14.388 – Projeções -Transferência da Mente



Sete décadas depois das primeiras referências na ficção, os avanços para que a mente humana se abrigue fora do seu corpo ainda são tímidos – e os cientistas ainda se dividem sobre se isso é de fato possível.
O maior barulho vindo dessa área nos últimos tempos foi feito pela startup Nectome, que recebeu nos últimos meses US$ 960 mil do governo norte-americano e US$ 120 mil da aceleradora de startups Y Combinator para desenvolver pesquisas sobre preservação do cérebro humano.
Um dos fundadores da Nectome foi premiado por ter criado uma técnica chamada “vitrifixação”, capaz de preservar o cérebro de coelhos e porcos. A técnica reconstitui o órgão em uma forma semelhante ao vidro, o que possibilita submetê-lo à temperatura de -122°C sem a formação de cristais de gelo e, assim, conservá-lo por séculos.
Dos cérebros de animais aos de seres humanos é só questão de tempo, segundo a empresa. E, com cérebros humanos preservados, a empresa aposta que no futuro será possível fazer o upload da mente de pessoas que já morreram para um computador. Em outras palavras, fazer de nós digitalmente imortais.
Mas tem um detalhe importante: o cérebro pode viver uma espera eterna. O próximo passo, o da digitalização, não existe ainda. E, talvez, nunca vire realidade. Ken Miller, neurocientista da Universidade de Columbia, acredita que ainda estamos muito longe de ter o conhecimento para saber ler e recriar a mente.
Precisaríamos entender não apenas como a informação é instantaneamente processada em cada um dos múltiplos circuitos cerebrais, mas como esses circuitos cerebrais se modificam para aprender, criar e reter memórias de novas experiências sem perder memórias de velhas experiências Ken Miller, neurocientista da Universidade de Columbia… –
Muitos neurocientistas enxergam o cérebro como um computador: os dados sensoriais (aquilo que é captado por olhos, ouvidos etc.) são informações que alimentam a máquina para gerar comportamentos e reações. A ideia para fazer um upload mental seria criar um mapa do cérebro para convertê-lo para o ambiente digital. Anders Sandberg e Nick Bostrom, dois pesquisadores do Future of Humanity Institute, da Universidade de Oxford, dizem que escanear a estrutura de um cérebro em detalhes e construir um software a partir disso poderá ser possível antes da metade do século. Só que para isso acontecer precisam existir modelos eletrofisiológicos (ou seja, os mapas das propriedades elétricas das células humanas) – o que também não temos atualmente. Ou seja, não apenas não existe a conversão do cérebro para o mundo digital, como o próprio mapa ainda precisa ser criado. Partindo da ideia de que esse mapa cerebral seja extremamente complexo, o próximo passo seria ter equipamentos para rodar esses modelos.
A previsão está fundada na Lei de Moore, segundo a qual a potência dos computadores dobra a cada 18 meses. Apoiados nisso, os especialistas do projeto calculam que na década de 2040 os computadores serão potentes a ponto de simular a inteligência humana. Atualmente, segundo os pesquisadores, só temos computadores potentes o suficiente para simular o cérebro de animais invertebrados como caracóis, formigas e drosófilas. Isso significa que com a tecnologia atual computadores só conseguem fazer um mapa completo dos detalhes dos neurônios desses animais, incluindo seus aspectos eletroquímicos, bioquímicos e morfológicos, e imitar a forma como eles interagem.

14.382 – Neurociência – Animais tem Consciência?


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A questão vai muito além da neurologia. De um ponto de vista técnico, saber se um animal tem consciência é o mesmo problema que saber se um paciente em coma ou em estado vegetativo tem consciência. Ambas são questões objetivas sobre a estrutura e a atividade do cérebro. Tudo que acontece em nossa mente tem uma correlação na atividade neural, e a consciência não é exceção. Os pesquisadores já têm inclusive um conscienciômetro, um aparelho que atribui um número ao grau de consciência de uma pessoa – enquanto a anestesiam, por exemplo −, ou indica se sofreu um dano cerebral. Com alguns ajustes, ele poderia ser utilizado com qualquer animal, o que nos daria uma medida objetiva do grau em que um animal pode sentir e sofrer.

Definir a consciência é muito difícil − como definir algo sem saber em que consiste? −, mas às vezes uma parábola funciona melhor que uma definição: consciência é aquilo que você perde ao dormir e recupera ao acordar. As dobras do edredom que nos cobre, o aroma de café que chega da cozinha, o som das buzinas que atravessa a janela. A sensação de estar vivo. E também a capacidade de sofrer, de sentir dor, as suas lembranças e a obscura previsão de seu futuro. “Não sei defini-la, mas a reconheço quando a vejo”, como disse o juiz Potter Stewart sobre a pornografia. Em espanhol, o problema é agravado pela confusão entre conciencia (conscience) e consciencia (consciousness), ou entre o significado moral e o neurológico. A confusão existe também na língua portuguesa, já que a mesma palavra, consciência, é usada para os dois sentidos.

Apesar dos problemas filosóficos colocados por sua definição, nos últimos anos os neurocientistas deram passos notáveis para a compreensão da consciência, que afetam diretamente o debate sobre o sofrimento animal. O documento de referência continua sendo a Declaração de Cambridge sobre a Consciência, acordada em 2012 por uma elite de neurocientistas nessa cidade britânica. E as pesquisas recentes reforçam seus argumentos.

Philip Low, fundador e CEO da empresa de neurodiagnóstico NeuroVigil, na Califórnia; Christof Koch, do Instituto Allen de Ciências do Cérebro, em Seattle; David Edelman, do Instituto de Neurociências de La Jolla, Califórnia, e outros neurocientistas de prestígio transmitiram uma mensagem clara na Declaração de Cambridge. Tanto em humanos como em outros animais foram identificados circuitos homólogos cuja atividade coincide com a experiência consciente. Além disso, os circuitos neuronais que se ativam enquanto uma pessoa sente uma emoção são essenciais para que um rato experimente a mesma emoção. Isso é impressionante, pois os humanos e os ratos evoluem separadamente há 200 milhões de anos. Aponta para uma origem comum dos sistemas emocionais nas fases iniciais da vida animal.

“Embora tenham ocorrido muitas atualizações na neurociência, o campo chegou há muito tempo à conclusão incorporada na Declaração de Cambridge de que pelo menos muitos animais não humanos, incluindo todos os mamíferos, têm consciência e têm capacidade de sofrer”, diz Low por correio eletrônico. Consciente de estar falando com um jornal espanhol, o neurocientista se mostra muito crítico em relação às touradas. “Outros países, como Brasil, Canadá, Colômbia, França, Índia, Nova Zelândia, Portugal e Suíça, estão se movendo para o futuro e começaram a fazer mudanças progressistas”, diz.

“Ainda é necessário muito progresso na pesquisa farmacêutica, pois essas empresas só podem patentear moléculas artificiais, que depois testam em animais”, prossegue Low. “Todos os anos, cerca de 100 milhões de vertebrados são sacrificados, mais de 40 bilhões de dólares são investidos, e 94% das moléculas falham em animais. Além disso, 98% das que são aprovadas nessa fase acabam falhando nos testes com humanos. Isso está aquém do desejado e é muito caro. Entender o papel que nosso estilo de vida, e em especial de nossa dieta, tem na saúde será tão essencial como identificar sinais precoces de doenças. As pessoas deveriam prestar mais atenção aos estudos que vinculam os lácteos e a carne vermelha ao Parkinson e ao câncer, respectivamente.”

Juan Lerma, professor de pesquisa do Instituto de Neurociências de Alicante, também afirma que os animais têm consciência, sensibilidade e capacidade de sofrer, mas aponta algumas nuances. “É preciso fugir de todo antropocentrismo”, diz. “As pessoas tendem a aplicar aos animais nossos próprios sentimentos; não faz sentido dizer que um peixe se deprime, mas isso é dito inclusive em artigos técnicos. Os camundongos do meu laboratório não estão se perguntando se têm consciência.”
“Animais não-humanos como mamíferos e aves, e vários outros, incluindo o polvo, também possuem as faculdades neurológicas que geram consciência”, declarou o grupo, na chamada Declaração de Cambridge. Minha primeira reação foi de total incredulidade. Nós realmente precisávamos de um anúncio para definir algo tão óbvio?
mesmo que não saibam quem são, eles têm consciência de sua própria dor. Sabemos, por exemplo, que ratos e galinhas sentem empatia. Eles conseguem se colocar no lugar dos bichos ao redor e sentem pena ao vê-los sofrer.
Elefantes vivenciam alegria, luto e depressão. Lamentam a perda dos amigos, assim como os cães, chimpanzés e raposas vermelhas.
Os polvos foram protegidos de pesquisas invasivas no Reino Unido bem antes dos chimpanzés, pois os cientistas já haviam reconhecido que eles são conscientes e sentem dor.
Estima-se que 25 milhões de ratos, pássaros, peixes e outros animais sejam usados todo ano em experimentos de laboratório. Muitos passam por um sofrimento terrível.
As pessoas justificam atitudes assim dizendo que vão ajudar os humanos. No entanto, mais de 90% das drogas que funcionam em animais não têm o mesmo efeito em nós. Menos de 10% delas nos ajudam de fato.
Cientistas famosos finalmente admitem que animais têm consciência.

