13.329 – Novo telescópio da Nasa poderá ver as primeiras galáxias do Universo


telescopio
Existe uma grande ansiedade para o lançamento do Telescópio Espacial James Webb, em outubro do ano que vem, sobretudo em conexão com o estudo de exoplanetas e a busca de potenciais evidências de habitabilidade e vida fora do Sistema Solar. Mas, quando o próximo grande observatório da Nasa foi projetado, seu objetivo era outro: sua missão principal era — e continua sendo — observar as primeiras galáxias do Universo.
Quem conta essa história é Duília de Mello, astrofísica, pesquisadora associada da agência espacial americana e vice-reitora da Universidade Católica da América, em Washington (EUA).
Os resultados que o novo telescópio trará com exoplanetas também empolgam a cientista. “Depois vamos ter de ter uma missão dedicada a exoplanetas, mas com o James Webb já se espera que se possa fazer alguma coisa transformadora, algo que vá ser legal.”
Em termos de pesquisa de exoplanetas, o foco estará sobre os mundos a orbitar estrelas menores e menos brilhantes — as anãs vermelhas, como Proxima Centauri, a estrela mais próxima do Sol. Contudo, há grande discussão entre os astrônomos se planetas na zona habitável dessas estrelas poderiam ou não ter ambientes favoráveis à vida. O James Webb pode ser o tira-teima neste caso.
Antes que ele possa fazer isso, contudo, o telescópio precisa ser lançado e funcionar corretamente. E Duília de Mello, astrônoma brasileira, afirma que, no momento, esta é a maior preocupação de todos os envolvidos com o projeto. “Ele vai abrir [no espaço] igual a um guarda-chuvinha, e são 65 pontos de abertura. Se um desses der errado, são muitos bilhões de dólares, muita gente a perder o sono. Essa é a ansiedade atual.”

11.793 – Astrônomo usa telescópio altamente sensível para procurar civilizações alienígenas avançadas


Caçador de ETs
Ele usou novos telescópios sensíveis para procurar assinaturas de calor residual emitidas de planetas que possam indicar a presença de avançadas civilizações alienígenas. Porém, após uma varredura por galáxias próximas com emissões de infravermelho anormalmente elevados, o cientista disse que isso poderia ser simplesmente um fenômeno natural, pois não encontrou absolutamente nada.
“Alguns desses sistemas definitivamente exigem uma investigação mais aprofundada, mas os já estudados em detalhe possuem uma explicação astrofísica natural. É muito provável que os sistemas restantes também se enquadrem nesta categoria, mas é claro que vale a pena verificar”, disse o professor Michael Garrett, diretor científico da Astron, o Instituto Holandês para Radioastronomia e pesquisador da Universidade de Leida.
Garrett estava à procura de sinais na parte do infravermelho médio do espectro, pensado ​​como um sinal de civilizações avançadas, capazes de aproveitar as energias em escalas galácticas. Essas civilizações, teoricamente chamadas Kardashev Tipo III, poderiam aproveitar as enormes energias contidas dentro de buracos negros e explosões de raios gama, sendo capazes de viagens espaciais de longa distância.
Uma equipe de astrônomos, liderada pelo Dr. Jason Wright, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, determinou uma lista com centenas de galáxias candidatas de hospedar essas civilizações.
A NASA também foi à procura de sinais de planetas distantes que podem ter as condições para suportar a vida com o seu telescópio espacial Kepler. No entanto, Garrett, cujos resultados foram apresentados na revista europeia Astronomy & Astrophysics, encontrou pouca evidência para sugerir que haviam galáxias habitadas por essas formas de vida avançadas. Em vez disso, ele disse que o tipo de emissões de infravermelho provenientes destas galáxias pode ser causado por processos astrofísicos naturais, principalmente pela poeira gerada e aquecida por regiões de formação de estrelas maciças.
“A pesquisa original na Penn State já nos disse que esses sistemas são muito raros, mas a nova análise sugere que este é provavelmente um eufemismo, e que civilizações avançadas de Kardashev Tipo III, basicamente, não existem no universo local”, revelou Garrett.
No entanto, ele espera usar técnicas semelhantes para ajudar a procurar tipos menos avançados de civilizações alienígenas, chamadas de Kardashev Tipo II. Tais civilizações ainda são consideravelmente mais avançadas do que a nossa própria, na Terra, que ainda não atingiu o nível de Kardashev Tipo I.

O que é a escala Kardashev?
A escala foi criada em 1964 pelo astrofísico russo Nikolai Kardashev, para padronizar em categorias os avanços tecnológicos de uma civilização. Seu principal pilar é a capacidade que essas “possíveis” civilizações têm em utilizar e explorar energia.

A escala, hipotética, é dividida em três níveis:
Tipo I: Usa todos os recursos disponíveis em seu planeta natal e domina o uso de fusão nuclear
Tipo II: Utiliza toda a energia de sua estrela.
Tipo III: Utiliza energia em toda a galáxia que habita.
O planeta Terra, atualmente, não chegou nem no Tipo I e é classificado no Tipo 0, onde a civilização usa energia baseada na queima de combustíveis fósseis, energia nuclear e outros meios alternativos, destruindo o Meio Ambiente. Os cientistas querem criar outros níveis nesta escala para encaixar melhor outros possíveis grupos.
Se for criado, o Tipo IV seria aquela civilização capaz de aproveitar a energia de todo o Universo.

11.214 – Agora Vai! Câmara dos Deputados aprova participação do país no Observatório Europeu do Sul


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A Câmara dos Deputados aprovou a adesão do Brasil ao Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), o maior consórcio de pesquisa astronômica existente no mundo, formado por 14 países da Europa. A adesão exigirá um investimento brasileiro de 270 milhões de euros – cerca de 945 milhões de reais – até 2021. Se ela for concretizada, a astronomia brasileira ganhará o maior projeto de sua história. O projeto de decreto legislativo segue para o Senado.
O projeto permite que o Brasil tenha acesso aos diversos radiotelescópios de última geração construídos pelo consórcio e instalados no Atacama, no Chile – incluindo o megatelescópio European Extremely Large Telescope (E-ELT), que será o mair telescópio em solo do mundo, com conclusão prevista para 2021.
O acordo para a participação do Brasil foi firmado em 2010 entre o governo federal e a Organização Europeia para Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul, que é responsável pela administração do ESO. De acordo com o projeto de adesão, pelo menos 75% dos recursos investidos pelo Brasil devem ser revertidos em benefícios ao setor produtivo do país.

11.070 – Estrelas são 100 milhões de anos mais jovens do que se acreditava


As primeiras estrelas são pelo menos 100 milhões de anos mais jovens do que os cientistas acreditavam. Um estudo feito a partir dos dados do telescópio Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), mostrou que a formação delas se deu 550 milhões de anos após o Big Bang, a grande explosão que deu origem ao Universo há 13,8 bilhões de anos. Os primeiros cálculos dos astrônomos mostravam que as estrelas haviam nascido 440 milhões de anos depois do fenômeno.

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Antes desse período, o Universo era uma grande massa escura, o que só começou a mudar com o surgimento das primeiras galáxias, entre 300 milhões e 400 milhões de anos após o Big Bang. No entanto, os cientistas dispunham de indícios de que elas sozinhas não teriam força suficiente para tirar o Universo da escuridão antes de 450 milhões de anos após o Big Bang. As novas evidências trazidas pelo telescópio Planck diminuem o problema, pois indicam que inicialmente surgiram as galáxias e, em seguida, suas estrelas.

