13.754 – Neurociência – Por que algumas pessoas são ambidestras?


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Quem é capaz de escrever e realizar tarefas do dia a dia usando as duas mãos é chamado de ambidestro, palavra que vem do latim através da união de ambi (“ambos”) e dext (“certo”).
Os ambidestros têm uma característica cerebral bastante interessante: nenhum dos lados do órgão é o lado dominante.
Ao contrário do que acontece com os destros, por exemplo, que usam a mão direita para escrever e realizar tarefas, mas têm o lado esquerdo do cérebro dominante.

Os estudos científicos mais atuais indicam que, apesar de algumas funções determinadas serem priorizadas por um ou outro lado cérebro, não existe uma divisão exata e rígida de tarefas. O mais provável é que as ações sejam realizadas em conjunto, podendo variar de acordo com as necessidades.

Funções atribuídas ao hemisfério esquerdo do cérebro
Domínio da linguagem formal, como regras gramaticais, por exemplo
Capacidade em entender contas e manipular números
Elaboração mais clara de um determinado raciocínio
Recordação de sequências de fatos
Funções atribuídas ao hemisfério direito do cérebro
Sutilezas da fala, como mudanças no tom de voz para indicar sentimentos
Reconhecimento facial
Capacidade intuitiva e criativa
Percepções espaciais

Ambidestria: características
A ambidestria pode ser de nascença, algo mais raro, ou mesmo aprendida ao longo dos anos. A versatilidade em usar ambas as mãos varia de grau mesmo entre os ambidestros que, em determinados casos, até hesitam diante de uma tarefa específica para saber qual mão escolher.
A ciência já sabe que aproximadamente apenas 1 em cada 100 pessoas é ambidestra, ou seja, capaz de realizar todas as tarefas com a mesma. O mais comum é encontrar ambidestros que, na realidade, nasceram canhotos e foram obrigados a usar a mão direita, especialmente durante a fase de aprendizado na infância.

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13.717 – Neurologia – Choque na Memória


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O poema de Álvaro de Campos, um dos heterônimos mais conhecidos do escritor português Fernando Pessoa (1888-1935), remete ao conceito universal de que a memória é o que nós somos. Sem que tenhamos a possibilidade de recordar, a existência se esvazia por completo. A vida se sustenta com base nas ideias do presente, nas referências do passado e na forma como processamos e armazenamos as nossas experiências. Por isso, ninguém quer perder a memória, todos querem melhorá-la. Pois um novo e ousado procedimento médico foi capaz de impulsionar o mecanismo que forma e preserva as lembranças, um feito inédito na medicina. Eletrodos implantados em uma área específica do cérebro recuperaram 15% da memória de pacientes. A taxa equivale ao que se perde em dois anos e meio com a degeneração provocada pela doença de Alzheimer. Ou ao que se esvai naturalmente em dezoito anos de vida de uma pessoa saudável. Traduzindo: quem tem 56 anos hoje pode, em tese, voltar a ter a mesma memória que tinha aos 38 anos. Youssef Ezzyat, psicólogo da Universidade da Pensilvânia, autor principal da técnica: “O método abre um caminho de possibilidades para auxiliar as pessoas com problemas de memória”. Publicado na revista Nature Communications, o trabalho tem sido considerado por especialistas do mundo todo como um dos feitos mais promissores ocorridos na neurologia nas últimas décadas, desde a disseminação dos aparelhos de ressonância magnética que revelam o cérebro em atividade.
A dinâmica do método fascina. Dezenas de eletrodos minúsculos, de 2,3 milímetros cada um, foram implantadas no córtex lateral de 25 pacientes. O córtex lateral é a região do cérebro associada ao processamento de informações. A cirurgia para a implantação dos eletrodos dura, em média, três horas. Em seguida, os participantes foram orientados a memorizar uma lista com doze palavras aleatórias, como “bala”, “doce” e “carro”. Cada vocábulo foi exibido em uma tela durante dois segundos. Pediu-se a todos os pacientes, então, que fizessem contas matemáticas simples, tarefa cujo único objetivo era distraí-los da anterior. Na sequência, tinham de dizer aos pesquisadores de quais palavras conseguiam se lembrar. Durante todo o procedimento, a atividade cerebral dos pacientes era registrada pelos eletrodos. Com isso, os cientistas conseguiram definir dois padrões de ondas cerebrais: um para os momentos em que a memória funcionava bem, e o outro para quando ia mal. A partir daí, os eletrodos foram programados para liberar pequenos choques elétricos no cérebro do paciente (que não sente nada) sempre que sua onda cerebral não funcionasse bem. Resultado: as lembranças melhoraram em 15%.
O procedimento ainda é experimental e deverá ser realizado em um número maior de pessoas para que se verifiquem sua real segurança e eficácia. É um processo que deve demorar ainda mais uma década para ser concluído. “Mas já podemos dizer que se trata de um feito inédito para os estudos de melhora da memória”, diz o neurologista Renato Anghinah, da Universidade de São Paulo. Aqui, um parêntese importante. Todos os pacientes que se submeteram ao estudo tinham epilepsia, doença que costuma provocar deficiências de memória. No entanto, os efeitos da técnica dos eletrodos, teoricamente, poderiam ser igualmente positivos também em pessoas saudáveis.
O uso de descargas elétricas para melhorar a saúde do cérebro é coisa antiga. O médico grego Claudio Galeno (129-216) encostava peixes-elétricos no crânio dos pacientes para tratar dores de cabeça crônicas. Com seu método, Galeno intuiu o que só seria confirmado no século XVIII: que o organismo pode ser estimulado por impulsos elétricos — o princípio de ação dos eletrodos. Esses dispositivos são usados desde a década de 90 para tratar doenças neurológicas, como Parkinson e epilepsia. Atualmente são estudados para o tratamento de pacientes com depressão refratária a medicações. Implantados no cérebro, ficam ligados a uma bateria externa que libera choques em áreas que variam conforme a natureza da doença. O conceito por trás da técnica é que as pequenas descargas elétricas são capazes de interromper atividades cerebrais desreguladas, permitindo, assim, a predominância de atividades cerebrais em regiões com processamento normal. Cientistas já arriscam imaginar os próximos passos. Diz o neurocirurgião Arthur Cukiert: “No futuro, poderemos avançar a ponto de conseguir os mesmos efeitos com uma tecnologia não invasiva, que aja de fora do cérebro”.
A memória é uma das funções mais complexas do cérebro. Isso porque ela está associada a dezenas de áreas do órgão, sendo o hipocampo uma das principais. Em conjunto com o córtex, ele garante que o organismo colete, conecte e crie as lembranças a partir de experiências. É, portanto, o primeiro passo para a formação da memória. Quem quer que rememore o seu primeiro beijo possivelmente se lembrará das palpitações causadas pela ansiedade, do ambiente em que se encontrava, do perfume e das características físicas do parceiro. O fato de a experiência envolver tantos sentidos ajuda a fazer com que, mesmo alguns bons anos depois, a lembrança continue ali, armazenada. Os atores essenciais nesse processo são as conexões elétricas transmitidas pelos neurônios — as chamadas sinapses, que codificam e armazenam a memória.
Mais recentemente, a medicina identificou que o mecanismo da memória é ainda mais intrincado do que se imaginava. Ele está associado também aos hábitos de vida. Hoje, sabe-se que 30% dos casos de perda de memória grave podem ser evitados com comportamentos saudáveis. Há seis meses, a Academia Americana de Neurologia passou a recomendar exercícios físicos para prevenir a perda de memória — como 150 minutos semanais de caminhada, por exemplo.
A atividade física estimula o funcionamento do hipocampo. Já a privação de sono tende a provocar lapsos de memória — uma noite maldormida é capaz de afetar temporariamente a comunicação entre os neurônios. Ainda há controvérsia entre especialistas sobre a eficácia de atividades que pregam técnicas de memorização para retardar a perda das lembranças, como o jogo de xadrez ou sistemas de aprendizagem como o Kumon. Mas um novo estudo, publicado na revista da Sociedade Americana de Geriatria, descobriu que esses hábitos podem, sim, ajudar a memória, só que em uma situação mais específica, quando ela já está afetada por um transtorno cognitivo leve — o estágio entre o envelhecimento cerebral normal e a demência. Dificilmente, no entanto, essas atividades poderiam contribuir para reverter a perda natural de lembranças. O problema está, mais uma vez, na complexidade da formação da memória. “Não há um exercício suficientemente completo para abranger todas as variações da memória. É possível melhorá-la pontualmente”, diz Paulo Bertolucci, chefe do setor de Neurologia do Comportamento da Universidade Federal de Medicina, em São Paulo.
Esquecer é algo natural. Todo aquele que tiver uma vida longa em algum momento se queixará de ter ficado com “uma palavra na ponta da língua”. A chave de casa some, a carteira não está no lugar e o nome das pessoas desaparece repentinamente. A falta de memória saudável é um sintoma secundário de outros problemas. Antes de tudo, pode ser desatenção. Se um indivíduo não se importar com o lugar onde deixou o casaco, seu cérebro também não vai se preocupar em arquivar essa informação. Os lapsos podem ter a ver ainda com ansiedade, depressão, stress e abuso de álcool. Aos 60 anos, por causa do desgaste natural dos neurônios, mais da metade dos adultos apresenta dificuldades de memória que afetam o seu dia a dia em algum grau. Mas isso não é necessariamente sinal de problemas graves, como a doença de Alzheimer.
O mecanismo das lembranças é um tema debatido desde a Antiguidade. Sócrates, conforme relata Platão em Fedro, lamentou a popularização da escrita porque, segundo ele, a substituição do conhecimento acumulado no cérebro pela palavra desenhada tornaria a mente preguiçosa e prejudicaria a memória. “Essa descoberta provocará nas almas o esquecimento de quanto se aprende, devido à falta de exercício da memória, porque, confiadas na escrita, é do exterior, por meio de sinais estranhos, e não de dentro, graças a esforços próprios, que obterão as recordações”, disse. Bem mais adiante, o escritor português José Saramago retorquiu ao filósofo grego em seu livro de crônicas A Bagagem do Viajante, publicado originalmente em 1973: “Se passo as minhas lembranças ao papel, é mais para que não se percam (em mim) minutos de ouro, horas que resplandecem como sóis no céu tumultuoso e imenso que é a memória. Coisas que são também, com o mais, a minha vida”. Sócrates se preocupava com a influência do papel sobre a memória, mas nunca imaginaria o poder dos eletrodos sobre ela. Se pudesse fazê-lo, talvez levantasse outras questões: os implantes cerebrais poderão resultar em classes diferentes de cidadãos, os de memória aprimorada e os “normais”? E se, em algum momento, eles influenciarem pensamentos e comportamentos? Por outro lado: podemos estar subjugando a importância do esquecimento?.
Na ficção, a memória tem sido instrumento de roteiros extraordinários. Um exemplo é o filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, do diretor Michel Gondry. Lançado em 2004, o longa conta a história de Clementine, a personagem vivida por Kate Winslet que se submete a um procedimento experimental para apagar da memória o ex-namorado Joel, interpretado por Jim Carrey. Desconsolado, Joel decide fazer o mesmo. Mas, quando suas lembranças começam a se esvanecer, ele percebe que ainda ama Clementine — e tenta desesperadamente inverter o processo. A vida se faz por memórias, e, sem elas, sobra o vazio. A possibilidade de estendê-las por mais tempo é a possibilidade de prolongar o bom da vida.