14.373 – Diagnóstico Precoce do Azheimer


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Cientistas americanos desenvolveram um exame de sangue que pode detectar o Alzheimer até vinte anos antes de a doença manifestar sintomas graves, como a perda de memória. Segundo os pesquisadores, a precisão dos resultados do teste na identificação de alterações cerebrais chega a 94%. A novidade — que ainda deve levar alguns anos para ser disponibilizada no mercado, pode significar avaliações mais rápidas e baratas para prever o risco de desenvolver a demência. Atualmente, os únicos métodos de verificação da doença são o PET-Scan, um tipo de tomografia computadorizada extremamente cara (entre 3.500 e 4.000 reais) , e a coleta de líquido cefalorraquidiano, que é um procedimeneto invasivo, uma vez que retira fluido da medula espinhal. Por causa disso, muitas pessoas deixam de fazer os testes de detecção precoce do Alzheimer. O novo exame, no entanto, poderia mudar essa realidade.
De acordo com a equipe, o exame de sangue é capaz de indicar o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro — um dos principais indicativos da doença —, além de ponderar outros dois fatores de riscos: a idade (quanto mais velha a pessoa é, maiores são os riscos de desenvolver Alzheimer) e a presença do gene apolipoproteína E (apoE4) — um fator genético que indica quão suscetível ao problema o indivíduo é.
Os resultados foram publicados na revista Neurology e apresentados na Conferência da Associação Internacional de Alzheimer, que aconteceu no mês passado.
Para identificar a presença da proteína beta-amiloide no cérebro, a equipe da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, decidiu medir a proporção de dois fragmentos dessa proteína: a-beta 42 e a beta 40.
De acordo com os pesquisadores, esses fragmentos se formam quando a beta-amiloide é cortada por enzimas — um processo natural do organismo.
Entretanto, no caso de quem desenvolve o Alzheimer, essas partes menores resultantes do corte começam a se unir, formando placas. Em um indivíduo sem a doença, esses fragmentos seriam eliminados através do sangue.Assim, os cientistas concluíram que, ao examinar o sangue de um paciente, se quantidades abaixo do esperado de proteína amiloide.
especialmente de a-beta 42 — fossem encontrados no sangue, isso poderia ser indicativo de um acúmulo delas no cérebro, o que consequentemente elevaria o risco de desenvolver Alzheimer.
Baseado em evidências anteriores, que mostraram ser possível provar que essas placas começam a se formar até duas décadas antes do início dos sintomas, a equipe determinou que um simples exame de sangue pode detectar a doença. No começo do ano passado, os pesquisadores já haviam informado sobre essa descoberta mostrando que o exame de sangue garantia uma precisão de 88% na identificação da presença de placas amiloides no cérebro quando comparado aos atuais métodos de diagnóstico.
No entanto, esse valor foi considerado baixo como forma de prever um problema de saúde tão grave — o recomendado seria uma porcentagem acima de 90%.
Por causa disso, a equipe decidiu adicionar ao teste outros dois fatores de risco importantes no aparecimento do Alzheimer: a idade do paciente e a presença do gene apoE4. Uma vez adicionados, a precisão do exame subiu para 94%.
Para chegar a esse resultado, a equipe analisou 158 pessoas com idade acima de 50 anos
A maioria apresentava sinais cognitivos normais no início do estudo. Os participantes foram acompanhados por cerca de quatro anos e também passaram pelo PET-Scan e forneceram amostras de líquido cefalorraquidiano no começo e no final da pesquisa para confirmar resultados obtidos nos exames de sangue.
O acompanhamento dos pacientes e a realização dos testes tradicionais permitiram à equipe fazer outras descobertas importantes. Segundo os pesquisadores, alguns participantes obtiveram resultados negativos para a presença de placas amiloides no cérebro no início do estudo quando avaliados pelo PET-Scan, mas apresentaram resultado positivo no exame de sangue.
Uma análise mais aprofundada mostrou que quando isso acontecia, o indivíduo apresentava um risco 15 vezes maior de receber um resultado positivo de PET-Scan no final do estudo.
Ou seja, o exame de sangue é capaz de detectar mudanças muito precoces na amiloide que nem mesmo a tomografia consegue perceber.
Apesar de ser necessário mais estudos, com grupos maiores de pacientes, os pesquisadores acreditam que os resultados preliminares trazem esperança não apenas para os indivíduos em risco de desenvolver a doença e que receberiam a chance de tratá-la precocemente mediante um resultado positivo no exame de sangue, como também ajudaria a comunidade científica a encontrar potenciais participantes para a realização de estudos voltados para o desenvolvimento da cura para o Alzheimer.
Isso significa que podemos inscrever mais eficientemente os participantes em ensaios clínicos, o que nos ajudará a encontrar tratamentos mais rapidamente e poderá ter um impacto enorme no custo da doença, bem como no sofrimento humano que a acompanha”.

14.363 – Neurociência – Cientistas conectam cérebro humano à internet pela primeira vez


neurochip
O projeto, reportado pelo Medical Xpress, ganhou o nome de “Brainternet”. O líder da pesquisa é o engenheiro Adam Pantanowitz, que, junto a um time multidisciplinar de cientistas, pretende acelerar a coleta de informações sobre o cérebro humano. Basicamente, a ideia é transformar o cérebro em um dispositivo de internet das coisas em estudos específicos.
O Brainternet funciona da seguinte maneira: um voluntário no estudo usou durante dias um headset sem fio de eletroencefalografia (EEG), fabricado pela norte-americana Emotiv, capaz de captar oscilações neurais, também conhecidas como “ondas cerebrais”, isto é, as ordens que circulam de um lado para o outro no nosso cérebro.
O headset então transmite, sem fios, os dados captados para um Raspberry Pi, um minicomputador alimentado por uma bateria portátil e que, por sua vez, roda um software que interpreta esses dados. O Raspberry Pi é então ligado ao Wi-Fi e disponibiliza, em tempo real, todas as informações captadas das ondas cerebrais do voluntário em uma página da web.
O diferencial do estudo é que, neste caso, a comunicação entre o cérebro e a internet não é de via única. O site (Brainternet.me, que já está fora do ar), além de mostrar em tempo real a atividade em diferentes partes do cérebro, também permite certo nível de interatividade. É possível selecionar dados específicos de uma determinada ação, como “erguer o braço esquerdo”. É o que se vê no vídeo logo abaixo, por exemplo, publicado pela equipe de Pantanowitz.
Por enquanto, o projeto é apenas uma prova de conceito e não tem como objetivo ser explorado livremente, e muito menos comercialmente. A expectativa dos pesquisadores, porém, é de que, no futuro, essa tecnologia acelere estudos sobre o cérebro humano, fornecendo uma interface de fácil acesso para cientistas do mundo todo estudarem, pela internet e em tempo real, as ondas cerebrais que comandam nossos pensamentos.

14.272 – Neurociência – Como o Cérebro Humano Evoluiu?


neurologia
Em média, o tamanho dos cérebros dos primatas é quase o dobro do que é esperado para os mamíferos do mesmo tamanho do corpo. Através de quase sete milhões de anos, o cérebro humano triplicou de tamanho, com a maior parte deste crescimento ocorrendo nos últimos dois milhões de anos.
Determinar mudanças no cérebro ao longo do tempo é complicado. Não temos cérebros antigos para pesar em uma balança. Podemos, porém, medir o interior de crânios antigos, e alguns fósseis raros com moldes naturalmente preservados do interior do crânio. Ambas as abordagens de estudo dos primeiros crânios nos dão evidências sobre os volumes dos cérebros antigos e alguns detalhes sobre o tamanho relativo das grandes áreas do cérebro.
Para os primeiros dois terços da nossa história, o tamanho do cérebro dos nossos antepassados ​​estava dentro do intervalo dos outros macacos que vivem hoje. A espécie da famosa fóssil Lucy, o Australopithecus afarensis, tinha crânio com volume interno entre 400 e 550 mililitros, considerando que crânios de chimpanzé armazenam cerca de 400 ml e gorilas entre 500 e 700 ml. Durante este tempo, os cérebros dos australopitecos começou a mostrar mudanças sutis na estrutura e na forma em comparação com macacos. Por exemplo, o neocórtex havia começado a expandir-se, reorganizando as suas funções de processamento visual para outras regiões do cérebro.
O último terço da nossa evolução viu quase toda a ação no tamanho do cérebro. Homo habilis, o primeiro do nosso gênero Homo que desapareceu há 1,9 milhões anos atrás, viu um salto modesto no tamanho do cérebro, incluindo a expansão de uma linguagem – relacionada a uma parte do lobo frontal chamada área da Broca. Os primeiros crânios fósseis de Homo erectus 1,8 milhões de anos, tinham o cérebro em média um pouco maior do que 600 ml.
A partir daqui as espécies embarcam em uma marcha ascendente lenta, chegando a mais de 1.000 ml cerca de 500 mil anos atrás. Homo sapiens tinham cérebros dentro da gama de pessoas de hoje em dia, com média de 1.200 ml ou mais. Com a nossa cultura e complexidade linguística, necessidades dietéticas e capacidades tecnológicas tomaram um salto significativo nesta fase, nossos cérebros cresceram para acomodar as mudanças. As mudanças na forma que vemos acentuam as regiões relacionadas à profundidade de planejamento, comunicação, resolução de problemas e de outras funções cognitivas mais avançadas.
Com alguma ironia evolucionária, os últimos 10.000 anos de existência humana realmente encolheram nossos cérebros. A nutrição em populações agrícolas pode ter sido um importante impulsionador desta tendência. Sociedades industriais nos últimos 100 anos, porém, re-aumentaram o tamanho do cérebro, com a nutrição na infância aumentando e doenças infantis diminuindo. Embora o passado não preveja a evolução futura, uma maior integração com a tecnologia e engenharia genética pode catapultar o cérebro humano para o desconhecido.

