14.322 – Instituições Científicas – Laboratório Cavendish


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Pertencem ao departamento de física da Universidade de Cambridge. Fazem parte da escola de Ciências Físicas e foram construídos em 1873 como laboratórios de formação de estudantes. No início os laboratórios estavam instalados no centro de Cambridge, porém, por falta de espaço foram deslocados na década de 70 para a zona ocidental de Cambridge.
O departamento recebeu seu nome de Henry Cavendish, um famoso cientista e membro de um ramo da família Cavendish relacionada com os duques de Devonshire. Um dos membros desta família, William Cavendish, 7º Duque de Devonshire, foi reitor da Universidade e, deu o nome do seu parente ao laboratório depois de o fundar e doar fundos para a sua construção, tendo ainda nomeado a James Maxwell como primeiro diretor.
Até agora 28 cientistas dos Laboratórios Cavendish já foram laureados com prêmio Nobel.

Lord Rayleigh (Física, 1904)
Sir J.J. Thomson (Física, 1906)
Lord Ernest Rutherford (Química, 1908)
Sir Lawrence Bragg (Física, 1915)
Charles Barkla (Física, 1917)
Francis Aston (Química, 1922)
Charles Wilson (Física, 1927)
Arthur Compton (Física, 1927)
Sir Owen Richardson (Física, 1928)
Sir James Chadwick (Física, 1935)
Sir George Thomson (Física, 1937)
Sir Edward Appleton (Física, 1947)
Lord Patrick Blackett (Física, 1948)
Sir John Cockcroft (Física, 1951)
Ernest Walton (Física, 1951)
Francis Crick (Medicina, 1962)
James Watson (Medicine, 1962)
Max Perutz (Química, 1962)
Sir John Kendrew (Química, 1962)
Dorothy Hodgkin (Química, 1964)
Brian Josephson (Física, 1973)
Sir Martin Ryle (Física, 1974)
Anthony Hewish (Física, 1974)
Sir Nevill Mott (Física, 1977)
Philip Anderson (Física, 1977)
Pjotr Kapitsa (Física, 1978)
Allan Cormack (Medicina, 1979)
Sir Aaron Klug (Química, 1982)
Norman Ramsey (Física, 1989)
Os Laboratórios Cavendish tem tido uma importante influência no desenvolvimento da Biologia, sobretudo, graças a aplicação da cristalografia de raios X no estudo das estruturas da biomoléculas como, por exemplo, o DNA.
Outras áreas nas quais os laboratórios tem sido influentes desde 1950 são as seguintes:
Supercondutividade ( Brian Pippard );
Microscopia eletrônica de alta voltagem;
Radioastronomia ( Martin Ryle e Antony Hewish) com radiotelescópios

Um Pouco Mais
Endereço: Madingley Road. Cambridge CB3 0HE
Tel.: +44 1223 337200
Museu: www-outreach.phy.cam.ac.uk/camphy – A história do laboratório, suas descobertas e a biografia de cientistas como Rutherford e Thomson. Há um tour virtual do museu, com equipamentos como o tubo de vidro com que Thomson descobriu o elétron e o acelerador de partículas utilizado na primeira divisão artificial completa do átomo.
Biblioteca Rayleigh: http://www.phy.cam.ac.uk/cavendish/library – Um dos principais acervos de física no Reino Unido. Tem 18 mil volumes e livros históricos, como originais de James Clerk Maxwell (1831-1879), o primeiro diretor de Cavendish, famoso por formular leis para o eletromagnetismo e a termodinâmica
Mark Krebs, departamento de Biofísica
Do DNA às Proteínas

Em 1953, Francis Crick entra no Eagle, pub próximo de Cavendish, e grita: “Descobrimos o segredo da vida”. Era o anúncio inédito de uma das maiores conquistas da história da ciência: a descoberta por Crick e James Watson, ambos de Cavendish, da estrutura do DNA, estrutura que guarda a informação genética em todos os seres vivos. Hoje, o químico Mark Krebs vai de bicicleta a Cavendish para pesquisar a mesma área. O desafio agora é descobrir como se formam as proteínas.
Como sua pesquisa pode ajudar a medicina?
R:Tentamos entender por que as proteínas se agregam quando sujeitas a condições como o aumento da temperatura. A insulina, por exemplo, forma uma estrutura comprida, parecida com um espaguete. E proteínas com essa mesma forma são encontradas no cérebro de vítimas do mal da vaca louca e de Alzheimer. Se entendermos como elas se formam, será mais fácil prevenir essas doenças degenerativas. Também estudo uma proteína do leite que dá origem a um gel quando aquecida. Serve para cultivar células que podem recuperar tecidos. Se, por exemplo, alguém quebrar o pescoço, a idéia é, no futuro, injetar essa solução de proteínas para estimular células que regenerem os nervos da região.
O que Cavendish hoje tem em comum com o laboratório de Watson e Crick?
R: Trabalhar aqui continua estimulante porque convivemos com ótimos cientistas. Mas algumas coisas mudaram. Para descobrir a estrutura do DNA, Watson e Crick passaram muito tempo processando dados que obtiveram com imagens de raios X e fazendo cálculos manualmente. Hoje, com os computadores, os cálculos são bem mais rápidos e a análise de imagens dos microscópios eletrônicos é muito mais fácil.
David Munday, departamento de Física de Partículas

Botando para quebrar
Em 1897, o físico J.J. Thomson fez o primeiro grande achado de Cavendish: o elétron. Nos anos seguintes, outras pesquisas levaram à descoberta do nêutron e à primeira divisão de um átomo com um acelerador de partículas. Hoje, Cavendish continua a buscar os ingredientes da matéria. Ele está envolvido na construção do maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, um túnel de 27 quilômetros entre a Suíça e a França. É para lá que David Munday viaja duas vezes por mês.
O que o LHC pode revelar?
R: Logo após o Big Bang, partículas se moviam com energia extraordinariamente alta numa área muito pequena, pois o Universo era bem menor. Vamos reproduzir o estado do Universo menos de um bilionésimo de segundo depois do Big Bang no LHC acelerando e colidindo prótons vindos de direções opostas.

Que resultado esperam?
R: Muitas partículas vão surgir da colisão, talvez até algumas desconhecidas. Estamos particularmente interessados no bóson de Higgs, que em teoria seria responsável por agregar massa às outras partículas. A teoria prevê sua existência. Mas, na prática, até agora nunca se viu um deles.

O que mudou no Cavendish desde a descoberta do elétron?
R: Além de contar com novas tecnologias, hoje temos muito mais colaboração internacional. Mas nem tudo mudou por aqui. Até hoje, todo dia, às 11 da manhã, nós do grupo de física de partículas nos encontramos para tomar café. É uma tradição que começou nos tempos em que Thomson descobriu o elétron. A gente aproveita para falar de tudo: do tempo à ciência. É bom porque fortalece o espírito de equipe e também dá um pouco de descanso para o cérebro.
Paul Alexander*, departamento de Astrofísica

Achar o pulsar
Em 1967, a estudante de doutorado em Cavendish Jocelyn Bell e Antony Hewish, seu orientador, acharam por acaso um tipo novo de estrela, sem brilho, mas que pulsava quando vista por radiotelescópios. Foi a descoberta dos pulsares, que rendeu um Prêmio Nobel a Hewish e deu origem à controvérsia de por que Bell não teria sido premiada. Os radiotelescópios hoje são usados no laboratório para descobrir a origem de estrelas, como explica o físico Paul Alexander.
Qual é o objeto de sua pesquisa?
R: Queremos saber como, quando e por que estrelas se formam. Em algumas galáxias, elas surgiram logo nos primeiros estágios do Universo. Em outras, estão aparecendo ainda. Queremos entender o porquê dessas diferenças. Também precisamos saber como a interação entre galáxias contribui para a formação de estrelas. Há pouco tempo, descobrimos aqui que galáxias não muito próximas se influenciam via gravidade e que isso pode desengatilhar o processo de formação de novas estrelas.

Que equipamentos você utiliza?
R: Costumo usar dados de radiotelescópios de Manchester e do Havaí. Com a internet, também temos acesso a informações de outros radiotelescópios pelo mundo. Esse tipo de equipamento é importante porque possibilita observar gases, a matéria-prima para a formação das estrelas.

Quais os planos para o futuro?
R: Estou envolvido no projeto para a construção do SKA, um telescópio internacional 100 vezes maior do que os de hoje, que deverá estar pronto em 2015. Com ele, meu grupo quer estudar a evolução do hidrogênio, o gás mais comum do Universo. Como observaremos enormes distâncias, poderemos ver o que ocorreu com o hidrogênio logo nos primeiros estágios da história do Universo.