A dádiva do esquecimento
Na mitologia grega, Mnemosine e Letes, os rios da memória e do esquecimento, corriam pelas planícies do Hades, a terra dos mortos, e a alma que lá chegava, conforme bebesse das águas de um ou de outro, teria o conhecimento ou a completa ignorância do que vivera sobre a terra. Outras versões do mito colocam o Letes à saída do Hades, pois a alma que retornava ao plano terreno tinha de apagar lembranças de vidas anteriores. No século XIV, Dante adaptou esses mitos da Antiguidade ao pensamento cristão em sua Divina Comédia: saindo do Purgatório, as almas que se encaminhavam para o Paraíso bebiam do Letes para esquecer os pecados, e de um rio chamado Eunoé para lembrar-se do bem que haviam feito. Essas narrativas já contemplavam uma intuição fundamental sobre o funcionamento de nossa mente: esquecimento e memória são faculdades complementares. Precisamos de ambas.
A vida seria perfeitamente infernal se nossa memória fosse irretocável. Imagine lembrar-se exatamente de tudo o que foi dito pelo apresentador de um programa dominical que você viu em um dia de 1995, ou da cor das meias que você calçou naquela ocasião. Uma pessoa que lembrasse de tais insignificâncias teria dificuldade para discernir que eventos merecem ser qualificados de memoráveis. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Stanford e publicado em 2007 demonstrou que a capacidade do cérebro de suprimir memórias irrelevantes facilita lembrar o que realmente importa. Há razões evolutivas para que seja assim: na competição pela sobrevivência em um ambiente hostil, torna-se fundamental guardar informações essenciais. Importa mais lembrar que certo cachorro é bravo do que recordar seu nome ou a forma de sua tigela de ração.
A ciência ainda não desvendou os mecanismos do esquecimento, mas já sabe que esquecer é tão vital quanto lembrar. Pesquisas recentes sugerem que certas pessoas com incapacidade de esquecer eventos traumáticos têm maior risco de desenvolver depressão e transtorno de stress pós-traumático. Como apontou o filósofo e psicólogo americano William James, pioneiro em estudos sobre a memória: “Se nos lembrássemos de tudo, seríamos, na maioria das vezes, tão doentes quanto se não nos lembrássemos de nada”.
Admirador de William James, o argentino Jorge Luis Borges (1899-1986) talvez tenha sido o escritor de ficção que melhor compreendeu a importância do esquecimento. O francês Marcel Proust explorou os delicados processos involuntários que despertam a memória dos tempos perdidos — mas Borges aventurou-se em terreno mais perigoso: especulou como seria uma memória absoluta, no conto Funes, o Memorioso. Espécie de versão extrema da americana Jill Price — que consegue lembrar o dia exato em que determinado episódio de programa televisivo foi ao ar nos anos 80 —, Irineo Funes não consegue se esquecer de nada. Tem facilidade para línguas, mas é incapaz de pensamento consistente. “Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes, nada havia além de detalhes, quase imediatos”, ensina Borges.
Em um conto posterior, O Aleph, Borges imagina um objeto impossível: o aleph é um ponto único do espaço — localizado em um porão de Buenos Aires — em que é possível ver a totalidade do mundo em um só relance. Depois da experiência sobrenatural de olhar para o aleph, o personagem-narrador teme nunca mais vir a ter uma surpresa na vida, pois todas as pessoas com que cruza na rua já foram vistas antes. Depois de algumas noites de insônia, porém, o esquecimento faz seu trabalho. Borges tinha uma memória literária prodigiosa, conhecendo muitos textos e poemas de cor. Mas compreendia que o esquecimento é uma dádiva.

13.684 – Antropologia – Por que os cérebros humanos se tornaram tão grandes?


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Esse é um “mistério” que intriga os cientistas já faz um tempo: enquanto a maioria dos organismos prospera com pequenos cérebros, ou nenhum, a espécie humana optou por sacrificar seu crescimento corporal em troca de mais capacidade cerebral.

A hipótese
Os pesquisadores Mauricio Gonzalez-Forero e Andy Gardner, da Universidade de St Andrews, na Escócia, acreditam ter descoberto por que isso aconteceu.
O cérebro humano teria se expandido principalmente em resposta a estresses ambientais, que forçaram nossa espécie a encontrar soluções inovadoras para se alimentar e se abrigar, passando essas lições adiante para seus filhos.
Essa hipótese, testada pela dupla via simulações computacionais, desafia uma teoria popular de que o órgão cresceu à medida que as interações sociais entre os humanos se tornaram mais complexas.
Na verdade, o inverso pode ser verdadeiro. “As descobertas são intrigantes porque sugerem que alguns aspectos da complexidade social são mais prováveis de serem consequências do que causas de nosso grande tamanho cerebral. O grande cérebro humano mais provavelmente se originou da solução de problemas ecológicos e da cultura cumulativa do que da interação social”, disse Gonzalez-Forero ao portal Phys.org.

Causa ou consequência
De nossos ancestrais australopitecos, mais semelhantes aos símios, até o moderno Homo sapiens, o cérebro humano triplicou de tamanho.

Alimentar um cérebro tão grande vem com o custo de um crescimento lento do corpo na infância – deixando nossos filhos mais dependentes e vulneráveis por mais tempo do que os de outros animais.

Pesquisas anteriores encontraram correlações entre o tamanho do cérebro grande em espécies animais e estruturas sociais complexas, bem como vida em ambientes desafiadores e uma capacidade de aprender lições com colegas, o que também é descrito como “cultura”.

Mas nenhum estudo foi capaz de concluir se esses fatores são a causa da expansão cerebral ou o resultado disso.
Os “cérebros” utilizados como modelos foram apresentados a desafios ecológicos, como encontrar presas em condições climáticas adversas ou em terrenos difíceis, ou preservar alimentos para protegê-los contra mofo ou deterioração, ou ainda armazenar água em meio à seca.

Desafios sociais também foram introduzidos, para testar a influência da cooperação e competição entre indivíduos e grupos no crescimento do cérebro.

Curiosamente, a cooperação foi associada a uma diminuição no tamanho do cérebro, provavelmente porque permitia que os indivíduos confiassem nos recursos uns dos outros e economizassem energia. Enquanto as demandas sociais não pareciam levar a cérebros grandes, problemas ecológicos cada vez mais difíceis expandiam os órgãos.
Interação Social 0 x 1 Cultura
Mas então por que os cérebros de outros animais que vivem em ambientes desafiadores não cresceram tanto quanto o cérebro humano?

Provavelmente por causa da cultura – a habilidade de aprender com os outros, ao invés de ter que descobrir tudo sozinho.

“Nossos resultados sugerem que é a interação da ecologia e da cultura que produziu o tamanho do cérebro humano”, disse Gonzalez-Forero.

13.683 – Biologia – Veja o tamanho e peso do cérebro humano em comparação com outros animais


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O cérebro humano é incrível, e, com certeza, o que mais nos diferencia dos outros animais. Mas não é o maior cérebro do reino animal; animais maiores, como baleias e elefantes, têm cérebros maiores (a baleia- azul, com seus 10 kg de cérebro, tem o maior do reino animal).
Porém, o cérebro humano é muito grande quando comparado com o tamanho do nosso corpo. O cérebro humano pesa, em média, 1,5 kg. Em um homem de 80 kg, é quase 2% do seu peso corporal. Já a baleia-azul, com suas 200 toneladas, tem um cérebro que ocupa apenas 0,005% de seu corpo.
Mas proporção também não é tudo. Se inteligência dependesse só disso, estaríamos empatados com os ratos, que também têm um cérebro que ocupa 2% de espaço no corpo.

