13.905 – Chocolate Contra O Câncer


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Pesquisadoras do Departamento de Engenharia de Alimentos da USP de Pirassununga (SP) desenvolveram um chocolate funcional que reduz o risco de prisão de ventre e a possibilidade de desenvolvimento de várias doenças, como o câncer de cólon. O produto contém em sua composição probióticos, que são micro-organismos que melhoram as funções gastrointestinais.
Os probióticos foram incorporados ao chocolate por um processo chamado microencapsulação, que embala lactobacillos em bolsas microscópicas antes de serem colocados no chocolate. Assim, eles ficam protegidos na hora da fabricação do alimento e também durante a passagem pelo estômago.
Pesquisadoras do Departamento de Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP) de Pirassununga (SP) desenvolveram um chocolate funcional que contém em sua composição probióticos, que são micro-organismos que melhoram as funções gastrointestinais, reduzem o risco de constipação e a possibilidade de desenvolvimento de várias doenças, como o câncer de cólon.
Os probióticos aplicados ao chocolate foram o lactobacillus acidophilus e bifidobacterium animalis, que são semelhantes aos presentes naturalmente no organismo humano, mas que ao longo da vida vão se perdendo pelo consumo de alguns alimentos industrializados que afetam a flora intestinal, como o açúcar, abusos de medicamentos e o estresse.
Foram necessários dois anos para que a mestranda Marluci Palazzolli da Silva conseguisse uma fórmula que incorporasse os lactobacilos ao chocolate. Isso foi feito por meio de um delicado processo chamado microencapsulação.
É como se os lactobacilos fossem embalados em bolsas microscópicas antes de serem colocados no chocolate. Assim, eles ficam protegidos na hora da fabricação do alimento e também durante a passagem pelo estômago.
O chocolate com probióticos foi testado por 109 voluntários que avaliaram cor, textura, sabor, aroma, além de dar uma nota sobre a aceitabilidade do produto.
Em uma escala de nove pontos, o chocolate teve média 7. Além disso, 75% dos voluntários demonstraram intenção de comprar o produto caso ele chegue ao mercado.

13.888 – Tecnologia na Saúde – Novo sensor de raios solares ajuda a prevenir o câncer de pele


Fonte: Veja

Cientistas americanos criaram um pequeno sensor capaz de avisar ao usuário quando os níveis de luz solar estão altos o suficiente para danificar a pele. O dispositivo – que também alerta sobre os níveis de poluição e alérgenos – é o menor dispositivo do mundo e pode ser preso a qualquer parte do corpo, roupas e acessórios.

Essa não é a primeira tecnologia a oferecer este tipo de proteção, mas o que a diferencia das demais é o seu tamanho realmente pequeno – 8 milímetros de largura, 1 milímetro de espessura e pesa 50 miligramas –, ser à prova d’água, ou seja, dá para usar na praia ou na piscina, e o preço acessível – 60 dólares (cerca de 235 reais). Segundo a L’Óreal, marca responsável pela invenção, o sensor não precisa de bateria (funciona com energia solar) e interage com smartphones para enviar ao usuário os dados captados no ambiente.
De acordo com os pesquisadores da Northwestern University, nos Estados Unidos, um dos principais objetivos do estudo foi criar uma forma de proteger as pessoas contra as ações negativas do sol sobre a pele e, assim, diminuir a incidência de câncer de pele na população. Isso porque mesmo que as pessoas estejam ciente da necessidade de adotar medidas de proteção, no dia a dia é muito difícil determinar a quantidade de radiação UV, poluição ao qual estamos expostos e que podem prejudicar a nossa saúde.
Para isso eles criaram um sensor capa de converter a luz UV em corrente elétrica, cuja magnitude indica o nível de exposição ao sol. As informações captadas são enviadas para o smartphone através de uma antena de rádio embutida no produto. O aplicativo instalado no celular recebe os dados e pode utilizá-los para fazer uma busca comparativa na internet sobre os índices UV atuais, o clima e outras condições climáticas na região. O usuário ainda pode inserir informações próprias: seu tipo de pele, quanto protetor solar passou (ou se não passou) e o estilo de roupa que está usando. “Isso permite que eles recebam uma recomendação muito específica”.
Além de rastrear a exposição geral aos raios UV, o dispositivo ainda notifica sobre o tipo de luz ultravioleta com a qual os usuários estão entrando em contato. Isso porque ele mede a exposição através da leitura dos comprimentos de onda: diferentes comprimentos estão associados a níveis de risco distintos. Os raios mais curtos, como o UVB, são os mais perigosos em termos de desenvolvimento de câncer. “Ser capaz de separar e medir separadamente a exposição a diferentes comprimentos de onda da luz é realmente importante”, ressaltou Rogers.
Testes do sensor
Os testes das capacidades do sensor foram realizados com nove voluntários brasileiros e 13 americanos. Eles utilizaram o produto em partes variadas do corpo enquanto faziam atividades recreativas no telhado, nadavam, tomavam banho ou faziam longas caminhadas. “Neste momento, as pessoas não sabem o quanto de luz UV elas realmente estão recebendo. Este dispositivo ajuda você a manter uma consciência. Para os sobreviventes de câncer de pele, também pode ser uma maneira de manter seus dermatologistas informados”, comentou Rogers.

Já para verificar a durabilidade e resistência do sensor, os pesquisadores recrutaram alguns alunos que deveriam tentar destruí-lo com qualquer método que quisessem. Os estudantes jogaram dentro de um balde com água, colocaram na máquina de lavar-louça e até mesmo tentaram esmagar o dispositivo, que sobreviveu a tudo. “Não há interruptores ou interfaces para desgastar, e [o sensor] é completamente selado com uma fina camada de plástico transparente. Achamos que durará para sempre”, comentou John Rogers, principal autor da pesquisa, ao Daily Mail.
Com o sucesso dos experimentos, a La Roche Posey (linha de luxo da L’Óreal) já disponibilizou o dispositivo para venda nos Estados Unidos.

Câncer de pele
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele é o tipo mais frequente de câncer no Brasil e corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados no país.A doença é mais comum em indivíduos maiores de 40 anos, principalmente com pele clara, sensível à ação dos raios solares.
A doença se manifesta em duas formas principais: o carcinoma basocelular, mais frequente e com maior chance de cura já que geralmente apresenta menos metástase (quando o câncer se espalha para outras partes do organismo), e o carcinoma epidermoide ou espinocelular, câncer de pele mais agressivo que aparece nas regiões do corpo com maior exposição ao sol, como rosto, cabeça, pescoço, braços mãos e pés. O carcinoma epidermoide pode dar origem a metástases nos pulmões, colo do útero e na mucosa da boca.
A exposição excessiva ao sol também pode causar o envelhecimento da pele (fotoenvelhecimento), que manifesta sintomas como pele ressecada (craquelada), áspera e manchada; além de deixar as rugas mais profundas e evidentes.

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13.781 – O gene zumbi que protege os elefantes do câncer


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Um elefante africano, em cativeiro, vive uns 70 anos. Mais ou menos o mesmo que um ser humano.
Um elefante africano pesa 6 mil kg. Mais ou menos 100 vezes o que pesa um ser humano.
Um corpo que pesa 100 vezes mais que o nosso, naturalmente, contém 100 vezes mais células, cada uma com sua própria cópia do DNA do animal. Isso significa que o elefante também está sujeito a um risco 100 vezes maior de sofrer um dano no DNA. Um erro que pode causar câncer.
Apesar disso, só 5% dos gigantes acinzentados morrem por causa de tumores, contra 17% dos Homo sapiens. O que os torna tão resistentes à doença? Bem-vindo ao paradoxo de Peto – batizado em homenagem ao biólogo Richard Peto, de Oxford, autor do primeiro texto que apontou essa anomalia estatística, de 1977.
Há três anos, em 2015, pesquisadores das universidades de Chicago e Utah deram um passo importante na solução do problema. Eles descobriram que os elefantes têm inacreditáveis 20 cópias de um gene chamado TP53. Já o ser humano tem só uma. E essa é uma daquelas situações em que 1 é bom, 2 é ótimo e 20 é excelente: a função do TP53 é justamente identificar que há um trecho de DNA danificado em uma célula – e consertá-lo antes que ela se multiplique e cause mais problemas. Quanto mais guardiões desses um animal tem, melhor.

