14.359 – POR QUE ALGUNS PERSONAGENS BÍBLICOS VIVERAM MAIS DE 100 ANOS?


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Nos dias de hoje, avanços na ciência, nos tratamentos de saúde e em outros campos têm ajudado as pessoas a viver mais. Mesmo assim, poucas pessoas chegam aos cem anos de idade – os que conseguem viver muito, até viram notícia, como foi o caso de Jeanne Calment. A senhorinha francesa morreu em 1997 aos 122 anos de idade. Já pensou? Imagine chegar aos 60 e ainda não estar na metade da vida. É uma realidade que pode estar cada vez mais próxima. Só uma questão de tempo.
Mas e quanto a Bíblia? Ela relata que nos tempos antigos as pessoas viviam muito mais – alguns quase chegaram aos mil anos. Será que é possível? As pessoas nos tempos bíblicos viviam tanto tempo assim? Por que foram relatados desta maneira?
O livro bíblico do Gênesis fala de sete homens que superaram os 900 anos. Todos eles nasceram antes do Dilúvio, nos dias de Noé. Eles foram: Adão, Sete, Enos, Quenã, Jarede, Metusalém e Noé (Gênesis 5:5-27, 9:29). São nomes pouco conhecidos, mas, de acordo com a Bíblia, eles estavam presentes entre as primeiras dez gerações da história da humanidade. Dentre eles, Matusalém é o recordista: 969 anos! A Bíblia ainda cita pelo menos outras 25 pessoas que viveram mais que o comum. A maioria passou de 100; outros viveram 300, 400 e até 700.
O tempo era contado de forma diferente?
É bastante comum ouvir por aí que a razão pela qual os homens que nasceram antes do dilúvio ter vivido antes é o fato de que, naquele tempo, o tempo era contado de forma diferente. Alguns defendem que o que eles chamavam de “ano” na verdade era apenas um mês. Esta ideia, no entanto, é refutada pelo próprio livro do Gênesis.
Nos dias de hoje, avanços na ciência, nos tratamentos de saúde e em outros campos têm ajudado as pessoas a viver mais. Mesmo assim, poucas pessoas chegam aos cem anos de idade – os que conseguem viver muito, até viram notícia, como foi o caso de Jeanne Calment. A senhorinha francesa morreu em 1997 aos 122 anos de idade. Já pensou? Imagine chegar aos 60 e ainda não estar na metade da vida. É uma realidade que pode estar cada vez mais próxima. Só uma questão de tempo.

Matusalém
Mas e quanto a Bíblia? Ela relata que nos tempos antigos as pessoas viviam muito mais – alguns quase chegaram aos mil anos. Será que é possível? As pessoas nos tempos bíblicos viviam tanto tempo assim? Por que foram relatados desta maneira?
O tempo era contado de forma diferente?
É bastante comum ouvir por aí que a razão pela qual os homens que nasceram antes do dilúvio ter vivido antes é o fato de que, naquele tempo, o tempo era contado de forma diferente. Alguns defendem que o que eles chamavam de “ano” na verdade era apenas um mês. Esta ideia, no entanto, é refutada pelo próprio livro do Gênesis.
O relato do Dilúvio diz que as chuvas começaram quando Noé tinha 600 anos de idade, “no segundo mês, no dia dezessete”. Em seguida é dito que as águas cobriram a Terra por 150 dias e que “no sétimo mês, no dia dezessete do mês, a arca veio a pousar nos montes de Ararate” (Gênesis 7:11, 24, 8:4). Concluí-se que o relato mostra um período de cinco meses – do décimo sétimo dia do segundo mês até o décimo sétimo do sétimo mês (150 dias). Neste caso, fica claro que a afirmação de que um ano representaria, na verdade, um mês não tem muito sentido. A contradição seria absurda neste caso.
Então qual é o motivo?
Não, não eram as condições climáticas e a alimentação muito mais saudável de um mundo que ainda não conhecia a poluição. Na verdade, as explicações são variadas, mas a mais aceitável é a de que, claro, ninguém viveu mais de 100 anos – pelo contrário. Na época da bíblia era mais comum as pessoas morrerem por volta dos 50 anos.
Trata-se, na verdade, de um elemento simbólico. A Bíblia sublinha que a longevidade é um dom de Deus, que ele dá a quem vive de acordo com a sua vontade (Jó 36,11; Provérbios 3,2; 16,1). A vida longa está, portanto, ligada com a obediência dos mandamentos. E é por isso que quem obedece a Deus, de acordo com o texto sagrado, conserva suas energias físicas (Deuteronômio 34,7; Josué 14,10; Salmos 92,15). Quem desobedece, por outro lado, é punido antes que se alcance a velhice.
Desta forma, a narração bíblica tem simplesmente como objetivo mostrar que, quando mais próximas as pessoas estão de Deus, mais (e melhor) elas viverão. E é por isto que eles foram relatados como seres quase imortais.

14.358 – ☻ Mega Polêmica – Não existe diferença entre o certo e o errado


Antes que você diga que eu estou “errado”, vou lhe dizer que estou totalmente “certo”.

Se analisarmos que são duas palavras no nosso dicionário, elas são completamente iguais. Se analisarmos que são dois adjetivos, também são iguais. Que são dois “rótulos”, a mesma coisa.
Se você passou por um relacionamento, um negócio ou um projeto que “não deu certo”, fique tranquilo, pois ele deu “certo”!
Quando você tomou alguma decisão naquele relacionamento, naquele negócio ou naquele projeto que “não deu certo”, você estava tomando uma decisão que, no seu entendimento, era “certa”. Correto? Então, tudo que você faz é “certo” e ninguém pode mudar isso. Ninguém faz algo “errado”. Você pode fazer coisas que a sociedade, como um todo, considera “erradas”, mas você, na sua intimidade, privacidade e livre arbítrio, considera que está fazendo o “certo”. Então é “certo”.
O que você acha que um bandido pensa quando realiza um assalto? Por mais que todos nós saibamos que essa atitude é “errada”, do ponto de vista da maioria das pessoas, o bandido crê, realmente, que está fazendo o “certo”. Ele tem a sua justificativa para ter aquela atitude, então, ela é “certa”, na opinião dele.
Entendeu? Todos nós só fazemos o “certo”. Mesmo que seja “certo” só para nós mesmos.
O julgamento das outras pessoas é que pode tentar transformar o conceito daquilo que fazemos, mas no fundo, tudo é “certo”.
O conceito “errado”, por exemplo, serve para agrupar atitudes que a maior parte da sociedade não concorda.
Você deve estar pensando que, então, devemos aceitar a atitude de um bandido que furta ou mata alguém? Óbvio que não. O ponto que levanto neste artigo não é sobre o que a sociedade deve ou não aceitar, e sim, sobre o paradigma do que é considerado “certo” e o que é considerado “errado”.
Tudo é conceito e tudo é uma questão de perspectiva.
Claro que a sociedade não funciona assim e se isso fosse realidade poderíamos ter um caos.
Talvez esteja na hora de repensarmos o conceito de “certo” e “errado” e avaliar as pessoas de outra forma. Quais? “Pela intenção”, por exemplo.

14.338 – Reino aqui nesse Mundo Mesmo – Qual a religião mais rica do planeta?


religiões
Não há dados 100% confiáveis.
A religião é uma instituição financeira tanto quanto espiritual. Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam.
Não é surpreendente que as maiores religiões do mundo – Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Budismo e Hinduísmo – promovam a acumulação de riquezas através de seus sistemas de crenças, o que contribui para a prosperidade econômica.
Incentivos espirituais como a danação e a salvação são motivadores eficientes. Por isso, religiões que dão ênfase à crença no inferno são mais propensas a contribuírem para a prosperidade econômica do que as que enfatizam a crença no paraíso.
As religiões que têm foco na crença no paraíso dão mais importância a atividades redistributivas (caridade) para diminuir o tempo das pessoas no inferno e chegar mais perto do paraíso.
Já o incentivo que se baseia na crença no inferno parece mais eficiente para o comportamento econômico, porque motiva os fiéis a trabalhar mais duro para evitar a danação.
Arrecadação
A estrutura organizacional, assim como o sistema de crenças de uma religião, afeta diretamente sua habilidade de arrecadar fundos dos fiéis.
A riqueza das religiões, de maneira muito semelhante à riqueza das nações, depende da estrutura de sua organização. Mas, diferentemente das corporações, as finanças das religiões não são transparentes para o público nem são monitoradas.
Algumas estruturas religiosas são hierárquicas como a da Igreja Católica Romana, com a concentração de riqueza no clero e no Papado. Por contraste, as igrejas evangélicas e pentecostais favorecem um acúmulo de riqueza de pai para filho.
O famoso evangelista americano Billy Graham e seu filho William Franklin Graham 3º, que assumiu a presidência da associação evangelista do pai, são um exemplo de como o poder espiritual e a riqueza de uma religião são mantidos pelos laços familiares.
Outras organizações tendem a ser descentralizadas e comunitárias por natureza, como o judaísmo, com as sinagogas locais mantendo a autonomia sobre as finanças.
Mas as religiões coletivas, como as monoteístas, requerem a crença exclusiva em um só Deus e contam financeiramente com tributos e doações voluntárias de seus membros.
Como consequência, um templo, igreja ou mesquita exerce pressão coletiva e outros tipos de sanções grupais para garantir a ajuda financeira contínua dos fiéis à religião.
No entanto, uma dificuldade constante enfrentada pelas religiões é que muitos membros decidem agir de acordo com sua própria vontade e não dar apoio financeiro.
Outro tipo de estrutura religiosa é a privada ou difusa. Hinduísmo e budismo são religiões privadas, em que os fiéis realizam atos religiosos sozinhos e pagam uma taxa para um monge pelo serviço.
Nestes casos, as atividades religiosas são partes da vida diária e podem ser feitas a qualquer momento do dia. Elas não requerem nem um grupo de fiéis nem a presença dos monges.
Estas religiões privadas tendem a ser politeístas e sustentadas financeiramente pelo pagamento de uma taxa de serviço.

Não chega a ser tão ruim
Religiões com muitos recursos, como por exemplo o catolicismo romano e o islamismo, historicamente foram – algumas vezes – monopólios financiados pelo Estado.
A regulação da religião pelo Estado pode reduzir a qualidade das vantagens espirituais na medida em que aumenta a capacidade da religião de acumular riqueza. Mas uma religião subsidiada pelo Estado pode ter um efeito positivo na participação religiosa.
Por exemplo, os governos da Dinamarca, Suécia, Alemanha e Áustria subsidiam muitas religiões para a manutenção de suas propriedades, a educação do clero e os serviços sociais.
Mesmo que isso não necessariamente aumente o número de pessoas que frequentam a igreja, o investimento financeiro do Estado nas instituições religiosas aumentou as oportunidades das pessoas de participarem de atividades patrocinadas pela religião.

14.312 – Economia – Quais os Maiores PIBs do Planeta?


