13.341 – Astrobiologia – Por que a vida em Marte pode ser impossível?


Marte 2
A probabilidade de que os astrônomos encontrem vida em Marte pode ter caído consideravelmente com a descoberta de que o planeta é coberto de tóxicos capazes de destruir qualquer organismo vivo. Segundo estudo publicado no periódico Scientific Reports, nesta quinta-feira, a combinação entre as substâncias químicas do solo marciano e a forte radiação ultravioleta que bombardeia a atmosfera seria fatal para microrganismos como as bactérias – ou seja, qualquer vida surgida no passado seria eliminada pelas condições atuais de Marte.
A descoberta, de acordo com os cientistas, deve ser considerada por futuras missões para a busca de vida no planeta, pois apenas organismos enterrados dois ou três metros sob a superfície estariam a salvo da radiação.
O estudo, feito por uma dupla de astrobiólogos da Universidade de Edinburgo, na Escócia, foi baseado na descoberta de percloratos, substâncias com alto conteúdo oxidantes, em solo marciano. Missões como a Viking, da Nasa, que pesquisou o planeta nos anos 1970, já havia encontrado indícios da substância, que teve a existência confirmada pela sonda Phoenix, em 2008, e pelas missões Curiosity e Mars Reconnaissance Orbiter (MRO). Até agora os cientistas acreditavam que, apesar de o químico ser altamente tóxico para microrganismos, eventuais bactérias marcianas poderiam ter encontrado uma maneira de utilizá-lo como fonte de energia.
Para verificar essa possibilidade, Jennifer Wadsworth e Charles Cockell resolveram simular o ambiente marciano em laboratório e submeter a ele bactérias Bacillus subtilis, que são encontradas no solo terrestre e costumam contaminar sondas espaciais. Inicialmente, as bactérias foram expostas a perclorato de magnésio e bombardeadas com radiação ultravioleta em níveis semelhantes aos de Marte. Os pesquisadores perceberam que, com a presença do químico, os microrganismos morriam duas vezes mais rapidamente.
Em uma segunda leva de testes, peróxidos e óxidos de ferro, que também são encontrados no solo marciano, foram adicionados à combinação. Com as novas substâncias, as bactérias desapareciam onze vezes mais rapidamente do que no ambiente compostos apenas de percloratos e radiação.
“Apesar de suspeitarmos dos efeitos tóxicos de oxidantes na superfície marciana há algum tempo, nossas observações mostram que o solo atual de Marte é altamente deletério para as células, resultado de um coquetel tóxico de oxidantes, óxidos de ferro, percloratos e radiação UV”, afirmam os pesquisadores no estudo.

Há vida em Marte?
O novo estudo, porém, não elimina a possibilidade de vida em Marte, segundo os cientistas. Isso porque ela pode ser encontrada no subsolo – onde estaria protegida das fortes radiações – ou mesmo se aproveitar das baixas temperaturas para se proteger. Quando Wadsworth e Cockell ajustaram a temperatura do experimento de 25°C para 4°C, a morte das bactérias foi sensivelmente reduzida, o que sugere que, em temperaturas amenas, talvez os microrganismos estariam a salvo. Em Marte, a média de temperatura fica em torno de -55°C. Além disso, as concentrações de perclorato não são uniformes na superfície marciana, o que poderia promover a existência de algumas áreas menos nocivas aos microrganismos.
Uma das possibilidades, de acordo com os astrobiólogos, seria encontrar vida no subsolo de Marte. Para confirmar essa hipótese, no entanto, as missões futuras ao planeta deveriam prever perfurações de até três metros na superfície.

13.273 – Astronomia – As Luas de Saturno


luas de saturno,
Saturno tem mais de 60 luas misteriosas. Elas têm oceanos subterrâneos, vulcões de gelo e seriam boas para esquiar. Veja a seguir uma lista com algumas descobertas curiosas sobre algumas luas desse complexo planeta.
A Nasa, agência espacial americana, divulgou a notícia de que Encélado, uma das 60 luas de Saturno, pode conter vida microscópica. Esse oceano fica no polo sul de Encélado e pode abranger boa parte da lua, que tem 500 quilômetros de diâmetro. O mar tem 10 quilômetros de profundidade sob uma grossa espessura de 30 a 40 quilômetros de gelo. No seu fundo estão rochas que podem favorecer o desenvolvimento de pequenas formas de vida.
O oceano subterrâneo não é a única característica impressionante de Encélado. O Observatório espacial Herschel já fotografou vapor de água deixar a lua e formar um grande anel em torno de Saturno. Os cerca de 250 kilos de vapor são expelidos em direção ao planeta a cada segundo por meio de jatos na região do seu polo sul. O anel de vapor possui um raio 10 vezes maior que o do planeta dos anéis mas, apesar de seu enorme tamanho, ele nunca havia sido detectado por ser transparente na luz visível. Com comprimentos infravermelhos do Herschel, no entanto, ele aparece.
Encélado também poderia ser o destino perfeito para turistas espaciais em buscas de esportes na neve. De acordo com dados obtidos pela sonda Cassini, a lua possui, em alguns pontos, uma grossa cobertura de neve. Mapas em alta resolução confirmaram a existência de cristais de gelo mais finos do que talco em pó e que seriam perfeitos para esquiadores. Ao analisar o gelo, os cientistas descobriram que a neve se precipita em um padrão previsível e muito lento: para formar os 100 metros de cristais acumulados, foram necessários cerca de 10 milhões de anos. As grandes ondulações, que escondem um terreno não tão uniforme, terminam em cânions de até 500 metros de profundidade e 1,5 quilômetro de comprimento.
A sonda espacial Cassini, da Nasa, já encontrou um ingrediente do plástico em Titã, maior lua de Saturno. Pequenas quantidades de propileno foram detectados nas camadas mais baixas da atmosfera do satélite. Na Terra, o propileno se junta em longas cadeias e forma o polipropileno, usado na fabricação de copos, brinquedos, material hospitalar, entre outros. Um instrumento da sonda mediu o calor vindo de Saturno e de suas luas, o que comprovou a existência do material. Segundo a Nasa, a detecção reforça a esperança dos cientistas de encontrar outros produtos químicos escondidos na atmosfera de Titã. Essa lua de Saturno tem uma crosta de gelo em sua superfície. A atmosfera é densa, rica em materiais orgânicos, e formada por hidrocarbonetos, compostos químicos constituídos de átomos de carbono e hidrogênio, que se ligam a oxigênio, nitrogênio e enxofre (componentes que estão na base do petróleo e dos combustíveis fósseis da Terra).
Um estudo da Nasa indicou uma possível existência de blocos de gelo na superfície de lagos e mares em Titã. As informações coletadas pela sonda Cassini indicam que Titã pode ter blocos de compostos de hidrogênio e carbono (hidrocarbonetos) congelados na superfície dos lagos e mares de hidrocarboneto líquido. Antes, os pesquisadores imaginavam que os lagos de Titã não tinham gelo flutuante porque o metano sólido é mais denso do que o metano líquido e afundaria. Agora, eles sabem que é possível obter metano e etano em blocos finos que congelam juntos. Etano e metano são moléculas orgânicas cruciais em uma química complexa que pode fazer surgir vida. Apesar da possibilidade de vida em Titã, a temperatura no local é muito baixa. O único líquido que existe em maior abundância na superfície é o metano. Embora tenha uma riqueza em elementos orgânicos, as temperaturas na superfície são muito baixas.
Cientistas da Nasa já descobriram que existe oxigênio em Dione, uma das luas de Saturno. Cassini detectou íons de oxigênio molecular perto da superfície gelada da lua, devido ao bombardeamento por partículas presas no campo magnético de Saturno. Dione é um mundo árido e gelado. Segundo os astrônomos, o astro possui alguns atributos que o tornam adequado para a vida como a conhecemos. Segundo os cientistas, a produção de oxigênio parece ser um processo universal em luas geladas, banhadas por uma forte radiação e presos em um ambiente de plasma.
A sonda Cassini, da Nasa, também já encontrou um rio Nilo em versão miniatura na superfície de Titã. Segundo a Nasa, o curso hídrico tem 400 quilômetros de extensão. Embora o rio tenha alguns meandros, ele é praticamente reto e apresenta um curso na forma líquida. A diferença entre o Nilo e o rio de Titã não está apenas em um deles estar na Terra e o outro em Saturno. O rio encontrado por Cassini não é composto por água, mas por hidrocarbonetos como o metano ou o etano. De acordo com a Nasa, a trajetória do rio de Titã é praticamente reta. Isso indica que o rio segue uma fratura presente na superfície da lua de Saturno. Essas fraturas não significam que exista uma placa tectônica em Saturno, como acontece na Terra. Mas elas podem levar à formação de bacias e de grandes mares.
Além de gelo flutuante, Cassini encontrou evidências que indicam a presença de um possível vulcão de gelo em Titã. A tese é a de que algum tipo de atividade geológica subterrânea possa aquecer o interior dos corpos gelados e, assim, derreter gelo e outros materiais que sairiam através de uma abertura na superfície. Tais vulcões funcionariam de forma similar aos que expelem lava na Terra e em Júpiter, por exemplo. Utilizando radares, a nave Cassini conseguiu juntar informações para acriação de um mapa 3D da região, que se revelou bastante parecida ao monte Etna, na Itália, e ao Laki, na Islândia.

