13.987 – Atenção Você Que Dorme com TV ligada


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Segundo a pesquisadora, um dos piores problemas é o barulho da televisão ou do computador. Mesmo se eles não despertam um indivíduo que dorme, ruídos causam uma pequena excitação no cérebro, podendo até causar insônia crônica.
“Na TV, alguém pode disparar uma arma ou acelerar um carro e esse ruído pode causar uma excitação no seu cérebro. Esse fenômeno modifica o seu ritmo cerebral e interrompe o sono”, contou a pesquisadora.
O barulho, segundo ela, não permite que o indivíduo resgate seu sono de onde parou. “Os humanos naturalmente têm de quatro a cinco ciclos do sono. Se você sofre uma excitação cerebral enquanto se direciona a estágios mais profundos de sono, seu cérebro tem que começar tudo do começo”.
Salas sugere que quem não consegue dormir em silêncio deve recorrer a aparelhos como pequenos ventiladores ou circuladores de ar, que provocam um pequeno ruído considerado inofensivo para a qualidade do sono.

13.699 – Neurologia – Dormir pouco faz o cérebro destruir seus próprios neurônios


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Dormir traz diversos benefícios para os seres vivos – principalmente para nosso cérebro. Além de repor as energias que gastamos durante o dia, o sono também “limpa” os restos da atividade neural que são deixados para trás durante o dia a dia e podem ser prejudiciais. Mas agora, em uma nova pesquisa, pesquisadores descobriram algo curioso: este mesmo mecanismo de limpeza acontece também em cérebros que estão sendo privados do sono ou que têm dormido pouco. Mas com um porém: ao invés de limpar os restos das sinapses, estes cérebros começam a limpar as próprias sinapses e neurônios, em um processo que beira o canibalismo.
A equipe, liderada pela neurocientista Michele Bellesi, da Universidade Politécnica de Marche, na Itália, examinou a resposta do cérebro de mamíferos aos maus hábitos de sono e descobriu essa semelhança bizarra entre os ratos descansados ​​e sem sono. E o pior: a recuperação do sono pode não ser capaz de reverter os danos nos cérebros que passam a se alimentar de si mesmos.
Como as células em outras partes do corpo, os neurônios do cérebro estão sendo constantemente atualizados por dois tipos diferentes de células gliais, que funcionam como uma espécie de cola do sistema nervoso.
Umas delas, as células da microglia, são responsáveis ​​por limpar as células velhas e desgastadas através de um processo chamado fagocitose. Já os astrócitos removem as sinapses desnecessárias no cérebro para refrescar e remodelar sua fiação.
Sabemos que esse processo ocorre quando dormimos para limpar o desgaste neurológico do dia, mas agora parece que a mesma coisa acontece quando começamos a perder o sono. Mas ao invés de ser uma coisa boa, o cérebro começa a devorar partes saudáveis de si mesmo e se machucar.
Para descobrir isso, os pesquisadores imaginaram os cérebros de quatro grupos de ratos: um grupo foi deixado para dormir por 6 a 8 horas (bem descansado); outro foi periodicamente acordado do sono (espontaneamente acordado); um terceiro grupo foi mantido acordado por mais 8 horas (privação de sono); e um grupo final foi mantido acordado por cinco dias seguidos (cronicamente privados de sono).Quando os pesquisadores compararam a atividade dos astrócitos entre os quatro grupos, identificaram-na em 5,7% das sinapses dos cérebros de camundongos bem descansados ​​e em 7,3% dos cérebros de camundongos espontaneamente acordados.

Nos camundongos privados de sono e cronicamente privados de sono, eles notaram algo diferente: os astrócitos aumentaram sua atividade para realmente comer partes das sinapses, como as células microgliais comem resíduos – um processo conhecido como fagocitose astrocítica.
Nos cérebros de camundongos privados de sono, descobriu-se que os astrócitos estavam ativos em 8,4% das sinapses e, nos camundongos cronicamente privados de sono, 13,5% das sinapses apresentavam atividade astrocitária.

Qual o rempo ideal por faixa etária?
Você já deve ter notado que um recém-nascido dorme praticamente o dia todo, enquanto uma pessoa idosa dorme poucas horas durante a noite. Em cada fase da vida há diferentes necessidades de descanso. Qual é a sua?
Recém-nascidos (0 a 3 meses): 14 a 17 horas por dia;
Bebês (4 a 11 meses): 12 a 15 horas por dia;
Crianças pequenas (1 a 2 anos): 11 a 14 horas por dia;
Crianças em idade pré-escolar (3 a 5 anos): 10 a 13 horas por dia;
Crianças em idade escolar (6 a 13 anos): 9 a 11 horas por dia;
Adolescentes (14 a 17 anos): 8 a 10 horas por dia;
Jovens (18 a 25 anos): 7 a 9 horas por dia;
Adultos (26 a 64 anos): 7 a 9 horas por dia;
Idosos (mais de 65 anos): 7 a 8 horas por dia.
Ao ler a lista, você deve estar se perguntando o que motivou os pesquisadores a dividirem a faixa etária de 18 a 64 anos em “jovens” e “adultos”, já que as horas de sono indicadas são as mesmas. Isso foi feito porque os especialistas também avaliaram que alguns indivíduos nessas idades podem ter necessidades de sono um pouco abaixo ou acima da recomendação, mas que isso não chega a ser um problema. Para os jovens, pode ser apropriado dormir entre 6 a 11 horas, enquanto para os adultos esse tempo cai levemente para 6 a 10 horas. Aí está a diferença entre as duas fases.
Os especialistas apontam que qualquer necessidade de sono muito acima ou muito abaixo da recomendada pode ser um sintoma importante de um problema de saúde sério que precisa ser investigado. Eles também alertam que pessoas que escolhem dormir muito menos do que o recomendado para o seu grupo etário podem estar comprometendo seu bem-estar.

13.333 – Saúde – Como a falta de sono afeta seu cérebro


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Cientistas do Canadá lançaram o que promete ser o maior estudo do mundo sobre os efeitos da falta de sono no cérebro.
Eles esperam que pessoas de todo o mundo se registrem pela internet para fazer testes cognitivos e participar do experimento.
Jogos de computador testarão habilidades como raciocínio, compreensão da linguagem e tomada de decisões.
O estudo é coordenado pelo neurocientista britânico Adrian Owen, do Instituto de Cérebro e Mente da Universidade Western, no Canadá.
A equipe irá analisar o desempenho dos participantes nos testes cognitivos e avaliar os diferentes resultados a partir das horas dormidas.
A necessidade diária de sono varia de pessoa para pessoa, mas se o estudo conseguir reunir um número significativo de voluntários, permitirá aos cientistas determinar um número médio de horas necessárias para a otimização da função cerebral.
O repórter da BBC Fergus Walsh e mais quatro voluntários passaram a noite na Universidade Western, onde testaram os jogos e puderam verificar como a falta de sono afeta o desempenho cognitivo.