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O Produto Interno Bruto (PIB) é o valor de mercado de todos os bens e serviços finais de um país em um determinado ano. Os países são organizados segundo estimativas do Produto Interno Bruto (PIB) nominal de instituições financeiras e estatísticas, onde é calculada à taxa de câmbio oficial do mercado ou governamental. O PIB nominal não leva em consideração as diferenças no custo de vida em diferentes países, e os resultados podem variar muito de um ano para outro com base em flutuações nas taxas de câmbio e valor da moeda do país. Tais flutuações podem alterar a posição de um país no ranking mundial de um ano para o outro, mesmo que muitas vezes façam pouca ou nenhuma diferença nos padrões de vida de sua população.
Os Estados Unidos são a maior economia do mundo, com um PIB de aproximadamente US$ 17,9 trilhões, nomeadamente devido a elevada renda de uma grande população,[6] investimentos capitais, desemprego moderado, altos gasto dos consumidores, população relativamente jovem, e inovação tecnológica. Tuvalu é a menor economia nacional do mundo, com um PIB de cerca de US$ 33 milhões, isso devido à sua população muito pequena, escassez de recursos naturais, dependência de ajuda externa, investimento capital insignificante, problemas demográficos, e a baixa média de renda.
Apesar dos rankings das economias mundiais mudarem consideravelmente ao longo do tempo, os Estados Unidos se mantem no topo desde a idade do ouro, um período de tempo em que a sua economia passava por uma rápida expansão, superando o Império Britânico e a Dinastia Qing em relação ao PIB Nominal. Após a transição da China para uma economia de mercado através da privatização e da desregulamentação, o país viu a sua nota aumentar no ranking desde 1978, e tornou-se a segunda maior economia do mundo em 2015, e com o crescimento econômico acelerado, a sua participação no PIB nominal mundial subiu de 2% em 1980 para 15% em 2015. A Índia também tem experimentado um crescimento econômico semelhante desde a implementação das reformas neoliberais no início de 1990.[16] As entidades supranacionais também estão incluídas, a União Europeia é a segunda maior economia do mundo. Tornou-se a maior economia do mundo em 2004, quando dez países aderiram à União, e em 2015 foi superada pelos Estados Unidos.
Comparações de riqueza nacional são frequentemente feitas com base na Paridade do Poder de Compra (PPC), para ajustar as diferenças no custo de vida em diferentes países. A PPC remove grande parte das taxas de câmbio, mas tem suas desvantagens; não reflete o valor da produção econômica no comércio internacional, e também exige mais de estimativas do que o PIB nominal. Na PPC os números per capita são menos distribuídos do que os valores per capita do PIB nominal.

PIB mundial

ONU

14.303 – Cinema Nacional – Pixote, a Lei do Mais Fraco


pixote
Enredo
Pixote (Fernando Ramos da Silva) foi abandonado por seus pais e rouba para viver nas ruas. Ele já esteve internado em reformatórios e isto só ajudou na sua “educação”, pois conviveu com todo os tipos de criminosos e jovens delinquentes. Ele sobrevive se tornando um pequeno traficante de drogas, cafetão e assassino, mesmo tendo apenas onze anos.
Adaptação
Baseado no livro “Pixote – Infância dos Mortos”, de José Louzeiro.
Trágico protagonista
Fernando Ramos da Silva, intérprete de Pixote, voltou à vida do crime e acabou morto em um confronto com policiais em 1987.
Criação de uma nova função
Foi em Pixote que o posto de preparador de elenco foi criado. O diretor Hector Babenco convidou Fátima Toledo a desempenhar a função, de forma a moldar os 15 garotos não atores do elenco para que atuassem no filme.
Prêmios
GLOBO DE OURO
Indicação
Melhor Filme Estrangeiro
FESTIVAL DE LOCARNO
Ganhou
Leopardo de Prata

Ranking dos Melhores Filmes Nacionais
Classificado na décima segunda colocação na lista de melhores filmes brasileiros de todos os tempos segundo a Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).
Festival de São Paulo
Selecionado para a 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Restauração
O filme foi restaurado em 2018 dentro do projeto “Memória Hector Babenco”, da HB Filmes, feito para recuperar toda a obra do cineasta, falecido em 2016.
O roteiro do filme foi escrito por Babenco e Jorge Durán, sendo baseado no livro Infância dos Mortos do escritor José Louzeiro.

Considerado um relato arrepiante e documental dos jovens delinquentes do Brasil, o filme construiu um dos mais cruéis retratos da realidade nas ruas de São Paulo, onde diversas crianças têm sua inocência retirada ao entrarem em contato com o mundo do crime, da prostituição e da violência. Pixote apresenta Fernando Ramos da Silva (morto posteriormente aos dezenove anos de idade por agentes da Polícia Militar de São Paulo) como o personagem-título e Marília Pêra como a prostituta Sueli; a trama gira em torno de Pixote, um garoto que é recrutado por terceiros para realizar assaltos e transportar drogas após fugir de um reformatório para menores infratores.

O filme se tornou um sucesso de crítica, sendo aclamado tanto nacionalmente quanto internacionalmente, com diversos críticos estrangeiros elegendo-o como um dos dez melhores filmes realizados naquele ano; o filme foi indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor filme estrangeiro. Em novembro de 2015, Pixote, a Lei do Mais Fraco entrou na lista feita pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos.
☻ Mega Resumo
Depois de uma ronda policial, algumas crianças de rua, incluindo Pixote, um mero menino morador das ruas da cidade de São Paulo de apenas onze anos de idade, são enviadas para um reformatório de delinquentes juvenis (equivalente a uma FEBEM). A prisão é uma escola infernal onde Pixote cheira cola como fuga emocional para as constantes ameaças de abuso e estupro que testemunha no local. Logo fica claro que os jovens criminosos são apenas joguetes para os sádicos guardas do abrigo e para seu diretor; quando um menino morre por abuso físico por parte dos guardas, estes procuram jogar a culpa do assassinato em outro menino, o amante de Lilica, um garoto homossexual. Convenientemente, o amante de Lilica também “morre”, com a ajuda dos guardas.
Logo depois, Pixote, Chico, Lilica e seu novo amante Dito encontram uma oportunidade de fugir da prisão. Após escaparem, eles permanecem no apartamento de Cristal, um ex-amante de Lilica, mas quando surgem tensões entre eles e Cristal, o grupo vai para o Rio de Janeiro para fazer uma negociação de cocaína com uma stripper conhecida de Cristal. Chegando lá, porém, eles acabam sendo passados para trás pela stripper, que acaba matando Chico e sendo esfaqueada por Pixote, o que se torna o primeiro assassinato cometido pelo menino.
Eles encontram Sueli, uma prostituta abandonada pelo seu cafetão e que acabara de fazer um aborto clandestino. Juntam-se a ela para roubar os clientes da prostituta durante os seus programas, mas o clima começa a ficar tenso quando Dito e Sueli ficam atraídos um pelo outro, causando profundo ciúme em Lilica, que acaba abandonando o grupo quando presencia Dito e Sueli fazendo sexo. O esquema de roubo acaba dando errado quando um americano que vai fazer um programa com Sueli reage inesperadamente quando Dito anuncia que vai assaltá-lo (uma vez que ele aparentemente ele não entende português) e os dois se atracam. Pixote, ao tentar mirar o americano com sua pequena pistola, erra e acaba acertando e matando Dito, para desespero de Sueli; o americano também é morto por Pixote.
Desolados, Pixote e Sueli estão agora sozinhos no mundo. O menino tenta buscar o carinho de Sueli, procurando nela a figura de uma mãe, mas ela o rejeita e o manda embora. Ele então se vai e é visto andando por uma linha ferroviária, de pistola na mão, se afastando até ir desaparecendo na distância.
Elenco
Fernando Ramos da Silva …. Pixote
Marília Pera …. Sueli
Jorge Julião …. Lilica
Gilberto Moura …. Dito
Edílson Lino …. Chico
Zenildo Oliveira Santos …. Fumaça
Cláudio Bernardo …. Garotão
Israel Feres David …. Roberto Pé de Lata
José Nílson Martins dos Santos …. Diego
Jardel Filho …. Sapatos Brancos
Rubens de Falco …. juiz
Elke Maravilha …. Débora
Tony Tornado …. Cristal
Beatriz Segall …. viúva
Ariclê Perez …. professora
O filme foi concebido em estilo de documentário, fortemente influenciado pelo neo-realismo italiano, no qual tomam parte do elenco vários atores amadores com vidas muito semelhantes às dos personagens do filme.
O filme teve suas cenas rodadas nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro; o filme apresenta várias cenas das praias do Rio, assim como lugares históricos e turísticos de São Paulo como o Viaduto Santa Ifigênia e o Monumento às Bandeiras (em frente ao Parque Ibirapuera), que são notavelmente vistos ao longo do filme.
Pixote foi lançado nos cinemas brasileiros em 26 de setembro de 1980. Nos Estados Unidos, o filme foi apresentado pela primeira vez no New York New Directors/New Films Festival em 5 de maio de 1981 em Nova Iorque; depois foi exibido em circuito limitado nos cinemas daquele país a partir de 11 de setembro de 1981.
O filme foi exibido em vários festivais de cinema, incluindo: Festival Internacional de Cinema de San Sebastián (na Espanha), Festival Internacional de Cinema de Toronto (no Canadá), Festival Internacional de Cinema de Locarno (Suíça), entre outros.
Crítica
O crítico de cinema Roger Ebert, do jornal Chicago Sun-Times, considerou o filme um clássico, e escreveu: “Pixote predomina neste trabalho de Babenco, que mostra um olhar áspero de uma vida que nenhum ser humano deveria ser obrigado a levar. E o que os olhos de Fernando Ramos da Silva, o jovem ator condenado, nos mostra não é para nos machucar, nem para nos acusar, assim como não mostra arrependimento – mostra apenas a aceitação de uma realidade diária desolada”.
Vincent Canby, crítico de cinema do The New York Times, gostou da atuação neo-realista e da direção do drama e escreveu: “Pixote, terceiro longa-metragem de Hector Babenco, diretor brasileiro nascido na Argentina, é um ótimo filme, intransigentemente cruel, sobre os meninos de rua de São Paulo, em particular sobre Pixote. As performances dos atores são boas demais para serem verdadeiras, mas o Sr. Ramos da Silva e a Sra. Pêra são esplêndidos. Pixote não é para os fracos de estômago, muitos dos detalhes são difíceis de serem deglutidos, mas o filme não é explorador, nem é pretensioso. O diretor Babenco nos mostra o fundo do poço e, como artista que ele é, nos faz acreditar nisto e que todas as possibilidades de melhora das crianças de rua brasileiras foram perdidas”.
O agregador de críticas Rotten Tomatoes apresenta uma pontuação positiva para o filme com 91% de suas resenhas sendo consideradas positivas, baseado em 11 críticas e obtendo uma classificação média de 8.75/10.
Embora tenha sido aceito como representante brasileiro para uma indicação do Óscar de melhor filme estrangeiro, Pixote foi posteriormente desqualificado devido o filme ter sido lançado nos cinemas antes da data permitida para sua elegibilidade.
O filme, contudo, conseguiu ser indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro durante a trigésima nona cerimônia realizada em janeiro de 1982, porém perdeu o prêmio para o britânico Chariots of Fire.

A morte de “Pixote”
O ator Fernando Ramos da Silva, que interpretou o personagem-título, tempo depois do êxito do filme, voltou à sua vida de sempre, vivendo num ambiente de total miséria. Chegou a tentar seguir a carreira de ator, ingressando na Rede Globo com a ajuda do escritor José Louzeiro, porém, foi demitido por ser incapaz de decorar os textos, já que era semialfabetizado. Devido à influência dos irmãos, retornou à criminalidade, sendo assassinado por policiais militares em 1987.
A rápida trajetória de Fernando foi contada pelo diretor José Joffily, em seu filme Quem Matou Pixote?, lançado em 1996.