A chave é a complexidade desse órgão.
A maioria das criaturas vivas possui um sistema nervoso. Em algumas delas, ele é muito simples, como o da anêmona-do-mar, que tem apenas uma pequena rede de células nervosas. Nos insetos, essas células ficam lado a lado para formarem os nervos. Em criaturas mais complexas, forma-se uma coluna que possui um cérebro e uma medula espinal. Entre estes animais, os peixes possuem o cérebro mais simples, não muito maior que seu olho.
Quanto mais rugas tem um cérebro, mais neurônios ele tem. O cérebro humano tem mais pregas e rugas do que muitos outros animais. Por exemplo, o cérebro de um esquilo ou de um rato é muito liso comparado com o de um ser humano, por isso não é tão complexo. Alguns animais, como os golfinhos e as baleias, têm cérebros quase tão enrugados quanto os nossos.
Conclusão: tamanho e peso não são documento. Rugas podem ser mais decisivas – ainda que não expliquem todos os mistérios da inteligência.
Mas, por divertimento, confira o tamanho e o peso médio do cérebro de várias espécies animais:

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Primatas:
Humano (Homo sapiens): 1,176 kg
Chipanzé (Pan troglodytes): 273 g
Babuíno (Papio cynocephalus): 151 g
Mandril (Mandrillus sphinx): 123 g
Macaco (Macaca tonkeana): 110 g
Carnívoros:

Urso (Ursus arctos): 289 g
Leão (Panthera leo): 165 g
Guepardo (Acinonyx jubatus): 119 g
Cão (Canis familiaris): 95 g
Gato (Felis catus): 32 g
Artiodátilos:
Girafa (Giraffa camelopardalis): 700 g
Cudo, um antílope africano (Tragelaphus strepsiceros): 166 g
Muflão, carneiro selvagem (Ovis musimon): 118 g
Cabra do Gerês (Capra pyrenaica): 115 g
Queixada (Tayassu pecari): 41 g
Marsupiais:

Wallaby (Protemnodon rufogrisea): 28 g
Lagomorfos:

Coelho (Oryctolagus cuniculus): 5,2 g
Roedores:

Rato-preto ou ratazana (Rattus rattus): 2,6 g
Camundongo ou rato-doméstico (Mus musculus): 0,5 g
Bônus
Baleia cachalote: 7,8 kg
Vaca: 5,6 kg
Orca: 5,6 kg
Elefante: 7,5 kg
Golfinho: 1,6 kg
Abelha: 0,013 g
Beija-flor: 1 g
Hipopótamo: 500 g
Curiosamente, a proporção entre o cérebro e o corpo da abelha (15,6%) é bem maior que a do hipopótamo (0,017%), tornando-a mais esperta. Já a barata nem cérebro tem. No lugar, possui o cefalotorax, um órgão que atravessa seu corpo e só serve mesmo para mantê-la viva. Para matá-la, mal adianta arrancar sua cabeça…[NeuroscienceResearchTechniques, MundoEstranho, SuperInteressante, CerebroEMEnte]

13.658 – Nanotecnologia para Vencer o Alzheimer


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Uma equipe de pesquisadores criaram um inovador dispositivo que pode desenvolver novas células dentro do próprio corpo de um paciente, simplesmente agindo na pele. A tecnologia poderia abrir uma série de novas opções de tratamento e transformar definitivamente o paradigma dos tratamentos medicinais.
Criado pela The Ohio State University, a tecnologia é conhecida como Nanotransfection de tecido (THT) (Transfecção nano). Envolve o uso de um chip à base de nanotecnologia e a sua colocação na pele de um paciente. Pode converter uma célula adulta de um tipo para outro, fazendo simplesmente “zapping” do dispositivo utilizando uma pequena carga elétrica. O procedimento não é invasivo. Os resultados foram publicados na revista Nature Nanotechnology.
Designa-se por Transfecção o processo de introdução intencional de ácido nucleico nas células. O termo é usado sobretudo para métodos não-virais nas células eucarióticas. Pode também referir-se a outros métodos e outros tipos de células, embora sejam preferidos outros termos: transformação é usada para descrever a transferência não viral de ADN nas bactérias, células eucarióticas não-animais e nas células de plantas – uma forma particular de transformação refere-se a modificações genéticas espontâneas, como a carcinogénese. O termo transdução é normalmente usado para descrever a transferência de ADN mediada por vírus. [\box]
O dispositivo ainda não foi testado em seres humanos, mas provou ser bem-sucedido com ratos e porcos. Num rato que teve lesões nas pernas, numa semana, o nanochip causou a ocorrência de novos vasos sanguíneos ativos, e na segunda semana, a perna foi totalmente salva. Também ajudou os ratos com lesão cerebral a recuperarem-se de um acidente vascular cerebral.
Os pacientes não precisam de transportar o chip com eles, simplesmente precisam de o ter ligado à pele por alguns segundos para iniciar a reprogramação das células.
Esta nova vertente agora desenvolvida abre um gigante cenário de possibilidades. Este tipo de tecnologia poderá ajudar a reparar o tecido danificado ou mesmo restaurar a função do envelhecimento do tecido em órgãos, vasos sanguíneos e células nervosas. Também poderia desenvolver células cerebrais na pele humana sob a orientação do sistema imunológico de uma pessoa, e essas células poderiam então ser injetadas no cérebro dessa pessoa para tratar condições como a doença de Alzheimer e Parkinson.
Este é mais um meio para atingir um fim, ajudar o ser humano através do desenvolvimento da tecnologia. Estão muitos conceitos a correr lado a lado para garantir que o ser humano recebe não só uma vida mais longa mas, acima de tudo, uma vida com qualidade. Este é o novo desafio da ciência da próxima década. O facto de ser um possível tratamento da Alzheimer já abre uma esperança redobrada a esta tecnologia.

13.558 – Neurociência – Como Melhorar a Capacidade Cognitiva?


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Ações e hábitos simples podem ajudar você a ser mais produtivo e a raciocinar melhor. Planejar seu dia, fazer exercícios físicos, estudar, ter mais foco e outras atitudes que normalmente ignoramos fazem muita diferença nos resultados que alcançamos com nosso trabalho. Se você deseja ser mais inteligente e produtivo em seu expediente, veja quais são as dicas dos cientistas para você.

TENHA UMA ATITUDE POSITIVA
Em um estudo feito por Rosenthal e Lenore Jacobson em 1968, os pesquisadores escolherem alguns estudantes de maneira completamente aleatória e disseram aos seus professores que eles eram alunos acima da média. Nada mais foi feito pelos estudantes. Mesmo assim, no fim do ano escolar, esses estudantes ganharam, em média, 22 pontos em seus níveis de QI. Mais tarde, esse efeito foi nomeado como “profecia da auto-realização”.

EVITE A REJEIÇÃO
A rejeição pode diminuir drasticamente a capacidade de uma pessoa de pensar racionalmente e aumentar sua agressividade, além de diminuir seu QI. Esses são os resultados obtidos pelo pesquisador Roy Baumeister e sua equipe.

CONTROLE
Procure ter o controle de sua rotina e das tarefas que realiza. Estudos da Universidade Radboud, na Holanda, revelam que a sensação de perda de controle pode comprometer a performance das pessoas, por deixá-las inseguras.

VERMELHO
Diversas pesquisas investigam os efeitos da cor vermelha no comportamento das pessoas. Pesquisas da Universidade de Chichester, apresentadas em 2010, sugerem que a cor pode ter influencias inconscientes na percepção de fracasso, fazendo com que as pessoas apresentem resultados ruins.

FALAR EM VOZ ALTA
Um estudo feito em 1998 com 30 jovens e 31 adultos revelou que falar em voz alta pode aumentar o desempenho das pessoas, principalmente as mais velhas.

SUPERSTIÇÃO
Em um estudo publicado pelo jornal Psychological Science, os pesquisadores mostraram que atitudes supersticiosas, como dizer “boa sorte”, podem aumentar o desempenho das pessoas em tarefas como praticar golf e memorização.

SUPLEMENTES NUTRITIVOS
Substâncias como a anfetamina e modafinila tornaram-se populares por aumentar a capacidade cognitiva das pessoas em atividades e ambientes que exigem esse tipo de inteligência.

ACREDITE
Estudos e profissionais indicam que pensar na inteligência como algo flexível e mutável, ao invés de fixo e estável, pode causar resultados acadêmicos mais positivos, especialmente para pessoas que possuem estereótipos negativos (internos ou não) de sua inteligência.

POSTURA CORPORAL
Os resultados de um estudo feito em 2005 revelam que a postura corporal pode influenciar diretamente na solução de problemas. Os participantes do experimento que resolveram palavras cruzadas na posição de supino, ou deitado, apresentaram resultados melhores do que os que estavam de pé.

CUMPRA AS TAREFAS
Não deixe as coisas pela metade. Se você se concentrar em uma tarefa de cada vez, aumentará suas chances de apresentar resultados melhores em menos tempo. Os cientistas dizem que, mesmo quando você deixa de fazer determinada tarefa, parte de seu cérebro continua focada nessa atividade, podendo ocupar atenção e memória de maneira prejudicial para seu desempenho.

DURMA
O pesquisador Hans Van Dongen conduziu um experimento onde os participantes foram distribuídos em grupos que dormiam quatro, seis e oito horas por noite, durante duas semanas. Aqueles que dormiram mais tempo não apresentaram nenhum lapso de atenção ou declínios cognitivos durante os 14 dias de experimento.

MULHERES BONITAS
Em um estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology, os pesquisadores comprovaram a hipótese de que os homens teriam suas capacidades cognitivas comprometidas ao interagir com pessoas de outro sexo. O resultado foi ainda mais perceptível quando as mulheres eram consideradas como mais atraentes.

NÃO SEJA MULTITAREFA
Cientistas da Universidade de Amsterdã comprovam por meio de seus estudos que ser multitarefa reduz de maneira significativa o desempenho das pessoas. Os pesquisadores também afirmam que esses resultados são semelhantes para ambos os sexos.

APRENDA ALGO NOVO
Pesquisadores da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, submeteram 20 jovens a um mês de treino intenso de malabares. Eles descobriram que, apenas sete dias após o início dos treinos, os participantes já apresentavam um aumento na matéria cinza do cérebro.

