13.375 – Filosofia – Fique por Dentro com o ☻ Mega


hipocrates
Hipócrates (460-377 aC) é até hoje conhecido como o pai da Medicina. É provavelmente o primeiro ocidental a escrever tratados exclusivamente sobre doenças, suas causas e possíveis tratamentos.
Viveu no mesmo período que surgiu a Filosofia clássica. Naquela época, a Filosofia possibilitou aos médicos reflexões no que diz respeito a busca racional das causas dos fenômenos. Ele defendia que uma doença não seria o resultado de interferência divina, que suas causas poderiam ser conhecidas, explicadas, e o mal ser tratado. Sua contribuição para a Medicina é reconhecida e todo médico, ao preparar-se para exercer sua profissão, deve fazer o “juramento de Hipócrates”, que pode ser visto na íntegra no site do Conselho Regional de Medicina.

12.922 – Hipócrates, o Pai da Medicina


hipocrates
Conhecido como o “Pai da Medicina Ocidental”, Hipócrates foi um ícone ateniense da rejeição a explicações supersticiosas e míticas para os problemas de saúde e como curar doenças. Enquanto muitos pensadores gregos concentravam seus esforços na natureza em geral ou na moral e política, Hipócrates concentraram-se em observar e compreender o funcionamento do organismo humano, na esperança de encontrar explicações racionais, e passíveis de controle e manipulação, para os males que atingem a saúde humana. Embora muito tenha se perdido ao longo dos séculos, alguns de seus escritos sobrevivem até os dias atuais, porém, como a maior parte de seu trabalho era iminentemente prática, temos ainda assim pouco acesso ao pensamento de Hipócrates.
Hipócrates não apenas foi bem sucedido em rejeitar a superstição, mas foi também capaz de desenvolver a medicina a ponto de separá-la da Teurgia, práticas religiosas ritualísticas com objetivo de conectar-se a divindade, no caso para recuperação da saúde. A partir de Hipócrates a medicina tornou-se uma disciplina independente, o que levou ao surgimento da profissão de médico.
Embora a medicina tenha se desenvolvido como uma disciplina independente, os discípulos de Pitágoras nos dão a saber que Hipócrates utilizou a filosofia como aliada da medicina, entendendo que a abordagem racional utilizada nesta disciplina seria o tipo de abordagem adequada para tratar os males da saúde, buscando na natureza as causas e a solução. Estabeleceu que, ao invés de uma punição dos deuses, as causas da maioria das doenças seriam fatores climáticos, alimentares e hábitos cotidianos.Conhecido como o “Pai da Medicina Ocidental”, Hipócrates foi um ícone ateniense da rejeição a explicações supersticiosas e míticas para os problemas de saúde e como curar doenças. Enquanto muitos pensadores gregos concentravam seus esforços na natureza em geral ou na moral e política, Hipócrates concentraram-se em observar e compreender o funcionamento do organismo humano, na esperança de encontrar explicações racionais, e passíveis de controle e manipulação, para os males que atingem a saúde humana. Embora muito tenha se perdido ao longo dos séculos, alguns de seus escritos sobrevivem até os dias atuais, porém, como a maior parte de seu trabalho era iminentemente prática, temos ainda assim pouco acesso ao pensamento de Hipócrates.
Hipócrates não apenas foi bem sucedido em rejeitar a superstição, mas foi também capaz de desenvolver a medicina a ponto de separá-la da Teurgia, práticas religiosas ritualísticas com objetivo de conectar-se a divindade, no caso para recuperação da saúde. A partir de Hipócrates a medicina tornou-se uma disciplina independente, o que levou ao surgimento da profissão de médico.
Embora a medicina tenha se desenvolvido como uma disciplina independente, os discípulos de Pitágoras nos dão a saber que Hipócrates utilizou a filosofia como aliada da medicina, entendendo que a abordagem racional utilizada nesta disciplina seria o tipo de abordagem adequada para tratar os males da saúde, buscando na natureza as causas e a solução. Estabeleceu que, ao invés de uma punição dos deuses, as causas da maioria das doenças seriam fatores climáticos, alimentares e hábitos cotidianos.
Os desenvolvimentos posteriores da medicina mostraram que Hipócrates estava correto, embora hoje se compreenda que ele trabalha com diversos elementos incorretos quanto a anatomia e fisiologia. Entre estes o Humorismo, a teoria de que o corpo possui quatro fluidos diferentes que quando desequilibrados levam a doenças.
Este tipo de erro devia-se especialmente ao fato de que na Grécia da época, a dissecação era um tabu, o que também dificultava o trabalho da escola de medicina da região de Cnido, baseada no diagnóstico. Tendo isto em mente, a escola Hipocrática de medicina, da região de Cós, focou seus trabalhos no prognóstico e cuidado com o paciente, atingindo assim maior eficácia em tratar as doenças, mesmo com uma visão incorreta de muitos aspectos do corpo humano e um diagnóstico generalista combinado a tratamentos passivos. Com a imaturidade da medicina da época, Hipócrates e seus sucessores acreditavam que o melhor que o terapeuta poderia fazer seria prever o desenvolvimento da doença, baseado em dados previamente coletados, e facilitar o processo de recuperação natural do corpo, pois acreditava-se que o corpo humana possuía a capacidade de reequilibrar os quatro fluidos por si mesmo, de modo que, na maioria dos casos, o papel do terapeuta seria manter o paciente o mais limpo e estéril possível, imobilizando conforme a necessidade e evitando o uso de drogas potentes, o que era reservado para casos críticos.
Especialmente devido aos tratamentos passivos, Hipócrates tem sido criticado nos últimos dois milênios, sendo que a medicina atual aproximasse muito mais da escola de Cnido do que da escola de Cós, visto que hoje possuímos o conhecimento fisiológico e anatômico que lhes faltava.
Um conceito importante para o método de Hipócrates era o de “crise”. Um ponto de progressão da doença ou da cura do paciente que determinava se ele se recuperaria ou morreria. Durante o processo de cura mais de uma crise era esperada, sempre sucedida por um período de recaída.
Hipócrates é também creditado como tendo criado o juramento de Hipócrates, utilizado hoje para a profissão de medicina, embora alguns autores afirmem que o juramento é posterior.

12.347 – A rã e a Tempestade


ra tempestade
O médico italiano Luigi Galvani (1737-1798) estudava a anatomia das rãs havia mais de dez anos quando, em 1786, uma tempestade mudou os rumos de sua pesquisa. Sem ligar para os raios lá fora, ele dissecava um anfíbio e, ao tocar com a tesoura numa das pernas do bicho, ele se mexeu. Galvani, que também era físico, nem pensou em fantasmas. Imediatamente concluiu que a eletricidade do ar passara por meio da tesoura para o corpo da rã, disparando o movimento.
Dias depois, no seu laboratório, esbarrou com um bisturi na perna de outra rã escalpelada enquanto mantinha ligada uma máquina que soltava faíscas elétricas. O animal deu um chute de verdade. Isso bastou para que o italiano resolvesse se dedicar pra valer à eletrofisiologia. Em 1791, ele publicaria o trabalho em que explicaria para a posteridade que a contração muscular, e consequentemente o movimento, só acontece se houver estímulos elétricos.

12.345 – Como se tratava a dor de dente antes de surgirem os dentistas?


odontologia
Alguns de nossos antepassados apelavam para métodos esquisitos. Manuscritos do século I sugeriam caçar uma rã em noite de lua cheia e cuspir dentro de sua boca, pedindo que levasse embora a dor. Mas havia outras opções para quem desconfiasse dessa técnica. Certos médicos prescreviam compressas quentes, lavagens bucais e aplicações de vapor. Na China do século II usava-se o elemento químico arsênio, até hoje empregado em compostos medicinais. Ele provavelmente matava o miolo do dente, acabando com a dor. Foram os chineses que, por volta do ano 600, desenvolveram as ligas metálicas usadas em obturações. Os antigos americanos também tinham suas técnicas. Uma arcada dentária de 1 000 anos encontrada no sudoeste dos Estados Unidos mostra um dente cuidadosamente perfurado na tentativa de retirar a parte danificada.
No século XII, surgiram, na Europa, os cirurgiões-barbeiros. Na época a Medicina era praticada principalmente nos monastérios. “Os barbeiros iam cortar os cabelos dos monges e acabavam aprendendo técnicas cirúrgicas”, conta o dentista diretor do Instituto Museu e Biblioteca de Odontologia, ligado à Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas. Foram esses profissionais, peritos em extrações, que se transformaram nos dentistas que conhecemos hoje.

