14.018 – A extinção das abelhas pode acabar com a humanidade?


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A queda nas populações do inseto (Síndrome do Colapso das Abelhas), ocorre por fatores naturais e pela ação humana, por meio da destruição do ambiente das abelhas selvagens e do uso massivo de agrotóxicos e agroquímicos. No Reino Unido, por exemplo, o número de abelhas equivale a apenas 25% do necessário para a polinização. Segundo a doutora Maria Caldas Pinto, do Centro de Ciências Humanas e Agrárias da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), as abelhas são fundamentais para a humanidade.
Nesta semana, o US Fish and Wildlife Service (FWS), que funciona como o Ibama dos Estados Unidos, incluiu sete espécies de abelha na lista de animais em extinção. Só não dá para cravar um prazo para o desaparecimento completo – nosso e delas. “Dizer que ocorreria em uma determinada quantidade de anos é taxativo, mas, se não preservarmos os meios ambientes para mantermos os insetos, a previsão vai se cumprir”.

Fazendeiras naturais
O trabalho das abelhas para a agricultura é estimado em R$ 868 bilhões. Entre 2006 e 2008, uma misteriosa diminuição na quantidade de abelhas nos EUA causou um prejuízo de mais de US$ 14 bilhões

O zumbido do apocalipse
Sem as abelhas, o mundo como o conhecemos entraria em colapso1. Se as abelhas sumirem, boa parte dos vegetais também deixará de existir. Isso porque elas são responsáveis pela polinização de até 90% da população vegetal. Há, inclusive, apicultores que alugam abelhas para a polinização de fazendas. Pássaros e outros insetos também atuam na polinização, mas em escala muito menor2. Com a queda drástica na quantidade de vegetais disponíveis, as fontes de alimentação de animais herbívoros ficarão escassas, gerando um efeito dominó na cadeia alimentar. Os herbívoros irão morrer, diminuindo a oferta de alimento aos carnívoros, atingindo um número cada vez maior de espécies até chegar ao homem
3. Com poucos vegetais e carnes à disposição, valerá a lei da oferta e da demanda. A tendência é que os preços dos alimentos disparem, assim como os valores de outros artigos de origem animal e vegetal, como o couro, a seda e o etanol, para citar só alguns. Está formada uma crise econômica

4. Na luta pelo pouco alimento que restou, a população mundial pode iniciar conflitos e até guerras. A agropecuária em crise afetará vários setores da economia, gerando desemprego, queda geral de produtividade e insatisfação popular. Com fome, muitos morrerão ou ficarão doentes. Poucos conseguiriam sobreviver a esse caos

13.588 – História – Agricultura = Evolução?


Agricultura Evolucao - H DO MUNDO

Durante muito tempo, os historiadores colocaram a coleta e a agricultura como duas experiências que marcam uma completa ruptura na civilização. Contudo, novas pesquisas apontam que essas duas atividades conviveram durante muito tempo na história do homem. A princípio, a agricultura ocupava uma função complementar na alimentação, sendo assim colocada como outra via de sobrevivência paralela à caça e a busca de frutos ou plantas.
Sendo assim, não podemos dizer que a descoberta da agricultura foi um avanço que fatalmente determinou o abandono das antigas formas de obtenção dos alimentos. Vale aqui destacar que a caça envolvia toda uma preparação onde os caçadores se encontravam promovendo a interação entre os grupos e o desenvolvimento de hábitos culturais diversos. Não é possível, assim, sugerir que a busca por alimentos se dava em função apenas da urgente necessidade de sobrevivência.
Só após a última glaciação, por volta de 10000 anos a.C., foi que as alterações do clima foram dando maior espaço para o desenvolvimento da técnica agrícola. Com o passar do tempo, a vida sedentária permitiu que casas e povoados tivessem cada vez mais destaque entre as comunidades humanas. Ao mesmo tempo, as trocas comerciais e a domesticação de animais passavam também a incorporar a construção desse novo cotidiano responsável pelo aparecimento das primeiras civilizações.
Observando essa nova realidade, muitos leigos e especialistas detectaram o alcance de uma melhora qualitativa no estilo de vida do homem. Afinal de contas, a agricultura permitia a estocagem de alimentos e o planejamento das colheitas em função das transformações climáticas decorridas ao longo de um tempo. A sobrevivência deixava de lado uma série de riscos para então se transformar em uma ação planejada com base na capacidade intelectual do homem.
Apesar de tais justificativas, existem aqueles que discordam desse ponto de vista ao acreditar que a opção pela agricultura foi uma das piores escolhas realizadas pela civilização. O biólogo Jared Diamod, por exemplo, acredita que a sedentarização pela agricultura minou o desenvolvimento do tom igualitário que permeava as sociedades coletoras. A agricultura seria a grande responsável pelo desmatamento, a superpopulação, os conflitos militares e a constituição das diferenças sociais.
Para muitos, é quase impossível imaginar a viabilidade da vida humana sem a utilização das técnicas agrícolas. Por outro lado, vemos que a atualidade tem a expressa preocupação em repensar os seus paradigmas de desenvolvimento e consumo. Não seria esse um indício de que a simples ampliação do domínio sobre a natureza não garante a sustentação da vida na Terra? Essa é uma resposta que apenas o futuro tem a competência de nos fornecer.

13.158 – Café pode entrar em extinção (?)


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Tomar um pingado vai ficar mais difícil. Tudo culpa do aquecimento global, que, segundo o Instituto Australiano do Clima, vai reduzir a área de cultivo do café pela metade até 2050.
A princípio não vai ser ruim para todo mundo: as plantações podem ficar mais produtivas em regiões como a África Oriental. Isso porque a concentração de CO2 aumenta e, como efeito imediato, turbina a produção vegetal.
Mas isso só vale para áreas em altitude suficiente para não sofrerem com o calor. Hoje em dia, a Tanzânia perde 140 kg de café por ano a cada 1 oC a mais no termômetro – o equivalente a mais de 12 mil xícaras.

13.132 – Ação Humana – Civilizações pré-colombianas moldaram vegetação da Amazônia


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As florestas da Amazônia foram moldadas pela ação humana ao longo de milhares de anos, num processo que transformou boa parte da mata em gigantescos “pomares”, repletos de espécies domesticadas de árvores. O manejo habilidoso dessas plantas pelos antigos habitantes da região acabaria criando deleites gastronômicos que hoje chegam ao mundo todo, como o cacau e a castanha-do-pará.
Esses são os exemplos mais famosos, mas a lista completa é bem mais extensa: 85 espécies de árvores foram domesticadas em algum grau na floresta, calculam os autores de um estudo internacional que acaba de ser publicado na revista especializada “Science”.
Em alguns lugares da bacia do Amazonas, as espécies selecionadas e alteradas pela atividade humana chegam a ser as mais comuns da mata, apesar da gigantesca diversidade natural de vegetais da região.

HIPERDOMINANTES
Usando esses dados, um dos colaboradores da nova pesquisa, o holandês Hans Ter Steege, já tinha mostrado que, apesar dessa imensa variedade de espécies, a Amazônia abriga algumas árvores “campeãs”, conhecidas como hiperdominantes. São 227 espécies que, somadas, são muito mais comuns que a média das demais plantas, correspondendo a uns 50% de todas as árvores amazônicas.
Ocorre que, das 85 árvores domesticadas, 20 espécies fazem parte dessa lista das hiperdominantes –cinco vezes mais do que o esperado, quando se considera o número total de espécies arbóreas da região. Outro detalhe importante é que essas plantas domesticadas hiperdominantes são muito comuns na Amazônia: ao menos algumas delas estão presentes em 70% da região, enquanto as outras espécies hiperdominantes (as não domesticadas) só ocorrem em 47% da bacia.
Isso sugere que a ação humana é que as espalhou Amazônia afora, uma vez que estudos genéticos mostram que muitas dessas plantas domesticadas hoje florescem em lugares muito distantes de seu ambiente original –é o caso do próprio cacaueiro, nativo do noroeste amazônico, mas hoje mais comum no sul da região.
E, de fato, na maioria das áreas, a concentração de espécies moldadas pelo uso humano aumenta nas proximidades de sítios arqueológicos e dos rios –ou seja, áreas que comprovadamente foram ocupadas por pessoas no passado ou que serviam (e ainda servem) como as principais estradas para quem circulava pela mata. Para onde os antigos indígenas iam, as plantas iam junto– e esse processo foi fazendo com que elas se tornassem cada vez mais comuns, alterando a composição natural de espécies da floresta para que ela se tornasse cada vez mais útil para membros da nossa espécie.