14.268 – Neurociência – Memória e Inteligência


neurociencia
Capacidade intelectual difere de uma pessoa para outra não é novidade. O desafio da ciência tem sido descobrir como e por que essas variações ocorrem. Recentemente, pesquisadores deram um passo importante: constataram que uma das chaves para entender esse mistério está na memória de curto prazo.
Pessoas mais inteligentes costumam obter melhor aproveitamento na escola, costumam ter mais chances de ocupar postos de trabalho nos quais têm autonomia e recebem salários acima da média. Além disso, são mais atentas a estratégias que favoreçam sua saúde, tanto física quanto mental – e vivem mais tempo. É claro que só o aspecto cognitivo não basta, mas pesquisas têm mostrado que os benefícios de um alto nível intelectual são numerosos – assim como as desvantagens de uma inteligência pouco privilegiada. Obviamente existem exceções, mas essa é a norma vigente na sociedade ocidental atual.
Não por acaso, em vários países os programas de pesquisa destinados a melhorar a inteligência se encontram entre os que recebem mais investimento. Cada vez mais há consenso de que melhorar a inteligência da população é relevante, sobretudo pelos benefícios obtidos quando esse objetivo é alcançado.
Contudo, seguimos sem uma resposta clara sobre como conseguir isso. Estudos revelam que os ganhos obtidos por meio de estratégias de melhora cognitiva se dissipam com o passar do tempo após a intervenção ser concluída. Pelo menos é esse o parecer oficial da Associação Americana de Psicologia depois da revisão de dezenas de pesquisas nessa área.
Mecanismos mentais
Nesse contexto está enquadrada, em parte, a intenção de encontrar os mecanismos mentais e cognitivos básicos sobre os quais se apoia a inteligência. Há muitos anos, cientistas vêm insistindo que alguns processos mnêmicos são essenciais para a inteligência. A memória operativa (ou de trabalho) constitui um rico e complexo mecanismo mental, mas seus processos mais básicos se consolidam sobre o armazenamento temporal da informação relevante.
A memória operativa permite o “uso” de determinada informação durante um breve período. Por exemplo, compreender a frase que você está lendo neste exato momento exige a capacidade de conservar na lembrança a primeira parte do que foi apreendido até que seja lido todo o resto – e, assim, o trecho do texto faça sentido. Trata-se da memória “de ação”, não para armazenamento, como um arquivo. Afinal, não é possível entender o que não lembramos nem podemos raciocinar a respeito de um problema que não temos em mente e cujos detalhes vão se perdendo à medida que procuramos solucioná-lo. Não é possível resolver uma questão se alguns de seus elementos se perdem no caminho ou considerar uma informação que vai se “desfazendo”.
Existe uma extensa pesquisa sobre o tema ainda não concluída – portanto, ela é parcial. Os estudos se concentram apenas em algumas variáveis potencialmente relevantes, sendo raros os que consideram a maior parte delas de forma simultânea. Tratamos desse impasse no artigo “Podemos reduzir a inteligência fluida à memória de curto prazo?”, publicado no periódico científico Intelligence. Geralmente são medidas algumas capacidades intelectuais básicas: inteligência fluida ou abstrata, cristalizada ou cultural e visuoespacial. Também costumam ser avaliados aspectos como funcionamento executivo, atenção, velocidade mental, memória de curto prazo e memória operativa. Considerando-se as relações recíprocas, foi descoberto que o elemento comum na memória de curto prazo, na memória de trabalho e no funcionamento executivo – ou seja, o armazenamento temporal da informação – se encontrava profundamente associado à inteligência fluida.
Conservar a informação
Na prática, esse resultado nos leva a supor que as pessoas mais inteligentes têm maior capacidade para conservar, em estado ativo, a informação considerada mais relevante durante o tempo necessário para ser utilizada. Já aspectos como rapidez de raciocínio ou concentração são considerados secundários quando se trata do armazenamento de curto prazo.
Tal resultado corrobora as conclusões de outras pesquisas nas quais foram usados outros métodos de investigação. De um lado, os estudos de neuroimagem revelam que a inteligência e a memória de curto prazo compartilham um suporte neuroanatômico distribuído em regiões-chave dos lóbulos frontais e parietais. De outro, o treinamento adaptativo cognitivo embasado no aumento da capacidade para supervisionar uma maior quantidade de informação durante determinado tempo eleva significativamente o rendimento nos testes que valorizam a inteligência fluida.
Curiosamente, capacidades intelectuais superficialmente muito diferentes parecem encontrar-se fortemente ligadas por alguma classe de limitação compartilhada. Quando pudermos superar essa dificuldade, talvez estejamos mais perto de atingir um objetivo que fascina tanto cientistas quanto leigos: encontrar formas de nos tornarmos mais inteligentes.

14.206 – Neurônios Artificiais



Uma equipe internacional liderada por pesquisadores da Universidade de Bath (Inglaterra) realizou um feito inédito: conseguiu reproduzir a atividade biológica de neurônios usando chips de silicone.
E o que é ainda melhor: esses “neurônios artificias” requerem apenas 140 nanoWatts para funcionar, o que é um bilionésimo da energia necessária a microprocessadores utilizados em outros estudos.
Os chips têm inúmeras potenciais aplicações médicas, especialmente para curar doenças crônicas como o Alzheimer, nas quais os neurônios não funcionam adequadamente.

Também podem servir para restaurar a função em casos nos quais as células pararam de funcionar totalmente, como lesões na medula espinhal.

Por fim, também poderiam tratar condições como insuficiência cardíaca. Nesse caso, alguns neurônios na base do cérebro não trabalham adequadamente, de forma que não enviam os sinais corretos para o coração, que por sua vez não bombeia tão forte quanto deveria.
Criar os chips não foi nada fácil. Neurônios se comportam de maneira semelhante a circuitos elétricos, mas de forma muito menos previsível.
Assim, os pesquisadores tiveram que fazer cálculos e criar modelos para tentar elucidar como neurônios específicos respondiam a certos estímulos elétricos.

E essas respostas não eram lineares; por exemplo, quando um sinal se torna duas vezes mais forte, isso não significa necessariamente que vai liberar uma reação duas vezes maior.
Ao projetar os chips de silicone, os pesquisadores tentaram imitar a resposta dos neurônios a uma variedade de estímulos. E conseguiram replicar com sucesso a dinâmica dos neurônios respiratórios e do hipocampo em ratos.
“Nosso trabalho é paradigmático porque fornece um método robusto para reproduzir as propriedades elétricas de neurônios reais em mínimos detalhes”, disse o principal autor do estudo, Alain Nogaret, do Departamento de Física da Universidade de Bath.
Uma vez que os neurônios artificiais podem ser miniaturizados e implantados, isso cria diversas oportunidades para dispositivos médicos inteligentes e personalizados.

14.123 – Neuro Prótese para Paraplégicos


Uma pesquisa liderada pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis permitiu que pacientes paraplégicos caminhassem. O trabalho foi publicado na revista Scientific Reports e utiliza várias abordagens combinadas para o feito. A principal delas é um dispositivo de estimulação muscular e de uma interface cérebro-máquina, que permite controlar outros aparelhos por meio do pensamento.
Na prática, o paciente imagina que sua perna está se movendo, o que aciona a contração de oito músculos naquele membro e permite que os passos sejam dados. Os dois participantes do estudo possuem paraplegia crônica e, de acordo com o artigo da equipe de Nicolelis, foram capazes de caminhar em segurança apoiados entre 65% e 70% de seu peso corporal. Além disso, deram 4580 passos durante os testes.
Melhoras
O trabalho relata que foram encontradas melhoras cardiovasculares e houve menor dependência de assistência para se locomover. Outro benefício reportado pela equipe foi uma recuperação neurológica parcial dos dois pacientes. Um deles tem 40 anos e sofreu a lesão medular há quatro, enquanto o outro tem 32 e sofreu a lesão há 10 anos.

A pesquisa faz parte do projeto Andar de novo (Walk Again Project), que é um consórcio internacional sem fins lucrativos reunindo pesquisadores dedicados a estudar a recuperação de pacientes com lesões medulares.
Esta não foi a primeira demonstração de quão promissor é o dispositivo desenvolvido pela equipe de Nicolelis, que lidera um grupo de pesquisadores na área de Neurociência na Duke University, nos Estados Unidos. Uma pesquisa desenvolvida por ele permitiu que um jovem paraplégico chutasse uma bola durante a abertura da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