VOLUNTÁRIOS
Hooman Ganjavi, 42 anos, psiquiatra, acostumado a fazer plantões noturnos: “Durmo apenas de quatro a cinco horas por noite. Sei que a falta de sono aumenta o risco de doenças cardíacas e de derrame, mas, como muitos médicos, não aplico essas regras ao meu dia a dia”.
Sylvie Salewski, 31 anos, mãe de duas meninas pequenas: “Para mim uma boa noite de sono é quando elas me acordam duas ou três vezes; não consigo me lembrar do que é dormir uma noite toda sem ser incomodada; normalmente me sinto meio desnorteada no dia seguinte”.
Evan Agnew, 75 anos, vigia aposentado: “Nunca dormi mais de oito horas de sono por noite, e na minha idade não acho que preciso de mais de quatro horas. Acabo complementando meu sono durante o dia com um ou dois cochilos”.
Cecilia Kramar, 31 anos, neurocientista que faz pesquisas cognitivas com camundongos noturnos, o que significa passar noites em claro no laboratório: “Quando não durmo muito, não consigo fazer nada complicado no dia seguinte, como ler uma revista científica, porque meu cérebro não funciona bem”.
Passamos praticamente um terço das nossas vidas dormindo. Ou seja, o sono é tão vital para a nossa saúde quanto os alimentos que ingerimos e o ar que respiramos.
Mas nossa cultura de estarmos ligados durante 24 horas por dia está reduzindo nossas horas de sono.
Um estudo na revista científica “Nature Reviews Neuroscience” apontou que havia “uma compreensão notavelmente pequena” das consequências da falta de sono crônica para o cérebro.
A pesquisa dizia que mais estudos são necessários face ao que chamou de “declínio considerável da duração de sono em todas as nações industrializadas”.

13.085 – Cochilo durante expediente pode aumentar produtividade (?)


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Atire a primeira pedra quem nunca cogitou a possibilidade de tirar um cochilo durante o expediente. Mas, fazer uma cama no escritório ou simplesmente tirar uma soneca em cima da mesa, na frente de todo mundo, durante o horário de trabalho, é praticamente impossível – a menos que você trabalhe em uma empresa como o Google ou o Facebook, que têm um espaço específico para descanso. As informações são da rede britânica BBC.
Mas, acredite ou não, algumas pessoas têm ou já tiveram essa coragem e afirmam que, mesmo nos dias mais tranquilos, o hábito “dá mais energia para o resto do dia”. Na década de 1990, Bhim Suwastoyo trabalhava como repórter para a Agência France Presse no escritório de Jacarta, na Indonésia. Na época, ele ficou famoso entre seus colegas por dormir embaixo de um armário, atrás de sua mesa.
“Quando alguém do escritório de Hong Kong visitava, a primeira coisa que me pedia era ‘me mostra sua cama’. Que reputação!”, contou Suwastoyo à BBC.

Mudança de comportamento
Para Natalie Dautovich, especialista da Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos. “Nós ainda estamos presos a noção de que o sono é um luxo (em vez de vê-lo como) um comportamento saudável e positivo com resultados benéficos para a produtividade (dos funcionários)”, disse em entrevista à BBC.
A sesta, prática comum na Europa, tem ganhado força no ambiente corporativo mundial e brasileiro, mas ainda há muito para ser desenvolvido nesse quesito. O hábito de cochilar durante o dia, normalmente após o almoço, pode ser uma medida para empresas que desejem funcionários mais motivados e ligados no trabalho

Necessidade
Segundo Suwastoyo, as sonecas no trabalho foram muito úteis em 1997, quando no auge da crise econômica da Ásia, a moeda da Indonésia, a rúpia, perdeu metade de seu valor e o governo desmoronou. O jornalista estava trabalhando direto para cobrir esta crise e como na época os telefones celulares não eram tão populares na Indonésia, ele cochilava perto do telefone do escritório quando tinha um momento mais sossegado.

12.235 – DNA – Estudo descobre o que faz as pessoas serem mais “diurnas” ou “noturnas”


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Algumas pessoas se sentem mais produtivas acordando ao nascer do sol e indo dormir assim que a noite cai. Outras, preferem permanecer despertas ao longo da madrugada e acordar quando a tarde já está começando. Mas o que define se você é uma pessoa matutina ou noturna? De acordo com um estudo publicado na última edição da revista Nature Communications, são os genes.
A pesquisa, encomendada pela companhia 23andMe, que fabrica produtos para análise genética, analisou o DNA de 89 mil pessoas e as respostas delas a duas perguntas sobre hábitos e horários. Baseado nisso, os pesquisadores chegaram a algumas conclusões sobre as características das pessoas matutinas:
– 48% das mulheres produzem mais se dormem cedo e acordam cedo. Entre os homens, a porcentagem é de 40%
– Somente 24% das pessoas abaixo dos 30 anos prefere acordar cedo. Entre os mais velhos, acima de 60 anos, os madrugadores representam 63%.
– Aqueles que dormem cedo e acordam cedo têm menos chances de sofrer de insônia.
– Pessoas que estão nos extremos do IMC – o índice que calcula a massa corporal –, acima do peso ou abaixo do peso, geralmente têm hábitos noturnos.
Os autores do estudo, porém, alertam que tudo não deve ser levado ao pé da letra, já que todas as pessoas analisadas eram de etnias europeias e responderam apenas duas perguntas sobre seus hábitos. O importante, eles concluem, é que a pesquisa identificou diferentes localizações no genoma que podem ser úteis em estudos mais aprofundados sobre os hábitos e horários das pessoas.
Então, você que costuma dormir e acordar tarde, agora tem um ótimo pretexto: “Desculpa, está nos meus genes…”.

11.363 – Neurologia – Desvendando o Sono


Por que a gente dorme?

Do ponto de vista da evolução, é um comportamento difícil de explicar. Para o homem das cavernas, dormir podia significar nunca mais acordar, pois a chance de ser atacado por um predador era grande. E, mesmo hoje, em que esse risco é muito menor, o sono continua sendo meio paradoxal, porque nos faz desperdiçar um terço do nosso tempo de vida consciente.
O sono é uma das áreas mais jovens da ciência. Até a metade do século 20, os cientistas acreditavam que o cérebro se desligasse totalmente durante a noite, com o único objetivo de descansar. Hoje, sabemos que não é bem isso. Dormimos por três motivos: para economizar energia, para fazer manutenção do corpo e para consolidar a memória.
O primeiro é fácil de entender. Enquanto você dorme, seu corpo consome menos energia – pelo simples fato de você estar imóvel e relaxado. Se não dormíssemos, teríamos de consumir um número muito maior de calorias para sobreviver, o que seria extremamente difícil para os homens primitivos. Num mundo onde o alimento era escasso, dormir era fundamental para não morrer de fome – mesmo que isso aumentasse o risco de ser atacado por animais selvagens durante a noite.
A segunda função do sono tem a ver com os processos reparadores que seu corpo executa enquanto você dorme. Na década de 1980, cientistas da Universidade de Chicago comprovaram isso realizando um teste com ratos. Após duas semanas impedidos de dormir, os bichos simplesmente morreram. Eles tinham desenvolvido manchas e feridas que não saravam e, independente da quantidade de comida que ingerissem, só perdiam peso. Até que, de uma hora para a outra, apagavam e não acordavam mais. Morte. O mesmo estudo foi repetido no ano 2000, e a conclusão foi a mesma: não dormir mata. Mas os pesquisadores nunca tinham conseguido entender o porquê disso.

