14.029 – Medicina – A Demência Senil


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Demência é uma categoria genérica de doenças cerebrais que gradualmente e a longo prazo causam diminuição da capacidade de raciocínio e memória, a tal ponto que interfere com a função normal da pessoa.
O tipo mais comum de demência é a doença de Alzheimer, responsável por 50 a 70% dos casos. Entre outras causas comuns estão a demência vascular (25%), demência com corpos de Lewy (15%) e demência frontotemporal. Entre outras possíveis causas, menos prováveis, estão a hidrocefalia de pressão normal, doença de Parkinson, sífilis e doença de Creutzfeldt-Jakob. A mesma pessoa pode manifestar mais de um tipo de demência.
O diagnóstico tem por base a história da doença e exames cognitivos, complementados por exames imagiológicos e análises ao sangue para despistar outras possíveis causas.
Não existe cura para a demência. Em muitos casos são administrados inibidores da acetilcolinesterase, como a donepezila, que podem ter alguns benefícios em demência ligeira a moderada.
Em 2015, a demência afetava 46 milhões de pessoas em todo o mundo. Cerca de 10% de todas as pessoas desenvolvem demência em algum momento da vida. A doença é mais comum à medida que a idade avança. Enquanto entre os 65 e 74 anos de idade apenas cerca de 3% de todas as pessoas têm demência, entre os 75 e os 84 anos a prevalência é de 19% e em pessoas com mais de 85 anos a prevalência é de cerca de 50%. Em 2013, a demência foi a causa de 1,7 milhões de mortes, um aumento em relação aos 0,8 milhões em 1990. À medida que a esperança de vida da população vai aumentando, a demência está-se a tornar cada vez mais comum entre a generalidade da população. No entanto, para cada intervalo etário específico a prevalência tem tendência a diminuir devido à diminuição dos fatores de risco, pelo menos nos países desenvolvidos. A demência é uma das causas mais comuns de invalidez entre os idosos. Estima-se que em cada ano seja responsável por custos económicos na ordem dos 604 mil milhões de dólares. Em muitos casos, as pessoas com demência são controladas fisicamente ou com medicamentos em grau superior ao necessário, o que levanta questões relativas aos direitos humanos. É comum a existência de estigma social em relação às pessoas afetadas.
A demência é um termo geral para várias doenças neurodegenerativas que afetam principalmente as pessoas da terceira idade. Todavia a expressão demência senil, embora ainda apareça na literatura, tende a cair em desuso. A maior parte do que se chamava demência pré-senil é de fato a doença de Alzheimer.O risco de demência é maior em pessoas que vivem perto de autoestradas ou vias com muito trânsito.

Entre 2001 e 2012, investigadores acompanharam dois milhões de pessoas no Canadá e concluíram que 7% dos casos de demência diagnosticados diziam respeito a pessoas que viviam até 50 metros de distância de estradas com muito tráfego automóvel.

O estudo publicado na revista médica “The Lancet”, indica que ao longo desses 11 anos foram diagnosticados 243 611 casos de demência e observou-se que havia mais casos da doença entre os que viviam perto de estradas congestionadas. Nestes casos, o número de diagnósticos foi 4% superior em pessoas quem residiam entre 50 e 100 metros de distância destas vias e 2% entre os que moravam entre 101 e 200 metros.
Ou seja, entre 7% a 11% dos casos de demência diagnosticados em moradores até 50 metros de uma via de movimento intenso podem estar relacionadas com o trânsito.
Os principais fatores de risco modificáveis para a demência são, no intervalo entre os 18 e os 45 anos o baixo nível de escolaridade. No intervalo entre os 45 e os 65 anos são a hipertensão, a obesidade e a perda de audição. No intervalo superior a 65 anos são o fumar, a depressão, a inatividade física, o isolamento social e a diabetes.
Atualmente, o principal tratamento oferecido para as demências baseia-se nas medicações inibidoras da colinesterase (donepezil, rivastigmina ou galantamina), que oferecem relativa ajuda na perda cognitiva, característica das demências, porém, com uma melhora muito pequena. Nesse sentido, a melhora das funções cognitivas verificadas no estudo avaliado não pode ser relacionada apenas a esse tipo de medicação.

Embora os pacientes do estudo avaliado evidenciassem um quadro de demência moderada e depressão, pesquisa de Kessing et al. (no prelo) demonstrou que o uso de antidepressivos em longo prazo, em pessoas com demência sem um quadro de depressão, diminuiu a taxa de demência e minimizou as perdas cognitivas associadas, sem, no entanto, ter reduzido tais perdas totalmente. Esse estudo também identificou que os antidepressivos utilizados em curto prazo geraram mais prejuízos às funções cognitivas em pessoas com demência. Portanto, apenas o uso de antidepressivos em longo prazo foi que surtiu um efeito protetivo.

Desse modo, podemos considerar que os antidepressivos usados em longo prazo, além de tratarem os quadros de depressão, que podem estar associados aos quadros de demência, são benéficos para o tratamento desta patologia. Alguns estudos revelaram que os antidepressivos podem ter efeitos neuroprotetivos, aumentando o nascimento e permitindo a sobrevivência de neurônios nas zonas do hipocampo (parte do cérebro relacionada principalmente à memória).
Um estudo publicado no “Journal of Experimental Psychology: Learning, Memory and Cognition” conclui que os declínios que se verificam na memória reconstrutiva são indicio de um comprometimento cognitivo leve e de demência de Alzheimer, e não se verificam no envelhecimento saudável. “A memória reconstrutiva é muito estável em indivíduos saudáveis​​, de modo que um declínio neste tipo de memória é um indicador de comprometimento neurocognitivo” revela Valerie Reyna.
O envelhecimento da população leva a um aumento das doenças crônicas e degenerativas, acarretando um maior custo-paciente na área de saúde e a necessidade de inúmeras adaptações sociais, ambientais e econômicas. É provável que, em 2025, o Brasil se torne o 6.º país com mais idosos no mundo.[carece de fontes] O número de vítimas de demências aumenta exponencialmente com a idade afetando apenas 1,1% dos idosos entre 65 e 70 anos e mais de 65% depois dos 100 anos. A média em São Paulo no ano de 1998 na população acima de 65 anos foi estimada em 7,1%.

14.027 – Neurociência – Como Turbinar Seu Cérebro


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Para aqueles que acreditam na máxima de que o corpo é uma máquina, faz sentido dizer que o cérebro é que comanda as engrenagens. Em última análise, tudo que fazemos depende da performance desse órgão. A boa notícia é que nunca tivemos tantos recursos para conhecê-lo, treiná-lo e, por que não, fazê-lo funcionar melhor.
Duas das descobertas mais importantes demonstram que o cérebro é plástico e pode se adaptar, como qualquer músculo, e que os neurônios, ao contrário do que se acreditava, são produzidos ao longo da vida, e essa neurogênese pode ser estimulada.
Conhecidas como nootrópicos ou smart drugs, essas substâncias prometem melhorar o desempenho mental de áreas responsáveis por memória, concentração e velocidade de raciocínio, a partir de substâncias que não exigem prescrição médica e que não teriam efeitos colaterais. Com nomes sugestivos, como OptiMind, Alpha Brain e Lumonol, os coquetéis têm substâncias como cafeína, colina e racetams, que teriam a função de estimular neurotransmissores.

Esses produtos foram moda nos anos 1980 e voltaram a circular nas startups do Vale do Silício. No Brasil, não há suplementos aprovados pela Anvisa. “O ser humano está atrás de um milagre que turbine o cérebro, e é óbvio que há medicamentos que podem aumentar o desempenho e a atividade cerebrais, mas isso não necessariamente é positivo, pois eles podem ter malefícios e efeitos colaterais a longo prazo.
O que está na moda são substâncias que seriam naturais, como aginina e L-teanina, mas não há comprovação de efeito. Muitas dessas substâncias já foram estudadas e se mostraram ineficazes”, afirma o neurologista Renato Anghinah, professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP. Ele cita o caso do ginkgo biloba, que foi uma febre nos anos 1990, mas até hoje não há estudos conclusivos de que a substância proteja ou melhore a performance da atividade mental.
Não se espante se ouvir falar – e muito – sobre brain food. A neuronutrição está em alta e tem como foco os ingredientes que podem melhorar a concentração e a memória e combater os efeitos do envelhecimento no cérebro. No hotel London Corinthia, na capital inglesa, a neurocientista Tara Swart desenvolveu um menu que melhora a atividade mental: “Alguns alimentos têm poder maior de turbinar o cérebro. Uma boa hidratação e boas gorduras (ovos, peixes de águas profundas, abacate, nozes, azeite e óleo de coco) melhoram a capacidade de pensar e tomar decisões”, explica. “Magnésio é importante para reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Boas fontes são folhas verde-escuras ou até suplementos”, explica a cientista, que toma uma colher de óleo de coco batida com a bebida do café da manhã. “Dá um gás na capacidade cognitiva 20 minutos depois de tomar”, garante.
Se quiser começar as mudanças agora, beba água. “Uma baixa de 1% a 3% na hidratação já pode afetar negativamente memória, concentração e capacidade de decisão. Invista em alimentos como pepino, melancia e alface e tente beber pelo menos meio litro de água por dia a cada 15 kg de peso corporal.” A nutricionista funcional Priscila di Ciero complementa: “Ovos têm fosfatidilcolina, uma vitamina que forma a parede de células do corpo inteiro, inclusive do cérebro”, explica. Aliás, as colinas estão em boa parte das brain drugs, mas nos ovos a absorção é melhor. Cúrcuma, que dá o amarelo do curry, tem curcumina, que melhora a oxigenação do cérebro. “A dica é usar com pimenta, que melhora sua absorção.”

