13.349 – Medicina – Aparelho quase igual ao pâncreas chega ao país


pancreas artificial
O número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, de acordo com dados recentes do Ministério da Saúde. Significa que 8,9% da população sofre da doença — eram 5,5% em 2006. Ao todo, estima-se que há mais de 14 milhões de homens e mulheres vivendo com diabetes e, a cada ano, surgem 60 mil novos casos no país.
Assegurar que os níveis de glicose no sangue estejam sempre adequados é um desafio para a maioria desses pacientes. A hipoglicemia (queda drástica destas taxas de açúcar no sangue), por exemplo, pode levar à perda de consciência, convulsões e, em casos mais graves, ao óbito. A boa notícia é que agora eles poderão contar com uma novidade: a primeira bomba de infusão de insulina (equipamento computadorizado e portátil), com liberação contínua do hormônio em pacientes diabéticos que, pela primeira vez, é capaz de suspender o hormônio antes do episódio de hipoglicemia– evitando, assim, até 75% destes casos.
De tamanho de um celular, o aparelho é o primeiro no país a, automaticamente, suspender a infusão de insulina quando prevê uma crise de hipoglicemia e a reiniciar a administração do hormônio quando a taxa de glicose volta a atingir um nível seguro. “Sem dúvida é um passo à frente para um dia chegarmos no caminho do pâncreas artificial”, observa Freddy Eliaschewitz, endocrinologista.
Já existem bombas de insulina no Brasil. Essa, no entanto, é a primeira de circuito fechado, ou seja: o glicosímetro (que mede o nível de glicose, ou açúcar no sangue) e a bomba de insulina (que libera a insulina na corrente sanguínea) estão no mesmo sistema e se “comunicam”. O glicosímetro avisa a bomba de insulina o quanto de insulina o corpo está precisando, ou se é necessário interromper a entrega da mesma, evitando o episódio de hipoglicemia (queda de açúcar no sangue), que pode causar desmaios, coma e até levar a óbito.

Dispositivo:
Fabricado pela irlandesa Medtronic, a bomba MiniMed 640G libera insulina através de um pequeno tubo e uma cânula (conhecidos como conjunto de infusão), colocada sob a pele do paciente. Com uma espécie de dispositivo inovador, o sistema imita a forma como um pâncreas saudável fornece insulina ao corpo.
Com base nos valores de glicose enviados pelo sensor a cada cinco minutos,durant 24 horas por dia, a tecnologia SmartGuard do sistema MiniMed640 consegue prever, com 30 minutos de antecedência, quando o nível de glicose do paciente estará próximo do limite mínimo e, assim, interrompe automaticamente a administração de insulina.
Totalmente personalizável, o novo dispositivo possibilita ao paciente configurar múltiplos limites ao longo do dia, de acordo com suas necessidades individuais, proporcionando conforto e mais proteção contra a hipoglicemia. Quando o nível de glicose no sangue diminui ou aumenta fora dos parâmetros, um alarme de advertência é ativado.
Pessoas de todas as idades com diabetes de tipo 1 ou tipo 2 podem usar a bomba de infusão de insulina. No entanto, um médico deve aconselhar sobre o melhor tratamento para cada paciente.
O Brasil é o terceiro país da América Latina, além do México e Colômbia, a disponibilizar a tecnologia.

13.348 – Medicina – O sistema imunológico é a chave para a cura do câncer?


cancer
Há alguns anos, os imunoterápicos, medicamentos que utilizam o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer, têm sido os grandes protagonistas dos congressos médicos sobre o assunto e a grande aposta de médicos e pesquisadores.
A Food and Drug Administration (FDA), agência americana que regula fármacos, aprovou uma nova droga para o tratamento de câncer de pulmão. Trata-se do pembrolizumabe, medicamento indicado como primeira linha de tratamento para pacientes com tumores pulmonares em estágio de metástase.
A aprovação é importante pois essa é a primeira vez que um fármaco imunoterápico é indicado como primeiro tratamento para pacientes com esse diagnóstico, em vez da tradicional quimioterapia. A FDA também expandiu a aprovação para o tratamento de pessoas com a doença que tenham realizado quimioterapia.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se que entre 2016 e 2017 haverá 28.190 novos casos de câncer de pulmão no país. Um estudo conduzido pela Sociedade Americana do Câncer em parceria com a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), aponta que o câncer de pulmão é a principal causa de morte pela doença entre homens e mulheres em países desenvolvidos.
Dos 30 000 brasileiros que recebem o diagnóstico a cada ano, apenas 6 000 sobreviverão à doença em cinco anos. Estudos com pembrolizumabe mostraram que o composto reduziu pela metade o risco de progressão da doença e em 40% o risco de morte.
O medicamento age bloqueando a PD-1, proteína presente nas células de defesa do corpo humano, os linfócitos T, mas que, em pessoas com câncer, permite que o tumor se esconda do sistema imunológico. Ao bloquear a PD-1, o medicamento faz com que os linfócitos-T ataquem o câncer.
Para Philip Greenberg, chefe de imunologia do Centro de Pesquisa de Câncer Fred Hutchinson em Seattle, nos Estados Unidos, a imunoterapia já é o quarto pilar do tratamento anticâncer, ao lado da radioterapia, quimioterapia e cirurgia, segundo informações da rede americana CNN. “Há momentos em que ela será usada sozinha, e haverá momentos em que será usada em conjunto com outras terapias, mas há muito pouco a questionar que esta vai ser uma parte importante do tratamento do câncer daqui para frente.”

Surgimento da imunoterapia
No verão de 1890, a jovem de 17 anos Elizabeth Dashiell, carinhosamente chamada de “Bessie”, prendeu sua mão entre dois assentos de um trem e mais tarde notou um nódulo doloroso na área que ficou presa, de acordo com o Instituto de Pesquisa do Câncer dos Estados Unidos. As informações são da rede americana CNN.
Em Nova York, ela procurou o médico William Coley, com 28 anos na época, para tratar a lesão. Após a realização de uma biópsia, em vez encontrar pus na massa colhida, como esperado, ele encontrou uma pequena massa cinzenta no osso. Era um tumor maligno conhecido como sarcoma.
Para tratar o câncer, Elizabeth teve seu braço amputado. Mas, mesmo com a medida, a doença se espalhou rapidamente para o resto do seu corpo e ela faleceu em janeiro de 1891. Coley ficou devastado e dedicou sua carreira à investigação do câncer. Hoje, o médico é conhecido como “pai da imunoterapia do câncer”, de acordo com o Memorial Sloan Kettering Cancer Center, nos Estados Unidos.
Durante sua carreira, Coley percebeu que infecções em pacientes com câncer foram associadas com a regressão da doença. A surpreendente descoberta o levou a especular se produzir intencionalmente uma infecção em um paciente poderia ajudar a tratar o câncer. Para testar a ideia, ele criou uma mistura de bactérias e usou esse ‘coquetel’ para criar infecções em pacientes com câncer em 1893.
As bactérias, às vezes, estimulam o sistema imunológico de um paciente para atacar não só a infecção, mas também qualquer outra coisa estranha ao corpo, incluindo um tumor. Em um caso, quando Coley injetou bactérias estreptocócicas em um paciente com câncer para causar erisipela, uma infecção bacteriana na pele, o tumor desse paciente desapareceu – presumivelmente porque foi atacado pelo sistema imunológico.
A hipótese levantada por Coley foi estudada por vários pesquisadores na década de 1900, mas não foi amplamente aceita como uma abordagem de tratamento do câncer, até recentemente. “A imunoterapia passou por uma espécie de revolução na última década no sentido de que algo que era experimental – e ainda havia dúvidas sobre o papel que teria no caminho do tratamento do câncer – se tornou algo claramente eficaz “, disse Greenberg.
Apesar do médico alemão Paul Ehrlich, ganhador do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1908, ter proposto o uso do sistema imunológico na supressão da formação de tumores em uma hipótese chamada “vigilância imunológica” – uma ideia semelhante à de Coley, foi somente no início dos anos 2000 que a hipótese tornou-se amplamente aceita.
Uma revisão publicada na revista científica Nature Immunology, em 2002, apoiou a validade da vigilância imunológica contra o câncer. “A imunoterapia do câncer se refere a tratamentos que usam o seu próprio sistema imunológico para reconhecer, controlar e espero que, em última análise, curar cânceres”, disse Jill O’Donnell-Tormey, CEO do Instituto de Pesquisa do Câncer, durante uma conferência realizada em setembro em Nova York, nos Estados Unidos.
A imunoterapia aparece em muitas formas de tratamento – vacinas, terapias de anticorpos e medicamentos – que pode ser administradas através de uma injeção, comprimido, cápsula, pomada ou creme tópico e cateter. Em 2010, a FDA aprovou a primeira vacina para o tratamento do câncer, chamada sipuleucel-T ou Provenge. Ela estimula uma resposta do sistema imunológico a células de câncer de próstata e foi estudo clínicos mostraram que ela aumenta a sobrevida de homens com um certo tipo de cancro da próstata em cerca de quatro meses.
A FDA aprovou também algumas terapias com anticorpos. Os anticorpos são uma proteína do sangue que desempenham um papel chave no sistema imunológico do paciente e podem ser produzidos em laboratório para ajudar esse sistema a combater as células cancerosas,
Outro tipo de terapia aprovada são os chamados inibidores de checkpoint, que bloqueiam alguns dos danos que as células cancerosas podem causar e enfraquecer o sistema imunológico. O Keytruda, nome comercial do pembrolizumabe, fabricado pelo laboratório americano MSD, é uma dessas drogas. Além dela, também já estão aprovadas o nivolumabe, fabricado pela Bristol-Myers Squibb com o nome de Opdivo, para tratar linfoma Hodgkin, melanoma avançado, uma forma de câncer renal e câncer de pulmão avançado; Tecentriq para o tratamento de câncer da bexiga e Yervoy para melanoma em estágio avançado. Muitos outros medicamentos, com essas e outras formas de atuação já estão em desenvolvimento.