14.112 – Neurologia – Como nascem as memórias falsas


neurologia
Salvador Dalí, pintor surrealista do século 20, dizia ser dono de uma memória incomum. Ele teria lembranças detalhadas até mesmo da temporada que passou no útero de sua mãe – como se literalmente tivesse vindo ao mundo ontem.
Em sua autobiografia, A Vida Secreta de Salvador Dalí, o artista catalão chega a afirmar que memórias de uma vida entre chutes e contrações estariam ao alcance de qualquer pessoa. Bastava que fossem estimuladas por histórias (como as dele) para virem à tona.
Havia, no entanto, um porém: nada do que Dalí dizia se lembrar era real. E qualquer recordação que seus leitores porventura tivessem seria igualmente falsa. Isso ocorre por causa de uma característica única do cérebro humano: viver confundindo o que é memória com o que não passa de uma ilusão quase perfeita.
Seu cérebro acessa memórias o tempo todo. É assim que você aprende alguma coisa e depois não precisa voltar a estudá-la todos os dias – ou acorda sabendo o nome dos seus pais. A vida seria impossível se você não pudesse confiar na memória… E, ainda assim, ela não é das mais confiáveis.
O cérebro é capaz de gravar corretamente uma situação e armazená-la junto a memórias verdadeiras, sem que ela tenha ocorrido de fato. Pode ter sido contada por outra pessoa. Ou simplesmente imaginada.
É o caso de Dalí. Não há consenso entre os cientistas se é possível guardar qualquer coisa vivida antes dos 2,5 anos de idade. Alguns estudos vão além: afirmam que nenhuma memória sobrevive dos zero aos 3 – e que as primeiras memórias permanentes só surgem aos 5 anos. Um cérebro infantil, que ainda não está desenvolvido por completo, é incapaz de carregar lembranças da primeira infância até a fase adulta. E é essencial que seja exatamente assim – não só nos primeiros anos, mas ao longo da vida toda.
Estar constantemente lembrando e esquecendo é a chave para entender por que somos tão inteligentes e criativos. Aprender algo pela primeira vez é criar uma nova ligação entre áreas que nunca foram conectadas antes. E, para criar novas conexões, é preciso ter sempre espaço de sobra na memória. “Esquecer, e mais especificamente escolher o que será esquecido, também é importante para garantir que aquilo que precisa ficar cravado na memória de fato permaneça lá”, explica Giuliana Mazzoni, professora de psicologia da Universidade de Hull, na Inglaterra, e uma das principais referências do estudo de memórias falsas no mundo.
“Imagine, por exemplo, que você tenha mudado de cidade 21 vezes ao longo da vida. Se todos os 21 números de telefone que você teve vierem à mente ao mesmo tempo sempre que alguém pedir seu contato, haverá um ruído muito grande, capaz de bloquear da memória o único número que realmente importa a quem pergunta – o atual”, diz.
Nossas memórias ficam guardadas em uma região do cérebro chamada hipocampo, e são nada além de relações de afinidade entre os neurônios. Quando você memoriza alguma coisa – como a data de aniversário de sua mãe, por exemplo –, o cérebro forma conexões entre as células cerebrais que respondem por aquela informação. Se é preciso lembrar novamente a data em questão, a mesma rede de neurônios é ativada e recupera a informação correta.
Para reviver uma memória, portanto, é como se o cérebro tivesse que percorrer um caminho pré-determinado, reconectando a rede. Aí mora um problema: e se uma memória sem importância precisa ser resgatada com urgência e detalhes, anos depois de ser formada?
Para dar sentido à história, seu cérebro recorre à imaginação, preenchendo os buracos em modo automático. Como não poderia deixar de ser, ele faz esse trabalho da forma mais criativa possível, usando o que tiver à disposição. Nossa memória não se comporta como a de uma câmera digital, em que tudo, uma vez gravado, fica facilmente acessível quando se bem entende. Ela está mais para uma página de Wikipédia, que pode ser editada livremente. E o principal: ela é colaborativa. Você não é o único editor – sua memória enciclopédica também pode ser editada pelos outros.
A analogia acima é de Elizabeth Loftus, psicóloga americana que conduziu o primeiro teste de destaque envolvendo a implantação de memórias falsas em 1995. A ideia de Loftus era descobrir, nos experimentos, se era possível convencer alguém de algo que nunca viveu só na base da lábia. Algo no estilo do filme A Origem, só que com ela mesma assumindo o lugar de Leonardo DiCaprio.
A manipulação deu certo: uma em cada quatro pessoas testadas saíram dos encontros acreditando piamente ter memórias sobre os mais bizarros acontecimentos. De abduções alienígenas, beijos em sapos a até mesmo um pedido de casamento feito a uma máquina de refrigerantes, não parecia haver limites para as distorções que alguém poderia aceitar sobre a própria biografia.
Em 2015, outra pesquisadora encontrou resultados ainda mais distópicos. Em um experimento similar liderado por Julia Shaw, pesquisadora da University College, em Londres, 70% dos voluntários incorporaram memórias falsas. De machucados inventados a ataques de cachorro falsos, Shaw ainda conseguiu convencer seus voluntários a admitir pequenos crimes – furtos, por exemplo – que jamais existiram.
No primeiro momento, nenhum participante se lembrava das histórias estranhas. Mas isso mudou após gastarem alguns minutos por dia, durante três semanas, tentando visualizar a cena. Não raro, eles não apenas acreditaram no papo como descreviam o ocorrido com detalhes.
A chave para o sucesso do método estava na forma de conduzir a conversa. As histórias plantadas tinham como alicerce informações reais, dadas de antemão pelos pais das cobaias – como o nome de um amigo de infância ou da rua da casa em que viviam na época. Mescladas com informações absurdas e repetidas por vezes seguidas, o todo se tornava plausível. “Como assim você não se recorda? O cientista não mentiria para você dessa forma. Trate de se lembrar, para não passarmos vergonha”, diriam nossos neurônios, se pudessem. A fundação na realidade e a pressão da autoridade: temos aqui um belo combo para fazer o cérebro comprar a ideia de que uma lembrança existiu – e preencher incômodas lacunas com memórias falsas.
O fato de nossa memória ser manipulável e, em vários casos, pouco confiável, não costuma fazer diferença no trabalho, na escola ou em uma conversa de bar. No que se refere a obrigações legais, porém, lembrar de algo que não aconteceu pode ser a diferença entre condenar ou inocentar alguém.
Nos Estados Unidos, o Innocence Project, organização que identifica e interfere em casos de réus injustamente condenados, estima que 70% das condenações equivocadas são causadas por suspeitos reconhecidos de forma incorreta.
Não há um levantamento específico para o Brasil, mas, por aqui, o que se sabe é que os depoimentos de vítimas e testemunhas oculares são o principal tipo de evidência utilizada na condução de um processo criminal.
Um estudo realizado para o Ministério da Justiça, em 2014, mostrou que 90,3% dos profissionais que participam da investigação, como policiais, delegados, promotores e juízes, dão importância máxima a testemunhos. Além disso, 69,2% desses profissionais costumam valorizar em grandes proporções o reconhecimento facial de criminosos, eventualmente feito com base em fotografias.
O problema é que, às vezes, provas do tipo falham feio. Um exemplo de destaque foi o caso do dentista carioca André Biazucci Medeiros, que respondeu a sete acusações de estupro em 2014. Reconhecido pelas vítimas e preso, foi inocentado após exames de DNA.
Para piorar, os métodos de coleta dos testemunhos também atrapalham. Dependendo da abordagem da entrevista, a qualidade da prova pode ser comprometida – e a memória, enviesada. Fazer perguntas como “o carro era vermelho, não era?”, por exemplo, tem um impacto muito maior do que “o que você pode me dizer sobre o carro?” ou ainda “qual era a cor do carro?”.
Por esse motivo, alguns países adotam uma técnica chamada entrevista cognitiva, que evita questionamentos do tipo. Por lá, o controle da conversa precisa estar nas mãos de quem responde, não de quem pergunta. Segundo Gustavo Noronha de Ávila, professor de ciências jurídicas e pesquisador que integrou o estudo para o MJ, abordagens diferentes “podem legitimar condenações em série, com base em provas frágeis do ponto de vista científico”.

14.078 – Correr turbina o cérebro?


Se você está querendo exercitar o cérebro, mas não pretende enfiar a cara nos livros, aí vai uma sugestão: corra. E olha, óbvio que se for para uma biblioteca pode ser ótimo para a educação, mas seu destino nem é tão importante assim. O principal aqui é que você use a corrida como exercício.
Pesquisadores da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, estão afirmando que correr pode aumentar o número de células cerebrais — pelo menos em ratos. Os cientistas colocaram os roedores para malhar em três equipes diferentes: a primeira corria, outra levantava peso, e a última fazia um treinamento de alta intensidade, um crossfit para ratinhos. A conclusão foi que, enquanto o primeiro grupo demonstrou uma multiplicação nas células do cérebro, os outros dois times não tiveram nenhuma mudança significativa.
Os exercícios foram adaptados para o corpo dos animais. Para o time da corrida, uma pequena esteira foi colocada para os ratos, que corriam por meia hora durante três dias da semana. No caso dos que levantavam peso, amarraram pequenos pesos aos rabos dos roedores e os fizeram subir escadas. O terceiro grupo fazia o rato correr com arrancadas maiores e depois diminuir a velocidade, mas aplicando choques para fazer o animal correr sempre no seu limite.
De acordo com a pesquisa, o estresse pode estar relacionado com o fato de as células não se reproduzirem nos outros casos. Tanto o levantamento de peso quanto o treinamento de alta intensidade deixavam os ratos mais estressados. “Estresse é comumente considerado um inibidor na neurogênese adulta”, explica o texto. Por outro lado, os ratos que resolveram correr na esteira por livre e espontânea vontade foram os que registraram o maior número de células cerebrais.
Apesar de não mostrar um aumento no número de células, Miriam Nokia, autora da pesquisa, afirma que os benefícios cerebrais de levantar peso podem existir, só que ainda não foram notados. “Os efeitos do treino anaeróbico sobre o cérebro em definitivamente, algo que eu quero estudar mais”, disse Nokia em entrevista ao site americano.

14.077 – Turbinando os Neurônios


neurociencia
Seu cérebro é uma metamorfose ambulante. E até coisas banais, como tocar violão ou sair com os amigos, podem ajudá-lo a funcionar melhor. “A massa cinzenta é extremamente plástica”, diz Sidarta Ribeiro, um dos mais influentes neurologistas do país. “E o que mais ajuda é ler muito e conversar.” Mas não fica nisso: se você quiser aprimorar uma área específica, como a matemática ou a capacidade de leitura, tem como fazer isso de um jeito inusitado. Uma pesquisa publicada em 2008 por um consórcio de 7 grandes universidades americanas mostrou algo que parecia pouco provável: música e teatro aumentam a capacidade de concentração e geram ganhos tão significativos para a memória que você tem como extrapolar a melhora para outras áreas. Eles observaram que quem treina para tocar um instrumento parece ficar mais habilidoso em geometria e a compreender melhor um texto. Quem faz teatro, por fim, fica com a memória mais apurada, pelo hábito de decorar textos e interpretá-los no palco, e aumenta o nível de atenção – algo fundamental para aprender qualquer coisa. E a coisa não pára por aí. A escola de medicina de Harvard conduziu uma experiência ainda mais surpreendente em 2007. Neurocientistas de lá colocaram voluntários para tocar exercícios fáceis de piano. Eles treinaram duas horas por dia durante uma semana. Depois os pesquisadores escanearam o cérebro do pessoal. E viram que a área da massa cinzenta responsável pelos movimentos dos dedos havia crescido. Calma, essa ainda não é a parte insólita. Outros estudos já tinham mostrado que o cérebro é capaz de fazer isso quando você treina um pouco. A surpresa mesmo veio quando pegaram outro grupo e pediram que eles só imaginassem que estavam tocando piano. Resultado: o cérebro deles reagiu da mesma forma. Isso mostrou que o pensamento puro e simples é capaz de mudar a estrutura da mente. Tem mais. A psicóloga Carol Dwek, da Universidade de Stanford, mostrou que até “pensamento positivo” funciona. Ela dividiu centenas de estudantes em dois grupos: os que achavam que sua inteligência era fixa e os que pensavam que ela podia mudar. Nos dois anos seguintes, o segundo grupo se deu melhor nos estudos.