CERVEJINHA
Isso significa, é claro, árvores que produziam frutos mais saborosos ou folhas e troncos mais adequados para a construção de cabanas –e mesmo as mais úteis para o preparo de bebidas fermentadas, explica Charles Clement, biólogo do Inpa e coautor do novo estudo.
“Você certamente vai tomar uma cervejinha depois de sair do trabalho hoje. Os índios também consumiam uma grande variedade de cervejas, incluindo as feitas com o fruto da pupunha, que pode ser selecionado para ser muito rico em amido, o que favorece a fermentação”, compara ele.
A pupunha é um dos casos de árvores amazônicas totalmente domesticadas, ou seja, que sofreram grandes modificações graças à seleção promovida pelo homem e que hoje dependem da nossa espécie para se propagar. Enquanto os frutos “selvagens” da planta pesavam só 1 grama, diz Clement, hoje é possível encontrar os que alcançam 150 gramas na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
A lista de espécies inclui ainda as classificadas como parcialmente domesticadas (é o caso do cacaueiro) e incipientemente domesticadas (a castanheira). A diferença é, em grande parte, questão de grau. O primeiro tipo já tem consideráveis diferenças de aparência e genética em relação aos seus parentes selvagens, embora ainda consiga se virar sozinho sem a ajuda humana, enquanto no segundo tipo essas mudanças são bem mais sutis, explica Carolina.
O arqueólogo Eduardo Góes Neves, da USP, que também assina a pesquisa, calcula que essa grande processo de “engenharia florestal” amazônica começou há pelo menos 6.000 anos, mas pode ter se intensificado de uns 2.500 anos para cá. É quando a região fica repleta de sítios com a chamada terra preta –um solo muito fértil produzido pela ação humana, em parte graças à queima controlada de restos de vegetais.

13.119 – Cientistas estão criando abelhas drones para combater crise de polinização


Pequenos drones revestidos de um pegajoso gel poderiam, um dia, reduzir a pressão das populações de abelhas para o transporte de pólen planta a planta, segundo informações da Live Science. Atualmente, cerca de três quartos das plantas florestais do mundo e 35% das culturas alimentares dependem dos insetos para a polinização, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA.
As abelhas são consideradas alguns dos polinizadores mais prolíficos, embora a existência delas esteja declinando em todo o mundo. No mês passado, o Serviço de Peixes e Vida Selvagem dos EUA (U.S. Fish and Wildlife Service), pela primeira vez, listou a espécie nativa em ameaça de extinção.
Com isso em mente, pesquisadores no Japão deram o primeiro passo para a criação de mini robôs que poderiam ajudar a reduzir o trabalho dessas polinizadoras. Junto a isso, os cientistas criaram uma forma de gel pegajoso que permite aos robôs colher o pólen das plantas e depositar em outra para ajudá-las a se reproduzir.
Segundo o pesquisador e químico do projeto, Eijiro Miyako, do Instituto de Ciência Industrial Avançada, em Tsukuba, todo o projeto ainda está em prova de conceito. “Espera-se que alguns robôs sejam usados para experimentos de polinização”, disse.
A inovação do estudo, publicado este mês na revista Chem, é o gel iônico. De acordo com Miyako, ele foi resultado de uma tentativa fracassada de criar líquidos eletricamente condutores e acabou sendo esquecido em uma gaveta por quase uma década. Mas, oito anos depois, ele ainda não tinha secado – algo que ocorreria com a maioria dos géis. Então, após assistir a um documentário sobre polinização, teve a ideia.
“Na verdade, deixei cair o gel no chão e notei que absorvia muita poeira”, contou ele à Live Science. “Então tudo começou a se ligar na minha mente”.
Os cientistas então testaram como o produto poderia ser útil na polinização. Para isso, colocaram gotas do material na parte de trás de formigas, deixando-as durante uma noite dentro de uma caixa cheia de tulipas. No dia seguinte, descobriram que os insetos tinham transportado mais grãos de pólen do que fazem naturalmente.
Em outro experimento, os pesquisadores descobriram ainda que era possível integrar no gel compostos fotocromáticos, que mudam de cor quando expostos à luz UV ou branca. Então, colocaram o novo material em moscas vivas, dando a elas a capacidade de mudar de cor. Com isso, eles poderiam finalmente ver algum tipo de camuflagem adaptável para proteger os polinizadores de predadores.
Enquanto a descoberta pode melhor a capacidade de outros insetos carregarem pólen, também é uma solução potencial para a queda da população de abelhas. “É muito difícil usar organismos vivos para realizações práticas reais, então eu decidi mudar minha abordagem e usar robôs”, disse.
Segundo ele, ainda existem certas limitações, como por exemplo, a bateria, reduzir os custos de produção e uma melhor forma de pilotar o drone. Para isso, ele acredita que o GPS e inteligência artificial poderiam um dia ser usados para guiar automaticamente esses polinizadores robóticos.

12.219 – Mega Polêmica – É assim que frutas e legumes se pareciam antes de nós os “domesticarmos”


Atualmente, os alimentos geneticamente modificados, ou transgênicos, geram muita polêmica e reações fortes.
No entanto, eles são muito mais comuns do que você pode pensar. A modificação começa, por exemplo, a partir do momento em que você seleciona somente as sementes dos melhores frutos (com melhor genética) para cultivar.
Darwin previu a seleção artificial como um ramo da sua teoria da evolução. O fato de que seres humanos têm a praticado por tanto tempo levou a mudanças significativas em diversas frutas e legumes.
Da próxima vez que você morder uma fatia de melancia ou uma espiga de milho, considere isto: eles nem sempre tiveram essa aparência e gosto.
Veja alguns dos alimentos que eram totalmente diferentes antes dos seres humanos começarem a cultivá-los em larga escala:
frutas-e-legumes-diferentes-modificacao-genetica-1Melancia silvestre

Esta pintura do século 17, feita por Giovanni Stanchi, mostra melancias notavelmente diferentes das modernas. O quadro, criado entre 1645 e 1672, indica a existência de melancias com seis buracos triangulares e uma cor distinta da que estamos acostumados hoje.
Ao longo do tempo, criamos seletivamente essas frutas para que tivessem um interior carnudo vermelho – que é, na verdade, a placenta. Algumas pessoas sugeriram que a melancia na pintura de Stanchi era apenas imatura ou sem água, mas as sementes pretas indicam que era, de fato, madura.

Banana silvestre
As primeiras bananas foram cultivadas provavelmente pelo menos 7 mil anos atrás (possivelmente 10 mil anos atrás) no que é hoje Papua Nova Guiné. Também foram cultivadas no Sudeste Asiático. Bananas modernas vieram de duas variedades selvagens, Musa acuminata e Musa balbisiana, que têm sementes grandes e duras como as da foto acima.
A versão híbrida produziu a banana que tanto adoramos atualmente, com seu formato distinto, sementes muito pequenas e um gosto melhor.

banana

Berinjela silvestre
Ao longo da sua história, berinjelas existiram em uma ampla variedade de formas e cores, como branco, azul, roxo e amarelo (igual à da imagem acima). Algumas das primeiras berinjelas foram cultivadas na China. Versões primitivas costumavam ter espinhos no lugar onde o caule da planta se conecta às flores.
A criação seletiva desta planta conseguiu livrá-la dos espinhos e alcançar o tal formato maior, oblongo e roxo visto na maioria dos supermercados hoje.

Cenoura silvestre
As primeiras cenouras conhecidas foram cultivadas no século 10 na Pérsia e na Ásia Menor. Acredita-se que eram originalmente roxas ou brancas com uma raiz fina e bifurcada, como mostrada na foto acima. Ao longo do tempo, perderam o pigmento roxo e adquiriram uma cor mais amarelada.
Ou seja, as antigas raízes brancas e finas, que tinham um sabor forte, deram lugar hoje a saborosas raízes grandes e laranjas.

