13.515 – Saúde – Relação entre a Depressão e o Vegetarianismo


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Homens vegetarianos correm maior risco de depressão do que homens que comem carne, segundo uma nova pesquisa. O estudo, feito pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA com mais de 9600 homens, mostrou que aqueles que relataram ser vegetarianos ou veganos tiveram pontuações significativamente maiores em uma escala de medição de depressão do que os não vegetarianos.
Além disso, significativamente mais pessoas do grupo vegetariano e vegano apresentaram uma pontuação maior que 10 na medida, o que significa depressão leve a moderada. “As deficiências nutricionais (por exemplo, em vitamina B12 ou ferro) são uma possível explicação para esses achados”, escreveram os pesquisadores.
O autor principal, Joseph R. Hibbeln, chefe interino da Seção sobre Neurociências Nutricionais no Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo no NIH, acrescentou que, como a carne vermelha é rica em vitamina B12, esse nutriente pode ter desempenhado um papel importante nos resultados.
“Se alguém optar por ser vegetariano ou optar por comer menos carne, deve seguir as recomendações para garantir que tenha um bom estado de vitamina B12”, disse o Dr. Hibbeln ao site Medscape Medical News.

Consequências adversas
Dietas vegetarianas já foram associadas a vários benefícios para a saúde, mas pouco se sabe sobre seus benefícios ou riscos para a saúde mental, observam os pesquisadores.
“As dietas vegetarianas têm sido associadas à diminuição dos riscos de morte cardiovascular, obesidade e diabetes, levando a perguntas sobre se os benefícios potenciais se estendem à saúde mental ou, em contraste, se a ingestão diminuída de nutrientes que são abundantes em alimentos excluídos causa conseqüências adversas para o bem-estar mental”, eles escrevem.
Pesquisas anteriores mostraram que baixos níveis de vitamina B12 e B9 estão associados a um risco maior de depressão e “uma meta-análise sugere que a intervenção com vitamina B12 pode prevenir sintomas depressivos em populações especializadas”, relatam os pesquisadores. No entanto, são necessários ensaios melhor construídos para aprofundar essas questões.
Os resultados obtidos agora na verdade começaram a ser obtidos no início da década de 90. O estudo populacional Avon Longitudinal Study of Parents and Children (ALSPAC), registrou 14.541 mulheres grávidas que viviam no Reino Unido. As datas de entrega esperadas estavam entre abril de 1991 e dezembro de 1992. Os questionários foram preenchidos pelas mulheres e por 9845 dos seus parceiros – 9668 desses homens foram incluídos na análise atual.
Os questionários pediram informações básicas, bem como informações sobre a dieta alimentar dos participantes. Como relativamente poucos dos homens se auto-declaravam veganos (39 deles), veganos e vegetarianos foram combinados em um único grupo (350 indivíduos, 3,6% do total).
Os homens também preencheram a Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo (EPDS), um questionário criado para verificar se as mulheres possuem depressão pós-parto, entre as semanas 18 e 20 da gestação de suas parceiras. Um resultado maior que 10 indicava uma alta probabilidade de depressão leve a moderada.
Os resultados mostraram que para o grupo vegetariano e vegano, o resultado médio do EPDS foi de 5,26, versus um resultado médio 4,18 para o grupo não vegetariano.
Além disso, 12,3% dos vegetarianos ou veganos contra 7,4% do grupo não vegetariano apresentaram um resultado maior que 10; 6,8% contra 3,9% tiveram uma pontuação maior que 12, significando uma provável depressão grave.
Embora não significativa, houve também uma tendência para uma associação entre os sintomas depressivos e a duração do vegetarianismo.
Os pesquisadores observam que nem todos os indivíduos que se identificam como vegetarianos comem as mesmas coisas, especialmente quando se trata de peixe, ovos e produtos lácteos. Não surpreendentemente, os não vegetarianos nesta análise comeram mais carne, salsichas, aves e peixe branco do que o grupo vegetariano. Mas os números de pessoas que comiam peixes oleosos e moluscos nos dois grupos eram bastante parecidos.

“Este é o primeiro grande estudo epidemiológico a mostrar uma relação entre vegetarianismo e sintomas depressivos significativos entre homens adultos”, escrevem os pesquisadores. “Uma vez que a exclusão da carne vermelha caracteriza principalmente os vegetarianos, as menores ingestões de vitamina B12 merecem consideração como fator contribuinte para a depressão”, acrescentam.
Ainda assim, eles observam que “a causalidade reversa não pode ser descartada”. O Dr. Hibbeln diz que mais estudos, especialmente ensaios controlados randomizados, são definitivamente necessários.
Mas o especialista está otimista em relação ao futuro – segundo ele, a primeira conferência da Sociedade Internacional de Pesquisa em Psiquiatria Nutricional (ISNPR), realizada na metade de 2016, atraiu mais de 500 participantes. “É minha opinião que, depois dos muitos anos que tenho trabalhado nesta área, ela está sendo reconhecida como um campo (de pesquisa)”, se alegra Hibbeln.

Dieta como tratamento para depressão
Segundo a especialista, não é possível generalizar a respeito dos hábitos alimentares. “As pessoas parecem metabolizar e responder aos alimentos de forma bastante diferente, com base no seu microbioma intestinal. E isso é algo em que estamos cada vez mais interessados ​​e pesquisando”, aponta. “À medida que avançamos para fazer recomendações individuais, acho que vamos conseguir muito mais detalhes nos dados”.
As conclusões do estudo SMILES da Dra. Jacka e seus colegas foram publicadas no início deste ano. SMILES foi um estudo controlado randomizado que avaliou uma intervenção alimentar em um grupo de 67 adultos com depressão grave.
Após 12 semanas, o grupo de intervenção alimentar apresentou melhora significativamente maior em relação à linha de base na Escala de Avaliação de Depressão de Montgomery-Ǻsberg (MADRS) do que um grupo de controle de “apoio social”.
Além disso, 32% do grupo tratado com base na dieta conseguiu remissão, definida como uma pontuação menor que 10 no MADRS, enquanto o grupo do apoio social conseguiu uma remissão de 8%.
No estudo atual do Dr. Hibbeln e colegas, bem como em outros estudos, “os dados observacionais mostram que não consumir carne vermelha pode ser um fator de risco para a depressão em algumas pessoas”. [Medscape]

12.957 – O que é o C V V, Centro de Valorização da Vida?


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Fundado em São Paulo em 1962, o Centro de Valorização da Vida é uma associação civil sem fins lucrativos, filantrópica, reconhecida como de Utilidade Pública Federal em 1973, mantenedora e responsável pelo Programa CVV de Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio, desenvolvido pelos Postos do CVV em todo o Brasil.
Através dos Postos espalhados por todo o país, presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional, oferecido a todas as pessoas que querem e precisam conversar sobre suas dores e descobertas, dificuldades e alegrias.
Em 1977 começou a expandir-se para outras cidades do país, estando hoje em quase todas as capitais e diversas cidades do interior do Brasil. São aproximadamente 70 Postos e cerca de 2.000 Voluntários[1] que se revezam para o atendimento 24 horas por dia, inclusive aos domingos e feriados. Esse atendimento é prestado por telefone ( 141 para todo Brasil ou nos respectivos telefones de cada posto ), e-mail, pessoalmente nos postos e via chat, sendo a primeira entidade do gênero no mundo a prestar atendimento via chat.
O trabalho consiste no diálogo compreensivo e na doação incondicional do calor humano. O Voluntário trabalha no sentido de compreender a pessoa que procura o CVV, dessa forma, valorizando sua vida.
O atendimento é feito por telefone, pessoalmente, por correspondência, chat ou e-mail. A pessoa que procura o CVV tem o sigilo assegurado, a total privacidade e anonimato. O atendimento ocorre em clima de profundo respeito e confiança. Basta que a pessoa ligue para o telefone 141, ou acesse o site http://www.CVV.org.br para falar com o Posto CVV de sua região.
Pessoas com aptidões para o serviço voluntário que passam por um curso teórico e prático oferecido pelo Posto. Esse curso é gratuito e ministrado periodicamente com prévia divulgação na comunidade. São pessoas maiores de 18 anos, de boa vontade, que acreditam no valor da vida e dispostas a conversar com outras pessoas em seus momentos de vulnerabilidade emocional.