FAÇA EXERCÍCIOS FÍSICOS
Praticar exercícios ajuda você a pensar melhor e mais rapidamente. Pesquisadores mostram que a prática de exercícios aeróbicos melhora o desempenho em atividades cognitivas. O estudo foi publicado no jornal Aviation, Space, and Environmental Medicine, em 2009.

13.551 – Neurologia – Alcoolismo Prejudica a Memória


Nascemos programados para esquecer. Mais cedo ou mais tarde, cada um de nós apagará da lembrança informações recentes, compromissos, conceitos, habilidades. A perda da memória é gradativa e determinada geneticamente com a morte das células nervosas em diferentes áreas do cérebro, provocada por um inimigo certo e igual a todos: o envelhecimento.
Ao longo da vida, muito antes mesmo de ficarmos velhos, nossa memória é atacada de diversas formas, sem que tenhamos um controle sobre isso. Traumas, doenças, medicamentos, exposições a componentes químicos podem causar lesões irreversíveis no cérebro. Mas muitas vezes nos tornamos aliados dos nossos inimigos com atitudes que tomamos conscientemente e, algumas vezes, com muito prazer.
Um dos inimigos mais agressivos é o álcool. Nas células nervosas, essa substância toma o lugar da glicose, mas não é capaz de produzir o mesmo volume de energia.

“O álcool destrói as células nervosas. Por causa da dificuldade de absorção do intestino, devido à lesão causada pelo álcool, elas têm deficiência das vitaminas B1 e B12. E a deficiência dessas duas vitaminas vai provocar uma lesão adicional no cérebro, além da lesão que o próprio álcool produz”, esclarece Benito Damasceno.
De acordo com os especialistas, a má alimentação é o segundo grande inimigo da memória. E ela também faz parte da rotina de Henrique. Ele troca refeições por salgados fritos. Gordura e altos níveis de colesterol têm um efeito direto na degeneração das células. Comer pouco ou muito açúcar também faz mal para a memória. Deixar de ingerir vitamina B1 também prejudica o funcionamento do cérebro. E ela é encontrada principalmente nos cereais.
De acordo com especialistas, o excesso de comida, seja ela qual for, também compromete a capacidade dos neurônios, porque ingerimos mais energia do que gastamos. Mas o que pouca gente sabe é que a forma como os alimentos são processados também pode provocar a liberação de toxinas que prejudicam o aprendizado e a memória. Os cuidados devem ser redobrados principalmente na hora de preparar alimentos que tenham proteína, como carnes e queijos.

13.459 – Cientistas conectam cérebro humano à internet pela primeira vez


Pesquisadores das escolas de biomedicina e engenharia da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, na África do Sul, revelaram um feito inédito nesta semana. Os cientistas dizem ter conseguido conectar um cérebro humano à internet pela primeira vez.
O projeto, reportado pelo Medical Xpress, ganhou o nome de “Brainternet”. O líder da pesquisa é o engenheiro Adam Pantanowitz, que, junto a um time multidisciplinar de cientistas, pretende acelerar a coleta de informações sobre o cérebro humano. Basicamente, a ideia é transformar o cérebro em um dispositivo de internet das coisas em estudos específicos.
O Brainternet funciona da seguinte maneira: um voluntário no estudo usou durante dias um headset sem fio de eletroencefalografia (EEG), fabricado pela norte-americana Emotiv, capaz de captar oscilações neurais, também conhecidas como “ondas cerebrais”, isto é, as ordens que circulam de um lado para o outro no nosso cérebro.

O headset então transmite, sem fios, os dados captados para um Raspberry Pi, um minicomputador alimentado por uma bateria portátil e que, por sua vez, roda um software que interpreta esses dados. O Raspberry Pi é então ligado ao Wi-Fi e disponibiliza, em tempo real, todas as informações captadas das ondas cerebrais do voluntário em uma página da web.
O diferencial do estudo é que, neste caso, a comunicação entre o cérebro e a internet não é de via única. O site (Brainternet.me, que já está fora do ar), além de mostrar em tempo real a atividade em diferentes partes do cérebro, também permite certo nível de interatividade. É possível selecionar dados específicos de uma determinada ação, como “erguer o braço esquerdo”. É o que se vê no vídeo logo abaixo, por exemplo, publicado pela equipe de Pantanowitz.
Por enquanto, o projeto é apenas uma prova de conceito e não tem como objetivo ser explorado livremente, e muito menos comercialmente. A expectativa dos pesquisadores, porém, é de que, no futuro, essa tecnologia acelere estudos sobre o cérebro humano, fornecendo uma interface de fácil acesso para cientistas do mundo todo estudarem, pela internet e em tempo real, as ondas cerebrais que comandam nossos pensamentos.

13.398 – Neurociência – O milagre da multiplicação dos neurônios


neurociencia
Da Super para o ☻Mega

Célula difícil taí. É a estrela do organismo, complicada que só ela. Tem centenas de ligações a solicitando ao mesmo tempo. Carrega na bolsa substâncias químicas cujos sutis efeitos os cientistas ainda não entendem bem. Como sempre acontece, essa condição de prima-dona vem acompanhada de um péssimo temperamento. Ao ser afetada por qualquer mal, sua recuperação vira um drama. Por fim, como toda celebridade, ela é insubstituível.
Era. Em junho, uma equipe da Universidade Rockefeller, em Nova York, anunciou que outra célula, chamada astrócito, consegue gerar novos neurônios em pelo menos uma região do cérebro. Melhor ainda: os astrócitos são muito abundantes no sistema nervoso. Ou seja, o potencial de restauração é gigantesco (veja na página 42). A descoberta vem no rastro de uma outra, tão surpreendente quanto. Em novembro do ano passado, um sueco e um americano tornaram realidade o sonho de dez em cada dez neurologistas. Eles concluíram que neurônios de adultos se regeneram, sim. Agora, pesquisadores do mundo todo estão tentando domar as indóceis estrelas e convencê-las a voltar ao trabalho depois de uma falta de ar ou um tropeção qualquer. Como você vai ver nas próximas páginas, os resultados são promissores.

Não pode?

Este neurônio é diferente de todos os outros 10 bilhões. No sistema nervoso, ao contrário dos demais tecidos, cada um é um, com forma, função e arsenal químico únicos. Imagine a dificuldade que seria repor essa célula, caso ela morra. Não é à toa que nunca se imaginou que o cérebro conseguisse se regenerar.

Pode, sim!

Os pesquisadores descobriram que células nervosas brotam, sim, no cérebro de gente grande. Pelo menos em uma região, cuja atribuição é formar memórias. Agora, estão procurando um jeito de fazê-las nascer em outros lugares.

O cérebro tem peças de reposição

Tudo o que sempre se pensou sobre neurônios ruiu em novembro de 1998, quando Fred Gage, da Universidade da Califórnia, e Peter Eriksson, do Instituto Universitário de Gotem-burgo, Suécia, publicaram a notícia mais esperada da história da neurobiologia. Eles tinham observado cérebros de cinco cadáveres e a conclusão chacoalhou a Medicina. Todos haviam gerado neurônios antes de morrer.

É verdade que só uma pequena região do cérebro foi pesquisada, o hipocampo, e que o número de novas células era irrisório – não mais que uma dúzia. Mas, desde 1889, quando o neurônio foi descoberto, ninguém tinha documentado o nascimento de uma célula nervosa em humanos adultos. A simples comprovação dessa possibilidade abre caminhos incríveis.

Estepes na cabeça

“Eu acho que o cérebro tem um grande potencial inexplorado de regeneração”, disse à SUPER o sueco Eriksson, por telefone. “Mas precisamos pesquisar outras áreas antes de ter certeza.” O hipocampo é um local responsável pelo registro da memória. Pode ser que ele seja a única região que se multiplica, já que gravamos lembranças desde o nascimento até a morte. Como cada parte do cérebro tem células diferentes, com diferentes funções, substâncias químicas e tipos de conexões, o hipocampo não serve de nada para os pacientes de doenças degenerativas como Parkinson e Alzheimer e para as vítimas de derrames e lesões na espinha. Eles perderam células nervosas em outras áreas do sistema nervoso, que, pelo que se sabe, não se reproduzem naturalmente.

Neurônios não se dividem ao meio. São tão especializados que não têm as proteínas necessárias para se reproduzir. Os recém-nascidos encontrados por Eriksson e Gage surgiram da divisão de um outro tipo de célula, as células-tronco, uma espécie de estepe sempre à espera de um estímulo químico para se multiplicar. Acontece que, para curar aquelas doenças, precisaríamos de milhares delas. E se a quantidade não fosse suficiente?

Uma pesquisa publicada em junho tornou o sonho mais real. O mexicano Arturo Alvarez Buylla, da Universidade Rockefeller, em Nova York, achou células-tronco em outra parte do cérebro, a zona subventricular. Elas, porém, não fazem neurônios naturalmente, só quando induzidas em laboratório. Acontece que Buylla também descobriu que aquelas células-tronco eram os já conhecidos astrócitos, corpos que envolvem neurônios e que ninguém julgava capazes de produzi-los. Temos 100 bilhões de astrócitos no sistema nervoso. Não se sabe ainda se todos são possíveis pais, mas, se forem, teríamos dez vezes o necessário para substituir cada uma das nossas células nervosas. Ou seja, o potencial de regeneração do cérebro não seria apenas grande. Seria ilimitado.

“Estou esperançoso”, disse Buylla à SUPER. “Achamos as progenitoras. Agora temos que induzi-las a gerar neurônios.” “Quando a ciência sabe o que procura, geralmente encontra”, avalia otimista o neurologista Cícero Galli Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo. As temperamentais estrelas, pela primeira vez, parecem dispostas a colaborar.