encelado

13.256 – Bioastronomia – Sistema Solar reside num pequeno oásis galáctico para a vida


sol-galaxia-ressonancia
Segundo um estudo recente, o Sistema Solar está localizado no lugar certo da Via Láctea para permitir a existência de vida — um “oásis” relativamente pequeno em meio a uma galáxia largamente inóspita.
O trabalho, aceito para publicação no periódico “Astrophysical Journal”, foi liderado por Jacques Lépine, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, e envolveu a combinação entre dados precisos de posições de estrelas jovens e cálculos detalhados de suas órbitas ao redor do centro galáctico.
A Via Láctea é uma galáxia espiral de porte respeitável, com cerca de 100 mil anos-luz de diâmetro e pelo menos 100 bilhões de estrelas, das quais o Sol é apenas uma. Todas elas estão em órbitas ao redor do núcleo da galáxia, onde reside um enorme buraco negro. Mas nosso astro-rei está bem afastado do centro, localizado a 26 mil anos-luz de lá — mais ou menos a metade do caminho até a periferia galáctica.
Há algumas décadas, ao analisarem as diferenças circunstanciais entre as regiões mais centrais da galáxias (com alta densidade de estrelas) e as partes mais afastadas (em geral povoadas por estrelas com baixo conteúdo de elementos mais pesados, como carbono, oxigênio e ferro), os astrônomos começaram a trabalhar o conceito de “zona habitável galáctica” — uma faixa ao redor da Via Láctea onde a potencial presença de vida seria mais favorecida.
O raciocínio básico é que, nas regiões mais internas, devido à grande concentração de estrelas, não só os sistemas planetários estão mais sujeitos a desestabilização por encontrões entre estrelas vizinhas como também existe maior risco de esterilização por explosões de supernovas próximas.
Em compensação, nas regiões mais externas, o problema é a falta de elementos químicos pesados, que são essenciais à formação de planetas habitáveis e, em última análise, de seus potenciais habitantes.
Restaria portanto apenas um anel a uma distância média do centro galáctico que teria as condições certas para a vida. O Sol, naturalmente, estaria nessa faixa.
Em tempos recentes, inclusive, houve pesquisadores defendendo a hipótese de que se podia estabelecer uma correlação entre as extinções em massa que aconteceram em nosso mundo com as potenciais travessias pelos braços galácticos, embora essa conexão nunca tenha sido estabelecida de forma clara. E agora sabemos o porquê.
O estudo dos pesquisadores da USP mostra que, na verdade, o Sol nunca cruza os braços espirais da Via Láctea. Nunca.
De acordo com os cálculos, nossa estrela está presa num padrão de ressonância que faz com que o período de sua órbita — cerca de 200 milhões de anos — seja o mesmo dos braços espirais. Ou seja, se o Sol avança em seu percurso galáctico no mesmo ritmo que o braço de Sagitário, que vem antes dele, e que o braço de Perseu, que vem depois, eles jamais se encontram.
A descoberta também ajuda a explicar a existência de um braço anômalo na nossa região da Via Láctea, chamado de “Braço Local”, que consiste em essência numa estranha fileira de estrelas. Essas são justamente as estrelas que, a exemplo do Sol, ficaram presas nesse padrão de ressonância e também nunca têm um encontro potencialmente desagradável com os braços galácticos.
Se a travessia dos braços realmente oferece perigo para a vida — algo que não sabemos com certeza –, o trabalho deve levar a uma importante revisão do conceito de “zona habitável galáctica”, restringindo-a somente a essas áreas onde as estrelas são capturadas nesse padrão particular de ressonância. De acordo com os pesquisdores, existe um desses “oásis” entre cada um dos quatro braços espirais da Via Láctea — são quatro, portanto.
Confira a seguir uma pequena entrevista que o Mensageiro Sideral fez com Jacques Lépine, o autor principal do estudo.

13.081 – Descoberta de Vida Extraterrestre pode estar próxima


astrobiologia
Em 1975, o famoso astrofísico Carl Sagan sugeriu que poderia existir vida nas camadas superiores da atmosfera de Júpiter.
Esses organismos se alimentariam diretamente da luz solar e seriam capazes de se locomover pela atmosfera controlando a pressão dos seus corpos. Sua teoria nunca pôde ser comprovada, mas ele trouxe um novo rumo no que diz respeito à procura por vida extraterrestre.
Anos depois, Jill Tarter, pesquisador do projeto SETI, identificou um novo tipo de astro: as anãs marrons frias. Esses corpos celestes possuem a maior parte dos elementos necessários para a vida: carbono, hidrogênio, nitrogênio e oxigênio. Os cientistas acreditam que diferentes tipos de criaturas poderão habitar suas atmosferas, que têm temperaturas parecidas com as da Terra.
Até o momento, foram encontradas apenas algumas dezenas de anãs marrons frias, mas os especialistas acreditam que poderão existir pelo menos dez em um raio de 30 anos luz da Terra. Se confirmada essa teoria, será possível iniciar a busca por vida terrestre nas proximidades do nosso planeta.
Em 2018, o novo Telescópio Espacial James Webb será colocado em órbita. Suas capacidades técnicas, consideravelmente superiores ao seu antecessor Hubble, tornarão possível a identificação desses astros vizinhos.

12.853 – Sinais de vida: NASA detecta vapor de água em lua de Júpiter


lua-jupter-europa-_muratart_-shutterstock
A NASA, confirmou recentemente que o telescópio Hubble detectou o que parecem ser colunas de vapor d’água irrompendo de Europa, uma das luas do planeta Júpiter.
Geoff Yoder, diretor interino da agência espacial norte-americana, explicou a importância da descoberta: “O oceano de Europa é considerado um dos locais mais promissores do Sistema Solar, onde há grande potencial de existir vida”.
A superfície de Europa é coberta por um oceano maior que todos os oceanos da Terra juntos e está revestida de uma espessa camada de gelo.
Se confirmada a descoberta, os pesquisadores poderão coletar amostras de água e tentar definir o grau de habitabilidade do satélite.
Dadas as limitações tecnológicas, é difícil determinar com exatidão se as imagens registradas pelo Hubble correspondem realmente a uma coluna de vapor d’água emergindo da superfície do satélite – na imagem acima, na parte inferior, à esquerda. No entanto, diante de uma hipótese tão promissora, a NASA planeja enviar uma sonda não tripulada para analisar o território na próxima década.
Em 2018, o James Webb Space Telescope estará pronto para funcionamento. Trata-se de um telescópio de altíssima resolução, projetado especialmente para observar com maior precisão a lua de Júpiter.