As frutas vermelhas têm antocianinas, que previnem o envelhecimento, e o café continua com o posto de estimulante imbatível: duas a três xícaras por dia ajudam a turbinar a memória. “Existem vários nutrientes e fitoterápicos que atuam como calmantes e antidepressivos, como a L-teanina (aminoácido presente no chá-preto), a valerina (planta com propriedades calmantes e sedativas) e o triptofano (presente em alimentos como a banana), que ajuda a formar serotonina e tem efeito antidepressivo e de bem-estar”, diz a especialista. E passe longe do excesso de açúcar, adoçantes, cigarro e poluição. O cérebro inflama – e muito! Essa lista de substâncias neurotóxicas pode acelerar o envelhecimento do órgão.
Neurônios adestrados

A ciência finalmente reuniu provas de que atividade física altera a plasticidade do cérebro, incluindo o nascimento de novos neurônios e a capacidade de regular funções como memória e criar novas conexões no hipocampo, ligado à aprendizagem. “Os exercícios aeróbios, em sessões de no mínimo meia hora, duas ou três vezes por semana, são o mínimo para obter os benefícios”, afirma a neurocientista e professora de yoga e corrida Valéria Duarte Garcia.

Já a malhação mental tem outras diretrizes: praticar uma atividade diferente do seu cotidiano estimula partes “sedentárias” do cérebro. O neurocientista Larry Katz, autor do livro Mantenha seu Cérebro Vivo (ed. Saraiva), criou a chamada neuróbica, exercícios que oferecem novos estímulos cerebrais. Ele dá dicas para começar a explorar a malhação mental. A primeira é usar seus sentidos em um contexto diferente (vestir-se no escuro, por exemplo).

A segunda é mudar o foco da atenção: fazer uma trilha na natureza aciona sentidos diferentes daqueles usados na cidade. A terceira é mudar rotinas do cotidiano, como usar a mão esquerda para escovar os dentes se você é destro. A quarta é usar associação com alguma informação pessoal, espacial ou instigante para guardar uma informação: volte à época do cursinho, quando você usava frases engraçadinhas para lembrar uma fórmula. É o mesmo princípio.

Reset na máquina

No corpo humano, a meditação é a forma de dar um Ctrl+Alt+Del. “Um estudo realizado por pesquisadores de Harvard constatou que a meditação modifica áreas estruturais do cérebro, mais especificamente a massa cinzenta”, conta Valéria Duarte Garcia. Após apenas oito semanas de práticas meditativas com a técnica mindfullness – ou atenção plena –, pode-se detectar modificações estruturais no cérebro mapeadas por imagens de ressonância magnética, que mostram maior densidade de massa cinzenta na região do hipocampo, área importante no processamento de memória e aprendizagem.

Em grupos de pesquisa, os participantes também relataram diminuição do estresse após o mesmo período de prática, provavelmente graças à menor densidade da massa cinzenta da região da amígdala cerebral, ligada ao processo de estresse e ansiedade. “E os benefícios não dependem de uma perspectiva espiritual da meditação. Basta observar a respiração e trazer a mente de volta a ela toda vez que esta insistir em fugir”, explica Valéria.
O uso de LSD em microdoses como potencializador da mente ou mesmo como droga lícita está na mira da ciência. “Os estudos com psicodélicos seguem a todo vapor no mundo. Atualmente, estão em andamento no exterior pelo menos duas pesquisas específicas sobre a microdosagem, e o assunto já foi tema de capa de três revistas científicas de prestígio”, diz Eduardo Schoenberg, doutor em neurociências pela USP com pós-doutorado no Imperial College London, onde acontece atualmente pesquisas com lisérgicos.

Os usuários dizem que o tratamento melhora foco e criatividade no trabalho e resistência e performance na atividade física. Obviamente, há quem aponte os malefícios: “O uso de drogas para aumento de produtividade, como foi clássico com a cocaína nos anos 1990, é relativamente comum. Mas a produtividade dura pouco, e há um grande risco para a carreira e a vida, caso se desenvolva dependência”, alerta o neurologista Renato Anghinah, da Academia Brasileira de Neurociência.

Se nada der certo…
Apostas mais bizarras também têm adeptos. Os bares de oxigênio foram uma febre nos Estados Unidos nos anos 1990, e muitos ainda sobrevivem. Não há evidências científicas de que se expor às sessões, que podem durar até 20 minutos, traga uma melhor performance mental. Os fãs dos oxygen bars garantem que elas melhoram a atenção e o foco, reduzem estresse, causam efeito relaxante e até curam ressaca.
As terapias com eletrochoque, apesar de parecerem radicais, podem ser uma alternativa no futuro: um estudo de 2010 da Universidade de Oxford indicou que microchoques, combinados com treinos específicos, poderiam melhorar o desempenho em tarefas ligadas à fala em pacientes que sofreram derrame.
Lumosity
Cria um programa sob medida para dar agilidade e precisão, com diversos exercícios baseados no perfil informado. Disponível para Android e iOS.

Fit Brains
São mais de 60 jogos e exercícios para memória, linguagem e rapidez de raciocínio baseados em psicologia cognitiva e neurociência. Disponível para Android e iOS.

Memrise
Cursos de idiomas, matemática, ciências e outros assuntos, baseados em técnicas de memorização. Disponível para Android e iOS.

13.972 – Neurociência – Chegaram os Chips Cerebrais


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“A startup Kernel, fica localizada num modesto escritório em Venice Beach, na Califórnia, mas tem grandes pretensões. É nela que uma equipe de cientistas, liderada pelo empreendedor de tecnologia Bryan Johnson, de 38 anos, trabalha para criar um micro chip para ser implantado no cérebro humano.”
“A inovação, segundo o grupo, é capaz de estimular a inteligência, potencializar a memória e melhorar as capacidades cognitivas de qualquer pessoa. Para Johnson, o chip garantiria à mente humana condições de acompanhar o ritmo da evolução dos computadores e da inteligência artificial.”
“De início, a tecnologia quer auxiliar pessoas com problemas neurológicos decorrentes do Alzheimer, Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou traumatismo craniano. Mas, em pouco tempo, pode revolucionar a história da saúde mental. “Nossa inteligência está cercada pela artificial e isso vai levar a uma degeneração cada vez mais expressiva do nosso cérebro. É uma questão de manter as pessoas na frente, à medida que a tecnologia avança”, defende Johnson.

O funcionamento
A tecnologia trabalha por meio de um software instalado no chip, que melhora a comunicação entre as células cerebrais. Em pouco tempo, o sistema avalia o que é reconhecido como um código saudável e dissemina a informação por meio de pulsos elétricos.
As doenças do cérebro tendem a confundir o processo de conversão de experiências recentes em memória de longo prazo. A função do chip é copiar e estimular os sinais elétricos que ocorrem quando as células sadias se comunicam entre si.
De acordo com avaliações recentes, os “chips de Berger” melhoraram a capacidade intelectual de ratos e macacos submetidos a testes. A ideia é inspirada por um trabalho bastante sólido desenvolvido pelo engenheiro biomédico Theodore Berger. Ele dirige o Centro de Engenharia Neural da Universidade do Sul da Califórnia e também o departamento de ciências da Kernel. Há mais de duas décadas, se dedica à criação de chips para pessoas que sofrem com doenças cerebrais. Estatísticas indicam que elas atingem um a cada nove adultos com mais de 65 anos.
Apesar de avançada, a novidade ainda leva alguns anos para ser fabricada e mais tempo ainda para ser democratizada. Para Johnson, a demora não é um problema. Pelo menos não por preocupações financeiras. Em 2013, ele vendeu por US$ 800 milhões sua última startup, a Braintree, para a empresa de meios de pagamento PayPal.

Inovações
Bryan Johnson é um dos empreendedores que defende que o Vale do Silício pode financiar descobertas científicas em larga escala capazes de melhorar a vida de milhões de pessoas.
Por lá, é cada vez maior o número de pessoas que acreditam que máquinas inteligentes ainda vão permitir que carros se locomovam sem motorista e que sistemas de lojas deduzam as necessidades dos compradores antes mesmo de o pedido ser feito.
Companhias que buscam reprogramar DNAs ou identificar tumores com base em análises sanguíneas, por exemplo, também têm suas ideias cada vez mais consideradas. Mais exemplos curiosos ficam por conta da Thync – cuja criação foi um fone de ouvido que envia impulsos elétricos ao cérebro e melhoram o humor – e a Nootrobox, que fabrica suplementos mastigáveis com ingredientes de chá verde e cafeína que acalmam.”

13.944 – Novo exame de sangue pode detectar Alzheimer com 16 anos de antecedência


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O teste foi criado com base no nível de uma proteína específica no sangue, chamada de mudança de luz do neurofilamento (NLC, na sigla em inglês), que faz parte da estrutura interna das células nervosas.
Segundo os pesquisadores, se as células nervosas forem danificadas, a proteína vaza para o líquido cefalorraquidiano – fluido aquoso que envolve o cérebro e a medula espinhal – e depois para o sangue.
A detecção de altos níveis de NLC no líquido cefalorraquidiano é um bom indicador dos danos às células cerebrais, mas a obtenção desse fluido requer uma punção lombar. Ou seja, envolve a inserção de uma agulha na parte inferior da coluna, método desagradável para muitos pacientes. Com isso, os cientistas decidiram ver se taxas elevadas de NLC eram detectáveis ​​em amostras de sangue.
Para realizar o experimento, a equipe recrutou parentes com variantes genéticas raras que causam o desenvolvimento de Alzheimer, entre 30 e 50 anos. Isso deu a chance de procurar por mudanças físicas que possam ocorrer antes de quaisquer sintomas.
Foram analisadas 247 pessoas que carregavam uma variante genética precoce para Alzheimer, e 162 pessoas que não tinham essa variação. Os portadores da variante precoce apresentaram níveis elevados de NLC no sangue, sendo que a quantidade aumentou com a idade. Em compraração, os níveis da proteína permaneceram baixos nas pessoas que tinham a variação genética saudável.
Os pesquisadores também estudaram exames cerebrais dos participantes. Eles descobriram que, à medida que os níveis de NLC aumentavam, uma parte do cérebro relacionada à memória (precuneus) começava a diminuir.
Taxas crescentes de NLC foram detectáveis ​​até 16 anos antes que os sintomas pudessem se desenvolver. As pessoas com níveis da proteína em ascensão eram mais propensas a mostrar sinais de declínio cognitivo e degeneração das células do cérebro dois anos depois.
No entanto, o estudo tem limitações: os cientistas analisaram apenas pessoas geneticamente predispostas à doença de Alzheimer, grupo que representa apenas 1% dos pacientes. “Não estamos no ponto em que podemos dizer às pessoas: ‘em cinco anos você terá demência’, mas estamos trabalhando para isso”, afirmou Brian Gordon, co-autor da análise.