14.302 – O que é Jainismo?


jainismo
Trata-se de uma religião indiana antiga.Tal filosofia se baseia em ensinamentos de 24 profetas, sendo o último Mahavira, que como o seu contemporâneo Buda, protestava contra os cultos ritualistas do Hindu dominante. O Jainismo prega uma moral severa, um treinamento espiritual através da austeridade, cujo objetivo é levar até o Nirvana.
O Jainismo teve origem por volta dos VII ou VII antes da era cristã, bacia do rio Ganges. A palavra Jaina ( ocidentalizada como Jain), da qual deriva o nome Jainismo, é um termo sânscrito que designados seguidores dos mestres oniscientes chamados Jina, “vitoriosos” expressão obtida porque esses mestres tiveram a vitória sobre as paixões e os sentidos lhes possibilita chegar ao esclarecimento e a conseqüente libertação do ciclo de renascer, libertação esta vista como um estado de bem-aventurança. Estes também fundaram uma comunidade de monjes, monjas e homens e mulheres leigos, figurativamente chamados de “Vau” (tirtha, em sânscrito), ou caminho para atravessar as águas do renascimento, em geral cada um deles é chamado de tirthankara, construtor da vau. Dentre estes jainistas podemos destacar duas figuras históricas: Parsva e Mahavira, ambos viveram durante um período significativo de relinhamento sociopolítico e especulação religiosa no norte da Índia. Não restam registros diretos de Parsva, de tal modo que a sua figura necessita ser construída com base em fontes posteriores, provavelmente ele viveu entre os séculos VIII e VII antes da era cristã. Em geral, Mahavira é considerado o fundador do Jainismo, porém é mais razoável vê-lo como um divulgador dos ensinamentos de Parsva. A tradição atribui que Mahavira tenha vivido no período de 599-529 antes da era cristã, embora talvez tenha vivido um século depois.
A tradição religiosa do jainismo tem como centro os seres humanos e suas preocupações e ensina que o universo é eterno e não possui criador. Embora existam deuses, em um sistema de céus acima do mundo humano, estes deuses não têm influências sobre os assuntos dos seres mortais e eles próprios podem deixar de serem deuses e deixar de serem deuses e renascer. Os ensinamentos jainistas descrevem a realidade constituindo duas categorias: Jiva (alma) que na sua forma original é caracterizada por qualidades de pleno conhecimento, bem-aventurança e energia, e a não Jiva- átomos, qualidades de movimento e repouso e que juntos constituem o mundo material.
O jainismo ensina uma trajetória espiritual que permite que a alma fuja da influência do Karma (atraído para a alma pelas ações violentas), uma das observâncias mais comuns é o samayika, um período de 48 minutos de reflexão e ausência de qualquer atividade. O interior dos templos propicia locais para as imagens dos tirthankaras, que como símbolos da fruição do caminho jainista, podem ser venerados mentalmente ou com oferendas materiais. O festival que une todos os jainistas é o Mahavir Jayanti, aniversário de Mahavira, celebrado entre o final de março e o inicio abril.

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14.301 – Soluções para Salvar a Economia


saude economica
O episódio conhecido como Grande Depressão consistiu numa queda de 26% no PIB dos EUA entre 1929 e 1933. O Goldman Sachs, um banco americano, prevê um baque de 24% por lá só neste trimestre (que vai de abril a junho). O UBS, um banco suíço, imagina algo na mesma linha para o Brasil: tombo de 20% no PIB.
A queda agora deve concentrar em três meses os quatro anos da maior crise econômica que o mundo já viu em tempos de paz. Até o termino desse artigo, não havia dados concretos sobre o aumento no desemprego no Brasil em março, o mês em que o coronavírus começou a fechar o País. Mas as previsões eram feias – uma subida dos 11% de fevereiro para mais de 16%. Nos EUA, idem: a maior economia do mundo viu 16 milhões de vagas evaporarem em três semanas. 10% da força de trabalho deles foi para a rua da noite para o dia.
A Grande Depressão só virou o que virou porque o governo dos EUA fez o favor de ficar de braços cruzados. Aquela crise começou com o Crash de 1929, uma queda abrupta de 23% em dois dias no valor das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York (o fundo do poço só viria em 1932, com uma queda acumulada de 89%). A queda não teve uma razão. Não havia guerra, pandemia nem nada parecido à espreita. Foi basicamente um tombo forte do mercado depois de anos de subida incessante.
Esse baque inicial, porém, criou um efeito dominó. Bancos que tinham dinheiro demais investido em ações faliram. Com menos bancos, muitas empresas ficaram sem ter como tomar dinheiro emprestado para as despesas do dia a dia. Quebraram. Com menos empresas, começou a faltar emprego. Sem emprego, o consumo baixou. E mais empresas quebraram, retroalimentando o círculo vicioso. A crise se espalharia pelo mundo, pois já havia uma economia global – e os EUA já eram o jogador principal ali.
O governo de lá poderia ter dado uma força. O Estado tem o poder de criar moeda. De imprimir dinheiro. E quando falta dinheiro em circulação, o governo tende a materializar esse dinheiro mágico, para evitar que seus cidadãos acabem se estapeando no meio da rua por maçanetas de porta ou por comida.
O governo dos EUA não fez nada para evitar a queda. A justificativa era quase religiosa: não haveria ajuda do Estado porque a ideia era justamente fazer uma “faxina”. Tirar do jogo os “especuladores”. “Isso expurgará o sistema, que está podre”, disse Andrew Mellon, então secretário do Tesouro (equivalente a ministro da Fazenda) dos EUA. “Os padrões de vida serão reduzidos. As pessoas trabalharão mais, levarão uma vida mais de acordo com a moralidade. Os valores se ajustarão, e os empreendedores recolherão os destroços dos menos competentes.” Deu ruim.
O ministro da fazenda americano disse, em 1929: “Os padrões de vida serão reduzidos. As pessoas trabalharão mais, levarão uma vida mais de acordo com a moralidade. Os valores se ajustarão, e os empreendedores recolherão os destroços dos menos competentes.” Deu ruim.
A economia parou de cair em 1934, mas o desemprego continuaria roçando na casa dos 20% por vários anos.
“O que realmente pôs um fim na Grande Depressão foi um programa massivo de obras públicas chamado Segunda Guerra Mundial”, disse certa vez o Nobel de economia Paul Krugman. De fato. A produção de aviões, navios de combate e a logística brutal das operações de guerra na Europa e no Pacífico criaram uma situação de pleno emprego nos EUA – com o índice de pessoas sem trabalho caindo para míseros 1,2% em 1944, no auge do conflito.
Esse boom na produção fez o PIB americano crescer severamente durante a Guerra – entre 1941 e 1943, admiráveis 15% ao ano. Mas de onde vinha a grana para pagar o pessoal que fazia os aviões, os encouraçados, a comida e o cigarro dos soldados? Vinha da grande casa de papel americana: o Federal Reserve (Fed), que é o Banco Central deles.
Bancos centrais têm o poder de imprimir dinheiro, e fazem parte do governo. Mas seu papel nas economias não é pagar os gastos do governo. O que eles fazem no dia a dia é controlar o volume de moeda que circula pela economia.
Se os índices de inflação começam a subir, significa que tem dinheiro demais na praça. No caso, mais dinheiro em circulação do que coisas que existem para comprar com esse dinheiro. Então os preços sobem. Inflação. E aí quem perde o valor é o dinheiro. Um Banco Central (BC) existe para manter o valor da moeda.
Para evitar tal perda de valor, o Banco Central age para tirar dinheiro da economia. Então ele chega nas instituições financeiras, ou seja, nos bancos normais, pedindo dinheiro emprestado. Não que ele precise (ele tem o poder de fabricar moeda do nada, afinal). Ele só pega emprestado dos bancos para que os bancos não possam emprestar esse dinheiro para o público, para nós. Para que os bancos topem emprestar, ele oferece juros mais gordinhos. Quando você vê no noticiário que “os juros subiram”, é isso que aconteceu.
Mas tem um outro lado nessa moeda. Se os índices de inflação estão caindo, o que acontece? O BC fica lá parado estourando champanhe para comemorar a valorização da moeda? Não. Inflação é ruim. Mas deflação, queda generalizada nos preços, é pior. Significa que a economia está deixando de funcionar, que ninguém mais está comprando nada. Nos EUA da Grande Depressão, os preços caíam 15% ao ano, por pura falta de demanda. No mundo pós-coronavírus, vale adiantar, é o que já está acontecendo.
Então o que é o ideal? Uma inflação absolutamente zero? Também não. Se nenhum preço jamais sobe, significa que a economia congelou. Preços em ligeira alta, num setor específico, são um bom sinal. Se o preço da pizza no seu bairro está subindo, isso pode significar que há espaço para você criar uma pizzaria. E isso é bom.
O que os governos fazem, então, é estabelecer uma meta de inflação para o ano. No Brasil, ela está em 4% para 2020. E isso significa o seguinte: se os índices de inflação estiverem abaixo de 4%, o Banco Central tem a obrigação de imprimir dinheiro – mais exatamente, de criar moeda eletrônica, já que ninguém mais usa dinheiro de papel. Então ele cria essa moeda e faz o quê? Deposita na nossa conta? Infelizmente não. Ele pega e dá emprestado, a juros baixinhos, de pai para filho, para os bancos. Quando você vê no noticiário que “os juros caíram”, foi isso que aconteceu.
Com mais dinheiro na mão, os bancos tendem a emprestar mais. É assim no mundo inteiro. O nome dessas jogadas entre o Banco Central de um país e os bancos normais que operam ali é “política econômica”. É ela que determina o valor do dinheiro e dá forças para a economia crescer quando esse dinheiro está devidamente valorizado.
No Brasil, o BC só pode imprimir dinheiro para fazer a tal política econômica. A Lei de Responsabilidade Fiscal, editada no ano 2000, tem um ponto importantíssimo: proíbe a impressão de dinheiro para financiar o Estado.
Isso é ótimo, já que nos livrou de qualquer nova ameaça de hiperinflação.
Se o governo quiser construir estádio, hidrelétrica ou hospital, vai ter de arranjar o dinheiro por conta própria. Que se vire cobrando mais impostos ou pegando emprestado na rua. E é o que ele faz mesmo. Ele pede emprestado “na rua” lançando títulos públicos. Um título público é como se fosse um vale que diz “Obrigado por emprestar R$ 1.000 ao seu maravilhoso governo. Prometemos pagar R$ 1.100 de volta daqui a três anos”. Aí o governo paga ou com o dinheiro que entrar de impostos lá na frente ou fazendo uma dívida nova, com outra pessoa, para não te dar um calote. Rola a dívida. O nome do montante que o governo deve é “dívida pública”.
A do Brasil, como a de qualquer outro país, vem sendo rolada desde o Pré-Cambriano. Está hoje em quase R$ 6 trilhões (ou 80% do PIB, que é como os técnicos medem as dívidas de cada país). O resto é igual na sua vida: quanto maior a dívida, maior o risco de calote, então o governo precisa pagar juros maiores para continuar rolando.
Se o Banco Central pudesse imprimir dinheiro para comprar títulos públicos, estaria financiando o governo por magia. É isso que a nossa Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe. E a compra nem precisa ser direto do governo. Se um banco tem uma tonelada de títulos públicos em seu poder (e todos têm), o BC vai lá, imprime dinheiro e compra. Nisso, o governo ganha uma folga: deixa de ter dívida com o banco. O dinheiro que o Estado usaria para rolar essa dívida fica livre para ele gastar como bem entender. Na prática, é exatamente como se o BC tivesse imprimido o dinheiro e dado de presente para os cofres da União. A Lei de Responsabilidade Fiscal, então, não permite que o BC compre títulos – a não ser para fazer a tal política econômica.
Nos EUA é diferente. Não existe uma lei assim. O Fed pode criar dinheiro para comprar títulos públicos. Tem licença para imprimir dinheiro. E agora o Brasil segue pelo mesmo caminho. A PEC do “Orçamento de Guerra”, aprovada em abril pelo Congresso, permite a compra de títulos públicos com dinheiro novo, pelo menos enquanto vigorar o estado de calamidade pública.
Isso dá poder de fogo ao governo para bancar medidas anticrise, como aquela ajuda de R$ 600 por três meses e as liberações de seguro-desemprego a quem tiver o salário reduzido ou suspenso. E não menos importante: vai deixar os bancos com muito mais dinheiro para emprestar.
Além disso, a PEC permite que o BC compre títulos privados em poder dos bancos. Ou seja: se a Petrobras deve R$ 1 bilhão para o Bradesco, o BC pode dar esse bilhão ao Bradesco, e aí assume para si o risco de a Petrobras não pagar. É o que os EUA estão fazendo também. A ideia principal é encher os bancos de dinheiro novo e pedir pelo amor de Deus para que eles emprestem mais, e a juros menores. Se esses títulos privados forem de companhias menores, melhor ainda. Você mata dois coelhos: enche o caixa dos bancos e desafoga a rolagem de dívidas das pequenas empresas – ainda mais levando em conta que elas respondem por 54% das vagas formais no Brasil.
A fé de que esse tipo de medida dê resultado é grande. Tanto que as previsões são de uma retomada firme já no terceiro trimestre (julho-setembro), com subidas de mais de 15% no PIB, seja aqui, seja lá fora. O ano fecharia ainda numa recessão brava, mas administrável: na casa de 5% negativos.
Mesmo assim, o Fed radicalizou. Decidiu fazer ele mesmo certos empréstimos, para não ter de se ajoelhar para os bancos. O BC dos EUA criou um programa de resgate a pequenas e médias empresas. Eles imprimem os dólares e emprestam para você, empresário. Os juros são de 1% ao ano.
E tem um plot twist aí: se você provar que gastou 75% com pagamento de salários, e os outros 25% em aluguel, água, luz, eles perdoam a dívida. Fica por isso mesmo. Não é juro zero. É amortização zero. Dinheiro de graça para pagar salário. Isso vai cobrir metade da força de trabalho dos EUA.
Os EUA darão dinheiro a pequenas empresas para pagamento de salário. E não vão cobrar de volta.
No Brasil, as fichas estão com os bancos. As compras de títulos públicos e privados pelo BC colocará mais de R$ 1 trilhão no colo deles. Espera-se, então, que isso signifique crédito amplo e barato, principalmente para os pequenos comércios. Se não significar, uma injeção direta de dinheiro novo, à la Fed, será urgente.
Medidas assim, de qualquer forma, tendem a gerar inflação. Haverá mais dinheiro na praça do que a capacidade que temos de produzir coisas para serem compradas com esse dinheiro. Quando os índices de inflação subirem, os governos terão de drenar moeda das economias – aumentando os juros. Aí que a porca torce o rabo. Aumento de juros mantém o valor da moeda, mas reduz a atividade econômica. E não podemos nos dar a esse luxo nos próximos meses, sob pena de entrarmos numa Grande Depressão.
A melhor forma de agir, então, é usar as impressoras, mas com moderação. Com que grau de moderação? Ninguém sabe. Será na tentativa e erro. Porque a economia pode até ser a mais exata das ciências humanas, mas também é a mais humana das ciências exatas.