Desafios da imunoterapia
Alguns dos principais desafios da imunoterapia são o preço elevado – algumas estimativas sugerem que um tratamento com um inibidor de checkpoint, por exemplo, pode custar até 1 milhão de dólares por paciente – e os terríveis efeitos colaterais. Estimular o sistema imunológico pode causar reações cutâneas, sintomas semelhantes aos da gripe, palpitações cardíacas, diarreia, infecções e até artrite.
Outro desafio está em entender por que pacientes podem ter diferentes respostas à tratamentos imunoterápicos e por que alguns têm recaídas e outros não. Para isso, os pesquisadores precisam entender melhor não só o comportamento do nosso sistema imunológico, mas também dos tumores.

13.335 – Saúde – Morte por raiva humana é confirmada no Recife


raiva humana
Recife confirmou o primeiro caso de raiva humana em dezenove anos, de acordo com Jurandir Almeida, gerente de Vigilância Ambiental e Controle de Zoonoses da Secretaria de Saúde do Recife. Adriana Vicente da Silva, de 36 anos, morreu na última quinta-feira, no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), mas o resultado do exame realizado pela Instituto Pasteur, de São Paulo, que confirmou a causa do óbito, foi divulgado somente nesta segunda-feira, 3/07.
O laudo do exame mostrou que o vírus encontrado em Adriana é de origem silvestre (cepa 3), proveniente de um morcego hematófago (que se alimenta de sangue). Jurandir acredita que o gato que transmitiu a doença para a mulher tenha entrado em contato com um morcego contaminado.
Antes mesmo da confirmação, após ser levantada a suspeita de raiva, o Centro de Vigilância Ambiental do Recife iniciou as medidas necessárias para evitar novos casos da doença. “Em um raio de 1 quilômetro da residência da vítima nós iniciamos a vacinação de cães e gatos em cada domicílio. Também instalamos postos de vacinação em um raio de 5 quilômetros do local e iniciamos uma vistoria para capturar morcegos que estejam escondidos em residências abandonadas, por exemplo, além de orientar a população sobre a importância de vacinar os animais e notificar caso encontrem algum morcego, cão ou gato com características alteradas”, diz Jurandir .

O caso
Adriana era dona de uma pet shop e havia sido ferida na mama direita por um gato no dia 26 de abril. Na época, a mulher não procurou nenhuma unidade de saúde para relatar o ocorrido e tomar as medidas de saúde necessárias. Somente no dia 18 de junho, quando os sintomas começaram a se desenvolver, ela foi internada no Hospital Agamenon Magalhães, localizado na Zona Norte do Recife. Na última segunda-feira, em razão do agravamento do quadro, ela foi transferida para o HUOC, onde faleceu.
Segundo Jurandir, o fato de ela ter demorado para notificar o acidente e procurar ajuda foi um agravante, tanto de seu estado de saúde quanto do combate a novas transmissões.

Raiva em humanos
A raiva é uma doença de origem viral transmitida, em geral, pelo contato com a saliva ou secreções de animais infectados, como mordidas, arranhões ou lambidas. Nos animais, os sintomas da doença geralmente são dificuldade para engolir, salivação abundante, mudança de comportamento, mudança de hábitos alimentares e paralisia das patas traseiras.
Nos cães, o latido torna-se diferente do normal, parecendo um “uivo rouco”, segundo informações do Ministério da Saúde. “Gatos agressivos, morcegos voando de dia ou caídos no chão são sinais de alerta”.
Em humanos, os sintomas começam com transformação de caráter, inquietude, perturbação do sono, sonhos tenebrosos, alterações na sensibilidade, queimação, formigamento e dor no local da infecção. Posteriormente, instala-se um quadro de alucinações, febre e crises convulsivas. Como provoca inflamações no cérebro e na medula, o índice de letalidade da doença é de aproximadamente 100%.
Uma vez mordida ou agredida por um animal, mesmo se ele estiver vacinado contra a doença, o ideal é lavar imediatamente o ferimento com água e sabão e procurar com urgência o serviço de saúde mais próximo para avaliação e prescrição de profilaxia antirrábica humana adequada, que consiste em tomar vacina e soro logo após o incidente.

13.333 – Saúde – Como a falta de sono afeta seu cérebro


neuronio
Cientistas do Canadá lançaram o que promete ser o maior estudo do mundo sobre os efeitos da falta de sono no cérebro.
Eles esperam que pessoas de todo o mundo se registrem pela internet para fazer testes cognitivos e participar do experimento.
Jogos de computador testarão habilidades como raciocínio, compreensão da linguagem e tomada de decisões.
O estudo é coordenado pelo neurocientista britânico Adrian Owen, do Instituto de Cérebro e Mente da Universidade Western, no Canadá.
A equipe irá analisar o desempenho dos participantes nos testes cognitivos e avaliar os diferentes resultados a partir das horas dormidas.
A necessidade diária de sono varia de pessoa para pessoa, mas se o estudo conseguir reunir um número significativo de voluntários, permitirá aos cientistas determinar um número médio de horas necessárias para a otimização da função cerebral.
O repórter da BBC Fergus Walsh e mais quatro voluntários passaram a noite na Universidade Western, onde testaram os jogos e puderam verificar como a falta de sono afeta o desempenho cognitivo.

VOLUNTÁRIOS
Hooman Ganjavi, 42 anos, psiquiatra, acostumado a fazer plantões noturnos: “Durmo apenas de quatro a cinco horas por noite. Sei que a falta de sono aumenta o risco de doenças cardíacas e de derrame, mas, como muitos médicos, não aplico essas regras ao meu dia a dia”.
Sylvie Salewski, 31 anos, mãe de duas meninas pequenas: “Para mim uma boa noite de sono é quando elas me acordam duas ou três vezes; não consigo me lembrar do que é dormir uma noite toda sem ser incomodada; normalmente me sinto meio desnorteada no dia seguinte”.
Evan Agnew, 75 anos, vigia aposentado: “Nunca dormi mais de oito horas de sono por noite, e na minha idade não acho que preciso de mais de quatro horas. Acabo complementando meu sono durante o dia com um ou dois cochilos”.
Cecilia Kramar, 31 anos, neurocientista que faz pesquisas cognitivas com camundongos noturnos, o que significa passar noites em claro no laboratório: “Quando não durmo muito, não consigo fazer nada complicado no dia seguinte, como ler uma revista científica, porque meu cérebro não funciona bem”.
Passamos praticamente um terço das nossas vidas dormindo. Ou seja, o sono é tão vital para a nossa saúde quanto os alimentos que ingerimos e o ar que respiramos.
Mas nossa cultura de estarmos ligados durante 24 horas por dia está reduzindo nossas horas de sono.
Um estudo na revista científica “Nature Reviews Neuroscience” apontou que havia “uma compreensão notavelmente pequena” das consequências da falta de sono crônica para o cérebro.
A pesquisa dizia que mais estudos são necessários face ao que chamou de “declínio considerável da duração de sono em todas as nações industrializadas”.

13.330 – Saúde – Mitos e verdades sobre a ansiedade


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Animais de estimação podem ajudar pessoas ansiosas
VERDADE
Sabe aquela alegria ao encontrar seu animal de estimação ao chegar em casa? Pois é, estudos apontam que conviver com um bichinho traz inúmeros benefícios para a saúde — entre eles, diminuir a ansiedade. Segundo uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Virgínia (EUA), após sessões de recreação e terapia assistida com os pets, pacientes com distúrbios psicóticos, do humor e outros transtornos foram avaliados e apresentaram reduções significativas nos índices de ansiedade.

Certas bebidas amenizam e outras intensificam os sintomas da ansiedade
MEIA VERDADE
Água com açúcar, chás, bebidas com cafeína… Dependendo do momento e da sua situação, é bem provável que uma bebida quente traga algum conforto. Porém, é preciso dizer: chá de camomila e suco de maracujá, por exemplo, têm apenas efeito placebo (aquele sentimento de cura que não tem comprovação científica), ou nenhum efeito. “De maneira geral, para apresentar algum resultado, essas bebidas precisam ser ingeridas em grande quantidade”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva.
Já substâncias como a cafeína, presentes em alguns tipos de chás, refrigerantes em geral, achocolatados e, principalmente, no cafezinho, interferem nos níveis de vários neurotransmissores, funcionando como estimulantes. Em alguns casos, é possível associar a cafeína à ansiedade, dependendo da quantidade ingerida e do organismo de cada indivíduo.

A ansiedade está ligada ao envelhecimento
MEIA VERDADE
Não é que a pele fique mais enrugada instantaneamente ou que os pés de galinha se multipliquem. Mas, em nível celular, esse envelhecimento precoce pode mesmo acontecer. Transtornos de ansiedade podem ter conexão com o envelhecimento precoce das células de pessoas de meia-idade — é isso que aponta um estudo realizado por pesquisadores do Bringham and Women’s Hospital, ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Durante a pesquisa, o envelhecimento celular precoce era uma característica comum em todas as mulheres que descreveram sintomas do transtorno de ansiedade. Nessas participantes, as células aparentavam ser seis anos mais velhas que o normal.