Claro que nada disso pode fazer milagres com o cérebro: até 80% do seu QI já veio de fábrica com você. Mas que dá para trabalhar o resto, dá: o negócio é manter a mente ativa do jeito que você bem entender. E seguir as outras dicas que você vai ver aqui.

Coma nozes
“Dieta variada, exercícios físicos e uma boa noite de sono melhoram nossa capacidade cognitiva”, afirma o neurocirurgião Fernando Gómez-Pinilla, da Universidade da Califórnia. Ele diz que os ácidos graxos ômega 3, encontrados em nozes, óleos vegetais, salmão e outros peixes, são ótimos para o aprendizado e a memória. Nossas sinapses também gostam de ácido fólico (a vitamina B9, presente em vísceras de animais, verduras, legumes e grãos) e detestam gorduras trans e saturadas. Além disso, técnicas de ioga ajudam no raciocínio porque corrigem a respiração e mantêm o suprimento de oxigênio ao cérebro. Pelo mesmo motivo, qualquer caminhada já favorece a cognição.

Não se afobe
O psiquiatra americano Edward Hallowell ensina: quando topar com um teste difícil de resolver, conte até 20, tentando baixar a freqüência do pulso e da respiração. Isso é uma boa forma de mandar ao cérebro um sinal de que está tudo ok. Também não se afobe ao ler um texto longo: a compreensão aumenta quando baixamos a velocidade da leitura.

Compre um Nintendo
Videogames exigem tanta atividade cerebral que, sim, podem deixar qualquer um mais inteligente. Essa tese começou a ganhar terreno em 2005, com o livro Everything Bad Is Good for You (“Tudo o Que É Bom É Ruim para Você”), do jornalista científico Steven Johnson. E hoje, com cada vez mais pesquisas mostrando que o simples fato de manter a cabeça ativa aumenta a cognição, ela vem ganhando terreno. Mas espere aí: se games melhoram o cérebro de forma indireta, por que não fazer um jogo que tenha como objetivo deixar os usuários mais espertos? Foi justamente o que a Nintendo fez em 2006. Era o Brain Age, um game projetado para melhorar a capacidade de raciocínio. Ele foi concebido a partir de idéias do neurocientista Ryuta Kawashima. O japonês observou que, quando alguém está trabalhando em algo muito complicado, como equações de física quântica, usa só algumas áreas do cérebro. Mas, se a tarefa for fazer uma seqüência de cálculos fáceis (tipo 3 + 2, 4 – 1, 9 + 3…), só que num ritmo frenético, um atrás do outro, acontece um fenômeno: seu cérebro vira um céu de Copacabana no Ano-Novo. Neurônios começam a pipocar suas descargas elétricas em todos os cantos da massa cinzenta. Esse é o objetivo do Brain Age: jogar problemas fáceis em seqüências estroboscópicas. E isso, pela teoria de Kawashima, funcionaria como uma academia para o cérebro. Além de seqüências de contas, o Brain Age tem outros jogos parecidos, como mostrar uma série de números espalhados na tela por um piscar de olhos, depois esconder tudo e pedir que você clique onde eles estavam, em ordem crescente. Outro puxa sua capacidade de concentração ao limite mostrando o nome de cores na tela, mas nas “cores erradas”, tipo a palavra “azul” escrita em amarelo. E desafia você a dizer qual é a pigmentação das letras. Parece fácil, mas é o suficiente para derreter os neurônios. Com essas coisas, o Brain Age vendeu 15 milhões de cópias. O êxito fez surgir uma série de clones do jogo.

E as drogas?
Alguns remédios podem bombar o raciocínio, em geral alterando o equilíbrio de neurotransmissores envolvidos nesse processo. Mas cuidado. As estrelas entre as “drogas da inteligência” são o metilfenidato (Ritalin) e o modafinil (Provigil). O primeiro é indicado para o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, enquanto o modafinil serve para combater a sonolência. Mas um recente relatório da Academia de Ciências Médicas de Londres afirma que eles ajudam a melhorar a atenção e a memória de pessoas saudáveis. O relatório também alerta para os perigos de comprar esses compostos sem orientação médica. O aderal, por exemplo, pode melhorar a concentração, mas também causar ataque cardíaco; o aniracetam ajuda na memória, mas gera ansiedade e insônia; as metanfetaminas contribuem para a concentração, e também para derrames cerebrais. Já a vasopressina, um hormônio para o tratamento do diabetes, ajuda na memória e no aprendizado. Por outro lado, seu consumo desordenado gera náuseas, anginas e coma.
E tem a velha nicotina. Estudos mostram que ela parece aumentar a interação entre os neurônios, o que favorece a atenção. Mas o preço a pagar por ela você sabe qual é. Segundo Gabriel Horn, da Universidade de Cambridge, mais de 500 substâncias como essas estão sendo pesquisadas – em geral para o tratamento de Alzheimer, Parkinson e outras doenças degenerativas. A maioria provavelmente terá seu uso restringido por agências reguladoras, mas algumas devem chegar às farmácias em breve.
Não basta ser, tem que parecer. Dividir uma conta de bar de cabeça, saber com que países a Lituânia, o Chade ou o Butão fazem fronteira e responder testes de inteligência mais rápido que os outros é privilégio de poucos. Mas, com estes truques aqui, qualquer ignóbil pode posar de Prêmio Nobel! Pode testar: eles ajudam sua cabeça a fazer coisas que nem ela acredita.

14.029 – Medicina – A Demência Senil


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Demência é uma categoria genérica de doenças cerebrais que gradualmente e a longo prazo causam diminuição da capacidade de raciocínio e memória, a tal ponto que interfere com a função normal da pessoa.
O tipo mais comum de demência é a doença de Alzheimer, responsável por 50 a 70% dos casos. Entre outras causas comuns estão a demência vascular (25%), demência com corpos de Lewy (15%) e demência frontotemporal. Entre outras possíveis causas, menos prováveis, estão a hidrocefalia de pressão normal, doença de Parkinson, sífilis e doença de Creutzfeldt-Jakob. A mesma pessoa pode manifestar mais de um tipo de demência.
O diagnóstico tem por base a história da doença e exames cognitivos, complementados por exames imagiológicos e análises ao sangue para despistar outras possíveis causas.
Não existe cura para a demência. Em muitos casos são administrados inibidores da acetilcolinesterase, como a donepezila, que podem ter alguns benefícios em demência ligeira a moderada.
Em 2015, a demência afetava 46 milhões de pessoas em todo o mundo. Cerca de 10% de todas as pessoas desenvolvem demência em algum momento da vida. A doença é mais comum à medida que a idade avança. Enquanto entre os 65 e 74 anos de idade apenas cerca de 3% de todas as pessoas têm demência, entre os 75 e os 84 anos a prevalência é de 19% e em pessoas com mais de 85 anos a prevalência é de cerca de 50%. Em 2013, a demência foi a causa de 1,7 milhões de mortes, um aumento em relação aos 0,8 milhões em 1990. À medida que a esperança de vida da população vai aumentando, a demência está-se a tornar cada vez mais comum entre a generalidade da população. No entanto, para cada intervalo etário específico a prevalência tem tendência a diminuir devido à diminuição dos fatores de risco, pelo menos nos países desenvolvidos. A demência é uma das causas mais comuns de invalidez entre os idosos. Estima-se que em cada ano seja responsável por custos económicos na ordem dos 604 mil milhões de dólares. Em muitos casos, as pessoas com demência são controladas fisicamente ou com medicamentos em grau superior ao necessário, o que levanta questões relativas aos direitos humanos. É comum a existência de estigma social em relação às pessoas afetadas.
A demência é um termo geral para várias doenças neurodegenerativas que afetam principalmente as pessoas da terceira idade. Todavia a expressão demência senil, embora ainda apareça na literatura, tende a cair em desuso. A maior parte do que se chamava demência pré-senil é de fato a doença de Alzheimer.O risco de demência é maior em pessoas que vivem perto de autoestradas ou vias com muito trânsito.

Entre 2001 e 2012, investigadores acompanharam dois milhões de pessoas no Canadá e concluíram que 7% dos casos de demência diagnosticados diziam respeito a pessoas que viviam até 50 metros de distância de estradas com muito tráfego automóvel.

O estudo publicado na revista médica “The Lancet”, indica que ao longo desses 11 anos foram diagnosticados 243 611 casos de demência e observou-se que havia mais casos da doença entre os que viviam perto de estradas congestionadas. Nestes casos, o número de diagnósticos foi 4% superior em pessoas quem residiam entre 50 e 100 metros de distância destas vias e 2% entre os que moravam entre 101 e 200 metros.
Ou seja, entre 7% a 11% dos casos de demência diagnosticados em moradores até 50 metros de uma via de movimento intenso podem estar relacionadas com o trânsito.
Os principais fatores de risco modificáveis para a demência são, no intervalo entre os 18 e os 45 anos o baixo nível de escolaridade. No intervalo entre os 45 e os 65 anos são a hipertensão, a obesidade e a perda de audição. No intervalo superior a 65 anos são o fumar, a depressão, a inatividade física, o isolamento social e a diabetes.
Atualmente, o principal tratamento oferecido para as demências baseia-se nas medicações inibidoras da colinesterase (donepezil, rivastigmina ou galantamina), que oferecem relativa ajuda na perda cognitiva, característica das demências, porém, com uma melhora muito pequena. Nesse sentido, a melhora das funções cognitivas verificadas no estudo avaliado não pode ser relacionada apenas a esse tipo de medicação.