12.521- Estudo da NASA indica que lua de Júpiter pode abrigar vida


europa_-_lua_-_jupiter

Um novo estudo da NASA sobre Europa, uma das luas de Júpiter, levou a uma descoberta surpreendente.
De acordo com os cientistas da agência espacial norte-americana, o satélite pode ter as condições químicas ideais para abrigar vida. O estudo se baseia na teoria de que existe um oceano de água salgada abaixo de sua superfície.
Segundo a pesquisa, o equilíbrio na produção de hidrogênio e oxigênio na pequena lua é comparável ao da Terra, o que significa que a base para a criação da vida pode estar presente. Durante o estudo, a equipe descobriu que a produção de oxigênio em Europa é 10 vezes maior que a de hidrogênio, proporção similar à de nosso planeta.
O pesquisador da NASA Kevin Hand comparou a interação entre a superfície da lua e seu mar abaixo do gelo com uma bateria gigante que poderia gerar vida no oceano. “Os oxidantes do gelo são como o polo positivo da bateria, e os elementos químicos do fundo do mar, chamados de redundantes, são como o polo negativo”, explica. “Descobrir se o processo biológico completa o circuito é uma das motivações para explorarmos Europa”, completa.
A NASA atualmente planeja uma missão à Europa. O objetivo é enviar uma sonda que passará próxima à superfície do satélite para obter imagens em alta resolução. A missão está em seu estágio inicial, mas deve ser colocada em prática na década de 2020. Durante anos a sonda deve coletar uma grande quantidade de dados para determinar se a lua de Júpiter pode mesmo abrigar vida.

12.501 – Exobiologia – Pesquisa aponta que mamíferos podem se desenvolver no espaço


Uma recente experiência realizada por cientistas chineses aponta para um resultado extraordinário.
Pela primeira vez na história, foi provado que os estágios iniciais de embriões de mamíferos podem se desenvolver completamente no ambiente espacial. A pesquisa foi feita com a ajuda do primeiro satélite de microgravidade do país, o SJ-10.
Fotos de alta-resolução enviada pelo SJ-10 mostram que embriões de camundongos levados em uma cápsula do satélite completaram o processo de desenvolvimento em 96 horas. Essa foi a primeira vez que isso ocorreu no espaço de forma bem-sucedida. Foram levados mais de seis mil embriões de camundongos em uma câmara fechada do tamanho de um micro-ondas.
“A raça humana ainda tem um longo caminho pela frente antes de colonizar o espaço. Mas antes disso, temos que descobrir se é possível sobreviver e se reproduzir em um ambiente fora da Terra”, disse Duan Enkui, cientista que participa das pesquisas. De acordo com ele, agora está provado que o passo mais crucial na reprodução – o desenvolvimento inicial do embrião – é possível no espaço.

12.472 -Astronomia – Mais sobre os Exoplanetas


vida_no_espaco_0
Dessa vez, a descoberta vai além da mera possibilidade: na Bélgica, um grupo de cientistas encontrou três planetas muito parecidos com a Terra – e, pela primeira vez, são astros que permitem que se estude a atmosfera local para determinar se há ou não vida por lá.
Os planetas estão a cerca de 36 anos-luz de distância da Terra, e orbitam uma estrela batizada de Trappist-1, que é bem menor, menos brilhante e mais fria do que o nosso Sol. Os planetas, que têm quase o mesmo tamanho da Terra, estão quase 100 vezes mais próximos da Trappist do que nós do Sol. A tal estrela foi descoberta por um time de astrônomos da Universidade de Liège, na Bélgica, fica na constelação de Aquário, e é tão pequena que sequer pode ser vista a olho nu daqui.
Mas é justamente por isso que a descoberta é tão importante. O raciocínio é o seguinte: para determinar se um planeta pode ou não abrigar vida, os cientistas precisam estudar os gases que formam a atmosfera local. Para isso, eles analisam a deformação da luz no planeta – a lógica é que, como cada gás deforma a luz de um jeito específico, dá para determinar que gases estão presentes por ali. O problema disso é que as estrelas maiores e mais quentes, que costumam ser as primeiras apostas para procurar vida, ofuscam tudo o que estiver próximo a elas (mais ou menos como o Sol durante o dia, aqui na Terra), o que torna impossível essa análise de gases. E aqui está a novidade: a Trappist é tão escura e pequena que os astrônomos conseguem enxergar o caminho da luz nos três planetas e determinar a composição gasosa de cada atmosfera. Bingo!
O engraçado é que, até agora, ninguém havia prestado muita atenção na tal estrelinha. Mas foi só observar o sistema um pouco mais para perceber que uma organização planetária desse tipo nunca havia sido encontrada antes. Por isso, os cientistas belgas estão otimistas: no artigo em que revelam a descoberta, eles concluem dizendo que “se vamos começar a procurar vida na galáxia, este com certeza é o melhor lugar”.

11.321 – Astronomia – Exoplanetas


kepler e terra
Astrônomos procuram exoplanetas (ou planetas extrassolares) que podem ser propícios à vida, estreitando a busca para planetas rochosos que orbitem dentro da zona habitável de suas respectivas estrelas. Desde 1992, centenas de planetas em torno de outras estrelas na Via Láctea foram descobertos. Em 14 agosto de 2014, o Extrasolar Planets Encyclopaedia identificou 1 815 planetas extrassolares. Os planetas extrassolares variam muito em tamanho e vão desde a planetas rochosos semelhantes à Terra, até gigantes gasosos maiores do que Júpiter.Espera-se que o número de exoplanetas observados aumente consideravelmente nos próximos anos. Como a sonda Kepler precisa ver três trânsitos estelares por cada exoplaneta antes de identificá-lo como candidato a planetas, até agora ela apenas foi capaz de identificar planetas que orbitam sua estrela a uma taxa relativamente rápida.
A missão deverá continuar pelo menos até 2016, tempo em que se espera que muitos mais candidatos a exoplanetas sejam encontrados.
Em 24 de abril de 2007, os cientistas do Observatório Europeu do Sul em La Silla, no Chile, disseram que tinham encontrado o primeiro planeta parecido com a Terra. O planeta, conhecido como Gliese 581 c, orbita dentro da zona habitável de sua estrela, a Gliese 581, uma anã vermelha que está a 20,5 anos-luz (194 trilhões de km) da Terra. Pensou-se inicialmente que este planeta poderia conter água líquida, mas simulações computacionais recentes do clima em Gliese 581 c feitas por Werner von Bloh e sua equipe no Instituto Alemão para Pesquisa do Impacto Climático sugeriram que o dióxido de carbono e o metano na atmosfera criariam um aumento do efeito estufa. Isso aqueceria o planeta bem acima do ponto de ebulição da água (100 graus Celsius), o que desestimula as esperanças de encontrar vida.
omo resultado de modelos de efeito estufa, os cientistas estão agora voltando sua atenção para Gliese 581 d, que fica fora da zona habitável tradicional da estrela. Em maio de 2011, os pesquisadores previram que Gliese 581 d, não só está na “zona habitável”, onde a água pode estar presente sob a forma líquida, mas é grande o suficiente para ter uma atmosfera de dióxido de carbono estável e “quente o suficiente para ter oceanos, nuvens e precipitação “, segundo o Centro Nacional de França para a Investigação Científica.Em dezembro de 2011, a NASA confirmou que Kepler-22b, distante 600 anos-luz, tem 2,4 vezes o raio da Terra e é, potencialmente, o planeta mais próximo da Terra em termos de tamanho e temperatura.

