13.959 – Reflexões sobre Ateísmo e Agnosticismo


einstein
O pai da Teoria da Relatividade afirmou em múltiplas ocasiões acreditar na visão de Deus de acordo do o panteísmo. Trata-se de uma vertente definida pelo filósofo holandês Baruch Spinoza, na qual tudo e todos fazem parte da composição de Deus, refutando a possibilidade de um Deus individual ou antropomórfico.

Einstein também se definiu como agnóstico, ou seja, ele reconhecia a possibilidade da existência de um deus – por mais difícil que fosse descobrir se isso é verdade ou não. O cientista escolheu esse caminho em vez do ateísmo porque acreditava ser um ato de humildade. “Você pode me chamar de agnóstico, mas eu não concordo com o espírito do ateu profissional cujo fervor é um ato de dolorosa restrição da doutrinação religiosa da juventude. Eu prefiro ter uma atitude de humildade em relação ao quão pouco entendemos sobre a natureza e nossos próprios seres”, escreveu à Guy H. Raner Jr. em setembro de 1949.

Carl Cosmos
Série Cosmos,um dos legados de Carl Sagan

Carl Sagan
Assim como Einstein, Sagan negou ser ateu. O fato ficou publicamente conhecido e passou a ser discutido a partir de uma entrevista com o cosmólogo publicada no Washington Post em 1996. “Um ateu tem que saber muito mais do que eu sei. Um ateu é alguém que sabe que não existe um Deus”, disse Sagan.
Em 2014, Joel Achenbach escreveu uma matéria também para o WP sobre o assunto. Como a cada duas semanas ele recebia pelo menos um e-mail questionando a religiosidade de Sagan, o jornalista decidiu ir além, tentando interpretar melhor o posicionamento do cientista por meio de cartas dele e entrevistas com pessoas próximas a ele.
Em uma carta à Robert Pope, Sagan escreveu: “Eu não sou um ateu. Um ateu é alguém que tem evidências persuasivas de que não existe um Deus Judaico-Católico-Islâmico. Eu não sou tão sábio, mas ao mesmo tempo não considero que exista algo próximo à uma evidência adequada para a existência de um deus”.
David Morrison, aluno de Sagan na época, afirmou que o professor “agia como um ateu, mas rejeitava o rótulo”. “Acho que parecia absoluto demais para ele. Ele sempre tentava estar aberto a novas evidências em qualquer assunto”, disse, em entrevista ao Washington Post. Já a viúva de Sagan, Ann Druyan, acredita que a frase não está aberta à interpretações: “Carl quis dizer exatamente o que ele disse. Ele não sabia se existia um deus. Ao meu ver, um ateu sabe que não existe um deus ou algo equivalente. Carl estava confortável com o rótulo de ‘agnóstico’, mas não de ateu”.

hawking

Stephen Hawking
Hawking se define como ateu. “Eu não sou religioso no senso comum. Eu acredito que o universo é governado pelas leis da ciência. As leis podem ter sido decretadas por Deus, mas Ele não intervém para quebrar as leis”, disse o cientista em 2007 para a BBC.
Ah, e claro, acredita na supremacia da ciência. “Existe uma diferença fundamental entre a religião, que é baseada na autoridade, e a ciência, que é baseada na observação e na razão. A ciência vencerá porque ela funciona”, explicou em outra ocasião, três anos depois, à jornalista Diane Sawyer, no ABC World News.

neil-de-grasse-tyson

Neil Degrasse Tyson
O cientista americano se considera um agnóstico. Em ocasiões passadas, o apresentador de Cosmos ressaltou que, se acreditasse em um deus, não seria na forma descrita pelas três maiores religiões monoteístas do mundo. “Todo relato de um poder maior sobre os quais já ouvi, todas as religiões que vi, incluem declarações relacionadas à benevolência desse poder. Quando eu olho para o universo e todas as formas em que o universo quer acabar conosco, acho difícil considerar tal discurso altruísta”, disse o cientista.
Um dos motivos pelos quais Tyson se declara agnóstico e não ateu é a falta de energia para lidar com o segundo grupo. Em uma entrevista, ele explicou que, ao usar “Deus” em um post no Facebook em 2012, o cientista foi duramente criticado por seus seguidores. “Como alguém como você poderia falar em Deus?”, disseram, entre outras coisas. “Estou perfeitamente bem com todas as pessoas religiosas que vivem ao meu redor. Não estou tentando converter as pessoas, não me importo. Somos uma sociedade que permite a pluralidade de religiões e eu estou bem com isso”, explicou em uma entrevista. “Só mantenha isso fora da sala de aula de ciência.”

dawkins

Richard Dawkins
Sem dúvidas o cientista é conhecido por ser um dos principais advogados públicos do ateísmo.
“Como cientista, eu me sinto apaixonado pela verdade. Eu amo a verdade, ela é tão empolgante. O criacionismo é um insulto ao intelecto, então qualquer cientista vai querer lutar contra isso. Eu nunca quis nada além de lutar contra o criacionismo. Nunca decidi me tornar uma figura pública, mas sempre senti a necessidade de advogar por esta causa e se, por consequência, me tornei uma pequena figura pública, foi incidentalmente”.

13.903 – Astronomia – Descoberta de Asteroide


asteroide 2018
Uma pesquisadora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro (SP) descobriu que um asteroide de cerca de dois quilômetros de diâmetro está na mesma órbita de Júpiter, mas em trajetória contrária ao planeta.
O artigo da portuguesa Maria Helena Morais foi publicado na Nature, uma das principais revistas científicas do mundo, e vai ajudar no estudo de órbitas de outros asteroides, inclusive os que passam perto do planeta Terra.

Asteroide 2015 BZ509
A pesquisa durou quatro anos e contou com pesquisadores de vários países. Tanto o asteroide, batizado de 2015 BZ509, quanto o planeta Júpiter levam 12 anos para dar uma volta ao redor do Sol e, a cada seis anos, eles se aproximam, mas não colidem.
Segundo Maria Helena, este tipo de órbita com movimento contrário pode existir em sincronia com outros planetas no mesmo período da órbita em torno do Sol.
‘’Isso é devido à gravidade do planeta, que consegue manter estas órbitas nestas posições que são posições de equilíbrio’’, disse a pesquisadora.
A descoberta deve ajudar nas pesquisas de outras órbitas de asteroides. ‘’É muito importante monitorar os objetos que se aproximam da Terra. Claro que sempre tem um risco de haver uma colisão. Isso vai acontecer um dia, já aconteceu no passado’’, afirmou Maria Helena.
“Por enquanto não há risco, não é para ficar preocupado, mas a gente tem que continuar de olho no céu para avistar esse tipo de asteroides que podem ser perigosos”, completou Rojas.

13.885 – Elementos Químicos


quimica
1789 foi o ano em que o químico Antoine Lavoisier ensaiou a primeira formação de uma tabela com 33 elementos químicos conhecidos, dividindo-a em categorias. A partir daí, a famosa tabela periódica só foi ficando mais sofisticada, organizada e maior. Atualmente, os 118 elementos químicos são sistematicamente ordenados de acordo com seus números atômicos, camadas eletrônicas, número de elétrons na camada de valência (camada mais externa) e propriedades físicas. Bom, entre os metais, semimetais, não metais e novos elementos que nem puderam ser bem classificados ainda, destacam-se alguns casos muito interessantes.
O elemento mais abundante do universo – compõe 75% de sua matéria – é o átomo mais simples existente, com número atômico 1 e massa atômica de aproximadamente 1,00 U. Apesar de sua abundância, o hidrogênio em seu estado natural é muito raro na atmosfera da Terra, por causa de sua baixa densidade (a menor entre todos os elementos conhecidos), a qual permite que ele facilmente escape do campo gravitacional do planeta.
Nas condições normais de temperatura e pressão da Terra, este elemento existe como gás diatômico, o H2, e na forma de compostos químicos como hidrocarbonetos e água. O hidrogênio não se enquadra perfeitamente em nenhum grupo da tabela periódica e seu isótopo de maior ocorrência é formado por um único próton, um elétron orbitando à sua volta e nenhum nêutron. O mais incrível em relação a este elemento talvez seja sua importância para a formação das estrelas e como principal combustível no ciclo de fusão nuclear das mesmas, sendo, portanto, primordial na fabricação de outros elementos, a começar pelo Hélio.

13.842 – Conheça os vencedores do Ig Nobel 2018 – Esse ano o páreo foi duro…


ignobel2
Todos os anos, pesquisadores do mundo todo também são contemplados com um troféu um pouco mais divertido: o prêmio Ig Nobel, que contempla as pesquisas mais bizarras, porém úteis, submetidas no ano. Em 2018, é claro, não foi diferente, e a cerimônia foi realizada nesta última quinta-feira, 13.
Dez troféus foram entregues a grupos de pesquisadores, em categorias de medicina e química a economia e antropologia. E como nos anos anteriores, as pesquisas premiadas não decepcionaram: na medicina, por exemplo, o Ig Nobel ficou nas mãos de uma dupla que avaliou a relação das montanhas-russas com a eliminação de pedras nos rins. Na literatura, por sua vez, a pesquisa premiada mostrou que as pessoas realmente não leem manuais de instruções.
Na medicina
Quem levou foram os pesquisadores e urologistas Marc Mitchell e David Wartinger, ambos norte-americanos. Depois de ouvirem relatos de pacientes, eles testaram o efeito de passeios em uma montanha-russa na velocidade de saída de pedras nos rins — e descobriram que, em alguns casos, a força-G pode ajudar mesmo.

Os testes deles foram realizados com 60 modelos que simulavam pacientes com diferentes tamanhos de cálculos renais, e os passeios foram feitos na Big Thunder Mountain Railroad na Disney de Orlando, na Flórida. Explicando de forma resumida, as viagens nos bancos da frente não foram tão bem-sucedidas, com apenas 4 das 24 pedras nos rins saindo. Já as feitas nos bancos de trás surpreenderam: 23 dos 36 cálculos renais passaram com sucesso.