Quem mantém?
A instituição é mantida com as contribuições dos próprios Voluntários e também por doações feitas por pessoas e segmentos da sociedade que reconhecem a importância do trabalho.
Tem personalidade jurídica e não está vinculada a qualquer religião, governo ou partido político.
O CVV é hoje um dos serviços mais procurados do país, com uma média superior a um milhão de ligações por ano[1] .

Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, cerca de 3 mil pessoas por dia cometem suicídio em todo o mundo.
Segundo dados de 2015, 38 brasileiros tiram a própria vida por dia e outros cerca de 200 tentam o suicídio no mesmo período.
Organismos internacionais como a OMS e a AIPS-Associação Internacional para Prevenção do Suicídio reconhecem a importância de programas como o do CVV e, no Brasil, outras iniciativas foram criadas, inclusive pelo Ministério da Saúde.

No Brasil, o CVV é reconhecido como serviço de utilidade pública pelo Ministério da Saúde, pertencendo às organizações do terceiro setor.
Nos primórdios, o Programa CVV recebeu influência dos Samaritanos Internacionais, grupo fundado pelo Reverendo Chad Varah, em 1953 na Inglaterra.
Os atendentes do Programa CVV, todos voluntários, possuem as mais diversas formações. Enquanto em atividade no CVV, deixam ao lado seu ‘eu profissional’ (psicólogo, dona de casa, estudante, médico, professor, etc.) e focam apenas o seu ‘eu voluntário’.

12.956 – Depressão – Impacto e índice de morbidade


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Sutil e mais mortífera que câncer e AIDs, tem causado um alto custo social.
Estima-se que sua prevalência ao longo da vida, na população geral, situe-se em torno de 15%. Ou seja, entre 100 pessoas da população, 15 já apresentaram ou apresentam episódios depressivos durante suas vidas. É um transtorno que acomete mais frequentemente mulheres do que homens, numa proporção estimada em 2:1 (duas vezes mais mulheres do que homens). Sem um tratamento adequado, a depressão apresenta um curso crônico e recorrente. Estima-se que após o primeiro episódio o risco de recorrências seja de 50%; após o segundo episódio este risco se eleva para 70-80% e após três episódios depressivos, o risco de episódios seguintes é de 90%. O número de faltas ao trabalho ao longo de um período de 30 dias, entre pacientes deprimidos, chega a ser duas vezes maior, acarretando perdas salariais significativas.World Health Organization – WHO, 2001.
É também uma importante questão de saúde pública, pois está associada a altos índices de incapacitação, prejuízo no funcionamento global, elevados custos socioeconômicos, queda da qualidade de vida, maior risco de desenvolvimento de outras doenças de alta mortalidade (como por exemplo, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer), piores índices de saúde geral e elevado risco de suicídio.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é a primeira causa de incapacitação entre todas as doenças médicas. Ocupa a quarta posição entre todas as causas que contribuem para a carga global de doenças, de acordo com o “Global Burden of Diseases Project” da OMS, correspondendo a 4,4% dos anos de vida vividos com incapacitação. Para os indivíduos que estão na faixa etária compreendida entre 15 e 44 anos, a depressão é responsável por 8,6% dos anos vividos com incapacitação.
Os custos socioeconômicos com a depressão são elevados. Podem ser relacionados em custos diretos (p. ex.: custos com médicos, medicamentos), indiretos (p. ex.: custos decorrentes da incapacidade ocupacional, de morte prematura) e intangíveis (p. ex.: piora da qualidade de vida). Para se ter uma estimativa da gravidade, no Reino Unido, por exemplo, o custo total com a depressão supera os custos somados de diabetes e a hipertensão. Os custos diretos, especialmente com internações, são elevados. Segundo dados do Ministério da Saúde, calcula-se que para cada paciente internado no estado de São Paulo com diagnóstico de algum transtorno do humor, por exemplo, o custo seja de cerca de R$ 1.000,00 (dados de novembro/2007).
Custos com consultas, exames laboratoriais e hospitalizações, por exemplo, chegam a ser desde duas até quatro vezes maiores entre os portadores de depressão. Cerca de 50% dos pacientes que buscam serviços primários de saúde por queixas físicas apresentam depressão e, entre estes, de 40% a 60% não têm o diagnóstico firmado por médicos não psiquiatras. Entre os custos indiretos, a perda de produtividade e as faltas ao trabalho podem corresponder a 60% dos custos totais com a depressão.
O maior risco de pacientes de doenças crônicas apresentarem depressão é bem conhecido. Diabetes, doenças cardiovasculares, doenças hematológicas, doenças autoimunes e moléstias inflamatórias intestinais, por exemplo, co-ocorrem frequentemente com a depressão. A vulnerabilidade genética comum a estas doenças pode explicar a elevada frequências com que ocorrem concomitantemente, em um mesmo indivíduo – ou seja, como comorbidades. Este é um tema que tem recebido particular atenção em pesquisas na área dos transtornos do humor.
Concluindo, a depressão é uma das doenças médicas mais frequentes, e acarreta importantes prejuízos pessoais, ocupacionais, econômicos e sociais, além de se relacionar à maior morbidade e mortalidade por outras doenças clínicas, se não tratada. Portanto, sua identificação precoce e a instituição de um tratamento adequado, que leve à remissão dos sintomas, é fundamental. A depressão é recorrente, a cada novo episódio a possibilidade de recorrências aumenta o que reforça a importância da eficácia dos tratamentos antidepressivos, e a adesão ao tratamento.

12.940 – Psiquiatria – Silenciosa, sorrateira, mas muito agressiva


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É uma doença que ataca tão subrepticiamente, que a maioria dos que sofrem dela nem percebem que estão doentes. De cada dez pessoas que procuram o médico, pelo menos uma preenche os requisitos para o diagnóstico de depressão.
Do início insidioso, a depressão evolui continuamente para quadros que variam de intensidade e duração. Nos casos mais simples, a pessoa pode curar-se por conta própria em duas a quatro semanas. Passado esse período sem haver melhora, os especialistas recomendam atenção e tratamento, porque a depressão prolongada pode levar a suicídio e mortes por causas naturais.
Para ajudá-lo a identificar os sintomas da depressão acompanhe o algoritmo abaixo, retirado da quarta edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV):

1) Durante o último mês, você esteve frequentemente chateado por se sentir deprimido e desesperançado?
2) Durante o último mês você esteve frequentemente chateado por sentir falta de interesse nas atividades?

Se a resposta foi não a ambas as perguntas, é pouco provável que você tenha depressão. Mas, se uma das respostas foi sim, esteja atento a outros sintomas da doença.
O diagnóstico de depressão requer a presença de cinco ou mais dos seguintes sintomas que incluam obrigatoriamente espírito deprimido ou anedônia, durante pelo menos duas semanas, provocando distúrbios e prejuízos na área social, familiar, ocupacional e outros campos da atividade diária.

1) Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo, quase todos os dias;
2) Anedônia: interesse ou prazer diminuído para realizar a maioria das atividades;
3) Alteração de peso: perda ou ganho de peso não intencional;
4) Distúrbio de sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
5) Problemas psicomotores: agitação ou apatia psicomotora, quase todos os dias;
6) Falta de energia: fadiga ou perda de energia, diariamente;
7) Culpa excessiva: sentimento permanente de culpa e inutilidade;
8) Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar ou concentrar-se;
9) Idéias suicidas: pensamentos recorrentes de suicídio ou morte.

De acordo com o número de itens respondidos afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos:
1) Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;
2) Distimia: 3 ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;
3) Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia.