11.160 – Essa célula alien pode sobreviver em Titã?


tita1

Titã, uma das luas de Saturno, é uma das grandes apostas de cientistas em relação a mundos que possam abrigar vida. Mas, claro, ela tem um ambiente muito hostil para que a vida como nós a conhecemos aqui na Terra sobreviva. Mas e se houvesse uma forma de vida como nós NÃO conhecemos?
É com essa teoria que pesquisadores da Universidade de Cornell trabalharam. Eles criaram o modelo de uma célula alien baseada e metano (sem necessidade de oxigênio) que poderia sobreviver nas condições de Titã.
Na pesquisa, publicada no periódico Science Advances, eles descrevem uma membrana celular feita de pequenos compostos de hidrogênio e capaz de funcionar com metano líquido a uma temperatura de – 144 ºC. Esse modelo é inspirado em moléculas terrestres com base de água, que formam uma membrana similar capaz de proteger seu material orgânico. Como em Titã a água não estaria disponível, eles trabalharam com o metano líquido.
Essa célula, construída também de nitrogênio, carbono e hidrogênio (disponíveis no satélite) seria tão estável e flexível quanto uma terráquea.
Agora o próximo passo é criar um modelo que mostre que tipo de indicadores uma forma de vida baseada nessas células produziria. Assim, astrobiólogos poderiam buscar por esses sinais na atmosfera de Titã – e, quem sabe, encontrar a vida alienígena que tanto buscamos.

11.126 – Astrobiologia


astrobiologia2

Também conhecida como exobiologia e xenobiologia, é um ramo da Ciência atualmente considerado com muita seriedade. Ela investiga a existência nos planos extraterrestres, como a vida se processa fora da Terra e como ela exerce influência sobre o funcionamento do Universo.
Os profissionais deste campo buscam indícios de qualquer espécie de vida em outros astros e até mesmo em nuvens interestelares, procurando também entender como contextos externos ao Planeta Terra influenciam o desenvolvimento de seres vivos. Esta complexa área de pesquisas une-se a disciplinas como a Astronomia, a Geologia, a Física, a Química e a Biologia para melhor compreender seu objeto de estudo, constituindo-se assim em uma ciência interdisciplinar.
Esta expressão surgiu no começo dos anos 60, elaborada por Joshua Lederberg, médico norte-americano, especialista em biologia molecular. Ele trabalhou para a Nasa em projetos experimentais que envolviam a procura de vida no planeta Marte. A Astrobiologia é uma área de estudos bem recente e deriva da Biologia. Ela se dedica a compreender como a vida é preservada e em que condições ela pode existir no âmbito externo da Terra.
Os especialistas tentam entender melhor o contexto da vida no nosso Planeta, como ela nasceu e se aprimorou na esfera terrena, que princípios a regem, o que possibilita a Terra ser uma dimensão capaz de abrigar uma variada e rica gama de espécies vivas. Assim estes estudiosos vão poder usar estes dados para orientar sua procura de organismos vivos em outras esferas.
A Astrobiologia se preocupa em descobrir, assim, como a existência se tornou possível na Terra; se já houve ou há seres vivos em outras esferas do Sistema Solar; se a vida é algo comum no Universo ou uma exceção; se há uma conexão entre o surgimento do Universo e o aparecimento da vida; se a existência é um resultado compulsório da evolução universal ou uma casualidade que só ocorreu em nosso Planeta – se há aqui a interferência dos planos divinos, então não cabe a esta ciência adotar como alvo de investigação a vida no Universo, pois o Homem não tem como acessar os complexos propósitos de Deus -; se os organismos vivos são regidos por leis gerais; entre outras indagações.
Há atualmente na NASA um vasto projeto de estudos e pesquisas neste campo. Em várias universidades do Planeta há estudiosos atentos a este tema, e já é possível encontrar vários cursos de graduação nesta área. A Astrobiologia tende a crescer nos próximos anos; há previsões inclusive de que ela venha a se converter no ramo mais ativo, estimulante e fascinante da Astronomia.
Recentemente os astrônomos encontraram no Universo a presença de mais de oitenta planetas, exteriores ao Sistema Solar, o que reforça a certeza de que no Cosmos pode haver inúmeros astros e aumenta a possibilidade de se encontrar planetas como o nosso, igualmente habitados. Ou seja, torna-se mais viável a existência de ambientes que preencham os requisitos necessários para o florescimento da vida.

10.672 – Cientistas divulgam primeira fotografia de um organismo extraterrestre e provam a existência de vida fora da Terra


vida-extraterrestre-encontrada-noticias-history-channel

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Sheffield e do Centro de Astrobiologia da Universidade de Buckingham, no Reino Unido, revelou para o mundo uma fotografia inquietante de um organismo misterioso. Ele teria sido submetido a várias análises, que o indicaram como o primeiro indício inequívoco da existência de vida extraterrestre. Trata-se de uma pequena estrutura denominada “partícula do dragão”, com um comprimento que não passa de 10 micrometros e que, segundo seus descobridores, representa uma “entidade biológica”, composta por carbono e oxigênio, elementos primordiais para a vida.
Eles chegaram à partícula por meio de um balão aerostático, que foi enviado à estratosfera, a 27 km acima da atmosfera terrestre, com o objetivo de coletar substâncias espaciais durante uma chuva de meteoros. Os especialistas descartam qualquer possibilidade de esta partícula ter chegado ao espaço através de nosso planeta. Eles acreditam que ela tenha surgido em algum outro lugar do universo.
Milton Wainwright, um dos responsáveis pela pesquisa, afirmou que essa descoberta não apenas prova a existência de formas de vida de outros planetas, mas também que organismos alienígenas caem bastante sobre nosso planeta. “A análise científica da estrutura mostra que ela é feita de carbono e oxigênio e não há possibilidades de ser um detrito cósmico ou vulcânico ”, disse Wainwright, que, no entanto, ainda tem dúvidas se este é um organismo singular ou se é parte de outro organismo maior. “Essas descobertas poderiam alterar para sempre nossa percepção da vida e da evolução da Terra. Será necessário reescrever nossos livros de biologia”.

10.372 – Astrônomos acham vapor d’água em planeta pequeno fora do Sistema Solar


planeta com vapor

Combinando observações de três diferentes telescópios espaciais, astrônomos conseguiram pela primeira vez detectar vapor d’água na atmosfera de um planeta de porte relativamente pequeno fora do Sistema Solar.
Ainda não tão diminuto quanto a Terra, mas bem menor que gigantes gasosos como Júpiter –os únicos até então a ter sua composição atmosférica estudada.
Conhecido pela sigla HAT-P-11b, o planeta orbita uma estrela um pouco menor que o Sol a 122 anos-luz de distância, na constelação do Cisne.
Ele tem o tamanho aproximado de Netuno e foi investigado pelos cientistas usando os telescópios Hubble, Spitzer e Kepler.
Os dois primeiros tinham por objetivo captar a luz emanada da estrela que passasse de raspão pela atmosfera do planeta, carregando consigo a “assinatura” de sua composição química.
Já os dados do Kepler permitiram estudar especificamente o brilho da estrela, para se certificar de que qualquer medição feita fosse mesmo do planeta, e não proveniente de manchas estelares.
Eis que, com isso, surgiu a assinatura clara da presença de água, assim como de vastas quantidades de hidrogênio, na alta atmosfera de HAT-P-11b.
Tentativas anteriores de medir a atmosfera de exoplanetas pequenos já haviam sido feitas pelo mesmo grupo, mas em todos os casos acabaram frustradas pela presença de nuvens na alta atmosfera, que impediram qualquer detecção.

“A descoberta mais significativa da nossa pesquisa é que de fato achamos uma atmosfera limpa [sem nuvens] num exoplaneta pequeno”, disse à Folha Jonathan Fraine, da Universidade de Maryland, primeiro autor do trabalho publicado na revista “Nature”.
Muito próximo de sua estrela e gasoso como Netuno, o HAT-P-11b é quente demais, inadequado para a presença de vida como a conhecemos.
Contudo, o achado mostra que os cientistas estão num bom caminho para encontrar planetas que tenham temperaturas mais amenas e suficiente quantidade de água para suportar uma biosfera similar à terrestre.