A possível explicação só veio no ano passado, em um estudo da Universidade de Surrey, no Reino Unido. Os cientistas mantiveram pessoas acordadas por 29 horas e perceberam uma alteração: o nível de células brancas no sangue delas aumentou bastante, atingindo a mesma quantidade registrada em pessoas feridas. As células brancas são o elemento central do sistema imunológico. Quando você fica sem dormir, ele dispara – o que, em tese, poderia comprometer a habilidade do organismo de combater infecções.
O organismo libera hormônios como cortisol e adrenalina, respostas típicas de situações de estresse”, diz a médica Luciana Palombini, do Instituto do Sono. E isso desencadeia uma série de processos já nas primeiras 24 horas. Primeiro, a pressão sanguínea aumenta. Logo depois, o metabolismo se desregula, e a pessoa sente uma vontade incontrolável de comer carboidratos (um estudo da Universidade Northwestern, nos EUA, constatou que quem dorme tarde e/ou mal tende a ingerir quase 250 calorias a mais por dia). Em seguida, se a pessoa continuar acordada, começam as alucinações. Sim, alucinações.
Mas não dormir, ou dormir mal, pode estar na raiz de doenças neurológicas gravíssimas. Num estudo recém-publicado, pesquisadores da Universidade de Rochester, em Nova York, mostram que o cérebro aproveita o sono para fazer uma limpeza – descartando células mortas e moléculas da proteína beta-amiloide, cujo acúmulo impede as conexões entre neurônios e provoca Alzheimer, doença incurável que leva à perda de memória. O que nos leva à terceira função do sono: gravar – e destruir – as suas memórias.
Quando uma memória se forma na sua mente, o cérebro constrói uma relação semipermanente entre os neurônios envolvidos com aquilo. Por exemplo. Vamos supor que você vá a um churrasco. Está fazendo um sol insuportável, o churrasqueiro deixa queimar a carne, você fica com fome. Mas nem tudo foi ruim – você conheceu uma nova pessoa, Maria, que se tornou sua amiga. Essas experiências todas ativam uma enorme quantidade de neurônios no seu cérebro – os que registram a sensação de calor, os responsáveis por processar cheiros (no caso, de carne queimada) e vários grupos que analisam todas as características da Maria, como sua altura, formato do rosto, voz, cor dos olhos, etc.

E o cérebro fortalece as ligações entre essa rede de neurônios. É como se eles ficassem “amigos”. Passam a se comunicar mais facilmente entre si. Aí, quando você se lembrar de algum detalhe do churrasco ou da Maria, aquele mesmíssimo conjunto de neurônios será acionado – e todos os detalhes daquele dia voltarão à sua mente. É assim que a memória humana funciona.
Mas ela também age enquanto você dorme. Sabe quando você vivencia algo durante o dia, e aquela memória reaparece – muitas vezes exagerada ou distorcida – durante os sonhos? Acontece com todo mundo. Um estudo feito pelo psicólogo inglês Mark Blagrove constatou que os acontecimentos costumam aparecer nos sonhos pelo menos três vezes: na primeira, na quinta e na sétima noite de sono após vivenciados. Mas por quê? E por que as memórias surgem distorcidas, às vezes apimentadas com fantasia e coisas que jamais aconteceram? Existe uma teoria para explicar isso.
É a hipótese da homeostase sináptica (SHY, em inglês), criada por dois psiquiatras da Universidade de Wisconsin. Apesar do nome complicado, o conceito é simples: durante o sono, o cérebro desfaz algumas das conexões entre neurônios, ou seja, ele apaga memórias. O corpo libera ácido gama-aminobutírico, uma substância que enfraquece as relações entre os neurônios e deleta algumas das memórias adquiridas durante o dia. O objetivo seria liberar espaço, capacidade cerebral, para que você continue sendo capaz de aprender coisas novas.
Essa tese foi reforçada por uma pesquisa do National Institutes of Health (laboratório do governo americano), que este ano descobriu algo intrigante. Durante o sono, os neurônios do hipocampo, região cerebral que coordena a formação de memórias, disparam “ao contrário”. Ou seja, eles emitem sinais elétricos na direção oposta de quando a pessoa está acordada. Para os cientistas, isso é um indício de que há memórias sendo apagadas.
Esse apagamento supostamente acontece na terceira fase do sono, que antecede os sonhos. Ou seja: quando os sonhos começam, é possível que o cérebro ainda esteja sob influência da destruição de memórias, ou haja resíduos incompletos delas – e isso explique o teor de fantasia nos sonhos. Mas não existem estudos comprovando a relação. Já a conexão entre sono, memória e aprendizado é fartamente conhecida. Diversas experiências demonstraram que nossa capacidade de aprender é maior de manhã, logo após acordar, do que de noite. Dormir ajuda a aprender. Mas não é só isso. Também é possível aprender… dormindo. Nos anos 70 e 80, essa promessa era muito usada por charlatães, que tentavam vender cursos de inglês “durante o sono”. A pessoa escutava uma fita com lições do idioma enquanto dormia e supostamente acordava sabendo falar inglês. Não funcionava, claro. Mas um estudo feito pela Universidade Northwestern constatou que é, sim, possível manipular – e reforçar – o aprendizado de uma pessoa enquanto ela dorme.
Um estudo da Universidade de Virgínia estudou a rotina das pessoas no século 15, e descobriu que as pessoas costumavam dormir em duas etapas. Primeiro, elas dormiam do entardecer até a meia-noite. Aí acordavam, ficavam despertas por uma ou duas horas e depois voltavam a dormir até o dia clarear. Isso foi comprovado na prática pelo psiquiatra americano Thomas Wehr, do National Institute of Medical Health. Nos anos 90, ele confinou um grupo de voluntários em alojamentos sem luz elétrica. Eles eram obrigados a realizar atividades durante o dia, com o sol, e descansar durante a noite, por causa da ausência de luz. Após algumas semanas nessa rotina, algo curioso aconteceu: os voluntários passaram a apresentar o mesmo tipo de sono segmentado da Idade Média. E estavam sempre super-relaxados – descobriu-se que, no intervalo entre esses dois sonos, o corpo liberava prolactina, o mesmo hormônio que causa a sensação de relaxamento após o orgasmo.
Hoje em dia, dormimos de outra forma, em apenas um bloco. Isso é um subproduto da revolução industrial, que elevou a jornada de trabalho a 16 horas por dia – e limitou quando, e quanto, as pessoas poderiam dormir. Até hoje, dormir durante o dia é visto com preconceito. “Precisamos descansar. Descanso faz parte da vida. Ele ajuda nossa produtividade, melhora nosso humor e nos deixa mais criativos”, diz a psicóloga americana Sara Mednick, autora de estudos que mostram o efeito positivo da soneca. “As pessoas tomam café para ficarem acordadas e quando chega a noite tomam um remédio para dormir. Será que esse é mesmo o melhor jeito de encarar uma semana de trabalho?.
Por isso, cada vez mais gente toma remédios para dormir. No Brasil, os três medicamentos tarja-preta mais vendidos (Rivotril, Lexotan e Frontal) são ansiolíticos, que acalmam e ajudam a dormir – e juntos vendem quase 15 milhões de caixas por ano. O problema é que eles, como todos os remédios que induzem sonolência, podem causar dependência física. A indústria farmacêutica ainda não conseguiu desenvolver uma droga para dormir que seja totalmente eficaz e tenha risco zero. Mas continua tentando. Sua nova esperança é o suvorexant, um remédio que inibe a hipocretina, um neurotransmissor responsável pela vigília. Ou seja: em vez de induzir o sono, como os medicamentos atuais, simplesmente anula a substância que deixa a pessoa acordada. “Estamos entusiasmados, pois a expectativa é que esse remédio não seja viciante”, diz Belen Esparis, médica do hospital Mount Sinai, em Nova York, e uma das principais especialistas do mundo em sono. Mas o suvorexant foi barrado pela FDA (órgão do governo americano que aprova a comercialização de remédios), que pediu mais testes.
Uma solução mais segura, e possivelmente muito eficaz, é um aparelho chamado Somneo. Ele nasceu de pesquisas da Darpa (divisão de projetos avançados do Pentágono), que queria encontrar um jeito de fazer soldados ficarem até cem horas acordados sem sofrer. Não deu certo, mas levou à criação do aparelho, que usa várias técnicas para melhorar a qualidade do sono. Trata-se de uma máscara que cobre o rosto, as orelhas e parte da cabeça e aquece levemente a região dos olhos – o que, estudos comprovaram, faz a pessoa adormecer mais rápido e passar mais rapidamente à fase de sono profundo. A máscara também permite ao usuário programar exatamente a quantidade de tempo que deseja passar dormindo. Ela tem sensores de eletroencefalografia, que monitoram a transição entre as fases do sono e determinam qual o melhor momento para despertar a pessoa – liberando uma luz que aumenta de maneira gradual. A ideia é que essa máscara seja distribuída aos militares em guerras. Mas, como muitas das tecnologias inventadas para uso militar, ela provavelmente acabará tendo uma versão comercial.
A chave do bom sono
Você já deve ter ouvido as recomendações mais manjadas. Faça exercícios. Tenha uma alimentação balanceada. Tente evitar o estresse. Não tome café de noite. Maneire no álcool. Tudo isso é verdade – e é essencial para dormir bem. Mas a epidemia de insônia no mundo tem outra raiz.
O sono é coordenado por um hormônio chamado melatonina. Ela é produzida pela glândula pineal, bem no meio do cérebro, e é a chave do “relógio interno” que nos faz dormir e acordar em ciclos de 24 horas. A melatonina também está presente em outros animais, em plantas e até em micróbios. Ela é um mecanismo que a natureza criou para adaptar os seres vivos ao ritmo do Sol. Conforme começa a escurecer, o organismo começa a liberar mais melatonina – e você sente cada vez mais sonolência, até apagar. De manhã, com tudo claro, o nível de melatonina cai, e você acorda.
Essa é a ordem natural das coisas. O problema é que o mundo moderno, e em especial a tecnologia, está bagunçando essa ordem. Depois que anoitece, continuamos a ver televisão e usar celular, computador, tablets, etc. A humanidade vive rodeada por telas que emitem luz. E isso desregula o ritmo do organismo. “Como o cérebro não sabe qual a diferença entre luz artificial e a do Sol, ele pensa que ainda é de dia”, diz Simone Petera, especialista em medicina do sono. Com isso, o corpo reduz a produção de melatonina, e a pessoa não consegue dormir bem.

