13.519 – Pré História – Quando os homens começara a andar sobre dois pés


pre historia
Hominídeos andam sobre dois pés (c. 3,5mi a.C. – África Oriental)
Tanzânia, hominídeos estão andando sobre dois pés , deixando pegadas em cinza vulcânica consolidada, conhecida como tufo. A condição da cinza poderá preservar as pegadas por milhões de anos.

Marcas no chão
Além das pegadas dos hominídeos, há marcas de um grande número de animais terrestres e aves que participam de uma migração anual, todos rumando para o norte. Embora não se saiba qual espécie de hominídeo está deixando as pegadas, elas aparentam ser de dois adultos e um jovem. O menor dos adultos segue deliberadamente os passos do maior dos três.
As maiores pegadas medem de 18 a 23 cm de comprimento, e sua profundidade na cinza indica que os hominídeos tem de 1,20 a 1,50 de altura. As pegadas mostram que, enquanto cruzava a extensão da cinza, um dos três hominídeos parou para olhar à esquerda, possivelmente para prevenir-se contra predadores, comuns na área. A trilha dos hominídeos é cruzada pela de um cavalo com um potro trotando a seu lado.

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13.258 – Os estranhos animais híbridos criados pela mudança climática


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O aquecimento global pode levar espécies inteiras à extinção!
Pesquisadores do departamento de ecologia da Universidade de Tuscia, na Itália, acreditam que a mudança climática fará com que sejam cada vez mais frequentes os casos de hibridização entre diferentes espécies animais.
Na Europa, por exemplo, estão sendo registrados vários cruzamentos entre sapos-europeus (bufo bufo), uma espécie presente em quase todo o continente, e sapos-baleares (bufotes balearicus), naturais do sul da Itália. Os dois animais, inclusive, sincronizaram seus ciclos reprodutivos – apesar de os girinos resultantes da união apresentarem problemas genéticos e não serem capazes de completar o ciclo da metamorfose.
Embora a reprodução entre espécies com semelhanças genômicas tenha sido fundamental na história da evolução natural, o aquecimento global está acelerando o processo e provocando, muitas vezes, a extinção de espécies inteiras.
Os cientistas acreditam que é essencial entender a diferença entre o processo natural de cruzamento entre as espécies e a hibridização causada pela atividade humana, sendo essa última uma séria ameaça para os ecossistemas.

13.231 – Biologia – Como a evolução transformou os gatos em animais solitários


gato x rato
A vida em grupo é comum na natureza. Pássaros formam bandos e peixes, cardumes. Predadores frequentemente caçam juntos. Até mesmo o leão, parente do gato doméstico, vive em grupo.
Para as espécies que são caçadas por outras, obviamente há uma estratégia de maior segurança em um bando. “Chama-se efeito de diluição”, diz o biólogo Craig Packer, da Universidade de Minnesota (EUA).
“Um predador só consegue matar um, e se há cem da mesma espécie isso reduz as chances de cada um deles ser pego para 1%. Mas se você estiver sozinho você será escolhido 100% das vezes.”
Animais em bando também se beneficiam do efeito “muitos olhos atentos”: quanto maior o grupo, é mais provável que alguém perceba um predador se aproximando. “E quanto mais cedo você detectar o predador, mais tempo tem para iniciar a fuga”, diz Jens Krause, da Universidade de Humboldt em Berlim, Alemanha.
Essa vigilância coletiva traz outras vantagens. Cada um pode gastar mais tempo e energia procurando por comida. E não se trata apenas de evitar predadores. Animais que socializam em grupos não precisam perambular em busca de companheiros, o que é um problema para espécies solitárias que vivem em territórios amplos.
Uma vez que se reproduzem, muitos animais que vivem em grupo adotam a máxima “é necessária uma aldeia inteira para criar uma criança”, com os adultos trabalhando em equipe para proteger ou alimentar os mais novos.
Em várias espécies de pássaros, como a zaragateiro-árabe de Israel, os pequenos permanecem em grupos de familiares até que eles estejam prontos para procriar. Eles dançam em grupo, tomam banho juntos e até trocam presentes entre si.
Viver em grupo também poupa energia. Os pássaros que migram juntos ou os peixes que vivem em cardumes se movimentam com mais eficiência do que os mais solitários.
É o mesmo princípio que os ciclistas da Volta da França utilizam quando formam um pelotão. “Os que estão mais atrás não precisam investir tanta energia para atingir a mesma velocidade de locomoção”, diz Krause.
Como pinguins e morcegos podem atestar, a vida pode ser mais calorosa quando se vive cercado de amigos.
Com tantos benefícios, pode parecer surpreendente que qualquer animal rejeite seus companheiros. Mas, como os gatos domésticos demonstram, a vida em grupo não é para todos. Para alguns animais, os benefícios da coletividade não compensam ter que dividir comida.
Um fator-chave para essa decisão é ter alimentação suficiente, o que depende de quanta comida cada animal precisa. E os gatos têm um gosto caro. Por exemplo, um leopardo come cerca de 23 kg de carne em poucos dias. Para gatos selvagens, a competição por alimentos é cruel, e por isso leopardos vivem e caçam sozinhos.
Há uma exceção à regra de felinos solitários: leões. Para eles, é uma questão territorial, diz Packer, que passou 50 anos de sua vida estudando os leões africanos. Alguns locais da savana têm emboscadas perfeitas para a caça, então controlar esse lugar resulta em uma vantagem significativa em termos de sobrevivência.
O que torna essa vida em grupo possível é que a presa de um único leão –um gnu ou uma zebra– é grande o bastante para alimentar várias fêmeas de uma vez só. “O tamanho da caça permite que eles vivam em grupos mas é a geografia o que realmente os leva a viver em grupos”, diz Packer.
Não é a mesma situação dos gatos domésticos, já que eles caçam animais pequenos. “Eles vão comê-lo inteiro”, diz Packer. “Não há comida o suficiente para dividir.”
Essa lógica econômica está tão integrada ao comportamento dos gatos que parece improvável que até mesmo a domesticação tenha alterado essa preferência fundamental por solidão.
Isso é duplamente verdade quando você leva em consideração o fato de que os humanos não domesticaram os gatos. Em vez disso, em seu próprio estilo, os gatos domesticaram a si mesmos.
Todos os gatos domésticos são descendentes dos gatos selvagens do Oriente Médio (Felis silvestris), o “gato-do-mato”. Os humanos não coagiram esses gatos a deixar as florestas: eles mesmos se convidaram a entrar nos alojamentos de humanos, onde havia uma quantidade ilimitada de ratos ao seu dispor.
A invasão a essa festa de ratos foi o início de uma relação simbiótica. Os gatos adoraram a abundância de ratos nos alojamentos e depósitos e os humanos gostaram do controle grátis da infestação de ratos.
Os gatos domésticos não são completamente antissociais. Mas sua sociabilidade –em relação a outro humano ou entre eles– é determinada inteiramente por eles, em seus próprios termos.
Aliás, mesmo diante de um grande perigo, quando eles se unem para se defender, é pouco provável que os gatos colaborem entre si. “Não é que algo que eles tipicamente façam quando se sentem ameaçados”, diz Monique Udell, bióloga da Universidade de Oregon (EUA).
É preciso dizer que os gatos domésticos trilharam um longo caminho a partir de seus ancestrais até aqui em termos de tolerar a companhia um do outro. Mesmo que gatos morando em galpões formem laços frouxos, eles ainda demonstram um nível impressionante de aceitação da presença do outro nesses espaços confinados.
Em Roma, cerca de 200 gatos vivem lado a lado no Coliseu, enquanto na ilha de Aoshima, no Japão, o número de gatos supera o de pessoas em uma proporção de seis para um. Essas colônias podem não ter tanta cooperação, mas estão bem avançadas em relação ao passado solitário dos gatos domésticos.
Enquanto isso, pode ser mais fácil para pesquisadores encontrar os gatos “no meio do caminho” ao realizar seus experimentos, fazendo certas concessões.
Quando Udell fez suas primeiras experiências com gatos, enfrentou uma série de dificuldades ao tentar motivar suas cobaias a participar de certa atividade. Ela já havia trabalhado com cachorros, que estariam dispostos a fazer qualquer coisa em troca de um petisco.
Os gatos, contudo, eram mais exigentes. Com o passar do tempo, Udell percebeu que teria mais sucesso se desse aos gatos a opção de escolher sua recompensa.