8912 – Câmera de celular vai ajudar na busca de vida extraterrestre


marte-atmosfera

Pesquisadores alemães transformaram uma simples câmera de telefone celular em ferramenta de busca por evidências de vida em paisagens áridas e aparentemente desabitadas. O aparelho recebeu o nome de Astrobiólogo Ciborgue e poderá ser usado em futuras sondas espaciais, para procurar por sinais de vida extraterrestre. A tecnologia foi apresentada nesta segunda-feira no Congresso Europeu de Ciência Planetária.
Os cientistas da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, trabalham há mais de uma década na criação de novas técnicas que possam dar mais autonomia às sondas robóticas enviadas a outros planetas. A intenção da equipe é que elas possam vasculhar as paisagens locais e escolher os pontos mais interessantes para realizar investigações geológicas e biológicas sem a necessidade da intervenção humana.
Em sua versão atual, o Astrobiólogo Ciborgue usa uma câmera de celular para tirar fotos de suas imediações e enviá-las, via Bluetooth, a um computador portátil. A máquina processa as imagens em busca de cores e texturas características, e comunica de volta ao celular o grau de semelhança entre a paisagem e imagens anteriores armazenados em seu banco de dados.
“O nosso sistema começou como uma grande câmera em um tripé, acoplada a um computador. Ao longo dos anos ele foi diminuindo e agora é composto por apenas um smartphone e um laptop. Estamos trabalhando para colocar tudo isso em apenas um celular — e, eventualmente, em uma sonda espacial”, diz Patrick McGuire, pesquisador da Universidade Livre de Berlim que comanda o desenvolvimento da tecnologia.
As sondas atualmente empregadas pelos astrônomos para explorar Marte dependem da orientação dos cientistas para escolher quais áreas do planeta devem receber uma análise mais detalhada. Mas o atraso na transmissão e recepção dos comandos terrestres pode consumir entre 4 e 24 minutos, dependendo das posições da Terra e de Marte. O processo ganharia velocidade se os robôs fossem capazes de identificar na paisagem cores e texturas criadas por processos geoquímicos ou biológicos — que possam ser um sinal de vida passada ou presente no planeta.
O sistema Astrobiólogo Cyborg foi testado pelos pesquisadores na Terra, em locais que simulam as condições encontradas em Marte, fotografando falésias de gesso, arenitos vermelhos, calcários e argilitos. Algumas das pedras analisadas estavam parcialmente cobertas com líquen, uma forma de vida que poderia ser semelhante à existente em outros planetas.
Segundo os pesquisadores, a comparação das paisagens com imagens no banco de dados do computador foi bem-sucedida. “Em nossos testes mais recentes, realizados em uma antiga mina de carvão, as semelhanças encontradas pelo computador estiveram de acordo com o julgamento de geólogos durante 91% do tempo. A detecção de novidades no terreno também funcionou bem, embora o sistema tenha tido alguns problemas na hora de diferenciar formações semelhantes em cor, mas diferentes em textura — como o líquen amarelo e o carvão manchado de enxofre. No entanto, para um primeiro teste, a técnica parece muito promissora”.

8838 – Exobiologia – Bactérias do espaço


O carbono e o hidrogênio, elementos essenciais para o aparecimento de qualquer forma biológica, existem em relativa abundância nas diversas galáxias. Mas isso ainda não resolve o mistério. O que os cientistas estão procurando, em outros planetas, são os compostos orgânicos que serviram de base para a formação das espécies que conhecemos. Esses compostos são os aminoácidos e os nucleotídeos, os ingredientes básicos das moléculas de DNA e RNA. Os radiotelescópios vasculham a Via Láctea em busca de algum lugar parecido com a Terra em sua origem, há 4,5 bilhões de anos. Na realidade, estamos procurando no espaço a resposta à mesma pergunta que, há séculos, a humanidade vem fazendo a si mesma: como, exatamente, a Terra virou a casa de seres vivos?
Numa ponta, os caçadores de mensagens de ETs estão no encalço de um possível resultado final da evolução: seres inteligentes, capazes de se comunicar com outras civilizações e, quem sabe, até de jogar uma partida de xadrez. Na outra ponta, os cientistas buscam no espaço os ingredientes que permitiram a essa mesma evolução selecionar os mais “aptos”, moléculas com a capacidade de carregar informações e passá-las adiante. Vivas, portanto. O problema é que só conhecemos um tipo de evolução – a do planeta Terra – e um tipo de Biologia, que tem como alicerces os compostos orgânicos que formam o DNA e o RNA. Não sabemos se pode haver formas biológicas em bases diferentes.
A maioria dos cientistas acha que elas só podem se constituir a partir dos mesmos elementos que existiam na Terra nos primórdios de sua formação: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio e água em estado líquido. Cientistas dissidentes apostam na existência de formas alternativas. As especulações abrangem desde seres que utilizam como solvente a amônia, em lugar da água, até criaturas fantásticas capazes de se reproduzir em ambientes de puro magnetismo (os plamobos) ou radiação (os radiobos). O Universo não deve ser encarado como um deserto, esparsamente povoado por plantas idênticas que só podem ser encontradas em nichos raros e especializados, escreveram os biólogos Robert Shapiro e Gerald Feinberg. “Preferimos vê-lo como um jardim botânico com incontáveis espécies de plantas, cada qual no seu próprio canteiro”.

A terra como era
As pistas dos aliens podem estar aqui mesmo.
Na busca de seres vivos em outros planetas, o ponto de referência é a evolução na própria Terra, dos primeiros microorganismos, há 3,5 bilhões de anos, quando o cenário era dominado por erupções vulcânicas e descargas elétricas, até os primeiros hominídeos, a cerca de 2 milhões de anos atrás.
Micróbios radicais
Habitantes das geleiras e vulcões podem ajudar na busca dos micro-ETs.
O estudo dos planetas do Sistema Solar mostrou que eles são, na maioria, inóspitos. Pesquisadores passaram, então, a estudar, na Terra, ecossistemas parecidos com os ambientes extraterrestres, para saber se eles possibilitariam a existência de vida. Um número surpreendentemente grande de bactérias foi descoberto em lugares que se acreditava estéreis, como crateras de vulcões e as geleiras da Antártida.
Uma dessas bactérias, o Methanocococcus jannaschii, que vive em temperaturas de cerca de 185 graus, foi encontrada em vulcões submersos, no fundo do mar. Ao contrário da maioria, o Methanococcus vive exclusivamente de gás carbônico, hidrogênio e nitrogênio. O oxigênio o mata. Microorganismos também já foram encontrados no subsolo siberiano e em depósitos de sal. Outras bactérias são capazes de suportar doses de radiação em torno de 2 milhões de rad (450 rad são suficientes para matar um homem).
Somos todos alienígenas?
Teóricos da panspermia acreditam que os terráqueos são originários do espaço.
Os primeiros micróbios surgiram aqui mesmo ou foram importados do espaço? A experiência de Miller convenceu os cientistas de que as condições da Terra são favoráveis à formação de compostos orgânicos. Entretanto, estudos feitos em crateras da Lua mostram que, bilhões de anos atrás, a Terra era alvo constante de meteoritos. A análise de alguns desses meteoritos revelou a presença de aminoácidos. Os cientistas passaram a especular, então, que os ingredientes da vida podem não ter se formado aqui, mas ter chegado à Terra a bordo de meteoritos.
A mais radical dessas especulações é anterior à descoberta de compostos orgânicos nos meteoritos. Em 1908, o químico sueco Svante Arrhenius propôs que os próprios seres vivos teriam vindo do espaço, a bordo de meteoritos ou de cometas. Sua teoria, que proponha que esporos de bactérias teriam chegado à Terra semeando o planeta de vida, ficou conhecida como panspermia.
A teoria foi ampliada mais tarde pelo astrônomo britânico Fred Hoyle e por seu colega Chandra Wickramasingue. Ambos lançaram uma tese que mistura a panspermia com a teoria da evolução, de Charles Darwin (1809-1882). Para eles, não foram apenas os micróbios que chegaram do espaço, mas também o programa genético necessário à evolução.
De acordo com a teoria da evolução, os organismos mais aptos são selecionados ao longo do tempo. Com a descoberta da molécula de DNA, ficou claro: o combustível para a seleção natural são as mutações que acontecem no interior dos genes. Hoyle e Wickramasingue acreditam que genes alienígenas, oriundos dos espaço, tiveram um papel importante na seleção natural.

8020 – Astronomia – Vida Inteligente?