14.202 – Astronomia – O Observatório Nacional


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Trata-se de uma instituição científica localizada no número 77 da rua General José Cristino, no bairro imperial de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil.
Criado em 1827. A sua finalidade inicial foi a de orientar os estudos geográficos do território brasileiro e o ensino da navegação. Em nossos dias, desenvolve pesquisas, ensino e prestação de serviços tecnológicos, sendo responsável pela geração, distribuição e conservação da Hora Legal Brasileira e por diversas pesquisas e estudos em astronomia, astrofísica e geofísica. Oferece cursos de pós-graduação com mestrado e doutorado nessas áreas. Criou, entre outros institutos, a meteorologia (1909), o Laboratório Nacional de Astrofísica (1980), anteriormente Observatório Astrofísico Brasileiro e o Museu de Astronomia e Ciências Afins (1985).
A observação astronómica no Brasil remonta à época colonial. De acordo com o padre Serafim Leite, os jesuítas instalaram um observatório em seu colégio no Rio de Janeiro, no morro do Castelo em 1730. No mesmo local, em 1780, os astrônomos portugueses Sanches d’Orta e Oliveira Barbosa montaram um observatório e passaram a realizar observações regulares de astronomia, meteorologia e magnetismo terrestre. Com a transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808, o acervo desse observatório foi transferido para a Academia Real Militar.
No começo do século findo esta cidade do Rio de Janeiro, com o influxo da Independência, havia tomado um grande desenvolvimento comercial e seu porto era um dos mais frequentados por numerosas embarcações, cujos capitães tinham necessidade de conhecer a declinação magnética, assim como a hora média, e a longitude, para regular seus cronômetros, a fim de poder empreender com segurança a viagem de retorno ou de continuá-la ao redor do mundo. Habitualmente as operações astronômicas necessárias à obtenção daqueles dados eram efetuadas com maior ou menor facilidade por processos aproximados, pelos comandantes de navios ou pelo oficial encarregado da navegação. Mas, muitos desses elementos poderiam ser obtidos com mais exatidão e facilidade por profissionais, providos de instrumentos instalados em um Observatório, e capazes, pela sua instrução especial e guiados pela experiência, de obtê-las com maior exatidão e segurança. Da mesma maneira, havia necessidade de conhecer os elementos geográficos de pontos do território, para construir a indispensável carta.
— H. Morize in Observatório Astronômico: um século de história 1827-1927
Em 27 de setembro de 1827, a Assembleia Geral Legislativa do Império, autorizou o governo a criar um Observatório Astronômico no âmbito do Ministério do Império e, em 15 de outubro de 1827, o imperador dom Pedro I decretou a sua criação. Ele foi instalado no torreão da Escola Militar, tendo sido dirigido, inicialmente, pelo professor de matemática Pedro de Alcântara Bellegarde.
Em 1845, o então Ministro da Guerra, Jerônimo Francisco Coelho, reorganizou a instituição como Imperial Observatório do Rio de Janeiro, quando assumiu, no cargo de diretor, o professor Soulier de Sauve, da Escola Militar, que o transferiu para a Fortaleza da Conceição e, em 1846, teve o seu primeiro Regulamento aprovado por decreto.
Entre 1846 e 1850, o diretor Soulier transferiu novamente o Observatório, dessa vez para as antigas instalações de uma igreja no Morro do Castelo, onde permaneceu até 1920. Após o falecimento de Soulier em 1850, o tenente-coronel engenheiro Antônio Manoel de Mello, também professor da Escola Militar, foi nomeado diretor, permanecendo no cargo até 1865, quando foi substituído pelo capitão-tenente Antônio Joaquim Cruvelo d’Avila. Nesse mesmo ano, o Observatório passou a ser subordinado da Escola Central, que foi desmembrada da Escola Militar, permanecendo nessa condição até 1871, quando foi criada a Comissão Administrativa do Imperial Observatório do Rio de Janeiro. Foi nomeado, para a direção, o cientista francês Emmanuel Liais, permanecendo em sua direção por dois períodos de gestão, de janeiro a julho de 1871 e de 1874 a 1881. Entre 1871 e 1874, Camilo Maria Ferreira Armond, Visconde de Prados, esteve à frente da direção.
Entre 1827 a 1871, o Observatório quase exclusivamente foi voltado à instrução de alunos das escolas militares de terra e mar. No ano de 1871, foi retirado da égide militar e reorganizado para dedicar-se com exclusividade à pesquisa e prestação de serviços à sociedade nos campos da meteorologia, astronomia, geofísica e na medição do tempo e na determinação da hora.
O engenheiro militar e astrônomo belga Luís Cruls sucedeu Liais em 1881, permanecendo no cargo até 1908. Em 1888, o Parlamento aprovou uma verba para iniciar a construção do novo Observatório na Fazenda Imperial de Santa Cruz, mas, no ano seguinte à proclamação da República do Brasil, o Observatório voltou a ser subordinado ao Ministério da Guerra e teve sua denominação alterada para Observatório do Rio de Janeiro, tendo, como anexo, o Serviço Geográfico. Foi, então, abandonada a ideia da sua mudança para Santa Cruz. Após o falecimento de Cruls, em 1908, o astrônomo Henrique Charles Morize assumiu a direção.
Em 1909, através do decreto 7.672, de 18 de novembro, foi criado, no Ministério da Agricultura, a Diretoria de Meteorologia e Astronomia, à qual ficou subordinado o Observatório Nacional, e foi extinto o Observatório do Rio de Janeiro.
Em 28 de setembro de 1913, foi assinada a ata de lançamento da pedra fundamental do novo Observatório Nacional, no morro de São Januário, no Rio de Janeiro.
Em 1915, foi implantado o Observatório Magnético de Vassouras, no Rio de Janeiro, até hoje integrado à estrutura do ON.
Em 1921, a Diretoria de Meteorologia teve, separadas, as duas áreas que a compunham, dando origem a dois institutos: um dedicado à meteorologia, denominado Diretoria de Meteorologia, e outro à astronomia, geofísica e metrologia, que conservou o nome de Observatório Nacional. Nesse ano, recebeu a visita de Albert Einstein, durante sua estada no Brasil.
Em 1922, o ON foi transferido do Morro do Castelo, atual Esplanada do Castelo, para o Morro de São Januário, em São Cristóvão, onde atualmente ainda se encontra instalado. Foi o final de uma demanda iniciada por Liais, cinquenta anos antes, por instalações adequadas para o Observatório.
Em 1930, o Observatório Nacional passou a integrar o recém criado Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Em 1955, o ON ampliou sua atuação de pesquisa em magnetismo terrestre com o funcionamento um observatório na ilha de Tatuoca, na foz do Rio Amazonas.
Em 1972, a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) aprovou um projeto de instalação de um observatório astrofísico a ser instalado em Brasópolis, em Minas Gerais. Em 22 de abril de 1980, já se encontrava instalado e iniciando operações um refletor cassegrain-coudé, de 1,60 metros (diâmetro do espelho principal).[4] Em fevereiro de 1981, o doutor Luiz Muniz Barreto, diretor do ON, inaugurou as instalações com o nome de “Observatório Astrofísico Brasileiro” (OAB). Em 13 de março de 1985, o OAB foi desmembrado do ON, dando origem ao atual Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA).
Em 2003, foram inauguradas, no campus do ON, as novas instalações do Serviço da Hora, no Prédio Carlos Lacombe. Em maio de 2004, o ON deu início a um outro serviço, o Carimbo do Tempo.
Ao longo do século XX, o ON foi a instituição pioneira no Brasil nos seguintes campos do conhecimento e pesquisa:
Execução continuada de pesquisas astronômicas,
Levantamentos geofísicos do território nacional, além das primeiras medidas sismológicas do país e
Geração, manutenção e disseminação da Hora Legal Brasileira, definida em lei (Lei 2 784, de 18 de junho de 1913, regulamentada pelo Decreto 10 546, de 5 de novembro de 1913).
Em 1982, o CNPq criou o Projeto de Memória de Astronomia e de Ciências Afins, a fim de preservar a história da astronomia, geofísica, meteorologia, metrologia, física e química, que, no Brasil, tiveram, como instituto pioneiro, o ON. Em 1985, esse projeto deu lugar à criação do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), sem vinculação com o Observatório mas ocupando suas instalações originais, no Morro de São Januário. Com o museu, está a guarda de todo o acervo histórico do ON, incluindo lunetas, cúpulas e centenas de instrumentos. Esse acervo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC), sendo alvo de cuidados especiais para sua preservação.
O Observatório Nacional teve participação no cenário científico mundial com trabalhos que contribuíram para o conhecimento nas áreas de sua atuação. Entre esses trabalhos alguns se destacam como o da determinação da paralaxe solar, durante a passagem do planeta Vênus pelo disco do Sol, na Estação da Ilha de São Thomás, nas Antilhas, em 1882.
O Observatório Nacional, no século XIX, auxiliou no estabelecimento e demarcação de parte das fronteiras brasileiras e na expedição chefiada por Cruls realizada ao Brasil Central que, entre 1892 e 1896, serviu para a escolha do local aonde seria construída, anos mais tarde, a nova capital: Brasília.
Em 1919, coordenou a expedição inglesa, também com a participação americana, que documentou o eclipse total do Sol, em Sobral (Ceará). Fenômeno também observado na Ilha do Príncipe, que veio a comprovar a teoria da Relatividade de Einstein, ao se constatar o desvio sofrido pela luz das estrelas no fundo do céu, causado pelo forte campo gravitacional provocado pela massa do Sol.
As pesquisas atuais na área de geofísica dão ênfase na integração de vários métodos para o estudos geológicos do território brasileiro, se concentrando nas áreas classificadas como:
Geofísica da Terra Sólida,
Geofísica da Exploração e
Geofísica Aplicada.
As atividades técnico-científicas relacionadas à Geofísica são caracterizadas pela aquisição sistemática de dados geofísicos nos observatórios de Vassouras (RJ) e Tatuoca (foz do Rio Amazonas), contando também com o apoio das estações da Rede Geomagnética Brasileira, da Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira e da Estação Sismológica do Rio de Janeiro.
Essas medidas regulares do campo geomagnético, realizadas rotineiramente nas 110 estações da Rede Geomagnética e nos Observatórios, propiciam subsídios para a pesquisa básica no estudo da morfologia do campo geomagnético no Brasil e sua evolução temporal, servindo de apoio as áreas aplicadas tais como: a prospecção de minerais, água subterrânea e de petróleo; navegação; pesquisas espaciais, em especial a pesquisa sobre o eletrojato equatorial e anomalia magnética do Atlântico Sul.
A Rede Gravimétrica Fundamental Brasileira é composta por 520 pontos de medição distribuídos no país, servindo de base aos estudos do geoide, base fundamental da cartografia e prospecção mineral.
O ON possui um Programa de Pós-Graduação, credenciado pelo Conselho Federal de Educação, para a formação de Mestres e Doutores nas áreas de astronomia, astrofísica e geofísica. Atualmente, conta com mais de 170 dissertações/teses defendidas.
Em 1996, foi iniciado o Ciclo de Cursos Especiais com o objetivo de trazer aspectos atuais de diferentes áreas de astronomia e astrofísica, complementar a formação de alunos de pós-graduação e oferecer, aos recém-doutores e pesquisadores, oportunidade para atualizarem seus conhecimentos e interagirem com os convidados.
O Observatório Nacional organiza, desde 1997, o curso anual de Astronomia no Verão e Cursos de Atualização em astronomia e astrofísica, voltado para professores e estudantes de segundo grau e pessoas interessadas em conhecer o atual estágio das pesquisas observacionais e teóricas que estão sendo desenvolvidas em astronomia. Realiza também, anualmente, uma Escola de Verão em Astronomia e Geofísica para alunos de graduação e graduados nas áreas de ciências exatas e da terra.
Desde 2003, o curso a distância em astronomia e astrofísica, em nível de divulgação científica, é oferecido anualmente pela Divisão de Atividades Educacionais (DAED) do Observatório Nacional (ON). O seu principal objetivo é socializar o conhecimento científico através da Internet – veículo eletrônico que hoje é usado por grande parte da população. Este recurso permitiu que fosse alcançado todo o território nacional. Uma das grandes vantagens do curso a distância é permitir, a cada participante, definir o seu ritmo de estudo, avaliando o seu tempo disponível e programando, assim, a sua dedicação ao curso a qualquer hora. O conteúdo pode ser estudado diretamente no site do Observatório Nacional (online) ou ser copiado e estudado offline.
A proposta dos cursos promovidos pelo Observatório Nacional é possibilitar o acesso à informação científica correta, aproximar a sociedade de uma instituição de pesquisa e capacitar professores da rede de ensino, vetor fundamental para multiplicar o conhecimento adquirido.
Já foram ministrados cursos de astrofísica geral, astrofísica do Sistema Solar, evolução estelar e cosmologia, com mais de 42 000 alunos participantes.
A Biblioteca do Observatório Nacional, que iniciou a sua história em uma pequena parte da Escola Militar em 1826, possui um acervo especializado de aproximadamente 18 000 livros, 400 títulos de periódicos, teses e obras de referência nas áreas de astronomia, geofísica e ciências afins que auxiliam estudantes e pesquisadores nos seus estudos.