13.597- Álcool pode causar câncer devido aos danos permanentes que provoca no DNA


Segundo uma recente pesquisa, o álcool é quebrado para formar um químico extremamente tóxico chamado acetaldeído que, quando em quantidades excessivas no corpo, é responsável pela formação de tumores. Ele também é capaz de “confundir” as hélices do DNA afetando as células do corpo.
Os pesquisadores consideraram os resultados do estudo, que foi publicado na revista Nature, como a primeira “explicação plausível” de como o álcool pode modificar nossas células, causando danos ao DNA. Este também explica como são formados diferentes tipos de tumores, incluindo os da boca e garganta, fígado, cólon, intestino e mama.
Estima-se que quase seis por cento de todas as mortes por cânceres no mundo estejam relacionadas ao álcool. Só no Reino Unido, as bebidas alcoólicas estão ligadas a 12.800 casos de cânceres (4% do total). Destes, 3.200 são casos de cânceres de mama causados ​​pelo consumo álcool, segundo a Cancer Research UK.
Para o estudo em questão, os pesquisadores usaram ratos para mostrar como a exposição ao álcool provocava danos genéticos irreparáveis ​​no DNA das células estaminais (células-tronco). Uma equipe do Medical Research Council Laboratory of Molecular Biology, em Cambridge, deu álcool diluído (quimicamente conhecido como etanol) aos roedores. Então, analisaram o DNA destes para determinar os danos causados pelo acetaldeído.
O acetaldeído há muito tempo é conhecido por ser cancerígeno. No entanto, o mecanismo pelo qual funciona ainda não ficou claro. Os pesquisadores descobriram que ele quebra e danifica o DNA dentro das células estaminais do sangue, alterando permanentemente suas sequências. Com isso, causa rupturas nas hélices duplas do DNA, tornando-as confusas.
“Alguns tipos de cânceres se desenvolvem devido aos danos do DNA em células estaminais”, explicou o Professor Ketan Patel, principal autor do estudo. “Enquanto alguns ocorrem por acaso, nossos achados sugerem que beber álcool pode aumentar o risco desse dano“.
Como um mecanismo de proteção, o corpo pode eliminar o acetaldeído produzindo enzimas que quebram o produto químico. Outra forma é uma variedade de sistemas de reparo de DNA que, na maioria das vezes, permite a correção de diferentes tipos de danos. No entanto, há limites para essa reparação e, em algumas pessoas, o processo ocorre de maneira defeituosa.
“Nosso estudo ressalta que não ser capaz de processar o álcool efetivamente pode levar a um risco ainda maior de danos causados ​​pelo álcool e, portanto, de certos tipos de cânceres”, ressaltou o pesquisador. “Mas, é importante lembrar que a eliminação de álcool e os sistemas de reparo de DNA não são perfeitos e o álcool ainda pode causar cânceres de diferentes maneiras – mesmo em pessoas cujos mecanismos de defesa estão intactos“.
De acordo com a professora Linda Bauld, especialista em prevenção do câncer da Cancer Research UK, e que financiou parcialmente o estudo, “a pesquisa estimulante destaca o dano que o álcool pode fazer às nossas células – custando a algumas pessoas mais do que apenas uma ressaca”.

14.454 – Onde há Tumor há Temor – Por que nem sempre a quimioterapia faz efeito?


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Tumor do temor

Não se engane: apesar de realmente acarretar efeitos colaterais bastante incômodos em certos casos, essa estratégia salva muitas vidas. Um levantamento de 2012 do Instituto Nacional de Câncer, por exemplo, indica que mais de 70% do orçamento brasileiro para tratar essa doença foi destinado a custear esses fármacos.
Para contextualizar à população qual o real impacto dos quimioterápicos — que inclusive evoluíram bastante ao longo das décadas —, médicos da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) listaram mitos bastante disseminados sobre o assunto. “A generalização de sintomas que nem sempre acontecem tem consequências negativas. Muitos pacientes sofrem antecipadamente com perdas que talvez nem ocorram”, comenta o oncologista Claudio Ferrari, secretário de comunicação da Sboc.
A quimioterapia, uma das mais importantes armas de que dispomos no tratamento contra o câncer, surgiu durante a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, quando as pessoas que trabalhavam em pesquisas com o gás mostarda (substância utilizada na guerra química) começaram a apresentar alterações nos glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas e anemia. Isso chamou a atenção dos pesquisadores que passaram a estudar o assunto, porque há doenças em cancerologia, como muitas leucemias e alguns linfomas, que evoluem com aumento dos glóbulos brancos (leucócitos) e queda dos vermelhos (hemácias).
Realmente, o gás mostarda foi o primeiro quimioterápico utilizado, a primeira droga química que se mostrou capaz de destruir as células tumorais. Depois, vieram outras que transformaram a quimioterapia num ramo da medicina que tem salvado muitas vidas e aliviado o sofrimento dos doentes.
Nos últimos 20 anos, foram descobertas algumas substâncias que conseguem fazer as células do sangue se dividirem de maneira mais rápida e intensa. Descobriu-se, ainda, que se forem administradas aos pacientes em paralelo à quimioterapia, seus efeitos adversos sobre o sangue serão diminuídos. Esses achados possibilitaram a prescrição de drogas quimioterápicas em doses mais altas e mais frequentes, uma vez que, não havendo diminuição maior das células do sangue e, consequentemente, perda das defesas do organismo, é menor a ocorrência de quadros infecciosos.
Em alguns casos o tratamento não reponde. Na realidade a quimio e a radio podem de fato não curar a doença, permitindo apenas um aumento da sobrevida. É verdade que muitas vezes o tumor desaparece e exames não detectam células cancerosas após um tratamento, mas isto será por um período de tempo, porque a químio não mata as células-tronco e em algum momento elas formarão novas células cancerosas.

O lado assustador:
Faz parte do protocolo de tratamento do câncer aguardar um período de cinco anos para dizer que a pessoa está de fato curada da doença. Mas o fato é que este é um período em que o retorno da doença é menor. O risco de retorno da doença começa a crescer a partir do segundo ano e atinge seu período de maior risco entre os cinco e os dez anos após o tratamento, muitas vezes voltando na forma de outros cânceres mais agressivos e metástases.

13.429 – Hibernação induzida pode ajudar a combater o câncer


O físico italiano Marco Durante, autor de artigos sobre hibernação durante viagens espaciais, descobriu que o corpo humano se torna mais resistente à radiação solar quando é induzido a um estado chamado “torpor sintético” – uma versão de laboratório do sono de inverno dos ursos, que têm um mecanismo biológico para isso. E agora ele quer usar essa resistência para melhorar a resposta do corpo humano a outro tipo de radiação: a usada no tratamento contra o câncer.
Quando o mamífero favorito das lojas de bichos de pelúcia hiberna, a temperatura de seu corpo cai, em média, 6º C. A frequência cardíaca vai de 55 para nove (!) batimentos por segundo, e a pouca energia necessária para manter o metabolismo funcionando vem da queima do próprio estoque de gordura do urso.
Em resumo: a vida se move em câmera lenta, truque que o ser humano pode usar tanto para economizar recursos em uma nave espacial quanto para conter tumores em estágios mais avançados, em que intervenções cirúrgicas já não são mais possíveis. “Não dá para tratar todas as metástases, se você operar todas as partes do corpo que foram afetadas, você acaba matando o paciente conforme destrói o câncer”, afirmou Durante em uma palestra no encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), que ocorreu no último domingo (19) em Boston. “Por outro lado, se você pudesse colocar o paciente em torpor sintético, você interromperia o crescimento do câncer. É um jeito de ganhar tempo.” Além disso, a radiação causa menos danos ao corpo quando nossas células não estão em ritmo de festa, o que permitiria, em teoria, aumentar a dose e a eficiência da radioterapia.
Mamíferos sem capacidade natural de hibernação, como ratinhos de laboratório, já foram apagados por longos períodos com sucesso. E há casos de hibernação acidental em seres humanos que ganharam as páginas de tablóides pelo jeitão de notícia falsa, como o da sueca Anna Bagenholm, que sobreviveu após passar oito horas presa sob a camada de gelo de um riacho – tempo suficiente para seu corpo atingir a temperatura de 13,7ºC.
Especialistas entrevistados pela New Scientist, porém, afirmam que a proposta deve ser encarada com ressalvas. “Os efeitos de uma técnica como hibernação induzida são difíceis de prever, afirmou o oncologista britânica Peter Johnson. “São necessários cuidadosos experimentos em laboratório antes de afirmar que a técnica é segura ou eficiente em seres humanos”, completou.
O Science Daily lembra que, em 2014, só 8% dos tratamentos para o câncer testados em ratos também deram certo em humanos.