ABSTINÊNCIA DE ANTIDEPRESSIVOS
Nos últimos anos, os chamados inibidores da recaptação da serotonina têm sido o grupo de drogas mais empregadas no tratamento de distúrbios psiquiátricos como depressão, ansiedade, bulimia, estresse pós-traumático, obsessão-compulsão, disforias pré-menstruais e outros.
Pertencem a esse grupo medicamentos como fluoxetina (Prozac, Daforin, Eufor), paroxetina (Aropax), sertralina (Zoloft) e outros. O sucesso dessas drogas na clínica se deveu especialmente à tolerabilidade e segurança de uso em comparação com os antidepressivos empregados anteriormente.

Síndrome de abstinência
No entanto, um dos problemas mais frequentes associados ao uso desses inibidores é o aparecimento de síndrome de abstinência, quando sua administração é interrompida abruptamente.
Fenômeno semelhante pode ocorrer com outros antidepressivos não pertencentes a esse grupo, como a venlafaxina (Efexor), mirtazapina (Remeron), etc.
Síndrome de abstinência, aqui, é definida como “um conjunto de sinais e sintomas de instalação e duração previsíveis, que envolve sintomas psicológicos e orgânicos previamente ausentes à suspensão da droga e que desaparecem depois que ela foi reiniciada”.

Sintomas da síndrome
A abstinência à descontinuação abrupta dos inibidores da recaptação de serotonina, surge 24 a 72 horas depois da interrupção do tratamento e provoca os seguintes sintomas:

1) Psiquiátricos: ansiedade, insônia, irritabilidade, explosões de choro, distúrbios de humor e sonhos vívidos;
2) Neurológicos e motores: tonturas, vertigens, sensação de cabeça vazia, cefaléia, falta de coordenação motora, alterações de sensibilidade da pele e tremores;
3) Gastrintestinais: náuseas, vômitos e alterações do hábito intestinal;
4) Somáticos: calafrios, fadiga, letargia, dores musculares e congestão nasal.

Na ausência de tratamento esses sintomas desagradáveis costumam durar de uma a três semanas. Embora sejam discretos ou de moderada intensidade na maioria dos casos, às vezes podem se tornar mais intensos e serem confundidos com outras enfermidades.
A probabilidade de desenvolver a sintomatologia descrita é tanto maior quanto mais longa tiver sido a duração do tratamento. As reações geralmente estão associadas com durações de pelo menos quatro a seis semanas, mas podem acontecer depois de períodos de uso mais curtos.
Quanto mais rapidamente for excretado o antidepressivo, maior a probabilidade de surgir a síndrome. No caso de drogas como a fluoxetina que têm meia-vida (tempo necessário para eliminar metade da droga administrada) de 2 a 3 dias, os sintomas de abstinência podem instalar-se mais tardiamente (até uma semana depois da interrupção).
Duas a três semanas depois de instalados os sintomas da abstinência, costuma ocorrer um fenômeno conhecido como “rebote”: o reaparecimento dos sintomas psiquiátricos que levaram à indicação do medicamento.

Tratamento
O tratamento da síndrome de abstinência é óbvio: basta reiniciar a droga cuja retirada intempestiva foi responsável por ela. Com o reinício do tratamento os sintomas começam a melhorar já nas primeiras 24 horas. Para evitar a repetição do quadro, as doses diárias devem ser diminuídas gradativamente no decorrer de quatro a seis semanas, até que a interrupção completa possa ser realizada com segurança.
O grande número de pessoas que faz uso de antidepressivos atualmente, deve estar informado de que os efeitos benéficos do tratamento pode levar até seis semanas para se tornar aparente, e que precisa ser continuado por períodos de seis meses a um ano, para evitar recaídas precoces. Em caso de quadros depressivos que se instalam antes dos vinte anos de idade, em pacientes com recaídas múltiplas ou distúrbio bipolar, o tratamento pode exigir mais tempo ainda, ou mesmo estar indicado para ser mantido pelo resto da vida.
Durante esse período é fundamental que as doses diárias sejam tomadas com regularidade, porque os sintomas de abstinência podem surgir depois de apenas dois ou três dias de interrupção.

12.939 – Depressão, uma doença silenciosa e agressiva


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Nós não vemos isso nas mídias sociais, não vemos na TV. Esse assunto não é gostoso, não é divertido, não é leve. E como não lidamos com o tema, não percebemos a severidade da depressão.
E é sério: a cada 30 segundos, em algum lugar do mundo, alguém tira a própria vida por motivos ligados à doença. E pode ser alguém a dois quarteirões de distância, a dois países ou continentes de distância, mas está acontecendo.
As pessoas precisam saber que depressão não é simplesmente estar triste quando algo não anda bem na vida. Quando você termina se relacionamento, quando você perde uma pessoa amada, ou quando não consegue aquele emprego que tanto queria, isso é tristeza –uma emoção natural.
A depressão real é estar triste mesmo quando tudo na sua vida vai bem.
Não sei qual é a solução, mas o primeiro passo é reconhecer que temos um problema –não vai ser possível encontrar a resposta enquanto temos medo da pergunta.
Se você está enfrentando a depressão, saiba que está tudo bem. Saiba que você só está doente, você não é fraco. A depressão é um problema, não uma identidade.
Sentir-se abatido de tempos em tempos é algo normal que faz parte da vida. Mas quando o vazio e o desespero tomam conta do seu dia-a-dia, tornando-se permanente, afetando-lhe a motivação e o sentido da vida, pode ser depressão. Mais do que apenas o humor diminuído, os pontos baixos da depressão podem afetar-lhe a sua funcionalidade e deixar de ter prazer na vida, como anteriormente tinha.
A questão da depressão é uma área complexa, mas é uma área que tem vindo a crescer no esclarecimento do seu tratamento. Quase todos os dias novas informações são transmitidas, ajudando na orientação do nosso conhecimento e o que fazer. Independentemente das várias formas de intervenção e das diferentes respostas ao tratamento por parte das pessoas que sofrem com o problema da depressão, ainda assim a grande maioria pode e consegue aprender como reduzir de forma significativa os seus níveis de depressão ou até mesmo um alívio total da angústia provocada por este terrível problema. As pessoas que podem obter grande alívio da depressão inclui todas aquelas que pensam que nunca irão conseguir ultrapassar os seus problemas pessoais e que consequentemente a sua depressão irá durar para sempre.
Muitas pessoas usam a palavra “depressão” para explicar estes tipos de sentimentos, mas a depressão é muito mais do que tristeza. Algumas pessoas descrevem a depressão como “viver num buraco negro” ou ter um sentimento de desgraça constante. No entanto, algumas pessoas deprimidas não se sentem tristes por tudo, em vez disso, sentem-se sem significado na vida, como se a vida fosse vazia e apática.
Seja qual for o sintoma, a depressão é diferente da tristeza normal ou da simples desmotivação, na medida em que anula o seu dia-a-dia, interferindo com a sua capacidade de trabalhar, estudar, comer, dormir e divertir-se. Os sentimentos de desamparo, desesperança, inutilidade são intensos e implacáveis, com pouco ou nenhuma alívio.
Enquanto todos nós, ocasionalmente, podemos ficar tristes ou “em baixo”, normalmente estes sentimentos tendem a passar muito rapidamente. Por outro lado, alguém com depressão tem experiências de extrema tristeza ou desespero, que dura pelo menos duas ou mais semanas. Os indivíduos deprimidos tendem a sentir-se impotentes e sem esperança culpando-se por terem esses sentimentos. O sentimento de culpa é muito vincado. A depressão interfere com as atividades da vida diária, tais como trabalhar ou concentrar-se em tarefas, ou mesmo comer e dormir. Outros possíveis sintomas da depressão incluem dores crónicas, dores de cabeça ou dores de estômago. Algumas pessoas podem sentir-se irritadas ou agitadas por longos períodos.
As pessoas que estão deprimidas podem sentir-se oprimidas e exaustas deixando completamente de participar em certas actividades quotidianas. Elas podem deixar de interessar-se por assuntos relacionados com a família e amigos. Deixam de importar-se com as suas vidas. Perdem o sentido de futuro, deixam de ter prazer nas coisas que anteriormente lhe eram significativas. A pessoa deixa de acreditar que consegue dar a volta à situação e por consequência deixa de fazer planos para o futuro. Algumas pessoas deprimidas podem chegar a ter pensamentos de morte ou suicídio como já referi anteriormente.