12.778 – Vida na Terra se originou 220 milhões de anos antes do que se pensava


fósseis
Nas águas rasas do oceano primordial que cobria a Terra há 3,7 bilhões de anos, comunidades de micro-organismos já faziam o que alguns de seus parentes modernos continuam fazendo até hoje: construíam estruturas vagamente parecidas com cones ou morrinhos, grudando grãos de sedimento marinho uns nos outros conforme cresciam.
Essas estruturas, conhecidas como estromatólitos, são os mais antigos fósseis do planeta, argumentam pesquisadores australianos e britânicos em artigo na revista científica “Nature”. Embora já houvesse algumas indicações geoquímicas da presença de seres vivos mais ou menos na mesma época, a presença dos estromatólitos em rochas do sudoeste da Groenlândia seria uma evidência bem mais sólida sobre as origens da vida na Terra. As estruturas descritas no novo estudo são cerca de 200 milhões de anos mais velhas que os estromatólitos mais antigos conhecidos até então.
A equipe liderada por Allen Nutman, da Universidade de Wollongong (Nova Gales do Sul, Austrália), foi bastante sortuda ao identificar as estruturas porque, em rochas tão idosas, sempre há a ação de forças geológicas que modificam profundamente as características do material original. Apesar disso, os pesquisadores conseguiram identificar um trecho das camadas rochosas com a distribuição de camadas típica dos estromatólitos.
Tais estruturas surgem conforme micróbios que dependem da luz do Sol vão crescendo em camadas, deixando embaixo de si os restos de seus ancestrais e os sedimentos marinhos que capturaram ao se reproduzir (veja infográfico). Com o tempo, formam-se elevações que podem lembrar mesas, cogumelos ou cones.
Além da estrutura laminar característica, a composição química também sugeriu aos pesquisadores que estavam diante de objetos de origem biológica: os minerais dentro dos estromatólitos tinham uma “receita” diferente da que existia nas camadas de rocha circundantes, o que parece indicar a ação dos micro-organismos interagindo de forma específica com o ambiente marinho. Tais detalhes de composição química também foram essenciais para comprovar que o ambiente original das estruturas era o mar. Rochas vulcânicas achadas nas vizinhanças dos estromatólitos permitiram a datação relativamente precisa do surgimento deles.
Em Marte, por exemplo, já está claro que havia água no estado líquido na superfície do planeta durante as primeiras centenas de milhões de anos de sua existência. Teria sido suficiente para que micróbios simples surgissem? Ainda não é possível sanar essa dúvida. Mas, se estromatólitos já estavam se formando na Terra há 3,7 bilhões de anos, aumenta a probabilidade de que a resposta seja sim.
Isso porque, até 4 bilhões de anos atrás, a jovem superfície terrestre estava debaixo de chumbo grosso, sendo bombardeada constantemente por gigantescas sobras rochosas da formação do Sistema Solar. Esse primeiro período da história da Terra foi tão violento que ganhou o apelido de éon Hadeano (nome derivado de Hades, o reino dos mortos na mitologia grega).
A idade dos estromatólitos groenlandeses sugere que a vida se estabeleceu de modo relativamente rápido em meio aos escombros ainda fumegantes do Hadeano – até porque provavelmente seriam necessárias várias fases intermediárias de evolução de moléculas orgânicas e protocélulas antes que surgissem bactérias capazes de produzir estromatólitos.

12.738 – Biologia – Peixes não Existem (?)


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Existe um grupo de cientistas, apelidados de cladistas, que garantem que peixes não existem. Eles acreditam que a mera ideia de um grupo chamado “peixes” vai contra aquilo que sabemos sobre a evolução das espécies.
Para visualizar a história evolutiva do nosso planeta, os cientistas distribuem as espécies em árvores filogenéticas – Árvores da Vida -, que mostram como os seres se desenvolveram a partir de antepassados comuns. Um grupo de espécies que deriva de um mesmo antepassado forma um clado.
Essas bolinhas aqui em cima indicam antepassados comuns. Assim, mamíferos e répteis formam um clado pequeno a partir da bolinha à direita. Mas os clados podem ser ainda maiores, começando em qualquer uma dessas bolinhas. O problema é que os quatro primeiros grupos dessa imagem são todos chamados de “peixes”. Cada um deles pode ser considerado um clado separadamente. Mas se você tentar juntar todos em um grupo evolutivo só? Tem que apelar para o “mínimo múltiplo comum”, o antepassado mais antigo de todos eles.
Só que, nesse caso, o clado acaba incluindo também mamíferos, anfíbios e formas de vida radicalmente diferentes entre si. É como tentar encontrar semelhanças físicas entre primos com 5 graus de distância.
A conclusão dos cladistas é que então, segundo a classificação evolutiva, ou os peixes não existem, ou todos nós somos peixes.
Essa afirmação soa absurda, mas na realidade reflete uma disputa entre duas formas de classificar os seres vivos: o sistema taxonômico de Lineu (aquele que divide os seres em espécies, gêneros, famílias, ordens, classes e reinos) e o filogenético. Antes do desenvolvimento da Teoria da Evolução, a forma de estudar e classificar as espécies era muito mais visual: os cientistas examinavam ser a ser, então colocavam os mais parecidos (interna e externamente) nos mesmos “rankings” de classificação – que em geral, são os que aprendemos na escola.
Já a evolução acabou colocando em cheque a relação taxonômica entre seres que se parecem, mas estão em posições bastante diferentes na árvore filogenética da evolução. O peixe pulmonado, por exemplo, é pouco discernível de um bacalhau, mas tem um antepassado evolutivo comum mais recente com a vaca do que com o salmão. Assim, na taxonomia evolutiva, os dois peixes acabam separados. É o que os cladistas chamam de debate de “instinto versus ciência”.
Pode parecer um mero detalhe, mas classificações filogenéticas rigorosas ajudam os cientistas a entender – e a explicar – fatos bizarros, como a relação importante entre dinossauros e galinhas. Da próxima vez que for ao aquário, além de procurar o Nemo, vale se perguntar se aqueles peixinhos nadando lado a lado são “irmãos” darwinianos ou primos separados por milhares de anos de pressão evolutiva.

