13.980 – Oceanografia – As Fossas Marianas


É o local mais profundo dos oceanos, atingindo uma profundidade de 11 034 metros.
Localiza-se no oceano Pacífico, a leste das ilhas Marianas, na fronteira convergente entre as placas tectônicas do Pacífico e das Filipinas. Geologicamente, a fossa das Marianas é resultado geomorfológico de uma zona de subducção.
O ponto mais profundo da fossa foi sondado pelos navios Challenger e Challenger II, da Marinha Real. O local foi batizado, então, de Challenger Deep. O fundo da fossa das Marianas foi atingido em 1960 pelo batiscafo “Trieste”, da marinha Americana tripulado pelo tenente Don Walsh e o cientista suíço Jacques Piccard, que passaram 20 minutos no fundo do oceano, numa expedição que durou ao todo 9 horas.
Pesquisadores do Woods Hole Oceanographic Institution (Estados Unidos) estão construindo um novo robô-submarino que será capaz de explorar as partes mais profundas do oceano, atingindo 11 000 metros de profundidade. O robô será alimentado por energia elétrica de baterias, podendo operar continuamente até 36 horas.
O novo robô-explorador será controlado remotamente, podendo ser operado em dois modos: autonomamente, sendo capaz de vasculhar de forma independente vastas áreas do oceano, ou preso, ligado a um cabo, com o objetivo de recolher amostras em locais específicos e bem definidos. No modo autônomo, o robô permanecerá ligado ao navio de controle, mas utilizando apenas uma fibra ótica, que será utilizada para envio de comandos e recepção de imagens.
Para lidar com as altíssimas pressões do fundo do mar, o robô-submarino terá suas câmaras acondicionadas em compartimentos feitos de cerâmicas estruturais sintéticas de última geração.
Além de pesquisa biológica, o robô permitirá acesso às zonas de terremotos e vulcões mais ativos da Terra, que consistem em falhas geológicas localizadas nas fossas oceânicas.
O homem chegou à Fossa das Marianas, o ponto mais profundo do oceano pela primeira vez em 23 de janeiro de 1960, quando o batiscafo Trieste atingiu a Depressão Challenger, a 10 916 metros de profundidade, levando os mergulhadores Don Walsh e Jacques Piccard. Em 1995, o mesmo ponto foi atingido pelo submarino-robô japonês Kaikō, que recentemente foi perdido durante uma tempestade. Na única ocasião em que seres humanos estiveram no ponto mais profundo do globo, não havia como tirar fotografias, uma vez que as janelas do batiscafo foram diminuídas a tamanhos de moedas, para melhor resistir à pressão. Por esse motivo, não existem registos visuais do evento.
Segundo o escritor norte-americano Bill Bryson, em seu livro Breve História de Quase Tudo, a aventura nunca mais foi repetida em parte porque a Marinha dos Estados Unidos se negou a financiar novas missões e em parte porque “a nação estava prestes a se voltar para as viagens espaciais e a missão de enviar um homem à Lua, que fizeram com que as investigações do mar profundo parecessem sem importância e um tanto antiquadas. Mas o fator decisivo foi a escassez de resultados do mergulho do Trieste”.
Em 1985 o oceanógrafo Robert Ballard, que tornou-se famoso pela descoberta do Titanic, utilizou um ROV (Remotely operated underwater vehicle) e seu minisubmarino Alvin para fazer mais uma descoberta histórica em conjunto com o pesquisador Dedley Foster, comprovando que, ao contrário do que se supunha, abaixo da camada batipelágico situada entre 1000 e 4000 metros, volta a existir vida. Antes da descoberta, as pesquisas eram realizadas de maneira empírica, com redes de alta profundidade. Até então era tido como certo que abaixo do batipelágico não existia mais nada no oceano. Pelas imagens de Ballard e Foster, comprovou-se que graças aos componentes químicos e ao calor exalado pelos vulcões por delicadas “chaminés” encontrados nas Fossas Marianas (a mais de 10 000 metros de profundidade) há vida exuberante nas profundezas. Pela análise das amostras coletadas pelo robô submarino comprovou-se a existência de vida marinha milhões de anos antes da vida na superfície terrestre. Na fossa das Marianas há um incalculável número de espécimes vivos altamente desenvolvidos e adaptados à colossal pressão encontrada nessas profundidades. As filmagens do ROV de Ballard e Foster mudaram para sempre parte da história da evolução da vida no planeta e abriram um campo imenso para novas pesquisas.
Em 25 de março de 2012, o cineasta James Cameron desceu sozinho até ao fundo da fossa das Marianas num batiscafo, no âmbito da expedição Deep Sea Challenge[4]. Foram sete anos de trabalho para o cineasta empreender, em apenas três horas, uma descida aos 10 998 metros de profundidade. A fossa das Marianas, que recebera a presença humana pela primeira vez em 1960, foi filmada com câmeras de alta resolução em 3D. Cameron esperava ainda, ao longo de seis horas no fundo, recolher amostras do sítio, menos conhecido pela ciência do que a superfície do planeta Marte.
A placa do Pacífico é sub duzida sob a Placa Mariana, criando a Fossa das Marianas e (mais adiante) o arco das ilhas Mariana, à medida que a água está presa na placa é lançada e explode para cima para formar vulcões da ilha. A Fossa das Marianas faz parte do sistema Izu-Bonin-Mariana subdução que forma o limite de fronteira convergente entre duas chapas tectônicas. Neste sistema, a borda ocidental de um prato, a Placa do Pacífico, é subduzida (isto é, impulso) abaixo da menor Mariana Plate que fica a oeste. O material crustal na borda ocidental da placa do Pacífico é uma das crosta oceânica mais antiga da Terra (até 170 milhões de anos) e, portanto, é mais frio e mais denso; Daí a sua grande diferença de altura em relação à Placa Mariana de alto escalão (e mais jovem). A área mais profunda do limite da placa é a Fossa Mariana propriamente dita.
O movimento das placas do Pacífico e Mariana também é indiretamente responsável pela formação das Ilhas Marianas. Estas ilhas vulcânicas são causadas pelo fluxo fundido do manto superior devido à libertação de água que está presa em minerais da porção subduzida da Placa do Pacífico.

fossas marianas

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13.425 – Geologia – Há um Imenso Oceano no Interior da Terra (?)