14.283 – Sócio Economia – Perda de renda divide país sobre isolamento social


florianopolis-deserta
Levantamento nacional divulgado pelo Instituto Paraná Pesquisas recentes mostraram o país dividido em relação ao isolamento social na pandemia de coronavírus.
No momento em que o país se aproximava da marca das 3.000 mortes na pandemia, o instituto perguntou aos entrevistados se eles “manteriam o isolamento social enquanto for necessário independente da crise ou impacto econômico?”
O isolamento a qualquer preço foi a resposta escolhida por 53,2% dos entrevistados. Já 42,7% disseram que não manteriam o isolamento social, se esse viesse acompanhado de uma crise financeira.
O instituto ouviu 2.218 brasileiros, pela internet, nos 26 estados e no Distrito Federal, com margem de erro de 2% para mais ou para menos.

14.277- História – O nazismo era de esquerda ou de direita?


nazismo
O consenso acadêmico, ou seja, o consenso entre os historiadores, é de que o nazismo era um movimento localizado na extrema-direita do espectro político. A argumentação dos historiadores utiliza a análise do discurso do próprio Hitler e da ideologia do Partido Nazista, bem como dos fatos históricos e dos grupos de apoio aos nazistas, que eram grupos políticos e paramilitares de direita.
Afirmar que o nazismo era um regime da extrema-direita não significa negar que existiram movimentos ditatoriais da extrema-esquerda, como foi o caso do governo de Stalin, na União Soviética, ou de Pol Pot, no Camboja.
No caso do nazismo, a conceituação vigente entre os maiores historiadores do mundo é de que se tratava de um regime de extrema-direita, pois, como mencionado, a sustentação do partido ocorreu por meio do apoio de grupos conservadores e paramilitares da direita alemã. Com uma análise minuciada das características do Partido Nazista, é possível identificar melhor essas questões.
Uma característica central da ideologia nazista eram os ataques ao marxismo e ao comunismo soviético. O desprezo ao comunismo era um elemento central da ideologia nazista. O temor ao comunismo, inclusive, é levantado pelos historiadores como um dos fatores que alavancaram o nazismo na Alemanha.
Na Alemanha durante as décadas de 1910 e 1920, as ideias comunistas eram muito influentes e possuíam muitos adeptos. A respeito dessa questão, o historiador Ian Kershaw menciona o fato de que os escritos de Hitler denotavam que ele não havia estudado marxismo1 e ainda que Hitler almejava ser o destruidor do marxismo2.
O resultado dessa busca de Hitler pela destruição do marxismo, representado no comunismo soviético, deu origem a uma geração de alemães que, a partir de uma extensa doutrinação, via no comunismo e nos judeus duas coisas que deveriam ser destruídas, como evidencia o historiador Max Hastings.
O antimarxismo dos nazistas ecoava em parcela com o antissemitismo. Isso se explica pelo fato de que os nazistas acreditavam que o comunismo soviético era parte de um plano dos judeus de dominação internacional. Essa ideia conspiracionista em relação aos judeus foi fortemente influenciada na época por uma publicação anônima chamada Os Protocolos dos Sábios de Sião.

No caso do antimarxismo, podemos citar também os freikorps, os grupos paramilitares que apoiavam o nazismo durante a década de 1920 e promoviam ataques contra os seus opositores ideológicos. Assim, foram comuns casos de grupos paramilitares que perseguiam e agrediam social-democratas (centro-esquerda) e marxistas/comunistas (esquerda).
O nazismo era liberal ou antiliberal?
Na questão da economia, há muita confusão, sobretudo pelo fato de o nazismo ter sido um partido antiliberal. Isso porque Hitler só aceitava uma economia capitalista que estivesse sob o poder do Estado, negando que o desenvolvimento capitalista acontecesse no livre mercado. De toda forma, o direito à propriedade privada era garantido dentro do Estado nazista e, conforme pontua Ian Kershaw, Hitler distinguia “capital industrial” de “capital financeiro”. O primeiro era visto de maneira positiva, e o segundo, de maneira negativa, uma vez que estava supostamente nas mãos dos judeus, o grupo visto como o responsável por todo o mal que a sociedade alemã enfrentava.
Por que Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães?
Outro ponto importante está na confusão acerca do nome do partido: Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Essa nomenclatura fazia parte da propaganda do partido para atrair pessoas. Nesse sentido, utilizavam-se termos de dois movimentos bastante populares à época: o nacionalismo e o socialismo. Ambos os movimentos tinham inúmeros adeptos na Alemanha da época.
Até as cores do partido foram pensadas por Hitler como forma de atrair pessoas para o nazismo. Esse tipo de propagandismo a partir da nomenclatura foi utilizado por outros partidos ao longo da história. Um exemplo que é amplamente considerado atualmente é o caso da República Democrática da Coreia ou, simplesmente, Coreia do Norte, que, apesar do nome, sabemos que não tem nada de democrática.
Por fim, é importante especificar que esse debate de o nazismo ser de esquerda não existe entre os meios acadêmicos, uma vez que a sua legitimidade nos fatos históricos não é comprovada pelos estudos feitos sobre o tema.

O que era o nazismo?
O nazismo foi um partido político que surgiu na Alemanha em 1920 e que ascendeu rapidamente ao poder aproveitando-se do desespero da sociedade alemã, que estava arrasada em consequência da Primeira Guerra Mundial e da Grande Depressão. Os nazistas conseguiram chegar ao poder em 1933 e iniciaram um regime totalitário que levou a Alemanha à Segunda Guerra Mundial e a cometer o maior genocídio da humanidade: o holocausto.
O partido nazista é fruto de ideais que estavam em evidência na sociedade alemã desde o século XIX e que ganharam nova dimensão após a Primeira Guerra Mundial. No século XIX, a região que corresponde à Alemanha sofreu o seu processo de unificação (surgimento do Estado Nacional Moderno da Alemanha) em torno de fortes ideais nacionalistas. Esse processo foi conduzido por Otto von Bismarck. O nacionalismo exacerbado que existia na sociedade alemã era acompanhado por tendências xenofóbicas (desprezo pelo estrangeiro) que se voltavam contra outros povos (como os poloneses) e pelo antissemitismo (aversão aos judeus).
Esses ideais escoravam-se em ideologias da época baseadas no darwinismo social que procuravam comprovar cientificamente a “superioridade” de determinados povos em relação a outros. No caso do alemão, desenvolveu-se um ideal em torno do “nórdico” ou “ariano” como povo superior. Esse ideal de superioridade era acompanhado de um ideal de império em que os alemães formariam um “espaço vital”, uma espécie de mito rural em que os alemães ocupariam um vasto território e viveriam à custa do trabalho dos eslavos.
Além do nacionalismo extremo, da xenofobia e do antissemitismo, a sociedade alemã também reproduzia outros ideais, como a exaltação da guerra como forma de alcançar o desenvolvimento e o apreço por uma liderança forte. Todos esses valores foram levados para o século XX e exportados aos movimentos extremistas da década de 1920, quando a sociedade alemã estava à beira do colapso.
O surgimento do nazismo está diretamente relacionado com o cenário da Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. O fim desse conflito foi marcado pela rendição da Alemanha e pela resignação das lideranças do país em assumir a total responsabilidade pelo conflito. Isso foi enxergado por uma parte considerável da sociedade alemã como uma traição, e a rendição do país foi vista de uma maneira conspiratória, isto é, elementos da sociedade passaram a acreditar que a rendição da Alemanha havia sido fruto de uma conspiração.
Para agravar a situação, a Alemanha encarou a pior crise econômica da sua história nas décadas de 1920 e 1930 por conta da derrota na guerra e da Crise de 1929 (Grande Depressão). A crise econômica fez com que a moeda alemã sofresse uma desvalorização brutal e o desemprego disparasse e alcançasse quase a metade da população em idade ativa.
Foi dentro desse contexto que o nazismo ganhou força. O partido surgiu oficialmente em 1920 com o nome de Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (em alemão, o nome do partido era Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, com sigla NSDAP). Hitler esteve envolvido com o surgimento do partido na data citada e ajudou na elaboração do programa do partido.
Aos poucos, Hitler foi ganhando mais importância na popularização dos nazistas, principalmente por sua excelente oratória, que chamava a atenção das pessoas. Ele se tornou líder do partido nazista em 1921 e foi figura central no fortalecimento do nazismo ao longo da década de 1920, conseguindo chegar ao poder da Alemanha em 1933.