Milho silvestre
Talvez o exemplo mais emblemático de reprodução seletiva seja do milho na América do Norte, produzido a partir de uma planta que mal era comestível. O silvestre, mostrado acima, foi domesticado pela primeira vez em 7.000 aC e era seco como uma batata crua.
Hoje, é mil vezes maior do que era 9.000 anos atrás, e muito mais fácil de descascar e crescer. Além disso, 6,6% dele é feito de açúcar, em comparação com apenas 1,9% do seu ancestral. Cerca de metade dessas mudanças ocorreram a partir do século 15, quando os colonizadores europeus começaram a cultivar milho amplamente.

Pêssego silvestre
Pêssegos costumavam ser pequenos como amoras e ter pouca carne. Eles foram domesticados pela primeira vez em torno de 4.000 aC pelos antigos chineses, e tinham um gosto terroso e ligeiramente salgado, como uma lentilha.
Depois de milhares de anos de cultura seletiva, os pêssegos agora são 64 vezes maiores, 27% mais suculentos, e 4% mais doces.

12.129 – Experimento da Nasa quer testar o plantio da batata em Marte


batata marte
Quando a Nasa disser que pretende levar astronautas a Marte na década de 2030, mande-a plantar batatas. Ou, pelo menos, é o que o Centro Internacional da Batata, no Peru, já está fazendo.
A organização se emparceirou com a agência espacial americana para realizar um experimento que criará uma plantação de batatas num ambiente simulado que se assemelhe ao planeta vermelho, ainda que aqui na Terra.
O solo será retirado do deserto Pampas de La Joya, no Peru, que os pesquisadores acreditam ser uma aproximação razoável do que existiria em Marte.
O material será colocado numa estufa fechada contendo uma versão da atmosfera marciana, composta por 95% de dióxido de carbono.
“Estou empolgado de colocar batatas em Marte e ainda mais que possamos usar um terreno marciano simulado saído de tão perto da área onde as batatas se originaram”, afirmou Julio Valdivia-Silva, pesquisador do Instituto SETI (instituto de busca por inteligência extraterrestre, na sigla em inglês), ligado à Nasa, que lidera a equipe científica do projeto.
Nativas de uma região na divisa do sul do Peru com o noroeste da Bolívia, as batatas são um dos alimentos mais nutritivos e calóricos que se pode plantar.
Por isso, podem ser uma importante fonte de energia para tripulações que tenham de passar longos períodos longe da Terra –como será o caso dos astronautas que no futuro explorarão Marte.
Aliás, uma plantação de batatas marciana foi exatamente a forma que o fictício astronauta Mark Whatney, interpretado pelo ator Matt Damon, encontrou para sobreviver no planeta vermelho, no filme “Perdido em Marte”.
Será que poderia funcionar também na vida real?

DESAFIOS
“Quando trabalhamos com simulação ambiental, é bem difícil mimetizar todas as condições ao mesmo tempo”, comenta Fabio Rodrigues, astrobiólogo do Instituto de Química da USP que não participa do estudo. “Por isso, é muito difícil prever o comportamento exato do objeto de estudo no ambiente real.”
Por exemplo, o trabalho do Centro Internacional da Batata com a Nasa não pretende simular os efeitos da radiação cósmica sobre as plantações –e em Marte, por conta da falta de um campo magnético global e da atmosfera rarefeita, isso pode ser um problema para plantações.

12.065 -Biotecnologia – O futuro da comida


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Se existe mesmo um cemitério para as más ideias, é para lá que os alimentos transgênicos pareciam caminhar há pouco mais de uma década. No fim dos anos 90, quando os primeiros produtos feitos com vegetais geneticamente modificados chegaram às prateleiras, a reação foi ruidosa. O cantor Paul McCartney liderou a campanha “Say no to GMO”, ou “Diga não aos transgênicos” — que acabaram apelidados de frankenfood. Temia-se que sua ingestão colocaria a saúde dos consumidores em risco. Até o príncipe Charles se meteu na história, profetizando que as empresas de biotecnologia causariam o maior desastre ambiental de todos os tempos. Ativistas irados destruíram centros de pesquisa. Diante desse temor, os transgênicos acabaram banidos em boa parte do mundo. O fracasso da tecnologia, portanto, parecialíquido e certo. Mas, apesar do barulho, do quebra-quebra e da turma que torcia contra, o resultado foi o oposto. Em dez anos, a área plantada com transgênicos quase quadruplicou; cerca de 14 milhões de fazendeiros de países como Estados Unidos, Brasil e Argentina aderiram. Hoje, mais de 75% da soja e 25% do milho cultivados no mundo são geneticamente modificados. Centenas de milhões de pessoas comem produtos com ingredientes transgênicos todos os dias. A calamidade sanitária e o apocalipse ambiental previstos pelos críticos não vieram.

Apesar do sucesso recente, o atual estágio da pesquisa com transgênicos é frequentemente comparado ao início da era do transistor na eletrônica — ou seja, os cientistas ainda estão longe de explorar as possibilidades criadas pela adoção da biotecnologia no campo. Até hoje, os transgênicos se limitam, basicamente, a proteger as plantas contra herbicidas e pragas. Mas essa realidade vai mudar nos próximos anos. Empresas de biotecnologia e centros de pesquisa estão nos estágios finais do desenvolvimento da segunda geração de alimentos geneticamente modificados. Segundo um estudo da Comissão Europeia, o número de sementes disponíveis no mercado passará das atuais 30 para 120 até 2015. O aspecto mais promissor dessa geração é a expectativa de um salto tecnológico: novos transgênicos trarão benefícios diretos ao consumidor, aumentarãoo potencial produtivo das plantas e, veja só a ironia, podem acabar ajudando a preservar o meio ambiente. Segundo os cálculos da alemã Basf, os novos produtos farão o mercado de sementes transgênicas crescer dos atuais 8 bilhões de dólares anuais para 50 bilhões de dólares nos próximos 15 anos. Aos 58 anos, o bioquímico Americano Roy Fuchs é um dos milhões de americanos que ingerem diariamente um punhado de pílulas de ômega 3 na esperança de diminuir o risco de problemas cardíacos. O componente, extraído do óleo de peixes como salmão e sardinha, é um sucesso comercial: apenas nos Estados Unidos, o mercado de pílulas e alimentos enriquecidos com ômega 3 é estimado em mais de 2,5 bilhões de dólares anuais. Nos últimos anos, Fuchs, que é pesquisador da empresa Americana de biotecnologia Monsanto, vem trabalhando numa ideia que pode transformar esse mercado.