12.430 – Biologia – Sementes salvaram ancestrais das aves de extinção


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Águias, gaviões, flamingos, sabiás, andorinhas, periquitos; a enorme variedade de espécies de aves hoje existentes tornou-se possível porque os ancestrais delas conseguiram sobreviver comendo sementes depois de um evento catastrófico de extinção, 66 milhões de anos atrás, indica um estudo publicado na revista “Current Biology”.
Aves são os únicos dinossauros que sobreviveram ao letal meteoro que criou a cratera de Chicxulub na península de Iucatã, México.
Apesar do nome “dinossauro” ter sido criado a partir do grego, significando algo como “lagarto terrível”, ou melhor, “assustadoramente grande lagarto”, os dinos não eram lagartos. Eles eram bem diversificados, e incluíam um grupo de animais emplumados, os ancestrais das aves modernas.
Segundo os autores do estudo liderado pelo paleontólogo canadense Derek Larson, logo depois do impacto do meteoro que marca o fim do período geológico Cretáceo, as cadeias alimentares terrestres que contavam com a fotossíntese das plantas teriam entrado em colapso.
Sem plantas, não sobrevivem os herbívoros que as comem; sem herbívoros, não há comida para os carnívoros.
Os dinossauros aviários incluíam carnívoros com dentes nos bicos, que terminaram extintos também por conta da massiva mudança ecológica. Já seus colegas sem dentes foram capazes de sobreviver comendo sementes.
O estudo de Larson incluiu a análise de 3.104 dentes de dinossauros da clade chamada Maniraptora, que inclui tanto as aves como outros dinos não aviários. Os dentes pertencem a animais que viveram nos últimos 18 anos do Cretáceo.
Os cientistas concluíram que a extinção dos Maniraptora com dentes e a sobrevivência dos outros foi obra da capacidade destes de utilizar melhor a única comida abundante disponível, sementes.
“Os pequenos dinossauros semelhantes a pássaros do Cretáceo, os maniraptoranos, não são um grupo bem conhecido. Eles são alguns dos parentes mais próximos das aves modernas, e no final do Cretáceo, muitos foram extintos”, diz Larson.
Sobreviver ao impacto do meteoro não foi fácil. Houve um grande pulso inicial de calor, literalmente cozinhando muitos animais e plantas, além de incêndios posteriores; chuva ácida, escuridão e inverno causado pelo bloqueio da luz solar ajudaram a extinguir ainda mais espécies.
Mas os pássaros comedores de sementes resistiram. Hoje se sabe que sementes em florestas temperadas modernas podem permanecer viáveis por mais de 50 anos. E em casos de incêndios em habitats, os pássaros “granívoros” –comedores de sementes– estão entre os primeiros a reocupar o local.
Os mais de três mil dentes foram analisados em busca de padrões de diversidade. Se a variação ao longo do tempo diminuísse seria um sinal de que a perda de diversidade indicaria que o ecossistema estava em declínio. Mas se os dentes permanecessem diferentes durante o período seria a indicação de que o ecossistema esteve estável durante milhões de anos.
Ou seja, os dinossauros aviários com dentes estavam vivendo bem até receberem o abrupto golpe do meteoro.
Os pesquisadores também estudaram pássaros atuais para ajudar e entender seu passado comum. E concluíram que o ancestral comum de todos –mesmo aqueles cuja dieta é de carne, ou de peixes, insetos ou plantas– era um discreto comedor de sementes com um bico desdentado.

12.328 -Antropologia – Sexo com outras espécies no passado remoto deixou marcas em nosso DNA


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A vida sexual na pré-história era bem mais variada do que se imaginava. Um estudo do material genético do homem moderno e de dois ancestrais humanos –neandertais e denisovanos– mostrou que em vários momentos e em vários continentes houve sexo entre eles.
Um pequeno porcentual de genes desses ancestrais humanos extintos ainda está presente no ser humano moderno, mas em diferentes proporções, revelando a história das migrações do passado.
Fósseis já haviam demonstrado que houve convivência entre o homem moderno e seus primos arcaicos encontrados em cavernas, o homem de Neanderthal (Alemanha) e o de Denisova (Sibéria, na Rússia). O DNA agora revela que houve farto sexo.
Os neandertais foram primeiro descobertos em 1856 e desde então foram achados fósseis, incluindo crânios bem preservados, em boa parte da Europa e Oriente Médio. Já os denisovanos são conhecidos apenas desde 2008. Do homem de Denisova existem somente dois dentes, um osso de dedo da mão e outro de dedo do pé, com entre 40 mil e 50 mil anos de idade.
A equipe internacional de pesquisadores analisou os genomas de 1.523 indivíduos, com destaque para a inédita inclusão de 35 pessoas da região do Pacífico conhecida como Melanésia, nas ilhas Bismarck, ao largo da Papua Nova Guiné. O estudo está publicado na revista “Science”.
Usando complexas técnicas estatísticas foi possível concluir que populações não-africanas, principalmente asiáticas e europeias, têm entre 1,5% a 4% de genes de neandertais. Já os melanésios foram a única população a ter entre 1,9% a 3,4% dos genes de Denisova. O ser humano chegou à Melanésia há cerca de 48 mil anos.
A análise também mostrou que houve pelo menos três momentos de “inserção de genes” –isto é, sexo– de neandertais no DNA do homem moderno, e uma vez de genes denisovanos. Uma pesquisa no mês passado em um fóssil neandertal indicou a presença de genes do homem moderno 100 mil anos atrás.
Essa precoce relação provavelmente aconteceu primeiro no Oriente Médio, quando o homem moderno migrou da África. Evidências de uma segunda “inserção” aparecem depois, segundo o genoma de asiáticos e europeus. O terceiro caso teria envolvido ancestrais dos asiáticos do sul e do leste em algum ponto do continente. E na mesma região os ancestrais dos melanésios adquiriram genes de Denisova.
Muito antes, neandertais e denisovanos também teriam tido relações há 440 mil anos, como revela o estudo atual.
Os genes arcaicos podem ter sido importantes para a adaptação do homem moderno em suas migrações para locais com clima, doenças e dietas diferentes –é o caso de genes ligados ao reconhecimento pelo sistema imunológico de vírus, ou ligados ao metabolismo de açúcares e gordura.
O que não existe no genoma também dá pistas da evolução humana –locais onde não existem traços de genes arcaicos, e que são importantes para o homem moderno, como o domínio da linguagem e o desenvolvimento do cérebro e da sinalização cerebral.