13.937 – CIENTISTAS DESCOBREM COMO PRODUZIR HORMÔNIO QUE EVITA O MAL DE ALZHEIMER


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O mal de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que destrói a memória e outras funções mentais importantes. Pesquisadores seguem firme na descoberta de como a irisina, hormônio produzido a partir da realização de atividades físicas, regula os efeitos maléficos do distúrbio.
Os neurocientistas brasileiros Sérgio Ferreira e Fernanda de Felice são os protagonistas do estudo e, há quase 20 anos, vêm estudando tratamentos para a enfermidade. Durante todo esse tempo, foi comprovado que a prática de exercícios físicos faz bem para a memória e que a irisina funciona como um transmissor de informação, ou seja, leva uma mensagem do músculo para o cérebro, protegendo-o.
Os testes iniciais foram realizados em camundongos e, de fato, houve a comprovação de que eles produziam o hormônio ao realizar exercícios. Já quando o teor de irisina era baixo, os especialistas testaram fazer a reposição, e, para a surpresa de todos, eles voltaram a ter memória.
Inicialmente, a irisina foi descoberta por um pesquisador de diabetes dos Estados Unidos, e esse estudo durou aproximadamente 7 anos. Na época, ele afirmou que o hormônio é produzido pelo músculo, no tecido adiposo. Complementando, os neurocientistas reforçam que o fato de a irisina ser gerada pelo próprio organismo diminui as chances de efeitos colaterais.

Podemos ter esperança?
Levando em consideração os seres humanos, estudos indicam que pessoas que sofrem com o mal de Alzheimer têm baixíssimos índices desse hormônio no cérebro. Dessa forma, o estudo faz sentido. Mas os pesquisadores não param por aí; o próximo passo é descobrir como a irisina consegue proteger o órgão mais complexo do corpo humano: o cérebro.
Todo o estudo envolve 25 pesquisadores, sendo 18 brasileiros e o restante, dos Estados Unidos e do Canadá. Eles esperam que esse pontapé inicial contribua para que realmente o Alzheimer tenha um tratamento e possa, cada vez mais, deixar de ser um mal frequente após certa idade nos seres humanos.

13.923 – Nova Vacina contra o Alzheimer


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A empresa de biotecnologia United Neuroscience criou uma promissora vacina contra o Alzheimer, chamada de UB-311.
Em um pequeno estudo clínico, 96% dos pacientes demonstraram melhoras nos sintomas da doença, sem efeitos colaterais graves.
Ao longo das últimas décadas, diversas vacinas se mostraram esperançosas para certos pacientes, mas tiveram efeitos colaterais devastadores para outros, como inchaço no cérebro, por exemplo.
Agora, uma startup de Dublin, na Irlanda, pode estar no caminho certo. A United Neuroscience certamente ainda não curou o Alzheimer. No entanto, os pacientes que receberam sua vacina demonstraram melhora na função cerebral e uma redução na placa proteica que atrapalha seus neurônios.
O estudo clínico concluído ano passado testou a vacina em 42 pacientes com comprometimento cognitivo leve que pareciam estar nos estágios iniciais do Alzheimer. O grupo de controle recebeu um placebo, enquanto outros dois grupos receberam três injeções da vacina e depois novas doses a cada três ou seis meses ao longo de um ano e meio.
Os cientistas não têm certeza do que causa ou agrava a doença de Alzheimer, mas há vários suspeitos principais: amiloide, um grupo de proteínas que se acumula ao longo do tempo e se agrupa de maneiras que causa estragos no cérebro; tau, outra família de proteínas com problemas semelhantes; e inflamação em geral.
A vacina da United estimula o sistema imunológico do paciente a atacar a amiloide, que alguns pesquisadores acreditam ser a principal causa da condição. O trabalho da vacina é retardar o acúmulo de proteínas e, se possível, reverter alguns danos e restaurar a função cerebral.
Embora o pequeno número de pacientes impeça os pesquisadores de tirar conclusões estatísticas importantes, a empresa se sente encorajada para avançar no desenvolvimento da vacina, possivelmente com um parceiro maior. Até agora, eles já gastaram US$ 100 milhões em pesquisa e elaboração de vacinas.

Ressalvas
De acordo com Frank Longo, membro do departamento de neurologia da Universidade de Stanford (EUA) e cofundador da Pharmatrophix, outra empresa que está tentando curar a doença de Alzheimer, agir apenas no amiloide, sem tentar controlar a tau ou a inflamação, não é ideal.
“Qualquer terapia centrada na amiloide depende da precisão da hipótese da amiloide, e essa hipótese continua a ser questionada”, explica.
Além disso, o tratamento com UB-311 é melhor aproveitado se iniciado antes do aparecimento de sintomas, com doses administradas a cada seis meses, e os médicos ainda não podem prever com segurança quem terá Alzheimer e demência.
Por enquanto, a United está focada em levantar capital para financiar um estudo mais conclusivo sobre a UB-311 e para continuar refinando seu amplo leque de vacinas. A companhia está se preparando para iniciar os testes com a UB-312, voltada para a doença de Parkinson, bem como com uma segunda vacina contra o Alzheimer, centrada em combater a tau.
“Eles tomaram medidas iniciais muito promissoras com essa tecnologia”, disse Eric Reiman, um dos principais pesquisadores da doença do Alzheimer e conselheiro da United Neuroscience. “Mas isso ainda é o começo do começo”. [Bloomberg]

13.879 – Medicina – O que é o Micro AVC?


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Formalmente conhecido como Ataque Isquêmico Transitório (AIT), o mini-AVC, de acordo com a American Heart Association e American Stroke Association, é um episódio transitório de disfunção neurológica causada por focos de isquemia (restrição do fluxo de sangue e oxigênio) no cérebro, medula espinal ou retina, sem que haja, de fato, um “AVC completo”.
Em outras palavras, o AIT surge quando uma região do sistema nervoso, normalmente o cérebro, sofre uma relevante, porém temporária, redução do fluxo sanguíneo. No entanto, o problema é insuficiente para causar morte do tecido cerebral.
É importante lembrar que, apesar de ser conhecido como “mini-AVC”, o AIT e AVC são doenças completamente diferentes, apesar de apresentarem fisiopatologia semelhante e afetarem o mesmo grupo de risco (acima dos 55 anos, histórico de doenças cardiovasculares, hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, etc). Contudo, é mais correto chamá-lo de pré-AVC, uma vez que o problema deve ser encarado como um aviso de que algo está errado com a circulação sanguínea no cérebro.
squemia temporária, fazendo com que o órgão receba menos sangue e oxigênio. Então, com menos oxigênio disponível, os neurônios não conseguem desempenhar suas funções, resultando em sintomas neurológicos.

Essa diminuição do fluxo sanguíneo para o cérebro pode ocorrer por três razões:

1- Embolia cerebral (AIT embólico): causado por um coágulo, oriundo do coração ou artéria carótida, que viaja até o cérebro e obstrui o fluxo de uma artéria cerebral.

2- Aterosclerose de uma artéria cerebral (AIT lacunar): causada por obstruções relacionadas a placas de colesterol alojadas na parede de uma artéria cerebral.

3- Estenose da artéria carótida (AIT por baixo fluxo): fluxo sanguíneo na carótida é severamente reduzido como consequência de aterosclerose ou dissecção da própria artéria.
Sintomas
Os sinais e sintomas variam de acordo com a artéria acometida, tamanho da região afetada e mecanismo fisiopatológico por trás da isquemia. No entanto, a sintomatologia geral pode incluir:

– Perda de força em toda uma metade do corpo

– Dificuldade para falar ou articular as palavras

– Dificuldade para entender o que os outros dizem

– Incapacidade de reconhecer a própria doença

– Fraqueza ou dormência nos membros, face ou língua

– Tontura e desequilíbrio.

– Movimentos abruptos

– Visão dupla

– Perda total ou parcial da visão em um dos olhos

– Queda da pálpebra

– Incapacidade de olhar para cima

– Dor de cabeça súbita e intensa

– Dificuldade para andar
– Perda da audição

– Amnésia
Tratamento
Embora não exista um tratamento específico para o AIT, uma vez que os sintomas normalmente desaparecem de maneira espontânea após um período de tempo, os cuidados são voltados para a prevenção de um AVC.
As estratégias atuais de prevenção incluem a administração de remédios para controlar a pressão arterial, redução dos níveis de colesterol, terapia antitrombótica e uma modificação severa de estilo de vida, que pode incluir mudança de dieta, abandono do álcool e cigarro e a prática de exercícios físicos.

13.754 – Neurociência – Por que algumas pessoas são ambidestras?


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Quem é capaz de escrever e realizar tarefas do dia a dia usando as duas mãos é chamado de ambidestro, palavra que vem do latim através da união de ambi (“ambos”) e dext (“certo”).
Os ambidestros têm uma característica cerebral bastante interessante: nenhum dos lados do órgão é o lado dominante.
Ao contrário do que acontece com os destros, por exemplo, que usam a mão direita para escrever e realizar tarefas, mas têm o lado esquerdo do cérebro dominante.

Os estudos científicos mais atuais indicam que, apesar de algumas funções determinadas serem priorizadas por um ou outro lado cérebro, não existe uma divisão exata e rígida de tarefas. O mais provável é que as ações sejam realizadas em conjunto, podendo variar de acordo com as necessidades.