12.342 – História da Medicina – As Doenças mais Antigas


MEDICINA simbolo
A medicina moderna conseguiu, nos últimos séculos, identificar os fatores causadores de várias doenças e, em muitos casos, foi capaz de encontrar uma cura.
Tracoma: são encontradas referências a essa doença conjuntiva, que atualmente continua sendo a principal causadora de cegueira no mundo, no código de Hammurabi e no papiro de Ebers. Existem dados suficientes para fazer crer que pensadores famosos da antiguidade, como Horário e Cícero sofreram dela. Resíduos dessa doença foram encontrados em um esqueleto aborígene de 10 mil anos de idade, na Austrália.

Malária ou Paludismo: no livro chinês Nei Ching, traduzido como “Livro da Medicina”, de 2.700 a.C., estão os primeiros registros escritos dessa doença. Um estudo publicado no Wall Street Journal afirma que essa infecção poderia ser causadora da morte de metade da população humana desde a Idade da Pedra.

Lepra: até o início do século passado, os leprosos eram isolados em colônias e condenados a viver distante do resto da sociedade por causa do medo que trazia a possibilidade de contrair essa doença. São encontradas referências a sua sintomatologia peculiar na Bíblia e em papiros egípcios de 1.500 a.C. Restos ósseos de quase 5 mil anos de idade com evidências dessa patologia foram encontrados na Índia.

Varíola: o relatório “Estudos de Paleopatologia no Egito”, publicado em 1921 por Sir Marc Armand Ruffer, registra a descoberta de vestígios de varíola em três múmias egípcias – a mais antiga de 1.500 a.C. Acredita-se que essa doença poderia ter existido na Terra desde 10 mil anos atrás. Mas os avanços científicos dos últimos dois séculos conseguiram erradicar o vírus.

Cólera: catalogada por Hipócrates em 400 a.C., acredita-se que a cólera pode ter sido originada nas margens do rio Ganges. A doença é causada pela má manipulação da água, por isso, ao alcançar centros urbanos a partir do século XV, as epidemias se tornaram mais frequentes.

Febre Tifoide: a vitória espartana na Guerra do Peloponeso em 430 a.C. talvez não fosse possível se a resistência das tropas atenienses não tivessem sido acometidas por uma epidemia de febre tifoide. Atualmente, são registrados casos da doença em diferentes partes do mundo, porém seu índice de mortalidade é muito mais baixo do que há 2.500 anos.

Tuberculose: é possível que resíduos patológicos da doença tenham sido encontrados em ossos de um hominídeo anterior ao homo sapiens, que viveu na Terra há 500 mil anos. Embora os dados sejam insuficientes para afirmar isso, a deterioração óssea dos restos parece indicar que a tuberculose existe no planeta há meio milhão de anos.

12.116 -Medicina – História da Anestesia


anestesia-foi-importante-para-o-meio-medico
A descoberta da anestesia foi uma das inovações clínicas que revolucionaram a cirurgia. A anestesia com éter foi descoberta em Boston na década de 1840. Anos antes, em 1831, o clorofórmio havia sido elaborado. O médico escocês Sir James Simpson de Edimburgo foi o primeiro a usá-lo como anestésico em 1847, mas só foi largamente aceito na medicina por volta de 1853.
A única anestesia conhecida até o momento era feita à base de álcool e pólvora, aplicada no paciente por via oral. Normalmente ele era segurado pelos assistentes enquanto mordia algo para não gritar, até que a operação terminasse. Geralmente eram feitas desta forma amputações, consideradas na época como “grandes cirurgias”.
Embora os pacientes aguentassem dores extraordinárias, havia uma busca urgente por analgésicos. Para aliviar a dor, eram combinadas várias substâncias, a maior parte delas extraída de plantas “medicinais”. Às vezes, a mistura ficava muito forte e o paciente morria por overdose.
Nos anos 1800, boa parte das pessoas buscava na religião, ou nelas mesma, a força para suportar a dor, que era vista como uma punição de Deus para os perversos e como purificadora da alma para os bons.
A anestesia com éter foi introduzida nos EUA em 1846, e com clorofórmio, no Reino Unido, em 1847. A inalação dos vapores desses compostos não apenas colocava as pessoas para “dormir”, tornando-as insensíveis à dor, mas seu uso significava que os pacientes se “tornaram inconscientes à tortura”. Assistir a um filme antigo de guerra é, de fato, presenciar tortura a sangue frio.
Essa grande invenção na história da medicina não só beneficiou os pacientes, como também tornou mais fácil a vida dos cirurgiões, que não tinham mais que lidar com pacientes desesperados contorcendo-se de dor na mesa de cirurgia durante uma amputação, ou com uma fuga precipitada.

11.177 – História da Medicina – Quem foi Paracelsus?


paracelsus estátua

Pseudônimo de Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, (Einsiedeln, 17 de dezembro de 1493 — Salzburgo, 24 de setembro de 1541) foi um médico, alquimista, físico, astrólogo e ocultista suíço-alemão.
Seu pseudônimo significa “superior a Celso (médico romano)”. No estudo da sua biografia, facto tem sido gradualmente separado da crença, mas nenhum acordo foi alcançado no que respeita à natureza e sentido de seu ensino. Ele é considerado por muitos como um reformador do medicamento. Também é aclamado por suas realizações em Química e como fundador da Bioquímica e da Toxicologia.
Ele aparece entre cientistas e reformadores como Andreas Vesalius, Nicolau Copérnico e Georgius Agricola, e, portanto, é visto como um moderno. Por outro lado, sempre possuiu uma aura de místico e até mesmo a obscura reputação de mago.
Nasceu em Ensiedeln, na Suíça. Seu pai era suábio e sua mãe era suíça. Na infância, foi educado pelo seu pai, que também era alquimista e médico. Acompanhava-o nas caminhadas pelas montanhas e povoados, observando a manipulação de medicamentos. Aprendeu a gostar das plantas e ervas silvestres. Foi educado na Áustria e quando jovem trabalhou em minas como analista.
Foi educado na Áustria e quando adolescente trabalhou no laboratório e nas minas do judeu Sigismund Fugger, em Schwatz, no Tirol, que, como Trithemius, foi também um grande alquimista.
Lá Paracelso trabalhou como analista. Formou-se em medicina na Universidade de Viena em 1510, com dezessete anos de idade. Especula-se que ele tenha feito o seu doutorado na Universidade de Ferrara, em 1515 ou 1516.
Viajou para vários lugares do mundo, em busca de novos conhecimentos médicos e insatisfeito com o ensino tradicional que recebeu na academia. Foi para a Hungria,e Polônia , procurando alquimistas de quem pudesse aprender algo.
No retorno de Paracelso à Europa, seus conhecimentos em tratamentos médicos tornaram-no famoso. Ele não seguia os tratamentos convencionais para feridas, que consistiam em derramar óleo fervente sobre elas; se as feridas estivessem em um membro (braço ou perna), esperava-se que elas ficassem em gangrena para então amputar o membro afetado. Paracelso acreditava que as feridas se curariam sozinhas se o pus fosse evacuado e a infecção fosse evitada.
Ele rejeitava as tradições gnósticas, mas manteve muitas das filosofias do Hermetismo, do neoplatonismo e de Pitágoras; de qualquer modo, a ciência Hermética tinha tantas teorias aristotélicas que a sua rejeição do Gnosticismo era praticamente sem sentido. Em particular, Paracelso rejeitava as teorias mágicas de Agrippa (Agrippa fora um dos outros discípulos de Trithemius) e Flamel. Ele não se achava um mago e desprezava aqueles que achavam que fosse.
Paracelso foi um astrólogo, assim como muitos (se não todos) dos físicos europeus da época. A Astrologia foi uma parte muito importante da Medicina de Paracelso. Em um de seus livros, ele reservou várias secções para explicar o uso de talismãs astrológicos na cura de doenças. Criou e produziu talismãs para várias enfermidades, assim como talismãs para cada signo do Zodíaco. Ele também inventou um alfabeto chamado “Alfabeto dos Reis Magos” e esculpiu nos talismãs nomes angelicais.
A distinta natureza da filosofia de Paracelso é consequência da visão cosmológica, teológica, filosofia natural e medicina à luz de analogias e correspondências entre macrocosmos e microcosmos. As especulações acerca dessas analogias tinham seriamente empenhado a mente humana desde o tempo pré-Socrático e Platónico e durante toda a Idade Média. Paracelso foi o primeiro a aplicar essas especulações para o conhecimento da natureza sistemática.
Isso associado com a singular posição que ele assume no que diz respeito à teoria e à prática de aquisição de conhecimentos em geral, quebrou longe do ordinário lógico, antigo e medieval e moderno, seguindo as suas próprias linhas, e é nisto que muito do seu trabalho naturalista encontra explicação e motivação.
O que parece ser original em Paracelso, então, não é a teoria microcósmica em si mesma, nem a busca da união com o objeto, mas o emprego consistente desses conceitos como a ampla base de um elaborado sistema de correspondências na filosofia e medicina natural.
Voltou para Salzburg em 1540, convidado pelo bispo da cidade. Faleceu em 24 de setembro de 1541 com apenas 47 anos, em um hospital, sonhando ter fabricado o Elixir da Vida. A causa de sua morte não foi esclarecida. Uma hipótese é que teria sido assassinato em 1541, como foi evidenciado na exumação de seus ossos, que mostrou uma fratura no crânio. O corpo foi velado na igreja de São Sebastião e, de acordo com o seu último desejo, foram entoados os salmos bíblicos 1, 7 e 30.
A fama de Paracelso aumentou com as suas curas milagrosas e, após sua morte, a sua fama cresceu ainda mais. Um século depois, centenas de textos paracelsianos foram publicados, referindo-se quase todos a medicamentos químicos. No final do século XVI, existia já uma imensa literatura sobre a nova matéria médica. Devido ao facto de a abordagem médica de Paracelso diferir tanto daquilo que era aceitável até então, estabeleceu-se uma enorme confrontação entre os paracelsianos e o sistema médico oficial em vigor até então, confrontação aguçada pelo impacto provocado pelos humanistas, que desdenhavam das obras de Dioscorides e de Plínio, ambos muito populares no final da Idade Média, e enalteciam trabalhos menos conhecidos, especialmente os tratados de fisiologia e anatomia de Galeno. Muitos médicos seguidores de Paracelso eram alemães; na França, a confrontação foi mais agravada pelo facto de muitos médicos paracelsianos serem huguenotes (protestantes, partidários de Calvino); na Inglaterra, tal confrontação foi menos tempestuosa, tendo sido adotados os medicamentos químicos, que eram utilizados simultaneamente com medicamentos tradicionais galênicos.