Rara e Valiosa
A agência espacial americana Nasa autorizou a construção de um satélite caçador de planetas parecidos com a Terra, mas que giram em torno de estrelas distantes. Com o nome de Tess (do inglês “Transit Exoplanet Survey Satellite”), ele identificará a ligeira queda da luz estelar provocada pela passagem de um planeta à frente de uma estrela, o método do “trânsito”, e deverá ser lançado em 2017.
Kepler, a missão atual, usa o mesmo método e vem identificando milhares de potenciais planetas e confirmando centenas deles. Tess buscará planetas em uma região bem mais ampla do céu, focando em estrelas mais brilhantes.

Com isso, cientistas esperam identificar planetas mais parecidos com a Terra. A questão é saber quão raro é o nosso planeta, já que a maioria das estrelas tem planetas orbitando à sua volta.
Nossa galáxia, a Via Láctea, tem em torno de 200 bilhões de estrelas. Se pelo menos metade delas tem planetas e se, em média, estrelas têm em torno de quatro planetas, chegamos a 400 bilhões de planetas só na nossa galáxia.
Como não só planetas mas também suas luas podem ter condições favoráveis à vida, o número pode chegar a um trilhão de mundos. Sabemos que ao menos um planeta nesse trilhão tem vida. Quantos outros podem ter? Milhões? Centenas? Nenhum?
Parte da resposta depende justamente da frequência com que planetas rochosos como a Terra aparecem dentro da “zona habitável”, a região em torno de uma estrela onde planetas e luas podem ter água líquida. A complicação é que certas luas fora dessa zona podem ter água líquida, como é o caso de Europa, a lua de Júpiter, que tem um oceano com quatro vezes mais água do que todos os oceanos da Terra, sob uma camada de gelo de dois quilômetros de espessura.
ortanto, um otimista diria que o Universo é cheio de vida, que é questão de tempo até acharmos algum sinal disso. Afinal, com tantos planetas e luas por aí… Só que a vida é algo muito complexo. O primeiro passo –reações químicas que de alguma forma geram vida da não vida– não é algo trivial. Tanto que não temos a menor ideia de como repeti-lo no laboratório.
Missões como Kepler e Tess poderão até identificar traços de substâncias ligadas à vida na atmosfera de exoplanetas, como o ozônio e o oxigênio. Se isso ocorrer, teremos evidência de que a vida pode existir por lá. E é muito provável que algum tipo de vida simples exista em outros mundos.
Mas se você for um entusiasta de inteligências extraterrestres, a coisa fica bem mais difícil. Da vida simples aos seres multicelulares –e destes aos inteligentes– há muitos obstáculos que dependem dos detalhes da história do planeta.
Junte-se a isso a ausência de contato com “eles” e vemos que provavelmente estamos sós. Se não sós, ao menos isolados neste canto da galáxia. O que significa que somos raros e valiosos. Essa é uma das grandes revelações da ciência atual. Basta o mundo se convencer disso e começar a mudar.

Marcelo Gleiser, astrônomo brasileiro

7928 – ETs – Se eles existem, onde estão?


ETs2

Considerando que nossa galáxia existe há muito tempo e que as civilizações tecnológicas podem estar por aí, Enrico Fermi, um dos mais importantes físicos do século passado, formulou a pergunta que angustia todos esses cientistas: “Se eles existem, onde estão?” Para responder a isso, muitos pesquisadores apostam na Busca por Inteligência Extraterrestre, conhecida por SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence). Os programas SETI rastreiam o Universo em busca da emissão de sinais de rádio de origem artificial.
Para Thomas McDonough, professor do California Institute of Technology, não recebemos nenhum sinal do espaço porque o tempo de pesquisa radiotelescópica ainda é ínfimo em proporção à magnitude do trabalho. “Nós procuramos por uma freqüência desconhecida, por um sinal de direção desconhecida e potência desconhecida”, diz. Ou seja: mesmo que os extraterrestres estivessem situados nas nossas vizinhanças, ainda assim o primeiro contato poderia demorar centenas de anos para ocorrer, devido à dificuldade de localizá-los.
A primeira dificuldade da exobiologia é definir o que estamos procurando. Quem aposta na SETI, por exemplo, procura por nossos duplos espaciais, culturas que desenvolveram tecnologias de comunicação interestelar. Então a resposta seria: buscamos vida inteligente. Pois é, a dificuldade já começa aí: precisamos saber o que é vida. Embora essa possa parecer uma questão banal, os cientistas ainda não conseguiram elaborar uma definição do fenômeno biológico de aceitação universal. Apesar da falta de consenso, alguns fenômenos caracterizam um ser vivo: a realização de metabolismo, a capacidade de se reproduzir e a existência de um limite que separa o organismo do meio circundante.
Além disso, a possibilidade de sofrer mutação e evoluir são definidoras da atividade biológica. Mesmo que a definição fosse suficiente, ainda restaria um grande problema. Conhecemos apenas um tipo de arranjo biológico, o nosso. Não sabemos se somos a manifestação local de um fenômeno universal ou apenas o produto casual de algo que assume as mais variadas naturezas em outros ambientes cósmicos.
Em nosso planeta, a vida desenvolveu-se a partir de água no estado líquido e de compostos químicos baseados no carbono. Seria isso um acaso ou a base de um fenômeno universal? Será mera casualidade que a biota (conjunto de sistemas vivos) esteja fundamentada em um meio aquoso e as moléculas, no carbono? Talvez não. A astronomia e a química já determinaram que a água é uma molécula largamente distribuída no Universo e que o carbono tem uma grande capacidade de ligação com outros átomos, permitindo a formação de extensas e complexas cadeias moleculares. Por isso, a maioria dos exobiólogos acredita que o padrão biológico daqui é universal e será encontrado em outros mundos.

Sonda Cassini

Como acontece muitas vezes na ciência, as idéias geradas pelos teóricos são o material a partir do qual os pesquisadores experimentais vão a campo, em busca da sua comprovação ou rejeição. Na história da exobiologia, o conceito da SETI também precedeu a prática, embora por pouco tempo. Em 1959, os físicos Giuseppe Cocconi e Philip Morrison publicaram um artigo na prestigiosa revista Nature em que propunham a busca de comunicação interestelar. Com base na possibilidade de que existam sociedades tecnológicas em outros mundos, imaginaram que estas, um dia, acabariam por desenvolver equipamentos de rádio e tentariam a comunicação com seus “primos” da galáxia.
Um ano depois, o jovem astrônomo Frank Drake coordenou a primeira busca de sinais de rádio de origem inteligente. Drake observou duas estrelas próximas parecidas com o Sol, Tau Ceti e Epsilon Eridani, por 400 horas. Recebeu alguns pulsos regulares, mas logo ficou claro que se tratava de um avião. Foi o primeiro dos chamados “falsos alarmes”. Cinco anos depois, cientistas soviéticos sugeriram que uma singular fonte de rádio seria produto da atividade de uma supercivilização alienígena, em virtude de variações regulares de suas emissões. Descobriu-se que eram quasares, galáxias produtoras de quantidades prodigiosas de energia. Outro episódio de confusão ocorreu em 1967, quando foram descobertos os pulsares, estrelas cuja regularidade na emissão de energia é assombrosa e aparentemente artificial. Na ocasião, o astrônomo Anthony Hewish disse que “alguma mensagem de seres extraterrestres seria a mais simples explicação”.
A Nasa está desenvolvendo o telescópio espacial James Webb, o sucessor do Hubble, que deverá ser inserido em uma órbita situada a mais de 1 milhão de quilômetros da Terra.