“Essa diferença de 140 milhões de anos pode não parecer significativa no contexto de 13,8 bilhões de anos do cosmos, mas é uma grande mudança em nossa compreensão de como alguns eventos-chave se desenvolveram nas épocas mais remotas”, afirmou George Efstathiou, um dos líderes da equipe responsável pelo telescópio Planck, à BBC.
As informações para a descoberta foram coletadas por observações feitas entre 2009 e 2013 pelo telescópio espacial lançado pela ESA em 2009. Seu objetivo é estudar a chamada radiação cósmica de fundo, que são os primeiros raios de luz emitidos em toda a história. Nos primeiros momentos após o Big Bang, o Universo era composto por uma mistura muito quente de prótons, elétrons e fótons. Com o passar dos milênios, essa mistura foi se resfriando e, quando chegou a cerca de 2.700 graus Celsius, prótons e elétrons passaram a se juntar, formando os primeiros átomos de hidrogênio e hélio. Assim, os fótons, que são as partículas de luz, ficaram livres para percorrer o cosmos.
Essa mesma radiação primordial está até hoje, mais de 13 bilhões de anos depois, viajando pelas galáxias. No entanto, com a enorme expansão que o Universo sofreu durante esse tempo, esses raios de luz também tiveram seu comprimento de onda expandido. Eles são invisíveis ao olho humano e só podem ser observados por meio de radiotelescópios ou telescópios infravermelhos, como o telescópio Planck.
Apesar de essa radiação estar quase uniformemente distribuída pelo Universo, ela apresenta algumas flutuações pequenas de temperatura, que foram detectadas pelos instrumentos sensíveis do satélite. Essas flutuações representam pontos onde o Universo era mais denso e seriam como sementes das estruturas que formam o Universo hoje em dia, como as estrelas e galáxias de hoje. Trata-se de uma espécie de “luz-fóssil” que, pela primeira vez, pode ser vista em detalhes.

10.413 – Fapesp fecha acordo para participar de megatelescópio no Chile


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O Estado de São Paulo acaba de formalizar sua adesão ao consórcio internacional que constrói um dos megatelescópios de próxima geração para a astronomia, o GMT (Giant Magellan Telescope), com 25 metros de diâmetro.
A ser erguido no Chile sob liderança de americanos, australianos e sul-coreanos, o projeto deve começar operações em 2021. O custo total da iniciativa é de US$ 880 milhões, dos quais US$ 40 milhões sairão da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
O GMT é um dos concorrentes do ELT (Extremely Large Telescope), com 39 metros de diâmetro, um projeto do ESO (Observatório Europeu do Sul), do qual o Brasil é membro provisório. O governo federal havia assinado um acordo em 2010 para integrar a organização europeia e ter acesso ao ELT, a um custo de US$ 371 milhões. Até hoje o Congresso Nacional não aprovou a liberação da verba.
No ELT, o Brasil não tem garantia de tempo de telescópio -cada projeto individual é julgado pelo mérito científico. No caso do GMT, uma comissão brasileira julga o mérito dos projetos, mas o tempo do país está garantido.
Barbosa também destaca a possibilidade real e imediata de participar da construção da infraestrutura que dará suporte ao telescópio. “Também poderemos desenvolver instrumentação futura”.

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10.337 – Mega Wise – Noções de Óptica


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Os elementos geométricos de uma lente são centos de curvatura ou das superfícies esféricas, o centro, distância focal e potência de uma lente. Centros de curvatura são os centros das superfícies esféricas que formam as faces c&c. Centro óptico é o centro geométrico da lente (o). Eixo principal é a reta que une os centros de curvatura. Eixo secundário é qualquer reta que passe pelo centro óptico. Focos são pontos onde concorrem os raios paralelos ao eixo principal depois de atravessar a lente (foco real F) ou seus prolongamentos.
Se a distância for expressa em metros, a potência será obtida em dioptrias (uma dioptria = 1/m.
Mesmo o olho humano mais perfeito tem uma série de limitações. Por isso, para poder ver objetos muito pequenos ou muito distantes, o homem recorre a ajuda de instrumentos ópticos. Os sistemas ópticos são a combinação de espelhos, prismas e lentes utilizados para ampliar os limites da observação direta. Os instrumentos ópticos mais utilizados são a lupa ou microscópio simples, o microscópio composto, a lupa binocular, as lunetas terrestres, as lunetas astronômicas e a câmera fotográfica.

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A Lupa
é um instrumento óptico munido de uma lente com capacidade de criar imagens virtuais ampliadas. É utilizada para observar com mais detalhe pequenos objetos ou superfícies.Também denominada microscópio simples – é constituída de uma única lente convergente. Para compreender como é o funcionamento da lupa, precisamos analisar tanto como a lupa conjuga imagens, como estas imagens (objetos virtuais para o nosso olho) acabam sendo projetadas na nossa retina. O olho humano só focaliza uma imagem de um objeto em sua retina se a distância entre o objeto e o olho for maior que a de um ponto específico (Ponto Próximo). Notamos facilmente que quando o objeto está mais próximo do olho que a distância do Ponto Próximo a imagem se torna desfocada. A posição do ponto próximo é variável, de pessoa para pessoa. Sendo comum essa distância ser maior em pessoas mais idosas (explicando porque algumas pessoas não conseguem ler de perto, mas esticando o braço e aumentando a distância do papel para o olho, conseguem ler sem maiores problemas). Imagine um objeto posto sobre o Ponto Próximo de um olho humano. O tamanho da imagem produzida na retina varia com o ângulo α que o objeto ocupa no campo de visão. Quando aproximamos o objeto do olho, aumentamos este ângulo. Assim aumentamos a capacidade de observar detalhes do objeto, mas como ele está numa distância menor que do ponto próximo, o vemos fora de foco, perdendo nitidez. Para fazermos com que esta imagem desfocada fique nítida novamente, colocamos uma lente convergente entre o olho e o objeto ( Importante que o objeto esteja mais próximo do olho do que o ponto focal da lente). O que o olho passa a enxergar é uma imagem virtual do objeto. Esta imagem fica mais distante do olho do que o Ponto Próximo, sendo uma imagem nítida. Apesar dessa ampliação, a lupa não serve para a observação de objetos muito pequenos como células,bactérias e insetos pequenos, pois nesses casos se faz necessário um aumento muito grande.A solução é associarmos duas ou mais lentes convergentes, como no microscópio composto.
Em 1885 foi encontrada uma lupa de quartzo nas ruínas do palácio do rei Senaqueribe (708-681 a.C.) da Assíria. Relatos do historiador Plínio (23-79 d.C.), apresentam “Vidros Queimadores”, os quais eram produzidos pelos romanos, ou seja, lentes usadas para iniciar o fogo, com auxilio da luz solar. Uma lente plano-convexa foi encontrada nas ruínas de Pompéia (Roma).Fabricando vidro desde o século VI a.C. chineses também conheciam lentes de aumento e de diminuição, usando também lentes para iniciar o fogo. Na China também já moldava lentes utilizando cristal de rocha natural, desde o século X.
No século XVIII as propriedades de uma lupa foram descritas por Roger Bacon, na Inglaterra.

10.064 – Marte ficará mais visível a olho nu hoje à noite


marte hoje

O planeta Marte estará muito mais brilhante neste mês de abril e poderá ser visto a olho nu em todo o país na noite de hoje (8-abril). Ele estará em oposição ao Sol, ou seja, cada um estará de um lado diferente da Terra.
As oposições ocorrem a cada dois anos, aproximadamente, quando Marte fica a uma distância mínima da Terra. O espaço entre os dois planetas na noite de hoje será 93 milhões de quilômetros.
O astrônomo Jair Barroso, pesquisador do Observatório Nacional, explica que as distâncias variam consideravelmente. “Como comparação, em 2003 houve outra aproximação e os dois planetas ficaram a 56 milhões de quilômetros de distância, por uma questão de conjugação de órbitas”.
O planeta vermelho vai aparecer ao Leste ao anoitecer. Vai cruzar o céu, próximo à Espiga, que é a estrela mais brilhante da Constelação de Virgem, e vai se por no Oeste ao nascer do Sol.