Sinais de Alerta
Você não consegue dormir ou dorme em excesso.
Você tem dificuldades de concentração, ou sente que algumas das tarefas que fazia facilmente são agora um tormento.
Você sente-se desesperançado e desamparado.
Você não consegue controlar os seus pensamentos negativos por mais que se esforce.
Você perdeu o apetite ou não consegue parar de comer.
Você está muito mais irritadiço e com humor diminuído do que é habitual.
Você tem pensamentos de que não vale a pena viver (se for o caso procure ajuda imediata).

DEPRESSÃO MAIOR (DEPRESSÃO UNIPOLAR)
A depressão maior é caracterizada pela incapacidade de aproveitar os prazeres da vida e experiência. Os sintomas são constantes, variando de moderada a grave. Sem tratamento adequado, a depressão maior geralmente dura cerca de seis meses. Algumas pessoas experimentam apenas um episódio depressivo único durante toda a sua vida, mas geralmente, a depressão maior é um transtorno recorrente. No entanto, existem muitas coisas que você pode fazer para melhorar o seu humor e reduzir o risco de recorrência. Não sofra desnecessariamente, procure ajuda.

DEPRESSÃO ATÍPICA

Depressão atípica é um subtipo comum de depressão maior. Ele apresenta um padrão de sintomas específicos, incluindo um elevador humor temporário em resposta a acontecimentos positivos. Você pode sentir-se temporariamente melhor depois de receber uma boa notícia, ou quando saí para uma festa com os amigos. No entanto, este impulso de humor é passageiro. Outros sintomas da depressão atípica incluem ganho de peso, aumento do apetite, sono excessivo, sensação de peso nos braços e pernas, e sensibilidade à rejeição. Tal como outras formas de depressão, você pode obter alívio e tratamento através de Terapia Cognitivo-comportamental

DEPRESSÃO DISTÍMICA (DEPRESSÃO LEVE RECORRENTE)
A distímia é um tipo de depressão crónica leve. São mais os dias em que se sente moderadamente deprimido, que os que não se sente, embora você possa ter breves períodos de humor normal. Os sintomas da distímia não são tão fortes como os sintomas de depressão maior, mas duram muito tempo (pelo menos dois ou mais anos). Estes sintomas crónicos tornam a vida muito difícil de viver viver. Algumas pessoas também têm episódios depressivos maior conjuntamente com a distímia, uma condição conhecida como “depressão dupla”. Se você sofre de distímia, você pode sentir que quase sempre se sentiu deprimido. Ou você pode pensar que o seu humor diminuído faz parte de você (é do jeito que você é).A distímia pode ser tratada com êxito, mesmo que os sintomas tenham sido ignorados ou tenha estado sem tratamento durante anos.

TRANSTORNO AFECTIVO SAZONAL
Quando o inverno se faz sentir com os seus dias frios, sombrios, curtos, enfadonhos, nublados, por vezes o humor é afetado. Algumas pessoas ficam deprimidas no outono ou inverno, principalmente pela limitação de sol. Este tipo de depressão é chamada de transtorno afetivo sazonal. Transtorno afetivo sazonal é mais comum em climas do norte e em pessoas mais jovens. Tal como outros tipos de depressão, este também é tratável. A terapia através da luz, um tratamento que envolve a exposição à luz artificial intensa, muitas vezes ajuda a aliviar os sintomas.

DEPRESSÃO BIPOLAR: QUANDO A DEPRESSÃO É APENAS UM DOS LADOS DA MOEDA
Depressão bipolar, também conhecida como psicose maníaco-depressiva, é caracterizada por alterações de humor cíclico. Os episódios de depressão alternam-se com episódios maníacos, podendo incluir comportamentos impulsivos, hiperatividade, fala rápida, e pouco ou nenhum sono. Normalmente, a mudança de um modo extremo para o outro é gradual, com cada episódio maníaco ou depressivo tendo a duração de pelo menos várias semanas. Quando deprimido, uma pessoa com transtorno bipolar apresenta os sintomas usuais de depressão maior. No entanto, os tratamentos para a depressão bipolar são muito diferentes dos outros tipos de depressão.

Fatores de Risco
Solidão
Falta de apoio social
Recentes experiências de vida estressantes
História familiar de depressão
Problemas de relacionamento ou conjugal
Tensão financeira
Trauma ou abuso de infância
Uso de álcool ou drogas
Situação de desemprego ou o subemprego
Problemas de saúde ou de dor crónica

12.907 – Problemas no fígado aumentam propensão à depressão e ansiedade


Dramas do colegial à parte, a adolescência é uma fase bem desafiadora: é quando começamos a pensar na profissão, quando as paqueras começam a se tornar namoros e, claro, quando o corpo vira uma mistura explosiva de hormônios. Agora, imagine toda essa fase com mais uma preocupação: uma doença no fígado.
Pensando nessa situação, um grupo de cientistas da King’s College, em Londres, resolveu investigar a relação entre estas doenças e dois problemas psicológicos comuns: a depressão e a ansiedade. O objetivo principal, além de tentar entender se havia uma relação entre psicológico e o corpo, era determinar se a existência de doenças mentais influenciaria os tratamentos dos jovens.
Do estudo, participaram 187 pessoas de uma clínica que cuida de pacientes com problemas no fígado. Os jovens, com idades entre 16 e 25 anos, precisavam responder a um questionário online sobre saúde mental, segundo o qual é possível diagnosticar depressão e ansiedade.
Os pacientes foram divididos em três grupos: os que haviam passado por um transplante de fígado, os que tinham uma doença hepática autoimune e aqueles com problemas crônicos no órgão. De acordo com o questionário, os pesquisadores descobriram que 17,7% dos pacientes tinham depressão ou ansiedade. O número quase cinco vezes maior do que o comum para adolescentes – no geral, só 4% dos jovens nessa faixa etária desenvolvem depressão e ansiedade, no Reino Unido.
O interessante é que nenhum dos participantes acreditava que a doença psicológica tinha a ver com a física: assim como qualquer outro adolescente, as causas da ansiedade ou da depressão era, para eles, cansaço, baixa auto-estima, falta de sono, problemas financeiros ou e dificuldades escolares. Os pesquisadores também não encontraram diferenças significativas entre os grupos de pacientes – em todos eles, o número de pessoas com questões psicológicas eram quase os mesmos.
Mesmo assim, a depressão e a ansiedade pareciam influenciar como os pacientes percebiam as doenças: grande parte dos adolescentes achava que, nas fases depressivas ou ansiosas, os sintomas das doenças hepáticas os afetavam mais e em maior número, e também que o impacto das doenças em suas vidas era maior. Faz sentido: com questões psicológicas, fica mais difícil levar uma doença como essas nas costas, ainda mais em uma fase tão importante e estressante da vida.
Mas nem todas as conclusões foram negativas. Entre as más notícias, os pesquisadores notaram que as questões psicológicas, apesar de terem um forte impacto na vida de cada jovem, não pareciam influenciar negativamente o tratamento hepático deles – quer dizer: a depressão e a ansiedade não dificultam a cura das doenças do fígado.