14.276 – Como Morreram os 12 Apóstolos?


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A ciência não conseguiu comprovar se os 12 discípulos de Jesus existiram na forma como são descritos pela Igreja. Os poucos historiadores e bispos que deixaram relatos sobre eles, como Eusébio de Cesareia, autor de História Eclesiástica (séc. 4), têm a credibilidade afetada, pois seus textos tinham a intenção de reforçar a fé cristã, em um tempo em que a religião ainda não tinha dogmas bem definidos, hierarquia estabelecida e poder central estabilizado. Isso só começou a ser desenhado quando o cristianismo virou religião oficial de Roma, em 380. É possível que as biografias dos 12 apóstolos misturem as vidas de vários seguidores de Jesus com elementos ficcionais. Aqui, mostramos a forma como eles morreram segundo a Bíblia ou de acordo com textos dos primeiros séculos do cristianismo.

1
Judas Iscariotes

30-33 d.C.
Atos dos Apóstolos
Evangelho Segundo Mateus (não faz parte da Bíblia)
Suicidou-se, arrependido por ter traído Jesus. Ele se enforcou em uma árvore, sobre um penhasco. A corda arrebentou e Judas caiu em cima de pedras afiadas

2
Tiago Maior
44 d.C.
Atos dos Apóstolos
História Eclesiástica II (não faz parte da Bíblia)
Morreu ao lado do homem que o delatou ao rei da Judeia, Herodes Agripa. O delator se arrependeu e se converteu na hora H. Ambos foram executados em Jerusalém: decapitados ou perfurados pela espada de um soldado

3
Filipe
54 d.C.
Atos de Filipe (não faz parte da Bíblia)
Morreu por converter a mulher do homem errado — um procônsul romano. Dependendo da versão, ele foi crucificado ou torturado até a morte, em algum lugar da Ásia Menor

4
Mateus
60 d.C.
Relatos do pensador gnóstico Heracleon
A história mais antiga diz que ele morreu na Etiópia de causas naturais. Mas há pelo menos quatro relatos em que ele é assassinado por um rei local: decapitado, afogado, esfaqueado ou queimado

5
Tiago Menor
63-64 d.C.
Antiguidades Judaicas, de Flávio Josefo (não faz parte da Bíblia)
Culpando os cristãos pelo incêndio que destruiu Roma, em 64, o imperador Nero teria inflamado o povo a apedrejar e espancar Tiago (hoje, há historiadores que dizem que a perseguição a cristãos começou somente depois do período de Nero)

6
Pedro
64 d.C.
Atos dos Apóstolos
Primeira Epístola de Clemente (não faz parte da Bíblia)
Vítima da perseguição religiosa de Nero, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo por se sentir indigno de morrer como Cristo. Segundo a tradição, o fato se deu no Circo de Nero, onde hoje fica o Vaticano

7
André
69 d.C.
Atos de André (não faz parte da Bíblia)
Morreu suspenso em uma cruz em forma de X, na Grécia. Ele havia se recusado a renegar sua fé diante do procônsul romano Aegeates

8
Tomé
72 d.C.
Atos de Tomé (não faz parte da Bíblia)
História Eclesiástica V (não faz parte da Bíblia)
Perfurado pelas lanças de soldados em Mylapore, Índia. Tudo porque ele converteu a esposa do rei Misdaeu, Charisius, que se negou a fazer sexo após virar cristã. Mylapore, quando foi dominada pelos portugueses, passou a se chamar São Tomé de Meliapor

9
João
103 d.C.
Textos de Polícrates de Éfeso e de Eusébio de Cesareia (não fazem parte da Bíblia)
Após quase ser queimado vivo a mando do imperador romano Domiciano, exilou-se na Ilha de Patmos, na Grécia, em meados de 90 d.C. De lá se mudou para Efésios, onde morreu de causas naturais

10
Bartolomeu
Data indefinida
Sem registros escritos
Teria morrido na Armênia, mas não se sabe se foi crucificado ou esfolado e decapitado pelo irmão do rei Polymius. O monarca havia sido convertido pelo apóstolo

11
Simão
Data indefinida
Sem registros escritos
Há poucas informações. Ele teria morrido após renegar algum deus do Sol. Isso poderia ter sido tanto na Inglaterra quanto na Pérsia (atual Irã)

12
Tadeu
Data indefinida
Atos de Judas Tadeu e Simão (não faz parte da Bíblia)
Teria sido martirizado em Beirute, capital do atual Líbano, ao lado de Simão, seu grande amigo (sim, é outra versão para a morte de Simão)

14.259 – Mega Bloco – Aspectos culturais da sexualidade humana


sexo bloco
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a sexualidade é a “energia que motiva a encontrar o amor, contato e intimidade e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas e como estas se tocam e são tocadas”.
A sexualidade possui fortes traços da cultura. Esse aspecto fica muito evidente quando você passa um bom tempo em outro país ou quando assiste filmes ou seriados estrangeiros, como, por exemplo, no seriado Gilmore Girls. Preste atenção no próximo que você assistir.
Cabe aqui deixar claro que quando falamos de sexualidade estamos nos referindo a todos seus aspectos, a saber, biológicos, de orientação sexual, identidade sexual, de papeis dos gêneros e a prática do ato sexual em si.
Assim, a sexualidade é um fenômeno amplo e complexo e por isso tem sido objeto de estudo da biologia, fisiologia, sociologia, antropologia, história e psicologia. O que todas essas áreas têm em comum? Todas atestam que sexualidade e sexo não são sinônimos.
A palavra sexo está ligada às características biológicas (anatomia e fisiologia dos órgãos sexuais masculino e feminino), e é usada para se referir ao ato sexual. Já o conceito de sexualidade é muito mais amplo, estando ligado à qualidade e significação do que é sexual.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) entende a sexualidade como sendo influenciada pela interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, políticos, culturais, legais, históricos, religiosos e espirituais.
Para os seres humanos a sexualidade envolve diferentes aspectos além do próprio ato em si, envolve sentimentos, sensações, sonhos e expectativas, experiências anteriores e aspectos culturais, familiares, físicos e espirituais e tantos outros. Podemos dizer, então, que a sexualidade envolve a emoção, o afeto e a cultura.
É tema de discussão em muitas áreas, por exemplo, biologia, medicina, história, sociologia, antropologia e psicologia.
Todas essas áreas possuem uma mesma base comum, a saber, que o respeito deve ser a base das relações, o respeito a si e ao outro. Isso implica, em última instância, que ninguém deve ser obrigado a fazer algo que não quer e/ou não concorda; e também não deve obrigar ninguém a fazê-lo.
É importante ressaltar que a afetividade não está ligada apenas a sentimentos bons ou positivos. Em todas as relações existem bons e maus momentos, sentimentos afetivos positivos e negativos. Entre os sentimentos negativos da afetividade destacamos a tristeza, medo, raiva, dúvida, entre outros.
Não é exatamente ruim, porque os maus momentos podem gerar crescimento e mudanças pessoais. Podem também estar ligados às épocas em que é importante cuidar mais das relações, consigo mesmo e com o outro – às vezes essa atenção maior se dá devido a problemas e insatisfações externas e não exatamente da relação.
Tanto o conceito de afetividade, quanto o de sexualidade são fortemente influenciados pela cultura. Por esse motivo é preciso ter sempre muito claro aquilo que você deseja para você mesmo e para aqueles que ama, e quais são suas expectativas e valores reais. É preciso evitar estigmas que desqualificam os desejos e sonhos alheios e que justificam a violência.
O respeito às diferenças e a reflexão sobre elas, pode evitar a reprodução automática e impensada de comportamentos agressivos e violentos.
Ter sempre em mente que ninguém é obrigado a fazer aquilo que não quer, não concorda, não deseja ou não entende – e que isso vale para você mesmo e para todas as outras pessoas, é uma das melhores atitudes na vida.

14.255 – Pesquisadores encontram livros envenenados em biblioteca universitária


livro envenenado
Alguns deve se lembrar do livro letal de Aristóteles que tem um papel importante na premissa da obra O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Envenenado por um monge beniditino louco, o livro dá início ao caos no monastério italiano do século 14, matando todos os leitores que lambem seus dedos antes de virar as páginas tóxicas. Algo do tipo poderia acontecer na realidade?

Nossa pesquisa indica que sim: descobrimos que três livros raros da coleção da biblioteca da Universidade do Sul da Dinamarca contêm grandes concentrações de arsênico em suas capas. Os livros são de vários assuntos históricos e foram publicados entre os séculos 16 e 17.
As características venenosas dos livros foram detectadas por meio de análises de raios-x fluorescente. Essa tecnologia demonstra o espectro químico de um material ao analisar a radiação “secundária” emitida por ele durante uma grande concentração de energia e é bastante utilizada em campos como os da arqueologia e da arte para investigar os elementos químicos de louças e pinturas, por exemplo.
Brilho verde
Levamos esses livros raros para os raios-x porque a biblioteca já tinha descoberto que fragmentos de manuscritos medievais, como cópias da lei romana e da lei canônica, foram utilizados para desenvolver suas capas. É bem documentado que encadernadores dos séculos 16 e 17 costumavam reciclar pergaminhos antigos.
Tentamos identificar os textos usados em latim, ou pelo menos tentar ler parte desses conteúdos. Mas então descobrimos que os textos em latim nas capas dos três volumes eram difíceis de ler por conta de uma camada grossa de tinta verde que escondia as letras antigas. Então os levamos para o laboratório: a ideia era atravessar a camada de tinta usando raios-x fluorescentes e focando nos elementos químicos da tinta que estava por baixo dela, como o ferro e o cálcio, na esperança de que as letras ficassem mais legíveis para os pesquisadores da universidade.
A nossa análise, no entanto, revelou que o pigmento verde da camada era de arsênio. Esse elemento químico está entre as substâncias mais tóxicas do mundo e a exposição a ele pode causar vários sintomas de envenenamento, o desenvolvimento de câncer e até morte.

O arsênio é um metalóide que, na natureza, geralmente é combinado com outros elementos como carbono e hidrogênio. Esse é conhecido como arsênico orgânico. Já o arsênio inorgânico, que pode ocorrer em formas puramente metálicas e em outros compostos, tem variáveis mais perigosas e que não diminuem com o passar do tempo. Dependendo no tipo e duração de exposição, os sintomas do arsênio podem incluir irritação no estômago, no intestino, náusea, diarreia, mudanças na pele e irritação dos pulmões.
Acredita-se que o pigmento verde que contém arsênio seja do tom “verde Paris”, que contém acetoarsênio de cobre. Essa cor também é conhecida como “verde esmeralda” por conta de seus tons verdes deslumbrantes parecidos com o da pedra rara. O pigmento — um pó cristalino — é fácil de fazer e já foi utilizado com vários propósitos, principalmente no século 19. O tamanho dos grãos do pós influenciam o tom das cores, como pode ser visto em tintas a óleo. Grãos maiores produzem um verde mais escuro, enquanto os menores produzem um verde mais claro. O pigmento é conhecido principalmente por sua intensidade de cor e resistência a desaparecer.