12.303 – Antropologia – ‘Martelo de carne’ levou ancestral humano a obter cérebro grande


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Há milhões de anos, quando um ancestral humano resolveu bater e cortar carne com as ferramentas que tinha à mão antes de ingeri-la, mal sabia ele que esse seria um passo importante para que seus descendentes obtivessem um cérebro maior e traços mais modernos, como boca e dentes menores.
Uma série de experimentos que procuraram imitar a dieta do Homo erectus acaba de reforçar a hipótese de que o processamento de alimentos, combinado a uma alimentação carnívora, foi essencial para o desenvolvimento dessas características, antes mesmo do surgimento do cozimento da comida.
O estudo foi conduzido por Daniel Lieberman e Katherine Zink, da Universidade Harvard (EUA), e está publicado na última edição da revista científica britânica “Nature”.
Os experimentos foram feitos com carne de bode –que lembra mais a de animais silvestres–, e os legumes cenoura, beterraba e batata-doce, crus ou processados, fatiados com instrumentos de pedra, amaciados com martelos de pedra, ou assados
RESULTADOS
Uma dieta composta de 1/3 de carne, e alimentos (carne e legumes) fatiados ou amaciados reduziu em 26% a força na mastigação
O corte da carne em pedaços menores teria reduzido em 5% o número de mordidas por ano e em 12% a força necessária para mastigar

E O COZIMENTO?
Cozinhar alimentos também teve consequências importantes para a evolução, mas os primeiros registros são de 500 mil anos atrás
A seleção de traços como dentes menores no Homo erectus, portanto, foi possível pela combinação de uso de ferramentas e a ingestão de carne
HISTÓRIA ANTIGA
Um dos mais bem sucedidos ancestrais humanos, o Homo erectus, surgiu na África há cerca de dois milhões de anos, se espalhou por outros continentes e só foi extinto após mais de 1,5 milhão de anos.
O objetivo era resolver um paradoxo. O Homo erectus, que surgiu na África e viveu há dois milhões de anos, tinha o corpo e o cérebro maiores que ancestrais humanos anteriores, mas sua dentição era mais delicada, incluindo músculos menores para a mastigação, e seu aparelho digestivo era menor.
Um corpo maior demanda mais energia, que tem que vir obrigatoriamente de alimentos. Para comparação, primatas como gorilas e chimpanzés passam boa parte do dia procurando comida e mastigando. E quando se trata de carne, a alimentação é demorada, já que a dentição é mais apropriada para vegetais.
Então, já que os dentes pequenos e os músculos mastigatórios mais fracos do Homo erectus não ajudam, fatiar, amaciar e triturar comida com instrumentos poderiam dar conta do problema.
Existe uma hipótese alternativa: o cozimento dos alimentos, tanto carne como vegetais, é que produziu o excedente de energia que permitiu corpos e cérebros maiores. Ela foi promovida pelo pesquisador britânico, Richard Wrangham, também de Harvard, que argumenta que o Homo erectus já era um “masterchef”.

11.631 – Projeções – Homem do futuro será incapaz de jogar futebol (?)


O antropólogo e professor da Universidade Estatal de Moscou Stanislav Drobyshevski apontou os principais aspectos da continuidade da evolução da raça humana: a aparência física, o cérebro e algumas mudanças que acontecerão com a espécie. Ele afirma que o nosso corpo continuará se desenvolvendo, que a cor de nossa pele irá escurecer gradualmente – como consequência da mistura de raças –, que os pelos tenderão a desaparecer e que os dentes da boca existirão em menor quantidade com o desaparecimento dos chamados “sisos”.
Uma de suas previsões mais pitorescas, no entanto, diz que “o futuro do nosso pé é o desaparecimento dos dedos”. A tíbia irá se fundir à fíbula, pois não haverá mais a mesma necessidade que tiveram nossos antepassados de manter a mobilidade no pé enquanto sobem em árvores. E se nossos pés vierem a perder sua atual mobilidade, isso significa que os dedos não serão mais necessários. “Dessa forma, no futuro, o balé e o futebol entrarão em declínio”, afirma Drobyshevski. Por fim, o cérebro seria o mais afetado, pois, como adverte o antropólogo, se a “geração do computador” continuar a não utilizá-lo em toda sua capacidade, ele terá seu tamanho reduzido.

11.374 – Livro – A Caixa Preta de Darwin


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A Caixa Preta de Darwin (em inglês: Darwin’s Black Box) é um livro de Michael Behe, bioquímico e professor na Universidade de Lehigh.
O livro questiona a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin como sendo antiquada para responder às descobertas que a ciência (especialmente o seu campo de estudo) tem feito nos últimos anos.
O texto analisa, à luz da bioquímica, os argumentos usados por Darwin e outros evolucionistas para justificar a teoria da evolução pelo mecanismo de seleção natural, defendendo que muitos processos biológicos não poderiam ter evoluído por um processo lento, gradativo e não teleológico como Darwin pensava em sua mocidade. Seriam “irredutivelmente complexos”.
O autor não descarta a ancestralidade comum universal dos seres vivos.

11.239 – Genética – Cientistas descobrem que o DNA humano possui pelo menos 145 genes estranhos à espécie


Uma equipe de cientistas da Universidade de Cambridge descobriu que os seres humanos comportam genes “alheios” à sua linhagem evolutiva, ou seja, que não foram transmitidos por congêneres antepassados. Dessa forma, estabelecendo um verdadeiro desafio à teoria evolutiva, os especialistas afirmam que dezenas de genes essenciais “estrangeiros”, ao contrário dos que se aperfeiçoaram ao longo dos tempos através da genética vertical ascendente, se originaram a partir de micro-organismos que conviveram com o ser humano em um mesmo ambiente durante algum momento de sua evolução.
Os cientistas puderam identificar 145 genes “alheios”, adquiridos pelo ser humano através da chamada transferência genética horizontal. Até hoje, a convenção teórica a respeito da evolução se baseia unicamente na transmissão genética de linhas ancestrais.