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Apesar de todos os avanços tecnológicos das últimas décadas, a composição do interior da Terra continua a ser uma grande interrogação científica. Uma hipótese, entretanto, ganha força entre os geólogos encarregados de elucidar o mistério: trata-se da possibilidade de que abaixo do manto terrestre, a uma profundidade entre 410 e 660 quilômetros, exista um gigantesco oceano.
Embora essa teoria venha sendo estudada há muito tempo, a primeira evidência apareceu em 2008, após a descoberta de um pequeno diamante, com apenas 3 milímetros de largura e pouco valor comercial. Na composição da pedra foi encontrado um mineral chamado ringwoodita, capaz de conter grandes proporções de água.
Após anos de análises, foi possível determinar que o diamante vem exatamente das profundidades da Terra, o que consiste na primeira prova da presença de um grande corpo subterrâneo de água. Se as evidências avançarem nesse sentido, se trataria de uma verdadeira revolução para a geologia e a compreensão do planeta.

13.412 – O que é e quando surgiu a Geofísica?


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Trata -se do estudo da Terra a partir de medidas de campos físicos que se propagam através de seu interior e de regiões vizinhas. Diferente da Geologia cujo estudo da Terra é feito via observações diretas das rochas, quer à superfície, quer provenientes de amostras colhidas em furos de sondagens, e a dedução da sua estrutura, composição, ou história baseada na análise dessas observações, a Geofísica, por sua vez, aplica os princípios da Física ao estudo da Terra.

A investigação geofísica do interior da Terra consiste em fazer medições na superfície ou próxima a ela. Estas medições são influenciadas pela distribuição interna das propriedades físicas. A análise das medições pode revelar como é que as propriedades físicas do interior da Terra variam vertical e lateralmente. Grande parte do conhecimento terrestre, abaixo das profundidades que se podem atingir por intermédio de furos, é proveniente de observações geofísicas. As propriedades da sub-superfície são estimadas por meio de medição, análise e interpretação dos dados na superfície.

A geofísica pode ser dividida em duas grandes áreas, a Geofísica Global (ou Geofísica Básica, ou ainda Geofísica da Terra Sólida), que estuda fenômenos que ocorrem em grandes escalas temporais e/ou espaciais, e, a Geofísica Aplicada, que estuda fenômenos de escala espacial menor.

Geofísica Global
As sub-áreas da Geofísica Global são:
• Sismologia
• Gravimetria
• Geomagnetismo
• Geodésia
• Mudanças Climáticas Globais
• Geotermia
• Geodinâmica
• Tectonofísica
• Geofísica Espacial
• Modelagem computacional de fenômenos geofísicos de grande escala temporal e/ou espacial

Geofísica Aplicada
A Geofísica Aplicada baseia-se na utilização dos métodos geofísicos de prospecção, cujos principais são:
• Gravimetria
• Magnetometria
• Métodos Radiométricos (Gamaespectrometria)
• Eletrorresistividade
• Potencial Espontâneo
• Polarização Induzida
• Métodos Eletromagnéticos (EM34, TDEM, etc.)
• GPR (Ground Penetrating Radar)
• Magnetotelúrico
• Sísmica de Reflexão e Refração

Estes métodos, utilizados geralmente em conjunto e com apoio de informações geológicas, são aplicados em estudos de:
• Prospecção mineral;
• Prospecção de petróleo;
• Monitoramento Ambiental;
• Água subterrânea (exploração e mapeamento de contaminação);
• Estudos forenses: determinação de cemitérios clandestinos, etc;
• Problemas de engenharia: Infra-estrutura de estradas e pontes, etc;
• Urbano (mapeamento de utilidade, a localização do tanque de armazenamento subterrâneo);
• Segurança de Barragens;
• Mapeamento Geológico;
• Arqueologia;

Cada rocha magnetiza-se de acordo com a sua susceptibilidade magnética, que depende da quantidade e do modo de distribuição dos minerais magnéticos presentes. A concentração de minerais magnéticos produz distorções locais no campo magnético da Terra, que podem ser detectadas e fornecem informações sobre a subsuperfície.
A Magnetometria baseia-se no estudo das variações locais do campo magnético terrestre, derivadas da existência, na subsuperfície, de rochas contendo minerais com forte susceptibilidade magnética, tais como a magnetita, ilmenita e pirrotita.
OBSERVAÇÃO: Tanto na Gravimetria como a Magnetometria, os campos físicos estão presentes; com isso, não é necessário que as rochas em subsuperfície sejam excitadas para que se obtenha uma medida do campo físico. Estes métodos obedecem à Teoria do Potencial e guardam várias semelhanças entre si. São referenciadas como Métodos Potenciais.
NO COMEÇO TUDO ERA GEOLOGIA
No século XVIII as investigações da Terra eram feitas sem muito método, numa
forma quase que puramente observacional e baseadas numa filosofia natural, num misto
de especulações e explicações divinas. A única parte das Ciências da Terra já organizada
era a Mineralogia, ensinada em escolas da França e Alemanha, voltadas à mineração. Foi
somente no início do século XIX que o termo Geologia ganhou força, com a fundação da
“Sociedade Geológica de Londres”, em 1807. A partir de então, esta nova ciência tinha a
missão de representar o estudo do acessível, isto é, as teorias sobre a formação e
evolução da Terra tinham que estar fortemente ancoradas no que as rochas podiam
mostrar. O que não podia ser cabalmente demonstrado era considerado meramente
especulação e ficava no campo da Cosmogonia.
Se essa postura rígida ajudou a desenvolver uma ciência com bases sólidas,
também provocou atrasos no conhecimento do interior da Terra e o estabelecimento de
teorias sobre sua evolução, devido ao preconceito sobre qualquer idéia que não
encontrasse respaldo nas observações de superfície. As primeiras medidas físicas usadas
para modelar a estrutura externa da Terra (a crosta) foram aquelas sobre o calor, isto
porque já se admitia que era necessário um fornecimento de calor constante para formar
e manter as cadeias de montanhas.
Por volta de 1830 já se tinha uma grande quantidade de observações sobre o
aumento de temperatura com o aumento de profundidade nas minas. Mantendo-se essa
razão constante, extrapolava-se que a 80 km de profundidade as rochas estariam todas
fundidas, criando um mar de magma que seria a fonte de lavas dos vulcões. Essas falsas
conclusões deveram-se à falta de conhecimento sobre as reais propriedades físicas da
Terra, o que só veio a ser conhecido muito mais tarde. Entretanto, com isso iniciou-se o
estudo do interior do planeta, campo de estudo que por vezes era designado por Geologia
Física. Entretanto, esse termo não era apropriado porque a base de conhecimento e os
métodos a serem utilizados nessa investigação eram muito diferentes daqueles aplicados
pelos geólogos da época. Mais apropriadamente, referia-se então à Física da Terra a essa
linha de investigação, e que acabou sendo o núcleo de uma nova ciência, a Geofísica.