Então, esta noite, olhando para cima, Marte será um ponto laranja.
Para os observadores do sistema solar, Barroso conta ainda que, olhando para o céu todos os dias por uma ou duas semanas, as pessoas vão notar as diferenças. “Marte vai aparecer praticamente com o mesmo brilho, mas irá mudando de posição em relação à estrela Espiga. Por ser um planeta que está mais perto da Terra, aparenta ter um deslocamento mais rápido”, explica o astrônomo.

10.028 – É possível ver da Terra a bandeira americana na Lua?


Atualmente, localizar a bandeira na Lua a partir da Terra usando um telescópio continua impraticável. Em teoria, a única forma para se ver algo tão pequeno como uma bandeira envolveria a utilização de um telescópio com espelho de aproximadamente 250 metros de diâmetro. Somente assim seria possível observar a bandeira como um pequeno ponto na imagem. Além disso, a instabilidade da atmosfera da Terra provavelmente não permitiria o sucesso da empreitada, devido à resolução abaixo de cerca de um segundo de arco para a maioria das localidades.
Os céticos que não acreditam nas viagens lunares frequentemente levantam a questão do porquê não se pode ver a bandeira na Lua a partir da Terra com nossos telescópios mais poderosos. Nem mesmo um telescópio tão poderoso como o Hubble (certamente o mais avançado construído até os dias de hoje) com 94,5 polegadas de espelho tem a mínima possibilidade de localizar um objeto tão pequeno a essa distância. Telescópios baseados na Terra ainda estão muito longe de serem capazes de ver a bandeira.

Supondo que realmente quiséssemos ver a bandeira e com a nitidez necessária para que esta se pareça com uma bandeira, teríamos que fazer algumas suposições. Vamos supor que as listras da bandeira (13, logo são 12 encontros de listras) são de 1,5 polegadas de altura e queremos apenas ser capaz de distingui-las. Usando o mesmo método como acima, podemos chegar a uma resposta. Neste caso, precisamos ser capazes de ver algo que é 1.5 /12 /5280 milhas de largura, ou 2.367-5 milhas. Nós multiplicamos isso por 0,83 para obter a resolução (1.965e-5). Dividindo 4,56 por este número produz 232065 polegadas, ou cerca de 19.388 pés. Tal valor equivale a cerca de 3,6 milhas. É claro que não é possível construir um telescópio óptico deste tamanho. Assim, basicamente, a bandeira na Lua permanece “invisível” para nós aqui na Terra.
Mesmo um telescópio tão poderoso como o Hubble não tem a oportunidade de ver a bandeira na lua. Ele tem um espelho que de 94,5 centímetros de diâmetro. Isso dá uma resolução de 4.56/94.5 ou cerca de 0,0483 segundo de arco. Isso se traduz numa resolução de cerca de 295 pés de distância da lua. O Hubble só poderia detectar um objeto com 295 metros de diâmetro na Lua.

9245 – EUA e Europa negociam R$ 1 bilhão do Brasil para construir telescópios gigantes


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Dois dos três projetos de telescópios mais ousados do planeta estão pleiteando, juntos, quase R$ 1 bilhão em ajuda do Brasil.
Concorrentes, ambos permitirão ver pela primeira vez com detalhes a atmosfera de planetas fora do Sistema Solar, para buscar “gêmeos” da Terra, e medir a expansão do Universo em tempo real. E a disputa por descobertas futuras já incendeia rivalidades dentro da comunidade astronômica brasileira.
O menor dos projetos, o GMT (Giant Magellan Telescope), terá um espelho de 25 metros de diâmetro –duas vezes e meia o tamanho do maior espelho de aumento usado hoje num telescópio.
A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) anuncia detalhes do acordo que negocia para entrar do projeto, liderado por um consórcio americano. Desembolsando US$ 40 milhões (R$ 92 milhões), a agência obteria uma cota de 5% do tempo de observação no GMT.
O outro projeto em busca de auxílio brasileiro é o E-ELT (European Extremely Large Telescope), um monstro de 39 metros de diâmetro a ser construído pelo ESO (Observatório Europeu do Sul). O governo federal assinou em 2010 um acordo em que se compromete a desembolsar € 270 milhões de euros (R$ 836 milhões) em dez anos.

Dentro do ESO, que já está acolhendo astrônomos brasileiros mesmo antes da ratificação, o Brasil não tem cota fixa; tem de disputar tempo de telescópio com os outros 14 países do observatório.

O acordo, porém, garante acesso não só ao futuro E-ELT, mas também ao VLT (Very Large Telescope), o maior telescópio óptico do mundo hoje, e ao Alma, o mais poderoso conjunto de radiotelescópios do planeta.

O acordo com os europeus foi aprovado anteontem pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados, mas precisa ser ratificado pelo plenário no Congresso para ter efeito. Pelos termos do acordo, o Brasil começa a pagar o valor total com parcelas menores, que crescem ano a ano.
As três primeiras parcelas já estão vencidas e somam € 47,5 milhões (R$ 147 milhões). Se o acordo for ratificado, o país precisará quitar o valor.
Tanto o GMT quanto o E-ELT têm término previsto para depois de 2020, situam-se em montanhas no Chile e operam na região óptica do espectro de luz –as ondas eletromagnéticas que o olho humano é capaz de captar.
O terceiro observatório gigante com projeto em andamento é o TMT (Telescópio de Trinta Metros), idealizado por astrônomos californianos. Hospedado no Havaí e com inauguração marcada para 2018, o aparelho está com financiamento atrasado e buscou apoio de chineses, indianos e japoneses.
Como o GMT e o E-ELT serão os únicos observatórios desse porte no hemisfério Sul, porém, é provável que entrem em concorrência direta por descobertas no céu austral, que de modo geral é mais rico que o boreal.

8852 -Astronomia-De ☻lho no Hubble


telescópio hubble

Para publicar todas as fotos batidas por tal telescópio, seriam precisos quase 2 milhões de edições de uma revista.
Como prolongar a vida útil de um telescópio sem enviar astronautas para consertá-lo? É o que os engenheiros da Nasa se perguntam atualmente. Desde o acidente com o ônibus espacial Columbia as viagens tripuladas para o Hubble estão vetadas. E o futuro do telescópio é incerto.
• Sem ajustes, é impossível manter o Hubble em órbita. As baterias do telescópio acabarão em breve. Se até lá não for desenvolvido um substituto para o trabalho dos astronautas, o Hubble irá despencar em alguma parte da Terra – sem comando, não será possível nem mesmo dirigi-lo para o oceano.
• As mais de 14 mil formações observadas pelo Hubble revolucionaram o que sabemos sobre o Universo. Há quem dê ao telescópio importância maior que os trabalhos de Galileu. Mas falta muito a descobrir: a Omega Centauri é tão grande que tem apenas um pequeno pedaço no campo de visão do Hubble.
Orbitando a 600 km da Terra, o Hubble tira fotos imunes às distorções provocadas pela atmosfera. São as imagens mais nítidas que o homem já viu do espaço. Graças a essa resolução astrônomos conseguem analisar formações como os glóbulos de Thackeray, que estão constantemente em choque.
• 130 milhões de vezes a distância que a luz percorre num ano. É esse o endereço da galáxia NGC 4650A. Achou longe? Pois isso é pouco para o Hubble, que captou fotos a 12,6 bilhões de anos-luz da Terra. Ou seja, o telescópio flagrou imagens quase tão antigas quanto o Universo, um vovô de 13 a 14 bilhões de anos.
• Um exemplo da importância científica do Hubble: antigamente, acreditava-se que galáxias eram estáveis e pouco dinâmicas. Nesta imagem, duas delas aparecem interagindo. O Hubble nos fez entender que galáxias são como pessoas: normais à primeira vista, mas surpreendentes e estranhas à medida que nos aproximamos.
• Desde o lançamento, em 1990, astronautas faziam atualizações tecnológicas no Hubble. A foto da galáxia NGC 604 foi tirada por câmeras instaladas em 2002. Agora, a Nasa estuda a utilização de robôs para substituir o trabalho dos homens. Parece ser a última chance de manter o telescópio em funcionamento
A Hubble é capaz de absorver 118 mil vezes mais luz do que o olho humano
A Nasa estuda enviar robôs ao espaço para substituir os astronautas.