Afastar-se da causa da ansiedade faz com que ela suma
MITO
Evitar a ansiedade tende a reforçá-la. De acordo com a Anxiety and Depression Association of America (ADAA), suprimir seus pensamentos torna-os mais fortes e frequentes. Esquivar-se do sentimento não é uma boa saída, pois passa a impressão de que nada está acontecendo — e quanto mais se evita o problema, pior ele fica. Inclusive, em fobias, as técnicas costumam ser de enfrentamento e não de evitação – passo a passo o paciente é aproximado do motivo da fobia.

Exercícios respiratórios podem ajudar durante crises
VERDADE
A respiração é um dos mecanismos de controle durante uma crise de ansiedade, mas seus efeitos variam para cada pessoa. Os exercícios respiratórios se mostram eficazes e estão presentes na terapia cognitivo-comportamental e na meditação, ambas eficazes no tratamento da ansiedade.

Bebidas alcoólicas ajudam a combater a ansiedade
MITO
Após um longo dia de trabalho, uma cerveja gelada no bar não é nenhum pecado, não é mesmo? Só que nem sempre aquele happy hour é inocente. Em muitos casos, as pessoas com ansiedade podem recorrer a artifícios como as bebidas, para tentar escapar de uma sensação, que, na verdade, precisa de acompanhamento médico. A impressão de tranquilidade trazida após goles e goles é passageira – e pode acarretar ainda mais problemas, como a dependência. Um artigo publicado pelo Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo (EUA) explica que pessoas com altos níveis de ansiedade relatam que o álcool as ajuda a se sentir mais confortáveis em situações sociais. Assim, não é surpreendente que indivíduos com transtorno de ansiedade social clinicamente diagnosticado tenham uma maior incidência de problemas relacionados ao álcool do que a população em geral, graças ao alívio temporário.

Impotência e ejaculação precoce são sintomas de ansiedade
MEIA VERDADE
Um grau leve da sensação pode ser positiva para homens e mulheres – induz a excitação e pode até facilitar o orgasmo. No entanto, casos mais graves de ansiedade são realmente prejudiciais. Homens com ejaculação precoce podem ter até 2,5 vezes mais chance de ter ansiedade grave. Há estudos que indicam prevalência de homens que apresentam disfunções sexuais entre os diagnosticados com transtornos de ansiedade.

Ter um hobby combate a ansiedade
MEIA VERDADE
Hobbies e passatempos em geral podem auxiliar pessoas com sintomas de ansiedade. Entretanto, se o indivíduo já foi diagnosticado com transtorno de ansiedade, apenas atividades ocupacionais ou de lazer não serão suficientes para que ele se cure. “Quando você usa medicação, psicoterapia e acrescenta hobbies, você ajuda o tratamento. Mas sempre temos que diferenciar a ansiedade sintoma da ansiedade doença”, afirma Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. Ou seja, apenas um ansioso não patológico pode melhorar.

Lugares, objetos e até cheiros podem gerar crises de ansiedade
VERDADE
Uma pessoa com transtorno de ansiedade pode ficar mais sensível até diante de uma situação corriqueira. De acordo com o presidente da ABP, lugares, objetos e cheiros podem, sim, agir como gatilhos para o aparecimento de sintomas da ansiedade e estão relacionados às vivências anteriores de cada indivíduo.

Ansiedade pode ter relação com doenças gastrointestinais
ADE
De acordo com um estudo realizado na McMaster University, no Canadá, o intestino humano abriga quase 100 trilhões de bactérias que são essenciais para a saúde — inclusive para sua cabeça. As vias de comunicação estabelecidas pelo intestino incluem, por exemplo, o sistema nervoso e o sistema imunológico. A pesquisa sugere, com base em recentes descobertas, que a microbiota intestinal é um importante fator na forma como o corpo influencia o cérebro e interfere no risco de doenças, incluindo ansiedade e transtornos de humor.

Maconha causa ansiedade
MEIA VERDADE
O uso da maconha pode despertar ansiedade da mesma forma que pode aliviar a tensão, tudo depende de como é usada: quantidade, experiência prévia e contexto. Pesquisas têm demonstrado o envolvimento da maconha na regulação das emoções. O artigo publicado pelo periódico científico Revista da Biologia, da USP, explica que o uso da cannabis pode causar efeitos ansiolíticos, ansiogênicos ou ocorrência de ataques de pânico. Usuários crônicos, de acordo com a publicação, relatam uma redução na ansiedade e alívio da tensão após
o consumo, uma das razões para o uso contínuo da maconha.

Drogas sintéticas como LSD podem funcionar em tratamentos contra ansiedade
MEIA VERDADE
A revista da Academia Nacional de Ciências dos EUA publicou um estudo no final de 2016 que aponta que, em muitos distúrbios psiquiátricos, o cérebro age em padrões automatizados e rígidos. Nesses casos, as substâncias alucinógenas trabalham para quebrar as desordens. Ou seja: as drogas podem desligar os padrões que causam os transtornos e, assim, atuar no tratamento de problemas psicológicos. Vale lembrar que possíveis terapias teriam de ser acompanhadas por profissionais.

A ansiedade tem causas genéticas e ambientais
VERDADE
Os transtornos de ansiedade também estão relacionados à hereditariedade, ou seja, às informações genéticas que você recebe de seus pais. Fatores ambientais, como a exposição ao chumbo, “atuam como desencadeadores da patologia”, como afirma o presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva.

Tentar se distrair ajuda a acalmar pessoas ansiosas
MEIA VERDADE
Ações que distraem (como espreguiçar-se, contar o número de lâmpadas do ambiente ou enumerar objetos que estejam ao redor) são capazes de relaxar e retirar as pessoas do foco. Mas, atenção: isso só é válido para uma crise de ansiedade comum, diferente de crises em que a ansiedade já está no estágio de transtorno ou doença. “

13.328 – Benefícios da atividade física para quem tem diabetes


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O exercício físico feito de maneira regular e bem orientado é hoje o principal fator na prevenção de diversas doenças como obesidade, hipertensão arterial, infarto do miocárdio, osteoporose e diabetes.
esmo para aqueles que já desenvolveram tais doenças, a atividade física em algum momento da evolução do paciente vai fazer parte do tratamento.
Especificamente em relação ao diabetes, o exercício físico melhora o aproveitamento da glicose pelos músculos, reduzindo muitas vezes as doses dos medicamentos utilizados e ajudando a prevenir problemas associados ao diabetes, como alterações na retina, vasos sanguíneos, nervos, rins e coração.
Num trabalho recente realizado no Centro Médico Universitário de Leiden, na Holanda, foi comprovada, através de ressonância magnética, uma redução da gordura ao redor de órgãos como coração, fígado e rins em 12 pacientes com diabetes tipo 2 (quando não há necessidade do uso de insulina para o controle da doença) secundária ao exercício físico. A redução deste tipo de gordura está associada a uma menor ocorrência de complicações do diabetes como o infarto do miocárdio. É importante que o diabético converse com seu endocrinologista sobre os exercícios que já realiza ou pretende iniciar, pois muitas vezes serão necessários ajustes na dosagem de insulina e dos medicamentos orais comumente utilizados.

Recomendações gerais
Se considerarmos o exercício físico como um “medicamento” a ser utilizado pelo diabético, ele terá uma “dose ideal” para cada pessoa. Genericamente recomenda-se que sejam realizados exercícios de 30 a 60 minutos por dia, cinco a seis vezes por semana, de intensidade leve a moderada. Esta intensidade normalmente é determinada através de uma consulta médica especializada e de um teste ergométrico (eletrocardiograma de esforço) para que sejam determinados limites adequados para cada indivíduo.
Dá-se preferência aos exercícios aeróbicos, aqueles que podem ser mantidos por um período de tempo relativamente longo e que movimentam grandes grupos musculares como os encontrados nas coxas, pernas e braços. São exemplos destes exercícios a caminhada, corrida, natação, hidroginástica e ciclismo. Esses exercícios além de melhorarem o aproveitamento da glicose reduzem a chamada gordura visceral que é aquela encontrada ao redor de órgãos como coração, fígado e rins.Dá-se preferência aos exercícios aeróbicos, aqueles que podem ser mantidos por um período de tempo relativamente longo e que movimentam grandes grupos musculares como os encontrados nas coxas, pernas e braços. São exemplos destes exercícios a caminhada, corrida, natação, hidroginástica e ciclismo. Esses exercícios além de melhorarem o aproveitamento da glicose reduzem a chamada gordura visceral que é aquela encontrada ao redor de órgãos como coração, fígado e rins.Dá-se preferência aos exercícios aeróbicos, aqueles que podem ser mantidos por um período de tempo relativamente longo e que movimentam grandes grupos musculares como os encontrados nas coxas, pernas e braços. São exemplos destes exercícios a caminhada, corrida, natação, hidroginástica e ciclismo. Esses exercícios além de melhorarem o aproveitamento da glicose reduzem a chamada gordura visceral que é aquela encontrada ao redor de órgãos como coração, fígado e rins.Dá-se preferência aos exercícios aeróbicos, aqueles que podem ser mantidos por um período de tempo relativamente longo e que movimentam grandes grupos musculares como os encontrados nas coxas, pernas e braços. São exemplos destes exercícios a caminhada, corrida, natação, hidroginástica e ciclismo. Esses exercícios além de melhorarem o aproveitamento da glicose reduzem a chamada gordura visceral que é aquela encontrada ao redor de órgãos como coração, fígado e rins.