E se ele conseguisse criar uma variedade de soja cujo óleo fosserico em ômega 3 — e pudesse ser usado como ingrediente de barras de cereal, temperos de salada, margarinas e iogurtes? Parece uma ideia maluca, mas Fuchs conseguiu.
Para chegar lá, ele destrinchou o código genético das algas das quais peixes como o salmão se alimentam, em busca do gene responsável pela produção do ômega 3. “Em vez de procurar no DNA do salmão, queimamos uma etapa”, diz ele. Encontrado o gene, Fuchs fez um enxerto no DNA da soja. Chegou-se a uma variedade de soja que produz, em menos de meio hectare, a mesma quantidade de ômega 3 presente em 10 000 porções de salmão. Fuchs distribuiu às empresas de alimentos o oleo feito com a nova soja para que elas comecem a desenvolver produtos “ricos em ômega 3”. A Monsanto só aguarda o sinal verde do governo americano para vender a nova semente. Será um marco na evolução da biotecnologia — um alimento transgênico que trará benefícios diretos à saúde do consumidor. Nenhuma empresa ou instituição investe tanto no desenvolvimento de transgênicos quanto a Monsanto. Instalada na cidade americana de St. Louis, a companhia emprega mais de 5 000 pesquisadores como Roy Fuchs, cuja tarefa é criar novas sementes. O investimento em pesquisa supera 1 bilhão de dólares por ano. É natural que seja assim. No fim dos anos 90, a Monsanto basicamente criou esse mercado, ao lançar variedades de soja e milho resistentes ao herbicida RoundUp (produzido, claro, pela própria Monsanto). A experiência de uma década e o dinheiro investido ano após ano colocam a empresa numa posição única para lançar produtos como a soja omega 3.
O desenvolvimento de uma nova semente pode custar até 100 milhões de dólares, e poucas companhias têm caixa para gastar tanto num projeto que sempre corre o risco de dar errado. Com o conhecimento acumulado na última década, a Monsanto hoje pode inserir não um ou dois, mas oito genes diferentes numa semente de milho, por exemplo.
O enriquecimento de países como China e Índia tem aumentado o consumo de carne — e, para cada quilo de carne bovina vendido no supermercado, são necessários 7 quilos de grãos para produzir ração animal. O investimento em biocombustíveis, por sua vez, aumentará ainda mais a demanda por grãos como o milho, usado na produção de etanol. Finalmente, as Nações Unidas estimam que a população mundial crescerá cerca de 30% nas próximas décadas, até atingir 9 bilhões de pessoas em 2050. Calcula-se que o consumo de comida nos próximos 40 anos sera maior que em toda a história da humanidade. Será preciso, em resumo, dobrar a produção mundial de alimentos. É bem verdade, o mundo já esteve em situação semelhante, e não faz tanto tempo.A explosão demográfica na segunda metade do século 20 fez com que cientistas traçassem cenários cataclísmicos para a humanidade — como seria possível produzir comida para tanta gente? Coube ao americano Norman Borlaug provar que o pessimismo era exagerado. Ao propor a combinação de técnicas como o aperfeiçoamento de sementes, a adoção de inseticidas, fertilizantes e irrigação, Borlaug ajudou a criar a Revolução Verde, que multiplicou a produtividade no campo a partir dos anos 60. Morto em 2009, Borlaug é tido como responsável por salvar 1 bilhão de vidas no século 20. Tudo isso, claro, feito semtransgênico algum. Por que, então, usá-los agora?
Segundo os defensores da biotecnologia, as técnicas da Revolução Verde não bastarão para dobrar a produção de alimentos nas próximas décadas. A área dedicada à agricultura dificilmente aumentará — fatores como a urbanização em países emergentes tendem a atrapalhar nesse quesito. Será necessário, portanto, fazer mais com menos espaço.
Cerca de 70% da água fresca do planeta é usada na agricultura — com o crescimento populacional quevem aí, o volume de água disponível vai diminuir. E os agrotóxicos estão entre os maiores poluidores do mundo. Mesmo que fosse possível dobrar a produção de grãos nas próximas décadas entupindoo solo de fertilizantes e pesticidas, as consequências ambientais seriam dramáticas. Para os especialistas em biotecnologia, os novos transgênicos também podem amenizar esses dois problemas. Já há no mercado sementes geneticamente modificadas imunes a pragas — cujo plantio, por definição, reduz o uso de pesticidas.
Os pesquisadores esperam que o histórico ajude a convencer os céticos de que a tecnologia é segura para a saúde. Além disso, os primeiros transgênicos foram desenvolvidos para beneficiar os agricultores, e o consumidor ainda não vê vantagem alguma na compra de produtos com ingredientes geneticamente modificados. As empresas pretendem mudar essa imagem na próxima década, com a nova geração de transgênicos e sua promessa de beneficiar consumidores e o meio ambiente. O sucesso recente demonstra que elas conseguiram conquistar milhões de fazendeiros, apesar de toda a resistência nascida cerca de uma década atrás. Falta, agora, vender a ideia para quem decide o que vai para a mesa.

12.013 -Em meio à crise hídrica, regiões assumem riscos e melhoram a eficiência no uso da água


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Enquanto a Costa Leste dos Estados Unidos tremia de frio, a Califórnia fervia. No ano passado, incêndios florestais destruíram casas em subúrbios, um reservatório esvaziado deixou expostas as ruínas de um vilarejo da época da corrida do ouro e, na primavera, a cachoeira do Yosemite estava reduzida a um fio d’água. Enquanto a seca alcançava recordes históricos, as disputas políticas retomavam rotinas conhecidas.
Os agricultores conclamaram o Parlamento a revogar a proteção a espécies de peixes ameaçadas. Os moradores urbanos lembraram que, em média, 41% da água na Califórnia é usada na agricultura, ao passo que menos de 11% abastece as cidades (e quase 49% permanece nos rios). Prevaleceram as frases de efeito, e ao menor sinal de chuva as discussões silenciavam por completo.
Tal capacidade de esquecimento é quase uma característica inata no Oeste americano. Mas não há motivo para isso. Basta, por exemplo, ver o que ocorre na Austrália, um país com situação bem similar à existente hoje na Califórnia e no Oeste americano. Tanto na Califórnia como na Austrália, há zonas desérticas na área central, ao passo que as bordas do território são temperadas e urbanizadas. Ambas dependem de complexos sistemas de dutos para mover a água. Na verdade, os dois irmãos canadenses que, no final do século 19, construíram alguns dos primeiros sistemas de irrigação na Califórnia também ajudaram a planejar os sistemas de água na árida bacia hidrográfica australiana dos rios Murray e Darling.

Australia: solução para reduzir o consumo urbano
Na Austrália, a chamada Grande Seca, que se prolongou por uma década na virada do século 21, desencadeou no princípio o mesmo tipo de escaramuça política que toma conta da Califórnia. No entanto, depois de anos de destruição ambiental, crise de falta de água nas cidades e enormes prejuízos por parte dos agricultores, os políticos australianos – e os produtores rurais – tiveram de assumir riscos consideráveis.
“No auge da seca, tornou-se evidente que não tem como dissimular a verdade do meio ambiente”, diz o professor Mike Young, da Universidade de Adelaide, que participou da reação do país à seca. A Austrália conseguiu reduzir o consumo urbano de água graças ao investimento de bilhões de dólares em medidas de conservação, educação e melhoria na eficiência da rede. O país adotou um esquema que assegurava um suprimento mínimo de água para o ambiente, com o restante sendo dividido em parcelas que podiam ser rapidamente negociadas – ou guardadas. Embora tenham lutado contra as mudanças, os produtores rurais, graças aos estímulos financeiros, logo passaram a usar a água de maneira mais criativa e eficiente. O consumo diminuiu.

Racionamento de água
Todavia, após décadas de exploração desenfreada dos lençóis freáticos na Califórnia, autoridades regionais aprovaram normas para a preservação dos reservatórios subterrâneos de água e o governador, Jerry Brown, anunciou recentemente medidas de racionamento obrigatório. Los Angeles e outras cidades conseguiram melhorar a eficiência no uso da água. “Há muita folga no sistema, e a gente vinha tolerando isso, só porque não havia nenhum tipo de punição”, comenta Peter Gleick, presidente do Pacific Institute. “Agora temos de aprender a viver de acordo com os limites impostos pela natureza.”
A história da água no Oeste americano não mudou, e ainda é feita de ambição e otimismo, em quantidades perigosas. Mas esta seca da Califórnia, assim como outras que virão, talvez levem à abertura de um novo capítulo.
John Diener pretende fazer parte disso. Ao contrário de muitos produtores do Vale Central, não deixou de morar em sua propriedade. Ele continua a frequentar a igreja na vizinha Riverdale e, quando fica sem tempo, acaba ouvindo a missa em espanhol na igreja que os seus tios ergueram na década de 1940. Embora apegado à terra ocupada por sua família há quase um século, ele é de um pragmatismo a toda prova.

No ano passado, como não recebeu nada de água fluvial, Diener deixou descansando metade das suas terras. Plantou tomates e brócolis, irrigando-os com os eficientes sistemas de gotejamento subterrâneos que adquiriu nos últimos anos. Além disso, está se dedicando a um projeto de parceria público-privada local visando transformar beterraba em etanol. E, claro, continua a cuidar dos 8 hectares de cactos. Ainda não começou a ganhar dinheiro com eles, mas está otimista com a possibilidade de encontrar um mercado: os cactos do tipo figueira-da-barbária são muito conhecidos no México e em outras partes da América Latina como nopales, e valorizados como suplementos alimentícios ricos em selênio. Este é um futuro que o seu pai e o seu tio mal poderiam imaginar. Contudo, se estivessem vivos hoje, esses Diener de uma geração anterior certamente aprovariam a mudança de rumo. Pois foi graças a adaptações assim que também eles conseguiram sobreviver.