11.234 – Cientistas descobrem como adicionar visão noturna em olhos humanos


Os animais de estimação são incríveis. Entre as muitas habilidades que eles têm, que nós humanos (ainda) não temos, está a visão noturna. Imagine enxergar tudo mesmo com a ausência de luz – essencial para visão. A verdade é que é uma questão de tempo até os seres humanos adquirirem essa habilidade restrita apenas a alguns animais. E não estamos falando dos tradicionais óculos com infravermelho.
Pesquisadores bioquímicos americanos descobriram como adicionar visão noturna em olhos humanos. O que permite enxergar até 50 metros na escuridão total por várias horas. A chave é uma substância natural, sensível à luz, chamada Clorina E6 (CE6), derivada de criaturas do mar e já utilizada no tratamento de câncer. Agora foi descoberto que a CE6 também tem propriedades que podem ser úteis em tratamentos oftalmológicos.
A teoria da visão noturna está em uma patente de 2012. Segundo o documento, quando uma mistura de CE6, insulina e soro fisiológico é injetada em olhos humanos, a retina é capaz de absorver os elementos e aumentar a capacidade de visão noturna. A prática foi exercida pela equipe do Science for the Masses, que resolveu agir e enfim adicionou visão noturna em olhos humanos.
A cobaia foi Gabriel Licina. Depois de adicionarem a mistura nos olhos de Licina, tiveram que colocar uma lentes pretas para reduzir o impacto da luz. A capacidade de visão noturna aumenta de acordo com o aumento da sensibilidade à luz.
Foram injetados 50ml da substância em cada olho de Licina, que realmente adquiriu visão noturna, mas apenas por 20 dias, sem efeito colateral. Vale lembrar que esse foi apenas o primeiro teste em humanos e que ainda faltam muitos estudos sobre o assunto.

11.167 – Antropologia – Cientistas acham fóssil de primeiro humano de 2,8 milhões de anos


antropologia

Há 2,8 milhões de anos, os primeiros membros do gênero Homo, ao qual pertencem todas as pessoas vivas hoje, já caminhavam pela savana no território da atual Etiópia, afirma um novo estudo.
A conclusão vem da análise de uma mandíbula descoberta por cientistas americanos e etíopes, cujas características parecem estar no meio do caminho entre as dos australopitecos, homens-macacos mais primitivos que povoavam a África até então, e as do gênero humano propriamente dito, cujas espécies mais conhecidas só surgem 2 milhões de anos atrás.
A transição evolutiva que levou à origem do nosso gênero pode ter sido relativamente rápida, afirmou em entrevista coletiva por telefone um dos autores do estudo, o paleoantropólogo Brian Villmoare, da Universidade de Nevada em Las Vegas.
Ocorre que o provável ancestral dos primeiros Homo, o Australopithecus afarensis (espécie à qual pertencia a fêmea conhecida como Lucy) ainda andava pela Etiópia há 3 milhões de anos. O fóssil recém-descoberto é “apenas” 200 mil anos mais jovem, ou seja, um piscar de olhos do ponto de vista geológico.
Além de descrever a mandíbula em artigo na revista “Science”, os cientistas também traçaram um retrato detalhado do ambiente em que viviam os primeiros Homo.
O cenário era composto por grandes áreas de vegetação aberta e relativamente árido.
Esses dados podem explicar a origem do gênero humano, porque os australopitecos parecem ter preferido áreas de vegetação mais fechada. Os Homo seriam resultado da adaptação a ambientes abertos. A hipótese, porém, precisa ser mais estudada.
O hominídeo encontrado no sítio etíope de Lee Adoyta tinha uma mandíbula cujo formato lembra mais um V (como a de primatas mais antigos) do que um U (como a dos demais Homo). Por outro lado, os dentes eram consideravelmente menores.
“O que podemos afirmar é que parece haver um relaxamento da seleção em favor de dentes grandes que tinha predominado até então, o que indica que a linhagem do gênero Homo não estava mais consumindo alimentos de origem vegetal tão duros”.
O grande desafio agora será entender melhor o cipoal de linhagens de hominídeos que parece brotar do solo da África Oriental em torno de 2 milhões de anos atrás.
Mais ou menos na mesma época, três espécies do nosso gênero surgem no cenário: o Homo habilis, o H. rudolfensis (ambos de pequeno porte e aparentemente mais primitivos) e o H. erectus (que podia ser tão alto quanto um humano moderno, embora tivesse cérebro um terço menor).
Como as três criaturas não surgiram do nada, a questão era saber quais eram seus ancestrais. Numa pesquisa na edição desta quinta-feira da revista “Nature”, a equipe liderada por Fred Spoor, do University College de Londres, deu um passo nesse sentido ao fazer uma reconstrução digital da mandíbula do H. habilis, que está amassada e é difícil de analisar.
Segundo Spoor, a mandíbula lembra bastante a encontrada na Etiópia, sugerindo que o H. habilis, e provavelmente as outras linhagens, têm uma história mais antiga do que se imaginava.

11.143 – Quais mudanças genéticas nos fizeram diferentes dos outros animais?


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Cada geração de antropólogos se propõe a explorar a questão e tentar respondê-la: “O que nos torna humanos?”. O famoso paleontólogo Louis Leakey acreditava que fosse a capacidade de construir ferramentas que nos tornava únicos. Por isso, quando ele descobriu ossos de hominídeos perto de ferramentas de pedra na Tanzânia, em 1960, ele batizou o suposto grupo responsável pelas ferramentas de Homo habilis, o mais antigo membro do gênero humano.
No entanto, pouco tempo depois, a primatologista Jane Goodall demonstrou que chimpanzés também usam tipos de ferramentas, e hoje a discussão entre os pesquisadores é se os H. habilis realmente pertencem ao gênero Homo.
Elizabeth Culotta, da revista Science, conta que estudos posteriores creditaram o domínio dos humanos na Terra a traços tais como o bipedalismo, a cultura, as línguas, o humor e, claro, um grande cérebro. “No entanto, muitas dessas características também podem ser encontradas, pelo menos em algum grau, em outras criaturas – chimpanzés têm cultura rudimentar, papagaios falam e alguns ratos parecem rir quando recebem cócegas”, conta.
O que é incontestável é que os seres humanos, como todas as outras espécies, têm um genoma único, moldado por nossa história evolutiva. Com o genoma humano já mapeado e os dados sobre o genoma dos primatas começando a surgir, estamos entrando em uma era na qual pode se tornar possível identificar as mudanças genéticas que ajudam a nos separar de nossos parentes mais próximos.
As diferenças genéticas reveladas entre humanos e chimpanzés podem ser profundas, apesar de as estatísticas apontarem que apenas cerca de 1,2% do nosso DNA é diferente. Isso porque uma simples mudança de 1% pode afetar milhares de genes – e a diferença percentual se torna muito maior se você contar as inserções e deleções de cada um.
Mesmo se nós conhecermos os 40 milhões de sequências diferentes entre humanos e chimpanzés, o que elas significam? Provavelmente, muitos genes são simplesmente a consequência de 6 milhões de anos de deriva genética, com pouco efeito sobre o nosso corpo ou o nosso comportamento, enquanto outras pequenas mudanças – como, por exemplo, as sequências reguladoras, não codificadas – podem ter consequências dramáticas.
Chegamos a um novo dilema: apenas metade dos genes que nos diferenciam dos macacos é que pode definir um chimpanzé, em vez de um ser humano. Como é que podemos saber quais são eles?
Segundo Culotta, uma maneira é descartar os genes que foram favorecidos pela seleção natural nos seres humanos. Estudos que buscam sinais sutis de seleção no DNA dos seres humanos e outros primatas identificaram dezenas de genes, em particular aqueles que estão envolvidos na interação patógeno-hospedeiro, reprodução, sistemas sensoriais como olfato e paladar, e muito mais.
“Porém, nem todos esses genes ajudaram a nos diferenciarmos dos nossos primos macacos, originalmente. Nossos genomas revelam que evoluímos em resposta à malária, mas não é a defesa da malária que nos torna humanos”, ressalta.
Alguns pesquisadores realizam mutações clínicas para poder rastrear a evolução dos genes – uma técnica que tem identificado uma boa quantidade de genes com potencial para explicar esse mistério. “Por exemplo, os genes MCPH1 e ASPM, quando mutados, causam microcefalia [condição neurológica em que o tamanho da cabeça é menor do que o normal], o FOXP2 causa defeitos na fala – e os três apresentam sinais de pressão de seleção durante a evolução dos humanos, mas não dos chimpanzés. Assim, eles podem ter desempenhado um papel na evolução de cérebros grandes e na fala dos seres humanos”, explica Culotta.
Mesmo com essas evidências, a resposta final dos cientistas ainda está em aberto. Uma compreensão completa das características exclusivamente humanas, no entanto, inclui mais do que apenas o DNA. Os cientistas podem manter a discussão com uma linguagem demasiadamente sofisticada ou utilizar termos genéricos como “cultura” ou “tecnologia”. Estamos na era do genoma, mas ainda somos capazes de reconhecer que é preciso muito mais do que genes para se fazer um ser humano.