Escola Paulista De Medicina

13.319 – Saúde – Amamentação reduz risco de doenças cardíacas em até 18%


amamentação
Alguns estudo já mostraram que a amamentação não só promove inúmeros benefícios para o bebê como também ajuda na perda de peso no pós-parto, reduz níveis de colesterol, glicose, pressão alta, riscos de câncer de mama e do ovário nas mães. Agora, a ciência comprova mais uma vantagem da prática para as mães: segundo estudo publicado recentemente no periódico científico Journal of the American Heart Association, amamentar pode prevenir derrames e o desenvolvimento de doenças cardíacas, mesmo uma década após o parto.
Pesquisadores da Universidade Oxford, na Inglaterra, e da Academia Chinesa de Ciências Médicas, na China, acompanharam cerca de 290.000 mulheres chinesas por oito anos. Os resultados mostraram que aquelas que tinham amamentado, corriam um risco 9% menor de desenvolver doenças cardíacas e 8% menor de sofrer derrames.
Além disso, os benefícios aumentaram de acordo com a duração da amamentação. Ou seja, as mães que amamentaram seus filhos por até dois anos ou mais diminuíram sua probabilidade de doenças cardíacas em até 18% e de derrames em 17%. Segundo o estudo, a cada seis meses adicionais de aleitamento, o risco de desenvolver os problemas diminuía em 4% e 3%, respectivamente.

“Apesar de não conseguirmos estabelecer a relação entre causa e efeito, os benefícios podem ser explicados pela aceleração do metabolismo que a amamentação promove depois do parto. A gravidez muda o metabolismo da mulher drasticamente enquanto armazena gordura para fornecer energia necessária para o crescimento do bebê e para o leite materno. Amamentar ajuda a eliminar essa gordura de forma mais rápida e completa.”, disse Sanne Peters, pesquisador na Universidade Oxford.

Benefícios da amamentação
Outra hipótese é que, em geral, as mulheres que amamentam são mais propensas a se engajarem em comportamentos mais saudáveis, reduzindo, consequentemente, os riscos de doenças, em comparação com as que não o fazem. Segundo os pesquisadores, o estudo é um dos primeiros a fornecer evidências dos benefícios em longo prazo do aleitamento.
O leite materno pode ajudar a proteger recém-nascidos de doenças e infecções, e é recomendado para, pelo menos, os primeiros seis meses de vida da criança, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). “As descobertas devem encorajar as mães a amamentarem por mais tempo, visto que promove benefícios que dependem disso”, disse Zhengming Chen, principal autor da pesquisa.

13.310 – Nutrição – Comer Macarrão Emagrece (?)


macarrão
Se massa engorda e os italianos adoram massa, como explicar que eles sejam tão esbeltos, na média?
Foi com essa pergunta em mente que uma equipe de epidemiologistas italianos realizou um grande estudo com 23.366 homens e mulheres italianos de 18 a 96 anos. Todos eles tiveram suas dietas investigadas e passaram por medições para determinar o índice de massa corporal e a relação cintura-quadril (medida que serve para determinar o tamanho da pança). O resultado surpreendeu todo mundo: quanto mais massa eles comiam, menos barriga tinham (desde que o total de calorias na dieta fosse adequado).
Claro que isso não quer dizer que macarrão emagreça. A tese dos cientistas é que italianos que comem muita massa são mais tradicionalistas em sua dieta. Portanto, provavelmente têm outros hábitos que são típicos da Itália e que fazem bem pacas: farto consumo de tomate e seu molho, de azeitona e azeite, de alho, além de porções relativamente pequenas de carnes variadas. Italiano que come muito macarrão normalmente come também todas essas coisas saudáveis e por isso fica magro.
A pesquisa é relevante porque nos últimos anos entraram na moda no mundo todo as dietas baseadas em muita proteína e pouco carboidrato. Inclusive na Itália tem muita gente maneirando na pasta e comendo mais carne, na crença de que isso ajudará a emagrecer. A nova pesquisa indica que isso não é uma boa ideia.
Sabe-se há tempos que a chamada dieta mediterrânea, praticada tradicionalmente não só na Itália, mas também em países como França, Espanha, Grécia, Turquia, Marrocos e Tunísia, é tremendamente saudável e está ligada a índices baixíssimos de doença cardíaca e obesidade, mesmo com farto acesso aos maiores prazeres gastronômicos do mundo. Em todos esses lugares, consome-se muitos vegetais e azeite de oliva, geralmente em refeições longas regadas a vinho e risadas, muitas vezes ao ar livre. Os cientistas não sabem direito o que exatamente faz bem nessa dieta: se é o azeite, o vinho, o tamanho reduzido das porções de carne, ou se é o clima relaxado e a convivência com a natureza (provavelmente é uma combinação de tudo isso).
O novo estudo obviamente não significa que basta bater um pratão de spaghetti por dia para perder a pança. Longe disso. Mas ele joga areia nas novas “dietas da moda” que surgem dia sim dia não mundo afora. O maior ensinamento da pesquisa é que apegar-se a dietas tradicionais, que foram testadas e aperfeiçoadas ao longo de gerações, provavelmente é uma ideia melhor do que abraçar a última novidade propagandeada nas revistas e nos programas matinais da TV.

13.308 – Medicina – Sífilis de cara nova?


sífilis
O Ministério da Saúde adverte: a DST mais traiçoeira virou epidemia nacional. E por um motivo insólito: o remédio contra ela é barato demais.
Começa com um machucado. Indolor, costuma não ser bonito, mas também não é o fim do mundo. Quando aparece na área genital, fica evidente nos homens, mas pode acabar escondido dentro da vagina sem chamar qualquer atenção. Há ainda outros casos discretos, como na garganta ou no ânus. Aí, quando você está começando a se preocupar, Bam! Desaparece. Parabéns! Seu sistema imunológico é mesmo incrível, né? Na verdade, não. Você só passou para a próxima etapa de uma doença que, a curto ou longo prazo, pode atacar seu cérebro, mudar a estrutura dos seus ossos, deformar seu rosto e matar seus filhos.
Essa história está se repetindo mais do que o esperado no Brasil. Em outubro, o Ministério da Saúde reconheceu que a situação estava fugindo do controle e decretou a epidemia. Não é exagero, nossos números são assustadores. Desde 2010, quando os hospitais passaram a ser obrigados a repassar seus dados sobre a doença para o ministério, foram notificados quase 228 mil novos casos; só entre 2014 e 2015 houve um aumento de 32% nos casos de sífilis entre adultos – e mais de 20% em mulheres grávidas. A maior parte dos casos está na região Sudeste (56%), a mais urbanizada e desenvolvida do País. Só para ter uma ideia do desastre, em 2015 tivemos 6,5 casos de bebês infectados a cada mil nascidos vivos; o valor é 13 vezes maior do que a Organização Mundial da Saúde considera aceitável.

Agora, se você não prestava realmente muita atenção nas aulas de educação sexual, é bem capaz que não saiba o que é, de fato, essa doença. Sífilis é o nome dado à infecção decorrente da bactéria Treponema pallidum. Ela invade o corpo em quatro fases. Cada etapa determina o quão dominado ele está pelos micro-organismos. A primeira, já citada no começo desse texto, é rápida (dura no mínimo quatro e no máximo oito semanas) e se manifesta como uma ferida indolor que desaparece sozinha, sem deixar rastros. O fato de o machucado não doer está longe de ser bondade. É estratégia de sobrevivência das bactérias. Se não dói, dá para transar – e disseminá-las. A segunda fase é ainda mais favorável para os micróbios. A doença volta a dar as caras entre seis semanas e seis meses após os machucados genitais sumirem. O infectado pode apresentar feridas pelo corpo, manchas vermelhas e, sobretudo, lesões na palma das mãos ou dos pés – sintomas que podem ser facilmente confundidos com uma alergia cutânea. E adivinha só: se você tomar um antialérgico, é provável que as feridas sumam. O que é péssimo. As reações afinal são tentativas do corpo de sinalizar a doença, e uma medicação equivocada para abafar os sintomas mascara o pedido de socorro. Uma vez que os sinais se vão mais uma vez – mesmo sem medicação isso acontece -, passe livre para voltar a transar e multiplicar a espécie – da bactéria. E começa a terceira fase da doença: a sífilis latente. O nome não é à toa. Nesse período (que pode durar até 40 anos), a sífilis fica reclusa. Na verdade, ela perde até seu caráter infeccioso; ou seja, o portador não passa mais a bactéria para frente. Fica tudo bem até explodir a sífilis terciária, fase aguda da moléstia. As úlceras que começam a brotar pelo corpo são tão agressivas que, em regiões de contato direto da pele com ossos, como no crânio, o esqueleto começa a ser corroído. Na tíbia, principal osso da canela, o corpo até tenta combater a degeneração: conforme a erosão óssea aparece, o estrago vai sendo calcificado. A região afetada começa a engrossar e, com o avanço do desgaste, a canela vai ficando curvada. Em alguns casos, a bacia também é afetada e o doente perde a capacidade de andar em linha reta. Uma das maneiras mais antigas de identificar portadores de sífilis, inclusive, é ver se a pessoa caminha como um pato, rebolando por causa da bacia deteriorada. Implacável, a infecção ainda ataca os sistemas vascular e nervoso – o que pode acontecer precocemente entre a primeira e a segunda fase. Quando a bactéria finalmente ocupa o cérebro, o infectado começa a sentir alterações de humor e pode desenvolver demência. É a chamada neurosífilis. Nesta última fase, finalmente, transar não ameaça mais aos outros. A sífilis deixa de ser infecciosa e quer acabar somente com o portador.
Nessa violenta investida pelos nossos corpos, as bactérias não perdoam ninguém. E um dos alvos mais frágeis é um grupo que tem sofrido particularmente com epidemias recentes no Brasil: as grávidas. Assim como o zika, a sífilis não poupa os bebês. Se uma gestante está infectada, em qualquer fase da doença, a criança pode nascer com sífilis congênita. 59% das crianças nascidas de mães com sífilis também apresentaram sinais da bactéria. A condição pode ocasionar más formações neurológicas e ósseas, além do óbito – em 2015, 1,4% das crianças nascidas com sífilis congênita não sobreviveu. Não dá para dizer que é um número pequeno. Quando olhamos para o panorama geral, isso significa que, a cada 100 mil nascimentos, sete crianças não vivem nem um ano, por causa da bactéria.