Pigmento do passado
A produção industrial do verde Paris começou no início do século 19 na Europa. Pintores impressionistas e pós-impressionistas usavam diferentes versões do pigmento para criar suas vívidas obras de arte. Isso significa que muitas peças de museu hoje contêm o veneno. Em seu auge, todos os tipos de materiais, até capas de livros e roupas, podiam receber uma camada do verde Paris por razões estéticas. O contato contínuo com a substância, é claro, levava a pele dos envolvidos a desenvolver alguns dos sintomas de exposição abordados acima.
Mas na segunda metade do século 19, os efeitos tóxicos da substância eram mais conhecidos, e as variáveis de arsênio pararam de ser utilizadas como pigmentos e passaram a ser usadas mais em pesticidas em plantações. Outros pigmentos foram encontrados para substituir o verde Paris em pinturas e na indústria têxtil. No meio do século 20, o uso da substância em fazendas também foi diminuindo.
No caso dos nossos livros, o pigmento não foi utilizado por motivos estéticos. Uma explicação plausível para a aplicação — possivelmente no século 19 — da substância em livros velhos é para protegê-los de insetos e vermes. Em algumas circunstâncias, compostos de arsênio podem ser transformados em um tipo de gás venenoso com cheio de alho. Há histórias sombrias de papeis de parede vitorianos verdes acabando com a vida de crianças em seus quartos.

Agora, a biblioteca guarda nossos três volumes venenosos em caixas separadas em cabines ventiladas. Também planejamos em digitalizá-los para minimizar o contato físico. Ninguém espera que um livro contenha uma substância venenosa, mas isso pode acontecer.

14.218 – A Reforma Religiosa


lutero
Os movimentos religiosos que culminaram na grande reforma religiosa do século XVI tiveram início desde a Idade Média, através dos teólogos John Wycliffe e Jan Huss. Esses movimentos foram reprimidos, mas, na Inglaterra e na Boêmia (hoje República Tcheca), os ideais reformistas perseveraram em circunstâncias ocultas às tendências que fizeram romper a revolta religiosa na Alemanha.
No começo do século XVI, a Igreja passava por um período delicado. A venda de cargos eclesiásticos e de indulgências e o enfraquecimento das influências papais pelo prestígio crescente dos soberanos europeus, que muitas vezes influenciavam diretamente nas decisões da Igreja, proporcionaram um ambiente oportuno a um movimento reformista.
No final da Idade Média surgiu um forte espírito nacionalista que se desenvolveu em vários países onde a figura da Igreja, ou seja, do Papa, já estava em descrédito. Esse espírito nacionalista foi estrategicamente explorado pelos príncipes e monarcas, empenhados em aumentar os poderes monárquicos, colocando a Igreja em situação de subordinação.
Nesse período, os olhos se voltaram para o grande patrimônio da Igreja, que despertou a ambição de monarcas e nobres ávidos em anexar às suas terras as grandes e ricas propriedades da Igreja, que perfaziam um terço do território da Alemanha e um quinto do território da França. Sem contar na isenção de impostos sobre esse território eclesiástico, que aumentava o interesse dos mais abastados.
Observa-se nessa fase o surgimento de uma nova classe social, que na Itália era formada por banqueiros e comerciantes poderosos. Mas essa classe social não era tão religiosa quanto à da Alemanha, para a qual a religião tinha um significado muito mais pungente.
O espírito crítico do Humanismo e o aperfeiçoamento da imprensa, por Gutemberg, contribuíram para a difusão das obras escritas, entre elas a Bíblia. Ao traduzir a Bíblia para outras línguas, vislumbrou-se a possibilidade de cristãos e não cristãos interpretá-la sem mediação, recebendo conhecimento imediato sobre o cristianismo e suas verdadeiras práticas.
O ponto de partida da reforma religiosa foi o ataque de Martinho Lutero, em 1517, à prática da Igreja de vender indulgências. Martinho Lutero era um monge da ordem católica dos agostinianos, nascido em Eisleben, em 1483, na Alemanha. Após os primeiros estudos, Lutero matriculou-se na Universidade de Erfurt, em 1501, onde se graduou em Artes. Após ter passado alguns anos no mosteiro, estudando o pensamento de Santo Agostinho, foi nomeado professor de teologia da Universidade de Wittenberg.

Lutero admirava os escritos e as ideias de Jan Huss sobre a liberdade cristã e a necessidade de reconduzir o mundo cristão à simplicidade da vida dos primeiros apóstolos. Através de exaustivo estudo, Lutero encontrou respostas para suas dúvidas e, a partir desse momento, começou a defender A doutrina da salvação pela fé. Ele elaborou 95 teses que criticavam duramente a compra de indulgências. Eis algumas delas:

Tese 21 – Estão errados os que pregam as indulgências e afirmam ao próximo que ele será liberto e salvo de todo castigo dos pecados cometidos mediante indulgência do papa.
Tese 36 – Todo cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e sente pesar por ter pecado tem total perdão dos pecados e consequentemente de suas dívidas, mesmo sem a carta de indulgência.
Tese 43 – Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que dá aos pobres ou empresta a quem necessita age melhor do que se comprasse indulgências.
Esses princípios foram considerados uma afronta à Igreja Católica. Em 1521, o monge agostiniano, já declarado herege, foi definitivamente excomungado pela Igreja Católica, refugiando-se na Saxônia. Lutero não tinha a pretensão de dividir o povo cristão, mas a repercussão de suas teses foi amplamente difundida; e suas ideias, passadas adiante. Através da tradução da Bíblia para o idioma alemão, o número de adeptos às ideias de Lutero aumentou largamente; e, por outro lado, o poder da Igreja diminuiu consideravelmente.
Seus ideais reformistas religiosos desencadearam revoltas e assumiram dimensões politicas e socioeconômicas que fugiram do seu controle. A revolta social instalou-se e o descontentamento foi geral. Os príncipes tomaram as terras pertencentes à Igreja Católica e os camponeses revoltaram-se, em 1524, contra a exploração da Igreja e dos príncipes. Lutero, que era protegido pelos príncipes, condenou a revolta dos camponeses e do líder protestante radical, Thomaz Munzer. Munzer foi decapitado e um grande número de camponeses revoltados foi massacrado pelos exércitos organizados pelos príncipes locais apoiados por Lutero, que dizia “não há nada mais daninho que um homem revoltado…”.
A preocupação de Lutero em defender as aspirações feudais fez com que sua doutrina fosse considerada uma religião, a religião dos nobres. Esses nobres assumiram cargos importantes na Igreja, que foi chamada de Igreja Luterana. A reforma religiosa de Lutero chegou a outros países, como a Dinamarca, Suécia, Noruega, os quais foram rompendo os laços com a Igreja Católica, fomentando a reorganização das novas doutrinas religiosas.

14.182 – Projeções – Moeda privada ou cripto da China: qual vai substituir o dólar nas próximas décadas?


bitcoin
A história do dinheiro tem milhares de anos e, durante boa parte desse período, as moedas funcionaram de um jeito bastante diferente do atual.
Por muitos anos, elas foram lastreadas em algum outro ativo, em geral, prata e ouro. Apenas em 1971, após o fim do acordo de Bretton Woods, passamos a ter o experimento de ver moedas sem lastro algum – e a ascensão do dólar como a principal moeda aceita globalmente.
O dólar é atualmente contraparte de mais de 88% dos trades de moedas. Além disso, mais de 40% do comércio mundial está cotado nele.
Apesar de 50 anos não ser um período histórico muito longo, é tempo suficiente para nossa geração ter esse sistema como padrão e temer qualquer mudança que venha a ocorrer.
Além dessa hegemonia do dólar, temos hoje uma aceleração das mudanças para todo lado que olhamos e uma imensa globalização, padronização de processos, regulamentações etc.
A adoção de smartphones e o fato de o WeChat sair de quase nada para ser tornar um dos dois principais meios de pagamento na China em menos de cinco anos são exemplos disso.
É nesse ambiente borbulhante de mudanças, cada vez mais global e padronizado – e com a hegemonia do dólar –, que uma tecnologia que tem como um dos principais pilares a não-necessidade de intermediários vem causando um alvoroço enorme: o Blockchain.
Sua criação está associada ao seu primeiro caso de uso, a criptomoeda Bitcoin, mas hoje é uma plataforma para desenvolvimento de várias soluções para esse novo mundo.
O Bitcoin é o maior experimento recente de criação de uma moeda que não seja associada a governo, mas sofre de uma dificuldade de massificação devido, na minha opinião, a dois fatores: transferência do controle da vida monetária para o usuário e anonimato.
O primeiro fator requer uma adaptação do usuário final, que não tem mais um call-center ou agência para recorrer caso perca a senha (chave privada de acesso).
Já o segundo tem a ver com a não aceitação por parte dos reguladores de um sistema onde eles não tenham controle sobre os movimentos financeiros do indivíduo dentro (ou fora) de sua área de influência.
Dito isso, surgiu a ideia de usar a tecnologia para a criação de uma moeda digital privada lastreada em uma moeda fiduciária, a Stablecoin.
Uma das primeiras Stablecoins, e certamente a maior hoje, é o Tether, que tem uma liquidez mundial maior que o próprio Bitcoin. Mas ele não é o único.
Ao longo de 2019, diferentes maneiras de se fazer uma Stablecoin estão sendo testadas e lançadas nas mais diversas jurisdições, lastreadas em inúmeras moedas fiduciárias do mundo.
E aí chegamos à Libra. Uma Stablecoin criada por uma associação que tem o Facebook como seu principal proponente e que, em vez de ser lastreada em uma única moeda fiduciária, propôs a alternativa de ter como lastro uma cesta de ativos.
Essa associação, por começar com aproximadamente 5 bilhões de usuários (somente considerando Facebook, WhatsApp e Instagram), causou um alvoroço gigante em reguladores e bancos centrais.
Tanto é que um estudo do BIS, publicado recentemente, que não se refere diretamente à Libra, mas ao que chamam de GCS (Global Stablecoin), levanta 13 aspectos em que elas trazem riscos/desafios.
Esses aspectos vão dos conhecidos lavagem de dinheiro, segurança cibernética e impostos à integridade do mercado financeiro global, poder das políticas monetárias dos países e ambiente competitivo.
Vale ressaltar que todas as Stablecoins nascem com seus devidos lastros, assim como as moedas antes da década de 1970 tinham seus lastros em dólar ou prata.
Elas são, em geral, representações no campo digital de moedas fiduciárias, mas o grande risco é que, caso sejam aceitas e negociadas por milhões de pessoas, possam romper essa regra e se tornar como as moedas fiduciárias atuais, só que sem um governo.
A recomendação do estudo é que a circulação de Global Stablecoins só seja permitida depois de autorizada por todo e qualquer país que possa ser impactado.
Esse ambiente regulatório mais hostil associado a uma reunião para definição dos papeis dos vários membros da associação contribuíram para a saída de diversas empresas da associação, notadamente Paypal, Visa, Mastercard e Booking.
Mais recentemente, notícias sobre a possibilidade de a Libra lançar Stablecoins uni-fiat, ou seja, várias Stablecoins cada uma associada a uma moeda fiduciária específica, pode dar um novo rumo ao projeto, já que as aprovações ficariam no nível local de cada regulador, como já ocorre hoje com todas as Stablecoins que estão operando.
Isso ajudaria e muito na aprovação e, de posse de todas as Stablecoins uni-fiat, em um segundo momento, seria constituída a Libra como proposto no whitepaper inicial. A ver.