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Na adolescência, o hormônio do sono é liberado mais tarde. É por isso que a pessoa tem dificuldade em dormir e acordar cedo.

Discórdia na cama
60% dos homens com mais de 40 anos roncam (geralmente porque estão acima do peso). E isso atrapalha bastante o sono das mulheres – que são as maiores vítimas de insônia.

Hora do galo
Conforme envelhecem, os idosos tendem a acordar cada vez mais cedo. E isso tem uma explicação biológica.

O que acontece no corpo durante a noite

Boca
A produção de saliva diminui e a boca fica mais seca, ambiente propício para a proliferação das bactérias bucais. É por isso que acordamos com mau hálito.

Pele
Quando dormimos pouco, o corpo libera mais cortisol, um dos hormônios do estresse. Em excesso, ele inibe a produção de colágeno, proteína responsável por deixar a pele bonita.

Cérebro
Faz uma limpeza – descartando células mortas e moléculas da proteína beta-amiloide, cujo acúmulo impede as conexões entre neurônios e provoca Alzheimer, doença neurológica que leva à perda de memória.

Músculos
Há liberação de hormônio do crescimento que, dentre outras funções, ajuda a reparar as fibras musculares. Por isso, dormir é fundamental para se recuperar de uma lesão ou após fazer musculação.

11.313 – Neurologia – Noites mal dormidas


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Todos nós já tivemos aqueles momentos em que achamos que não dormimos. Na verdade, você tem certeza de que não dormiu. Porém, você pode estar sofrendo de percepção errada do estado de sono, também conhecida como insônia paradoxal. Este termo é usado no caso de pessoas que subestimam ou superestimam seu sono. As pessoas que têm este transtorno podem relatar ter sono muito ruim ou não dormir, mas um estudo de laboratório in-loco mostra que o seu sono está dentro dos padrões de normalidade.
Estudos têm mostrado que as pessoas se saem muito mal quando precisam estimar a quantidade de sono que têm. A insônia paradoxal ocorre geralmente em homens jovens e de meia-idade e pode causar depressão e ansiedade. Tratamento comportamental, tais como a restrição do sono, bem como medicamentos, podem ajudar com os sintomas. A insônia paradoxal representa apenas cerca de 5% dos pacientes que procuram tratamento para insônia.

Se você está pensando na famosa “barraca armada” ao amanhecer, vá com calma. Enquanto ereções são muito normais durante o sono, existem alguns homens que sofrem versões dolorosas delas. De acordo com os princípios e práticas da medicina do sono, as pessoas com esta doença sofrem de dor peniana durante o sono REM (“movimento rápido dos olhos”, do inglês Rapid Eye Movement) e são geralmente homens de meia-idade ou mais velhos. Normalmente, as queixas são de despertares frequentes com ereções parciais ou totais e com dor significativa, apesar de estas pessoas terem um histórico de ereções normais e indolores quando acordadas.

O adulto típico precisa de sete a oito horas de sono por noite para funcionar durante o dia. Há algumas pessoas que precisam de 10 horas ou mais por noite para se sentirem descansadas (os chamados “long sleepers”, ou “dorminhocos longos”), e há aquelas que precisam de apenas cinco (“short sleepers” ou “dorminhocos curtos”). Long sleepers conseguem ser funcionais com nove horas de sono durante dias úteis, mas nos finais de semana ou em feriados podem chegar a dormir de 12 a 15 horas.
Estudos têm mostrado que as pessoas que são long sleepers representam apenas cerca de 2% da população e são um pouco mais propensos a serem do sexo masculino. Elas podem ter um maior risco de depressão e ansiedade, embora geralmente não apresentem muitos problemas de saúde. Aquelas que são short sleepers tendem a ser homens e a ter personalidades normais, mas podem ter alguns episódios de hipomania.
Apesar de ter oportunidades para dormir mais, as pessoas que são short sleepers ainda mantêm suas aproximadas cinco horas de sono, mesmo nos fins de semana. Short e long sleepers representam extremos do comportamento normal de sono. Ambos os distúrbios são raros, e tendem a ser hereditários. Estudos têm mostrado que as pessoas que são short sleepers tendem a morrer mais cedo do que aqueles que são long sleepers, apesar de praticarem atividade física.

Já riu tanto ou ficou tão assustado que entrou em colapso e não conseguiu mais se mover? A maioria das pessoas não passou por isso, mas os que sofrem com cataplexia estão familiarizados com a sensação. Se uma pessoa com cataplexia passa por uma emoção forte, seja feliz, como o riso ou a alegria, ou uma emoção negativa, como raiva ou medo, ela perde o tônus ​​muscular e, por vezes, pode parecer ela está dormindo. A pior parte? Foi demonstrado que o riso é o maior gatilho para estes ataques.
Ataques de cataplexia podem variar em gravidade de fraqueza muscular secundária à perda total de tônus ​​muscular, levando a pessoa a entrar em colapso. Muitas pessoas que têm narcolepsia – sonolência excessiva que às vezes resulta em ataques de sono – também podem sofrer de cataplexia. Embora incapaz de se mover, um paciente que tem narcolepsia com cataplexia também pode adormecer durante este período de tempo. A maioria destes ataques de cataplexia dura apenas alguns minutos, e geralmente a condição é tratada com medicação.