Mesmo diante desse cenário de guerra, a sífilis está longe de ser uma sentença de morte. A infecção pode ser curada com um tratamento barato e ridículo de simples: algumas doses de penicilina. Se a doença for diagnosticada no primeiro ano, a cura se resume a apenas duas injeções de benzetacil, uma em cada glúteo. Sim aquela mesma que você encontra na farmácia – e pode ser administrada, inclusive, para grávidas. Se o diagnóstico só aparecer mais tarde, sem problemas: penicilina cristalina (uma versão mais poderosa do antibiótico) nela, dessa vez por um pouco mais de tempo, duas injeções por glúteo em três doses semanais. Esse procedimento consegue até mesmo impedir a passagem da bactéria da grávida para seu filho. O tratamento na mãe também cura a criança. Quanto mais cedo o tratamento nela, menores os danos no bebê. Mas, caso a mãe dê à luz sem eliminar a bactéria do corpo, o bebê é automaticamente medicado. Recebe cristalina na veia por 10 a 14 dias – isso não recupera problemas neurológicos ou ósseos já causados pela doença, mas evita que a sífilis continue atacando o recém-nascido.

Mas como é que o Brasil conseguiu virar palco de uma epidemia tão facilmente curável? Umas das justificativas utilizadas pelo Ministério da Saúde é a queda no uso das camisinhas. Ela, de fato, é real – mas fica difícil jogar toda a responsabilidade em cima disso, porque os números da queda não são tão expressivos assim: em 2004, 58,4% dos jovens de 15 a 24 anos usavam o preservativo em relações casuais; em 2013 (ano da pesquisa ministerial mais recente sobre o assunto), o número baixou para 56,6%. No uso dentro de relações estáveis a proporção é parecida: em 2004 eram 38,8%; em 2013, 34,2%. O mais provável é que a acessibilidade da penicilina tenha passado de nossa maior aliada para nossa maior inimiga. O preço modesto, que deveria facilitar o acesso da população à droga, desestimula a indústria farmacêutica a fabricá-la. Resultado: em 2015, faltou penicilina nas prateleiras do Brasil. E mesmo quando havia remédio aparecia um problema: ninguém na rede pública queria aplicá-lo. Até julho de 2015 era proibida a aplicação do medicamento pela equipe de enfermagem de locais que não estivessem equipados para evitar um choque anafilático. Na prática, se o posto de saúde não tivesse material para uma entubação, por exemplo, não poderia medicar portadores de sífilis. Pior ainda, se um enfermeiro do local resolvesse administrar penicilina, poderia ser responsabilizado por isso. O resultado foi o medo: segundo o Ministério da Saúde, 50% das equipes médicas evitavam aplicar penicilina por causa desse receio. Há também uma culpa paterna pela disseminação da doença: 62% dos parceiros de mulheres grávidas com sífilis não tomam os medicamentos, dando continuidade ao ciclo da bactéria. Além disso, estamos ajudando as estatísticas contabilizando com mais precisão o número de casos nacionais de sífilis. Desde 2010, o diagnóstico é atrelado a uma notificação compulsória, ou seja, sempre que ela é detectada, esses dados têm se ser enviados ao ministério, para que o órgão entenda o tamanho do surto pelo qual o País está passando. Vale ressaltar, porém, que isso não deveria aumentar o número de sífilis em crianças e grávidas. Desde 1986 o repasse de informações ao ministério é obrigatório para casos de sífilis congênita, e desde 2005 para os diagnósticos em gestantes. Mas a lógica segue: quanto mais preciso e amplo vai ficando o sistema, mais os números crescem. Isso dá margem para pensar que a epidemia pode estar acontecendo há mais tempo do que imaginamos.
Não se sabe exatamente quando, onde e como a sífilis surgiu. Uma das teses mais aceitas é de que a infecção seja uma doença das Américas que chegou à Europa quase que junto com a notícia do descobrimento do continente. Os pioneiros das grandes navegações teriam contraído a bactéria, que foi espalhada pela Europa quando eles retornavam para casa. Uma das evidências nessa direção é que a bactéria realmente existia por aqui antes de Cabral aportar. “Encontramos ossadas com mais de 4 mil anos de índios que tiveram sífilis”, afirma José Filippini, professor do Instituto de Biociências da USP. Para detectar a infecção, Filippini se aproveitava do estrago que a doença faz no corpo. “A sífilis tem marcas muito claras. Se eu pego uma tíbia (osso da canela) em formato de sabre, por exemplo, sei que as chances de ser um sifilítico são altas”, conta. Outra teoria é a de que a sífilis sempre existiu na Europa, mas era diagnosticada equivocadamente. “Ela pode ser confundida com a lepra, por exemplo. Os que concordam com a teoria da sífilis pré-colombiana afirmam que ela talvez seja tão antiga quanto a humanidade. Diversas pesquisas afirmam que a bactéria surgiu na África e foi se espalhando pelo mundo junto com nossos ancestrais.
“A sífilis nunca foi vista como prioridade aqui no Brasil. Declará-la oficialmente como epidemia, construir uma agenda sólida para o controle dela e pedir ajuda da população a respeito é importante para reverter o quadro”, expõe Adele. “Você tem que examinar a situação. Analisar os grupos mais vulneráveis (prostitutas e usuários de drogas, por exemplo) e o restante da população. Se há um aumento repentino no número de infectados, e onde eles estão aparecendo. A sífilis é uma doença que precisa ser analisada por um tempo para entendermos se é um surto ou uma epidemia”, afirma Adele. Declarada a epidemia, os holofotes da mídia se voltam para o assunto, o que ajuda na conscientização popular. “Desde outubro eu não paro de dar entrevista sobre isso.

Fases:
Do nível 1 ao game over

A sífilis funciona em fases. Os diferentes sintomas (ou a falta deles) ajudam a determinar a gravidade da infecção

1. Primária – Duração: 4 a 8 semanas

Na início, o único sintoma é uma ferida, indolor, na área infectada (pênis, vagina, ânus ou garganta). O machucado some no fim dessa fase.

2. Secundária – De 2 a 6 meses

Os principais sinais são machucados pelo corpo. Eles aparecem espalhados, mas se concentram na palma das mãos e nos pés.

3. Latente – De 2 a 40 anos

As feridas e os sintomas desaparecem. A partir desse estágio, ela não é mais contagiosa.

4. Terciária – Até a morte

A sífilis reaparece potente: deforma as pernas e ataca o rosto e o cérebro.

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13.300 – Método brasileiro usa pele de tilápia para tratar queimaduras graves


Há dezenas de receitas para o preparo da tilápia, um peixe de água doce que se reproduz com grande velocidade.
Mas além de ser saboroso e rico em proteínas, o peixe tem um potencial único no campo da medicina, especificamente para o tratamento de queimaduras de pele de segundo e terceiro graus.
O método, pioneiro no mundo, foi desenvolvido por médicos no Ceará.

“No Brasil, para tratar queimaduras, usamos normalmente um creme com efeito de 24 horas. Todos os dias, é preciso trocar o curativo, tirar o creme, enxaguar a área queimada, colocar o creme novamente e fazer um novo curativo”, explica Edmar Maciel, cirurgião plástico e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ), que desenvolveu o procedimento.

O método oferece muitos benefícios.
Como permanece sobre a queimadura durante vários dias, em função da gravidade do ferimento, a pele do peixe evita as dores que resultam na necessidade da troca do curativo.
Em outros países, é usada a pele de outros animais, principalmente de porco.
Mas uma grande vantagem de usar a tilápia é que “sabemos que esses peixes têm menos possibilidades de transmitir doenças do que os terrestres”, assinala Maciel.
Por outro lado, tem uma maior quantidade de uma proteína chamada colágeno tipo 1, uma melhor resistência (similar à pele humana) e um grau adequado de umidade que ajuda na cicatrização.
Por sua boa aderência, a pele evita a contaminação externa e limita a perda de proteína e plasma, o que pode gerar desidratação e, em última instância, causar a morte do paciente.
Antes de ser utilizada, a pele do peixe é submetida a um processo de limpeza em que são retirados as escamas, o tecido muscular, as toxinas e o odor característico do peixe.
Depois, é estirada em uma prensa e cortada em tiras de 10 cm por 20 cm.
O resultado é um tecido flexível, similar à pele humana.
As tiras de pele são armazenadas em um congelador a uma temperatura entre 2 e 4 graus Celsius por no máximo dois anos.
O trabalho dos pesquisadores foi premiado várias vezes no Brasil.
Agora, a equipe analisa a possibilidade de usar a pele de tilápia em outras áreas da medicina, como, por exemplo, no campo da ginecologia, na atresia vaginal ou para uso em endoscopia.
Também será feito um estudo comparativo para avaliar as diferenças no tratamento das queimaduras entre a pele do porco, do cachorro, humana e da tilápia.