12.881 – Tranquilizante de cavalo vai virar antidepressivo


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Um pózinho amarelo que fazia sua alma descolar do corpo. Essa era o slogan do Special K nos anos 90, uma droga chegava aos narizes dos festeiros das ruas refinada a partir de tranquilizantes usados em cavalos e gatos. Duas décadas depois, é essa a substância que promete mudar a vida de muita gente que sofre com depressão e revolucionar o tratamento da doença.
A ketamina é um anestésico relativamente barato que também pode ser usado em humanos em hospitais. Mas o negócio ficou famoso mesmo nas baladas. Ao contrário de drogas como o ecstasy, que são estimulantes, a ketamina é um depressor do sistema nervoso. O resultado é que a pessoa, por dentro, está vivendo uma fantasia incrível, cheia de alucinações – podendo até dançar pessoalmente com a Madonna – enquanto por fora, ela está parada, quase babando. Exagerar no Special K tinha um efeito tão assustador que ganhou o apelido de K Hole, o buraco de onde é difícil de sair e no qual fica difícil de reconhecer a realidade.
Só que da experiência das ruas começaram a aparecer histórias de gente que se curou da depressão com a ketamina. E a indústria farmacêutica começou a levar a história a sério e a pesquisar os efeitos da droga.
A busca por um remédio mais eficiente foi o que fez os laboratórios olharem mais de perto para a ketamina. O efeito da droga é imediato. Uma dose é sentida pelos pacientes em minutos e o resultado como antidepressivo pode durar por semanas.
A ketamina tem dois obstáculos importantes a ultrapassar para chegar nas farmácias. Em primeiro lugar, a parte recreativa precisa ir embora. Não tem condições de um alucinógeno ser aprovado como remédio de uso frequente por agências reguladoras (para a tristeza de algumas pessoas). Para isso, alguns laboratórios estão testando a esketamina, um isômero óptico da ketamina que tem os mesmo efeitos antidepressivos, mas sem visões e experiências metafísicas.
Outro problema é econômico. A ketamina já foi patenteada anos atrás. O tempo passou, a patente caiu e qualquer um pode produzir a substância, diminuindo bastante o potencial de lucro da empresa farmacêutica que desenvolver um remédio com ela. Mas também tem formas de contornar isso, criando melhorias patenteáveis, como novas formas de administração da droga (que não seja intravenosa, como nos hospitais, nem cheirada em pó, como nas festas).
A verdadeira revolução que o Special K pode provocar, porém, não é a criação de um único remédio novo. O principal mecanismo de ação da droga é completamente diferente dos antidepressivos convencionais como Prozac. Os remédios atuais são inibidores seletivos de recaptação de serotonina. O uso deles se baseia na hipótese de que existe um desequilíbrio químico de serotonina no cérebro que causa a depressão. Aí a produção desse neurotransmissor bomba e as pessoas se sentem melhor. O problema é que o efeito no cérebro é imediato, mas o quadro de depressão em si demora umas duas semanas para aliviar. Isso quando dá certo – o tratamento só funciona para 58% dos pacientes.
Já principal mecanismo de ação da ketamina não tem nada a ver com as monoaminas, grupo de substâncias da qual a serotonina faz parte – o que põe em cheque a hipótese atual sobre o que a depressão de fato faz no cérebro. O estudo da explosão que o Special K causa no cérebro pode então revelar neurotransmissores que ninguém nunca tinha associado com a depressão. A notícia é boa para os 42% que nunca se acertaram com o Prozac: tem muito mais “pílulas da alegria” vindo por aí.

12.843 – Anticoncepcionais com hormônios podem duplicar o risco de depressão


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Parece que as más notícias sobre os riscos da pílula anticoncepcional não param de chegar. Desta vez, a preocupação é com a saúde mental: um novo estudo da Universidade de Copenhague analisou os registros médicos de todas as mulheres entre 15 e 34 anos que vivem na Dinamarca para concluir que a chance de desenvolver depressão chega a dobrar para quem usa anticoncepcionais com hormônios.
Os cientistas focaram o estudo em mulheres que não tinham diagnóstico prévio de depressão. Aí passaram 14 anos acompanhando a saúde delas e os medicamentos que consumiam. E perceberam o seguinte: as mulheres que tomavam contraceptivos hormonais tinham chances bem maiores de, mais tarde, passar a tomar antidepresivos – ou seja, de serem dignosticadas como portadoras de depressão ou de transtornos de ansiedade (que também são tratados com fluoxetina, escitaplopram e cia.).
Para quem toma a pílula tradicional (que combina derivados de progesterona e estrogênio), o risco é 23% maior do que entre as mulheres que não usavam o método. Mas a pílula está até bem na fita. Os piores aumentos de risco estavam em outros métodos hormonais.
Foi o caso do adesivo, o “campeão” da pesquisa. As mulheres que usavam o método que distribui norgestrolmin (uma progesterona sintética, usada em marcas como Evra) através da pele tinham o dobro de chances de começar a tomar antidepressivos, comparadas às jovens que não tomavam esses hormônios.
No Top 3, inclusive, estão os anticoncepcionais hormonais que não vem em forma de comprimido: além do adesivo, há também o anel vaginal, que libera etonogestrel e o DIU hormonal, que usa levonorgestrel (ambas progesteronas sintéticas).

Ranking da depressão

Adesivo – risco 100% maior

Anel vaginal – risco 60% maior

DIU com levonorgestrel – risco 40% maior

Mini-pílula (só de progesterona) – risco 34% maior

Pílula combinada – risco 23% maior

Quando os pesquisadores separaram só as adolescentes, entre 15 e 19 anos, perceberam que elas estavam ainda mais vulneráveis. Para elas, usar a pílula combinada representa um risco 80% maior de depressão. Já com a mini-pílula, ele pula para 120% – ou seja, mais que o dobro.
Faltam estudos mais específicos para entender se a conexão entre depressão e anticoncepcionais tem relação direta com a progesterona (sozinhos, os números parecem apontar para isso), mas a preocupação imediata dos pesquisadores é outra: eles estimam que 80% das mulheres férteis da Dinamarca estejam tomando contraceptivos hormonais de algum tipo. No meio dessa quase onipresença da pílula, eles acreditam que os riscos à saúde mental estão sendo subestimados pelos próprios médicos na hora de receitar o medicamento.
O risco de depressão é conhecido de qualquer um leia a bula dos anticoncepcionais. Mas quando aparece um estudo com a população inteira de um país, a realidade (e a gravidade) da história chama bem mais atenção que as letrinhas fonte 10 na seção Efeitos Colaterais.

12.277 – Saúde – O que acontece quando alguém tem um surto depressivo?


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A doença muitas vezes é vista como uma frescura e é tratada como se fosse tabu. Ainda assim, Boechat não está sozinho. Um estudo realizado pela Federação Mundial de Saúde Mental mostra que uma em cada 20 pessoas tem depressão. A instituição estima que a doença afeta cerca de 350 milhões de pessoas ao redor do mundo.
“Os quadros de depressão podem ser leves e às vezes são confundidos com questões de personalidade, como se fosse um tipo de frescura”.
A depressão é causada por dois fatores: a genética e o ambiente. Isso significa que aqueles que têm um histórico familiar de depressão correm um risco maior de serem afetados pela doença. E algumas características do ambiente de convivência do indivíduo, como estresse e pouca valorização, podem ser decisivas para a saúde dele. Fora isso, há uma série de eventos que ocorrem ao longo da vida que podem levar alguém a ter depressão. O luto e o período pós-parto, por exemplo, são alguns deles.
Quem tem a doença sofre alterações no córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pela tomada de decisões e julgamentos do que é certo e errado. Muda também a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade dos neurônios de se comunicarem entre si. A sensação que um indivíduo tem durante um surto depressivo, segundo o psiquiatra, é de dificuldade em processar informações e agir, como se o cérebro não estivesse funcionando muito bem.
Ao longo do surto o corpo também sofre outros tipos de alterações, como o aumento na produção de cortisol. O excesso do hormônio aumenta a adrenalina no sangue e faz com que a variabilidade da frequência cardíaca do paciente diminua.
O tratamento para a doença varia de acordo com a gravidade. De acordo com André Brunoni, quadros leves e moderados podem ser tratados a partir de mudanças no estilo de vida, como exercícios e alimentação. Em casos mais sérios, é necessário contar com a ajuda de antidepressivos.
Como nem todos os pacientes podem adotar a medicação, seja por conta de outros remédios ou condições pessoais, novas técnicas de tratamento estão sendo desenvolvidas. Uma delas é a estimulação magnética transcraniana, na qual um pulso eletromagnético é gerado no córtex pré-frontal de forma a estimular a neuroplasticidade. “Essa técnica não tem efeitos colaterais, o que é muito importante pois é comum que pacientes melhorem por conta dos remédios, mas sofram com ganho de peso, perda de libido, problemas gastrointestinais. Se elas param de tomar a medicação, a depressão volta e cria-se um ciclo vicioso”, afirma Brunoni.
No momento, o psiquiatra e outros profissionais da área estão pesquisando a possibilidade de o tratamento ser mais eficaz que o uso de medicamentos. Por isso, farão o estudo a partir de 240 voluntários – ainda há 40 vagas, os interessados podem entrar em contato com os pesquisadores através do e-mail pesquisa.depressao@gmail.com.
Dados do Instituto de Psiquiatria da USP mostram que 15% das pessoas terão algum tipo de depressão ao longo da vida. Com tanta gente propensa a ser afetada por essa doença, relatos como o de Boechat e outros profissionais que atingem um maior número de pessoas, como Dan Harris, apresentador do programa americano Good Morning America, e da jornalista e roteirista Mariliz Pereira Jorge, são importantes e necessários.