13.400 – Pela primeira vez terapia gênica é aprovada nos EUA; leucemia é o alvo


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A FDA, agência americana responsável por regular o mercado farmacêutico, anunciou a aprovação do primeiro tratamento que envolve terapia gênica do país, capaz de curar alguns casos de leucemia difíceis de tratar.
Ela envolve uma espécie de recauchutagem –fora do organismo– de células sanguíneas do sistema de defesa. Após a injeção das células turbinadas, o impacto na doença é notório.
A terapia com células CAR T (com receptor antigênico quimérico) tem obtido taxas de cura que chegam a 83% em um estudos clínicos com pacientes com leucemia linfoide aguda (LLA). A terapia está aprovada nos EUA para pacientes com LLA de até 25 anos e que tenham tentado, sem sucesso, outras formas de tratamento.

Para a recauchutagem, é necessária uma etapa chamada leucoferese, que remove do organismo as células brancas de defesa do sangue. O potencial impacto disso no organismo é severo: infecções “bobas”, como uma virose, podem matar.

Fora do organismo, essas células são tratadas e são transformadas, isto é, recebem um DNA exógeno. Elas são multiplicadas e passam a apresentar, em sua membrana, uma proteína quimérica, projetada para se ligar a um antígeno, no caso a molécula CD19, proteína geralmente presente nas células cancerosas.
Mirando no CD19, a terapia com células T recauchutadas, conseguem se ligar às células-alvo e descarregar todo seu arsenal antitumoral, tratando a doença.

PROBLEMAS
Fora o preço, outro problema da terapia com as células CAR T é que pode surgir uma resposta inflamatória exagerada que acompanha a ação antitumoral. Essa reação pode matar, se não for controlada adequadamente.
Além de desembolsar centenas de milhares de dólares pelo tratamento, o paciente (ou seu plano de saúde) tem de estar disposto a pagar pelos custos de viagem, estadia no hospital e drogas para minimizar os efeitos colaterais da Kymriah –nome da modalidade de tratamento, também conhecida como tisagenlecleucel (nome genérico).
Se comparado a um transplante de medula, pondera Phillip Scheiberg, coordenador de hematologia da Beneficência Portuguesa, no entanto, não há tanta discrepância no custo, levando em conta o mercado de saúde americano.

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13.348 – Medicina – O sistema imunológico é a chave para a cura do câncer?


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Há alguns anos, os imunoterápicos, medicamentos que utilizam o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer, têm sido os grandes protagonistas dos congressos médicos sobre o assunto e a grande aposta de médicos e pesquisadores.
A Food and Drug Administration (FDA), agência americana que regula fármacos, aprovou uma nova droga para o tratamento de câncer de pulmão. Trata-se do pembrolizumabe, medicamento indicado como primeira linha de tratamento para pacientes com tumores pulmonares em estágio de metástase.
A aprovação é importante pois essa é a primeira vez que um fármaco imunoterápico é indicado como primeiro tratamento para pacientes com esse diagnóstico, em vez da tradicional quimioterapia. A FDA também expandiu a aprovação para o tratamento de pessoas com a doença que tenham realizado quimioterapia.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se que entre 2016 e 2017 haverá 28.190 novos casos de câncer de pulmão no país. Um estudo conduzido pela Sociedade Americana do Câncer em parceria com a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), aponta que o câncer de pulmão é a principal causa de morte pela doença entre homens e mulheres em países desenvolvidos.
Dos 30 000 brasileiros que recebem o diagnóstico a cada ano, apenas 6 000 sobreviverão à doença em cinco anos. Estudos com pembrolizumabe mostraram que o composto reduziu pela metade o risco de progressão da doença e em 40% o risco de morte.
O medicamento age bloqueando a PD-1, proteína presente nas células de defesa do corpo humano, os linfócitos T, mas que, em pessoas com câncer, permite que o tumor se esconda do sistema imunológico. Ao bloquear a PD-1, o medicamento faz com que os linfócitos-T ataquem o câncer.
Para Philip Greenberg, chefe de imunologia do Centro de Pesquisa de Câncer Fred Hutchinson em Seattle, nos Estados Unidos, a imunoterapia já é o quarto pilar do tratamento anticâncer, ao lado da radioterapia, quimioterapia e cirurgia, segundo informações da rede americana CNN. “Há momentos em que ela será usada sozinha, e haverá momentos em que será usada em conjunto com outras terapias, mas há muito pouco a questionar que esta vai ser uma parte importante do tratamento do câncer daqui para frente.”

Surgimento da imunoterapia
No verão de 1890, a jovem de 17 anos Elizabeth Dashiell, carinhosamente chamada de “Bessie”, prendeu sua mão entre dois assentos de um trem e mais tarde notou um nódulo doloroso na área que ficou presa, de acordo com o Instituto de Pesquisa do Câncer dos Estados Unidos. As informações são da rede americana CNN.
Em Nova York, ela procurou o médico William Coley, com 28 anos na época, para tratar a lesão. Após a realização de uma biópsia, em vez encontrar pus na massa colhida, como esperado, ele encontrou uma pequena massa cinzenta no osso. Era um tumor maligno conhecido como sarcoma.
Para tratar o câncer, Elizabeth teve seu braço amputado. Mas, mesmo com a medida, a doença se espalhou rapidamente para o resto do seu corpo e ela faleceu em janeiro de 1891. Coley ficou devastado e dedicou sua carreira à investigação do câncer. Hoje, o médico é conhecido como “pai da imunoterapia do câncer”, de acordo com o Memorial Sloan Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos.
Durante sua carreira, Coley percebeu que infecções em pacientes com câncer foram associadas com a regressão da doença. A surpreendente descoberta o levou a especular se produzir intencionalmente uma infecção em um paciente poderia ajudar a tratar o câncer. Para testar a ideia, ele criou uma mistura de bactérias e usou esse ‘coquetel’ para criar infecções em pacientes com câncer em 1893.
As bactérias, às vezes, estimulam o sistema imunológico de um paciente para atacar não só a infecção, mas também qualquer outra coisa estranha ao corpo, incluindo um tumor. Em um caso, quando Coley injetou bactérias estreptocócicas em um paciente com câncer para causar erisipela, uma infecção bacteriana na pele, o tumor desse paciente desapareceu – presumivelmente porque foi atacado pelo sistema imunológico.
A hipótese levantada por Coley foi estudada por vários pesquisadores na década de 1900, mas não foi amplamente aceita como uma abordagem de tratamento do câncer, até recentemente. “A imunoterapia passou por uma espécie de revolução na última década no sentido de que algo que era experimental – e ainda havia dúvidas sobre o papel que teria no caminho do tratamento do câncer – se tornou algo claramente eficaz “, disse Greenberg.
Apesar do médico alemão Paul Ehrlich, ganhador do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1908, ter proposto o uso do sistema imunológico na supressão da formação de tumores em uma hipótese chamada “vigilância imunológica” – uma ideia semelhante à de Coley, foi somente no início dos anos 2000 que a hipótese tornou-se amplamente aceita.
Uma revisão publicada na revista científica Nature Immunology, em 2002, apoiou a validade da vigilância imunológica contra o câncer. “A imunoterapia do câncer se refere a tratamentos que usam o seu próprio sistema imunológico para reconhecer, controlar e espero que, em última análise, curar cânceres”, disse Jill O’Donnell-Tormey, CEO do Instituto de Pesquisa do Câncer, durante uma conferência realizada em setembro em Nova York, nos Estados Unidos.
A imunoterapia aparece em muitas formas de tratamento – vacinas, terapias de anticorpos e medicamentos – que pode ser administradas através de uma injeção, comprimido, cápsula, pomada ou creme tópico e cateter. Em 2010, a FDA aprovou a primeira vacina para o tratamento do câncer, chamada sipuleucel-T ou Provenge. Ela estimula uma resposta do sistema imunológico a células de câncer de próstata e foi estudo clínicos mostraram que ela aumenta a sobrevida de homens com um certo tipo de cancro da próstata em cerca de quatro meses.
A FDA aprovou também algumas terapias com anticorpos. Os anticorpos são uma proteína do sangue que desempenham um papel chave no sistema imunológico do paciente e podem ser produzidos em laboratório para ajudar esse sistema a combater as células cancerosas,
Outro tipo de terapia aprovada são os chamados inibidores de checkpoint, que bloqueiam alguns dos danos que as células cancerosas podem causar e enfraquecer o sistema imunológico. O Keytruda, nome comercial do pembrolizumabe, fabricado pelo laboratório americano MSD, é uma dessas drogas. Além dela, também já estão aprovadas o nivolumabe, fabricado pela Bristol-Myers Squibb com o nome de Opdivo, para tratar linfoma Hodgkin, melanoma avançado, uma forma de câncer renal e câncer de pulmão avançado; Tecentriq para o tratamento de câncer da bexiga e Yervoy para melanoma em estágio avançado. Muitos outros medicamentos, com essas e outras formas de atuação já estão em desenvolvimento.