13.292 – Saúde – Extrato de tomate pode barrar câncer de estômago


tomates
Mais conhecido por ser um baita amigo da próstata, o tomate fez bonito frente ao câncer de estômago em um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Temple, nos Estados Unidos, em parceria com cientistas italianos.
Em contato com células cancerosas de laboratório, extratos dos tipos san marzano e corbarino não só conseguiram deter a evolução do tumor como interferiram em sua capacidade de migração. No organismo, isso significa que áreas próximas também estariam resguardas.
Ao contrário de outros estudos que associam o consumo de tomate à prevenção de diversos tipos de câncer, o achado da vez não aponta apenas o licopeno (poderoso antioxidante que dá cor ao vegetal) como o responsável pelo benefício. Para os experts, o segredo está mesmo no conjunto da obra — ou melhor, do fruto.
Eles ressaltam ainda que outras variações podem não agir da mesma maneira no corpo. E claro: o fato de a pesquisa ter sido feita em células de laboratório limita muito as conclusões. Uma série de substâncias que apresenta resultados promissores na bancada acaba fracassando no cotidiano. Mesmo assim, não custa valorizar esse e outros vegetais no cardápio, certo?

13.279 – Biologia – Variante genética torna moradores de montanhas gregas mais saudáveis


Cientistas identificaram a razão pela qual as pessoas que vivem em aldeias isoladas na Grécia costumam ter uma vida longa e saudável.
Eles encontraram uma nova variante genética, comum entre os moradores, que protege o coração, reduzindo os níveis de gordura “ruim” e colesterol.
Apesar de manter uma dieta rica em gordura animal, a população de Mylopotamos, no norte da ilha de Creta, têm baixas taxas de doenças cardiovasculares. Mesmo apreciando imensamente seus queijos.
Mas o que há de especial nesses vilarejos gregos?
As aldeias isoladas de Zoniana e Anogia estão no alto das montanhas na ilha de Creta.
Poucas pessoas se mudam para dentro ou fora dessas regiões, e seus habitantes são conhecidos por terem uma velhice saudável.
Problemas cardíacos e acidentes vasculares cerebrais são raros, apesar de essas pessoas ingerirem uma quantidade abundante de carne de cordeiro e do queijo local, o cretan.
Além disso, essas vilas realizam um festival do queijo todos os anos.
Trata-se de um tipo de dieta que poderia causar muitas complicações de saúde. Isso porque comer alimentos que contêm gorduras saturadas aumenta o nível de colesterol no sangue. E altos níveis elevados de colesterol de lipoproteína de baixa densidade na corrente sanguínea aumentam as chances de uma doença cardíaca e derrame.
Mas a verdade é que os aldeões têm o nível de diabetes do tipo 2 na mesma taxa que a população grega em geral, e não parecem sofrer das consequências comuns, como a diabetes renal.
Isso é exatamente o que os pesquisadores do Wellcome Trust Sanger Institute, organização britânica que investiga o genoma humano, gostariam de saber.
A pesquisa deles, publicada na publicação científica “Nature Communications”, identificou uma nova variedade genética que tem características que protegem o coração desses indivíduos.
Ela está associada a níveis mais baixos de gorduras naturais “ruins” e colesterol “ruim” –o que é importante para diminuir o risco de doenças cardiovasculares.
A variante parece ser virtualmente única na população das duas aldeias das montanhas gregas. De milhares de europeus que foram submetidos ao sequenciamento do genoma, apenas uma outra pessoa na Itália possui algo similar, disseram os pesquisadores.
Os cientistas sequenciaram o genoma inteiro de 250 moradores desses vilarejos. Isso significa que eles retiraram amostras de sangue, extraíram o DNA –as instruções de funcionamento de cada um de nós, que determinam nossas características– e analisaram uma sequência de três bilhões de letras que compõem o genoma humano.
Em seguida, os pesquisadores usaram os resultados para obter uma visão mais detalhada de mais de 3 mil moradores das aldeias que já haviam sido genotipados (um atalho para a aquisição de informações genéticas).

A IMPORTÂNCIA DA DESCOBERTA
A pesquisa britânica não é um estímulo para que todos saiam consumindo gordura de origem animal livremente, simplesmente porque não temos a mesma variante genética que beneficia essa população grega.
Os cientistas ainda não conseguiram explicar por que essa característica está presente nessas pessoas –se tem relação com a forma como elas vivem, com o ambiente ou seria algo transmitido de geração para geração, por exemplo.
Mas os pesquisadores afirmam que podem usar essa descoberta para identificar quais variantes genéticas desempenham um papel importante na causa de doenças complexas.
Isso pode dar pistas sobre os motivos pelos quais algumas pessoas desenvolvem doenças cardíacas e outras não.
Há estudos similares sendo realizados com outras populações isoladas, como os amish (EUA), os inuit (norte da Gronelândia) e os orkney (Escócia).

13.271 – Medicina – Estatina reduz risco de infarto, derrame e insuficiência cardíaca


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Um novo estudo acaba de comprovar mais um benefício das estatinas para a saúde cardíaca. Além de ter o colesterol controlado, pessoas que tomam estatinas têm menor probabilidade de terem o músculo do coração espesso, condição conhecida como hipertrofia ventricular esquerda, que aumenta o risco de infarto, insuficiência cardíaca e derrame no futuro.
No estudo, apresentado durante o EuroCMR 2017, conferência sobre exames de imagem cardíaca realizada em Praga, na República Tcheca, pesquisadores da Universidade de Londres analisaram, por meio de exames de ressonância magnética, o coração de 4.622 pessoas na Inglaterra, das quais 17% tomavam estatinas. Os resultados mostraram que, em comparação com quem não fazia tratamento com o medicamento, aqueles que faziam tinham câmaras ventriculares esquerdas com uma porcentagem de massa muscular 2,4% menor. Seu volume de massa ventricular esquerda e direita também eram menores.
Mas, na prática, o que isso significa? De acordo com Nay Aung, autor do estudo, essas características correspondem a uma redução no risco de desfechos adversos associados a um coração grande e espesso, como infarto, insuficiência cardíaca e derrame, em pacientes que, teoricamente já estavam em risco mais alto de desenvolver problemas cardíacos, em comparação com aquelas que não usam o medicamento.
Os resultados foram confirmados mesmo após os cientistas contabilizaram outros fatores que podem afetar o coração, como etnia, gênero, idade e índice de massa corporal (IMC).

Possível explicação
Segundo informações do jornal britânico The Guardian, outros benefícios já comprovados das estatinas incluem melhoria da função dos vasos sanguíneos, redução da inflamação e estabilização dos depósitos de gordura nas paredes das artérias.
Embora o estudo atual não tenha analisado o porquê desse efeito benéfico das estatinas na estrutura e função cardíaca, pesquisas anteriores já haviam mostrado que o medicamento reduz o stress oxidativo e a produção de fatores de crescimento, químicos naturais que estimulam o crescimento celular. Essas características podem ter influência em seu efeito sobre a estrutura cardíaca. As estatinas também ajudam a dilatar as veias sanguíneas, levando a uma melhora no fluxo e redução do stress do coração.

13.254 – Anvisa registra primeiro teste de farmácia para detecção do HIV


TESTE HIV
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou esta semana o primeiro autoteste para triagem do HIV no Brasil. O produto é destinado ao público em geral e poderá ser vendido em farmácias e drogarias. O nome do produto no Brasil será Action, da empresa Orangelife Comércio e Indústria.
De acordo com a documentação do processo de registro do produto, o teste funciona com a coleta de gotas de sangue, semelhante aos já existentes para medição de glicose por diabéticos.
O resultado aparece na forma de linhas que indicam se há ou não presença do anticorpo do vírus HIV. A presença do anticorpo mostra que a pessoa foi exposta ao vírus que provoca a Aids. O resultado leva de 15 a 20 minutos para ficar pronto. O teste funciona para os dois subtipos do vírus que provocam a Aids.
O autoteste aprovado pela Anvisa demonstrou sensibilidade e efetividade de 99,9%. Porém, o produto só é capaz de indicar a presença do HIV 30 dias depois da exposição.
O período de um mês é o tempo que o organismo precisa para produzir anticorpos em níveis que o autoteste consegue detectar. Se uma nova situação acontecer após esse período, um novo teste precisa ser feito, respeitando o prazo necessário para detecção e as confirmações necessárias.
Se o resultado for negativo, a recomendação é que o teste seja repetido 30 dias depois do primeiro teste e outra vez depois de mais 30 até completar 120 dias após a primeira exposição.
Se o resultado for positivo, o paciente deve procurar um serviço de saúde para confirmação do resultado com testes laboratoriais e encaminhamento para o tratamento gratuito adequado, se for necessário.
A possibilidade do registro de autoteste para o HIV surgiu em 2015, quando a Anvisa regulou o tema. De acordo com a regra, esse tipo de teste deve trazer nas suas instruções de uso a indicação de um canal de comunicação para atendimento dos usuários que funcione 24 horas por dia e o número do Disque Saúde 136.
O preço do produto será definido pelo mercado, já que no Brasil não existe regulação de preços para produtos de saúde e a Anvisa, por lei, não pode fixar esse valor. O teste de farmácia para Aids não poderá ser utilizado na seleção de doadores de sangue, já que, para isso, existem outros procedimentos. O teste Action traz o dispositivo de teste, um líquido reagente, uma lanceta (específica para furar o dedo), um sachê de álcool e um capilar (um tubinho para coletar o sangue). O resultado leva de 15 a 20 minutos para aparecer.