12.149 – Stephen Hawking dá conselho para quem tem depressão


Stephen Hawking pode ter solucionado o paradoxo sobre os buracos negros.
O paradoxo veio novamente à tona durante uma palestra de Hawking no Royal Institute, em Londres, na Inglaterra. O físico, no entanto, acrescentou uma nova abordagem, relacionando os buracos negros com a depressão.
Hawking, que completou 74 anos no dia seguinte à palestra, descobriu que tinha esclerose lateral amiotrófica aos 21 anos. A condição fez com que os músculos de seu corpo fossem paralisados sem afetar as funções cerebrais.
Lucy, uma das filhas do físico, estava presente no Royal Institute e, segundo o Iflscience, afirmou que, para seu pai, a saúde mental é muito importante. “Ele tem um desejo invejável de continuar sua jornada e de concentrar suas energias e foco mental para continuar vivendo. Não só pelo propósito de sobrevivência, mas para transcendê-la pela produção de seus trabalhos extraordinários – escrevendo livros, dando palestras e inspirando outras pessoas com várias condições de saúde”, disse.

12.078 – Psiquiatria – Pesquisadores alegam ter encontrado fonte química da felicidade


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Um grupo de pesquisadores do Instituto Salk para Pesquisas Biológicas, nos EUA, conseguiu encontrar a fonte química da felicidade perpétua, e ela está no bem-estar mental. Mas como eles chegaram a essa conclusão? Com uma espécie de alquimia de laboratório que transforma células de pele humana em neurônios que se comunicam entre si através da serotonina.
A serotonina é uma substância neurotransmissora relacionada ao humor, ao desejo sexual, à memória e a outros fatores que afetam diretamente aquilo que conhecemos como felicidade. Segundo alguns estudos, se a secreção de serotonina no cérebro é deficiente, podem ocorrer quadros de depressão, autismo ou esquizofrenia.
Essa descoberta notável permitirá analisar, com muito mais precisão a relação entre esses transtornos e o comportamento das células, além de ser um passo em direção à possível manipulação dos mecanismos envolvidos na secreção e absorção dessa substância química, ou seja, na construção da felicidade.

11.217 – Bioquímica – O Triptofano


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É um dos aminoácidos codificados pelo código genético, sendo portanto um dos componentes das proteínas dos seres vivos. É um aminoácido aromático essencial para a nutrição humana. Ele é um dos vinte aminoácidos no código genético (códon UGG). Apenas o L-estereoisômero aparece na proteína mamália.
O triptofano vem antes da serotonina e é representado pela letra “W”. Estudos indicam também que o triptofano é a substância responsável pela promoção da sensação do bem-estar. O triptofano absorve luz ultravioleta.
O triptofano é um aminoácido essencial utilizado pelo cérebro, juntamente com a vitamina B3, a niacina (ou niacinamida) e o magnésio, para produzir a serotonina, um neurotransmissor importante nos processos bioquímicos do sono e do humor.
É importante ressaltar que, embora o triptofano eleve os níveis de serotonina seu consumo na forma de lactíneos, peixe, carne etc não faz efeito significativo sobre a produção de serotonina no Sistema Nervoso Central. Isso ocorre pois o triptofano não é o único aminoacido presente nesses alimentos, assim, há uma “competição” com outros aminoácidos na absorção. Desse modo a maior parte do triptofano presente nos alimentos não é utilizada.
Alimentos como a banana possuem serotonina, mas esta não tem a capacidade de atravessar a Barreira hematoencefálica, portanto não tem ação sobre o humor e a depressão.
O triptofano no Sistema Nervoso Central (SNC), é um dos responsáveis pela produção de serotonina. Níveis baixos de serotonina estão associados à depressão, o triptofano atua como um antidepressivo pois eleva os níveis de serotonina (5HT) no SNC.
Apesar de consolidada a relação entre o citado neurotransmissor e a depressão pela ação dos inibidores seletivos de (re)captação da serotonina (IRS e ISRS ) a relação entre o efeito da ingesta de triptófano e a depressão tem sido questionada da sua capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, por competição com outros aminoácidos podem passar mais facilmente e bloquear a entrada. Inclusive em tais estudos, não específicos sobre depressão e sim sobre o TOC – transtorno obsessivo-compulsivo também associado à presença da serotonina, observou-se que com dieta modificada usando oito vezes mais açúcar (os açúcares provocam uma liberação de insulina, que faz com que os músculos absorvam os outros aminoácidos eliminando a referida competição) e quatro vezes mais triptofano, os pesquisadores observaram a duplicação da atividade da serotonina no cérebro sem que os ratos melhorassem, e sim piorassem quanto aos sintomas de puxar pelos, comportamento equivalente à tricotilomania e TOCs.

Histórico
Em 1989, uma empresa nos EUA, a Showa Denko K.K, que produzia L-triptofano, modificou uma bactéria que começou a ser usada para aumentar a produção industrial de L-triptofano. A partir do momento em que este novo triptofano começou a ser utilizado, começaram a ocorrer diversas mortes causadas por uma doença auto-imune onde as próprias celulas de defesa do organismo começam a atacar o corpo e causava aumento das células sanguíneas chamadas eosinófilos e mialgia (dores musculares).
Devido a empresa não ter fornecido informações sobre a bactéria utilizada, os cientistas não conseguiram determinar exatamente a causa e nem a cura da doença. Sabe-se que mais de 40 pessoas morreram em decorrência do uso do L-triptofano e muitas outras ficaram permanentemente inválidas. A empresa Showa Denko K.K afirmou que logo após evidências desta doença, destruiu toda e qualquer forma desta bactéria. Nunca houve relatos de problemas relacionados a este aminoácido quando produzido de fermentação, que era o modo empregado antes das bactérias.

10.987 – Neurologia – Qual a causa da depressão?


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Tal distúrbio está ligado à menor produção de substâncias como serotonina e endorfina. Elas facilitam a comunicação entre neurônios e influenciam diretamente na sensação de bem-estar. Mas o que desencadeia esse processo ainda não foi definido com precisão pela ciência. Há vários motivos, como uma doença, um forte sentimento de perda ou até fatores genéticos. Segundo dados de 2012 da Organização Mundial da Saúde, 5% da população global sofre de depressão. E, até 2030, ela deve se tornar a doença mais comum do mundo.
A comunicação neuronal ocorre quando um impulso elétrico passa entre os neurônios. Entre eles, há um espaço que precisa ser vencido: a fenda sináptica. É aí que entram os neurotransmissores, liberados pela célula que quer “enviar” a mensagem. Eles reagem com os receptores da célula seguinte, formando uma espécie de ponte.
O depressivo produz menos neurotransmissores. Isso dificulta a comunicação e gera a sensação de desânimo. Para piorar, alguns dos neurotransmissores são reabsorvidos pelo neurônio que os enviou, antes de se conectarem com o neurônio seguinte. Assim, o nível dessas substâncias vai caindo e a pessoa fica mais depressiva.
O tratamento é feito com medicamento e terapia. O remédio bloqueia a reabsorção. Assim, os neurotransmissores remanescentes são mantidos na fenda sináptica, tentando maximizar a comunicação. O acompanhamento psicológico ajuda a descobrir onde está a causa externa do problema, resolvendo-o antes que se crie uma dependência do remédio.