O mecanismo da cura está desligado

Embora esteja provado que os neurônios são capazes de se multiplicar, sabe-se que eles não o fazem naturalmente em quantidade suficiente. Caso contrário, danos no tecido nervoso cicatrizariam como cortes na pele. “Animais mais primitivos fazem isso”, diz o neurologista Ciro da Silva, um brasileiro da Universidade de São Paulo que está entre os principais pesquisadores da área. “Ao longo da evolução, nosso cérebro foi se tornando mais complexo e ficou tão especializado que deixou de se consertar.” Ou seja, a enorme quantidade de substâncias e a grande variedade de conexões que cada célula teve que dominar quando os humanos ficaram mais espertos tornou-as difíceis de substituir.

A boa nova é que o mecanismo de cura não foi perdido. Está só desligado, à espera de substâncias químicas que o reativem. É justamente essa a área mais promissora da pesquisa e aquela à qual se dedica Ciro – a busca dos chamados fatores de crescimento. Ou seja, as substâncias certas que vão induzir as células-tronco certas a se transformar nos neurônios certos e se ligarem aos vizinhos do jeito certo. “Já foram identificados doze diferentes fatores”, diz Ciro. “Sabemos que os remédios serão combinações entre eles.”

Da teoria à prática

Um dia, os cientistas poderão retirar células-tronco, possivelmente astrócitos, do pedaço do cérebro que quiserem repopular, portanto prontas para substituir os neurônios daquela região. Depois, bastará submetê-las a fatores de crescimento, deixar que elas se multipliquem e implantá-las de volta. Um grande passo para transformar essa teoria em uma terapia eficaz foi dado pelo russo Valery Kukekov, da Universidade do Tennessee, Estados Unidos. Em abril, ele anunciou que tinha conseguido cultivar células-tronco em laboratório.

“Quando os cirurgiões realizam uma lobotomia, que é a separação dos hemisférios cerebrais de pacientes graves de epilepsia, retiram células cerebrais”, contou Kukekov à SUPER, por telefone. “O que fizemos foi pegar esse material, estimulá-lo com fatores de crescimento e gerar novas células-tronco.” Só que, depois disso, elas tendem a continuar se multiplicando. No cérebro, esse crescimento desenfreado geraria um tumor. “Conseguimos, então, induzi-las a começar a se transformar em neurônios, perdendo a capacidade de multiplicação”, diz ele. Ou seja, reproduziram-se células do próprio cérebro, portanto sem risco de rejeição, e elas ficaram no ponto para o implante. “Acredito que esse será um tratamento corriqueiro em uma ou duas décadas”, exultou o russo.

As boas notícias não param aí. Pesquisas com ratos demonstram que neurônios imaturos sabem o que fazer quando colocadas no cérebro. A vizinhança lhes envia sinais químicos que indicam onde ficar e para que lado estender conexões. O tcheco Hynek Wichterle, da Universidade Rockefeller, injetou células em cobaias com danos cerebrais e observou que elas migravam para o lugar onde eram necessárias. “Aparentemente, elas começaram a restabelecer as conexões nervosas perdidas”, contou, animado.

Fazendo segredo

O sueco Eriksson também está tendo resultados excelentes tratando roedores com derrame, a mais complicada de todas aquelas doenças, porque mata uma quantidade enorme de neurônios diferentes em vários lugares do cérebro (veja infográfico ao lado). “Conseguimos o retorno de funções perdidas”, cochichou à SUPER. “Mas não posso dar mais detalhes porque a pesquisa não terminou.” “As coisas estão acontecendo muito rápido”, empolga-se Wichterle. Tudo converge para a cura do que sempre se julgou incurável. A teimosa estrela está cedendo.

De aborto não pode
Funciona, mas é ilegal.
Uma alternativa viável para transplante de células-tronco é retirá-las de embriões. Só que há um problema ético envolvido: os fetos usados para tal fim seriam resultado de abortos. Na maioria dos países católicos, inclusive o Brasil, essas pesquisas estão proibidas.

Paraplégicos vão voltar a andar

Antes mesmo que os cientistas consigam controlar o ajuste fino do processo de multiplicação de células e convencer nossa insubmissa celebridade a ajudar um pouquinho, muitos pacientes já começarão a se beneficiar das pesquisas. “Os fatores de crescimento serão empregados em breve, talvez nos próximos dois ou três anos”, diz Ciro da Silva. “Não para fazer neurônios novos, mas para consertar os já existentes que sofreram danos”, conta, enquanto observa ao microscópio um ratinho morto cujo nervo cortado voltou a crescer.

Uma lesão na espinha inutiliza células nervosas sem matá-las. É que, dentro do osso, passam apenas seus prolongamentos, os axônios, levando sensações do corpo todo ao cérebro e comandos de movimento no sentido inverso. Esses axônios são imensos, têm mais de 1 metro. Quando o prolongamento se rompe, o corpo celular, lá longe, pode ser poupado.

Vários pesquisadores, incluindo Ciro, estão conseguindo fazer que células nervosas danificadas de ratos se reconectem. Os axônios, banhados num gel de fatores de crescimento, voltam a crescer e retomam sua função. “O melhor é que estamos percebendo que um retorno estrutural de apenas 10% já garante a volta da sensibilidade e dos movimentos.” Ou seja, um ganho enorme para tetraplégicos e paraplégicos.

Estimulando ratos

Os pesquisadores também perceberam que os fatores de crescimento podem proteger as células. Durante um derrame, por exemplo, a morte de um grupo de neurônios acaba liberando substâncias que matam milhares de outros, ao longo de semanas. O uso dos fatores logo após a internação interrompe essa reação em cadeia.

Um outro trabalho recente e incrível, cujos resultados deverão ser sentidos logo, relaciona a criação de novos neurônios aos estímulos do meio ambiente. A neurologista americana Elizabeth Gould, da Universidade de Princeton, provou que ratos presos em jaulas mais desafiadoras, com mais brincadeiras e labirintos, produzem mais neurônios.

Aparentemente, estímulos externos acionaram o mesmo mecanismo que os pesquisadores querem ativar com injeção de substâncias. Mais uma prova da capacidade do cérebro de se autoconsertar. “Resta saber se o mesmo se aplica a humanos”, ressaltou Gould à SUPER. De qualquer forma, os tratamentos de fisioterapia e de reabilitação de vítimas de derrame deverão mudar, inspirados pelos resultados com cobaias.

É. Parece que, afinal de contas, a célula nervosa não é uma estrela tão antipática quanto insinuavam os cientistas. Faltava apenas tratá-la com mais compreensão.

Olha só, brotou um novo
Como os cientistas comprovaram que neurônios novos nascem na fase adulta.

De marcação
Cinco voluntários, em estado terminal de câncer, receberam doses de um marcador, substância que gruda no DNA da célula quando ela se multiplica. Portanto, só é absorvida quando há divisão. Assim, os pesquisadores sabem que toda célula marcada é nova.

Recém-nascidas
Depois que os pacientes morreram, os médicos abriram seu cérebro e encontraram o marcador – prova de que havia células novas.

Mistério
Para surpresa de todos, as células novas eram neurônios (foto). Só que neurônios não se dividem. Quem poderia então tê-los gerado? Descubra a seguir.

Mamãe
A única explicação possível para o surgimento de neurônios novos é que eles fossem filhos das chamadas células-tronco. Elas são corpos não especializados à espera de comandos químicos para se transformar em outras células. Ao se dividirem, elas teriam absorvido o marcador.

Obediente
O cérebro, então, enviou uma ordem química para a célula-tronco recém-dividida. Ele avisou que precisava de neurônios novos e mandou que ela se transformasse em célula nervosa. As substâncias químicas, então, fizeram com que ela se especializasse.

Pronta
No final, surgiu uma célula nervosa igualzinha às outras, encontrada depois pelos médicos no hipocampo. Até hoje, julgava-se que o cérebro era incapaz de produzir uma dessas depois da fase embrionária, mas a nova descoberta derrubou o mito.

Aprende, desaprende

Células novas para cantar.
O canário é incapaz de cantar fora da época de acasalamento, a primavera. Ninguém entendia por que até a década passada, quando se demonstrou que todo ano ele faz novos neurônios com essa função específica. E o mais incrível: os perde em seguida.

Boa notícia

A cabeça pode estar cheia de células-tronco.

Nem só de neurônios é feito o cérebro. Praticamente todo o resto do espaço é ocupado por diferentes células.

De todas as células cerebrais, as mais numerosas são os astrócitos, que podem ser os geradores de novas células nervosas, como se descobriu no mês passado.

Vamos fazer neurônios?
Assim será a técnica para refazer o tecido nervoso.
Tira
Células-tronco, possivelmente astrócitos, depois de extraídas com microcirurgia da região do cérebro que está doente, seriam cultivadas em laboratório.

Bota
As células-tronco se transformariam em neurônios ainda pouco diferenciados e seriam introduzidas na mesma área do cérebro.

Deixa ficar
Os cientistas esperam que elas saibam o que fazer daí para a frente. O ambiente as induziria a estabelecer conexões e a começar a funcionar.

Cada doença uma sentença
Que lesões poderão ser curadas quando multiplicarmos células nervosas.

Derrame
Um derrame é o rompimento ou o entupimento de uma artéria, geralmente a cerebral média. Falta oxigênio em algumas células e muitas outras morrem envenenadas pelas substâncias liberadas pelas primeiras. A quantidade e a variedade de neurônios mortos tornam difícil a cura total.

Mal de Parkinson
Essa doença, de causa desconhecida, mata apenas um tipo de célula em um lugar específico, o mesencéfalo. Para tratá-la, é preciso semear novos neurônios nesta região.

Mal de Alzheimer
Aqui as coisas ficam mais complicadas, porque os estragos são em diversos tipos de neurônios espalhados pelo córtex, a camada superficial do cérebro. O tratamento, embora possível, é mais difícil.

Lesões na espinha
A medula espinhal é bem menos complexa que o cérebro, aqui visto de baixo. Há menor quantidade de células e menos conexões. Deve ser a primeira cura a ser alcançada, ainda na próxima década.