11.054 – História da Medicina – A mãe mais jovem da literatura médica


Lina Medina, uma peruana nascida em 27 de Setembro de 1933, é conhecida mundialmente por ter dado a luz a um filho precocemente, com apenas cinco anos de idade. Por este fato, Lina Medina é a mãe mais jovem já confirmada na história da medicina.
Nascida e criada no distrito de Ticrapo, localizado na região Huancavelica, Lina vivia em condições precárias em uma aldeia andina juntamente com sua família. Os pais da garota ao detectarem um aumento anormal em seu abdômen, resolveram levá-la a um curandeiro da vila. Seu pai Tiburcio Medina procurou imediatamente os xamãs da vila (os curandeiros) que faziam rituais xamânicos, do quais invocavam espíritos da natureza para ajudar o povo da vila. Porém os xamãs descartaram que houvesse superstições da localidade, como a possibilidade da menina abrigar em sua barriga uma cobra (Apu), que iria crescer a até matá-la. Recomendaram então, que os pais a levassem a um hospital.
Os pais de Lina Medina, bastante assustados imaginavam que sua filha pudesse estar com um tumor maligno e temiam pela morte dela. Seguindo a recomendação dos xamãs da vila, a menina foi encaminhada a um hospital mais próximo localizado na cidade de Pisco. Para a surpresa dos pais, Lina Medina felizmente não estava com nenhum tumor, porém estava grávida, para o espanto de todos. O médico Gerardo Lozada levou a garota até Lima, capital do Peru, para que o diagnóstico pudesse ser comprovado mais uma vez, por outros especialistas.
Em 14 de maio de 1939, um mês depois da descoberta da gravidez de Lina Medina, ela deu à luz a um menino saudável de 2,7 quilogramas. O parto foi realizado pelos médicos Dr. Lozada e Dr. Busalleu que fizeram uma cesariana, opção de parto escolhida pelo fato da pélvis de Lina ser bem pequena, ou seja, impossível a realização de um parto normal. Lina colocou o nome do seu filho de Gerardo, em homenagem ao Dr. Gerardo Lozada.
Lina Medina teve um desenvolvimento sexual precoce. Com apenas oito meses de idade, a garota apresentava sinais de maturidade sexual e já havia tido sua primeira menstruação. Porém sua mentalidade era de uma criança normal de cinco anos de idade. Após o nascimento de seu filho, Lina preferia brincar de boneca em vez de ficar com seu bebê, que era alimentado por uma enfermeira.
O garoto foi criado pelo irmão de Lina Medina e levado a acreditar que sua mãe era sua irmã. Somente quando Gerardo chegou à puberdade descobriu que Lina era sua mãe. Porém, nunca soube quem era seu pai. Infelizmente Gerard morreu com apenas 40 anos de idade, devido a uma doença na medula óssea. O mistério de quem poderia ser o pai de Gerard ainda prevalece e Lina Medina se nega a falar do assunto até hoje, aos 76 anos de idade.

10.882 – Medicina – Pacientes que se recuperaram de casos graves de forma impressionante


MEDICINA simbolo

Infelizmente, pessoas passam por acidentes, ataques terríveis e doenças graves todos os dias. Muitos não sobrevivem, enquanto outros conseguem se recuperar.
Porém, existem indivíduos que se recuperam de forma impressionante, superando todas as expectativas e sendo quase considerados como casos milagrosos.
Em 2010, uma história horrorizou os moradores de Bangladesh. Um menino de apenas sete anos de idade foi atacado brutalmente por quatro homens, que bateram um tijolo contra a cabeça da criança, depois de amarrá-la com as mãos e os pés para cima.
Como se isso não fosse covardia o suficiente, os homens fizeram cruzes enormes, cortando o corpo do menino no peito e na barriga de forma profunda, decepando também o pênis e um testículo do pequeno garoto, apelidado de Okkhoy (a palavra “inquebrável” na língua de Bangladesh) para manter a sua identidade em segredo. A garganta também foi cortada.
Tudo começou quando outras três crianças atraíram Okkhoy para fora de sua casa, prometendo lhe dar um picolé. Elas o levaram para um lugar mais afastado e, desconfiado, ele disse que tinha que voltar para casa. No entanto, não deu tempo, pois, logo, os quatro homens chegaram.
Okkhoy conhecia todos eles e disse que contaria tudo para o seu pai. Eles queriam usar o menino para pedir dinheiro nas ruas, mas ele se recusou. Então, os criminosos partiram para os atos de barbárie, deixando o menino jogado e estraçalhado ao lado de um armazém e achando que ele estava morto.
A mãe deu falta da criança e foi procurá-la, quando a encontrou daquela forma em uma poça de sangue. Logo o pai se juntou a eles e, totalmente desesperado, levou o filho para o hospital naquelas bicicletas comumente utilizadas por lá como táxis. De acordo com o que o pai contou à CNN, os órgãos do menino estavam saindo e ele pressionava a barriga dele para isso não acontecer, dizendo também que podia ver dentro da cabeça dele, tamanho era o corte na área.
Apesar do estado deplorável em que o garoto se encontrava e da gravidade dos ferimentos, ele conseguiu se recuperar em três meses de internação. Os médicos ficaram perplexos com a recuperação, achando incrível como ele não sangrou até a morte antes de ser levado ao hospital.
O menino ainda carrega as cicatrizes físicas do que aconteceu e fica constantemente com medo. Depois que a sua história atraiu a atenção internacional, os cirurgiões do Johns Hopkins Hospital, em Baltimore (EUA), conseguiram reconstruir um pênis funcional para ele.

Outro Caso
Sabe aquela prática muito perigosa em que skatistas pegam carona segurando no para-choque de um carro ou ônibus? Pois foi a partir disso que um acidente bem grave aconteceu com um rapaz de 18 anos no início deste ano. O nome dele é Randon Timmons, que mora na cidade de Van Buren, no estado norte-americano de Indiana.
Certo dia, Randon estava pegando carona de skate em um veículo quando atingiu um solavanco na pista e saiu voando. Ao voltar para o chão, atingiu a sua cabeça em cheio no asfalto. Quando chegou ao hospital e foi examinado pelos médicos, ele não tinha quase nenhuma atividade cerebral e boa parte de seu crânio foi removida devido ao inchaço do cérebro.
Havia pouca esperança quanto à sua recuperação, mas a família não desistiu e se manteve no hospital dia e noite ao seu lado, assim como a população da cidade, que organizava vigílias de oração. Quase milagrosamente, depois de algumas semanas a sua condição tinha melhorado o suficiente para ele até poder sair do hospital.
O pai de Randon já havia sofrido a perda de seu irmão e seu pai em um acidente de carro e se recusou a desistir de seu filho. Ele continuou dizendo ao seu filho o quanto ele o amava e que ele não podia deixá-lo. O homem afirmou em entrevista que acredita que o amor e a oração ajudaram o garoto a passar pela tragédia.
Apesar de haver algum dano permanente, como amnésia leve e alterações sutis de personalidade, os médicos acreditam que ele vai levar uma vida normal. Porém, por enquanto, ele precisa usar capacete para fazer algumas atividades, enquanto não realiza uma nova cirurgia que vai implantar ossos para dar novo formato ao crânio danificado.