10.943 – Psiquiatria – A era da auto-destruição


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Segundo dados do Mapa da Violência 2014, a taxa de suicídio de jovens com idade entre 10 e 14 anos aumentou 40% no país nos últimos 10 anos. Entre os jovens com idade entre 15 e 19 anos, o crescimento foi de 33%. O Brasil é um exemplo de uma tendência que assola o mundo: o suicídio é a principal causa de morte entre jovens em um terço dos países. Por aqui, o suicídio está atrás de homicídios e acidentes de carro, com taxas 4 e 6 vezes maiores de mortes. O problema é que o assunto ainda é um tabu — e características da adolescência, como isolamento e alterações de humor, fazem com que o comportamento suicida muitas vezes passe batido para a família.
O último Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), de 2013, aponta que 36% dos jovens consomem álcool de forma nociva — quatro doses ou mais em até duas horas. É um aumento de três pontos percentuais em relação há três anos, segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo. Quando a bebida é aliada à depressão, doença que afeta quase um terço dos adolescentes, tem-se uma combinação perigosa. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é a principal causa de doença e inaptidão de adolescentes no mundo.
Outro fator apontado como uma das causas do aumento nos suicídios é o excesso de aulas, cursos e esportes a que os jovens são submetidos. Trata-se de um estilo de vida que está sendo investigado por psicólogos que relacionam a epidemia ao perfeccionismo. Estudo divulgado no ano passado nos EUA apontou que 70% dos 33 meninos que tiraram a própria vida tinham exigências altas demais. “O adolescente muitas vezes sofre com uma imagem fantasiada dos pais e não tem espaço para ser quem ele é, além de não tolerar a frustração”, diz Karen Scavacini, psicóloga e fundadora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio.
INTERNET > Entre trolls e anjos da guarda
A internet tem um papel ambivalente quando o assunto é suicídio. Por um lado, ela pode ser a origem dos problemas dos jovens que tiram a própria vida. Um caso bastante comentado no Brasil foi o de Júlia Rebeca, que em 2013 anunciou sua própria morte pelo Twitter depois que um vídeo íntimo seu com outra jovem e um homem foi divulgado no WhatsApp. Rebeca, que morava em Parnaíba, no Piauí, foi encontrada morta enrolada no fio do aparelho de fazer chapinha. Na mesma semana, uma adolescente de 16 anos se suicidou em Veranópolis, no Rio Grande do Sul, depois que um ex-namorado vazou suas fotos íntimas na internet. “Essa exposição provoca uma dor muito grande e, se os jovens não conseguem falar sobre isso com a família ou amigos porque vão sofrer rejeição, eles correm maior risco de entrar em depressão e cometer suicídio”.
Por outro lado, nem tudo é tragédia na relação entre web e jovens suicidas. A americana Trisha Prabhu, de 13 anos, criou um projeto para combater o cyberbullying, que a levou a ser finalista na Feira de Ciências do Google realizada neste ano. Trisha criou o “Rethink” (repense, em inglês), um sistema de alerta que exige que as pessoas pensem duas vezes antes de postar algo prejudicial em redes sociais. A ideia surgiu depois que ela resolveu estudar o cérebro dos adolescentes e descobriu que ele não está completamente desenvolvido, o que faz com que os jovens sejam mais impulsivos. Trisha testou o alerta com voluntários e, segundo ela, 93% desistiram de divulgar imagens depois do alerta.
Suicídio já foi um tabu maior no passado, quando os jornais sequer falavam no tema por medo do efeito contágio. Anos de debates depois, ficou claro que, na verdade, a melhor forma de combatê-lo é exatamente falando sobre o assunto. “Há 20 anos, ninguém falava em câncer, Aids”, diz Karen. “Hoje, por que as pessoas fazem exames preventivos do câncer? Porque essas doenças foram debatidas, houve mobilização e campanhas.”
O problema do tabu é que as pessoas que tentam o suicídio são vistas como loucos, não como pessoas doentes que precisam desesperadamente de ajuda — e isso só serve para isolá-las ainda mais. Mônica Kother Macedo, psicanalista especializada em suicídio e professora da PUCRS, trabalhou diretamente com pessoas que tentaram se matar e uma das frases mais ouvidas foi “se eu dissesse o que passava na minha cabeça iam dizer que estava louco”. “Às vezes nem a pessoa leva seu sofrimento a sério”.

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10.591 – Neurologia – Antidepressivo pode mudar estrutura do cérebro


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Uma única dose do antidepressivo escitalopram (também conhecido pelo comercial de Lexapro) pode mudar a estrutura do cérebro. A mudança nas conexões cerebrais ocorre depois três horas da ingestão do medicamento. Essa é a conclusão de um estudo publicado na quinta-feira no periódico Current Biology.
O escitalopram é de uma classe de medicamentos chamada de inibidores seletivos de receptação (SSRI, na sigla em inglês). Esse tipo de remédio ajusta a disponibilidade da serotonina, neurotransmissor que regula o humor, no corpo. Ele diminui a sua reabsorção pelo organismo.
O estudo observou 22 pessoas saudáveis, das quais uma parte tomou o medicamento e outra não. Cada grupo foi submetido a três ressonâncias magnéticas em dias distintos: uma sem que os participantes ingerissem qualquer substância; a segunda três horas depois da ingestão de uma dose de Lexapro (para os voluntários que tomaram o remédio) e a última três horas depois de uma dose de placebo. Os cientistas, então, compararam as conexões cerebrais entre os voluntários em todas as fases da pesquisa.
Os exames revelaram que diminuiu a conectividade entre as células cerebrais das pessoas que tomaram escitalopram. Além disso, as regiões do cérebro se tornaram mais interdependentes. Essa característica foi notada, principalmente, no cerebelo, que coordena o movimento voluntário, e no tálamo, responsável pela parte sensorial.
“Nós não esperávamos que esse medicamento tivesse um efeito tão eminente em um prazo tão curto e que o efeito afetaria todo o cérebro”, diz Julia Sacher, do Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências do Cérebro, na Alemanha.
Os cientistas dizem que os resultados são os primeiros passos para estudos clínicos que analisam pacientes que sofrem de depressão.
Sintomas
O principal sintoma da depressão é o humor deprimido, que pode envolver sentimentos como tristeza, indiferença e desânimo. Todos esses sentimentos são naturais do ser humano e nem sempre são sinônimo de depressão, mas, se somados a outros sintomas da doença e persistirem na maior parte do dia por ao menos duas semanas, podem configurar um quadro de depressão clínica. “O humor deprimido faz com que a pessoa passe a enxergar o mundo e a si mesma de forma negativa e infeliz. Mesmo se acontece algo de bom em sua vida, ela vai dar mais atenção ao aspecto ruim do evento. Com isso, o paciente tende a se sentir incapaz e sua autoestima diminui”.
Perder o interesse por atividades que antes eram prazerosas é outro sintoma importante da depressão. O desinteresse pode acontecer em diferentes aspectos da vida do indivíduo, como no âmbito familiar, profissional e sexual, além de atividades de lazer, por exemplo. “O paciente também pode abrir mão de projetos por achar que eles já não valem mais o esforço, deixar de conquistar novos objetivos ou de aproveitar oportunidades que podem surgir em sua vida”.
Pessoas com depressão podem passar a dormir durante mais ou menos tempo do que o de costume. É comum que apresentem problemas como acordar no meio da noite e ter dificuldade para voltar a dormir ou sonolência excessiva durante a noite ou o dia.
Podem apresentar uma perda ou aumento do apetite — passando a consumir muito açúcar ou carboidrato, por exemplo. Segundo o psiquiatra Rodrigo Leite, não está claro o motivo pelo qual isso acontece, mas sabe-se que, somado a outros sintomas da doença, a alteração do apetite que persiste por no mínimo duas semanas aumenta as chances de um paciente ser diagnosticado com depressão.
Mudanças significativas de peso podem ser uma consequência da alteração do apetite provocada pela depressão — por isso, são consideradas como um dos sintomas da doença.
Em muitos casos, a depressão também pode prejudicar a capacidade de concentração, raciocínio e tomada de decisões. Com isso, o indivíduo perde o rendimento no trabalho ou nos estudos. Segundo a psiquiatra Mara Maranhão, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a depressão pode impedir que o paciente trabalhe ou estude, ou então faz com que ele precise se esforçar muito para conseguir concluir determinada atividade.