Embora os pacientes do estudo avaliado evidenciassem um quadro de demência moderada e depressão, pesquisa de Kessing et al. (no prelo) demonstrou que o uso de antidepressivos em longo prazo, em pessoas com demência sem um quadro de depressão, diminuiu a taxa de demência e minimizou as perdas cognitivas associadas, sem, no entanto, ter reduzido tais perdas totalmente. Esse estudo também identificou que os antidepressivos utilizados em curto prazo geraram mais prejuízos às funções cognitivas em pessoas com demência. Portanto, apenas o uso de antidepressivos em longo prazo foi que surtiu um efeito protetivo.

Desse modo, podemos considerar que os antidepressivos usados em longo prazo, além de tratarem os quadros de depressão, que podem estar associados aos quadros de demência, são benéficos para o tratamento desta patologia. Alguns estudos revelaram que os antidepressivos podem ter efeitos neuroprotetivos, aumentando o nascimento e permitindo a sobrevivência de neurônios nas zonas do hipocampo (parte do cérebro relacionada principalmente à memória).
Um estudo publicado no “Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory and Cognition” conclui que os declínios que se verificam na memória reconstrutiva são indicio de um comprometimento cognitivo leve e de demência de Alzheimer, e não se verificam no envelhecimento saudável. “A memória reconstrutiva é muito estável em indivíduos saudáveis​​, de modo que um declínio neste tipo de memória é um indicador de comprometimento neurocognitivo” revela Valerie Reyna.
O envelhecimento da população leva a um aumento das doenças crônicas e degenerativas, acarretando um maior custo-paciente na área de saúde e a necessidade de inúmeras adaptações sociais, ambientais e econômicas. É provável que, em 2025, o Brasil se torne o 6.º país com mais idosos no mundo.[carece de fontes] O número de vítimas de demências aumenta exponencialmente com a idade afetando apenas 1,1% dos idosos entre 65 e 70 anos e mais de 65% depois dos 100 anos. A média em São Paulo no ano de 1998 na população acima de 65 anos foi estimada em 7,1%.

14.027 – Neurociência – Como Turbinar Seu Cérebro


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Para aqueles que acreditam na máxima de que o corpo é uma máquina, faz sentido dizer que o cérebro é que comanda as engrenagens. Em última análise, tudo que fazemos depende da performance desse órgão. A boa notícia é que nunca tivemos tantos recursos para conhecê-lo, treiná-lo e, por que não, fazê-lo funcionar melhor.
Duas das descobertas mais importantes demonstram que o cérebro é plástico e pode se adaptar, como qualquer músculo, e que os neurônios, ao contrário do que se acreditava, são produzidos ao longo da vida, e essa neurogênese pode ser estimulada.
Conhecidas como nootrópicos ou smart drugs, essas substâncias prometem melhorar o desempenho mental de áreas responsáveis por memória, concentração e velocidade de raciocínio, a partir de substâncias que não exigem prescrição médica e que não teriam efeitos colaterais. Com nomes sugestivos, como OptiMind, Alpha Brain e Lumonol, os coquetéis têm substâncias como cafeína, colina e racetams, que teriam a função de estimular neurotransmissores.

Esses produtos foram moda nos anos 1980 e voltaram a circular nas startups do Vale do Silício. No Brasil, não há suplementos aprovados pela Anvisa. “O ser humano está atrás de um milagre que turbine o cérebro, e é óbvio que há medicamentos que podem aumentar o desempenho e a atividade cerebrais, mas isso não necessariamente é positivo, pois eles podem ter malefícios e efeitos colaterais a longo prazo.
O que está na moda são substâncias que seriam naturais, como aginina e L-teanina, mas não há comprovação de efeito. Muitas dessas substâncias já foram estudadas e se mostraram ineficazes”, afirma o neurologista Renato Anghinah, professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP. Ele cita o caso do ginkgo biloba, que foi uma febre nos anos 1990, mas até hoje não há estudos conclusivos de que a substância proteja ou melhore a performance da atividade mental.
Não se espante se ouvir falar – e muito – sobre brain food. A neuronutrição está em alta e tem como foco os ingredientes que podem melhorar a concentração e a memória e combater os efeitos do envelhecimento no cérebro. No hotel London Corinthia, na capital inglesa, a neurocientista Tara Swart desenvolveu um menu que melhora a atividade mental: “Alguns alimentos têm poder maior de turbinar o cérebro. Uma boa hidratação e boas gorduras (ovos, peixes de águas profundas, abacate, nozes, azeite e óleo de coco) melhoram a capacidade de pensar e tomar decisões”, explica. “Magnésio é importante para reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Boas fontes são folhas verde-escuras ou até suplementos”, explica a cientista, que toma uma colher de óleo de coco batida com a bebida do café da manhã. “Dá um gás na capacidade cognitiva 20 minutos depois de tomar”, garante.
Se quiser começar as mudanças agora, beba água. “Uma baixa de 1% a 3% na hidratação já pode afetar negativamente memória, concentração e capacidade de decisão. Invista em alimentos como pepino, melancia e alface e tente beber pelo menos meio litro de água por dia a cada 15 kg de peso corporal.” A nutricionista funcional Priscila di Ciero complementa: “Ovos têm fosfatidilcolina, uma vitamina que forma a parede de células do corpo inteiro, inclusive do cérebro”, explica. Aliás, as colinas estão em boa parte das brain drugs, mas nos ovos a absorção é melhor. Cúrcuma, que dá o amarelo do curry, tem curcumina, que melhora a oxigenação do cérebro. “A dica é usar com pimenta, que melhora sua absorção.”

As frutas vermelhas têm antocianinas, que previnem o envelhecimento, e o café continua com o posto de estimulante imbatível: duas a três xícaras por dia ajudam a turbinar a memória. “Existem vários nutrientes e fitoterápicos que atuam como calmantes e antidepressivos, como a L-teanina (aminoácido presente no chá-preto), a valerina (planta com propriedades calmantes e sedativas) e o triptofano (presente em alimentos como a banana), que ajuda a formar serotonina e tem efeito antidepressivo e de bem-estar”, diz a especialista. E passe longe do excesso de açúcar, adoçantes, cigarro e poluição. O cérebro inflama – e muito! Essa lista de substâncias neurotóxicas pode acelerar o envelhecimento do órgão.
Neurônios adestrados

A ciência finalmente reuniu provas de que atividade física altera a plasticidade do cérebro, incluindo o nascimento de novos neurônios e a capacidade de regular funções como memória e criar novas conexões no hipocampo, ligado à aprendizagem. “Os exercícios aeróbios, em sessões de no mínimo meia hora, duas ou três vezes por semana, são o mínimo para obter os benefícios”, afirma a neurocientista e professora de yoga e corrida Valéria Duarte Garcia.

Já a malhação mental tem outras diretrizes: praticar uma atividade diferente do seu cotidiano estimula partes “sedentárias” do cérebro. O neurocientista Larry Katz, autor do livro Mantenha seu Cérebro Vivo (ed. Saraiva), criou a chamada neuróbica, exercícios que oferecem novos estímulos cerebrais. Ele dá dicas para começar a explorar a malhação mental. A primeira é usar seus sentidos em um contexto diferente (vestir-se no escuro, por exemplo).

A segunda é mudar o foco da atenção: fazer uma trilha na natureza aciona sentidos diferentes daqueles usados na cidade. A terceira é mudar rotinas do cotidiano, como usar a mão esquerda para escovar os dentes se você é destro. A quarta é usar associação com alguma informação pessoal, espacial ou instigante para guardar uma informação: volte à época do cursinho, quando você usava frases engraçadinhas para lembrar uma fórmula. É o mesmo princípio.

Reset na máquina

No corpo humano, a meditação é a forma de dar um Ctrl+Alt+Del. “Um estudo realizado por pesquisadores de Harvard constatou que a meditação modifica áreas estruturais do cérebro, mais especificamente a massa cinzenta”, conta Valéria Duarte Garcia. Após apenas oito semanas de práticas meditativas com a técnica mindfullness – ou atenção plena –, pode-se detectar modificações estruturais no cérebro mapeadas por imagens de ressonância magnética, que mostram maior densidade de massa cinzenta na região do hipocampo, área importante no processamento de memória e aprendizagem.

Em grupos de pesquisa, os participantes também relataram diminuição do estresse após o mesmo período de prática, provavelmente graças à menor densidade da massa cinzenta da região da amígdala cerebral, ligada ao processo de estresse e ansiedade. “E os benefícios não dependem de uma perspectiva espiritual da meditação. Basta observar a respiração e trazer a mente de volta a ela toda vez que esta insistir em fugir”, explica Valéria.
O uso de LSD em microdoses como potencializador da mente ou mesmo como droga lícita está na mira da ciência. “Os estudos com psicodélicos seguem a todo vapor no mundo. Atualmente, estão em andamento no exterior pelo menos duas pesquisas específicas sobre a microdosagem, e o assunto já foi tema de capa de três revistas científicas de prestígio”, diz Eduardo Schoenberg, doutor em neurociências pela USP com pós-doutorado no Imperial College London, onde acontece atualmente pesquisas com lisérgicos.