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13.361 – O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo


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A construção do Hospital das Clínicas foi planejada desde 1915, com a assinatura de um convênio entre o Governo do Estado de São Paulo e a Fundação Rockfeller, para a edificação da sede da Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Fazia parte deste acordo a construção de um hospital-escola para o aprimoramento dos estudantes e assistência médica gratuita à população carente da capital e do interior.
Em 25 de janeiro de 1928 foi lançada a pedra fundamental do edifício da Faculdade de Medicina, sendo esta inaugurada em 15 de março de 1931, à Estrada do Araçá, hoje Avenida Dr. Arnaldo.
Somente em 1938, na Interventoria Federal do Dr. Adhemar Pereira de Barros foi iniciada a construção do Hospital das Clínicas.
O HCFMUSP foi criado pelo Decreto nº 13.192, de 19 de janeiro de 1943 e desde a sua inauguração oficial, em 19 de abril de 1944, vem avançando e consolidando-se como centro de excelência e referência no campo de ensino, pesquisa e assistência.

Endereço:
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 255
Cerqueira César
05403-000
São Paulo – Brasil
Tel.: (0xx11) 2661-0000

Metrô Estação Clínicas – Linha Verde

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Inaugurado em 19 de abril de 1944, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – HCFMUSP é uma autarquia estadual vinculada à Secretaria de Estado da Saúde para fins de coordenação administrativa e associada à Faculdade de Medicina da USP para fins de ensino, pesquisa e prestação de ações e serviços de saúde de alta complexidade destinados à comunidade.

Instituto Central
Inaugurado em abril de 1944, o Instituto Central do Hospital das Clínicas (ICHC) deu origem ao HCFMUSP. Pioneiro em procedimentos médico-hospitalares, sua estrutura concentra a maior parte das especialidades do Complexo HC – 31 especialidades médicas e cirúrgicas – e conta com dois edifícios interligados: o precursor Edifício Central, com a Unidade de Emergência Referenciada; e o Prédio dos Ambulatórios (PAMB), inaugurado em 1981.

IC

Instituto de Psiquiatria
Concebido nos moldes internacionais das organizações hospitalares psiquiátricas, desde o seu início foi visto como um marco na psiquiatria paulista e brasileira, quando comparado às outras instituições destinadas ao mesmo atendimento.
Pioneiro na assistência, abrange todos os transtornos psiquiátricos, nas diferentes fases da vida, sendo a única unidade de internação no País especializada em crianças. Seu pioneirismo também se expressa na formação especializada de profissionais, nas diversas áreas de conhecimento das ciências da saúde. O atendimento não se concentra nas instalações hospitalares, pois, após a alta, o paciente pode seguir o tratamento em hospital-dia e nos inúmeros ambulatórios especializados, além de participar dos programas de treinamento e reinserção no trabalho, que facilitam a sua reintegração social.

Instituto da Criança
Inaugurado em agosto de 1976, o Instituto da Criança (ICr), referência nacional em saúde infantil, reúne 20 especialidades pediátricas, provendo atendimento de alta complexidade ao recém-nascido, à criança e ao adolescente. Considerando como prioridade o atendimento global, integra a visão biológica, psicológica e social do paciente, o que se revela no pioneirismo em projetos de Humanização desde a sua concepção (década de 70), propiciando a permanência dos pais e/ou responsáveis, em tempo integral, durante a internação, antes mesmo da edição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Instituto do Coração
O InCor é hoje um dos maiores centros cardiológicos do mundo em volume de atendimento e em número de subespecialidades da cardiologia e da pneumologia.
Por meio da ação integrada das equipes multiprofissionais e da adoção dos mais modernos recursos de procedimentos diagnósticos e terapêuticos, o Instituto oferece assistência ambulatorial e de internação, além de uma Unidade de Emergência Referenciada, que conta com o sistema de classificação de risco cardiológico, seguindo protocolos internacionais para priorizar os casos de maior gravidade.

Instituto de Ortopedia e Traumatologia
O IOT presta atendimento especializado a pacientes com afecções ortopédicas e traumatológicas, sendo centro de referência para lesões raquimedulares, reimplantes de membros, reconstruções com endopróteses ou com banco de tecidos nas grandes ressecções de tumores.

Instituto de Radiologia
O Instituto é reconhecido, nacional e internacionalmente, como centro de excelência em métodos e procedimentos diagnósticos e terapêuticos por imagem, em radiologia intervencionista e em medicina nuclear.
Constituído de dois edifícios, o principal concentra os recursos ambulatoriais de radiologia convencional e intervencionista e de radioterapia e o prédio anexo abriga o Centro de Medicina Nuclear (CMN), pioneiro, na história da medicina nuclear sulamericana, no desenvolvimento de radiofármacos, produzidos por Cíclotron, para o tratamento e pesquisa em oncologia e neurologia.