8825 – Ison, o cometa do século chega à Marte


Em sua inabalável e acelerada jornada na direção do interior do Sistema Solar, o cometa passará a apenas 0,07 unidade astronômica (1 UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de km) da superfície de Marte, no dia 1º de outubro. Traduzindo em medidas do dia a dia, são “meros” 10,5 milhões de quilômetros.
Embora ainda seja um afastamento considerável (boa notícia para os marcianos, que não precisam temer uma colisão), é apenas um sexto da máxima aproximação que o Ison fará com a Terra, em dezembro, o que significa que pode dar samba para as modestas câmeras do jipe Oportunity. E com certeza dará para a poderosa HiRISE, câmera de alta resolução do satélite Mars Reconnaissance Orbiter, que está neste momento girando ao redor do planeta vermelho.

A equipe do MRO vai tentar fotografar entre 29 de setembro e 2 de outubro. Uma tentativa inicial foi feita no último dia 20, mas a Nasa ainda não divulgou imagens desse primeiro esforço. O desafio aí é que os sistemas foram projetados para tirar fotos em alta velocidade, e a observação celeste exige o contrário, longo tempo de exposição. Mas os cientistas estão otimistas.
Já o pessoal responsável pelo jipe Curiosity também está se preparando, mas admite que não será fácil. “O rover se move por aí e precisa apontar uma câmera com um campo de visão de 5 graus”.

Enquanto isso, na Terra:

cometa ison

O astrônomo amador Bruce Gary, do Arizona (EUA), foi o primeiro a conseguir uma imagem do Ison depois que ele saiu detrás do Sol, onde estava escondido de todas as câmeras na Terra. E as notícias, obtidas no último dia 12, não são boas.
Aparentemente, o brilho dele está menor do que o esperado, o que dá reforço à hipótese de que o cometa não vá ser tão espetacular quanto antes se imaginava. O resultado vai de encontro ao que o especialista em cometas colombiano Ignacio Ferrin já vinha dizendo desde antes de o astro se esconder atrás do Sol: para ele, o Ison é pobre em material volátil (vulgo água) e vai brilhar bem menos do que se imaginava a princípio.
Ele cravou a hipótese antes mesmo de o cometa chegar às regiões mais quentes do sistema (em que a água começa a evaporar) e foi criticado por isso, mas pode acabar rindo por último.
Contudo, os cientistas ainda alertam: astros desse tipo são imprevisíveis e não se pode dizer qual será seu comportamento conforme eles mergulham na direção das proximidades do Sol.

8743 – Novo telescópio da Nasa estuda atmosfera do Sol


A Nasa, agência espacial americana, divulgou as primeiras imagens do Sol feitas pelo telescópio IRIS (Interface Region Imaging Spectrograph, espectrógrafo de imagem de interface, em tradução livre), que orbita a Terra desde 27 de junho. O equipamento vai observar o Sol de maneira mais detalhada, principalmente a cromosfera, porção mais baixa da atmosfera da estrela, uma região ainda pouco conhecida pelos cientistas.
As primeiras imagens do IRIS mostram estruturas finas, com aparência fibrosa, que nunca haviam sido vistas antes. Segundo os pesquisadores, elas revelam a existência de grandes contrastes de densidade e temperatura na região.
O estudo da cromosfera, camada da atmosfera solar mais próxima de sua superfície, é importante para que seja possível entender o fluxo de energia dessa região para a corona, porção superior da atmosfera e com maior temperatura — ela é quase cem vezes mais quente do que a própria superfície do Sol, ultrapassando um milhão na escava Kelvin.
Transição
O telescópio também foi projetado para estudar a região de transição entre as duas camadas da atmosfera solar (cromosfera e corona). É nessa região que se formam os raios ultravioleta, que afetam o clima da Terra, e também os ventos solares, que podem afetar satélites e sistemas elétricos quando se aproximam do nosso planeta.
Para isso, o IRIS foi equipado com um telescópio ultravioleta e um espectrógrafo (equipamento que realiza um registro fotográfico de um espectro luminoso). Enquanto o primeiro obtém imagens em alta resolução, o segundo divide a luz solar em seus diversos comprimentos de onda e mede o quanto de cada um deles está presente. Por meio da análise dessas informações, é possível obter dados de velocidade, temperatura e densidade, essenciais para o entendimento de como a energia se move pela região.

“A qualidade das imagens e espectros que estamos recebendo do IRIS é incrível. Ainda temos muito trabalho pela frente para entender o que estamos vendo, mas a qualidade dos dados vai nos permitir fazer isso”, afirma Alan Title, integrante da equipe de pesquisadores do telescópio IRIS.
Previsões
A missão IRIS vai ajudar na compreensão do surgimento dos eventos meteorológicos em regiões espaciais próximas à Terra. Entender como a energia e a matéria solar se movem através da região de transição pode ajudar os pesquisadores a melhorar as previsões para os tipos de eventos que podem danificar tecnologias da Terra.

8541 – Nasa vai tentar ressuscitar telescópio caçador de planetas


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A Nasa começará a testar nas próximas semanas alternativas para tentar ressuscitar o telescópio espacial Kepler, que pifou em 11 de maio, após uma pane em um de seus giroscópios.
De acordo com representantes da agência espacial americana, desde que o incidente aconteceu, diversos especialistas têm pensado em maneiras de fazer o dispositivo voltar a funcionar. Os testes para ver a viabilidade de desses projetos deve começar em breve ma Califórnia.
Lançado em março de 2009 com o objetivo de localizar novos planetas, sobretudo uma possível “gêmea” da Terra, o Kepler foi equipado com quatro giroscópios. Ele poderia operar só com três deles. Mas, como um já havia pifado no ano passado, a nova falha foi crítica.
Apesar das várias alternativas, a Nasa destaca de que não há garantia de que o satélite, que já encontrou mais de 3.200 candidatos a planeta, volte mesmo à ativa.