Fonte: USP

 

13.050 – Geologia – Rio de metal líquido é descoberto no Polo Norte


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Cientistas descobriram que, 3 mil quilômetros abaixo do Alasca e da Sibéria, corre um rio superquente de ferro e níquel.
Com 420 quilômetros de largura e 7 mil de comprimento, essa mega massa metálica tem se movido a uma velocidade cada vez maior – hoje se desloca a 45km por ano, o que não parece muito para nós aqui na superfície, mas no núcleo da Terra nada se mexe tão rápido.
Equipes da Universidade Técnica da Dinamarca e da Universidade de Leeds, no Reino Unido, constataram que a velocidade triplicou nos últimos 15 anos.
Os cientistas estudam agora o impacto desse aumento nas oscilações do campo magnético da Terra – camada que nos protege da radiação solar e é fundamental para a manutenção da vida no planeta.
Já se sabe que a energia emanada pela movimentação do rio pode, sim, interferir na rotação do núcleo interno da Terra. A ideia agora é juntar as peças do quebra-cabeça para descobrir o porquê do contínuo enfraquecimento do campo magnético do planeta.

12.923 – Incrível aurora sobre o gêiser White Dome Geyser


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Auroras e gêiseres
A fotografia capturou raras auroras coloridas que irromperam inesperadamente, com faixas verdes próximas ao horizonte e outras vermelhas florescendo mais alto no céu.
Uma brilhante lua iluminou-se em primeiro plano na cena pitoresca, enquanto estrelas familiares podiam ser vistas ao longe.
Com um certo planejamento, o astrofotógrafo cuidadosamente conseguiu fazer um clique perfeito do campo chamado White Dome Geyser conforme o gêiser entrava em erupção.

Parque Nacional de Yellowstone
O White Dome Geyser fica no Parque Nacional de Yellowstone, no oeste dos EUA. Cerca de metade de todos os gêiseres conhecidos do mundo ocorrem lá.
Gêiseres entraram em erupção pulverizando uma corrente de água e vapor muitos metros para o ar. Essa água é aquecida pelo escaldante magma vários quilômetros abaixo, e sobe através de fissuras de rocha até a superfície.
Embora a tempestade geomagnética que criou as auroras maravilhosas fotografadas tenha sido passageira, as erupções do White Dome Geyser continuam a cada 30 minutos. [NASA]

12.772 – Bolhas de ar presas em pedra de 800 milhões de anos revelam níveis de oxigênio da Terra primitiva


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Tal informação poderia fornecer uma nova visão sobre quando exatamente as condições favoráveis para a vida começaram a florescer na Terra. Os pesquisadores acreditam que a mesma técnica possa ser usada para outros planetas do nosso Sistema Solar.
Anteriormente, um grupo de cientistas conseguiu recolher sedimentos, em regiões da Austrália, EUA, Sicília e Tibet, que tinham o potencial de mostrar as condições atmosféricas mais antigas da Terra. No entanto, a primeira abordagem para fazer tal análise apresentava alguns desafios, entre eles, o fato de que fragmentos de diferentes períodos podem ter sido incorporados nas camadas de sedimentos, obscurecendo a verdadeira idade das amostras.
No entanto, agora, uma equipe internacional de pesquisadores apresentou uma maneira mais eficaz para medir essa atmosfera primitiva. Eles sugeriram que o gás oxigênio poderia estar preso dentro de cristais de halita (sal-gema). Como eles haviam se formado em meio as condições atmosféricas de 813 milhões de anos atrás, os níveis de oxigênio poderiam estar presos em microscópicas bolhas de ar, que foram observadas por meio de espectrômetros de massa.
Eles afirmaram que a técnica proporcionou a primeira medição direta da quantidade de oxigênio na atmosfera no momento em que se formaram, recuperando a oxigenação do nosso planeta de 300 milhões de anos atrás.
Acredita-se que a Terra tenha passado por dois grandes eventos de oxigenação (GOE) em seus 4,5 bilhões de anos, os quais liberaram oxigênio suficiente na atmosfera para que a vida tivesse condições de surgir em qualquer canto do planeta. Enquanto o primeiro é relatado para um período de cerca de 2,4 bilhões de anos atrás, entre o período Pré-Cambriano e Paleozoico, o segundo pico pode ter acontecido perto de 550 milhões de anos atrás.
Os cientistas acreditam que essas mudanças ocorridas durante os GOEs possam ter criado as condições adequadas para a explosão da vida no período Cambriano, quando as complexas formas multicelulares se expandiram para os grandes agrupamentos de vida.
Contudo, as análises do gás nas amostras da pedra acabaram empurrando a data do GOE para centenas de milhões de anos atrás, indicando que o teor médio de oxigênio na atmosfera há 815 milhões de anos atrás já estava em 10,9% – um pouco mais da metade da concentração de hoje.
De acordo com a geóloga Dra. Kathleen Benison, da Universidade de West Virginia, nos EUA, e uma das autoras do estudo, “a diversidade da vida surge em torno deste período de tempo”. Segundo ela, “costumávamos pensar que para ter essa diversidade, precisávamos de coisas mais específicas, incluindo uma certa quantidade de oxigênio. Os resultados mostraram que não era necessário tanto gás para os organismos se desenvolverem”, disse.
Em um artigo publicado na revista Geology, os autores explicaram que as medições de oxigênio realizadas indicaram um ambiente oxigenado que poderia ter dado início às formas mais complexas de vida. Mas, os resultados indicam que essa medição também poderia ser realizada para além da Terra, potencialmente oferecendo medições precisas de ambientes antigos presos em rochas extraterrestres.

