DVD, resultando em um disco básico com uma qualidade medíocre de vídeo e áudio. Em 2007, a Warner Bros. lançou o The Final Cut, uma versão digitalmente remasterizada de 25 anos feita por Scott, em cinemas selecionados e posteriormente em DVD, HD DVD e Blu-ray.
A sequência, intitulada Blade Runner 2049, foi lançada em 6 de outubro de 2017.
Elenco
Harrison Ford como Rick Deckard
Rutger Hauer como Roy Batty
Sean Young como Rachael
Edward James Olmos como Gaff
M. Emmet Walsh como Capitão Bryant
Daryl Hannah como Pris
William Sanderson como J.F. Sebastian
Brion James como Leon Kowalski
Joe Turkell como Dr. Eldon Tyrell
Joanna Cassidy como Zhora Salome
James Hong como Hannibal Crew
Morgan Paull como Dave Holden
Kevin Thompson como Bear
John Edward Allen como Kaiser
Hy Pyke como Taffey Lewis
Kimiko Hiroshige como Moça Cambojana
Robert Okazaki como Mestre Sushi
Carolyn DeMirjian como Vendedora
Ben Astar como Abdul Ben Hassan
É um filme literário de ficção científica, envolvendo tematicamente a filosofia da religião e implicações morais do domínio humano da engenharia genética no contexto do drama e da húbris grega clássica.
Blade Runner aprofunda as implicações da tecnologia no ambiente e na sociedade ao chegar ao passado, usando literatura, simbolismo religioso, temas dramáticos clássicos e cinema noir. Essa tensão entre passado, presente e futuro é refletida no futuro reestruturado de Blade Runner, que possui alta-tecnologia e lugares reluzentes, mas decadente e velho em outros lugares. Ridley Scott descreveu o filme como: “extremamente escuro, literalmente e metaforicamente, com uma sensação estranhamente masoquista”, em uma entrevista de Lynn Barber para o jornal britânico The Observer em 2002. Scott “gostou da ideia de explorar a dor” e comentou na sequência a respeito da morte de seu irmão por um câncer de pele: “Quando ele estava doente, eu costumava visitá-lo em Londres, e isso foi realmente traumático para mim
Escolha do elenco
A escalação para o elenco do filme demonstrou-se bastante problemática, particularmente para o papel principal de Deckard. O roteirista Hampton Fancher imaginou Robert Mitchum como Deckard tendo escrito o diálogo do personagem com Mitchum em mente.O diretor Ridley Scott e os produtores do filme passaram meses se reunindo e discutindo o papel com Dustin Hoffman, que eventualmente desistiu do papel devido a algumas discrepâncias de visão. Harrison Ford foi finalmente escolhido por várias razões, incluindo seu desempenho nos filmes da franquia Star Wars, o interesse de Ford pela história de Blade Runner e algumas discussões com Steven Spielberg que estava terminando Os Caçadores da Arca Perdida na época e elogiou fortemente o trabalho de Ford no filme.Depois de seu sucesso em filmes como Star Wars (1977) e Os Caçadores da Arca Perdida (1981), Ford estava procurando um papel com profundidade dramática. De acordo com os documentos de produção, vários atores foram considerados para o papel, incluindo Gene Hackman, Sean Connery, Jack Nicholson, Paul Newman, Clint Eastwood e Al Pacino.
Um papel que não foi difícil de escalar foi o de Rutger Hauer como Roy Batty, o violento mas ainda pensativo líder dos replicantes. Scott colocou Hauer no elenco sem conhecê-lo, tendo unicamente como base as performances de Hauer nos filmes de Paul Verhoeven que Scott tinha visto (Katie Tippel, Soldaat van Oranje e Turkish Delight). A interpretação de Hauer para o personagem Batty foi considerado por Philip K. Dick como “o Batty perfeito e frio, ariano, impecável”. Dos muitos filmes que Hauer fez, Blade Runner é o seu favorito. Como explicou em um bate-papo ao vivo em 2001, “Blade Runner não precisa de explicação, é apenas o melhor, não há nada parecido, fazer parte de uma verdadeira obra-prima que mudou o pensamento do mundo.” Hauer reescreveu o discurso “lágrimas na chuva” do seu personagem e o apresentou para Scott no set antes da filmagem.
Blade Runner utilizou um número de atores até então pouco conhecidos: Sean Young interpretou Rachael, uma replicante experimental com memórias da sobrinha de Tyrell implantadas, fazendo-a acreditar que ela é humana; Nina Axelrod fez uma audição para o papel. Daryl Hannah interpretou Pris, uma “modelo de prazer básico” replicante; Stacey Nelkin fez testes para o papel, mas lhes foi dada uma outra parte no filme, que foi cortada em última instância antes da filmagem.[36] A escalação para os papéis de Pris e Rachael foi desafiador, exigindo vários testes de tela, com Morgan Paull desempenhando o papel de Deckard. Paull foi escolhido como Dave Holden o caçador de recompensas e colega de Deckard, que é baleado na primeira cena, baseado em suas performances nos testes. Brion James interpretou Leon Kowalski, um replicante de combate, e Joanna Cassidy interpretou Zhora, uma replicante assassina.
Edward James Olmos interpretou Gaff. Olmos usou sua diversidade étnica e pesquisa pessoal para ajudar a criar a linguagem ficcional “cityspeak” que seu personagem usa no filme.
A máquina de Voight-Kampff é uma ferramenta fictícia utilizada em interrogatórios, originado no romance onde é soletrada como Voigt-Kampff. O Voight-Kampff é uma máquina semelhante a um polígrafo usada pelos Blade Runners para determinar se um indivíduo é um replicante. Ele mede as funções corporais, como respiração, modo de respostas, frequência cardíaca e movimento dos olhos em resposta a questões relacionadas com a empatia.
A trilha sonora de Blade Runner composta por Vangelis é uma combinação melódica sombria de composição clássica e sintetizadores futuristas que espelha o filme noir retro-futurístico imaginado por Ridley Scott. Vangelis, que recentemente havia ganhado um Óscar de melhor trilha sonora por Carruagens de Fogo, compôs e executou a música em seus sintetizadores.
Efeitos especiais
Blade Runner foi lançado em 1.290 cinemas no dia 25 de junho de 1982. Essa data foi escolhida pelo produtor Alan Ladd, Jr. porque seus filmes anteriores de maior bilheteria (Star Wars e Alien) tiveram uma data de abertura semelhante (25 de maio) em 1977 e 1979, tornando esta data seu “dia de sorte”. Blade Runner arrecadou vendas de ingressos razoavelmente boas segundo relatórios contemporâneos; Faturando US$ 6,1 milhões durante o seu primeiro fim de semana nos cinemas. O filme foi lançado próximo de outros grandes lançamentos de ficção científica/fantasia, tais como O Enigma de Outro Mundo, Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan, Conan, o Bárbaro e E.T. – O Extraterrestre.
Crítica
As reações iniciais entre os críticos de cinema foram misturadas. Alguns escreveram que a trama tomou um assento traseiro para efeitos especiais do filme, e não coube o marketing do estúdio como um filme de ação/aventura. Outros aclamaram sua complexidade e previram que resistiria ao teste do tempo.
Blade Runner detém uma classificação de 89% no Rotten Tomatoes, um site que classifica os filmes com base em críticas publicadas por críticos, obtendo uma média de 8,5 de 10 em 104 comentários.