Funções atribuídas ao hemisfério esquerdo do cérebro
Domínio da linguagem formal, como regras gramaticais, por exemplo
Capacidade em entender contas e manipular números
Elaboração mais clara de um determinado raciocínio
Recordação de sequências de fatos
Funções atribuídas ao hemisfério direito do cérebro
Sutilezas da fala, como mudanças no tom de voz para indicar sentimentos
Reconhecimento facial
Capacidade intuitiva e criativa
Percepções espaciais

Ambidestria: características
A ambidestria pode ser de nascença, algo mais raro, ou mesmo aprendida ao longo dos anos. A versatilidade em usar ambas as mãos varia de grau mesmo entre os ambidestros que, em determinados casos, até hesitam diante de uma tarefa específica para saber qual mão escolher.
A ciência já sabe que aproximadamente apenas 1 em cada 100 pessoas é ambidestra, ou seja, capaz de realizar todas as tarefas com a mesma. O mais comum é encontrar ambidestros que, na realidade, nasceram canhotos e foram obrigados a usar a mão direita, especialmente durante a fase de aprendizado na infância.

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13.743 – O Café e a Vigília


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Após dez anos estudando o sono, as forças armadas dos Estados Unidos revelaram o quanto de café você precisa beber para ficar desperto, de acordo com a quantidade de horas dormidas. Com as informações, os militares estão desenvolvendo um aplicativo que deve ser lançado em breve.
Se você dorme cinco horas por noite, o indicado é consumir o equivalente a duas xícaras de café fraco quando acordar, seguido por mais duas outras xícaras, quatro horas depois. A “xícara de café fraca” deve ter cerca de 100 miligramas de cafeína.
Para quem obtêm quantidade razoável de sono, mas trabalha de madrugada, o recomendável é beber duas xícaras rápidas de café fraco logo no início do turno.
Já numa situação mais extrema, na qual a pessoa não será poderá dormir muito por um dia ou dois, o sugerido é beber o equivalente a duas xícaras de café à meia-noite, 4h da madrugada e 8h da manhã.
Publicada na revista Sleep, a pesquisa foi impulsionada pelo costume de sono de militares norte-americanos. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) disse que humanos precisam de oito a nove horas de sono. Contudo, cerca de 40% dos soldados dos EUA dormem menos de cinco horas. E isso vale para quando eles estão na própria casa. Quando estão em combate, a privação do sono se torna ainda mais extrema.
“Como os humanos respondem à privação contínua de sono de 60 horas? Como isso é diferente de quando você dorme três horas por noite durante 10 dias? O que estamos fazendo agora é desenvolver equações matemáticas que descrevam o fenômeno”, falou Jaques Reifman, do Departamento de Pesquisa Médica e Material do Exército dos EUA em Fort Detrick, Maryland, co-autor do estudo.
Reifman explicou que o objetivo da análise é extrair o máximo de benefício da bebida, assegurando ao mesmo tempo que a cafeína total na corrente sanguínea não exceda o limite de 400 miligramas.
O algoritmo criado foi a primeira parte da pesquisa, e agora os estudiosos estão buscando uma forma de determinar especificamente, pessoa a pessoa, em tempo quase real, a quantidade específica de cafeína que fará aumentar o nível de alerta dela.

13.739 – Agora Vai – Remédio obtém resultados positivos e reduz efeitos do Alzheimer


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Os cientistas deram um passo importante na busca por um tratamento para combater a doença de Alzheimer. Um novo medicamento que está em testes obteve resultados positivos em diminuir a progressão da demência em pacientes que sofrem da enfermidade, além de reduzir as placas senis que degeneram a estrutura de neurônios e atrofiam regiões do cérebro.
Desenvolvida por uma companhia japonesa, a droga foi testada em 856 pacientes dos Estados Unidos, Europa e Japão. Essa é a primeira vez que um estudo realizado com um número expressivo de voluntários consegue apresentar-se efetivo contra os sintomas do Alzheimer.
Ao realizar comparações com pacientes que não foram submetidos à nova droga, os pesquisadores notaram que a perda de memória e a deficiência cognitiva foram 30% menores para as pessoas que participaram dos testes.
Ainda assim, os pesquisadores afirmam que o medicamento ainda não é capaz de vencer por completo a doença, que afeta 44 milhões de pessoas em todo o planeta. Até 2050, espera-se que esse número seja triplicado. Com os resultados positivos iniciais em mãos, os cientistas seguirão os testes para que a droga seja eficaz e aprofunde sua capacidade de combater a doença.
O Alzheimer ainda não é totalmente compreendido pela ciência. Apesar de a hereditariedade genética ter influência no desenvolvimento da doença, ainda não é possível afirmar com precisão os motivos que desencadeiam as manifestações das placas senis e dos emaranhados neurofibrilares (alterações que acontecem nos neurônios), que afetam gradativamente o funcionamento do cérebro e provocam desorientação, mudanças comportamentais e esquecimento.
Por enquanto, ainda não há tratamento efetivo para a cura do Alzheimer. Manter o cérebro ativo, no entanto, é recomendado para que os sinais da doença não se manifestem de maneira tão agressiva. Todas as atividades são válidas: uma pesquisa feita no Centro Alemão para Doenças Neurodegenerativas de Magdeburgo indicou que dançar pode ajudar pessoas mais velhas a reverter sinais de envelhecimento no cérebro e contribuir para a prevenção do Alzheimer.