Instituto de Medicina Física e de Reabilitação
Reconhecida, desde sua concepção, em 1975, como referência no atendimento a pessoas com deficiência, a Divisão de Reabilitação Profissional Vergueiro (DRPV) do Hospital das Clínicas da FMUSP tornou-se a Divisão de Medicina de Reabilitação (DMR) em 1994 e, em 2009, o Instituto de Medicina Física e Reabilitação (IMRea).
A partir da ação integrada entre as equipes médicas e multiprofissionais e da adoção dos mais modernos recursos tecnológicos, o IMRea atende pessoas com deficiência física, transitória ou definitiva, necessitadas de receber atendimento de reabilitação, desenvolvendo seu potencial físico, psicológico, social e educacional, visando a reabilitação integral e a inclusão social.

Instituto do Câncer do Estado de São Paulo
Inaugurado em maio de 2008, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) foi concebido para ser o maior hospital público especializado em tratamento de câncer da América Latina, abrangendo todas as fases do atendimento aos pacientes, do diagnóstico à reabilitação, integradas no mesmo local.
O edifício principal, com 28 andares, realiza todas as atividades assistenciais, desde o centro de atendimento de intercorrências oncológicas, ambulatórios, hospital-dia, quimioterapia e radioterapia, bem como unidades de internação, terapia intensiva e centro cirúrgico. Em agosto de 2014, foi inaugurada uma nova unidade no município de Osasco, na grande São Paulo, com consultas ambulatoriais, hospital-dia, quimioterapia e radioterapia.

Hospital Auxiliar de Cotoxó
Inaugurado em 1971, no bairro da Pompéia, no município de São Paulo, o HAC foi concebido para ser retaguarda dos Institutos do HC, prestando assistência médico-hospitalar especializada a pacientes em cuidados intermediários, por meio de uma equipe multiprofissional integrada.
Atualmente, o hospital encontra-se em obras para ampliação da sua capacidade instalada, agregando à assistência prestada, modernos recursos de procedimentos diagnósticos e terapêuticos, além de novos espaços dedicados para o ensino e pesquisa na área da saúde.

Centro de Convenções Rebouças
Um dos mais tradicionais espaços de eventos da capital paulista, fundado em 1982, o Centro de Convenções Rebouças (CCR) apresentou nos últimos anos expressivo crescimento em número de clientes, de eventos e em faturamento. O CCR também aumentou o seu espaço físico após ampla reforma, resultando no novo prédio, com mais de 10 mil m² de área construída.
O projeto, com 2,4 mil m2 exclusivos para eventos nacionais e internacionais, buscou oferecer versatilidade e melhor aproveitamento dos espaços, podendo receber qualquer tipo de evento, de um congresso a um evento social, podendo comportar até 2,3 mil pessoas.

13.227 – Instituições de Ensino – A Universidade de Utah


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É uma universidade pública norte-americana de pesquisa, localizada em Salt Lake City, no estado de Utah.
Ela é uma das dez instituições que fazem parte do sistema de ensino de nível superior de educação do estado de Utah. Fundada em 28 de fevereiro de 1850, possui cerca de 30 mil estudantes (2008).
Foi elencada como uma das 50 melhores universidades dos Estados Unidos em 2008.
Fundada pelo mórmon Brigham Young, foi chamado inicialmente de University of Deseret. Dois anos depois, a escola fechou por problemas financeiros, reabrindo em 1867 como universidade privada, sob a direção de David O. Calder.

A universidade tem 17 faculdades com aproximadamente 100 departamentos. A universidade oferece aproximadamente 160 cursos de graduação, mais de 100 cursos de mestrado, e mais de 100 cursos de doutorado.

Faculdade de Administração
Faculdade de Advocacia
Faculdade de Arquitetura e Planejamento
Faculdade de Artes e Ciências Liberais
Faculdade de Belas Artes
Faculdade de Ciência
Faculdade de Ciências Humanas
Faculdade de Ciências Sociais
Faculdade de Enfermagem
Faculdade de Engenharia
Faculdade de Farmácia
Faculdade de Medicina
Faculdade de Minas e Ciências da Terra
Faculdade de Odontologia
Faculdade de Pedagogia
Faculdade de Saúde
Faculdade de Serviço Social

Ed Catmull, B.S. 1969, Ph.D. 1974, co-fundador de Pixar, presidente de Walt Disney Animation Studios e Pixar Animation Studios foi um de seus alunos famosos.
Também John Warnock, B.S. 1961, M.S. 1964, Ph.D. 1969, co-fundador de Adobe Systems, entre outros.

13.096-Crise-Corte de 120 milhões de reais do orçamento da Fapesp


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A FAPESP – FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO – É UM ORGULHO NACIONAL E EXEMPLO A SER SEGUIDO NO MUNDO INTEIRO
Contribui há várias décadas, para o avanço do conhecimento no Estado de São Paulo e no país. Com a concessão de bolsas e auxílios para a execução de pesquisas científicas e tecnológicas em todas as áreas do conhecimento, a instituição vem apoiando estudos e a divulgação da ciência desde 1962, quando começou a funcionar. Assim, é incompreensível a decisão da Assembleia Legislativa de São Paulo que aprovou uma lei orçamentária desviando 120 milhões de reais da dotação assegurada pela Constituição do estado à instituição, nos últimos dias de 2016 – em outras palavras, um grande corte. Essa decisão não apenas contraria a Constituição estadual, que determina o repasse de 1% da receita tributária para a Fapesp, como causará um prejuízo irreversível à ciência paulista e brasileira. O valor, segundo a decisão, irá para o fortalecimento de institutos de pesquisas estaduais (como o Butantan ou o Biológico), que estariam em penúria. Entretanto a Fapesp sempre apoiou bons projetos independentemente de estarem nas universidades ou nos institutos. O erro abre um precedente perigoso – além de ser o único órgão científico do estado com tradição de independência em relação ao Executivo, tirar recursos de um lado (que funciona) para cobrir outro não pode ser um argumento defensável.
Defensores dessa decisão catastrófica alegam que é preciso investir mais em pesquisas aplicadas. Ledo engano! Os maiores e mais revolucionários avanços tecnológicos foram gerados pelas pesquisas básicas. A eletricidade, por exemplo. Inicialmente, ninguém sabia sua utilidade. Foi a pesquisa básica que desvendou suas características e, assim, possibilitou seu uso. Tente imaginar viver numa sociedade sem eletricidade… Quem poderia acreditar que a teoria da relatividade, proposta por Einstein no início do século XX, seria responsável por um terço da economia mundial na atualidade?
Descobertas recentes de laboratórios de pesquisa básica em biologia e genética revolucionarão a medicina. Por exemplo, Shinya Yamanaka, pesquisador japonês ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2012, mostrou que é possível reprogramar células já diferenciadas tornando-as pluripotentes, portanto, capazes de gerar qualquer tipo de célula. Esse conhecimento básico possibilitará um salto gigantesco na medicina regenerativa. Jennifer Doudna e Emanuelle Charpentier descobriram que é possível “editar” genes em bactérias, ou seja, modificá-los, por meio de uma técnica revolucionária chamada CRISPR/Cas9. O conhecimento gerado por esses estudos, realizados em laboratórios de pesquisa básica, já vem sendo utilizado para tratar alguns tipos de câncer. E o prosseguimento dessas pesquisas possibilitará a correção de mutações e o tratamento de inúmeras doenças, inclusive transplante de órgãos. Essa tecnologia, cujo impacto na agricultura, pecuária e medicina serão gigantescos, foi rapidamente incorporada aos nossos laboratórios graças à Fapesp.
No fim da década de 90, a Fapesp financiou um projeto que envolveu trinta laboratórios, o sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, praga da laranja. O objetivo primário era capacitar um número expressivo de cientistas nessa nova tecnologia de sequenciamento genômico. O sucesso do projeto foi tal que ganhou a capa da prestigiosa revista Nature, colocando o Brasil no mesmo patamar dos países desenvolvidos. Graças a esses avanços, hoje essa tecnologia tem uma aplicação gigantesca na agricultura, pecuária e na medicina.
Em 2004, pesquisadores do Instituto de Biociências da USP, apoiados pela Fapesp, descobriram em famílias brasileiras um gene responsável por uma forma hereditária de esclerose lateral amiotrófica (ELA – a doença do famoso cientista britânico Stephen Hawking). Posteriormente, descobriu-se que esse gene estaria envolvido em outras formas de ELA, o que abriu um novo leque de pesquisas no mundo inteiro na busca por um tratamento. Mais recentemente, também com apoio da Fapesp, foram sequenciados os genomas de cerca de 1 400 pessoas com mais de 60 anos, constituindo o primeiro e maior banco genômico da população idosa brasileira, que contribuirá para a identificação dos fatores genéticos e ambientais responsáveis por um envelhecimento saudável.
Resultados expressivos em ciência envolvem investimentos contínuos e atualizados, pois a construção do conhecimento depende de estudos e experimentos, infraestrutura adequada e da formação de recursos humanos qualificados para sua realização. Essa concepção norteou a criação da Fapesp, em 1960, levando ao estabelecimento de um porcentual da arrecadação do ICMS do estado para garantir a continuidade do financiamento das pesquisas em São Paulo. Nessa ocasião, o governador Carvalho Pinto declarou: “Se me fosse dado destacar alguma das realizações da minha despretensiosa vida pública, não hesitaria em eleger a Fapesp como uma das mais significativas para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país”. A Fapesp tem hoje 57 anos de inquestionáveis contribuições ao desenvolvimento de São Paulo e do Brasil. O corte de 120 milhões no orçamento da Fapesp, associado à redução dos recursos decorrente da própria queda na arrecadação do ICMS, ferirá irreparavelmente esse patrimônio histórico. O investimento no desenvolvimento científico e tecnológico, por meio desse órgão fundamental, é a melhor garantia de desenvolvimento crescimento econômico, social e cultural do país.