Quem nunca levantou no meio da noite para atacar a geladeira não sabe o que é adrenalina. Mas, para algumas pessoas, o lanchinho da meia-noite vai ao extremo. Este distúrbio não deve ser confundido com a síndrome alimentar noturna (SAN), na qual as pessoas comem por impulso à noite. Pessoas com transtorno alimentar noturno relacionado ao sono não têm conhecimento de sua alimentação durante o sono.
Estas pessoas podem comer uma variedade de coisas, tais como doces, bebidas, alimentos crus, alimentos estragados, cola, madeira e até pontas de cigarro. Tudo isso sem lidar com os alimentos direito e fazendo uma bagunça, como, por exemplo, se ferir ao cortar coisas ou abrir latas de forma descuidada. Ganho de peso rápido pode acontecer durante curtos períodos de tempo, e as pessoas com este distúrbio geralmente sofrem de obesidade. Medicamentos ajudam alguns com o transtorno, mas não têm se mostrado eficazes para todas as pessoas. Alguns remédios prescritos podem induzir episódios do distúrbio, assim como agentes estressantes, como divórcio e abuso de drogas.

Pode ser muito perturbador para um pai ver seu filho bater sua cabeça no colchão ou cabeceira enquanto tenta dormir. As crianças que têm transtorno de movimento rítmico podem fazer isso, ou balançar seus corpos, ou rolar suas cabeças e corpos enquanto estão tentando pegar no sono. Na maioria das vezes, elas não sabem que estão fazendo isso. O movimento rítmico pode ser visto durante os períodos em que a criança está acordada, mas quase dormindo, e pode continuar ou ocorrer de novo durante as fases mais profundas do sono.

Os movimentos são geralmente vistos enquanto o pequeno está dormindo de barriga para cima ou de bruços, mas também têm sido observados quando a criança está sentada. Portadores do distúrbio de movimento rápido podem ter algum tipo de comprometimento do desenvolvimento como o autismo. Ele pode ocorrer em qualquer idade, mas é visto principalmente em bebês e crianças e pode desaparecer conforme a pessoa envelhece. Raramente necessita de tratamento. Para aqueles com movimentos violentos, forrar cama ou berço com materiais macios pode ser eficaz na prevenção de lesões.

Também conhecido como movimento periódico dos membros durante o sono, este mal causa impulsos, saltos ou sensações de queda involuntárias que ocorrem apenas com uma pessoa está prestes a cair no sono. O empurrão correspondente é o suficiente para fazer com que alguém acorde de imediato e às vezes pode fazer com que ela tenha dificuldade de voltar a dormir devido à ansiedade em ter outro episódio.
As pessoas que têm padrões irregulares de sono, que consomem muita cafeína ou que estão passando por altos níveis de estresse em suas vidas são mais propensas a ter mioclonia noturna, mas 60 a 70% das pessoas já passaram por isso pelo menos uma vez. Este transtorno é muito comum e geralmente não requer tratamento. Normalmente, os pacientes são encorajados a tentar reduzir os níveis de estresse, ingestão de cafeína e dormir mais para ajudar com os episódios. Especialistas ainda não sabem por que as pessoas passam por este fenômeno, mas alguns acham que pode ser resultado da evolução. Ele também pode ser uma consequência de outra desordem do sono subjacente, tal como apneia do sono.

Alcoolismo
Um drinque ou dois te ajudam a dormir melhor e mais rápido? Ótimo, mas não faça disso um hábito, já que há pessoas que levam seu uso do álcool como um auxílio para dormir a extremos. As pessoas que têm distúrbio do sono de dependência de álcool são as que usam a bebida como um sedativo antes de dormir por mais de um mês. Algumas pessoas podem pensar que isso é uma característica de um alcoólatra, mas o alcoolismo não é geralmente a causa deste transtorno.
Tipicamente, a doença pode causar alcoolismo pela supermedicalização. Como as pessoas usam o álcool continuamente como um meio para induzir o sono, os efeitos acabam por diminuir, o que pode levá-las a aumentar a dose e, como resultado, seu risco de alcoolismo. Os pacientes com distúrbio do sono de dependência de álcool se queixam de despertares frequentes durante os sonhos, sudorese, dor de cabeça, desidratação e sintoma de abstinência leve. Aqueles que param de usar o álcool como um auxílio para dormir podem descobrir que é muito difícil pegar no sono sem o uso de sua bebida.

Síndrome do atraso e do adiantamento das fases do sono

Pessoas com síndrome de atraso de fase de sono e síndrome de avanço da fase de sono estão à nossa volta. Eles geralmente são os nossos primos adolescentes e nossos avós. A primeira destas síndromes é encontrada principalmente em adolescentes, já que o seu relógio interno é geralmente definido por ir para a cama um pouco mais tarde. Algumas pessoas que sofrem deste transtorno podem ficar acordadas por duas a quatro horas antes de finalmente caírem no sono. Geralmente, é mais difícil acordá-las pela manhã – como sabe qualquer um que já tentou tirar da cama alguém de 14 anos.
A fadiga e o cansaço se devem principalmente ao sono insuficiente causado pela escolha de muitos de ficar acordado até tarde e também por terem maus hábitos de sono. Mais recentemente, o abuso do uso de telefone celular entre os adolescentes tornou ainda mais fácil para eles ficarem alertas e não irem para a cama em um momento que lhes permitiria ter a quantidade adequada de sono para funcionar no período da manhã. Não surpreendentemente, as pessoas com síndrome de atraso de fase de sono geralmente se consideram “notívagos”.

11.005 – Neurologia – Benefícios do Bom sono


sono

A falta de sono afeta tanta gente que já vem sendo chamada de epidemia. Só nos Estados Unidos, a privação de descanso afeta o trabalho de 160 milhões de pessoas, vítimas da pressão cultural pela redução do tempo que passam na cama. Nos últimos 100 anos, o homem moderno perdeu, em média, 90 minutos de sono por noite, roubados pela difusão da luz elétrica, pela industrialização, pelas longas jornadas de trabalho. Em 1910, dormia-se nove horas em média. Hoje, são 7,5 horas. Pode-se argumentar que, de lá para cá, a expectativa de vida dobrou. No Brasil, de 33,7 anos, em 1900, para 68 anos, em 1999. A verdade é que a evolução da expectativa de vida envolve outras variáveis, como a cura de doenças e a melhoria das condições sanitárias.
Isolado, porém, o sono é determinante para a longevidade, como comprova uma pesquisa publicada no ano passado por médicos da Universidade de Nagoya, Japão. Eles estudaram por 12 anos um grupo de 5 000 habitantes da cidade de Gifu. A pesquisa analisou apenas os hábitos de sono do grupo e revelou que o risco de morte para quem dorme menos de sete horas diárias é quase duas vezes maior que o das pessoas cujo descanso varia entre sete e dez horas.
“O sono é o mais importante indicador de quanto tempo uma pessoa viverá. Mais importante até que seus hábitos de risco, como tabagismo e sedentarismo, ou alguns níveis metabólicos vitais como pressão arterial e nível de colesterol no sangue”, diz William Dement, fundador do primeiro centro de estudos do sono, na Universidade de Stanford, Estados Unidos.