13.233 – Saúde – (Des) Nutrição e Obesidade


desequilibrio alimentar

Quando se fala em obesidade logo imaginamos uma série de quadros patológicos comumente associados ao excesso de peso: diabetes, hipertensão, apneia do sono, osteoartrite, entre outros. Mas o que muita gente não sabe é que grande parte das pessoas obesas também podem estar desnutridas, mesmo consumindo alimentos em excesso. De acordo com o Relatório Global de Nutrição de 2016, o mundo enfrenta hoje níveis muito severos de obesidade e desnutrição, com centenas de milhões de pessoas apresentando distúrbios nutricionais por terem muito açúcar, sal ou colesterol no sangue. “Vivemos em um mundo onde ser desnutrido é a nova norma.

Estar desnutrido não significa apenas não ter acesso a alimentos em quantidade suficiente. O que caracteriza a desnutrição é um desequilíbrio entre a ingestão e a capacidade do organismo de absorver corretamente nutrientes essenciais. No caso dos obesos isso acontece devido a hábitos alimentares errados, que na maior parte das vezes combinam uma deficiência de micronutrientes (vitaminas e minerais) com a ingestão dos chamados antinutrientes (como o glúten). Essa carência ocorre tanto em adultos quanto em crianças, e pode envolver a falta de vitaminas do complexo B, selênio, ácido fólico, vitamina A, por exemplo.

Como a maioria dos obesos tem uma dieta inadequada – ingerindo uma grande quantidade de alimentos pobres em nutrientes em detrimento de frutas, verduras e grãos integrais – a relação entre obesidade e desnutrição tem se tornado cada vez mais comum. Por participarem do metabolismo energético e da produção de insulina, os micronutrientes têm grande influência no aumento ou diminuição do peso. Estudos recentes demonstram que a deficiência de vitaminas, minerais e ácidos graxos essenciais dificulta a perda de peso e favorece o ganho de gordura corporal.

Alguns dos sintomas que podem ser indicativos de desnutrição em uma pessoa obesa são a sensação de cansaço frequente, a diminuição do ritmo de crescimento (em crianças), infecções recorrentes, mau humor, alteração do funcionamento intestinal, enfraquecimento de unhas e cabelos e queda capilar. De qualquer forma, a confirmação de um quadro patológico que associa obesidade e desnutrição só pode ser feita por meio de exames laboratoriais.
Quando se fala em obesidade logo imaginamos uma série de quadros patológicos comumente associados ao excesso de peso: diabetes, hipertensão, apnéia do sono, osteoartrite, entre outros. Mas o que muita gente não sabe é que grande parte das pessoas obesas também podem estar desnutridas, mesmo consumindo alimentos em excesso. De acordo com o Relatório Global de Nutrição de 2016, o mundo enfrenta hoje níveis muito severos de obesidade e desnutrição, com centenas de milhões de pessoas apresentando distúrbios nutricionais por terem muito açúcar, sal ou colesterol no sangue. “Vivemos em um mundo onde ser desnutrido é a nova norma”, diz Lawrence Haddad, um dos responsáveis pela pesquisa.
Estar desnutrido não significa apenas não ter acesso a alimentos em quantidade suficiente. O que caracteriza a desnutrição é um desequilíbrio entre a ingestão e a capacidade do organismo de absorver corretamente nutrientes essenciais. No caso dos obesos isso acontece devido a hábitos alimentares errados, que na maior parte das vezes combinam uma deficiência de micronutrientes (vitaminas e minerais) com a ingestão dos chamados antinutrientes (como o glúten). Essa carência ocorre tanto em adultos quanto em crianças, e pode envolver a falta de vitaminas do complexo B, selênio, ácido fólico, vitamina A, por exemplo.
Como a maioria dos obesos tem uma dieta inadequada – ingerindo uma grande quantidade de alimentos pobres em nutrientes em detrimento de frutas, verduras e grãos integrais – a relação entre obesidade e desnutrição tem se tornado cada vez mais comum. Por participarem do metabolismo energético e da produção de insulina, os micronutrientes têm grande influência no aumento ou diminuição do peso. Estudos recentes demonstram que a deficiência de vitaminas, minerais e ácidos graxos essenciais dificulta a perda de peso e favorece o ganho de gordura corporal.
Alguns dos sintomas que podem ser indicativos de desnutrição em uma pessoa obesa são a sensação de cansaço frequente, a diminuição do ritmo de crescimento (em crianças), infecções recorrentes, mau humor, alteração do funcionamento intestinal, enfraquecimento de unhas e cabelos e queda capilar. De qualquer forma, a confirmação de um quadro patológico que associa obesidade e desnutrição só pode ser feita por meio de exames laboratoriais.

13.190 – Saúde – Como perder gordura abdominal


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A melhor forma de perder gordura abdominal e secar a barriga é fazer exercícios localizados, como abdominais, associados a uma dieta pobre em calorias e gorduras, sob orientação de um professor de educação física e de um nutricionista.
Além disso, também podem ser utilizados suplementos para queimar gordura, sob orientação profissional, como L-carnitina, CLA ou enzima Q10, que facilitam a perda de gordura abdominal localizada através da destruição dos depósitos de gordura, ao mesmo tempo que aumentam os níveis de energia e de força muscular.
Perder gordura abdominal é importante porque além de melhorar a imagem corporal o acumulo de gordura entre as vísceras aumenta o risco de doenças cardíacas.
Dieta para perder gordura abdominal
A dieta para perder gordura abdominal tem de ser pobre em calorias e por isso, as frutas cítricas, como a laranja ou o kiwi, devem fazer parte da alimentação, uma vez que são hipocalóricas e ricas em água.
Na dieta para perder gordura abdominal, os alimentos fonte de hidratos de carbono, como o arroz, a massa ou o pão, não devem ser excluídos, mas consumidos em pequena quantidade e na versão integral.
Além disso, na dieta para perder gordura abdominal deve-se evitar alimentos como:
Frituras e bolos;
Queijos amarelos;
Sorvetes e balas;
Molhos;
Bebidas alcoólicas e refrigerantes.
Para complementar a dieta e ganhar massa magra deve-se ingerir alimentos ricos em proteína, como ovo, atum ou frango, mas um nutricionista poderá indicar uma dieta adequada às necessidades diárias do indivíduo, respeitando os seus gostos.

 

Fonte: Bio Ritmo

13.187 – Saúde – Cerca de 35% das mulheres com atraso menstrual têm aborto espontâneo e acham que só menstruaram


aborto
Normalmente a gravidez possui 38 semanas e corresponde ao período da fecundação até o nascimento do bebê.
O que todas as mães desejam é que a sua gestão seja tranquila e seu bebê nasça com saúde. Mas infelizmente, nem tudo sai como o planejado. Durante este período, muitas mulheres sofrem aborto espontâneo ou interrupção da gravidez (IIG). Este problema ocorre quando a gravidez não completa o tempo certo devido a complicações. O que também pode acontecer é o aborto esporádico, quando a mulher sofre o aborto, porém continua com as gestações normais. Outro caso típico é o aborto habitual, em que a mulher sofre três ou mais abortos seguidos.
Os especialistas consideram o aborto a interrupção da gravidez até a 20ª semana. O feto também deve ter menos que 500 gramas para se caracterizar como aborto espontâneo. Entre a 22ª até a 36ª semana, os médicos consideram como parto prematuro, que pode ser espontâneo ou iatrogênico – necessitando que o médico interrompa a gravidez por algum motivo.
O aborto espontâneo é muito comum nos seres humanos. Quando a mulher percebe a gravidez, a taxa de abortamento marca 15%. Quando considerado o período antes da confirmação da gravidez, essa taxa aumenta para 30% a 40%. Isso é comum depois do atraso menstrual, em que a mulher perde muito sangue acreditando ser a menstruação, quando na verdade estava eliminando o embrião recém-formado. São diversas as causas para este fenômeno, mas em 60% dos casos é possível saber a causa de acordo com o momento em que ocorreu o aborto. Muitos especialistas acreditam que o problema ocorre pelo sistema imunológico rejeitar o novo embrião no corpo da mulher.
Além disso, o aborto espontâneo é um sinal de malformação do feto ou de uma gravidez inadequada. Quanto mais cedo esta fatalidade ocorre, maior a chance de o feto não estar bem formado. O motivo pode ser explicado de acordo com a semana que o aborto ocorreu. Um aborto espontâneo, também chamado de precoce, acontece até a 12ª semana. Nestes casos, a principal causa é genética, infecciosa ou imunológica.
Já nos abortos tardios, (da 12ª à 20ª semana) o problema é com a dificuldade de expansão, de crescimento do útero, malformações uterinas e a incompetência cervica l– dificuldade de manter o colo do útero fechado para ter uma gravidez normal. No aborto precoce, o casal passa por uma avaliação genética para ver se há casos de problemas na família, além de realizar um mapa dos cromossomos do casal –cariótipo. Se o problema for genético, pode estar ocorrendo a translocação não balanceada. Este problema ocorre em 3% a 4% dos casais. Como é impossível mudar a genética, o casal pode tentar a fertilização assistida com a doação de oócitos ou de espermatozoides.
As grávidas devem ficar atentas com as infecções, como a toxoplasmose – doença transmitida pelo gato. A melhor forma para prevenir é não ter contato com as fezes ou urina do animal. É importante que, antes de engravidar,sejam feitos exames de sorologias para infecções como toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus e de outros possíveis empecilhos.
A alimentação não deve ficar de fora. Não é indicado comer carnes malcozidas, verduras sem lavar e sanduíches feitos em lugares sem higiene. A alimentação reflete na gestação, já que alivia a ansiedade. A mulher não é a única causa do abortamento. Os homens têm um papel fundamental na gravidez, tanto genético, quanto auxiliando em todas as fases.