10.814 – “Que Mané Matusalém!” – Quais as pessoas viveram mais tempo sobre a Terra?


Estamos no século 21 e a atual tecnologia não é capaz de fazer ninguém chegar sequer aos 150 anos. Há uma corrente de cientistas otimistas em relação a breves avanços na longevidade. Quanto a lenda bíblica de Matusalém, é apenas uma questão de fé (e racionalidade).
As pessoas mais velhas de todos os tempos:
Maggie Barnes (1882 – 1998)
Idade: 115 anos e 319 dias
Maggie Barnes nasceu em 1882, mesmo ano do assassinato do icônico cowboy Jesse James pelo covarde Robert Ford. Natural do estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, a supercentenária era filha de escravos e foi casada com um arrendatário rural. Teve quinze filhos, mas apenas quatro deles ainda estavam por aqui quando a simpática velhinha faleceu em 1998.

O Homem mais velho de todos os tempos: 116 anos
O Homem mais velho de todos os tempos: 116 anos

Jiroemon Kimura (1897 – 2013)
Idade: 116 anos e 54 dias
Jiroemon Kimura era o detentor do cinturão de Decano da Humanidade até a sua morte, no mês de junho de 2013. Mas seus feitos não param por aí: o longevo japonês é o homem mais velho que já viveu – único representante do sexo masculino a ter comprovadamente chegado à marca dos 116 anos. Nada mal.

Besse Cooper (1896 – 2012)
Idade: 116 anos e 100 dias
Besse Cooper também soprou velinhas 116 vezes. No seu último aniversário, em agosto de 2012, a ex-professora comemorou ao lado da família – tinha quatro filhos, onze netos, quinze bisnetos e um trineto. Nascida no Tennessee, a estadunidense contava que sua receita para viver longos anos era simples: cuidava da própria vida e não comia besteiras.

Elizabeth Bolden (1890 – 2006)
116 anos e 118 dias
Elizabeth Bolden – ou Lizzie, como costumava ser chamada – com certeza tinha um bocado de história para contar: a norte-americana, nascida em 1890, viveu parte de três séculos diferentes. Também nascida no estado do Tennessee, filha de escravos alforriados, ela passou grande parte de sua vida trabalhando ao lado do marido em uma plantação de algodão. Quando faleceu, em 2006, Lizzie tinha 40 netos, 75 bisnetos e 450 trinetos e tetranetos.

Tane Ikai (1879 – 1995)
116 anos e 175 dias
A japonesa Tane Ikai era a terceira filha de seis irmãos em uma família que se dedicava à agricultura. Apesar de ser a mais anciã representante da Ásia, Tane nunca recebeu o título de Decana da Humanidade. Isso porque ela foi – durante muitos anos – contemporânea da representante #1 desta lista.

Maria Capovilla (1889 – 2006)
116 anos e 347 dias
Representante da América do Sul no clube dos 110, a equatoriana Maria Esther Capovilla também pôde acompanhar um pouquinho de três diferentes séculos. Filha de um coronel, Maria frequentava os círculos da alta sociedade e estudava arte. Ao longo de sua vida, Maria preferiu ficar longe de cigarros e bebidas (um fator comum entre os centenários) e passava seus dias vendo TV, lendo jornais e caminhando, mesmo depois da avançada idade. Ela faleceu em 2006, apenas 17 dias antes de completar 117 anos.

Marie Louise Meilleur (1880 – 1998)
Idade: 117 anos e 230 dias
Foi o ano em que Thomas Edison inventou a luz incandescente. Foi também o ano em que Werner von Siemens construiu o primeiro elevador elétrico. Marie Louise Meilleur nasceu em 1880 no Canadá, seis meses depois de Maria Olívia da Silva, a supercentenária brasileira que supostamente teria vivido 130 anos (o topo do ranking seria verde e amarelo caso a idade de Maria fosse comprovada). A canadense, que passou a maior parte de sua vida na região de Ontário, teve 10 filhos, 85 netos, 80 bisnetos, e 61 trinetos e tetranetos.

Lucy Hannah (1875 – 1993)
Idade: 117 anos e 248 dias
Lucy Hannah carrega a medalha de bronze no aspecto longevidade. Mas, apesar de ter vivido 117 anos e 248 dias, a norte-americana é a mais velha representante do clube dos 110 a não ter garantido uma entrada no Livro Guinness de Recordes. O título lhe escapou por conta de Jeanne Calment (ela de novo!), a insuperável primeirinha do grupo. No caso de Lucy, o segredo para a longa vida parece estar no código genético: duas de suas irmãs alcançaram a marca dos 100 anos, e sua mãe viveu 99 anos.

Sarah DeRemer Knauss (1880 – 1999)
Idade: 119 anos e 97 dias
Sarah Knauss foi uma habilidosa costureira – foi ela quem fez o próprio vestido de noiva. A estadunidense acompanhou duas Guerras Mundiais, 23 presidentes dos Estados Unidos e o naufrágio do Titanic. O seu segredo da longevidade? Segundo Kathryn, sua única filha, sua mãe sempre foi uma pessoa muito tranquila e não se irritava com nada. Pelo visto, a filha aprendeu bem: Kathryn viveu 101 anos. Tranquilidade ou um ótimo DNA?

Jeanne Calment (1875 – 1997)
Idade: 122 anos e 164 dias
Não são apenas os muitos anos vividos por esta francesa que tornam sua história fascinante. Jeanne Calment, nascida em 1875 na cidade de Arles, a francesa (que acompanhou a construção da Torre Eiffel) tinha uma boa anedota para contar: aos 13 anos, ela conheceu Vincent Van Gogh. O pintor visitou a loja do tio da garota para comprar materiais. O encontro certamente causou uma impressão forte em Jeanne, que era categórica ao afirmar que Van Gogh era “sujo, mal vestido e desagradável”. Apesar de nunca ter praticado esportes, não ter aberto mão do cigarro até os 117 anos e de ter tido como hábito comer quase 1kg de chocolate por semana (pode estar aí o segredo!), Jeanne nunca ficou parada: andou de bicicleta até os 100 anos.
Estamos no século 21 e a atual tecnologia não é capaz de fazer ninguém chegar sequer aos 150 anos. Há uma corrente de cientistas otimistas em relação a breves avanços na longevidade. Quanto a lenda bíblica de Matusalém, é apenas uma questão de fé (e racionalidade).
As pessoas mais velhas de todos os tempos:
Maggie Barnes (1882 – 1998)
Idade: 115 anos e 319 dias
Maggie Barnes nasceu em 1882, mesmo ano do assassinato do icônico cowboy Jesse James pelo covarde Robert Ford. Natural do estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, a supercentenária era filha de escravos e foi casada com um arrendatário rural. Teve quinze filhos, mas apenas quatro deles ainda estavam por aqui quando a simpática velhinha faleceu em 1998.

Jiroemon Kimura (1897 – 2013)
Idade: 116 anos e 54 dias
Jiroemon Kimura era o detentor do cinturão de Decano da Humanidade até a sua morte, no mês de junho de 2013. Mas seus feitos não param por aí: o longevo japonês é o homem mais velho que já viveu – único representante do sexo masculino a ter comprovadamente chegado à marca dos 116 anos. Nada mal.

Besse Cooper (1896 – 2012)
Idade: 116 anos e 100 dias
Besse Cooper também soprou velinhas 116 vezes. No seu último aniversário, em agosto de 2012, a ex-professora comemorou ao lado da família – tinha quatro filhos, onze netos, quinze bisnetos e um trineto. Nascida no Tennessee, a estadunidense contava que sua receita para viver longos anos era simples: cuidava da própria vida e não comia besteiras.

Elizabeth Bolden (1890 – 2006)
116 anos e 118 dias
Elizabeth Bolden – ou Lizzie, como costumava ser chamada – com certeza tinha um bocado de história para contar: a norte-americana, nascida em 1890, viveu parte de três séculos diferentes. Também nascida no estado do Tennessee, filha de escravos alforriados, ela passou grande parte de sua vida trabalhando ao lado do marido em uma plantação de algodão. Quando faleceu, em 2006, Lizzie tinha 40 netos, 75 bisnetos e 450 trinetos e tetranetos.