11.131-Evolução da Inteligência Artificial preocupa a Ciência


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Diversos aplicativos e funções específicas em computadores e dispositivos móveis já utilizam técnicas de Inteligência Artificial. A tecnologia permite a tomada de decisão autônoma por uma máquina; como se ela tivesse vontade própria! É isso que vemos ao usarmos, por exemplo, funções de voz no smartphone – como o Siri, da Apple – ou ainda, quando aquele aplicativo descobre a música que está tocando em questão de segundos.
As pesquisas em torno do assunto exploram inúmeros problemas e abordagens há mais de 20 anos. Apesar de não ser tão nova assim, a tecnologia vem se aprimorando e está prestes a sair definitivamente dos laboratórios de pesquisas para o mercado. Por enquanto, focada em problemas pequenos e bastante específicos, a Inteligência Artificial não oferece perigo e deve começar a fazer cada vez mais parte do nosso dia a dia.
A eminência é tamanha que dois grandes cientistas resolveram divulgar uma carta aberta alertando sobre os riscos do desenvolvimento crescente da Inteligência Artificial. O documento assinado por Stephen Hawking e Elon Musk defende uma supervisão responsável para garantir que os interesses da humanidade continuem em primeiro lugar. No texto, eles reconhecem que os benefícios potenciais são enormes, já que tudo que a civilização tem a oferecer é um produto da inteligência humana; no entanto, é impossível prever o que poderá ser alcançado quando essa inteligência for ampliada pelas ferramentas que a Inteligência Artificial pode prover. Assim, eles defendem que a maximização do benefício social através da Inteligência Artificial.
A questão é que nada impede que um dia essas máquinas inteligentes e com vontade própria saiam do controle. Imagine a Rose se rebelando e transformando os Jetsons em seus escravos! Tecnologia… a gente sabe como é… Por enquanto, as falhas seriam pequenas como, por exemplo, um computador bagunçar o mercado de ações ou um carro autônomo errar o caminho e entrar na contramão. Mas no momento em que a Inteligência Artificial começa a ter uma demanda cada vez maior por sistemas mais inteligentes – aí, sim, podemos correr o risco de um dia máquinas superinteligentes virem a controlar os seres humanos!
Stephen Hawking diz: “uma inteligência artificial bem sucedida seria o maior evento da história humana. Infelizmente, também poderia ser o último.”
O grande medo surge quando a Inteligência Artificial se alinha a robôs humanóides. Até hoje, um dos maiores desafios da ciência é implantar as três leis da robótica: a primeira lei diz que um robô nunca pode ferir um ser humano; a segunda, que ele deve sempre respeitar a ordem de um ser humano, desde que não infrinja a primeira lei; e a terceira diz que o robô deve proteger a si mesmo, claro, isso sem desrespeitar as duas primeiras leis. Um pouco complicado… e, atualmente, nem a robótica, nem a Inteligência Artificial conseguem implementar direito essas leis.
A chegada da Internet das Coisas é mais uma ameaça. Se os robôs com inteligência artificial buscam suas informações para tomar decisões na web e teremos bilhões de dispositivos conectados muito em breve, eles certamente serão bem mais informados e inteligentes que qualquer ser humano. Afinal, ninguém sabe de tudo…
Outro grande risco: ainda que essas máquinas inteligentes possam tomar decisões como seres humanos, elas não têm qualquer noção de moral. Para não sair do controle, equipamentos com Inteligência Artificial precisariam ter consciência, ou seja, saber as consequências de suas decisões… mas isso é praticamente impossível.
Será que corremos o risco de assim como em alguns filmes, sermos dominados e controlados por robôs? Ou viveremos pacificamente com máquinas inteligentes entre nós, caminhando na mesma calçada? A preocupação não é só dos grandes futuristas. Recentemente, quando o Google comprou a DeepMind, uma empresa de Inteligência Artificial baseada na neurociência, as duas empresas criaram um conselho de ética e segurança para garantir que essas tecnologias sejam desenvolvidas sem oferecer qualquer risco aos seres humanos.

11.053 – Antropologia – Ancestral humano de 3 milhões de anos já usava ferramentas


A capacidade tipicamente humana de fazer movimentos complexos unindo o polegar aos demais dedos, como girar uma chave ou segurar com força o cabo de um martelo, já estava presente em ancestrais do homem com 3 milhões de anos de idade, afirma um novo estudo.
O dado, que vem da análise da parte interna dos ossos das mãos do hominídeo Australopithecus africanus, sugere que a capacidade de fabricar e usar ferramentas de pedra é bem mais antiga do que se imaginava.
No estudo, que está na edição desta semana da revista especializada “Science”, Skinner e seus colegas tentam resolver uma polêmica antiga. Embora quase todos os especialistas concordem que o uso de ferramentas de pedra já era uma característica do primeiro membro do nosso gênero, o Homo habilis, que viveu há cerca de 2,5 milhões de anos, ancestrais do homem mais antigos do que ele possuem um mosaico de traços “primitivos” e “avançados” nas mãos, que costumam deixar os cientistas na dúvida.
É que, para fazer movimentos manuais com precisão e força típicos da nossa espécie, os dedos tiveram de passar por uma série de modificações. O polegar, por exemplo, ficou maior em relação aos demais dedos, além de ganhar “almofadinhas” carnudas na ponta, o que facilita o processo de agarrar objetos. Além disso, os dedos humanos são relativamente retos, e não curvados, como os de chimpanzés e gorilas.
Nos fósseis de australopitecos e outros hominídeos primitivos, algumas dessas características inovadoras estão presentes, mas não todas.
Para tentar resolver o dilema, os pesquisadores usaram tomografia computadorizada para saber o que acontece dentro dos ossos das mãos de hominídeos que sabidamente são usuários contumazes de ferramentas –membros da nossa espécie e seus parentes próximos, os neandertais. Depois, compararam o padrão que viram com o das mãos de chimpanzés e, finalmente, com o dos australopitecos.
Nessa comparação, a chave é o chamado osso trabecular, um tipo esponjoso de tecido ósseo que é remodelado e redistribuído dentro dos ossos de acordo com o tipo de esforço que eles realizam. A “pegada” típica do polegar humano, por exemplo, leva a uma maior densidade desse osso na base do polegar, perto da palma da mão.
E foi exatamente isso que os pesquisadores viram no caso dos australopitecos. Agora, segundo Skinner, a ideia é examinar hominídeos ainda mais antigos, com cerca de 4 milhões de anos, para saber se o padrão é o mesmo.
Segundo ele, ainda é difícil saber como a evolução da mão tipicamente humana começou. É possível que o processo tenha começado com a redução dos dedos dos pés, facilitando o andar bípede no solo– os dedos das mãos teriam encurtado por tabela, por serem controlados pelo mesmo conjunto de genes, explica o paleoantropólogo.