13.717 – Neurologia – Choque na Memória


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O poema de Álvaro de Campos, um dos heterônimos mais conhecidos do escritor português Fernando Pessoa (1888-1935), remete ao conceito universal de que a memória é o que nós somos. Sem que tenhamos a possibilidade de recordar, a existência se esvazia por completo. A vida se sustenta com base nas ideias do presente, nas referências do passado e na forma como processamos e armazenamos as nossas experiências. Por isso, ninguém quer perder a memória, todos querem melhorá-la. Pois um novo e ousado procedimento médico foi capaz de impulsionar o mecanismo que forma e preserva as lembranças, um feito inédito na medicina. Eletrodos implantados em uma área específica do cérebro recuperaram 15% da memória de pacientes. A taxa equivale ao que se perde em dois anos e meio com a degeneração provocada pela doença de Alzheimer. Ou ao que se esvai naturalmente em dezoito anos de vida de uma pessoa saudável. Traduzindo: quem tem 56 anos hoje pode, em tese, voltar a ter a mesma memória que tinha aos 38 anos. Youssef Ezzyat, psicólogo da Universidade da Pensilvânia, autor principal da técnica: “O método abre um caminho de possibilidades para auxiliar as pessoas com problemas de memória”. Publicado na revista Nature Communications, o trabalho tem sido considerado por especialistas do mundo todo como um dos feitos mais promissores ocorridos na neurologia nas últimas décadas, desde a disseminação dos aparelhos de ressonância magnética que revelam o cérebro em atividade.
A dinâmica do método fascina. Dezenas de eletrodos minúsculos, de 2,3 milímetros cada um, foram implantadas no córtex lateral de 25 pacientes. O córtex lateral é a região do cérebro associada ao processamento de informações. A cirurgia para a implantação dos eletrodos dura, em média, três horas. Em seguida, os participantes foram orientados a memorizar uma lista com doze palavras aleatórias, como “bala”, “doce” e “carro”. Cada vocábulo foi exibido em uma tela durante dois segundos. Pediu-se a todos os pacientes, então, que fizessem contas matemáticas simples, tarefa cujo único objetivo era distraí-los da anterior. Na sequência, tinham de dizer aos pesquisadores de quais palavras conseguiam se lembrar. Durante todo o procedimento, a atividade cerebral dos pacientes era registrada pelos eletrodos. Com isso, os cientistas conseguiram definir dois padrões de ondas cerebrais: um para os momentos em que a memória funcionava bem, e o outro para quando ia mal. A partir daí, os eletrodos foram programados para liberar pequenos choques elétricos no cérebro do paciente (que não sente nada) sempre que sua onda cerebral não funcionasse bem. Resultado: as lembranças melhoraram em 15%.
O procedimento ainda é experimental e deverá ser realizado em um número maior de pessoas para que se verifiquem sua real segurança e eficácia. É um processo que deve demorar ainda mais uma década para ser concluído. “Mas já podemos dizer que se trata de um feito inédito para os estudos de melhora da memória”, diz o neurologista Renato Anghinah, da Universidade de São Paulo. Aqui, um parêntese importante. Todos os pacientes que se submeteram ao estudo tinham epilepsia, doença que costuma provocar deficiências de memória. No entanto, os efeitos da técnica dos eletrodos, teoricamente, poderiam ser igualmente positivos também em pessoas saudáveis.
O uso de descargas elétricas para melhorar a saúde do cérebro é coisa antiga. O médico grego Claudio Galeno (129-216) encostava peixes-elétricos no crânio dos pacientes para tratar dores de cabeça crônicas. Com seu método, Galeno intuiu o que só seria confirmado no século XVIII: que o organismo pode ser estimulado por impulsos elétricos — o princípio de ação dos eletrodos. Esses dispositivos são usados desde a década de 90 para tratar doenças neurológicas, como Parkinson e epilepsia. Atualmente são estudados para o tratamento de pacientes com depressão refratária a medicações. Implantados no cérebro, ficam ligados a uma bateria externa que libera choques em áreas que variam conforme a natureza da doença. O conceito por trás da técnica é que as pequenas descargas elétricas são capazes de interromper atividades cerebrais desreguladas, permitindo, assim, a predominância de atividades cerebrais em regiões com processamento normal. Cientistas já arriscam imaginar os próximos passos. Diz o neurocirurgião Arthur Cukiert: “No futuro, poderemos avançar a ponto de conseguir os mesmos efeitos com uma tecnologia não invasiva, que aja de fora do cérebro”.
A memória é uma das funções mais complexas do cérebro. Isso porque ela está associada a dezenas de áreas do órgão, sendo o hipocampo uma das principais. Em conjunto com o córtex, ele garante que o organismo colete, conecte e crie as lembranças a partir de experiências. É, portanto, o primeiro passo para a formação da memória. Quem quer que rememore o seu primeiro beijo possivelmente se lembrará das palpitações causadas pela ansiedade, do ambiente em que se encontrava, do perfume e das características físicas do parceiro. O fato de a experiência envolver tantos sentidos ajuda a fazer com que, mesmo alguns bons anos depois, a lembrança continue ali, armazenada. Os atores essenciais nesse processo são as conexões elétricas transmitidas pelos neurônios — as chamadas sinapses, que codificam e armazenam a memória.
Mais recentemente, a medicina identificou que o mecanismo da memória é ainda mais intrincado do que se imaginava. Ele está associado também aos hábitos de vida. Hoje, sabe-se que 30% dos casos de perda de memória grave podem ser evitados com comportamentos saudáveis. Há seis meses, a Academia Americana de Neurologia passou a recomendar exercícios físicos para prevenir a perda de memória — como 150 minutos semanais de caminhada, por exemplo.
A atividade física estimula o funcionamento do hipocampo. Já a privação de sono tende a provocar lapsos de memória — uma noite maldormida é capaz de afetar temporariamente a comunicação entre os neurônios. Ainda há controvérsia entre especialistas sobre a eficácia de atividades que pregam técnicas de memorização para retardar a perda das lembranças, como o jogo de xadrez ou sistemas de aprendizagem como o Kumon. Mas um novo estudo, publicado na revista da Sociedade Americana de Geriatria, descobriu que esses hábitos podem, sim, ajudar a memória, só que em uma situação mais específica, quando ela já está afetada por um transtorno cognitivo leve — o estágio entre o envelhecimento cerebral normal e a demência. Dificilmente, no entanto, essas atividades poderiam contribuir para reverter a perda natural de lembranças. O problema está, mais uma vez, na complexidade da formação da memória. “Não há um exercício suficientemente completo para abranger todas as variações da memória. É possível melhorá-la pontualmente”, diz Paulo Bertolucci, chefe do setor de Neurologia do Comportamento da Universidade Federal de Medicina, em São Paulo.
Esquecer é algo natural. Todo aquele que tiver uma vida longa em algum momento se queixará de ter ficado com “uma palavra na ponta da língua”. A chave de casa some, a carteira não está no lugar e o nome das pessoas desaparece repentinamente. A falta de memória saudável é um sintoma secundário de outros problemas. Antes de tudo, pode ser desatenção. Se um indivíduo não se importar com o lugar onde deixou o casaco, seu cérebro também não vai se preocupar em arquivar essa informação. Os lapsos podem ter a ver ainda com ansiedade, depressão, stress e abuso de álcool. Aos 60 anos, por causa do desgaste natural dos neurônios, mais da metade dos adultos apresenta dificuldades de memória que afetam o seu dia a dia em algum grau. Mas isso não é necessariamente sinal de problemas graves, como a doença de Alzheimer.
O mecanismo das lembranças é um tema debatido desde a Antiguidade. Sócrates, conforme relata Platão em Fedro, lamentou a popularização da escrita porque, segundo ele, a substituição do conhecimento acumulado no cérebro pela palavra desenhada tornaria a mente preguiçosa e prejudicaria a memória. “Essa descoberta provocará nas almas o esquecimento de quanto se aprende, devido à falta de exercício da memória, porque, confiadas na escrita, é do exterior, por meio de sinais estranhos, e não de dentro, graças a esforços próprios, que obterão as recordações”, disse. Bem mais adiante, o escritor português José Saramago retorquiu ao filósofo grego em seu livro de crônicas A Bagagem do Viajante, publicado originalmente em 1973: “Se passo as minhas lembranças ao papel, é mais para que não se percam (em mim) minutos de ouro, horas que resplandecem como sóis no céu tumultuoso e imenso que é a memória. Coisas que são também, com o mais, a minha vida”. Sócrates se preocupava com a influência do papel sobre a memória, mas nunca imaginaria o poder dos eletrodos sobre ela. Se pudesse fazê-lo, talvez levantasse outras questões: os implantes cerebrais poderão resultar em classes diferentes de cidadãos, os de memória aprimorada e os “normais”? E se, em algum momento, eles influenciarem pensamentos e comportamentos? Por outro lado: podemos estar subjugando a importância do esquecimento?.
Na ficção, a memória tem sido instrumento de roteiros extraordinários. Um exemplo é o filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, do diretor Michel Gondry. Lançado em 2004, o longa conta a história de Clementine, a personagem vivida por Kate Winslet que se submete a um procedimento experimental para apagar da memória o ex-namorado Joel, interpretado por Jim Carrey. Desconsolado, Joel decide fazer o mesmo. Mas, quando suas lembranças começam a se esvanecer, ele percebe que ainda ama Clementine — e tenta desesperadamente inverter o processo. A vida se faz por memórias, e, sem elas, sobra o vazio. A possibilidade de estendê-las por mais tempo é a possibilidade de prolongar o bom da vida.

A dádiva do esquecimento
Na mitologia grega, Mnemosine e Letes, os rios da memória e do esquecimento, corriam pelas planícies do Hades, a terra dos mortos, e a alma que lá chegava, conforme bebesse das águas de um ou de outro, teria o conhecimento ou a completa ignorância do que vivera sobre a terra. Outras versões do mito colocam o Letes à saída do Hades, pois a alma que retornava ao plano terreno tinha de apagar lembranças de vidas anteriores. No século XIV, Dante adaptou esses mitos da Antiguidade ao pensamento cristão em sua Divina Comédia: saindo do Purgatório, as almas que se encaminhavam para o Paraíso bebiam do Letes para esquecer os pecados, e de um rio chamado Eunoé para lembrar-se do bem que haviam feito. Essas narrativas já contemplavam uma intuição fundamental sobre o funcionamento de nossa mente: esquecimento e memória são faculdades complementares. Precisamos de ambas.
A vida seria perfeitamente infernal se nossa memória fosse irretocável. Imagine lembrar-se exatamente de tudo o que foi dito pelo apresentador de um programa dominical que você viu em um dia de 1995, ou da cor das meias que você calçou naquela ocasião. Uma pessoa que lembrasse de tais insignificâncias teria dificuldade para discernir que eventos merecem ser qualificados de memoráveis. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Stanford e publicado em 2007 demonstrou que a capacidade do cérebro de suprimir memórias irrelevantes facilita lembrar o que realmente importa. Há razões evolutivas para que seja assim: na competição pela sobrevivência em um ambiente hostil, torna-se fundamental guardar informações essenciais. Importa mais lembrar que certo cachorro é bravo do que recordar seu nome ou a forma de sua tigela de ração.
A ciência ainda não desvendou os mecanismos do esquecimento, mas já sabe que esquecer é tão vital quanto lembrar. Pesquisas recentes sugerem que certas pessoas com incapacidade de esquecer eventos traumáticos têm maior risco de desenvolver depressão e transtorno de stress pós-traumático. Como apontou o filósofo e psicólogo americano William James, pioneiro em estudos sobre a memória: “Se nos lembrássemos de tudo, seríamos, na maioria das vezes, tão doentes quanto se não nos lembrássemos de nada”.
Admirador de William James, o argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) talvez tenha sido o escritor de ficção que melhor compreendeu a importância do esquecimento. O francês Marcel Proust explorou os delicados processos involuntários que despertam a memória dos tempos perdidos — mas Borges aventurou-se em terreno mais perigoso: especulou como seria uma memória absoluta, no conto Funes, o Memorioso. Espécie de versão extrema da americana Jill Price — que consegue lembrar o dia exato em que determinado episódio de programa televisivo foi ao ar nos anos 80 —, Irineo Funes não consegue se esquecer de nada. Tem facilidade para línguas, mas é incapaz de pensamento consistente. “Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes, nada havia além de detalhes, quase imediatos”, ensina Borges.
Em um conto posterior, O Aleph, Borges imagina um objeto impossível: o aleph é um ponto único do espaço — localizado em um porão de Buenos Aires — em que é possível ver a totalidade do mundo em um só relance. Depois da experiência sobrenatural de olhar para o aleph, o personagem-narrador teme nunca mais vir a ter uma surpresa na vida, pois todas as pessoas com que cruza na rua já foram vistas antes. Depois de algumas noites de insônia, porém, o esquecimento faz seu trabalho. Borges tinha uma memória literária prodigiosa, conhecendo muitos textos e poemas de cor. Mas compreendia que o esquecimento é uma dádiva.