Fonte: [ Diário de Biologia ]

13.176 – Má Notícia: Fosfoetanolamina, a ‘pílula do câncer’, não é eficaz


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O Icesp decidiu cancelar os testes com a fosfoetanolamina sintética após 58, dos 59 pacientes tratados com a substância não apresentarem benefícios significativos.
A fosfoetanolamina sintética, que ficou conhecida como pílula do câncer, não é eficaz para o tratamento de tumores. É o que revelam os resultados da segunda fase do estudo clínico realizado pelo Instituto do Câncer de São Paulo, o Icesp, divulgados nesta sexta-feira. Devido à ausência de “benefícios clínicos significativos”, o instituto decidiu suspender os testes com a substância.

Estudo
Os testes em humanos tiveram início em julho do ano passado, após forte pressão popular. A primeira etapa da pesquisa clínica avaliou a toxicidade da fosfoetanolamina. Os resultados mostraram que o produto não apresentava risco de efeitos adversos graves.
Nesta segunda etapa, o objetivo era comprovar a eficácia da substância. O plano era incluir 20 participantes em cada um dos dez grupos de tumores – cabeça e pescoço, pulmão, mama, cólon e reto, colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado -, totalizando 210 pessoas em acompanhamento. Estatisticamente, a substância teria efeito se pelo menos três pacientes de cada subgrupo apresentassem uma redução de 30% do tumor. Não foi o que ocorreu.

Resultados aquém do esperado
Até o momento, 72 pacientes, de dez diferentes grupos de tumores, foram tratados com a fosfoetanolamina. Destes, 59 foram reavaliados e 58 não apresentaram resposta objetiva, de acordo com os médicos. Apenas um indivíduo, com melanoma, apresentou resposta ao tratamento.
O grupo de câncer colorretal foi o primeiro a completar a inclusão de todos os pacientes previstos nesta fase, e foi encerrado, pois nenhum paciente apresentou resposta objetiva ao tratamento. Nos últimos oito meses os pacientes passaram por avaliações periódicas, com retornos entre 15 e 30 dias, para a realização de consultas médicas e exames, dentre eles a avaliação da doença por tomografia, o que permite acompanhar de perto a evolução do câncer em relação ao uso da “pílula do câncer”.

Pesquisa suspensa
Como os resultados de reavaliação estão sendo muito inferiores ao desejável, em todos os grupos, a inclusão de novos pacientes está suspensa. O protocolo será reavaliado antes de qualquer continuidade, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.
Os pacientes envolvidos no projeto vão continuar em tratamento no Icesp normalmente, com acompanhamento da equipe de oncologia.

Histórico
O composto foi desenvolvido pelo químico Gilberto Chierice, no laboratório do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, em São Carlos. Ele passou a distribuir as cápsulas da substância para pessoas que o procuravam no local. Desde o fim de 2015, enormes filas de familiares e pacientes, entre crianças e idosos debilitados pela doença, eram formadas em frente ao Instituto em busca do ‘remédio milagroso’. O drama ganhou destaque quando uma liminar do Supremo Tribunal Federal autorizou a entrega das pílulas a um doente do Rio de Janeiro. A decisão provocou uma avalanche da ações judiciais, que ultrapassaram 20.000.
O clamor popular acabou pautando deputados, senadores e a presidente, que enfrentava um momento de baixíssima popularidade. A produção e comercialização da fosfoetanolamina sintética como droga anticâncer chegou a ser autorizada no Brasil, em abril de 2016, por um projeto de lei aprovado no Congresso e sancionado pela então presidente Dilma Rousseff. Mas a lei foi suspensa no mês seguinte por uma decisão do STF. A falta de comprovação científica sobre sua real eficácia sempre foi questionada por oncologistas, entidades médicas e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que criticava abertamente sua aprovação. O estudo, realizado pelo Icesp, tinha o objetivo de verificar o efeito da substância.

13.168 – Medicina – Folha de Espinafre é Transformada em Tecido Cardíaco


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Pesquisadores do Worcester Polytechnic Institute (WPI), em Massachusetts (EUA), descobriram uma maneira de usar estruturas de folhas de espinafre para regenerar tecidos cardíacos humanos. Este estudo tem potencial de reparar órgãos danificados por ataques cardíacos, por exemplo.
O trabalho foi publicado neste mês de março na revista Biomaterials, e descreve uma nova forma de criar sistemas vasculares, uma das grandes dificuldades da engenharia de tecidos. Cientistas já criaram grandes tecidos humanos em laboratório com impressoras em 3D, mas o grande desafio é desenvolver pequenos e delicados vasos sanguíneos, muito importantes para a saúde do tecido.
“O maior fator limitante para a engenharia de tecido é a falta de conexões vasculares. Sem esta rede, você tem a morte do tecido”, aponta o mestrando da WPI, Joshua Gershlack, em um vídeo publicado pela instituição.
Uma das características da folha de espinafre é a rede de pequenas veias que levam água e nutrientes para as células. Com esta rede vegetal, foi possível replicar a forma com que o sangue se move nas veias humanas. Para tornar isto possível, foi necessário mergulhar as folhas de espinafre em um tipo de detergente especial para remover todas as células vegetais das folhas, mantendo apenas as estruturas de celulose.
A equipe por trás desta pesquisa mergulha então a estrutura da planta em células humanas para que o tecido humano possa crescer no apoio da folha e espinafre. Quando elas transformam a folha em um tipo de mini coração, o grupo envia fluídos e corante por estas pequenas veias para mostrar que as células sanguíneas poderiam fluir por este sistema.
O objetivo final dos pesquisadores é conseguir substituir tecidos danificados em pacientes que sofreram ataque cardíaco ou que têm problemas cardíacos que impedem a contração do coração. Como veias cardíacas, as pequenas veias vegetais das folhas modificadas poderiam enviar oxigênio para o tecido substituto, o que é crucial para gerar o novo tecido.
A técnica não funciona exclusivamente em folhas de espinafre, e pode ser aplicada em diferentes tipos de vegetais para reparar tecidos humanos. Madeira, por exemplo, poderia ser usada para substituir ossos humanos.
“Temos muito trabalho a ser feito, mas por enquanto isso é muito promissor. Adaptar plantas abundantes que fazendeiros têm cultivado há milhares de anos para usar na engenharia de tecidos poderia solucionar vários problemas que limitam o campo”, explica Glenn Gaudette, um dos pesquisadores. [National Geographic, Science Alert]

13.142 – Saúde – Descoberto gene que causa morte súbita em jovens e atletas


esporte
As vítimas de Displasia Arritmogênica do Ventrículo Direito (DAVD) possuem duas características em comum. Elas 1) costumam morrer praticamente na hora e 2) são extremamente jovens e saudáveis, geralmente não passam dos 35 anos. Essa soma de fatores aterrorizantes motivou pesquisadores de três países a se unirem para tentar entender o que está por trás da patologia. A resposta está em 3 letras e dois números: CDH2 – o nome do gene responsável pela doença.
A música já dizia que o coração não é tão simples quanto pensa, e é justamente ele que o DAVD ataca. Quem tem a doença não possui os músculos comuns no órgão. No lugar, os pacientes contém um tecido gorduroso e cheio de fibras. Isso faz com que os corações doentes não aguentem o tranco. Ao longo da vida, o órgão acaba desenvolvendo fibrilhação ventricular (um coração que bate sem ritmo) e taquicardia (um coração que acelera sem motivos aparentes). Isso acaba afetando principalmente quem faz o órgão se esforçar mais: jovens e atletas, que geralmente nem sabem que têm um coração especial. Às vezes, esse esforço começa a ter efeitos colaterais; você pode perder a consciência e ter uma parada cardíaca – e, se não houver um desfibrilador por perto, você morre em poucos minutos.
Para entender melhor a doença, os pesquisadores levaram tempo: duas décadas inteiras. Durante todo esse tempo, estudiosos da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, acompanharam uma família que tinha alta incidência de mortes por DAVD. Dois membros dela, então, tiveram todo seu DNA dissecado. Encontraram 13 mil variantes genéticas comuns entre as duas pessoas e começaram a estudar uma a uma. Depois de cinco anos cuidando disso, os sul-africanos pediram ajuda internacional. Faculdades do Canadá e da Itália começaram a auxiliar na pesquisa e, mesmo assim, levaram outros 15 anos para que uma resposta fosse encontrada.
Eis que o CDH2 se mostrou o culpado da doença. De acordo com o estudo, essa é a pecinha do DNA responsável pela produção de N-Cadherin, uma proteína que define a adesão entre as células cardíacas. Quando uma mutação aparece no CDH2, as células do órgão não são normais, e a DAVD aparece. Para não restar dúvidas, os pesquisadores ainda procuraram um paciente diagnosticado com a doença, dessa vez de outra família. Ao olharem com atenção para o DNA, não deu outra: o CDH2 também era mutante.
Agora, cientistas querem que a descoberta ajude a detectar pacientes antes que eles tenham, de fato, uma parada cardíaca. Uma análise em parentes de pessoas que morreram jovens pode fazer com que a mutação (e a doença) sejam encontradas, iniciando o tratamento com antecedência. Poupando, literalmente, o coração de jovens mundo a fora.