13.057 – A Biblioteca da Universidade Harvard


harvard
Fundada em 1636 pela Assembleia Estadual de Massachusetts e logo depois nomeada em homenagem a John Harvard (seu primeiro benfeitor), Harvard é a mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos.
Hoje em dia, a universidade dispõe de várias instituições acadêmicas e tem muitos ex-alunos de destaque. Está organizada em onze unidades acadêmicas diferentes — dez faculdades e do Instituto Radcliffe de Estudos Avançados — com campi em toda a área metropolitana de Boston.
Oito presidentes dos Estados Unidos formaram-se nessa universidade e cerca de 150 ganhadores do Prêmios Nobel foram filiados como estudantes, professores ou funcionários da instituição. Harvard também é a alma mater de sessenta e dois bilionários que vivem, em sua maioria, nos Estados Unidos.
A Biblioteca da Universidade de Harvard é também a maior biblioteca acadêmica dos Estados Unidos e uma das maiores do mundo. O Harvard Crimson compete em 42 esportes intercolegiais na primeira divisão da National Collegiate Athletic Association (NCAA) da Ivy League. Harvard tem o maior orçamento do que o de qualquer outra instituição acadêmica do mundo, situando-se em cerca de 30 bilhões de dólares em setembro de 2012.
Harvard é a universidade privada com a maior dotação financeira do mundo: no ano de 2009, a soma foi de 25,9 bilhões de dólares.
O custo anual para um estudante de graduação em Harvard no ano letivo é de cerca de US$75.000.
A universidade é lar da quarta maior coleção de livros do mundo, com mais de 150,5 milhões de títulos, estando atrás apenas da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos (Library of Congress), em Washington, DC, da Biblioteca Britânica, em Londres, e da Biblioteca Nacional da França, em Paris.
Harvard, além de ser a mais rica, é também considerada a melhor universidade do mundo. O ranking anual feito pela Shanghai Jiao Tong University, o Academic Ranking of World Universities, coloca a Universidade de Stanford em segundo lugar.
Sete presidentes dos Estados Unidos graduaram-se em Harvard: John Adams, John Quincy Adams, Rutherford B. Hayes, John F. Kennedy, Franklin Delano Roosevelt , Theodore Roosevelt e Barack Obama. Além disso, Bill Gates, ex-presidente da Microsoft, e Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, também foram alunos da universidade.

10.883 – Mega Sampa – De ☻lho na Virada Científica


virada científica
Promovida pela USP, a 2ª edição da Virada Científica traz cerca de 200 atrações gratuitas que relacionam ciência e cotidiano.
Os eventos acontecem entre sábado (17) e domingo (18) desse mês, outubro de 2015.
No Instituto Oceanográfico da USP, participantes serão estimulados a utilizar seus sentidos paras sentir a areia, o mar e as formas de vida que o habitam em um percurso
que simula o ambiente marinho.

Trilha dos Sentidos Marinhos – Instituto Oceanográfico da USP – praça do Oceanográfico, 191, Cidade Universitária. Sáb. (17): 10h às 18h. Grupos de 10 pessoas a cada 20 min.

mais
Observação do Céu

Parque CienTec – av. Miguel Estéfano, 4200, Água Funda. Sáb. (17): 19h às 21h.
Mitos e Verdades sobre a Castração de Animais – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP – av. Prof. Orlando Marquês Paiva, 87, Cidade Universitária. Sáb. (17): 16h às 18h40.

mais
O que Eu Tenho a Ver com o Mar?

Instituto Oceanográfico da USP – praça do Oceanográfico, 191, Cidade Universitária. Sáb. (17): 15h às 18h.


cursos
Passarinhar significa buscar, identificar e registrar espécies de aves em seu ambiente natural. No exterior, o ato leva o nome de “birdwatching” ou “birding”. No curso, alunos treinam ouvidos e olhos. O comportamento das aves brasileiras e como identificar as espécies serão alguns dos temas abordados.
Curso de Introdução à Observação das Aves – Auditório do Museu Biológico do Instituto Butantan – av. Vital Brasil, 1.500, Butantã. Sáb. (17): 14h às 18h.

mais
Observação de Aves no Instituto Butantan
Av. Vital Brasil, 1.500, Butantã. Dom. (18): 7h às 10h30.


experimentos
Diferentes experimentos com luz e sombra serão realizados na Praça do Relógio: decomposição de luz branca usando prisma e rede de difração, sombras coloridas e projetor de gota d’água (sem microscópio).

Experimentos Interativos com Luz em Tenda Escura – Praça do Relógio – av. Prof. Luciano Gualberto, s/nº – Cidada Universitária. Sáb. (17): 10h às 17h.

mais
Que Bom: Contém Química!
Instituto de Química da USP – av. Prof. Lineu Prestes, 748, Cidade Universitária. Sáb. (17): 10h às 17h30.


palestras
É possível viajar no tempo? O que há dentro de um buraco negro? Existem outras dimensões? Durante a palestra, um professor descreve as leis que governam o universo e o que elas possibilitam para a ciência.

A Ciência do Filme Interestelar – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP – r. do Lago, 876, Cidade Universitária. Sáb. (17): 18h às 18h50.

mais
A Half-pipe Perfeita
Praça do Relógio – av. Prof. Luciano Gualberto, s/nº, Cidada Universitária. Sáb. (17): 18h às 18h40.


exposições
Com 40 m³, a Célula Gigante representa uma célula ampliada 130 mil vezes. Ao caminhar dentro do local, crianças e adultos recebem informações sobre seu funcionamento e visualizam estruturas como ribossomos, mitocôndrias e núcleo celular -onde ficam as moléculas de DNA.

Célula Gigante – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP – r. do Lago, 876, Cidade Universitária. Sáb. (17): 10h às 18h.

mais
Aventuras na Ciência
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP – r. do Lago, 876, Cidade Universitária. Sáb. (17): 10h às 18h.


filmes
“Divertida Mente” traz a história de Riley, mas os protagonistas da narrativa são mesmo os sentimentos que convivem juntos dentro de seu cérebro: Alegria, Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza. A confusão começa quando Alegria e Tristeza saem da sala de controle e não conseguem voltar.

CINUSP Paulo Emílio – r. do Anfiteatro, 181, Cidade Universitária. Dom. (18): 9h30.

mais
Sessões no Planetário
Parque de CienTec – av. Miguel Estéfano, 4.200, Água Funda. Sáb. (17): 9h às 16h.


oficinas
Depois de ler textos de Paulo Leminski e de outros poetas, participantes irão percorrer os entornos da Praça do Relógio para observar detalhes e traduzi-los em haicais -que ficarão pendurados em um varal. Quem passar por ali poderá apenas observar os poemas expostos ou até levar um para casa.
Ateliê a Céu Aberto – Praça do Relógio – av. Prof. Luciano Gualberto, s/nº, Cidada Universitária. Sáb. (17): 15h às 17h45.

mais
Holograma Feito à Mão
Praça do Relógio – av. Prof. Luciano Gualberto, s/nº, Cidada Universitária. Sáb. (17): 10h às 17h.