Nossa, ele sarou!
Pesquisas conseguem reabilitar células lesionadas, mas ainda vivas.

Grandões
Neurônios que passam pela espinha têm mais de 1 metro de comprimento. Uma lesão ali pode cortar suas conexões, acabando com a transmissão de impulsos. Mas o corpo celular pode estar vivo lá no cérebro.

Condenadas
Quando os axônios são rompidos, as células param de transmitir informações e preparam-se para crescer. Como não têm as substâncias necessárias, não conseguem se consertar e podem morrer.

Se liga
A injeção de fatores de crescimento promove a recuperação do neurônio, que começa a estender de novo seu axônio. A conexão se restabelece. Voltam a sensibilidade e o movimento.

13.389 – Educação – Por que é tão difícil aprender matemática?


Matematica
A dificuldade de estudar matemática nem sempre está associada ao conceito. Muitos alunos conseguem somar, diminuir e efetuar problemas matemáticos quando perguntados de maneira informal. Porém, quando se deparam com o exercício escrito não conseguem desenvolver o raciocínio.
A maioria das dificuldades começa no ensino básico e vai se arrastando durante os demais anos escolares. Mas é importante lembrar que até passar no vestibular, terminar a escola, no trabalho e em muitos momentos cotidianos de nossas vidas a matemática está presente. É necessário ter os conhecimentos mínimos da disciplina para saber gerenciar sua conta bancária no futuro, organizar seu orçamento e planejar compras, viagens e etc.

A melhor forma de estudar matemática é:
1. Não começar pelos exercícios mais díficeis.

2. Inicie pelos exercícios instrumentais e operacionais. Por exemplo, ao estudar subtração não comece tentando resolver os probleminhas de subtração, mas realize o maior número possível de contas de subtrair com diferentes graus de dificuldade.

3. Mantenha o raciocínio sempre muito organizado. Isso começa pela folha onde você escreve. Tenha sempre uma folha de rascunho e outra para desenvolver o pensamento lógico do exercício.

4. Saiba a tabuada de cor! Atualmente há muitas formas divertidades de aprender a tabuada, aplicativos no celular, jogos no computador. Quanto mais claro estiver a tabuada de 1 a 10, mais rapidamente você resolverá os exercícios.

5. Não deixe números e contas soltas pela folha. Utilize as linhas do caderno, evite colorir, use sempre lápis e deixe a caneta apenas nos resultados.

Ao resolver um problema leia atentamente a questão. Imagine a situação, traga para sua realidade e tente resolvê-lo. Nesta fase o português é muito importante. A interpretação de texto vem antes do raciocínio matemático!

O que diz a pesquisa:
A aversão é tanta que o senso comum aponta: o brasileiro já nasce sem vocação para aprender matemática. O estudo na área começa com professores sem formação específica, que em geral não gostam da disciplina, e acaba com docentes que têm conteúdo para transmitir, mas não didática. No fim do ensino médio, exames confirmam o despreparo.
O resultado do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), divulgado recentemente, mostrou que 57% dos alunos terminam o ensino médio com rendimento insatisfatório em matemática.
Os números do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que avaliou o desempenho em matemática de jovens na faixa de 15 anos, colocaram o Brasil na 57.ª posição em um ranking de 65 países. No topo da lista estão China, Cingapura e Hong Kong.
Se a meta é fazer com que a produção de ciência e tecnologia acompanhe o crescimento econômico do Brasil, essa intolerância à matemática precisa ser combatida com urgência, dizem os especialistas.
E a mudança precisa começar na sala aula. Mas não naquela que as crianças frequentam. A reforma deve ocorrer, primeiramente, nas classes das universidades que formam os futuros professores do País.
O desafio começa na formação dos docentes que dão aulas para o ensino fundamental 1. No Brasil, os professores do 1.º ao 5.º ano são polivalentes, isto é, responsáveis pelo conteúdo de todas as disciplinas e, por isso, não têm uma formação específica. Entre eles, poucos estudaram exatas. “Além de ter de dar conta de todas as matérias, muitos trazem a tradição brasileira de não gostar de matemática”, diz Priscila Monteiro, consultora pedagógica para a área de matemática da Fundação Victor Civita.

Para esses, segundo a especialista, falta conhecimento. “Ele sabe ensinar, mas, como não domina o conteúdo, acaba preso às regras. Logo, a criança aprende de forma arbitrária, sem lógica.” Priscila conta que, numa análise de cadernos de estudantes, constatou que, nas questões de matemática, sempre havia a resposta, nunca o processo de resolução. “Desse jeito, o aluno não constrói uma postura investigativa.”
Problema oposto ocorre com os docentes do ciclo 2 do ensino fundamental, que dão aula para estudantes do 6.º ao 9.º ano. “Nesse caso, o professor de matemática é formado na área, tem conteúdo, mas lhe falta didática. Daí, ele se foca naqueles alunos que acompanham a aula e os outros continuam parados, aumenta o vale entre eles,” diz Priscila.

Mudanças. Para tratar de propostas e materiais para o ensino de matemática, o Instituto Alfa e Beto (IAB) promove, em agosto, um seminário internacional sobre o tema, voltado a professores e coordenadores pedagógicos. “Vamos discutir a forma de ensino: o material pedagógico que usamos é adequado? Qual o tempo de aula ideal? A fração tem que ser ensinada em forma de pizza? Decora ou não tabuada?”, elenca João Batista Araujo e Oliveira, presidente do IAB.
Efeito cascata. Formar alunos com gosto pela matemática pode ajudar a resolver até mesmo a carência de professores da disciplina. Nos vestibulares da USP e da Unesp, por exemplo, a concorrência para licenciatura na área é de cerca de dois candidatos por vaga.
No País há 59 mil professores formados em Matemática para 211 mil com formação em Letras. Somado a isso, muitos dos formados passam longe da escola. A baixa remuneração paga aos professores não atrai esses profissionais e muitos optam, por exemplo, pelo trabalho na rede bancária.

Comparação

4 em cada 10 jovens brasileiros de 15 anos não sabem fazer uma operação de multiplicação, habilidade ensinada até o 5º ano do ensino fundamental.
30 mil engenheiros se formam ao ano no Brasil. O número representa 23 engenheiros para cada 10 mil habitantes. Em Israel, o índice chega a 140. No Japão, são 75.

13.352 – Neurociência – Mitos sobre o cérebro


neurociencia
Os mitos sobre o cérebro estão tão intrincados na nossa mente e no senso comum que, até para quem passa anos estudando neurociência, pode ser difícil desmarcará-los. Afinal, mitos tendem a ser empolgantes: quantas séries e filmes são baseados na premissa de que só usamos 10% do nosso cérebro?
Para entender o quanto os mitos sobre o cérebro estão espalhados na população, um grupo de pesquisadores da Universidade de Houston recrutou participantes no site Testmybrain.org, que hospeda uma série de testes divertidos que também ajudam em pesquisas científicas oficiais. A enquete que eles publicaram foi respondida por mais de 3,8 mil pessoas. Delas, 598 eram professores e 234 neurocientistas treinados.
A enquete incluía 32 frases sobre o cérebro. Quatorze delas eram verdadeiras, enquanto outras 18 eram mitos, inclusive o famoso “Só usamos 10% do cérebro”.
É claro que a maioria dos especialistas e professores acreditam menos nas informações falsas do que o público em geral. Mesmo assim, cinco deles eram defendidos por uma porcentagem surpreendente de neurocientistas.
Você já deve ter ouvido falar que algumas pessoas são mais visuais, outras mais auditivas.
E que, portanto, elas aprendem mais e melhor quando são ensinadas de acordo com seu estilo de aprendizado. Ainda que a preocupação dos professores com as características individuais de cada aluno seja benéfica, estudos científicos mostram que estilos de aprendizado não fazem essa diferença toda. Uma das pesquisas mais relevantes sobre o tema chegou à conclusão de que não, crianças não aprendem melhor quando o professor adapta seu estilo ao delas, pelo menos na sala de aula. Os cientistas indicam que, na verdade, o estilo depende mais do tema que está sendo ensinado do que da preferência do aluno (ou seja, mesmo alunos mais auditivos aprendem melhor geometria com aulas focadas em recursos visuais).

Público em geral: 93% acredita neste mito
Professores: 76% acredita neste mito
Neurocientistas: 78% acredita neste mito

Inverter letras é sinal de dislexia?
Confundir a ordem das letras ou ler d ao invés de b são propagandeados como os grandes “sintomas” da dislexia. Mas isso simplesmente não é verdade. Disléxicos tem dificuldades em processar linguagem escrita. Isso significa, sim, que eles cometem mais erros lendo em voz alta e identificando palavras. Eventualmente, vão inverter letras, mas isso é só uma mínuscula parte de todos os erros de português que eles cometem.
Sabe quem inverte muito as letras? Crianças com menos de 6 anos. Mas, até aí, elas também cometem milhares de outros erros. Isso não quer dizer que elas “enxergam” as letras invertidas. Só que ainda têm dificuldades de processar a escrita – assim pessoas como dislexia. Ninguém sabe exatamente qual é a raiz dessa dificuldade, mas não tem nada a ver com enxergar espelhado. A causa mais provável é a dificuldade de processar fonemas, as pequenas unidades que formam as palavras e seus sons, quando estão escritos. Se elas confundem letras, nesse caso, é porque não estão certas de que “som” um fonema escrito deveria produzir.

Público em geral: 76% acredita neste mito
Professores: 59% acredita neste mito
Neurocientistas: 50% acredita neste mito

Ouvir música clássica aumenta capacidade cerebral em crianças?
Conhecido como Efeito Mozart, é a ideia de que um bebê exposto às obras dos gênios da música clássica teriam seu desenvolvimento cognitivo turbinado. Mas, como já explicamos aqui isso é balela. O estudo que investigou isso não conseguiu explicar os resultados e novas tentativas de reproduzí-lo deram errado. Ou seja: desencane do CD de Mozart, a menos que seu bebê pareça gostar… Todo mundo merece se divertir, afinal.