Mais sobre o sono
Uma proteína desconhecida até três anos atrás pode ajudar a desvendar um dos maiores empecilhos à produtividade do ser humano: aquele sono irresistível depois do almoço.
De tão nova, a substância, produzida no hipotálamo, não tem nome definitivo: alguns cientistas chamam-na de hipocretina. Outros, de orexina. Agora está se pensando em batizá-la de agripinina.
Nomes à parte, o que importa é a ação da agripinina como neurotransmissor, responsável pela comunicação entre neurônios. Seu papel é estimular uma região do cérebro responsável por nos manter despertos. O elo desse processo com a alimentação é a leptina, uma enzima produzida pelo organismo quando comemos. A presença da leptina inibe a produção da agripinina, ou seja, quanto mais leptina no cérebro, menos agripinina, e maior o sono.
A proteína também está ajudando a ciência a elucidar um grave distúrbio do sono, a narcolepsia, que atinge uma em cada 2 000 pessoas e tem sintomas extravagantes: é a única que causa cataplexia, um sono repentino que acomete o doente em situações emotivas. Há casos de pessoas que caem no sono ao rir de uma piada ou durante uma discussão no trânsito. Detalhe: a pessoa não consegue se mexer, mas se mantém consciente.
“Quem não conhece meu problema acha que estou dormindo, mas em segundos eu desperto e acompanho a conversa normalmente, porque estava ouvindo tudo”, diz o advogado João José Pedro Frageti, que, antes de ser diagnosticado, procurou ajuda em centros espíritas. Em média, os portadores de narcolepsia levam 14 anos para descobrir o mal que os aflige. Os narcolépticos também sofrem de um tipo de paralisia durante o sono. A pessoa acorda, mas não consegue se mexer, porque a resposta muscular está cortada. Pesquisas recentes realizadas pelas universidades de Stanford e Chicago descobriram que 90% dos pacientes têm um defeito genético. “O desafio agora é sintetizar uma substância que imite seu efeito”, afirma o biólogo Mário Pedrazzoli, um dos autores do estudo da Universidade de Stanford.
Dormindo com o inimigo
Em 100 anos de estudo, os cientistas já descreveram mais de 80 distúrbios ligados ao sono. Desde insônias passageiras até doenças que culminam com a morte. Conheça os problemas mais comuns

Apnéia obstrutiva do sono – Um problema simples com conseqüências graves. A apnéia tem como causa uma obstrução da passagem do ar durante o sono devido ao relaxamento dos tecidos da faringe ou pela língua. Sufocada, a pessoa acorda por alguns segundos, respira e volta a dormir, em um ciclo sono-despertar que se repete às vezes mais de 80 vezes por hora, causando sonolência durante o dia. A cada sufocamento, a oxigenação do sangue diminui, exigindo uma compensação do coração. Resultado: taquicardia, arritmia e pressão alta. Há outras conseqüências: ao tentar respirar, o paciente acaba por sugar o conteúdo do estômago, causando irritação no esôfago. Pode ser tratada por cirurgia, aparelhos para facilitar a respiração ou mudanças de hábitos de sono.
Insônia – É a percepção de que o sono não foi suficiente. Com essa definição abrangente, a insônia é o distúrbio mais comum: um terço da população sofre desse mal. Há várias causas, desde uma cama desconfortável até problemas psiquiátricos, passando pela mais comum delas: a ansiedade.
Jet-lag – Sonolência decorrente de mudança no fuso horário. Embora temporária, pode trazer grande prejuízo. Há casos de executivos que perderam negócios devido ao mau desempenho em reuniões. Para evitá-lo, o ideal seria começar a dormir antecipadamente no horário do local de destino. Experimentos recentes indicam que o viajante pode atenuar o problema se, alguns dias antes da viagem, passar a comer no horário das refeições de seu destino.
Sonambulismo – Está ligado a um determinado tipo de onda cerebral, as ondas delta, mais presentes no sono durante a infância, o que torna o sonambulismo um distúrbio típico entre crianças. Os cientistas aconselham a não acordar o sonâmbulo, para não deixá-lo confuso. Mas a lenda de que acordar um sonâmbulo pode matá-lo não passa disso mesmo: uma lenda.

10.715 – Evolução – Estudo de verme marinho ajuda a rastrear origens evolutivas do sono


o ciclo terrestre de dia e noite governa nossas vidas. Quando o sol se põe, a escuridão avança e desencadeia uma série de eventos moleculares que vão dos nossos olhos à glândula pineal, que secreta no cérebro um hormônio chamado melatonina. Quando a melatonina se fixa nos neurônios, ela altera o ritmo elétrico deles, guiando o nosso cérebro para o reino do sono.
Ao amanhecer, a luz solar elimina a melatonina, obrigando o cérebro a retornar ao seu padrão de vigília.
Os cientistas há muito se perguntam como esse ciclo começou. Um novo estudo sobre a melatonina sugere que ela apareceu evolutivamente cerca de 700 milhões de anos atrás. Os autores do estudo propõem que o nosso sono noturno evoluiu a partir das subidas e descidas de pequenos ancestrais oceânicos dos humanos, que nadavam no crepúsculo até a superfície do mar e depois afundavam, literalmente caindo no sono noite adentro.
Cientistas do Laboratório Europeu de Biologia Molecular, na Alemanha, estudaram a atividade de genes na produção de melatonina e de outras moléculas relacionadas ao sono. Nos últimos anos, eles compararam a atividade desses genes em vertebrados e num invertebrado com parentesco remoto conosco -um verme marinho chamado “Platynereis dumerilii”.
Os cientistas estudaram os vermes quando eram larvas de 2 dias de idade. Muitos deles passam as noites perto da superfície do oceano, alimentando-se de algas e outros pedacinhos de comida. Em seguida, eles passam o dia em lugares mais profundos, onde podem se esconder de predadores e dos raios ultravioletas do sol.
Maria Antonietta Tosches e seus colegas descobriram que algumas células nas larvas produzem proteínas captadoras de luz -as mesmas que produzimos em nossos olhos para ligar e desligar a fabricação de melatonina. Tosches e seus colegas descobriram que os vermes não produzem melatonina o tempo todo, apenas durante a noite, assim como nós.
Os vermes se movimentam batendo minúsculos cílios para frente e para trás. Durante o dia, eles sobem à superfície marinha. Ao chegarem lá, o sol já ficou tão fraco que eles começam a produzir melatonina.
O hormônio se agarra aos neurônios que controlam os cílios vibratórios, induzindo-os a produzirem um ritmo constante de descargas elétricas. Essas descargas se sobrepõem à vibração dos cílios, fazendo-os congelar e, consequentemente, levando o verme a descer.
O novo estudo pode ajudar a explicar como o sono nos isola do mundo. Quando estamos acordados, os sinais dos nossos olhos e dos demais sentidos passam pelo tálamo, uma porta de entrada no cérebro. A melatonina desativa o tálamo.

10.357- O que é a paralisia do sono?


É quando o cérebro acorda, mas os músculos não, e você não consegue se mexer. Ela acontece quando a pessoa desperta durante o REM – a fase mais leve do sono, que ocorre várias vezes durante a noite. No breve período de paralisia, que dura apenas alguns minutos, a pessoa acorda e fica completamente consciente de si mesma e de seus arredores, mas seus músculos permanecem dormentes. Por isso, é incapaz de se mexer. Apesar de causar uma sensação aflitiva, o problema não deixa sequelas e é bastante comum. Cerca de 7,6% dos pesquisados disse ter experimentado-o pelo menos uma vez na vida. Entre estudantes, a porcentagem de casos relatados aumenta para 28,3%.
A paralisia pode ser sintoma de algum distúrbio de sono, como a narcolepsia, mas não necessariamente – qualquer um pode vivenciá-la. Falta de sono, estresse e cansaço aumentam as chances. Estatísticas mostram que rola com mais frequência em quem sofre de ansiedade e estresse pós-traumático
Quando a pessoa adormece, o cérebro desliga algumas funções motoras. É por isso que, durante os sonhos, seu corpo não se mexe na vida real. Às vezes, esse mecanismo falha, e é daí que vem o sonambulismo. Na paralisia, o cérebro acorda, mas as funções motoras demoram um pouco para voltar
Mesmo com seus sentidos ativos, a pessoa não consegue se mexer, abrir os olhos ou falar. Mas o pior é, em alguns casos, a sensação de não estar sozinho. O mais comum é sentir uma presença ameaçadora. Por terem essa alucinação, pessoas que creem no sobrenatural juramter visto demônios ou alienígenas
A duração média de um episódio de paralisia do sono é de apenas quatro minutos – depois, a função motora volta a funcionar normalmente. A não ser que alguém o desperte, a única forma de “acordar” seu corpo é esperar que os músculos voltem a responder sozinhos. O jeito é ficar calmo.