8531 – Nova técnica pode detectar moléculas essenciais para a vida fora do Sistema Solar


Telescópios cada vez mais potentes têm ajudado os astrônomos a descobrir um grande número de planetas fora do Sistema Solar, desde a década de 1990 já foram catalogados mais de 900, e a quantidade não para de aumentar. A maioria dos exoplanetas descobertos são gasosos e estão muito perto de suas estrelas. No entanto, alguns deles são rochosos e se localizam na zona habitável de seu sistema estelar, onde o clima permite a existência de água em forma líquida, uma das condições necessárias para o surgimento da vida.
Até agora, porém, os pesquisadores não tinham como saber que tipo de molécula podia ser encontradas em sua superfície, tornando impossível confirmar se eles eram, de fato, habitáveis. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda, apresentou nesta sexta-feira uma técnica capaz de detectar moléculas complexas — como água e monóxido de carbono — na superfície de exoplanetas. A presença destas moléculas pode indicar se os exoplanetas possuem a composição química essencial para a vida. O estudo foi apresentado durante a conferência anual da Sociedade Astronômica Real da Grã-Bretanha.
os astrônomos só são capazes de confirmar sua existência a partir de pequenas alterações que sua gravidade causa na estrela em torno da qual eles giram. Em seu novo estudo, os pesquisadores da Universidade de Leiden inverteram essa técnica, medindo a influência da gravidade estelar sobre os raios de luz refletidos pelos planetas.
Os cientistas testaram a técnica no planeta HD 189733b, localizado a 63 anos-luz da Terra. Ao usar um espectrógrafo instalado no Very Large Telescope, telescópio do Observatório Europeu Austral (ESO) instalado no Chile, eles foram capazes de detectar traços de água no espectro de luz refletido pelo corpo.
O HD 189733b está localizado em uma órbita muito próxima de sua estrela, onde a água só existe em estado gasoso e a vida é impossível. Mas a técnica poderá ser usada, no futuro, para analisar outros tipos de planeta, inclusive aqueles localizados em zonas habitáveis.
Investigação molecular — Essa técnica já havia sido usada para detectar traços de monóxido de carbono no mesmo planeta, mas ainda não havia encontrado nenhum tipo de molécula mais completa. “Nós sabíamos que a estratégia funcionaria para moléculas simples, em comprimentos de onda mais curtos. Para encontrar água, no entanto, tivemos que explorar comprimentos de onda maiores, onde a atmosfera realmente começa a bloquear os sinais que nós procuramos”, explicou Jayne Birkby, astrofísica que participou do estudo.
Os pesquisadores esperam que, depois de confirmarem a existência de água, possam usar a mesma técnica para descobrir outras moléculas essenciais para a vida, como o oxigênio e o metano. “Ficamos muito felizes quando o sinal de água apareceu. Isso significa que podemos fazer ainda mais com essa técnica”.

8428 – Astronomia – O Telescópio Keck


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Na realidade são 2.
O observatório W. M. Keck é um observatório astronômico que comporta dois telescópios operando no espectro visível e infravermelho próximo. Situa-se no cume do monte Mauna Kea, no Havai, Estados Unidos da América. Cada telescópio tem um espelho de dez metros.
O observatório é gerido pela organização não governamental California Association for Research in Astronomy, tendo a NASA como parceiro.

Eles mudaram a visão do Universo
Em fins de junho de 1609, o astrônomo e físico italiano Galileu Galilei construiu sua primeira luneta – um objeto simples, com lentes nas extremidades de um tubo. No ano anterior, Hans Lipperhey, holandês já tinha registrado a patente do instrumento, mas Galileu lhe deu fama.
No verão de 1609, em Pádua, Itália, Galileu resolveu construir um aparelho que funcionasse. O telescópio provocou uma revolução na compreensão humana do Cosmos. O instrumento foi usado pela primeira vez em observações da Lua, principalmente nas sombras de montanhas e bordas de crateras; ele prosseguiu, catalogando manchas solares; e descobriu as quatro maiores luas de Júpiter ─ Io, Europa, Ganimedes e Calisto ─ hoje conhecidas como luas galileanas, em sua homenagem.
Essas observações permitiriam que Galileu sustentasse a visão de Copérnico sobre o Universo e não a visão geocêntrica defendida pela Igreja e homens esclarecidos da época. As descobertas de Galileu ajudariam a suplantar a astronomia ptolomaica, a complicada e equivocada teoria dos mecanismos celestiais que permaneceram por 1.400 anos.
Desde a construção do primeiro telescópio por Galileu, houve enormes avanços na ciência, nos sistemas ópticos e na tecnologia do instrumento. Atualmente telescópios localizados no solo são estruturas gigantescas, com espelhos flexíveis de 10 metros, dispositivos que seriam inimagináveis na época de Galileu e seus sucessores. Algumas das imagens mais nítidas do espaço foram produzidas pelo Telescópio Espacial Hubble, um espetáculo tecnológico que continua a fornecer imagens cada vez mais aprimoradas do Universo, há quase 20 anos.

8427 – O Observatório Monte Wilson


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É um observatório astronômico no Condado de Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos. Está localizado no Monte Wilson, um pico de 1 712 metros de altitude nas Montanhas San Gabriel, próximo a Pasadena, noroeste de Los Angeles. Seu principal telescópio, um telescópio refletor, possui 1,5 metro de diâmetro.
Graças à inversão térmica que captura a poluição atmosférica em Los Angeles, o Monte Wilson possui ares mais constantes do que qualquer outra localização na América do Norte, tornando-no ideal para observações astronômicas e interferometria.1 O crescimento de Los Angeles limitou a capacidade do observatório em estudar as profundezas do espaço, mas o observatório continua a ser produtivo, com vários instrumentos novos e antigos para uso na pesquisa astronômica.
O observatório foi projetado e fundado por George Ellery Hale, que construiu o telescópio de um metro de diâmetro no Observatório Yerkes. O Observatório Solar de Monte Wilson foi fundado pela Carnegie Institution of Washington em 1904, com terras arrendadas dos proprietários do Hotel Monte Wilson em 1904. Entre as condições do arrendamento estavam a permissão de acesso público ao observatório.
O espelho do principal telescópio do Observatório Monte Wilson, o Telescópio Hale, possui 1,5 metro de diâmetro. Este espelho foi construído em Saint-Gobain, na França, em 1896, como um presente do pai de George Ellery Hale. O espelho possuía inicialmente 191 mm de espessura e 860 kg, sendo um bloco de vidro não adequado para observação. Porém, foi somente em 1904 que Hale recebeu recursos da Carnegie Institution para construir um observatório. Ajustes nos parâmetros do espelho do telescópio iniciaram-se em 1905, e levaram dois anos. A instalação da base e da estrutura do telescópio foi feito em San Francisco, e por pouco não foi destruída no Terremoto de San Francisco de 1906. O transporte das peças para o topo do Monte Wilson foi um trabalho árduo, e um comboio de mulas foi usado para transportar o material. As primeiras observações foram realizadas em 8 de dezembro de 1908. Era na época o maior telescópio em operação do mundo.1
O telescópio refletor de 1,5 m tornou-se um dos telescópios mais produtivos e bem sucedidos da história da astronomia. Seu desenho e seu poder de resolução de imagem tornou possível a análise espectroscópica, medidas de paralaxe, fotografia e fotometria de nebulosas. Embora superado em tamanho pelo Telescópio Hooker nove anos depois, o Telescópio Hale continuou como um dos maiores em uso por décadas.
Em 1992, o Telescópio Hale foi adaptado com um sistema de óptica adaptativa, o Atmospheric Compensation Experiment (ACE). O sistema de 69 canais melhorou o poder de resolução do telescópio de 0,5-1,0 segundos de arco para 0,07 segundos de arco. ACE foi desenvolvido pela DARPA para a Iniciativa Estratégica de Defesa, com a National Science Foundation fornecendo os fundos necessários para conversão civil.
Atualmente, o Telescópio Hale é utilizado para observações públicas. Olheiras são adaptados ao invés de instrumentos. No presente, é o maior telescópio do mundo voltado para uso público. Em junho de 2009, o custo para meia noite de observação era de 900 dólares americanos.