Tane Ikai (1879 – 1995)
116 anos e 175 dias
A japonesa Tane Ikai era a terceira filha de seis irmãos em uma família que se dedicava à agricultura. Apesar de ser a mais anciã representante da Ásia, Tane nunca recebeu o título de Decana da Humanidade. Isso porque ela foi – durante muitos anos – contemporânea da representante #1 desta lista.

Maria Capovilla (1889 – 2006)
116 anos e 347 dias
Representante da América do Sul no clube dos 110, a equatoriana Maria Esther Capovilla também pôde acompanhar um pouquinho de três diferentes séculos. Filha de um coronel, Maria frequentava os círculos da alta sociedade e estudava arte. Ao longo de sua vida, Maria preferiu ficar longe de cigarros e bebidas (um fator comum entre os centenários) e passava seus dias vendo TV, lendo jornais e caminhando, mesmo depois da avançada idade. Ela faleceu em 2006, apenas 17 dias antes de completar 117 anos.

Marie Louise Meilleur (1880 – 1998)
Idade: 117 anos e 230 dias
Foi o ano em que Thomas Edison inventou a luz incandescente. Foi também o ano em que Werner von Siemens construiu o primeiro elevador elétrico. Marie Louise Meilleur nasceu em 1880 no Canadá, seis meses depois de Maria Olívia da Silva, a supercentenária brasileira que supostamente teria vivido 130 anos (o topo do ranking seria verde e amarelo caso a idade de Maria fosse comprovada). A canadense, que passou a maior parte de sua vida na região de Ontário, teve 10 filhos, 85 netos, 80 bisnetos, e 61 trinetos e tetranetos.

Lucy Hannah (1875 – 1993)
Idade: 117 anos e 248 dias
Lucy Hannah carrega a medalha de bronze no aspecto longevidade. Mas, apesar de ter vivido 117 anos e 248 dias, a norte-americana é a mais velha representante do clube dos 110 a não ter garantido uma entrada no Livro Guinness de Recordes. O título lhe escapou por conta de Jeanne Calment (ela de novo!), a insuperável primeirinha do grupo. No caso de Lucy, o segredo para a longa vida parece estar no código genético: duas de suas irmãs alcançaram a marca dos 100 anos, e sua mãe viveu 99 anos.

Sarah DeRemer Knauss (1880 – 1999)
Idade: 119 anos e 97 dias
Sarah Knauss foi uma habilidosa costureira – foi ela quem fez o próprio vestido de noiva. A estadunidense acompanhou duas Guerras Mundiais, 23 presidentes dos Estados Unidos e o naufrágio do Titanic. O seu segredo da longevidade? Segundo Kathryn, sua única filha, sua mãe sempre foi uma pessoa muito tranquila e não se irritava com nada. Pelo visto, a filha aprendeu bem: Kathryn viveu 101 anos. Tranquilidade ou um ótimo DNA?

Jeanne Calment (1875 – 1997)
Idade: 122 anos e 164 dias
Não são apenas os muitos anos vividos por esta francesa que tornam sua história fascinante. Jeanne Calment, nascida em 1875 na cidade de Arles, a francesa (que acompanhou a construção da Torre Eiffel) tinha uma boa anedota para contar: aos 13 anos, ela conheceu Vincent Van Gogh. O pintor visitou a loja do tio da garota para comprar materiais. O encontro certamente causou uma impressão forte em Jeanne, que era categórica ao afirmar que Van Gogh era “sujo, mal vestido e desagradável”. Apesar de nunca ter praticado esportes, não ter aberto mão do cigarro até os 117 anos e de ter tido como hábito comer quase 1kg de chocolate por semana (pode estar aí o segredo!), Jeanne nunca ficou parada: andou de bicicleta até os 100 anos.

A mulher mais velha de todos os tempos
A mulher mais velha de todos os tempos

10.475 – História da Medicina – Conhecimento de neurologia e psiquiatria na Mesopotâmia só foi superado no século 18


Uma série de tabuletas de argila com inscrições babilônicas traduzidas e interpretadas por uma dupla de pesquisadores britânicos revelou que, cerca de 3.500 anos atrás, o povo que habitava a Mesopotâmia tinha um conhecimento de neurologia e psiquiatria que rivalizava com o dos últimos três séculos.
A riqueza dos registros só foi revelada com detalhes após o trabalho de James Kinnier Wilson, assiriólogo da Universidade de Cambridge, e Edward Reynolds, neurologista do King’s College de Londres.
Os dois começaram a trabalhar juntos há 25 anos, quando o historiador contou ao médico sobre uma tabuleta de escrita cuneiforme adquirida pelo Museu Britânico que descrevia sintomas de epilepsia em detalhes. A partir daí ambos começaram a vasculhar coleções de inscrições médicas babilônicas e descobriram que aquele povo tinha observações clínicas de transtornos neurológicos e mentais extremamente avançadas para a época.
As descobertas da dupla foram publicadas pelo periódico britânico “Brain”.
Apesar de conseguirem descrever o quadro clínico de vários transtornos psiquiátricos, os babilônios ainda praticavam a medicina com um bocado de superstição. Problemas mentais eram em geral atribuídos a espíritos ou causas sobrenaturais. Tratamentos eram frequentemente rezas ou encantos.
Babilônios também manifestaram pela primeira vez uma tendência a separar a neurologia da psiquiatria, as quais tinham diferentes tipos de curandeiros encarregados, os asu e os asipu.
“Os asu lidavam com bandagens para tratar feridas, como um médico generalista”, conta Wilson. “Já os asipu eram provavelmente como sacerdotes.”

medicina antiga

10.056 – Bactéria X Antibiótico – A era pós-antibiótico


Chegamos a um ponto em que os antibióticos não conseguem combater algumas bactérias. Esses medicamentos já perdem a batalha para dezessete micro-organismos multirresistentes, causando, nos Estados Unidos, mais mortes que a aids. A preocupação de médicos e cientistas em todo o mundo é que, sem o investimento em pesquisas e um plano contra o abuso de medicamentos, podemos voltar, rapidamente, à época em que os antibióticos não existiam.
No inverno de 2007, um homem de origem indiana saiu de sua casa, na Suécia, para passar o mês de dezembro em seu país natal. Cumpria o mesmo ritual todos os anos, mas, dessa vez, a viagem o preocupava. Aos 59 anos e diabético, tinha sofrido vários derrames — e sua saúde poderia se tornar mais frágil no interior da Índia. Poucos dias depois de chegar, ele foi internado na pequena cidade de Ludhiana, com úlceras profundas na pele. Sem condições de tratá-lo, os médicos o encaminharam para a capital, Nova Délhi. Ele foi operado e tratado com antibióticos, mas a doença não cedeu. De volta à Suécia, foi internado na cidade de Örebro, a 160 quilômetros de Estocolmo.

Seus últimos registros são de 1 de abril de 2008, quando a equipe responsável pelos cuidados médicos descobriu em seu corpo uma bactéria com uma mutação nunca vista: era resistente a quase todos os antibióticos conhecidos, e tinha vindo com o paciente da Índia. Para conseguir vencê-la foi necessária a colaboração de cientistas da Grã-Bretanha. No ano seguinte, em referência à sua origem, a enzima que tornava o micro-organismo quase imbatível foi batizada de New Delhi metallo-beta lactamase 1 — e o nome logo se transferiu à superbactéria, hoje conhecida como NDM-1.

Contra ela, os antibióticos têm pouco ou nada a fazer. É imune aos remédios chamados carbapenemas, usados para combater os micro-organismos mais resistentes já descobertos. Em 2010, ela já tinha viajado pela Europa, Austrália e Estados Unidos. Desembarcou no Rio Grande do Sul no ano passado e, em fevereiro, foi encontrada em dois pacientes em um hospital de Londrina, no norte do Paraná. O tratamento das infecções urinárias e de pele que ela causa é longo, caro e repleto de efeitos colaterais. Nos casos mais graves, não há nenhum antibiótico capaz de combatê-la. As doenças que ela causa levam à morte.