11.799 – Ciência no Brasil – Sudeste perde participação no total investido em pesquisa


ruf
A fatia da região Sudeste no bolo de dinheiro investido em ciência no país diminui desde a primeira edição do RUF, publicada em 2012.
A participação do Sudeste no total arrecadado para atividades científicas caiu de 65% (na edição de 2012 do RUF, com dados de 2010) para 59% (nesta edição de 2015, dados de 2013).
A quantidade de dinheiro que cada universidade consegue para suas pesquisas é um dos indicadores do RUF que medem a atividade acadêmica das instituições.
Esses dados são coletados nas agências de fomento federais à ciência –como a Capes (com foco na pós-graduação) e CNPq (que prioriza a pesquisa)– e nas fundações estaduais de amparo à pesquisa.
O maior crescimento proporcional de recursos para pesquisa foi na região Sul.
No RUF 2012, as 46 universidades da região tinham 14% do bolo financeiro. Nesta edição de 2015, a fatia aumentou para 18% do total.
Juntos, Norte, Nordeste e Centro-Oeste subiram de 21% do total arrecadado pelas universidades para 23%.
Para a economista Maria Beatriz Bonacelli, do departamento de política científica e tecnológica da Unicamp, a mudança na distribuição dos recursos para ciência pode estar relacionada à criação e a consolidação de universidades federais pelo país.
Fato: dez das 14 universidades federais criadas nos últimos dez anos estão no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. “Isso pode explicar a queda de recursos do Sudeste.”
Glaucius Oliva, que presidiu o CNPq de 2011 a 2015, afirma que a mudança na distribuição do dinheiro pode, também, ser resultado de uma política antiga que estabeleceu cota mínima de recursos para universidades de regiões em desenvolvimento.
Desde 2001, Norte, Nordeste e Centro-Oeste recebem obrigatoriamente 30% dos recursos federais para ciência.
“No começo, era preciso fazer um certo esforço para atingir a meta, porque alguns projetos das regiões em desenvolvimento não eram tão competitivos”, afirma.
Com mais dinheiro, os grupos de pesquisa dessas regiões se fortaleceram.
“Mais recentemente, alguns editais [chamadas de financiamento para projetos de pesquisa] chegaram a ter mais de 30% para as regiões em desenvolvimento”, diz.
Hoje, de acordo com Oliva, há grupos de pesquisa nordestinos que competem em igualdade com as universidades paulistas –caso da área de física da Universidade Federal de Pernambuco.
“Agora, é importante dar um passo além, e analisar também as desigualdades inter-regionais”, afirma ele.

11.741 – Educação – Museu utiliza óptica para ensinar de física a nutrição


museu eua
Uma nova exposição no Museu Exploratório da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) combina luzes, cores e interatividade para ensinar ciência.
A mostra “Cor da Luz – O Código das Cores” levou cerca de um ano para ficar pronta e parte da experiência com as cores para desdobrar os ensinamentos em diferentes áreas do conhecimento, da física à nutrição.
Entre experiências interativas, hologramas, feixes luminosos e ilusões de óptica de grandes proporções, os visitantes são apresentados a conceitos científicos.
“É realmente para aprender mexendo. Tem todo um painel com um turbilhão de coisas diferentes”, diz a curadora da mostra e professora do Instituto de Física da Unicamp, Maria José Brasil.
Aberta de terça a domingo e com entrada grátis, a mostra não tem idade mínima. “É para crianças dos zero aos cem anos”, diz Brasil, que afirma ter visto muitos adultos encantados com os experimentos.
Para conseguir tirar o maior proveito dos espaços, Giselle Soares, mestre em divulgação científica e pesquisadora da interatividade em museus, aconselha que, além das brincadeiras, pais e estudantes não deixem de ler o material científico que explica os fenômenos. “Ou então ele vai ficar apenas se divertindo. O que já é muito bom”, brinca.

11.519 – Imunologia – Vacina anti-rábica vai ser modernizada


Instituto Pasteur de SP. Instituição científica fundada na França no século 19, pioneira no combate à raiva, hoje dedica-se  principalmente ao desenvolvimento de uma vacina contra o HIV
Instituto Pasteur de SP. Instituição científica fundada na França no século 19, pioneira no combate à raiva, hoje dedica-se principalmente ao desenvolvimento de uma vacina contra o HIV

Ela é preparada injetando vírus da raiva em células do cérebro de um camundongo recém-nascido. Os vírus se reproduzem até ocuparem 0,01% do cérebro e aí a mistura é injetada no paciente. Mas se uma única dose for aplicada, a quantidade de vírus não será suficiente para estimular o sistema imunológico a produzir os anticorpos. Se forem aplicadas várias doses de uma só vez, a vítima pode até morrer porque o volume de impurezas nas células de cérebro de rato é grande. Por isso, o remédio é dividido em catorze porções, que não podem ser ministradas todas no mesmo lugar porque a região ficaria ferida. Por isso, são aplicadas em várias partes do abdome, que é amplo e absorve bem o medicamento.
Há cinco anos, o Instituto Pasteur, na França, conseguiu um método de purificar a vacina, eliminando as impurezas. Com isso, ela pode ser usada em uma dose única. No Brasil, a novidade está nas mãos do Instituto Butantan, em São Paulo.

11.445 – Curso de astronomia da USP para a terceira idade atrai curiosos


Universidade de São Paulo
Universidade de São Paulo

Alunos atentos, fazendo perguntas, tomando notas e até cochilando. A cena poderia descrever qualquer aula para adolescentes, mas, nesse caso, é do curso de astronomia para a terceira idade, no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.
São dez aulas ao todo, que acontecem duas vezes por semana, e são voltadas para o público a partir dos 50 anos.
O curso, anual, começa em fevereiro e conta com cem alunos –capacidade máxima do auditório –, que devem se inscrever pelo site do IAG.
Eles aproveitam todos os momentos para tirar dúvidas. Seja durante o intervalo ou depois da aula, os alunos vão até o professor para conversar sobre o tema da palestra.
Mas a conversa esquenta mesmo quando o professor abre alguma brecha para a discussão sobre a possibilidade de vida extraterrestre.
Os alunos inundam o professor de perguntas sobre a viabilidade de os humanos visitarem planetas fora do Sistema Solar e de eles abrigarem vida. A resposta? Sim, eles podem abrigar vida, mas não necessariamente inteligente, e as viagens são inviáveis por ora.
A sala é composta por pessoas que têm alguma formação na área –um dos alunos fabrica espelhos para telescópios– e até por gente que quer fugir do alzheimer.
A maioria, porém, está ali por mera curiosidade.
É o caso do engenheiro elétrico aposentado João Monetti, 59. Assíduo dos cursos de astronomia, diz que gosta de estar na USP em contato com os colegas.
Um dos objetivos do curso é apresentar uma visão geral da astronomia, a partir dos principais assuntos na área: a Terra, o Sistema Solar, as galáxias, a era dos grandes telescópios.
O curso também inclui observação noturna do céu com os telescópios do IAG –na semana em que a reportagem acompanhou as aulas, porém, a atividade foi cancelada por causa do céu nublado, para a frustração dos alunos.
Os veteranos dos cursos livres, que querem aproveitar o tempo ocioso pós-aposentadoria, são outro.

11.323 – Instituições de Ensino – A Universidade de Copenhague


Universidade de Copenhague
Universidade de Copenhague

(Københavns Universitet em dinamarquês) é a maior e mais antiga universidade e instituição de pesquisa da Dinamarca. Fundada em 1479, possui mais de 33.500 estudantes, a maior parte dos quais do sexo feminino (57%), e mais de 9.000 funcionários. A universidade têm vários campi localizados dentro e próximo de Copenhague, estando o mais antigo localizado na parte central da cidade. A maioria dos cursos são ministrados em dinamarquês; todavia, mais e mais cursos têm sido oferecidos em inglês e alguns em alemão. A universidade é membro da International Alliance of Research Universities (IARU).

11.008 – Nutrição – O herói das creches


Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) acreditam ter criado a arma ideal para acabar com a anemia crônica das creches públicas brasileiras – nada menos que 56% das crianças sofrem de anemia e por isso têm distúrbios de memória e dificuldade de aprendizado. Para superar o problema, no entanto, basta acrescentar pó de ferro à farinha que entra na receita do popular pãozinho francês. O resultado dos primeiros testes, realizados com 600 meninas e meninos de Barueri, São Paulo, foi espantoso: em apenas seis meses, o número de anêmicos caiu em mais de 60%, de cerca de 200 crianças para apenas 66. Mauro Fisberg, da Unifesp, diz que o pãozinho foi escolhido por se encontrar em qualquer padaria e ser largamente consumido pela população. Segundo ele, a dose de ferro – equivalente a 3% das necessidades diárias das crianças – foi cuidadosamente estudada para prevenir a anemia sem alterar o gosto do pão. A mudança de sabor poderia levar as crianças a recusar o “remédio”.