8372 – Astrônomos descobrem ‘fábrica de cometas’


Cientistas conseguiram, pela primeira vez, observar a região em volta de uma estrela jovem onde partículas de poeira conseguem se juntar umas às outras e se aglutinar, formando grandes corpos rochosos. Além de documentar esse tipo de fenômeno, a descoberta deve ajudar a resolver um dos mistérios da astronomia: o mecanismo pelo qual as pequenas partículas de poeira que orbitam as estrelas são capazes de formar planetas, cometas e asteroides. A pesquisa que descreve a descoberta foi publicada nesta quinta-feira na revista Science.
As pesquisas mais recentes têm mostrado que o sistema solar não é um caso isolado — a maioria das estrelas possui planetas e outros corpos em sua órbita. O que os pesquisadores não haviam conseguido explicar é como esses corpos se formam. As teorias diziam que isso acontecia a partir da colisão e do acúmulo dos grãos de poeira que giram em volta das estrelas.
As simulações de computador mostravam, no entanto, que conforme os aglomerados de partículas cresciam, o processo ficava cada vez mais improvável. Quando dois grãos maiores colidiam, em vez de se aglutinar eles se despedaçavam. Isso criava inúmeras partículas de poeira e todo o processo era reiniciado. Mesmo quando esse tipo de colisão não acontecia, a fricção com a poeira e o gás em seu caminho fazia com que os grãos maiores fossem arrastados para órbitas cada vez mais próximas à estrela, até serem consumidos por elas.
Isso criou um impasse: enquanto as simulações mostravam que a formação de planetas por esse mecanismo era muito difícil, as observações astronômicas descobriam um número cada vez maior de novos planetas fora do Sistema Solar. Para resolver esse problema, os pesquisadores teorizaram então a existência de um mecanismo pelo qual vórtices e redemoinhos criados em meio à poeira que circunda uma estrela criariam zonas protegidas, onde as partículas poderiam se juntar aos poucos, até serem grandes o suficiente para sobreviver por si mesmas.

Para criar esses abrigos — que foram chamados de armadilhas de poeira—, seria necessária a presença de outro corpo grande, como um planeta gasoso, girando em volta da estrela. Conforme esse objeto se movimentasse pelo disco de poeira, ele iria abrir caminho e produzir os vórtices necessários para a existência da armadilha. Todo esse complexo mecanismo só existia na cabeça e nas simulações dos astrofísicos teóricos, mas nunca havia sido visto na prática. Até agora.
A pesquisa publicada na revista Science descreve o primeiro registro de uma armadilha de poeira, orbitando a estrela Oph-IRS 48, localizada a 400 anos-luz da Terra. Observações anteriores já haviam mostrado a existência de anéis de gás e de poeira muito uniformes ao redor dessa estrela. Eles possuíam um formato curioso, com um grande espaço vazio entre as órbitas mais internas e mais externas. Isso costuma ser visto como um indício da presença de um planeta muito grande — com cerca de 10 vezes a massa de Júpiter —, justamente o tamanho necessário para criar as armadilhas de poeira.
Ao observar a região, utilizando o Atacama Large Millimeter Array (ALMA), radiotelescópio pertencente ao Observatório Europeu do Sul, os pesquisadores descobriram uma protuberância em uma das porções externas do disco de poeira. Essa protuberância reunia as maiores partículas — que chegavam a alguns milímetros de diâmetro — e tinha um formato inesperado. “Nós esperávamos que ela tivesse o formato de um anel, mas encontramos outra forma, semelhante à castanha de caju. Tivemos de nos convencer de que essa característica era real, mas o forte sinal e a clareza das observações do ALMA não deixavam nenhuma dúvida. Foi aí que percebemos o que tínhamos encontrado”, diz Nienke van der Marel, pesquisador do Observatório Leiden, na Holanda.

O que eles haviam descoberto era justamente uma região que isolava os maiores grãos de poeira, deixando-os livres para se aglomerar e formar grupamentos maiores — a armadilha de poeira. “É provável que estejamos olhando para uma espécie de fábrica de cometas, já que as condições são perfeitas para que as partículas cresçam dos milímetros atuais para o tamanho desses corpos”, disse van der Marel.
A armadilha estava localizada a uma grande distância de sua estrela, cerca de 50 vezes maior do que a que separa a Terra do Sol. Nessas condições, a formação de planetas seria impossível. “A poeira não deve formar corpos do tamanho de planetas a essa distância. Mas, no futuro, o ALMA deverá ser capaz de observar armadilhas de poeira ainda mais próximas às estrelas, com os mesmos mecanismos em funcionamento. Nesse caso, estaríamos vendo o berço de novos planetas”, diz o pesquisador.
As observações foram feitas antes mesmo de o ALMA entrar em completo funcionamento, usando apenas uma pequena porção das 66 antenas instaladas no deserto do Atacama. “Estas observações mostram que o ALMA é capaz de produzir ciência realmente transformativa, e isto quando ainda operava com menos de metade da rede completa. Isso dá a oportunidade de estudar os aspectos básicos da formação planetária de maneiras que anteriormente não eram possíveis”, diz Ewine van Dishoeck, pesquisador do Observatório de Leiden, que contribuiu com a construção do ALMA e participou do recente estudo.

8294 – Caçador de planetas da Nasa pifa, mas estudos continuam


A mais ambiciosa e poderosa missão de caça a planetas pode ter um fim prematuro. Mas ainda haverá novas descobertas vindas do satélite Kepler durante anos.
O telescópio da Nasa, agência espacial americana, parou de colher dados científicos em 11 de maio, após a pane de um de seus giroscópios.

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São quatro ao todo, e sua função é permitir o direcionamento preciso do telescópio para a região do céu escolhida para a pesquisa, onde ele monitora cerca de 150 mil estrelas em busca de sinais de planetas ao seu redor.
A precisão oferecida pelos giroscópios é de um milionésimo de grau, e o Kepler poderia operar com só três deles. Só que um já havia pifado no ano passado e, agora, outro encalhou.
O satélite entrou em “modo de segurança” (como um computador doméstico quando tem um problema) e sua orientação é mantida por propulsores. Os engenheiros do projeto elaboram um plano que tentará recuperar um dos dois dispositivos pifados.
“Qualquer ação de recuperação levará tempo”, diz Roger Hunter, gerente da missão. “Possivelmente meses.”
Embora a interrupção da missão –sem falar no possível término– seja desanimadora, é importante lembrar que o satélite, lançado em 2009, cumpriu sua meta primária de operar por 3,5 anos.
Durante esse período, o sucesso foi grande. Além de 132 planetas comprovadamente descobertos, a análise inicial aponta que ainda há 2.608 candidatos a verificar, além de outros que podem estar escondidos nos dados brutos.
Com isso, pela primeira vez os astrônomos puderam estimar de forma realista o número de planetas na Via Láctea –na casa dos 100 bilhões.
Mas o grande prêmio da caça aos planetas ainda não foi conquistado: a localização de um mundo do exato tamanho da Terra e na mesma posição com relação a uma estrela similar ao Sol.
Para isso, novos projetos devem pegar o bastão de onde o Kepler deixou. Entre eles está seu sucessor direto, batizado pela Nasa de Tess (sigla para Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito).