13.709 – Alzheimer: remédio em formato de adesivo chega ao SUS


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O Sistema Único de Saúde (SUS) já está disponibilizando um adesivo transdérmico de rivastigmina, medicação utilizada para o tratamento do Alzheimer. Com o nome comercial Exelon Patch, o adesivo pode ser colocado em oito regiões da pele, permitindo a absorção do remédio ao longo do dia. Esse é o único remédio para o Alzheimer disponível em formato transdérmico.
Apesar de ter outras duas versões – em cápsula e solução oral –, em forma de adesivo, o medicamento diminui a possibilidade de efeitos colaterais que podem afetar o sistema digestivo, como náusea e vômito, se comparado às opções orais. A administração através da pele ainda garante que a dose diária seja aplicada corretamente, facilitando a tarefa dos familiares ao cuidar do paciente. Como o Alzheimer não tem cura, o remédio vai precisar ser utilizado até o fim da vida para minimizar os sintomas, por isso a versão transdérmica oferece maior comodidade.
No Brasil, além da rivastigmina, existem outras três medicações disponíveis para o tratamento do Alzheimer nas farmácias e na rede pública de saúde: donepezila, galantamina e memantina, que foi integrada ao SUS no ano passado. Com exceção do último, todos os outros podem ser utilizados na fase inicial da doença.
Alzheimer
O Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que provoca a diminuição das funções cognitivas uma vez que as células cerebrais degeneram e morrem, causando declínio constante na função mental. Os principais sintomas da doença são: dificuldade de memória (especialmente de acontecimentos recentes), discurso vago durante as conversações, demora em atividades rotineiras, esquecimento de pessoas e lugares conhecidos, deterioração de competências sociais e imprevisibilidade emocional.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), essa doença é responsável por 60% a 70% dos casos de demência – grupo de distúrbios cerebrais que causam a perda de habilidades intelectuais e sociais. Estima-se que 47 milhões de pessoas sofram de demência no mundo, sendo registrados 10 milhões de novos casos anualmente. No Brasil, o Alzheimer está entre as dez maiores causas de morte e é um problema que afeta 1,2 milhão de pessoas.
Por ser uma doença incurável, o diagnóstico precoce pode fazer toda diferença já que o tratamento ajuda a impedir o avanço e amenizar os sintomas.
Funcionamento da medicação
A substância ativa do Exelon Patch é a rivastigmina, que atua no aumento da quantidade de acetilcolina no cérebro, molécula neurotransmissora necessária para o bom funcionamento cognitivo. Na forma de adesivo, essa medicação possui três tamanhos: 5, 10 e 15 cm², embora apenas as duas primeiras estejam disponíveis para distribuição no SUS.
Essa diferença de tamanho/dosagem é necessária para preparar o corpo do paciente para o recebimento da quantidade mais alta do remédio – considerada a mais eficiente na redução dos sintomas -, além de minimizar qualquer possível efeito colateral. Entre as reações adversas mais comum, que atingem mais de 10% dos pacientes, estão: perda de apetite, dificuldade para dormir, incontinência urinária, reações na pele na área de aplicação, sangue no vômito ou nas fezes, desconfortos estomacais após as refeições, entre outros.
Segundo Rodrigo Rizek Schultz, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAZ), a principal vantagem do adesivo é a entrega da substância ao longo do dia, geralmente mantendo o mesmo nível da rivastigmina no organismo durante todo o período de uso. “Quando via transdérmica, os produtos são liberados ao longo de 24 horas, evitando os picos de medicação, como acontece com os comprimidos, por exemplo, que quando são ingeridos entregam doses altas, que vão caindo ao longo do dia, sendo necessário fazer a reposição”, explicou. Nas versões orais, o Exelon precisa ser tomado duas vezes ao dia.
Ele ainda comentou que pessoas idosas costumam utilizar muitas medicações orais, portanto, o Exelon Patch oferece uma alternativa para o paciente, diminuindo a quantidade de comprimidos ingeridos.
Aplicação
Segundo a indicação da bula, o Exelon Patch deve ser trocado a cada 24 horas e pode ser colocado em oito regiões do corpo:
Parte superior dos braços esquerdo ou direito;
Lado direito ou esquerdo do peito;
Parte superior das costas, do lado esquerdo ou direito; e
Parte inferior das costas, do lado esquerdo ou direito.
Especialistas recomendam que o adesivo seja posto em regiões diferentes a cada nova troca – como um tipo de ‘rodízio’ -, garantindo descanso para a pele. Outra orientação é que antes da aplicação a pele esteja limpa, seca e sem pelos, além de estar livre de hidratantes ou loções que possam interferir na aderência. Regiões da pele que tenham cortes, erupções ou irritações devem ser evitadas.
O adesivo pode ser utilizado no banho, na piscina ou na praia, mas é necessário certificar-se de que ele não tenha descolado depois. Caso isso aconteça, um novo deve ser aplicado para o restante do dia e trocado no dia seguinte, conforme o esquema habitual adotado.

 

Fonte: Veja

13.699 – Neurologia – Dormir pouco faz o cérebro destruir seus próprios neurônios


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Dormir traz diversos benefícios para os seres vivos – principalmente para nosso cérebro. Além de repor as energias que gastamos durante o dia, o sono também “limpa” os restos da atividade neural que são deixados para trás durante o dia a dia e podem ser prejudiciais. Mas agora, em uma nova pesquisa, pesquisadores descobriram algo curioso: este mesmo mecanismo de limpeza acontece também em cérebros que estão sendo privados do sono ou que têm dormido pouco. Mas com um porém: ao invés de limpar os restos das sinapses, estes cérebros começam a limpar as próprias sinapses e neurônios, em um processo que beira o canibalismo.
A equipe, liderada pela neurocientista Michele Bellesi, da Universidade Politécnica de Marche, na Itália, examinou a resposta do cérebro de mamíferos aos maus hábitos de sono e descobriu essa semelhança bizarra entre os ratos descansados ​​e sem sono. E o pior: a recuperação do sono pode não ser capaz de reverter os danos nos cérebros que passam a se alimentar de si mesmos.
Como as células em outras partes do corpo, os neurônios do cérebro estão sendo constantemente atualizados por dois tipos diferentes de células gliais, que funcionam como uma espécie de cola do sistema nervoso.
Umas delas, as células da microglia, são responsáveis ​​por limpar as células velhas e desgastadas através de um processo chamado fagocitose. Já os astrócitos removem as sinapses desnecessárias no cérebro para refrescar e remodelar sua fiação.
Sabemos que esse processo ocorre quando dormimos para limpar o desgaste neurológico do dia, mas agora parece que a mesma coisa acontece quando começamos a perder o sono. Mas ao invés de ser uma coisa boa, o cérebro começa a devorar partes saudáveis de si mesmo e se machucar.
Para descobrir isso, os pesquisadores imaginaram os cérebros de quatro grupos de ratos: um grupo foi deixado para dormir por 6 a 8 horas (bem descansado); outro foi periodicamente acordado do sono (espontaneamente acordado); um terceiro grupo foi mantido acordado por mais 8 horas (privação de sono); e um grupo final foi mantido acordado por cinco dias seguidos (cronicamente privados de sono).Quando os pesquisadores compararam a atividade dos astrócitos entre os quatro grupos, identificaram-na em 5,7% das sinapses dos cérebros de camundongos bem descansados ​​e em 7,3% dos cérebros de camundongos espontaneamente acordados.

Nos camundongos privados de sono e cronicamente privados de sono, eles notaram algo diferente: os astrócitos aumentaram sua atividade para realmente comer partes das sinapses, como as células microgliais comem resíduos – um processo conhecido como fagocitose astrocítica.
Nos cérebros de camundongos privados de sono, descobriu-se que os astrócitos estavam ativos em 8,4% das sinapses e, nos camundongos cronicamente privados de sono, 13,5% das sinapses apresentavam atividade astrocitária.

Qual o rempo ideal por faixa etária?
Você já deve ter notado que um recém-nascido dorme praticamente o dia todo, enquanto uma pessoa idosa dorme poucas horas durante a noite. Em cada fase da vida há diferentes necessidades de descanso. Qual é a sua?
Recém-nascidos (0 a 3 meses): 14 a 17 horas por dia;
Bebês (4 a 11 meses): 12 a 15 horas por dia;
Crianças pequenas (1 a 2 anos): 11 a 14 horas por dia;
Crianças em idade pré-escolar (3 a 5 anos): 10 a 13 horas por dia;
Crianças em idade escolar (6 a 13 anos): 9 a 11 horas por dia;
Adolescentes (14 a 17 anos): 8 a 10 horas por dia;
Jovens (18 a 25 anos): 7 a 9 horas por dia;
Adultos (26 a 64 anos): 7 a 9 horas por dia;
Idosos (mais de 65 anos): 7 a 8 horas por dia.
Ao ler a lista, você deve estar se perguntando o que motivou os pesquisadores a dividirem a faixa etária de 18 a 64 anos em “jovens” e “adultos”, já que as horas de sono indicadas são as mesmas. Isso foi feito porque os especialistas também avaliaram que alguns indivíduos nessas idades podem ter necessidades de sono um pouco abaixo ou acima da recomendação, mas que isso não chega a ser um problema. Para os jovens, pode ser apropriado dormir entre 6 a 11 horas, enquanto para os adultos esse tempo cai levemente para 6 a 10 horas. Aí está a diferença entre as duas fases.
Os especialistas apontam que qualquer necessidade de sono muito acima ou muito abaixo da recomendada pode ser um sintoma importante de um problema de saúde sério que precisa ser investigado. Eles também alertam que pessoas que escolhem dormir muito menos do que o recomendado para o seu grupo etário podem estar comprometendo seu bem-estar.

13.684 – Antropologia – Por que os cérebros humanos se tornaram tão grandes?


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Esse é um “mistério” que intriga os cientistas já faz um tempo: enquanto a maioria dos organismos prospera com pequenos cérebros, ou nenhum, a espécie humana optou por sacrificar seu crescimento corporal em troca de mais capacidade cerebral.

A hipótese
Os pesquisadores Mauricio Gonzalez-Forero e Andy Gardner, da Universidade de St Andrews, na Escócia, acreditam ter descoberto por que isso aconteceu.
O cérebro humano teria se expandido principalmente em resposta a estresses ambientais, que forçaram nossa espécie a encontrar soluções inovadoras para se alimentar e se abrigar, passando essas lições adiante para seus filhos.
Essa hipótese, testada pela dupla via simulações computacionais, desafia uma teoria popular de que o órgão cresceu à medida que as interações sociais entre os humanos se tornaram mais complexas.
Na verdade, o inverso pode ser verdadeiro. “As descobertas são intrigantes porque sugerem que alguns aspectos da complexidade social são mais prováveis de serem consequências do que causas de nosso grande tamanho cerebral. O grande cérebro humano mais provavelmente se originou da solução de problemas ecológicos e da cultura cumulativa do que da interação social”, disse Gonzalez-Forero ao portal Phys.org.

Causa ou consequência
De nossos ancestrais australopitecos, mais semelhantes aos símios, até o moderno Homo sapiens, o cérebro humano triplicou de tamanho.

Alimentar um cérebro tão grande vem com o custo de um crescimento lento do corpo na infância – deixando nossos filhos mais dependentes e vulneráveis por mais tempo do que os de outros animais.

Pesquisas anteriores encontraram correlações entre o tamanho do cérebro grande em espécies animais e estruturas sociais complexas, bem como vida em ambientes desafiadores e uma capacidade de aprender lições com colegas, o que também é descrito como “cultura”.