Público em geral: 59% acredita neste mito
Professores: 55% acredita neste mito
Neurocientistas: 43% acredita neste mito

Crianças ficam agitadas depois de consumir muito açúcar?
Sugar high: a ideia de que exagerar na sobremesa vai deixar seu filho doidão, agitado, incontrolável. Para testar essa ideia, um estudo reuniu mães que diziam que os filhos de 5 a 7 anos eram “sensíveis” ao açúcar. Para metade do grupo, deram doce. Para outra metade, deram um placebo – mas não contaram para a mãe. As crianças não tiveram comportamentos diferentes, mas as mães do grupo placebo tinham mais chance de brigar com os filhos por qualquer coisa e classificá-los como “hiperativos” depois do lanche. Então porque as crianças ficam agitadíssimas depois de um bolo de aniversário ou do Halloween? Porque elas gostam de festa, apenas.

Público em geral: 59% acredita neste mito
Professores: 50% acredita neste mito
Neurocientistas: 39% acredita neste mito

O lado dominante do cérebro afeta sua personalidade?
Seu cérebro é destro ou canhoto? Os hemisférios cerebrais já foram usados para justificar porque algumas pessoas são mais criativas e outras mais racionais (e também para comercializar a ideia de que dá para aprender a usar mais o seu lado do cérebro mais “atrofiado”). Não é bem por aí: na maior parte das suas atividades, seja para um lado mais criativo ou mais racional, seu cérebro coordena áreas e funções de ambos os lados do cérebro. Essa coordenação é misteriosa, mas ajuda a explicar porque nosso cérebro é uma máquina tão produtiva e poderosa.

Público em geral: 64% acredita neste mito
Professores: 49% acredita neste mito
Neurocientistas: 32% acredita neste mito

Mais ou menos nessa linha vai a ideia de que usamos só parte do cérebro quando, na realidade, estamos coordenando e acionando diferentes áreas do cérebro o tempo inteiro. Não há parte dele que fique intocado durante a árdua rotina de ser um ser pensante. E, falando em ser pensante, felizmente 86% dos neurocientistas não acreditam nesse último mito. Mas os demais 14% certamente precisam usar melhor o próprio cérebro…

13.241 – Neurociência – Elon Musk: o projeto que mesclará cérebros humanos e inteligência artificial


neurociencia
Elon Musk, CEO da SpaceX e da Tesla, está no processo de desenvolvimento de uma nova empresa de interfaces cérebro-computador. Chamada Neuralink, ela será voltada à criação de dispositivos que poderão ser implantados no cérebro humano.
Sua função será unir o cérebro humano a um software, permitindo o aperfeiçoamento da memória e a criação de interfaces diretas com aparelhos informáticos.
Embora, até o momento, esse tipo de interface exista apenas na ficção científica, na medicina as matrizes de eletrodos e outros implantes já são utilizados para ajudar no alívio de sintomas do mal de Parkinson, da epilepsia e de outras doenças neurodegenerativas.
Operar o cérebro humano é bastante complexo e invasivo e, segundo os pesquisadores, temos um entendimento muito limitado sobre como os neurônios reagem no cérebro humano. Por isso, é compreensível que somente as pessoas que tenham uma condição médica muito séria e já tenham esgotado todas as outras possibilidades estejam suscetíveis à ideia de um implante cerebral – pelo menos, em uma primeira fase.

13.076 – Neurociência – Homens e Mulheres têm cérebro diferente?


neurociencia

 

A crença de que existe um “cérebro masculino” e um “cérebro feminino” é antiga e amplamente difundida. Estudos com animais já demonstraram que as amígdalas, estruturas mais ou menos do tamanho de azeitonas que estão presentes em cada hemisfério cerebral, são maiores nos indivíduos masculinos. Como essa região está envolvida no controle das emoções e em comportamentos sociais como agressão e excitação sexual, achava-se que essa diferença de tamanho explicava muita coisa.
Mas acontece que não é bem assim – pelo menos não com pessoas. Pesquisadores da Rosalind Franklin University of Medicine and Science, em Illinois, nos Estados Unidos, realizaram uma meta-análise (ou seja, analisaram dezenas de outros estudos) e não encontraram diferenças significativas entre os gêneros humanos.
Ao todo, os autores encontraram 58 comparações no tamanho da amígdala entre homens e mulheres saudáveis em 46 estudos diferentes, totalizando 6.726 indivíduos. De fato, o volume absoluto dessa estrutura é cerca de 10% maior no cérebro masculino. MAS é preciso levar em conta que o corpo masculino também é maior, incluindo seu cérebro – que é em média 11 a 12% mais volumoso. Quando se calcula o tamanho proporcionalmente, a diferença fica desprezível (para ser mais exata, é de menos de 0,1% para a amígdala direita e 2,5% para a esquerda).
Lise Eliot, autora principal e professora associada de neurociência na universidade, já havia publicado em 2015 outra meta-análise derrubando mais uma ideia bastante difundida: a de que o hipocampo, região responsável por consolidar novas memórias, é maior nas mulheres do que nos homens.
“Há razões comportamentais para suspeitar de uma diferença no tamanho da amígdala de acordo com o sexo da pessoa”, afirma. “A emoção, a empatia, a agressão e a excitação sexual dependem dela, e as evidências de estudos em animais sugerindo uma diferença no volume da amígdala são mais fortes do que para o hipocampo. Então esta descoberta é ainda mais surpreendente e sugere que os cérebros humanos não são tão sexualmente dimórficos quanto os dos ratos, por exemplo”.
Segundo Eliot, não há dados que confirmem a ideia de um cérebro masculino ou feminino: “Apesar da impressão comum de que homens e mulheres são profundamente diferentes, análises extensas de medidas cerebrais estão encontrando muito mais semelhanças do que diferenças“.

13.020 – Neurociência – Ayahuasca estimula proliferação de neurônios


cipo
Uma das principais substâncias presentes na ayahuasca, bebida usada há séculos em rituais religiosos da América do Sul, é capaz de estimular a proliferação de células do cérebro, mostram experimentos realizados por pesquisadores brasileiros.
O trabalho ainda está no começo, mas os resultados sugerem que os princípios ativos achados na bebida têm potencial para serem aplicados contra a depressão e outros tipos de problemas mentais.
A ayahuasca, cujo nome significa algo como “cipó dos espíritos” em quíchua, idioma dominante no antigo Império Inca, é feita de acordo com receitas tradicionais que podem variar bastante.
Apesar dessa grande variabilidade, seus principais componentes costumam ser o cipó Banisteriopsis caapi e a folha de Psychotria viridis, ambas plantas encontradas na Amazônia e utilizadas pelos pajés da região desde tempos imemoriais.
Os usuários da bebida, que hoje são não apenas indígenas como também membros de religiões relativamente recentes, como o Santo Daime e a União do Vegetal, frequentemente sofrem efeitos tanto físicos quanto psicológicos.
Além de episódios de vômitos e diarreia, o consumo da ayahuasca costuma induzir visões e experiências auditivas, assim como sensações de iluminação espiritual, forte alegria ou medo. Nesse contexto ritual e religioso, o uso da ayahuasca é legal em diversos países, inclusive no Brasil.
A ayahuasca
Há alguns indícios de que a bebida feita a partir de plantas da flora amazônica e usada em rituais religiosos pode ter efeitos positivos sobre quem tem depressão.
Uma possibilidade é que esses efeitos aconteçam graças ao estímulo à proliferação dos neurônios, que é afetada pela depressão.
Alguns testes de pequena escala sugerem que o preparado amazônico pode ter rápido efeito positivo sobre pessoas com depressão, embora os estudos ainda sejam raros. Ao mesmo tempo, a molécula harmina, proveniente do cipó B. caapi e encontrada na circulação sanguínea das pessoas que ingerem a bebida, mostrou ter o mesmo efeito em camundongos com sintomas depressivos.
Isso chamou a atenção da equipe do novo estudo, liderada por Stevens Rehen, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e do Idor (Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino). Rehen e seus colegas estudam diversos aspectos da chamada neurogênese, o processo pelo qual certas células progenitoras dão origem aos neurônios e, portanto, às estruturas do cérebro. Em indivíduos adultos (tanto em humanos quanto em roedores), esse processo acontece principalmente em áreas especializadas do cérebro, como o hipocampo.
Ocorre que os medicamentos antidepressivos convencionais afetam de forma positiva justamente a neurogênese, que parece sofrer um baque durante a depressão.
O formato de “árvore” dos neurônios, com “galhos” que se estendem e se subdividem, está diretamente relacionado às conexões que eles estabelecem com outros neurônios, as quais, por sua vez, são cruciais para o aprendizado e a formação de memórias.
Para os pesquisadores, vale a pena colocar a molécula derivada da ayahuasca entre os candidatos a futuras drogas contra a depressão. Para isso, é claro, mais estudos são indispensáveis. Também é importante ressaltar que não se pode garantir que o uso da bebida original terá o mesmo efeito, já que diversas moléculas interagem entre si no organismo das pessoas que ingerem o preparado.

12.995 -Neurociência – Algoritmo da inteligência?