10.997 – Novo acelerador de partículas será inaugurado em 2018, em Campinas


sirius

Quem visita o campus do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas, já pode ver no solo o traçado de uma circunferência de 235 metros de diâmetro. Não é um aeroporto para discos voadores. Nesse círculo ficará o Sirius, o novo acelerador de partículas da instituição, uma máquina de R$ 1,3 bilhão.
A maior parte será financiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) também contribui para o projeto.
O tamanho do projeto pode não ser muito impressionante comparado aos maiores aceleradores de partículas do mundo –o LHC, na Suíça, tem 8,6 km de diâmetro– mas a máquina brasileira tem a chance de ser a melhor de sua categoria quando for inaugurada, em 2018.
Diferentemente dos aceleradores que produzem colisões entre partículas, o Sirius vai gerar raios de luz síncrotron, tipo especial de radiação. Ela é usada para obter imagens de alta definição em técnicas de análise estrutural de materiais e moléculas.
Dentro do acelerador circulam elétrons que, ao serem desviados por ímãs para seguirem a trajetória do anel, emitem radiação síncrotron pela tangente.
A radiação gerada pelo Sirius terá muitas características especiais se comparada a uma fonte de luz comum. Seu espectro será muito amplo, indo desde a luz infravermelha (de frequência baixa) até o raio X (de frequência alta), passando pelas sete cores da luz visível e pelo ultravioleta.
Outra coisa que torna especial a luz gerada pelo Sirius é sua “baixa emitância”. Isso significa que sua radiação será separada em raios distintos e estreitos, com apenas 0,5 micrômetro de largura (0,5% de um fio de cabelo). Focalizados, eles são capazes de seguir longos percursos sem se dispersar, como o laser.
“A emitância, que é medida em uma unidade chamada nanômetros-radianos [nm.rad], é o parâmetro que caracteriza a qualidade da máquina”, explica Liu Lin, uma das cientistas responsáveis pelo projeto do Sirius.
O LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), divisão do CNPEM encarregada do Sirius, opera desde 1997 outro acelerador, o UVX, que gera raios com emitância de 100 nm.rad em seu anel de 30 m de diâmetro. A do Sirius será de apenas 0,27 nm.rad.
A demanda por uma tecnologia melhor já existe no setor de pesquisas de empresas como a Petrobras, que lida com equipamentos de exploração e análise de rochas a serem perfuradas.
O laboratório colocará as linhas de luz à disposição de cientistas que estudam desde proteínas e fármacos até ligas metálicas, passando por análise de solo e produtos da agroindústria. Empresas privadas também podem solicitar espaço nos laboratórios, desde que paguem pelo custo do serviço.
Diferentemente do UVX, que já era uma fonte síncrotron de segunda categoria quando ficou pronta, a nova máquina pretende ser mais competitiva, com potencial real de atrair colaborações com outros países.
“O Sirius vai nascer na liderança”, diz José Roque da Silva, diretor do LNLS, que compara o projeto ao MAX IV, na Suécia, único acelerador em construção no mundo com emitância comparável à do Sirius. Ambos terão elétrons circulando com a mesma energia em seus anéis.
Segundo o cientista, foi a expertise adquirida na construção do UVX, que começou em 1987 e durou dez anos, que permitiu o projeto mais ousado agora.
Cerca de metade do custo bilionário do acelerador é o prédio que vai abrigá-lo, que requer condições muito específicas. O piso onde o anel acelerador será assentado, por exemplo, terá mais de 500 metros de circunferência, e não pode contrair imperfeições maiores do que 0,25 mm por ano, do contrário vai atrapalhar o funcionamento da máquina.
Nos próximos dois anos, porém, para que o projeto não atrase o cronograma -algo que em geral implica também um aumento de custo– será preciso obter um fluxo de verbas de R$ 300 milhões anuais. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que abarca o LNLS, havia prometido honrar o compromisso, por considerar o Sirius de importância estratégica para a pesquisa nacional. A Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), também contribui para o projeto.

10.842 – O Retorno do “Elefante Branco” – USP pode voltar a usar navio de pesquisas


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O navio de pesquisas Alpha Crucis, da Universidade de São Paulo (USP), pode voltar a operar, após ficar mais de um ano atracado no Porto de Santos. O Instituto Oceanográfico (IO USP) anunciou recentemente que conseguiu contratar um serviço de inspeção obrigatória do navio, após duas tentativas frustradas de licitação.
Considerado a maior e mais sofisticada embarcação para estudos oceanográficos da academia brasileira, o navio estava parado por falta da inspeção, impedindo o início de estudos e ameaçando a conclusão de projetos já iniciados, segundo o diretor do IO, Frederico Brandini. A licitação, concluída em novembro de 2014, foi vencida pelo estaleiro Indústria Naval do Ceará (Inace) por 2,6 milhões de reais. Segundo Brandini, o navio deverá retomar as operações em março.
O barco é um antigo navio usado pela Universidade do Havaí, nos EUA, desde a década de 1970. A Fapesp desembolsou 4 milhões de dólares pela compra do casco e dividiu com a USP a reforma (3 milhões de dólares na conta da fundação e 4 milhões de dólares desembolsados pela universidade).

10.837 – Odontologia – Cientistas de Harvard criam novo método para regenerar dentes


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Dentadura vai ser coisa do passado:
Através de um novo método, eles conseguiram estimular o crescimento de dentes na arcada de quem os perdeu. E para chegar a esse resultado, os pesquisadores utilizaram um raio laser de baixa potência, que estimula a ativação de células-tronco dentárias. Estas, aos poucos, começam a formar a dentina, o tecido duro similar ao osso que fica sob o esmalte e que forma a maior parte da massa dentária.
Após expor as células-tronco ao laser por cinco minutos, o processo de cura começou dentro da boca, segundo o artigo que a universidade norte-americana publicou na revista Science Translational Medicine. Depois de doze semanas, a dentina tinha se formado por completo. A técnica revolucionária foi testada com sucesso em ratos de laboratório graças ao trabalho de uma equipe de cientistas mantida por especialistas da área de pesquisa odontológica do governo dos EUA. Eles esperam poder realizar o teste em humanos em breve.
O desafio atual consiste em conseguir regenerar outras partes do dente, como o esmalte, para, finalmente, substituir os tratamentos dentários atuais, caros e dolorosos. Indo mais longe ainda, os cientistas estão certos de que os resultados obtidos servirão de base para procedimentos como a cicatrização de feridas e a regeneração óssea, entre muitos outros.

10.822 – Pesquisa Científica – Brasil investe pouco em Ciência


ciencia brasileira

Pelo menos é a conclusão da Revista Nature
Segundo ranking da revista “Nature”, o Brasil é um dos países com menor eficiência no gasto com ciência. Ele figura em 50º entre 53 avaliados, atrás de países como Irã, Paquistão e Ucrânia. O país, no quesito, só é melhor que Egito, Turquia e Malásia.
A medida é feita pela divisão do número de artigos publicados em 68 revistas científicas internacionais de alto prestígio pelo total de investimentos em pesquisa.
Em 2013, segundo a Nature, o Brasil publicou 670 artigos nessas revistas. Seu gasto com ciência e desenvolvimento é da ordem de US$ 30 bilhões ao ano.
Em comparação, o Chile publicou mais que o Brasil (717 artigos), gastando menos de US$ 2 bilhões, um desempenho muito bom. Israel publicou 1.008 artigos gastando cerca de US$ 9 bilhões.
O país mais eficiente é a Arábia Saudita, que tem conseguido um ótimo retorno com estudos da área de energia e gás. Publicou 288 artigos gastando, segundo o último dado disponível, cerca de US$ 500 milhões ao ano –os dados incluem dinheiro público e privado.
Como algumas revistas científicas especializadas em física publicam uma quantidade muito grande de artigos, a metodologia da “Nature”, que dá origem ao ranking , conta ainda com um fator de ponderação para corrigir essa distorção, entre outros ajustes metodológicos.
Assim, artigos de ciências biológicas e de química valem mais, para que países fortes em exatas não fiquem artificialmente melhor colocados.
Nem tudo é má notícia: o desempenho brasileiro –calculado para o ano de 2013– comparado ao de 2012 melhorou em 17,3%: o pais ocupa agora a 23ª posição no ranking geral –sem considerar a eficiência. Antes, o Brasil ocupava a 26º posição.
José Eduardo Krieger, pró-reitor de pesquisa da USP, avalia o desempenho como “inadequado perante a grandeza do país”, já que o Brasil, se tivesse um desempenho de acordo com sua economia, deveria figurar entre os sete melhores do mundo.
Rogério Meneghini, diretor científico do SciELO –banco virtual de dados bibliográficos–, avalia positivamente a iniciativa da “Nature”.
Segundo ele, o ranking cobre artigos de projeção muito grande, e que certamente terão em média um alto índice de citações –outra maneira de medir a relevância científica de um trabalho.
Em avaliações que analisam uma quantidade maior de revistas, a participação brasileira em porcentagem de artigos publicados está em 2,5%. No ranking da “Nature”, o país tem só 1,1% (13º lugar).
Em termos brutos, é o país com maior publicação científica da América Latina. Quando se analisa, porém, o volume de pesquisa produzido a cada mil pesquisadores, o Chile lidera a região com um índice cinco vezes maior que o do Brasil, que fica atrás também de México e Argentina.
O ranking da Nature também classifica as instituições por produtividade em pesquisa. Dentre as 200 melhores, não há nenhuma latino-americana. O ranking é liderado pela Academia Chinesa de Ciências, seguida por Harvard (EUA) e pela Sociedade Max Planck (Alemanha).
A universidade latino-americana mais bem colocada é a USP, também primeira colocada entre as universidades brasileiras no Ranking Universitário Folha. Ela aparece em 271º lugar na “Nature”, seguida por UFRJ (557º), Unesp (574º) e Unicamp (613º).
Krieger considera que a USP, assim como a ciência brasileira, precisa aumentar não só a quantidade, mas principalmente a qualidade de sua produção científica. Segundo ele, o Nature Index pode ser um bom indicador da qualidade da pesquisa nas áreas que ela avalia.