Os usuários dizem que o tratamento melhora foco e criatividade no trabalho e resistência e performance na atividade física. Obviamente, há quem aponte os malefícios: “O uso de drogas para aumento de produtividade, como foi clássico com a cocaína nos anos 1990, é relativamente comum. Mas a produtividade dura pouco, e há um grande risco para a carreira e a vida, caso se desenvolva dependência”, alerta o neurologista Renato Anghinah, da Academia Brasileira de Neurociência.

Se nada der certo…
Apostas mais bizarras também têm adeptos. Os bares de oxigênio foram uma febre nos Estados Unidos nos anos 1990, e muitos ainda sobrevivem. Não há evidências científicas de que se expor às sessões, que podem durar até 20 minutos, traga uma melhor performance mental. Os fãs dos oxygen bars garantem que elas melhoram a atenção e o foco, reduzem estresse, causam efeito relaxante e até curam ressaca.
As terapias com eletrochoque, apesar de parecerem radicais, podem ser uma alternativa no futuro: um estudo de 2010 da Universidade de Oxford indicou que microchoques, combinados com treinos específicos, poderiam melhorar o desempenho em tarefas ligadas à fala em pacientes que sofreram derrame.
Lumosity
Cria um programa sob medida para dar agilidade e precisão, com diversos exercícios baseados no perfil informado. Disponível para Android e iOS.

Fit Brains
São mais de 60 jogos e exercícios para memória, linguagem e rapidez de raciocínio baseados em psicologia cognitiva e neurociência. Disponível para Android e iOS.

Memrise
Cursos de idiomas, matemática, ciências e outros assuntos, baseados em técnicas de memorização. Disponível para Android e iOS.

13.972 – Neurociência – Chegaram os Chips Cerebrais


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“A startup Kernel, fica localizada num modesto escritório em Venice Beach, na Califórnia, mas tem grandes pretensões. É nela que uma equipe de cientistas, liderada pelo empreendedor de tecnologia Bryan Johnson, de 38 anos, trabalha para criar um micro chip para ser implantado no cérebro humano.”
“A inovação, segundo o grupo, é capaz de estimular a inteligência, potencializar a memória e melhorar as capacidades cognitivas de qualquer pessoa. Para Johnson, o chip garantiria à mente humana condições de acompanhar o ritmo da evolução dos computadores e da inteligência artificial.”
“De início, a tecnologia quer auxiliar pessoas com problemas neurológicos decorrentes do Alzheimer, Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou traumatismo craniano. Mas, em pouco tempo, pode revolucionar a história da saúde mental. “Nossa inteligência está cercada pela artificial e isso vai levar a uma degeneração cada vez mais expressiva do nosso cérebro. É uma questão de manter as pessoas na frente, à medida que a tecnologia avança”, defende Johnson.

O funcionamento
A tecnologia trabalha por meio de um software instalado no chip, que melhora a comunicação entre as células cerebrais. Em pouco tempo, o sistema avalia o que é reconhecido como um código saudável e dissemina a informação por meio de pulsos elétricos.
As doenças do cérebro tendem a confundir o processo de conversão de experiências recentes em memória de longo prazo. A função do chip é copiar e estimular os sinais elétricos que ocorrem quando as células sadias se comunicam entre si.
De acordo com avaliações recentes, os “chips de Berger” melhoraram a capacidade intelectual de ratos e macacos submetidos a testes. A ideia é inspirada por um trabalho bastante sólido desenvolvido pelo engenheiro biomédico Theodore Berger. Ele dirige o Centro de Engenharia Neural da Universidade do Sul da Califórnia e também o departamento de ciências da Kernel. Há mais de duas décadas, se dedica à criação de chips para pessoas que sofrem com doenças cerebrais. Estatísticas indicam que elas atingem um a cada nove adultos com mais de 65 anos.
Apesar de avançada, a novidade ainda leva alguns anos para ser fabricada e mais tempo ainda para ser democratizada. Para Johnson, a demora não é um problema. Pelo menos não por preocupações financeiras. Em 2013, ele vendeu por US$ 800 milhões sua última startup, a Braintree, para a empresa de meios de pagamento PayPal.

Inovações
Bryan Johnson é um dos empreendedores que defende que o Vale do Silício pode financiar descobertas científicas em larga escala capazes de melhorar a vida de milhões de pessoas.
Por lá, é cada vez maior o número de pessoas que acreditam que máquinas inteligentes ainda vão permitir que carros se locomovam sem motorista e que sistemas de lojas deduzam as necessidades dos compradores antes mesmo de o pedido ser feito.
Companhias que buscam reprogramar DNAs ou identificar tumores com base em análises sanguíneas, por exemplo, também têm suas ideias cada vez mais consideradas. Mais exemplos curiosos ficam por conta da Thync – cuja criação foi um fone de ouvido que envia impulsos elétricos ao cérebro e melhoram o humor – e a Nootrobox, que fabrica suplementos mastigáveis com ingredientes de chá verde e cafeína que acalmam.”

13.944 – Novo exame de sangue pode detectar Alzheimer com 16 anos de antecedência


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O teste foi criado com base no nível de uma proteína específica no sangue, chamada de mudança de luz do neurofilamento (NLC, na sigla em inglês), que faz parte da estrutura interna das células nervosas.
Segundo os pesquisadores, se as células nervosas forem danificadas, a proteína vaza para o líquido cefalorraquidiano – fluido aquoso que envolve o cérebro e a medula espinhal – e depois para o sangue.
A detecção de altos níveis de NLC no líquido cefalorraquidiano é um bom indicador dos danos às células cerebrais, mas a obtenção desse fluido requer uma punção lombar. Ou seja, envolve a inserção de uma agulha na parte inferior da coluna, método desagradável para muitos pacientes. Com isso, os cientistas decidiram ver se taxas elevadas de NLC eram detectáveis ​​em amostras de sangue.
Para realizar o experimento, a equipe recrutou parentes com variantes genéticas raras que causam o desenvolvimento de Alzheimer, entre 30 e 50 anos. Isso deu a chance de procurar por mudanças físicas que possam ocorrer antes de quaisquer sintomas.
Foram analisadas 247 pessoas que carregavam uma variante genética precoce para Alzheimer, e 162 pessoas que não tinham essa variação. Os portadores da variante precoce apresentaram níveis elevados de NLC no sangue, sendo que a quantidade aumentou com a idade. Em compraração, os níveis da proteína permaneceram baixos nas pessoas que tinham a variação genética saudável.
Os pesquisadores também estudaram exames cerebrais dos participantes. Eles descobriram que, à medida que os níveis de NLC aumentavam, uma parte do cérebro relacionada à memória (precuneus) começava a diminuir.
Taxas crescentes de NLC foram detectáveis ​​até 16 anos antes que os sintomas pudessem se desenvolver. As pessoas com níveis da proteína em ascensão eram mais propensas a mostrar sinais de declínio cognitivo e degeneração das células do cérebro dois anos depois.
No entanto, o estudo tem limitações: os cientistas analisaram apenas pessoas geneticamente predispostas à doença de Alzheimer, grupo que representa apenas 1% dos pacientes. “Não estamos no ponto em que podemos dizer às pessoas: ‘em cinco anos você terá demência’, mas estamos trabalhando para isso”, afirmou Brian Gordon, co-autor da análise.

13.937 – CIENTISTAS DESCOBREM COMO PRODUZIR HORMÔNIO QUE EVITA O MAL DE ALZHEIMER


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O mal de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que destrói a memória e outras funções mentais importantes. Pesquisadores seguem firme na descoberta de como a irisina, hormônio produzido a partir da realização de atividades físicas, regula os efeitos maléficos do distúrbio.
Os neurocientistas brasileiros Sérgio Ferreira e Fernanda de Felice são os protagonistas do estudo e, há quase 20 anos, vêm estudando tratamentos para a enfermidade. Durante todo esse tempo, foi comprovado que a prática de exercícios físicos faz bem para a memória e que a irisina funciona como um transmissor de informação, ou seja, leva uma mensagem do músculo para o cérebro, protegendo-o.
Os testes iniciais foram realizados em camundongos e, de fato, houve a comprovação de que eles produziam o hormônio ao realizar exercícios. Já quando o teor de irisina era baixo, os especialistas testaram fazer a reposição, e, para a surpresa de todos, eles voltaram a ter memória.
Inicialmente, a irisina foi descoberta por um pesquisador de diabetes dos Estados Unidos, e esse estudo durou aproximadamente 7 anos. Na época, ele afirmou que o hormônio é produzido pelo músculo, no tecido adiposo. Complementando, os neurocientistas reforçam que o fato de a irisina ser gerada pelo próprio organismo diminui as chances de efeitos colaterais.

Podemos ter esperança?
Levando em consideração os seres humanos, estudos indicam que pessoas que sofrem com o mal de Alzheimer têm baixíssimos índices desse hormônio no cérebro. Dessa forma, o estudo faz sentido. Mas os pesquisadores não param por aí; o próximo passo é descobrir como a irisina consegue proteger o órgão mais complexo do corpo humano: o cérebro.
Todo o estudo envolve 25 pesquisadores, sendo 18 brasileiros e o restante, dos Estados Unidos e do Canadá. Eles esperam que esse pontapé inicial contribua para que realmente o Alzheimer tenha um tratamento e possa, cada vez mais, deixar de ser um mal frequente após certa idade nos seres humanos.