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Alguns cientistas adeptos da teoria de que todos os processos cerebrais são interligados podem ter encontrado o algoritmo da inteligência. Seguindo o que propõe a teoria, uma lógica matemática seria capaz de simular a “computação cerebral”, ou seja, um algoritmo capaz de mapear o processamento de informações pelo cérebro.
Na pesquisa, os cientistas estudaram grupos de neurônios semelhantes que formam anexos responsáveis por lidar com ideias e informações chamados de “motivos de conectividade funcional” (FCM, sigla em inglês).
Em testes, a equipe analisou como o algoritmo funciona em sete regiões do cérebro. Documentando como cada região lidava a partir de respostas primitivas em roedores como fome e medo, os cientistas conseguiram traçar um número de agrupamentos para as suas reações. Com o experimento, os pesquisadores elaboraram então uma ordem de resposta e estímulo que o cérebro tomava, simplificando uma espécie de algoritmo.
O algoritmo analisado não serve para deixar uma pessoa mais inteligente, mas pode ajudar no desenvolvimento da inteligência artificial para robôs. O estudo foi publicado na revista Frontiers in Systems Neuroscience.

12.993 – Evolução – Mutação em gene pode ter ajudado cérebro humano a ficar gigantesco


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Uma mutação aparentemente insignificante no DNA dos ancestrais da humanidade pode ter contribuído para que nosso cérebro alcançasse o tamanho descomunal que tem hoje (três vezes maior que o dos grandes macacos).
Bastou inserir o gene que contém essa mutação em fetos de camundongo para que dobrasse o número de células que dão origem aos neurônios do córtex, a área cerebral mais “nobre”.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Max Planck (Alemanha), é um dos primeiros frutos da tentativa de usar o genoma para entender como a evolução humana se desenrolou. Por enquanto, isso não tem sido fácil –tanto que o gene analisado pelos pesquisadores no novo estudo, designado pela indigesta sigla ARHGAP11B, é o único específico da linhagem humana a ser associado com a proliferação das tais células do córtex cerebral.
Desde quando esse fenômeno acontece no cérebro dos membros da linhagem humana? “A mutação deve ter acontecido antes de 500 mil anos atrás”, diz Huttner –isso porque ela não é exclusiva do DNA dos seres humanos modernos.
Os colegas do pesquisador Max Planck estão entre os responsáveis por resgatar o genoma de dois parentes extintos da nossa espécie, os neandertais e os denisovanos. Ao desvendar o DNA completo de ambas as espécies, os cientistas identificaram o gene ARHGAP11B –mas nada de encontrá-lo em outros primatas ou mamíferos.
Segundo o pesquisador alemão, uma possibilidade é que essa mutação tenha acontecido no DNA do Homo erectus, primeiro ancestral do homem a ter passado por um grande aumento de sua capacidade cerebral. O estudo saiu na revista especializada “Science Advances”.

SE MACACOS FALASSEM
Na mesma edição da revista, outro estudo pode ter resolvido uma polêmica antiga: será que macacos são capazes de falar?
Por incrível que pareça, a resposta é sim –ao menos quando se examina o aparato vocal dos bichos, ou seja, as pregas vocais, a língua e o formato da boca.
Até hoje, ninguém conseguiu fazer com que chimpanzés ou outros primatas dominassem os rudimentos da linguagem falada humana (embora alguns desses macacos tenham aprendido elementos da linguagem de sinais).
O debate que havia em torno do assunto era o seguinte: essa incapacidade se deve à falta de flexibilidade do aparato vocal das criaturas ou aos seus cérebros mais rudimentares que os nossos, que não lhes permitem controlar a emissão de sons de forma tão sofisticada quanto o homem?

12.950 – Neurologia – É melhor tirar um cochilo antes de uma prova do que se matar de estudar


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Como gastar aquela hora livre antes de uma prova importante? Segundo uma pesquisa realizada por cientistas daDuke-NUS Medical School em Cingapura, talvez seja melhor tirar uma boa soneca em vez de se matar de estudar.
O estudo foi apresentado no Encontro Anual da Sociedade de Neurociência, que ocorreu em San Diego, nos Estados Unidos. Os pesquisadores contaram que realizaram dois experimentos nos quais 72 voluntários tiveram que assistir palestras de uma hora e vinte minutos de duração sobre 12 tipos diferentes de formigas e caranguejos.
Depois de acompanhar as explicações, os voluntários tiveram uma hora livre, durante a qual poderiam cochilar, assistir a um filme ou estudar o assunto das palestras, para então resolver uma prova de 360 perguntas. O grupo que preferiu cochilar foi o que teve as notas mais altas em ambos os experimentos.
Os cientistas afirmam que vão analisar o assunto mais a fundo para entender melhor os resultados, mas o pesquisador James Cousins adiantou na apresentação: “Os resultados podem indicar que estudar em cima da hora pode ser uma boa a curto prazo, mas os benefícios podem não ser grande coisa a longo prazo”.
Diversos estudos comprovam que uma boa noite de sono é uma excelente forma de memorizar novas informações. Isso acontece porque uma parte do cérebro chamada hipocampo “grava” essas novidades durante o sono. É bem possível que o cochilo, apesar de ter uma duração menor, tenha efeitos parecidos para quem está estudando.
Em entrevista à New Scientist, Cousins afirmou que a equipe vai se aprofundar no assunto, mas que já encoraja seus colegas a tirarem um cochilo no meio do expediente. “Não se estresse tentando memorizar várias informações. Tirar um cochilo pode te ajudar mais”.

12.781 – Ilusão da Mente – Por que achamos que vamos despencar quando estamos dormindo?


neurociencia
Talvez esta experiência pareça familiar: você está quase pegando no sono e, de repente, sente um sensação de queda chocante.
Você acorda assustado. É como se caísse em um buraco, tropeçasse em uma escada ou ficasse de pernas para o ar por alguns segundos. A sensação não é nada agradável e, às vezes, é forte o suficiente para acabar com o seu sono.
Esse fenômeno é conhecido como espasmo hípnico que, às vezes, pode ser acompanhado de uma alucinação visual. Ele ocorre quando os músculos, normalmente das pernas (embora possa ser observado em todo o corpo), se contraem involuntariamente e rapidamente, quase como um tique ou espasmo. Embora as razões não estejam muito claras, haveria dois motivos ligados a nossa perspectiva evolutiva.

Segurança
A primeira delas sugere que nosso corpo não relaxa imediatamente assim que adormecemos por uma questão de segurança. Nossos músculos ainda estariam despertos para uma última checagem para ter certeza de que estamos dormindo em um lugar seguro, ou ainda estaria pronto para uma resposta rápida de defesa nos momento iniciais antes de pegar no sono para valer.
Outra função evolutiva dessa contração dos nossos músculos – pelo menos para os nossos ancestrais – seria a de verificar a estabilidade da posição do nosso corpo antes de dormirmos, como no caso de cair no sono em uma árvore.

Conflito
Uma outra teoria ainda sugere que o espasmo hípnico é apenas um sintoma do nosso sistema fisiológico ativo que está cedendo, por vezes com relutância, para a nossa unidade de sono, quando estamos passando do controle motor e voluntário para um estado de relaxamento e até de paralisia corporal. Em essência, o espasmo hípnico pode ser um sinal do conflito que se passa em nosso cérebro quando “desligamos” para dormir.

12.777 – Supercomputadores sem limites? São criados os primeiros neurônios artificiais


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A história da computação está prestes a mudar: o centro de pesquisas da IBM em Zurique, na Suíça, criou os primeiros neurônios artificiais.
As pequenas células robóticas possuem uma membrana neuronal em torno de um núcleo, um dispositivo de entrada e outro de saída, o que lhes permite interagir com outros neurônios, emulando o funcionamento de um cérebro biológico.
O núcleo é fabricado com um material utilizado na confecção de discos óticos, o GST (germânio-antimônio-telúrio), que se alterna entre fases cristalinas e amorfas por causa do calor. A fase cristalina é condutora e a amorfa funciona como isolante elétrico. Isso faz com que os neurônios nanotecnológicos se comportem de maneira similar aos orgânicos, emitindo impulsos elétricos em padrões temporais imprevisíveis.
A descoberta facilitará a criação de supercomputadores capazes de processar a informação de forma inteligente a velocidades inusitadas.
Os cientistas do laboratório da IBM possuem atualmente 500 neurônios artificiais com essas características e estão desenvolvendo um software complexo que permitirá sua implementação.

12.759 – Cientistas já conseguem manipular memórias


Por um lado parece assustador: é possível apagar ou alterar nossas memórias. Por outro lado, pessoas que sofrem com traumas ou de Alzheimer podem se beneficiar da novidade científica.
O mecanismo da memória ainda é bastante desconhecido pela ciência, mas um grupo de pesquisadores de Stony Brook University, em Nova York, conseguiu manipular lembranças ao alterar uma substância chamada acetilcolina.
Essa substância é conduzida por neurônios colinérgicos até a amígdala e parece estar diretamente relacionada à memória emocional. Outros estudos mostram ainda que pessoas com doenças neurodegenerativas apresentam alterações nesse sistema de neurônios colinérgicos e amígdalas.
O que os cientistas de Nova York fizeram foi expor alguns camundongos a situações traumáticas. Depois selecionaram um grupo que teve os neurônios colinérgicos estimulados e outro grupo que teve a produção de acetilcolina interrompida. No primeiro grupo, os camundongos levaram até o dobro do tempo para “esquecer” um trauma. No segundo grupo, é como se a memória tivesse disso apagada e os animais não apresentavam mais o trauma.
“Esta segunda descoberta foi particularmente surpreendente, já que essencialmente criou camundongos sem medo através da manipulação de circuitos de acetilcolina no cérebro”, diz Lorna Role, professora de neurobiologia e comportamento da Stony Brook.
O estudo foi publicado na revista Neuron e abre a possibilidade para novas pesquisas sobre controle de memória como uma opção terapêutica para vítimas de violência, pessoas que sofrem de transtornos pós-traumáticos ou mesmo àquelas que sofrem com perda de memória, amnésia ou declínio cognitivo.
Mas, é claro, que tudo pode ser usado para o mal também. E é inevitável não pensarmos na possibilidade de manipulação das mentes, em que a realidade é reescrita.