Mas nenhum estudo foi capaz de concluir se esses fatores são a causa da expansão cerebral ou o resultado disso.
Os “cérebros” utilizados como modelos foram apresentados a desafios ecológicos, como encontrar presas em condições climáticas adversas ou em terrenos difíceis, ou preservar alimentos para protegê-los contra mofo ou deterioração, ou ainda armazenar água em meio à seca.

Desafios sociais também foram introduzidos, para testar a influência da cooperação e competição entre indivíduos e grupos no crescimento do cérebro.

Curiosamente, a cooperação foi associada a uma diminuição no tamanho do cérebro, provavelmente porque permitia que os indivíduos confiassem nos recursos uns dos outros e economizassem energia. Enquanto as demandas sociais não pareciam levar a cérebros grandes, problemas ecológicos cada vez mais difíceis expandiam os órgãos.
Interação Social 0 x 1 Cultura
Mas então por que os cérebros de outros animais que vivem em ambientes desafiadores não cresceram tanto quanto o cérebro humano?

Provavelmente por causa da cultura – a habilidade de aprender com os outros, ao invés de ter que descobrir tudo sozinho.

“Nossos resultados sugerem que é a interação da ecologia e da cultura que produziu o tamanho do cérebro humano”, disse Gonzalez-Forero.

13.683 – Biologia – Veja o tamanho e peso do cérebro humano em comparação com outros animais


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O cérebro humano é incrível, e, com certeza, o que mais nos diferencia dos outros animais. Mas não é o maior cérebro do reino animal; animais maiores, como baleias e elefantes, têm cérebros maiores (a baleia- azul, com seus 10 kg de cérebro, tem o maior do reino animal).
Porém, o cérebro humano é muito grande quando comparado com o tamanho do nosso corpo. O cérebro humano pesa, em média, 1,5 kg. Em um homem de 80 kg, é quase 2% do seu peso corporal. Já a baleia-azul, com suas 200 toneladas, tem um cérebro que ocupa apenas 0,005% de seu corpo.
Mas proporção também não é tudo. Se inteligência dependesse só disso, estaríamos empatados com os ratos, que também têm um cérebro que ocupa 2% de espaço no corpo.

A chave é a complexidade desse órgão.
A maioria das criaturas vivas possui um sistema nervoso. Em algumas delas, ele é muito simples, como o da anêmona-do-mar, que tem apenas uma pequena rede de células nervosas. Nos insetos, essas células ficam lado a lado para formarem os nervos. Em criaturas mais complexas, forma-se uma coluna que possui um cérebro e uma medula espinal. Entre estes animais, os peixes possuem o cérebro mais simples, não muito maior que seu olho.
Quanto mais rugas tem um cérebro, mais neurônios ele tem. O cérebro humano tem mais pregas e rugas do que muitos outros animais. Por exemplo, o cérebro de um esquilo ou de um rato é muito liso comparado com o de um ser humano, por isso não é tão complexo. Alguns animais, como os golfinhos e as baleias, têm cérebros quase tão enrugados quanto os nossos.
Conclusão: tamanho e peso não são documento. Rugas podem ser mais decisivas – ainda que não expliquem todos os mistérios da inteligência.
Mas, por divertimento, confira o tamanho e o peso médio do cérebro de várias espécies animais:

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Primatas:
Humano (Homo sapiens): 1,176 kg
Chipanzé (Pan troglodytes): 273 g
Babuíno (Papio cynocephalus): 151 g
Mandril (Mandrillus sphinx): 123 g
Macaco (Macaca tonkeana): 110 g
Carnívoros:

Urso (Ursus arctos): 289 g
Leão (Panthera leo): 165 g
Guepardo (Acinonyx jubatus): 119 g
Cão (Canis familiaris): 95 g
Gato (Felis catus): 32 g
Artiodátilos:
Girafa (Giraffa camelopardalis): 700 g
Cudo, um antílope africano (Tragelaphus strepsiceros): 166 g
Muflão, carneiro selvagem (Ovis musimon): 118 g
Cabra do Gerês (Capra pyrenaica): 115 g
Queixada (Tayassu pecari): 41 g
Marsupiais:

Wallaby (Protemnodon rufogrisea): 28 g
Lagomorfos:

Coelho (Oryctolagus cuniculus): 5,2 g
Roedores:

Rato-preto ou ratazana (Rattus rattus): 2,6 g
Camundongo ou rato-doméstico (Mus musculus): 0,5 g
Bônus
Baleia cachalote: 7,8 kg
Vaca: 5,6 kg
Orca: 5,6 kg
Elefante: 7,5 kg
Golfinho: 1,6 kg
Abelha: 0,013 g
Beija-flor: 1 g
Hipopótamo: 500 g
Curiosamente, a proporção entre o cérebro e o corpo da abelha (15,6%) é bem maior que a do hipopótamo (0,017%), tornando-a mais esperta. Já a barata nem cérebro tem. No lugar, possui o cefalotorax, um órgão que atravessa seu corpo e só serve mesmo para mantê-la viva. Para matá-la, mal adianta arrancar sua cabeça…[NeuroscienceResearchTechniques, MundoEstranho, SuperInteressante, CerebroEMEnte]

13.658 – Nanotecnologia para Vencer o Alzheimer


nanochip
Uma equipe de pesquisadores criaram um inovador dispositivo que pode desenvolver novas células dentro do próprio corpo de um paciente, simplesmente agindo na pele. A tecnologia poderia abrir uma série de novas opções de tratamento e transformar definitivamente o paradigma dos tratamentos medicinais.
Criado pela The Ohio State University, a tecnologia é conhecida como Nanotransfection de tecido (THT) (Transfecção nano). Envolve o uso de um chip à base de nanotecnologia e a sua colocação na pele de um paciente. Pode converter uma célula adulta de um tipo para outro, fazendo simplesmente “zapping” do dispositivo utilizando uma pequena carga elétrica. O procedimento não é invasivo. Os resultados foram publicados na revista Nature Nanotechnology.
Designa-se por Transfecção o processo de introdução intencional de ácido nucleico nas células. O termo é usado sobretudo para métodos não-virais nas células eucarióticas. Pode também referir-se a outros métodos e outros tipos de células, embora sejam preferidos outros termos: transformação é usada para descrever a transferência não viral de ADN nas bactérias, células eucarióticas não-animais e nas células de plantas – uma forma particular de transformação refere-se a modificações genéticas espontâneas, como a carcinogénese. O termo transdução é normalmente usado para descrever a transferência de ADN mediada por vírus. [\box]
O dispositivo ainda não foi testado em seres humanos, mas provou ser bem-sucedido com ratos e porcos. Num rato que teve lesões nas pernas, numa semana, o nanochip causou a ocorrência de novos vasos sanguíneos ativos, e na segunda semana, a perna foi totalmente salva. Também ajudou os ratos com lesão cerebral a recuperarem-se de um acidente vascular cerebral.
Os pacientes não precisam de transportar o chip com eles, simplesmente precisam de o ter ligado à pele por alguns segundos para iniciar a reprogramação das células.
Esta nova vertente agora desenvolvida abre um gigante cenário de possibilidades. Este tipo de tecnologia poderá ajudar a reparar o tecido danificado ou mesmo restaurar a função do envelhecimento do tecido em órgãos, vasos sanguíneos e células nervosas. Também poderia desenvolver células cerebrais na pele humana sob a orientação do sistema imunológico de uma pessoa, e essas células poderiam então ser injetadas no cérebro dessa pessoa para tratar condições como a doença de Alzheimer e Parkinson.
Este é mais um meio para atingir um fim, ajudar o ser humano através do desenvolvimento da tecnologia. Estão muitos conceitos a correr lado a lado para garantir que o ser humano recebe não só uma vida mais longa mas, acima de tudo, uma vida com qualidade. Este é o novo desafio da ciência da próxima década. O facto de ser um possível tratamento da Alzheimer já abre uma esperança redobrada a esta tecnologia.

13.600 – Envelhecimento – Como Prevenir Demências


neurologia
O risco de demência aumenta com a idade. À medida que as sociedades envelhecem, a imagem de mulheres e homens alheios ao mundo que os cerca, é cada vez mais frequente no ambiente familiar.
Hoje, sabemos que as alterações cerebrais do processo demencial começam a aparecer anos antes que os sintomas se instalem. Esse longo período de latência oferece a possibilidade teórica de adoção de medidas preventivas.
Estudos epidemiológicos mais recentes sugerem que a prevalência da doença de Alzheimer e de outras demências esteja diminuindo nos países de renda per capita mais elevada. Embora as conclusões ainda sejam preliminares, começa a ganhar corpo a ideia de adotarmos estratégias preventivas que impeçam ou retardem a evolução dessas enfermidades.
Acaba de ser publicado um relatório da National Academies of Sciences, Engineering and Medicine, indicando que três intervenções oferecem “evidências inconclusivas mas encorajadoras” de que seja possível interferir com o declínio cognitivo.
São elas: treinamento cognitivo, controle da pressão arterial nos hipertensos e aumento da atividade física.
O relatório sugere que os médicos exponham aos pacientes os benefícios potenciais dessas três medidas, deixando claras as limitações do conhecimento atual. A orientação difere daquela publicada em 2010, na qual o mesmo comitê afirmava haver “evidências insuficientes para recomendar qualquer tipo de prevenção”.
A recomendação de treinamento cognitivo foi baseada principalmente no estudo Active, que apresentou resultados positivos de que o treinamento cognitivo consegue melhorar as funções como arrazoamento, resolução de problemas, memória e velocidade de processamento, por um período de pelo menos dois anos. Ganho que não se mantém por cinco a dez anos.
O relatório ressalta que o treinamento cognitivo se refere a “um largo espectro de intervenções que podem incluir o aprendizado de uma língua nova ou atividades diárias como palavras cruzadas e jogos no computador”.
As empresas que apregoam benefícios cognitivos nos jogos de computador desenvolvidos por elas, enfrentam forte oposição nos meios acadêmicos. Segundo os especialistas, os resultados apresentados não permitem chegar a essa conclusão.
As evidências de que o controle da pressão arterial (especialmente a partir dos 40 anos) é capaz de retardar a instalação das demências, foram baseadas em diversos estudos randomizados que confirmaram a associação, embora outros não tenham conseguido demonstrá-la.
No caso do aumento da atividade física, os dados são mais consistentes, mas existem publicações com resultados contraditórios.
Na verdade, o relatório está de acordo com as recomendações que os médicos devem fazer a seus pacientes mais velhos: é preciso permanecer ativo física, mental e socialmente, adotar dieta saudável para o sistema cardiovascular e controlar fatores de risco como obesidade, diabetes, hipertensão arterial e o colesterol.

13.598 – Neurologia – Nanotecnologia para tratar Alzheimer


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O neurocientista William Klein e o nanotecnólogo Vinayak Dravid, da Universidade North-western em Illinois, trabalham no desenvolvimento de estratégias de detecção e intervenção precoce do Alzheimer por meio da nanotecnologia, isto é, máquinas minúsculas, do tamanho de moléculas, capazes de agir dentro do corpo.
O Alzheimer é marcado pela formação de placas de proteína beta-amiloide no cérebro. Os pesquisadores criaram um anticorpo artificial capaz de detectar toxinas específicas e de ligar-se a partículas alteradas dessa proteína. “Podemos usá-lo, no futuro, para identificar o acúmulo de placas no cérebro logo no início e também para conduzir substâncias terapêuticas ao cérebro”, diz Klein.
Por enquanto, o anticorpo é utilizado pelos pesquisadores para diferenciar amostras de tecidos cerebrais post-mortem saudáveis de doentes. O próximo passo, previsto para o final do ano, é fazer o mesmo no cérebro de ratos vivos. Pesquisas anteriores com roedores já mostraram que sprays nasais podem realmente enviar nanopartículas para o órgão. É possível que o mesmo ocorra com humanos.

13.561 – Neurologia – Estudo de 10 anos conclui que exercício cognitivo reduz risco de demência em 30%


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Azheimer’s & Dementia: Translational Research & Clinical Interventions afirma que pessoas que participaram de treinamento de velocidade de processamento tiveram menos chances de desenvolver demência 10 anos depois. O estudo, porém, tem alguns problemas reconhecidos pelos próprios autores, mas constrói uma base para que outros trabalhos examinem melhor a hipótese.
O estudo foi feito da seguinte forma: 2.802 adultos saudáveis com média de idade entre 74 e 84 anos foram divididos em quatro grupos. Três receberam algum tipo de treinamento cognitivo: o primeiro focou na memória; o segundo, em raciocínio; o terceiro, em velocidade de processamento. Já o quarto não recebeu nenhum tipo de treinamento, e foi denominado “grupo controle”. Todos os participantes sabiam que tipo de treinamento estava recebendo e que haviam outros grupos recebendo outros tipos. Este não foi um estudo cego.
Os três primeiros grupos receberam os treinamentos em dez sessões de uma hora cada, espalhadas em várias semanas. Um grupo menor recebeu sessões extras um ano depois e também três anos depois do início do estudo.
Os participantes passaram por testes que avaliavam suas funções cognitivas depois de 6 semanas e também depois de 1, 2, 3, 5 e 10 anos. O projeto do estudo, porém, não previa este acompanhamento da marca dos 10 anos, e outros pesquisadores apontam que isso pode significar que os resultados esperados não foram observados nos primeiros 5 anos e que outra observação foi improvisada depois. O problema desta observação extra é que quanto mais tempo passa, mais provável que as observações sejam mais resultado do acaso do que como consequência do treinamento cognitivo, especialmente levando em conta que o treinamento foi de pouquíssimas horas.
Dez anos depois do início do estudo, apenas 1.220 participantes ainda faziam parte do trabalho, seja por que morreram ou por outros motivos. Deles, 260 desenvolveram demência. Os voluntários não passaram por exame clínico pelos pesquisadores, os pacientes (ou seus familiares) apenas informaram aos cientistas se tinham demência ou não.
A observação de demência entre os grupos foi a seguinte: 24,2% no que focou na memória, 24,2% no que focou no raciocínio, 22.7% no que focou na velocidade de processamento e 28,8% no grupo controle.
Demência foi menos frequente no grupo de velocidade de processamento, comparado ao grupo controle, com 4,9% de chance de que esse resultado seja observado apenas pelo acaso. É importante lembrar que um valor-p próximo de 5% não é considerado evidência de um efeito.
Outro problema foi que o estudo afirmou que quanto mais sessões foram feitas, menor o risco de demência. Isso não é necessariamente causal, já que os participantes que frequentaram mais sessões podem ter características diferentes daqueles que não frequentaram, uma vez que o número de sessões não era distribuído de forma aleatória.

Ressalvas
“Este é um estudo importante com uma amostra relativamente grande que explora a possibilidade de prevenir a demência pelo uso repetido de um tipo específico de treinamento cerebral, e 29% de redução da incidência de demência parece promissor. Porém, em minha opinião, o maior problema é que o diagnóstico de demência não foi confirmado por exames clínicos robustos”, argumenta a psiquiatra geriatra Sujoy Mukerjee, da West London Mental Health Trust (Reino Unido), em texto opinativo publicado no Science Media Centre.

13.558 – Neurociência – Como Melhorar a Capacidade Cognitiva?


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Ações e hábitos simples podem ajudar você a ser mais produtivo e a raciocinar melhor. Planejar seu dia, fazer exercícios físicos, estudar, ter mais foco e outras atitudes que normalmente ignoramos fazem muita diferença nos resultados que alcançamos com nosso trabalho. Se você deseja ser mais inteligente e produtivo em seu expediente, veja quais são as dicas dos cientistas para você.

TENHA UMA ATITUDE POSITIVA
Em um estudo feito por Rosenthal e Lenore Jacobson em 1968, os pesquisadores escolherem alguns estudantes de maneira completamente aleatória e disseram aos seus professores que eles eram alunos acima da média. Nada mais foi feito pelos estudantes. Mesmo assim, no fim do ano escolar, esses estudantes ganharam, em média, 22 pontos em seus níveis de QI. Mais tarde, esse efeito foi nomeado como “profecia da auto-realização”.

EVITE A REJEIÇÃO
A rejeição pode diminuir drasticamente a capacidade de uma pessoa de pensar racionalmente e aumentar sua agressividade, além de diminuir seu QI. Esses são os resultados obtidos pelo pesquisador Roy Baumeister e sua equipe.

CONTROLE
Procure ter o controle de sua rotina e das tarefas que realiza. Estudos da Universidade Radboud, na Holanda, revelam que a sensação de perda de controle pode comprometer a performance das pessoas, por deixá-las inseguras.

VERMELHO
Diversas pesquisas investigam os efeitos da cor vermelha no comportamento das pessoas. Pesquisas da Universidade de Chichester, apresentadas em 2010, sugerem que a cor pode ter influencias inconscientes na percepção de fracasso, fazendo com que as pessoas apresentem resultados ruins.

FALAR EM VOZ ALTA
Um estudo feito em 1998 com 30 jovens e 31 adultos revelou que falar em voz alta pode aumentar o desempenho das pessoas, principalmente as mais velhas.

SUPERSTIÇÃO
Em um estudo publicado pelo jornal Psychological Science, os pesquisadores mostraram que atitudes supersticiosas, como dizer “boa sorte”, podem aumentar o desempenho das pessoas em tarefas como praticar golf e memorização.

SUPLEMENTES NUTRITIVOS
Substâncias como a anfetamina e modafinila tornaram-se populares por aumentar a capacidade cognitiva das pessoas em atividades e ambientes que exigem esse tipo de inteligência.

ACREDITE
Estudos e profissionais indicam que pensar na inteligência como algo flexível e mutável, ao invés de fixo e estável, pode causar resultados acadêmicos mais positivos, especialmente para pessoas que possuem estereótipos negativos (internos ou não) de sua inteligência.

POSTURA CORPORAL
Os resultados de um estudo feito em 2005 revelam que a postura corporal pode influenciar diretamente na solução de problemas. Os participantes do experimento que resolveram palavras cruzadas na posição de supino, ou deitado, apresentaram resultados melhores do que os que estavam de pé.

CUMPRA AS TAREFAS
Não deixe as coisas pela metade. Se você se concentrar em uma tarefa de cada vez, aumentará suas chances de apresentar resultados melhores em menos tempo. Os cientistas dizem que, mesmo quando você deixa de fazer determinada tarefa, parte de seu cérebro continua focada nessa atividade, podendo ocupar atenção e memória de maneira prejudicial para seu desempenho.

DURMA
O pesquisador Hans Van Dongen conduziu um experimento onde os participantes foram distribuídos em grupos que dormiam quatro, seis e oito horas por noite, durante duas semanas. Aqueles que dormiram mais tempo não apresentaram nenhum lapso de atenção ou declínios cognitivos durante os 14 dias de experimento.

MULHERES BONITAS
Em um estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology, os pesquisadores comprovaram a hipótese de que os homens teriam suas capacidades cognitivas comprometidas ao interagir com pessoas de outro sexo. O resultado foi ainda mais perceptível quando as mulheres eram consideradas como mais atraentes.

NÃO SEJA MULTITAREFA
Cientistas da Universidade de Amsterdã comprovam por meio de seus estudos que ser multitarefa reduz de maneira significativa o desempenho das pessoas. Os pesquisadores também afirmam que esses resultados são semelhantes para ambos os sexos.

APRENDA ALGO NOVO
Pesquisadores da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, submeteram 20 jovens a um mês de treino intenso de malabares. Eles descobriram que, apenas sete dias após o início dos treinos, os participantes já apresentavam um aumento na matéria cinza do cérebro.

FAÇA EXERCÍCIOS FÍSICOS
Praticar exercícios ajuda você a pensar melhor e mais rapidamente. Pesquisadores mostram que a prática de exercícios aeróbicos melhora o desempenho em atividades cognitivas. O estudo foi publicado no jornal Aviation, Space, and Environmental Medicine, em 2009.