11.645 – História – A arma secreta de Hitler nunca antes revelada


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Os nazistas estiveram perto de construir um avião que poderia ter mudado o rumo da 2ª Guerra Mundial. Durante o conflito, Adolf Hitler encomendou a construção de uma aeronave planejada para enganar os radares dos Aliados.
O Horten 2-29 foi projetado para ser bombardeiro ultra-rápido e leve. Os nazistas chegaram a fabricar um protótipo da aeronave, mas o avião não chegou a ser produzido em escala. Isso porque ele foi encomendado quando as tropas de Hitler já estavam sendo derrotadas. O protótipo foi capturado e levado para os Estados Unidos após o fim da guerra.
Em 2009, um grupo de engenheiros criou uma réplica do avião para testar sua eficiência. Segundo eles, o dispositivo anti-radar seria bem-sucedido contra os equipamentos que os Aliados tinham na época. Em caso de ataque, não haveria tempo suficiente para uma reação. Mas o avião também tinha problemas.: ele poderia carregar apenas duas bombas e não tinha uma mira precisa.
Hitler queria, acima de tudo, reconstruir o poderio militar da Alemanha. Para isso, traçou um programa ultra secreto, que ficou conhecido pelo mundo todo após a segunda grande guerra. Hitler criou fábricas que produziam armamentos em frente aos olhos do mundo, sem que ninguém percebesse. Será que este protótipo era mais um de seus projetos?

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11.493 – Agricultura – Há 10 000 anos plantando abóboras


Treze sementes de abóbora, encontradas numa caverna mexicana em 1966, saíram das gavetas do Instituto Nacional de Antropologia e História do México para a fama. Elas mostram que os povos primitivos das Américas começaram a cultivar plantas há 10 000 anos, na mesma época em que a agricultura nascia no Oriente Médio e na China. A descoberta foi feita pelo arqueólogo Bruce Smith, do Instituto Smithsonian, em Washington. Até então, como a maioria dos cientistas, Smith acreditava na hipótese conservadora, de que as plantas selvagens só tinham sido domesticadas de cerca de 5 000 anos para cá. Mas mudou de idéia. A prova de que as abóboras mexicanas foram mesmo plantadas vem do tamanho das sementes, maior que nas espécies selvagens. “Há 8 000 anos, os homens da caverna mexicana já começavam a selecionar as melhores abóboras para plantio”.

11.122 – A Agricultura Biodinâmica


Trata-se de um modelo agrícola de produção, que nasceu em 1924, através de um ciclo de oito palestras proferidas por Rudolf Steiner, criador da Antroposofia.
Assim como na Agricultura Orgânica, a Agricultura Biodinâmica não utiliza adubos químicos, venenos, herbicidas, sementes transgênicas, antibióticos ou hormônios.
A diferença, é que, além disto, ela busca a individualidade agrícola, procurando a integração e harmonia entre as várias atividades de uma propriedade como horta, pomar, campo de cereais, criação animal e florestas nativas.
Trabalha também com o conhecimento do ciclo cósmico, pois para os agricultores biodinâmicos, o reino vegetal não se emancipou das forças cósmicas, sendo um reflexo do que se passa no Cosmo.
Para intensificar as relações e forças terrestres e cósmicas que agem nas plantas, a Biodinâmica usa preparados homeopáticos feitos de minerais, esterco bovino e plantas medicinais, promovendo assim, a vitalidade nos alimentos.
Os agricultores usam o Calendário Astronômico Agrícola como uma importante ferramenta de orientação para os melhores momentos de se trabalhar a terra: plantio, tratos culturais, colheita, etc.
Segundo Steiner, criador da agricultura biodinâmica, “a única coisa que torna viável a vida física na Terra, é sem dúvida, a agricultura”. E que, “é a agricultura, a atividade que mais foi afetada pela vida espiritual moderna”. Com isto, as pessoas passaram a se alimentar de forma incorreta. Os alimentos já não continham mais o que “realmente” os animais e seres humanos necessitavam para seu desenvolvimento pleno.

Pfeiffer diz que quando foi perguntado a Steiner:

“Como pode ocorrer que o impulso espiritual, especialmente a força da vontade para transformar os conhecimentos em ações, produza tão poucos frutos na prática?”

Steiner teria respondido:
“Isto é um problema de nutrição. A nutrição tal como se apresenta hoje não mais supre a energia necessária para manifestar o espírito na vida física. Não proporciona a construção da ponte ou conexão essencial entre o pensar, o querer e a ação. As plantas alimentícias não mais contêm as forças que as pessoas necessitam para isso”.

10.960 – Agricultura – Soja transgênica brasileira


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Está cada vez mais difícil adaptar o ciclo da soja aos ditames da natureza. O motivo: a escassez de água nos períodos em que deveria chover na lavoura. Em janeiro e fevereiro deste ano, quando a soja de Amano estava se desenvolvendo no campo, caíram apenas 44 milímetros de chuva em suas terras, um sexto do volume normalmente registrado. “A produtividade diminuiu e tive um prejuízo de 100 mil reais”, diz ele. “Foi um dos piores anos para a agricultura nesta parte do Paraná.”
Na safra atual, a ser colhida no ano que vem, os problemas vieram mais cedo. Amano plantou em metade de suas terras no início de outubro — mas, como as chuvas não chegaram na época prevista, parte das sementes não germinou. Por isso, ele decidiu adiar o restante da semeadura. No início de novembro, quando uma reportagem esteve na região, a maior parte da terra que deveria estar ocupada por brotos de soja ou pelas máquinas plantadeiras permanecia coberta apenas pela palha seca das lavouras de inverno, como o trigo. “Muitos agricultores estão, como eu, olhando para o céu à espera da chuva”, diz Amano.
A boa notícia é que, a apenas 30 quilômetros da fazenda de Amano, está em desenvolvimento uma tecnologia que promete diminuir os danos da seca. Numa propriedade de 300 hectares ocupada pela Embrapa Soja — um braço da estatal encarregada da pesquisa agrícola no Brasil —, um grupo de pesquisadores obteve os primeiros resultados com uma semente mais tolerante à escassez de água. No início da década passada, um centro de pesquisas ligado ao governo japonês descobriu um gene de uma planta da família da mostarda capaz de proporcionar resistência a longos períodos de estiagem. Os japoneses fecharam uma parceria com a Embrapa para modificar o DNA da soja com a implantação do gene. As sementes modificadas foram plantadas pela primeira vez num campo experimental na safra passada. Os resultados são promissores: a nova soja transgênica produziu de 240 a 300 quilos a mais por hectare do que as variedades convencionais. “Estamos no caminho certo”, diz Alexandre Nepomuceno, pesquisador da Embrapa Soja responsável pelo projeto.
No ano passado, as perdas causadas às lavouras de milho e de soja pela falta de chuva somaram quase 10 bilhões de reais — 66% mais do que os prejuízos com a seca de toda a década de 80. Um levantamento do Instituto Nacional de Meteorologia, que analisou dados sobre o clima no país desde 1961, mostra que houve diminuição na média anual de chuvas em áreas de produção agrícola, como a região do Mapitoba — formada pelo sul dos estados do Maranhão e do Piauí, pelo oeste da Bahia e pelo Tocantins — e também de Mato Grosso do Sul e do Paraná.

10.959 – Genética – O que é a Transgênese?