9714 – Megacurtíssimas – Bebês ouvem sons enquanto dormem


Um recém-nascido chega a dormir 18 horas por dia. Só que continua ligado – e ouvindo tudo o que está sendo dito à sua volta. Cientistas da King’s College, em Londres, monitoraram o cérebro de 21 bebês de 3 a 7 meses de idade enquanto eles dormiam, e chegaram a uma conclusão surpreendente: o cérebro dos bebês adormecidos capta e processa os ruídos externos, e é inclusive capaz de diferenciar entre sons positivos (como risos) e negativos (como discussões). Os pesquisadores ainda não sabem dizer por que isso acontece.

9438 – Saúde – Cuidado com a Poluição Sonora


Materia original

Sons urbanos fazem mal à saúde. Segundo a OMS, ruídos constantes acima de 55 db de dia ou 40 db à noite são nocivos. Ruas movimentas, carros, motos, trator, britadeira e outros ruídos poluem o ambiente. Tentar abafar usando fones com música alta, piora o problema. Além de surdez crônica, o barulho causa outros riscos como doenças cardiovasculares, derrames, infarto e hipertensão. As mulheres particularmente são mais vulneráveis ao problema. À noite, para que se tenha um sono realmente restaurador, o ideal é que os ruídos do ambiente não ultrapassem 35 db. Sono fragmentado aumenta a pressão arterial.

9433 – Da Vinci – Insônia e Genialidade


leonardo

Segundo a lenda, o italiano Leonardo da Vinci (1452-1519) teve bastante tempo – e genialidade – para suas inúmeras invenções e obras de arte porque dormia irrisórios noventa minutos por ida, divididos em sonecas de 15 minutos a cada quatro horas. Pelo sim, pelo não, cientistas do Instituto de Fisiologia Circadiana (que trata do ciclo biológico do homem) em Boston, Estados Unidos, resolveram conferir os efeitos de uma dieta de sono sobre o desempenho intelectual. Voluntários de 27 anos foram induzidos durante nove dias a repousar como, supõe-se, fazia Da Vinci. Depois, submeteram-se a testes de raciocínio, cálculo e memória.

Para surpresa dos pesquisadores, a diminuição drástica do sono pareceu não alterar o desempenho.
É um resultado possível, porque os voluntários eram jovens e, além disso, estavam psicologicamente preparados, ou seja, sabiam que a dieta do sono não duraria muito tempo.
Mas ninguém se torna um gênio ao abrir mão do sono: ao contrário, depois de certo tempo de privação, o desempenho físico e mental sempre cai.

9206 – Medicina – Durma de lado, a sua coluna agradece


A chave da questão é garantir que a espinha permaneça o mais ereta possível. Para isso, existem duas posições especialmente recomendadas. A primeira é deitar de lado, o que exige cuidado na escolha do travesseiro. Ele tem que acomodar a cabeça de forma que ela acompanhe a altura da coluna – não pode, portanto, ser nem muito alto nem muito baixo. A posição fica melhor ainda com outro travesseiro entre os joelhos, para ajustar os quadris, também mantendo-os alinhados com a espinha. A segunda opção é dormir com a barriga para cima. Nesse caso, porém, o travesseiro deve ser mais baixo, apenas para apoiar a cabeça. “Se a pessoa sente alguma dor, pode colocar um travesseiro sob os joelhos. Isso faz com que a coluna fique mais ereta ainda”, afirma um ortopedista do Hospital das Clínicas de São Paulo. Esses cuidados, porém, não adiantarão nada se o colchão estiver com a espuma ou com as molas desgastadas.
“O ideal é um colchão de espuma bem firme, cuja densidade esteja de acordo com o peso e a altura da pessoa. Se ele for de molas, deve ser trocado assim que apresentar sinais de desgaste”.
Em contrapartida, a pior posição para dormir é deitado de bruços, o que deixa a espinha completamente encurvada, do pescoço até a região lombar, causando torcicolo e dor de cabeça, além de dores acentuadas na coluna. A longo prazo, a curvatura constante das vértebras acaba comprimindo e desgastando os amortecedores entre elas, resultando na dolorosa hérnia de disco.
O travesseiro não pode ser nem muito alto e nem muito baixo. Ele deve acomodar o pescoço alinhado com a coluna
O travesseiro por baixo das pernas causa uma leve flexão dos joelhos, deixando a coluna na posição correta
Também é recomendável colocar um travesseiro entre as pernas. Ele ajeita os quadris deixando a coluna mais ereta.

9125 – Sono ajuda o cérebro a eliminar toxinas


sono
Um experimento com roedores mostrou que o sono é essencial para limpar toxinas acumuladas no cérebro durante o dia. Quando dormimos, células nervosas diminuem, abrindo espaço para fluidos fazerem, literalmente, uma lavagem cerebral.
A descoberta foi feita no laboratório de cientistas da Universidade de Rochester, nos EUA, que usaram uma técnica sofisticada de microscopia a laser para observar tecidos de animais vivos.
As toxinas que se acumulam regularmente no cérebro resultam do funcionamento normal do órgão e precisam ser eliminadas alguma hora.
Ao comparar camundongos acordados com adormecidos, os pesquisadores mostraram que o fluido cerebrospinal –líquido que permeia o cérebro– passa com mais liberdade pelo cérebro durante o período de sono. Isso pode ser uma das principais razões pelas quais dormir é essencial para muitos animais.
No trabalho, a cientista mostrou que uma das moléculas varridas pelo fluido cerebral na hora da limpeza é a beta-amiloide –proteína ligada ao mal de Alzheimer quando se acumula demais.
“A doença de Alzheimer está associada à perturbação do sono”. “A falta de espaço intersticial [lacunas entre células] pode causar o acúmulo de lixo metabólico e danificar o cérebro.”
Suzana Herculano-Houzel, professora da UFRJ e colunista da Folha, escreveu para a “Science” um artigo comentando o estudo de Xie. Para ela, a descoberta complementa o que já se conhece sobre o papel do sono, como a consolidação das sinapses (conexões entre diferentes neurônios).
Segundo a cientista, o experimento pode explicar por que animais pequenos, como o morcego, dormem 20 horas diárias, enquanto elefantes só precisam de quatro horas. “Cérebros maiores devem ter um volume de espaço intersticial maior para armazenar moléculas indutoras do sono e, assim, suportariam períodos maiores acordados”.

9073 – Mega Notícias – Tirosina contra a Narcolepsia


Incontroláveis bocejos denunciam o desejo de dormir, ao qual se sucumbe não importa a hora nem o lugar. Trata-se da narcolepsia, doença neurológica a cujas vítimas a ciência oferece um único remédio: tomar estimulantes, drogas que afugentam o sono, mas a longo prazo podem causar dependência e problemas cardíacos. É compreensível, portanto, o alarde que cientistas franceses provocaram ao anunciar recentemente que oito pacientes se livraram da sonolência depois de medicados com tirosina, uma proteína presente em pequenas doses no leite e na carne vermelha.
No entanto, um neurologista, do Laboratório do Sono do Hospital Albert Einstein em São Paulo, lembrou que outras proteínas já foram testadas com igual otimismo e mais tarde se revelaram inócuas. Suspeita-se que na vítima de narcolepsia, justamente nas áreas do cérebro que mantêm a pessoa alerta, exista uma espécie de mau contato entre as células, por falta de proteínas neurotransmissoras. Reimão prescreve cautela: “É preciso que muitas pessoas tomem a proteína tirosina regularmente para confirmar o seu efeito”.