12.597 – Geologia – Misteriosa pedra alienígena é encontrada na Suécia


Cientistas acreditam ter encontrado o primeiro exemplar do chamado meteorito “extinto”, em uma pedreira na Suécia.
A pedra alienígena, do tamanho de uma bolacha, seria parte de uma rocha muito maior e teria caído na Terra há 470 milhões de anos. De acordo com o líder do estudo sobre o achado, o geologista Birger Schmitz, essa pedra espacial seria diferente de tudo o que já foi encontrado anteriormente no nosso planeta. Esse raro objeto também pode dar aos cientistas informações mais detalhadas sobre o início da história do nosso Sistema Solar.
“Este pode ser o primeiro exemplo documentado de um meteorito “extinto”, isto é, um tipo de meteorito que não cai mais na Terra hoje porque o seu corpo original já foi consumido por colisões. Os meteoritos encontrados na Terra hoje, aparentemente, não dão uma representação completa do tipo de corpos do cinturão de asteroides [entre Marte e Júpiter]”, disse Schmitz, que é professor da Universidade de Lund, na Suécia.

Chuva de meteoros
Imagina-se que, em um passado remoto, o pequeno meteorito – batizado de Österplana 065 (Öst 65) – tenha feito parte de um pedaço de rocha muito maior, um asteroide com 20 a 30 quilômetros de largura, formado há 3 bilhões de anos. Esta enorme pedra, centenas de milhões de anos atrás, colidiu com outro corpo enorme, resultando em uma chuva de meteoros nos céus de uma então jovem Terra.
Este meteorito é classificado como um condrito, que provavelmente teve origem no cinturão de asteroides. Juntamente com cerca de 100 partes de condritos até agora descobertos, este novo fragmento alienígena originalmente afundou no oceano, que mais tarde se transformou no que hoje é a pedreira na cidade de Thorsberg, onde a rocha foi descoberta.
A pedra é rica em elementos como o irídio, que é relativamente raro na Terra, e de um isótopo particular do neônio, em proporções diferentes dos condritos que são encontrados na região.
O estudo sobre o meteorito Öst 65 foi publicado na revista Nature Communications.

12.561 – Química- Cientistas transformam CO2 em pedra para conter gases do efeito estufa


Pesquisadores relataram um experimento na Islândia em que injetaram gás carbônico e água no interior de rochas vulcânicas. Reações com os minerais nas camadas profundas de basalto converteram o dióxido de carbono em um sólido estável, com consistência de giz.
Outro resultado animador, como descreveu o grupo em artigo na revista “Science”, foi a velocidade do processo: questão de meses. “De 220 toneladas de gás carbônico injetado, 95% foi convertido em pedra calcária em menos de dois anos”, afirma o coordenador da pesquisa, Juerg Matter, da Universidade de Southampton, no Reino Unido.
“Foi uma grande surpresa para todos os cientistas envolvidos no projeto, e pensamos: ‘Uau, isso é realmente rápido!”, lembrou Matter em entrevista ao programa de rádio Science In Action (Ciência em Ação), da BBC.
Com o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, e o consequente aquecimento do planeta, pesquisadores estão ansiosos para investigar as chamadas soluções de sequestro e conservação de carbono.
Experimentos anteriores injetaram gás carbônico puro em arenito, ou aquíferos profundos de água salgada. As locações escolhidas –que incluíram poços desativados de petróleo e gás– se valiam de camadas impermeáveis de rochas resistentes para conter o dióxido de carbono. Mas o temor era que o gás sempre encontraria um jeito de voltar à atmosfera.
O chamado Projeto Carbfix na Islândia, por outro lado, busca solidificar o carbono indesejado. Trabalhando com a usina geotérmica de Hellisheidi, no entorno de Reykjavik, a iniciativa combinou gás carbônico e água para produzir um líquido levemente ácido, injetado centenas de metros até as rochas basálticas que compõem grande parte dessa ilha do Norte do Atlântico.
A água de baixo pH (3.2) serviu para dissolver os íons de cálcio e magnésio nas camadas de basalto, que reagiram com o dióxido de carbono para gerar os carbonatos de cálcio e magnésio. Tubos inseridos no local dos testes coletaram pedras com os característicos carbonatos brancos ocupando os poros das rochas.
Os pesquisadores também “marcaram” o CO2 com carbono-14, uma forma radioativa do elemento. Desta maneira puderam verificar se parte do CO2 injetado estava voltando à superfície ou escoando por algum curso d’água. Nenhum vazamento foi detectado.
A usina geotérmica de Hellisheidi agora já avançou para além do experimento descrito na revista “Science”, e está injetando CO2 rotineiramente no subsolo, e em grandes volumes. A companhia também está enterrado sulfeto de hidrogênio – outro subproduto da usina. Isso ajuda moradores que tiveram que conviver com o eventual cheiro de ovo podre invadindo suas propriedades.