O código genético de uma espécie é alterado pela a introdução de uma ou mais sequências de genes provenientes de outra espécie. O genoma dos organismos transgênicos contém fragmentos do genoma de bactérias ou vírus em seu DNA. Os genes introduzidos não pertenciam ao genoma original dessa espécie e vão conferir-lhe novas características, fazendo também com que essa espécie possa produzir novas substâncias de interesse.
Nos organismos transgênicos são inseridos materiais genéticos de outros organismos, mediante o emprego de técnicas de engenharia genética. A geração de transgênicos visa obter organismos com características de interesse que o organismo original não apresentava, como a resistência a herbicidas ou a produção de toxinas contra pragas das culturas agrícolas. Resultados na área de transgenia já são alcançados desde a década de 1970, quando foi desenvolvida a técnica do DNA recombinante. A manipulação genética combina características de um ou mais organismos de uma forma que provavelmente não aconteceria na natureza. Assim podem ser combinados os DNAs de organismos que não se cruzariam por métodos naturais.
Os termos Organismos transgênicos e Organismos Geneticamente Modificados (OGMs’) não são sinônimos. Todo transgênico é um organismo geneticamente modificado, mas nem todo OGM é um transgênico. OGM é um organismo que teve o seu genoma modificado em laboratório, sem necessariamente receber material genético (RNA ou DNA) de outro organismo. Transgênico é um organismo que foi submetido à técnica específica de inserção de material genético de outro organismo (que pode até ser de uma espécie diferente).
Desde a criação da primeira bactéria transgênica, em 1973, os laboratórios de pesquisa têm utilizado microrganismos transgênicos nas suas investigações. Posteriormente, organismos transgênicos, como plantas e animais, foram desenvolvidos para estudos, e também vários produtos obtidos a partir de transgênicos foram desenvolvidos e comercializados. O primeiro produto comercializado foi a insulina (produzida a partir de uma modificação da bactéria Escherichia coli, no final da década de 1970). Atualmente, alimentos transgênicos são utilizados para consumo animal e humano.
São alimentos produzidos a partir de organismos cujo embrião foi modificado em laboratório, pela inserção de pelo menos um gene de outra espécie. Alguns dos motivos de modificação desses alimentos são para que as plantas possam resistir às pragas de insetos, fungos, vírus, bactérias e herbicidas.
O mau uso de pesticidas pode causar riscos ambientais, tais como o aparecimento de plantas resistentes a herbicidas e a poluição dos terrenos e lençóis de água. O uso de herbicidas, inseticidas e outros agrotóxicos pode diminuir com o uso dos transgênicos, já que eles tornam possível o uso de produtos químicos corretos para o problema. Uma lavoura convencional de soja pode utilizar até cinco aplicações de herbicida, enquanto que uma lavoura transgênica Roundup Ready (resistente ao herbicida glifosato) utiliza apenas uma aplicação.
É estimado que a área de cultivo deste tipo de variedades esteja com uma taxa de crescimento de 13% ao ano. A área total plantada é já superior a 100 milhões de hectares, sendo os principais produtores os Estados Unidos, o Canadá, o Brasil, a Argentina, a China e a Índia. Vários países europeus, entre os milhões de hectares de culturas transgênicas. As culturas prevalentes são as de milho, soja e algodão, baseadas principalmente na tecnologia Bt.

Argumento contra
Atualmente existe um debate bastante intenso relacionado à inserção de alimentos geneticamente modificados (AGM) no mercado. Alguns países, como o Japão, rejeitam fortemente a entrada desses alimentos, enquanto que outros países asiáticos, norte e sul-americanos permitem a comercialização de AGMs.
Desde 2004, após seis anos de proibição, a União Europeia autorizou a importação de produtos transgênicos. No dia 2 de março de 2010, a União Europeia aprovou o plantio de batata e milho transgênicos no continente, após solicitações dos Estados Unidos. A batata transgênica será destinada para a fabricação de papel, adesivos e têxteis. O milho atenderá a indústria alimentícia. Cada país da União Europeia poderá ser responsável pelo cultivo transgênico em suas fronteiras em votação marcada para o meio do ano.

transgenese

10.600 – Pragas – Invasão de gafanhotos assusta cidade de Madagascar


Invasão de gafanhotos em Madagascar
Invasão de gafanhotos em Madagascar

Imagens assustadoras foram registradas na cidade de Antananarivo, capital de Madagascar. Milhões de gafanhotos decidiram fazer uma “visita” ilustre à área urbana.
Os gafanhotos podem ser considerados uma ameaça real a essa região. Com sua população crescendo incontrolavelmente nos últimos anos, os insetos já são responsáveis por dificultar a vida de mais de 13 milhões de pessoas na África.
“Se não tratarmos as infestações de gafanhotos, teremos muitos abalos no campo da agricultura, e isso pode ser péssimo para a estabilidade de muitas famílias”, afirma o representante da FAO (Food and Agriculture Organization).

10.356 – Cientista egípcio que vive no Brasil ganha prêmio por suas pesquisas com mandioca


Quando ainda morava no Egito, no começo dos 1970, o botânico e geneticista Nagib Nassar conheceu um livro que decidiria seu destino: “Geografia da Fome”, de pernambucano Josué de Castro, um dos mais importantes estudos sobre a insegurança alimentar no Brasil.
O livro o influenciou a vir para o país e dedicar toda a sua carreira a pesquisas em torno dos melhoramentos da mandioca, com o propósito de usar o alimento como recurso no combate à fome.
O pesquisador foi agora condecorado com o Kuwait International Prize of Environment, que será entregue em uma cerimônia em dezembro. Junto com o prêmio, Nassar também receberá US$ 100 mil (cerca de R$ 250 mil). O dinheiro já tem destino certo: será usado para financiar pesquisas com mandioca.
“É uma maneira de continuar o trabalho de uma vida inteira”, diz Nassar, com forte sotaque, apesar de viver há 40 anos no Brasil.
Ele diz que o dinheiro será doado à UnB (Universidade de Brasília), na qual foi professor por quase 30 anos. Os rendimentos financiarão alunos de doutorado e pesquisas sobre a mandioca.
Nassar espera ser um exemplo que incentive esse tipo de doação no Brasil. “Se isso acontecer, o impacto dessa minha pequena contribuição será muito maior.”
“Essa é uma atitude típica de quem tem paixão pelo que faz”, diz Jaime Santana, decano de pesquisa e pós-graduação da UnB. Santana acrescenta que a falta de uma cultura de filantropia e os entraves burocráticos dentro das universidades são os grandes empecilhos para que esse tipo de prática torne-se mais comum no país.
Em 1974, Nassar era professor na Universidade do Cairo e soube que havia um acordo científico entre Brasil e Egito. Viu aí oportunidade de estudar a cultura da mandioca na região em que ela se originou.
Logo que chegou ao país, como professor visitante da USP, Nassar fez uma longa viagem pelo Nordeste coletando e catalogando espécies silvestres de mandioca.
Na época, o oeste da África era assolado pelo mosaico africano da mandioca, vírus que estava destruindo plantações da raiz e causando fome em vários países.
Cruzando espécies silvestres do Brasil com a mandioca cultivada, o pesquisador produziu um híbrido resistente à praga, cujas sementes tiveram um enorme sucesso nos países assolado pela doença. “Essa foi minha primeira contribuição científica de importância”, diz Nassar.
Nassar depois buscou criar híbridos de mandioca mais nutritivos. “Ninguém imaginava que espécies silvestres da mandioca possuíssem altos níveis de proteína. Consegui mostrar que isso poderia ser transferido para a mandioca comum através de cruzamento.” O resultado foi uma espécie de mandioca com o dobro de proteína.
Crítico ferrenho dos transgênicos, teme os efeitos desse tipo de alimento no longo prazo. “Nos transgênicos, os genes são transferidos de vírus ou bactérias para a planta, para a raça humana e o nosso ambiente com impactos imprevisíveis.”
Apesar da aposentadoria compulsória aos 70 anos, Nassar ainda vai todas as manhã para a UnB e orienta alunos. No tempo livre, dedica-se aos livros e aos filmes. O cientista é dono de uma coleção de quase mil dvds.
Após quase 50 de dedicação à ciência, Nassar considera-se realizado. “A maior realização para um cientista como eu é produzir uma obra inovadora, com impacto científico importante e grandes consequência sociais.”