8989 – Neurociência – Estudo indica que fobia pode ser tratada durante o sono


Ser exposto durante o sono a uma memória que causa muito medo (uma fobia) pode ajudar a reduzir o trauma. É o que indica um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, e publicado no periódico Nature Neuroscience. De acordo com os cientistas, essa foi a primeira vez que a memória emocional foi manipulada em humanos durante o sono. A descoberta pode contribuir para a terapia de exposição, um tratamento comum para fobias, mas que costuma ser realizado apenas com o paciente desperto — nele, há uma exposição gradual do objeto ou da situação que provoca temor, até que o trauma seja superado.
O estudo foi realizado em duas etapas com 15 voluntários. Em um primeiro momento, os voluntários tiveram de observar dois rostos distintos enquanto recebiam pequenos choques elétricos. Eles também foram expostos a um odor específico ao ver cada um, de forma que o rosto e o cheiro fossem associados ao medo — no caso, de receber um choque. O medo foi medido de duas maneiras: através da quantidade de suor na pele e por meio de imagens de ressonância magnética.

Na segunda etapa da pesquisa, o foco era ‘apagar’ ou reduzir o medo criado previamente. Assim, cada pessoa foi exposta, enquanto dormia, a um dos dois odores que tinham sido usados no “treinamento”. Isso ocorreu durante o sono de ondas lentas, fase relacionada à consolidação da memória.
Ao acordar, os participantes foram expostos novamente aos dois rostos. Quando eles viram a face relacionada ao cheiro ao qual tinham sido expostos durante o sono, suas reações de medo foram menores do que as reações ao outro rosto. “Mostramos uma redução pequena, mas significativa do medo. Se isso puder ser estendido a um medo que já existia, talvez o tratamento de fobias possa ser melhorado durante o sono”.

8703 – Relógio Biológico – Faz mal dormir de luz acesa?


A luz atrapalha o sono profundo. Mesmo com o olho fechado, a luminosidade é capaz de atravessar a pálpebra, que é um tecido muito fino, e chegar ao sistema nervoso central. Quando o ambiente está escuro, a glândula pineal, que fica dentro do cérebro, produz uma substância chamada melatonina. Entre outras coisas ela é responsável por induzir o organismo ao sono profundo. Quando há muita luz, tal substância praticamente para de ser secretada pela glândula. Por isso o sono fica superficial e o dorminhoco acorda facilmente. O homem provavelmente desenvolveu tal adaptação quando ainda morava nas cavernas. A noite, no escuro, era o pior momento para caçar porque a maioria dos animais podia ver muito melhor do que ele. A característica se manteve ao longo da evolução de nossa espécie.

8683 – Corpo Humano no Limite – Em quanto tempo uma pessoa pode morrer de falta de sono?


Em geral, o pior dos insones acaba dormindo, uma hora ou outra. E a falta de sono não é como sede ou fome – ela pode até debilitar fatalmente, mas por um efeito cumulativo bem mais lento. Por exemplo: existe um grupo de não mais de 100 pessoas no mundo com uma insônia tão grave que os leva à morte em cerca de dois anos. É a insônia fatal familiar, que causa alucinações, crises de pânico e demência. Já a falta de sono de qualidade (que acomete muito mais gente) pode contribuir para a morte indiretamente, pois deixa a pessoa mais propensa a ter diabetes e hipertensão.

Mas e os recordes? Bem, em laboratório, ratos aguentaram ficar até 32 dias acordados num experimento conduzido nos anos 80 por Allan Rechtschaffen, da Universidade de Chicago. Depois morreram – não se sabe se por hipotermia, infecção por bactérias do intestino (algo comum em organismos com sistema imunológico debilitado), danos cerebrais ou níveis extremos de estresse. Não dá para garantir, mas é possível que o mesmo aconteça com humanos. Entre nós, o caso de privação total de sono (voluntária) mais longo de que se tem notícia aconteceu em 1963, nos EUA. Randy Gardner, de 17 anos, passou 11 dias sem dormir, durante um concurso de dança. Desde o segundo dia, ele já não enxergava bem. Mas o tempo de insônia acumulado não foi suficiente para causar danos neurológicos ou psiquiátricos.

Diário de um insone
O que acontece no corpo quando fica sem dormir.

1º dia Os níveis de cortisol – conhecido como hormônio do estresse – e o de hormônio estimulante da tireoide aumentam, e, com eles, sobe a pressão arterial.
2º ou 3º dia A glicose para de ser metabolizada normalmente. A temperatura corporal e a imunidade diminuem.
4º dia Podem acontecer alucinações.

8242 – Novos estudos ligam apneia do sono à asma e ao Alzheimer


Três estudos que serão apresentados durante a Conferência Internacional da Sociedade Americana Torácica, que acontece na Filadélfia, Estados Unidos, lançam luz sobre causas e complicações da apneia do sono. As novas pesquisas, feitas em instituições americanas, revelam, por exemplo, que a asma pode ser considerada como um fator de risco para o surgimento do problema. Além disso, um dos trabalhos descobriu que testes que avaliam a capacidade cardíaca podem ajudar os médicos a identificar quais pacientes com apneia do sono correm maior risco de vida (é conhecida a relação entre apneia e doenças do coração). Um terceiro estudo identificou uma possível ligação entre o distúrbio do sono e a doença de Alzheimer.
A apneia é a forma mais comum dos distúrbios respiratórios do sono, e acontece quando a respiração é bloqueada, deixando a pessoa sem ar e provocando ronco e a interrupção do sono. O problema é associado à obesidade, diabetes, pressão alta, ataques cardíacos e derrames. Pesquisas anteriores já associaram esse tipo de desordem também a doenças cardiovasculares, depressão e câncer. A apneia obstrutiva do sono é a forma mais comum do distúrbio, e ocorre quando há uma obstrução na garganta ou nas vias respiratórias superiores.
Os autores do estudo analisaram os prontuários de 1.533 pacientes com apneia do sono que foram submetidos a um teste ergométrico (ou de esforço). Esse teste mede a capacidade cardiorrespiratória de uma pessoa, avaliando a quantidade de stress que seu coração consegue suportar sem que desenvolva uma arritmia cardíaca ou uma cardiopatia isquêmica (quando o fluxo sanguíneo que chega ao músculo cardíaco é insuficiente). No exame, o paciente geralmente é orientado a se exercitar em uma bicicleta ergométrica ou em uma esteira, e seu coração é monitorado por eletrocardiograma. Depois, os pesquisadores compararam o risco de vida entre os pacientes com e sem capacidade funcional cardíaca prejudicada. Sabe-se que a apneia do sono é um fator de risco para doenças cardíacas.

Conclusão: Pacientes com apneia do sono que apresentavam a capacidade funcional cardíaca prejudicada apresentaram um risco cinco vezes maior de morrer do que pessoas com apneia do sono, mas com uma capacidade cardíaca normal. Para os autores do estudo, essas informações são importantes por mostrarem que o teste ergométrico pode ser fundamental para ajudar os médicos a identificar, entre pacientes com apneia do sono, quais são aqueles que correm maior risco de vida.