10.882 – Geologia – Vulcão de Lava Azul na Indonésia


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Embora pareça PhotoShop, a coloração estranha é apenas o resultado de uma reação química.
Por exemplo, um vulcão escudo como o Kilauea libera lava lentamente durante longos períodos de tempo. Já um estratovulcão montanhoso como o Monte Fuji permanece em silêncio por muitas centenas de anos antes de desencadear sua fúria cataclísmica. E os vulcões em Io, uma das luas de Júpiter, produzem colunas de erupção espetaculares que atingem alturas de 500 quilômetros.
Em todos esses casos, no entanto, a lava produzida tende a ser de uma cor vermelha-alaranjada.
O complexo vulcânico indonésio que atende pelo nome de Kawah Ijen quebra esta tendência: quando entra em erupção, sua lava queima em um azul iridescente.
Kawah Ijen é uma coleção de estratovulcões em Java, contendo uma grande caldeira com aproximadamente 22 quilômetros de diâmetro. O pico mais alto pertence ao vulcão Gunung Merapi, nome que se traduz como “montanha de fogo”.
Conforme documentado por Wu, o Kawah Ijen não possui uma lava fisicamente diferente do tipo que emerge da maioria dos estratovulcões: é bastante viscosa, de movimento lento e com temperatura de cerca de 600 a 900° C.
Inclusive, ela é em si vermelha, não azul. A cor que vemos é causada por substâncias presentes na caldeira reagindo com o calor da erupção.

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Enxofre + 600° C = lava azul
Uma erupção de lava libera uma grande quantidade de energia térmica, como você pode imaginar. Esta emissão de radiação térmica é que dá a ela sua tonalidade vermelha.
Nova ilha do Paquistão foi criada por um “vulcão de lama”
No caso do Kawah Ijen, no entanto, a lava queima uma outra coisa: bolsões de enxofre, que vomitam das fendas vulcânicas junto com a rocha derretida.
Quando os elementos queimam, produzem cores diferentes. Por exemplo, potássio na chama de um bico de Bunsen queima em uma cor lilás. Já a queima de cálcio produz uma chama vermelho-amarelada, e a de cobre uma chama azul-esverdeada. O enxofre, quando inflamado (pelo calor escaldante da lava, neste caso), queima em azul.

Tóxico
Observar a cor da erupção em Kawah Ijen pode dizer muito sobre o complexo vulcânico. Uma coloração vermelha indica que uma baixa quantidade de energia está sendo liberada; tons de verde são representativos de reações moderadamente energéticas. Chamas azuis são indicativas de energias mais altas.
Se você decidir visitar a Indonésia para verificar as exibições coloridas dos seus vulcões – de enxofre líquido vermelho escuro, enxofre inflamado azul brilhante e das paredes de enxofre frio amarelo -, tenha em mente que a substância é pungente e seus gases são incrivelmente prejudiciais para o sistema respiratório. É melhor levar uma máscara de gás junto com sua câmera fotográfica.

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11.721 – Geofísica – Partículas fantasmas são provenientes do centro da Terra


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Com a utilização de um laboratório subterrâneo, na Itália, foi encontrada a primeira evidência sólida de que as partículas subatômicas neutras são produzidas sob a crosta terrestre. A pesquisa poderia ajudar a revelar quais elementos radioativos se encontram no interior do planeta e os processos radioativos geradores de calor no interior da Terra. Os dados foram relatados na revista Physical Review D.
Neutrinos são gerados por reações nucleares que envolvem o decaimento de átomos instáveis e são frequentemente descritos como “fantasmagóricos”, por serem muito pequenos. Eles são cerca de 500 mil vezes mais leves do que o elétron, de acordo com o portal Live Science. Como não possuem carga e raramente interagem com outras partículas, não costumam atacar átomos. Mas, quando o fazem, um flash de luz é criado, que já foi gravado anteriormente por cientistas como prova de sua existência.
Porém, foram detectados neutrinos vindos do interior da Terra. Tais “geoneutrinos” dão um vislumbre físico sobre o núcleo de nosso planeta. Os especialistas, agora, podem identificar isótopos radioativos individuais no interior da Terra e descobrir como seu calor afeta a atividade geológica de, por exemplo, vulcões e terremotos.
A BBC informou que o interior da Terra gera 20 vezes mais calor que todas as estações de energia do planeta. Embora a maioria de seu calor seja perdido, outras fontes vêm do decaimento de elementos radioativos. Até agora, ninguém foi capaz de arriscar um palpite sobre sua quantidade.
Os cientistas no Laboratório Nacional de Gran Sasso, na Itália, que está localizado 1,5 km abaixo dos Apeninos, usou o detector de neutrinos Borexino para estudar as partículas fantasmas. O instrumento usa 2.200 sensores para detectar raros lampejos de luz emitidos quando neutrinos interagem com 200 toneladas de um óleo especial, alojado no interior de uma esfera. Assim, 24 geoneutrinos foram identificados, dentro de 2.056 dias. Onze vieram do manto da Terra e 13 de sua crosta.
Esses geoneutrinos sugerem que cerca de 70% do calor presente no interior da Terra é criado por radioatividade, mas o número ainda é incerto. “Há 98% de certeza, o que significa que ainda há uma pequena probabilidade de que não exista nenhum sinal do manto”, disse Aldo Ianni, um físico de partículas experimental do laboratório, em entrevista à BBC. Esses 2% de chance de erro são muito grandes para a pesquisa ser definida como uma “descoberta”, de acordo com as regras da física de partículas.
De acordo com Ianni, a fim de obter um número mais preciso, a equipe internacional precisará reunir dados por cerca de 17 anos. No futuro, os peritos podem instalar mais detectores de geoneutrinos em locais diferentes, ao redor do mundo, para analisar como os elementos radioativos são distribuídos do interior do nosso planeta.

11.687 – Geologia – O que aconteceria se o núcleo da Terra esfriasse?


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Se o planeta fosse só uma bola boiando no espaço, perdendo calor lentamente como todo corpo, alguém deveria encomendar casacos para todos. “Só que a Terra também é capaz de se esquentar sozinha”, diz o geofísico Igor Pacca, da Universidade de São Paulo. O planeta contém elementos radioativos que decaem constantemente, isto é, desintegram-se, perdendo partículas, o que gera calor. “Isso mantém o núcleo aquecido.” Serão necessários bilhões de anos até toda a sua radioatividade se dissipar. É provável que o Sol exploda antes.
Agora, se o núcleo terrestre esfriasse, aconteceriam mudanças importantes. Acabariam os movimentos tectônicos, pois o centro da Terra se solidificaria e as massas continentais não teriam por onde deslizar, e com eles terremotos e furacões terminariam. Em compensação, todas as bússolas também parariam, pois ficaríamos sem campo magnético (veja infográfico ao lado). Além do mais, peixes e plantas de mares profundos morreriam, pois os raios solares não chegam até lá e eles dependem do calor do centro da Terra. Isso desequilibraria toda a cadeia alimentar e levaria espécies da superfície à extinção.