10.169 – Nível elevado de dióxido de carbono reduz taxa de zinco e ferro em alimentos


Os níveis elevados de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera estimados para as próximas décadas podem fazer com que a concentração de nutrientes nas principais plantações do mundo sejam reduzidas. Um estudo feito pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que a presença de zinco e ferro nos alimentos pode ser prejudicada pela poluição do ar. Para os autores da pesquisa, publicada nesta quarta-feira na revista Nature, esta é a ameaça à saúde mais significativa associada à mudança climática.
Estudos anteriores em plantações feitas em estufas com níveis elevados de dióxido de carbono no ar já haviam detectado reduções de nutrientes, mas esses trabalhos foram criticados por promover condições artificiais de crescimento das plantas.
A pesquisa atual mudou a técnica. Desta vez, 41 grupos de grãos e legumes foram cultivados no Japão, Austrália e Estados Unidos segundo um método de enriquecimento de dióxido de carbono ao ar livre, com concentração de CO2 entre 546 e 586 partes por milhão (ppm) — cientistas calculam que esse será o índice em 2050.
Os pesquisadores testaram trigo, arroz, milho, sorgo (um tipo de cereal), soja e ervilha, e os resultados mostraram uma diminuição significativa nas concentrações de zinco, ferro e proteína nos grãos de plantas que fazem fotossíntese do tipo C3 (transformam o gás carbônico em um componente com três carbonos), no caso, trigo e arroz.
Nos campos de trigo, a concentração de zinco diminuiu em 9,3%, a de ferro em 5,1% e a de proteína em 6,3%. A soja e a ervilha também sofreram redução de zinco e ferro, mas não de proteína. A descoberta é ainda mais preocupante levando-se em consideração que 2 a 3 bilhões de pessoas ao redor do mundo recebem mais de 70% do zinco ou do ferro que consomem por meio desses alimentos, principalmente em países subdesenvolvidos.
Os pesquisadores perceberam que as culturas de arroz foram afetadas de formas bem diferentes entre si, o que pode indicar que seria possível produzir um tipo de arroz menos suscetível aos efeitos do dióxido de carbono. Além disso, eles acreditam que pode ser necessário fortificar as plantações com ferro e zinco e até fazer a suplementação nutricional na população mais afetada, a fim de reduzir o impacto dessas mudanças na saúde global.

10.168 – Agricultura – Plantas que mudaram o rumo da história


Cana-de-açúcar
Originária da Nova-Guiné, a cana-de-açúcar começou a ser refinada há cerca de 2.500 anos, em Bihar, na Índia. Os lucros obtidos com o seu cultivo, baseado no trabalho escravo, impulsionaram a Revolução Industrial. Nas colônias americanas, a expectativa de vida média de um escravo de uma plantação de cana-de-açúcar era a metade daqueles que trabalhavam com algodão ou tabaco, devido ao ritmo frenético de trabalho e ao maior esforço físico. Apesar das leis contra o tráfico de escravos que começaram a ser adotadas em diversos países no século XIX, quem realmente acabou com a escravidão nas plantações de açúcar foi a economia. Nações como Alemanha e França começaram a extrair açúcar da beterraba, que surgiu como uma opção ao monopólio britânico sobre a cana-de-açúcar. Em 1845, a beterraba esmagava o comércio de açúcar do continente americano. Muitos proprietários de plantações de cana-de-açúcar se salvaram graças às indenizações pagas pela perda de seu negócio.

tabaco

Tabaco
Quando chegou à Europa, o tabaco era considerado um “remédio infalível”. Talvez isso explique como essa planta, apesar de todo o mal que reconhecidamente provoca ao organismo, se difundiu pelo mundo. Provavelmente originária da Bolívia e do noroeste da Argentina, a “Nicotiana tabacum” foi levada da América ao Velho Continente pelos colonizadores europeus. No século XVI, o tabaco despertou o interesse de Jean Nicot, embaixador francês na corte portuguesa. Ele utilizou a planta para tratar úlceras e deu origem ao hábito de inalar a folha moída. Em 1571, o médico espanhol Nicolás Monardes revelou que o tabaco podia curar até vinte doenças, como enxaqueca, gota, dor de dente e febre intermitente. O tabaco começou a receber críticas no século XVII, mas só em 1952 foi desmascarado pela revista “Reader’s Digest” como o “maço do câncer”.

Samambaia
Usadas para decoração, geralmente com suas longas folhas pendendo de vasos suspensos, as samambaias estão entre as plantas mais antigas do mundo, com 335 milhões de anos. Naqueles tempos remotos, quando todos os continentes ainda estavam unidos em um grande bloco chamado Pangeia, folhas de samambaias, cavalinhas e licófitas (grupo mais antigo de plantas ainda presente, em ervas) caíram e foram enterradas sob sedimentos. As folhas se transformaram em uma camada esponjosa denominada turfa e, com o passar dos milênios, foram comprimidas até se transformarem em uma matéria negra, rica em energia: o carvão. Restos de samambaias impulsionaram a Revolução Industrial, e são até hoje uma das principais fontes de energia utilizadas pela humanidade.

Soja
Os registros mais antigos de cultivo de soja na China e no Japão são dos tempos da dinastia Chou chinesa, que terminou em 770 a.C.. O alimento, um dos mais importantes da culinária oriental, pode ser consumido fresco, em brotos, fermentado ou seco. Alguns subprodutos dessa versátil semente são leite, óleo e farinha – além do shoyu, famoso molho japonês. Trazida do Japão ao ocidente por missionários holandeses, a soja não prosperou sob o frio da Europa setentrional, mas vingou na América. A partir de 1920, a semente passou a ser utilizada em diversos tipos de alimentos industrializados e colaborou com o aumento da produção de carne, servindo como ração para animais. O desenvolvimento de versões geneticamente modificadas (GM) na década de 1980 era a esperança de alguns cientistas para o fim da fome mundial, mas, na prática, essa semente criou problemas como a resistência a herbicidas. Fazendeiros brasileiros resistiram à soja transgênica, mas foram derrotados em 2002. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, hoje a área plantada no Brasil com soja geneticamente modificada representa 90% do total. O país é o segundo produtor mundial de soja. Na safra 2012/13, a produção de 82 milhões de toneladas quase passou a dos EUA, que atingiu 82,6 milhões. Atualmente, a crescente expansão do cultivo de soja na América do Sul preocupa ambientalistas, principalmente em razão de seu impacto sobre a Floresta Amazônica.

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Algodão
O algodão é uma das mais importantes culturas não alimentícias do mundo. Seu fio serve de matéria-prima para a confecção de tecidos e materiais como ataduras, gaze e papel. A semente pode ser transformada em sabão, margarina e óleo de cozinha, enquanto as fibras que aderem à semente são empregadas em cosméticos e plásticos. Até goma de mascar contém celulose do algodoeiro. O trabalhoso processo de remover as sementes da cápsula do algodão, esticar a fibra e tecer o fio foi industrializado aos poucos. Na década de 1760, o inglês James Hargreaves lançou uma máquina de fiar operada por uma só pessoa que produzia vários fios de uma vez. Alguns anos mais tarde, foi lançado um equipamento capaz de produzir mil fios simultaneamente. O crescimento da produção nos Estados Unidos fez a posse de escravos disparar. Em 1855, quase metade da população do sul do país era composta por escravos africanos, e estima-se que 3,2 milhões deles trabalhavam nas plantações de algodão, tabaco e açúcar. Após a Guerra Civil Americana e o fim da escravidão no país, a produção de algodão foi transferida para outras partes do mundo, como a China e a África Ocidental.

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Uva
Não se sabe qual foi o primeiro povo a transformar a uva em vinho, e quando isso aconteceu. A bebida pode ter sido produzida pela primeira vez no Irã, há 5.500 anos, ou na atual Turquia ou Geórgia, 2.000 anos antes. Independentemente do local de origem, é provável que o vinho seja uma feliz invenção do acaso. À semelhança de diversas frutas, as uvas contêm suco e açúcar, e, por isso, têm uma tendência natural à fermentação. Basta encontrar uma levedura para que isso ocorra – e algumas estão presentes na própria casca da fruta. O advento da rolha e da garrafa marcou um estágio importante no desenvolvimento do vinho. Do século XVIII ao XIX, oito de cada dez italianos trabalhavam com a bebida. A introdução da videira nos Estados Unidos acarretou em um problema que viria a devastar vinhedos europeus na década de 1860: a disseminação da filoxera, um pequeno inseto destruidor de uvas, levado à Europa pelos barcos a vapor. Demorou quase um século para a indústria se recuperar. Entre 1910 e 1911, trabalhadores da província francesa de Champagne invadiram suas fábricas de vinho, destruindo garrafas e barris e atirando uvas no rio, em protesto contra a decisão de trazer uvas de fora da região para compensar as perdas provocadas pelo inseto. Mais tarde, o governo aplicou uma medida que impedia que qualquer vinho espumante produzido fora daquela região fosse denominado champanhe. O vinho se disseminou pela cultura europeia por causa do Império Romano, que plantava videiras em todos os seus territórios, e a apropriação da bebida pelo Cristianismo.