10.612 -Imunologia e Genética- Fiocruz testa mosquito que não transmite dengue no RJ


Fachada da sede, no RJ
Fachada da sede, no RJ

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) começou a testar uma forma inovadora de combater a dengue na cidade do Rio de Janeiro. Mosquitos modificados em laboratório foram liberados nesta manhã no bairro de Tubiacanga, na Ilha do Governador, zona norte, onde moram 3 mil pessoas. Os ovos dos mosquitos foram contaminados com a bactéria Wolbachia, encontrada em 60% dos insetos, como as drosófilas (pequenas moscas) e pernilongos. Essa bactéria atua como uma espécie de vacina para o Aedes aegypti, impedindo que o vírus da dengue se multiplique no organismo do mosquito, que deixa, assim, de transmitir a doença. É a primeira vez que essa estratégia é testada no continente americano – já há experimentos em andamento na Austrália, Vietnã e Indonésia.
A Wolbachia também atua na reprodução dos insetos. A bactéria é transmitida naturalmente para as gerações seguintes de mosquitos e o método se torna autossustentável: Aedes com Wolbachia acabam se tornando predominantes na natureza, sem que os pesquisadores precisem liberar insetos contaminados constantemente. Em localidades da Austrália, isso aconteceu em 10 semanas, em média. O líder da pesquisa no país, Luciano Moreira, explicou que a expectativa é de que, até o final do ano, toda população de Aedes aegypti seja infectada pela Wobachia e esteja livre do vírus da dengue em Tubiacanga. As liberações serão feitas por aproximadamente três ou quatro meses e vai depender dos resultados sobre a capacidade dos mosquitos com Wolbachia de se instalarem no local.
A Wolbachia é uma bactéria intracelular, que só pode ser transmitida de mãe para filho, no processo de reprodução dos mosquitos. É maior que o canal salivar do mosquito, ou seja, não sai pela saliva, meio pelo qual o homem é contaminado. Para ter certeza de que não infecta seres humanos e animais domésticos, integrantes da equipe, na Austrália, deixaram-se picar durante cinco anos por uma colônia de mosquitos com Wolbachia.
O projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil foi lançado no Rio de Janeiro, em 2012. Nesses dois anos, os pesquisadores capturaram Aedes aegypti nos locais que servirão de testes, estudaram essas regiões e criaram os mosquitos contaminados em laboratório. Depois de lançados em Tubiacanga, os cientistas poderão avaliar a capacidade dos mosquitos com a bactéria se estabelecerem no ambiente e cruzarem com os demais mosquitos. Cerca de 10 mil insetos serão liberados semanalmente em Tubiacanga, por até quatro meses. Para reduzir o incômodo da população, a Secretaria Municipal de Saúde fez uma campanha para eliminar focos de criação do mosquito. Depois da Ilha do Governador, os bairros da Urca e Vila Valqueire, no Rio de Janeiro, e de Jurujuba, em Niterói, receberão os mosquitos. Estudos em larga escala para avaliar o efeito da estratégia estão previstos para ocorrer a partir de 2016.

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10.607 – USP e Unicamp firmam parceria com grande plataforma de cursos online


Campus da USP no Butantã, São Paulo
Campus da USP no Butantã, São Paulo

Desde que foi criada na Universidade de Stanford em abril de 2012, a plataforma de cursos online gratuitos Coursera cresceu vertiginosamente: partindo de uma experiência com três cursos realizada poucos meses antes, que abrangia algumas centenas de pessoas, em pouco mais de dois anos a ferramenta está oferecendo 760 cursos, elaborados por 110 instituições de ensino e atingindo 9 milhões de estudantes do mundo todo.
O problema é que apenas 28 destes cursos foram legendados em português por 300 tradutores voluntários, e a maior parte do conteúdo do site está em inglês. Se alguém tivesse interesse em se inscrever em um dos programas, provavelmente teria que ter fluência no idioma – mas mesmo com as dificuldades, os usuários brasileiros chegam a 300 mil. “O Brasil demonstra ter uma forte paixão pela educação, mas ainda assim muitos não têm acesso a um conteúdo de qualidade. Por isso acreditamos que aqui é um lugar chave para se promover um grande impacto”, explica Daphne Koller, que já foi professora de ciência da computação em Stanford antes de ajudar a fundar o Coursera.
Para fortalecer ainda mais sua presença no país, a empresa anunciou oficialmente nesta quarta-feira (17/9) que as duas maiores universidades brasileiras, a USP e a Unicamp, vão começar a produzir cursos em língua portuguesa especialmente para o serviço. “Ninguém sabe exatamente qual é a direção que os cursos online vão tomar, cada faculdade faz de um jeito. Mas ninguém tem dúvida de que vão ser importantíssimos”, disse o empresário Jorge Paulo Lemann na cerimônia de lançamento. A Fundação Lemann, que fomenta a educação no Brasil, é a apoiadora oficial do projeto por aqui.
Tanto para a Universidade de Campinas quanto para a de São Paulo, a parceria é estratégica por três motivos: se alinha à busca comum de ambas por métodos de seleção alternativos ao vestibular, possibilita o acesso à enorme base de dados do serviço e também amplia o alcance do conteúdo acadêmico não apenas no Brasil, mas em toda a população lusófona. “Hoje queremos abrir o leque e buscar os melhores alunos, fabricá-los e contribuir na formação deles. Nós não vamos reinventar a roda, o Coursera é quase uma fábrica para se saber o que funciona ou não”.
A USP já soma quatro cursos agendados, três deles sobre finanças e negócios, e um sobre astronomia – “Origens da Vida no Contexto Cósmico”. A Unicamp conta com dois, nas áreas de computação e empreendedorismo. Apesar da data inicial ainda não estar marcada, a estimativa é que as atividades se iniciem no início do ano que vem. A expectativa das instituições é altíssima: o pró-reitor Meyer comparou o ingresso na plataforma com a simbólica superação do Cabo Bojador pelos portugueses. “Nós vamos descobrir Angola, chegar a Moçambique e dizer para o Cabo das Tormentas que ele é o cabo da Boa Esperança”.

10.564 – Pesquisa Científica – Maioria das instituições tem baixa produção de artigos científicos


ranking universidades
Das 192 universidades avaliadas pelo RUF, 176 (91%) têm menos do que uma publicação acadêmica por docente num período de dois anos, e 77 (40%) não têm em seu quadro docente pesquisadores considerados especialmente produtivos pelo CNPq (agência federal de fomento à pesquisa).
O número de professores que recebem a chamada bolsa de produtividade do CNPq passou a integrar o indicador de qualidade de pesquisa do RUF neste ano. As bolsas, cerca de 16 mil no país, pagam de R$ 1.100 a R$ 1.500 a professores de todas as áreas.
O número de artigos publicados é um dos critérios para escolher os contemplados -citações, orientações, relevância e apresentação de projetos também contam.
A universidade com mais publicações por docente no RUF é a Unicamp, com uma média de 3,35 artigos por professor entre 2010 e 2011. A instituição é ainda a que tem mais bolsistas do CNPq.
Na outra ponta, 176 universidades têm menos de uma publicação por docente -ou seja, nessas escolas há docentes que publicam menos de um artigo a cada dois anos.
Glaucius Oliva, presidente do CNPq, pondera haver muitas universidade recentes no país. “Quantas foram criadas nos últimos 15 anos? Até tudo ser estabelecido demora.”
Segundo dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), o número de instituições de ensino superior subiu de 1.637 em 2002 para 2.252 em 2008. O número de docentes com doutorado saltou de 49.287, em 2002, para 77.164, em 2008.
Para Oliva, a cobrança das agências de fomento precisa ir além da contagem de artigos. “A gente olha para o impacto das publicações.”
Paulo Artaxo, pesquisador da USP, diz que é preciso buscar mais parceiros internacionais para aumentar a relevância da pesquisa brasileira. Ele é um de apenas cinco pesquisadores atuantes no Brasil que figuram entre os 3.200 mais influentes no mundo, segundo pesquisa recente do Instituto Thomson Reuters.
Já o Andes (sindicato de professores do ensino superior), questiona as avaliações. “A produção científica tem caráter artesanal e não tem o mesmo ritmo para todas as áreas”.