Desafios da imunoterapia
Alguns dos principais desafios da imunoterapia são o preço elevado – algumas estimativas sugerem que um tratamento com um inibidor de checkpoint, por exemplo, pode custar até 1 milhão de dólares por paciente – e os terríveis efeitos colaterais. Estimular o sistema imunológico pode causar reações cutâneas, sintomas semelhantes aos da gripe, palpitações cardíacas, diarreia, infecções e até artrite.
Outro desafio está em entender por que pacientes podem ter diferentes respostas à tratamentos imunoterápicos e por que alguns têm recaídas e outros não. Para isso, os pesquisadores precisam entender melhor não só o comportamento do nosso sistema imunológico, mas também dos tumores.

13.313 – Urologia – É preciso ficar 48 horas sem sexo antes do exame de sangue para câncer de próstata?


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Ponha o dedo na consciência se isso for uma reclamação. O jejum sexual evita um resultado falso de câncer.
É que a ejaculação eleva a taxa do PSA (Antígeno Prostático Específico), fenômeno que também ocorre quando há células cancerígenas na próstata.
Há ainda outras condições a evitar antes do exame, já que elas comprimem a próstata: cavalgar, andar de moto ou bicicleta, e uso de supositório.

13.176 – Má Notícia: Fosfoetanolamina, a ‘pílula do câncer’, não é eficaz


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O Icesp decidiu cancelar os testes com a fosfoetanolamina sintética após 58, dos 59 pacientes tratados com a substância não apresentarem benefícios significativos.
A fosfoetanolamina sintética, que ficou conhecida como pílula do câncer, não é eficaz para o tratamento de tumores. É o que revelam os resultados da segunda fase do estudo clínico realizado pelo Instituto do Câncer de São Paulo, o Icesp, divulgados nesta sexta-feira. Devido à ausência de “benefícios clínicos significativos”, o instituto decidiu suspender os testes com a substância.

Estudo
Os testes em humanos tiveram início em julho do ano passado, após forte pressão popular. A primeira etapa da pesquisa clínica avaliou a toxicidade da fosfoetanolamina. Os resultados mostraram que o produto não apresentava risco de efeitos adversos graves.
Nesta segunda etapa, o objetivo era comprovar a eficácia da substância. O plano era incluir 20 participantes em cada um dos dez grupos de tumores – cabeça e pescoço, pulmão, mama, cólon e reto, colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado -, totalizando 210 pessoas em acompanhamento. Estatisticamente, a substância teria efeito se pelo menos três pacientes de cada subgrupo apresentassem uma redução de 30% do tumor. Não foi o que ocorreu.

Resultados aquém do esperado
Até o momento, 72 pacientes, de dez diferentes grupos de tumores, foram tratados com a fosfoetanolamina. Destes, 59 foram reavaliados e 58 não apresentaram resposta objetiva, de acordo com os médicos. Apenas um indivíduo, com melanoma, apresentou resposta ao tratamento.
O grupo de câncer colorretal foi o primeiro a completar a inclusão de todos os pacientes previstos nesta fase, e foi encerrado, pois nenhum paciente apresentou resposta objetiva ao tratamento. Nos últimos oito meses os pacientes passaram por avaliações periódicas, com retornos entre 15 e 30 dias, para a realização de consultas médicas e exames, dentre eles a avaliação da doença por tomografia, o que permite acompanhar de perto a evolução do câncer em relação ao uso da “pílula do câncer”.

Pesquisa suspensa
Como os resultados de reavaliação estão sendo muito inferiores ao desejável, em todos os grupos, a inclusão de novos pacientes está suspensa. O protocolo será reavaliado antes de qualquer continuidade, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.
Os pacientes envolvidos no projeto vão continuar em tratamento no Icesp normalmente, com acompanhamento da equipe de oncologia.

Histórico
O composto foi desenvolvido pelo químico Gilberto Chierice, no laboratório do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, em São Carlos. Ele passou a distribuir as cápsulas da substância para pessoas que o procuravam no local. Desde o fim de 2015, enormes filas de familiares e pacientes, entre crianças e idosos debilitados pela doença, eram formadas em frente ao Instituto em busca do ‘remédio milagroso’. O drama ganhou destaque quando uma liminar do Supremo Tribunal Federal autorizou a entrega das pílulas a um doente do Rio de Janeiro. A decisão provocou uma avalanche da ações judiciais, que ultrapassaram 20.000.
O clamor popular acabou pautando deputados, senadores e a presidente, que enfrentava um momento de baixíssima popularidade. A produção e comercialização da fosfoetanolamina sintética como droga anticâncer chegou a ser autorizada no Brasil, em abril de 2016, por um projeto de lei aprovado no Congresso e sancionado pela então presidente Dilma Rousseff. Mas a lei foi suspensa no mês seguinte por uma decisão do STF. A falta de comprovação científica sobre sua real eficácia sempre foi questionada por oncologistas, entidades médicas e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que criticava abertamente sua aprovação. O estudo, realizado pelo Icesp, tinha o objetivo de verificar o efeito da substância.

13.138 – Medicina – TUMORES DO MEDIASTINO


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O mediastino é um espaço existente entre os dois pulmões, no centro do tórax, composto por várias estruturas anatômicas como a traqueia, o coração, o esôfago, o timo e parte dos sistemas nervoso e linfático.

É dividido em três partes principais: mediastino anterior, mediastino médio e mediastino posterior. O crescimento celular anormal originado em uma dessas três regiões é considerado um tumor do mediastino, que pode ser benigno ou maligno.

Dentre os tumores malignos, os mais frequentes são os linfomas e timomas (originados no timo). Outros tumores malignos, podem ser secundários (metastáticos), provenientes de outros órgãos como mama, pulmão, tireóide, rim.

Sinais e sintomas
Geralmente, os sinais e sintomas dos tumores do mediastino são inespecíficos e variam de acordo com a origem e localização da doença. Na maioria das vezes, ocorrem em fases mais avançadas.

Os principais sintomas incluem:
– Dispnéia (dificuldade para respirar)
– Disfagia (dificuldade para engolir)
– Fadiga
– Perda de peso
– Tosse
– Hemoptise
– Rouquidão
– Infecção pulmonar de repetição
– Dor torácica

Causas (fatores predisponentes)
Os fatores de risco são múltiplos e inespecíficos, podendo variar com os diferentes tipos de tumores que ocorrem na região do mediastino.

Prevenção
Hábitos de vida saudáveis, como interrupção do tabagismo, atividade física regular, dieta balanceada são medidas importantes para prevenção dos tumores do mediastino bem como outros tipos de câncer. Não existem recomendações especificas para esses tumores ou exames preventivos de rotina.

Diagnóstico
Em geral, o diagnóstico inicial é feito através de exames de imagem ou endoscópicos (Radiografia do Tórax, Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética, PET scan, Endoscopia Respiratória ou Digestiva) e confirmado com biópsia do tumor pela mediastinoscopia.

Tratamento
O tratamento varia de acordo com o tipo do tumor, localização, estadiamento, idade e condições de saúde do paciente. Pode ser cirúrgico, com quimioterapia sistêmica ou radioterapia. Os linfomas são tratados com quimioterapia associada ou não a radioterapia. Para os timomas, o tratamento é cirúrgico e alguns casos complementado com quimioterapia ou radioterapia. No caso dos tumores neurogênicos, localizados no mediastino posterior, o tratamento principal é a cirurgia.