Marte
Enquanto isso, vamos explorando nas vizinhanças. E não é que os vizinhos têm reservado supresas para os exobiologistas? Depois da conquista da Lua, nos anos 60, Marte tornou-se o local predileto para a busca de vida. Em 1976, sondas da missão Viking desceram no planeta vermelho. Os experimentos biológicos eram os mais aguardados. Amostras do solo foram testadas e os resultados só revelaram reações químicas abióticas. Ou seja, nem sinal de vida. Máquinas soviéticas visitaram a superfície do planeta em 1971 e 1988. Os resultados de suas pesquisas ficariam por muito tempo obscuros e só agora começam a ser conhecidos. Em 1997, após 21 anos de interrupção da exploração direta de Marte, os americanos pousaram a Mars Pathfinder no planeta. Reuniram algumas pedras e fizeram uma baita publicidade, mas não encontraram nada de novo.
Quando todos pensavam em desistir, Marte aprontou uma surpresa. Em 1996, o presidente americano Bill Clinton anunciou que haviam sido encontrados sinais de vida em um meteorito de origem marciana, o ALH84001. As três letras da sigla referem-se ao local onde ele foi encontrado, na região de Alan Hills, Antártida, e o número significa ter sido o primeiro encontrado no ano de 1984. Para os exobiólogos americanos, as estruturas encontradas no interior do meteorito “poderiam ser remanescentes fósseis de uma antiga biota marciana”. Teria havido vida em Marte há cerca de 3,6 bilhões de anos!
As evidências bióticas do meteorito seriam a presença de carbonatos, de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, magnetita e de nanofósseis (menores que qualquer fóssil terrestre). Mesmo que cada uma delas admita, separadamente, uma explicação inorgânica, sua reunião no interior do ALH84001 é considerada, por alguns pesquisadores, um forte indicador de origem biológica. Mas a comunidade científica encontra-se, até hoje, dividida sobre o pedregulho. Em seguida ao anúncio, laboratórios independentes chegaram a resultados diferentes: uns acham que os indícios se referem a vestígios inorgânicos, outros que a contaminação por bactéria se deu já em solo terráqueo. E o caso continua inconcluso.
A última de Marte chegou até nós pela sonda americana Mars Odissey, lançada em 2001, que comprovou a existência de vastas quantidades de água ao redor do pólo sul do planeta, 1 metro abaixo da superfície. Misturados ao solo, os depósitos marcianos reforçam as suspeitas de que ali houve um passado molhado, com água fluindo na superfície. Enfim, uma boa notícia para os exobiólogos. Atualmente, a Odissey e a Mars Global Surveyor estão em órbita, funcionando plenamente e transmitindo imagens e dados. Essas informações têm sido fundamentais para melhor compreendermos a evolução climática e a possibilidade de o planeta ter abrigado vida.
A próxima missão a ser lançada tem o objetivo de colocar em Marte mais dois robôs móveis. Com chegada prevista para janeiro de 2004, os Mars Exploration Rovers 1 e 2 poderão se deslocar até 100 metros a cada dia marciano, o que equivale a 24 horas e 37 minutos terráqueos. Independentes do módulo de aterrissagem, eles estabelecerão contato direto com a Terra. Seus cinco instrumentos serão utilizados, entre outras funções, para a detecção de sinais da água líquida que deve ter percorrido a superfície do planeta, escavando longos canais. Para 2009, a Nasa estuda o lançamento de um laboratório científico móvel, um poderoso veículo capaz de atingir áreas de difícil acesso. Ele será o predecessor da primeira missão de retorno de amostras de Marte, esta sim decisiva para a realização de um estudo detalhado e extenso do solo e de resquícios de formas de vida presentes ou já extintas.
A proximidade de vida em Marte esquenta uma outra teoria dos exobiólogos. Carl Sagan, muito antes do ALH84001, sugeriu que, “se descobríssemos vida em Marte e verificássemos que é semelhante à da Terra, a proposição de que a vida foi transferida há muito tempo pelo espaço interplanetário teria de ser levada a sério”. Esse cenário poderia nos levar a uma conclusão chocante: a de que nós somos os marcianos. A evolução na Terra poderia ter sido desencadeada pelo desembarque de rochas marcianas contendo os germes da vida. Depois de tanto tempo e tantas discussões, talvez baste uma simples olhada no espelho para descobrir um extraterrestre.

Esses aparelhos investigaram o sistema solar e agora rumam ao desconhecido
Pioneer 11
Lançada em 5/4/1973, fotografou novas luas e anéis de Saturno
Distância atual: 9 bilhões de km do Sol
Velocidade: 11,8 km/s
Destino: estrela Lambda Aquilae, na constelação de Águia
Tempo estimado: 4 milhões de anos
Voyager 2
Lançada em 20/8/1977, descobriu dez luas em Urano e duas em Netuno
Distância atual: 10,7 bilhões de km do Sol
Velocidade: 15,7 km/s
Destino: estrela Sirius, na constelação de Cão Maior
Tempo estimado: 296 mil anos
Voyager 1
Lançada em 5/9/1977, descobriu duas luas em Júpiter e três em Saturno
Distância atual: 13,4 bilhões de km do Sol
Velocidade: 17,2 km/s
Destino: estrela AC+ 79 3888, na constelação da Girafa
Tempo estimado: 40 mil anos
Pioneer 10
Lançada em 2/3/1972, passou pelo cinturão de asteróides e fez as primeiras fotos próximas de Júpiter
Distância atual: 12,6 bilhões de km do Sol
Velocidade: 12,2 km/s
Destino: estrela Aldebaran, na constelação de Touro
Tempo estimado: 2 milhões de anos

As quatro sondas enviadas ao infinito estão levando nossos cartões de visita
Ainda estamos muito distantes das façanhas de qualquer cruzador imperial de Guerra nas Estrelas, mas quatro aparelhos terrestres deverão desbravar o território misterioso que se estende além da heliopausa, a região limítrofe do sistema solar. Nossos primeiros engenhos interestelares são as Pioneer 10 e 11 e as Voyager 1 e 2
Lançadas em 1972 e 1973, as sondas Pioneer 10 e 11 realizaram pela primeira vez o exame direto dos gigantes gasosos Júpiter e Saturno. As Voyager, de 1977, estudaram ainda Urano e Netuno. As Pioneer portam um cartão de visita para inteligências extraterrestres. É uma placa metálica com informações como a distância ao sistema solar de 14 estrelas, um desenho esquemático dos planetas e do Sol e uma representação do hidrogênio. As Voyager carregam um dispositivo muito mais bacana: um LP e uma agulha para tocar o disco (veja à direita). Para que os ETs conheçam as mensagens, as sondas devem ser capturadas no espaço: elas não resistiriam à entrada num planeta.

Manual de instruções
Cada Voyager leva um LP de cobre para os ETs. Na capa, reproduzida abaixo, o segredo para tocá-lo
O LP e a agulha vistos de cima e de lado mostram que o disco deve ser tocado de fora para dentro. Os tracinhos em volta são um código binário indicando o tempo de uma rotação (3,6 segundos). São 27 músicas (tem Johnny B. Goode, de Chuck Berry), a saudação “Paz e felicidade a todos” em 55 línguas (sim, em português também) e 21 sons da Terra (como chuva, tratores e um beijo)
Os três primeiros desenhos indicam como as fotografias devem ser “construídas” a partir dos sinais gravados no LP
Se a mensagem for decifrada corretamente, a primeira imagem que o disco vai revelar é esta: um círculo. Em seguida, aparecerão 115 fotos que mostram como somos e vivemos. Uma das cenas que os ETs verão, chamada “Lambendo, comendo e bebendo”, é esta aqui embaixo:
Representação do átomo de hidrogênio em dois estados. A transição de um estado para o outro fornece a unidade de tempo certa para se tocar o LP.

6938 – Geografia – Árvore no continente errado


Foi como encontrar gorilas, que só existem na África, vivendo nas florestas da América do Sul”. Essa frase do botânico Brian Boom, do Jardim Botânico de Nova York, mostra a sua surpresa ao descobrir, na Colômbia, uma árvore do gênero Pseudomonotes, que só existe na África. Desde a década de 70 se desconfiava da presença dessas estrangeiras por aqui. Mas agora é certo. Claro que a pseudomonotes não mudou de continente atravessando o Oceano Atlântico a nado. É que há uns 80 milhões de anos, ela estava ao lado de suas irmãs num mesmo lugar, o extinto continente de Gondwana. Aí, Gondwana quebrou em dois pedaços: uma parte das árvores ficou num dos pedaços, a América do Sul, e o resto ficou no outro pedaço, a África. O achado está fazendo os botânicos repensar a origem das florestas tropicais da América do Sul. Querem saber até que ponto as matas abrigam mais viajantes como a pseudomonotes.