8096 – Astronomia – O Observatório de Paranal


Paranal

Fica no Chile e pertence a Organização Européia para a Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul, resultado de um consórcio de 14 nações.
São 300 dias por ano que não chove nem uma gota d’água. A cidade mais próxima fica a duas horas de ônibus –um pouco menos, se você estiver voltando, porque é descida. Apenas 15 pessoas moram nesse lugar. Por mais inóspito que possa parecer, não estamos falando de Marte, mas do observatório de Paranal, em Antofagasta, no Chile, no começo do deserto do Atacama, a 2.600 m de altitude.
Lá fica o mais potente telescópio do mundo, com lentes de 8,2 m de diâmetro, que são usadas para comprovar a existência de planetas fora do Sistema Solar. Para comparar, o Hubble, por exemplo, tem “apenas” 2,5 m de diâmetro.
O lugar, isolado e seco, com pouco vento e sem muitas turbulências, obedece a uma exigência para abrigar o equipamento, que resiste sem danos a um terremoto –que são comuns no Chile– de até 8 pontos na escala Richter. O mais potente já sentido desde a construção do telescópio foi de 6,7 pontos. Só para lembrar, o tremor que sacudiu São Paulo no mês passado foi de 5 pontos.
O telescópio só é aberto à noite, quando fazem uma vedação na Residência, como é chamada a espécie de hotel criada para abrigar os moradores de Paranal, para não vazar nenhuma luz que interfira no observatório.
Além dos escritórios, o espaço tem uma “floresta tropical” artificial, piscina, sauna, academia, restaurante e sala de vídeo. Tudo para amenizar o ambiente do lado de fora, que, mesmo desértico, abriga gaviões, raposas, escorpiões e algumas plantas. “Qualquer gota d’água faz nascer algo verde aqui”, diz o chefe de operações científicas Olivier Hainaut. As pessoas ficam apenas uma ou duas semanas em Paranal, depois vão para Antofagasta, Santiago ou voltam para seus países de origem.

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São dois caminhões-tanques de água por dia, um de gasolina (para os geradores), além de comida e equipamentos básicos de manutenção que chegam uma vez por semana. “Parece fácil, mas requer muito planejamento. Não temos nada por perto. Tudo vem de fora.”
Noites em claro
O complexo de Paranal é formado por quatro telescópios que, combinados, conseguem uma imagem melhor de regiões a anos-luz da Terra. Cada conjunto de lentes ocupa uma área de 60 m2. “Do tamanho do meu apartamento”, brinca o astrônomo suíço Olivier.
Ele calcula que cada noite fotografada pelo telescópio rende um mês no escritório, analisando as imagens. Como são aproveitadas 330 noites por ano, o número de descobertas também é impressionante: duas pesquisas publicadas por dia, desde 1999 quando foi inaugurada a primeira das quatro unidades.
Claro que nem tudo é tão relevante quanto a possibilidade de haver vida fora da Terra. Mas isso ainda deve demorar uma década para ser demonstrado, porque todos os planetas descobertos fora do Sistema Solar estão muito próximos da estrela em volta da qual gravitam. São, portanto, muito quentes, como Mercúrio.
Construído a 2.600 metros de altura no Deserto do Atacama, o Observatório do Paranal é o mais produtivo complexo astronômico do planeta
A cada duas semanas, o astrônomo brasileiro Cláudio Melo pega um avião partindo de Santiago, capital do Chile, rumo à cidade de Antofagasta, no coração do deserto do Atacama, também em terras chilenas. Dali, precisa viajar mais uma hora e meia de carro para chegar a uma região montanhosa que lembra muito a superfície de Marte. Nessa paisagem quase alienígena, surge o que parece ser uma miragem: um luxuoso hotel, com piscina e plantas tropicais por todo lado. Esse paraíso artificial servirá de abrigo para Melo durante uma semana. Ali ficam hospedados os funcionários do Observatório Europeu do Sul (ESO), que trabalham, assim como Melo, no Observatório do Paranal, um moderno e elegante oásis científico, detentor do título de mais produtivo complexo astronômico terrestre do planeta.
Há dez anos, Melo segue essa rotina: uma semana no deserto, outra semana em Santiago. O rodízio foi elaborado para preservar a saúde dos pesquisadores. O observatório, obra da mais moderna engenharia, fica ao redor do Cerro Paranal, uma montanha de 2.635 metros de altitude, em um dos locais com menos umidade do planeta. Além de Melo, trabalham outros 180 profissionais, entre astrônomos, engenheiros e físicos que procuram os segredos do universo no céu límpido do deserto.
Resort científico — Todos os cientistas ficam hospedados no Residência Paranal, um majestoso hotel usado nas filmagens do filme Quantum of Solace, com o espião britânico James Bond. Quem visita o local, facilmente se esquece que está no meio do deserto onde não há água, comida e níveis aceitáveis de umidade em um raio de 130 quilômetros.
O saguão principal do hotel tem uma decoração inusitada — no centro do gigantesco salão redondo de dois andares há um belíssimo jardim de palmeiras e plantas baixas que fazem sombra sobre uma piscina. “As plantas e a água ajudam a manter a umidade do interior do hotel em níveis mais aceitáveis”, explica Andreas Kaufer, diretor de operações do ESO. O hotel também possui uma pequena videoteca, sala de música, jogos e um refeitório que serve 9.450 refeições por mês.
Assim como todos os prédios construídos no complexo, a Residência Paranal é resistente a terremotos. Uma parte da construção foi executada dentro da montanha. A outra foi construída na parte externa. “As duas partes são unidas por estruturas de borracha que tornam todo o sistema maleável para o caso de terremotos”, explica Kaufer. Quem está de passagem pelo observatório também tem acesso a um ginásio poliesportivo com quadra e equipamentos de ginástica.
O complexo erguido pelo ESO no meio do deserto é de fazer inveja aos grandes parques tecnológicos. O Observatório do Paranal gera a própria energia por meio de dois geradores a gás e mais três sobressalentes a diesel. “Temos autonomia de 12 dias de energia”, diz Kaufer. A autonomia do Paranal não para por aí. São cinco dias de água — sete se contar a que é separada para o controle de incêndio — garantidos por dois caminhões-pipa que trazem o líquido ao local diariamente. As medidas garantem a vida das 135 pessoas que povoam o complexo em esquema de rodízio.
Ecologia – Como transformar uma cidade poluída em um exemplo verde?
Até a década de 80, Chattanooga no Tennessee era uma espécie de Cubatão americana. A chegada das indústrias, na década de 30 trouxe desenvolvimento. Mas em 1969, a percepção já era outra. Foi nesse ano que o âncora de maior prestígio da TV americana, anunciou que a cidade era o lugar mais poluído dos EUA. Era apenas concreto, asfalto e ferro, afirmou o atual prefeito da cidade que hoje é uma das mais verdes dos EUA. Em 1984 foram realizadas dezenas de reuniões com a população com o objetivo de definir qual ciddade eles queriam para o ano 2000. Então, a suja, feia e perigosa Chattanooga passou a plantar árvores no centro da cidade para renovar o ar; comprar áreas de antigas indústrias quebradas ou abandonadas e transforma-las em parques de todos os tipos, fontes, aquários públicos e revitalizar as margens do Rio Tennessee, que é um dos 5 maiores dos EUA, agora frequentadas e utilizadas pelas pessoas para lazer, esportes e artes.
Vigor científico – Toda a estrutura para receber cientistas e engenheiros do mundo todo não faria sentido sem a presença do conjunto de telescópios que conferiram ao complexo o título de melhor observatório do mundo, na opinião de Brian Schmidt, um dos três cosmólogos laureados com o prêmio Nobel de Física de 2011.
O Paranal tem um portfólio invejável de telescópios. Um deles é o VISTA, o maior telescópio de rastreamento do mundo dedicado a pesquisar o céu em frequências próximas do infravermelho. Com um espelho de 4,1 metros de diâmetro, o VISTA consegue observar comprimentos de onda maiores do que os visíveis ao olho humano. Isso quer dizer que os astrônomos podem estudar astros escondidos por nuvens de poeira ou frios demais para serem observados no espectro visível. O telescópio é 40 vezes mais sensível que seus antecessores.