Na antropologia
Os vencedores foram Tomar Persson, Gabriela-Alina Sauciuce e Elainie Madsen, que conseguiram provas em um zoológico de que não só os seres humanos que imitam chimpanzés: o contrário também acontece com frequência. E as imitações são até boas, na avaliação dos pesquisadores. O estudo foi conduzido no Zoológico de Furuvik Zoo, na Suécia, e publicado em agosto do ano passado depois de 52 horas de observação.

Na biologia
O grupo que levou era composto por Paul Becher, Sebastien Lebreton, Erika Wallin, Erik Hedenstrom, Felipe Borrero-Echeverry, Marie Bengtsson, Volker Jorger e Peter Witzgall, de cinco países, incluindo Alemanha e Colômbia. Eles provaram que os enólogos — especialistas em vinhos — são realmente bons no que fazem e conseguem identificar, com boa dose de certeza, a presença de uma mosca em uma taça só pelo cheiro. A pesquisa foi feita com a ajuda de oito especialistas da área de Baden, na Alemanha, todos responsáveis por garantir a qualidade dos vinhos produzidos na região.
Na química
Você já parou para pensar em quão eficaz é lamber algo sujo para limpar? Bem, os portugueses Paula Romão, Adilia Alarcão e César Viana já, e levaram o prêmio na categoria de química por terem medido isso. O estudo é antigo, datando do começo da década de 90, e ajudou a descobrir que sim, as enzimas do “cuspe” até ajudam em superfícies mais frágeis.

No ensino médico
A colonoscopia não é exatamente fácil, mas o japonês Akira Horiuchi levou o prêmio por fazer exames do tipo em si mesmo. Os achados foram compartilhados por ele no relatório médico “Colonoscopy in the Sitting Position: Lessons Learned From Self-Colonoscopy”, ou, em uma tradução livre, “Colonoscopia Sentado: Lições Aprendidas a partir da Auto-Colonoscopia”. O pesquisador é médico e encabeça a área de doenças digestivas no Hospital Geral de Showa Inan, em Nagano, no Japão. Em entrevista ao Japan Times, no entanto, ele não recomenda que ninguém tente fazer isso em casa.

Na literatura
Você muito provavelmente não lê o manual de instruções e sabe que muita gente também não o faz. E agora você tem provas disso, graças à pesquisa de Thea Blackler, Rafael Gomez, Vesna Popovic e M. Helen Thompson, que levaram o prêmio por documentar que a maioria das pessoas que usa um produto complicado de fato não lê o manual.

O estudo, intitulado “A Vida é Muito Curta para Ler a **** do Manual: Como Usuários se Relacionam com a Documentação e Excesso de Recursos em Produtos” (tradução livre), foi publicado em 2014.

Na nutrição
O pesquisador James Cole levou o Ig Nobel por uma pesquisa sobre canibalismo. Ele calculou que o ingestão de calorias em um dieta canibal é significativamente menor do que a de outras dietas baseadas em carnes. Ou seja, comparando por peso, comer um bife de vaca é mais nutritivo do que um bife feito a partir de uma pessoa. A pesquisa, apesar de estranha, ajudou a provar que as dietas canibais do passado não eram motivadas exatamente pelo valor nutricional, e sim por algum tipo de ritual mesmo.

Na paz
O trânsito pode ser estressante, e os pesquisadores Francisco Alonso, Cristina Esteban, Andrea Serge, Maria-Luisa Ballestar, Jaime Sanmartín, Constanza Calatayud e Beatriz Alamar, da Colômbia e da Espanha, foram descobrir o quanto ele faz as pessoas xingarem.

Eles levaram o prêmio por medir a frequência, a motivação e os efeitos de gritar e reclamar no volante. A pesquisa descobriu que esse tipo de comportamento é muitas vezes motivado não apenas por estresse, mas também por fadiga e motivos pessoais. O estudo também notou que, ainda que representem um risco, há um certo grau de tolerância social aos xingamentos no trânsito, justamente por serem comuns.

Na medicina reprodutiva
Os selos de cartas não têm lá muitas utilidades, mas só John Barry, Bruce Blank e Michael Boileau parecem ter pensado em colá-los ao redor de um órgão sexual masculino. O objetivo? Testar o funcionamento dele. É isso mesmo. Eles levaram o prêmio na categoria pelo relato no estudo “Monitoramento da Tumescência Peniana Noturna com Selos” (título em tradução livre), publicado ainda em 1980.

A ideia dos pesquisadores era relacionar ereções noturnas (que acabavam por rasgar o pedaço de pedaço) com doenças mais graves. Eles descobriram que quem acordava com o papel inteiro — 18 dos 37 pacientes impotentes analisados — tinham neuropatia diabética mais séria, tendências à depressão, perda de libido e fumavam bem mais.

Na economia
Sabe aqueles bonequinhos de vodu? Os pesquisadores Lindie Hanyu Liang, Douglas Brown, Huiwen Lian, Samuel Hanig, D. Lance Ferris e Lisa Keeping levaram o prêmio por analisar a eficácia deles nas mãos de funcionários querendo se vingar de chefes abusivos. Eles descobriram que machucar os bonecos não provoca o mesmo nos chefes, mas ao menos ajuda a aliviar a tensão. No entanto, só funciona no curto prazo. No longo, é melhor discutir a relação com a gerência mesmo.

13.560 – Mega Crítica – “Parlamentares dizem que a ciência é importante, mas não fazem nada”


Opinião de Ildeu de Castro Moreira, então Presidente da SBPC

Em 2018 a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) completará 70 anos. Desde a fundação, a entidade participou de bons momentos da pesquisa no Brasil, como na criação dos órgãos de fomento CNPq e do Capes. Mas foram nas horas ruins que seu papel foi mais importante, como nos 20 anos da ditadura militar, atuando em resistência à perseguição de professores, pesquisadores e estudantes.
Entre contingenciamentos, cortes e restrições orçamentárias, a previsão de investimento para 2018 é R$ 3 bilhões menor do que estava previsto para 2017. Isso mesmo depois de muita briga, que resultou em um ganho de R$ 1,2 bilhões para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação.
Em entrevista por telefone à GALILEU, Ildeu Moreira conta como espera converter o panorama tenebroso para a ciência brasileira, e as consequências de um possível insucesso.

Trechos de uma entrevista a uma revista científica brasileira:

O senhor assumiu a presidência em um dos momentos mais difíceis para a ciência brasileira. Como está sendo essa experiência?
Está difícil mesmo. A SBPC sempre esteve envolvida na ciência, tecnologia e educação nas questões mais gerais da democracia do país, desde sua criação há 70 anos. Nesse período passamos por momentos muito difíceis, na época da ditadura, por exemplo. E esse é mais um. Nossa responsabilidade é grande, porque a SBPC tem uma tradição muito forte, uma presença na sociedade brasileira, em particular junto à comunidade científica acadêmica.

O argumento é sempre de que não tem recurso.
Estamos vivendo uma crise econômica e fiscal? É claro que a gente está vivendo uma crise. Mas países do mundo inteiro, em momentos de crise, em geral apostam mais na ciência e tecnologia como instrumento para sair dela. Aqui a gente faz o contrário. Corta as amarras da ponte e anda para trás. É um retrocesso. Tira a possibilidade de avançar. Os recursos que a gente está falando são de ordem muito inferior que as desonerações que a gente vê nos jornais todos os dias.

Esse posicionamento dúbio me parece que é porque ninguém está pensando muito a longo prazo. Pensam no máximo até outubro de 2018.
O efeito de desmontar laboratórios de pesquisa, por exemplo em epidemia, saúde pública, tem um efeito imediato. Tivemos uma resposta adequada para o zika, porque já tínhamos laboratórios. Os pesquisadores fizeram contribuições importantes para a ciência em escala mundial. Na agricultura, se hoje temos uma produtividade alta dos grãos, é porque tem ciência envolvida. O pré-sal tem quantos anos? É metade da produção de petróleo, mais de R$ 60 bilhões vem do pré-sal. Isso é real. É palpável.

Em pouquíssimos anos o impacto da ciência é gigantesco, em valores muito maiores do que estão cortando. É uma insensibilidade e falta de preocupação com a questão do país gigantesca. Os interesses que estão presidindo essas escolhas, não vou entrar na questão se é má fé ou ignorância, mas estão ameaçando profundamente a ciência brasileira. Nos últimos anos o impacto da ciência brasileiro cresceu muito. Daí você cria um potencial, construído com dinheiro público, de repente deixa desmontar. É muito difícil interpretar as razões por trás disso.

13.489 – Holandês que trabalha em Campinas passou raspando no Nobel de Química


criomiscopia
Por volta de 1998 ou 1999, ele havia feito uma aposta com o cristalógrafo Venkatraman Ramakrishnan, presidente da Real Sociedade britânica: quem obtivesse primeiro a estrutura do ribossomo (máquina de fazer proteínas em cada célula) pagaria um jantar vegetariano.
Em 2009, Ramakrishnan ganhou o Nobel com Thomas Steitz e Ada Yonath. Eles tinham decifrado o ribossomo antes de Van Heel.
O holandês, que hoje trabalha no Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNano/CNPEM), em Campinas, não esmoreceu. Seguiu desenvolvendo o método de preparação de amostras por resfriamento rápido em meio aquoso não congelado, útil para estudar moléculas biológicas difíceis de cristalizar.
Van Heel teve contato direto com dois dos nobelistas de 2017. Conheceu Richard Henderson no Instituto Max Planck Fritz Haber, em Berlim. Com Joachim Frank trabalhou no final de 1979 na Universidade do Estado de Nova York em Albany.
Com Henderson e Frank, conquistou o Prêmio Wiley de Ciências Biomédicas de 2017, justamente pelo desenvolvimento da criomicroscopia.
Em entrevista por telefone desde o LNNano, o pesquisador disse ter estranhado a ausência do nome de Jacques Dubochet (o outro nobelizado) no Wiley. Ele teria sido o pioneiro no campo da vitrificação da água para observar moléculas biológicas.
No Nobel, foi Van Heel quem ficou de fora. Mas ele não responde diretamente se ficou decepcionado, apenas ri. “Vamos sair dos indivíduos. Muito bom que o prêmio foi para microscopia”, diz.
“Você vê as biomoléculas em ação. Isso tem um valor enorme no mundo medicinal e farmacêutico. A indústria está entrando com muita força. Um país como o Brasil, do tamanho da Europa, precisa disso”, diz o cientista.
Van Heel tem uma longa história com o Brasil. Morou aqui até os 11 anos, em Porto Ferreira (SP), enquanto o pai era gerente da Nestlé e ensinava pecuaristas a criar gado leiteiro holandês. “É um país mágico para mim.”
Retomou contatos mais estreitos já nos anos 2000, com visitas periódicas para ensinar técnicas de criomicroscopia em cursos -“Single Particles in Brazil”- que hoje estão entre os mais requisitados do mundo. O primeiro deles, em 2005, foi na Fazenda Três Lúcias de sua infância, em Santa Rita do Passa Quatro (SP), que se tornara o luxuoso Hotel Fazenda Glória.
Em maio passado, já aposentado compulsoriamente da Universidade de Leiden (Holanda) por ter feito 65 anos, começou a trabalhar no LNNano, com o qual já colaborara no passado.
Marin van Heel até hoje não pagou o jantar vegetariano para Venkatraman Ramakrishnan, mas promete fazê-lo em sua próxima
viagem a Londres.
E acrescenta, satisfeito, que sir Venki, como é conhecido, não usa mais cristalografia, e sim criomicroscopia, para investigar biomoléculas.

13.488 – Nobel 2017 – Prêmio Nobel de Física vai para pesquisadores de buracos negros


nobel 2017
O Prêmio Nobel de Física deste ano foi dado aos cientistas Rainer Weiss, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Kip Thorne e Barry Barish, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, pela descoberta de ondulações no espaço-tempo, conhecidas como ondas gravitacionais.
Essas “ondas” foram previstas por Albert Einstein um século atrás, mas não tinham sido detectadas diretamente até pouco tempo.
O Dr. Weiss receberá metade do prêmio de 9 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3,47 bilhões, no câmbio atual) e Dr. Thorne e Dr. Barish dividirão a outra metade.

A teoria
A importante descoberta aconteceu em fevereiro de 2016, quando uma colaboração internacional de físicos e astrônomos anunciou que haviam registrado ondas gravitacionais provenientes da colisão de um par de buracos negros maciços, a um bilhão de anos-luz de nós.
O trabalho validou uma previsão de longa data de Einstein. Em 1916, o físico propôs a teoria da relatividade geral, afirmando que o universo era como um tecido feito de espaço e tempo. Esse tecido podia se dobrar devido a objetos maciços, como estrelas e planetas.
Einstein também propôs que, quando dois objetos maciços interagem, eles podem criar uma ondulação no espaço-tempo. Tais ondulações deveriam ser detectáveis se pudéssemos construir instrumentos suficientemente sensíveis.

Os avanços
Weiss, Thorne e Barish foram os arquitetos e líderes do LIGO, o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser, o instrumento que finalmente foi capaz de detectar essas ondas. Mais de mil cientistas participaram de uma colaboração para analisar os dados do LIGO.
Tal instrumento permaneceu um sonho até a década de 1970. Foi nessa época que Rainer Weiss sugeriu um projeto que ele pensava poder detectar ondas gravitacionais. Suas ideias foram então traduzidas em realidade através de uma série de pesquisadores, incluindo Kip Thorne, Ronald Drever e Barry Barish, no que se tornaria o LIGO.
Muitas etapas, US$ 1 bilhão em gastos e 40 anos se passaram até que a versão mais avançada do observatório, lançada em setembro de 2015, finalmente capturou o primeiro sinal que significaria a abertura de todo um novo campo da astronomia.

13.417 – Arqueologia – Cidade romana que desapareceu há 1,7 mil anos é encontrada no oceano


neapolis-2
Arqueólogos da Universidade de Sassari, na Itália, acharam os restos da cidade romana de Neápolis, desaparecida há 1,7 mil anos. O local fica onde atualmente está a Tunísia, e acredita-se que tenha submergido após um tsunami causado por um terremoto em 365 a.C.
Foram encontradas ruas, monumentos e cerca de cem de tanques usados ​​para produzir garum — molho de peixe fermentado que era popular na Roma antiga e na Grécia; era provavelmente muito significativo na economia cidade.
As buscas pelo que sobrou da cidade começaram em 2010, mas só foram encontradas recentemente graças à condição da água. “É uma grande descoberta. Pudemos estabelecer com certeza que a Neápolis era um importante centro para a fabricação de garum e peixe salgado, provavelmente o maiordo mundo romano”, afirma Mounir Fantar, chefe da expedição, à AFP.
Outro fato interessante é a falta de documentos escritos no 20 hectares de ruínas encontradas. Isso pode significar que a cidade estava sendo punida por ter uma aliança muito fraca com os romanos. Os cidadãos da cidade, inclusive, se uniram aos cartagineses durante a Terceira Guerra Punica em 149-146 a.C., antes que os romanos ganhassem e assumissem o controle da cidade.
Sobre o terremoto, os historiadores especulam que foram dois, na realidade, com magnitude de aproximadamente 8.0 na Escala de Richter — o que é muito, considerando que a medição vai até 10.

Galileu

13.391 – Química: Água dura em pedra mole…- O que é água dura?


agua dura
Muitas águas contêm os cátions cálcio (Ca2+(aq)), magnésio (Mg2+(aq)) e ferro II (Fe2+(aq)), que vêm acompanhados dos ânions carbonato, bicarbonato, cloreto e ou sulfato. É a quantidade dos cátions citados, principalmente o cálcio e o magnésio, que determina a dureza da água.
Se a água estiver apresentando teores desses cátions acima de 150 mg/L, então a água é dura; se estiver abaixo de 75mg/L, a água é mole; e se for entre 75 e 150 mg/L, a água é moderada.
A presença desses cátions dificulta a ação dos sabões na remoção da sujeira e da gordura. Os sabões são sais de ácidos graxos com uma longa cadeia apolar (hidrofóbica) formada por átomos de carbono e hidrogênio e uma extremidade hidrofílica. A longa cadeia polar é solúvel nas gorduras e a extremidade polar é solúvel em água. Desse modo, a parte apolar atrai as gorduras, possibilitando que a gordura desprenda-se na forma de pequenos aglomerados e, com todo o conjunto, é arrastada por água corrente.
O sabão é chamado de tensoativo aniônico, porque ele dissolve-se na água produzindo ânions e cátions. Seus ânions são os responsáveis por diminuir a tensão superficial da água e permitir a limpeza.
No entanto, os cátions de cálcio, magnésio e ferro II não são solúveis em água e reagem com os ânions do sabão formando compostos insolúveis. Dessa forma, esses cátions anulam a ação do sabão e aderem ao tecido que está sendo lavado (ou à beira da pia, do tanque, da banheira etc.).
Esse tipo de problema levou ao desenvolvimento dos detergentes sintéticos.
A água dura não pode ser usada na indústria, pois pode haver o risco de acidentes como a explosão de caldeiras, também não é boa para cozinhar vegetais, pois eles endurecem em vez de ficarem mais moles.
É possível abrandar ou eliminar essa dureza da água, sendo que o método utilizado dependerá dos ânions que acompanham os cátions cálcio, magnésio e ferro II. Por exemplo, se o ânion for o bicarbonato, a dureza da água é temporária e pode ser eliminada com apenas uma destilação, mas se os ânions forem o sulfato, o nitrato ou o cloreto, a dureza é permanente e são utilizados processos químicos.
Um desses processos é a adição de cal extinta ou soda, que reagem com os cátions e formam sais insolúveis.

13.351 – Mega Memória – Eles foram fundamentais para a Ciência


Rasis (854-925)
O árabe que habitava a antiga Pérsia (atual Irã) é conhecido como o Pai da Pediatria por ter escrito o primeiro livro sobre doenças infantis. Rasis, contudo, foi muito além. Ele ajudou a demonstrar que as enfermidades tinham origens orgânicas, e não eram obra do destino ou de poderes sobrenaturais.
O médico também foi quem descobriu a diferença entre a varíola e o sarampo e entendeu que a febre é uma resposta do corpo para alguns tipos de infecção. Além disso, Rasis foi um dos pioneiros no uso de gesso em ataduras e no debate da ética médica.

Al-Battani (858-929)
Astrônomo e matemático, o árabe Al-Battani foi responsável por desenvolver ideias que substituíram as de Ptolomeu (90-168), que imperavam até então. Foi responsável por desenvolver tabelas que previam a posição do Sol, da Lua e dos planetas de forma muito precisa. As “Tabelas Sabianas”, como eram chamadas, influenciaram muito o mundo latino e seu trabalho foi reconhecido por Copérnico, 600 anos após sua morte.
Outra curiosidade é que Al-Battani calculou com precisão incrível a duração do ano terrestre: 365 dias, 5 horas, 46 minutos e 24 segundos, que hoje é estimada em 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45 segundos. Também descobriu que as distâncias entre os astros do Sistema Solar variam de acordo com a época, o que o possibilitou prever fenômenos como os eclipses.

Pierre de Fermat (1601-1665)
Foi um dos responsáveis por trazer a “teoria dos números” como algo interessante para o Ocidente. Fermat só trabalhava com números inteiros, se recusando a aceitar frações. Desenvolveu um sistema de coordenadas e por isso é um dos pais da geometria analítca, além de ter ajudado Blaise Pascal a entender um pouco melhor as probabilidades.
O matemático, no entanto, não foi tão valorizado enquanto viveu. Muitas de suas ideias ajudaram a formar a teoria moderna dos números, dentre elas o chamado Pequeno Teorema de Fermat e o Último Teorema de Fermat, que só foi comprovado em 1995.

volta

Alessandro Volta (1745-1827)
O cientista italiano foi um dos responsáveis por preparar o terreno para o advento da pilha. Volta acreditava fez testes bem sucedidos com zinco, cobre e um líquido condutor de eletricidade.
Sua experiência então foi usada por outros especialistas para a produção de eletricidade. Tempos depois provaram que o que resultava na corrente elétrica era uma reação química que ocorria na pilha.

Rudolf Virchow (1821-1902)
Alemão nascido na Pomerânia, Virchow defendeu que as doenças iniciam-se nas células: “Pensem microscopicamente”, dizia. Seus estudos foram base para o advento da patologia moderna e é conhecido como Pai da Saúde Pública, por entender que muitas doenças têm na pobreza a sua causa.
Virshow foi pioneiro no estudo da oncologia e o primeiro a descrever corretamente um caso de leucemia (câncer no sangue). Também descobriu outros tipos de doenças malignas, como câncer de estômago — um dos sintomas da doença é conhecido como “gânglio de Virchow”.

Henri Poincaré (1854-1912)
O matemático participou de uma competição feita em 1887 pelo Rei Oscar 2º da Suécia que buscava explicar o funcionamento do Sistema Solar, uma variação do problema da física conhecido como problema dos três corpos.
Ele concluiu que a evolução do sistema é confusa, já que uma pequena mudança nos movimentos iniciais de um astro pode impactar diretamente seu futuro.
Sua explicação foi o suficiente para que Poincaré ganhasse o prêmio e acabou gerando o que seria a origem dos estudos da Teoria do Caos que, por sua vez, só foi desenvolvida 1960.

florence

Florence Bascom (1862-1945)
Bascom foi a primeira geóloga dos Estados Unidos e, por isso, abriu caminho para inúmeras mulheres na área. A cientista tinha o apoio dos pais e, ao se deparar com um professor que não apoiava o ensino misto na Universidade de Wisconsin, persistiu até conseguir vaga na Universidade John Hopkins, em Baltimore.
Tornou-se autoridade em rochas formadas por cristalizações na região de Piedmont, na Pensilvânia, e em locais de Delaware e Nova Jérsei. Descreveu muitas estruturas geológicas da região e é até hoje referência nos estudos da área.

Rachel Carson (1907-1964)
A ecologista e bióloga Rachel Carson foi a primeira pessoa a considerar que um pesticida direcionado a uma espécie de erva, inseto ou animal daninho pode prejudicar todo o meio ambiente ao seu redor.
Ela explicou que esses venenos poderiam penetrar o habitat e impactar a vida de outras espécies que vivem no mesmo local, o que pode ter efeito terrível a longo prazo. Carson chamou esses produtos de “biocidas” e identificou mais de 200 substâncias potencialmente prejudiciais para outras espécies.
Foi a primeira a pensar no meio ambiente como algo holístico, e entendeu que pesticidas poderiam afetar até mesmo a alimentação humana. A ecologista ainda serviu de inspiração para a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e incutiu ideias como a de “ecossistema” na opinião pública.

Ahmed H. Zewail (1946-2016)
O egípcio naturalizado americano percebeu na década de 1970 que lasers de pulsos ultracurtos poderiam “fotografar” reações químicas. Isso foi revolucionário, já que essas atividades são extremamente rápidas — os átomos levam menos de cem femtossegundos para se organizarem, o que é muito veloz, levando em consideração que um femtosegundo é o equivalente a aproximadamente 10^-15 segundo.
Zewail usou a tecnologia para aplicar os raios de luz em determinada substância e observar seu comportamento. Sua descoberta permite que as estruturas sejam analisadas, o que revolucionou a físico-química, já que agora é possível “ver” o que ocorre com o material estudado.

13.340 – Técnica controversa quer trazer os mortos de volta a vida


Cinemassacre-22reanimator1985834
Em 1985, o clássico longa-metragem Re-animator: a hora dos mortos vivos narrava a possibilidade de trazer pessoas que já morreram de volta à vida. Os projetos do jovem médico Herbert West, interpretado por Jeff Combs, envolviam a aplicação de um líquido fluorescente chamado “reanimator”, supostamente capaz de reanimar cadáveres.
A descoberta que até então só existia no universo da ficção científica pode, agora, estar mais próxima da realidade. Funcionários da empresa Bioquark, localizada na Filadélfia, anunciaram que estão perto de iniciar ensaios clínicos para um procedimento controverso, que será realizado em pessoas declaradas clinicamente mortas. Os testes serão conduzidos para verificar se uma série de terapias administradas em uma pessoa que, tecnicamente, já faleceu, podem trazê-la de volta à vida.
O CEO da empresa, Ira Pastor, informou à imprensa que a intenção é começar “muito em breve” os testes clínicos em um país não identificado na América do Sul. Junto ao cirurgião dentista Himanshu Bansal, eles foram notícia ao final do ano passado, quando tentaram conduzir testes semelhantes na Índia. O Conselho Indiano de Pesquisa Médica encerrou a conversa pouco tempo depois, levando a empresa a procurar outro lugar para suas pesquisas.
Inicialmente, as terapias envolvem injetar no paciente suas próprias células-tronco, coletadas a partir da gordura ou do sangue. Depois, é aplicada uma injeção de peptídeos na medula espinhal do paciente. Por fim, segue-se uma rotina de estimulação nervosa e terapia a laser, aplicadas durante 15 dias. A ideia é induzir um novo crescimento neuronal, na esperança de reiniciar as funções cerebrais regulares. Cada um dos tratamentos foram testados em outras situações por diferentes pesquisadores, com resultados variados, mas nenhum deles jamais foi usado para reverter a morte clínica de um paciente. De fato, Pastor admite que a companhia sequer testou os procedimentos em animais – ele e seus colegas não fazem ideia se o procedimento terá resultado, ou mesmo se funcionará parcialmente. Mesmo assim, o objetivo é perseguir essa descoberta, e por isso eles vêm trabalhando nos bastidores para negociar com um país disposto a permitir o avanço do estudo.
Críticos pontuaram que as técnicas irão falhar e apontaram seus porquês. Observaram, ainda, questões éticas que poderiam vir à tona – uma delas é se, apontam, por ventura, a atividade mínima for restaurada. Isso significaria que a pessoa ainda estaria em um estágio de quase-morte ou num estado vegetativo parcial? Quem pagaria pelos cuidados desses pacientes? Provavelmente haverá dificuldades em conseguir que os membros da família concordem em permitir que um ente querido com morte cerebral se submeta a um procedimento de tal natureza; o grupo já carrega essa dificuldade desde os trabalhos na Índia, quando não haviam muitas pessoas dispostas a participar da pesquisa.

13.258 – Os estranhos animais híbridos criados pela mudança climática


camaleao2
O aquecimento global pode levar espécies inteiras à extinção!
Pesquisadores do departamento de ecologia da Universidade de Tuscia, na Itália, acreditam que a mudança climática fará com que sejam cada vez mais frequentes os casos de hibridização entre diferentes espécies animais.
Na Europa, por exemplo, estão sendo registrados vários cruzamentos entre sapos-europeus (bufo bufo), uma espécie presente em quase todo o continente, e sapos-baleares (bufotes balearicus), naturais do sul da Itália. Os dois animais, inclusive, sincronizaram seus ciclos reprodutivos – apesar de os girinos resultantes da união apresentarem problemas genéticos e não serem capazes de completar o ciclo da metamorfose.
Embora a reprodução entre espécies com semelhanças genômicas tenha sido fundamental na história da evolução natural, o aquecimento global está acelerando o processo e provocando, muitas vezes, a extinção de espécies inteiras.
Os cientistas acreditam que é essencial entender a diferença entre o processo natural de cruzamento entre as espécies e a hibridização causada pela atividade humana, sendo essa última uma séria ameaça para os ecossistemas.

13.230 – Biologia – Mitocôndria pode chegar à espantosa temperatura de 50°C


mitoc
Um grupo internacional de cientistas está tentando pôr em xeque boa parte do que se sabe a respeito das pequenas usinas de força da célula, as mitocôndrias. Elas funcionariam também como pequenos braseiros.
Segundo alguns experimentos, as organelas podem chegar à espantosa temperatura de 50°C –o corpo humano saudável tende a permanecer em torno dos 37°C.
Os resultados foram obtidos com o auxílio de sondas intracelulares fluorescentes e, caso confirmados, adicionam uma bela uma camada de complexidade à biologia celular.
Isso porque em vez de adotar um modelo de célula em que todos os compartimentos têm a mesma temperatura (e proteínas, que compõem a maquinaria celular têm uma temperatura ótima para operar), seria necessário pensar que há zonas celulares que podem ter seu desempenho “ótimo” em outra faixa de temperatura.
Algumas enzimas importantes para a típica atividade mitocondrial de produzir ATP (molécula energética usada em processos fisiológicos como a contração muscular) podem ter um comportamento muito diferente na realidade do que aquele observado em testes laboratoriais in vitro conduzidos na temperatura “errada” de 37°C.
Outra coisa que pode mudar é a interpretação do papel da localização da mitocôndria na célula.
Sabendo que a organela pode funcionar como um pequeno braseiro, o fato de ela estar perto de determinadas regiões da célula, como o núcleo, pode significar não só um fornecimento mais rápido de ATP para os processos celulares daquela região, mas também uma fonte de calor para fazê-los funcionar de forma otimizada.
O estudo, realizado por cientistas da França, Alemanha, Coreia do Sul, Finlândia, Líbano e Cingapura, está publicado na plataforma bioRxiv, que abriga trabalhos que ainda não foram revisados por cientistas independentes.
Dado o impacto dos resultados, provavelmente haverá um grande número cientistas interessados em testar a novidade com novos experimentos e ajudar a reescrever as regras da biologia.

13.228 – Física – Polêmica de Pons e Fleischmann sobre fusão à frio


fusao ou ilusao

fusao
Show de mídia mas a descoberta era furada

Em 23 de março de 1989, dois químicos da Universidade de Utah, o americano Stanley Pons e o britânico Martin Fleischmann, foram catapultados à fama. Numa coletiva, anunciaram que o sonho da energia ilimitada, limpa e barata estava para se realizar. Disseram ter conseguido obter na temperatura ambiente do laboratório a fusão nuclear, o mesmo processo que gera a energia do Sol. A descoberta foi batizada de “fusão fria” (no Sol, as temperaturas chegam a 15 milhões de graus centígrados).
A perplexidade e a descrença só não são totais porque também em ciência a esperança é a última que morre. A experiência divulgada pela dupla em fins de março numa entrevista à imprensa- por si só uma grave quebra de protocolo cientifico que irritou não poucos acadêmicos – foi reproduzida a toque de caixa por pesquisadores americanos e de outros países, entre os quais o Brasil, mas raras tentativas deram certo e houve pelo menos um caso em que os pesquisadores precisaram retratar-se depois de cantar vitória.
A fusão nuclear é a junção de dois núcleos atômicos de um tipo de hidrogênio, o deutério; processo que resulta na liberação de uma fenomenal quantidade de energia, sem a radioatividade liberada pelo urânio das usinas nucleares e com a vantagem de que o deutério tem na água do mar fonte quase inesgotável. O problema é que, para fazer os núcleos de deutério se fundirem, é preciso reproduzir as altíssimas temperaturas solares. Todos os processos conhecidos gastam mais energia do que produzem e só se sustentam por uma fração de segundo.
Por isso, o mundo entrou em polvorosa. Os pesquisadores de Utah tinham mergulhado dois eletrodos, um de paládio, outro de platina, em água rica em deutério. A corrente elétrica produziu tanta energia (na forma de calor), que o eletrodo de paládio se derreteu. A única explicação, diziam, é que tinha ocorrido a fusão.
Antes do fim de abril, os ventos tinham mudado para Pons e Fleischmann. A revista “Nature” recusou-se a publicar o artigo científico em que relatavam suas pesquisas, alegando insuficiência de dados. Os físicos das instituições mais respeitadas, como o institutos de tecnologias da Califórnia e de Massachusetts, passaram o trator: a verdadeira fusão nuclear produz, além de calor, uma grande quantidade de nêutrons e um isótopo chamado hélio-4. No experimento de Pons e Fleischmann nada disso havia sido detectado. Estes argumentaram que tinham encontrado nêutrons, mas atrapalharam-se nas explicações. Acusados de açodamento ou má-fé, mergulharam na obscuridade.
Os resultados da pesquisa pareciam espetaculares. Afinal, a fusão nuclear é perseguida há anos pelos cientistas como a salvação energética do mundo. Sua reação-irmã, a fissão, usada em usinas nucleares, tem os inconvenientes de utilizar átomos pesados (e difíceis de obter), como o urânio, e de gerar lixo atômico. Até hoje, tudo o que se conseguiu foi fundir átomos aos pares, usando imensos aceleradores de partículas.
Tão espetacular parecia a “fusão portátil” que a direção do Oak Ridge desconfiou. Pediu a uma dupla de físicos do laboratório que refizesse o experimento, usando um detector de nêutrons mais sensível. A conclusão foi de que os resultados haviam sido uma ilusão. “Não há evidências do excesso de nêutrons que caracteriza a fusão”, disse um dos físicos, Michel Saltamarsh, à revista eletrônica “Science Now”.
Outros físicos também atacaram o experimento de Taleyarkhan e Lahey: “O trabalho é uma colcha de retalhos, e cada remendo tem um furo”, disse Mike Moran, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia.
A polêmica chegou perto do ponto de fusão quando diretores do Oak Ridge pressionaram o editor da “Science”, Donald Kennedy, a adiar a data de publicação do artigo -ou a simplesmente enterrá-lo. O temor era que a pesquisa estivesse repetindo uma das maiores fraudes científicas da história, a da fusão nuclear a frio.
Anunciada em 1989 pelos físicos Stanley Pons e Martin Fleischmann, a fusão a frio foi alardeada na imprensa como a descoberta do século, para depois se provar um experimento irrealizável.

fs noticia

13.225 – Tecnologia – Brasil vai lançar e controlar satélite de telecomunicações


satelite2
De Kourou, na Guiana Francesa, parte para o espaço o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).
Ele será apenas uma das muitas espaçonaves que hoje pairam sobre o território nacional e fornecem conexões via satélite para os mais variados fins, como telefonia, televisão e internet.
Mas será a primeira a ser operada e controlada pelo governo brasileiro -numa parceria entre o Ministério da Defesa e a Telebras.
De acordo com o governo brasileiro, o novo satélite é indispensável para a preservação da soberania nacional, permitindo comunicações seguras das Forças Armadas e a implementação do Plano Nacional de Banda Larga, que pretende levar internet rápida, pelo espaço, a locais do país onde a infraestrutura de telecomunicações por solo é deficitária.
Discutido desde 2011, o contrato para a construção do SGDC foi assinado em novembro de 2013, dois meses depois que documentos revelaram que contas de e-mail de diversos membros do governo brasileiro, inclusive da ex-presidente Dilma Rousseff, foram alvo de espionagem pela NSA, agência de segurança nacional dos EUA.
Os satélites geoestacionários são assim chamados porque se localizam num anel ao redor do equador terrestre, a cerca de 36 mil km de altitude. Nessa posição, têm a propriedade especial de evoluir em torno da Terra no mesmo ritmo da rotação do próprio planeta -com isso, é como se estivessem o tempo todo sobre o mesmo ponto do globo.
Por essa razão, a órbita geoestacionária é a preferencial para satélites de telecomunicações, pois podem atender ininterruptamente uma grande região territorial.
As tecnologias envolvidas num desses artefatos espaciais de última geração, contudo, não são dominadas pelo Brasil. Por isso, o governo decidiu criar uma empresa integradora nacional -a Visiona, uma joint venture entre a Telebras e a Embraer- e contratar, por meio dela, a construção do satélite no exterior.
A vencedora da licitação foi a empresa franco-italiana Thales Alenia, que se comprometeu a realizar transferência de tecnologias envolvidas na construção do SGDC e construiu o satélite com a colaboração de dezenas de engenheiros brasileiros.
O lançamento será feito pelo foguete Ariane 5, da empresa francesa Arianespace, que opera seus voos a partir de Kourou, na Guiana Francesa. Com 5,7 toneladas, o SGDC será a carga principal, e um segundo satélite, o KoreaSat-7, da Coreia do Sul, voará como carga útil secundária.
O satélite transmitirá em duas bandas: a X (entre 8 e 12 gigahertz) e a Ka (26 a 40 gigahertz). A primeira será usada exclusivamente para uso da Defesa e a segunda será parcialmente dedicada à implementação, pela Telebras, do Plano Nacional de Banda Larga. A capacidade excedente será licitada para uso por outras empresas interessadas.
A iniciativa pode dar algum retorno imediato ao governo, que investiu R$ 2,7 bilhões no projeto, entre satélite, lançamento e investimentos na infraestrutura de solo para suas operações.
Contudo, ao chegar à sua conclusão, o projeto deixa um enorme vazio para o futuro. Originalmente, a ideia era que o SGDC fosse o primeiro de uma constelação de três satélites geoestacionários de telecomunicações, incorporando gradualmente tecnologia nacional.
Contudo, o segundo satélite da série está apenas em fase de conceito, e sem essas especificações e um contrato firmado, a Visiona -empresa criada para integrar esse e os futuros satélites- basicamente fica sem o que fazer.

13.140 -Mulheres na Ciência-As Mulheres já produzem metade da ciência do Brasil


dia da mulher
Os dados mostram que, dentre os países pesquisados, Brasil e Portugal são os que mais contam com autoras em trabalhos científicos (49% do total).
Isso é percebido no cotidiano dos cientistas: “Eu não tinha as estatísticas, mas já diria que hoje nós mulheres somos metade da produção científica nacional”, diz Mayana Zatz, geneticista do Centro de Genoma Humano da USP.
Em outros seis países (Reino Unido, Canadá, Austrália, França e Dinamarca) o número de publicações por mulheres já atingiu pelo menos 40% do total, considerado patamar de igualdade.
Nos dados entre os anos de 1996 e 2000, somente Portugal contava com taxas superiores a 40%.
A quantidade de pesquisadoras, no entanto, muda de acordo com a área do conhecimento, segundo o relatório.

SAÚDE
Hoje, são elas que dominam as publicações de medicina no país: uma em cada quatro estudos publicados na área por pesquisadores brasileiros tem uma cientista mulher como principal autora.
Nas chamadas ciências duras, no entanto, elas ainda estão em minoria. De acordo com o levantamento da Elsevier, publicações de áreas como ciências de computação e matemática têm mais do que 75% de homens na autoria dos trabalhos na maior parte dos países pesquisados.
“Áreas de exatas são um problema porque desde a primeira infância as meninas vão sendo afastadas”, diz Márcia Barbosa, física da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e especialista em gênero.
Fato: um estudo publicado na revista científica “Science” em fevereiro mostrou que a partir dos seis anos as meninas começam a se achar menos inteligentes do que os meninos na escola –que, acreditam elas, lideram e fazem grandes descobertas.
“Temos uma cultura de que a menina tem de ser uma princesinha que, por exemplo, não pode se sujar”, diz Barbosa. “Ciências exigem experimentação.”
A igualdade na distribuição de autoria dos trabalhos científicos observada no Brasil não se reflete, no entanto, nos cargos científicos de liderança. Reitores de universidade, chefes de departamentos e coordenadores de linhas de pesquisa ainda são, em sua maioria, homens.
É isso que os estudiosos de gênero chamam de “teto de vidro”: um bloqueio invisível que as mulheres não conseguem quebrar para chegar ao topo.
“As mulheres vão sumindo ao longo da carreira. É como se houvesse um vazamento de mulheres pelo caminho”, diz Marcia. Para a especialista, é preciso ter políticas que entendam e trabalhem o fenômeno. “Não podemos ver isso como algo dado e natural.”
Tamara Naiz, historiadora e presidente da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduandos) afirma que a mulher precisa lidar com diversos entraves ao longo da carreira científica. Um deles, diz ela, é a falta de proteção com relação a maternidade.
“Quando uma mulher é aprovada em um curso de pós-graduação, é comum ela ouvir de orientadores que não poderá engravidar para que a pesquisa não seja interrompida”, conta.
“Se somos cientistas tão capazes quanto os homens, por que isso não se reflete em igualdade de salários e de oportunidades?”, questiona Naiz. “O resultado do levantamento mostra que, mesmo partindo de condições desiguais, a mulher consegue desenvolver uma pesquisa tão boa quanto a de um homem.”
Isso pode ser observado nos números. No Brasil, a qualidade dos trabalhos publicados por homens e por mulheres –medido pela quantidade de vezes em que um estudo é citado em outros trabalhos, que é chamado de “impacto”,– também é semelhante.
As brasileiras recebem 0,74 citação por estudo publicado, enquanto os cientistas homens do país têm 0,81 citação em seus trabalhos.
O impacto dos artigos científicos publicados por homens e por mulheres é semelhante até nos países em que a produção de ciência é bastante desigual.
No Japão, por exemplo, as mulheres são autoras de apenas dois em cada dez trabalhos científicos. Os artigos delas, no entanto, recebem 0,94 citação –número bem próximo do impacto dos trabalhos dos homens daquele país (0,96).
O levantamento foi feito com a base de dados da Elsevier, a Scopus, que lista autores de mais de 62 milhões de documentos em cerca de 21,5 mil revistas acadêmicas.
Como a identificação de gênero não é necessária em publicações científicas, um segundo processo atribui gênero aos nomes contando com conjuntos de informações de cada país que relacionam nome e sexo com pelo menos 80% de certeza.

13.099 – Microbiologia – Conceitos Gerais


fungos

Fonte: USP

Microrganismo: Bactéria, fungo, protozoário, ovo de nematelminto ou platelminto (vermes), protozoário, cistos de protozoários, ácaro e congêneres e microalgas. Os vírus são agentes infecciosos que alguns autores não os consideram microrganismos, por não serem células completas, mas causam doenças. Neste contexto, incluem-se os fagos das bactérias, viroides das plantas e os príons (ex. o agente da “vaca louca” e outras doenças priônicas). Desta maneira, todos os agentes infecciosos devem ser considerados nos métodos de controle microbiológico.
O que é um “antimicrobiano”? O que você espera ele faça? Tente pensar sem continuar lendo e ter uma conclusão. Não importa qual foi, mas faça esta pergunta a você como estímulo.

Um agente antimicrobiano pode interferir de várias maneiras nos diferentes microrganismos. Portanto, muita atenção e verifique se o antimicrobiano é suficiente, ou não, ou até mesmo, desnecessário. As atividades: bactericida, esporocida*, fungicida, parasiticida, virucida significa “matar” ou “destruir” respectivamente bactérias, esporos bacterianos, fungos, parasitas e vírus. Por outro lado, se substituirmos o sufixo para stático, a atividade antimicrobiana terá uma diferença enorme. Estes microrganismos param sua multiplicação, mas não morrem. Considerando as bactérias como referência, temos que “as bactérias têm como objetivo a sua multiplicação”. No entanto, este objetivo pode ser “inibido” com um produto químico, ou equipamento com atividade bacteriostática, por exemplo. Assim, a multiplicação destas bactérias cessa sem matá-las. Se removermos o agente bacteriostático, as bactérias podem voltar a se multiplicar. Este procedimento é muito utilizado, pois é suficiente para atender diversas situações para o controle de microrganismos como, por exemplo, nos conservantes de alimentos, cosméticos, tintas, etc. Se o conservante perder função, ou se a bactéria for transportada deste lugar para um ambiente favorável, ela pode voltar a se multiplicar. Mas, dependendo do tipo de bactéria, do conservante e o seu tempo de ação e do ambiente, estas bactérias podem, por outro lado, exaurirem-se nutricionalmente a ponto de morrer.

Os bactericidas, ao contrário, “matam” ou “destroem” as bactérias, e estas perdem totalmente a capacidade de se multiplicarem, mesmo se forem transportadas para ambientes altamente favoráveis ao seu crescimento. Na verdade, este é o conceito de morte bacteriana que pode ser estendido a outros microrganismos.

Importa muitas vezes, também, saber o que fez a bactéria “morrer”. Existem produtos muito tóxicos ou equipamentos muito perigosos à saúde humana que, de fato, matam as bactérias e outros microrganismos, mas o ambiente ou um indivíduo também pode sofrer com isto e até morrer. É importante, portanto, saber se ocorreu dano no DNA da bactéria, qual parte do DNA foi alterada, se ocorreu dano de proteínas, como foi isto, se as proteínas foram degradadas totalmente ou parcialmente, ou se a bactéria sofreu lise (estourou). A bactéria pode também ter “murchado” por perder água, por aquecimento em ambiente muito seco ou pelo excesso de sal em volta.

Consideração importante sobre esporos bacterianos:

Os esporos* bacterianos são formados por apenas alguns tipos de bactérias. Estas bactérias são capazes de se “enclausurarem” formando o esporo que, por sua vez, é uma estrutura extremamente desidratada, com muito cálcio e ácido dipicolínico. Dependendo da espécie bacteriana, o esporo pode manter viável em seu centro os principais compostos das bactérias no ambiente por anos, séculos, milênios ou milhões de anos. Assim que estes esporos encontrarem condições favoráveis para crescer, mesmo depois de muito tempo esporuladas, os esporos germinam e as bactérias voltam a se multiplicar como antes. Portanto, este potencial de resistência e de germinação varia entre as bactérias capazes de produzir esporos. O esporo bacteriano é mais resistente às condições extremas do ambiente como o calor, desidratação, radiação ultravioleta e agentes químicos. Estas propriedades “extras” são conferidas por serem estruturas extremamente desidratadas, possuírem o ácido dipicolínico e o cálcio que contribuem na integridade das proteínas para as condições de “estresse” químico ou físico.

O termo “esporocida” usualmente está associado à impossibilidade irreversível de um esporo bacteriano “germinar” (da bactéria voltar para a sua vida vegetativa). Os esporos fúngicos são outras estruturas microbianas e são mais frágeis, no entanto, são mais resistentes em geral do que as formas vegetativas da maioria das bactérias (não esporuladas), de importância à saúde humana, animal e vegetal.

Um equívoco comum neste assunto é considerar que todo agente químico esporocida implica ser também esterilizante. Um agente esterilizante tem que possuir o potencial de todos os “cidas”, claro. Mas, lembrem-se que, existem diferentes tipos de esporos cujas resistências ao ambiente variam. Deve-se, portanto, considerar que nem todo agente esporocida é necessariamente um agente esterilizante. Mas, todo agente esterilizante é também esporocida. Assim, para validar os processos de esterilização, em geral, utilizam-se determinados tipos de espécies de esporos bacterianos sabidamente mais resistentes e que devem, também, morrer nos diferentes processos de esterilização. Assim são validados os muitos processos de esterilização.

Vale também lembrar que existem agentes esporostáticos, os quais não permitem a germinação bacteriana. Se estes esporos, sob o efeito de um agente esporostático, forem transportados para um ambiente favorável à germinação, estes germinarão e as bactérias voltariam a se multiplicar.

Mas continuando com as diversidades do termo antimicrobiano, vale acrescentar o questionamento necessário sobre qual tipo de bactéria/outro microrganismo que este produto/equipamento atua.

Temos que considerar se interfere com bactérias “frágeis” como a Escherichia coli ou micobactérias (grupo das que causam tuberculose), que possuem uma espessa camada de gordura em sua parede celular (não são bactérias esporuladas!). A diferença é grande, pois as micobactérias são mais resistentes aos desinfetantes químicos. Maior ainda é a diferença se o produto ou equipamento é capaz de interferir ou não nos esporos bacterianos, como já mencionamos.

Alem disso, temos que considerar QUANTO o antimicrobiano “mata” (atividade quantitativa) uma determinada população bacteriana. Ou seja, quantos microrganismos morrem num determinado intervalo de tempo, isto é, se “mata” 10%, 20%, 50%, 80%, 90% de uma população microbiana. Em geral, começamos a pensar em valores de 90% ou mais. As percentagens menores valem sim, mas em geral, são menos significativas quando pensamos em populações em número de logaritmos a base de 10. Valores como 99.99%, 99.999% são vistos mais frequentemente em rótulos de alguns produtos desinfetantes! Puxa, mas assim é quase 100%. NÃO! Em microbiologia 100% é esterilização.

Então, vejamos:
Na verdade, em microbiologia, temos que tratar populações de microrganismos cuja quantidade pode chegar a 1012 bactérias por grama como nas fezes humanas, ou até em alguns rios, ou cerca de 106 em lagos e etc. Na verdade, isto varia muito nos campos da microbiologia, principalmente, na área ambiental e industrial.

Se, por exemplo, um produto ou processo de descontaminação tem capacidade de reduzir 90% de uma população bacteriana, o que significaria isto? Se temos inicialmente 107 bactérias por alguma unidade, no final teríamos cerca de 106 bactérias. Ora, esta redução pode ser insuficiente porque os 10% que restaram podem ser uma população microbiana alta ainda.

Outro exemplo apresentado em alguns anúncios televisivos são as reduções de 99,9%. O que significa isto? Se tivermos uma população de 106 bactérias por alguma unidade (gramas, mililitros, metros cúbicos de ar), no final ainda teremos 103, ou seja, 1000 bactérias. Dependendo da área de microbiologia que trabalha no controle de microrganismos, 1000 bactérias pode ser bom em alguns ambientes, mas não em outros. O controle de microrganismos ocorre, também, em outras áreas além da saúde humana ou animal. Temos os vegetais, as indústrias (alimentos, cosméticos, medicamentos, couro, tinta, petróleo, fermentação alcoólica e muitas outras, além do contexto ambiental).

Vale também lembrar que os valores exemplificados são de testes laboratoriais, nos quais um produto desinfetante fica em contato apenas com as bactérias testadas. Na prática, diversos fatores ambientais nunca serão semelhantes às condições do laboratório. Assim, as reduções mencionadas geralmente são menores do que as mencionada pelos testes laboratoriais. Discutiremos a avaliação de desinfetantes químicos em outro tema, principalmente pela existência de conflitos metodológicos.

Vale, ainda, considerar se o antimicrobiano é um produto ou equipamento tóxico ou não, e quanto tempo leva para atingir um objetivo. Além disto, quanto custa, se é estável, se é sensível à matéria orgânica, pH, volatização, se está acondicionado em ambiente escuro, ventilado e qual o tipo de superfície que agirá (metal, madeira, fórmica, etc).

Desta maneira, não aceitem sem questionar a atividade antimicrobiana de um produto ou equipamento. É preciso perguntar seu potencial e as limitações deste antimicrobiano.

Alguns termos importantes no controle de microrganismos:
Os antibióticos que conhecemos são também antimicrobianos, mas são usualmente ingeridos e, às vezes, injetados. Alguns por serem relativamente tóxicos, são utilizados apenas em forma de pomada. A eficácia dos antibióticos é avaliada de maneira muito diferente que desinfetantes químicos. O mecanismo de ação dos antibióticos é geralmente conhecido e, em geral, estas drogas funcionam como “mísseis teleguiados” enganando, em geral, o metabolismo microbiano. Desinfetantes químicos ou físicos não diferenciam bactérias das células de nosso corpo e, por isto, os desinfetantes químicos, em geral, são muito mais tóxicos e são aplicados em superfícies inertes e não em pacientes.

Esterilizante: Produto ou equipamento capaz de matar ou remover todos os microrganismos de um ambiente, inclusive os mais resistentes. A esterilização deve ser entendida como um procedimento absoluto e não relativo. Por exemplo, não existe esterilização parcial ou “meia esterilização” ou, por exemplo, estar estéril para bactérias, mas não para vírus.

Desinfetante: Produto ou equipamento capaz de reduzir a níveis seguros microrganismos indesejáveis, matando-os. Este microrganismos indesejáveis variam nos diferentes campos da microbiologia, mas às vezes, alguns são os mesmos. Neste conceito, os desinfetantes não precisam ter necessariamente atividade esporocida. Alguns desinfetantes melhores podem até ser esporocidas, mas as espécies de esporos bacterianos que atingem, geralmente, são mais frágeis do que aqueles usados para validar esterilizantes.

Conservante: Produto com atividade “stática”, mas com o tempo pode causar a morte de alguns microrganismos. Os conservantes, ou também conhecidos como preservantes, em geral, mantém os níveis baixos de microrganismos. Usualmente, são aplicados em alimentos, mas podem ser incorporados em muitos outros produtos em que a deterioração microbiana é possível como os cosméticos, tintas, etc.

Saneante: Produto que não mata necessariamente microrganismos, usualmente mantém níveis baixos destes. Os saneantes são compostos com atividade antimicrobiana cujos resíduos podem ser ingeridos em pequena quantidade. O exemplo mais clássico é o uso de saneantes na descontaminação de pratos, talheres, panelas de hospitais ou mesmo os resíduos de cloro que existem na água potável. O compostos ativo mais usado é o cloro em baixa concentração.

Quanto maior a carga microbiana no inicio de um processo de descontaminação, menor é a chance da eficácia esperada.

Antisséptico: Na verdade, nada mais é do que um desinfetante cutâneo. É um composto ativo sem alvo especifico, ao contrário da pomada antibiótica. Os antissépticos, em concentração baixa, podem ser aplicados a tecidos vivos como a pele e mucosas. Pode ser aplicado por pouco tempo com objetivo de matar possíveis microrganismos indesejáveis e impedir a instalação e multiplicação destes.

Antissepsia: A princípio, é um conjunto de regras e normas aplicadas na manutenção da esterilidade de um objeto ou equipamento, previamente estéril quando manipulado. Isto não impede que estas condutas sejam aplicadas em procedimentos cirúrgicos, como também no repique de uma determinada bactéria em estudo, próximo ao bico de Bunsen ou em capela de fluxo laminar. Assim, ocorre a manipulação apenas da bactéria em estudo e não das bactérias contaminantes do ar ou da orofaringe do técnico, que prejudicariam totalmente o estudo.

Detergente: é composto aniônico, miscível em água. É apenas um sabão para ajudar a limpeza, mas não “mata” microrganismos em geral, apenas os remove vivos de um lugar. Mas, a limpeza com água e sabão é fundamental para iniciar em seguida os processos de descontaminação. Após o sabão, é fundamental lavar em seguida com bastante água para que a limpeza seja eficaz.

Não confundir os sabões catiônicos (ex.: sabão de cozinha) com os compostos de amônio quaternário, que são compostos que possuem atividade detergente reduzida, são agentes desinfetantes químicos e matam microrganismos. Estes produtos predominam, atualmente, nas prateleiras de supermercados por serem pouco tóxicos. Os desinfetantes domésticos funcionam, geralmente, quando não diluídos. No entanto, os compostos de amônio quaternário são sensíveis a matéria orgânica. Desta maneira, a limpeza prévia com água e sabão de uma superfície é importante. Por exemplo, se a pia de uma cozinha estiver suja, sem lavar bem antes, o desinfetante reage com a sujeira residual e perde “força” na sua ação contra as bactérias.

Descontaminação: Promoção da atividade(s) antimicrobiana. Termo é muito genérico no contexto de controle de microrganismos e pouco específico. No entanto, para tornar-se mais claro, deve ser especificado ao que se pretende com a descontaminação.
Ex.: Descontaminar o quê? Como? Quais microrganismos devem ser destruídos? Quantos microrganismos ficam após a descontaminação, quais podem ficar? Qual é a exigência da descontaminação para um determinado local?
Por exemplo, descontaminar as mãos lavando-as com água e sabão. Dependendo, se acrescenta em seguida o álcool-gel (que é o atualmente utilizado), se você estiver numa epidemia de gripe. Você pode ser um adulto voltando do trabalho para visitar, no ambiente doméstico, seu neto recém-nascido. Se você for pegá-lo no colo, então tem que lavar as mãos antes com água e sabão e depois utilizar o álcool-gel de farmácia.
Pode-se também descontaminar equipamentos de uma indústria. Neste caso, ocorrem diversos etapas e procedimentos para que este equipamento não contamine o produto final.

Germicida (termo em desuso): Mata germes! O termo não é específico, muito genérico.

Microbiocida: Mata micróbios! Termo não especifico e também muito genérico.

Biocida = Microbiocida

Desodorante: geralmente, um composto ativo contra bactérias causadoras de mal cheiro.

Desinfestação: remover ou “matar” insetos.

Deodorante: perfume.

Fumigação: Aspersão de gás ou liquido no ambiente para atividade germicida, microbiocida ou biocida.

13.096-Crise-Corte de 120 milhões de reais do orçamento da Fapesp


Logo Fapesp Sponsors - Azul
A FAPESP – FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO – É UM ORGULHO NACIONAL E EXEMPLO A SER SEGUIDO NO MUNDO INTEIRO
Contribui há várias décadas, para o avanço do conhecimento no Estado de São Paulo e no país. Com a concessão de bolsas e auxílios para a execução de pesquisas científicas e tecnológicas em todas as áreas do conhecimento, a instituição vem apoiando estudos e a divulgação da ciência desde 1962, quando começou a funcionar. Assim, é incompreensível a decisão da Assembleia Legislativa de São Paulo que aprovou uma lei orçamentária desviando 120 milhões de reais da dotação assegurada pela Constituição do estado à instituição, nos últimos dias de 2016 – em outras palavras, um grande corte. Essa decisão não apenas contraria a Constituição estadual, que determina o repasse de 1% da receita tributária para a Fapesp, como causará um prejuízo irreversível à ciência paulista e brasileira. O valor, segundo a decisão, irá para o fortalecimento de institutos de pesquisas estaduais (como o Butantan ou o Biológico), que estariam em penúria. Entretanto a Fapesp sempre apoiou bons projetos independentemente de estarem nas universidades ou nos institutos. O erro abre um precedente perigoso – além de ser o único órgão científico do estado com tradição de independência em relação ao Executivo, tirar recursos de um lado (que funciona) para cobrir outro não pode ser um argumento defensável.
Defensores dessa decisão catastrófica alegam que é preciso investir mais em pesquisas aplicadas. Ledo engano! Os maiores e mais revolucionários avanços tecnológicos foram gerados pelas pesquisas básicas. A eletricidade, por exemplo. Inicialmente, ninguém sabia sua utilidade. Foi a pesquisa básica que desvendou suas características e, assim, possibilitou seu uso. Tente imaginar viver numa sociedade sem eletricidade… Quem poderia acreditar que a teoria da relatividade, proposta por Einstein no início do século XX, seria responsável por um terço da economia mundial na atualidade?
Descobertas recentes de laboratórios de pesquisa básica em biologia e genética revolucionarão a medicina. Por exemplo, Shinya Yamanaka, pesquisador japonês ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2012, mostrou que é possível reprogramar células já diferenciadas tornando-as pluripotentes, portanto, capazes de gerar qualquer tipo de célula. Esse conhecimento básico possibilitará um salto gigantesco na medicina regenerativa. Jennifer Doudna e Emanuelle Charpentier descobriram que é possível “editar” genes em bactérias, ou seja, modificá-los, por meio de uma técnica revolucionária chamada CRISPR/Cas9. O conhecimento gerado por esses estudos, realizados em laboratórios de pesquisa básica, já vem sendo utilizado para tratar alguns tipos de câncer. E o prosseguimento dessas pesquisas possibilitará a correção de mutações e o tratamento de inúmeras doenças, inclusive transplante de órgãos. Essa tecnologia, cujo impacto na agricultura, pecuária e medicina serão gigantescos, foi rapidamente incorporada aos nossos laboratórios graças à Fapesp.
No fim da década de 90, a Fapesp financiou um projeto que envolveu trinta laboratórios, o sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, praga da laranja. O objetivo primário era capacitar um número expressivo de cientistas nessa nova tecnologia de sequenciamento genômico. O sucesso do projeto foi tal que ganhou a capa da prestigiosa revista Nature, colocando o Brasil no mesmo patamar dos países desenvolvidos. Graças a esses avanços, hoje essa tecnologia tem uma aplicação gigantesca na agricultura, pecuária e na medicina.
Em 2004, pesquisadores do Instituto de Biociências da USP, apoiados pela Fapesp, descobriram em famílias brasileiras um gene responsável por uma forma hereditária de esclerose lateral amiotrófica (ELA – a doença do famoso cientista britânico Stephen Hawking). Posteriormente, descobriu-se que esse gene estaria envolvido em outras formas de ELA, o que abriu um novo leque de pesquisas no mundo inteiro na busca por um tratamento. Mais recentemente, também com apoio da Fapesp, foram sequenciados os genomas de cerca de 1 400 pessoas com mais de 60 anos, constituindo o primeiro e maior banco genômico da população idosa brasileira, que contribuirá para a identificação dos fatores genéticos e ambientais responsáveis por um envelhecimento saudável.
Resultados expressivos em ciência envolvem investimentos contínuos e atualizados, pois a construção do conhecimento depende de estudos e experimentos, infraestrutura adequada e da formação de recursos humanos qualificados para sua realização. Essa concepção norteou a criação da Fapesp, em 1960, levando ao estabelecimento de um porcentual da arrecadação do ICMS do estado para garantir a continuidade do financiamento das pesquisas em São Paulo. Nessa ocasião, o governador Carvalho Pinto declarou: “Se me fosse dado destacar alguma das realizações da minha despretensiosa vida pública, não hesitaria em eleger a Fapesp como uma das mais significativas para o desenvolvimento econômico, social e cultural do país”. A Fapesp tem hoje 57 anos de inquestionáveis contribuições ao desenvolvimento de São Paulo e do Brasil. O corte de 120 milhões no orçamento da Fapesp, associado à redução dos recursos decorrente da própria queda na arrecadação do ICMS, ferirá irreparavelmente esse patrimônio histórico. O investimento no desenvolvimento científico e tecnológico, por meio desse órgão fundamental, é a melhor garantia de desenvolvimento crescimento econômico, social e cultural do país.

13.083 – Cinemática – O ramo da Física que estuda os movimentos


aceleracao-escalar-7

cinematica-2-5
A cinemática estuda os movimentos dos corpos, sendo principalmente os movimentos lineares e circulares os objetos do nosso estudo que costumar estar divididos em Movimento Retilíneo Uniforme (M.R.U) e Movimento Retilíneo Uniformemente Variado (M.R.U.V)

Para qualquer um dos problemas de cinemática, devemos estar a par das seguintes variáveis:

-Deslocamento (ΔS)

-Velocidade ( V )

-Tempo (Δt)

-Aceleração ( a )

Movimento Retilíneo Uniforme (M.R.U)
No M.R.U. o movimento não sofre variações, nem de direção, nem de velocidade. Portanto, podemos relacionar as nossas grandezas da seguinte forma:
ΔS= V.Δt

Movimento Retilíneo Uniformemente Variado (M.R.U.V)
No M.R.U.V é introduzida a aceleração e quanto mais acelerarmos (ou seja, aumentarmos ou diminuirmos a velocidade andaremos mais, ou menos. Portanto, relacionamos as grandezas da seguinte forma:
ΔS= V₀.t + ½.a.t²

No M.R.U.V. o deslocamento aumenta ou diminui conforme alteramos as variáveis.
Pode existir uma outra relação entre essas variáveis, que é dada pela formula:
V²= V₀² + 2.a.ΔS

Nessa equação, conhecida como Equação de Torricelli, não temos a variável do tempo, o que pode nos ajudar em algumas questões, quando o tempo não é uma informação dada, por exemplo.

• Dinâmica
As leis de Newton
A cinemática é o ramo da ciência que propõe um estudo sobre movimento, sem, necessariamente se preocupar com as suas causas.

Quando partimos para o estudo das causas de um movimento, aí sim, falamos sobre a dinâmica. Da dinâmica, temos três leis em que todo o estudo do movimento pode ser resumido. São as chamadas leis de Newton:

Primeira lei de Newton – a lei da inércia, que descreve o que ocorre com corpos que estão em equilíbrio

Segunda lei de Newton – o princípio fundamental da dinâmica, que descreve o que ocorrer com corpos que não estão em equilíbrio

Terceira lei de Newton – a lei da ação e reação, que explica o comportamento de dois corpos interagindo entre si.

Força Resultante
A determinação de uma força resultante é definida pela intensidade, direção e sentido que atuam sobre o objeto. Veja diferente cálculos da força resultante:

Caso 1 – Forças com mesma direção e sentido.
Caso 2 – Forças perpendiculares.

Caso 3 – Forças com mesma direção e sentidos opostos

Caso 4 – Caso Geral – Com base na lei dos Cossenos

A Segunda lei de Newton – Quando há uma força resultante, caímos na segunda lei de Newton que diz que, nestas situações, o corpo irá sofrer uma aceleração. Força resultante e aceleração são duas grandezas físicas intimamente ligadas e diretamente proporcionais, ou seja, se aumentarmos a força, aumentamos a aceleração na mesma proporção. Essa constante é a massa do corpo em que é aplicada a força resultante. Por isso, a segunda lei de Newton é representada matematicamente pela fórmula:
A segunda lei de Newton também nos ensina que força resultante e aceleração serão vetores sempre com a mesma direção e sentido.

Unidades de força e massa no Sistema Internacional:

Força – newton (N).
Massa – quilograma (kg).

A terceira Lei de Newton
A terceira lei, também conhecida como lei da ação e reação diz que, se um corpo faz uma força em outro, imediatamente ele receberá desse outro corpo uma força de igual intensidade, igual direção e sentido oposto à força aplicada, como é mostrado na figura a seguir.

13.004 – Antropologia – O Australopithecus afarensis


fossil-lucy-the-history-channel
É uma espécie de hominídeo extinto proposta em 1978 por Tim D. White e Donald Johanson, com base no “joelho de Johanson’s” encontrado por aquele antropólogo em Hadar, na Etiópia, em 1974. Os vestígios fósseis foram datados em 3,4 milhões de anos. O nome provém da região onde foi encontrado: a Depressão de Afar.
Até ao presente, foram já encontrados fragmentos desta espécie pertencentes a mais de 300 indivíduos, datados entre 4 e 2,7 milhões de anos, todos na região norte do Grande Vale do Rift, incluindo um esqueleto quase completo de uma fêmea adulta, que foi denominada Lucy.
Uma das características marcantes de Lucy é o tamanho de seu cérebro: 450 cm cúbicos. Um pouco maior que o cérebro de um chimpanzé moderno. O nome do fóssil encontrado é uma homenagem à música “Lucy in the Sky with Diamonds”, da banda britânica Beatles, que, segundo relatos, estaria tocando no momento das escavações e nas comemorações após a descoberta.
A 31 de março de 1994 o jornal científico Nature reportou o achado do primeiro crânio completo de um Australopithecus afarensis.
Surgiu entre 3,8 e 3,5 milhões de anos atrás, no sul da África, sendo um possível ancestral do homem. Postura bípede, ereta ou semireta, media entre 1 e 1,5 metro, possuía testa pequena e maxilar proeminente.
No dia 24 de novembro de 1974, uma descoberta no vale Awash, do centro da Etiópia, lançaria uma nova luz sobre a evolução humana. Uma equipe de paleontólogos, liderada pelo norte-americano Donald Johanson, desenterrou os restos do esqueleto de um Australopithecus afarensis fêmea, um hominídeo bípede. Ela foi nomeada Lucy em homenagem à canção dos Beatles “Lucy in the Sky of Diamonds”, que era tocada durante a celebração da descoberta da equipe de escavação. Os pesquisadores desenterraram mais de 200 ossos e fragmentos, o que representa mais de 40% do esqueleto de Lucy. Nenhum fragmento foi encontrado em duplicidade, o que indica que todos os ossos vieram de um único organismo vivo. Após uma reconstrução meticulosa do esqueleto, ficou claro que Lucy era uma mulher idosa e teria cerca de um metro de altura. Ela tinha um cérebro pequeno e, fisicamente, era parecida com um chimpanzé, com uma cabeça pequena saliente, braços longos e pernas curtas. A estrutura dos ossos nas costas e parte inferior do corpo indicam que ela era bípedes, a característica de todas as espécies pertencentes aos gêneros Australopithecus e Homo. As tentativas de datar Lucy no momento da descoberta foram inconclusivas. Apenas na década de 1990, por um processo avançado de argônio, que analisou fragmentos de areia em que Lucy foi encontrada, mostrou que ela teria vivido há 3,2 milhões de anos. Desde a descoberta de Lucy, muitos outros exemplos de Australopithecus afarensis foram descobertos, lançando luz sobre o início de hábitos e comportamentos humanos. Em 1975, uma família completa foi descoberta, provavelmente vítimas de uma catástrofe natural que matou todos ao mesmo tempo. O agrupamento era composto por jovens e velhos, homens e mulheres, mostrando a tendência da espécie em viver em pequenos grupos familiares. Novas descobertas mostram que o Australopithecus afarensis viveu na Terra por um período de cerca de 900 mil anos. Mais de três milhões de anos após sua morte, Lucy se tornou uma espécie de celebridade. Seu esqueleto foi exibido em vários museus, despertando a curiosidade de muitas pessoas. Hoje, por conta da sua extrema fragilidade, ela está em uma caixa especialmente projetada no Museu Nacional da Etiópia.