Do outro lado da questão, vemos os bancos centrais em uma corrida desenfreada para a criação de sua própria moeda digital. E aqui, como tem se tornado cada vez mais recorrente quando o tema é tecnologia, a China está despontando como a primeira potência a fazer o lançamento da sua moeda digital, que por muitos está sendo chamada de e-yuan.
Para um país que, em menos de dez anos, saiu de uma economia onde as transações eram feitas majoritariamente em papel moeda, para uma em que os pagamentos são feitos essencialmente via Q-code e smartphones, sendo que há reports de vários lugares onde cartões (crédito e/ou débito) não são mais aceitos, isso não é de se surpreender.
Ser um dos primeiros, ou o primeiro país, a ter sua moeda digitalizada é uma vantagem enorme no campo mundial.
A moeda digital permite, entre outras coisas, uma fluidez muito maior nos fluxos, com uma desintermediação imensa, além de um possível controle mais amplo sobre os dados relativos a cada transação (a depender da arquitetura de dados escolhida).
Vale ressaltar que a moeda chinesa não é uma das que têm a maior circulação do mundo, e talvez essa migração para uma moeda digital possa ser um passo importantíssimo nesse rumo.
Além da China, nos Estados Unidos e na Europa, incluindo a Inglaterra (que em algum momento vai virar a página da “never ending story” do Brexit, e voltará a focar no que precisa), as discussões sobre a emissão de uma moeda digital do governo estão bastante quentes.
Mas, até onde sei, as previsões de implementação estão bastante defasadas em relação à China.
A verdade é que a caixa de pandora aberta pela criação do Bitcoin estava de certa forma controlada pelos governos, mas, com o surgimento da Libra, ela foi escancarada e obrigou todos os governos a encarar o problema de frente.
O fato de a moeda não precisar ser obrigatoriamente função ou monopólio de governos os afeta diretamente.
Com isso, uma corrida pela nova moeda hegemônica global se instaurou. Será uma moeda de governo ou uma moeda privada? Saberemos em breve.

14.162 – Economia – Renda média per capita no Sudeste vai a R$ 1.639, o dobro do recebido no Nordeste


desemprego no Brasil
O rendimento médio mensal real domiciliar per capita, considerando todas as fontes de renda, subiu de R$ 1.285 em 2017 para R$ 1.337 em 2018. No entanto, o valor caía a pouco mais da metade da média nacional nas regiões mais pobres do País: no Nordeste, era de R$ 815 em 2018; e no Norte, R$ 886. Na Região Sudeste, o rendimento médio mensal domiciliar per capita foi de R$ 1.639, mais que o dobro do recebido pelos nordestinos.
Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice de Gini da renda domiciliar per capita de todas as fontes – medida de desigualdade de renda numa escala de 0 a 1, em que quanto mais perto de 1 maior é a desigualdade – teve o pior desempenho em 2018 na região Norte, 0,551, seguido pelo Nordeste, 0,545, e Sudeste, 0,533. No Centro-Oeste, o resultado foi de 0,513. O menor valor foi o do Sul, 0,473. Na média nacional, o Índice de Gini alcançou o recorde de 0,545 dentro da série histórica da pesquisa. Ainda considerando todas as fontes de renda, a região Sudeste concentrou mais da metade da massa de rendimentos do País, R$ 143,7 bilhões de um total de R$ 277,7 bilhões. As fatias das demais regiões foram de R$ 47,7 bilhões para o Sul, R$ 46,1 bilhões para o Nordeste, R$ 24,4 bilhões para o Centro-Oeste, e R$ 15,8 bilhões para o Norte.

14.147 – História – Quem Foi Maomé?


maome
Maomé, cujo nome completo era Abu al-Qasim Muhammad ibn ‘Abd Allah ibn ‘Abd al-Muttalib ibn Hashim, foi fundador da religião e civilização islâmica. Nascido em 571 d.C., na cidade de Meca, localizada na Península Arábica, Maomé pertencia à tribo dos coraixitas, especificamente ao clã dos hachemitas, também conhecido pelo nome Banu Hashim, como explica o orientalista David Samuel Margoliouth, em sua obra Maomé e a ascensão do Islã:
Maomé era o filho de pais nascidos em Meca. Consta que seus nomes eram Abdallah (Servo de Alá) e Aminah (A Segura, ou A Protegida). A mãe pertencia aos Banu Zuhrah, e o pai era filho de Abd al-Muttalib, do clã chamado Banu Hashim. É certo que o pai do futuro Profeta morreu antes de o filho nascer, segundo dizem, quando visitava Yathrib, mais tarde conhecida como Medina. A mãe não sobreviveu por muito tempo ao marido, e seu túmulo, como afirmam alguns, encontra-se em Abwa, um lugar a meio caminho entre Meca e Medina, onde, cerca de cinquenta anos depois, seus ossos corriam o risco de ser exumados.
Como ficou órfão muito cedo, Maomé passou a ser criado por seu tio Abu Talib (também do clã Banu Hashim), de quem recebeu educação formal e aprendeu o ofício de comerciar especiarias nas caravanas de camelos transaarianas. Foi como chefe de caravana que, em 595, Maomé conheceu uma rica viúva, também hachemita, chamada Khadijha, passando a trabalhar para ela. Após demonstrar grande destreza na administração dos negócios de Khadijha, Maomé e a viúva, em comum acordo, casaram-se. Esse casamento transformou substancialmente a vida do então comerciante, que não tinha grande fortuna até o momento.

Allah e os hanifs
O fato é que, ao mesmo tempo em que começava a nova vida com Khadijha, Maomé também passou a viver as primeiras manifestações religiosas que definiriam a religião muçulmana. É importante ressaltar que, antes mesmo de o islamismo firmar-se como religião, em Meca e em outras regiões da Arábia, havia uma confluência de credos, tanto pagãos, politeístas, quanto judaicos e cristãos. Além do monoteísmo judaico e cristão, havia também um terceiro grupo, o dos hanifs, nascido em meio à miscelânea pagã dos grupos tipicamente árabes.
Como bem destaca o historiador Daniel-Rops, em sua obra A Igreja dos Tempos Bárbaros:
Na época de Maomé, vinham surgindo tendências novas no interior desse politeísmo tradicional: a influência das colônias judaicas e dos cristãos heréticos do mundo arameu, ao norte, e da Etiópia, ao sul, chamava os melhores espíritos para uma religião mais elevada. As divindades particulares continuavam a ser honradas, mas uma delas começava a predominar sobre as outras: Alá, reconhecido como “maior” – Allah akbar. Além disso, encontravam-se já alguns monoteístas – nem judeus nem cristãos – chamados hanifs.
Os pais de Maomé e muitos membros do clã hachemita adoravam Allah, mas foi Maomé que, nos primeiros anos do século VII, começou a sistematizar a crença propriamente islâmica. A tradição muçulmana relata que Maomé começou a ter progressivas revelações dadas por Deus (Alá) por meio do Anjo Gabriel. Essas revelações teriam dado a Maomé a autoridade de ser o Profeta de Alá, isto é, aquele que teria a missão de corrigir as distorções que judeus e cristãos teriam feito das revelações passadas, e a responsabilidade de retirar as tribos árabes politeístas da “era da ignorância” e convertê-las ao Islã.
Fuga para Yatreb e confrontos militares com Meca
Maomé começou por converter aqueles que lhe eram mais próximos, como sua esposa, sogro, primos etc. Entretanto, sua radicalização monoteísta começou a ter efeitos sobre a dinâmica social e econômica da tribo coraixita. Outros clãs de Meca passaram a confrontar e perseguir Maomé e seu grupo de convertidos. Com a morte de seu tio e, depois, de sua primeira esposa, Khadijah, que faleceu em 619, Maomé decidiu aceitar o apoio e hospitalidade de famílias residentes na então cidade de Yatreb, para onde migrou em 622. Essa migração, ou fuga, ficou conhecida como Hégira.
Em Yatreb, Maomé conseguiu mais adeptos ao islamismo, de modo que a cidade tornou-se o seu reduto principal e também o seu quartel-general, a ponto de a cidade ter seu nome mudado para Medina (“a Cidade”, ou “Cidade do Profeta”). De Medina, Maomé passou a travar sucessivas batalhas contra Meca. A pregação religiosa passou a se entrelaçar com a guerra e a perspectiva de conquista. Duas das principais batalhas travadas por esse primeiro grupo de muçulmanos foram nas cidades de Badr, em 624, e de Ohod, em 625. Eles venceram a primeira e perderam a segunda. O principal inimigo mequense de Maomé nessa época era Abu Sufayan.
Sufayan, em 627, tentou sitiar Medina, mas os guerreiros muçulmanos conseguiram repelir um tropa de cerca de 10.000 mequenses. No ano seguinte, houve uma breve trégua com a permissão dada a Maomé, pelos mequenses, de poder peregrinar à sua cidade natal. Em 629, Maomé reuniu seus combatentes e cercou Meca. As batalhas pelo domínio da cidade demoraram até janeiro de 630, quando a resistência de Meca foi subjugada.
O domínio de Meca foi o primeiro passo da grande e rápida expansão islâmica que se veria nos anos seguintes. Maomé morreu dois anos após subjugar sua cidade natal. Sua morte provocou disputas sucessórias que definiriam, mais tarde, os grupos sunita e xiita, característicos do desenvolvimento do islamismo.

14.060 – Religião Viking


odin
Os povos Vikings, que habitaram a Escandinávia (atual Noruega, Suécia e Finlândia), no Norte da Europa, possuíam crenças religiosas pagãs, ou seja, não cristãs. Os mitos religiosos desses povos são conhecidos hoje como mitologia nórdica.
Os Vikings não eram extremamente religiosos, sendo o culto aos deuses realizado em épocas específicas ou em ocasiões individuais, isto é, quando uma pessoa procurava o favor divino. Um exemplo de festival religioso dos nórdicos era o Jól (também conhecido como Yule), que era realizado no inverno e que foi depois apropriado pelos cristãos e transformado na comemoração do nascimento de Cristo, o Natal. Outro exemplo de festival religioso é o Álfablót, que é visto de acordo com as fontes originais como festival de cura ou de celebração dos ancestrais. Já o culto individual estava relacionado com pedidos aos deuses e normalmente apresentava pequenos sacrifícios ou pequenos rituais de magia.
Apesar de não possuírem uma classe de sacerdotes dedicada à religião, essa função, principalmente nos rituais e festivais, era realizada pelos reis ou nobres em espaços sagrados ou templos construídos para finalidades religiosas, como o Templo de Uppsala, na Suécia. Os vikings acreditavam em seres míticos, como elfos (Álfar) e anões (Dvergar), além de gigantes (Jötunn) e dragões. Um ser mítico importante na religião viking era as Nornas, que eram seres divinos que regiam o destino dos homens. A visão de universo dos nórdicos estava centralizada na Yggdrasil, um freixo que interligava os nove mundos existentes.
Possuíam como principal deus Odin, considerado o deus mais poderoso da religião nórdica e chamado de “pai dos deuses”. Conforme Johnni Langer:
Outros deuses importantes eram Thor, Freyja, Balder, Týr, Loki etc. O fim do mundo para os nórdicos aconteceria no chamado Crepúsculo dos deuses (Ragnarök), no qual os deuses seriam destruídos, assim como parte do universo, após uma batalha final. Entretanto, estudos recentes defendem a influência do cristianismo no Ragnarök, e outros apontam que o mito do fim do universo possuía pouca influência na religiosidade viking. Os vikings foram gradativamente sendo cristianizados a partir do século X, com a religiosidade tradicional vinda do paganismo ficando restrita ao ambiente privado e presente no folclore popular nórdico.