Essa batalha perdida pelos antibióticos já mata mais que a aids nos Estados Unidos – são 23 000 mortes anuais, ante 15 000 causadas pelo HIV. No país, os remédios existentes não conseguem combater dezessete tipos de micro-organismo, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). Um relatório divulgado no fim de março pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrou que cerca de 500 000 casos de tuberculose em 2012 foram causados por bactérias super-resistentes em todo o mundo. Até 2015, os casos podem ser 2 milhões. Ou seja, milhões de pessoas podem adoecer como se estivessem no início do século XX, antes da descoberta do primeiro antibiótico.
O alerta para o fim da eficácia dos antibióticos foi soado em setembro do ano passado por Tom Frieden, diretor do CDC americano. “Se não tomarmos cuidado, logo estaremos em uma era pós-antibióticos. Na realidade, alguns pacientes e micróbios já estão nela”, afirmou em uma conferência sobre organismos multirresistentes. O cenário, no entanto, inquieta imunologistas e médicos em todo o mundo há pelo menos dez anos, quando a primeira bactéria KPC foi identificada nos Estados Unidos. Trata-se de uma versão resistente da bactéria Klebsiella pneumoniae, que pode causar pneumonia e infecção urinária. A preocupação surgiu porque cerca de 20% das contaminações pela KPC podem não ser vencidas por nenhum antibiótico. Ou seja, ela causa uma infecção simples, imune a grande parte dos remédios conhecidos. De acordo com um levantamento do Ministério da Saúde, a bactéria matou 106 pessoas em 2010 e 2011 no Brasil.
Superbactérias assim desafiam a medicina desde 1950, quando o micróbio Staphylococcus aureus, causador de infecções cutâneas e respiratórias, deixou de responder à penicilina, o primeiro antibiótico do mundo, descoberto em 1928 pelo biólogo escocês Alexander Fleming. Para combater a infecção, o antibiótico age nas bactérias sensíveis a ele, matando-as. As sobreviventes, que dispõe de mutações resistentes ao medicamento, transmitem essa imunidade a seus descendentes, até que todas se tornam mais fortes que o remédio. Para combatê-las será necessário um novo antibiótico, ou uma nova classe deles, como dizem os especialistas.
No século XX, dez classes de antibióticos foram desenvolvidas. No século XXI, até agora, apenas duas. “Não era preciso bola de cristal para saber que bactérias super-resistentes iriam surgir. O problema é que não conseguimos evoluir tão rápido quanto elas. Estamos falhando em todas as frentes”, afirma o pesquisador da Fiocruz.
Um dos fatores que acelerou o processo de adaptação dos micro-organismos foi o uso indiscriminado de antibióticos, desde seu surgimento. De acordo com dados da consultoria internacional IMS Health, os antibióticos são o quinto remédio mais vendido do mundo, atrás apenas de drogas de combate ao câncer, dores, diabetes e hipertensão. Pouco mais de 40 bilhões de dólares foram gastos em 2013 para a compra de antibióticos, dos quais 1,24 bilhão no Brasil — há cinco anos, a soma era de 875 milhões de dólares por aqui.
De todos esses remédios vendidos, estima-se que pelo menos a metade venha de prescrições inúteis — de acordo com o CDC americano, muitas vezes eles são receitados para doenças causadas por vírus, que não são tratados por antibióticos, ou simplesmente não funcionam para a bactéria causadora da doença. Nas infecções mais comuns em todo o mundo, as do trato respiratório superior, o número de prescrições equivocadas pode chegar a até 79%, de acordo com o Global Respiratory Partnership (Grip), um grupo internacional de médicos que se uniu em 2012 para promover o uso racional de antibióticos e, assim, tentar diminuir a resistência aos medicamentos.

10.036 – Um velho inimigo – Encontrado esqueleto humano de 3.000 anos com câncer


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Arqueólogos britânicos anunciaram ter descoberto o mais antigo exemplar completo de um ser humano com câncer metastático. Os pesquisadores encontraram evidências de tumores por todo corpo em um esqueleto de mais de 3.000 anos de idade, achado no ano passado em uma tumba no Sudão. A equipe espera que a descoberta, publicada nesta segunda-feira na revista científica Plos One, possa fornecer novas pistas sobre a evolução da doença.
Os especialistas responsáveis pelo estudo são da Universidade Durham e do British Museum. De acordo com a pesquisa, o esqueleto em questão é de um adulto do sexo masculino com idade estimada entre 25 e 35 anos quando morreu. Ele foi encontrado no sítio arqueológico de Amara Oeste, na parte norte do Sudão, a 750 quilômetros da capital, Cartum.
A análise do esqueleto foi feita por meio de radiografias e de um microscópio eletrônico de varredura. Os pesquisadores conseguiram obter uma clara imagem que mostrou tumores nos ossos da clavícula, escápulas, braços superiores, vértebras, costelas, bacia e coxa. Não foi possível, porém, identificar o local no qual a doença se originou.
Segundo os autores do estudo, praticamente não há registros arqueológicos do câncer em comparação outras doenças. Isso deu origem à ideia de que o câncer é causado principalmente pelo estilo de vida moderno e pelo fato de, hoje, as pessoas viverem durante mais tempo.
“O conhecimento adquirido em restos humanos como esses pode realmente nos ajudar a compreender a evolução e a história das doenças modernas”, diz Michaela Binder, pesquisadora da Universidade Durham que coordenou o trabalho. Ela espera que seu estudo ajude outros cientistas a explorar as causas do câncer em populações antigas.

9647 – História da Medicina – A Peste Negra


Embora haja desacordo, as estimativas são de 75 a 200 milhões de mortes. Estudiosos mais conservadores estimam que a população mundial de 450 milhões teria caído para 350 a 370 milhões.
A bactéria causadora da epidemia teve origem na China ou na Ásia Central, de onde viajou pela rota da seda, nos intestinos das pulgas que infestavam os ratos. Chegando ao Mediterrâneo, os ratos se encarregaram de levá-las para os navios, que disseminaram a doença pelos portos em que atracavam.
Relatos históricos dão conta do sofrimento humano. O poeta Boccaccio, que viveu em Florença nessa época, fez a seguinte descrição:
“Em homens e mulheres, ela se manifesta pela emergência de certos tumores nas virilhas e axilas, alguns dos quais chegam ao tamanho de uma maçã; outros, ao de um ovo… Dessas duas regiões do corpo esses tumores mortais logo começam a propagar-se e a espalhar-se em todas as direções; depois disso, a apresentação se modifica, em muitos casos manchas negras ou lívidas aparecem nos braços, nas coxas e outras partes, de início poucas e grandes, mais tarde pequenas e numerosas. Assim como os tumores, as manchas negras são sinais infalíveis de que a morte se aproxima daqueles nos quais se manifestam”.
Faltou dizer que a febre atingia 41 graus, os vômitos eram sanguinolentos, e que alguns desenvolviam complicações pulmonares, enquanto outros se curavam espontaneamente. Cerca de 80% iam a óbito em uma semana, proporção que aumentava para 90% quando havia comprometimento pulmonar e beirava 100% nos casos de septicemia.
As explicações para as epidemias de peste que já afligiam a Europa nos tempos de Justiniano, no século 8, eram imaginativas: conjunção de três planetas que espalharia pestilência no ar, terremotos, mendigos, peregrinos, estrangeiros, envenenamento dos poços de água pelos judeus (sempre eles), suposições que justificavam massacres sangrentos.
Foi apenas em 1894, quando um grupo de bacteriologistas visitou Hong Kong, que o agente etiológico, a Yersinia pestis, foi identificado por Alexandre Yersin.
Curiosamente, mesmo antes dos antibióticos, os casos mais recentes de peste não provocavam mortalidade elevada. As bactérias daqueles tempos seriam mais virulentas ou as pessoas mais fracas e desnutridas?
O advento de técnicas modernas de sequenciamento de DNA tem ajudado a decifrar essa questão. Um grupo de canadenses e americanos extraiu o DNA encontrado em dentes e ossos de pessoas enterradas no cemitério de East Smithfield, em Londres, última morada das vítimas da peste do século 14.
Em 2011, os resultados publicados na revista Nature mostraram que a Yersinia pestis daquela época está extinta, de fato. O genoma desse ancestral, no entanto, é bastante similar ao da bactéria de hoje.
Trabalhando com amostras antigas e recentes da bactéria, outros grupos observaram que a peste europeia foi causada por uma das 11 cepas que já circulavam na época de Justiniano. Entre os séculos 6 e 8, teria ocorrido um “big bang” de diversidade entre as yersínias, surgindo cepas novas dotadas de agressividade variável.
De acordo com esse modelo, deslocamentos humanos como os das Cruzadas e outras guerras, teriam criado pressões seletivas para que as bactérias se adaptassem rapidamente a ambientes estranhos e novos hospedeiros. Nessa luta pela sobrevivência, teriam levado vantagem as yersínias mais virulentas.
A partir de 1351, quando a epidemia europeia arrefeceu, a cepa virulenta que lhe havia dado origem pôde replicar-se com menos frequência, tornando-se mais estável, portanto mais semelhante às que circulam hoje entre seres humanos e roedores.
Estudos como esses têm sido realizados com os agentes de enfermidades responsáveis pelas mortes em massa do passado: varíola, tuberculose, hanseníase, sífilis e até o da praga da batata que matou de fome um milhão de irlandeses, entre 1845 e 1852.
Na santa ignorância em que viviam, quando nossos antepassados medievais imaginariam que, séculos mais tarde, desvendaríamos os segredos mais íntimos dos germes que lhes tiraram a vida?

9494 – História da Medicina – Esqueletos humanos mostram que cirurgias no crânio são realizadas há mais de mil anos


Um conjunto de crânios encontrados no Peru traz evidências de que cirurgias cranianas, que não deixaram de ser um procedimento complicado mesmo com o avanço da medicina, são realizadas há mais de mil anos. Os resultados desse estudo foram publicados no periódico American Journal of Physical Anthropology.
Uma equipe de pesquisadores liderados por Danielle Kurin, arqueóloga da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, nos Estados Unidos, realizou escavações na cidade de Andahuaylas, no Peru, e encontrou ossadas de 32 indivíduos que viveram entre os anos 1.000 e 1.250. Entre eles, foram identificados 45 procedimentos de trepanação, ou perfuração do crânio. “Essa cirurgia atravessa todo o osso, mas não toca o cérebro. Isso requer muita experiência e habilidade”.
Segundo Danielle, a prática surgiu na região dos Andes entre os anos 200 e 600 e foi considerada um procedimento médico viável até o século XVI. Os crânios encontrados trazem evidências de diferentes técnicas empregadas por médicos no mesmo período. Alguns raspavam, enquanto outros cortavam ou usavam um tipo de furadeira de mão. “Parece que eles estavam experimentando técnicas diferentes, da mesma forma como nós testamos novos medicamentos”, afirma. A trepanação era utilizada para diversos fins, de tratar ferimentos na cabeça a doenças cardíacas.
Algumas vezes o tratamento era bem sucedido e o paciente se recuperava, mas em outras os resultados não eram tão bons. Quando um paciente não sobrevivia, seu crânio poderia ser “doado para a ciência” e utilizado para fins educativos. “Nós podemos afirmar que eles usavam os mortos para estudos devido à localização e profundidade dos buracos abertos nos crânios. Em um dos exemplos, cada um dos buracos vai um pouco mais fundo do que o anterior. Dá para imaginar um médico praticando com sua furadeira de mão para saber o quanto ele precisa avançar para perfurar todo o crânio”.

9333 – História da Medicina – Aforismos


Hipócrates, o pai da Medicina
Hipócrates, o pai da Medicina

Hipócrates foi um médico grego que viveu entre os séculos V e IV a.C., sendo reverenciado no ocidente como o pai da medicina. Quase tudo que conhecemos sobre Hipócrates vem das informações de Platão e de eruditos alexandrinos do século III. Nascido na ilha de Cós, na costa da Ásia Menor, viajou por várias cidades gregas, estudando a constituição física das populações e as doenças frequentes. De volta à sua cidade natal, passa a ensinar e praticar as ciências médicas na escola do templo de Esculápio.
Seu trabalho marca o fim da Medicina como derivação do misticismo e inaugura a ciência baseada na observação clínica. Por volta de 300 a.C. surgem os textos médicos que ficam conhecidos como Coleção Hipocrática. São no total 53 tratados; dentre os escritos que realmente seriam textos elaborados por Hipócrates estão O Juramento, que resume sua ética e é pronunciado até hoje pelos formandos de Medicina; Da Medicina Antiga; Do Prognóstico; Primeiro e Terceiro Livro das Epidemias; Do Regime nas enfermidades agudas; A Lei; Das Articulações; Das Fraturas; Os Males da Cabeça; Dos ares, águas, ares e lugares e Os Aforismos.
O termo aforismo vem do grego αφορισμός – aphorismos, que significa “definição”; trata-se de uma sentença concisa. Assim é este livro de Hipócrates, um de seus mais conhecidos. Nele, temos uma coleção de definições, onde o autor se esforçou para ser o mais conciso e objetivo possível. As doenças seriam resultado do desequilíbrio entre os denominados humores: o sangue, a fleuma (estado de espírito), a bílis (amarela) e a atrabile (bílis negra). Estes quatro humores deveriam estar em equilíbrio dentro do corpo humano, e caso um deles estivesse sendo produzido em excesso, o médico deveria cuidar para reestabelecer o seu equilíbrio quantitativo. Obviamente, a pesquisa de Hipócrates se encontra no início de um ciclo evolutivo que duraria séculos, e muitas de suas conclusões parecem hoje em dia muito estranhas, mesmo para um leigo. Em perspectiva, as ideias de Hipócrates estavam no caminho certo: seu mais aplicado discípulo, Galeno, foi responsável por aprimorar muitas de suas técnicas. Após estes dois, a Medicina daria um novo salto evolutivo apenas no século XIX.
Os aforismos tornaram-se populares entre médicos e pupilos justamente pela forma prática e acessível que este tipo de disposição de texto era capaz de fornecer. A maioria dos historiadores que analisa a evolução da medicina admite que, dentre todos os textos, aquele que mais sintetiza seu conhecimento e prática é esta coleção de pequenas sentenças. Todo o corpus hipocrático, enfim, encontra um resumo perfeito nestas sentenças.

9321 – Mega Cientistas – Albert Sabin


Formado em Medicina em 1931
Formado em Medicina em 1931

Ele fora dentista e descobriu uma vacina que utilizava vírus vivos da Pólio administrados por via oral, sendo 3 doses sufientes para imunizar a criança até os 9 anos e 2 quando a criança tem menos de 6 meses de idade.
Białystok, 26 de agosto de 1906 — Washington, 3 de março de 1993
Sabin nasceu em uma família de judeus, em 1906, na cidade de Białystok, então parte da Rússia (atualmente na Polônia), e imigrou em 1921 para os Estados Unidos com sua família. Sabin estudou medicina na Universidade de Nova Iorque e desenvolveu um intenso interesse em pesquisa, especialmente na área de doenças infecciosas. Em 1931, completou o doutorado em medicina. Passou uma temporada trabalhando em Londres em 1934, como representante do Conselho Americano de Pesquisas. De volta aos Estados Unidos, tornou-se pesquisador do Instituto Rockfeller de Pesquisas Médicas. Nesse instituto, demonstrou o crescimento do vírus da poliomielite em tecidos humanos.
Sabin esteve várias vezes no Brasil, acompanhando pessoalmente o combate à poliomielite, tendo se casado em 1972 com a brasileira Heloísa Sabin.
Centenas de escolas, hospitais, clínicas e instituições brasileiras levam o seu nome. O cientista recebeu do governo brasileiro, em 1967, a Grã-Cruz do Mérito Nacional.
Em 1946 Sabin tornou-se o líder de Pesquisa Pediátrica na Universidade de Cincinnati.
Publicou mais de 350 estudos, que incluem trabalhos sobre pneumonia, encefalite, câncer e dengue; foi o primeiro a isolar o vírus da dengue: o tipo I na área do mediterrâneo, durante a Segunda Guerra Mundial, e o tipo II na região do Pacífico.
Com a ameaça da pólio crescendo, após a Segunda Guerra Mundial, ele e outros pesquisadores, notadamente Jonas Salk em Pittsburgh, iniciaram a busca por uma vacina para prevenir ou amenizar a doença. A vacina de Salk, desenvolvida com vírus “inativado ou morto”, foi testada e liberada para o uso em 1955. Ela era eficaz na prevenção da maioria das complicações da pólio, mas não prevenia a infecção inicial de acontecer.
A inovação de Sabin aconteceu cerca de cinco anos depois, quando o Serviço Público de Saúde dos Estados Unidos apoiou sua vacina com vírus “vivo” para a pólio em 1961. Seu produto, preparado com o vírus atenuado da pólio, poderia ser tomada oralmente, e prevenia a contração da moléstia. Esta é a vacina que eliminou efetivamente a pólio em quase todo o mundo (exceto em alguns países na África e Ásia)
Sabin renunciou aos direitos de patente da vacina que criou, facilitando a difusão da mesma e permitindo que crianças de todo o mundo fossem imunizadas contra a poliomielite, que é mais conhecida como paralisia infantil no Brasil.
Albert Sabin morreu de ataque cardíaco, aos 86 anos, em sua casa em Washington, em 1993. No mesmo ano, foi fundado naquela cidade o Instituto Sabin de Vacinas, a fim de dar prosseguimento às pesquisas sobre vacinas e perpetuar o legado construído por ele.