Outro telescópio que detém o título de maior do mundo em sua área é o VST (VLT Survey Telescope). A mais recente aquisição do Observatório do Paranal é o mais potente telescópio para observação do céu no espectro visível. O equipamento possui um espelho com 2,6 metros de diâmetro e pretende estudar astros remotos dentro do Sistema Solar e descobrir planetas orbitando outras estrelas.
A joia do Paranal, contudo, é o VLT (Very Large Telescope). Trata-se de um agrupamento de quatro telescópios com espelhos de 8,2 metros de diâmetro cada, apoiados por quatro telescópios menores, com espelhos de 1,8 metro. O VLT, junto com os outros telescópios do ESO, é o mais produtivo complexo astronômico terrestre do mundo. Diariamente, dois artigos científicos são publicados com dados obtidos por meio deles. Em número de artigos publicados, o Observatório Europeu do Sul só perde para o Hubble.
O que torna o VLT tão especial é que todos os seus telescópios podem funcionar interligados, formando uma rede que pode aumentar em várias ordens de grandeza a resolução das imagens obtidas. Isso é possível por meio de um complexo sistema subterrâneo que recebe o sinal luminoso de todos os telescópios e os une em uma única faixa, gerando uma única imagem, mas com o detalhe e a luminosidade capturada por todos os telescópios.
Os telescópios instalados no topo do Cerro Paranal são controlados a partir de uma sala de operações logo abaixo do complexo. Dentro de cada uma das quatro unidades do VLT está uma gigantesca estrutura que dá suporte para um espelho de 8,2 metros de diâmetro e apenas 15 centímetros de largura — ao todo, 22 toneladas. “É como uma lente de contato”, diz Kaufer. A fina espessura permite que o espelho seja modelado por pequenas hastes abaixo da estrutura. O sistema garante que o espelho tenha sempre a curvatura perfeita, mesmo quando o telescópio é balançado por ventos. A enorme estrutura de 450 toneladas foi instalada em um sistema de imãs e motores especiais que permitem mover o telescópio de um lado para o outro com grande velocidade e no mais absoluto silêncio.

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7972 – Telescópios – As Janelas para o Céu


Diagrama do Telescópio

Dia 25 de agosto de 1609. No alto da torre da Praça de São Marcos, os senadores da República de Veneza acotovelavam-se, curiosos, em torno da última criação de um matemático de Pisa já conhecido por suas invenções e excentricidades: um pequeno tubo com duas lentes nas extremidades. Olhando através dele, os edifícios do outro lado da praça, a mais de trinta metros, pareciam estar ao alcance das mãos. Foi assim que Galileu Galilei (1564-1642) apresentou ao mundo “a maravilha do século XVII” — o telescópio. Naquela mesma noite, Galileu descobriu que a Lua não tinha uma superfície lisa, como se pensava, mas era cheia de montanhas e crateras. Ele viu mais: “Eu observei a natureza e o material da Via Láctea. Ela não passa de um aglomerado de estrelas, agrupadas em nuvens.”
O Universo conhecido hoje já ultrapassou os limites da Via Láctea. O homem aprendeu a “enxergar” a “luz invisível”, como os raios infravermelho, gama e ultravioleta. Assim, pôde vasculhar regiões cósmicas que estão a bilhões de anos-luz. Os limites continuam se ampliando: nos próximos cinco anos, a capacidade de observação vai quase triplicar, tal é o número de instrumentos novos em construção.
Foi Galileu quem criou o primeiro telescópio, mas não foi só dele a idéia original. Em 1608, o fabricante de óculos alemão Hans Lippershey (1570-1619) trabalhava em sua oficina na Holanda quando um aprendiz mostrou ao mestre o que descobrira: olhando através de duas lentes, a torre da igreja distante parecia muito mais próxima e de cabeça para baixo. Lippershey encaixou as lentes dentro de um cilindro, mantendo a distância apropriada entre elas para corrigir a imagem. E mandou um recado ao sábio italiano sobre a invenção. Galileu aprimorou muito a engenhoca holandesa e usou-a para examinar o céu pela primeira vez. Nunca tomou a iniciativa de revelar quem era o seu “ajudante secreto”.
Os primeiros telescópios refratores (que usavam lentes para desviar e concentrar a luz) tinham um problema: os raios que passavam pela borda das lentes deformavam a imagem. Em 1668, o matemático e físico inglês Isaac Newton (1642-1727) mudou o plano de construção dos instrumentos (veja ilustração ao lado), substituindo suas lentes por espelhos, que concentram a luz sem distorcer a imagem. Nascia assim o primeiro instrumento refletor.
Para “enxergar” longe, um telescópio tem de captar muita luz — ou seja, quanto maior, melhor. A corrida em busca de luz começou ainda no século XVIII, com William Herschel. No século XIX, a vedete era o Leviatã, na Irlanda. No início deste século, com o telescópio de Monte Wilson, esses instrumentos ganharam o status de olhos voltados para o Universo.
A partir da década de 40, o tamanho perdeu terreno para as novas tecnologias eletrônicas na determinação do alcance do instrumento.Captar imagens do Universo distante é sempre um desafio, principalmente daqui da superfície do planeta. É que a atmosfera terrestre funciona como um filtro que atrapalha a passagem de parte dos raios X, gama, ultravioleta e infravermelho. Além disso, a turbulência do ar desvia a luz visível e distorce as imagens. Resumindo: vencido o desafio de captar mais luz, o problema é conseguir a maior resolução, isto é, a maior nitidez possível.
A solução foi lançar telescópios acima da atmosfera — o que só se tornou possível a partir da era espacial, na década de 60. O mais ambicioso de todos os projetos nessa área é o Telescópio Espacial Hubble.
Mas a chegada dos telescópios orbitais não tirou da jogada os instrumentos de superfície. Ao contrário: o aceleradíssimo ritmo da tecnologia eletrônica coloca os telescópios com os pés cada vez mais firmes no chão. Um equipamento dessa classe custa bem menos que os dois bilhões de dólares gastos para colocar o Hubble em órbita. Assim, no mesmo ano de lançamento do Hubble, era inaugurado, no Chile, o primeiro telescópio inteligente, o NTT.
E novas janelas para o Universo já começam a ser abertas, com complexos instrumentos. Como o VLT, com uma resolução de imagem suficiente para distinguir um objeto do tamanho de uma bola de tênis a 36 000 quilômetros de distância. O VLT terá quatro espelhos de oito metros cada um, com capacidade equivalente à de um único espelho de dezesseis metros de diâmetro — um prodígio, já que o maior espelho em uso hoje, o do Keck, tem dez metros.

O Leviatã
O maior telescópio do século XIX foi construído na Irlanda, pelo astrônomo William Parsons Rosse (1800-1867). Com um espelho de 1,80 metro de diâmetro e mais de dezesseis metros de altura, foi apelidado de Leviatã. Levou três anos para ser montado entre duas paredes de pedra, na atual cidade de Parsonstown, e entrou em operação em 1845. Apesar de desajeitado, instalado num local de condições climáticas pouco favoráveis à observação, esse instrumento revelou a estrutura em espiral de alguns objetos cósmicos que, hoje se sabe, são galáxias. O Leviatã foi desmontado em 1908.

Monte Wilson
Com um espelho de mais de 2,50 metros de diâmetro, o grande telescópio refletor Hooker foi construído pelo astrônomo americano George Hale (1868-1938) e entrou em operação em 1917, no Monte Wilson, Califórnia, Estados Unidos. Foi nesse instrumento que outro americano, Edwin Hubble (1889-1953) percebeu que as chamadas nebulosas espirais, descobertas no século XIX, eram, na verdade, outras galáxias fora da Via Láctea. O Hooker manteve a posição de maior refletor do mundo até 1948, quando o próprio Hale construiu o telescópio de Monte Palomar, com um espelho de cinco metros.