14.058 – O Fim do Mundo Segundo os Vikings


fim do mundo viking
Ragnarök é o termo dado à crença dos vikings a respeito da morte de seus deuses e do fim da era em que viviam. A palavra Ragnarök tem origem no nórdico antigo, e sua tradução, segundo Johnni Langer, é “consumação dos destinos dos poderes supremos”.
Na crença dos vikings, o Ragnarök consistiria em uma sucessão de eventos catastróficos que levariam à destruição do Universo e à morte de parte dos deuses.
Importante frisar que o termo “viking” é utilizado para se referir aos povos nórdicos que habitavam a Escandinávia durante a Era Viking, que abrange o período de 793 a 1066. Esse período iniciou-se com as navegações realizadas pelos nórdicos, responsáveis por levá-los para diversos locais, como Islândia, norte da França, América do Norte, etc.
O que é Ragnarök?
Ragnarök é o termo usado para se referir aos eventos narrados em alguns registros escandinavos que mostram como os vikings acreditavam que o Universo em que viviam acabaria. Esse tipo de discurso que retrata o fim do homem e do mundo é chamado de escatologia. Para os vikings, o Ragnarök seria marcado por grandes batalhas entre deuses, gigantes e outras figuras míticas.
Na narrativa nórdica, os eventos do Ragnarök seriam antecedidos por um período chamado fimbulvetr, em que ocorreriam três longos invernos consecutivos. Nesse período, o mundo ficaria coberto com geadas, e a violência tomaria conta do mundo. A respeito desse acontecimento, o registro nórdico narra o seguinte:
Após o longo inverno, a sequência de novos acontecimentos seria o prelúdio de que o Ragnarok iniciava-se. Os nórdicos acreditavam que dois lobos (Skoll e Hati) finalmente alcançariam e devorariam o sol e a lua, depois de persegui-los eternamente. É importante observar que, para os nórdicos, a lua era um personagem masculino, e o sol, um personagem feminino.

Após isso, a escatologia nórdica afirmava que estrelas desapareceriam, aconteceriam tremores na terra, árvores seriam arrancadas e, finalmente, todas as correntes seriam quebradas. Nisso, os filhos de Loki (filho de Odin) marchariam para Midgard (mundo dos homens) para a batalha final. Os filhos de Loki que teriam papéis de destaque no Ragnarök eram o lobo Fenrir, a serpente que circundava o mundo chamada Jörmungandr e a deusa do mundo dos mortos chamada Hel.
Loki, por sua vez, navegaria rumo ao local da batalha final com o gigante de gelo Hrymir e seu exército no navio Naglfar. Esse navio era produzido com restos das unhas de todos os soldados que haviam morrido em batalha. Finalmente, Surtur e outros gigantes de fogo destruiriam a ponte Bifrost, que ligava Asgard (morada dos deuses) à Midgard.
Quando essa sucessão de eventos acontecesse, Heimdall, o guardião da Bifrost, soaria sua corneta e convocaria os deuses para que a batalha final fosse travada. Os exércitos que lutariam contra as forças de Loki seriam formados pelos deuses de Asgard, pelos einherjar
A luta que seria travada a partir dali teria o seguinte desfecho:
Odin lutaria contra o lobo Fenrir e seria devorado.

Vídar, filho de Odin, mataria o lobo Fenrir.

Thor, filho de Odin, lutaria contra Jormungandr, mataria a serpente, mas seria morto por seu veneno.

Frey (deus da fertilidade, relacionada à agricultura) lutaria contra Surtur e seria morto pelo gigante de fogo.

Týr (deus da justiça) lutaria contra Garmr, o cão que protege o mundo dos mortos, e ambos morreriam.

Loki lutaria contra Heimdall, e ambos morreriam na luta.

Por fim, Surtur incendiaria todo o Universo.

O Ragnarök sugere que o Universo seria destruído conforme mencionado, mas registros nórdicos também retratam o surgimento de um novo mundo. Esse mundo emergiria do mar e seria uma terra verde e bela, inicialmente habitada por um casal de humanos (Lif e Lifthrasir) que sobreviveram ao Ragnarök. Esse mundo que surgiria seria governado por Vidar e Vali, filhos de Odin e sobreviventes do Ragnarök, e contaria também com a presença de outros deuses: Modi, Magni, Balder e Hödr.
Quais são as fontes que registram o Ragnarök?
Os eventos relacionados ao Ragnarök foram registrados em diversos documentos que retratam a cosmologia (visão de mundo) dos nórdicos. O principal registro que menciona o Ragnarök é chamado Edda em Prosa, em especial um trecho do capítulo “Gylfaginning” (“O logro de Gylfi”).
A Edda Poética também é um documento que contém algumas menções ao Ragnarök, com destaque para o poema “Völuspá” (“A profecia da vidente”). Segundo aponta Johnni Langer, outros poemas da Edda Poética mencionam o Ragnarök, como “Lokasenna” (“O sarcasmo de Loki”) e “Vafþrúðnismál” (“A balada de Váfthrudnir”).
A Edda em Prosa é um documento escrito pelo historiador e poeta islandês Snorri Sturluson por volta do ano 1220. Essa obra foi dividida em vários capítulos, e um deles, em específico, organizou as crenças e os mitos da religião dos nórdicos.
A Edda Poética, por sua vez, é uma coleção de poemas nórdicos que narram diferentes histórias sobre os deuses em que os vikings acreditavam. Os poemas da Edda Poética fazem parte de um manuscrito chamado Codex Regius, encontrado na Islândia em 1643. O autor desses poemas é desconhecido até hoje.
A respeito do Ragnarök, existe uma certa contestação a respeito da veracidade desse mito, se de fato ele pertencia à crença religiosa dos vikings. Isso porque as evidências a respeito do Ragnarök são bem escassas. Existem aqueles que afirmam que a crença no Ragnarök é uma influência do Cristianismo na religiosidade dos vikings, mas não há consenso acadêmico sobre isso.
O historiador Johnni Langer sugere que a crença dos escandinavos no Ragnarök pode ter sido fruto da observação astronômica, mas também sugere que, se o Ragnarök não possui influências cristãs, pode não ter tido grande relevância na mentalidade nórdica, pois os registros, como citado, são bem raros.

14.050 – Alcoolismo – Embriaguez e suicídio de indígenas na atualidade


alcoolismo indios
O corpo de Brasil Lopes, índio da etnia Caiuá, foi encontrado na manhã do dia 19 de maio de 2011 na aldeia Bororó, no Mato Grosso do Sul. Ele se enforcou depois de passar a noite embriagado. Longe de ser um caso isolado, o excesso do consumo de bebidas alcoólicas e o suicídio entre as populações indígenas têm chamado a atenção das autoridades públicas. Já em 2000, a Fundação Nacional do Índio (Funai) indicou, a partir de um estudo, que o alcoolismo estava entre as enfermidades mais comuns nos grupos indígenas brasileiros. A Comissão Especial sobre as Causas e Consequências do Consumo Abusivo de Bebida Alcoólica, da Câmara de Deputados Federal, chegou a organizar um debate, em junho, sobre a ingestão exagerada feita pelos índios. Uma das questões abordadas foi justamente a relação entre o abuso de álcool e o aumento de suicídios.
Segundo informações do Distrito Sanitário Especial Indígena dessa região, a média de suicídios entre índios do Alto Solimões, na Amazônia, chegou a ser quase oito vezes maior que a média nacional em 2008, que varia de 3,9 a 4,5 para cada 100 mil habitantes. Embora seja preciso levar em conta os aspectos culturais, como os sentidos da morte para os diferentes grupos, o elevado número de suicídios, que chegou a 38,32 para cada 100 mil habitantes na região, pode ter no consumo excessivo de álcool uma de suas causas. Reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo, exibida em 30 de janeiro de 2011, apresentou diversos exemplos que indicaram o tamanho da questão, como o caso da índia Márcia Soares Isnardi, de 21 anos, da aldeia Bororó, que morreu depois de ter consumido bebida alcoólica.
Além dos suicídios, o alcoolismo também está diretamente ligado ao agravamento dos casos de violência nessas comunidades. Em outubro de2010, após seminário promovido pelo Ministério Público de Tocantins, foram criadas algumas normas para tentar coibir o consumo de álcool e drogas nas aldeias da nação Karajá daquele estado e do Mato Grosso. Foi instituída, por exemplo, a criação de uma polícia indígena destinada a proteger os integrantes das aldeias de pessoas violentas devido à embriaguez, bem como incentivos à prática de esportes. Tentativas de interromper o crescimento dessa estatística assustadora.

14.038 – Mega Techs – Novo spray pode substituir curativos para queimaduras e feridas


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A startup israelense Nanomedic Technologies criou um spray para a pele que pode tratar feridas rapidamente sem dores de queimaduras com a ajuda de nanomateriais que imitam o tecido humano. O aparelho chamado de SpinCare pulveriza um curativo de polímero transparente, semelhante à pele, diretamente na ferida. O produto é resistente à água por 24 horas após a aplicação, e descasca naturalmente assim que a pele tenha cicatrizado. O tratamento pode permanecer na pele danificada por duas ou três semanas.
A camada de pele temporária e transparente que o dispositivo gera pode ser aplicada sem tocar na pele carbonizada, ajudando a prevenir infecções. O SpinCare pode ser utilizado por médicos e outras equipes médicas que trabalham em hospitais ou clínicas ou que prestam atendimento domiciliar, diz a startup em seu site.
Como funciona
“Ao cobrir a ferida, reduzimos a dor, melhoramos a cicatrização e até, por suas características, imitamos totalmente a camada superior da pele, temporariamente, para que ela possa cobrir até que o corpo se cure sozinho”, explica Chen Barak, CEO da Nanomedic.
Ele ressalta a facilidade com que os profissionais de saúde podem aprender a usar o produto, a eficácia do produto em evitar infecções e os termos de tempo, quando comparado aos métodos tradicionais de curativo.
O spray consiste em um dispositivo leve, em forma de pistola, e um kit rotativo de ampolas descartáveis ​​contendo uma solução de polímero. A solução de polímero – na qual os polímeros dissolvidos podem ser naturais ou sintéticos – pode ser combinada com vários aditivos de acordo com a natureza da ferida e as necessidades do paciente: cremes antibacterianos, antibióticos, colágeno, silício, hidrogel e canabinoides.
A camada precisa ser aplicada apenas uma vez no ponto da ferida e permanecer neste ponto até que um novo tecido epidérmico cresça embaixo, um processo que pode levar de uma a três semanas. Quando o novo tecido é regenerado, a pele artificial descasca naturalmente, sem dores para o paciente.
As pessoas podem tomar banho de um a dois dias após o tratamento. Na maioria dos casos de queimaduras, o curativo precisa ser removido e alterado para isso.
O tratamento “destina-se a qualquer tipo de feridas que precisam de tratamento médico, incluindo lesões cirúrgicas e crônicas”, disse Barak.

Produto testado e aprovado
O dispositivo foi utilizado em mais de 100 pacientes em estudos clínicos em Israel em centros médicos como o Sheba Medical Center, o Hospital Ichilov em Tel Aviv e o hospital Rambam em Haifa, bem como vários na Europa.
A NanoMedic pretende lançar o novo produto no mercado no segundo semestre deste ano, primeiro na Europa e depois, após a aprovação da FDA, nos Estados Unidos.
Dr. Chen Barak, CEO da NanoMedic, informou que um preço final para o SpinCare ainda está para ser definido, mas que será significativamente mais barato do que outros produtos avançados no mercado. Além da compra única do próprio dispositivo, as ampolas utilizadas para carregar o polímero também serão relativamente baratas e vão exigir apenas uma aplicação por ferida.
“Sabemos que este é um sistema de entrega muito bom e, portanto, nosso pipeline de P&D possui ampolas que contêm componentes antibacterianos, além de componentes de colágeno que acabará indo para as células”, disse o CEO.
Cerca de 180 mil mortes acontecem a cada ano em todo o mundo por causa de queimaduras, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS).