13.327 – Saiba se Você tem Inteligência Acima da Média


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Se você acredita ser mais inteligente do que a média, há grandes chances de isso ser verdade: uma série de estudos mostra as estatísticas de uma pessoa ser mais inteligente do que o restante.

Se..
…for o filho mais velho. Um estudo realizado em 2007 na Noruega mostra que os filhos mais velhos tendem a ter um QI mais alto do que os mais novos. Segundo os pesquisadores, o que muda não é nascer primeiro, mas sim a criação como filho mais velho.

…teve aulas de música quando era criança. Em 2011, pesquisadores observaram a comunicação verbal de crianças com idades entre 4 e 6 anos de idade que tinham lições de música era maior do que a das que não tinham.

…não fuma. Ao avaliar 20 mil homens com idades entre 18 e 21 anos, cientistas israelenses descobriram que os que fumavam tinham 94 pontos de QI, enquanto os não fumantes tinham 101.

…é canhoto. Um estudo conduzido pelo psicólogo Stanley Scoren mostra que pessoas canhotas tendem a pensar mais fora da caixa do que as destras.

…tem um gato. Um estudo conduzido por cientistas da Universidade Carroll, nos Estados Unidos, revela que donos de cachorros tendem a ser mais extrovertidos, enquanto donos de gatos costumam ser mais inteligentes.

12.995 -Neurociência – Algoritmo da inteligência?


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Alguns cientistas adeptos da teoria de que todos os processos cerebrais são interligados podem ter encontrado o algoritmo da inteligência. Seguindo o que propõe a teoria, uma lógica matemática seria capaz de simular a “computação cerebral”, ou seja, um algoritmo capaz de mapear o processamento de informações pelo cérebro.
Na pesquisa, os cientistas estudaram grupos de neurônios semelhantes que formam anexos responsáveis por lidar com ideias e informações chamados de “motivos de conectividade funcional” (FCM, sigla em inglês).
Em testes, a equipe analisou como o algoritmo funciona em sete regiões do cérebro. Documentando como cada região lidava a partir de respostas primitivas em roedores como fome e medo, os cientistas conseguiram traçar um número de agrupamentos para as suas reações. Com o experimento, os pesquisadores elaboraram então uma ordem de resposta e estímulo que o cérebro tomava, simplificando uma espécie de algoritmo.
O algoritmo analisado não serve para deixar uma pessoa mais inteligente, mas pode ajudar no desenvolvimento da inteligência artificial para robôs. O estudo foi publicado na revista Frontiers in Systems Neuroscience.

11.673 – Mega Polêmica – Garota cigana de 12 anos tem QI maior que Einstein e Stephen Hawking


Barr fez o teste de QI da Mensa Internatinal, mais antiga e mais famosa sociedade que reúne pessoas com altos quocientes de inteligência do mundo, depois que seu pai suspeitou que sua memória impressionante poderia qualificá-la como um membro ilustre da sociedade.
A ‘menina gênio’ pontuou nada mais que 140, e a pontuação média elevada da Mensa é de 100.
O ranking de Barr, desde então, foi notícia em todo o mundo, mas os resultados não significam necessariamente que ela é mais ‘esperta’ que Einstein ou Hawking. Durante a última década, os neurocientistas têm demonstrado que os teste de QI, ou quociente de inteligência, realmente não definem o quadro completo sobre a inteligência.
Embora os testes possam medir adequadamente a capacidade de memória, habilidade matemática, raciocínio verbal e lógica, a pesquisa mostrou que eles são fundamentalmente falhos quando se trata de prever a inteligência geral, que envolve a sincronização de várias regiões do cérebro ao mesmo tempo.
“Um estudo de 2012 refutava de uma vez por todas a ideia de que uma única medida de inteligência, como QI, seja o suficiente para capturar todas as diferenças na capacidade cognitiva que vemos entre as pessoas”, disse Roger Highfield, do Museu de Ciência de Londres.
Mas permanece o fato de que os testes de QI são ferramentas interessantes para medir a capacidade intelectual de uma sociedade e, assim, ultrapassar duas das mentes mais famosas na história é bastante impressionante. “Quando eu descobri ter uma pontuação tão alta, foi tão inesperado. Eu fiquei chocada”, disse Barr.
A notícia foi particularmente bem recebida pela comunidade cigana. “Esta notícia é algo bom para nós, pode ser uma mudança”, disse o pai de Barr. “Isso mostra que não importa de onde você vem, qualquer um pode ser academicamente brilhante”.
Não há nenhuma informação de que Barr será admitida na Mensa, que tem mais de 120.000 membros em todo o mundo. Desses, apenas 35% são do sexo feminino, e apenas 8% são crianças. “O QI de Nicole a coloca confortavelmente dentro do top de 1% da população”, disse a representante da Mensa, Ann Clarkson.

9753 – Genética – Localizado gene que liga estrutura do cérebro a inteligência


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Pesquisadores encontraram um gene que vincula a inteligência à espessura da massa cinzenta cerebral. Segundo eles, a descoberta poderá ajudar os cientistas a entenderem como e por que algumas pessoas têm dificuldades de aprendizado, como portadores de esquizofrenia e autismo. O estudo foi publicado nesta terça-feira no periódico Molecular Psychiatry.
Os cientistas analisaram amostras do DNA de mais de 1 500 adolescentes saudáveis de 14 anos, assim como o córtex cerebral de cada um, por meio de exames de ressonância magnética. Essa região corresponde à camada mais externa do cérebro, chamada de massa cinzenta, e desempenha um papel fundamental na memória, atenção, percepção, consciência, raciocínio e linguagem. Além disso, os jovens foram submetidos a testes de inteligência verbal e não verbal.
Em uma segunda etapa, os pesquisadores analisaram mais de 54 000 variáveis genéticas possivelmente envolvidas no desenvolvimento cerebral e descobriram que, em média, os adolescentes com uma variante genética específica tinham um córtex mais fino no hemisfério cerebral esquerdo — e se saíam pior nos testes de capacidade intelectual.

6295 – Inteligência? Qual delas?


A polêmica retoma uma antiga discussão sobre o que caracteriza a inteligência humana e como – e se – é possível mensurá-la, o que abre caminho para a comparação entre as inteligências individuais e dos povos. A mais famosa ferramenta desse tipo é o teste de QI, determinado com base na quantidade de acertos em questões de raciocínios lógico-matemático, verbal (ligado ao uso da linguagem) e espacial.
Nas últimas décadas, essa noção vem perdendo espaço para novas teorias que defendem que a cultura desempenha um papel importante na forma como a inteligência se manifesta. E, mais do que isso, que ela não se traduz apenas no desempenho de um teste nem tampouco em um único número. Entra em cena a Teoria das Inteligências Múltiplas, que propõe a existência de pelo menos 9 tipos diferentes e independentes dessa capacidade.
Para o psicólogo Howard Gardner, da Universidade Harvard, pai da idéia, “inteligência é o potencial biopsicológico para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura”. Em bom português, é a capacidade de se virar – como o caso do moleque pobre que nem sabe ler, mas é um gênio do futebol.

Inicialmente, Gardner propôs a existência de pelo menos 7 inteligências: lingüística, lógico-matemática, musical, físico-cinestésica (potencial de usar o corpo para dança, esportes etc.), espacial (capacidade de compreender o mundo visual de modo minucioso, como ocorre com artistas, arqu itetos, enxadristas), interpessoal (habilidade de entender as intenções, motivações e desejos dos outros) e intrapessoal (capacidade de se conhecer). Nos últimos tempos, ele agrupou as duas últimas como “inteligências pessoais” e sugeriu mais duas categorias: naturalista (de reconhecer e classificar espécies na natureza) e existencial (preocupação com questões fundamentais da existência).
Por outro lado, a turma de cientistas que avalia o comportamento humano do ponto de vista da evolução da nossa espécie, os chamados psicólogos evolutivos, sugere que a nossa mente funciona como um canivete suíço. Assim como cada peça do canivete foi desenhada para resolver um tipo específico de problema, nós teríamos domínios cognitivos, inteligências diferentes que serviram lá atrás para nossos ancestrais sobreviverem e foram sendo moldadas ao longo dos milênios pela seleção natural. É como se fossem habilidades “pré-prontas” das quais podemos lançar mão diante da necessidade.

3363 – De onde vêm as grandes idéias?


A ciência investiga há dois séculos a cabeça dos vivos e dos mortos à procura do lugar onde se esconde a inteligência.
Na procura do segredo da genialidade, gerações de cientistas têm sucumbido à tentação de esquadrinhar o cérebro de personagens notáveis, depois de suas mortes. O objetivo é descobrir, dentro do crânio do falecido, um detalhe singular que o teria feito sobressair entre seus contemporâneos. Os cérebros de muitas celebridades mortas foram, nos séculos XVIII e XIX, retirados e pesados na balança. Mas os resultados eram tão díspares que impediam qualquer conclusão. A massa encefálica de Jonathan Swift, o autor de As Viagens de Gulliver, pesou apenas 1 quilo, enquanto a de Anatole France atingiu o dobro – uma diferença que não tem correspondência na qualidade da obra dos dois escritores. Neste século, Lênin, o maior líder revolucionário russo, teve o seu cérebro investigado durante quase setenta anos por neurologistas. Em vão. Sua criação mais importante, a União Soviética, desapareceu antes que se descobrisse alguma diferença entre os miolos dele e os de qualquer outro mortal.
Nos Estados Unidos, o cérebro de Albert Einstein ficou guardado num laboratório por ocasião de sua morte, em 1955. Depois de trinta anos de pesquisas, uma equipe de neurologistas da Universidade da Califórnia descobriu que ele possuía um tipo de células cerebrais – os oligodendrócitos, que ajudam no funcionamento dos neurônios – em número maior do que o encontrado em outros onze indivíduos menos dotados intelectualmente. Mas foi impossível determinar se essas células adicionais já nasceram com Einstein ou se surgiram como fruto de sua intensa atividade mental.
Até onde se sabe, a inteligência não mora numa área específica da cabeça, mas é o resultado do trabalho conjunto de diversas regiões cerebrais. Um adulto possui 14 bilhões de neurônios, que se conectam entre si para fazer o cérebro funcionar. “Há mais possibilidades de conexão entre os neurônios do que estrelas no Universo”, compara o fisiologista Gilberto Xavier, professor da Universidade de São Paulo. “E a inteligência é a capacidade de produzir essas combinações.”
Apesar das dificuldades, muitos cientistas ainda tentam destrinchar a base fisiológica da inteligência. Para isso, contam com equipamentos capazes de monitorar o cérebro em plena atividade. Uma experiência decisiva foi realizada em 1992 pelo psiquiatra Richard Haier, também da Universidade da Califórnia. Ele submeteu um grupo de estudantes a um teste que consistia em jogar o videogame Tetris. Imagens obtidas por PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons) mostraram o quanto cada um consumia de glicose, o combustível do cérebro.
Verificou que os estudantes gastavam mais glicose na partida inicial e, à medida em que o jogo ia ficando mais fácil, reduziam o consumo. Quanto menor o esforço intelectual, também menor o dispêndio de combustível. O pesquisador fez outra experiência, com retardados mentais, que queimavam grandes quantidades de glicose para responder a perguntas simples. “Os cérebros mais eficientes são aqueles que mobilizam apenas os neurônios necessários para cada tarefa”, concluiu Haier. Se isso for verdade, será possível identificar o cérebro de um gênio pelo mesmo critério que se usa para definir o carro mais econômico – é aquele que usa o combustível da maneira mais eficiente.
No início do século passado, o anatomista austríaco Franz Joseph Gall lançou a idéia de que seria possível desvendar a mente humana a partir do formato do crânio, com suas curvas e protuberâncias. Chegou a desenhar um mapa, no qual são localizados traços de personalidade tão variados e complexos como o amor pelos filhos, a vaidade, o impulso assassino ou a religiosidade. Com o nome de “frenologia”, a pseudociência virou uma moda que durou décadas. É claro que a superfície do crânio não tem nenhuma relação com a mente. Mas os frenologistas acertaram ao supor que as partes do cérebro exercem funções especializadas
Uma bola que cresce
No processo de evolução que resultou nos seres humanos, a caixa craniana tem aumentado continuamente, para abrigar um cérebro cada vez maior. O tamanho do cérebro cresceu 45% entre o Australopithecus afarensis, um hominídeo surgido entre 3 e 4 milhões de anos atrás, e o moderno Homo sapiens, que apareceu há 90 000 anos. Também os vasos sanguíneos que irrigam a região se tornaram mais numerosos.
Australopithecus afarensis 3 a 4 milhões de anos
Homo habilis 2 milhões de anos
Homo erectus 1,8 milhão de anos
Homem moderno 90 000 anos

3192 – Quem é mais inteligente, o homem ou a mulher?


O que faz uma pessoa se mais inteligente que outra? Quais são os limites do cérebro? Dá para aumentar o poder da sua mente? Você vai ver as respostas para essas e outras questões nos próximos capítulos. E a viagem começa com a pergunta fundamental: o que é a inteligência? Ganhar uma partida de xadrez, escrever um romance, compor uma sinfonia, convencer uma multidão, contar a piada perfeita. São coisas que vêm tão rápido à mente quando se fala de inteligência quanto a imagem de um relógio se movendo ao pensarmos no tempo. Mas experimente gastar um ou dois minutos refletindo sobre o que há de comum entre essas habilidades. De uma hora para outra, a idéia clara que se tem da inteligência começa a se dissipar. Quanto mais se pensa, mais parece não haver ligação direta entre raciocínio matemático, criação de personagens e melodias ou talento para persuasão e comédia.
Começando pela biologia. O que não falta são evidências de algo que você já sabe: as mulheres entendem melhor de pessoas; os homens, de coisas. Elas são mais habilidosas para saber o que o outro está sentindo, enquanto eles levam mais jeito com objetos, ferramentas, sistemas mecânicos. As médias de inteligência são idênticas para homens e mulheres. Mas o QI dos machos varia mais: os homens são maioria tanto entre as pessoas mais broncas como entre as de QI mais alto. “Mais prodígios, mais idiotas”, resumiu um psicólogo de Harvard.
Cuidado para não generalizar: tudo o que você viu aqui são estatísticas. Falar sobre as aptidões intelectuais de cada sexo é como avaliar a altura média da população. Os machos são mais altos? Sim, mas isso não significa que não existam mulheres maiores que homens. Sem falar que, quando o assunto é a mente, as diferenças são mais sutis. E o que não falta são mulheres mais competentes que homens mesmo em ciências exatas – e nada impede que agora mesmo existam várias mais competentes nessa área que qualquer homem da face da Terra. Mais: o próprio Baron-Cohen diz que seus estudos também mostram muitos homens com “cérebros femininos”, que preferem pessoas a coisas, e mulheres com “mentes masculinas”. Só que isso não invalida os dados sobre a média.

3190 – Inteligência? Qual delas?



A mente multiplicada

A Teoria das Inteligências Múltiplas é um desafio à idéia de que o QI representa uma medida direta da inteligência. Segundo o psicólogo Howard Gardner, a nossa inteligência é o resultado de 8 processadores mentais diferentes dentro do cérebro, cada um deles responsável por uma habilidade:
Lógico-matemática
É a habilidade de resolver problemas a partir da lógica, realizar operações matemáticas e investigar questões científicas. Bastante desenvolvida em cientistas.
Lingüística
Sensibilidade para língua falada e escrita, capacidade para aprender línguas e de usar a lábia para alcançar os próprios objetivos. Encontrada em escritores, locutores e advogados.
Musical
Semelhante à inteligência lingüística, só que relacionada a sons. É a habilidade de compor e apreciar padrões musicais. Bastante rica em compositores, cantores, dançarinos e maestros.
Espacial
Habilidade de reconhecer e manipular padrões no espaço. É útil para quem trabalha com a coordenação motora e tem de compreender o mundo visual. Bem desenvolvida em arquitetos.
Físico-cinestésica
É o tipo de inteligência usada para resolver problemas e executar movimentos complexos com o próprio corpo. Você a encontra em dançarinos, mímicos e esportistas.
Interpessoal
É a capacidade de entender as intenções dos outros. Bastante necessária a quem coordena e executa trabalhos em grupo. É encontrada em vendedores, políticos, professores, clínicos e atores.
Intrapessoal
É a habilidade de olhar para dentro de si mesmo e entender as próprias intenções, objetivos e emoções. Necessária para encontrar erros no próprio raciocínio. Presente em psicólogos, filósofos e cientistas.
Naturalista
É a sensibilidade para perceber e organizar fenômenos e padrões da natureza, como a diferença entre plantas quase idênticas. Costuma ser encontrada em biólogos e membros de tribos indígenas.

2835 – Inteligência: Coisas de gênio


Diante dos olhares de espanto da imperatriz Maria Teresa, da Áustria, aos 6 anos de idade Wolfgang Amadeus Mozart fazia brotar do piano os acordes inspirados de suas primeiras sonatas. Três anos mais tarde, tomado por uma irremediável aversão ao estudo convencional, decidiu que dali em diante só leria partituras. Ninguém pode lamentar ter perdido em Mozart um químico apenas medíocre ou um escriturário esforçado. Pior seria se a humanidade tivesse inibido a floração de um dos seus mais talentosos compositores – o que poderia perfeitamente bem acontecer se Mozart não vivesse na Salzburgo do século XVIII, uma cidade voltada para as artes. Hoje em dia Mozart talvez já tivesse sido induzido pela família ou pelos professores a esquecer o fascínio pela música em troca de um dez no boletim. Lamentável, pois Mozart é um exemplo de pessoa superdotada.
O conceito de superdotado, até há pouco tempo, servia de legenda para a imagem caricatural do garoto franzino, craque não no futebol e sim em complicadas questões de Química, Matemática ou Física, entre outros saberes que costumam driblar a meninada dita normal. Hoje se sabe que nem todo superdotado tem o perfil de primeiro da classe. Além das pessoas com inteligência acima da média, superdotados também são aqueles com capacidade excepcional para realizar tarefas, muitas vezes à distância de salas de aula e laboratórios. É certo que em algumas pessoas existe algo diferente que as faz geniais.
Sem dúvida, os fatores culturais impõem seus limites à genialidade. Ao esboçar um helicóptero em pleno século XV, quando o homem nem sequer podia imaginar o automóvel, o florentino Leonardo da Vinci só poderia ser tachado de visionário. Da mesma forma, se Isaac Newton tivesse nascido numa tribo da Nova Guiné, e não na Inglaterra do século XVII, não teria chegado a formular a lei da gravitação, porque para os guinéus, ser inteligente é saber de cor e salteado o nome de 10 mil clãs. Entre os limites erguidos pelos valores culturais, porém, nascem três superdotados em cada cem pessoas, independentemente de raça, sexo ou classe social, segundo as estatísticas.
O interesse pelo assunto é recente e ainda não existem amplos estudos do cérebro de superdotados que permitam o entendimento dessa condição”, justifica o neurologista infantil Saul Cypel, da Universidade de São Paulo. Cauteloso como seus colegas diante do fenômeno, Cypel não encontra explicações na Medicina para o fato de os superdotados amadurecerem mais cedo, muito menos para a simples existência de pessoas excepcionalmente talentosas. Só há hipóteses e mesmo assim ainda à espera de comprovação no exame de cérebros.Quando morreu Albert Einstein – um gênio acima de qualquer suspeita -, seu crânio foi aberto em busca de indícios físicos para sua genialidade. Mas o estudo do cérebro einsteiniano não levou a nada – talvez por falta de comparações. Uma hipótese, em todo caso, é a de que as células cerebrais no superdotado têm um número maior de conexões entre si do que numa pessoa comum. “Teoricamente, quanto mais conexões nessas células, melhores os recursos intelectuais de alguém”, explica Cypel. Ampliadas pelo microscópio, essas conexões formadas no decorrer da vida parecem finas ramificações das células nervosas. É como se cada célula ou grupo de células guardasse certa quantidade de informações e essas conexões permitissem toda sorte de associação entre elas.
Outros cientistas desconfiam que a superdotação possa ser causada por pequenas lesões ocorridas antes ainda do nascimento. A estranha idéia surgiu da observação dos idiots savants (idiotas sábios), pessoas retardadas devido a lesões cerebrais e, não obstante, capazes de exercer alguma atividade extremamente bem. Assim, os médicos citam casos de retardados capazes de realizar de cabeça complexos cálculos matemáticos. A superdotação não teria a mesma origem? “É apenas uma teoria”, acautela Cypel.
Para a bióloga gaúcha Eni Peinado Viñolo, da Universidade Católica de Porto Alegre, qualquer explicação isolada para o fenômeno é incompleta.
Em testes realizados por psicólogos americanos na década de 70 produziram um curioso resultado: em Matemática, os homens superdotados são, inexplicavelmente, melhores do que as mulheres superdotadas – e nas outras áreas testadas os resultados se equivalem. De acordo com outro estudo, entre crianças superdotadas a incidência de miopia é quatro vezes maior do que nas demais crianças da mesma idade. Em compensação, as crianças superdotadas tendem a ser mais altas e mais robustas. Além disso, uma terceira pesquisa indica que em cada três canhotos, dois são superdotados.Enfim, como diria Einstein, ser inteligente é muito relativo. Na maneira convencional de ver as coisas, só é gênio quem sabe usar a cabeça de modo excepcional. Na verdade, qualquer aptidão humana exercida com soberba mestria é coisa de superdotado. Como a música de Mozart. Ou o futebol de Pelé.