13.121 – Cavalo de Troia bacteriano contra o Câncer


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Bactérias podem ser tanto “do bem” como “do mal”. Há espécies vivendo dentro do ser humano fundamentais para o metabolismo do organismo, enquanto outras causam doenças.
Curiosamente, em alguns casos injetar bactérias específicas em tumores pode ajudar a erradicá-los, ao estimular a inflamação e desencadear uma resposta imune antitumoral. “Exemplo clássico disso é a injeção de câncer da bexiga com bacilo Calmette-Guérin, mas abordagens mais recentes têm usado bactérias de espécies dos gêneros Clostridium e Salmonella”.
Mas os autores do novo estudo dizem que até agora as diferentes estratégias para levar agentes terapêuticos até as células cancerosas têm vários obstáculos.
Apesar de diferentes “cargas úteis” –como anticorpos ou proteínas tóxicas- terem sido usadas para aumentar a toxicidade anticâncer das bactérias, com algum efeito terapêutico, “elas ainda têm limitações, por exemplo: injeções múltiplas de bactérias são necessárias, e os tumores tendem a reaparecer”, dizem os autores na revista médica.
“Vasos sanguíneos anormais e regiões hipóxicas [com pouco oxigênio] e necróticas [tecido lesado, morto] são características universais de tumores sólidos. Estes ambientes hipóxicos e anóxicos [sem oxigênio] podem ser alvo de bactérias anaeróbicas obrigatórias ou facultativas, tais como Bifidobacterium, Salmonella, Escherichia, Clostridium e Listeria”, afirmam os cientistas.
A equipe de 14 pesquisadores usou uma cepa enfraquecida da espécie Salmonella typhimurium modificada por engenharia genética para produzir em grande quantidade a proteína flagelina B (FlaB) tirada de outra bactéria, a Vibrio vulnificus.
O resultado foi excelente: as bactérias manipuladas geneticamente induziram uma resposta imunitária antitumoral eficaz, tratando com sucesso tumores em vários modelos diferentes de camundongos, e sem evidência de toxicidade.
A Vibrio vulnificus tem seis genes estruturais de flagelinas, das quais a FlaB parece ter o papel principal na formação da haste do flagelo. Mas, para o novo tipo de tratamento conhecido pela sigla em inglês BCT (Bacterial Cancer Therapy, Terapia do Câncer Bacteriana), o que mais interessa é o papel “adjuvante” da flagelina B –um adjuvante é um componente ou composto químico que potencializa a resposta imunitária.
No caso, isso significa induzir a infiltração de células de defesa (os “glóbulos brancos” do sangue), como neutrófilos e macrófagos. Essas estruturas atacam e destroem as células do tumor.
A bactéria Salmonella era o “cavalo”, a flagelina FlaB os “gregos” e os macrófagos eram o resto do exército grego, que atacou assim que viu o caminho aberto.
“Nosso objetivo é completar a cepa perfeita para a terapia do câncer, ou seja, ter como alvo especificamente o câncer, sentir o microambiente do tumor e desencadear a produção de drogas, destruindo cânceres completamente e eventualmente fazê-los desaparecer do corpo”, afirma o pesquisador coreano Jung-Joon Min.

13.073 – Medicina – A Pílula do Câncer Funciona?


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Polêmica sobre a pílula

A fosfoetanolamina (nome da substância) tem despertado esperança de cura em pacientes e desconfiança em cientistas e médicos. O motivo disso é a falta de estudos clínicos apropriados.
Obrigada a produzir a substância por liminares emitidas pela justiça, a USP chegou a se manifestar sobre o assunto. “Essa substância não é remédio. Ela foi estudada na USP como um produto químico e não existe demonstração cabal de que tenha ação efetiva contra a doença”, escreveu a universidade em um comunicado.
O medicamento deixa muitas perguntas no ar. O que se sabe sobre a fosfoetanolamina? Quais são seus efeitos? Ele realmente pode curar o câncer?

O que é a fosfoetanolamina?
É uma substância química produzida no organismo humano. Ela é indispensável para a vida humana. Dela se origina outra substância, a fosfatidiletanolamina, que está presente em todos os tecidos e órgãos humanos.
A fosfatidiletanolamina é responsável por normalizar o metabolismo oxidativo, que gera energia no corpo. Esse processo fica prejudicado em células cancerosas. Em teoria, a ingestão do medicamento faria com que as células voltassem a trabalhar normalmente. Com isso, o câncer pararia de se desenvolver.
A fosfoetanolamina (produzida em laboratório) apresentou em testes propriedades antitumorais em células (in vitro) e em animais portadores de tumores. Já a natural não apresenta essas propriedades—ela para de funcionar, mas os pesquisadores ainda não sabem os motivos disso.

Já foram feitos testes com fosfoetanolamina em células humanas?
Os testes foram feitos em células humanas em laboratório, porém não em pessoas. Segundo o pesquisador Durvanei Maria, foram estudadas linhas celulares de tumores, como melanoma, pâncreas, renais, leucemias, entre outros.

A fosfoetanolamina é eficaz contra o câncer?
O professor Durvanei Maria afirma que a fosfoetanolamina sintética inibiu a capacidade de multiplicação ou proliferação celular dos tumores. Isso foi feito a partir da morte celular programada– um efeito que pode ser visto, geralmente, na queda das folhas das árvores no outono.
Os resultados foram obtidos por Maria em todos os modelos estudados (células de camundongos, ratos ou em células humanas).
Qual é a diferença entre a pílula e outras medicações em desenvolvimento?

Segundo a doutora Giovana Torrezan, medicamentos contra o câncer que estão em desenvolvimento atualmente não são como a quimioterapia, que mata todas as células que se dividem no corpo humano. Esses medicamentos em desenvolvimento são chamados de “drogas alvos” e só alteram as células tumorais.
Já a pílula de fosfoetanolamina reativa a morte celular programada, estimula o sistema imune a eliminar a célula do tumor e pode impedir o desenvolvimento de vários outros tumores. “Mas ainda não se sabe quais seriam seus efeitos colaterais”, explica.
A fosfoetanolamina serviria como um substituto para outros tratamentos, como a quimioterapia?
As pesquisas comprovam que a fosfoetanolamina não altera as propriedades dos remédios usados durante a quimioterapia. Além disso, ela também é capaz de aumentar a probabilidade de sobrevida e diminuir significativamente os efeitos colaterais.
Assim, a fosfoetanolamina não serve como substituto da quimioterapia. Na realidade, a associação dos dois medicamentos e de outros tratamentos talvez possa ajudar no combate ao câncer.

Há riscos ao usar a pílula, já que ela não foi testada clinicamente?
De acordo com Roberto Ferreira, a substância já passou por ensaios pré-clínicos e apresentou bons resultados. No entanto, a cada etapa do processo de estudo de um potencial candidato a medicamento, muitas moléculas que eram promissoras são abandonadas por perda de atividade ou na avaliação de riscos e benefícios.
“A fosfoetanolamina já passou por duas importantes etapas, mas a história nos mostra que não há garantias que mantenha a atividade em humanos e que não haja riscos, ou interações importantes com outros medicamentos que o paciente esteja utilizando”, avisou Ferreira.

13.054 – A vitamina C combate o câncer. Saiba Como.


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Vitamina C mata células cancerígenas. Isso já havia sido provado em testes de laboratório, com células in vitro, e em ratos. O problema é que, quando a coisa chegava ao ser humano, não importa quantos litros de suco de acerola alguém tomasse, a vitamina C não surtia efeito nenhum.
Um grupo de cientistas da Universidade de Iowa (EUA) acredita ter matado a charada de duas formas. Primeiro, o problema com outras pesquisas é que a vitamina C era administrada oralmente – como o corpo procura regular a quantidade dela no sangue, então, não importa o quanto você tome, a maioria acaba sendo expelida. Para driblar isso, os cientistas aplicam a vitamina C por via intravenosa e conseguem atingir concentrações de 100 a 500 vezes maiores que a normal.
O segundo avanço: uma dose cavalar de vitamina C mata o câncer, mas não as células normais – além disso, overdose de vitamina C não detona o corpo, ao contrário de outras vitaminas que podem ser tóxicas e até letais em excesso.
E tem uma surpresa também: segundo o grupo, o efeito “matador” das células cancerosas não vem da vitamina C, mas de outra substância, produzida quando ela começa a se decompor no sangue: peróxido de hidrogênio, popularmente conhecido como água oxigenada. Embora ela seja vendida na farmácia sem receita, é uma substância corrosiva, capaz de até mesmo queimar a pele e matar uma pessoa se injetada. O surpreendente é que, quando produzida pela decomposição da vitamina C no sangue, a água oxigenada não agride células saudáveis e destrói as cancerígenas.
O segredo está na enzima catalase, que serve como escudo celular contra a água oxigenada, e é produzida em quantidade muito baixa pelas células cancerígenas. “Por isso, elas são muito menos eficientes em remover o peróxido de hidrogênio que as células normais”, afirma o oncologista Garry Buettner, condutor do estudo. “Assim, são muito mais susceptíveis ao dano e morte diante de uma grande quantidade da substância”.
A Universidade de Iowa atualmente está testando a vitamina C combinada com quimioterapia e radioterapia em cânceres de pulmão e pâncreas. A próxima fase da pesquisa é começar a medir o nível de catalase em diferentes tipos de câncer. Quanto menor, mais eficiente será tratá-los com vitamina C.

12.824 – Medicina – Ela Venceu O Câncer


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Pippa Cole, quatro anos, de Preston, Inglaterra foi diagnosticada com pelo menos uma dúzia de tumores cancerosos em suas primeiras semanas de vida, estando seis deles em sua cabeça. Os médicos, que acreditavam que ela não viveria, ficaram surpresos quando descobriram que, após uma batalha de três anos, todos haviam desaparecido, segundo informações do jornal inglês Daily Mail.
Especialistas acreditam que uma radioterapia que a menina realizou em dezembro de 2015, até então sem sucesso, teve uma reação retardada. Contudo, eles ainda são incapazes de dizer ao certo como os cânceres desapareceram tão de repente. A mãe, Shell Cole, de 35 anos, havia desistido de seu emprego como professora para cuidar da filha em tempo integral. Segundo ela, saber que a filha estava em estágio terminal de vida foi “de partir o coração e a pior notícia possível”.
“Após tanta cirurgia e quimioterapia parecia incrivelmente injusto perdê-la”, disse. “Cada semana que tivemos com ela, a partir daquele momento, parecia ainda mais preciosa. Nós queríamos fazer de seus últimos meses os mais felizes de sua vida”.
Ela ainda acrescentou que Pippa sempre a pedia para se casar com seu pai, Scott, porque tinha vontade de ser dama de honra. Assim, o casal atendeu o desejo da filha. “Nosso casamento foi mais sobre ela do que sobre Scott e eu, mas não mudaria isso por nada no mundo”, disse Shell acrescentando que ainda a levou em uma viagem para a Disney, em Paris, no ano passado para que pudesse conhecer o Mickey.
A família percebeu que havia algo errado com a criança em julho de 2013, quando uma crise de vômito durou nove dias seguidos. Ela foi levada às pressas ao hospital quando o vômito começou a apresentar sangue.
Após uma tomografia computadorizada, os médicos encontraram um tumor em seu cérebro e o removeram em cirurgia alguns dias depois. Mais tarde, em janeiro de 2015, uma consulta de rotina revelou um novo tumor, que também foi removido posteriormente. No entanto, apenas 48 horas depois, exames revelaram que um outro havia crescido no lugar, bem como mais três no cérebro e um cluster na espinha. Um mês depois, em sua terceira cirurgia, os médicos removeram mais uma vez o crescimento e ela iniciou um extenso tratamento de quimioterapia.
Em dezembro de 2015, um novo tumor apareceu no cérebro da garota, enquanto os outros permaneceram estáveis. Mais uma vez, os médicos tentaram realizar uma cirurgia, mas disseram aos pais que Pippa estava muito doente e que possivelmente teria apenas algumas semanas de vida.
Depois de 20 sessões de quimioterapia, os pais resolveram interromper o processo por estar interferindo na respiração da garota. No entanto, após novos exames realizados em fevereiro deste ano, os médicos ficaram impressionados quando descobriram que os tumores não tinham crescido. E, em agosto de 2016, para surpresa de todos, exames revelaram que todos eles haviam desaparecido completamente.
“Em julho, nós sentimos que tivemos sorte de ela ter sobrevivido e superado as expectativas dos médicos”, disse a mãe. Segundo ela, quando crescer, Pippa irá enfrentar alguns problemas por causa da radioterapia na espinha, mas que está muito feliz de ver que a filha poderá frequentar a escola assim como as outras crianças de sua idade.

12.776 – Inteligência artificial do Google vai ajudar a tratar câncer


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O Google DeepMind está trabalhando em um sistema de inteligência artificial que ajude a reduzir o tempo gasto por médicos para tratar certos tipos de câncer. O projeto, desenvolvido em parceria com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido e do hospital universitário da University College London, tem como foco os cânceres de cabeça e pescoço, condições de díficil tratamento por sua proximidade com partes importantes do corpo.

Como vai funcionar?
Antes de começar qualquer tipo de tratamento de radiação, os médicos preparam um mapa detalhado de onde ela será administrada em cada paciente. Esse procedimento tem como objetivo evitar danificar tecidos próximos ao câncer. O Google explica que o processo demora até quatro horas para ser finalizado e que a ideia é automatizá-lo, reduzindo o tempo total para até uma hora.
Segundo o Dr. Yen-Ching Chang, que dirige a radioterapia no hospital universitário da College London, afirma que a tecnologia poderá liberar os médicos para se concentrar no atendimento do paciente e na pesquisa e ensino da doença.
Essa não é a primeira vez que o Google trabalha os sistemas de inteligência artificial para ajudar os médicos. Em julho a Deep Mind afirmou que vai desenvolver um sistema para detectar indícios de cegueira nos primeiros estágios da doença, evitando que os pacientes percam a visão.

12.702 – Brasileiros conseguem reverter dois terços das metástases colorretais no fígado


MEDICINA simbolo

E levam técnica a consenso internacional nos Estados Unidos
Grupo de oncologistas do Hospital A.C.Camargo liderado pelo cirurgião Felipe Coimbra alcançou a cura de duas em cada três metástases de fígado (66,2% de sobrevida em cinco anos) utilizando a hepatectomia em dois tempos. Pouco utilizada mesmo nos principais centros oncológicos norte-americanos e europeus, a técnica é aplicada desde os anos 90 no hospital brasileiro visando a reversão da metástase de fígado originária de tumor colorretal, a mais frequente (cerca de 60%). No dia 18 de janeiro, em São Francisco, EUA, um consenso internacional reuniu especialistas do mundo todo e definiu novas abordagens terapêuticas na área. Diretor da Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo, Coimbra foi o único médico sulamericano convidado.
Um grupo de médicos e cientistas brasileiros alcançou um resultado inédito na reversão de metástase de fígado originária de tumor colorretal e apresentou a técnica no dia 18 de janeiro, em São Francisco, Estados Unidos, em reunião de especialistas internacionais para a definição de novas terapêuticas na área. O evento, promovido pela SSC – Society of Surgical Oncology e AHPBA – American Hepato-Pancreato-Biliary Association, determinou um novo consenso mundial em abordagens terapêuticas para as metástases de câncer de intestino, terceiro tipo de câncer mais comum no Ocidente.
Pesquisas publicadas nas duas últimas décadas por pesquisadores de centros oncológicos como a Mayo Clinic, Memorial Sloan-Kettering e Pittsburgh Medical Center apontavam para índices de sobrevida em cinco inferiores a 36% para casos de câncer de intestino com metástase no fígado. Os estudos que resultaram na sobrevida de 66,2% em cinco anos, alcançados pela equipe de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo, acompanharam 240 pacientes tratados a partir de 1999, superando o melhor resultado mundial, de 58%, registrado em 2005 no M.D.Anserson por Pawlik et al, instituição que organiza o evento. Único sulamericano convidado para a conferência, o cirurgião oncológico Felipe Coimbra, diretor da área no A.C.Camargo, liderou o grupo brasileiro.
Seis entre dez casos de tumores que geram metástase hepática são originados no intestino. Os demais casos que se espalham para o fígado tiveram como ponto inicial os tecidos tumorais em órgãos como estômago, pâncreas, colo do útero, rim, melanoma e tumores neuroendócrinos. Segundo as estimativas 2012/2013 do INCA o câncer colorretal é o quarto tipo de tumor mais frequente no país, excetuando-se pele não-melanoma, com 30 mil novos casos anuais.