11.050 – Evolução – Como Darwin explica a evolução das línguas?


Para o filósofo americano Daniel Cloud, a seleção artificial está por trás da evolução das línguas, do significado das palavras e do vocabulário.
A linguagem humana é como nossos cachorros e gatos. Da mesma maneira que domesticamos os animais e selecionamos suas características para que se tornassem bichos de estimação, escolhemos as palavras para que as línguas sejam exatamente o que queremos. Para o filósofo americano Daniel Cloud, os conceitos do naturalista britânico Charles Darwin (1809-1892) governam a origem e desenvolvimento da nossa linguagem, uma mera ferramenta que nos ajuda a ter sucesso no ambiente.
Em seu segundo livro, The Domestication of Language (A Domesticação da Linguagem, em tradução livre), lançado em dezembro nos Estados Unidos, Cloud conta como os termos que usamos sobrevivem ou desaparecem de acordo com as rígidas leis da seleção artificial. A evolução não perdoa substantivos ou adjetivos mal adaptados.
Cloud, que é professor da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, retira a discussão sobre as palavras do terreno da linguística e promove seu retorno aos domínios da filosofia, ocupando-se de questões como sua origem, objetivos e o processo por trás do significado dos termos que usamos no cotidiano. Reunindo cerca de três décadas de seu trabalho de pesquisa sobre a linguagem, discute as últimas descobertas sobre o tema e explica os passos que o levaram a concluir que a biologia é a força por trás da evolução de nossas línguas. Para isso, constrói seus argumentos com o apoio de filósofos antigos e contemporâneos, como o grego Sócrates (século V a. C), o austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951) ou o americano Daniel Dennett, um dos primeiros contemporâneos a relacionar os conceitos de Darwin e nossa linguagem.

Buscando as bases científicas que revelam como os primeiros hominídeos aprenderam a criar os sons articulados que hoje conhecemos como palavras e de que forma elas se transformaram ao longo dos anos, Cloud demonstra que somos o “design inteligente” por trás de palavras e expressões. Temos o controle sobre seu destino e convivemos com elas em uma relação de simbiose, como a que temos com as bactérias que vivem em nosso intestino. Enquanto fornecemos o ambiente ideal para que a linguagem sobreviva, ela nos ajuda a viver melhor, ter sucesso reprodutivo e passar os genes adiante.

Ele afirmou em entrevista:
“É uma adaptação incrível que apenas se desenvolveu nos homens e na Terra, até agora – apesar de não sabermos exatamente o que golfinhos, baleias ou elefantes fazem para nos certificar de que possuem algo igualmente maravilhoso, apenas diferente. Há muitas coisas maravilhosas na natureza que começaram simples e evoluíram. Nosso mundo é o tipo de lugar que cria coisas como nós e, provavelmente, outras coisas inteligentes. Somos maravilhosos, assim como toda a natureza que nos rodeia. O que nos faz especiais não é nossa linguagem, é a grande responsabilidade que temos com nosso mundo.”

11.025 – Evolução – Descoberta de fóssil sugere onde homens e neandertais acasalaram


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Parte de uma caveira recuperada numa caverna em Israel está lançando luz sobre um momento crucial do início da história humana: o período em que homens e seus parentes mais próximos, os neandertais, acasalaram.
Os europeus modernos herdaram cerca de 4% de seus genes dos neandertais, sugerindo que em algum momento o Homo Sapiens cruzou com essa espécie. Até hoje, no entanto, os cientistas não sabem onde e quando esse encontro aconteceu.
O fragmento de crânio foi desenterrado na caverna Manot, na Galileia. Suas características sugerem tratar-se de um Homo sapiens que viveu há cerca de 55.000 anos, período em que se acredita que os membros de nossa espécie estivessem saindo da África. Perto da caverna há outros dois lugares onde foram encontrados fósseis de neandertais da mesma época.
A coexistência dessas duas populações numa região geográfica restrita, aliada ao fato de que modelos genéticos preveem seu cruzamento, sugere que o acasalamento pode ter ocorrido naquela área”, disse Israel Hershkovitz, antropólogo da Universidade de Tel Aviv e líder da pesquisa.
Os neandertais, cuja feição característica é a testa proeminente, habitaram a Europa e Ásia entre aproximadamente 350.000 e 40.000 anos atrás, sendo extintos algum tempo depois da chegada do Homo sapiens.
Cientistas afirmam que nossa espécie surgiu há cerca de 200.000 anos na África, migrando em seguida para outros lugares. A caverna onde foi feita a descoberta está localizada na única rota por terra para que os humanos antigos pudessem sair da África e chegar ao Oriente Médio e à Europa.
Latimer disse suspeitar que o crânio tenha pertencido a uma mulher, embora os pesquisadores não tenham conseguido determinar o gênero da caveira. A caverna, que ficou isolada por 30.000 anos, foi descoberta em 2008 durante obras de saneamento.

10.927 – Como as aves sobreviveram à extinção dos dinossauros?