6935 – Somos todos alienígenas


Do pó viemos e ao pó voltaremos. Chandra Wickramasinghe, diretor do centro de astrobiologia da Universidade de Cardiff, no País de Gales, enxerga precisão científica na célebre passagem bíblica – pelo menos no que diz respeito à origem da vida. Para ele e sua equipe de pesquisadores, nossa existência na Terra só pode ser entendida como parte de um processo que aconteceria Universo afora: partículas microscópicas que flutuam no cosmo.

Quais são as principais falhas presentes na teoria da sopa primordial?
R: – Não existe nenhuma prova empírica para essa teoria. Ela é totalmente hipotética. A transformação de uma matéria não-viva em estrutura viva simples, tendo como base qualquer estimativa razoável, é astronomicamente improvável. Presumir que esse milagre aconteu justamente na Terra é um pensamento pré-Copérnico, anterior ao século 16, quando acreditávamos que éramos o centro do Universo. A evidência mais antiga de vida terrestre tem 4 bilhões de anos, um tempo em que o planeta era constantemente bombardeado por cometas. Uma sopa primordial teria dificuldades para se desenvolver nessas condições, mas a vida pode ter sido trazida pelos cometas. A teoria da ascendência cósmica se baseia em métodos científicos reconhecidos – Louis Pasteur provou, no século 19, que a vida é sempre derivada de outra vida.

Se não faz sentido acreditar que a vida surgiu espontaneamente na Terra, qual foi o processo que deu origem a ela em outro lugar do Universo?
R:A transformação de matéria inorgânica em microorganismos primitivos só poderia ter acontecido em escala cosmológica. Foram necessários todos os recursos de todas as galáxias do Universo para que um evento improvável como esse ocorresse. Mas, uma vez que isso tenha acontecido, a conexão vida-vida de Pasteur, a replicação e o poder de sobrevivência desses micróbios se encarregariam do resto. Não há necessidade de a vida aparecer mais que uma única vez. A ascendência cósmica lida com duas opções. A primeira delas é que, dada uma escala de tempo aberta e acesso a uma quantidade infinita de material carbonoso, a vida pode surgir espontaneamente. A segunda é que, no caso de termos um Universo finito em idade e tamanho, não descartamos a existência de um ato inteligente de criação da primeira vida.

Um ato inteligente de criação significa que Deus ou alguma forma de força superior criou a vida, em qualquer lugar que ela tenha surgido?
R: A hipótese de um milagre ter acontecido na Terra, um lugar minúsculo dentro do cosmo, representaria um evento único, que colocaria nosso planeta no centro do Universo. Visto assim, temos uma posição pré-Copérnico que é inaceitável. Devemos examinar racionalmente as diferentes opções para saber qual delas é mais razoável: o surgimento da vida na Terra ou no Universo como um todo.

Como uma bactéria pode ser capaz de chegar a um cometa e manter-se viva lá durante uma viagem espacial que pode durar milhões de anos?
R: Cometas recolhem bactérias vivas em nuvens interestelares durante a formação de estrelas e planetas. Em sua fase inicial, esses cometas têm um núcleo líquido e morno que facilita a multiplicação de bactérias, que podem semear a vida em lugares como a Terra ou então ser expelidas de volta ao espaço. Uma bactéria descoberta recentemente no estado americano do Novo México sobreviveu 250 milhões de anos dentro de um cristal de sal. Protegidas em pequenas pedras e pedaços de gelo, as bactérias podem durar uma eternidade.

Existe alguma prova irrefutável que confirme a teoria da ascendência cósmica?
R: Estamos próximos de descobrir que cometas de fato carregam microorganismos. Um trabalho recente feito em colaboração com cientistas indianos trouxe fortes indícios de que existem microorganismos derivados de cometas na alta estratosfera. Outros trabalhos na mesma linha estão em andamento e em breve teremos provas concretas de nossa ascendência cósmica. Todos os indícios sobre o espectro das poeiras interestelares e de cometas mostram semelhanças com bactérias. Acredito que temos uma espécie de galáxia grávida de vida cósmica.

6194 – Estamos sós no Universo?


Conhecida como ALH 84001, é um meteorito de 2 quilos originário de Marte que foi encontrado em 1984, pela Nasa, em meio ao gelo da Antártida. Como ele tem pequenas cavidades e compostos que parecem ter sido feitos por bactérias, parte da comunidade científica levantou a hipótese de que esse seria um sinal de que houve formas de vida no passado marciano – enquanto outra parte, mais cética, diz que não há como provar que essas cavidades não foram feitas após sua queda na Terra.
O fato é que, apesar de hipóteses feitas a partir de estimativas de como deve ser a atmosfera de planetas distantes, o acesso que temos aos outros corpos celestes ainda é escasso. O caso de Marte é exemplar: desde que as sondas Viking 1 e 2, nos anos 70, começaram a vasculhar o planeta, não conseguimos ainda trazer amostras fresquinhas para análise. Ainda assim, o planeta vermelho continua sendo a melhor opção para a busca por vida extraterrestre. Por quê? Porque os cientistas sabem que Marte teve água em estado líquido no passado, substância essencial à formação das cadeias químicas responsáveis pela vida.
Além de Marte, outro candidato em nosso sistema solar para abrigar vida é Europa, uma das numerosas luas de Júpiter. Por estar muito mais distante do Sol do que a Terra, Europa seria um congelador pouco propício à vida, não fosse por um detalhe: o peso de Júpiter produz tamanho efeito gravitacional no satélite que chega a derreter parte do gelo no seu interior. O resultado é um oceano de água líquida localizado abaixo de vários quilômetros de gelo que poderia, sim, abrigar vida. Mas, como nenhuma sonda sequer chegou a Europa, tudo não passa de uma hipótese. De qualquer forma, os cientistas sabem que, se houver vida passada ou presente em nosso sistema solar, ela provavelmente será composta de seres unicelulares relativamente simples, como bactérias. A saída então é caçar novos candidatos em rincões mais distantes do Universo.
Dos mais de 200 planetas conhecidos fora do nosso sistema solar, um deles, localizado ao redor de uma estrela chamada Gliese 581, foi alçado recentemente a candidato número 1 à vida. Tudo por ser, ao menos em tese, parecido com a Terra – com uma temperatura estimada entre 0 e 40 oC e provável presença de água. Por enquanto, saber na prática se ele abriga alguma forma de vida é impossível.
Uma forma mais eficiente de buscar vida no Universo é tentar encontrar rastros da atmosfera desses astros. Os dois maiores projetos espaciais voltados para esse objetivo são o Terrestrial Planet Finder (“Localizador de Planetas Terrestres”), da Nasa, e o Darwin, da Agência Espacial Européia (ESA). Eles poderão detectar a luz desses mundos distantes com qualidade suficiente para encontrar “assinaturas” que denunciem, por exemplo, que gases estariam presentes na atmosfera desses planetas. Caso haja uma quantidade grande de oxigênio e vapor d’água em sua composição, a chance de que ali exista vida passa a ser grande. Ainda assim, não haverá garantia nenhuma de que existam seres inteligentes. Para encontrar ETs que possam falar conosco, só há um meio conhecido: eles precisam nos enviar uma mensagem.
A probabilidade de que alguém esteja na vizinhança nos enviando um sinal (por rádio ou laser) é baixíssima, já que desde 1960 os cientistas usam radiotelescópios para tentar ouvir algo vindo das estrelas. Até agora, eles não encontraram nada comprovadamente gerado por um ser inteligente, como aqueles sinais sonoros encontrados por Jodie Foster no filme Contato. A verdade é que, a despeito de todos os candidatos, só conhecemos um planeta em que a vida se desenvolveu: a Terra.