1. As placas tectônicas parariam e, assim, vulcões se extinguiriam e terremotos cessariam. São os movimentos sob a crosta que provocam esses fenômenos.
2. O giro das rochas derretidas do núcleo da Terra, ricas em metais, produz eletricidade e gera o campo magnético da Terra. Com o núcleo frio, essas rochas se solidificariam e o magnetismo acabaria.
3. A superfície do planeta não congelaria, pois a maior parte do calor que nos aquece vem do Sol.

11.591 – Geologia – Conhecendo lagos que explodem


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Nosso universo está repleto de catástrofes naturais de todos os tipos e magnitudes, quase todas estudadas a fundo pela Ciência. No entanto, apesar do medo generalizado causado por furacões, terremotos e tsunamis, muitos ignoram o perigo real existente em um raro fenômeno: os lagos que explodem. Apesar de parecer estranho, a explosão de um lago foi exatamente o que aconteceu no dia 15 de agosto de 1984, mais precisamente o lago Nyos, em Camarões, e dois anos depois, no lago Monoun, no mesmo país. O primeiro deixou um saldo de 37 pessoas e milhares de vacas mortas. O segundo foi ainda pior: 1.700 pessoas e 3.500 animais perderam a vida.
Em ambos os casos, uma nuvem branca, bastante carregada se expandiu por quase 30 quilômetros sobre o lago antes da dita explosão. No começo, se pensou que o enxofre havia provocado a explosão, hipótese que em seguida foi descartada. O caso foi estudado detalhadamente pelo geólogo William Evans, que, entrevistando testemunhas, descobriu que o cheiro emanado pelo lago durante as explosões era bastante semelhante ao descrito por pilotos da Segunda Guerra Mundial, quando expostos a altas concentrações de CO2. “Quando as mostras de água foram analisadas, poucos dias depois do evento, havia entre 90 e 99% de CO2”, explica Evans. Sua liberação de forma tão repentina causou a explosão.
A causa do estranho evento pode residir no deslizamento de terras, já que em ambos os lagos eles ocorreram. Pouco antes das explosões, a concentração de dióxido de carbono já era três vezes maior do que o limite suportado pelo ser humano. Apesar de pouco comum, o fenômeno poderia acontecer novamente, com consequências calamitosas. O lago Kivi, em Ruanda, por exemplo, tem uma quantidade de metano tão grande que seria capaz de abastecer a demanda de eletricidade dos Estados Unidos inteiro. Caso explodisse, as perdas humanas seriam incalculáveis.

11.573 – Geologia – Força do fundo da Terra


O continente africano há muito tempo desafia os geólogos porque toda a sua metade meridional, a que fica ao sul, ergue-se a mais de 1 000 metros sobre o nível do mar. É o mais elevado planalto do mundo. Que tipo de força estaria erguendo a África?
Uma equipe americana apresentou uma solução impressionante, sugerindo que existe um esguicho de lava subterrânea empurrando o planalto africano de baixo para cima. A equipe ficou convencida ao analisar efeitos dos terremotos registrados ao longo de muitas décadas. Os números indicam que o jorro de rochas incandescentes vem do centro da Terra e percorre mais de 2 000 quilômetros antes de chegar à base do continente. Ele está em ação há milhões de anos e deve continuar assim por muito tempo ainda. “Trata-se de uma força importantíssima”, diz Carolina Lithgow-Bertelloni, da Universidade de Michigan, uma das autoras da descoberta. “Ela revela que existe ligação direta entre os movimentos mais profundos do planeta e os acidentes geográficos que vemos na superfície.”
Pesquisadores sugerem que debaixo da parte sul do continente existe uma imensa corrente de rochas derretidas.
Este planalto, erguendo-se 1 000 metros acima do nível do mar, é pelo menos 500 metros mais alto que qualquer outro do planeta.
A teoria…
Esta simulação por computador foi criada a partir da idéia de que há um “rio” de lava empurrando a crosta da Terra para cima.
Ela bate com a topografia real. O vermelho representa regiões a 1 000 metros e o verde, as que ficam quase ao nível do mar.

11.378 – Nave espacial Messenger, da NASA, detecta campo magnético de 4 bilhões de anos em Mercúrio