13.923 – Nova Vacina contra o Alzheimer


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A empresa de biotecnologia United Neuroscience criou uma promissora vacina contra o Alzheimer, chamada de UB-311.
Em um pequeno estudo clínico, 96% dos pacientes demonstraram melhoras nos sintomas da doença, sem efeitos colaterais graves.
Ao longo das últimas décadas, diversas vacinas se mostraram esperançosas para certos pacientes, mas tiveram efeitos colaterais devastadores para outros, como inchaço no cérebro, por exemplo.
Agora, uma startup de Dublin, na Irlanda, pode estar no caminho certo. A United Neuroscience certamente ainda não curou o Alzheimer. No entanto, os pacientes que receberam sua vacina demonstraram melhora na função cerebral e uma redução na placa proteica que atrapalha seus neurônios.
O estudo clínico concluído ano passado testou a vacina em 42 pacientes com comprometimento cognitivo leve que pareciam estar nos estágios iniciais do Alzheimer. O grupo de controle recebeu um placebo, enquanto outros dois grupos receberam três injeções da vacina e depois novas doses a cada três ou seis meses ao longo de um ano e meio.
Os cientistas não têm certeza do que causa ou agrava a doença de Alzheimer, mas há vários suspeitos principais: amiloide, um grupo de proteínas que se acumula ao longo do tempo e se agrupa de maneiras que causa estragos no cérebro; tau, outra família de proteínas com problemas semelhantes; e inflamação em geral.
A vacina da United estimula o sistema imunológico do paciente a atacar a amiloide, que alguns pesquisadores acreditam ser a principal causa da condição. O trabalho da vacina é retardar o acúmulo de proteínas e, se possível, reverter alguns danos e restaurar a função cerebral.
Embora o pequeno número de pacientes impeça os pesquisadores de tirar conclusões estatísticas importantes, a empresa se sente encorajada para avançar no desenvolvimento da vacina, possivelmente com um parceiro maior. Até agora, eles já gastaram US$ 100 milhões em pesquisa e elaboração de vacinas.

Ressalvas
De acordo com Frank Longo, membro do departamento de neurologia da Universidade de Stanford (EUA) e cofundador da Pharmatrophix, outra empresa que está tentando curar a doença de Alzheimer, agir apenas no amiloide, sem tentar controlar a tau ou a inflamação, não é ideal.
“Qualquer terapia centrada na amiloide depende da precisão da hipótese da amiloide, e essa hipótese continua a ser questionada”, explica.
Além disso, o tratamento com UB-311 é melhor aproveitado se iniciado antes do aparecimento de sintomas, com doses administradas a cada seis meses, e os médicos ainda não podem prever com segurança quem terá Alzheimer e demência.
Por enquanto, a United está focada em levantar capital para financiar um estudo mais conclusivo sobre a UB-311 e para continuar refinando seu amplo leque de vacinas. A companhia está se preparando para iniciar os testes com a UB-312, voltada para a doença de Parkinson, bem como com uma segunda vacina contra o Alzheimer, centrada em combater a tau.
“Eles tomaram medidas iniciais muito promissoras com essa tecnologia”, disse Eric Reiman, um dos principais pesquisadores da doença do Alzheimer e conselheiro da United Neuroscience. “Mas isso ainda é o começo do começo”. [Bloomberg]

13.879 – Medicina – O que é o Micro AVC?


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Formalmente conhecido como Ataque Isquêmico Transitório (AIT), o mini-AVC, de acordo com a American Heart Association e American Stroke Association, é um episódio transitório de disfunção neurológica causada por focos de isquemia (restrição do fluxo de sangue e oxigênio) no cérebro, medula espinal ou retina, sem que haja, de fato, um “AVC completo”.
Em outras palavras, o AIT surge quando uma região do sistema nervoso, normalmente o cérebro, sofre uma relevante, porém temporária, redução do fluxo sanguíneo. No entanto, o problema é insuficiente para causar morte do tecido cerebral.
É importante lembrar que, apesar de ser conhecido como “mini-AVC”, o AIT e AVC são doenças completamente diferentes, apesar de apresentarem fisiopatologia semelhante e afetarem o mesmo grupo de risco (acima dos 55 anos, histórico de doenças cardiovasculares, hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, etc). Contudo, é mais correto chamá-lo de pré-AVC, uma vez que o problema deve ser encarado como um aviso de que algo está errado com a circulação sanguínea no cérebro.
squemia temporária, fazendo com que o órgão receba menos sangue e oxigênio. Então, com menos oxigênio disponível, os neurônios não conseguem desempenhar suas funções, resultando em sintomas neurológicos.

Essa diminuição do fluxo sanguíneo para o cérebro pode ocorrer por três razões:

1- Embolia cerebral (AIT embólico): causado por um coágulo, oriundo do coração ou artéria carótida, que viaja até o cérebro e obstrui o fluxo de uma artéria cerebral.

2- Aterosclerose de uma artéria cerebral (AIT lacunar): causada por obstruções relacionadas a placas de colesterol alojadas na parede de uma artéria cerebral.

3- Estenose da artéria carótida (AIT por baixo fluxo): fluxo sanguíneo na carótida é severamente reduzido como consequência de aterosclerose ou dissecção da própria artéria.
Sintomas
Os sinais e sintomas variam de acordo com a artéria acometida, tamanho da região afetada e mecanismo fisiopatológico por trás da isquemia. No entanto, a sintomatologia geral pode incluir:

– Perda de força em toda uma metade do corpo

– Dificuldade para falar ou articular as palavras

– Dificuldade para entender o que os outros dizem

– Incapacidade de reconhecer a própria doença

– Fraqueza ou dormência nos membros, face ou língua

– Tontura e desequilíbrio.

– Movimentos abruptos

– Visão dupla

– Perda total ou parcial da visão em um dos olhos

– Queda da pálpebra

– Incapacidade de olhar para cima

– Dor de cabeça súbita e intensa

– Dificuldade para andar
– Perda da audição

– Amnésia
Tratamento
Embora não exista um tratamento específico para o AIT, uma vez que os sintomas normalmente desaparecem de maneira espontânea após um período de tempo, os cuidados são voltados para a prevenção de um AVC.
As estratégias atuais de prevenção incluem a administração de remédios para controlar a pressão arterial, redução dos níveis de colesterol, terapia antitrombótica e uma modificação severa de estilo de vida, que pode incluir mudança de dieta, abandono do álcool e cigarro e a prática de exercícios físicos.

13.754 – Neurociência – Por que algumas pessoas são ambidestras?


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Quem é capaz de escrever e realizar tarefas do dia a dia usando as duas mãos é chamado de ambidestro, palavra que vem do latim através da união de ambi (“ambos”) e dext (“certo”).
Os ambidestros têm uma característica cerebral bastante interessante: nenhum dos lados do órgão é o lado dominante.
Ao contrário do que acontece com os destros, por exemplo, que usam a mão direita para escrever e realizar tarefas, mas têm o lado esquerdo do cérebro dominante.

Os estudos científicos mais atuais indicam que, apesar de algumas funções determinadas serem priorizadas por um ou outro lado cérebro, não existe uma divisão exata e rígida de tarefas. O mais provável é que as ações sejam realizadas em conjunto, podendo variar de acordo com as necessidades.

Funções atribuídas ao hemisfério esquerdo do cérebro
Domínio da linguagem formal, como regras gramaticais, por exemplo
Capacidade em entender contas e manipular números
Elaboração mais clara de um determinado raciocínio
Recordação de sequências de fatos
Funções atribuídas ao hemisfério direito do cérebro
Sutilezas da fala, como mudanças no tom de voz para indicar sentimentos
Reconhecimento facial
Capacidade intuitiva e criativa
Percepções espaciais

Ambidestria: características
A ambidestria pode ser de nascença, algo mais raro, ou mesmo aprendida ao longo dos anos. A versatilidade em usar ambas as mãos varia de grau mesmo entre os ambidestros que, em determinados casos, até hesitam diante de uma tarefa específica para saber qual mão escolher.
A ciência já sabe que aproximadamente apenas 1 em cada 100 pessoas é ambidestra, ou seja, capaz de realizar todas as tarefas com a mesma. O mais comum é encontrar ambidestros que, na realidade, nasceram canhotos e foram obrigados a usar a mão direita, especialmente durante a fase de aprendizado na infância.

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13.743 – O Café e a Vigília


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Após dez anos estudando o sono, as forças armadas dos Estados Unidos revelaram o quanto de café você precisa beber para ficar desperto, de acordo com a quantidade de horas dormidas. Com as informações, os militares estão desenvolvendo um aplicativo que deve ser lançado em breve.
Se você dorme cinco horas por noite, o indicado é consumir o equivalente a duas xícaras de café fraco quando acordar, seguido por mais duas outras xícaras, quatro horas depois. A “xícara de café fraca” deve ter cerca de 100 miligramas de cafeína.
Para quem obtêm quantidade razoável de sono, mas trabalha de madrugada, o recomendável é beber duas xícaras rápidas de café fraco logo no início do turno.
Já numa situação mais extrema, na qual a pessoa não será poderá dormir muito por um dia ou dois, o sugerido é beber o equivalente a duas xícaras de café à meia-noite, 4h da madrugada e 8h da manhã.
Publicada na revista Sleep, a pesquisa foi impulsionada pelo costume de sono de militares norte-americanos. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) disse que humanos precisam de oito a nove horas de sono. Contudo, cerca de 40% dos soldados dos EUA dormem menos de cinco horas. E isso vale para quando eles estão na própria casa. Quando estão em combate, a privação do sono se torna ainda mais extrema.
“Como os humanos respondem à privação contínua de sono de 60 horas? Como isso é diferente de quando você dorme três horas por noite durante 10 dias? O que estamos fazendo agora é desenvolver equações matemáticas que descrevam o fenômeno”, falou Jaques Reifman, do Departamento de Pesquisa Médica e Material do Exército dos EUA em Fort Detrick, Maryland, co-autor do estudo.
Reifman explicou que o objetivo da análise é extrair o máximo de benefício da bebida, assegurando ao mesmo tempo que a cafeína total na corrente sanguínea não exceda o limite de 400 miligramas.
O algoritmo criado foi a primeira parte da pesquisa, e agora os estudiosos estão buscando uma forma de determinar especificamente, pessoa a pessoa, em tempo quase real, a quantidade específica de cafeína que fará aumentar o nível de alerta dela.