12.581 – ‘Recauchutagem’ de célula de defesa ajuda a combater leucemia


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Uma nova e arriscada modalidade de terapia tem saltado aos olhos dos médicos como uma possível cura para alguns casos de leucemia difíceis de tratar.
Ela envolve uma espécie de recauchutagem (fora do organismo) de células do sistema de defesa. Após a injeção das células turbinadas, o impacto na doença é notório.
A terapia com células CAR T (com receptor antigênico quimérico) obtido taxas de sucesso que chegam a 90% em um estudos clínicos –a terapia ainda é experimental– com pacientes com leucemias linfoides crônica e aguda. Também há relativo sucesso em testes com outros tipos câncer, mas não tanto.
As conquistas dessa modalidade de tratamento leucemia linfoide aguda, que representa cerca de 10% do total das leucemias, foi classificada como “sem precedentes” pela pesquisadora Noelle Frey, médica da Universidade da Pensilvânia (EUA).
O problema da modalidade é a complexidade, afirma o coordenador de hematologia clínica do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes da Beneficência Portuguesa Phillip Scheinberg.
Para a recauchutagem, é necessária uma etapa chamada leucoferese, que remove do organismo as células brancas de defesa do sangue. O potencial impacto disso no organismo é severo: infecções “bobas”, como uma virose, podem matar.
Fora do organismo, essa células são tratadas e são transformadas, isto é, recebem um DNA exógeno. Elas são multiplicadas e passam a apresentar, em sua membrana, uma proteína quimérica, projetada para se ligar a um antígeno, no caso a molécula CD19, proteína geralmente presente nas células cancerosas.
Mirando no CD19, a terapia com células T recauchutadas, conseguem se ligar às células-alvo e descarregar todo seu arsenal antitumoral, tratando a doença.
No “projeto” do receptor quimérico, também constam regiões, que ficam pra dentro da célula, responsáveis por essa melhor ativação dos linfócitos e que aumentam sua sobrevivência de maneira expressiva, potencializando sua ação.

Um remédio amargo
O problema da terapia com as células CAR T é uma resposta inflamatória exagerada que acompanha a ação antitumoral. Essa reação pode matar, se não for controlada adequadamente.
“Ainda temos muito o que aprender, o efeito da terapia pode ser desastroso, se ela não for bem controlada.”
Em um estudo, Noelle e colegas resolveu tentar fracionar a dose de células para ver o balanço entre eficácia e segurança (ausência da resposta inflamatória exacerbada). A dose “normal” era de 500 milhões de células, que tinha resposta em 100% dos casos e também inflamação em todos os pacientes.
Fracionado em 3 a dose original, em 3 dias seguidos, a eficácia passou a 86% e a inflamação apareceu em 66% dos casos. Uma única dos de 50 milhões de células reduziu a eficácia para 33% e a inflamação apareceu em 66% dos casos.
O estudo era de fase 1: pequeno, preliminar e com poucos pacientes (46). Um de seus objetivos era de ver a segurança, e foi visto que pacientes com uma forma mais branda da doença eram razoavelmente protegidos desses efeitos inflamatórios -nenhum foi afetado enquanto 44% dos que tinham versão mais grave tiveram a complicação. Os pacientes mais graves também estão mais sujeitos à toxicidade no sistema nervoso.
A sobrevida após um ano ficou em 73% e 57% para os grupos menos e mais graves, respectivamente. Também está inversamente associada à melhor eficácia do tratamento a idade dos pacientes em tratamento.
O trabalho foi apresentado no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) de 2016, que aconteceu em Chicago entre 3 e 7 de junho.
A esperança dos oncologistas é levar esse “caso de sucesso” para os tumores sólidos (como de pulmão ou ovário). No entanto, apesar de a abordagem fazer sentido, não houve grande progresso.
A saída seria mexer na estrutura desses receptores quiméricos, fazendo que eles encontrem outros marcadores, além do CD19, que possam estar presente na superfície de outras tipos de células cancerosas.

12.547 – “Vacina universal” contra o câncer passa pelos primeiros testes


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Cientistas alemães deram um grande passo no sentido de desenvolver a primeira “vacina universal” contra o câncer.
Os resultados de testes preliminares em humanos, junto com a pesquisa em ratos, foram publicados recentemente na revista Nature e sugerem que a nova técnica poderia ser usada para ativar o sistema imunológico de pacientes contra qualquer tipo de tumor.

Como funciona
Ao contrário das vacinas com as quais estamos familiarizados, esta seria dada aos pacientes que já têm câncer, em vez de pessoas em risco de adquiri-lo.
Ela funciona basicamente atirando minúsculos “dardos” contendo pedaços de RNA extraídos de células cancerosas do próprio paciente, convencendo o sistema imunitário do doente a lançar um ataque sobre quaisquer tumores que atravessarem seu caminho.
Manipulando o RNA dentro desses dardos, a equipe pode, em teoria, mobilizar o sistema imunitário contra qualquer tipo de câncer. É isso que torna a vacina universal.
“Essas vacinas são rápidas e baratas de produzir, e praticamente qualquer antígeno tumoral pode ser codificado por RNA”, escreveu a equipe do estudo, liderada por pesquisadores da Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, na Alemanha, na revista Nature.
Imunoterapia, que envolve o uso do próprio sistema imunológico do paciente para atacar o tumor, não é nenhuma novidade. Outros pesquisadores já utilizaram essa abordagem contra diferentes tipos de câncer com bons resultados.
Porém, até agora, os pesquisadores têm usado principalmente engenharia genética, manipulando células imunológicas em laboratório e depois injetando-as de volta no paciente, o que é um processo demorado e caro.
Já a nova técnica introduz o DNA do câncer nas células imunes dentro do corpo, o que é muito menos invasivo. Isso também significa que a vacina pode ser ajustada para caçar uma gama maior de tipos de câncer.
Por que o sistema imunológico não mata naturalmente esses tipos de câncer?
Uma das razões é que as células cancerosas são semelhantes em muitos aspectos às células normais e o sistema imunológico evita atacá-las.
Isso significa que, quando você desenvolve uma “vacina”, precisa usar um antígeno – uma molécula estrangeira. Respostas imunes fortes podem ser esperadas apenas quando as células cancerígenas expressam antígenos que não são normalmente expressos em células adultas normais.
É este tipo de antígeno específico que a nova vacina é projetada para fornecer. Funciona revestindo com uma membrana de ácido gordo simples o RNA do câncer, dando-lhe uma carga ligeiramente negativa.
Uma vez que a vacina é injetada num paciente, é atraída através de carga elétrica para as células dendríticas imunes no baço, nódulos linfáticos e medula óssea.
Estas células dendríticas, em seguida, “mostram” o RNA do câncer para as células T (as que combatem a doença) do organismo, indicando que esses são os intrusos que elas precisam exterminar em massa.
Foi exatamente isso que foi visto nas primeiras pesquisas da equipe alemã com ratos. Quando injetados com a vacina, os sistemas imunitários dos animais foram capazes de combater tumores agressivos.
Claro, muitos resultados em ratos não se traduzem para os seres humanos, por isso não podemos ficar muito animados ainda.
No entanto, a equipe também já avaliou uma versão da vacina em três pacientes com melanoma. A meta era apenas testar se a vacina era segura para utilização em humanos, não verificar se ela era eficaz.
Até agora, os resultados foram promissores. Os efeitos secundários foram limitados a sintomas semelhantes aos da gripe, o que é melhor do que a maioria dos tratamentos que usam quimioterapia.
A equipe precisa esperar um ano para o acompanhamento dos resultados deste ensaio clínico de segurança. Se tudo correr bem, os pesquisadores iniciarão um ensaio clínico maior para ver se a vacina realmente funciona.
Embora ainda seja cedo, temos mais uma razão para nos sentir esperançosos sobre o futuro do tratamento do câncer.

12.537 – Nanotecnologia contra o Câncer


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A nanotecnologia é capaz de oferecer diversas ferramentas para melhorar a medicina e é vista com enorme interesse no campo da oncologia. De fato, esse campo de fronteira da Ciência possui diversas aplicações em desenvolvimento quando se trata de tratamento do câncer. Esse artigo irá ilustrar algumas das principais possibilidades.
Métodos de imagem atuais só podem detectar câncer com facilidade após a doença levar a uma mudança visível no tecido, dando tempo a milhares de células se proliferarem e talvez entrarem em metástase. E mesmo quando visível, a natureza do tumor maligno ou benigno e as características que podem torná-lo mais sensível a um tratamento particular, devem ser avaliados através de biópsias. Imagine se, em vez células cancerosas ou pré-cancerosas, fosse possível a detecção por dispositivos convencionais de digitalização. Duas coisas seriam necessárias: identificarespecificamente uma célula cancerosa e permitir que ela fosse vista e essas duas coisas podem ser alcançadas através da nanotecnologia. Por exemplo, os anticorpos que identificam receptores específicos encontrados em células cancerosas podem ser revestidos por nanopartículas, tais como óxidos metálicos que produzem um sinal de alto contraste em imagens de ressonância magnética (RM) ou Tomografia Computadorizada (TC). Uma vez dentro do corpo, os anticorpos nessas nanopartículas se ligam seletivamente a células cancerosas, efetivamente iluminando-as para o scanner. Da mesma forma, partículas de ouro poderiam ser usadas para melhorar a dispersão de luz para as técnicas endoscópicas, como colonoscopias. A nanotecnologia permitirá a visualização de marcadores moleculares que identificam estágios e tipos específicos de câncer, permitindo que os médicos vejam células e moléculas indetectáveis por técnicas de imageamento convencionais.
Nanofios interagem seletivamente com alguma compostos, podendo ser utilizados na confeção de sistemas de sensoriamento; de fato, ao interagirem com determinados compostos, é possivel monitorar alterações elétricas através de sua conexão a um eletrodo e assim detectar substâncias e marcadores produzidos especificamente por células tumorais. O sistema pode ser acoplado aum microcanal por onde fluem amostras biológicas retiradas do paciente em quantidades ínfimas.
A triagem de biomarcadores em tecidos e fluidos para o diagnóstico também será melhorada e, potencialmente, revolucionada pela nanotecnologia. Cânceres individuais diferem das outras células normais por mudanças na expressão e distribuição de centenas de moléculas. Para escolher o método terapêutico, pode ser necessária a detecção simultânea de vários biomarcadores para identificar um câncer para a seleção do tratamento. Nanopartículas de ouro podem ser utilizadas, com sua superfície funcionalizada adequadamente para indicar a presença de compsotos produzidos por células tumorais através de sua agregação e consequente deslocamento de sua banda de ressonância plasmônica. Adicionalmente nanopartículas utilizadas como pontos quânticos, que emitem luz de cores diferentes dependendo do seu tamanho, poderiam permitir a detecção simultânea de múltiplos marcadores. Os sinais de fotoluminescência de pontos quânticos revestido de anticorpos poderia ser usada para triagem de certos tipos de câncer. Diferentes pontos quânticos coloridos seriam acompanhados de anticorpos para biomarcadores de câncer para permitir que os oncologistas possam discriminar células cancerosas e saudáveis de acordo com o espectro de luz que vêem.

Terapias contra o câncer estão geralmente englobadas pela cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Todos os três métodos geram risco de danos aos tecidos normais ou erradicação incompleta do câncer. A nanotecnologia oferece os meios para apontar terapias direta e seletivamente em células cancerosas.

Nanocarreadores
Quimioterapia convencional emprega drogas que são conhecidos por matar células cancerosas de forma eficaz. Mas essas drogas citotóxicas matam também células saudáveis, além de células tumorais, levando a efeitos colaterais adversos, como náuseas, neuropatia, perda de cabelo, fadiga e comprometimento da função imunológica. Nanopartículas podem ser usadas como transportadores de drogas para quimioterápicos para entregar a medicação diretamente no tumor, poupando o tecido saudável. Nanocarreadores têm várias vantagens sobre a quimioterapia convencional. Eles podem:
proteger as drogas de serem degradadas no corpo antes que elas atinjam seus alvos
melhorar a absorção de medicamentos em tumores
permitir um melhor controle sobre o calendário e distribuição de drogas para o tecido, tornando mais fácil para oncologistas para avaliar quão bem eles funcionam
impedir que as drogas interagem com células normais, evitando efeitos colaterais
Existem hoje várias drogas baseadas em nanocarreadores no mercado, que contam com a segmentação passivo através de um processo conhecido como “permeabilidade aumentada e retenção.” Devido ao seu tamanho e propriedades da superfície, algumas nanopartículas podem escapar através das paredes dos vasos sanguíneos em tecidos. Além disso, os tumores tendem a ter vasos sanguíneos com vazamento e com defeito drenagem linfática, fazendo com que as nanopartículas acumulem-se neles, concentrando o medicamento citotóxico ligado onde ele é necessário, protegendo o tecido saudável e reduzindo os efeitos colaterais adversos.

Nanopartículas também podem carregar drogas para células cancerosas, com mecanismo de ação baseado nas moléculas que são expressas na sua superfície celular do tumor. Moléculas que se ligam especialmente a receptores celulares podem ser anexados a uma nanopartícula tendo como alvo células que expressam o receptor.
Algumas moléculas sintéticas poliméricas podem ser utilizadas como carreadores biodegradáveis, apresentando a vantagem de não precisarem ser removidas do organismo após executar a liberação completa da droga. Um exemplo é o ácido poliláctico glicólico (PLGA)
Nanopartículas magnéticas
Nanopartículas magnéticas também podem ser utilizadas para destruir tumores; nesse caso, uma dose de nanopartículas e administrada ao paciente e concentrada sobre o tumor mediante aplicação de um campo magnético externo (Ou mediante funcionalização da superfícia das nanopartículas magnéticas com compostos que possuam afinidade por tecidos tumorais). Um campo eletromagnético externo de algumas centenas de kHz é aplicado obrigando as nanopartículas a realinharem continuamente seus momentos magnéticos, levando ao aquecimento do sistema. Como célular tumorais são sensíveis ao aumento de temperatura, essa é uma metodologia útil (Denominada magnetohipertermia) no tratamento de algumas variedades de câncer.

Terapia fotodinâmica
O uso de luz e corantes fotosensíveis no tratamento de doenças já era conhecido no Egito antigo, , cerca de 2000 a.C., quando tratava-se vitiligo com uma combinação de plantas ingeridas e exposição à luz do Sol. Em 1912, Meyer-Betz estudou o efeito fotodinâmico de porfirinas ems eres humanos, injetando em si mesmo 200mg de hematoporfirina em seu braço e expondo-o ao Sol; a região apresentou forte eritema, mostrando que a porfirina ao ser iluminada era capaz de gerar espécies citotóxicas. Em 1960, Lipson utilizou uma combinação de derivados de hematoporfirina e luz para tratar um câncer de mama.
A técnica que faz uso de compostos fotoativos e luz para o tratamento de tumores é chamada Terapia Fotodinâmica. Essa técnica consiste em administrar um fármaco fotosensível ao paciente por via intravenosa, que é retido seletivamente por células tumorais, concentrando-se sobre o tumor após um período específico (Algumas horas). Em seguida, a região contendo o tumor é submetida à luz monocromática (Na cor de máxima absorção do composto aplicado), conforme visualizado na Figura 2. A absorção de luz ativa uma série de reações no composto fotoativo, gerando espécies excitadas que, por sua vez, induzem a formação de espécies reativas de oxigênio, como oxigênio singlete, por exemplo.Essas espécies reativas de oxigênio destroem as células tumorais, por processo de necrose ou de apoptose.
Os compostos fotoativos administrado ao paciente podem estar encapsulados em nanocápsulas poliméricas, tendo sua eficiência aumentada graças ao mecanismo de liberação inteligente que só é possível graças ao sistema nanoencapsulador.

CONCLUSÃO
A nanotecnologia ja fornece algumas ferramentas importantes no desenvolvimento de novas metodologias analíticas e diagnósticas no tratamento de diversos tipos de câncer; entretanto, muita pesquisa ainda é necessária para que se atinja o pleno potencial que a nanotecnologia é capaz de alcançar na área da saúde e, mais especificamente, da oncologia. Drogas mais inteligentes e mais eficientes, sem efeitos colaterais, métodos diagnósticos que permitem a detecção precoce de tumores e métodos de tratamento não-invasivos são apenas algumas das possibilidades que já vem sendo estudadas e/ou aplicadas.