messenger
Usando dados obtidos a partir da já extinta nave espacial Messenger, da NASA, os cientistas mostraram que o campo magnético de Mercúrio poderia ter de 4 bilhões de anos, ultrapassando o da Terra em 400 milhões de anos.
Lançada em 2004, a sonda Messenger chegou à órbita de Mercúrio em 2011 e circulou o planeta por quatro anos, geralmente em altitudes variáveis entre 500 e 200 km. Depois de ficar sem combustível, a nave espacial terminou sua missão de 11 anos ao colidir com a superfície do planeta, em 30 de abril.
Porém, durante vários meses antes do trágico final, a sonda foi capaz de orbitar cada vez mais perto da superfície, registrando o solo rochoso de Mercúrio em detalhes sem precedentes, fornecendo uma nova visão sobre a história e evolução do planeta mais próximo de nosso Sol.
Agora, após a análise dos dados de uma série destas averiguações em baixa altitude – algumas a apenas 15 km do solo – os pesquisadores foram capazes de detectar vestígios de magnetização em antigas rochas na crosta, que eles dizem ser um sinal revelador de um campo magnético planetário, com cerca de 4 bilhões de anos.
Evidências de um campo magnético e de um grande núcleo rico em ferro em Mercúrio, foram descobertas pela primeira vez, pela sonda Mariner 10, da NASA, em seus três voos rasantes no planeta, realizados em 1974. Messenger confirmou a presença deste campo magnético e estimou sua data.
“Até esta observação, tudo o que nós sabíamos sobre a longevidade do campo magnético, ficou por conta da observação da missão Mariner 10”, disse Catherine Johnson, geofísica planetária e principal autora do estudo, da Universidade de British Columbia, no Canadá. “Então, agora sabemos que havia um campo a cerca de quatro bilhões de anos, sobrepondo a interpretação mais simples, que seria a de que Mercúrio realmente teve um campo magnético”.
Gerado pelo movimento do líquido derretido dentro do profundo núcleo do planeta – processo conhecido como geodínamo – o campo magnético é semelhante ao da Terra, só que muito mais fraco. Agora, os cientistas acreditam que ele poderia ser alguns bilhões de anos mais velho, embora os dois planetas tenham se formado ao mesmo tempo, cerca de 4,5 bilhões de anos atrás.
Para identificar os campos magnéticos fracos presentes na crosta de Mercúrio, Messenger teve que ignorar a interferência magnética a partir de uma gama de outras fontes, incluindo o próprio campo magnético global, e as interações entre este campo e ventos solares, que geram correntes eletromagnéticas.
As assinaturas magnéticas remanescentes foram detectadas em duas regiões ricas em crateras: a Suisei Planitia, e outra área marcada por grandes elevações, conhecida como Carnegie Rupes.
Segundo Stuart Gary, assim que os pesquisadores determinaram as datas das rochas magnetizadas. Uma área que está mais cheia de crateras tem sofrido mais impactos de asteroides e meteoros do que outras áreas, e por isso, é mais velha.
A missão Messenger já revelou muito sobre um dos nossos vizinhos mais próximos e, provavelmente, continuará revelando. “A missão foi planejada, originalmente, para durar um ano, ninguém esperava que ele fosse adiante. A ciência oriunda destas observações recentes é realmente interessante, e o que nós aprendemos sobre o campo magnético é apenas a primeira parte dela”, concluiu Johnson.

11.349 – Alteração comportamental de animais sinaliza, dias antes, a ocorrência de terremotos


O dado de que alterações no comportamento dos animais sinalizam, com horas ou dias de antecedência, eventos como os terremotos já era conhecido. Especialmente noticiada foi a disparada dos elefantes asiáticos para terras altas por ocasião do terremoto seguido de tsunami de 26 de dezembro de 2004. Muitas vidas humanas foram salvas graças a isso. Mas tais eventos ainda não haviam sido documentados de maneira rigorosa e conclusiva. Nem fora estabelecida uma correlação de causa e efeito entre essa modificação do comportamento animal e fenômenos físicos mensuráveis.
Isso ocorreu agora em pesquisa realizada por Rachel Grant, da Anglia Ruskin University (Reino Unido), Friedemann Freund, da agência espacial Nasa (Estados Unidos), e Jean-Pierre Raulin, do Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (Brasil). Artigo relatando o estudo, “Changes in Animal Activity Prior to a Major (M=7) Earthquake in the Peruvian Andes”, foi publicado na revista Physics and Chemistry of the Earth.
O físico Jean-Pierre Raulin, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, participou do estudo no contexto do projeto de pesquisa “Monitoramento da atividade solar e da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) utilizando uma rede de receptores de ondas de muita baixa frequência (VLF) – SAVNET – South América VLF network”, apoiado pela FAPESP.
“Nosso estudo correlacionou alterações no comportamento de aves e pequenos mamíferos do Parque Nacional Yanachaga, no Peru, com distúrbios na ionosfera terrestre, ambos os fenômenos verificados vários dias antes do terremoto Contamana, de 7,0 graus de magnitude na escala Richter, que ocorreu nos Andes peruanos em 2011”, disse Raulin à Agência FAPESP.
Os animais foram monitorados por um conjunto de câmeras. “Para não interferir em seu comportamento, essas câmeras eram acionadas de forma automática no momento em que o animal passava na sua frente, registrando a passagem por meio de flash de luz infravermelha”, detalhou o pesquisador. Em um dia comum, cada animal era avistado de cinco a 15 vezes. Porém, no intervalo de 23 dias que antecedeu o terremoto, o número de avistamentos por animal caiu para cinco ou menos. E, em cinco dos sete dias imediatamente anteriores ao evento sísmico, nenhum movimento de animal foi registrado.
Nessa mesma época, por meio do monitoramento das propriedades de propagação de ondas de rádio de muito baixa frequência (VLF), os pesquisadores detectaram, duas semanas antes do terremoto, perturbações na ionosfera sobre a área ao redor do epicentro. Um distúrbio especialmente grande da ionosfera foi registrado oito dias antes do terremoto, coincidindo com o segundo decréscimo no avistamento dos animais.

11.223 – Planeta Água(?) – Por que ainda não utilizamos água salgada?