9315 – Varíola, um grande flagelo


No início do século 18, a varíola flagelava a humanidade, por isso, começou a se dar atenção as informações de certos viajantes, que, vindos da Turquia, afirmavam que o povo de lá se imunizava contra a doença introduzindo no braço, com o auxílio de agulhas, o pus dos que contraíam varíola. Coube ao médico genovês Tronchin, experimentar tal tipo de preventivo com bons resultados. Entretanto, o cirurgião inglês Jenner aperfeiçoou o método utilizando para a inoculação o elemento virulento da “vaccine”, ou seja a varíola da vaca, daí o nome vacina. Assim, em 14 de maio de 1796, uma criança era pela primeira vez, vacinada por Jenner (1749-1823).

O vírus da varíola é o orthopoxvirus, um dos maiores vírus que infectam os seres humanos, com cerca de 300nanômetros de diâmetro, o que é suficientemente grande para ser visto como um ponto ao microscópio óptico (o único outro vírus que causa doença também visível desta forma é o vírus do molusco contagioso). O vírus tem envelope (membrana lípidica própria). O seu genoma é deDNA e é dos mais complexos existentes. O vírus fabrica as suas proteínas e replica-se numa área localizada docitoplasma da célula hóspede, sendo um dos poucos vírus com essa capacidade de se localizar em corpos de inclusão de Guarnieri, ou fábricas. O seu genoma é de quase 100 000 pares de bases, um dos maiores genomas virais. O DNA é bicatenar (hélice dupla) linear e com as extremidades fundidas. Ao contrário dos outros vírus, ele contém dentro de si suficiente quantidade dasenzimas necessárias à produção de ácidos nucleicos, e ao seu ciclo de vida, e utiliza apenas a maquinaria de síntese proteica da célula. Daí que é dos poucos vírus de DNA citoplasmáticos. É considerada extinta desde 11 de setembro de 1978, ano em que ocorreu o último caso que vitimou uma médica num laboratório inglês por erro (Janet Parker); o último caso registado fora dos laboratórios foi registado em 1977, na Somália, tendo Ali Maow Maalin (um jovem de 23 anos, residente na cidade de Merca )o último homem a contrair varíola fora dos laboratórios, mas se recuperou. Foi a primeira doença erradicada pelo homem, graças à intensa campanha de vacinação em todo o mundo, a sua erradicação foi anunciada em 1980 pela Organização Mundial da Saúde.

9289 – Mega Bloco Medicina – Quando Surgiu a Quimioterapia?


quimio
Durante a Segunda Guerra Mundial, um barco aliado carregado de gás mostarda foi bombardeado enquanto se encontrava no porto. O veneno espalhou-se pela água e muitos marinheiros ficaram expostos. Entre os efeitos do gás havia uma redução dos glóbulos brancos no sangue. Isto fez pensar que podia ser usado para tratar algumas leucemias. Para evitar a sua toxicidade, testou-se uma variante, as mostardas azotadas. O primeiro paciente tratado com elas melhorou de forma espetacular após 48 horas, e ao décimo dia tinha desaparecido o linfoma.
Nessa época, os americanos desenvolveram um programa secreto com gases tóxicos para serem usados como armas no transcorrer do conflito. Um desses gases chamava-se mostarda nitrogenada e os técnicos que a manipulavam eram submetidos a controles laboratoriais sistematicamente. Dos resultados desses exames, que indicavam queda no número de glóbulos brancos do sangue desses trabalhadores, surgiu um desafio: se lidar com a mostarda nitrogenada provocava diminuição dos leucócitos e certos tipos de câncer (as leucemias e alguns linfomas) causavam aumento excessivo desses glóbulos, não valia a pena observar a ação dessa substância sobre a doença?
Assim feito, constatou-se que muitos doentes com gânglios e ínguas espalhados pelo corpo apresentavam redução importante das massas tumorais, quando submetidos ao tratamento com mostarda nitrogenada. Tempos depois, surgiram vários medicamentos dotados da mesma propriedade, ou seja, a de destruir células tumorais agindo durante a divisão celular. Quando a célula vai multiplicar-se, sofre a ação da droga e o processo é interrompido.
Esse é o princípio básico da quimioterapia, conceito terapêutico que nasceu empiricamente e representou um avanço importante no tratamento do câncer.
A descoberta dos efeitos da mostarda nitrogenada durante a Segunda Guerra Mundial foi um achado incidental. Não faz muito tempo, a pesquisa em quimioterapia era totalmente empírica. Em laboratório, pingava-se um remédio em animaizinhos com tumor ou em células tumorais in cultura para ver como reagiam.
O fato de a célula tumoral levar vantagem sobre as células normais, porque se divide rapidamente é também seu ponto fraco, pois durante a divisão requisita muita energia e recursos celulares. Se conseguirmos atacá-la nesse ponto, ela não se divide e morre. Por isso, o objetivo dos pesquisadores era encontrar substâncias que obstruíssem o processo de divisão celular. Foi assim que surgiu a quimioterapia. Como já disse, o método era totalmente empírico. Testava-se, em laboratório, um número gigantesco de drogas e separavam-se as que tinham atividade em animais ou em culturas de células. Para ter uma ideia, em cada 150 mil drogas pesquisadas segundo essa técnica, apenas uma chega ao mercado.
Desde a década de 1950, o Instituto Nacional do Câncer dos EUA tem um programa intensivo de busca de produtos naturais, isto é, de produtos extraídos da natureza, que mostrem em laboratório a possibilidade de interromper o crescimento de células. É uma busca não muito racional, porque não se direciona ao ponto específico do crescimento tumoral. Atinge também as células normais que estão se dividindo no momento em que a droga é administrada.

9144 – História da Medicina – A Lobotomia


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☻ Nota
Há alguns capítulos atrás demos um vago conceito, agora retomarei o tema com mais detalhes;

Trata-se de uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são selecionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas. Foi utilizada no passado em casos graves de esquizofrenia. A lobotomia foi uma técnica bárbara da psicocirurgia que não é mais realizada.
O procedimento leva a um estado algo sedado de baixa reatividade emocional nos pacientes. Existem controvérsias sobre os resultados do procedimento.

Histórico
Foi desenvolvida em 1935 pelo médico neurologista português António Egas Moniz1 (1874-1955), em equipe com o cirurgião Almeida Lima, na Universidade de Lisboa. Egas Moniz veio a receber com este trabalho o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1949.
A leucotomia foi a primeira técnica de psicocirurgia, ou seja, a utilização de manipulações orgânicas do cérebro para curar ou melhorar sintomas de uma patologia psiquiátrica (em contrapartida à neurocirurgia que se ocupa de doentes com patologia orgânica directa ou neurológica).
Inicialmente foi usada para tratar depressão severa. Egas Moniz sempre defendeu o seu uso apenas em casos graves em que houvesse riscos de violência ou suicídio. No entanto apesar de cerca de 6% dos pacientes não sobreviverem à operação, e de vários outros ficarem com alterações da personalidade muito severas, foi praticada com entusiasmo excessivo em muitos países, nomeadamente o Japão e os Estados Unidos. Neste último país foi popularizada pelo cirurgião Walter Freeman, que divulgou a técnica por todo o seu país, percorrendo-o no seu Lobotomobile, e criando inclusivamente uma variante em que espetava um picador de gelo directamente no crânio do doente, desde um ponto logo acima do canal lacrimal com a ajuda de um martelo, rodando-se depois o mesmo para destruir as vias aí localizadas. Supostamente a atratividade deste procedimento seria o seu baixo custo e o desejo social de silenciar doentes psiquiátricos incômodos.
A leucotomia ganhou tal popularidade que foi inclusivamente praticada em crianças com mau comportamento. Cerca de 50.000 doentes foram tratados só nos Estados Unidos. Graças a estes abusos, bem como a irreversibilidade dos seus resultados, a leucotomia foi abandonada quando surgiram os primeiros fármacos antipsicóticos. A partir dos anos 50 a leucotomia foi banida da maior parte dos países onde era praticada. A sua aplicação em grande escala é hoje considerada como um dos episódios mais bárbaros da história da psiquiatria, sendo comum a sua comparação com a técnica da flebotomia (ou sangria) na história da medicina interna. Hoje em dia, um pequeno número de países ainda realiza procedimentos cirúrgicos semelhantes, porém dentro de indicações muito estritas.
Hoje em dia a leucotomia tal como exemplificada por Egas Moniz já não é praticada devido aos efeitos secundários severos. No entanto ainda hoje se praticam raramente técnicas diretamente descendentes da leucotomia original, mas com inflicção de lesões seletivas em regiões bem delimitadas. Os efeitos secundários destas técnicas são bem mais incomuns, mas devido à irreversibilidade do tratamento e às mudanças na personalidade do doente inevitáveis, elas são utilizadas apenas em última instância caso todos os outros tratamentos possíveis tenham-se revelado ineficazes. É assim praticada em alguns casos de dor crónica intratável (tratamento paliativo), neurose obsessiva, ansiedade crónica ou depressão profunda prolongada.