8814 – Anti-Depressivo – O Adeus ao Baixo-Astral


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Em abril de 1957, o médico americano Nathan Kline, então com 42 anos, diretor do Hospital Psiquiátrico de Rockland, nos Estados Unidos, anunciou que a depressão tinha remédio. Ele relatou os resultados positivos da iproniazida em pacientes que haviam tentado o suicídio. O problema era que as indústrias farmacêuticas tinham acabado de retirar do mercado essa substância, derivada de um aditivo de combustível usado nos tanques da Segunda Guerra Mundial. A iproniazida fora lançada seis anos antes para tratar a tuberculose. Na época, notou-se que ela deixava cheios de ânimo, sorridentes e menos sensíveis à dor pacientes que estavam à beira da morte. Mas não era boa na tarefa de curar as lesões pulmonares. Psiquiatras do mundo inteiro prestaram atenção no efeito colateral euforizante do remédio. Nathan Kline, porém, foi o primeiro a ter seu trabalho divulgado na imprensa. A partir daí, a pressão popular pelo relançamento da droga foi tremenda e em novembro de 1957, há exatos quarenta anos, o primeiro antidepressivo chegava às farmácias.

8219 – Farmacologia – A Amitriptilina


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É um antidepressivo tricíclico portanto da classe dos mais conhecidos medicamentos antidepressivos.
Sua principal finalidade é o tratamento da depressão e pode demorar de duas a quatro semanas para começar a fazer efeito, enquanto os efeitos colaterais surgem muito rapidamente.
Embora numa fase inicial do tratamento se verifique sedação, pode levar de uma a seis semanas até que seja atingido o efeito desejado. Além de antidepressivo, a amitriptilina atua também como bloqueador dos ataques de pânico (Transtorno do Pânico) e Transtorno de Ansiedade Generalizada.
Cloridrato de amitriptilina é um antidepressivo com propriedades sedativas.
Seu mecanismo de ação no homem não é conhecido. Não é inibidor da monoaminoxidase e não age primordialmente por estimulação do sistema nervoso central. Em amplo uso clínico, verificou-se que cloridrato de amitriptilina tem sido bem tolerado. O cloridrato de amitriptilina também tem mostrado ser eficaz no tratamento da enurese em alguns casos onde a doença orgânica foi excluída. O modo de ação do cloridrato de amitriptilina na enurese não é conhecido. Entretanto, cloridrato de amitriptilina possui propriedades anticolinérgicas e os medicamentos deste grupo, como a beladona, tem sido usados no tratamento da enurese.
Trata-se de um composto branco e cristalino, prontamente solúvel em água. O peso molecular é 313,87.
A fórmula empírica é C20H23N.HCl.

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Farmacologia
A amitriptilina inibe o mecanismo de bomba da membrana responsável pela recaptação da norepinefrina e serotonina nos neurônios adrenérgicos e serotoninérgicos. Farmacologicamente, esta atividade pode potenciar ou prolongar a atividade neural simpática, uma vez que a recaptação dessas aminas é fisiologicamente importante para suprir suas ações transmissoras. Alguns acreditam que esta interferência na recaptação da norepinefrina e ou serotonina é a base da atividade antidepressiva da amitriptilina.
Metabolismo
Estudos no homem, após a administração da substância marcada com o C14 indicaram que a amitriptilina é rapidamente absorvida e metabolizada. A radioatividade do plasma foi praticamente desprezível, embora apreciáveis quantidades de radioatividade aparecessem na urina durante 4 a 6 horas e metade a um terço do medicamento foi excretado na urina dentro de 24 horas. A amitriptilina é metabolizada no homem, no coelho e no rato por N-desmetilação e hidroxilação em ponte. A dose inteira é virtualmente excretada como glicoronato ou sulfatos conjugados de metabólitos, aparecendo na urina pouca substância inalterada. Outras vias metabólicas podem estar envolvidas.

Seu uso deve ser feito sob orientação médica, para que sejam observadas as contra-indicações e efeitos colaterais.

7873 – Medicina – Como o cérebro age na ansiedade


Um estudo feito pela Universidade da Carolina do Norte explica como duas regiões do cérebro interagem para produzir comportamentos relacionados à sentimentos – como ansiedade. As descobertas podem levar ao desenvolvimento de melhores tratamentos para distúrbios como depressão e ansiedade.
A interação acontece quando neurônios de uma parte do cêrebro, conhecida como amídala, ficam hiperativos, estimulados por situações estressantes. Estes neurônios, que controlam emoções como o medo, estimulam a ação de uma outra área do cérebro, a Área Tegumentar Ventral, associada à compensação. Ou seja, uma área associada à ansiedade está diretamente ligada a outra associada a recompensas.
Se for possível entender corretamente a dinâmica dessa interação, poderá se fazer com que pessoas não se sintam motivadas pelo seu próprio cérebro a ter atitudes que não lhe fazem bem, como vícios em drogas e o comportamento depressivo por exemplo.

7541 – Medicina – Ginko Biloba contra a Depressão


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Uma planta de nome esquisito, comum no Japão, ficou famosa entre os botânicos por ter sido a única espécie vegetal que sobreviveu ao bombardeio atômico de Hiroshima, em 1945. Agora, a gingko biloga – é assim que ela se chama – está ficando conhecida entre os médicos. É que seu extrato parece ajudar no tratamento da depressão, à medida que reforça o efeito das drogas usadas para combater o problema. Cientistas ligados a Organização Mundial de Saúde (OMS) estão pesquisando essa capacidade da planta, em diversos países. “Pelo menos 100 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem algum tipo de depressão” “E três em cada dez pacientes não reagem aos medicamentos conhecidos.”
Uma possível explicação para a falta de respostas a terapia são lesões na membranas dos neurônios, provocadas por radicais livres, moléculas nocivas produzidas pelo próprio organismo.
“Tudo leva a crer que o extrato de gingko biloba limpa o cérebro dos radicais livres e, assim, o prepara para receber as drogas antidepressivas”, com isso, esperam os pesquisadores, a proporção de pacientes resistentes ao tratamento deve diminuir.

6381 – Mau humor e pessimismo podem ter causa genética


De acordo com um estudo da Universidade de Michigan (EUA), a quantidade de uma substância que faz a comunicação entre os neurônios (Neuropeptídeo Y, NPY) afeta a forma como vemos o mundo. Segundo os cientistas, os níveis em que ela é encontrada no sistema nervoso estão diretamente relacionados a passarmos pela vida com uma visão “copo meio cheio” ou “copo meio vazio” em relação a tudo: os que têm menos NPY são muito mais pessimistas e têm dificuldades em lidar com situações estressantes. E também são – aí sem surpresa nenhuma – mais propensos a sofrer de depressão.
Isso foi apontado depois de uma série de testes em que a atividade cerebral de voluntários era medida enquanto eles liam palavras neutras (como “material”), negativas (“assassino”) ou positivas (“esperança”). Os pesquisadores sugerem que a questão é genética, mas falta explicar o que, exatamente, define os níveis da substância.

Então nesse caso, a felicidade é genética?
Um grupo de pesquisadores de quatro universidades, do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Suécia, afirma que a gente possui algo como um “piso” de felicidade, um nível mínimo de satisfação com a vida que se mantém consistente e persiste ao longo do tempo. E, no caso, cada um tem o seu.
A variação genética explica cerca de 33% da variação na felicidade das pessoas, que a influência dos genes varia conforme o sexo (26% para as mulheres e 39% para os homens) e que ela tende a aumentar com a idade. O culpado disso é o SLCGA6, gene que transporta serotonina (um neurotransmissor ligado à alegria de viver) no cérebro – quem possui uma versão mais “eficiente” dele tem entre 8,5% e 17,3% mais chances de ser uma pessoa feliz da vida. Não ter sido presenteado com essa versão turbo, é só mais um motivo para ficar deprê.