Ipanema Beach in Rio De Janeiro, Brazil.
A questão do esgotamento dos recursos naturais da Terra já está em discussão há muito tempo, mas aqui no Brasil ganhou contornos dramáticos quando os moradores de São Paulo enfrentaram a falta de água e de chuvas. Muitos problemas foram debatidos, sugestões levantadas e muita gente começou a ter consciência sobre o uso racional da água. Por conta disso, neste domingo, dia 22, Dia Mudial da Água, nós levantamos quais seriam os prós e contras do uso da água salgada para suprir nossa demanda por água doce. Seria uma alternativa viável?
Cientistas estimam que cerca de 70% da superfície terrestre é ocupado por água e apenas 3% desse total é doce. Então, por que não estamos usando esses recursos para resolver o problema da falta de água no mundo?
A resposta está em dois empecilhos básicos. O primeiro é o custo da tecnologia para tirar o sal da água. Apesar dos avanços nas últimas décadas, a dessalinização ainda é uma das duas fontes mais caras de água que existem – a outra é o reúso de água de esgotos. Dessalinizar custa de duas a três vezes mais do que submeter a água doce ao tratamento convencional.
A outra dificuldade é levar a água até regiões distantes do oceano. Depois de dessalinizar a água, seria necessário bombeá-la por longas distâncias para chegar às populações. Imagine a estrutura necessária para levar água do mar para Brasília, que fica a mais de 1200 km do litoral mais próximo e a mais de 1.000 metros de altitude. Mesmo quando o custo da dessalinização baixar, ainda será preciso vencer o custo de construir aquedutos tão grandes, além do gasto enorme com energia para vencer a distância e o desnível, se quisermos abastecer também as regiões não-litorâneas.
Além destes dois fatores limitantes iniciais, também há uma preocupação em relação ao sal retirado da água que seria limpa e utilizada. De acordo com especialistas da The Nature Conservancy, organização ambiental que trabalha em prol da conservação das água e terras, a salmoura concentrada que é produzida como resíduo do processo precisa ser disposta no ambiente e, mesmo quando retornada ao oceano, pode gerar impacto ambiental local, especialmente sobre os plânctons que são a base da vida marinha.
É por isso que, apesar de ser uma possibilidade para o futuro, a dessalinização ainda não pode ser vista como a solução para o problema. Cuidar bem da água doce, evitando o desperdício, a poluição, o assoreamento de rios e a perda de vegetação nas margens dos cursos d’ água, ainda é nossa alternativa mais viável, se quisermos viver sem o drama da falta de água daqui para frente.

11.159 – Erupção – Vulcão Villarica entra em erupção e provoca retirada de 3.000 no Chile


vulcão

Tal vulcão, no sul do Chile, entrou em erupção na madrugada desta terça-feira (3 de março), e forçou a retirada de 3.385 pessoas de vilarejos da região, um dos principais destinos turísticos do país.
Por volta das 3h locais (mesmo horário em Brasília), uma coluna de fumaça e lava saiu da cratera, várias semanas depois que as autoridades chilenas registraram um aumento da atividade no vulcão.
As pessoas retiradas estavam em vilarejos próximos à cratera, em Pucón, Villarica e Caburga, na região da Araucanía, a 750 km da capital Santiago. As estradas entre as três cidades também foram interditadas.
Segundo a subcomandante dos Carabineiros (polícia militar chilena) em Villarica, Rosmari Cruzat, o processo de retirada durou menos de 30 minutos, já que os moradores de Pucón já haviam sido alertados e treinados para uma erupção vulcânica.
Os agentes buscam ainda moradores que possam ter ficado em suas casas apesar do alerta. As aulas das escolas na região foram suspensas, já que as instituições de ensino serão usadas como abrigo até que a erupção termine.
O subsecretário do Interior, Mahmud Aleuy, disse que a atividade do Villarica diminuiu, mas as autoridades não descartam a possibilidade de avalanche da neve que tradicionalmente cobre o vulcão.
A presidente Michelle Bachelet viajará para a região na manhã desta terça. Pouco após uma reunião com seus ministros, ela pediu calma aos moradores da região.
O vulcão Villarica é um dos principais atrativos da cidade de Pucón, um dos principais destinos turísticos do sul do Chile. No inverno, o monte abriga uma estação de esqui, enquanto nos meses de verão turistas fazem escaladas para chegar à cratera.

11.117 – Geologia – Descrita nova camada do núcleo da Terra


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Numa pesquisa publicada na revista Nature, assinada por cientistas chineses e americanos, indicou que o núcleo interno da Terra, uma região sólida, é na verdade composto por duas partes.
Tradicionalmente, considera-se que o planeta é dividido em: crosta, a camada mais externa do planeta; manto, a porção intermediária de magma; e núcleo, formado por uma parte externa de ferro e níquel líquidos e uma parte interna em estado sólido. O novo estudo sugere que este núcleo sólido não é homogêneo: com tamanho parecido ao da Lua, ele possui duas regiões distintas.
Incapazes de perfurar o coração da Terra, os cientistas tentam desvendá-lo estudando vibrações emitidas por terremotos. Dados de ondas sísmicas revelaram que os cristais de ferro da parte mais interna do núcleo estão alinhados de leste a oeste. Já os que estão na parte externa se alinham na vertical, de norte a sul. Além disso, o tamanho dos cristais varia, indicando que se formaram sob condições distintas.
Xiaodong Song, professor da Universidade de Illinois que liderou o estudo, diz que a descoberta pode ser a chave para a compreensão da evolução da Terra. Os novos dados sugerem que o planeta sofreu mudanças dramáticas que levaram à diferenciação do planeta em diversas camadas.

10.781 – Minerais Perigosos – Hidroxiapatita (Ca5(PO4)3(OH))


Hidroxiapatita (Ca5(PO4)3(OH))

O fósforo que faz parte do seu fertilizante de jardim e o flúor que está na água da sua torneira muito provavelmente vieram de uma pedra como esta, chamado hidroxiapatita. Este mineral fosfatado vêm em três variedades, cada uma, respectivamente, contendo níveis elevados de íons OH-, F-, Cl-.
A hidroxiapatita é um componente importante do esmalte do seu dente e a versão fluorapatita constitui o que é despejado no reservatório de água de cidades para prevenir as cáries na população. Só que ao mesmo tempo que ter ossos fortes e dentes saudáveis é uma coisa boa, a exposição a hidroxiapatita (seja pela mineração ou por seu processamento) irá depositar esses mesmos minerais em suas válvulas cardíacas, o que pode petrificá-las.

10.766 – Minerais Perigosos – Erionite (Ca3K2Na2 [Al10Si26O72] .30H2O (Z = 1))


erionite

É um membro da família zeólito, uma classe de minerais silicatos fibrosos com uma capacidade extremamente útil de filtrar seletivamente (por absorção) moléculas específicas a partir tanto de líquidos e da atmosfera. Frequentemente encontrada em cinza vulcânica, a erionite é muito utilizada como um catalisador para a dopagem de metais nobres utilizados para craqueamento de hidrocarbonetos e como fertilizante.
Ela, no entando, causa mesotelioma. Essa era principalmente uma doença específica de quem trabalhava com esse mineral, até perceberem que ele causava câncer também, o que colocou um fim na extração de erionite no final de 1980.