Milho
Terceiro cereal mais importante do planeta, depois do arroz e do trigo, o milho foi originalmente cultivado pelos indígenas americanos. Antes de ser levado ao Velho Mundo por Cristóvão Colombo, ele sustentou as civilizações maia, asteca, inca e tolteca. Um século depois, o cereal já havia alcançado a China. O milho ganhou popularidade entre os novos habitantes da América quando os colonos de Jamestown, primeiro assentamento britânico fundado em caráter permanente no continente americano, escaparam de morrer de fome recorrendo ao milho nativo, até então considerado “lixo selvagem”.

Trigo
Acredita-se que o trigo foi a primeira plantação da Idade da Pedra, tendo alimentado boa parte do mundo – tanto humanos quanto animais de criação – desde então. Ele já foi sinal de poder: no século III a.C., quando Roma enviou suas tropas para conquistar novos territórios na Sicília, Sardenha, norte da África, Egito e Espanha, um dos objetivos era garantir o suprimento de trigo. O colapso do Império Romano foi acompanhado pela perda dos campos de trigo. Na época das grandes navegações, essa planta ajudou marinheiros portugueses e espanhóis a explorar o Atlântico. Navegadores viajavam com sacos de cereais nos porões do navio e, ao aportar e ilhas intermediárias, como as Canárias, semeavam e colhiam o trigo para se alimentarem durante o próximo trecho da viagem. O trigo foi uma das plantas que mais modificou a paisagem rural europeia. Além dos moinhos, celeiros e silos usados para processar e armazenar os grãos, havia grandes celeiros, parecidos com catedrais, com compartimentos para armazenar os feixes de trigo e um espaço de debulha.

Arroz
O arroz rivaliza com o trigo como uma das culturas alimentícias mais importantes do planeta. Plantado em mais de 100 países, ele constitui 30% da produção mundial de cereais. Os arrozais modificaram a paisagem dos países produtores, principalmente os asiáticos, que cultivam cerca de 90% do arroz do mundo: em planícies ou terrenos escalonados em encostas de morros, eles são um cartão-postal do continente. No fim do século XX, quando o metano foi identificado como um dos causadores do efeito estufa, cientistas ocidentais apontaram a produção do arroz como uma das grandes emissoras desse gás, responsável pela liberação de mais de 37,8 milhões de toneladas de metano na atmosfera. Pesquisadores indianos, porém, argumentaram que a emissão poderia ser de apenas um décimo daquela medida. Para eles, o culpado não era o arrozal, mas a extrapolação estatística baseada em pesquisas relativamente pequenas.

Seringueira
A seringueira era conhecida como “madeira chorosa” pelas civilizações sul-americanas. Quando os espanhóis chegaram à América, os indígenas já cortavam a casca da seringueira e colhiam a seiva leitosa – o látex. O que determinou a corrida pela borracha, porém, viria apenas séculos depois: os pneus de automóvel. Muitos fazendeiros americanos abandonaram suas pequenas propriedades para coletar o látex. As árvores e os povos indígenas da região foram intensamente explorados. Com a redução dos suprimentos naturais, tiveram início esforços para levar a seringueira para a Europa. Muitas remessas de sementes morreram durante a viagem, até que, em 1876, o plantador inglês Henry Wickham conseguiu fazer a sementes germinarem fora de sua terra natal. Em 1910, havia cerca de 2,5 milhões de pneus em circulação. Apenas oitenta anos depois, com três quartos da borracha do mundo dedicadas à produção de pneus, eles chegaram a 860 milhões. A borracha seria usada também em aviões supersônicos, pisos à prova de faísca em fábricas de fogos de artifício e preservativos, que, além da contracepção, representaram um avanço no combate à aids.

9971 – Cidades Brasileiras – Milagre de São Francisco?


No sertão do nordeste, a aridez sempre rivalizou com o sonho de fazer da caatinga um enorme pomar que tirasse seus habitantes da miséria.
No extremo oeste de Pernambuco e norte da Bahia isso está virando realidade.
Nos anos 60, o Vale do São Francisco ganhou a atenção dos militares, que viram a região como um centro de energia e produção de alimentos. Foi quando começaram os projetos de irrigação com a água do Rio São Francisco. O núcleo da mudança foi Petrolina em Pernambuco. Hoje, em volta dela se cultiva 1 milhão de toneladas de frutas, com safras avaliadas em 1,3 bilhão de dólares. a fruticultura transformou não só a paisagem, mas a vida de 800 mil pessoas que trabalham no setor. Um hectare plantado de uva rende 60 vezes mais que a mesma área destinada á pecuária e emprega 6 vezes mais. nas últimas décadas tem se intensificado a produção de vinhos.
Siamesas, Petrolina e Juazeiro se nutrem da economia da irrigação. Separadas apenas por uma ponte, as 2 cidades crescem juntas. Faltam vagas na rede hoteleira e os voos que operam para lá quase sempre estão lotados, sinal do elevado movimento de investidores e técnicos agrícolas que percorrem os municípios que compõem o chamado perímetro irrigado. A prefeitura de Petrolina investe 1 milhão de reais na implantação de pontos de acesso sem fio e gratuito à Internet. edifícios de luxo são erguidos nas duas margens do Rio São Francisco.

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Com o melhor índice de saneamento básico do Nordeste, Petrolina conta com 95% de coleta de esgoto e 100% de tratamento do que é coletado.
Petrolina foi reconhecida como a maior rede hoteleira da região turística do sertão do São Francisco e do Pajeú, contando com 2.115 leitos, distribuídos em 24 hotéis; diversos restaurantes, bares, centros comerciais, hospitais, Universidades e cursos de Turismo em níveis técnico e superior, segundo um estudo de competitividade realizado pelo Ministério do Turismo, Fundação Getúlio Vargas e o Sebrae Nacional.

9970 – Ondas de calor podem diminuir cultivo de alimentos no futuro


Ondas de calor podem desestabilizar o abastecimento de comida no mundo, por afetar as plantações de milho, trigo e soja. Essa foi a constatação de um estudo publicado no periódico Environmental Research Letters. O trabalho é o primeiro a estimar o impacto do aumento de temperatura e da emissão de dióxido de carbono nessas culturas.
Pesquisas recentes sobre o assunto já mostraram, por exemplo, que mudanças climáticas podem reduzir a produção de milho em escala global, mas nenhuma havia calculado os efeitos das ondar de calor, que, segundo o novo estudo, podem dobrar as perdas na colheita. “Temperaturas extremas podem afetar todas as fases do plantio, mas principalmente o período de floração da planta”, diz a coordenadora do estudo, Delphine Deryng, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. “Nesse estágio, temperaturas extremas podem levar à esterilidade do pólen e à redução da produção de sementes, diminuindo a produtividade da plantação.”
No novo estudo, os pesquisadores simularam, com ajuda de um software Pegasus, 72 mudanças climáticas que poderiam ocorrer no século XXI e observaram qual seria a produtividade das plantações em cada uma das condições. A pesquisa também identificou as áreas em que as ondas de calor seriam esperadas e que causariam maiores danos à colheita. Algumas das mais afetadas são cruciais para a produção agrícola, como o cinturão do milho nos Estados Unidos. “Políticas para controlar as mudanças climáticas poderiam reduzir os riscos de ocorrer calor extremo que ameaça a safra mundial”, diz Delphine.
Para avaliar os resultados, os cientistas descartaram o efeito da fertilização por gás carbônico, que consiste em aumentar de 40 a 50% os níveis do gás em áreas delimitadas de plantio. Isso pode ajudar as plantas a gerenciar melhor o uso da água e desenvolver maior tolerância aos períodos de seca. O processo, estimam os pesquisadores, deverá ser bastante utilizado no futuro, e reduzirá as perdas no caso da soja e do trigo.