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Quando quase todos os dinossauros foram extintos há 66 milhões de anos, os únicos que sobreviveram foram aqueles que eram menores, isto é, as aves. Hoje, existem mais de 10.000 espécies destes dinossauros com penas, tornando-se o mais diverso de todos os animais vertebrados. Um novo estudo revela por que esta linhagem foi tão bem sucedida: as aves tiveram o tamanho reduzido bem antes do resto dos dinossauros desaparecerem.
“Esta é uma peça muito impressionante de trabalho e, de longe, a mais completa análise do tamanho do corpo de um dinossauro que já foi realizado”, diz Stephen Brusatte, paleontólogo da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, que não esteve envolvido na pesquisa. “O estudo mostra que as aves não apenas tornaram-se pequenas, de repente, mas eram o produto final de uma tendência de longo prazo da redução do tamanho do corpo que levou muitas dezenas de milhões de anos.”
Os dinossauros eram pequenos no início. Cerca de 230 milhões de anos atrás, a maioria pesava entre 10 e 35 quilos e eram tão grandes como um cão de tamanho médio. Mas muitas espécies atingiram 10.000 kg no prazo de 30 milhões de anos. Mais tarde, os dinossauros, como o poderoso Argentinosaurus, que possuía cerca de 35 metros do nariz à cauda, ​​pesavam cerca de 90,000 kg.
Apesar de muitos dinossauros terem ficado maiores e mais volumosos ao longo de milhões de anos, um grupo parece ter apostado na redução do tamanho do corpo: os maniraptorans, dinossauros emplumados que incluem o famoso Velociraptor de Jurassic Park e que, eventualmente, deram origem às aves.
Para entender como o tamanho dos dinossauros mudou ao longo do tempo, uma equipe liderada por Roger Benson, um paleontólogo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estimou o tamanho do corpo de 426 espécies diferentes, usando a espessura de seus ossos fossilizados das pernas traseiras como uma proximidade de seu peso total.
A equipe descobriu que, apesar de todos os grupos de dinossauros mudarem rapidamente de tamanho no início da evolução dos dinossauros, principalmente ficando maior, essa tendência desacelerou rapidamente em quase todos os grupos. Para a maior parte, os dinossauros que eram grandes ficaram assim. A exceção foi o grupo dos maniraptorans, que continuaram a evoluir espécies maiores e menores, em que se expandiram em uma variedade cada vez maior de nichos ecológicos ao longo de um período de 170 milhões de anos.
Quando um asteróide atingiu a Terra há 66 milhões de anos atrás, apenas os maniraptorans com penas, que tinham um tamanho reduzido e pesavam cerca de 1 kg, foram capazes de sobreviver. Provavelmente foi o pequeno tamanho desses dinossauros que lhes permitiu adaptar-se mais facilmente às condições de mudança, de acordo com a publicação da equipe na revista PLOS Biology. Os pesquisadores afirmam que ser pequeno tornou mais fácil para os maniraptorans se adaptarem a uma ampla variedade de habitats, enquanto que o resto dos dinossauros, onerados por seus corpos enormes e as necessidades alimentares enormes, simplesmente não poderiam sobreviver.
Esta redução de tamanho foi essencial para a evolução do voo, diz Luis Chiappe, paleontólogo do Museu de História Natural de Los Angeles County, na Califórnia, que não esteve envolvido no estudo. “Voar é mais fácil para os animais menores” porque são “muito menos exigentes em termos energéticos”, diz ele. E durante todos aqueles milhões de anos, quando maniraptorans estavam mudando o tamanho do corpo mais rapidamente do que outros dinossauros, Chiappe diz, “eles estavam experimentando.”
“A história é realmente interessante”, Brusatte acrescenta, “não tem tanto a ver com a forma como alguns dinossauros ficaram tão enormes, mas sim como aves e seus parentes próximos ficaram tão pequenos.”

10.891 – Elo Perdido – Cientistas descobrem elos entre canto dos pássaros e fala humana


O lendário e inspirador sabiá, anuncia o início da primavera
O lendário e inspirador sabiá, anuncia o início da primavera

As línguas humanas são muito mais complicadas do que o canto das aves, mas um novo estudo acaba de mostrar paralelos profundos entre as duas coisas: dezenas dos mesmos genes estão por trás das habilidades de um tenor italiano ou de um sabiá-laranjeira.
O resultado, publicado na revista especializada “Science”, faz parte de uma análise monumental do DNA de quase 50 espécies de aves, da qual participaram pesquisadores brasileiros que trabalham no Pará, no Rio e nos EUA.
Após “soletrar” o genoma (conjunto do DNA) dessa multidão emplumada, os cientistas têm um retrato mais claro não só das origens do canto como também das relações de parentesco entre as aves atuais, da evolução do grupo e até de como esses bichos perderam dentes e ganharam bicos.
A comparação do cérebro das aves com o de humanos já havia mostrado semelhanças intrigantes entre as áreas que controlam a fala na nossa espécie e as que regulam o canto nas espécies que precisam aprender essa arte.
Essa ressalva é importante porque muitas aves já “nascem sabendo” emitir os sons de sua espécie (é o caso das galinhas). Formas mais complexas de canto são produzidas apenas pelas aves que possuem aprendizado vocal.
“Tanto esse tipo de canto quanto a fala requerem que os indivíduos jovens ouçam as vocalizações do adulto e modifiquem suas próprias vocalizações para conseguir imitar o que ouviram”, explica Claudio Mello, brasileiro que trabalha na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (noroeste dos EUA) e assina dois dos estudos sobre o tema na “Science”.
“É um processo ativo de aprendizado que requer bastante esforço e circuitos complexos do cérebro, que incluem áreas corticais [região mais ‘nobre’ do cérebro] e dos gânglios da base [região mais ‘primitiva’ do órgão], em ambos os casos.”
No novo estudo, Mello e seus colegas compararam a expressão (ou seja, o grau de atividade) de genes do DNA de várias espécies de aves, de pessoas e de macacos resos (os quais não têm aprendizado vocal). Essa análise de expressão foi feita a partir de amostras de células de vários locais do cérebro de cada espécie.
Resultado: não só dezenas dos mesmos genes ficam ativos no cérebro das aves “cantoras” e no cérebro humano como esse paralelo envolve regiões específicas – são conjuntos específicos de genes que ficam “ligados” nas áreas ligadas ao controle da laringe (ou da siringe, o equivalente desse órgão nos animais penosos).
“Vários desses genes são relacionados à formação de conexões entre neurônios”, diz Mello. “Podemos estar identificando elementos que constituem a base da aquisição da fala.”
E os papagaios? Teriam algo de especial para conseguir imitar a fala humana? Pode ser que a resposta venha da análise do genoma do papagaio-amazônico, um estudo que ainda está em andamento e inclui Francisco Prosdocimi, da UFRJ, e Maria Paula Cruz Schneider, da UFPA.
Tanto Mello quanto os demais brasileiros também ajudaram a construir o álbum de família das aves do planeta, no qual estão incluídos os genomas de três espécies típicas do Brasil: a seriema, o macuco e o pavãozinho-do-pará.
Entre as surpresas dessa análise, segundo Mello, está o fato de que tanto os papagaios quanto as aves mais “cantoras”, com aprendizado vocal, têm parentesco relativamente próximo, apesar do aspecto bastante diferente. Um grupo intermediário entre elas, o do bem-te-vi e joão-de-barro, teria perdido a capacidade do aprendizado vocal ao longo da evolução.
E, para quem ainda duvida que as aves surgiram a partir de um grupo de répteis (provavelmente os dinossauros), outro estudo, coordenado por Robert Meredith, da Universidade Estadual Montclair (EUA), mostrou que elas possuem em seu DNA os genes necessários para fabricar o esmalte e a dentina dos dentes. Só que esses genes estão truncados, o que ajuda a explicar a origem do bico.